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ESCOLA DO LEGISLATIVO DO PIAUÍ - ALEPI

PROGRAMA DE PÓS GRADUAÇÃO EM DIREITO

PREVIDÊNCIA SOCIAL E INFORMALIDADE: A DIFICULDADE DA INCLUSÃO

Teresina – PI
2018
PREVIDÊNCIA SOCIAL E INFORMALIDADE: A DIFICULDADE DA INCLUSÃO

Pré-projeto de Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Escola


do Legislativo do Piauí - ALEPI como requisito básico para a conclusão
do Programa de Pós-Graduação em Direito.

Orientador (a):

Teresina – PI
2018
SUMÁRIO

1. TEMA .................................................................................................................... 3

2. PROBLEMA ......................................................................................................... 4

3. JUSTIFICATIVA ................................................................................................. 5

4. OBJETIVOS ......................................................................................................... 6
4.1 GERAL ............................................................................................................. 6
4.2 ESPECÍFICOS ................................................................................................. 6

5. REFERENCIAL TEÓRICO ............................................................................... 7

6. METÓDOS E PROCEDIMENTOS ................................................................. 10

REFERÊNCIAS ..................................................................................................... 11
1 TEMA

Previdência Social e Informalidade: A Dificuldade da Inclusão


2 PROBLEMA

Diante do atual quadro do Sistema Previdenciário Brasileiro, que garante direitos apenas aos
trabalhadores formais, ou seja, com carteira assinada, como incluir os milhões de trabalhadores
que vivem na informalidade?
3 JUSTIFICATIVA

A hipótese norteadora da pesquisa é a de que os trabalhadores informais estão


desprotegidos dos direitos do sistema previdenciário brasileiro, tanto pela ausência de
entendimento e compreensão da importância e necessidade da inscrição e contribuição como
pela dificuldade financeira de manter sua condição de segurado da previdência social.
(FAGUNDES, 2017).
O objetivo é contribuir na sistematização do saber acerca da problemática apresentada,
a saber a questão da informalidade, que possibilite futuras investigações e continue
problematizando esse fenômeno histórico-social.
Além disso, essa pesquisa é socialmente relevante porque trará aspectos da relação
trabalhador/previdência e das ações realizadas pelo poder público que possam estratégias a
serem tomadas tanto pelo Instituto Nacional de Seguro Social – INSS no sentido da inclusão da
proteção social dos trabalhadores inseridos na informalidade do trabalho.
4 OBJETIVOS

4.1 GERAL

Compreender a informalidade como forma de exclusão do Sistema Previdenciário Brasileiro de


milhões de trabalhadores.

4.2 ESPECIFICOS

 Apresentar o panorama da informalidade no Brasil;


 Discutir o atual modelo de sistema previdenciário na inclusão dos trabalhadores
informais;
 Apontar soluções e propostas que incluam o trabalhador informal na Previdência;
5 REFERENCIAL TEÓRICO

