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Neokantismo

Modelo neokantista possui o mérito de ter demonstrado que toda realidade traz em seu bojo
um valor preestabelecido, permitindo a constatação de que as normas jurídicas, como um
produto cultural, possuem como pressupostos valores prévios, e o próprio intérprete que, por
mais que procure adorar certa neutralidade, não estará imune a maior ou menor influência
desses valores.
O bem jurídico, conforme a diretriz do neokantismo, é entendido como um valor cultural,
porém não situado apenas no “plano social”, porque ao delito é atribuído valor econômico.
A essência da noção de bem jurídico tutelado deriva, de modo necessário, dos limites da
descrição legal respectiva e não reside na natureza dos bens e valores que a determinaram"
As orientações espiritualistas que foram influenciadas pela filosofia neokantiana, na esfera
penal, desenvolveram a concepção metodológica ou teleológico-metodológica de bem
jurídico.
Doutrina da ação finalista: Hans Welzel,

A direção final de uma ação se dá em duas fases, que nas ações simples se entrecruzam, a
saber, uma que ocorre na esfera do pensamento, com a antecipação do fim a realizar, a
seleção dos meios necessários à sua realização e a consideração dos efeitos simultâneos
decorrentes dos fatores causais eleitos; e a concretização da ação no mundo real, de acordo
com a projeção mental.
o Direito Penal tipifica somente condutas que tenham certa relevância social; caso contrário
não poderiam ser delitos. Welzel desenvolve, a partir dessa ideia, o princípio da adequação
social
EVOLUÇÃO DOUTRINARIA DO DIREITO PENAL

Causalismo:
A teoria do causalismo ou casual da ação consiste em atribuir ao direito penal um
caráter natural ao analisar o os possíveis crimes. Sendo assim, para julgar a
existência de um crime seriam considerados dois aspectos da vontade humana:
o externo e o interno.

 externo consiste na parte objetiva, o movimento corporal, mecânico, natural da ação.


 interno analisa a subjetividade da ação, ou seja, o conteúdo final.
É analisado, portanto o nexo causal entre a ação e o seu resultado, as modificações que esta
ação causou no mundo externo. Sendo assim, analisar-se-ia primeiramente a tipicidade e
antijuridicidade, no que se refere ao aspecto objetivo, e por fim, a culpabilidade, abordada
pelo aspecto subjetivo. Isto é, analisar a intenção, o psicológico do autor, abrangendo ainda o
dolo e a culpa. Esta teoria foi desenvolvida por Von Liszt, Beling e Radbruch.
A caracterização da conduta criminosa depende somente de o agente produzir fisicamente
um resultado previsto em lei
Neokantista. A ciência do Direito, ao contrário da ciência natural, preocupa -se com os fins
e não com as causas (teoria causalista), por isso há uma independência entre elas. Assim, ao
lado das ciências naturais, mas separadamente delas, o Direito deve promover e construir
uma ciência de fins humanos.
Garantismo Penal: Luigi Ferrajoli como principal autor na obra Direito e Razão. Trata-se de
um modelo universal destinado a contribuir com a moderna crise que assola os sistemas
penais, desde o nascedouro de lei ate o final do cumprimento da sanção penal, atingindo, ate
mesmo, particularidades inerentes ao acusado depois da execução penal. Sistema de garantia
tem base em dez axiomas ou princípios axiológicos fundamentais.
Finalismo. Tem como ponto de partida a concepção do homem como ser livre e responsável
pelos seus atos. Consequentemente, as regras do Direito não podem ordenar ou proibir meros
processos causais, mas apenas atos dirigidos finalisticamente (...). Para essa teoria, a
conduta é comportamento humano, consciente e voluntário, dirigido a um fim
CONDUTA, primeiro elemento do FATO TÍPICO, pode ser definido como:
TEORIA CAUSALISTA: Conduta é um movimento corporal (ação) voluntária que produz
uma modificação no mundo exterior perceptível pelos sentidos.
TEORIA NEOKANTISTA: Conduta é um comportamento (ação ou omissão) voluntária que
produz uma modificação no mundo exterior perceptível pelos sentidos.
TEORIA FINALISTA: Conduta é comportamento humano voluntário psiquicamente
dirigido a um fim.
TEORIA SOCIAL DA AÇÃO: Conduta é comportamento humano psiquicamente dirigido a
um fim socialmente reprovável.
FUNCIONALISMO MODERADO (ROXIN): Conduta aparece como comportamento
humano voluntário, causador de relevante e intolerável lesão ou perigo de lesão ao bem
jurídico tutelado pela norma penal.
FUNCIONALISMO RADICAL (JAKOBS): Conduta é comportamento humano voluntário
causador de um resultado evitável, violador do sistema, frustrando as expectativas normativas.
*Qual teoria(da conduta) foi seguida pelo código penal?
Para a doutrina tradicional, nosso código seria FINALISTA.
O Código Militar, a seu turno, é declaradamente CAUSALISTA, tratando dolo e culpa como
elementos da culpabilidade (art. 33 do CPM).
A doutrina moderna, no entanto, trabalha com premissa funcionalistas de Roxin, negando,
porém, algumas de suas ideias, como, por exemplo, a responsabilidade considerada substrato
do delito.
Fonte: Manual de Direito Penal, parte geral, Rogério Sanches Cunha
LUIZ FLÁVIO GOMES partindo do conceito analítico de crime, existem duas teorias
tripartites. De acordo com a teoria clássica, majoritária e amplamente difundida em doutrina e
jurisprudência, o crime é fato típico, antijurídico e culpável. De acordo com uma outra
corrente, minoritária e exposada em alguns círculos acadêmicos, cujo maior expositor entre
nós é o Prof.º LUIS FLÁVIO GOMES, o crime é fato típico, antijurídico e PUNÍVEL
(teoria constitucionalista do delito).

