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Divisão de Programas

de Pós-Graduação

COMPORTAMENTO DA VARIAÇÃO PALEO-SECULAR DURANTE


A HIPERZONA DE POLARIDADE MISTA ILLAWARRA, PERÍODO
DE TRANSIÇÃO PALEOZOICO-MESOZOICO

Felipe Barbosa Venâncio de Freitas

Dissertação de Mestrado apresentada ao


Programa de Pós-graduação em Geofísica do
Observatório Nacional/MCTIC, como parte
dos requisitos necessários à obtenção do
Grau de Mestre em Geofísica.

Orientador: Dr. Daniel Ribeiro Franco.

Rio de Janeiro
Outubro de 2017
Dedicado à minha família

iv
Agradecimentos

Este trabalho pôde ser desenvolvido graças ao auxílio de pessoas muito


importantes na minha vida, que proporcionaram discussões técnicas, suporte
teórico, auxílio e amparo nos momentos difíceis ao longo destes anos. Este
texto não é uma compensação por tudo que se passou até aqui, mas apenas
uma lembrança singela.

Um especial agradecimento ao meu orientador, cuja atenção foi de


fundamental importância para a qualidade do resultado final deste trabalho.
Seus conselhos, suas críticas, seu olhar atento a tudo inclusive aos problemas
extraoficiais, foram muito importantes para o meu amadurecimento e
aprendizado neste tempo.

Agradeço ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico


(CNPq), agência do Ministério da Ciência Tecnologia Inovações e
Comunicações (MCTIC), pela ajuda de custo disponibilizada, auxiliando meu
deslocamento semanal até as dependências do Observatório Nacional (ON)
durante o desenvolvimento deste trabalho, mercê da contribuição que este
proporciona para a comunidade científica mundial.

Quero agradecer à comissão de Pós-Graduação em Geofísica do ON e seus


coordenadores.

A todos os professores sou grato, meu carinho, e meu desejo de que os


educadores vivam dias de maior reconhecimento e respeito pela sua profissão,
tão esquecida atualmente em nosso país.

Aos professores que estarão sempre em minha memória com muito carinho e
são exemplos a serem seguidos, Hans, Margarete, Jorge, Nelma, Galvani,
Michaelle, Délio, David. A eles minha reverência e minha gratidão por
prestarem seu apoio técnico, teórico e se preocuparem sempre com o meu
sucesso.

Para minha família que me deu todo o apoio afetivo de que eu precisei e muito
mais, sempre me dando amor, esperança de melhora, sabedoria e um motivo
para permanecer focado. Meus avós (Branca, Julio, Edmundo, Biá), meus pais
(Cecília e Venâncio), meu irmão André (professor da vida), meus tios (Zifa,
Rejane, Valéria, Marco, Mauro (saudade)) e primos João, Pedro, Gabriel (meus
segundos irmãos). Em especial ao meu tio Luis Carlos, cujo exemplo ético e
profissional norteou toda a minha carreira até aqui (saudade). Minha vida teria
sido diferente sem a existência de todos vocês.

v
À minha companheira Chris, cujo afeto nas horas difíceis ajudaram a
concretizar este trabalho. Mesmo achando um absurdo a quantidade de viagens
demandadas ao Rio para trabalho, ela sempre me deu todo o apoio necessário
para que eu pudesse concluir esta dissertação.

Aos meus amigos especiais, que durante toda a vida ou em parte dela estiveram
ao meu lado, me acompanhando e me dando força para chegar até aqui: Lobão,
Eugênio, Hans, Margarete, Fred, Walace, Willian, Simone (que me deu muita
força para que eu pudesse terminar a graduação e tentasse a prova de ingresso
no programa de pós-graduação do ON, tens a minha gratidão).

Um abraço aos amigos que eu fiz no ON. Os da Geofísica: Daniel, Pillar,


Shayanne, Cristofer, Andrés, Larissa, Bijani, Vitor Dias, Jorge, Marcela,
Clarisse, Marcão. Os da Astronomia: Filipe, Guga, Cíntia, Hissa, Marjorie,
Narciso, Carol, Sandro. Muito obrigado pelos papos no café, pelas dicas, pelas
festas, corridas, pela viagem a Ouro Preto, pelo apoio durante esses anos.

Um abraço especial ao Wellington, cujas discussões durante esses anos


prestaram muita contribuição no trabalho. Sua persistência e dedicação foram
um grande exemplo pessoal e profissional para mim. Obrigado pela sua
amizade.

O meu maior ganho neste trabalho é meu amigo Diego. A você devo minha
gratidão pelas discussões até altas horas no ON, pelas dicas e contribuições
neste trabalho, e por emprestar sua casa para que eu pudesse ter um lugar
onde cair. Minha reverência, pela sua dedicação aos amigos, pela sua eficiência
e pela sua competência profissional. Nenhum título é maior do que uma
amizade sincera.

Dedico esta dissertação com muito amor e carinho para a minha avó Branca,
que sempre desejou estar ao meu lado em todos os momentos, cujo carinho e
cuidado comigo sempre foram muito especiais. Esta dissertação de mestrado é
dedicada a você vovó!

A todos vocês muitíssimo obrigado!

vi
Resumo da Dissertação apresentada ao Programa de Pós-graduação em
Geofísica do Observatório Nacional como parte dos requisitos necessários para
a obtenção do título de Mestre em Geofísica.

COMPORTAMENTO DA VARIAÇÃO PALEO-SECULAR DURANTE A


HIPERZONA DE POLARIDADE MISTA ILLAWARRA, PERÍODO DE
TRANSIÇÃO PALEOZOICO-MESOZOICO

Felipe Barbosa Venâncio de Freitas

Outubro/2017

Orientador: Dr. Daniel Ribeiro Franco

Programa: Geofísica

O objetivo do presente trabalho foi o de se investigar o comportamento


latitudinal da variação paleo-secular (VPS), por intermédio de estimativas de
dispersão angular (SB) de polos geomagnéticos virtuais (PGVs) para o intervalo
denominado como Hiperzona de Polaridade Mista do Permo-Triássico, ou
Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra (HPMI; ~ 266,7-228,7 Ma) –
caracterizado por uma alta frequência de reversões geomagnéticas, e
relacionado a aspectos geodinâmicos singulares que ocorreram à época da
transição Paleozoico-Mesozoico. Isto foi possível pela organização de um banco
de dados paleomagnéticos de alta qualidade, empregado para o cálculo das
dispersões angulares em relação às respectivas paleolatitudes, e posterior ajuste
do modelo de natureza fenomenológica denominado Modelo G, de McFADDEN
et al. (1988). Os parâmetros de forma a e b, e suas curvas correspondentes,
ajustadas de acordo com o Modelo G, foram comparados com diversos outros
estudos, incluindo tanto períodos de alta como de baixa frequência de
reversões.

vii
Os resultados obtidos para a HPMI indicaram uma grande similaridade do
comportamento de evolução paleolatitudinal de SB para este período com o
verificado para o Jurássico e, em particular, para os últimos 5 Ma. Em
particular, a estimativa da razão entre os parâmetros de forma (razão b/a) para
a HPMI – equivalente à uma medida empírica da contribuição relativa entre
termos harmônicos antissimétricos e simétricos para o campo geomagnético, e
que pode ser interpretada como uma forma de avaliação de seu nível de
estabilidade – e sua comparação com estimativas feitas para intervalos de
diferentes frequências de reversão, indicou uma notável correspondência entre
a evolução da linha de tendência para esta taxa e a curva de fluxo térmico
relativo na IMN para os últimos ~ 270 Ma.

Palavras-chave: Campo geomagnético. Variação paleo-secular. Reversão


Illawarra. Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra. Frequência de reversões
geomagnéticas. Dispersão angular de PGVs. Paleomagnetismo.

viii
Abstract of Dissertation presented to the National Observatory’s Graduate
Program in Geophysics as a partial fulfillment of the requirements for the
degree of Master of Geophysics.

BEHAVIOR OF THE PALEOSECULAR VARIATION THOUGHOUT


THE ILLAWARRA HYPERZONE OF MIXED POLARITY,
PALEOZOIC-MESOZOIC TRANSITION

Felipe Barbosa Venâncio de Freitas

October/2017

Advisor: Dr. Daniel Ribeiro Franco

Department: Geophysics

In this study, we investigated the paleolatitudinal dependence of the


paleosecular variation (PSV) throughout the Illawarra Hyperzone of Mixed
Polarity (IHMP; ~266.7 – 228.7Ma) – characterized by a high mean
geomagnetic reversal frequency, and possibly connected to some of the
prominent geodynamic events that took place during the Paleozoic-Mesozoic
transition. This was conducted through estimates of angular dispersion (SB) of
virtual geomagnetic pole (VGP) data groups and its correspondent
paleolatitudes (Plat λ), carried out from our high quality paleomagnetic
database prepared for this purpose. SB × λ Plat data were then fitted by the so-
called Model G of McFADDEN et al. (1988), which provided the Model G
shape parameters a and b. Our results were further compared with similar
findings for high and low geomagnetic reversal frequency periods.

The SB × λ Plat curve and its related shape parameters for the IHMP were
clearly compatible to the reported for another higher reversal frequency
intervals, like the Jurassic and, particularly, the last 5 Ma. Especially, our
estimate for the IHMP of the b/a ratio – which is an empirical evaluation of the

ix
relative contribution of antisymmetric and symmetric harmonic terms for the
geomagnetic field –, when compared with similar estimates for intervals of
distinctive reversal frequencies throughout the most of Phanerozoic, indicated
a remarkable, inverse correspondence for the last 270 Ma between the b/a ratio
trending line and relative CMB heat flux curve.

Keywords: Geomagnetic field. Paleosecular variation. Illawarra Hyperzone of


Mixed Polarity. Illawarra Reversal. Geomagnetic reversal frequency. VGP
angular dispersion. Paleomagnetism.

x
Sumário

Lista de Figuras ............................................................................................ xiii


Lista de Tabelas ............................................................................................ xvi
Abreviaturas e Simbologia ............................................................................ xvii
Introdução ...................................................................................................... 0
O Campo Geomagnético: aspectos gerais ......................................................... 3
2.1 Um pouco de história ..................................................................................................... 4
2.2 Feições do campo geomagnético .................................................................................... 5
2.2.1 O modelo do Dipolo Geocêntrico Axial DGA ......................................................... 6
2.3 Variações do campo geomagnético ................................................................................ 9
2.3.1 Variação Secular VS ............................................................................................... 9
2.3.2 Variação Paleo-secular VPS ................................................................................. 13
2.3.3 Reversões, transições e excursões de polaridade ............................................... 14
2.4 O Geodínamo: aspectos gerais ..................................................................................... 16
2.4.1 Modelos para o Geodínamo................................................................................ 17
Paleomagnetismo: fundamentos e aspectos gerais ......................................... 19
3.1 O modelo DGA e suas implicações ................................................................................ 19
3.2 Mecanismos de aquisição da remanência magnética .................................................... 20
3.3 Procedimentos experimentais e de análise na recuperação da MRC .............................. 23
3.4 Polos geomagnéticos virtuais PGVs e polos paleomagnéticos (PPs) ............................... 25
3.5 Cálculo de polos geomagnéticos virtuais e de polos paleomagnéticos ........................... 26
Variação paleo-secular e frequência de reversões geomagnéticas: discussões e
modelos ........................................................................................................ 29
4.1 Avaliação da dispersão de polos geomagnéticos virtuais ............................................... 30
4.2 Modelos de VPS ........................................................................................................... 31
4.2.1 Modelos paramétricos ........................................................................................ 31
4.2.2 Modelos fenomenológicos .................................................................................. 34
4.3 A relação entre a VPS e a frequência de reversão geomagnética ................................... 37
A Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra (HPMI) ....................................... 39

xi
Procedimentos e Métodos.............................................................................. 43
6.1 Seleção preliminar de dados paleomagnéticos .............................................................. 43
6.2 Processamento dos dados pré-selecionados ................................................................. 44
6.3 Definição do banco de dados paleomagnéticos: critérios de seleção.............................. 45
6.4 Procedimentos para a avaliação do comportamento de SB × λ Plat ................................ 46
Resultados e Discussões ................................................................................ 48
7.1 Dispersão dos dados SB x λ Plat .................................................................................... 52
7.2 Discussões sobre os parâmetros de forma a e b ............................................................ 55
7.2.1 Razão b/a............................................................................................................. 55
7.2.2 Relação entre fR e razão b/a ................................................................................ 58
7.2.3 Relações b × a...................................................................................................... 60
Conclusões.................................................................................................... 62
8.1 Padrões de dispersão SB × λ Plat......................................................................................... 62
8.2 Sobre as relações baseadas nos parâmetros de forma a e b ............................................... 63
Referências Bibliográficas .............................................................................. 66

xii
Lista de Figuras

2.1 Representação do campo geomagnético e suas componentes principais 7


(campo total (F), declinação (D), inclinação (I), componente horizontal
(H) e componente vertical (Z)).

2.2 Representação gráfica dos equadores e dos polos magnético, 8


geomagnético e geográfico. Modificado de McELHINNY (1973).

2.3 Representação gráfica do modelo do dipolo geocêntrico axial 9


(considerando-se ampla amostragem no tempo). Sob esta condição, o
momento de dipolo m pode ser considerado como alinhado com o eixo
de rotação da Terra; λ é a latitude; a é o raio médio da Terra; I é a
inclinação magnética; N indica a posição do polo norte geográfico.
Modificado de McELHINNY (2007).

2.4 Curvas representativas de variação nos dados de declinação e inclinação 12


(em graus), geradas pela sobreposição às séries de dados obtidos de
observatórios magnéticos (séries de Paris: curvas sólidas; séries de
Londres: curvas tracejadas), abrangendo o período compreendido entre
1700 a 1997. Modificado de ALEXANDRESCU et al. (1997).

2.5 Distribuição de velocidades da deriva para o oeste como função da 13


latitude, obtidas através dos dados históricos (provenientes de Tóquio,
EUA, Londres, Canadá, Paris e Oslo), até 1967. Os círculos escuros e
claros representam, respectivamente, as velocidades de deriva de
declinação e de inclinação. São dados de Tóquio, EUA, Londres,
Canadá, Paris e Oslo. Modificado de YUKUTAKE (1967).

2.6 Registro de reversões de polaridade, chrons, subchrons, excursões e 16


transições de polaridade. As zonas de polaridade normal e reversa são
designadas, respectivamente, pelas cores preta e branca. Intervalos de
polaridade transicional ou indefinida são representadas em cinza.
Modificado de LOWRIE (2007).

3.1 Variação da inclinação com a latitude considerando-se o modelo do 21


dipolo geocêntrico axial (DGA) – x ’s em verde; os pontos em vermelho
correspondem a dados paleomagnéticos para os últimos 5 Ma.
Modificado de TAUXE e KODAMA (2009).

xiii
3.2 Representação da magnetização remanente natural (MRN), associada 22
às componentes primária e secundária. Modificado de BUTLER (2004).

3.3 Representação dos ângulos de orientação para a extração em campo de 25


uma amostra cilíndrica, segundo EVANS e HELLER (2003). Na
imagem, nota-se a inclinação com respeito à vertical e o azimute de x
(projeção horizontal do eixo x, medido no sentido horário a partir do
norte geográfico).

3.4 Representação esquemática para a determinação da posição de um polo 29


magnético, a partir das direções do campo geomagnético, segundo
BUTLER (2004). Podem ser observadas a localização do sítio de
amostragem S (λs, ϕs) e do polo magnético P (λp, ϕp). Im e Dm são,
respectivamente, os ângulos de inclinação e declinação médios. M é o
dipolo geocêntrico. A colatitude magnética é dada por p.

4.1 Curvas de dispersão de PGVs em função da paleolatitude, para diversos 39


períodos ao longo do tempo geológico, refletindo diferentes taxas de
reversão geomagnética. Modificado de McFADDEN et al. (1991).

