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Curso Constitucional & Humanos de A a Z


Professor João Mendes

Teoria do Estado

1. Sociedade
1.1. Conceito
Todo complexo de relações do ser humano com seu semelhante.

1.2. Sociedade e Comunidade (Tonnies)


i. Sociedade: supõe a ação conjunta e racional dos indivíduos no seio da ordem
jurídica e econômica.
ii. Comunidade: Existência de forma de vida e organização coletiva, em que
impera essencialmente uma solidariedade feita de vínculos psíquicos entre os
componentes do grupo.

Comunidade é anterior à sociedade. A primeira é matéria e substância e a segunda


é forma e ordem.
Agesta: comunidade é um organismo, sociedade é um contrato.
Comunidade é governada pelos instintos, sociedade é governada pela razão.

Comunidade Sociedade

Relação Social inspirada em Relação Social inspirada na compensação de


sentimento subjetivo (Max Weber) interesses por motivos racionais (Max Weber)
Estrutura nos costumes e na religião Estrutura convencional
Unidade e paz Diversidade e Conflito
Natural e Perene Artificial e Transitória
1.3. Sociedade e Estado
A sociedade é anterior e círculo mais amplo.
Estado é posterior e círculo mais restrito.
O dualismo sociedade/estado surge com o advento da burguesia
Rousseau: Sociedade, vontade de todos; Estado, vontade geral.

2. Estado

2.1. Acepção Jurídica de Estado


i. Kant: estado é a reunião de uma multidão de homens vivendo sob as leis do
Direito.
ii. Del Vecchio: Estado é o sujeito da ordem jurídica na qual se realiza a
comunidade de vida de um povo. É a ordem potestativa da sociedade. Estado é
o laço jurídico e político (espécie) e sociedade é uma pluralidade de laços
(gênero).
iii. Georges Burdeau: Estado é o resultado da institucionalização do poder por
meio de uma operação jurídica. Assim, o Estado não se sustenta em um
homem, mas sim em institutos.

2.2. Acepção Sociológica de Estado


i. Duguit: Grupo humano fixado em determinado território, onde os mais fortes
impõem aos mais fracos sua vontade.
ii. Jhering: Organização social do poder de coerção. Organização da coação social.
iii. Marx: poder organizado de uma classe para a opressão de outra.
iv. Max Weber: comunidade humana que, dentro de um determinado território,
reivindica para si, de maneira bem-sucedida, o monopólio da violência física.
Não há Estado sem força.
3. Conceito de Estado
Conceito de Jellinek (aceito por Paulo Bonavides): Estado é a corporação de um
povo, assentada em determinado território e dotada de um poder originário de mando.
Conceito Tradicional: Estado é a sociedade politicamente organizada em um
determinado território.

4. Elementos constitutivos do Estado


i. Elemento Formal: poder político
ii. Elemento Territorial: território
iii. Elemento Humano: povo
iv. Doutrina italiana: quarto elemento do Estado: elemento teleológico

4.1. Povo, Nação e População


i. População: é um conceito demográfico, porque significa o conjunto de pessoas
sobre o território nacional. Não se questiona a nacionalidade ou o domicílio.
ii. Povo: é conceito jurídico-político, pois significa o conjunto de pessoas que
exercem direitos políticos, ou seja, que votam ou o são votadas (cidadão).
iii. Nação: é conceito sociológico, pois significa o conjunto de pessoas que têm
origens, tradições e costumes comuns. Em regra, o costume (e origem comum)
revela-se ou por uma língua comum, ou por uma religião comum.

Unb/Cespe – Ministério Público do Mato Grosso – Promotor de Justiça


Segundo Pontes de Miranda, a nacionalidade é o laço jurídico-político de
direito público interno que faz da pessoa um dos elementos componentes
da dimensão pessoal do Estado. No que tange ao tema, julgue o item a
seguir.
12 O conceito jurídico de nacionalidade não guarda relação de dependência
com o conceito de população.
Resp. Correto
4.2. Estado Plurinacional
Nova forma de institucionalização do Estado, baseada em novas autonomias, no
pluralismo jurídico, em um novo regime político calcado na democracia intercultural e em
novas individualidades particulares e coletivas.
Exemplos: Venezuela, Bolívia e Equador.

