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Instrumento

Avançado
Violão
Diorgenes Terciano Torres
Os materiais produzidos para os cursos ofertados pelo UEMAnet/UEMA para o Sistema Universidade
Aberta do Brasil - UAB são licenciados nos termos da Licença Creative Commons – Atribuição – Não
Comercial – Compartilhada, podendo a obra ser remixada, adaptada e servir para criação de obras
derivadas, desde que com fins não comerciais, que seja atribuído crédito ao autor e que as obras
derivadas sejam licenciadas sob a mesma licença.

UNIVERSIDADE ESTADUAL DO MARANHÃO

Reitor Professor Conteudista


Gustavo Pereira da Costa Diorgenes Terciano Torres

Revisão de Linguagem
Vice-Reitor
Lucirene Ferreira Lopes
Walter Canales Sant´ana
Designer de Linguagem
Pró-Reitora de Graduação Clecia Assunção Silva
Zafira da Silva de Almeida
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Ilka Márcia Ribeiro S. Serra - Coordenadora Geral
Diagramação
Luis Macartney Serejo dos Santos
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Lourdes Maria P. Mota - Coord. Adjunta | Coord. Rômulo Coelho
de Curso

Coordenação do Design Educacional


Cristiane Peixoto - Coord. Administrativa
Maria das Graças Neri Ferreira - Coord.
Pedagógica

Torres, Diorgenes Terciano

Instrumento avançado: violão [e-Book]. / Diorgenes Terciano


Torres. – São Luís: UEMA; UEMAnet, 2019.

100 f.

ISBN:

1. Intervalo. 2. Progressões harmônicas. 3. Acompanhamento. I.


Título.

CDU: 780.614.131
SUMÁRIO
UNIDADE 1 - ELEMENTOS TEÓRICOS ESSENCIAIS PARA A CONSTRUÇÃO
DE ACORDES NO VIOLÃO

1.1 Intervalos ..............................................................................................09

1.2 Enarmonia ............................................................................................13

1.3 Intervalo Simple e Composto .............................................................15

1.4 A Fundamental (F) ...............................................................................17

1.5 Como construir as "Tabelas de Intervalos" no braço do violão .....18

1.6 Tríades ..................................................................................................34

1.7 Tétrades ................................................................................................41

1.8 Detalhes importantes para a Leitura de Cifras e Utilização


das Tabelas de Intervalos ..........................................................46

1.9 Uso da Tabela de intervalos da sexta corda ........................53

RESUMO ....................................................................................63

REFERÊNCIAS ...........................................................................................63
UNIDADE 2 - PRÁTICAS DE PROGRESSÕES HARMÔNICAS COM TODAS
AS CATEGORIAS DE TÉTRADES NO VIOLÃO

2.1 Uso da Tabela de Intervalos da quinta corta .....................................65

2.2 Uso da Tabela de Intervalos da quarta corda ....................................75

2.3 Dicas sobre o processo de construção de acordes no violão


(todas as tabelas)........................................................................................81

2.4 Progressões harmônicas ....................................................................82

RESUMO ....................................................................................91

REFERÊNCIAS ...........................................................................................91

UNIDADE 3 - PRÁTICAS DE ACOMPANHAMENTO (HARMONIAS) DE PEÇAS


DE MÚSICAS POPULARES CONTEMPORÂNEAS

3.1 Harmonias de Músicas populares contemporâneas ........................92

RESUMO......................................................................................97

REFERÊNCIAS ...........................................................................................97
ÍCONES
www
Sugestão de sites - para obter mais informações
sobre o assunto abordado na aula ou Unidade;

Atenção - destaca informações imprescindíveis no


texto, indica pontos de maior relevância no texto;

Referências - estão relacionadas ao final de cada


Unidade, de acordo com as normas da ABNT;

Sugestão de áudios ou músicas - músicas com


temas relacionados ao conteúdo do texto;

Atividades ou Avaliação de atividades - atividades em


diferentes níveis de aprendizagem para que o aluno possa
conferir seu aproveitamento e domínio do que tem estudado;

Sugestão de filmes ou vídeos - filmes com temas


relacionados ao conteúdo do texto.
APRESENTAÇÃO
CONSTRUÇÃO DE ACORDES NO VIOLÃO USANDO TABELAS DE INTERVALOS
E APLICAÇÕES EM TEMAS POPULARES BRASILEIROS CONTEMPORÂNEOS

Amigo (a) estudante,

Este e-Book foi desenvolvido especialmente para atender os objetivos da


disciplina “Instrumento Avançado” do curso de Licenciatura em Música na modalidade
EaD do qual você faz parte. A sua opção pelo violão como instrumento de estudo no
curso em andamento e o seu interesse em conhecimento mais aprofundado nesse
instrumento musical torna este e-Book um manual de informações preciosas para
atuação em sua vida profissional, seja como professor de música ou instrumentista.
Isso tudo tendo como referência o fato que aqui vamos poder desempenhar uma
das principais funções do violão, a de instrumento harmônico ou, de instrumento
“acompanhador” de melodias.

Dividimos este e-Book em três “Unidades” fielmente associadas aos


objetivos didáticos da disciplina. Na primeira Unidade, fizemos uma espécie de
recapitulação dos elementos teóricos considerados essenciais à cifragem de
acordes (uma linguagem musical simbólica moderna e de grande interesse a
qualquer instrumentista) e ao processo de construção de acordes, tendo as tabelas
de intervalos da sexta corda como base. Na segunda Unidade, continuamos
com o processo de construção de acordes, usando as tabelas de intervalos da
quinta e quarta corda e apresentamos algumas progressões harmônicas como
aplicação prática dos acordes construídos. Na terceira e última Unidade, trouxemos

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algumas harmonias (progressões harmônicas) de canções populares urbanas
contemporâneas brasileiras justamente para mostrar como esses acordes devem
ser usados e ou praticados e também desafiar você a partir para a construção de
um repertório tendo como base o conhecimento adquirido. Esse repertório básico
foi pensado para atingir alunos de diversos níveis de habilidades, pois ele, além de
diversificado é também progressivo quanto ao seu grau de dificuldade.

Claro que dentro das limitações de tempo e do âmbito desta disciplina,


esperamos que este e-Book vá além de sua natureza, isto é, a de ser somente um
“material de apoio” e possa trazer elementos que o acompanhem para o resto de
sua vida profissional, mesmo que o violão não seja o seu principal instrumento. Com
as bases aqui sugeridas, além de ter o domínio sobre o processo de construção de
qualquer acorde, esperamos que você, com um pouco mais de trabalho e pesquisa,
possa ir sempre em frente e desenvolver seu repertório particular, envolvendo
canções dos mais variados gêneros musicais brasileiros e estrangeiros para, enfim,
usá-las nas mais distintas ocasiões em sua vida profissional.

Bons estudos!!!

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UNIDADE 1 – ELEMENTOS TEÓRICOS ESSENCIAIS PARA A CONSTRUÇÃO
DE ACORDES NO VIOLÃO

Objetivos:

• Compreender os elementos teóricos para a leitura de cifras;


• Entender sobre os elementos teóricos e práticos necessários para a cifra-
gem e execução das cinco categorias de tétrades no violão;
• Construir acordes (tríades e tétrades), usando a 6a corda do violão como
referência.

1 .1 Intervalo

Em música o intervalo pode ser definido como uma distância entre duas
notas. Essa distância é medida em Tons (T) e Semitons (S).

O intervalo também tem diferentes classificações quanto à sua forma


(harmônico, melódico, ascendente, descendente, simples, composto etc.) e tipo
(Justo, Maior, Menor, Aumentado e Diminuto). Para alcançarmos o nosso objetivo
nesta disciplina iremos fazer uma breve revisão sobre essa última classificação,
isto é, quanto ao tipo.

Em primeiro lugar entenda que a classificação de intervalos quanto ao tipo


é uma classificação numérica, pois, o intervalo é contado de uma nota a outra se
incluindo nesta contagem também a primeira nota. Exemplo:

8
Figura 1 – Intervalo de quinta

Fonte: Elaborado pelo Autor (2019).

• Intervalo Dó – Sol. Temos cinco notas envolvidas nesse intervalo.


• Dó, Ré, Mi, Fá, Sol – como temos cinco notas no total, dizemos que esse é
um intervalo de QUINTA.

Então é muito fácil fazer a contagem de intervalos, basta você contar as


notas seguindo a sua ordem natural. Entenda que você terá que começar essa
contagem da nota que servirá de base para o intervalo:

Exemplo:

A quarta de Dó é a nota Fá, pois, iniciamos a contagem das quatro notas a


partir da nota Dó e incluindo-a no total:
• Dó – Ré – Mi – Fá.
Para calcularmos a sexta de Mi:
• Mi – Fá – Sol – Lá – Si – Dó. Então a sexta de Mi é a nota Dó.

Além da quantidade de notas utilizamos também a quantidade de tons e


semitons na classificação do intervalo, pois, podemos ter quantidades de notas
semelhantes, mas, com quantidades de tons ou semitons diferentes entre
essas duas notas.
Exemplo:

9
Figura 2 – Intervalo de dois tons

Fonte: Elaborado pelo Autor(2019).

• Intervalo: Dó – Ré – Mi
• Quantidade de notas 3.
• Quantidade de tons ou semitons: 2 Tons

Agora veja este outro exemplo em que temos o mesmo número de notas,
porém, com uma quantidade de tons e semitons (distância) diferente:

Figura 3 – Intervalo de tom e semitom

Fonte: Elaborado pelo Autor (2019).

• Intervalo: Dó – Ré – Mib
• Quantidade de notas 3.
• Quantidade de tons ou semitons: 1 Tom e um semitom (1 Tom e ½).

Para a classificação quanto ao tipo usamos os seguintes termos:

• Justos = 1a, 4a, 5a e 8a;


• Maiores = 2a, 3a, 6a e 7a;

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• Menores = 2a, 3a, 6a e 7a (derivados dos menores, porém, com um semitom
a menos);
• Aumentados = aqueles que têm um semitom a mais que os Maiores ou que
os Justos;
• Diminutos = aqueles que têm um semitom a menos que os Menores ou que
os Justos.

Nas tabelas a seguir, exibiremos os intervalos Justos, Maiores, Menores,


Aumentados e Diminutos e suas respectivas quantidades de tons e semitons.
Observe que todos os exemplos relacionados estão a partir da nota Dó, porém,
esses cálculos servem para quaisquer outras notas, isto é, utilize sempre as duas
medidas, a quantidade de notas e a quantidade de tons e semitons (distância).
Faça como exercício esse procedimento em outras alturas.

1) Intervalos Justos:

Fonte: (TORRES, 2017, p. 11).

2) Intervalos Maiores:

Fonte: (TORRES, 2017, p. 11).

11
3) Intervalos Menores:

Fonte: (TORRES, 2017, p. 11).

