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Prioridades para Conservação: a


Linha Tênue que Separa Teorias e
Dogmas

Chapter · December 2006

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Fabio Rubio Scarano


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CAPÍTULO 1
Prioridades para Conservação: a Linha
Tênue que Separa Teorias e Dogmas
Fabio Rubio Scarano

Introdução
Conservação da natureza, muitas vezes, é um incômodo para o tomador
de decisão ou o político (Kareiva & Levin, 2003). Conservar um dado habitat
ou uma dada espécie normalmente implica gasto de recursos (Balmford &
Whitten, 2003), sem que necessariamente haja retornos financeiros ou políticos
visíveis e/ou imediatos (mas veja Balmford et al., 2002). Tais recursos com
freqüência são escassos, principalmente em países em desenvolvimento como o
Brasil, onde conservação nem sempre é prioridade. Desta forma, estabelecer
prioridades de conservação torna-se necessário e por vezes até urgente, diante
da alta velocidade de degradação dos recursos naturais.
A Ecologia é a ciência que se propõe a ajudar na busca de soluções para
problemas como o do estabelecimento de prioridades para conservação. O papel
da ciência em políticas ambientais tem sido marcante (Hironaka, 2003) e as
contribuições da Ecologia para a solução de problemas do meio ambiente são
crescentes (Shrader-Frechette & McCoy, 1993; Pickett et al., 1994), inclusive no
Brasil (e.g., Barbosa et al., 2004). Entretanto, existem controvérsias quanto à
eficácia da Ecologia em produzir tais soluções (e.g., Peters, 1991). O principal
argumento dos pessimistas como Peters é que a Ecologia se caracteriza como uma
ciência com má delimitação conceitual e pouca robustez teórica. Logo,
recomendações para tomadores de decisão, embasadas numa ciência ainda
imatura, seriam no mínimo temerosas. Autores mais otimistas (como os demais
citados no começo deste parágrafo), mesmo que de um modo geral concordem
com a existência desses problemas epistemológicos, listam em contrapartida
inúmeros exemplos de como a Ecologia tem ajudado a solucionar problemas
práticos, como aqueles relacionados à conservação biológica.
Não pretendo reforçar ou contestar as argumentações de otimistas ou
pessimistas quanto às aplicações da Ecologia como ciência à geração de subsídios
sólidos para ajudar tomadores de decisão no estabelecimento de prioridades de
conservação. Meu objetivo é destacar como só com o avanço na produção de
conhecimento e teorias em Ecologia é que poderemos fazer conservação com
2 Essência em Biologia da Conservação

mais propriedade. Embora tal constatação possa parecer óbvia, espero ao longo
do texto mostrar que, se assim o fosse, nossa prática científica em Ecologia talvez
não estivesse tão permeada por dogmas, principalmente no que diz respeito à
conservação. Espero mostrar como teorias e conceitos, ainda que nitidamente
problemáticos, podem e têm facilmente se transformado em dogmas, os quais
muitas vezes têm norteado políticas de conservação e até de divulgação e
financiamento de pesquisa científica. Além disso, discuto também a importância
estratégica de o Brasil se tornar destacado produtor científico em Ecologia e
Conservação, e contribuir assim para o fim de determinados dogmas e para o
avanço do conhecimento humano nestas disciplinas.

