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MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA

SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA


GOVERNO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO
SECRETARIA DE ENERGIA, DA INDÚSTRIA NAVAL E DO PETRÓLEO
DEPARTAMENTO DE RECURSOS MINERAIS DRM-RJ

CPRM – Serviço Geológico do Brasil

PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL

GEOLOGIA DO ESTADO DO
RIO DE JANEIRO

Organizado por
Luiz Carlos da Silva e
Hélio Canejo da Silva Cunha (in memoriam)

BRASÍLIA 2001
APRESENTAÇÃO
C umprindo seu papel institucional de prover o
país do conhecimento geológico e hidrológico bá-
6) MAPA DE USO E COBERTURA DO SOLO DO
ESTADO DO RIO DE JANEIRO;
sico necessário para o seu desenvolvimento sus-
tentável, o Serviço Geológico do Brasil (CPRM) 7) MAPA DE ISOIETAS TOTAIS ANUAIS;
sente-se honrado em oferecer às organizações pú-
blicas e privadas, assim como aos profissionais, 8) ESTUDOS DE CHUVAS INTENSAS;
empresários e pesquisadores interessados na geo-
logia, na mineração, nos recursos hídricos, na ges- 9) MAPAS GEOFÍSICOS DO ESTADO DO RIO DE
tão territorial e no meio ambiente do Estado do Rio JANEIRO;
de Janeiro, os produtos aqui contidos, todos em es-
cala de integração de 1:500.000 e nível escalar de 10) MAPAS DE SOLO E APTIDÃO AGRÍCOLA
informação de 1:250.000, com seus respectivos, DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO;
relatórios a saber:
11) INVENTÁRIO DE ESCORREGAMENTOS DO
1) MAPA GEOLÓGICO DO ESTADO DO RIO DE ESTADO DO RIO DE JANEIRO;
JANEIRO (também na escala 1:400.000);
12) MAPA GEOAMBIENTAL DO ESTADO DO
2) OS RECURSOS MINERAIS E A ECONOMIA RIO DE JANEIRO.
MINERAL DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO;
Cumpre destacar que, nessas escalas de traba-
3) MAPA DE FAVORABILIDADE HIDRO- lho, esses produtos representam o estado da arte
GEOLÓGICA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO; no conhecimento dos temas que abordam, incor-
porando concepção moderna de cartografia geoló-
4) MAPA GEOQUÍMICO DO ESTADO DO RIO DE gica e aportando dados e conhecimentos até agora
JANEIRO; indisponíveis sobre a evolução geológica deste
segmento crustal em que se assenta o Estado e
5) MAPA GEOMORFOLÓGICO DO ESTADO DO oferecendo um conjunto de informações de eleva-
RIO DE JANEIRO; do significado como base para a formulação e im-
plementação de políticas de gestão de recursos EMBRAPA – Empresa Brasileira de Pesquisa
naturais, em particular recursos hídricos, de orde- Agropecuária, o CIDE – Centro de Informações e
namento territorial e de estudos ambientais em todo Dados do Rio de Janeiro, a SERLA – Superinten-
o território fluminense. dência Estadual de Rios e Lagos, a EMOP –
Na continuidade desses trabalhos, os produtos Empresa de Obras Públicas do Estado do Rio de
ora lançados em meios convencionais e em Janeiro, a PUC/RJ – Pontifícia Universidade Católi-
CD-ROM (formato .pdf) estarão brevemente inte- ca, a Universidade Federal Fluminense – UFF , a
grados a bancos de dados com arquivos texto e UERJ – Universidade do Estado do Rio de Janeiro,
dados tabulares georreferenciados devendo ser a UFRRJ – Universidade Federal Rural do Rio de
disponibilizados em base GIS ainda em 2001 incor- Janeiro, a UFRJ – Universidade Federal do Estado
porando o “Mapa de Recursos Minerais” e, de parti- do Rio de Janeiro, a RESUB – Rede de Geotecno-
cular relevância tratando-se do maior produtor de logia em Águas Subterrâneas, a ANEEL – Agência
petróleo do país, o “Mapa Geológico da Plataforma Nacional de Energia Elétrica, e o INMET – Instituto
Continental do Estado do Rio de Janeiro”. Nacional de Meteorologia.
Os mapas e demais produtos aqui apresenta- Ao tempo em que registro o agradecimento e o
dos resultaram de trabalho integrado e de parce- reconhecimento pela fundamental contribuição
ria altamente frutífera do Serviço Geológico do dada por cada uma dessas entidades para a forma
Brasil (CPRM) com diversas entidades públicas e o conteúdo desses produtos, peço sejam credita-
federais e estaduais, assim como as principais dos ao Serviço Geológico do Brasil (CPRM) quais-
Universidades do Estado, destacando-se o De- quer omissões e equívocos eventualmente encon-
partamento de Recursos Minerais – DRM-RJ, a trados nos mesmos.

Umberto Raimundo Costa


Diretor Presidente da CPRM – Serviço Geológico do Brasil
GEOLOGIA DO ESTADO
DO RIO DE JANEIRO
CPRM – SERVIÇO GEOLÓGICO DO BRASIL

DIRETOR DE GEOLOGIA E RECURSOS MINERAIS


Luiz Augusto Bizzi

DEPARTAMENTO DE GEOLOGIA
Carlos Schobbenhaus

PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL

COORDENAÇÃO NACIONAL DO PROGRAMA


Inácio de Medeiros Delgado

Base de Dados Nelson Custódio da Silva Filho


Geofísica Mário J. Metelo
Geologia Estrutural Reginaldo Alves dos Santos
Geoquímica Carlos Alberto C. Lins e Gilberto J. Machado
Metalogenia/Geologia Econômica Inácio de Medeiros Delgado
Petrologia Luiz Carlos da Silva
Sedimentologia Augusto José Pedreira
Sensoriamento Remoto Cidney Rodrigues Valente

COORDENAÇÃO GERAL DO PROJETO


Luiz Carlos da Silva

GEOLOGIA DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


CRÉDITOS DE AUTORIA

Capítulo 1 Luiz Carlos da Silva, Nolan Maia Dehler e


Reginaldo Alves dos Santos
Capítulo 2 Luiz Carlos da Silva
Capítulo 3 Luiz Carlos da Silva, Nolan Maia Dehler, Frederico Ozanam
Raposo, Itair Alves Perillo e Carlos Alberto Heineck
Capítulo 4 Luiz Carlos da Silva, Nolan Maia Dehler,
Capítulo 5 Luiz Carlos da Silva, Valter Salino Vieira, Magda Terezinha
Guimarães e Emiliano Cornélio de Souza
Capítulo 6 Nolan Maia Dehler e Luiz Carlos da Silva
Capítulo 7 Emiliano Cornélio de Souza e Magda Terezinha Guimarães

Capítulos 8, 9 Francisco Caruso Júnior, Hélio Canejo da Silva Cunha e


Fátima Regina Blanco de Dios

Colaboradores CPRM: Inácio de Medeiros Delgado e


Claiton Piva Pinto

Colaboradores outras Instituições: Francisco Caruso Júnior (Centro de Ciências Tecnológicas


da Terra e do Mar – UNIVALI)

Revisão Final
Luiz Carlos da Silva, Carlos Alberto Heineck e Márcio Antônio da Silva

PROGRAMA LEVANTAMENTOS GEOLÓGICOS BÁSICOS DO BRASIL


Diretoria de Geologia e Recursos Minerais

Executado pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil


Superintendências Regionais de Belo Horizonte, São Paulo e
Escritório do Rio de Janeiro

Coordenação Editorial a cargo da


Divisão de Editoração Geral – DIEDIG
Departamento de Apoio Técnico – DEPAT

Silva, Luiz Carlos da

S586 Geologia do Estado do Rio de Janeiro: texto explicativo do mapa geológico do Estado do
Rio de Janeiro / organizado por Luiz Carlos da Silva {e} Hélio Canejo da Silva Cunha. – Brasília:
CPRM. 2ª edição revista em 2001.
1 CD-ROM
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil.
Executado pela CPRM - Serviço Geológico do Brasil /Departamento de Recursos Minerais
- DRM - RJ.
1.Geologia – Rio de Janeiro – Mapas. 2. Mapeamento geológico – Rio de Janeiro. I. Cunha,
Hélio Canejo da Silva. II. CPRM – Serviço Geológico do Brasil. III. Rio de Janeiro (Estado). Departa-
mento de Recursos Minerais. IV. Título.
CDD 558.153
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.1 Objetivos, Justificativas e Produtos . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 1
1.2 Metodologia . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 2
1.2.1 Etapa I – Revisão Geológica das Folhas 1:250.000 (Rio de Janeiro,
Macaé, Campos, Juiz de Fora, Volta Redonda e Ilha Grande) . . . . . . . . . . . 2
1.2.2 Etapa II – Execução do Mapa Geológico 1:400.000 e Texto Explicativo . . . . . . 2
1.3 Principais Fontes de Informação . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.4 Contexto Geológico Regional . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.4.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 4
1.4.2 Arcabouço Tectônico Regional do Sudeste Brasileiro. . . . . . . . . . . . . . . . 7
1.4.3 Geotransversa Isotópica Rio de Janeiro/Juiz de Fora (MG) – Escala 1:250.000 . 11

2 ARQUEANO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13
2.1 Complexo Mantiqueira (Am) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 13

3 PALEOPROTEROZÓICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
3.1 Complexo Região dos Lagos (Pg1rl) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 15
3.2 Complexo Juiz de Fora (Pg1jf, Pg1jfa) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 16
3.3 Suíte Quirino (Pg1q) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 17

4 MESO/NEOPROTEROZÓICO. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
4.1 Grupo Andrelândia (MNa) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 21
4.2 Complexo Embu (MNe) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 22
4.3 Complexo Paraíba do Sul . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
4.3.1 Unidade São Fidélis - MNps . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 23
4.3.2 Unidade Italva - MNpi . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 25
4.3.3 Unidade Itaperuna - MNpit. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 26
4.4 Complexo Búzios (MNb) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 28

5 NEOPROTEROZÓICO/CAMBRIANO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31
5.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 31

–v–
5.2 Episódio orogênico Brasiliano II / Magmatismo Pré- a Sincolisional
Precoce (630-600 Ma) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
5.2.1 Complexo Rio Negro (Ng1rn). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 33
5.2.1.1 Unidade Rio Negro (Ng1r) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
5.2.1.2 Unidade Duas Barras (Ng1r) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 34
5.2.2 Leucogranito Gnaisse Serra do Paquequer (Ng1p) . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
5.3 Episódio orogênico Brasiliano III / Magmatismo Pré- a Sincolisional (570-560 Ma) . . 35
5.3.1 Suíte Serra dos Órgãos (Ng2s,Ng2ss) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 35
5.3.2 Suíte Desengano (Ng2d) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 36
5.3.3 Suíte Rio de Janeiro (Ng2r) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 38
5.3.4 Suíte Bela Joana (Ng2b) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 41
5.3.5 Suíte Ilha Grande (Ng2i) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
5.3.6 Suíte Natividade (Ng2n). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
5.3.7 Suíte Angelim (Ng2a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 45
5.3.8 Suíte Rio Turvo (Ng2rt) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 46
5.4 Episódio Orogênico Brasiliano III / Magmatismo Tardi-colisional (560-545 Ma) . . . . 47
5.4.1 Suíte Serra das Araras (Ng3a) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 47
5.4.2 Suíte Pedra Selada (Ng3p) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
5.4.3 Suíte Varre-Sai (Ng3v) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 48
5.4.4 Suíte Santo Antônio de Pádua (Ng3sa) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
5.5 Episódio Orogênico Brasiliano III / Magmatismo Tardi a Pós-tectônico (545-500 Ma) . 49
5.5.1 Suíte Getulândia (eg4g) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 49
5.5.2 Plútons Toleiíticos Máficos/ Complexo Básico Gleba Ribeira (eb5g). . . . . . . . 50
5.5.3 Granitóides pós-Tectônicos Cambrianos (eg5) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 51
5.5.4 Maciço Alcalino de Canaã (elc). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 52

6 EVOLUÇAO GEOTECTÔNICA NEOPROTEROZÓICA/CAMBRIANA . . . . . . . . . . . . 55


6.1 A geometria da Deformação Brasiliana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 55
6.2 A Cinemática Brasiliana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 56
6.3 Interpretação Tectônica e Discussão da Estruturação Regional . . . . . . . . . . . . 56
6.4 Evolução Geotectônica Brasiliana . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 58

7 MESO-CENOZÓICO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
7.1 Intrusivas Alcalinas Meso-Cenozóicas (KTI) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
7.1.1 Introdução. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 63
7.1.2 Relações estruturais, petrologia e geocronologia . . . . . . . . . . . . . . . . . 64

8 CENOZÓICO/TERCIÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
8.1 Bacias Continentais Terciárias . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 65
8.1.1 Bacias da Região Oriental do Estado . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
8.1.2 Bacia de Macacu . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 66
8.1.3 Grupo Barreiras (Tb) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
8.1.4 Bacia de Volta Redonda . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
8.1.5 Bacia de Resende . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67
8.1.6 Bacia de Taubaté . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 67

9 CENOZÓICO/QUATERNÁRIO . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
9.1 Introdução . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
9.2 Ambientes de Sedimentação Continental . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69
9.2.1 Depósitos Colúvio-aluvionares (Qc) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 69

– vi –
9.3 Ambientes de Sedimentação Transicional-Marinho . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 70
9.3.1 Depósitos Praiais Marinhos e/ou Lagunares (Qpm) . . . . . . . . . . . . . . . . 70
9.4 Depósitos Flúvio-Lagunares (Qhfl). . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
9.5 Depósitos Praiais Marinhos e/ou Lagunares (Qhml) . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 72
9.6 Evolução Geológica . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 74

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . 77

ANEXOS

I Mapa Geológico do Estado do Rio de Janeiro, escala 1:400.000.

II Geotransversa Isotópica Rio de Janeiro – Juíz de Fora, escala 1:250.000.

– vii –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

1
INTRODUÇÃO
1.1 Objetivos, Justificativas e Produtos Por outro lado, como a maior extensão do estado
não foi objeto de novos trabalhos (sistemáticos)
A execução do Mapa Geológico do Estado do posteriores ao Projeto Carta Geológica do Estado
Rio de Janeiro, em escala 1:400.000, elaborado do Rio de Janeiro em escala 1:50.000 (DRM-RJ,
dentro do Programa Levantamentos Geológicos 1978-1983), havia uma forte demanda por traba-
Básicos do Brasil, do Serviço Geológico do Bra- lhos de revisão cartográfica, integração e reinter-
sil/CPRM, tem por objetivo disponibilizar em meio pretação conceitual da evolução geológica.
digital, para o gerenciamento governamental, da- De acordo com a sistemática do Programa Le-
dos de informações geológicas e dos recursos mi- vantamentos Geológicos Básicos do Brasil, em
nerais com cobertura de todo o estado. execução pela CPRM, a base cartográfica do mapa
O grande avanço proporcionado aos conheci- geológico, na escala 1:400.000, foi desenvolvida
mentos geológicos na última década, com a intro- em duas etapas: I - Revisão geológica das folhas
dução de tratamento químico e de métodos geo- 1:250.000 que cobrem o estado e, II - Integração e
cronológicos de alta resolução (U-Pb), associados compatibilização dos dados geológicos das folhas
a estudos cartográficos e estruturais em escala de 1:250.000, e migração dos dados para a escala
detalhe (divulgados na forma de numerosas Teses 1:400.000.
e Dissertações), demandava uma integração em Portanto, através desse novo mapa geológico,
nível estadual. complementado pelo Mapa de Recursos Minerais e
A edição do Mapa Geológico do Estado em es- o Mapa da Plataforma Continental (em prepara-
cala 1:400.000 pelo DNPM (Fonseca, 1998), con- ção), passou-se a ter um banco digital moderno e
sistiu em uma primeira e bem sucedida tentativa de atualizado, suportado por bases de dados nacio-
integração regional, a qual é aqui ampliada sob nais geridas pela CPRM: de afloramentos descri-
uma metodologia distinta, com procedimentos-pa- tos, de ocorrências minerais e de análises petro-
drões do “Projeto Mapas Geológicos Estaduais” do gráficas e litoquímicas. Além disso, as folhas
Serviço Geológico do Brasil/CPRM. 1:250.000 revisadas, que serviram de base ao

– 1–
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

mapa estadual, são acompanhadas de Notas 4. Após a execução da Geotransversa Isotópica


Explicativas, gerando outros produtos que também Rio de Janeiro - Juiz de Fora, foram realizadas in-
estão sendo disponibilizados em meio digital pela cursões expeditas de campo, para fins de confe-
CPRM. rência e coleta de dados adicionais que, devida-
Esse sistema estadual de informações passará a mente selecionados, foram submetidos a análises
ser gerido e gerenciado pelo próprio Estado do Rio no gabinete e laboratório, com vistas à consolida-
de Janeiro através do DRM, permitindo o planeja- ção de todas as informações. Para cumprimento
mento integrado das ações voltadas para o desen- dessa atividade foram utilizados, de forma conju-
volvimento setorial, aproveitamento de recursos gada, os dados antigos e novos obtidos, cuja inter-
naturais e disponibilizando para o setor privado ba- pretação e reinterpretação deu origem aos mapas
ses para a identificação de novas oportunidades 1:250.000. Esses trabalhos envolveram todos os
de investimento. terrenos pré-cambrianos/cambrianos do estado.

1.2 Metodologia Síntese dos Dados Físicos de Produção

1.2.1 Etapa I - Revisão Geológica das Folhas · afloramentos descritos 2.300


1:250.000 (Rio de Janeiro, Macaé, Cam-
· amostras coletadas 1.200
pos, Juiz de Fora, Volta Redonda e Ilha
Grande) · lâminas revisadas 1.050
· novas lâminas descritas 500
Essa etapa foi executada de acordo com o pa-
· análises geocronológicas
drão dos procedimento adotados no Programa Le- SHRIMP
3
vantamentos Geológicos Básicos do Brasil–PLGB/
· caminhamento geológico (km) 5.200
CPRM:
1. Integração e reinterpretação dos dados pre- · dias/campo/folha 45
viamente publicados. Para tanto, foram consulta- · equipe executora (geólogos) 6
dos inúmeros trabalhos de cunho regional anteri-
· coordenação (geólogo). 1
ormente desenvolvidos pela CPRM e o Projeto
Carta Geológica do Estado do Rio de Janeiro em
1:50.000 (DRM-RJ) no período de 1978 a 1983,
além de trabalhos genéricos ou específicos publi- 5. O resultado dessa revisão é apresentado sob
cados na literatura, Teses e Dissertações (figura a forma do mapa em escala 1:250.000, acompa-
1). nhado de nota explicativa. Na confecção da coluna
2. Revisão de lâminas delgadas, análises litoquí- litoestratigráfica, as relações de idade entre as di-
micas, análises geocronológicas, produtos de sen- versas unidades foram, sempre que possível, ba-
soriamento remoto e de aerogeofísica, com execu- seadas em dados geocronológicos U-Pb, e, em
ção de mapas de lineamentos extraídos de ima- menor grau, deduzidas a partir das relações de
gens de radar e imagens de satélite, na escala campo e das descrições litoestruturais disponíveis
1:250.000. em trabalhos anteriores.
3. Os dados geológicos foram integrados
como mapa de serviço na escala 1:250.000, que
serviu para o planejamento de perfis geológicos a 1.2.2 Etapa II - Execução do Mapa Geológico
serem levantados no campo, precedidos da sele- 1:400.000 e Texto Explicativo
ção e execução do perfil-chave (Geotransversa
Isotópica), orientativo para os futuros levanta- A integração e compatibilização das cartas
mentos de campo. O perfil selecionado, Rio de 1:250.000 geraram o mapa geológico em escala
Janeiro - Juiz de Fora, foi apoiado em análises mi- 1:400.000, aqui apresentado. Esse mapa, além da sua
croscópicas e em datações geocronológicas versão impressa, está disponível em formato digital,
U-Pb SHRIMP em alvos estratégicos, fornecendo permitindo sua distribuição e reprodução em
uma visão integrada dos problemas estruturais e CD-ROM.
litoestratigráficos a serem resolvidos com a nova O Texto Explicativo do mapa, também impresso
cartografia. e disponível em formato digital, constitui igualmen-

– 2–
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

1 - DRM/GEOSOL (1982) – 1:50.000 14 - Guimarães (1999) – 1:50.000 27 - Hipertt (1990) 33 32


2 - DRM/CPRM (1983)– 1:50.000 15 - Valladares (1996) – 1:50.000 28 - Fonseca (1994)
3 - Hembold et al. (1965) – 1:50.000 16 - DNPM/MME (1965) 29 - Tupinambá (1999)
4 - Hasui et al. (1977) – 1:50.000 17 - DNPM/CPRM (1976) 30 - Junho (1990)
5 - Heilbron (1993) – 1:100.000 18 - DRM-RJ/GEOMITEC (1981) 31 - Fonseca (1986) 19 19
6 - Dios (1995) – 1:50.000 19 - DRM-RJ/GEOSOL (1980,1981) 32 - Vieira (1997) 36
7 - Junho et al. (1989) – 1:160.000 20 - DRM-RJ/TRISERVICE (1981) 33 - Raposo (2000)
8 - Machado (1984) – 1:100.000 21 - DRM-RJ 34 - Matos et al. (1980) 37
9 - Estágio de campo – USP – 1:50.000 22 - DRM-RJ/UFRJ 35 - Vieira (2000)
10 - Heilbron et al. (1997) – 1:500.000 19
23 - Heilbron et al. (1993) 36 - Fontes et al. (1981) 19
11 - Junho et al. (1991) – 1:50.000 24 - Puget (1979) 37 - Silva & Ferrari (1976)
12 - Pacciullo (1997) – 1:100.000 25 - Junho (1982)
18
38 - Martin et al. (1997)
13 - Riccomini (1989) – 1:250.000 26 - Zorita (1979)
Fonseca (1998) - Mapa 35 19 20 18
Geológico do Estado em
escala 1:400.000

35 34 19 38
45º00´ 44º00´ 43º30´
22º00´
7 12 18 41º00´
11 5 10 29 29 19
MG 19 20
12

22 17
30
RJ 5 25 25
4 2 11 8
13
26 21
2 1 24
4 21
SP 6 18 28
16
3
23 31 27
14 23º00´

1 3 Rio de Janeiro 42º00´

9 2

2
4 Limite interestadual
State boundary

Figura 1 – Principais Fontes de Consulta Cartográfica.


Figure 1 – Main Cartographic Sources.

–3–
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

te um produto conceitualmente atualizado. A abor- nal do Neoproterozóico e início do Paleozóico,


dagem de cada unidade está dividida em um item constituindo, juntamente com a Faixa Brasília, a
introdutório, descritivo das feições primárias petro- Cunha de Guaxupé e os metassedimentos da de-
gráficas e estruturais, seguido de uma abordagem nominada Faixa Alto Rio Grande, o arcabouço geo-
mais conceitual, baseada em modelos e terminolo- tectônico do Sudeste Brasileiro (figura 3).
gia calcados na tectônica global. Devido à sua posição geográfica privilegiada,
flanqueando o continente sul-americano e volta-
da para o sudeste do continente africano, a pro-
1.3 Principais Fontes de Informação víncia constitui-se em elemento-chave para o en-
tendimento da colagem neoproterozóica dos oró-
Para a consecução deste trabalho, foram consul- genos brasilianos/pan-africanos que se seguiu à
tados inúmeros trabalhos de cunho regional e es- convergência dos até então dispersos fragmen-
pecífico, principalmente aqueles do Projeto Carta tos do Supercontinente Rodínia, durante a amal-
Geológica do Estado do Rio de Janeiro, com ma- gamação do Supercontinente Gonduana Ociden-
pas geológicos em escala 1:50.000, coordenado tal.
pelo Departamento de Recursos Minerais (DRM- A evolução tectônica dos terrenos pré-cam-
RJ) da Secretaria de Estado de Energia, da Indús- brianos aflorantes no Estado do Rio de Janeiro
tria Naval e do Petróleo, no período de 1978 a 1983, tem sido há décadas objeto de numerosos estu-
e do Departamento Nacional da Produção Mineral, dos e intensas discussões no meio acadêmico.
especialmente Fonseca (1998). Apesar do grande número de trabalhos científi-
Além disso, utilizou-se o considerável acervo cos versando sobre diversas áreas do conheci-
de Teses e Dissertações acadêmicas, produzi- mento geológico, estes dados são ainda frag-
das nas duas últimas décadas pelas diversas uni- mentários, restando grandes lacunas a serem
versidades sediadas no estado e em estados vizi- preenchidas, notadamente as geocronológicas.
nhos e por grupos de pesquisas, entre os quais Isto também reflete-se nos modelos de evolução
merece destaque o TEKTOS, Grupo de Pesquisa tectônica propostos por diferentes autores.
Geotectônica da UERJ. A figura 1 sintetiza os Até meados da década de 80 estes modelos
principais trabalhos e documentos cartográficos eram de cunho genérico, fundamentalmente
utilizados. restritos a agrupamentos regionais de grandes
unidades litoestratigráficas e essencialmente
fixistas. Este período confunde-se, em linhas
1.4 Contexto Geológico Regional gerais, com o período de definição dos grandes
compartimentos tectônicos regionais do Su-
1.4.1 Introdução deste Brasileiro, como faixas móveis e crátons,
e de propostas de estruturação e subdivisão
O Estado do Rio de Janeiro, situado na Região geocronológica para estes grandes comparti-
Sudeste do país (Figura 2), está geotectonica- mentos. A partir da segunda metade dos anos
mente contido na Província Mantiqueira, uma das 80, com o incremento de trabalhos de mapea-
províncias estruturais definidas por Almeida et al. mento sistemático e utilização de novos concei-
(1981). Essa entidade cobre uma extensa área tos e métodos, diversos autores propuseram di-
2
(cerca de 700.000km ) e é a mais complexa pro- ferentes modelos, já com uma visão atualística
víncia estrutural afetada pelo Ciclo Orogênico baseada na tectônica de placas, para explicar
neoproterozóico/cambriano (Brasiliano) na Amé- a gênese e as relações entre as diversas unida-
rica do Sul. A província estende-se do paralelo des aflorantes neste estado, a deformação e o
33°S, no Uruguai, até o sul da Bahia, no paralelo metamorfismo impressos nas unidades regio-
15°S, por cerca de 3.000km de extensão e com nais, e o magmatismo granítico abundante em
largura média de 200km. Está disposta paralela- todo o estado.
mente à costa brasileira, junto às margens orien- Diversos trabalhos de cunho regional postulam
tais dos crátons Rio de La Plata e São Francisco que as características tectono-termais da província
(figura 2). são resultantes de processos de subducção, se-
A Província Mantiqueira representa uma entida- guido de uma ou mais colisões no Neoproterozói-
de geotectônica com franca orientação nordeste co, quando da aglutinação ou colagem do Gondua-
instalada a oeste do Cráton do São Francisco ao fi- na Ocidental (e.g. Machado et al., 1996).

– 4–
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

Boa Vista
Macapá

Manaus Belém São Luís

Fortaleza
Teresina
Natal
João Pessoa
Recife
Rio Branco Porto Palmas Maceió
Velho
Aracaju

Salvador
Cuiabá
Brasilia
Goiânia
Belo
Campo Grande Horizonte
Vitória
São Paulo
Rio de Janeiro
Curitiba

Florianópolis
Porto Alegre

Figura 2 – Mapa de Situação do Estado do Rio de Janeiro.


Figure 2 – Location Map of Rio de Janeiro State.

–5–
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

AM BELÉM

SL

AM BPV

RECIFE

SF

TPV

BRASÍLIA 5

/
) lata
MPV
on P

4 5
at a
Cr de L

3
RIO DE JANEIRO
ra Rio

3

2
Pa led
a
ce
on

1 PORTO ALEGRE
(C

RP MPV
POR
2
PHANEROZOIC COVERS
MONTEVIDEO
2
POR BUENOS AIRES
CAMBRIAN, PAMPEAN OROGEN

POR = PAMPEAN OROGEN

MAJOR BRASILIANO COVERS

NEOPROTEROZOIC PROVINCES (BRASILIANO)

MPV = MANTIQUEIRA PROVINCE


TPV = TAPAJÓS PROVINCE
BPV = BORBOREMA PROVINCE
1. São Gabriel Orogen
2. Pelotas Orogen
3. Paranabiacaba / Rio Piên Orogen
4. Rio Negro Orogen
5. Araçuaí Orogen
NEOPROTEROZOIC CRATONS/PLATES

AM= Amazonas; RP=Rio de La Plata/Paraná;


SF=São Francisco; SL=São Luís

Figura 3 – Topografia Digital da América do Sul (USGS). Províncias Estruturais Brasileiras. Modificado de Almeida
& Hasui (1984). Cinturão Móvel Pampeano, segundo Rapella (2000).

Figure 3 – Digital Topography of South America (USGS). Brazilian Structural Provinces. Modified after Almeida &
Hasui (1984). Pampean Mobile Belt, after Rapella (2000).

–6–
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

1.4.2 Arcabouço Tectônico Regional do Sudeste A Faixa Ribeira, segundo Almeida et al. (1973),
Brasileiro constitui uma entidade geotectônica do Neoprote-
rozóico. O Estado do Rio de Janeiro localiza-se na
Introdução porção interna deste cinturão.
Portanto, a compartimentação tectônica dos ter-
O arcabouço geotectônico da Região Sudeste do renos que compõem a geologia deste estado está
Brasil é formado por um núcleo estável no Neoprote- vinculada à evolução tectono-metamórfica da “Fai-
rozóico, designado de Cráton do São Francisco xa” Ribeira. Esta evolução orogênica, considerada
(CSF) (Almeida 1977, 1981), circundado por oróge- por Heilbron et al. (1999) como a mais nova no ce-
nos instalados no Neoproterozóico, durante a Oro- nário das colagens brasilianas/pan-africanas do
gênese Brasiliana/Pan-Africana, cuja estabilização segmento crustal considerado, foi responsável
desempenhou importante papel na aglutinação pela deformação, metamorfismo, magmatismo e
deste setor do Gonduana (Fuck et al., 1993). Esses articulação dos diversos terrenos.
orógenos foram inicialmente designados de Faixa A literatura regional ainda está impregnada de
Brasília a oeste, Faixa Ribeira a sul-sudeste e Faixa terminologia pré-tectônica global para descrever
Araçuaí a leste (figura 3). Para Alkmim et al. (1993), os elementos tectônicos constituintes da província
estas faixas bordejam a denominada Placa Sanfran- no estado como “Faixa” Ribeira, “Cinturão” Ribeira,
ciscana, cuja porção interna seria composta pelas “Cinturão Móvel” Ribeira, “Cinturão” Costeiro,
rochas arqueanas e paleoproterozóicas do CSF e “Cinturão” Atlântico etc. Apesar dessa tradição, op-
suas coberturas sedimentares neoproterozóicas, tou-se por adotar uma terminologia atualística para
que compõem o Grupo Bambuí. os componentes da província. Assim, o termo
A Faixa Brasília estende-se por aproximadamente “orogênese” é aqui usado como um termo coletivo
1.500km na direção norte-sul, bordejando o CSF para designar os processos convergentes em uma
(figura 3). É composta por um arranjo de nappes margem ativa (sensu Sengör, 1990). “Orógeno”,
transportadas para leste e sudeste (Simões & Valeri- conseqüentemente corresponde às estruturas pro-
ano 1990, Valeriano et al., 1998), durante a colisão duzidas pelos processos convergentes nas
dos crátons Amazônico e São Francisco (Brito Ne- margens ativas. Ainda segundo Sengör (1990), o
ves & Cordani, 1991). Esta deformação foi acompa- uso do termo cinturão é inadequado, uma vez que
nhada de metamorfismo, cujo pico data de aproxi- esse é formado por distintos orógenos, em
madamente 610-630Ma (Pimentel et al., 1998). A resposta à atividade de um grande número de
identificação de associações petrotectônicas de processos de convergência de placas.
fundo oceânico (Brod et al., 1991; Strieder & Nilson, Um considerável avanço para o entendimento
1992, Roig & Schrank, 1992), sugere que esta da evolução tectônica local foi a caracterização de
colisão teria sido o ápice do processo de con- dois eventos orogênicos sucessivos. No âmbito da
vergência experimentado pelas citadas massas “Faixa” Ribeira foi a caracterização da Orogênese
cratônicas, envolvendo o consumo de litosfera Brasiliano I (> 600Ma) na porção oriental do estado,
oceânica numa paleozona de subducção com e a Orogênese Rio Doce (ca 560Ma) na porção lito-
provável mergulho para oeste (Fuck et al., 1993). rânea (Figueiredo & Campos Neto 1993). A esses
A Faixa Araçuaí, na concepção original de Almei- dois orógenos, mais recentemente somou-se a
da (1977), estende-se pelo limite oriental do CSF Orogênese Búzios (ca 520Ma), caracterizada por
também com orientação norte-sul (Figura 3). É limi- Schmitt et al. (1999). São refinamentos decorrentes
tada a norte pelo próprio CSF e a sul por uma infle- da introdução de métodos geocronológicos preci-
xão para a direção nordeste-sudoeste que constitui sos, os quais levaram à substituição de designa-
o trend regional da Faixa Ribeira. O padrão tectôni- ções de sentido impreciso, como “Cinturão/Faixa”
co da faixa sugere empurrões com vergência para Ribeira, pelos seus componentes (orógenos): Rio
oeste, em direção ao CSF (Cunningham et al. 1996; Negro, Rio Doce e Búzios (Brito Neves et al., 1999,
Uhlein et al., 1999), no período de 650 a 550Ma Campos Neto; 2000; Silva et al., no prelo).
(Siga Jr., 1986). Pedrosa-Soares et al., (1992) e Pe- Esse último trabalho, abrangendo um levanta-
drosa-Soares & Noce (1998, 1999) sugeriram a mento de todo o banco de dados U–Pb da Provín-
oceanização das margens continentais na “Faixa” cia Mantiqueira, confirmou a divisão tripartite, de-
Araçuaí. Sua inversão, de acordo com estes auto- monstrando do ponto de vista isotópico, que o Oró-
res, estaria associada à subducção de crosta geno Rio Doce corresponderia a uma extensão su-
oceânica para leste. deste do Orógeno Araçuaí. Como conseqüência,

– 7–
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

foram caracterizados dois sistemas de orógenos da província, intercalados tectonicamente com as


que compõem a colagem neoproterozóica no esta- rochas metassedimentares do Grupo Andrelândia e
do: Brasiliano II (630-600 Ma: Orogênese Rio Ne- dos complexos Embu e Paraíba do Sul. Corpos
gro); Brasiliano III: (570-560Ma: Orogênese Ara- granitóides neoproterozóicos do tipo I e do tipo S,
çuaí) e (520Ma/Orogênese Búzios). tardi a pós-colisionais, intrudem todas as unidades
A figura 4 corresponde a um esboço da repartição (figura 4).
tectono-magmática adotada no presente estudo,
englobando o estado e áreas adjacentes dos esta- Domínio Serra do Mar
dos de São Paulo, Minas Gerais e Espírito Santo.
Todos os domínios sofreram efeitos das orogê- Ocupa a região centro-oriental do estado (figura
neses neoproterozóicas, caracterizadas pelo me- 4), correspondendo geograficamente à “Micropla-
tamorfismo e fusão parcial das rochas supracrus- ca” Serra do Mar (Campos Neto 2000). É compos-
tais e infracrustais, pela deformação contracional to por uma sucessão de arcos magmáticos mos-
de baixo e alto ângulo, seguida de cisalhamento trando marcante polaridade temporal e composi-
transcorrente de expressão regional, e pela coloca- cional de W para E: 1) arco primitivo do tipo TTG a
ção de diversos corpos granitóides de dimensões W (Arco Rio Negro – 630-500Ma); 2) arco mais
muito variadas. evoluído, do tipo cordilheirano maturo, mais a E
Os segmentos mais ocidentais, do Cráton do (Arco Serra dos Órgãos – 570-560Ma) e, finalmen-
São Francisco e Domínio Mantiqueira/Andrelândia, te, na parte mais oriental, um arco sincolisional,
não serão objeto de detalhamento, pois não en- caracterizado por magmatismo crustal (Arco Rio
volvem diretamente a área do estado (figura 4). de Janeiro – 560Ma).
Além da sucessão de arcos, o domínio é ainda
Domínio Juiz de Fora/Paraíba do Sul caracterizado por supracrustais que sofreram
metamorfismo de baixa P/alta T, na fácies anfibolito,
Ocupa uma extensa faixa de orientação nordes- com abundante fusão parcial in situ (Complexo
te em toda a porção centro-norte e ocidental do Paraíba do Sul). Essa unidade está exposta ao longo
estado, subparalela ao corredor de cisalhamento de todo o Domínio, o qual sofreu cavalgamento, com
do rio Paraíba do Sul. É constituído por gnaisses vergência de topo para NW, por parte das rochas
kinzigíticos, xistos, quartzitos e mármores do que integram o Domínio “Região dos Lagos” nos
Complexo Paraíba do Sul, metamorfizados nas fá- limites SE do domínio.
cies anfibolito e granulito, intercalados tectonica- Além dos granitóides orogênicos, o domínio
mente em rochas paleoproterozóicas representa- apresenta um expressivo número de plútons
das por ortogranulitos e ortognaisses tonalíticos pós-tectônicos, circunscritos, de idade cambria-
do Complexo Juiz de Fora, e ortognaisses graníti- na.
cos a granodioríticos da Suíte Quirino. Faz limite, a
NW com o Domínio Mantiqueira/Andrelândia, na Domínio Região dos Lagos
Zona de Cisalhamento Rio Preto, e a SE com o Do-
mínio Serra do Mar, pela Zona de Cisalhamento de Representa o domínio mais oriental da província
Paracambi, também designada como Limite Tec- (figura 4). É constituído por ortognaisses paleo-
tônico Central por Almeida et al. (1998), corres- proterozóicos e por supracrustais (Complexo
pondendo ao limite dos terrenos Ocidental e Ori- Búzios) interpretadas como remanescentes de um
ental de Heilbron et al. (2000). Nessa zona limítro- back arc. Foi metamorfizado na fácies anfibolito
fe, o Domínio Juiz de Fora/Paraíba do Sul é marca- superior, em evento colisional com cavalgamento
do pelo empurrão, com vergência do topo para para NW, sobre o Domínio Serra do Mar, durante os
SE, dos paragnaisses Paraíba do Sul sobre os ba- estágios terminais da colagem brasiliana, no
tólitos (arcos) Rio Negro e Serra dos Órgãos, no Cambriano (Schmitt et al. 1999).
Domínio Serra do Mar. Além das províncias pré-cambrianas, o estado
O metamorfismo associado ao evento colisional ainda engloba parte da Província Costeira, de
brasiliano retrabalhou rochas mais antigas com Almeida (1977), bem como sua Margem Continen-
idades paleoproterozóicas a arqueanas, notada- tal. Essas duas unidades englobam bacias conti-
mente rochas dos complexos Mantiqueira e Juiz nentais terciárias e suas correspondentes submer-
de Fora, e dos ortognaisses da Unidade Quirino. sas, desenvolvidas a partir do Jurássico, a exemplo
Estas unidades constituem inliers do embasamento da Bacia de Campos. Caracteriza-se também por

– 8–
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

ES

MG

Strike-slip faults

SP Thust-related faults

Dated samples sites


1,2,3 1,2,3

State limit

MG,ES,SP=Minas Gerais, Espirito Santo and


OCEAN
ATLANTIC
São Paulo States

TECTONO- MAGMATIC DOMAINS


1 2 3 4 5
SÃO FRANCISCO MANTIQUEIRA/ JUIZ DE FORA SERRA DO MAR DOMAIN REGIÃO DOS PHANEROZOIC/
CRATON/PLATE ANDRELÂNDIA PARAÍBA DO SUL 1.Early pre-to syn-collisional Rio Negro Arc (630-600 Ma) LAGOS CENOZOIC
DOMAIN DOMAIN 2.Pre- to syn-collisional Serra dos Órgãos Arc (570-560 Ma) DOMAIN COVERS
3. Syn-collisional Rio de Janeiro Arc (560 Ma)
4. Post-tectonic Cambrian granitoids (545-500 Ma)
Late-collisional granitoids
5. Paraíba do Sul Compex(Neoproterozoic Passive Margin)
0 50 100 150km

Figura 4. Domínios Tectono-magmáticos do Estado do Rio de Janeiro e Áreas Adjacentes.