5.1 Possíveis relações entre atividades geodinâmicas e perturbações no 42


manto e núcleo durante a integração do supercontinente Pangeia, e a
escala temporal geomagnética para o período. MS: manto superior; MI:
manto inferior; NE: núcleo externo; NI: núcleo interno. Provável
cenário do final do Paleozoico: (a) Superchron Reverso do Permo-
Carbonífero (SRPC) – o material mais frio mergulha devido aos
extensos processos de subducção decorrentes da amalgamação do
Pangea, proporcionando menores atividades termo-convectivas no
núcleo externo; (b) soerguimento de superplumas mantélicas, causando
redistribuição de energia, aumento das atividades termo-convectivas no
núcleo externo, ocasionando a RI; (c) formação de extensas províncias
ígneas (como as províncias siberiana (Rússia) e de Emeishan, na
China), o aumento do fluxo térmico levou gradativamente a um
aumento da frequência de reversões da HPMI. Modificado de YIN e
SONG (2013).

7.1 Representação interhemisférica da dispersão de polos geomagnéticos 53


virtuais, referentes à seleção completa de dados paleomagnéticos
definida por este trabalho, para a Hiperzona de Polaridade Mista
Illawarra (HPMI). Os círculos preenchidos (vazios) referem-se a dados
de paleolatitudes positivas (negativas). É possível notar a diferenciação
entre litologias sedimentares (em marrom) e ígneas (em laranja).

7.2 Curvas de dispersão de PGV’s geradas após o ajuste pelo Modelo G 54

xiv
(McFADDEN et al., 1988) para a HPMI (este trabalho representação
em um hemisfério); curvas em verde para os últimos 5Ma (JOHNSON
et al. 2008) e curvas em azul para o período de 145 – 200Ma
compreendendo o Jurássico (BIGGIN et al. 2008a).

7.3 Representação da evolução temporal da razão b/a para intervalos de 58


interesse ao longo dos últimos 350 Ma, em comparação com a variação
da frequência média de reversões geomagnéticas e com o fluxo relativo
de calor na IMN. Modificado de OLIVEIRA (2017) e OLSON e AMIT
(2015).

7.4 Relações entre estimativas de frequência média de reversões 59


geomagnéticas e razão b/a.

7.5 Dispersão dos parâmetros de forma b × a, obtidos do ajuste S × λ Plat 61


do Modelo G para a HPMI (círculo em vermelho), comparado às
estimativas de estudos de VPS para o CG do Fanerozoico e Pré-
Cambriano. Modificado de BIGGIN et al. (2008b) e OLIVEIRA (2017).

xv
Lista de Tabelas

2.1 Relações matemáticas entre as componentes do campo 7


geomagnético.

6.1 Códigos de desmagnetização Demagcode (DC). 47

7.1 Base de dados paleomagnéticos selecionados. 50

7.2 Valores de frequência média de reversões, termos simétricos (𝑎𝑙𝑢 ) e 57


antissimétricos (𝑏𝑙𝑢 ) do modelo G para intervalos de interesse ao
longo da GPTS, e razões b/a correspondentes.

xvi
Abreviaturas e Simbologia

ACP: Análise de componentes principais


CG: Campo Geomagnético
CP88: Modelo de VPS proposto por CONSTABLE e PARKER (1988)
D: Declinação
DC: Demagcode
Dm: Declinação Média
fR : Frequência média de reversões geomagnéticas
GAD: Geocentric Axial Dipole (“Dipolo Geocêntrico Axial”)
GPTS: Geomagnetic Polarity Time Scale (“Escala Temporal de
Polaridade Geomagnética”)
F: Vetor campo geomagnético total.
H: Componente horizontal do campo geomagnético.
HPMI: Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra
IAGA: International Association of Geomagnetism and Aeronomy
(“Associação Internacional de Geomagnetismo e Aeronomia”)
IGRF: International Geomagnetic Reference Field (“Modelo
Internacional de Referência do campo Geomagnético”)
IMN: Interface Manto-Núcleo
I: Inclinação
Im: Inclinação Média
J – C: Jurássico-Cretáceo
M: Polaridade Mista
Ma: Milhões de anos
MRC: Magnetização Remanente Característica
MRD: Magnetização Remanente Deposicional
MRI: Magnetização Remanente Isotérmica
MRN: Magnetização Remanente Natural
MRQ Magnetização Remanente Química
MRV: Magnetização Remanente Viscosa
MRT: Magnetização Remanente Térmica
N: Polaridade normal e Número disponível de sítios de estudo
PGV: Polo Geomagnético Virtual
pMRD: Magnetização Remanente Pós-deposicional
PP: Polo paleomagnético
P–T Permo-Triássico
R: Polaridade reversa
RI: Reversão Illawarra

xvii
SB: Desvio padrão angular associado a dispersão de PGV’s gerada
pela variação secular
SNC: Superchron Normal do Cretáceo
SQUID: Superconduting Quantum Interference Device
SRPC: Superchron Reverso do Permo-Carbonífero
ST: Desvio padrão angular associado a dispersão de PGV’s gerada
pela variação secular mais erros decorrentes dos procedimentos
de amostragem e medição
Sw: Desvio padrão angular associado aos erros decorrentes dos
procedimentos de amostragem e medição
T–J Triássico-Jurássico
TK03.GAD: Modelo de VPS proposto por TAUXE e KENT (2004)
TPW True Polar Wander
VPS: Variação paleo-secular
VS: Variação secular
𝛼95 : Cone de confiança de 95% de probabilidade
𝛽: Diferença longitudinal entre o polo paleomagnético e o sítio
λ: (Paleo)latitude
λp: Latitude do polo
λS: Latitude do sítio
φp: Longitude do polo
φS: Longitude do sítio
a: Parâmetro do Modelo G associado à família de soluções
secundária
b: Parâmetro do Modelo G associado à família de soluções
primária
k: Parâmetro de precisão de Fisher
2
𝑆𝑊
: Fator de correção “interno ao sítio”
𝑛̅

xviii
Capítulo 1

Introdução

Um dos comportamentos mais marcantes apresentados pelo campo


geomagnético (CG) é a chamada variação paleo-secular (VPS), que vem sendo
motivo de um número crescente de trabalhos publicados ao longo das últimas
décadas (e.g., CONSTABLE E PARKER, 1988; McFADDEN et al., 1988; 1991;
HULLOT e GALLET, 1996; TAUXE e KENT, 2004; JOHNSON e McFADDEN,
2007; BIGGIN et al., 2008 a; b; JOHNSON et al., 2008; TAUXE e KODAMA,
2009; DEENEN et al., 2011; YANG et al., 2016). A VPS é caracterizada por
alterações temporais na intensidade e na direção do campo medido à superfície
em tempos característicos de pelo menos 105 – 106 anos (JOHNSON e
McFADDEN, 2007; KONO, 2015), sendo originada, segundo diversos autores
(CARLUT et al., 1999; MERRILL e MCFADDEN, 2003), por alterações termo-
convectivas na região da interface manto-núcleo (IMN) (JACOBS, 1995; 2002;
DORMY e LE MOUËL, 2008, YANG et al., 2016).
Dentre as causas mais debatidas para a variação do comportamento da VPS
incluem-se as perturbações da dinâmica de operação do geodínamo – como,
por exemplo, as geradas por grandes processos geodinâmicos (ISOZAKI, 2009;
YIN e SONG, 2013), bem como alterações na morfologia da IMN, variações na
velocidade de rotação do núcleo e alterações nos regimes de fluxo de calor
causadas por heterogeneidades nos gradientes de temperatura (KODAMA,
2013; OLSON e AMIT, 2015). Segundo diversos autores, é possível adquirir
maior compreensão da evolução espacial e temporal do comportamento do
geodínamo a partir do conhecimento da variação paleo-secular (MATZKA et al.,
2010), sob a prerrogativa de que bons registros da VPS são boas fontes de
informação da dinâmica dos processos do CG (YANG et al., 2016;
RESHETNYAK e PAVLOV, 2016).
Além da VPS, um outro comportamento apresentado pelo CG – cujas
discussões vêm despertando grande interesse pela comunidade científica em

0
Paleomagnetismo desde a sua descoberta em 1906 por BRUNHES (apud
JACOBS, 1995) – é a chamada reversão de polaridade geomagnética. Este
fenômeno é apontado por VALET e FOURNIER (2016) e de diversos outros
autores, como uma das mais marcantes características do geodínamo. Neste
escopo, os avanços produzidos nas últimas duas décadas pelas simulações
numéricas sobre o funcionamento do geodínamo, têm permitido compreender
melhor o seu modo de operação e possibilitado a proposição de novas questões
relevantes, como exemplo, a possibilidade de predomínio das componentes não
dipolares durante períodos de mais alta taxa de reversão geomagnética, e o
tempo de transição entre polaridades.
As reversões ocorrem em intervalos de tempo da ordem de 103 – 104 anos,
de maneira não-periódica (MERRILL et al., 1996), cuja frequência apresenta
grande variabilidade ao longo do tempo geológico – nos últimos 5 Ma, a taxa de
reversões geomagnéticas foi, segundo alguns autores (e.g., JACOBS, 1995;
JOHNSON et al., 2008) de aproximadamente 4-5 Ma-1. Hoje em dia, sabe-se da
ocorrência de períodos extremamente longos praticamente sem registros de
reversão, como no caso dos chamados “superchrons” (GUBBINS e HERRERO-
BERVERA, 2007). Dentre as causas mais debatidas para a ocorrência de
reversões, incluem-se os fenômenos envolvendo grandes atividades
geodinâmicas – como os que envolveram eventos extremos de processos de
subducção e soerguimento de plumas (ISOZAKI, 2009; GLATZMAIER e COE
2015), alterações de caráter termo-convectivo nas proximidades da IMN,
heterogeneidades nos regimes de fluxo de calor entre o núcleo e o manto
(OLSON e AMIT, 2015) e alterações na forma, no tamanho, e na velocidade de
rotação do núcleo interno e externo (GLATZMAIER e ROBERTS, 1996;
GLATZMAIER et al., 1999; TAUXE, 2005).
Segundo BIGGIN et al. (2008a) as curvas de dispersão angular de polos
geomagnéticos virtuais (PGVs) continuam sendo um dos melhores modos de
análise da VPS – também apresentando relação com a taxa de reversões
geomagnéticas para um dado período. Para melhor compreender o
comportamento da VPS, diversos modelos foram propostos ao longo das últimas
seis décadas.

1
Neste contexto, o trabalho desenvolvido como tema desta dissertação teve
por objetivo avaliar os padrões da VPS e da dispersão de PGVs para o intervalo
conhecido como Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra (HPMI), relacionado
a aspectos geodinâmicos singulares que permearam a transição Paleozoico-
Mesozoico, através da abordagem de um modelo de natureza fenomenológica
denominado Modelo G, e proposto por McFADDEN et al. (1988).

2
Capítulo 2

O Campo Geomagnético: aspectos gerais

Desde o século XVI, com a publicação da obra “De Magnete”, escrita por
Willian Gilbert (1544–1603; LUND, 2007), a origem, o comportamento e as
implicações do campo geomagnético CG vêm sendo motivo de importantes
discussões. Consta dentre os aspectos mais debatidos, que o CG apresenta
feições distintas, com comportamentos variáveis no tempo e no espaço. Tais
variações, que ocorrem em intervalos de tempo da ordem de milissegundos a
até dezenas de milhões de anos, são provenientes de fontes internas ou
externas com relação à superfície da Terra (BLOXHAM e GUBBINS, 1985;
MERRILL, 1996; DUARTE, 2000; LOWRIE, 2007), e que podem ser medidas
de maneira direta (e.g., medidas magnetométricas por navios, observatórios e
estações magnéticas, satélites), ou indireta (como exemplo, através da
magnetização remanente, adquirida por rochas, artefatos arqueológicos e
sedimentos, e obtidas por intermédio de medidas paleomagnéticas)
(WARDINSKI, 2007).

De acordo com TURNER et al. (2015), não são observadas na superfície


variações de origem interna e com durações menores do que um ano, dado o
efeito de condutividade elétrica no manto inferior. Algumas variações como 11
e 22,5 anos, são suficientemente próximas de alguns períodos solares para
terem suas causas apontadas como externas, porém esses sinais são
relativamente fracos (MERRIL et al., 1996). Os registros de tais variações
podem ser medidos de maneira direta (e.g. medidas magnetométricas por
navios, observatórios e estações magnéticos, satélites) ou indireta (como
exemplo, através da magnetização remanente adquirida por artefatos
arqueológicos, sedimentos e rochas – através de medidas paleomagnéticas)
(BUTLER, 2004; WARDINSKI, 2007; JOHNSON e McFADDEN, 2007).

3
A seguir, discutiremos sobre aspectos gerais relacionados ao campo
geomagnético: aspectos históricos relacionados ao desenvolvimento dos
conhecimentos sobre o campo, sobre o geodínamo e suas principais famílias de
modelos, sobre as feições e variações do CG, e sobre o modelo de dipolo
geocêntrico axial (DGA).

2.1 Um pouco de história

De acordo com TARDUNO et al. (2010), o campo geomagnético CG é


gerado no núcleo externo fluido, possuiria ao menos 3,4 Ga de existência, e é,
possivelmente, tão antigo quanto a existência do próprio núcleo da Terra.
Entretanto, a origem, o comportamento e as implicações do CG na evolução
geológica do planeta vêm sendo motivo de intensos debates ao longo dos
últimos séculos, ainda persistindo como um importante e fértil campo de
pesquisa nos dias atuais. O primeiro passo significativo para os progressos que
culminaram no atual estágio de compreensão sobre a geração do CG se deu em
1600, com a publicação da obra “De Magnete”, escrita por Willian Gilbert
(JOHNSON e McFADDEN, 2007; LUND, 2007).

Gilbert foi o primeiro a propor que o CG teria origem no centro da Terra.


De acordo com sua hipótese, o centro da Terra atuaria como uma espécie de
imã de grandes proporções, apresentando uma magnetização permanente. No
início do século XVII, René Descartes propôs que o magnetismo da Terra
estaria associado a um conjunto de “dutos” através da Terra”, cujas respectivas
entradas e saídas seriam correspondentes aos polos norte e sul (MATTIS,
1965). INGLIS (1955) demonstrou a inexistência da possibilidade de que
grandes campos magnéticos na Terra poderiam ser originados por separação de
cargas, devido a temperatura e o gradiente de pressão (MERRILL et al., 1996).

Conforme discutido por JACOBS (1995), qualquer sistema de correntes


elétricas decai com o tempo – para o caso do núcleo externo da Terra, este
autor sugeriu um período de cerca de 100 ka para o decaimento; assim, o CG
não poderia ser um mero registro de remanência, sendo então necessário um

4
mecanismo de geração e manutenção de correntes elétricas que fosse capaz de
sustentá-lo. A primeira sugestão na literatura para a geração de campo
magnético por mecanismos de dínamo auto-excitado foi feita por Sir Joseph
Larmor, em 1919, para o caso do Sol. Porém, somente a partir dos trabalhos de
ELSASSER (1946) e BULLARD et al. (1950) é que foram feitas as primeiras
contribuições significativas para a teoria do dínamo terrestre. Com base na
consideração da presença de fluido condutor na região do núcleo, estes autores
propuseram soluções para modelos de dínamo autossustentados, e
demonstraram que o fluxo magnético através de contornos fechados se
movendo com o fluido condutor é constante, contribuição essa que se tornou
ideia central nas teorias que se seguiram a respeito do geodínamo (NAGATA,
1965; MERRIL et al., 1996).

2.2 Feições do campo geomagnético

Conforme discutido anteriormente, as medidas do campo geomagnético


podem ser realizadas através de observatórios magnéticos, estações magnéticas,
levantamentos oceanográficos e aéreos ou mesmo através de sondas espaciais e
satélites. Para o registro dessas medidas e elaboração de modelos espaciais do
campo geomagnético, utiliza-se uma representação baseada em três
componentes vetoriais (Figura 2.1):

 Vetor campo total (F): que pode ser decomposto em duas projeções
(componente horizontal (H) e vertical (Z));

 Declinação magnética (D): ângulo medido entre o norte geográfico e a


componente H (que aponta para o norte magnético), e variando de 0 a 360
no sentido horário. Os primeiros relatos acerca de registros da declinação
magnética foram apresentados pelos chineses entre os séculos VIII e XIII d.C. –
como o relatado por YI-XING, em 720 d.C., que detectou uma diferença entre o
polo norte verdadeiro e o polo norte magnético (NEEDHAM, 1962; MERRIL et
al., 1996);

5
 Inclinação magnética (I): ângulo entre a componente H e o vetor campo total
(F); se apresenta como positiva para baixo e negativa para cima, variando entre
-90° (polo sul magnético) e +90° (polo norte magnético).