Em segundo lugar, essa teoria constitucionalista do delito adota o seguinte conceito


analítico de crime: fato típico, antijurídico e PUNÍVEL.
O que significaria constituir a culpabilidade uma ponte que liga o crime à pena?
O próprio Prof.º LUIZ FLÁVIO GOMES (Direito Penal- Parte geral - Introdução, 2ª edição,
São Paulo, RT, 2004), explicando as nuances e os limites da teoria constitucionalista do
delito, nos responde:
"Somos partidários, como se vê, de um sistema tripartite, mas que é distinto do clássico 'fato
típico, antijurídico e culpável'. A culpabilidade, na verdade, não faz parte da teoria do delito
(do fato punível). É fundamento da pena. De outro lado, jamais existe delito (no nosso Direito
penal) sem a ameaça de pena (sem punibilidade)".

Estudo da teoria geral do crime, a doutrina desenvolveu diversas teorias sobre a conduta
penalmente relevante:

"Teoria da ação significativa: os fatos humanos podem ser compreendidos tão somente por
meio das normas, ou seja, o seu significado existe somente em virtude das normas, e não é
prévio a elas; por isso mesmo é que se fala em tipo de ação, em vez de falar simplesmente em
ação ou omissão ou até mesmo em ação típica.

Teoria da ação cibernética: leva em conta o controle da vontade, presente tanto nos crimes
culposos como nos dolosos.

Modelo negativo de ação: define a ação como a evitável não evitação do resultado na
posição de garantidor, compreensível como omissão da contradireção mandada pelo
ordenamento jurídico, em que o autor realiza o que não deve realizar (ação) ou não realiza o
que deve realizar (omissão de ação). O fundamento do modelo negativo da ação é o princípio
da evitabilidade do tipo de injusto.

Modelo pessoal da ação: define ação como manifestação da personalidade, constituindo


a mais geral definição de conceito de ação capaz de apreender todas as objetivações da
personalidade, sendo também capaz de abranger todo acontecimento atribuível ao centro de
ação psíquico-espiritual do homem. Contudo, parece excluir o traço humano específico que
distingue a ação de qualquer fenômeno natural ou social: a realização do propósito."