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Antonio Victorino Avila

Engenheiro Civil. MSc. Engª Produção

Introdução à Economia

V.1.5
2015-março
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

Autor:
Engenheiro Civil Antonio Victorino Avila - MSc. Em Engª Produção.
Disciplina Introdução à Economia
Universidade do Sul de Santa Catarina – UNISUL
Florianópolis - SC, julho de 2002.
Versão 1.5 – março de 2015.

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Introdução à Economia

Prólogo
O objetivo deste é dispor ao aluno de uma
expressão documental coerente com o conteúdo a ser
apresentado em sala de aula. E, deste modo, tenha
condições de participar, discutir e levantar dúvidas quanto
ao assunto.

Recomenda-se que o conteúdo seja lido antes de


cada aula visando o conhecimento do que será discutido
bem como a imprescindível consulta à bibliografia em
referência, pois o conteúdo deste não esgota o assunto
abordado.

O autor ficará grato por sugestões e comentários


quanto a erros ou omissões havidos, em prol da melhoria
deste trabalho bem como do andamento das aulas, fato
que contribuirá para o melhor aproveitamento do aluno.

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Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
1.5.1 - O Setor Público. 31
1.6 - TIPOS DE MERCADO. 33
1.6.1 - A LIVRE CONCORRÊNCIA. 33

Sumário 1.6.2 – O MONOPÓLIO.


1.6.3 - O Oligopólio.
1.6.4 - O MONOPSÔNIO & O OLIGOPSÔNIO.
34
34
35
PARTE 1 - INTRODUÇÃO & CONCEITOS. 8 1.7 - CAPITALISMO. 35
1.1 - CONCEITOS BÁSICOS. 9 1.7.1 – Significado. 35

1.1.1 - DEFINIÇÕES 9 PARTE 2 - MICRO ECONOMIA. 43


1.1.1.1 - Economia 9 2.1 – TEORIA DA FIRMA. 44
1.1.1.2 - Necessidades Humanas. 9
1.1.1.3 – Fatores de Produção. 9 2.1.1 – OBJETIVO. 44
1.1.1.4 – Macro e Micro Economia. 11 2.1.2 – TEORIA DA PRODUÇÃO. 44
1.2 - PROBLEMAS CENTRAIS DE UM SISTEMA ECONÔMICO. 13 2.1.2.1 – Conceituação. 44
1.2.1 - Definições. 13 2.1.2.2 – Processo de Produção. 45
1.2.2 - Elementos da Estrutura Econômica. 13 2.1.2.3 – O curto e o longo prazo. 45
1.2.3 – Objetivos e Problemas Básicos do Sistema Econômico. 16 2.1.3 – TEORIA DOS CUSTOS. 46
2.1.3.1 - Custos Totais 46
1.3 - POLÍTICAS ECONÔMICAS 18 2.1.3.2 - Custos Unitários. 47
1.3.1. – POLÍTICA MACROECONÔMICA & OBJETIVOS - PRINCIPAIS. 18 2.1.4 – ANÁLISE GRÁFICA. 49
1.3.2 - CRESCIMENTO ECONÔMICO. 19 2.1.5 – OTIMIZAÇÃO DA PRODUÇÃO - MINIMIZAÇÃO DE CUSTOS. 50
1.3.3 - DISTRIBUIÇÃO DA RENDA GERADA. 20 2.1.5.1 – Minimização da Função de Produção. 50
1.3.4 - ESTABILIDADE DO PROCESSO ECONÔMICO. 22 2.1.5.2 – Aplicação à Função Contínua de Custos. 51
2.1.6 – ABORDAGEM DISCRETA. 51
1.4 – SISTEMAS ECONÔMICOS. 24 2.1.7 – EXERCÍCIOS. 53
1.4.1 - TIPOS DE SISTEMAS ECONÔMICOS 24 2.1.8 – TEORIA DA RENDA. 54
1.4.2 - SISTEMA ECONÔMICO DE MERCADO 24 2.1.9 – PONTO DE EQUILÍBRIO. 56
1.4.2.1 – O Capitalismo. () 26 2.1.9.1 - Definições. 56
1.4.2.2 – Liberalismo Econômico. 27 2.1.9.2 - Ponto de Equilíbrio Inferior. 57
1.4.2.3 - Características do Sistema de Mercado. 27 2.1.10 – MAXIMIZAÇÃO DO LUCRO NO CURTO PRAZO. 57
1.4.2.4 – Restrições ao Capitalismo. 28 2.1.11 - OTIMIZAÇÃO DA PRODUÇÃO – PRODUÇÃO ÓTIMA. 59
1.4.2.5 - Neoliberalismo. 28 2.1.11.1 - Da Minimização do Custo Total: 59
1.4.3 - SISTEMA DE PLANEJAMENTO CENTRALIZADO. 30 2.1.11.2 - Da Maximização do Lucro: 61
1.4.3.1 - Características. 30 2.1.11.3 - Produção Ótima - Resumo. 61
1.4.3.2 - Restrições. 30 2.1.12 – APLICAÇÃO. 62
1.4.4 - SISTEMA MISTO. 30 2.1.13 - RATEIO DO CUSTO FIXO. 63
2.1.14 – EXERCÍCIOS PROPOSTOS. 64
1.5 - SETORES ECONÔMICOS. 31 2.2.1 – OBJETIVO. 70
2.2.2 – O MODELO. 70
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Introdução à Economia
2.2.4 – AJUSTE DE CURVA – FUNÇÃO QUADRÁTICA. 71 3.2.1 – PIB E PNB. 102
2.2.5 - EXERCÍCIO. 72 3.2.2 – PRODUTO NOMINAL E PRODUTO REAL. 103
2.2.6 – SISTEMAS LINEARES - ALGORITMO DE GAUSS. 75 3.2.3 - PRODUTO NACIONAL LÍQUIDO. 103
2.2.7 – POLINÔMIOS DO 3º GRAU. 78 3.2.4 - PRODUTO NACIONAL LÍQUIDO A PREÇOS DE MERCADO. 104
2.2.7.1 – Método da Bisseção. 78 3.2.5 - PIB PER CAPITA. 104
2.2.7.2 – Algoritmo de Briott – Ruffini. 79
3.3 – A CONTABILIDADE NACIONAL. 104
2.2.7.3 – Algoritmo de Newton-Raphson. 80
3.3.3 - PRINCIPAIS AGREGADOS DA CONTABILIDADE NACIONAL. 105
2.3 – A OFERTA E A PROCURA. 83
3.3.4 - Contas Nacionais. 105
2.3.1 - CONCEITOS 83 3.3.5 - BALANÇO DE PAGAMENTOS 106
2.3.1.1 - A Demanda. 83
3.4 - RELAÇÕES ENTRE MACRO MAGNITUDES. 107
2.3.1.2 - A Oferta. 83
2.3.2 - O EQUILÍBRIO DO MERCADO. 84 3.4.1 – CONCEITOS. 107
2.3.3 – EXERCÍCIOS. 85 3.4.2 - RENDA NACIONAL DISPONÍVEL 107
2.3.4 - O COMPORTAMENTO DOS MERCADOS. 85 3.4.3 – ANÁLISE PELO LADO DA PROCURA. 111
2.3.4.1 – Tipos de Mercados. 85 3.4.4 – ANÁLISE DO FLUXO DA PROCURA 111
2.3.4.2 - Concorrência Perfeita. 86 3.4.5 – ANÁLISE PELO LADO DA OFERTA. 112
2.3.4.3 – O Oligopólio. 88 3.4.6 – O EQUILÍBRIO AGREGADO. 113
2.3.4.4 – O Monopólio. 89 3.4.7 - EXERCÍCIO - QUESTIONÁRIO 114
2.3.5 – POLITICAS DE MERCADO EM CONCORRÊNCIA PERFEITA. 90
2.3.5.1 - Variação de Demanda. 90 3.5 - DO PRODUTO NACIONAL AO PRODUTO INTERNO – BRUTOS. 115
2.3.5.2 – Crescimento da Oferta 90 3.5.1 - DETERMINANTES DO VALOR DO PIBPM 115
2.3.5.4 – Exercícios Propostos. 91 3.5.2 - EFEITO MULTIPLICADOR DE RENDA. 117
3.5.3 – EXERCÍCIOS. 118
PARTE III - MACRO ECONOMIA 93
3.5.3.1 – Exercícios Resolvidos. 118
3.1 – PRINCÍPIOS DA CIÊNCIA ECONÔMICA. 94 3.5.3.2 - Exercícios Propostos. 119
3.3.1 – PRINCÍPIO FUNDAMENTAL. 94 3.6 - TEORIA KEYNESIANA. 120
3.3.2 - PRINCÍPIO DE SAY 94
3.6.1 – OBJETIVO POLÍTICO (). 120
3.2 - O EQUILÍBRIO DO MERCADO. 94 3.6.2 - MODELO KEYNESIANO – CONDIÇÕES DE EQUILÍBRIO. 121
3.2.1 - OS FLUXOS MACRO ECONÔMICOS. 95 3.7 – TEORIA MONETARISTA. 123
3.2.2 - A ANÁLISE RENDA - DESPESA. 95
3.7.1 – OBJETIVO POLÍTICO. 123
3.2.3 – EQUILÍBRIO EM ECONOMIA FECHADA. 95
3.2.4. - Situação de Desequilíbrio. 96 ANEXO I - O MISTÉRIO DA MOEDA INFLACIONADA 125
3.2.5. - A Condição de Equilíbrio. 97
3.2.6 - O Circuito Renda – Consumo. 100 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS () 127

3.2 - VARIÁVEIS MACROECONÔMICAS. 101


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Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

Realidade:

“O pecado da inteligência não tem perdão quando a


mediocridade detém o poder da decisão”.

Carlos Frederico Werneck de Lacerda


Jornalista e ex-governador do Rio de Janeiro.

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Introdução à Economia

EÉ a habilidade para tratar das relações humanas com o


objetivo de obter os resultados desejados.
E Um sistema de regras relativas à direção dos negócios
públicos ou privados.
EÉ a forma como os seres humanos se organizam e como o
poder é distribuído entre eles.
Aurélio Buarque de
Holanda Ferreira

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Parte 1 - Introdução & Conceitos.

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Introdução à Economia
Para tanto, ela deve considerar os meios que dispõe para
atender as demandas da sociedade, meios estes denominados
Fatores de Produção.
1 – Introduçã o e Conceitos São definidos como meios ou fatores de produção nesta
fase histórica transcorrida pela humanidade: Recursos naturais;
Força de trabalho; Capital; Tecnologia; Capacidade empresarial.

1.1 - CONCEITOS BÁSICOS. Historicamente, os fatores de produção considerados eram


os três primeiros da relação: recursos naturais; força de trabalho e
1.1.1 - Definições capital.

1.1.1.1 - Economia Na época atual, outros dois fatores foram incorporados aos
primeiros: a tecnologia; e, a capacidade empresarial.
A economia estuda a forma de administrar recursos
escassos, com o objetivo de produzir bens e serviços e distribuí-los
para consumo entre os membros da sociedade visando atender as
necessidades humanas. Recursos Naturais
1.1.1.2 - Necessidades Humanas.
Força de Trabalho
Necessidade Humana é a sensação de carência de algo, unida
ao desejo de satisfazê-la.
Capital
1.1.1.3 – Fatores de Produção. E Tecnologia
E Capacidade Empresarial
Voltando à definição de economia, a economia tem a missão
de suprir as necessidades humanas, tanto materiais como não
materiais, de bens e serviços.

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Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Tal fato decorreu da crescente competitividade entre
pessoas, empresas e nações, do conhecimento e da visão, ou Inovação essa que pode ser relativa tanto à implementação
intuição, das atuais e futuras necessidades do homem e do de novo processo de execução - engenharia do processo -, como
mercado. no desenvolvimento de novas tecnologias a partir dos quais torna-
se possível à criação de novos produtos (engenharia do produto).
Isto porque, tais necessidades podem ser supridas de A capacidade de uma sociedade, ou nação, em traçar seus
distintas formas e, também, devido à criação de novas demandas próprios destinos, dominando a inovação e o desenvolvimento de
ou desejos que, antes de serem oferecidas, eram desconhecidas tecnologias, esta intimamente correlacionada com o know why.
ou inimagináveis e que passam a ter forte apelo de consumo.
Abdicar do domínio do know why, espontaneamente, é se
A tecnologia compreende ao estudo das ciências e das atrelar como caudatário do desenvolvimento de outras sociedades
técnicas corretas e necessárias à realização de objetivos ou a mais competitivas e tecnologicamente mais preparadas.
realização dos produtos desejados.

Ao engenheiro, como exigibilidade para o desenvolvimento


Como Fazer
de suas habilidades e responsabilidades, não cabe apenas do Now How Utilização
Ou Utilizar
domínio de “como fazer ou utilizar”, know how, uma tecnologia.

Para o domínio e a respeitabilidade de uma sociedade, há TECNOLOGIA


que se entender, sobretudo, do saber o “porque fazer“, isto é, o
know why. Porque Concepção
Now Why
Fazer Projeto
Dominando o know why, é possível entender o
funcionamento dos equipamentos e tecnologias disponíveis, da
Figura 1.1 – Domínio da Tecnologia
teoria que amparou a criação desses bens, de seus efeitos sobre o
homem e o meio ambiente e a possível aplicação, a partir deles, na
criação de novos bens ou produtos. Isto, sem falar na alteração da
cultura dos povos onde novas tecnologias são desenvolvidas e Por capacidade empresarial, entende-se a habilidade ou a
realizadas. competência em congregar os demais fatores de produção e os
direcionar, através de uma adequada organização e eficiente
Abdicando do saber o “porque” das coisas serem feitas, o coordenação de operações, à realização da produção de novos
engenheiro passa a ser um simples repetidor de tecnologias já bens, serviços ou empreendimentos.
dominadas, perdendo capacidade de inovar.

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Introdução à Economia
Sem dispor de capacidade empresarial, é impossível a tecnologias de ponta ou estratégicas visando o desenvolvimento,
oferta de novos bens e serviços à sociedade. Ver Figura 1.2. bem como de disseminá-las no âmbito social.

E capacidade empresarial pode ser entendida como a


habilidade em mobilizar recursos e correr riscos. Recursos 1.1.1.4 – Macro e Micro Economia.
humanos, tecnológicos e financeiros, conjuntamente como a
capacidade de prever, avaliar e administrar situações de riscos. O estudo da teoria econômica é dividido em dois principais
campos: micro e macro economia, conforme exposto na Figura 1.3.
Humanos

I - A Microeconomia
Mobilizar Recursos Financeiros

A microeconomia é a área da teoria economia que estuda o


Capacidade Tecnológicos
comportamento das unidades econômicas, a exemplo de: dos
Empresarial
consumidores ou famílias e das empresas e da indústria onde
Correr Riscos Administrar Riscos
estas se inserem; bem como suas inter-relações.

Macro Economia
Economia Política
Figura 1.2 – Capacidade Empresarial Estudo da
Economia
Micro Economia
Economia Da Firma
Na opinião do autor, em sociedades menos avançadas,
cabe ao governo estabelecer metas, prioridades, políticas, enfim,
coordenar os meios necessários ao desenvolvimento de uma Figura 1.3 - Campos da Economia.
economia e, em decorrência, da sociedade que representa, por ser
um forte instrumento de coordenação e mobilização dos meios
necessários ao desenvolvimento, ter condições sócio-políticas para II - A Macroeconomia
a organização social e ser o principal agente macro econômico.
A macroeconomia estuda o funcionamento da economia em
Neste cenário dispõe o governo da possibilidade de seu conjunto. Ou seja, os grandes agregados econômicos cuja
desenvolver a educação, a pesquisa e a implantação de novas abrangência é o total da economia.

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Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Seu propósito é obter uma visão simplificada da economia e,
ao mesmo tempo, com os dados disponíveis, conhecer e atuar
sobre o nível da atividade econômica de um município estado, uma Teoria Econômica
Princípios, leis , modelos e teorias
região ou de um país.

No campo macroeconômico, estuda-se, basicamente, o Análise Análise


inter-relacionamento dos principais agentes que atuam no cenário Micro Econômica Macro Econômica
econômico que são: Famílias; Empresas; Governo; Resto do
Mundo (importação × exportação).
Teoria do Equilíbrio
Teoria Do Consumidor
Econômico

Famílias
História do Pensamento
Teoria da Produçaõ
Econômico
Empresas

Governo Teoria da Firma Teoria Monetária


Exportação

Resto do Mundo
Teoria da Repartição Teoria Econômica
dos Mercados do Setor Público
Importação

Figura 1.4 – Agentes do Cenário Macro Econômico Teoria das Relações


Econômicas Internacionais

A Figura 1.5 – Teorias Econômicas para Definição de


Políticas Econômicas relaciona, tanto pelo lado da macroeconomia Teoria do Desenvolvimento
como da microeconomia, o conjunto de teorias que contribuem e da Repartição
para a formação e análise de politicas econômicas.

Política Econômica

Figura 1.5 – Teorias Econômicas para Definição de Políticas Econômicas

12
Introdução à Economia
1.2 - Problemas Centrais de Um Sistema Econômico. organizar suas atividades de produção, circulação de bens e
serviços e da apropriação da riqueza gerada. Essas relações
Considerando que as sociedades dispõem de recursos condicionam o sentido geral das decisões fundamentais que se
escassos e o aproveitamento desses recursos requer uma tomam em toda a sociedade e os ramos predominantes de sua
organização sócio-política que estabeleça o modo em que ocorrerá atividade.
a apropriação e o destino a serem dados a eles, há que se
conhecer, implantar e gerir três aspectos que transpassam a Ele engloba o tipo de propriedade, o modo de gestão da
sociedade e o processo econômico em si: o sistema econômico economia, os processos de circulação das mercadorias, o
adotado, o regime econômico instituído e a estrutura econômica consumo e os níveis de desenvolvimento tecnológico e da divisão
disponível. do trabalho. ESCÓSSIA, 2009.

b) Regime Econômico: o regime econômico de um país é


caracterizado pelo conjunto de normas básicas estabelecidas
para regular, direcionar e controlar suas atividades
Problemas
econômicas e produtivas.
Centrais Desempenho
Sistema Regime Estrutura
da
Econômico Econômico Econômica c) Estrutura Econômica: corresponde ao conjunto dos agentes
Economia ou elementos que atuam na área econômica de um país, ou
região. Nomeadamente, o Estado, as autarquias, as
empresas e as organizações nacionais e internacionais, bem
como as relações entre seus próprios componentes e as
inter-relações com componentes de outros elementos.
1.2.1 - Definições.
1.2.2 - Elementos da Estrutura Econômica.
a) Sistema Econômico: corresponde ao conjunto de relações
técnicas, básicas e institucionais que caracterizam a A estrutura econômica é determinante e base das condições
organização econômica da sociedade. de funcionamento do conjunto das atividades econômicas de
qualquer região e que permitem utilizar seus recursos próprios,
Ele pode ser definido, também, como a forma pela qual a Figura 1.5.
sociedade esquematiza seus elementos estruturais, visando
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Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Partindo dela, fica plausível o planejamento de um III) Elemento Cultural - de fundamental importância para o
adequado e conexo programa de desenvolvimento. desenvolvimento da capacidade de produção e,
dependendo da qualidade da população, sem as quais
Os principais elementos de uma estrutura econômica são: qualquer esforço pode ser infrutífero.

Neste elemento são considerados o nível de instrução dos


Físicos ou Geográficos
indivíduos, a escolaridade, a capacidade de produção, os usos e
costumes de cada região.
Demográficos

Estrutura
Econômica
ELEMENTOS Cultural IV) Elemento Institucional - este elemento diz respeito ao
ordenamento jurídico institucional e definido pelo regime
Institucional econômico. Ver Figura 1.7 – O Elemento Institucional.

Econômico Estrutura Legal

Figura 1.6 – Elementos da Estrutura Econômica Ensino e Pesquisa

I) Elementos Físicos ou Geográficos - constituídos pelas Apoio Técnico e Gestão


condições do clima, relevo e tipo de solo, água, acessos,
Elemento
recursos minerais, etc., a partir dos quais a capacidade de Institucional
Estrutura de Fomento Infraestrutura
produção de um país pode ser alterada.
Fundos Financeiros

II) Elementos Demográficos - diz respeito às características da Securitização


população e conforme sua distribuição geográfica influi na
capacidade de produção de um país. Orgãos de Controle

Estas características correspondem a: composição da Figura 1.7 – O Elemento Institucional.


população por faixa etária, sexo, proporção de jovens, idosos e
indivíduos em idade produtiva. O Elemento Institucional deve ser analisado sob três
aspectos: a estrutura legal; a estrutura de fomento e os órgãos de
controle institucional.

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Introdução à Economia
relações de troca com o exterior; o PIB e a sua proporção
A estrutura legal corresponde ao conjunto de leis e exportável; etc.. Ver Figura 1.8
regulamentos que contribuem ou inibem a utilização dos fatores de
produção, ao desenvolvimento de bens e serviços. Primário

A estrutura de fomento corresponde às instituições que Contribuição Setores da Produção Secundário


contribuem para o desenvolvimento de produtos e serviços, e vais
desde o ensino e a pesquisa até a securitização dos meios de Disponibilidade dos
Terciário
Fatores de Produção
produção, conforme exposto na Figura 1.7.
Relações de Troca com o Exterior
Os órgãos de controle correspondem ao conjunto de Produção e
entidades destinadas ao controle da qualidade dos produtos e Relações de Troca
PiB: Total, Setorial e Regional
serviços, bem como a proteção da propriedade industrial ou
intelectual. Percentual Exportável do PIB.

Etc.
V) Elemento Econômico - este é dos itens muito importantes para
poder avaliar o verdadeiro potencial produtivo do País ou de Figura 1.8 – Avaliação do Potencial de Produção.
uma região e considera o capital disponível e as relações de
troca. Neste elemento é contabilizado o estoque de capital disponível:
o financeiro, o imobilizado e o intangível. Ou seja, em termos de
Capital balanço, o ativo disponível pelo País.
Disponível
Potencial Financeiro
Produtivo
Relações de Capital Imobilizado
Troca

Intangível
Assim, neste elemento é avaliada: a composição da produção
por setor produtivo; a disponibilidade dos fatores de produção; as Figura 1.9 – Estoque de Capital

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Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
I) Definir quais os produtos e serviços serão elaborados no
O capital financeiro apropria o estoque de dinheiro mercado interno a cada nível de desenvolvimento e o que será
disponível, seja em moeda nacional ou em reservas de outras adquirido no mercado externo.
moedas.
Para tanto há que se responder aos seguintes
O imobilizado apropria o valor da terra, edificações, questionamentos: O que ou quais bens e serviços serão
máquinas e empresas. produzidos, suas quantidades, e isto em especial correlação com a
estrutura econômica disponível.
O intangível apropria as patentes, os direitos e os valores
das empresas em andamento. Partindo dos elementos integrantes da estrutura econômica,
é possível definir onde se pode ou se quer chegar e definir
estratégicas políticas visando alcançar o patamar de
1.2.3 – Objetivos e Problemas Básicos do Sistema Econômico. desenvolvimento politicamente definido.

Qualquer que seja a forma de organização da produção Definir Produtos & Serviços
adotada, metas devem ser estabelecidas e que devam ser
atingidas pelas empresas ou pelo planejamento governamental, ou • O que;
• Quanto;
seja, pelo sistema econômico. • Quando produzir.

Organização Metas e Objetivos Como Produzir:


da Produção Políticos Determinados Estratégias de
• Definição dos recursos a serem
Políticas Econômicas
mobilizados
• E, da tecnologia adotada.

Assim, surgem três problemas básicos a serem resolvidos: Para quem produzir:

i) Definir quais produtos e serviços serão desenvolvidos; • Mercado Interno


• Mercado Externo
ii) Definir o processo de produção; • Segmento Social
iii) E, definir o público a ser atendido. Ver Figura 1.10.
Figura 1.10 – Problemas Básicos de Um Sistema Econômico

16
Introdução à Economia
II) Como produzir bens e serviços. Este questionamento deve
estabelecer quem será o responsável pela produção dos bens; Com o objetivo de cumprir o acima exposto, o ideal será
qual o capital financeiro demandado, os recursos humanos instituir uma adequada combinação entre uma estrutura
desejados e a estrutura institucional necessária. E, também, a produtiva eficiente e uma justa e efetiva distribuição da
ciência e a tecnologia disponível ou a desenvolver. produção, para que além dos objetivos do desenvolvimento seja
obtida uma melhoria na qualidade de vida da nação. Ver Figura
1.11.
III) Para quem produzir. Esta é uma decisão política que definirá
qual será o público alvo dos bens e serviços. Se o destino será a
economia interna ou a externa. Estrutura Justa e Efetiva
Produtiva Eficiente Distribuição da Produção
Os itens “b” e “c”, acima, definem o quadro a ser eleito pela
coalizão dominante de qualquer país, visando à realização de sua
política econômica ou do desenvolvimento.

Sendo escassos os recursos da sociedade a política


Solução ótima às questões:
econômica ou os planos econômicos de desenvolvimento a serem " o que, quanto e quando produzir"
estabelecidos deverão prever: "Como produzir" e "Para quem produzir"

• Qual o volume de recursos a ser alocado para a Figura 1.11 - Visão Política Distributiva
implantação da estrutura de produção dos insumos que
compõe cada produto;
• A formação, o treinamento e o desenvolvimento da força Comentando:
de trabalho exigida pela engenharia do processo e do a) Uma estrutura produtiva eficiente deve ser obtida através
produto de cada bem; de uma composição ótima das questões “o que”, “como” e
“quanto” produzir;
• Estabelecimento do sistema de distribuição;
• Programas de financiamento ou de securitização b) Uma justa e efetiva distribuição da produção diz respeito a
necessários ao sucesso do programa de desenvolvimento. solucionar, de modo eficiente, o “para quem produzir”.

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Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Esta visão de mundo, sem dúvida nenhuma de cunho
ideológico, esta visivelmente ligada ao sistema de valores da Assim sendo, quando se usa o termo Política Econômica,
coalizão política dominante. tem-se em vista que o governo está utilizando instrumentos
fornecidos pela teoria econômica com o objetivo de condicionar,
balizar e conduzir o sistema econômico de um país ou região
1.3 - Políticas Econômicas em função de atingir os objetivos econômicos e sociais
politicamente estabelecidos.
Do ponto de vista macroeconômico, isto é, a partir do
conhecimento, inter-relações e importância dos agregados Para o cumprimento de políticas econômicas duas
econômicos, a Teoria Econômica propicia um forte instrumento principais diretrizes devem ser adotadas:
a ser utilizado para atingir objetivos econômicos específicos.
• Definir os principais objetivos econômicos a serem alcançados,
Isto é, atingir os objetivos politicamente determinados, compatíveis com outros objetivos políticos e sociais;
no intuito de alcançar o interesse do grupo político que os
• Estabelecer, dentro do conjunto de teorias econômicas
formulou ou da sociedade neles interessada.
disponíveis, aquelas que melhor se adequem a um programa
econômico necessário à consecução dos objetivos
Como exemplo de objetivos específicos ou metas a
determinados.
serem atingidos pela implantação de uma política econômica
pode-se citar:
1.3.1. – Política Macroeconômica & Objetivos - Principais.
E Aumentar a renda em certa classe da população ou
região; Entende-se por POLÍTICA MACROECONÔMICA o conjunto de
E Criar novos empregos em determinados setores da medidas governamentais - leis, regulamentos, procedimentos e
normas - cujo objetivo é influir no desenvolvimento da economia
economia ou indústrias;
em seu conjunto.
E Incrementar a demanda por determinados produtos;
Para tanto a política econômica, e a macroeconomia, deverá
E Privilegiar e desenvolver a criação de produtos, serviços entender o comportamento e as causas que contribuem para
e indústrias; evolução dos seus três principais objetivos e atuar sobre eles,
E Propiciar a qualificação de pessoal especializado em quais sejam: o crescimento econômico; a distribuição da renda
gerada no país; e, a estabilização do processo econômico. Ver
áreas específicas; etc.
Figura 1.12.
E Desenvolver o domínio de tecnologias estratégicas.
18
Introdução à Economia
É de notar que estes objetivos não são, necessariamente,
mutuamente exclusivos, entendimento que não é assumido por
diversos autores ou formuladores de políticas econômicas de um 1.3.2 - Crescimento Econômico.
país. Especialmente aos defensores do liberalismo puro que não
compactuam quanto à intervenção estatal no processo de O crescimento econômico, sem dúvida alguma, é o alavancador
distribuição da renda gerada. do incremento de riqueza de uma nação.
A Política Econômica ao definir: metas de crescimento, taxa de
crescimento das variáveis econômicas, relações de troca, etc.,
Crescimento Econômico
contribui para a realização de um ritmo de crescimento compatível
com as necessidades da sociedade.
Macroeconomia Objetivos Distribuição da Renda Gerada Assim, o objetivo do crescimento econômico é: ampliar e
melhorar os recursos disponíveis pela sociedade; ampliar e
melhorar a infraestrutura; captar recursos financeiros necessários
Estabilização do Processo Economico ao crescimento. Ver Figura 1.13.