Figure 4. Tectono-magmatic Domains from Rio de Janeiro State and Adjacent Areas.

–9–
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

Tabela 1 – Dados isotópicos U-Pb (e Pb-Pb evaporação) dos granitóides do Estado do Rio de Janeiro
(modificado de Silva, 1999).
Table 1 – U-Pb (and Pb-Pb evaporation) isotopic data of granitoids from Rio de Janeiro State
(modified after Silva, 1999).
Granitoid Geochemical (Age) Method References
Classification (Ma)
POST-TECTONIC GRANITOIDS
Mangaratiba Granite HKCA 492±11 U-Pb Titanite Valladares (1996)

Nova Friburgo Granite l-Type 540±60 Conv. U-Pb Ledent & Pasteels (1968)

Taquaral Granite l-Type 553±2 U-Pb Monazite Valladares (1996)

Nova Friburgo Granite l-Type 540±60 Conv. U-Pb Ledent & Pasteels (1968)

Getulândia Granite HKCA 527±3 U-PB Monazite Machado et al. (1996)


528±1 U-PB Monazite Valladares et al. (1995)
535±3 U-PB Monazite
535±1 U-PB Monazite
553 Upb Titanite

SYN-COLLISIONAL GRANITOIDS
Pão de Açúcar Granite S-Type 559±4 SHRIMP Silva (1999)
(Rio de Janeiro Suite)
Corcovado Granite S-Type 560±7 SHRIMP Silva (1999)
(Rio de Janeiro Suite)

Pedro do Rio Granodiorite CA 569±6 SHRIMP Silva (1999)


Pedrinco Quarry 559±4 Conv. U-Pb Tupinambá (1999)
Pedra de Santa Tereza 546±15 Conv. U-Pb Tupinambá (1999)
(Rio de Janeiro Suite)
Rio Negro Complex CA 634±10 Conv. U-Pb Tupinambá (1999)
Serra do Paquequer S-Type 620±2 Conv. U-Pb Delhal et al. (1999)
Leucogranite-gneiss 559±5 Pb-Pb Evap. Tupinambá (1999)
589±6 Pb-Pb Evap. Tupinambá (1999)

Rio Turvo Granite S-Type 579±2 U-Pb Monazite Valladares (1996)


551±2 U-Pb Titanite

SYN-COLLISIONAL GRANITOIDS (BUZIOS OROGENY)


Paraderived leucossomes S-Type 520±60 Conv. U-Pb Schmitt et al. (1999a)

Orthoderived leucossomes S-Type 518±5 Conv. U-Pb Schmitt et al. (1999a)

PRÉ-BRASILIANO ORTOGNAISSES
Conceição quarry gneiss CA 2,169±3 (UI) Conv. U-Pb Valladares (1996)
(Quirino Suite) 571±3 (LI)
2,185±8 (UI)
605±3 (LI) Machado et al. (1996)
2,981

Bom Sucesso gneiss CA 2,185±8 (UI) Conv. U-Pb Machado et al. (1996)
(Região dos Lagos complex) 605±3 (LI)

Araruama Batholith CA 1,98±18 Conv. U-Pb Zimbres et al. (1990a)


(Região dos Lagos complex)

(Região dos Lagos complex) CA 2.000 Conv. U-Pb Valladares et al. (1996)

Rio das Ostras Ortogneiss CA 1,976±8 (UI) Conv. U-Pb Schimitt et al. (1999)
(Região dos Lagos complex) 517±11 (LI)
1,963±24
Geochemical classification: CA = calc-alkaline; HKCA=Hight-K calc-alkaline; I-type; S-type;
L = lower intercept; U = upper intercept; Conv. = Conventional; Evap. = Evaporation

– 10 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

extensivo magmatismo alcalino. Adicionalmente, do, agravada pela escassez de dados geocronoló-
constata-se o desenvolvimento de formações su- gicos precisos, foi necessária a execução de uma
perficiais terciárias e quaternárias continentais, e os geotransversa isotópica orientativa, na escala
sedimentos quaternários da plataforma continental 1:250.000, apresentada em escala reduzida (figura
(a serem abordados no Mapa da Plataforma Conti- 5) e na escala original, no Anexo II.
nental). A seção Rio de Janeiro-Juiz de Fora, ao longo da
A tabela 1 contém todos os dados geocronológi- BR-040, foi a escolhida por ser representativa da
cos U-Pb, obtidos pelos métodos convencionais e estruturação geral desses terrenos e pelas exce-
SHRIMP, bem como os dados Pb-Pb (evaporação lentes e contínuas exposições nos cortes daquela
em zircão) relativos aos granitóides e ortognaisses rodovia. Além disso, a mesma reveste-se de gran-
pré-cambrianos do Estado do Rio de Janeiro. de importância, por seccionar os três batólitos mais
importantes do estado: Serra dos Órgãos, Rio de
Janeiro e Rio Negro.
1.4.3 Geotransversa Isotópica Rio de Janeiro- Os dois primeiros foram selecionados para data-
Juiz de Fora (MG) – Escala 1:250.000 ção pelo método U-Pb SHRIMP, por representarem
plútons pré- a sintectônicos em relação ao princi-
Devido à complexidade da estruturação tecto- pal evento deformacional da área, constituindo-se
no-magmática da geologia pré-cambriana do esta- em excelentes markers isotópicos desse evento.

– 11 –
RIO DE JANEIRO – JUIZ DE FORA SECTION
(Along Br 040 Highway)
42°

CACHOEIRO
DO ITAPEMIRIM UNITS EXPOSED IN SOUTHEASTERN RIO DE JANEIRO COUNTY AND
ALONG BR-040 HIGHWAY
ES
RJ
JUIZ DE FORA (5Km) Ng2c Local Shearing
PHOTO 06 Ng2c 1 Qm Quaternary - Coastal marine deposits
Paraíba do Sul Complex (São Fidélis Unit): NW verging asymmetrical folding, in a low Ng2c 2. Rio de Janeiro Suite - Ng2rp Pão de Açúcar (Sugar Loaf) Granite Coarse

D
strain zone of dextral oblique contracional deformation affecting a high-grade kinzigitic Ng2c
grained, megaporphyritic (porphyroclastic), hornblende-biotite syenogranite gneiss
paragneiss. The light bands are in situ syntectonic melted leucossomes 70
Pjf
JUIZ DE FORA G
M J CAMPOS
(augen), with thrust-related foliation and local charnockitic patches
Pg1jf 3m
44°
D R
51,52
70 MNpit 3. Rio de Janeiro Suite - Ng2rc Cosme Velho Granite Foliated garnet-two micas
22°
S-type, fine to medium grained, leucogranite gneiss
22°
50
70
35
TTG granulitic gneisses with anatectic charnockitic pockets TRÊS
4 Paraíba do Sul Complex - MNps São Fidélis Unit (Cordierite)-sillimanite-
49 RIOS

Seção 3
MACAÉ
garnet-biotite quartzofeldspathic, partially melted paragneiss (metagreywacke);
60 VALENÇA
48 BR TERESÓPOLIS
-0
MG VOLTA
boudinated lenses of metacarbonatic calc-silicate rocks (ca) and amphibolite
States Limits
40
46,47 Hig REDONDA VASSOURAS
hw Matias Barbosa SP PETRÓPOLIS
ay
5. Qa Quaternary/Pleistocene Alluvial deposits
Pg1jf
Section

s
MNpit LORENA
RIO DE JANEIRO NITERÓI
CABO FRIO 6 Rio Negro Complex Ng1r Hornblende-biotite tonalitic, thrust-related orthogneiss
SP
Town

s
25 N
Pg1jf
RJ A OC
EA with interleaved amphibolite bands and intrusive apophyses of Serra dos Órgãos
City

s
50 MNpit
TIC granitoids

s
s
AN
44,45 ATL 7. Serra dos Órgãos Suite Ng2ss Santo Aleixo Unit Marginal facies of the

s
s
25
50 20
s
24° 24° batholith with abundant paragneissic country-rocks xenoliths, in situ migmatites
and S-type leucogranites

s
Pg1jf
s
s MNpit
s s
Pg1jf
44° 42°
8. elc Canaã Alkaline Massif - Nepheline syenite (lichtfieldite)
PHOTO 06 43 s s
s 25
s MNpit
9. Serra dos Órgãos Suite Ng2s serra dos Órgãos Unit Foliated hornblende-
Quirino Suite: granulite-facies mylonitic orthogneiss with dominant enderbitic and 42 s
Pg1jf
minor noritic composition, interleaved with high-grade mylonitic paragneisses 20
s s 25
15 s
s
biotite bearing coarse grained granitoids
MNpit
10. Ng2a Serra da Araras Suite Garnet-two micas S-type, coarse grained,
s
70
bands (left). Exposure located within the highest strain zone of the Paraíba do Sul
s
41 s s
s s

Shear Zone. (Right) Syntectonic, strike-slip-related intrusion of ultramylonitic


s
5 40
s
porphyritic granite with abundant partially melted remnants of paragneissic
Ng3as
s

leucogranite (S-C tectonite) from Santo Antônio de Pádua Suite s MG


country-rock
s 60 RJ
MNpit MNpit
11. Pg1q Quirino Suite Orthopyroxe-hornblende-biotite granulite-facies
MNpit
orthogneisses, affected by strong, high-strain directional shear zone deformation,
s
38,39 s

Pg1q
s
37
15 Pg1q showing local domains of retrogressive amphibolite-facies; interleaved with
abundant granulite/amphibolite-facies paragneisses of Paraíba do Sul Complex
s
70
10 MG
36 Pg1q s
RJ 12. Ng2ab Serra das Abóboras Granite Garnet-two micas S-type coarse grained
Pg1q 35 10
N10°/75NW shear zones porphyritic granites with abundant partially melted remnants of the paragneissic
s
TRÊS 34 s
RIOS s
33 10
30,31,32
Pegmatite country-rock
13. Pg1jf Juiz de Fora Complex TTG banded orthopyroxene-bearing granulitic
Pg1q 75
29
am
gneisses of enderbitic to charnoenderbitic composition, with abundant
MNps 28
cs
am cs
gabbronoritic intercalation
cs
ca 6m 14. Ng2c Anatectic charnockites Garnet-hornblende charnockites with magmatic
PHOTO 05 27 20 MNps
cs textures and discrete overprinted strike-slip-related foliation
Paraíba do Sul Complex (São Fidélis Unit): high-grade, gray, cordierite-sillimanite Ng3a 45

bearing (kinzigitic) paragneiss (mesossome), with subparallel veins and bands of Kinzigite Dominantly Pegmatites
Seção 2
35 75
25,26 23,24
garnet bearing granitic leucossomes (white). Possible layer-by-layer, in situ
ca
10
s
s
calc-silicated
melting (migmatite) s 50
20 Areal rocks
Cordierite-garnet-biotite STUDIED THIN SECTIONS ORDERED AS IN THE PROFILE
s

s
s
10 45 C Pegmatite paragneiss (kinzigite), calc-

s
Ng3a
s
Fol.N60E/50NW
silicate rocks (cs) and Observations
s
35

s
Budins with
s
30
amphibolite (am)

s
s

40
s
21,22 Granitoids subhorizontal axes Pegmatite
1. Unless otherwise mentioned, the studied granitoids and orthogneisses are
Ng1r 50m metaluminous, I-type
Ng1r
s

Ng1r
2. U-Pb SHRIMP dated samples in red
50
s s
s
s am
20 Pedro do Rio Ng2 s
s
18,19
70 1 Porphyroclastic, coarse grained, biotite syenogranite gneiss 559 ± 4 Ma 559±4 Ma
2 Porphyroclastic, coarse grained hornblende-biotite syenogranite gneiss
17

16
40

Ng1p
am
Seção 1 Pegmatite
3 Foliated, medium grained, sillimanite-garnet-two micas syenogranite gneiss
4 Biotite-hornblende tonalite
PHOTO 04 5 Biotite-amphibole nepheline syenite
Rio Negro Complex: highly transposed, banded tonalitic gneiss, interleaved with
Itaipava
Orthogneisses and Tonalitic amphibolites and
6 Biotite-amphibole nepheline syenite
fine (dm), dark, amphibolite bands. The light bands are intrusive granitic subconcordant pegmatitic porphyroclastic, concordant 7 Quartz amphibolite

AY
granitoids; pegmatites

HW
15
apophyses from adjacent Serra dos Órgãos Batholith Ng2s veins 8 Porphyritic biotite granite

HIG
40
9 Foliated (garnet)-biotite granodiorite

-0
BR
50 TERESÓPOLIS
0 .1 0 0
10 Foliated biotite granodiorite
569 ± 6 Ma (2 s )
6 10

50
11 Foliated biotite granite
n = 17 c 2 0,88
15
10
Orthogneisses and associated 12 Foliated hornblende-biotite quartzodiorite
porphyroclastic granitoids
0 .0 9 5

13 Foliated hornblende-biotite granite


5 80
2 06
Pb 5 70 14
14 Foliated hornblende-biotite granite
2 38
U 25
5 60
13 PETRÓPOLIS
0 .0 9 0
50 Ng2SS 15 Foliated hornblende-biotite granite
5 40

5 30 12 45
STRUCTURAL LEGEND 16 Foliated sillimanite-biotite S-type granite
17 Foliated hornblende-biotite granodiorite
Contact
0 .0 8 5
0 .5 0 0 .6 0 0 .7 0 0 .8 0 0 .9 0
2 07
Pb/ 2 35
U 11
Serra do Órgãos (Granodiorite)
(Granodiorite)
18 Epidote-clinopyroxene-quartzofeldspathic gneiss (calc-silicate xenolith)
BR-0
40
Approximate contact 19 Foliated hornblende-biotite porphyritic granite
PHOTO 03 20 Foliated, coarse grained, hornblende-biotite granodiorite 569 ± 6 Ma 569±6 Ma
Vertical and inclined foliation
45
9,10
Dated outcrop of Serra dos Orgãos Suite: foliated, coarse grained hornblende bearing 60 21 Foliated biotite-hornblende quartzodiorite
regional facies
Ng2SS
25 Vertical and inclined mylonitic foliation 22 Biotite granite gneiss
23 Foliated garnet-hornblende-biotite quartzodiorite
Horizontal and inclined stretching lineatio
70
10
20 MNps
24 Foliated hornblende-biotite granite
7,8
60

elc
10
Minifold axis 25 Sillimanite-garnet biotite quartzofeldspathic gneiss (metagrywacke)
26 Sillimanite-garnet-biotite quartzite
5,6
Qa Fault shear zone 27 Mylonitic two micas-sillimanite-garnet S-type granite
Strike slip-related fault
15

28 Mylonitic biotite granite gneiss


Qa
s s
Thrust-related fault 29 Foliated, porphyritic hornblende-biotite granite
30 Mylonitic hornblende-clinopyroxene norite
s s
Oblique thrust-related fault 31 Mylonitic biotite charnockite gneiss
4 Ng2SS
Structural lineaments 32 Mylonitic hornblende-biotite garnet tonalite gneiss
33 Mylonitic garnet-biotite S-type granite
PHOTO 02
x x
Dextral and sinistral transcurrence (section) 34 Mylonitic garnet-hornblende-clinopyroxene norite
Serra dos Órgãos Suite: coarse grained, hornblende bearing, foliated granodiorite Ng2SS BAY
in a high-strain zone, with S/C conjugated foliations overprinted on Qa
BAR
A Thrusting (section) 35 Mylonitic biotite granite
ANA 36 Foliated biotite granite
quartzofeldspathic aggregates. Arrow in the scale is northward oriented GU
37 Foliated hornblende-biotite granite
Ng2SS
DUQUE DE 38 Foliated hornblende-biotite metaquartzodiorite
CAXIAS 39 Foliated hornblende-biotite granite
40 Foliated, porphyritic biotite granite
0 .1 1

6 50

559 ± 4 Ma (2s )
n = 21 c2 2.24
Qa DO GOVERNADOR 41 Foliated hornblende-biotite tonalite
BR ISLAND
Ng2SS 42 Foliated garnet-two micas S-type granite
0 .1 0
6 00 -0
40
2 06
Pb B Hig
2 38
U hw 43 Protomylonitic garnet-biotite charnoenderbite
AUTORES/AUTHORS
ay
0 .0 9 5 50
44 Mylonitic hornblende norite
5 00
.
Ng2SS 45 Altered norite
0 .0 8
0 .6 0 .7 0 .8 0 .9 1 .0
Rio-Niterói Bridge 46 Altered norite
Reginaldo Alves dos Santos
2 07 2 35
Pb/ U
Pão de Açúcar Granite Qa 47 Mylonitic biotite-hornblende enderbite
NITERÓI CITY 48 Mylonitic biotite charnoenderbite
PHOTO 01 Ng1ra
Luiz Carlos da Silva 49 Mylonitic garnet-biotite enderbite
50 Mylonitic biotite charnoenderbite
Rio de Janeiro Suite/Pão de Açúcar Granite: polished surfaces of Pão de Açúcar
Granite seen in the façade of the Geological Survey of Brazil (CPRM)
Qa
3
Hélio Canejo da Silva Cunha 51 Mylonitic hornblende-biotite enderbite
headquarters in Rio. Since 19th century and until a few decades ago, this rock Ng2rc 52 Mylonitic biotite granite
MNps
has been used as dimension-stone in many buildings around the country. The 1,2

megaporphyroclastic (augen), mylonitic texture, is the main field characteristic of Ng2rc COLABORADORES/COLLABORATORS
the unit. The dominant asymmetrical microcline porphyroclasts, seen on the RIO DE JANEIRO CITY
A

Qm
polished surfaces, may be ascribed to solid-state deformation, overprinted on
magmatic flow fabrics. Approximately 2,000 m NE of Pão de Açúcar hill peak,
behind the Rio Sul Shopping building, the megaporphyritic facies occurs as product IC OCEA
N Paulo César Santarém
ATLANT
Nolan Maia Dehler
5 0 5 10 15 20km
of in situ partial melting of high-grade kinzigitic paragneiss (metagraywacke)
remnants . The SE gently dipping foliation regionally observed within the unit is PROJEÇÃO UNIVERSAL TRANSVERSA DE MERCATOR
related to its cooling in a contractional, thrust-related stress field, during the
Brasiliano III collisional peak, at ca 560Ma.
D C B A
CPRM
Serviço Geológico do Brasil

Pão de Açúcar Sugar Loaf Hill


2000m 2000m
Mundo Novo Mountains
JUIZ DE FORA

PETRÓPOLIS

RIO DE JANEIRO CITY


Paraiba do Sul River

2001
Araras Mountains

1500 1500
Paraibuna River

Piabanha River
Paraibuna River

BR-040 Highway
TRÊS RIOS

Ng1 r
1000 Ng1r 1000
MNpit MNpit Ng2s
Pg1jf MNpit Pg1jf Pg jf Ng1r Ng2ss
MNpit 1 MNpit MNps Pg1q MNps x ca x Ng3a ca Ng3a MNps x Ng1r
500 x
x
x Ng2ss 500
Pg1jf Pg1q Ng2ss
Ng2c Pg1jf
MNpit
P g1 q
Pg1q MNps Qa Qa Qa Qa Qa Qa Qa GOVERNO DO ESTADO
0 Pg1jf Ng3as MNps
ca 0
MNps
MNps
MNps el c Ng2ss MNps Ng2rc
Ng1ra
Ng2r
Rio de Janeiro

Figura 5
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

2
ARQUEANO
2.1 Complexo Mantiqueira (Am) mergulhos predominantes para sul, paralela a um
bandamento composicional.
Introdução O contato entre a unidade e os metassedimentos do
Complexo Embu dá-se através de uma zona de cisa-
O embasamento retrabalhado dos metassedi- lhamento de baixo ângulo com vergência para NW e
mentos meso-neoproterozóicos no noroeste do es- relacionada à fase principal de deformação Brasiliana.
tado é composto por ortognaisses tonalíticos ban-
dados do Complexo Mantiqueira (Barbosa, 1954, Petrologia, Geocronologia e Evolução
Ebert 1955, 1956a e 1956b) de idade arqueana Tectono-magmática
(Cordani, et al. 1973).
Sua ocorrência é restrita ao extremo-noroeste do Trata-se de hornblenda-biotita ortognaisses to-
estado, próximo às divisas com os estados de Mi- nalíticos finamente (cm) bandados, com alternân-
nas Gerais e São Paulo. Sua área de exposição é cia de bandas quartzo-feldspáticas e bandas máfi-
muito restrita, com cerca de 35km de comprimento cas. Intercalações métricas a decimétricas de anfi-
na direção NE-SW por 4km de largura. Acha-se in- bolitos, geralmente boudinados, são freqüentes,
tercalado em metassedimentos do Complexo fornecendo à associação afinidades com os terre-
Embu, a sul, e do Grupo Andrelândia, a norte. A uni- nos bimodais arqueanos, do tipo TTG.
dade é injetada pelos granitóides da Suíte Pedra Não existem estudos químicos nem isotópicos
Selada (Ng3p). dessas rochas, sendo sua correlação com o Com-
plexo Mantiqueira s.s. baseada apenas em estudos
Relações Estruturais estruturais e petrológicos.
Caso futuros trabalhos geocronológicos com-
São ortognaisses de fácies anfibolito, localmente provem a correlação da unidade com o Complexo
mostrando venulações resultantes de fusão parcial Mantiqueira, esta seria a ocorrência mais oriental
in situ. Caracterizam-se estruturalmente por uma de um fragmento arqueano, desmembrado do em-
foliação tectônica de baixo a médio ângulo, com basamento do Cráton do São Francisco.

– 13 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

3
PALEOPROTEROZÓICO
3.1 Complexo Região dos Lagos (Pg1rl) proterozóica (Fonseca et al. 1998), embora Schmitt
et al. (1999) admitam a possibilidade de uma idade
Introdução cambriana, obtida através de datações U-Pb con-
vencionais.
Foi originalmente descrito como “Unidade Re-
gião dos Lagos” por Reis et al. (1980). Gomes et al. Petrologia, Geocronologia e Evolução
(1981) e Ferrari et al. (1981) apresentaram as diver- Tectono-magmática
sas folhas geológicas, na escala 1:50.000, que in-
cluem o complexo. Petrograficamente são biotita-plagioclásio-mi-
É constituído por ortognaisses bandados/dobra- croclina ortognaisses tonalíticos a graníticos, local-
dos, cinzentos, de composição tonalítica a graníti- mente com variações portadoras de hornblenda.
ca, com abundantes paleodiques anfibolíticos de- São porfiróides, foliados, metamorfizados na fácies
formados. Em alguns locais encontram-se parcial- anfibolito, com freqüentes venulações leucossômi-
mente fundidos, com geração de venulações graní- cas de leucogranitos anatéticos sintangenciais.
ticas sintectônicas à deformação regional. Várias fases de granitóides intrusivos não defor-
Constitui um extenso bloco na região cen- mados cortam os gnaisses. Enclaves xenolíticos de
tro-leste do estado, com cerca de 125km de com- metamargas ocorrem em áreas restritas.
primento, com largura variável de 50km no sul e mí- Foram identificadas duas gerações de paleodi-
nima de 4km mais a norte. ques anfibolíticos. A primeira, mais antiga, caracte-
riza-se por finos níveis, descontínuos e dobrados,
Relações Estruturais dispostos concordantemente com a foliação dos
ortognaisses dominantes do complexo Região dos
O complexo caracteriza-se por foliações com Lagos, como se observa na pedreira paralisada de
mergulhos fracos, ora para nordeste, ora para su- São Pedro d’Aldeia. A segunda, mais jovem, ocor-
deste, e por forte e persistente lineação de estira- re, por exemplo, na pedreira abandonada da fazen-
mento, com indicação de transporte para NW. da de São José do Mutum e guarda ainda caracte-
Esses elementos teriam tido uma geração pré-neo- rísticas de um corpo intrusivo, nitidamente discor-

– 15 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

dante da foliação preferencial dos ortognaisses também excluídas desse complexo as rochas char-
grossos, encaixantes. nockíticas geradas no Ciclo Brasiliano, anterior-
Zimbres et al. (1990a) obtiveram pelo método mente confundidas com os gnaisses charnockíti-
U/Pb em zircão a idade de 1.981 ± 18Ma, conside- cos do complexo, e passam a integrar a Suíte Bela
rada como a de cristalização do ortognaisse (tabe- Joana (Ng2b).
la 1). O diagrama apresentou um intercepto inferior Aflora no quadrante noroeste do estado, próximo
em 488 ± 55Ma, sugerindo os efeitos termais do à divisa com o Estado de Minas Gerais, na forma de
Evento Brasiliano. lentes estreitas e alongadas (até 80km de compri-
A geração paleoproterozóica dos protólitos dos mento).
ortognaisses foi recentemente confirmada por O complexo foi subdividido em duas unidades li-
Schmitt et al. (1999), que obtiveram idades U-Pb toestratigráficas informais:
em zircão (Tabela 1) entre ca 2.000 e 1.960Ma (in-
tercepto superior) e ca 520Ma (intercepto inferior), Unidade Pg1jf
essas últimas atribuídas ao retrabalhamento neo-
proterozóico. É constituída predominantemente de granodiori-
Fonseca et al. (1994) obtiveram uma idade mo- tos/tonalitos a hornblenda-biotita- clino e ortopiro-
delo TDM entre 2.700Ma e 2.300Ma, indicando a xênio, do tipo TTG, de granulação média a grossa,
idade máxima de formação dos protólitos dos or- cinzentos a esverdeados, homogêneos, com finas
tognaisses. Idades isocrônicas Rb/Sr e Sm-Nd em bandas félsicas alternando com bandas máficas,
torno de 2.050Ma mostram a época da cristaliza- às vezes com granada, com predomínio da compo-
ção magmática. Os valores de eNd foram de (-6) e sição enderbítica.
(-7), mostrando o envolvimento de manto litosférico
na geração dessas rochas. Unidade Pg1jfa
Fonseca et al. (1979), Fonseca & Poupeau
(1984), Zimbres et al. (1990) e Fonseca et al. Essa unidade encontra-se melhor caracterizada
(1994), dentre outros, sugerem que esse domínio nas proximidades de Volta Redonda. Compreende,
corresponda a um fragmento da Placa Angolana, basicamente, biotita-hornblenda ortognaisse de
acrescida à borda leste da Província Mantiqueira composição tonalítica a granodiorítica, subordina-
na Orogênese Brasiliana. Schmitt et al. (1999) obti- damente granítica. São rochas meso a hololeuco-
veram a idade de ca 520Ma para esse evento, re- cráticas, localmente exibindo estruturas porfiroclás-
presentando a colagem final do Orógeno Brasilia- ticas. Esse conjunto de fácies anfibolito é de difícil
no, por eles designado de Orogênese Búzios. discriminação dos ortognaisses da Suíte Quirino.

