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Tensão admissível em sapatas:


exercício resolvido
 FILIPE MARINHO /  AGOSTO 6, 2019 /
 GEOTECNIA (HTTPS://WWW.GUIADAENGENHARIA.COM/CATEGORY/GEOTECNIA/) /
 2 COMMENTS (HTTPS://WWW.GUIADAENGENHARIA.COM/TENSAO-ADMISSIVEL-EXERCICIO-RESOLVIDO/#COMMENTS)

Você achou que não teríamos exercício resolvido sobre tensão admissível para sapatas?

Achou errado!

Neste post, aplicaremos todo o conteúdo apresentado no post sobre a teoria de tensão
admissível para sapatas (https://www.guiadaengenharia.com/tensao-admissivel-metodos-
determinacao/). Vamos apresentar um exemplo prático para que você possa aprender a
aplicação de todas as formulações apresentadas.

Vamos lá?

Apresentação do problema
Vamos imaginar que você está elaborando o projeto de fundações de uma edi
Converse cação. Então, o
conosco
mínimo que você deve ter em mãos, além das solicitações advindas da superestrutura é o
laudo de sondagem local.

/
Então, vamos supor que per l geotécnico de um dos furos de sondagem
(https://www.guiadaengenharia.com/resultado-ensaio-spt/) é o apresentado a seguir.

(https://www.guiadaengenharia.com/wp-
content/uploads/2019/08/per l-solo-questao.jpg)
PERFIL GEOTÉCNICO DO SOLO

Então, a partir desse per l, calcularemos agora pelo método de Terzaghi e correlações semi-
empíricas a tensão admissível para uma sapata de 1,0 m x 1,0 m assentada a 2,0 metros de
profundidade.

Vale ressaltar, que para o cálculo a partir de algumas correlações semi-empíricas, a dimensão
da fundação não é necessária, porém, para o cálculo pelo método de Terzaghi, utilizaremos tal
dado.

Mas lembrando que o cálculo da tensão admissível sempre é necessário para o adequado
dimensionamento das sapatas (https://www.guiadaengenharia.com/geometria-sapatas-
carga-centrada/).

Tensão admissível pelo Método de Terzaghi


Como vimos no post sobre os métodos de determinação da tensão admissível,
(https://www.guiadaengenharia.com/tensao-admissivel-metodos-determinacao/) a
formulação da capacidade de carga de Terzaghi para uma sapata isolada é:

σR = c Nc  Sc + q Nq  Sq + 0, 5 γ B Nγ Sγ

Onde:

σR : capacidade de carga do solo;


c: coesão do solo;
q: tensão efetiva no solo na cota de assentamento (q = γ ⋅ h);
/
γ : peso especí co do solo;
B: dimensão da fundação;
Ni: fatores de carga obtidos através do ângulo de atrito do solo;
Si: fatores de forma da fundação.

O primeiro passo para a resolução pelo método de Terzaghi é determinar a coesão, o ângulo
de atrito e o peso especí co do solo.

O ideal seria a realização de ensaios para a determinação desses parâmetros. A nível


acadêmico, podemos fazer uso de correlações para a determinação dos parâmetros. Nessa
resolução utilizaremos a tabela abaixo, encontrada no material do Prof. Marangon.

Areias e solos arenosos

Compacidade γ (kN/m³) C (kN/m²) ϕ (o )

Fofa 16,0 0 25-30

Pouco compacta 18,0 0 30-35

Medianamente
19,0 0 35-40
compacta

Compacta 20,0 0 40-45

Muito compacta >20,0 0 >45

Para um solo arenoso com Nspt igual a 10, a norma NBR 6484:2001 o classi ca como
medianamente compacto. Logo, iremos adotar para essa questão:

coesão: 0,0;
ângulo de atrito: 36 o ;
peso especí co: 19 kN/m³.

De posse do ângulo de atrito do solo, poderemos obter os fatores de carga.

Como estamos tratando de uma fundação assente a 2,0 metros de profundidade em um solo
arenoso com Nspt equivalente a 10, podemos considerá-lo um solo de ruptura geral, logo, para
ao usarmos o ábaco dado abaixo, utilizaremos as linhas cheias para a determinação dos
fatores de carga.

/
(https://www.guiadaengenharia.com/wp-content/uploads/2019/08/fatores-carga-
resolucao.png)
FATORES DE CARGA

Temos então:

Nc = 46;
Nq = 33;
Nγ = 42

Então, agora precisamos apenas dos fatores de forma para a aplicação da formulação do
método de Terzaghi, Utilizando da tabela de fatores de forma abaixo, iremos adotar os valores
dos fatores de forma correspondentes à linha da fundação quadrada.

