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PLANO DE AFUGENTAMENTO DE FAUNA

Dr. Anderson de Carvalho Silva Rua Valmir Soares Bezerra, 36, andersonambiental.br@gmail.com
CRBio nº 67.169/8-D Aruanda, Aracaju-SE 79-98124-9305
49001-078
Plano de Afugentamento de Fauna
Edifício Garagem anexo ao prédio dos Juizados Especiais Federais
Justiça Federal de 1º Grau da Bahia

1. Introdução

Com sua dimensão continental e enorme variedade de habitat terrestres e aquáticos,


o Brasil reúne seis importantes biomas (Amazônia, Caatinga, Cerrado, Mata Atlântica,
Pampa e Pantanal) e o maior sistema fluvial do mundo. Dois desses biomas, o Cerrado e
a Mata Atlântica, são hotspots – áreas com grande riqueza e endemismos, consideradas
prioritárias para a conservação em nível mundial (MMA, 2007).
A Mata Atlântica é composta por formações florestais nativas (Floresta Ombrófila
Densa; Floresta Ombrófila Mista, também denominada de Mata de Araucárias; Floresta
Ombrófila Aberta; Floresta Estacional Semidecidual; e Floresta Estacional Decidual), e
ecossistemas associados (manguezais, vegetações de restingas, campos de altitude, brejos
interioranos e encraves florestais do Nordeste) (ICMBIO, 2018).
Originalmente, o bioma ocupava mais de 1,3 milhões de km² em 17 estados do
território brasileiro, estendendo-se por grande parte da costa do país. Porém, devido à
ocupação e atividades humanas na região, hoje resta cerca de 29% de sua cobertura
original. Mesmo assim, estima-se que existam na Mata Atlântica cerca de 20 mil espécies
vegetais (35% das espécies existentes no Brasil, aproximadamente), incluindo diversas
espécies endêmicas e ameaçadas de extinção. Sua fauna abriga, aproximadamente, 850
espécies de aves, 370 de anfíbios, 200 de répteis, 270 de mamíferos e 350 de peixes
(ICMBIO, 2018).
Na Bahia, a Mata Atlântica, também passou por intensa devastação, restando menos
de 6% e de forma bastante fragmentada. Apesar do acentuado grau de devastação a Bahia
possui um dos mais importantes centros de endemismo do país, com alta diversidade
biológica, nela se concentra 30% das espécies endêmicas de aves, 10% das espécies
endêmicas de anfíbios e todos os seis gêneros de primatas encontradas no bioma (sagui,
mico-leão, guigó, barbado, macaco-prego e murigui), com três dessas espécies só
existentes neste ecossistema. Parte dessa riqueza biológica ainda é desconhecida da
ciência, a qual a todo o momento se vê surpreendida por novas e importantes descobertas
(CHESF, 2005; MPE/BA, 2013).
Entre as diversas formas de impacto à Mata Atlântica, a construção civil,
juntamente com o crescimento e ampliação das cidades é um dos maiores entraves à
conservação de nichos ecológicos de suas espécies. Em geral, as estratégias de ocupação

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não desviam das áreas de ocorrência natural do bioma, que quase sempre se exige a
supressão de alguma parcela de mata, sendo assim necessária aplicação de legislação
pertinente para minorar os estragos causados.
A execução dessas atividades causa impactos negativos sobre a fauna, tendo como
consequências imediatas: redução e isolamento de populações; dispersão forçada; morte
predatória e/ou acidental; risco de extinção local de algumas espécies e perda de espécies
ameaçadas de extinção.