Figura 1.12 – Objetivos da Macroeconomia


Ampliar e melhorar os recursos
disponíveis pela sociedade
Outros autores, entretanto, sustentam que o objetivo da
política econômica é, primordialmente, atingir objetivos Crescimento
distributivos. Isto porque, seus efeitos produzem impactos no Objetivos Ampliar e melhorar a infraestrutura
Econômico
ambiente econômico com reflexos diretos no meio social e na
melhoria da qualidade de vida da população. LANCASTER, 1979. Captar recursos financeiros necessários
ao crescimento
Enfim, a razão de ser da economia política é administrar a
escassez e as necessidades humanas enquanto sociedade. E,
Figura 1.13 – Objetivos do Crescimento Econômico
destarte, orientar, decidir e prover recursos para o atendimento
para a sociedade em geral ou estratos privilegiados dela.
Quanto aos recursos disponíveis pela sociedade pode-se
Em segmento, serão discutidos os três principais objetivos considerar: ampliação e melhoria do sistema educacional em todos
de qualquer política macroeconômica. os níveis; da rede hospitalar e de atendimento ao emergencial ao
19
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
cidadão; da segurança; da urbanização e serviços urbanos; do
desenvolvimento de projetos que contribuam para realização de No caso da poupança interna, ela pode ser oriunda de fontes
condições de emprego o renda. particulares ou públicas.

No caso da ampliação e modernização da infraestrutura Quanto à poupança externa, os instrumentos muito


pode-se elencar: as rodovias, hidrovias e ferrovias; a geração, utilizados atualmente pelo Brasil para a sua captação são: a venda
transmissão e distribuição de eletricidade; sistemas eficientes de de Títulos do Banco Central no exterior, os denominados C-Bonds,
transportes urbanos estrutura portuária e aeroportos; redes de ou o aporte direto de capital via empréstimos do FMI – Fundo
comunicação; estrutura de saneamento considerando agua Monetário Internacional e do BIRD – Banco Interamericano de
potável, esgoto e lixo; etc.. Desenvolvimento.

Para um País, a fonte de capital mais interessante e que


• BNDES
Fontes menos causa custos para o financiamento do desenvolvimento
• Bancos Estaduais
Públicas
• BRDE econômico é aquela propiciada pela poupança interna.
Mercado
Interno Isto porque, evita-se o pagamento de juros, tanto aos
credores externos como aos internos, fazendo com que estes
Fontes
Bancos de Investimento
recursos sejam reinvestidos internamente, no refinanciamento de
Particulares projetos e serviços.
Captação de
Redursos

1.3.3 - Distribuição da Renda Gerada.


• BIRD – Banco Mundial
Mercado • BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento O objetivo da distribuição de renda é promover a justiça
Externo • FMI – Fundo Monetário Internacional
• BBFC-Bonds
social quanto ao acesso e ao usufruto de bens e serviços
produzidos pela nação, ou em dada região, pela sua população.

Figura 1.14 – Fontes de Captação de Recursos

Como rápido comentário à captação de recursos financeiros,


ela pode ocorrer com o aporte de capital oriundo da poupança
interna ou da externa. Ver Figura 1.14.

20
Introdução à Economia
Melhoria da Renda • Construção de Edificações
Direta
Do Indivíduo E Projetos Públicos. • Obras Públicas
Demanda intensiva de mão • Rodovias
Distribuição
De Renda
de obra: especializada ou não. • Construção Naval
Melhoria da • Portos e Estaleiros
Oferta de
Indireta Renda dos
Serviços Públicos
Indivíduos
• Aumento da Renda dos Aposentados
• Manter Poder Auisitivo dos Salários
Figura 1.15 – Formas de Distribuição de Renda E Políticas Sociais. • Programa de Seguro Desemprego
• Bolsas de Sustentação Social
A distribuição de renda pode ocorrer de forma direta ou • Etc..
indireta, conforme mostrado na Figura 1.15. De forma direta Figura 1.16 - Distribuição de Renda Direta.
através da melhoria da renda do indivíduo. De forma indireta,
através da oferta de serviços públicos.
No caso de projetos públicos a melhoria da renda pode
ocorrer através da realização de obras em que haja a demanda
I – De Forma Direta: intensiva de mão de obra, especializada ou não. Como exemplo
tem-se os programas de:
De forma direta a distribuição de renda ocorre através da • De construção de edificações,
melhoria da renda dos indivíduos. • Obras públicas,
• Rodovias,
A melhoria de renda direta pode ocorrer adotando duas
• Construção naval,
ações politicas básicas: a realização de projetos públicos e a
• Geração e transmissão de eletricidade,
instituição de políticas sociais, nos termos mostrados na Figura
1.16. • Estaleiros e portos,
• Produção de equipamentos pesados e militares;
• Aumento da renda dos aposentados e do salário
mínimo,
• Programa de seguro desemprego,
• Etc..

21
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Qualquer programa de melhoria de renda e a melhoria dos
No caso de politicas sociais, tem-se como exemplos o serviços públicos acessíveis ao conjunto da população, somente
aumento da renda dos aposentados, o aumento do poder aquisitivo será possível com o estabelecimento de políticas públicas que
do salário mínimo, a instituição do programa de seguro promovam tal procedimento.
desemprego, etc..

1.3.4 - Estabilidade do Processo Econômico.


II – De Forma Indireta.
Conforme a bibliografia disponibilizada, os três principais
De forma indireta, a distribuição de renda ocorre com a objetivos que justificam a intervenção política do Estado na
instituição de politicas que incrementem a rede de serviços economia e que visam contribuir para a estabilidade do processo
públicos total ou parcialmente subsidiados pelo Estado. econômico são:

Como exemplos têm-se: implantação de redes de


atendimento de saúde pública e ambulatorial; a educação gratuita;  Garantir empregos à população economicamente ativa e
implantação de creches; o transporte coletivo de massa; a água evitar o desemprego;
para consumo doméstico, etc..  Manter a estabilidade do nível de preços com o controle da
Inflação.
Esses serviços contribuem para que a coletividade em geral
os usufrua sem despender diretamente suas economias, podendo  Equilibrar o balanço de pagamento com o exterior. Evitando
direcionar o excedente disponível para outras necessidades e, deste modo a tomada de recursos externos o que demanda
mesmo, promover a sua poupança pessoal. Ver Figura 1.17. em pagamento de juros.

Evitar o Desemprego
• Saúde Pública: ambulatorial e
E Rede Eficiente de Serviços hospitalar;
Melhoria da Públicos. • Creches;
Intervenção do Estado
Renda dos • Educação Gratuita Justificativas: Controlar a Inflação
na Economia
Indivíduos Total ou Parcialmente subsidiados • Transporte Coletivo;
pelo Estado. • Água e Esgoto;
• Etc.. Equilibrar o Balanço de Pagamentos

Figura 1.17 - Distribuição de Renda Indireta


Figura 1.18 – Justificativas da Intervenção na Economia.

22
Introdução à Economia
Além das politicas acima citadas e visando o
desenvolvimento, a qualidade de vida e o acesso da população,
Política Instrumentos
principalmente a serviços públicos, há o possível controle do
estado em serviços como os de energia, rodovias, agua e esgoto  Fiscal: Tributos, gastos públicos, incentivos fiscais e
onde a iniciativa particular tem se mostrado incapaz em atendê-los subsídios.
com a proficiência desejada pela sociedade.
 Monetária: Controle da quantidade de moeda e da taxa
Considerando as vantagens das relações de troca com o de juros.
exterior e a competitividade dos produtos nacionais, seja de bens Taxa de câmbio, incentivos fiscais e
ou serviços, cabe ao governo incentivar ou instituir políticas  Comércio tributários a incentivar as exportações e inibir
públicas necessárias a tornar competitivos os produtos nacionais Exterior: importações de bens e serviços, instrumentos
no exterior. inibidores de importações podendo ser de
fundo quantitativo ou qualitativo.
Para que estes objetivos sejam cumpridos, o governo dispõe São todos os instrumentos adotados pelo
de alguns instrumentos de ação política, a saber: politica fiscal,  De Rendas: governo para interferir no processo de
monetária, de comercio exterior, de rendas, setoriais industriais, e apropriação de renda e das oportunidades,
outras específicas necessárias a apoiar a realização de metas tanto dos atores econômicos como dos
indivíduos em particular.
politicamente estabelecidas. Comentários sobre cada uma delas
são efetuados no quadro da Figura 1.19. Todos aqueles destinados a tratar setores
 Setoriais: específicos da economia.
Como exemplo: setor elétrico, siderúrgico,
bancário, têxtil, cerâmico, agroindustrial,
agrícola, etc.
Como instrumentos específicos podem ser
 Específicos citados: os níveis de tributos a serem
estabelecidos, incentivos ou renúncia fiscal,
facilidades de financiamento, qualificação de
mão de obra, amparados em metas
politicamente estabelecidas a serem
alcançadas por estes setores.
Figura 1.19 - Instrumentos de Políticas Públicas.

23
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

Quanto ao sistema de planejamento eminentemente


centralizado, atualmente ainda é utilizado em países sob sistema
1.4 – Sistemas Econômicos. de governo dito comunista, a exemplo da Coréia do Norte e de
Cuba, sendo que a China já pratica um sistema misto.

1.4.1 - Tipos de Sistemas Econômicos


1.4.2 - Sistema Econômico de Mercado
Basicamente, os sistemas econômicos considerados são:
Sistema Econômico de Mercado é definido como toda
• Livre iniciativa ou de mercado; instituição social em que bens e serviços, assim como os fatores de
• Planejamento Centralizado; produção, são trocados ou comercializados livremente.
• Sistema Misto.
Para estudar o comportamento do mercado para certo
Os dois primeiros tipos de sistemas são casos extremos ou produto, se faz necessário conhecer o comportamento dos
antagônicos. O primeiro quando ocorre pequena intervenção do demandantes e dos ofertantes, o que será realizado no estudo da
estado na economia e o segundo com a economia dirigida pelos oferta, da procura e do equilíbrio do mercado.
interesses do estado.
O preço de um bem ou serviço, por sua vez, é definido como
O que ocorre na atualidade e na maioria dos países é a a relação de troca por dinheiro, isto é, o número de unidades
adoção de sistemas intermediários, denominados de sistemas monetárias pelas quais se troca uma unidade do bem.
mistos, que apresentam características dos dois primeiros sistemas
e que diferem uns dos outros segundo um maior ou menor grau de Desta forma fica caracterizado que numa economia de mercado
intervenção do governo na economia. atuam dois tipos básicos de agentes, claramente diferenciados, com
atuação distinta e que são: os compradores e os vendedores.
O importante a notar, é que o sistema econômico define o
compasso do desenvolvimento em que se encontra uma sociedade O esquema da Figura 1.20 apresenta o fluxo básico de bens e
em seu conjunto. serviços, dos fatores produtivos e dos pagamentos monetários numa
economia de mercado que ocorre entre os compradores e os
Além disto, o sistema econômico adotado por uma vendedores.
sociedade é fruto do processo histórico que ela vivenciou, sendo
extremamente complexa a forma que uma sociedade chega à
adoção de um sistema.

24
Introdução à Economia
Os compradores, representados pelas famílias, consomem pode ser constado, ocorre em forma de fluxo circular dos
bens e serviços finais produzidos pelas empresas e, por outro lado, recursos, sendo este processo composto de três fases:
fornecem a essas empresas fatores produtivos.
1ª Fase - Os consumidores externam suas preferências ao
Os vendedores, representados pelas empresas, fornecem bens acessarem o mercado, dando preferência à
e serviços aos consumidores e, por outro lado, utilizam e pagam compra de determinados produtos em
fatores produtivos fornecidos pelas famílias. detrimento de outros. As tendências
apresentadas pelos consumidores direcionam “o
Pagamento pelos Produtos que” deva ser produzido.
Fluxo Monetário

Mercado de Fatores
Fluxo de Produtos
E Mão de Obra
E Terra
E Empréstimos
Famílias Empresas E Capacidade Empresarial

- Consomem bens e serviços


- Fornecem bens e serviços
finais produzidos pelas
aos consumidores
empresas. E O que
E Como
- Utilizam fatores produtivos E Para quem Firmas
- Fornecem fatores produtivos Famílias
fornecidos pelas famílias
para as empresas
PRODUZIR

Fatores Produtivos
Mercado de Produtos

Pagamento pelos Fatores Produtivos E Bens Finais


Fluxo Monetário

Figura 1.20 – Fluxo Circular da Renda


Fonte: Troster & Mochón, 1999. Figura 1.21 - Alocação de Recursos

O processo de alocação dos recursos em uma economia de 2ª Fase - O “como” devam ser produzido os bens é definido
mercado funciona segundo o modelo da Figura 1.21 e, como pela concorrência entre os produtores. Para
otimizar seus produtos, os produtores procuram
25
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
insumos capazes de permitir custos e rendimentos Na lógica do capitalismo está o aumento de rendimentos.
reduzidos, bem como a tecnologia adequada, Estes tanto podem ser concentrados como distribuídos, sem que
visando a oferecer preços competitivos. isso nada tenha a ver com a essência do sistema. Concentração e
distribuição dos rendimentos capitalistas dependem muito mais
3ª Fase – O “para quem” produzir é definido através da oferta das condições particulares de cada sociedade.
e da demanda no mercado de fatores produtivos. A
distribuição dela resultante é função da do perfil de O capitalismo só pode funcionar quando há meios
distribuição da propriedade ou da renda, das tecnológicos e sociais para garantir o consumo e acumular
capacidades adquiridas ou herdadas, sem falar das capitais. Quando assim sucede, tem conservado e até aumenta a
oportunidades que surgem devido à educação capacidade econômica de produzir riqueza.
recebida.
O capitalismo é caracterizado por várias fases, sendo a sua
primeira fase designada como capitalismo comercial, marcado
1.4.2.1 – O Capitalismo. (1) pela busca de riquezas por parte da burguesia e da nobreza
durante a expansão marítima, nos séculos XV e XVI.
Capitalismo é um sistema econômico em que os meios de
produção e distribuição são de propriedade privada e com fins Fases do capitalismo:
lucrativos. É o sistema dominante no mundo ocidental desde o
final do feudalismo. a) Capitalismo Mercantilista, Sistema econômico no qual o
mercado é artificialmente moldado por uma relação de
Decisões sobre oferta, demanda, preço, distribuição e interesses envolvendo o governo, as grandes empresas e os
investimentos não são feitos pelo governo e os lucros são grandes sindicatos.
distribuídos para os proprietários que investem em empresas e os
salários são pagos aos trabalhadores pelas empresas. b) Capitalismo Financeiro, também conhecido como capitalismo
monopolista, que corresponde a um tipo de economia
O capitalismo é o sistema socioeconômico baseado no capitalista em que o grande comércio e a grande indústria são
reconhecimento dos direitos individuais, em que toda propriedade controlados pelo poderio econômico dos bancos comerciais e
é privada e o governo existe para banir a iniciação de violência outras instituições financeiras.
humana. Em uma sociedade capitalista, o governo tem três c) Capitalismo Industrial, que surgiu junto com o capitalismo
órgãos: a polícia, o exército e as cortes de lei. financeiro, que é quando as empresas evoluíram de
manufatureiras para mecanizadas.

(1) Fonte (literis): http://www.significados.com.br/capitalismo. Acesso: 10.12.2014


26
Introdução à Economia
d) O capitalismo informacional, que tem a tecnologia de promover a evolução generalizada. Os liberalistas defendem a
informação como o paradigma das mudanças sociais que livre concorrência e a lei da oferta e da procura. Estes teóricos
reestruturaram o modo de produção capitalista. foram os primeiros a tratar a economia como ciência.

Um dos fenômenos do capitalismo é a globalização, que é Laissez-faire é hoje expressão-símbolo do liberalismo


um dos processos de aprofundamento da integração econômica, econômico, na versão mais pura de capitalismo que entende que
social, cultural, política, impulsionado pelo barateamento dos meios o mercado deva funcionar livremente, sem interferência e com
de transporte e comunicação dos países do mundo no final do apenas uma suficiente regulamentação para proteger os direitos
século XX. de propriedade.

A globalização é gerada pela necessidade da dinâmica do O liberalismo tornou-se dominante nos Estados Unidos e
capitalismo de formar uma aldeia global que permita maiores nos países ricos da Europa durante o final do século XIX até o
mercados para os países centrais. início do século XX.

1.4.2.3 - Características do Sistema de Mercado.


1.4.2.2 – Liberalismo Econômico.
O sistema de mercado ocorre com as seguintes
O principal teórico e considerado o pai da teoria do liberalismo características:
econômico foi Adam Smith. O economista escocês desenvolveu
as ideias de Quesnay e Gournay precursores do pensamento • As pessoas podem consumir e produzir conforme suas
liberal, ao estabelecer em seu livro “A Riqueza das Nações” as preferências e disponibilidades;
principais ideias do liberalismo econômico: a prosperidade
econômica e a acumulação de riquezas não são concebidas • O sistema de preços fará com que a escassez ou o
através da atividade rural e nem comercial, mas sim através do excedente de bens e serviços não dure muito;
trabalho livre, sem nenhum agente regulador ou interventor. (2) • Sistema de preços é que determina sobre o nível de preços
e a quantidade de produção à ser alocada ao mercado,
Para Smith, não eram necessárias intervenções na economia, sem haver a intervenção do Estado;
visto que o próprio mercado dispunha de mecanismos próprios de
regulação da mesma: a chamada “mão invisível”, que seria • Havendo aceitação pelos consumidores dos produtos
responsável por trazer benefícios para toda a sociedade, além de ofertados, os produtores passam a obter lucro e condições
de atuar de forma produtiva;
(2) Fonte: http://www.brasilescola.com/economia/liberalismo-economico.htm
27
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
• Na economia de mercado, a demanda de bens e serviços é
que determina sua oferta;
1.4.2.5 - Neoliberalismo.
• Os preços fazem o equilíbrio entre a oferta e a demanda.
O neoliberalismo é um sistema de marcado que prega o
retorno ao estado liberal dos séculos XVII – XVIII época em que a
1.4.2.4 – Restrições ao Capitalismo. intervenção do aparelho de Estado sobre a economia era mínima,
pois deixava toda a atividade econômica e a intermediação
As restrições ao funcionamento do sistema de economia financeira sob a responsabilidade das forças de mercado.
de mercado são:
Ele foi desenvolvido em contraposição à ao Estado de Bem
• A renda não se distribui de forma equitativa, excluindo ou Estar Social, cuja política foi proposta durante a reunião de Mont
restringindo parcelas consideráveis da população do Pelerin, após a última grande guerra, visando o retorno ao puro
benefício ou acesso ao mercado; sistema de livre iniciativa, tendo inicialmente sido implementado
durante o governo conservador da Sra. Margareth Thatcher, na
• O mercado não alcança a eficiência econômica e, Inglaterra.
consequentemente, não tem condições de atender às
exegeses sociais, isto por que: E, em segmento, propugnado pelo governo Ronald Reagan
nos EEUU (1981 a 1989) com a politica denominada de
• A concorrência, geralmente, ocorre de forma imperfeita, Reaganomics quando ocorreram medidas de desregulamentação
favorecendo a instituição de monopólios e oligopólios; da economia, redução de assistencia social e cortes de impostos
no EEUU.
• Efeitos exógenos ao mercado não são considerados;
Como política, propugna a retirada do Estado de dispor de
• Os bens e recursos de propriedade comum tendem a meios de produção ou serviços próprios. E, consequentemente, só
esgotar-se; tenha responsabilidade quanto aos investimentos sociais em:
segurança, justiça, diplomacia e saúde pública. Se bem que esta
• A publicidade é um meio de manipular os consumidores; última sob forte controle do mercado.

• As economias de mercado tendem a ser instáveis. Propostas para a implantação de uma política neoliberal com
abrangência mundial foram aprovadas na reunião de Mont Pelerin,
Suíça, 1947, contendo como principais diretrizes:

28
Introdução à Economia

 Capitalismo duro e livre de regras; 2º - Os países pobres ou em processo de desenvolvimento sofrem


com: desemprego, baixos salários, aumento das diferenças
 Elevação das taxas de juros; sociais, dependência do capital internacional.
 Redução de impostos sobre as altas rendas;
No Brasil, o neoliberalismo começou a ser seguido de uma
 Abolição dos controles sobre os fluxos financeiros forma aberta nos dois governos consecutivos do presidente
internacionais; Fernando Henrique Cardoso (1994 a 2002) e pode-se verificar:.
 Desemprego massivo, visando formar um estoque de
mão de obra disponível e barata; • O neoliberalismo foi sinônimo de privatização de várias
 Corte nos gastos sociais, direcionando os recursos empresas do Estado.
públicos ao controle dos agentes econômicos de • Foi justificado que o dinheiro obtido com as privatizações
mercado; seria utilizado para manter a cotação do Real (uma nova
moeda na altura) ao nível do dólar. Fato este duvidoso pois
 Instituição de Legislação inibidora de greves; para a compra dessas empresas houve financiamento de
 Amplo programa de privatizações. bancos estatais e, também, avaliadas abaixo do patrimônio
disponível na época.

A constatação atual é que o resultado dessa política, nas • As medidas neoliberalistas originaram falências e
sociedades onde o neoliberalismo foi introduzido, é a produção de desemprego.
um número crescente de excluídos sendo a economia expressa • Havia o argumento que as empresas estatais não eram
totalmente pelo mercado e que este é um jogo, onde poucos são produtivas e que ao privatizá-las, os seus serviços
informados e conseguem criar condições de apropriação dos melhorariam. Mas, não se falava que os orçamentos de
recursos disponíveis. investimentos de estatais produtivas eram contingenciados
desde o governo anterior.
Os críticos ao neoliberalismo consideram dois aspectos que
• No entanto, a venda dessas empresas para grupos
tem se verificado com esse processo político
econômicos ou investidores particulares, não foi traduzida
em um benefício proporcional.
1º - O neoliberalismo beneficia as grandes potências econômicas e
as empresas multinacionais.

29
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
• Algumas das empresas privatizadas eram altamente b) Decisões gerenciais ineficientes;
lucrativas e competitivas, desqualificando o argumento c) Desperdício de recursos ou utilização acima de capacidade
inicial que justificaria a sua venda. necessária;
d) Empresas não são julgadas pela otimização dos recursos
disponíveis;
1.4.3 - Sistema de Planejamento Centralizado.
e) Manutenção artificial da vida de empresas deficitárias;
Nas economias centralmente planificadas, o proprietário dos f) Estabelecimento de uma grande burocracia detentora dos
meios de produção é o Estado, sendo as decisões de produção e privilégios sociais;
consumo realizadas por agências de planejamento estatais,
controladas pelo poder central. g) Atraso no desenvolvimento da sociedade.

1.4.3.1 - Características.
1.4.4 - Sistema Misto.
O objetivo da adoção de um sistema centralizado visa
estabelecer as seguintes características: Como o próprio nome diz, este sistema visa aproveitar
características dos dois anteriores.
a) Universalização do acesso aos serviços;
b) Garantia do pleno emprego; Assim, o sistema misto, em cada sociedade pode apresentar
características peculiares e que atendam aos interesses do país
c) Redução do nível de pobreza; onde foi adotado.
d) Planejamento centralizado da produção e distribuição de
bens e serviços; Deste modo, no sistema misto algumas funções de suprimento
de bens e serviços são deixadas a cargo do estado e outras à
iniciativa particular.
1.4.3.2 - Restrições.
O Estado intervém no domínio econômico de forma a
desenvolver as indústrias locais e proteger o poder aquisitivo de
O que se verificou nos países que adotaram regime sua população, impedindo a ocorrência de grandes oscilações
centralizado foi: econômicas e a manutenção do bem estar reinante.

a) Concentração do poder econômico na mão do estado; Neste caso a iniciativa particular e o Estado podem funcionar
de forma complementar em resposta às perguntas: o que, como e
30
Introdução à Economia
para quem produzir de modo a serem respondidas de forma ética
e com visão social.

O ideal é que as atribuições do Estado e da Iniciativa Setores


Particular sejam estabelecidas a setores ou áreas cujas economia Primário Secundário Terciário
responsabilidades e interesses sejam bem definidos, atuando
cada um deles naqueles onde sejam o mais eficiente possível ou
em áreas estratégicas.

Além disso, o Estado pode ser pioneiro em áreas onde a


iniciativa particular tenha dificuldades em se estabelecer, a) Setor Primário, onde se incluem a agricultura, a pecuária, a
financiando e apoiando a instalação de novos empreendimentos extrativa, a pesca e a mineração, diz respeito àquele grupo de
até que estes consigam a autogestão. atividade que se desenvolvem mais próximas às bases dos
recursos naturais.

1.5 - Setores Econômicos. b) Setor Secundário diz respeito às atividades industriais onde
são transformados os bens, nele incluídos as indústrias e a
A economia pode ser dividida em setores, conforme o construção.
ponto de vista institucional ou da produção. c) Setor Terciário, diz respeito àquele grupo de atividades que
Considerando o ponto de vista institucional, a economia satisfazem ao setor produtivo, porém não se transformam em
pode ser dividida em setor privado e setor público. algo material, a exemplo de: serviços, comércio, transporte,
bancos, escolas, etc.

Setor Público Setor Privado 1.5.1 - O Setor Público.

Entende-se por setor público não só os órgãos de


administração direta, mas toda a estrutura paraestatal do governo
Partindo da diversidade das atividades econômicas ou da federal, estados e municípios. Analisar Figura 1.22.
produção propiciada pelos agentes econômicos, ela pode ser
subdividida em três principais setores:
31
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
No século XX, o Estado deixou de ser apenas um Enfim, por ser o setor público o maior consumidor de
garantidor das atividades econômicas e supridor dos serviços de recursos nacionais, bem como deter a capacidade de mobilizar
saúde, educação, transporte e segurança. recursos financeiros, seja através do incentivo à poupança ou na
captação de tributos, e da sua capacidade imposição das possíveis
políticas públicas, ele tem condições de estabelecer o marco
Passou a ser, também, um agente econômico, atuando jurídico - institucional dentro do qual se desenvolverá a atividade
como empresário e oferecendo bens e serviços, preenchendo econômica. E, nessa situação, passa a ser, também, o
espaços e atividades econômicas consideradas como essenciais, responsável pelo estabelecimento da política econômica.
porém sem interesse ou capacidade para demarragem pela
atividade particular. Ou, então, para garantir a abertura de espaços
econômicos a serem futuramente preenchidos pela iniciativa
privada. Resumo
Sistema Econômico Característica Básica
Economia Neste sistema a definição do que produzir e
Setor de Mercado dos preços praticados ocorre pelas forças do
Empresas  Financeiras
Público
Estatais  Não Financeiras mercado.
Produtivo
 Estados
Este sistema deixa parte das atividades
Entes  Municípios econômicas em função do mercado e parte
Territoriais  Territórios Economias efetuada planejadamente.
Setor  Distrito Federal Mistas
Público Administração É comum, neste caso, o governo implementar
 INSS certas atividades e, devidamente instaladas, as
Pública Previdência
 Outras Administrações
Social repassar à iniciativa particular.
 Estado I - Economias Autoritárias.
Administração
 Autarquias (3)
Central Direta
 Agências Reguladoras. O planejamento da produção e dos serviços
Administração  Fundações ocorre eminentemente sob a centralização do
Indireta  Institutos Planejamento estado.
Figura 1.22 – O Setor Público. Centralizado II - Socialismo de Mercado.

Neste caso o governo libera, embora sob seu


controle, parte da atividade econômica para
flutuar em função do mercado.
(3) Autarquia, entidade estatal autônoma, com patrimônio e receita próprios,
criada por lei para executar, de forma descentralizada, atividades típicas da
administração pública (p. ex.: Banco Central).
32
Introdução à Economia
Um mercado é dito em livre concorrência, também
denominada de concorrência perfeita, quando todos os agentes
1.6 - Tipos de Mercado. do mercado são pequenos em relação ao seu tamanho.

