Você está na página 1de 17

R e d ação

t
ú l t iplas ns
T R E tM
g uage
M ES L i n
2 BI
o

2
o
ano

io
éd
in oM
Ens
2
o
ano

Ensino Médio

2o BIMESTRE
t3FEBÎÍP MANUAL DO
t.ÞMUJQMBT-JOHVBHFOT PROFESSOR
MATERIAL DE APOIO
Este conteúdo é parte integrante NO FINAL DO VOLUME
das coleções: Moderna Plus – Produção
de texto: interlocução e gêneros, 2a edição,
de Maria Luiza M. Abaurre e Marcela Pontara.

Veredas Digital Arte – Conexões com a Arte,


1a edição, obra coletiva concebida, desenvolvida
e produzida pela Editora Moderna.
Editora responsável: Virginia Aoki.
Produção de texto: interlocução e gêneros, 2a edição © Maria Luiza Marques Abaurre, Maria Bernadete Marques Abaurre, 2015.
Conexões com a Arte, 1a edição © Editora Moderna, 2013.

ORGANIZAÇÃO EDUCACIONAL FARIAS BRITO EDITORA MODERNA


Direção-geral: Tales de Sá Cavalcante, Hilda Sá Cavalcante Prisco, Diretoria-geral de educação: Ângelo Xavier
Dayse de Sá Cavalcante Tavares Diretoria de negócios: Igor Mauro
Direção administrativa: Patrícia Teixeira Diretoria editorial: Sônia Cunha
Direção técnica: Fernanda Denardin Diretoria de operações editoriais: Ricardo Seballos
Coordenação editorial: Aurea Regina Kanashiro, Virginia Aoki
Supervisão pedagógica: Isabel Lustosa, Marcelo Pena Gerência de design n e produção gráfica: Sandra B. de Carvalho Homma
Gerente editorial: Danielle Cabral Coordenação de produção: Everson de Paula
Designn da capa: Daniel Messias
Fotos: Marco Antonio Sá/Pulsar Imagens, Robert
Harding World Imagery/Alamy/Glow Images,
Justin Mcmanus/The AGE/Fairfax Media/Getty
Images, Luis Moura/Estadão Conteúdo/AE
Coordenação de arte: Patrícia Costa Ribeiro
Ilustrações: André Moscatelli, Bruno Santos, Mario Kanno, Nani,
Paulo Manzi, Simon Ducroquet
Coordenação de revisão: Elaine C. del Nero
Coordenação de pesquisa iconográfica: Luciano Baneza Gabarron
Coordenação de bureau: Américo Jesus
Coordenação de produção industrial: Viviane Pavani
Impressão e acabamento:

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
Todos os direitos reservados
EDITORA MODERNA LTDA.
Rua Padre Adelino, 758 – Belenzinho
São Paulo – SP – Brasil – CEP 03303-904
2015
Impresso no Brasil

0800 17 2002 | www.moderna.com.br/SFB


Material de apoio
ao professor
REDAÇÃO
Orientações específicas ........................................................... 2
Comentários e respostas dass atividades ........................................... 2
ORIENTAÇÕES ESPECÍFICAS

COMENTÁRIOS E RESPOSTAS DAS ATIVIDADES


Como nossos ancestrais não podiam comprar
CAPÍTULO 5 filés e batatas congeladas no mercado mais
Texto de divulgação científica
T próximo, saíam à caça para garantir o jantar.
Só que nem sempre o dia de trabalho rendia”.
b) Após mencionar nossa tendência a preferir
Análise – p. 146 alimentos mais calóricos, Marcia Kedouk
1. O texto trata da alimentação humana, procuran- começa a introduzir a perspectiva histórico-
do demonstrar de que modo a evolução da es- -evolutiva a partir da qual irá tratar do tema
pécie acabou por influenciar nossas preferências abordado: “Isso vem de longa data. Como
alimentares. nossos ancestrais não podiam comprar filés
e batatas congeladas no mercado mais pró-
r A autora deseja divulgar importantes infor-
ximo, saíam à caça para garantir o jantar”.
mações sobre como a opção por determinados
Nessa passagem, a referência à impossibili-
alimentos (com substâncias mais calóricas)
dade de nossos ancestrais comprarem filés
afetou o desenvolvimento da espécie humana,
e batatas congeladas faz com que o leitor se
mais especificamente o desenvolvimento do
sinta inserido no contexto criado e, assim,
nosso cérebro.
mais próximo daquilo que começará a ser