2. Justificativa

As operações de afugentamento e resgate, geralmente, geram polêmicas e/ou


questionamentos. Entretanto, quando a retirada da cobertura vegetal é bem conduzida,
podem induzir a população faunística a buscar novos abrigos e áreas de alimentação no
entorno, permitindo o deslocamento passivo dos animais, sem a necessidade de ações de
captura. Isto se torna viável, sobretudo, durante as atividades de desmate em fragmentos
que apresentam interligação com áreas contíguas que não serão suprimidas.
Salienta-se que algumas espécies faunísticas com habitat preferencial florestal
apresentam baixa capacidade de dispersão. Por essas e outras razões, muitas vezes, as
espécies silvestres, durante a fuga, sucumbem com a intensa transpiração e desidratação,
bem como se tornam presas fáceis de predadores e/ou vítimas de atropelamentos, não
conseguindo alcançar novos ambientes para colonização e abrigo em áreas florestais
localizadas no entorno.
Além disso, as atividades inerentes ao desmatamento (movimentações de
maquinário e de mão de obra com emissão de ruído) podem gerar stress para as
populações faunísticas residentes na área diretamente afetada, podendo levar ao
impedimento do deslocamento passivo, além da possibilidade dos animais ficarem
desnorteados durante a fuga, com risco de ocorrência de lesões e até mesmo óbitos.
Dessa maneira, torna-se necessária a intervenção humana principalmente para
garantir totalmente a fuga e/ou resgate de alguns animais residentes na área diretamente
afetada que possuem certa dificuldade de deslocamento natural, tais como: anfíbios,
pequenos lagartos e serpentes; mamíferos de hábitos arbóreos e filhotes de maneira geral.

3. Objetivos

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Os principais objetivos do "Plano de Afugentamento de Fauna” a ser executado


para o quadrante de supressão explicitado no Apêndice X – Mapa de Restrições
Ambientais do Inventário Florestal, também anexa à solicitação de supressão.
 Minimizar os impactos à fauna advindos da supressão de trecho de Floresta
ombrófila densa em estágio inicial de regeneração, em área total de 0,3 hectares,
ocorrentes na Área Diretamente Afetada - ADA do empreendimento;
 Garantir a sobrevivência dos indivíduos que utilizem a fração do fragmento
florestal como habitat e nicho ecológico;
 Antecipar eventos de fuga e dispersão de todos os indivíduos da fauna
conviventes no quadrante de supressão e seu entorno imediato.

4. Área de Abrangência dos Procedimentos de Coleta

A área de abrangência dos procedimentos de resgate será de aproximadamente 0.3


hectares, inseridos nos domínios da floresta ombrófila (em regeneração) da Área
Diretamente Afetada (ADA) do empreendimento.

5. Metodologia

O afugentamento consiste em induzir a fauna silvestre a se deslocar para outros


remanescentes florestais fora da área diretamente afetada pelo empreendimento. Esta
metodologia geralmente antecede e ou é utilizada simultaneamente durante o resgate de
fauna em áreas de vegetação nativa a serem suprimidas.
A metodologia para o acompanhamento da fauna será de monitorar todas as
atividades previstas no plano de desmatamento, tais como corte com utilização de foices,
motosserras, remoção com trator, seguida de destoca, e empilhamento da madeira,
visando facilitar a localização dos espécimes, ninhos, vestígios diretos e indiretos de
animais silvestres.
Durante as atividades de afugentamento e resgate de fauna, a equipe irá vistoriar as
árvores antes da derrubada e orientar os trabalhadores (equipe de supressão de vegetação)
da presença de animais, principalmente os mamíferos arborícolas e os ninhos, orientando-
os sobre os cuidados necessários para não ferir ou matar os mesmos. Na constatação da

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presença de animais nas árvores, as atividades de desmatamento, no local, serão