4.3. Território
Conceito: base física do Estado.
Compreende o espaço físico, marítimo e aéreo no qual se exerce a soberania.
Principal questão: definição do princípio da territorialidade.
Hans Kelsen: consiste no fato de que o âmbito de validade de uma ordem jurídica
é, em regra, delimitado pelo território do seu Estado.
A regra, entretanto, comporta hipóteses excepcionais: uma primeira possibilidade
em que normas jurídicas nacionais são aplicáveis fora do território nacional e uma
segunda possibilidade em que normas jurídicas estrangeiras são aplicáveis dentro do
território nacional.
Ex.: 1ª hipótese – art. 7º do CP – extraterritorialidade da lei penal brasileira,
condicionada ou não. É uma exceção ao princípio da territorialidade. 2ª hipótese – art. 14
e ss. da Lei de Introdução – regras de conexão.

4.4. Poder Político


Controvérsia: Poder Político ou Soberania.
Soberania: significa grau máximo de poder político (capacidade de ordenação
autárquica dos fatos sociais sob o seu domínio territorial – Deborah Duprat)
Termo “governo”: consiste no modo de organização do poder político, ou seja, o
poder político pode estar organizado sob a forma de governo.
Poder: capacidade de imposição de vontade – ideia de império, de autoridade.
4.5. Tipos de Poder Político
i. Legal – Conformidade com a Norma Jurídica (Estado de Direito)
ii. Legítimo – Consentimento Popular (Estado Democrático)
iii. Lícito – Conformidade c/ a Moral Administrativa (Estado de Justiça)

4.6. Formas do Poder Político


i. Poder de Polícia
ii. Poder Financeiro
iii. Poder de Domínio Eminente
iv. Poder Punitivo

4.7. Divisão do Poder Político


i. Divisão territorial ou em plano vertical
ii. Divisão do exercício do poder político funcional ou em plano horizontal

5. Formas de Estado
Vejamos as principais:
Formas de Estado

Simples Autonômico ou
Composto
(Unitário) Regional

Centralizado
Descentralizado Confederação
ou Puro

No Âmbito
Federação
Administrativo

Administrativa e
Politicamente

5.1. Estado Regional e Autonômico


Exemplos:
i. Itália: Regional
ii. Espanha: Autonômico

Estado Regional Estado Autonômico

Descentralização Administrativa e Descentralização Administrativa e


Legislativa Legislativa

Necessidade de Manter a Unidade Necessidade de Manter a Unidade


Territorial Territorial
Estado Nacional confere Competência e As Províncias podem se reunir em Regiões
retira livremente Autônomas e produzir seu próprio Estatuto

Descentralização de Cima para Baixo Descentralização de Baixo para Cima

5.2. Federação e Confederação

Federação Confederação

Constituição (Rígida) Tratado Internacional


Indissolubilidade do Pacto Direito de Secessão
Autonomia Soberania
Existência de Órgão Cúpula do Judiciário Inexistência, pois cada ente possui o seu
próprio órgão cúpula

Instituto Rio Branco – Diplomata – 2011


QUESTÃO 57 - Com relação à organização do Estado brasileiro e à disciplina
constitucional sobre os Poderes Legislativo, Executivo e Judiciário, assinale
a opção correta
E O Estado brasileiro, apesar de adotar o princípio da indissolubilidade do
vínculo federativo, caracteriza-se, assim como ocorre com as
confederações, pela soberania dual, na qual os entes federados são
dotados de soberania, mas convivem com a existência da soberania central,
exercida pela União em nome da Federação.
Item Errado.

CESPE/UNB - Analista MPU – 2010


No que se refere à organização político-administrativa do Estado Federal
brasileiro e às competências da União, estados e municípios, julgue os itens
subsequentes.
115 Em face da descentralização administrativa e política que caracteriza o
Estado brasileiro, a República Federativa do Brasil constitui um estado
unitário descentralizado, dispondo os entes políticos estatais de autonomia
para a tomada de decisão, no caso concreto, a respeito da execução das
medidas adotadas pela esfera central de governo.
R.: Errado

Unb / Cespe - Tribunal de Justiça do Estado do Pará - Juiz Substituto


Questão 4 - A adoção do estado federal pressupõe a consagração de alguns
princípios e de certas regras constitucionais para a coexistência harmoniosa
dos entes que o compõem, sem prejuízo, ainda, da unidade estatal. Com
relação a esse tema, julgue os itens que se seguem. [item] 1 A Constituição
da República garante aos estados-membros, em especiais situações, o
direito de secessão.
Resp.: Errado.