Relações Estruturais
3.2 Complexo Juiz de Fora (Pg1jf, Pg1jfa)
A unidade ocorre na forma de uma série de me-
Introdução galentes alongadas na direção NE-SW, caracteri-
zadas por intercalações tectônicas entre rochas
A unidade foi inicialmente designada como “Sé- supracrustais metamorfizadas em alto grau e mig-
rie” Juiz de Fora por Ebert (1956a) abrangendo os matizadas, e, localmente, com os ortognaisses da
termos catazonais da sua “Série” Paraíba. Suíte Quirino. Quatro dessas faixas ocorrem entre
No presente trabalho inclui ortognaisses tipo Resende, Volta Redonda e Afonso Arinos, a noroes-
TTG (tonalitos-trondhjemitos-granodioritos) com in- te de Valença, e uma entre Vassouras e Três Rios,
tercalações de gnaisses máficos, toleiíticos (gnais- imediatamente a noroeste da Zona de Cisalhamen-
ses bimodais) e ortognaisses potássicos. Foram to do Rio Paraíba do Sul. Podem alcançar até cerca
caracterizadas duas unidades: a primeira, domi- de 80km de comprimento por menos de 5km de lar-
nante e metamorfizada em fácies granulito (Pg1jf), e gura aflorante.
a outra em fácies anfibolito (Pg1jfa). Essas intercalações efetuam-se principalmente
Intercalações de paragnaisses, genericamente por zonas de cisalhamento de médio a alto ângulo
designadas como Unidade Itaperuna por Barbosa com movimentação direcional dextral a oblíqua
& Grossi Sad (1983), foram desmembradas e pas- dextral, com componentes de empurrão com topo
sam a integrar novamente o Complexo Paraíba do para noroeste e, mais localmente, por empurrões
Sul, conforme conceito original de Ebert. Ficam strictu sensu com topo para noroeste. Foram obser-

– 16 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

vados também empurrões com vergência de topo (Machado et al., 1996) forneceram um intercepto
para nordeste. A relação de idade entre essas zo- superior de 2.134Ma, interpretado como a idade de
nas de cisalhamento não pôde ser determinada. cristalização da rocha, enquanto o intercepto inferi-
Localmente há registros de movimentações sinis- or, de 579Ma, foi atribuído ao metamorfismo brasili-
trais mais antigas que as zonas dextrais. ano. Essas idades são correlatas às obtidas para a
Em regiões limítrofes de MG, nos arredores de Suíte Quirino por Valladares (1996) e Machado et
Leopoldina, ocorrem zonas de cisalhamento con- al. (1996), também interpretadas como idades de
tracionais com componente oblíqua sinistral, que cristalização dos precursores dos ortognaisses (ta-
chegaram a esculpir um megassigmóide de morfo- bela 1).
logia concordante com o movimento sinistral. Trata- Relacionados a essa fase tangencial neoprote-
se de uma inversão para um domínio de zonas de rozóica ocorrem freqüentes mobilizados de com-
cisalhamento contracionais com componentes posição charnockítica, resultantes da fusão parcial
oblíquas sinistrais (figura 5, Seção 3). dos gnaises TTG (magmas tipo C, de Killpatrick &
Na região de Valença os contatos entre os or- Ellis 1992) (figura 5, Seção 3).
tognaisses da Suíte Quirino e os granulitos do Dados Sm-Nd obtidos por Fischel et al. (1998) e
Complexo Juiz de Fora dão-se por empurrões, e, Machado et al. (1996) no Estado de Minas Gerais
aparentemente, tornam-se oblíquos a NE e SW, forneceram idades-modelo T DM de 2.130 a
onde há mudanças nas direções das zonas de ci- 2.220Ma, indicando idades máximas paleoprotero-
salhamento. zóicas para os protólitos dos ortognaisses, e confir-
É possível que futuros trabalhos comprovem mando a idade paleoproterozóica obtida por Ma-
uma relação de cogeneticidade entre a Suíte Quiri- chado et al. (1996).
no e o Complexo Juiz de Fora, porém, ao nível atual As assinaturas químicas e isotópicas do Com-
de conhecimentos, as mesmas foram tratadas dis- plexo Juiz de Fora podem ser interpretadas como
criminadamente. Da mesma forma, é possível que, provenientes de uma crosta tipo TTG gerada no Ci-
em parte, as intercalações de paragnaisses, aqui clo Transamazônico. Trata-se das raízes de um
incluídos no Complexo Paraíba do Sul, venham a arco pré-colisional acrescido à margem oriental do
ser comprovadas como componentes de um ciclo Cráton do São Francisco, ligada à convergência
sedimentar anterior (Paleoproterozóico), porém os para W do Cráton do Congo, contra o Cráton do São
dados obtidos ainda não permitiram tal enfoque. Francisco.
Posteriormente, durante um nova colisão relacio-
Petrologia, Geocronologia e Evolução nada ao Ciclo Brasiliano, há ca 580Ma, esse arco
Tectono-magmática transamazônico foi fortemente retrabalhado em
condições de fácies anfibolito a granulito, e empur-
A associação dominante inclui enderbito, char- rado novamente contra o Cráton do São Francisco,
nockito e norito e seus equivalentes de fácies anfi- gerando os gnaisses regionais (Alkmim & Fonseca,
bolito (ortognaisses tonalíticos e granodioríticos e 1998; Cunningham et al., 1998).
metagabros). Barbosa & Grossi Sad (1983) classifi-
caram os ortognaisses em três associações: bási-
ca, intermediária e ácida. À primeira atribuíram uma 3.3 Suíte Quirino (Pg1q)
origem ígnea, toleiítica e de fundo oceânico. A assi-
natura química ortoderivada das seqüências inter- Introdução
mediárias e ácidas foi determinada em trabalhos
mais recentes (e.g. Duarte et al., 1997). A Suíte Quirino foi descrita por Machado (1984)
Dados petrográficos, químicos e geocronológi- nos arredores das cidades de Vassouras, Para-
cos recentes (Duarte et al., 1999; Valladares, 1996, cambi e Valença, na porção oriental da folha Volta
Machado et al., 1996) indicam que corpos plutôni- Redonda (escala 1:250.000). Aflora no quadrante
cos de granada charnockitos das imediações de noroeste do estado, entre as zonas de cisalhamen-
Juiz de Fora, anteriormente atribuídos ao complexo to Paraíba do Sul e Valença (Rio Preto).
homônimo, são fusões a seco de rochas preexis- Posteriormente, a unidade foi estudada por Heil-
tentes, ocorridas durante o pico do metamorfismo bron (1991, 1993), Machado et al. (1996), Vallada-
brasiliano (ca 580Ma). res (1996), Valladares et al. (1997a) e Oliveira et al.
Idades obtidas pelo método U-Pb convencional (1999). Gnaisses correlatos afloram em uma exten-
em zircão, em amostras do Estado de Minas Gerais sa faixa de orientação geral NE-SW, desde o limite

– 17 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

nordeste da Folha Volta Redonda, até as imedia- A estrutura imbricada, na qual são observáveis
ções da cidade de Getulândia, na porção central níveis da Unidade Quirino tectonicamente interca-
da mesma folha. lados com o Complexo Paraíba do Sul, deve-se ao
Heilbron (1993) estudando as rochas da oportu- intrincado arranjo de dobras e falhas do conjunto
namente denominada “Suíte Intrusiva Quirino-Do- (figura 5, Seção 1).
rândia”, assinalou o caráter homogêneo destes
gnaisses e interpretou o protólito dos mesmos Petrologia, Geocronologia e Evolução
como ortoderivado. O caráter intrusivo destas ro- Tectono-magmática
chas foi inferido a partir da observação de xenólitos
de quartzitos, rochas calcissilicáticas e anfibolitos, A unidade é constituída de hornblenda gnaisses,
muito semelhantes às encaixantes (Complexo Pa- hornblenda-biotita gnaisses e biotita granitóides
raíba do Sul). homogêneos, localmente ocorrendo também anfi-
bolitos. Todos os litótipos possuem mobilizados fél-
sicos, que conferem um aspecto migmatítico aos
Relações Estruturais gnaisses.
Heilbron (1993) reconheceu duas associações
Os ortognaisses desta unidade têm estruturas in- principais: hornblenda-biotita granitóides de com-
ternas variáveis, localmente caracterizadas por um posição granodiorítica a tonalítica, e biotita granitói-
bandamento gnáissico espesso (centimétrico), ou des de composição monzonítica a granodioríti-
por estruturas foliadas relativamente homogêneas ca/granítica, provavelmente mais antigos que os
(Machado, 1984). O bandamento gnáissico/folia- granitóides a hornblenda.
ção tectônica principal tem atitude preferencial- Valladares (1996), de maneira semelhante a Heil-
mente suborizontal com mergulho variável, fato atri- bron (1993), subdividiu os ortognaisses Quirino em
buído a dobras abertas com eixos suborizontais e duas seqüências principais: uma granodiorítica,
superfície axial vertical, de grandes amplitudes e cuja assinatura é similar às séries calcioalcalinas
comprimentos de onda (Machado, 1984). Uma ex- pré-colisionais, sendo, portanto, interpretada como
ceção a este padrão estrutural é verificada no interi- representante de arco magmático pré-colisional; e
or de zonas de cisalhamento direcionais, onde a uma granítica, de alto potássio, mais rica em ele-
estrutura planar é essencialmente vertical (Macha- mentos LILE, com assinatura química calcioalcalina
do, 1984, Valladares, 1996). Nestas porções pode e de características pós-colisionais (Valladares,
ocorrer o desenvolvimento de tramas constriciona- 1996).
is (tectonitos L) (figura 5). Os dados litogeoquímicos disponíveis foram ob-
Para Machado (1984), os ortognaisses desta as- tidos por Valladares (1996) e Valladares et al.
sociação afloram em núcleos de estruturas antifor- (1997a). Segundo estes autores, o magmatismo
mais, tendo sido, por este fato, interpretados como que originou os protólitos dos ortognaisses desta
embasamento das rochas supracrustais do Com- suíte pertencem a duas séries calcioalcalinas dis-
plexo Paraíba do Sul. A presença de xenólitos de tintas, relacionadas à implantação de um arco
rochas supracrustais, inicialmente interpretados magmático. Valladares (1996) assinalou que a sé-
como pertencentes ao Complexo Paraíba do Sul, rie calcioalcalina alto potássio, relativamente mais
indica a existência de associações metassedimen- rica em elementos incompatíveis, teria se formado
tares mais antigas (pré-neoproterozóicas), ainda por fusão de crosta espessada.
não cartografadas na região. Os dados isotópicos U/Pb em zircão (Tabela 1)
Para Heilbron (1993), os ortognaisses Quirino forneceram idades de 2,17 e 2,18Ga (Machado et
afloram na escama tectônica superior da estrutura al. 1996, Valladares, 1996), interpretadas pelos au-
regional imbricada da Faixa Ribeira, associados tores como idade de cristalização dos precursores
aos metassedimentos do Complexo Paraíba do Sul. dos ortognaisses, caracterizando dessa maneira
O contato basal desta escama é dado por empur- um arco magmático paleoproterozóico. Idades
rões com vergência de topo para noroeste, na altu- mais antigas, arqueanas (2,85 – 2,98Ga), foram in-
ra da cidade de Valença (Machado 1984, Heilbron terpretadas como herança crustal (Machado et al.
1993). Em termos regionais, os contatos dos ortog- 1996, Valladares, 1996). Outros dados U/Pb obti-
naisses e as rochas de cobertura são invariavel- dos em titanitas e zircões (interceptos inferiores)
mente tectônicos (Machado, 1984; Heilbron forneceram idades no intervalo de 0,6 a 0,5Ga (Ma-
1993). chado et al. 1996, Valladares et al. 1997), e foram

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

interpretadas como idades do retrabalhamento bra- mais recente que a obtida por Machado et al. (1996).
siliano (metamorfismo) (Valladares, 1996; Machado Da mesma maneira os dados U-Pb em outros ortog-
et al., 1996). Mais recentemente Schmitt et al. (1999) naisses da região (Zimbres et al., 1990; Valladares et
obtiveram idades U-Pb de ca 1.950Ma confirmando al., 1996) indicam uma idade aproximada de
a existência de importante evento, acrescionário 2.000Ma para esse evento (tabela 1).

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

4
MESO/NEOPROTEROZÓICO
4.1Grupo Andrelândia (MNa) e xistos com intercalações métricas de quartzitos
puros e feldspáticos.
Introdução Associação faciológica IV (b1) – formada por ro-
chas semipelíticas e granada-biotita gnaisse ban-
Ebert (1955) designou de Grupo Andrelândia os dado com intercalações de quartzitos.
metassedimentos expostos na região da cidade A evolução da bacia Andrelândia está relaciona-
homônima. Constitui uma estreita faixa composta da à fase pré-orogênica da Faixa Brasília, a partir
por metassedimentos de fácies anfibolito, que ocu- da fragmentação do Supercontinente Rodínia, ten-
pa o extremo-noroeste do estado, junto à divisa do evoluído para uma margem passiva neoprotero-
com os estados de Minas Gerais e São Paulo. Foi zóica (e.g. Paciullo, 1997; Heilbron, 1993; Trouw et
correlacionada ao Grupo Andrelândia, exposto no al., 2000).
Estado de São Paulo (Paciullo, 1997). A faixa tem
32km de comprimento, com largura variando de 4 a
10km, daí estendendo-se para os dois estados limí- Evolução Metamórfico-Estrutural,
trofes. Idade e Correlações

Estruturalmente, os litótipos são caracterizados


Associações Faciológicas e Significado por uma foliação tectônica de baixo a médio ângu-
Paleoambiental lo, com mergulhos predominantes para sul, parale-
la a um bandamento composicional. Nesta folia-
Os metassedimentos aflorantes neste domínio ção, as lineações de estiramento/mineral e os indi-
correspondem a duas das associações faciológi- cadores de sentido de cisalhamento observados
cas detalhadas regionalmente por Paciullo sugerem uma movimentação predominantemente
(1997) e são descritas a seguir, da base para o oblíqua dextral, com componente de empurrão,
topo: embora movimentações direcionais também te-
Associação faciológica I (a4) – composta por nham sido documentadas. Aspectos estruturais de
uma seqüência estratificada de biotita gnaisse fino campo sugerem que a deformação tenha sido ins-

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Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

talada em condições metamórficas da fácies anfi- minense, ao contrário da porção paulista, caracteri-
bolito alto, zona da sillimanita. zada como sendo de média P/T.
Em termos regionais, o metamorfismo princi-
pal que afetou os metassedimentos do Grupo
Andrelândia, segundo Trouw et al. (1986), é de Associações Faciológicas e Significado
pressão intermediária. Heilbron (1993) propôs Paleoambiental
uma evolução tectônica semelhante para o sul
do Estado de Minas Gerais e para o Rio de Janei- Foram reportados metassedimentos pelíticos,
ro. Os metassedimentos do Grupo Andrelândia, gnáissicos ou xistosos, com sillimanita e granada,
correlatos aos dos grupos Araxá e Canastra, fo- rochas calcissilicáticas, gnaisses kinzigíticos,
ram empurrados para leste, segundo a tectônica gnaisses semipelíticos e, subordinadamente,
da Faixa Brasília e, posteriormente, sofreram en- gonditos. Localmente ocorrem expressivos estra-
curtamento N-S correlato à tectônica da Faixa Ri- tos de quartzitos feldspáticos grossos. Os metas-
beira. sedimentos, quando composicionalmente favorá-
As rochas metassedimentares estão migmatiza- veis, associam-se a granitos do tipo S, individuali-
das, quando composicionalmente favoráveis. záveis ou não na escala deste trabalho. Do ponto
Associam-se, portanto, a corpos relativamente res- de vista da faciologia metamórfica reportada
tritos de leucogranitos com granada, turmalina, bio- acima, a unidade é indistinguível, tanto do Com-
tita e muscovita. plexo Paraíba do Sul, quanto do Grupo Andrelân-
dia, devendo constituir um segmento de margem
passiva de idade neoproterozóica.

4.2 Complexo Embu (MNe)


Evolução Metamórfico-estrutural,
Introdução Idade e Correlações

A caracterização original do Complexo Embu é O metamorfismo que afetou os metassedimen-


devida a Hasui (1975), que empregou o termo tos é da fácies anfibolito alto, zona da sillimanita,
Complexo Embu para designar os migmatitos da sendo freqüente a presença de bolsões de fusão
base do Grupo Açungui em São Paulo. in situ e passagem gradativa para granitóides S.
Ocorre na extremidade noroeste do estado, em Embora na literatura do estado a extensão flumi-
uma extensa faixa de direção NE-SW, com 120km nense do Complexo Embu seja, via de regra, con-
de comprimento e largura máxima de 16km no sul, siderada correspondente ao Complexo Paraíba
estendendo-se daí para o Estado de Minas Gerais. do Sul, a descoberta de porfiroclastos reliquiares
Apresenta importantes intercalações de granitos de cianita da fase metamórfica M1 (Silva et al.,
do tipo S, sendo a mais importante a do granito Rio 1991) levanta dúvidas sobre essa correlação. A
Turvo, com 45km de comprimento (estendendo-se caracterização de uma evolução metamórfica sob
para o Estado de São Paulo) e 8km de largura mé- regime de média pressão para o Complexo Embu
dia. Outras intercalações correspondem a ortogna- em São Paulo indica que esse cinturão foi meta-
isses granulíticos do Complexo Juiz de Fora morfizado sob condições distintas do Cinturão Pa-
(Pg1jf). raíba do Sul, o qual é caracterizado por um regime
Embora originariamente reconhecidos apenas de alta T / baixa P.
em São Paulo, Hasui et al. (1981; in Schobbenhaus O significado dessas direrenças para a evolução
et al., 1984) estenderam a ocorrência desses metas- orogênica ainda não está bem definido, requeren-
sedimentos para o noroeste do Estado do Rio de Ja- do trabalhos de maior detalhe para sua compreen-
neiro. são. Entretanto, há uma forte indicação de que, ao
Na presente integração, a correlação da unidade menos do ponto de vista do metamorfismo operan-
nos dois estados foi efetuada com base na continui- te, o Complexo Embu represente uma extensão do
dade geográfica, estrutural e tectônica, e na ausên- Grupo Andrelândia, conforme cartografado em tra-
cia de evidências de qualquer descontinuidade tec- balhos recentes (Trouw et al., 2000). Entretanto,
tônica aparente. Entretanto, devido à escassez de como a evolução desse último está inserida no con-
análises petrográficas, não foi possível determinar o texto da Faixa Brasília, o significado dessa correla-
tipo bárico do metamorfismo atuante na porção flu- ção não está bem compreendido.

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

4.3 Complexo Paraíba do Sul outra faixa, em trabalhos anteriores designada de


Lumiar - Rio Bonito, com prolongamentos no senti-
Introdução do de Campos, está situada na região da Serra do
Mar e contém litótipos aqui agrupados na Unidade
Apesar das definições originais, datadas ainda São Fidélis.
da primeira metade do século 20, e conferindo-lhe Várias lentes menos expressivas, em especial
sempre um caráter essencialmente supracrustal, o dessa última unidade, encontram-se dispersas em
Complexo Paraíba do Sul (CPS) representa uma meio a rochas ortognáissicas, charnockíticas e gra-
unidade estratigráfica que sofreu grandes modifi- nitóides, sendo uma das mais notáveis a definida
cações nas caracterizações estratigráficas, petro- na região da cidade do Rio de Janeiro.
gráficas e tectônicas. Em trabalhos cartográficos de escala regional, a
Moraes Rego (1933) designou de “gneiss do Pa- representação cartográfica e a discriminação entre
rahyba” a um conjunto de rochas contendo cama- paragnaisses parcialmente fundidos (migmatitos)
das lenticulares de calcários magnesianos. Rosier e granitóides S é bastante precária. São observa-
(1952) utilizou o termo “Complexo do Paraíba” para das freqüentemente passagens gradacionais entre
definir o gnaisse com plagioclásio, correlacionável o que se convencionou designar de granito S e
ao “protogneis” de Lamego (1936), observado no suas encaixantes. Portanto, o desenho dessas uni-
vale do rio Paraíba do Sul. Nessa mesma região, dades, no presente mapa geológico do estado,
Ebert (1955) definiu a “Série Paraíba” como sendo deve sofrer, ainda, profundas alterações.
constituída de “quartzito basal, sedimentos clásti-
cos, grauvacas, conglomerados, tilitos (?) e calcári-
os”. Em 1965, Rosier ampliou a assembléia litológica Associações Faciológicas e Significado
com a inclusão de gnaisses diversos e migmatitos, Paleoambiental
charnockitos, mármores, tactitos e “metaquartzitos”.
Lima et al. (1981) empregaram pela primeira vez o No presente trabalho o Complexo Paraíba do Sul
termo Complexo Paraíba do Sul para designar o é composto por três unidades estratigráficas infor-
conjunto de gnaisses granadíferos e kinzigitos da re- mais, estabelecidas com base nos respectivos
gião costeira, do vale do rio Doce ao Rio de Janeiro. conteúdos líticos, a saber:
Na literatura mais moderna, há uma tendência à
hierarquização da unidade como Grupo e a subdi-
visão da unidade aqui cartografada como Comple- 4.3.1 Unidade São Fidélis – MNps
xo Paraíba do Sul em um Grupo Paraíba do Sul e um
Grupo Italva (e.g. Heilbron et al., 2000). Embora em Representa a maior parte da área de ocorrência
regiões mais restritas seja factível e adequada a do Complexo Paraíba do Sul, sendo constituída es-
sua hierarquização como grupo, no presente traba- sencialmente por metassedimentos detríticos, peli-
lho, executado em escala muito regional, não foi to-grauvaqueanos: granada-biotita-(sillimanita)
ainda possível a depuração total do complexo para gnaisses quartzo-feldspáticos (metagrauvacas),
a sua correta representação como grupo. Porém, com ocorrência generalizada de bolsões e veios de
mesmo mantendo em escala estadual a conceitua- leucossomas graníticos derivados de fusão parcial
ção de complexo, esse teve uma significativa redu- in situ e injeções. Variedades portadoras de cordie-
ção em área cartografada. Litótipos anteriormente rita e sillimanita (kinzigitos), comumente apresen-
designados de leptinitos, leucognaisses, gnaisses tando horizontes de xistos grafitosos, exibem con-
facoidais e parte dos “migmatitos”, entre outros ter- tatos transicionais com os granada-biotita gnais-
mos, foram mapeados como granitóides tipo S. ses. De ocorrência mais restrita, por vezes são ob-
Parte dos “gnaisses” mostraram-se produtos orto- servadas intercalações de quartzitos (qz), rochas
derivados. metacarbonáticas e calcissilicáticas (ca), além de
Após a depuração conceitual e cartográfica fo- corpos de anfibolitos e concentrações manganesí-
ram definidas duas faixas principais de ocorrência feras (gonditos?). Em domínios menos deformados
do complexo. Na primeira, exposta nas regiões oci- podem ser percebidas localmente estruturas de
dental e norte do estado, com grande continuidade ressedimentação, decorrentes de fluxos turbidíti-
física, estendendo-se desde a divisa com São Pau- cos (metaturbiditos).
lo até o Espírito Santo, foram distinguidas três uni- Os paragnaisses quartzo-feldspáticos são com-
dades informais: São Fidélis, Italva e Itaperuna. A postos predominantemente de quartzo, feldspato

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Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

(plagioclásio) e biotita, com percentagens variadas uma das conclusões de Grossi Sad & Dutra (1988),
de granada, e são os de distribuição mais ampla no com base em análises litogeoquímicas dos kinzigi-
interior do CPS. O seu caráter paraderivado é de re- tos. O seu posicionamento intermediário entre os
conhecimento relativamente difícil, ainda em esca- campos dos folhelhos e das grauvacas é sugestivo
la de afloramento, quando eles não se encontram de sedimentos originalmente arenosos, mas com
associados com pelo menos um dos termos porta- um grau relativamente baixo de maturidade textu-
dores de excesso de sílica, alumina ou carbonatos, ral. São rochas de cor cinza, granulação fina a mé-
descritos mais adiante. Muitas dessas exposições dia, com uma textura blastomilonítica a milonítica
correspondem aos chamados “gnaisses banda- ao longo das zonas de cisalhamento. Os gnaisses
dos” ou “gnaisses fitados” da região do vale do rio estão manchados por porfiroclastos de feldspato e
Paraíba do Sul. Costumam apresentar um típico as- por abundantes cristais de granada. Grafita e silli-
pecto migmatítico, tendo sido descritos quase manita fibrosa ou prismática fazem parte da assem-
sempre, nos trabalhos anteriores, como metatexi- bléia mineral, embora ocorram como constituintes
tos de estrutura estromática a flebítica. Devido ao menores. O quartzo é lenticular e a biotita é de uma
notável paralelismo entre as bandas de paleosso- variedade rica em titânio. Quando presente, o orto-
ma (biotita-plagioclásio gnaisse) e neossoma clásio é mais abundante que a microclina, o plagio-
(quartzo-feldspático), sucessivamente alternadas, clásio tem a composição de oligoclásio e a magne-
qualquer que seja a origem ou forma particular do tita é o principal mineral acessório.
último, essas estruturas migmatíticas adquirem As rochas calcissilicáticas constituem numero-
uma óbvia conotação sintectônica. As estruturas sas e pequenas lentes e boudins, tendo sido identi-
sedimentares comumente preservadas correspon- ficadas algumas ocorrências maiores em Casimiro
dem a bandamentos primários e refletem variações de Abreu e próximo ao litoral da baía da Ilha Grande
nas proporções relativas de areia, argila e carbona- (Machado Fº et al., 1983). Ocorrem intercaladas ou
tos. No caso dos ritmos verificados nas alternâncias associadas aos corpos de mármores, anfibólio
de gnaisses quartzosos e aluminosos, junto com es- gnaisses e biotita gnaisses, e os protólitos devem
truturas do tipo granodecrescências ascendentes, é corresponder a sedimentos carbonáticos contendo
possível interpretá-los como fluxos gravitacionais abundantes impurezas siliciclásticas (figura 5).
ou, mais especificamente, de correntes de turbidez Grossi Sad & Dutra (1988) sugeriram composições
relativamente densas. originais intermediárias entre rochas pelíticas/argi-
Ao longo da zona de cisalhamento do rio Paraíba losas/carbonáticas e grauvacas. São de coloração
do Sul predominam milonitos com estrutura de fluxo esverdeada a esbranquiçada, de granulação fina,
bem definida, e os gnaisses são comumente lamina- aspecto sacaroidal e estrutura maciça ou bem folia-
dos ou bandados. Os porfiroclastos são abundan- da a bandada. A textura é poligonal, com junções
tes, milimétricos, com formas sigmoidais, estirados tríplices. A mineralogia básica compreende quart-
ou arredondados, e constituídos de feldspato trans- zo, plagioclásio (variável de oligoclásio a bytowni-
lúcido ou branco, na maioria das vezes plagioclásio. ta), carbonato, diopsídio, esfeno e apatita. Algumas
O quartzo também aparece estirado, muitas vezes variedades podem conter microclina, anfibólio
formando níveis descontínuos (figura 5, Seção 2). (hornblenda e actinolita), minerais opacos, epidoto,
Os gnaisses aluminosos granadíferos e kinzigi- escapolita, brucita, biotita e clorita, além de grana-
tos têm uma área de ocorrência bastante expressi- da, zircão e pirita.
va ao longo da faixa que se estende próximo e pa- Os quartzitos constituem corpos descontínuos,
ralelamente ao litoral, conforme foi assinalado por intercalados nos gnaisses devido ao dobramento
Silva & Ferrari (1976). Faixas menores foram identi- regional, e as maiores porções encontram-se a su-
ficadas por Machado Fº et al. (1983) entre Manga- deste de Carmo, a nordeste de Miguel Pereira e nas
ratiba e Três Rios, a mais proeminente compondo serras da Taquara e das Araras. Segundo Grossi
parte da serra das Araras, onde gradacionam para Sad & Dutra (1988), que os consideraram típicos da
granitóides tipo S. Em alguns segmentos a monóto- denominada “Formação Itaocara”, os corpos de
na predominância de gnaisses aluminosos é que- quartzitos são delgados, quase sempre com es-
brada apenas pela presença de rochas calcissili- pessuras aparentes inferiores a 20m, podendo atin-
cáticas, e o registro de quartzitos e rochas anfibolí- gir centenas de metros. São rochas de granulação
ticas é ainda mais esparso. Por vezes são portado- fina a grossa, coloração cinza-esbranquiçada a
res de grafita (kinzigíticos) e derivados de sedimen- amarelada, fraturadas e de brilho vítreo. Por vezes
tos pelíticos/folhelhos e grauvacas. Esta é também exibem passagens gradacionais para termos ricos

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

em micas (quartzo xistos) ou em feldspatos (gnais- ro-Cantagalo. Encontram-se tectonicamente imbri-


ses quartzosos), exemplificando variações laterais e cados com granada-biotita-sillimanita gnaisses
verticais de fácies. Representam os metassedimen- quartzo-feldspáticos, a quartzo-anfibólio- clinopiro-
tos da série com excesso de sílica e contêm teores xênio gnaisses (rochas calcissilicáticas). Foram re-
variáveis de micas (biotita, muscovita e/ou sericita), feridos como “Calcários de São Joaquim” por La-
feldspatos (microclina e plagioclásio, freqüente- mego (1940b) e cartografados, nessa mesma re-
mente caulinizados), sillimanita (fibrosa ou prismáti- gião, como Unidade São Joaquim por Batista et al.
ca), granada e magnetita, além de zircão, rutilo e (1978).
apatita como minerais acessórios. Os grãos de Na região central e setentrional do Estado do Rio
quartzo apresentam contornos angulosos, xeno- de Janeiro, várias massas de mármore com dimen-
blásticos e estão imbricados, formando um mosaico sões até quilométricas encontram-se alinhadas se-
de contatos nítidos. gundo duas faixas paralelas. Formam as serras das
Anfibolitos, de acordo com Silva & Ferrari (1976), Águas Quentes (faixa ocidental), Vermelha e do
são rochas freqüentemente encontradas no interior Portela (faixa oriental), e na região de Italva (serra
do CPS, apresentando o desenvolvimento nítido de do Funil) compõem um grande corpo em forma de
uma estrutura planar (xistosidade). Ocorrem inter- ferradura.
calados nos gnaisses, mormente concordantes Os mármores representam o produto, sob condi-
com a estrutura bandada dos mesmos, bem como ções de metamorfismo de grau forte, de sedimentos
nos corpos lenticulares de rochas carbonáticas. As químicos marinhos, tipificando o extremo de uma sé-
espessuras dos anfibolitos são variáveis desde al- rie com “excesso de carbonatos”. Podem ocorrer
guns poucos centímetros até várias dezenas de muito puros, a exemplo dos vários corpos de már-
metros, mas comumente são decimétricos. Bran- mores calcíticos utilizados na indústria de cimento
dalise et al. (1976) descreveram leitos com grande Portland, com variações para termos dolomíticos, ou
persistência lateral e estruturas dobradas com es- contêm impurezas de quartzo, sendo que os dolomi-
pessamento das charneiras (dobras similares), tos calcíferos predominam sobre os mármores calcí-
considerando-os, ao menos em grande parte, ticos. São de cor branca, cinza (a cinza- azulado) ou
como resultantes do metamorfismo de rochas máfi- esverdeada (dependendo da quantidade de anfibó-
cas. Apresentam uma cor cinza-médio a escuro, lio e/ou piroxênio), podendo também ser encontra-
com tonalidade esverdeada e uma granulação fina dos com tonalidades amareladas ou rosadas. A gra-
a média. Ao microscópio revelam uma textura gra- nulação é média a grossa, mas os mármores dolomí-
noblástica a nematoblástica e associações minera- ticos tendem a ter uma granulação fina. Muitas ve-
lógicas comumente representadas por anfibólio zes constituem corpos maciços, em outros casos
(hornblenda), plagioclásio (andesina, por vezes em são estratificados, evidenciando bem os leitos ou
cristais relictos hipidiomórficos e zonados), biotita e camadas. Ao microscópio mostram uma textura gra-
algum quartzo. Os constituintes acessórios são a noblástica xenomórfica ou hipidioblástica poligoni-
apatita, titanita e zirconita, e entre os produtos de zada e as observações texturais indicam também
alteração ocorrem carbonato, epidoto, sericita e que os mármores sofreram uma cristalização
clorita. pré-tectônica e uma deformação pós-cristalização.
Sobre a (figura 5) gênese dos anfibolitos, Macha- Os termos quartzosos contêm feldspato e minerais
do Fº et al. (1983) destacaram, entre outros aspec- máficos. Grafita ocorre em flocos disseminados e
tos, o elevado conteúdo de titânio e sugeriram uma palhetas intersticiais ou inclusas nos carbonatos. Os
proveniência a partir de rochas ígneas básicas (ba- minerais acessórios dos mármores são o plagioclá-
saltos de alta alumina) a intermediárias (andesitos) sio e a wollastonita (nas variedades com quartzo),
geradas num ambiente tectônico de margem conti- sericita, apatita, titanita, magnetita e pirita. Anfibólio
nental. tremolítico, piroxênio diopsídico, serpentina e olivina
forsterítica ocorrem em mármores dolomíticos.
Alguns corpos de mármore exibem grandes lentes
4.3.2 Unidade Italva – MNpi de calcita romboédrica.
Nas regiões de contato, concordante mas prova-
Esta unidade é caracterizada principalmente velmente de natureza tectônica, com as rochas
pela presença de mármores, que são um produto gnáissicas associadas, Silva & Ferrari (1976) ob-
industrial importante na região, particularmente nas servaram freqüentes zonas laminadas, normalmen-
localidades de Italva, Euclidelândia e Cordei- te com espessura inferior a 20cm, constituídas de

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Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

rochas calcissilicáticas. Em vários locais, como na Barbosa et al. 1981) consideravam-na como uma
serra do Portela e em Italva, foi constatada uma es- unidade do Complexo Juiz de Fora, uma vez que
treita associação dos mármores com anfibólio gna- ela é constituída de granulitos associados a ender-
isses, mas o conteúdo mineralógico dos últimos, en- bitos e charnockitos. Entretanto, esses granulitos
volvendo minerais como hornblenda comum e alla- estão amplamente associados a rochas calcissili-
nita, parece afastar uma hipótese de paraderivação cáticas, quartzitos e até mármores. Em alguns seg-
dos mesmos. mentos, as rochas calcissilicáticas chegam a pre-
No contexto dos gnaisses do CPS também são dominar. Corpos de mármore que se associam a
feitas referências à presença de “para-anfibolitos” gnaisses aluminosos, quartzitos e rochas calcissili-
(Brandalise et al., 1976), que notaram essa associ- cáticas no lado SE da ZCPS, passam a ocorrer en-
ação na serra das Águas Quentes (entre Euclide- tre granulitos, rochas calcissilicáticas e charnocki-
lândia e Itaocara) e na rodovia Itaocara - Jagua- tos/enderbitos do lado NW da mesma ZC. Essas
rembé. Os corpos anfibolíticos ali descritos são de observações permitem supor que as rochas desse
cor verde-escuro a negro, concordantes com o setor fazem parte do mesmo CPS, submetidas ali, a
bandamento gnáissico, e resultariam do metamor- processos distintos daqueles a que foram submeti-
fismo sobre margas. Os gnaisses desses locais das as rochas do CPS ao sul da ZCPS. Isto é, pro-
também contêm anfibólio, além de massas de cessos de granulitização e de fusão a baixa fugaci-
composição carbonática, sob a forma de lentes de dade de H2O e altas temperaturas e pressões. Na
mármore de dimensões variáveis. Outras descri- grande maioria dos trabalhos anteriores, as áreas
ções de boudins e lentes de anfibolitos de origem de ocorrência de paragranulitos eram considera-
comprovadamente sedimentar são encontradas das de idade arqueana.
em Machado Fº et al. (1983), que os caracteriza- Nos projetos executados pela CPRM para o
ram como portadores de estrutura linear a maciça, DNPM (Silva & Ferrari, 1976; Fontes et al., 1981), as
granulação em geral média a fina e coloração ver- rochas dessa unidade foram incluídas na Associa-
de-escuro a cinza-escuro. ção Paraíba do Sul. Silva & Ferrari (1976) descreve-
ram em detalhe as rochas calcissilicáticas e os piro-
xênio-granada gnaisses, comprovando sua origem
4.3.3 Unidade Itaperuna – MNpit a partir de rochas sedimentares. Muitas dessas ro-
chas foram granulitizadas e milonitizadas, e, outras,
Esta unidade foi cartografada, inicialmente, por foram granulitizadas, submetidas a processos de fu-
Barbosa et al. (1981) e incluída no Agrupamento I são a seco e depois milonitizadas. Nesses proces-
dos trabalhos do DRM, juntamente com as unida- sos deformacionais ocorreram softenning e diaftore-
des Raposo e Comendador Venâncio. Posterior- se com transformação da paragênese anídrica para
mente, Grossi Sad & Barbosa (1985) incluíram as hidratada, resultando gnaisses miloníticos de com-
duas últimas unidades no Complexo Juiz de Fora e posição granítica e tonalítica que foram definidos
consideraram a unidade Itaperuna de idade inter- por Barbosa et al. (1981) como Unidade Raposo.
mediária entre este complexo e o Complexo Paraí- Rochas dessa unidade foram incluídas por Go-
ba do Sul, mais novo. Por outro lado, Fonseca mes et al. (1978) nas unidades São José de Ubá,
(1998) separou os Gnaisses Raposo em relação ao Monte Verde e Vista Alegre. No trabalho de Barbo-
Complexo Juiz de Fora, considerando-os como pa- sa et al. (1981), foram consideradas como partes
raderivados e mais velhos que o Complexo Paraíba das unidades Comendador Venâncio, Itaperuna e
do Sul, portanto, aproximadamente na mesma po- Raposo.
sição estratigráfica da Unidade Itaperuna de Gros- Na presente integração, a Unidade Itaperuna
si Sad & Barbosa (1985). (MNpit) é constituída essencialmente de paragra-
No presente trabalho é apresentada uma nova nulitos, rochas calcissilicáticas (às vezes predomi-
conceituação, incorporando à Unidade Itaperuna nantes), fusões quartzo-feldspáticas e, mais rara-
partes das unidades Raposo e Comendador Ve- mente, quartzitos e mármores. Os paragranulitos
nâncio, anteriormente atribuídas ao Complexo Juiz são rochas de granulação fina a média, textura gra-
de Fora por Barbosa et al. (1981). Ocorre particular- nular, coloração cinza-esverdeada. Muitas vezes,
mente ao norte da ZCPS e é uma das unidades quando alterados, mostram uma textura milonítica
mais controvertidas do CPS. Até recentemente, al- a flaser que os distingue das rochas calcissilicáti-
guns autores (Fonseca, 1998, Campos Neto & Fi- cas, quase sempre maciças. São constituídos, em
gueiredo, 1993, Figueiredo & Campos Neto 1995, geral, de plagioclásio, quartzo, hiperstênio, diopsí-

– 26 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

dio, biotita e hornblenda. Acessoriamente apresen- bramentos superpostos, abertos a fechados, de


tam opacos, apatita e zirconita, e carbonato e clori- amplitudes métricas a decaquilométricas e com ei-
ta como produtos de alteração. Predominam o xos de direção NE-SW, a exemplo das verificadas
quartzo e o plagioclásio. nas regiões de Cambuci e Italva.
A sudeste de Itaperuna ocorre uma extensa faixa O arcabouço estrutural definido durante o Oró-
de rochas quartzosas miloníticas com cerca de geno Brasiliano foi completado com deformações
25km de comprimento por 1 a 4km de largura. impressas durante um regime compressivo trans-
Quando alteradas essas rochas lembram quartzi- corrente, novamente simples e dúctil. A mais impor-
tos, porém, microscopicamente se caracterizam tante zona de cisalhamento de alto ângulo, com até
como rochas de caráter trondhjemítico, essencial- 10km de largura de rochas miloníticas, e contínua
mente com quartzo e plagioclásio, com textura poli- por mais de 300km segundo a direção NE-SW, está
gonal cortada por uma série de finas lâminas de situada mormente no vale do rio Paraíba do Sul e
quartzo. Esse conjunto está sendo incluído proviso- atravessa todo o estado – o corredor Paraíba do Sul
riamente na Unidade Itaperuna (MNpit) porém, (figura 5). A partir dessa zona principal são obser-
existe a possibilidade de se tratar de uma pequena vadas inúmeras zonas de cisalhamento secundári-
janela do embasamento tipo TTG do Complexo Juiz as e assintóticas, que demonstram a movimenta-
de Fora. Essa dúvida só poderá ser dirimida com ção dextral dos blocos crustais e se ramificam em
futuros trabalhos geocronológicos. feixes para NNE e SSW. Nessa mesma região, vári-
Associadas ao conjunto de paragnaisses ocor- as escamas de cavalgamento paralelas ao linea-
rem rochas charnockíticas/enderbíticas de granu- mento principal são sugestivas de uma estrutura
lação média a grossa, textura granular, coloração em flor positiva. Os traços retilíneos das transcor-
cinza-esverdeada e com plagioclásio andesínico, rências, em planta, são indicativos de ausência de
quartzo xenoblástico (às vezes de grandes dimen- eventos deformacionais compressivos subseqüen-
sões), ortoclásio de grã fina e diopsídio em grandes tes. As feições estruturais de alto ângulo, em meso-
cristais, por vezes alterados para anfibólio e con- escala e ao microscópio, são as mesmas referidas
tendo inúmeras inclusões de opacos. Cristais de para a deformação tangencial. O perfil da figura 5
granulação fina de quartzo e ortoclásio podem ser mostra um aspecto da estrutura regional do com-
produtos de subgranulação dinâmica. Quando plexo.
passíveis de serem separados do conjunto de ro- Desta forma, os critérios atuais de cartografia
chas da Unidade Itaperuna, alguns charnocki- geológica depararam-se novamente, e conforme
tos/enderbitos foram individualizados na carta geo- já era previamente conhecido, com um arranjo
lógica como Ng2b e considerados como uma fácies complexo da estratigrafia interna do CPS. As ten-
de granulação mais fina da Suíte Bela Joana. tativas de realizar correlações e empilhamentos
Produtos da milonitização e diaftorese dessas estratigráficos, bem como de estabelecer topo e
rochas charnockíticas/enderbíticas e de granulitos base das seqüências, não mais encontram respal-
da Unidade Itaperuna (MNpit) transformados em do fatual devido às freqüentes imbricações tectô-
rochas de composições granítica a tonalítica com nicas, principalmente as tangenciais, agravadas
granada, foram tentativamente individualizados pela superposição de dobramentos e vigorosos
como Granitóides da Suíte Natividade. movimentos transcorrentes. A isso somam-se, ain-
da, as profundas transformações associadas às
Evolução Metamórfico-estrutural, deformações em domínios dúcteis e ao metamor-
Idade e Correlações fismo regional de grau forte, que conduziu à volu-
mosa geração de paragranulitos sintectônicos.
Durante a orogênese brasiliana um regime de ci- Toda a extensão exposta do CPS indica condi-
salhamento tangencial associado à colisão conti- ções metamórficas da fácies anfibolito alto a granu-
nental impôs uma estruturação regional de direção lito. Em estreita associação com a tectônica trans-
NE-SW. As principais feições então originadas en- pressiva, ocorreu uma generalizada fusão parcial
volvem a obliteração e lenticularização de leitos e in situ, que produziu volumosos magmatismos sin-
bandas, truncações tectônicas, dobras intrafoliais, colisionais tipo S, e tipo C (charnockitos), cartogra-
duplexes, estiramento mineral, foliações miloníti- fáveis ou não em escala de semidetalhe. Estima-se
cas com subgranulação e recuperação dos mine- que a maior parte desses corpos, muitas vezes de
rais, sigmóides e sombras de pressão. As foliações formas estratóides e situados no interior da Unida-
geradas pela deformação tangencial exibem do- de São Fidélis, ainda não se encontra cartografada.

