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Manual

d@ Formand@

Trabalho Social e Orientação (762)

Abordagem biológica, psicológica, social e


cognitiva do envelhecimento

Edição: 0

Formadora: Tânia Carvalho


Manual 2017

Índice
Objetivos gerais:............................................................................................................................ 4
Introdução ..................................................................................................................................... 5
Capítulo 1 – Principais alterações biológicas do envelhecimento................................................. 6 2

1.1 - Alterações Físicas/ Estruturais ......................................................................................... 6


1.2 - Alterações funcionais ........................................................................................................ 7
1.3 - Implicações das alterações funcionais na prestação de cuidados pessoais ..................... 16
Capítulo 2 - Problemas de saúde mais comuns no idoso ............................................................ 16
2.1 - Doenças Cardiovasculares .............................................................................................. 16
2.2 - Diabetes .......................................................................................................................... 20
2.3 - Doenças Reumáticas ....................................................................................................... 22
2.4 - Perturbações mentais e comportamentais ....................................................................... 24
2.5 - Alterações da visão ......................................................................................................... 24
2.6 - Alterações cognitivas ...................................................................................................... 26
Capítulo 3 - As principais perturbações mentais e comportamentais no idoso e as suas
consequências .............................................................................................................................. 26
3.1- Perturbações mentais orgânicas ....................................................................................... 26
3.2 - Perturbações mentais e comportamentais devido ao abuso de substância psicoactiva ... 29
3.3 - Esquizofrenia, perturbações esquizotímicas e perturbações delirantes........................... 29
3.4 - Perturbações do humor .................................................................................................. 31
3.5 - Síndromes comportamentais associadas a disfunções fisiológicas e a fatores físicos .... 31
Capítulo 4 - Alterações na autonomia e funcionalidades e impacto na qualidade de vida do idoso
..................................................................................................................................................... 32
4.1- Quedas, Imobilidade e Depressão .................................................................................... 34
Capítulo 5 – Aspetos psicológicos do envelhecimento ............................................................... 37
5.1 - Modificações das funções cognitivas.............................................................................. 38
5.2 - Os afetos e a sexualidade nos idosos .............................................................................. 39
Capítulo 6 – Aspetos sociais do envelhecimento ........................................................................ 41
6.1 - Evolução histórica do conceito de idoso ......................................................................... 41
6.2 - A perspetiva de outras culturas ....................................................................................... 42
6.3 - Interpretação individual e social das várias fases do ciclo de vida ................................. 43
6.4 - Atitudes, mitos e estereótipos associados à velhice ........................................................ 45
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Capítulo 7 – Redes de Apoio....................................................................................................... 46
7.1 - As pessoas idosas e o meio ambiente.............................................................................. 46
7.2 - A diversidade do meio ambiente..................................................................................... 46
7.3 - A família e a comunidade ............................................................................................... 47
Capítulo 8 – As instituições formais ........................................................................................... 48
3
8.1 - Caracterização e natureza das instituições formais ......................................................... 48
8.2 - Institucionalização das pessoas de idade ........................................................................ 52
8.3 -A vida quotidiana nas instituições ................................................................................... 53
Bibliografia ................................................................................................................................. 57

Índice de Ilustrações
Ilustração 1 - Sistema Cardiovascular ........................................................................................... 3
Ilustração 2 - Funções do Sistema Cardiovascular ........................................................................ 8
Ilustração 3 - Sistema respiratório…………………………………………………………………………………………….8
Ilustração 4 - Funções do Sistema Respiratório ............................................................................ 9
Ilustração 5 - Sistema Renal e Urinário ........................................................................................ 9
Ilustração 6 - Funções Sistema Renal e Urinário ........................................................................ 10
Ilustração 7 - Sistema Gastrointestinal ........................................................................................ 10
Ilustração 8 - Funções do Sistema gastrointestinal………………………………………………………………….11
Ilustração 9 - Sistema Nervoso.................................................................................................... 12
Ilustração 10 - Sistema Sensorial ................................................................................................ 12
Ilustração 11 - Sistema Endócrino .............................................................................................. 13
Ilustração 12 - Sistema Metabólico ............................................................................................. 13
Ilustração 13 - Sistema Imunitário jovem vs idoso ..................................................................... 14
Ilustração 14 - O ritmo do sono ................................................................................................... 15

Índice de Tabelas

Tabela 1- Aspectos da Autonomia .............................................................................................. 32


Tabela 2 - As oito idades do ser humano, Erickson (2000) ........................................................ 43
Tabela 3 - Diferenças de meio..................................................................................................... 47
Tabela 4 - Recursos Humanos ..................................................................................................... 49
Tabela 5 - Recursos Físicos......................................................................................................... 50
Tabela 6 - Recursos Materiais ..................................................................................................... 50
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Objetivos gerais:

 Identificar os conceitos e princípios fundamentais sobre o envelhecimento; 4

 Identificar os problemas de saúde mais comuns no idoso e suas consequências;


 Identificar alterações na autonomia e funcionalidade e seu impacto na qualidade
de vida do idoso;
 Identificar as redes de apoio e os serviços de institucionalização.

Objetivos específicos:

 O/A formando/a deverá ser capaz de enunciar, oralmente, pelos menos 5,


alterações biológicas do envelhecimento;
 O/A formando/a deverá ser capaz de enunciar, oralmente, pelo menos 4,
problemas de saúde mais comuns nos idosos;
 O/A formando/a deverá ser capaz de apontar, as principais perturbações mentais
e comportamentais no idoso, sem recorrer ao manual;
 O/A formando/a deverá ser capaz de apontar, as principais consequências das
perturbações mentais e comportamentais no idoso, sem recorrer ao manual;
 O/A formando/a deverá ser capaz de identificar, sem recurso ao manual, a
relação entre quedas, imobilidade e depressão;
 O/A formando/a deverá ser capaz de identificar, e aplicar em 10 minutos, pelo
menos 4 instrumentos de avaliação geriátrica;
 O/A formando/a deverá ser capaz de explicar, sem recurso ao manual, a relação
entre rede de apoio e idoso;
 O/A formando/a, deverá ser capaz de identificar, sem recurso ao manual, os
procedimentos de institucionalização das pessoas de idade.
Manual 2017

Introdução

O êxito do desenvolvimento da tecnologia e da medicina deu asas a um


5
exponencial aumento da esperança média de vida, o que originou nas últimas décadas
um desequilíbrio demográfico. Desequilíbrio esse que, nos dias de hoje é analisado por
vários autores e cientistas como um desafio social assumido, que carece de respostas
efetivas e concretas, e que, por conseguinte, levou-nos a uma série de consequências a
nível social e económico.
Desta forma, este módulo tem como base a consciencialização para um agir
profissional dos formandos com base na reflexão crítica que promova a ação, de modo a
que o envelhecimento não funcione como um fim de linha para o sujeito, mas sim,
como uma nova etapa, como novos desafios e oportunidades.
Assim, os principais objetivos deste módulo são os seguintes:
 Identificar os conceitos e princípios fundamentais sobre o processo de
envelhecimento;
 Identificar os problemas de saúde mais comuns nos idosos e consequências;
 Identificar as principais perturbações mentais e comportamentais no idoso e
consequências;
 Identificar alterações na autonomia e funcionalidade e seu impacto na qualidade
de vida do idoso;
 Identificar as redes sociais de apoio e os serviços de institucionalização.
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Capítulo 1 – Principais alterações biológicas do envelhecimento

O envelhecimento é um fenómeno que atinge todos os seres humanos,


independentemente. Sendo caracterizado como um processo dinâmico, progressivo e
irreversível, ligados intimamente a fatores biológicos, psíquicos e sociais.
6
Envelhecer pressupõe um conjunto de alterações físicas ou biológicas no
individuo. Tais alterações são gerais, naturais e gradativas conforme a genética de cada
individuo.
De uma forma geral, tanto para os homens como para as mulheres, o
envelhecimento biológico implica geralmente: 1
 O declínio da visão à medida que a lente ocular perde elasticidade;
 Perdas auditivas, dos tons mais agudos e posteriormente dos mais graves;
 Aparecimento de rugas;
 Decadência da massa muscular, a que se junta uma acumulação de gordura;
 Uma quebra na eficiência cardiovascular.
Não obstante, um individuo não envelhece biologicamente igual a outro. Há uma
série de particularidades que diferenciam os processos de envelhecimento.

1.1 - Alterações Físicas/ Estruturais

Repare-se do ponto de vista físico acontecem mudanças externas e internas: 2


a) Modificações externas:
- as bochechas enrugam-se e “embolam”;
- aparecem manchas escuras na pele;
- a pele perde o tónus e fica mais flácida;
- podem surgir verrugas;
- o nariz alarga-se;
- os olhos ficam mais húmidos;
- aumenta a quantidade de pelos no nariz e nas orelhas;
- os ombros ficam mais arredondados;
- as veias destacam-se mais sob a pele e enfraquecem;
- há um encurvamento postural.

1
Sociologia – Anthony Giddens: 2013 cap 9 “ O trajeto de vida”
2
Velhice, Aspetos Biopsicossociais – Guite Zimerman: 2005
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b) Modificações internas
- os ossos endurecem;
- os órgãos internos atrofiam-se;
- o cérebro perde neurónios e atrofia-se, ficando menos eficiente;
- o metabolismo fica mais lento;
7
- a digestão é mais difícil;
- a insónia aumenta, assim como a fadiga durante o dia;
- a visão piora devido à falta de flexibilidade do cristalino, perde transparência e pode
provocar cegueira;
- as células da propagação dos sons no ouvido interno degeneram-se;
- as artérias endurecem e entopem;
- o olfato e o paladar diminuem.
Estes processos normais do envelhecimento não são evitáveis. Contudo, podem
ser parcialmente compensados e equilibrados com uma boa saúde, uma alimentação
cuidada e exercício físico adequado.

1.2 - Alterações funcionais

a) Sistema cardiovascular
Ilustração 1 - Sistema Cardiovascular

No sistema cardiovascular,
quando o idoso é submetido a um
esforço, ocorre uma diminuição na
capacidade do coração de aumentar o
número e a força dos batimentos
cardíacos.
Verifica-se também uma redução
do tempo de relaxamento e da
complacência do miocárdio, o aumento da pressão arterial e a redução do fluxo
sanguíneo. As paredes do ventrículo esquerdo aumentam de espessura, ocorrendo o
depósito de colagénio, da mesma forma que a aorta se torna mais rígida.3

3
Manual de Prevenção e Primeiros Socorros – Isabel Leite
Manual 2017
Ou seja, o débito cardíaco diminui e os vasos sanguíneos perdem elasticidade e
tornam-se estreitos à medida que as placas de gordura e depósito de cálcio se
acumulam. As válvulas sanguíneas ficam assim, menos flexíveis.
Ilustração 2 - Funções do Sistema Cardiovascular

b) Sistema respiratório
Ilustração 3 - Sistema Respiratório
As alterações determinadas pelo
envelhecimento afetam desde
os mecanismos de controlo até as estruturas
pulmonares e extrapulmonares que
participam no processo de respiração.
Os pulmões mostram igualmente um
declínio gradual da capacidade respiratória
que passa de 165 litros aos 25 anos para 75
litros aos 85 anos4.
Com esta diminuição de capacidade vital e da perda de elasticidade dos alvéolos,
consequentemente a eficiência dos pulmões também diminui.