4) Intervalos Aumentados:

Fonte: (TORRES, 2017, p. 12).

5) Intervalos Diminutos:

Fonte: (TORRES, 2017, p. 12).

ATENÇÃO!

O domínio de intervalos será a base essencial para o entendimento de acordes,


escalas, modos, harmonia de modo geral, dentre outros. Se você não tem domínio
sobre esse tema, isso mostra que há uma lacuna importantíssima a ser preenchida
em seu conhecimento musical. Busque imediatamente essas informações básicas
em livros de teoria da música (MED, 1996; TORRES, 2015) para não ter problemas
com a compreensão de outros assuntos em estágios de aprendizagem posteriores.

12
1.2 Enarmonia

A enarmonia acontece quando temos notas, acordes, intervalos ou mesmo


escalas com SONS IGUAIS e NOMES DIFERENTES. Veja alguns exemplos na
figura a seguir:

Figura 4 - Enarmonia

Figura 4 – Enarmonia

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

A enarmonia foi possibilitada após a implantação definitiva da afinação


temperada na transição do período Barroco para o período Clássico. Essa afinação
“temperada” dividiu a oitava em partes iguais para eliminar a “coma pitagórica”.
Investigue sobre o assunto “afinação pitagórica e afinação temperada” em
livros de história da música.

Para o que nos interessa nesse material didático vamos nos limitar à
enarmonia entre notas e, principalmente, intervalos.

No Quadro 1, a seguir, estão todas as possibilidades de enarmonia ocorridas


na escala de Dó (C) maior Natural (em negrito no centro do quadro). Observe
que nas linhas abaixo da escala temos as notas acidentadas com sustenidos (#)
relacionadas aos intervalos aumentados (aum) e acima as notas acidentadas
com bemóis (b) fazendo relação aos intervalos diminutos (dim). Na primeira linha,
abaixo do título da tabela grafamos os semitons (S) e cada coluna corresponde a
um semitom.

13
Quadro 1– Intervalos/ Enarmonias

Fonte: (TORRES, 2017, p. 12).

Para o processo de construção de acordes é muito importante localizar os


intervalos enarmônicos na “tabela de intervalos”, vamos sinalizar a seguir os mais
comuns. São fáceis de memorizar principalmente se você entender como eles
podem ter mais de um nome. Aprenda principalmente os que vamos listar a seguir:

ATENÇÃO !

IMPORTANTE!
NA TABELA DE INTERVALOS:

• b5 corresponde à #4 (quinta diminuta é enarmônica da quarta aumentada);


• #5 corresponde à b6 (quinta aumentada é enarmônica da sexta menor);
• #2 corresponde à 3m (nona aumentada é enarmônica da terça menor);
• 7dim corresponde à 6M (sétima diminuta é enarmônica da sexta maior);

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1.3 Intervalo Simples e Composto

Da classificação quanto à forma apresentada logo no começo desta Unidade,


para o processo de construção de acordes também precisaremos entender a
diferença entre um intervalo simples e um composto. Isso porque um acorde, como
veremos nas próximas Unidades, pode empregar intervalos compostos em sua
composição. Na tabela de intervalos justos mostrada na seção anterior, você pode
ver que uma oitava é constituída de oito notas com a distância de cinco tons e dois
semitons (5T e 2S) entre elas. Para ficar mais fácil calcular uma oitava é só você
repetir a nota (mantendo os mesmos acidentes - # e b – se houver) oito notas acima
ou abaixo. A compreensão da oitava é essencial para você entender a diferença
entre um intervalo simples e um composto. Veja como é simples:

• Intervalo Simples: aquele que fica ATÉ ou dentro da distância de uma oitava;
e Intervalo Composto: aquele que está ACIMA de uma oitava.

Dos intervalos compostos utilizaremos somente três deles para a construção


de acordes. São eles: a 9a, a 11a e a 13a e suas correspondentes variações (b9, #9,
#11, b13 etc.).

Nos QUADROS DE INTERVALOS que apresentaremos nas próximas


Unidades, os intervalos compostos não aparecerão. Para isso você somente precisa
calcular os seus correspondentes simples. Veja como isso é fácil:

Primeiro entenda que todo intervalo composto tem um correspondente


simples, a única diferença é que o intervalo composto está em uma oitava diferente,
isto é, uma oitava acima em relação ao simples. Veja o exemplo:

Quadro 2 – Intervalos simples e compostos


INTERVALOS SIMPLES E COMPOSTOS
Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó Ré Mi Fá Sol Lá Si Dó
1a
2a
3a
4a
5a
6a
7a
8
a
9
a
10
a
11 a
12a
13 a
14 a
15a
SIMPLES COMPOSTO

Fonte: Elaborado pelo Autor (2019).

15
Com base na tabela acima você pode facilmente observar que a nota Lá, que
é a sexta (6a) no intervalo simples, corresponde à décima terceira (13a) no intervalo
composto. Assim, todo intervalo composto terá um correspondente simples. Isso
vale também para as variações desse intervalo (exemplo: a quarta aumentada - #4
– corresponde à décima primeira aumentada - #11 - etc.).

Uma maneira bem simples de calcular o intervalo correspondente simples é


subtrair o número sete (7) do intervalo composto. Veja os exemplos a seguir:

• 9 – 7 = 2. Então a nona corresponderá à segunda.


• 11 - 7 = 4. Então a décima primeira corresponderá à quarta.
• 13 – 7 = 6. Então a décima terceira corresponderá à sexta.

Não se esqueça de manter as variações no intervalo correspondente.

• b9 – 7 = b2. Nona menor corresponde a segunda menor.


• #9 – 7 = #2. Nona aumentada corresponde a segunda aumentada.
• b13 – 7 = b6. Décima terceira menor corresponde a sexta menor etc.

ATENÇÃO!

IMPORTANTE!
Aprenda isso:
Na tabela de intervalos:
• 9 = 2M
• b9 = 2m
• #9 = 3m
• 11 = 4J
• #11 = #4
• 13 = 6M
• b13 = 6m

16
1.4 A Fundamental (F)

Para a construção de acordes no “braço” do violão, utilizaremos como base


as TABELAS DE INTERVALOS as quais mostram como os intervalos acontecem
ou estão dispostos no braço do violão. Esses intervalos são encontrados a partir
de uma nota (altura) qualquer. Essa nota em nosso processo de construção de
acordes será chamada de FUNDAMENTAL.

A fundamental será a nota que denominará a altura do acorde (Dó, Ré, Mib
etc.) e será também equivalente à PRIMEIRA JUSTA. Nas tabelas de intervalos que
representarão o braço do violão (serve também para a guitarra elétrica) a serem
apresentados nas próximas Unidades, a fundamental será representada pela letra
maiúscula“ F ”.

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

• A Fundamental é também a nota principal de um acorde. Sobre ela calcula-


remos todos os outros intervalos.

É comum entre músicos haver confusão entre a FUNDAMENTAL e a


TÔNICA. Entenda que a fundamental é a primeira nota (1a Justa) que nomeará um
acorde. A Tônica, por sua vez, tem um sentido mais amplo, pois, é a primeira nota
(ou acorde) de uma tonalidade.

Ora, se em uma tonalidade maior, por exemplo, temos sete acordes diatônicos
(acordes do Campo Harmônico), teremos então sete fundamentais diferentes para
esses sete acordes, uma em cada acorde, porém, desses somente uma será a
tônica, que é o primeiro acorde dessa tonalidade. Simples, não? A tônica também
pode ser a primeira nota de uma escala tonal, base da tonalidade.

17
1.5 Como Construir as “Tabelas de intervalos” no braço do Violão

Sabendo então o que é a “fundamental” vamos entender como os intervalos


serão disponibilizados em cada CORDA do violão. Lembre-se que no violão cada
CASA (espaço no braço separado por ferrinhos chamados de “trastes”) corresponde
a um semitom (S).

Veja a seguinte tabela:

Tabela 1 – Sequência de intervalos cromáticos

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Observe que de uma fundamental (F) para a outra temos exatamente doze
intervalos diferentes. Esses doze intervalos correspondem, portanto, às doze notas
musicais disponíveis no sistema da música ocidental. Se escolhermos a nota Dó
para ser a fundamental (F) esses intervalos serão:

Tabela 2 – Sequência de notas cromáticas

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

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Essa será então a ordem de disponibilização dos intervalos em cada corda no braço
do violão. Essa ordem de intervalos não sofre alterações!

ATENÇÃO!

LEMBRE-SE:
É muito importante ter essa ordem de intervalos (crescente e decrescente)
disponível em sua mente para aplicação na escala do violão. Ela será essencial
para o processo de construção de acordes no braço do violão. Se você ainda não
tem essa ordem de intervalos memorizada, dedique algum tempo para isso. Você
pode memorizá-la a partir de qualquer ponto ou nota da escala cromática.

O braço do violão é representado por um diagrama conforme a figura abaixo:

Figura 5 – Diagrama do Braço do Violão

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

O diagrama do braço é o desenho do braço do violão com as seis cordas


representadas de baixo para cima (da mais fina para a mais grossa) e as casas da
direita para a esquerda (barra da pestana). Entenda que o diagrama do braço se
apresenta como se você estivesse olhando o violão à sua frente virado para você.

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Nele apresentaremos todos os intervalos SIMPLES para a construção dos
acordes. Por esse processo você será capaz de construir qualquer acorde, dos
mais simples aos mais complexos.

Vamos então continuar com o processo de entendimento da tabela de


intervalos no braço do violão.

O próximo passo é fixar a fundamental (F) em um dos três bordões do violão.


Os BORDÕES corresponderão às três cordas superiores do violão (cordas grossas)
e são também chamados de BAIXOS.

Figura 6 – Diagrama do braço do Violão - Bordões

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Como temos três tipos de bordões, teremos também três variações ou três
tipos diferentes de quadros de intervalos:

• TABELA DE INTERVALOS DA 6a CORDA;


• TABELA DE INTERVALOS DA 5a CORDA;
• TABELA DE INTERVALOS DA 4a CORDA.

Dessa forma, temos no violão no mínimo três maneiras diferentes de construir


um acorde no braço do violão, uma (ou mais) para cada bordão ou baixo.

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1.5.1 Tabela de intervalos da sexta corda

Vamos começar com a sexta corda entendendo como é formada a tabela de


intervalos da sexta corda.

O primeiro passo é fixar a fundamental em uma casa na sexta corda. Veja


isso na Figura a seguir:

Figura 7 – Diagrama Fundamental (F) fixada na 6ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Observe que delimitamos um número de casas (7) nesse e nas outras tabelas
de intervalos representados pelos diagramas em função das condições de alcance
da mão esquerda no braço do violão.

ATENÇÃO !

Nunca é demais repetir que fixamos a fundamental (F) no centro do diagrama, mas, ela
pode ser usada para qualquer altura, inclusive para cordas soltas!

