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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Constituição Federal: da Administração Pública (do Art. 37 ao Art. 41). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 01


Estatuto da Cidade (Lei Federal nº 10.257, de 10 de Julho de 2001) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
Lei Orgânica do Município de Niterói . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
Plano Diretor (Lei nº 3.385/19) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 64
Lei de Uso e Ocupação do Solo (Lei Municipal nº 1.470/95) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 99
Planos Urbanísticos (Leis nº 1967/02 e 1968/02, Lei nº 2.233/05 e Lei nº 3.195/16) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 113
Código de Posturas (Lei nº 2.624/08). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 206
Noções Básicas de Direito Administrativo (Poder de Polícia e Atos Administrativos). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 248
Direito Penal (Crimes contra a Administração Pública) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 263
Estatuto dos Funcionários Públicos. Regime Jurídico Único dos Servidores Públicos do Município de Niterói (regime estatutário, regime
disciplinar e estágio probatório). Deveres e proibições dos servidores públicos da Administração Municipal. . . . . . . . . . . . . . . . . . 266
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Segundo este princípio, a administração pública deve tratar


CONSTITUIÇÃO FEDERAL: DA ADMINISTRAÇÃO PÚ- igualmente todos aqueles que se encontrem na mesma situa-
BLICA (DO ART. 37 AO ART. 41). ção jurídica (princípio da isonomia ou igualdade). Por exemplo,
a licitação reflete a impessoalidade no que tange à contratação
1) Princípios da Administração Pública de serviços. O princípio da impessoalidade correlaciona-se ao
Os valores éticos inerentes ao Estado, os quais permitem princípio da finalidade, pelo qual o alvo a ser alcançado pela ad-
que ele consolide o bem comum e garanta a preservação dos ministração pública é somente o interesse público. Com efeito,
interesses da coletividade, se encontram exteriorizados em prin- o interesse particular não pode influenciar no tratamento das
cípios e regras. Estes, por sua vez, são estabelecidos na Consti- pessoas, já que deve-se buscar somente a preservação do inte-
tuição Federal e em legislações infraconstitucionais, a exemplo resse coletivo.
das que serão estudadas neste tópico, quais sejam: Decreto n° c) Princípio da moralidade: A posição deste princípio no ar-
1.171/94, Lei n° 8.112/90 e Lei n° 8.429/92. tigo 37 da CF representa o reconhecimento de uma espécie de
Todas as diretivas de leis específicas sobre a ética no setor moralidade administrativa, intimamente relacionada ao poder
público partem da Constituição Federal, que estabelece alguns público. A administração pública não atua como um particular,
princípios fundamentais para a ética no setor público. Em outras de modo que enquanto o descumprimento dos preceitos morais
palavras, é o texto constitucional do artigo 37, especialmente o por parte deste particular não é punido pelo Direito (a priori), o
caput, que permite a compreensão de boa parte do conteúdo ordenamento jurídico adota tratamento rigoroso do comporta-
das leis específicas, porque possui um caráter amplo ao preco- mento imoral por parte dos representantes do Estado. O prin-
nizar os princípios fundamentais da administração pública. Esta- cípio da moralidade deve se fazer presente não só para com os
belece a Constituição Federal: administrados, mas também no âmbito interno. Está indissocia-
velmente ligado à noção de bom administrador, que não somen-
Artigo 37, CF. A administração pública direta e indireta de te deve ser conhecedor da lei, mas também dos princípios éticos
qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal regentes da função administrativa. TODO ATO IMORAL SERÁ DI-
e dos Municípios obedecerá aos princípios de legalidade, impes- RETAMENTE ILEGAL OU AO MENOS IMPESSOAL, daí a intrínseca
soalidade, moralidade, publicidade e eficiência e, também, ao ligação com os dois princípios anteriores.
seguinte: [...] d) Princípio da publicidade: A administração pública é obri-
gada a manter transparência em relação a todos seus atos e a
São princípios da administração pública, nesta ordem: todas informações armazenadas nos seus bancos de dados. Daí
Legalidade a publicação em órgãos da imprensa e a afixação de portarias.
Impessoalidade Por exemplo, a própria expressão concurso público (art. 37, II,
Moralidade CF) remonta ao ideário de que todos devem tomar conhecimen-
Publicidade to do processo seletivo de servidores do Estado. Diante disso,
Eficiência como será visto, se negar indevidamente a fornecer informações
ao administrado caracteriza ato de improbidade administrativa.
Para memorizar: veja que as iniciais das palavras formam No mais, prevê o §1º do artigo 37, CF, evitando que o princí-
o vocábulo LIMPE, que remete à limpeza esperada da Adminis- pio da publicidade seja deturpado em propaganda político-elei-
tração Pública. É de fundamental importância um olhar atento toral:
ao significado de cada um destes princípios, posto que eles es- Artigo 37, §1º, CF. A publicidade dos atos, programas,
truturam todas as regras éticas prescritas no Código de Ética e obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter ca-
na Lei de Improbidade Administrativa, tomando como base os ráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não
ensinamentos de Carvalho Filho1 e Spitzcovsky2: podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem
a) Princípio da legalidade: Para o particular, legalidade sig- promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos.
nifica a permissão de fazer tudo o que a lei não proíbe. Contudo,
como a administração pública representa os interesses da cole- Somente pela publicidade os indivíduos controlarão a lega-
tividade, ela se sujeita a uma relação de subordinação, pela qual lidade e a eficiência dos atos administrativos. Os instrumentos
só poderá fazer o que a lei expressamente determina (assim, na para proteção são o direito de petição e as certidões (art. 5°,
esfera estatal, é preciso lei anterior editando a matéria para que XXXIV, CF), além do habeas data e - residualmente - do man-
seja preservado o princípio da legalidade). A origem deste prin- dado de segurança. Neste viés, ainda, prevê o artigo 37, CF em
cípio está na criação do Estado de Direito, no sentido de que o seu §3º:
próprio Estado deve respeitar as leis que dita. Artigo 37, §3º, CF. A lei disciplinará as formas de partici-
b) Princípio da impessoalidade: Por força dos interesses pação do usuário na administração pública direta e indireta,
que representa, a administração pública está proibida de pro- regulando especialmente:
mover discriminações gratuitas. Discriminar é tratar alguém de I - as reclamações relativas à prestação dos serviços públi-
forma diferente dos demais, privilegiando ou prejudicando. cos em geral, asseguradas a manutenção de serviços de atendi-
mento ao usuário e a avaliação periódica, externa e interna, da
1 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito ad- qualidade dos serviços;
ministrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. II - o acesso dos usuários a registros administrativos e a in-
2 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São formações sobre atos de governo, observado o disposto no art.
Paulo: Método, 2011. 5º, X e XXXIII;

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III - a disciplina da representação contra o exercício negli- Meirelles4 entende que o ato discricionário, editado sob os
gente ou abusivo de cargo, emprego ou função na administra- limites da Lei, confere ao administrador uma margem de liber-
ção pública. dade para fazer um juízo de conveniência e oportunidade, não
sendo necessária a motivação. No entanto, se houver tal fun-
e) Princípio da eficiência: A administração pública deve damentação, o ato deverá condicionar-se a esta, em razão da
manter o ampliar a qualidade de seus serviços com controle de necessidade de observância da Teoria dos Motivos Determinan-
gastos. Isso envolve eficiência ao contratar pessoas (o concurso tes. O entendimento majoritário da doutrina, porém, é de que,
público seleciona os mais qualificados ao exercício do cargo), ao mesmo no ato discricionário, é necessária a motivação para que
manter tais pessoas em seus cargos (pois é possível exonerar se saiba qual o caminho adotado pelo administrador. Gasparini5,
um servidor público por ineficiência) e ao controlar gastos (li- com respaldo no art. 50 da Lei n. 9.784/98, aponta inclusive a
mitando o teto de remuneração), por exemplo. O núcleo deste superação de tais discussões doutrinárias, pois o referido arti-
princípio é a procura por produtividade e economicidade. Alcan- go exige a motivação para todos os atos nele elencados, com-
ça os serviços públicos e os serviços administrativos internos, se preendendo entre estes, tanto os atos discricionários quanto os
referindo diretamente à conduta dos agentes. vinculados.
Além destes cinco princípios administrativo-constitucionais
2) Regras mínimas sobre direitos e deveres dos servidores
diretamente selecionados pelo constituinte, podem ser apon-
O artigo 37 da Constituição Federal estabelece os princípios
tados como princípios de natureza ética relacionados à função
da administração pública estudados no tópico anterior, aos quais
pública a probidade e a motivação:
estão sujeitos servidores de quaisquer dos Poderes em qualquer
a) Princípio da probidade: um princípio constitucional in-
das esferas federativas, e, em seus incisos, regras mínimas sobre
cluído dentro dos princípios específicos da licitação, é o dever o serviço público:
de todo o administrador público, o dever de honestidade e fi- Artigo 37, I, CF. Os cargos, empregos e funções públicas são
delidade com o Estado, com a população, no desempenho de acessíveis aos brasileiros que preencham os requisitos estabe-
suas funções. Possui contornos mais definidos do que a mora- lecidos em lei, assim como aos estrangeiros, na forma da lei.
lidade. Diógenes Gasparini3 alerta que alguns autores tratam Aprofundando a questão, tem-se o artigo 5º da Lei nº
veem como distintos os princípios da moralidade e da probidade 8.112/1990, que prevê:
administrativa, mas não há características que permitam tratar
os mesmos como procedimentos distintos, sendo no máximo Artigo 5º, Lei nº 8.112/1990. São requisitos básicos para in-
possível afirmar que a probidade administrativa é um aspecto vestidura em cargo público:
particular da moralidade administrativa. I - a nacionalidade brasileira;
b) Princípio da motivação: É a obrigação conferida ao ad- II - o gozo dos direitos políticos;
ministrador de motivar todos os atos que edita, gerais ou de III - a quitação com as obrigações militares e eleitorais;
efeitos concretos. É considerado, entre os demais princípios, IV - o nível de escolaridade exigido para o exercício do cargo;
um dos mais importantes, uma vez que sem a motivação não V - a idade mínima de dezoito anos;
há o devido processo legal, uma vez que a fundamentação surge VI - aptidão física e mental.
como meio interpretativo da decisão que levou à prática do ato § 1º As atribuições do cargo podem justificar a exigência de
impugnado, sendo verdadeiro meio de viabilização do controle outros requisitos estabelecidos em lei. [...]
da legalidade dos atos da Administração. § 3º As universidades e instituições de pesquisa científica e
Motivar significa mencionar o dispositivo legal aplicável ao tecnológica federais poderão prover seus cargos com professo-
caso concreto e relacionar os fatos que concretamente levaram res, técnicos e cientistas estrangeiros, de acordo com as normas
à aplicação daquele dispositivo legal. Todos os atos administrati- e os procedimentos desta Lei.
vos devem ser motivados para que o Judiciário possa controlar o
mérito do ato administrativo quanto à sua legalidade. Para efe- Destaca-se a exceção ao inciso I do artigo 5° da Lei nº
tuar esse controle, devem ser observados os motivos dos atos 8.112/1990 e do inciso I do artigo 37, CF, prevista no artigo 207
da Constituição, permitindo que estrangeiros assumam cargos
administrativos.
no ramo da pesquisa, ciência e tecnologia.
Em relação à necessidade de motivação dos atos adminis-
Artigo 37, II, CF. A investidura em cargo ou emprego público
trativos vinculados (aqueles em que a lei aponta um único com-
depende de aprovação prévia em concurso público de provas
portamento possível) e dos atos discricionários (aqueles que a
ou de provas e títulos, de acordo com a natureza e a complexi-
lei, dentro dos limites nela previstos, aponta um ou mais com- dade do cargo ou emprego, na forma prevista em lei, ressalva-
portamentos possíveis, de acordo com um juízo de conveniên- das as nomeações para cargo em comissão declarado em lei de
cia e oportunidade), a doutrina é uníssona na determinação da livre nomeação e exoneração.
obrigatoriedade de motivação com relação aos atos administra- Preconiza o artigo 10 da Lei nº 8.112/1990:
tivos vinculados; todavia, diverge quanto à referida necessidade
quanto aos atos discricionários.
4 MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro.
São Paulo: Malheiros, 1993.
3 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São 5 GASPARINI, Diógenes. Direito Administrativo. 9ª ed. São
Paulo: Saraiva, 2004. Paulo: Saraiva, 2004.

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Artigo 10, Lei nº 8.112/90. A nomeação para cargo de carreira ou cargo isolado de provimento efetivo depende de prévia habilita-
ção em concurso público de provas ou de provas e títulos, obedecidos a ordem de classificação e o prazo de sua validade.
Parágrafo único. Os demais requisitos para o ingresso e o desenvolvimento do servidor na carreira, mediante promoção, serão
estabelecidos pela lei que fixar as diretrizes do sistema de carreira na Administração Pública Federal e seus regulamentos.
No concurso de provas o candidato é avaliado apenas pelo seu desempenho nas provas, ao passo que nos concursos de provas e
títulos o seu currículo em toda sua atividade profissional também é considerado. Cargo em comissão é o cargo de confiança, que não
exige concurso público, sendo exceção à regra geral.
Artigo 37, III, CF. O prazo de validade do concurso público será de até dois anos, prorrogável uma vez, por igual período.
Artigo 37, IV, CF. Durante o prazo improrrogável previsto no edital de convocação, aquele aprovado em concurso público de
provas ou de provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira.

Prevê o artigo 12 da Lei nº 8.112/1990:

Artigo 12, Lei nº 8.112/1990. O concurso público terá validade de até 2 (dois) anos, podendo ser prorrogado uma única vez, por
igual período.
§1º O prazo de validade do concurso e as condições de sua realização serão fixados em edital, que será publicado no Diário Oficial
da União e em jornal diário de grande circulação.
§ 2º Não se abrirá novo concurso enquanto houver candidato aprovado em concurso anterior com prazo de validade não expira-
do.

O edital delimita questões como valor da taxa de inscrição, casos de isenção, número de vagas e prazo de validade. Havendo
candidatos aprovados na vigência do prazo do concurso, ele deve ser chamado para assumir eventual vaga e não ser realizado novo
concurso.

Destaca-se que o §2º do artigo 37, CF, prevê:

Artigo 37, §2º, CF. A não-observância do disposto nos incisos II e III implicará a nulidade do ato e a punição da autoridade res-
ponsável, nos termos da lei.
Com efeito, há tratamento rigoroso da responsabilização daquele que viola as diretrizes mínimas sobre o ingresso no serviço
público, que em regra se dá por concurso de provas ou de provas e títulos.
Artigo 37, V, CF. As funções de confiança, exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efetivo, e os cargos em
comissão, a serem preenchidos por servidores de carreira nos casos, condições e percentuais mínimos previstos em lei, destinam-se
apenas às atribuições de direção, chefia e assessoramento.

Observa-se o seguinte quadro comparativo6:

Função de Confiança Cargo em Comissão


Exercidas exclusivamente por servidores ocupantes de cargo efe- Qualquer pessoa, observado o percentual mínimo reservado ao
tivo. servidor de carreira.
Com concurso público, já que somente pode exercê-la o servidor
Sem concurso público, ressalvado o percentual mínimo reserva-
de cargo efetivo, mas a função em si não prescindível de concur-
do ao servidor de carreira.
so público.
É atribuído posto (lugar) num dos quadros da Administração
Somente são conferidas atribuições e responsabilidade Pública, conferida atribuições e responsabilidade àquele que irá
ocupá-lo
Destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assesso- Destinam-se apenas às atribuições de direção, chefia e assesso-
ramento ramento
De livre nomeação e exoneração no que se refere à função e não
De livre nomeação e exoneração
em relação ao cargo efetivo.

Artigo 37, VI, CF. É garantido ao servidor público civil o direito à livre associação sindical.
A liberdade de associação é garantida aos servidores públicos tal como é garantida a todos na condição de direito individual e de
direito social.
Artigo 37, VII, CF. O direito de greve será exercido nos termos e nos limites definidos em lei específica.
O Supremo Tribunal Federal decidiu que os servidores públicos possuem o direito de greve, devendo se atentar pela preservação
da sociedade quando exercê-lo. Enquanto não for elaborada uma legislação específica para os funcionários públicos, deverá ser obe-
decida a lei geral de greve para os funcionários privados, qual seja a Lei n° 7.783/89 (Mandado de Injunção nº 20).

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Artigo 37, VIII, CF. A lei reservará percentual dos cargos e Art. 40. Vencimento é a retribuição pecuniária pelo exercício
empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e de cargo público, com valor fixado em lei.
definirá os critérios de sua admissão. Art. 41. Remuneração é o vencimento do cargo efetivo,
acrescido das vantagens pecuniárias permanentes estabeleci-
Neste sentido, o §2º do artigo 5º da Lei nº 8.112/1990: das em lei.
Artigo 5º, Lei nº 8.112/90. Às pessoas portadoras de defici- § 1º A remuneração do servidor investido em função ou car-
ência é assegurado o direito de se inscrever em concurso público go em comissão será paga na forma prevista no art. 62.
para provimento de cargo cujas atribuições sejam compatíveis § 2º O servidor investido em cargo em comissão de órgão
com a deficiência de que são portadoras; para tais pessoas serão ou entidade diversa da de sua lotação receberá a remuneração
reservadas até 20% (vinte por cento) das vagas oferecidas no de acordo com o estabelecido no § 1º do art. 93.
concurso. § 3º O vencimento do cargo efetivo, acrescido das vanta-
gens de caráter permanente, é irredutível.
Prossegue o artigo 37, CF: § 4º É assegurada a isonomia de vencimentos para cargos
Artigo 37, IX, CF. A lei estabelecerá os casos de contratação de atribuições iguais ou assemelhadas do mesmo Poder, ou en-
por tempo determinado para atender a necessidade temporária tre servidores dos três Poderes, ressalvadas as vantagens de ca-
de excepcional interesse público.
ráter individual e as relativas à natureza ou ao local de trabalho.
A Lei nº 8.745/1993 regulamenta este inciso da Constitui-
§ 5º Nenhum servidor receberá remuneração inferior ao
ção, definindo a natureza da relação estabelecida entre o servi-
salário mínimo.
dor contratado e a Administração Pública, para atender à “ne-
cessidade temporária de excepcional interesse público”.
“Em se tratando de relação subordinada, isto é, de relação Ainda, o artigo 37 da Constituição:
que comporta dependência jurídica do servidor perante o Es- Artigo 37, XI, CF. A remuneração e o subsídio dos ocupan-
tado, duas opções se ofereciam: ou a relação seria trabalhista, tes de cargos, funções e empregos públicos da administração
agindo o Estado iure gestionis, sem usar das prerrogativas de direta, autárquica e fundacional, dos membros de qualquer
Poder Público, ou institucional, estatutária, preponderando o ius dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos
imperii do Estado. Melhor dizendo: o sistema preconizado pela Municípios, dos detentores de mandato eletivo e dos demais
Carta Política de 1988 é o do contrato, que tanto pode ser traba- agentes políticos e os proventos, pensões ou outra espécie re-
lhista (inserindo-se na esfera do Direito Privado) quanto admi- muneratória, percebidos cumulativamente ou não, incluídas as
nistrativo (situando-se no campo do Direito Público). [...] Uma vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza, não po-
solução intermediária não deixa, entretanto, de ser legítima. derão exceder o subsídio mensal, em espécie, dos Ministros
Pode-se, com certeza, abonar um sistema híbrido, eclético, no do Supremo Tribunal Federal, aplicando-se como limite, nos
qual coexistam normas trabalhistas e estatutárias, pondo-se em Municípios, o subsídio do Prefeito, e nos Estados e no Distrito
contiguidade os vínculos privado e administrativo, no sentido de Federal, o subsídio mensal do Governador no âmbito do Poder
atender às exigências do Estado moderno, que procura alcançar Executivo, o subsídio dos Deputados Estaduais e Distritais no
os seus objetivos com a mesma eficácia dos empreendimentos âmbito do Poder Legislativo e o subsídio dos Desembargado-
não-governamentais”7. res do Tribunal de Justiça, limitado a noventa inteiros e vinte
Artigo 37, X, CF. A remuneração dos servidores públicos e e cinco centésimos por cento do subsídio mensal, em espécie,
o subsídio de que trata o § 4º do art. 39 somente poderão ser dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, no âmbito do Po-
fixados ou alterados por lei específica, observada a iniciativa der Judiciário, aplicável este limite aos membros do Ministério
privativa em cada caso, assegurada revisão geral anual, sempre Público, aos Procuradores e aos Defensores Públicos.
na mesma data e sem distinção de índices. Artigo 37, XII, CF. Os vencimentos dos cargos do Poder Le-
Artigo 37, XV, CF. O subsídio e os vencimentos dos ocupan- gislativo e do Poder Judiciário não poderão ser superiores aos
tes de cargos e empregos públicos são irredutíveis, ressalvado o pagos pelo Poder Executivo.
disposto nos incisos XI e XIV deste artigo e nos arts. 39, § 4º, 150,
II, 153, III, e 153, § 2º, I.
Prevê a Lei nº 8.112/1990 em seu artigo 42:
Artigo 37, §10, CF. É vedada a percepção simultânea de
Artigo 42, Lei nº 8.112/90. Nenhum servidor poderá per-
proventos de aposentadoria decorrentes do art. 40 ou dos arts.
ceber, mensalmente, a título de remuneração, importância su-
42 e 142 com a remuneração de cargo, emprego ou função pú-
perior à soma dos valores percebidos como remuneração, em
blica, ressalvados os cargos acumuláveis na forma desta Cons-
tituição, os cargos eletivos e os cargos em comissão declarados espécie, a qualquer título, no âmbito dos respectivos Poderes,
em lei de livre nomeação e exoneração. pelos Ministros de Estado, por membros do Congresso Nacio-
nal e Ministros do Supremo Tribunal Federal. Parágrafo único.
Sobre a questão, disciplina a Lei nº 8.112/1990 nos artigos Excluem-se do teto de remuneração as vantagens previstas nos
40 e 41: incisos II a VII do art. 61.
Com efeito, os §§ 11 e 12 do artigo 37, CF tecem aprofunda-
7 VOGEL NETO, Gustavo Adolpho. Contratação de servido-
mentos sobre o mencionado inciso XI:
res para atender a necessidade temporária de excepcional inte-
Artigo 37, § 11, CF. Não serão computadas, para efeito dos
resse público. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/cci-
limites remuneratórios de que trata o inciso XI do caput deste
vil_03/revista/Rev_39/Artigos/Art_Gustavo.htm>. Acesso em:
artigo, as parcelas de caráter indenizatório previstas em lei.
23 dez. 2014.

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Artigo 37, § 12, CF. Para os fins do disposto no inciso XI do § 1o A proibição de acumular estende-se a cargos, empregos
caput deste artigo, fica facultado aos Estados e ao Distrito Fede- e funções em autarquias, fundações públicas, empresas públi-
ral fixar, em seu âmbito, mediante emenda às respectivas Cons- cas, sociedades de economia mista da União, do Distrito Federal,
tituições e Lei Orgânica, como limite único, o subsídio mensal dos Estados, dos Territórios e dos Municípios.
dos Desembargadores do respectivo Tribunal de Justiça, limi- § 2o A acumulação de cargos, ainda que lícita, fica condicio-
tado a noventa inteiros e vinte e cinco centésimos por cento nada à comprovação da compatibilidade de horários.
do subsídio mensal dos Ministros do Supremo Tribunal Federal, § 3o Considera-se acumulação proibida a percepção de ven-
não se aplicando o disposto neste parágrafo aos subsídios dos cimento de cargo ou emprego público efetivo com proventos da
Deputados Estaduais e Distritais e dos Vereadores. inatividade, salvo quando os cargos de que decorram essas re-
Por seu turno, o artigo 37 quanto à vinculação ou equipa- munerações forem acumuláveis na atividade.
ração salarial: Art. 119, Lei nº 8.112/1990. O servidor não poderá exercer
Artigo 37, XIII, CF. É vedada a vinculação ou equiparação de mais de um cargo em comissão, exceto no caso previsto no pa-
quaisquer espécies remuneratórias para o efeito de remunera- rágrafo único do art. 9o, nem ser remunerado pela participação
ção de pessoal do serviço público. em órgão de deliberação coletiva.
Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à re-
Os padrões de vencimentos são fixados por conselho de muneração devida pela participação em conselhos de adminis-
política de administração e remuneração de pessoal, integrado tração e fiscal das empresas públicas e sociedades de economia
por servidores designados pelos respectivos Poderes (artigo 39, mista, suas subsidiárias e controladas, bem como quaisquer em-
caput e § 1º), sem qualquer garantia constitucional de tratamen- presas ou entidades em que a União, direta ou indiretamente,
to igualitário aos cargos que se mostrem similares. detenha participação no capital social, observado o que, a res-
Artigo 37, XIV, CF. Os acréscimos pecuniários percebidos por peito, dispuser legislação específica.
servidor público não serão computados nem acumulados para Art. 120, Lei nº 8.112/1990. O servidor vinculado ao regime
fins de concessão de acréscimos ulteriores. desta Lei, que acumular licitamente dois cargos efetivos, quando
A preocupação do constituinte, ao implantar tal preceito, foi investido em cargo de provimento em comissão, ficará afastado
de que não eclodisse no sistema remuneratório dos servidores, de ambos os cargos efetivos, salvo na hipótese em que houver
ou seja, evitar que se utilize uma vantagem como base de cál- compatibilidade de horário e local com o exercício de um deles,
culo de um outro benefício. Dessa forma, qualquer gratificação declarada pelas autoridades máximas dos órgãos ou entidades
que venha a ser concedida ao servidor só pode ter como base envolvidos.
de cálculo o próprio vencimento básico. É inaceitável que se leve “Os artigos 118 a 120 da Lei nº 8.112/90 ao tratarem da
acumulação de cargos e funções públicas, regulamentam, no
em consideração outra vantagem até então percebida.
âmbito do serviço público federal a vedação genérica constan-
Artigo 37, XVI, CF. É vedada a acumulação remunerada de
te do art. 37, incisos VXI e XVII, da Constituição da República.
cargos públicos, exceto, quando houver compatibilidade de ho-
De fato, a acumulação ilícita de cargos públicos constitui uma
rários, observado em qualquer caso o disposto no inciso XI: a) a
das infrações mais comuns praticadas por servidores públicos,
de dois cargos de professor; b) a de um cargo de professor com
o que se constata observando o elevado número de processos
outro, técnico ou científico; c) a de dois cargos ou empregos
administrativos instaurados com esse objeto. O sistema adotado
privativos de profissionais de saúde, com profissões regulamen-
pela Lei nº 8.112/90 é relativamente brando, quando cotejado
tadas.
com outros estatutos de alguns Estados, visto que propicia ao
Artigo 37, XVII, CF. A proibição de acumular estende-se a servidor incurso nessa ilicitude diversas oportunidades para re-
empregos e funções e abrange autarquias, fundações, empre- gularizar sua situação e escapar da pena de demissão. Também
sas públicas, sociedades de economia mista, suas subsidiárias, prevê a lei em comentário, um processo administrativo simplifi-
e sociedades controladas, direta ou indiretamente, pelo poder cado (processo disciplinar de rito sumário) para a apuração des-
público. sa infração – art. 133” 9.
Segundo Carvalho Filho8, “o fundamento da proibição é im- Artigo 37, XVIII, CF. A administração fazendária e seus ser-
pedir que o cúmulo de funções públicas faça com que o servidor vidores fiscais terão, dentro de suas áreas de competência e ju-
não execute qualquer delas com a necessária eficiência. Além risdição, precedência sobre os demais setores administrativos,
disso, porém, pode-se observar que o Constituinte quis também na forma da lei.
impedir a cumulação de ganhos em detrimento da boa execu- Artigo 37, XXII, CF. As administrações tributárias da União,
ção de tarefas públicas. [...] Nota-se que a vedação se refere à dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, atividades
acumulação remunerada. Em consequência, se a acumulação só essenciais ao funcionamento do Estado, exercidas por servido-
encerra a percepção de vencimentos por uma das fontes, não res de carreiras específicas, terão recursos prioritários para a
incide a regra constitucional proibitiva”. realização de suas atividades e atuarão de forma integrada, in-
clusive com o compartilhamento de cadastros e de informações
A Lei nº 8.112/1990 regulamenta intensamente a questão: fiscais, na forma da lei ou convênio.
Artigo 118, Lei nº 8.112/1990. Ressalvados os casos pre-
vistos na Constituição, é vedada a acumulação remunerada de
9 MORGATO, Almir. O Regime Disciplinar dos Servidores
cargos públicos.
Públicos da União. Disponível em: <http://www.canaldoscon-
8 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito ad- cursos.com.br/artigos/almirmorgado_artigo1.pdf>. Acesso
ministrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. em: 11 ago. 2013.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

“O Estado tem como finalidade essencial a garantia do bem- Artigo 37, § 9º, CF. O disposto no inciso XI aplica-se às em-
-estar de seus cidadãos, seja através dos serviços públicos que presas públicas e às sociedades de economia mista e suas sub-
disponibiliza, seja através de investimentos na área social (edu- sidiárias, que receberem recursos da União, dos Estados, do Dis-
cação, saúde, segurança pública). Para atingir esses objetivos trito Federal ou dos Municípios para pagamento de despesas de
primários, deve desenvolver uma atividade financeira, com o pessoal ou de custeio em geral.
intuito de obter recursos indispensáveis às necessidades cuja sa-
tisfação se comprometeu quando estabeleceu o “pacto” consti- Continua o artigo 37, CF:
tucional de 1988. [...] A importância da Administração Tributária
foi reconhecida expressamente pelo constituinte que acrescen- Artigo 37, XXI, CF. Ressalvados os casos especificados na
tou, no artigo 37 da Carta Magna, o inciso XVIII, estabelecendo a legislação, as obras, serviços, compras e alienações serão con-
sua precedência e de seus servidores sobre os demais setores da tratados mediante processo de licitação pública que assegure
Administração Pública, dentro de suas áreas de competência”10. igualdade de condições a todos os concorrentes, com cláusulas
que estabeleçam obrigações de pagamento, mantidas as con-
Artigo 37, XIX, CF. Somente por lei específica poderá ser dições efetivas da proposta, nos termos da lei, o qual somente
criada autarquia e autorizada a instituição de empresa públi- permitirá as exigências de qualificação técnica e econômica in-
ca, de sociedade de economia mista e de fundação, cabendo dispensáveis à garantia do cumprimento das obrigações.
à lei complementar, neste último caso, definir as áreas de sua A Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, regulamenta o art.
atuação. 37, inciso XXI, da Constituição Federal, institui normas para lici-
tações e contratos da Administração Pública e dá outras provi-
Artigo 37, XX, CF. Depende de autorização legislativa, em dências. Licitação nada mais é que o conjunto de procedimentos
cada caso, a criação de subsidiárias das entidades mencionadas administrativos (administrativos porque parte da administração
no inciso anterior, assim como a participação de qualquer delas pública) para as compras ou serviços contratados pelos gover-
em empresa privada. nos Federal, Estadual ou Municipal, ou seja todos os entes fe-
derativos. De forma mais simples, podemos dizer que o governo
Órgãos da administração indireta somente podem ser cria- deve comprar e contratar serviços seguindo regras de lei, assim
dos por lei específica e a criação de subsidiárias destes depen- a licitação é um processo formal onde há a competição entre os
dem de autorização legislativa (o Estado cria e controla direta- interessados.
mente determinada empresa pública ou sociedade de economia Artigo 37, §5º, CF. A lei estabelecerá os prazos de prescri-
mista, e estas, por sua vez, passam a gerir uma nova empresa, ção para ilícitos praticados por qualquer agente, servidor ou
denominada subsidiária. Ex.: Transpetro, subsidiária da Petro- não, que causem prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas
brás). “Abrimos um parêntese para observar que quase todos ações de ressarcimento.
os autores que abordam o assunto afirmam categoricamente
A prescrição dos ilícitos praticados por servidor encontra
que, a despeito da referência no texto constitucional a ‘subsi-
disciplina específica no artigo 142 da Lei nº 8.112/1990:
diárias das entidades mencionadas no inciso anterior’, somente
Art. 142, Lei nº 8.112/1990. A ação disciplinar prescreverá:
empresas públicas e sociedades de economia mista podem ter
I - em 5 (cinco) anos, quanto às infrações puníveis com de-
subsidiárias, pois a relação de controle que existe entre a pes-
missão, cassação de aposentadoria ou disponibilidade e destitui-
soa jurídica matriz e a subsidiária seria própria de pessoas com
ção de cargo em comissão;
estrutura empresarial, e inadequada a autarquias e fundações
II - em 2 (dois) anos, quanto à suspensão;
públicas. OUSAMOS DISCORDAR. Parece-nos que, se o legislador
III - em 180 (cento e oitenta) dias, quanto á advertência.
de um ente federado pretendesse, por exemplo, autorizar a cria-
ção de uma subsidiária de uma fundação pública, NÃO haveria § 1o O prazo de prescrição começa a correr da data em que
base constitucional para considerar inválida sua autorização”11. o fato se tornou conhecido.
Ainda sobre a questão do funcionamento da administração § 2o Os prazos de prescrição previstos na lei penal aplicam-
indireta e de suas subsidiárias, destaca-se o previsto nos §§ 8º e -se às infrações disciplinares capituladas também como crime.
9º do artigo 37, CF: § 3o A abertura de sindicância ou a instauração de processo
Artigo 37, §8º, CF. A autonomia gerencial, orçamentária e disciplinar interrompe a prescrição, até a decisão final proferida
financeira dos órgãos e entidades da administração direta e indi- por autoridade competente.
reta poderá ser ampliada mediante contrato, a ser firmado en- § 4o Interrompido o curso da prescrição, o prazo começará a
tre seus administradores e o poder público, que tenha por objeto correr a partir do dia em que cessar a interrupção.
a fixação de metas de desempenho para o órgão ou entidade,
cabendo à lei dispor sobre: Prescrição é um instituto que visa regular a perda do direi-
I - o prazo de duração do contrato; to de acionar judicialmente. No caso, o prazo é de 5 anos para
II - os controles e critérios de avaliação de desempenho, di- as infrações mais graves, 2 para as de gravidade intermediária
reitos, obrigações e responsabilidade dos dirigentes; (pena de suspensão) e 180 dias para as menos graves (pena de
III - a remuneração do pessoal. advertência), contados da data em que o fato se tornou conhe-
cido pela administração pública. Se a infração disciplinar for
10 http://www.sindsefaz.org.br/parecer_administracao_
crime, valerão os prazos prescricionais do direito penal, mais
tributaria_sao_paulo.htm
longos, logo, menos favoráveis ao servidor. Interrupção da pres-
11 ALEXANDRINO, Marcelo. Direito Administrativo Des-
crição significa parar a contagem do prazo para que, retornando,
complicado. São Paulo: GEN, 2014.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

comece do zero. Da abertura da sindicância ou processo admi- Pode até mesmo ser uma entidade privada que desempe-
nistrativo disciplinar até a decisão final proferida por autoridade nhe tais fins, desde que a verba de criação ou custeio tenha sido
competente não corre a prescrição. Proferida a decisão, o prazo ou seja pública em mais de 50% do patrimônio ou receita anual.
começa a contar do zero. Passado o prazo, não caberá mais pro- Caso a verba pública que tenha auxiliado uma entidade privada
por ação disciplinar. a qual o Estado não tenha concorrido para criação ou custeio,
Artigo 37, §7º, CF. A lei disporá sobre os requisitos e as res- também haverá sujeição às penalidades da lei. Em caso de cus-
trições ao ocupante de cargo ou emprego da administração teio/criação pelo Estado que seja inferior a 50% do patrimônio
direta e indireta que possibilite o acesso a informações privile- ou receita anual, a legislação ainda se aplica. Entretanto, nestes
giadas. dois casos, a sanção patrimonial se limitará ao que o ilícito re-
A Lei nº 12.813, de 16 de maio de 2013 dispõe sobre o con- percutiu sobre a contribuição dos cofres públicos. Significa que
flito de interesses no exercício de cargo ou emprego do Poder se o prejuízo causado for maior que a efetiva contribuição por
Executivo federal e impedimentos posteriores ao exercício do parte do poder público, o ressarcimento terá que ser buscado
cargo ou emprego; e revoga dispositivos da Lei nº 9.986, de 18 por outra via que não a ação de improbidade administrativa.
de julho de 2000, e das Medidas Provisórias nºs 2.216-37, de 31 A legislação em estudo, por sua vez, divide os atos de im-
de agosto de 2001, e 2.225-45, de 4 de setembro de 2001.
probidade administrativa em três categorias:
a) Ato de improbidade administrativa que importe enri-
Neste sentido, conforme seu artigo 1º:
quecimento ilícito (artigo 9º, Lei nº 8.429/1992)
Artigo 1º, Lei nº 12.813/2013. As situações que configuram
O grupo mais grave de atos de improbidade administrativa
conflito de interesses envolvendo ocupantes de cargo ou empre-
go no âmbito do Poder Executivo federal, os requisitos e restri- se caracteriza pelos elementos: enriquecimento + ilícito + re-
ções a ocupantes de cargo ou emprego que tenham acesso a sultante de uma vantagem patrimonial indevida + em razão do
informações privilegiadas, os impedimentos posteriores ao exer- exercício de cargo, mandato, emprego, função ou outra ativida-
cício do cargo ou emprego e as competências para fiscalização, de nas entidades do artigo 1° da Lei nº 8.429/1992.
avaliação e prevenção de conflitos de interesses regulam-se pelo O enriquecimento deve ser ilícito, afinal, o Estado não se
disposto nesta Lei. opõe que o indivíduo enriqueça, desde que obedeça aos dita-
mes morais, notadamente no desempenho de função de inte-
3) Atos de improbidade administrativa resse estatal.
A Lei n° 8.429/1992 trata da improbidade administrativa, Exige-se que o sujeito obtenha vantagem patrimonial ilícita.
que é uma espécie qualificada de imoralidade, sinônimo de de- Contudo, é dispensável que efetivamente tenha ocorrido dano
sonestidade administrativa. A improbidade é uma lesão ao prin- aos cofres públicos (por exemplo, quando um policial recebe
cípio da moralidade, que deve ser respeitado estritamente pelo propina pratica ato de improbidade administrativa, mas não
servidor público. O agente ímprobo sempre será um violador atinge diretamente os cofres públicos).
do princípio da moralidade, pelo qual “a Administração Pública Como fica difícil imaginar que alguém possa se enriquecer
deve agir com boa-fé, sinceridade, probidade, lhaneza, lealdade ilicitamente por negligência, imprudência ou imperícia, todas
e ética”12. as condutas configuram atos dolosos (com intenção). Não cabe
A atual Lei de Improbidade Administrativa foi criada devi- prática por omissão.13
do ao amplo apelo popular contra certas vicissitudes do serviço b) Ato de improbidade administrativa que importe lesão
público que se intensificavam com a ineficácia do diploma então ao erário (artigo 10, Lei nº 8.429/1992)
vigente, o Decreto-Lei nº 3240/41. Decorreu, assim, da necessi- O grupo intermediário de atos de improbidade administra-
dade de acabar com os atos atentatórios à moralidade adminis- tiva se caracteriza pelos elementos: causar dano ao erário ou
trativa e causadores de prejuízo ao erário público ou ensejado- aos cofres públicos + gerando perda patrimonial ou dilapidação
res de enriquecimento ilícito, infelizmente tão comuns no Brasil. do patrimônio público. Assim como o artigo anterior, o caput
Com o advento da Lei nº 8.429/1992, os agentes públicos descreve a fórmula genérica e os incisos algumas atitudes espe-
passaram a ser responsabilizados na esfera civil pelos atos de
cíficas que exemplificam o seu conteúdo14.
improbidade administrativa descritos nos artigos 9º, 10 e 11,
Perda patrimonial é o gênero, do qual são espécies: desvio,
ficando sujeitos às penas do art. 12. A existência de esferas dis-
que é o direcionamento indevido; apropriação, que é a trans-
tintas de responsabilidade (civil, penal e administrativa) impede
ferência indevida para a própria propriedade; malbaratamento,
falar-se em bis in idem, já que, ontologicamente, não se trata de
punições idênticas, embora baseadas no mesmo fato, mas de que significa desperdício; e dilapidação, que se refere a destrui-
responsabilização em esferas distintas do Direito. ção15.
Destaca-se um conceito mais amplo de agente público pre- O objeto da tutela é a preservação do patrimônio público,
visto pela lei nº 8.429/1992 em seus artigos 1º e 2º porque o em todos seus bens e valores. O pressuposto exigível é a ocor-
agente público pode ser ou não um servidor público. Ele poderá rência de dano ao patrimônio dos sujeitos passivos.
estar vinculado a qualquer instituição ou órgão que desempe-
nhe diretamente o interesse do Estado. Assim, estão incluídos 13 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São
todos os integrantes da administração direta, indireta e funda- Paulo: Método, 2011.
cional, conforme o preâmbulo da legislação. 14 Ibid.
12 LENZA, Pedro. Curso de direito constitucional esquema- 15 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito ad-
tizado. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2011. ministrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Este artigo admite expressamente a variante culposa, o Será preciso utilizar razoabilidade e proporcionalidade
que muitos entendem ser inconstitucional. O STJ, no REsp n° para não permitir a caracterização de abuso de poder, diante
939.142/RJ, apontou alguns aspectos da inconstitucionalidade do conteúdo aberto do dispositivo. Na verdade, trata-se de tipo
do artigo. Contudo, “a jurisprudência do STJ consolidou a tese subsidiário, ou seja, que se aplica quando o ato de improbidade
de que é indispensável a existência de dolo nas condutas des- administrativa não tiver gerado obtenção de vantagem
critas nos artigos 9º e 11 e ao menos de culpa nas hipóteses Com efeito, os atos de improbidade administrativa não são
do artigo 10, nas quais o dano ao erário precisa ser comprova- crimes de responsabilidade. Trata-se de punição na esfera cível,
do. De acordo com o ministro Castro Meira, a conduta culposa não criminal. Por isso, caso o ato configure simultaneamente um
ocorre quando o agente não pretende atingir o resultado dano- ato de improbidade administrativa desta lei e um crime previsto
so, mas atua com negligência, imprudência ou imperícia (REsp na legislação penal, o que é comum no caso do artigo 9°, respon-
n° 1.127.143)”16. Para Carvalho Filho17, não há inconstitucionali- derá o agente por ambos, nas duas esferas.
dade na modalidade culposa, lembrando que é possível dosar a
pena conforme o agente aja com dolo ou culpa. Em suma, a lei encontra-se estruturada da seguinte for-
O ponto central é lembrar que neste artigo não se exige que ma: inicialmente, trata das vítimas possíveis (sujeito passivo)
o sujeito ativo tenha percebido vantagens indevidas, basta o e daqueles que podem praticar os atos de improbidade admi-
dano ao erário. Se tiver recebido vantagem indevida, incide no nistrativa (sujeito ativo); ainda, aborda a reparação do dano ao
artigo anterior. Exceto pela não percepção da vantagem indevi- lesionado e o ressarcimento ao patrimônio público; após, traz a
da, os tipos exemplificados se aproximam muito dos previstos tipologia dos atos de improbidade administrativa, isto é, enume-
ra condutas de tal natureza; seguindo-se à definição das sanções
nos incisos do art. 9°.
aplicáveis; e, finalmente, descreve os procedimentos adminis-
c) Ato de Improbidade Administrativa Decorrentes de Con-
trativo e judicial.
cessão ou Aplicação Indevida de Benefício Financeiro ou Tribu-
No caso do art. 9°, categoria mais grave, o agente obtém um
tário (Incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016)
enriquecimento ilícito (vantagem econômica indevida) e pode
Uma das alterações recentes à disciplina do ISS visou evitar
ainda causar dano ao erário, por isso, deverá não só reparar
a continuidade da guerra fiscal entre os municípios, fixando-se a
eventual dano causado mas também colocar nos cofres públicos
alíquota mínima em 2%.
tudo o que adquiriu indevidamente. Ou seja, poderá pagar so-
Com efeito, os municípios não poderão fixar dentro de sua
mente o que enriqueceu indevidamente ou este valor acrescido
competência constitucional alíquotas inferiores a 2% para atrair
do valor do prejuízo causado aos cofres públicos (quanto o Esta-
e fomentar investimentos novos (incentivo fiscal), prejudicando do perdeu ou deixou de ganhar). No caso do artigo 10, não have-
os municípios vizinhos. rá enriquecimento ilícito, mas sempre existirá dano ao erário, o
Em razão disso, tipifica-se como ato de improbidade admi- qual será reparado (eventualmente, ocorrerá o enriquecimento
nistrativa a eventual concessão do benefício abaixo da alíquota ilícito, devendo o valor adquirido ser tomado pelo Estado). Na
mínima. hipótese do artigo 10-A, não se denota nem enriquecimento ilí-
d) Ato de improbidade administrativa que atente con- cito e nem dano ao erário, pois no máximo a prática de guerra
tra os princípios da administração pública (artigo 11, Lei nº fiscal pode gerar. Já no artigo 11, o máximo que pode ocorrer é
8.429/1992) o dano ao erário, com o devido ressarcimento. Além disso, em
Nos termos do artigo 11 da Lei nº 8.429/1992, “constitui todos os casos há perda da função pública. Nas três categorias,
ato de improbidade administrativa que atenta contra os prin- são estabelecidas sanções de suspensão dos direitos políticos,
cípios da administração pública qualquer ação ou omissão que multa e vedação de contratação ou percepção de vantagem,
viole os deveres de honestidade, imparcialidade, legalidade, e graduadas conforme a gravidade do ato. É o que se depreende
lealdade às instituições [...]”. O grupo mais ameno de atos de da leitura do artigo 12 da Lei nº 8.929/1992 como §4º do artigo
improbidade administrativa se caracteriza pela simples viola- 37, CF, que prevê: “Os atos de improbidade administrativa im-
ção a princípios da administração pública, ou seja, aplica-se a portarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da função
qualquer atitude do sujeito ativo que viole os ditames éticos do pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erá-
serviço público. Isto é, o legislador pretende a preservação dos rio, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação
princípios gerais da administração pública. penal cabível”.
O objeto de tutela são os princípios constitucionais. Basta a A única sanção que se encontra prevista na Lei nº
vulneração em si dos princípios, sendo dispensáveis o enriqueci- 8.429/1992 mas não na Constituição Federal é a de multa. (art.
mento ilícito e o dano ao erário. Somente é possível a prática de 37, §4°, CF). Não há nenhuma inconstitucionalidade disto, pois
algum destes atos com dolo (intenção), embora caiba a prática nada impediria que o legislador infraconstitucional ampliasse a
por ação ou omissão. relação mínima de penalidades da Constituição, pois esta não li-
mitou tal possibilidade e porque a lei é o instrumento adequado
16 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Improbidade ad-
para tanto18.
ministrativa: desonestidade na gestão dos recursos públicos.
Carvalho Filho19 tece considerações a respeito de algumas
Disponível em: <http://www.stj.gov.br/portal_stj/publicacao/
engine.wsp?tmp.area=398&tmp.texto=103422>. Acesso em: 26 das sanções:
mar. 2013. 18 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito ad-
17 CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito ad- ministrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010.
ministrativo. 23. ed. Rio de Janeiro: Lumen juris, 2010. 19 Ibid.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

- Perda de bens e valores: “tal punição só incide sobre os dade pelos danos que seus agentes causem durante a prestação
bens acrescidos após a prática do ato de improbidade. Se alcan- do serviço, inclusive se tais danos caracterizarem uma violação
çasse anteriores, ocorreria confisco, o que restaria sem escora aos direitos humanos reconhecidos.
constitucional. Além disso, o acréscimo deve derivar de origem Trata-se de responsabilidade extracontratual porque não
ilícita”. depende de ajuste prévio, basta a caracterização de elementos
- Ressarcimento integral do dano: há quem entenda que genéricos pré-determinados, que perpassam pela leitura conco-
engloba dano moral. Cabe acréscimo de correção monetária e mitante do Código Civil (artigos 186, 187 e 927) com a Constitui-
juros de mora. ção Federal (artigo 37, §6°).
- Perda de função pública: “se o agente é titular de man- Genericamente, os elementos da responsabilidade civil se
dato, a perda se processa pelo instrumento de cassação. Sendo encontram no art. 186 do Código Civil:
servidor estatutário, sujeitar-se-á à demissão do serviço público.
Havendo contrato de trabalho (servidores trabalhistas e tempo- Artigo 186, CC. Aquele que, por ação ou omissão voluntária,
rários), a perda da função pública se consubstancia pela rescisão negligência ou imprudência, violar direito e causar dano a ou-
do contrato com culpa do empregado. No caso de exercer ape- trem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.
nas uma função pública, fora de tais situações, a perda se dará
pela revogação da designação”. Lembra-se que determinadas Este é o artigo central do instituto da responsabilidade ci-
autoridades se sujeitam a procedimento especial para perda da vil, que tem como elementos: ação ou omissão voluntária (agir
função pública, ponto em que não se aplica a Lei de Improbida- como não se deve ou deixar de agir como se deve), culpa ou dolo
de Administrativa. do agente (dolo é a vontade de cometer uma violação de direito
- Multa: a lei indica inflexibilidade no limite máximo, mas e culpa é a falta de diligência), nexo causal (relação de causa e
flexibilidade dentro deste limite, podendo os julgados nesta efeito entre a ação/omissão e o dano causado) e dano (dano é o
margem optar pela mais adequada. Há ainda variabilidade na prejuízo sofrido pelo agente, que pode ser individual ou coleti-
base de cálculo, conforme o tipo de ato de improbidade (a base vo, moral ou material, econômico e não econômico).
será o valor do enriquecimento ou o valor do dano ou o valor da 1) Dano - somente é indenizável o dano certo, especial e
remuneração do agente). A natureza da multa é de sanção civil, anormal. Certo é o dano real, existente. Especial é o dano espe-
não possuindo caráter indenizatório, mas punitivo. cífico, individualizado, que atinge determinada ou determinadas
- Proibição de receber benefícios: não se incluem as imu- pessoas. Anormal é o dano que ultrapassa os problemas comuns
nidades genéricas e o agente punido deve ser ao menos sócio da vida em sociedade (por exemplo, infelizmente os assaltos são
comuns e o Estado não responde por todo assalto que ocorra, a
majoritário da instituição vitimada.
não ser que na circunstância específica possuía o dever de im-
- Proibição de contratar: o agente punido não pode partici-
pedir o assalto, como no caso de uma viatura presente no local
par de processos licitatórios.
- muito embora o direito à segurança pessoal seja um direito
humano reconhecido).
4) Responsabilidade civil do Estado e de seus servidores
2) Agentes públicos - é toda pessoa que trabalhe dentro da
O instituto da responsabilidade civil é parte integrante do
administração pública, tenha ingressado ou não por concurso,
direito obrigacional, uma vez que a principal consequência da
possua cargo, emprego ou função. Envolve os agentes políticos,
prática de um ato ilícito é a obrigação que gera para o seu auto
os servidores públicos em geral (funcionários, empregados ou
de reparar o dano, mediante o pagamento de indenização que
temporários) e os particulares em colaboração (por exemplo,
se refere às perdas e danos. Afinal, quem pratica um ato ou in- jurado ou mesário).
corre em omissão que gere dano deve suportar as consequên- 3) Dano causado quando o agente estava agindo nesta qua-
cias jurídicas decorrentes, restaurando-se o equilíbrio social.20 lidade - é preciso que o agente esteja lançando mão das prerro-
A responsabilidade civil, assim, difere-se da penal, podendo gativas do cargo, não agindo como um particular.
recair sobre os herdeiros do autor do ilícito até os limites da he- Sem estes três requisitos, não será possível acionar o Estado
rança, embora existam reflexos na ação que apure a responsabi- para responsabilizá-lo civilmente pelo dano, por mais relevante
lidade civil conforme o resultado na esfera penal (por exemplo, que tenha sido a esfera de direitos atingida. Assim, não é qual-
uma absolvição por negativa de autoria impede a condenação quer dano que permite a responsabilização civil do Estado, mas
na esfera cível, ao passo que uma absolvição por falta de provas somente aquele que é causado por um agente público no exer-
não o faz). cício de suas funções e que exceda as expectativas do lesado
A responsabilidade civil do Estado acompanha o raciocínio quanto à atuação do Estado.
de que a principal consequência da prática de um ato ilícito é a É preciso lembrar que não é o Estado em si que viola os
obrigação que gera para o seu auto de reparar o dano, mediante direitos humanos, porque o Estado é uma ficção formada por
o pagamento de indenização que se refere às perdas e danos. um grupo de pessoas que desempenham as atividades estatais
Todos os cidadãos se sujeitam às regras da responsabilidade diversas. Assim, viola direitos humanos não o Estado em si, mas
civil, tanto podendo buscar o ressarcimento do dano que sofreu o agente que o representa, fazendo com que o próprio Estado
quanto respondendo por aqueles danos que causar. Da mesma seja responsabilizado por isso civilmente, pagando pela indeni-
forma, o Estado tem o dever de indenizar os membros da socie- zação (reparação dos danos materiais e morais). Sem prejuízo,
20 GONÇALVES, Carlos Roberto. Responsabilidade Civil. 9. com relação a eles, caberá ação de regresso se agiram com dolo
ed. São Paulo: Saraiva, 2005. ou culpa.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Prevê o artigo 37, §6° da Constituição Federal: Quanto à responsabilidade administrativa, menciona-se, a
título de exemplo, as penalidades cabíveis descritas no art. 127
Artigo 37, §6º, CF. As pessoas jurídicas de direito público e da Lei nº 8.112/90, que serão aplicadas pelo funcionário que
as de direito privado prestadoras de serviços públicos responde- violar a ética do serviço público, como advertência, suspensão
rão pelos danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem e demissão.
a terceiros, assegurado o direito de regresso contra o respon- Evidencia-se a independência entre as esferas civil, penal e
sável nos casos de dolo ou culpa. administrativa no que tange à responsabilização do agente pú-
blico que cometa ato ilícito.
Este artigo deixa clara a formação de uma relação jurídica Tomadas as exigências de características dos danos acima
autônoma entre o Estado e o agente público que causou o dano colacionadas, notadamente a anormalidade, considera-se que
no desempenho de suas funções. Nesta relação, a responsabi- para o Estado ser responsabilizado por um dano, ele deve ex-
lidade civil será subjetiva, ou seja, caberá ao Estado provar a ceder expectativas cotidianas, isto é, não cabe exigir do Estado
culpa do agente pelo dano causado, ao qual foi anteriormente uma excepcional vigilância da sociedade e a plena cobertura de
condenado a reparar. Direito de regresso é justamente o direito todas as fatalidades que possam acontecer em território nacio-
de acionar o causador direto do dano para obter de volta aqui- nal.
lo que pagou à vítima, considerada a existência de uma relação Diante de tal premissa, entende-se que a responsabilidade
obrigacional que se forma entre a vítima e a instituição que o civil do Estado será objetiva apenas no caso de ações, mas sub-
agente compõe. jetiva no caso de omissões. Em outras palavras, verifica-se se o
Assim, o Estado responde pelos danos que seu agente cau- Estado se omitiu tendo plenas condições de não ter se omitido,
sar aos membros da sociedade, mas se este agente agiu com isto é, ter deixado de agir quando tinha plenas condições de fa-
dolo ou culpa deverá ressarcir o Estado do que foi pago à vítima. zê-lo, acarretando em prejuízo dentro de sua previsibilidade.
O agente causará danos ao praticar condutas incompatíveis com São casos nos quais se reconheceu a responsabilidade omis-
o comportamento ético dele esperado.21 siva do Estado: morte de filho menor em creche municipal, bura-
A responsabilidade civil do servidor exige prévio processo cos não sinalizados na via pública, tentativa de assalto a usuário
administrativo disciplinar no qual seja assegurado contraditório do metrô resultando em morte, danos provocados por enchen-
e ampla defesa. Trata-se de responsabilidade civil subjetiva ou tes e escoamento de águas pluviais quando o Estado sabia da
com culpa. Havendo ação ou omissão com culpa do servidor que problemática e não tomou providência para evitá-las, morte de
gere dano ao erário (Administração) ou a terceiro (administra- detento em prisão, incêndio em casa de shows fiscalizada com
do), o servidor terá o dever de indenizar. negligência, etc.
Não obstante, agentes públicos que pratiquem atos viola- Logo, não é sempre que o Estado será responsabilizado. Há
dores de direitos humanos se sujeitam à responsabilidade pe- excludentes da responsabilidade estatal, notadamente: a) caso
nal e à responsabilidade administrativa, todas autônomas uma fortuito (fato de terceiro) ou força maior (fato da natureza) fora
com relação à outra e à já mencionada responsabilidade civil. dos alcances da previsibilidade do dano; b) culpa exclusiva da
Neste sentido, o artigo 125 da Lei nº 8.112/90: vítima.

Artigo 125, Lei nº 8.112/1990. As sanções civis, penais e ad- 5) Exercício de mandato eletivo por servidores públicos
ministrativas poderão cumular-se, sendo independentes entre si. A questão do exercício de mandato eletivo pelo servidor
público encontra previsão constitucional em seu artigo 38, que
No caso da responsabilidade civil, o Estado é diretamente notadamente estabelece quais tipos de mandatos geram incom-
acionado e responde pelos atos de seus servidores que violem patibilidade ao serviço público e regulamenta a questão remu-
direitos humanos, cabendo eventualmente ação de regresso neratória:
contra ele. Contudo, nos casos da responsabilidade penal e da Artigo 38, CF. Ao servidor público da administração direta,
responsabilidade administrativa aciona-se o agente público que autárquica e fundacional, no exercício de mandato eletivo, apli-
praticou o ato. cam-se as seguintes disposições:
São inúmeros os exemplos de crimes que podem ser prati- I - tratando-se de mandato eletivo federal, estadual ou dis-
cados pelo agente público no exercício de sua função que violam trital, ficará afastado de seu cargo, emprego ou função;
direitos humanos. A título de exemplo, peculato, consistente em II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do car-
apropriação ou desvio de dinheiro público (art. 312, CP), que go, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua re-
viola o bem comum e o interesse da coletividade; concussão, muneração;
que é a exigência de vantagem indevida (art. 316, CP), expondo III - investido no mandato de Vereador, havendo compatibi-
a vítima a uma situação de constrangimento e medo que viola lidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, empre-
diretamente sua dignidade; tortura, a mais cruel forma de tra- go ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e,
tamento humano, cuja pena é agravada quando praticada por não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso
funcionário público (art. 1º, §4º, I, Lei nº 9.455/97); etc. anterior;
IV - em qualquer caso que exija o afastamento para o exercí-
cio de mandato eletivo, seu tempo de serviço será contado para
21 SPITZCOVSKY, Celso. Direito Administrativo. 13. ed. São
todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
Paulo: Método, 2011.

10
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afas- Artigo 40, CF. Aos servidores titulares de cargos efetivos da
tamento, os valores serão determinados como se no exercício União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, inclu-
estivesse. ídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de pre-
vidência de caráter contributivo e solidário, mediante contribui-
6) Regime de remuneração e previdência dos servidores ção do respectivo ente público, dos servidores ativos e inativos
públicos e dos pensionistas, observados critérios que preservem o equilí-
Regulamenta-se o regime de remuneração e previdência brio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo.
dos servidores públicos nos artigo 39 e 40 da Constituição Fe- § 1º Os servidores abrangidos pelo regime de previdência
deral: de que trata este artigo serão aposentados, calculados os seus
Artigo 39, CF. A União, os Estados, o Distrito Federal e os proventos a partir dos valores fixados na forma dos §§ 3º e 17:
Municípios instituirão conselho de política de administração e I - por invalidez permanente, sendo os proventos proporcio-
remuneração de pessoal, integrado por servidores designados nais ao tempo de contribuição, exceto se decorrente de aciden-
pelos respectivos Poderes. (Redação dada pela Emenda Cons- te em serviço, moléstia profissional ou doença grave, contagio-
titucional nº 19, de 1998 e aplicação suspensa pela ADIN nº sa ou incurável, na forma da lei;
2.135-4, destacando-se a redação anterior: “A União, os Estados, II - compulsoriamente, com proventos proporcionais ao
o Distrito Federal e os Municípios instituirão, no âmbito de sua tempo de contribuição, aos 70 (setenta) anos de idade, ou aos
competência, regime jurídico único e planos de carreira para os 75 (setenta e cinco) anos de idade, na forma de lei complemen-
servidores da administração pública direta, das autarquias e das tar;
fundações públicas”). III - voluntariamente, desde que cumprido tempo mínimo
§ 1º A fixação dos padrões de vencimento e dos demais
de dez anos de efetivo exercício no serviço público e cinco anos
componentes do sistema remuneratório observará:
no cargo efetivo em que se dará a aposentadoria, observadas as
I - a natureza, o grau de responsabilidade e a complexidade
seguintes condições:
dos cargos componentes de cada carreira;
a) sessenta anos de idade e trinta e cinco de contribuição,
II - os requisitos para a investidura;
III - as peculiaridades dos cargos. se homem, e cinquenta e cinco anos de idade e trinta de contri-
§ 2º A União, os Estados e o Distrito Federal manterão es- buição, se mulher;
colas de governo para a formação e o aperfeiçoamento dos ser- b) sessenta e cinco anos de idade, se homem, e sessenta
vidores públicos, constituindo-se a participação nos cursos um anos de idade, se mulher, com proventos proporcionais ao tem-
dos requisitos para a promoção na carreira, facultada, para isso, po de contribuição.
a celebração de convênios ou contratos entre os entes federa- § 2º Os proventos de aposentadoria e as pensões, por oca-
dos. sião de sua concessão, não poderão exceder a remuneração do
§ 3º Aplica-se aos servidores ocupantes de cargo público respectivo servidor, no cargo efetivo em que se deu a aposenta-
o disposto no art. 7º, IV, VII, VIII, IX, XII, XIII, XV,XVI, XVII, XVIII, doria ou que serviu de referência para a concessão da pensão.
XIX, XX, XXII e XXX, podendo a lei estabelecer requisitos diferen- § 3º Para o cálculo dos proventos de aposentadoria, por
ciados de admissão quando a natureza do cargo o exigir. ocasião da sua concessão, serão consideradas as remunerações
§ 4º O membro de Poder, o detentor de mandato eletivo, os utilizadas como base para as contribuições do servidor aos re-
Ministros de Estado e os Secretários Estaduais e Municipais se- gimes de previdência de que tratam este artigo e o art. 201, na
rão remunerados exclusivamente por subsídio fixado em parcela forma da lei.
única, vedado o acréscimo de qualquer gratificação, adicional, § 4º É vedada a adoção de requisitos e critérios diferencia-
abono, prêmio, verba de representação ou outra espécie remu- dos para a concessão de aposentadoria aos abrangidos pelo re-
neratória, obedecido, em qualquer caso, o disposto no art. 37, gime de que trata este artigo, ressalvados, nos termos definidos
X e XI. em leis complementares, os casos de servidores:
§ 5º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Mu- I - portadores de deficiência;
nicípios poderá estabelecer a relação entre a maior e a menor II - que exerçam atividades de risco;
remuneração dos servidores públicos, obedecido, em qualquer III - cujas atividades sejam exercidas sob condições espe-
caso, o disposto no art. 37, XI. ciais que prejudiquem a saúde ou a integridade física.
§ 6º Os Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário publica- § 5º Os requisitos de idade e de tempo de contribuição se-
rão anualmente os valores do subsídio e da remuneração dos rão reduzidos em cinco anos, em relação ao disposto no § 1º,
cargos e empregos públicos.
III, a, para o professor que comprove exclusivamente tempo de
§ 7º Lei da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Mu-
efetivo exercício das funções de magistério na educação infantil
nicípios disciplinará a aplicação de recursos orçamentários pro-
e no ensino fundamental e médio.
venientes da economia com despesas correntes em cada órgão,
§ 6º Ressalvadas as aposentadorias decorrentes dos cargos
autarquia e fundação, para aplicação no desenvolvimento de
programas de qualidade e produtividade, treinamento e desen- acumuláveis na forma desta Constituição, é vedada a percep-
volvimento, modernização, reaparelhamento e racionalização ção de mais de uma aposentadoria à conta do regime de previ-
do serviço público, inclusive sob a forma de adicional ou prêmio dência previsto neste artigo.
de produtividade. § 7º Lei disporá sobre a concessão do benefício de pensão
§ 8º A remuneração dos servidores públicos organizados por morte, que será igual:
em carreira poderá ser fixada nos termos do § 4º.

11
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

I - ao valor da totalidade dos proventos do servidor falecido, § 18. Incidirá contribuição sobre os proventos de aposen-
até o limite máximo estabelecido para os benefícios do regime tadorias e pensões concedidas pelo regime de que trata este
geral de previdência social de que trata o art. 201, acrescido de artigo que superem o limite máximo estabelecido para os be-
setenta por cento da parcela excedente a este limite, caso apo- nefícios do regime geral de previdência social de que trata o art.
sentado à data do óbito; ou 201, com percentual igual ao estabelecido para os servidores
II - ao valor da totalidade da remuneração do servidor no titulares de cargos efetivos.
cargo efetivo em que se deu o falecimento, até o limite máximo § 19. O servidor de que trata este artigo que tenha comple-
estabelecido para os benefícios do regime geral de previdência tado as exigências para aposentadoria voluntária estabelecidas
social de que trata o art. 201, acrescido de setenta por cento da no § 1º, III, a, e que opte por permanecer em atividade fará jus
parcela excedente a este limite, caso em atividade na data do a um abono de permanência equivalente ao valor da sua contri-
óbito. buição previdenciária até completar as exigências para aposen-
§ 8º É assegurado o reajustamento dos benefícios para pre- tadoria compulsória contidas no § 1º, II.
servar-lhes, em caráter permanente, o valor real, conforme cri- § 20. Fica vedada a existência de mais de um regime pró-
térios estabelecidos em lei. prio de previdência social para os servidores titulares de car-
§ 9º O tempo de contribuição federal, estadual ou munici- gos efetivos, e de mais de uma unidade gestora do respectivo
pal será contado para efeito de aposentadoria e o tempo de regime em cada ente estatal, ressalvado o disposto no art. 142,
serviço correspondente para efeito de disponibilidade. § 3º, X.
§ 21. A contribuição prevista no § 18 deste artigo incidirá
§ 10. A lei não poderá estabelecer qualquer forma de conta-
apenas sobre as parcelas de proventos de aposentadoria e de
gem de tempo de contribuição fictício.
pensão que superem o dobro do limite máximo estabelecido
§ 11. Aplica-se o limite fixado no art. 37, XI, à soma total
para os benefícios do regime geral de previdência social de que
dos proventos de inatividade, inclusive quando decorrentes da
trata o art. 201 desta Constituição, quando o beneficiário, na
acumulação de cargos ou empregos públicos, bem como de ou- forma da lei, for portador de doença incapacitante.
tras atividades sujeitas a contribuição para o regime geral de 7) Estágio probatório e perda do cargo
previdência social, e ao montante resultante da adição de pro- Estabelece a Constituição Federal em seu artigo 41, a ser
ventos de inatividade com remuneração de cargo acumulável na lido em conjunto com o artigo 20 da Lei nº 8.112/1990:
forma desta Constituição, cargo em comissão declarado em lei
de livre nomeação e exoneração, e de cargo eletivo. Artigo 41, CF. São estáveis após três anos de efetivo exercí-
§ 12. Além do disposto neste artigo, o regime de previdên- cio os servidores nomeados para cargo de provimento efetivo
cia dos servidores públicos titulares de cargo efetivo observará, em virtude de concurso público.
no que couber, os requisitos e critérios fixados para o regime § 1º O servidor público estável só perderá o cargo:
geral de previdência social. I - em virtude de sentença judicial transitada em julgado;
§ 13. Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em II - mediante processo administrativo em que lhe seja asse-
comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem gurada ampla defesa;
como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica- III - mediante procedimento de avaliação periódica de de-
-se o regime geral de previdência social. sempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla
§ 14. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municí- defesa.
pios, desde que instituam regime de previdência complementar § 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor
para os seus respectivos servidores titulares de cargo efetivo, estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga, se
poderão fixar, para o valor das aposentadorias e pensões a se- estável, reconduzido ao cargo de origem, sem direito a indeni-
rem concedidas pelo regime de que trata este artigo, o limite zação, aproveitado em outro cargo ou posto em disponibilidade
máximo estabelecido para os benefícios do regime geral de com remuneração proporcional ao tempo de serviço.
previdência social de que trata o art. 201. § 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o
§ 15. O regime de previdência complementar de que trata servidor estável ficará em disponibilidade, com remuneração
o § 14 será instituído por lei de iniciativa do respectivo Poder proporcional ao tempo de serviço, até seu adequado aproveita-
Executivo, observado o disposto no art. 202 e seus parágrafos, mento em outro cargo.
§ 4º Como condição para a aquisição da estabilidade, é obri-
no que couber, por intermédio de entidades fechadas de previ-
gatória a avaliação especial de desempenho por comissão insti-
dência complementar, de natureza pública, que oferecerão aos
tuída para essa finalidade.
respectivos participantes planos de benefícios somente na mo-
Art. 20, Lei nº 8.112/1990. Ao entrar em exercício, o servidor
dalidade de contribuição definida.
nomeado para cargo de provimento efetivo ficará sujeito a está-
§ 16. Somente mediante sua prévia e expressa opção, o dis- gio probatório por período de 24 (vinte e quatro) meses, duran-
posto nos §§ 14 e 15 poderá ser aplicado ao servidor que tiver te o qual a sua aptidão e capacidade serão objeto de avaliação
ingressado no serviço público até a data da publicação do ato para o desempenho do cargo, observados os seguinte fatores:
de instituição do correspondente regime de previdência com- I - assiduidade;
plementar. II - disciplina;
§ 17. Todos os valores de remuneração considerados para o III - capacidade de iniciativa;
cálculo do benefício previsto no § 3° serão devidamente atuali- IV - produtividade;
zados, na forma da lei. V - responsabilidade.