4
Manual de Prevenção e Primeiros Socorros – Isabel Leite
Manual 2017
Ilustração 4 - Funções do Sistema Respiratório

c) Sistema renal e urinário Ilustração 5 - Sistema Renal e Urinário


Recorrentemente ocorre uma diminuição
da função renal em cerca de 50% das pessoas que
atingem os 80 anos.
A atrofia da uretra e o enfraquecimento da
musculatura pélvica associados à perda de
elasticidade uretral e de colo vesical favorecem o
aumento da frequência de incontinência urinária.
Desta forma, define-se a incontinência
urinária como a eliminação involuntária de urina,
em local e momento inadequado. Não se trata de uma doença, mas sim de um sintoma.
Este problema aumenta com a idade, apesar do envelhecimento em si não ser causa de
incontinência urinária.
Este problema é mais frequente nas mulheres do que nos homens e afeta cerca
de 30% dos idosos que vivem em comunidade e 50% dos idosos institucionalizados.
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Ilustração 6 - Sistema Renal e Urinário

10

d) Sistema gastrointestinal Ilustração 7 – Sistema gastrointestinal

O aparelho digestivo é o sistema


responsável pela seleção dos nutrientes
necessários às diferentes funções do organismo
(daquilo que comemos).
É composto por um conjunto de órgãos
que têm como principal função realizar a
digestão.
Com os anos, os sacos digestivos
diminuem em quantidade e a absorção dos
nutrientes diminui devido à atrofia das células
intestinas. A quantidade de saliva e mobilidade esofágica também diminui.
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Ilustração 8 - Funções do sistema gastrointestinal

11

e) Sistema nervoso e sensorial


Como já vimos na introdução ao tema, com a idade há perda de neurónios e
diminuição das enzimas e recetores envolvidos na neurotransmissão de informação.
Após os 50 anos ocorre uma diminuição total de lípidos do cérebro. Há uma
diminuição na libertação da acetilcolina5 e uma redução dos recetores colinérgicos6.
As alterações que ocorrem no cérebro com o envelhecimento não afetam as
atividades instrumentais ou ocupacionais da vida diária até mais ou menos os 60 anos.
Assim, é importante fixar que as alterações no cérebro com o envelhecimento
podem não ser acompanhadas de défices funcionais significativos.

5
Acetilcolina – é um neurotransmissor chave na atividade intelectual, sobretudo na memória.
6
Introdução à Gerontologia – Universidade Aberta: 2003
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Ilustração 9 - Sistema Nervoso

12

Ilustração 10 - Sistema Sensorial

f) Sistema endócrino e metabólico


Conforme a pessoa envelhece alterações como a diminuição da função dos
órgãos, e a diminuição das respostas dos recetores podem afetar o sistema endócrino e,
consequentemente, favorecer o aparecimento de determinadas doenças, como a
diabetes7.
Com o envelhecimento ocorre a diminuição de determinados hormônios,
sobretudo os de crescimento, de estrogénio e de testosterona.

7
Introdução à Gerontologia – Universidade Aberta: 2003
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O diagnóstico de doenças endócrinas pode ser dificultado pela presença de sinais
e sintomas não específicos como emagrecimento, confusão mental, fadiga e, ou, pelo
fato da pessoa já ter outras doenças (Liberman, 2011).
Vale ressaltar também que alterações da secreção do hormônio crescimento,
cortisol, estradiol, hormônios sexuais (testosterona, estrógeno, DHEA) e melatonina
13
podem contribuir para o surgimento de doenças mais evidentes em idosos, como
osteoporose e doença coronariana (Liberman, 2011).
Por fim, é importante esclarecer que as secreções hormonais obedecem a um
ritmo biológico distinto para cada pessoa, influenciadas também por fatores externos.

Ilustração 11 - Sistema Endócrino

Ilustração 12 - Sistema Metabólico


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g) Sistema imunitário
À medida que os indivíduos envelhecem, o sistema imunológico torna-se menos
eficaz.
O sistema imunológico vai perdendo a sua capacidade de distinguir o que é
próprio do que não é próprio do corpo (ou seja, de identificar antígenos estranhos).
14
Consequentemente, os distúrbios auto imunes tornam-se mais frequentes
Os idosos têm menores quantidades de proteínas de complemento e não
produzem a mesma quantidade dessas proteínas comparados aos jovens em resposta às
infeções bacterianas.
Tanto a quantidade de anticorpos produzidos em resposta a um antígeno, como a
capacidade do anticorpo de aderir ao antígeno encontram-se reduzidas. Essas alterações
podem explicar, em parte, por que razão a pneumonia, a gripe, a endocardite infeciosa e
o tétano são mais frequentes entre os idosos e conduzem à morte com mais frequência.8
Essas alterações podem também explicar, em parte, porque as vacinas são menos
eficazes nos idosos e, assim, porque é importante que recebam doses de reforço
(disponíveis para algumas vacinas).
Essas alterações na função imunológica podem contribuir para o fato de os
idosos serem mais vulneráveis a contrair determinados cânceres e infeções.

Ilustração13 - Sistema Imunitário jovem vs idoso

8
Velhice, Aspetos Biopsicossociais – Guite Zimerman: 2005
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h) Ritmos biológicos e sono
Cada pessoa tem o seu ritmo biológico, existem pessoas que dormem de noite e
estão ativas durante o dia, porém há pessoas que estão mais despertas de noite. Tudo
isto depende muito dos hábitos da pessoa e do tipo de trabalho que cada um tem.
O ritmo biológico é toda a expressão fisiológica (biológica) e/ou
15
comportamental de um organismo que se expressa com uma periodicidade regular e é
gerada internamente9.
Por sua vez, sono é um estado de repouso normal e periódico, caracterizado, pela
suspensão temporária da atividade percetivo-sensorial e motora voluntária (Chave,
2010).
O sono juntamente com tantos outros fenómenos como o caso de batimento
cardíaco aos movimentos respiratórios, fazem parte de ritmos biológicos (Tufik, 2008).
É na velhice que o distúrbio do sono pode ter importante manifestação. Dentre
os idosos, os aposentados e/ou inativos e viúvos estão em maior risco.
Nessa fase da vida o distúrbio do sono manifesta-se em decorrência da depressão
e da demência, especialmente a Doença de Alzheimer.
É essencial que sejam evidenciados os fatores desencadeastes e perpetuadores. O
tratamento medicamentoso deve ser feito sob prescrição e controle médico regular, e
não se transformar numa utilização ininterrupta e sem reavaliação periódica.

Ilustração 14 - O ritmo do sono

9
http://eliassantaylor85.blogspot.pt/2011/12/sono-e-ritmos-biologicos.html
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1.3 - Implicações das alterações funcionais na prestação de cuidados pessoais

Com o envelhecimento as pessoas têm uma maior necessidade de assistência,


sobretudo na higiene pessoal.
No que concerne ao termo “Cuidar”, este significa tratar de alguém, garantindo o
16
seu bem-estar, segurança… no entanto, hoje em dia cuidar de pessoas idosas é um
processo complexo, com um conjunto de aspetos que variam de acordo com a situação e
relação entre as partes.
Efetivamente, a prestação de cuidados pessoais obriga a uma intervenção
planeada, mais complexa e variada. Daí surgirem cada vez mais as entidades para o
efeito, que se dotam de técnicos de diferentes áreas permitindo mobilização de serviços,
sendo elas os Serviços de Apoio Domiciliário, os Centros de Dia, as Estruturas
Residenciais Para Idosos…
Certo é que os novos processos de envelhecimento obrigam a uma maior e
melhor adaptação dos cuidadores, quer formais, quer informais. Ora se antigamente o
cuidado era baseado em alguns cuidados de higiene e na alimentação, hoje em dia,
deparamo-nos com situações de cuidados multidisciplinares (por exemplo, casos de
Alzheimer, Parkinson ou outras demências, baixa locomoção dos idosos).
Assistimos assim, a novas implicações no cuidar que podem causar “stress”,
angustia e fadiga mental, para o cuidador.

Capítulo 2 - Problemas de saúde mais comuns no idoso


2.1 - Doenças Cardiovasculares

As doenças cardiovasculares incluem várias doenças cardíacas e vasculares


específicas. Sobretudo as que levam ao ataque cardíaco.
A paragem cardiorrespiratória (PCR) é a cessação súbita, inesperada e
catastrófica da circulação sistémica do individuo sem expectativa de morte naquele
momento.
Nos países ocidentais uma das principais causas de morte são as doenças
cardiovasculares.
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Tipos de doenças cardiovasculares:
- ataque cardíaco;
- angina;
- arritmias;
- insuficiência cardíaca…
17

a) Hipertensão arterial 10
A hipertensão arterial é uma doença crónica determinada por elevados níveis de
pressão sanguínea nas artérias, o que faz com que o coração tenha que exercer um
esforço maior do que o normal para fazer circular o sangue através dos vasos
sanguíneos. A pressão sanguínea envolve duas medidas, sistólica e diastólica, referentes
ao período em que o músculo cardíaco está contraído (sistólica) ou relaxado (diastólica).
Os valores de referência são:
- Pressão arterial sistólica superiores ou iguais a 140 mm Hg
- Pressão arterial diastólica superiores ou igual a 90 mm Hg.
No entanto, um valor elevado isolado não é sinónimo de doença. Só é
considerado hipertenso um indivíduo que tenha valores elevados em, pelo menos, três
avaliações seriadas.
Causas da hipertensão arterial?
Na maior parte dos casos (90 por cento), não há uma causa conhecida para a
hipertensão arterial. No entanto é possível encontrar uma doença associada que é a
verdadeira causa da hipertensão arterial. Por exemplo: a apneia do sono, a doença renal
crónica, a doença tiroideia e paratiroideia.
A hereditariedade e a idade são fatores a ter também em atenção. Em geral,
quanto mais idosa for a pessoa, maior a probabilidade de desenvolver hipertensão
arterial.
Quais são os fatores de risco?
-Obesidade;
-Consumo exagerado de sal e de álcool;
-Sedentarismo;
-Má alimentação;

