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Mozart

Sinfonia Concertante in Eb for Violin and


Viola

Sandro Almeida

Licenciatura em Música – Variante de Formação Musical

Orientador

Professor Gonçalo Lourenço

Trabalho no Âmbito da disciplina de Direção Instrumental

Castelo Branco, Janeiro de 2020


Breve contextualização do compositor:

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) foi um influente compositor austríaco do


período Clássico.
Mozart mostrou uma habilidade musical prodigiosa desde a sua infância mostrando
assim uma grande capacidade enquanto instrumentista de cravo e até mesmo
de violino, começando assim a compor aos cinco anos de idade onde passou a
apresentar as suas composições para a realeza, maravilhando todos com seu talento
precoce. Chegado à adoloescência, foi contratado como músico da corte em
Salzburgo, porém as limitações musicais impediam-no de alargar os seus horizontes
no que toca às suas obras apresentadas. Seus últimos anos viram surgir algumas das
suas sinfonias, concertos e óperas mais conhecidos, além de seu Requiem. As
circunstâncias da sua morte prematura deram origem a diversas lendas deixando uma
esposa, Constanze e dois filhos.
Foi autor de mais de seiscentas obras, muitas delas Sinfonias, coralistas,
concertantes, camaristas. A sua produção foi louvada por todos os críticos da época,
embora muitos a considerassem excessivamente complexa e difícil, e estendeu sua
influência sobre vários outros compositores ao longo de todo o século XIX e início
do século XX. Hoje Mozart é visto pela crítica especializada como um dos maiores
compositores do ocidente, conseguindo conquistar grande prestígio mesmo entre os
leigos, e a sua imagem tornou-se um ícone popular.

Contexto Histórico da obra:

Em 1777, Wolfgang Mozart foi infeliz. Ele estava a trabalhar sob o comando do novo
Arcebispo de Salzburgo, Hieronymus Colloredo, desde 1773, onde se sentia reprimido
e Subestimado pois todas as composições que fazia para a realeza e igreja eram
restritas ao estilo indicado pelo arcebispo.
No verão de 1777, Mozart tinha o suficiente para desistir do emprego que tinha
pedindo assim ao arcebispo, Colloredo, para o dispensar a fim de viajar
para a França para procurar um emprego. Assim sendo este parte, com a sua família,
para Munique, Mannheim, e Paris no âmbito de fazer um excelente trabalho e expandir
os seus horizontes musicais. Wolfgang provou que encontrar um emprego foi mais
difícil do que esperado.
Nessa altura, a sua amada mãe Anna Maria morreu em Paris em 1778 depois de uma
doença de apenas alguns meses. Em 1779, Mozart foi forçado a voltar para Salzburg
e trabalhar para Colloredo.
Da jornada, embora talvez não tão financeiramente vantajosa quanto poderia ser
desejado mas Mozart obteu conhecimento e muitas novas ideias musicais, que mais
tarde floresceu em grandes obras primas. Em Mannheim, ele ouviu a famosa
orquestra da corte, controlada por Carl Stamitz, e absorveu as suas técnicas e ritmos
(Fanfarre). Em Paris, ele descobriu um novo estilo de sinfonia chamada sinfonia
concertante, um gênero para vários solistas e orquestra.
Assim ele agora poderia colocar em utilização para seu próprio proveito as técnicas
aprendidas nas suas obras como assim aconteceu. Ele misturou características da
sinfonia concertante com as técnicas orquestrais de Mannheim que ouvira durante as
suas viagens dando assim origem à Sinfonia Concertante para Violino, Viola e
Orquestra em Mi Bemol Maior, K.364.