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
2. Há vários exemplos de interlocução explícita ao exposto.
longo do texto. Logo nos primeiros parágrafos,
4. “[...] os alimentos mais energéticos, que costu-
podemos identificar as seguintes passagens:
mam ser adocicados. Já os maiores venenos da
“Desde que o mundo é mundo, seu cérebro [...]”, natureza são amargos” (2o parágrafo); “[O cérebro]
“Como nossos ancestrais [...]” (1o parágrafo); “[...] desenvolveu um circuito chamado centro de re-
Nunca menospreze o poder do cérebro [...]”, “[...] compensa. Toda vez que você come um alimento
Toda vez que você come um alimento bem calórico bem calórico, estimula essa região a liberar uma
[...]” (3o parágrafo); “[...] Aí, você vê uma comida [...] descarga de dopamina, a substância inebriante
e já começa a salivar. Seu estômago se prepara libe- do prazer.” (3o parágrafo); “Um grama de gordura
rando sucos gástricos [...]. Quanto mais calórico tem nove calorias. Um grama de proteína pura,
for o alimento, mais seu cérebro fica animadinho.” quatro. Um de quiabo, 0,04. Daí o sucesso do
(4o parágrafo); “[...] Quando você morde um chee- hambúrguer e a agonia dos vegetais. [...] Para o
sebúrguer, é recompensado com uma bela dose de cientista alimentar americano Steven Witherly, o
dopamina e se sente mais feliz instantaneamente” cérebro é capaz de calcular quanta energia — e,
(5o parágrafo). portanto, dopamina — cada alimento vai gerar
durante o processo de mastigação e digestão.
r Ao estabelecer uma interlocução com o leitor, a
Os sensores para isso estão em toda parte: na
autora dá ao texto um tom mais informal, des-
língua, no céu da boca, no nariz, nos olhos, na
contraído. Assim, apesar de apresentar alguns
garganta, nas células de gordura. [...]” (5o parágra-
conceitos desconhecidos pela maior parte das
fo); “O amido da batata, do trigo, da cevada, do
pessoas, Marcia Kedouk consegue, por meio
arroz é composto por duas moléculas: a amilose
da interlocução, fazer com que o leitor se sinta
e a amilopectina. Quando o vegetal está cru, as
incluído na discussão e, portanto, mais próximo
duas ficam bem grudadas. E quase inacessíveis
da questão abordada.
ao sistema digestivo. Quando o amido vai para o
3. Marcia Kedouk representa seu leitor como uma fogo, as duas se separam e fornecem energia para
pessoa comum, que se interessa pelo tema abor- o corpo.” (7o parágrafo); “Nossos amigos primatas
dado porque, embora provavelmente não tenha têm cerca de 28 bilhões de neurônios — nós te-
conhecimentos específicos a respeito do assunto mos 86 bilhões. E como nossas células nervosas
tratado no texto, certamente irá se identificar realizam atividades mais complexas que as dos
com comportamentos e opções alimentares chimpanzés (ou pelo menos deveriam), elas con-
descritos. somem de 20% a 25% da energia disponível. Em
outros animais, o cérebro fica com 8% do que é
a) Logo no primeiro parágrafo, a autora começa
comido. Ou seja: de cada 2 mil calorias que con-
a construir uma imagem do seu interlocutor
sumimos, 500 vão só para a massa cinzenta e o
ao fazer referência a opções alimentares com
sistema nervoso. [...]” (12o parágrafo).
as quais a maioria das pessoas se identifica:
“Desde que o mundo é mundo, seu cérebro 5. [Professor: o aluno pode escolher diferentes
se prostitui em troca de calorias. Ele até sabe exemplos ao longo do texto. Trabalharemos
que salada é mais digna para a saúde, mas com a primeira ocorrência para exemplificar
se vende por qualquer porção de gordura e que tipo de raciocínio deveria ser explicitado na
açúcar que apareça. Isso vem de longa g data. resposta à questão.] A primeira passagem
g pode
2 2o bimestre
ser encontrada no início do texto: “Desde que órgão se interesse pela análise do impacto das
o mundo é mundo, seu cérebro se prostitui em alterações climáticas e seus efeitos sobre os
troca de calorias. Ele até sabe que salada é mais indivíduos e as sociedades a que pertencem.
digna para a saúde, mas se vende por qualquer
2. O relatório defende a tese de que “os custos a
porção de gordura e açúcar que apareça.”
curto prazo poderão ter levadas e manifestas con-
a) O trecho começa com uma metáfora comple- sequências para o desenvolvimento humano”.
tamente inesperada: o cérebro se prostitui em Essa tese é desenvolvida a partir da apresentação
troca de calorias. Em um contexto científico, de dados referentes a riscos e vulnerabilidades
imagina-se que serão feitas descrições de a que a população está sujeita por causa das
cunho mais objetivo do que quer que seja o alterações climáticas.
objeto de estudo. A utilização de metáforas
3. a) Os termos destacados restringem o âmbito das
já representa um afastamento dessa expec-
afirmações feitas. Em vez de afirmarem que a
tativa. A natureza da metáfora utilizada pro-
pobreza está relacionada à contínua exposição
vavelmente choca o leitor em um primeiro
aos riscos climáticos em todos os países, os au-
momento, porque ninguém costuma pensar
tores do texto admitem a possibilidade de que
no cérebro como um órgão que possa se isso não seja verdade para todos eles. Termos
“vender”, ou seja, se prostituir para alcançar como muitos cumprem a função de atenuar o
algo que deseja (no caso, as calorias). Além da alcance da afirmação feita.
metáfora inesperada, também observamos a
personificação do cérebro (“Ele até sabe que b) O uso desses termos revela que os autores
salada é mais digna [...], mas se vende por evitam fazer uma afirmação categórica por-
qualquer porção de gordura [...]”), outro re- que sabem que a pobreza não se relaciona da
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

curso estilístico que não faz parte do discurso mesma maneira, em todos os países, à expo-
científico. sição contínua aos riscos climáticos. Também
não é seguro afirmar que todas as autoridades
b) A finalidade de um texto de divulgação científica reconhecem os problemas enfrentados pelos
é justamente apresentar informações e desco- pobres e pelas populações vulneráveis.
bertas em uma linguagem compreensível por
qualquer leitor e em um estilo que seja capaz 4. Porque nesses contextos o verbo expressa uma
de provocar o interesse e de despertar a curiosi- possibilidade, não uma necessidade. Assim, em
dade com relação ao assunto tratado. A “aridez” lugar de afirmar que riscos ameaçam o bem-estar
da linguagem científica, que busca a precisão de todos e que as alterações climáticas aumen-
teórica e a objetividade, não é adequada para tam a população exposta à dengue, os autores do
atingir um público leigo. O autor de um texto texto afirmam que os riscos “podem ameaçar” e
de divulgação científica, portanto, deve pressu- que as alterações climáticas “poderão aumentar”,
por que seus leitores não são cientistas e não comprometendo-se menos com o alcance de sua
dominam os conceitos da área referentes ao afirmação.
tema desenvolvido. É só por meio da criação 5. a) O termo que marca o confronto entre as ideias
de imagens e pela introdução de exemplos é a conjunção adversativa no entanto.
compreensíveis que leitores leigos conseguem
construir referências para compreender o que b) O uso do confronto, nessa passagem, destaca
está sendo dito no texto. o fato de que os governos não podem se valer
da complexidade da relação entre fenômenos
6. Nessa passagem, Marcia Kedouk recorre à fala do climáticos e o aumento de doenças para não
neurologista Leandro Telles como uma forma de tomar medidas concretas de prevenção. É por
explicitar o mecanismo fisiológico que explica por esse motivo que os autores do texto afirmam
que a liberação da dopamina em uma região espe- que “o reconhecimento da incerteza não é um
cífica do cérebro (o centro de recompensa) produz motivo suficiente para a inação”.
uma sensação de prazer nos seres humanos.
6. A primeira parte apresenta uma introdução da
questão tematizada pelo relatório, com foco na
CAPÍTULO 6 potencial catástrofe mais imediata da recessão
Relatório do desenvolvimento humano nos países mais
pobres do mundo. A segunda parte (Risco e vul-
nerabilidade) traz dados considerados relevantes
Análise – p. 154 para entender como a interação entre riscos e
vulnerabilidades condiciona os resultados do
1. O texto aborda os riscos e as vulnerabilidades
desenvolvimento humano determinados pelas
gerados pelos choques climáticos num mundo
mudanças climáticas. Esses dados serão a base
de desigualdades. para uma discussão e análise da questão e permi-
r O Pnud é um programa das Nações Unidas que tirão que os leitores se deem conta de como o
se dedica à avaliação das condições de desenvol- risco se converte em vulnerabilidade. A terceira
vimento humano de diversas nações. Levando- parte (Saúde humana e fenômenos climáticos
-se em conta esses objetivos,
j é natural que esse extremos)) apresenta a conclusão, com sugestões
g
2o bimestre 3
para que se tomem ações urgentes de avaliação serland (terra de gêiseres, em inglês). Esse recurso
dos riscos provocados pelas alterações climáti- destaca, para os leitores do texto, características
cas para a saúde pública em países em vias de definidoras da natureza do país apresentado.
desenvolvimento.
4. a) Sim. A Islândia, como o nome indica, é a “terra
7. O gráfico ilustra o texto com dados sobre como do gelo”. Nesse sentido, uma fotografia que mos-
as pessoas que vivem em países em desenvol- tre um homem envolvido por uma imensidão de
vimento são muito mais afetadas por desas- gelo traduz para o leitor da reportagem aquela
tres climáticos do que aquelas que vivem em que será a característica definidora de um país
países desenvolvidos. (Informe aos alunos que localizado na altura do Círculo Polar Ártico.
gráficos, tabelas, mapas, fotos, etc. costumam
ser introduzidos nessa parte dos relatórios b) A relação é estabelecida com o 2o parágrafo do
para fornecer informações aos leitores sobre a texto, que vai de “O ponto de partida de Viagem
questão analisada.) ao centro da Terra [...]” até “[...] escondia o acesso
às misteriosas entranhas do nosso planeta”.