Figura 2.1: representação do campo geomagnético e suas componentes principais (campo total
(F), declinação (D), inclinação (I), componente horizontal (H) e componente vertical (Z)).

A seguir, apresenta-se a Tabela 2.1, que dispõe as relações matemáticas


entre estas componentes:

Tabela 2.1: relações matemáticas entre as componentes do campo geomagnético.

𝑿 = 𝑭. cos 𝐼 . cos 𝐷 𝐹 = √𝑋 2 + 𝑌 2 + 𝑍 2

𝑌
𝒀 = 𝑭. cos 𝐼 . 𝑠𝑒𝑛 𝐷 𝐷 = arctan
𝑋

𝑍
𝐼 = arctan
𝒁 = 𝑭. 𝑠𝑒𝑛 𝐼 √𝑋² + 𝑌²

2.2.1 O modelo do Dipolo Geocêntrico Axial DGA

6
Sabe-se que uma pequena parcela do CG apresenta uma característica não
dipolar, e que cerca de 93,7% deste corresponde ao momento de um dipolo
magnético de aproximadamente 7,78 × 1022 Am², e deslocado em cerca de
11,5° relativamente ao eixo da Terra (KORTE e CONSTABLE, 2006) (Figura
2.2). Isso suscita a hipótese de que o campo geomagnético médio seja
compatível ao campo de um dipolo alinhado ao eixo de rotação da Terra – um
dipolo geocêntrico axial DGA. É importante salientar que, tanto o campo
dipolar como o campo não dipolar variam suas direções e intensidades ao longo
do tempo, sendo o intervalo temporal necessário para que a média das
variações espaciais do eixo do dipolo magnético coincida com o eixo geográfico
um dos problemas em discussão em Ciências da Terra (McELHINNY, 2007).
Um eixo imaginário que passa através do centro da Terra, ao longo do eixo do
dipolo intersecta a superfície em dois pontos chamados polos geomagnéticos.
Esses polos diferem dos polos magnéticos, que são os pontos na superfície da
Terra, ligeiramente desviados dos polos geomagnéticos e onde o campo medido
tem inclinação de +90°/-90° (MERRILL et al., 1996).

7
Figura 2.2: Representação gráfica dos equadores e dos polos magnético, geomagnético e
geográfico. Modificado de McELHINNY (1973).

Quando o CG é amostrado sob intervalos de tempo bastante longos – e


omitindo-se direções intermediárias registradas quando o CG esteve em
processo de reversão – a posição média dos polos geomagnéticos coincide com a
posição dos polos do eixo de rotação (MCELHINNY et al., 1996; TURNER et
al., 2007), possibilitando uma representação como a exposta na Figura 2.3:

Figura 2.3: Representação gráfica do modelo do dipolo geocêntrico axial (considerando-se


ampla amostragem no tempo). Sob esta condição, o momento de dipolo m pode ser
considerado como alinhado com o eixo de rotação da Terra; λ é a latitude; a é o raio médio
da Terra; I é a inclinação magnética; N indica a posição do polo norte geográfico. Modificado
de McELHINNY (2007).

A partir deste modelo, é possível calcular a inclinação magnética para uma


determinada latitude, de acordo com a seguinte expressão:

tan 𝐼 = 2𝑡𝑎𝑛𝜆 (2.1)

8
A relação entre a inclinação do campo geomagnético e a latitude predita
pelo modelo DGA vem encontrando, desde sua proposição, forte respaldo
através de resultados paleomagnéticos – e que será assunto do próximo
capítulo.

2.3 Variações do campo geomagnético

Como discutido por alguns autores (e.g., BUTLER, 2004; GUBBINS e


HERRERO-BERVERA, 2007), os dados sobre o comportamento da variação do
campo geomagnético nos últimos séculos revelam cinco grandes características,
descritas brevemente como: (1) o decréscimo do momento do dipolo em uma
taxa de cerca de 0,05% ao ano; (2) rotação precessional do eixo do dipolo com
uma velocidade de 0,05° por ano; (3) um deslocamento do eixo do dipolo para o
norte, com velocidade de cerca de 2 km/ano; (4) deriva para o oeste do campo
não dipolar, seguindo uma taxa de deriva aproximadamente igual a 0,2/ano; e
(5) a oscilação da magnitude do campo não dipolar em cerca de 10 nT/ano.

Em particular para este estudo, discorreremos de maneira mais detalhada a


respeito da chamada variação secular (VS) do CG.

2.3.1 Variação Secular VS

A Variação Secular Geomagnética ou simplesmente variação secular VS, é o


conjunto de variações relacionadas às contribuições dipolar e não dipolar para o
campo geomagnético CG, e que se apresentam como alterações na intensidade
e na direção do CG, operantes em períodos da ordem de 102 a 104 anos
(JOHNSON e McFADDEN, 2007). Apresentam-se como origem fontes
predominantemente internas, cujas informações servem de importantes
ferramentas de investigação da dinâmica presente no núcleo externo. Tais
alterações ficam evidentes quando são comparados os coeficientes de Gauss

9
(obtidos através da expansão do potencial magnético em harmônicos esféricos,
referentes às contribuições para o campo de origem interna), para períodos
distintos no tempo (BLOXHAM e GUBBINS, 1985; MERRIL et al., 1996;
LOWRIE, 2007; BIGGIN et al., 2008; MATZKA et al., 2010; YANG et al.,
2016).

Os primeiros registros indicativos da ocorrência da variação secular datam a


partir do final do século XV. Entre os anos 1580 e 1634, Henry Gellibrand
coletou medidas de declinação magnética feitas em Limehouse (nos arredores
de Londres), tendo-as publicado em seu trabalho, intitulado “Discourse
mathematical on the variation of the magnetic needle”, de 1635. O autor
concluiu que, ao longo de um período de 54 anos, houve uma diminuição no
valor da declinação local de cerca de 7 (COURTILLOT & LE MOUËL, 2007;
JOHNSON e McFADDEN, 2007; LUND, 2007; WARDINSKI, 2007). São
conhecidas as informações históricas sobre variações nos dados de declinação
magnética em Londres, sistematicamente coletadas ao longo de 350 anos – com
valores em torno de 11E em 1470, e passando a valer cerca de 24O em 1820;
medidas similares, e contemporâneas às realizadas em Londres também foram
feitas para Paris (Figura 2.4). Maiores discussões sobre estes e outros aspectos
históricos acerca do Geomagnetismo, e registros da variação secular podem ser
encontrados em vários trabalhos (e.g. MERRIL et al., 1996; STERN, 2002;
COURTILLOT e LE MOUËL, 2007; WARDINSKI, 2007).

A evolução da intensidade da componente dipolar do campo geomagnético


é avaliada pelos geomagnetistas a partir de modelos globais, baseados na
expansão por harmônicos esféricos, e por paleomagnetistas através do
momento de dipolo virtual obtido por intermédio de estudos de
paleointensidade e de arqueointensidade. Atualmente, atribui-se ao campo
atual um momento de dipolo de ~ 7,78 × 10²² Am², deslocado em cerca de
11,5 com relação ao eixo de rotação da Terra, sendo responsável por cerca de
93,7% da intensidade do campo na superfície (KORTE e CONSTABLE, 2005).
Modelos como o GUFM (JACKSON et al., 2000) e o (IGRF) (sigla em inglês
para “International Geomagnetic Reference Field”), indicam que o momento
de dipolo do CG diminuiu em torno de 10% desde 1830, e vem decaindo quase

10
linearmente a uma taxa de cerca de 3,2% ao século, ao longo do período
compreendido entre os anos 1550 e 1900 (GUBBINS, 1987; HULOT et al.,
2002; OLSON, 2002; LOWRIE, 2007).

Dentre as alterações direcionais experimentadas pelo CG pelos processos de


variação secular, o fenômeno mais conhecido e bem documentado é a chamada
deriva para o oeste do campo não dipolar (DUMBERRY e FINLAY, 2007). Esse
fenômeno foi primeiramente documentado por Halley, em 1683, e analisado no
trabalho de BULLARD et al. (1950) (YUKUTAKE, 1967). De acordo com este
trabalho, o fenômeno de deriva seria uma consequência da diferença entre as
velocidades de rotação entre o núcleo e o manto inferior sólido; este processo
de rotação diferencial envolveria o até mesmo o núcleo interno (YUKUTAKE,
1967; JACKSON e FINLAY, 2007). Segundo LOWRIE (2007), modelos teóricos
para o CG pressupõem que, de acordo com a conservação do momento angular,
porções do fluido componente do núcleo externo que se movem radialmente
para dentro (portanto, diminuindo a distância ao eixo de rotação), têm a sua
velocidade angular aumentada. Decorre então que o núcleo externo exibiria
porções com velocidades angulares diferentes em relação ao manto inferior,
sendo assim provável que essas diferenças contribuam significativamente para
a deriva para o oeste.

Figura 2.4: Curvas representativas de variação nos dados de declinação e inclinação (em
graus), geradas pela sobreposição às séries de dados obtidos de observatórios magnéticos (séries
de Paris: curvas sólidas; séries de Londres: curvas tracejadas), abrangendo o período

11
compreendido entre 1700 a 1997. Modificado de ALEXANDRESCU et al. (1997).

Alguns trabalhos demonstraram que a deriva para o oeste não é constante,


mas apresenta uma dependência com a latitude (e.g., JAULT et al., 1988)
como ilustrado pela Figura 2.5. No trabalho de BULLARD et al. (1950), foi
detectado que, durante a primeira metade do século XX, a porção não dipolar
do campo apresentou um deslocamento para oeste a uma taxa de 0,18/ano.

Com o aprimoramento dos processos de medidas geomagnéticas, foi


possível verificar uma assimetria entre os hemisférios no que diz respeito ao
comportamento do campo medido à superfície (FISK, 1931 apud JACKSON e
FINLAY, 2007). Dentre as causas possíveis de tal comportamento, são
sugeridas alterações no funcionamento do geodínamo causadas por
desorganizações termo-convectivas, possivelmente provenientes de possíveis
imperfeições e heterogeneidades do manto inferior (DOELL & COX, 1971;
JACKSON e FINLAY, 2007).

Figura 2.5: Distribuição de velocidades da deriva para o oeste como função da latitude,
obtidas através dos dados históricos (provenientes de Tóquio, EUA, Londres, Canadá,
Paris e Oslo), até 1967. Os círculos escuros e claros representam, respectivamente, as
velocidades de deriva de declinação e de inclinação. São dados de Tóquio, EUA,
Londres, Canadá, Paris e Oslo. Modificado de YUKUTAKE (1967).

12
2.3.2 Variação Paleo-secular VPS

As alterações temporais do CG medidas à superfície, com duração entre 105


e 106 anos, e cujas causas estariam relacionadas aos processos envolvendo as
fontes internas de campo (mudanças de taxas de fluxo de calor na IMN,
morfologia do núcleo externo, rotação diferencial, surgimento de plumas
mantélicas, entre outros), relacionam-se à chamada variação paleo-secular do
CG VPS (COX 1969; CONSTABLE e JOHNSON, 1999; JACOBS 2001; KONO
e ROBERTS, 2002; JOHNSON e McFADDEN, 2007; BIGGIN et al., 2008a;
OLSON e AMIT, 2015).

A VPS pode ser obtida a partir de estudos paleomagnéticos desenvolvidos


para recuperação da componente primária da magnetização remanente natural
(MRN) através de materiais provenientes de artefatos arqueológicos,
sedimentos e rochas. As técnicas paleomagnéticas necessárias se encontram
atualmente bem documentadas na literatura (e.g., BUTLER, 2004; MERRILL
et al., 1996). A VPS compreende variações de declinação, inclinação e
intensidade do campo geomagnético, durante períodos de polaridade estável,
cujas mudanças demoram longos períodos de tempo, e que são manifestadas
pela componente vetorial primária preservada em geomateriais e artefatos
arqueológicos (GUBBINS e HERRERO-BERVERA, 2007; JOHNSON e
MCFADDEN, 2007).

Os modelos recentes de VPS atribuem a variação secular a três fontes, que


são: oscilações de direção do dipolo, variações na intensidade da oscilação do
dipolo oscilante e variações no campo não dipolar (JOHNSON e McFADDEN,
2007). Para descrições estatísticas de tal comportamento, têm sido usadas as
propriedades atuais do campo. Por exemplo, McFADDEN et al. (1991) utilizou
dados dos últimos cinco milhões de anos para gerar curvas de dispersão de
PGVs em função das paleolatitudes e assim restringir a forma geral da curva de
dispersão de PGVs para períodos anteriores. Isto será melhor abordado no
Capítulo 4 desta dissertação.

13
2.3.3 Reversões, transições e excursões de polaridade

O conhecimento sobre a VS é de fundamental importância na exploração


das características da evolução espacial e temporal do geodínamo (MATZKA et
al., 2010), sendo boas fontes de informação da dinâmica dos processos do CG
(YANG et al., 2016). No entanto, estudos paleomagnéticos deixam claro que o
CG sofreu uma gama mais ampla de variabilidades do ponto de vista temporal –
como é o caso das chamadas reversões magnéticas e excursões magnéticas
(Figura 2.6).

As primeiras observações de MRN com polaridade oposta à do campo atual


foram documentadas no início do século XX por David e Brunhes (MAZAUD,
2007). Desde então, uma grande quantidade de trabalhos baseados em
anomalias magnéticas de dorsais oceânicas, províncias ígneas e sedimentos,
vêm confirmando que o CG inverteu sua polaridade muitas vezes através do
tempo geológico e de maneira aperiódica, apresentando por vezes a alternância
entre a polaridade normal (como atualmente) e a polaridade reversa (tendo
ocorrido pela última vez há cerca de 780 ka). De acordo com alguns autores
(e.g., GUBBINS, 1987; 1994; JACOBS, 1995; BUTLER, 2004), o CG atual vem
apresentando uma taxa de reversões em torno de 3 - 4/Ma, de maneira
aperiódica. Tal registro tem sido então catalogado, desde a década de 1960,
através da Escala Temporal de Polaridade Geomagnética (GPTS – sigla em
inglês para Geomagnetic Polarity Time Scale), hoje também sendo uma
ferramenta indispensável na calibração do tempo geológico (COX, 1969;1982;
BUTLER, 2004; MAZAUD, 2007).

Este registro é feito pela definição dos intervalos (ou épocas) de polaridade
geomagnética, e que são denominados chrons de polaridade. De acordo com
LOWRIE (2007), tais magnetozonas se apresentam com durações variáveis ao
longo do registro geológico, geralmente na faixa entre 50 ka e 5 Ma. Intervalos
de menor duração (aproximadamente 20 – 50 ka) são chamados de subchrons,
e podem intercalar irregularmente dois chrons de polaridade (HOUNSLOW et
al., 2004). São também debatidas na literatura a ocorrência de longas

14
magnetozonas (de duração da ordem de 107 anos), denominadas como
superchrons. A passagem entre duas polaridades é referida como uma transição
de polaridade (Fig. 2.6).

Os registros sequenciais em lavas datadas, bem como os depósitos


sedimentares cujas taxas de sedimentação são conhecidas, indicam tempos
característicos de 3,5 – 5,0 ka para as transições de polaridade (CLEMENT e
KENT, 1984; LOWRIE, 2007). Contudo, o tempo necessário para esse processo
acontecer permanece incerto, com estimativas de poucos milhares de anos a
até 30 ka, ou mais (MERRILL e MCFADDEN, 1999; CLEMENT, 2004).

15
Figura 2.6: Registro de reversões de polaridade, chrons, subchrons, excursões e transições
de polaridade. As zonas de polaridade normal e reversa são designadas, respectivamente,
pelas cores preta e branca. Intervalos de polaridade transicional ou indefinida são
representadas em cinza. Modificado de LOWRIE (2007).

Um outro fenômeno de destaque sobre, também identificável em estudos


paleomagnéticos, são as chamadas excursões geomagnéticas. São flutuações na
latitude do polo geomagnético em relação ao polo geográfico, em mais de 40°
(e.g., BARBETTI e MCELHINNY, 1972; 1976; GUBBINS e HERRERO-
BERVERA, 2007), sugestivos de estados reversivos abortados ou algum tipo de
surgimento de campo multipolar (MERRILL et al., 1996) e, a depender da
polaridade na ocasião, denomina-se excursão normal ou excursão reversa
(CHANNELL e LEHMAN, 1997).