Na década de 1770 e 1780, a sinfonia concertante foi uma das mais populares
formas sinfônicas em Paris. Semelhante ao Concerto Grosso no período Barroco, a
sinfonia concertante apresentou entre dois a nove instrumentistas a solo, com
orquestra a acompanhar. Ao contrário do concerto grosso, que geralmente trata os
solistas e a orquestra enquanto partes diferentes, ou seja, a não fusão ente os solistas
com a orquestra, a sinfonia concertante permite que as linhas soliísticas se fundão
com a orquetsra muitas vezes parecendo que não há solistas.
A sinfonia concertante reflete uma profunda mudança social como o surgimento de
audiências burguesesas, mais salas de concertos, maiores orquestras. Musicalmente,
ela encarna os gostos do público, sabendo que há um fascínio crescente pela exibição
do virtuoso, uma predileção por grandes sonoridades e, particularmente, um caso de
amor que tudo permeia com a linha melódica agradável.
Em Mozart a única sinfonia concertante deste gênero é a K.364 pois foi a única a ser
acabada, existindo fragmentos de duas outras tentativas: Sinfonia Concertante para
violino, Viola, Cello e orquestra em Lá maior, K. 320E, e Sinfonia Concertante para
Piano, Violino e Orquestra em Ré Maior. No entanto, Mozart compensa a falta de
quantidade com a sinfonia concertante K.364, uma obra de qualidade de tirar o fôlego.
Nela, ele incorpora as melhores técnicas da escola de Mannheim com uma
orquestração que suporta duas linhas de solo virtuoso de grande profundidade
melódica e caráter.O gênero da sinfonia concertante é perfeitamente adequado para
mostrar compreensão de Mozart para com a escola de Mannheim, a estrutura de
sinfonia concertante de Paris, bem como seu gênio melódico.

Sinfonia Concertante para Violino, Viola e Orquestra em Mi Bemol Maior, K.364 e


análise do primeiro andamento:

Esta obra possui influencias de três locais diferentes pelos quais o próprio Mozart
passou antes de a escrever, como: Manheim, Áustria (Salzburgo (terra natal)) e
França. As características de Manheim vêm devido ao concerto que Mozart assistiu e
assim,
absorveu algumas técnicas como sonoridades de fanfarra, melodias ascendentes
comtrilos, arpejos descendentes etc...

Fig.1 – Abertura com ritmos de Fanfarra, Mannheim


Fig.2 – Ritmos ascendentes com trilos, Mannheim

Derivado da França temos influências logo no início desta obra devido às entradas
típicas da música deste país e também podemos verificar que a forma desta obra foi
baseada num género bastante popular em França nesta altura (1770-1780), a Sinfonia
Concertante.

Fig.3 - Abertura Francesa, Forma sinfonia concertante, Paris


Da sua terra natal, temos as suas noções básicas de composição que teria aprendido
com Joseph Haydn e com que todas as suas obras anteriores.

Fig.4 – Estilo Austriaco presente, Salzburgo

Neste tipo de obra podemos afirmar que possui uma forma um pouco não comum,
pois deveria ser uma sonata de tipo 5 (forma concerto) mas acaba por também ser
uma fantasia (características de vários países).

Os solistas começam por fazer parte da orquestra até o compasso 78, pois no
compasso 79 sobressaem da orquestra ao começar com variadas frases melódicas
onde vão funcionar de uma maneira de pergunta resposta entre a viola principal e o
violino principal. A orquestra enquanto os solistas estão a ter este tipo de diálogos
constituído por episódios, vai funcionar como recheio.

A obra está em Mib Maior sem quase nunca variar nos acordes, (utilizando por norma
o I, IV, V e VII). A viola principal encontra-se afinada meio tom acima, de maneira a
que o seu som enquanto solista seja mais brilhante e distinguível.

Fig.5 – Scordattura da Viola


Até ao compasso 78 podemos dizer que temos uma exposição, onde são
apresentados 3 temas todos eles variados nas características provenientes dos vários
países que Mozart visitou. Do compasso inicial ao primeiro tempo do compasso 11
temos presente um tema, com uma abertura típica francesa, mas com uma sonoridade
de fanfarra extraída de Manheim assim como os arpejos descendentes. Em seguida,
do compasso 11 a 27 temos a exposição do segundo tema, onde os violoncelos e
contrabaixos tocam quase sempre as mesmas notas exceto em momentos cadenciais
tal como se fosse uma nota pedal, mas em colcheias. Logo no compasso 27 é nos
apresentados por fim o terceiro tema, com um estilo mais de fanfarra, mas no
compasso 30 aparece-nos uma melodia sincopada característica deste terceiro tema,
que se finaliza no compasso 37. (Secção A-a)

No compasso 38 inicia-se uma nova secção em que podemos observar uma fusão dos
três temas apresentados anteriormente, só que agora estão sobrepostos. Temos ainda
um motivo rítmico e melódico que aparece que é característico de Manheim. Também
aqui temos um motivo (38-39) em que a trompa faz um ‘’chamamento’’ para o tema,
denominado por chamamento da trompa, muito utilizado no estilo de Salzburgo.