CAPÍTULO 7 c) A imagem mostra um homem caminhando


em direção ao que parece ser o “centro” da
Reportagem
geleira. Evoca, portanto, o parágrafo inicial da
obra de Julio Verne, referida pelo repórter. Na
Análise – p. 167 verdade, pelos comentários feitos no 2o pará-
grafo, José Ramalho deixa clara a influência do
1. Apresentar um país pouco conhecido pela maio- romance Viagem ao centro da Terra na imagem
ria das pessoas: a Islândia. que fazia da Islândia.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.
r O autor começa por apresentar uma descrição 5. “‘Para ter uma piscina aquecida no jardim, basta
que informa a localização da Islândia (“Isolada cavoucar a terra’, me disse um amigo islandês,
no Atlântico Norte, na altura do Círculo Polar meio brincando, meio a sério.”; “Uma piada local
Ártico”), algo desnecessário em relação a países diz que se você estiver perdido dentro de uma
mais conhecidos. Aliás, a primeira palavra uti- floresta islandesa, basta se levantar e ficar de pé
lizada no texto destaca a singularidade desse
para achar a saída”.
país. Além disso, o autor faz comentários que
reforçam o fato de a Islândia ser pouco conhe- r Essas passagens introduzem um toque de hu-
cida: “[...] a Islândia passa despercebida do resto mor no texto, que poderia ser composto, essen-
do mundo.”, “É um lugar do qual só costumamos cialmente, por informações objetivas sobre o
nos lembrar quando é sacudido por alguma país que está sendo caracterizado. Informações
erupção vulcânica mais violenta [...]”. como essas introduzem uma espécie de “cor lo-
cal”, tornando mais viva a descrição da Islândia.
2. Espera-se que o texto traga informações sobre
as características da Islândia. Isso realmente é 6. “Esta era a imagem que eu fazia deste estranho
feito pelo autor em diversos momentos. Alguns país desde a juventude — um lugar cuja estra-
deles são os seguintes: “[...] nenhum outro lugar nha topografia escondia o acesso às misteriosas
reúne tantas e tão diversas manifestações da entranhas do nosso planeta.”; “Aqui a natureza
natureza como a Islândia. É possível encontrar, é o show e vale a pena reservar pelo menos três
ao cabo de apenas um dia de viagem, gêiseres, ca- dias para poder sentir um pouco de tudo o que
taratas, vulcões, geleiras, fiordes, cavernas, lagos o país pode oferecer.”; “Os vulcões da ilha são
de águas turquesas e fontes termais [...] espre- uma atração assustadora e maravilhosa.”; “Mes-
midos num território de pouco mais de 100 mil mo sobre espessas camadas de gelo [...] surgem
quilômetros quadrados [...]”; “A Islândia é o país impressionantes crateras de fogo.”; “Igualmente
mais novo da Terra, não em termos geopolíticos, impressionante é o sobrevoo dessa mesma região
mas geológicos.”; “[...] as geleiras cobrem 12% da num teco-teco [...]”.
superfície.”; “[...] está dividido ao meio por uma
r O testemunho entusiasmado do autor sobre a
falha geológica e abriga 40 vulcões ativos e mais
Islândia contribui para formar, junto ao leitor,
de mil inativos [...]”; “A Islândia é a nação com a
uma imagem positiva do país que está sendo
maior quantidade de gêiseres, os esguichos de
descrito. O leitor, influenciado pela opinião do
água quente que brotam da terra quando a água
repórter, pode concluir que a Islândia é um país
das geleiras escorre para o subsolo e encontra o
que merece ser visitado.
magma, a massa rochosa em permanente fusão
abaixo da crosta terrestre”.
Atividade suplementar – p. 170
3. O autor parte do significado do nome do país (“[...] A importância das imagens para as reportagens
Iceland, em inglês, significa ‘terra do gelo’[...]”) para televisivas
destacar um dos aspectos definidores da Islândia:
é um lugar gelado. Como lá também há um gran- Divida a turma em grupos. Cada grupo ficará
de número de vulcões e gêiseres, José Ramalho encarregado de gravar e transcrever o texto de
comenta que também seria possível denominar uma das reportagens principais apresentadas em
o país Fireland (terra do fogo, em inglês) ou Gei- um dos telejornais das redes de televisão aberta.
4 2o bimestre
Defina qual grupo deverá acompanhar cada um cerveja, copos de mate, garrafinhas de água,
dos telejornais, para evitar que mais de um gru- espetos de queijo coalho e canudos de plástico.
po escolha a mesma reportagem e transcreva o
b) “É o porco pai, a porca mãe e a prole de por-
mesmo texto.
quinhos.”
Quando as transcrições ficarem prontas, peça aos
3. Quando afirma que a prefeitura expôs “nossa
grupos que troquem os textos entre si. Em segui-
falta de respeito com o espaço público”, Ruth de
da, oriente os alunos a lerem os textos recebidos
Aquino deixa claro que considera irresponsável a
analisando os seguintes aspectos:
atitude das pessoas que não recolhem o próprio
r &MFT DPOTFHVFN JEFOUJGJDBS RVBM GBUP GPJ BCPSEBEP lixo. Por esse motivo, a pergunta deve ser inter-
na reportagem? pretada como uma ironia.
r "T JOGPSNBÉ×FT BQSFTFOUBEBT TPCSF FTTF GBUP OP r “Adorei o atraso da Comlurb por seu papel di-
texto, são suficientes para informar os telespec- dático.”
tadores a respeito do assunto abordado?
r )Ã BMHVN UJQP EF QSPCMFNB OB BSUJDVMBÉÈP EP UFY- 4. A autora defende a posição de que as pessoas têm
to? Ele apresenta, por exemplo, passagens pouco de ter um comportamento civilizado quando fre-
claras ou que pressupõem algo que não foi dito quentam espaços públicos. Isso significa, no caso
para ser compreendido? específico do lixo na praia, que todos deveriam
recolher os próprios detritos e colocá-los em latas
Concluída a análise, converse com os alunos de lixo. Ela acredita, ainda, que a origem desse
sobre os aspectos observados. Promova uma problema pode ser atribuída ao mau exemplo
discussão sobre a diferença entre as transcri- que os pais dão para os filhos, criando-se assim
ções e as matérias originalmente apresentadas gerações que não sabem se comportar publica-
Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

nos telejornais. Peça-lhes que reflitam sobre a mente.