2.4 O Geodínamo: aspectos gerais

Segundo OLSON (2015), o núcleo externo, de viscosidade próxima a da


água e composto principalmente de ferro e níquel, apresenta fortes fluxos
convectivos, além de processos ondulatórios e turbulentos deste material, que é
eletricamente condutor. Este fluído, que apresenta velocidade resultante em
torno de 20km/ano, ajudaria a manter a temperatura em torno da interface
manto-núcleo IMN praticamente constante (BUFFETT, 2015). Além disto, tais
movimentos induzem correntes elétricas e campos magnéticos na região do
núcleo, que vêm persistindo ao longo da maior parte da história da Terra contra
a dissipação ôhmica e outros fatores difusivos. O conjunto de tais processos
decorrentes da dinâmica do núcleo, que geram e mantém o CG e as correntes
elétricas, é chamado de geodínamo.

O geodínamo é essencialmente um fenômeno magnetohidrodinâmico


(MHD), cuja energia seria promovida por três fontes distintas: (i) pela rotação
da Terra – acarretando na chamada aceleração de Coriolis; (ii) pela liberação
de calor latente de solidificação na região do núcleo externo; (iii) pelo

16
decaimento de radioisótopos. Logo, a história do geodínamo está ligada
intimamente à evolução térmica e química do núcleo e do manto (MERRILL et
al., 1996).

Segundo alguns autores (e.g., LAY et al., 2008; WU et al., 2011; BUFFETT,
2015; OLSON, 2015), um outro fator de controle dos processos que energizam
o geodínamo é a taxa de evolução do núcleo, imposta pelo manto sobrejacente.
A transferência de calor através do manto é o limitador da taxa de fluxo térmico
a partir do núcleo – portanto, age como limitador para os processos convectivos
no núcleo externo, no crescimento do núcleo interno, e na energia disponível
para o geodínamo.

Evidências de flutuações no regime de convecção mantélica podem ser


encontradas em estimativas de deriva de placas litosféricas (e.g. ROWLEY,
2002; HELLER et al., 2006), podem causar perturbações térmicas na região do
núcleo, acarretando em mudanças na taxa de fluxo térmico na IMN
(BUFFETT, 2015). Deste modo, a presença de grandes massas litosféricas,
mais frias na região do manto inferior, e advindas de extensos processos de
subducção, poderiam afetar significativamente o fluxo térmico na IMN
(ISOZAKI, 2009a; 2009b; YIN e SONG, 2013)

2.4.1 Modelos para o Geodínamo

Diversos modelos de geodínamo foram propostos nos últimos anos, visando


descrever os mecanismos de operação, regeneração e manutenção do CG. Em
particular, de acordo com GLATZMAIER e COE (2015), as modelagens MHD’s
tridimensionais estão começando a promover ideias para o mecanismo de
funcionamento das reversões. Contudo, entender melhor esse aspecto e outros,
tais como os fenômenos ligados à geração do campo no núcleo externo e suas
variações, representa um dos maiores desafios atualmente – que, segundo
MAFFEI e JACKSON (2017), estão ligados principalmente à limitação
computacional.

17
Do ponto de vista fenomenológico, os modelos que abordam a estabilidade
do geodínamo são atualmente separados em duas vertentes opostas, como
descrito no trabalho de FULLER e WEEKS (1992) e abordado posteriormente
por JACOBS (2001): (i) uma que leva em conta que, durante os períodos de
alta frequência de reversões, o geodínamo estaria operando sob um regime de
baixa energia – levando, portanto, a uma condição de pouca estabilidade
convectiva no núcleo externo (e.g., GLATZMAIER et al., 1999; TARDUNO et
al., 2001; TAUXE, 2006); (ii) nesta vertente, o contrário é sugerido: maior
eficiência energética durante períodos de frequência de reversões elevada (e.g.,
JACOBS, 1998; HIDE, 2000); nesta visão, as reversões seriam decorrentes
portanto de desestabilizações geradas na região do núcleo externo.

Entender completamente as interações existentes na proximidade com a


IMN, com o intuito de elucidar os mecanismos pelos quais se torna possível a
ocorrência das reversões, bem como a variação do campo interno como um
todo, é uma questão em aberto e, segundo OLSON (2015), alguns problemas
de fronteira são: (1) o quão rápido ou lento os padrões convectivos mudam; (2)
como o núcleo e o geodínamo respondem às perturbações induzidas pelo
manto; e (3) quais os efeitos que o acoplamento manto-núcleo geram no
campo como um todo.

18
Capítulo 3

Paleomagnetismo: fundamentos e aspectos


gerais

3.1 O modelo DGA e suas implicações

Conforme discutido na seção 2.2.1, é possível considerar o eixo do DGA


como alinhado ao eixo de rotação da Terra, contanto que o CG seja amostrado
sob longos intervalos de tempo (104 – 105 anos; GUBBINS e HERRERO-
BERVERA, 2007), e se desconsiderem eventuais direções intermediárias devido
a processos de reversão. Esta consideração – de um campo axialmente
simétrico, com relação ao eixo de rotação – acarreta na possibilidade de se
predizer uma determinada latitude local, desde que conhecida a inclinação
magnética, e vice-versa.

Isto leva a implicações profundas para o Paleomagnetismo – que visa


estudar o comportamento do CG no passado – uma vez que seria possível, a
partir de medidas de aquisição de remanência magnética para um determinado
grupo de rochas (de idade equivalente, e referentes a um mesmo contexto
regional), obter-se informações acerca da posição (paleo)latitudinal média para
os sítios de proveniência destas rochas. Em outras palavras, o modelo DGA
permite, a partir da direção média da inclinação magnética, a obtenção da
paleolatitude de um determinado sítio de amostragem. A relação entre a
inclinação do campo geomagnético e a latitude predita pelo modelo DGA vem
encontrando, desde sua proposição, forte respaldo através de resultados
paleomagnéticos, como o ilustrado pela Figura 3.1, que dispõe dados para os
últimos 5 Ma.

19
Figura 3.1: Variação da inclinação com a latitude considerando-se o modelo do dipolo
geocêntrico axial (DGA) – x ’s em verde; os pontos em vermelho correspondem a dados
paleomagnéticos para os últimos 5 Ma. Modificado de TAUXE e KODAMA (2009).

A seguir, discutiremos sobre os mecanismos que acarretam na aquisição de


remanência magnética em rochas e sedimentos, procedimentos experimentais
e analíticos relacionados à recuperação da remanência magnética, bem como
sobre os aspectos teóricos do Paleomagnetismo.

3.2 Mecanismos de aquisição da remanência magnética

O Paleomagnetismo se vale do registro “fóssil” do CG em rochas,


sedimentos e artefatos arqueológicos. A aquisição desta magnetização –
denominada magnetização remanente primária – depende de diversos fatores,
como a presença de minerais ferromagnéticos (sensu stricto) dentro de
determinadas condições físicas (McELHINNY e McFADDEN, 2000). Através
da recuperação da componente primária da MRN, é possível obter-se
informações como a direção e intensidade do campo do momento da formação

20
da rocha ou da deposição dos sedimentos ainda não consolidados (sem
considerar possíveis efeitos de dobra e achatamento) (JOHNSON e
McFADDEN, 2007; GUBBINS e HERRERO-BERVERA, 2007; OLIVEIRA,
2017).

A magnetização adquirida por uma rocha, no momento de sua formação,


tende a ser um registro do campo ambiente. Esta magnetização, denominada
magnetização primária, é a componente de maior interesse neste tipo de
investigação, uma vez que provê informações (direção e intensidade)
específicas do campo no momento de formação da rocha ou da deposição dos
sedimentos que a formaram. Entretanto, diversos processos físicos e químicos
que ocorrem ao longo do tempo geológico, acarretam em componentes
secundárias de magnetização, fazendo com que a MRN não seja um registro fiel
da componente primária (MERRILL et al, 1996; BUTLER, 1998; JOHNSON e
McFADDEN, 2007; OLIVEIRA, 2017) (Figura 3.2).

Figura 3.2: representação da magnetização remanente natural MRN, associada às


componentes primária e secundárias. Modificado de BUTLER (2004).

Assim, podemos considerar que a MRN tende a ser a soma vetorial das
componentes primárias e secundárias, estando intimamente relacionada ao
conteúdo de portadores magnéticos, do tipo litológico e da evolução geológica
da rocha. De maneira geral, são três as principais formas de aquisição da MRN,

21
a saber: magnetização remanente térmica (MRT), a magnetização remanente
química (MRQ) e a magnetização remanente deposicional (ou detrítica)
(MRD). A seguir, dispõe-se uma discussão a respeito de cada um destes tipos.

Magnetização remanente térmica MRT

Ao longo do processo de resfriamento, a partir de altas temperaturas (p.ex.,


em lavas vulcânicas), os minerais ferromagnéticos (sensu stricto) presentes
tendem a alinhar-se com o campo ambiente – o que não é possível até um
determinado ponto, pelas condições térmicas do material. A partir deste ponto
– determinado temperatura de Curie (TC) –, estes minerais começam a exibir
magnetização espontânea, preferencialmente alinhada ao campo ambiente,
processo este que segue até o resfriamento completo até a temperatura
ambiente. Em materiais geológicos, devido aos diversos tamanhos de grão dos
portadores, estes tendem a exibir temperaturas de bloqueio (TBi) distintos.
Assim, à medida em que a temperatura diminui, abaixo de TC, passando por
todos as TBi distintas, o tempo de relaxação aumenta significativamente e a
chamada magnetização remanente térmica MRT é alcançada (DUNLOP e
ÖZDEMIR, 1997; GUBBINS e HERRERO-BERVERA, 2007).

Magnetização remanente detrítica MRD

A magnetização remanente deposicional, ou detrítica MRD é geralmente


adquirida durante o processo de deposição dos grãos ferromagnéticos, durante
o processo de sedimentação. Segundo alguns autores (e.g., CARTER-STIGLITZ
et al., 2006), a MRD pode apresentar complexidades bastante consideráveis,
compreendendo um número variável de parâmetros mineralógicos e
magnéticos; entretanto, é de maneira geral bastante influenciada pelo tipo,
concentração e tamanho de grão das fases magnéticas (TAUXE et al., 2006).

22
Entretanto, entre o momento em que os grãos ferromagnéticos são
depositados até a completa litificação do sedimento, a remanência magnética
pode ser perturbada por diferentes tipos de processos, como alterações
químicas, bioturbação, ações de forças hidrodinâmicas, e efeitos de
compactação proporcionados pela carga depositada acima dos grãos mais
antigos (levando à mudança de inclinação dos grãos ferromagnéticos em
relação ao plano de sedimentação – efeito este denominado “inclination
flattening” (TAUXE, 2005)). Tal conjunto de processos podem resultar em uma
nova forma de remanência, chamada magnetização remanente pós-
deposicional (pMRD).

Magnetização remanente química MRQ

Um outro tipo de magnetização remanente, que normalmente se apresenta


como uma magnetização secundária, é a magnetização remanente química
(MRQ). A MRQ é adquirida abaixo da temperatura de Curie, pelo crescimento
de grãos ferromagnéticos; tende a ocorrer durante processos de diagênese,
quando uma determinada fase portadora sofre alteração química, como a
oxidação de grãos durante o processo de intemperismo (MERRILL et al., 1996;
BUTLER, 2004; OLIVEIRA, 2017).

A componente de magnetização final, coerente para uma coleção de


amostras de uma unidade geológica, obtida através de processos de
desmagnetização é chamada de magnetização remanente característica (MRC).

3.3 Procedimentos experimentais e de análise na recuperação da MRC

É de importância central em estudos paleomagnéticos a obtenção de


informações – como direção e intensidade – da MRC. Isto implica em adotar-se
procedimentos com o máximo de cuidado, o que inclui medidas de orientação
das amostras coletadas nos trabalhos de amostragem em campo (ângulo de
azimute e mergulho, e coordenadas de sítio de amostragem, conforme

23
demonstrado na Figura 3.3). Ademais, é preciso que a amostragem (em
retirada geralmente como amostras cilíndricas ou blocos) seja significativa,
refletindo um número de sítios suficiente para o contexto geológico a ser
estudado (COLLINSON, 1983; BUTLER 2004).

Em seguida, as amostras coletadas em campo são preparadas para o


fornecimento dos espécimes para as medidas paleomagnéticas e de magnetismo
de rochas (esta última, para a identificação da mineralogia magnética e
avaliação dos portadores da MRC). Para isto, os espécimes são cortados em
formato cilíndrico (com cerca de uma polegada de altura e diâmetro), e
remarcados de acordo com a orientação coletada em campo.

Figura 3.3: Representação dos ângulos de orientação para a extração em


campo de uma amostra cilíndrica, segundo EVANS e HELLER (2003). Na
imagem, nota-se a inclinação com respeito à vertical e o azimute de x
(projeção horizontal do eixo x, medido no sentido horário a partir do norte
geográfico).

Em geral, a MRN dos espécimes é medida nos laboratórios de


Paleomagnetismo por magnetômetros do tipo spinner (ou rotativos), ou
criogênicos (com sensores SQUID), e que, preferencialmente, devem estar
situados em ambiente sob blindagem magnética. Para a identificação das

24
diferentes componentes de magnetização, as amostras podem ser
gradativamente desmagnetizadas por dois processos distintos:

(1) Desmagnetização por campos alternados (desmagnetização AF): o


espécime é submetido a passos de aplicação de campo magnético
alternado, com decréscimo linear na magnitude ao longo do tempo
(BUTLER, 2004). A cada passo, a magnetização é novamente medida. Tal
procedimento faz com que a distribuição de grãos ferromagnéticos
presentes tenha seus momentos magnéticos sucessivamente
randomizados por faixas de coercividades;

(2) Desmagnetização térmica progressiva: o espécime é submetido a


aquecimento, a uma temperatura Ti, abaixo da temperatura de Curie TC
dos minerais ferromagnéticos presentes, e então é resfriado em campo
ambiente nulo. Tal procedimento faz com que todos os grãos que possuam
temperatura de bloqueio (TB) ≤ Ti percam sua magnetização; este
procedimento é repetido para valores de Ti sucessivamente maiores,
sendo que, em cada passo, a magnetização remanescente da amostra é
medida.

Para a identificação das componentes de magnetização (Figura 3.2), obtidas


pelas variações de direção da MRN consequentes dos processos de
desmagnetização, projeções ortogonais – ou diagramas de Zijderveld
(ZIJDERVELD, 1967) são empregados. As componentes são comumente
determinadas através da chamada Análise de Componente Principal
(KIRSCHVINK, 1980), através de ajuste por mínimos quadrados, e com
precisão determinada pelo desvio angular máximo (OLIVEIRA, 2017).

3.4 Polos geomagnéticos virtuais PGVs e polos paleomagnéticos (PPs)

25
Há dois elementos de fundamental importância no Paleomagnetismo, e
intrinsecamente ligados ao modelo DGA: os polos geomagnéticos virtuais PGVs
e o polos paleomagnéticos PPs, e que são essenciais em estudos de VPS e de
reconstrução paleogeográfica.

Os PGVs indicam as coordenadas geográficas da posição do polo


geomagnético, obtidas através da observação do CG em uma localidade e em
um determinado instante no tempo. Segundo BUTLER (2004), um PGV pode
ser estimado a partir da observação do CG atual em uma determinada
localidade, para um instante no tempo. Assim, para este mesmo instante, PGVs
baseados em distintas localidades ao longo do globo, estarão espalhados com
relação ao polo geomagnético atual. No caso do Paleomagnetismo, a direção
média da MRC obtida a partir de um sítio de amostragem implica no registro da
direção do CG antigo neste local, ao longo do tempo em que a componente foi
adquirida. Desta forma, a posição do polo calculado a partir da direção média
da componente primária para um determinado sítio é um PGV;

Uma vez que, devido à contribuição de componentes não-dipolares, não se


espera que um PGV coincida com o polo geomagnético do tempo de aquisição
da componente primária. Conforme discutido anteriormente, para que a
hipótese DGA seja satisfeita, é necessário eliminar-se o efeito de variação
secular sofrido pelo CG dipolar com uma amostragem temporal satisfatória.
Assim, um conjunto de dados paleomagnéticos, provenientes de aquisição de
componentes primárias sobre um período em torno de 104 - 105 anos, segundo
sugerido por alguns autores (e.g., BUTLER, 2004; MERRILL et al., 1996) pode
fornecer uma posição média do polo – o polo paleomagnético – e que pode ser
obtido pela média de um conjunto de PGVs.

