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GESTÃO DE

CUSTOS
INDUSTRIAIS

Gustavo Antoni
Revisão Técnica:
Henrique Martins Rocha
Graduação em Engenharia Mecânica (UERJ)
Mestrado em Sistemas de Gestão (UFF)
Doutorado em Engenharia Mecânica (UNESP)
Pós-doutorado em Projetos/ Desenvolvimento de Novos Produtos (UNESP)

A635g Antoni, Gustavo.


Gestão de custos industriais / Gustavo Antoni. –
Porto Alegre : SAGAH, 2017.
213 p. : il. ; 22,5 cm.

ISBN 978-85-9502-118-1

1. Indústria - Custos. 2. Indústria - Gestão. I. Título.

CDU 657.4:67

Catalogação na publicação: Poliana Sanchez de Araujo – CRB 10/2094


U N I D A D E 1
Introdução a
finanças e custos
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:

„„ Reconhecer o escopo geral do estudo de finanças.


„„ Descrever as principais decisões financeiras de uma empresa.
„„ Sintetizar as etapas de um sistema de gestão de custos.

Introdução
Você sabia que a administração de uma empresa precisa de várias áreas
essenciais para sobreviver? A área de recursos humanos, por exemplo, é
responsável pela captação e pelo desenvolvimento de pessoas que tenham
perfil adequado para uma determinada posição. No caso de uma indústria,
temos a manufatura, que é responsável por utilizar insumos e recursos
disponíveis, como matéria-prima, máquinas e equipe de trabalhadores,
para a fabricação de produtos ou serviços desejados por um cliente.
Uma organização conta com diversas áreas, dependendo do seu porte
e mercado de atuação, como marketing, vendas, compras, almoxarifado,
PCP, engenharia, entre outros, cada uma com sua função vital na empresa.
O objeto de estudo deste texto é a área financeira de uma organização,
na qual é feita a administração, o controle e o planejamento da utilização
do dinheiro da empresa.
Neste texto, você vai estudar qual a função e o escopo da área finan-
ceira de uma empresa, bem como o motivo pelo qual a área de finanças
é um tópico importante para qualquer área de atuação. Além disso, você
vai visualizar, no contexto de contabilidade, a forma como são divididos
os gastos realizados pela empresa e quais as etapas realizadas pela con-
tabilidade de custos para a apuração dos custos industriais.
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Estudo de finanças
A disciplina de finanças é uma ampla área de estudos, conforme apontam
Gitmann (2010 apud CURY et al. 2012, p. 19). As finanças tratam de processos,
instituições, mercados e ferramentas envolvidas na transferência de recursos
financeiros entre pessoas, empresas e governos. Você vai ter um aprendizado
mais avançado do estudo de finanças se conhecer algumas definições básicas
e entender seus conceitos.
Segundo Cury e colaboradores (2012), a área de finanças trabalha com a
tomada de decisão, sendo, portanto, um cenário no qual há necessidade de
um estudo ou uma análise financeira. É necessário que três condições sejam
atendidas:

1. Há um processo decisório, ou seja, uma decisão precisa ser tomada.


2. A decisão envolve recursos financeiros da empresa.
3. O objetivo do processo decisório é gerar valor para a empresa.

As condições aqui citadas estão esboçadas na Figura 1.

Figura 1. Condições para tomada de decisão a partir de uma análise financeira.


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Ainda de acordo com Cury e colaboradores (2012), a geração de valor


é a base das finanças de uma organização devido ao vínculo com a geração
de riqueza. Assim, a geração de valor é a capacidade que uma empresa tem
de produzir resultados financeiros superiores ao custo do capital investido.

Toda empresa tem como objetivo gerar valor para seus acionistas. Logo, finanças é a
ciência de administrar recursos financeiros de forma a maximizar a geração de riqueza
para a empresa e seus acionistas.

A maximização da geração de riqueza consiste na eficácia da tomada de


decisão a respeito das opções de investimento que serão realizadas e quais
opções serão deixadas de lado. A Figura 2 ilustra o escopo do estudo de
finanças visto até o momento.

Figura 2. Escopo geral do estudo de finanças.

Por que estudar finanças?


