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Ensino de Geografia: origens e perspectivas ,'c

Jean Carlos Rodrigues ;, ;,

RESUMO
O presente artigo pretende refletir sobre a atual situação do ensino de Geografia bem como sobre suas origens e
perspectivas. Para tanto partimos, inicialmente, de algumas considerações acerca do ensino bem como sobre sua
relação com a educação e a instrução. Em seguida, refletimos sobre a institucionalização da ciência geográfica,
sua relação com o ensino nas escolas elementares (no final do século XIX) e de ensino superior (no início do
século XX). Posteriormente, após algumas colocações sobre as origens do ensino de Geografia no Brasil, discutimos
sobre a atual situação desse ensino no país procurando relacioná-lo com as tendências educacionais nas quais ela
foi inserida. Finalmente, num terceiro momento, abordamos algumas perspectivas, fundamentadas em bibliografias
sobre essa temática, a respeito desse ensino e sobre suas contribuições à sociedade. Essas contribuições, por sua
vez, podem servir tanto para "fazer a guerra" como para modificar a estrutura social na qual estamos inseridos
dependendo da prática pedagógica docente e de seu compromisso político-pedagógico.

PALAVRAS-CHAVE: Geografia, ensino, educação.

Antes de iniciarmos uma reflexão acerca do Para Luckesi, a educação '~ .. é um típico 'que­
tema proposto, consideramos ser de suma fazer) humano) ou seja) um tipo de atividade que
importância estarmos discutindo, num primeiro se caracteriza fundamentalmente por uma
momento, o que vem a ser o processo de ensino preocupação) por uma finalidade a ser atingida ))
bem como a sua finalidade. Num segundo (1994, p.30). Em se tratando desta discussão, na
momento, entendemos ser necessário estarmos perspectiva de Libâneo (1994), podemos dizer
refletindo, também, sobre o processo de que esta finalidade é a formação de uma
formação e institucionalização da ciência personalidade, que está inserida no contexto
geográfica para, a partir daí, fazermos uma sócio-político-ideológico e é construída não
relação entre estes dois temas com o propósito somente na escola, mas também na família e na
de interpretarmos melhor a função social que sociedade em geral. Conforme esse autor, a
adotou o ensino de Geografia a partir do século educação
XIX, quando esta passa a ser uma ciência cujos
conhecimentos se tornaram institucionalizados, '~ .. corresponde) pois) a toda modalidade de
e entendê-la nos dias atuais. influências e inter-relações que convergem
Para que possamos chegar a uma conclusão para a formação de traços de personalidade
do que seria o ensino, cabe-nos discutir, ou ao social e do caráter, implicando uma concepção
menos mencionar, o que vem a ser a educação e de mundo) ideais) valores) modos de agir, que
instrução, uma vez que, segundo Libâneo, '~ .. o se traduzem em convÍcções ideológÍcas)
ensino é o principal meio e fator da educação morais) políticas) princípios de ação frente a
( ..) e) porisso) destaca-se como campo principal situações reais e desafios da vida prática))
da instrução e educação)) ( 1994, p. 23). (Libâneo, 1994, p. 22-23).

, Artigo integrante do Relatório de Estágio - Parte I intitulado "Educação, Geografia e Cidadania" da disciplina Metodologia
e Prática do Ensino de Geografia A - Estágios Supervisionados ministrada pela prafa. Ângela Massumi Katuta, da qual
agradecemos as colaborações recebidas, no 10 semestre de 2000 no curso de Geografia da Universidade Estadual de Londrina.
h Aluno do curso de Geografia da Universidade Estadual de Londrina e bolsista do Programa Especial de 1l-einamento (PET).
E-mail: jeancrodrigues@hotmail.com