3.5 Cálculo de polos geomagnéticos virtuais e de polos paleomagnéticos

Conforme discutido acima, a hipótese de que o CG corresponda a campo de


um dipolo geocêntrico axial baseia-se em uma amostragem no tempo da ordem

26
de 104 - 105 anos. Nesta aproximação, o polo paleomagnético pode ser definido
como a média direcional das posições definidas por uma coleção de PGVs.

De maneira geral, conhecendo-se as coordenadas geográficas de um


determinado sítio de amostragem S (λs, s – latitude e longitude do sítio,
respectivamente), bem como as direções geomagnéticas médias (Dm, Im –
declinação e inclinação magnética, respectivamente), é possível a determinação
relações trigonométricas para a determinação das coordenadas (λP, P) para a
posição de um dado polo magnético (Figura 3.4).

Para o cálculo de um polo paleomagnético – que segue o mesmo princípio


definido na representação esquemática da Figura 3.4, é necessário, a início,
definir-se a chamada colatitude magnética (p), dada pela distância angular
entre o sítio e o polo:

2 (3.1)
𝑝 = tan−1 ( )
𝑡𝑎𝑛 𝐼𝑚

Assim, a latitude do polo paleomagnético é então dada por:

𝜆𝑝 = 𝑠𝑒𝑛−1 (𝑠𝑒𝑛𝜆𝑠 cos 𝑝 + cos 𝜆𝑠 𝑠𝑒𝑛 𝑝 𝑐𝑜𝑠𝐷𝑚 ) (3.2)

A diferença longitudinal entre o polo e o sítio é obtida por:

𝛽 = 𝑠𝑒𝑛−1 (
𝑠𝑒𝑛 𝑝 𝑠𝑒𝑛 𝐷𝑚
), (3.3)
cos 𝜆𝑝

sendo positiva na direção leste. A longitude do polo pode, então, ser dada
por um dos dois casos a seguir:

(1) Se cos 𝑝 ≥ 𝑠𝑒𝑛 𝜆𝑠 𝑠𝑒𝑛 𝜆𝑝 , então: 𝜙𝑝 = 𝜙𝑠 + 𝛽 (3.4)

27
(2) Se cos 𝑝 < 𝑠𝑒𝑛 𝜆𝑠 𝑠𝑒𝑛 𝜆𝑝 , então: 𝜙𝑝 = 𝜙𝑠 + 180° − 𝛽 (3.5)

Por fim, as relações que determinam as médias para a declinação e


inclinação magnéticas Dm e Im são:

𝑠𝑒𝑛 𝜆𝑝 − 𝑠𝑒𝑛𝜆𝑠 cos 𝑝


𝐷𝑚 = 𝑐𝑜𝑠 −1 ( ) (3.6)
cos 𝜆𝑠 𝑠𝑒𝑛 𝑝

𝐼𝑚 = 𝑡𝑎𝑛−1 (2 cot 𝑝) (3.7)

Figura 3.4: Representação esquemática para a determinação da posição de um polo


magnético, a partir das direções do campo geomagnético, segundo BUTLER (2004). Podem
ser observadas a localização do sítio de amostragem S (λs , ϕs ) e do polo magnético P (λp , ϕp ).
Im e Dm são, respectivamente, os ângulos de inclinação e declinação médios. M é o dipolo
geocêntrico. A colatitude magnética é dada por p.

28
Capítulo 4

Variação paleo-secular e frequência de


reversões geomagnéticas: discussões e
modelos

Ao longo dos últimos anos, vem sendo debatido se o comportamento da


VPS, e a dispersão de PGVs em função da latitude apresentaria alguma relação
com a frequência de reversões geomagnéticas (BIGGIN et al., 2008a,b;
JOHNSON et al., 2008; LAWRENCE et al., 2009). Como exemplo, uma
questão interessante e ainda não respondida é se a variação paleo-secular e as
inversões de polaridade geomagnética são fenômenos distintos, ou se as
reversões poderiam ser consideradas apenas como um aspecto extremo da VPS
(MERRILL et al., 1996). Em particular, se a VPS e as reversões geomagnéticas
estariam relacionados aos reflexos oriundos dos mecanismos que mantém a
operação do geodínamo contra a dissipação ôhmica (BLOXHAM e GUBBINS,
1985; JACOBS, 2001; CONSTABLE et al., 2016), então uma análise do
comportamento da dispersão de PGVs poderia prover informações cruciais
(McFADDEN et al., 1988, 1991; HALDAN et al., 2009).
Neste contexto, conforme discutido brevemente no capítulo 2, vem sendo
discutido se, durante os períodos em que o CG apresentou uma alta frequência
de reversões, o geodínamo estaria operando em modo de alta energia, ou se
haveria então uma contribuição de componentes de ordem superior
(quadrupolares, octopolares, etc.) que teria acarretado em um estado de baixa
eficiência energética (KRUIVER et al., 2002; VALET et al., 2005; AUBERT et
al., 2009). Neste último estado, o CG tornaria-se essencialmente não dipolar,
com intensidade particularmente baixa durante os períodos de transição
(McFADDEN et al., 1985; VALET e MEYNADIER, 1998; DORMY e LE
MOUËL, 2008).
A seguir, discutiremos sobre modos de avaliação da dispersão de polos
geomagnéticos virtuais PGVs como meio de avaliação da VPS, os modelos

29
(tanto paramétricos quanto fenomenológicos) para sua descrição, e a
dependência (paleo)latitudinal da VPS e sua correlação com a frequência de
reversões geomagnéticas.

4.1 Avaliação da dispersão de polos geomagnéticos virtuais

O comportamento da VPS é comumente estimado através de análises


estatísticas que visam avaliar a dispersão angular (ST) de grupos de PGVs.
Conforme discutido por COX (1969b), ST pode ser calculada para uma
distribuição com N dados através da equação do desvio padrão angular:

𝑁
1 (4.1)
𝑆𝑇 = √ ∑ 𝜃𝑖2
𝑁−1
𝑖=1

onde θi é a distância angular entre o i-ésimo PGV e a média de um conjunto


de PGVs (equivalente ao polo paleomagnético).
A dispersão angular 𝑆𝑇 pode ser considerada como resultante de pelo menos
duas contribuições, a saber: (i) 𝑆𝐵 : dispersão angular “entre sítios”, resultante
do próprio comportamento variável do campo; (ii) 𝑆𝑊
2
/𝑛̅: fator de correção
“interno ao sítio”, e que é proveniente de erros nos procedimentos de
amostragem e medição entre as amostras do próprio sítio (McFADDEN et al.,
1991; McELHINNY & McFADDEN, 1997; BIGGIN et al., 2008; PAVLOV et al.,
2011). A relação entre ST e suas componentes é dada por:
𝑆𝑤2 (4.2)
𝑆𝑇2 = 𝑆𝐵2 +
𝑛̅

sendo o fator de correção “interno ao sítio” expresso, segundo McELHINNY e


McFADDEN (1997), pela seguinte relação:

𝑆𝑤2 2(1 + 3 sen ²λ)2


̅295
= 0,335 ∙ α (4.3)
𝑛̅ (5 + 3 sen ²λ)

onde 𝑛̅ é o número médio de amostras por sítio, e 𝛼95 , o círculo de confiança de


95% em torno do valor médio da distribuição de PGVs.
30
4.2 Modelos de VPS

De acordo com alguns autores (e.g., MERRILL et al., 1996; JOHNSON e


McFADDEN, 2007), foram diversos os modelos propostos nas últimas cinco
décadas a fim de buscar uma melhor explicação sobre o comportamento da
VPS. Dentre os quais, alguns ganharam notoriedade por analisar a variação da
dispersão angular de PGVs como função da paleolatitude. A proposição de
modelos deste tipo baseia-se na obtenção de diversas evidências para esta
dependência (e.g., IRVING e WARD, 1964; BAAG e HELSLEY, 1974;
McFADDEN et al., 1991; CONSTABLE e JOHNSON, 1999; BIGGIN et al.,
2008).

4.2.1 Modelos paramétricos

Os primeiros modelos propostos são considerados como paramétricos, e são


designados segundo a nomenclatura definida por IRVING (1964). Tais modelos
discutem as contribuições da dispersão angular do CG em três principais
fatores, a saber: (i) variação de intensidade e direção do campo não-dipolar; (ii)
variação na intensidade do momento de dipolo; (iii) mudanças na orientação
do dipolo geomagnético (oscilações do dipolo). É importante salientar que estes
modelos foram sendo gradativamente descartados, à medida em que aspectos
de natureza fenomenológica foram sendo considerados nos trabalhos de
modelagem da VPS.

 Modelo A (IRVING e WARD, 1964)

Este modelo considera apenas variações no campo não-dipolar, causadas


por perturbações de magnitude constante e direção aleatória. Neste caso, a
expressão matemática que descreve a dispersão angular de direções do campo
como função da (paleo)latitude (λ) é dada por:

𝑆𝐴 = 𝑆𝑁 √(1 + 3𝑠𝑒𝑛2 𝜆)

31
(4.4)

Onde 𝑆𝑁 (perto da latitude zero) é um valor associado à razão entre a


componente perturbadora (de magnitude constante e direção aleatória) e o
campo dipolar, de magnitude constante.

 Modelo B (CREER et al., 1959)

Assim como o Modelo A, este modelo considera apenas os efeitos das


oscilações do dipolo, descartando as componentes não-dipolares (MERRILL et
al., 1996). Assume que a dispersão angular de PGVs associada ao dipolo
oscilante (𝑆𝐷 ) é invariante quanto à paleolatitude, e segue uma distribuição
fisheriana (FISHER, 1953). A dispersão angular de direções do campo pode se
expressa matematicamente por:

(5 − 3𝑠𝑒𝑛2 𝜆) (4.5)
𝑠𝐵 = 𝑆𝐷 √( )
2(1 + 3𝑠𝑒𝑛2 𝜆)

As distribuições apresentadas neste modelo sustentam a hipótese DGA.


Além disso, o valor de 𝑆𝐵 apresenta uma relação inversa com a (paleo)latitude,
ao contrário do que é em geral observado (DEENEN et al., 2011).

 Modelo C (COX, 1962)

Ao contrário dos modelos A e B, que consideram essencialmente o dipolo


oscilante, o modelo C considera também as variações do campo não-dipolar.
Segundo MERRILL et al. (1996), no caso mais geral, em que componentes do
dipolo oscilante, bem como do campo não-dipolar, é muito mais simples
considerar-se a dispersão angular de PGVs e sua variação com a latitude. Isto
apresenta um aspecto facilitador, já que a dispersão de PGVs causada pelo
dipolo oscilante é invariante com relação à latitude (LUND, 2007; DEENEN et
al., 2011), e a dispersão angular total é calculada como:

𝑆𝑇2 = 𝑆𝐷2 + 𝑆𝑁2 (4.6)

32
onde 𝑆𝑁 é a dispersão angular de PGVs associada às oscilações do campo não-
dipolar.

 Modelo D (COX, 1970)

O modelo D é um aprimoramento do modelo C, em que COX (1970) inclui


aspectos dos modelos A, B, e C, e descreve matematicamente o campo não-
dipolar através de um conjunto de vetores de direção e intensidade aleatória
adicionados ao campo dipolar – cujo resultado é expresso em um dos dois casos
de distribuição angular fisheriana do campo não dipolar (MERRIL et al., 1996).

 Modelo E (BAAG e HELSLEY, 1974)

O modelo E assume uma relação linear entre o campo dipolar e o campo


não-dipolar. Assim, a dispersão angular total pode ser expressa por:

𝑆𝑇2 = 𝑆𝐷2 + 𝑆𝑁2 + 2𝑐𝐷𝑁 𝑆𝐷 𝑆𝑁 (4.7)

onde 𝑐𝐷𝑁 é um coeficiente de correlação, definido entre zero e um, associado à


dispersão angular do campo não-dipolar 𝑆𝑁 e a dispersão angular do campo
dipolar 𝑆𝐷 .

 Modelo M (MCELHINNY e MERRILL, 1975)

Esse modelo é uma extensão do modelo D de COX (1970), com a adição de


que o campo não-dipolar seria proveniente de duas principais fontes – uma
associada à própria interação com o campo dipolar (resultando em uma
distribuição fisheriana de PGVs, e um aumento da intensidade média do campo
não dipolar com a latitude), e outra associada aos processos termo-convectivos
próximos da IMN (resultando no mesmo tipo de distribuição, porém,
independente da latitude).
No entanto, apesar deste modelo ter sofrido algumas modificações
(HARRISON, 1980), ele apresenta uma falha, pois desconsidera imprecisões

33
entre o mapeamento da dispersão angular de PGVs e o das direções angulares
do campo. Isto porque, ao empregar as variações angulares de direção do
campo, a variação secular angular é maior próxima da linha do equador,
enquanto que, por outro lado, a utilização da distribuição de PGVs apresenta
esse tipo de imprecisão para localizações próximas aos polos, conforme descrito
por COX (1970).

 Modelo F (McFADDEN e MCELHINNY, 1984)

Neste modelo, assume-se que o campo não-dipolar se origina de uma


interação com o campo poloidal. Se espera, em tal contexto, que os PGVs
estejam distribuídos com simetria esférica em relação ao polo geográfico. De
maneira geral, o modelo F segue os modelos anteriores, mas assumindo que a
intensidade do campo não-dipolar apresentaria relação linear com a
intensidade do campo dipolar.

4.2.2 Modelos fenomenológicos

Os modelos mais recentes que visam descrever a VPS têm sido baseados na
análise dos coeficientes de Gauss, e considerados mais efetivos que os modelos
paramétricos, os quais têm sido gradualmente descartados. Isto se explica por
possibilitarem comparações de feições do CG no passado com os padrões
observados no presente. De maneira geral, tais modelos – denominados
genericamente de fenomenológicos – visam a descrição do CG pela combinação
de coeficientes de Gauss, além de feições de distribuições de PGVs e
parâmetros estatísticos de interesse.

 Modelo CP88 (CONSTABLE E PARKER, 1988)

Anteriormente denominado como modelo H (MERRILL et al., 1996),


quando foi proposto para o processamento dos dados direcionais publicados no

34
trabalho de LEE (1983), este modelo – modelo CP88 (CONSTABLE e PARKER,
1988) – permite a obtenção de espectros de potência do CG atual, e considera
que a variação temporal do campo corresponderia a um PGG (processo
gaussiano gigante). Segundo JOHNSON e McFADDEN (2007), o modelo CP88
utiliza a variabilidade estatística dos coeficientes de Gauss, considerando que
cada coeficiente é tratado como uma distribuição e os coeficientes associados
às partes dipolar/não dipolar apresentam diferenças na forma das suas
distribuições. Tais coeficientes podem ser obtidos a partir da análise da
expansão em harmônicos esféricos, gerada sobre a expressão que descreve
campo, e construída com base nos dados que cobrem os últimos 5 Ma
(OLIVEIRA, 2017).
Dentre as limitações deste modelo, pode-se mencionar a impossibilidade de
se realizar análises sobre a dependência latitudinal de dispersões de PGVs
(TAUXE et al., 2013), e sua imprecisão na estimativa da variância dos dados de
paleointensidade (JOHNSON e McFADDEN, 2007). Alguns trabalhos
sugeriram modificações no CP88, a fim de permitir seu uso para a avaliação da
dependência latitudinal de PGVs (e.g., HULLOT e GALLET, 1996; TAUXE e
KENT, 2004).

 Modelo TK03.GAD (TAUXE e KENT, 2004)

Este modelo é uma adaptação sugerida por estes autores como uma
abordagem alternativa ao modelo CP88 de CONSTABLE e PARKER (1988),
para o ajuste dos dados de intensidade e direção do CG para últimos 5 Ma
(TAUXE, 2005; TAUXE et al., 2013). Primeiramente constituído a partir de
dados de rochas ígneas dos últimos 5 Ma, este modelo utiliza três parâmetros:
um dipolar, um parâmetro alpha (α) proveniente do ajuste pelo modelo CP88,
e um terceiro parâmetro (β’) que é surgido de uma associação entre os
coeficientes de Gauss simétricos e antissimétricos (TAUXE, 2005).
O modelo TK03.GAD assume a dependência latitudinal das dispersões de
PGVs, cuja distribuição apresenta simetria circular em torno da sua média.
Além disso, os autores assumem que a média da intensidade do termo dipolar

35
utilizado no modelo seja cerca de 50% mais baixa do que a empregada pelo
modelo CP88 (JOHNSON e McFADDEN, 2007).