O próximo passo é preencher as outras casas ainda na mesma corda tendo


a fundamental como base. Para isso vamos usar a sequência de intervalos vista no
começo dessa Unidade. Veja a próxima Figura:

21
Figura 8 – Diagrama com 6ª corda preenchida

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Observe que, uma vez fixada a fundamental, preenchemos com intervalos


tanto no sentido crescente (# - lado esquerdo da fundamental) como em sentido
decrescente (b – lado direito da fundamental). Usamos na figura do diagrama tanto
os sinais (# e b) como as setas para indicar o sentido crescente e decrescente do
intervalo.

O próximo passo é preencher a quinta corda com a mesma sequência de


intervalos. Para isso você precisa saber que as cordas do violão na afinação que
chamamos de universal são afinadas em intervalo de QUARTAS, porém, há uma
exceção da terceira para a segunda corda, isto é, da corda Sol para a corda Si. Veja
isso na Figura a seguir:

Figura 9 – Afinação Universal do Violão

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

22
Essa disposição de afinação das cordas com a diferença de um semitom da
terceira para a segunda corda é que permite que as cordas das extremidades (6a e
1a cordas) tenham o mesmo nome:

• 6a corda: Mi.
• 1a corda: Mi.

Essa afinação com as cordas extremas iguais permite a utilização de alguns


recursos no processo de construção de acordes. Um deles, talvez o principal, é a
utilização da pestana artificial (pestana feita com os dedos da mão esquerda ou com
capotraste) para obter os outros acordes por derivação (quando você pega uma
“posição” ou “shape” de um acorde e utiliza a pestana para encontrar os outros).
Em instrumento que não se utiliza essa diferença de semitom entre um par de
cordas a diferença aparece nos extremos e inviabiliza o uso da pestana. Esse é o
caso do baixo elétrico de seis cordas, para citar um exemplo. A afinação é toda em
quartas e as cordas extremas ficam com um semitom de diferença (6a corda Si e 1a
corda Dó).

Então, para continuar o processo de preenchimento da quinta corda, com


essas informações obtidas nesses últimos parágrafos podemos deduzir que na
casa abaixo da fundamental (F) teremos um intervalo de quarta justa (4J). Veja isso
na Figura a seguir.

Figura 10 – Fundamental na 6ª corda e 4ª Justa embaixo

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

23
ATENÇÃO!

IMPORTANTE!
Não esqueça que, exceto da segunda para a terceira corda que tem um intervalo de terça
maior, em qualquer outro par de cordas e em qualquer casa do violão, se você fixar uma
nota em uma casa qualquer como Fundamental (F), a nota embaixo dela na mesma casa
será sempre uma quarta justa (4J).

Agora, tal qual fizemos na sexta corda, vamos preencher os outros intervalos
tanto de forma crescente como decrescente. Veja isso na próxima Figura:

Figura 11 – 6ª e 5ª corda preenchidas

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Agora vamos preencher a quarta corda. Qual será a referência? Vamos fazer
como no passo anterior e ter como referência a nota que está na COLUNA da
fundamental (F). Veja que a nota da corda superior (5a corda) é uma 4a Justa e será
esse intervalo que usaremos para calcular os intervalos da 4a corda.

Lembre-se que exceto entre as cordas 2 e 3 todos os intervalos na mesma


coluna no violão serão em intervalos de quarta justa (4J).

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Então temos só que calcular uma quarta justa a partir da quarta justa que foi
o intervalo encontrado na quinta corda (embaixo da fundamental). Esse intervalo
será uma sétima menor (7m). Veja o porquê na Figura a seguir:

Figura 12 – Intervalo entre a 4ª Justa e a 7ª menor

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Em outras palavras, uma quarta justa adicionada a outra quarta justa


corresponde a uma sétima menor:

• 4a Justa + 4a Justa = 7m.

Então o ponto de referência (coluna da fundamental) na quarta corda será


uma sétima menor (7m). Veja isso na próxima Figura:

Figura 13 – 6ª e 5ª corda preenchidas e 7m na 4ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Com base na sétima menor (7m) preenchemos todas as outras casas da


quarta corda. Veja a Figura a seguir:

25
Figura 14 – 6ª, 5ª e 4ª corda preenchidas

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Seguindo com esse mesmo raciocínio preencheremos agora a terceira corda,


tendo sempre a coluna da fundamental como referência. Então tomamos o intervalo
da coluna da corda anterior (a quarta) que foi a sétima menor 7m e calculamos uma
quarta justa a partir desse intervalo:

7a menor + 4a justa = 3a menor.

Figura 15 – Intervalo entre a 7ª menor e a 3ª menor

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

A terça menor (3m) será então o nosso ponto de referência na coluna para o
preenchimento do restante da terceira corda. Veja isso na próxima Figura:

26
Figura 16 – 6ª,5ª e 4ª corda preenchidas e 3m na 3ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Agora podemos preencher a terceira corda com base no intervalo encontrado


que foi a terça menor (3m). Veja isso na Figura a seguir:

Figura 17 – 6ª, 5ª, 4ª e 3ª preenchidas

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

O próximo passo é preencher a segunda corda. Faremos isso da mesma


forma tendo a nota (3m) da coluna da corda anterior (3a corda) como base, porém,
agora em função da diferença da afinação da 3a para a 2a corda, usaremos neste
par de cordas a terça maior (3M = 2 tons) como intervalo de cálculo:

27
3a menor + 3a maior = 5a justa.

Figura 18 – Intervalo entre a 3ª menor e a 5ª justa

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

A quinta justa (5J), intervalo encontrado como sendo uma terça maior acima
da terça menor (3m), a nota da coluna na corda anterior, será então a nota básica
para preenchermos o restante da corda:

Figura 19 – 6ª, 5ª, 4ª e 3ª corda preenchidas e 5J na 2ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Agora preenchemos a segunda corda com base nesse intervalo encontrado,


a 5a Justa.

28
Figura 20 – 6ª, 5ª, 4ª, 3ª e 2ª corda preenchidas

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Agora preencheremos a primeira corda, a corda Mi. Pegaremos o intervalo


da corda anterior, a 2a corda, que foi uma quinta justa (5J) e voltaremos a utilizar o
intervalo de quarta justa (diferença entre cordas) para calcular o intervalo da coluna
na primeira corda.

5a justa + quarta justa = Oitava ou Fundamental.

Figura 21 – Intervalo entre a 5ª Justa e a Fundamental

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

A fundamental nota uma quarta justa acima da quinta justa, a nota da coluna
na corda anterior, será então o ponto de referência para o preenchimento das outras
casas:

29
Figura 22 – 6ª,5ª,4ª e 2ª corda preenchidas e “F” na 1ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Outra maneira simples de calcular a primeira corda é somente repetir os


intervalos da sexta corda, visto que essas cordas têm o mesmo nome e mesma
afinação.

Veja na próxima Figura a primeira corda preenchida:

Figura 23 – 6ª, 5ª,3ª, 2ª e 1ª corda preenchidas

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Agora tomaremos a coluna de intervalos da tabela de intervalos da sexta


corda para memorização. Entenda também que você vai usar sempre essa coluna

30
como referência para o cálculo dos outros intervalos tanto em sentido crescente
como em sentido decrescente em qualquer uma das cordas. Esse é um trabalho
de memorização que pode ser feito sem o instrumento e em diversos lugares ou
horários em sua rotina diária (Ex: numa espera em um consultório, numa fila de
banco etc.).

Figura 24 – Coluna da fundamental na 6ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

1.5.2 Tabela de intervalos da quinta corda

O processo de construção da tabela de intervalos da quinta corda é feito


utilizando todos os passos realizados (corda por corda) na tabela anterior, a da
sexta corda. Não iremos repeti-lo para não estender muito esse material didático.
Mostraremos somente a diferença que vai acontecer em função do intervalo
diferente (de terça maior) entre a terceira e a segunda corda. Isso vai alterar a
ordem da COLUNA. Caso não tivéssemos essa diferença de afinação entre esse
par de cordas, as três tabelas (6a, 5a e 4a corda) seriam iguais e não teríamos
necessidade de fazer três tipos de tabelas (6a, 5a e 4a corda).

31
Veja no exemplo a seguir como ficará a coluna da fundamental (F) na quinta corda:

Figura 25 – Coluna de Intervalos da 5ª corda

Fonte: Elaborado pelo Autor (2019).

Veja que a ordem de notas da coluna a partir da quinta corda será agora:

Figura 26 – Sequência de intervalos da 5ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Memorize também essa sequência de notas. Ela será essencial para a


construção dos acordes com a fundamental (F) na quinta corda.

Veja também o diagrama com todos os intervalos preenchidos a partir da


quinta corda.

32
Tabela 3 – Tabela de Intervalo da 5ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

1.5.3 Tabela de intervalos da quarta corda

A lógica de construção dessa tabela também é a mesma das tabelas


anteriores. Óbvio que a mudança também ocorrerá da terceira para a segunda
corda. Veja no próximo exemplo como ficará a coluna de intervalos a partir da
quarta corda:

Figura 27 – Coluna de Intervalos da 4ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

33
Observe que também ocorrem mudanças na ordem de intervalos. A tabela
completa ficará assim:

Tabela 4 – Tabela de intervalos da 4ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

ATENÇÃO!

IMPORTANTE!
Tal qual nas outras tabelas, memorize esses intervalos, pois, eles serão essenciais no
processo de construção de acordes na quarta corda.

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

1.6 Tríades

A tríade é uma aglutinação de três notas separadas por intervalos de terça.


Em geral, ela serve de base ou estrutura mínima para a construção dos acordes,
pois, acima dela e sempre “empilhando” terças teríamos as outras formações de
acordes, ou seja, os acordes de sétima, os de nona, os de décima primeira e os de
décima terceira.

34
A tríade será composta de três intervalos sendo:

 Fundamental (F): a principal nota, nota que nomeará a tríade. Em cifra (sis-
tema de representação alfanumérica dos acordes) a tríade maior será repre-
sentada por uma letra maiúscula para as sete notas naturais (A, B, C, D, E,
F e G) e seu correspondente sinal de alteração “#” e “b” caso seja uma nota
“alterada” (Ab, Bb, C#, D# etc.).

 Terça: nota que determinará se a tríade é MAIOR ou MENOR. Se a terça


for maior a tríade será maior, se a terça for menor a tríade será menor. Em
cifra só estabelecemos essa diferença sinalizando a letra minúscula “m” nas
tríades menores. Veja o exemplo abaixo:

Figura 28 – Tríade maior e tríade menor

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

 Quinta: nota que determinará se a tríade é “perfeita” (nome dado para as


tríades maiores e menores por possuírem quinta justa ou “perfeita”) ou “al-
terada” (nome relacionado às tríades aumentadas ou diminutas por terem a
quinta “alterada”). Assim, nas tríades aumentadas a quinta será aumentada
e nas tríades diminutas a quinta será diminuta.

