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ESTRUTURA E GRUPOS ECOLÓGICOS EM UMA FLORESTA ESTACIONAL

SEMIDECIDUAL EM UBERLÂNDIA, MG
Sérgio de Faria Lopes1, Ana Paula de Oliveira1, Olavo Custódio Dias Neto1, Vagner Santiago
do Vale1, André Eduardo Gusson1 e Ivan Schiavini1 (1 Universidade Federal de Uberlândia,
Bloco 2D, sala 57, Campus Umuarama, 38400-902 Uberlândia, MG. e-mail:
lopeserginho@yahoo.com.br)

Palavras-chave: diversidade, fragmentos, comunidade vegetal, espécies arbóreas


Introdução
As florestas estacionais semideciduais da região Sudeste do Brasil apresentam alta
diversidade florística (Leitão-Filho, 1992). Em Minas Gerais, as florestas estacionais
semideciduais predominavam em uma vasta região do centro-sul e leste do estado; entretanto,
atualmente essas florestas ocorrem em Minas na forma de manchas (Rizzini, 1997). Por
apresentarem solos mais férteis e úmidos e, portanto mais visados para atividades
agropecuárias, essas florestas foram drasticamente reduzidas na região (Oliveira Filho et
al.,1994).
Dessa forma, torna-se urgente a necessidade de se avaliar a diversidade biológica
contida nos atuais fragmentos, por meio de sua quantificação, bem como compreender a
organização espacial da comunidade nos fragmentos e a direção das mudanças nos processos
ecológicos, por meio da avaliação dos grupos ecológicos formados pelas espécies arbóreas, o
que permitirá avaliar as potenciais perdas e/ou ganhos para a conservação dos recursos
naturais. Nessa perspectiva, o presente trabalho teve como objetivo apresentar a estrutura
horizontal de um fragmento de floresta estacional semidecidual em Uberlândia e relacionar as
espécies em grupos ecológicos, classificando quanto ao grupo sucessional e à síndrome de
dispersão.

Material e Métodos
O estudo foi realizado na Estação Ecológica do Panga – EEP, localizada a 30 km ao
sul do município de Uberlândia, MG (19º 09’ 20’’ a 19º 11’ 10’’S e 48º 23’ 20’’ a 48º 24’
35’’ W), com uma área de 409,5 ha e altitude média de 800 m. O clima, segundo a
classificação de Köppen, é do tipo Aw, com verão chuvoso e inverno seco. A precipitação
média anual varia entre 1300 a 1700 mm e a temperatura média é relativamente uniforme ao
longo do ano (Rosa et al., 1991). A estação úmida ocorre de outubro a março e a seca de abril
a setembro. O solo foi classificado como de textura média, acidez média com pH entre 5,0 e
5,9 e com baixos teores de alumínio na floresta estacional semidecidual estudada.
Foram alocadas 150 parcelas sistemáticas de 10 x 10 metros, distribuídas em seis
transcectos com distâncias variáveis entre si, totalizando 1,5ha. Em cada parcela, foram
registrados e identificados todos os indivíduos arbóreos vivos que apresentaram CAP
(circunferência à altura do peito) ≥ 15 cm. Foi calculado o diâmetro dos indivíduos a partir
dos valores de circunferências anotados. As espécies foram classificadas em famílias, de
acordo com o sistema do Angiosperm Phylogeny Group II (Souza e Lorenzi, 2005). Os
parâmetros fitossociológicos de densidade, dominância e freqüência relativas e o de valor de
importância (VI), bem como, o índice de diversidade de Shannon (H’) e equabilidade de
Pielou (J’) foram analisados utilizando-se o programa FITOPAC 1.5 (Shepherd, 2004). A
coleta de dados foi realizada de janeiro a julho de 1997.
As espécies foram classificadas em grupos sucessionais, baseando-se no trabalho
realizado por Gandolfi et al. (1995), acrescidas de observações no campo. Quanto às
síndromes de dispersão, as espécies foram classificadas de acordo com van der Pijl (1982).

