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[Modelo] Modificação de guarda c/c com

exoneração de alimentos
12-16 minutos

EXCELENTÍSSIMO SENHOR JUIZ DE DIREITO DA VARA ÚNICA DE


FAMÍLIA E SUCESSÕES DA COMARCA DE CIDADE – ESTADO

AÇÃO DE MODIFICAÇÃO DE GUARDA

NOME, brasileiro, união estável, gesseiro, portador do RG de nº SSP/CE e inscrito no


CPF de nº, residente e domiciliado na Rua nº, bairro Município de Juazeiro do Norte -
CE, vem, respeitosamente, à presença de Vossa Excelência, por meio da Advogada que
ao final subscreve, propor ação MODIFICAÇÃO DE GUARDA E VISITAS C/C
EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS, em face de NOME, brasileira, solteira, do lar,
portadora do RG de nº SSP/CE e inscrito no CPF de nº, residente e domiciliada na Rua,
nº, bairro, ESTADO - CE, pelos fatos e argumentos a seguir expostos.

DA GRATUIDADE DA JUSTIÇA

Requer os benefícios da JUSTIÇA GRATUITA por ser pobre na forma da Lei, conforme
declara no documento anexo, não podendo arcar com as custas processuais e honorários
advocatícios sem prejuízo do próprio sustento e da sua família, nos termos das Leis n.º
1.060/50 e n.º 7.115/83 e consoante art. 5º, LXXIV, da Constituição Federal, razão pela
qual é assistida pela Defensoria Pública do Estado do Ceará.

DA QUALIFICAÇÃO DAS PARTES

O autor deixa de informar o endereço eletrônico nos termos do art. 319, II do CPC por
não possuir, bem como não saber informar o CPF, RG e e-mail da parte requerida. Não
obstante, de acordo com o disposto § 2º e 3º do art. 319 do CPC, tais informações não
podem ensejar a emenda, tampouco o indeferimento da inicial, sob pena de se restar
configurado intransponível óbice ao acesso à justiça.

DOS FATOS

Da Modificação da Guarda

O autor é pai da criança NOME, nascida em DIA, MÊS ANO, conforme certidão em
anexo.

O requerente e a requerida acordaram perante a DEFENSORIA PÚBLICA GERAL DO


ESTADO DO CEARÁ (em anexo), em 26 de novembro de 2014, os seguintes termos:

1. GUARDA: Que o (s) menor (es) em tela permanecerá sob a guarda e


responsabilidade da mãe.
2. VISITAS: OS GENITORES ACORDAM QUE AS VISITAS SERÃO LIVRES.

3. Que o pai da menor mencionada compromete-se a pagar mensalmente, a título de


alimentos, em favor de sua filha a qual estará com sua mãe o valor correspondente á:

Valor: R$ 100,00

Correspondente a: 13,81% do salário mínimo vigente.

Data do pagamento: até o dia 19 de cada mês.

Forma do Pagamento: Mediante depósito em conta bancária de genitora.

Ocorre Excelência que a parte ré não vem cumprindo seu acordo, impedindo as visitas
livres do autor, não se limitando a proibir que o pai veja ou leve a criança em sua casa,
ela o ameaça caso ele insista. Além de denegrir a imagem do pai para a criança que
demonstrou várias vezes ter medo do pai.

A requerida não oferece um ambiente saudável e acolhedor para a menor, haja vista as
constantes agressões verbais e problema com alcoolismo que os moradores da casa
possuem.

A atitude da ré quanto a esta questão não afronta somente os direitos básicos do autor,
mas PRINCIPALMENTE os direitos da filha menor. A ré não está apenas privando a
criança do convívio paterno, está colocando em sério risco o bem-estar mental deles

Destarte, o autor busca este juízo a fim de requerer que a guarda se converta em seu
favor, pois desta forma está atendendo ao melhor interesse da criança, tendo em vista
que o pai oferece um ambiente familiar saudável e afetuoso.