importância das imagens para construir o texto
5. Ruth de Aquino opta por se colocar no lugar de
dessas reportagens.
quem deixa o lixo na praia para imaginar quais
Espera-se, como resultado dessa atividade, que argumentos essas pessoas usariam para defen-
os alunos concluam que, no caso das reportagens der seu comportamento. Essa antecipação dos
televisivas, o texto funciona quase como uma “mol- argumentos alheios é a estratégia utilizada pela
dura” para as imagens, escolhidas pelo seu caráter autora.
informativo. Sem essas imagens, a compreensão
a) Segundo a autora, um argumento dos “por-
do texto transcrito das reportagens escolhidas
quinhos” seria o de que não há número sufi-
torna-se mais difícil, porque ele carece de um con-
ciente de cestas de lixo para acomodar todos
junto de informações contido nas imagens que o
os detritos. O segundo argumento seria o de
acompanhavam originalmente.
que “todo mundo suja, a areia já está coalhada
de palitinhos, plásticos e cocos, que diferença
CAPÍTULO 8 eu vou fazer?”.
Artigo de opinião b) Para responder à alegação de que a quanti-
dade de cestas de lixo é insuficiente, Ruth de
Aquino lembra que ainda que o número e o
Análise – p. 182 volume de caçambas fossem aumentados,
elas jamais seriam suficientes para o lixo
1. A autora trata da falta de educação das pessoas
do verão, “porque o que conta é educação e
que não se constrangem em jogar lixo na areia
cultura”: as pessoas que jogam lixo no chão
da praia. fazem isso sem pensar na existência ou não
2. Uma falha operacional da Comlurb, empresa de cestos em número suficiente. No caso do
encarregada de recolher o lixo na cidade do Rio segundo argumento dos “porquinhos”, que
de Janeiro, provocou a redução da equipe de garis vem introduzido sob a forma de uma pergunta
trabalhando na noite de sábado. Como conse- (“[...] que diferença eu vou fazer?”), ela opta
quência, a orla carioca de Ipanema ao Leblon por responder com uma afirmação: “Toda a
diferença do mundo”.
amanheceu coberta de lixo (25 toneladas) no
domingo de Natal, fazendo com que os mora- Para deixar mais clara essa ideia, ela lembra
dores desses bairros ficassem impossibilitados que as pessoas levam para casa as barracas,
de ir à praia. cadeirinhas e bolsas utilizadas na praia, mas
deixam um rastro de lixo. Se ele fosse recolhi-
a) Não. Ruth de Aquino afirma que o problema do e carregado até poder ser descartado em
operacional contribuiu para tornar evidente local adequado, evidentemente o problema
um problema causado pelos frequentadores apontado no texto deixaria de existir. A con-
dessas praias: o hábito de deixar seu lixo na clusão desse contra-argumento de Ruth de
areia. Segundo ela, 20 mil cascas de coco são Aquino é feita também sob a forma de uma
abandonadas na praia; acumulam-se também pergunta hipotética à família que recolhe seus
embalagens de biscoito e sorvete, latas de pertences e abandona seu lixo: “na sua casa
2o bimestre 5
também é assim?”. Ou seja: será que as pes- ampliam o alcance da reflexão apresentada e
soas também deixam o lixo pelo chão dentro da posição defendida, uma vez que acrescen-
das próprias casas? tam, ao problema do lixo em espaços públicos,
c) Sim. Ao apresentar primeiro os argumentos comportamentos inadequados no trânsito e
supostamente evocados por quem suja para outras atitudes que revelam total falta de con-
defender esse comportamento, a autora ex- sideração para com as demais pessoas com
plicita para os leitores os pontos fracos da quem todos precisam conviver socialmente de
argumentação. Isso é feito pela apresentação modo civilizado. Além disso, como o interlocu-
de seus contra-argumentos, que atuam como tor dessas perguntas é o leitor do texto, Ruth de
respostas às alegações atribuídas aos “por- Aquino consegue fazer com que seus leitores
quinhos”. Assim, ela fica com a palavra final reflitam de modo mais particular sobre cada
e encaminha mais facilmente a defesa de sua uma das questões apresentadas. Não se trata
posição em relação ao problema apontado: as de um problema comportamental dos “outros”,
pessoas precisam ser responsáveis pelo lixo trata-se, muitas vezes, de atitudes inconvenien-
que produzem.
tes praticadas por todos nós. Por esse motivo, o
6. As perguntas finais cumprem duas funções texto termina com uma pergunta-desafio para
argumentativas no texto. Em primeiro lugar, cada um dos seus leitores.

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

6 2o bimestre
Material de apoio
ao professor
MÚLTIPLAS LINGUAGENS
Orientações específicas ........................................................ 2
Comentários e respostas dass atividades ....................................... 2
Orientações específicas
Comentários e respostas das atividades
Capítulo 3 Novas tendências pós-anos 1950 O expressionismo abstrato e a Pop Art, as duas ten-
dências mais significativas dos anos 1950 e 1960,
apresentavam elementos europeus, mas encontra-
Objetivo do capítulo ram nos Estados Unidos sua genuína expressão.
O objetivo principal do capítulo é discutir as cada 2. Dê estas breves informações para seus alunos: mui-
vez mais rápidas transformações ocorridas no campo das tos artistas que residiam na Europa passaram a viver
artes. A quantidade de movimentos artísticos abordados nos Estados Unidos devido ao impacto da Segunda
neste capítulo demonstra a simultaneidade e variedade Guerra Mundial; além disso, alguns artistas judeus so-
das propostas da segunda metade do século XX, inse- freram com a perseguição nazista, e essa perseguição
ridas em um contexto de pós-guerra, cultura de massa influenciou o trabalho deles. Em seguida, estimule-os
e crescente consumismo. Muitos princípios desenvol- a procurarem outras informações ou a aprofundarem
vidos pelos artistas nesse período vão culminar na arte estas sobre o impacto da Segunda Guerra sobre a
contemporânea. Em paralelo, a grande quantidade de produção artística. Eles podem usar a internet ou