Figura 29 – Tríade aumentada e tríade diminuta

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

35
São quatro os tipos principais de tríades:

• Tríade maior;
• Tríade menor;
• Tríade Aumentada;
• Tríade Diminuta.

1.6.1 Tríade Maior

É formada pela junção de uma terça maior na base mais uma terça menor
sobreposta. Veja isso na Figura 30, a seguir:

Figura 30 – Tríade Maior – Exemplo em Dó - C

Fonte: (TORRES, 2017, p. 15).

1.6.2 Tríade Menor

É formada pela aglutinação de uma terça menor na base mais uma terça
maior sobreposta. Veja que aqui a ordem das terças é o contrário da tríade maior.
Veja isso na Figura 31, a seguir:

36
Figura 31 – Tríade Menor – Exemplo em Dó - Cm

Fonte: (TORRES, 2017, p. 15).

1.6.3 Tríade Aumentada

É formada pela sobreposição de duas terças maiores. Veja isso na Figura


32, a seguir:

Figura 32 – Tríade Aumentada – Exemplo em Dó – C ( #5).

Fonte: (TORRES, 2017, p. 16).

1.6.4 Tríade Diminuta

É formada pela sobreposição de duas terças menores. Veja o exemplo a seguir:

37
Figura 33 – Tríade Diminuta – Exemplo em Dó – C°

Fonte: (TORRES, 2017, p. 17).

1.6.5 Dicas importantes para a cifragem de tríades

A tríade maior é representada UNICAMENTE pela letra maiúscula


correspondente às sete notas naturais e o seu sinal de alteração, caso haja: Veja
isso nos exemplos a seguir:

Figura 34 – Tríade Maior - Cifras

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

A tríade menor tem que ter a letra “m” minúscula ao seu lado (após a letra
maiúscula) para diferenciá-la da tríade maior. Caso sua fundamental seja uma nota
alterada (C#, Db, F# etc.), esse sinal será colocado logo após a letra maiúscula da
fundamental e antes da letra minúscula “m”. Veja isso na Figura 35, a seguir:

38
Figura 35 – Tríade Menor - Cifras

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Na cifra americana também aparece o sinal de subtração (-) ou o termo


“min” (abreviatura da palavra inglesa “minor” ao lado da fundamental. Veja a figura
a seguir:

Figura 36 – Tríade Menor – Cifras (Opções)

Fonte: Elaborada pelo Autor(2019).

A tríade aumentada é representada pelo o sinal de sustenido junto do numeral


cinco dentro de parênteses (#5). É também comum, principalmente nos livros de
música do mercado editorial norte americano, o uso do sinal de adição dentro dos
parênteses (+5), ou somente o sinal de adição dentro ou fora de parênteses, ou o
termo “aug” (abreviação da palavra em língua inglesa “augmented”) do lado da letra
maiúscula (ou também entre parênteses). Veja isso na Figura 37, a seguir:

39
Figura 37 – Tríade Aumentada - Cifras

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Ainda sobre tríades aumentadas, caso use o símbolo “#5” é muito importante
colocá-lo entre parênteses para que o acidente “#” não seja interpretado como
pertencente à fundamental. Caso a fundamental seja alterada com o sinal de
sustenido “#” usamos os dois sinais, um correspondente à fundamental e outro à
alteração da quinta. Veja isso na Figura 38, a seguir:

Figura 38 – Tríade Aumentada – Cifra C#(#5)

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

A tríade diminuta é representada no Brasil com o símbolo “o” posto ao lado da


fundamental, conforme descrito na próxima figura.

Figura 39 – Tríade Diminuta - Cifra

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

40
Na prática, na execução de cifras, NÃO utilizamos a tríade diminuta. Em
função da simetria do acorde diminuto usamos logo a sua forma completa, a tétrade
diminuta representada pelo mesmo sinal da tríade “o”. Assim, quando aparecer um
acorde diminuto qualquer (Ex: Bbo, Co etc.) em uma cifra para ser tocado, toque a
tétrade diminuta e não a tríade.

1.7 Tétrades

No sistema de cifragem, diferente do que é estudado em harmonia tradicional


em que temos acordes de sétima, de nona, de décima primeira etc., como categorias
específicas, a tétrade geralmente configura tudo que vai além da tríade. No sistema
de cifras não utilizamos os termos “péntade”, héxade, ou héptade etc., para outras
formações de acordes, isso porque, todas essas categorias se enquadram dentro
das tétrades. Podemos então representar a tétrade de maneira bem simples, tal
qual apresentado no esquema a seguir:

TÉTRADE = TRÍADE + uma ou mais notas

Porém, usamos classificações também chamadas de “categorias” para as


tétrades. São elas:

• Maior - X7M, X7M(#5), X6;


• Menor – Xm7, Xm7M, Xm6;
• Dominantes – X7 + todos os tipos de tensão (9, b9, #11, 13, b13 etc);
• Diminutos – X°; Xm7(b5);
• Suspensos – Xsus4, Xsus2.

Essas categorias de tétrades variam bastante entre autores na literatura


sobre o assunto. Observe que incluímos nessas categorias de tétrades os acordes
de sexta (6). Alguns autores o classificam em uma categoria especial, chamada
de “acorde de sexta” (GUEST, 2006, p. 31). Ainda sobre esse acorde de sexta

41
(X6 ou Xm6), não confundir com o “acorde de sexta” da harmonia tradicional que
corresponde a um acorde maior na primeira inversão, isto é, com a terça no baixo.

ATENÇÃO!

IMPORTANTE!
A letra maiúscula “X” é usada em sentido genérico para representar o acorde com a
fundamental em qualquer altura (A, Bb, C#, D, Eb etc.).

1.7.1 Tétrades Maiores

São as tétrades que têm como base a tríade maior e ou aumentada mais
a sétima maior (7M) ou sexta maior (6). Os acordes dessa categoria geralmente
são de funções Tônicas ou Subdominantes e possuem sentido sonoro mais
estável ou conclusivo. A eles podem ser adicionadas também outras tensões (ou
dissonâncias) tais como as nonas maiores (9) e ou décimas primeiras aumentadas
(#11). Exemplos: C7M(9); C7M(#11); C7M(#5) etc.

1.7.2 Tétrades Menores

São as tétrades que têm como base a tríade menor acrescidas da sétima
maior (7M) ou da sétima menor (7) ou a sexta maior (6). Também possuem som
estável ou conclusivo principalmente quando funcionam como tônica na tonalidade
menor. A essas tétrades podemos adicionar tensões tais como a nona maior (9) e a
décima primeira (11). Exemplos: Cm7, Cm7M, Cm7(9), Cm7/9/11, Cm7M(9) etc.

1.7.3 Tétrades Dominantes

Essa é, sem dúvida nenhuma, a categoria com a maior quantidade de acordes,


isso por conta das combinações que as diversas tensões (9, b9, #9, #11, b13 e 13)
podem gerar. Ela é formada tendo uma tríade maior ou uma aumentada como base
mais uma sétima menor (7) acrescida de qualquer uma dessas tensões (9, b9,

42
#9, #11, b13 e 13). A tríade aumentada acrescida da sétima menor (7) diverge da
categoria de tétrades maiores, obviamente, pela diferença entre as sétimas (7M e
7), e gera os acordes X7(#5). É possível também adicionarmos a esta última tétrade
algumas tensões e ter outros acordes, como por exemplo: G7/#5/9; G7/#5/#11 etc.
Como exemplos da categoria de tétrades dominantes também podemos citar:
G7(9); G7(13); G7/9/#11; G7(b13); G7(b9); G7/b9/b13 etc.

1.7.4 Tétrades Diminutas

Essa é uma das categorias com menos possibilidades, porém, de muito


uso e ocorrência em cifras de músicas populares contemporâneas. Ela tem como
base a tríade diminuta acrescida da sétima diminuta ou da sétima menor. Cada
combinação dessa gera um acorde diferente. Vamos mostrar aqui os dois e ver as
diferenças entre eles:

1) Acorde diminuto (Xo)

É formado pelos seguintes intervalos:

F – 3m – b5 – 7dim

Ou pela tríade diminuta + a sétima diminuta.

• Sobre a sétima diminuta (7dim), nunca esqueça que ela é ENARMÔNICA


da sexta maior (6M), isto é, têm o mesmo som, mas, seus nomes são dife-
rentes. Exemplo:

• Sétima diminuta de Dó = Sibb (lê-se Si dobrado bemol);


• Sexta maior de Dó = Lá;
• A nota Sibb tem o mesmo som (no sistema temperado) da nota Lá, porém,
elas têm nomes diferentes. É comum encontrarmos também a grafia do
intervalo de sétima diminuta (7dim) com o sinal de dobrado bemol, ou seja,
dessa forma: bb7. Então:

43
7dim = bb7

2) Acorde meio diminuto (Xm7/b5)

É formado pelos seguintes intervalos:

F – 3m – b5 – 7m

Ou pela tríade diminuta + a sétima menor. No Brasil, a cifragem mais comum


desse acorde é feita como na Figura a seguir:

Figura 40 – Acorde Meio-Diminuto – Cifragem mais comum

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

O acorde meio diminuto na literatura norte americana é chamado de “half


diminished” e é comum também ele se apresentar nas cifras dessa forma:

Figura 41 – Acorde Meio-Diminuto - Outra possibilidade de Cifra

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

44
ATENÇÃO!

IMPORTANTE!
Perceba então que a diferença entre esses dois acordes (diminuto e meio diminuto)
ocorre pela diferença entre suas sétimas (7dim e 7). Veja isso na figura a seguir:
Figura 42 – Acorde Diminuto e Meio-diminuto - diferença

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

1.7.5 Acordes Supensos (SUS)

Sobre os acordes da categoria "sus", os suspensos, o uso da 4a justa (4) e,


em alguns casos, da segunda maior (2), os sus4 e sus2, implicam em exclusão
da 3a maior, por isso, são classificados em uma categoria especial. Essa exclusão,
no caso das quartas, é justificada pelo choque de semitom causado com a terça
maior. No caso das segundas maiores (ou nonas), o choque ocorre principalmente
com as terças menores presentes nos acordes menores. Alguns autores também
usam o termo “híbrido” para denominar esse tipo de acorde, isto é, sem a inclusão
da terça maior em sua estrutura (CHEDIAK, 1994). Esse termo híbrido se aplica
pelo fato do acorde sem a terça perder a identidade de um acorde maior ou menor
e ser usado nos dois contextos.

45
ATENÇÃO!

IMPORTANTE!
Quando construir os acordes da categoria “sus” ELIMINE a terça.

1.7.5.1 Acordes com 9ª e 4ª adicionadas (9add e 4add)

Essa é uma categoria pouco vista em livros didáticos, apesar de esses acordes
serem muito frequentes em músicas populares contemporâneas, principalmente
em gêneros musicais modernos como o Rock ou o Funk (norte americano) para
citar alguns.