12
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 1º 4 (quatro) meses antes de findo o período do estágio § 1º Aplicam-se aos militares dos Estados, do Distrito Fe-
probatório, será submetida à homologação da autoridade com- deral e dos Territórios, além do que vier a ser fixado em lei, as
petente a avaliação do desempenho do servidor, realizada por disposições do art. 14, § 8º; do art. 40, § 9º; e do art. 142, §§ 2º e
comissão constituída para essa finalidade, de acordo com o que 3º, cabendo a lei estadual específica dispor sobre as matérias do
dispuser a lei ou o regulamento da respectiva carreira ou cargo, art. 142, § 3º, inciso X, sendo as patentes dos oficiais conferidas
sem prejuízo da continuidade de apuração dos fatores enumera- pelos respectivos governadores.
dos nos incisos I a V do caput deste artigo. § 2º Aos pensionistas dos militares dos Estados, do Distrito
§ 2º O servidor não aprovado no estágio probatório será Federal e dos Territórios aplica-se o que for fixado em lei especí-
exonerado ou, se estável, reconduzido ao cargo anteriormente fica do respectivo ente estatal.
ocupado, observado o disposto no parágrafo único do art. 29.
§ 3º O servidor em estágio probatório poderá exercer quais- ESTATUTO DA CIDADE (LEI FEDERAL Nº 10.257, DE 10
quer cargos de provimento em comissão ou funções de direção, DE JULHO DE 2001).
chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação, e
somente poderá ser cedido a outro órgão ou entidade para ocu-
par cargos de Natureza Especial, cargos de provimento em co- LEI N 10.257, DE 10 DE JULHO DE 2001.
missão do Grupo-Direção e Assessoramento Superiores - DAS,
de níveis 6, 5 e 4, ou equivalentes. Regulamenta os arts. 182 e 183 da Constituição Federal,
§ 4º Ao servidor em estágio probatório somente poderão estabelece diretrizes gerais da política urbana e dá outras pro-
ser concedidas as licenças e os afastamentos previstos nos arts. vidências.
81, incisos I a IV, 94, 95 e 96, bem assim afastamento para parti-
cipar de curso de formação decorrente de aprovação em concur- O PRESIDENTE DA REPÚBLICA Faço saber que o Congresso
so para outro cargo na Administração Pública Federal. Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:
§ 5º O estágio probatório ficará suspenso durante as licen-
ças e os afastamentos previstos nos arts. 83, 84, § 1o, 86 e 96, CAPÍTULO I
bem assim na hipótese de participação em curso de formação, e DIRETRIZES GERAIS
será retomado a partir do término do impedimento.
O estágio probatório pode ser definido como um lapso de Art. 1o Na execução da política urbana, de que tratam os
tempo no qual a aptidão e capacidade do servidor serão avalia- arts. 182 e 183 da Constituição Federal, será aplicado o previsto
das de acordo com critérios de assiduidade, disciplina, capaci- nesta Lei.
dade de iniciativa, produtividade e responsabilidade. O servidor Parágrafo único. Para todos os efeitos, esta Lei, denominada
não aprovado no estágio probatório será exonerado ou, se es- Estatuto da Cidade, estabelece normas de ordem pública e inte-
resse social que regulam o uso da propriedade urbana em prol
tável, reconduzido ao cargo anteriormente ocupado. Não existe
do bem coletivo, da segurança e do bem-estar dos cidadãos,
vedação para um servidor em estágio probatório exercer quais-
bem como do equilíbrio ambiental.
quer cargos de provimento em comissão ou funções de direção,
Art. 2o A política urbana tem por objetivo ordenar o pleno
chefia ou assessoramento no órgão ou entidade de lotação.
desenvolvimento das funções sociais da cidade e da proprieda-
Desde a Emenda Constitucional nº 19 de 1998, a discipli-
de urbana, mediante as seguintes diretrizes gerais:
na do estágio probatório mudou, notadamente aumentando o
I – garantia do direito a cidades sustentáveis, entendido
prazo de 2 anos para 3 anos. Tendo em vista que a norma cons-
como o direito à terra urbana, à moradia, ao saneamento am-
titucional prevalece sobre a lei federal, mesmo que ela não te-
biental, à infra-estrutura urbana, ao transporte e aos serviços
nha sido atualizada, deve-se seguir o disposto no artigo 41 da públicos, ao trabalho e ao lazer, para as presentes e futuras ge-
Constituição Federal. rações;
Uma vez adquirida a aprovação no estágio probatório, o II – gestão democrática por meio da participação da popu-
servidor público somente poderá ser exonerado nos casos do lação e de associações representativas dos vários segmentos da
§1º do artigo 40 da Constituição Federal, notadamente: em comunidade na formulação, execução e acompanhamento de
virtude de sentença judicial transitada em julgado; mediante planos, programas e projetos de desenvolvimento urbano;
processo administrativo em que lhe seja assegurada ampla III – cooperação entre os governos, a iniciativa privada e os
defesa; ou mediante procedimento de avaliação periódica de demais setores da sociedade no processo de urbanização, em
desempenho, na forma de lei complementar, assegurada ampla atendimento ao interesse social;
defesa (sendo esta lei complementar ainda inexistente no âm- IV – planejamento do desenvolvimento das cidades, da dis-
bito federal. tribuição espacial da população e das atividades econômicas do
Município e do território sob sua área de influência, de modo
8) Dos militares dos Estados, do Distrito Federal e dos Ter- a evitar e corrigir as distorções do crescimento urbano e seus
ritórios efeitos negativos sobre o meio ambiente;
Prevê o artigo 42, CF: V – oferta de equipamentos urbanos e comunitários, trans-
Art. 42. Os membros das Polícias Militares e Corpos de Bom- porte e serviços públicos adequados aos interesses e necessida-
beiros Militares, instituições organizadas com base na hierar- des da população e às características locais;
quia e disciplina, são militares dos Estados, do Distrito Federal VI – ordenação e controle do uso do solo, de forma a evitar:
e dos Territórios. a) a utilização inadequada dos imóveis urbanos;

13
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

b) a proximidade de usos incompatíveis ou inconvenientes; trabalhadores domésticos, observados requisitos mínimos de


c) o parcelamento do solo, a edificação ou o uso excessivos dimensionamento, ventilação, iluminação, ergonomia, privaci-
ou inadequados em relação à infra-estrutura urbana; dade e qualidade dos materiais empregados.(Incluído pela Lei
d) a instalação de empreendimentos ou atividades que pos- nº 13.699, de 2018)
sam funcionar como pólos geradores de tráfego, sem a previsão Art. 3o Compete à União, entre outras atribuições de inte-
da infra-estrutura correspondente; resse da política urbana:
e) a retenção especulativa de imóvel urbano, que resulte na I – legislar sobre normas gerais de direito urbanístico;
sua subutilização ou não utilização; II – legislar sobre normas para a cooperação entre a União,
f) a deterioração das áreas urbanizadas; os Estados, o Distrito Federal e os Municípios em relação à po-
g) a poluição e a degradação ambiental; lítica urbana, tendo em vista o equilíbrio do desenvolvimento e
h) a exposição da população a riscos de desastres.(Incluído do bem-estar em âmbito nacional;
dada pela Lei nº 12.608, de 2012) III - promover, por iniciativa própria e em conjunto com os
VII – integração e complementaridade entre as atividades Estados, o Distrito Federal e os Municípios, programas de cons-
urbanas e rurais, tendo em vista o desenvolvimento socioeco- trução de moradias e melhoria das condições habitacionais, de
nômico do Município e do território sob sua área de influência; saneamento básico, das calçadas, dos passeios públicos, do mo-
VIII – adoção de padrões de produção e consumo de bens biliário urbano e dos demais espaços de uso público; (Redação
e serviços e de expansão urbana compatíveis com os limites da dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
sustentabilidade ambiental, social e econômica do Município e IV - instituir diretrizes para desenvolvimento urbano, in-
do território sob sua área de influência; clusive habitação, saneamento básico, transporte e mobilidade
IX – justa distribuição dos benefícios e ônus decorrentes do urbana, que incluam regras de acessibilidade aos locais de uso
processo de urbanização; público; (Redação dada pela Lei nº 13.146, de 2015) (Vigência)
X – adequação dos instrumentos de política econômica, tri- V – elaborar e executar planos nacionais e regionais de or-
butária e financeira e dos gastos públicos aos objetivos do de- denação do território e de desenvolvimento econômico e social.
senvolvimento urbano, de modo a privilegiar os investimentos
geradores de bem-estar geral e a fruição dos bens pelos diferen- CAPÍTULO II
tes segmentos sociais; DOS INSTRUMENTOS DA POLÍTICA URBANA
XI – recuperação dos investimentos do Poder Público de
que tenha resultado a valorização de imóveis urbanos; SEÇÃO I
XII – proteção, preservação e recuperação do meio ambien- DOS INSTRUMENTOS EM GERAL
te natural e construído, do patrimônio cultural, histórico, artísti-
co, paisagístico e arqueológico; Art. 4o Para os fins desta Lei, serão utilizados, entre outros
XIII – audiência do Poder Público municipal e da população instrumentos:
interessada nos processos de implantação de empreendimen- I – planos nacionais, regionais e estaduais de ordenação do
tos ou atividades com efeitos potencialmente negativos sobre o território e de desenvolvimento econômico e social;
meio ambiente natural ou construído, o conforto ou a segurança II – planejamento das regiões metropolitanas, aglomera-
da população; ções urbanas e microrregiões;
XIV – regularização fundiária e urbanização de áreas ocupa- III – planejamento municipal, em especial:
das por população de baixa renda mediante o estabelecimento a) plano diretor;
de normas especiais de urbanização, uso e ocupação do solo e b) disciplina do parcelamento, do uso e da ocupação do
edificação, consideradas a situação socioeconômica da popula- solo;
ção e as normas ambientais; c) zoneamento ambiental;
XV – simplificação da legislação de parcelamento, uso e d) plano plurianual;
ocupação do solo e das normas edilícias, com vistas a permitir a e) diretrizes orçamentárias e orçamento anual;
redução dos custos e o aumento da oferta dos lotes e unidades f) gestão orçamentária participativa;
habitacionais; g) planos, programas e projetos setoriais;
XVI – isonomia de condições para os agentes públicos e pri- h) planos de desenvolvimento econômico e social;
vados na promoção de empreendimentos e atividades relativos IV – institutos tributários e financeiros:
ao processo de urbanização, atendido o interesse social. a) imposto sobre a propriedade predial e territorial urbana
XVII - estímulo à utilização, nos parcelamentos do solo e nas - IPTU;
edificações urbanas, de sistemas operacionais, padrões constru- b) contribuição de melhoria;
tivos e aportes tecnológicos que objetivem a redução de impac- c) incentivos e benefícios fiscais e financeiros;
tos ambientais e a economia de recursos naturais.(Incluído pela V – institutos jurídicos e políticos:
Lei nº 12.836, de 2013) a) desapropriação;
XVIII - tratamento prioritário às obras e edificações de infra- b) servidão administrativa;
estrutura de energia, telecomunicações, abastecimento de água c) limitações administrativas;
e saneamento.(Incluído pela Lei nº 13.116, de 2015) d) tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano;
XIX – garantia de condições condignas de acessibilidade, e) instituição de unidades de conservação;
utilização e conforto nas dependências internas das edificações f) instituição de zonas especiais de interesse social;
urbanas, inclusive nas destinadas à moradia e ao serviço dos g) concessão de direito real de uso;

14
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

h) concessão de uso especial para fins de moradia; II - dois anos, a partir da aprovação do projeto, para iniciar
i) parcelamento, edificação ou utilização compulsórios; as obras do empreendimento.
j) usucapião especial de imóvel urbano; § 5o Em empreendimentos de grande porte, em caráter ex-
l) direito de superfície; cepcional, a lei municipal específica a que se refere o caput po-
m) direito de preempção; derá prever a conclusão em etapas, assegurando-se que o pro-
n) outorga onerosa do direito de construir e de alteração jeto aprovado compreenda o empreendimento como um todo.
de uso; Art. 6o A transmissão do imóvel, por ato inter vivos ou cau-
o) transferência do direito de construir; sa mortis, posterior à data da notificação, transfere as obriga-
p) operações urbanas consorciadas; ções de parcelamento, edificação ou utilização previstas no art.
q) regularização fundiária; 5o desta Lei, sem interrupção de quaisquer prazos.
r) assistência técnica e jurídica gratuita para as comunida-
des e grupos sociais menos favorecidos; SEÇÃO III
s) referendo popular e plebiscito; DO IPTU PROGRESSIVO NO TEMPO
t) demarcação urbanística para fins de regularização fundiá-
ria; (Incluído pela Lei nº 11.977, de 2009) Art. 7o Em caso de descumprimento das condições e dos
u) legitimação de posse. (Incluído pela Lei nº 11.977, de prazos previstos na forma do caput do art. 5o desta Lei, ou não
2009) sendo cumpridas as etapas previstas no § 5o do art. 5o desta
VI – estudo prévio de impacto ambiental (EIA) e estudo pré-
Lei, o Município procederá à aplicação do imposto sobre a pro-
vio de impacto de vizinhança (EIV).
priedade predial e territorial urbana (IPTU) progressivo no tem-
§ 1o Os instrumentos mencionados neste artigo regem-se
po, mediante a majoração da alíquota pelo prazo de cinco anos
pela legislação que lhes é própria, observado o disposto nesta
consecutivos.
Lei.
§ 2o Nos casos de programas e projetos habitacionais de § 1o O valor da alíquota a ser aplicado a cada ano será fixa-
interesse social, desenvolvidos por órgãos ou entidades da Ad- do na lei específica a que se refere o caput do art. 5o desta Lei
ministração Pública com atuação específica nessa área, a con- e não excederá a duas vezes o valor referente ao ano anterior,
cessão de direito real de uso de imóveis públicos poderá ser respeitada a alíquota máxima de quinze por cento.
contratada coletivamente. § 2o Caso a obrigação de parcelar, edificar ou utilizar não
§ 3o Os instrumentos previstos neste artigo que demandam esteja atendida em cinco anos, o Município manterá a cobrança
dispêndio de recursos por parte do Poder Público municipal de- pela alíquota máxima, até que se cumpra a referida obrigação,
vem ser objeto de controle social, garantida a participação de garantida a prerrogativa prevista no art. 8o.
comunidades, movimentos e entidades da sociedade civil. § 3o É vedada a concessão de isenções ou de anistia relati-
vas à tributação progressiva de que trata este artigo.
SEÇÃO II
DO PARCELAMENTO, EDIFICAÇÃO OU UTILIZAÇÃO COM- SEÇÃO IV
PULSÓRIOS DA DESAPROPRIAÇÃO COM PAGAMENTO EM TÍTULOS

Art. 5o Lei municipal específica para área incluída no plano Art. 8o Decorridos cinco anos de cobrança do IPTU progres-
diretor poderá determinar o parcelamento, a edificação ou a uti- sivo sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de par-
lização compulsórios do solo urbano não edificado, subutilizado celamento, edificação ou utilização, o Município poderá proce-
ou não utilizado, devendo fixar as condições e os prazos para der à desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da
implementação da referida obrigação. dívida pública.
§ 1o Considera-se subutilizado o imóvel: § 1o Os títulos da dívida pública terão prévia aprovação pelo
I – cujo aproveitamento seja inferior ao mínimo definido no Senado Federal e serão resgatados no prazo de até dez anos, em
plano diretor ou em legislação dele decorrente; prestações anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real
II – (VETADO) da indenização e os juros legais de seis por cento ao ano.
§ 2o O proprietário será notificado pelo Poder Executivo § 2o O valor real da indenização:
municipal para o cumprimento da obrigação, devendo a notifi-
I – refletirá o valor da base de cálculo do IPTU, descontado
cação ser averbada no cartório de registro de imóveis.
o montante incorporado em função de obras realizadas pelo Po-
§ 3o A notificação far-se-á:
der Público na área onde o mesmo se localiza após a notificação
I – por funcionário do órgão competente do Poder Públi-
de que trata o § 2o do art. 5o desta Lei;
co municipal, ao proprietário do imóvel ou, no caso de este ser
pessoa jurídica, a quem tenha poderes de gerência geral ou ad- II – não computará expectativas de ganhos, lucros cessantes
ministração; e juros compensatórios.
II – por edital quando frustrada, por três vezes, a tentativa § 3o Os títulos de que trata este artigo não terão poder libe-
de notificação na forma prevista pelo inciso I. ratório para pagamento de tributos.
§ 4o Os prazos a que se refere o caput não poderão ser in- § 4o O Município procederá ao adequado aproveitamento
feriores a: do imóvel no prazo máximo de cinco anos, contado a partir da
I - um ano, a partir da notificação, para que seja protocolado sua incorporação ao patrimônio público.
o projeto no órgão municipal competente;

15
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 5o O aproveitamento do imóvel poderá ser efetivado III – como substituto processual, a associação de moradores
diretamente pelo Poder Público ou por meio de alienação ou da comunidade, regularmente constituída, com personalidade
concessão a terceiros, observando-se, nesses casos, o devido jurídica, desde que explicitamente autorizada pelos representa-
procedimento licitatório. dos.
§ 6o Ficam mantidas para o adquirente de imóvel nos ter- § 1o Na ação de usucapião especial urbana é obrigatória a
mos do § 5o as mesmas obrigações de parcelamento, edificação intervenção do Ministério Público.
ou utilização previstas no art. 5o desta Lei. § 2o O autor terá os benefícios da justiça e da assistência
judiciária gratuita, inclusive perante o cartório de registro de
SEÇÃO V imóveis.
DA USUCAPIÃO ESPECIAL DE IMÓVEL URBANO Art. 13. A usucapião especial de imóvel urbano poderá ser
invocada como matéria de defesa, valendo a sentença que a
Art. 9o Aquele que possuir como sua área ou edificação ur- reconhecer como título para registro no cartório de registro de
bana de até duzentos e cinqüenta metros quadrados, por cinco imóveis.
anos, ininterruptamente e sem oposição, utilizando-a para sua Art. 14. Na ação judicial de usucapião especial de imóvel
moradia ou de sua família, adquirir-lhe-á o domínio, desde que urbano, o rito processual a ser observado é o sumário.
não seja proprietário de outro imóvel urbano ou rural.
§ 1o O título de domínio será conferido ao homem ou à mu- SEÇÃO VI
lher, ou a ambos, independentemente do estado civil. DA CONCESSÃO DE USO ESPECIAL PARA FINS DE MORADIA
§ 2o O direito de que trata este artigo não será reconhecido
ao mesmo possuidor mais de uma vez. Art. 15. (VETADO)
§ 3o Para os efeitos deste artigo, o herdeiro legítimo conti- Art. 16. (VETADO)
nua, de pleno direito, a posse de seu antecessor, desde que já Art. 17. (VETADO)
resida no imóvel por ocasião da abertura da sucessão. Art. 18. (VETADO)
Art. 10.Os núcleos urbanos informais existentes sem oposi- Art. 19. (VETADO)
ção há mais de cinco anos e cuja área total dividida pelo núme- Art. 20. (VETADO)
ro de possuidores seja inferior a duzentos e cinquenta metros
quadrados por possuidor são suscetíveis de serem usucapidos SEÇÃO VII
coletivamente, desde que os possuidores não sejam proprietá- DO DIREITO DE SUPERFÍCIE
rios de outro imóvel urbano ou rural.(Redação dada pela lei nº
13.465, de 2017) Art. 21. O proprietário urbano poderá conceder a outrem o
§ 1o O possuidor pode, para o fim de contar o prazo exigido direito de superfície do seu terreno, por tempo determinado ou
por este artigo, acrescentar sua posse à de seu antecessor, con- indeterminado, mediante escritura pública registrada no cartó-
tanto que ambas sejam contínuas. rio de registro de imóveis.
§ 2o A usucapião especial coletiva de imóvel urbano será § 1o O direito de superfície abrange o direito de utilizar o
declarada pelo juiz, mediante sentença, a qual servirá de título solo, o subsolo ou o espaço aéreo relativo ao terreno, na forma
para registro no cartório de registro de imóveis. estabelecida no contrato respectivo, atendida a legislação urba-
§ 3o Na sentença, o juiz atribuirá igual fração ideal de terre- nística.
no a cada possuidor, independentemente da dimensão do ter- § 2o A concessão do direito de superfície poderá ser gratui-
reno que cada um ocupe, salvo hipótese de acordo escrito entre ta ou onerosa.
os condôminos, estabelecendo frações ideais diferenciadas. § 3o O superficiário responderá integralmente pelos encar-
§ 4o O condomínio especial constituído é indivisível, não gos e tributos que incidirem sobre a propriedade superficiária,
sendo passível de extinção, salvo deliberação favorável tomada arcando, ainda, proporcionalmente à sua parcela de ocupação
por, no mínimo, dois terços dos condôminos, no caso de execu- efetiva, com os encargos e tributos sobre a área objeto da con-
ção de urbanização posterior à constituição do condomínio. cessão do direito de superfície, salvo disposição em contrário do
§ 5o As deliberações relativas à administração do condomí- contrato respectivo.
nio especial serão tomadas por maioria de votos dos condômi- § 4o O direito de superfície pode ser transferido a terceiros,
nos presentes, obrigando também os demais, discordantes ou obedecidos os termos do contrato respectivo.
ausentes. § 5o Por morte do superficiário, os seus direitos transmi-
Art. 11. Na pendência da ação de usucapião especial ur- tem-se a seus herdeiros.
bana, ficarão sobrestadas quaisquer outras ações, petitórias Art. 22. Em caso de alienação do terreno, ou do direito de
ou possessórias, que venham a ser propostas relativamente ao superfície, o superficiário e o proprietário, respectivamente, te-
imóvel usucapiendo. rão direito de preferência, em igualdade de condições à oferta
Art. 12. São partes legítimas para a propositura da ação de de terceiros.
usucapião especial urbana: Art. 23. Extingue-se o direito de superfície:
I – o possuidor, isoladamente ou em litisconsórcio originário I – pelo advento do termo;
ou superveniente; II – pelo descumprimento das obrigações contratuais assu-
II – os possuidores, em estado de composse; midas pelo superficiário.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 24. Extinto o direito de superfície, o proprietário recu- § 5o A alienação processada em condições diversas da pro-
perará o pleno domínio do terreno, bem como das acessões e posta apresentada é nula de pleno direito.
benfeitorias introduzidas no imóvel, independentemente de in- § 6o Ocorrida a hipótese prevista no § 5o o Município po-
denização, se as partes não houverem estipulado o contrário no derá adquirir o imóvel pelo valor da base de cálculo do IPTU ou
respectivo contrato. pelo valor indicado na proposta apresentada, se este for inferior
§ 1o Antes do termo final do contrato, extinguir-se-á o di- àquele.
reito de superfície se o superficiário der ao terreno destinação
diversa daquela para a qual for concedida. SEÇÃO I
§ 2o A extinção do direito de superfície será averbada no DA OUTORGA ONEROSA DO DIREITO DE CONSTRUIR
cartório de registro de imóveis.
Art. 28. O plano diretor poderá fixar áreas nas quais o di-
SEÇÃO VIII reito de construir poderá ser exercido acima do coeficiente de
DO DIREITO DE PREEMPÇÃO aproveitamento básico adotado, mediante contrapartida a ser
prestada pelo beneficiário.
Art. 25. O direito de preempção confere ao Poder Público § 1o Para os efeitos desta Lei, coeficiente de aproveitamen-
municipal preferência para aquisição de imóvel urbano objeto
to é a relação entre a área edificável e a área do terreno.
de alienação onerosa entre particulares.
§ 2o O plano diretor poderá fixar coeficiente de aproveita-
§ 1o Lei municipal, baseada no plano diretor, delimitará as
mento básico único para toda a zona urbana ou diferenciado
áreas em que incidirá o direito de preempção e fixará prazo de
para áreas específicas dentro da zona urbana.
vigência, não superior a cinco anos, renovável a partir de um ano
após o decurso do prazo inicial de vigência. § 3o O plano diretor definirá os limites máximos a serem
§ 2o O direito de preempção fica assegurado durante o pra- atingidos pelos coeficientes de aproveitamento, considerando a
zo de vigência fixado na forma do § 1o, independentemente do proporcionalidade entre a infra-estrutura existente e o aumento
número de alienações referentes ao mesmo imóvel. de densidade esperado em cada área.
Art. 26. O direito de preempção será exercido sempre que o Art. 29. O plano diretor poderá fixar áreas nas quais poderá
Poder Público necessitar de áreas para: ser permitida alteração de uso do solo, mediante contrapartida
I – regularização fundiária; a ser prestada pelo beneficiário.
II – execução de programas e projetos habitacionais de in- Art. 30. Lei municipal específica estabelecerá as condições
teresse social; a serem observadas para a outorga onerosa do direito de cons-
III – constituição de reserva fundiária; truir e de alteração de uso, determinando:
IV – ordenamento e direcionamento da expansão urbana; I – a fórmula de cálculo para a cobrança;
V – implantação de equipamentos urbanos e comunitários; II – os casos passíveis de isenção do pagamento da outorga;
VI – criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes; III – a contrapartida do beneficiário.
VII – criação de unidades de conservação ou proteção de Art. 31. Os recursos auferidos com a adoção da outorga
outras áreas de interesse ambiental; onerosa do direito de construir e de alteração de uso serão apli-
VIII – proteção de áreas de interesse histórico, cultural ou cados com as finalidades previstas nos incisos I a IX do art. 26
paisagístico; desta Lei.
IX – (VETADO)
Parágrafo único. A lei municipal prevista no § 1o do art. 25 SEÇÃO X
desta Lei deverá enquadrar cada área em que incidirá o direito DAS OPERAÇÕES URBANAS CONSORCIADAS
de preempção em uma ou mais das finalidades enumeradas por
este artigo. Art. 32. Lei municipal específica, baseada no plano diretor,
Art. 27. O proprietário deverá notificar sua intenção de alie- poderá delimitar área para aplicação de operações consorcia-
nar o imóvel, para que o Município, no prazo máximo de trinta das.
dias, manifeste por escrito seu interesse em comprá-lo.
§ 1o Considera-se operação urbana consorciada o conjunto
§ 1o À notificação mencionada no caput será anexada pro-
de intervenções e medidas coordenadas pelo Poder Público mu-
posta de compra assinada por terceiro interessado na aquisição
nicipal, com a participação dos proprietários, moradores, usu-
do imóvel, da qual constarão preço, condições de pagamento e
ários permanentes e investidores privados, com o objetivo de
prazo de validade.
§ 2o O Município fará publicar, em órgão oficial e em pelo alcançar em uma área transformações urbanísticas estruturais,
menos um jornal local ou regional de grande circulação, edital de melhorias sociais e a valorização ambiental.
aviso da notificação recebida nos termos do caput e da intenção § 2o Poderão ser previstas nas operações urbanas consor-
de aquisição do imóvel nas condições da proposta apresentada. ciadas, entre outras medidas:
§ 3o Transcorrido o prazo mencionado no caput sem ma- I – a modificação de índices e características de parcelamen-
nifestação, fica o proprietário autorizado a realizar a alienação to, uso e ocupação do solo e subsolo, bem como alterações das
para terceiros, nas condições da proposta apresentada. normas edilícias, considerado o impacto ambiental delas decor-
§ 4o Concretizada a venda a terceiro, o proprietário fica rente;
obrigado a apresentar ao Município, no prazo de trinta dias, có- II – a regularização de construções, reformas ou ampliações
pia do instrumento público de alienação do imóvel. executadas em desacordo com a legislação vigente.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

III - a concessão de incentivos a operações urbanas que uti- SEÇÃO XI


lizam tecnologias visando a redução de impactos ambientais, e DA TRANSFERÊNCIA DO DIREITO DE CONSTRUIR
que comprovem a utilização, nas construções e uso de edifica-
ções urbanas, de tecnologias que reduzam os impactos ambien- Art. 35. Lei municipal, baseada no plano diretor, poderá au-
tais e economizem recursos naturais, especificadas as modalida- torizar o proprietário de imóvel urbano, privado ou público, a
des de design e de obras a serem contempladas. (Incluído pela exercer em outro local, ou alienar, mediante escritura pública,
Lei nº 12.836, de 2013) o direito de construir previsto no plano diretor ou em legislação
Art. 33. Da lei específica que aprovar a operação urbana urbanística dele decorrente, quando o referido imóvel for consi-
consorciada constará o plano de operação urbana consorciada, derado necessário para fins de:
contendo, no mínimo: I – implantação de equipamentos urbanos e comunitários;
I – definição da área a ser atingida; II – preservação, quando o imóvel for considerado de inte-
II – programa básico de ocupação da área; resse histórico, ambiental, paisagístico, social ou cultural;
III – programa de atendimento econômico e social para a III – servir a programas de regularização fundiária, urbaniza-
população diretamente afetada pela operação; ção de áreas ocupadas por população de baixa renda e habita-
IV – finalidades da operação; ção de interesse social.
V – estudo prévio de impacto de vizinhança; § 1o A mesma faculdade poderá ser concedida ao proprie-
VI - contrapartida a ser exigida dos proprietários, usuários tário que doar ao Poder Público seu imóvel, ou parte dele, para
permanentes e investidores privados em função da utilização os fins previstos nos incisos I a III do caput.
dos benefícios previstos nos incisos I, II e III do § 2o do art. 32 § 2o A lei municipal referida no caput estabelecerá as con-
desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 12.836, de 2013) dições relativas à aplicação da transferência do direito de cons-
VII – forma de controle da operação, obrigatoriamente com- truir.
partilhado com representação da sociedade civil.
VIII - natureza dos incentivos a serem concedidos aos pro- SEÇÃO XII
prietários, usuários permanentes e investidores privados, uma DO ESTUDO DE IMPACTO DE VIZINHANÇA
vez atendido o disposto no inciso III do § 2o do art. 32 desta Lei.
(Incluído pela Lei nº 12.836, de 2013) Art. 36. Lei municipal definirá os empreendimentos e ati-
§ 1o Os recursos obtidos pelo Poder Público municipal na vidades privados ou públicos em área urbana que dependerão
forma do inciso VI deste artigo serão aplicados exclusivamente de elaboração de estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV)
na própria operação urbana consorciada. para obter as licenças ou autorizações de construção, ampliação
§ 2o A partir da aprovação da lei específica de que trata o ou funcionamento a cargo do Poder Público municipal.
caput, são nulas as licenças e autorizações a cargo do Poder Pú- Art. 37. O EIV será executado de forma a contemplar os
blico municipal expedidas em desacordo com o plano de opera- efeitos positivos e negativos do empreendimento ou atividade
ção urbana consorciada. quanto à qualidade de vida da população residente na área e
Art. 34. A lei específica que aprovar a operação urbana con- suas proximidades, incluindo a análise, no mínimo, das seguin-
sorciada poderá prever a emissão pelo Município de quantidade tes questões:
determinada de certificados de potencial adicional de constru- I – adensamento populacional;
ção, que serão alienados em leilão ou utilizados diretamente no II – equipamentos urbanos e comunitários;
pagamento das obras necessárias à própria operação. III – uso e ocupação do solo;
§ 1o Os certificados de potencial adicional de construção IV – valorização imobiliária;
serão livremente negociados, mas conversíveis em direito de V – geração de tráfego e demanda por transporte público;
construir unicamente na área objeto da operação. VI – ventilação e iluminação;
§ 2o Apresentado pedido de licença para construir, o cer- VII – paisagem urbana e patrimônio natural e cultural.
tificado de potencial adicional será utilizado no pagamento da Parágrafo único. Dar-se-á publicidade aos documentos inte-
área de construção que supere os padrões estabelecidos pela grantes do EIV, que ficarão disponíveis para consulta, no órgão
legislação de uso e ocupação do solo, até o limite fixado pela lei competente do Poder Público municipal, por qualquer interes-
específica que aprovar a operação urbana consorciada. sado.
Art. 34-A.Nas regiões metropolitanas ou nas aglomerações Art. 38. A elaboração do EIV não substitui a elaboração e a
urbanas instituídas por lei complementar estadual, poderão ser aprovação de estudo prévio de impacto ambiental (EIA), reque-
realizadas operações urbanas consorciadas interfederativas, ridas nos termos da legislação ambiental.
aprovadas por leis estaduais específicas.(Incluído pela Lei nº
13.089, de 2015) CAPÍTULO III
Parágrafo único.As disposições dos arts. 32 a 34 desta Lei DO PLANO DIRETOR
aplicam-se às operações urbanas consorciadas interfederativas
previstas no caput deste artigo, no que couber.(Incluído pela Lei Art. 39. A propriedade urbana cumpre sua função social
nº 13.089, de 2015) quando atende às exigências fundamentais de ordenação da
cidade expressas no plano diretor, assegurando o atendimento
das necessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à
justiça social e ao desenvolvimento das atividades econômicas,
respeitadas as diretrizes previstas no art. 2o desta Lei.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 40. O plano diretor, aprovado por lei municipal, é o I – a delimitação das áreas urbanas onde poderá ser apli-
instrumento básico da política de desenvolvimento e expansão cado o parcelamento, edificação ou utilização compulsórios,
urbana. considerando a existência de infra-estrutura e de demanda para
§ 1o O plano diretor é parte integrante do processo de pla- utilização, na forma do art. 5o desta Lei;
nejamento municipal, devendo o plano plurianual, as diretrizes II – disposições requeridas pelos arts. 25, 28, 29, 32 e 35
orçamentárias e o orçamento anual incorporar as diretrizes e as desta Lei;
prioridades nele contidas. III – sistema de acompanhamento e controle.
§ 2o O plano diretor deverá englobar o território do Muni- Art. 42-A.Além do conteúdo previsto no art. 42, o plano
cípio como um todo. diretor dos Municípios incluídos no cadastro nacional de muni-
§ 3o A lei que instituir o plano diretor deverá ser revista, cípios com áreas suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de
pelo menos, a cada dez anos. grande impacto, inundações bruscas ou processos geológicos
§ 4o No processo de elaboração do plano diretor e na fisca- ou hidrológicos correlatos deverá conter:(Incluído pela Lei nº
lização de sua implementação, os Poderes Legislativo e Executi- 12.608, de 2012)
vo municipais garantirão: I - parâmetros de parcelamento, uso e ocupação do solo, de
I – a promoção de audiências públicas e debates com a par- modo a promover a diversidade de usos e a contribuir para a ge-
ticipação da população e de associações representativas dos vá- ração de emprego e renda; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012)
rios segmentos da comunidade; II - mapeamento contendo as áreas suscetíveis à ocorrên-
II – a publicidade quanto aos documentos e informações cia de deslizamentos de grande impacto, inundações bruscas ou
produzidos; processos geológicos ou hidrológicos correlatos;(Incluído pela
III – o acesso de qualquer interessado aos documentos e Lei nº 12.608, de 2012)
informações produzidos. III - planejamento de ações de intervenção preventiva e re-
§ 5o (VETADO) alocação de população de áreas de risco de desastre;(Incluído
Art. 41. O plano diretor é obrigatório para cidades: pela Lei nº 12.608, de 2012)
I – com mais de vinte mil habitantes; IV - medidas de drenagem urbana necessárias à prevenção
II – integrantes de regiões metropolitanas e aglomerações e à mitigação de impactos de desastres; e(Incluído pela Lei nº
urbanas; 12.608, de 2012)
III – onde o Poder Público municipal pretenda utilizar os ins- V - diretrizes para a regularização fundiária de assentamen-
trumentos previstos no § 4o do art. 182 da Constituição Federal; tos urbanos irregulares, se houver, observadas a Lei no 11.977,
IV – integrantes de áreas de especial interesse turístico; de 7 de julho de 2009, e demais normas federais e estaduais
V – inseridas na área de influência de empreendimentos ou pertinentes, e previsão de áreas para habitação de interesse
atividades com significativo impacto ambiental de âmbito regio- social por meio da demarcação de zonas especiais de interesse
nal ou nacional. social e de outros instrumentos de política urbana, onde o uso
VI - incluídas no cadastro nacional de Municípios com áreas habitacional for permitido.(Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012)
suscetíveis à ocorrência de deslizamentos de grande impacto, VI - identificação e diretrizes para a preservação e ocupa-
inundações bruscas ou processos geológicos ou hidrológicos ção das áreas verdes municipais, quando for o caso, com vistas à
correlatos. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) redução da impermeabilização das cidades.(Incluído pela Lei nº
§ 1o No caso da realização de empreendimentos ou ativi- 12.983, de 2014)
dades enquadrados no inciso V do caput, os recursos técnicos e § 1oA identificação e o mapeamento de áreas de risco leva-
financeiros para a elaboração do plano diretor estarão inseridos rão em conta as cartas geotécnicas.(Incluído pela Lei nº 12.608,
entre as medidas de compensação adotadas. de 2012)
§ 2o No caso de cidades com mais de quinhentos mil ha- § 2oO conteúdo do plano diretor deverá ser compatível com
bitantes, deverá ser elaborado um plano de transporte urbano as disposições insertas nos planos de recursos hídricos, formula-
integrado, compatível com o plano diretor ou nele inserido. dos consoante a Lei no 9.433, de 8 de janeiro de 1997.(Incluído
§ 3oAs cidades de que trata o caput deste artigo devem ela- pela Lei nº 12.608, de 2012)
borar plano de rotas acessíveis, compatível com o plano diretor § 3oOs Municípios adequarão o plano diretor às disposições
no qual está inserido, que disponha sobre os passeios públicos a deste artigo, por ocasião de sua revisão, observados os prazos
serem implantados ou reformados pelo poder público, com vis- legais. (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012)
tas a garantir acessibilidade da pessoa com deficiência ou com § 4oOs Municípios enquadrados no inciso VI do art. 41 des-
mobilidade reduzida a todas as rotas e vias existentes, inclusive ta Lei e que não tenham plano diretor aprovado terão o prazo de
as que concentrem os focos geradores de maior circulação de 5 (cinco) anos para o seu encaminhamento para aprovação pela
pedestres, como os órgãos públicos e os locais de prestação de Câmara Municipal.(Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012)
serviços públicos e privados de saúde, educação, assistência so- Art. 42-B.Os Municípios que pretendam ampliar o seu perí-
cial, esporte, cultura, correios e telégrafos, bancos, entre outros, metro urbano após a data de publicação desta Lei deverão ela-
sempre que possível de maneira integrada com os sistemas de borar projeto específico que contenha, no mínimo:(Incluído pela
transporte coletivo de passageiros. (Incluído pela Lei nº 13.146, Lei nº 12.608, de 2012)
de 2015) (Vigência) I - demarcação do novo perímetro urbano;(Incluído pela Lei
Art. 42. O plano diretor deverá conter no mínimo: nº 12.608, de 2012)

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

II - delimitação dos trechos com restrições à urbanização e Art. 45. Os organismos gestores das regiões metropolita-
dos trechos sujeitos a controle especial em função de ameaça nas e aglomerações urbanas incluirão obrigatória e significativa
de desastres naturais; (Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) participação da população e de associações representativas dos
III - definição de diretrizes específicas e de áreas que se- vários segmentos da comunidade, de modo a garantir o controle
rão utilizadas para infraestrutura, sistema viário, equipamentos direto de suas atividades e o pleno exercício da cidadania.
e instalações públicas, urbanas e sociais; (Incluído pela Lei nº
12.608, de 2012) CAPÍTULO V
IV - definição de parâmetros de parcelamento, uso e ocupa- DISPOSIÇÕES GERAIS
ção do solo, de modo a promover a diversidade de usos e con-
tribuir para a geração de emprego e renda;(Incluído pela Lei nº Art. 46.O poder público municipal poderá facultar ao pro-
12.608, de 2012) prietário da área atingida pela obrigação de que trata o caput
V - a previsão de áreas para habitação de interesse social do art. 5o desta Lei, ou objeto de regularização fundiária urba-
por meio da demarcação de zonas especiais de interesse social na para fins de regularização fundiária, o estabelecimento de
e de outros instrumentos de política urbana, quando o uso ha- consórcio imobiliário como forma de viabilização financeira do
bitacional for permitido;(Incluído pela Lei nº 12.608, de 2012) aproveitamento do imóvel.(Redação dada pela lei nº 13.465, de
VI - definição de diretrizes e instrumentos específicos para 2017)
proteção ambiental e do patrimônio histórico e cultural; e (Inclu- § 1oConsidera-se consórcio imobiliário a forma de viabili-
ído pela Lei nº 12.608, de 2012) zação de planos de urbanização, de regularização fundiária ou
VII - definição de mecanismos para garantir a justa distri- de reforma, conservação ou construção de edificação por meio
buição dos ônus e benefícios decorrentes do processo de urba- da qual o proprietário transfere ao poder público municipal seu
nização do território de expansão urbana e a recuperação para imóvel e, após a realização das obras, recebe, como pagamento,
a coletividade da valorização imobiliária resultante da ação do unidades imobiliárias devidamente urbanizadas ou edificadas,
poder público. ficando as demais unidades incorporadas ao patrimônio públi-
§ 1oO projeto específico de que trata o caput deste artigo co. (Redação dada pela lei nº 13.465, de 2017)
deverá ser instituído por lei municipal e atender às diretrizes do § 2oO valor das unidades imobiliárias a serem entregues ao
plano diretor, quando houver.(Incluído pela Lei nº 12.608, de proprietário será correspondente ao valor do imóvel antes da
2012) execução das obras. (Redação dada pela lei nº 13.465, de 2017)
§ 2oQuando o plano diretor contemplar as exigências esta- § 3oA instauração do consórcio imobiliário por proprietá-
belecidas no caput, o Município ficará dispensado da elaboração rios que tenham dado causa à formação de núcleos urbanos
do projeto específico de que trata o caput deste artigo. (Incluído informais, ou por seus sucessores, não os eximirá das respon-
pela Lei nº 12.608, de 2012) sabilidades administrativa, civil ou criminal(incluído pela lei nº
§ 3oA aprovação de projetos de parcelamento do solo no 13.465, de 2017)
novo perímetro urbano ficará condicionada à existência do pro- Art. 47. Os tributos sobre imóveis urbanos, assim como as
jeto específico e deverá obedecer às suas disposições.(Incluído tarifas relativas a serviços públicos urbanos, serão diferenciados
pela Lei nº 12.608, de 2012) em função do interesse social.
Art. 48. Nos casos de programas e projetos habitacionais de
CAPÍTULO IV interesse social, desenvolvidos por órgãos ou entidades da Ad-
DA GESTÃO DEMOCRÁTICA DA CIDADE ministração Pública com atuação específica nessa área, os con-
tratos de concessão de direito real de uso de imóveis públicos:
Art. 43. Para garantir a gestão democrática da cidade, deve- I – terão, para todos os fins de direito, caráter de escritura
rão ser utilizados, entre outros, os seguintes instrumentos: pública, não se aplicando o disposto no inciso II do art. 134 do
I – órgãos colegiados de política urbana, nos níveis nacional, Código Civil;
estadual e municipal; II – constituirão título de aceitação obrigatória em garantia
II – debates, audiências e consultas públicas; de contratos de financiamentos habitacionais.
III – conferências sobre assuntos de interesse urbano, nos Art. 49. Os Estados e Municípios terão o prazo de noventa
níveis nacional, estadual e municipal; dias, a partir da entrada em vigor desta Lei, para fixar prazos, por
IV – iniciativa popular de projeto de lei e de planos, progra- lei, para a expedição de diretrizes de empreendimentos urbanís-
mas e projetos de desenvolvimento urbano; ticos, aprovação de projetos de parcelamento e de edificação,
V – (VETADO) realização de vistorias e expedição de termo de verificação e
Art. 44. No âmbito municipal, a gestão orçamentária parti- conclusão de obras.
cipativa de que trata a alínea f do inciso III do art. 4o desta Lei Parágrafo único. Não sendo cumprida a determinação do
incluirá a realização de debates, audiências e consultas públicas caput, fica estabelecido o prazo de sessenta dias para a reali-
sobre as propostas do plano plurianual, da lei de diretrizes or- zação de cada um dos referidos atos administrativos, que vale-
çamentárias e do orçamento anual, como condição obrigatória rá até que os Estados e Municípios disponham em lei de forma
para sua aprovação pela Câmara Municipal. diversa.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 50.Os Municípios que estejam enquadrados na obriga- 39) da constituição do direito de superfície de imóvel urba-
ção prevista nos incisos I e II do caput do art. 41 desta Lei e que no;” (NR)
não tenham plano diretor aprovado na data de entrada em vigor Art. 57. O art. 167, inciso II, da Lei no 6.015, de 1973, passa
desta Lei deverão aprová-lo até 30 de junho de 2008. (Redação a vigorar acrescido dos seguintes itens 18, 19 e 20:
dada pela Lei nº 11.673, 2008) Vigência “Art. 167. ....................................................
Art. 51. Para os efeitos desta Lei, aplicam-se ao Distrito Fe- II – ..............................................................
deral e ao Governador do Distrito Federal as disposições relati- 18) da notificação para parcelamento, edificação ou utiliza-
vas, respectivamente, a Município e a Prefeito. ção compulsórios de imóvel urbano;
Art. 52. Sem prejuízo da punição de outros agentes públicos 19) da extinção da concessão de uso especial para fins de
envolvidos e da aplicação de outras sanções cabíveis, o Prefeito moradia;
incorre em improbidade administrativa, nos termos da Lei no 20) da extinção do direito de superfície do imóvel urbano.”
8.429, de 2 de junho de 1992, quando: (NR)
I – (VETADO) Art. 58. Esta Lei entra em vigor após decorridos noventa
II – deixar de proceder, no prazo de cinco anos, o adequado dias de sua publicação.
aproveitamento do imóvel incorporado ao patrimônio público, Brasília, 10 de julho de 2001; 180o da Independência e 113o
conforme o disposto no § 4o do art. 8o desta Lei; da República.
III – utilizar áreas obtidas por meio do direito de preempção
em desacordo com o disposto no art. 26 desta Lei;
IV – aplicar os recursos auferidos com a outorga onerosa do LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE NITERÓI.
direito de construir e de alteração de uso em desacordo com o
previsto no art. 31 desta Lei;
LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE NITERÓI/RJ.
V – aplicar os recursos auferidos com operações consorcia-
PREÂMBULO
das em desacordo com o previsto no § 1o do art. 33 desta Lei;
VI – impedir ou deixar de garantir os requisitos contidos nos
incisos I a III do § 4o do art. 40 desta Lei; Exaltando a glória do passado, contemplando a realidade
VII – deixar de tomar as providências necessárias para ga- do presente e acreditando nas promessas do futuro, nós, Verea-
rantir a observância do disposto no § 3o do art. 40 e no art. 50 dores de Niterói, identificados com o seu povo no ideal de paz e
desta Lei; prosperidade, invocando a proteção de Deus para os destinos do
VIII – adquirir imóvel objeto de direito de preempção, nos Brasil, temos a honra de promulgar a Lei Orgânica do Município
termos dos arts. 25 a 27 desta Lei, pelo valor da proposta apre- de Niterói.
sentada, se este for, comprovadamente, superior ao de merca-
do. INSTITUI A LEI ORGÂNICA DO MUNICÍPIO DE NITERÓI
Art. 53. (Revogado pela Medida Provisória nº 2.180-35, de
24.8.2001) TÍTULO I
Art. 54. O art. 4o da Lei nº 7.347, de 1985, passa a vigorar DOS PRINCÍPIOS, DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS
com a seguinte redação:
“Art. 4o Poderá ser ajuizada ação cautelar para os fins desta Art. 1º O Município de Niterói, sob a proteção de Deus e
Lei, objetivando, inclusive, evitar o dano ao meio ambiente, ao objetivando uma sociedade fraterna, democrática e sem pre-
consumidor, à ordem urbanística ou aos bens e direitos de valor conceitos, garantirá ao seu povo o pleno exercício dos direitos
artístico, estético, histórico, turístico e paisagístico (VETADO).” sociais e individuais, a liberdade, a segurança, o bem-estar, o
(NR) desenvolvimento, a igualdade e a justiça.
Art. 55. O art. 167, inciso I, item 28, da Lei no 6.015, de 31 Art. 2º Todo poder municipal emana do povo, que o exerce
de dezembro de 1973, alterado pela Lei no 6.216, de 30 de ju- por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos
nho de 1975, passa a vigorar com a seguinte redação: desta Lei Orgânica.
“Art. 167. ................................................... Art. 3º No Município de Niterói, por suas leis, agentes e
I - .............................................................. órgãos, não haverá discriminação, em razão de local de nasci-
.................................................................. mento, idade, raça, etnia, sexo, estado civil, trabalho, religião,
28) das sentenças declaratórias de usucapião, independen- orientação sexual, convicções políticas ou filosóficas, por defici-
te da regularidade do parcelamento do solo ou da edificação;
ências de qualquer tipo, por ter cumprido pena ou por qualquer
.........................................................” (NR)
particularidade ou condição.
Art. 56. O art. 167, inciso I, da Lei no 6.015, de 1973, passa a
Parágrafo Único - Lei Municipal estabelecerá sanções admi-
vigorar acrescido dos seguintes itens 37, 38 e 39:
nistrativas à pessoa jurídica que incorrer em qualquer tipo de
“Art. 167. ....................................................
I – .............................................................. discriminação.
37) dos termos administrativos ou das sentenças declara- Art. 4º O Município defenderá, na forma da Lei, o consu-
tórias da concessão de uso especial para fins de moradia, inde- midor.
pendente da regularidade do parcelamento do solo ou da edi- Parágrafo Único - O Município promoverá, por Lei, a cria-
ficação; ção de um órgão de defesa do consumidor, regulamentando sua
38) (VETADO) competência, organização e funcionamento.

21
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 5º Todos têm direito de participar, nos termos da Lei, II - suplementar a legislação federal e a estadual no que cou-
das decisões do Poder Público Municipal, exercendo-se a sobe- ber;
rania popular, através do voto direto, mediante plebiscito e refe- III - elaborar o Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano
rendo, além da cooperação das associações representativas, no Integrado;
planejamento municipal. IV - elaborar o orçamento anual e o plurianual de investi-
mentos;
TÍTULO II V - instituir e arrecadar tributos de sua competência, bem
DA ORGANIZAÇÃO MUNICIPAL como aplicar a suas rendas;
CAPÍTULO I VI - fixar, fiscalizar e cobrar tarifas ou preços pela prestação
DO MUNICÍPIO de serviços públicos;
SEÇÃO I VII - dispor sobre organização, administração e execução
DISPOSIÇÕES GERAIS dos seus serviços;
VIII - dispor sobre a organização, utilização e alienação dos
Art. 6º O Município de Niterói é pessoa jurídica de direito bens públicos;
público interno e entidade político-administrativa, integrante da IX - organizar o quadro e estabelecer o regime jurídico único
organização nacional e do território do Estado do Rio de Janeiro,
dos servidores públicos;
com autonomia política, administrativa e financeira, nos termos
X - conceder e renovar licença para localização e funciona-
da Constituição da República, da Constituição do Estado do Rio
mento de estabelecimentos industriais, comerciais, prestadoras
de Janeiro e desta Lei Orgânica.
de serviços e quaisquer outros;
Parágrafo Único - No exercício de sua autonomia, o Municí-
pio decretará leis, expedirá atos e adotará medidas pertinentes XI - cassar licença concedida ao estabelecimento que des-
aos seus interesses, às necessidades da administração e ao bem- respeitar a Legislação vigente e que se tornar prejudicial ao
-estar de seu povo. meio ambiente, à saúde, à higiene, ao sossego, à segurança ou
Art. 7º São poderes do Município, independentes e harmô- aos bons costumes, fazendo cessar a atividade ou determinando
nicos entre si, o Legislativo e o Executivo. o fechamento do estabelecimento;
Parágrafo Único - É vedada aos poderes do Município a de- XII - estabelecer servidões administrativas necessárias à re-
legação de atribuições. alização de seus serviços, inclusive à dos seus concessionários;
Art. 8º Constituem símbolos do Município a Bandeira, o XIII - adquirir bens, inclusive mediante desapropriação;
Hino e o Brasão e a representação gráfica do Museu de Arte XIV - regular disposição, tratado e demais condições dos
Contemporânea, a ser definido em Decreto do Poder Executivo, bens públicos de uso comum;
alusivos à sua cultura e à sua história. (Redação dada pela Emen- XV - regulamentar a utilização dos logradouros públicos e,
da à Lei Orgânica nº 14/1997) especialmente, no perímetro urbano, determinar o itinerário,
Art. 9º O Município compreende a sede e os distritos atual- bem como pontos de parada dos transportes coletivos munici-
mente existentes e os que forem criados. pais e intermunicipais;
§ 1º A sede do Município dá-lhe o nome e tem a categoria XVI - fixar locais para estabelecimentos de pontos de táxis e
de cidade. demais veículos;
§ 2º Os distritos serão criados, organizados e suprimidos XVII - conceder, permitir ou autorizar os serviços de trans-
por lei municipal, preservando-se a unidade histórico-cultural portes coletivos e de táxis, fixando as respectivas tarifas;
do ambiente urbano, observada a legislação estadual. XVIII - fixar e sinalizar as zonas de silêncio, de trânsito e trá-
Art. 10 Constitui patrimônio do Município os seus direitos, fego em condições especiais;
os bens móveis e imóveis de seu domínio pleno, direto ou útil, a XIX - disciplinar os serviços e horários de carga e descarga e
renda proveniente do exercício das atividades de sua competên- determinar os veículos que podem circular em cada tipo de via
cia e a prestação de seus serviços. pública municipal;
Art. 11 O Município como entidade autônoma e básica da XX - sinalizar as vias urbanas e as estradas municipais, bem
Federação, garantirá vida digna ao seu povo e será administrado
como regulamentar e fiscalizar sua utilização;
com:
XXI - prover sobre a limpeza das vias e logradouros públi-
I - transparência de seus atos e ações;
cos, remoção e destino do lixo domiciliar e de outros resíduos
II - moralidade;
de qualquer natureza, respeitando as condições necessárias à
III - descentralização administrativa.
manutenção do meio ambiente;
CAPÍTULO II XXII - ordenar as atividades urbanas, fixando condições e
DA COMPETÊNCIA DO MUNICÍPIO horários para funcionamento de estabelecimentos industriais,
SEÇÃO I comerciais e de serviços, observadas as normas federais perti-
DA COMPETÊNCIA PRIVATI nentes;
XXIII - dispor sobre os serviços funerários e cemitérios;
Art. 12 Ao Município compete prover tudo quanto diga res- XXIV - regulamentar, licenciar, permitir, autorizar e fiscalizar
peito ao interesse local e ao bem-estar de sua população, caben- a fixação de cartazes, anúncios e faixas, considerando especial-
do-lhe, privativamente, dentre outras, as seguintes atribuições: mente os aspectos de zoneamento, poluição sonora e visual e a
I - legislar sobre assuntos de interesse local; proteção do meio ambiente, assim como a utilização de alto-fa-

22
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

lantes, distribuição volante ou quaisquer outros meios de pu- III - proteger os documentos, as obras e outros bens de va-
blicidade e propaganda, nos locais sujeitos ao poder de polícia lor histórico, artístico e cultural, os monumentos, as paisagens
municipal; naturais notáveis e os sítios arqueológicos;
XXV - organizar e manter os serviços de fiscalização necessá- IV - impedir a evasão, a destruição e a descaracterização de
rios ao exercício do seu poder de polícia administrativa; obras de arte e de outros bens de valor histórico, artístico ou
XXVI - dispor sobre o depósito e venda de animais e merca- cultural;
dorias apreendidos, em decorrência de transgressão da legisla- V - proporcionar os meios de acesso à cultura, à educação
ção em vigor; e à ciência;
XXVII - estabelecer e impor penalidades por infrações a suas VI - proteger o meio ambiente e combater a poluição em
leis e regulamentos; qualquer de suas formas;
XXVIII - prover os seguintes serviços: VII - preservar as florestas, a fauna e a flora;
a) mercados, feiras e matadouros; VIII - fomentar a produção agropecuária e organizar o abas-
b) construção e conservação de estradas e caminhos mu- tecimento alimentar;
nicipais; IX - promover programas de construção de moradias e a
c) transportes coletivos municipais; melhoria das condições habitacionais e de saneamento básico;
d) iluminação pública; X - combater as causas da pobreza e os fatores de margina-
XXIX - regulamentar o serviço de carros de aluguel, inclusive lização, promovendo a integração social dos setores desfavore-
com o uso de taxímetro; cidos;
XXX - assegurar a expedição de certidões requeridas às re- XI - registrar, acompanhar e fiscalizar as concessões de di-
partições administrativas municipais, para defesas de direitos e reitos de pesquisa e exploração de recurso hídricos e minerais;
esclarecimentos de situações, estabelecendo os prazos de aten- XII - estabelecer e implantar política de educação para a se-
dimento; gurança do trânsito;
XXXI - controlar e fiscalizar as empresas concessionárias ou XIII - manter, com a cooperação técnica e financeira da
permissionárias de serviços públicos, observando-se, na execu- União e do Estado, programas de educação pré-escolar e de
ção dos serviços: ensino fundamental, assim como o atendimento aos que não
a) plena satisfação do direito dos usuários; freqüentaram a escola em idade própria;
b) política tarifária revisada periodicamente, conforme va- XIV - prestar assistência, nas emergências médico-hospita-
riação acumulada dos preços dos insumos; lares de pronto-socorro, por seus próprios serviços ou mediante
c) melhoramento e expansão dos serviços, assegurando o convênio com instituições especializadas;
equilíbrio econômico e financeiro da concessão ou permissão; XV - fiscalizar, nos locais de vendas, o peso, a medida e as
d) obrigação de manutenção do serviço em níveis plena-
condições sanitárias dos gêneros alimentícios, na forma da lei;
mente satisfatórios e adequados.
XVI - dispor sobre registro, vacinação e captura de animais,
XXXII - manter a Guarda Comunitária para proteção de seus
com a finalidade precípua de erradicar as moléstias de que pos-
bens, instalações e serviços; (Redação dada pela Emenda à Lei
sam ser portadores ou transmissores.
Orgânica nº 27/2001)
Art. 14 O Município terá direito à participação no resultado
XXXIII - prestar serviços públicos, diretamente ou sob regi-
da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos,
me de concessão ou permissão, sempre através de concorrência
para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos mi-
pública, na forma da lei;
nerais de seu território.
XXXIV - criar normas gerais para exploração ou concessão
dos serviços públicos municipais, bem como para a sua reversão
e encampação destes ou a expropriação dos bens das concessio- SEÇÃO III
nárias ou permissionárias, autorizando, previamente, cada um DA COMPETÊNCIA SUPLEMENTAR
dos atos de retomada ou de intervenção;
XXXV - regulamentar e conceder licença para o exercício do Art. 15 Ao Município compete suplementar a legislação fe-
comércio ou prestação de serviços eventuais ou ambulantes, to- deral e estadual, no que couber e naquilo que se referir ao seu
mando medidas para impedir a prática de atividades não licen- peculiar interesse.
ciadas, inclusive com a apreensão de mercadorias e materiais; Parágrafo Único - A competência prevista neste artigo será
XXXVI - promover as desapropriações de imóveis que se fi- exercida, em relação às legislações federal e estadual, no que
zerem necessários à execução da Política Urbana. for de interesse municipal, visando adaptá-las à realidade local.
Art. 16 Ao Município é vedado:
SEÇÃO II
DA COMPETÊNCIA COMUM CAPÍTULO III
DAS VEDAÇÕES
Art. 13 É da competência do Município, em comum com a
União e o Estado: I - estabelecer cultos religiosos ou igrejas subvencioná-los,
I - zelar pela guarda da Constituição, das leis e das institui- embaraçar-lhes o funcionamento ou manter com eles e seus re-
ções democráticas e conservar o patrimônio público; presentantes relações de dependência ou aliança, ressalvada,
II - cuidar da saúde e assistência públicas, da proteção e ga- na forma da lei, a colaboração de interesse público;
rantia das pessoas portadoras de deficiências; II - recusar fé aos documentos públicos;

23
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

III - criar distinção entre brasileiros ou preferência entre § 4º Nas sessões legislativas extraordinárias, a Câmara Mu-
pessoas; nicipal somente deliberará sobre a matéria para a qual foi con-
IV - subvencionar ou auxiliar, de qualquer modo, com recur- vocada.
sos pertencentes aos cofres públicos, quer pela imprensa, rádio, Art. 21 As deliberações da Câmara serão tomadas por maio-
televisão, serviço de alto-falante ou qualquer outro meio de co- ria ou maioria absoluta de votos, presente a maioria de seus
municação, propaganda político-partidária ou de fins estranhos membros, salvo disposição em contrário.
à administração; Art. 22 O período legislativo não será interrompido sem
V - manter publicidade de atos, propaganda de obras e ser- aprovação da Lei Orçamentária.
viços de órgãos públicos que não tenham caráter educativo, in- Art. 23 As sessões da Câmara deverão ser realizadas em re-
formativo ou de orientação social, bem como a publicidade que cinto destinado ao seu funcionamento.
contenha nomes, símbolos ou imagens que caracterizem pro- § 1º Comprovada a impossibilidade de utilização do recinto
moção pessoal de autoridades ou serviços públicos; da Câmara e havendo motivos que impeçam as suas sessões,
VI - outorgar isenções e anistias fiscais ou permitir a remis- estas poderão ser realizadas em outro local.
são de dívidas, a não ser por interesse público justificado e após Art. 24 As sessões serão sempre públicas.
autorização legislativa. Art. 25 As sessões somente poderão ser abertas com a pre-
sença de, no mínimo, um terço dos membros da Câmara.
TÍTULO III Parágrafo Único - Considerar-se-á presente à sessão o Vere-
DA ORGANIZAÇÃO DOS PODERES ador que assinar o livro de presença, até o início da ordem do
CAPÍTULO I dia, participar dos trabalhos do plenário e das votações.
DO PODER LEGISLATIVO
SEÇÃO I SEÇÃO II
DA CÂMARA MUNICIPAL DO FUNCIONAMENTO DA CÂMARA

Art. 17 O poder Legislativo do Município é exercido pela Câ- Art. 26 Os vereadores diplomados reunir-se-ão, em caráter
mara Municipal. preparatório, a partir de 1º de janeiro, no primeiro ano de cada
Parágrafo Único - Cada legislatura constará de quatro perío- legislatura, com vistas à posse e eleição da Mesa.
dos legislativos de um ano, compreendendo sessões e reuniões. § 1º A posse dos Vereadores ocorrerá em sessão solene,
Art. 18 A Câmara Municipal é composta de Vereadores elei- que se realizará independentemente de número, sob a presi-
tos pelo sistema proporcional, como representantes do povo,
dência do Vereador mais idoso, dentre os presentes.
com mandato de quatro anos.
§ 2º O Vereador que não tomar posse na sessão prevista
§ 1º São condições de elegibilidade para o mandato de Ve-
no parágrafo anterior deverá fazê-lo, dentro do prazo de 15
reador, na forma da lei federal:
(quinze) dias, no início do funcionamento normal da Câmara,
I - a nacionalidade brasileira;
sob pena de perder o mandato, salvo motivo justo aceito pela
II - o pleno exercício dos direitos políticos;
maioria dos membros da Câmara.
III - o alistamento eleitoral;
§ 3º Imediatamente após a posse, os Vereadores reunir-se-
IV - o domicílio eleitoral na circunscrição;
-ão sob a presidência do mais idoso, dentre os presentes; ha-
V - a filiação partidária;
VI - a idade mínima de dezoito anos. vendo maioria elegerão os componentes da Mesa, que serão
§ 2º São inelegíveis os inalistáveis e os analfabetos. automaticamente empossados.
Art. 19 É de 21 (vinte e um) o número de vereadores da § 4º Inexistindo número legal, o Vereador mais idoso, den-
Câmara Municipal de Niterói. (Redação dada pela Emenda à Lei tre os presentes, assumirá a presidência e convocará sessões
Orgânica nº 37/2011) diárias, até que seja eleita a Mesa.
Parágrafo Único - Revogado. (Revogado pela Emenda à Lei § 5º A eleição da Mesa da Câmara, para o segundo biênio,
Orgânica nº 37/2011) far-se-á no dia 15 de dezembro do segundo ano de cada legis-
Art. 20 A Câmara Municipal reunir-se-á, anualmente, na latura, sendo empossados os eleitos no dia 1º de janeiro subse-
sede do Município, de 15 de fevereiro a 30 de junho, e de 1º de qüente.
agosto a 15 de dezembro. § 6º No ato da posse e ao término do mandato, os Verea-
§ 1º As reuniões marcadas para essas datas serão transferi- dores deverão fazer declarações de seus bens, as quais ficarão
das para o primeiro dia útil subseqüente, quando recaírem aos arquivadas na Câmara, constando das respectivas atas o seu re-
sábados, domingos ou feriados. sumo.
§ 2º A Câmara reunir-se-á em sessões ordinárias, extraor- Art. 27 O mandato da Mesa Executiva será de 2 (dois) anos,
dinárias e solenes, conforme dispuser o seu Regimento Interno. permitida a recondução de seus membros para qualquer cargo
§ 3º A convocação extraordinária da Câmara Municipal far- na eleição imediatamente subsequente na mesma legislatura.
-se-á: (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 17/1998)
I - pelo Prefeito, quando a entender necessária; Art. 28 A Mesa da Câmara se compõe do Presidente, do Pri-
II - pelo Presidente da Câmara ou a requerimento da maio- meiro Vice-Presidente, do Segundo Vice-Presidente, do Primei-
ria dos membros da Casa, em caso de urgência ou interesse pú- ro Secretário e do Segundo Secretário, os quais se substituirão
blico relevante. nessa ordem.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 1º Na ausência dos membros da Mesa, o Vereador mais dimento incompatível com a dignidade da Câmara, sendo ins-
idoso assumirá a presidência. taurado o respectivo processo, na forma da lei e conseqüente
§ 2º Qualquer componente da Mesa poderá ser destituído cassação do mandato.
da mesma pelo voto da maioria absoluta dos membros da Câ- Art. 35 A Mesa da Câmara poderá encaminhar pedidos
mara, quando faltoso, omisso ou ineficiente no desempenho de escritos de informações às autoridades, tais como Secretários
suas atribuições regimentais, elegendo-se outro Vereador para Municipais, Presidentes de entidades da administração indireta
complementar o mandato. ou fundacional e ao Procurador Geral, importando infração polí-
Art. 29 A Câmara terá comissões permanentes e especiais. tico-administrativa a recusa ou não atendimento, no prazo de 30
§ 1º Às Comissões Permanentes, em razão da matéria de (trinta) dias, bem como a prestação de informação fls.
sua competência, cabe: Art. 36 À Mesa, dentre outras atribuições, compete:
I - receber petições, reclamações, representações ou quei- I - tomar todas as medidas necessárias à regularidade dos
xas de qualquer pessoa contra atos ou omissões das autoridades trabalhos legislativos;
ou entidades públicas; II - propor projetos que criem ou extingam cargos nos servi-
II - solicitar depoimento de qualquer autoridade ou cidadão; ços da Câmara e fixem os respectivos vencimentos;
III - exercer, no âmbito de sua competência, a fiscalização III - apresentar projetos de lei, dispondo sobre abertura de
dos atos do Executivo e da administração indireta. créditos suplementares ou especiais, através do aproveitamento
§ 2º As Comissões especiais, criadas por deliberação do ple- total ou parcial das consignações orçamentárias da Câmara;
nário, serão destinadas ao estudo de assuntos específicos e atu- IV - promulgar a Lei Orgânica e suas Emendas;
ará, junto à comunidade, na busca de soluções para problemas V - representar, junto ao executivo, sobre a necessidade de
de suas áreas. economia interna;
§ 3º As Comissões Parlamentares de Inquérito, que terão VI - contratar, na forma da lei, por tempo determinado, para
poderes de investigação próprios, além de outros previstos no atender à necessidade temporária de excepcional interesse pú-
Regimento Interno da Casa, serão criadas pela Câmara Muni- blico;
cipal, mediante requerimento de um terço dos seus membros, Art. 37 Dentre outras atribuições, compete ao Presidente
sendo suas conclusões, se for o caso, encaminhadas ao Minis- da Câmara:
tério Público, para que se promova a responsabilidade criminal I - representar a Câmara em juízo e fora dele;
dos infratores. II - dirigir, executar e disciplinar os trabalhos legislativos e
Art. 30 A maioria, a minoria, as representações partidárias administrativos da Câmara;
com número de membros superior a 1/10 (um décimo) da com- III - interpretar e fazer cumprir o Regimento Interno;
posição da Casa, e os blocos parlamentares, terão líder e vice- IV - promulgar as Resoluções e Decretos legislativos;
-líder. V - promulgar as leis com sanção tácita ou cujo veto tenha
§ 1º A indicação dos líderes será feita em documento subs- sido rejeitado pelo Plenário, desde que não aceita essa decisão,
crito pelos membros das representações majoritárias, minoritá- em tempo hábil, pelo Prefeito;
rias, blocos parlamentares ou partidos políticos à Mesa, nas vin- VI - fazer publicar os Atos da Mesa, as Resoluções, Decretos
te e quatro horas que se seguirem à instalação de cada período Legislativos e as Leis que vier a promulgar;
legislativo. VII - autorizar as despesas da Câmara;
§ 2º Os líderes indicarão os respectivos vice-líderes, dando VIII - representar, por decisão da Câmara, sobre a inconsti-
conhecimento à Mesa da Câmara. tucionalidade da Lei ou Ato Municipal;
Art. 31 Além de outras atribuições previstas no Regimento IX - solicitar, por decisão de 2/3, no mínimo, da Câmara, a in-
Interno, os líderes indicarão os representantes partidários nas tervenção no Município, nos casos admitidos pela Constituição
Comissões da Câmara. Federal e pela Constituição Estadual;
Parágrafo Único - Ausente ou impedido o líder, suas funções X - manter a ordem no recinto da Câmara, podendo solicitar
serão exercidas pelo vice-líder. a força necessária para esse fim;
Art. 32 À Câmara Municipal, observado o disposto nesta Lei XI - encaminhar, para parecer prévio, a prestação de contas
Orgânica, compete elaborar seu Regimento Interno, dispondo do Município ao Tribunal de Contas do Estado ou ao órgão ao
sobre sua organização política e provimento de cargos de seus qual for atribuída tal competência.
serviços, além de todo e qualquer assunto de sua administração.
Art. 33 Por deliberação da maioria absoluta de seus mem- SEÇÃO III
bros, a Câmara poderá convocar o Prefeito ou o Vice-Prefeito DAS ATRIBUIÇÕES DA CÂMARA MUNICIPAL
para, pessoalmente, prestar informações acerca de assuntos
previamente estabelecidos.
Art. 34 Por deliberação da maioria de seus membros, a Câ- Art. 38 Compete à Câmara Municipal, com sanção do Prefei-
mara poderá convocar Secretário Municipal ou Diretor para, to, dispor sobre todas as matérias de competência do Município,
pessoalmente, prestar informações acerca de assuntos previa- especialmente se a matéria for a respeito de:
mente estabelecidos. I - instituir e arrecadar tributos, bem como aplicação de
Parágrafo Único - O não comparecimento do convocado, suas rendas;
sem justificativa razoável, será considerado desrespeito à Câma- II - autorizar as isenções, as anistias fiscais e a remissão de
ra e, se o mesmo for Vereador licenciado, caracterizará proce- dívidas;