Resultados e Discussão
Foram amostrados 2514 indivíduos, pertencentes a 41 famílias, 86 gêneros e 113
espécies (Tabela 1). A densidade por hectare calculada foi de 1676 indivíduos, área basal de
23,76 m²/ha e altura média de 9,4 m. O índice de Shannon (H’) calculado foi de 3,79
(nats/ind.) e a equabilidade (J’), de 0,80. Esses dados mostram riqueza compatível com outros
trabalhos realizados em florestas estacionais semideciduais no Triângulo Mineiro.
As famílias que apresentaram maior número de espécie foram: Fabaceae (14 spp),
Rubiaceae (8 spp), Mytaceae (6 spp) e Sapindaceae, Malvaceae, Apocynaceae e Lauraceae
com cinco espécies cada, totalizando 42,8% das espécies amostradas. Embora Fabaceae seja a
família com maior número de espécies, Sapotaceae foi a que apresentou maior densidade,
com 296 indivíduos, seguida por Sapindaceae com 287 indivíduos. A abundância da família
Sapindaceae, deu-se principalmente devido ao número elevado de indivíduos das espécies
secundárias iniciais Cupania vernalis e Matayba guianensis, com 108 e 116 indivíduos,
respectivamente. No caso da família Sapotaceae foi a espécie pioneira Chrysophyllum
marginatum responsável por esse destaque, com 278 indivíduos. C. marginatum apresentou o
maior VI (25,33) em decorrência dos valores elevados tanto de densidade quanto de
freqüência e dominância relativas (Tabela 1).
Anadenanthera colubrina, Diospyros hispida, Lithraea molleoides, Terminalia
glabrescens e Hymenaea courbaril se destacaram devido aos elevados valores de dominância
relativa apresentados por suas populações, com a presença de indivíduos com valores de área
basal elevados.

Tabela 1 – Lista de espécies amostradas em um fragmento de Floresta Estacional Semidecidual em


