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Introdução ao direito I - 1ª frequência

Introdução ao Direito (Universidade do Porto)

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Baixado por Alexandre mmm (samuel_marques_1@hotmail.com)
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Introdução ao Direito I - Aroso e Vilela

Direito (sistema de normas de conduta)


- O que é e assuntos relacionados ao mesmo:
• Quid Ius = O que é o direito?

Estas perguntas surgem aquando se envolve o termo “direito”, uma vez que possui uma “perspetiva investigante”

• Os problemas de direito e o problema do direito não podem ser distinguidos


• Possui uma intenção normativa (baseada no regulamento / lei)
- O que será um problema jurídico?
Controvérsia jurídica = litígio

• Núcleos que têm a haver com esta controvérsia


- O que é que identifica um problema / controvérsia?
• Elementos que se encontram num problema jurídico
- Componente da tercialidade (intervenção de um júri)

Exemplos de casos que dão início à matéria lecionada


1. O Luís é o proprietário* de um apartamento, cujo qual vai arrendar à Maria (arrendatária). O contrato
seguia naturalmente mas a Maria deixou de pagar a renda. Há um momento em que, por causa das
infiltrações, existe a necessidade de obras.Contudo, o Luís considera-as dispensáveis e diz que, se a mesma
as quiser fazer, pode, mas ele não se responsabilizará.

* este proprietário pode ser, por exemplo, um autarca local e o cenário mantém-se o mesmo, uma vez
que, nesse efeito, a autarquia local funciona como um sujeito privado.

2. Pedro, uma figura pública, durante uma entrevista televisiva em direto, faz uma série de afirmações que
colocam em causa o bom nome de outra figura pública, o Filipe. (Neste caso é possível explorar várias
controvérsias).

3. A Ana é sistematicamente impedida de se exprimir livremente, permanecer em alguns locais e de praticar a


sua religião, numa sociedade que o diz aceitar. Assim, a Ana vai mostrar e exigir à sociedade politicamente
organizada (sociedade em geral) em que está inserida, condições que assegurem a sua liberdade.

4. Dois Estados diferentes elaboram, em termos passados, um tratado em comum. Contudo, manifestam
interpretações diferentes e gera-se um conflito jurídico, uma vez que o tratado não é obedecido.

5. Estamos perante um programa televisivo. Estão a ser discutidos pontos de vista religiosos diferentes (pode-
se considerar outro tema). A intenção é mostrar ao público essas diferenças, através dos diferentes
argumentos utilizados.

Até a este momento, como estão como estão apenas a dar a sua opinião, sem atingir negativamente a esfera
um do outro, não há nenhuma controvérsia com relevância jurídica. Porém, se em certo momento,
algum deles partisse para as ofensas ou o uso da violência, a situação já passava a ser uma controvérsia
com relevância jurídica. (Problema suscetível de ser julgado como controvérsia jurídica)

Nota: O direito manifesta-se sempre numa correspetividade de direitos e deveres.

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Controvérsia Jurídica
Elementos:

1. A situação (partilhada pelos sujeitos), que se encontra num espaço de tempo conhecido, faz parte da
controvérsia “Situação histórico-concreta” Situação real suscetível
de ser comparada

2. O contexto-ordem, ou seja, horizonte de fundamentos e critérios que integram o sistema jurídico


no final, este conjunto de matérias permitirá a decisão da controvérsia (tercialidade)

3. Os sujeitos na sua autonomia (parte da controvérsia): diferença, isto é, os sujeitos envolvidos (no mínimo
2) podem assumir / sustentar diferentes posições sobre a mesma situação

4. Exigência de um “tratamento” desta diferença (ao reconhecer a cada um os direitos e deveres após se
assumirem no mesmo horizonte de fundamentos e critérios) quem permita dar à controvérsia uma decisão
que esteja baseada em padrões e normas legais (presunção de justiça e justeza)

A controvérsia como litígio distingue-se do diferindo pois, esta exige a convocação do terceiro
imparcial.
Se na discussão eles partilhem para pontos de
vista extremos / totalmente radicais, tomando-
se impossível a comunicação para chegar a um
Assim, num litígio é possível: “acordo”, ganha esta nomenclatura.

• Convocação de um terceiro imparcial - a tercialidade, sendo o 3º como o sujeito que não faz parte da
controvérsia, logo, exprime-se como um sujeito julgador.