25
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

III - votar o orçamento anual e plurianual de investimento, VIII - decretar a perda do mandato do Prefeito, do Vice-Pre-
bem como a autorização para abertura de créditos suplementa- feito e Vereadores, nos casos indicados na Legislação Federal,
res e especiais; Estadual e nesta Lei Orgânica;
IV - deliberar sobre obtenção, concessão de empréstimos IX - autorizar a realização de empréstimos, operação ou
e operações de créditos, bem como a forma e os meios de pa- acordo de qualquer natureza, de interesse do Município;
gamento; X - proceder à tomada de contas do Prefeito, através de co-
V - autoriza a concessão: missão especial, quando não apresentadas à Câmara, dentro de
a) de auxílio e subvenções; 60 (sessenta) dias, após a abertura da Sessão Legislativa;
b) de serviços públicos; XI - aprovar convênio, acordo ou qualquer outro instrumen-
c) do direito real e de uso de bens municipais; to celebrado pelo Município com a União, o Estado, outra pes-
d) administrativa de uso de bens municipais; soa jurídica de direito público interno, entidades assistenciais ou
VI - autorizar a alienação de bens imóveis culturais; (Inciso XI Declarado Inconstitucional pela ADIn nº nº
VII - autorizar a aquisição de bens imóveis, salvo quando 0036546-59.2017.8.19.0000)
se tratar de doação sem encargo, adjudicação, sub-rogação ou XII - estabelecer e mudar temporariamente o local de suas
desapropriação, ainda que por composição amigável; reuniões;
VIII - criar, transformar, extinguir cargos, empregos ou fun- XIII - convocar, nos termos dos artigos 33 e 34 desta Lei Or-
ções públicas, bem como fixar seus respectivos vencimentos; gânica, o Prefeito, o Vice-Prefeito, o Procurador Geral, Secretá-
IX - criar, estruturar e conferir atribuições a Secretários ou rios do Município ou Diretores para prestarem esclarecimentos,
Diretores equivalentes e órgãos da Administração Pública; aprazando dia e hora para comparecimento à Câmara;
X - aprovar os Planos Diretores, inclusive o de Desenvolvi- XIV - deliberar sobre o adiamento e suspensão de suas reu-
mento Urbano Integrado; niões;
XI - autorizar convênios e acordos com entidades públi- XV - conceder título de cidadão honorário ou conferir ho-
menagens a pessoas que, reconhecidamente, tenham prestado
cas ou particulares e consórcios com outros Municípios; (In-
relevantes serviços ao Município, ao Estado, à União, à Demo-
ciso XI Declarado Inconstitucional pela ADIn nº nº 0036546-
cracia ou à Humanidade, mediante Resolução Legislativa apro-
59.2017.8.19.0000)
vada pela maioria absoluta dos seus membros;
XII - delimitar o perímetro urbano;
XVI - solicitar a intervenção do Estado no Município;
XIII - autorizar a alteração da denominação de próprios, vias
XVII - fiscalizar e controlar os atos do Poder Executivo, inclu-
e logradouros públicos;
ídos os da Administração Indireta;
XIV - estabelecer normas urbanísticas, particularmente às
XVIII - fixar a remuneração dos Vereadores, em cada legis-
relativas a zoneamento e loteamento;
latura, para a subseqüente e que corresponderá a, no máximo,
XV - legislar sobre o disposto no inciso XXXIV do artigo 12
setenta e cinco por cento da que for estabelecida, em espécie,
desta Lei Orgânica. para os Deputados Estaduais, não podendo ultrapassar o mon-
Art. 39 Compete privativamente à Câmara Municipal exer- tante de cinco por cento da receita do Município e ressalvado os
cer as seguintes atribuições, dentre outras: limites impostos no art. 37, XI da Constituição Federal. (Redação
I - eleger sua Mesa; dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 9/1995)
II - organizar os serviços administrativos internos e prover XIX - Fixar, em cada legislatura e para vigorar na seguinte, a
os cargos respectivos; remuneração do Prefeito e do Vice-Prefeito. (Redação dada pela
III - propor a criação ou a extinção dos cargos dos serviços Emenda à Lei Orgânica nº 1/1993).
administrativos internos e a fixação dos respectivos vencimen- XX - conhecer os vetos e sobre eles deliberar, pela maioria
tos; absoluta dos Vereadores.
IV - dar posse ao Prefeito e ao Vice-Prefeito eleitos, rece-
ber suas renúncias e afastá-los definitivamente do exercício do SEÇÃO IV
cargo; DOS VEREADORES
V - conceder licença ao Prefeito, ao Vice-Prefeito e aos Ve-
readores;
VI - autorizar o Prefeito a ausentar-se do Município, por Art. 40 Os Vereadores são invioláveis, no exercício do man-
mais de quinze dias, por necessidade de serviço; dato e na circunscrição do Município, por suas opiniões, pala-
VII - tomar e julgar as contas do Prefeito, deliberando sobre vras e votos.
o parecer do Tribunal de Contas, no prazo máximo de sessenta Art. 41 Em conformidade com a Constituição Estadual, na
(60) dias de seu recebimento, observados os seguintes precei- circunscrição do Município, os Vereadores da Câmara Municipal
tos: de Niterói gozam das seguintes prerrogativas:
a) decorrido o prazo de sessenta (60) dias, sem delibera- I - desde a expedição do diploma, os Vereadores em exer-
ção pela Câmara, as contas serão consideradas aprovadas ou cício não poderão ser presos, salvo em flagrante de crime ina-
rejeitadas, de acordo com a conclusão do parecer do Tribunal fiançável, nem processados criminalmente, sem prévia licença
de Contas; da Câmara.
b) rejeitadas as contas, serão estas imediatamente remeti- II - o indeferimento do pedido de licença ou a ausência de
das ao Ministério Público para os fins de direito; deliberação suspende a prescrição, enquanto durar o mandato.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

III - no caso de flagrante de crime inafiançável, os autos se- § 1º Além de outros casos definidos no Regimento Interno
rão remetidos, dentro de 24 (vinte e quatro) horas, à Câmara da Câmara Municipal, considerar-se-á incompatível com o deco-
Municipal, a fim de que esta, pelo voto da maioria de seus mem- ro parlamentar o abuso das prerrogativas asseguradas ao Verea-
bros, resolva sobre a prisão e autorize ou não a formação de dor ou a percepção de vantagens ilícitas.
culpa. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 30/2006) § 2º Nos casos dos incisos I e II, a perda do mandato será
IV - as imunidades dos Vereadores subsistirão durante o es- declarada pela Câmara, por voto de 2/3 (dois terços) de seus
tado de sítio, só podendo ser suspensas mediante voto de dois membros, mediante provocação da Mesa, assegurada ampla
terços dos membros da Casa, no caso de atos praticados fora do defesa. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 30/2006)
recinto da Câmara, que sejam incompatíveis com a execução da § 3º Nos casos previstos nos incisos III e IV, a perda será
medida. declarada pela Mesa da Câmara, por ofício ou mediante pro-
V - os Vereadores não serão obrigados a testemunhar sobre vocação de qualquer um de seus membros, assegurada ampla
informações recebidas ou prestadas, em razão do exercício do defesa.
mandato, nem sobre as pessoas que lhes confiaram ou deles re- Art. 44 O Vereador poderá licenciar-se:
ceberam informações. I - por motivo de doença;
Art. 42 É vedado ao Vereador: II - para tratar, sem remuneração, de interesse particular,
I - desde a expedição do diploma: desde que o afastamento não ultrapasse 120 (cento e vinte)
a) firmar ou manter contrato com o Município, suas autar- dias, por período legislativo;
quias, fundações, empresas públicas, sociedades de economia III - para desempenhar missões temporárias de caráter cul-
mista ou com empresas concessionárias de serviço público; tural ou de interesse do Município.
§ 1º Não perderá o mandato o Vereador investido no cargo
b) aceitar cargo, emprego ou função, no âmbito da Adminis-
de Secretário Municipal, Procurador Geral ou Diretor equiva-
tração Municipal Direta ou Indireta, salvo mediante aprovação
lente do Município de Niterói, ou em cargos em comissão ou
em concurso público;
funções de confiança vinculados a outros entes da federação,
II - desde a posse:
consoante os termos do artigo 42, inciso II, alínea a e § 1º des-
a) ocupar cargo, função ou emprego, na Administração Pú- ta Lei Orgânica; (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº
blica Direta ou Indireta do Município, de que seja exonerável ad 36/2011)
nutum, salvo o cargo de Secretário Municipal ou Diretor equiva- § 2º Independentemente de requerimento, considerar-se-á
lente, desde que se licencie do exercício do mandato; como licença o não comparecimento às reuniões do Vereador
b) exercer outro cargo eletivo federal, estadual ou munici- privado temporariamente de sua liberdade, em virtude de pro-
pal; cesso criminal em curso.
c) ser proprietário, controlador ou diretor de empresa, que Art. 45 Dar-se-á a convocação do Suplente de Vereador nos
goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de di- casos de vaga ou de licença.
reito público do Município ou nela exercer função remunerada; § 1º O Suplente convocado deverá tomar posse, no prazo
d) patrocinar causa junto ao Município em que seja inte- de 15 (quinze) dias, contados da data de convocação, salvo justo
ressada quaisquer das entidades a que se refere a alínea “a” do motivo aceito pela Câmara, quando se prorrogará o prazo.
inciso I. § 2º Enquanto a vaga a que se refere o parágrafo anterior
§ 1º Não se aplica a vedação de que trata a alínea “a” nos não for preenchida, calcular-se-á o quórum, em função dos Ve-
casos de exercício de cargos em comissão ou funções de con- readores remanescentes.
fiança vinculados a outros entes federados da administração
direta, indireta e fundacional desde que licenciado o Vereador SEÇÃO V
do exercício do mandato. (Redação acrescida pela Emenda à Lei DO PROCESSO LEGISLATIVO
Orgânica nº 36/2011, transformando o Parágrafo único em § 2º)
§ 2º Na hipótese da alínea a do inciso II deste artigo, o Vere-
ador poderá optar pela remuneração do mandato. Art. 46 O Processo Legislativo Municipal compreende a ela-
Art. 43 Perderá o mandato o Vereador: boração de:
I - que infringir quaisquer das proibições estabelecidas no I - Emendas à Lei Orgânica Municipal;
artigo anterior; II - Leis Complementares;
II - cujo procedimento for considerado, pela maioria abso- III - Leis Ordinárias;
IV - Decretos Legislativos;
luta dos membros da Câmara, incompatível com o decoro parla-
V - Resoluções. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica
mentar ou atentatório às instituições vigentes;
nº 12/1996)
III - que se utilizar o mandato para a prática de atos de cor-
Art. 47 A Lei Orgânica Municipal poderá ser Emenda da, me-
rupção ou de improbidade administrativa,
diante proposta:
IV - que deixar de comparecer, em cada período legislativo a) de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara Mu-
anual, à terça parte das sessões ordinárias da Câmara, salvo do- nicipal;
ença comprovada, licença ou missão autorizada pela edilidade; b) do Prefeito Municipal.
V - que fixar residência fora do Município; § 1º A proposta será votada em dois turnos, com interstício
VI - que perder ou tiver suspendido os direitos políticos. mínimo de 10 (dez) dias, e aprovada pela maioria absoluta dos
membros da Câmara Municipal.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 2º A Emenda da Lei Orgânica Municipal será promulgada § 1º O Prefeito, considerando o projeto, no todo ou em par-
pela Mesa da Câmara, com o respectivo número de ordem. te, inconstitucional ou contrário ao interesse público, oporá seu
Art. 48 A iniciativa das leis cabe a qualquer Vereador, ao veto total ou parcial, no prazo de 15 (quinze) dias úteis, con-
Prefeito e a qualquer cidadão, que a exercerá sobre a forma de tando da data do recebimento, só podendo o veto ser rejeitado
moção articulada, subscrita no mínimo por cinco por cento do pelo voto da maioria dos Vereadores. (Redação dada pela Emen-
total do número de eleitores do Município, apurado na eleição da à Lei Orgânica nº 30/2006)
imediatamente anterior. § 2º O veto parcial somente abrangerá texto integral de ar-
Parágrafo Único - Serão Leis, dentre outras previstas nesta tigo, de parágrafo, de inciso ou de alínea.
Lei Orgânica: § 3º Decorrido o prazo do parágrafo anterior, o silêncio do
I - Código Tributário do Município; Prefeito importará sanção.
II - Código de Obras; § 4º A apreciação do veto pelo Plenário da Câmara será rea-
III - Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Integrado; lizada no prazo de 30 (trinta) dias, a contar do seu recebimento,
IV - Código de Postura; numa só discussão e votação, com parecer ou sem ele, conside-
V - Lei instituidora do regime jurídico único dos servidores rando-se rejeitado pelo voto da maioria dos Vereadores. (Reda-
municipais; ção dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 30/2006)
VI - Lei de criação de cargos, funções ou empregos públicos. § 5º Rejeitado o veto, será o projeto enviado ao Prefeito
Art. 49 São de iniciativa exclusiva do Prefeito as Leis que para sanção.
§ 6º Esgotado, sem deliberação, o prazo estabelecido no
disponham sobre:
parágrafo 1º, o veto será colocado na Ordem do Dia da sessão
I - criação, transformação ou extinção de cargos, funções
imediata, sobrestada às demais proposições até a sua votação
ou empregos públicos na Administração Direta ou Autárquica ou
final, ressalvadas as matérias de que trata o artigo 51 desta Lei
aumento de sua remuneração;
Orgânica.
II - servidores públicos, seu regime jurídico, provimento de § 7º Se o Prefeito não sancionar a Lei, no prazo de 48 (qua-
cargos, estabilidade e aposentadoria; renta e oito) horas, nos casos dos parágrafos 3º e 5º, o Presiden-
III - criação, estruturação e atribuições das Secretarias ou te da Câmara terá a obrigação de promulgá-la no mesmo prazo.
Departamentos equivalentes e órgãos na Administração Pública. § 8º Suprimido. (Suprimido pela Emenda à Lei Orgânica nº
Art. 50 É da competência exclusiva da Mesa da Câmara a 5/1993)
iniciativa de Leis que disponham sobre autorização para aber-
tura de créditos suplementares ou especiais, através do apro- SEÇÃO VI
veitamento total ou parcial das consignações orçamentárias da DA PROCURADORIA GERAL DA CÂMARA MUNICIPAL
Câmara;
Art. 51 O Prefeito poderá solicitar urgência para apreciação
de projetos de sua iniciativa. Art. 55 A Consultoria Jurídica, a supervisão dos serviços de
§ 1º Solicitada a urgência, a Câmara deverá se manifestar assessoramento jurídico, bem como a representação judicial ou
sobre a proposição, no prazo máximo de 45 (quarenta e cinco) extrajudicial da Câmara Municipal, quando couber, são exerci-
dias, contados da data em que for feita a solicitação. das por seus Procuradores, integrantes da Procuradoria Geral da
§ 2º Esgotado o prazo previsto no parágrafo anterior, sem Câmara Municipal, diretamente vinculada ao Presidente.
deliberação da Câmara, será a proposição na Ordem do Dia, so- § 1º O Procurador Geral, nomeado pelo Presidente dentre
brestando-se às demais proposições, para que se ultime a vo- cidadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, tem o
tação. nível de Secretário Municipal.
§ 3º O prazo do parágrafo 1º não corre no período de reces- § 2º Os Procuradores da Câmara, com iguais direitos e de-
so da Câmara, nem se aplica ao Projeto de Lei. veres, são organizados em carreira, na qual o ingresso depende
Art. 52 Os projetos de Resolução disporão sobre matérias de concurso público de provas e títulos, realizado pela Câmara
de interesse interno ou da competência legal exclusiva da Câ- Municipal, observados os requisitos estabelecidos em Lei.
mara, e os projetos de Decretos Legislativos sobre atos e proce- § 3º À Procuradoria Geral da Câmara é cometido ofício de
dimentos do Poder Executivo sujeitos à autorização ou passíveis controle interno da legalidade dos atos do Poder Legislativo,
exercendo a defesa dos interesses legítimos do Legislativo Mu-
de posicionamento do Legislativo.
nicipal.
Parágrafo Único - Nos casos de projeto de Resolução e de
§ 4º A Lei disciplinará a organização e funcionamento da
Decreto Legislativo, considerar-se-á encerrada com a votação
Procuradoria Geral da Câmara, bem como a carreira e regime
final a elaboração da norma jurídica, que será promulgada pelo
jurídico dos seus Procuradores.
Presidente da Câmara.
Art. 53 A matéria constante de projeto de lei rejeitado, CAPÍTULO II
somente poderá constituir objeto de novo projeto, no mesmo DO PODER EXECUTIVO
período legislativo, mediante proposta da maioria absoluta dos SEÇÃO I
membros da Câmara. DO PREFEITO E DO VICE-PREFEITO
Art. 54 O projeto de lei, depois de aprovado em 1ª e 2ª dis-
cussão, será imediatamente enviado do Prefeito, que o sancio- Art. 56 O Poder Executivo Municipal é exercido pelo Prefei-
nará. to, auxiliado pelos Secretários Municipais.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Parágrafo Único - Aplica-se a exigibilidade para Prefeito e Art. 62. O mandato do Prefeito é de 04 (quatro) anos, com
Vice-Prefeito o dispositivo do parágrafo 1º do início em 1º de janeiro do ano seguinte ao de sua eleição, per-
Art. 18 desta Lei Orgânica, sendo a idade mínima 21 (vinte mitida a sua recondução para um único período subseqüente.
e um) anos. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 19/2001)
Art. 57 A eleição do Prefeito e do Vice-Prefeito realizar-se-á, Art. 63 O Prefeito e o Vice-Prefeito, quando no exercício do
simultaneamente, nos termos da Constituição Federal. cargo, não poderão, sem licença da Câmara Municipal, ausentar-
§ 1º A eleição do Prefeito importará a do Vice-Prefeito, com -se do Município, por período superior, a 15 (quinze) dias, sob
ele registrado. pena de perda do cargo ou do mandato.
§ 2º Será considerado eleito Prefeito o candidato que, re- § 1º O Prefeito, regularmente licenciado, terá direito a per-
gistrado por partido político, obtiver maioria absoluta de votos, ceber a remuneração, quando:
não computados os em brancos e os nulos. I - impossibilitado de exercer o cargo, por motivo de doença
§ 3º Se nenhum candidato alcançar a maioria absoluta, na devidamente comprovada;
primeira votação, far-se-á nova eleição, em até 20 (vinte) dias, II - a serviço ou em missão de representação do Município.
após a proclamação do resultado, concorrendo os dois candida- § 2º A remuneração do Prefeito será estipulada na forma do
tos mais votados e considerando-se eleito àquele que obtiver a inciso IXI do art. 39 desta Lei Orgânica.
maioria dos votos válidos. Art. 64 Na ocasião da posse e ao término do mandato, o
§ 4º Ocorrendo, antes de realizado o segundo turno, morte, Prefeito e o Vice-Prefeito farão declaração de seus bens que fica-
desistência ou impedimento legal do candidato, convocar-se-á, rão arquivadas na Câmara, constando das respectivas atas o seu
dentre os remanescentes, o de maior votação. resumo. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 24/2001)
§ 5º Na hipótese dos parágrafos anteriores, remanescendo, Parágrafo Único - Suprimido. (Suprimido pela Emenda à Lei
em segundo lugar, mais de um candidato, com a mesma vota- Constitucional nº 24/2001)
ção, qualificar- se-á o mais idoso.
Art. 58 O Prefeito e o Vice-Prefeito tomarão posse, no dia SEÇÃO II
1º de janeiro do ano subseqüente à eleição, em sessão da Câ- DAS ATRIBUIÇÕES DO PREFEITO
mara Municipal, prestando o compromisso de manter, defender
e cumprir a Constituição Federal, a Constituição Estadual e a Lei Art. 65 Ao Prefeito, como Chefe da Administração Munici-
Orgânica, observar as Leis da União, do Estado e Município, pro- pal, compete dar cumprimento às deliberações da Câmara, diri-
mover o bem geral dos munícipes e exercer o cargo sob a inspi- gir, fiscalizar e defender os interesses do Município, bem como
ração da democracia, da legitimidade e da legalidade. adotar, de acordo com a lei, todas as medidas administrativas de
Parágrafo Único - Se, decorridos 10(dez) dias da data fixa- utilidade pública, sem exceder as verbas orçamentárias.
da para posse, o Prefeito ou o Vice-Prefeito, salvo por motivo Parágrafo Único - No exercício de suas atribuições, o Prefei-
de força maior, não tiver assumido o cargo, este será declarado to zelará para que haja moralidade e permanente transparência
vago. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 24/2001) de seus atos e ações, bem como para que os serviços municipais
Art. 59 Substituirá o Prefeito, no caso de impedimento, o se aproximem dos munícipes, através do processo de descen-
Vice-Prefeito. tralização.
§ 1º O Vice-Prefeito não poderá se recusar a substituir o Art. 66 Compete ao Prefeito, dentre outras atribuições:
Prefeito, sob pena de perda do mandato. I - a iniciativa das leis, na forma e casos previstos nesta Lei
§ 2º O Vice-Prefeito, além de outras atribuições, que lhe fo- Orgânica;
rem conferidas por lei, auxiliará o Prefeito, sempre que por ele II - representar o Município em juízo ou fora dele;
for convocado para missões especiais. III - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis aprovadas
Art. 60 Em caso de impedimento do Prefeito e do Vice-Pre- pela Câmara e expedir os regulamentos para sua fiel execução;
feito, ou vacância do cargo, assumirá a Administração Municipal IV - vetar, no todo ou em parte, os projetos de lei aprovados
o Presidente da Câmara. pela Câmara;
Parágrafo Único - O Presidente da Câmara, recusando-se, V - decretar, nos termos da lei, a desapropriação por neces-
por qualquer motivo, a assumir o cargo de Prefeito, renunciará, sidade ou utilidade pública, ou por interesse social;
incontinente, à sua função de dirigente do Legislativo, ensejan- VI - expedir decretos, portarias e outros atos administrati-
do, assim, a eleição de outro membro para ocupar, como Presi- vos;
dente da Câmara, a Chefia do Poder Executivo. VII - permitir ou autorizar o uso de bens municipais, por ter-
Art. 61 Verificando-se a vacância do cargo de Prefeito e ine- ceiros;
xistindo Vice-Prefeito, observar-se-á o seguinte: VIII - permitir ou autorizar a execução de serviços públicos
I - ocorrendo a vacância nos três primeiros anos do manda- por terceiros;
to, far-se-á nova eleição, 90 (noventa) dias após a sua abertura, IX - prover os cargos públicos e expedir os demais atos refe-
cabendo aos eleitos complementar o período de seus anteces- rentes à situação funcional dos servidores;
sores; X - enviar à Câmara os projetos de lei relativos ao orçamen-
II - Ocorrendo vacância no último ano de mandato, assumirá to anual e plurianual do Município e de suas autarquias;
o Presidente da Câmara, que completará o período. XI - encaminhar aos órgãos competentes os planos de apli-
cação e as prestações de contas exigidas em lei;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

XII - publicar os atos oficiais, mencionando a autoria das In- a) as aplicações de que trata este inciso far-se-ão, priorita-
dicações Legislativas, quando estas derem origem àqueles atos. riamente, em títulos da dívida pública do Estado do Rio de Ja-
(Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 33/2009) neiro ou de responsabilidade de suas instituições financeiras, ou
XIII - prestar a Câmara, dentro de 30 (trinta) dias, a contar em outros títulos da dívida pública, sempre por intermédio do
do recebimento, as informações pela mesma solicitada, salvo estabelecimento bancário oficial do Estado do Rio de Janeiro ou
prorrogação, a seu pedido e com prazo determinado, em face do Banco do Brasil S/A;
da complexidade da matéria ou da dificuldade de obtenção, nas b) as aplicações referidas no item anterior não poderão ser
respectivas fontes, dos dados pleiteados; (Redação dada pela realizadas em detrimento da execução orçamentária programa-
Emenda à Lei Orgânica nº 20/2001) da e do andamento de obras ou do funcionamento de serviços
XIV - prover os serviços e obras da administração pública; públicos, nem determinar atraso no processo de pagamento da
XV - superintender a arrecadação dos tributos, bem como a despesa pública.
guarda e aplicação da receita, autorizando as despesas e paga- XXXIV - aprovar projetos de edificação e planos de lotea-
mentos, dentro da disponibilidade orçamentária ou dos créditos mento, arruamento e zoneamento urbano ou para fins urbanos,
votados pela Câmara; devendo emitir parecer no prazo de 70 (setenta) dias após sua
XVI - remeter a Câmara, até o dia 25 (vinte e cinco) de cada protocolização.(Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº
mês, os recursos correspondentes ao duodécimo orçamentário 25/2001)
do Poder Legislativo; XXXV - apresentar, anualmente, a Câmara, relatório circuns-
XVII - aplicar multas previstas em lei e contratos, bem como tanciado sobre o estado das obras e dos serviços municipais,
revê-las, quando impostas irregularmente; bem como o programa da administração para o ano seguinte;
XVIII - resolver sobre os requerimentos, reclamações ou re- XXXVI - organizar os serviços internos das repartições cria-
presentações que lhe forem dirigidas; dos por lei, sem exceder as verbas para tal destinada;
XIX - oficializar, obedecidas às normas urbanísticas aplicá- XXXVII - contrair empréstimos e realizar operações de crédi-
veis, as vias e logradouros públicos; to, mediante prévia autorização da Câmara;
XX - convocar extraordinariamente a Câmara, quando o in- XXXVIII - providenciar sobre a administração dos bens do
teresse da Administração exigir; Município e sua alienação, na forma da lei;
XXI - nomear e exonerar seus auxiliares para cargos ou fun- XXXIX - organizar e dirigir, nos termos da lei, os serviços re-
ções de livre nomeação e exoneração; lativos às terras do Município.
XXII - celebrar acordos e convênios com a União, Estados, XL - desenvolver o sistema viário do Município;
Distrito Federal, Municípios e respectivas entidades públicas e XLI - conceder auxílio, prêmios e subvenções, nos limites
pessoa jurídica de direito privado, desde que exerça atividade de das respectivas verbas orçamentárias e do plano de distribui-
interesse público ou social; ções prévias e anualmente aprovadas pela Câmara;
XXIII - encaminhar à Câmara Municipal projetos de Lei de XLII - providenciar sobre a melhoria constante das condi-
sua exclusiva iniciativa e outros de interesse da Administração; ções do ensino público municipal;
XXIV - remeter mensagem a Câmara Municipal, por ocasião XLIII - estabelecer a divisão administrativa do Município, de
da inauguração da Sessão Legislativa, expondo a situação do acordo com a lei;
Município e solicitando medidas que julgar necessárias; XLIV - solicitar o auxílio das autoridades policiais do Estado
XXV - executar e fazer cumprir as Leis, Resoluções e Atos para garantia do cumprimento de seus atos;
Municipais; XLV - solicitar, obrigatoriamente, autorização à Câmara para
XXVI - planejar, organizar e dirigir obras e serviços públicos ausentar-se do Município, por tempo superior a 15 (quinze) dias;
locais; XLVI - adotar providências para a conservação e salvaguarda
XXVII - prestar contas da administração e publicar balance- do patrimônio municipal;
tes, nos prazos estabelecidos em lei; XLVII - publicar, até o último dia do mês subseqüente ao da
XXVIII - prestar anualmente a Câmara Municipal, dentro de arrecadação, os montantes de cada um dos tributos arrecada-
60 (sessenta) dias, após a abertura da Sessão Legislativa, as con- dos, os recursos recebidos, os valores de origem tributária e a
tas relativas ao exercício anterior, acompanhadas de inventários expressão numérica dos critérios de rateio.
e balancetes orçamentário, econômico e patrimonial; (Redação Parágrafo Único - A competência de que tratam os incisos
dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 22/2001) VII, VIII e XXII dependerá de autorização da Câmara Municipal,
XXIX - instituir servidões e estabelecer restrições adminis- que poderá revestir-se de Lei, dispondo sobre as condicionantes
trativas; de seu exercício pelo Chefe do Executivo.
XXX - fixar os preços dos serviços públicos, concedidos ou Art. 67 O Prefeito poderá delegar, por decreto, a seus auxi-
permitidos; liares, as funções administrativas previstas em Lei.
XXXI - abrir créditos extraordinários, nos casos de calamida-
de pública, comunicando o fato a Câmara Municipal, na primeira SEÇÃO III
sessão desta; DAS INFRAÇÕES POLÍTICO-ADMINISTRATIVAS
XXXII - comparecer a Câmara Municipal, por sua própria ini-
ciativa, para prestar os esclarecimentos que julgar necessários Art. 68 São infrações político-administrativas do Prefeito de-
sobre o andamento dos negócios municipais; finidas em Lei Federal, e também:
XXXIII - autorizar aplicações de recursos públicos disponí- I - deixar de fazer declaração de bens, nos termos do artigo
veis, no mercado aberto, obedecido ao seguinte: 64 desta Lei;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

II - impedir o livre e regular funcionamento da Câmara Mu- d) assumir outro cargo ou função na Administração Pública,
nicipal; direta ou indireta, ressalvada a posse, em virtude de concurso
III - deixar de repassar, até o dia 25 (vinte e cinco) de cada público.
mês, o duodécimo da Câmara Municipal; II - por cassação quando:
IV - impedir o exame de livros, folhas de pagamento ou do- a) sentença definitiva o condenar por crime comum;
cumentos que devem ser do conhecimento da Câmara Munici- b) incidir em infração político-administrativa, nos termos do
pal ou constarem dos arquivos desta, bem como a verificação artigo 68.
de obras e serviços pelas comissões de investigação da Câmara § 1º É assegurada ampla defesa ao Prefeito nas hipóteses
Municipal e suas comissões permanentes, assim como de audi- do inciso II.
toria regularmente constituída; § 2º O Prefeito será julgado pela prática de crime de respon-
V - desatender, sem motivação justa, às convocações da sabilidade, perante o Tribunal de Justiça do Estado.
Câmara Municipal e seus pedidos de informações, sonegar ou § 3º Será declarado vago, pela Câmara Municipal, o cargo
impedir o acesso às mesmas; de Prefeito, quando ocorrer falecimento, renúncia ou condena-
VI - retardar a publicação ou deixar de publicar leis, decre- ção por crime funcional ou eleitoral.
tos e atos sujeitos a essa formalidade;
VII - deixar de enviar a Câmara Municipal, no prazo devido, SEÇÃO V
os projetos de lei relativos ao plano plurianual de investimentos, DA PROCURADORIA GERAL DO MUNICÍPIO
às diretrizes orçamentárias e ao orçamento anual;
VIII - descumprir o orçamento aprovado para o exercício fi- Art. 72 A representação judicial e a consultoria jurídica do
nanceiro; Município são exercidas pelos procuradores municipais, mem-
IX - praticar ato contra expressa disposição de lei ou omitir- bros da Procuradoria Geral, diretamente vinculada ao Prefeito,
-se na prática daquela de sua competência; com funções, como órgão central do sistema jurídico, de super-
X - deixar de prestar contas ou tê-las rejeitadas; visão dos serviços da Administração direta e indireta no âmbito
XI - omitir-se ou negligenciar, na defesa de dinheiro, bens, do Poder Executivo.
rendas, direitos ou interesses do Município, sujeitos à adminis- § 1º O Poder Executivo poderá delegar a terceiros pro tem-
tração da Prefeitura; pore, a execução da dívida ativa e a representação dos interes-
XII - ausentar-se do Município, por tempo superior ao per- ses municipais junto aos Tribunais Superiores sediados na Ca-
mitido nesta Lei Orgânica, sem obter licença da Câmara Muni- pital Federal, sem prejuízo do disposto no caput deste artigo.
cipal; (Redação acrescida pela Emenda à Lei Orgânica nº 16/1997)
XIII - proceder de modo incompatível com a dignidade e o § 2º O Procurador Geral, nomeado pelo Prefeito, dentre ci-
decoro do cargo. dadãos de notável saber jurídico e reputação ilibada, exerce a
XIV - deixar de emitir parecer para aprovação de projetos chefia da Procuradoria Geral, que tem as mesmas prerrogativas
de edificação e planos de loteamento e arruamento no prazo dos Secretários Municipais.
estabelecido pelo inciso XXXIV do art. 66. (Redação dada pela § 3º Os Procuradores do Município são organizados em
Emenda à Lei Orgânica nº 25/2001) carreira, à qual têm acesso depois de aprovados em concurso
Parágrafo Único - O Vice-Prefeito, ou quem vier a substituir público de provas e títulos, realizado pela Prefeitura Municipal,
o Prefeito, fica sujeito a infrações político-administrativas de que observados os requisitos estabelecidos em lei.
trata este artigo, sendo-lhe aplicável o processo pertinente, ain- § 4º Compete à Procuradoria Geral do Município o controle
da que cessada a substituição. interno da legalidade dos atos do Poder Executivo e a defesa
Art. 69 A apuração da responsabilidade do Prefeito, assim dos interesses legítimos do Município, inclusive os de natureza
como do Vice-Prefeito e de quem vier a substituí-lo, na hipótese financeiro-orçamentária, sem prejuízo das atribuições do Minis-
do parágrafo único do artigo 68 far-se-á nos termos da legislação tério Público.
federal, desta Lei Orgânica e do Regimento Interno da Câmara Art. 73 São auxiliares diretos do Prefeito:
Municipal.
SEÇÃO VI
SEÇÃO IV DOS AUXILIARES DIRETOS DO PREFEITO
DA SUSPENSÃO E DA PERDA DO MANDATO DO PREFEITO
I - o Procurador Geral, os Secretários Municipais e Diretores
Art. 70 Nos crimes comuns, nos de responsabilidade e nas equivalentes;
infrações político-administrativas, é facultado a Câmara Munici- II - os Subprefeitos.
pal, uma vez recebida à denúncia pela autoridade competente, Parágrafo Único - Os cargos de que trata o presente artigo
suspender o mandato do Prefeito, pelo voto de dois terços de são de livre nomeação e exoneração do Prefeito.
seus membros. Art. 74 Lei Municipal estabelecerá as atribuições dos auxi-
Art. 71 O Prefeito perderá o mandato: liares diretos do Prefeito, definindo-lhes a competência, deveres
I - por extinção quando: e responsabilidades.
a) perder ou tiver suspendido os direitos políticos; Art. 75 São condições essenciais para a investidura no cargo
b) o decretar a Justiça Eleitoral; de Procurador Geral, de Secretário ou Diretor equivalente:
c) sentença definitiva o condenar, por crime de responsa- I - ser brasileiro;
bilidade; II - estar no exercício dos direitos políticos;

31
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

III - ser maior de 21 (vinte e um) anos. II - empresa pública - entidade dotada de personalidade ju-
Art. 76 Além das atribuições fixadas em lei, compete ao Pro- rídica de direito privado, com patrimônio e capital do Município,
curador Geral, Secretários ou Diretores: criada por lei para exploração de atividades econômicas que o
I - subscrever atos e regulamentos referentes aos seus ór- Município seja levado a exercer, por força de contingência ou
gãos; conveniência administrativa, podendo revestir-se de qualquer
II - expedir instruções para a boa execução das leis, decretos das formas admitidas em direito;
e regulamentos; III - sociedade de economia mista - entidade dotada de
III - apresentar ao Prefeito relatório anual dos serviços reali- personalidade jurídica de direito privado, criada por lei, para ex-
zados por suas repartições; ploração de atividades econômicas, sob a forma de sociedade
IV - comparecer a Câmara Municipal, sempre que convo- anônima, cujas ações, com direito a voto, pertençam, em sua
cados pela mesma, para prestação de esclarecimentos oficiais. maioria, ao Município ou à entidade da administração indireta;
§ 1º Os decretos, atos e regulamentos referentes aos servi- IV - fundação pública - entidade dotada de personalidade
ços autônomos ou autárquicos serão referendados pelo Secretá- jurídica de direito privado, criada em virtude de autorização le-
rio ou Diretor da Administração. gislativa, para o desenvolvimento de atividades que não exijam
§ 2º A infringência do inciso IV deste artigo, sem justifica- execução por órgão ou entidades de direito público, com auto-
ção, importa infração político-administrativa. nomia administrativa, patrimônio próprio, gerido pelos respec-
Art. 77 Os Secretários, Procurador Geral ou Diretores são tivos órgãos de direção, e funcionamento custeado por recursos
solidariamente responsáveis com o Prefeito pelos atos que assi- do Município e outras fontes, para atender às necessidades mu-
narem, ordenarem ou praticarem. nicipais no campo da assistência e atividades de lazer, esporte,
Art. 78 A competência do Subprefeito limitar-se-á ao Distri- cultura, educação e saúde.
to para o qual foi nomeado. Art. 82 As empresas públicas e sociedades de economia
Parágrafo Único - Aos Subprefeitos, como delegados do Exe- mista, criadas para a prestação de serviços públicos ou como
cutivo, compete: instrumento de atuação no domínio econômico, estão sujeitas
I - cumprir e fazer cumprir, de acordo com as instruções re- às normas relativas às licitações e contratação de pessoal, defi-
cebidas do Prefeito, as leis, resoluções, regulamentos e demais nidas na Constituição Federal e nesta Lei Orgânica.
atos do Prefeito e da Câmara; Art. 83 As empresas públicas e as sociedades de economia
II - fiscalizar os serviços distritais; mista em que o Município detenha, ou venha a deter, direta ou
III - atender às reclamações das partes e encaminhá-las ao indiretamente, a maioria do capital, com direito a voto, são pa-
Prefeito, quando se tratar de matéria estranha às suas atribui- trimônio do Município e só poderão ser extintas fundidas ou ter
ções ou quando lhes for favorável à decisão proferida; alienado o controle acionário, mediante autorização Legislativa.
IV - indicar ao Prefeito as providências necessárias ao Dis-
trito; CAPÍTULO II
V - prestar contas ao Prefeito mensalmente ou quando lhe DOS ATOS MUNICIPAIS
forem solicitadas. SEÇÃO I
Art. 79 O Subprefeito, em caso de licença ou impedimento, DA PUBLICIDADE DOS ATOS MUNICIPAIS
será substituído por pessoa de livre escolha do Prefeito.
Art. 80 Os auxiliares diretos do Prefeito farão declaração de
Art. 84 A publicação das Leis, Decretos, Resoluções e Atos
bens, no ato da posse e ao término do exercício do cargo.
Administrativos Municipais far-se-á em órgão da imprensa local
ou regional.
TÍTULO IV
§ 1º A escolha do órgão de imprensa para divulgação das
DA ORGANIZAÇÃO ADMINISTRATIVA MUNICIPAL
leis e atos administrativos, será feita através de licitação, em que
CAPÍTULO I
se levarão em conta as condições de preço, as circunstâncias da
DA ESTRUTURA ADMINISTRATIVA
freqüência, horário, tiragem e distribuição.
§ 2º Nenhuma Lei, Decreto, Resolução e Ato Administrativo
Art. 81 A administração municipal é constituída dos órgãos
integrados na estrutura administrativa da Prefeitura e de entida- Municipal produzirá efeito antes de sua publicação.
des dotadas de personalidade jurídica. § 3º A publicação dos atos não normativos poderá ser feita
§ 1º Os órgãos da administração direta, que compõem a es- por extrato que conterá, ao menos, os seus elementos essen-
trutura administrativa da Prefeitura, se organizam e se coorde- ciais.
nam, atendendo aos princípios técnicos recomendáveis ao bom § 4º Considera-se Ato Normativo qualquer ato Municipal
desempenho de suas atribuições. que se refira às relações do Município com os munícipes ou ser-
§ 2º As entidades dotadas de personalidade jurídica pró- vidores, estabelecendo rotinas e procedimentos.
pria, que compõem a Administração Indireta do Município, se Art. 85 A Câmara Municipal e a Prefeitura manterão arqui-
classificam em: vos das edições das publicações oficiais, facultando-lhes o aces-
I - autarquia - serviço autônomo, criado por lei, com per- so a qualquer pessoa.
sonalidade jurídica, patrimônio e receita própria, para executar Art. 86 É vetada a veiculação, com recursos públicos, de pro-
atividades típicas da administração pública que requeiram, para paganda dos órgãos da administração municipal que implique
seu melhor funcionamento, gestão administrativa e financeira promoção pessoal de ocupantes de cargos de qualquer hierar-
descentralizada; quia.

32
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 87 O Executivo deverá publicar, até o último dia do mês, Parágrafo Único - Os atos constantes dos itens II e III deste
subseqüente ao da arrecadação, os montantes de cada um dos artigo, poderão ser delegados.
tributos arrecadados, os recursos recebidos, os valores de ori- Art. 90 A Administração Pública tem o dever de anular os
gem tributária, entregues e a entregar, e a expressão numérica próprios atos, quando eivados de vícios que os tornem ilegais,
dos critérios de rateio, bem como os dados relativos à obser- bem como a faculdade de revogá-los, por motivo de conveniên-
vância dos percentuais de que tratam os artigos 169 e 212 da cia ou oportunidade, respeitados, neste caso, os direitos adqui-
Constituição Federal. ridos, além de observado, em qualquer circunstância, o devido
Parágrafo Único - As contas do Município ficarão, durante processo legal.
sessenta dias, anualmente, à disposição de qualquer contribuin- § 1º A motivação suficiente será requisito essencial dos atos
te, para exame e apreciação, o qual poderá questionar-lhes a administrativos municipais, excetuados os de provimento e de
legitimidade, na forma da lei. desprovimento de cargos e funções de confiança, assim decla-
rados por Lei.
SEÇÃO II § 2º A autoridade que, ciente do vício invalidado de ato ad-
DOS LIVROS ministrativo, deixar de saná-lo, incorrerá nas penalidades da Lei,
Art. 88 O Município manterá os livros que forem necessá- pela omissão, sem prejuízo das sanções previstas no artigo 37, §
rios ao registro de seus serviços. 4º, da Constituição da República, se for o caso.
§ 1º Os livros serão abertos, rubricados e encerrados pelo
Prefeito ou pelo Presidente da Câmara, conforme o caso, ou por SEÇÃO IV
funcionário designado para tal fim. DAS PROIBIÇÕES

§ 2º Os livros referidos neste artigo poderão ser substituídos Art. 91 O Prefeito, o Vice-Prefeito, os Vereadores e os Servi-
por fichas ou outro sistema, convenientemente autenticado. dores Municipais não poderão contratar com o Município, sub-
sistindo a proibição até seis (6) meses, após findas as respectivas
SEÇÃO III funções.
DOS ATOS ADMINISTRATIVOS § 1º A proibição de que trata este artigo se estende às pes-
soas ligadas ao Prefeito, Vice-Prefeito e aos Vereadores, por ma-
Art. 89 Os atos administrativos de competência do Prefeito trimônio ou parentesco, afim ou consangüíneo, até o segundo
devem ser expedidos com obediência às seguintes normas: grau ou por adoção.
I - decreto, numerado em ordem cronológica, nos seguintes § 2º Não se incluem nesta proibição os contratos, cujas cláu-
casos: sulas e condições sejam uniformes para todos os interessados.
a) regulamentação de lei; Art. 92 A pessoa jurídica, em débito com o sistema de se-
b) instituição, modificação ou extinção de atribuições não guridade social, como estabelecido em Lei Federal, não poderá
constantes de lei; contratar com o Poder Público Municipal nem dele receber be-
c) regulamentação interna dos órgãos que forem criados na nefícios ou incentivos fiscais ou creditícios.
administração municipal;
d) abertura de créditos especiais e suplementares, até o li- CAPÍTULO III
mite autorizado por lei, assim como de créditos extraordinários; DOS BENS MUNICIPAIS
e) declaração de utilidade pública ou necessidade social,
Art. 93 Cabe ao Prefeito a administração dos bens munici-
para fins de desapropriação ou de servidão administrativa;
pais, respeitada a competência da Câmara quanto àqueles utili-
f) aprovação de regulamento ou de regimento das entida-
zados em seus serviços.
des que compõem a administração municipal;
Art. 94 Todos os bens municipais deverão ser cadastrados
g) medidas executórias do Plano Diretor de Desenvolvimen-
com a identificação respectiva, numerando-se os móveis, segun-
to Integrado;
do o que for estabelecido em regulamento, os quais ficarão sob
h) normas de efeitos externos, não privativos da lei;
a responsabilidade do Chefe da Secretaria ou Diretoria a que fo-
i) fixação e alteração de preços.
rem distribuídos.
II - portaria, nos seguintes casos: Art. 95 Nenhum servidor será dispensado, transferido, exo-
a) provimento e vacância dos cargos públicos e demais atos nerado ou terá aceitado o seu pedido de exoneração ou rescisão,
de efeitos individuais; sem que o órgão responsável pelo controle de bens patrimoniais
b) lotação e relotação nos quadros de pessoal; da Prefeitura ou da Câmara ateste que o mesmo devolveu os
c) abertura de sindicância e processos administrativos, apli- bens móveis do Município, que estavam sob sua guarda;
cação de penalidades e demais atos individuais de efeitos inter- Art. 96 Os bens patrimoniais do Município deverão ser clas-
nos. sificados:
d) outros casos determinados em lei ou decreto. I - pela sua natureza;
III - contrato, nos seguintes casos: II - em relação a cada serviço.
a) admissão de servidores para serviços de caráter tempo- Parágrafo Único - Deverá ser feita, anualmente, a conferên-
rário; cia da escrituração patrimonial dos bens existentes e, na pres-
b) execução de obras, fornecimentos e serviços municipais, tação de contas de cada exercício, será incluído o inventário de
nos termos da lei. todos os bens municipais.

33
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 97 A alienação de bens municipais, subordinada à exis- § 6º O contrato de concessão de direito real de uso, nos
tência de interesse público devidamente justificado, será sem- termos do parágrafo 4º, se fará com o homem ou a mulher, ou
pre precedida de avaliação e obedecerá às seguintes normas: a ambos, independentemente de seu estado civil, e será inego-
§ 1º Quando imóveis, dependerá de autorização legislativa ciável pelo prazo de 10 (dez) anos, subordinando-se, ainda, as
e concorrência pública, dispensada esta, nos casos de permuta, seguintes cláusulas sob pena de cancelamento, na forma do dis-
na forma da lei; posto no parágrafo 5º deste artigo:
§ 2º A investidura de áreas urbanas remanescentes, inapro- a) exploração e utilização da área direta, pessoal ou familiar;
veitáveis como logradouros públicos ou modificações de alinha- b) residência permanente dos beneficiários da área obje-
mento, dependerá da decisão do Prefeito, de prévia avaliação, to do contrato. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº
dispensada a autorização legislativa, consultados os proprietá- 2/1993)
rios lindeiros. Art. 102 A utilização e administração dos bens públicos, de
Art. 98 O Município, preferencialmente à venda ou doa- uso especial, como mercados, matadouros, estações, recintos
ção de seus bens imóveis, outorgará concessão de direito real de espetáculos e campos de esportes, serão na forma da Lei re-
de uso, mediante prévia autorização legislativa e concorrência gulamentado.
pública. Art. 103 Os bens imóveis do Município não poderão ser ob-
Parágrafo Único - A concorrência poderá ser dispensada por jeto de doação nem de utilização gratuita por terceiros, salvo
lei, quando o uso dos bens imóveis municipais for destinado a: se houver autorização do Prefeito, se o beneficiário for pessoa
I - entidades componentes da administração indireta; jurídica de direito público interno, entidade competente de sua
II - entidades assistenciais; administração indireta ou fundação instituída pelo Município.
III - assento de população de baixa renda; § 1º Exceto no caso de imóveis residenciais, destinados à
IV - quando houver relevante interesse público, devidamen- população de baixa renda, através de órgão próprio municipal,
te justificado. a alienação, a título oneroso, de bens imóveis do Município ou
Art. 99 É proibida a doação, venda ou concessão de uso de de suas autarquias dependerá de autorização prévia da Câmara
qualquer fração dos parques, praças, ruas, jardins ou largos pú- Municipal, salvo nos casos previstos em Lei, e será precedida
blicos. de licitação, sendo esta dispensada, quando o adquirente for
Art. 100 Os bens imóveis municipais não utilizados ou su- pessoa referida no parágrafo 5º do artigo 101 ou nos casos de
butilizados serão, prioritariamente, destinados a assentamentos doação em pagamento, permuta ou investidura.
de população de baixa renda e à instalação de equipamentos co- § 2º Entende-se por investidura a alienação aos proprietá-
letivos públicos, urbanos e comunitários, ou conservados como rios de imóveis lindeiros, por preço nunca inferior ao da ava-
áreas verdes, se de relevante interesse social. liação, da área remanescente ou resultante de obra pública e
Art. 101 O uso de bens imóveis municipais, por terceiros, que tornado inapropriável, isoladamente, para fim de interesse
poderá ser feito mediante permissão, cessão, concessão e con- público.
cessão de direito real de uso. § 3º O disposto no parágrafo 1º não se aplica aos bens imó-
§ 1º A permissão de uso será a título precário, mediante veis das sociedades de economia mista e de suas subsidiárias,
remuneração na forma da Lei Municipal. que não sejam de uso próprio para o desenvolvimento de sua
§ 2º A cessão de uso será feita, mediante remuneração atividade nem aos que constituam exclusivamente objeto dessa
ou imposição de encargos à pessoa jurídica de direito público, mesma atividade.
Art. 104 As concorrências para a concessão de bens munici-
e pelo prazo de 10 (dez) anos, às pessoas jurídicas de direito
pais deverão ser precedidas de ampla publicidade, na Imprensa
privado, cujo fim principal consista em atividade de assistência
Oficial do Estado, em jornais locais e de grande circulação.
social, em amparo à educação ou outras de relevante interes-
Art. 105 As entidades beneficiárias de doação de bens mu-
se social, observados os demais requisitos estabelecidos em Lei
nicipais ficam impedidas de alienar o referido objeto.
Municipal.
Parágrafo Único - No caso de o bem doado não mais servi-
§ 3º A concessão de uso será feita mediante remuneração
dor às finalidades que motivaram o ato de disposição, reverterá
cujo objeto é a exploração de bens de dominialidade pública,
ao domínio do Município, sem qualquer indenização, inclusive
por terceiros, segundo a sua destinação específica, na forma da
por benfeitorias de qualquer natureza nele introduzidas.
Lei Municipal e mediante concorrência pública. Art. 106 Na hipótese de privatização de empresa pública ou
§ 4º A concessão de direito real de uso mediante remunera- sociedade de economia mista, mediante expressa autorização
ção ou imposição de encargos, terá por objeto apenas terrenos, legislativa, seus empregados terão preferência, em igualdade de
para fins específicos de titulação de assentamentos de baixa condições, para assumi-las, sob forma de cooperativas.
renda, de urbanização, industrialização, edificação, cultivo da Art. 107 É vedada a concessão de uso de bem imóvel do
terra ou outra utilização de interesse social, observados os de- Município à empresa privada, com fins lucrativos, quando o bem
mais requisitos estabelecidos na Lei Municipal e as disposições possuir destinação social específica.
da Legislação Federal.
§ 5º O uso permitido, cedido ou concedido, ainda que este
como direito real, poderá ser cancelado a qualquer tempo, aten-
dendo a expresso interesse da comunidade ou da municipalida-
de, por desvirtuamento e descumprimento de suas obrigações,
compromissos e finalidade.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

SEÇÃO I III - vendas a varejo de combustíveis líquidos e gasosos, ex-


DAS CERTIDÕES ceto óleo diesel;
IV - serviços de qualquer natureza, não compreendidos na
Art. 108 A Prefeitura e a Câmara são obrigadas a fornecer a competência do Estado definido na lei complementar prevista
qualquer interessado, no prazo máximo de 15 (quinze) dias, cer- no art. 146 da Constituição Federal.
tidões dos atos, contratos e decisões, desde que requeridos para Parágrafo Único - O imposto previsto no inciso I poderá ser
fim de direito determinado, sob pena de responsabilidade da progressivo, nos termos da lei, de forma a assegurar o cumpri-
autoridade ou servidor que negar ou retardar a sua expedição. mento da função social.
Art. 115 As taxas só poderão ser instituídas por lei, em ra-
CAPÍTULO IV zão do exercício do poder de polícia ou pela utilização efetiva ou
DAS OBRAS E SERVIÇOS PÚBLICOS potencial de serviços públicos, específicos e divisíveis, prestados
ao contribuinte ou postos à disposição pelo Município.
Art. 109 Nenhum empreendimento de obras e serviços do Art. 116 A contribuição de melhoria poderá ser cobrada dos
Município poderá ter início, sem prévia elaboração do plano res- proprietários de imóveis valorizados por obras públicas munici-
pectivo, no qual, obrigatoriamente, conste: pais, tendo como limite total à despesa realizada e como limite
I - a viabilidade do empreendimento, sua conveniência e individual o acréscimo de valor que da obra resultar para cada
oportunidade para o interesse comum; imóvel beneficiado.
II - os pormenores para a sua execução;
Art. 117 Sempre que possível, os impostos terão caráter
III - os recursos para atendimento das respectivas despesas;
pessoal e serão graduados, segundo a capacidade econômica do
IV - os prazos para o seu início e conclusão, acompanhados
contribuinte, facultado à administração municipal, especialmen-
da respectiva justificação.
te para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respei-
§ 1º Excluem-se desta exigência as obras e serviços desti-
tados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os
nados a atender situações de emergência ou que se destinem a
rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte.
evitar dano iminente.
Parágrafo Único - As taxas não poderão ter base de cálculo
§ 2º As obras públicas poderão ser executadas pela Prefei-
própria de impostos.
tura, por suas autarquias e demais entidades da administração
Art. 118 O Município poderá instituir contribuição cobrada
indireta, ou por terceiros.
Art. 110 Lei disporá sobre o regime das concessões e per- de seus servidores para o custeio, em benefício destes, de siste-
missões de serviços públicos, o caráter essencial desses servi- mas de previdência e assistência social, estando isentos do pa-
ços, quando assim determinar a Legislação Federal, o caráter gamento das contribuições os segurados na inatividade, desde
especial de seu contrato, de sua prorrogação e as condições de que seu ingresso tenha se dado quando ainda em efetivo exer-
caducidade, fiscalização e rescisão da concessão ou permissão. cício de suas funções.

CAPÍTULO V SEÇÃO II
DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA E FINANCEIRA DAS LIMITAÇÕES DO PODER DE TRIBUTAR
SEÇÃO I
DOS TRIBUTOS MUNICIPAIS Art. 119 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao
contribuinte, é vetado ao Município:
Art. 111 O Sistema Tributário Municipal é regido pelo dis- I - exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça;
posto na Constituição da República Federativa do Brasil, na II - instituir tratamento desigual entre contribuintes que
Constituição Estadual, na Legislação Complementar pertinente, se encontrem em situação equivalente, proibida qualquer dis-
bem como, no limite da respectiva competência, na Legislação tinção, em razão de ocupação profissional ou função por eles
Tributária Municipal. exercida, independentemente da denominação jurídica dos ren-
Art. 112 São Tributos municipais os impostos, as taxas e as dimentos, títulos ou direitos;
contribuições de melhoria, decorrentes de obras públicas, insti- III - estabelecer diferença tributária entre bens e serviços
tuídas por lei municipal, atendidos nos princípios estabelecidos de qualquer natureza em razão de sua procedência ou destino;
na Constituição Federal e nas normas gerais de Direito Tributá- IV - cobrar tributos:
rio. a) em relação a fatos geradores ocorridos antes do início da
Art. 113 A concessão de isenção e de anistia de tributos vigência da lei que os houver instituído ou aumentado;
municipais dependerá de autorização legislativa, aprovada por b) no mesmo exercício financeiro em que haja sido publica-
maioria de dois terços dos membros da Câmara Municipal. da a lei que os instituiu ou aumentou;
Art. 114 São de competência do Município instituir e arreca- V - utilizar tributos com efeito de confisco;
dar os impostos sobre: VI - estabelecer limitações ao tráfego de pessoas ou bens,
I - propriedade predial e territorial urbana; por meio de tributos;
II - transmissão inter vivos, a qualquer título, por ato onero- VII - instituir impostos sobre:
so, de bens imóveis, por natureza ou cessão física, e de direitos a) patrimônio, renda ou serviços da União, do Estado e de
reais sobre imóveis, exceto de garantia, bem como cessão de outros Municípios;
direitos à sua aquisição; b) templos de qualquer culto;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, in- III - cinqüenta por cento do produto da arrecadação do im-
clusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhado- posto do Estado sobre a propriedade de veículos automotores,
res, das instituições de educação e de assistência social sem fins licenciados no território municipal;
lucrativos, atendidos os requisitos da Lei Federal; IV - vinte e cinco por cento do produto da arrecadação do
d) livros, jornais periódicos e o papel destinado a sua im- imposto sobre operações relativas à circulação de mercadorias
pressão; e sobre prestação de serviços de transportes interestadual e in-
e) associações comunitárias e entidades filantrópicas, já termunicipal;
consideradas de utilidade pública. V - setenta por cento do imposto sobre o ouro originário de
§ 1º A vedação do inciso VII, alínea a, é extensiva às autar- seu território, quando definido em Lei, como ativo financeiro ou
quias e às fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público, ativo cambial;
no que se refere ao patrimônio, à renda e aos serviços vincula- VI - os percentuais de tributos federais componentes do
dos às suas finalidades essenciais ou às delas decorrentes. Fundo de Participação dos Municípios;
§ 2º As vedações do inciso VII, alínea a, e do parágrafo ante- VII - os percentuais das quotas do imposto sobre industriali-
rior não se aplicam ao patrimônio, à renda e aos serviços relacio- zação, entregues ao Estado.
nados com exploração das atividades econômicas, regidas pelas Art. 124 A fixação de tarifas públicas, devidas pela utilização
normas aplicáveis e empreendimentos privados ou em que haja de bens, serviços e atividades municipais, será feita pelo Prefei-
contraprestação ou pagamento de preços ou tarifas pelo usu- to ou Órgãos criados em Lei.
ário, nem exoneram o promitente comprador da obrigação de Parágrafo Único - As tarifas dos serviços públicos deverão
pagar imposto relativo ao bem imóvel. cobrir os seus custos, sendo reajustáveis, quando se tornarem
§ 3º As vedações expressas no inciso VII, alíneas b e c, com- deficientes ou excedentes, conforme avaliação dos preços dos
preendem somente o patrimônio, a renda e os serviços relacio- insumos.
nados com as finalidades essenciais das entidades nelas men- Art. 125 A despesa pública atenderá aos princípios estabele-
cionadas. cidos na Constituição Federal e às normas de direito financeiro.
§ 4º A Lei Municipal determinará medidas para que os con- Art. 126 Nenhuma despesa será ordenada ou satisfeita sem
sumidores sejam esclarecidos acerca dos impostos que incidam que exista recurso disponível e crédito votado pela Câmara.
sobre mercadorias e serviços. Art. 127 Nenhuma lei que crie aumento de despesa será
Art. 120 O Município dispensará às microempresas defini- executada, sem que dela conste a indicação do recurso para
das em Lei tratamento jurídico diferenciado, visando incentivá- atendimento do correspondente encargo.
-las, pela simplificação de suas obrigações administrativas. Art. 128 As disponibilidades de caixa do Município, de suas
Art. 121 As isenções, anistias e remissões de tributos muni- autarquias, fundações e das empresas por ele controladas serão
cipais somente poderão ser concedidas mediante lei específica, preferencialmente depositadas no Banco do Estado do Rio de
votada em dois turnos, com interstício mínimo de 10 (dez) dias, Janeiro, no Banco do Brasil ou em qualquer instituição financeira
e aprovada por dois terços dos membros da Câmara Municipal. oficial, salvo os casos previstos em lei.
§ 1º Ficam submetidos à regra do caput os projetos de lei
que reduzam alíquotas, base de cálculo, criem incentivos fiscais, SEÇÃO IV
subsídios ou, de qualquer forma, diminuam a receita tributária DO ORÇAMENTO
do Município.
§ 2º Em todos os casos previstos neste artigo, os projetos de Art. 129 A elaboração e a execução da lei orçamentária
lei serão acompanhados de demonstrativo de sua repercussão anual e plurianual de investimentos obedecerá às regras estabe-
sobre a receita municipal. lecidas na Constituição Federal, na Constituição do Estado, nas
normas de Direito Financeiro e nos preceitos desta Lei Orgânica.
SEÇÃO III Parágrafo Único - O Poder Executivo publicará, até trinta
DA RECEITA E DA DESPESA dias após o encerramento de cada bimestre, relatório resumido
da execução orçamentária.
Art. 122 A receita municipal constituir-se-á da arrecadação Art. 130 Leis de iniciativa do Prefeito estabelecerão:
dos tributos municipais, a participação em tributos da União e I - programa de metas
do Estado, dos recursos resultantes do Fundo de Participação I - o plano plurianual;
dos Municípios e da utilização de seus bens, serviços, atividades II - as diretrizes orçamentárias;
e de outros interesses. III - os orçamentos anuais.
Art. 123 Pertencem ao Município: § 1º O Prefeito, eleito ou reeleito, apresentará o Programa
I - o produto da arrecadação do imposto da União sobre de Metas de sua gestão, até noventa dias após sua posse, que
rendas e proventos de qualquer natureza, incidente na fonte, conterá as prioridades, as ações estratégicas, os indicadores e
sobre rendimentos pagos, a qualquer título, pela administração metas quantitativas para cada um dos setores da Administração
direta, autárquica e fundações municipais; Pública Municipal, observando no mínimo as diretrizes, as ações
II - cinqüenta por cento do produto da arrecadação do im- estratégicas e as demais normas do Plano Diretor da cidade de
posto da União sobre a propriedade territorial rural, relativa- Niterói.
mente aos imóveis situados no Município;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

a) o Programa de Metas será amplamente divulgado, por I - o orçamento fiscal referente aos poderes do Município,
meio eletrônico, pela mídia impressa, radiofônica e televisiva e seus fundos, órgãos e entidades da administração direta e in-
publicado no Diário Oficial do Município no dia imediatamente direta, inclusive Fundações instituídas ou mantidas pelo Poder
seguinte ao término do prazo a que se refere o caput deste pa- Público;
rágrafo; II - o orçamento de investimento das empresas, dos quais o
b) o Poder Executivo promoverá, dentro de trinta dias após Município direta ou indiretamente detenha a maioria do capital
o término do prazo a que se refere este artigo, o debate público social, com direito a voto;
sobre o Programa de Metas mediante audiências públicas ge- III - o orçamento de seguridade social, abrangendo todas
rais; as entidades e órgãos a ela vinculados, da administração direta
c) o Poder Executivo divulgará semestralmente os indicado- ou indireta.
res de desempenho relativos à execução dos diversos itens do § 7º O Projeto de Lei Orçamentária será acompanhado de
Programa de Metas; demonstrativo dos efeitos sobre as receitas e despesas decor-
d) o Prefeito poderá proceder às alterações programáticas rentes de isenções, anistias, remissões, subsídios e benefícios de
natureza financeira, tributária ou creditícia;
no Programa de Metas, sempre em conformidade com a Lei do
§ 8º Os orçamentos de que tratam os incisos I e II do § 4º
Plano Diretor, justificando-as por escrito e divulgando-as ampla-
deste artigo, compatibilizados com o plurianual, terão entre
mente pelos meios de comunicação previstos neste item.
suas funções reduzir desigualdades locais, segundo o critério
§ 2º Os indicadores de desempenho serão elaborados e fi-
populacional.
xados conforme os seguintes critérios: Art. 131 Os projetos de lei relativos ao plano plurianual e
I - promoção do desenvolvimento ambientalmente, social- ao orçamento anual e os créditos adicionais serão apreciados
mente e economicamente sustentável; pela Comissão Permanente de Orçamento e Finanças da Câmara
II - inclusão social, com redução das desigualdades Regio- Municipal, à qual caberá:
nais e sociais; I - examinar e emitir parecer sobre os projetos e as contas
III - atendimento das funções sociais da cidade com Melho- apresentadas, anualmente, pelo Prefeito Municipal;
ria da qualidade de vida urbana; II - examinar e emitir parecer sobre os planos e programas
IV - promoção do cumprimento da função social da proprie- de investimentos e exercer o acompanhamento e fiscalização
dade; orçamentária, sem prejuízo de atuação das demais Comissões
V - promoção e defesa dos direitos fundamentais individu- da Câmara.
ais e sociais de toda pessoa humana; § 1º As Emendas serão apresentadas na Comissão que so-
VI - promoção de meio ambiente ecologicamente equilibra- bre elas emitirá parecer, e apreciadas na forma regimental;
do e combate a poluição sob todas as formas; § 2º As Emendas ao projeto de lei do orçamento anual ou
VII - universalização do atendimento dos serviços públicos aos projetos que o modifiquem somente podem ser aprovadas
Municipais, com observância das condições de regularidade; caso:
continuidade; eficiência rapidez e cortesia no atendimento ao I - sejam compatíveis com o plano plurianual;
cidadão; segurança; atualidade com as melhores técnicas, mé- II - indiquem os recursos necessários, admitidos apenas os
todos, processos e equipamentos; e modicidade das tarifas e provenientes de anulação de despesas, excluídas as que incidam
preços públicos que considerem diferentemente as condições sobre:
econômicas da população. a) dotação para pessoal e seus encargos;
e) Ao final de cada ano, o Prefeito divulgará o relatório da b) serviço de dívida.
execução do Programa de Metas, o qual será disponibilizado in- III - ou sejam relacionadas:
tegralmente pelos meios de comunicação previstos neste artigo. a) com a correção de erro ou omissões;
f) As diretrizes do Programa de Metas, serão incorporadas b) com os dispositivos do texto do projeto de lei.
§ 3º Os recursos que em decorrência de veto, Emenda
ao Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias dentro do prazo
ou rejeição do projeto de lei orçamentária anual, ficarem sem
legal. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 32/2008)
despesas correspondentes, poderão ser utilizados, conforme o
§ 3º A lei que instituir o plano plurianual estabelecerá di-
caso, como créditos especiais ou suplementares, com prévia e
retrizes, objetivos e metas da administração pública municipal
específica autorização legislativa.
para as despesas de capital, as destas decorrentes e as relacio- § 4º Os Projetos de Lei do Plano Plurianual, das Diretrizes
nadas com programas de duração continuada. Orçamentárias e do Orçamento Anual serão enviados pelo Pre-
§ 4º A Lei de Diretrizes Orçamentárias compreenderá as feito à Câmara Municipal, até a entrada em vigor da lei mencio-
metas e prioridades da administração pública municipal, incluin- nada no caput, serão obedecidas às seguintes regras:
do as despesas de capital para o exercício seguinte; orientará I - o projeto de plano plurianual, para vigência até o final
a elaboração da Lei Orçamentária, disporá sobre alterações na do primeiro exercício financeiro do mandato executivo subse-
Legislação Tributária e estabelecerá a política de aplicação das quente, será encaminhado até 31 de agosto do primeiro exer-
agências financeiras oficiais de fomento. cício financeiro e devolvido para sanção até o encerramento do
§ 5º O Plano de programas municipais e os regionais serão período legislativo;
apreciados pela Câmara Municipal. II - o projeto de lei de diretrizes orçamentárias será enca-
§ 6º A Lei Orçamentária Anual compreenderá: minhado até 15 de abril e devolvido para sanção até o encerra-
mento do 1º semestre do período legislativo; e