Uberlândia - MG, apresentadas por ordem decrescente de IVI (índice de valor de importância),
acompanhadas dos respectivos grupos sucessionais (GS), em que P= espécie pioneira, SI = secundária
inicial, ST = secundária tardia e SC = sem classificação, SD= Síndrome de dispersão, Zoo= zoocórica,
Auto= autocórica, Anemo= anemocórica. DR = densidade relativa, DoR = dominância relativa, FR =
freqüência relativa.
Espécie GS SD NI DR DoR FR IVI
Chrysophyllum marginatum (Hook. & Arn.) Radlk. P Zoo 278 11,06 7,12 7,15 25,33
Anadenanthera colubrina (Vell.) Brenan SI Auto 98 3,90 13,00 3,95 20,85
Diospyros hispida A.DC. SI Zoo 187 7,44 6,34 2,82 16,60
Campomanesia velutina (Cambess.) O.Berg P Zoo 139 5,53 2,67 4,77 12,97
Alibertia sessilis (Vell.) K. Schum. SI Zoo 147 5,85 1,53 5,52 12,89
Lithraea molleoides (Vell.) Engl. P Zoo 65 2,59 6,49 3,14 12,21
Cupania vernalis Cambess. SI Zoo 108 4,30 2,41 3,83 10,54
Matayba guianensis Aubl. SI Zoo 116 4,61 2,13 3,76 10,51
Terminalia glabrescens Mart. SI Anemo 53 2,11 5,54 2,20 9,85
Guazuma ulmifolia Lam. P Auto 77 3,06 2,64 3,26 8,96
Terminalia phaeocarpa Eichler ST Anemo 50 1,99 3,46 2,76 8,21
Aspidosperma cuspa (Kunth) S.F.Blake ex Pittier SI Anemo 77 3,06 2,63 1,88 7,58
Hymenaea courbaril L. ST Zoo 21 0,84 5,61 0,88 7,32
Tapirira guianensis Aubl. SI Zoo 46 1,83 2,76 2,45 7,04
Casearia sylvestris Sw. P Zoo 68 2,70 1,36 2,95 7,01
Luehea grandiflora Mart. & Zucc. P Anemo 52 2,07 1,80 2,32 6,19
Styrax camporum Pohl SI Zoo 43 1,71 2,25 2,13 6,09
Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld P Anemo 44 1,75 1,95 2,20 5,90
Rhamnidium elaeocarpum Reissek P Zoo 43 1,71 0,99 2,07 4,77
Guettarda viburnoides Cham. & Schltdl. SI Zoo 34 1,35 1,30 1,44 4,10
Matayba elaeagnoides Radlk. SI Zoo 39 1,55 0,76 1,69 4,00
Ocotea pulchella Mart. SI Zoo 31 1,23 0,79 1,82 3,85
Maytenus floribunda Reissek ST Zoo 39 1,55 0,46 1,76 3,77
Platypodium elegans Vogel SI Anemo 23 0,91 1,57 1,19 3,68
Myrsine umbellata Mart. P Zoo 31 1,23 1,19 1,07 3,49
Roupala brasiliensis Klotzsch ST Anemo 22 0,88 1,36 1,19 3,43
Aspidosperma subincanum Mart. ex A.DC. SI Anemo 27 1,07 1,03 1,25 3,36
Aspidosperma cylindrocarpon Müll.Arg. ST Anemo 25 0,99 1,20 1,07 3,26
Copaifera langsdorffii Desf. ST Zoo 22 0,88 1,03 1,19 3,10
Myrcia splendens (Sw.) DC. P Zoo 31 1,23 0,45 1,32 3,00
Dilodendron bipinnatum Radlk. P Zoo 22 0,88 1,61 0,31 2,80
Aspidosperma parvifolium A.DC. ST Anemo 26 1,03 0,59 0,75 2,38
Nectandra cissiflora Nees ST Zoo 16 0,64 0,50 0,94 2,08
Bauhinia ungulata L. SI Auto 19 0,76 0,15 1,07 1,97
Aspidosperma olivaceum Müll.Arg. ST Anemo 10 0,40 0,83 0,63 1,85
Acrocomia aculeata (Jacq.) Lodd. ex Mart. SI Zoo 8 0,32 1,01 0,44 1,77
Eugenia involucrata DC. ST Zoo 16 0,64 0,18 0,82 1,63
Casearia rupestris Eichler SI Zoo 14 0,56 0,29 0,75 1,60
Luehea divaricata Mart. SI Anemo 11 0,44 0,50 0,63 1,57
Pouteria gardneri (Mart. & Miq.) Baehni ST Zoo 10 0,40 0,55 0,63 1,57
Tabebuia roseoalba (Ridl.) Sandwith P Anemo 12 0,48 0,33 0,75 1,56
Myrcia tomentosa (Aubl.) DC. P Zoo 16 0,64 0,16 0,75 1,55
Cariniana estrellensis (Raddi) Kuntze ST Anemo 10 0,40 0,61 0,50 1,51
Eugenia florida DC. ST Zoo 14 0,56 0,38 0,56 1,50
Erythroxylum deciduum A.St.-Hil. ST Zoo 11 0,44 0,31 0,63 1,37
Vochysia tucanorum Mart. SI Anemo 9 0,36 0,58 0,38 1,32
Myrsine coriacea (Sw.) Roem. & Schult. P Zoo 8 0,32 0,47 0,50 1,29
Machaerium acutifolium Vogel P Anemo 12 0,48 0,33 0,44 1,25
Piptadenia gonoacantha (Mart.) J.F.Macbr. P Auto 6 0,24 0,58 0,38 1,20
Symplocos pubescens Klotzsch ex Benth. SI Zoo 10 0,40 0,20 0,56 1,17
Sweetia fruticosa Spreng. SI Anemo 9 0,36 0,15 0,56 1,08
Machaerium brasiliense Vogel SI Anemo 9 0,36 0,17 0,50 1,03
Machaerium stipitatum (DC.) Vogel SI Anemo 8 0,32 0,16 0,50 0,98