Segundo Berk, Demarzo e Harford (2010), as finanças estão presentes no
cotidiano de qualquer pessoa, e o pensamento financeiro é utilizado para
ponderar alternativas como:

a)  ir para o trabalho de carro ou de transporte público;


b)  avaliar as condições de um financiamento imobiliário;
c)  iniciar uma poupança para a aposentadoria.
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No ambiente empresarial, muitas decisões devem ser tomadas e terão como


base o pensamento financeiro. Confira estes exemplos:

a)  investir no lançamento de uma nova linha de produtos;


b)  produzir determinado produto ou terceirizar a produção;
c)  reformar um equipamento ou comprar um novo.

As decisões citadas, sejam as pessoais ou as empresariais, precisam passar


por uma análise financeira de forma que os custos e benefícios de cada decisão
sejam ponderados adequadamente.

Tomadas de decisão exigem, muitas vezes, estudos de mer-


cado e análise de indicadores econômicos. Tais informações
podem ser encontradas na página do Banco Central do
Brasil: no menu “Sistema de metas para inflação”, acesse
“Sala do investidor”.

http://www.bcb.gov.br

A gestão financeira e as decisões financeiras


A gestão financeira de uma empresa é feita pelo gerente financeiro. É res-
ponsabilidade dele a tomada de decisões financeiras da organização (BERK;
DEMARZO; HARFORD, 2010). As decisões financeiras são:

„„ Tomada de decisão de investimento – esta é a função mais importante


do gerente financeiro, pois envolve ponderar gastos e ganhos para
decidir quais projetos ou investimentos se classificam como um bom
uso do dinheiro dos acionistas.
„„ Tomada de decisão de financiamento – ao gerente financeiro cabe,
também, decidir a forma como os projetos ou investimentos serão pagos,
principalmente para grandes projetos que podem exigir a captação de
recursos de terceiros.
„„ Gerenciar o fluxo de caixa das atividades operacionais– garantir que
a empresa tenha dinheiro disponível para honrar seus compromissos
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diários também é responsabilidade do gerente financeiro. Essa tarefa


se chama gerenciamento do capital de giro.

Papel do gerente financeiro


Cury e colaboradores (2012) afirmam que o gestor financeiro decide quais
investimentos a empresa deve realizar e tem responsabilidade sobre como
será formado o caixa para efetuar esse investimento.

O administrador financeiro precisa tomar as decisões de investimento e


financiamento e, para isto, deve encontrar as respostas específicas que
coloquem os acionistas ou cotistas da firma na melhor situação possível.
Seu sucesso será julgado pelo valor criado. (CURY et al., 2012, p. 18).

Logo, uma boa decisão de investimento resulta na aquisição de um produto


financeiro que tem valor superior ao seu custo, ou seja, tem capacidade de
gerar valor para a empresa.

Para saber mais sobre o papel do gerente financeiro, leia o livro Fundamentos de finanças
empresariais, escrito em 2010 por Jonathan Berk, Peter DeMarzo e JarradHarford.

Contabilidade de custos
Ávila (2006, p. 23) faz a seguinte afirmação:

Contabilidade é a ciência que se ocupa de registrar, por meio de técnicas


próprias, dos atos e fatos da administração das entidades econômico-
-financeiras que possam ser expressos monetariamente, possibilitando o
controle, o estudo, a interpretação e o fornecimento de informações sobre
variações do patrimônio das empresas para todos os usuários interessados.

As informações são apresentadas na forma de demonstrativos contábeis,


e, segundo Limeira e colaboradores (2012), pode-se ver o conceito fundamental
de três exemplos destes demonstrativos.
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„„ Balanço patrimonial – indicativo da situação econômica e financeira


da empresa, no qual são mostrados os resultados das transações envol-
vendo bens, direitos e obrigações da empresa.
„„ Demonstrativo de resultados do exercício – mostra o resultado de um
período, através do balanço entre receitas, custos e despesas.
„„ Demonstração de fluxo de caixa – mostra a movimentação e o saldo
de caixa e equivalentes de caixa.

Ainda de acordo com Limeira e colaboradores (2012), as informações


contábeis são utilizadas para dois fins:

„„ Controle – monitoramento para garantir que a empresa está trabalhando


conforme o plano traçado.
„„ Planejamento – processo decisório das ações a serem realizadas no futuro.

Controle e planejamento são complementares, uma vez que o controle do ano corrente
será utilizado para planejamento do ano seguinte.

No demonstrativo de resultados do exercício estão apresentados os gastos


realizados pela empresa, entre outras informações. Gastos são todos os bens e
serviços consumidos pela empresa e que, em algum momento, acabam gerando
um desembolso, isto é, geram saída de recursos financeiros. Os gastos são
divididos em categorias, de acordo com suas características. Confira essas
categorias na Figura 3.