- O mesmo tem a responsabilidade de “falar em nome ao direito” de forma imparcial

- Convoca todo o sistema jurídico na sua pluridimensionalidade (fundamentos e critérios), ou seja,


mobiliza padrões para tratar a controvérsia de acordo com os critérios do direito e chegar ao
veredicto final mais concreto

Tendo agora como base o exemplo 1.:


Inter-subjetividade juridicamente relevante
Relação entre 2 sujeitos, como por exemplo, no contrato

Antes de mais, podem haver dois tipos de contratos: unilaterais (ex.: testamento); bilaterais (ex.:
relações privadas voluntárias)

No sentido do direito há uma correspetividade de direitos e deveres, uma vez que, não troca apenas um
sujeito isoladamente, nem ao outro, mas sim a ambos, logo dá-se uma bilateralidade atributiva. Como a relação
jurídica implica ambos os sujeitos surge a exigibilidade, isto é, tratando-se de um contrato / conduta que
pertence a duas (ou mais) pessoas, quando uma não cumpre parte do acordo, a outra pode exigir o seu
cumprimento.
Não havendo cumprimento ou cumprimento defeituoso de uma
das partes, invoca-se o terceiro imparcial

Para se garantir que o nexo inter-subjetividade / exigibilidade / executabilidade deu-se a criação de


meios que garantem a sua eficácia, as sanções. Deste modo, entendemos que os sujeitos enunciados no caso 1.
apresentam a inter-subjetividade, pertencendo assim ao direito privado (1ª linha).

À parte, de forma a complementar a ideia anterior: o Direito privado e as suas relações privadas são
reguladas pelo Direito civil (= Direito privado geral)
Dentro deste surgiram alguns “direitos” mais específicos, como
por exemplo, o direito comercial (direito privado especial) ou o
direito do trabalho.
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Antigamente os contratos tinham algumas especificidades que distinguiam os trabalhadores / patrões e


nem sempre tinham as garantias necessárias , assim, na atualidade, (o porquê de ser “especial”)
tentaram criar contratos de forma a lutar por uma maior igualdade.

O Direito como Ordem: A Ordem Jurídica


A Ordem Jurídica apresenta 3 grandes linhas estruturais:

1ª linha (Estado pré-moderno) - Ordo Partium Ad Partes (Aristoteles - Direito Privado)

‣ Relações entre sujeitos privados e dos particulares com o Estado (depois do Ius Imperium), sendo
que o Estado age como um privado (exemplo 1.)

‣ A sociedade é palco dos acontecimentos

‣ O Direito tenta a realização dos interesses dos mesmos

‣ Procura uma liberdade (apesar de tudo tem limitações) / autonomia e igualdade (todos são tratados
como iguais / desiguais, dependendo do contexto)

‣ É um tipo de justiça cumulativa (tem de haver um equilíbrio mínimo) ou de troca

‣ Os ramos do Direito pertencem ao Direito privado

‣ Relações voluntárias

2ª linha - Ordo Partium Ad Totum (cidadãos inseridos numa sociedade politicamente organizada; há a relação
direta com o Estado)

‣ Relação entre os sujeitos (membro da comunidade) como particulares e membros de uma


comunidade

‣ O direito realiza uma função de eleição de certos valores à categoria de “bens jurídicos
fundamentais” Cabe também ao direito responsabilizar os sujeitos que violem esses “bens
juridicamente fundamentais”

‣ Valores de liberdade / autonomia e o de responsabilidade comunitária (é uma responsabilidade


exigida exigida pela comunidade para obedecer a limites formais / materiais); direitos e deveres
que todos têm de cumprir -relações de reciprocidade

‣ A justiça é protegida (legal) e geral

‣ Os ramos do direito são: Direito Público (nomeadamente Direito Penal - crimes - e DC - leis)

3ª linha - Ordo Totis Ad Partes (há a tentativa de diminuir as desigualdades, para isso, tomam medidas, como
o aumento dos impostos)

‣ Relações entre sociedade organizada - institucionalizada no Estado de Providência (diferente de


Estado demoliberal) e o particular como socii

Estado caracterizado por uma natureza muito intervencionista,


cabendo-lhe a seleção das necessidades e a racionalização dos
recursos e definindo, através das leis, os fins a alcançar.