Da Exoneração de Alimentos

O requerente comprometeu-se em prestar alimentos no valor de R$ 100,00 (cem reais)


em favor de sua filha menor, alterou o valor para R$ 150,00 (cento e cinquenta reais)
por sua iniciativa, conforme comprovantes em anexo, e que a guarda seria exercida
exclusivamente pela genitora. O acordo foi convalidado perante a Defensora Pública
Mônica Alves Ferreira Alexandre e Sousa de Juazeiro do Norte/CE em 26 de novembro
de 2014.

Todavia Excelência, pela parte ré se encontrar em descumprimento do acordo


supracitado, proibindo o pai de visitar a filha, não oferecendo um ambiente familiar
saudável a criança e alienando a criança contra o pai, é que o autor pede a modificação
da guarda unilateral para si e deste modo, a tutela incidirá na não prestação de
alimentos, fazendo-se imprescindível a exoneração de alimentos.

___________________________________________________________________

Da Guarda
A Constituição Federal em seus arts. 227, caput, e 229 dispõem que é direito das
crianças e adolescentes serem criadas em um ambiente familiar seguro, livre de
qualquer forma de negligência, violência, ou qualquer coisa situação que coloque sua
segurança em risco, ou seja, a criança tem o direito de viver em um local seguro, com
alguém que tenha condições para manter tal salubridade:

Art. 227. É dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao


adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à
educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e
à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de
negligência, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão.

Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos
maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.
(grifo nosso)

O instituto jurídico da guarda corresponde à relação jurídica firmada entre aquele que
exerce a posse sobre o menor, responsabilizando-se pela sua proteção, educação,
direção, sustento, que nesse caso está na pessoa da requerente.

O artigo 19, da Lei nº 8.069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente, em defesa aos


interesses e direitos das crianças, assim prescrevem:

Art. 19. Toda criança ou adolescente tem o direito a ser criado e educado no seio da sua
família e, excepcionalmente, em família substituta, assegurando a convivência familiar
e comunitária, em ambiente livre da presença de pessoas dependentes de substâncias
entorpecentes.

A guarda deve permanecer com aquele que melhor atender o bem-estar do menor,
garantindo-lhe um futuro sadio. Destarte, é salutar reconhecer que uma criança não pode
ficar à mercê de uma mãe que não se preocupa com a saúde mental da criança,
colocando-a contra o próprio pai e expondo-a a presenciar constantes brigas em casa.

Dispõe a legislação pátria, nos termos do artigo 33, da Lei nº 8.069/90 – Estatuto da
Criança e do Adolescente:

Art. 33. A guarda obriga a prestação de assistência material, moral e educacional à


criança ou adolescente, conferindo a seu detentor o direito de opor-se a terceiros,
inclusive aos pais.

§ 1º A guarda destina-se a regularizar a posse de fato, podendo ser deferida, liminar ou


incidentalmente, nos procedimentos de tutela e adoção, exceto no de adoção por
estrangeiros.

§ 3º A guarda confere à criança ou adolescente a condição de dependente, para todos os


fins e efeitos de direito, inclusive previdenciários.

É certo que o deferimento judicial de guarda visa, precipuamente, o melhor atendimento


da criança em todos os aspectos. Uma vez que o pai ofereça um ambiente familiar
saudável, pois o mesmo já possui um relacionamento estável a qual já está por vir uma
nova criança, tem estabilidade financeira podendo dar assistências materiais, morais e
educacionais.

Preceitua também o Código Civil, no art. 1.584:

Art. 1.584. A guarda, unilateral ou compartilhada, poderá ser: (Redação dada pela Lei nº
11.698, de 2008).

I – requerida, por consenso, pelo pai e pela mãe, ou por qualquer deles, em ação
autônoma de separação, de divórcio, de dissolução de união estável ou em medida
cautelar; (Incluído pela Lei nº 11.698, de 2008).

II – decretada pelo juiz, em atenção a necessidades específicas do filho, ou em razão da


distribuição de tempo necessário ao convívio deste com o pai e com a mãe. (Incluído
pela Lei nº 11.698, de 2008). [...]

O instituto da guarda, conforme preleciona a redação do Estatuto da Criança e do


Adolescente, visa o bem-estar do menor, e a garantia de um futuro sadio; não há como
não deferir tal pretensão formulada pela autor, que pleiteia a guarda do filho, por
apresentar conduta social ilibada, onde o qual terá sempre a assistência material, moral e
educacional.

