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EMPREENDEDORISMO E NOVOS NEGÓCIOS

O mundo tem passado por transformações em pouco espaço de tempo, por invenções que
revolucionaram o estilo de vida das pessoas (como o transplante de coração, a www e o
computador), fruto de inovação, e por trás disso há os empreendedores, cujo
comportamento e processo deve ser estudado e imitado. De acordo com Dornelas (2016),
paralelamente aos conceitos administrativos predominantes, a atividade empreendedora
sempre foi fundamental na sociedade, sendo que a demanda por empreendedores hoje
surge do avanço tecnológico atual e de sua rapidez, além da competição e necessidade de
adotar paradigmas diferentes. Através do empreendedorismo é que tem sido eliminadas
barreiras comerciais e culturais, sendo que a nova economia (internet, startups e redes
sociais) aponta que boas ideias, bom planejamento e uma boa equipe podem gerar grandes
negócios em pouco tempo, algo inconcebível em outros tempos. Assim, surge também
uma demanda por preparar jovens empreendedores, que agora podem iniciar seus
negócios desde cedo, ao mesmo tempo que o empreendedorismo tem sido centro de
políticas públicas na maioria dos países, além de ser alvo das atenções de multinacionais.
Cite-se também o projeto Global Entrepreneurship Monitor (GEM) para medir a atividade
empreendedora dos países e observar o crescimento econômico. No Brasil, o movimento
de empreendedorismo começou em 1990, com o Sebrae e Softex, sendo que houve grande
crescimento nesse sentido, com diversos programas para incubadoras e novos negócios,
sobretudo de tecnologia, de modo que os últimos anos foram repletos de iniciativas em
prol do empreendedorismo. Estudos feitos pelo GEM demonstraram que o Brasil ganhou
importância ao aumentar a relação entre adultos que iniciam negócios e o total da
população, ainda que criar empresas não leve ao desenvolvimento econômico – a não ser
que haja foco nas oportunidades do mercado. Nos estudos anuais do GEM, surgiram duas
definições de empreendedorismo: o de oportunidade, com planos de crescimento e
expansão, e o de necessidade, que geralmente fracassa rápido, sendo este último
característico de países em desenvolvimento. No Brasil o empreendedorismo de
necessidade é maior que o de oportunidade, ainda que tenha havido uma melhora com o
passar dos anos. Mesmo assim, políticas públicas se fazem necessárias para consolidar o
empreendedorismo no país, considerando-se ainda a necessidade de mudança de
paradigma no que diz respeito a valorizar a vitória de empreendedores por seu trabalho,
sem atribuir seu sucesso a mera sorte.
Empreendedorismo significa assumir riscos e começar algo novo. Foi no século XVIII
que a figura do empreendedor se diferenciou da figura do capitalista, mas ainda hoje se
confunde o administrador do empreendedor. O trabalho do administrador é planejar,
organizar, dirigir e controlar, lidando com demandas, restrições e alternativas, diferindo
em posição e conhecimento, sendo ambicioso e especializados, com papéis interpessoais,
informacionais e decisórios. Mas, o empreendedor possui características extras, atributos
pessoais que somados características sociológicas e ambientais, permitem a criação de
uma empresa. Ainda segundo Dornelas (2016), os empreendedores são visionários,
sabem tomar decisões, fazem a diferença, exploram as oportunidades, são determinados
e dinâmicos, dedicados, independentes, líderes, formadores de equipe, entre outras
características. Sendo assim, os empreendedores são parecidos com os administradores,
sendo que suas diferenças podem ser comparadas em cinco dimensões: orientação
estratégica, análise das oportunidades, comprometimento dos recursos, controle dos
recursos e estrutura gerencial. Uma característica singular citada pelo autor é a de
conhecer como poucos o negócio em que atua, além do constante planejamento a partir
de uma visão de futuro. Há, ainda, mitos em relação ao empreendedor: ele é nato e nasce
para o sucesso (a verdade é que é necessário acumular habilidades, experiências e
contatos com o tempo, sendo que certas capacidades melhoram com o tempo); ele é
jogador que assume riscos altíssimos (na verdade, ele assume riscos calculados, e os
divide); e ele é um lobo solitário (na verdade, ele é um ótimo líder, que cria equipes e
desenvolve excelentes relacionamentos).
O empreendedorismo pode ser conceituado como envolvimento de pessoas e processos
que em conjunto levam à transformação de ideias em oportunidades. Mas, o
empreendedor, além de criar novos negócios, também pode inovar dentro de negócios já
existentes, caracterizando o empreendedorismo corporativo. Apesar dos muitos conceitos
de empreendedorismo, em todos há os seguintes elementos em comum: iniciativa e
paixão; utilização de recursos de forma criativa e transformação do ambiente; aceitação
de riscos calculados e da possibilidade de fracasso. São envolvidos os processo de criação,
de devoção e de assunção de riscos com ousadia e ânimo, sendo que o revolucionário é
aquele que cria novos mercados.
Hoje entende-se que é possível aprender o empreendedorismo. O foco no ensino deste
deve ser na identificação e análise de oportunidades, circunstâncias e processo
empreendedor, uso de um plano de negócios, fontes de financiamento e gerenciamento.
Ainda, as habilidades de um empreendedor são técnicas, gerenciais e pessoais. O processo
empreendedor se inicia quando um elemento gerador possibilita o início de um novo
negócio, sendo que muitos fatores influenciam, sendo estes pessoais, ambientais,
sociológicos e organizacionais. Nesse sentido, inovações tecnológicas em especial têm
sido diferencial no desenvolvimento econômico mundial, dependendo dos fatores:
talento, tecnologia, capital e know-how. Muito além dessas peculiaridades, o processo
empreendedor envolve identificar e avaliar a oportunidade (a parte mais difícil),
desenvolver o plano de negócios (o mais trabalhoso), determinar e captar os recursos
necessários (o que pode ser feito de várias formas) e gerenciar a empresa criada (onde
entra o estilo de gestão). Mas, também é possível analisar o processo empreendedor
avaliando a oportunidade, avaliar a equipe empreendedora e como conseguir os recursos.
Vale lembrar que depois de captados os recursos, a equipe poderá ser complementada.

REFERÊNCIAS

DORNELAS, J. Empreendedorismo: Transformando ideias em negócios. 6ª edição.


São Paulo: Atlas, 2016.

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