– 27 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

A estabilidade da associação cordierita-sillima- 4.4 Complexo Búzios (MNb)


nita nas rochas metapelíticas, permite considerar o
metamorfismo operante no cinturão como de alta Introdução
T/baixa P. Essa característica metamórfica é o crité-
rio mais consistente para discriminar sua evolução Fonseca et al. (1979) designaram de Seqüência
da de outros complexos, (Búzios e Embu) e do Gru- de Búzios aos paragnaisses deste complexo ex-
po Andrelândia. Embora as três bacias provavel- postos no cabo Búzios.
mente tenham evoluído sob condições orogênicas No presente estudo, tendo em conta a similarida-
distintas, elas têm uma origem similar, representan- de tectono-estrutural e litológica com os metassedi-
do riftes meso a neoproterozóicos, ligados à fase mentos expostos no cabo Búzios, tal unidade foi am-
pré-orogênica do Ciclo Brasiliano. pliada para NE, no sentido de Carapebus. Optou-se,
Outra questão importante sobre a evolução do também, de acordo com Schmitt et al. (1999a), por
complexo é a idade precisa de abertura dessa ba- incluir no Complexo Búzios as rochas supracrustais
cia, devido à ausência de marcadores magmáticos da serra de Sapetiba (São Pedro d’Aldeia) e da re-
adequados. gião entre Maricá, Saquarema e Casimiro de Abreu.
Determinações U/Pb em zircões detríticos de Essa porção do complexo foi designada anterior-
quartzitos do Complexo Paraíba do Sul, a SSE de mente de Unidade Palmital (Reis, 1980).
Volta Redonda, foram realizadas recentemente por
Valladares et al. (1997). A datação de zircões com
1,5-1,6Ga sinaliza para uma idade máxima meso- Associações Faciológicas e Significado
proterozóica para a abertura dessa bacia, enquanto Paleoambiental
a idade máxima de sedimentação seria em torno de
2,0 a 2,3Ga ou seja, os metassedimentos teriam se Rodrigues et al. (1997) caracterizaram em detalhe
originado por erosão de rochas com idades compa- os paragnaisses de Búzios, identificando três asso-
tíveis àquelas que compõem o embasamento da fai- ciações litológicas: metapelítica, calcissilicática e
xa. Estes dados não invalidam a hipótese de sedi- anfibolítica. A primeira consiste em sillimanita-biotita
mentação mais jovem, durante o Ciclo Brasilia- xisto, sillimanita-cianita-K-feldspato gnaisse, biotita
no/Pan-Africano, mas também não excluem a possi- gnaisse, granada-biotita gnaisse, granada-quartzo
bilidade de representarem sedimentos mais anti- gnaisse e quartzito feldspático. A segunda compre-
gos, depositados em uma bacia transamazônica. ende duas formas de ocorrência: níveis de até 20cm
Até o presente, a idade mais jovem para a aber- de espessura, boudinados e intercalados nas asso-
tura da bacia Paraíba do Sul foi obtida através de ciações pelítica e anfibolítica, e níveis de bioti-
datação SHRIMP do Granito Pão de Açúcar, no ta-diopsídio gnaisse com espessura de no máximo
qual o núcleo de um zircão detrítico herdado da ro- seis metros. A terceira associação é constituída de
cha-mãe forneceu idade de 1.340 ± 9Ma (Silva et anfibolito, diopsídio-anfibólio gnaisse e grana-
al., no prelo). da-anfibólio gnaisse.
Carece ainda de demonstração a sedimentação Apesar do metamorfismo de alto grau, no presen-
inequivocamente atribuída ao Brasiliano, embora te trabalho foram descritas estruturas sedimentares
os dados disponíveis não excluam esta hipótese. bem preservadas em zonas de baixo strain. Em
Neste aspecto cabe salientar a importância das ro- Cabo Frio (forte São Mateus) alguns domínios gnáis-
chas com idades paleoproterozóicas na Faixa Ri- sicos são constituídos pela alternância de ‘bancos’
beira (Machado, 1984, Heilbron, 1993, Valladares, de espessura decimétrica compostos por metareni-
1996; Machado et al., 1996). Os ortognaisses da tos feldspáticos e bancos de espessura centimétri-
Suíte Quirino (Machado, 1984) forneceram idades ca a decimétrica de metapelitos/grauvacas. Essas
U/Pb paleoproterozóicas (Machado et al., 1996; estruturas rítmicas representam depósitos turbidíti-
Valladares, 1996). Estas rochas foram considera- cos metamorfizados. Os efeitos do metamorfismo de
das, por apresentarem enclaves de metassedi- alto grau são sentidos de forma distinta, com as ban-
mentos, como intrusivas em rochas do Grupo Paraí- das pelíticas/grauvaqueanas geralmente mostran-
ba do Sul (Heilbron, 1993). Este fato pode ser inter- do efeito de fusão parcial, ao passo que as bandas
pretado como indicativo da presença de metasse- quartzíticas foram poupadas do fenômeno.
dimentos mais antigos, pré- ou sin-Orogênese A esses níveis turbidíticos acham-se associados
Transamazônica, agora intercalados tectonica- anfibolitos, geralmente granadíferos, podendo re-
mente pela intensa deformação neoproterozóica. presentar horizontes vulcano-clásticos.

– 28 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

Evolução Metamórfico-estrutural, Fonseca (1994) designou esse domínio de


Idade e Correlações “Fragmento Tectônico de Cabo Frio” obtendo ida-
des entre 1.600 e 1.200Ma, interpretadas como ida-
Coube a Heilbron et al. (1982) apresentarem um de da fonte dos sedimentos, e entre 600 e 500Ma,
detalhado tratamento estrutural do cabo dos Búzi- como época do metamorfismo. Essa autora citou,
os, onde estabeleceram uma estratigrafia local, in- ainda, que os paragnaisses seriam metapelitos
cluindo o Complexo Região dos Lagos. Mais re- com intercalações calciossilicáticas, quartzíticas e
centemente, Schmitt et al. (1999) apresentaram anfibolíticas, metamorfizados na fácies anfibolito
um detalhamento estrutural como suporte para es- alto, de pressão intermediária (paragênese grana-
tudos geocronológicos, demonstrando uma evo- da-sillimanita-cianita).
lução comum, tanto para a seqüência supracrus- A estabilidade da paragênese sillimanita-cianita
tal, como para os ortognaisses. Caracterizaram nos metapelitos, bem como de granada-hornblen-
um evento tangencial precoce com transporte tec- da-andesina na seqüência máfica, são cruciais para
tônico para NW, possivelmente de idade cambria- a caracterização do metamorfismo operante na as-
na. sociação como sendo de média P/T. Presentemen-
Fonseca et al. (1984) haviam sugerido que a re- te, além do critério estrutural, constitui o argumento
gião corresponderia a um bloco ‘cratônico’, desig- mais consistente para a discriminação da mesma
nado Cráton de Cabo Frio, correlacionável “à extre- em relação ao Complexo Paraíba do Sul.
midade ocidental do Cráton do Congo”, na África. Idades mais precisas para a evolução da unida-
Por sua vez, Fonseca (1994) sugeriu que os parag- de foram obtidas mais recentemente (Schmitt et al,.
naisses provavelmente foram depositados em am- 1999a) através da datação U-Pb de veios anatéti-
biente de arco continental ou margem continental cos sintangenciais, tanto nos orto quanto nos pa-
ativa. ragnaisses, os quais forneceram resultados de ca
Zimbres et al. (1990) preconizaram também uma 520Ma. Esses dados foram interpretados no con-
correlação da região de Cabo Frio com o “Cráton texto da colagem final brasiliana na região, relacio-
de Angola”, na África, ao se referirem à “Unidade nada à Orogênese Búzios, na qual o Complexo Bú-
Região dos Lagos” de Reis et al. (1980), através de zios representaria um ambiente de back arc
análises radiométricas (tabela 1). (Schmitt et al., 1999b).

– 29 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

5
NEOPROTEROZÓICO/CAMBRIANO
5.1 Introdução Trabalhos pioneiros e sistemáticos nos granitóides
do estado incluem os de Rosier (1957, 1965), Helm-
O Estado do Rio de Janeiro é caracterizado por bold et al. (1965) e Barbosa & Grossi Sad (1985).
abundante granitogênese neoproterozóica, asso- Dentre os trabalhos de síntese regional sobre estas
ciada à deformação e metamorfismo da seqüência rochas destacam-se Machado & Pellogia (1987), Ma-
metassedimentar do Complexo Paraíba do Sul, re- chado & Demange (1994a e 1998), Machado (1997)
sultantes do Ciclo Orogênico Brasiliano. Granitói- e Heilbron (1995). Outros trabalhos de síntese, ver-
des metaluminosos pré- a sincolisionais alcançam sando principalmente sobre os granitóides tardios,
sua mais importante expressão nos batólitos Serra incluem Pires et al. (1982), Penha & Wiedemann
dos Órgãos e Rio Negro, incluindo associações (1984), Machado Filho et al. (1983), Junho & Wiede-
calcioalcalinas expandidas (Complexo Rio Negro). mann (1987), Junho (1991, 1993), Wiedemann
Magmatismo peraluminoso, sincolisional, do tipo S, (1993), além de muitos outros que discutem aspectos
representado por granitóides intensamente defor- petrográficos e litogeoquímicos de maciços isolados,
mados e estirados segundo o trend NE-SW, está re- principalmente no Domínio Serra dos Órgãos.
lacionado dominantemente ao Batólito/Arco Rio de Várias propostas de agrupamento das rochas
Janeiro (figura 6), ocorrendo também no domínio granitóides envolvem tanto características estrutu-
Juiz de Fora. São associados aos metassedimen- rais quanto geoquímicas e geocronológicas, entre
tos do Complexo Paraíba do Sul, dos quais derivam as quais pode-se mencionar Machado & Demange
por processos de fusão parcial. (1992, 1994a, b), Figueiredo & Campos Neto
Também ocorrem inúmeros plútons calcioalcali- (1993), Campos Neto & Figueiredo (1995), Heilbron
nos de natureza milonítica, controlados pelas (1995), Machado (1997), Tupinambá (1999), Silva
zonas de cisalhamento direcionais, e corpos não (1999), Silva et al. (no prelo), Campos Neto (2000) e
deformados, cuja distribuição aparentemente Trouw et al. (2000). Neste contexto vale destacar o
independe da estruturação principal do orógeno, trabalho de Machado (1997), que consiste na sínte-
ou seja, não estão compartimentados pelas se mais completa da granitogênese do estado.
estruturas N45°E, além de uma geração tardia de Apesar dos numerosos trabalhos, a evolução do
posicionamento pós-tectônico. sistema de orógenos brasiliano entre ?1.000Ma

– 31 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

Figura 6 – No Estado do Rio de Janeiro, o estudo detalhado da ubiqüa granitogênese brasiliana


constituiu-se na mais completa tarefa para a elaboração do mapa geológico estadual. O Batólito
Rio de Janeiro (no primeiro plano) é testemunho privilegiado da colagem dos orógenos
Brasilianos/Pan-Africanos, ao sul das margens continentais da América do Sul e África. A datação
precisa desse arco sincolisonal em ca 560Ma proporcionou a estimativa mais consistente para
a idade da amalgamação do Supercontinente Gonduana (Silva 1999; Silva et al., no prelo).
(Foto de Ary Bassous/TYBA).

Figure 6 – Detailed studies of the widespread Brasiliano granitic magmatism in Rio de Janeiro
State, were the most complex task during the elaboration of the official map of the state. The Rio
de Janeiro Batholith (in the first plan) is a privileged testimony to the collage of the Brasiliano/Pan-
Africans orogens at the southern continental margins of South America and Africa. The precise dating
of this syn-collisional arc (ca 560Ma) propitiated the best constrained estimate for the age of the SW
Gondwana Supercontinent amalgamatin (Silva 1999; Silva et al., in press).
(Photo by Ary Bassous/TYBA).

– 32 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

(estágio de rifte e drift apart deste segmento do Su- 5.2 Episódio Orogênico Brasiliano II/Magmatismo
percontinente Rodínia) e ca 500Ma (granitóides Pré- a Sincolisional (630-600Ma)
pós-tectônicos), ainda é matéria de debate. Em es-
pecial, devido à escassez de datações radiométri- 5.2.1 Complexo Rio Negro (Ng1rn)
cas por métodos precisos.
Diversas tentativas de subdivisão do intervalo Introdução
têm sido divulgadas, levando em conta as caracte-
rísticas e idades dos granitóides, nos estágios pré-, O Complexo Rio Negro foi inicialmente correlaci-
sin- e pós-colisional e pós-tectônico. Os intervalos onado à Série Serra dos Órgãos por Rosier (1957),
propostos foram de 570 a 590Ma para o estágio tendo sido posteriormente subdividido em distintas
pré-colisional, 530 a 560Ma para o sincolisional, e unidades gnáissicas, migmatíticas e graníticas (Pe-
450/480 a 520Ma para o pós-colisional (Figueiredo nha et al., 1979; Matos et al., 1980; Barbosa & Gros-
& Campos Neto, 1993; Wiedemann, 1993). si Sad, 1985, entre outros).
Intervalos mais antigos são ainda propostos por A designação original de Rio Negro provém da
Machado (1997), que admite o intervalo de 650- Unidade Rio Negro de Matos et al. (1980), cartogra-
620Ma, 600-590/560Ma e 560 a 530Ma para os es- fada na região de Cordeiro-Cantagalo. Segundo
tágios pré-, sin-, e pós-colisional, respectivamente. esses autores, seria constituída por “migmatitos de
O magmatismo tem sido atribuído à implantação tramas heterogêneas que gradam para tipos homo-
de dois arcos magmáticos. Um mais jovem, deno- gêneos ou granitóides (diatexitos)”. Do ponto de
minado de Arco magmático Rio Doce, gerado entre vista petrográfico, descreveram “hornblenda-bioti-
590 e 560Ma, e outro mais antigo, denominado de ta-plagioclásio gnaisses com ou sem granada, gra-
Arco magmático Rio Paraíba do Sul, implantado no nada-muscovita-biotita-plagioclásio gnaisse e pla-
intervalo de 580/590 a 620/650Ma (Figueiredo e gioclásio anfibolito”.
Campos Neto, 1993; Wiedemann, 1993; Machado, O presente estudo constatou que na localidade-
1997; Machado & Demange 1998). tipo desse complexo, na fazenda Gerais do Lima,
Recentemente, Tupinambá (1999) propôs a de- na margem direita do rio Negro (Matos et al., 1980),
nominação de Arco Rio Negro para os ortognaisses trata-se de uma associação de paragnaisses do
homônimos que compõem o Domínio Serra do Mar Complexo Paraíba do Sul, em adiantado grau de
(figura 4). Este arco, gerado há ca 630Ma segundo fusão parcial in situ. Ocorrem também termos mais
o autor, teria um intervalo temporal semelhante ao homogêneos, característicos de granitos tipo S.
proposto para o arco Rio Paraíba do Sul. Posteriormente, Pinto et al. (1980) projetaram
Um estudo recente de compartimentação tecto- essa unidade para SW, bordejando tratos setentrio-
no-magmática baseado em datações U-Pb con- nais do maciço Serra dos Órgãos, passando por
vencionais e SHRIMP, além de Pb-Pb por evapora- Duas Barras, Sumidouro, São José do Vale do Rio
ção (tabela 1) permite o estabelecimento de uma Preto e Areal, seguindo no rumo SW. Para esses au-
estratigrafia granítica para o estado, relacionada tores, a “Unidade Rio Negro “compreende rochas
aos sistemas de orógenos Brasiliano II e III) extensamente migmatizadas, cujo paleossoma ge-
Esta repartição tectônica é aqui adotada e está ralmente é um biotita gnaisse bandeado”, que evo-
associada a uma evolução magmática complexa, lui para um tipo mais homogêneo designado de
através da acresção de sucessivos arcos magmáti- “gnaisse granítico ou granito” de composição grano-
cos, de W para E: Rio Negro/Serra dos Órgãos/ Rio diorítica a quartzo-diorítica. Assim, a definição origi-
de Janeiro. nal foi modificada, passando a incluir ortognaisses.

granitóides tardi a
· Brasiliano III Orógeno Araçuaí (545-500Ma) g4, g5, b5, e 5
pós-tectônicos
granitóides sin a tardi- g3
· Brasiliano III Orógeno Araçuaí (560-545Ma)
colisionais
granitóides pré- a sinco- g2
· Brasiliano III Orógeno Araçuaí (570-560Ma)
lisionais
granitóides pré- a sincoli- g1
· Brasiliano II Orógeno Rio Negro (630-600Ma)
sionais

– 33 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

Finalmente, Tupinambá (1999) restringiu a de- Trajano de Moraes (Ng1rtm) e Complexo Capim
signação de Complexo Rio Negro à fração ortoderi- Angola (Ng1rc).
vada (ortognaisses), a qual, juntamente com os plú-
tons gabróides associados, constituiria o “Arco Rio 5.2.1.2 Unidade Duas Barras (Ng1rd)
Negro”, de idade neoproterozóica.
A discriminação cartográfica aqui adotada se- Ocorre em duas faixas, a primeira com cerca de
gue a proposição de Pinto et al. (1980), posterior- 120km de comprimento e menos de 1km de largura
mente confirmada em trabalhos de detalhe por Tu- média que contorna a borda sul do Batólito Serra
pinambá (1999), incluindo apenas os ortognais- dos Órgãos. A segunda, situada na borda norte do
ses calcioalcalinos de fácies anfibolito (os quais batólito, na região de Duas Barras, tem cerca de
não ocorrem na localidade-tipo). Sua definição é 35km de comprimento por 1-2km de largura aflo-
aqui expandida, incluindo associações similares rante. É uma fácies homogênea, foliada, de granu-
não abordadas em Tupinambá (1999), em especi- lação grossa, porfirítica e de composição tonalítica
al: 1) Complexo Trajano de Moraes. Corresponde a trondhjemítica, injetada por leucogranitos tipo S.
a uma pequena faixa NE-SW, aflorante nas vizi-
nhanças da cidade homônima, no setor nordeste Relações Estruturais
da folha Rio de Janeiro; 2) Gnaisse Archer, local-
mente exibindo restos de gnaisses granulíticos de Ocorre na forma de extensas e estreitas lentes
composição enderbítica, como observado na pe- alongadas segundo a direção NE-SW, paralela-
dreira abandonada de Nova Iguaçu, situada em mente à foliação interna do plúton e das encaixan-
Comendador Soares; 3) Ortognaisse Tingüi; 4) tes. A foliação interna é caracterizada por uma su-
Complexo Capim Angola; 5) Metagabros Córrego perfície planar com mergulhos suaves a modera-
do Oliveira e Fazenda Fortaleza, 6) Unidade Santo dos (thrust-related) para NW e está relacionada a
Aleixo. um evento regional transpressivo que transpôs as
Em contrapartida, os leucogranitos tipo S da lo- pretéritas estruturas magmáticas do plúton.
calidade-tipo foram aqui designados como Leuco- O complexo é freqüentemente injetado por apófi-
granito Gnaisse Serra do Paquequer – Ng1p (junta- ses e venulações de granitóides da Suíte Serra dos
mente com a Unidade Bom Jardim, anteriormente Órgãos e pelo Leucogranito Gnaisse Serra do Pa-
atribuída ao Complexo Serra dos Órgãos, e o Leu- quequer, as quais truncam a foliação metamórfica
cognaisse descrito por Tupinambá, 1999). tangencial pretérita (figura 5).
Foram individualizadas duas unidades litoestra-
tigráficas nesse complexo: Rio Negro (Ng1r) e Duas Petrologia, Geocronologia e Evolução
Barras (Ng1rd). Tectono-magmática

5.2.1.1 Unidade Rio Negro (Ng1r) Trata-se de uma suíte expandida, de composi-
ção variando de metagabro a hornblenda-biotita
Ocorre na forma de extenso e estreito envelope metagranodiorito, predominando amplamente os
na porção mediana e meridional do Batólito Serra termos tonalíticos.
dos Órgãos, com direção NE-SW, e estende-se por Os metagabros e dioritos são calcioalcalinos
cerca de 160km, com média de 4km de largura. É (Córrego do Oliveira, Fazenda Fortaleza, Córrego
constituído por gnaisses cinzentos bandados, de da Prata) e apresentam texturas cumuláticas (Tupi-
composição tonalítica e trondhjemítica (TTG), com nambá, 1999); variam de foliados a isotrópicos, e
texturas porfirítica recristalizada e augen. Os gnais- são associados a trondhjemitos, eventualmente
ses mostram forte foliação de baixo a médio ângu- com assimilação, representando material juvenil de
lo. Intercalações de metagabros, metaquartzo dio- arco magmático.
ritos e paleodiques anfibolíticos são comuns, en- Quimicamente representam uma suíte calcioal-
quanto que gnaisses granulíticos de composição calina expandida (sentido Pitcher, 1983) com com-
enderbítica ocorrem localmente (gnaisses Archer e posição variando de gabróica a granítica, classifi-
Tingüi). Intrusões e apófises de granitóides do Ba- cada como de médio-K, pré-colisional (Tupinambá,
tólito Serra dos Órgãos, adjacente, e de leucograni- 1999), mas que inclui termos trondhjemíticos, de-
tos S, são observadas. A unidade engloba também pletados em elementos litófilos de raio iônico gran-
os seguintes plútons cronocorrelatos: Gnaisse de (LILE), sendo aqui caracterizada como uma as-
Archer (Ng1ra), Gnaisse Tingüi (Ng1rt), Complexo sociação do tipo TTG.

– 34 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

Uma análise U-Pb convencional em zircões de Petrologia, Geocronologia e Evolução


um tonalito gnaisse da pedreira Duas Barras (tabela Tectono-magmática
1), indicou uma idade de 634 ± 10Ma, a qual foi in-
terpretada como a idade de cristalização do plúton São leucogranitóides tendo muscovita como
(Tupinambá, 1999). Essa idade é compatível com o principal acessório, ocorrendo ainda biotita, grana-
clímax do episódio orogênico Brasiliano II em toda a da, sillimanita e localmente, relictos de anfibólio.
Província Mantiqueira (Silva et al., no prelo). Lentes de mármore e megablocos de restitos pa-
ragnáissicos bandados e parcialmente fundidos
5.2.2 Leucogranito Gnaisse Serra do (estruturas migmatíticas) ocorrem freqüentemente.
Paquequer (Ng1p) Tais características sugerem sua classificação
como granito do tipo S.
Introdução Datações Pb-Pb por evaporação (tabela 1) reve-
laram idades variando de ca 589 a 600Ma para os
Essa unidade constituída por leucogranitos folia- termos dos leucognaisses da “Faixa Bom Jardim”,
dos e gnáissicos do tipo S foi originariamente des- exposta no interior do Batólito Serra dos Órgãos
crita por Barbosa & Grossi Sad (1985) como Gnais- (Tupinambá, 1999). O mesmo autor atribuiu a idade
se Granitóide da unidade Rio Negro. A mesma foi de 620 ± 17Ma (intercepto inferior), obtida por De-
posteriormente detalhada por Tupinambá (1999) lhal et al. (1969), a essa fácies.
que a discriminou do Complexo Rio Negro. Como a idade precisa do magmatismo Serra dos
Na região de Miguel Pereira foi designada de Ba- Órgãos foi determinada através de estudos U-Pb
tólito Serra das Araras (Machado & Demange, SHRIMP em ca 570Ma (Silva 1999), esses leuco-
1994). No presente trabalho os granitóides daquele gnaisses foram discriminados dessa unidade.
batólito foram discriminados como outra fase graní- Como conseqüência, foram alternativamente inter-
tica, mais jovem, a Suíte Serra das Araras (Ng3a). pretados como granitóides associados à fase sin-
Os trabalhos sistemáticos de mapeamento aqui colisional que sucedeu à instalação do Arco Rio
desenvolvidos levaram à correlação dessa unidade Negro (Orogênese Rio Negro).
com os leucognaisses descritos como Unidade Bom
Jardim, da Suíte Serra dos Órgãos (de Tupinambá, 5.3 Episódio Orogênico Brasiliano III / Magmatismo
1999). Conseqüentemente, ambas as unidades são Pré- a Sincolisional (570-560Ma)
aqui tratadas conjuntamente, sob a designação de
Leucogranito Gnaisse Serra do Paquequer. 5.3.1 Suíte Serra dos Órgãos (Ng2s, Ng2ss)
Ocorre na forma de diversas lentes com até
20km de comprimento por 2-4km de largura, nas Introdução
porções central e norte do Batólito Serra dos
Órgãos, estendendo-se até a cidade de Cantagalo. A Suíte Serra dos Órgãos foi primeiramente refe-
Nessa última localidade está associado aos parag- rida como Gnaisses granitóides da Série Serra dos
naisses parcialmente fundidos do Complexo Paraí- Órgãos (Rosier, 1957).
ba do Sul, sua mais provável rocha-fonte. A unidade foi objeto de recente detalhamento es-
A discriminação cartográfica dessa unidade é trutural, litogeoquímico e geocronológico por Tupi-
ainda precária, necessitando de trabalhos adicio- nambá (1999), o qual discriminou cartograficamen-
nais em escala de semidetalhe para sua melhor ca- te quatro “faixas” com distintas associações petro-
racterização. gráficas.
Trata-se do maior batólito granítico exposto no
Relações Estruturais estado, apresentando uma forma extremamente
alongada, com ca 140km de comprimento por
Apresenta foliação discreta a moderada, discor- 20km de largura média. O batólito é envolvido nas
dante da foliação das encaixantes. É intrusivo nos bordas W e S pelos ortognaisses do Complexo Rio
ortognaisses do Complexo Rio Negro e apresenta Negro, no qual é intrusivo, e na borda norte pelo
contatos ora abruptos, ora gradacionais (fusão in Leucogranito Gnaisse Serra do Paquequer. Na por-
situ), com os paragnaisses do Complexo Paraíba ção nordeste é intrusivo nos paragnaisses do Com-
do Sul. Os granitóides do Batólito Serra dos Órgãos plexo Paraíba do Sul.
mostram localmente contatos intrusivos com o No presente estudo, devido à falta de detalha-
mesmo. mento cartográfico suficiente, optou-se por discri-

– 35 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

minar da unidade principal (Unidade Serra dos associadas ao magmatismo pré- a sincolisional do
Órgãos – Ng2s) uma fácies marginal do batólito tipo cordilheirano, na classificação de Pitcher
(Unidade Santo Aleixo – Ng2ss), onde a fácies regi- (1983).
onal, de composição granodiorítica, é muito enri- A quarta “faixa”, denominada por Tupinambá
quecida em xenólitos das supracrustais encaixan- (1999) de Bom Jardim, é constituída por leucogra-
tes (parcialmente fundidos), constituindo um mig- nitos granadíferos, aqui interpretados como do tipo
matito de injeção (figura 5). Não são raros, nos S e, conseqüentemente, correlacionada aos leuco-
hornblenda granodioritos regionais, porfiroblastos granitos Serra do Paquequer (Ng1p), ligados à evo-
pós-tectônicos de granada crescidos às expensas lução do Arco Rio Negro, predecessor do magma-
da assimilação dos gnaisses aluminosos. Somente tismo Serra dos Órgãos.
através de mapeamento de semidetalhe será pos- Existem apenas três datações geocronológicas
sível obter-se uma discriminação cartográfica con- referentes à suíte (tabela 1). Tupinambá (1999), uti-
sistente para essas porções do batólito. Injeções lizando metodologia U-Pb convencional, em tonali-
de leucogranito S ocorrem com freqüência. tos de duas localidades distintas, obteve duas ida-
des menos precisas, em zircões fortemente discor-
Relações Estruturais dantes, de 559±4Ma e 546±15Ma. Portanto, o re-
sultado SHRIMP de ca 570Ma deve corresponder à
O batólito apresenta disposição alongada na dire- melhor estimativa para a idade de cristalização da
ção NE-SW, paralelamente à foliação interna do plú- suíte. Duas datações pela sistemática Sm-Nd re-
ton e concordante com a principal direção tectônica portadas por Tupinambá (1999), revelaram valores
impressa regionalmente nas encaixantes, e está re- de eNd fracamente negativos (-5,9 a -4,2, para t =
lacionado à deformação transpressiva, caraterística 560Ma) e idade-modelo TDM de ca 1.800Ma, suge-
da etapa final de implantação do Ciclo Brasiliano. A rindo mistura de magmas juvenis (neoproterozói-
foliação interna, de baixo ângulo (thrust-related) cos) e de litosfera paleoproterozóica, típica de gra-
mostra vergência para SE, sendo caracterizada pela nitóides de arcos continentais evoluídos.
sobreposição de deformação no estado sólido so- Silva (1999) obteve, pelo método U-Pb SHRIMP
bre a foliação de fluxo magmático. em zircões da fácies granodiorítica, uma idade pre-
cisa de 569±4Ma em um agrupamento concordan-
Petrologia, Geocronologia e Evolução te de 17 zircões (figura 7).
Tectono-magmática A idade de ca 570Ma é também compatível com
a sua natureza pré-colisional, relativamente ao even-
São granitóides à hornblenda e biotita, equigra- to sincolisional da Suíte Rio de Janeiro (ver abaixo),
nulares, de granulação grossa, foliação descontí- datada precisamente em ca 560Ma (Silva, 1999).
nua, dada por aglomerados centimétricos de bioti-
ta e hornblenda (figura 5, fotos 03 e 04). 5.3.2 Suíte Desengano (Ng2d)
A composição varia de tonalítica a granítica. A
primeira tentativa de discriminação química e car- Introdução
tográfica das distintas fácies que compõem a suíte
é devida a Tupinambá (1999). O autor subdividiu o A Suíte Desengano, como a maior parte dos gra-
batólito em quatro “faixas”, as quais, na escala do nitos S do estado cartografados em escala regional
presente mapa, não foram discriminadas. Três das no presente estudo, foi cartografada em trabalhos
quatro subdivisões: as faixas Pedrinco, Pedra San- anteriores como metassedimentos do Complexo Pa-
ta Tereza e Chevrand são constituídas por granitói- raíba do Sul, integrando o denominado Complexo
des calcioalcalinos. São Fidélis-Pão de Açúcar (Fonseca et al., 1998).
O único enfoque litogeoquímico abrangente da suí- Ocorre na região nordeste do estado, estenden-
te é devido a Tupinambá (1999), sendo a mesma ca- do-se na direção NE por cerca de 200km, desde Nite-
racterizada como calcioalcalina de alto-K e interpre- rói até as proximidades de Italva. É composto por cer-
tada como de natureza sincolisional. Entretanto, eli- ca de uma dezena de lentes estreitas (1-4km) e alon-
minando-se as análise químicas referentes à “Faixa gadas (até 100km) inseridas nos paragnaisses pelíti-
Bom Jardim” daquele autor, as demais análises indi- cos e grauvaqueanos do Complexo Paraíba do Sul.
cam sua natureza calcioalcalina de médio potássio. Os granitóides formam uma extensa sucessão de
Essa classificação confirma sua natureza composi- pães de açúcar no vale do Desengano, destacan-
cional expandida, típica das séries calcioalcalinas do-se dos paragnaisses, restritos às porções mais

– 36 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

0 .1 0 0

6 10
569 ± 6 Ma (2 s )
n = 17 c 2 0,88

0 .0 9 5
5 80
2 06
Pb 5 70
2 38
U
5 60

0 .0 9 0

5 40

5 30

0 .0 8 5
0 .5 0 0 .6 0 0 .7 0 0 .8 0 0 .9 0
2 07 2 35
Pb/ U
Serra do Órgãos (Granodiorite)

Figura 7 – Granodiorito Pedro do Rio (Suíte Serra dos Órgãos) Diagrama Concórdia (Wetherill)
SHRIMP, mostrando a idade de 569 +/-6Ma, obtida em 17 spots analíticos, interpretada como a
idade da cristalização sincolisional do plúton. Em destaque um dos zircões datados (Silva, 1999).