Para que um mercado esteja em concorrência perfeita e


Os tipos de mercado estão relacionados a duas principais garantam uma um mercado livre e impessoal, quatro condições
características: devem ser atendidas:

i) O número de empresas participantes como vendedoras; i) Grande número de pequenas empresas;


ii) A substitutibilidade de um dado produto, frente aos seus
concorrentes mais próximos, considerado do ponto de vista ii) O produto deve ser homogêneo, isto é, o produto de
quantitativo e qualitativo. qualquer vendedor é idêntico ao dos demais, situação que inibe
a propaganda e a diferenciação;

Segundo o número de vendedores, o mercado pode ser iii) A livre mobilidade dos recursos, ou seja, cada recurso pode
tipificado como de: Livre Concorrência ou Concorrência Perfeita; imediatamente entrar ou sair do mercado como resposta a
Monopólio; Oligopólio; Monopsônio; Oligopsônio. impulsos monetários, aí incluídos a fácil entrada ou saída de
empresas nesse mercado;

Tipificação dos iv) O perfeito conhecimento por parte dos consumidores,


Mercados produtores e proprietários dos recursos quanto ao
• Livre Concorrência ou Concorrência Perfeita; comportamento e nível de preços atualmente praticados, bem
• Monopólio; como no futuro.
• Oligopólio;
• Monopsônio; v) O interessante notar é que, na ausência do perfeito
• Oligopsônio. conhecimento do mercado por todos os agentes econômicos, a
concorrência perfeita não prevalece. Tal situação é
reconhecidamente difícil de ocorrer, inexistindo esse modelo no
mundo real. Mas, alguns mercados podem se aproximar dela, a
1.6.1 - A Livre Concorrência. exemplo da construção civil leve, da produção de

33
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
hortifrutigranjeiros e da distribuição de roupas de consumo empresas oferecendo o mesmo produto. E, não haver
popular. concorrência no sentido técnico, isto é, de forma indireta.

A concorrência indireta pode ser de dois tipos: a


concorrência potencial e a existência de bens substitutos.
1.6.2 – O Monopólio.
i) A possível concorrência potencial, isto é, a possibilidade de
Diz-se que um monopólio puro existe quando houver um e entrar outras firmas no mercado, o que faz o monopolista
apenas um vendedor atuando num mercado bem definido. moderar a política preço × quantidade de produto
oferecido.
Monopólio, em seu sentido clássico, é entendido como um
privilégio exclusivo outorgado a um único produtor de um bem ou Isto porque, o preço do monopolista é definido pelo modelo
serviço, isto é, a ausência de livre entrada em uma linha abaixo, fato que faz com que o monopolista procure reduzir seu
específica de produção. Preço Unitário visando inibir a entrada de outros atores em seu
mercado.
Uma das razões para o estabelecimento e manutenção do
monopólio é o controle do insumo ou serviço que oferece, sem o
qual não apresenta base de firme sustentação. Pmonopolista = Custo + Lucro

Os principais motivos para a existência de uma base firme


de sustentação do monopólio são: ii) A existência de possíveis bens substitutos, mesmo não
sendo perfeita, pode fazer migrar os consumidores na
i) Controle da oferta da matéria prima; utilização de um insumo para outro com característica pouco
ii) O direito de exploração de patente e o conhecimento diversa, mas que possa atender aos resultados desejados.
tecnológico;
iii) Licença governamental ou concessão de serviço público; 1.6.3 - O Oligopólio.
iv) Custo de estabelecimento de uma fábrica eficiente, face ao
tamanho do mercado. O oligopólio ou, em sua forma limite o duopólio, é uma
situação de mercado intermediária entre a livre concorrência e o
monopólio.
Para haver monopólio puro, não deve haver concorrência no
sentido popular ou de forma direta que é a existência de outras

34
Introdução à Economia
Diz-se existir oligopólio, quando mais de um vendedor Exemplo: em cidades do interior, produtoras de leite, existem
estiver no mercado, porém em número não muito grande, mas a duas ou três empresas de laticínios que adquirem a maior parte
ponto de não ser possível negligenciar a importância de cada um do leite dos inúmeros produtores rurais locais. Site: http://gestao-
deles. e-lideranca.blogspot.com.br/2010/12/estruturas-de-mercado.html

A transcendental importância para o reconhecimento de O monopsônio caracteriza uma estrutura de mercado onde
uma situação de oligopólio, cada um deles deve estar consciente ocorre um único comprador de bens e serviços e diversos
da ação dos outros rivais, e da reação dos concorrentes quanto a vendedores. Em termos de preço, o comprador dita as regras.
alterações na ação de um deles.
Normalmente é representado por empresas Estatais sejam
É uma situação em que a propaganda contribui fortemente elas municipais, estaduais e federais. Nas obras do metrô,
na composição dos custos da firma, visando manter ou aumentar contratação de equipamentos de perfuração do solo.
sua situação de parcela de mercado.

1.7 - Capitalismo.
1.6.4 - O Monopsônio & O Oligopsônio.

Diz-se haver um monopsônio, quando houver apenas um 1.7.1 – Significado.


comprador para um insumo e oligopsônio, quando houver poucos.
Capitalismo é um sistema econômico em que os meios de
Desta forma, o monopsônio pode ser definido como o produção e distribuição são de propriedade privada e com fins
monopólio no mercado de insumo. lucrativos. (4)

Tal situação, de modo análogo ao do monopólio, permite ao Decisões sobre oferta, demanda, preço, distribuição e
comprador estabelecer o preço do insumo desejado. investimentos não são feitos pelo governo e os lucros são
distribuídos para os proprietários que investem em empresas e os
Inversamente ao Oligopólio, o Oligopsônio é uma estrutura salários são pagos aos trabalhadores pelas empresas. O
de mercado em que o número de compradores é pequeno, contra capitalismo é dominante no mundo ocidental desde o final do
o número de fornecedores que é grande. feudalismo.

(4)Fonte: http://www.significados.com.br/capitalismo.
35
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
No seu início, o capitalismo foi responsável por graves
O capitalismo é o sistema socioeconômico baseado no deformações e conflitos sociais, já que a indústria, pouco
reconhecimento dos direitos individuais, em que toda propriedade é desenvolvida, não foi capaz de incorporar organicamente os
privada e o governo existe para banir a iniciação de violência assalariados, assim como também não foi capaz de minorar a sua
humana. Em uma sociedade capitalista, o governo tem três órgãos: insegurança econômica. Só mais tarde, quando houve um
a polícia, o exército e as cortes de lei. incremento na produção de bens, é que se verificou uma elevação
significativa no nível de vida dos trabalhadores.
O capitalismo tem como objetivo o aumento de rendimentos
e obtenção de lucro. Muitas críticas foram feitas em relação a este A dinâmica resultante da luta pelo aumento de salários e
sistema, pois a concentração e distribuição dos rendimentos pela participação de todos os agentes de produção no processo
capitalistas dependem muito das condições particulares de cada do próprio capitalismo é a principal característica econômica do
sociedade. século XX e originou várias posições. Entre elas está o
comunismo radical (com a nacionalização de todos os meios de
Na lógica do capitalismo está o aumento de rendimentos. produção) e a concertação social pelo acordo para a distribuição
Estes tanto podem ser concentrados como distribuídos, sem que dos rendimentos entre gestores, capitalistas, operários e serviços.
isso nada tenha a ver com a essência do sistema. Concentração e
distribuição dos rendimentos capitalistas dependem muito mais das No fim do século XVIII, vários pensadores denunciaram as
condições particulares de cada sociedade. deficiências do sistema capitalista, criticando as injustiças sociais
inerentes. As críticas surgiram juntamente com soluções
O capitalismo só pode funcionar quando há meios alternativas por parte desses reformadores sociais que se
tecnológicos e sociais para garantir o consumo e a acumulação de denominavam socialistas utópicos. Foi proposta uma ordem
capitais. Quando assim sucede, tem conservado e até aumenta a laboral e social mais justa, onde os homens poderiam desenvolver
capacidade econômica de produzir riqueza. a sua inata tendência à solidariedade e à vida associativa.

1.7.3 – Tipos de Capitalismo


1.7.2 – Fases do Capitalismo.
O capitalismo pode ser dividido em diversos tipos:
O capitalismo é caracterizado por várias fases, sendo a sua
primeira fase designada como capitalismo comercial, marcado pela • Mercantilista;
busca de riquezas por parte da burguesia e nobreza durante a • Financeiro;
expansão marítima, nos séculos XV e XVI. • Industrial;
• Informacional:
• Global.
36
Introdução à Economia
O Mercantilismo se desenvolveu na Europa na Idade Moderna,
a) O capitalismo financeiro ou capitalismo monopolista entre o século XV e o final do século XVIII, antes da era industrial.
corresponde a um tipo de economia capitalista em que o
grande comércio e a grande indústria são controlados pelo No capitalismo mercantilista, o governo concede a seus
poderio econômico dos bancos comerciais e outras instituições empresários favoritos uma ampla variedade de privilégios que
financeiras. seriam simplesmente inalcançáveis em um genuíno livre mercado,
como:
b) Capitalismo industrial Juntamente com o capitalismo financeiro,
surgiu o capitalismo industrial, que é quando as empresas • Restrições de importação;
evoluíram de manufatureiras para mecanizadas. • Subsídios diretos;
c) Outro tipo foi o capitalismo informacional, que tem a tecnologia • Tarifas protecionistas;
de informação como o paradigma das mudanças sociais que • Quitação privilegiada de tributos;
reestruturaram o modo de produção capitalista.
• Empréstimos subsidiados feitos por bancos estatais;
d) O capitalismo globalizado é um processo ou um dos • E, a instituição de agencias reguladoras criadas com o
fenômenos do capitalismo que propugna o aprofundamento da intuito de cartelizar o mercado e impedir a entrada de novos
integração econômica, social, cultural, política, impulsionado concorrentes ou de estrangeiros.
pelo barateamento dos meios de transporte e comunicação dos
países do mundo no final do século XX. A globalização é • O mercantilismo é um jogo de soma zero, onde os grandes
gerada pela necessidade da dinâmica do capitalismo de formar beneficiários são os governantes e seus privilegiados.
uma aldeia global que permita maiores mercados para os
países centrais.
1.8 – Socialismo. (5)
e) O capitalismo mercantilista é um sistema econômico no qual o
mercado é artificialmente moldado por uma relação de O socialismo consiste em uma teoria, doutrina ou prática
interesses entre o governo, as grandes empresas e os grandes social que propõe a apropriação pública dos meios de produção e
sindicatos. a supressão das diferenças entre as classes sociais.

1.7.3.1 – O Mercantilismo

(5) Fonte: http://www.significados.com.br/socialismo.


37
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Este sistema sugere uma reforma gradual da sociedade
capitalista, distinguindo-se do comunismo, que era mais radical e
defendia o fim do sistema capitalista e queda da burguesia através
de uma revolução armada.

O socialismo científico, também conhecido como marxismo,


tinha como um dos seus objetivos a compreensão das origens do
capitalismo, e anunciava o fim desse sistema. A luta proletária
encorajada pelo socialismo científico foi revestida do mesmo
caráter internacional do capitalismo e necessitava de uma
organização partidária, centralizadora e coesa.

No final do século XIX, todos os partidos socialistas tinham


como objetivo a luta por uma sociedade sem classes e
acreditavam na substituição do capitalismo pelo socialismo. No
entanto, surgiram duas tendências entre os partidos: uma
revolucionária, que defendia o princípio da luta de classes e a
ação revolucionária, sem aceitar a colaboração com governos
burgueses; e a reformista, que aceitava integrar coligações
governamentais (socialdemocracia).

De acordo com a teoria marxista-leninista, a construção do


socialismo corresponde ao período transitório que vem depois da
queda do capitalismo e que precede o estabelecimento do
comunismo.

38
Introdução à Economia
O que existe é um capitalismo mercantilista, um capitalismo de
compadrio, um capitalismo regulado em prol dos regulados e dos
reguladores, e contra os consumidores.
Os reais beneficiados por um
O que seria esse capitalismo mercantilista? Trata-se de um
capitalismo regulado. sistema econômico no qual o mercado é artificialmente moldado
por uma relação de conluio entre o governo, as grandes empresas
Hans F. Sennholz , Mark Borkowski e Leandro Roque e os grandes sindicatos. Neste arranjo, o governo concede a seus
http://www.mises.org.br. Acesso: 5 de junho de 2014.
empresários favoritos uma ampla variedade de privilégios que
seriam simplesmente inalcançáveis em um genuíno livre mercado,
A palavra "capitalismo" é utilizada de duas maneiras como restrições de importação, subsídios diretos, tarifas
contraditórias. Em algumas ocasiões, ela é utilizada com o intuito protecionistas, empréstimos subsidiados feitos por bancos
de denotar um mercado livre e desimpedido, ou laissez-faire. Em estatais, e agências reguladoras criadas com o intuito de
outras ocasiões, ela é utilizada para denotar exatamente o cartelizar o mercado e impedir a entrada de concorrentes
arranjo atual em que vive o mundo, uma economia mista em que estrangeiros. Em troca, as empresas beneficiadas lotam os cofres
o governo intervém para privilegiar grandes empresas, criando de políticos e reguladores com amplas doações de campanha e
monopólios e oligopólios. propinas.

Logicamente, "capitalismo" não pode ser ambas as coisas. Ou os O capitalismo mercantilista é tão antigo, que Adam Smith já o
mercados são totalmente livres, ou o governo os controla. Não é criticava — e combatia — no século XVIII. Atualmente, não é
possível ter os dois arranjos ao mesmo tempo. necessário procurar muito para se encontrar exemplos deste tipo
de capitalismo. Basta olhar para o seu próprio país. Todos os
Mas a verdade é que não há um mercado genuinamente livre em cartéis, oligopólios e monopólios que você conhece estão em
nenhum país do mundo. As regulamentações governamentais, as setores altamente regulados pelo governo, como o setor bancário,
tarifas, os subsídios, os decretos e as intromissões são o setor aéreo, o setor de transportes terrestres, o setor de
generalizados, variando apenas o grau de intensidade com que transportes aquaviários, o setor de telecomunicações, o setor
ocorrem em cada país. Sendo assim, o termo "capitalismo" elétrico, o setor energético (petróleo, postos de gasolina), o setor
denotando mercados livres não pode ser aplicado nos dias de minerador, o setor farmacêutico etc.
hoje.

39
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Quem cria cartéis, oligopólios e monopólios é e sempre foi o estipulam preços e especificam os serviços que as empresas
estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras reguladas devem ofertar. Por outro, elas protegem as empresas
à entrada da concorrência no mercado (agências reguladoras), reguladas ao restringir a entrada de novas empresas neste
seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas mercado. No final, agências reguladoras nada mais são do que um
surjam e cresçam, seja por meio da burocracia que desestimula aparato burocrático que tem a missão de cartelizar os setores
todo o processo de formalização de empresas, seja por meio da regulados — formados pelas empresas favoritas do governo —,
imposição de altas tarifas de importação que encarecem determinando quem pode e quem não pode entrar no mercado, e
artificialmente a aquisição de produtos importados (pense nas especificando quais serviços as empresas escolhidas podem ou não
fabricantes de automóveis). ofertar, impedindo desta maneira que haja qualquer "perigo" de
livre concorrência.
Um capitalismo de livre mercado é um sistema em que os lucros e
os prejuízos são privados. Já um capitalismo mercantilista é um Em seu cerne, a regulação é ante-livre iniciativa, anti-livre
arranjo em que os lucros são privados, mas os prejuízos são mercado e anti-concorrência. A regulação não se baseia nas
socializados. Quando são bem-sucedidas, as empresas mantêm preferências dos consumidores e nem nos valores subjetivos dos
seus lucros; quando sofrem prejuízos, recorrem ao governo em consumidores em relação aos bens e serviços ofertados. Ao
busca ou de pacotes de ajuda ou de novas medidas que restrinjam contrário, ela faz com que as empresas ajam como se fossem
a concorrência. No extremo, pedem ao governo para jogar a ofertantes monopolistas, de modo que os preços passam a ser
fatura do prejuízo sobre os pagadores de impostos. determinados pelos custos de produção das empresas e não pela
preferência dos consumidores.
O papel das regulamentações em um capitalismo mercantilista
não é corretamente entendido pelos intervencionistas. Eles Mas isso é apenas o primeiro passo: uma empresa regulada pode
genuinamente acreditam que as regulamentações são uma forma encontrar várias maneiras de fazer as regulações funcionarem em
de o governo subjugar e domar as grandes corporações. Só que, proveito próprio e contra os interesses dos consumidores.
historicamente, as regulamentações sempre foram uma maneira
tida como lícita de determinadas empresas (geralmente as Por exemplo, não é incomum que grandes empresas façam lobby
grandes e bem-conectadas politicamente) ganharem vantagens à para criar regulamentações complicadas e onerosas sobre seu
custa de outras, geralmente menos influentes. próprio setor. Por que elas fazem isso? Para dificultar uma
potencial concorrência de empresas novas, pequenas e com pouco
Por exemplo, em teoria, agências reguladoras existem para capital. Empresas grandes e já estabelecidas têm mais
proteger o consumidor. Na prática, elas protegem as empresas capacidade e mais recursos para atender regulações minuciosas e
dos consumidores. Por um lado, as agências reguladoras onerosas. Empresas pequenas, que querem entrar naquele
40
Introdução à Economia
mercado, mas que ainda não possuem muitos recursos financeiros, Este arranjo de economia mista é também, como já explicado,
não tem essa capacidade. Empresas grandes podem contratar ótimo para os governos. Políticos e burocratas adquirem poderes
lobistas (ou podem simplesmente subornar políticos) para elaborar sobre as empresas e, com tais poderes, garantem que seus cofres
padrões de regulação que elas já atendem ou que podem estejam sempre cheios. Políticos ganham generosas doações de
facilmente atender, mas que são impossíveis de serem atendidos campanha e reguladores ganham fartas propinas. Ambas essas
por empresas pequenas e recém-criadas. contribuições são feitas pelas grandes empresas e pelos grandes
sindicatos em troca da promessa de novas regulamentações que
O livro "The Big Ripoff: How Big Business and Big Government irão lhes favorecer e afetar a concorrência.
Steal Your Money", de Timothy Carney, explica em detalhes como
a própria Phillip Morris estimulou a "guerra contra o tabaco" para Trata-se de uma mistura de socialismo em um arranjo
se beneficiar, como a própria General Motors agitou pela basicamente capitalista, uma mistura suficiente para manter
aprovação de rígidas legislações ambientalistas nos EUA (cujas fluidas as receitas do governo e garantir a continuidade dos
restrições mais rígidas afetariam a concorrência), e como a assistencialismos sociais e corporativos. A porção capitalista
poderosa megacorporação Archer Daniels Midland se beneficia dos dessa economia mista possibilita um confortável estilo de vida
subsídios para o etanol (algo adorado pelos ambientalistas). para políticos e para milhões de funcionários públicos.

O apoio das grandes empresas às regulamentações criadas pelos Defensores das regulações não percebem que elas são
governos não apenas não é algo raro, como, na realidade, sempre essencialmente uma forma de controle estatal. É por isso que
foi a norma. todos os partidos políticos atuais endossam agências reguladoras e
todo o seu aparato burocrático. Afinal, qual político não gostaria
Caso ainda não esteja convencido, apenas faça a si mesmo a de comandar amplos setores da economia?
seguinte pergunta: Qual destas tem uma maior probabilidade de
ser afetada por vigorosas regulamentações: grandes corporações Em vez de proteger os inocentes e incautos, regulações estimulam
com boas conexões políticas e com enormes departamentos os escroques e incentivam as grandes empresas a manipular o
jurídicos e contábeis, ou micro e pequenas empresas ainda sistema com o intuito de aumentar sua própria fatia de mercado e
incipientes e em processo de formalização? seus lucros. Como sempre ocorre com todas as interferências
governamentais nas questões econômicas e sociais, a regulação
Regulamentações aniquilam a concorrência — e as empresas já gera o efeito exatamente oposto do seu proclamado objetivo. E o
estabelecidas adoram que seja assim. pior: em um esforço para se tentar corrigir as inevitáveis

41
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
consequências desastrosas das regulações, mais e mais regulações
vão sendo criadas, levando a um controle estatal da economia
cada vez mais paralisante.

Já passou da hora de a população entender a diferença entre livre


mercado, que se baseia na liberdade e na concorrência, e
capitalismo mercantilista, que se baseia em privilégios concedidos
pelo estado.

A conclusão é que os socialistas se reinventaram, trocaram seu


rótulo para socialdemocratas, deixaram de lado sua ânsia de
estatizar diretamente os meios de produção e optaram por um
mais suave modelo fascista, no qual estado e grandes empresas
atuam em conluio para se beneficiar mutuamente e prejudicar o
cidadão, que tem de aceitar serviços ruins e caros, pois não há
mais livre mercado. Exatamente o intuito original dos socialistas.

42
Introdução à Economia

Parte 2 - Micro Economia.

43
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Esses limites são estudados no campo do saber denominado
de Teoria da Firma, área do conhecimento que integra o campo

2 – Micro Economia.
de estudo da microeconomia, conhecimento imprescindível para o
gestor que se preocupa em estudar e conhecer o comportamento
de sua empresa. A Teoria da Firma se subdivide em três áreas:
Teoria da Produção; Teoria dos Custos; Teoria dos Rendimentos,
2.1 – Teoria da Firma. conforme Figura 2.1.

2.1.1 – Objetivo. 2.1.2 – Teoria da Produção.

O objetivo deste capítulo é estudar o comportamento de


custos e despesas, contabilmente denominados de gastos ou 2.1.2.1 – Conceituação.
custos operacionais, necessários a determinar a quantidade de
produção que permita produzir a menores custos e, em Conhecer a Teoria da Produção é importante devido aos
decorrência, resulte em maior lucro para a empresa. seguintes fatos:

O objetivo será estudar os limites da firma visando à a) Seus princípios gerais proporcionam as bases para a
maximização dos lucros e, em contraposição, a minimização dos análise dos custos e da oferta dos bens produzidos;
custos.
b) Seus princípios, também, se constituem peças
fundamentais para a análise dos preços e do emprego
Teoria da Produção dos fatores de produção, bem como da alocação desses
fatores entre os diversos usos alternativos na economia.
GUERREIRO, 2009.
Teoria da Firma Teoria dos Custos
O estudo da produção pode ser efetuado ao se dispor de uma
Função de Produção, expressão que exprime qual a quantidade a
Teoria da Renda
ser produzida de um dado produto a partir da quantidade utilizada
dos fatores de produção.
Figura 2.1 – Teoria da Firma. Uma função de produção pode ser expressa pelo modelo
abaixo em que xi corresponde à quantidade utilizada de um fator

44
Introdução à Economia
de produção i, seja fixo ou variável, e q, a quantidade a ser
produzida. O processo de produção contínua ocorre em linha de
produção, realizada por produto único ou família de produtos, em
q = f (x1, x2,..., xn), que os bens produzidos, via de regra, os permitem ser mantidos
em estoque. Como exemplo tem-se as produções de: têxteis, aço,
E, define-se fator de produção como sendo o conjunto de produtos de limpeza, fios e cabos, produtos alimentícios,
insumos, capital e trabalho demandados no esforço de produção automóveis, etc.
de dado produto.
O processo de produção por encomenda visa atender a uma
Os fatores de produção podem ser classificados como sendo demanda especial do cliente e é produzido para um fim
fixos ou variáveis. específico. Como exemplo tem-se: geradores de hidrelétricas,
transformadores de grande porte, pontes de rodovias,
Um fator de produção é dito fixo quando acarreta dispêndio edificações, pontes rolantes, projetos de engenharia em geral,
independentemente da quantidade de produção a ser realizada. etc.

Como exemplo tem-se: salário dos diretores e da É interessante notar que cada indústria ou empresa
administração da empresa; remuneração de escritório de apresenta características próprias no seu sistema de produção e
contabilidade; custos realizados com veículos alocados à gestão e que custos classificados numa empresa como fixos,
administração; aluguel do espaço utilizado, etc. noutra podem ser classificados como variáveis.

Um fator de produção é definido como variável quando sua Cabe ao gestor os saber diferenciar e os classificar
demanda é função do volume de produção a ser realizado. adequadamente, segundo melhor atender o processo de controle
da empresa, visando permitir uma boa análise do seu
Como exemplo cita-se: mão de obra empregada no processo comportamento em cada etapa da produção e na formação do
de produção; energia elétrica, matéria-prima, etc. custo total praticado.

2.1.2.2 – Processo de Produção. 2.1.2.3 – O curto e o longo prazo.

O processo de produção é realizado sob dois sistemas: o O estudo dos fatores de produção, seja ele fixo ou variável,
de produção contínua e o da produção por encomenda. pode ser realizado no curto e no longo prazo.

45
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

É fácil notar que qualquer fator de produção com preço fixo O estudo será desenvolvido no curto prazo, isto é, enquanto
no curto prazo, no longo prazo, também varia. não ocorrer alteração na escala da planta. Neste caso, a menos
da mão de obra não especializada, os demais fatores de
Como exemplo da assertiva acima, seja o aluguel do produção serão considerados como fixos.
espaço utilizado. Ele pode ser constante por alguns meses, e sua
variação anual pode até ser desconsiderada. Entretanto, não é
correto considerar que esse fator seja fixo em um prazo 2.1.3 – Teoria Dos Custos.
suficientemente longo, como de dez anos. Portanto, a definição
de fatores fixos e variáveis está ligada ao conceito de curto e A metodologia para o estudo da produção considera,
longo prazo. (GUERREIRO, 2009). basicamente, três grupos de custos: Custos Unitários; Custos
Totais e Custos Marginais.
O curto prazo é definido como o espaço de tempo em que
pelo menos um fator envolvido no processo de produção é fixo.
Fixos
O longo prazo corresponde à situação ou período onde
Custos Unitários
todos os fatores de produção são variáveis.
Variáveis

Observa-se que curto e longo prazo são situações sem


uma relação definida com o tempo, mas com a oscilação dos Fixos
Tipos de
custos e das tecnologias vinculados à elaboração de um produto. Custos
Custos Totais
Variáveis
Logo, cabe acompanhamento constante quanto à
oscilação dos fatores de produção visando uma adequada fixação
Custos Marginais
dos preços com o objetivo da realização do lucro ou de manter a
margem de lucro pré-definida.
Figura 2.2 – Tipos de Custos.
Trabalho
Insumo Produção Capital
Mão de obra
Curtíssimo Prazo Fixo Fixo Fixo 2.1.3.1 - Custos Totais
Curto Prazo Variável Variável Fixo
Longo Prazo Variável Variável Variável Os custos totais são constituídos pelos seguintes custos:

46
Introdução à Economia
E CFT = Custo Fixo Total
E CVT = Custo Variável Total Custos
E CTC = Custo Total de Curto Prazo R$
CTC
O custo fixo total, CFT, corresponde aos custos incorridos
com despesas de vendas e administrativas da empresa. Logo,
cada produto deve suportar parte deste custo, situação efetuada CVT
por algum tipo de rateio.
CFT
O custo variável total, CVT, corresponde aos custos
incorridos com a produção de bens ou serviços e varia segundo o
volume da produção.
Quantidade
A função dos Custos Totais no curto prazo, éCTC,
composta do somatório das funções dos Custos Fixos Totais, Figura 2.3 – Curva dos Custos Totais
CFT, e dos Custos Variáveis Totais, CVT.

2.1.3.2 - Custos Unitários.


ƒCTC (q) = CFT + ƒCVT,(q)
A partir da função de custo total, costuma-se definir as
seguintes categorias de custos unitários, os quais são utilizados
O comportamento típico das curvas de custo é
para calcular os preços dos produtos, do ponto de vista das
apresentado na Figura 2.3 – Curvas de Custos Totais. De sua
empresas e, as quantidades ótimas de produção.
analise verifica-se que:
E CFM = Custo Fixo Médio
a. Sendo a curva do custo total obtida a partir da soma das
E CVM = Custo Variável Médio
curvas do custo fixo e do custo variável;
E CMC = Custo Médio de Curto Prazo
E CMgC = Custo Marginal de Curto Prazo.
b. Sendo a curva representativa dos custos fixos constante, ou
seja, uma reta, a curva representativa do Custo total - CTC é
paralela à dos Custos Variáveis - CVT.