5.3. Tipologia (Classificação) da Federação

5.3.1. Quanto à Formação ou Origem


i. Por Agregação ou Centrípeta ou Por Aglutinação
ii. Por Segregação ou Desagregação ou Centrífuga

UnB/Cespe – Tribunal de Justiça do Estado da Bahia – Juiz Substituto


Julgue os itens seguintes, relativos ao Estado federal e à organização do
Estado brasileiro.
8 Em relação ao federalismo, é correto afirmar que o Brasil é exemplo de
Estado federal por desagregação, que não existe hierarquia entre os entes
federados e que a repartição de competências entre eles somente se pode
fazer no nível constitucional.
Resp.: Correto

5.3.2. Quanto à Concentração de Poder


i. Federação Centrípeta
a. Federalismo Orgânico: “o todo em detrimento da parte”.
Concepção centralista de Poder. O Estados-membros são
considerados meras extensões do poder central.
b. Federalismo de Integração: preponderância do poder central em
nome da integração nacional
ii. Federação Centrífuga
iii. Federalismo de Equilíbrio

2014 / FCC / DPE-RS / Defensor Público


Na organização do Estado brasileiro tem-se que o princípio federativo
adotado corresponde a um conceito de federação de equilíbrio. No
entanto, são admitidas exceções a esse princípio, a exemplo da admissão
de intervenção de um ente federativo sobre outro, e neste caso
a) o Estado poderá intervir nos Municípios se não for paga por 03 (três)
anos consecutivos e independentemente do motivo, a dívida fundada.
b) o decreto de intervenção deverá especificar a amplitude, o prazo e as
condições da execução e será submetido à apreciação do Senado Federal
ou da Assembleia Legislativa do Estado no prazo de cinco dias.
c) a União poderá intervir nos Municípios brasileiros para manter a
integridade nacional.
d) a decretação da intervenção dependerá, no caso de desobediência à
ordem ou decisão judicial, de requisição do Supremo Tribunal Federal, do
Superior Tribunal de Justiça ou do Tribunal Superior Eleitoral.
e) após cessados os motivos da intervenção, as autoridades afastadas de
seus cargos não poderão a ele retornar, pois há impedimento legal para
tanto.
Resp.: D

5.3.3. Quanto à Repartição de Competências (ou Quanto ao Modo de


Separação das Atribuições)
i. Federalismo Dual (ou Clássico)
ii. Federalismo de Cooperação (Cooperativo)

5.3.4. Quanto ao Equacionamento das Desigualdades


i. Federalismo Simétrico
ii. Federalismo Assimétrico

5.3.5. Quanto aos Entes da Federação


i. Federação Bipartida: União e Estados
ii. Federação Tripartida: União, Estados e Municípios
Obs.: No Brasil, o DF também é ente da federação, o que leva poderia
receber a nomenclatura de federação quadripartida.

6. Entidades Supranacionais
Entidades criadas pela união de dois ou mais Estados, mesmo que não
correspondam a novo Estado.

6.1. Características
i. Poder para criação do seu próprio Direito.
ii. Aplicação Direta e Imediata do Direito Supranacional (sem necessidade de
processo de incorporação).

6.2. Configuração
2 Teorias principais:
i. Partilhamento de Soberania.
ii. Compartilhamento de Competências

6.3. Processo de Integração Econômica (etapas ou degraus)


(Húngaro Béla Balassa)
i. Zona preferencial de comércio (ou Sistemas de Preferências Aduaneiras)
ii. Área de livre comércio (ou Zona de Livre Comércio)
iii. União Aduaneira
iv. Mercado Comum
v. União econômica e monetária
vi. Integração econômica total

6.3.1. Zona preferencial de comércio


Também conhecida como Acordo de Complementação Econômica (ACE). Nesse
sistema há livre comércio de bens para alguns produtos.