‣ Valor de igualdade - que se alcança pela correção das desigualdades

‣ Justiça distributiva, de forma a corrigir / minimizar as assimetrias sociais

‣ Ramos do Direito Público mais recentes que correspondem a domínios da atuação finalística e
programática do Estado Providência

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Voltando ao caso 1., devemos salientar alguns aspetos:

Quando à comunidade no âmbito do Direito Privado é muito importante esta justiça de troca -
transações particulares voluntárias.

Quando esfera de alguém é atingida (sofre um dano) deve proceder à responsabilidade civil
Compensação do dano que foi feito pelo “culpado” através
de uma indemnização, tornando o legado indemne

Compensação à pessoa que sofreu o dano, de forma a diminuir a sua gravidade

Nota: uma relação de direito privado pode iniciar-se no momento em que tem de haver uma indemnização!

Relembrar:
Direito: conjunto de normas jurídicas que temos de respeitar sob pena de sofrermos uma Sansão. Que
“tipos” de sanções existem?

‣ Prisão ou multa - pena penal Se a violação de uma regra não for punida
(através de uma sanção) a mesma deixa de
‣ Pena disciplinar ter força

‣ Indemnização - responsabilidade civil

Quando provocamos prejuízos na esfera patrimonial de outra pessoa, somos obrigados indemnizar
(quem provoca o dano tem de indemnizar).
quebra na harmonia da “relação”

As normas jurídicas prevêem uma sanção. Porquê? Porque são coercivas, ou seja, podem ser aplicadas
mesmo contra a nossa vontade.

! Temos de atuar com respeito pelas normas !

• Poder executivo - Governo: executa as políticas Curiosidade:

• Penhora: bens móveis (não depende da


• Poder legislativo - Assembleia da República: faz as regras minha vontade)
• Hipoteca: bens imóveis
• Poder judicial - Tribunais: estabelecem o cumprimento das regras

O Estado usa o poder de fazer as regras e as aplicar.

é aplicável através dele

Falar em Direito é falar em Estado.

é quem o cria

✓ Características das normas:


• Coercibilidade - respeito / imposição da norma mesmo contra a nossa vontade (pode ser usada a
força)
• Generalidade - é-nos imposto a destina-se a todos
• Imperativa - só as temos de cumprir obrigatoriamente se fizermos algo que implique a sua
aplicação (ex.: casamento)
• Abstração - a solução é despida de particularidades, o facto de puder ser aplicada em diversos
casos

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✓ Estrutura das normas:

• Previsão - se (não) fizer x, acontece y


Consequência

➡ Em reforço à matéria já lecionada:

As relações jurídicas caracterizam-se:

• Bilateralidade atributiva, ou seja, há sempre dois lados - direitos e deveres (ex.: contratos de
compra e venda)

• Sujeitos que podem ser substituídos, ora têm direitos, ora têm deveres; há uma riqueza nas relações
jurídicas que faz com que a mesma pessoa possa ser titular se um mesmo direito e dever, tudo
depende da perspectiva pois, há uma mudança constante (os sujeitos das relações jurídicas estão
sempre em troca, são fungíveis)

‣ Ao direito de alguém corresponde o dever de outra pessoa

Litígio é o mesmo que controvérsia jurídica ou problema jurídico!


Normalmente, nestes casos, há um juiz natural. O que é isso?

Juiz que não é escolhido pelas partes, por outras palavras, quando a ação é entregue ao sítios (plataforma
digital). Há um sorteio aleatório onde se decide o juiz que vai julgar o caso.

Fase de instrução fase facultativa (quando achamos que os crimes que nos foram atribuídos foram mal atribuídos)

Fonte imediata: jurisprudência — influencia as decisões que têm como base o Direito, contudo, não é
nem cria uma lei.

Tendo em conhaque os casos são concretos e particulares e as normas são gerais e particulares, o juiz
necessita fazer uma simbiose entre o problema, princípios gerais do direito, as jurisprudência (quando assim o
entende) e a sentença, para tudo ficar em sintonia.

✓ Como diferenciar as 3 linhas (de forma resumida)?

