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RESUMO

TRÊS VISÕES SOBRE O PROCESSO EDUCACIONAL NO SÉCULO XX

Neste capitulo serão abordados três contribuições sociológicas do século XX, dos
seguintes autores: Pierre Bourdieu que retoma o ponto de vista durkheimiano, Antônio
Gramsci que retoma o marxismo e Karl Mannheim que retoma a analise werbiana.
Bourdieu introduziu uma síntese entre o modelo durkheimiano e o estruturalismo. O
estruturalismo se conecta a sociologia de Durkheim, na medida em que pretende desvendar o
peso das estruturas sociais por trás das ações dos sujeitos.
Para o estruturalismo em geral e também para Bourdieu os sujeitos sociais são
marionetes das estruturas dominantes, ou seja, apenas reproduzem as orientações
determinadas pelo poder vigente.
No campo educacional Bourdieu publicou um livro em colaboração com Jean Claude
Passeron, no qual pretendia combater a idéia de que os estudantes seriam responsáveis pela
transformação social eles afirmavam que as revoltas estudantis apenas reforçariam o sistema.
Neste livro (Os Herdeiros) os autores atacam o discurso dominante que visa à
conquista de uma escola para todos afirmando que essa escola “igualitária” desenvolveria as
potencialidades humanas.
Para eles a ação pedagógica na verdade procura ocultar o poder reprodutor do sistema
e filtra os alunos sem que eles percebam. Assim, não há possibilidade de mudanças, em seu
livro A Reprodução ele afirma que a ação pedagógica é uma violência simbólica porque
impões por um poder arbitrário, um determinado arbitrário cultural. Partindo desse ponto
acontece o “Trabalho Pedagógico” que segundo Bourdieu é um trabalho de inculcação do
“arbitrário” para que o estudante naturalize os princípios culturais e seja capaz de transmiti-
los aos outros, a esse fenômeno ele chama de Habitus.
Gramsci se destaca por atualizar o pensamento de inspiração marxista de modo a
adequá-lo ao capitalismo avançado da época. Sua primeira distinção política é entre o Oriente
e o Ocidente, para ele o Oriente são aqueles países onde o Estado concentra todo o poder e o
Ocidente são os países em que a sociedade civil tem condições com o Estado à administração
da vida social.
Com esta percepção Gramsci tem uma visão clara da luta política no capitalismo
contemporâneo e conclui que para obter poder é preciso mais que uma luta física ou
econômica e sim conquistar a consciência das pessoas e a batalha das idéias. Para ele não
basta eliminar a exploração de uma classe sobre a outra, é necessário lutar contra a
apropriação elitista do saber e da cultura.
Desta forma para “ganhar a batalha das idéias” existem os intelectuais que organizam
a cultura, Gramsci aponta dois tipos de intelectuais e intelectual orgânico e intelectual
tradicional. O primeiro surge para da consciência a classe dominada, ou seja, representa os
dominantes. E o segundo representa a classe trabalhadora e tem por objetivo desenvolver uma
concepção de contra hegemonia, isto é, lutar contra o poder vigente.
Neste ponto Gramsci afirma que esses intelectuais são formados na escola e daí passou
a analisar a educação de sua época. Nessa analise notou que na sociedade moderna as
atividades práticas tornaram-se complexas e especializadas incentivando assim a criação de
uma escola especializada voltada para a formação profissional em oposição escola humanista
que da uma formação clássica. Em vista disso ele propõe uma escola nova, na qual a educação
seria unitária com caráter formativo e a partir dela o aluno passaria a uma escola especializada
voltada para o trabalho produtivo.
Mannheim por sua vez defendia uma sociedade essencialmente democrática, mas uma
democracia dirigida pelo planejamento racional e o governo por cientistas.
Para ele a racionalização da vida e o capitalismo não foram totalmente prejudiciais,
pois a democratização das relações sociais permitiu o surgimento de novas esperanças e
desejo de acumular riqueza trouxe a contribuições das diferentes classes sociais para o
processo educacional.
Para este autor, a modernidade, os objetivos e as metas desses processos devem ser
concebidos considerando o contexto social. Ele achava que a sociologia poderia servir de base
para aprimorar a educação e acreditava que uma educação sadia poderia regenerar a sociedade
e o homem. Essa regeneração consiste em livrar o homem e a sociedade dos efeitos perversos
da racionalização.
Gramsci afirma que a possibilidade de mudança na sociedade atual esta na democracia
onde existem tendências no sentido de criar padrões melhores de vida.