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


tendências musicais e arquitetônicas reafirma a dinâmica realizar uma pesquisa em livros.
das propostas do período. 3. Para realizar suas telas, ele utilizava a técnica do
Referência bibliográfica para auxílio na atividade gotejamento (dripping): a tinta jorra sobre a tela,
introdutória do capítulo: seguindo os movimentos do artista, que vive inten-
samente o momento criador, verdadeiro sentido de
~ CAUQUELIN, Anne. Arte contemporânea: uma intro-
sua arte que, por isso, chama-se pintura de ação
dução. São Paulo: Martins Editora, 2005.
(action painting).
4. A Arte Minimalista foi concebida em meados dos anos
Encaminhamentos e respostas 1960 e caracteriza-se como a radicalização extrema
das atividades de algumas ideias da tradição vanguardista. Baseia-se
na redução da forma artística a um volume geomé-
Seguem sugestões de respostas às perguntas pro-
trico sucinto, “mínimo”, que se limita a comunicar
postas neste capítulo. Elas estão de acordo com o texto
sua presença.
do capítulo, mas os alunos devem ser incentivados a
responderem com suas próprias palavras e a partir de Os objetos minimalistas entram mais no campo da
seu próprio entendimento sobre o assunto. escultura do que no da pintura, ainda que para eles
não faça sentido essa classificação tradicional. Na
1. Com os Estados Unidos se tornando uma das gran-
verdade, eles constituem unidades de superfície,
des potências mundiais, foram produzidas notáveis
forma e cor absolutamente objetivas e positivas.
mudanças nos principais centros de arte. A grande
potência militar também era uma potência econô- Além de usar formas geométricas simples, o minima-
mica e o vigor da economia se vê atraído pela arte. lismo apresenta mais duas características básicas: de
Assim, Nova York desbanca Paris como centro do um lado, o aspecto de produção seriada, que sugere
desenvolvimento artístico. Por abrigar o trabalho de tanto a ideia de repetição ao infinito como sua im-
alguns dos principais criadores da segunda metade portância como estrutura, bem mais que uma con-
do século, a metrópole americana vai se converter templação; e, de outro lado, o aspecto frio, industrial
no equivalente do que era Paris no século XIX e na que, em razão dos materiais empregados – pranchas
primeira metade do XX. de aço, plásticos ou luzes neon, entre outros –,
é carente de qualquer expressividade. A exigência de
Os Estados Unidos acolhem com entusiasmo os ar-
compreensão intelectual que promove é herança que
tistas, as obras e as ideias vanguardistas originadas será acolhida pela arte conceitual.
na Europa que, até então elitistas e contestatórias,
adquiriram impulso próprio mas também universal, 5. Outras obras de Andy Warhol podem ser encontra-
convertendo-se em manifestações artísticas ampa- das na internet ou por meio da bibliografia: DANTO,
radas ou consentidas pelas democracias ocidentais. Arthur C. Andy Warhol. São Paulo: Cosac Naify, 2012.
8 2o bimestre
Essa pesquisa visual pode se tornar uma apresentação 9. Nos Estados Unidos, a Pop Artt teve mais repercussão.
dos alunos em sala de aula. Esta atividade de pesqui- Os artistas inspiravam-se nos objetos e mitos visuais
sa servirá de apoio para a realização da Atividade 2. da sociedade de massa e mantinham com eles uma
relação dual: se de um lado sua incorporação à grande
6. Brutalismo, que aproveita a textura do concreto arte traduz certa adoração, de outro lado, por meio
armado e utiliza volumes dissonantes, quer dizer, que deles, multiplicam-se lampejos irônicos sobre a perda
compõem relações desarmônicas ou estranhas nos do sujeito e da relação humana na contemplação
edifícios, com o objetivo de recuperar a sensibilidade artística. Sua compreensão aparentemente fácil é
humana à percepção da arquitetura. Metabolismo: perturbadora porque revela a opressão que exercem
no Japão Arata Isozaki (1931) propôs levantar gigan- sobre a sociedade.
tescas estruturas, que sustentavam cápsulas habi-
táveis, com o objetivo de solucionar os problemas 10.Guerra-Peixe, Cláudio Santoro, Eunice Katunda, Edino
de espaço. Neorracionalismo: ainda que se inspire Krieger, Tom Jobim, Tom Zé, Rogério Duprat, Júlio
nas relações ortogonais que estabelecem linhas e Medaglia, Tim Rescala, Arrigo Barnabé, entre outros.
planos na arquitetura mais simplificada dos anos
1920 e 1930, Eisenmann consegue sugerir comple- Agora é sua vez de praticar
xidade de estruturas e ambientes a partir de meios
tão rudimentares como prismas interpenetrados, que Atividade 1
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