Fatores de forma
Forma da fundação
Sc Sq Sγ

Corrida 1,0 1,0 1,0

1,0
Quadrada 1,3 0,8

Circular 1,3 0,6 1,0

Retangular 1,1 0,9 1,0

Pronto, agora já temos todas as variáveis para a determinação da capacidade de carga pelo
método de Terzaghi. Temos então:

σR = c Nc  Sc + q Nq  Sq + 0, 5 γ B Nγ Sγ

σR =  2 ⋅ 19, 0 ⋅ 33, 0 ⋅ 0, 8 + 9, 5 ⋅ 1, 0 ⋅ 42, 0 ⋅ 1, 0

σR =  1402, 2kN/m²
/
Vale perceber que a parcela correspondente a coesão na fórmula foi igualada a zero, devido a
coesão nula adotada por se tratar de um solo arenoso.

Vale lembrar também que tal formulação nos dá a capacidade de carga do solo, que é a
tensão que leva o solo à ruptura ou deformação excessiva. A nível de projeto, é indicado
sempre trabalharmos com a tensão admissível, que nada mais é do que a capacidade de carga
dividida por um fator. Para métodos teóricos, temos:

σR
σadm =
3

Logo, para nossa questão, obtemos:

σadm = 467, 4kN/m²

Agora, vamos resolver essa questão através das correlações empíricas e comparar com o valor
encontrado para o método de Terzaghi.

Tensão admissível por métodos semi-


empíricos
No post teórico sobre os métodos de determinação da tensão admissível
(https://www.guiadaengenharia.com/tensao-admissivel-metodos-determinacao/),
apresentamos três formulações que serão listadas a seguir:

Nspt
Correlação 1 : σadm = (MPa)
50
Nspt
Correlação 2 (Teixeira-96) : σadm = 0, 05 + (1 + 0, 4 ⋅ B) (MPa)
100

Correlação 3 (Mello-75) : σadm = 0, 1 ⋅ ( Nspt − 1) (MPa)

Como você percebe, são aplicações matemáticas simples, geralmente variando unicamente
com o Nspt do solo na profundidade de assentamento adotada.

Aplicando o Nspt igual a 10, para a profundidade adotada de 2,0 metros, temos os seguintes
resultados:

Correlação 1 : σadm = 0, 2MPa = 200kN/m²

Correlação 2 (Teixeira-96) : σadm = 0, 19MPa = 190kN/m²

Correlação 3 (Mello-75) : σadm = 0, 216MPa = 216kN/m²

Conclusão
Então, para uma sapata quadrada de 1,0 m x 1,0 m assentada a 2,0 metros de profundidade,
determinamos a tensão admissível do conjunto sapata-solo através do método teórico de
Terzaghi e por três formulações semi-empíricas.
/
Para o método de Terzaghi, encontramos o valor de σadm = 467,4 kN/m². Já para as
formulações semi-empíricas, a média dos valores encontrados foi de 202 kN/m².

Podemos concluir também que, para o per l de solo analisado, os resultados da tensão
admissível no solo para os três métodos semi-empíricos foram bem próximos, apresentando
uma congruência entre as três formulações.

Já comparando o resultados obtidos pelos métodos semi-empíricos com o resultado obtido


pelo método teórico de Terzaghi, podemos apontar uma grande discordância, sendo os
métodos semi-empíricos bem mais conservadores para o per l de solo analisado.

Vale ressaltar que esse é apenas um exemplo para a aplicação das formulações e melhor
entendimento do conteúdo apresentado!

Espero que você tenha gostado do conteúdo e que você tenha conseguido tirar todas as suas
dúvidas!

Nos próximos posts trataremos sobre o cálculo da tensão admissível do solo em solos
estrati cados (https://www.guiadaengenharia.com/tensao-admissivel-solos-estrati cados/) e
com a presença de água (https://www.guiadaengenharia.com/lencol-freatico-tensao-
admissivel/)!

Caso você ainda tenha alguma dúvida sobre o post ou sugestões para temas futuros, deixa nos
comentários que a gente responde!

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Até a próxima!

Filipe Marinho
(https://www.guiadaengenharia.com/author/ lipemari
nho/)
Engenheiro Civil, Especialista em Estruturas e Fundações. Ex-goleiro,
Pseudosommelier de Cervejas e Poeta Freelancer Fajuto.

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Berthier Alencar.
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