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

III - o projeto de lei orçamentária será encaminhado até 30 VII - a concessão ou utilização de créditos ilimitados;
de setembro do exercício financeiro e devolvido para sanção VIII - a utilização, sem autorização legislativa específica,
até o encerramento do período legislativo. (Redação dada pela de recursos dos orçamentos fiscais e da seguridade social para
Emenda à Lei Orgânica nº 35/2009) suprir necessidades ou cobrir déficit de empresas, fundações e
§ 5º Aplicam-se aos projetos mencionados, neste artigo, as fundos;
demais normas relativas ao processo legislativo. IX - a instituição de fundos de qualquer natureza, sem pré-
Art. 132 O Prefeito enviará à Câmara, no prazo estabeleci- via autorização legislativa.
do em lei, a proposta de orçamento anual do Município para o § 1º Nenhum investimento, cuja execução ultrapasse um
exercício seguinte. exercício financeiro, poderá ser iniciado sem prévia inclusão no
§ 1º O não cumprimento do disposto neste artigo implicará plano plurianual ou sem lei que autorize a inclusão, sob pena de
na elaboração pela Câmara, da competente Lei de Meios, to- crime de responsabilidade.
mando por base a Lei Orçamentária em vigor. § 2º Os créditos especiais e extraordinários terão vigência
§ 2º O Prefeito poderá enviar mensagem à Câmara para no exercício financeiro em que forem autorizados, salvo se o
propor a modificação do projeto da Lei Orçamentária, enquanto ato de autorização for promulgado nos últimos quatro meses
não iniciada a votação da parte que deseja alterar. daquele exercício, caso em que, reabertos nos limites de seus
Art. 133 Rejeitado pela Câmara o projeto de lei orçamen- saldos, serão incorporados ao orçamento do exercício financeiro
tária anual, prevalecerá, para o ano seguinte, o orçamento do subseqüente.
exercício em curso, aplicando-se a atualização dos valores. § 3º A abertura de crédito extraordinário somente será ad-
Art. 134 Aplica-se ao projeto de lei orçamentária, no que mitida para atender a despesas imprevisíveis e urgentes, como
não contrariar o disposto nesta Seção, as regras do processo le- as decorrentes de calamidade pública.
gislativo. Art. 139 A despesa com pessoal ativo e inativo do Município
Art. 135 O Município para execução de projetos, programas, não poderá exceder os limites estabelecidos em lei.
obras, serviços ou despesas, cuja execução se prolongue além Parágrafo Único - A concessão de qualquer vantagem ou
de um exercício financeiro, deverá elaborar orçamentos pluria- aumento de vencimentos, a criação de cargos ou alteração de
nuais de investimentos. estrutura de carreiras, bem como a admissão de pessoal, a qual-
Parágrafo Único - As dotações dos orçamentos plurianuais quer título, pelos órgãos e entidades da administração direta ou
deverão ser incluídas no orçamento de cada exercício, para utili- indireta, só poderão ser feitas, se houver prévia dotação orça-
zação do respectivo crédito. mentária suficiente, para atender às projeções de despesa de
Art. 136 O orçamento será uno, incorporando-se, obrigato- pessoal e aos acréscimos dela decorrentes, após a aprovação da
riamente, na receita, todos os tributos, rendas e suprimentos Câmara Municipal.
de fundos e incluindo-se, discriminadamente, na despesa, as
dotações necessárias ao custeio de todos os serviços municipais.
CAPÍTULO VI
Art. 137 O orçamento não conterá dispositivo estranho à
DA FISCALIZAÇÃO CONTÁBIL, FINANCEIRA E ORÇAMENTÁ-
previsão da receita, nem à fixação da despesa anteriormente
RIA.
autorizada. Não se incluem nesta proibição:
I - autorização para abertura de créditos suplementares;
II - contratação de operações de crédito, ainda que por an-
Art. 140 A fiscalização contábil, financeira e orçamentária
tecipação de receita, nos termos da lei.
do Município será exercida pela Câmara Municipal, mediante
Art. 138 São vetados:
I - o início de programas ou projetos não incluídos na lei controle externo e pelos sistemas de controle interno do Execu-
orçamentária anual; tivo, instituídos em lei.
II - a realização de despesas ou a assunção de obrigações § 1º O controle externo da Câmara será exercido com o au-
diretas que excedam os créditos orçamentários ou adicionais; xílio do Órgão estadual a que for atribuída essa incumbência, e
III - a realização de operações de créditos que excedam o compreenderá a apreciação das contas do Prefeito e da Mesa
montante das despesas de capital, ressalvadas as autorizadas da Câmara, o acompanhamento das atividades financeiras e or-
mediante créditos suplementares ou especiais com finalidade çamentárias do Município, o desempenho das funções de au-
precisa, aprovados pela Câmara por maioria absoluta; ditoria financeira e orçamentária, bem como o julgamento das
IV - a vinculação de receita de impostos a órgãos, fundo ou contas dos administradores e demais responsáveis, por bens e
despesa, ressalvadas a repartição do produto de arrecadação valores públicos.
dos impostos a que se referem os artigos. 158 e 159 da Cons- § 2º As contas da Prefeitura e da Câmara Municipal, presta-
tituição Federal, a destinação de recursos para manutenção e das anualmente, serão julgadas pela Câmara, dentro de 60 (ses-
desenvolvimento do ensino, e a prestação de garantias às ope- senta) dias, após o recebimento do parecer prévio do Tribunal
rações de crédito por antecipação de receita; de Contas ou órgão estadual a que for atribuída essa incumbên-
V - a abertura de crédito suplementar ou especial sem pré- cia, considerando-se julgadas, nos termos das conclusões desse
via autorização legislativa e sem indicação dos recursos corres- Parecer, se não houver deliberação dentro desse prazo.
pondentes; § 3º Somente por decisão de dois terços (2/3) dos membros
VI - a transposição, o remanejamento ou a transferência de da Câmara Municipal, deixará de prevalecer o parecer emitido
recursos de uma categoria de programação para outra ou de um pelo Tribunal de Contas ou órgão estadual incumbido dessa mis-
órgão para outro, sem prévia autorização legislativa; são.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 4º As contas relativas à aplicação dos recursos transferi- CAPÍTULO VII


dos pela União e Estado serão prestadas, na forma da legislação DAS FINANÇAS PÚBLICAS
federal e estadual em vigor, podendo o Município suplementar SEÇÃO I
essas contas, sem prejuízo de sua inclusão na prestação anual. DISPOSIÇÕES GERAIS
§ 5º Deverá prestar contas qualquer pessoa física ou entida-
de pública que utilize, arrecade, guarde, gerencie ou administre Art. 144 Obedecidas às legislações Federal e Estadual com-
dinheiro, bens e valores públicos, ou pelos quais o Município petentes, o planejamento municipal contará com os seguintes
responda, ou que, em nome deste, assuma obrigações de natu- instrumentos:
reza pecuniária. I - plano de governo;
Art. 141 A Comissão Permanente a que se refere o art. 131 II - orçamento plurianual de investimento;
desta Lei Orgânica, diante de indícios de despesas não autori- III - orçamento anual;
zadas, ainda que sob a forma de investimentos, não programa- IV - Lei de Diretrizes Orçamentárias;
dos ou subsídios não aprovados, poderá solicitar à autoridade V - planos diretores.
governamental responsável que, no prazo de 15 (quinze) dias, Art. 145 O processo de planejamento municipal será avalia-
preste os esclarecimentos necessários. do e modificado, de acordo com as transformações ocorridas na
§ 1º Não prestados os esclarecimentos ou considerados dinâmica do Município.
estes insuficientes, a Comissão solicitará ao Tribunal de Contas Art. 146 O Poder Executivo manterá sistema de informações
pronunciamento conclusivo sobre a matéria, no prazo de 30 do Município, visando cumprir os objetivos do planejamento
(trinta) dias. municipal.
§ 2º Entendendo o Tribunal irregular a despesa, a Comissão, Art. 147 O Poder Executivo levantará e registrará, sob a for-
se julgar que o gasto possa causar dano irreparável ou grave le- ma de cadastro, dados correspondentes à situação econômica,
são à economia pública, proporá à Câmara de Vereadores sua social, físico- territorial, institucional e administrativo-financei-
sustação. ra do Município, os quais, mantidos em arquivo, constituirão o
Art. 142 O Executivo manterá sistema de controle interno, Sistema de Informações do Município, respeitadas as seguintes
a fim de: diretrizes:
I - criar condições indispensáveis, para assegurar eficácia I - o Planejamento Municipal será elaborado com recursos
ao controle externo e regularidade às realizações da receita e técnicos capazes de garantir a fidelidade e segurança dos dados,
despesa; a agilidade necessária no manuseio e recuperação das informa-
II - acompanhar as execuções de programas de trabalho e ções;
do orçamento; II - os cadastros serão permanentemente atualizados, de
III - avaliar os resultados alcançados pelos administradores; forma a acompanhar o processo de desenvolvimento do Muni-
IV - verificar a execução dos contratos; cípio;
V - avaliar o cumprimento das metas previstas no plano plu- III - a Lei disporá sobre as condições em que haverá para os
rianual, a execução dos programas de governo e dos orçamentos cidadãos e contribuintes obrigatoriedade de prestação de da-
do Município; dos;
VI - comprovar a legalidade e avaliar os resultados, quanto IV - o Poder Executivo poderá realizar convênios e tomar as
à eficácia da gestão orçamentária, financeira e patrimonial nos demais medidas necessárias a compatibilização e integração dos
órgãos e entidades da administração municipal, bem como da dados e informações de posse dos concessionários de serviços
aplicação de recursos públicos por entidades de direito privado; públicos estaduais e federais, e de órgãos de outras entidades
VII - exercer o controle das operações de crédito, avais e estatais, visando complementar o Sistema de Informações;
garantias, bem como dos direitos e deveres do Município; V - o Poder Executivo programará recursos orçamentários
VIII - apoiar o controle externo no exercício de sua missão anuais para realização e manutenção do Sistema de Informa-
institucional. ções.
Parágrafo Único - Os responsáveis pelo controle interno, ao Parágrafo Único - Fica assegurado à sociedade civil o acesso
tomarem conhecimento de qualquer irregularidade ou ilegalida- ao Sistema de Informações do Município.
de, darão ciência ao Tribunal de Contas, sob pena de responsa- Art. 148 Fica considerado patrimônio do Município o Siste-
bilidade solidária. ma de Informações Municipais, a ser criado, e todo o acervo de
Art. 143 A Câmara Municipal fixará, na Lei Orçamentária informações já existentes.
anual, o percentual obrigatório que a rede bancária, detentora Art. 149 O Município buscará, por todos os meios ao seu
da conta- movimento da Prefeitura, depositará a seu favor, no alcance, a cooperação das associações representativas do pla-
ato do recebimento de todos os recursos destinados aos cofres nejamento municipal.
do Município. Parágrafo Único - Para fins deste artigo, entende-se como
§ 1º Suprimido. (Suprimido pela Emenda à Lei Orgânica nº associação representativa qualquer grupo organizado, de fins
13/1997). lícitos, que tenha legitimidade para representar seus filiados, in-
§ 2º Suprimido. (Suprimido pela Emenda à Lei Orgânica nº dependentemente de seus objetivos ou natureza jurídica.
13/1997). Art. 149-A Fica criado o Fundo de Equalização da Receita
- FER -, vinculado à Secretaria Municipal de Fazenda, compos-
to exclusivamente pelos recursos provenientes de arrecadação
com participação especial, espécie de compensação financeira

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

extraordinária, prevista no art. 45, inciso III da Lei Federal nº II - a investidura em cargo ou emprego público depende de
9478/97, devida pelo concessionário de exploração e produção aprovação prévia, em concurso público de provas ou de provas e
de petróleo e gás natural, nos casos de grande volume de pro- títulos, ressalvadas as nomeações para cargo em comissão, de-
dução ou grande rentabilidade, conforme critérios definidos na clarado em lei, de livre nomeação e exoneração;
legislação federal. (Redação acrescida pela Emenda à Lei Orgâ- III - é vedada a fixação de limite máximo de idade para can-
nica nº 41/2019) didatos a concurso público no Município;
Art. 149-B Ao FER serão destinados 10% dos valores arreca- IV - será garantida, na organização e nas bancas examinado-
dados a título de participação especial a que aduz o art. 149-A. ras dos concursos públicos, a participação de representantes do
Parágrafo único. A cada repasse dos recursos arrecadados Conselho Seccional regulador do exercício profissional, quando
a título de participação especial, será destacado o percentual for exigido conhecimento técnico da profissão;
a que se refere o caput. (Redação acrescida pela Emenda à Lei V - é vedada a presença, na banca examinadora, de paren-
Orgânica nº 41/2019) tes, até terceiro grau, consangüíneos ou afins, de candidatos
Art. 149-C O FER tem como objetivo garantir a equalização inscritos, admitida a argüição de suspeição ou de impedimento,
intertemporal da receita proveniente da arrecadação de partici- nos termos da lei processual civil, sujeita à decisão hierárquica,
pação especial. (Redação acrescida pela Emenda à Lei Orgânica no prazo de cinco dias.
nº 41/2019) VI - o prazo de validade do concurso público será de até dois
Art. 149-D O FER será destinado ao propósito de cobrir as anos, prorrogável, uma vez, por igual período;
despesas do Município de Niterói, caso haja redução da receita VII - durante o prazo improrrogável, previsto no edital de
de royalties ou participação especial para ano fiscal corrente. convocação, o aprovado em concurso público de provas ou de
(Redação acrescida pela Emenda à Lei Orgânica nº 41/2019) provas e títulos será convocado com prioridade sobre novos
Art. 149-E A utilização dos recursos do FER somente será concursados para assumir cargo ou emprego, na carreira;
admitida caso a receita de royalties ou de participação especial VIII - os cargos em comissão e as funções gratificadas de
seja inferior ao estimado pela Agência Nacional de Petróleo para confiança serão exercidos, preferencialmente, por servidores
ano fiscal corrente e a estimada na Lei Orçamentária Anual - LOA. ocupantes de cargo de carreira técnica ou profissional, nos casos
§ 1º A utilização a que se refere o caput não poderá exceder e condições previstos em lei;
a 50% (cinquenta por cento) da frustração estimada na LOA e IX - é garantido ao servidor público civil o direito à livre as-
será limitada a 20% (vinte por cento) do montante geral do FER. sociação sindical;
§ 2º A apuração da frustração de receita disposta no caput X - o direito de greve será exercido nos termos e nos limites
será realizada trimestralmente quando do recebimento em con- definidos em lei complementar federal;
ta dos valores da Participação Espacial.
XI - é obrigatória a participação do Sindicato dos Funcioná-
§ 3º É vedada aplicação dos recursos oriundos do FER para
rios Municipais nas negociações coletivas de trabalho;
pagamento de dívida e no quadro de permanente de pessoal.
XII - é vedada a dispensa do empregado sindicalizado, a par-
§ 4º As vedações constantes do § 1º deste artigo não se
tir do registro da candidatura a cargo de direção ou representa-
aplicam:
ção sindical e, se eleito, ainda que suplente, até um ano após o
I - ao pagamento de dívidas para com a União e suas enti-
final do mandato, salvo se cometer falta grave, nos termos da
dades;
lei;
II - ao custeio de despesas com manutenção e desenvolvi-
XIII - a lei reservará percentual dos cargos e empregos pú-
mento do ensino, especialmente na educação básica pública em
tempo integral, inclusive as relativas a pagamento de salários e blicos para as pessoas portadoras de deficiência, e definirá os
outras verbas de natureza remuneratória a profissionais do ma- critérios para sua admissão;
gistério em efetivo exercício na rede pública. XIV - a revisão geral da remuneração dos servidores públi-
§ 5º Os recursos oriundos do FER poderão ser utilizados cos far-se-á sempre na mesma data;
também para capitalização de fundos de previdência. (Redação XV - a lei fixará o limite máximo e a relação de valores entre
acrescida pela Emenda à Lei Orgânica nº 41/2019) a maior e a menor remuneração dos servidores públicos, obser-
Art. 149-F A Comissão de Programação Financeira e Gestão vados, como limite máximo, os valores percebidos como remu-
Fiscal - CPFGF, criada por meio do Decreto nº 11.319, de 15 de neração, em espécie, pelo Prefeito;
janeiro de 2013 , será responsável por aprovar a liberação dos XVI - os acréscimos pecuniários percebidos por servidor pú-
recursos do FER. (Redação acrescida pela Emenda à Lei Orgânica blico não serão computados nem acumulados, para fins de con-
nº 41/2019) cessão de acréscimos ulteriores, sob o mesmo título ou idêntico
fundamento.
CAPÍTULO VIII XVII - os vencimentos dos servidores públicos são irredutí-
DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA veis e a remuneração observará o que dispõe os artigos 37, XI,
XII; 150, II; 153, III; e 153, § 2º, I, da Constituição Federal;
Art. 150 A administração pública direta e indireta, de qual- XVIII - é vedada acumulação remunerada de cargos públi-
quer dos Poderes do Município, obedecerá aos princípios de le- cos, exceto quando houver compatibilidade de horários:
galidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, observan- a) a de dois cargos de professor;
do as seguintes normas: b) a de um cargo de professor com outro técnico ou cien-
I - os cargos, empregos e funções públicos são acessíveis aos tífico;
brasileiros que preencham os requisitos estabelecidos em lei; c) a de dois privativos de médicos;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

XIX - a proibição de acumular não se aplica a proventos de III - investido do mandato de Vereador, havendo compatibi-
aposentadoria, mas se estende a empregos e funções e abrange lidade de horários, perceberá as vantagens de seu cargo, empre-
autarquias, empresas públicas, sociedades de economia mista e go ou função, sem prejuízo da remuneração do cargo eletivo, e
fundações mantidas pelo Poder Público; não havendo compatibilidade, será aplicada a norma do inciso
XX - a administração fazendária e seus servidores fiscais te- anterior;
rão, dentro de suas áreas de competência e jurisdição, prece- IV - em qualquer caso que exija afastamento, para o exer-
dência sobre os demais setores administrativos, na forma da lei; cício de mandato eletivo, o tempo de serviço será contado para
XXI - somente por lei específica poderá ser criadas empresa todos os efeitos legais, exceto para promoção por merecimento;
pública, sociedade de economia mista, autarquia ou fundação V - para efeito de benefício previdenciário, no caso de afas-
pública; tamento, os valores serão determinados, como se no exercício
XXII - depende de autorização legislativa, em cada caso, a estivesse.
criação de subsidiárias das entidades mencionadas no inciso an- Art. 154 Os planos de cargos e carreiras do serviço público
terior, assim como a participação de qualquer delas em empresa municipal serão elaborados de forma a assegurar aos servidores
privada; municipais remuneração compatível com o mercado de trabalho
XXIII - ressalvados os casos especificados na legislação, as para a função respectiva, oportunidade de progresso funcional e
obras, serviços, compras e alienações serão contratados me- acesso a cargos de escalão superior.
diante processo de licitação pública, que assegure igualdade de § 1º O Município proporcionará aos servidores oportunida-
condições a todos os concorrentes, com cláusulas que estabele- de de crescimento profissional, através de programas de forma-
çam obrigações de pagamento, mantidas as condições efetivas ção de mão-de- obra, aperfeiçoamento e reciclagem.
da proposta, nos termos da lei, exigindo-se a qualificação téc- § 2º Os programas mencionados no parágrafo anterior te-
nico-econômica indispensável à garantia do cumprimento das rão caráter permanente.
obrigações. § 3º Para dar cumprimento ao disposto nos parágrafos an-
§ 1º A não observância do disposto nos incisos II e III impli- teriores, o Município poderá manter convênio com instituições
cará a nulidade do ato e a punição da autoridade responsável, especializadas.
nos termos da lei. Art. 155 O Município assegurará aos seus servidores e de-
§ 2º As reclamações relativas à prestação de serviços públi- pendentes, na forma da Lei Municipal, serviços de atendimentos
cos, serão disciplinadas em lei. médicos, odontológicos e de assistência social.
§ 3º Os atos de improbidade administrativa importarão per- Parágrafo Único - Os serviços referidos nestes artigos são
da da função pública, disponibilidade dos bens e ressarcimento extensivos aos aposentados e aos pensionistas do Município.
ao erário, na forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da Art. 156 Os concursos públicos, para preenchimento de car-
gos, empregos ou funções na Administração Municipal, não po-
ação penal cabível.
derão ser realizados antes de decorridos 30 (trinta) dias do en-
§ 4º A lei estabelecerá os prazos de prescrição para ilícitos
cerramento das inscrições, as quais deverão estar abertas pelo
praticados por qualquer agente, servidor ou não, que causem
menos durante 15(quinze) dias.
prejuízos ao erário, ressalvadas as respectivas ações de ressar-
Art. 157 As empresas públicas, as sociedades de economia
cimento.
mista e as fundações instituídas pelo Poder Público Municipal
§ 5º As pessoas jurídicas de direito público e as de direito
garantirão a participação em seus conselhos, com poder deci-
privado, prestadoras de serviços públicos, responderão pelos
sório e na proporção de um terço de sua composição, de repre-
danos que seus agentes, nessa qualidade, causarem a terceiros,
sentantes de seus servidores e de usuários ou contribuintes, de
assegurado o direito de regresso contra o responsável, nos casos forma paritária.
de dolo ou culpa. Art. 158 Os representantes dos servidores municipais serão
§ 6º A participação de que trata o inciso IV será dispensada eleitos por estes, mediante voto direto e secreto, atendidas as
se, em dez dias, o Conselho Seccional não se fizer representar exigências legais para o preenchimento dos respectivos cargos.
por titular e suplente, prosseguindo-se no concurso.
Art. 151 O Município assegurará a livre inscrição de pessoa CAPÍTULO IX
portadora de deficiência em concurso público mediante: DOS SERVIDORES PÚBLICOS MUNICIPAIS
I - a adaptação de provas;
II - a comprovação de compatibilidade da deficiência com o Art. 159 Os servidores públicos municipais, dos Poderes
cargo, emprego ou função, por parte do candidato. Executivo e Legislativo, neles incluídos os das autarquias e fun-
Art. 152 O Município não adotará critérios discriminatórios dações públicas, obedecerão a regime único e serão agrupados
para a administração, a promoção, a remuneração e a dispensa em Plano de Carreiras, com a observância dos seguintes precei-
no serviço público municipal, por motivo de deficiência. tos:
Art. 153 Ao servidor público, com exercício de mandato ele- I - garantias constitucionais básicas:
tivo, aplicam-se as seguintes disposições: a) salário-mínimo;
I - tratando-se de mandato eletivo federal ou estadual, fica- b) irredutibilidade do salário;
rá afastado de seu cargo, emprego ou função; c) salário mínimo para os que percebam remuneração va-
II - investido no mandato de Prefeito, será afastado do car- riável;
go, emprego ou função, sendo-lhe facultado optar pela sua re- d) décimo terceiro salário, com base na remuneração inte-
muneração; gral ou no valor da aposentadoria;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

e) remuneração do trabalho noturno superior ao diurno; Art. 161 O servidor será aposentado:
f) salário família para seus dependentes; I - por invalidez permanente, sendo os proventos integrais,
g) duração da jornada de trabalho não superior a 08 (oito) quando de corrente de acidente em serviço, moléstia profissio-
horas diárias e quarenta semanais, facultada a compensação de nal ou doença grave, contagiosa ou incurável, especificada em
horários; lei, e proporcionais nos demais casos;
h) repouso semanal remunerado, preferencialmente aos II - compulsoriamente, aos setenta anos de idade, com pro-
domingos; ventos proporcionais ao tempo de serviço,
i) remuneração do serviço extraordinário, superior, no míni- III - voluntariamente:
mo, em cinquenta por cento ao normal; a) aos trinta e cinco anos de serviço, se homem, e aos trinta,
j) gozo de férias anuais remuneradas, com, pelo menos, um se mulher, com proventos integrais;
terço a mais que o salário normal; b) aos trinta anos de serviço efetivo em funções de magis-
k) licença à gestante, sem prejuízo do emprego e da remu- tério e nas funções consideradas penosas, insalubres ou perigo-
neração, com a duração de 180 dias; (Redação dada pela Emen- sas, se homem, e aos vinte e cinco, se mulher, com proventos
da à Lei Orgânica nº 31/2006) integrais;
l) licença-paternidade, nos termos fixados em lei; c) aos trinta anos de serviço, se homem, e aos vinte e cinco,
m) proteção do mercado de trabalho da mulher, mediante se mulher, com proventos proporcionais ao respectivo tempo;
incentivos específicos, nos termos da lei; d) aos sessenta e cinco anos de idade, se homem e aos
n) redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de sessenta se mulher, com proventos proporcionais ao tempo de
normas de saúde, higiene e segurança; serviço.
o) adicional de remuneração para as atividades penosas, in- § 1º A lei poderá estabelecer exceções ao disposto no inciso
salubres ou perigosas, na forma da lei; III, a e c, no caso de exercício de atividades consideradas peno-
p) proibição de diferença de salário, no exercício de funções sas, insalubres ou perigosas.
e de critério de admissão, por motivo de sexo, idade, cor ou es- § 2º A lei disporá sobre a aposentadoria em cargos ou em-
tado civil. pregos temporários.
II - valorização da escolaridade como processo de ascensão § 3º O tempo de serviço público federal, estadual ou muni-
funcional, reagrupando os Grupos Ocupacionais dentro deste cipal será computado integralmente para os efeitos de aposen-
critério e articulando-os de forma a estruturá-los por níveis, de tadoria e disponibilidade.
maneira a colocar na classe de padrão mais elevado de uma sé- § 4º Os proventos da aposentadoria serão revistos na mes-
rie de classes de reagrupamento de menor nível, a exigência de ma proporção e na mesma data, sempre que se modificar a re-
escolaridade que tenha seqüência na classe de padrão menos muneração dos servidores em atividade, também estendidos
elevado da série de classes do nível subseqüente de escolari- aos inativos quaisquer benefícios ou vantagens posteriormente
dade; concedidos aos servidores em atividade, inclusive quando de-
III - gratificação adicional, por tempo de serviço correspon- correntes da transformação ou reclassificação do cargo ou fun-
dente a 5% do vencimento do cargo, por triênio efetivo presta- ção em que se deu a aposentadoria, na forma da lei.
do, o primeiro contemplável com 10%. (Declarado inconstitucio- § 5º O benefício da pensão por morte corresponderá à to-
nal pelo Órgão Especial do Egrégio Tribunal de Justiça do Estado talidade dos vencimentos ou proventos do servidor falecido, até
do Rio de Janeiro em 30 de janeiro de 2012) o limite estabelecido em lei, observado o disposto no parágrafo
IV - preferência no aproveitamento do percentual de vagas anterior.
reservadas para pessoas portadoras de deficiência, para readap- Art. 162 Integrarão os proventos da aposentadoria as van-
tagens, decorrentes do exercício de cargo de provimento em co-
tação de servidores que se tornem inaptos, por essa razão, para
missão e função gratificada ou parcelas financeiras percebidas
as tarefas para as quais foram admitidos;
pelo servidor público, em caráter permanente.
V - instituição, por lei, de estímulos sob a forma de adicional
§ 1º As vantagens ou parcelas financeiras percebidas em
sobre o vencimento, até o total de 40% como vantagem pessoal
caráter permanente incorporar-se-ão aos proventos da inativi-
para os servidores, quaisquer que sejam seus cargos, como pre-
dade, desde que percebidos pelo período de 12 (doze) meses.
miação pela melhoria de seu padrão de escolaridade, atendida a
§ 2º A incorporação das vantagens decorrentes de Cargo em
regulamentação por parte do Poder Executivo.
Comissão ou à Função Gratificada dar-se-á sempre que o servi-
Parágrafo Único - A lei assegurará aos servidores isonomia
dor as tiver exercido por no mínimo 12(doze) meses, quando da
de vencimentos para cargos de atribuições iguais ou assemelha-
passagem para a inatividade e será calculada na proporção de
das do mesmo Poder, na administração direta ou entre servi- 1/35, (um trinta e cinco avos) por ano para os do sexo masculino
dores dos Poderes Executivo e Legislativo, ressalvadas as van- e 1/30 (um trinta avos) por ano para os do sexo feminino.
tagens de caráter individual e as relativas à natureza ou ao local § 3º A incorporação das vantagens decorrentes do exercício
de trabalho. de cargos de provimento em comissão e função gratificada são
Art. 160 O servidor que vier a falecer, homem ou mulher, inacumuláveis com quaisquer outras da mesma natureza. (Reda-
deixará pensão para o cônjuge, filha solteira, filhos menores de ção dada pela Emenda à Lei Orgânica nº 21/2001)
21 (vinte e um) anos e outros dependentes, na forma da lei. Art. 163 Para os efeitos de aposentadoria, disponibilidade
e acréscimo, será computado integralmente o tempo de serviço
público federal, estadual, municipal e autárquico.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Parágrafo Único - Para os efeitos de aposentadoria e dispo- Art. 175 É vetado o desvio de função, assim entendido o
nibilidade, até o máximo de 15 (quinze) anos, será computado exercício de cargo ou emprego estranho àquele ocupado pelo
o tempo de exercício de advocacia, apurado conforme critérios servidor.
estabelecidos em decreto executivo, desde que não desempe- § 1º Constitui falta grave do servidor responsável por órgão
nhado cumulativamente com qualquer outra função pública. de qualquer hierarquia a permissão do desvio de função de ser-
Art. 164 Para os efeitos de incorporação de que tratam os vidor sob sua responsabilidade, sempre que apurado dolo ou
parágrafos 2º e 3º do artigo anterior, será considerado o tempo má fé.
de serviço das vantagens decorrentes do exercício de cargo em § 2º Anualmente, o Poder Executivo procederá à avaliação
comissão, função gratificada e direção, será considerado o tem- das necessidades de pessoal dos órgãos da Prefeitura, a fim de,
po de serviço exclusivamente prestado ao Executivo e Legislati- na forma estabelecida na Constituição da República, na Consti-
vo Municipal, em sua administração direta e indireta, inclusive tuição do Estado do Rio de Janeiro e nesta Lei Orgânica, promo-
de autarquias. ver a criação e o provimento de cargos e empregos que atendam
Parágrafo Único - O tempo mínimo exigido, neste artigo, à demanda decorrente de vacância ou da necessidade de am-
será de 06 (seis) anos consecutivos ou 08 (oito) alternados. pliação ou melhoria dos serviços públicos municipais.
Art. 165 Para efeito desta Lei considera-se remuneração a Art. 176 É vedada a lotação de servidores em órgãos da ad-
totalidade dos ganhos auferidos pelo servidor público munici- ministração direta, indireta, fundacional e empresas mantidas
pal, pagos pelos cofres do Município. pelo Poder Público Municipal acima do quantitativo estabeleci-
do pelo Executivo, através de regulamentação própria.
Art. 166 Os cargos organizados em carreira serão de manei- Art. 177 A cessão de funcionário e servidor público entre
ra que a diferença entre as classes ou níveis não sejam de valor órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e
inferior a 15% do antecedente em relação ao subseqüente. (De- fundacional, respeitado o disposto no artigo anterior, somente
clarado inconstitucional pelo Órgão Especial do Egrégio Tribunal se dará se o servidor tiver completado 02 (dois) anos de efetivo
de Justiça do Estado do Rio de Janeiro em 30 de janeiro de 2012) exercício no órgão de origem, ressalvado o exercício de cargo
Art. 167 Revogado. (Revogado pela Emenda à Lei Orgânica em comissão.
nº 21/2001) Parágrafo Único - É vedada a cessão de servidores das áreas
Art. 168 O servidor público municipal poderá gozar de li- de saúde e educação, excetuados os casos de cessão para pro-
vimento de cargo em comissão, respeitado o interstício de que
cença especial e férias, na forma da lei, ou de ambas dispor, sob
trata este artigo.
forma de direito de contagem em dobro, para efeito de aposen-
Art. 178 O servidor municipal transferido compulsoriamen-
tadoria, ou tê-las transformado em pecúnia indenizatória, se-
te ou mediante opção, da administração direta para a indireta,
gundo sua opção.
com a modificação do seu regime jurídico, não poderá perder a
Art. 169 Revogado. (Revogado pela Emenda à Lei Orgânica
garantia de estabilidade, desde que já a tenha adquirido.
nº 21/2001)
Art. 179 Os vencimentos dos profissionais de nível superior
Art. 170 São estáveis, após dois anos de efetivo exercício, os
obedecerão, no mínimo, aos valores estabelecidos na Legislação
servidores nomeados, em virtude de concurso público.
Federal, para as diversas categorias.
§ 1º O servidor público estável só perderá por força de sen- Art. 180 Ficam os Poderes Executivo e Legislativo autoriza-
tença judicial transitada em julgado ou mediante processo ad- dos a conferir bonificação de 01 (um) salário mínimo, por ano de
ministrativo em que lhe seja assegurada ampla defesa. serviço, ao servidor que, voluntariamente, pedir exoneração do
§ 2º Invalidada por sentença judicial a demissão do servidor serviço público municipal, que esteja percebendo atualmente,
estável, será ele reintegrado, e o eventual ocupante da vaga re- observado o seguinte:
conduzido ao cargo de origem, sem direito a indenização, apro- I - a bonificação só poderá ser conferida aos servidores es-
veitado em outro cargo ou posto em disponibilidade. táveis;
§ 3º Extinto o cargo ou declarada a sua desnecessidade, o II - será graduada, em razão do tempo de serviço efetivo ao
servidor estável ficará em disponibilidade remunerada, até seu servidor;
adequado aproveitamento em outro cargo. III - subsidiariamente à disciplina da matéria, serão utiliza-
Art. 171 É assegurada a participação dos servidores e em- dos, no que couberem, os preceitos do Decreto-Lei Federal nº
pregados públicos nos colegiados municipais em que seus inte- 2465, de 31 de agosto de 1988.
resses profissionais ou previdenciários seja objeto de discussão Art. 181 Fica assegurado aos servidores municipais o bene-
e deliberação. fício do Auxílio Transporte.
Art. 172 É assegurada, na forma e nos prazos da lei, a parti- Art. 182 Fica permitido o afastamento do Presidente, Se-
cipação dos representantes do funcionalismo público municipal cretário ou Tesoureiro de entidade sindical que seja funcionário
e dos aposentados na gestão administrativa do sistema previ- público municipal, sem prejuízo de seus vencimentos, direitos e
denciário municipal - IBASM. vantagens.
Art. 173 Será assegurada na forma da Lei aos pensionistas
a manutenção de seus benefícios em valores reais equivalentes
aos da época da concessão da aposentadoria.
Art. 174 É garantida a relotação aos membros do magistério
público, no caso de mudança de residência, observados os crité-
rios de distância estabelecidos em lei.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

TÍTULO V VII - a criação de programa de combate ao uso ilegal de


DA ORDEM ECONÔMICA E SOCIAL substância entorpecente e de qualquer tipo de droga, principal-
CAPÍTULO I mente através da rede de ensino oficial;
DISPOSIÇÕES GERAIS VIII - a criação de campanhas para divulgação e esclareci-
mentos sobre as perigosas conseqüências do álcool, do fumo e
Art. 183 O Município, dentro de sua competência, organiza- de outros males sociais;
rá a ordem econômica e social, conciliando a liberdade de inicia- § 1º É beneficiário da assistência social todo cidadão em
tiva com os superiores interesses da coletividade. situação de incapacidade, impedimento permanente ou tempo-
Art. 184 A intervenção do Município, no domínio econômi- rário, por motivos sociais, pessoais ou de calamidade pública,
co, terá por objetivo estimular e orientar a produção, defender de prover para si e sua família ou ter por ela provido o acesso à
os interesses do povo e promover a justiça e solidariedade so- renda mínima e aos serviços sociais básicos.
cial. § 2º Compete ao Serviço de Assistência Social do Município
Art. 185 O trabalho é um dever social, garantido a todos manter um cadastro completo e atualizado das obras sociais e
o direito ao emprego e à justa remuneração, que proporcione de outros organismos do bem estar social, providenciando peri-
existência digna, na família e na sociedade. ódicas visitas, reuniões, abordagens e pesquisas, para conheci-
Art. 186 O Município dispensará à microempresa e à empre- mento dos recursos existentes, a fim de exercer ação coordena-
sa de pequeno porte, assim definidas em lei federal, tratamento dora, orientando e promovendo a integração das atividades de
jurídico diferenciado, visando incentivá-las, pela simplificação assistência social no Município.
de suas obrigações administrativas, tributárias, previdenciárias § 3º O Serviço de Assistência Social atuará nas áreas po-
e creditícias, pela eliminação ou redução destas, por meio de lei. pulacionais mais carentes, através de suas unidades de saúde,
escolas e centros administrativos, exercendo levantamento
CAPÍTULO II sócio-econômico para o conhecimento das reais necessidades
DA PREVIDÊNCIA E DA ASSISTÊNCIA SOCIAL comunitárias, a fim de que sejam canalizados recursos para o
melhor atendimento, de maneira descentralizada.
Art. 187 O Município, na área de sua competência, criará § 4º Os recursos para atender a esses serviços constarão
um sistema supletivo de atendimento, controle, orientação e de dotação orçamentária própria, além daquelas provenientes
ajuda à população de baixa renda, com vistas à melhoria e ao de repasses feitos pela União e pelo Estado e de outras fontes.
equilíbrio social da comunidade. Art. 191 Será instituído um organismo deliberativo sobre a
Art. 188 O Município exercerá uma ação supletiva e com- política de assistência social no Município, através de Lei Muni-
plementar no atendimento aos programas de atenção ao menor, cipal.
ao adolescente, à família, aos aposentados, aos idosos, aos de- Art. 192 O Município poderá conceder isenção de paga-
ficientes, e aos necessitados, em suas diferentes faixas etárias. mento de impostos sobre a propriedade predial, a aposentados,
pensionistas e pessoas portadoras de deficiência que residam
SEÇÃO I em imóveis de valor estimado em até 300 UFINIT`s e que, com-
DA ASSISTÊNCIA SOCIAL provadamente, percebam até dois salários mínimos mensais e
possuam apenas um imóvel.
Art. 189 A Assistência Social, enquanto direito de cidada- Parágrafo Único - Fica obrigada a comprovação, junto ao
nia, é a política social que provê a quem necessitar, independen- órgão competente, de que o solicitante do benefício seja pro-
temente de contribuição específica, benefícios e serviços para prietário desse imóvel.
acesso à renda mínima e atendimento das necessidades huma- Art. 193 O Poder Público garantirá a criação de um progra-
nas básicas, historicamente determinadas. ma especial para o idoso, com as seguintes diretrizes:
Art. 190 O Município, na área de sua competência, organi- I - atenção aos programas que propiciem aos idosos o estí-
zará serviços de assistência social, visando a garantir o equilíbrio mulo a uma participação social;
social da comunidade, em perfeita articulação com os organis- II - implantação e manutenção, com recursos próprios do
mos comunitários existentes, mediante: Município, de casas de acolhimento e reabilitação para idosos,
I - a proteção à família, à maternidade, à infância, à adoles- sem amparo da família, com atendimento especializado;
cência e à velhice; III - incentivo à criação de centros de oportunidades, como
II - o amparo às crianças e adolescentes em situação de ris- clubes de idosos e outros, para o lazer, recreação, atividades só-
co; cio-culturais, excursões, passeios e outras iniciativas.
III - incentivo à participação social do idoso; Art. 194 O Município assegurará à criança e ao adolescen-
IV - a promoção da integração ao mercado de trabalho; te, com absoluta prioridade, a efetivação dos direitos à vida, à
V - a habilitação e a reabilitação das pessoas portadoras de alimentação, à educação, à dignidade, ao lazer, à profissionali-
deficiência e a promoção de sua integração à vida comunitária; zação, à cultura, à liberdade, à convivência familiar comunitária,
VI - cooperação da União e do Estado objetivando a garantia garantindo, ainda:
de um salário mínimo de benefício mensal à pessoa portadora I - primazia de receber proteção e socorro em quaisquer
de deficiência e ao idoso, que comprovem não possuir meios de circunstâncias;
prover a própria manutenção ou tê-la provida por sua família, II - precedência no atendimento por órgãos públicos de
conforme dispõe a Lei; qualquer poder;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

III - prioridade nos programas de atendimento à criança e III - aglutinar iniciativas, na área de assistência social, bus-
ao adolescente, na formulação e na execução das políticas so- cando a participação ativa de instituições, inclusive filantrópicas,
ciais básicas; propiciando maior racionalização no planejamento e aplicação
IV - acompanhamento da gestante, a partir do pré-natal, e de recursos;
estabelecimento de programas educativos, no período pré-nup- IV - dar oportunidade para que os organismos que atuem na
cial; área de promoção social passem progressivamente, à melhoria
V - verificação de casos de crianças distrofias, ou portadoras qualitativa de suas atividades, através de administração ágil e
de qualquer anomalia, em hospitais e maternidades, para uma sem estratificações, buscando a otimização com a geração de
orientação médica adequada imediata e especializada; melhor produtividade, eficiência e eficácia;
VI - indicação, encaminhamento e aplicação de vacinas indi- V - promoção e emancipação do assistido, visando sua inde-
cadas nas épocas apropriadas; pendência da ação assistencial.
VII - promoção de palestras educativas e orientadoras para a
formação de uma mocidade consciente e preparada para a vida. SEÇÃO II
Parágrafo Único - Nenhum obstáculo de caráter burocrático, DOS DIREITOS DAS PESSOAS PORTADORAS DE
de qualquer órgão do poder municipal, poderá atuar como im- DEFICIÊNCIA
pedimento ao pleno exercício dos direitos definidos nos incisos
Art. 201 É dever do Município assegurar às pessoas porta-
anteriores.
doras de deficiência o pleno exercício da cidadania, através de
Art. 195 Caberá ao Município fiscalizar as ações de iniciação
inserção na vida econômica e social, assim como o total desen-
ao trabalho para que não seja, sob quaisquer pretextos, utilizada
volvimento de suas potencialidades, obedecendo aos seguintes
a profissionalização como exploração do trabalho do menor. princípios:
Art. 196 O Poder Público garantirá a criação de programa I - proibir a adoção de critérios diferentes para admissão, a
especial para adolescentes que inclua aprendizagem artesanal e promoção, a remuneração e a dispensa de deficientes no serviço
profissionalizante nas escolas, palestras educativas e apresenta- público municipal, garantindo-se o exame médico funcional, na
ção de filmes educativos com debates. forma da Lei;
Art. 197 O Município criará e manterá creches e escolas co- II - assegurar às pessoas portadoras de deficiência o direito
munitárias para os filhos dos trabalhadores, preferencialmente à assistência, desde o nascimento, incluindo a estimulação pre-
nos bairros onde residam, para a guarda e educação das crianças coce, à educação de primeiro grau e profissionalizante, obrigató-
de idade até sete anos, a fim de lhes proporcionar bom acompa- rias e gratuitas, sem limite de idade, com preferência de matrí-
nhamento biopsicossocial, mediante os seguintes critérios: cula em estabelecimento próximo à sua residência;
a) a instalação das creches e escolas comunitárias dar-se-á III - garantir às pessoas portadoras de deficiência o direito à
prioritariamente em comunidades com maior necessidade, de- habilitação, com todo o equipamento necessário e à reabilitação
finidas por anterior levantamento sócio-econômico, realizado profissional de servidores municipais;
pelos órgãos municipais competentes, em sintonia com as asso- IV - garantir ao servidor municipal acidentado a readapta-
ciações comunitárias. ção funcional, ao invés da aposentadoria por invalidez, visando
b) é imperativo que as creches e escolas comunitárias sejam sua reintegração em função compatível com a limitação, assegu-
organizadas oficialmente, sem fins lucrativos. rando a irredutibilidade de seus vencimentos;
Art. 198 O Município desenvolverá programas de amparo V - garantir a redução em cinqüenta por cento da carga ho-
à criança e adolescente órfão, abandonado ou vítima de violên- rária de trabalho ao servidor municipal, responsável legal por
cia familiar ou social, bem como escolas profissionalizantes para portador de deficiência que necessite de cuidados especiais e
adolescentes, entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos. requeira atenção permanente;
Art. 199 O Poder Público garantirá a gratuidade do sepulta- VI - prover a criação de programa de prevenção de doenças
mento pelo serviço funerário do Município às pessoas compro- ou condições que levem à deficiência, e atendimento especiali-
vadamente carentes. zado aos portadores de deficiências física, sensorial ou mental,
e de integração social do adolescente portador de deficiência,
Parágrafo Único - É vedada a transferência do serviço fune-
mediante treinamento para o trabalho e convivência;
rário do Município para a iniciativa privada.
VII - promover a adaptação de logradouro e edifícios de uso
Art. 200 Em observância às orientações constitucionais, de-
público e privado, além de veículos de transporte coletivo, a fim
verá ser criado, por lei, órgão cujo objetivo geral seja contribuir
de garantir acesso adequado às pessoas portadoras de deficiên-
para a política de desenvolvimento social, com prioridade para cia, na forma da Lei;
as comunidades periféricas, de baixa renda, e pela integração VIII - assegurar a formação de recursos humanos especia-
de recursos e ações sociais existentes no Município, obedecidos lizados, em todos os níveis, no tratamento, na assistência e na
aos princípios desta Lei Orgânica e as seguintes diretrizes: educação dos portadores de deficiência;
I - centralizar democraticamente as ações de seguridade so- IX - garantir o direito à informação e à comunicação da pes-
cial, de âmbito municipal, evitando a dispersão de recursos e a soa portadora de deficiência, envolvendo:
superposição de iniciativas; a) criação e manutenção da Imprensa Braile e livros Brailes
II - implementar projetos sociais que interfiram no perfil das gravados em Biblioteca Pública;
áreas carentes, trabalhando para a configuração de bairros po- b) criação da carreira de intérprete para deficiente auditivo;
pulares, através da ação participativa; c) adaptações necessárias para deficientes motores.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

X - regulamentar e organizar o trabalho das oficinas adapta- Art. 208 As entidades filantrópicas e as sem fins lucrativos
das para pessoas portadoras de deficiência, enquanto estas não terão preferência para participar do Sistema Único de Saúde
possam integrar-se ao mercado de trabalho competitivo; se aderir ao contrato em que se estabeleçam mecanismos de
XI - estabelecer obrigatoriedade de utilização de tecnolo- controle, emanados por Colegiado Gestor, como dispõe a Lei do
gias e normas de segurança destinadas à prevenção de doenças Sistema Único de Saúde (SUS).
e deficiências; Parágrafo Único - As cooperativas médicas participarão do
XII - garantir reserva de vagas para automóveis nos estabe- Sistema Único de Saúde (SUS), através de contrato de direito pú-
lecimentos e estacionamentos públicos, na proporção de uma blico ou convênio.
vaga por quarteirão ou prédio público na zona central da Cidade, Art. 209 Aos serviços de saúde de natureza privada, que
aos portadores de deficiência, com a identificação nos automó- descumpram as diretrizes do Sistema Único de Saúde (SUS) ou
veis que os conduzam; os termos previstos nos contratos firmados com o Poder Públi-
XIII - apoiar movimentos destinados a desenvolver as apti- co, aplicar-se-ão as sanções previstas em Lei.
dões artísticas das pessoas deficientes, com o objetivo de criar Art. 210 É vedada a participação direta ou indireta de capital
fontes de recursos para as respectivas famílias, inclusive forne- estrangeiro na assistência à saúde no Município salvo nos casos
cendo recursos materiais e patrocinando mostras e exposições; previstos em Lei e mediante autorização do Colegiado Gestor e
XIV - criar os convênios necessários a garantir aos portado- da Câmara Municipal.
res de deficiência condições ideais para convívio social, estudo, Art. 211 O Município não poderá cobrar do usuário a pres-
trabalho, saúde e locomoção. tação de serviços de assistência à saúde, mantidos pelo Poder
Art. 202 O Município promoverá censos periódicos de sua Público, ou por terceiros, contratados ou conveniados.
população portadora de deficiência. Art. 212 É vetado a proprietário ou dirigentes de serviços
Art. 203 O Município implantará sistema de aprendizagem privados ocuparem cargos de Chefia ou Coordenação, no âmbito
e comunicação para o deficiente visual e auditivo, de forma a Municipal do Sistema Único de Saúde (SUS).
atender às suas necessidades educacionais e sociais. Art. 213 Compete ao Município, no âmbito do Sistema Úni-
Art. 204 A Lei reservará percentual dos cargos e empregos co de Saúde:
públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os I - a assistência à saúde;
critérios de admissão. II - instituir, por lei, o Código Sanitário Municipal;
III - acompanhar, avaliar e divulgar os indicadores de morbi-
-natalidade no Município;
CAPÍTULO III
IV - controlar, fiscalizar e inspecionar procedimentos contra-
DA SAÚDE
ceptivos, imunobiológicos, equipamentos médico-hospitalares
e odontológicos, insumos e outros de interesse para a saúde;
Art. 205 A saúde é direito de todos os munícipes e dever do
V - executar as ações de vigilância e fiscalização sanitária,
Poder Público, assegurado mediante políticas sociais, econômi-
vigilância epidemiológica e controle de zoonoses, inclusive com
cas e ambientais, que visem à prevenção e à eliminação do risco
campanha de esclarecimentos junto à comunidade, quanto à
de doenças e de outros agravos e ao acesso universal e igualitá-
importância da prevenção;
rio às ações e serviços para promoção, proteção e recuperação
VI - participar da formulação da política e da execução das
da Saúde. ações de saneamento básico, promovendo investimento maciço
Art. 206 A ação municipal, na gestão da saúde, far-se-á em no setor, para melhoria da qualidade de vida da comunidade;
articulação com a União, o Estado e Municípios vizinhos median- VII - fiscalizar as agressões ao meio ambiente que tenham
te consórcios, constituindo o Sistema Único de Saúde, de rele- repercussão sobre a saúde humana e atuar junto aos órgãos Es-
vância pública, consoante os preceitos da Constituição Federal e taduais e Federais para controlá-las;
Estadual, o qual seguirá as seguintes diretrizes: VII - desenvolver ações visando à segurança e à saúde do
I - comando único, no âmbito do Município, exercido pela trabalhador, em conjunto com sindicatos e associações técnicos,
Secretaria Municipal de Saúde; compreendendo a fiscalização, normatização e coordenação
II - integralização e continuidade na prestação das ações de geral na prevenção, prestação de serviços e recuperação, me-
saúde e reabilitação; diante:
III - organização de distritos sanitários, com alocação de re- a) notificação compulsória pelos ambulatórios médicos dos
cursos técnicos e práticas de saúde adequadas à realidade epi- órgãos, empresas públicas ou privadas, das doenças profissio-
demiológica local, de área geográfica definida e de acordo com a nais e dos acidentes de trabalho;
resolutividade de serviços à disposição da população; b) garantia do exame funcional multiprofissional no acesso
IV - as instituições privadas poderão participar de forma das pessoas portadoras de deficiência ao mercado de trabalho,
complementar, do Sistema Único de Saúde, segundo diretrizes em substituição ao simples exame médico;
deste, mediante contrato de direito público ou convênio; c) proibição do uso de atestado de esterilização, de teste de
V - ressarcimento das despesas, em saúde, feitas com o gravidez e de teste positivo anti HIV, para admissão ou perma-
atendimento de segurados de empresas privadas de assistência nência no trabalho;
médica, administradoras de planos de saúde. IX - elaborar e executar programas de prevenção e atendi-
Art. 207 É vedada a destinação de recursos públicos para mento aos portadores de doenças sexualmente transmissíveis;
auxílios ou subvenções às instituições privadas, com fins lucra- X - elaborar programas de prevenção e atendimento a usu-
tivos. ários de drogas psicoativas e outras;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

XI - destinar verba específica para instalação e manutenção legiado Gestor do Sistema Único de Saúde (SUS) e de outros
de leitos destinados a pacientes aidéticos; órgãos públicos relacionados com os processos de controle de
XII - garantir financiamento de programas de capacitação alimentos e nutrição;
de recursos humanos voltados para o atendimento a pacientes XXVII - determinar a todo estabelecimento público, conve-
aidéticos; niado ou contratado de saúde, a obrigação de utilizar a coleta
XIII - participar do controle e fiscalização da produção, trans- seletiva de lixo hospitalar, cuja legislação específica o Poder Exe-
porte, guarda e utilização de substância e produtos psicoativos, cutivo encaminhará à apreciação do Legislativo;
tóxicos e radioativos; XXVIII - formular e implantar política de atendimento à saú-
XIV - ordenar política de recursos humanos, na área de saú- de de portadores de deficiência, nem como coordenar e fiscali-
de, garantindo a admissão, através de concurso público, bem zar os serviços e ações específicas, de modo a garantir a preven-
como a capacitação técnica e reciclagem permanente, de acor- ção de doenças ou condições que favoreçam o seu surgimento,
do com as políticas nacional, estadual e municipal de saúde; assegurando:
XV - garantir, em todas as fases de concurso público, a par- a) o direito à habilitação, reabilitação e integração social,
ticipação das entidades representativas das categorias favoreci- com todos os recursos necessários, inclusive o acesso ao mate-
rial e equipamento de reabilitação, aí compreendidos os trans-
das e de Universidade Públicas, seguindo diretrizes do Colegiado
plantes de órgãos;
Gestor;
b) o acompanhamento rigoroso das gestantes e dos bebês
XVI - formar agentes de saúde, aproveitando pessoas dis-
de alto risco, com a criação de ficha caracterológica-padrão;
poníveis na comunidade, com treinamento e aperfeiçoamento,
c) a realização de exames pré-nupciais, abrangendo investi-
garantidos pelo Poder Público, preservando seu conhecimento gação de causas predisponentes de deficiência;
popular, visando sua colaboração em futuros ações preventivas, d) a difusão de informação sobre o modo correto do primei-
integradas em saúde; ro atendimento aos acidentados no trânsito e no trabalho, com
XVII - assegurar aos profissionais de saúde um plano de car- vistas à prevenção da instalação de lesões irreversíveis, especial-
gos e salários único, o estímulo ao regime de tempo integral e mente os traumas medulares;
condições de trabalho adequado a todos os níveis; e) a definição, incentivo e implantação de programas de
XVIII - celebrar convênios com Universidades Públicas, ob- pesquisas e desenvolvimento tecnológico sobre tratamentos e
jetivando a integração destas ao Sistema Único de Saúde (SUS); equipamentos para uso de pessoas portadoras de deficiência;
XIX - utilizar o método epidemiológico para estabelecimen- f) a adoção de programas de suplementação nutricional
to de prioridades, alocação de recursos e orientação programá- materno-infantil;
tica; g) a integração das ações de tratamento e reabilitação das
XX - promover a descentralização política, administrativa e pessoas portadoras de deficiência, incluindo fornecimento de
orçamentária do Sistema Único de Saúde (SUS), no âmbito mu- medicamentos, transplantes de órgãos, aparelhos de órtese,
nicipal; prótese e bolsas coletoras, garantindo o atendimento em unida-
XXI - viabilizar a implantação, na rede oficial de assistência, des mais completas, principalmente aos grandes lesados;
da homeopatia, da acupuntura, da fitoterapia e outras práticas h) o atendimento especializado aos deficientes mentais pro-
de comprovada base científica, inclusive garantindo o suprimen- fundos, junto á rede hospitalar;
to de insumos específicos para esses atendimentos; i) o atendimento domiciliar às pessoas portadoras de defici-
XXII - criar e implantar sistema coleta, processamento, esto- ência graves, não internadas na rede hospitalar;
cagem, distribuição e transfusão de sangue, seus componentes j) a implantação de atendimento especializado ao trauma-
e derivados, bem como os mecanismos de fiscalização e contro- tizado raquimedular por equipe multidisciplinar na rede hospi-
le de qualidade, denominado Sistema Municipal de Sangue, ob- talar;
jetivando a auto- suficiência, o emprego de métodos e técnicas k) a criação de um Centro de Reabilitação Física para os por-
que assegurem a preservação da saúde do doador e do receptor tadores de deficiência;
XXIX - garantir aos alunos da rede pública de ensino acom-
de sangue, vedada sua comercialização, sendo a mesma assegu-
panhamento médico-odontológico e psicológico, e às crianças
rada, após regulamentação estadual;
que ingressem no pré-escolar exames e tratamento oftalmo-
XXIII - permitir a todo cidadão a obtenção de informações
lógicos e fonoaudiológicos, mediante ação conjunta das áreas
sobre o produto do sangue humano que lhe tenha sido ou vá
de educação e saúde, com a participação e conscientização dos
ser aplicado; pais e responsáveis, inclusive através de unidades móveis, devi-
XXIV - normatizar e executar a política nacional e equipa- damente equipadas;
mentos para a saúde; XXX - definir a obrigatoriedade de apresentação de atestado
XXV - dispor sobre a fiscalização e normatização da remo- de vacina contra moléstias infecto-contagiosas por ocasião de
ção de órgãos, tecidos e substâncias para fins de transplante, matrículas nas redes públicas e privadas de ensino;
nos termos da Lei Federal, pesquisa e tratamento, vedada sua XXXI - viabilizar assistência odontológica de boa qualidade;
comercialização; XXXII - estabelecer medidas de proteção à saúde dos cida-
XXVI - elaborar e atualizar o Plano Municipal de Alimenta- dãos não fumantes nas escolas, restaurantes, hospitais, trans-
ção e Nutrição, em termos de prioridade e estratégias regionais, portes coletivos, repartições públicas, cinemas, teatros e demais
em consonância com o Plano Nacional e Estadual de Alimenta- estabelecimentos de grande afluência, resguardando áreas pró-
ção e Nutrição e de acordo com as diretrizes ditadas pelo Co- prias, sempre que possível;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

XXXIII - integrar a assistência farmacêutica à assistência glo- k) instalação, na forma da lei, de centro de atendimento in-
bal à saúde, visando: tegral, com prestação de assistência médica, psicológica e jurídi-
a) garantir o acesso de toda a população aos medicamentos ca à mulher e seus dependentes, que forem vítimas de violência;
básicos, através da elaboração e aplicação da lista padronizada l) prestação de atendimento à criança e adolescentes, inde-
dos medicamentos essenciais; pendente da presença de responsáveis;
b) definir postos de manutenção de medicamentos, drogas XXXVI - implantação de atendimento especializado em fisio-
e insumos farmacêuticos, destinados ao uso e consumo huma- terapia, por equipe multidisciplinar, na rede hospitalar;
no, como integrantes do Sistema Único de Saúde (SUS) e sob a XXXVII - garantir a destinação de recursos materiais e huma-
responsabilidade exclusiva de farmacêuticos habilitados. nos na assistência às doenças crônicas e à terceira idade;
XXXIV - implantar política de atenção em saúde mental, que XXXVIII - assegurar a adaptação das gestantes e dos porta-
observe os seguintes princípios: dores de epilepsia ao trabalho no Serviço Público Municipal;
a) rigoroso respeito aos direitos humanos dos usuários de XXXIX - fiscalizar os nosocômios beneficentes, os considera-
serviços de saúde mental; dos de utilidade pública e conveniados, no que tange à determi-
b) integração dos serviços de emergência em saúde mental nação da destinação de leitos e demais benefícios previstos em
aos serviços de emergência geral; Lei Municipal;
c) ênfase à abordagem multiprofissional, bem como à aten- XL - estabelecer política prioritária de instalação de banhei-
ção extra-hospitalar e ao grupo familiar; ros públicos, inclusive adaptados para pessoas portadoras de
d) ampla informação aos usuários, familiares e à sociedade deficiência, nos principais logradouros da Cidade, Sob controle e
sobre os métodos de tratamento a serem utilizados; vigilância de servidores municipais.
e) definição de estratégias que objetivem a progressiva ex- Art. 214 O Prefeito convocará anualmente a Conferência
tinção de leitos de características manicomial, através da instala- Municipal de Saúde, para avaliar a situação do Município, com
ção de recursos não manicomiais de atendimento; ampla apresentação da sociedade, e fixas as diretrizes gerais da
f) garantia de fornecimento de medicação psiquiátrica para política sanitária municipal.
as pessoas que dela necessitem; Parágrafo Único - A Conferência Municipal de Saúde se rea-
XXXV - garantir a assistência integral à saúde da mulher e da lizará no primeiro quadrimestre de cada ano.
criança, mediante: Art. 215 O Sistema Único de Saúde (SUS), no âmbito muni-
a) assistência médica no pré-natal, parto, no climatério, na cipal, será financiado com recursos do orçamento do Município,
prevenção do câncer cérvico-uterino e de mama, e controle das do Estado, da União, da seguridade social, além de outras fon-
doenças sexualmente transmissíveis; tes, desde que na forma de auxílios, subvenções ou doações.
b) assistência na auto-regulação da fertilidade como livre § 1º O conjunto de recursos destinados às ações e serviços
decisão da mulher, do homem ou do casal, tanto para exercer de saúde no Município constituem o Fundo de Natureza Contá-
a procriação como para evitá-la, sendo competência do Muni- bil, conforme dispuser a Lei.
cípio, em seus diversos níveis administrativos, fornecer recursos § 2º Os sistemas e serviços de saúde, privativos de funcioná-
educacionais, científicos e assistenciais, bem como acesso gra- rios da administração direta e indireta, deverão ser financiados
tuito aos métodos anticoncepcionais, esclarecendo os resulta- pelos seus usuários, sendo vedada a transferência de recursos
dos, indicações e contra- públicos ou qualquer tipo de incentivo fiscal direto ou indireto.
indicações, vedada qualquer forma coercitiva ou de indução Art. 216 A transferência dos recursos do Fundo de Natureza
por parte de instituições públicas ou privadas; Contábil deverá obedecer aos seguintes critérios:
c) atendimento à mulher, vítima de violência sexual, tanto I - perfil demográfico da região;
no caso de aborto previsto em Lei, como na possibilidade de II - perfil epidemiológico da população a ser coberta;
contágio de doenças venéreas, bastando que a vítima apresente III - características quantitativas e qualitativas da rede de
o registro policial e resultado de perícia do IML; saúde;
d) instalação, no Município, de maternidade pública inte- IV - desempenhos técnico, econômico e financeiro do perí-
grada a uma casa maternal, onde poderão se internar as ges- odo anterior.
tantes no pré-parto, e melhoria da qualidade de assistências nas Parágrafo Único - É vedada a transferência de recursos para
maternidades, evitando cesarianas desnecessárias; o financiamento de ações não previstas nos Planos de Saúde,
e) assistência especializada e priorizada, com regulamenta- exceto nas situações emergenciais ou de calamidade pública, de
ção sobre gestação de alto risco; acordo com decisão conjunta dos Poderes Executivo e Legisla-
f) alojamento conjunto, possibilitando ao neonato a perma- tivo.
nência junto à mãe; Art. 217 A Fundação Municipal de Saúde de Niterói terá
g) incentivo ao aleitamento materno e orientação alimentar suas finalidades e formas de administração regulamentadas, de
para o desmame; modo a ajustar- se às normas constitucionais, e à atual Lei Or-
h) acompanhamento do crescimento e do desenvolvimento gânica.
infantil; Parágrafo Único - Será constituído do Fundo de Natureza
i) adequação do quadro de profissionais de saúde, capaci- Contábil, destacado nas Leis Orçamentárias do Município.
tando-os ao atendimento materno-infantil;
j) articulação do Sistema Único de Saúde (SUS) com órgãos
de defesa dos direitos da mulher, de forma a aprimorar sua atu-
ação;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

CAPÍTULO IV I - o atendimento educacional das crianças de zero a quatro


DA EDUCAÇÃO, DA CULTURA anos, em creches, de quatro a seis anos em pré-escolar, com
SEÇÃO I o objetivo de promover o desenvolvimento físico, emocional e
DA EDUCAÇÃO intelectual das crianças dessas faixas etárias;
II - o oferecimento de ensino de 1º grau, obrigatório, inclu-
Art. 218 A Educação, direito de todos e dever do Estado e sive para aqueles que não tiverem acesso ou não concluírem em
da família, promovida com a colaboração da sociedade e inspi- idade própria;
rada nos princípios da democracia e da liberdade, visa ao pleno III - jornada escolar mínima de quatro horas e meia a ser,
desenvolvimento da pessoa e à formação do cidadão, dando-lhe progressivamente, ampliada para se atingir o turno único, pro-
consciência de seus direitos e responsabilidades, frente à natu- movendo-se a aquisição de uma base comum de conhecimen-
reza, a si mesmo, aos seus cidadãos, ao Estado e aos demais tos científico-tecnológicos, das letras e das artes pela população
organismos da sociedade. escolarizável.
Art. 219 No âmbito do Município de Niterói, o ensino será Art. 221 A cada quatro anos proceder-se-á à realização do
ministrado com base nos seguintes princípios: censo escolar e, anualmente, a chamada escolar, garantindo-se
I - ensino público, gratuito e laico em estabelecimentos inte- à população ampla informação sobre o direito à educação e à
grantes da rede municipal: obrigatoriedade escolar.
a) não será permitida, a qualquer título, a instituição de ta- Art. 222 O Poder Público Municipal exercerá as funções co-
xas escolares ou qualquer espécie de cobrança ao aluno, no âm- ordenadora e fiscalizadora dos serviços educacionais, de modo
bito da escola, pelo fornecimento de material didático escolar, a resguardar que o processo pedagógico, tendo por referência
transporte, alimentação ou assistência à saúde. as características sócio-econômicas e culturais da população
II - igualdade de condições de acesso e permanência; escolarizável, garanta-lhes a aquisição de uma base comum de
III - liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o conhecimento.
pensamento, a arte e o saber, Art. 223 O Município garantirá a oferta de ensino funda-
IV - valorização dos profissionais da educação garantindo, mental regular noturno para todos os padrões idênticos ao en-
na forma da lei, plano de carreira com piso salarial nunca inferior sino diurno sob metodologia adequada a este tipo de demanda,
ao do Estado, e Estatuto para os profissionais da Educação; respeitadas as condições de vida do aluno.
V - gestão democrática, na forma da lei, respeitadas as se- § 1º Lei Municipal disciplinará a educação especial da crian-
guintes diretrizes: ça excepcional.
a) provimento dos cargos de Diretores e Diretores Adjun- § 2º Fica garantida a adaptação dos prédios escolares a fim
tos das instituições educacionais, mantidas pelo Poder Público de permitir o livre trânsito dos portadores de deficiência.
Municipal, será feito por eleições diretas, com a participação Art. 224 O Município promoverá o desenvolvimento de pro-
da comunidade escolar, conforme normas estabelecidas pela gramas de alimentação, saúde e material didático para atendi-
Secretaria Municipal de Educação, em consonância com as en- mento dos alunos do ensino fundamental.
tidades representativas dos segmentos integrantes da referida Art. 225 O Poder Público realizará, quando necessário, tes-
comunidade; tes de acuidade visual e auditiva, junto aos alunos matriculados
b) participação de estudantes, pais de alunos, profissionais na rede regular de ensino, assim como garantirá atendimento
da educação, representantes da comunidade científica e enti- médico-pedagógico e foniátrico.
dades de classe, na formulação e acompanhamento da política Art. 226 A instituição de ensino religioso, como disciplina
educacional, bem como recursos financeiros destinados ao de- dos horários normais das escolas municipais, será administrada
senvolvimento da mesma, notadamente no que se refere aos com:
planos municipais de educação; I - matrícula facultativa e ministrado por professores do pró-
c) assegurar a presença de representantes da comunidade prio quadro do magistério Municipal, garantindo o seu caráter
escolar nas reuniões de avaliação dos alunos; ecumênico.
d) criação de mecanismos de prestação de contas à socieda- II - garantia de atividade alternativa aos alunos não matricu-
de da utilização dos recursos destinados à educação; lados para ensino religioso.
e) estabelecimentos das unidades pré-escolares e de 1º Art. 227 O acesso ao ensino fundamental é direito público
grau como unidades orçamentárias próprias. subjetivo, perante o Poder Público.
VI - revigoramento político e técnico das unidades escolares Art. 228 O Poder Público Municipal aplicará anualmente,
com a vigência de regimentos escolares que, quando elabora- vinte e cinco (25) por cento da receita resultante dos impostos,
dos, permitam a participação dos vários segmentos da comu- inclusive provenientes de transferências, exclusivamente na ma-
nidade escolar e reflitam os fins e princípios da educação mu- nutenção e desenvolvimento do ensino municipal, na forma pre-
nicipal; sente na Constituição Estadual.
VII - garantia de padrão de qualidade mediante a dotação Art. 229 A celebração de convênios, acordos de contratos
da rede municipal de ensino de toda a infra-estrutura física, téc- de assistência técnica ou financeira do Município de Niterói,
nica e de serviços indispensável aos objetivos educacionais. com outros Municípios, o Estado ou a União, dependerá de au-
Art. 220 É dever do Poder Público Municipal para com a torização prévia da Câmara Municipal.
Educação:

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Parágrafo Único - Fica vetado ao Poder Público Municipal Parágrafo Único - Somente poderá ser Diretor de escola
estabelecer vínculo empregatício com o pessoal do magistério municipal ou de unidade municipal de educação infantil o ser-
integrante de outras redes de ensino, por força deste tipo de vidor que integrar o Quadro Permanente do Grupo Magistério
convênio. da Fundação Municipal de Educação de Niterói. (Redação dada
Art. 230 Os Planos Municipais de Educação, elaborados du- pela Emenda à Lei Orgânica nº 29/2005)
rante os primeiros meses de cada mandato executivo, deverão Art. 237 É vetado ao Município qualquer tipo de convênio
considerar os Planos Nacional e Estadual de Educação, de modo com a iniciativa privada, visando à concessão de bolsa de estu-
a promover, por seu intermédio, a necessária integração dos di- do.
versos níveis do Poder Público, com vista a incluir ações que con- Art. 238 Os currículos escolares serão adequados às pecu-
duzam ao cumprimento do artigo 313 da Constituição Estadual e liaridades do Município, objetivando valorizar sua cultura e seu
214 da Constituição Federal. patrimônio histórico, artístico, cultural e ambiental.
Art. 231 Os profissionais da educação da rede municipal não Art. 239 O Município zelará por todos os meios ao seu al-
poderão ser afastados de seu exercício, salvo para ocupar cargos cance, pela permanência do educando na escola.
em comissão ou por licença sindical. Art. 240 O Município manterá um sistema de bibliotecas
Parágrafo Único - Fica vetado o aproveitamento de pessoal escolares na rede pública municipal de ensino, e exigirá a exis-
do magistério em serviços burocráticos ou administrativos do tência de bibliotecas na rede escolar privada, na forma da lei.
Município. Parágrafo Único - As bibliotecas referidas neste artigo serão
Art. 232 Fica assegurado ao educando do ensino fundamen- dirigidas por profissionais formados em Biblioteconomia.
tal da rede municipal o passe livre nos transportes coletivos da Art. 241 Fica obrigatória no currículo pré-escolar a atividade
Cidade. de Educação Física, na rede municipal de ensino.
Art. 233 O Município promoverá e incentivará o desenvol- Art. 242 Fica a rede municipal de ensino obrigada a instituir
vimento científico e tecnológico, a pesquisa científica básica, a o hasteamento da Bandeira Nacional em seus estabelecimentos,
autonomia e a capacitação tecnológica e a difusão dos conhe- e o hábito patriótico do canto do Hino Nacional pelos alunos.
cimentos, tendo em vista o bem-estar da população, a solução
dos problemas sociais e o progresso das ciências. SEÇÃO II
§ 1º O desenvolvimento científico e tecnológico deverá ser DA CULTURA
promovido através da ação cooperativa com as Universidades,
instituições públicas de ensino e pesquisa localizada no municí- Art. 243 O Poder Municipal garantirá a todos os munícipes o
pio, empresas e outros órgãos do governo. pleno exercício do direito a qualquer atividade cultural, através
§ 2º A implantação ou expansão de sistemas tecnológicos de:
de grande importância social, econômico ou ambiental deve ser I - respeito à identidade cultural do município, de suas co-
objeto de lei. munidades e cidadãos, que será pressuposto básico na elabora-
Art. 234 A rede pública de ensino municipal deverá garantir ção da política cultural, assim como de todo e qualquer planeja-
o atendimento aos meninos e meninas que estejam nas ruas, mento urbano, seu orçamento e legislação;
não importando seu local de origem e independentemente do II - garantia da preservação do modo de vida das suas comu-
acompanhamento dos pais ou responsáveis e do período de ma- nidades, dos bens constituídos de valor histórico e cultural para
trícula. o Município, das paisagens e bens naturais que sejam marcos
Art. 235 O ensino é livre à iniciativa privada; observadas as referenciais das comunidades e de suas origens, dos bens mó-
seguintes condições: veis e imóveis de valor histórico e artístico, da documentação
I - cumprimento das normas gerais da educação nacional; escrita, oral e audiovisual e quaisquer marcos simbólicos mate-
II - autorização e avaliação, pelo Poder Público Municipal, riais e imateriais, inclusive arqueológicos, que não poderão ser
da qualidade de ensino ministrado. destruídos ou prejudicados, nem mesmo em nome do desenvol-
Art. 236 O atendimento especializado aos portadores de vimento e progresso, que sempre deverão ser harmônicos com
deficiência por equipe multidisciplinar de educação especial, a preservação cultural;
assegurará: III - estímulo à difusão do conhecimento e respeito dos cida-
I - a matrícula em escolas da rede municipal mais próxima dãos ao patrimônio cultural niteroiense, inclusive sua História, a
de sua residência, em turmas comuns ou, quando especiais, se- história de seus bairros, além das datas comemorativas e perso-
gundo critérios determinados para cada tipo de deficiência. nagens exemplares;
II - a oferta de equipamento, recursos humano e material IV - proteção e estímulo ao artesanato e às artes do povo
nas escolas municipais, adequando-as, sempre, ao tipo de de- em geral, inclusive festejos religiosos;
ficiência; V - estímulo aos criadores artísticos, em toda e qualquer
III - o atendimento especializado aos alunos superdotados, linguagem, quer através da ação cultural dos seus órgãos, quer
a ser implantado por legislação específica; apoiando os produtores independentes, entidades representati-
IV - o oferecimento do ensino regular noturno de 5º e 8º vas e a vida artística em geral;
série para alunos que, comprovadamente, estejam impossibili- VI - reestruturação, manutenção, aparelhamento adequado
tados de freqüentar escolas, nos horários tradicionais: e dinamização dos espaços e unidades culturais do Poder Mu-
nicipal;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