Figura 7 – Pedro do Rio Granodiorite (Serra dos Órgãos Suíte). -SHRIMP Wetherill Concordia
diagram displaying the age of 569 +/-6 Ma, performed on 17 analytical spots and interpreted as the
age of the pre- to syn-collisional crystallisation of the pluton (Silva, 1999)..

– 37 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

baixas do vale. No extremo-norte desse domínio, os Janeiro, estendendo-se daí por cerca de 20km na
granitóides passam a apresentar freqüentes man- direção NE, com uma largura de cerca de 10km (fi-
chas de granada charnockito, passando gradativa- gura 8).
mente para corpos charnockíticos isolados e mesmo Os granitos Pão de Açúcar e Corcovado foram
para os granada charnockitos da Suíte Bela Joana. originariamente interpretados e mapeados como
Na suíte foram englobados os granitos Santa Te- paragnaisses (Gnaisses Facoidais) por Helmbold
reza, Quartéis, Carapebus, Serra da Concórdia e et al. (1965), sendo posteriormente relacionados ao
Cassarotiba. Complexo São Fidélis-Pão de Açúcar (Fonseca et
al., 1998). O caráter magmático dessas unidades
Relações Estruturais havia sido previamente reconhecido em trabalhos
de detalhe (Silva & Silva, 1987; Silva et al. 1991, He-
São plútons sintectônicos associados a um regi- ilbron et al., 1993). A essas fácies foram correlacio-
me transpressivo dextral, de direção NE-SW apre- nados o denominado Plúton Niterói, de Machado &
sentando discreta a forte foliação milonítica sobre- Demange (1992) e o Granito Cosme Velho, desig-
posta à textura magmática. Não existem trabalhos nado de Leptinito por Helmbold et al. (1965).
de detalhe nessa unidade.
Granitos Pão de Açúcar (pa) e
Petrologia, Geocronologia e Evolução Corcovado (co)
Tectono-magmática
Constituem os principais plútons expostos na re-
São granitos à granada e biotita ou a duas micas, gião sudeste do município do Rio de Janeiro, esten-
com uma variada gama de texturas, predominando dendo-se daí para Niterói (Figura 8). São plútons fo-
variedades grossas a porfiríticas. liados, com forte e contínuo fabric tangencial. A fá-
São granitóides relativamente heterogêneos devi- cies dominante é o Granito Corcovado, caracteriza-
do à presença de numerosos restitos de paragnais- do por biotita e granada como acessórios principa-
ses. A discriminação cartográfica entre as fácies is. O Granito Pão de Açúcar é uma fácies subordi-
granitóides e as encaixantes, via de regra é bastan- nada, tendo biotita, e localmente hornblenda, como
te precária em trabalhos em escala regional. Por principais acessórios. Bolsões e manchas irregula-
isso são necessários trabalhos em escala de semi- res, portadoras de ortopiroxênio, ocorrem em algu-
detalhe para estabelecer mais precisamente os li- ns domínios
mites entre os domínios graníticos (mais de 90% de
fusão) e os paragnaisses com distintas taxas de fu- Leucogranito Gnáissico
são parcial. Cosme Velho (cv)
Não existem dados químicos nem geocronológi-
cos; pelas suas características petrológicas e estru- É um biotita e biotita-muscovita leucogranito
turais, a unidade foi correlacionada à Suíte Rio de com granulação média a grossa e forte foliação tan-
Janeiro, integrante do Batólito Rio de Janeiro. Os gencial.
granitóides caracterizam um arco sincolisional de Todas as fácies apresentam restitos paragnáis-
dimensões regionais, o Arco Rio de Janeiro, relacio- sicos do Complexo Paraíba do Sul relativamente
nado à Orogênese Araçuaí, durante o Episódio Bra- preservados, podendo também mostrar passa-
siliano III (Silva et al., no prelo). gens gradativas aos paragnaisses regionais, ou
ocorrer como veios ou bolsões de fusão parcial in
5.3.3 Suíte Rio de Janeiro (Ng2r) situ em meio às encaixantes.
A figura 9 mostra a distribuição dessas fácies na
Introdução região sul do município do Rio de Janeiro, segundo
mapa modificado de Helmbold et al. (1965) e Heil-
A Suíte Rio de Janeiro, como originariamente de- bron et al. (1993), que apresentaram também um
finida por Silva (1999), inclui granitóides foliados e detalhado estudo estrutural da região.
ortognaisses, dominantemente peraluminosos,
caracterizados pelo autor como de derivação Relações Estruturais
crustal (granitos tipo-S): granitos Pão de Açúcar
(pa), Corcovado (co) e Cosme Velho (cv). Ocupa a A foliação interna, de baixo ângulo (thrust-related)
maior extensão da região metropolitana do Rio de é caracterizada pela sobreposição de deformação

– 38 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

Figura 8 – Granito Pão de Açúcar. Importante componente da Suíte Rio de Janeiro, na foto com
indicação aproximada do local de coleta da amostra datada. O detalhe (abaixo) mostra a textura
megaporfirítica (augen) característica da unidade, (Foto de Ary Bassous/TYBA).

Figure 8 – Pão de Açúcar Granite. Important component of Rio de Janeiro Suite showing the
approximated location of the collecting site of the dated sample. The inset (bellow) displays
the megaporphyritic (augen) texture characteristic of the unit. (Photo by Ary Bassous/TYBA).

– 39 –
o o o o o
o S. Do Qhfl
a
eg5a Depósitos flúvio-lagunares
Qhfl

O
o o o o o o o Engenho Novo
o Qhfl Fluvio/lagoonal deposits

IC
o o

T
o o o oo o o NEOPROTEROZÓICO / CAMBRIANO (Brasiliano III)
Ng 1ra NEOPROTEROZOIC/CAMBRIAN (Brasiliano III)

ÂN
o o oo o
o eg5a o o o Granitóide pós-tectônico Post-collisional granitoids

L
I
o o o
22º55

AT
o o eg5a e g5b o o o o eg5a eb5t eg5b
o Granito Favela Gabro Tijuca Tonalito Grajaú
o Favela Granite Tijuca Gabbro Grajaú Tonalite

O
eg5a Grajaú
o o o Tijuca o

AN
o o o NEOPROTEROZÓICO (Brasiliano III)

E
NEOPROTEROZOIC (Brasiliano III)
Granitóides pré-sin-colisional
o o o Ng2r o o o oo o o o
co o

OC
o Pre- to syncollisional granitoid
Pico do Ng2r cv o o o o
cv o o Ng2r
o o o o o o o
Elefante o o o o Cosme pa cv
o Suíte Rio de Janeiro
o o o Velho o Rio de Janeiro Suite
o o + Morro da co, pa, cv,= granitos Corcovado, Pão de Açúcar
o o o o Viúva o e Cosme Velho
o o cv co,pa,cv= Corcovado, Pão de Açúcar and
o o o o o MNps Cosme Velho granites
Ng1ra Conde o o kin
MNps o
2 o o NEOPROTEROZÓICO (Brasiliano II)
kin NEOPROTEROZOIC(Brasiliano II)
de
o o oo Corcovado o o o o 1oo Pão Granitóide pré-colisional precoce
o cv o Qhfl o pa Açúcar Early pre-collisional granitoids
eg5a eg5a Ng2r MNps Ng1ra
o co o o o o o bgn
Complexo Rio Negro (Gnaisse Archer)
o a o o o pa o Rio Negro Complex (Archer Gneiss)
Jacarepaguá o
o o o
o o o o o o o o
o MESO/NEOPROTEROZÓICO
oo
o o o o MESO/NEOPROTEROZOIC
a
o o o o o o MNps
bgn
o o o o o
an MNps
o o o Qhfl
Furnas o o o o o o Npag2or c ab Complexo Paraíba do Sul Paraíba do Sul Complex
o o o o o pa bgn Granada-biotita gnaisses
Lagoa Co bgn Garnet-biotite gneisses
o o
o o
eb5t Qhfl e kin Cordierita-sillimanita gnaisses (kinzigitos)
Rodrigo de Freitas d kin Cordierite-sillimanite gneisses (kinzigites)
o o oo o o o o o o a
o o o ai
o o o o o o o o o Pr Contato normal Normal contact
o o o
o o o o o o o o
o
N g2 r o o Contato transicional (litológico)
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

o o o o co o o o
o o Transitional (lithologic) contact
o o Praia de Ipanema
o
Bonita
o o Pedra o o o o o oo
o Leblon Falha Fault

– 40 –
o o o o o o o o o
o o o o
Ng1ra o o o o o o oo
Localização das amostras
o Qhfl o o o o
o o datadas 1,2, 3
23º00’ o o o o Dated sample location 1, 2, 3
o o Foliação metamórfica
o o T ICO 0 1 2 3km Metamorphic foliation
o ATLÂN
NO Foliação metamórfica
OCEA
o 43º15I superimposta à foliação
43º20I I magmática (granitóides do
o o 43º10

Figura 9 – Mapa Geológico Simplificado da Região Sul do Município do Rio de Janeiro (modificado de: 1 - Helmbold R., Valença, J.G., Leonardos Jr.
O.H. 1965. Mapa Geológico do Estado da Guanabara, Escala 1:50.000. Rio de Janeiro, DNPM / MME; 2 - Heilbron M., Pires F.R.M., Valeriano C.,
Bessa M. 1993. Litoestratigrafia, evolução tectono-metamórfica e magmatismo pré-cambriano do setor sudeste do município do Rio de Janeiro.
In Atas III Simpósio de Geologia do Sudeste, Rio de Janeiro, SBG. p. 174-179).

Figure 9 –. Simplified Geological Map of south side of Rio de Janeiro Metropolitan Area (modified after: 1 - Helmbold R ., Valença J.G., Leonardos Jr.
O.H. 1965. Mapa Geológico do Estado da Guanabara, Escala 1:50.000. Rio de Janeiro, DNPM / MME; 2 - Heilbron M., Pires F.R.M., Valeriano C.,
Bessa M. 1993. Litoestratigrafia, evolução tectono-metamórfica e magmatismo pré-cambriano do setor sudeste do município do Rio de Janeiro.
In Atas III Simpósio de Geologia do Sudeste, Rio de Janeiro, SBG. p. 174-179).
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

no estado sólido sobre a foliação de fluxo magmáti- Paraíba do Sul (Silva & Ferrari, 1976), que englobava
co. Está relacionada às fases deformacionais D1/D2 a presente unidade e outras rochas da fácies granu-
(Heilbron et al. 1993) - figura 5 (foto 01). lito ocorrentes mais a noroeste. Batista et al. (1978)
passaram a designá-la como Unidade Bela Joana, e
Petrologia, Geocronologia e Evolução Grossi Sad et al. (1980), de Seqüência Charnockíti-
Tectono-magmática ca. Fonseca et al. (1998) utilizaram o termo Suíte
Enderbítica Bela Joana, correlacionando-a ao Com-
Apresentam texturas megaporfiríticas recristali- plexo Juiz de Fora. Porcher (1997) denominou-a de
zadas, com augen de K-feldspatos podendo atin- Gnaisses Charnockíticos.
gir 5-10cm de comprimento médio (figura 5, Foto Ocorre sob a forma de dois corpos alongados, de
01). O único estudo químico disponível para a suíte direção NE-SW, situados nos quadrantes norte e
é devido a Machado & Demange (1992), que clas- nordeste do estado. A faixa mais expressiva alcança
sificaram o Plúton Niterói como uma associação 125km de extensão, com desenvolvimento até o limi-
calcioalcalina, a qual deve corresponder à fácies te do estado, daí estendendo-se continuamente para
Pão de Açúcar. A presença de manchas charnockí- o Estado do Espírito Santo, e tem largura máxima de
ticas nesse granito, possivelmente associadas a cerca de 24km, incluindo a intercalação de uma faixa
processo de charnockitização in situ (Heilbron et de granitóides tipo-S da Suíte Desengano. Uma série
al., 1995), sugere a influência de magmas peralu- de faixas menos expressivas ocorre na região de Ita-
minosos tipo-S na gênese desses granitos, uma peruna, que estendem-se para o Espírito Santo.
vez que os charnockitos magmáticos da região têm
origem S (Silva et al., no prelo). Além disso, a maior Relações Estruturais
extensão aflorante da unidade, equivalente aos
granitos Corcovado e Cosme Velho, corresponde a Trata-se de granitóides com texturas e estruturas
granitóides peraluminosos, do tipo-S, devido à sua magmáticas bem preservadas, porém mostrando
composição modal rica em granada e a duas mi- superposição de deformação no estado sólido, re-
cas. lacionada a seu posicionamento sintectônico à de-
As fácies Pão de Açúcar e Corcovado foram re- formação tangencial regional. Em zonas de alto
centemente datadas pelo método U-Pb SHRIMP strain adquirem estruturas microbandadas, gnáis-
(Tabela 1), fornecendo idades de cristalização de sicas, motivo pelo qual têm sido confundidos com
ca 560Ma (Silva 1999). A Figura 10 mostra um dos os ortognaisses granulíticos do Complexo Juiz de
zircões datados, referente ao Granito Pão de Açú- Fora, podendo apresentar contatos transicionais
car, e a Figura 11, por sua vez, a respectiva Con- com os granada granitos S da Suíte Desengano.
córdia. A Figura 12 mostra a Concórdia obtida Freqüentemente são cortados por uma segunda
para o Granito Corcovado, bem como um dos zir- geração de leucogranitos S (leptinitos, de Batista et
cões empregados na datação. al. 1978).
Por tratar-se de granitóides do regime sincolisio-
nal, esse resultado fornece a idade precisa da coli- Petrologia, Geocronologia e Evolução
são à qual está vinculada a geração dos granitos. Tectono-magmática
Além disto, pela existência de idades similares em
uma extensa faixa de granitos crustais estenden- São granitóides de cor cinza-escuro a esverdea-
do-se do Rio de Janeiro ao sul da Bahia, foi possível do, de granulação média a grossa, freqüentemente
a caracterização de uma extensa estrutura designa- porfiríticos, com fenocristais euédricos de feldspa-
da Batólito Rio de Janeiro, que caracteriza um arco to de até 2cm. São constituídos de quartzo, felds-
sincolisional de dimensões regionais, o Arco Rio de pato esverdeado, orto e clinopiroxênio em peque-
Janeiro, relacionado ao Episódio Brasiliano III (Silva nos prismas pretos a esverdeados, granada rósea
et al., no prelo). e pouca biotita. São isotrópicos, apresentando,
próximo aos contatos, foliação cataclástica que im-
5.3.4 Suíte Bela Joana (Ng2b) prime uma textura gnáissica. Petrograficamente, os
termos mais freqüentes são os charnoenderbitos
Introdução com variações para charnockitos e noritos.
Rêgo (1989) caracterizou a suíte como uma asso-
A unidade foi mapeada como pertencente ao ciação charnockítica com gabro-noritos, enderbitos
Complexo Charnockítico, integrante da Associação e charnockitos, incluindo também gabro-noritos e

– 41 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

– 42 –
Figura 10 – Granito Pão de Açúcar - Imagens de elétrons retro-espalhados (esquerda) e catodoluminescência (direita) em cristal de zircão
datado na "Microsonda Iônica de Alta Resolução" (Sensitive High Resolution Ion Microprobe -SHRIMP (círculos brancos). A população
datada é constiuída por cristais magmáticos, homogêneos. O cristal mostrado é uma exceção; tem borda magmática, datada em
559 ± 4 Ma (idade de cristalização do corpo) e núcleo (sub-arredondado) de 1340 ± 9 Ma. Foi interpretado como detrítico, herdado dos
paragnaisses encaixantes (Complexo Paraíba do Sul). Conseqüentemente, fornece uma estimativa aproximada para a idade máxima de
abertura da bacia de ca 1340 Ma.
(Silva et al., no prelo).

Figure 10 - Pão de Açúcar Granite - Backscattering (left) and cathodoluminescence (right) images on zircons dated by SHRIMP systematics
(white circles).The dated population comprises magmatic, homogeneous crystals. The showed crystal is an exception; it has a magmatic rim,
dated at 559 ± 4 Ma and a subrounded core aged at 1340 ± 9 Ma. It has been interpreted as a detrital grain inherited from the
paragnaissic country-rock (Paraíba do Sul Complex). Accordingly, 1340 Ma may be considered the approximated maximum opening age
for the basin (Silva et al., in press).
0 .1 1

6 50

559 ± 4 Ma (2s )
n = 21 c2 2.24
0 .1 0
6 00
2 06
Pb
2 38
U
0 .0 9 5 50

– 43 –
.
5 00
0 .0 8
0 .6 0 .7 0 .8 0 .9 1 .0
2 07 2 35
Pb/ U
Pão de Açúcar Granite

Figura 11 – Granito Pão de Açúcar. Diagrama Concórdia (Wetherill) SHRIMP, mostrando


a idade de 559 +/- Ma, obtida em 21 spots analíticos e interpretada como a idade de
cristalização do plúton sob regime sincolisional (Silva 1999).

Figure 11 – Pão de Açúcar Granite. SHRIMP Wetherill Concordia diagram displaying the
age of 559 +/-, Performed on 21 analytical spots and interpreted as the age of the syn-
collisional crystallisation of the pluton (Silva 1999).
Geologia do Estado do Rio de Janeiro
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

0 .35

560 ± 7 Ma (2s )
0 .30
n = 19 c 2 2.04 1 60 0

0 .25 0 .09 8
5 90
2 06
Pb 0 .20
0 .09 4
5 80
2 38 5 70
U 1 00 0 5 60
0 .09 0 5 50
0 .15
8 00 5 40

0 .08 6 5 30
0 .10 5 20
0 .62 0 .70 0 .80

0 .05
0 .5 1 .0 1 .5 2 .0 2 .5 3 .0 3 .5 4 .0 4 .5 5 .0
2 07 2 35
Pb/ U

Corcovado Granite

Figura 12 – Granito Corcovado. Diagrama Concórdia (Wetherill) SHRIMP, mostrando a idade de 560 ± 7 Ma,
obtida em 19 spots analíticos e interpretada como a idade da cristalização sincolisional do plúton.
Em destaque um dos zircões datados (Silva 1999).

Figure 12 – Corcovado Granite. SHRIMP Wetherill Concordia diagram displaying the age of 560 ± 7 Ma,
performed on 19 analytical spots and interpreted as the age of the syn-collisional crystallisation of the pluton.
The inset exhibits one of the dated zircons (Silva 1999).

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

leuconoritos como enclaves, com predominância com 24km de comprimento por 2km de largura in-
dos termos intermediários. Foram quimicamente ca- tercalado nos metassedimentos do Complexo Pa-
racterizados como tendo afinidades calcioalcalinas, raíba do Sul, e uma ocorrência menor (7kmx2km)
cuja origem seria, portanto, mantélica, relacionada à no pontão W da restinga de Marambaia.
subducção de crosta oceânica.
Não existem datações precisas da unidade, cons- Relações Estruturais
tando apenas uma datação Rb-Sr (Siga Jr. & Tassina-
ri, 1989), que forneceu a idade de 603 ± 50Ma e razão São granitóides com texturas magmáticas bem
inicial de Sr indicativa de formação a partir de proces- preservadas, com sobreposição de foliação no es-
sos de fusão parcial de materiais crustais. tado sólido, paralela ao alongamento NE-SW dos
Trabalhos litogeoquímicos em outras ocorrências plútons. Essa feições são indicativas da natureza
de granada charnockitos do estado (Jord- Evange- sintectônica, sincolisional, dos corpos.
lista, 1996; Duarte et al., 1999) confirmaram sua na-
tureza crustal, peraluminosa, enquanto os termos Petrologia, Geocronologia e Evolução
máficos gabro-noríticos foram caracterizados como Tectono-magmática
xenólitos (Jord-Evangelista, 1996; Duarte et al.,
1999). As rochas dessa suíte são composicionalmente
As características químicas e anatéticas dessas indistinguíveis da Suíte Bela Joana, a não ser pela
rochas levaram Silva et al. (no prelo) a classificá-las presença mais rara de granada. Inclui variações de
como uma variedade de granitóides do tipo C (sen- charnockito a enderbito, passando por quartzo
su Killpatrick & Ellis, 1992), porém resultante da fu- monzonito.
são de paragnaisses aluminosos (do Complexo Pa- Representam variedades de granitos tipo-C
raíba do Sul) e não da fusão de ortognaisses, como (sensu Killpatrick & Ellis, 1992), conforme admitido
preconizado por Killpatrick & Ellis (1992). para a Suíte Bela Joana por Silva et al. (no prelo),
De acordo com Machado & Demange (1998), a com os quais são correlacionados.
suíte pertence ao grupo de granitóides neoprotero- Não existem dados petrográficos ou isotópicos
zóicos pré-F2, do “Cinturão Paraíba do Sul”, afeta- disponíveis para a suíte.
dos pelo metamorfismo e pela foliação regional (F2).
Apesar dessas inferências, a integração regional 5.3.6 Suíte Natividade (Ng2n)
aqui sintetizada permite correlacionar a unidade
aos demais granitóides sincolisionais do Evento Introdução
Brasiliano III, e inferir-se uma idade aproximada de
560Ma, a qual deve ser testada em futuros traba- A unidade tem ocorrência restrita ao extremo noro-
lhos geocronológicos. este do estado na forma de diversos corpos alonga-
dos segundo a direção NE, o maior com cerca de
5.3.5 Suíte Ilha Grande (Ng2i) 28km de extensão e 2-4km de largura. Os plútons es-
tão alojados nos metassedimentos do Complexo Pa-
Introdução raíba do Sul. Parte da unidade foi anteriormente ma-
peada como metassedimentos (Barbosa et al., 1981).
As primeiras referências a rochas charnockíticas Da mesma forma que a Suíte Angelim, devido à
no litoral sudoeste do estado são devidas a Ebert falta de detalhamento cartográfico a Suíte Nativida-
(1968) que descreveu uma ocorrência de charno- de engloba fácies metaluminosas à hornblenda
ckito em Ubatuba. Essas rochas, como no caso da (granito tipo-I) e fácies granadíferas, peralumino-
Suíte Bela Joana, eram interpretadas como gnais- sas, do tipo-S. Não existem controles estruturais
ses granulíticos do embasamento, sendo sua natu- precisos nem dados químicos e geocronológicos.
reza magmática reconhecida mais recentemente.
Na presente integração, a suíte engloba também 5.3.7 Suíte Angelim (Ng2a)
o Charnockito Ubatuba (Ng2iu).
Sua ocorrência é restrita ao litoral sudoeste do Introdução
estado. Na Ilha Grande constitui um plúton com
20km de comprimento por 6km de largura, alterna- Esta suíte foi originariamente designada de
do com faixas paralelas de granitóides da Suíte Complexo Diatexítico II / Unidade Angelim por Ba-
Serra dos Órgãos. No continente constitui um corpo tista et al. (1978). Parte da suíte foi designada como

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Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

Unidade Santo Eduardo, do Complexo Paraíba do domínios transicionam para os granitóides da Suíte
Sul, por Grossi Sad et al. (1980). Desengano.
Tal como os demais granitóides do regime colisio-
nal, essa suíte ocorre em lentes alongadas na dire- 5.3.8 Suíte Rio Turvo (Ng2rt)
ção NE e encaixadas nas supracrustais do Comple-
xo Paraíba do Sul. A faixa principal estende-se das Introdução
proximidades de São José do Ribeirão até as proxi-
midades da divisa com o Estado do Espírito Santo, Trata-se de uma suíte peraluminosa do tipo-S,
totalizando cerca de 135km, com largura média de descrita como Granito Rio Turvo, que é sintectônico
2-3km. Outra lente menor ocorre a norte da serra de à fase deformacional principal (Machado et al.,
Santo Eduardo, estendendo-se daí para o norte e ul- 1989). Posteriormente, Almeida et al. (1993) amplia-
trapassando o limite com o Estado do Espírito Santo. ram o conceito para abranger todos os granitóides
Embora tenha sido mantida a cartografia propos- foliados encaixados nos metassedimentos. Foi obje-
ta para a unidade no trabalho de Fonseca et al. to de detalhamento estrutural e cartográfico por Heil-
(1998), o presente estudo revelou que parte dessa bron et al., (1993) e do ponto de vista isotópico por
unidade não corresponde à série calcioalcalina ca- Valladares (1996).
racterizada por Rêgo (1989), mas a uma associa- Ocorre na forma de plútons alongados na dire-
ção peraluminosa tipo-S, a qual não pôde ser dis- ção NE-SW, no limite nordeste do estado, entre as
criminada na escala de trabalho. cidades de Resende e Barra Mansa, encaixado nos
metassedimentos do Complexo Embu/Grupo
Relações Estruturais Andrelândia. O plúton principal tem 48km de com-
primento, estendendo-se para SW para o Estado
A suíte é caracterizada por granitóides com fa- de São Paulo, com uma largura média de 8km.
bric planar, marcada pelo alinhamento de pórfiros Além desse ocorre mais um corpo alongado, com
esbranquiçados de feldspato e pelos minerais má- 40km de comprimento e cerca de 1km de largura.
ficos. Muitas vezes apresentam-se milonitizados,
particularmente nos contatos com o Complexo Pa- Relações Estruturais
raíba do Sul.
Segundo Valladares (1996) os corpos estudados
Petrologia, Geocronologia e Evolução apresentam contatos gradacionais com os metasse-
Tectono-magmática dimentos encaixantes, dos quais derivam através de
fusão parcial. Segundo essa autora, ocorrem tam-
São rochas de granulação média a grossa e colo- bém em associação com os ortognaisses da Suíte
ração variando de cinza-claro a cinza-escuro, folia- Quirino, com os quais apresentam contatos bruscos.
das. A composição dominante é tonalítica, variando São corpos sintectônicos, com forte foliação mi-
até termos graníticos e granodioríticos. As fácies mais lonítica. Heilbron (1993) descreveu foliações S-C
comuns são biotita tonalitos, hornblenda-biotita tona- entre outros indicadores cinemáticos, o que lhe
lito e plagioclásio-hornblenda-granada granodiorito. permitiu hierarquizar a suíte como g2.
A granada nunca ultrapassa 5%. A microclina even-
tualmente ocorre na forma de megacristais pertíticos. Petrologia, Geocronologia e Evolução
Xenólitos de rocha calcissilicática e paragnaisses Tectono-magmática
aluminosos do Complexo Paraíba do Sul ocorrem lo-
calmente. Machado et al. (1989) e Valladares (1996) classi-
De acordo com Machado & Demange (1998), a ficaram a suíte como composta por leucogranitos
suíte é correlacionável aos granitóides pré-F2. peraluminosos do tipo-S, sintectônicos à fase de-
Rêgo (1989; in Machado & Demange, 1998) deta- formacional principal. São muito ricos em restitos
lhou essas rochas do ponto de vista litogeoquímico, de paragnaisses encaixantes.
caracterizando-as como de afinidade calcioalcalina, São granitóides porfiríticos, com pórfiros recris-
relacionada à subducção de crosta oceânica. talizados de feldspatos e matriz a quartzo, plagio-
Além dessa fácies calcioalcalina, tonalítica do- clásio, biotita, muscovita, granada e sillimanita (Val-
minante, foram caracterizados domínios peralumi- ladares, 1996).
nosos granadíferos, de composição potássica e A suíte foi datada através do método U-Pb em
classificados como granitos tipo S, que em alguns monazita, em 579 ± 2Ma, a qual foi intepretada pela

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

autora como idade de cristalização (Valladares, Serra das Abóboras. Ainda como corpos correlatos
1996). A mesma autora considerou que a sua intru- ocorrem os granitos: Quebra Cangalha, Lagoinha,
são representaria também a idade do pico do meta- Serra do Ipiranga, Serra das Abóboras, Serra da
morfismo associado à deformação d1/d2 de Heil- Concórdia, Serra das Frecheiras, Ribeirão Laranjei-
bron (1993). ra e Parati-Mirim. O Granito Rio Turvo, eventual-
No presente trabalho a suíte foi hierarquizada mente correlacionável, foi aqui abordado como Suí-
como granitóides sincolisionais, do domínio Juiz de te Rio Turvo (Ng3rt).
Fora/Paraíba do Sul (g2), possivelmente associada
ao pico termal responsável pela cristalização da Relações Estruturais
Suíte Rio de Janeiro, precisamente datada em ca
560Ma (Tabela1). A suíte tem sido posicionada como sin-F2 (Ma-
chado, 1997). São corpos com expressão batolíti-
ca, estrutura foliada e posicionamento em níveis
5.4 Episódio Orogênico Brasiliano III / Magma- mesozonais, da fácies anfibolito médio e superior.
tismo Tardi-colisional (560-545Ma) De um modo geral no centro do batólito são co-
muns estruturas de fluxo ígneo, enquanto que nas
5.4.1 Suíte Serra das Araras (Ng3a) bordas predominam estruturas deformacionais re-
sultantes de cisalhamento transcorrente, com dire-
Introdução ção NE-SW.
Em outras palavras, ocorre uma obliteração pro-
As rochas dessa unidade têm sua principal área gressiva da textura ígnea magmática original, de-
de distribuição ao longo da região norte do estado, nominada pre-full crystallization fabric, para um
numa faixa de direção NE-SW com aproximada- tipo extremamente foliado, onde é marcante a pre-
mente 300km de extensão, desde a cidade de Ita- sença da foliação gerada em estado sólido (crystal
peruna, a nordeste, até o extremo-sudoeste do es- plastic strain fabric).
tado, na cidade de Angra dos Reis, passando pela A transição das estruturas magmáticas para tectô-
represa do ribeirão dos Lajes. A largura dessa faixa nicas é caracterizada pela presença de megacristais
é irregular, tendo maior expressão na porção sudo- de microclina, que evoluem para facóides estirados,
este, onde forma a Serra das Araras. Ela prosse- elipsoidais, com recristalização dinâmica incipiente
gue, com o nome de granito Parati-Mirim, para oes- em suas bordas e caudas desenvolvidas.
te da baía da Ilha Grande, ao sul da cidade de Para- Os limites setentrionais da unidade são marca-
ti, até a fronteira com o Estado de São Paulo, com dos por falhas transcorrentes dextrais, enquanto
largura em torno de 10km e extensão de aproxima- que nas bordas meridionais ocorrem falhas oblíquas
damente 20km. Mais duas faixas acham-se mapea- com mergulhos para NW. Os contatos são com ro-
das no Estado do Rio de Janeiro. A primeira, ao nor- chas de idade mesoproterozóica/neoproterozóicas
te da cidade de Barra Mansa, com 50km de compri- de alto grau, como é o caso dos paragranulitos e as
mento e largura irregular, em torno de 15km, borde- metagrauvacas do Complexo Paraíba do Sul, as últi-
ja a fronteira entre os estados do Rio de Janeiro e mas representadas por granada-biotita-sillimanita
São Paulo. A segunda localiza-se entre as margens gnaisses, cordierita-sillimanita gnaisses e xistos gra-
do rio Paraibuna e a cidade de Rio das Flores; pos- fitosos. Contatos ocorrem também com rochas tona-
sui largura menos expressiva, porém com extensão líticas, trondhjemíticas e graníticas do tipo TTG do
em torno de 40km. Complexo Rio Negro.
Além de Machado et al. (1989) responsáveis
pela definição original desse conjunto de granitói- Petrologia, Geocronologia e Evolução
des, diversos autores como Heilbron et al. (1994), Tectono-magmática
Machado & Demage (1994a, 1998), Porcher
(1997) e Corrêa Neto et al. (1993, 1994), vêm con- São granada-biotita granitos foliados do tipo-S,
tribuindo para a evolução dos conhecimentos pe- predominantemente leucocráticos, com grã média
trográficos, químicos, petrológicos, estruturais, a grossa, exibindo variedades porfiríticas. São mui-
geocronológicos e geotectônicos das rochas des- to ricos em restitos de paragnaisses e, localmente,
sa unidade. ocorrem blastomilonitos com níveis de calcissilicá-
No presente trabalho a Suíte Serra das Araras in- ticas deformadas. Também são freqüentes encla-
clui duas fácies: Granito Serra das Araras e Granito ves de possíveis paleodiques anfibolíticos, além de