6.3.2. Área de livre comércio


Grupo de países em que há a eliminação de tarifas, quotas e preferências que
recaem sobre a maior parte dos (ou todos os) bens importados e exportados entre
aqueles países.
O propósito da área de livre comércio é estimular o comércio entre os países
participantes por meio da especialização, da divisão do trabalho e da vantagem
comparativa. Contribui para a instituição de uma união aduaneira. Diferencia-se desta
última pela inexistência de uma política comercial comum (com uma tarifa externa
comum), adotada por todos os participantes e válida para as importações provenientes de
fora da área. As áreas de livre comércio são criadas por meio de acordos de livre comércio
(ALCs) entre dois ou mais Estados.
Parcela da Doutrina entende que esta é a primeira etapa do processo de
integração.

6.3.3. União Aduaneira


Área de livre comércio com uma Tarifa Externa Comum, além de outras medidas
que conformem uma política comercial externa comum. Entre um grupo de países ou
territórios que instituem uma união aduaneira, há a livre circulação de bens (área de livre
comércio) e uma tarifa aduaneira comum a todos os membros, válida para importações
provenientes de fora da área.

6.3.4. Mercado Comum


É uma união aduaneira com políticas comuns de regulamentação de produtos e
com liberdade de circulação de todos os três fatores de produção (terra, capital e
trabalho) e de iniciativa. Em tese, a circulação de capital, trabalho, bens e serviços entre
os membros deve ser tão livre como dentro do território de cada participante.

6.3.5. União econômica e monetária


É um mercado comum dotado de uma moeda única. Não deve ser confundida com
uma simples união monetária, que não envolve um mercado comum.

6.3.6. Integração econômica total


Os membros adotam uma moeda comum, harmonizam por completo as suas
políticas fiscais e transferem o controle sobre a política econômica para o conjunto dos
membros.
A integração econômica precede a Integração Política. Na verdade, os mercados
comuns supranacionais, com seu livre movimento transfronteiriço de fatores econômicos,
geram naturalmente uma demanda por mais integração, não apenas econômica, mas
também política, razão pela qual, com o tempo as comunidades econômicas evoluem
para uniões políticas.
6.4. União Europeia
6.4.1. Formação
i. Comunidades Europeias (conhecidas como Mercado Comum Europeu)Sto:
a. Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (1952)
b. Comunidade Econômica Europeia (1957)
c. Comunidade Europeia de Energia Atômica (1957)
ii. Ato Único Europeu (1987): estabelecimento da União Europeia para
“aprofundamento das políticas comuns”.
iii. Tratados
a. Tratado de Maastrich (1992) – Tratada da União Europeia (base
principal)
b. Tratado de Amsterdã (1997)
c. Tratado de Nice (2001)
d. Tratado Constitucional (Roma – 2004) – rejeitado por referendo
popular na França e Holanda
e. Tratado de Lisboa (2007) – substituto (aperfeiçoado) do tratado
constitucional

“A União Europeia é, atualmente, a única organização supranacional existente, o


que é devido ao fato de estar dotada de um poder superior ao das autoridades estatais
dos seus respectivos Estados-membros. Na supranacionalidade, os Estados transferem
parte de suas competências legislativas para um órgão supranacional que, de acordo com
o princípio da competência por atribuição, aprova regulamentos e diretivas que se
aplicam uniformemente (e com primazia) em todo o espaço da União Europeia.” (Valério
Mazzuoli)

7. Formas de Governo

Eletividade - art. 77

República Periodicidade - art. 82

Responsabilidade - art. 85

Formas de Governo

Hereditariedade

Monarquia Vitaliciedade

Irresponsabilidade

7.1. Republicanismo

7.1.1. Republicanismo Clássico (Tradição Republicana Clássica)


Concepção tradicional que enfatiza os seguintes pontos:
i. Importância da Virtude Cívica (Cícero: prática política voltada ao bem
comum).
ii. Participação Política.
iii. Perigos da Corrupção.
iv. Benefício do Império da Lei (Rule of Law).

7.1.2. Neorrepublicanismo (Republicanismo Cívico ou Republicanismo


Contemporâneo)
Principais nomes:
i. Phillip Pettit (Livro: Republicanism: a theory of freedom and government)
ii. Quentin Skinner (Livro: Liberty before Liberalism)

Fundamentos, segundo Pettit:


i. Concepção das "duas liberdades" definidas por Isaiah Berlin (já presentes em
Benjamin Constant): a liberdade negativa e a positiva.
ii. Liberdade como "não-dominação" (ou como "não-arbitrariedade").
O valor republicano supremo é a liberdade política, entendido como não-
dominação ou independência do poder arbitrário.