As bases teóricas lançadas por MacArthur & Wilson


A Teoria de Biogeografia Ilhas (TBI) de MacArthur & Wilson (1967) foi
desenvolvida para explicar a variação em riqueza de espécies durante o tempo
ecológico. Ela propõe que essa variação em riqueza pode ser constante durante
o tempo ecológico, ainda que a composição taxonômica mude. Tal teoria
representou um grande avanço, pois até então assumia-se que a estrutura de
comunidades de ilhas oceânicas era estática e resultava de eventos únicos de
migração e extinção. Os autores afirmavam que esses dois processos opostos
eventualmente se contrabalanceavam e que o equilíbrio resultante deveria ser
dinâmico, já que haveria um certo turnover, com migrantes repondo extintas.
Além disso, migração e extinção variavam apenas em função das características
físicas da ilha (área e isolamento). Shrader-Frechette & McCoy (1993), numa
análise crítica da TBI, avaliam suas três principais limitações como sendo: 1) no
tempo ecológico, a ocorrência de catástrofes e perturbações normalmente impede
ou dificulta que o número de espécies atinja algum equilíbrio; 2) a premissa
implícita de que habitats insulares e filtros de imigração são homogêneos dentro
e entre arquipélagos; e 3) a premissa explícita de que todas as espécies são
independentes e equivalentes. Além disso, apontam dificuldades na deter-
minação de parâmetros-chave como número de taxa constante, mudança na
composição taxonômica, taxa de colonização relacionada à distância da ilha em
relação à fonte e taxa de extinção em relação ao tamanho da ilha.
Apesar dessas limitações, a TBI se consagrou e evoluiu, ao longo do tempo,
com re-leituras, revisões e adições (Brown & Lomolino, 1989; Hubbell, 2001).
Ela consiste num pilar das chamadas teorias neutras em Ecologia (ver discussão
sobre teorias neutras vs. teorias de nicho em Scarano & Dias, 2004). Mais que
isso, mesmo se tratando mais de uma teoria descritiva de um padrão do que
propriamente explicativa dos processos que levam ao padrão, seu conteúdo foi
rapidamente incorporado à prática da conservação. Quando da priorização de
áreas para implantação de reservas e parques, por exemplo, alguns critérios
Prioridades para Conservação: a Linha Tênue que Separa Teorias e Dogmas 3

derivados da TBI costumam ser considerados no Brasil e no mundo, tais quais:


a) reservas maiores são preferíveis que menores; b) unidades são preferíveis que
subdivisões; c) próximas entre si são preferíveis a distantes entre si; d) agrupadas
circularmente são preferíveis a lineares; e e) fragmentos devem preferencialmente
ser conectados por corredores (ver discussão em Shrader-Frechette & McCoy,
1993). Naturalmente que muito das bases teóricas para os presentes estudos
sobre o efeito da fragmentação de habitats sobre a biodiversidade (ver neste
volume capítulo de Fernandez, 2004) vem também da TBI.
Os méritos da TBI são inegáveis, mas não deixa de ser curioso como uma
teoria nitidamente problemática venha se prestando tão decisivamente a
aplicações práticas quanto à aplicação do desenho de reservas. O maior risco
num cenário como este é que elementos derivados de uma teoria
insuficientemente robusta passem a se tornar dogmas, ou artigos de fé, como os
chamaria Odum (1975). Um exemplo de dogma, que se depreende da TBI, assim
como de estudos posteriores acerca do efeito de fragmentação de habitats (ver
Murcia, 1995; Laurance et al., 1997, 1998; Didham & Lawton, 1999), é que
fragmentos menores seriam menos prioritários para conservação que fragmentos
maiores em tamanho. O efeito de borda (alterações físicas e microclimáticas nas
bordas dos fragmentos, por vezes com reflexo no seu interior, implicando redução
de diversidade e outras alterações bióticas) seria um dos principais responsáveis
por isso.
Em dissertação de mestrado que ainda não veio a ser publicada, Rodrigues
(1998) comparou a estrutura populacional e a dinâmica de um ano para
Caesalpinia echinata Lam., o pau-brasil, entre três distintos fragmentos florestais
na formação semidecidual de Búzios, Estado do Rio de Janeiro. Dado o grau de
fragmentação da área, não foi possível ao autor obter réplicas para os fragmentos
quanto ao tamanho e à forma. Entretanto, foi encontrado que o menor de todos
os fragmentos, com 0,2 ha de área (em comparação com um fragmento de 2,5
ha e outro de 10 ha), foi o que apresentou maior número de plântulas (858) e
jovens (23) e também o menor número de adultos (4) num total de 0,1 ha
amostrado. Bancos de plântulas como este, com mortalidade e crescimento
negligentes ao longo do estudo, não foram encontrados nos fragmentos maiores
e podem representar uma importante diversidade genética (ver Sarukhán, 1980)
a ser preservada e manipulada. A julgar somente pelo tamanho do fragmento,
este poderia ser taxado por um tomador de decisão mais dogmático como sendo
de baixa prioridade para conservação na área. Em duas tentativas de publicação
dos dados em periódicos internacionais de grande circulação, os autores
receberam pareceres negativos essencialmente por conta do número de
fragmentos pequenos amostrados (n) ter sido igual a 1, sob o argumento de que
isso não permite se falar de forma mais geral sobre a potencial importância de
fragmentos pequenos. A rigor, porém, não se faz necessário ter mais que uma
4 Essência em Biologia da Conservação

única evidência para falsear uma teoria (ou um dogma) ou mostrar que a mesma
não é generalizável irrestritamente a todos os casos.
Este exemplo sugere que, por vezes, cada caso será um caso em Ecologia e
Conservação, ao menos no atual estágio de conhecimento que se dispõe sobre
estas ciências. Assim sendo, reforça a importância dos estudos de caso em
ecologia e exalta o seu potencial de aplicação na solução de problemas práticos
e locais.