‣ 1ª linha: ‣ 2ª linha:
• Privado vs privado • Relação direta com o Estado (relações jurídicas)
• Contratos • Direitos e deveres
• Justiça corretiva • Liberdade, autonomia e responsabilidade
• Direito privado • Membro de uma comunidade Comunidade em si
• Justiça comunicativa • Justiça legal/protetiva e geral
• Liberdade e autonomia • Direito publico-penal e constitucional
• Bilateralidade • Tem a haver com aquilo que o todo (Estado) pode exigir de
nós e vice-versa

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‣ 3ª linha (mudança radicam que mudou o Direito no Estado - intervenção determinada pela exigência da
liberdade):
• Estado social/providência (diferente de Estado demoliberal)
Intervir pela igualdade (justiça atributiva)
Pretendem permanecer com o Iluminismo e algumas liberdades dos Estados demoliberais, mas sem
repetirem os mesmos erros
Estado prestador com papel de integração

• Justiça distributiva - diminuir as desigualdades sociais


• Direito público

✓ Exigência fundamental do Estado de Direito:


‣ Princípio da legalidade criminal - ninguém pode ser punido se, no momento em que fez tal ato, o
crime não estava estabelecido na lei

As funções da Ordem Jurídica:

1. Função Primária ou Prescritiva:


O Direito tem um problema nuclear, - partilha do Mundo “que é um só, sendo nós muitos” - neste
sentido, o Direito atua como princípio de ação e critério de sanção.

O que deve ser e o que não deve ser Modelos de comportamentos que
feito em sociedade.
 podem levar a consequências
O Direito é uma norma de dever-ser.

Deste modo, há um confronto moralidade (ética; liberdade interna) vs Direito (liberdade externa), no
sentido em que se devem seguir os modelos de comportamentos segundo o binómio “lícito/ilícito” pois
apresentam uma estrutura interna* constituída por uma previsão/hipótese e uma estatuição/consequência
jurídica.

* estrutura lógico-racional: esta assume-se como um verdadeiro critério de resolução da controvérsia jurídica.

Tendo em conta o problema nuclear do Direito, chegamos à conclusão que há uma necessidade da
existência de sanções.

Direito como critério de sanções:

Sempre que um sujeito não cumpre com a obrigação a que está adstrito, viola o (correspondente)
direito do outro sujeito (intersubjetividade / bilateralidade atributiva). Quando isto acontece, o sujeito que
“sofre”, tem reconhecida a faculdade de exigir o cumprimento dessa obrigação, mediante o recurso dos tribunais
(exigibilidade). Assim, da intersubjetividade resulta a exigibilidade.
 Ver pág. 8
Por fim, há uma conexão entre: bilateralidade atributiva exigibilidade executabilidade

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Sanção: visa dar eficácia ao que as leis ditam:


obedecem a princípios de proporcionalidade; têm de
ser proporcionais às infrações, não são escolhidas
de forma arbitrária; dão eficácia ao Direito;
imperativo normativo que temos de cumprir;
A Ordem jurídica é princípio de ação e critério de sanção:

Sanção: é “todo o meio que a ordem jurídica utiliza para tornar eficaz as suas prescrições”. Visa dar
eficácia ao que as leis ditam, não são escolhidas de forma arbitrária e dão eficácia ao Direito. Imperativo
normativo que temos de seguir. Obedecem a princípios:
• Proporcionalidade: têm de ser proporcionais ao ato
• Igualdade: têm de ser tão gravosas quanto o ato
• Necessidade: para além de ter de haver uma causa, tem de ter um valor penal (preço)

Tipos de sanção:

‣ Sanções positivas: meios usados pelo Direito para tornar efetivos os seus objetivos práticos; 

Exemplos: o direito de recorrer a um tribunal não é cortado e ainda tem a possibilidade de possuir uma ajuda,
por outras palavras, o pagamento dos custos do tribunal (apoio jurídico); um doente oncológico tem direito a
uma redução dos impostos (IRS); o direito à bolsa de estudo

‣ Sanções negativas: reação à prática de um determinado facto (crime, infração ao código, etc.) de uma forma
negativa e repressiva;

Exemplo: quando não fazemos um contrato ao comprar uma casa estamos sujeitos à nulidade

‣ Sanções promocionais: aquelas que, numa sociedade como a nossa, nos beneficiam

‣ Sanções repressivas: sanções negativas nas quais existe o uso da força/coação

Classificação das sanções:

‣ Sanções reconstitutivas: visa reconstruir / restabelecer a norma jurídica tal e qual como estava se a violação
não tivesse ocorrido; visa recuperar a normalidade passada