47
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Entende-se por Custo Marginal o custo a ser incorrido para que
haja o acréscimo de produção de mais uma unidade de produto.
a) - Custo Fixo Médio
Por definição o Custo Marginal corresponde à razão entre o
O Custo Fixo médio é definido como a razão entre a função acréscimo do Custo Total, associado à um dado nível de
de Custo Fixo Total e a quantidade produzida. produção e o acréscimo da Quantidade a ser produzida.
Matematicamente, calculado segundo as expressões abaixo
CFT em que a primeira expressão permite o calculo do custo marginal
CFm =
q quando se dispõe de dados discretos. E, a segunda, quando se
dispõe de funções de produção.
b) - Custo Variável Médio.
ΔCT ∂CT
O Custo Variável médio é definido como a razão entre a função CMg = ou CMg =
de Custo Variável Total e a quantidade produzida. Δq ∂q

CVT Discutindo a obtenção do custo marginal, sabe-se que:


CVm =
q
CT(q) CF + CV
CM(q) = = = CFm + CVm
c) – O Custo Médio de Curto Prazo. q q

O Custo Médio de Curto Prazo ou Custo Total Médio de ∆CT ∆CVT


Curto Prazo – CmC – representa o custo por unidade de produção CMg = =
∆q ∆q
e é calculado dividindo-se o custo total, CT, pela quantidade total,
Q, produzida.
Da expressão acima, quando se tem um incremento de produção
igual a uma unidade, ∆q = 1, tem-se que:
CT C
Cm = c
= CFM + CVM
q CMg = ∆CT = ∆CVT

d) – Custo Marginal. Levando ao limite a expressão acima e fazendo ∆q → 0,

48
Introdução à Economia
∆CT dCT dCVT
CMg = lim = =
q → 0 ∆q dq dq

Pelo exposto, a expressão do Custo Marginal é obtida


efetuando a derivada primeira do Custo Total ou do Custo R$/q
Variável Total, em relação à quantidade, o que o caracteriza
como a função de variação da função de produção.
CMg
Cm=CTm

2.1.4 – Análise Gráfica.

A Figura 2.4 mostra as curvas típicas dos custos unitários, CVm


ao se estabelecer as quantidades produzidas nos eixos das
abscissas e os preços unitários em ordenadas.

Neste desenho, as curvas de Custo Médio Total de Curto


Prazo e Custo Variável Médio Total são paralelas, pois a primeira CFm
é função da segunda acrescida da curva dos Custos Fixos Totais.

A Curva dos Custos Marginais Unitários intercepta as q


Curvas Custo Médio Total de Curto Prazo e a curva de Custo 1 5 10 15 20
Variável Médio Total nos seus pontos de mínimo.
Figura 2.4 – Curvas Típicas de Custos Unitários
E, a curva representativa dos Custos Fixos Médios, se
apresenta de forma decrescente, ao se aumentar a quantidade
produzida.

49
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
𝐶𝐶𝐶𝐶(𝑞𝑞) = 𝑘𝑘𝑛𝑛 ∙ 𝑞𝑞 𝑛𝑛 + 𝑘𝑘𝑛𝑛−1 ∙ 𝑞𝑞 𝑛𝑛−1 + ⋯ + 𝑘𝑘2 ∙ 𝑞𝑞 2 + 𝑘𝑘1 ∙ 𝑞𝑞1 + 𝐾𝐾

2.1.5 – Otimização da Produção - Minimização de Custos. O objetivo, então, é minimizar a função do Custo Total,
CT(q).
Sob concorrência perfeita, os produtores procuram adotar Custo Unitário
uma capacidade ótima de produção equivalente ao Custo Total R$/un
mínimo. E, em decorrência, minimizar o Custo Total.
CMg Cm
Isto porque, produzindo abaixo da capacidade ótima, não
conseguem otimizar o lucro e, produzindo acima desta
capacidade ótima, ocorre um processo de deseconomia de
escala, devido ao fato do comportamento do Custo Médio passar Custo Médio
a ser crescente. Mínimo

O processo de otimização da produção pode ser efetuado de


dois modos: Quantidade
Q*
• Dispondo de uma função de produção, o que permite utilizar
funções matemáticas para a definição da quantidade ótima Figura 2.5 – Comportamento do Custo Marginal e Custo Médio
de produção. Função cuja definição será analisada no item
2.2 – Ajuste de Curvas Polinomiais; Da teoria dos máximos e mínimos sabe-se que o ponto ou
• Ou, dispondo de informações dos custos referentes a quantidade ótima, Q*, correspondente ao mínimo Custo Total é
quantidades específicas de produção. Este fato é comum aquele em que a derivada de primeiro grau desta função seja
em empresas em que o volume de produção é definido em igual a zero a derivada de segundo grau da função (CT(q) seja
lotes. maior que zero, isto é, a função ser crescente.
2.1.5.1 – Minimização da Função de Produção. Então, matematicamente:

Ao se dispor de uma função de Custo Total, a mesma Minimizar: ƒCT(q) → q* (mínimo)


corresponde à uma função polinomial tendo como variável
independente a quantidade. Função sob o seguinte modelo: Minimizando d’ ƒ CT(q ) = 0 = CMg , com
d” ƒ CT(q ) > 0

50
Introdução à Economia
Considerando que a 1ª derivada da função Custo Total
corresponde ao Custo Marginal, a quantidade que minimiza os C T = 0,8 q² + 3q + 144
Custos de Produção é a que corresponde ao ponto de interseção Cm = 0,8 q + 3 + 144 q-1
da curva do Custo Total Médio - Cm com a curva dos Custos CMg = 1,6 q + 3
Marginais, conforme apresentado na Figura 2.5.

E, como a derivada segunda da função d”ƒ( CT ) > 0, para b) Obtenção da Quantidade de Menor Custo ou Ótima:
que a condição acima se verifique, a função Custo Marginal deve
ser crescente. Condição: CMg = Cm ∴ 0,8 q + 3 + 144 q-1 = 1,6 q + 3 ∴
q = 13,42 un
Deste modo, a quantidade que minimiza os custos de
produção é obtida igualando as equações de: c) Elaborando os Cálculos:

CMg = Cm q CT Cm CMg
1,00 147,80 147,80 4,60
Ou seja, no ponto de intersecção da curva dos custos 3,00 160,20 53,40 7,80
marginais com a curva representativa do custo médio de 5,00 179,00 35,80 11,00
produção. 7,00 204,20 29,17 14,20
9,00 235,80 26,20 17,40
13,00 318,20 24,48   23,80
13,42 328,34 24,47 24,47
2.1.5.2 – Aplicação à Função Contínua de Custos. 15,00 369,00 24,60   27,00

Como exemplo de aplicação, solicita-se definir a


quantidade que minimiza os custos de produção quando se 2.1.6 – Abordagem Discreta.
dispõe das seguintes funções:
É possível definir a quantidade ótima de produção, mesmo
CFT = 144 R$ & CVT = 0,8 q² + 3q não dispondo de uma função de produção. Porém, dispondo dos
custos relativos a diversas quantidades inteiras de produção. Do
ponto de operacional, este procedimento é o mais expedito.
a) Obtenção das funções de Custo:

51
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

CTt -CTt-1
CMgt =
qt -qt-1

Exemplificando: Partindo do quadro de custos a seguir,


seja definir a quantidade ótima de produção.

q CFT CVT CT CFm CVm Cm CMg


0 100 0 100 - - - -
1 100 40 140 100 40 140 40
2 100 70 170 50 35 85 30
3 100 90 190 33 30 63 20
4 100 140 240 25 35 60 50
5 100 200 300 10 40 60 60
6 100 300 400 16 50 66 100

Primeiramente, calcula-se o custo marginal para cada nível


de produção. Para um nível de produção de duas unidades ele é
dado por:

CT2 - CT1 170-140


CMg(2)= = =30 R$/un
q2 - q1 2-1
Para tanto, há que se conhecer os custos fixos totais da
empresa, CFT, sendo este, via de regra, um valor rateado e Da mesma forma que no processo contínuo, no ponto em
baseado nas despesas administrativas e de vendas apurados que o Custo Médio - Cm igualar o Custo Marginal - CMg e este se
pela contabilidade. Custos esses invariáveis no curto prazo. comportar de forma crescente ficará estabelecida a quantidade
ótima de produção. Então:
E, os custos variáveis totais, CVT, definidos pela área de
produção para cada nível de produção ou lote de produção. Qótima  CM = CMg ↑
Ao utilizar os custos médios e o conceito de custo marginal, Da tabela acima, a produção ótima ocorre quando a
pode-se definir a quantidade ótima de produção ao efetuar o produção for igual a cinco (5) unidades, pois nesta quantidade o
procedimento abaixo sabendo que, por definição:
52
Introdução à Economia
custo marginal iguala o custo médio e se apresenta de forma  Determinar e traçar as curvas dos custos: total médio, total
crescente. variável e marginal;
 Os custos inerentes à produção de 30 unidades.
A Figura a seguir mostra a evolução das curvas de custo
médio e custo marginal em que, a intersecção dessas curvas ƒ(CT) = 143 x² - 19 x + 4.900
ocorre para uma produção de cinco (5) unidades.
Primeiro, determina-se as funções dos custos fixos e variáveis
totais:
CVT = 143 x² - 19 x
CFT = 4.900

Partindo das funções acima, obtêm-se as funções dos custos


unitários e, substituindo-se o valor dado, chega-se ao custo da
produção.

CVm = 143 x – 19 ∴ CVm =


CFm = 4.900 x –1 ∴ CFm =
Cm = 143 x - 19 + 4.900 x -1 ∴ CM =
CMg = 286 x – 19 ∴ CMg =

2.1.7 – Exercícios.
2.1.7.2 - Uma empresa produtora de artefatos de cimento
apresenta a seguinte função de custo, ƒ(CT) = 333q³ + 98q² - 45q
+ 8.954, em que “q” representa a quantidade do produto.
2.1.7.1 - Uma empresa apresenta a seguinte função de custo
total, em que “x” representa a quantidade do produto:
Pede-se:
ƒ(CT) = 143 x² - 19 x + 4.900  Determinar e traçar as curvas dos custos: total médio, total
variável e marginal;
Pede-se:  Os custos inerentes à produção de 50 unidades.

53
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
 A quantidade ótima de produção e o Ponto de Equilíbrio.

2.1.8 – Teoria da Renda.


2.1.7.3 – Calcular os custos de produção de uma empresa que
fabrica um produto “P”, sabendo-se que o custo fixo mensal Como já visto, a empresa pode otimizar a sua produção
equivale a $100,00. A partir desses custos, indicar qual deverá através da análise de minimização dos custos a um dado nível de
ser a produção ótima. produção. Mas, também, através da maximização de seus lucros.

É interessante notar que, ao minimizar custos de produção,


Q 0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 automaticamente estar-se-á maximizando os lucros.
CVT 0 10 18 24 28 30 33 38 52 71 100
CFT 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 A Teoria da Renda abrange conceitos como o da receita
CT 100 110 118 124 128 130 133 138 152 171 200 total, da receita média, da receita marginal e do lucro.
CFm - (GUERREIRO, 2009).
CVm -
Cm - 110 59,0 41,3 32,0 26,0 22,2 19,7 19,0 19,0 20,0 Definindo os conceitos expressos no parágrafo anterior e
CMg 10 8 6 4 2 3 5 14 19 29 adotando como nomenclatura:
q* = q pois Cm = CMg
• LT, para o lucro da empresa;
120 • R, representando o faturamento, isto é, a receita proveniente
de operações motivo da razão social da empresa;
100 • CT o custo de produção total no curto prazo;
80 • p, o preço unitário de vendas;
• v, o custo unitário médio total de vendas;
60
• q, a quantidade vendida;
40 • e, CF os custos fixos ou administrativos.
20

0 a) Receita total
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
A receita total de uma empresa, RT, corresponde ao
Custo Médio Custo Marginal produto entre a quantidade produzida, q, e o seu preço de venda,
p.
54
Introdução à Economia

RT(q) = p × q d) O Lucro

b) Receita média O lucro de uma empresa é definido pela diferença, a


maior, entre as receitas e as despesas auferidas. Logo, o lucro
Por definição, a receita média, RMe, é obtida através do total, LT, é expresso matematicamente por:
quociente entre a receita total e a quantidade produzida.
LT(q) = RT(q) − CT(q)
RT(q) p × q
RMe = = =p Sendo:
q q

Da expressão acima se conclui que a receita média RT(q) = pu × q e, RT(q) = CM × q = q ( CVm + CFm)
corresponde ao preço unitário de venda do produto.
Ao serem levadas as duas expressões acima à expressão
c) Receita marginal do lucro total obtém-se a expressão deste em função do preço
unitário, da quantidade a ser produzida e dos custos totais fixos e
A receita marginal mede o ganho na receita da empresa variáveis:
obtido pela produção de uma unidade a mais do bem/serviço a LT = (pu × q) - q ( CVm + CFm) ∴
ser produzido. Matematicamente:
LT = q (pu - CVm - CFm)
∆RT( q ) dRT( q )
RMg = ⇒ RMg = = preço
∆q d( q ) Em decorrência, a expressão do lucro unitário, ou seja, o
lucro por unidade de produto é obtido ao se dividir a expressão
Ao ser analisada a expressão acima e considerando as acima por “q”. Então:
variáveis que compões a receita total, verifica-se para os dois
lados da igualdade, que:
LU = { pu - CVm - CFm }
RMg = preço.

55
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Custo Unitário
Ponto Equilíbrio
R$/un
Superior
2.1.9 – Ponto de Equilíbrio. Custo Total

Receita Total
2.1.9.1 - Definições. Ponto Equilíbrio
Inferior

Conceitualmente, dado certo nível de preço praticado, o


Ponto de Equilíbrio é definido pela quantidade produzida em que
a empresa não apresenta lucro ou prejuízo.

Matematicamente, o Ponto de Equilíbrio é obtido igualando


Quantidade
as funções que representam o Custo Total com a de Receitas
Totais (ou faturamento). QEI QES

Figura 2.6 – Pontos de Equilíbrio: Inferior e Superior


𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃𝑃 𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸𝐸í𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏𝑏  𝑓𝑓𝑓𝑓𝑓𝑓(𝑞𝑞) = 𝑓𝑓𝑓𝑓𝑓𝑓(𝑞𝑞)
O ponto de equilíbrio, então, possibilita estabelecer a
Graficamente, o Ponto de Equilíbrio é definido pela quantidade de produção em que a receita é suficiente para cobrir
intercessão da curva da receita com a curva do custo total. todos os custos incorridos. Matematicamente, a soma dos custos
Conhecer a técnica de definição do Ponto de Equilíbrio fixos e dos custos variáveis e, em consequência, o lucro é nulo.
contribui para amparar o processo de decisão da empresa, pois
permite estabelecer a quantidade a ser produzida e vendida, o Para definir a quantidade de equilíbrio, parte-se da
custo a ser incorrido, o preço a ser praticado, etc. expressão:

Como se pode depreender da Figura 2.6, é possível existir LUCRO = VENDAS – ( CUSTOS FIXOS + CUSTOS VARIÁVEIS)
dois pontos de equilíbrio, um inferior e outro superior, que
definem as quantidades de produção entre as quais ocorre a Sendo por definição, no ponto de equilíbrio, o Lucro igual a
existência de lucro. Assim sendo, abaixo de quantidade QEI a zero, então:
empresa tem prejuízo, já que a curva do custo total é superior à
da receita. E, acima da quantidade QES ocorre idêntico fato.
VENDAS = CUSTOS FIXOS + CUSTOS VARIÁVEIS

56
Introdução à Economia
vendas do produto e sendo a quantidade de equilíbrio QEI, tem-
se:
2.1.9.2 - Ponto de Equilíbrio Inferior. Vendas = CF + CV Logo: p × QEI = CF + CV

A quantidade de equilíbrio inferior pode ser rapidamente Considerando como “v” o Custo Variável unitário então:
determinada partindo da expressão do ponto de equilíbrio. Ver
Figura 2.7 que mostra ser o ponto de equilíbrio inferior ocorrer na CV= v  QEI
intersecção da Curva das Receitas Totais ou Vendas com a
Curva do Custo Total. Ao se substituir esta variável na expressão acima, obtém-
se uma expressão expedita para a definição da quantidade de
Sendo: VENDAS = CUSTOS FIXOS + CUSTOS VARIÁVEIS equilíbrio:

R$ CF
Receitas Totais QEI =
Ponto de -Faturamento- p-v
Equilíbrio Inferior
Custo Total

2.1.10 – Maximização do Lucro no Curto Prazo.


RT = CT

Custo Fixo
Sob concorrência perfeita, como já citado, a empresa não
tem condições de exercer influência sobre seus preços de venda,
já que estes são definidos pelo mercado e constituem dados para
Quantidade de o empresário.
Produção
QEI
Disto resulta que a receita de venda é função direta do
Figura 2.7 – Ponto de Equilíbrio Inferior acréscimo de produção.

Substituindo no lado esquerdo da expressão acima, pelas Então, da mesma forma que os custos, as receitas da empresa
variáveis que a compõem, em que “p” representa o preço de são função da quantidade produzida, “q”.

57
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Utilizando como nomenclatura: L, para o lucro da empresa; Considerando que a derivada primeira da ƒ(CVT) é o Custo
R como sendo o faturamento, isto é, a receita proveniente das Marginal, o empresário que deseje obter o máximo de lucro deve
operações inerentes à razão social da empresa; e CT o custo de produzir uma quantidade do bem “q” tal que seu custo marginal
produção total no curto prazo; p, o preço unitário de vendas; v, o correspondente seja igual ao preço de vendas praticado pelo
custo unitário médio total de vendas; q, a quantidade vendida. mercado, “pM”.
dCVT (q)
Então: L(q) = RT(q) - CT(q) pM =CMg =
d(q)
Considerando que a política mais adotada pelas empresas é Além disso, como segunda condição para a definição do
a de maximização dos lucros, o modelo simplificado pode ser ponto de lucro máximo, tem-se que a derivada segunda da função
expresso sob a seguinte expressão: Lucro seja negativa:

Maximizar: ƒ L(q) = ƒ { RT(q) – CT(q) } d 2 CVT (q)


d 2L(q)
=− <0
Para maximizar a função acima, a condição de primeira dq dq
ordem para que o lucro seja máximo, é que a derivada primeira
da ƒ L(q) em relação à “q”, seja nula: L’(q) = 0. Logo: d 2 CT(q)
d CVT (q) = d CT(q) =
2 2
<0
dq
dL (q) dR(q) dCVT(q)
= − =0
dq dq dq Tal expressão significa que a função custo marginal
correspondente a um volume de produção que propicie obter um
ou, RMg = CMg lucro máximo, deve ser crescente.

Substituindo na parte da expressão da Receita, equação Finalizando, para definir uma quantidade de produção em
acima, pelas suas variáveis componentes; derivando apenas essa que o Lucro seja Máximo, deve-se observar a seguinte igualdade:
componente da expressão e considerando que o preço, p, é uma
constante, tem-se: RMg = CMg = preço de mercado
d(p∙q) dCVT (q) d(q) dCVT (q)
- =0 ∴ p =
d(q) d(q) d(q) d(q) Ressalta-se que, em regime de concorrência perfeita e
independente do tipo de mercado onde atue uma empresa, a

58
Introdução à Economia
maximização do lucro ocorrerá quando a Receita Marginal igualar
o Custo Marginal de produção e o Preço praticado pelo mercado.
2.1.11 - Otimização da Produção – Produção Ótima.

Anteriormente foram estudadas as condições para o


estabelecimento das quantidades que, respectivamente,
Minimizem os Custos Totais e Maximizem os Lucros.
Resumindo:
Nos itens a seguir, serão analisados, conjuntos e
A definição da quantidade ótima de produção, q*, que permite a comparativamente, os resultados dos processos acima e que
obtenção do Lucro Máximo, é definida sob as seguintes visam estabelecer a quantidade ótima, q*, de produção.
condições: Quantidade essa que permite, simultaneamente, Maximizar o
Lucro e Minimizar o Custo Total, em outras palavras, que otimize
RMg = CMg = Preço de Mercado a produção. Ver Figura 2.8 – Quantidade Ótima – Lucro Máximo.
Para tanto, deve-se atender:
2.1.11.1 - Da Minimização do Custo Total:
1ª Condição: d’ƒ (LT) = 0
Como já demonstrado, a quantidade de produção que
2ª Condição: d’ƒ (LT) < 0 decorre no menor custo é obtida ao se igualar as equações de:

Analisando a Figura 2.6, pode-se perceber que o Lucro é Custo Marginal = Custo Médio = Preço da Firma
crescente entre quantidades que variam entre qI e q*, situação
denominada de economia de escala.
Porém, entre as quantidades que variam de q* a qS, Desta igualdade, pode-se obter o Preço da Firma, isto é,
mesmo em havendo aumento da quantidade produzida, ocorre definir o preço que a empresa deve praticar para que seu produto
redução do Lucro Total, fato este denominado de deseconomia seja economicamente viável.
de escala.
Isto porque, ao serem igualadas as expressões do Custo
Médio e a do Custo Marginal, se obtêm o valor da quantidade
ótima de produção, q*. Ao ser levado este valor em qualquer das

59
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
expressões de custo anteriormente citadas, fica definido o Preço Valores
da Firma. O Preço da Firma é aquele que permite a obtenção de Totais Custo
R$ Total
lucro desejado.
Assim sendo, três casos podem ocorrer:
Lucro Receita
Máximo Total
Quando Situação
Este é o caso mais favorável à empresa. Ocorre a
existência de lucro extraordinário, pois o preço de
PM > PF
mercado é muito superior àquele estabelecido para Curva do
atender o interesse da empresa. Lucro
Neste caso, a empresa tem condições de participar
PM = PF
do mercado, porém apresentando um lucro “normal”.
quantidade
Esta é a situação em que a empresa não tem
competitividade para participar do mercado pois o
PM < PF
preço a ser praticado é inferior àquele desejado.
Nesta condição a empresa gerará prejuízo.

Valores
Unitários
R$/q

R$/un R$/un R$/un


RMg CMg

PF
PM PM PF PM Preço de
PF
MERCADO

Prejuizo Lucro Normal Lucro Puro


quantidade
QINFERiOR Q* QSUPERIOR

Figura 2.8: Quantidade Ótima – Lucro Máximo

60
Introdução à Economia

2.1.11.2 - Da Maximização do Lucro:


RMg = CMg = CMédio = Preço Mercado
Como demonstrado no item anterior, a quantidade de
O desenho mostrado na Figura 2.8 – Quantidade Ótima –
produção que define que o lucro seja máximo é obtida ao ser
Lucro Máximo exprime a igualdade acima.
igualado o Preço de Mercado ao Custo Marginal:

RMg = CMg = Preço de Mercado


2.1.11.4 – Economia e Deseconomia de Escala
A igualdade acima, ao se equiparar ao Preço de Mercado,
permite definir a quantidade ótima de produção considerando o
As técnicas do ponto de equilíbrio e da otimização do lucro,
preço praticado pelo mercado.
juntas, permitem estabelecer duas regiões de produção
denominadas de economia de escala e deseconomia de escala.
Porém, neste caso, é necessário verificar se a quantidade
Ver Figura 2.9.
obtida contribui, ou não, para a realização de lucro. Nestas
condições, recomenda-se levar a quantidade obtida na expressão
Na região nomeada de economia de escala, que abrange a
do lucro, visando verificar se ha ocorrência de lucro ou não.
produção situada entre a quantidade zero e a quantidade ótima,
quanto mais se produz, maior é o lucro da empresa.
Lucro = Receita – Custo Total
Na região de deseconomia de escala, que se inicia na
Sendo o lucro positivo, a quantidade a ser produzida pode
quantidade ótima de produção, em havendo aumento de
interessar ao proprietário visando levar o produto ao mercado.
produção ocorre um processo de redução do lucro e, persistindo
o aumento na escala de produção, pode ocorrer prejuízo para a
2.1.11.3 - Produção Ótima - Resumo. empresa.

Conhecer e estabelecer os limites dessas duas regiões, para


Comparando as expressões acima, a quantidade ótima de cada produto ofertado, é de capital importância à sobrevivência
produção, q*, isto é, aquela quantidade que produz o máximo da empresa. Isto porque, o entendimento comum que diz
lucro ao mínimo custo de produção é dada por:
61
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
“...QUANTO MAIS SE PRODUZ, MAIOR O LUCRO...!”. Pode não ser ƒCT (q) = q³ - 6q² + 15 q + 20
verdade. É verdade na região de economia de escala.
a) 1º Procedimento – Considerando o Preço de Mercado.

O empresário racional, desejando obter o lucro máximo,


R$ CT procura produzir uma quantidade de bem ‘q’ de modo a igualar o
seu custo marginal ao preço de vendas ‘p’. Neste caso, o preço a
Ponto RT ser adotado é o preço de mercado, pois corresponde àquele
Equilíbrio
Inferior
preço possível de ser adotado e, também, por ser competitivo.
Ponto Para tanto:
Equilíbrio
Lucro Superior
Máximo
CMg (q) = preço de mercado.

i) Estabelecendo a equação do custo marginal:

CMg (q) = 3q² - 12q +15


Produção

QEinf Qótima QEsup iii) Calculando a quantidade ótima.

Economia Deseconomia 3q² - 12q +15 = 6 ∴ 3q² - 12q +9 = 0 ∴ q² - 4q +3 = 0


De Escala De Escala
q’ = 3 unidades e q” = 1 unidade.
Figura 2.9 - Relações de Produção

iii) Verificando o Resultado.

2.1.12 – Aplicação. Levando os valores de q=3 & q=1 na equação do Lucro,


obtêm-se dois resultados negativos, respectivamente: L’ = -20 $ e
Um empresário deseja ofertar no mercado um cujo preço L” = -24,00 $.
vem sendo praticado a $6,00/un.
Lucro = Receita – Custo Total
Qual deverá ser a quantidade ótima de produção, visando a Lucro = 6q – {q³ - 6q² + 15 q + 20}
maximização do lucro, sabendo-se que a função de custo total é:

62
Introdução à Economia
Considerando que em ambos os casos a produção
propiciará prejuízo igual a L’ = -20 $ & L’ = -24 $, o empresário Resolvendo a equação acima pelo método da Bisseção (ver
poderá manter a produção se considerar que a dificuldade de item 2.2.7.1), chega-se ao valor da quantidade ótima de
mercado seja passageira. Caso contrário, o interessante é retirar produção: q* = 3,7219 unidades.
o produto de pauta.
iii) Calculando o Preço Firma:
b) 2º Procedimento – Considerando o Preço da Firma.
O preço da firma é obtido levando o valor de q* = 3,7219 na
Sob esta ótica, o empresário deseja saber se a quantidade expressão do custo médio ou do custo marginal:
ótima de produção é compatível com o preço desejado e
calculado pela própria empresa. CM(q) = CMg(q) = Preço da Firma

Neste caso, o modelo a ser seguido adota a igualdade do Substituindo o valor de q* = 3,7219 em qualquer das
custo médio com o custo marginal. Então: expressões acima se obtém o Preço da Firma:

CM(q) = CMg(q) = preço da firma Preço da Firma = 11,90 $

i) Calculando as Equações dos Custos Médio e Marginal: Como o preço calculado para a cobertura de todos os
custos, ou seja, o Preço da Firma = 11,90$ é superior ao Preço
q3 − 6q2 + 15q + 20 ∴ CMg (q) = 3q² - 12q +15 de Mercado = 6,00$, é evidente que a empresa não tem
Cm(q) = condições de competir nesse mercado. E, se assim o fizer,
q
apresentará lucro negativo como anteriormente determinado.