temporariamente suspensas até que o técnico da equipe de acompanhamento tome as
providências necessárias para a retirada do animal.
Os animais capturados durante esta fase deverão ser encaminhados para a triagem
e avaliação médica para destino posterior, conforme o táxon, estado de saúde e grau de
vulnerabilidade. O método de trabalho, portanto, está estruturado em três etapas bem
definidas.
A primeira é o afugentamento, visando o deslocamento espontâneo dos animais
para os remanescentes florestais adjacentes fora da área de supressão. A segunda consiste
no resgate propriamente dito, seguido da triagem dos animais resgatados. A terceira e
última, cabe a seleção do destino adequado para soltura dos animais resgatados.
Estas etapas são seqüenciais, porém poderão ocorrer simultaneamente de acordo
com o volume de material recebido no centro de operações. Embora os métodos de
supressão de vegetação visem minimizar o impacto de desmatamento, animais de
deslocamento lento, de hábito arbóreo, terrestre ou ainda fossoriais, podem ser afetados
por este tipo de derrubada e devem ser resgatados para translocação ou aproveitamento
científico.
Ao localizar ninhos de aves e mamíferos, adultos ou filhotes, a equipe de resgate de
fauna, após avaliação técnica, verificará as condições para paralisação das atividades de
derrubada da árvore ou do grupo de árvores no local, para a retirada do ninhego ou
filhotes.
Os animais de médio e grande porte só serão capturados se estiverem machucados
ou faleçam durante essa operação. Os animais capturados serão acomodados em caixas
apropriadas para as diferentes espécies e transportados à base de triagem nas quais
deverão permanecer o menor tempo possível e, em seguida, serão avaliados pelo médico
veterinário para a posterior identificação do destino.
Após estes procedimentos, os indivíduos serão encaminhados às áreas de soltura,
tratamento ou encaminhadas a instituições de pesquisa (fixados ou taxidermizados). Essas
caixas deverão ter como características comuns a segurança contra fugas e traumatismos,
ventilação adequada, higiene e, principalmente, facilidade de transporte. Para os animais
encaminhados a instituições de pesquisa deverá constar nos relatórios, o nome da
instituição bem como o número de tombamento do material depositado em coleção.

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5.1 Métodos de captura

Para a captura dos animais durante as atividades de resgate de fauna, serão


empregados os seguintes métodos:

5.1.1 Captura manual

Os animais serão capturados diretamente com as mãos e colocados em recipientes


adequados até a chegada à base (Figura 01).

Figura 01. Recipientes para transportes de animais de pequeno porte

5.1.2 Captura com equipamentos leves de contenção

As espécies serão capturadas com o uso de instrumentos leves como puçás de pano
ou rede, laços de lutz e pinças de contenção (Figura 02).

Figura 02. Equipamentos leves para captura de animais de pequeno porte

5.1.3 Captura com equipamentos de contenção pesados

As espécies serão capturadas com o uso de instrumentos pesados próprios de


contenção como puçás de rede, laços de lutz de couro, pinças de contenção de mamíferos
e contenção química. Estes artefatos deverão ser pouco empregados já que o estado de
conservação da área a ser impactada implica na existência de poucos exemplares de

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espécies de maior porte, e estas têm maior agilidade (notadamente felídeos e canídeos), o
que torna sua ocorrência no local durante as atividades de limpeza pouco provável.

5.1.4 Capturas em abrigos de espécies selecionadas

Serão realizadas capturas em ninhos de aves e abrigos de morcegos se estes forem


detectados em situação de risco que impeça os animais de deixarem a área por conta
própria. Os morcegos serão triados normalmente como as demais espécies. No caso de se
acharem ovos ou ninhegos de aves os mesmos serão tratados manualmente para envio a
instituições receptoras. Em ambos os casos, os animais serão avaliados por um
veterinário, e quando de interesse, serão tomadas fotos e medidas biométricas do
exemplar, antes que este siga seu destino.

5.1.5 Métodos de captura para Herpetofauna (Anfíbios e Répteis)

Os locais favoráveis ao abrigo de anfíbios e répteis serão vasculhados, sendo os


animais capturados manualmente, no caso de anfíbios, pequenos lagartos e pequenas
serpentes. Para serpentes peçonhentas (p.ex.: Caudisona durissa - cascavel) ou outras que
oferecem perigo de mordidas (p.ex.: Boa constrictor - jibóia), as capturas serão realizadas
com o auxílio de luvas de raspa, ganchos e laços e levadas ao centro e no caso das
peçonhentas encaminhadas às instituições de pesquisa.