10
Manual Prevenção e Primeiros Socorros – Isabel Leite
Manual 2017
-Tabagismo;
-Stress.
Como prevenir a hipertensão arterial?
A adoção de um estilo de vida saudável constitui a melhor forma de prevenir a
ocorrência de hipertensão arterial.
18
Entre os hábitos de vida saudável sublinha-se a importância de:
-Redução da ingestão de sal na alimentação;
-Preferência por uma dieta rica em frutos, vegetais e com baixo teor de gorduras
saturadas;
-Prática regular de exercício físico;
-Consumo moderado do álcool
-Cessação do hábito de fumar;
-No caso dos indivíduos obesos é aconselhável uma redução de peso.
-Medição da pressão arterial pelo menos uma vez por ano.
Quais os sintomas que estão associados à doença?
-Cefaleias
-Tonturas
-Mal-estar vago
-Zumbidos
-Sensação de desmaio
-Distúrbios na visão
No entanto, é comum não surgir sintomas, principalmente nos primeiros anos.
Quais as formas de tratamento?
Não há uma cura para a hipertensão arterial mas na maioria dos casos é
controlável.
A adoção de um estilo de vida saudável proporciona geralmente uma descida
significativa da pressão arterial: nomeadamente, a diminuição do consumo do sal, uma
alimentação saudável, redução do consumo de álcool, evitar o stress, não fumar, manter
peso saudável e a prática regular de exercício físico (marcha, corrida, natação ou dança
são boas escolhas).
Se algum tempo depois de adotar estas medidas não tiver registado uma descida
adequada da pressão arterial, torna-se necessário recorrer ao tratamento farmacológico.
Convém sublinhar que os medicamentos não curam a hipertensão arterial, apenas
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ajudam a controlar a doença. Por isso, uma vez iniciado o tratamento, ele deverá ser, em
princípio, mantido ao longo de toda a vida.

b) Acidente Vascular Cerebral (AVC)11


O AVC acontece quando há interrupção do fornecimento de sangue em qualquer 19

parte do cérebro e pode ser classificado como hemorrágico e isquémico, sendo o


isquémico o mais frequente, representando 85% dos casos. O AVC tem diferentes
causas: malformação arterial cerebral (aneurisma), hipertensão arterial, cardiopatia e
tromboembolia.
Sintomas de AVC em idosos
– Fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, especialmente em
um lado do corpo;
– Queda facial – assimetria quando o paciente é solicitado a mostrar os dentes ou
sorrir;
– Fraqueza nos braços ao ser solicitado a estender os braços para frente em um
ângulo de 90° com o tronco e mantê-los na posição por 10 segundos, um dos braços não
se move ou não fica mantido na posição em relação ao contralateral;
– Confusão, alteração da fala ou compreensão, fala anormal ao ser solicitado a
pronunciar a frase “o rato roeu a roupa do rei de Roma”, o paciente pronuncia palavras
incompreensíveis, usa palavras incorretas ou é incapaz de pronunciar;
– Alteração na visão (em um ou ambos os olhos);
– Alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;
– Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.
Prevenção do AVC em idosos
– Diminuir a quantidade de gordura na sua dieta;
– Adotar uma dieta saudável melhora a sua forma física e diminui o risco para
doenças vasculares (derrame, infarto);
– Parar de fumar diminui ainda mais o risco e é imediatamente eficaz;
– Exercícios físicos regulares melhoram a circulação e ajudam a diminuir os
outros fatores de risco para AVC;

11
Manual Prevenção e Primeiros Socorros – Isabel Leite
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– Se tiver pressão alta, tomar os seus remédios conforme orientação do médico,
mesmo que não tenha sintomas;
– Se tem diabetes, preste bastante atenção na dieta para manter o nível de glicose
no sangue dentro do normal.

20

2.2 - Diabetes12

A diabetes é uma doença crónica que se caracteriza pelo aumento dos níveis de
açúcar (glicose) no sangue e pela incapacidade do organismo em transformar toda a
glicose proveniente dos alimentos. À quantidade de glicose no sangue chama-se
glicemia e quando esta aumenta diz-se que o doente está com hiperglicemia.
Quem está em risco de ser diabético?
 Pessoas com familiares diretos com diabetes;
 Homens e mulheres obesos;
 Homens e mulheres com tensão arterial alta ou níveis elevados de colesterol no
sangue;
 Mulheres que contraíram a diabetes gestacional na gravidez;
 Crianças com peso igual ou superior a quatro quilogramas à nascença;
 Doentes com problemas no pâncreas ou com doenças endócrinas.

Que tipos de diabetes existem?


-Diabetes Tipo 1
-Diabetes Tipo 2
-Diabetes Gestacional
-Outras formas de Diabetes (ex: desordens genéticas, doenças endócrinas)

Diabetes Tipo 1: o pâncreas não produz insulina ou produz em quantidades


muito reduzidas. Com a falta de insulina, a glicose não entra nas células, permanecendo
na circulação sanguínea em grandes quantidades. Início em idades jovens.
Diabetes Tipo 2: mau funcionamento/diminuição dos recetores das células –
neste caso a produção de insulina está normal, mas como os recetores não estão a

12
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funcionar de forma correta, a insulina não consegue promover a entrada de glicose para
dentro das células.
Diabetes Gestacional: Surge durante a gravidez e desaparece, habitualmente,
quando concluído o período de gestação. No entanto, é fundamental que as grávidas
diabéticas tomem medidas de precaução para evitar que a diabetes do tipo 2 se instale
21
mais tarde no seu organismo.
Os sinais e sintomas da diabetes são:
-poliúria (a pessoa urina com frequência)
-polidipsia (bastante sede)
-polifagia (apetite aumentado)
-perda de peso
-fadiga
Diagnóstico:
Se tiver uma glicemia ocasional de 200 miligramas por decilitro ou superior com
sintomas;
Se tiver uma glicemia em jejum (oito horas) de 126 miligramas por decilitro ou
superior em duas ocasiões separadas de curto espaço de tempo.
Complicações da Diabetes:
-Retinopatia - lesão da retina;
-Nefropatia - lesão renal;
-Hipertensão arterial;
-Hipoglicemia - baixa do açúcar no sangue, abaixo de 65 mg/dl;
-Hiperglicemia - nível elevado de açúcar no sangue;
-Pé diabético
-Doenças cardiovasculares - angina de peito, ataques cardíacos e acidentes
vasculares cerebrais;
-Disfunção e impotência sexual - a primeira manifesta-se de diferentes formas
em ambos os sexos;
-Entre outras.
Cuidados ao diabético:
-Alimentação (racional e equilibrada: realizar 5/6 refeições diárias, diminuição
consumo de sal e gorduras, alternar consumo de carne e peixe, ingerir mais 1,5 L de
água)
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-Exercício físico
-Administração de terapêutica
-Vigilância de glicemia capilar
-Prevenção, deteção e tratamento das complicações
-Higiene diária, incluindo a higiene oral
22
-Higiene do pé, observação de sinais de alarme, limpeza

2.3 - Doenças Reumáticas

Algumas doenças reumáticas têm, nos idosos, "especificidades clínicas ou


mesmo quadros clínicos diversos dos que encontramos noutros grupos etários", afirma
Jaime C. Branco13.
As doenças reumáticas observadas nos idosos são a osteoartrose, osteoporose,
doença por deposição de cristais de pirofosfato de cálcio, polimialgia reumática, arterite
de células gigantes, doença óssea de Paget.

a) Osteoporose14
Osteoporose é definida como a perda acelerada de massa óssea, que ocorre
durante o envelhecimento. Essa doença provoca a diminuição da absorção de minerais e
de cálcio.
Três em cada quatro pacientes são do sexo feminino. Afeta principalmente as
mulheres que estão na fase pós-menopausa.
A fragilidade dos ossos nas mulheres é causada pela ausência do hormônio
feminino, o estrogénio, que os tornam porosos como uma esponja. É a maior causa de
fraturas e quedas em idosos.
Os principais fatores de risco de desenvolvimento dessa doença são:
• Pele branca;
• Histórico familiar de osteoporose;
• Vida sedentária;
• Baixa ingestão de Cálcio e /ou vitamina D;

13
https://justnews.pt/noticias/as-especificidades-clinicas-das-doencas-reumaticas-nos-
idosos#.WcfYtXaGPIU
14
Dr. Sergio dos Passos Ramos CRM17.178 – SP
Manual 2017
• Fumo ou bebida em excesso;
• Medicamentos, como anticonvulsivantes, hormônio tireoideano, glocorticoides
e heparina;
• Doenças de base, como artrite reumatóide, diabetes, leucemia, linfoma.

23
Os locais mais afetados por essa doença são a coluna, o pulso e o colo do fémur,
sendo este último o mais perigoso.
É considerada o segundo maior problema de saúde mundial, ficando atrás apenas
das doenças cardiovasculares.

b) Artrite reumática15
A artrite reumatóide (AR) é uma doença inflamatória crónica que geralmente
afeta as pequenas articulações das mãos e dos pés. Ela interfere no revestimento dessas
articulações, causando um inchaço doloroso que pode, eventualmente, resultar em
erosão óssea e deformidade articular.
A artrite reumatóide é uma doença auto imune, ou seja, que faz com que o
sistema imunológico do corpo ataque os tecidos saudáveis por engano.
Sinais e sintomas:
 Dor nas articulações dos dedos das mãos e pés
 Dor nas articulações dos joelhos e tornozelos
 Dor nas articulações dos cotovelos e ombros
 Dor na região do quadril
 Dor, inchaço e aumento da temperatura nas articulações
 Rigidez matinal, que pode durar horas
 Caroços firmes de tecido sob a pele dos braços (nódulos reumatóides)
 Rigidez e dificuldade para movimentar certas articulações no período da manhã
 Fadiga
 Febre
 Perda de peso não intencional.

15
http://www.minhavida.com.br/saude/temas/artrite-reumatoide
Manual 2017
2.4 - Perturbações mentais e comportamentais

 Demência
 Doença de Alzheimer
 Depressão 24

 Pseudodemência
 Doença de Parkinson
Nota: tópicos analisados no capítulo seguinte.