se apresentam torcidos em relação a eixos deter- Esta atividade objetiva a experimentação das
minados. Tal complexidade deve-se à superposição técnicas d e pint ura d esenvolvidas pelo artis ta
simultânea de duas realidades espaciais distintas, de Jackson Pollock. Faça seus alunos perceberem que o
forma diferente da tradição moderna, em que eram que Pollock pretendia era uma pintura que emergisse
indicadas por planos, o que produz uma imagem do próprio ato em si, do movimento do artista, e não
contraditória de construção vazia e quase inabitável. de uma ideia preconcebida ou previamente elaborada
7. Foram elas: o serialismo integral, a música concreta, a de pintura. Aqui a criação se dá no ato de fazer, e isso é
música eletrônica, a música eletroacústica, a música o que deve ser ressaltado para os alunos como o ponto
aleatória e a tendência estocástica ou matemática. mais significativo desta atividade, pois configura-se
como um outro modo de criação.
8. Os soldados afro-americanos, que tinham lutado
no frontt com o mesmo uniforme que os europeus Atividade 2
durante a Segunda Guerra Mundial, encontraram, ao Assim como a Pop Artt no Brasil adaptou ideias norte-
regressarem aos Estados Unidos, um panorama de -americanas para a realidade brasileira, este exercício
discriminação muito parecido ao do período anterior objetiva fazer com que os alunos também encontrem
à guerra. Esse desequilíbrio deu a essa população uma meios de ressignificar os preceitos da Pop Artt às suas
nova consciência de sua situação. Um caso particu- realidades e visualidades locais. Como o Brasil é um país
lar dessa nova consciência deu-se entre os músicos com grande diversidade cultural, seus alunos, depen-
de jazz, que já nas décadas anteriores tinham visto dendo da região onde residem, elencarão ícones de sua
como a fama e os benefícios vindos de sua música cultura, que serão muito diferentes dos ícones elencados
acabavam favorecendo os artistas descendentes de por alunos de outras localidades brasileiras. Isso faz com
europeus. Nas big bands, integradas por músicos das que esta atividade tenha como característica principal
a subjetividade do aluno, criador do trabalho artístico,
duas etnias, ocorriam casos de segregação; geralmen-
e também da cultura regional na qual ele está inserido.
te, os músicos afro-americanos não podiam comer
Como passo inicial, peça que façam uma lista das perso-
nos mesmos restaurantes nem dormir nos mesmos
nalidades e produtos de consumo apontados como mais
hotéis que seus companheiros descendentes de eu- importantes por eles. Discuta a lista com eles e solicite
ropeus e muitas vezes recebiam salários inferiores. que escolham um produto ou personalidade. Em seguida,
A conscientização da luta contra os preconceitos utilizando as técnicas da colagem, desenho ou pintura,
e a discriminação, com a necessidade musical de ajude-os a elaborar um trabalho a partir da imagem
uma mudança de rumo sentida por alguns músicos, escolhida de acordo com a visualidade desenvolvida
originou um novo estilo denominado bebop, ligado pelos artistas ligados à Pop Art. A pesquisa proposta na
a movimentos artísticos e intelectuais, com uma questão 5 vai ajudá-los a ampliar seus repertórios visuais
grande carga de protesto racial e social. para o trabalho com esta atividade.
2o bimestre 9
Essa proposição de atividade objetiva criar uma pelos artistas brasileiros que, por sua vez, herdaram da
discussão visual sobre a sociedade de consumo na qual Pop Artt americana, da arte conceitual e das ideias de
todos nós estamos inseridos e fazer com que os alunos Duchamp muitos dos princípios estéticos desenvolvidos
percebam como as mídias ditam regras não escritas, em território nacional. Artistas brasileiros como Hélio
impondo modos de ser e de viver. Ao final do trabalho, Oiticica e Lygia Clark questionaram o papel e o alcance
amplie a discussão sobre esse tema em sala de aula. da arte e do artista e sua relação com a vida e propuse-
ram um novo pensamento estético voltado não somente
para a arte e suas particularidades, mas, principalmente,
Sugestões de leituras e filmes para o espectador, que se transforma em participante da
Para uma discussão mais profunda sobre arte contempo- obra. As mudanças no pensamento estético da época
rânea, principalmente sobre as transformações empreen- também podem ser percebidas na música e no teatro.
didas por Andy Warhol e a Pop Art:
Referência bibliográfica para auxílio na atividade
DANTO, Arthur C. Após o fim da arte: a arte contempo- introdutória do capítulo:
rânea e os limites da história. São Paulo: EDUSP, 2010.
~ FREIRE, Cristina. Paulo Bruscky: arte, arquivo e utopia.
O autor proclama o “fim da arte”, o que não significa seu
término, mas a sua total independência das tendências Recife: Companhia Editora de Pernambuco, 2006.
históricas, tendo sua própria filosofia.
Sobre Pop Artt: Encaminhamentos e respostas

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


OSTERWORLD, Tilman. Pop Artt. Col. Taschen 25 anos. São
Paulo: Taschen do Brasil, 2007.
das atividades
Sobre jazzz: Seguem sugestões de respostas às perguntas pro-
postas neste capítulo. Elas estão de acordo com o texto
HOBSBAWM, Eric J. História social do jazzz. São Paulo: Paz
e Terra, 2008. do capítulo, mas os alunos devem ser incentivados a
responderem com suas próprias palavras e a partir de
Escrito pelo historiador Eric Hobsbawm, o livro examina o
jazzz, um dos fenômenos mais significativos da cultura mun- seu próprio entendimento sobre o assunto.
dial do século XX, a partir de um ponto de vista histórico. 1. Visto como retomada estética da atitude de contes-
Sugestão de filme sobre o artista Jackson Pollock: tação formal dos modernistas “heroicos” da primeira
Pollockk, 2000. Direção: Ed Harris. Ator: Ed Harris. Duração: fase, o Concretismo defendia um formalismo de
117 min. caráter ao mesmo tempo experimental e erudito.
Sobre a Segunda Guerra Mundial, em especial o Holo-
O movimento fundamentava-se nas teorias do lin-
causto: guista Roman Jacobson (1896-1982) e do filósofo
Max Bense (1910-1990) e buscava ideias também
DVD Shoahh, 2012. Direção: Claude Lanzmann. Duração:
592 min. na poética que privilegiava a fragmentação, presente
em poetas como Mallarmé (1842-1898), Apollinaire
Esse documentário apresenta depoimentos de so-
breviventes dos campos de Auschwitz, Treblinka e (1880-1918) e Ezra Pound (1885-1972).
Sobibor e do Gueto de Varsóvia e de entrevistas com O grupo propunha explorar os aspectos materiais do
ex-oficiais nazistas e maquinistas que conduziram os
signo literário, isto é, o som das palavras, sua distri-
trens da morte.
buição pelo espaço gráfico da página e os tipos de
letra utilizados na impressão. Daí proporem a explo-
ração da dimensão “verbovocavisual” (verbo + voz +
+ visual) da palavra. Dessa forma, os aspectos visuais
Capítulo 4 Arte brasileira a partir substituem a sintaxe convencional na formação do
dos anos 1960 significado.
2. Lançado no festival de música de 1967, com “Alegria,
alegria”, de Caetano Veloso, e “Domingo no parque”,
Objetivo do capítulo de Gilberto Gil, o Tropicalismo terminaria em dezem-
As transformações ocorridas na arte brasileira, princi- bro do ano seguinte, quando os dois compositores
palmente nas décadas de 1960 e 1970, foram essenciais foram presos após a edição do AI-5 (Ato Institucional
para os desdobramentos que ocorreram nas gerações n o 5, decretado pela ditadura militar, que endureceu
seguintes. Este é o objetivo principal do capítulo: fazer ainda mais o regime político) e depois exilados. “O
os alunos perceberem as profundas mudanças propostas Tropicalismo quis e conseguiu ser uma chuva de verão
10 2o bimestre
que alagasse infinita enquanto durasse”, disse Capinan tradicional, a primeira nota de um acorde, a tônica,
(1941), um dos letristas do movimento. O movimento corresponde ao bordão, ou seja, à nota mais grave.
propôs uma colagem de vários gêneros, arcaicos e mo- Num acorde invertido, o bordão pode ser outra nota
dernos. Instrumentos tradicionais de percussão eram que não seja a tônica.
misturados ao som das guitarras elétricas, o bolero Canto. A maneira de colocar a voz também é uma
dialogava com um samba de roda, havia referências à característica da bossa nova. Não se trata apenas
cultura erudita e à de massa, tudo recriado em uma de “cantar baixinho”, de forma intimista, algo que
perspectiva carnavalesca, que incorporava grandes foi viabilizado pelo surgimento de microfones de
ícones da propaganda e da cena artística. maior qualidade. Mario Reis também cantava assim
O Tropicalismo não descartava nada, nem mesmo e não cantava bossa nova. O mais importante é que
músicas consideradas de mau gosto, que eram as- o cantor de bossa nova não fica subordinado à estru-
similadas às vezes por meio de paródia. Havia um tura rítmica. Ele pode se antecipar ou se demorar em
sentido de ruptura, cujo contraponto era uma inten- relação ao compasso, esticando ou encurtado notas.
ção de continuidade, dando prosseguimento à “linha No início, achava-se que a orquestra ia para um lado
evolutiva” da música brasileira. O Tropicalismo não e o cantor, para outro. Não só os leigos estranhavam.
foi um movimento apenas musical, estando associado Os músicos tradicionais também não entendiam a
às artes plásticas com Hélio Oiticica (1937-1980), bossa nova. Depois do impacto inicial, no entanto,
esse jeito de cantar passou a ser cada vez mais aceito.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