Estabilidade e as dificuldades na sua medição


O equilíbrio dinâmico, ou estabilidade, encontrado por MacArthur &
Wilson (1967) se referia a uma relativa constância no número de espécies apesar
de mudanças em composição. Estabilidade seria, portanto, uma propriedade
emergente de ecossistemas e rapidamente tornou-se evidente que se trata de um
importante parâmetro a se estimar para determinar a necessidade de conservação
de um dado ecossistema (Doak & Marvier, 2003). Opostos aos ecossistemas
estáveis estão os ecossistemas frágeis, que apresentam baixa resistência e/ou
resiliência diante de perturbações. Assim, ecossistemas frágeis provavelmente
seriam prioritários em comparação aos estáveis e, desta forma, estimar a
estabilidade poderia constituir passo importante para traçar prioridades de
conservação. Contudo, esta não é uma tarefa trivial. Existem diversas formas
indiretas de se estimar estabilidade, e a ausência de medidas diretas em si já
caracteriza a limitação destas ferramentas. Por exemplo, a estabilidade de um
ecossistema pode ser estimada: a) a partir de sua resiliência após perturbação;
b) a partir da sua complexidade; ou c) a partir da sua dimensão fractal. Discuto
brevemente cada um dos três casos a seguir.
Estabilidade como resiliência: considerando-se que um sistema resiliente é um
sistema estável, a medida da velocidade de retorno do sistema às condições
iniciais anteriores a um evento de perturbação seria uma medida de estabilidade.
Um exemplo brasileiro desse tipo de estudo é o trabalho de Scarano et al. (1998).
Este estudo mostra que, além dos óbvios obstáculos logísticos de implantação
de estudos experimentais ou de monitoramento acerca de resiliência em
ecossistemas naturais, principalmente vegetações terrestres (e.g., escala de tempo
para amostragem, manipulação, tipo de perturbação), existem também
problemas como a definição de número e tipo de variáveis a serem examinadas
quanto a sua resiliência, bem como a determinação de quais dentre estas seriam
mais ou menos relevantes de serem amostradas para o sistema em questão (e.g.,
número de espécies, abundância de espécies, cobertura vegetal, fisionomia,
estrutura, etc.).
Prioridades para Conservação: a Linha Tênue que Separa Teorias e Dogmas 5

Estabilidade como complexidade: considerando-se que complexidade é uma


medida de estabilidade, a partir da medição das três variáveis que compõem a
complexidade, poderia se ter uma estimativa de estabilidade. Estas variáveis são:
a) diversidade de espécies, obtida a partir da riqueza e da abundância relativa das
espécies; b) conectância, dada pela razão entre o número de interações
interespecíficas existentes e o número total de interações interespecíficas
possíveis; e c) a força das interações entre populações de espécies (Shrader-Frechette
& McCoy, 1993). Embora teórica e experimentalmente possível (Tilman &
Lehman, 2001; Tilman et al., 2001), é difícil obter uma medição direta de
complexidade e, portanto, estabilidade. Esta dificuldade torna-se maior em
comunidades com alta diversidade, onde conectância e força de interação são
quase impossíveis de serem estimadas empiricamente. Talvez pelo fato de a
diversidade ser a variável mais facilmente mensurável das três acima, várias
hipóteses, modelos e teorias tentaram interpretar as relações entre diversidade e
estabilidade (ver revisões e debates em Ricklefs & Schluter, 1993; Scarano et al.,
1998; Tilman et al., 2001). Com freqüência, porém, tais teorias têm sido
desenvolvidas no âmbito de comunidades ou guildas específicas, dadas as
limitações impostas pelo aumento de complexidade com a inclusão de mais de
um nível trófico (ver Scarano & Dias, 2004).
Estabilidade a partir da dimensão fractal: sistemas biológicos e, portanto,
ecossistemas, com freqüência, são de natureza fractal e apresentam dinâmica
não-linear. Sistemas fractais são sistemas em que as partes se assemelham ao
todo e, a partir de características das partes componentes (e.g., distribuição de
tamanho, ou de área, etc.), é possível calcular a chamada dimensão fractal do
sistema. Esta permite inferências sobre o grau de estabilidade do mesmo (Solé
& Manrubia, 1995; Solé et al., 1996, 2001). Por exemplo, Solé & Manrubia
(1995), estudando a distribuição de tamanhos de manchas de luz no sub-bosque
de uma floresta tropical chuvosa, obtiveram o valor da dimensão fractal da área
de estudo e, a partir desta, concluíram que a floresta em questão se encontrava
em estado estável, porém, à beira da instabilidade. A ambigüidade ecológica e
temporal da conclusão“à beira da instabilidade” deixa clara a limitação desta
ferramenta em gerar entendimento acerca dos processos ecológicos, embora por
outro lado possa ser de grande valia na elaboração de hipóteses testáveis.
Mesmo com todas essas limitações no entendimento e na estimativa de
estabilidade de ecossistemas, existe um dogma entre tomadores de decisão, e por
vezes até entre cientistas, de que sistemas de alta diversidade são sistemas frágeis
e, como tal, seriam prioritários em termos de conservação. Previsões pessimistas
acerca da resiliência de florestas tropicais chuvosas (e.g., Richards, 1986;
Terborgh, 1991; Whitmore, 1991) estão em parte associadas à argumentação de
Futuyma (1973) de que comunidades de alta diversidade nos trópicos podem
6 Essência em Biologia da Conservação