VII - ampliação e criação de novos espaços culturais e artís- II - destinar recursos públicos à promoção prioritária do des-
ticos, dotados dos recursos necessários ao seu bom funciona- porto educacional, atividades de lazer e, em casos específicos,
mento e condições técnicas adequadas, especialmente aqueles do desporto de alto rendimento, na forma da lei;
que possam atender às demandas das comunidades menos fa- III - complementar os processos tradicionais de aprendiza-
vorecidas; gem pela sua associação a jogos e atividades recreativas;
VIII - manutenção adequada das existentes e criação de no- IV - avaliar e propor exercícios compensatórios do sedenta-
vas bibliotecas e salas de leitura, que facilitem e estimulem o rismo específico de cada atividade profissional;
acesso ao livro e a outros meios de registro do conhecimento V - proporcionar a integração dos vários grupos sociais atra-
humano; vés de competições periódicas, com premiação dos resultados
IX - pleno exercício da liberdade de expressão, criação e di- alcançados;
fusão da arte e do conhecimento. VI - abranger todas as faixas etárias de praticantes, objeti-
Art. 244 Cabe ao Poder Público a recuperação e manuten- vando assegurar a todos os cidadãos o exercício sadio e perma-
ção do Teatro Municipal de Niterói, inserindo-o, em nível técni- nente de atividades físicas necessárias à sua saúde e bem-estar;
co, no rol das grandes salas de espetáculo do País.
VII - compor a programação de eventos patrocinados pela
Parágrafo Único - Fica vedada a extinção de qualquer espa-
municipalidade;
ço cultural sem a criação prévia de espaço equivalente, em área
VIII - conscientizar a população dos benefícios trazidos pelas
próxima.
práticas desportivas, como forma de incentivar novos adeptos;
Art. 245 O Poder Municipal promoverá o aperfeiçoamento
e valorização dos profissionais da cultura e da criação artística, IX - a autonomia das entidades desportivas, dirigentes e as-
especialmente os pertencentes aos seus quadros funcionais. sociações, quanto à sua organização e ao seu funcionamento;
Art. 246 O Poder Municipal procurará estabelecer intercâm- X - o voto unitário nas decisões das entidades desportivas;
bio cultural e artístico com outros Municípios do Brasil e do ex- XI - o tratamento diferenciado para o desporto profissional
terior. e o não profissional, dando-se prioridade ao desporto não pro-
Art. 247 O Poder Municipal protegerá o patrimônio cultural fissional, enfatizando-se seu caráter educativo;
do Município, por meio de inventários, registros, declaração de XII - o incentivo aos esportes de criação nacional e olímpico;
interesse cultural, vigilância, tombamento, desapropriação e de XIII - a utilização das praias como pólos de práticas esporti-
outras formas possíveis de acautelamento e preservação, inclu- vas por meio de atividades físicas orientais, sem prejuízo de sua
sive normas urbanísticas e legislação sobre o uso do solo: utilização normal pelos banhistas.
§ 1º O Poder Municipal promoverá o resgate da memória § 1º O Município assegurará o direito ao lazer e a utilização
da Cidade. criativa do tempo destinado ao descanso, mediante oferta de
§ 2º Entende-se como patrimônio cultural o estabelecido áreas públicas para fins de recreação, prática de esportes, pro-
no art. 216 da Constituição Federal, aplicado ao âmbito do Mu- gramas culturais e projetos turísticos.
nicípio. § 2º O Poder Público, ao formular a política de esporte e
Art. 248 Os atos de tombamento serão feitos através de ela- lazer, considerará as características sócio-culturais de cada co-
boração e aprovação de lei específica. munidade.
Art. 249 A lei estabelecerá estímulos e incentivos para a pre- Art. 254 Para assegurar o cumprimento do disposto no ar-
servação e difusão do patrimônio cultural e a dinamização da tigo anterior, o Poder Público Municipal incentivará as práticas
vida cultural e artística do Município. desportivas e as atividades de lazer através de:
Art. 250 O Poder Municipal adotará sanções administrati- I - criação e manutenção de espaços públicos adequados;
vas para os responsáveis, por danos ou ameaças ao patrimônio II - formulação de acordos de assistência mútua com enti-
cultural do Município, sem prejuízos das penalidades previstas dades esportivas;
em Lei. III - preparação e fornecimento de pessoal necessário para
Art. 251 O Município providenciará o tombamento dos sí-
direção e controle de competições e de apoio aos especialistas
tios arqueológicos, situados no seu território, especialmente as
das áreas de Educação Física e Desportos;
dunas e sambaquis do Distrito de Itaipu.
IV - promoção com estudantes e comunidades, de competi-
Art. 252 O Município estabelecerá convênios com a iniciati-
ções esportivas amadoras.
va privada para criação de espaços culturais.
Art. 255 A Educação Física é considerada disciplina obriga-
CAPÍTULO V tória na rede municipal de ensino público, inclusive no período
DO ESPORTE, LAZER E TURISMO pré-escolar.
SEÇÃO I § 1º Nos estabelecimentos de ensino público e privado, de-
DO ESPORTE E DO LAZER verão ser reservados espaços para a prática de atividades físicas,
equipados materialmente e com recursos humanos qualificados.
Art. 253 É dever do Município fomentar práticas desportivas § 2º O município assegurará as condições de cumprimento
em todas as suas modalidades, formais e não formais, e incenti- dessa obrigatoriedade, na rede municipal de ensino público, a
var o lazer nos diversos segmentos sociais, inclusive para pesso- ser efetivada com o mínimo de três atividades semanais.
as portadoras de deficiência, observando-se: § 3º Nenhuma escola poderá ser construída pelo Município,
I - assegurar a formação integral da criatura humana a partir sem área destinada à pratica de Educação Física.
de seu ingresso na vida escolar;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 4º O desporto educacional terá prioritariamente o obje- terceiros, para ser divulgada ao público, de modo que as comu-
tivo de proporcionar condições para que todos tenham contato nidades possam participar do zelo e guarda dos próprios muni-
com as diversas modalidades esportivas enquanto elementos cipais, principalmente daqueles destinados à recreação e lazer.
importantes para formação integral do homem. Art. 264 É dever do Poder Público Municipal investir recur-
Art. 256 Os estabelecimentos especializados em exercícios, sos públicos em programas desportivos direcionados ao menor
atividades físicas, esportes e recreações, somente poderão fun- carente de rua ou menor em situação de risco, criando espaços
cionar quando dirigidos por profissionais com habilitação téc- e alocando os recursos humanos e físicos necessários.
nica específica, exigida pela Lei Federal, e ficam sujeitos a re- Parágrafo Único - O Poder Público poderá solicitar, através
gistros, supervisão e orientação normativa do Poder Público, na de convênios, espaços às escolas, igrejas, clubes, grêmios recre-
forma da Lei. ativos e escolas de samba, em locais onde não houver espaços
Art. 257 Os atletas e membros de comissões técnicas que disponíveis para atividades de lazer com menores carentes.
forem selecionados para representar o Município, o Estado ou Art. 265 É vetado ao Município ou instituições financeiras a
o País, em competições oficiais, quando servidores públicos ele vinculadas, fazer doações, investimentos ou conceder finan-
municipais, terão, no período de duração dos treinamentos, e ciamentos, subsidiados a entidades desportivas profissionais ou
das competições, seus vencimentos, direitos e vantagens garan- que tenham em seus quadros atletas profissionais, salvo o dis-
posto no art. 256.
tidos, de forma integral, sem prejuízo de sua ascensão profissio-
Art. 266 As ligas e associações esportivas estarão isentas de
nal e tempo de serviço, para todos os efeitos.
taxas e impostos, desde que:
Art. 258 Não será aprovado projeto de loteamento, ou re-
I - a associação esportiva tenha, no mínimo, 200 (duzentos)
gularização, que não preveja a existência de local destinado à
associados;
implantação de espaço polivalente para esporte e lazer. II - da liga sejam integrantes no mínimo, 3 (três) associações
Art. 259 A prática do desporto pela população é considera- esportivas registradas no Município.
da função social, para os efeitos da utilização dos instrumentos Art. 267 Nenhuma aplicação dos benefícios fiscais, previstos
de que trata o em Lei, poderá ser feita através de qualquer tipo de intermedia-
Art. 227 da Constituição Estadual. ção ou corretagem.
Art. 260 Caberá ao Município: Art. 268 Ficam os proprietários de áreas não edificadas con-
I - atender a todos os segmentos da sociedade, sem distin- templados com a redução de até 50% (cinqüenta por cento) de
ção; seu Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU), enquanto perdu-
II - tornar obrigatório com registro de eventos esportivos rar a destinação nas áreas de sua propriedade, a atendimento à
junto aos órgãos municipais competentes; comunidade nos setores de Esporte e Lazer.
III - incentivar a realização de torneios esportivos interbair- Parágrafo Único - Ficam resguardados os direitos de pro-
ros, interclubes, intercolegiais, interestaduais e internacionais. priedade das pessoas físicas ou jurídicas que cederem suas áre-
Art. 261 O Município implantará a política de esporte e lazer as para os fins especificados neste artigo.
promovendo a reciclagem dos agentes envolvidos na sua criati- Art. 269 O Município poderá conceder subvenção aos Clu-
vidade e execução, garantindo, para sua implantação. bes de Futebol Profissional de Niterói, que vierem a participar
I - a utilização racional de todos os espaços e equipamentos do Campeonato Estadual, nas diversas categorias ou divisões.
públicos, urbanos e comunitários;
II - a integração de todas as áreas non aedificandi, de inte- SEÇÃO II
resse paisagístico, ou florestal; DO TURISMO
III - a integração, num programa pedagógico específico, dos
sítios históricos, arqueológicos e memoriais, do centro da cida- Art. 270 O Município promoverá e incentivará o turismo,
de, dos patrimônios arquitetônicos e naturais, além de todos os como fator gerador de desenvolvimento econômico e social,
marcos de referência da nossa história e cultura, promovendo o bem como de divulgação, valorização do patrimônio cultural e
interesse dos cidadãos pelo Município. natural, cuidando para que sejam respeitadas as peculiaridades
locais, não permitindo efeitos desagregadores sobre a vida das
Art. 262 Os espaços públicos que, atualmente, são utiliza-
comunidades envolvidas, assegurando, sempre, o respeito ao
dos em esportes e lazer, terão suas áreas preservadas para o
meio ambiente e à cultura das localidades, aonde vier a ser ex-
uso das comunidades, sendo vetado o desvirtuamento de suas
plorado.
finalidades.
§ 1º O Município definirá a política municipal de turismo
§ 1º O Poder Municipal assegurará os meios necessários buscando proporcionar as condições necessárias ao pleno de-
para o seu respectivo registro e controle específico por cadas- senvolvimento dessa atividade.
tramento que garanta a continuidade dos seus fins. § 2º O instrumento básico de intervenção do Município no
§ 2º A eventual permuta desses espaços poderá se realizar setor será o Plano Diretor de Turismo, atualizado anualmente,
mediante o oferecimento de áreas ou imóveis equivalentes, pró- que fixará os eventos de interesse turísticos, as festividades
ximos aos anteriores e em condições de uso imediato. tradicionais, o planejamento de ações e programas e as alter-
Art. 263 A Secretaria Municipal de Fazenda encaminhará nativas de intercâmbio turístico com outras regiões, através de
ao Conselho criando pelos Decretos 4044 e 4030, a relação dos entidades públicas e particulares.
imóveis públicos municipais com os respectivos gravames, inclu- § 3º Para cumprimento do disposto no parágrafo anterior,
sive aqueles cedidos ou contratados a empresas públicas ou a caberá ao Município promover, especialmente:

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

I - o inventário e a regulamentação do uso, fruição dos bens Parágrafo Único - Serão consideradas inidôneas para presta-
naturais e culturais do interesse turístico; ção dos serviços de transportes coletivos as concessionárias ou
II - a infra-estrutura básica necessária à prática do turismo, eventuais permissionárias que não observarem:
apoiando e realizando investimentos na produção, criação e I - os requisitos essenciais de qualidade, segurança, confor-
qualificação dos empreendimentos, equipamentos e instalações to e rapidez dos serviços;
ou serviços turísticos, por intermédio de linhas de créditos espe- II - a legislação de proteção ao meio ambiente e ao patri-
ciais e incentivos; mônio cultural.
III - o fomento ao intercâmbio permanente com outros Mu- Art. 275 Os sistemas viários de transportes subordinar-se-
nicípios, Estados da Federação e com o Exterior, visando forta- -ão à preservação da vida humana, à segurança e conforto dos
lecimento do espírito de fraternidade e aumento do fluxo turís- cidadãos, à defesa da ecologia e do patrimônio arquitetônico e
tico, nos dois sentidos, bem como a média de permanência do paisagístico, bem como às diretrizes do uso do solo.
turista, em território Municipal; Art. 276 O transporte coletivo de passageiros é um serviço
IV - o estímulo à implantação de novas unidades da indús- público, sendo de responsabilidade do Município seu planeja-
tria hoteleira, visando ao incremento das atividades turísticas; mento, operação, concessão, permissão e fiscalização.
V - a adoção de medidas específicas para o desenvolvimen- Art. 277 É dever do Município garantir o transporte coletivo
to dos recursos humanos para o setor; com tarifa condizente ao poder aquisitivo da população, assegu-
VI - infra-estrutura especial para o desenvolvimento do tu- rando-lhe um serviço satisfatório.
rismo nas praias oceânicas; Art. 278 A lei disporá em relação aos transportes coletivos
VII - a criação de condições favoráveis à implantação de ma- sobre:
rinas dotadas de escolas de treinamento náutico, objetivando, I - o planejamento;
também, melhor desenvolvimento da indústria náutica no Mu- II - a organização;
nicípio. III - a prestação dos serviços;
§ 4º O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano preverá IV - a política tarifária;
a destinação de áreas ou zonas para atividades turísticas e para V - os direitos dos usuários;
implantação de marinas, a serem instituídas, após ampla e pré- VI - a obrigação de manter serviço adequado.
via discussão com as comunidades locais. Art. 279 São isentos de pagamento de tarifas nos transpor-
§ 5º As áreas de interesse turístico são colocadas sob a pro- tes coletivos urbanos, na forma da lei:
teção especial do Poder Público Municipal, estabelecidas em Le- I - idosos acima de 65 anos;
gislação própria às condições de utilização e ocupação, incluin- II - policiais uniformizados em serviço;
do-se entre as obrigações dos seus proprietários, sem prejuízo III - crianças até 05 (cinco) anos, inclusive;
das sanções ambientais: IV - pessoas portadoras de deficiência com reconhecida di-
I - a de conservar os recursos naturais em geral; ficuldade de locomoção, e acompanhante quando necessário;
II - a de reparar, repor e restaurar os recursos naturais dani-
V - estudantes de 1º e 2º graus da rede pública de ensino,
ficados ou destruídos pela sua má utilização.
devidamente identificados;
§ 6º O planejamento do turismo municipal visará, sempre
VI - trabalhadores rodoviários devidamente identificados;
que possível, à participação e o patrocínio da iniciativa priva-
VII - pessoas portadoras da doença de Parkinson;
da voltada para esse setor, e terá por objetivo a divulgação das
VIII - ex-combatentes, devidamente identificados;
potencialidades culturais, históricas e paisagísticas da Cidade de
IX - os Ostomizados Peritonais e Intestinais. (Redação acres-
Niterói.
cida pela Emenda à Lei Orgânica nº 10/1995)
§ 7º O Município deverá ajudar a comunidade a definir as
Art. 280 O Poder Público estimulará à substituição de com-
zonas de interesse turístico para fins de incentivos.
bustíveis poluentes, utilizados em veículos, privilegiando a im-
Art. 271 O Município manterá um calendário anual de even-
tos turísticos. plantação e incentivando a operação dos sistemas de transpor-
Art. 272 O Município considerará o turismo atividade es- tes que utilizem combustíveis não poluentes, como a energia
sencial para a Cidade, definindo uma política com o objetivo de elétrica e o gás natural.
proporcionar as condições necessárias para o seu pleno desen- Art. 281 O Poder Público periodizará, para efeito de con-
volvimento. cessão de serviços de transportes coletivos, depois de definidas
Art. 273 É obrigação do Município criar as condições neces- as normas de planejamento viário e respeitado o Plano Diretor:
sárias que facilitem a participação e o acesso das pessoas porta- I - a regulamentação de horário;
doras de deficiência à prática de turismo. II - o estabelecimento do número mínimo e do tipo dos ve-
ículos utilizados;
CAPÍTULO VI III - a obrigatoriedade de instalações que possibilitem aces-
DOS TRANSPORTES so aos veículos por parte de pessoas portadoras de deficiência
física e dos idosos;
Art. 274 Compete ao Município planejar, organizar e prestar IV - a fiscalização dos serviços.
diretamente, ou sob regime de concessão ou permissão, o ser- Art. 282 Todo projeto de empreendimento que venha a di-
viço de transporte coletivo local, o qual possui caráter essencial, ficultar o trânsito será submetido ao órgão próprio da estrutura
na forma do artigo 240 da Constituição Estadual. do Executivo.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 283 As concessões ou permissões para exploração dos III - sistema eficiente de segurança e controle da velocidade.
serviços de transportes coletivos atenderão às seguintes nor- Parágrafo Único - Todas as unidades de transporte coleti-
mas: vo, em operação no Município, deverão sofrer adaptações, em
I - serão precedidas de concorrência pública; prazo definido por lei, para permitir o livre acesso e circulação
II - para a concessão e permissão, serão estabelecidas nor- de pessoas portadoras de deficiência física, gestantes e idosos.
mas específicas pelo Poder concedente; Art. 291 Compete ao Município o planejamento e a admi-
III - as concessões e permissões poderão ser prorrogadas, a nistração do trânsito.
critério do Poder concedente; § 1º Para execução dessas atribuições, será utilizado o re-
IV - as concessões e permissões poderão ser suspensas, a passe do Estado, nas arrecadações com multas, taxas, tarifas e
qualquer tempo, desde que não sejam satisfatórios os respecti- pedágios, relativos ao sistema de trânsito.
vos serviços prestados. § 2º Nas transferências de multas e taxas arrecadadas pelo
Art. 284 É obrigatória a manutenção das linhas de transpor- Estado, não se incluem aquelas referentes às condições do ve-
te coletivo, no período noturno em freqüência a ser estabelecia ículo, controle da frota, registro de licenciamento e habilitação
por lei. do condutor.
Art. 285 As empresas que detiverem concessões de serviços § 3º O Município pode delegar ao Estado, através de convê-
de utilidade pública serão fiscalizadas por órgãos municipais e nio, as atribuições previstas no artigo anterior, cuja execução de-
obrigadas a manter os serviços ordenados, atendendo as neces- verá respeitar a política de trânsito municipal e do Plano Diretor
sidades de seus destinatários. de Desenvolvimento Urbano Integrado.
Parágrafo Único - Sempre que os insumos comprometerem Art. 292 A implantação de estrada Federal ou Estadual, atra-
a fiel observância deste artigo, serão revistas às tarifas, permi- vessando o perímetro do Município, está condicionada à apro-
tindo-se o aumento das mesmas, assegurando-se o equilíbrio vação prévia de seu projeto pela Câmara Municipal.
econômico e financeiro da concessão. Art. 293 Os projetos de duplicação ou grandes reformas das
Art. 286 Serão passíveis de cassação as empresas que: estradas que incluírem modificações de traçado ficam condicio-
I - descumprirem as obrigações assumidas nos termos con- nados a aprovação prévia pela Câmara Municipal.
tratuais que importem em prejuízo para os usuários; Art. 294 As áreas contíguas às estradas deverão ter trata-
II - reduzir à metade as viagens previstas no horário aprova- mento específico, através de disposições urbanísticas de defesa
do, em 05 (cinco) dias consecutivos; da segurança dos cidadãos e dos patrimônios paisagístico e ar-
III - colocar na linha número menor de ônibus do que o de- quitetônico da Cidade.
finido no termo contratual. Art. 295 O transporte de material radioativo, inflamável, tó-
Art. 287 As informações referentes às condições menciona- xico ou potencialmente perigoso para o ser humano ou à ecolo-
das no art. 286 serão acessíveis à consulta pública. gia, obedecerá a normas de segurança, a serem expedidas pelo
Art. 288 O transporte, sob responsabilidade do Município, órgão técnico competente e fiscalizadas pela Secretaria Munici-
localizado no meio urbano, deve ser planejado e operado de pal de Urbanismo e Meio Ambiente.
acordo com o respectivo Plano Diretor. Art. 296 Na exploração dos transportes coletivos de passa-
Art. 289 A Lei disporá sobre as diretrizes gerais do sistema geiros, serão obrigatórias as observâncias das seguintes exigên-
de transportes, observados os seguintes princípios: cias:
I - integração dos principais sistemas e meios de transpor- I - a colocação, nos terminais rodoviários e no interior dos
tes; ônibus, de dados e informações, que permitam aos usuários
II - prioridade a pedestres e a ciclistas sobre o tráfego de apresentarem queixas e reclamações contra irregularidade;
veículos automotores; II - o controle de velocidade e de sinalização adequada, que
III - sinalização nos cruzamentos; levem em consideração a segurança da população.
IV - poderão ser construídas as passarelas sobre: Parágrafo Único - Nas escolas municipais da rede oficial de
a) leito dos rios; ensino, haverá aulas periódicas sobre educação no trânsito.
b) leito das estradas de ferro; Art. 297 A omissão por parte do Município de colocação de
c) estradas bloqueadas; sinalização horizontal e vertical em frente das escolas, além de
d) rodovias federais, estaduais e municipais, cuja densidade quebra-molas, onde se fizerem necessários, julgado pelo órgão
populacional, criada em suas margens, obrigue a travessia diária competente, tratando-se de área de alta periculosidade no trân-
de pedestres, ressalvadas as legislações específicas; sito, demandará responsabilidade.
e) outros casos definidos pelo Executivo como necessários, Art. 298 Fica permitido o uso de veículos tipo “Kombi” e
desde que não prejudiquem o Plano Diretor de Urbanismo e se- “Microônibus”, ou equivalente, no serviço de transporte de pas-
jam aprovados pela Câmara Municipal. sageiros, em regime de lotação, para locais de difícil acesso, obe-
Art. 290 Só será permitida a entrada em circulação de novas decidos aos seguintes requisitos:
unidades de transporte coletivo, atendidas as exigências defini- I - solicitação escrita de mais de 100 (cem) usuários;
das em lei e: II - não existir exploração de linha regular de ônibus, no iti-
I - facilidade para subida e descida e para a circulação dos nerário a que vai servir o referido sistema de transporte, nem
usuários, inclusive gestantes e idosos, no interior do veículo; haver comprovado possibilidade de implantá-la;
II - adaptações para o livre acesso e circulação das pessoas III - dispor o candidato à exploração do serviço de autoriza-
portadoras de deficiência física e motora, em conformidade com ção do órgão competente do Município e do número convenien-
as instalações dos pontos de embarque e desembarque; te de usuários e veículos.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 299 A permissão de que trata o artigo anterior, não será teresse especial e social, tendo como instrumento básico para
transferida sem a devida autorização. sua execução o Plano Diretor e Desenvolvimento Urbano Inte-
§ 1º Caberá ao órgão Municipal competente fixar, para cada grado.
caso, as condições operacionais indispensáveis a serem cumpri- § 1º Por função social da Cidade entende-se o direito de
das pelos permissionários. todo munícipe ter acesso à moradia, transporte público, sanea-
§ 2º A execução dos serviços será precedida de Termo de mento geral básico, energia elétrica, gás canalizado, iluminação
Permissão a motoristas profissionais autônomos, as cooperati- pública, cultura, lazer e recreação, segurança, preservação, pro-
vas de motoristas autônomos e a cooperativas comunitárias que teção e recuperação do patrimônio ambiental, arquitetônico e
satisfaçam as condições a serem fixadas pelo órgão municipal cultural e ter garantido a contenção de encostas e precauções
competente, com preferência a motoristas que já venham exe- quanto a inundações.
cutando o serviço e que, até a data da publicação desta Lei, ha- § 2º A elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento
jam requerido a permissão. Urbano Integrado, abrangendo o território municipal, e subse-
§ 3º Os serviços serão permitidos por prazo indeterminado, qüentes alterações e desdobramentos, será precedida, obriga-
enquanto convierem ao interesse público. toriamente, da realização de diagnóstico ambiental específico,
§ 4º Todo veículo deverá ser de cor branca ou bege e ter parcial ou total, que deverá contemplar os aspectos qualitativos
uma faixa azul em sua lateral. e quantitativos dos componentes sócio-econômicos, culturais,
§ 5º A documentação do veículo deverá ser a exigida pela urbanísticos, físicos e biológicos do Município.
Legislação em vigor além do selo de vistoria, que deverá ser fi- Art. 304 O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano In-
xado em local próprio. tegrado, parte integrante de um processo contínuo de planeja-
§ 6º O veículo deverá estar em condições normais de uso, mento, aprovado por lei, é o instrumento básico da política de
aprovado pelo órgão competente do Município. desenvolvimento urbano, do uso e ocupação do solo, servindo
§ 7º Os veículos serão vistoriados 02 (duas) vezes por ano, de referência para todos os agentes públicos e privados que atu-
de acordo com os números e datas fixadas pelo órgão municipal. am no Município e expressando as exigências fundamentais de
Art. 300 O proprietário da concessão não poderá deixar ordenação da Cidade, devendo atender aos seguintes princípios:
descoberta a linha concedida, estando sujeito às seguintes pe- I - aplicar critérios ecológicos e de justiça social em seu pla-
nalidades: nejamento com vista a garantir o pleno desenvolvimento das
I - multa a ser estipulada pela Coordenadoria do Sistema funções sociais do Município, nos termos do Artigo 226 da Cons-
tituição Estadual;
Viário do Município de Niterói;
II - garantir a proteção de sítios e monumentos que inte-
II - cassação da concessão da linha.
gram o patrimônio natural, histórico, paleontológico, arqueoló-
Art. 301 Não será permitido o transporte de cargas inflamá-
gico, étnico e cultural, demarcando também espaços destinados
veis e animais no veículo.
a manifestações culturais e esportivas;
Art. 302 Não será permitido o tráfego de veículo Kombi de
III - delimitar áreas representativas de sistemas naturais
transporte de pessoas sem a devida permissão fornecida pelo
existentes no município, para implantação de unidades de con-
órgão competente do Município.
servação e de áreas de lazer;
§ 1º Os condutores deverão trabalhar devidamente unifor-
IV - estabelecer o zoneamento ambiental, incluindo o das
mizados, de acordo com os padrões a serem estabelecidos. atividades potencialmente poluidoras;
§ 2º A tarifa deverá estar fixada no pára-brisa dianteiro do V - propor mecanismos que solucionem conflitos de uso e
veículo. ocupação do solo, assegurando às populações de baixa renda o
§ 3º Crianças maiores de 05 (cinco) anos, pagarão passa- acesso à titulação e posse da terra;
gem. VI - delimitar as áreas faveladas e de baixa renda, com vista
§ 4º A tarifa de subida obedecerá ao preço médio do menor a garantir sua urbanização, regularização e titulação, promoven-
ao maior quilômetro rodado, no transporte coletivo, fixado pelo do assentamentos à sua população;
Município. VII - garantir às pessoas portadoras de deficiência o livre
§ 5º A tarifa de descida deverá ser de 50% da tarifa estipu- acesso a prédios coletivos, públicos e particulares, e a logradou-
lada no artigo anterior. ros públicos, mediante eliminação de barreiras arquitetônicas;
VIII - dispor sobre zoneamento, parcelamento do solo, seu
CAPÍTULO VII uso e ocupação, construções e edificações, proteção ao meio
DO URBANISMO, DA POLÍTICA URBANA DO MEIO AM- ambiente, licenciamento e fiscalização, e parâmetros urbanísti-
BIENTE, DA PESCA E DA POLÍTICA AGRÍCOLA E AGRÁRIA cos básicos;
SEÇÃO I IX - definir espaços destinados à colocação de equipamen-
DO URBANISMO tos urbano e comunitário, compatíveis com cada local, inclusive
os indispensáveis ao saneamento básico;
Art. 303 A política de desenvolvimento urbano do Muni- X - definir o sistema viário integrado, contemplando as ci-
cípio, respeitados os dispositivos constitucionais vigentes, tem clovias;
por objetivo atender ao pleno desenvolvimento das funções so- XI - definir o zoneamento para atividades extrativas, indus-
ciais da Cidade e garantir a melhoria da qualidade de vida e o triais, comerciais, residenciais, mistas e de serviços, através da
bem-estar social, conter diretrizes de uso e ocupação do solo, utilização racional do território e dos recursos naturais, através
definição e manutenção das áreas agrícolas rurais e áreas de in- de controle de sua implantação e do seu funcionamento;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

XII - determinar as condições em que uma propriedade V - reintegrar-se na posse e recuperar as áreas integrantes
cumpre sua função social. dos bens de uso comum do povo, desvirtuadas de suas finalida-
§ 1º As áreas de micro-bacias hidrográficas urbanas deverão des originais ou indevidamente privatizadas.
ser consideradas como unidade de planejamento para elabora- Art. 311 Para assegurar as funções sociais da Cidade e da
ção do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano Integrado e, propriedade, o Poder Público poderá valer-se dos seguintes ins-
posteriormente, como base para o planejamento, execução e trumentos, além de outros que a lei definir:
análise de programas e projetos, públicos e privados, de uso e I - de caráter financeiro:
ocupação do solo; a) imposto predial e territorial urbano, progressivo e dife-
§ 2º Deverão ser utilizados no planejamento territorial, os renciado por zonas e outros critérios de ocupação do uso do
recursos técnicos adequados, como instrumentos básicos para solo;
confecção de mapas temáticos, ficando estes à disposição do b) taxas e tarifas;
público. c) contribuição de melhoria;
Art. 305 Sistema de Planejamento é o conjunto de órgãos, d) incentivos e benefícios fiscais;
normas, recursos humanos e técnicas voltadas para a coordena- e) recursos públicos destinados especificamente ao desen-
ção da ação planejada da administração. volvimento urbano.
Art. 306 A licença concedida para lotear, parcelar a terra,
II - de caráter jurídico-urbanístico:
edificar, construir e fazer acréscimo terá vigência a partir da data
a) desapropriação por interesse social ou de utilidade;
de sua concessão.
b) servidão administrativa e limitações administrativas;
Art. 307 A prestação dos serviços públicos à comunidade de
c) tombamento de imóveis;
baixa renda independerá do reconhecimento de seus logradou-
ros e da regularização urbanística das áreas de suas edificações d) declaração de áreas de preservação ou proteção ambien-
ou construções. tal;
Parágrafo Único - O ato de reconhecimento de logradouros e) concessão real de uso;
de uso da população, não significa aprovação de parcelamento f) concessão de direito real de uso resolúvel;
de solo, nem aceitação de obras de urbanização, nem dispensa g) lei de parcelamento do solo urbano;
das obrigações previstas na legislação aos proprietários, lotea- h) lei de perímetro urbano;
dores e demais responsáveis. i) código de Obras e Edificações;
Art. 308 São áreas de preservação permanente no Municí- j) código de Posturas;
pio aquelas estabelecidas pela Lei Federal 4771, de 15 de setem- k) lei de solo Criado;
bro de 1965, e pela Resolução CONAMA nº 04/85. l) Código de Licenciamento e Fiscalização.
Parágrafo Único - As coberturas vegetais existentes nas áre- III - de caráter urbanístico institucional:
as de preservação permanente são consideradas indispensáveis a) programas de regularização fundiária;
ao desenvolvimento urbano equilibrado e não poderão ser re- b) programas de reservas de áreas para utilização pública;
movidas. c) programas de assentamentos de população de baixa ren-
Art. 309 O Município preservará os locais e os espaços físi- da;
cos de moradia e trabalho das comunidades dedicadas à pesca, d) programas de preservação, proteção e recuperação das
não permitindo a descaracterização das suas referências cultu- áreas urbanas.
rais e do seu território. IV - de caráter administrativo:
Art. 310 O Poder Público Municipal fica obrigado a: a) subsídios à construção habitacional para população de
baixa renda;
SEÇÃO II b) urbanização de áreas faveladas, loteamentos irregulares
DA POLÍTICA URBANA e clandestinos, integrando-os aos bairros, onde estão situados.
Art. 312 O Poder Público Municipal poderá exigir do pro-
I - promover a regularização dos loteamentos clandestinos, prietário do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utili-
irregulares, abandonados ou não titulados, existentes até a data
zado, que promova seu adequado aproveitamento, sob pena de
da promulgação da Constituição Estadual, que não firam a legis-
sucessivamente, de:
lação ambiental;
I - parcelamento ou edificação compulsória, no prazo máxi-
II - priorizar, facilitar, promover e executar programas de
mo de um ano, a contar da data da notificação pela Prefeitura ao
construção de moradias populares, garantida toda a infra-estru-
tura urbana para o seu funcionamento; proprietário do imóvel;
III - propor mecanismos que solucionem conflitos de uso II - impostos progressivos, no tempo, exigível até a aquisição
e ocupação do solo, assegurando a urbanização, regularização do imóvel pela desapropriação, cuja ação deverá ser proposta
fundiária e titulação das áreas faveladas e de baixa renda, sem no prazo de dois anos, contando da data do primeiro lançamen-
remoção dos moradores, salvo em risco de vida e em áreas de to do imposto;
preservação ambiental; III - desapropriação, com pagamento mediante título da dí-
IV - preservar áreas de destinação e vocação agrícolas que vida Pública de emissão, previamente aprovada pelo Senado Fe-
não prejudiquem a preservação ambiental e estimular suas ati- deral, com prazo de resgate de até dez anos, em parcelas anuais
vidades primárias, bem como criar mecanismos de distribuição iguais e sucessivas, assegurados o valor real da indenização e os
e comercialização direta ao consumidor; juros legais.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 313 O processamento para desapropriação por inte- VI - controlar e fiscalizar as instalações, equipamentos, ati-
resse social e utilidade pública, para estocar e reservar terras vidades, obras, processos produtivos e extrativos ou empreen-
para o atendimento de Política Urbana e diretrizes do Plano Di- dimentos, que comportem risco efetivo à qualidade de vida e
retor, adotará como valor justo e real da indenização do imóvel ao meio ambiente, adotando medidas preventivas ou corretivas,
desapropriado, o preço do terreno como tal, sem computar os aplicando as sanções administrativas pertinentes, e indicar ju-
acréscimos da expectativa de lucro ou mais-valia decorrentes de dicialmente, independentemente da obrigação ao infrator de
investimentos públicos na região. reparar o dano causado;
Art. 314 O Poder Público garantirá os meios de acesso da VII - condicionar a implantação de instalações e atividades
população ao conjunto de informações sobre Política Urbana, efetiva ou potencialmente causadoras de significativas altera-
como forma de controle sobre a responsabilidade de suas ações, ções do meio ambiente e da qualidade de vida, à prévia elabora-
tanto no Plano Diretor, como na discussão do processo da dota- ção de estudo de impacto ambiental, a que se dará publicidade,
ção orçamentária referente à matéria da questão. além de condicionar a expedição de licenças e alvarás e os siste-
Art. 315 O exercício do direito de propriedade atenderá à mas de concessão e permissão de serviços públicos à observân-
sua função social, de acordo com as exigências do Plano Diretor. cia das normas estabelecidas pelo Sistema Municipal de Meio
Parágrafo Único - O direito de construir atenderá à sua fun- Ambiente;
ção social. VIII - determinar a realização periódica por instituição ca-
pacitada e, preferencialmente, sem fins lucrativos, de auditorias
SEÇÃO III ambientais e programas de monitoragem que possibilitem a
DO MEIO AMBIENTE correta avaliação e a minimização da poluição, às expensas dos
responsáveis por sua ocorrência;
Art. 316 O Município assegurará a todos o direito a um meio IX - buscar a integração das universidades, centros de pes-
ambiente ecologicamente equilibrado, essencial à sadia quali- quisas, associações civis e organizações sindicais nos esforços
dade de vida, bem como fará observar o dever constitucional para garantir aprimorar o gerenciamento ambiental;
de preservá-lo. X - estimular a utilização de fontes energéticas alternativas
§ 1º Para alcançar estes objetivos, o Poder Público formu- e, inclusive, em participar, do gás natural e do Biogás, bem como
lará, mediante lei, a Política Municipal de Meio Ambiente, na de equipamentos e sistemas de aproveitamento de energia so-
forma do disposto no artigo 30 da Constituição da República, lar e eólica;
respeitados os princípios estabelecidos na Constituição Federal, XI - garantir o acesso dos interessados às informações sobre
na Constituição Estadual, nas Leis Federais e nas Leis Estaduais, as causas e efeitos da poluição e da degradação ambiental;
criando o Sistema Municipal de Meio Ambiente, para organizar, XII - promover a conscientização da população e a adequa-
coordenar e integrar órgãos e entidades da administração públi- ção do ensino, de forma a difundir os princípios e objetivos da
ca direta e indireta, com o fim de: proteção ambiental;
I - zelar pela utilização racional dos recursos naturais, e, em XIII - criar mecanismos de entrosamento com outras instân-
particular, pela integridade do patrimônio biológico paisagístico, cias do Poder Público, que atuem na proteção do meio ambiente
histórico, arquitetônico e arqueológico, em benefício das gera- e áreas correlatas, sem prejuízo da competência e autonomia
ções atual e futura; Municipais;
II - definir a Política Municipal de Saneamento Básico, in- XIV - coibir qualquer tipo de poluição.
tegrada aos Planos Regionais, no que couber, estruturando-se § 1º O sistema mencionado no caput deste artigo será coor-
para assumir plenamente seus serviços; denado por órgão da administração direta.
III - criar, implantar e manter unidades de conservação, de § 2º É vedada a implantação e ampliação de atividades po-
forma a administrar espaços territoriais especialmente protegi- luidoras, cujas emissões possam causar, ao meio ambiente, con-
dos e seus componentes, vedada qualquer utilização ou ativida- dições em desacordo com as normas e padrões de qualidade
de que comprometa seus atributos essenciais; ambiental em vigor.
IV - promover a reposição da cobertura vegetal, priorizando § 3º Aplica-se à atividade já implantadas o cumprimento
espécies vegetais nativas da mata atlântica e restinga, objetivan- das exigências de padrões de qualidade ambiental em vigor.
do especialmente: § 4º Os prazos para atendimento aos padrões ambientais
a) reflorestamento ecológico de encostas, áreas degrada- serão improrrogáveis e não poderão ser superior a 2 (dois) anos.
das, manguezais, margens de rios e unidades de conservação; § 5º O Poder Público divulgará, anualmente, os seus planos,
b) a fixação de dunas; programas e metas para a recuperação da qualidade ambiental,
c) a recomposição paisagística e a arborização das vias pú- incluindo informações detalhadas sobre a alocação dos recursos
blicas e áreas de lazer; humanos e financeiros, bem como relatório de atividades e de-
d) a consecução de um índice mínimo de cobertura florestal sempenho, relativos ao período anterior.
não inferior a 20% (vinte por cento) do território do Município. § 6º Será considerada falta grave a ação ou omissão do ser-
V - estabelecer critério, normas e padrões de proteção am- vidor municipal contrária às diretrizes e normas da Política Mu-
biental, com ênfase, quando for o caso, na adotação de indica- nicipal do Meio Ambiente.
dores biológicos; § 7º É vetado a construção, armazenamento e o transporte
de armas nucleares no Município de Niterói.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 317 O Município adotará o princípio poluidor pagador, § 3º Qualquer árvore poderá ser declarada imune de cor-
devendo as atividades efetivas ou potencialmente causadoras te, mediante ato do órgão especializado da administração por
da degradação ambientar arcar integralmente com os custos de motivo de sua localização, raridade, beleza e condições de por-
monitoragem, controle e recuperação das alterações do meio ta-semente.
ambiente decorrentes de seu exercício, sem prejuízo da aplica- § 4º Os serviços de poda ou cortes, em logradouros pú-
ção de penalidades administrativas e da responsabilidade civil. blicos, somente poderão ser efetuados mediante prévia auto-
§ 1º O disposto neste artigo incluirá a imposição de taxa rização do órgão ambiental do Município. (Redação dada pela
pelo exercício do poder de polícia proporcional aos seus custos Emenda à Lei Orgânica nº 11/1995)
totais e vinculadas à sua operacionalização. Art. 323 São declaradas áreas de preservação permanente a
§ 2º O Poder Público estabelecerá política tributária que serem definidas por lei, como de uso comum do povo de Niterói:
apene, de forma progressiva, as atividades poluidoras, em fun- I - a Serra da Tiririca;
ção da quantidade e da toxicidade dos poluentes. II - as serras Grande, do Malheiro e do Cantagalo;
§ 3º Poderão ser concedidos incentivos por prazos limita- III - as Praias de Adão e Eva e do Sossego;
dos, na forma da Lei, àquelas que: IV - a laguna de Piratininga, com alinhamento de orla esta-
I - adotarem tecnologia poupadoras de energia; belecido pelo Decreto Estadual nº 7.5657 de 19 de setembro de
II - manterem unidade de conservação. 1984, e respectivo sistema fluvial contribuinte;
§ 4º É vetada a concessão de qualquer tipo de incentivo, V - a laguna de Itaipu, com alinhamento de orla estabeleci-
isenção ou anistia àqueles que tenham infringido normas e pa- da em Lei, e respectivo sistema fluvial contribuinte;
drões de proteção ambiental, no mínimo nos 5 anos anteriores VI - a Ilha da Boa Viagem;
à promulgação desta lei. VII - a Duna Grande de Itaipu;
Art. 318 As infrações à Legislação Municipal de proteção ao VIII - a Estação ecológica Parque da Cidade e o Morro da
meio ambiente serão objeto das sanções administrativas relacio- Viração;
nadas abaixo, sem prejuízo das Legislações Federal e Estadual: IX - o Morro das Andorinhas;
I - multa proporcional à gravidade da infração e do dano X - outras que assim vierem a ser declaradas pelo Poder Pú-
efetivo ou potencial; blico.
II - redução do nível de atividade, de forma a assegurar o Art. 324 Os servidores Públicos Municipais encarregados da
atendimento às normas e padrões em vigor; execução da política Municipal de Meio Ambiente, que tiverem
III - embargo ou interdição;
conhecimento de infrações persistentes, intencionais ou por
IV - cassação do alvará de funcionamento.
omissão às normas e padrões de proteção ambiental, deverão
Parágrafo Único - As multas a que se refere o Inciso I deste
comunicar o fato ao Ministério Público e à Procuradoria do Mu-
Artigo serão diárias e progressivas, nos casos de persistência ou
nicípio. Indicando os elementos de convicção, sob pena de res-
reincidência.
ponsabilidade administrativa.
Art. 319 Fica criado o Serviço de Fiscalização e Proteção Am-
Parágrafo Único - Constatada a procedência da denúncia, o
biental, composto por profissionais do meio ambiente.
Município ajuizará ação pública, por danos ao meio ambiente,
Parágrafo Único - Inclui-se entre as incumbências do Serviço
no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da mesma, sempre que o
de Fiscalização e Proteção Ambiental, exercer a fiscalização das
Ministério Público não tenha feito.
áreas protegidas pela legislação ambiental, do comércio de ma-
deiras, lenha, carvão, plantas ornamentais, animais silvestres e Art. 325 O Poder Público estimulará e executará a coleta se-
recursos minerais, complementando a ação dos órgãos Federais letiva e a reciclagem, bem como a implantação de um sistema
e Estaduais competentes. descentralizado de usinas de processamento de resíduos urba-
Art. 320 O Poder Público permitirá a criação e a manuten- nos, de forma a minimizar custos ambientais e de transportes.
ção de unidades de conservação privadas, sempre que for asse- § 1º Os projetos de implantação das usinas de beneficia-
gurado o acesso de acordo com as características das mesmas e mento a que se refere este artigo deverão optar por tecnologia
na forma dos respectivos Planos Diretores. que assegure as melhores relações custo-benefício, tanto na im-
Art. 321 O Poder Público poderá estabelecer restrições ad- plantação quanto na operação.
ministrativas de uso de áreas privadas, objetivando a proteção § 2º As taxas incidentes sobre os serviços de limpeza ur-
de ecossistemas e da qualidade de vida. bana incluirão previsão de reservas para a implementação de
Parágrafo Único - As restrições administrativas a que se re- programas de coleta seletiva e de implantação de usinas de pro-
fere este artigo, serão averbadas no registro de imóveis no prazo cessamento.
máximo de 3 (três) meses, a contar e da promulgação desta Lei. § 3º A disposição final de resíduos urbanos sólidos obede-
Art. 322 É vetada a desafetação total de unidade de conser- cerá a todos os critérios de controle ambiental, previstos em Lei,
vação, áreas verdes, praças e jardins bem como qualquer utili- para atividade poluidora, quer para projeto, implantação e ope-
zação. ração.
§ 1º Poderá ser desafetada parte de praça e jardins que, não Art. 326 Caberá ao Município a coordenação das atividades
estejam urbanizados e utilizados pela comunidade para constru- destinadas a controlar e evitar quaisquer tipos de degradação
ção de bens públicos de interesse comunitário. ambiental nas áreas florestais.
§ 2º À parte desafetada não poderá ultrapassar a 50% (cin-
qüenta por cento) da área.

58
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 1º O Órgão ambiental Municipal declarará Estado de Aler- I - elaborar programas anuais de produção agrícola em con-
ta de Incêndio Florestal, a ser veiculado durante a sua vigência junto com os pequenos produtores através de suas representa-
da forma mais eficaz e abrangente, nos períodos climáticos crí- ções sindicais e organizações similares;
ticos, favorável às queimadas, objetivando alertar à população II - estimular o plantio de gêneros alimentícios utilizados na
quanto aos riscos existentes. merenda escolar;
§ 2º Durante a vigência do Estado de Alerta serão intensifi- III - promover e apoiar a implementação de hortas comu-
cados os controles de atividades potencialmente danosas. nitárias;
§ 3º As áreas de preservação permanente terão planos de IV - preservar o solo, nos termos do artigo 251, III, da Cons-
controle específicos a serem preparados pelo órgão ambiental tituição Estadual;
e o sistema de vigilância envolverá, prioritariamente, a própria V - apoiar os serviços de assistência gratuita aos pequenos
comunidade. produtores, proprietários ou não, trabalhadores e suas organi-
Art. 327 Aqueles que exploram recursos minerais ficam zações;
obrigados a restaurar o meio ambiente degradado, de acordo VI - criar e manter infra-estrutura de educação, saúde,
com solução técnica exigida pelo órgão público competente, na transporte e lazer nas áreas agrícolas;
forma da lei. VII - estimular a produção e o plantio de mudas de árvo-
Art. 328 - O lançamento de esgotos sanitários, em ambien- res nativas de mata atlântica e restinga, objetivando atender os
tes aquáticos, tais como rios e lagunas, somente será permitido princípios do art. 316, inciso IV da seção III.
após tratamento, no mínimo, a nível secundário ou até terciário, VIII - promover a fiscalização sanitária municipal do abate
de acordo com o órgão municipal de meio ambiente dentro de de animais;
padrões preconizados pela OMS e padrões nacionais em vigor. IX - colaborar no controle e fiscalização de venda de agro-
§ 1º O Município reservará áreas, através dos instrumentos tóxicos, promovendo inclusive a cassação do alvará do estabe-
legais adequados, com a finalidade de atender às necessidades lecimento que não cumprir a legislação Federal e Estadual per-
de saneamento. tinente.
Art. 333 O Poder Público Municipal fará o levantamento e
§ 2º Caberá ao Município a gestão de serviços de sanea-
cadastramento de áreas agrícolas ocupadas por posseiros e os
mento, através de órgão especializado da administração, facul-
encaminhará à Defensoria Pública ou às entidades representa-
tada a realização de convênios para serviços de execução e ma-
tivas da categoria rural que tenham assistentes jurídicos com o
nutenção.
mesmo fim, para garantir- lhes a propriedade pelo usucapião.
Art. 334 A alienação ou concessão, a qualquer título de ter-
SEÇÃO IV
ra pública municipal, com área superior a 50 hectares, depende-
DA PESCA
rá de prévia autorização da Câmara de Vereadores, nos termos
do art. 248 da Constituição Estadual.
Art. 329 Considerando o caráter vivo e natural do recurso Art. 335 As ações do Poder Público Municipal darão apoio
pesqueiro e sua vocação espontânea, o Município definirá po- prioritário às áreas, onde existirem projetos de regularização
lítica específica para o setor pesqueiro, em consonância com fundiária e assentamentos rurais em implantação ou já implan-
as diretrizes dos Governos Estadual e Federal, promovendo seu tados de caráter municipal, estadual ou federal, inclusive com a
planejamento, ordenamento e desenvolvimento, enfatizando destinação de recursos municipais para o seu desenvolvimento,
sua função de abastecimento alimentar, através da implantação podendo também firmar convênios com entidades públicas e
de mercados de peixes nas sedes distritais, provimento de infra- privadas, para a implementação desses projetos.
estrutura de suporte à pesca, incentivo a aquicultura e implan- Art. 336 A regularização de ocupação referente à imóvel
tação do sistema de informação setorial. rural incorporado ao patrimônio público municipal far-se-á atra-
§ 1º Incumbe ao Município criar mecanismos de proteção e vés de contrato de concessão do direito real do uso, inegociável,
preservação de áreas ocupadas pelas comunidades de pescado- pelo prazo de 10 (dez) anos, nos termos do art. 247 da Consti-
res, assegurando seu espaço vital. tuição Estadual.
Art. 330 O Município articulará com os Governos Federal e Parágrafo Único - A concessão do direito real de uso de ter-
Estadual mecanismo de apoio à fiscalização das normas vigen- ras públicas municipais subordinar-se-á, obrigatoriamente, além
tes, relacionadas com as atividades de pesca. de outras que forem estabelecidas pelas partes, às seguintes
Art. 331 O Município deve promover permanente adequa- cláusulas definidoras:
ção dos conteúdos dos currículos escolares das comunidades I - o uso da terra direta, pessoal ou familiar, para cultivo ou
relacionadas econômica e socialmente à pesca, à sua vivência, qualquer outro tipo de utilização, que atenda aos objetivos da
realidade e potencialidade pesqueira. política agrária;
II - a obrigatória residência permanente dos beneficiários,
SEÇÃO VA na área objeto do contrato;
POLÍTICA AGRÍCOLA E AGRÁRIA III - a manutenção das reservas florestais obrigatória e a ob-
servância das restrições de uso do imóvel, nos termos da Lei.
Art. 332 O Município definirá política específica para o se-
tor, em consonância com as diretrizes do Governo Federal e Es-
tadual, promovendo seu planejamento, ordenamento e desen-
volvimento, atendendo os seguintes princípios:

59
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

TÍTULO VI Art. 350 O Município garantirá proteção especial à servido-


DISPOSIÇÕES GERAIS ra pública gestante, adequando ou mudando temporariamente
suas funções nos tipos de trabalho comprovadamente prejudi-
Art. 337 O Município celebrará convênio com a União e o ciais à sua saúde e à do nascituro, sem que disso decorra qual-
Estado, objetivando o cumprimento dos benefícios sociais para quer ônus posterior para o Município.
os trabalhadores em geral. Art. 351 À funcionária gestante do Executivo e Legislativo
Art. 338 Os programas de habitação popular, estabelecidos será concedida, mediante inspeção médica, licença com venci-
pelo Município, considerarão as seguintes prioridades para efei- mentos e vantagens integrais, pelo prazo de 04 (quatro) meses,
to de venda: prorrogáveis, no caso de aleitamento materno, por, no mínimo,
I - munícipes que percebam até 03 (três) salários mínimos; 30 (trinta) dias, estendendo-se no máximo até 90 (noventa) dias.
II - munícipes em geral. Art. 352 Para efeito do cumprimento do artigo 220 da pre-
Parágrafo Único - Para efeito de programas de habitação sente Lei, a prioridade será o ensino de 1º grau.
popular estabelecidos exclusivamente para os servidores, serão § 1º A população de 7 a 14 anos terá atendimento imediato.
considerados prioritariamente para efeito de venda: § 2º A população de mais de 14 anos será atendimento prio-
I - aposentados e pensionistas da municipalidade; ritariamente segundo os seguintes critérios:
II - funcionários ativos da municipalidade que percebam até
a) alfabetização ampla, atingindo a universalização do pri-
03 (três) salários mínimos;
meiro segmento do 1º grau, num prazo de 10 anos;
III - outros funcionários da municipalidade.
b) universalização do 1º grau completo em 15 anos.
Art. 339 O comércio de gêneros alimentícios é obrigado a
Art. 354 Entidades filantrópicas, voltadas principalmente à
afixar, na entrada do estabelecimento, placas visíveis com o pre-
ço das mercadorias integrantes da cesta básica. educação do menor carente e ao idoso, poderão requerer ao
Art. 340 Os responsáveis pelos estabelecimentos de presta- Poder Público Municipal, autorização para receber taxas de uti-
ção de serviços médicos, contratados ou conveniados, deverão lização dos estacionamentos da orla marítima.
afixar na entrada principal: Art. 355 O Poder Municipal poderá celebrar convênios,
I - a relação de seu pessoal médico e de apoio especializado; acordos, protocolos e contratos que visem viabilizar e dotar de
II - dias e horários dos plantões do pessoal de que trata o recursos técnicos e financeiros, específicos, com órgãos gover-
inciso anterior; namentais, fundações, entidades e empresas, para a implemen-
III - as especialidades dos profissionais referidos. tação de planos, programas e projetos e demais ações de inte-
Art. 341 Em todos os estabelecimentos públicos deverão ser resse social.
afixados, em local visível e destacado, todos os direitos funda- Art. 356 É obrigação do Poder Público incentivar as práticas
mentais do cidadão, bem como os locais que deverão procurar de agricultura orgânica e agropecuária sem defensivos, podendo
em caso de violação destes direitos. o Município viabilizar a implantação dos seus projetos.
Art. 342 É lícito a qualquer cidadão obter informações e Art. 357 Fica transformado em Anexo do Teatro Municipal o
certidões sobre assuntos referentes à administração Municipal. imóvel situado à Rua 15 de novembro nº 27.
Art. 343 Qualquer cidadão será parte legítima para pleitear Art. 358 Ficam criadas no Município de Niterói as Zonas de
a declaração de nulidade ou anulação dos atos lesivos ao patri- Livre Comércio para efeito do horário de funcionamento do co-
mônio Municipal. mércio varejista, cuja regulamentação será remetida pelo Execu-
Art. 344 O Município não poderá dar nome de pessoas vivas tivo para apreciação e votação pela Câmara.
a bens e serviços públicos de qualquer natureza. Art. 359 Fica o Município autorizado a cobrar, inclusive atra-
Art. 345 É vetada na Administração Pública Direta, Indire- vés de convênios com entidades representativas da sociedade,
ta e Fundacional do Município, a contratação de empresas que pela guarda de veículos automotores em logradouros públicos,
reproduzam práticas discriminatórias na admissão de mão-de- estabelecidos por Lei específica.
-obra. Art. 360 Ficam os Poderes Municipais obrigados a colocar
Art. 346 O Município proporcionará aos servidores, homens em todos os veículos da frota Municipal o logotipo do Municí-
e mulheres, oportunidades adequadas de crescimento profissio-
pio, como símbolo de identificação da Cidade.
nal através de programas de formação de mão-de-obra, aper-
Parágrafo Único - Se submetem a obrigação contida no
feiçoamento e reciclagem, inclusive para habilitação no atendi-
caput do artigo anterior os veículos da Administração Direta e
mento específico à mulher.
Indireta, Câmara Municipal, IBASM, EMUSA, IDURB, CLIN e ou-
Art. 347 É assegurada a isenção de pagamento de taxas de
inscrição para todos os estudantes à investidura em cargo ou tras que porventura sejam criadas.
emprego público, desde que comprovem insuficiência de recur- Art. 361 Os despachantes oficiais devidamente nomeados
so na forma da lei. pelo Estado, ficam autorizados a exercer livremente suas fun-
Art. 348 Os cemitérios no Município terão sempre caráter ções, junto aos órgãos do Poder Municipal.
secular, e serão administrados pela autoridade Municipal, sen- Parágrafo Único - A autorização de que trata o presente
do permitida a todas as confissões religiosas e práticas de seus artigo fica condicionada à apresentação junto à Secretaria de
ritos. Administração de documento comprobatório da condição de
Art. 349 As associações religiosas e os particulares poderão, Despachante Oficial.
na forma da Lei, manter cemitérios próprios, fiscalizados, porém
pelo Município.

60
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 362 O Poder Executivo estabelecerá estímulos perma- I - em nível setorial, por participação igualitária nos conse-
nentes para cobrança da dívida ativa judicial, de forma a torná-la lhos existentes ou que vierem a ser criado, por Decreto do Exe-
elemento coercitivo capaz de assegurar a eficácia do recebimen- cutivo.
to das receitas municipais, utilizando como instrumento para tal II - em nível superior, por representante comunitário de
fim: cada conselho setorial, juntamente com um representante da
I - o aumento de participação dos serventuários da justiça área técnica em cada um dos Conselhos referidos;
na penalidade de ajuizamento; III - a cada grupamento de unidades administrativas com
II - a eliminação do passivo fiscal existente com a anistia de funções destacadas no sistema corresponderá um colegiado,
processos, cujos valores não justifiquem a sua continuação de como expresso neste artigo.
tramitação, conforme se dispuser em regulamento; IV - constituem grupamentos todos os segmentos de ação
III - a ampliação do número de prestações não reajustáveis, comunitária devidamente legalizados e organizados, inclusive os
em parcelamentos, quando se tratar: de pessoas carentes, favelados, servidores municipais e pessoas
a) de pessoas físicas de pouca renda; portadoras de deficiência.
b) de pessoas jurídicas de pequeno porte, inclusive micro- § 2º A indicação dos representantes comunitários, como de-
empresas; finidos em regulamento, far-se-á através de indicação direta da
c) associações comunitárias, sem fins lucrativos, inclusive entidade que legitimamente os representem.
associações esportivas, culturais e recreativas, sindicatos, clubes § 3º As pessoas portadoras de deficiência, em cada área,
sociais, associações de moradores e assemelhados. terão assegurado a participação em reuniões nas quais se deli-
Parágrafo Único - Dar-se-á prioridade de alocação de recur- berem matérias a elas relacionadas, independente da presença
sos materiais e humanos para enfatização das providências ne- ou representação das entidades filantrópicas do campo.
cessárias à cobrança judicial da dívida ativa. Art. 372 Ficam mantidos o IBASM, IDURB, ENITUR, EMUSA,
Art. 363 Revogado. (Revogado pela Emenda à Lei Orgânica FUNIARTE e CLIN como entidades da Administração Indireta do
nº 21/2001) Município.
Art. 364 Revogado. (Revogado pela Emenda à Lei Orgânica Art. 373 É facultada na forma da lei a transferência da exe-
nº 21/2001) cução dos serviços de utilidade pública, por concessão e per-
Art. 365 O artigo 2º da Lei nº 526, de 11 de dezembro de missão, mediante concorrência pública e ainda, por autorização,
1984, passa a ter a seguinte redação: sujeitando-se estas a normas uniformes.
“Art. 2º Para efeitos desta Lei computar-se-á inclusive o Art. 374 O Município deverá incentivar a prática de festivais
tempo de serviço no desempenho de cargos e funções de con- de música, poesia, dança, teatro e outras formas de atividades
fiança em empresas públicas, sociedades de economia mista, culturais ligadas às artes.
autarquias, fundações públicas do Município, e na Câmara Mu- Art. 375 Aplica-se aos servidores municipais em geral o in-
nicipal de Niterói”. ciso V do artigo 7º da Constituição Federal, que atribui como
Art. 366 (Declarado inconstitucional pelo Órgão Especial do direito piso salarial proporcional à extensão e à complexidade
Egrégio Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro em 30 de do trabalho.
janeiro de 2012) Art. 376 Ainda que submetidos a prazos, os preceitos desta
Art. 367 Suprimido. (Suprimido pela Emenda à Lei Orgânica Lei Orgânica, que importarem em isenções serão implementa-
nº 3/1993) dos através de mensagens do Executivo, submetida a Câmara
Art. 368 Ficam os estabelecimentos bancários autorizados a Municipal, desde que apontadas às fontes de custeio e obedeci-
atender a aposentados, devidamente identificados, nos dias dos dos os dispositivos pertinentes da Constituição Federal e Cons-
respectivos pagamentos a partir de uma hora antes do horário tituição Estadual.
normal de abertura, respeitada a legislação trabalhista em vigor. Art. 377 Ainda que submetidos a prazos, os preceitos desta
Art. 369 Fica autorizada a ampliação do horário de atendi- Lei Orgânica que importarem em novos encargos ou em aumen-
mento bancário ao público, desde que sejam estabelecidos dois to dos existentes, serão implementados através de Mensagem
turnos, de 6 (seis) horas cada um, para os funcionários. do Poder Executivo, submetida à Câmara Municipal, desde que
Art. 370 Os jogos tidos como de azar poderá ser explora- atendidas às disponibilidades do erário e obedecidos os dispo-
do, mediante concessão do Município, como fim de incentivo sitivos pertinentes da Constituição Federal e da Constituição Es-
e como forma de lazer social nos termos em que dispuser a Lei tadual.
Federal. Art. 378 Exigir-se-á para concessão do título de utilidade
Parágrafo Único - A área destinada ao funcionamento de pública às Lojas Maçônicas apenas o atestado de regularidade
cassinos será definida através de proposta do Legislativo ao Exe- junto à entidade estadual a que devem obediência.
cutivo. Art. 379 O Município definirá em Plano Diretor as áreas de
Art. 371 O Poder Executivo adotará, nos termos das Cons- preservação permanente, adequando-as às legislações federais
tituições Federal e Estadual, as medidas legais e pertinentes à e estaduais pertinentes, de modo a estabelecer ordenamento
manutenção e criação de Conselhos Municipais e Fundos Con- territorial conforme estabelecido no artigo 30, inciso VIII, da
tábeis Municipais. Constituição Federal, além do que determina o artigo 1º, pará-
§ 1º A cooperação das associações representativas Munici- grafo único, da Lei Federal nº 7.803, de 18 de julho de 1989.
pais de que trata o inciso X do artigo 29 da Carta Federal far-se-á:

61
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 380 Será facultada a utilização das instalações das uni- Art. 394 Cabe à Câmara Municipal, com a sanção do Prefeito
dades de ensino da rede municipal para atividades das Associa- do Prefeito do Município, cumprir o disposto no Inciso XXXIV do
ções Profissionais de Educação, dos Grêmios e das Associações artigo 12, Capítulo II - Seção I.
de Pais, sem prejuízo das atividades educacionais. Art. 395 Não será admitido Projeto ou Lei a respeito de gra-
Art. 381 Os planos elaborados para os empreendimentos tuidade em serviços públicos municipais, sem indicação da cor-
de obras e serviços do Município, incluindo seus cronogramas, respondente fonte de custeio.
serão entregues ao Poder Legislativo, para ciência do conjunto Art. 396 Poderá a Câmara Municipal de Niterói criar comis-
dos Vereadores. são parlamentar de inquérito sobre fato determinado e prazo
Art. 382 O Poder Público Municipal, nos limites de sua com- certo, mediante requerimento de um terço de seus membros.
petência, garantirá a inviolabilidade das sedes de entidades re- Art. 397 Aplicam-se aos Membros do Poder Legislativo do
presentativas do movimento popular e associativo. Município o preceito contido na alínea D do inciso I do
Art. 383 Os hospitais da rede municipal destinarão 10% (dez Art. 159. (Redação acrescida pela Emenda à Lei Orgânica nº
por cento) de seus leitos para atendimentos dos portadores da 8/1995)
Síndrome da imunodeficiência Adquirida. Art. 398 Suprimido. (Suprimido pela Emenda à Lei Orgânica
Art. 384 O Município não manterá convênio cultural, espor- nº 26/2005)
tivo, econômico, comercial ou científico ou estados que adotem
política segregacional. ATO DAS DISPOSIÇÕES TRANSITÓRIAS
Parágrafo Único - É vetada a instalação no Município cuja
matriz estiver localizada nos países ou estados referidos neste Art. 1º O Prefeito e os Vereadores da Câmara Municipal
artigo. prestarão compromisso de manter, defender e cumprir esta Lei
Art. 385 Revogado. (Revogado pela Emenda à Lei Orgânica Orgânica, no ato e na data de sua promulgação.
nº 21/2001) Art. 2º No prazo de 12 (doze) meses, para efeito do disposto
Art. 386 Ficam resguardados direitos e vantagens à viúva de no artigo 183, o Município deverá instituir, por Lei, órgão go-
Vereador que vier a falecer durante seu mandato Legislativo, na vernamental com o objetivo de dar cumprimento às diretrizes
sua integralidade, durante o período restante do mandato. apontadas na Constituição Federal.
Art. 3º Fica estipulado o prazo de até 180 dias, após a pro-
Art. 387 O servidor público que adotar crianças de 0 a 12
mulgação desta Lei Orgânica, para a criação de estrutura das Co-
(doze) anos de idade, terá direito ao gozo integral da licença e
missões Permanentes da Câmara Municipal, através de Projeto
o auxilio maternidade, incluindo as hipóteses de adoção de gru-
de Resolução.
pos de irmãos. Já o servidor que adotar crianças entre 13 (treze)
Art. 4º Deverá o órgão de defesa do consumidor, no prazo
e 16 (dezesseis) anos, terá direito a 03 meses de licença e ao
máximo de 90(noventa) dias depois de constituído, ser registra-
auxilio maternidade. (Redação dada pela Emenda à Lei Orgânica
do no Conselho Nacional de Defesa do Consumidor (CNDC), no
nº 34/2009).
Ministério da Justiça.
Parágrafo Único - O termo de adoção prescrito pela legisla-
Art. 5º Fica fixado em 180 (cento e oitenta) dias o prazo para
ção pertinente será o documento hábil para requerer o gozo da elaboração do Regimento Interno da Câmara Municipal de Ni-
licença e o auxílio maternidade. terói.
Art. 388 O Poder Executivo poderá instituir cursos de Artes Art. 6º Serão revistas pela Câmara Municipal, através de Co-
Cênicas no Teatro Municipal de Niterói, dentro das normas per- missão Mista, até cinco de outubro de 1991, todas as doações,
tinentes. vendas, concessões de utilidade pública, arrendamentos, loca-
Art. 389 Compete ao Município, de acordo com o dispos- ções, comodatos de próprios municipais, aplicados à revisão dos
to no inciso IX do artigo 29 da Constituição Federal, promover critérios contidos nos parágrafos do art. 51 do ato das Disposi-
a proteção de seu patrimônio cultural, por meio de inventário, ções Transitórias da Constituição da República.
registro, tombamento e demais atos que se fizerem necessários. Art. 7º A Câmara Municipal fará um levantamento, através
Art. 390 Todo cidadão que doar seus olhos ao Banco de de Comissão Mista integrada pelo Legislativo e Executivo, de to-
Olhos de Niterói para restabelecer a visão às pessoas cegas, pro- das as ocupações, doações, vendas e concessões de terras públi-
piciará a sua família gratuidade das taxas municipais, referentes cas realizadas até a promulgação da Lei Orgânica do Município.
ao seu sepultamento. § 1º O referido levantamento deverá ser concluído no prazo
Art. 391 Os recursos financeiros do sistema de saúde serão máximo de 12 (doze) meses após a promulgação da Lei Orgâni-
administrados, em cada esfera, por fundos de natureza contábil, ca.
criados na forma da Lei ex vi do artigo 289, parágrafo único da § 2º Não se enquadram neste item às ocupações urbanas
Constituição Estadual e administrado pela Fundação Municipal utilizadas para a construção de moradia pela população de baixa
de Saúde. renda.
Art. 392 Suprimido. (Suprimido pela Emenda à Lei orgânica Art. 8º O Município realizará, até 6 (seis) meses após a pro-
nº 04/1993) mulgação da Lei Orgânica, um levantamento de todas as áreas
Parágrafo Único - Suprimido. (Suprimido pela Emenda à Lei públicas de sua propriedade, mantendo-as cadastradas e atua-
orgânica nº 04/1993) lizadas.
Art. 393 A lei disciplinará a reversão dos bens vinculados Art. 9º O Poder Executivo tem o prazo máximo de 2 (dois)
aos serviços públicos municipais objeto de concessão ou per- anos para elaborar, com base em critérios técnicos adequados,
missão, mediante prévia e justa remuneração em dinheiro. e submeter à aprovação da Câmara Municipal:

62
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

I - o Plano Diretor Viário, incluindo a previsão de sistemas II - recuperação das lagunas de Piratininga, Itaipu e respec-
de ciclovias; tivas bacias hidrográficas;
II - o Plano Diretor de Macro-Micro-Drenagem; III - zoneamento da área de Proteção Ambiental das lagunas
III - o Plano Diretor de Transportes Públicos; de Piratininga e Itaipu;
IV - o Plano Diretor de contenção, estabilização e proteção IV - plano municipal de saneamento;
de encostas sujeitas à erosão e a deslizamentos, que deverá in- V - urbanização, regulamentação fundiária e titulação das
cluir a recomposição da cobertura vegetal com espécies adequa- áreas faveladas e de baixa renda;
das a tais finalidades. VI - programas de construção de moradias populares;
Art. 10 O Poder Público Municipal fica obrigado a dar cum- VII - implantação de núcleos agrícolas;
primento ao inciso V do artigo 219 da presente Lei, bem como VIII - compatibilização dos espaços urbanos ao trânsito de
previsto no seu artigo 228, quando da elaboração da proposta livre circulação de deficientes.
orçamentária para 1991. Art. 21 As atividades poluidoras já instaladas no Município
Art. 11 A carga horária mínima será universalizada imedia- têm o prazo máximo de 03 (três) anos para atender às normas e
tamente, podendo o turno único ser estendido ao conjunto da padrões federais e estaduais em vigor da data da promulgação
rede. desta Lei Orgânica.
Art. 12 A universalização de o ensino regular noturno se fará § 1º O prazo máximo a que se refere o presente artigo po-
nos moldes do art. 220, item III, devendo, ao final de 15 (quinze) derá ser reduzido em casos particulares, a critério do Executivo
anos, ser extinto o ensino supletivo, na mesma proporção da Municipal, não devendo servir de argumento, em nenhuma hi-
implantação do ensino regular que o substituirá. pótese, para justificar a dilatação de prazos estabelecidos por
Art. 13 Fica estabelecido um prazo de 04 (quatro) Meses, a órgãos federais e estaduais de meio ambiente.
partir da data da publicação desta Lei, para que o atual Executivo § 2º O não cumprimento do disposto no caput deste arti-
Municipal apresente o Plano Municipal de Educação, com vistas go implicará na imposição de multa diária retroativa à data de
a incluir ações que garantam o cumprimento do disposto no ar- vencimento do referido prazo e proporcional à gravidade da
tigo 313 da Constituição Estadual e 214 da Constituição Federal. infração, em função da quantidade de toxidade dos poluentes
Art. 14 Num prazo de 12 (doze) meses, os prédios escola- emitidos, sem prejuízo da interdição da atividade.
res serão adaptados aos portadores de deficiência física, sendo Art. 22 O Município poderá implantar, no prazo máximo de
5 (cinco) anos a contar da promulgação desta Lei Orgânica, uma
exigidas a partir da promulgação da presente Lei a construção
Usina de Reciclagem de Lixo para processamento de resíduos a
de novos prédios, já dentro das especificações técnicas exigidas
fim de atender às suas necessidades.
para a plena utilização por este tipo de aluno.
Art. 23 Para o exercício de 1990, fica com validade a licita-
Art. 15 Revogado. (Revogado pela Emenda à Lei Orgânica
ção já realizada que tomou órgãos oficiais da municipalidade os
nº 21/2001)
jornais O Fluminense e A Tribuna.
Art. 16 Num prazo máximo de 12 (doze) meses, a partir da
Art. 24 O Poder Público Municipal promoverá edição popu-
promulgação da presente Lei, o Poder Público Municipal pro-
lar do texto integral desta Lei Orgânica, que será posta à dis-
videnciará o pleno cumprimento do artigo 175, garantindo o
posição das unidades da rede municipal de ensino público, dos
direito de opção pelos servidores em questão, ou mediante a cartórios, dos sindicatos, das associações de moradores, de bair-
adoção, inclusive, de concurso público para suprir os cargos ou ros e favelas, dos quartéis, das igrejas e de outras instituições
empregos vagos. representativas da comunidade, gratuitamente, de modo que
Art. 17 O próximo censo escolar deverá ser realizado no ano possa o cidadão tomar conhecimento desta Lei.
de 1992, coincidindo com o último ano do atual governo muni- Art. 25 O Poder Executivo encaminhará a Câmara Munici-
cipal. pal, no prazo previsto na Constituição Federal, o Plano de Cargos
Art. 18 O Poder Público definirá, no prazo máximo de 06 e Salários para os servidores da administração direta, autárquica
(seis) meses, na forma da lei, entre as categorias de unidade de e fundacional.
conservação estabelecida pela Resolução CONAMA nº 11 de 03 Parágrafo Único - Na elaboração do Plano será garantida a
de dezembro de 1987, aquelas adequadas à proteção das áreas participação do funcionalismo municipal, através de suas enti-
de preservação permanentes. dades representativas.
Art. 19 A contar da promulgação da Lei Orgânica, no prazo Art. 26 Fica estipulado o prazo previsto na Constituição Fe-
máximo de 05 (cinco) meses, exploradores de recursos minerais deral para que o Poder Legislativo implante o Plano de Cargos e
ficam obrigados a apresentar ao órgão público competente um Salários.
projeto de recuperação de áreas degradadas. Art. 27 O Poder Público Municipal contará com o prazo de
Parágrafo Único - A inobservância deste preceito sujeitará o 06 (seis) meses para dar cumprimento ao inciso V do artigo 218
infrator à cassação do alvará de funcionamento. da Seção I do Capítulo IV, Título V.
Art. 20 Fica estabelecido o prazo de até 12 (doze) meses, a Art. 28 No prazo de 02 (dois) anos, a contar da promulga-
partir da promulgação desta Lei, para o Executivo apresentar a ção desta Lei Orgânica, ficam obrigadas as diretoras das escolas
CAES (Comissão de Análise Especial) criada pela Lei Municipal nº municipais a cumprir os requisitos a que refere o artigo 236, §
659/87, os Planos de trabalho contendo metodologia, normas, 1º desta Lei.
cronogramas e custo para as seguintes atividades: Art. 29 No prazo de 12 (doze) meses o Poder Executivo de-
I - levantamento, mapeamento e cadastro fundiário do Mu- verá criar uma legislação específica de turismo em nível Muni-
nicípio; cipal, enviando- a a apreciação e votação do Poder Legislativo.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 1º Obedecidas às normas constitucionais, na legislação Parágrafo Único - O Pagamento dos servidores será feito até
deste artigo, poderá o Poder Executivo conceder incentivos fis- o dia 05 (cinco) do mês subseqüente.
cais. Art. 38 Os Poderes Executivo e Legislativo do Município pro-
§ 2º Poderão ser beneficiadas as entidades que comprova- cederão, dentro de 02 (dois) anos, à reclassificação de todos os
damente investirem no turismo, obedecida à regulamentação seus servidores, mediante prova de títulos e concurso interno,
do órgão competente. observadas as seguintes disposições:
Art. 30 Fica estabelecido o prazo máximo de 12 (doze) me- I - serão transformados os cargos anteriormente regidos
ses, a contar da promulgação desta Lei, para que os poderes Exe- pela Consolidação das Leis do Trabalho, incluídos no Regime
cutivos e Legislativos dêem início ao processo de elaboração das Único de que tratam a Lei Municipal nº 765, de 17 de novembro
leis que complementarão desta Lei Orgânica. de 1989, e a Resolução nº 1.888, de 06 de dezembro de 1989,
Parágrafo Único - As Comissões Permanentes da Câmara enquadrados os excedentes em Quadro Suplementar.
Municipal elaborarão, no prazo de iniciativa deste artigo, os pro- II - idêntico procedimento será adotado com servidor de um
jetos do Legislativo, em matéria do âmbito de sua competência Poder, colocado à disposição de outro, que opte pelo exercício
específica, de forma a serem discutidos e convertidos em reso- definitivo na situação atual;
lução. III - será realizada uma reclassificação geral, com enquadra-
Art. 31 A revisão desta Lei Orgânica será realizada após a da mento que corrija os desvios de funções, colocados os exceden-
Constituição do Estado do Rio de Janeiro, pelo voto de 2/3 (dois tes em Quadro Suplementar, nela incluídos os servidores de que
terços) dos membros da Câmara Municipal. tratam os incisos anteriores.
Art. 32 Dentro de 90 (noventa) dias, a contar da publica- Art. 39 Ficam as empresas concessionárias dos transpor-
ção desta Lei Orgânica, o Executivo e o Legislativo, através de, tes coletivos urbanos obrigados a retirar dos veículos qualquer
respectivamente, Lei e Resolução, compatibilizarão as compe- equipamento que dificulte ou impeça o passageiro a se locomo-
tências mútuas das Procuradorias respectivas, de forma a har- ver em qualquer direção, exceto retorno à roleta, num prazo má-
monizar a atuação jurídica de ambas nos estritos limites de suas ximo de 360 (trezentos e sessenta) dias, a partir da promulgação
competências, cabendo: desta Lei Orgânica.
I - à Procuradoria Geral do Município a representação, em Art. 40 A aprovação do projeto de parcelamento ou edifica-
juízo ou fora dele, da cidade como um todo; ção deverá obedecer à legislação vigente à época de sua aprova-
II - à Procuradoria Geral da Câmara Municipal, tudo que ção, independentemente da legislação vigente de sua protoco-
diga respeito à legitimidade dos atos do Legislativo, a sustenta- lização, assegurado o prazo máximo de 12 (doze) meses para o
ção desta em juízo ou fora dele, inclusive no que tange a diver- licenciamento das obras.
gências com o próprio Executivo. § 1º O prazo máximo para conclusão das fundações será de
Art. 33 A Fundação Municipal de Saúde de Niterói terá 12 (doze) meses, contados do licenciamento da obra, sob pena
suas finalidades e formas de administração regulamentadas, de do projeto ser reanalisado com base na legislação que estiver
modo a ajustar- se às normas Constitucionais, à atual Lei Orgâni- em vigor.
ca da Saúde e à presente Lei. § 2º Os prazos de licenciamento das edificações coletivas e
Art. 34 No prazo máximo de 06 (seis) meses, a contar da arruamentos serão de 24 meses, podendo ser alterados, a cri-
promulgação desta Lei Orgânica, a Comissão Executiva da Câ- tério do órgão municipal competente, com a apresentação pré-
mara Municipal deverá realizar um Censo de seus funcionários. via de cronograma físico, de modo a se evitar a proliferação de
§ 1º Constatado o fato de algum servidor acumular dois ou obras inacabadas, salvo casos de excepcionalidade.
mais empregos públicos, deverá o mesmo optar por um deles, Art. 41 É vetada a ampliação dos serviços educacionais
de acordo com o artigo 37, incisos XVI e XVII, da Constituição prestados pelo Poder Público Municipal para os níveis ulterio-
Federal. res, enquanto não estiver plenamente atendida a demanda do
§ 2º Excluem-se do disposto no parágrafo anterior os ocu- pré-escolar e de 1º grau.
pantes de cargo em comissão ou de confiança. Art. 42 Esta Lei Orgânica, aprovada e assinada pelos inte-
§ 3º Para efeito do Censo referido no caput deste artigo, grantes da Câmara Municipal, será promulgada pela Mesa e en-
deverá ser realizado um estudo de todos os setores da admi- trará em vigor na data de sua promulgação, revogadas as dispo-
nistração, objetivando o número de funcionários estritamente sições em contrário.
necessários.
Art. 35 Ficam garantidas todas as conquistas sociais e popu- MESA DIRETORA
lares não explícitas nesta Lei Orgânica e prescritas pelas Cons- 2011
tituições Federal e Estadual, exceto as que, objeto de argüição
de inconstitucionalidade, deixarem de compor o texto das Leis PLANO DIRETOR (LEI Nº 3.385/19).
Constitucionais referidas.
Art. 36 Ficam anistiados os servidores demitidos pelos atos
do Poder Executivo de nºs. 342 e 343, de 23 de julho de 1975, Prezado Candidato, a lei supracitada não está disponível no
com a imediata readmissão, sem direito a qualquer ressarcimen- órgão responsável, para que seus estudos não sejam lesionados
to. estamos disponibilizando o Plano Diretor disponível na Câmara
Art. 37 O Município formulará, com antecedência de pelo municipal de Niterói
menos seis meses, o calendário de pagamento dos servidores
municipais.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

INSTITUE O PLANO DIRETOR DE NITERÓI. VII - promover e incentivar o turismo como fator de de-
senvolvimento econômico e social, respeitando e valorizando
A CÂMARA MUNICIPAL DE NITERÓI DECRETA E EU SANCIO- o Patrimônio Cultural e Natural e observando as peculiaridades
NO E PROMULGO A SEGUINTE LEI: locais;
VIII - valorizar o Patrimônio Cultural, reforçando o senti-
TÍTULO I mento de cidadania e proporcionando o reencontro do habitan-
DA POLÍTICA URBANA te com sua Cidade;
IX - estimular a implantação de sistemas de circulação viária
CAPÍTULO I e de transportes coletivos não poluentes e prevalentes sobre o
DOS OBJETIVOS transporte individual, assegurando acessibilidade satisfatória a
todas as regiões da Cidade;
Art. 1º O Plano Diretor é o Instrumento básico da Política de X - reduzir os deslocamentos casas-atividades por meio de
Desenvolvimento Urbano, parte integrante do processo contí- criteriosa distribuição das atividades econômicas no território
nuo de planejamento, que deverá contar com a participação da municipal;
coletividade, orientando agentes públicos e privados que atuam XI - promover a distribuição dos serviços públicos e dos
na produção e gestão da Cidade. equipamentos urbanos e comunitários de forma socialmente
Art. 2º O Plano Diretor tem como objetivo orientar o pleno justa e espacialmente equilibrada, garantindo reserva suficien-
desenvolvimento das diversas funções sociais da Cidade e garan- te de terras públicas municipais, adequadas para implantação
tir o resgate da dignidade urbana, o bem-estar e a melhoria da de equipamentos urbanos e comunitários, de áreas verdes e de
qualidade de vida de seus habitantes, com utilização de critérios programas habitacionais;
ecológicos e de justiça social. XII - definir instrumentos para a atuação conjunta do setor
Parágrafo Único - Por função social da Cidade entende-se o público e privado visando à efetivação das transformações urba-
direito de todo o cidadão ter acesso à moradia, transporte pú- nísticas necessárias ao desenvolvimento da Cidade;
blico, saneamento básico, energia elétrica, iluminação pública, XIII - perseguir mecanismos para integração do Município
saúde, educação, segurança, cultura, lazer, recreação e à pre- de Niterói com o Estado do Rio de Janeiro, com a União e com os
servação, proteção e recuperação dos Patrimônios Ambiental, Municípios do Estado, especialmente com aqueles limítrofes, no
Arquitetônico e Cultural da Cidade. que diz respeito aos interesses comuns.
Art. 3º Constituem objetivos estratégicos do Plano Diretor: Art. 4º O Plano Diretor orienta os processos de desenvolvi-
I - compatibilizar o uso e a ocupação do solo com a prote- mento urbano para a realização da política urbana e ambiental
ção do meio ambiente natural e construído, reprimindo a ação do Município.
especulativa e propiciando melhores condições de acesso à ter- § 1º As Leis Municipais de Diretrizes Orçamentárias, do
ra, habitação, trabalho, transportes, equipamentos públicos e Orçamento Plurianual de Investimentos e do Orçamento Anual
serviços urbanos para o conjunto da população, evitando-se a observarão as orientações e diretrizes estabelecidas nesta Lei.
ociosidade ou a saturação dos investimentos coletivos em infra- § 2º As intervenções de órgãos federais, estaduais e mu-
estrutura e equipamentos instalados; nicipais na Cidade de Niterói deverão estar de acordo com as
II - estabelecer, considerando que o Município de Niterói determinações desta Lei.
integra a Região Metropolitana do Rio de Janeiro, novas alter-
nativas de transportes com os municípios vizinhos e novas al- CAPÍTULO II
ternativas econômicas compatíveis com as condições naturais e DA FUNÇÃO SOCIAL DA PROPRIEDADE
econômicas da região onde se insere;
III - viabilizar a urbanização e a regularização fundiária das Art. 5º O exercício do direito de propriedade dos bens
áreas ocupadas por população de baixa renda; imóveis atenderá a sua função social quando condicionado às
IV - estabelecer um sistema de planejamento urbano e am- funções sociais da Cidade e às exigências desta Lei, subordinan-
biental, que garanta a integração dos agentes setoriais de plane- do-se os direitos decorrentes da propriedade individual aos in-
jamento e de execução da Administração Municipal e assegure a teresses da coletividade.
participação da sociedade civil nos processos de planejamento, Parágrafo Único - O direito de construir atenderá a função
implementação, avaliação e revisão das diretrizes do Plano Di- social da propriedade imobiliária.
retor; Art. 6º Para cumprir sua função social, a propriedade deve
V - proporcionar uma melhoria da qualidade ambiental atender, simultaneamente, no mínimo as seguintes exigências:
através do controle da utilização dos recursos naturais, da recu- I - aproveitamento e utilização para atividades inerentes
peração das áreas deterioradas e da preservação do Patrimônio ao cumprimento das funções sociais da Cidade, em intensidade
Natural e Paisagístico; compatível com a capacidade de atendimento dos equipamen-
VI - orientar o desenvolvimento econômico da Cidade, res- tos e serviços públicos;
peitadas suas tradições e vocações, de forma a ampliar as opor- II - aproveitamento e utilização compatíveis com a preser-
tunidades de desenvolvimento para a economia do Município vação da qualidade do meio ambiente e do Patrimônio Cultural;
e, em particular, para os setores de serviços e de indústrias não III - aproveitamento e utilização compatíveis com a seguran-
poluentes; ça e saúde de seus usuários e da vizinhança.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 7º O Município, por interesse público, usará os instru- § 1º A propriedade urbana cumpre sua função social quan-
mentos previstos nesta Lei para assegurar o cumprimento da do atende às exigências fundamentais de ordenação da Cidade
função social da propriedade. expressas na forma da Lei, assegurando o atendimento das ne-
cessidades dos cidadãos quanto à qualidade de vida, à justiça
TÍTULO I social e ao desenvolvimento das atividades econômicas.
DA POLÍTICA URBANA § 2º Os Instrumentos mencionados neste artigo regem-se
CAPÍTULO III pela legislação que lhes é própria, observado o disposto nesta
DOS INSTRUMENTOS EM GERAL (REDAÇÃO DADA PELA LEI Lei.
Nº 2123/2004) § 3º Os Instrumentos previstos neste artigo que demandam
dispêndio de recursos por parte do poder público municipal de-
Art. 8º Consideram-se Instrumentos implementadores do vem ser objeto de controle social, garantida a participação de
Plano Diretor, sem prejuízo dos Instrumentos urbanísticos rela- comunidades, movimentos e entidades da sociedade civil atra-
cionados no artigo 311 da Lei Orgânica do Município, com o ob- vés de:
jetivo de fazer cumprir a função social da propriedade urbana: I - promoção de audiências públicas e debates com a partici-
I - Instrumentos de Planejamento Municipal: pação da população e de associações representativas dos vários
a) Plano Diretor; segmentos da comunidade;
b) Lei de Parcelamento, II - publicidade quanto aos documentos e informações pro-
c) Lei de Uso e Ocupação do Solo; duzidos;
d) Zoneamento Ambiental; III - acesso de qualquer interessado aos documentos e infor-
e) planos, programas, projetos setoriais; mações produzidos;
f) Planos Urbanísticos Regionais (PUR); IV - apreciação nos conselhos municipais competentes.
g) Plano Plurianual; § 4º Fica o Poder Executivo autorizado a celebrar Convênios,
h) Lei de Diretrizes Orçamentárias e Orçamento Anual; Contratos e Consórcios com outros Municípios e Órgãos da Ad-
i) gestão orçamentária participativa; ministração Direta, Indireta e Fundacional do Estado e da União,
j) planos de desenvolvimento econômico e social; para a consecução dos objetivos e diretrizes definidos nesta Lei.
l) Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA) (Redação acrescida pela Lei nº 2123/2004)
m) Estudo Prévio de Impacto de Vizinhança (EIV).
II - institutos tributários e financeiros: TÍTULO I
a) Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana DA POLÍTICA URBANA
(IPTU); CAPÍTULO III
b) Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana DOS INSTRUMENTOS
(IPTU) progressivo no tempo; SEÇÃO I
c) Fundo Municipal de Urbanização, Habitação e Regulari- DO IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE PREDIAL E TERRITO-
zação Fundiária; RIAL URBANA (IPTU) PROGRESSIVO NO TEMPO (REDAÇÃO
d) Fundo Municipal de Conservação Ambiental (FMCA); DADA PELA LEI Nº 2123/2004)
e) contribuição de melhoria;
f) incentivos e benefícios fiscais e financeiros;
Art. 9º Em caso de descumprimento das obrigações decor-
III - institutos jurídicos e políticos:
rentes da incidência de parcelamento, edificação ou utilização
a) desapropriação;
compulsórias, ou de qualquer de suas condições ou prazos, o
b) servidão administrativa;
Município procederá à aplicação do Imposto sobre a Proprie-
c) limitações administrativas;
dade Predial e Territorial Urbana (IPTU) progressivo no tempo,
d) tombamento de imóveis ou de mobiliário urbano;
mediante a majoração da alíquota pelo prazo de cinco anos con-
e) instituição de unidades de conservação;
secutivos.
f) instituição de Áreas de Especial Interesse;
§ 1º O Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Ur-
g) concessão de direito real de uso;
h) concessão de uso especial para fins de moradia; bana (IPTU) poderá ainda ser progressivo no tempo de forma
i) parcelamento, edificação ou utilização compulsórios; a assegurar a função social da propriedade, nos termos do art.
j) usucapião especial de imóvel urbano; 156, § 1º, da Constituição Federal de 1988, nos vazios urbanos
l) direito de superfície; e em Áreas de Especial Interesse Social criadas para fins de im-
m) direito de preempção; plantação de programas ou projetos habitacionais de baixa ren-
n) outorga onerosa do direito de construir (solo criado) e de da.
alteração de uso; § 2º O valor da alíquota a ser aplicado a cada ano será fixado
o) transferência do direito de construir; na mesma lei específica que determinar a incidência do parcela-
p) operações urbanas consorciadas; mento, edificação ou utilização compulsórias, e não excederá a
q) regularização fundiária; duas vezes o valor referente ao ano anterior, respeitada a alíquo-
r) assistência técnica e jurídica gratuita para as comunida- ta máxima de quinze porcento.
des e grupos sociais menos favorecidos;
s) referendo popular e plebiscito;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 3º Caso a obrigação de parcelar, edificar ou utilizar não a) por funcionário do órgão competente do poder público
esteja atendida em cinco anos, o Município manterá a cobrança municipal, ao proprietário do imóvel ou, no caso de este ser
pela alíquota máxima, até que se cumpra a referida obrigação, pessoa jurídica, a quem tenha poderes de gerência geral ou ad-
garantida a prerrogativa do Município proceder à desapropria- ministração;
ção do imóvel, com pagamento em títulos da dívida pública, na b) por edital quando frustrada, por três vezes, a tentativa de
forma da Lei. notificação na forma prevista na alínea a deste parágrafo.
§ 4º É vedada a concessão de reduções, isenções ou de anis- § 7º A transmissão do imóvel, por ato inter vivos ou causa
tia relativas à tributação progressiva de que trata este artigo. mortis, posterior à data da notificação, transfere as obrigações
§ 5º O IPTU progressivo no tempo de que trata este arti- de parcelamento, edificação ou utilização prevista no caput des-
go não incidirá sobre terrenos até duzentos e cinquenta metros te artigo, sem interrupção de quaisquer prazos.
quadrados, cujos proprietários não tenham mais outro imóvel § 8º O poder público municipal poderá facultar ao proprie-
urbano no Município de Niterói. (Redação dada pela Lei nº tário de área atingida pela obrigação de parcelamento, edifica-
2123/2004) ção ou utilização compulsórios, a requerimento deste, o estabe-
lecimento de consórcio imobiliário como forma de viabilização
TÍTULO I financeira do aproveitamento do imóvel.
DA POLÍTICA URBANA I - considera-se consórcio imobiliário a forma de viabiliza-
CAPÍTULO III ção de planos de urbanização ou edificação por meio da qual o
DOS INSTRUMENTOS proprietário transfere ao poder público municipal seu imóvel e,
SEÇÃO II após a realização das obras, recebe, como pagamento, unidades
DO PARCELAMENTO, EDIFICAÇÃO OU UTILIZAÇÃO COM- imobiliárias devidamente urbanizadas ou edificadas;
PULSÓRIOS (REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 2123/2004) II - o valor das unidades imobiliárias a serem entregues ao
proprietário será correspondente ao valor do imóvel antes da
Art. 10 O parcelamento, edificação ou utilização compulsó- execução das obras, observado o valor real da indenização, que
rios do solo urbano não edificado, subutilizado ou não utilizado refletirá o valor da base de cálculo do IPTU, descontado o mon-
poderão ser aplicados em toda a Zona Urbana do Município de tante incorporado em função de obras realizadas pelo Poder
Niterói, devendo os prazos e as condições para implementação Público na área onde o mesmo se localiza após a notificação de
serem fixados em lei municipal específica. que trata o § 6º deste artigo, e não computará expectativas de
§ 1º Considera-se subutilizado o imóvel cujo aproveitamen- ganhos, lucros cessantes e juros compensatórios. (Redação dada
to seja inferior ao mínimo a ser definido nos Planos Urbanísticos pela Lei nº 2123/2004)
Regionais (PUR) ou em legislação específica.
§ 2º O parcelamento e edificação compulsórios não pode- DA OUTORGA ONEROSA DO DIREITO DE CONSTRUIR
rão incidir sobre áreas de preservação permanente, Áreas de (SOLO CRIADO) E DA ALTERAÇÃO DE USO DO SOLO
Especial Interesse Ambiental, unidades de conservação de pro-
teção integral, Zonas de Conservação da Vida Silvestre, Zonas de Art. 11 O direito de construir será oneroso em toda a Zona
Preservação da Vida Silvestre, Parques Urbanos, áreas que com- Urbana do Município de Niterói, sempre que o coeficiente de
põem a Zona de Restrição à Ocupação Urbana e sobre terrenos aproveitamento do terreno for superior ao coeficiente básico de
até duzentos e cinquenta metros quadrados, cujos proprietários aproveitamento do terreno respeitado os limites máximos dos
não tenham mais outro imóvel urbano no Município de Niterói. parâmetros urbanísticos estabelecidos para o local nos Planos
§ 3º A edificação ou utilização compulsória poderão ser Urbanísticos Regionais (PUR).
exigidas quando as edificações estiverem em ruínas ou tenham § 1º Os Planos Urbanísticos Regionais (PUR) poderão indicar
sido objeto de demolição, abandono, desabamento ou incêndio, frações urbanas isentas da outorga onerosa do direito de cons-
ou que de outra forma não cumpram a função social da proprie- truir (solo criado).
dade urbana. § 2º Estão isentas da outorga onerosa do direito de cons-
§ 4º Os prazos a que se referem o caput deste artigo serão: truir (solo criado) as edificações residenciais individuais, hospi-
I - de 01 (um) ano, a partir da notificação, para que seja pro- tais, escolas, hotéis e pousadas, e empreendimentos habitacio-
tocolado o projeto no órgão municipal competente; nais de interesse social destinados à população de baixa renda
II - de 02 (dois) anos, no mínimo, e de 05 (cinco) anos, no classificada de acordo com legislação específica.
máximo, a partir da aprovação do projeto, para iniciar as obras § 3º A cobrança da outorga onerosa do direito de construir
do empreendimento. será definida pela fórmula:
§ 5º Em empreendimentos de grande porte, em caráter ex- SC = [(Ca - Cb)² / FC] x VV, sendo: SC = valor do solo criado,
cepcional, a lei municipal específica a que se refere o caput po- Ca = coeficiente de aproveitamento do terreno, Cb = coeficiente
derá prever a conclusão em etapas, assegurando-se que o pro- de aproveitamento básico, FC = fator de correção, VV = valor
jeto aprovado compreenda o empreendimento como um todo. venal do terreno, utilizado para o cálculo do Imposto sobre a
§ 6º O proprietário será notificado pelo Poder Executivo Propriedade Territorial e Urbana (IPTU).
Municipal para o cumprimento da obrigação, devendo a notifi- § 4º O coeficiente de aproveitamento do terreno (Ca) é
cação ser averbada no cartório de registro de imóveis. obtido pela divisão da área edificável computável pela área do
I - a notificação far-se-á: terreno.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 5º Entende-se por área edificável computável a soma da § 5º Não será permitida a transferência de área construída
área construída das unidades privativas situadas no embasa- acima da capacidade da infraestrutura local ou que gere impac-
mento e na cobertura e do somatório da área de todos os pa- tos no Sistema Viário, degradação ambiental e da qualidade de
vimentos da lâmina, descontadas as áreas de varandas e jardi- vida da população local. (Redação dada pela Lei nº 2123/2004)
neiras.
§ 6º Os Planos Urbanísticos Regionais (PUR) e a regulamen- TÍTULO I
tação das áreas de especial interesse definirão o coeficiente de DA POLÍTICA URBANA
aproveitamento básico e o fator de correção cada fração urbana. CAPÍTULO III
§ 7º O valor a ser pago como contrapartida do beneficiário DOS INSTRUMENTOS
será fixado pelo índice utilizado pelo Município no momento da SEÇÃO III
expedição da licença de construir, podendo o seu pagamento ser DAS OPERAÇÕES URBANAS CONSORCIADAS (REDAÇÃO
efetuado em parcelas mensais e sucessivas, no prazo da licença DADA PELA LEI Nº 2123/2004)
de obras expedida e, no máximo, em trinta e seis parcelas, fi-
cando o respectivo aceite condicionado à quitação de todas as Art. 13 Considera-se operação urbana consorciada o con-
parcelas. junto de intervenções e medidas coordenadas pelo poder públi-
§ 8º O atraso no pagamento do valor a ser pago como con- co municipal, com a participação dos proprietários, moradores,
trapartida do beneficiário implicará na incidência sobre seu va- usuários permanentes e investidores privados, com o objetivo
lor de multa de dez porcento, além de juros de mora de 0,3% ao de alcançar em uma área transformações urbanísticas estrutu-
dia. (Redação dada pela Lei nº 2123/2004) rais, melhorias sociais e a valorização ambiental.
§ 1º Poderão ser previstas nas operações urbanas consor-
DA TRANSFERÊNCIA DO DIREITO DE CONSTRUIR ciadas, entre outras medidas:
I - a modificação de índices e características de parcelamen-
Art. 12 O proprietário de imóvel urbano, privado ou público, to, uso e ocupação do solo e subsolo, bem como alterações dos
poderá exercer em outro local o direito de construir, ou aliená- índices urbanísticos, considerado o impacto ambiental delas de-
-lo, mediante escritura pública, quando o respectivo imóvel for correntes;
considerado necessário para fins de: II - a regularização de construções, reformas ou ampliações
I - implantação de equipamentos urbanos e comunitários; executadas em desacordo com a legislação vigente.
II - preservação, quando o imóvel for considerado de inte- § 2º As operações urbanas consorciadas, após a elaboração
resse ambiental, arqueológico, cultural, histórico, paisagístico Estudo de Impacto de Vizinhança - EIV e aprovação do respec-
ou social; tivo Relatório de Impacto de Vizinhança - RIV, serão aprovadas,
III - servir a programas de regularização fundiária, urbaniza- caso a caso, por lei municipal específica, que delimitará a área
ção de áreas ocupadas por população de baixa renda e implan- para aplicação e estabelecerá o plano da operação, contendo,
tação de habitação de interesse social. no mínimo:
§ 1º A mesma faculdade prevista neste artigo poderá ser I - definição da área a ser atingida;
concedida ao proprietário que doar ao Poder Público seu imó- II - programa básico de ocupação da área, com as medidas
vel, ou parte dele, para os fins previstos nos incisos I a III do previstas nos incisos I e II do § 1º deste artigo que serão incluí-
caput deste artigo. das, definindo-se o potencial adicional de construção que a área
§ 2º A aplicação do Instrumento previsto no caput deste ar- poderá receber e os gabaritos máximos que deverão ser respei-
tigo fica condicionada ao abastecimento d`água e esgotamento tados;
sanitário no imóvel de recepção do direito de construir, e à apre- III - programa de atendimento econômico e social para a
sentação de Estudo de Impacto de Vizinhança - EIV nos casos em população diretamente afetada pela operação;
que o acréscimo de potencial transferido somado à área permi- IV - finalidades da operação;
tida enquadrar a edificação na exigência da sua elaboração. V - estudo prévio de impacto de vizinhança e respectivo re-
§ 3º A transferência do direito de construir será estabele- latório com parecer conclusivo;
cida por lei municipal específica, caso a caso, especificando-se: VI - contrapartida a ser exigida dos proprietários, usuários
I - definição do imóvel doador do direito de construir, do permanentes e investidores privados em função da utilização
respectivo potencial de construção a ser transferido e da finali- das medidas previstas nos incisos I ou II do § 1º deste art.;
dade a ser dada ao mesmo imóvel; VII - forma de controle da operação, obrigatoriamente com-
II - definição do imóvel receptor, do potencial adicional de partilhado com representação da sociedade civil.
construção que o mesmo poderá receber e de todos os índices § 3º Os recursos obtidos pelo poder público municipal na
urbanísticos; forma do inciso VI deste artigo serão aplicados exclusivamente
III - as recomendações do Relatório de Impacto de Vizinhan- na própria operação urbana consorciada.
ça - RIV. § 4º A partir da aprovação da lei específica de que trata o
§ 4º É vedada a aplicação da transferência do direito de caput, são nulas as licenças e autorizações a cargo do poder pú-
construir de áreas de risco e de preservação permanente con- blico municipal expedidas em desacordo com o plano de opera-
sideradas non aedificandi nos termos da legislação pertinente. ção urbana consorciada. (Redação dada pela Lei nº 2123/2004)

68
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 14 A lei específica que aprovar a operação urbana con- II - execução de programas e projetos habitacionais de in-
sorciada poderá prever a emissão pelo Município de quantidade teresse social;
determinada de certificados de potencial adicional de constru- III - constituição de reserva fundiária;
ção, que serão alienados em leilão ou utilizados diretamente no IV - ordenamento e direcionamento da expansão urbana;
pagamento das obras necessárias à própria operação. V - implantação de equipamentos urbanos e comunitários;
§ 1º Os certificados de potencial adicional de construção VI - criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes;
serão livremente negociados, mas conversíveis em direito de VII - criação de unidades de conservação ou proteção de
construir unicamente na área objeto da operação. outras áreas de interesse ambiental;
§ 2º Apresentado pedido de licença para construir, o cer- VIII - proteção de áreas de interesse histórico, cultural, pai-
tificado de potencial adicional será utilizado no pagamento da sagístico ou arqueológico.
área de construção que supere os padrões estabelecidos pela § 1º O direito de preempção será definido por lei munici-
legislação de uso e ocupação do solo, até o limite fixado pela lei pal, que deverá enquadrar cada imóvel em que incidirá o direito
específica que aprovar a operação urbana consorciada. (Reda- de preempção em uma ou mais das finalidades enumeradas no
ção dada pela Lei nº 2123/2004) caput deste artigo, e deverá fixar o seu prazo de vigência, não
superior a cinco anos, renovável a partir de um ano após o de-
TÍTULO I
curso do prazo inicial de vigência.
DA POLÍTICA URBANA
§ 2º O direito de preempção fica assegurado durante o pra-
CAPÍTULO III
zo de vigência fixado na forma do § 1º deste artigo, independen-
DOS INSTRUMENTOS
SEÇÃO IV temente do número de alienações referentes ao mesmo imóvel.
DA DESAPROPRIAÇÃO COM PAGAMENTO EM TÍTULOS (RE- § 3º O proprietário deverá notificar sua intenção de alienar
DAÇÃO DADA PELA LEI Nº 2123/2004) o imóvel, para que o Município, no prazo máximo de trinta dias,
manifeste por escrito seu interesse em comprá-lo.
Art. 15 Decorridos cinco anos de cobrança do IPTU progres- § 4º À notificação mencionada § 3º será anexada propos-
sivo sem que o proprietário tenha cumprido a obrigação de par- ta de compra assinada por terceiro interessado na aquisição do
celamento, edificação ou utilização, o Município poderá proce- imóvel, da qual constará preço, condições de pagamento e prazo
der à desapropriação do imóvel, com pagamento em títulos da de validade.
dívida pública. § 5º O Município fará publicar, em órgão oficial e em pelo
§ 1º Os títulos da dívida pública terão prévia aprovação pelo menos um jornal local ou regional de grande circulação, edital
Senado Federal e serão resgatados no prazo de até dez anos, em de aviso da notificação recebida nos termos § 3º e da intenção
prestações anuais, iguais e sucessivas, assegurados o valor real de aquisição do imóvel nas condições da proposta apresentada.
da indenização e os juros legais de seis porcento ao ano. § 6º Transcorrido o prazo mencionado no caput sem ma-
§ 2º O valor real da indenização refletirá o valor da base de nifestação, fica o proprietário autorizado a realizar a alienação
cálculo do IPTU, descontado o montante incorporado em função para terceiros, nas condições da proposta apresentada.
de obras realizadas pelo Poder Público na área onde o mesmo § 7º Concretizada a venda a terceiro, o proprietário fica
se localiza após a notificação de que trata o § 2º do art. 5º desta obrigado a apresentar ao Município, no prazo de trinta dias, có-
Lei, não podendo computar expectativas de ganhos, lucros ces- pia do Instrumento público de alienação do imóvel.
santes e juros compensatórios. § 8º A alienação processada em condições diversas da pro-
§ 3º Os títulos de que trata este artigo não terão poder libe- posta apresentada é nula de pleno direito.
ratório para pagamento de tributos. § 9º Ocorrida à hipótese prevista no § 8º deste artigo o Mu-
§ 4º O Município procederá ao adequado aproveitamento nicípio poderá adquirir o imóvel pelo valor da base de cálculo do
do imóvel no prazo máximo de cinco anos, contado a partir da IPTU ou pelo valor indicado na proposta apresentada, se este for
sua incorporação ao Patrimônio Público. inferior àquele. (Redação dada pela Lei nº 2123/2004)
§ 5º O aproveitamento do imóvel poderá ser efetivado di-
retamente pelo Poder Público ou por meio de alienação ou con-
TÍTULO I
cessão a terceiros, na forma da Lei.
DA POLÍTICA URBANA
§ 6º Ficam mantidas para o adquirente de imóvel nos ter-
CAPÍTULO III
mos do § 5º deste artigo as mesmas obrigações de parcelamen-
to, edificação ou utilização previstas no art. 10 desta Lei. (Reda- DOS INSTRUMENTOS
ção dada pela Lei nº 2123/2004) SEÇÃO V
DO ESTUDO DE IMPACTO DE VIZINHANÇA (REDAÇÃO
DO DIREITO DE PREEMPÇÃO (REDAÇÃO ACRESCIDA PELA DADA PELA LEI Nº 2123/2004)
LEI Nº 2123/2004)
Art. 17 Lei municipal definirá os empreendimentos e ati-
Art. 16 O direito de preempção confere ao poder público vidades privados ou públicos em área urbana que dependerão
municipal preferência para aquisição de imóvel urbano objeto de elaboração de estudo prévio de impacto de vizinhança (EIV)
de alienação onerosa entre particulares, que poderá ser exerci- para obter as licenças ou autorizações de construção, ampliação
do sempre que o Poder Público necessitar de áreas para: ou funcionamento a cargo do poder público municipal.
I - regularização fundiária;

69
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

§ 1º O EIV será executado de forma a contemplar os efeitos II - execução de programas e projetos habitacionais de in-
positivos e negativos do empreendimento ou atividade quanto teresse social;
à qualidade de vida da população residente na área e suas pro- III - constituição de reserva fundiária;
ximidades, incluindo a análise, no mínimo, das seguintes ques- IV - ordenamento e direcionamento da expansão urbana;
tões: V - implantação de equipamentos urbanos e comunitários;
I - adensamento populacional; VI - criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes;
II - equipamentos urbanos e comunitários; VII - criação de unidade de conservação ou proteção de ou-
III - uso e ocupação do solo; tras áreas de interesse ambiental;
IV - valorização imobiliária; VIII - proteção de áreas de interesse arqueológico, histórico,
V - geração de tráfego e demanda por transporte público; cultural, ambiental ou paisagístico.
VI - ventilação e iluminação; § 3º Os recursos auferidos com a adoção da outorga onero-
VII - paisagem urbana e Patrimônio Natural e Cultural; sa do direito de construir - solo criado - serão aplicados somente
VIII - nível de ruídos; com as seguintes finalidades, garantida uma alocação mínima
IX - qualidade do ar; de 30% para as ações referidas nos itens I, II e II:
X - vegetação e arborização urbana; I - regularização fundiária;
XI - capacidade da infraestrutura de saneamento. II - execução de programas e projetos habitacionais de in-
§ 2º Dar-se-á publicidade aos documentos integrantes do teresse social;
EIV, que ficarão disponíveis para consulta, no órgão competente III - constituição de reserva fundiária;
do poder público municipal, por qualquer interessado. IV - ordenamento e direcionamento da expansão urbana;
§ 3º A elaboração do EIV não substitui a elaboração e a V - implantação de equipamentos urbanos e comunitários;
aprovação de Estudo Prévio de Impacto Ambiental (EIA), reque- VI - criação de espaços públicos de lazer e áreas verdes;
ridas nos termos da legislação ambiental. (Redação dada pela VII - criação de unidade de conservação ou proteção de ou-
Lei nº 2123/2004) tras áreas de interesse ambiental;
VIII - proteção de áreas de interesse arqueológico, histórico,
CAPÍTULO IV cultural, ambiental ou paisagístico. (Redação acrescida pela Lei
DOS FUNDOS nº 2123/2004)
Art. 19 Os recursos do Fundo Municipal de Urbanização se-
Art. 18 Ficam criados o Fundo Municipal de Urbanização e o rão aplicados nas Áreas de Especial Interesse, prioritariamente
Fundo Municipal de Conservação Ambiental, de natureza finan- nas Áreas de Especial Interesse Social, e em planos e projetos es-
ceiro-contábil, vinculados à Secretaria Municipal de Urbanismo tabelecidos pelo Poder Executivo para cumprimento das diretri-
zes fixadas no Plano Diretor, devendo ser garantido um mínimo
e Meio Ambiente, que se constituirão dos seguintes recursos:
de 5% (cinco porcento) dos recursos para as ações de planeja-
I - as dotações orçamentárias;
mento da Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente.
II - as receitas decorrentes da aplicação de instrumentos
Parágrafo Único - Os recursos do Fundo Municipal de Con-
previstos nesta Lei;
servação Ambiental serão aplicados na implantação e gerencia-
III - o produto de Operações de Crédito celebradas com or-
mento das unidades municipais de conservação ambiental e na
ganismos nacionais ou internacionais;
realização das ações necessárias para o controle e a recuperação
IV - as subvenções, contribuições, transferências e partici-
ambiental.
pações do Município em convênios, contratos e consórcios, re-
lativos ao desenvolvimento urbano e à conservação ambiental; TÍTULO II
V - as doações, públicas ou privadas; DO ZONEAMENTO AMBIENTAL
VI - o resultado da aplicação de seus recursos;
VII - as receitas decorrentes da cobrança de multas por in- CAPÍTULO I
fração à legislação urbanística, edilícia e ambiental; DO MACROZONEAMENTO AMBIENTAL
VIII - as taxas de ocupação de terras públicas municipais;
IX - as receitas decorrentes da concessão onerosa da autori- Art. 20 O macrozoneamento ambiental condiciona o uso e
zação de construir (solo criado). a ocupação do solo no território municipal, dividindo-o nas se-
§ 1º As receitas decorrentes da cobrança de multas relati- guintes macrozonas, cuja delimitação encontra-se no Mapa 1,
vas à legislação ambiental constituirão recursos específicos do do Anexo VI, desta Lei:
Fundo Municipal de Conservação Ambiental e as decorrentes da I - Zona Urbana - aquela adequada à urbanização, efetiva-
cobrança de multas relativas à legislação urbanística e edilícia mente ocupada ou destinada à expansão da Cidade;
constituirão recursos específicos do Fundo Municipal de Urba- II - Zona de Restrição à Ocupação Urbana - aquela que
nização. abrange as áreas cujas condições físicas são adversas à ocupa-
§ 2º O Poder Executivo, no prazo de 180 (cento e oitenta) ção urbana por características geológicas, paisagísticas, topográ-
dias, a partir da data da publicação desta Lei, regulamentará, ficas, de cobertura vegetal e de importância para preservação de
mediante decreto, o funcionamento, a gestão e as normas de espécies nativas da flora e da fauna.
aplicação dos recursos dos Fundos Municipais criados no caput Parágrafo Único - As áreas incluídas na Zona de Restrição à
deste artigo. Ocupação Urbana terão seus critérios de uso e ocupação defini-
I - regularização fundiária; dos segundo suas destinações, através de legislação específica

70
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

ou dos Planos Urbanísticos Regionais, ficando garantidas as áre- d) Área de Especial Interesse Econômico, aquela onde há
as de preservação permanente através das Áreas de Especial In- interesse em preservar, implantar e incentivar alguma outra ati-
teresse Ambiental indicadas para criação no artigo 45 desta Lei. vidade econômica definida.
Art. 21 Na Zona Urbana o adensamento será prioritaria- IV - Interesse Urbanístico:
mente direcionado para os locais onde a infraestrutura urbana a) Área de Especial Interesse Urbanístico, aquela onde o Po-
instalada permita a intensificação controlada do uso e ocupação der Público Municipal tem interesse na implantação de projetos
do solo, secundariamente para aqueles onde a infraestrutura visando alcançar transformações urbanísticas e estruturais na
possa ser mais facilmente instalada e desestimulado nos locais Cidade e provê-la de equipamentos urbanos e serviços públicos;
que apresentem sinais de saturação. b) Área de Preservação do Ambiente Urbano, aquela que
testemunha a formação da Cidade e cujo significado se identifi-
CAPÍTULO II ca ainda com a escala tradicional, devendo, por essa razão, ter
DAS ÁREAS DE ESPECIAL INTERESSE protegidas e conservadas as principais relações ambientais dos
seus suportes físicos, constituídos pelos espaços de ruas, praças
Art. 22 As Áreas de Especial Interesse, permanentes ou e outros logradouros, bem como a volumetria das edificações
transitórias, poderão ser delimitadas no Município, a fim de se- em geral, e, ainda, para a qual deverão ser criados mecanismos
rem submetidas a um regime urbanístico específico, que defi- de estímulo para atividades típicas ou compatíveis com objeti-
nirá parâmetros e padrões de parcelamento, edificação, uso e vos de revitalização destas áreas, preservando e estimulando
ocupação do solo. seus aspectos socioeconômicos e culturais.
Art. 23 As Áreas de Especial Interesse são instrumentos da Art. 24 Além das Áreas de Especial Interesse criadas nesta
política urbana e ambiental e caracterizam-se por um interesse Lei, outras poderão ser instituídas posteriormente, por ato do
público definido, sendo classificadas nas seguintes categorias: Poder Executivo.
I - Interesse Social: § 1º O ato de que trata o caput deste artigo definirá seus
a) Área de Especial Interesse Social, aquela que apresenta: limites, denominação e diretrizes que orientarão a sua regula-
1. terreno público ou particular ocupado por favela ou con- mentação.
junto habitacional de população de baixa renda ou outras for- § 2º A Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente
mas de sub-habitação, onde se pretende promover a urbaniza- analisará, apreciará e encaminhará ao Chefe do Poder Executivo
ção e regularização jurídica da posse da terra; as propostas de criação das Áreas de Especial Interesse.
2. loteamento irregular, onde haja interesse público na pro- § 3º A regulamentação deverá ser feita no prazo máximo de
moção da regularização jurídica do parcelamento, da comple- 360 (trezentos e sessenta) dias após sua instituição, mediante
mentação da infraestrutura urbana ou dos equipamentos comu- ato do Poder Executivo.
nitários; § 4º A análise, apreciação e elaboração do ato de criação e
3. terreno não edificado, subutilizado ou não utilizado ne- regulamentação de Áreas de Preservação do Ambiente Urbano
cessário à implantação de programas habitacionais para popula- e de Áreas de Preservação do Ambiente Paisagístico serão feitas
ção de baixa renda, cabendo aplicação dos artigos 156 e 182 da conjuntamente pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio
Constituição Federal. Ambiente e pela Secretaria Municipal de Cultura.
II - Interesse Ambiental: § 5º Nas Áreas de Especial Interesse criadas o Poder Exe-
a) Área de Especial Interesse Ambiental, aquela destinada cutivo poderá determinar, temporariamente, em prazo nunca
à criação de unidades municipais de conservação ambiental e superior a 360 (trezentos e sessenta) dias, a suspensão de con-
para delimitação de áreas de preservação permanente; cessão de alvarás e o licenciamento de obras de edificações e
b) Área de Risco, aquela que pode expor as populações lo- acréscimos, de modificação de uso em edificações, de parcela-
cais a riscos de vida e prejuízos econômicos, tais como encostas mento e remembramento do solo, da abertura de logradouros e
com acentuados processos erosivos e locais sujeitos a inunda- a instalação de mobiliários urbanos.
ções;
c) Área de Preservação do Ambiente Paisagístico, aquela TÍTULO III
cuja ambiência contempla sítios ou paisagens de feição notável, DAS DIRETRIZES SETORIAIS
naturais ou agenciadas pelo homem, que importem preservar.
III - Interesse Econômico: CAPÍTULO I
a) Área de Especial Interesse Turístico, aquela onde há inte- DO DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO
resse público em se aproveitar o potencial turístico e para a qual
se façam necessários investimentos e intervenções visando ao Art. 25 Com o objetivo de orientar o desenvolvimento eco-
desenvolvimento da atividade turística; nômico ficam estabelecidas as seguintes diretrizes gerais:
b) Área de Especial Interesse Agrícola, aquela onde há inte- I - integração do Município de Niterói no processo de de-
resse público de preservar atividades agropecuárias e aquelas senvolvimento econômico da Região Metropolitana e do Estado
de apoio ao sistema da produção e comercialização agrícola; do Rio de Janeiro;
c) Área de Especial Interesse Pesqueiro, aquela onde há in- II - compatibilização do desenvolvimento econômico com a
teresse público de preservar as atividades de pesca profissional proteção do meio ambiente;
e aquelas necessárias à preservação das espécies pesqueiras, III - estímulo a empreendimentos absorvedores de mão de
bem como as de apoio às atividades de pesca; obra, em especial junto aos bairros populares;

71
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

IV - estabelecimento de mecanismos de cooperação com a b) permissão de uso publicitário no mobiliário urbano de


Universidade Federal Fluminense - UFF nas áreas de desenvolvi- apoio;
mento econômico, científico e tecnológico; c) realização de eventos culturais e esportivos;
V - estímulo à legalização das atividades econômicas infor- d) colaboração na produção e veiculação de material de di-
mais com a simplificação dos procedimentos de licenciamento. vulgação.
V - estímulo ao desenvolvimento das atividades esportivas,
SEÇÃO I através de:
DAS ATIVIDADES INDUSTRIAIS, COMERCIAIS E DE a) inclusão da exigência de área de domínio público destina-
SERVIÇOS da à prática de esporte e de lazer nos projetos de loteamentos
e condomínios;
Art. 26 Com o objetivo de orientar o desenvolvimento e o b) recuperação e construção de centros esportivos, praças
ordenamento no território municipal, ficam estabelecidas as se- e áreas de lazer em número compatível com a necessidade de
guintes diretrizes para as atividades industriais, comerciais e de cada região;
serviços: c) aproveitamento das áreas de escolas públicas para im-
I - distribuição e localização do comércio e serviços em cen- plantação de equipamentos esportivos e de lazer, para utilização
tros estrategicamente situados nas áreas residenciais, visando pela população local;
orientar e disciplinar os fluxos de pedestres e veículos, de acordo d) não aplicação do imposto progressivo nos terrenos não
com a estrutura urbana local, e evitar incômodos à vizinhança; edificados onde haja efetiva prática de esportes ou lazer e com
II - descentralização das atividades econômicas, com a coe- interesse público na sua continuidade;
xistência do uso residencial com os de comércio, serviços e de e) garantia de áreas públicas com condições apropria-
indústrias de pequeno porte; das para práticas esportivas nos Planos Urbanísticos Regionais
III - gestão junto ao Governo Federal para otimização do (PUR).
parque industrial naval instalado; Art. 28 Nas áreas com deficiência de infraestrutura, espe-
IV - estímulo à criação de micropolos para indústrias sele- cialmente de abastecimento de água e esgotamento sanitário,
cionadas cuja proximidade possa trazer benefícios à produtivi- os projetos para empreendimentos turísticos deverão apresen-
dade e ao aproveitamento de serviços comuns; tar soluções para implantação da infraestrutura básica necessá-
V - estímulo à atividade comercial e de serviços no Centro
ria.
da Cidade, com vistas à sua revitalização.
Art. 29 A utilização da orla marítima do Município para ativi-
dades de turismo, esportes e lazer, será incentivada, desde que
SEÇÃO I
não comprometa a qualidade ambiental e paisagística.
DO TURISMO, ESPORTE E LAZER
Art. 30 Ficam isentos de pagamento de alvará e Imposto So-
bre Serviços durante 05 (cinco) anos, os meios de hospedagem
Art. 27 Com o objetivo de promover e incentivar o desenvol-
- hotéis, hotéis de lazer, pousadas e hospedarias de turismo - nas
vimento do turismo na Cidade ficam estabelecidas as seguintes
Áreas de Especial Interesse Turístico, que possam ser classifica-
diretrizes:
I - promoção dos bens naturais e culturais da Cidade como dos com um mínimo de 02 (duas) estrelas, de acordo com parâ-
atrativos turísticos, através de: metros da EMBRATUR, e tenham seus projetos de construção
a) melhoria da infraestrutura de atendimento e serviços aos aprovados e licenciados após a data de publicação desta Lei.
turistas na orla marítima, com a instalação de equipamentos e Art. 31 A elaboração e atualização do Plano Diretor de Turis-
mobiliário urbano; mo deverão observar o disposto nesta Lei.
b) implantação e gestão de unidades municipais de conser-
vação ambiental com condições de receber o turismo ecológico; SEÇÃO III
c) desenvolvimento de atividades culturais, de esporte e DA ATIVIDADE AGRÍCOLA
lazer nos imóveis públicos de valor arquitetônico, histórico ou
cultural, buscando gestão municipalizada naqueles estaduais e Art. 32 O Município apoiará a atividade agrícola, observan-
federais. do as seguintes diretrizes:
II - promoção das características turísticas da Cidade, atra- I - organização do cadastro de produtores rurais;
vés de: II - implementação do processo de regularização fundiária
a) divulgação dos atrativos e eventos de interesse turístico; em áreas já ocupadas por posseiros e com produção agropecu-
b) implantação de postos de informação e de atendimento ária;
ao turista; III - concessão de uso para produção de alimentos em áreas
c) implantação de sinalização turística. ociosas de propriedade municipal;
III - crescimento e melhoria da rede hoteleira, através de: IV - criação de mecanismos que visem à comercialização di-
a) incentivos fiscais; reta do produtor para o consumidor, melhorando o sistema de
b) legislação urbanística e edilícia adequada nas Áreas de abastecimento;
Especial Interesse Turístico. V - estabelecimento de legislação restritiva ao microparce-
IV - incentivo à participação e patrocínio da iniciativa priva- lamento nas Áreas de Especial Interesse Agrícola;
da, através de: VI - incentivo à produção sem agrotóxicos e à criação de
a) operações interligadas; pequenos animais;

72
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

VII - orientação e estímulo às atividades adequadas às pe- CAPÍTULO III


quenas propriedades e que se harmonizem com o ambiente na- DO MEIO AMBIENTE
tural;
VIII - estímulo à implantação de infraestrutura de apoio à Art. 38 Para a garantia da proteção do meio ambiente natu-
atividade. ral e de uma boa qualidade de vida da população, são fixados os
seguintes objetivos:
SEÇÃO IV I - conservar a cobertura vegetal;
DA ATIVIDADE PESQUEIRA II - controlar atividades poluidoras;
III - promover a utilização racional dos recursos naturais;
Art. 33 Com vistas ao estabelecimento de bases para a ex- IV - preservar e recuperar ecossistemas essenciais;
ploração racionalizada dos recursos pesqueiros, de forma equili- V - proteger os recursos hídricos.
brada socialmente e preservando o meio ambiente, o Município
deverá: SEÇÃO I
I - apoiar a formação de infraestrutura de suporte da pesca DAS DIRETRIZES
e da comercialização de pescado;
II - preservar o direito das comunidades pesqueiras ao seu Art. 39 O Município instituirá o Sistema Municipal de Meio
espaço vital;
Ambiente, vinculado ao Sistema Municipal de Planejamento Ur-
III - apoiar especialmente a pesca de pequena escala com
bano e Ambiental, para execução da Política Municipal de Meio
vistas à aquisição de seus insumos essenciais e à implantação de
Ambiente.
infraestrutura própria, inclusive de acesso e atracação de bar-
Parágrafo Único - O Órgão Central do Sistema Municipal
cos;
IV - garantir a conservação dos recursos pesqueiros. de Meio Ambiente será a Secretaria Municipal de Urbanismo e
Meio Ambiente, que terá a competência da gestão ambiental e
CAPÍTULO II exercerá o poder de polícia ambiental do Município.
DA HABITAÇÃO Art. 40 Para a realização dos objetivos fixados no artigo 38
desta Lei deverão ser observadas as seguintes diretrizes na ges-
Art. 34 Para assegurar o direito à moradia ficam estabeleci- tão do meio ambiente:
das as seguintes diretrizes: I - incorporação da proteção do Patrimônio Natural e Paisa-
I - revisão da legislação urbanística e edilícia, com a altera- gístico ao processo permanente de planejamento e ordenação
ção dos atuais parâmetros para parcelamento e edificação, de do território;
forma a ampliar o universo da população que hoje tem acesso II - criação de instrumentos normativos, administrativos e
ao mercado formal; financeiros para viabilizar a gestão do meio ambiente;
II - inserção das favelas e de loteamentos irregulares no III - consolidação das unidades de conservação ambiental
planejamento da Cidade, com vistas a constituírem bairros ou no Município;
integrarem efetivamente aqueles em que se situam; IV - formulação e execução de projetos de recomposição
III - urbanização de áreas faveladas e ocupadas por popu- vegetal, inclusive visando à interligação de fragmentos de matas
lação de baixa renda, independentemente da sua regularização remanescentes;
fundiária; V - implementação de programa de combate a incêndios
IV - estabelecimento de Programas de Assentamento de Po- florestais, de acordo com o artigo 326 da Lei Orgânica do Muni-
pulação de Baixa Renda; cípio, em conjunto com demais órgãos competentes;
V - promoção de Programas de Regularização Fundiária. VI - implantação de processo de planejamento de arboriza-
Art. 35 Os Planos Urbanísticos Regionais (PUR) deverão ção urbana;
criar as Áreas de Especial Interesse Social passíveis de aplicação VII - estabelecimento de programas de mapeamento da
do imposto progressivo e do parcelamento e edificação compul- vegetação, cadastramento da fauna e flora, inclusive da arbo-
sórios, para execução dos Programas de Assentamento de Popu- rização urbana, em conjunto com órgãos ambientais estaduais,
lação de Baixa Renda.
federais e instituições de pesquisas;
Art. 36 Para fins de assentamento de população de baixa
VIII - integração dos procedimentos legais e administrativos
renda deverão ser priorizadas:
de licenciamentos e das ações de fiscalização do Município com
I - a oferta de lotes urbanizados;
as dos órgãos ambientais do Estado e da União;
II - a construção de moradias populares para relocalização
de moradores removidos de Áreas de Risco, de áreas não edifi- IX - criação de instrumentos administrativos e legais de con-
cantes e de outras áreas de interesse público. trole específico das unidades municipais de conservação am-
Art. 37 Serão criadas Áreas de Especial Interesse Social nas biental e de outros espaços naturais protegidos legalmente;
favelas e nos locais ocupados por loteamentos clandestinos, ir- X - fixação de normas e padrões ambientais municipais, que
regulares, abandonados ou não titulados, para fins de regulari- assegurem a melhoria da qualidade do meio ambiente, e esta-
zação urbanística e fundiária. belecimento de respectivas penalidades e infrações;
XI - implementação de programas de controle da poluição;
XII - implantação de processo de avaliação de impacto am-
biental;

73
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

XIII - estabelecimento da obrigatoriedade de colocação de nais e científicos de forma conciliada com a preservação dos
placas indicativas contendo as principais informações de inte- ecossistemas naturais existentes, para o que deverá ter um Pla-
resse público nas atividades poluidoras instaladas no Município; no de Manejo que contenha seu zoneamento e normas de uso;
XIV - mapeamento das Áreas de Risco, com desenvolvimen- IV - Reserva Biológica - de domínio público; destinada à pre-
to de estudos geotécnicos dos morros da Cidade, priorizando servação integral de ecossistemas naturais e de espécies raras,
aqueles com ocupação humana; endêmicas ou ameaçadas de extinção da biota regional, onde
XV - formulação e execução de programas e projetos de serão proibidas quaisquer atividades modificadoras do meio
recuperação de ecossistemas, diretamente ou mediante convê- ambiente, ressalvadas as atividades científicas autorizadas pelo
nios; órgão ambiental municipal;
XVI - incorporação do gerenciamento dos recursos hídricos V - Estação Ecológica - de domínio público; destinada à
às tarefas da gestão do meio ambiente do Município, de forma proteção de ecossistemas regionais ou locais representativos,
integrada aos órgãos do Estado e da União, que possibilite uma à realização de pesquisas básicas e aplicadas de ecologia e ao
melhoria da qualidade da água dos corpos hídricos; desenvolvimento de educação ambiental, podendo ocorrer no
XVII - integração das Secretarias de Desenvolvimento Regio- interior de outras unidades de conservação ambiental.
nal às tarefas de gestão ambiental; Art. 43 O Poder Executivo declarará como áreas de preser-
XVIII - criação de um sistema permanente de informações vação permanente aquelas que, após avaliado o seu interesse
sobre meio ambiente, aberta ao público. ambiental, não se constituírem em unidades municipais de con-
servação ambiental, de acordo com a classificação estabelecida
SEÇÃO II nesta Lei, mas apresentarem características de declividade, alti-
DAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO AMBIENTAL tude e cobertura vegetal que não recomende sua utilização para
ocupação humana ou para quaisquer atividades que importem
Art. 41 As unidades municipais de conservação ambiental na alteração do meio ambiente.
municipais serão criadas pelo Poder Público para proteção de Parágrafo Único - O ato de declaração das áreas de preser-
áreas representativas de ecossistemas naturais, impróprias à ur- vação permanente deverá conter sua delimitação e relação dos
banização, ainda não degradadas ou recuperáveis. lotes ou glebas tornados não edificantes.
Art. 44 Fica criada a Área de Proteção Ambiental - APA das
§ 1º O ato de criação de uma unidade municipal de conser-
Lagunas e Florestas de Niterói, que substitui a Área de Proteção
vação ambiental deverá definir a sua classificação, denominação
Ambiental - APA das Lagunas de Piratininga e Itaipú, criada pela
e objetivos de sua criação e fixar sua delimitação.
Lei Municipal nº 458, de 11 de maio de 1983, que fica revogada.
§ 2º A Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente
§ 1º A APA das Lagunas e Florestas de Niterói tem como ob-
analisará, apreciará e encaminhará ao Chefe do Poder Executivo
jetivo proteger e melhorar a qualidade ambiental dos sistemas
as propostas de criação de unidades de conservação ambiental.
naturais - representados pelas Lagunas de Piratininga e Itaipú,
§ 3º O Poder Executivo poderá declarar como Área de Espe-
pela zona costeira e pelos remanescentes significativos de Mata
cial Interesse Ambiental uma determinada área de estudo para
Atlântica existentes nos morros e serras locais - e proporcionar
avaliação de seu interesse ambiental e definição de sua delimi- um adequado desenvolvimento urbano da área.
tação e classificação em uma unidade municipal de conservação § 2º A delimitação da APA das Lagunas e Florestas de Niterói
ambiental ou em área de preservação permanente. encontra-se descrita e mapeada, respectivamente nos Anexos I
§ 4º As unidades municipais de conservação ambiental se- e no Mapa 2 do Anexo VI, partes integrantes desta Lei.
rão gerenciadas pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio § 3º O Poder Executivo deverá, no prazo máximo de 360
Ambiente, ficando autorizada para tanto a celebração de convê- (trezentos e sessenta) dias a partir da data da publicação desta
nios com órgãos públicos e órgãos não governamentais. Lei, definir de acordo com os itens a seguir, o zoneamento da
Art. 42 As unidades municipais de conservação ambiental APA das Lagunas e Florestas de Niterói, mediante decreto, fican-
classificam-se em: do até a data de sua publicação, em vigor o Decreto Municipal
I - Reserva Ecológica - de domínio público ou privado; desti- nº 5.353, de 03 de junho de 1988:
nada à proteção de mananciais, remanescentes da Mata Atlânti- I - Zona de Preservação da Vida Silvestre - ZPVS: onde serão
ca e demais formas de vegetação natural de preservação perma- proibidas quaisquer atividades que importem na alteração do
nente, onde não serão permitidas quaisquer atividades modifi- meio ambiente, não sendo permitidas nesta Zona novas edifica-
cadoras do meio ambiente e, quando existente em território de ções, parcelamento do solo, abertura de vias, extração mineral
APA, constituirão zonas de preservação da vida silvestre; ou quaisquer tipos de exploração de recursos naturais e desma-
II - Área de Proteção Ambiental - APA - contém áreas de do- tamentos;
mínio privado ou público; destinada à proteção de sistemas na- II - Zona de Conservação da Vida Silvestre - ZCVS: onde se-
turais a fim de assegurar o bem-estar das populações humanas e rão definidos parâmetros restritivos de uso e ocupação do solo,
conservar ou melhorar as condições ecológicas locais, onde será na forma da lei, de forma a assegurar a manutenção dos ecos-
definido um zoneamento que estabelecerá as permissões, limi- sistemas locais;
tações e proibições de uso e ocupação do solo para cada uma III - Zona de Uso Especial - ZUE: locais que sejam unidades
de suas zonas; de conservação ambiental ou outros espaços naturais protegi-
III - Parque Municipal - de domínio público; destinado à pro- dos legalmente;
teção da flora, fauna e belezas naturais, onde será permitida a IV - Zona de Uso Urbano - ZU: áreas próprias para ocupação
visitação pública e a utilização para fins recreativos, educacio- urbana obedecida os parâmetros na forma da lei.