 Modelo G (McFADDEN et al., 1988)

O modelo G – de maior emprego em estudos sobre o comportamento da


VPS, e amplamente debatido na literatura (HULOT e GALLET, 1996;
MERRILL et al., 1996; McELHINNY e McFADDEN, 1997; BIGGIN et al.,
2008a,b; JOHNSON et al., 2008; TAUXE e KODAMA, 2009) – é um modelo
fenomenológico, mas que também associa aspectos paramétricos, e que foi
desenvolvido a partir de observações contidas em modelos do CG pelo IGRF,
bem como por dados arqueomagnéticos e por resultados provenientes de séries
de dados de fluxos de lava dos últimos 5 Ma (DEENEN et al., 2011). Alguns
trabalhos (e.g. McFADDEN et al., 1991; BIGGIN et al., 2008a; b) indicam que
este modelo é adequado para a descrição do comportamento de dependência
latitudinal da VPS para os últimos 195 Ma. Mais recentemente, OLIVEIRA
(2017) também demonstrou sua adequação para os padrões de VPS durante o
SRPC (262-318 Ma).
Este modelo considera a dependência (paleo)latitudinal da VPS, que pode
ser avaliada a partir do desvio padrão angular (S) da dispersão de PGVs. A partir
dos desenvolvimentos apresentados no trabalho de ROBERTS e STIX (1972),
McFADDEN et al. (1988) separaram as soluções da expansão em harmônicos
esféricos que descrevem o comportamento do CG em duas famílias
contribuintes (primária, dipolar e antissimétrica com relação ao equador; e
secundária, quadrupolar e simétrica com relação ao equador), de modo que a
família secundária apresenta uma maior contribuição para o valor de S em
baixas paleolatitudes do que a família primária (McFADDEN et al., 1991;
DEENEN et al., 2011). Segundo o modelo G, a relação entre S e latitude  é
dada pela relação:

𝑆(𝜆) = √𝑎² + (𝑏𝜆)² (4.8)

36
onde os parâmetros de forma a e b são, respectivamente, os termos simétricos
(família primária) e antissimétricos (família secundária) para o CG, que são
determinados a partir de ajuste pelo método de mínimos quadrados.

4.3 A relação entre a VPS e a frequência de reversão geomagnética

A dependência latitudinal da contribuição das famílias de soluções e sua


correlação com a frequência de reversões geomagnéticas são assuntos que vêm
sendo debatidos de modo crescente. Um dos aspectos deste tema que vêm
provocando interesse pela comunidade científica, diz respeito à possibilidade do
comportamento da dispersão de PGVs estar associado, de alguma forma, à
frequência com que o campo reverte sua polaridade em uma dada época (e.g.,
McFADDEN et al., 1991; BIGGIN et al., 2008 a, b; JOHNSON et al., 2008).
Conforme demonstrado por McFADDEN et al. (1991), observa-se que, em
períodos de mais alta frequência de reversão geomagnética (Figura 4.1), as
contribuições das famílias secundárias preponderam sobre as contribuições das
famílias primárias, acarretando em uma menor dependência latitudinal
durante estes intervalos de tempo, (como no caso do Jurássico-Cretáceo, entre
110 e 195 Ma, e durante o Paleoceno, entre 5,0 e 22,5 Ma). O oposto foi
observado durante períodos de mais baixa frequência de reversão, como
durante o Superchron Normal do Cretáceo (SNC), entre 80 e 110 Ma (o que
foi confirmado posteriormente por BIGGIN et al. (2008b); além da forte
dependência latitudinal, observou-se também, para este intervalo, menores
valores de S para baixas paleolatitudes do que durante períodos de mais alta
taxa de reversão. Padrões similares aos do SNC foram recentemente discutidos
por OLIVEIRA et al. (2017) para o SRPC.

37
Figura 4.1: curvas de dispersão de PGVs em função da paleolatitude, para diversos períodos
ao longo do tempo geológico, refletindo diferentes taxas de reversão geomagnética.
Modificado de McFADDEN et al. (1991).

38
Capítulo 5

A Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra


(HPMI)

A transição Paleozoico-Mesozoico se caracteriza como um período de


mudanças expressivas na história geológica, durante o qual ocorreram
profundas e amplas mudanças globais (GRADSTEIN et al., 2004; STEINER,
2006; YIN et al., 2007). Segundo discutido por ISOZAKI (2009b), diversos
registros magnetostratigráficos do Permiano Superior demonstram que uma
mudança geomagnética notável ocorreu, dando fim à mais extensa
magnetozona de polaridade reversa até hoje documentada – o Superchron
Reverso do Permo-Carbonífero (SRPC; ~56 Ma de duração; OPDYKE e
CHANNELL, 1996; COTTRELL et al., 2008).

De acordo com diversos autores (e.g., NAWROCKI et al., 1993; YUGAN et


al., 2000; HOUNSLOW e BALABANOV, 2016), o limite entre o Paleozoico e o
Mesozoico englobaria um intervalo de polaridade geomagnética mista (i.e.,
apresentando alternâncias entre polaridade normal e reversa), e que vem sendo
denominado Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra (HPMI; HAAG e
HELLER, 1991). Este intervalo abrangeu dezenas de eventos de reversão de
polaridade, desde o final do Permiano Superior, com o fim do Superchron
Reverso do Permo-Carbonífero SRPC, até a maior parte do Triássico Inferior.

A definição para os limites da HPMI ainda é tema de discussão na literatura


(OPDYKE e CHANNELL, 1996; SCHOLGER et al., 2000; JIN et al., 2000;
STEINER, 2006; SHEN et al., 2010; KIRSCHVINK et al., 2015; SZURLIES,
2015). No entanto, a base da HPMI é marcada pelo surgimento da primeira
magnetozona de polaridade normal após o SRPC, e que vem sendo denominada
Reversão Illawarra (RI) (SHEN et al., 2010; KIRSCHVINK et al., 2015) –
apontada por HOUNSLOW et al. (2017) como a mais marcante reversão de
polaridade geomagnética do Permiano, e cuja existência fora detectada ainda

39
na década de 1950. Apesar de sua grande importância em estudos de
correlação magnetoestratigráfica entre estratos de rochas permianas (ISOZAKI,
2009b), são vários os trabalhos que renderam resultados contrastantes com
relação à definição de idades para a RI (e.g., HAAG e HELLER, 1991;
STEINER, 2006). Recentemente, HOUNSLOW e BALABANOV (2016)
sugeriram uma idade de (266,70 ± 0,76) Ma para a RI, posicionando-a
próximo ao limite entre o Wordiano e o Capitaniano. Para o desenvolvimento
deste trabalho, adotamos, respectivamente, como limites inferior e superior
para a HPMI, a idade em torno de 266,7 Ma sugerida para a RI por
HOUNSLOW e BALABANOV (2016), e o fim do Triássico Médio, conforme
indicado por HAAG e HELLER (1991) – segundo GRADSTEIN et al. (2004),
tal intervalo se encerraria em torno de 228,7 Ma. Desta forma, consideramos
um intervalo de cerca de 38 Ma como a duração aproximada para a HPMI.
Dentre as prováveis causas para a proeminente alteração das condições
geomagnéticas que acarretaram na HPMI, diversos autores (e.g., ISOZAKI,
2009a; 2009b; 2010; YIN e SONG, 2013; OLSON e AMIT, 2015) sugerem que
a alteração significativa da estabilidade de operação do geodínamo no núcleo
externo teria sido causada por uma grande instabilidade térmica na IMN
(Figura 5.1).

Embora os detalhes de funcionamento do geodínamo não tenham ainda


sido totalmente elucidados, as reversões de polaridade e a estabilidade do CG
são aparentemente controlados pelos padrões convectivos apresentados no
núcleo externo, que dependem essencialmente do gradiente de temperatura
entre a base e o topo deste (na região da IMN), e que pode ser afetado por
extensos processos geodinâmicos, neste caso os que culminaram na
amalgamação e posterior quebra do supercontinente Pangeia (EIDE e
TORSVIK, 1996; COURTILLOT e OLSON, 2007; ISOZAKI, 2009a; 2009b;
2010).

40
Figura 5.1: Possíveis relações entre atividades geodinâmicas e perturbações no manto e núcleo
durante a integração do supercontinente Pangeia, e a escala temporal geomagnética para o
período. MS: manto superior; MI: manto inferior; NE: núcleo externo; NI: núcleo interno.
Provável cenário do final do Paleozoico: (a) formação de extensas províncias ígneas (como as
províncias siberiana (Rússia) e de Emeishan, na China), o aumento do fluxo térmico levou
gradativamente a um aumento da frequência de reversões da HPMI; (b) soerguimento de
superplumas mantélicas, causando redistribuição de energia, aumento das atividades termo-
convectivas no núcleo externo, ocasionando a RI; (c) Superchron Reverso do Permo-
Carbonífero SRPC – o material mais frio mergulha devido aos extensos processos de subducção
decorrentes da amalgamação do Pangea, proporcionando menores atividades termo-convectivas
no núcleo externo. Modificado de YIN e SONG (2013).

41
Tal instabilidade teria sido consequência de grandes processos
geodinâmicos ocorridos na transição Paleozoico-Mesozoico, e que acarretaram
no soerguimento de extensas plumas mantélicas, por volta de 265 Ma gerados
após o mergulho de megalitos até o manto inferior, por efeito de compensação
térmica (Figs. 5.1-C e 5.1-B). Isto teria provocado o declínio da estabilidade
dipolar e o consequente início da HPMI com a RI, e a ocorrência das extensas
planícies ígneas características deste período, como a siberiana, na Rússia, e a
de Emeishan, na China (Fig. 5.1-A).

42
Capítulo 6

Procedimentos e Métodos

Conforme discutido anteriormente, um sistemático procedimento de coleta


e processamento de dados paleomagnéticos foi executado, com o intuito de se
estudar o comportamento da variação paleo-secular VPS ao longo da HPMI. Os
critérios de seleção de dados, bem como os procedimentos para processamento
e análise dos resultados serão descritos a seguir.

6.1 Seleção preliminar de dados paleomagnéticos

Os dados empregados nesta dissertação são provenientes de publicações em


(1) periódicos indexados de interesse em Paleomagnetismo; (2) teses de
doutorado e bancos de dados paleomagnéticos, como os disponíveis na base de
dados global da IAGA – (sigla em inglês para “International Association of
Geomagnetism and Aeronomy”), e que se encontra no sítio
http://www.ngu.no/geodynamics/gpmdb/, EarthRef.org; e (3) através de “sites” de
busca especializados (e.g., Scopus (https://www.scopus.com/home.uri) e Scielo
(http://www.scielo.org/php/index.php).
Foram pré-selecionados 108 trabalhos, publicados entre os anos de 1990 e
2017, compreendendo resultados paleomagnéticos referentes ao período
definido entre 228,7 Ma e 267,0 Ma, de acordo com a faixa de idades para a
HPMI discutida no capítulo 5. Todos os estudos selecionados – abrangendo
dados provenientes de litologias sedimentares e ígneas – forneceram
informações direcionais da MRC (declinação/inclinação), e coordenadas de
sítio (latitude e longitude). Foram excluídos trabalhos anteriores a 1990, dada a
escassez de estudos baseados em magnetômetros de alta sensibilidade (como os
do tipo “Spinner” ou “SQUID”), e de estudos acurados para a identificação da

43
mineralogia magnética responsável pela aquisição da magnetização remanente
característica MRC.

6.2 Processamento dos dados pré-selecionados

Nesta etapa, todos os dados paleomagnéticos dos estudos pré-selecionados


(séries de dados direcionais de MRC e coordenadas de sítio) foram processados,
de maneira a se verificar a reprodutibilidade do cálculo de polo(s)
paleomagnético(s) e estatística associada, conforme disposto por tais trabalhos.
Esta tarefa foi executada por intermédio de um software desenvolvido em
plataforma MATLAB®, denominado PALEOMATLAB. Este programa foi
concebido pelo prof. Daniel R. Franco, orientador deste trabalho, em parceria
com o prof. Cosme F. da Ponte-Neto, e com a participação dos alunos Kenion
Assunção e Rafael de Freitas, do Instituto de Física da UERJ (para maiores
detalhes relativos a este programa, consultar ASSUNÇÃO (2014)).
Especificamente, os cálculos paleomagnéticos envolvidos nesta etapa
tiveram por objetivo a obtenção das seguintes informações:
 Dados referentes aos PGVs (latitude/longitude) a partir dos dados
direcionais de MRC e coordenadas de sítio;
 Paleolatitudes;
 Parâmetro de dispersão de PGVs ST;
 Limites superior (Su) e inferior (Sl) para ST (de acordo com o proposto por
COX (1969b));
 Demais parâmetros estatísticos (e.g., 95, dm, dp, A95, k, K, R).
Maiores detalhes acerca dos procedimentos para cálculo de parâmetros
paleomagnéticos de interesse poderão ser encontrados na seção 3.5 desta
dissertação, e em BUTLER (2004).

44
6.3 Definição do banco de dados paleomagnéticos: critérios de seleção

A partir da pré-seleção de estudos paleomagnéticos, definiu-se o banco de


dados paleomagnéticos definitivo para emprego nos desenvolvimentos
consecutivos desta dissertação de mestrado, de acordo com os seguintes
critérios:
1. Exclusão de todos os estudos que não fornecessem informações sobre
coordenadas de sítio e dados direcionais da magnetização remanente
característica MRC;
2. Foram considerados apenas os estudos que puderam ser reproduzidos,
de acordo com o discutido na seção 6.2;
3. Seleção de estudos que, preferencialmente se basearam no emprego
de ângulo de corte de 45. Alternativamente, foram também
considerados resultados baseados no ângulo de corte proporcionado
pelo método de VANDAMME (1994). Para ambos os casos, foram
escolhidos polos de alto nivel de qualidade (segundo os critérios de
VAN DER VOO (1990)).
4. Seleção de estudos baseados em, pelo menos, cinco sítios (N ≥ 5);
5. Exclusão dos estudos que apresentam valor de código do protocolo de
desmagnetização Demagcode (DC; (MCELHINNY e LOCK, 1990)
abaixo de 4 (DC < 4);
6. Para cada um dos estudos escolhidos, o cone de confiança de 95%
associado ao polo paleomagnético deveria ser menor ou igual a 25
(i.e., 95 ≤ 25).
Com relação ao critério número 5, o Demagcode, do Global Palaeomagnetic
Database Project (GPMDB), é um protocolo de procedimentos de
desmagnetização que vêm sendo amplamente empregado em estudos
paleomagnéticos criteriosos para a construção de curvas de deriva polar
(SHIPUNOV et al., 2007). De acordo com o discutido por PISAREVSKY e
McELHINNY (2003), esse código é composto por graus que vão de 0 e 5, e que
descrevem o grau de detalhe empregado em procedimentos experimentais e

45
analíticos de desmagnetização. São listados a seguir os códigos de
desmagnetização e uma breve descrição de cada um destes (Tabela 6.1).
Por fim, o banco de dados paleomagnéticos (Tabela 7.1) foi constituído por
36 conjuntos de PGVs, provenientes de 21 estudos (aproximadamente, 19,3%
da pré-seleção original discutida na seção 6.1), e compreendendo,
respectivamente, resultados provenientes de litologias sedimentares (14) e
ígneas (22).

Tabela 6.1: códigos de desmagnetização Demagcode (DC).

DC Procedimento de desmagnetização empregado

0 Ausência de desmagnetização

1 Apenas amostras piloto foram desmagnetizadas


Desmagnetização através de campos alternados (alternating field
2 demagnetization – AF) ou desmagnetização térmica, através de valores
determinados em laboratório, para todas as amostras.
O regime de desmagnetização térmica ou AF, é escolhido de acordo com os
3 resultados de desmagnetização de um conjunto piloto, cujo volume aproximado
é de cerca de 10% do volume total do conjunto.
Análise de componentes principais (ACP), além de representações vetoriais
4 e/ou projeções estereográficas, acompanhadas de informações sobre M/M 0.
Processos de desmagnetização detalhada (por diferentes tratamentos), que
5 isolem de maneira satisfatória as componentes, que são identificadas pela ACP.