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Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

injeções tardias de composição granítica. Segundo Paraíba do Sul. Apresentam foliação nos bordos,
Corrêa Neto et al. (1993, 1994), as rochas granitói- interpretada por Heilbron (1993), como resultante
des da serra das Araras variam de sienogranitos, da combinação de fluxo magmático com efeitos da
monzogranitos e chegam até granodioritos, haven- deformação D2, dobrada e cisalhada pela deforma-
do predomínio de granito porfirítico, com fenocris- ção D3 subseqüente.
tais de microclina com até 5cm de comprimento.
Os domínios de biotita-granada gnaisse com in- Petrologia, Geocronologia e Evolução
tercalações de rocha calcissilicática e quartzitos Tectono-magmática
são interpretados como remanescentes dos protó-
litos da fusão que gerou o granitóide Serra das Ara- Heilbron (1993) descreveu os granitos Pedra Se-
ras. lada e Serra do Lagarto como granitos porfiróides,
Embora pareça mais consensual a classificação contendo megacristais subédricos de K-feldspato
de granito do tipo-S para essa unidade, adotada in- de até 12cm de comprimento. A matriz é rica em bio-
clusive no presente trabalho, Heilbron et al. (1994), tita, com proporções menores de quartzo, plagioclá-
Heilbron (1995) e Machado & Demange (1994) ad- sio e K-feldspato. Apresentam enclaves máficos ri-
vogaram uma classificação de granito do tipo I para cos em anfibólio e lentes quartzo dioríticas. Os con-
as rochas da unidade em questão. tatos são gradacionais e bruscos com um leucogra-
Machado (1997), ao analisar os granitóides da nito gnáissico, que ocorre como sills ou bolsões no
Faixa Ribeira no Estado do Rio de Janeiro, denomi- interior dos granitos.
nou de Batólito Serra das Araras o que no presente Heilbron (1993) apresentou ainda, dados quími-
trabalho é considerado Suíte Serra das Araras, cos para o granito Serra do Lagarto que indicaram
além de que também os caracterizou como grani- uma classificação como granito do tipo-I, tardi a
tóide sin-F2 e com idade entre 630 e 570Ma. Ma- pós-colisional, da série calcioalcalina de alto-K. Os
chado & Demange (1994) consideraram as rochas padrões de terras-raras sugerem que plagioclásio
dessa unidade como sin-F2, tipo-S, com emplace- e anfibólio são minerais residuais na área-fonte. Os
ment em ambiente catazonal e compatível com a dados indicaram uma fonte mantélica (com conta-
fácies anfibolito. minação crustal durante sua ascensão) ou fonte
Heilbron et al. (1994) e Heilbron (1995) não só crustal.
consideraram os granitóides da Serra das Araras Dados geoquímicos obtidos para o granito Serra
como leucogranitos do tipo-I, como também pós- do Lagarto (Junho et al. 1999) indicam magmatismo
colisionais e tardi-D3, com idades entre 540 e calcioalcalino de alto-K, do tipo-I, fracamente pera-
520Ma. luminoso a metaluminoso. Junho et al. (1995) e Ju-
nho & Abreu (1996) sugeriram um modelo evolutivo
5.4.2 Suíte Pedra Selada (Ng3p) de mistura de magma máfico derivado na crosta infe-
rior (lentes de quartzo diorito fino) e magma ácido,
Introdução anatético, peraluminoso (leucogranito gnaisse).
Uma datação U/Pb, obtida por Valladares (1996)
As rochas dessa suíte foram primeiramente des- no Granito Taquaral (em titanita), forneceu idade de
critas por Heilbron (1993) nos arredores de Pedra ca 553Ma.
Selada, a norte de Resende. Os granitos Serra do
Lagarto, este situado a leste da localidade de Car- 5.4.3 Suíte Varre-Sai (Ng3v)
los Euler e forma a serra do Lagarto (Heilbron,
1993), Paiol Velho e Taquaral (Valladares, 1996), fo- Introdução
ram neste trabalho agrupados nessa suíte. Excetu-
ando o granito Taquaral, que é intrusivo em rochas Esta suíte é representada por quatro corpos situa-
do Complexo Paraíba do Sul, os demais granitos dos na porção NE do estado, aflorantes nas proximi-
são intrusivos em rochas do Grupo Andrelândia. dades das localidades de Varre-Sai, Porciúncula e
norte de Miracema, estendendo-se para os estados
Relações Estruturais de Minas Gerais e Espírito Santo. São encaixados no
Complexo Paraíba do Sul, onde ocorrem na forma
Ocorrem na forma de corpos alongados na dire- de corpos alongados com até 16km de comprimen-
ção NE-SW ou como lentes paralelas à foliação to. A suíte foi originariamente designada como Gra-
principal do Grupo Andrelândia ou do Complexo nitóide Varre-Sai por Barbosa et al., (1981). Posteri-

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

ormente no Estado do Espírito Santo foi cartografa- ções de alto strain imprimindo regionalmente à ro-
da como Suíte Intrusiva Espírito Santo (Machado Fi- cha um fabric de tectonito ultramilonítico LS, fina-
lho et al. 1983) e Intrusivas Ácidas Sin- a Tardi-Tan- mente foliado.
genciais (Vieira, 1997). A principal ocorrência da fácies Itajara (Ng3sai)
está exposta continuamente desde a localidade de
Relações Estruturais Além Paraíba até as proximidades de Itajara. Este
corpo possui cerca de 80km de comprimento por
Constituem maciços alongados, foliados, apre- menos de 100m de largura.
sentando deformação nas bordas, enquanto nas Marcadores cinemáticos como sigmóides de
porções centrais são observadas estruturas de flu- quartzo, indicam movimento dextral. Também foi ob-
xo ígneo. Correspondem a granitóide tardi-colisio- servada boudinage da foliação milonítica. As encai-
nais ligados a movimentos transpressivos. xantes são paragranulitos terrígenos e carbonáticos
De acordo com Machado & Demange (1998), da Unidade Itaperuna, Complexo Paraíba do Sul.
pertencem ao grupo dos granitóides sin-F3, do Cin-
turão Paraíba do Sul, associados a zonas de cisa- Petrologia, Geocronologia e Evolução
lhamento transcorrente Tectono-magmática

Petrologia, Geocronologia e Evolução Apresentam composição monzonítica a quartzo


Tectono-magmática monzonítica, contendo (quartzo), mesopertita, cli-
nopiroxênio e anfibólio. Pode tratar-se de rocha al-
São biotita-hornblenda granitos, foliados, even- calina, porém não existem dados químicos que
tualmente bandados, porfiríticos (porfiroclásticos), permitam a comprovação da origem. A textura ul-
apresentando domínios isotrópicos em zonas de tramilonítica, totalmente recristalizada sob a forma
baixo strain. Não existem dados petrológicos dis- de agregados poligonais com tamanho de grão mi-
poníveis. limétrico (blastomilonito), indica recristalização em
níveis crustais profundos. A presença de manchas
5.4.4 Suíte Santo Antônio de Pádua (Ng3 sa) portadoras de ortopiroxênio, cortando a estrutura
milonítica, é localmente observada.
Introdução A fácies Itajara é composta por uma matriz de
quartzo, microclina, plagioclásio, hornblenda, e bioti-
Nesta suíte foram englobados os anfibólio grani- ta. Apresenta o mesmo grau de deformação que o
tóides miloníticos a ultramiloníticos, com texturas granito Santo Antônio de Pádua, porém preserva por-
granoblásticas, blastomiloníticas e augen, inicial- firoclastos remanescentes de microclina e plagioclá-
mente designados como Granito Miracema (Caniné, sio. Trata-se de um granito do tipo-I.
1992). Engloba também o Granito Itajara (Ng3sai).
Ocorrem no noroeste do estado, entre as locali-
dades de Santo Antônio de Pádua e Baltazar, na 5.5 Episódio Orogênico Brasiliano III/Magma-
forma de cristas extremamente alongadas que se tismo Tardi a Pós-tectônico (545-500Ma)
destacam no interior do Complexo Paraíba do Sul
no qual são intrusivos. 5.5.1 Suíte Getulândia (eg4g)
Esses granitos são intensivamente explotados
como pedra-de-corte, sendo suas diversas fácies Introdução
comercialmente conhecidas como Olho de Pombo,
Pedra Madeira, Ouro Velho e Pedra Preta. São aqui agrupados os granitóides do tipo I, in-
trusivos no Complexo Paraíba do Sul, intimamente
Relações Estruturais relacionados às zonas de cisalhamento transcor-
rente. Na literatura têm sido classificados como tar-
Ocorre na forma de estreitas cristas em zonas de di-colisionais, sin-D3 (Valladares et al., 1995) e
cisalhamento transcorrente que cortam o Comple- sin-F3 (Machado, 1997).
xo Paraíba do Sul. São extremamente alongadas, A suíte engloba os corpos de Arrozal, Getulândia
com comprimento de até 45km e menos de 100m e Vassouras (Machado, 1984) e o Maciço de Parati
de largura, dispostas segundo a direção NE-SW. A (CPRM/DRM, 1983). O granito Getulândia ocorre
cristalização desses corpos ocorreu sob condi- entre as cidades de Barra Mansa e Rio Claro, for-

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Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

mando um corpo lenticular alongado que mede 5.5.2 Plútons Toleiíticos Máficos/ Complexo
aproximadamente 10km de comprimento por 2km Básico Gleba Ribeira (eb5g)
de largura. O granito Vassouras, situado a SE da ci-
dade homônima, é um corpo alongado, medindo Introdução
aproximadamente 40km de comprimento por 4km
de largura. O granito Arrozal, situa-se a 12km a NW Originalmente definido pela GEOMITEC (1981),
do granito Getulândia e mede aproximadamente o plúton de Gleba Ribeira apresenta forma meio
15km de comprimento. elíptica, segundo NE-SW, aqui foi renomeado de
O granitóide Serra da Bocaina (Almeida et al., Complexo, agrupando numerosos plútons crono-
1993), também pertencente a esta suíte, localiza-se correlatos. Em especial:
a sudeste da cidade de Bananal e foi classificado i) a Intrusão Ultrabásica de Areal, descrita em
pelos autores como granitóide do tipo-S (pré/sinco- detalhe por Leonardos (in: Moraes et al., 1935); ii) o
lisional), foliado, apresentando enclaves de rochas peridotito da fazenda Laranjeiras, entre Areal e Por-
calcissilicáticas. tões; iii) o Maciço Gábrico de Amparo (Matos et al.,
1980); iv) o corpo intrusivo de 2,5x1km exposto a W
Relações Estruturais da Vila de Amparo, entre Nova Friburgo e São José
do Ribeirão; v) o Metagabro da Tijuca (Heilbron et
Os plútons têm dimensões variáveis, constiuindo al., 1993) no município do Rio de Janeiro. Esse últi-
desde stocks até pequenos batólitos, alongados mo foi detalhado, entre outros autores, por Lamego
segundo a direção NE-SW. (1938, 1948), Helmbold et al., (1965), Andrade Ra-
Apresentam comumente estruturas de fluxo íg- mos & Barbosa (1965) e Leonardos Jr. (1973).
neo na parte central dos corpos, passando para es-
truturas deformacionais nas bordas, onde mostram Relações Estruturais, Petrologia
freqüentes texturas miloníticas e protomiloníticas. e Geocronologia
Os contatos destas rochas são freqüentemente
tectonizados e concordantes com as encaixantes. O trabalho da GEOSOL (1981) demonstrou o ca-
Nos maciços Parati e Vassouras são descritos con- ráter não deformado do corpo ultrabásico de Areal
tatos transicionais (Machado, 1997). e sua natureza intrusiva nos paragnaisses migmatí-
ticos do Complexo Paraíba do Sul.
Petrologia, Geocronologia e Evolução Levantamentos da GEOMITEC (1981) descre-
Tectono-magmática vem esse Complexo como formado por noritos, oli-
vina gabros e melanoritos grossos, injetados por
Machado (1997) descreveu as rocha pertencen- micronoritos e micromelanodioritos, configurando
tes a esta suíte como biotita-anfibólio granitos e bio- uma trama agmática. Termos protoclásticos de
tita granitos, de composição monzogranítica a gra- borda imprimem às rochas uma estrutura gnáissi-
nodirítica, com texturas ineqüigranulares e porfiríti- ca. A intrusão é cortada por veios e diques pegma-
cas, de granulação média a grossa, meso e leuco- títicos e aplíticos.
cráticos, com coloração cinza e rósea. São comuns Segundo Leonardos (in: Moraes et al., 1935) aflo-
cristais centimétricos de feldspato branco e róseo ram as seguintes fácies: diopsídio peridotito lherzo-
em uma matriz foliada rica em biotita, que às vezes lítico, lherzolito augítico e serpentinito com rema-
pode ocorrer como segregações e/ou agregados nescentes de olivina. Porta veios garnieríticos, que
de máficos (schieren), realçando a orientação da constituem o protominério do níquel, única ocorrên-
rocha. A suíte apresenta enclaves de microgranitói- cia desse metal conhecida no estado.
des máficos. O Maciço Gábrico de Amparo é um olivina ga-
Os dados geoquímicos disponíveis sobre estes bro, ocorrendo fácies félsicas de composições gra-
granitos foram obtidos por Valladares (1996) e Val- nodiorítica e tonalítica associadas (Matos et al.
ladares et al. (1995, 2000), para o granito Getulân- 1980).
dia. Os autores caracterizaram esse granito como Ludka et al. (1997) detalharam petrográfica e
do tipo-I, de tendência subalcalina monzonítica, quimicamente o magmatismo do plúton Amparo
tardi- a pós-colisional. como sendo constituído de gabro-norito toleiítico,
Os dados isotópicos Rb/Sr e U/Pb obtidos por subalcalino de baixo K, com assinatura química
Valladares (1996) em rochas do plúton Getulândia mostrando enriquecimentos relativos a Ba, Sr e
(em monazita), forneceram idade de 535Ma. ETRL.

– 50 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

O metagabro da Tijuca foi cartografado como um Relações Estruturais


corpo de diorito intrusivo (Lamego, 1948). Helm-
bold et al. (1965) definiram esta unidade como in- Os granitos em pauta apresentam, em geral, for-
trusões básicas e intermediárias, interpretadas mas circulares discordantes das estruturas regionais
como “metamorfizadas” e gnaissificadas, à seme- NE-SW das encaixantes, com as quais mostram
lhança dos que ocorrem no maciço Pedra Branca. contatos abruptos e térmicos. As estruturas internas
Heilbron et al. (1993) preconizaram a inserção são homogêneas, isotrópicas, ou podem ser aniso-
do corpo gábrico da Tijuca no granito Favela, dis- trópicas, quando apresentam estruturas de fluxo
tinguindo-se, entre ambas as fácies, uma gradação magmático ou deformações em suas bordas. Veios
do gabro para rocha quartzo diorítica e daí para o e diques aplíticos são constantes, o mesmo aconte-
granito Favela. cendo com bolsões pegmatíticos de formato irregu-
Os gabros de Amparo e da Tijuca podem repre- lar. Os granitos Favela e Utinga, embora ocorram
sentar, também, uma variação faciológica básica também sob a forma de pequenos plutonitos, têm
dos plutonitos São José do Ribeirão e granito Fave- tido maior destaque sob a forma de soleiras e cama-
la, respectivamente. das, com contatos concordantes com as direções
Andrade Ramos & Barbosa (1965) também reco- das encaixantes ou cortando as suas foliações. Pi-
nheceram um piroxênio tonalito, citando que al- res et al. (1982), responsáveis pela descrição origi-
guns petrógrafos da época classificaram-no tam- nal do granito Utinga, consideraram que esse corpo
bém como quartzo diorito ou quartzo gabro. representa um diápiro alóctone, em forma de funil ou
de cogumelo. Também o granito Cassorotiba tem
forma alongada na direção NE-SW e apresenta indí-
5.5.3 Granitóides Pós-tectônicos Cambrianos (eg5) cios de deformação (rúpteis?), além de fraturas
N°70-80°E e N30°W (Penha, 1997).
Introdução
Petrologia, Geoquímica e Geocronologia
Como produtos finais da granitogênese brasilia-
na têm sido cartografados numerorosos corpos de Embora a maioria desses plútons esteja repre-
granitos pós-tectônicos que se distribuem especi- sentada por (hornblenda)-biotita granitos s.s., tam-
almente no Domínio Serra do Mar (figura 4). bém ocorrre uma ampla variedade de rochas com
No presente trabalho acham-se cartografados composições variadas: sienogranítica, monzogra-
vinte e três (23) desses granitóides, merecendo nítica (adamelítica), granodiorítica, tonalítica e
destaque, pela sua expressão aflorante, aqueles quartzo diorítica. Allanita, titanita, apatita, opacos e
denominados: Silva Jardim (17), Sana (11), Pedra zircão são minerais acessórios comuns. Nos ter-
Branca (5), Suruí (12), Mangaratiba (18) e Nova Fri- mos mais graníticos, além do plagioclásio oligoclá-
burgo (9). O granito São Pedro (1) é expressivo no sico, a microclina, em formato euedral tabular, é um
mapa por formar um enxame de pequenos corpos, mineral importante, desenvolvendo-se em cristais
estando o conjunto ocupando uma área de formato que chegam a ter 5cm de comprimento, imprimin-
circular. Os demais corpos distribuídos na área re- do à rocha uma textura porfirítica ou porfiróide. Ou-
cebem as seguintes denominações: Mambucaba tro aspecto bastante freqüente nesses granitóides
(19), Angra (20), Carrasquinho (21), Morro do Côco é a presença de enclaves tanto das rochas encai-
(23), Itaoca (22), São José do Ribeirão (2), Cassoro- xantes, de natureza gnáissica e com formato angu-
tiba (6), Caju (3), Anta (4), Teresópolis (7), Frades loso ou parcialmente assimilados, como de máficos
(10), Andorinha (13), Ipiranga (14), Cesário Alvim microgranulares, com formatos variados. Como
(15), Utinga (16) e Favela (8). elementos ligados à fase de cristalização e resfria-
Esses corpos vêm sendo estudados há mais de mento final desses granitóides aparecem, cortan-
meio século, como é o caso do Maciço da Pedra do-os nas mais variadas direções, diques e veios
Branca (Backheuser, 1926; Lamego, 1948). Porém, aplíticos e pegmatíticos.
só na década de 70 foram objeto de estudos mais Os estudos levados a efeito em alguns dos corpos
detalhados (Leonardos Jr., 1973). A partir da déca- aqui cartografados, têm sugerido a participação de
da de 80, o Projeto Carta Geológica desenvolvido processos de mistura de magma, cristalização fraci-
pelo DRM/RJ, motivou o desenvolvimento de várias onada e assimilação/digestão de encaixantes na
teses nesses granitos, elaboradas por diversas uni- formação desses corpos, dando surgimento a cor-
versidades. pos identificados como de caráter híbrido.

– 51 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

Estudos geoquímicos e petrológicos disponíveis os gnaisses e migmatitos encaixantes. Esse maciço


relacionam-se especialmente aos seguintes plú- foi objeto de diversos estudos: Helmbold (1975),
tons: Suruí (Puget & Penha, 1980), Andorinha, (Zori- Ulbrich & Gomes (1981), GEOSOL/DRM (1981),
ta & Penha 1980), Teresópolis (Junho & Penha, Zimbres (1982, 1987, 1992), Zimbres & Kawashita
1985), maciços graníticos de Pedra Branca, Nova (1996), Zimbres & Motoki (1997) e Fonseca (1998).
Friburgo e Frades (Junho, 1991, 1992, 1993, que
também contêm correlações com outros granitói- Relações Estruturais, Petrologia
des brasilianos dos estados do Rio de Janeiro e e Geocronologia
Espírito Santo), maciços graníticos Pedra Branca e
Misericórdia (Porto Jr., 1993) e Granito Mangarati- A fácies dominante é um lichtfieldito com estrutu-
ba (Guimarães, 1999). Machado (1997) apresentou ra bandada e conspícua foliação de fluxo (Lima,
uma síntese tectono-química dos granitóides do 1976). As exposições em geral são restritas a cam-
estado, incluindo os termos pós-tectônicos. pos de matacões. Apresenta textura porfirítica e
A assinatura litogeoquímica desses granitos em grã grossa. Ocorrem também fácies similares ao
questão é essencialmente calcioalcalina de alto-K, monzonito do maciço de Soarinho.
predominantemente do tipo I Caledoniano (Pitcher, Helmbold (1975) caracterizou a rocha como um
1983), com variações nos termos mais evoluídos biotita lichtfieldito, em parte gnaissificado, que ocor-
para álcali-cálcicos, em geral muito ricos em potás- re em “banco” concordante de 5-15m, no interior de
sio. São metaluminosos a levemente peralumino- gnaisses pré-cambrianos. Diques de traquito silicifi-
sos. Magmatismo máfico de natureza toleiítica cado e às vezes brechado cortam tanto as rochas
ocorre associado a alguns corpos, que podem do maciço quanto as encaixantes migmatíticas. O
mostrar zonação. autor cita a ocorrência de coríndon nas faixas peg-
Os dados geocronológicos disponíveis para al- matíticas ou disseminado na zona de contato entre a
guns plútons situam-se no Período Cambriano, va- intrusão e os migmatitos encaixantes.
riando de ca 540 a 590Ma: Granito Sana, isócronas Ulbrich & Gomes (1971) individualizaram dentro
Rb/Sr de 491 ± 12Ma e 488 ± 3,6Ma (Machado, do corpo de lichtfieldito um tipo de álcali-sienito de
1997); Pedra Branca, isócrona Rb/Sr de 537 pequena expressão superficial, provavelmente re-
±12Ma; Favela e Utinga, idade Rb/Sr de 482 ± ferível ao tipo similar ao monzonito do maciço de
31Ma (Fonseca, 1986); Mangaratiba, idade U-Pb Soarinho.
de 492 ± 11Ma (Valladares, 1996); Nova Friburgo, GEOSOL/DRM (1981) reuniram sob a designa-
idades U/Pb de 540 ± 60Ma (Ledent & Pasteis, ção de Maciço de Canaã todas as rochas alcalinas
1968) e 501 ±19Ma (Tupinambá, 1996). Os corpos expostas em torno da vila de Canaã e as classifica-
datados pelo método U-Pb constam da tabela 1. ram como: sienito nefelínico, traquito, essexito,
Os demais corpos, para os quais não há dados nordmarkito, hornblenda sienito, piroxênio sienito,
geocronológicos disponíveis, foram a esses corre- álcali-sienito. Reportaram uma foliação protoclásti-
lacionados em função de relações estratigráficas, ca de borda, concordante com a orientação prefe-
estruturais e petrológicas, além das assinaturas rencial da encaixante pré-cambriana. Descreve-
químicas. ram a associação dessas rochas a produtos metas-
A granitogênese cambriana do estado está rela- somáticos e correlacionaram a rocha granítica fina
cionada aos estágios pós-tectônicos do Orógeno associada, previamente descrita por Lima (1976),
Brasiliano, marcando a fase de soerguimento e co- aos termos graníticos pós-tectônicos do tipo Ando-
lapso pós-colisional do orógeno que se seguiu ao rinha ou Nova Friburgo. Caracterizaram albitização
episódio orogênico Brasiliano III. como pertosito e sienito nefelínico. As evidências
de fenitização, verificadas na zona de contato entre
o maciço alcalino e o granito pós-tectônico, leva-
5.5.4 Maciço Alcalino de Canaã (elc) ram os autores a atribuir uma provável idade cretá-
cea a esse maciço, apesar de Leonardos Jr. (1973)
Introdução ter atribuído ao mesmo uma idade de 600Ma.
Zimbres (1982, 1987, 1988) através de prospec-
Definido por Lima (1976), esse maciço locali- ção por concentrados de bateia, defininiu uma as-
za-se a nordeste de Duque de Caxias, nos contrafor- sociação de minerais pesados incluindo coríndon,
tes da serra dos Órgãos, apresentando uma área espinélio e zircão. Reportou também a descoberta
2
exposta aproximada de 20km , incluindo também de três ocorrências de safira, associadas a pegma-

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

titos alcalinos. Apresentou um mapa geológico, na ± 14Ma (K/Ar), e 543 ± 14Ma, com razão inicial de
escala de 1:50.000, similar ao apresentado por 0,7155, pelo método Rb/Sr em rocha total. A eleva-
GEOSOL/DRM (1981). Dividiu o maciço em duas da razão inicial, segundo os autores, indicaria con-
faixas paralelas, designadas de Taquara e Xerém. taminação com material crustal. Concluem que a
A primeira, mais expressiva, de cor escura, com idade K/Ar em biotita é coerente com o mapa de
dominância de rochas alcalinas saturadas e sub- curvas termocrônicas de biotita das rochas pré-
saturadas, enquanto que a segunda, de cor clara, é cambrianas desta parte da Faixa Ribeira (Zimbres
mais rica em magnetita, mostrando predominância et al., 1990b).
de rochas álcali-sieníticas. Petrograficamente des- Zimbres & Motoki (1997) apresentaram dados li-
creveu sienitos subsaturados em sílica, com nefeli- togeoquímicos considerando que as rochas são de
na, lichtfielditos, sienitos levemente subsaturados a origem ígnea, metamorfizadas no Evento Brasilia-
supersaturados, álcali-sienitos e pegmatitos alcali- no. Também apresentaram um modelo sobre a ori-
nos. Descreveu o caráter circular do maciço, com gem do zoneamento químico desses corpos.
expressivo resto-de-teto de gnaisse granítico, tipo Zimbres et al. (1998) confirmaram a ocorrência de
Serra dos Órgãos, bem como um megaxenólito do corpos lenticulares encaixados em gnaisses regionais
granito pós-tectônico encaixante. Apresentou tam- de composição granítica, todos de idade metamórfica
bém os mapas de distribuição do espinélio, do co- pré-cambriana. Em face da concordância NE-SW das
ríndon, do zircão e da ilmenita. Considerou a rocha rochas do maciço com as rochas regionais, esses au-
do maciço, tal como Helmbold (1975) e Penha et al. tores concluíram que o maciço alcalino foi metamorfi-
(1979), um nefelina sienito gnáissico do Pré-Cam- zado juntamente com as rochas encaixantes.
briano, e não do Cretáceo, conforme preconizado Fonseca et al. (1998) discutem a origem e idade
por GEOSOL/DRM (1981). de cristalização do maciço no contexto do Ciclo
Zimbres & Kawashita (1996), dataram os gnais- Brasiliano, com base na idade Rb/Sr obtida por
ses alcalinos a nefelina obtendo uma idade de 425 Zimbres & Kawashita (1996).

– 53 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

6
EVOLUÇÃO GEOTECTÔNICA
NEOPROTEROZÓICA/CAMBRIANA
6.1 A Geometria da Deformação Brasiliana tido de mergulho muito variados. Entretanto, exis-
tem diferenças aparentes, principalmente com re-
Os estudos estruturais de detalhe efetuados por lação à intensidade da deformação, entre a trama
Dehler (1999) na extremidade W do estado (folhas dos ortognaisses Quirino e no Domínio Serra do
Volta Redonda e Ilha Grande) fornecem subsídios Mar. Nos ortognaisses Quirino, a presença de do-
fundamentais ao esclarecimento da complexa evo- bras intrafoliais, por vezes desenraizadas, denota
lução estrutural neoproterozóica do estado, e por que sofreram a ação de intenso processo deforma-
essa razão são abaixo transcritos. cional, localmente mascarado pela recristalização
A característica estrutural mais proeminente da estática de biotita e quartzo, aparente até mesmo
deformação brasiliana nos domínios Juiz de na escala de afloramento (figura 5). Já as rochas or-
Fora/Paraíba do Sul e Mantiqueira/Andrelândia toderivadas do Domínio Serra do Mar apresentam
(figura 4) é a extrema linearidade dos litótipos. feições de deformação intensa (por exemplo, de-
Apresentam franca orientação NE, em concordân- senvolvimento de foliação milonítica) somente em
cia com as principais zonas de cisalhamento regio- zonas estreitas, notadamente no contato com o Do-
nais. As foliações miloníticas mapeadas tanto em mínio Juiz de Fora/Paraíba do Sul. Predomina uma
rochas supracrustais quanto em ortognaisses e trama planar discreta, caracterizada por uma orien-
granitos mostram, no geral, direção nordeste e tação preferencial dos minerais constituintes, sem
mergulhos muito variados para sudeste e noroeste. a formação de bandamento deformacional intenso.
Exceção a essa regra é observada nos ortognais- O Domínio Mantiqueira/Andrelândia é balizado,
ses da Suíte Quirino. Nessa unidade, bem como a sul, pela Zona de Cisalhamento de Rio Preto, que
nos ortognaisses do Domínio Serra do Mar, as folia- mergulha em média 35° para sul. O Domínio Serra
ções são predominantemente suborizontais quan- do Mar é limitado, a norte, pela Zona de Cisalha-
do não afetadas por zonas de cisalhamento direci- mento de Paracambi, com mergulho variável para
onais e, por isso, podem apresentar direções e sen- noroeste, geralmente de médio ângulo. Estas duas

– 55 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

estruturas limitam um “corredor” estrutural de orien- formação direcional são compatíveis com uma mo-
tação nordeste que materializa a estrutura diver- vimentação dextral, conforme já discutido na litera-
gente do rio Paraíba do Sul, caracterizada desde os tura por inúmeros autores que trabalharam na re-
trabalhos pioneiros do geólogo Rosier, no Rio de gião.
Janeiro (figura 5). No domínio meridional, as foliações miloníticas
Na extremidade W do estado, onde foi melhor es- mergulham consistentemente para noroeste, em-
tudada (Dehler 1999), esta estrutura divergente bora em proporção variável. As lineações minerais
pode também ser dividida em três grandes domí- contidas no plano de foliação milonítica podem ser,
nios, tendo como referência a Zona de Cisalhamen- qualitativamente, agrupadas em três grupos: um
to Paraíba do Sul: a) o domínio norte, onde as folia- grupo com caimento geral para noroeste-oeste; ou-
ções miloníticas mergulham quase que invariavel- tro com caimento geral para norte-nordeste, po-
mente para S-SE; b) o domínio central, coincidente dendo apresentar variações em torno desta dire-
com o eixo da zona de cisalhamento, onde as folia- ção; e um terceiro grupo com caimento predomi-
ções miloníticas são de alto ângulo; c) o domínio sul, nante para nordeste, paralelo ao strike regional do
onde as foliações miloníticas mergulham para cinturão de cisalhamento. Os indicadores cinemáti-
N-NW. cos observados sugerem que, com relação às line-
ações do primeiro grupo, a movimentação tenha
sido de caráter compressivo com topo para les-
6.2 A Cinemática Brasiliana te-sudeste. Por outro lado, os indicadores cinemáti-
cos associados às lineações nordeste sugerem
Os dados levantados na extremidade W do esta- movimentação direcional dextral e, por vezes, com
do sobre a orientação das lineações de estiramento componente distensiva, quando a lineação é oblí-
nos domínios Mantiqueira/Andrelândia e Serra do qua à direção da foliação milonítica. Também ob-
Mar são insuficientes para uma caracterização ci- servam-se indicadores cinemáticos sugerindo mo-
nemática destes domínios. Inversamente, os dados vimentação sinistral para o último grupo de linea-
de lineações, coletados na estrutura divergente, ções. O significado cinemático e tectônico do gru-
são suficientes para uma discussão inicial sobre a po de lineações minerais com caimento para norte
cinemática da deformação brasiliana característica é, ainda, assunto aberto à discussão.
neste segmento.
O domínio setentrional é caracterizado por folia-
ções miloníticas de baixo a alto ângulo, com mergu- 6.3 Interpretação Tectônica e Discussão da
lho predominantemente para S. A lineação de esti- Estruturação Regional
ramento contida nestes planos, na grande maioria
dos afloramentos visitados, é oblíqua, com caimento Os dados estruturais coletados durante a inte-
geralmente suave para E-SE. Não raro ocorrem ain- gração regional permitem tecer algumas conside-
da lineações direcionais, mesmo em planos de cisa- rações sobre a estruturação regional da Folha Volta
lhamento suborizontais e, mais raramente, linea- Redonda. O domínio norte da estrutura divergente,
ções de alto rake com caimento para sudeste. Os a sul da zona de cisalhamento Rio Preto, é caracte-
indicadores cinemáticos associados a esta defor- rizado por uma tectônica compressiva, com empur-
mação são compatíveis com movimentação oblí- rões oblíquos com vergência de topo para noroeste
qua de topo para noroeste, com importante compo- e importante componente direcional lateral direita.
nente direcional dextral. Adicionalmente, em aflora- Ocorrem também zonas de cisalhamento direcio-
mentos onde o cisalhamento é direcional ou de em- nais e de empurrão que, além de não apresentarem
purrão, a movimentação sugerida pelas estruturas uma relação de superposição clara, são cinemati-
assimétricas é dextral e de empurrão para noroes- camente compatíveis com uma compressão regio-
te, respectivamente. nal oeste-noroeste/leste-sudeste. Embora os da-
No domínio central, as foliações miloníticas têm dos estruturais coletados no domínios Mantiquei-
uma direção nordeste bem marcada, paralelas ao ra/Andrelândia não permitam uma discussão con-
trend regional das zonas de cisalhamento de alto junta, é provável que esta estruturação regional re-
ângulo. As lineações são predominantemente de presente a estruturação da borda sudeste da Placa
baixo rake, embora possam apresentar caimento São Franciscana, definida por Alkmim et al. (1993).
ora para o quadrante nordeste ora para o sudoeste. Neste sentido, o quadro tectônico regional ob-
Os indicadores cinemáticos associados a esta de- servado sugere uma estruturação em que a Placa

– 56 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

São Franciscana mergulha para sudeste, sendo imento das lineações de estiramento para nordeste
fragmentada por importantes zonas de cisalhamen- e para sudoeste. Esta variação é sistemática, tendo
to oblíquas de extensão regional, responsáveis por sido individualizados domínios geográficos onde a
uma intensa intercalação tectônica vertical e hori- lineação e os indicadores cinemáticos sugerem
zontal entre rochas mais antigas, de idade paleo- movimentação transpressiva e transtrativa, tendo
proterozóica, como a Suíte Quirino (Valladares em vista a relação plano de cisalhamento versus li-
1996) e os granulitos do Complexo Juiz de Fora neação de estiramento. A delimitação de domínios
(Heilbron et al. 1994a), com as rochas supracrusta- geográficos bem definidos é incompatível com a in-
is agrupadas neste projeto no Domínio Juiz de terpretação de que, quando a lineação tem uma ati-
Fora/Paraíba do Sul, mas que podem representar tude predominantemente direcional, é comum que
também rochas do Domínio Mantiqueira/Andrelân- este elemento estrutural tenha caimento suave para
dia. A presença de mármores no sítio paleogeográ- ambos os quadrantes. Contrariamente, sugere-se
fico do Domínio Juiz de Fora/Paraíba do Sul, ausen- que esta variação seja devida à própria evolução
tes ou muito escassos entre as rochas do Domínio cinemática das zonas de cisalhamento com o tem-
Mantiqueira/Andrelândia, sugere que tenham sido po.
depositados em bacias distintas (no tempo ou no O domínio meridional, pelos dados cinemáticos
espaço). coletados, provavelmente têm estrutura mais com-
Os dados estruturais e cinemáticos, no domínio plexa. Na Folha Volta Redonda e em alguns locais
representado pelo Corredor de Cisalhamento Para- da Folha Rio de Janeiro, mais precisamente no perfil
íba do Sul, sugerem que as rochas sofreram intenso Rio de Janeiro - Juiz de Fora (figura 5), as lineações
cisalhamento direcional dextral em condições me- de estiramento têm caimento para noroeste, com es-
tamórficas do grau alto (figura 5). Este corredor re- truturas assimétricas indicando movimentação com-
presenta também uma descontinuidade estrutural pressiva de topo para sudeste. Adicionalmente, são
regional, visto que as rochas têm atitude subverti- observadas também lineações suborizontais (orien-
cal, em contraste com a estruturação em ambos os tadas para nordeste) às quais associam- se indica-
flancos da zona de cisalhamento. A movimentação dores cinemáticos dextrais e sinistrais. Esta varia-
dextral desta zona de orientação nordeste, junta- ção merece estudos estruturais mais detalhados,
mente com seu caráter transpressivo (Dayan & Kel- uma vez que promove a adição de dados tectôni-
ler, 1989; Ebert et al., 1993a e b; Machado & Endo, cos que têm de ser examinados à luz do modelo
1993a e b; Ebert & Hasui, 1998), com encurtamento transpressivo regional (Machado & Endo, 1993a e
perpendicular ao plano de cisalhamento (Sander- b; Ebert et al., 1993a e b; Ebert & Hasui 1998) e de
son & Marchini, 1980), sugerem uma compatibilida- superposição cinemática (Machado & Endo 1994).
de cinemática com a estruturação identificada no Os dados cinemáticos disponíveis sugerem que
flanco norte da estrutura. uma importante componente de cisalhamento
Por estas razões, não é necessariamente verda- puro, comum em ambientes transpressivos, pode-
deira a hipótese de que estas zonas de cisalhamen- ria explicar movimentações opostas num mesmo
to sejam estruturas tardias no desenvolvimento tec- evento deformacional, sem a necessidade de
tônico de todo o Cinturão, como resultado de uma eventos distintos para explicar este padrão (Ribei-
rotação regional dos vetores compressivos (Heil- ro, com. verb.). Entretanto, estudos específicos de-
bron, 1993; Heilbron et al. 1994a). Os dados coleta- talhados são necessários para responder esta
dos, por sua vez sugerem que ambas as estrutura- questão.
ções se instalaram num mesmo regime de esforços Confrontando os dados estruturais e cinemáti-
regionais, e provavelmente são resultado de uma cos levantados nessa integração com os dois mo-
deformação transpressiva de natureza colisional delos antagônicos de evolução estrutural da Faixa
oblíqua (figura 5). Entretanto, não se pode descartar Ribeira, conclui-se pela existência de problemas
a possibilidade de que estas zonas de cisalhamento específicos para cada modelo.
de alto ângulo, por suas próprias características Com relação ao modelo proposto por Heilbron
geométricas e mecânicas, tenham permanecido (1993) e Heilbron et al. (1994), de evolução estrutu-
ativas por muito mais tempo, absorvendo a defor- ral polifásica, com empurrões com vergência de
mação de forma mais efetiva, principalmente nos es- topo para noroeste, seguidos por transpressão
tágios finais da deformação colisional. dextral na fase colisional, os dados ora levantados
Outro aspecto interessante da estruturação regio- sugerem que várias zonas de cisalhamento anteri-
nal deste domínio de alto ângulo é a variação no ca- ormente mapeadas como empurrões são na reali-

– 57 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

dade zonas oblíquas ou até mesmo direcionais, ci- a Zona de Cisalhamento do rio Paraíba do Sul seria
nematicamente compatíveis com as transcorrên- o front das grandes nappes, sendo caracterizadas
cias. Não haveria, necessariamente, lapso de tem- por Rosier (1957) por intenso encurtamento oriun-
po geologicamente representativo no desenvolvi- do do movimento destas grandes massas rocho-
mento destas estruturas, nem rotação dos esfor- sas.
ços regionais para explicar a instalação das mes- Coube a Ebert (1968, 1971, 1984), sintetizando
mas de forma anacrônica. estudos sistemáticos, a proposição do primeiro
Relativamente ao modelo transpressivo regional modelo tectônico abrangente, envolvendo tanto o
proposto por Machado & Endo (1993a e b) e Ebert estado do Rio de Janeiro como o sul de Minas Ge-
et al. (1993a e b), a movimentação variável ao longo rais. Esses estudos levaram o autor a interpretar a
da Zona de Cisalhamento de Paracambi apresen- geologia fluminense como relacionada às porções
ta-se como uma peculiaridade que requer estudos internas de um geossinclinal de idade Assíntica.
mais detalhados. Esta variação cinemática poderia Para Ebert (1955, 1956a e b), os metassedimentos
ter resultado de uma série de fatores que atuaram da “Série” Andrelândia, na região sul do Estado de
isolada ou combinadamente. Entre eles pode-se ci- Minas Gerais, seriam os correspondentes menos
tar: a) heterogeneidade na deformação transpres- metamórficos dos gnaisses da então denominada
siva regional, notadamente uma importante com- Série Paraíba.
ponente de encurtamento perpendicular às pare- Ebert correlacionou pelo menos parte das cober-
des das zonas de cisalhamento regionais, devida à turas metassedimentares estudadas no sul do Es-
presença imediatamente a sul do Domínio Serra do tado de Minas Gerais com os gnaisses aflorantes
Mar; b) partição/repartição da deformação associ- no Estado do Rio de Janeiro. O mesmo autor deno-
ada à própria evolução cinemática da estrutura no minou de Paraibides (posteriormente Faixa Ribeira)
tempo. Nos casos a e b estariam intimamente interli- esta unidade geotectônica, e considerou-a mais jo-
gados; c) superposição cinemática. As alternativas vem que os então denominados Araxaídes (hoje a
a e b são, no momento, as mais adequadas para ex- Faixa Brasília).
plicar esta característica estrutural, porque as rela- Segundo Ebert (1968), a vergência tectônica era
ções de superposição e a identificação de um gap para noroeste até o rio Paraíba do Sul, onde a estru-
metamórfico entre as diversas foliações não pude- tura descrita como “divergência em forma de le-
ram ser seguramente estabelecidas. Seria oportu- que” interrompia essa homogeneidade estrutural.
no, entretanto, o desenvolvimento de estudos es- O mesmo autor ainda reconheceu a grande estrutu-
truturais e geocronológicos neste domínio, objeti- ra antiformal observada na serra dos Órgãos. A es-
vando uma interpretação mais segura do significado trutura divergente do rio Paraíba do Sul foi posteri-
dessa estruturação. ormente descrita por Machado (1983), Heilbron et
al. (1991), Machado & Endo (1993a), Corrêa Neto et
al. (1993) e Dayan et al. (1993), e sua interpretação
6. 4 Evolução Geotectônica Brasiliana tectônica constitui-se ainda numa importante ques-
tão na evolução do Orógeno Brasiliano neste seg-
Introdução mento.