ao cinema novo de Glauber Rocha (1939-1981), ao


teatro experimental de José Celso Martinez Corrêa Letra. Com a bossa nova, as letras também mudaram.
(1937) e à poesia concreta dos irmãos Augusto e O tom ficou mais coloquial, espontâneo, direto, sem o
Haroldo de Campos. O Tropicalismo recebeu esse uso de metáforas. O maior letrista da bossa nova foi
nome inspirado na instalação Tropicália, 1967, criada Vinicius de Moraes (1913-1980). Poeta de prestígio,
pelo artista plástico Hélio Oiticica. autor de versos sofisticados, Vinicius foi um letrista
3. Ritmo. Talvez o elemento mais importante e carac- que buscou a simplicidade. As duas músicas que foram
terístico da bossa nova seja o ritmo. A novidade da verdadeiros manifestos da bossa nova, no entanto,
batida do violão de João Gilberto é a síncope, que são de autoria de Newton Mendonça (1927-1960). Na
realça o tempo fraco de um compasso, provocando letra da canção “Desafinado”, ele nomeia a nova ten-
tensão na música (ao contrário da ênfase no tempo dência e em “Samba de uma nota só”, ele, utilizando a
forte, como no samba tradicional, que cria uma música como metáfora – a melodia vai ilustrando o que
sensação de repouso). Às vezes, a forma de tocar de a letra diz –, mostra a “construção” de uma bossa nova.
João Gilberto também quebrava a hierarquia “forte- Newton Mendonça também era excelente pianista e
-fraco” do compasso, sem acentuar nenhum dos foi coautor desses sucessos, junto com Tom Jobim.
tempos. Num ou noutro caso, é esse deslocamento Seus principais representantes no Brasil foram: João
do acento para o tempo fraco o responsável pelo Gilberto, Tom Jobim, Nara Leão, Carlos Lyra, Rober-
balanço peculiar da bossa nova. to Menescal, Ronaldo Bôscoli, Marcos Valle, Baden
Powell e Paulo César Pinheiro.
Harmonia. A bossa nova lançou mão de acordes
dissonantes, aqueles que usam notas estranhas à 4. A assepsia promovida pelo concretismo produziu a
harmonia tradicional. Muitos deles foram trazidos limpeza necessária ao aparecimento de um novo
do jazz. Outras conduções harmônicas foram criadas pensamento plástico no Brasil. O início da década
por Tom Jobim. Antes da bossa nova, a base era dada por de 1960 apresenta a continuidade das propostas
acordes perfeitos, que, por serem consonantes, concretas e neoconcretas. Artistas desdobram suas
cumpriam a função de dar estabilidade harmônica à propostas em direção ao pop e ao experimental.
música. Com as sequências desses acordes era possí- Saem do plano bidimensional para o tridimensional,
vel compor qualquer música popular. Mas eles eram o ambiental, vivencial.
insuficientes para a bossa nova e seus intérpretes e São intensas as discussões sobre o engajamento polí-
compositores tiveram de lançar mão de novos acor- tico nas mais variadas expressões artísticas, na crença
des. Essa nova harmonia não era apenas dissonante: de que a arte, alargando o seu público, contribuirá
era também baseada em acordes invertidos, criando para a transformação social. A arte se constitui como
novos encadeamentos harmônicos. Na harmonia o território da liberdade possível.
2o bimestre 11
O Grupo Frente, do Rio de Janeiro, prega a experimen- tante na divulgação de gêneros que polarizavam a
tação de todas as linguagens, ainda que no âmbito audiência, como a MPB, a música de protesto e o
não figurativo geométrico. O grupo carioca propõe Tropicalismo.
uma articulação forte entre arte e vida, opondo-se à
9. Obcecado pelo tema da morte, Nelson Rodrigues
investigação paulista centrada no conceito de pura
pôs em cena situações dramáticas que desnudam
visualidade da forma, e afasta a consideração da
conflitos sexuais e familiares, numa crítica demo-
obra como máquina ou objeto, dando maior ênfase
à intuição como requisito fundamental do trabalho lidora de estereótipos como o da esposa fiel, com
artístico. As divergências entre Rio e São Paulo ficam filhos, mas sem desejo; ou o do marido machão,
mais claras na Exposição Nacional de Arte Concreta, pai de família repressor. Enfocou ainda, de maneira
ocorrida em São Paulo em 1956 e no Rio de Janeiro crua, a canalhice, a prostituição, o preconceito ra-
em 1957, início da ruptura neoconcreta, efetivada em cial e a intolerância da classe média em relação aos
1959. Os artistas ligados ao movimento neoconcreto homossexuais.
propõem ao espectador uma participação efetiva, Nelson Rodrigues foi responsável por inaugurar uma
transformando-o em participante da obra, ou seja, a dramaturgia que privilegiou o tom coloquial nas falas
obra só se completa com a ação do público. dos personagens, conferindo maior verossimilhança
5. Essa pesquisa pode ser realizada via internet ou atra- aos dramas que construiu. No entanto, com frequên-

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.