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relação à instrução, o autor afirma que (: .. será uma das correntes mais poderosas e
essa refere-se (~ .. à formação intelectual, influentes do século .xx- (. A sodologia
formação e desenvolvimento das capacidades positivista (...) estuda a sociedade como fato)
cognoscitivas mediante o domínio de certo nível afirmando que o fãto sodal deve ser tratado
de conhedmentos sistematizados)} (Libâneo, como uma coisa, à qual são aplicados os
1994, p. 23). Formação esta que, via de regra, procedimentos de análise e síntese aiados
ocorre na escola. pelasdênciasnaturais" (1999, p. 272).
Diante disto, percebemos uma subordinação
da instrução à educação, à medida que (~.. o Além disto, a filosofia positivista surge no
processo e o resultado da instrução são momento histórico em que se desenvolve o
orientados para o desenvolvimento das neocolonialismo sobretudo na África e Ásia tendo
qualidades específicas da personalidade 7J
a França e a Inglaterra como principais países
(Libâneo, 1994, p. 23). Nesta concepção, o exponentes desta expansão. Este neocolonialismo
ensino seria um meio ou um conjunto de tarefas do século XIX iria favorecer, principalmente, a
que viabilizassem condições necessárias para se alta burguesia destes países imperialistas, a qual
realizar a instrução.
teria um mercado muito mais amplo para
Portanto, concluímos que, quando tratamos
comercializar suas mercadorias.
do ensino, estamos nos remetendo a um conjunto
Assim, segundo Andrade,
meios pelo qual se constrói a formação
intelectual da pessoa a partir de conhecimentos
((Para que se castrassem os estudiosos de uma
sistematizados. Esta formação intelectual acaba
por colaborar com o processo de educação da visão global, totalizante da realidade, tratou­
pessoa, do educando. Mas, cabe salientar que, se de estimulai; cada vez mais) a espedalizaçào
conforme Luckesi, a (: .. educação dentro de uma e) em conseqüência, neutralizar ou reduzir a
sociedade não se manifesta como um fim em si capacidade aítica dos estudiosos, sábios e
mesma, mas sim com um instrumento de pesquisadores" (1992, p. 11).
manutenção ou transformação soda}" (1994, p.
30-31), conforme veremos a seguir com o próprio Tal fato ocorreu sobre a égide do positivismo,
ensino de Geografia. que dividiu a ciência em vários ramos.
No que conceme à Geografia enquanto Nesse sentido podemos afirmar que o ensino
ciência, esta foi institucionalizada a partir do de Geografia, enquanto meio de realização de
século XIX com os trabalhos dos alemães uma instrução geográfica no século XIX (já que
Alexandre von Humboldt e Karl Ritter. Para a nessa época os conhecimentos desta ciência já
Alemanha, era importante os trabalhos destes estavam sistematizados), passa a cumprir um
estudiosos uma vez que o conhecimento papel social que procurava legitimar a ação
geográfico era fundamental para a união nacional neocoloníalista do Estado-Nação.
e a unificação política desta nação. Segundo Esse papel foi desempenhado, primeiramente,
Andrade (1992, p. 54), o no ensino secundário tendo sido a França uma
das primeiras nações a instituir esse
« conhecimento do mundo e o conhecimento no final do século XIX. Porém,
aprofundamento das relações entre a esse ensino era, em grande parte, de cunho
sociedade e a natureza eram, pois, de grande político-militar e pretendia auxiliar na construção
importância para os grupos dominantes que da idéia de pátria e convencer a sociedade que a
aspiravam à união nadonal, à unificação Geografia era um conhecimento neutro, o que
política) em um primeiro estágio) e à disputa criava a idéia de inutilidade deste ensino para a
pelo domínio do mundo extra-europeu) com sociedade em geral.
os grandes impérios em consolidação) Segundo Lacoste,
britânico, ./Tancês) russo e norte-americano}
em um st.:gundo estágio. » (: .. desde o fim do século XIX e por razões
que foram primeiro patrióticas) considerou­
Porém, cabe destacar que a institucionalízação
se que era preciso ensinar rudimentos de
dessa ciência ocorreu mediante os postulados da
geografia e de história aos futuros cidadãos.
filosofia positivista de Augusto Comte que,
A função dessa geografia escolar não é)
segundo Chaui,