Para Druck et al. (2004) o termo informalidade é um dos mais polêmicos no campo da
Economia e da Sociologia do Trabalho e historicamente respondeu a distintos significados. Sem
as devidas qualificações torna-se tão genérico, abrangente e impreciso, que mais esconderia e
dissimularia a realidade do que revelá-la, dificultando não só o interesse como a própria
compreensão do tema. Ainda segundo os autores, a informalidade teria sido explicitada pela
primeira vez em estudo sobre a economia do Quênia, no inicios dos anos de 1970.
Para Tavares (2012) essa a imprecisão conceitual e o lugar da informalidade na
produção capitalista apresenta um debate onde a informalidade do trabalho vai para além de
estratégia de sobrevivência da classe trabalhadora, essa na qual não se configura o fim
capitalista. Diante da necessidade de reprodução do capital, a informalidade do trabalho está
cada vez mais subordinada ao próprio capital, enquanto movimento de valorização do mesmo.
Para a autora, tais imprecisões e generalizações contribuem para que surjam concepções
teóricas que, além de mascarar o real, cedem lugar a formulações que aprofundam a
subordinação do trabalho ao capital.
De acordo com Menezes (2012) uma definição bem aceita de informalidade é a ausência
de registro na previdência social, onde o mercado de trabalho segmenta-se em ocupações
registradas e não registradas. A “registrada” seria a dos trabalhadores que contribuem para a
previdência enquanto que a última englobaria todos os que não contribuem. É essa ausência de
proteção social que contribui para o crescimento de um setor a margem das instituições.
Em que pese visões distintas da informalidade no mercado de trabalho, de modo geral
pode-se dizer que para os estudiosos é grave a situação dos trabalhadores informais em relação
à Previdência, sistema criado e mantido pela relação de emprego que pressupõe cobertura
universal. O notável crescimento das atividades informais nas últimas décadas no Brasil tem
gerado efeitos perversos no financiamento da seguridade social, mostrando que os estudos sobre
informalidade e exclusão dos trabalhadores informais da relação de emprego tem sido uma
preocupação constante. (SASSAKI; VASQUES-MENEZES, 2012).
Para Souza (2012) o que vê é a redução cada vez maior do trabalho regulamentado pelas
leis trabalhistas, o trabalho de carteira assinada. Excluídos De direitos como o Fundo de
Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), seguro-desemprego, dentre outros direitos o
trabalhador informal sofre uma dupla exclusão: não-direito ao trabalho formal e o não-direito à
proteção trabalhista. Com duas reformas na década passada, a Previdência foi a política mais
influenciada pela negação dos direitos, porque tais reformas longe de ampliarem o campo de
proteção, restringiram ainda mais o acesso de trabalhadores ao sistema previdenciário,
extinguindo a aposentadoria por tempo de serviço, criando o chamado fator previdenciário e
estimulando a previdência privada ao impor um teto ao Regime Geral da Previdência Social
(RGPS).
O discurso do déficit previdenciário, em que haveria mais aposentados que
contribuintes, tornando-se insustentável a partir de 2050, que tem sido bastante usado para uma
nova Reforma da Previdência não leva em conta que é justamente a informalidade, que cresceu
nas últimas décadas, uma das responsáveis por agravar essa relação. Em muitos países
desenvolvidos, como os Estados Unidos, onde a população é mais velha não há esse problema,
com 3 contribuintes para cada aposentado. Além disso, o atual sistema previdenciário com as
péssimas condições de atendimento e gestão, desestimula a contribuição. (CAMARGO, 2005).
Conforme Fagnani (2008, p.8) “O desemprego, a informalidade e a queda dos
rendimentos reduziram a massa salarial sobre a qual incidem esses encargos. Aí reside a raiz
do alegado ‘déficit’ da previdência social.”
Sasaki e Vasques-Menezes (2012) realizaram uma pesquisa com 12 trabalhadores ditos
por conta própria em Brasília para investigar relação destes com a previdência. Descobriram
que o trabalhador individual não dá importância ao benefício previdenciário como garantidor
do bem-estar, tanto por motivos econômicos quanto pela desconfiança da forma como o sistema
previdenciário lida com eles. De acordo com as autoras
Do ponto de vista do trabalhador, os resultados do estudo sugerem que a
Previdência Social é percebida como um sistema em que a regra prevalecente
é a contribuição compulsória pela empresa, face à legitimidade da relação de
emprego conferida pelas normais legais. A contribuição do trabalhador por
conta própria é vista como uma obrigação associada à legitimação do seu
trabalho e que, por decorrência, pode implicar a obtenção de benefícios. Em
outras palavras, a relação entre o trabalhador pesquisado e a previdência não
mediada pelas empresas, como na relação de emprego, torna-se, aos olhos do
trabalhador informal, burocrática, arriscada e sem retorno, principalmente em
relação à aposentadoria. Ademais, a contribuição individual não constitui um
seguro contra todos os riscos cobertos pela seguridade social, como a
cobertura do risco do desemprego e a compensação do FGTS, restritos aos
trabalhadores empregados com vínculo formal de trabalho. Vale acrescentar
que a preocupação com a saúde, constante na fala dos entrevistados, é outro
fator que minimiza a não contribuição previdenciária, dado o caráter universal
de acesso ao Sistema Único de Saúde (SUS). Esse é o conjunto de argumentos
por trás da resistência dos trabalhadores informais pesquisados em relação ao
sistema previdenciário e que se perguntam: contribuir para quê? (SASAKI;
VASQUES-MENEZES, 2012, p.189-190).
A Previdência Social levanta preocupações tanto do ponto de vista social, pelo fato de
exercer uma função crucial na subsistência dos indivíduos quando ocorrem perda da capacidade
laboral, quanto do ponto de vista fiscal, pois como foi discutido nesse trabalho, o RGPS entrou
em uma nova trajetória de aumento de déficit fiscal. Porém, um assunto ainda pouco debatido
é o grande contingente de trabalhadores que não contribuem para previdência, constituindo a
classe dos informais. Esse trabalho buscou fazer uma revisão de literatura do assunto no Brasil,
e levantar pontos a favor da relevância em se discutir o tema.
De acordo com Almeida (2016) devido ao carácter contributivo da previdência, deve
ser dado maior enfoque a formas alternativas de contribuição para os trabalhadores informais,
já que esse grupo é mais afetado por situações que dificultam a sua inserção no sistema
previdenciário e o pagamento continuado das parcelas de contribuição. Nesse sentido, alguns
governos elaboraram planos de combate à informalidade previdenciária, embora eles
apresentem algumas limitações, que ainda são pouco exploradas na literatura. No Brasil, o
Plano Simplificado de Previdência Social (PSPS) e o Simples são exemplos de como o governo
brasileiro vem tratando o tema nos últimos anos. Esperamos que com o surgimento de debates
acerca da previdência nos próximos anos, a inclusão dos trabalhadores informais no sistema
previdenciário também possa ganhar destaque.
6 METÓDOS E PROCEDIMENTOS