não ser tão resilientes a perturbações externas como comunidades menos diversas
em outras partes do globo. Ainda que vários outros estudos indiquem o contrário
(e.g., Scarano et al., 1998), esta noção se tornou um dogma predominante até
os dias de hoje.

Espécies endêmicas versus espécies invasoras


Já vimos até aqui dois dogmas que hoje interferem na tomada de decisão e
no estabelecimento de prioridades quanto à conservação: 1) sistemas com alta
diversidade são frágeis e, portanto, prioritários; e 2) fragmentos maiores são
preferíveis que menores, além das várias diretrizes de desenho de reserva
decorrentes da TBI. Vimos também que estes dois dogmas são em parte
decorrentes de teorias problemáticas (TBI, diversidade vs. estabilidade) e conceitos
mal delimitados. Outros dois dogmas que discuto nesta seção são: 3) espécies
endêmicas e/ou raras são prioritárias para conservação e biologicamente frágeis;
e 4) espécies exóticas são danosas e potencialmente invasoras.
Espécies endêmicas: extinção e perda de espécies são processos naturais de
ecossistemas, mas que, contudo, têm alcançado taxas maiores do que as
esperadas dada à ação do homem (Pimm, 1991). Existe uma postura ética, e às
vezes até religiosa, que nos impele a ter uma reação contrária a qualquer
perspectiva de perda de espécies (ver Leigh Jr., 2003). Dentre os primeiros
candidatos à extinção, ao menos probabilisticamente, encontram-se as espécies
endêmicas (espécies com distribuição geográfica restrita) ou as raras (espécies
com baixa abundância local) e principalmente as espécies que reúnem essas duas
características, ou seja, as que são endêmicas e raras. Assim, espécies endêmicas
e/ou raras são freqüentemente visadas por ações conservacionistas. Embora tais
iniciativas possam ser consideradas louváveis sob um prisma ético, há uma clara
confusão conceitual entre endemismo (ou raridade) e fragilidade. Os estudos
acerca das diferenças bionômicas entre espécies comuns e espécies raras ainda
são escassos (ver importante síntese organizada por Kunin & Gaston, 1997), mas
nem sempre estas são encontradas ao examinar pares de espécies comuns-raras
dentro de um mesmo grupo filogenético, numa mesma localidade (Buckley &
Kelly, 2003). Scarano et al. (2001), por exemplo, não encontraram diferenças
ecofisiológicas relevantes entre plantas comuns e raras, nem entre plantas
amplamente distribuídas e endêmicas ao longo de ambientes marginais à mata
atlântica no Rio de Janeiro (ver também Lüttge & Scarano, 2004), ainda que
haja na literatura algumas generalizações a respeito do potencial de dispersão,
reprodutivo ou ecofisiológico de espécies raras ou endêmicas. Portanto, restrição
geográfica e/ou em abundância apresentada por uma dada espécie não parece
se dever obrigatoriamente a algum tipo de fragilidade ou inaptidão biológica
intrínseca. Desta forma, populações de espécies comuns na natureza, muitas
vezes irão precisar de cuidados idênticos ao de raras, até mesmo porque tais
Prioridades para Conservação: a Linha Tênue que Separa Teorias e Dogmas 7