2.1.13 - Rateio do Custo Fixo.


ii) Calculando a Quantidade Ótima:
Um questionamento a ser feito, ao se considerar uma
q3 − 6q2 + 15q + 20
= 3q2 − 12q + 15 ∴ empresa que disponha mais de um produto em pauta, é o modo
q de ratear o Custo Fixo da empresa, também denominado de
Custo Indireto, ao ser elaborada uma função de produção.
q3 − 6q2 + 15q + 20 = 3q3 − 12q2 + 15q ∴ q 3 − 3q 2 − 10 = 0

63
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Nesta situação, o recomendável é efetuar um rateio do custo - O Custo Fixo Total corresponde a 53.000,00 reais por mês;
total da empresa, adotando algum critério que permita uma - O produto A consome um total de 1.200,00 horas de
proporcionalidade de alocação desses custos, mas que seja máquina;
racional. - O produto B consome um total de 2.850,00 horas de
máquina;
Como exemplo de critério de rateio tem-se: número de - O produto C consome um total de 1.930,00 horas de
homens hora, número de horas disponíveis de máquina, máquina;
montante dos custos indiretos de cada produto, produtividade,
etc. tn
CFn = CFT ×
t A + tB + tC
a) Exemplo de rateio:
1.200
Considere-se o caso de uma empresa que elabora três CFA = 53.000 × = 10.635,45R$
produtos: A,B & C. Cada um deles, requerendo, apara sua 1.200 + 2.850 + 1.930
fabricação tA, tB & tC horas de máquina. Calcular o Custo Fixo a
ser alocado a cada produto considerando que o Custo Fixo Total
da empresa equivale a CFT,
2.1.14 – Exercícios Propostos.
Sendo: CFA + CFB + CFC = CFT

tA tC a) Definir o ponto de equilíbrio, a quantidade ótima de produção e


CFA = CFT × CFC = CFT × o lucro máximo a ser auferido por uma empresa que dispõe de
t A + tB + tC t A + tB + tC um produto cujo preço de mercado é praticado a R$ 60,00/um e
que dispõe da seguinte função de custo total:
tB
CFB = CFT ×
t A + tB + tC ƒ CT(q) = q3 – 35q² – 300q + 12.000

b) Exemplo Numérico:
b) Dispondo da função de Custo Total dos produtos abaixo e os
Calcular o custo indireto ou fixo de produção a ser atribuído preços praticados pelo mercado, em concorrência perfeita,
a cada um dos três produtos elaborados por uma empresa determinar o nível de produção que corresponda ao ponto de
sabendo-se que: equilíbrio.

64
Introdução à Economia
CT = 4q2 + 16q + 20 e, p=40,00
Preço dos Consumo de Produtividade Preço de
Item
CT = 1,8q² + 2,9q + 5 e, p=14,00. Equipamentos Energia/um un/h Mercado
A 24.600,00 22k wh/h 44 2.112,00 $/um
c) Considerando os produtos abaixo, indicados pelas suas B 32.400,00 33 kwh/h 52 3.415,00 $/um
funções de Custo Total e os respectivos preços de mercado, em C 19.900,00 18 kwh/h 75 6.818,00 $/um
concorrência perfeita, verificar se os mesmos são viáveis para
serem produzidos. Caso afirmativo, definir o lucro máximo para
cada um deles.
A: ƒ CTC (q) = q4- 5q² - 20 q + kA
CT(A) = q³ - 2 q² +8 q +6 sendo p= 25,00 B: ƒ CTC (q) = 2q³ - 27q² + kB
CT(B) = 20q³ - 10q² +30q + 40 sendo p= 55,00 C: ƒ CTC (q) = q³ - 3q² - 30 q + kC
CT(C) = 2,6q³ - 8,3q² + 4,5 q + 4,8 sendo p= 17,00

d) Calcular o ponto de equilíbrio, a quantidade ótima de produção f) Ronaldo, em 1999, resolveu abrir uma loja para vender
e o montante do lucro máximo, visando a produção de um brigadeiros. Para tanto, investiu economias no montante de
produto, sabendo que o mercado o pratica ao preço de R$ 80,00 $10.000,00. Dispondo dos seguintes dados:
por unidade. Sabe-se que:
I – Os custos variáveis montam a $10,00 por lote de 50
Custo Variável Total: CVT = q3 – 18q² - 99q brigadeiros.
Custo Fixo Total: CFT = 11.162, 00 R$
II – Os custos fixos mensais são compostos, basicamente, de:
Salário, com encargos, do gerente da loja.............. $1.000,00;
e) Sua empresa fabrica três produtos. Dispondo das seguintes Salário, com encargos, de 2 vendedores............ $600,00/cada;
informações, calcule a quantidade de produção de cada produto, Aluguel da loja........................................................... $1.500,00;
visando maximizar o lucro da empresa. Depreciações...................................................................100,00.
 Custos Indiretos Totais da Empresa: 22.800,00 $/ mês. III – O preço de vendas, descontados os tributos, dos brigadeiros
 Horas semanais de Produção = 44 horas. é $1,20 por unidade.
 Mês: 4,3452 semanas.
 Elabore os respectivos gráficos de custos.

65
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
IV – No primeiro ano de funcionamento as vendas trimestrais 1.000,00 por mês. Quantas unidades deveriam ser
foram: vendidas para compensar o investimento?
Janeiro a março....................30.000 unidades;
Abril a junho.......................... 6.000 unidades;
Julho a setembro.................. 6.000 unidades; g) Um funcionário de uma concessionária de energia elétrica
Outubro a dezembro............ 20.000 unidades. pensa em ingressar num plano de demissão incentivada e abrir a
sua própria empresa, uma pequena geradora de energia, no
Com essas informações pede-se: intuito de vender energia para a sua cidade natal.
 Informar se negócio deu lucro ou prejuízo em 1999? O projeto dessa pequena geradora tem as seguintes
 Qual o ponto de equilíbrio mensal? características:
 Considerando que Ronaldo deseja uma remuneração Capacidade instalada de geração..................................................... 1.000 kw;
de 2% ao mês sobre o capital aplicado, quantos Capacidade Máxima de Geração: 30 dias×24horas×1.000kw = 720.000 kwh;
brigadeiros a loja deve vender, no mínimo? Preço de venda da energia elétrica:................................................ $ 0,11/kwh;
Custos variáveis:............................................................................ $ 0,01/ kwh;
 Quantos brigadeiros devem ser vendidos para Custos e despesas fixos:................................................. $ 21.600,00 por mês;
proporcionar um lucro de $ 10.000,00 por mês? Depreciação, já inclusa no valor acima, ........................................ $15.000,00.
 Qual seria o novo ponto de equilíbrio sendo o salário
do gerente mudado para $400,00 por mês, mais uma Sabendo que o funcionário recebia, bruto, um salário de
comissão de $0,05 por unidade? $10.000,00 e o consumo de energia da cidade alvo, em dado
mês, foi de 300.000 kwh, pergunta-se:
 No próximo exercício, considerando a queda de
vendas ocorrida entre os meses de abril e setembro, o  Qual o custo unitário do produto sob o princípio de custeio
proprietário esta estudando em reduzir o preço de vendas integral?
para $0,70/unidade. Neste caso, qual a quantidade mínima  Qual o custo unitário do produto sob o princípio de custeio
a ser vendida visando a manter o lucro? variável?
 Considerando os dados originais e o baixo  No citado mês, a empresa foi, ou não, superavitária?
desempenho da loja havido nos meses de abril a setembro,
pergunta-se: “é vantajoso o fechamento temporário da loja,  Qual o ponto de equilíbrio do negócio?
no citado período, com a dispensa dos dois vendedores?”  Qual o volume de vendas necessário para cobrir o antigo
 Visando o incremento de vendas, esta sendo salário do funcionário?
estudado o investimento em propaganda na ordem de $

66
Introdução à Economia
 Qual é o mínimo volume de vendas para não tomar dinheiro  Detalhe o nível de produção que justificaria cada
emprestado? alternativa.
 Um plano de marketing prevê a distribuição, gratuita, de
chuveiros e ferros elétricos mais potentes à população da cidade.
Em decorrência desse fato, há uma previsão de aumento de i) Um cidadão, que anteriormente trabalhava como empregado e
consumo de energia elétrica para 400.000 kWh. O investimento percebia um salário de R$ 2.000,00, abriu um negócio de
nesse tipo de bem esta previsto para montar a $ 30.000,00. Nesta confecções.
situação, em quanto tempo ocorrerá o retorno do capital
investido? Sua confecção incorria nos seguintes custos mensais:

h) O gerente da empresa Desterceiriza Ltda. esta analisando Item R$


fabricar, internamente, um dos componentes de um produto Matéria prima: 40.000,00
Salários com encargos sociais: 4.000,00
fabricado pela empresa, atualmente adquirido ao valor de $ 10,00 Energia elétrica: 530,00
por unidade. Dois são os equipamentos disponíveis para a Aluguel: 1.500,00
elaboração do produto: M1 e M2. Seguros e impostos: 223,00
Depreciação: 350,00
O equipamento M1 aumentará os custos fixo mensais em Outros: 50,00
$5.000,00. Em compensação, os custos variáveis unitários
seriam, apenas, $ 8,00.
A exceção da matéria prima, os demais itens podem ser
O equipamento M2 aumentará os custos fixos mensais em considerados como custos fixos.
$15.000,00 e os custos variáveis em $7,00.
A empresa determina seu preço de venda sob o método do
Com os dados acima, deseja-se saber: custeio integral, considerando um lucro de 50% sobre os custos
 Qual o nível de atividade que justifica a aquisição da incorridos.
Máquina M1? A capacidade máxima de produção mensal da empresa é
 Qual o nível de atividade que justifica a aquisição da de 5.000 unidades. Porém, no ultimo semestre, somente 4.000
Máquina M2? unidades foram produzidas por mês.
 Suponde que a empresa trabalhe com um nível de
atividade na ordem de 4.000 unidades, qual seria a melhor Com os dados acima, pede-se:
alternativa?  Qual o ponto de equilíbrio, mensal?

67
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
 Qual o nível de vendas para que o proprietário mantenha a  Qual o ponto de equilíbrio?
renda que percebia enquanto empregado?  Qual o lucro mensal?
 Qual nível de atividade resulta num lucro mensal de R$
 Qual o nível de vendas para que a empresa não necessite
10.000,00?
recorrer a recursos de terceiros?
 No verão, a venda do produto diminui bastante. Assim o
proprietário esta analisando a possibilidade de suspender, k) Você pode ganhar a importância de R$ 500,00 como
temporariamente, as atividades nos meses de novembro a empregado ou comprar um hotel e ser proprietário de um
março. Tal atitude possibilitará a redução dos custos fixos em negócio.
R$ 4.000,00. Neste caso, deseja-se saber o nível de vendas
Assim comprou um hotel que opera nas seguintes condições:
abaixo do qual a suspensão de atividades é vantajosa.
 Um estudo de mercado indica que, havendo investimentos − Diárias: R$ 50,00
mensais na ordem de R$ 10.000,00 em publicidade, a − Custos variáveis por diária: R$ 5,00
empresa poderá funcionar em sua capacidade máxima de − Custos Fixos:
produção e vender seu produto a R$ 20,00/unidade. Neste − Depreciação: R$ 6.000,00
caso deseja-se conhecer: o novo ponto de equilíbrio contábil − Outros Custos Fixos (elimináveis): R$ 9.000,00
e o lucro a ser obtido. − Outros Custos Fixos (não elimináveis): R$ 1.000,00
− Utilização do Hotel.

j) Uma empresa tem seu único produto vendido a R$ 1,00 por Baixa Alta
Capacidade e utilização do hotel
unidade. Em dado período, praticou os seguintes custos: Temporada Temporada

- MP = 12.000,00 R$ Aluguéis de quartos a plena capacidade 9.500 9.100


- MOD = 6.000,00 R$ Quartos Alugados 5.100 8.500
- CIF fixos = 27.000,00 R$ Vagas 4.050 600
- CIF variáveis = 4.500,00 R$

Pergunta-se:
Sua capacidade instalada é para produzir 100.000,00
unidades mês. Porém, vem produzindo, apenas, 90.000  Você esta ganhando ou perdendo dinheiro?
unidades.  Quantos aluguéis são necessários no ponto de equilíbrio?
Considerando que os custos incorridos com MOD seja variáveis,  Se, na baixa temporada, o aluguel fosse reduzido para R$
pergunta-se: 16,00, qual seria o ponto de equilíbrio?

68
Introdução à Economia
 Qual seria o mínimo de atividade que justificaria o fechamento
do empreendimento na baixa temporada?
n) Uma empresa produz apenas um produto e o vende a R$
70,00 por unidade e seus custos fixos mensais montam a R$
l) Conhecendo as funções de custo de um determinado produto e 40,00. Com os dados expressos na tabela, calcular o abaixo
sabendo que o preço de mercado em concorrência perfeita é de solicitado.
R$ 26,00, determine:

 O nível de produção em que ocorra ponto de equilíbrio; Os custos: CT, CV, CFm, CVm, CMg, para os níveis de
 O máximo lucro possível de se obter com a comercialização produção considerados; A quantidade ótima de produção e o
desse produto; possível lucro máximo;
 O lucro máximo a ocorrer no ponto de equilíbrio;
 Esboce um gráfico representativo do caso em pauta;

Funções de Custos: CF = 6 e, CV= 5q2 + 8 q q 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10


CM 126 106 93 82 72 64 62 64 67 70

m) O mercado de um produto funciona em livre concorrência e


apresenta o seguinte comportamento:

Curva de Oferta: p = 6q + 8.200


Curva de Procura: p = 4q2 – 12q – 30.000

Considerando uma empresa analisando sua participação


nesse mercado e dispondo da uma curva de Custo Total como
abaixo, pergunta-se: o) Calcular o ponto de equilíbrio e a quantidade ótima de
produção visando a produção de um produto, sabendo que o
• Essa empresa apresenta condições de competitividade para mercado pratica o preço de R$ 180,00 por unidade, sujeito à
participar do mercado em questão; seguinte função de Custo: CT(q) = q3 – 18q² + 99q – 162.
• Qual será o lucro máximo possível ocorrendo a sua
participação.
CT(q) = 3q² + 86,66 q + 4.800
69
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
p) Estabelecidas as funções de custo de um produto, e sabendo Custo – R$ Custo – R$


que o seu preço de mercado é de R$ 50,00.
∙∙
CFT (q) = 20 e, CVT (q)= 4q²+16q
∙∙ ∙∙∙
Solicita-se: ∙
∙ ∙∙ ∙
• O nível de produção relativo ao ponto de equilíbrio;
• O lucro máximo possível com a venda do produto;

∙ ∙
• A quantidade ótima de produção; q q
• O montante do lucro no ponto de equilíbrio;
• O gráfico representativo da questão.
Figura 2.10 – Modelos de Ajuste de Funções Polinomiais

Alerta-se que, quanto maior for o conjunto de pontos


disponíveis, maior será a representatividade da curva polinomial.

2.2 - Ajuste de Curvas Polinomiais.

2.2.1 – Objetivo. 2.2.2 – O Modelo.

No item anterior foram estudados os vários tipos de custos, O modelo a ser discutido e proposto para o ajustamento
utilizando funções contínuas ou a forma discreta. de curvas será o método dos Mínimos Quadrados.

Na vida profissional, os dados de custos são obtidos de No caso, será ajustada uma função polinomial aos dados
forma discreta, partindo dos custos fixos e dos custos variáveis discretos, obtidos a partir dos custos calculados.
conexos a cada volume de produção, ou melhor, a cada
quantidade produzida. Para tanto, a função y = ƒ(x) pode ser escrita da seguinte
forma:
Havendo interesse conhecer valores intermediários de y = a0 + a1x1 + a2x2 + a3x3 + a4x4 + … + anxN
modo mais expedito, é possível ajustar uma curva que represente
a função de custos, ao se dispor de um conjunto de pontos custos Onde:
× quantidade, os exprimindo por meio de uma função polinomial.

70
Introdução à Economia
 x é a variável independente. Ela expressa a quantidade de 2.2.3 - Ajuste de Reta.
produção desejada;
 y a variável dependente. Correspondente ao custo de Uma reta, ou função linear, é resolvida por um sistema de
produção; duas equações a duas incógnitas.
 a0 , a1, a2, a3 , a4, … , an, constantes paramétricas a serem
determinadas. y = a + bx

Resolver uma função polinomial significa determinar suas


constantes paramétricas.
α b = tgα

Para tanto, são necessárias tantas equações quantas são as


constantes a determinar. a

x
Via de regra, para resolver uma função polinomial de grau “n”,
são necessárias “n+1” equações. Figura 2.11 – Processo de Ajuste de Reta

Milone & Angelini em Estatística Aplicada pg. 166, mostram ∑ 𝑦𝑦 = 𝑛𝑛 𝑎𝑎0 + 𝐚𝐚𝟏𝟏 ∑ 𝐱𝐱
que o sistema de equações normais que possibilita calcular os �� �
∑ 𝒙𝒙𝑦𝑦 = 𝑎𝑎0 ∑ 𝐱𝐱 + 𝐚𝐚𝟏𝟏 ∑ 𝐱𝐱 𝟐𝟐
coeficientes da função polinomial apresenta a seguinte forma
geral:
Neste caso da reta, o sistema assume as seguintes condições:
Σy = n a0 + a1 Σx + a2 Σx2 + a3 Σx3 + ...+ an Σxn
Σy = na + b Σx
Σxy = a0 Σx + a1 Σ x2 + a2 Σ x3 + a3 Σ x4 + ...+ an Σ xn+1
Σxy = a Σx + b Σ x2
Σx2y = a0 Σx2 + a1 Σ x3 + a2 Σ x4 + a3 Σ x5 +...+ an Σ xn+2
Σx3y = a0 Σx3 + a1 Σ x4 + a2 Σ x5 + a3 Σ x6 +...+ an Σ xn+3
Σx4y = a0 Σx4 + a1 Σ x5 + a2 Σ x6 + a3 Σ x7 +...+ an Σ xn+4
........................................................................................ 2.2.4 – Ajuste de Curva – Função Quadrática.
Σxny = a0 Σxn + a1 Σxn+1+ a2 Σ x n+2+ a3 Σx n+3+...+ an Σ x2n
As funções polinomiais quadráticas são representadas por
parábolas, possíveis de serem determinadas por um sistema de
três equações a três incógnitas.
71
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

Forma Canônica: y = a0 + a1 x + a2 x²
Função Quadrática de Custos - Parábola
Partindo do caso geral, a função é resolvida utilizando um
n q Custo x2 x3 x4 xy y x2
sistema de três equações a três incógnitas:
1
Σy = n a0 + a1 Σx + a2 Σx2 2
Σxy = a0 Σx + a1 Σ x2 + a2 Σ x3
3
Σx2y = a0 Σx2 + a1 Σ x3 + a2 Σ x4
4
ou, substituindo pelos coeficientes segundo expresso na forma 5
canônica, obtêm-se o seguinte sistema de equações: 6
7
8
Σy = n a + b Σx + c Σx2
Σxy = a Σx + b Σ x2 + c Σ x3 9
Σx2y = a Σx2 + b Σ x3 + c Σ x4 10
11
Σ

2.2.5 - Exercício.

2.2.5.2 - Ajustar uma curva representativa dos Custos Totais e


2.2.5.1 - Ajustar um polinômio do segundo grau representativo
dos Custos Marginais, dispondo dos dados abaixo.
dos custos de produção abaixo:

q 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Quant
.
0 5 10 15 20 25 30 CV 10 18 24 28 30 33 38 52 71 100 131
custos 2500 2855 3160 3595 3820 4185 4535 CF 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100 100
Quantidade em mil unidades; Custos em R$ CT 110 118 124 128 130 133 138 152 171 200 231
CM 110 59 41,3 32 26 22,2 19,7 19 19 20 21
CMg 10 8 6 4 2 3 5 14 19 29 31

72
Introdução à Economia

Curva de Custo Total


n x=q y = CT x2 x3 x4 xy y x2
1
2 Ajuste de Curva Total
3
4
5 250
6

valores em R$
7 200
8
150
9
10 100
11
Σ 50
0
1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
quantidade

Quant x Custo Total

73
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

Custo Marginal
Curva de Custo Marginal n x y=
x² x³ x4 xy x²y
=q CM
x= 1 -5 10 25 -125 625 -50 250
n CMg x2 x3 x4 xy y x2
q 2 -4 8 16 -64 256 -32 128
1 1 10 3 -3 6 9 -27 81 -18 54
4 -2 4 4 -8 16 -8 16
2 2 8
5 -1 2 1 -1 1 -2 2
3 3 6 6 0 3 0 0 0 0 0
4 4 4 7 1 5 1 1 1 5 5
8 2 14 4 8 16 28 56
5 5 2 9 3 19 9 27 81 57 171
6 6 3 10 4 29 16 64 256 116 464
11 5 31 25 125 625 155 775
7 7 5
1.921,
Σ - 131,0 110,0 - 1.958, 251,00
8 8 14 0
9 9 19
10 10 29 Montando o sistema de equações necessário à
determinação dos coeficientes do polinômio:
11 11 31
Forma Canônica: y = a0 + a1 x + a2 x²
Σ
Σy = n a0 + a1 Σx + a2 Σx2
É comum, utilizando simplesmente os quantitativos de Σxy = a0 Σx + a1 Σ x2 + a2 Σ x3
produção, que os números calculados na tabela cheguem a Σx2y = a0 Σx2 + a1 Σ x3 + a2 Σ x4
valores muito altos, fato que dificulta a operacionalização dos
mesmos. 131 = 11 a0 + 0 a1 + 110 a2
Um artifício visando reduzir o tamanho destes valores é 251 = 0 a0 + 110 a1 + 0 a2
atribuir à quantidade intermediária de “x”, na tabela N= 6, o valor 1.921 = 110 a0 + 0 a1 + 1958 a2
zero. A seguir, recomenda-se atribuir aos valores anteriores ao
valor intermediário o sinal negativo e, aos superiores, o sinal
positivo. Mantendo-se, porém, a variação de quantidade.
74
Introdução à Economia
Resolvendo o sistema acima obtém-se os valores dos
coeficientes: n x =q y = CM x² x³ x4 xy x²y
1 1 3 1 1 1 3 3
a0 = 1,2269 ; a1 = 2,2818 ; a2 = 0,9798
2 2 3 4 8 16 6 12
Substituindo estes valores na expressão canônica, chega-se à
3 4 8 16 64 256 32 128
equação representativa dos custos:
4 5 10 25 125 625 50 250
Σ 12 24 46 198 898 91 393
y = 1,2269 + 2,2818 x + 0,9798 x²

2.2.6 – Sistemas Lineares - Algoritmo de Gauss.


24 = 4 a0 + 12 a1 + 46 a2
O objetivo deste item é apresentar a resolução de sistemas 91 = 12 a0 + 46 a1 + 198 a2
lineares de equações utilizando o algoritmo de Gauss. 393 = 46a0 + 198 a1 + 898a2
Para tanto, será discutido o ajuste de uma parábola (curva do 2º
grau) aos seguintes dados relativos ao custo da produção: iv) Aplicação do Método de Gauss.

Quantidade Produzida = x 1 2 4 5 O método permite calcular os coeficientes das equações


do sistema acima definido: a0 ; a1 e a2
Custo de Produção = y 3 3 8 10
Para tanto, é montada a matriz representativa do sistema
linear.
2.2.6.1 – Ajuste da Parábola. A solução do sistema ocorrerá depois de efetuada uma
y = a0 + a1 x + a2 x² série de operações (6) elementares sobre matrizes que permitirão
atribuir aos termos integrantes da diagonal principal o valor um. E,
aos termos situados abaixo da diagonal principal o valor zero.
Σy = n a0 + a1 Σx + a2 Σx2
Σxy = a0 Σx + a1 Σ x2 + a2 Σ x3
Σx2y = a0 Σx2 + a1 Σ x3 + a2 Σ x4
(6 ) Operações Elementares Sobre Matrizes:
a) Definição do Sistema Linear I – Dividir ou multiplicar linha ou coluna por um número;
II – Somar ou subtrair linha de linha;
III – Trocar posição de linhas.
75
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Os valores obtidos para os termos situados acima da 4 12 46 24 1 3 11,5 6
diagonal principal permitirão a resolução do sistema de equações 12 46 198 91 → 12 46 198 91
já citado.
46 198 898 393 46 198 898 393
Como exemplo de matriz a ser obtida:

Operando a seguir as linhas: L2: L2 – 12 L1 e, L3: L3 – 46 L1


1 α β Δ1
0 1 δ Δ2
0 0 1 Δ3 1 3 11,5 6
0 10 60 19 Operando a linha L2: L2 ÷ 10
Partindo desta matriz pode-se reescrever o sistema de equações
sob a seguinte forma: 0 60 369 117
𝑎𝑎0 + 𝛼𝛼𝑎𝑎1 + 𝛽𝛽𝑎𝑎2 = ∆1 ↓
� 𝑎𝑎1 + 𝛿𝛿𝛿𝛿2 = ∆2 �
1 3 11,5 6
𝑎𝑎2 = ∆3 Operando a linha L3: L3 – 60 L2
0 1 6 19
0 60 369 117
Visando obter o sistema que permitirá definir os
coeficientes das equações, dois procedimentos serão ↓
examinados: 1 3 11,5 6
0 1 6 1,9 Dividindo a linha L3 por 9:
 Operando a divisão da diagonal principal; 0 0 9 3
 Operando sem divisão

1 3 11,5 6
a) Operando a divisão da diagonal principal:
0 1 6 1,9
Inicialmente, para definir como 1 o primeiro termo da 0 0 1 0,333
diagonal principal, os valores da Linha 1 da matriz serão divididos
por 4: L1÷4.
Com os valores desta última matriz, depois de obtidos os
valores 1 para os coeficientes da diagonal principal e zero para

76
Introdução à Economia
aqueles que lhes ficam abaixo, é possível montar o sistema de 4 12 46 24
equações que permitirá resolver o sistema anteriormente Operando L3: 40 L3 – 240 L2
0 40 240 76
definido: 0 240 1476 428

a2 = 0,333
a1 + 6 a2 = 1,9 ↓
a0 + 3 a1 + 11,5a2 = 6
4 12 46 24
0 40 240 76
Resolvendo o sistema acima se obtém: 0 0 1440 480

a2 = 0,33333 ; a1 = - 0,1 e, a0 = 2,466667.


Desta matriz, considerando que os coeficientes que se
encontram situados abaixo da diagonal principal são nulos, pode-
Substituindo os coeficientes acima na expressão canônica:
se escrever o seguinte sistema:
y = a0 + a1 x + a2 x²
1440 a2 = 480
y = 2,466667 – 0,1 x + 0,33333 x² 40a1 + 240 a2 = 76
4a0+ 12a1 + 46 a2 = 24

v) Operando sem divisão.


Resolvendo o sistema acima o resultado obtido apresenta os
Neste item é apresentado um procedimento visando resolver o mesmos valores daqueles anteriormente obtidos, c.q.d.:
sistema sem efetuar a divisão.
a2 = 0,33333 ; a1 = - 0,1 e, a0 = 2,466667
4 12 46 24
12 46 198 91 Operando L2: 4L2 – 12 L1 e, 4L3-46L1 Sendo na forma canônica: y = a0 + a1 x + a2 x²
46 198 898 393
A Parábola representativa dos custos dados tem a seguinte
expressão:

y = 2,466667 – 0,1 x + 0,33333 x²
77
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Tal operação deverá ser repetida até ser encontrado um
valor negativo para o polinômio.
2.2.7 – Polinômios do 3º Grau.