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evidentemente, mais estratégica, masideológica superfície terrestre, existia paralelamente uma
e até o periodo entre as duas o seu outra Geografia, a dos oficiais, que negligenciava
significado polídco Ecou evidente: ela falava a função e importância dessa ciência e usava esses
primeilV da pátria e a cart;l da França, que conhecimentos para fins militares, elaborando
outrora reinava em permanência nas salas de de combates, como ocorreu na Guerra
aula era, para os alunos} a representação, a
mais evidente, de seu pais" (1988, p. 251). Porém, a partir de todo este complexo cenário
de discussão no qual a Geografia se insere,
Como meio de justificar tal afirmação, o autor podemos fazer dois comentários. O primeiro
faz um questionamento acerca da França: deles diz respeito à tendência de educação que
se utilizava na França para o ensino de Geografia
"De não é primeilV para falar da pátria no final do século XIX. De acordo com as
aos futulVs cidadãos, para lhes fazer conhecer características explicitadas anteriormente, neste
seu país, que um ensino (..) foi período, a educação visava reproduzir a estrutura
considerado necessário e obrigatório no fim ideológica do Estado, procurava manter esta
do século XI~ notadamente após o estrutura e não modificá-la. Para Luckesi,
traumatismo da derlVta de 1870?"(Lacoste,
1988, p. 249). '~ interpretação da educação como
reprodutora da sociedade implica entendê-la
Na acima, o autor à guerra como um elemento da própria sociedade,
Franco-Prussiana na qual a França perdeu os determinada por seus condicionantes
territórios de Alsácia e Lorena para a Prússia, o econômicos, sociais e políticos portanto, a
que provocou a queda do império e a formação serviço dessa mesma sociedade e de seus
da In República nesse país. condicionantes" (1994, p. 41).
Essa conseqüência ainda hoje é sentida nas
escolas. Segundo Lacoste, Não havia a preocupação da educação na
época em modificar essa estrutura ideológica
"De todas as disciplinas ensinadas na escola, neocolonialista mas, mantê-la como forma de
le§,ritimar as expansões.
no seclwdário, a geograEa} ainda hoje} é a
Um segundo comentário refere-se à
única a aparecei; por excelência, como um
necessidade do professor de Geografia estar
saber sem a menor aplicação prática fora do
refletindo sobre as origens do ensino desta
sistema de ensino}) (1988, p.56).
ciência, enquanto disciplina. Entendemos ser de
suma importância esta reflexão pois as influências
Quando, no início do século a Geografia
suas origens ainda se fazem sentir no ensino
torna-se um saber universitário esta
de Geografia. No caso francês, o contexto sócio­
aparentemente perde seu caráter político e chega
político-econômico no qual se constituiu a
a ser questionada pelos próprios estudantes de
Geografia fez com que se adotasse uma
nível superior. Segundo Lacoste,
tendência reprodutivista de educação que refletiu
na sala de aula de tal forma que (~ .. a geografia,
chegam a ousar questionar se a hoje, é a única a aparecei; por excelência,
é mesmo uma ciência} se este como um saber sem a menor aplicação prática
acúmulo de elementos do conhecimentos fora do sistema deensino}'(Lacoste, 1988, p. 56).
'emprestados} da geologia} da economia Ou seja, a função da Geografia nas salas de aula
política ou da pedologia} se tudo isso pode do século XIX ainda estão muito presentes no
pretender constituir uma verdadeira ciência, ensino atualmente uma vez que a Geografia, no
autônoma, de corpointeJlV... (1988, p. 22).
l'
Brasil, sofreu forte influência da Escola Francesa.
N estas condições, caso o futuro docente não
Isto tudo deflagra o questionamento acerca tenha conhecimento contextualizado
da função e papel da Geografia na sociedade. historicamente das origens do ensino de
Enquanto os alunos das escolas elementares Geografia, ele corre o risco estar reproduzindo
possuíam contato com uma Geografia descritiva, a Geografia que se constituiu no final do século
que produzia inventários dos aspectos físicos da passado e fazer da mesma, suas perspectivas