5.1.6 Métodos de captura para Avifauna

Os ninhos de aves localizados nas áreas a serem desmatadas após passarem por uma
avaliação da equipe técnica terão os seguintes procedimentos: a) No caso de ninhos de
aves ameaçadas de extinção com filhotes com poucos dias de vida (ninhegos) ou com
ovos, de espécies ameaçadas ou não, a árvore será marcada, o desenvolvimento do ovo
ou do filhote será acompanhado pelo técnico. Será recomendado, pela equipe técnica, que
a empreiteira deixe algumas árvores próximas de onde está o ninho, visando o não
abandono do mesmo pelos pais.
b) No caso de ninhos de aves com filhotes com poucos dias de vida (ninhegos), que
não sejam ameaçadas de extinção, serão levados ao centro de triagem para criação
manual.
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c) No caso de ninhos de aves com filhotes em idade próxima de abandonarem o


ninho, a árvore será marcada com fita de cor específica. Esta fita será numerada para
facilitar o controle do número de ninhos monitorados em cada área. Cabe ressaltar que
estes procedimentos poderão ocorrer durante todo o período do desmatamento, visto que
algumas espécies reproduzem o ano todo. Esta metodologia não acarretará atraso
significativo no cronograma do desmatamento. Este método de salvamento de filhotes e
ovos de aves apresenta a vantagem da permanência, por mais tempo, dos filhotes com os
pais, principalmente nas primeiras semanas. A metodologia, apesar de pioneira, mostrou-
se em outros empreendimentos satisfatória, uma vez que vários filhotes são criados pelos
pais até a saída do ninho.

5.1.6 Métodos de captura para Mastofauna

Será realizada busca direta de animais e de evidências da presença dos mesmos, tais
como tocas, fezes e pegadas, nos ambientes localizados à frente da derrubada, além do
acompanhamento direto das frentes de desmatamento. Todos os pequenos mamíferos
capturados e, eventualmente os mamíferos de médio porte, serão levados o centro de
triagem para triagem e posterior relocação. Os animais encontrados mortos ou atropelados
serão identificados, quando possível, registrados e destinados a instituições de pesquisa
e/ ou ensino.

5.2 Procedimentos a serem empregados no centro de triagem da fauna


silvestre

Durante o processo de triagem, os biólogos completarão todos os dados, em


formulário específico para o banco de dados, tomando as devidas providências, como
encaminhamento para atendimento médico veterinário quando necessário e preparação
dos viveiros (alimento, água, ficha específica) para recebimento dos animais até o seu
destino final. Cada animal triado receberá um registro próprio.
Os ninhedos resgatados serão encaminhados para a sede de uma instituição
reconhecida mais próxima do local de implantação do empreendimento que possua
CETAS, onde terão direcionamento final.

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As informações referentes aos animais encaminhados para o centro de triagem e


que forem submetidos a tratamentos específicos devido a traumatismo, desidratação,
hipo/hipertermia e outros serão compiladas em fichas específicas.
A dieta de todos os animais resgatados será estabelecida pela equipe técnica,
levando-se em consideração a biologia e as necessidades nutricionais de cada espécie.
Será de responsabilidade do médico veterinário orientar e supervisionar a correta
desinfecção das caixas de resgate, recintos, comedouros e bebedouros, bem como orientar
quanto ao preparo dos recintos, das bandejas de alimentos e os cuidados para evitar fugas
e, ainda, esclarecer as medidas profiláticas para evitar a transmissão de doenças
homem/animal (antroponoses) e animal/homem (zoonoses).
Caso necessário, alguns animais serão submetidos à contenção farmacológica para
realização de exame físico, tratamento cirúrgico e para a marcação. As drogas anestésicas
serão injetadas após a contenção física dos animais ou por meio de dardos de zarabatana,
o que muitas vezes é o indicado para minimizar o estresse.