O termo “add” é uma abreviação da palavra “added” em língua inglesa que
corresponde em língua portuguesa ao verbo adicionar no passado (adicionado).
Esse termo significa que você adiciona a quarta ou a segunda (4 ou 11 e 9) sem
supressão ou eliminação da terça. Assim, esses acordes serão tríades maiores ou
menores com as quartas ou nonas acrescentadas, em outras palavras, terão quatro
notas em sua composição, por isso, a categorização entre as tétrades.

ATENÇÃO!

IMPORTANTE!
Quando construir um acorde de 9 ou 4a adicionada (add9 ou add4) NÃO elimine a
a

terça.

1.8 Detalhes Importantes Para a Leitura de Cifras e Utilização das Tabelas de


Intervalos

Todas essas informações apresentadas até agora serão de extrema utilidade


para o processo de construção de acordes que iremos apresentar nas próximas

46
seções. Claro que, neste momento em sua carreira de musicista, como não estamos
produzindo este material para um iniciante em seu primeiro contato com o violão,
isto é, alguém que não conhece nada do instrumento, presume-se que muitas
dessas informações sobre intervalos, enarmonia, escalas, detalhes anatômicos do
violão etc., você já domine por completo. Assim, esse material servirá também para
você fazer uma espécie de revisão, fixação desses conceitos, ou mesmo fazer uma
avaliação do que você conhece sobre leitura de cifras e construção de acordes.
Caso esse material tenha trazido muitas novidades para você, é bom procurar
aprofundá-lo em livros ou outros materiais didáticos (artigos, dissertações, teses
etc.) sobre esses assuntos, pois, eles, com certeza serão indispensáveis em sua
carreira musical seja como musicista, pesquisador, teórico, enfim, e serão muito
úteis mesmo que o violão não seja seu principal instrumento!

Sobre a leitura de cifras, o processo de decodificação do símbolo gráfico de


cada acorde não é difícil. Ele somente exige uma base boa nos assuntos apresentados
aqui neste material. Um agravante para isso é o fato das cifras não serem cem por
cento padronizadas em todos os países, principalmente, no mercado editorial norte
americano, que é quem produz a maior quantidade de material didático envolvendo
cifras. Porém, no geral, as mudanças entre linguagens de cifras entre os países
não são muito grandes. Em essência, é também uma linguagem universal, como é
a partitura e também a tablatura. No caso do nosso país, o Brasil, a nossa cifra é
considerada bem clara, concisa e lógica e (sem querer incorrer em juízo de valores)
adequa-se bem à linguagem moderna dos postulados de harmonia funcional. Isso
ocorreu graças ao esforço de nossos teóricos e suas publicações pioneiras sobre o
tema (CHEDIAK, 1984; GUEST, 2006; FARIA, 1999.).

Nesta seção apresentaremos alguns detalhes sobre a leitura de cifras que,


infelizmente, não são comuns em materiais didáticos sobre o assunto. O objetivo
aqui é que você, com essas informações, tenha agilidade e praticidade na hora
de interpretar a simbologia das cifras e, mais ainda, saiba como aplicar essas
informações no braço do seu violão tendo as tabelas de intervalos como guia. Então
vamos a elas:

47
1) A sétima (7) é o ÚNICO intervalo que quando aparece em cifras sem algum
outro sinal gráfico a ela relacionado (b, #, +, M, maj etc.) é MENOR. Cuidado para
não fazer confusão com o tipo de sétima e os intervalos da tríade. Observe isso na
próxima Figura:

Figura 43 – Nome do acorde C7

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Nos acordes apresentados na Figura a seguir, todas as sétimas são menores:

Figura 44 – Exemplos de acordes com sétima menor (7)

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Os outros intervalos que não são acompanhados de outros sinais, ou são


Justos ou Maiores. Exemplos a seguir:

48
Figura 45 – Exemplos de acordes com intervalos maiores, menores e justos

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

2) A sétima maior (7M), no Brasil, é geralmente grafada com a letra “M” maiúscula
ao seu lado ou o sinal de adição “+”. Em outros países, principalmente no mercado
editorial norte americano, ela é também grafada com estes símbolos: 7maj
(abreviatura de “major”), ou o símbolo “∆” ao lado do numeral sete (7∆);

Nunca chame a sétima quando estiver com o sinal de adição (7+) de “sétima
aumentada”. A sétima aumentada é enarmônica da oitava e deverá ser tocada com
o mesmo som da oitava, obviamente, perdendo o som de sétima. Exemplo: a sétima
aumentada de Dó é Si# e soará como Dó mesmo tendo nome diferente.

3) Quando da leitura (nominal) dos acordes cifrados, os acordes maiores, tríades


ou tétrades que possuem 3a maior, não precisam ser chamados de maiores. Os
menores que possuem a letra “m” minúscula do lado da fundamental, isto é, as
tríades e tétrades que também possuem terça menor, precisam ser chamadas de
menores, justamente para diferenciá-las das maiores. A tétrade diminuta “Xo” e
variações (Ex.: Go(b13)) possuem terça menor e não são chamadas de “menores”.
A tétrade meio-diminuta, por sua vez, é a única que tem duas nomenclaturas, isto
é, também pode ser chamada de menor ( Xm7(b5): menor com sétima e quinta
diminuta).

Não custa lembrar que, como citado no começo desta Unidade, a sétima
“sozinha” é MENOR e não precisa ser chamada de “menor”, basta chamá-la de
“sétima”;

49
Exemplos:

C = Dó maior, ou simplesmente, Dó.


Cm = Dó menor.
C7 = Dó maior com sétima menor, ou simplesmente, Dó com sétima.
C7M = Dó maior com sétima maior, ou simplesmente, Dó com sétima maior.
Cm7 = Dó menor com sétima menor, ou simplesmente, Dó menor com sétima.
Cm7M = Dó menor com sétima maior.
Co = Dó diminuto.
CO ou Cm7(b5) = Dó meio-diminuto ou Dó menor com sétima e quinta diminuta.
C6(9) = Dó maior com sexta maior e nona maior, ou simplesmente, Dó com sexta
e nona.

4) A 5a Justa (5J) que é obrigatória nas tríades poderá ser descartada em acordes
com uma ou mais tensões (9, b9, #9, #11, 13, b13 etc.). Em alguns casos, até
mesmo tétrades de sétima podem ser feitas sem o uso da quinta. No caso específico
do violão, isso será um recurso importante em função do número reduzido de
opções de notas disponibilizadas pelo limite máximo de cordas (6 cordas) e dedos
(4 dedos) usados para fazer acordes no violão. Nas tabelas de intervalo de cinco
e quatro cordas as opções de construção ficam ainda mais limitadas. Então, não
perca tempo, nos tipos de acordes abaixo, você NÃO PRECISA USAR A QUINTA
na construção deles em seu violão;

Figura 46 – Exemplos de acordes em que o uso da quinta justa (5J) é FACULTATIVO No violão

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

50
5) A nona aumentada (#9), muito comum nos acordes do tipo dominante (maiores
com 7a menor), na tabela de intervalos corresponde à 3m, porém, deve sempre ser
usada oitavada (nas “pontas” dos acordes) para evitar choque de semitom com a
terça maior;

6) Não é adequado o uso do numeral dois “2” em cifras. Isso porque a segunda
implicaria em uma proximidade muito grande com a fundamental que, exceto em
inversões, fica como baixo do acorde. Por isso normalmente a 2a é lida como 9a, isto
é, para ficar distante do baixo;

Figura 47 – Uso inadequado da 2ª em cifras

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

7) Dê preferência ao uso de tensões (9as, 11as e 13as e variações correspondentes)


na “ponta” (parte mais aguda) do acorde;

8) Em acordes menores a décima primeira (11) é muito bem-vinda e não implica


em eliminação da terça por ela está à distância de um tom da terça (que nesse
acorde é menor) e não causar choque de semitom. A eliminação ou supressão da
terça é mais comum nos acordes maiores, nos quais a terça maior fica somente um
semitom próximo da quarta justa. Normalmente, também não usamos o numeral “4”
para cifragem em acordes menores. O ideal é usá-lo como décima primeira e na
“ponta” do acorde;

9) NÃO usamos os numerais 8, 10, 12, 14 e 15 (e variações) em acordes. Isso


porque eles têm como correspondentes simples os intervalos F, 3, 5, 7 e F,
respectivamente, ou seja, já fazem parte das notas estruturais (tríade e tétrade

51
de sétima) do acorde básico. Pelo princípio do “dobramento” (princípio físico em
que as oitavas em quaisquer alturas acima da nota geradora da série harmônica
fazem parte como múltiplo desse som básico, isto é, elas naturalmente já estão
presentes), essas notas já soam dentro de suas respectivas oitavas;

10) Em acordes com sétima menor (7) a sexta maior (6) não é usada como intervalo
simples, isto é, com o numeral “6”, isso por conta da proximidade de semitom entre
elas (6M e 7m). Por isso, temos que transformá-la em intervalo composto, isto é,
oitavá-la e chamá-la de treze ou décima terceira maior (13);

Figura 48 – Incompatibilidade da sexta maior (6) em acordes com sétima menor (7)

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

11) Em acordes com 7a maior (7M) ou sem sétima, usamos sim o numeral seis. Em
outras palavras, é possível a sexta ficar como intervalo simples, pois, a ausência
da sétima menor (7) não causará choque de semitom. Veja a Figura a seguir com
exemplos;

Figura 49 – Incompatibilidade em cifra entre a 7ª menor e a 6ª maior

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

52
12) Em acordes com quinta alterada (b5 e ou #5) NUNCA use a quinta justa (5J).
Veja a Figura a seguir com exemplos:

Figura 50 – Incompatibilidade entre quintas alteradas e quinta justa

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

13) NUNCA chame um acorde de “nota”. Esse é um erro muito frequente, às vezes,
até mesmo músicos experientes cometem esse tipo de erro. Nota é uma “unidade”
sonora com frequência delimitada, acorde é produto de um “conjunto” de notas, isto
é, tem como base pelo menos três notas distintas.

1.9 Uso da Tabela de intervalos da sexta corda

Tomaremos o acorde G7M (Sol com sétima maior) como primeiro exemplo.
Utilize nessa primeira fase, onde você ainda não tem a ordem das colunas das
tabelas de intervalos memorizadas, o seguinte material:

1) Tabelas de intervalos (3 tipos) impressas para verificação das notas (disponível


em anexo);

2) Diagramas do braço do violão em branco impressos em uma folha de papel


(disponível em anexo);

3) Lápis e borracha;

4) Violão (ou guitarra elétrica) para tocar os acordes construídos.

