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A IMPORTÂNCIA DA FILOSOFIA

Pedro Gambim (*)

Vivemos em um mundo pragmático, isto é, voltado para as coisas práticas da vida, interessado na
aplicação imediata dos conhecimentos. Nesse sentido, a filosofia não encontra muitos adeptos e, ao
contrário, é frequentemente repudiada como sendo teoria inútil e, consequentemente, perda de tempo.

Entretanto, a filosofia é necessária. Por meio da reflexão é possível que se tenha mais de uma
dimensão, ou seja, aquela que é dada pelo agir imediato no qual o homem prático se encontra
mergulhado. É a filosofia que permite o distanciamento para avaliação dos fundamentos dos atos
humanos e dos fins a que eles se destinam, levantando, consequentemente, o problema dos valores.
É a filosofia que reúne o pensamento fragmentado da ciência e o reconstrói na sua unidade.

A filosofia impede a estagnação e sempre se confronta com o poder, não devendo a sua investigação
está alheia à ética e à política. Nesse sentido, tem a função de desvelar a ideologia, ou seja, as formas
pelas quais é mantida a dominação. Aliás, atentando para a etimologia do vocábulo grego corresponde
à verdade (a-létheia, a-letheúein, “desnudar”), vemos que a verdade põe a nu aquilo que estava
escondido. Aí reside a vocação do filósofo: o desvelamento do que está encoberto pelo costume, pelo
convencional, pelo poder.

Por isso a atitude de filosofar exige coragem. A filosofia não é um exercício puramente intelectual.
Descobrir a verdade é ter coragem de enfrentar as formas estagnadas do poder que tenta manter o
status quo, é aceitar o desafio da mudança (Maria Lúcia de Arruda Aranha, in: Filosofar é preciso).

Entendida como reflexão crítica, a filosofia é conhecimento teórico, mas é também um modo de viver,
isto é, há modo de viver filosófico. Este modo de vida brota de um conhecimento. Conhecimento este
que brota como uma exigência da própria vida humana. É bem verdade que o homem pode viver sem
refletir sobre sua vida, sem questionar-se a respeito de seu modo de ser e viver. Vai vivendo
simplesmente.

Mas também é verdade que o ser humano tem a necessidade vital, não apenas de conhecer a
natureza, para transformá-la através do seu trabalho, mas sobretudo de conhecer-se a si mesmo, para
poder construir a sua vida e dar sentido à sua própria existência. E, por isso, filosofia busca descobrir
o significado profundo de sua existência, da práxis humana. Por isso, como diz Roland Corbisier, a
filosofia “não é alheia” ou estranha à vida, porque é a própria vida humana procurando tomar
consciência de si mesma, de sua origem, de sua essência e significação (in: Filosofia crítica radical).

Por isso, se o ser humano não se questionar criticamente sobre seu modo de ser e viver, corre o risco
de involuir, de perder a consciência de si mesmo e do significado de seu viver. E mais: se a gente não
reflete criticamente sobre os valores que constituem nosso modo de vida e que orienta nossas ações,
outros, em outro lugar e situação, estarão pensando por nós. Nesse caso, estaremos submissos ao
pensar crítico de outros que decidem e orientem nosso viver. E levamos uma vida alienada, manipulada
por outros que decidem o que devemos ser, como devemos pensar e agir.

Filosofar é preciso, não apenas como uma exigência teórico-especulativa, mas como exigência da
própria vida humana que em seus anseios e aspirações, precisa encontrar seu significado profundo.

(*) Filósofo, Especialista em Filosofia na Área de Antropologia Filosófica (PUC-RS) e Mestre em Filosofia (PUC-
RS). Professor Assistente da Universidade Estadual do Oeste do Paraná.

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