Os polinômios de terceiro grau podem ter suas raízes Arbitrar um


obtidas através de diversas metodologias, notadamente: Valor para x

 Método da Bisseção;
 Algoritmo de Briott-Ruffini; Tentar Valor Calcular Valor do Tentar Valor
 Algoritmo de Newton Raphson (7). MAIOR Polinômio MENOR

y<0 y>0
2.2.7.1 – Método da Bisseção. Comparar Valor
de y com
zero
a) A Metodologia

O método da Bisseção visa, partindo de uma solução


y=0
arbitrada e a mais próxima possível da real raiz de um polinômio
e, efetuando um numero sucessivo de iterações, definir uma de
suas raízes. FIM

Esta metodologia é um processo de fácil aplicação, com o


inconveniente de ser muito trabalhoso. Ver Figura 2.12. Figura 2.12 – Método da Bisseção

O processo é iniciado ao ser arbitrado um possível valor


para a raiz do polinômio e verificado se esse valor zera o valor Ao ser definida uma possível raiz em que o valor obtido
do mesmo. para resultado do polinômio seja menor que zero, volta-se ao
procedimento inicial. Isto é, procura-se uma raiz menor que a
Sendo este primeiro valor positivo, (+), arbitra-se outro ultima encontrada em que o valor do polinômio seja positivo.
valor maio e calcula-se, novamente, o valor do polinômio.
Como recomendação para acelerar o processo de cálculo,
a próxima raiz a ser adotada para o calculo do valor do
(7 ) a demonstração do algoritmo não será motivo de discussão neste curso. polinômio deve ser a média aritmética obtida entre a última raiz
78
Introdução à Economia
encontrada que apresentou um valor negativo ao resultado do
polinômio e a ultima em que esse valor tenha sido positivo. Da tabela, depreende-se que o valor a ser atribuído à variável x
como raiz do polinômio é k = .
O processo deverá ser repetido tomando-se valores cada
vez mais próximos, até a obtenção de um valor para o
polinômio que apresente um resultado o mais próximo possível
de zero. 2.2.7.2 – Algoritmo de Briott – Ruffini.

b) Aplicação. O Algoritmo de Briott – Ruffini permite a obtenção de raízes


inteiras de polinômios do 3º grau utilizando.
Calcular uma das raízes reais do polinômio abaixo definido:
Para tanto, a metodologia possibilita, inicialmente,
y = x³ - 10 x² + 75 x - 722 determinar uma das raízes inteiras do polinômio. E, de posse
dessa raiz é possível representá-lo em forma do produto de um
Início do Processo: Arbitrando o valor k=10 para a primeira polinômio do 1º grau por um polinômio do 2º grau, este de fácil
tentativa, para: k=10, tem-se y = 28. solução.

y = x³ - 10 x² + 75 x - 722 Forma canônica do polinômio: y = a0 + a1x + a2 x² + a3 x³


k y k y
10,0 28,00 Forma desejada: y = ( x – k ) (a’0 + a’1x + a’2 x²)
8,0 -250,00
9,0 -128,00 O objetivo, então, é achar a raiz “k”, que passa a ser o
9,5 -54,625 termo independente do polinômio do 1º grau e,
9,75 -14,51 concomitantemente, uma das raízes do polinômio do terceiro grau
em consideração.
9,875

10 + 8 10 + 9 10 + 9,5
k2 = = 9 ; k3 = = 9,5 ; k 4 = = 9,75 Obtida a raiz “k”, o algoritmo permite escrever o polinômio
2 2 2 na forma desejada e, em seguida, resolver a equação do 2º grau
conexa, cujas raízes equivalem às duas raízes do polinômio do 3º
9,75 + 10
k5 = = 9,875 grau que faltam ser determinadas.
2
79
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Logo: k1 = 3
A utilização do dispositivo prático de Briott-Ruffini será
apresentada ao serem calculadas as raízes do polinômio abaixo. 3º Passo: Rebaixamento do Nível do Polinômio

y = x³ - 18 x² + 99 x - 162 Forma desejada: y = ( x – k ) (a’0 + a’1x + a’2 x²)

1º Passo – Decompor o termo independente em seus fatores Substituindo na expressão acima a raiz 3 no primeiro termo e os
primos. coeficientes oriundos do algoritmo no 2º termo da expressão, é
possível escrever o polinômio na seguinte forma:
162 2
81 3 y = (x – 3) (54 - 15 x + x²)
27 3 2x 34 = 162
9 3 Igualando a zero o segundo termo da expressão, obtêm-se as
duas raízes faltantes:
3 3
1
x² - 15 x + 54 = 0 ∴ k2 = 9 e, k3 = 6

Assim, as raízes do polinômio são: 3;6 e 9.


2º Passo – O Algoritmo de Briott – Ruffini.

Considerando que o número 3 é o fator que aparece com maior


frequência na decomposição do termo independente, então será 2.2.7.3 – Algoritmo de Newton-Raphson.
o valor adotado para a verificação de ser uma das raízes do
polinômio.
2.2.7.3.1 – O Algoritmo.
1 -18 99 -162
O algoritmo de Newton-Raphson permite determinar uma
3  3×1=3 3 × -15 = - 45 3 × 54 =162 das raízes reais de um polinômio.
1 -15 54 0

Sendo, após a aplicação do algoritmo, o resultado da ultima Considerado uma função de custo ƒC expressa sob a forma
iteração igual a zero, fica constatado ser o número 3, polinomial e, sendo: “q” a variável que expressa as quantidades a
efetivamente, uma das raízes procuradas. serem produzidas, ƒ’C(qi) a derivada da função de custos para

80
Introdução à Economia
cada valor de “q” e, ai os coeficientes numéricos relacionados a fC(q 2 )
cada variável: q3 = q2 −
f ' C(q 2 )
ƒ C(q) = a 0 + a 1q1 + a 2 q 2 + a 3 q 3 +  + a n q n ...............................
O calculo de uma das raízes reais do polinômio, q*, que zera fC(q n −1 )
a função de custos ƒC=0, é obtida através um processo interativo. q n = q n −1 −
f ' C(q n −1 )
Para tanto, os procedimentos abaixo devem ser seguidos:
a) Para reduzir o número de iterações e acelerar o processo,
ao ser efetuada a primeira iteração deve-se atribuir a “q” o Quando qn≈ qn-1 ou ƒC≈0 , o processo pode ser interrompido.
valor zero.
b) A cada iteração, tanto para a determinação da ƒC como de 2.2.7.3.2 – Aplicação.
ƒ’C, adota-se para oi valor de “q” aquele obtido na iteração
anterior.
Utilizando o método de Newton-Raphson, calcular uma das
c) O processo de iteração pode ser interrompido quando um raízes do seguinte função de custos:
qi, qualquer, que faça ƒC≈0 ou, que a variação da função
ƒC para valores de qi e qi+1, seja mínima ou CT=q³-2q²+8q+6
aproximadamente zero.
A metodologia segue, então, os seguintes procedimentos: dCT
E, sendo: = 3q 2 − 4q + 8
fC(q = 0) dq
q0 = −
f ' C(q = 0)
fC(q 0 ) 1ª Iteração: fazendo q=0
q1 = q 0 −
f ' C(q 0 ) fC(q = 0) 6
CT =6 e, CT’ = 8 ∴ q 0 = − = − = −0,75
fC(q1 ) f ' C(q = 0) 8
q 2 = q1 −
f ' C(q1 )
2ª Iteração: fazendo q = - 0,75

81
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
CT= -1,2725 e, CT’= 12,6875
fC(q 0 ) − 1,2725
q1 = q 0 − = −0,75 − = −0,75 + 0,1003 = −0,6497
f ' C(q 0 ) 12,6875

3ª Iteração: fazendo q = - 0,6497.


CT= - 4,7337 e, CT’ = 11,8651
fC(q1 ) − 4,7337
q 2 = q1 − = −0,6497 − = −0,6497 + 0,3990 = −0,2507
f ' C(q1 ) 11,8651

4ª Iteração: fazendo q = - 0,2507


CT= 3,8529 e, CT’ = 9,1913
fC(q 2 ) 3,8529
q3 = q2 − = −0,2507 − = −0,2507 − 0,4192 = −0,6699
f ' C(q 2 ) 9,1913

82
Introdução à Economia
preço a que eles estão dispostos a pagar, mantida a condição
2.3 – A Oferta e a Procura. “ceteris paribus”(8), isto é, que somente haja variação de um fator,
no caso o preço, mantida a quantidade ofertada.
2.3.1 - Conceitos Por condição “ceteris paribus” entende-se a situação em que
apenas ocorre a alteração do preço de um bem em função da
2.3.1.1 - A Demanda. quantidade consumida, ou vice versa. Enquanto outros fatores
que influenciam a aquisição deste mesmo bem e, portanto, as
Lei da Demanda ou Procura: para a maioria dos produtos, flutuações de seu preço permanecem constantes, a exemplo de:
quanto maior o seu preço, menor será a quantidade que cada gosto, renda, preço de outros bens correlacionados, etc..
indivíduo estará disposto a comprar ou demandar. Do mesmo
modo, quanto menor o preço de um bem, maior será o número de 2.3.1.2 - A Oferta.
unidades demandadas. Comportamento esse mostrado na Figura
2.13. Lei da Oferta: quanto maior a oferta de um bem, maior será
Preço
o preço que os ofertantes desejarão cobrar por ele.
R$ Preço
R$
Curva
Oferta

Curva
Demanda

7,00
7,00

Quantidade Quantidade
Produzida Produzida
20 50 80 10³ un 10³ un
20 50 80

Figura 2.13 – Curva de Demanda Figura 2.14 – Curva de Oferta

A curva de demanda de mercado, mostra a relação entre a


quantidade demandada de um bem por todos os indivíduos e o
(8) Do latim, mantidas as demais condições.
83
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

Sendo os preços expressos em função das quantidades,


Identicamente à demanda, a oferta de um bem ou serviço
depende de uma série de fatores. Podem ser citados: tecnologia;
preço da terra, do trabalho e do capital, bem como o preço de P = f (q)
mercado do bem que se deseja oferecer. E, sendo a curva de Oferta representada por PO e a de
A curva de oferta de mercado mostra a relação entre a demanda PD, o ponto de equilíbrio de mercado ocorre quando:
quantidade oferecida de um bem por todos os produtores e o
respectivo preço, ceteris paribus.
PO f(q)= PD f(q)
Da Figura 2.14 - Curva de Demanda, pode-se constatar
que o comportamento dos produtores é aumentar os preços dos
produtos e serviços conforme cresce a quantidade oferecida ou
Preço
demandada pelo mercado.
R$

Curva Curva
2.3.2 - O Equilíbrio do Mercado. Demanda Oferta

A interação e comportamento do conjunto de produtores e


dos consumidores podem ser analisados quando colocados em Equilíbrio do
contato, ou postos em mercado, situação em que cada um deles Mercado
7,00
demonstra o respectivo comportamento.
O ponto de equilíbrio de mercado e consequentemente o
preço de mercado é definido, graficamente, na intersecção da Quantidade
curva de oferta com a de demanda. E, em decorrência, a 50 Produzida
quantidade de equilíbrio do mercado. Ver Figura 2.15 – O mil
Equilíbrio do Mercado.
Figura 2.15 – O Equilíbrio do Mercado
Por definição, o preço de equilíbrio de mercado é aquele em
que coincidem os planos dos demandantes ou consumidores e o
dos ofertantes ou produtores.
Em situação de equilíbrio, as quantidades ofertadas e
demandadas se igualam. E, também, os preços.

84
Introdução à Economia

2.3.3 – Exercícios.
2.3.4 - O Comportamento dos Mercados.
a) Calcular o ponto de equilíbrio de um produto, cujas curvas de
oferta e procura são, respectivamente: 2.3.4.1 – Tipos de Mercados.

Po = 43 – 3q e, Pd = 5q + 7. Os tipos de mercado, conforme anteriormente relacionado,


Para obter o Ponto de Equilíbrio, igualam-se as duas expressões são diferenciados segundo o número de vendedores ou de
e chega-se ao valor da quantidade de equilíbrio em que qo = qd = compradores que deles participam, e que são:
q* = 4,5 un. E, consequentemente, o preço de equilíbrio p* =
29,50 $.  Livre Concorrência ou Concorrência Perfeita;
 Monopólio;
b) Defina o equilíbrio de um mercado, sabendo que os  Oligopólio;
consumidores apresentam comportamento linear expresso pela
equação Pd = 7q + 12. E, os produtores apresentam um  Monopsônio & Oligopsônio.
comportamento segundo o modelo Po = 5q² - 3q + 12. Trace os
gráficos. Nos mercados relacionados, a quantidade a ser produzida
por qualquer tipo de indústria ou de mercado são regulamentadas
c) Qual deverá ser o Custo Marginal de produção de uma pelo preço.
empresa que deseja colocar certo produto no mercado cujas
curvas de oferta e procura, são: yo = 10 q + 48 e yd = 205 – 3q . Anteriormente foram estudados a formação do preço e o
Apresente graficamente a sua assertiva. comportamento do mercado.
d) Considerando o exercício anterior, defina o novo ponto de Agora, o objetivo deste item é mostrar o sistema
equilíbrio de mercado, sabendo-se que, devido a uma evolução econômico como um todo coerente, tornando conexos os
do quadro de oferta, a sua curva representativa passou a assuntos estudados.
apresentar o modelo P0¹ = 6q² - 3,6+ 14,4.

85
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
2.3.4.2 - Concorrência Perfeita.
Preço = CMg
2.3.4.2.1 – Conceituação.

Os mercados perfeitamente competitivos são caracterizados Pelo exposto, a curva de custo marginal da empresa
por possuírem um grande número de participantes, a entrada e a perfeitamente competitiva é também a sua curva de oferta.
saída de competidores é livre, pois o processo decisório de cada
empresa é independente e os produtos vendidos são A seguir, é apresentado o comportamento de uma empresa,
homogêneos. Figura 2.16, e do mercado onde atua, Figura 2.17.

Todos os concorrentes praticam o preço determinado pelo Nessas figuras, é visto que o vendedor individual venderá
mercado, pois nenhum deles detém controle sobre o preço uma quantidade – Q* - definida pela sua curva de custo marginal.
praticado pelo mercado. Quantidade essa, Q*, que maximiza o lucro do produtor.

Assim, uma empresa atuando em mercado de Em contrapartida, o preço praticado será definido pela
concorrência perfeita consegue vender a quantidade desejada intercessão das curvas de oferta e da procura do mercado.
desde que se sujeite ao preço praticado pelo mercado. E, tendo
por base o seu custo marginal, a empresa decidira o quanto Preço Preço
poderá produzir. R$ R$

Custo
Curva Curva
Q* = ƒ (CMg) Marginal
Demanda Oferta
CMg=PREÇO

Considerando que no curto prazo o preço é constante, os


lucros serão maximizados ao nível de produção em que o custo
PREÇO
marginal se equiparar ao preço praticado, isto é, quando a
Receita Marginal for igual ao Custo Marginal.
Quantidade
Produzida
RMg = CMg Q* = QO Qp = QO

Assim, dado qualquer preço praticado, a empresa atuante Figura 2.16 – A Empresa. Figura 2.17 – O Mercado
em mercado perfeitamente competitivo, produzira uma Fonte: Da Cunha, 2000.

quantidade de bens em que o Preço é igual ao seu Custo


Marginal.
86
Introdução à Economia
A participação da empresa no mercado depende do preço
Do ponto de vista da empresa, se o preço por ela estipulado para calculado para seus produtos comparado àquele praticado pelo
os seus produtos for superior ao de mercado, isto é, o seu CMg mercado em concorrência perfeita.
for superior ao preço definido pelo Ponto de Equilíbrio de
mercado, ela deve se abster oferecer seus produtos por não No desenho apresentado pelas Figuras 19 e 20, o preço do
serem competitivos. mercado é superior ao da empresa, o que demonstra uma
situação de lucro puro.
Custo PREÇO
Unitário
2.3.4.2.2 – A Firma e o Mercado. R$/un
Unitário
R$/un

Sendo pF o preço da firma e pm o preço praticado pelo CMg


OFERTA

mercado, tem-se as seguintes situações: PROCURA


Rmg=RM
Cm
Quando Situação PFIR P0

Nesta situação a participação no mercado indica


pF > pm
prejuízo. Quantidade
Quantidade
Firma Indústria
Q* QIND
QFIR
A empresa participa do mercado, cobrindo seus
pF = pm Figura 2.19 – A Empresa. Figura 2.20 – O Mercado
custos, porém sem obter lucros extraordinários. Fonte: Da Cunha, 2000.

A empresa obtém lucro extraordinário, muito


pF < pm superior àquele normalmente obtido ou desejado,
Sendo PFIR = Preço da firma, ou seja, o preço que cobre os
o que permite uma grande capitalização.
custos, os tributos e o lucro desejado; PPRA o preço praticado pela
firma igual ao preço de equilíbrio de mercado, P0. E, sendo o
preço de mercado superior ao da firma, ocorre o que se denomina
de lucro puro, sendo este acréscimo de lucro igual ao valor da
a) Preço de Mercado Superior ao Da Firma. área achurada na Figura 2.19:

∆L=QFIR × (PPRA -PFIR )

87
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Curva de Procura: p = 4q² - 13 q - 136
b) Preço da Firma Superior ao de Mercado.
A luz dos seus conhecimentos, uma empresa que dispõe de uma
Custo PREÇO curva de Custo Total abaixo definida, pode participar deste
Unitário Unitário
R$/un R$/un mercado?
18 CMg 18
OFERTA CT(q)= 4q³ - 3 q² + 86q + 15.400
16 Cm 16 PROCURA

14 14 2.3.4.3 – O Oligopólio.
P0
12 12
Um mercado em Oligopólio tem como característica principal
10 10
haver um pequeno grupo de empresas concorrendo entre si com
Quantidade
Quantidade
Indústria
produtos levemente diferenciados uns dos outros.
Firma
10 15 20 25 35 60 70 80 90 100
Figura 2.21 – Comportamento da Empresa Figura 2.22 – Comportamento do Mercado Podem ocorrer algumas situações nesse caso:
Fonte: Da Cunha, 2000.

• Cartelização, com determinação de preço visando ocorrer


lucro extraordinário;
Este caso é o inverso do anterior em que, pois o preço do • Concorrência visando o domínio de mercado, quando a
mercado é superior ao da firma. Caso ela persista em oferecer propaganda é um forte instrumento;
o produto, ela incorrerá em prejuízo em valor equivalente ao
• Regulamentação do mercado pelo governo.
da área achurada conforme Figura 2.21, pois o preço de
mercado P0, definido conforme a Figura 2.22, se mostra
inferior àquele necessário a cobrir os custos da firma. O cartel é definido como um acordo entre empresas
independentes visando uma atuação coordenada de suas
operações de modo a restringir a concorrência entre elas e
2.3.4.2.3 – Exercício.
elevar preços, situação essa prejudicial economicamente ao
mercado consumidor.
Considerando o mercado em livre concorrência para certo
produto e que apresenta o seguinte comportamento. Para evitar formação de cartel e o controle dos oligopólios,
especialmente quando as empresas são concessionárias de
Curva de Oferta: p = 6q + 32

88
Introdução à Economia
serviços públicos, podem ser instituídas Agências
Reguladoras que tem como instrumentos de ação: Para impedir o aumento abusivo de preços, o governo define
uma regra para determinar a formação do preço final ou mesmo
E Adoção de Empresa espelho. do lucro.
E Controle de custos e remessa de lucros.
Como exemplo tem-se o caso da energia elétrica onde o preço
E Metas de desempenho e modernização técnica. é formado pela remuneração de duas variáveis: os custos e a
E Impedir controle das empresas por holding comum. remuneração dos ativos.

Quanto à relação entre a demanda e a oferta, sob condição de


monopólio, o monopolista procurará maximizar o seu lucro em
2.3.4.4 – O Monopólio. condições em que a receita marginal seja igual à zero.

O monopólio é caracterizado havendo a ocorrência Preço – R$


das seguintes condições:

i) Existência de um único produtor; Receita Total


ii) Produtores são formadores de preços, desde que RMg =
CMg;
iii) Existam barreiras à entrada e à saída do monopolista do Demanda/Consumo
mercado;
iv) A demanda e a RMg tem o mesmo coeficiente linear, mas o
coeficiente angular da RMg é o dobro do da demanda um Quantidade
único fornecedor de bem ou serviço que não possua Produzida
substituto próximo numa determinada região ou País; Receita Marginal
v) Haver impossibilidade de haver troca de produto por parte
do consumidor. Figura 2.23 - Relações da Receita do Monopolista

Neste caso o produtor determina o seu preço, normalmente A figura 2.23 mostra a relação entre a receita total, a demanda e
sob o modelo: a receita marginal. Para o monopolista, a receita total será máxima
quando a receita marginal for igual a zero. Graficamente isto ocorre
Preço = Custo + Lucro.
89
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
no ponto em que a curva da receita marginal interceptar o eixo das • Importação de produtos;
abcissas que representa as quantidades a serem produzidas.

Visando a proteção do consumidor, os órgãos ou agências


reguladoras definem metas visando atender politicas tais como:

a) Limitação dos custos incorridos, quando as empresas devem


cumprir os custos de uma empresa “espelho”;
b) A definição do modo e percentual de remuneração do ativo
imobilizado em serviço;
c) Metas de desempenho e qualidade dos serviços.
d) Procedimentos para remuneração dos custos quando as
tarifas são insuficientes.

2.3.5 – Politicas de Mercado em Concorrência Perfeita.

A discussão neste item é quanto à formação de politicas a


serem implantadas quanto ao aumento da oferta ou da demanda
sem que se rompa a situação de equilíbrio do mercado ou Com o aumento da oferta, ocorre um deslocamento da
gerando inflação ou a perda de postos de trabalho. respectiva curva fazendo com que a quantidade demandada
cresça mantendo os preços constantes.
2.3.5.1 - Variação de Demanda.
2.3.5.2 – Crescimento da Oferta
Havendo aumento de demanda, visando evitar a ocorrência da
inflação e a consequente manutenção dos preços praticados, a Havendo aumento de oferta, o objetivo é aumentar a
contrapartida é aumentar a oferta de bens e serviços usando de demanda visando evitar a instalação de um processo de deflação.
instrumentos como:
O objetivo, nesta situação de aumento de oferta é manter o
• Financiamento do aumento da produção com juros nível de preços de modo que não ocorra, num segundo
atrativos; momento, um processo de retração da oferta.
• Incentivos fiscais visando reduzir custos ou preços;
90
Introdução à Economia
É interessante notar que havendo deflação, pode ocorrer a • Melhoria nos serviços de saúde, educação e serviços
redução de produção pela insuficiente remuneração dos ativos e públicos;
a demissão de trabalhadores, fatos que podem decorrer na • Gratuidade em alguns serviços de interesse público;
redução da economia e na intranquilidade social. • Redução de importações;
• Redução de tributos;
• Incentivos fiscais na aquisição de insumos.

2.3.5.4 – Exercícios Propostos.

a) É licito afirmar:

• Havendo aumento da capacidade aquisitiva da


população ocorre um crescimento da demanda por
produtos. Visando evitar o estabelecimento de um
processo inflacionário o governo pode privilegiar o
financiamento da capacidade instalada de certo tipo
indústrias.

Neste contexto, o objetivo politico é promover o • A oferta gratuita para a população em geral de serviços
incremento do consumo visando manter o nível de preços manter médicos de qualidade pode aumentar a demanda por
de modo que os produtores mantenham a oferta de seus bens ou bens de consumo durável de baixo valor aquisitivo.
serviços e, em consequência, o nível de emprego.
• Recentemente, em varias cidades do Brasil, foi tentado
Para tanto podem ser implantadas politicas de: aumentar o IPTU, de um exercício para outro, em
valores que triplicariam ou quintuplicariam o valor pago
• Aumento de renda dos consumidores; anteriormente. Tal fato, se fosse realizado, poderia não
• Manutenção da renda de aposentados e pensionistas; afetaria o consumo de bens de consumo duráveis de

91
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
baixo valor, pois os contribuintes poderiam optar pelo
pagamento deste tributo de modo parcelado.

92
Introdução à Economia

Parte III - Macro Economia

93
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

Este princípio leva ao estabelecimento da identidade

3 – MACROECONOMIA.
contábil da macroeconomia, que diz, “para um determinado
nível de produto, a procura agregada é igual à oferta
agregada”. Em expressão matemática:

Repetindo o já comentado na Parte I, a macroeconomia Despesa Agregada = Produto Agregado = Renda Agregada
estuda o funcionamento da economia em seu conjunto. Ou ou
seja, os grandes agregados econômicos cuja abrangência é o Procura Agregada = Oferta Agregada
total da economia.

O propósito da desse estudo é obter uma visão 3.3.2 - Princípio de Say


simplificada da economia e, ao mesmo tempo, com os dados
disponíveis, conhecer e atuar sobre o nível da atividade
econômica de um município estado, uma região ou de um país. O Princípio de Say, Jean Baptiste Say - economista
francês do período clássico, estabelece a relação entre
E, para tanto, procurar o equilíbrio econômico da produção, oferta e demanda. E, diz:
sociedade dentro de uma visão de desenvolvimento e, como
atualmente também é propugnado, em função da melhoria da “A atividade de produção de todas as firmas gera o
qualidade de vida da sociedade, pois permite balizar politicas produto agregado e, simultaneamente, o poder de compra dos
que contribuam para um ordenamento dos recursos nacionais. fatores de produção.”
Noutras palavras: a produção cria a renda que permite
comprar, integralmente o produto.
3.1 – Princípios da Ciência Econômica.
Este princípio leva a concluir que a atividade de geração
do produto agregado cria, simultaneamente, a renda agregada,
3.3.1 – Princípio Fundamental. a oferta desse produto no mercado cria, logicamente, a sua
possibilidade de compra, isto é, a demanda agregada.
A ciência econômica tem como princípio fundamental:
3.2 - O Equilíbrio do Mercado.
“O poder de compra não pode ser destruído”.

94
Introdução à Economia
3.2.1 - Os Fluxos Macro Econômicos.
• O nível do PIB real de uma economia, para um dado
O estudo da macroeconomia quanto ao equilíbrio do período de tempo, pode ser previsto?
mercado parte do conceito de “Fluxo Econômico”.
• O nível do PIB pode ser influenciado ou não?
Aí são analisadas as condições em que ocorre a • O que, ou quais variáveis, pode ser manipulado para
circulação da moeda e, consequentemente, dos bens e influenciar a variação do nível do PIB?
serviços produzidos internamente a uma economia e como
esse ciclo pode ser interrompido ou restabelecido. • Podem ser previstos os efeitos de uma manipulação do
PIB?
Para tanto, serão analisados os fluxos decorrentes de • Qual será o efeito dos impostos sobre o PIB real?
duas situações distintas: i) o de Renda – Despesa cujo objeto
é a analise dos fluxos externos; e o de Renda - Consumo cujo • Qual o impacto de uma ação brusca nas atividades de
objetivo é a analise dos fluxos internos da economia. investimento sobre o PIB?
• Havendo variações nas despesas governamentais, o
que ocorre com o PIB real?
Renda – Despesa Analisa Fluxos Externos
Processo dos Fluxos Inicialmente, este estudo considerara o caso de uma
Macro Econômicos
economia fechada, isto é, quando não existam fluxos
Renda - Consumo Analisa Fluxos Internos monetários e troca de bens entre ela e o exterior.

E, a seguir, o caso de uma economia aberta, onde


Figura 3.0 - Análise Macro Econômica existam fluxos de bens e serviços com o exterior ou, segundo
a nomenclatura utilizada, com o resto do mundo.

3.2.2 - A Análise Renda - Despesa.


3.2.3 – Equilíbrio em Economia Fechada.
A análise renda - despesa é um instrumento
macroeconômico que pretende responder os seguintes
questionamentos:

95
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
No caso da economia fechada, ocorre uma situação de
equilíbrio quando todo o produto colocado no mercado é Produto = $ 100 Produtores
absorvido pelos consumidores. Ver Figuras 3.1.

Nesta situação, o valor monetário do produto equivale ao


nível de renda obtida pelos produtores e, consequentemente,
é igual à demanda ou despesa efetuada pelos consumidores. Mercado RENDA

Matematicamente, a igualdade representativa desse fluxo


de mercado, também denominada de Igualdade Macro -
Econômica, é:
Consumo = $ 100 Consumidores

RENDA = PRODUTO = DESPESA


Figura 3.1 - Fluxo circular da Renda em Equilíbrio
Fonte: LANCASTER, 1979.
No caso em exemplo, é levado ao mercado um produto no
montante de $100 e demandado o mesmo valor. Assim, os
produtores obtêm uma renda igual à despesa dos
consumidores, igual a $100,00.
Esse fato acontece quando não há motivos para os
produtores mudarem o nível de produção nem os
No exemplo apresentado na Figura 3.1, o mercado se consumidores a gastar mais do que a sua própria renda,
apresenta em equilíbrio, para um nível de produto equivalente situação esta que pode se perpetuar indefinidamente.
ao da demanda, ambos iguais a $100 unidades monetárias.

O equilíbrio do mercado, então, ocorre quando o valor do 3.2.4. - Situação de Desequilíbrio.


produto corrente corresponde exatamente ao valor da
despesa planejada. Em outras palavras e macro Antes de entrar na análise em pauta, serão definidos
economicamente falando, quando: os conceitos econômicos de injeções e vazamentos:

Receita Agregada = Despesas Agregadas • Vazamento corresponde à renda gasta pelos consumidores
de uma determinada economia em outra economia, ou com o
resto do mundo.

96
Introdução à Economia
• Injeções ocorrem quando economias externas adquirem bens
e serviços numa economia local e, em contra partida, injetam
capital nesta economia. Assim, qualquer valor advindo de Produto = $ 100 Produtores
fora do fluxo primário renda - despesa caracteriza injeção no
fluxo da renda.

Considerando, agora, o caso de uma economia aberta, Faltam Mercado


RENDA
quando os nacionais adquirem produtos, serviços ou, $10 $90
simplesmente, gastam sua renda em outras economias.
Despesa de $ 90
Neste caso ocorre um vazamento de recursos, havendo Insuficiente para Consumo = $ 90
desvio de consumo de um mercado em equilíbrio para outras manter o nível de Consumidores
economias. produto
Vazamento = $ 10

Em decorrência, faltam recursos para o consumo dos


produtos ofertados no mercado interno. Figura 3.2 - Vazamento no Fluxo de Renda - Levando ao Desequilíbrio
Fonte: LANCASTER, 1979.