vés de bibliografia: cia fez uso do improvável e do grotesco, criando
~ BRAGA, Paula. Fios soltos: a arte de Hélio Oiticica. personagens à beira da caricatura, que evidenciam
São Paulo: Perspectiva, 2008. seus traços mais profundos de forma radical, já que
são guiados por desejos inconscientes e por impulsos
~ CLARK, Lygia. Lygia Clark. Col. Arte brasileira con- primitivos.
temporânea. Rio de Janeiro: Funarte, 1980.
Nesse sentido, as ligações incestuosas, por exem-
~ FAVARETTO, Celso. A invenção de Hélio Oiticica. plo, tão exploradas em sua obra, transformam-se
2. ed. São Paulo: Edusp, 2000. em tragédias quando encontram obstáculos sociais
~ MILLIET, Maria Alice. Lygia Clark: obra trajeto. Col. para a sua realização. Sobre a obra Vestido de noiva,
Texto & Arte. São Paulo: EDUSP, 1997. o aluno pode colocar as informações contidas no
texto do capítulo ou pesquisar sobre o assunto em
~ OITICICA, Hélio. Aspiro ao grande labirinto. Rio de
outros livros ou via internet.
Janeiro: Rocco, 1986.
6. Os artistas brasileiros se tornaram “antropofágicos”
e aproveitaram criativamente a experiência pop, sem Agora é sua vez de praticar
perder a autonomia e nem a identidade nacional. Es-
ses artistas tiveram suas obras influenciadas pelo “es-
Atividade 1
pírito pop”, ao mesmo tempo que souberam imprimir Esta atividade objetiva a experiência prática dos con-
suas marcas pessoais em seus trabalhos, fazendo, as- ceitos sobre arte, vida, obra e espectador desenvolvidos
sim, surgir o Pop Art no Brasil, ou o movimento Nova neste capítulo. A proposição Caminhando objetiva que
Figuração, como ficou conhecido. Eles flertaram com o aluno experimente, na prática, a indissociável ligação,
a linguagem popular dos quadrinhos, mas também proposta pelos artistas do movimento neoconcreto,
com o cordel, o futebol, os jornais. A obra deles pas- entre obra e público, transformando assim o aluno em
sa ao largo da crítica da sociedade de consumo da participante da obra efetuada.
Pop Art, relacionando-se diretamente com a reali-
dade brasileira. Atividade 2
7. Foram eles: Francisco, Mario Reis, Orlando, Aracy Esta atividade pode ser apresentada para toda co-
de Almeida, Emilinha Borba, Marlene, Sylvio Caldas, munidade escolar. Ela tem como objetivo que os alunos
Carlos Galhardo, Cauby Peixoto e Ângela Maria. conheçam um pouco do repertório musical dos artistas
8. Os festivais de música popular, realizados princi- ligados à Jovem Guarda. Você pode gerar uma discussão
palmente entre 1965 e 1972, tiveram papel impor- sobre as músicas e artistas apresentados.
12 2o bimestre
Sugestões de leituras e site

Sobre a “nova arte” que surge a partir dos anos 1960:


BATTOCK, Gregory. A nova arte. São Paulo: Perspectiva, 2004.
Ensaios que fornecem uma dimensão da “nova arte” que se fez no campo visual nos anos 1960.
Sobre performance:
GLUSBERG, Jorge. A arte da performance. 2. ed. São Paulo: Perspectiva, 2011.
Nessa obra o leitor encontra a importância simbólica, o poder ritual, o impacto emocional, o alcance antropológico e o en-
volvimento interdisciplinar das performances.
Sobre o Concretismo e Neoconcretismo no Brasil:
BRITO, Ronaldo. Neoconcretismo o: vértice e ruptura do projeto construtivo brasileiro. São Paulo: Cosac Naify, 1999.
Essa obra delimita as ideologias construtivas, com suas leituras evolucionistas da história da arte, suas propostas de integração
social e suas teorias produtivas.
Sobre arte brasileira do período discutido no capítulo:
AMARAL, Aracy. Arte para quê? A preocupação social na arte brasileira 1930-1970 0: subsídio para uma história social da arte
no Brasil. 3. ed. São Paulo: Studio Nobel, 2003.
Tentando superar o preconceito da abordagem conteudística da arte, causador do impedimento para a verdadeira apreciação
da preocupação social na arte de nosso tempo, essa obra enfoca esse ângulo das artes visuais de nosso país, bem como na
arte da América Latina contemporânea.
Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Sobre Tropicalismo:
PAIANO, Enor. Tropicalismo o: bananas ao vento no coração do Brasil. Col. Ponto de apoio. São Paulo: Scipione, 1996.
Nesse livro o movimento tropicalista é mostrado como fundamental na transformação do cinema, do teatro e das artes plásticas do país.
Sobre Nelson Rodrigues:
MAGALDI, Sábato. Nelson Rodriguess: dramaturgia e encenações. Col. Estudos, 98. São Paulo: Perspectiva, 2010.
Sábato Magaldi, crítico do moderno teatro brasileiro, analisa a obra do dramaturgo brasileiro Nelson Rodrigues.
Sobre o artista brasileiro Hélio Oiticica:
FAVARETTO, Celso. A invenção de Hélio Oiticica. 2. ed. São Paulo: Edusp, 2000.
Essa obra mostra a trajetória desse artista experimental, explicitando o desenvolvimento coerente de suas propostas e de
sua prática artística.
BRAGA, Paula. Fios soltoss: a arte de Hélio Oiticica. São Paulo: Perspectiva, 2008.
Coletânea de artigos sobre a obra de Hélio Oiticica, reunindo textos de pesquisadores de cinco países, além de fotografias
de obras, manuscritos do artista.
Sobre a Arte Conceitual:
FREIRE, Cristina. Arte Conceituall. Col. Arte +. Rio de Janeiro: Zahar, 2006.
Esse livro mostra a atualidade das questões levantadas pela Arte Conceitual.
Sobre o artista Cildo Meireles:
CAMERON, Dan. Cildo Meireless. São Paulo: Cosac Naify, 2000.
Este livro mapeia a produção de Cildo em entrevistas e textos do próprio artista.
Sobre a artista Lygia Clark:
MILLIET Maria
MILLIET, Ali Lygia
M i Alice. L i Clark:
Cl k obrab trajeto
j o. C
Col.l TTexto & A
Arte. Sã
São P
Paulo:
l EDUSP
EDUSP, 1997
1997.
Lygia Clark: Obra-trajeto o é o primeiro estudo sistemático publicado em português sobre Lygia Clark, um dos expoentes da
geração de concretistas e neoconcretistas dos anos 1950.
Sobre a influência da Pop Artt em artistas brasileiros:
COSTA, Cacilda Teixeira da; RIBEIRO, José Augusto. Aproximações com o Pop: 1963-1968. São Paulo: MAM, 2003.
Sobre as tendências da arte contemporânea brasileira nos anos 1990:
CANTON, Katia. Novíssima arte brasileira: um guia de tendências. São Paulo: Iluminuras, 2001.
Sobre artistas brasileiros dos anos 1960 e 1970:
COTRIM, Cecília; FERREIRA, Glória (orgs.). Escritos de artista: anos 60/70. São Paulo: Zahar, 2006.
O livro reúne textos produzidos por artistas e grupos de variadas tendências, áreas de atuação e nacionalidades, inclusive
inúmeros brasileiros, que oferecem diversos pontos de vista e refletem o pensamento estético contemporâneo.
Sobre o artista Paulo Bruscky, sugerimos que acesse: <http://www.fundacaobienal.art.br/7bienalmercosul/es/paulobruscky>. Acesso
em: 25 mar. 2013.

2o bimestre 13
14 2o bimestre