✓ Reconstituição em espécie / in natura: visa repor a situação anterior à violação da norma jurídica,
obedece ao princípio da proporcionalidade; ex.: art. 566 nº1 (CC) e art. 1341 (tentativa de ampliação
de terreno)

✓ Execução específica: só existe no direito das obrigações e consiste na realização de uma prestação
imposta pela norma que foi violada (está ligado aos contratos), ou seja, o tribunal atribui uma
sentença pelo incumprimento da lei; ex.: art. 827 (pessoa condenada ao despejo mas não saiu de
casa , então, é necessário uma sentença do tribunal para que ela saia) e art. 828 (prestação de facto
fungível)

✓ Indemnização específica: há uma reposição da situação de como estava antes, mas através de um
novo dispositivo (caso do telemóvel); a natureza é a mesma, mas o objetivo não, contudo, permite
desempenhar a anterior função da mesma forma

‣ Sanções compensatórias ou ressarcitórias: resulta da responsabilidade civil; restabelecer uma situação


através de, por exemplo, uma indemnização; há um dano emergente (prejuízo causado - art. 562) e um lucro
cessante (lucro que deixa de poder ser obtido, por causa do grau do dano - art. 564 nº1)

‣ Sanções punitivas: criminais, civis ou disciplinares; suspensão , expulsão, possibilidade de exercer a


profissão; visam castigar o infrator pela lei infringida; ex.: prisão e multa pelo código penal, processos
disciplinares (para quem trabalha para o Estado; art. 2034 sobre a indignidade sucessório; art. 1649 quando
falamos de um casamento de menores

‣ Sanções preventivas: destinam-se a evitar que determinado ato venha a acontecer no futuro, ato este que
foge da lei; ex.: art. 781(CC)

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Nota: há sanções que podem ser simultaneamente punitivas e preventivas (ex.: um pedófilo que violou um
menor não pode estar / passar próximo de uma escola)

‣ Sanções compulsórias ou compulsivas: visam levar o infrator a adotar, mesmo tardiamente, a conduta
devida para que a violação cesse; ex.: art. 829 alínea a), no caso do incumprimento do prazo de uma obra
pode-se aplicar uma sanção compulsória diária / mensal (obrigatoriedade do cumprimento de prazos
estabelecidos)

‣ Sanções de ineficácia: resposta / reação da ordem jurídica que impede e afeta alguns contratos / atos
jurídicos, impedindo que tal acontecimento produza a totalidade / parcialidade dos seus efeitos jurídicos

1. Inexistência jurídica: sanção grave; ex.: art. 1628 a 1630 (sobre os casamentos: se o casamento for
celebrado por um funcionário não competente para tal, esse casamento é juridicamente inexistente,
se um dos entes não estiver a casar sob vontade própria ou mesmo um casamento por procuração -
anúncios no jornal) e art. 1630 (a inexistência pode ser invocada por qualquer pessoa e a qualquer
altura)

2. Invalidades: não mata o ato / contrato como a ineficácia, o contrato continua a existir mas tem uma
invalidada que faz com que este não produza efeitos ou produza parcialmente esses efeitos

i. Nulidade: anulável pelo interesse público; são nulos todos os contratos informais (por
aperto de mão; trocar uma chave por uma quantia de dinheiro - estes contratos não
produzem efeitos jurídicos); porque é que é nulo? porque está em causa a violação de um
interesse público; a nulidade é insanável (como uma ferida que nunca se cura);ex.: art. 280
(o objeto do negócio tem de ser possível - não podemos negociar o sol, a lua, o bom tempo),
art.285 e 286 (é invocável a todo o tempo a qualquer interessado, mesmo que este não
(características da
nulidade) faça parte do “negócio” e pode ser declarada oficiosamente pelo tribunal / pelo juiz)

ii. Anulabilidade: anulável apenas pelo sujeito queixoso; passa com o tempo (o contrato só
(características da pode ser anulado num tempo restrito), não pode ser declarada oficiosamente pelo
anulabilidade) tribunal (o contrato ou ato não pode ser anulado pelo juiz) e há um número restrito de
pessoas que a podem invocar; ex.: art. 287 (só têm legitimidade para arguir a
anulabilidade as pessoas em cujo interesse a lei as estabelece e só dentro do ano
subsequente à cessação do vício), art. 288 (é sanável mediante confirmação , esta compete à
pessoa em causa), art. 289 (todas as consequências produzidas pelo contrato são restituídas
ao ponto atual — se tal não for possível recorre-se a indemnizações — uma vez declarado a
anulabilidade do ato), art. 270 (se o contrato tiver ligado a uma condição futura, — por
exemplo, uma casa que é vendida só e o vendedor ganhar o Totoloto — são pouco
frequentes)