2.5 - Alterações da visão16

Sete doenças comuns que podem causar cegueira em idosos


1 - Degeneração Macular Relacionada à Idade (DMRI)
É a causa número 1 de cegueira em idosos. Como o próprio nome diz, consiste
na degeneração da mácula (estrutura localizada na parte posterior do olho, na retina,
responsável pela visão central), A DMRI surge com sintomas de embaçamento visual
e/ou distorção de formas, evoluindo com perda gradual e irreversível da acuidade visual.
2 – Presbiopia
É quando ocorre pioras de visão para perto. Ocorre uma acomodação que
impede o olho de focar corretamente. Começa aos 40 e se completa aos 60 anos. A
principal causa é o cansaço da visão.
É corrigida com o uso de óculos.
3 - Catarata
É a principal causa de cegueira reversível no mundo. Pode aparecer em qualquer
idade, mas ocorre principalmente após os 50 anos. Nesta faixa de idade existe perda
progressiva da transparência da lente natural do olho, o cristalino. O fenómeno ocorre
mais comumente de maneira natural, pelo envelhecimento do organismo, porém pode
ser acelerado por diversas doenças sistémicas (como, por exemplo, o diabetes) e
induzido pelo uso crónico de drogas (a exemplo dos anti-inflamatórios hormonais ou
popularmente conhecidos como corticóides).

16
http://www.a12.com/jornalsantuario/noticias/conheca-os-principais-problemas-de-visao-entre-idosos
Manual 2017
O principal sintoma da catarata é o embaçamento visual, que evolui de maneira
gradual até a completa perda da visão.
4 - Glaucoma
Doença genética que se manifesta principalmente na terceira idade. Há perda
progressiva da visão periférica causada pelo aumento da pressão ocular. Pode levar à
25
cegueira irreversível. O Glaucoma caracteriza-se por um conjunto de fatores que leva à
perda da visão pela destruição do nervo ótico. Esse fenómeno normalmente é associado
ao aumento da pressão intraocular e pode ocorrer em apenas um ou ambos os olhos. É
uma das principais causas de cegueira irreversível e se inicia com quadro de perda da
visão periférica.
5 - Doenças Vasculares
Causadas por hipertensão ocular e diabetes essas doenças são mais comuns na
terceira idade e afetam os vasos da retina provocando oclusões.
6 - Retinopatias (Diabética e Hipertensiva)
As retinopatias caracterizam-se por alterações progressivas e tardias ocorridas na
retina em virtude da complicação de duas importantes doenças: o diabetes e a
hipertensão arterial. Geralmente, as retinopatias instalam-se lentamente e muitas vezes
não há sintomas de início. Em casos de uma hemorragia, o paciente queixa-se de perda
da visão súbita no olho acometido.
7- Olho Seco
Os sintomas relacionados ao olho seco são mais frequentes em mulheres após a
menopausa em virtude das mudanças hormonais a que são submetidas nesse período.
Pacientes em uso crónico de certos medicamentos e/ou submetidos a tratamentos de
quimioterapia ou radioterapia também podem relatar a ocorrência desses sintomas em
decorrência de alterações desencadeadas nas glândulas lacrimais no que diz respeito à
produção da lágrima. Alterações senis nas pálpebras (entrópio, ectrópio) e distúrbios do
sistema lacrimal (obstrução) são outros fatores que podem desestabilizar a superfície
ocular do paciente, gerando sintomas de olho seco.
Manual 2017

2.6 - Alterações cognitivas17

Durante o processo de envelhecimento ocorrem várias alterações nos indivíduos,


estando entre elas: as neurológicas, cognitivas e comportamentais.
A alteração neurológica mais vulgar é a diminuição na velocidade do
26
processamento das informações. Cognitivamente há um uso menor de estratégias
durante o processo de memorização, as comportamentais, abrangem questões de estilos
de vida, havendo uma redução das oportunidades de estimulação cognitiva em virtude
da reforma ou do isolamento social.
As falhas cognitivas podem ser:
 Normais durante o envelhecimento
 Mais marcantes do que o esperado para o envelhecimento normal, mas não
evolutivo para um quadro demencial
 Ou ainda podem corresponder a um quadro inicial da DTA
 Queixa de falta de memória por parte do individuo e corroborada por um
informante
 Comprometimento objetivo da memória, diagnosticado por testes
 Funções cognitivas gerais normais
 Ausência de alterações das atividades da vida diária
 Manifestações não suficientemente graves para o diagnóstico de demência

Capítulo 3 - As principais perturbações mentais e comportamentais no


idoso e as suas consequências
3.1- Perturbações mentais orgânicas

a) Demência
A demência pode ser notada principalmente pelas alterações do raciocínio, como
a perda da capacidade de abstração e a repetição contínua de ideias.
Outra característica da demência é a perda gradual da memória, especialmente
para eventos mais recentes. A pessoa num processo demencial pode lembrar-se do que
ocorreu há muitos anos, mas esquecer-se do que se passou no dia anterior18.

17
Manual de Psicologia da Velhice, Vera Costa
Manual 2017
Numa primeira fase da doença podem ocorrer os seguintes aspetos:
- diminuição de interesse;
- dificuldade de aprender coisas novas e de tomar decisões;
- irritação, vulnerabilidade, desconfiança, repetibilidade;
- impaciência, resistência a mudanças;
27
- esquecimento do que foi dito à pouco.
Na segunda fase:
- aumentar o esquecimento de factos recentes;
- piorar a orientação, a pessoa sai de casa e não consegue voltar;
- comportamentos inadequados: abraçar um desconhecido;
- descuidar-se do próprio aspeto.
Por sua vez, na terceira e última fase (grave):
- descuido total quanto ao aspeto pessoal;
- orientação nula;
- aumento da confusão, repetição e irritação;
- incontinência da urina e fezes;
- fim da memória.

b) Doença de Alzheimer 19
Trata-se de uma doença neurológica degenerativa, lenta e progressiva, que
costuma manifestar-se após os 50 anos.
A pessoa atingida por ela apresenta uma crescente dificuldade para memorizar,
decidir, agir, locomover-se, comunicar, alimentar-se, até atingir o estado vegetativo.
A doença de alzheimer é de difícil diagnóstico, especialmente na fase inicial por
ser confundida com falta senilidade.
Nota: Anexo DA Vários

18
Velhice, Aspetos Biopsicossociais – Guite Zimerman: 2005
19
Velhice, Aspetos Biopsicossociais – Guite Zimerman: 2005
Manual 2017
c) Depressão20
A depressão é uma doença que ocorre na criança, no adolescente, no adulto e no
velho. A diferença entre a depressão das diversas faixas etárias reside no fato de que
talvez o velho não tenha tanto apoio e motivação para sair dela.
As depressões na velhice são quase sempre ligadas a perdas, doenças, carências
28
e aspetos sociais.
Alguns dos principais sintomas são:
- tristeza;
- falta de motivação;
- desânimo;
- perturbações do sono;
- perturbação na vontade;
- desinteresse;
- falta de apetite;
- dores físicas;
- irritabilidade;
- dificuldades de concentração;
- perda do gosto pela vida.

d) Pseudodemência 21
O termo pseudodemência refere-se aos quadros de variados graus de perda
cognitiva secundários à depressão.
É uma perturbação psiquiátrica que simula um quadro demencial, supostamente
devido a doença funcional e que é reversível com o tratamento adequado, na ausência
de um processo neuro degenerativo primário suscetível de causar demência.
Sintomas comuns à demência e à pseudodemência
- diminuição da memória e da concentração;
- alterações do afeto: apatia, disforia, perda de vitalidade;
- alterações de pensamento;
- irritabilidade e agitação psicomotora.
Nota: Anexo tabela

20
Velhice, Aspetos Biopsicossociais – Guite Zimerman: 2005
21
Velhice, Aspetos Biopsicossociais – Guite Zimerman: 2005
Manual 2017
e) Doença de Parkinson22
A doença de Parkinson é uma patologia degenerativa do sistema nervoso central,
progressiva e idiopática.
É uma doença limitante, que provoca grandes estigmas, principalmente devido
aos tremores crescentes que provoca no paciente, dificultando a aceitação desse.
29
A sua etiologia é pouco conhecida, mas há indícios de que exista uma
predisposição genética nas pessoas que a desenvolvem.
As suas principais características são:
- rigidez muscular;
- dores musculares e articulares;
- tremor de repouso;
- lentidão para falar, caminhar e pensar.

3.2 - Perturbações mentais e comportamentais devido ao abuso de


substância psicoactiva23

Existem alguns fármacos associados ao aparecimento de sintomas depressivos:


- diuréticos;
- antagonistas do cálcio;
- corticóides;
- anti-inflamatórios não esteróides…

3.3 - Esquizofrenia, perturbações esquizotímicas e perturbações delirantes

a) Esquizofrenia
Esquizofrenia é uma doença mental que se caracteriza por uma desorganização
dos processos mentais. As pessoas com esquizofrenia perdem o sentido da realidade,
ficam incapazes de distinguir a experiência real da imaginária, e podem até escutar
vozes ou acreditar que os outros estão lendo e controlando seus pensamentos. A pessoa
sente delírios, alucinações, seus pensamentos ficam desorganizados e o comportamento

22
Velhice, Aspetos Biopsicossociais – Guite Zimerman: 2005
23
http://www.geriatracuritiba.com/transtornos-psiquiatricos-mais-comuns-em-idosos/
Manual 2017
se altera. Os sintomas da esquizofrenia podem não ser os mesmos de indivíduo para
indivíduo, podendo aparecer de forma insidiosa e gradual ou, pelo contrário, manifestar-
se de forma explosiva e instantânea.
Não existe uma causa única para o desencadear deste transtorno. Assim como
muitas outras doenças mentais, acredita-se esquizofrenia seja uma combinação de
30
fatores genéticos e ambientais. Todas as ferramentas da ciência moderna estão sendo
usadas para descobrir as causas da esquizofrenia. Pesquisas estão desenvolvendo
medicamentos mais eficientes e procurando entender as causas da esquizofrenia para
achar suas formas de prevenção.
Uma vez que a causa da esquizofrenia ainda é desconhecida, os tratamentos
atuais focalizam na eliminação dos sintomas da doença; incluem medicamentos
antipsicóticos e tratamento psicossocial, e podem aliviar muitos dos sintomas.

b) Transtorno delirante
Pessoas que possuem transtorno delirante sofrem de delírios, alucinações e
muitas vezes creem em ideias falsas ou até mesmo pensam que estão sendo espionados,
envenenados e assediados. Isso causa angústia e ansiedade, gerando muito sofrimento
psíquico. Assim, tendo a família como apoio é uma coisa muito importante. O
tratamento é realizado com medicação e psicoterapia.

c) Transtornos de ansiedade
Sintomas ansiosos são bastante frequentes em idosos e constituem uma das
desordens psiquiátricas mais comuns nesta faixa etária. A ansiedade deve ser
considerada quando os sintomas de ansiedade são excessivos ou injustificados e,
portanto, mal-adaptativos.
Envolve a presença de uma constelação de sintomas cognitivos (ex: medo,
preocupação), comportamentais (ex: inquietude, rituais de arrumação) e fisiológicos
(ex: palpitação, sudorese). Pode estar relacionada com acontecimentos do dia-a-dia ou
com fatos específicos, ter aparecimento diário ou episódico, ter início espontâneo ou ser
desencadeada por eventos de vida extremos. Tornam-se excessivos em seu desejo por
organização e necessidade excessiva de manter rotinas. Podem ter compulsões para
verificar as coisas repetidamente, tornando-se geralmente inflexíveis e rígidos.
Manual 2017
O diagnóstico deve ser elaborado com base na avaliação clínica e exame do
estado mental. Escalas de ansiedade podem ser usadas para auxiliar o diagnóstico. O
diagnóstico diferencial deve ser feito com condições médicas cuja apresentação
mimetize sintomas somáticos da ansiedade.