74
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 45 Para fins de avaliação de seu interesse ambiental, III - as condições de ocupação dos terrenos pelas edifica-
de forma a permitir a classificação e delimitação de unidades ções nos lotes passíveis de renovação;
municipais de conservação ambiental, das áreas de preservação IV - as formas de incentivo à conservação, recuperação e
permanente e de áreas cujos parâmetros de uso e ocupação do integração no quadro ambiental urbano das construções, logra-
solo deverão ser restritivos, ficam indicadas para criação as Áre- douros, arborização e mobiliários urbanos.
as de Especial Interesse Ambiental que se encontram descritas Parágrafo Único - No projeto de lei referido no caput deste
no Anexo II e assinaladas no Mapa 2 do Anexo VI desta Lei. artigo serão obedecidas as diretrizes e parâmetros estabeleci-
Art. 46 Fica suspensa, por um prazo de 360 (trezentos e ses- dos neste Plano Diretor.
senta) dias a partir da data da publicação desta Lei, a concessão Art. 52 Nos imóveis de interesse para preservação deverão
de licenças de parcelamento do solo e de abertura de logradou- ser respeitadas as características arquitetônicas, volumétricas,
ros nas Áreas de Especial Interesse Ambiental indicadas para artísticas e decorativas, que compõem o conjunto de fachadas
criação neste Plano Diretor. e telhados.
Art. 47 Fica transformado em Parque da Cidade a atual Es- § 1º Os projetos de reconstrução total ou parcial dos pré-
tação Ecológica do Parque da Cidade de Niterói, mantendo-se os dios, recuperação, restauração, reconstituição, inclusive pintura
mesmos limites desta, que encontram-se descritos e mapeados, ou qualquer reparo na fachada, de alterações internas, acrésci-
respectivamente, no Anexo III e no Mapa 3 do Anexo VI, partes mos, inclusive derrubadas ou acréscimos dos muros divisórios
integrantes desta Lei. existentes, bem como a modificação de uso deverão ser subme-
Parágrafo Único - Fica fixado o prazo de 360 (trezentos e tidos à análise e aprovação conjunta das Secretarias Municipais
sessenta) dias, a partir da data da publicação desta Lei, para ela- de Urbanismo e Meio Ambiente e de Cultura.
boração do Plano de Manejo do Parque da Cidade, que deverá § 2º No caso de demolição ou modificação não licenciada
conter seu zoneamento e as normas de uso e propor seu de- ou de ocorrência de sinistro, por decisão conjunta das Secreta-
senvolvimento físico de acordo com o objetivo de preservar os rias Municipais de Urbanismo e Meio Ambiente e de Cultura,
ecossistemas e as belezas naturais ali existentes. poderá ser estabelecida a obrigatoriedade de reconstrução da
edificação, mantidas as suas características originais.
CAPÍTULO IV Art. 53 Nos imóveis passíveis de renovação, bem como nos
DO PATRIMÔNIO CULTURAL terrenos não edificados, os projetos de edificações deverão obe-
decer os parâmetros fixados para a Área de Preservação do Am-
Art. 48 Com o objetivo de incorporar ao processo perma- biente Urbano onde se situa, a fim de integrar-se ao conjunto
nente de planejamento urbano e ambiental o pressuposto bási- arquitetônico ao qual pertence.
co de respeito à memória construída e à identidade cultural da Art. 54 As renovações e concessões de licenças de marqui-
Cidade e de suas comunidades, ficam estabelecidas as seguintes ses, letreiros, anúncios ou quaisquer engenhos de publicidade
diretrizes: nas Áreas de Preservação do Ambiente Urbano e de Preservação
I - formulação e execução de projetos e atividades visando do Ambiente Paisagístico serão concedidas após análise e apro-
à revitalização, preservação e recuperação das Áreas de Preser- vação conjunta das Secretarias Municipais de Urbanismo e Meio
vação do Ambiente Urbano e de Áreas de Preservação do Am- Ambiente e de Cultura.
biente Paisagístico; Art. 55 Para as Áreas de Preservação do Ambiente Urbano e
II - destinação de áreas para instalação de novos espaços de Preservação do Ambiente Paisagístico serão elaborados pro-
culturais e artísticos, especialmente aqueles que possam aten- jetos específicos de mobiliário urbano, pavimentação, passeio
der às demandas das comunidades carentes; público, arborização e ajardinamento, pelas Secretarias Munici-
III - utilização do tombamento visando à preservação de pais de Urbanismo e Meio Ambiente e de Cultura.
bens naturais e construídos. Parágrafo Único - Qualquer alteração de projeto durante a
Parágrafo Único - Os Planos Urbanísticos Regionais respeita- execução da obra deverá ser submetida à aprovação das Secre-
rão as diretrizes fixadas neste artigo. tarias Municipais de Urbanismo e Meio Ambiente e de Cultura.
Art. 49 O ato de tombamento seguirá o disposto na Lei Mu- Art. 56 Nas Áreas de Preservação do Ambiente Urbano será
nicipal nº 827, de 25 de junho de 1990. obrigatória a especificação de acabamento e cor de todos os
Parágrafo Único - No ato de tombamento definitivo deverão elementos visíveis externamente nos projetos em imóveis de in-
constar as normas para o entorno do bem tombado, com sua teresse para preservação e nos imóveis passíveis de renovação.
delimitação. Art. 57 As primeiras Áreas de Preservação do Ambiente Ur-
Art. 50 Para a compatibilização da preservação com a con- bano serão as delimitadas pelos então chamados Corredores
tinuidade da evolução urbana nas Áreas de Preservação do Am- Culturais de Niterói do Centro, de São Domingos/Gragoatá/Boa
biente Urbano os imóveis serão classificados como de interesse Viagem e da Ponta d`Areia, nos termos do Decreto Municipal nº
para preservação e passíveis de renovação. 6.101, de 16 de abril de 1991.
Art. 51 O Poder Executivo enviará à Câmara Municipal pro- Art. 58 Nas Áreas de Preservação do Ambiente Urbano po-
jeto de lei regulamentando as Áreas de Preservação do Ambien- derão ser concedidos incentivos fiscais temporários e renová-
te Urbano, no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias a partir veis para a recuperação, restauração ou reinserção no quadro
de sua criação, estabelecendo: ambiental urbano tradicional das edificações de interesse para
I - a listagem dos imóveis de interesse para a preservação; a preservação, mediante proposta das Secretarias Municipais de
II - a regulamentação do uso do solo e das obras, de forma Urbanismo e Meio Ambiente e de Cultura.
consentânea com a preservação ambiental;

75
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

CAPÍTULO V II - estímulo ao uso do transporte coletivo sobre o individu-


DO TRANSPORTE E SISTEMA VIÁRIO al, orientando neste sentido os investimentos públicos e priva-
dos, tendo em vista democratizar o Sistema Viário;
Art. 59 Para elaboração do Plano Diretor Viário ficam esta- III - estímulo à implantação de sistema integrado de trans-
belecidas as seguintes diretrizes: portes;
I - priorização da circulação de pedestres, garantidos os es- IV - melhoria dos terminais rodoviários existentes e criação
paços a eles destinados nas principais vias de circulação, através de novos, com vistas à implantação do sistema integrado de
da regulamentação do uso dos passeios e da implantação de si- transportes;
nalização horizontal e vertical; V - definição da viabilidade da implantação de um sistema
II - planejamento e operação da rede viária com o estabele- de transporte público de alta capacidade para ligação com São
cimento da hierarquização das vias, para sua utilização prioritá- Gonçalo, utilizando-se o leito da Estrada de Ferro Leopoldina;
ria para o transporte público de passageiros, definindo, quando VI - definição de novas alternativas de ligação de diversos
couber, faixas exclusivas; Bairros de Niterói com São Gonçalo, através de sistema integra-
III - estabelecimento de mecanismos para controle da velo- do de transportes coletivos;
cidade dos veículos nas vias principais; VII - definição de itinerários facilitando a ligação interbair-
IV - definição da rede estrutural da Cidade; ros, especialmente na Região Oceânica;
V - realização de estudo para implantação da ligação de VIII - implantação de infraestrutura de drenagem e pavi-
Charitas-Piratininga (Cafubá), via túnel, prioritariamente para o mentação nas vias onde se faça necessário o transporte público;
transporte de massa; IX - estabelecimento de medidas que levem ao disciplina-
VI - realização de estudo para implantação de via turística mento do tráfego, em especial dos pontos de carga e descarga,
ligando Charitas-Piratininga (Tibau); de entrada e saída de colégios e dos estacionamentos irregula-
VII - indicação de melhorias necessárias na estrutura viá- res;
ria existente com vistas a resolver os problemas dos corredores X - estímulo à descentralização física do sistema de trans-
congestionados e pontos críticos de tráfego; porte hidroviário, considerando prioritariamente a ligação Cha-
VIII - estabelecimento de Projetos de Alinhamento (P.A.), ritas (Niterói)-Rio de Janeiro com objetivo de atender a Região
que deverão ser incorporados aos novos projetos de parcela- Oceânica, Pendotiba, São Francisco, Charitas, Jurujuba e grande
mento, com vistas à integração e à adequação hierárquica da parte de Icaraí e Santa Rosa;
estrutura viária; XI - definição de rotas para cargas perigosas;
IX - estabelecimento de condições estruturais e de tráfego XII - estímulo à adaptação dos veículos automotores a pa-
para a Alameda São Boaventura que visem separar o tráfego de drões da operação que reduzam as emissões de gases poluen-
passagem, intermunicipal ou de acesso a outras regiões do Mu- tes, resíduos em suspensão e poluição sonora;
nicípio, do tráfego local; XIII - estímulo à utilização e distribuição de gás natural em
X - estabelecimento de Projetos de Alinhamento (P.A.) para postos de abastecimento.
as rodovias, de forma a permitir nos trechos definidos como Art. 61 As diretrizes aqui fixadas para os Planos Diretores
centros de atividades por esta Lei a implantação de vias para- Viários e de Transportes Públicos deverão ser igualmente respei-
lelas de serviço, de tráfego lento, independentes das faixas de tadas na elaboração dos Planos Urbanísticos Regionais.
Art. 62 O Município deverá envidar esforços para uma ação
tráfego rápido de passagem;
integrada com outros órgãos federais e estaduais que busque a
XI - elaboração de planos de ação para situações de emer-
municipalização da gestão do Sistema Viário e dos transportes
gência;
da Cidade.
XII - ampliação, melhoria e manutenção permanente do sis-
Art. 63 O Município deverá estabelecer em conjunto com as
tema de comunicação visual de informação, orientação e sinali-
concessionárias de serviço público, em especial a CERJ, a CEDAE
zação nas vias, acompanhando os avanços tecnológicos;
e a TELERJ, o planejamento das obras nas vias da Cidade, com o
XIII - estímulo à implantação e consolidação de estaciona-
objetivo de evitar transtornos à população.
mentos de veículos na periferia dos centros de comércio e servi-
Art. 64 O Município deverá estabelecer ação conjunta com
ços, integrados ao sistema de transporte coletivo; o órgão responsável pelo licenciamento dos veículos, de forma
XIV - definição das ciclovias a serem implantadas, como a viabilizar ações fiscais municipais no disciplinamento do trân-
complementação do sistema de vias de transporte; sito.
XV - análise e monitoramento das atividades existentes ge-
radoras de tráfego quanto aos impactos sobre o Sistema Viário,
para sua adequação às condições de fluidez das vias;
XVI - melhoria da capacidade da atual ligação da Região
Oceânica com o Largo da Batalha.
Art. 60 Para elaboração do Plano Diretor de Transportes Pú-
blicos ficam estabelecidas as seguintes diretrizes:
I - adequação da oferta de transporte à demanda atual e
projetada, procurando aproveitar seus efeitos indutores e com-
patibilizar a acessibilidade local às propostas de uso e ocupação
do solo;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

CAPÍTULO VI III - controle eficaz da potabilidade das águas distribuídas


DOS SERVIÇOS PÚBLICOS E EQUIPAMENTOS URBANOS E por redes públicas de abastecimento;
COMUNITÁRIOS IV - reserva de áreas nos Planos Urbanísticos Regionais para
instalação dos equipamentos necessários ao sistema de abaste-
SEÇÃO I cimento de água, de acordo com os projetos para instalação e
DO SANEAMENTO BÁSICO ampliação da rede pública.

SUBSEÇÃO I SUBSEÇÃO III


DA COLETA, TRATAMENTO E DISPOSIÇÃO DE ESGOTOS DA LIMPEZA URBANA
SANITÁRIOS
Art. 70 A coleta e destinação final do lixo em todo o territó-
Art. 65 Para garantia da proteção dos ecossistemas aquáti- rio municipal deverá obedecer critérios de controle da poluição
cos, da saúde humana e da balneabilidade das praias em todo o e de minimização de custos ambientais e de transportes, obser-
território municipal, a ampliação, implantação e complementa- vando as seguintes diretrizes:
ção dos sistemas de esgotamento sanitário conterão, no mínimo I - avaliação do impacto sobre a circunvizinhança do aterro
e obrigatoriamente o tratamento secundário dos efluentes de do Morro do Céu, com vistas à recuperação do ambiente degra-
acordo com artigo 328 da Lei Orgânica do Município, observan- dado;
do as seguintes diretrizes: II - instalação de usinas de reciclagem e compostagem no
I - elaboração e execução dos planos, programas e projetos aterro do Morro do Céu e na Região Oceânica;
da empresa concessionária, de acordo com o planejamento ur- III - expansão de programas especiais de coleta em áreas de
bano e ambiental do Município; difícil acesso;
II - exigência de implantação, em cada caso, de sistema IV - implementação do sistema de coleta seletiva de lixo,
adequado nos novos loteamentos, condomínios, construções para separação do lixo orgânico daquele reciclável, com orienta-
e empreendimentos, nos locais desprovidos de rede pública de ção para separação na fonte do lixo domiciliar;
esgotamento sanitário; V - tratamento diferenciado dos resíduos sólidos provenien-
III - controle e orientação por parte do Poder Público para tes dos serviços de saúde, desde seu recolhimento nas unidades
implantação de sistemas alternativos nos locais desprovidos de
geradoras até a disposição final, ficando proibido o uso de inci-
rede pública de esgotamento sanitário;
neradores para lixo hospitalar.
IV - reserva de áreas nos Planos Urbanísticos Regionais para
instalação dos equipamentos necessários ao sistema de esgo-
SUBSEÇÃO IV
tamento sanitário, de acordo com os projetos para instalação e
DA DRENAGEM
ampliação da rede pública.
Art. 66 Para aprovação de projetos particulares de grande
Art. 71 Considerando a importância do perfeito escoamen-
porte com sistemas de coleta, tratamento e disposição final de
to das águas pluviais para o bom funcionamento da Cidade, o
esgotos sanitários, será exigido termo de compromisso da em-
presa concessionária ou do órgão municipal competente para Plano Diretor de Macro e Microdrenagem obedecerá as seguin-
operação dos mesmos. tes diretrizes:
Art. 67 Fica autorizado o Município, diretamente ou por I - detalhamento das bacias e sub-bacias de drenagem em
contratação de terceiros, a prestar serviços de manutenção dos todo o território municipal;
sistemas alternativos individuais e coletivos, que deverão ser re- II - adequação das faixas marginais de proteção de todos os
embolsados pelos usuários. cursos d`água, considerando a calha necessária para as vazões
Art. 68 A empresa concessionária deverá apresentar anual- máximas, o acesso para manutenção e a preservação da vegeta-
mente ao Município os programas para implantação gradual, em ção marginal existente;
todo o território municipal, dos sistemas de coleta, tratamento e III - levantamento dos pontos de estrangulamento dos cur-
disposição de esgotos sanitários. sos d`água, estabelecendo as intervenções necessárias, de for-
ma a possibilitar a adequada drenagem;
SUBSEÇÃO II IV - estabelecimento dos greides dos logradouros e de cotas
DO ABASTECIMENTO DE ÁGUA de soleira nas áreas de baixada, para fins de aprovação de edifi-
cações e parcelamentos e de pavimentação das vias;
Art. 69 Deverá ser garantido o abastecimento de água para V - indicação das áreas onde se faça necessário o refloresta-
toda a população do Município, observadas as seguintes dire- mento para garantia da eficácia do sistema de drenagem;
trizes: VI - implantação de um cadastro técnico de rede de drena-
I - atuação junto à concessionária com vistas a priorizar a gem permanentemente atualizado;
ampliação dos serviços públicos de distribuição de água potável VII - elaboração de programa de manutenção e limpeza da
de acordo com os parâmetros de expansão e adensamento da rede de drenagem;
Cidade estabelecidos nesta Lei e nos Planos Urbanísticos Regio- VIII - programação de execução de rede de drenagem e pa-
nais; vimentação das vias em áreas de aclive acentuado;
II - realização de pesquisa de fontes alternativas, com garan- IX - definição de índices de impermeabilização para cada
tia da qualidade da água de consumo; bacia, que sirvam de parâmetros para uso e ocupação do solo;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

X - realização de estudos para definição de vazões especí- IV - dimensionamento da rede de serviços prevendo os três
ficas; níveis de atenção à saúde, privilegiando o primeiro e pressupon-
XI - estabelecimento das exigências a serem cumpridas nos do suficiência no segundo nível e em urgências, obstetrícia e tra-
projetos de drenagem para aprovação de parcelamentos e ou- tamento hospitalar eletivo nas grandes áreas clínicas no terceiro
tros empreendimentos. nível.
§ 1º Os Médicos de Família e os postos ou unidades de saú-
SEÇÃO II de garantirão suficiência nas ações de saúde pública pertinentes
DOS EQUIPAMENTOS DE EDUCAÇÃO ao perfil epidemiológico local e nas demandas assistenciais em
clínica e odontologia básicas, referenciando aos demais níveis
Art. 72 Para garantir condições ao cumprimento do dever quando necessário.
do Município para com a educação, ficam fixadas as seguintes § 2º Os Distritos Sanitários deverão buscar autossuficiên-
diretrizes gerais: cia em atendimento ambulatorial especializado e tratamento
I - determinação de áreas para implantação de unidades de hospitalar eletivo, cuja magnitude indique ser indispensável sua
educação com características adequadas às peculiaridades do descentralização, bem como em urgências e emergências, ga-
tipo de atendimento ofertado; rantindo agilidade e eficiência na prestação destes serviços.
II - planejamento da rede de educação considerando a de- § 3º Ao Município compete as ações que garantam a inte-
manda local e deslocamento mínimo; gralidade da atenção em saúde, em conjunto ou não com outros
III - garantia da qualidade do padrão arquitetônico da Rede Municípios, Estado ou União.
de Ensino Público com ambientes, além das salas de aula, que Art. 80 Os locais para implantação dos equipamentos de
permitam educação integral de qualidade, inclusive com condi- saúde necessários, bem como a previsão de instrumentos para
ções para livre trânsito dos deficientes físicos. reserva dessas áreas, deverão ser fixados nos Planos Urbanísti-
Art. 73 Caberá à Fundação Pública Municipal de Educação cos Regionais.
realizar o censo escolar, periodicamente, no espaço máximo de
5 (cinco) anos. Capítulo VII
Art. 74 Para garantia do atendimento integral para o ensino DO PATRIMÔNIO IMOBILIÁRIO MUNICIPAL
público de 1º Grau, o déficit de salas de aula deverá ser supri-
do a curto prazo, considerando-se a Rede Pública Estadual e a Art. 81 Com o objetivo de manter um Patrimônio Imobiliá-
Privada. rio Municipal capaz de atender as demandas de áreas públicas
Parágrafo Único - A oferta do ensino público de 1º Grau para equipamentos e serviços urbanos, em benefício da coletivi-
deverá acompanhar as novas demandas levantadas nos censos dade, o Poder Executivo deverá:
I - regularizar juridicamente os imóveis municipais sem re-
escolares.
gistro em cartório;
Art. 75 O Município deverá ofertar escolas de 1º Grau em
II - promover a reintegração de posse dos bens municipais
horário integral.
indevidamente ocupados por terceiros, de acordo com o inte-
Art. 76 As localidades de comunidades de baixa renda ficam
resse do Município;
consideradas prioritárias para a instalação de equipamentos de
III - estabelecer utilização onerosa dos bens municipais in-
ensino pré-escolar através da implantação de Casas da Criança
devidamente ocupados por terceiros em que não haja interesse
(pré-escolar de horário integral).
para reintegração de posse;
Art. 77 A Fundação Pública Municipal de Educação buscará
IV - permitir o uso privativo dos bens municipais situados
influenciar o planejamento do 2º Grau, de competência estadu- em loteamentos já implantados, quando houver restrição do
al, integrado à rede do 1º Grau. acesso da população a estes bens, mediante imediata remune-
Art. 78 Nos Planos Urbanísticos Regionais deverão estar in- ração, podendo estes bens serem permutados por outros de no
dicadas as áreas necessárias à implantação dos equipamentos mínimo a mesma área, de acordo com o interesse do Município,
de educação, com previsão dos instrumentos para reserva des- ficando vedada a permuta das áreas das vias de circulação;
sas áreas. V - identificar e reservar, através de instrumentos legais, ter-
ras para implantação de equipamentos urbanos, serviços públi-
SEÇÃO III cos e projetos urbanísticos e habitacionais, com a finalidade de
DOS EQUIPAMENTOS DE SAÚDE suprir a deficiência de terras municipais.

Art. 79 Para a garantia de acesso igualitário e universal à TÍTULO IV


prestação de serviços de saúde, ficam estabelecidas as seguintes DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
diretrizes para alocação de equipamentos urbanos em saúde:
I - implementação das ações preventivas e promotoras de Art. 82 A legislação municipal urbanística, edilícia e ambien-
saúde; tal, que ordena e controla o uso e ocupação do solo, será com-
II - cobertura integral pelo serviço público municipal da de- posta de:
manda de vigilância epidemiológica e sanitária e de controle de I - Lei de Parcelamento;
zoonoses; II - Lei de Uso e Ocupação do Solo;
III - compatibilização do planejamento da rede de serviços III - Leis de Edificações, que comporão o Código de Obras;
com a distritalização das ações de saúde; IV - Planos Urbanísticos Regionais (PUR);

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

V - Legislação específica para as Áreas de Especial Interesse; § 6º Em qualquer forma de parcelamento deverá ser garan-
VI - Código Municipal de Meio Ambiente; tido o livre acesso aos bens de uso comum do povo, tais como
VII - Código de Postura; praias, mares, lagunas, costões rochosos, rios e praças através
VIII - Leis ordinárias, que disciplinem as matérias referidas de logradouro público.
e seus respectivos regulamentos e demais normas admissíveis Art. 87 Nos desmembramentos de glebas superiores a
pertinentes. 10.000m² (dez mil metros quadrados), excluídas as áreas de
Parágrafo Único - A legislação em vigor deverá ser conso- preservação permanente, deverá ser doada ao Município área
lidada e revista, no que couber, a fim de se adequar às dispo- correspondente a 10% (dez porcento) do total para equipamen-
sições desta Lei, e deverá ser elaborado o Código Municipal de tos públicos e lotes com destinação social, a juízo do Poder Exe-
Meio Ambiente. cutivo.
§ 1º A aprovação do projeto dependerá da definição no res-
CAPÍTULO I pectivo memorial das áreas a serem doadas ao Município.
DO PARCELAMENTO DO SOLO § 2º As áreas a serem doadas ao Município deverão ter fren-
te para via pública, podendo situar-se fora dos limites da área
Art. 83 A lei estabelecerá os seguintes parâmetros para par- desmembrada, resguardados no mínimo o percentual de que
celamento do solo, dentre outros, observado o disposto nesta trata o caput deste artigo e o interesse do Município.
Lei: Art. 88 Os projetos de parcelamento do solo deverão conter
I - dimensões dos lotes; ainda:
II - dimensões e características técnicas dos logradouros; I - planta indicando a cobertura vegetal existente;
III - percentagem e características das áreas a serem desti- II - definição e delimitação das áreas verdes propostas, que
nadas ao uso público; se incluirão no percentual de áreas com destinação de uso pú-
IV - áreas não edificáveis. blico;
Art. 84 Os projetos de parcelamento ou remembramento III - projeto paisagístico, inclusive de arborização das vias,
não poderão conter disposições sobre o uso e ocupação do solo, com utilização prioritária de espécies vegetais nativas e aprovei-
com exceção das áreas destinadas ao uso público e das áreas tamento das árvores já existentes.
não edificáveis.
Art. 85 Nos parcelamentos de glebas que possuam áreas de CAPÍTULO II
preservação permanente, estas, embora integrantes do projeto, DO USO E OCUPAÇÃO DO SOLO
não serão consideradas para efeito do cálculo de áreas públicas
ou coletivas. Art. 89 Ficam definidos os seguintes parâmetros de uso e
Art. 86 Os novos projetos de parcelamento na forma de lo- ocupação do solo, a serem considerados pela legislação:
teamento e de condomínio deverão reservar da área total do I - cota de controle de densidade - CD: é a variável que de-
empreendimento, excluídas as áreas de preservação permanen- termina o número de unidades habitacionais possíveis de serem
te, 35% (trinta e cinco porcento) para uso público ou coletivo e construídas em cada lote, expressando a área mínima de terre-
5% (cinco porcento) para lotes de destinação social. no por unidade habitacional;
§ 1º Os lotes de destinação social serão utilizados obrigato- II - número admissível de unidades habitacionais - NUH:
riamente em programas habitacionais para população de baixa obtido pelo resultado da divisão da área do lote pela cota de
renda, ficando autorizada a sua alienação pelo Município. controle de densidade - CD de onde se situa;
§ 2º Nos parcelamentos em forma de loteamento, serão III - taxa de ocupação do lote - TO: é a relação percentual
doadas ao Município as áreas de uso público e os lotes de des- entre a projeção do pavimento tipo e a área do terreno;
tinação social, que deverão totalizar 40% (quarenta porcento) IV - gabarito de altura - G: é o número total de pavimentos
da área do empreendimento, exclusive as áreas de preservação de uma construção, com exceção dos pavimentos enterrados
permanente. e semienterrados - aqueles que tenham enterrado no mínimo
§ 3º Nos parcelamentos em forma de condomínio, da área 50% (cinquenta porcento) do seu pé-direito;
total do empreendimento, excluídas aquelas de preservação V - taxa máxima de impermeabilização do lote - TI: é a por-
permanente, 30% (trinta porcento) serão destinadas ao uso co- centagem máxima da superfície do lote possível de ser coberta
letivo do condomínio e 10% (dez porcento) serão doadas ao Mu- ou pavimentada;
nicípio, sendo 5% (cinco porcento) para uso público e 5% (cinco VI - número de vagas para estacionamento;
porcento) para lotes de destinação social. VII - limite de profundidade de ocupação: é a profundida-
§ 4º As áreas a serem doadas ao Município deverão ter de máxima que qualquer construção poderá alcançar a partir
frente para via pública, podendo situar-se fora dos limites do de um alinhamento e perpendicularmente a este na direção do
parcelamento, resguardados no mínimo o mesmo percentual interior da quadra;
de que trata os parágrafos 2º e 3º deste artigo e o interesse do VIII - afastamentos das construções: são as distâncias que
Município. separam os planos de fachadas de outras construções (afasta-
§ 5º O aceite das obras de loteamentos e condomínios de- mento entre construções), divisas laterais (afastamento lateral),
penderá da definição no respectivo memorial das áreas a serem da divisa de fundos (afastamento de fundos) ou da testada do
doadas ao Município. terreno (afastamento frontal);

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

IX - recuo: é a parte do afastamento frontal da construção Art. 93 Os projetos de edificações de uso público e de re-
estabelecido pelos projetos de alinhamento das vias que deverá levante interesse social poderão ter parâmetros de uso e ocu-
passar obrigatoriamente ao domínio do Município; pação do solo diferentes daqueles indicados nesta Lei, que se-
X - investidura: é a incorporação a um lote de área do terre- rão apreciados pela Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio
no a ele adjacente e pertencente a logradouro público, a fim de Ambiente, ouvido o Conselho Municipal de Urbanismo e Meio
recompor seu alinhamento; Ambiente.
XI - faixa não edificável: área que não pode ser ocupada, Art. 94 A indústria, cuja tipologia requer edificação com
visando ao interesse público na proteção de corpos hídricos, en- parâmetros diferentes dos estabelecidos na legislação para o
costas e para passagem de redes de serviços públicos; seu funcionamento, terá seu projeto apreciado pela Secretaria
XII - prisma de iluminação e ventilação: é a parte da área Municipal de Urbanismo e Meio Ambiente, devendo ser sempre
dos pavimentos que é destinada à iluminação e à ventilação dos obedecidos os parâmetros relativos à implantação do prédio no
seus compartimentos internos, que não pode ser edificada; terreno.
XIII - área mínima da unidade habitacional. Parágrafo Único - Para fins de concessão de licença de locali-
Art. 90 A cota de controle de densidade poderá ser igual a 0 zação de indústrias, deverá ser considerado o potencial poluidor
(zero), ficando, neste caso, indeterminado o número admissível da indústria e o nível local de saturação dos poluentes no am-
de unidades residenciais, como estímulo ao adensamento. biente, a fim de resguardar a qualidade ambiental.
Art. 91 As leis de edificações deverão estabelecer tipologias Art. 95 Deverão ser permitidas atividades de serviços nos
de edificações que permitam uma diversidade de padrões arqui- locais indicados para uso comercial.
tetônicos e uma simplificação das exigências, de forma compatí- Art. 96 Ficam limitadas em 2 (duas) a construção de uni-
vel com os modelos de organização territorial e com as diretrizes dades residenciais unifamiliares por lote em todo o Município.
de uso e ocupação do solo indicadas nesta Lei para as sub-regi- Art. 97 A construção de mais de 2 (duas) unidades residen-
ões de planejamento, garantindo, ainda, condições mínimas de ciais unifamiliares por lote deverá obedecer à legislação de pla-
saúde e segurança. nos de vila, permitidos em todo o Município, exceto nos centros
§ 1º O número de vagas de garagem deverá ser definido comunais e vicinais, nas áreas agrícolas definidas por este Plano
considerando-se as características urbanísticas e socioeconômi- Diretor, nas unidades de conservação ambiental e em outros es-
cas locais. paços naturais protegidos legalmente.
§ 2º Nas unidades multifamiliares a edificação da cobertura Art. 98 Os parâmetros de uso e ocupação do solo para cons-
poderá se constituir em unidade independente, limitada a 50% trução em encostas, a serem estabelecidos nos Planos Urbanís-
(cinquenta porcento) da área do pavimento tipo. ticos Regionais ou em legislação ordinária, deverão estabelecer
Art. 92 As edificações de uso hoteleiro poderão se localizar baixa taxa de ocupação e uma morfologia que não descaracte-
em qualquer local do território municipal, com as seguintes ex- rize o seu perfil, com vistas à preservação ambiental e à segu-
ceções: rança.
I - nas Unidades de Conservação Ambiental, onde exista sua Art. 99 As taxas de ocupação de térreo e subsolo de edifi-
proibição; cações deverão assegurar uma impermeabilização que garanta
II - nas Zonas de Preservação Permanente; uma adequada drenagem local.
III - nas frações urbanas ITA 1-A e ITA 1-B, correspondentes Art. 100 Os afastamentos das construções, a serem esta-
ao Bairro de Itacoatiara; belecidos pela legislação urbanística, deverão compatibilizar as
IV - nas ZCVS 11 e 12, nos limites do Bairro de Itacoatiara; novas edificações com a morfologia e ambiências existentes ou
V - nos espaços naturais protegidos legalmente. desejadas.
§ 1º Para efeito do que trata o caput deste artigo, as edifi- Art. 101 Deverão ser delimitadas na Zona de Restrição à
cações de uso residencial com serviços não são consideradas de Ocupação Urbana, estabelecida nesta Lei, as áreas de preser-
uso hoteleiro. vação permanente, de acordo com a avaliação das Áreas de
§ 2º Os empreendimentos hoteleiros quando localizados Especial Interesse Ambiental, indicadas para criação nesta Lei,
em áreas com uso multifamiliar, permitido e em centros de ati- devendo ser fixados para as áreas remanescentes parâmetros
vidades deverão obedecer aos parâmetros estabelecidos para restritivos de uso e ocupação do solo.
estes locais e quando localizados em áreas de uso unifamiliar
poderão ter no máximo 03 (três) pavimentos, exceto nos locais TÍTULO V
vedados pela legislação. (Redação dada pela Lei nº 2810/2011) DO SISTEMA E PROCESSO DE PLANEJAMENTO
Art. 92-A As unidades unifamiliares, as edificações de uso
institucional, os equipamentos escolares e de saúde, públicos, CAPÍTULO I
filantrópicos e particulares poderão se localizar em qualquer lo- DO SISTEMA DE PLANEJAMENTO E DA GESTÃO DEMOCRÁ-
cal do território municipal, exceto nas unidades de conservação TICA DA CIDADE (REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 2123/2004)
ambiental, onde seja proibido ou em outros espaços naturais
protegidos legalmente. Art. 102 O Poder Executivo instituirá o Sistema Municipal
Parágrafo Único - Os projetos das edificações de uso públi- de Planejamento Urbano e Ambiental que garantirá a implanta-
co, privado e filantrópicos citado no caput deste artigo deverão ção, revisão e acompanhamento deste Plano Diretor, composto
considerar as interferências no Sistema Viário e de vizinhança, pelos órgãos municipais responsáveis pela gestão ambiental e
sobretudo quando localizadas em vias arteriais e localidades re- urbanística e pelo Conselho Municipal de Política Urbana. (Re-
sidenciais. (Redação acrescida pela Lei nº 2810/2011) dação dada pela Lei nº 2123/2004)

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 103 A Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio Am- VIII - propor a criação de mecanismos de articulação entre
biente é o Órgão Central do Sistema, responsável por sua coor- os programas e os recursos municipais de impacto sobre o de-
denação. senvolvimento urbano;
Art. 104 Fica criado o Conselho Municipal de Política Urba- IX - promover mecanismos de cooperação entre os Gover-
na, Órgão colegiado que reúne representantes do poder público nos da União, Estado, e os Municípios da Região Metropolitana
e da sociedade civil, permanente e deliberativo, conforme suas e a sociedade na formulação e execução da política municipal e
atribuições, integrante da Administração Pública Municipal, ten- regional de desenvolvimento urbano;
do por finalidade assessorar, estudar e propor diretrizes para o X - promover a integração da política urbana com as políti-
desenvolvimento urbano com participação social e integração cas socioeconômicas e ambientais municipais e regionais;
das políticas fundiária e de habitação, de saneamento ambiental XI - promover a integração dos temas da Conferência das
e de trânsito, transporte e mobilidade urbana. Cidades com as demais conferências de âmbito municipal e re-
§ 1º O Conselho Municipal Política Urbana é parte integran- gional;
te do Sistema Nacional de Conselhos de Cidades e do Sistema XII - dar publicidade e divulgar seus trabalhos e decisões;
Municipal de Planejamento, e ficará vinculado funcionalmente XIII - convocar e organizar a cada dois anos a etapa prepara-
ao Órgão Gestor da Política Urbana Municipal. tória municipal da Conferência Nacional das Cidades;
§ 2º O Plenário do Conselho Municipal de Política Urbana XIV - propor a realização de estudos, pesquisas, debates, se-
será composto de 18 (dezoito) membros titulares e de 18 (dezoi- minários ou cursos afetos a política de desenvolvimento urbano;
to) membros suplentes, respeitando a seguinte proporcionalida- XV - opinar sobre todos os assuntos que lhe forem reme-
de entre os segmentos, estabelecida pela Conferência Nacional tidos, pela sociedade civil organizada e pelo Poder Público, re-
das Cidades para o Conselho Nacional das Cidades: lativos à política urbana e aos Instrumentos previstos no Plano
5 (cinco) representantes indicados pelo Poder Executivo; Diretor;
2 (dois) representantes indicados pelo Poder Legislativo; XVI - elaborar e aprovar o regimento interno e formas de
5 (cinco) representantes indicados pelos movimentos so- funcionamento do Conselho e das suas Câmaras Setoriais.
ciais e populares; § 4º As deliberações do Conselho Municipal de Política
2 (dois) representantes indicados pelo segmento empresa- Urbana deverão estar articuladas com os outros conselhos se-
rial; toriais do Município, buscando a integração das diversas ações
2 (dois) representantes indicados pelos trabalhadores; e políticas responsáveis pela intervenção urbana, garantindo a
1 (um) representante indicados pelas entidades profissio- participação da sociedade.
nais e acadêmicas; § 5º O Poder Executivo indicará a Presidência do Conse-
1 (um) representante indicados pelas organizações não go- lho Municipal de Política Urbana. (Redação dada pela Lei nº
vernamentais. 2123/2004)
§ 3º No cumprimento de suas finalidades, são atribuições Art. 105 À Secretaria Municipal de Urbanismo e Meio
do Conselho Municipal de Política Urbana: Ambiente, na qualidade de Órgão Central do Sistema de Pla-
I - propor, debater e aprovar diretrizes para a aplicação de nejamento Urbano e Ambiental, ficam atribuídas as seguintes
Instrumentos da política de desenvolvimento urbano e das po- funções, além daquelas que lhe são cometidas pela legislação
líticas setoriais em consonância com as deliberações da Confe- aplicável:
rência Nacional das Cidades; I - coordenar a implantação, revisão, acompanhamento e
II - propor, debater e aprovar dretrizes e normas para a im- avaliação do Plano Diretor e dos demais planos urbanísticos;
plantação dos programas a serem formulados pelos órgãos da II - elaborar, apreciar, analisar e encaminhar propostas de
Administração Pública Municipal relacionados à política urbana; legislação urbanística, edilícia e ambiental, inclusive dos instru-
III - acompanhar e avaliar a execução da política urbana mentos implementadores da política urbana, previstos nesta
municipal e recomendar as providências necessárias ao cumpri- Lei;
mento de seus objetivos; III - implantar, coordenar e manter atualizado o Cadastro
IV - propor a edição de normas municipais de direito urba- Técnico Municipal, composto de um sistema de informações
nístico e manifestar-se sobre propostas de criação e de alteração sobre a Cidade, que acompanhe o seu desenvolvimento e trans-
da legislação pertinente ao desenvolvimento urbano; formações;
V - emitir orientações e recomendações referentes à aplica- IV - promover e executar as medidas necessárias à aplicação
ção da Lei Federal 10.257/2001 - “Estatuto da Cidade” e demais desta Lei, desempenhando as demais atividades que para tanto
legislação e atos normativos relacionados ao desenvolvimento se façam necessárias.
urbano municipal; Art. 106 Para garantir a gestão democrática da Cidade, de-
VI - propor aos órgãos competentes medidas e normas para verão ser utilizados, entre outros, os seguintes Instrumentos:
implementação, acompanhamento, avaliação da legislação ur- I - Conselho Municipal de Política Urbana, com a participa-
banística, e em especial do Plano Diretor; ção da população e de associações representativas dos vários
VII - Sugerir eventos destinados a estimular a conscientiza- segmentos sociais;
ção sobre os problemas urbanos e o conhecimento da legislação II - Conselho Municipal de Meio Ambiente, com a partici-
pertinente, e a discutir soluções alternativas para a gestão da pação da população e de associações representativas dos vários
Cidade, bem como outros temas referentes à política urbana e segmentos sociais;
ambiental do Município; III - debates, audiências e consultas públicas;

81
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

IV - conferências sobre assuntos de interesse urbano e am- Art. 110 Os modelos de organização territorial estabelecem
biental; por sub-região as unidades de planejamento, definidas a seguir,
V - iniciativa popular de projeto de lei e de planos, progra- organizadas espacialmente conforme o número de habitantes
mas e projetos de desenvolvimento urbano; na sua área de influência, indicando os respectivos centros de
VI - acesso às informações disponíveis; atividades - comerciais, de serviços públicos e privados, religio-
VII - encontros locais e de Câmaras Temáticas, a serem pro- sas, de lazer e culturais - existentes ou a serem estimulados:
movidos periodicamente pelos órgãos municipais responsáveis; I - Unidade de Vizinhança - formada pelo conjunto de 5.000
VIII - integração dos conselhos de políticas setoriais no Con- (cinco mil) a 15.000 (quinze mil) habitantes, atendidos por um
selho Municipal de Política Urbana. centro de atividades denominado Centro de Bairro, onde loca-
Parágrafo Único - No âmbito municipal, a gestão orçamen- lizam-se comércio e serviços de uso frequente, além do diário;
tária participativa de que trata a alínea `i` do inciso I do art. 8º II - Sub-região - composta por no mínimo 2 (duas) Unidades
desta Lei incluirá a realização de debates, audiências e consultas de Vizinhança, espacialmente próximas, com um centro de ati-
públicas sobre as propostas do Plano Plurianual, da Lei de Di- vidades denominado Centro ou Subcentro Urbano, onde loca-
retrizes Orçamentárias e do Orçamento Anual, como condição lizam-se comércio e serviços de uso ocasional e especializado,
obrigatória para sua aprovação pela Câmara Municipal. (Reda- além dos frequentes e diário.
ção dada pela Lei nº 2123/2004) Art. 111 Os Planos Urbanísticos Regionais (PUR) detalharão
os modelos de organização territorial das sub-regiões, onde de-
CAPÍTULO II verão constar:
DO PROCESSO DE PLANEJAMENTO I - a delimitação das unidades de planejamento e de seus
centros de atividades a nível de Centro ou Subcentro Urbano e
Art. 107 As diretrizes estabelecidas neste Plano Diretor
Centro de Bairro indicados nesta Lei, assim como os centros de
serão desenvolvidas, resguardando-se as características locais,
atividades locais para comércio e serviços de interesse diário da
através da legislação urbanística de que trata o artigo 82 desta
população;
Lei, em especial dos Planos Urbanísticos Regionais (PUR) e da
II - a especificação das tipologias das edificações e de parce-
legislação específica das Áreas de Especial Interesse.
Art. 108 Para a aplicação do artigo 107 desta Lei, o território lamento do solo adequados à morfologia urbana de cada área,
municipal fica dividido em 5 (cinco) Regiões de Planejamento, através do estabelecimento de índices para os parâmetros de
com base em critérios de homogeneidade em relação à paisa- uso e ocupação do solo aplicáveis;
gem, à tipologia, ao uso das edificações e ao parcelamento do III - a indicação das atividades de comércio e de serviços
solo, considerados, ainda, aspectos socioeconômicos e físicos, compatíveis com os centros de atividades;
em especial as bacias hidrográficas, conforme o Mapa 4 do Ane- IV - a indicação das áreas necessárias para implantação dos
xo VI desta Lei: equipamentos urbanos públicos e previsão dos instrumentos
I - Região das Praias da Baía; para reserva dessas áreas;
II - Região Norte; V - a indicação das áreas cujo adensamento deverá ser es-
III - Região de Pendotiba; timulado ou restringido e os instrumentos para atingir estes ob-
IV - Região Oceânica; jetivos;
V - Região Leste. VI - outras definições que se façam necessárias para atender
Parágrafo Único - As Regiões de Planejamento são subdividi- as diretrizes estabelecidas nesta Lei.
das em sub-regiões definidas por analogias físicas e urbanísticas. Art. 112 Além do detalhamento dos modelos de organiza-
ção territorial, os Planos Urbanísticos Regionais também pode-
SEÇÃO ÚNICA rão:
DOS PLANOS URBANÍSTICOS REGIONAIS I - propor o traçado de novas vias de circulação, inclusive
ciclovias;
Art. 109 Os Planos Urbanísticos Regionais (PUR) são leis de II - hierarquizar e definir funcionalmente a rede viária, indi-
iniciativa do Poder Executivo, elaborados pelos órgãos munici- cando também as modificações, alargamentos e outros melho-
pais responsáveis pela gestão urbanística e ambiental, que esta- ramentos necessários nas vias existentes;
belecem o modelo de uso e ocupação do solo para cada região III - propor a implantação de novos meios de transporte co-
de planejamento, devendo obedecer às condicionantes estabe- letivo, assim como alterações necessárias no sistema de trans-
lecidas pelo diagnóstico ambiental e viário municipal, cuja exis- porte;
tência é condição para a elaboração do PUR, garantida a ampla
IV - definir, em conjunto com as Fundações Municipais de
participação da comunidade local, observadas as diretrizes fixa-
Educação e Saúde, a carência de atendimento em cada nível por
das na presente Lei e considerando:
unidade de planejamento e escolher as áreas apropriadas para
I - as particularidades locais, ouvidas as comunidades dire-
implantação dos equipamentos destinados a supri-la;
tamente envolvidas;
II - as diretrizes traçadas neste Plano Diretor, em especial as V - efetuar as recomendações cabíveis quanto aos aspectos
Diretrizes Setoriais; ambientais, econômicos ou sociais de maior relevância;
III - os modelos de organização territorial definidos neste VI - indicar os locais adequados para as áreas destinadas ao
Plano Diretor para cada uma das sub-regiões de planejamento. lazer e à prática de esportes.
(Redação dada pela Lei nº 2123/2004)

82
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 113 Os Planos Urbanísticos Regionais e demais Leis Ur- da Conceição e o Hospital da Beneficência Portuguesa, que é
banísticas deverão obedecer às diretrizes de uso e ocupação do área de entorno para proteção da ambiência da Igreja de Nossa
solo estabelecidas nesta Lei para as sub-regiões de planejamen- Senhora da Conceição, bem tombado a nível municipal;
to da Cidade. c) 4 (quatro) pavimentos nos terrenos da Área de Preser-
vação do Ambiente Urbano do Centro não compreendidos no
CAPÍTULO III - DA REGIÃO DAS PRAIAS DA BAÍA trecho descrito na alínea b deste item.
II - limitar a altura máxima por pavimento, a que se refere o
Art. 114 A Região das Praias da Baía compreende 5 (cinco) item I deste artigo, a 3,50m (três metros e cinquenta centíme-
Sub-Regiões: Centro, Icaraí, Santa Rosa, São Francisco e Juruju- tros) de piso a piso, exceto o pavimento térreo que não deverá
ba, conforme Mapa 5 do Anexo VI, e descrição do Anexo V, am- exceder 5,50m (cinco metros e cinquenta centímetros);
bos partes integrantes desta Lei. III - incentivar atividades turísticas, principalmente bares e
restaurantes, e culturais, preservando a ambiência urbana e os
SEÇÃO aspectos culturais na Rua Barão de Mauá, na Área de Preser-
vação do Ambiente Urbano da Ponta d`Areia e na Praça Leonir
DA SUB-REGIÃO DO CENTRO
Ramos, na Área de Preservação do Ambiente Urbano de São
Domingos/Gragoatá/Boa Viagem, especialmente no prédio da
Art. 115 A Sub-Região do Centro compreende os Bairros
antiga Estação da Cantareira;
do Centro, Ponta d`Areia, São Domingos, Gragoatá, Fátima, Boa
IV - incentivar a preservação e intensificação do uso resi-
Viagem e Morro do Estado e parte de São Lourenço, Santana e dencial na Área de Preservação do Ambiente Urbano do Centro,
Ingá. compatibilizando-o com os usos comerciais e de serviços;
Art. 116 O modelo de organização territorial da Sub-Região V - manter na Área de Preservação do Ambiente Urbano
do Centro corresponde a um Centro Urbano e mais 3 (três) Uni- do Centro os usos, a capacidade e a localização no pavimento
dades de Vizinhança, assinaladas no Mapa 5: térreo dos cinemas e salas de espetáculos existentes, tanto nos
I - Centro Urbano onde situa-se a Área Central de Negócios casos de obras de restauração como nos casos de reconstrução;
que corresponde ao Centro Histórico da Cidade e funciona como VI - declarar não edificante o trecho da orla da Baía de Gua-
polarizador das atividades comerciais, institucionais e de servi- nabara ao longo da Rua Miguel Lemos, na Área de Preservação
ços da sub-região e do Município; do Ambiente Urbano da Ponta d`Areia, garantido o pleno acesso
II - Unidade de Vizinhança Bairro de Fátima; público à beira do cais;
III - Unidade de Vizinhança Ponta d`Areia; VII - evitar usos e atividades que guardem ou utilizem pro-
IV - Unidade de Vizinhança São Domingos. dutos perigosos ou que acarretem poluição sonora, bem como
Parágrafo Único - Para as Unidades de Vizinhança desta usos e atividades com grande movimentação de trânsito de car-
Sub-Região não foram definidos centros de bairros uma vez que ga e descarga;
as atividades características destes desenvolvem-se no Centro VIII - dispensar das exigências em vigor quanto a estacio-
Urbano. namento e vagas de garagem os projetos de restauração de
Art. 117 Ficam criadas as Áreas de Preservação do Ambien- imóveis de interesse para a preservação, mediante aprovação
te Urbano da Ponta d`Areia, do Centro e de São Domingos/Gra- das Secretarias Municipais de Urbanismo e Meio Ambiente e de
goatá/Boa Viagem, cujas delimitações estão descritas no Anexo Cultura.
VI desta Lei, e ficam fixadas as seguintes diretrizes para suas re- § 1º Ficam suspensos os licenciamentos de remembramen-
gulamentações: to de lotes, no prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias a partir
I - estabelecer gabaritos para construção de forma que as da data da publicação desta Lei, nas Áreas de Preservação do
novas edificações não excedam em altura, em cada caso, o nú- Ambiente Urbano criadas no caput deste artigo.
mero de pavimentos compatível com a preservação da ambiên- § 2º A regulamentação das Áreas de Preservação do Am-
biente Urbano, criadas no caput deste artigo, deverá conter a lis-
cia tradicional, que são os seguintes:
tagem dos imóveis de interesse para preservação de cada área,
a) 3 (três) pavimentos nas Áreas de Preservação do Ambien-
os critérios para uso do solo, condições edilícias e de execução
te Urbano da Ponta d`Areia e de São Domingos/Gragoatá/Boa
de obras, de forma consentânea com a preservação ambiental e
Viagem;
as formas de incentivo à conservação, recuperação e integração
b) 12 (doze) pavimentos no trecho da Área de Preservação no quadro ambiental urbano das construções, logradouros, ar-
do Ambiente Urbano do Centro que compreende os seguintes borização e mobiliários urbanos.
Logradouros: Av. Amaral Peixoto, da Av. Visconde do Rio Branco Art. 118 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de
até a Rua Marquês do Paraná; a Rua Coronel Gomes Machado Especial Interesse, de acordo com Capítulo II, do Título II desta
entre as Ruas Maestro Felício Toledo e Visconde de Sepetiba; a Lei, assinaladas no Mapa 5:
Rua Barão do Amazonas entre as Ruas da Conceição e São Pe- I - Área de Especial Interesse Pesqueiro da Ponta d`Areia,
dro; a Rua Maestro Felício Toledo entre a Rua Coronel Gomes localizada na Rua Barão de Mauá, indicada para apoio ao setor
Machado e a Av. Amaral Peixoto; a Rua Visconde de Sepetiba pesqueiro;
entre a Rua Coronel Gomes Machado e a Av. Amaral Peixoto; II - Área de Especial Interesse Urbanístico do Aterro Praia
a Rua da Conceição entre as Ruas Maestro Felício Toledo e Vis- Grande Norte, indicada para:
conde de Sepetiba; a Rua Feliciano Sodré e a Rua Dr. Celestino, a) construção do Terminal Norte;
exceto o trecho compreendido entre a Igreja de Nossa Senhora b) construção de cais de apoio às atividades pesqueiras;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

c) instalação da estação de tratamento de esgotos de To- Art. 120 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro-
que-Toque; teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá
d) consolidação da Vila Olímpica; priorizar as áreas assinaladas no Mapa 5 e situadas:
e) duplicação da Av. Visconde do Rio Branco; I - próximo à Rua Alberto de Oliveira, entre as cotas 75 e
f) estabelecimento de projeto urbanístico que compatibilize 100, no Morro do Abílio, Bairro de Fátima;
os usos residencial, comercial e de serviços; II - em 2 (dois) pontos próximos à Rua Jornalista Moacir Pa-
g) incentivo à construção de hotéis e de outros meios de dilha, próximo à cota 35, no Morro do Estado;
hospedagem para apoio às atividades da Área Central de Ne- III - próxima à Rua Badger da Silveira, em frente ao Edifício
gócios. dos Bancários, entre as cotas 50 e 75, no Morro do Estado;
III - Área de Especial Interesse Urbanístico do Aterro Praia IV - na encosta do Morro da Boa Viagem.
Grande Sul, indicada para: Art. 121 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
a) remodelação do Terminal Sul; elementos arquitetônicos, urbanísticos, paisagísticos e arqueo-
b) consolidação do Centro de Espetáculos de São Domingos; lógicos:
c) duplicação da Av. Visconde do Rio Branco. I - Forte do Gragoatá;
IV - Áreas de Especial Interesse Social dos Morros da Penha, II - Câmara Municipal;
Estado, Arroz, Chácara e Fátima, indicadas para urbanização e III - Fórum;
regularização fundiária; IV - Biblioteca Municipal;
V - Área de Preservação do Ambiente Paisagístico da Boa V - Praça da República, incluindo o monumento;
Viagem, localizada ao longo da Av. Litorânea e Praia da Boa Via- VI - Liceu Nilo Peçanha;
gem, indicada para preservação do entorno do conjunto tomba- VII - Prédio da Secretaria da Polícia Civil;
do da Ilha da Boa Viagem; VIII - Solar Norival de Freitas;
VI - Área de Especial Interesse Urbanístico do Centro, situ- IX - Palácio São Domingos (Agência BANERJ - Rua Marechal
ada no polígono formado pelas Ruas Marquês do Paraná, São Deodoro);
João, Visconde de Sepetiba e Coronel Gomes Machado, visando X - Casarão Condessa Pereira Carneiro;
à implantação de parque público e o estabelecimento de condi- XI - Casa Antonio Virzi;
ções especiais para edificação na sua parte plana, compatíveis XII - Teatro Municipal João Caetano;
com a preservação ambiental do morro, do conjunto de constru- XIII - Agência Central de Correios e Telégrafos;
ções existentes no lado ímpar da Rua Visconde de Sepetiba, no XIV - Antigo Mercado Municipal (Depósito Público Estadu-
trecho entre as Ruas São Pedro e Coronel Gomes Machado, e do al);
muro de interesse histórico existente no seu interior; XV - Jardim São João;
VII - Área de Especial Interesse Urbanístico de São Domin- XVI - Igreja Matriz de São João Batista;
gos situado entre a Via 100 e Av. Visconde do Rio Branco. XVII - Vila Pereira Carneiro;
Art. 119 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para XVIII - Paço Municipal de Niterói (Prédio da Secretaria Mu-
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- nicipal de Educação);
-Região Centro: XIX - Palácio Araribóia;
I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-Re- XX - Prédio do Corpo de Bombeiros;
gião para a Área Central de Negócios, respeitadas as diretrizes XXI - Praia do Forte do Gragoatá;
da Área de Preservação do Ambiente Urbano do Centro, estabe- XXII - Igreja Nossa Senhora da Conceição;
lecendo tipologias de edificação compatíveis com as ambiências XXIII - Solar do Jambeiro;
urbanas; XXIV - Prédios da Faculdade de Arquitetura - UFF;
II - definir atividades incentivando a diversidade de usos, XXV - Praia da Boa Viagem;
com ênfase no uso residencial multifamiliar, para melhor utiliza- XXVI - Prédio da Secretaria Estadual de Fazenda na Av. Jan-
ção da infraestrutura instalada; sen de Mello;
III - definir, através de afastamentos e recuos, condições fí- XXVII - Ilha da Boa Viagem;
sicas adequadas para o trecho da ligação Centro-Icaraí, constitu- XXVIII - Ilha dos Cardos;
ído pelas Ruas Paulo Alves, São Sebastião e Badger da Silveira; XXIX - Prédio da Companhia Docas do Rio de Janeiro (Antiga
IV - estabelecer medidas que disciplinem o estacionamento Estação Ferroviária);
de veículos; XXX - Ruínas do primeiro sistema de abastecimento de água
V - considerar na hierarquização das vias de circulação a no Morro do Abílio;
criação de um corredor de passagem e de ruas de uso restrito XXXI - Morro do Abíllio;
no miolo da Área Central de Negócios; XXXII - Morro do Gragoatá;
VI - proibir novos aterros na orla da Baía de Guanabara, XXXIII - Morro da CEDAE;
devendo ser cadastrada a orla atual com o objetivo de melhor XXXIV - Morro da Ponta d`Areia;
controle; XXXV - Morro do Arroz;
VII - estudar a adequação da Av. Litorânea (Boa Viagem) XXXVI - Morro do Solar do Jambeiro;
para suporte das atividades de lazer e turismo, características XXXVII - Praça General Gomes Carneiro (do Rink);
desta Avenida. XXXVIII - Ruínas da Estação da Cantareira.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 122 Ficam consideradas prioritárias para refloresta- I - no Morro do Ingá, próxima à Rua “K” e à cota 60;
mento as encostas dos Morros da Ponta da Armação, da Penha, II - no Morro do Cavalão, na vertente de Icaraí, em cima do
do Estado, do Arroz, do Gragoatá e da Boa Viagem. Túnel Roberto Silveira, entre as cotas 25 e 50;
III - no Morro do Cavalão, entre a Rua Professora Elza Bitten-
SEÇÃO II court e a Alameda Paris, entre as cotas 50 e 75.
DA SUB-REGIÃO DE ICARAÍ Art. 128 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos:
Art. 123 A Sub-Região de Icaraí compreende os Bairros de I - Prédio da Reitoria da Universidade Federal Fluminense;
Icaraí e Ingá e parte de Santa Rosa e Vital Brazil. II - Pedras da Itapuca e do Índio;
Art. 124 O modelo de organização territorial corresponde a III - Palácio Nilo Peçanha (Palácio do Ingá);
um Subcentro Urbano e 2 (duas) Unidades de Vizinhança, assi- IV - Morro da Pedreira;
naladas no Mapa 5: V - Igreja Porciúncula de Santana;
I - Subcentro Urbano de Icaraí corresponde ao Bairro do VI - Museu Antônio Parreiras;
mesmo nome, cujas atividades comerciais e de serviço encon- VII - Praias das Flexas e Icaraí;
tram-se distribuídas por toda a área, atendendo não apenas a VIII - Campo de São Bento, incluindo o coreto;
está Sub-Região como a todo o Município; IX - Faculdade de Direito - UFF;
II - Unidade de Vizinhança Praia das Flexas, cujo Centro de X - Praça Getúlio Vargas;
Bairro deverá ser estimulado nas Ruas Tiradentes, Nilo Peçanha, XI - Igreja São Judas Tadeu;
Pereira Nunes e Pres. Pedreira;
XII - Conjunto Arquitetônico do Colégio São Vicente de Pau-
III - Unidade de Vizinhança Ingá, atendida pelo Centro de
la;
Bairro da Unidade de Vizinhança Praia das Flexas.
XIII - Colégio Aurelino Leal.
Art. 125 Ficam indicadas para criação, conforme Capítulo II,
XIV - Morro do Arroz;
do Título II desta Lei, as seguintes Áreas de Especial Interesse,
assinaladas no Mapa 5, as Áreas de Especial Interesse Social dos XV - Morro do Caniço;
Morros do Ingá, da Cotia e do Cavalão, indicadas para urbaniza- XVI - Morro do Cavalão;
ção e regularização fundiária. XVII - Morro do Museu Antonio Parreiras;
Art. 126 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para XVIII - Prédio da Faculdade de Economia da UFF;
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- XIX - Igreja Anglicana (Rua Gavião Peixoto com Otávio Car-
-Região de Icaraí: neiro).
I - restringir o adensamento da Sub-Região através de cotas Art. 129 Ficam consideradas prioritárias para refloresta-
de densidade e outras medidas adequadas; mento as encostas dos Morros do Cavalão, Caniço e Ingá.
II - manter para as edificações nas Praias de Icaraí e João Ca-
etano (Praia das Flexas) o gabarito e demais condições em vigor, SEÇÃO III
consolidando a volumetria existente; DA SUB-REGIÃO DE SANTA ROSA
III - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja- Art. 130 A Sub-Região de Santa Rosa compreende o Bairro
mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana; do Pé Pequeno e parte de Santa Rosa, Vital Brazil, Cubango, Vi-
IV - estudar a valorização paisagística dos Morros de Santa radouro e Ititioca.
Tereza, da Pedreira, do Caniço e do Cavalão, protegendo em es- Art. 131 O modelo de organização territorial da Sub-Região
pecial os promontórios divisórios das praias; de Santa Rosa corresponde a 3 (três) Unidades de Vizinhança,
V - desestimular no Subcentro Urbano de Icaraí as ativida- assinaladas no Mapa 5, não comportando Subcentro Urbano
des geradoras de tráfego nas vias principais de circulação e na- devido a sua proximidade de Icaraí que polariza as atividades:
quelas onde a conveniência urbanística não recomende; I - Unidade de Vizinhança do Largo do Marrão, com Centro
VI - em todo o Subcentro Urbano de Icaraí, compatibilizar as de Bairro no entorno do Largo do Marrão;
atividades comerciais e de serviços com o uso residencial; II - Unidade de Vizinhança Martins Torres, cujo Centro de
VII - hierarquizar as vias, estudando a possibilidade de esta- Bairro deverá ser estimulado no entorno do entroncamento da
belecer a circulação principal de trânsito de passagem nas vias Rua Vereador Duque Estrada com a Rua Martins Torres;
periféricas e restringir o tráfego nas vias internas, destinando-as
III - Unidade de Vizinhança Mario Viana, com Centro de
prioritariamente ao tráfego de moradores, serviços e parquea-
Bairro no entorno do entroncamento da Travessa Beltrão com a
mento;
Rua Mario Viana (Largo do Beltrão).
VIII - estudar a construção de canteiro central ou outra for-
Art. 132 Ficam indicadas para criação, conforme Capítulo II,
ma de bloqueio na Praia de Icaraí, restringindo as entradas à es-
querda e prevendo a criação de bainhas para parada de ônibus Título II desta Lei, assinaladas no Mapa 5, as Áreas de Especial
e estacionamento. Interesse Social da Rua Itaperuna, dos Morros de Atalaia, Alari-
IX - redefinir os percursos das linhas de transporte coletivo, co de Souza, Africano, Viradouro e Souza Soares, indicadas para
tendo em vista o item V deste artigo. urbanização e regularização fundiária.
Art. 127 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro- Art. 133 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá a elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
priorizar as Áreas de Risco assinaladas no Mapa 5 e situadas: -Região de Santa Rosa:

85
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

I - intensificar a ocupação nas áreas dos Centros de Bairro III - Unidade de Vizinhança Charitas, cujo Centro de Bairro
do Largo do Marrão, Mario Viana e Martins Torres, incentivando deverá ser estimulado no entorno da Rua Juiz Alberto Nader;
o uso misto; IV - Unidade de Vizinhança Cachoeira, com Centro de Bairro
II - distribuir o adensamento populacional da Sub-Região no Largo da Cachoeira e adjacências, em direção à Rua Fernan-
para todas as Unidades de Vizinhança, restringindo o adensa- des Couto.
mento no Pé Pequeno e estabelecendo as tipologias de edifica- Art. 140 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de
ção compatíveis com as ambiências urbanas; Especial Interesse, conforme Capítulo II, Título II desta Lei, assi-
III - reservar área para implantação de terminal de ônibus naladas no Mapa 5:
no Viradouro e Martins Torres; I - Área de Especial Interesse Turístico da Charitas, locali-
IV - garantir área, através de instrumentos apropriados, zada em toda a Unidade de Vizinhança Charitas, exceto a Área
para o alargamento das Ruas Dr. Paulo Cézar, Noronha Torrezão, de Especial Interesse Urbanístico da Charitas, para incentivo às
Mario Viana e Santa Rosa e estudar o entroncamento no Centro atividades turísticas;
de Bairro do Largo do Marrão; II - Área de Especial Interesse Urbanístico da Charitas, lo-
V - prever melhoria da ligação entre a Av. Ary Parreiras e a calizada na área denominada Seminário São José, com fins de
Rua Mario Viana. implantar terminal de transporte de massa à Região Oceânica,
Art. 134 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro- via túnel, integrado ao transporte coletivo existente e terminal
teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá hidroviário;
priorizar as Áreas de Risco assinaladas no Mapa 5 e situadas: III - Área de Especial Interesse Turístico de São Francisco,
I - na Favela Souza Soares, entre as cotas 25 e 75 acima da localizada na orla da Praia de São Francisco, indicada para uso
Rua José Dalossi; turístico principalmente de restaurantes e bares;
II - no Morro Alarico de Souza, entre a Estrada Alarico de IV - Áreas de Preservação do Ambiente Urbano de São Fran-
Souza e a Travessa Otávio Lana, entre as cotas 50 e 75; cisco, localizada no entorno da Igreja de São Francisco, tombada
III - em 3 (três) pontos de risco no Morro Alarico de Souza pelo Patrimônio da União;
próximos à Estrada Alarico de Souza, no final da Rua Capitão Ma- V - Área de Especial Interesse Social dos Morros do Preven-
tar, entre as cotas 50 e 100. tório e da União, indicadas para urbanização e regularização
Art. 135 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deverá fundiária.
priorizar a área sujeita a enchentes situada na Rua Mario Viana, Art. 141 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
na altura do Largo do Viradouro e da Travessa Santa Marta. elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
Art. 136 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes -Região de São Francisco:
elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos: I - manter a volumetria e a ambiência característica do Bair-
I - Morro do Querosene; ro de São Francisco;
II - Morro do Cavalão; II - estimular o uso comercial na Av. Rui Barbosa, através dos
III - Morro Souza Soares; centros vicinais, compatibilizado com o uso residencial;
IV - Morro do Atalaia; III - estimular na Unidade de Vizinhança Charitas a implan-
V - Igreja Nossa Senhora Auxiliadora; tação de hotéis, residenciais com serviços e equipamentos di-
VI - Igreja Santa Rosa do Viterbo; recionados à recreação, para atender as finalidades da Área de
VII - Monumento Nossa Senhora Auxiliadora; Especial Interesse Turístico da Charitas;
VIII - Praça do Vital Brazil; IV - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-
-Região para a Unidade de Vizinhança Cachoeira;
IX - Morro da Boa Vista;
V - nas áreas de encosta já loteadas, rever parâmetros para
X - Morro do Bumba.
as edificações compatibilizando a ocupação com a preservação;
Art. 137 Ficam consideradas prioritárias para refloresta-
VI - manter a legislação em vigor na Estrada Leopoldo Fróes;
mento as encostas dos Morros do Pé Pequeno, Querosene, Ala-
VII - rever recuos e afastamentos para a Av. Rui Barbosa,
rico de Souza, Atalaia, Souza Soares e Africano.
especialmente no trecho entre a Av. Pres. Roosevelt e o Largo
da Cachoeira;
SEÇÃO IV
VIII - estudar a implantação de uma via rodoviária turística
DA SUB-REGIÃO DE SÃO FRANCISCO
ligando Charitas a Piratininga (Tibau);
IX - estudar o traçado de via de ligação entre Charitas e Pira-
Art. 138 A Sub-Região do São Francisco compreende os tininga (Cafubá) para implantação de transporte de massa, atra-
Bairros de São Francisco, Cachoeira e Charitas. vés de túnel no Morro do Preventório;
Art. 139 O modelo de organização territorial corresponde a X - reservar área para implantação de terminal hidroviário
4 (quatro) Unidades de Vizinhança, com Centros de Bairro sendo na Praia de Charitas, incluindo parqueamento de carros e a inte-
as atividades a nível do Subcentro desempenhadas pelos Sub- gração com outros meios de transporte.
centros Urbanos de Icaraí e do Largo da Batalha, assinalados no Art. 142 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deverá
Mapa 5: priorizar as áreas sujeitas a enchentes situadas:
I - Unidade de Vizinhança Praia de São Francisco, com Cen- I - junto ao córrego próximo à Rua Albino Pereira, na en-
tro de Bairro em trecho da Av. Rui Barbosa; costa do Morro da União voltada para a Unidade de Vizinhança
II - Unidade de Vizinhança Alto de São Francisco, cujo Centro Cachoeira;
de Bairro deverá ser estimulado em trecho da Av. Rui Barbosa; II - na bacia do canal na Av. Taubaté.

86
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 143 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro- Art. 149 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
priorizar as áreas de risco assinaladas no Mapa 5 e situadas: -Região de Jurujuba:
I - no Morro da União, próxima à Rua Rute de Oliveira Fer- I - direcionar preferencialmente o adensamento populacio-
reira, próxima à cota 75; nal da Sub-Região para a Área de Especial Interesse Turístico de
II - no Morro do Santo Inácio, acima da Rua Mário Joaquim Jurujuba, através de cotas de densidade e de outras medidas
Santana, entre as cotas 50 e 75; adequadas à finalidade de incentivo à instalação de hotéis e re-
III - no Morro do Preventório, atrás do Hospital Psiquiátrico, sidenciais com serviços, compatível com a vocação turística da
entre as cotas 50 e 75; região, condicionado à implantação de infraestrutura de esgota-
IV - no Morro do Preventório, atrás do Hospital do ASPERJ, mento sanitário;
entre as cotas 25 e 40; II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
V - no Morro do Preventório, atrás do Educandário Paula as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
Cândido, abaixo da cota 50. mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
Art. 144 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes III - implementar instrumentos que permitam a legalização
elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos: das construções existentes;
I - Morro do Santo Inácio; IV - verificar a situação de controle ambiental das indústrias
II - Morro do Cavalão; de beneficiamento de pescado desta Sub-Região, com vistas à
III - Morro da Viração; adequação aos usos residencial e turístico, podendo inclusive
IV - Morro do Preventório; determinar a transferência de unidades produtivas;
V - Morro do Sapezal; V - estabelecer critérios para que as novas edificações loca-
VI - Ilha dos Amores; lizadas na orla, nos terrenos situados entre a orla marítima e a
VII - Parque da Cidade; Av. Carlos Ermelindo Marins, no trecho entre o limite desta Sub-
VIII - Igreja de São Francisco Xavier; -Região com a de São Francisco e o ponto inicial da Praia da Vár-
IX - Casarão de Charitas; zea, tenham altura não superior ao greide da referida Avenida;
VI - estabelecer critérios para ocupação dos lotes entre a Av.
X - Cemitério de São Francisco Xavier;
Carlos Ermelindo Marins e a orla marítima de forma a garantir a
XI - Praias de São Francisco, Charitas e da Areia Grossa;
visão da Baía de Guanabara;
XII - Morro Souza Soares.
VII - estudar soluções viárias para os pontos de estrangula-
Art. 145 Ficam consideradas prioritárias para refloresta-
mento no trecho entre o Clube Naval e a Praia de Jurujuba;
mento as encostas dos Morros do Preventório e da União.
VIII - estudar a viabilidade da abertura de um canal ligando
a Praia da Várzea e a Praia do Forte Rio Branco com o objetivo de
SEÇÃO V
melhorar a qualidade da água na enseada de Jurujuba.
DA SUB-REGIÃO DE JURUJUBA
Art. 150 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro-
teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá
Art. 146 A Sub-Região de Jurujuba corresponde ao Bairro de priorizar a Área de Risco situada na Favela do Pau-Ferro, entre
mesmo nome. as cotas 25 e 75, acima da Av. Carlos Ermelindo Marins.
Art. 147 O modelo de organização territorial da Sub-Região Art. 151 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
de Jurujuba, dada as suas características especiais, correspon- elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos:
de a uma Unidade de Vizinhança com Centro de Bairro entre as I - Morro do Morcego;
Praias das Várzeas e do Canal, assinaladas no Mapa 5. II - Morro do Macaco e do Pico;
Art. 148 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de III - Morro do Ourives;
Especial Interesse, conforme Capítulo II, Título II desta Lei, assi- IV - Praia do Adão;
naladas no Mapa 5: V - Praia da Eva;
I - Área de Especial Interesse Turístico de Jurujuba, localiza- VI - Forte do Rio Branco;
da na orla da Baía de Guanabara, situada entre o limite da Sub- VII - Fortaleza de Santa Cruz;
-Região de Jurujuba com a de São Francisco e o ponto final da VIII - Forte São Luiz;
Praia do Canal, indicada para estimular a implantação de hotéis, IX - Praias da Várzea, do Canal, de Jurujuba e de Fora;
residenciais com serviços, pousadas e outros meios de hospe- X - Igreja de Nossa Senhora da Conceição;
dagem, bem como de serviços de apoio às atividades turísticas, XI - Igreja de São Pedro.
coexistindo em harmonia com as atividades pesqueiras;
II - Área de Especial Interesse Pesqueiro de Jurujuba, locali- CAPÍTULO IV
zada nas Praias do Canal, da Várzea e de Jurujuba, indicada para DA REGIÃO NORTE
dar apoio ao setor pesqueiro;
III - Área de Preservação do Ambiente Paisagístico de Juru- Art. 152 A Região Norte compreende 4 (quatro) Sub-Regi-
juba, abrangendo toda a Sub-Região, indicada para preservar o ões: Barreto, Engenhoca, Fonseca e Caramujo, conforme Mapa
ambiente urbano e a paisagem local; 6, do Anexo VI, e descrição do Anexo V, ambos partes integran-
IV - Áreas de Especial Interesse Social do Peixe Galo e Sali- tes desta Lei.
na, do Lazareto, de Nova Brasília e do Pau Ferro, indicadas para
urbanização e regularização fundiária.