Liberdade Negativa Liberdade Positiva


 Estado limitado e não ingerência na  Participação direta dos cidadãos na vida
liberdade individual. política.
 As leis são compreendidas como  Todos os cidadãos são livres porque
cerceadoras das liberdades. submetem-se às leis que eles mesmos
 Participação na vida política por meio do fizeram.
processo representativo (escolha de  Liberdade Positiva é a possibilidade de
representantes), que ideal liberal de John ação/participação de tal forma que assume
Locke. o controle da própria vida e seus propósitos
 Liberdade Negativa é a ausência de fundamentais.
obstáculos, barreiras ou constrições.  Liberdade Positiva é atribuída à
 Liberdade Negativa é atribuída a agentes coletividade ou a indivíduos considerados
individuais. membros da coletividade
 John Stuart Mill: “the only freedom  “a person or group is free in the positive
which deserves the name, is that of sense to the extent that they exercise self-
pursuing our own good in our own way, so control or self-mastery”.
long as we do not attempt to deprive others
of theirs” (1859).

Liberdade como não-dominação ou não-arbitrariedade:


i. Dominação entendida como arbitrariedade ou poder sem controle.
ii. Liberdade como não-dominação não é meramente liberdade como não-
interferência (vide exemplo da Colônia e da Metrópole).
iii. Leis não são essencialmente impedimentos à liberdade individual.
Antes a constitui.
iv. Sem leis (e, logo, sem Estado) não é possível a liberdade.
v. Os cidadãos não participam da vida política (i. e., do Estado) o tempo
inteiro. A atuação dos cidadãos consiste em exercer um papel de fiscal
e controlador do Estado, pelos mais variados meios, de modo a evitar e
a impedir as arbitrariedades estatais.
vi. O processo legiferante é exercido por representantes eleitos.
vii. A pessoa ou grupo usufrui liberdade na medida em que nenhuma outra
pessoa ou grupo tenha a capacidade de interferir nos seus assuntos em
bases arbitrárias (a person or group enjoys freedom to the extent that
no other person or group has “the capacity to interfere in their affairs
on an arbitrary basis”).
viii. Ideia de Igualdade, especialmente em sentido material. Pode haver a
interferência estatal para assegurar ou promover a igualdade efetiva
sem que isso caracterize dominação (há interferência, mas não
dominação, arbitrariedade). Não há liberdade sem igualdade e justiça.
ix. A liberdade como não-dominação serve de ideal orientador para o
Estado.
2015 / PGR / Procurador da República
ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:
a) Para o pensamento republicano, a liberdade como “não dominação” e o
ideal regulador de todas as medidas estatais e decisões politicas, e
representa a possibilidade de os cidadãos se motivarem pela ação politica
exatamente para não sofrerem uma interferência sobre bases arbitrarias;
b) O republicanismo contemporâneo aposta na confluência entre
diversidade e aparato institucional, de tal modo que o consenso não seja
uma construção previa, mas resultado de ideias conflitantes contrastadas
no interior das estruturas republicanas
c) Mecanismos de dispersão e indelegabilidade de poder, império da lei em
sentido estrito e democracia formal são requisitos suficientes para a
caracterização do Estado republicano contemporâneo;
d) O Estado republicano da atualidade convive, permanentemente, com a
instabilidade dos conceitos de “público” e “privado” , muito em função de
lutas emancipatórias vitoriosas, que trazem para o espaço público questões
até então confinadas ao âmbito privado.
Resp.: C

2013 / PGR / Procurador da República


ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:
c) o republicanismo contemporâneo assenta-se principalmente nas
seguintes ideias: liberdade como “não dominação”; direito à participação
popular na vida pública; e igualdade, inclusive em sua dimensão material;
Item Correto

8. Sistemas de Governo
Presidencialismo Parlamentarismo

Unidade do Poder Executivo Dualidade do Poder Executivo

Chefe de Estado: Presidente da Chefe de Estado: Presidente ou


Reública Monarca
Chefe de Governo: Presidente da
Chefe de Governo: 1º Ministro
Reública

Separação de Poderes Colaboração entre os Poderes

Irresponsabilidade Política Responsabilidade Política

8.1. Presidencialismo de Coalizão

Termo considerado cunhado por Sérgio Abranches (Cientista Político).