31

3.4 - Perturbações do humor 24

O transtorno bipolar é caracterizado por alterações cíclicas de humor, que vão


desde euforia (mania) até depressão. Os sintomas também incluem humor expansivo e
irritável, fácil distração, impulsividade, e necessidade de sono diminuída. Com o uso de
medicamentos adequados e de apoio psicológico, é perfeitamente possível atravessar
períodos indefinidamente longos de saúde e ter vida plena.
3.4.1 Perturbações Depressivas
- perturbação depressiva major
- perturbação distímica
- perturbação depressiva SOE
3.4.2 Perturbações bipolares
- bipolar I
- bipolar II
- ciclotímica
3.4.3 Perturbações do humor baseadas em etiologia
- secundárias a um estado físico geral
- induzidas por substâncias

3.5 - Síndromes comportamentais associadas a disfunções fisiológicas e a


fatores físicos

 Transtornos da alimentação
 Transtornos não-orgânicos do sono devidos a fatores emocionais
 Disfunção sexual, não causada por transtorno ou doença orgânica

24
Aulas de Psicologia e Pscicopatologia do Envelhecimento – Óscar Ribeiro
Manual 2017
 Transtornos mentais e comportamentais associados ao puerpério, não
classificados em outra parte
 Fatores psicológicos ou comportamentais associados a doença ou a
transtornos classificados em outra parte
 Abuso de substâncias que não produzem dependência
32

Capítulo 4 - Alterações na autonomia e funcionalidades e impacto na


qualidade de vida do idoso
O processo de envelhecimento sendo de origem biológica e social acarreta
consigo um conjunto de consequências que afetam o quotidiano do idoso. Essas perdas
centram-se essencialmente ao nível do desgaste gradual das aptidões a nível físico,
cognitivo e psicológico, tornando o idoso mais desprotegido quanto ao aparecimento de
determinadas doenças e incapacidades.
Quanto ao social, o envelhecimento é um processo, que, em alguns casos em
particular, conduz a uma redução significativa dos laços sociais (familiares, vizinhos,
amigos), tendo por isso uma relação efetiva com a perda de autonomia nas mais
diversas atividades pessoais diárias.
Todas as perdas que advém do envelhecimento, admitindo que nem todos
envelhecem de igual forma, leva-nos obrigatoriamente à noção de autonomia. Este
conceito, muito ligado à saúde mental e à funcionalidade, refere-se à capacidade que os
sujeitos têm de levarem a cabo um conjunto de decisões que influenciam a sua vida e a
de outros, abarcando um conjunto de ações para atingirem um fim. E, ainda a
capacidade de satisfazer um conjunto de necessidades básicas e atividades de
autocuidado.

Ações
Aspetos da Autonomia Vontades
Pensamentos
Tabela 1- Aspetos da Autonomia

*Ações – Perceção de independência física


*Vontades – Auto-determinação/Decisão
*Pensamentos – Capacidade de avaliar/julgar todas as situações do quotidiano
Manual 2017
Esta perda de autonomia, tal como foi dito anteriormente, não é um processo
apenas biológico e natural, mas também, é consequência de um conjunto de fatores
sociais como:

 Analfabetismo;
 Reforma; 33

 Preconceito social quanto à reabilitação;


 Quebra de laços sociais com o exterior;
 Composição familiar multigeracional, causadora de assistencialismo e
infantilização do idoso

Os conceitos de autonomia e qualidade de vida estão intimamente ligados, uma


vez que qualidade de vida diz respeito ao grau de satisfação que o sujeito avalia para si
próprio, num plano individual, quanto ao estado harmonioso da sua vida familiar,
amorosa, social e ambiental. Logo a avaliação de qualidade de vida deve ser feita pelo
próprio, tendo com base os seus significados, conhecimentos, experiências e valores.
Varia assim conforme:

 Tempo histórico, quanto ao desenvolvimento social, económico e tecnológica


da altura;
 Cultura, os valores e tradições em determinada sociedade;
 Classe social.

Logo, a avaliação da perda qualidade de vida não está a par da perda de


autonomia, ou seja, um idoso pode perder gradualmente a sua autonomia em diversos
parâmetros, mas, a seu ver, não perder qualidade de vida, dependendo da capacidade de
adaptação que o mesmo demonstra.
Assim, a eficiência do funcionamento do corpo humano vai diminuindo, o que
gera alterações físicas e comportamentais, tendo como consequência natural a perda de
autonomia nas AVD`S e AIVD`S, podendo gerar uma diminuição da qualidade de vida
e um aumento substancial da dependência de outros.
A dependência pode advir de um conjunto de doenças crónicas, ou ser uma
consequência da perda de funções fisiológicas no que respeita ao processo de
envelhecimento, gerando incapacidade de fazer face às atividades.
Manual 2017
Ocorrendo uma dependência o resultado evidente é a perda de capacidade de
execução das Atividades da Vida Diária (AVD), como por exemplo, o cuidado pessoal,
a mobilidade, a alimentação, vestir e despir, e tudo o que envolve a higiene pessoal,
nomeadamente o banho, ir à casa-de-banho, controlo de esfíncteres). E, ainda, a
incapacidade de realizar as Atividades Instrumentais da Vida Diária (AIVD), atividades
34
essas que possibilitam a integração de um sujeito na comunidade e que envolvem a
gestão de todos os parâmetros da sua vida, como ir às compras, a gestão financeira em
casa, as limpezas, cozinhar, utilizar o telefone e a utilização de transportes.
De modo a avaliar o nível de dependência do idoso é possível utilizar alguns
instrumentos de avaliação, nomeadamente, a Escala de Barthel e o Índice de Lawton,
ambas de observação direta e de fácil preenchimento, podendo ser utilizada em
ambiente de institucionalização ou em domicílio. Este procedimento é de extrema
importância, pois é a partir dele que os cuidadores formais e informais podem delinear
um conjunto de operações de intervenção ao nível psicomotor e social.

4.1- Quedas, Imobilidade e Depressão

Com o passar dos anos as quedas passam a estar presentes mais frequentemente,
consequência da perda de independência, podendo ser desta forma um marcador ou um
sinal de um declínio físico ou o aparecimento de uma nova patologia.
Mas porque é que não se estudam as quedas? Porque, muitas vezes o idoso não
faz alusão à queda e/ou há uma desvalorização da queda por parte do cuidador.
Apesar de desvalorizadas, as quedas são um importante problema de saúde
pública com consequências a nível económico e da medicina.
A ocorrência de quedas vai aumentando à medida que na idade aumenta, sendo
mais frequente nas mulheres, sendo a sexta causa de morte nas faixas etárias abaixo
referidas:

 32% - entre os 65 e os 74 anos; Perda da mobilidade;

 35% - entre os 75 e os 84 anos; Perda de funções e independência;

 51% - acima dos 85 anos. Perda de autonomia

Perda da mobilidade;

Perda de funções e independência;

Perda de autonomia
Manual 2017
 5% - Fraturas;
 50% - Necessitam de cuidados médicos.

Os momentos mais propícios para ocorrer a queda são: sentar; levantar;


baixar; alcançar objetos.
Os fatores intrínsecos que em conjunto podem provocar uma queda são as 35

seguintes:

 Redução da acuidade visual e auditiva (cataratas, dificuldade de distinguir


cores, intolerância à luz, dificuldade de se mover em locais escuros, perda
dos cílios no ouvido interno, perda de reflexo auditivo);
 Distúrbios músculo-esqueléticos (perda de força muscular, degeneração
cartilagens, dificuldade na marcha, hipotensão postural, deformidade dos
pés)
 Medicamentos (anti-depressivos, sedativos, entre outros);
 Diminuição da capacidade de resposta e velocidade do reflexo que
mantêm o equilíbrio;
 Atrofia muscular;
 Deficiência articular que impossibilita/dificulta uma resposta rápida.

Os factores externos são de risco a nível doméstico, público e institucional, que


em particular podem resultar numa queda são os seguintes:

 Tapetes e Passadeiras;
 Interruptores de difícil acesso;
 Portas de difícil abertura;
 Degraus;
 Escadas com pouco apoio e iluminação;
 Banheiras e Duches sem os devidos apoios e escorregadios;
 Passeios estreitos;
 Obstáculos;
 Semáforos de breve duração;
 Calçado e vestuário inapropriado.
Manual 2017
As principais consequências de lesão de uma queda são as seguintes:

 Fraturas*
 Intervenções cirúrgicas;
 Complicações advindas das intervenções;
 Longos períodos de hospitalização; 36

 Incapacidade/Imobilidade;
 Institucionalização;
 Medo de cair;
 Morte

*Quedas com impacto direto na anca ou pulso têm maior probabilidade de fratura.
As fraturas no fémur são as mais frequentes.
Por conseguinte ocorre um período de imobilidade, com uma perda substancial da
força muscular, rigidez, dores, alteração de equilíbrio, úlceras de pressas, tromboses
venosas profundas, pneumonia, infeção urinária e atrofia muscular.
Como tudo é um ciclo, este tipo de consequências físicas tem um efeito nefasto a
nível social para o idoso, uma vez que há uma maior prevalência para o isolamento
social e por resultado, um estado depressivo (Escala de Depressão Geriátrica – GDS),
que quando não detetado previamente pode ter um efeito físico, nomeadamente a morte.
A prevenção deve então ser levada a cabo nos diversos meios onde o idoso, de
modo a diminuir o risco de queda, sem comprometer a mobilidade e a independência
nomeadamente através de:

 Prevenção primária
o Atividade física;
o Mecanismos de prevenção ao isolamento;
o Instrumentos de Avaliação Geriátrica (Teste de Tinetti)
 Prevenção Secundária
o Despiste de fatores de risco internos (saúde) e externos
(domésticos, públicos e/ou institucionais);
 Prevenção Terciária
o Reeducação de marcha;
Manual 2017
o Psicomotricidade (Equilíbrio, Lateralidade, Esquema Corporal,
Estrutura Espaço-Temporal, Praxias Global e Fina, entre outros);
o Mudanças no alojamento, medicação.

