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Universidade Federal Fluminense

Instituto de Psicologia
Processos Clínicos e Atenção à Saúde
Professora: Paula Land Curi
Nome: Paloma Meirelles Oliveira

Conforme foi dito no primeiro trabalho desta disciplina, no dia 30 de outubro de


2019, de 9h-12h, aconteceu um Seminário no Serviço de Psicologia Aplicada da UFF para as
equipes de estágio em clínica, intitulado “Desafios e estratégias no cuidado com a psicose no
SPA”. Neste dia, uma interessante experiência coletiva se deu, a qual pude descrever
anteriormente. Enquanto devolutiva, recebi a proposta de desdobrar a questão “Como cuidar
no SPA?”, ou mais especificamente, “O SPA é SUS?”. Cabe ressaltar que já no primeiro
trabalho foi anunciada a posição que tem orientado nosso trabalho quanto a essas questões,
embora tenha sido feita de maneira mais rápida.
No ano de 1996, foi promulgada a lei 9.384, que estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional orientadas pela constituição de 88. Segundo essa lei, cabe ao setor da saúde
contribuir para que a educação se vincule ao mundo do trabalho e às práticas sociais em
saúde, como determina a Constituição Nacional ao setor da educação, e para que esse setor
cumpra a sua finalidade constitucional de desenvolvimento pleno dos educandos, seu preparo
para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
Lembremos também que segundo a lei 8080 de 1990, o Estado tem como dever para
com a saúde afirmar como atribuição do SUS o ordenamento da formação para a área. A
própria legislação determina o cumprimento do objetivo de contribuir para a organização de
um sistema de formação em todos os níveis de ensino e, ainda, a constituição dos serviços
públicos que integram o SUS nos campos de prática para o ensino e para a pesquisa.
Sabe-se que as diretrizes curriculares constituem-se apenas como uma recomendação,
já que as universidades brasileiras gozam de autonomia. Mas devemos pensar em que medida
a autonomia universitária está alinhada com a natureza pública e a responsabilidade social de
formação das novas gerações de profissionais do país. ​A universidade exerce um mandato
público, socialmente atribuído, e não uma soberania acadêmica como se a formação
profissional superior, a produção de conhecimento pudesse se dar independentemente dos
interesses da sociedade ou da sua relevância pública. ​A relevância pública da saúde, definida
constitucionalmente, não seria razão suficiente para que o setor da educação considere acoplar
a autonomia universitária à gestão das políticas públicas de saúde?
Nós enquanto graduação, devemos pleitear para que se cumpram as diretrizes
curriculares nacionais e diretrizes constitucionais do SUS, ampliando a responsabilidade
social e a capacidade de resposta e oferta da universidade aos problemas e demandas
contemporâneas. Uma vez que essa é uma exigência clara das lutas nacionais por saúde
consolidadas nas Conferências Nacionais de Saúde realizadas no bojo da reforma sanitária
brasileira, sendo uma exigência do direito à saúde.
Embora saiba que isto não é um consenso, esta é nossa posição, de que a universidade
pública tem um compromisso inequívoco e inadiável com a sociedade e o curso de graduação
em psicologia da UFF tem a responsabilidade de formar trabalhadores e trabalhadoras para
atuar no âmbito público. O SPA embora não esteja descrito na lei como um dos dispositivos
membros do SUS, na prática atua como tal, e não podemos nos furtar dos desafios que esta
vinculação nos coloca cotidianamente.

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