Figura 3. Categorias de gastos.


Fonte: Adaptado de Limeira et al. (2012, p. 33).
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As categorias de gastos podem ser descritas da seguinte forma:

„„ Despesas – valores gastos com bens e serviços de terceiros, com a


finalidade de gerar receita. Exemplo: gastos com materiais de expediente
e com salários (ÁVILA, 2006).
„„ Investimentos – aquisição de bens que serão ativados. Exemplo: aqui-
sição de máquinas e equipamentos.
„„ Perdas – gastos anormais que não geram bens ou serviços e também
não geram receitas. Exemplo: inadimplência de clientes.
„„ Custos – gastos com bens e serviços com o objetivo de gerar bens e
serviços (LIMEIRA et al., 2012). Exemplos: gastos com matéria-prima,
mão de obra e energia elétrica.

Sistema de gestão de custos


Um sistema de gestão de custos tem por objetivo atribuir ao produto ou serviço
somente os valores atribuídos a ele de forma direta, conforme aponta a Univer-
sidade Luterana do Brasil (2009). De acordo com a publicação (KLIEMANN
NETO, 1989 apud UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL, 2009, p. 19),
um sistema de gestão de custos tem três fases:

„„ Apuração – identificação dos custos diretos e indiretos relacionados


ao produto.
„„ Análise – apropriação correta dos custos ao produto, através de quan-
tificação e avaliação dos custos.
„„ Divulgação – informação dos setores responsáveis sobre a metodologia
utilizada e os valores apropriados ao produto.

As informações dos custos de fabricação apropriados servirão para a


formação de preços.
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1. Um processo decisório que envolve bens, direitos e obrigações da


a utilização de recursos financeiros empresa é chamado de:
com o objetivo de gerar valor a) Análise financeira.
para a empresa tem a tomada de b) Balanço patrimonial.
decisão baseada em: c) Demonstração do fluxo de caixa.
a) Análise financeira. d) Demonstrativo dos
b) Demonstração dos resultados do exercício.
resultados do exercício. e) Folha de pagamento.
c) Divulgação de custos. 4. Os gastos de uma empresa são
d) Meta do gerente. divididos em quatro categorias.
e) Análise de perdas. Gastos com inadimplência e gastos
2. Garantir que a empresa tenha com matéria-prima pertencem,
dinheiro para honrar suas respectivamente, a quais categorias?
obrigações diárias é uma das a) Perda e investimento.
responsabilidades do gerente b) Despesa e custo.
financeiro. Esta atividade também c) Perda e despesa.
pode ser chamada de: d) Custo e investimento.
a) Geração de valor para a e) Perda e custo.
empresa e para os acionistas. 5. Quais são as fases para elaboração
b) Tomada de decisão de um sistema de custos?
de investimento. Selecione a opção que apresenta
c) Balanço patrimonial. as fases corretas e na ordem em
d) Gerenciamento do fluxo de caixa que são realizadas.
das atividades operacionais. a) Apuração, divulgação e análise.
e) Tomada de decisão de b) Análise, apuração e divulgação.
financiamento. c) Apuração, análise e divulgação.
3. O demonstrativo contábil d) Divulgação, análise e apuração.
que mostra os resultados e) Apuração, informação
das transações envolvendo e divulgação.
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ÁVILA, C. A. Gestão contábil para contadores e não contadores. 20. ed. Curitiba: IBPEX,
2009.
BERK, J.; DEMARZO, P.; HARFORD, J. Fundamentos de finanças empresariais. Porto Alegre:
Bookman, 2010. E-book.
CURY, M. V. Q. et al. Finanças corporativas. 11. ed. Rio de Janeiro: FGV, 2012. (Gestão
Empresarial).
LIMEIRA, A. L. F. et al. Gestão contábil financeira. Rio de Janeiro: FGV, 2012. (Gestão
Empresarial).
UNIVERSIDADE LUTERANA DO BRASIL (Org.). Gestão de custos. Curitiba: IBPEX, 2009.

Leitura recomendada
COELHO, F. Formação estratégica de precificação: como maximizar o resultado das
empresas como maximizar o resultado das empresas 2. ed. Rio de Janeiro: Atlas, 2009.
Encerra aqui o trecho do livro disponibilizado para
esta Unidade de Aprendizagem. Na Biblioteca Virtual
da Instituição, você encontra a obra na íntegra.
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