6.4 Procedimentos para a avaliação do comportamento de SB × λ Plat

A partir do banco de dados paleomagnéticos, os dados de dispersão angular


“entre sítios” SB foram estimados de acordo com os processos de avaliação da
dispersão de PGVs, conforme disposto na seção 4.1 desta dissertação. Uma vez
que SB refletiria a contribuição da variação do CG para a VPS, os dados para
nossos estudos de avaliação do comportamento da dispersão de PGVs em
função da paleolatitude foram feitos levando-se em conta este parâmetro, ao
invés de considerarmos a dispersão angular total ST.

46
Os limites superior e inferior para os dados de 𝑆𝐵 𝑖 (𝑆𝐵 𝑖 𝑢 e 𝑆𝐵 𝑖 𝑙 ,
respectivamente), foram estimados por desenvolvimentos de propagação de
erros, a partir dos dados individuais de 𝑆𝐵 𝑖 e 𝑆𝑇 𝑖 . As estimativas de paleolatitude
(λ Plat) dos sítios de amostragem, referentes aos grupos de dados de PGVs
selecionados, foram feitas através da equação fundamental do
Paleomagnetismo (seção 2.2, equação 2.1), a partir dos dados de inclinação
magnética média Im (seção 3.5, equação 3.7). Os dados de Im, SB e λ Plat obtidos
conforme os procedimentos aqui mencionados se encontram dispostos na
Tabela 7.1.
O Modelo G, de McFADDEN et al. (1988) foi ajustado a partir dos dados de
SB e Plat λ, por intermédio do método de Levenberg–Marquardt (que é
comumente empregado para ajustes não-lineares por mínimos quadrados), por
intermédio do módulo "scipy.optimize.leastsq", disponível no repositório online
para Pyhton SciPy
(https://scipy.github.io/devdocs/generated/scipy.optimize.least_squares.html). Foram
feitos ajustes considerando-se o conjunto completo de grupos de dados de
PGVs, conforme será discutido adiante.

47
Capítulo 7

Resultados e Discussões

Como fora abordado anteriormente, a pré-seleção de dados passou por um


criterioso processo de seleção final, que culminou em um conjunto final
formado por 19 trabalhos, que forneceram 30 grupos de dados de PGVs. Deste
total, 10 grupos são estritamente formados por dados provenientes de amostras
de rochas de litologia sedimentar, e os outros 20 são provenientes de amostras
de rochas ígneas – o que é importante de se levar em conta, uma vez que,
segundo diversos autores (e.g., COLLINSON, 1983; MERRILL et al., 1996;
BUTLER, 2004), o processo de aquisição da remanência depende dentre
outros fatores ao tipo litológico apresentado pelas amostras.

A seleção final de dados paleomagnéticos se encontram dispostos na Tabela


7.1, e são apresentados em projeção inter-hemisférica na Figura 7.1. Apenas
seis dentre os trinta grupos de PGVs que compõem a seleção final referem-se a
paleolatitudes sul. Isto se explica devido à escassez de arcabouços geológicos
cuja localização apresentasse paleolatitudes negativas, e que atendessem aos
critérios de qualidade adotados neste trabalho.

48
Tabela 7.1. Banco de dados paleomagnéticos selecionados

Cut- λp ϕp D I α95 S Su Sl λ
S
Nr. Estudo Idade Área de estudo DC P N off K L SB (º) PLAT
(ºN) (ºL) (º) (º) (º) (º) (º) (º) (º)
(º) (º)
1 VESELOVSKIY et al.
250,0 ± 0,3 Ma Siberian plataform (Russia) 4 M 9 VM 67,6 125,1 102,2 85,7 23 12,7 16,9 24,3 12,9 I 8,6 8,3 81,5
(2012)A
2 KRAVCHINSKY et al. Basalt flows, kimberlite pipes Aikhal
250,0 ± 1,6 Ma 4 N 10 - 58,9 142,3 102,9 81,6 89,4 5,1 15,9 22,4 12,2 I 14,9 1,0 73,6
(2002)B (Russia)
3 VESELOVSKIY et al.
245 – 232 Ma Siberian plataform (Russia) 4 M 18 VM 60,2 151,5 112,0 76,9 11 11,2 25,3 32,1 20,3 I 22,5 2,8 65,0
(2012)C
4
BLANCO et al. (2012) ~250 Ma Siberian traps (Russia) 4 M 10 - 50,0 152,1 107,5 75,5 82,8 5,3 14,2 20,1 11,0 I 13,1 1,1 62,7

5 HEUNEMANN et al.
~250 Ma Siberian traps (Russia) 4 N 41 VM 57,7 147,1 88,6 75,5 77,9 2,5 15,4 18,0 13,3 I 15,2 0,2 62,6
(2004)D
6 Volcanic rocks, Kotui river valley
PAVLOV et al. (2011) ~250 Ma 4 M 70 VM 49,4 141 120 74,7 - 1,9 15,9 17,9 14,2 I 15,8 0,1 61,2
(siberian traps - Russia)
7 VESELOVSKIY et al.
250,0 ± 0,3 Ma Siberian plataform (Russia) 4 R 20 VM 55,2 157,6 93,9 74,1 20 7,8 18,3 23,1 15,0 I 16,6 1,7 60,4
(2012)E
8
GUREVITCH et al. 2004 255,3 ± 5,3 Ma Siberian traps (Russia) 4 M 12 - 53,5 148,6 92,9 72,9 18,8 3,3 24,7 33,2 19,1 I 24,5 0,2 58,3

9 BAZHENOV et al. Volcanic rocks, Ishim river


~250 Ma 4 M 7 - 58,1 132,2 54,9 69,8 208 4,2 8,4 12,7 6,2 I 7,5 0,9 53,7
(2008)F (Kazakhstan)
10 HEUNEMANN et al.
~250 Ma Siberian traps (Russia) 4 N 14 VM 68,8 230,2 22,0 68,3 233,3 2,6 8,3 11,1 6,7 I 8,0 0,3 51,5
(2004)H
11 KRAVCHINSKY et al. Basalt flows, kimberlite pipes
250,0 ± 1,6 Ma 4 R 10 - 40,0 176,5 273,3 -64,1 201,5 3,4 8,4 11,9 6,5 I 7,9 0,5 45,9
(2002)I Sytikanskaya (Russia)

12 HUANG e OPDYKE
~245 Ma Badong formation (south China) 4 N 16 - 67,8 164,8 23,4 59,5 44,5 23,0 15,4 20,0 12,4 S 7,2 8,2 40,4
(1996)J

13 BAZHENOV et al.
~256 Ma Red beds Teniz basin (Kazakhstan) 4 M 18 - 53,6 161,0 228,6 -56,8 161 2,7 7,7 10,0 6,3 S 7,5 0,2 37,4
(2008)K

14 HUANG e OPDYKE
~245 Ma Puxi formation (south China) 4 N 7 - 46,8 181,0 51,9 55,0 57,3 11,1 11,8 18,0 8,8 S 9,1 2,7 35,6
(1996)L

49
Tabela 7.1 (continuação)

Cut- λ
λp ϕp D I α95 S Su Sl S
Nr. Estudo Idade Área de estudo DC P N off K L SB (º) PLAT
(º)
(º) (ºN) (ºL) (º) (º) (º) (º) (º) (º) (º)

15 HEUNEMANN et al.
~251 Ma Siberian traps (Russia) 4 N 15 VM 16,6 112,4 152,0 54,5 337 2,2 5,5 7,2 4,4 I 5,3 0,2 35,0
(2004)M

16 ABRAJEVITCH et al. Lava flows, Koldar formation


~256 Ma 4 R 11 - 49,2 171,4 231,7 -51,9 21 10,2 23,0 31,6 17,7 I 22,1 0,9 32,5
(2008)N (Kazakhstan)

17 ABRAJEVITCH et al. Lava flows Kalmakemel formation


275 – 251 Ma 4 R 19 - 56,4 179,0 218,8 -50,6 67,5 4,1 10,7 13,7 8,8 I 10,4 0,3 31,4
(2008)O (Kazakhstan)

18 LEVASHOVA (2003) 275 – 261 Ma Volcanic belts (east Kazakhstan) 4 R 8 - 42,9 172,5 237,0 -47,9 216 3,4 4,9 7,3 3,7 I 4,5 0,4 28,9

19 YANG et al. (1991)R ~255 Ma Ordos basin (north China) 4 M 16 - 63,7 346,0 337,1 33,5 58 4,2 10,4 13,5 8,4 S 10,2 0,2 18,3

20 SU et al. (2005)S ~245 Ma South China block 4 M 8 - 53,9 228,9 34,8 27,8 107,6 5,4 6,4 9,4 4,8 S 6,0 0,4 14,8

21 HUANG e OPDYKE Badong (Sangzhi) formation (south


~245 Ma 4 M 20 - 29,8 200,0 63,6 26,8 59,3 4,3 10,0 12,6 8,2 S 9,8 0,2 14,2
(1996)T China)

22 HUANG e OPDYKE
~245 Ma Badong formation (south China) 4 M 16 - 16,8 195,8 77,8 23,0 9,3 6,8 12,0 15,6 9,6 S 11,7 0,3 12,0
(1996)V

23 HUANG e OPDYKE
~245 Ma Puxi formation (south China) 4 M 7 - 33,8 215,8 55,1 14,2 65,1 7,5 7,7 11,7 5,7 S 7,1 0,6 7,2
(1996)W

24 GARZA et al. (2000) 253 ± 1 Ma Lago Dewey (New Mexico) 4 M 12 - 55,3 118,2 337,7 9,2 31,6 7,8 11,1 15,2 8,8 S 10,7 0,4 4,6

25 YOKOYAMA et al. (2014) 254,7 ± 2,5 Ma Volcanic Rocks (Brasil) 4 R 26 VM -84,4 318,2 358,9 -39,1 60 3,5 9,6 11,8 8,1 I 9,4 0,2 -22,1

26 Sedimentary Rocks (Independência


RAPALINI et al. (2006) ~260 Ma 4 M 10 - -81 7,2 171,3 47,7 55 5,8 10,9 15,5 8,4 S 10,4 0,5 -28,8
group - Paraguay)

27 Belt of alkaline complexes (Alto


ERNESTO et al. (2015) 240 – 250 Ma 5 M 7 30 -78,9 318,3 176,1 49,8 18 14,5 19,0 28,8 14,1 I 16,9 2,1 -30,6
Paraguay province)

28 TOMEZZOLI et al. (2009) 240 – 260 Ma Paleozoic volcanic units (Argentina) 4 N 10 - -64,4 17 148,4 53,0 12 12 23,8 33,3 18,2 I 22,5 1,3 -33,6

50
Tabela 7.1 (continuação)

Mafic and acid dikes (northern


29 MIGUEZ et al. (2016) 245 – 260 Ma 5 M 13 - -83,2 11,2 351,7 -59,0 17 9,3 20,1 26,9 15,8 I 18,9 1,2 -39,8
Patagonia)

Siliciclastic volcanic rocks, Sierra


30 DOMEIER et al. (2011) 263,0 ± 1,6 Ma 4 M 35 - -79,4 340,3 170,5 60,0 95,5 2,5 19,3 21,5 15,5 I 19,2 0,1 -40,8
Chica (Argentina)

̅̅̅̅ ()
∆𝑆

Ambas as litologias 1,25

Sedimentares 1,28

Ígneas 1,23

L: tipo litológico (S: sedimentar; I: ígneo); DC: número do protocolo de desmagnetização Demagcode (McELHINNY e LOCK, 1990); P: polaridade geomagnética (R: reversa; N: normal; M: incerta); (N): número de
sítios disponíveis em cada estudo; λp e φp: latitude e longitude do polo paleomagnético, respectivamente; D e I: declinação e inclinação da MRC, respectivamente; K: parâmetro de precisão de Fisher; α95: cone de
confiança de 95%; S, Su e Sl: dispersão total de PGV’s e seus limites de confiança de 95% superior e inferior, respectivamente (de acordo com COX (1969)); SB: dispersão de PGV’s entre sítios; ΔS: diferença entre S
and SB; λ PLAT.: Paleolatitude; VM: método de corte de VANDAMME (1990); A Kotuy; B Aikhal; C Udzha; D Abagalakh; E Delkan; F Ishim River valley; G Ivakinsky suite; H Group C; I Sytikanskaya; J Badong A; K
Teniz(western); L Puxi A; M Group B; N Ayaguz-B; O Tokrau-B; P Yueshan; Q Hancheng; R North China; S Nanjing; T Sangzhi; U Tongling; V Badong B; W Puxi B.

51
7.1 Dispersão dos dados SB x λ Plat

É possível notar, a partir da Tabela 7.1, pela comparação entre os valores de ST


(dispersão angular de PGV’s total, sem correção da dispersão ocasionada por erros
experimentais e/ou de amostragem SW), e SB (dispersão angular de PGV’s devido à
contribuição geomagnética), que a diferença entre ambos os tipos de dado é
notadamente muito baixa (em torno de 1,2°), sem variações significativas entre
resultados provenientes de litologias distintas. No entanto, apesar deste argumento,
mesmo observando que a contribuição de SW não se mostrou significativamente alta,
optou-se por utilizar apenas os valores de dispersão angular corrigida SB para a
avaliação do comportamento da VPS.

A partir do conjunto final de dados, avaliou-se o comportamento da dispersão de


PGV’s em função da paleolatitude SB x λ, em comparação com as curvas ajustadas a
partir do modelo G para tais dados, e para outros intervalos de tempo geológico,
também relacionados a altas taxas de reversão – como é o caso do Jurássico (BIGGIN
et al., 2008a), e os últimos 5 Ma (JOHNSON et al., 2008) (Figura 7.2).

Devido à escassez de dados representativos de estudos em paleolatitudes sul


(apenas seis, dentre os trinta grupos de PGVs), o que acarretou em uma lacuna na
cobertura (paleo)latitudinal sul entre 0 e 20S. Assim, não se pode afirmar, de
maneira inequívoca, uma clara simetria inter-hemisférica nos padrões de dispersão
de PGV’s – entretanto, a despeito deste intervalo, é razoável assumir, pela hipótese
do DGA, tal padrão de simetria. Assim, optou-se por utilizar a representação em um
único hemisfério (Figura 7.2).

52
Figura: 7.1. Representação interhemisférica da dispersão de polos geomagnéticos virtuais, referentes à seleção completa de dados paleomagnéticos
definida por este trabalho, para a Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra HPMI. Os círculos preenchidos (vazios) referem-se a dados de paleolatitudes
positivas (negativas). É possível notar a diferenciação entre litologias sedimentares (em marrom) e ígneas (em laranja).

53
Pela representação em um hemisfério de todos os dados da seleção de
PGVs (Figura 7.2), nota-se uma baixa dependência (paleo)latitudinal, em
praticamente toda a faixa considerada. Padrões similares a este foram também

Figura 7.2. Curvas de dispersão de PGV’s geradas após o ajuste pelo Modelo G (McFADDEN et
al., 1988) para a HPMI (este trabalho representação em um hemisfério); curvas em verde para
os últimos 5Ma (JOHNSON et al. 2008) e curvas em azul para o período de 145 – 200Ma
compreendendo o Jurássico (BIGGIN et al. 2008a).

observados para outros períodos de mais alta taxa de reversão – como, por
exemplo: (i) para o Jurássico, tal como discutido por BIGGIN et al. (2008a); (ii)
para os últimos 5 Ma (JOHNSON et al., 2008); e (iii) para o período
compreendido entre 110 – 195 Ma (McFADDEN et al., 1991). As curvas de
ajuste baseadas no Modelo G para os dois intervalos supracitados (i) e (ii) foram

54
dispostas conjuntamente à curva da HPMI (proveniente deste trabalho), para
efeito de comparação, que forneceu os valores de parâmetros de forma a =
10,2 14,0 0,26
7,9 e b = 0,17 0,10 . Tais valores são significativamente mais baixos do que

os discutidos para o Jurássico por BIGGIN et al. (2008a) (a =


16,4 19,0 0,46
10,3 ; b = 0,19 0,00 ), e para os últimos 5 Ma por JOHNSON et al. (2008)

(a = 14,615,6 0,24
13,4 ; b = 0,20 0,13 ). Adicionalmente, algumas observações merecem

destaque, a partir das relações dispostas na Figura 7.2:

(1) através de observação dos padrões entre as curvas melhor ajustadas para o
Modelo G, referentes aos últimos 5 Ma, para o período Jurássico e para a
HPMI, nota-se que a faixa de valores de SB entre 0 e 90 é bastante
similar entre os dois primeiros períodos, sendo sistematicamente mais
elevada que a verificada para a HPMI (cerca de 5);

(2) os padrões de evolução latitudinal de SB × λ Plat entre as curvas obtidas


para a HPMI e os outros dois períodos são notavelmente similares (em
particular, com a curva de ajuste obtida por JOHNSON et al. (2008) para
os últimos 5 Ma;

(3) É possível notar que os parâmetros de forma obtidos para os três períodos
são razoavelmente similares entre si, considerando-se os limites superior e
inferior para tais resultados. Desta forma, é possível que a diferença
observada para a faixa de valores de SB entre 0 e 90 para as três curvas,
conforme discutido em (1), deva-se à semelhança das razões entre os
valores dos parâmetros de forma (razão b/a).