A pesquisa realizada pode ser classificada como qualitativa e descritiva, através de uma
revisão de literatura. O estudo foi desenvolvido utilizando duas pesquisas complementares.
Inicialmente foi realizada uma pesquisa bibliográfica, para melhor explorar o assunto, entender
os problemas relacionados e elaborar um objetivo mais abrangente e factível. Após essa fase,
foi realizada uma pesquisa descritiva de tema, viando o alcance do objetivo proposto.
A pesquisa bibliográfica abrange toda bibliografia já tornada pública em relação ao
estudo e com a finalidade de colocar o pesquisador em contato direto com tudo o que já foi dito
sobre determinado assunto.
Na pesquisa descritiva se observa, registra, analisa e correlaciona fatos ou fenômenos
(variáveis) sem manipulá-los. Busca-se conhecer as diversas situações e relações que ocorrem
na vida social, política, econômica e demais aspectos do comportamento humano, tanto do
indivíduo tomado isoladamente como de grupos e comunidades complexas.
A pesquisa bibliográfica foi realizada em sites de busca como Google Acadêmico e
Scielo, além de páginas oficiais de órgão como IBGE. Foram utilizados na busca, além das
palavras do título, os seguintes termos: Informalidade, Previdência Social, Direito
Previdenciário. Após a coleta da literatura, foi realizada sua organização em pastas eletrônicas
no computador. Essas pastas ficaram organizadas por título e a literatura pertinente separada e
adicionada a cada pasta específica, visando facilitar o trabalho. Foram elaboradas fichas do
material coletado por meio da técnica de fichamento.
REFERÊNCIAS

ALMEIDA, L.N. Previdência e Trabalho Informal: A Importância da cobertura


previdenciária do trabalhador informal. 2016. 40 f. Trabalho de Conclusão de Curso
(Bacharelado). UnB, Brasília – DF, 2016.

CAMARGO, P.T. A Previdência Social no Brasil. 2005. 41 f. Trabalho de Conclusão de Curso


(Graduação) - UNICAMP, Campinas, 2005.

DRUCK, M. G., et al. O conceito de informalidade: um exercício de aplicação empírica.


Cadernos do CRH (UFBA), Salvador-BA, v. 17, n. 41, p. 211-229, 2004. Disponível em:
<http:www.cadernocrh.ufba.br>. Acesso em: 14 out, 2018.

FAGUNDES, H.S.; DE SOUZA, M.H.M. Relações informais de trabalho e o acesso à


Proteção Social. Revista Pesquisa Qualitativa, v. 5, n. 8, p. 327-343, 2017.

FAGNANI, E. Previdência Social e Desenvolvimento Econômico. Texto para


Discussão IE/UNICAMP n. 140, fev. 2008. Instituto de Economia, UNICAMP, Campinas,
2008. Disponível
em:http://www.eco.unicamp.br/Downloads/Publicacoes/TextosDiscussao/textos140.pd;
Acesso em: 13 out, 2018.

MENEZES, W. F.; DEDECCA, C. S. A Informalidade no Mercado de Trabalho Brasileiro:


Rendimentos e principais características. Nexos Econômicos. V. 6, n. 2, dez. 2012. CME-
UFBA, 2012.

SASAKI, M.A.; VASQUES-MENEZES, I. Trabalhador informal e Previdência Social: o


caso dos trabalhadores por conta própria de Brasília-DF. Política e Sociedade, Florianópolis. v.
11(21), p. 173-197, 2012.

SOUZA, M.R. (Des)Proteção Social na Informalidade: o acesso dos trabalhadores à politica


previdenciária em Aracaju-SE. In: VII Seminário do Trabalho – Trabalho, Educação e Politicas
Sociais no século XXI, 2012. Marilia-SP. Anais do VII Seminário do Trabalho – Trabalho,
Educação e Politicas Sociais no século XXI, 2012. p.01-12.

TAVARES, M.A. Os fios (in) visíveis da produção capitalista: informalidade e precarização


do trabalho. São Paulo: Cortez, 2004.