No exemplo apresentado na Figura 3.2, o desequilíbrio


do mercado ocorre devido ao vazamento de $10,00 unidades Neste caso, ocorrerá uma menor oferta de bens e
monetárias. Para que o mercado retorne ao equilíbrio, há a serviços e, consequentemente, a redução da renda agregada
necessidade da injeção de outras $10,00 unidade. devido à diminuição de pessoal empregado ou dos salários,
ou de ambos, simultaneamente. Fato esse que ocorre,
No caso de não haver condições de exportação, o comumente, em economias como a brasileira.
mercado passará, em um segundo momento, a se equilibrar
em $90 unidades.
3.2.5. - A Condição de Equilíbrio.

Como já comentado, uma economia pode se manter


em equilíbrio somente se a renda existente gere despesa
suficiente para adquirir o produto do qual a renda é gerada.

97
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
O processo de ajustamento pode ser efetuado através
Por outro lado, o nível do produto da economia pode três tipos de ações:
ser mantido, se o total dos vazamentos for perfeitamente
contrabalançado pelo total das injeções. Ver Figura 3.3. i) Redução do produto real, mantendo os preços
anteriormente praticados;
Se as injeções forem menores que os vazamentos, as
perdas provenientes do fluxo renda-despesa não são ii) Manutenção do nível de produção e redução dos preços
compensadas pelos ganhos externos. A despesa total dos produtos; Neste caso, ocorre a redução de todos os
acrescida das injeções é menor que a renda total, que deve preços, inclusive o dos fatores de produção e aí considerados
ser igual ao valor planejado do produto. os salários.

Assim, a despesa passa a ser insuficiente para a iii) Uma combinação das duas ações acima descritas.
compra do produto planejado, o que faz a necessidade de
alguma intervenção ou ajustamento para voltar ao equilíbrio. Do resultado das ações acima, podem ocorrer dois
movimentos na economia, a saber:

a) Redução da Economia - Se o resultado das ações acima


Produto = $ 100 Produtores conduz a uma redução do produto real, do preço ou de
ambos, diz-se que está havendo uma pressão para baixo
sobre a economia ou recessão;

Mercado b) Crescimento da Economia - Se as injeções excederem os


o$ 10 RENDA
Injeçã $90 vazamentos, haverá uma pressão para cima, com tendência
de aumentar o nível do produto real ou o nível de preços, ou
ambos.
Consumo = $ 90
Consumidores Deste modo, pode-se concluir que, ocorrerá uma
Vazamento = $ 10 pressão para baixo, sobre os preços ou sobre o nível do
produto real ou sobre ambos, se os vazamentos excederem
as injeções.
Figura 3.3 - Equilíbrio mantido por uma injeção igual a um vazamento
Fonte: LANCASTER, 1979. E, haverá uma pressão para cima, se as injeções
excederem os vazamentos, promovendo um aumento no
nível do produto real com possível acréscimo nos preços.

98
Introdução à Economia
pois aumenta o superávit monetário com relação a outras
economias, aumentado em consequência a mobilização de
Situação de Efeito sobre nível dos Preços ou sua força de trabalho.
Desequilíbrio Produtos
Vazamentos > Injeções Pressão para BAIXO Recessão A dificuldade desse processo é o tempo de sua
Injeções > Vazamentos Pressão para CIMA Crescimento realização, pois ocorre em lapso de tempo de médio a longo
prazo para a sua realização.
O processo de reequilíbrio do mercado pode ocorrer,
basicamente, com a adoção de dois tipos de políticas: Esse processo de esforço de exportações requer uma
politica governamental permanente de substituição de
i) Injeções devidas a um esforço de exportação, que importações, melhoria da produtividade, agregação de valor
permita a entrada na economia considerada do em produtos primários exportáveis, mudança cultural e o
volume de recursos necessários ao seu equilíbrio; incentivo ao desenvolvimento de novas tecnologias.
ii) E, na injeção de recursos monetários externos.
No caso de se optar pela entrada de recursos
Figura 3.4.
monetários externos, duas politicas podem ser desenvolvidas:

Esforço de 1º. A captação de recursos para aplicação em ativos


Exportações produtivos;
2º. A captação de recursos para aplicação em ativos
Desequilíbrio Reequilíbrio
do Injeções do
financeiros.
Mercado Mercado
Produtivos No 1º caso, também há a exigibilidade de ações de
Entrada de médio a longo prazo para a sua realização. Entretanto tem o
Recursos Monetários
Financeiros conveniente de propiciar o desenvolvimento de novos bens e
serviços internos, o que contribui para o desenvolvimento e a
mobilização da força de trabalho.
Figura 3.4 – O Reequilíbrio do Mercado
No 2º caso, referente à captação de recursos
financeiros, tal fato pode ocorrer com ações de curto prazo.
No caso das injeções ocorrerem por esforço de Porém, se essa politica for mantida permanentemente, ocorre
exportação, pode-se dizer ter havido um processo virtuoso, um endividamento crescente que, como se tem visto no

99
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Brasil, inibe o fortalecimento da economia interna e o melhor
aproveitamento do próprio potencial seja de capital humano
seja de recursos naturais. Enfim, uma subutilização dos PRODUTO
próprios meios de produção, isso sem falar na migração de
capitais produtivos internos para a ciranda financeira.
DESPESA RENDA

3.2.6 - O Circuito Renda – Consumo.


CONSUMO
Na análise anterior, referente ao circuito renda despesa,

Va
foi discutido o caso em que o fluxo da renda para a despesa

es

za
çõ

m
abrangia o funcionamento global da economia doméstica.

en
je
In

to
s
Naquele caso, os vazamentos constituíam perdas e Figura 3.5 – Circuito Renda – Consumo
Fonte: LANCASTER, 1979.
gastos em favor de outras economias e as injeções eram
oriundas de fontes, também de outras economias.
Havendo redução do consumo de bens produzidos
Pelo caso anteriormente exposto, foi analisada a internamente, o nível de produção cai, procurando o mercado
situação de uma economia aberta, isto é, economias que se acomodar em um patamar de produção, ou PIB, inferior
possuem relações de comércio e pagamentos com o resto do àquele em que se encontrava originalmente, situação que
mundo. leva a uma redução dos postos de trabalho, queda do
emprego real e da renda agregada.
No caso atual, será estudado o caso do fluxo da renda e
do consumo que ocorrem internamente a uma economia, Além disso, os mais competitivos podem retirar seus
também denominados de fluxos endógenos. Para tanto, será capitais dessa economia, agravando o nível de emprego.
estendido o conceito de injeções e vazamentos para o fluxo Ao persistir esse processo por muito tempo, ocorre o
interno, visando à análise em consideração. Ver Figura 3.5. que se denomina em economia de processo de causação
circular cumulativa, fazendo com que o nível de produto, cada
O mais importante componente da despesa total, em vez mais, procure se acomodar num nível mais baixo.
todas as economias, é o consumo, isto é, a parte da renda
A condição de equilíbrio da economia pode ser mantida
que é despendida pelos consumidores na obtenção dos bens
ao nível do produto existente, enquanto os vazamentos
e serviços que desejam ou necessitam. Além disto, o fator
puderem ser compensados com o mesmo nível de injeções
determinante do nível de consumo de uma sociedade é o
ou vice versa.
nível de renda.

100
Introdução à Economia
A condição relevante para determinar as condições de d) Impostos, pois é parte da renda das empresas e famílias
ajustamento ou equilíbrio de uma economia, e motivo de que passam a fugir de seu controle.
discussão entre os meios políticos e acadêmicos, é a
resposta a um questionamento objetivo, após a qual será Por outro lado, as principais fontes de injeções são:
possível estabelecer uma política adequada para tal: investimentos, despesas governamentais e exportações.
........." O ajustamento de uma economia tem lugar, Analisando os itens acima relacionados, considera-se:
primeiramente, devido a alterações no nível de
produto real ou por meio das alterações nos níveis a) Despesas devido à aquisição de bens domésticos
dos preços e dos salários? "....... efetuada por estrangeiros, ou exportações em geral;
Respondida as indagações efetuadas no parágrafo b) Investimentos em bens de capital a exemplo de
anterior, é possível traçar a política desejada visando equipamentos e edificações;
alcançar o equilíbrio da economia.
c) Despesas Governamentais, aquelas realizadas pelo
Basicamente, dois são os modelos disponíveis para governo, em todos os níveis, na aquisição de bens e
alcançar o equilíbrio de mercado: o Modelo Keynesiano ou o serviços produzidos dentro da economia;
Modelo Monetarista.
d) Capital de empréstimo de longo prazo ou capital
Os principais tipos de vazamentos que ocorrem no fluxo especulativo. Nesse caso de capital especulativo, o
renda-consumo são: poupança, impostos e importações. mesmo vem para se beneficiar do nível de juros pago por
títulos do governo ou para o jogo em bolsa de valores.
a) Despesas realizadas no exterior devido à aquisição de
decorrentes da aquisição de bens produzidos no exterior
(importações);
3.2 - Variáveis Macroeconômicas.
b) Aumento dos saldos monetários. É o caso do
entesouramento, que tanto pode ocorrer pela guarda de Nesta sessão serão apresentadas definições e conceitos
dinheiro como por acumulação dos saldos bancários; nos quais se apoiam o estudo da macroeconomia.
c) Compra de títulos governamentais ou de ações, já que
não são bens e serviços produzidos de forma corrente;

101
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
O PIB pode ser calculado de três formas diferentes:

• Pela ótica da oferta;


• Pela ótica da demanda;
• Pela ótica do rendimento.

Seja qual for a ótica que for adotada para o calculo do


valor do PIB o resultado apresentado deve ser o mesmo.

PIB = PNB + Renda Líquida Enviada ao Exterior


ou
PIB = PNB + (Renda Enviada - Renda Recebida)

Como comentários adicionais às definições do PIB e do


Fonte: http://www.empiricus.com.br/
Acesso: 15.07.14.
PNB, a diferença primordial entre esses dois instrumentos de
mensuração macroeconômicos é quanto o tratamento das
transações internacionais.

3.2.1 – PIB e PNB. O PNB agrega as rendas dos residentes e das firmas
domésticas no exterior, o que não ocorre na mensuração do
Produto Nacional Bruto - PNB, também denominado de PIB.
Renda Nacional, representa o somatório ou agregado, de
todos os bens e serviços produzidos num pais ou numa O PIB agrega as rendas resultantes da atividade de não
região, descontados o valor dos bens e serviços residentes ou firmas estrangeiras que atuam dentro do País.
intermediários utilizados na sua consecução. Na mensuração do PNB, esses itens são excluídos.

Como exemplo do acima exposto, toma-se os lucros


PNB = Σ Agregado dos Bens + Σ dos Serviços. auferidos por uma firma estrangeira no Brasil. Esses lucros
seriam agregados ao PIB e no PNB, não.
O Produto Interno Bruto, PIB, é definido como a soma
do PNB, acrescido da renda líquida enviada ao exterior.

102
Introdução à Economia
A eleição de um desses instrumentos, PIB ou PNB, como PIBPM
base dos estudos macroeconômicos e das relações entre as PIBREAL = t=n
principais contas nacionais, varia de País para País. Φt=1

Froyen sita o caso do Paquistão e dos EEUU. Enquanto


os primeiros adotam o PNB, já que é expressivo o número de
trabalhadores paquistaneses que trabalham no exterior e
remetem suas rendas para seu país. O EEUU preferem adotar
o PIB, dado este fator ter pouca expressão, em como a renda
auferida por empresas estrangeiras em seu território é similar
àquela recebida pelas firmas americanas no exterior.

3.2.2 – Produto Nominal e Produto Real.

O Produto Nominal representa o valor do somatório de


todos os bens finais de mercadorias e serviços calculados a
preço corrente de mercado, relativos a uma dada economia em
um determinado período. Tanto o PNB como o PIB pode ser
definido em termos de moeda corrente.
Fonte: http://www.empiricus.com.br/
O Produto Real representa o PIB em termos de moeda Acesso: 15.07.14.
de poder aquisitivo constante, no qual é descontada a variação
de preços, ou inflação, ocorrida no período de tempo
considerado. 3.2.3 - Produto Nacional Líquido.

Como, neste estudo, será utilizado o símbolo PIBPM para


O Produto Nacional Líquido é obtido após ser
o PIB nominal, tem-se.
descontada a depreciação do Produto Nacional Bruto.
PIBREAL = PIBPM ÷ Φ (Índice de variação de Preços)
PNL = PNB - Depreciação


Richard T. Froyen. Macroeconomia.
103
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
3.2.4 - Produto Nacional Líquido a Preços de Mercado. 3.3 – A Contabilidade Nacional.

O PNL a preço de mercado equivale ao valor do Produto A contabilidade nacional, também denominada de
Nacional Líquido considerando o preço dos insumos contabilidade social, relaciona, define, e mede o valor dos
necessários à realização dos produtos e serviços, acrescido agregados econômicos.
dos impostos incorridos no processo produtivo.
O estudo das variáveis macroeconômicas é realizado
PNL a preços de mercado = PNL a custo dos fatores + Impostos Indiretos através das contas nacionais, cuja abordagem é semelhante à
utilizada na contabilidade empresarial.

Identicamente às contas da contabilidade empresarial


3.2.5 - PIB Per Capita. onde existem contas de ativo e passivo, a macro economia
também pode ser estudada sob duas óticas: o lado do produto
O PIB per capita, também denominado de renda per e o lado da renda.
capita é uma medida da renda média obtida por uma dada
população. No lado do produto, são medidas a produção e as
vendas. No lado da renda, é medida a distribuição do resultado
PIBPM monetário das vendas.
PIBPER CAPITA =
População Total
Isto é possível com o estabelecimento de uma série de
contas que integram a contabilidade nacional e o registro das
A restrição que se faz ao PIB per capita como indicador transações realizadas entre os diferentes setores da economia
da qualidade de vida de uma população é que fica do país, bem como com a de outros países.
subentendido que todos os indivíduos integrantes desta
população participam igualmente da renda por ela gerada.
O principal grupo de itens das contas nacionais é integrado
Quando muito, esse indicador serve para comparar a pelas seguintes contas, também denominadas de macro
pujança de uma economia frente à outra. agregados: governo, famílias, resto do mundo, produção,
acumulação.
Mas, sem dúvida alguma, como é uma média
aritmética, oferece conclusão distorcida quanto à participação Estas contas são consolidadas em seus principais
do indivíduo na apropriação ou distribuição da riqueza agregados e divulgadas pela Diretoria de Pesquisa do
nacional. Departamento de Contas Nacionais, organismos públicos
integrantes do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística,

104
Introdução à Economia
órgão que tem como uma de suas atribuições a coleta de
dados e a definição destas contas.
3.3.4 - Contas Nacionais.
Do lado do produto, duas são as medidas largamente
utilizadas para avaliar a produção global. O Produto Interno Nas tabelas seguintes, são apresentadas as Contas
Bruto e o Produto Nacional Bruto. Nacionais, relacionando os seus principais agregados.

Conta Resto do Mundo


3.3.3 - Principais Agregados da Contabilidade Nacional. Fluxo de Saída Fluxo de Entrada
• Exportações • Importações
• Poupança do Resto do Mundo • Renda Líquida Enviada ao Exterior
Considerando a identidade contábil macroeconômica, a
Σ = X + RLR Σ = M + RLE
economia pode ser estudada e analisada pelo lado do gasto,
isto é, da demanda agregada; ou, pelo lado da renda, também Conta Governo
denominada de oferta agregada em que o valor da demanda Gastos e Resultado Receitas
agregada é igual ao valor da oferta agregada. • Consumo do Governo • Impostos Indiretos
• Investimentos Governamentais • Impostos Pessoais
O modelo adotado nesses estudos é dado no quadro a • Transferências Governamentais • Impostos sobre Lucros
seguir: • Subsídios • Contribuições Patronais à
• Déficit/Superávit (+/-) Previdência
• Contribuições Pessoais à
Demanda Agregada Oferta Agregada Previdência
+Consumo Privado Σ=G Σ = YDg
+Agricultura e Pesca
+ Consumo Público
+ Indústria
+ Formação Bruta de Capital
+ Construção
+ Variação de Estoques Conta Famílias
+ Serviços
+ Exportação Gastos e Poupança Receitas
(-) Importação • Salários
• Consumo das Famílias • Juros
(-) Impostos Indiretos • Impostos Pessoais • Lucros Distribuídos
+ Subsídios • Contribuições Pessoais à • Aluguéis
PIB custo dos fatores = PIB custo dos fatores Previdência • Transferências Governamentais
• Poupança das Famílias • (-) Renda Líquida enviada ao
exterior ( Rle = Renv – Rrecb)
Σ=C Σ = Ydp

105
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

Balanço de Pagamentos
Conta Acumulação 1. Balança Comercial
Investimentos Poupança (+) Exportação de mercadorias
• Lucros Retidos (-) Importações de mercadorias
• Depreciação
• Formação Bruta de Capital
• Poupança das Famílias
• Variação nos Estoques 2. Balança de Serviços ( viagens, fretes, lucros, juros, etc.)
• Poupança do Governo
• Poupança do Resto do Mundo (+) Receitas de Serviços
Σ=I Σ=P (-) Despesas de Serviços

3. Transferências Unilaterais
(+) Recebimentos
(-) Pagamentos

4. Saldo em transações correntes (1+2+3)


3.3.5 - Balanço de Pagamentos
5. Movimento de Capitais

Um balanço de pagamento é o registro das entradas e


5.1. Empréstimos e Financiamentos
saídas de divisas de um país, num dado período de tempo, e
mostra se o País se houve com déficit ou superávit. a) (+) empréstimos e financiamentos recebidos do resto do mundo.
b) (-) pagamentos/amortizações de empréstimos e financiamentos.
Esse registro segue uma metodologia estabelecida pelo c) (-) empréstimos/ financiamentos realizados para o resto do mundo.
FMI - Fundo Monetário Internacional e é seguido pelo Brasil. d) (+) recebimentos e amortizações de empréstimos concedidos.

O resultado ou saldo das transações da Balança 5.2. Investimentos


Comercial também é denominado Resultado Primário das (+) capital de risco recebido
transações correntes. (-) investimentos de risco realizados no resto do mundo.

6. Erros e Omissões (+/-).

7. Déficit ou Superávit Global ( 4+5+6)

106
Introdução à Economia
Antes de se distinguir entre PNB - Produto Nacional
Bruto & PNL - Produto Nacional Líquido, há que se conhecer
3.4 - Relações entre Macro Magnitudes. os seguintes conceitos:

a) Investimento Bruto corresponde ao somatório ou agregado


dos gastos efetuados em novas plantas e equipamentos
mais a variação de estoques;

b) Investimento Líquido corresponde ao investimento bruto


descontado da depreciação ou amortizações.

PNB = C + Investimento Bruto + G + (X - M)

PNL = C + Investimento Líquido + G + (X - M)


3.4.1 – Conceitos.
Igualando-se as duas expressões acima se têm:
A análise macroeconômica é apoiada na Identidade PNL = PNB - (depreciação ou amortização)
Macro Econômica, considerando o Fluxo Circular da Economia
e que, para um dado nível de produto, será denominado de
Produto Interno Bruto - PIB. 3.4.2 - Renda Nacional Disponível

Antes de iniciar o estudo das macro magnitudes,


RND = RN + RLE
recorda-se que, para um determinado nível de produto, a
identidade contábil macroeconômica estabelece que:
Em que:
• RND = Renda Nacional Disponível;
Oferta Agregada = Procura Agregada
• RN = Renda Nacional;
ou • RLE = Transferências Líquidas de Recursos
Renda Agregada = Produto Agregado = Despesa Agregada Financeiros para o Resto do Mundo.

107
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
A Renda Líquida Enviada para o Exterior, RLE , por sua situação dos atores acima descritos no fluxo circular da renda.
vez , equivale ao saldo do balanço dos recursos financeiros LANCASTER, 1979. 2ª Edição.
envolvidos com o resto do mundo, obtida pela diferença entre
a Renda Enviada ao Exterior, RENV, e a Renda Recebida do
Exterior, RREC.
RLE = R ENV - R REC
Tanto a análise dos fluxos macro econômicos, como a
do PIBpm , será realizada sob duas óticas: i) pelo lado da
oferta; ii) pelo lado da procura.

Lado da Oferta

Óticas do PIB

Lado da Procura

Visando facilitar o entendimento do aluno é apresentado


o desenho da Estrutura Macro Econômica Básica, Figura 3.5,
esquema que permite visualizar o inter-relacionamento dos
fluxos básicos da economia realizado entre os principais
agentes econômicos, tanto pelo lado da oferta como pelo lado
da procura, mantido um determinado nível de produto.

Para tanto, o inter-relacionamento dos fluxos


macroeconômicos ocorre entre os seguintes atores: o governo,
as famílias, o mercado de capitais e o resto do mundo.

A Figura 3.6 mostra um modelo da Estrutura


Macroeconômica Básica onde se pode visualizar o fluxo
circular da renda, a identidade contábil macroeconômica e a

108
Introdução à Economia
empregados, remuneração de autônomos, juros e lucros,
Para que se possa entender a formulação dos modelos aluguéis, royalties e licenças de utilização, recebidos dentro
matemáticos que exprimem os fluxos macroeconômicos do país. Não integram esse grupo as transferências
expressos na Figura 3.6, há que conhecer a nomenclatura e as realizadas para o governo devido ao pagamento de impostos
definições a seguir: e os lucros retidos;

Símbolo Definição b) Ydg = Renda do Governo, integram esta conta o


PIBpm = Produto Interno Bruto a preço de mercado agregado de todos os impostos arrecadados, diretos e
Y = Renda = PIBpm indiretos, deduzidas as devoluções havidas, mais o lucro das
C = Consumo das Famílias empresas estatais e os juros e multas pagos ao governo.
I = Investimentos: I = IP+IN
G = Gastos do Governo c) Pe = Poupança das Empresas, equivale à formação de
Ib = Investimento bruto capital fixo pelas empresas, principalmente utilizando os
X = Exportação de mercadorias e serviços
lucros retidos e os incorporando à conta de Capital Social das
M = Importações de mercadorias e serviços
Ydp = Renda disponível pelo Setor Privado empresas.
Ydg = Renda Disponível pelo Setor Público
RLE = Renda Líquida Enviada ao Exterior d) I = Investimentos. Corresponde à aquisição de máquinas,
Símbolo Definição equipamentos e instalações destinados à produção de bens e
PIBpm = Produto Interno Bruto a preço de mercado serviços a serem consumidos pelas empresas, tanto do setor
Y = Renda = PIBpm público como do privado;
C = Consumo das Famílias
I = Investimentos: I = IP+IN Para o estudo do Investimento, I, é comum dividi-lo em
G = Gastos do Governo duas parcelas fundamentais: os Investimentos Planejados e
Ib = Investimento bruto os Investimentos Não Planejados, estes também
X = Exportação de mercadorias e serviços
denominados de Variações de Estoques. Matematicamente:
M = Importações de mercadorias e serviços
Ydp = Renda disponível pelo Setor Privado
Ydg = Renda Disponível pelo Setor Público I = IP + IN
RLE = Renda Líquida Enviada ao Exterior
Os Investimentos Planejados correspondem aos
agregados das contas dos investimentos realizados em
a) Ydp = Renda Disponível – significa o total recebido como equipamentos e bens produtivos. Os Investimentos Não
rendimentos pela população, a título de salários de

109
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Planejados referem-se ao aumento ou a diminuição dos
estoques disponíveis para consumo.

e) G = Gastos do Governo, são os gastos realizados com o


pagamento de pessoal e custeio da máquina administrativa,
na aquisição de bens e serviços;

f) RLE = Renda líquida enviada ao exterior. Esta renda e


resultado do capital enviado ao exterior menos o capital
recebido.
RLE = RLENV-RLREC

g) RLENV = Renda Líquida Enviada, equivale a recursos


financeiros enviados ao exterior a exemplo de: capital de
risco, empréstimos, compra de ativos financeiros, compra de
ouro, doações enviadas, salários pagos no exterior, etc.;

h) RLREC = Renda Líquida Recebida do exterior, integram


esse grupo as mesmas despesas definidas no item anterior,
porém em sentido inverso, isto é, a internalização desses
recursos.
PIB – valores correntes – BRASIL – 2006 a 20012
Associando os símbolos acima por setor da economia e Bilhões de Reais
dada à igualdade contábil macroeconômica tem-se: 2006 2.369
2007 2.661
2008 3.032
2009 3.239
Setor ∑ Renda ∑ Despesa 2010 3.770
População - Famílias Ydp C 2011 4.143
Governo Ydg G 2012 4.403
2013 4.838
Empresas Pe I Fonte: http://brasilemsintese.ibge.gov.br/contas-nacionais/pib-valores-correntes.
Resto do Mundo RLENV RLREC Acesso: 22.04.2014

Σ = PIBpm Y D

110
Introdução à Economia

Sabendo-se que, em termos contábeis e para um


mesmo nível de produto, a oferta é igual à procura. Ou
respectivamente, em outras palavras, a renda obtida pelos
ofertantes dos bens e serviços é igual à despesa efetuada
pelos agentes econômicos, podem-se igualar os segundos
termos das equações acima:
Y+M=C+I+G+X ∴

Y = C + I + G + (X - M)

3.4.4 – Análise do Fluxo da Procura

Podem-se realizar as seguintes inferências quanto à


situação da economia frente às demais economias do mundo,
considerando as igualdades acima, especialmente a descrita
3.4.3 – Análise pelo Lado da Procura. no item 3.4.1: Y = C + I + G + ( X - M ).

Sabendo-se que, numa economia aberta, a oferta de • Economia superavitária: Y - {C + I + G + (X - M)} > 0
produtos e serviços é equivalente ao Produto Interno Bruto a
preços de mercado, acrescido das importações tanto de • Economia equilibrada: Y - {C + I + G + (X - M)} = 0
mercadorias como de serviços: • Economia deficitária: Y - {C + I + G + (X - M)} < 0

Oferta Agregada = Y + M
Sendo superavitária a economia, entram mais recursos
financeiros na economia nacional, propiciando ao governo
E que a demanda, ou procura, agregada dentro da condições de enxugamento do meio circulante para que não
mesma economia equivale ao somatório das despesas nela ocorra inflação pelo excesso de moeda disponível.
efetuadas:
Procura Agregada = C + I + G + X

111
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
No caso de ser deficitária, o governo deverá propiciar Para a análise do PIBpm e dos fluxos monetários pelo
uma adequada injeção de recursos visando o equilíbrio macro lado da oferta ou da renda agregada, três principais fluxos ou
econômico. macro variáveis são considerados: a renda obtida pelo setor
privado, aí consideradas as famílias e as empresas; a renda
Essa injeção de recursos poderá ocorrer por: disponível pelo setor público, principalmente os impostos; e a
renda líquida enviada ao exterior, expressivamente os juros,
• Empréstimos em moeda; amortização de dívidas e o repatriamento de capitais.
• Capital de risco, mais volátil, pois normalmente
destinado à Bolsa de Valores ou Títulos do Governo; Sendo: Y = PIBpm
• Investimentos em ativos permanentes.
Y = PIBpm = Ydp + Ydg + Rle
Além disso, podem-se efetuar as seguintes inferências ao
serem analisadas as identidades: ( C+ I + G ) correspondendo
à procura (consumo) interna de bens e serviços e ( X - M ) o Considerando que a Oferta Agregada é igual à Procura
saldo da balança de pagamentos ou a procura de bens Agregada e levando a equação acima na da Procura
externos. Agregada:
Ydp + Ydg + RLE = C + I + G + (X - M)
Se (C+ I + G) > PIBpm , então as exportações deverão superar
as importações de tal forma a equilibrar o balanço de Ao ser agrupado o fluxo com o Resto do Mundo, tem-se:
pagamentos.
Ydp + Ydg - (X - M - RLE) = C + I + G
No caso das exportações e importações, apresentar um
balanço, (X - M ) com saldo negativo, para haver o equilíbrio Analisando as igualdades acima, podem-se efetuar as
contábil deverá ocorrer a captação de recursos externos ou a seguintes inferências:
queima de divisas.
C+I+G ⇒ Representa o valor de mercado da demanda
interna de bens e serviços realizados pelas
No momento de pagar dívidas, será necessário que as
famílias, governo e pelos investimentos das
importações sejam inferiores às exportações. Além disto, para empresas;
que se disponha de saldo de bens, a demanda interna devera Ydp + Ydg ⇒ Representa o poder de compra devido a renda
ser inferior à produção anual representada pelo (Y) PIBpm. gerada e distribuída internamente, ou seja, a
renda disponível do governo e a renda disponível
do setor privado;
3.4.5 – Análise pelo Lado da Oferta. (X - M - RLE) ⇒ Representa o balanço dos recursos tomados ou
enviados ao exterior. Considerando as variáveis X

112
Introdução à Economia
& M, estas representam o fluxo de mercadorias e Além disto, quanto maior for “X”, maior a demanda de
RLE o fluxo de recursos financeiros. mão de obra e recursos internos, com expressão direta no bem
estar da população.