7.2 Discussões sobre os parâmetros de forma a e b

7.2.1 Razão b/a

De acordo com o discutido por COE e GLATZMAIER (2006), a razão b/a


equivale a uma medida empírica da contribuição relativa entre termos

55
harmônicos antissimétricos (b) e simétricos (a) para o CG, e isto poderia ser
interpretado como uma forma de avaliação do nível de estabilidade do campo.
Ainda segundo COE e GLATZMAIER (2006), a razão b/a seria um eficiente
indicador da estabilidade do campo em simulações que considerem os padrões
de simetria equatorial do fluxo térmico na IMN (e.g. AMIT e OLSON (2015)).

Considerando-se estes apontamentos, e de maneira a verificar a hipótese


sugerida na consideração (3), estimamos a razão b/a (Tabela 7.2) para cada um
dos intervalos considerados pelos seguintes trabalhos: McFADDEN et al.
(1991) (últimos 5 Ma, 5-22,5 Ma, 22,5-45,0 Ma, 45,0-80,0 Ma, 80,0-110,0 Ma e
110,0-195,0 Ma), JOHNSON et al. (2008) (últimos 5 Ma), BIGGIN et al.
(2008a) (84,0-125,0 Ma e 145-200 Ma), OLIVEIRA (2017) (SRPC; 262,0-318
Ma), e este estudo (HPMI; 228,7-266,7 Ma).

Na Figura 7.3, a seguir, são apresentados os dados dispostos nesta tabela,


em associação com a curva (em azul) da frequência média de reversões
geomagnéticas, tal como estimada por OLSON & AMIT (2015) para os últimos
350 Ma, e com a curva de fluxo térmico relativo na IMN (q(t)/qp; curva em
vermelho), segundo modelo também proposto por estes autores, e que obedece
a seguinte relação:

𝑞(𝑡) 𝑞𝑠 𝑁 𝑞𝑠
= (1 − ) ∙ + (7.1)
𝑞𝑝 𝑞𝑝 𝑁𝑝 𝑞𝑝

Onde os índices subescritos s e p referem-se, respectivamente, às condições


de fluxo no início de superchrons e para o presente, e N/Np é a frequência
média relativa de reversões geomagnéticas. Nota-se, claramente, um padrão
inverso entre a evolução da linha de tendência (linha escura) que une os dados
de razão b/a, e a curva de frequência média de reversões – o que já havia sido
sugerido por OLIVEIRA (2017) – e reforçado com a adição do resultado para a
HPMI, proveniente deste trabalho. Em particular, verificamos uma notável
correspondência entre a evolução da linha de tendência para a razão b/a e a
curva de fluxo térmico relativo na IMN para os últimos 267 Ma.

56
Tabela 7.2.: Termos simétricos (𝑎𝑙𝑢 ) e antissimétricos (𝑏𝑙𝑢 ) do modelo G para intervalos de
interesse ao longo da GPTS, e razões b/a correspondentes.

u
Nr Estudo Intervalo (Ma) aul bl 𝒃/𝒂
1 OLIVEIRA (2017) (a, e) 262,0 – 318,0 6,89,6
5,3 0,270,37
0,22 0,0400,062
0,018

2 ESTE ESTUDO (b) 228,7 – 266,7 10,214,0


7,9 0,170,26
0,10 0,0170,028
0,006

3 BIGGIN et al. (2008a) (c) 145,0 – 200,0 16,419,0


10,3 0,190,46
0,00 0,0120,023
0,001

4 BIGGIN et al. (2008a) (d) 84,0 – 125,0 8,710,7


6,3 0,270,31
0,22 0,0310,041
0,021

5 McFADDEN et al. (1991) (d) 80,0 – 110 6,59,4


2,3 0,330,38
0,28 0,0510,084
0,017

6 McFADDEN et al. (1991) 45,0 – 80,0 9,711,2


8,2 0,340,37
0,31 0,0350,041
0,029
20,3
7 McFADDEN et al. (1991) 22,5 – 45,0 15,412,7 0,290,35
0,21 0,0180,020
0,016

8 McFADDEN et al. (1991) 5,0 – 22,5 17,818,7


16,9 0,190,22
0,16 0,0110,013
0,009

9 JOHNSON et al. (2008) 0 – 5,0 14,615,6


13,4 0,200,24
0,13 0,0140,019
0,009

u (l): limite superior (inferior) do parâmetro de forma; (a) Superchron Reverso do Permo-
Carbonífero; (b) Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra; (c) Jurássico; (d) Superchron
Normal do Cretáceo; (e) resultado referente para toda a seleção de dados paleomagnéticos.

Tal resultado poderia indicar que a razão b/a, definida como a proporção
entre os termos harmônicos antissimétricos e simétricos, definidos pela
abordagem fenomenológica do Modelo G de McFADDEN et al. (1988) – além
de indicar a correspondência inversa entre a dispersão de PGVs (ligada aos
padrões de VPS) com a frequência média de reversões geomagnéticas –,
também sugere uma relação entre as feições da VPS com a evolução das
condições térmicas na IMN para um determinado intervalo.

57
Figura 7.3: representação da evolução temporal da razão b/a para intervalos de interesse ao
longo dos últimos 350 Ma, em comparação com a variação da frequência média de reversões
geomagnéticas e com o fluxo relativo de calor na IMN. Modificado de OLIVEIRA (2017) e
OLSON e AMIT (2015).

7.2.2 Relação entre fR e razão b/a

De acordo com BIGGIN et al (2008b), é possível o estabelecimento de uma


relação entre a frequência média de reversões geomagnéticas (fR) e a razão b/a
– o que encontra suporte pelos padrões observados na figura anterior. Assim,
fizemos uma avaliação similar à realizada pelos autores (Figura 7.4),
acrescentando os valores de fR (b/a) relativos aos trabalhos de OLIVEIRA
(2017) e os resultados obtidos para a HPMI (proveniente deste trabalho). Os
58
dados foram ajustados por regressão linear (linha em vermelho) e comparada
aos ajustes respectivamente propostos por McFADDEN et al. (1991) e BIGGIN
et al. (2008b) (respectivamente, linhas escuras tracejada e contínua).

É possível notar, de maneira similar ao discutido pelos autores


supracitados, a relação inversa entre fR e b/a, embora não seja possível – mesmo
com a consideração dos dados para o SRPC e a HPMI – a inferência de uma
relação linear. Esta observação será melhor discutida no próximo capítulo.

Figura 7.4: relações entre estimativas de frequência média de reversões geomagnéticas e razão
b/a.

59
7.2.3 Relações b × a

Como discutido em diversos trabalhos (e.g., MERRILL et al., 1996;


JOHNSON e McFADDEN, 2007), as curvas de dispersão de PGVs apresentam
certa dependência com a paleolatitude. Isto em si ofereceria pistas sobre a
origem da VPS em termos de fontes de famílias "dipolar" e "quadrupolar"
(TAUXE e KODAMA, 2009), sendo tais famílias agrupadas em termos dos
parâmetros de forma do Modelo G (McFADDEN et al., 1988).

Como apontado por (BIGGIN et al., 2008a; McFADDEN et al., 1991),


mesmo as feições de uma curva de PGV's não tendo uma única contribuição, os
parâmetros de forma poderiam ser associados com as taxas de reversões
geomagnéticas. Assim, foi testada a evolução dos parâmetros de forma como
proposto em BIGGIN et al. (2008b) para tentar observar esta correspondência
(Figura 7.5).

Na figura 7.5 foram dispostos nos eixos os valores dos parâmetros de forma
a e b, provenientes de diversos trabalhos associados a períodos de tempo
distintos, e comparados ao resultado obtido para a HPMI (este trabalho). É
possível notar que, de acordo com o sugerido por BIGGIN et al. (2008b), a
relação b × a obtida para a HPMI se encontra na faixa de mais altas
frequências de reversão, sendo particularmente compatível com o resultado
verificado para os últimos 5 Ma por JOHNSON et al. (2008), e claramente
distinta dos padrões encontrados por OLIVEIRA (2017) para o SRPC.

60
Figura 7.5.: Dispersão dos parâmetros de forma b x a, obtidos do ajuste S x λ Plat do Modelo G
para a HPMI (círculo em vermelho), comparado às estimativas de estudos de VPS para o CG do
Fanerozoico e Pré-Cambriano. Modificado de BIGGIN et al. (2008b) e OLIVEIRA (2017).

61
Capítulo 8

Conclusões

O desenvolvimento deste trabalho – que permitiu a obtenção de


importantes informações sobre a dependência (paleo)latitudinal da VPS,
através de estimativas de dispersão angular de PGVs durante o período
compreendido pela HPMI, permitiu a obtenção das seguintes conclusões gerais:

8.1 Padrões de dispersão SB × λ Plat

A partir dos dados de dispersão angular de PGVs dispostos na Tabela 7.1, foi
possível verificar uma diferença desprezível (~ 1,2°) entre os dados de
dispersão angular total, sem correção de erros experimentais e/ou de
amostragem ST , e devido à contribuição geomagnética SB. Esta característica
poderia ser atribuída, em algum grau, aos critérios adotados para a seleção dos
conjuntos de dados paleomagnéticos, de alta qualidade (seção 6.3).

Nota-se valores coincidentes entre as dispersões de PGV’s apresentadas


pelos pontos 16 e 28 na figura 7.2, cujas paleolatitudes diferem-se apenas
quanto ao Hemisfério ao qual pertencem. Conjectura-se, portanto, que tal
fenômeno seria mais um indício da compatibilidade do Modelo DGA, em que se
pressupõe uma simetria entre os dois hemisférios. O mesmo comportamento
observa-se com os pontos 22 e 30.

Os resultados obtidos neste trabalho apresentaram boa correspondência ao


ajuste pelo Modelo G (McFADDEN et al., 1988), e foi verificada uma baixa
dependência paleolatitudinal para a dispersão de PGV’s SB , corroborando ao
que fora verificado anteriormente em diversos trabalhos que abordaram épocas

62
cuja frequência de reversões tem sido considerada elevada (McFADDEN et al.,
1991; BIGGIN et al., 2008a; JOHNSON et al., 2008).

A dependência paleolatitudinal da curva de dispersão de PGV’s obtida neste


trabalho é similar à que fora obtida para o período Jurássico (BIGGIN et al.,
2008a) por intermédio dos dados de melhor qualidade denominados por eles
como “Grupo 1”, e ligeiramente diferente a que fora obtida para o período
compreendendo os últimos 5 Ma (JOHNSON et al., 2008). Apesar disso, foi
observado que a dispersão de PGV’s dentro da HPMI é muito mais baixa do que
para os períodos citados.

A notável similaridade entre os padrões evolutivos das curvas de dispersão


de PGV’s apresentada na figura 7.2 poderia, a princípio, indicar que o Modelo G
permite, de maneira razoavelmente adequada, a avaliação do comportamento
da distribuição de PGVs deste estudo quanto o de outros períodos com mais
altas taxas de reversão geomagnética. É importante aqui salientar que, de
acordo com nossas estimativas, o valor médio da frequência de reversões para a
HPMI foi de aproximadamente 5,9 Ma-1 – portanto, ligeiramente superior que o
sugerido por BIGGIN et al. (2008a) para o Jurássico (~ 4,6Ma-1) e que o
verificado para os últimos 5 Ma por JOHNSON et al. (2008) – ~ 4-5Ma-1.

8.2 Sobre as relações baseadas nos parâmetros de forma a e b

Os parâmetros de forma obtidos através do Modelo G foram avaliados de


acordo com o realizado em trabalhos anteriores, e nos levou a concluir que a
razão b/a apresentou valores menores em períodos de mais alta frequência de
reversão. De acordo com COE e GLATMAIER (2006), a razão b/a pode ser
considerada como um eficaz indicador de estabilidade do campo, e taxas
menores desta relação poderiam refletir estados menos “estáveis” para o CG.

Outro resultado importante foi a observação de um padrão de quase


espelhamento entre o modelo de fluxo térmico relativo através da IMN, que
estaria associado à frequência de reversões, proposta no trabalho de (OLSON e

63
AMIT, 2015 adaptado de OLIVEIRA, 2017) e a razão entre os parâmetros de
forma obtidos pelo ajuste dos dados através do Modelo G (McFADDEN et al.,
1988). Neste resultado a HPMI se localizadou na mesma faixa de valores de b/a
em que estão localizados os dados do Jurássico (BIGGIN et al., 2008a) e dos
últimos 5Ma (JOHNSON et al., 2008), ficando, portanto, bem afastada das
faixas ocupadas pelos dados referentes aos superchrons SNC (BIGGIN et al.,
2008a) e SRPC (OLIVEIRA, 2017), figura 7.3.

Ainda se observa na figura 7.3 que a curva suavizada em vermelho


(proveniente do modelo proposto no trabalho de OLSON e AMIT (2015) e cuja
forma reflete o comportamento do fluxo relativo de calor através da IMN)
apresenta uma queda durante últimos 80Ma a uma taxa semelhante àquela
apresentada durante o intervalo da HPMI, apenas com uma inversão de
concavidade. Este é um resultado complementar a ser melhor investigado por
trabalhos futuros.

Com os dados de frequência de reversões agrupados, foi feita uma


representação da possível relação existente entre a frequência de reversões e a
razão b/a. Nesta representação, observou-se a existência de uma possível
relação inversa entre estes elementos e por isto os dados foram ajustados
através de uma regressão linear, como sugerido por (BIGGIN et al., 2008b).
Contudo, apesar deste teste confirmar a relação entre a VPS e a frequência de
reversões (como indicado por McFADDEN et al., 1991), tal comportamento
não se mostrou evidentemente linear, cabendo ser, portanto, alvo de mais
investigações.

O teste que avaliou a evolução dos parâmetros de forma do Modelo G,


mostrou que pode ser observada a existência de agrupamentos de dados de
frequência de reversões, como sugerido em BIGGIN et al. (2008b). Os
trabalhos envolvendo períodos de mais alta taxa de reversões (como a HPMI),
se encontram localizados em faixas mais inferiores do gráfico, se distanciando
de maneira pronunciada dos resultados de baixa frequência como o SNC
(BIGGIN et al., 2008a) e o SRPC (OLIVEIRA, 2017).

64
No geral, este trabalho representa, até o momento, a primeira descrição do
comportamento da evolução paleolatitudinal da VPS, obtida através da
avaliação da dispersão angular de PGVs, para o período descrito como
Hiperzona de Polaridade Mista Illawarra. Aqui foram indicadas notáveis
similaridades entre o padrão de comportamento apresentado pela HPMI e
demais estudos que abordaram períodos de alta taxa de reversão ao longo da
Era Fanerozoica. Este trabalho mostra boa adequação entre a utilização do
Modelo G (McFADDEN et al., 1988) e o período de estudo empregado.

Em particular, nossos resultados indicam que, para os últimos 270 Ma,


haveria uma possível associação entre a frequência de reversões, o regime de
fluxo térmico médio através da IMN, e a evolução da razão dos parâmetros de
forma b/a (que possibilitam a estimativa da contribuição da componente dipolar
do CG para um determinado período). Em outras palavras, este trabalho
indicou uma correspondência inversa entre a variação da contribuição dipolar
do CG e do fluxo térmico na interface manto-núcleo ao longo da maior parte do
Fanerozoico – o que claramente demanda novos estudos para averiguação desta
evidência, e sua possível extensão ao longo do tempo geológico.

65
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