Fig.6 – Chamamento da Trompa, Salzburgo

Esta secção terá o seu fim no compasso 78, onde a partir deste vamos ter vários
episódios de diálogos entre os solistas e a orquestra passa a ter um papel de apoio ou
recheio. (Secção A-b)

O primeiro episódio começa no compasso 94 com o violino e acaba em 106. Logo em


seguida inicia-se outro episódio no 107 acabando no 124. O terceiro episódio tal como
os outros começa logo no compasso 125 em anacruse para 126 e acaba em 133,
dando assim entrada para o violino começar o quarto episódio 142. No compasso 143
os dois instrumentos solistas juntamse para tocar melodias distanciadas por 3ªs quase
sempre, existe também alguns momentos de pergunta resposta de 149-152, mas
voltam a juntar-se (com as mesmas linhas melódicas, mas distanciadas em questões
intervalares), até ao compasso 158 onde estes dois solistas voltam a unir-se à
orquestra. É importante frisar, que enquanto estes solistas tinham a suas partes mais
técnicas, na orquestra continuava a aparecer matérias temáticas dos 3 temas da
primeira secção. (Secção B)

A partir do compasso 158, voltamos a ter uma secção onde nos são apresentados os
3 temas iniciais, isto acontece até ao compasso 175. (Secção A’)
Logo em seguida é nos apresentado uma Cadenza do violino desde o compasso 176
a 188, onde por sua vez começará a Cadenza da viola até ao compasso 194 onde
esta, passa a ser partilhada pelos dois instrumentos solistas até ao compasso 222.
(Secção C).

No compasso 223 iremos ter novamente os compassos iniciais com a abertura


francesa e as outras características até ao compasso 247. (Secção A’’)

Em 248 iremos ter uma outra situação de diálogo parecida à Secção B, mas, desta
vez, quem começa esta conversa entre instrumentos é a viola que irá até ao
compasso 327.

Teremos novamente a secção A no compasso 338 para a acabar com um momento


cadencial em Mib Maior. (Secção A’’’), que vai levar a uma Cadenza entre os solistas
no compasso 349 até ao compasso 373 onde se juntam novamente à orquestra e
finalizam a obra.

Notas de Programa

Escolhendo um repertório para uma hora de concerto para a formação: dois oboés,
duas trompas e cordas, escolhi assim para um dia em que haja um concerto
relacionado com sentimentos e festividades, a fim de relembrar o que a música
realmente significa. Tal como a pintura ou o teatro fazem, tentam transmitir
sentimentos às pessoas, assim a música também o faz. Compositores também têm
sentimentos e escrevem muitas vezes sobre o que eles próprios sentem. Isto pois as
Obras escolhidas nutrem ou transmitem sentimentos tanto de alegria como dor, tanto
de orgulho como desilusão etc… Assim, relembrando sempre o porquê das
festividades e os sentimentos que as acompanham decidi este repertório.

Assim sendo as obras ecolhidas são:

- Sinfonia nº26 “Lamentatione” – J. Haydn (18:02)


- Sinfonia em RéM, Divertimento II– K.D. von Dittersdorf (16:04)
- Concerto para Violino nº5 em LáM K219 – W. A. Mozart (29:06)

Sinfonia nº26 “Lamentatione” – J. Haydn

Conhecido como Joseph Haydn, era um compositor austríaco. Ele é um dos principais
representantes do período clássico, além de ser conhecido como o "pai da sinfonia" e o
"pai do quarteto de cordas", graças às importantes contribuições de ambos os gêneros.
A Sinfonia nº 26 em Ré menor é uma das primeiras sinfonias escritas por Joseph
Haydn . É popularmente conhecido como o Lamentatione . Foi escrito sob os
auspícios do príncipe Nikolaus Esterházy , e a partir do final da década de 1760,
quando Haydn começou a experimentar pequenas escritas sinfônicas importantes.
Haydn escreveu a sinfonia para a semana da Páscoa Na ausência do autógrafo
original, é impossível verificar a data da composição, embora essa datação seja
consistente com a aparição da obra no Entwurf Katalog (catálogo próprio de Haydn de
suas obras). Uma tradição anterior sugeria que a sinfonia havia sido escrita para o
Natal (na época, um feriado religioso muito menos significativo), mas o manuscrito
original mais antigo existente indica claramente que a sinfonia era realmente destinada
às celebrações da Páscoa.
É um exemplo inicial do estilo Sturm und Drang que caracterizou grande parte de sua
produção sinfônica de 1774 ou 1775.
Por causa de sua associação com a semana da Páscoa, Haydn incorpora uma
melodia derivada de um antigo canto da Paixão de Cristo , interpolando (como o
segundo tema) esse cenário litúrgico familiar para contrastar com o furioso tema de
abertura. O mesmo lamento também é captado no segundo movimento, reforçando o
vínculo da sinfonia com a Paixão através da evocação de uma melodia que seria
familiar para o público da época.