Por último, de salientar que os locais e horas de maior ocorrência de queda merece
também uma atenção. Na maioria dos casos, idosos com mais de 75 anos sofrem as 37

quedas em casa, entre as 08:00h e as 21:00h, resultado do seu diminuto grau de


dependência, e do período de maior atividade diária.

Capítulo 5 – Aspetos psicológicos do envelhecimento


O processo de envelhecimento traz consigo um conjunto de aspetos psicológicos
que são variáveis consoante o sujeito, tendo em conta as suas características pessoais, o
seu meio, a sua cultura e vivências.
Nesta altura da vida, o tratamento das emoções não é de fácil gestão, há mais
resistência, levando a estados profundos de desilusão.
Os principais aspetos que afetam o psicológico da terceira idade são:

 Frustração por o corpo não acompanhar o lado cognitivo;


 Dificuldade de adaptação e de planear o futuro;
 Viuvez, morte de amigos e familiares;
 Desvalorização do papel do idoso.

Cada um vive a velhice a seu passo, e não há dois processos iguais, mesmo que as
vivências possam ser similares, e, como referido anteriormente, circunstâncias iguais
vividas em alturas da vida diferentes geram uma resposta diferente, devido às limitações
percecionadas, gerando conflitos internos.
Desta forma, o processo de envelhecimento a nível psicológico e emocional pode
gerar:

 Decadência da manifestação de afetividade, interesses, ações, emoções e


desejos (passividade);
 Lacunas na memória (pequenos esquecimentos);
 Destaque de determinadas características da personalidade antigas
(desconfiança, irritabilidade, autoritarismo, etc);
Manual 2017
 Resistência a novas ideias e situações novas;
 Afeição aos valores, normas e costumes conhecidos;
 Alterações de humor e/ou depressão.

Todos estes processos comportamentais comportam um risco para o idoso,


38
nomeadamente a partir da:

 Degeneração dos processos sensoriais;


 Solidão, isolamento e depressão;
 Elevado risco de suicídio;
 Doenças mentais;
 Reduzida auto-estima;
 Mais propensão a ser vítima de violência.

As emoções ficam à flor da pele, e nesta fase surgem inseguranças antigas, medos,
ansiedades e stress.
Gerascofobia – medo (demência, existir, doença, viver, desamparo, mudanças),
sem justificação e presente de uma forma anormal relativamente ao processo de
envelhecimento, gerados de infelicidade, não estando associada a nenhum tipo de forma
física ou perturbação psíquica.
Ligada a esta fobia encontram-se estratégias de curto prazo, como, não festejar o
aniversário, operações plásticas, entre outras. Este tipo de rumo estratégico adia o
“lidar” com a situação, aumentando o medo.
O papel do cuidador é valorizar a pessoa idosa e dignificar o processo de
envelhecimento garantindo a perceção dessa vontade e a integração social do mesmo,
assim como, trabalhar com os jovens os conceitos associados à velhice e o processo
inerente. Em termos práticos o cuidador deve propor a realização de atividades físicas,
atividades e tarefas adequadas ao envelhecimento, que garantam o convívio social.

5.1 - Modificações das funções cognitivas

No processo de envelhecimento normal é esperado alguns défices cognitivos, que


devem ser acompanhados de forma a evitar avanços desproporcionados.
Manual 2017
As alterações cognitivas mais afetadas no processo de envelhecimento são: a
velocidade e processamento de resposta, a memória de trabalho (limitação do raciocínio
e recordação), e alterações sensoriais e percetuais (lentificação do sistema nervoso
central).
Dois dos défices mais propícios de aparecerem no processo de envelhecimento
39
são: o défice de memória associado à idade (DMAI) e o défice cognitivo ligeiro (DCL).
O primeiro está ligado a sujeitos com idade igual ou superior a 50 anos, com
queixas de perda de memória que afetam o quotidiano, com padrões de memória abaixo
do normal para a idade. O segundo relaciona-se com as áreas da aprendizagem e
memorização de informação, assim como, linguagem, raciocínio e lacunas na
capacidade visuo-espacial, pondo em causa a realização de algumas atividades
instrumentais da vida diária. De referir ainda, que os portadores de DCL, por norma,
têm tendência a desenvolver demências, devendo assim ser acompanhado através de um
conjunto de intervenções de estimulação cognitiva, não deixando de realizar algumas
tarefas diárias, desde que acompanhado e vigiado.
Os fatores que influenciam estas mudanças a nível cognitivo são os seguintes:
 Genética;
 Escolaridade;
 Atividade mental;
 Personalidade e estados depressivos;
 Meio cultural e social;
 Treino cognitivo;
 Sexo (As mulheres têm mais dificuldade em tarefas espaciais mais cedo, e
os homens em tarefas verbais).

5.2 - Os afetos e a sexualidade nos idosos


Para alcançar uma saúde mental plena há que ter noção que o bem-estar está no
campo da subjetividade, uma vez que engloba termos como auto-estima, autonomia,
competência, auto-realização, intergeracionalidade e afetividade. Ou seja, podemos não
ter nenhuma doença de foro mental, e não nos sentirmos bem a nível mental.
No decorrer do processo de envelhecimento, apesar de por vezes não
demonstrarem, o idoso tem mais necessidade de sentir que é amado, sendo uma
Manual 2017
necessidade básica, que deve ser colmatada, de modo a evitar doenças como a
depressão.
A necessidade de amar e ser amado liga-se então à sexualidade e à importância da
mesma, sendo nesta ligação que se criam condições para a comunicação e para o amor,
através do lado emocional, intelectual e social.
40
É sabido que a longevidade é um aspeto relativamente novo, principalmente no
contexto português, havendo assim um desconhecimento notório a cerca das dinâmicas
que envolvem o idoso e o seu meio, nomeadamente, no que respeita ao sexo. Um dos
mitos que envolve a sexualidade na terceira idade é que esta é uma perda total, no
entanto, deve ser encarada também como um ganho, uma vez que se encontram
presentes sentimentos de segurança entre parceiros.
Desta forma, a sexualidade é uma realidade para todos, que envolve a nossa
personalidade em qualquer idade, motivadora para procurar contacto, afeto, prazer,
bem-estar físico e mental e diversas interações.
Como todos os âmbitos de estudo a sexualidade tem também um conjunto de
dimensões sendo elas:
 Biológica;
 Psico-afectiva;
 Comunicativa;
 Ética;
 Socio-cultural;
 Política
Porém, estudos demonstraram que ao longo dos anos há uma diminuição da
resposta sexual, sendo necessário agilizar mecanismos de resposta. Segundo os mesmos,
os principais fatores que geram uma resposta menos eficaz prendem-se com o
aborrecimento com o parceiro, o cansaço, a monotonia, dificuldades económicas, a
doença física e/ou mental e o medo de falhar. Para o homem a relação meramente
sexual é desvalorizada, e há uma voltagem para o interior e para o significado da vida,
valorizando relações de carinho e afeto com os seus parceiros.
Para ultrapassar estas fases é necessário começar a praticar uma educação
sexualizada em casa e nas escolas, não dramatizar as passagens pela menopausa e
Manual 2017
andropausa e, realizar mais estudos sobre vida ativa no envelhecimento, admitindo que
a sexualidade é uma necessidade física e psicológica para todos.
Os adultos de hoje são os velhos de amanhã, desta forma é essencial sensibilizar
para esta temática transmitindo alguns conhecimentos. Alguns erros a evitar no que
respeita à sexualidade no processo de envelhecimento são: transmitir sentimentos de
41
frustração; transmitir sentimentos de demasiada jovialidade, podendo trazer ansiedade à
relação; esquecer a afetividade; “colar-se” às crenças religiosas; criar encontros
amorosos; fomentar a comunicação não verbal; compreender o outro; comunicação
sexual ativa; fomentar sentimentos de tolerância.

Capítulo 6 – Aspetos sociais do envelhecimento


Além dos aspetos biológicos e psicológicos, o envelhecimento acarreta consigo
um conjunto de mudanças nos papéis sociais do idoso no contexto onde se encontra
inserido, dada a mudança de expectativas que o mesmo sofre aos olhos da sociedade.
O aumento da esperança média de vida é um dos desafios do presente século,
mais precisamente nos países desenvolvidos industrializados, sendo que, a par desta
tendência ocorreu um decréscimo da taxa de natalidade e um aumento substancial da
população com idade superior aos 65 anos de idade.
Estas alterações têm uma reflexão direta a nível familiar, económico, comunitário
e na sociedade em geral. Desta forma, quem sofre uma maior panóplia de consequências
negativas são os mais idosos, os mais dependentes e os mais carenciados a nível
económico, sendo que neste grupo se encontra em maioria as mulheres.

6.1 - Evolução histórica do conceito de idoso


O conceito de envelhecimento e idoso é variável consoante os tempos e culturas,
por exemplo, nas sociedades mais primitivas os mais velhos eram objeto de veneração
aos olhos dos mais novos, sendo considerados fontes de conhecimento e bons
conselhos. Aos mais velhos eram guardados os papéis sociais considerados mais
importantes de vários ramos da sociedade, como, a nível político e postos de decisão
comunitária.
Com o passar dos tempos, fruto da revolução industrial, os valores acima referidos
foram substituídos, os mais velhos passaram a ser vistos como pessoas incapazes de
Manual 2017
produzir como os mais jovens, sendo cada vez mais excluindo socialmente,
marginalizando-os.
Atualmente, o processo de envelhecimento, o idoso em si é encarado pela
sociedade como alguém sem produtividade e decadente, fruto da separação em todos os
aspetos que se fazem entre os mais velhos e os mais jovens e a perda de
42
responsabilidade no seio familiar. Este tipo de exclusão praticada pela sociedade em
geral geram isolamento social nas camadas mais velhas.
Porém, têm sido feitos esforços para que estes preconceitos sejam alterados,
nomeadamente ao nível das políticas públicas e sociais (Exemplo: junção de estruturas
residenciais para idosos e creches). Além deste facto, o nível de escolaridade tem
aumentado, o que propicia uma maior exigência por parte dos seniores relativamente
aos seus cuidados e processo de envelhecimento.
É também importante distinguir o conceito de velhice e envelhecimento. O
primeiro diz respeito à noção de idade, constitui-se assim num grupo de idade
homogéneo, que neste caso, encontra-se acima dos 65 anos de idade. Ainda neste
campo, encontra-se o registo corporal, como, o aparecimento de cabelos brancos,
calvície, rugas, diminuição de reflexos, etc. O segundo conceito é mais complexo, e
resulta da interação de vários fatores biológicos (corpo), psicológicas (comportamento)
e sociais (papeis assumidos).