populações podem sofrer extinções locais e, com estas, toda uma riqueza de
informação genética não mais será disponível (Harrison, 1991; McKinney, 1997;
Scarano et al., 2002).
Espécies invasoras: Elton (1958), em trabalho clássico, foi um dos primeiros
a apontar o impacto de espécies invasoras sobre espécies, comunidades e
ecossistemas nativos. As duas últimas décadas demonstraram inequivocamente
que espécies exóticas podem consumir espécies nativas, infectá-las com doenças,
excluí-las competitivamente e até alterar o funcionamento de ecossistemas
(Vitousek et al., 1997; Magnusson, 2004, neste volume). Paralelamente ao
grande avanço teórico em curso acerca da invasibilidade de espécies e seus efeitos
sobre ecossistemas naturais (ver Simberloff, 2004) persistem, porém, alguns
dogmas a respeito deste tema, decorrentes de mau entendimento conceitual. Por
exemplo, espécies exóticas não são necessariamente invasoras, nem
necessariamente nocivas (ver importante síntese de D’Antonio & Meyerson,
2002). Uma espécie invasora é por definição exótica ao sistema que invadiu,
porém, uma espécie exótica (de outros países ou regiões) não é necessariamente
invasora. No caso do Brasil, ainda que haja vários exemplos de exóticas invasoras
(e.g., inúmeras gramíneas e leguminosas), há também exóticas não invasoras
como, por exemplo, as espécies de eucalipto. Este gênero australiano foi
introduzido em larga escala no País, porém desconheço registros de invasibilidade
do mesmo. Há também um mito, provavelmente decorrente de más práticas
florestais, que diz respeito a um suposto efeito nocivo dos eucaliptos sobre
recursos hídricos e biodiversidade. Entretanto, Lima (1987) demonstrou há
quase duas décadas que seu impacto sobre recursos hídricos não é
necessariamente superior ao de outras monoculturas florestais (ver também
Barbosa et al., 2004), e já foram constatados efeitos positivos do eucalipto sobre
regeneração natural in situ de espécies de mata atlântica (Silva Jr. et al., 1995),
cerrado (Durigan et al., 1997) e também em florestas montanhosas na África
(Feyera et al., 2002; Yirdaw & Luukkanen, 2003). Sakai et al. (2001), em uma
detalhada revisão sobre invasibilidade, apresentaram várias evidências para a
existência de uma estreita relação entre determinadas características bionômicas
e o potencial invasor de espécies (ao contrário do que vimos anteriormete para
espécies endêmicas e raras). A existência desta relação sugere boas perspectivas
quanto ao poder preditivo das ferramentas ecológicas na determinação de
espécies potencialmente invasoras e, conseqüentemente, seu manejo. De fato,
mesmo espécies nativas podem ter em seu habitat natural potencial invasor ou
de rápida explosão demográfica, especialmente mediante distúrbios (e.g., Cirne
et al., 2003). Logo, para fins de conservação é essencial detectar em sistemas
naturais espécies com tal potencial, principalmente num cenário de mudanças
globais. Igualmente importante é a cautela no uso e introdução de espécies
exóticas, porém, sem uma postura preconceituosa em relação ao que quer que
seja exótico.
8 Essência em Biologia da Conservação