A obra está dividida em três movimentos, terminando com um minueto e um trio:

1.Allegro assai con spirito em Ré menor e maior,


2.Adagio em Fá maior
3.Minuet e Trio (trio em ré maior)

- Sinfonia em RéM – K.D. von Dittersdorf

August Carl Ditters von Dittersdorf (1739 - 1799 ) foi um compositor e violinista
austríaco. Ele era um compositor fértil do período clássico vienense, compondo 32
óperas e cantos , muitos dos quais libretos ele próprio escreveu. Ele também compôs
mais de 120 sinfonias e inúmeros concertos instrumentais.
Na vida, seu maior sucesso musical foi o cantor Doktor und sein Apotheker ,
representado em toda a Europa. Hoje ele é mais conhecido por sua música
instrumental .
Na Sinfonia em RéM, Dittersdorf transmite sentimentos como paixão loucura,
humildade e satisfação.

1. Allegro
2. Andante
3. Minuetto
4. Vivace

- Concerto para Violino nº5 em LáM K219 – W. A. Mozart

Leopold Mozart foi autor de um dos mais famosos compêndios de violino do seu
tempo. Não admira, pois, que ao mostrar uma grande e precoce aptidão musical, o
seu filho Wolfgang tenha começado por aprender a tocar violino – inicialmente, diz-se,
com seis anos de idade e sem professor – e piano. O violino foi sempre muito
importante ao longo da sua juventude e Mozart tocava regularmente na Orquestra da
Corte de Salzburgo e nas digressões que fazia. Em 1777, enquanto visitava
Augsburgo, Leopold escreveu ao filho encorajando-o: “Tu mesmo não sabes o bem
que tocas violino. Se acreditares em ti mesmo e tocares com energia, com todo o
coração e alma, aí sim, tocarás como um dos melhores violinistas da Europa.” Foi
apenas quando trocou Salzburgo por Viena em 1781, escapando da influência do pai,
que Mozart concentrou as suas energias em concertos públicos como pianista,

reservando o violino (e mais regularmente a viola) para eventos musicais passados na


esfera da vida privada.
Sem surpresa, todos os cinco Concertos para violino de Mozart datam dos seus
primeiros anos. O primeiro é provavelmente de Abril de 1773 e os restantes de um

período que decorreu entre Junho e Dezembro de 1775 – os meses que antecederam
o seu 20º aniversário. É sabido que alguns dos concertos foram estreados pelo

concertino de origem italiana da Orquestra de Salzburgo, Antonio Brunetti. Na


correspondência de Mozart há uma referência a um outro violinista da cidade, Johann
Anton Kolb, que terá igualmente estreado uma das obras. Mas não se sabe se Mozart
terá sido igualmente um dos intérpretes destes concertos. No entanto, é fácil pensar
que eles reflectem a sua técnica pessoal e a sua personalidade enquanto violinista,
pelo menos nas muitas oportunidades para improvisar em passagens de transição e
nas cadências.

O último Concerto para violino de Mozart, datado de 20 de Dezembro de 1775, é o que


expressa sentimentos mais maduros e o mais ambicioso, apesar de não requerer mais
do que os regulares recursos da orquestra de Salzburgo – cordas, dois oboés e duas
trompas. O primeiro andamento tem a indicação pouco habitual de Allegro aperto,
sugerindo abertura ou sinceridade; a sua característica mais fora do comum são os
deslizantes seis compassos em Adagio com que o solo do violino faz a sua primeira
entrada. A mesma indicação de tempo e carácter e a mesma concentração no registo
superior e mais lírico do instrumento marcam o andamento lento em Mi maior.
O terceiro andamento, tal como acontece no Concerto n.º 2, é um Rondeau em tempo
de minueto. No episódio central em compasso binário (2/4) e ao estilo turco, ele
reserva uma surpresa na figura de uma tonalidade menor. Esta influência do estilo
turco estava muito em voga na época e é aqui personificada numa alusão a
instrumentos de percussão nos violoncelos e contrabaixos. É um dos finais mais
graciosos de Mozart.

1. Allegro aperto
2. Adagio
3. Rondeau: Tempo di Minuetto – Allegro – Tempo di Minuetto