Protium heptaphyllum (Aubl.) Marchand ST Zoo 8 0,32 0,21 0,44 0,97
Acacia polyphylla DC. P Auto 8 0,32 0,12 0,50 0,94
Ocotea minarum (Nees) Mez SI Zoo 8 0,32 0,10 0,50 0,92
Pouteria torta (Mart.) Radlk. SI Zoo 8 0,32 0,32 0,25 0,89
Ouratea castaneifolia (DC.) Engl. SI Zoo 7 0,28 0,12 0,44 0,84
Casearia gossypiosperma Briq. SI Zoo 6 0,24 0,18 0,38 0,79
Rudgea viburnoides (Cham.) Benth. SI Zoo 8 0,32 0,13 0,31 0,76
Xylopia aromatica (Lam.) Mart. P Zoo 7 0,28 0,09 0,38 0,75
Inga vera Willd. SI Zoo 4 0,16 0,30 0,25 0,71
Chionanthus trichotomus (Vell.) P.S.Green SI Zoo 6 0,24 0,10 0,38 0,71
Eriotheca candolleana (K.Schum.) A.Robyns SI Anemo 6 0,24 0,13 0,31 0,68
Coussarea hydrangeifolia (Benth.) Müll.Arg. SI Zoo 6 0,24 0,05 0,38 0,66
Apeiba tibourbou Aubl. P Auto 2 0,08 0,44 0,13 0,64
Cordia sp. SC Zoo 4 0,16 0,20 0,25 0,61
Psidium sartorianum (O.Berg) Nied. SI Zoo 5 0,20 0,08 0,31 0,59
Simira viridiflora (Allemão & Saldanha) K.Schum. SI Anemo 5 0,20 0,14 0,25 0,59
Eugenia ligustrina (Sw.) Willd. ST Zoo 5 0,20 0,06 0,31 0,57
Terminalia argentea (Cambess.) Mart. SI Anemo 2 0,08 0,36 0,13 0,57
Dendropanax cuneatus (DC.) Decne. & Planch. SI Zoo 5 0,20 0,09 0,25 0,54
Psidium rufum DC. SI Zoo 5 0,20 0,08 0,25 0,53
Cheiloclinium cognatum (Miers.) A.C.Sm. SI Zoo 5 0,20 0,06 0,25 0,51
Qualea dichotoma (Mart.) Warm. ST Anemo 3 0,12 0,17 0,19 0,48
Faramea nigrescens Mart. SI Zoo 4 0,16 0,04 0,25 0,45
Endlicheria paniculata (Spreng.) J.F.Macbr. SI Zoo 4 0,16 0,03 0,25 0,44
Astronium fraxinifolium Schott ex Spreng. SI Anemo 3 0,12 0,10 0,19 0,41
Lonchocarpus cultratus (Vell.) Az.-Tozzi &
H.C.Lima SI Auto 2 0,08 0,19 0,13 0,40
Apuleia leiocarpa (Vogel) J.F.Macbr. SI Anemo 2 0,08 0,18 0,13 0,39
Psidium sp. SC Zoo 4 0,16 0,04 0,19 0,39
Coutarea hexandra (Jacq.) K.Schum. SI Anemo 3 0,12 0,05 0,19 0,35
Senna silvestris (Vell.) H.S.Irwin & Barneby P Anemo 3 0,12 0,03 0,19 0,33
Margaritaria nobilis L.f. SI Auto 2 0,08 0,12 0,13 0,32
Coccoloba mollis Casar. SI Zoo 1 0,04 0,20 0,06 0,30
Pseudobombax tomentosum (Mart. & Zucc.)
A.Robyns SI Anemo 2 0,08 0,10 0,13 0,30
Cecropia pachystachya Trécul P Zoo 2 0,08 0,06 0,13 0,27
Cardiopetalum calophyllum Schltdl. SI Zoo 3 0,12 0,02 0,13 0,26
Ocotea corymbosa (Meisn.) Mez ST Zoo 1 0,04 0,16 0,06 0,26
Croton urucurana Baill. P Auto 2 0,08 0,10 0,06 0,25
Guapira areolata (Heimerl) Lundell SI Zoo 2 0,08 0,04 0,13 0,25
Inga laurina (Sw.) Willd. SI Zoo 2 0,08 0,05 0,13 0,25
Handroanthus impetiginosus (Mart. Ex DC) Mattos ST Anemo 2 0,08 0,05 0,13 0,25
Albizia niopoides (Spruce ex Benth.) Burkart P Auto 2 0,08 0,03 0,13 0,24
Qualea grandiflora Mart. Cerrado Anemo 2 0,08 0,04 0,13 0,24
Garcinia gardneriana (Planch. & Triana) ST Zoo 2 0,08 0,02 0,13 0,23
Allophylus racemosus Sw. SI Zoo 2 0,08 0,02 0,13 0,22
Celtis iguanaea (Jacq.) Sarg. P Zoo 2 0,08 0,01 0,13 0,22
Cordia alliodora (Ruiz & Pav.) Oken SI Zoo 1 0,04 0,07 0,06 0,18
Roupala montana Aubl. Cerrado Anemo 1 0,04 0,05 0,06 0,15
Maclura tinctoria (L.) Steud. SI Zoo 1 0,04 0,04 0,06 0,14
Agonandra brasiliensis Miers ex Benth. & Hook. ST Zoo 1 0,04 0,02 0,06 0,13
Aegiphila sellowiana Cham. P Zoo 1 0,04 0,02 0,06 0,12
Phyllanthus acuminatus Vahl SI Auto 1 0,04 0,02 0,06 0,12
Unonopsis lindmanii R.E.Fr. SI Zoo 1 0,04 0,02 0,06 0,12
Virola sebifera Aubl. P Zoo 1 0,04 0,02 0,06 0,12
Brosimum gaudichaudii Trécul Cerrado Zoo 1 0,04 0,01 0,06 0,11
Inga marginata Willd. SI Zoo 1 0,04 0,01 0,06 0,11
Miconia calvescens Schrank & Mart. ex DC. P Zoo 1 0,04 0,01 0,06 0,11
Ormosia arborea (Vell.) Harms SI Zoo 1 0,04 0,01 0,06 0,11
Prockia crucis P.Browne ex L. P Zoo 1 0,04 0,01 0,06 0,11
Tocoyena formosa (Cham. & Schltdl.) K.Schum. Cerrado Zoo 1 0,04 0,01 0,06 0,11
Trichilia pallida Sw. ST Zoo 1 0,04 0,01 0,06 0,11