Estrutura da norma jurídica:

A norma jurídica tem uma estrutura interna constituída por duas dimensões:

1ª Previsão: a norma jurídica regula situações ou casos hipotéticos da vida, que se espera que venham
a acontecer (previsíveis), isto é, contém, em si mesma, a representação da situação futura (previsão ou hipótese
de uma situação)

2ª Estatuição: a norma jurídica impõe uma conduta a adotar quando se verifique, no caso concreto, a
previsão da norma (encontra-se a resposta ao Direito)

Sanção: a norma jurídica dispõe os meios de coação que fazem parte do sistema jurídico para impor o
cumprimento dos seus comandos.

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Exemplos: “Aquele que, achando exposto em qualquer lugar um recém nascido ou que, encontrando
em lugar ermo um menor de sete anos, abandonado, o não apresentar à autoridade administrativa mais próxima,
será condenado a prisão de um mês a dois anos.” (art. 346º CP vigente em Cabo Verde):

No exemplo apresentado, temos:

- Previsão / Hipótese: prevê sempre hipoteticamente uma situação (“se …”); “Aquele que, achando exposto
em qualquer lugar um recém nascido ou que, encontrando em lugar ermo um menor de sete anos,
abandonado …”

- Estatuição: resposta da norma e do direito (“então …”); “… o não apresentar à autoridade administrativa
mais próxima …”

- Sanção: “… será condenado a prisão de um mês a dois anos.”

Nota: se aparecer um exercício para verificar a estrutura da norma temos de dizer qual é a hipótese e a
estatuição.

2. Função Secundária ou Organizatória:

A ordem jurídica para subsistir tem de se renovar continuamente. Além disso, tem de se materializar,
isto é, tem de ganhar consistência prática. Deste modo, estabelece as suas próprias instituições, determina-lhes o
estatuto funcional e organiza os processos jurídicos da atuação primária.

No quadro desta função, a ordem jurídica cria o seu próprio sistema ou ordenamento jurídico,
garantindo-lhe a sua coerência pela instituição de órgãos (principalmente os Tribunais) que impõem sanções
pelo desrespeito das normas, ainda que seja pelo uso da força (coação).

1º momento: momento da procura da unidade. Possibilidade de estabelecer critérios secundários que


asseguram essa procura

2º momento: momento histórico ou constitutivo. Neste momento, a ordem jurídica procura resolver
problemas associados à sua dinâmica histórica e desenvolvimento constitutivo.

3º momento: momento da realização orgânica. Criação de órgãos (criar, aplicar e fiscalizar a aplicação
do Direito) e atribuição de competências aos mesmos, ao mesmo tempo que hierarquizam as suas relações.

4º momento: momento da determinação ou realização procedimental ou adjetiva (momento funcional).


Corresponde a uma autonomização de regras de processo, ou seja, procura resolver problemas relativos à
criação e organização do processo jurisprudencial como condição fundamental da própria validade da sentença
(ex.: norma do CC e do CP)

Assim, a função secundária, cria e estabelece normas que vão tornar possível o recurso ao 3º imparcial.

Hart:
Estabelece questões diferentes. Sempre que tivermos perante uma ordem de direita temos regras
primárias e secundárias.

1. Desenvolvimento histórico: regras de mudança especificam modos possíveis de transformação do


direito, evita que o direito se transforme estático; permite que o Direito se vá habituando às mudanças da
sociedade (legislação)

2. Regras de mudança, que podem decorrer da nossa interação como sujeitos privados.

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3. Regras de julgamento de decisão: se alguém viola uma norma tem de existir regras para saber se essa
norma foi violada e como a sancionar (direitos e deveres dos envolvidos)

4. Regras do reconhecimento: tem de haver uma regra secundária que terá como função dizer o que
naquela ordem jurídica o que vale direito e o que é direito (qual é o direito que vigora numa ordem jurídica)

Conjugação do momento orgânico, processual e de regras de juízo e sobre fontes (regras de


reconhecimento)

Nota: se não existissem regras de julgamento, o Direito não teria eficácia

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