6.2 - A perspetiva de outras culturas


Envelhecer não é um processo vivido e sentido de igual forma nas diferentes
partes do mundo.
Numa sociedade oriental o idoso continua a ser encarado como um ancião, fonte
de sabedoria, que merece o devido respeito. O mais velho na família mantem a sua
posição de respeito até ao fim da sua vida, e mesmo a mulher sendo uma figura
rebaixada, tem mais poder relativamente aos mais jovens.
Numa sociedade ocidental o processo de envelhecimento é encarado de uma
forma pesarosa e até depressiva, com mais perdas e menos ganhos, onde o mais velho
perde poder no seio familiar, e os mais novos se sobrepõem ao mesmo.
Manual 2017
6.3 - Interpretação individual e social das várias fases do ciclo de vida
A vida é um ciclo, onde cada um, consoante a faixa etária onde se encontra
perceciona as várias fases de diferente forma. Assim, em cada fase da nossa vida
olhamos o outro e o outro olha-nos de modos diferentes.

43
IDADE CONFLITO DO EGO VALOR
EMERGENTE
Infância inicial Autonomia X Vergonha e dúvida Domínio
Idade do brinquedo Iniciativa X Culpa Propósito
Idade escolar Trabalho X Inferioridade Competência
Adolescência Identidade X Confusão de papeis Fidelidade
Idade Adulta Intimidade X Isolamento Amor
Maturidade Geratividade X Estagnação Cuidado
Velhice Integridade X Desespero Sabedoria

Tabela 2 - As oito idades do ser humano, Erickson (2000)

No que concerne ao idoso, este passa por diferentes fases na sua vida, sendo uma
das mais marcantes o nascimento dos netos, principalmente para as mulheres que
assumem novamente um papel de cuidadoras e protetoras, assumindo um papel de
relevo na vida dos filhos. No entanto, é nesta fase que as gerações mais novas
percecionam as perdas dos idosos e que lhes retiram alguns poderes.
Outra das fases mais traumáticas para o idoso é a entrada na idade da reforma,
onde, muitas vezes o sujeito se sente desvalorizado socialmente, que perde a sua
dignidade enquanto pessoa. Esta fase é das mais críticas, a que gera mais sentimentos
depressivos, de solidão, isolamento e perda de rumo, uma vez que, o trabalho é o
principal meio de fomento de relações sociais, obrigando a um reajustamento social, e,
por vezes, económico.
Quanto à última fase refere-se à morte e ao modo como o idoso a perceciona,
sendo óbvio à relatividade dos sentimentos e emoções face às perdas de entes queridos,
dependendo do estado de saúde mental do mesmo, e o próprio meio social e familiar
que se encontra inserido.
Manual 2017
Relativamente à forma como o idoso enfrenta a morte devemos ter em atenção
que é o próprio que decide o rumo dessa tomada de decisão, podendo ser recetivo ao
facto de ser importante falar sobre o assunto para melhor gerir as emoções, ou, por outro
lado, reprimir as emoções e criarem uma ideia preconcebida que a sua vida é um estorvo
para os outros.
44
O que dificulta a relação das pessoas com a morte e o morrer:

 Ideia de rutura;
 Medo do desconhecido;
 Mitos e herança cultural;
 Preocupação com a idade;
 A morte de alguém muito próximo;
 Fim de um relacionamento duradouro;
 Perda de segurança;
 Mudança negativa (saúde, psíquica, etc)

Consequências da morte para quem passa pelo processo de luto (reação emocional):

 Sentimentos (Choque, tristeza, culpa, raiva, solidão, hostilidade, ansiedade,


desamparo);
 Sensações físicas (vazio no estômago, aperto no peito, nó na garganta, falta de
ar, fadiga, queixas somáticas; fragilidade hormonal);
 Comportamentos (distúrbios do sono, perda ou aumento de apetite, abuso de
substâncias, isolamento social, sonhos, inquietação);
 Cognições (descrença, confusão, perdas de memória, falta de concentração,
pensamentos obsessivos, alucinações).

O cuidador deve ter a perceção que a fase de luto deve ser vivida no momento pela
pessoa que o está a vivenciar, não apressando e não desvalorizando o mesmo.

Algumas das frases que não se devem dizer a quem está a passar a fase de luto:

 “Pelo menos ele agora não está a sofrer”;


 “Está num lugar melhor que o nosso”;
 “Deus sabe sempre o que faz”;
Manual 2017
 “Tudo na vida tem uma razão”;
 “Ele já viveu demais”;
 “Pelo menos tens outros filhos”;
 “Agora ele é uma estrelinha”;
 “Ainda vais encontrar um viúvo/a que te acompanhe”; 45

 “Sei exatamente o que sentes, comigo foi igual”;


 “Comigo foi pior…”.

6.4 - Atitudes, mitos e estereótipos associados à velhice


O envelhecimento está associado a um conjunto de estereótipos ao nível do bem-
estar, da saúde, de género, de nível cognitivo e também social.

 Envelhecer é ficar doente a nível mental e físico;


 A mulher perdendo a possibilidade de procriar fica feia e velha;
 O homem torna-se mais competente e autónomo;
 Perde a capacidade de aprender;
 Dependência e passividade;
 Desinteresse e incapacidade sexual;
 Incapacidade de gerir a própria vida.

Para quebrar estes mitos e estereótipos é necessário:

 Evitar generalizações;
 Não infantilizar;
 Não tratar o idoso como incapaz;
 Privar a sua independência e autonomia;
 Incentivá-lo a desenvolver competências;
 Promover direitos.
Manual 2017

Capítulo 7 – Redes de Apoio

7.1 - As pessoas idosas e o meio ambiente


O processo de envelhecimento não igual para todos, alguns sentem um declínio
mais acentuado a nível físico e outros mais a nível cognitivo, sendo que estas diferenças 46
podem ser explicadas a partir de um conjunto de fatores genéticos, pessoais e
ambientais.
Desta forma, a forma como o idoso envelhece está implicitamente ligado à forma
como o mesmo se relaciona com o seu contexto/ambiente, admitindo que com o passar
do tempo há uma diminuição da capacidade de adaptação, ficando mais sensível ao que
o rodeia. No entanto, caso o ambiente não responda às suas necessidades
biopsicossociais pode ser encarada como uma fonte de mau estar e insatisfação para
com a vida.
Perspetiva ecológica/ambiental – interação do indivíduo com o meio, e o meio
com o indivíduo, nos diversos cenários quotidianos.
Satisfação de Vida – resultado de uma eficaz interação do indivíduo com o meio
onde está inserido, relevando a importância do sujeito ao meio.

7.2 - A diversidade do meio ambiente


Num mundo globalizado, as diferenças entre o meio rural e o citadino já não são
tão acentuadas, no entanto, envelhecer no meio rural e no meio citadino ainda resulta
em diferenças substanciais. Analisaremos de seguida as principais diferenças entre os
dois meios.
Manual 2017
Meio Urbano Meio Rural
Urbanização desmedida, gera fracos acessos Espaços verdes
Fraca produção agrícola Alimentação hortícola, produção própria
População mais jovem População mais envelhecida – desertificação
Acesso aos serviços básicos Dificuldade de acesso aos serviços básicos
47
Grandes assimetrias sociais Coesão social
Fracos laços sociais com vizinhança – Solidão Fortes laços sociais com vizinhança, ,
promoção redes de relação
Clima ameno Clima mais rigoroso
Elevado custo de vida - dificuldades Baixo custo de vida/Cultivos próprios
financeiras
Bons acessos Fracos acessos
Mudanças drásticas Mudanças graduais, favorecendo a adaptação
Agitação Ritmo de vida mais lento, trocas sociais mais
rápidas
Fraco sentido de identidade É-se conhecido – Forte sentido de identidade
Tabela 3 - Diferenças de meio

7.3 - A família e a comunidade


A base da vida de qualquer ser humano são as relações sociais que mantem,
nomeadamente ao nível da família e da comunidade que está inserido, sem essa
interação não há sobrevivência. São esses núcleos que nos ensinam a amar, a
comunicar, a trocar, ou seja, que nos ensinam a dar e apoio e a recebê-lo, construindo-se
assim a nossa identidade social e pessoal.
A rede familiar é constituída por relações primárias, no que concerne a uma
natureza íntima e emocional, e no processo de envelhecimento proporcionam a
diversidade de papeis sociais (ser mãe/pai, ser avó/avô). E, por outro lado, é também
constituída por um conjunto de relações secundárias, que são formais, que têm como
foco o atingir de determinados objetivos, muitas vezes ligados ao trabalho. Sendo que
com o avançar do processo de envelhecimento há uma valorização das relações
primárias em relação às secundárias.
Desta forma, a família e a comunidade são a base de apoio, de proteção e o
fomento para uma inserção social plena, o que beneficia também a construção de um
Manual 2017
projeto de vida saudável e o enfrentamento de situações menos positivas do ponto de
vista emocional, físico e/ou psicológico.
Com isto, denota-se que a família é núcleo que tem como principais funções a
proteção e cuidado do outro, seja a nível económico, emocional, etc, gerando
sentimentos de maior conforto, sendo um recurso fundamental no processo de
48
envelhecimento (menor probabilidade de institucionalização).
Ao mesmo tempo não se deve pôr de parte a importância da comunidade, pois é
este núcleo que ajuda o idoso a superar problemas que possam existir no seio familiar, a
abstrair-se deles e superá-los, e ainda uma forma de prevenir sentimentos de isolamento
e solidão em casos específico, por exemplo, na viuvez. A comunidade é por isso um
apoio social, uma companhia para os momentos de maior solidão, sendo nesses
momentos que se divertem, conversam, extravasam, relembram momentos passados,
etc, onde se cultivam sentimentos de reciprocidade e afeto.
A família neste campo deve ter um papel incentivador de manutenção ou criação
destes laços, admitindo a importância dos mesmos, podendo mesmo ser o planeador
desses encontros.

Capítulo 8 – As instituições formais

8.1 - Caracterização e natureza das instituições formais


Instituição
 Deriva do latim institutióne-, que quer dizer: disposição, sistema. Surge como o
ato ou efeito de instituir, coisa instituída ou estabelecimento de utilidade pública,
organização ou fundação.

 Ideia de obra ou empresa que se realiza, e dura no meio social, interiorizando um


quadro de recursos humanos e materiais que excede a temporalidade das
gerações.