Características:
i. Sistema presidencialista com fragmentação do poder parlamentar entre vários
partidos.
ii. O Executivo para precisa formar maioria, frequentemente contraditória em
relação ao programa do partido no poder e difusa do ponto de vista ideológico.
iii. Aliança conflitiva de forças políticas distintas e divergentes.
iv. “Dilema institucional” brasileiro: Presidente refém do Congresso; Congresso
sem força suficiente para atuar e agir com autonomia.
v. Ambiente que propicia o “fisiologismo”.
vi. Agravamento no caso brasileiro: amplo poder de agenda do Presidente
(iniciativa de PL, Medidas Provisórias, Decretos); instâncias governamentais do
Executivo com forte poder decisório (caso dos ministérios e órgãos da área
financeira)

9. Regime Político
9.1. Democracia
9.1.1. Quanto aos Atores
i. Direta
ii. Indireta ou Representativa
iii. Semidireta ou Participativa

2014 / CESPE / Câmara dos Deputados / Analista Legislativo


A respeito de princípios fundamentais e de direitos e garantias
fundamentais, julgue o próximo item.
A democracia brasileira é indireta, ou representativa, haja vista que o poder
popular se expressa por meio de representantes eleitos, que recebem
mandato para a elaboração das leis e a fiscalização dos atos estatais.
Item Errado

9.1.2. Quanto ao Sistema de Governo


i. Presidencialismo: democraticidade do Executivo a partir de eleições
ii. Parlamentarismo: democraticidade do Executivo como emanação do
Legislativo

9.1.3. Quanto ao Modelo Partidário


i. Sistema Bipartidário
ii. Sistema Multipartidário

9.1.4. Quanto às Relações entre os Partidos


i. Sistema Bipolar: Governo e Oposição (dois pólos)
ii. Sistema Multipolar: Governo e Oposições (vários pólos)

9.1.5. Quanto à Orientação Ideológica Predominante


i. Democracia Liberal:
a. Democracia Representativa
b. Respeito às liberdades fundamentais (direitos civis e direitos
políticos).
c. Participação Política como decorrência da liberdade individual.
d. Direito de Voto: inicialmente restrito (critérios como censitário,
sexo, cultura), passando por um alargamento (sufrágio
universal).
e. Concepção de Estado Liberal (Estado-Garantia).
ii. Democracia Social:
a. Crítica da Democracia apenas representativa
b. Retomada de aspectos da Democracia direta através da
solicitação de que a participação popular
c. Controle do poder a partir de baixo (que alcance os órgãos de
decisão política e os de decisão econômica, os centros do
aparelho estatal e as empresas).
d. Criação de órgãos de controle popular (ex. Conselho Popular)

9.2. Democracia Deliberativa


Características:
i. A sociedade civil organizada representa um papel central como interlocutores
das autoridades públicas.
ii. O exercício da cidadania estende-se para além da mera participação no
processo eleitoral, exigindo uma participação mais direta dos indivíduos no
domínio da esfera pública.
iii. Processo contínuo de discussão e crítica reflexiva das normas e valores sociais.
iv. As questões devem ser objeto de apreciação de todos, considerando que em
uma sociedade democrática, a esfera pública é dominada pelo discurso e pela
argumentação.
v. Jürgen Habermas é considerado um dos grandes teóricos da ideia da
deliberação democrática.
vi. Necessidade de justificar a decisão tomada por cidadãos e seus
representantes, em que ambos justifiquem as leis que impõem um ao outro.
Em outros termos, há a exigência de justificação.
vii. Os “agentes” da democracia deliberativa devem saber justificar as
leis/decisões.
viii. As decisões políticas serão legítimas se forem baseadas na vontade pública
concebida democraticamente em estruturas não regulamentadas e
desprovidas de relações de poder, denominadas de “esfera pública”. Cabe a
essas esferas públicas justamente influenciar o sistema político
ix. O Discurso inclui processos de justificação e debate público entre cidadãos
livres e em condições iguais de participação com o Poder Público.
x. A deliberação deve se dá em bases racionais e argumentativas na esfera
pública.
xi. Dessa forma, a legitimação da decisão se verifica no discurso deliberativo.
xii. A ação comunicativa de Habermas inclui:
a. Regra da inclusão (Todo e qualquer sujeito capaz de agir e falar pode
participar de discursos);
b. Regra da participação (Todo e qualquer participante de um discurso pode
problematizar qualquer afirmação, introduzir novas afirmações, exprimir
suas necessidades, desejos e convicções);
c. Regra da comunicação livre de violência e coação (Nenhum interlocutor
pode ser impedido, por forças internas ou externas ao discurso, de fazer
uso pleno de seus direitos, assegurados nas duas regras anteriores).
xiii. Possibilidade de um diálogo continuado, pois a decisão é sempre provisória,
uma vez que pode ser questionada e alterada no futuro.
xiv. no sentido de que deve estar aberta para ser questionada em algum momento
no futuro. Não podemos ter a certeza de que a decisão que julgamos correta
hoje será correta amanhã: a história já demonstrou várias vezes isso. E
mesmo as decisões que parecem mais acertadas em um determinado
momento podem parecer menos justificáveis à luz de evidências posteriores.
xv. Objetivos da democracia deliberativa:
a. Promover a legitimidade das decisões coletivas.
b. Encorajar a participação popular sobre assuntos públicos
c. Promover processos mutuamente respeitáveis de tomada de decisão
d. Ajudar a corrigir os erros de tomada de decisão dos cidadãos e agentes
públicos.