Hotspots vs. ecótonos e ambientes marginais: o


caso do Complexo Vegetacional Atlântico
A consolidação dos dogmas discutidos anteriormente, a partir de teorias
insuficientemente robustas e/ou do pouco entendimento de conceitos ecológicos,
reflete diretamente na tomada de decisão e no estabelecimento de prioridades
para conservação. Um exemplo recente de estabelecimento de prioridade é a
classificação dos biodiversity hotspots proposta por Myers et al. (2000) e discutida
neste volume no capítulo do Programa CBC-Mata Atlântica (2004). Esta
classificação aponta 25 biomas no planeta como prioritários para conservação,
baseado nos seguintes critérios: alta diversidade numérica de espécies, altos níveis
de endemismos e altas taxas de destruição de habitat. Dois biomas brasileiros
atendem aos critérios: a mata atlântica e os cerrados. Como no Brasil estes
mesmos critérios em parte norteiam a seleção de áreas de preservação federal,
florestas tropicais chuvosas e cerrados são hoje prioritários ao estabelecimento
de unidades de conservação (UCs) federais.
Smith et al. (2001) criticam esta classificação por acreditarem que a mesma
pode induzir a um preconceito contra sistemas de menor diversidade e/ou
ecótonos, onde importantes processos evolutivos e adaptativos também ocorrem.
O argumento desses autores é que processos são tão ou mais importantes de
serem preservados do que espécies, discurso comum entre alguns conservacio-
nistas (ver Sterelny & Griffiths, 1999), mas que certamente não é o que tem
predominado na prática da conservação. Scarano (2002) apresenta argumen-
tação na mesma linha e usa como exemplo o complexo vegetacional atlântico,
que é composto pela mata atlântica sensu stricto (um dos hotspots) e seus
ambientes marginais (restingas, pântanos, campos de altitude, afloramentos
rochosos, florestas secas, mangues). Este estudo propõe que algumas das
comunidades vegetais marginais à mata atlântica sensu stricto são estrutural e
funcionalmente dependentes de um pequeno número de espécies vegetais
facilitadoras, ou nurse plants. Ainda que estas comunidades sejam surpreenden-
temente numerosas em espécies, apesar dos extremos ambientais aos quais são
freqüentemente submetidas, a dependência destas comunidades de um pequeno
número de espécies gera baixa redundância funcional e alta fragilidade. Assim,
a eventual perda destas espécies-chave pode gerar mudanças dramáticas em
composição de espécies e diversidade (ver também Scarano et al., 1998, 2004).
A classificação de Myers et al. (2000) não faz menção a estes ambientes
marginais. O argumento de Scarano (2002) é que, em termos de conservação,
o complexo vegetacional atlântico deve ser visto como um todo e não somente
como a mata atlântica sensu stricto. Em termos de conservação animal, por
exemplo, embora a fragmentação tenha removido muitas das conexões entre a
mata atlântica e seus ambientes marginais, várias espécies de pássaros da mata
Prioridades para Conservação: a Linha Tênue que Separa Teorias e Dogmas 9

usam a restinga como zona tampão e como extensão geográfica de sua


distribuição (Gonzaga et al., 2000). No caso de mamíferos, os poucos estudos
sobre movimentos em larga escala (e.g., Pires & Fernandez, 1999) relatam
movimentos de marsupiais e roedores entre fragmentos isolados na baixada
atlântica, onde os pântanos se situam. No caso das plantas, várias das espécies
ocorrentes nos ambientes marginais, principalmente aqueles mais recentes
geologicamente como as restingas e pântanos, são oriundas da mata. Parece
improvável que espécies oriundas de um ambiente mésico tenham sido capazes
de se ajustar no tempo ecológico ao rigor climático e nutricional das restingas,
ou à baixa disponibilidade de oxigênio nos solos dos pântanos, o que leva a crer
que os ajustes morfológicos, fisiológicos e ecológicos que estas espécies
manifestam nestas áreas (e.g., Cirne & Scarano, 2001; Rôças et al., 2001; Scarano
et al., 2002; Freitas et al., 1998, 2003) são a própria expressão de uma valiosa
riqueza genética, talvez até mais importante do que endemismos, por exemplo.
Esta riqueza não tem sido prioridade de conservação no Brasil e não está
contemplada na classificação de hotspots e outras existentes. Se focalizarmos o
exemplo das restingas, estes biomas têm baixo grau de endemismo e diversidade
alta, embora inferior à da mata atlântica sensu stricto, e, talvez por esta
combinação de fatores, só recentemente o Brasil teve mais uma dentre poucas
unidades de conservação federal criada em restingas: o Parque Nacional da
Restinga de Jurubatiba, em 1998. Barbosa et al. (2004) discutem o conjunto de
argumentos utilizados para convencer os tomadores de decisão da necessidade
de criação do parque. Além das “desvantagens” relacionadas à menor diversidade
e ao baixo endemismo, a área, por se tratar de uma zona de praia, também não
se encaixava na recomendação de “unidades circulares ao invés de lineares”,
decorrente da TBI. Felizmente prevaleceu o princípio de que processos são mais
prioritários a serem conservados que espécies e o Parque veio a ser criado.

Do caso para a teoria ou da teoria para o caso?