Exemplos: Instituição de Solidariedade Social, ERPI, Centro de Dia…

Algumas das Instituições referidas, apresentam como objetivo o apoio à Família e


Comunidades, desenvolvendo assim uma Economia Social (atividade económica entre
sector privado com fins lucrativos e sector público)
Manual 2017
Existem vários sectores:

 Não-Lucrativo;

 Solidariedade Social;

 Voluntariado ou Economia Alternativa.


49

Espaço físico de trabalho e respetivo suporte

Estas instituições devem ter espaços físicos adaptados aos utentes, de fácil
acessibilidade, e que respondam às necessidades básicas. Preferencialmente deverão
possuir uma zona não construída para atividades lúdicas ao ar livre.

Recursos Humanos

Consoante o tipo de instituição deverá haver uma equipa multidisciplinar adequada e


específica para a tipologia de Utentes da Instituição.

Direção/
Enfermeiro Médico Psicólogo Fisioterapeuta
Presidência

Auxiliar (de Porteiro,


Terapeuta da Educador de Agente em
Ação Educativa, Telefonista,
Fala Infância Geriatria
médica, etc.) Rececionista

Agente
Auxiliar de Espiritual
Terapeuta
Nutricionista Cozinheiro Apoio
Ocupacional (Padre, rabino,
Domiciliário
pastor, etc.)

Animador/ Técnico de Técnico de


Assistente Social Administrativo Segurança e Instalações e
Educador Social Higiene Equipamentos

Assistente
Familiar e de
Motorista Voluntário Podologista Farmacêutico
Apoio à
Comunidade
Tabela 4 - Recursos Humanos

Recursos Físicos

As instalações deverão ser também adaptadas aos utentes e necessidades.


Manual 2017

Gabinetes Consultório/Sala de Salas de Formação/ Refeitório/Cozinha/


Multidisciplinares Tratamento Reuniões Copa

Biblioteca Farmácia/Armazém/
Receção Rouparia/Lavandaria
Arquivos
50
Instalações de Saídas de
Salas de Convívio Instalações Sanitárias oxigénio, ar respirável Emergência/Portas
e vácuo Corta-Fogo

Local para prática


Quartos/ Enfermarias Vestiários Esterilização
religiosa (capela, etc.)

Salas de
Ginásio/Piscina Cabeleireiro Elevadores
Sujos/Despejos

Parque Infantil Morgue Transportes Jardins

Tabela 5 - Recursos Físicos

Recursos Materiais

Cadeira/Cadeirão/Maca Mesas/Secretárias

Material Lúdico e Didático (livros, etc) Ajudas Técnicas (canadianas, etc)

Material de Consumo Clínico Material de Reabilitação (barras paralelas, etc)

Material/Equipamento de Cozinha/Refeitório Equipamento de Esterilização e Higienização

Material/Equipamento de Lavandaria/Rouparia Carro/Carrinha/Ambulância

Material de Apoio ao Domicílio Material de Cuidados (urinóis, fraldas, etc.)

Material de Deteção/Combate a Incêndio Meios de Comunicação

Climatização Vestuário Adequado

E.P.I. (equipamentos de proteção Individual) Documentação/Impressos

Tabela 6 - Recursos Materiais


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Recursos Básicos de uma Instituição

A instituição deve ter instalações sanitárias (prevenção de quedas, separadas por


género/profissionais/utentes, água quente e fria, material de higienização), instalações
para cuidados de saúde (material esterilizado, macas/camas, etc), instalações para
preparação e/ou confeção de refeições (regras de segurança alimentar e higiene, 51

proteções individuais, etc) e secção de economato (armazém, receção e


encaminhamento de produtos e/ou material, limpeza e organização, inventário,
requisições, etc).

Os papéis sociais desempenhados pela mulher atualmente em nada se comparam


aos tempos passados. Hoje, a mulher além de cuidadora tem um papel assumido de
trabalhadora, o que a par do crescimento da população idosa originou um aumento de
procura das respostas para a terceira idade, como as estruturas residenciais para idosos,
o serviço de apoio ao domicílio e os centros de dia e noite. Além disto há um
alheamento quanto à responsabilidade social relativamente aos mais velhos, que origina
processos de afastamento social, exclusão e abandono.
Os idosos analfabetos de ontem, não são os idosos de hoje, e com estas mudanças
sociais o que se tem vindo a notar é a necessidade de transformar essas instituições, de
modo a responder às necessidades em voga.
Um dos verdadeiros desafios é proporcionar um conjunto de respostas para um
grupo diferente, evitando que o idoso apenas seja um recetor de serviços, sem qualquer
espírito crítico.
Qualquer resposta direcionada para os idosos não deve ser posto como apenas e só
uma forma de cuidar ao nível da saúde em geral, mas também um suporte social e
ambiental para o utente e sua família e rede social.
Tipos de respostas sociais para idosos:

 Centros de convívio;
 Centros de dia ou noite;
 Estrutura Residencial para Idosos;
 Serviço de apoio ao domicílio;
 Acolhimento familiar;
 Centro de acolhimento temporário.
Manual 2017
Estrutura Residencial para Idosos - resposta social, desenvolvida em
equipamento, destinada a alojamento coletivo, num contexto de “residência assistida”,
para pessoas com idade correspondente à idade estabelecida para a reforma, ou outras
em situação de maior risco de perda de independência e/ou de autonomia que, por opção
própria, ou por inexistência de retaguarda social, (…) pretendem integração em
52
estrutura residencial, podendo aceder a serviços de apoio biopsicossocial, orientados
para a promoção da qualidade de vida e para a condução de um envelhecimento sadio,
autónomo, ativo e plenamente integrado.”
Os objetivos de cuidados são:

 Promover um ambiente seguro;


 Promover a independência e autonomia;
 Promover a qualidade de vida;
 Estabilizar e retardar, sempre que possível, a progressão de doenças
crónicas:
 Evitar o aparecimento de novas doenças agudas;
 Promoção de atividades lúdico-recreativas;
 Promover laços sociais

Há que ter a noção que as instituições são essencialmente humanas, compostas pelos
utentes, a sua rede social (família e comunidade) e o pessoal técnico, onde está presente
obrigatoriamente uma relação.

8.2 - Institucionalização das pessoas de idade


A institucionalização é cada vez mais uma forma de garantir que as necessidades
básicas do idoso são suprimidas, e ainda favorecer um bem-estar global ao mesmo,
admitindo que a população está cada vez mais velha, logo vai ficando mais dependente.
No entanto, este processo não é fácil, dada a diminuição da capacidade de
adaptação a novos meios, sendo fulcral a não rutura total com o meio mais familiar,
considerando assim que a institucionalização só deve ocorrer em última estância.
A institucionalização pode gerar para o próprio:
Manual 2017
 Perdas de autonomia;
 Perdas de independência;
 Diminuição de auto-estima;
 Sentimento de solidão;
 Perdas emocionais; 53

 Sentimentos de perda de controlo (económico);


 Sentimentos de perda de privacidade;
 Sentir-se infantilizado;
 Perda de identidade e impersonalismo

Este processo, iniciado normalmente pela família, de passagem para uma estrutura
residencial para idosos, ou mesmo a adesão a um serviço de apoio ao domicílio é longo
(mínimo 3 meses), com várias etapas, podendo ser encarado para o mesmo como uma
perda de independência e rutura com a sua história, a par da mudança de rotinas e
interações que modificam o próprio estilo de vida.
O que um cuidador deve fazer quando confrontado com um discurso de
resistência à institucionalização:

 Produzir um discurso assertivo (ter noção das responsabilidades que tem


em mãos e das consequências);
 Explicar os motivos da mudança, de forma clara, sem condescendência;
 Envolvê-lo no processo;
 Não infantilizar, confrontar com factos (Auxílio da equipa técnica,
relatórios médicos);
 Integrar o idoso em atividades do seu agrado;

8.3 -A vida quotidiana nas instituições

Registo dos utentes

Cada utente tem de ter um processo individual (PI) com:

 Ficha de inscrição;

 Identificação da pessoa a contactar em caso de necessidade;


Manual 2017
 Identificação do médico assistente;

 Registo da evolução da sua situação social, económica e saúde

Regulamento interno

É obrigatório a existência de um regulamento interno que dê conta das:


54

 Condições de admissão;

 Pagamento de mensalidades;

 Serviços oferecidos;

 Horário de atividades;

 Visitas;

 Condições em que os familiares podem participar no apoio a prestar aos


residentes;

 Possibilidade de reclamações;

Recursos humanos

Direção Técnica:

 Direção;

 Programação de atividades e a coordenação e supervisão de todo o pessoal;

 Promover reuniões técnicas;

 Promover reuniões com utentes;

 Sensibilizar todo o pessoal face à problemática da pessoa idosa;

 Planificar e coordenar as atividades ocupacionais dos idosos.

Pessoal técnico e auxiliar:

 Formação desejável na área do envelhecimento;


 Manutenção da higiene e limpeza do estabelecimento;
 Garantir um eficaz funcionamento da cozinha

O ideal será:
Manual 2017
 1 diretor técnico (40 utentes);
 1 enfermeiro (40 utentes/ 20 utentes dependentes);
 1 ajudante de lar (8 utentes / 5 utentes acamados);
 1 ajudante de lar noturno (20 utentes);
 1 encarregado (Serviços Gerais) (igual ou superior a 40 utentes); 55

 1 animador sócio-cultural;
 1 cozinheiro;
 1 ajudante de cozinheiro (20 utentes);
 1 trabalhador auxiliar (Serviços Gerais) (40 utentes/15 utentes dependentes)

 1 administrativo;

 1 lavadeira;

 Uma costureira;

 Um motorista;

Dificuldades quotidianas

 Barreiras arquitetónicas;
 Ausência de espaços de lazer e convívio;
 Decoração homogénea;
 Ausência de sinalização compreensível;
 Quartos com mais de duas camas;
 Falta de diálogo das decisões tomadas;
 Falta de coordenação de responsabilidades;
 Autoritarismo;
 Infantilização;
 Violação da confidencialidade;
 Espírito de equipa deficitário;
 Falta de recursos humanos;
 Excessiva carga de trabalho;
 Falta de conhecimentos e formação;
Manual 2017
A melhoria destes aspetos deve ser efetuada a partir da promoção de ações de
formação, contínuo apoio do pessoal, fomentar uma remuneração adequada às funções
desempenhadas, promover a participação de utentes e funcionários, reduzindo assim
algumas fontes de tensão, e porventura, melhorando a qualidade dos serviços prestados.

56
Manual 2017

Bibliografia

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Instituto Politécnico de Bragança, Bragança.

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