O primeiro modelo de evolução tectônica para o


Estado do Rio de Janeiro foi proposto por Rosier Modelos de Evolução Atualísticos
(1957, 1965). Este autor estudou o Domínio Serra
do Mar (figura 4) e do rio Paraíba do Sul, propondo Somente no início da década de 80 foram pro-
um modelo tectônico alpino para explicar o pa- postos modelos baseados nos conceitos de tectô-
drão estrutural, estratigráfico e metamórfico ob- nica global, para explicar as feições geológicas
servado. Segundo Rosier (1957), as dobras re- observadas neste estado. Dentre estas pode-se
cumbentes, o padrão estrutural regional, e o pa- citar Machado (1984), Machado (1997), Grossi
drão metamórfico inverso eram evidências de uma Sad & Dutra (1988), Heilbron (1993, 1995), Heil-
tectônica de grandes nappes, transportadas de bron et al. (1999), Campos Neto & Figueiredo
sudeste para noroeste. Esta estruturação, para o (1995), Ebert et al. (1993a e b), Machado & Endo
autor, de idade Assíntica, seria também responsá- (1993a e b), Ebert & Hasui (1998), Tupinambá
vel pela colocação de rochas supostamente ar- (1999), Silva (1999), Silva et al. (no prelo), dentre
queanas sobre rochas mais jovens. Neste modelo, outros.

– 58 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

Estes trabalhos enfocam diferentes aspectos da numa fase tardia da evolução tectônica do Cintu-
geologia do estado, tais como estrutura, geoquími- rão. Essa fase tardia foi denominada de D3 por Heil-
ca, geocronologia e caráter do magmatismo graní- bron (1993) e Heilbron et al. (1994a). Foi responsá-
tico, e propõem modelos regionais de caráter mais vel pela implantação das zonas de cisalhamento di-
abrangente. recionais e pela “megassinforma do rio Paraíba do
Machado (1984), estudando o segmento central Sul” (Heilbron et al., 1991) e seria acompanhada de
da Faixa Brasiliana no Estado do Rio de Janeiro, su- metamorfismo M2. Este processo evolutivo seria re-
geriu que a colisão entre massas cratônicas a sultado de convergência e colisão entre massas no
noroeste e sudeste deste estado seria responsável Neoproterozóico (Machado, 1997), com subduc-
pelo complexo padrão tectono-metamórfico da re- ção tipo-A mergulhante para sudeste (Heilbron,
gião. Segundo esse autor, a estrutura divergente 1993). A sutura, segundo Heilbron (1993), prova-
do rio Paraíba do Sul seria também explicada pela velmente se localizaria no denominado Domínio
colisão entre essas massas cratônicas. Tectônico Juiz de Fora/Paraíba do Sul, caracteriza-
Grossi Sad & Dutra (1988) utilizando análises lito- do por intensa intercalação tectônica entre rochas
geoquímicas em unidades deformadas e metamor- metassedimentares da cobertura com rochas gra-
fizadas do Complexo Paraíba do Sul, sugeriram nulíticas e ortognáissicas do embasamento. Este
que este teria sido depositado em um ambiente co- processo seria o resultado de encurtamento crustal
lisional arco-continente. Estes autores analisaram inicial noroeste-sudeste, seguido de giro paulatino
geoquimicamente rochas gnáissicas cujos protóli- dos vetores regionais para a direção leste-oeste
tos foram interpretados como vulcânicos, extrava- (Heilbron et al., 1995).
sados num ambiente tectônico de margem ativa. Paralelamente, com base nos dados regionais
Essa interpretação, até o momento, não encontra de lineações de estiramento e geofísicos disponí-
paralelo na literatura geológica do estado, já que as veis, assim como no caráter transpressivo das zo-
rochas supracrustais do Complexo Paraíba do Sul nas de cisalhamento direcionais (Dayan & Keller,
têm sido sistematicamente interpretadas como de 1989; Ebert et al., 1991; Corrêa Neto et al. 1993), di-
protólito sedimentar. versos autores têm proposto interpretações alter-
Esses trabalhos marcam o início de uma aborda- nativas para a estruturação da Faixa Ribeira neste
gem atualística na interpretação da articulação e segmento (Machado & Endo, 1993a e b; Ebert et
evolução tectônica dos diferentes terrenos que al., 1993a e b; Ebert & Hasui, 1998).
compõem a geologia do Estado do Rio de Janeiro. Para Machado & Endo (1993a e b), a estrutura di-
A partir da década de noventa, com o desenvolvi- vergente do rio Paraíba do Sul representaria uma
mento de trabalhos de mapeamento sistemático e a megaestrutura-em-flor positiva, com importante
geração de novos dados cinemáticos, litoquímicos papel na estruturação de toda a faixa que, junta-
e principalmente geocronológicos, surgiram diver- mente com o denominado Cinturão Dom Feliciano
sas interpretações tectônicas regionais que serão (Fragoso César, 1980), foi redenominada de Cintu-
descritas a seguir. rão de Cisalhamento Atlântico. Segundo os mes-
Após os trabalhos sistemáticos e pioneiros de mos autores, as feições contracionais nas partes
Ebert, que culminaram com a elaboração do mode- externas do orógeno seriam concomitantes aos
lo tectônico regional anteriormente descrito, coube movimentos transpressivos das porções internas
a Heilbron (1993) propor, com base em estudos es- do mesmo. Ebert et al. (1993a e b) e Ebert & Hasui
truturais e metamórficos resultantes de mapeamen- (1998) sugeriram que o arcabouço tectônico de
to sistemático, nova proposta de evolução tectôni- toda a Região Sudeste do Brasil seria resultado da
ca para o segmento central da Faixa Ribeira no Es- colisão e articulação final de três blocos crustais no
tado do Rio de Janeiro. Para a referida autora, a es- Neoproterozóico. No caso particular da “Faixa” Ri-
truturação principal desse segmento seria dada beira, a deformação transpressiva seria conse-
por importantes zonas de cisalhamento de empur- qüência da colisão do Bloco Brasília com o Bloco
rão com vergência de topo para noroeste, num es- Vitória, com subducção para SE.
quema de grandes duplexes crustais. Esses movi- Os dois modelos cinemáticos regionais descri-
mentos estariam associados às fases de deforma- tos acima demonstram a visão antagônica dos pro-
ção contínuas D1+D2, concomitantes ao metamor- cessos geodinâmicos responsáveis pela estrutura-
fismo regional M1. A cinemática evoluiria no tempo ção final dos terrenos no Estado do Rio de Janeiro.
para oblíqua, com componente direcional dextral e No modelo proposto por Heilbron (1993), a conver-
de empurrão para noroeste, e direcional dextral, já gência e direção da colagem neoproterozóica seria

– 59 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

sudeste-noroeste, com movimentos tardios pouco desta região são antigas, com idades paleoprote-
expressivos, representando a mudança regional rozóicas (Zimbres et al., 1990), mas teriam sofrido
dos vetores para E-W e instalação de zonas de ci- deformação e metamorfismo há ca 520Ma. A tectô-
salhamento direcionais dextrais (Heilbron et al., nica de baixo ângulo, segundo estes autores, teria
1994a). No modelo transpressivo, a colagem neo- vergência de topo para noroeste, o que coloca os
proterozóica teria ocorrido na direção leste-oeste, ortognaisses estruturalmente por cima dos metas-
num modelo de colisão oblíqua. Neste modelo o sedimentos do Complexo Paraíba do Sul nessa
vetor de encurtamento regional seria o mesmo para região. O metamorfismo que acompanhou essa
o período orogênico considerado, em que se de- deformação foi caracterizado por pressões relati-
senvolveram as estruturas regionais, tanto zonas vamente maiores que as observadas nos domínios
de cisalhamento contracionais de baixo ângulo, Serra do Mar e Juiz de Fora/Paraíba do Sul (“Faixa”
quanto zonas direcionais dextrais de caráter trans- Ribeira), conforme indicado pela estabilidade da
pressivo. paragênese sillimanita-cianita (Schmitt et al.
1999a e b). Essa relação, embora careça de estu-
dos mais regionalizados, é compatível com o
Considerações Finais overthrusting deste terreno (Domínio Região dos
Lagos) sobre a “Faixa” Ribeira, ou Domínio Serra
Apesar das aparentes controvérsias entre os do Mar (figura 4), com subducção para SE no
modelos de evolução tectônica para a geologia do Cambriano.
Estado do Rio de Janeiro, grandes avanços foram Pela inconveniência do emprego de terminologia
alcançados, principalmente nesta última década. pré-tectônica global (“faixa”, “cinturão”, “cinturão
Ainda são escassos os dados geocronológicos de móvel ” etc) e pela introdução de distintas designa-
alta precisão e, com o incremento de metodologias ções geográficas para um mesmo domínio tectôni-
modernas de pesquisa e de trabalhos de campo co (Cinturão “Ribeira”, Cinturão “Atlântico”, Cintu-
sistemáticos, a tendência é um diagnóstico mais rão “Costeiro”), nota-se na literatura mais recente
claro do complexo quadro tectônico responsável uma tendência ao abandono desses termos.
pela evolução geológica dos terrenos do Rio de Ja- Brito Neves et al. (1999), Silva (1999), Campos
neiro. Neto (2000) demonstraram a natureza diacrônica
Os modelos de evolução tectônica, apesar de para o “Ciclo” Brasiliano, na verdade representado
demonstrarem a pluralidade do pensamento dos por um complexo sistema de orógenos sobrepos-
pesquisadores que trabalham neste estado, mos- tos espacial e temporalmente: a colagem neoprote-
tram algumas características e particularidades rozóica.
que merecem ser discutidas. Há uma tendência Posteriormente, Silva et al. (no prelo) delimitaram
geral a explicar a evolução neoproterozóica em ter- temporalmente a sucessão colisional Brasilia-
mos de um sistema de orógenos superpostos cuja na/Pan-Africana em quatro episódios orogênicos. O
evolução teria passado por distintos estágios de evento mais antigo, registrado no estado, corres-
subducção de crosta oceânica com polaridade ponde ao Brasiliano II. Esse é representado pela
precariamente definida, seguidos de três colisões fase pré-colisional (630-600? Ma) da “Orogênese
(Silva, 1999; Silva et al., no prelo; Brito Neves et al., Rio Negro” de Campos Neto (2000) . Essa é caracte-
1999, Campos Neto, 2000). rizada pela colagem do Arco Magmático Rio Negro
Curiosamente, a maioria dos autores que cons- no Terreno Juiz de Fora, há ca 630Ma (Tupinambá,
truíram modelos geotectônicos baseados princi- 1999). O Episódio Brasiliano III (570-560Ma) relacio-
palmente em litogeoquímica dos granitóides, suge- na-se à colagem dos arcos Serra dos Órgãos e Rio
re subducção de crosta oceânica para NW, contrá- de Janeiro no Terreno Juiz de Fora. Esse evento
ria ao sentido proposto por trabalhos que explora- corresponde à Orogênese Rio Doce, de Figueiredo
ram mais aspectos estruturais, cinemáticos e geofí- & Campos Neto (1993) e Campos Neto (2000) ou
sicos. Tupinambá (1999), por exemplo, sugere uma extensão SE da Orogênese Araçuaí (Silva et al.,
subducção para os dois sentidos, sendo a mergu- no prelo). Esse sistema engloba também a colagem
lhante para sudeste mais antiga. final neoproterozóica há ca 520Ma, relacionado à
Recentes dados estruturais e geocronológicos assim chamada Orogênese Búzios, de Schmitt et al.
obtidos por Schmitt et al. (1999 a e b) na região de (1999).
Cabo Frio e Búzios, no litoral do Estado do Rio de O Episódio Brasiliano I (750-700Ma) não apre-
Janeiro, confirmam que as rochas ortognáissicas senta registro geocronológico no estado.

– 60 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

Finalmente, cabe destacar que a caracteriza- Assim, os modelos que preconizam uma correla-
ção precisa do pico colisional no Brasiliano III, ção direta entre o Batólito Pelotas “cinturões” Ri-
datado em ca 560Ma na Suíte Rio de Janeiro, tem beira e Dom Feliciano (Episódio Brasiliano II -
interessantes conseqüências para os modelos 640-620Ma) e os orógenos da África Ocidental
de correlação dos orógenos brasilianos e pan- (Kaoko, Damara, Gariep e Saldania) devem ser
africanos. O mesmo episódio orogênico (Pan- revistos. Conseqüentemente, uma provável ex-
Africano III) também foi datado em 550Ma (U-Pb tensão para sudoeste do Arco Rio de Janeiro (re-
SHRIMP) no lado africano em granitóides I e S sin- coberto pela sedimentação em ambas as mar-
tectônicos do Orógeno Saldania (Silva et al., gens continentais) passaria a ser o melhor candi-
2000). Da mesmam forma no Orógeno Kaoko dato a representar o arco magmático desenvolvi-
(Seth et al., 1998) a idade de ca 560Ma foi obtida do durante a amalgamação final dos dois conti-
nos granitóides sincolisionais costeiros do tipo-S. nentes, há 560Ma (Silva et al., no prelo).

– 61 –
Geologia do Estado do Rio e Janeiro

7
MESO-CENOZÓICO
7.1 Intrusivas Alcalinas Meso-Cenozóicas Os últimos autores (Ulbrich & Gomes 1981) apre-
(KTl) sentaram mapas litológicos sintéticos dos maci-
ços de Rio Bonito, Itaúna e Ilha do Cabo Frio, entre
7.1.1 Introdução outros.
O maciço do Morro dos Gatos (KTlmo) é um pe-
O plutonismo alcalino (pipes, stocks e plugs) con- queno corpo com cerca de 5km2 intrusivo no grani-
centra-se preferencialmente na região litorânea cen- to Cesário Alvim, situado a sul de Imbaú e a norte
tro-sudeste do estado, com destaque para a região de Cesário Alvim. É provavelmente correlacionável
de Rio Bonito. Esse evento magmático está relacio- aos maciços de Soarinho e Rio Bonito.
nado à Reativação Wealdeniana (Almeida, 1967, Martins & Borghi (1982) referiram pela primeira
1969) na Província Serra do Mar (Almeida, 1983). vez a ocorrência da rocha alcalina do Morro do
Foram discriminados cartograficamente os se- Gato, associando-a ao alinhamento de outros cor-
guintes plútons: Maciço Alcalino da Serra do Men- pos segundo a direção ENE-WSW, que designa-
danha – KTls, Maciço Alcalino Morro dos Gatos – ram de “falha Rio Bonito”, a qual deve corresponder
KTlmo, Maciço Alcalino de Rio Bonito – KTlrb, ao limite setentrional da Zona de Cisalhamento
Maciço Alcalino Soarinho – KTlso, Complexo Alca- Dúctil de Niterói (ZCDN), de Hippertt (1990). Admi-
lino Itaúna – Tli Maciço Alcalino do Morro São João tem que a intrusão desses corpos ao longo da refe-
– KTlsj; Intrusão Alcalina da Ilha de Cabo Frio – rida falha, a partir de uma mesma câmara magmáti-
KTlc, Maciço Serra dos Tomazes – KTlst, Intrusão ca, estaria associada ao sistema de falhas normais
Alcalina Marapicu – KTlm, Maciço Alcalino de Itati- de blocos basculados e justapostos, estabelecidas
aia – KTlit, Maciço Alcalino de Tanguá – KTlt, Ma- à época da abertura do Atlântico Sul, durante a
ciço Alcalino Passa Quatro – KTlp e Suíte Alcalina Reativação Wealdeniana. Apesar da escassez de
de Tinguá – KTlt. evidências diretas, sugerem uma incipiente zona-
Diversos trabalhos de cunho regional e específi- ção dos litótipos observados. Na região oeste do
cos abordaram essas associações, como Valença estado, sete plútons formam um alinhamento orien-
(1969, 1975, 1976), Lima (1976), Klein & Vieira tado segundo WNW-ESE, provavelmente associa-
(1980) e Ulbrich & Gomes (1981), dentre outros. do à colocação dos corpos de Cabo Frio, no Estado

– 63 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

do Rio de Janeiro, e Poços de Caldas, em Minas 7.1.2 Relações Estruturais, Petrologia e


Gerais. Os maiores maciços são os de Passa Qua- Geocronologia
tro e Itatiaia. Em direção a leste-sudeste afloram os
corpos de Morro Redondo, Serra dos Tomazes, Tin- A maior parte das intrusões ocorre sob a forma
guá, Mendanha e Marapicu. de plútons circunscritos ou também na forma de di-
O Maciço Alcalino de Rio Bonito (KTlrb) está locali- ques.
zado imediatamente a norte da cidade homônima, Valença (1975) descreveu rochas de composi-
abrangendo a serra do Sambé, com área em torno ção básica, associadas aos maciços do Morro de
de 29km2. São João e da Ilha do Cabo Frio. Dentre as rochas
O Maciço Alcalino da Serra do Mendanha (KTls) alcalinas sieníticas, destacou sienitos nefelíni-
aflora no extremo-sudoeste da Folha Rio de Janeiro cos, pulaskitos ou umptekitos ligeiramente sub-
e correlaciona-se ao Maciço de Marapicu, situado saturados ou saturados e foiaítos. Os maciços de
logo a oeste, na folha Volta Redonda. Abrange o Passa Quatro e Itatiaia, por outro lado, são forma-
segmento oriental da serra de Madureira, no muni- dos por sienitos, nefelina sienitos, pulaskitos,
cípio de Nova Iguaçu, e toda a serra do Mendanha, nordmarkitos e apresentam granitos alcalinos as-
no município do Rio de Janeiro. sociados.
O Maciço Alcalino de Tanguá (KTlta) faz parte do Os trabalhos geocronológicos disponíveis
complexo alcalino da região de Rio Bonito, sendo o (Herz, 1966, 1977; Amaral et al., 1967; Riccomi-
mais jovem dos três corpos (Neocretáceo-Terciário), ni et al.,1983, 1991; Riccomini & Rodrigues Fran-
com 50km2 de área. Localiza-se próximo à cidade de cisco,1992) forneceram idades entre 72 e 42Ma.
Rio Bonito, à margem da rodovia BR-101. A idade mais jovem (ca 42Ma) refere-se à lava
O Complexo Alcalino de Itaúna (KTli) é um corpo ankaramítica (ultrabásica) da bacia de Volta Re-
elíptico situado no município de São Gonçalo, à donda (Riccomini et al. 1983). Essa ocorrência é
margem oriental da Baía de Guanabara, abrangen- em parte correlacionável ao derrame de ankarami-
do uma área de cerca de 6km2. to (olivina basalto) descrito por Klein & Valença
O Maciço de Tinguá (KTlt) está localizado nos (1984) e Rodrigues Francisco & González (1992),
contrafortes da Serra do Mar, a norte do município na borda setentrional da bacia carbonática de São
de Nova Iguaçu, nas cabeceiras dos rios Douro, José do Itaboraí. Esse último foi datado em 52,6 ±
Iguaçu e Santo Antônio. O maciço atinge cotas de 2,4Ma, pelo método K/Ar (Riccomini & Rodrigues
até 1.600m, com cerca de 50km2 de área. Francisco, 1992).
O Maciço do Morro de São João (KTlsj) ocorre a O conjunto dos plútons faz parte do Alinhamento
5km a NW da cidade de Barra de São João. Oliveira Magmático de Cabo Frio (Almeida, 1967), que
(1953) caracterizou sienitos nefelínicos no sopé do abrange o maciço de Poços de Caldas, com idade
morro homônimo, com notável expressão topográ- em torno de 89Ma.
fica cônica (806m de altitude), em meio a terrenos Foi evidenciado um aumento de idade, do litoral
pré-cambrianos com relevo arrasado. para o interior segundo um alinhamento de direção
A Intrusão Alcalina da Ilha do Cabo Frio (KTlc) WNW-ESE, o qual, segundo Marsh (1973) estaria
localiza-se em Arraial do Cabo e abrange toda a relacionado à evolução das falhas transformantes,
ilha oceânica em frente ao cabo Frio (pontal do Ata- à época, do segundo estágio de abertura do Atlân-
laia), designada de ilha do Cabo Frio. tico Sul, há 80Ma.

– 64 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

8
CENOZÓICO/TERCIÁRIO
8.1 Bacias Continentais Terciárias O Sistema de Riftes Continentais do Sudeste do
Brasil (SRCSB) é uma depressão alongada na dire-
Arcabouço Tectono-Estrutural das Bacias ção ENE e composta por dois segmentos: a zona
de riftes do Vale do Paraíba, entre as cidades de
No Cenozóico, a margem leste da Plataforma São Paulo e Resende (Valeriano & Heilbron, 1993,
Sul-Americana foi afetada por eventos tecto- Melo et al., 1985) e o graben da Guanabara, entre a
no-magmáticos agrupados sob as denominações baía de Sepetiba e a cidade de Rio das Ostras
“Evento Sul-Atlantiano” (Schobbenhaus et al., (Almeida, 1976; Ferrari, 1990; Ferrari & Silva, 1997).
1984) e “Reativação Wealdeniana” (Almeida, Esse sistema de riftes está implantado sobre a Fai-
1967). Esses eventos são relacionados à evolução xa Móvel Ribeira (Almeida, 1973; Hasui et al.,
do Oceano Atlântico Sul, implantado após a quebra 1975), de idade brasiliana, constituída de uma in-
do supercontinente Pangea, no período Cretáceo. tercalação tectônica de metassedimentos, ortog-
Na porção oriental do estado, as principais mani- naisses do embasamento transamazônico e grani-
festações magmáticas de idade cenozóica são as tos tipo-S e I.
intrusões e, subordinadamente extrusões, de ro- A parte centro-sul do domínio oriental constitui o
chas alcalinas de Tinguá, Mendanha, São José do segmento nordeste do já citado SRCSB, ou Gra-
Itaboraí, Itaúna, Tanguá, Soarinho, Rio Bonito, Mor- ben da Guanabara. Esse compartimento é um se-
ro de São João, Ilha de Cabo Frio e outras ocorrên- migraben com blocos adernados para NW, limita-
cias menores, com idades entre ~72 e 50Ma do por falhas de direção NNE, onde se instalaram
(Thompson et al., 1998; Riccomini et al., 1991). Já a a Bacia de Itaboraí, de idade paleocênica (Couto,
tectônica Cenozóica levou à formação de um siste- 1953, Rodrigues Francisco & Cunha, 1978), e a
ma de pequenas bacias sedimentares continentais Bacia de Macacu, datada do Eoceno/Oligoceno
tafrogenéticas: “Rifte Continental do Sudeste do (Ferrari & Silva, 1997). Seções sísmicas interpreta-
Brasil” (Riccomini, 1989, Ferrari & Silva 1997); “Sis- das por Mohriak et al. (1990) sugerem a continui-
tema de Riftes Continentais da Serra do Mar” dade desse graben na área submersa adjacente à
(Almeida, 1976; Melo et al., 1985). foz do rio São João.

– 65 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

Finalizando o registro sedimentar terciário, indica que a deposição se deu em condições conti-
tem-se os sedimentos continentais do Grupo Barre- nentais, com clima quente e úmido.
iras (Mabesoone, 1972) datado do Mioceno/Pleis-
toceno (Silva & Ferrari, 1997, e outros). 8.1.2 Bacia de Macacu

A Bacia de Macacu aflora a nordeste da Baía de


8.1.1 Bacias da Região Oriental do Estado Guanabara, estendendo-se na direção ENE por
aproximadamente 25km, com 15km de largura, nas
Bacia de São José do Itaboraí imediações das cidades de Itaboraí e Magé, e da
Ilha do Governador. A espessura conhecida da ba-
A Bacia de São José do Itaboraí é uma depres- cia é de aproximadamente 200m (Ferrari & Silva,
são elíptica de orientação geral ENE, com dimen- 1997).
sões máximas de 1.400m x 500m e espessura de O embasamento da bacia é constituído de pa-
sedimentos máxima em torno de 100m, situada cer- ragnaisses e rochas alcalinas. A Bacia de Macacu
ca de 25km a leste da cidade de Niterói (Rodrigues é constituída por duas unidades sedimentares: a
Francisco & Cunha, 1978; Riccomini & Rodrigues Formação Macacu (Tm) de Meis & Amador (1977),
Francisco, 1992). uma sucessão de lentes e camadas pouco espes-
Essa bacia foi implantada sobre os granitóides sas de sedimentos predominantemente arenosos,
neoproterozóicos da Unidade Cassorotiba, e arredondados e pouco consolidados, de idade
compreende três unidades sedimentares: a For- plio-pleistocênica; e a unidade “pré-Macacu”, defi-
mação Itaboraí (Oliveira, 1956), de natureza car- nida pelos mesmos autores como “produto da col-
bonática e constituída por calcários travertinos matação de blocos tectonicamente rebaixados no
intercalados com calcários clástico-argilosos Terciário Médio”. Para esses autores o contexto
(Ferrari, 1990), contendo fósseis de gastrópodes, evolutivo desses sedimentos é relacionado ao do
ostracodes, vegetais e vertebrados, atribuída ao Grupo Barreiras (Bigarella & Andrade, 1964).
Paleoceno Inferior (Rodrigues Francisco & Cunha Essa correlação com o Grupo Barreiras foi revis-
1978), a Unidade Intermediária, composta por ta, e dados estratigráficos (Cabral Jr., 1992), pali-
sedimentos rudáceo-psamíticos contendo fós- nológicos e geocronológicos (Lima, 1996) e estru-
seis de mamíferos e répteis com idades atribuí- turais (Silva & Ferrari, 1997) permitiram dissociar os
das ao Paleoceno Superior (Rodrigues Francisco sedimentos Macacu e pré-Macacu desse contexto
& Cunha, 1978). Esta unidade está em desconfor- e considerá-los como parte de uma bacia tafrogêni-
midade com a unidade subjacente, preenchendo ca relacionada ao Sistema de Riftes Continentais
as cavidades originadas pela dissolução dos cal- do Sudeste do Brasil (Riccomini, 1989).
cários da Formação Itaboraí (Riccomini & Rodri- Para Ferrari & Silva (1997), a Bacia de Macacu foi
gues Francisco 1992). Em discordância angular preenchida por um pacote sedimentar eocêni-
ocorre a Unidade Superior, também rudá- co-oligocênico, depositado em ambiente de leques
ceo-psamítica com restos fósseis de vertebrados aluviais, intercalado com fácies de natureza prova-
e idade pleistocênica (Rodrigues Francisco & Cu- velmente lacustre. Para Lima (1996), a abundância
nha, 1978; Riccomini & Rodrigues Francisco e diversidade de esporos sugerem clima quente e
1992). úmido, embora a relativa variedade de coníferas
Um dique de rocha ultrabásica de aproximada- possa indicar um contexto mais ameno, possivel-
mente 150m e direção N45°E corta rochas do em- mente subtropical.
basamento e sedimentos carbonáticos e conglo-
meráticos, terminando sob a forma de um derrame 8.1.3 Grupo Barreiras (Tb)
de lava (Klein & Valença, 1984). Segundo estes au-
tores essa rocha é um ankaramito, melanocrático, As flutuações do nível do mar e as alterações pa-
composto por fenocristais de titano-augita, analci- leoclimáticas foram as principais causas da forma-
ta, opacos, plagioclásio e apatita, com amígdalas ção das planícies litorâneas brasileiras (Martin et
preenchidas por zeólitas e clorita. Uma idade K/Ar al., 1997). Uma das unidades mais expressivas da
em rocha total de 52 ± 2,4Ma foi obtida por Ricco- faixa litorânea é o Grupo Barreiras, que se estende
mini & Rodrigues Francisco (1992). desde o Amapá até o Rio de Janeiro (Batista et al.,
Para Lima & Cunha (1986), a análise palinológica 1984), aflorando sob a forma de extensos tabulei-
dos sedimentos da Bacia de São José do Itaboraí ros ou falésias de vários metros de altura.

– 66 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

O Grupo Barreiras aflora na região de Carape- bacias, o autor enfatizou a importância da interação
bus-Quiçamã e, mais restritamente, próximo às ci- das placas de Nazca e Sul-Americana.
dades de Búzios e Macaé, sendo a área de maior As unidades litoestratigráficas que afloram no
expressão na região do delta do rio Paraíba do Sul. estado são as formações Resende e São Paulo. A
Esse pacote sedimentar é constituído de três uni- Formação Resende (Tr) é composta por conglome-
dades: areias grossas a conglomeráticas, com ma- rados, arenitos e argilitos (Tra); sedimentos rudíti-
triz caulínica e estruturas de estratificação cruzada cos, conglomerados e arenitos grossos (Trb) e por-
planar na base do pacote; uma unidade interme- ções fluviais localmente individualizáveis (Trc). A
diária composta de interlaminações de areias gros- Formação São Paulo (Trsp) é formada por arenitos
sas quartzosas com matriz areno-argilosa e argilas e argilitos.
arroxeadas levemente arenosas; e, no topo do pa-
cote, um nível de argilas de cores vermelha e bran- 8.1.4 Bacia de Volta Redonda
ca (Ferrari et al., 1981).
No modelo de evolução paleogeográfica e pa- Dentre as três bacias orientais, é aquela de me-
leoclimática proposto por Martin et al. (1997), para nor expressão em área de exposição. Está encaixa-
o litoral norte do Estado do Rio de Janeiro, a sedi- da em falhas normais, com orientação similar às
mentação Barreiras ocorreu provavelmente duran- das outras duas bacias, embora ocorra deslocada
te o Plioceno, quando o clima era semi-árido, sujei- para SE com relação ao trend estrutural. Segundo
to a chuvas esporádicas torrenciais. Dessa forma, Riccomini (1989) a sedimentação caracteriza am-
teriam formado-se amplas faixas de leques aluviais bientes continentais, com registros de sedimenta-
no sopé das encostas constituídas pelas rochas do ção rudácea associada a leques aluviais proximais.
embasamento (Ghignone, 1979). Nessa época o Estes gradam lateralmente para fácies distais mais
nível do mar era mais baixo que o atual, e os sedi- finas (Formação Resende) e para ambientes fluviais
mentos do Grupo Barreiras entulharam a platafor- de rios anastomosados (Formação São Paulo) daí
ma continental (Bigarella & Andrade, 1964). A sedi- passando para uma sedimentação muito fina, de
mentação Barreiras foi interrompida quando o cli- ambiente lacustre (Formação Tremembé). Esta últi-
ma passou a ser mais úmido (Vilas-Boas et al., ma unidade litoestratigráfica não aflora no Estado
1979), e, no Pleistoceno, uma transgressão mari- do Rio de Janeiro. A sedimentação teria sido con-
nha começou a erodir a porção mais externa do trolada, segundo o mesmo autor, pela implantação
Grupo Barreiras, formando as falésias que ocorrem de um amplo sistema de riftes terciários, no Sudes-
no Nordeste do Brasil. te do Brasil.