87
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

SEÇÃO I de cotas de densidade e outras medidas adequadas a esta finali-


DA SUB-REGIÃO DO BARRETO dade, resguardando os imóveis de valor histórico e estimulando
o uso residencial multifamiliar, especialmente nos centros de
Art. 153 A Sub-Região do Barreto compreende os Bairros atividades;
do Barreto, Santana, São Lourenço e Ilha da Conceição, parte da II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
Engenhoca e as Ilhas do Caju, Mocanguê, Mocanguê Pequeno, as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
do Vianna, de Santa Cruz e de Manoel João. mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
Art. 154 O modelo de organização territorial da Sub-Região III - indicar áreas para instalação de novas indústrias com
do Barreto corresponde a uma comunidade urbana composta definição das tipologias adequadas, considerando o nível de sa-
de 5 (cinco) Unidades de Vizinhança, assinaladas no Mapa 6: turação dos poluentes no ambiente e a compatibilidade com o
I - Unidade de Vizinhança do Largo do Barradas, com o Cen- uso residencial;
tro de Bairro no Largo do Barradas; IV - utilizar para atividades de lazer, com intenso tratamento
II - Unidade de Vizinhança do Barreto, cujo Subcentro Urba- paisagístico, as áreas sob os viadutos de acesso à Ponte Rio-Ni-
no, para atendimento de toda a Sub-Região, deverá ser estimu- terói;
lado no entorno da Praça do Barreto; V - buscar soluções em conjunto com São Gonçalo para os
III - Unidade de Vizinhança Luiz Palmier que não compor- problemas dos principais eixos da Sub-Região que estão localiza-
dos na área de conurbação das duas Cidades;
ta Centro de Bairro, sendo atendida pelo Subcentro Urbano do
VI - considerar a alteração da demanda de transporte para a
Barreto;
ligação com São Gonçalo decorrente da construção do Terminal
IV - Unidade de Vizinhança São Lourenço, com Centro de
Porto da Madama;
Bairro localizado no Ponto Cem Réis;
VII - estudar a implantação de transporte rápido de alta ca-
V - Unidade de Vizinhança da Ilha da Conceição, cujo Centro pacidade para a ligação com São Gonçalo no leito da Estrada
de Bairro deverá ser estimulado no entorno das Ruas Caraíbas e de Ferro Leopoldina, integrado à estação hidroviária de Niterói;
Dr. Salo Brand e Mário Neves. VIII - estabelecer hierarquia e dimensionar a estrutura vi-
Art. 155 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de ária para melhoria do fluxo de veículos, eliminando os pontos
Especial Interesse, de acordo com Capítulo II, do Título II desta de conflito e gargalos existentes, em especial na Rua Benjamin
Lei, assinaladas no Mapa 6: Constant, no trecho inicial da Rua Luiz Palmier e nos cruzamen-
I - Área de Interesse Pesqueiro da Ilha da Conceição, situada tos na Praça Eneas de Castro (Largo do Barreto);
na orla Leste da Ilha da Conceição, indicada para apoio ao setor IX - estabelecer novos percursos para o transporte coletivo,
pesqueiro; compatibilizando-os com o afluxo de pessoas e veículos aos cen-
II - Área de Interesse Econômico da Ilha da Conceição, indi- tros de atividades;
cada para implantação de um micropolo de indústrias de equi- X - indicar logradouros públicos prioritários para a arbori-
pamentos náuticos; zação urbana;
III - Área de Preservação do Ambiente Urbano da Igreja de XI - levantar as atividades industriais localizadas na Sub-
São Lourenço dos Índios, no entorno da própria Igreja, indicada -Região e respectiva situação de controle ambiental, visando à
para sua revitalização; adoção de medidas que permitam a compatibilização com uso
IV - Área de Interesse Urbanístico do Parque do Barreto, in- residencial, inclusive podendo determinar a transferência de
dicada para criação de parque esportivo e de lazer nos terrenos unidades produtivas.
ocupados por armazéns e pelo pátio da Leopoldina, com o ob- Art. 157 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
jetivo de suprir a carência de áreas livres, atendendo, ainda, ao elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos:
adensamento populacional induzido por esta Lei para a Unidade I - Casa Oliveira Viana;
de Vizinhança; II - Morro do Holofote;
V - Área de Preservação do Ambiente Urbano do Ponto Cem III - Morro Boa Vista;
Réis e seu entorno, indicada para sua revitalização e preservação IV - Parque Municipal Monteiro Lobato (Horto do Barreto);
do conjunto arquitetônico; V - Capela de São Pedro do Maruí;
VI - Cemitério do Maruí;
VI - Áreas de Especial Interesse Social da Ilha da Conceição,
VII - Igreja São Lourenço dos Índios;
do Aterrado São Lourenço e dos Morros do Mic, do Holofote,
VIII - Igreja São Lourenço do Ponto Cem Réis;
Boa Vista, do Maruí e do Buraco do Boi, indicadas para urbaniza-
IX - Ruínas da Estação do Maruí;
ção e regularização fundiária.
X - Estação da Estrada de Ferro Leopoldina;
Art. 156 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para XI - Companhia Fluminense de Tecidos;
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- XII - Vila Operária da Cia. Fluminense de Tecidos;
-Região do Barreto: XIII - Casa da Baronesa de Goitacazes (Colégio Macedo So-
I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-Re- ares);
gião para as Unidades de Vizinhança do Barreto, do Largo do XIV - Seminário São José;
Barradas e de São Lourenço, esta no polígono formado pelos XV - Museu da Eletricidade;
eixos da Rua Padre Augusto Lamego, da Travessa Luiz Paulino, XVI - Morro da Ilha da Conceição;
da Av. Feliciano Sodré, da Rua Washington Luiz, da Av. Jansen de XVII - Igreja de São Sebastião;
Melo, da Rua São Lourenço e da Rua Benjamin Constant, através XVIII - Morro do Abílio.

88
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 158 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deve- Art. 165 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deve-
rá priorizar a área sujeita a enchentes situadas ao longo do Rio rá priorizar a área sujeita a enchentes situadas ao longo do Rio
Maruí, incluindo a Rua Coronel Guimarães, Av. Dr. Renato Silva, Maruí, incluindo a Rua Coronel Guimarães, Av. Dr. Renato Silva e
Rua Assis de Vasconcelos, Rua General Castrioto e Rua do Maruí Rua Assis de Vasconcelos.
Grande. Art. 166 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro-
Art. 159 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro- teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá
teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá priorizar as Áreas de Risco assinaladas no Mapa 6 e situadas:
priorizar as Áreas de Risco assinaladas no Mapa 6 e situadas: I - no Morro dos Marítimos, próxima à cota 75, entre a Rua
I - no Morro Boa Vista, próxima à Rua Lino Passos, em São Monteiro Lobato e a Travessa Assumpção e entre as cotas 25 e
Lourenço, em 2 (dois) pontos próximos às cotas 25 e 100; 50, acima da Escola Mululo da Veiga;
II - no Morro de São Lourenço, próxima à cota 25 na Ladeira II - no Morro do Correia, entre as cotas 50 e 75, no final das
de São Lourenço. Travessas Elias David Sili e Irani Avelino da Silva;
Art. 160 Ficam consideradas prioritárias para refloresta- III - no Morro de São José, na Travessa Francisco Angelo,
mento as encostas dos Morros da Ilha da Conceição, dos Maríti- próxima à cota 50;
mos, Boa Vista e do Holofote.
IV - no Morro dos Marítimos, entre as cotas 50 e 75, próxi-
ma à Travessa Gonçalves.
SEÇÃO II
Art. 167 Ficam consideradas prioritárias para refloresta-
DA SUB-REGIÃO DA ENGENHOCA
mento as encostas dos Morros do Holofote, Santo Cristo, Tenen-
Art. 161 A Sub-Região da Engenhoca compreende os Bairros te Jardim e dos Marítimos.
Tenente Jardim e Engenhoca.
Art. 162 O modelo de organização territorial da Sub-Região SEÇÃO III
da Engenhoca corresponde a 2 (duas) Unidades de Vizinhança, DA SUB-REGIÃO DO FONSECA
assinaladas no Mapa 6:
I - Unidade de Vizinhança da Engenhoca Sul, cujo centro de Art. 168 A Sub-Região do Fonseca compreende o Bairro do
atividades está localizado no Largo de São Jorge e adjacências, Fonseca e parte do Cubango, Viçoso Jardim, Caramujo, Ititioca
devendo ser estimulado o seu crescimento para tornar-se um e Baldeador.
Subcentro Urbano; Art. 169 O modelo de organização territorial da Sub-Região
II - Unidade de Vizinhança da Engenhoca Norte, com Centro do Fonseca corresponde a um Subcentro Urbano e 2 (duas) Uni-
do Bairro a ser estimulado no Largo do Bonfim. dades de Vizinhança, assinaladas no Mapa 6:
Art. 163 Ficam indicadas para criação as Áreas de Especial I - Subcentro Urbano do Fonseca, que corresponde ao Bair-
Interesse Social do Morro da Correia, de Nova Brasília, dos Ma- ro do mesmo nome, onde as atividades comerciais e de serviços
rítimos e de Santo Cristo, assinaladas no Mapa 6, visando sua distribuem-se linearmente ao longo da Alameda São Boaventu-
urbanização e regularização jurídica, conforme Capítulo II, do ra, atendendo à Sub-Região e a todo o Município, em serviços
Título II desta Lei. especializados;
Art. 164 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para II - Unidade de Vizinhança Cubango, cujo Centro de Bairro
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- está localizado na Rua Noronha Torrezão, entre a Rua Hugo Fran-
-Região da Engenhoca: co e a Travessa Nossa Senhora de Lourdes;
I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub- III - Unidade de Vizinhança Viçoso Jardim, cujo Centro de
-Região para a Avenida Professor João Brazil e para os centros Bairro está localizado na Estrada do Viçoso Jardim próximo à Rua
de atividades, através de cotas de densidade e outras medidas Retiro Saudoso.
adequadas a esta finalidade, condicionado a edificação multifa- Art. 170 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de
miliar à implantação de infraestrutura de esgotamento sanitário Especial Interesse, de acordo com Capítulo II, do Título II desta
no trecho não servido;
Lei, assinaladas no Mapa 6:
II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
I - Áreas de Especial Interesse Social da Vila Ipiranga, Pal-
as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
meiras, Bonfim, Travessa Figueiras e Morros do Saraiva, de São
mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
Feliciano, Boa Vista, Nossa Senhora de Lourdes, do Querosene e
III - transformar para uso de lazer a área da Rua Coronel
Leôncio assinalada no Mapa 6; do Bumba, indicadas para regularização jurídica e urbanização;
IV - reservar área para uso de lazer no centro comunal da II - Área de Especial Interesse Urbanístico no terreno do Ins-
Unidade de Vizinhança da Engenhoca Sul; tituto Penal Ferreira Neto, na Alameda São Boaventura, indicada
V - estimular a legalização das construções existentes, me- para implantação de áreas de lazer, esportes, educação e cul-
diante o estabelecimento de padrões de ocupação especiais; tura, destinada ao atendimento da comunidade local, uma vez
VI - estabelecer, em conjunto com a Prefeitura de São Gon- viabilizada junto ao Governo Estadual a desativação do Instituto.
çalo, afastamentos e recuos para a Av. Professor João Brazil, de Art. 171 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
forma a adequá-la ao adensamento previsto e à sua função de elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
via arterial; -Região do Fonseca:
VII - indicar logradouros prioritários para arborização urba-
na.

89
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-Re- VII - no Morro do Querosene, no final da Rua Jonatas Bote-
gião para a Alameda São Boaventura e para as seguintes Vias: 22 lho, próxima à cota 100 e a Travessa Expedicionário Celso Lima,
de Novembro, Desembargador Lima Castro, Noronha Torrezão, entre as cotas 50 e 75.
São José e Retiro Saudoso, bem como para os Centros de Bairros Art. 173 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
das Unidades de Vizinhança Cubango e Viçoso Jardim, através elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos:
do estabelecimento de gabaritos diferenciados, de cotas de den- I - Morro do Saraiva;
sidade e outras medidas adequadas a esta finalidade; II - Morro do Querosene;
II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com III - Morro do Bumba;
as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja- IV - Morro do Holofote;
mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana; V - Morro Boa Vista;
III - estabelecer critérios para parqueamento de veículos VI - Jardim Botânico de Niterói, incluindo o Palácio Euclides
e para carga e descarga nas novas edificações comerciais e de da Cunha;
serviços, compatíveis com a função estrutural da Alameda São VII - Pavilhão do Instituto Penal Ferreira Neto;
VIII - Casa do Barão de Icaraí;
Boaventura;
IX - Colégio Nossa Senhora das Mercês;
IV - equacionar prioritariamente os problemas gerados com
X - Casa do Escritor Cândido de Carvalho na Rua Gonçalves
a interferência do tráfego local e interurbano através da Alame-
Ledo;
da São Boaventura, estudando a viabilidade das seguintes op-
XI - Morro da Vila Ipiranga;
ções: XII - Morro de São Feliciano;
a) criação de faixa alternativa para acesso direto à Av. Prof. XIII - Morro da Riodades.
João Brazil pelo canteiro central da Alameda São Boaventura, Art. 174 Ficam consideradas prioritárias para refloresta-
de forma a resolver o cruzamento com a Rua Magnólia Brasil, mento as encostas dos Morros Boa Vista, da Vila Ipiranga e São
facilitando a ligação Centro-Engenhoca e permitindo o melhor Feliciano, da Riodades, da Travessa Santo Cristo e do Holofote.
escoamento do trânsito em direção ao Fonseca;
b) alargamento dos passeios em ambos os lados, através do SEÇÃO IV
aumento dos afastamentos para construção, permitindo melho- DA SUB-REGIÃO DO CARAMUJO
rias no fluxo de pedestres, construção de bainhas de estaciona-
mento e de paradas de ônibus, disciplinamento dos percursos Art. 175 A Sub-Região do Caramujo compreende os Bairros
e paradas dos veículos de transporte coletivo e o planejamento do Caramujo, Baldeador, Santa Bárbara e parte do Fonseca.
de arborização; Art. 176 O modelo de organização territorial da Sub-Região
c) utilização de vias alternativas, paralelas em ambos os la- do Caramujo corresponde a 3 (três) Unidades de Vizinhança, as-
dos, para distribuição de tráfego local; sinaladas no Mapa 6, não comportando Subcentro Urbano devi-
d) implantação de via expressa elevada, para o tráfego de do a sua proximidade com o Fonseca que polariza as atividades:
passagem pelo Bairro; I - Unidade de Vizinhança do Caramujo, cujo Centro de Bair-
e) solução do cruzamento de pedestre em seu trecho final ro situa-se nas imediações da confluência da Rua Dr. Nilo Peça-
no Largo do Moura; nha e Rua Pastor José Gomes de Souza (antiga Av. Colônia);
f) implantação de via seletiva para transporte de massa, dis- II - Unidade de Vizinhança Santa Bárbara, cujo Centro de
ciplinando linhas e pontos de parada. Bairro está localizado na Av. Desembargador Nestor Perlingeiro,
V - estabelecer, através de afastamentos e recuos, condi- entre a Rodovia Amaral Peixoto e a Rua 9;
ções adequadas para os seguintes eixos de ligação com outras III - Unidade de Vizinhança do Baldeador, cujo Centro de
regiões: Rua 22 de Novembro, Rua Desembargador Lima Castro, Bairro deverá ser estimulado na Estrada Bento Pestana próxima
Rua Noronha Torrezão, Rua São José e Estrada Viçoso Jardim; à Estrada Rio das Pedras, no Morro do Castro.
Art. 177 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de
VI - indicar logradouros prioritários para arborização urba-
Especial Interesse, de acordo com Capítulo II, do Título II desta
na.
Lei, assinaladas no Mapa 6:
Art. 172 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro-
I - Áreas de Especial Interesse Social do Morro do Céu, do
teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá
Morro do Castro, da Travessa Alberto Oliveira e da Rua Castro
priorizar as áreas de risco assinaladas no Mapa 6 e situadas: Alves, indicadas para urbanização e regularização fundiária;
I - na Favela da Vila Ipiranga, próxima à cota 50 e à Rua Ilka II - Área de Especial Interesse Urbanístico do Aterro do Mor-
Brazil Barbosa; ro do Céu, indicada para criação e implantação de usina de reci-
II - no Morro do Santo Cristo, próxima à cota 50, entre as clagem de lixo e recuperação ambiental da área do atual aterro
Ruas Souza Soares e Santo Cristo; sanitário e seu entorno.
III - no Morro no final da Travessa M. Lacerda, próxima à Art. 178 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
Alameda São Boaventura e à cota 44; elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
IV - no Morro próximo à Rua Bonfim; -Região do Caramujo:
V - no Morro Boa Vista, na Rua Lopes da Cunha, entre as I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-Re-
cotas 50 e 75; gião para os Centros de Bairros, para a Estrada Bento Pestana,
VI - na Favela Nossa Senhora de Lourdes, Cubango, junto à para a Avenida Desembargador Nestor Perlingeiro (Avenida “I”),
Travessa Nossa Senhora de Lourdes, entre as cotas 50 e 75; para a Rodovia Amaral Peixoto (entre o trevo de acesso ao Cara-

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

mujo e a divisa com São Gonçalo), para a Rua Pastor José Gomes SEÇÃO I
de Souza e para o Caminho Gerônimo Afonso, através de cotas DA SUB-REGIÃO DE ITITIOCA
de densidade e outras medidas adequadas a esta finalidade,
condicionando a edificação multifamiliar à implantação de in- Art. 184 A Sub-Região de Ititioca compreende os Bairros
fraestrutura de esgotamento sanitário, abastecimento de água Sapê e Ititioca.
e drenagem; Art. 185 O modelo de organização territorial da Sub-Região
II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com de Ititioca corresponde a 2 (duas) Unidades de Vizinhança, as-
as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja- sinaladas no Mapa 7, não comportando um Subcentro Urbano
mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana; devido a sua proximidade com o Largo da Batalha que polariza
III - permitir atividades comerciais, de serviços e industriais, as atividades:
na Rodovia Amaral Peixoto desde que implantadas em lotes com I - Unidade de Vizinhança Ititioca, cujo Centro de Bairro de-
área mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados), exclusive verá ser estimulado na Rua Padre José Euger e no entorno da
recuos; Escola Vila Costa Monteiro;
IV - estabelecer, através de afastamentos e recuos, condi- II - Unidade de Vizinhança Sapê, cujo Centro de Bairro de-
ções adequadas para que tenham função de eixo de ligação o verá ser estimulado na Estrada do Sapê no entorno da Escola
Caminho Gerônimo Afonso, interligando Caramujo com Fonse- Municipal Levy Carneiro.
ca e Viçoso Jardim, e Estrada Bento Pestana, interligando Santa Art. 186 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de
Bárbara, Baldeador e Tenente Jardim; Especial Interesse, conforme Capítulo II, do Título II desta Lei,
V - estudar solução através de rótula para o cruzamento da assinaladas no Mapa 7:
Rodovia Amaral Peixoto com a Avenida “I” (Desembargador Nes- I - Área de Especial Interesse Social do Morro do Bumba, do
tor Perlingeiro), em Santa Bárbara; Poço Largo, Mato Grosso e do Meu Cantinho, para urbanização
VI - indicar logradouros públicos prioritários para arboriza- e regularização fundiária;
ção urbana; II - Área de Espacial Interesse Social da Rua Portugal, para
VII - promover a ligação Caramujo, Santa Bárbara e Largo da implantação de programas habitacionais para população de bai-
Batalha através de transporte coletivo; xa renda.
VIII - estudar alternativa para tráfego de passagem no Cen- Art. 187 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
tro do Caramujo. elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
Art. 179 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deverá -Região de Ititioca:
priorizar a área sujeita a enchentes situadas no trecho do Rio Ca- I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-
ramujo, entre o aterro sanitário e a Rua Artur Pereira da Mota. -Região para a Unidade de Vizinhança Sapê, através de cotas de
Art. 180 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro- densidade e outras medidas adequadas a esta finalidade, condi-
teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá cionado à implantação de infraestrutura de esgotamento sanitá-
priorizar as Áreas de Risco assinaladas no Mapa 6 e situadas: rio, abastecimento de água potável e drenagem;
I - no Morro do Caramujo, entre a Rua Projetada “A” e a
II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
Rodovia Amaral Peixoto, próxima à cota 125;
as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
II - no Morro nas imediações das Ruas Central e do Alto,
mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
próxima à cota 25.
III - estimular a legalização das construções existentes, me-
Art. 181 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
diante o estabelecimento de padrões especiais para ocupação
elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos:
que levem em consideração particularidades socioeconômicas
I - Morro do Castro;
da Sub-Região;
II - Florália;
IV - reservar áreas para implantação de programas habi-
III - Morro da Antena da Embratel;
IV - Morro próximo à Florália; tacionais de caráter popular, especialmente lotes urbanizados,
V - Morro da Rádio Relógio Federal; tendo como instrumento a criação de Áreas de Especial Interes-
VI - Morro entre a Estrada Bento Pestana e a Rodovia Ama- se Social;
ral Peixoto. V - estabelecer recuos com vistas ao alargamento da Estra-
Art. 182 Ficam consideradas prioritárias para recuperação da do Sapê no trecho correspondente ao Centro de Bairro;
e reflorestamento as encostas do morro acima da Travessa Co- VI - estudar a implantação de terceira pista nos aclives da
elho no Baldeador, do morro entre a Rua Bonfim e a Travessa ligação entre o Largo da Batalha e Cubango, constituída pelas
Figueira, do Morro do Céu e de parte do Morro da Rádio Relógio Estradas Alarico de Souza o do Viçoso Jardim e pela Rua Padre
Federal. José Euger, garantindo área com a utilização de instrumentos
apropriados;
CAPÍTULO V VII - estudar implantação de nova ligação entre o Largo da
DA REGIÃO DE PENDOTIBA Batalha e Viçoso Jardim, iniciando na Estrada Erasmo Braga e
terminando na Estrada do Viçoso Jardim, garantindo área com a
Art. 183 A Região de Pendotiba compreende 3 (três) Sub- utilização de instrumentos apropriados;
-Regiões: Ititioca, Largo da Batalha e Vila Progresso, conforme VIII - considerar prioritária a pavimentação da Rua Portugal,
Mapa 7, do Anexo VI, e descrição do Anexo V, ambos partes in- para permitir a implantação de programa habitacional na Área
tegrantes desta Lei. de Especial Interesse Social da Rua Portugal;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

IX - permitir atividades comercial, industrial de pequeno Art. 193 Ficam indicadas para criação, conforme Capítulo II,
porte e residencial multifamiliar na Estrada do Sapê, fora do do Título II desta Lei, com objetivo de urbanização e regulari-
Centro de Bairro, desde que em terrenos com área mínima de zação jurídica, as Áreas de Especial Interesse Social do Morro
2.000m² (dois mil metros quadrados) e testada mínima de 20m do Caranguejo, Vila Atalaia, Estrada do Monan Grande, Estrada
(vinte metros). do Monan Pequeno, Morros do Cantagalo e Matogrosso, Lotea-
Art. 188 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização a Pro- mento Santo Inácio e toda a Unidade de Vizinhança União, assi-
teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá naladas no Mapa 7.
priorizar a Área de Risco situada no Morro do Céu entre a Estra- Art. 194 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
da Viçoso Jardim e a Rua Dr. Ignácio Bezerra de Menezes, entre elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
as cotas 150 e 170. -Região do Largo da Batalha:
Art. 189 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes I - direcionar o adensamento da Sub-Região para o Subcen-
elementos urbanísticos e paisagísticos: tro Urbano e Centros de Bairro, através de cotas de densidade
I - Morro entre a Estrada do Sapê e a Estrada da Fazendinha; e outras medidas adequadas a esta finalidade, condicionando a
edificação multifamiliar à implantação do esgotamento sanitá-
II - Morro entre a Estrada do Sapê e a Estrada do Caramujo.
rio, abastecimento de água potável e drenagem;
II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
SEÇÃO II
as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
DA SUB-REGIÃO DO LARGO DA BATALHA
mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
III - criar instrumentos para permitir a legalização das cons-
Art. 190 A Sub-Região do Largo da Batalha compreende os truções existentes e padrões especiais para a ocupação horizon-
Bairros do Largo da Batalha, Maceió e Badu e parte do Cafubá tal que levem em consideração particularidades socioeconômi-
e Cantagalo. cas da Sub-Região;
Art. 191 O modelo de organização territorial da Sub-Região IV - considerar para fins de planejamento o anel viário no
do Largo da Batalha corresponde a 4 (quatro) Unidades de Vizi- Largo da Batalha, conforme indicado no Mapa 7, periférico ao
nhança, assinaladas no Mapa 7: centro comunal, em pista de mão única, funcionando como uma
I - Unidade de Vizinhança Largo da Batalha, cujo Subcen- rótula para onde confluirão as principais vias de acesso as outras
tro Urbano localiza-se na Área de Especial Interesse Urbanístico Sub-Regiões, compatibilizando os tráfegos de veículos de passa-
criada no interior do anel viário do Largo da Batalha, atendendo gem e o gerado pelo centro comunal, bem como o de pedestres;
a todas as Unidades de Vizinhança desta Sub-Região, bem como V - estudar a implantação da rótula de articulação da Estra-
as de Vila Progresso, Ititioca e Rio do Ouro; da Alcebíades Pinto com a Estrada Caetano Monteiro;
II - Unidade de Vizinhança União, não dispõe de Centro de VI - garantir, através de instrumentos apropriados, área para
Bairro, sendo atendida pelo Subcentro do Largo da Batalha; implantação de terceira faixa nos trechos em aclive da Estrada
III - Unidade de Vizinhança Badu, cujo Centro de Bairro está Francisco da Cruz Nunes, entre o Largo do Viradouro e o Largo
localizado na Estrada Caetano Monteiro, entre a Estrada do Sapê da Batalha;
e a Estrada Alcebíades Pinto; VII - direcionar preferencialmente as atividades comerciais
IV - Unidade de Vizinhança Cantagalo, cujo Centro de Bairro coletivas para os centros de atividades;
está localizado no entorno do entroncamento da Estrada Fran- VIII - permitir atividades comercial e industrial de pequeno
cisco da Cruz Nunes com a Estrada Alcebíades Pinto. porte nas Estradas Francisco da Cruz Nunes e Caetano Monteiro,
Art. 192 Fica criada a Área de Especial Interesse Urbanístico fora dos Centros de Bairro, desde que implantadas em lotes com
do Largo da Batalha delimitada por uma linha paralela externa, área mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados) e testada
distando 50m (cinquenta metros) do anel viário que começa mínima de 20m (vinte metros).
no entroncamento da Estrada Engenheiro Pacheco de Carvalho Art. 195 Ficam consideradas prioritárias para refloresta-
mento as encostas dos Morros de Santo Inácio, no Maceió, e do
(Estrada Velha de Itaipu) com a Av. Rui Barbosa (Cachoeira), se-
Africano, no Viradouro.
guindo pela primeira até a Travessa Souza Soares; continuando
Art. 196 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deve-
por esta até a Estrada Francisco da Cruz Nunes; deste ponto por
rão priorizar as áreas sujeitas a enchentes situadas:
uma linha imaginária até o entroncamento da Estrada Caetano
I - ao longo do Rio Sapê, no lado Norte da Estrada Caeta-
Monteiro com a Rua Amadeu Gomes, seguindo pela última até a no Monteiro e na Rua Guilhermina Bastos, e ao longo de seu
Estrada Municipal e por esta até a Estrada do Sapê (Washington afluente na Travessa Alcebíades Pinto e na Rua Eduardo Barbosa
Luiz), por onde segue até o encontro das Estradas Francisco da de Carvalho;
Cruz Nunes e Reverendo Armando Ferreira, por onde segue até II - no Maceió, no rio entre a Estrada Demétrio de Freitas e
o ponto inicial. o antigo Caminho do Maceió;
Parágrafo Único - O objetivo da Área de Especial Interesse III - no Morro da União, na região da Rua Pedra Branca, pró-
Urbanístico do Largo da Batalha criada no caput deste artigo é xima à Estrada da Cachoeira.
a implantação de projeto urbanístico que contenha a criação do Art. 197 O Plano Diretor de Contenção, Estabilização e Pro-
anel viário, a implantação de equipamentos públicos, a reserva teção de Encostas, sujeitas à erosão e deslizamentos, deverá
de área para terminal rodoviário de integração, a criação de área priorizar as Áreas de Risco assinaladas no Mapa 7 e situadas:
de lazer compatível com a importância do Subcentro Urbano e a I - na Rua N, do Jardim Boa Esperança, Cantagalo, próxima
definição das condições específicas de uso e ocupação do solo. à cota 50;

92
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

II - na interseção das Ruas N e F, do Jardim Boa Esperança, II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
entre as cotas 150 e 175; as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
III - no morro ao Leste da Estrada do Monan Pequeno e Nor- mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
te da Estrada Francisco da Cruz Nunes, entre as cotas 125 e 150; III - em toda a Unidade de Vizinhança Vila Progresso, exceto
IV - entre as Ruas Roberto Lyra (Rua H) e Rua A no Lotea- no Centro de Bairro, estabelecer para os novos parcelamentos
mento Santo Inácio, Cantagalo, entre as cotas 100 e 140; lotes com área mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados)
V - próxima às Ruas Vereador Oto Bastos e 11, entre as cotas e com testada mínima de 20m (vinte metros);
100 e 125, no Morro da União, Largo da Batalha; IV - na Estrada Caetano Monteiro e na Estrada Velha de Ma-
VI - próxima à Rua 12, entre as cotas 75 e 50, no Morro da ricá, exceto nos Centros de Bairro nelas situados, na Av. Inde-
União, Largo da Batalha; pendência, na Estrada Brígido Tinocona, Estrada 22 de Outubro,
VII - abaixo da Estrada General Castro Guimarães, entre as na Estrada Coração de Pedra, na Estrada Muriqui e na Estrada
cotas 100 e 60, 100m (cem metros) a Oeste do encontro com a Muriqui Pequeno, estabelecer para os novos parcelamentos lo-
Travessa São Luiz, no Morro da União, Largo da Batalha; tes com área mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados) e
VIII - entre a Estrada Francisco da Cruz Nunes e o córrego com testada mínima de 20m (vinte metros);
abaixo da Estrada General Castro Guimarães, entre as cotas 75 e V - priorizar a pavimentação da Rua Portugal e da Av. Fran-
100, no Morro da União, Largo da Batalha; ça, a fim de viabilizar a implantação da Área de Especial Interes-
IX - entre a Estrada Francisco da Cruz Nunes e o córrego se Social da Rua Portugal e a ligação entre Maria Paula, Santa
abaixo da Estrada General Castro Guimarães, 150m (cento e cin- Bárbara e Caramujo;
quenta metros) a Noroeste da Ponte dos Arcos, entre as cotas 75 VI - garantir área, através da aplicação de instrumentos
e 55, Morro da União, Largo da Batalha. apropriados, para a implantação de vias de serviço na Estrada
Art. 198 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes Velha de Maricá e na Estrada Caetano Monteiro, nos trechos
elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos: correspondentes aos Centros de Bairros;
I - Morro do Cantagalo; VII - priorizar a execução de acostamentos e passeios para
II - Morro do Sapezal; pedestres na Estrada Caetano Monteiro;
III - Escola Estadual Paulo Assis Ribeiro (Polivalente); VIII - direcionar preferencialmente as atividades comerciais
IV - Ponte dos Arcos na Estrada General Castro Guimarães; coletivas para os Centros de Bairros;
V - Casa do Sítio do Caranguejo. IX - permitir atividades comercial e industrial de pequeno
porte nas Estradas Velha de Maricá e Caetano Monteiro, fora
SEÇÃO III dos centros de atividades, desde que implantados em lotes com
DA SUB-REGIÃO DE VILA PROGRESSO área mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados) e testada
mínima de 20m (vinte metros).
Art. 199 A Sub-Região de Vila Progresso compreende os Art. 203 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deverá
priorizar as áreas sujeitas a enchentes situadas:
Bairros de Vila Progresso, Maria Paula e Matapaca e parte do
I - em Maria Paula, ao longo do Rio Caramujo, entre as Ruas
Muriqui.
Hungria e França;
Art. 200 O modelo de organização territorial corresponde
II - em Matapaca, no trecho de 250m (duzentos e cinquenta
a 2 (duas) Unidades de Vizinhança, assinaladas no Mapa 7, não
metros) do Rio Pendotiba, ao Sul da ponte da Estrada de Mata-
comportando um Subcentro Urbano devido a sua proximidade
paca;
com o Largo da Batalha:
III - em Maria Paula, no trecho de 700m (setecentos metros)
I - Unidade de Vizinhança Maria Paula, cujo Centro de Bair-
do Rio Muriqui, ao Sul da Estrada Velha de Maricá.
ro deverá ser estimulado no entorno do entroncamento da Av.
Art. 204 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
França com a Estrada Velha de Maricá; elementos arquitetônicos, artísticos e paisagísticos:
II - Unidade de Vizinhança Vila Progresso, cujo Centro de I - Morro do Cantagalo;
Bairro deverá ser localizado ao longo da Estrada Caetano Mon- II - Serra Grande;
teiro, prioritariamente no trecho entre a Rua Chile e a Rua Ceará. III - Morro entre a Estrada do Muriqui Pequeno e a Estrada
Art. 201 Fica indicada para criação a Área de Especial In- Caetano Monteiro;
teresse Social da Rua Portugal, abrangendo a Rua Portugal e a IV - Morro entre a Estrada do Muriqui e a Estrada do Muri-
Av. França, conforme Capítulo II, do Título II desta Lei, para im- qui Pequeno;
plantação de programas habitacionais para população de baixa V - Morro entre a Rua Portugal e a Estrada Matapaca;
renda, assinaladas no Mapa 7. VI - Morro entre as Estradas Fazendinha e Caetano Mon-
Art. 202 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para teiro;
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- VII - Igreja de Santa Edwiges;
-Região de Vila Progresso: VIII - Morro da antena da EMBRATEL.
I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-
-Região para a Rua Portugal e Av. França, através de cotas de
densidade e outras medidas adequadas a esta finalidade, con-
dicionando a edificações multifamiliares à implantação de in-
fraestrutura de esgotamento sanitário, abastecimento de água
potável e drenagem;

93
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Capítulo VI I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-Re-


DA REGIÃO OCEÂNICA gião para a Unidade de Vizinhança Cafubá, bem como ao longo
das Avenidas Conselheiro Paulo de Mello Kalle e Raul de Oliveira
Art. 205 A Região Oceânica compreende 5 (cinco) Sub-Re- Rodrigues, da Estrada Francisco da Cruz Nunes e nos centros de
giões: Piratininga, Maravista, Itaipu, Engenho do Mato e Jacaré, atividades, através de cotas de densidade e outras medidas ade-
conforme Mapas 8 e 9 do Anexo VI e descrição do Anexo V, am- quadas a esta finalidade, condicionando a edificação multifami-
bos partes integrantes desta Lei. liar à implantação de infraestrutura de esgotamento sanitário,
abastecimento de água potável e drenagem;
SEÇÃO I II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
DA SUB-REGIÃO DE PIRATININGA as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
mento, através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
Art. 206 A Sub-Região compreende os Bairros de Piratininga III - no “Tibau” (Jardim Imbuí) e na Unidade de Vizinhança
e Cafubá e parte do Cantagalo. Restinga, incentivar atividades turísticas, recreativas e de lazer,
Art. 207 O modelo de organização territorial corresponde a preservando a paisagem urbana e natural;
4 (quatro) Unidades de Vizinhança, assinaladas no Mapa 8: IV - direcionar preferencialmente as atividades comerciais
I - Unidade de Vizinhança Restinga, cujo Centro de Bairro coletivas para os centros de atividades;
deverá ser estimulado no entorno da Rua 15 (Rua Orestes Bar- V - permitir comércio individual, indústria de pequeno por-
bosa), do Loteamento Maralegre; te e edificação multifamiliar na Estrada Francisco da Cruz Nunes,
II - Unidade de Vizinhança Cafubá, cujo Subcentro Urbano no trecho fora do Centro de Bairro, desde que implantados em
deverá ser estimulado na área adjacente ao entroncamento da lotes com área mínima de 1.000m² (hum mil metros quadrados)
Av. Raul de Oliveira Rodrigues (Av. 7) com a Av. Conselheiro Pau- e testada mínima de 20m (vinte metros);
lo de Mello Kalle (Av. 6); VI - permitir, na Estrada Francisco da Cruz Nunes fora do
III - Unidade de Vizinhança Piratininga, cujo Centro de Bairro Centro de Bairro, a implantação de atividades comerciais cole-
está localizado em ambos os lados da Estrada Francisco da Cruz tivas, desde que em lotes com área mínima de 2.000m² (dois
Nunes (antiga Estrada Celso Peçanha), no trecho situado entre o mil metros quadrados) e testada mínima de 20m (vinte metros);
limite da Unidade de Vizinhança Cafubá e o Rio Jacaré; VII - estabelecer projeto de alinhamento destinado à im-
IV - Unidade de Vizinhança Trevo, cujo Centro de Bairro está plantação da ligação Charitas-Piratininga, através de túnel, com
localizado no entorno do entroncamento da Av. Raul de Oliveira continuidade até Itaipu e Engenho do Mato, priorizando o trans-
Rodrigues (Av. 7) com a Av. Almirante Tamandaré. porte de massa;
Art. 208 São indicadas para criação as seguintes Áreas de VIII - considerar para fins de planejamento a Av. Conselheiro
Especial Interesse, conforme Capítulo II, do Título II desta Lei, Paulo de Mello Kalle e Av. Raul de Oliveira Rodrigues, como vias
assinaladas no Mapa 8:
de circulação principal de veículos alternativas à Estrada Fran-
I - Área de Especial Interesse Turístico da Restinga de Pirati-
cisco da Cruz Nunes, prevendo na Av. Raul de Oliveira Rodrigues
ninga, localizada na orla da Praia de Piratininga e Praia da Barra
faixa exclusiva para o transporte de massa de que trata o item
(Prainha), indicada para estímulo às atividades turísticas, deven-
VII deste artigo;
do ser incentivada a construção de hotéis, residenciais com ser-
IX - garantir, através de instrumentos apropriados, áreas
viços, pousadas e outros meios de hospedagem, bem como de
que viabilizem a implantação de vias de serviço na Estrada Fran-
equipamentos direcionados à recreação e lazer;
cisco da Cruz Nunes;
II - Área de Especial Interesse Urbanístico do Cafubá, locali-
X - indicar a construção de canteiro central e pontos de re-
zada no Subcentro Urbano, indicada para elaboração de projeto
urbanístico, atendendo aos objetivos desejados de implementa- torno ao longo da Estrada Francisco da Cruz Nunes;
ção das atividades econômicas e públicas, adequação das vias XI - propor a solução através de rótulas para os pontos de
de circulação e integração de transportes; entroncamento da Estrada Francisco da Cruz Nunes com a Av.
III - Área de Preservação do Ambiente Paisagístico do Imbuí, Conselheiro Paulo de Mello Kalle e da Av. Almirante Tamandaré
localizada no entorno do Forte Imbuí, indicada para preservar o com a Av. “I” (acesso à Camboinhas);
ambiente natural; XII - estabelecer o projeto para via rodoviária de caráter tu-
IV - Área de Especial Interesse Social de Piratininga, localiza- rístico, ligando Charitas a Piratininga, via Imbuí, garantindo área
da na Estrada Francisco da Cruz Nunes, indicada para programas para sua implantação através da aplicação dos instrumentos
habitacionais para população de baixa renda; apropriados;
V - Área de Especial Interesse Social dos Morros do Bonsu- XIII - estudar rede de ciclovias de interligação entre as Uni-
cesso e do Cafubá e da margem da Lagoa de Piratininga, indica- dades de Vizinhança, prevendo áreas de estacionamento de bi-
das para urbanização e regularização fundiária; cicleta em pontos de integração de transportes;
VI - Área de Especial Interesse Turístico da Lagoa de Pirati- XIV - garantir a recuperação da Laguna de Piratininga, no
ninga, localizada às margens da lagoa, indicada para estimular a que diz respeito à materialização da orla, elevação do nível d`á-
implantação de equipamentos direcionados à recreação, lazer, gua e melhoria da qualidade de suas águas;
turismo e de meios de hospedagem. XV - reservar áreas para estações de tratamento de esgoto
Art. 209 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para sanitário.
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- Art. 210 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deverá
-Região de Piratininga: priorizar as áreas sujeitas a enchentes situadas:

94
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

I - ao longo do Rio Jacaré, entre as Ruas 38 e 39 do Lotea- II - Área de Especial Interesse Social do Rato Molhado, loca-
mento Maralegre; lizada na Unidade de Vizinhança Maravista, indicada para urba-
II - na área compreendida pela Av. Raul de Oliveira Rodri- nização e regularização jurídica.
gues, Av. 9, Rua Brasília e Rua Dr. Hélio Rosa; Art. 215 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
III - ao longo do Valão do Cafubá, entre as Ruas Demócrito elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
da Cunha Silveira e Maestro Carlos Monteiro de Souza, e na Rua -Região de Maravista:
79, Av. 8, Av. Raul de Oliveira Rodrigues e Av. 2, no Loteamento I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-Re-
Maralegre; gião para os Centros de Bairros e para a Área de Especial Inte-
IV - ao longo do Córrego da Viração, a Oeste do Sítio Pedra resse Urbanístico de Maravista, através de cotas de densidade
Cintra, próxima à Rua 100; e outras medidas adequadas a esta finalidade, condicionando
V - ao longo do Córrego Santo Antônio. a edificação multifamiliar à implantação de infraestrutura de
Art. 211 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes esgotamento sanitário, abastecimento de água potável e drena-
elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos: gem;
I - Morro da Viração; II - estabelecer tipologias de edificação compatíveis com as
II - Morro do Preventório; ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planejamento
III - Morro do Sapezal; através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
IV - Ilha do Veado; III - estudar interligação da Sub-Região com as demais da
V - Ilha do Modesto; Região Oceânica, privilegiando o transporte coletivo;
VI - Forte do Imbuí; IV - considerar para fins de planejamento a Av. Ewerton Xa-
VII - Lagoa de Piratininga; vier e a Av. 3 como vias de circulação principal de tráfego, pre-
VIII - Capela Nossa Senhora do Bonsucesso; vendo faixas exclusivas para transporte de massa, bem como
IX - Praia de Piratininga, Praia da Barra (Prainha) e do Imbuí; reservando área para construção de canal de drenagem;
X - Ilha do Pontal; V - direcionar preferencialmente as atividades comerciais
XI - Morro da Peça; coletivas para os centros de atividades;
XII - Morro dos Ourives; VI - permitir comércio individual, indústria de pequeno por-
XIII - Morro do Cantagalo; te e edificação multifamiliar na Estrada Francisco da Cruz Nu-
XIV - Morro do Imbuí; nes, e Av. Ewerton Xavier, no trecho fora dos Centros de Bairros,
desde que implantados em lotes com área mínima de 1.000m²
XV - Ilha das Duas Irmãs.
(hum mil metros quadrados) e testada mínima de 20m (vinte
metros);
SEÇÃO II
VII - permitir, na Estrada Francisco da Cruz Nunes e Av. Ewer-
DA SUB-REGIÃO DE MARAVISTA
ton Xavier, fora do Centro de Bairro a implantação de atividades
comerciais coletivas, desde que implantadas em lotes com área
Art. 212 A Sub-Região de Maravista compreende parte de
mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados) e testada míni-
Itaipu e parte do Bairro Jacaré.
ma de 20m (vinte metros).
Art. 213 O modelo de organização territorial corresponde
Art. 216 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deverá
a 3 (três) Unidades de Vizinhança, o Subcentro Urbano deverá priorizar as áreas sujeitas a enchentes situadas:
ser estimulado na Área de Especial Interesse Urbanístico do Ma- I - ao longo do Rio João Mendes, entre a Estrada Francisco
ravista, entre a Av. Ewerton Xavier e a Av. 3, que atenderá tam- da Cruz Nunes e a Rua 40;
bém as Sub-Regiões do Engenho do Mato e Itaipu, assinaladas II - entre a Estrada do Engenho do Mato e a Rua 25, pas-
no Mapa 9: sando pelas Ruas 6, 28, 9, 33 e 16 e pela Av. 5, até a Estrada
I - Unidade da Vizinhança Terranova, cujo Centro de Bairro Francisco da Cruz Nunes.
está localizado na Estrada Francisco da Cruz Nunes, em ambos Art. 217 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
os lados, entre a Rua Vale Itaipu e a subestação da CERJ; elementos urbanísticos e paisagísticos:
II - Unidade de Vizinhança Maravista, cujo Centro de Bairro I - Serra da Tiririca;
está localizado na Av. Ewerton Xavier, estendendo-se pela Estra- II - Morro da Peça.
da Francisco da Cruz Nunes até o Rio João Mendes; SEÇÃO III
III - Unidade de Vizinhança Boavista, cujo Centro de Bairro DA SUB-REGIÃO DE ITAIPU
deverá ser estimulado na Estrada do Engenho do Mato, nos ar-
redores da Rua 14. Art. 218 A Sub-Região de Itaipu compreende os Bairros de
Art. 214 São indicadas para criação as seguintes Áreas de Camboinhas e Itacoatiara e parte de Itaipu.
Especial Interesse, conforme Capítulo II, do Título II desta Lei, Art. 219 O modelo de organização territorial corresponde
assinaladas no Mapa 9: a 3 (três) Unidades de Vizinhança, assinaladas no Mapa 9, não
I - Área de Especial Interesse Urbanístico do Maravista, loca- comportando um Subcentro Urbano devido a sua proximidade
lizada entre a Av. Ewerton Xavier e a Av. 3, indicada com a fina- do Maravista que polariza as atividades:
lidade de modificação do desenho urbano, para implantação do I - Unidade de Vizinhança Camboinhas, cujo Centro de Bair-
Subcentro Urbano, áreas de lazer, equipamentos públicos para ro deverá ser estimulado na quadra formada pela Av. Deputado
atendimento à coletividade, habitações multifamiliares e siste- Cunha Bueno, Av. “5”, Av. “2”, Rua “A” e Rua “5” (setor 12 do
ma de drenagem para a região; Plano Estrutural de Itaipu e adjacências);

95
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

II - Unidade de Vizinhança Camboatá, cujo Centro de Bairro II - nas demais áreas, manter a volumetria e a ambiência
deverá ser estimulado na Área de Especial Interesse Urbanístico dos bairros;
da Lagoa de Itaipu; III - estabelecer tipologias de edificações compatíveis com
III - Unidade de Vizinhança Campo Belo, cujo Centro de Bair- as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
ro deverá ser estimulado no entorno da Praça do Campo Belo e mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
nas Quadras 25 e 26 do Plano Estrutural de Itaipu. IV - reservar área para implantação de terminal de transpor-
Art. 220 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de te na Unidade de vizinhança Campo Belo;
Especial Interesse, conforme Capítulo II, do Título II desta Lei, V - reservar áreas para estações de tratamento de esgoto
assinaladas no Mapa 9: sanitário;
I - Área de Especial Interesse Turístico de Camboinhas, loca- VI - permitir o comércio individual, a indústria de pequeno
lizada na orla marítima nos trechos correspondentes às Quadras porte e a edificação multifamiliar na Estrada Francisco da Cruz
70, 69, 67 A, 67 B e 143 A do Plano Estrutural de Itaipu, indicadas Nunes e Avenida Ewerton Xavier, observados os seguintes pa-
para implantação de hotéis, residenciais com serviços e outros râmetros:
meios de hospedagem, bares e outros equipamentos para ativi- a) área mínima de 360m² - um estabelecimento comercial
dades turísticas e de lazer; ou de serviço ou uma indústria de pequeno porte;
II - Área de Especial Interesse Turístico de Itaipu, localizada b) área mínima de 720m² - um comércio individual, ou uma
ao longo da Estrada Francisco da Cruz Nunes, da Quadra “A” do indústria de pequeno porte ou uma edificação multifamiliar;
Loteamento Cidade Balneária de Itaipu até a Estrada de Itacoa- c) área mínima de 1800m² - comércio coletivo ou uma in-
tiara, seguindo até o início da Av. Mathias Sandri, indicada para dústria de pequeno porte ou uma edificação multifamiliar. (Re-
estimular empreendimentos hoteleiros; dação dada pela Lei nº 1594/1997)
III - Área de Preservação do Ambiente Paisagístico do Canto VII - permitir, na Estrada Francisco da Cruz Nunes e Av. Ewer-
de Itaipu, localizada junto à Praia de Itaipu, indicada para pre- ton Xavier fora do Centro de Bairro a implantação de atividades
servação do ambiente natural, da vila de pescadores, dos bens comerciais coletivas, desde que implantadas em lotes com área
arquitetônicos tombados e da Duna Grande; mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados) e testada míni-
IV - Área de Especial Interesse Pesqueiro da Vila dos Pesca- ma de 20m (vinte metros).
dores, localizada na Praia de Itaipu, indicada para apoiar e pre- Art. 222 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
servar a pesca local; elementos arquitetônicos, urbanísticos, paisagísticos e arqueo-
V - Área de Especial Interesse Urbanístico da Lagoa de Itai-
lógicos:
pu, localizada na orla da Lagoa de Itaipu, do setor 10 do Plano
I - Lagoa de Itaipu;
Estrutural de Itaipu (inclusive), prolongando-se até a área ainda
II - Praia do Sossego;
não implantada do Loteamento Maravista, abrangendo as Uni-
III - Ilha da Menina;
dades de Vizinhança Camboinhas e Camboatá, indicada para im-
IV - Ilha da Mãe;
plantação de projeto urbanístico que contenha:
V - Ilha do Pai;
a) estabelecimento de faixa marginal de proteção à Lagoa e
VI - Duna Grande;
ao seu ecossistema;
VII - Morro das Andorinhas;
b) desenho urbano especial para uso residencial multifami-
liar, garantindo áreas de preservação da Lagoa e drenagem da VIII - Serra da Tiririca;
área; IX - Igreja Nossa Senhora da Conceição dos Pescadores;
c) via arterial rodoviária ligando a Sub-Região de Piratininga X - Remanescentes do Recolhimento de Santa Teresa;
ao Engenho do Mato e à Praia de Itaipu; XI - Igreja de São Sebastião de Itaipu;
d) via para transporte de massa paralela à via arterial pro- XII - Canto Sul da Praia de Itaipu;
posta, bifurcando para o Engenho do Mato e para o Centro de XIII - Praias de Camboinhas, Itaipu e Itacoatiara.
Bairro do Campo Belo;
e) clubes do lazer, áreas públicas de lazer e áreas para equi- SEÇÃO IV
pamentos públicos; DA SUB-REGIÃO DO ENGENHO DO MATO
f) instalação de equipamentos para atividades turísticas, in-
clusive hospedagem, recreativas e de lazer junto à orla da Lagoa Art. 223 A Sub-Região do Engenho do Mato compreende a
de Itaipu. maior parte do Bairro de mesmo nome.
Art. 221 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para Art. 224 O modelo de organização territorial corresponde
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- a 2 (duas) Unidades de Vizinhança, assinaladas no Mapa 9, não
-Região de Itaipu: comportando um Subcentro Urbano devido a sua proximidade
I - direcionar o adensamento populacional nas Unidades de do Maravista que polariza as atividades:
Vizinhança Campo Belo e Camboinhas para as quadras multifa- I - Unidade de Vizinhança Engenho do Mato, cujo Centro de
miliares previstas no Plano Estrutural de Itaipu e para a Área de Bairro deverá ser estimulado no entorno da Praça do Engenho
Especial Interesse Urbanístico da Lagoa de Itaipu, através de co- do Mato;
tas de densidade e outras medidas adequadas a esta finalidade, II - Unidade de Vizinhança Soter, cujo Centro de Bairro de-
condicionando a edificação multifamiliar à implantação de in- verá ser estimulado em trecho da Av. Ewerton Xavier, somente
fraestrutura de esgotamento sanitário, abastecimento de água no lado contíguo à Unidade de Vizinhança do Engenho do Mato,
potável e drenagem; estendendo-se pelas primeiras quadras das transversais.

96
LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

Art. 225 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de SEÇÃO V


Especial Interesse, de acordo com Capítulo II, do Título II desta DA SUB-REGIÃO DO JACARÉ
Lei, assinaladas no Mapa 9:
I - Área de Especial Interesse Urbanístico do Engenho do
Mato, localizada entre a Av. Ewerton Xavier e a Av. 3, indicada Art. 229 A Sub-Região do Jacaré compreende a maior parte
para modificação do desenho urbano, permitindo a implantação do Bairro de mesmo nome.
de áreas de lazer, equipamentos públicos para atendimento à Art. 230 O modelo de organização territorial da Sub-Região
coletividade, habitações multifamiliares e sistema de drenagem do Jacaré, devido as suas características especiais compõe-se de
para a região; uma única Unidade de Vizinhança cujo Centro de Bairro deve
II - Área de Especial Interesse Agrícola do Engenho do Mato, ser estimulado próximo à Área de Especial Interesse Social do
localizada no entorno da Estrada do Vai e Vem, indicada para Jacaré, indicada para criação nesta Lei.
estimular as atividades agropecuárias, observando-se para os Art. 231 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de
novos parcelamentos, lotes com área mínima de 2.000m² (dois Especial Interesse, conforme Capítulo II, do Título II desta Lei,
mil metros quadrados). assinaladas no Mapa 9:
Art. 226 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para I - Área de Especial Interesse Turístico do Jacaré, abrangen-
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- do toda Sub-Região, face às características físicas e ambientais,
-Região do Engenho do Mato: indicada para estímulo da localização de sítios e clubes de lazer,
I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-Re- áreas para camping e pequenas pousadas, garantindo a preser-
gião para a Área de Especial Interesse Urbanístico do Engenho vação do Vale do Rio Jacaré;
do Mato e para os Centros de Bairros, através de cotas de den- II - Área de Especial Interesse Social do Jacaré, localizada na
sidade e outras medidas adequadas a esta finalidade, condicio- parte inicial do entorno da Estrada Frei Orlando (Jacaré), indi-
nando a edificação multifamiliar à implantação de infraestrutu- cada para desenvolvimento de projetos de habitação popular;
ra de esgotamento sanitário, abastecimento de água potável e III - Área de Especial Interesse Social da Favela do Jacaré e
drenagem; da Saibreira, indicadas para urbanização e regularização fundi-
II - estabelecer tipologias de edificações compatíveis com as ária.
ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planejamento Art. 232 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
através de parâmetros referentes à morfologia urbana; elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
III - reservar áreas para estações de tratamento de esgoto -Região do Jacaré:
sanitário e para terminais de ônibus; I - direcionar preferencialmente o adensamento da Sub-
IV - estudar interligação da Sub-Região com as demais Sub- -Região para a Área de Especial Interesse Social do Jacaré, sem
-Regiões da Região Oceânica, privilegiando o transporte coleti- limitação de cota da densidade, condicionando a edificação mul-
vo; tifamiliar à implantação de infraestrutura de esgotamento sani-
V - estudar a utilização de binário de circulação de veículos tário, abastecimento de água potável e drenagem;
com a Av. Ewerton Xavier e a Av. 3, prevendo faixas exclusivas II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
para transporte de massa e reservando áreas para construção as ambiências urbanas fixadas para a unidade de planejamento
de canais de drenagem; através de parâmetros referentes à morfologia urbana;
VI - permitir comércio individual, indústria de pequeno por- III - estabelecer para os novos parcelamentos lotes com
te e edificação multifamiliar na Av. Ewerton Xavier, no trecho área mínima de 5.000m² (cinco mil metros quadrados), excetu-
fora dos Centros de Bairro, desde que implantados em lotes com ando-se as Áreas de Especial Interesse Social;
área mínima de 1.000m² (hum mil metros quadrados) e testada IV - implantar melhorias físicas na Estrada Frei Orlando (Ja-
mínima de 20m (vinte metros); caré).
VII - permitir, na Av. Ewerton Xavier fora do Centro de Bairro Art. 233 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deve-
a implantação de atividades comerciais coletivas, desde que em rá priorizar a área sujeita a enchentes adjacente ao Rio Jacaré,
lotes com área mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados) localizada no trecho inicial de 400m (quatrocentos metros) da
e testada mínima de 20m (vinte metros). Estrada Frei Orlando (Jacaré), a partir da Estrada Francisco da
Art. 227 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deverá Cruz Nunes.
priorizar as áreas sujeitas a enchentes situadas ao longo da Es- Art. 234 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
trada do Engenho do Mato, entre a Av. Ewerton Xavier e a Praça elementos paisagísticos: Morro do Cantagalo, do Jacaré e Serra
do Engenho do Mato, e o trecho ao longo da Av. 3. Grande.
Art. 228 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
elementos arquitetônicos, urbanísticos e paisagísticos: Capítulo VII
I - Serra da Tiririca e Morro do Cordovil; DA REGIÃO LESTE
II - Morro do Jacaré;
III - Sede da Fazenda do Engenho do Mato. Art. 235 A Região Leste compreende 2 (duas) Sub-Regiões:
Várzea das Moças e Rio do Ouro, conforme Mapa 10, do Anexo
VI, e descrição do Anexo V, ambos partes integrantes desta Lei.
Dada a sua baixa densidade populacional não comporta a im-
plantação de um Subcentro Urbano, sendo sua população aten-
dida pelo Subcentro Urbano do Maravista.

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

SEÇÃO I Art. 240 O Plano Diretor de Macro e Microdrenagem deverá


DA SUB-REGIÃO DE VÁRZEA DAS MOÇAS priorizar a área sujeita a enchentes situada ao longo do Rio da
Aldeia, no trecho próximo à Estrada do Engenho do Mato e à
Art. 236 A Sub-Região de Várzea das Moças compreende o Estrada Velha de Maricá.
Bairro de mesmo nome. Art. 241 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
Art. 237 O modelo de organização territorial dada as suas elementos urbanísticos e paisagísticos:
características especiais corresponde a uma única Unidade de I - Serra da Tiririca e Morro do Cordovil;
Vizinhança, cujo Centro de Bairro está localizado no entorno do II - Morro entre a Rua Itália e a Estrada da Serrinha;
Largo de Várzea das Moças, conforme assinalada no Mapa 10. III - Morro entre a Rua Itália e o Morro do Cordovil.
Art. 238 Ficam indicadas para criação as seguintes Áreas de
Especial Interesse, de acordo com Capítulo II, do Título II desta SEÇÃO II
Lei, assinaladas no Mapa 10: DA SUB-REGIÃO DO RIO DO OURO
I - Área de Especial Interesse Social da Serrinha, indicada
para regularização fundiária e urbanização; Art. 242 A Sub-Região do Rio do Ouro compreende o Bairro
II - Área de Especial Interesse Agrícola de Várzea das Moças, do Rio do Ouro e parte do Muriqui.
situada na Rua Itália e ruas adjacentes, indicada para preservar Art. 243 O modelo de organização territorial, dada as suas
uma das últimas áreas pouco parceladas no Município. características especiais, corresponde a uma única Unidade de
Art. 239 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para Vizinhança, com Centro de Bairro no entorno do Largo do Rio do
elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub- Ouro e na Estrada Senador Fernandes da Cunha até o entronca-
-Região de Várzea das Moças: mento com a via de acesso ao Hospital do IPCT, assinalada no
I - restringir o adensamento na Área de Especial Interesse Mapa 10.
Agrícola de Várzea das Moças e ao longo da Estrada do Engenho Art. 244 Fica indicada para criação, conforme Capítulo II, Tí-
do Mato, através de cotas de densidade e outras medidas ade- tulo II desta Lei, a Área de Especial Interesse Agrícola do Rio do
quadas a esta finalidade; Ouro, assinalada no Mapa 10.
II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com Art. 245 São diretrizes para o uso e ocupação do solo para
as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja- elaboração do Plano Urbanístico Regional que abrange a Sub-
mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana; -Região do Rio do Ouro:
III - na Área de Especial Interesse Agrícola de Várzea das I - direcionar o adensamento para o Centro de Bairro e para
Moças, estabelecer para os novos parcelamentos lotes com área a Estrada Velha de Maricá, através de cotas de densidade e ou-
mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados) e testada míni- tras medidas adequadas a esta finalidade;
ma de 20m (vinte metros); II - estabelecer as tipologias de edificação compatíveis com
IV - ao longo da Rodovia Amaral Peixoto e da Av. Ewerton as ambiências urbanas fixadas para cada unidade de planeja-
Xavier, com exceção do Centro de Bairro, estabelecer para os mento através de parâmetros referentes à morfologia urbana,
novos parcelamentos lotes com área mínima de 2.000m² (dois mantendo a horizontalidade em toda a Sub-Região;
mil metros quadrados) e testada mínima de 20m (vinte metros), III - ao longo da Estrada Velha de Maricá e da Rodovia Ama-
permitindo os usos comercial e industrial de pequeno porte so- ral Peixoto, estabelecer para os novos parcelamentos lotes com
área mínima de 2.000m² (dois mil metros quadrados) e testada
mente em lotes com estas dimensões;
mínima de 20m (vinte metros);
V - na Rodovia Amaral Peixoto, permitir atividades indus-
IV - na Estrada Velha de Maricá e na Rodovia Amaral Pei-
triais, devendo ser estimulada preferencialmente a instalação
xoto, permitir atividades industriais, desde que implantadas em
de agroindústrias, desde que implantadas em lote mínimo de
lote mínimo de 2.000m² (dois mil metros quadrados);
2.000m² (dois mil metros quadrados);
V - permitir atividades agropecuárias em todas as proprie-
VI - permitir atividades agropecuárias em todas as proprie-
dades da Sub-Região, criando regulamentação específica para
dades da Sub-Região, criando regulamentação específica para
aquelas adjacentes às áreas de preservação permanente;
aquelas adjacentes às áreas de preservação permanente;
VI - estabelecer, através de afastamentos e recuos, adequa-
VII - definir como prioritários o calçamento e a instalação
das condições para implantação das atividades econômicas na
de rede de águas pluviais no núcleo populacional da Estrada da Estrada Velha de Maricá;
Serrinha e da Estrada Noruega, com vistas à extensão do trans- VII - estabelecer, em conjunto com o DER-RJ, recuos e afas-
porte coletivo à primeira e ao aumento do tráfego na segunda; tamentos de construção para implantação de via auxiliar de ser-
VIII - estabelecer, em conjunto com o DER-RJ, afastamen- viço ao longo do Centro de Bairro da Rod. Amaral Peixoto;
tos e recuos de construção para implantação de via paralela de VIII - na Área de Especial Interesse Agrícola do Rio do Ouro,
serviço ao longo da Rodovia Amaral Peixoto, onde se fizer ne- estabelecer para os novos parcelamentos lotes com área míni-
cessário; ma de 2.000m² (dois mil metros quadrados) e testada mínima
IX - estudar alteração do tráfego no Centro de Bairro de Vár- de 20m (vinte metros).
zea das Moças, com a incorporação da Estrada Noruega após Art. 246 Constituem bens sujeitos à proteção os seguintes
sua pavimentação; elementos urbanísticos e paisagísticos:
X - promover a interligação das linhas de ônibus de Várzea I - Morro entre a Estrada do Muriqui e Muriqui Pequeno;
das Moças e de Rio do Ouro. II - Serra Grande, do Malheiro e Morro do Jacaré;

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LEGISLAÇÃO INSTITUCIONAL

III - Morro entre a Rua Jean de Moulliac e a Estrada Senador Art. 254 Para o licenciamento das obras de modificação e
Fernandes da Cunha; acréscimos em imóveis situados nas Áreas de Preservação do
IV - Capela de Nossa Senhora das Dores, na Estrada Velha Ambiente Urbano do Centro, Ponta d`Areia, Gragoatá e São Do-
de Maricá. mingos, os respectivos projetos deverão sofrer análise e apro-
TÍTULO VI vação conjunta pela Secretaria de Urbanismo e Meio Ambiente
DAS DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS e de Cultura, para adequação aos objetivos da sua criação, da
data de publicação desta Lei até sua regulamentação observado
Art. 247 Permanecem em vigor a legislação vigente de uso e o disposto no artigo 117.
ocupação do solo, de parcelamento da terra e de construções e Art. 255 O Poder Executivo nomeará os membros titulares
edificações em geral, naquilo que não contraria esta Lei. e suplentes indicados para o Conselho Municipal de Política Ur-
Art. 248 Fica o Poder Executivo autorizado a abrir Crédito bana, conforme previsto no § 2º do artigo 104, no prazo de 90
Especial para acorrer às despesas do Fundo Municipal de Ur- (noventa) dias contados a partir da aprovação da presente Lei.
banização e do Fundo Municipal de Conservação Ambiental, (Redação dada pela Lei nº 2123/2004)
podendo para tanto alterar total ou parcialmente dotações do Art. 256 A lei que institui o Plano Diretor deverá ser revis-
Orçamento vigente. ta, pelo menos, a cada dez anos, devendo o Plano Plurianual,
Art. 249 Para assegurar o cumprimento das diretrizes esta- as Diretrizes Orçamentárias e o Orçamento Anual incorporar as
belecidas para as Regiões de Planejamento passam a vigorar a Diretrizes e as prioridades nele contidas. (Redação dada pela Lei
partir da data de publicação desta Lei: nº 2123/2004)
I - os gabaritos estabelecidos para as Áreas de Preservação
do Ambiente Urbano do Centro, da Ponta d`Areia e de São Do- PREFEITURA MUNICIPAL DE NITERÓI, EM 29 DE DEZEMBRO
mingos/Gragoatá/Boa Viagem, mantidas as demais condições DE 1992.
edilícias;
II - as dimensões de lotes para novos parcelamentos;
III - os usos permitidos nas condições estabelecidas para a LEI DE USO E OCUPAÇÃO DO SOLO (LEI MUNICIPAL
Rodovia Amaral Peixoto, Estrada do Sapê, Estrada Francisco da Nº 1.470/95).
Cruz Nunes, Estrada Caetano Monteiro, Estrada Velha de Maricá
e Av. Ewerton Xavier.
Art. 250 Fica o Poder Executivo autorizado a suspender
temporariamente, mediante decreto, a concessão de alvarás, o LEI Nº 1470, DE 11/12/1995 - PUB. ÓRGÃO OFICIAL, DE
licenciamento de obras de edificações e acréscimos, de explora- 12/12/1995
ção mineral e desmontes, de modificação de uso e de parcela-
mentos e a instalação de mobiliários urbanos nas regiões objeto DISPÕE SOBRE O USO E OCUPAÇÃO DO SOLO URBANO NO
de estudo de Plano Urbanístico Regional (PUR) durante o perío- MUNICÍPIO DE NITERÓI E DÁ OUTRAS PROVIDÊNCIAS.
do de sua elaboração.
Art. 251 O Município deverá, no prazo de 120 (cento e vin- A CÂMARA MUNICIPAL DE NITERÓI DECRETA E EU SAN-
te) dias, criar as Áreas de Especial Interesse Agrícola indicadas CIONO E PROMULGO A SEGUINTE LEI:
nesta Lei em razão de sua destinação, na forma do que dispõe o
artigo 303 da Lei Orgânica do Município de Niterói, sem prejuízo TÍTULO I
de obrigatoriedade da comunicação ao Município, pelo interes- DISPOSIÇÕES PRELIMINARES
sado, no caso da impossibilidade do aproveitamento do imóvel
para fins rurais, atendida a legislação federal pertinente. CAPÍTULO I
Art. 252 Nos imóveis cuja destinação econômica não seja INTRODUÇÃO
agrícola, ainda que cadastrados nos órgãos federais competen-
tes, o Município procederá aos lançamentos do tributo referen- Art. 1º Esta Lei tem por objetivo a promoção da liberdade
te ao Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), a partir do de instalação dos mais diversos usos em todo o território muni-
Exercício de 1993. cipal e sua necessária compatibilização com a qualidade das es-
Parágrafo Único - Para efeito do caput deste artigo o Mu- truturas ambientais urbanas e naturais, bem como do equilíbrio
nicípio oficiará aos órgãos federais, para fins de baixa em seus das relações sociais de vizinhança.
cadastros, relativamente ao lançamento do Imposto Territorial Art. 2º Esta Lei estabelece as modalidades e a intensidade
Rural (ITR) no Exercício de 1993, determinando a retificação do dos usos e das atividades permitidas e os parâmetros para a
Registro de Imóveis competente, anulando os lançamentos an- ocupação do solo urbano do Município de Niterói.
teriores do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU), desde Art. 3º Os usos e atividades e a ocupação do solo urbano
que comprovado pagamento do Imposto Territorial Rural (ITR) referidas no artigo 2º dependem de licenciamento prévio da
nos Exercícios anteriores. Prefeitura Municipal e estarão sujeitas à sua fiscalização, no que
Art. 253 Ainda que destinados à exploração agrícola, pecu- couber, observadas esta Lei e toda a legislação urbanística per-
ária ou agropastoril, os imóveis de área inferior ao que dispõe tinente.
a lei federal estarão sujeitos ao pagamento do Imposto Predial
e Territorial Urbano (IPTU) e como urbanos devem ser conside-
rados.

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