Analisando o número de espécies de cada grupo ecológico, a floresta estacional


semidecidual da Estação Ecológica do Panga pode ser classificada em estádio inicial de
sucessão secundária. Esta suposição parte da constatação de que existe cerca de 50,4% de
espécies secundárias iniciais, 23,9% de secundárias tardias e 24,8% de pioneiras. Em relação
ao número de indivíduos também foi encontrada uma proporção semelhante, salvo o aumento
da porcentagem para o grupo das pioneiras (37%), o que indica uma tendência à maior
adequação das condições para o sucesso no recrutamento de espécies iniciais. Em relação à
estrutura, das 10 espécies que apresentaram maior VI, seis foram classificadas como
secundárias iniciais e quatro espécies como pioneira.
Em um levantamento realizado em uma floresta estacional semidecidual no município
de Guarulhos - SP, das 167 espécies arbóreas amostradas 24,5% foram classificadas como
pioneiras, 25,8% como secundárias iniciais, 30,5% como secundárias tardias e 19,2% sem
classificação (Gandolfi et al., 1995). Embora tenha sido constatada uma predominância das
secundárias tardias, foram as espécies de início de sucessão (pioneiras + secundárias iniciais)
que compuseram a maioria da flora encontrada (50,3%). Essa floresta classificada pelos
autores numa condição jovem em termos sucessionais ou com a presença de trechos bastante
jovens (Gandolfi et al., 1995). O que parece está ocorrendo também no presente estudo.
Quanto às síndromes de dispersão, 31(27,4%) espécies foram classificadas como
anemocóricas, 71 (62,8%) espécies como zoocóricas e 11 (9,7%) espécies como autocóricas
(Tabela 1). A presença de maior número de espécies zoocóricas é importante no processo de
dispersão, acelerando a dinâmica de sucessão dos remanescentes florestais.

Conclusões
A análise do número de espécies de cada grupo ecológico indica que a floresta da
Estação Ecológica do Panga pode ser classificada em estádio inicial de sucessão secundária,
com aproximadamente 75% das espécies nos grupos de secundárias iniciais e pioneiras. Essa
ocorrência permite caracterizar a área estudada como em uma condição sucessional inicial.

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