Bacias da Região Ocidental do Estado 8.1.5 Bacia de Resende

Nessa região a sedimentação terciária continen- Tem forma alongada na direção NE-SW com
tal está representada por três pequenas bacias ex- aproximadamente 50km de eixo maior. Está ex-
postas na extremidade nordeste do estado: Tauba- posta no mesmo trend estrutural da Bacia de Tau-
té, Resende e Volta Redonda. Embora não tenham baté.
continuidade física, provavelmente representam
registros de uma única estrutura pretérita, confor- 8.1.6 Bacia de Taubaté
me sugerem suas características sedimentares e
evolução estrutural (Riccomini 1989). Relativamen- A Bacia de Taubaté aflora numa área restrita, si-
te aos processos de abertura e implantação dessas tuada a oeste da cidade de Itatiaia.

– 67 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

9
CENOZÓICO/QUATERNÁRIO
9.1 Introdução fluviais grosseiros, que se intercalam com depósi-
tos coluvionares de encosta, acumulados no pie-
Na região costeira do Estado do Rio de Janeiro monte, compondo um amplo sistema de leques alu-
ocorre uma série de ambientes de sedimentação viais coalescentes que nas suas porções distais se
quaternária, associados a sistemas deposicionais interdigitam com sedimentos deltaicos, lagunares
de origem continental e transicional/marinho. Este e marinhos.
conjunto faz contato, para o lado continental, com Instalados parcialmente sobre os depósitos con-
rochas do embasamento de diferentes litologias e tinentais ocorre um complexo de ambientes resul-
idades, e para o lado oceânico com uma ampla pla- tantes de processos costeiros afetados pelas varia-
taforma continental constituída por uma sedimenta- ções que o nível relativo do mar sofreu no Quaterná-
ção marinha quaternária, onde ocorrem depósitos rio, controladas pela glácio-eustasia, que fizeram
relictos e modernos que repousam discordante- com que a planície costeira evoluísse para leste.
mente sobre as unidades estratigráficas terciárias
da Bacia de Campos. Os depósitos sedimentares
quaternários ocorrentes na região costeira do esta- 9.2 Ambientes de Sedimentação Continental
do do Rio de Janeiro são mais bem desenvolvidos
no porção que vai de Niterói até o limite com o Esta- 9.2.1 Depósitos Colúvio-Aluvionares (Qc)
do do Espírito Santo, do que no setor de Parati até
Mangaratiba. A deposição dos sedimentos colúvio-aluviona-
O desenvolvimento desta planície costeira foi, res niciou-se provavelmente no Terciário, e os pro-
em grande parte, guiado pelas direções estruturais cessos responsáveis por sua gênese perduraram
do embasamento, que exerceram controle sobre a por todo Quaternário, podendo ser constatados até
formação de baías e sobre a disposição dos rema- nos dias atuais. As fácies proximais envolvem cas-
nescentes rochosos interiores às antigas baías que calhos, areias e lamas resultantes da ação de pro-
passaram a receber sedimentos provenientes das cessos de fluxos gravitacionais e aluviais de trans-
terras altas. porte de material de alteração das vertentes. O
A parte interna da planície é marcada pelos va- acúmulo de material detrítico originou rampas de
les de fundo plano, preenchidos por sedimentos colúvio (predomínio de material fino) e depósitos de

– 69 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

tálus (predomínio de material grosseiro) junto à por Bittencourt et al. (1979) na costa nordeste. Ge-
base e à meia-encosta dos morros. São materiais neticamente relacionam-se ao último evento trans-
que sofreram transporte por gravidade, por movi- gressivo marinho ocorrido no Pleistoceno, por volta
mentos de massa do tipo rastejo ou escorregamen- de 123.000 anos atrás. As fácies arenosas que o
tos. Sua morfologia pode ser atribuída em parte à constituem são interpretadas como sendo de ori-
existência de vários pontos de afluxo sedimentar gem praial marinha e/ou lagunar, recobertas por
que favorecem a coalescência dos leques, assim areias eólicas. As fácies praiais são compostas por
como também a efeitos de retrabalhamento e pos- areias quartzosas, médias até muito finas, de colo-
terior erosão. Encontram-se constituídos por mate- ração amarelo-claro até acastanhado, eventual-
rial de espessura, extensão e granulometria varia- mente contendo estruturas sedimentares do tipo
da, que envolve desde argila até blocos de rocha e estratificação cruzada acanalada (3D) e tubos fós-
matacões provenientes do embasamento. seis de Callichirus major (Fig. ), quando de origem
Na porção mais distal deste conjunto ocorrem marinha. As fácies eólicas que encontram-se so-
sedimentos arenosos e lamosos, eventualmente brejacentes são compostas de areias quartzosas,
com cascalheiras, localizados em regiões de baixa de granulometria fina e coloração amarelo-acasta-
declividade e ao longo das drenagens. Apresen- nhado até avermelhado, muitas vezes enriqueci-
tam-se geralmente bem estratificados, refletindo das em matriz secundária composta por argilas e
deposição a partir de fluxos torrenciais canalizados óxidos de ferro.
e não canalizados. Em algumas situações, obser- Estruturas plano-paralelas e do tipo estratifica-
va-se o seu interdigitamento com depósitos deltai- ção cruzada acanalada (3D), também eventual-
cos, lagunares ou praiais marinhos. Encontram-se mente observadas em afloramentos pleistocêni-
subdivididos em depósitos de fundo de canal, de cos, sugerem que a deposição nestes ambientes
planície de inundação, de rompimento de diques possa ter sido controlada por correntes de marés e
marginais (crevasse splay) e de meandro (barra de a sedimentação resultante estar relacionada a uma
pontal). Nos depósitos de fundo do canal (depósi- fácies de preenchimento de canais de marés. Ge-
tos residuais de canais), ocorrem areias e casca- ralmente, este pacote encontra-se parcialmente re-
lhos depositados através da carga de tração. Os trabalhado e recoberto por areias eólicas desprovi-
depósitos de planície de inundação caracteri- das de estruturas. Estes afloramentos correlacio-
zam-se por sedimentação lamosa, acumulada nam-se à um antigo nível médio do mar, que se si-
quando há o transbordamento do leito do rio em pe- tuava a aproximadamente 8,0 m acima do atual.
ríodos de cheia. Os depósitos de rompimento de di- Segundo Martin et al. (1997), na planície situada
ques marginais envolvem deposição por tração e na desembocadura do rio Paraíba do Sul, os depó-
suspensão, portanto, areia e lama. E nos depósitos sitos arenosos pleistocênicos são bem desenvolvi-
de meandro ocorre sedimentação essencialmente dos, sobretudo na porção sul, entre Barra do Fura-
arenosa, e a deposição dá-se principalmente atra- do e Macaé. A altitude da parte externa desse terra-
vés de tração e alguma suspensão (topo da barra). ço é pequena e a partir da lagoa de Carapebus, as
areias da praia atual (único testemunho de depósi-
tos arenosos holôcenicos) transgridem sobre as
9.3 Ambientes de Sedimentação Transicional/ areias pleistocênicas. A presença de cristas praiais
Marinho na superfície dos depósitos arenosos pleistocêni-
cos indica que esses terraços não foram afogados
Depósitos Pleistocênicos durante a última transgressão, sugerindo que essa
zona tenha sofrido subsidência durante os últimos
9.3.1 Depósitos Praiais Marinhos e/ou milhares de anos, isto é, após 5,1ka.
Lagunares (Qpm) Na região do rio das Ostras, a maior parte dos
depósitos arenosos litorâneos deve ser de idade
Os depósitos praiais marinhos e/ou lagunares, pleistocênica. Ao norte, eles são relativamente im-
de idade pleistocênica, do litoral carioca são simila- portantes e o terraço, como ao sul da planície cos-
res aos depósitos do Sistema Laguna-Barreira III teira da foz do rio Paraíba do Sul, apresenta cicatri-
da Província Costeira do Rio Grande do Sul (Vill- zes características da antiga drenagem que estava
wock et al.,1986), ou aos da Trangressão Cananéia ativa quando o nível de base era inferior ao atual.
(Suguio & Martin, 1978) da costa paulista, ou então Entre Rio das Ostras e Barra de São João, os de-
aos da Penúltima Transgressão, assim designados pósitos pleistocênicos reduzem-se a uma faixa es-

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

treita na margem oceânica e alguns vestígios rumo antes de 5.1 ka. Ireland (1987), em um trabalho so-
ao interior. Nos vales maiores, hoje ocupados pelos bre a história das lagunas na região de ltaipu-Mari-
rios São João e Una, esses vestígios mais ou menos cá, chegou à mesma conclusão e atribuiu uma ida-
erodidos ganham maior importância. de pleistocênica para a barreira interna. Do mesmo
Entre Cabo Frio e Arraial do Cabo, a maior parte modo, parece que a parte interna da barreira única
dos depósitos arenosos litorâneos também deve que fecha a laguna de ltaipu é de idade pleistocêni-
ser de idade pleistocênica. Essa informação está ca, pelas características do afloramento que ocorre
baseada sobre uma idade radiocarbono superior a no canal que faz a ligação da laguna com o oceano.
30ka , além de forte impregnação por ácidos húmi- Na região da Barra da Tijuca, tem-se a presença
cos em profundidade e ausência total de conchas, da barreira arenosa pleistocênica entre as lagoas
que são bastante abundantes nas areias holocêni- de Jacarépaguá e de Marapendi. Na região costei-
cas circundantes. Esses depósitos arenosos pleis- ra que margeia as baías de Sepetiba, Mangaratiba
tocênicos, parcialmente recobertos de dunas holo- e Ilha Grande não são observados depósitos sedi-
cênicas, parecem ter sido preservados da erosão mentares de idade pleistocênica.
marinha por ocasião da transgressão holocênica,
graças à presença de rochas cristalinas da região
do Arraial do Cabo. Depósitos Holocênicos
Entre Arraial do Cabo e Niterói, ocorrem freqüen-
temente duas barreiras arenosas separadas por Apoiado, em parte, nos depósitos pleistocênicos
uma zona baixa ocupada por lagunas. Muehe e nas litologias do Grupo Barreiras, desenvolveu-se
(1982) e Coelho Neto et al. (1986) atribuíram idade na região costeira durante o Holoceno, um comple-
holocênica para essas duas barreiras. Entretanto, xo de ambientes deposicionais compreendendo
sondagens efetuadas na zona baixa entre as bar- depósitos flúviolagunares e depósitos praiais mari-
reiras mostraram que sob os sedimentos laguna- nhos e/ou lagunares.
res existem areias impregnadas de ácidos húmi- De maneira geral, esses depósitos estão relacio-
cos, e datações indicaram que as lagunas existiam nados aos processos costeiros associados ao

Figura 13 -– Estruturas biogênicas (Callichirus major), freqüentemente observadas em depósitos marinhos praiais
pleistocênicos.
Figure 13 – Biogenic structures (‘Callichirus major’), commonly found in Pleistocenic beach deposits.

– 71 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

auge da última fase transgressiva do nível relativo guiu, o rio iniciou sua progradação através de um
do mar e sua posterior regressão (<5,1ka). O even- delta intralagunar.
to possibilitou a formação de uma nova barreira Litologicamente, estes depósitos encontram-se
arenosa próximo à antiga planície costeira pleisto- registrados na área através de uma extensa sedi-
cênica, assim como a ingressão marinha pelos va- mentação superficial areno-lamosa, sobrejacente a
les preexistentes, restabelecendo boa parte dos camadas de areias biodetríticas e sedimentos la-
sistemas lagunares presentes na costa que, acom- mosos de fundo lagunar. Em algumas áreas tem-se
panhando a posterior progradação da barreira, a presença de turfas.
evoluiram para um conjunto de ambientes sedi-
mentares. 9.5 Depósitos Praiais Marinhos e/ou
Antigas linhas de costa, marcadas por paleofalé- Lagunares (Qhml)
sias esculpidas nos terrenos pleistocênicos, hoje o
limite interno dos terraços holocênicos, mostram Os depósitos Praiais Marinhos e/ou Lagunares
que no máximo desta transgressão o mar atingiu podem ser correlacionados aos depósitos da
aproximadamente 4,8m acima do atual na região. A Transgressão Santos (Suguio & Martin, 1978) da
presença de diversos terraços, em diferentes co- costa paulista, ou aos da Última Transgressão (Bit-
tas, e o truncamento de feições morfológicas preté- tencourt et al., 1979) da costa do nordeste. São
ritas que hoje se observam em meio a área ocupa- também similares aos depósitos do Sistema Lagu-
da por depósitos fluviolagunares e também ao lon- na-Barreira IV (Villwock et al., 1986), da costa
go da atual costa lagunar, mostram que nos últimos sul-rio-grandense.
5.000 anos a área passou por pequenas transgres- A ilha-barreira holocênica é composta por fácies
sões e regressões. praiais marinhas com recobrimento eólico. As fáci-
O assoreamento da área produzido pela chega- es praiais marinhas são constituídas por areias
da de sedimentos fluviais, somado à remobilização quartzosas esbranquiçadas, finas a médias, bem
destes pelos agentes da dinâmica costeira, ondas selecionadas, apresentando estratificação pla-
e correntes litorâneas atuantes no interior dos cor- no-paralela com mergulho suave em direção ao
pos lagunares, proporcionaram a sua segmenta- mar. O pacote eólico que a recobre é constituído
ção. A progradação de margens pantanosas e o por areias com características semelhantes, de
crescimento de praias e pontais arenosos são res- granulometria mais fina e que se apresentam na for-
ponsáveis pela sua configuração atual. Os sedi- ma de depósitos eólicos mantiformes, quando
mentos acumulados nas depressões lagunares ocorrentes muito próximos à linha de costa, ou na
constituem um pacote composto por intercalações forma de dunas transgressivas, quando mais inte-
de areias, lamas, biodetritos carbonáticos e turfas, riorizadas.
produzidas nos diversos ambientes deposicionais Diferentemente da barreira pleistocênica, po-
que ainda hoje estão atuantes na área. dem conter grandes quantidades de conchas, não
são impregnados de ácidos húmicos e exibem ali-
9.4 Depósitos Fluviolagunares (Qhfl) nhamentos de cristas praiais mais contínuos e pou-
co espaçados.
Os depósitos Flúvio-Lagunares estão genetica- Segundo Martin et al. (1997), depósitos de areias
mente relacionados a episódios distintos de pro- marinhas holocênicas ocorrem de modo pratica-
gradação fluvial sobre um ambiente transicio- mente contínuo ao longo do litoral estudado. Entre-
nal/marinho raso, possivelmente em função de va- tanto, a sua importância varia muito em função da
riações climáticas e/ou glácio-eustáticas. Estas fei- configuração do litoral, apresentando-se com ex-
ções encontram-se bem representadas na região tensões de algumas dezenas de metros até vários
de Campos, onde infere-se que esta área represen- quilômetros. Eles são pouco desenvolvidos nas
tava um ambiente do tipo laguna-barreira no auge porções convexas ou retilíneas e podem atingir vá-
da transgressão marinha holocênica (5,1ka). Re- rios quilômetros de largura próximos a desemboca-
manescentes desta paleolaguna encontram-se duras fluviais mais importantes, como as associa-
hoje representados pelo conjunto de lagoas exis- das ao rio Paraíba do Sul.
tentes ao longo da planície, onde se destaca a La- Os depósitos praiais lagunares, ocorrentes na
goa Feia. No auge da transgressão holocênica, o região de retrobarreira, são formados pela sedi-
rio Paraíba do Sul desaguava na margem oeste da mentação subaérea que margeiam os corpos
laguna e, com a fase regressiva marinha que se se- aquosos costeiros. Encontram-se constituídos por

– 72 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

sedimentos arenosos com boa maturidade textural como na planície costeira do rio Paraíba do Sul.
e mineralógica, exceto quando integram margens Essas lagunas podem ser exemplificadas pelas la-
internas adjacentes ao embasamento, quando goas Salgada, das Ostras, da Flecha e Mololô, to-
apresentam areias arcosianas ou líticas, ricas em das na região do cabo de São Tomé, que foram for-
seixos e cascalhos. Estes depósitos encontram-se madas na retaguarda de esporões arenosos cons-
interdigitados com depósitos fluviais ou depósitos truídos pela deriva litorânea que, ao se afastar da
de fundo lagunar. praia, acabou por isolar uma zona de antepraia que
Segundo Martin et al. (1997), os sistemas lagu- foi ocupada pelas lagunas.
nares holocênicos ocorrem nas zonas baixas, se- No setor compreendido entre Cabo Frio e Niterói,
parando terraços arenosos pleistocênicos e holo- existem dois sistemas lagunares. O mais interno é
cênicos ou nos cursos inferiores de grandes vales formado por grandes lagunas que se situam entre
não-preenchidos por sedimentos fluviais, sendo as formações cristalinas e a barreira arenosa pleis-
constituídos por sedimentos sílticos e/ou are- tocênica, tais como, Araruama, Saquarema, Guara-
no-argilosos ricos em matéria orgânica, podendo pina e Maricá. Mais ao sul, entre a Ponta do Arpoa-
freqüentemente conter grande quantidade de con- dor e a Pedra da Macumba, no extremo-sul do Re-
chas de moluscos de ambientes lagunares. Por creio dos Bandeirantes, ocorrem as lagoas Rodrigo
ocasião da fase de submersão, que antecedeu o ní- de Freitas e a de Marapendi.
vel máximo de 5,1ka, o litoral foi invadido pelo mar, Por razões locais, que compreendem as carac-
formando sistemas lagunares que se estabelece- terísticas morfológicas, a baixa taxa de sedimenta-
ram por detrás das ilhas-barreiras como nas de- ção e a variação do nível relativo do mar, diferentes
sembocaduras do rio Paraíba do Sul ou nos cursos em relação a outras áreas, essas lagunas não fo-
inferiores de rios, como nos casos de Macaé e São ram ressecadas. Entre as barreiras arenosas, pleis-
João. Após 5.1 ka, em conseqüência do abaixa- tocênica e holocênica, originou-se um segundo sis-
mento do nível relativo do mar, essas lagunas ten- tema de lagunas formado por ocasião do máximo
deram à ressecação, ao mesmo tempo em que da última transgressão. Essas lagunas são peque-
eram colmatadas e substituídas por áreas pantano- nas e pouco profundas e com tendência à resseca-
sas. As subidas do nível marinho, que ocorreram ção. Na altura da laguna de Araruama, o segundo
entre 3,9 - 3,6 ka e 2,8 - 2,5ka, promoveram a reocu- sistema apresenta-se segmentado em um rosário
pação parcial dessas lagunas. de pequenas lagunas independentes, entre as
As fácies paludiais do sistema lagunar holocêni- quais destaca-se a laguna Vermelha.
co, que englobam turfeiras, pântanos e alagadiços, Ainda segundo Martin et al. (1997), a presença
têm sua origem associada ao processo natural de da ressurgência local nessa região, enseja o apare-
colmatação de corpos aquosos costeiros, que vão cimento de um microclima semi-árido. Em conse-
sendo progressivamente vegetados à medida que qüência disso, a laguna de Araruama e as lagunas
suas lâminas d’água diminuem. Segundo Villwock menores do segundo sistema são hipersalinas.
& Tomazelli (1995) essas transformações são con- Essa hipersalinidade tem propiciado condições es-
troladas basicamente por quatro mecanismos prin- peciais de sedimentação, sobretudo nas pequenas
cipais: (1) as variações do nível de base regional, lagunas do segundo sistema, que são caracteriza-
incluindo o lençol freático, que acompanha as flu- das pela sedimentação carbonática (Patchineelam
tuações holocênicas do nível relativo do mar; (2) o et al., 1984; Santelli, 1988). A intensidade da ressur-
progressivo avanço da vegetação marginal dos gência é variável e, conseqüentemente, as condi-
corpos aquosos; (3) o aporte de sedimentos clásti- ções do microclima e as salinidades das lagunas
cos trazidos pelos cursos fluviais; e (4) a migração Araruama e Vermelha também sofrem modifica-
das dunas eólicas livres que avançam pelo flanco ções. Desta maneira infere-se que as condições de
leste destes ambientes. Estes mecanismos contro- sedimentação tenham também mudado e, igual-
lam não somente a velocidade em que transcorrem mente, poderiam ser explicadas as variações dos
os processos evolutivos, mas também a natureza tipos de carbonatos encontrados em profundida-
textural e composicional das fácies que se acumu- de, que passam de aragonita para dolomita. De
lam nos diversos ambientes deposicionais. modo análogo, os períodos de grande proliferação
Martin et al. (1997) citam que, além das lagunas de moluscos na laguna de Araruama poderiam ser
de porte maior, ocorrem também lagunas alonga- explicados por flutuações de salinidade.
das no meio de terraços arenosos holocênicos, for- Apesar de não cartografados, são encontrados
madas durante o abaixamento do nível marinho, depósitos de manguezais em vários setores do lito-

– 73 –
Programa Levantamentos Geológicos Básicos do Brasil

ral estudado, correspondentes a fundos de baías, a is que fazem parte do sistema de drenagem fluvial
bordas de canais de maré e a porções inferiores de pleistocênica, gerando depósitos deltaicos e fluvia-
vales fluviais. Eles são caracterizados por sedimen- is.
tos em geral pelíticos, localmente arenosos e quase A partir de ± 17ka, as calotas polares iniciaram
sempre ricos em matéria orgânica, podendo conter sua retração e o nível do mar começou a subir, dan-
fragmentos de madeira e conchas de moluscos. do início à transgressão holocênica. Em função das
flutuações na atividade glacial, o processo trans-
gressivo não se deu de forma regular e contínua,
9.6 Evolução Geológica Tércio-Quaternário mas sim com taxas de ascensão variáveis, com pe-
ríodos de estabilização ou mesmo de reversões
No Terciário, durante o máximo da regressão menores. O processo transgressivo holocênico fez
marinha pliocênica, o nível do mar situava-se no mí- com que os paleocanais pleistocênicos fossem
nimo a 100m abaixo do atual e, desta maneira, se- afogados. Os depósitos relictos deltaicos e fluviais
gundo Bigarella & Andrade (1964), grande parte da da plataforma foram retrabalhados e serviram
plataforma adjacente teria sido coberta por sedi- como fonte de sedimentos para a formação das
mentos continentais, depositados sob condições ilhas barreiras holocênicas. As recém-formadas
de clima semi-árido na forma de leques aluviais que barreiras foram barradas em sua migração em dire-
se desenvolveram a partir das encostas do emba- ção ao continente pela presença de altos topográfi-
samento, onde se encontram parcialmente preser- cos, assim como por uma reduzida elevação do ní-
vados até hoje. vel do mar e no suprimento de sedimentos. O siste-
No Quaternário, a margem continental sul brasi- ma moderno de ilhas barreiras encontra-se, portan-
leira teve seu desenvolvimento marcado por uma to, superposto em uma superfície altamente irregu-
série de fenômenos de magnitude planetária, onde lar de ravinamento pleistocênica.
os mais importantes foram a tectônica global, o cli- O auge desta fase transgressiva marinha ocor-
ma, as variações do nível do mar e as modificações reu há 5,1ka, resultando na ingressão marinha pe-
do geóide em resposta às mudanças na distribui- los vales preexistentes, restabelecendo os antigos
ção das massas de gelo e de água sobre sua su- corpos aquosos costeiros.
perfície. Os dados obtidos através de datação por 14C
De alguma maneira, todos esses fenômenos sugerem que por volta de 5,1 ka o nível do mar este-
contribuíram para a evolução dessa região, porém ve mais alto que o atual, ampliando as áreas lagu-
o mais importante foi a influência que as variações nares, muitas vezes transformando-as em baías ou
do nível do mar exerceram sobre a construção das sistemas laguna-barreira, talvez em melhores con-
planícies costeiras. No decorrer dos ciclos trans- dições climáticas, elementos que favoreceram o
gressivos e regressivos marinhos, resultantes des- grande desenvolvimento da fauna de moluscos da
sas variações basicamente controladas pela glá- região. O posterior abaixamento do nível do mar
cio-eustasia, instalou-se sobre os depósitos conti- causou a gradual transformação das lagunas em
nentais um conjunto de ambientes sedimentares, lagos de água doce e finalmente pântanos. Por ou-
fazendo com que a planície costeira evoluísse para tro lado, as flutuações do nível marinho de pequena
leste. amplitude e de curta duração subseqüentes foram
As características dos depósitos arenosos pleis- muito importantes no desenvolvimento das por-
tocênicos ocorrentes na área de estudo sugerem ções mais novas da planície costeira situada na de-
que estejam relacionados ao evento interglacial sembocadura do rio Paraíba do Sul.
ocorrido há 120ka, correlacionado ao período inter- Um modelo detalhado de formação da planície
glacial Riss/Wurm (+ Sangamoniano), do Hemisfé- costeira situada na desembocadura do rio Paraíba
rio Norte. do Sul é sugerido por Martin et al. (1997). Esses au-
A fase regressiva subseqüente, correspondente tores citam que reconstruções paleogeográficas
ao último glacial, estendeu-se até ± 17ka, levando o baseadas em cartografia pormenorizada, acompa-
nível do mar a aproximadamente 120m abaixo do nhadas de datações pelo radiocarbono, além do
atual. Nestas condições, a planície costeira que se conhecimento das variações do nível relativo do
estendia até a quebra da plataforma continental de mar no decorrer dos últimos 7.000 anos e suas con-
hoje, era retrabalhada pelos sistemas fluviais. A seqüências na sedimentação litorânea, bem como
erosão fluvial dissecou a plataforma continental in- uma análise detalhada da geometria dos alinha-
terna, resultando na formação de numerosos cana- mentos de antigas cristas praiais, permitiram esta-

– 74 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

belecer as diferentes etapas na evolução dessa lagunar. Dessa maneira, conchas de moluscos
planície costeira. Os primeiros estádios do modelo coletadas nos sedimentos lagunares acusaram
geral de evolução do litoral brasileiro entre Macaé idades compreendidas entre 7,0 e 5,1ka (lagu-
(RJ) e Maceió (AL) são aplicáveis à planície costei- na dominada pelo oceano), enquanto que as
ra do rio Paraíba do Sul. A partir do estádio corres- idades compreendidas entre 5,0 e 4,0ka foram
pondente à fase final da última grande transgres- obtidas em pedaços de madeira (laguna domi-
são, alguns traços essenciais puderam ser estabe- nada pelo rio).
lecidos, tais como: · Existência, na porção externa das ilhas-barrei-
· A construção da parte holocênica dessa planície ras, de terraços arenosos recobertos por cristas
iniciou-se com a formação de um sistema lagu- praiais, mostrando a existência de importantes
na-barreira. Datações pelo radiocarbono de con- discordâncias correspondentes a sucessivos
chas ou pedaços de madeira coletados nesses períodos de sedimentação e erosão, resultantes
sedimentos mostraram que esse sistema já exis- de modificações na hidrodinâmica litorânea.
tia em torno de 7,0ka, época na qual o nível do Estas, por sua vez, são uma conseqüência de va-
mar nessa região era semelhante ao atual. Nessa riações do nível relativo do mar ou de inversões
época as ilhas-barreiras deviam situar-se em po- nos sentidos de deriva litorânea. Alguns períodos
sição mais externa, tendo atingido as suas posi- de elevação, intercalados por fases de abaixa-
ções finais na época correspondente ao nível mento, puderam ser estabelecidos:
máximo da transgressão holocênica, em torno de · Fase de elevação até 5,1ka;
5,1ka. II. Fase de abaixamento entre 5,1 e 3,9ka, com
· Existência de um vasto delta intralagunar que co- rápida aceleração entre 4,2 e 3,9ka;
meçou a se formar a partir do momento em que III. Fase de elevação rápida entre 3,9 e 3,6ka;
apareceu a laguna (corpo permanente de água IV. Fase de abaixamento entre 3,6 e 2,8 ka, com
em relativo repouso). Entretanto, até o máximo da rápida aceleração entre 3.0 e 2.8 ka;
transgressão (5,1ka), a laguna foi dominada pelo V. Fase de elevação rápida entre 2,8 e 2,5 ka; e
mar em ascensão, que pode ter-se constituído VI. Fase de abaixamento regular a partir de
em um freio ao desenvolvimento do delta intra- 2,5ka.

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Geologia do Estado do Rio de Janeiro

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– 86 –
Geologia do Estado do Rio de Janeiro

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– 88 –
MINISTÉRIO DE MINAS E ENERGIA
SECRETARIA DE MINAS E METALURGIA

Ministro de Estado José Jorge de Vasconcelos Lima


Secretário Executivo Luiz Gonzaga Leite Perazzo
Secretário de Minas e Metalurgia Luciano de Freitas Borges

COMPANHIA DE PESQUISA DE RECURSOS MINERAIS – CPRM


Serviço Geológico do Brasil

Diretor-Presidente Umberto Raimundo Costa


Diretor de Hidrologia e Gestão Territorial Thales de Queiroz Sampaio
Diretor de Geologia e Recursos Minerais Luiz Augusto Bizzi
Diretor de Administração e Finanças Alfredo de Almeida Pinheiro Filho
Diretor de Relações Institucionais e Desenvolvimento Paulo Antonio Carneiro Dias
Chefe do Departamento de Geologia Carlos Schobbenhaus Filho

SUPERINTENDÊNCIAS REGIONAIS

Superintendente de Belém Xafi da Silva Jorge João


Superintendente de Belo Horizonte Osvaldo Castanheira
Superintendente de Goiânia Mário de Carvalho
Superintendente de Manaus Fernando Pereira de Carvalho
Superintendente de Porto Alegre Cladis Antonio Presotto
Superintendente de Recife Marcelo Soares Bezerra
Superintendente de Salvador José Carlos Vieira Gonçalves da Silva
Superintendente de São Paulo José Carlos Garcia Ferreira
Chefe da Residência de Fortaleza Clodionor Carvalho de Araújo
Chefe da Residência de Porto Velho Rommel da Silva Sousa
Departamento de Apoio Técnico
Sabino Orlando C. Loguércio

Divisão de Cartografia
Paulo Roberto Macedo Bastos

Divisão de Editoração Geral


Valter Alvarenga Barradas

EQUIPES DE PRODUÇÃO

Cartografia Digital

Afonso Henrique S. Lobo Leila Maria Rosa de Alcantara


Carlos Alberto da Silva Copolillo Luiz Cláudio Ferreira
Carlos Alberto Ramos Luiz Guilherme de Araújo Frazão
Elcio Rosa de Lima Marco Antonio de Souza
Hélio Tomassini de O. Filho Maria Luiza Poucinho
Ivan Soares dos Santos Marília Santos Salinas do Rosário
Ivanilde Muniz Caetano Paulo José da Costa Zilves
João Batista Silva dos Santos Regina de Sousa Ribeiro
João Carlos de Souza Albuquerque Risonaldo Pereira da Silva
Jorge de Vasconcelos Oliveira Wilhelm Petter de Freire Bernard
José Carlos Ferreira da Silva Julimar de Araújo
José Pacheco Rabelo

Editoração

Antonio Lagarde Pedro da Silva


Jean Pierre Souza Cruz Sandro José Castro
José Luiz Coelho Sergio Artur Giaquinto
Laura Maria Rigoni Dias
CRÉDITOS DE AUTORIA

Equipe Executora:

Marcelo Eduardo Dantas, Carlos Osório Ferreira, Antonio Ivo Menezes Medina, Regina Célia Gimenez Armesto,
Pedro Paulo Osório Ferrreira, Adriana Gomes Nascimento e Carla Verônica da Silva

Copidescagem/Revisão:
Sueli Cardoso de Araújo e
Sergio Artur Giaquinto

Coordenação:
Cássio Roberto da Silva
Antonio Ivo de Menezes Medina

Executado pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais – CPRM


Departamento de Gestão Territorial – DEGET e
Departamento de Informações Institucionais – DEINF

Coordenação Editorial a cargo da


Divisão de Editoração Geral – DIEDIG
Departamento de Apoio Técnico – DEPAT

Dantas, Marcelo Eduardo


D192
Geomorfologia do Estado do Rio de Janeiro / Marcelo Eduardo Dantas. – Brasília: CPRM,
2000.
1CD-ROM.

Estudo Geoambiental do Estado do Rio de Janeiro.


Executado pela CPRM – Serviço Geológico do Brasil. Departamento de Gestão Territorial
e Departamento de Informações Institucionais.

1. Geomorfologia – Rio de Janeiro. 2. Uso do Solo – Rio de Janeiro. I. CPRM – Serviço


Geológico do Brasil. II. Título.

CDD 551.41
AIS
42º00' Ma
R
GE
Depósito Praias Eólicos, Marinhos e/ou Lagunares
Areias quartzosas esbranquiçadas, finas a médias,bem selecionadas, recobertas por areia eólicas na forma de depósitos eólicos
Mantiformes ou dunas transgressivas. Estratificações cruzadas de pequeno e grande porte nas fácies eólicas.
Qhml
MAPA DE LOCALIZAÇÃO/LOCATION MAP Eolian Beach, Marine and/or Lagoonal Deposits
Pale white, fine to medium, well-sorted quarzose sands underlying eolian sands. Large and small scale cross-bedding in eolian
facies.

AS
Depósito Flúvio-Lagunares
Areiase lamas sobrejacentesa camadas de areias biodetríticas e/ou sedimentos lamosos de fundo lagunar, e ocorrências de turfas.
Qhfl

MIN
Nos depósitos associados ao canal fluvial (depósitos residuais de canais) ocorrem areias e cascalhos.

QUATERNÁRIO
QUATERNARY
Boa Vista
Macapá
Fluvio/Lagoonal Deposits
Poorly sorted, silt and muddy sands; muddy lagoon bottom deposits; silt and clay with organic debris and peat. Deposits associated
São Luís to fluvial channels (residual channel deposits) are characterized by sands and gravel.
Manaus Belém
Depósito Praiais Marinhos e ou Lagunares (Qpm)
Fortaleza Areias quartzosas marinhas e/ou lagunares, de granulometria fina a média e coloração acastanhada, recobertas por areias eólicas
Teresina
Qpm em matriz secundária composta por argilas e óxidos de ferro.

CENOZÓICO
CENOZOIC
Natal Lagoonal/Marine Beach Deposits
João Pessoa Dark brown, fine to medium quartzose sands. Eolian facies commonly has secondary clay matrix with ferruginous stains and
VARRE-SAI
Recife cemente.
Rio Branco Porto Palmas Maceió
Velho Depósitos Colúvio-Aluvionares
Cascalhos, areias e lamas resultantes da ação de processos de fluxos gravitacionais e aluviais de transporte de material de
PORCIÚNCULA
Aracaju
alteração das vertentes.
Salvador Qc Colluvial-Alluvial Deposits
41º30’ Cuiabá
Gravel, sand and mud resulting from the action of gravitational and alluvial flux processes of material transport from highlands
Brasilia
debris.
1.6

MAPA GEOLÓGICO DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO


Goiânia
21º00' Belo
Grupo Barreiras
Depósitos detríticos pobremente selecionados com granulometria cascalho, areia argilo-arenosas, e argilas geralmente contendo
Campo Grande Horizonte
horizontes lateríticos.
Tb