53
Em estágio posterior, isto é, após bastante prática, compreensão e
memorização dos conteúdos deste material didático, tente fazer esses acordes
sem a ajuda de papéis, ou seja, faça-os diretamente no seu violão.

1o Passo:

DECOMPONHA ou DESMANCHE o acorde especificando todos os seus


intervalos constituintes. Isso é bem simples de fazer, separe a tríade dos outros
intervalos que compõem a tétrade. Veja o exemplo a seguir:

Figura 51 – Decomposição do acorde G7M

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

2o Passo:

O próximo passo é escolher uma opção de BORDÃO ou BAIXO desse acorde


(lembre-se que no violão temos três opções) e sua TABELA DE INTERVALOS
(diagrama) correspondente. Escolheremos como primeira opção o baixo na 6a
corda e sua TABELA DE INTERVALOS DA SEXTA CORDA referente.
Veja a tabela escolhida a seguir:

54
Figura 52 – Tabela de intervalos da 6ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

3o Passo:

Compare as notas do acorde decomposto com a COLUNA da tabela de


intervalos e encontre na tabela de intervalos as notas constituintes do acorde.

Para isso, veja as notas que fazem parte do acorde em análise, marque-as
anotando na folha de diagramas em branco (disponível em anexo para impressão)
para compará-las com a coluna da tabela de intervalos. Veja isso na próxima Figura:

Figura 53 – Comparação das notas do acorde G7M com a coluna da 6ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

55
Observe que temos duas fundamentais (F) na sexta coluna. Somente
precisamos de uma e será, obviamente, a do baixo, a da 6a corda. Descarte a da
corda inferior (1a corda).

A outra nota que existe na coluna é a 5a Justa, na segunda corda. Essa


também vamos aproveitar.

Restam então duas notas para completarmos a construção do acorde G7M:


a 3a maior (3M) e a 7a maior (7M). Observe que na coluna temos uma 7a menor e
uma 3a menor, somente o que temos a fazer é usar essas notas como referência,
pois, a 7a maior e a 3a maior estão justamente um semitom (ou uma casa) acima
delas. Veja isso na Figura a seguir:

Figura 54 – Notas do acorde G7M em relação à 6ª coluna

Fonte: Elaborada pelo Autor(2019).

Mantivemos as duas sétimas e duas terças na Figura 54 somente para você


ter uma referência em relação à coluna da fundamental. Obviamente, você somente
vai usar para a construção do acorde as notas que realmente pertencem ao acorde
em análise, o G7M.

56
Quarto passo:

Uma vez encontrada todas as notas (ou intervalos) correspondentes ao


acorde em análise, leve a fundamental (F) para a casa correspondente a altura
da fundamental do acorde em estudo, no caso, G7M, leve o “desenho” (posição)
encontrado para a nota Sol, 6a corda, na terceira casa. Veja tudo isso na próxima
Figura:

Figura 55 – Fundamental do acorde G7M na 3ª casa

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Observe que agora o acorde G7M está finalmente construído no diagrama


do braço do violão. Agora toque esse acorde no seu violão (ou guitarra) tangendo
as cordas com os dedos da mão direita sinalizados na figura (P, i, m, a = Polegar,
indicador, médio e anelar).

Na mão esquerda, a mão que vai pressionar as cordas correspondentes às


notas do acorde encontrado, o G7M, escolha os dedos que se ajustem naturalmente
às notas do acorde encontrado. Você verá que tem sempre uma forma de digitação
que se adequa à sua mão. Sugerimos a digitação mais comum para esse acorde
nessa “posição” na próxima figura. Para isso, utilizaremos os dedos da mão
esquerda com os números:

57
• 1= indicador;
• 2 = médio;
• 3= anelar;
• 4= mínimo.

Veja a Figura do acorde com a digitação da mão esquerda:

Figura 56 – Acorde G7M: digitação

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Vamos fazer outro exemplo? Vamos agora utilizar intervalos compostos


em nosso acorde para aplicarmos os conceitos explicados neste trabalho. Vamos
escolher o acorde G7(13) e seguir todos os quatro passos efetuados no acorde
anterior.

1o Passo:

Vamos desintegrar o acorde G7(13) e descobrir todos os seus intervalos


constituintes. Veja isso na próxima Figura:

58
Figura 57 – Acorde G7(13) decomposto

Fonte: Elaborada pelo Autor(2019).

Nesta fase você já deve proceder com a transformação do intervalo


composto em simples para a sua identificação na tabela de intervalos. Por isso,
sinalizamos com o termo “atenção” na figura a transformação da décima terceira
maior (13M) em sexta maior (6M). Não esqueça de manter o sinal de alteração (#,
b etc.), caso haja, para o intervalo correspondente.

2o Passo:

A escolha do bordão (baixo) para a fixação da fundamental (F) continuará,


nesse nosso exemplo, sendo a 6a corda. Então usaremos a sua tabela de intervalos
correspondente que é a da 6a corda. Na Figura 58, a seguir repetiremos a Tabela da
sexta corda:
Figura 58 – Tabela de intervalos da 6ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

59
3o Passo:

Listaremos as notas do acorde G7(13) com as notas dispostas na coluna da


tabela de intervalos da corda seis. Veja isso na próxima Figura:

Figura 59 – Comparação das notas do acorde G7(13) com a coluna da 6ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Observe que nesta fase, em função do tipo do acorde em análise, o G7(13), e


as condições técnicas disponibilizadas pelo violão, o uso da quinta é FACULTATIVA.
Então, retiramos essa nota das notas a serem encontradas na tabela de intervalos.
Assim, da coluna somente aproveitamos duas notas: a fundamental e a sétima
menor (F e 7m).

Lembre-se do que falamos sobre a sétima: “sozinha é menor”. A décima


terceira, ao contrário, “sozinha é maior”.

Nesse estágio também encontramos na tabela de intervalos as outras notas,


tendo como base a coluna. Veja isso na próxima Figura:

60
Figura 60 – Notas do acorde G7(13) e sua proximidade com a coluna da 6ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

A terça maior (3M) encontramos um semitom ou uma casa acima da terça


menor (3m) na terceira corda na coluna da fundamental. A sexta maior (que aqui
corresponde à 13a maior) encontramos um tom acima da quinta justa (5J) na
segunda corda.

Verifique que também colocamos a 13a na “ponta” ou nota mais aguda do


acorde.

4o Passo:

Sinalizamos a casa correspondente à altura do acorde G7(13), no caso, a


terceira casa, em função da nota desse bordão (6a corda) ser a nota Sol. Veja isso
na Figura a seguir:

61
Figura 61 – Fundamental do acorde G7(13) na 3ª casa

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

No final, tal como no exemplo anterior, exibiremos na próxima Figura uma


digitação da mão esquerda para o acorde G7(13):

Figura 62 – Notas do acorde G7(13) no diagrama

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

ATIVIDADE

Exercício proposto 1

Construir os acordes descritos a seguir com as suas fundamentais na 6a


corda. Utilize para isso a tabela de intervalos da sexta corda e a folha com diagramas
(em branco) disponível em anexo.

62
G7 G7(9)
Gm7 G7(b13)
Gm7(b5) Go
Gm7M G7(4)
G7(b5) Gm7(9)
G7(#5) G7(b9)
G7M(#5) G7/4/9
Gm6 G7M(#11)
Gm7(11) G6(9)
G6 Gm7M(9)

RESUMO

Vimos nesta Unidade, os principais elementos teóricos indispensáveis para o


processo de construção de acordes no braço do violão, os intervalos, e explicamos
passo a passo como esses intervalos ficam dispostos no braço do violão, formando as
três “tabelas de intervalos”. Explicamos as quatro tríades (maior, menor, aumentada
e diminuta) como elementos básicos para a formação das tétrades e suas cinco
categorias correspondentes. Apresentamos detalhes e dicas importantes para a
decodificação (leitura e interpretação) dos acordes por meio de cifras no violão.
Fechamos a Unidade com o processo de construção dos acordes propriamente
ditos, aqui usando somente a tabela da sexta corda como base e apresentando
dois exemplos e suas situações distintas, o acorde G7M e o acorde G7(13).

REFERÊNCIAS

CHEDIAK, Almir. Dicionário de acordes cifrados: harmonia aplicada à música


popular. Ed. Lumiar. Rio de Janeiro, 1984.

CHEDIAK, Almir. Harmonia e improvisação. Rio de Janeiro: Ed. Lumiar, 1996.


FARIA, Nelson. Acordes, arpejos e escalas para violão e guitarra. 8. ed. Rio de
Janeiro: Lumiar, 1999.

63
GUEST, Ian. Harmonia: método prático. Rio de Janeiro: Ed. Lumiar, 2006.1.v.

MED, Bohumil. Teoria da música. 4. ed. rev. e ampliada. Brasília,DF: Ed. Musimed.
1996.

TORRES, Diórgenes. Arpejos, unidos! Jamais serão vencidos!!! Criação de


frases para harmonias jazzísticas. 1. ed. São Luís, 2015.

TORRES, Diórgenes. Dueto Fantástico: improvisação com pares de tríades. 1. ed.


São Luís, 2017.

64
UNIDADE 2 – PRÁTICAS DE PROGRESSÕES HARMÔNICAS COM TODAS AS
CATEGORIAS DE TÉTRADES NO VIOLÃO

Objetivos:

• Construir acordes (tríades e tétrades) usando a 5a corda do violão como


referência;
• Construir acordes (tríades e tétrades) usando a 4a corda do violão como
referência;
• Praticar acordes (tríades e tétrades) em progressões harmônicas variadas.

2.1 Uso da Tabela de Intervalos da quinta corta

A próxima tabela servirá para construção dos acordes na quinta corda do


violão. Já vimos que as tabelas de intervalos variam suas configurações por causa
da diferença de um semitom (S) existente entre a terceira e a segunda corda do
violão. Porém, o procedimento de construção de acordes e uso dessas tabelas
seguirá os mesmos quatro passos apresentados na última seção. É o que vamos
fazer a partir de agora com a utilização do acorde C7M (Dó com sétima maior)
como exemplo:

1o Passo:

Desintegração do acorde C7M:

65
Figura 63 – Desintegração do acorde C7M

Fonte: Elaborada pelo Autor(2019).

2o Passo:

Definição do baixo do acorde e escolha da tabela de intervalos correspondente:

Figura 64 – Tabela de Intervalos da 5ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

3o Passo:

Listagem das notas do acorde C7M, comparação com a COLUNA da tabela


de intervalos e localização das outras notas que não estão na coluna.

66
Figura 65 – Comparação das notas do acorde C7M com a coluna da 5ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Na comparação com a coluna somente encontramos duas notas aproveitáveis


(F e 5J).

Figura 66 – Notas do acorde C7M em proximidade com a coluna da 5ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Observe que temos duas opções de quintas e ficamos com as duas. Porém,
claro, você pode optar por uma delas em qualquer corda, caso tenha interesse. As
outras duas notas do acorde você vai achar por PROXIMIDADE. Veja que a sétima
maior (7M) encontramos do lado da sétima menor (7m ou 7) e a terça maior (3M)
próxima da segunda maior (2M).