5.3 Destinação dos animais resgatados

Após identificação, os técnicos responsáveis darão a destinação adequada


transferindo para as áreas de soltura ou encaminhando-os a criadouros e instituições de
ensino e pesquisas. As solturas serão realizadas em áreas de vegetação preservadas ou em
locais similares ao que os mesmos foram resgatados, localizados próximos ao
empreendimento e com capacidade de suporte para recebimento de novos indivíduos da
fauna.
Neste momento, os técnicos responsáveis registrarão todos os dados relativos ao
local de soltura (local, coordenada geográfica, data, fitofisionomia, número de indivíduos,
espécies soltas, dentre outros). A soltura dos animais de hábito diurno ocorrerá
preferencialmente no período da manhã e não no final da tarde, assim como animais
noturnos serão soltos, sempre, próximo do anoitecer.
Todos os espécimes a serem soltos estarão bem alimentados e as solturas não
poderão ocorrer em momentos de chuva forte. Espécies de hábitos sociais, como os
primatas, não serão soltos sozinhos. A equipe técnica definirá o número máximo de
indivíduos de cada espécie, a ser solto em determinado local. Esta definição ocorrerá ao
longo do processo.

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A equipe de coordenação do resgate de fauna encaminhará à instituição


previamente definida os animais capturados mortos durante o desmatamento ou que
vierem a morrer durante a permanência no centro ou com inviabilidade de soltura e ainda
o número mínimo de espécies testemunho-científico estipuladas pela licença de coleta
para o presente trabalho.
Para o envio de animais a essas instituições, será solicitada a licença de transporte
ao IBAMA. Nenhum animal poderá sair do centro de triagem sem estar devidamente
acompanhado da licença expedida pelo IBAMA.
Para o registro dos dados da operação de acompanhamento da fauna durante as
atividades de desmatamento, serão elaborados relatórios das atividades de
acompanhamento da fauna, contendo o número de animais resgatados (separados por
grupo faunístico), espécimes soltos, enviados às instituições, animais que receberam
atendimento clínico, alta médica, óbitos, área percorrida e demais ocorrências.

6. Etapas da execução do Plano de Afugentamento

• Realizar o acompanhamento técnico especializado das frentes de supressão


da vegetação durante a implantação do empreendimento;
• Afugentar os espécimes da fauna da área a ser suprimida e resgatar aqueles
que não consigam se deslocar;
• Realizar a soltura dos animais resgatados em áreas adjacentes, de fisionomia

similar, o mais próximo e no menor tempo possível do evento de resgate;


• Registrar a ocorrência da fauna na área de trabalho (avistamentos, vestígios)

e eventos com exemplares da fauna (resgates, solturas, acidentes, coletas)


decorrentes da implantação do empreendimento;
• Identificar taxonomicamente os espécimes registrados na área de
implantação do empreendimento;
• Fazer a destinação adequada dos animais resgatados incapazes de retornar à

vida livre;

7. Produtos a serem gerados

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Conforme conduzido em programas de resgate de indivíduos em períodos


anteriores à supressão, as ações metodológicas do plano de “Afugentamento de Fauna”
deverão ser aplicadas nos locais remanescentes florestais que serviram de amostragem
para o referido estudo de inventário florestal (levantamento de volumetria e
fitossociologia da floresta).
Para o presente deverá ser elaborado relatório técnico no momento anterior às ações
de desmate naqueles ambientes. Este relatório deverá abordar os seguintes itens, no
mínimo.
 Coleta de coordenadas geográficas para elaboração de mapa temático dos locais
de afugentamento;
 Elaboração de Relatório Técnico que conste a descrição pormenorizada de todos
os itens deste plano de afugentamento da fauna;
 Documentação fotográfica de todas as ações citadas no corpo deste plano;
 Listagem das espécies coletadas com nome popular e, se possível, nome
científico;
 Utilizar as parcelas amostrais do “inventário” como base para sequência da coleta
dos indivíduos;
 Inclusão no relatório técnico das técnicas de armazenamento do material
faunístico;
 Apresentar resultados do Plano de Afugentamento.