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futuras, uma disciplina tão enfadonha como Segundo Brabant, a Geografia escolar está em
outrora. Segundo Lacoste, crise e essa está relacionada com a sua função
ideológica no final do século XIX, conforme
((É preciso fàzer com que aqueles que ensinam destacamos anteriormente. Para este autor,
a geografia hoje tomem consciência de que o
saber-pensar o espaço pode ser uma ferramenta "Pode-se dizer que a crise da geografia na
para cada cidadão, não somente um meio de escola se resume essencialmente na crise de
compreender melhor o mlwdo e seus conflitos, sua finalidade. Ensinamento com função
mas também a situaçãolocalna qualse encontra ideológica, sua se vê contestada por
cada wn de nós)) (1988, p. 256). discursos mais modernos' (economia,
sociologia, etc...) A1arginalizada no momento
No que diz respeito ao Brasil, tanto o ensino da adaptação da escola às necessidades
quanto a pesquisa na área de Geografia se profissionais, a geografia está minada por sua
institucionalizaram a partir da Revolução de aparente incapacidade de dar conta das lutas
Trinta, período no qual (~ .. a burguesia e a classe onde o espaço está em jogo)) (1989, p.22).
média urbana passaram a ter maior influência
sobre o governo e a atenuar o poder da burguesia Vale ressaltar que esta crise da escola, e
agrário-exportadora))(Andrade, 1992, p. 81). Os também da Geografia, mencionadas por Brabant
estudos e pesquisas de nível superior se faz parte de uma mudança da função das
institucionalizaram a partir da criação da instituições de ensino de todos os níveis
Faculdade de Filosofia, Ciências Humanas e promovida em grande parte pelo Banco Mundial
Letras da Universidade de São Paulo, em 1934, e países que esse representa. Para essa instituição,
e da Universidade do Distrito Federal, em 1935, cabe à escola
onde, atualmente, funciona a Universidade
Federal do Rio de Janeiro. (((. ..) desenvolver as capacidades básicas de
Neste período, a Geografia brasileira foi em aprendizagens no ensino primário e (quando
grande parte influenciada pela Escola Francesa, se justifique para o país) no nível secundário
tanto na pesquisa como no ensino dado que inferio~ porque o Banco sabe que isso
foram professores e pesquisadores franceses que
contribuirá para satisfàzer a demanda por
fundaram os primeiros cursos brasileiros.
'trabalhadores BeLáveis que possa fàci/mente
Conforme Pontuschka,
adquirir novas habilidades"'( Coraggio, 1998,
p.100).
~ geografia no antigo ginásio até a época da
fundação da FFLCH~ USE} nada mais era do
N essa perspectiva, voltamos àquela tendência
que a dos livros didáticos. Geralmente eles
educacional colocada anteriormente na qual a
expressavam o que havia sido a geografia até
educação possui a função de reproduzir a ordem
meados do século XIX na Europa:
estabelecida pelo e para o capitaL Nesta
enumeração de nomes de rios, serras)
tendência, ".. , a escola alcançou o foro de
montanhas, capitai", cidades principais, totais
demográficos de países, de cidades etc. JJ
principal instrumento para a reprodução
(1999, p. 114). qualitativa da força de trabalho de que
necessitava a sociedade capitalista)) (LuckesÍ,
Porém, deste período até os dias atuais, 1994, p.44). Assim, como a Geografia
segundo a autora, a situação do ensino de tradicionalmente é uma disciplina que desde as
Geografia não se modificou muito. suas origens na França e Alemanha do século
XIX, é questionada acerca de sua utilidade e
"Se essa pode ser feita para o ensino funcionalidade na vida prática, ela passa a ser
da geografia na primeira metade do século eliminada do sistema de ensino em vários países,
~ ainda não podemos dizer que os métodos Isto verifica-se atualmente no Brasil quando
de ensino mais renovadores e democráticos observamos a diminuição da sua carga horária,
hoje estão aplicados nas escolas do país. )J
quando não de sua eliminação da grade curricular
(Pontuschka, 1999, p. 113). de algumas escolas, no "novo" ensino médio.
N essa perspectiva, compreendemos que se

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faz necessano rompermos com algumas Também compreendemos que esse trabalho
"convicções" formais ainda presentes na deve ser iniciado nas primeiras séries do ensino
Geografia e em muitos livros didáticos que ainda fundamental, sobretudo na 53 série, uma vez em
lideram o mercado editorial do país. Isso porque que são nessas que os alunos começam a
esses, na maioria das vezes, abordam a realidade ter seus primeiros contatos com o uso e confecção
de forma fragmentada, não permitindo a de mapas. Como os mapas são os instrumentos
emergência de reflexões sobre a configuração das espacializações dos fenômenos geográficos,
do espaço que é fruto das contradições sociais. e esses fenômenos em parte, frutos das
Para Santos, contradições sociais, os alunos poderão,
dependendo da prática pedagógica docente, estar
'li superação da formal não é a em contato com essas contradições procurando
supressão da forma é, antes disso, uma compreender suas origens.
ruptura com seus em busca dos Neste sentido, ao refletirmos sobre as origens
movimentos que a e, porisso mesmo, do ensino de Geografia, sua situação atual e
é colocar em discussão, num mesmo perspectivas identificamos que esta ciência, de
momento) justamente o que a lógíca formal acordo com cada período histórico pelos quais
não admite: o contraditório JJ (1995, p.47 -48). passou, defendia valores determinados. Cabe­
nos, enquanto docentes em formação,
Assim, avançando para além da lógica formal explicitarmos à sociedade que o aspecto de
rumo à lógica dialética estaremos abordando a inutilidade que paira sobre a Geografia é, de fato,
realidade de forma dialética valorizando o apenas aparente e que a Geografia ainda serve
entendimento do conflito entre os contrários a tanto para fazer a guerra com também para
fim de que se entenda a lógica das diferentes, e transformar a sociedade na qual esta inserida,
contraditórias, espacia!idades produzidas no dependendo da prática pedagógica docente e de
território. seu compromisso político-pedagógico.
Segundo Katuta,