67
4o Passo:

Sinalização da casa correspondente à fundamental do acorde e digitação com os


dedos da mão esquerda e direita:
Figura 67 – Sinalização da fundamental do acorde C7M na 3ª casa

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Sobre a digitação da mão direita (p, i, m, a) atente ao fato de termos sugerido


duas possibilidades de prática. Fizemos isso em função da opção pelas duas quintas
ocorridas na seção anterior. Isso acontece com regularidade em acordes digitados
com “dobramento”, ou seja, repetição de notas, principalmente em acordes básicos
ou com poucas notas, como é o caso das tríades e tétrades sem tensões (também
chamados de acordes de sétima ou sexta).

O importante é que o conjunto de dedos da mão direita escolhido para tanger


as cordas tem que contemplar OBRIGATORIAMENTE todas as notas apresentadas
na cifra.

Em acordes que têm maior número de notas, que é o caso das tétrades com
três ou mesmo quatro tensões, onde, mesmo com a redução ou simplificação de
notas (eliminação de quinta e, em alguns casos, da terça), ainda tenhamos mais
de quatro notas, usamos também o dedo POLEGAR para o tangimento de outras
cordas, principalmente aquela(s) mais próxima(s) do bordão ou baixo.

E, por último, o acorde digitado:

68
Figura 68 – Digitação do acorde C7M no diagrama

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Temos uma “novidade” relacionada à digitação desse acorde, o C7M. É o uso


da PESTANA. A pestana é um procedimento de digitação de notas feito no braço
do violão com o objetivo de pressionar duas ou mais notas em uma mesma casa.
A pestana tem esse nome porque substituímos a “pestana” original do violão, que
é aquela peça branca (antigamente feita de osso, em dias atuais feita de plástico)
que serve de apoio às cordas e que fica na casa “zero” (0) do violão, entre a “paleta”
(também conhecida como “mão” do violão) e a escala do instrumento.

A pestana é um ótimo recurso de “economia de dedos” para a digitação de


acordes. Ela possibilita que utilizemos acordes com cinco ou seis notas, quando
na verdade disponibilizamos apenas quatro dedos da mão esquerda para isso (é
raro, mas, alguns instrumentistas usam em algumas situações o polegar da mão
esquerda para fazer algumas notas, principalmente nos bordões).

Porém, a pestana só pode ser usada na casa que funciona como limite
extremo das notas a serem pressionadas, em outras palavras, não podemos ter
notas à esquerda dela (esquerda na visão de quem vai tocar o instrumento). Veja
que isso acontece na Figura 68, na digitação do acorde C7M. A pestana fica como
limite à esquerda do acorde digitado.

69
A pestana pode ser:

• Parcial: envolvendo de duas até cinco cordas;


• Total: envolvendo as seis cordas. A pestana é representada com uma barra
ou uma seta transversal sobre as notas do acorde que serão pressionadas.

Utilize esse importante recurso nas digitações de seus acordes em qualquer


uma das tabelas de intervalos.

Voltando ao acorde C7M, a opção que fizemos de manter as duas quintas


(5J) na seção anterior foi viabilizada pelo recurso da pestana.

Vamos fazer outro exemplo ainda na quinta corda, porém, envolvendo o uso
de tensões. O acorde agora escolhido é o Cm7(9).

1o Passo:

Figura 69 – Desintegração do acorde Cm7(9)

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Atente mais uma vez ao fato da transformação do intervalo composto em


simples. No caso, à transformação da nona maior (9M) em segunda maior (2M).

70
2o Passo:

Definição do baixo do acorde e escolha da tabela de intervalos correspondente:


usaremos a tabela da quinta corda exibida no exemplo anterior.

3o Passo:

Listagem das notas do acorde Cm7(9); comparação com a COLUNA da


tabela de intervalos e localização das outras notas que não estão na coluna.

Figura 70 – Comparação das notas do acorde Cm7(9) com a coluna da 5ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Não esqueça que a quinta justa é FACULTATIVA para muitos acordes,


principalmente os que estão “além da sétima”, isto é, com o uso de uma ou mais
tensões. Na Figura 70, já fizemos a opção de não incluir a quinta justa (5J) no
acorde em estudo.

Do total de quatro notas que compõem o acorde Cm7(9), encontramos três


notas na coluna, restando somente a terça menor (3m) para ser encontrada e
completar a construção do acorde.

71
Agora, veja na próxima Figura a localização das outras notas tendo a coluna
como referência:

Figura 71 – Notas do acorde Cm7(9) em proximidade com a coluna da 5ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Observe que por proximidade encontramos a terça menor a partir da quarta


justa (4J) apresentada na coluna, porém, em sentido decrescente, isto é, na direção
em que as notas ficam graves ou no sentido da casa zero (0) do braço do violão.

ATENÇÃO!

IMPORTANTE!
Para construção de acordes na quinta corda que possuem nonas temos uma sugestão
interessante que facilita bastante o processo:

DICA: Em acordes com a fundamental na QUINTA CORDA (5a) que possuem nona
(qualquer tipo: 9M, 9m ou 9aum. – 9, b9 e #9 -, respectivamente), use a nona na
segunda corda e a terça (qualquer tipo, isto é, 3a maior ou 3a menor) na quarta corda.

72
Esse procedimento sugerido no quadro acima fizemos no acorde em estudo,
o Cm7(9), então, memorize essa dica e aplique-a em outros acordes com nona (9,
b9 e #9) em sua composição sempre que a fundamental estiver na quinta corda.

4o passo:

Veja agora o acorde somente com as suas notas correspondentes e a


fundamental na casa correspondente à nota Dó (Baixo) na quinta corda no diagrama
a seguir:

Figura 72 – Fundamental do acorde Cm7(9) na 3ª casa

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Por último, o acorde Cm7(9) com sua digitação (mão esquerda) correspondente:

Figura 73 – Digitação do acorde Cm7(9) no diagrama

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

73
Sobre a digitação desse acorde, atente ao fato de termos três notas em
uma única casa, a casa três. Porém, o uso da pestana não é possível pelo fato de
termos uma nota, a terça menor, à esquerda delas, isto é, da casa onde ocorreria a
pestana.

ATIVIDADE

Exercício proposto 2

Construir os acordes descritos a seguir com as suas fundamentais na 5a


corda. Utilize para isso a tabela de intervalos da sexta corda e a folha com diagramas
(em branco) disponível em anexo.

C7
Cm7 C7(9)
Cm7(b5) C7(b13)
Cm7M Co
C7(b5) C7(4)
C7(#5) Cm7M(9)
C7M(#5) C7(b9)
Cm6 C7/4/9
Cm7(11) C7M(#11)
C6 C6(9)
C7(#9)

74
2.2 Uso da Tabela de Intervalos da quarta corda

Tal como nas tabelas anteriores, o procedimento para a construção de


acordes na quarta corda será o mesmo. Você pode continuar seguindo os mesmos
quatro passos e chegar ao mesmo resultado, a construção do acorde. Atente para a
mudança das notas na COLUNA, já explicada nas seções anteriores e ao fato que
as possibilidades de construção para esse grupo de acordes, isto é, aqueles que
têm o baixo na quarta corda, serão restritas em função da disponibilidade de cordas
(quatro cordas) nas quais, obviamente, somente poderemos usar quatro notas por
acorde. Assim, teremos que usar bastante aquele procedimento de eliminação da
quinta justa e, em alguns casos, até mesmo da terça maior.

Vamos começar nosso estudo nesse grupo de cordas com o acorde Fm7(b5).
Para ficar bem didático vamos proceder como nos acordes anteriores usando os
quatro passos. Lembrando que isso é apenas uma sugestão didática, você, claro,
pode mudar a ordem desses passos, eliminar alguns ou criar outros à sua maneira,
ou mesmo, fazer todo o processo de construção diretamente no seu instrumento, o
violão. Esta última maneira, já citamos, será o nosso objetivo principal.

Tal como nós fizemos nos outros exemplos, à medida que novidades
relacionadas ao processo de construção apareçam, faremos comentários embaixo
justificando os procedimentos tomados.

1o Passo:

Desintegração do acorde:

75
Figura 74 – Desintegração do acorde Fm7(b5)

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

2o Passo:

Definição do baixo do acorde e escolha da tabela de intervalos correspondente:

Figura 75 – Tabela de Intervalos da 4ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

3o Passo:

Listagem das notas do acorde Fm7(b5) e comparação com a COLUNA da


tabela de intervalos:

76
Figura 76 – Comparação das notas do acorde Fm7(b5) e a coluna da 4ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

E a localização das outras notas que não estão na coluna:

Figura 77 – Localização por proximidade das notas do acorde Fm7(b5)

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

4o Passo:

Sinalização da casa referente à altura do acorde:

Figura 78 – Sinalização da fundamental do acorde Fm7(b5) na 3ª casa

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

77
E a digitação das mãos esquerda e direita:

Figura 79 – Digitação do acorde Fm7(b5) no diagrama

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Tal qual feito nos exemplos anteriores, vamos também construir um acorde
na quarta corda que apresente supressão de notas. Tomaremos o acorde F7/4/9,
um acorde “sus”, como exemplo. Seguiremos também os quatro passos sugeridos
nos modelos anteriores para tornar didática esta análise.

1o Passo:

Desintegração do acorde:

Figura 80 – Desintegração do acorde F7/4/9

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

78
2o Passo:

Definição do baixo do acorde e escolha da tabela de intervalos correspondente:


aqui usaremos a tabela da quarta corda, tal qual no exemplo anterior.

3o Passo:

Listagem das notas do acorde C7M, comparação com a COLUNA da tabela


de intervalos:

Figura 81 – Comparação das notas do acorde F7/4/9 com a coluna da 4ª corda

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

E a localização das outras notas que não estão na coluna:

Figura 82 – Localização por proximidade à coluna das notas do acorde F7/4/9

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

79
4o Passo:

Sinalização da casa referente à altura do acorde:

Figura 83 – Sinalização da fundamental do acorde F7/4/9 na 3ª casa

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

E a digitação das mãos esquerda e direita:

Figura 84 – Digitação das notas do acorde F7/4/9 no diagrama

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

ATIVIDADE

Exercício proposto 3

Construir os acordes descritos a seguir com as suas fundamentais na


4 corda. Utilize para isso a tabela de intervalos da quarta corda e a folha com
a

diagramas (em branco) disponível em anexo.

80
F7 F7(9)
Fm7 F7(4)
F7(b5) Fo
Fm7M F7(#9)
F Fm7(9)
F7(#5) F7(b9)
F7M(#5) F7/4/9
Fm6 F(#5)
Fm F6(9)
F6 Fm7M(9)

2.3 Dicas sobre o processo de construção de acordes no violão (todas as


tabelas)

1 Mantenha ao máximo possível a proximidade entre a coluna das tabelas e


as notas do acorde em análise.