Quanto ao potencial da Ecologia em resolver problemas ligados à
conservação, existem de modo geral dois tipos de autores dentre os mais
otimistas: os que acreditam na eficácia de abordagens bottom-up vs. os que crêem
na eficácia de abordagens top-down (ver Kitcher, 1985; Shrader-Frechette &
McCoy, 1993). Abordagens bottom-up enfocam casos específicos e esperam que
destes estudos de caso emerjam explicações teóricas. Abordagens top-down
recorrem a teorias para identificar causalidades em situações particulares.
Shrader-Frechette & McCoy (1993) propõem que a ecologia aplicada à
conservação se move da explicação do caso para a explicação teórica, isto é, eles
crêem no poder do estudo de caso para a solução de problemas específicos. Na
minha argumentação anterior, o caso dos pequenos fragmentos do pau-brasil
10 Essência em Biologia da Conservação

talvez seja um bom exemplo de como a lógica defendida por Shrader-Frechette


& McCoy (1993) pode operar. Já Pickett et al. (1994) acreditam na necessidade
de crescimento teórico em Ecologia para aumentar seu poder preditivo e sua
capacidade de resolver problemas práticos, isto é, eles crêem que a Ecologia deva
ir da teoria para a explicação do caso. No exemplo do complexo vegetacional
atlântico, e mais especificamente das restingas, discutido anteriormente, os
estudos que embasaram a criação de um Parque Nacional partiram de uma
preocupação de testar teorias existentes e, portanto, se adequam à lógica de
Pickett et al. (1994).
Estes exemplos sugerem que ambas as abordagens podem ser igualmente
eficientes tanto em termos de produzir teoria como em termos de solucionar
problemas práticos aplicados à conservação. Sugerem também que a Ecologia
tem de lidar com um universo de grande complexidade e, portanto, é difícil
alcançar generalizações confirmáveis que propiciem maior robustez de teorias
que possam ser aplicáveis à conservação. Desta forma, ainda que a Ecologia seja
predominantemente uma ciência de estudos de casos (ver Shrader-Frechette &
McCoy, 1993), inclusive no Brasil (Barbosa et al., 2004), a sua perspectiva teórica
não pode ser perdida de vista (ver Coelho et al., 2004, para avanços neste sentido
no Brasil), o que ocorre quando teorias dão lugar a dogmas. Mesmo
considerando que a Ecologia aplicável à conservação mereça ser examinada caso
a caso, como bem exemplifica o estudo do pau-brasil de Rodrigues (1998)
descrito anteriormente, esta abordagem só irá funcionar se ela não for permeada
por dogmas ou preconceitos implícitos. Se aquele autor tivesse incorporado o
dogma de que fragmentos pequenos são inúteis para conservação, talvez não
tivesse interpretado seus dados da forma como o fez, mostrando claramente a
importância daquele único pequeno fragmento de 0,2 ha na preservação do pau-
brasil na área estudada.
A construção de teorias ecológicas mais robustas é uma importante meta
a ser alcançada, já que as teorias vigentes ainda precisam ser aprimoradas para
que possam ajudar a estabelecer regras mais sólidas acerca do que seja ou não
prioridade em termos de conservação. Nisto reside o grande papel que o Brasil
pode desempenhar em termos do avanço científico em Ecologia e Conservação.
Já que nossas fronteiras guardam grande parte da riqueza biológica do planeta,
cabe a nós termos o domínio sobre essas ciências. De pouco adiantará a lista
infindável de casos interessantes a serem estudados no Brasil, que a diversidade
de espécies, de habitats e de processos dos ecossistemas propiciam, se esta não
vier a ser utilizada como base para testar teorias existentes e/ou formular novas.
Scarano & Dias (2004), por exemplo, destacam que o Brasil possui uma série
de ecossistemas com uma curiosa combinação de alta diversidade de espécies e
baixo potencial ambiental (baixa disponibilidade de recursos, estresse
intermitente, etc.), que nos dá um excelente laboratório experimental para testar
Prioridades para Conservação: a Linha Tênue que Separa Teorias e Dogmas 11

várias teorias ecológicas que foram, em sua maioria, historicamente construídas


nos extremos alta diversidade-alto potencial ambiental e/ou baixa diversidade-
baixo potencial ambiental.
Para que possamos no Brasil dar estas contribuições ao avanço teórico da
Ecologia e às suas aplicações práticas na conservação, será preciso estimularmos
os jovens cientistas, formados em quantidade neste país, a desenvolverem um
pensamento em Ecologia que seja autônomo e crítico e não simplesmente
conformado em aceitar dogmas impostos a partir de teorias ainda pouco
robustas. Na contestação científica de dogmas (que pode passar por estudos de
casos bem feitos) e no teste de teorias vigentes (a partir de hipóteses adequa-
damente formuladas e testadas), creio que poderemos contribuir para uma
conservação melhor no país e no mundo. Para alcançarmos este estágio, a
educação terá um papel essencial, principalmente sob uma perspectiva de
incentivo à autonomia e ao pensamento criativo, em vez de promover exclusi-
vamente a reprodução e cópia de outros modelos, como já fora apontado por
Paulo Freire (1996/2004).