((Para isto, fàz-se necessário que o aluno tenha REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:


se apropriado e/ou se aproprie de uma série
de noções) habllidades, conceitos) ANDRADE, Manuel Correia de. Geografia, ciência
conhecimentos e básicos para da sociedade: uma introdução à análise do
que o pensamento ocorra. conjunto (. ..) pensamento geográfico. São Paulo: Atlas, 1992. 143p.
é pré-requisito para que o aluno construa um
entendimento geográfico da realidade))
1:
B RABAN Jean· Michel. Crise da Geografia, crise da
escola. In: OLIVEIRA, Ariovaldo Umbelino (Org.)
(1997, p. 37). Para onde vai o ensino de Geografia? São Paulo:
Contexto, 1989. p. 15-23.
Além disto, quando trabalhamos em sala de
aula a partir de uma abordagem respaldada na CHAUI, Marilena. Convite à filosofia. 12. ed. São
lógica dialética poderemos romper também com Paulo: Ática, 1999. 440p.
aquela tendência reprodutivista da educação de
outrora para trabalharmos com uma tendência CORAGGIO, José Luis. Propostas do Banco Mundial
transformador a da educação onde para a educação: sentido oculto ou problemas de
concepção? In: DE TOMMASI, WARDE,
Mirian Jorge; HADDAD, Sérgio (Org). O banco
(~ .. propõe-se compreender a educação dentro
r mundiale aspolitícas educacionais. 2. São Paulo:
de seus condicionantes e agir estrategícamente Cortez, 1998. p. 75-123.

I
para a sua transformação. Propõe-se
desvendar e utilizar-se das próprias KATUTA, Ângela Massumi. A escola e o ensino de
contradições da sociedade, para trabalhar geografia: o ser e o vir a ser. Univcrsitas) São José do
realisticamente (criticamente) pela sua Rio Preto, v.7, n.I, p. 31·38,1997.
transformação» (Luckesi, 1994, p. 51).

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LACOSTE, Yves. A geografia: isso serve em nr'rr\F·'t".. PONTUSCHKA, Nídia Nacib. A Geografia:
lugar para fazer a guerra. Campinas: Papirus, 1988. e Ensino. In: CARLOS, Ana Fali A. Novos camÍnhos
263p. da Geografia. São Paulo: Contexto, 1999. p. 111-143.

LIBÂNEO,José Carlos. DÍdátÍca. São Paulo: Cortez, SANTOS, Douglas. Conteúdo e objetivo pedagógico
1994. 26.3p. no ensino da Caderno PrudentÍno de
Geograna) Presidente Prudente, n. 17, p. 20-61,1995.
LUCKESI, Cipriano Carlos. Filosofia da .baucação.
São Paulo: 1994. 183p.

Teaching of geography: origins and perspectives

ABSTRACT
In the present article we intended to contemplate about the current situation of the teaching of Geography as well as on
its origins and perspectives. For so much we left, initially; of a reflectÍon concerning the as well as about its
relationship with the education and the Ínstruct1on. Soon we contemplated on the instituton of the geographical
science, its relationship with the teaching in the elementary schools (in the end of the century XIX) and of higher
education (in the beginning of the century XX). Later on, some placements on the af the teaching in Brazil,
we contemplate about the current situation of that in the country ttyÍng to relate it \vith the educacional
tendencies in which inserted. Finally, in a third moment, we approached some perspectives, based in bibliographies
on that thematic one, I respect it of that teaching and about its contributions to the society Those contributions, for it8
time, they can be good 80 much "to do the war" as to modify the social structure in which are depending on the
educational pedagogic practice and of its political-pedagogic commitment.

KEyWORDS: ~pr",r"nh", teaching, education.

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