Na Tabela 01 e na Figura 04 estão demonstradas as coordenadas UTM das


unidades amostrais em Floresta Ombrófila Densa que servirá de base para a condução
dos trabalhos de resgate da flora.

Tabela 01 –Coordenadas geográficas dos vértices das parcelas analisadas no fragmento


de Mata Atlântica adjacente ao empreendimento, conforme representação no Mapa,
Salvador/BA, 2019.

Ponto Longitude (S) Latitude (O) Ponto Longitude (S) Latitude (O)
P1V1 562284 8568836 P3V1 562314 8568822
P1V2 562274 8568819 P3V2 562311 8568802
P1V3 562294 8568811 P3V3 562332 8568799
P1V4 562303 8568829 P3V4 562334 8568819
P2V1 562293 8568808 P4V1 562366 8568798
P2V2 562280 8568792 P4V2 562360 8568778
P2V3 562300 8568784 P4V3 562381 8568773
P2V4 562311 8568800 P4V4 562386 8568793
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Figura 03. Mapa de localização das unidades amostrais na área de impacto direto e
indireto do empreendimento, Salvador/BA, 2019.

8. Equipe Técnica

Apresenta-se a seguir a equipe necessária para o desenvolvimento das atividades


referentes a este Plano de Afugentamento de Fauna Silvestre, a qual refere-se ao
acompanhamento das atividades de afugentamento e resgate de fauna imobilizada, no
período que antecede a supressão da vegetação nativa de Mata Atlântica de formação
secundária em estágio inicial de regeneração.

Profissional Atividades
Coordenador Ações de resgate; licenciamento frente a SEDUR; INEMA; elaboração
(Biólogo) - 1 de relatório final.
Ornintólogo - 1 Ações de afugentamento e regate; Elaboração do relatório técnico.
Herpetólogo - 1 Ações de afugentamento e regate; Elaboração do relatório técnico.
Mastozoológo - 1 Ações de afugentamento e regate; Elaboração do relatório técnico.

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Médico Cuidados aos animais debilitados e reintegração dos recuperados nas


Veterinário áreas próximas com as mesmas caraterísticas ecológicas; Elaboração de
relatório técnico;
Auxiliares Auxílio nas ações de afugentamento e resgate

9. Cronograma

A execução desta atividade será possível após da expedição da Autorização para


Supressão de Vegetação Nativa pelo órgão municipal competente (SEDUR,
Salvador/BA). Desta forma, a execução deste Plano de Afugentamento de Fauna é
dependente do cronograma da obra do empreendimento, e consequentemente, do
cronograma da Supressão, estabelecido no Inventário Florestal Atualizado protocolado
juntamente com este Plano.
As atividades de afugentamento e possível resgate devem ocorrer obrigatoriamente
em período antecedente à fase de Supressão, em geral, elas ocorrem em um lapso
temporal de no máximo uma semana.

10. Referências Bibliográficas

MMA - Ministério do Meio Ambiente. 2007. Áreas Prioritárias para


Conservação, Uso Sustentável e Repartição de Benefícios da Biodiversidade
Brasileira: Atualização - Portaria MMA n° 9, de 23 de janeiro de 2007. 31 ed. Série
Biodiversidade. 300p.
ICMBio – Instituto Chico Mendes de Conservação da Natureza; Livro Vermelho
da Fauna Brasileira Ameaçada de Extinção: Volume I - 1. ed. - Brasília, DF:
ICMBio/MMA, 2018. 492 p.

11. ART

Este Plano de Resgate de Flora foi subcontratado pela EMPROTEC – Empresa de


Projetos Técnicos e Engenharia e elaborado pelo biólogo Dr. Anderson e Carvalho Silva,
CRBio 67.169/08-D, registrado na ART n° 8-9649/19.

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