Um papel para o Brasil


A esta altura, um leitor mais crítico pode argumentar que a ciência não
respeita fronteiras e que o arcabouço teórico produzido no mundo desenvolvido
pode e deve ser aplicado no mundo todo e, em geral, o é de fato (ver Drori et
al., 2003, para discussão sobre a globalização da ciência). A pesquisa ecológica
brasileira, que defendo ser essencial para uma melhor conservação dos nossos
recursos naturais, tem produzido uma grande gama de interessantes casos de
história natural e tem, em bem menor freqüência, testado hipóteses e/ou teorias
que são em geral produzidas no mundo desenvolvido, conforme já discutido.
Embora esta produção seja claramente relevante, a baixa produção de teorias leva
a problemas na escala global e na escala local.
O problema global tem a ver com o elemento subjetivo da ciência. Apesar
de sua aclamada objetividade, resultante da metodologia científica, a ciência tem
um forte elemento subjetivo, isto é, o observador em si, o cientista (veja Kuhn,
1977). Como afirma Bertrand Russell (1948), “a percepção individual é a base de
todo o conhecimento, e não existe método através do qual se possa começar com dados que
sejam públicos a vários observadores”. Uma vez que indivíduos são em geral
impregnados da sua própria cultura, é de se esperar que a observação de
fenômenos e, conseqüentemente, as teorias científicas que estes produzem sejam
fortemente influenciadas por esta. Se o Brasil fracassar na produção de teorias
em Ecologia, aplicáveis à conservação, o mundo não terá acesso à percepção
ambiental daqueles que vivem em meio a uma das maiores fontes de
biodiversidade do planeta. Isto, sem dúvida, seria uma pena. Sardar (2002)
12 Essência em Biologia da Conservação

discute as ramificações culturais da ciência e recorre a Kuhn (1970) para


argumentar que civilizações outras daquelas que estou chamando de “mundo
desenvolvido” (ou seja, países na África, Ásia e América Latina) podem dar
origem a práticas e tipos distintos de ciência. Espero que meu argumento não
se confunda com um clamor chauvinista por uma ciência nacionalista, nem com
uma proposta de descarte da ciência ecológica produzida no mundo
desenvolvido. O que proponho é que ecólogos brasileiros possam mais
freqüentemente ter uma atitude de criação do que de mera reprodução das
modas ditadas pela ciência do mundo desenvolvido, embora eu não tenha dúvida
de que isto certamente é bem mais fácil de se dizer do que de se fazer.
O problema local é de caráter estratégico. Horrocks (2002) afirma que a
ciência hoje é mais importante do que nunca, não só pelas suas metas de
responder às grandes questões sobre a vida, mas também por causa de suas
relações com o capital multicorporativo e globalizado e com o complexo militar-
industrial. Daí emergirem grandes contradições quando a ciência se confronta
com problemas locais relacionados à desigualdade econômica, discórdias morais
e éticas e indiferença política. Como sugere Lyotard (1979/1988), informação
e conhecimento são as mais valiosas moedas correntes do mundo pós-moderno.
A ciência transforma informação em conhecimento através da teoria. Logo, se
o Brasil não produzir teoria ecológica, a resultante é que teremos de “comprar”
conhecimento e tecnologia aplicáveis à conservação da biodiversidade, os quais,
num cenário de mudanças globais, serão “produtos” vendidos certamente a um
preço muito alto.

Agradecimentos
A primeira versão deste texto foi escrita durante junho/julho de 2004, período
em que ministrei a disciplina “Estrutura de Teorias Ecológicas” na Pós-graduação
em Ecologia da UFRJ. A turma composta por oito pós-graduandos estimulados
e críticos inspirou muito o tratamento que dei ao texto. G. Martinelli e M. P.
Albrecht fizeram importantes críticas ao texto final que me ajudaram muito a
aprimorá-lo. Agradeço aos organizadores do livro pelo convite para escrever este
capítulo e em particular a C. F. D. Rocha, pela sua preocupação com a produção
deste tipo de síntese e pelo incentivo; aos meus parceiros de pesquisa e estudantes
por discussões sobre o tema; e ao CNPq por bolsa de produtividade em pesquisa.

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