2 Tenha sempre em mente a ordem dos intervalos (não variável) e o senso


de direção (crescente e decrescente) dela no braço do violão.

3 Memorize as três colunas das três tabelas de intervalos apresentadas


neste material didático.

4 Quando construir acordes na sexta corda evite fazê-lo totalmente na


região grave (usando os três bordões) deixando alguma corda “prima”
ociosa. Veja isso na Figura 85, a seguir:
Figura 85 – Acorde construído todo nos bordões

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

81
5 Evite deixar cordas ociosas entre as cordas “primas” do violão. Observe
os exemplos das Figuras 86 - 87, a seguir:

Figura 86 – Acorde com construção inadequada Figura 87 – Acorde com construção adequada

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019). Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

6 Sempre que possível, mantenha as notas de tensão (9, 11 e 13) no ponto


mais aguda do acorde em construção.

7 Nas tríades é muito comum haver o dobramento de notas em função


da disponibilidade de, pelo menos, quatro notas em todas as tabelas de
intervalos. Você é livre para dobrar qualquer nota.

2.4 Progressões harmônicas

Uma progressão harmônica é uma sequência de acordes envolvendo pelo


menos duas funções harmônicas diferentes (no caso da música tonal) ou, dois
acordes de alturas ou tipos diferentes (no caso da música modal).

Neste material didático vamos utilizar as progressões harmônicas com


objetivos distintos:

1 Aplicar os conceitos de construção de acordes (em todos os bordões) para


agilizar esse processo no braço do violão;
2 Treinar as passagens entre acordes do mesmo tipo (Ex: C7M – F7M) e tam-
bém de tipos diferentes (G7 – C7M);

82
3 Como as progressões envolvem situações harmônicas de enorme ocor-
rência em músicas populares contemporâneas, denominadas de “clichês
harmônicos” (TORRES, 2017), servirão de preparação para as práticas de
acompanhamento de músicas populares, a serem apresentadas na última
unidade deste material didático.

2.4.1 Dicas de prática das progressões harmônicas

1 Pratique essas progressões harmônicas ora sugeridas procurando sempre


variar os bordões dos acordes (6, 5 e 4) no braço do violão. Lembre-se que é
sempre possível variar esses bordões e praticar uma mesma progressão de
muitas maneiras.

2 Fique livre para construir os acordes em qualquer um dos três bordões do


violão.

3 Treine bastante as mudanças de acordes. O processo de mudança de acor-


des, quando mal feito, compromete seriamente a sonoridade do acorde ou
progressão e pode contribuir para o desânimo do praticante.

4 Treine as mudanças de acordes sempre em grupos pequenos ou mesmo


estudando isoladamente cada passagem de um acorde para outro até fazer
todas as passagens da progressão harmônica.

5 Após construir o acorde, memorize-o fazendo-o e desmanchando-o várias


vezes, até a memorização definitiva.

6 Utilize um metrônomo para fazer as passagens de acordes de forma lenta


e, à medida que se sentir confortável com aquele tempo, altere progressiva-
mente os tempos do metrônomo.

83
2.4.2 Rítmica da mão direita

Neste trabalho faremos as progressões em tempo quaternário. Você,


obviamente, pode fazer o trabalho de toque das cordas com a mão direita de muitas
maneiras, esteja livre para isso. Caso não saiba como fazer isso, sugerimos que
você utilize a seção rítmica descrita na Figura 88, a seguir para tocar os acordes:

Figura 88 – Rítmica – Mão Direita

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Usamos no mínimo três diferentes linguagens de escrita ou notação musical


nesse exemplo: a partitura tradicional, a tablatura (TAB), que é uma notação de
digitação das notas do violão na escala do instrumento e a cifra com a notação gráfica
do ritmo com os dedos da mão direita. Esta última é muito usada em revistas e sites
de músicas cifradas (cifra clube, pega cifras etc.). Elas aqui se complementam,
porém, nas aulas apresentaremos vídeos com esse e outros exemplos.

84
2.4.3 Exemplos de progressões harmônicas

Usando somente acordes de sétima e na tonalidade de Dó maior (C):

Figura 89 – Progressão Harmônica – 01

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Figura 90 – Progressão Harmônica – 02

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Figura 91 – Progressão Harmônica - 03

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Figura 92 – Progressão Harmônica - 04

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

85
Figura 93 – Progressão Harmônica 05

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Figura 94 – Progressão Harmônica – 07

Fonte: Elaborado pelo Autor (2019).

Progressões usando tensões (9as, 11as e ou 13as) e outras tonalidades além


da de Dó maior.

Figura 95 – Progressão Harmônica - 08

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

86
Figura 96 – Progressão Harmônica - 09

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Figura 97 – Progressão Harmônica - 10

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Figura 98 – Progressão Harmônica – 11

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

87
Figura 99 – Progressão Harmônica - 12

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Figura 100 – Harmônica – 13

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

2.4.4 Exemplos de progressões harmônicas com modulação

Progressão IIm7 – V7 – I7M nas tonalidades maiores de Dó, Bb, Ab, Gb, E e
D. A modulação acontece transformando o primeiro grau I7M em segundo IIm7 do
próximo tom. A modulação é feita em tom decrescente.

88
Figura 101 – Progressão IIm7 – V7 – i7M ( 6 Tonalidades)

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

Progressão IIm7(b5) – V7 – Im7, tendo como base a tonalidade menor, porém,


nas mesmas condições da progressão anterior, isto é, modulando em seis tons com
intervalo decrescente de tom. A mudança também acontece com a transformação

89
do primeiro grau, o Im7, em segundo grau - IIm7(b5) - do próximo tom.

Figura 102 – Progressão IIm7 (b5) – V7 – Im7 (6 Tonalidades)

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

90
RESUMO

Nesta Unidade, continuamos com o processo de construção de acordes,


porém, agora usando as tabelas da quinta e quarta corda, exemplificando com
dois tipos de acordes com suas particularidades para cada tabela. Aqui também
fornecemos dicas preciosas para auxiliar o processo de construção em todas
as tabelas. Com a etapa de construção de acordes concluída, passamos para a
parte da prática desses acordes no braço do violão, as progressões harmônicas.
Vimos progressões harmônicas em estruturas simples (dois acordes, sem
tensões e mesma tonalidade) e algumas mais elaboradas (uso de tensões, várias
funções harmônicas e diferentes tonalidades). Também apresentamos dois tipos
de progressões, chamadas de IIm7 – V7 – I7M e IIm7(b5) – V7 – Im7, as quais
mudam de tonalidades (módulos) e passam por seis tonalidades distintas. Essas
progressões em módulos são importantes tanto para o conhecimento e fixação
dos acordes no braço do instrumento, como para a compreensão funcional de
como esses acordes interagem entre si. Oferecemos também uma possibilidade de
prática na mão direita (rítmica) dessas progressões em três linguagens distintas.

REFERÊNCIAS

CHEDIAK, Almir. Dicionário de acordes cifrados: harmonia aplicada à música


popular. Rio de Janeiro: Ed. Lumiar, 1984.

CHEDIAK, Almir. Harmonia e improvisação. Rio de Janeiro: Ed. Lumiar, 1996.

FARIA, Nelson. Acordes, arpejos e escalas para violão e guitarra. 8. ed. Rio de
Janeiro: Lumiar, 1999.

GUEST, Ian. Harmonia: método prático. Rio de Janeiro: Ed. Lumiar,2006. 1. v.

91
UNIDADE 3 – PRÁTICAS DE ACOMPANHAMENTO (HARMONIAS) DE PEÇAS
DE MÚSICAS POPULARES CONTEMPORÂNEAS

Objetivo

• Praticar progressões harmônicas extraídas de canções do repertório popu-


lar, envolvendo todas as categorias de tétrades e suas tensões.

3.1 Harmonias de Músicas populares contemporâneas


Chegamos a última Unidade deste e-Book. Apresentaremos aqui alguns
exemplos de harmonias extraídas de algumas canções populares contemporâneas.
Usamos como base algumas canções de autores populares da música popular
urbana brasileira. A ideia aqui é que você, seguindo todas as orientações contidas
neste material didático, possa construir os acordes e tocá-los na ordem sugerida
das harmonias apresentadas, tal qual nas progressões harmônicas. Siga também
os mesmos passos que sugerimos na Unidade das progressões harmônicas. Treine
bastante a memorização dos acordes construídos e também, as mudanças entre
eles. Caso queira, utilize também a rítmica sugerida da mão direita para fazer esses
exercícios, mesmo eles não sendo os originais, eles são bem adequados para isso.

92
As harmonias apresentadas estão em ordem de dificuldade crescente. Iremos
usá-las como parte de nossas avaliações, então, mãos à obra e bons estudos!

3.1.1 Harmonia 1

Figura 103 – Harmonia de “Velha Infância”

Fonte: Elaborada pelo Autor (2019).

93
3.1.2 Harmonia 2

Figura 104 – Harmonia de “Mania de Você”

Fonte: Adaptação do livro “As 101 melhores canções do século XX” (CHEDIAK, 2004,p.134).

94
3.1.3 Harmonia 3

Figura 105 – Harmonia de “O barquinho”

Fonte: (CHEDIAK, 1994, p. 180).

95
3.1.4 Harmonia 4

Figura 106 – Harmonia de “Wave”

Fonte: (CHEDIAK, 1984. p. 282).

96
RESUMO

Nesta última Unidade partimos para a concretização de nosso objetivo


principal dessa disciplina, que é a prática (acompanhamento) no instrumento de
algumas peças ou temas (mais elaborados) do cancioneiro popular brasileiro
urbano e contemporâneo. Sugerimos aqui quatro harmonias extraídas de músicas
de compositores brasileiros atuais e de grande popularidade, em nível de dificuldade
crescente (a primeira delas somente com três acordes!). Nesta etapa, você, uma
vez tendo o domínio sobre o processo de construção de acordes e por intermédio
da prática desses acordes em progressões harmônicas, pode tocar não somente
as quatro harmonias dos temas apresentados, mas, também, incluir outros temas
ou canções ao seu gosto e formar seu repertório pessoal para apresentações em
ambientes distintos. Caso queira fazer isso, procure em sites de cifras na Internet
ou em livros específicos de canções (com letra, melodia e cifra) de compositores
populares, os chamados “songbooks”.

REFERÊNCIAS

CHEDIAK, Almir. Song book – bossa nova. Rio de Janeiro: Ed. Lumiar, 1994.

_____________. As 101 melhores canções do século XX. Rio de Janeiro: Ed.


Lumiar, 2004.

97
ANEXOS

98
Anexo A – Folha de Exercícios

99
Anexo B – Tabelas de Intervalos

100