2013 / / / PGR / Procurador da República


ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA:
b) a concepção deliberativa da democracia vê a política como um
empreendimento cooperativo, em que tão importante quanto a decisão é o
debate que a precede;
Item Correto

9.3. Regimes Não Democráticos

9.3.1. Autoritarismo
i. Pluralismo político limitado (poucas instituições têm autorização para
exercer o Poder).
ii. Irresponsabilidade da classe política dominante.
iii. Poder flui de cima para baixo; do líder maior para os demais a partir do
apoio dado ao líder.
iv. Obediência absoluta ou cega à autoridade.
v. Oposição a liberdade individual.
vi. Legitimidade com base na emoção, especialmente a identificação do
regime como um mal necessário para combater a "problemas sociais
facilmente reconhecíveis", tais como o subdesenvolvimento ou a
insurgência.
vii. Inexistência de ideologia de referência claramente articulada ou definida
(mentalidades próprias e flexíveis com ambiguidade interpretativa).
viii. Inexistência de mobilização política disseminada e em larga escala, salvo
em alguns momentos do seu desenvolvimento. Força o povo à apatia, à
obediência passiva e à despolitização.
ix. Um líder ou, por vezes, um pequeno grupo, exerce o poder dentro de
limites mal definidos no plano formal.
x. Liderança Forte, Personalista e Carismática, acarretando dificuldade
sucessória.

9.3.2. Totalitarismo
i. Inexistência de pluralismo político (regime monista).
ii. Regimes de partido único.
iii. Total ausência de responsabilidade.
iv. Ideologia de referência (ideologia uniforme, rígida e unívoca).
v. Mobilização frequente e intensiva das massas.
vi. Exercício arbitrário do Poder.
vii. Recurso ao terror (físico ou psicológico).
viii. Burocratização (domínio legal)
ix. Existência de uma polícia secreta consideravelmente desenvolvida.
x. Monopólio estatal dos meios de comunicação social.
xi. Controle de organizações sociais e culturais.
xii. Sistema de planificação econômica.
xiii. Subordinação das forças armadas ao Poder Político.
xiv. Busca de um inimigo em comum para justificar o endurecimento do
regime.
Totalitarismo de Esquerda Totalitarismo de Direita
 Abolição da propriedade privada;  Forte apoio da burguesia industrial;
 Coletivização obrigatória dos meios  Corporativismo nas relações de trabalho e
de produção agrícola e industrial; tutela estatal sobre as organizações
 Supressão da religião da esfera sindicais;
política;  Fundamentos ideológicos em valores
 Fundamentos ideológicos no tradicionais (étnicos, culturais, religiosos);
socialismo.  Forte apoio da religião.

9.3.3. Características Comuns do Totalitarismo e do Autoritarismo


i. Redução ou Eliminação do Pluralismo Político.
ii. Inexistência de Eleições (eleições livres, competitivas e significativas) ou
Eleições Manipuladas.
iii. Visam a regulação das relações de poder entre o Estado e a sociedade.
iv. Subordinação dos poderes judiciário e legislativo ao poder executivo.
v. Repressão a toda e qualquer oposição política e ideológica ao governo.

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