O Estatuto da Criança e do Adolescente estipula o princípio do melhor interesse da


criança, neste caso sob a ótica de atribuir sua guarda a quem melhor oferecer condições,
não afastando de modo algum à responsabilidade afetiva dos genitores diretos,
independente de estarem ou não cuidando diretamente do menor. Sendo assim, é
inegável que na prática ocorre muitas vezes da mãe não apresentar condições de cuidar
adequadamente do filho.

Portanto, tendo em vista que o requerente possui melhores condições de cuidar do


desenvolvimento do infante através da assistência material, intelectual, emocional e
moral, não há como não atribuir a guarda da criança ao requerente. Por tudo que foi
exposto, restou amplamente demonstrado o interesse ao Requerente em ter a guarda do
menor, com o único e exclusivo escopo de proporcionar o pleno desenvolvimento físico
e moral da criança.

Da Exoneração de Alimentos

Acerca da exoneração de alimentos, colhe-se da jurisprudência, conforme Agravo de


Instrumento n. AI 70055777445 RS, cujo relator é o Desembargador Luiz Felipe Brasil
Santos, Segunda Câmara de Direito Civil, TJ-RS de 10.10.2013:

AGRAVO DE INSTRUMENTO. MODIFICAÇÃO DE GUARDA, CUMULADA


COM PEDIDO DE EXONERAÇÃO DE ALIMENTOS.

Na medida em que foi deferido o pedido liminar de alteração de guarda, acolhendo a


alegação de que a menor estaria sob a guarda fática do genitor, o deferimento do pedido
liminar de exoneração de alimentos é consectário da alteração da guarda. Isto porque, na
medida em que lhe foi concedida ao pai a guarda da filha menor, presume-se que esteja
suprindo suas necessidades de forma direta.
Tal exoneração, por evidente, subsistirá apenas enquanto a menina permanecer sob a
guarda paterna.

DERAM PROVIMENTO. UNÃNIME.

DOS PEDIDOS

Ante o exposto, requer que Vossa Excelência se digne de:

• Conceder a gratuidade da justiça, tendo em vista ser o autor considerado necessitado,


na forma da lei, não podendo dessa forma arcar com o pagamento das custas
processuais e os honorários advocatícios sem prejuízo do sustento próprio e de sua
família;

• Determinar a intimação do Representante do Ministério Público para manifestar-se


quanto ao presente pedido, na condição de fiscal da correta aplicação das normas
jurídicas ao caso sob exame;

• A concessão, in limine litis, de mandado de busca e apreensão da menor NOME, a fim


de garantir ao autor o acordo de visita, firmado pelas partes, sendo que o senhor oficial
de justiça pode contatar o autor pelo seguinte telefone: (88) 123456789;
cumulativamente a intimação da ré para que durante o tramite do feito “ cumpra-se
fielmente”, sob pena de concedido ao genitor a “ guarda provisória”;

• A concessão da guarda unilteral definitiva da menor para o genitor, expedindo-se o


competente termo, suspendendo-se o direito de visitas da mãe até que ela seja apta, por
perícia psicológica, a voltar ter contato com a filha;

• A exoneração, em razão da modificação da guarda, da obrigação alimentícia atribuída


ao autor.

DAS PROVAS

Protesta provar o alegado por todos os meios de prova em Direito permitido,


especialmente juntada atual e posterior de documentos, perícias, vistorias, depoimento
pessoal sob efeitos de confissão e demais meios probatórios que se fizerem necessários
ao andamento e julgamento do feito, tudo, de logo, requerido.

Dá à causa o valor de R$ 1200 (mil e duzentos reais)

Nestes Termos,

Pede e espera deferimento.

Juazeiro do Norte - CE, 05 de dezembro de 2016.

ROL DE TESTEMUNHAS

NOME, CPF:, RG. ENDEREÇO TEL: (DD); CIDADE/ESTADO


NOME, CPF: RG: ENDEREÇO; TEL (DD); CIDADE/ESTADO

NOME, CPF:, RG:. ENDEREÇO. TEL: (DD); CIDADE/ESTADO

Juazeiro do Norte - CE.

ADVOGADA

OAB/CE

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