O lado esquerdo, em seu conjunto, exprime o poder de


compra de uma economia representado pela renda distribuída 3.4.6 – O Equilíbrio Agregado.
internamente: Ydp + Ydg - (X - M - RLE).
Do acima exposto, verifica-se que a economia como um
A expressão acima pode ser subdividida em dois todo, isto é, o sistema econômico esta em equilíbrio quando as
fatores, a saber: despesas agregadas são iguais à renda nacional, Y.

a) Ydp + Ydg Que representa a renda disponível pelo O nível de Produção Máximo, ou Produto Nacional
governo, acrescida da renda disponível pelo Potencial, é determinado por dois fatores:
setor privado.
 O volume dos recursos disponíveis;
b) (X - M - RLE) Representando o Balanço de Pagamentos  A tecnologia adotada.
nacional, isto é, as exportações deduzidas
das importações e da renda líquida enviada
ao exterior.

É interessante notar que “X”, as exportações, se por um


lado retiram bens do consumo nacional, por outro propiciam
um fluxo positivo de divisas, o que faz com que uma economia
se fortaleça perante o resto do mundo.

Sendo o valor do agregado “X” muito maior do que “M”,


as importações, o saldo da balança comercial passa a ser
superavitário. Essa situação leva ao aumento do poder de
compra dos nacionais frente aos demais países, com
expressão direta na taxa de câmbio, assunto a se visto
oportunamente.

113
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
Despesas - $ Y Sendo a Renda Nacional de equilíbrio abaixo da renda
nacional de pleno emprego, ocorrerá a subutilização dos
C+G+I+(X - M)
recursos.
C+G+I
Se a renda de equilíbrio nacional exceder o potencial
C+G
que a economia é capaz de produzir, haverá inflação.
C
Considerando que nem todos os setores da economia
atingem simultaneamente a condição de pleno emprego, as
Renda de pressões inflacionárias serão sentidas já em fase em que
Equilíbrio outros setores da economia ainda estão operando em situação
Renda - $ de subemprego dos recursos.

Os economistas denominam este último caso como


Figura 3.7 – O Equilíbrio Agregado sendo de estrangulamento inflacionário.

O aumento dos recursos disponíveis desloca o nível de


produção potencial para cima. A redução dos recursos, em
3.4.7 - Exercício - Questionário
situação oposta, desloca o nível de produção para baixo. Ver
Figura 3.7.
Dado as identidades acima, podem ser formulados
Mas, para que a produção real se mantenha nos alguns questionamentos quanto ao PIBpm :
mesmos níveis que a produção potencial, é necessário uma Que este conceito representa em termos de bem estar
expansão, simultânea, das despesas agregadas. para a sociedade?
Que ele tem a ver com o nível de emprego dos recursos
A despesa agregada é composta pelo consumo das
produtivos?
famílias, investimentos, gastos do governo e o saldo da
balança de pagamentos (X-M). Juntos, eles determinam o nível Que faz com que este indicador aumente ou diminua de
de equilíbrio da Renda e do Produto Nacional. um período para outro?
Porque países tem PIBpm diferentes ?
Se o PNB potencial, isto é, o produto que a economia for
capaz de produzir, for igual ao PNB de equilíbrio, então a Qual a relação do com os conceitos de desenvolvimento
economia se encontrará em pleno emprego e sem inflação. e subdesenvolvimento?

114
Introdução à Economia
Qual a importância do e de suas variações para as
organizações? Em que:

PIBpm = PIB a preço de mercado


3.5 - Do Produto Nacional ao Produto Interno – Brutos.
PIBcf = PIB considerando o custo dos fatores.
TRI = Tributos ou impostos indiretos, isto é, aqueles que são
Quando se considera o Produto Interno Bruto a custo transferidos aos consumidores; Exemplo: ICMS, IPI,
dos fatores de produção, PIBc.f. , há que se entender dois CPMF, Contribuição Social.
conceitos agregados à este termo: SUB = Subsídios recebidos.

i. Que o PIB é calculado sem a consideração dos impostos


indiretos, isto é, aqueles impostos que não são suportados 3.5.1 - Determinantes do Valor do PIBpm
pelo produtor, mas, transferidos à pessoa que adquire o
produto ou serviço; Este item visa demonstrar como a evolução das
variáveis macroeconômicas determinam uma variação do PIB.
ii. Que o termo interno significa que as atividades produtivas
foram produzidas dentro da fronteira do país ou região. Isto é, em havendo variação do nível dos agregados e
da influência que uns exerçam sobre os outros, como ocorre
Assim: um aumento ou uma diminuição no PIBpm , de um período para
outro.
PIBc.f. = PNBc.f. + RRE - RRN
Keynes e Kalecki, em manifestação quanto a este
Em que:
assunto chegaram a seguinte conclusão:...”o nível da produção
RRE = rendas obtidas pelos residentes estrangeiros no país; e do emprego dependem da procura, ou demanda, agregada “.
RRN = renda obtida por nacionais no exterior.
Noutras palavras, a procura agregada é que determinará
No caso do PIB a preços de mercado, há que considerar a oferta agregada e não o contrário.
os impostos e os subsídios incidentes sobre o preço dos
produtos, já que eles influenciam a formação do preço final. Então, para a determinação da variação do PIB
Então: interessará saber o comportamento das variáveis integrantes
do lado direito da igualdade macroeconômica. E, no caso
PIBpm = PIBcf + TRI - SUB
115
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
inverso, em havendo redução na renda das famílias, ocorre famílias que será destinada a gastos de consumo, a cada
redução no consumo. unidade monetária de ganho adicional de renda.
Matematicamente,
Do modelo acima demonstrado: ∆C
k=
Y=C+I+G +(X-M)
∆Ydp
Considerando que o gasto com consumo agregado das
Neste modelo, “C” representa o consumo das famílias e famílias é inferior à renda gerada, tem-se que k<1.
é uma variável que depende do nível de renda das mesmas.
Isto é, conforme aumenta a renda, consequentemente aumenta Por outro lado, a poupança efetuada devido a acréscimo
o consumo das famílias. marginal de renda é expressa por (1 - k).

Considerando ser “C” o consumo das famílias, ele pode Deste modo, se a Propensão Marginal a Consumir,
ser subdividido em duas partes. Uma que represente um PMgC, equivalente a “k” e menor que 1, estabelece a parcela
consumo que independa do crescimento da renda, sendo da renda que é destinada ao consumo não compulsório, a
relativa ao consumo básico das famílias. A outra vinculada ao Propensão Marginal a Poupar, PMgP, representa o seu
aumento de Ydp. Matematicamente: complemento, (1-k).

C = Cf + kY Considerando, ainda, que I, G, ( X - M ) são variáveis


autônomas, isto é, podem variar independentemente do nível
de renda e da produção. E, substituindo as variáveis acima
Em que: descritas na equação da renda, acima:
• Cf = o consumo efetuado pelas famílias, Y = Co + k Y + G + I + (X - M)
independentemente do nível do PIB.
• k = propensão marginal a consumir. Ao ser isolado o termo do PIBpm , chega-se a uma
equação denominada Renda Ou Produto de Equilíbrio.

A Teoria de Keynes, pelo exposto, associa


univocamente, a cada nível de renda das famílias, Ydp, um C0 +G+I+(X-M)
Y=
nível de consumo, C. (1-k)

Por definição, a propensão marginal a consumir, é


considerada como a razão entre o incremento da renda das

116
Introdução à Economia
Complementando, havendo intervenção sobre a Considerando um incremento na demanda do governo, G,
demanda, é possível aumentar ou diminuir o PIBpm, a Renda consequentemente ocorrerá uma variação incremental no valor
Nacional . da renda, Y. Assim, pode-se escrever:

E, esta intervenção sobre a renda pode ser efetuada


através da adoção de uma série de políticas disponíveis, ao se C0 +(G+∆G) +I+(X-M)
Y+∆Y= ∴
incrementar restringir a renda ou os investimentos necessários (1-k)
à formação da demanda. C0 +G+I+(X-M) ∆𝐺𝐺
Y+∆Y = +
(1-k) (1 − 𝑘𝑘)
k • Propensão Marginal a Consumir Ao ser efetuada a substituição da expressão representativa
da renda situada do lado direito da igualdade acima por Y e,
1-k • Propensão Marginal a Poupar eliminando-o por subtração, já que consta dos dois lados da
equação, chega-se a:
1/(1-k) • Efeito Multiplicador de Renda ∆G 1
∆Y= ∴ ∆Y=∆G∙
(1-k) (1-k)
Em que:

3.5.2 - Efeito Multiplicador de Renda.


1
= µ  efeito multiplicador da renda.
O efeito multiplicador de renda, µ, é um fator que indica (1-k)
qual será a variação do PIBpm, quando ocorrer alterações nas
diversas variáveis que integram o modelo.
A importância do conhecimento do efeito multiplicador de
A partir da equação da Renda de Equilíbrio, é possível renda é conhecer a proporção em que é alterado o nível de
demonstrar como é obtido esse fator. Sendo Y = Renda = renda de uma sociedade, ou seja, o PIBpm , havendo uma
PIBpm tem-se: variação nalgum dos macro agregados: G, I, Co e (X -M).
C0 +G+I+(X-M)
Y= Como exemplo e aplicação do acima comentado, no
(1-k)
desenho da Figura 3.8 é demonstrado uma queda do PIB, ou
do PNB, motivado pela redução do Consumo, C, após o
governo propiciar um aumento de impostos.
117
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

• Procura Agregada = Procura Efetiva + Formação Voluntária


(Involuntária) de Estoques
3.5.3 – Exercícios.
• Investimento Bruto = investimentos voluntários + formação
3.5.3.1 – Exercícios Resolvidos. (ou redução) involuntária de estoques.

b) Calcular o PIBpm para uma economia, considerando ela

Investimento

Investimento
Involuntário
apresentar as seguintes características:

Voluntário

Agregada
Procura

Procura
Efetiva
X-M
PIBpm C G
• C = 1.000 + 0,6 PIBpm
• G = 6.000 $
• I = 5.000 $
40.000 25.000 6.000 5.000 0 36.000 4.000 40.000
• (X - M) = 0
35.000 22.000 6.000 5.000 0 33.000 2.000 35.000
30.000 19.000 6.000 5.000 0 30.000 0,00 30.000
25.000 16.000 6.000 5.000 0 27.000 -2.000 25.000
i. Cálculo do PIBpm. 20.000 6.000 5.000 0 -4.000 20.000
PIBpm = Procura Agregada
PIBpm = ( 1000 + 6000 + 5000 + 0 ) ÷ ( 1 - 0,6 ) = 30.000 $ Fonte: Economia Aplicada à Administração/ Silva & Jorge.

ii. Simulações. c) Considerando que o governo promoveu um incremento nos


impostos na ordem de 50×109 $ e que a economia em
A situação expressa em "a", indica uma situação de consideração apresenta uma PMgC igual a 0,75, o calculo da
equilíbrio e que, variando o PIBpm e mantendo fixas outras variação no PNB é dado por:
condições, é possível analisar o que acontece com as
demais variáveis.

• Procura Efetiva = demanda voluntária de bens e serviços =


C + G + (X-M) + Investimentos Voluntários.

• Investimentos Voluntários = formação bruta de capital fixo +


formação (redução) de estoques.
118
Introdução à Economia
f (C)
PNB iii. Cálculo do Decréscimo da Poupança.

2 f (C2) Com os dados acima, pode-se calcular o quanto cairá a


C poupança nacional, dado o incremento dos impostos na ordem
de $50×109.
f (C1)
1
C
∆P = 50 – 37,5 = 12,5 109 $

3.5.3.2 - Exercícios Propostos.


PNB
R$ 109
PNB1 PNB2
e) A partir da equação da Renda de Equilíbrio, definir µ
quando ocorre um incremento nos investimentos e no
balanço de pagamentos.
Figura 3.8 – Variação do PNB
f) O produto existente em uma economia monta a $1.200
No caso em pauta, pode-se verificar que ocorrerá uma milhões. A poupança planejada é de $100 milhões. O
variação para menor: fluxo de arrecadação do governo é de $250 milhões e a
economia privada participa valores na ordem de $200
d) Calculo do Decréscimo do Consumo: milhões.

∆C = k ∙ ∆G ∴ ∆C = 0,75 × 50 = 37,5 109 $ g) Considerando ser uma economia fechada, isto é,


inexistem transações internacionais, pergunta-se:
• Qual será o nível de despesa governamental que
equilibrará a economia em seu produto existente?
b) Calculo do Decréscimo do PIB.
• Qual a propensão marginal a consumir para o nível da
1 1 economia considerada?
µ= = =4
PMgC (1 − 0,75)

∆PNB = 4 × 37,5 = (150,0 109 $ )


119
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
• Considerando os dados do exercício anterior e que seja Há, porém, a previsão de novos pagamentos de juros e
uma economia aberta cujas exportações montam a $20 amortização de dívidas, o que acarretará um incremento de
milhões e as importações $16 milhões, pergunta-se: 86,20% na remessa líquida de recursos para o exterior.

• Qual será o nível de equilíbrio da despesa Mostre qual será a política que você propõe para o próximo
governamental necessário a manter o nível do produto exercício, visando manter equilibradas as contas nacionais, de
existente? forma a não comprometer expressivamente o endividamento
externo e a quantificação das respectivas metas.
h) Considerando os dados do exercício “a” e que seja uma
economia aberta cujas exportações montam a $20 milhões e
as importações $36 milhões, pergunta-se: Qual será o nível Exercício de 2001
de equilíbrio da despesa governamental necessário a Renda Despesa
manter o nível do produto existente? Neste caso, comente o Ydg .....................382,0 G1......................111,0
Ydp......................598,0 G2..................... 271,0
que acontece com essa economia em termos globais? R.Enviada.. ....... 58,0 C....................... 509,0
(-) R.Recebida.... 47,0 I .........................119,0
e) Na economia descrita no exercício “a”, a despesa M....................... 97,0 X ......................... 78,0
governamental é tal que equilibra e economia em seu nível $ 1.088 Bilhões $ 1.088 Bilhões
de produto original de $1.200 milhões. O sistema de Obs.: G1 - investimento infra estrutura; G2 – despesas de custeio.
impostos é tal que para cada unidade monetária de
produto adicional acima dos $1.200 milhões, aumentara os
impostos em $0,50 unidades monetárias. 3.6 - Teoria Keynesiana.

Considerando que os níveis de investimentos e poupança 3.6.1 – Objetivo Político (9).


não sejam afetados pelo aumento do nível do produto, de
quanto deverá este crescer, se a despesa governamental Conjunto de ideias que propunham a intervenção estatal
aumentar em $ 1 milhão? na vida econômica com o objetivo de conduzir a um regime de
pleno emprego.
f) Uma economia apresentou, para o exercício de 2001, um
PIBpm no montante de $1.088 bilhões, configurado As teorias de John Maynard Keynes tiveram enorme
segundo os macro agregados relacionados na tabela influência na renovação das teorias clássicas e na
abaixo.

A previsão para o exercício seguinte é que ela cresça em 3%. (9) Fonte:
http://www.economiabr.net/teoria_escolas/teoria_keynesiana.html

120
Introdução à Economia
reformulação da política de livre mercado. Acreditava que a escala mundial, das décadas de 1980 e 1990 refletem os
economia seguiria o caminho do pleno emprego, sendo o postulados da política econômica de John Maynard Keynes.
desemprego uma situação temporária que desapareceria
graças às forças do mercado.

O objetivo do keynesianismo era manter o crescimento 3.6.2 - Modelo Keynesiano – Condições de Equilíbrio.
da demanda em paridade com o aumento da capacidade
produtiva da economia, de forma suficiente para garantir o Considerando uma economia fechada e modo
pleno emprego, mas sem excesso, pois isto provocaria um simplificado, o modelo Keynesiano parte do entendimento que
aumento da inflação. o produto estará em equilíbrio quando o produto nacional bruto,
o PNB, seja igual à demanda agregada. FROYEN, 1999.
Na década de 1970 o keynesianismo sofreu severas
críticas por parte de uma nova doutrina econômica: o Y=D
monetarismo.

Em quase todos os países industrializados o pleno


emprego e o nível de vida crescente alcançados nos 25 anos Renda Nacional = Y
posteriores à II Guerra Mundial foram seguidos pela inflação.
Famílias Firmas
Os keynesianos admitiram que fosse difícil conciliar o
pleno emprego e o controle da inflação, considerando, Consumo = C

sobretudo, as negociações dos sindicatos com os empresários


Mercado
por aumentos salariais. Poupança = S
Financeiro
Investimento = I

Por esta razão, foram tomadas medidas que evitassem Impostos = T Governo Gastos Governo = G
o crescimento dos salários e preços, mas a partir da década de
1960 os índices de inflação foram acelerados de forma
Fonte: FROYEN, 1.999.
alarmante.
Figura 3.10 – Fluxo Circular – Modelo Keynesiano

A partir do final da década de 1970, os economistas têm


adotado argumentos monetaristas em detrimento daqueles
Analisando expressão matemática de equilíbrio do mercado
propostos pela doutrina keynesiana; mas as recessões, em
acima, e a Figura 3.10 que mostra o fluxo circular da renda, num
121
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
modelo de economia fechada (10), o equilíbrio do mercado, no
modelo Keynesiano, pode ser realizado sob três modos distintos:

1º. Da Figura 3.1, que mostra o fluxo circular da renda, verifica- 3º - Considerando pelo lado da demanda e uma economia
se que o modelo de equilíbrio ocorre quando que o valor do fechada, o produto nacional bruto, Y, corresponde à renda
PIB é equivalente ao somatório do consumo das famílias, dos nacional agregada. Então, pode-se escrever que:
investimentos realizados e dos gastos do governo. FROYEN,
1999. Y≡ C+S+T

Matematicamente: Y = D. A equação acima deve ser entendida como uma equação


contábil. Ela indica que a renda nacional cuja totalidade seja paga
Considerando a demanda expressa por suas variáveis às famílias em troca dos serviços dos seus fatores de produção,
componentes pode-se escrever: seja inteiramente consumida, C, poupada, S, ou paga em
impostos. FROYEN, 1999.
Y=D=C+I+G
É importante notar que as contas nacionais registram todos os
Do modelo acima se tem que o valor do produto agregado, Y, bens produzidos, sejam eles vendidos ou não. Em não serem
equivale ao somatório do consumo das famílias, dos vendidos ocorre o investimento em estoques, tenham sido esses
investimentos e dos gastos governamentais. investimentos planejados ou não.

2º - Considerando as variáveis componentes da demanda, D, e Por outro lado, conforme expresso na Figura 3.10, tem-se pelo
do fluxo circular da renda Figura 3.9, infere-se que: lado do consumo que Y ≡ C + IR + G, em que IR corresponde aos
investimentos realizados.
Y = D = C+S+T = C+I+G
Então, sendo Y = C + I + G e Y ≡ C + IR + G, o equilíbrio
S+T=I+G ocorre quando:

Do modelo acima se infere que, para haver equilíbrio numa IR = I


economia fechada o valor da poupança somada aos tributos deva
ser equivalente ao valor dos investimentos somados aos gastos Em decorrência da afirmação ou expressão acima Y ≠ D.
do governo. FROYEN, 1999. Assim podem ocorrer duas situações de desequilíbrio:

(10) Note-se que numa economia fechada, o produto nacional bruto é


equivalente ao produto interno bruto.
122
Introdução à Economia
a) IR > I. volume de moeda disponível e de outros meios de pagamento.
(11)
Neste caso, Y>D, onde IR – I = ΔAE que representa o
acumulo não planejado de estoque. Nesta situação a Enquanto teoria monetária adota os pressupostos da
produção não vendida excede o valor dos investimentos Teoria Quantitativa da Moeda - TQM, uma das primeiras e
planejados em estoques. mais polêmicas interpretações do funcionamento da economia.

b) IR < I. Enquanto ideologia adota os pressupostos do "laissez-


faire", que prega as virtudes do sistema econômico de produzir,
Neste caso, Y< D, onde I- IR = ΔEE que corresponde à por suas próprias forças, o pleno emprego e o bem-estar
escassez não planejada de estoque. A demanda é maior social, sendo desnecessária a intervenção governamental,
que o produto e as firmas vendem mais do que o planejado. exceto no controle da oferta de moeda. (12)

Condições de Equilíbrio A TQM é a hipótese de que as variações na quantidade


Keynesianas de moeda são a causa principal das variações no seu valor ou
a) Y=C+I+G no seu poder aquisitivo. A TQM assume que as variações no
b) S+T =I+G valor da moeda são determinadas principalmente por variações
c) IR = I na sua quantidade.

A consequência imediata é que, quando a moeda é


abundante, seu valor ou poder de compra cai e, quando a
3.7 – Teoria Monetarista. moeda é escassa, seu valor ou poder aquisitivo aumenta. O
valor da moeda é determinado pela sua quantidade, porque
esta afeta diretamente o nível geral de preços.
3.7.1 – Objetivo Político.
Foi a principal teoria de oposição ao keynesianismo. Até
Monetarismo é uma teoria econômica que defende ser o século XX, foi respaldado pela "Teoria Quantitativa da
possível manter a estabilidade de uma economia capitalista Moeda" de Irwin Fisher, formalizando-se na equação onde o
através de instrumentos monetários, ou seja, pelo controle do nível geral de preços equivalia à quantidade de dinheiro

(11)Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Monetarismo.
(12)http://www.ufrgs.br/decon/publionline/textosdidaticos/textodid11.pdf
123
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
multiplicada por sua "velocidade de circulação" dividida pelo
volume de transações.

Os principais defensores do monetarismo, em épocas


recentes, foram os economistas da Escola de Chicago,
liderados por George Stigler e Milton Friedman, ambos
laureados com o Prémio Nobel da Economia.

Suas ideias são associadas à teoria neoclássica da


formação de preços e ao liberalismo econômico. Adotam o
fundamentalismo de livre mercado como sua ideologia e
refutam e rejeitam o Keynesianismo em favor do monetarismo;
abominam qualquer regulamentação da economia em favor de
um laissez-faire quase absoluto.

124
Introdução à Economia
moeda era a matriz de todos os males. Bastaria substituir a moeda
Anexo I - O Mistério da moeda inflacionada e tudo se acertaria.

Jornalista Hélio Fernandes. 1964


Jornal Tribuna da Imprensa
24 e 25 de Abril de 2004. 1.000.000.000. Um trilhão de cruzeiros, que continuava com a
mesma denominação, perdeu apenas os centavos. A "convicção"
sofrera modificação. Para os economistas de plantão, já não era
Quem tinha 1 trilhão de cruzeiros em 1944 e necessário trocar toda a moeda, bastava jogar os centavos ao mar
como se fez criminosamente com o café.
não movimentou, hoje, 60 anos depois, ficou
sem nada.
1967
A propósito das sucessivas alterações do padrão monetário
nacional, provocadas ou justificadas pelas altas taxas inflacionárias 1.000.000.000,00. Voltaram os centavos, a moeda passou a se
com que o País conviveu por muitos anos, leiam o seguinte chamar de cruzeiro novo. Lógico, o caos continuou o mesmo por
episódio, que bem poderia receber o título de "Tragédia dentro e aumentou a confusão por fora.
Financeira".

No Natal de 1942, uma pessoa depositou, numa conta corrente 1970


bancária não sujeita a qualquer tipo de remuneração, a
importância de Cr$ 1.000.000.000.000,00 (um trilhão de
1.000.000.000. Novamente cruzeiro novo, a denominação da
cruzeiros). Não tendo movimentado a conta corrente nos anos
moeda. Perdeu a virgindade, perdão, os centavos. E foi chamada
subsequentes, o depósito, em 01.07.94, quando foi criado o "real",
pela primeira vez de "moeda transitória". As outras eram
estava reduzido à irreal quantia de R$ 0,00, como a seguir fica
transitórias pela incompetência, essa passou a ser provisória por
mostrado e demonstrado.
decreto.

1944 1984
1.000.000.000.000,00, ou 1 trilhão de cruzeiros. Exatamente
Essa "moeda provisória" durou 14 anos. Aí perdeu os centavos e o
nessa época, pressionado pela guerra, pelo excesso de exportação
cruzeiro novo, outra vez simplesmente cruzeiro. Quem tinha,
sem receber, pela inflação crescente, Vargas ditador trocou o mil-
digamos, 10 cruzeiros e 50 centavos passou a ter 10 cruzeiros.
réis que vinha do Império pelo cruzeiro. Ainda se acreditava que a
Sem vírgula e sem os algarismos (centavos) que vinham depois.
Muitos prejuízos, claro, mas ninguém podia reclamar.
125
Eng.º Civil Antonio Victorino Avila

1986 1994
Um simples decreto-lei criou o cruzado. Cada mil cruzeiros eram Foi última mudança, por enquanto, por enquanto. A partir de julho
trocados por 1 cruzado. Voltou o centavo. Quem tinha, por de 1994, perdeu a denominação de cruzeiro real, passou a ser
exemplo, 2 milhões, 250 mil e 500 cruzeiros, passou a escrever (e exclusivamente real. Cada 2 mil, 750 cruzeiros reais eram
a receber) assim: CZ$ 2 mil, 250 cruzados e cinqüenta centavos. trocados por 1 real, de acordo com a "transformação" determinada
pela URV. E aí, os cálculos feitos com as moedas citadas nas
outras mudanças não têm mais razão de ser. Pois 11 mil cruzeiros
1989 reais passaram a valer 4 reais, inacreditável.

No mesmo governo Sarney mas já com o terceiro ministro da Com todas essas mudanças, modificações, malabarismo,
Fazenda, o cruzado passou a ser cruzado novo ou novo cruzado. mobilização, mistificações, se comprova a constatação inicial
Quem tinha mil cruzados passou a trocá-lo por 1 cruzado novo. destas notas: quem em 1942 tinha 1 TRILHÃO DE CRUZEIROS e
Restabeleceram o centavo. Dando o mesmo exemplo da não movimentou, agora, 60 anos depois, FICOU REDUZIDO A
importância da referência acima, quem tinha 2 mil e 500 cruzados ZERO.
passou a possuir apenas 2 cruzados novos e 50 centavos.
O cidadão deve esse empobrecimento a Vargas, Castelo Branco,
Costa e Silva, Médici, João Figueiredo, José Sarney, José Sarney,
1990 Fernando Collor, Itamar Franco, Itamar Franco.

FHC, que se aproveitou largamente, usou e abusou da moeda, já


Veio Collor e com enorme criatividade mudou a moeda. E como a recebeu tudo pronto, não precisou fazer alteração. FHC não
imaginação era a mesma, voltaram a chamá-la de cruzeiro, com participa das mudanças da História e não participará da História
centavos. Usando o mesmo valor aplicado a outras denominações, propriamente dita.
quem tinha 2 mil cruzados novos e 500 centavos passou a ter 2
mil e 500 cruzeiros. Imaginem o que o cidadão-contribuinte-eleitor
foi deixando por esse caminho pedregoso.
PS - Essa é a realidade de um País que acredita na moeda e não
no desenvolvimento. Só pensa nas "dívidas" e não no emprego.
1993 Não faz com medo de errar, caindo no crime da omissão. De 1944
a 2004, todos os governos são culpados e indefensáveis.

Aí exibiram um pouquinho de criatividade, a moeda deixou de ser


cruzeiro, novo ou antigo, cruzado, novo ou antigo, ganhou
roupagem extra. Virou cruzeiro real. Por cada mil cruzeiros, o
cidadão tinha direito a 1 cruzeiro real. Com centavos. Usando o
mesmo total de dinheiro, quem tinha 2 mil e 500 cruzeiros ficou
com 2 cruzeiros reais e 50 centavos.

126
Introdução à Economia
HALL, Robert E. Macroeconomia – Princípios e Aplicações. Editora
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Eng.º Civil Antonio Victorino Avila
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