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Série eletroeletrônica

Leitura e
Interpretação
de desenho
técnico
CONFEDERAÇÃO NACIONAL DA INDÚSTRIA – CNI

Robson Braga de Andrade


Presidente

DIRETORIA DE EDUCAÇÃO E TECNOLOGIA

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor de Educação e Tecnologia

SERVIÇO NACIONAL DE APRENDIZAGEM INDUSTRIAL – SENAI

Conselho Nacional

Robson Braga de Andrade


Presidente

SENAI – Departamento Nacional

Rafael Esmeraldo Lucchesi Ramacciotti


Diretor Geral

Gustavo Leal Sales Filho


Diretor de Operações

Regina Maria de Fátima Torres


Diretora Associada de Educação Profissional
Série eletroeletrônica

Leitura e
interpretação
de desenho
técnico
© 2012. SENAI – Departamento Nacional

© 2012. SENAI – Departamento Regional de São Paulo

A reprodução total ou parcial desta publicação por quaisquer meios, seja eletrônico,
mecânico, fotocópia, de gravação ou outros, somente será permitida com prévia autorização,
por escrito, do SENAI.

Esta publicação foi elaborada pela equipe do Núcleo de Educação a Distância do SENAI-São
Paulo, com a coordenação do SENAI Departamento Nacional, para ser utilizada por todos os
Departamentos Regionais do SENAI nos cursos presenciais e a distância.

SENAI Departamento Nacional


Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

SENAI Departamento Regional de São Paulo


Gerência de Educação – Núcleo de Educação a Distância

FICHA CATALOGRÁFICA

S491g

Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional.


Leitura e interpretação de desenho técnico. Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial. Departamento Nacional, Serviço Nacional de
Aprendizagem Industrial. Departamento Regional de São Paulo. Brasília :
SENAI/DN, 2012.
96 p. il. (Série Eletroeletrônica).

ISBN 978-85-7519-580-2

1. Desenho técnico 2. Unidades e sistemas de medidas 3. Simbologia


4. Instalações elétricas I. Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial.
Departamento Regional de São Paulo II. Título III. Série

CDU: 005.95

SENAI Sede
Serviço Nacional de Setor Bancário Norte • Quadra 1 • Bloco C • Edifício Roberto
Aprendizagem Industrial Simonsen • 70040-903 • Brasília – DF • Tel.: (0xx61) 3317-9001
Departamento Nacional Fax: (0xx61) 3317-9190 • http://www.senai.br
Lista de ilustrações, quadros e tabelas
Figura 1 -  Estrutura curricular do curso Técnico de Eletroeletrônica..............................................................12
Figura 2 -  Planta baixa de projeto residencial .......................................................................................................19
Figura 3 -  Detalhe da planta baixa..............................................................................................................................20
Figura 4 -  Parede baixa e parede alta ........................................................................................................................21
Figura 5 -  Projeto residencial – dimensões gerais.................................................................................................22
Figura 6 -  Detalhe do projeto residencial – dimensões gerais.........................................................................23
Figura 7 -  Projeto residencial – dimensões do terreno .......................................................................................27
Figura 8 -  Detalhe projeto residencial – dimensões dormitório 1 ..................................................................28
Figura 9 -  Cálculo da área do retângulo e da área do quadrado ....................................................................29
Figura 10 -  Cálculo da área do círculo .......................................................................................................................29
Figura 11 -  Cálculo do perímetro do dormitório 1 ...............................................................................................30
Figura 12 -  Réguas graduadas......................................................................................................................................34
Figura 13 -  Trena ...............................................................................................................................................................35
Figura 14 -  Metro articulado.........................................................................................................................................36
Figura 15 -  Exemplos de utilização do paquímetro.............................................................................................37
Figura 16 -  Paquímetro....................................................................................................................................................37
Figura 17 -  Cálculo de resolução.................................................................................................................................38
Figura 18 -  Leitura de escala..........................................................................................................................................38
Figura 19 -  Leitura de escala..........................................................................................................................................39
Figura 20 -  Representação da escala..........................................................................................................................40
Figura 21 -  Painel de partida de motor ....................................................................................................................42
Figura 22 -  Botão de comando ....................................................................................................................................43
Figura 23 -  Borne fusível ................................................................................................................................................43
Figura 24 -  Escalas gráficas............................................................................................................................................44
Figura 25 -  Escalímetro ...................................................................................................................................................44
Figura 26 -  Planta baixa com componentes............................................................................................................50
Figura 27 -  Detalhe com tomadas de meia altura e alta.....................................................................................51
Figura 28 -  Detalhe com tomada baixa.....................................................................................................................52
Figura 29 -  Detalhe com interruptor simples e ponto de luz ...........................................................................52
Figura 30 -  Detalhe com interruptores e ponto de luz........................................................................................53
Figura 31 -  Detalhe com caixa de medidor e caixa de telefonia......................................................................53
Figura 32 -  Diagrama multifilar ...................................................................................................................................54
Figura 33 -  Diagrama unifilar........................................................................................................................................55
Figura 34 -  Condutores no diagrama unifilar .........................................................................................................55
Figura 35 -  Eletrodutos interligando as instalações.............................................................................................64
Figura 36 -  Eletrodutos em 3D – vista de montagem..........................................................................................65
Figura 37 -  Planta baixa final com todos os componentes, eletrodutos e condutores...........................66
Figura 38 -  Detalhe da planta com instalações do dormitório 2 e do hall...................................................67
Figura 39 -  Apresentação linear dos eletrodutos..................................................................................................68
Figura 40 -  Diagrama multifilar do dormitório 2 e hall .......................................................................................69
Figura 41 -  Legenda da planta baixa..........................................................................................................................70
Figura 42 -  Tipos de perspectivas................................................................................................................................76
Figura 43 -  Vistas de um cubo.......................................................................................................................................78
Figura 44 -  Exemplo dos planos de projeção..........................................................................................................79
Figura 45 -  Corte total vertical paralelo à vista frontal........................................................................................80
Figura 46 -  Datasheet de um componente eletrônico .......................................................................................81
Figura 47 -  Datasheet que informa dimensões e corte do componente......................................................82

Quadro 1 - Grandezas e unidades básicas................................................................................................................24


Quadro 2 - Grandezas derivadas...................................................................................................................................24
Quadro 3 - Condutor elétrico.........................................................................................................................................56
Quadro 4 - Tipos de cargas.............................................................................................................................................57
Quadro 5 - Tipos de interruptores................................................................................................................................58
Quadro 6 - Exemplo de tomada e suas simbologias.............................................................................................59
Quadro 7 - Tipos de eletrodutos...................................................................................................................................60
Quadro 8 - Tipos de conduletes e caixas de passagem........................................................................................61
Quadro 9 - Tipos de dispositivo de proteção...........................................................................................................62
Quadro 10 - Quadro de medição e QDLF..................................................................................................................63

Tabela 1 - Prefixos do SI....................................................................................................................................................26


Tabela 2 - Conversões: SI e Sistema inglês................................................................................................................31
Sumário

1 Introdução.........................................................................................................................................................................11

2 Leitura e interpretação de medidas da planta baixa.........................................................................................17


2.1 Leitura inicial de uma planta baixa........................................................................................................18
2.1.1 Unidades de medidas...............................................................................................................21
2.1.2 Sistema Internacional de Unidades (SI).............................................................................23
2.1.3 Sistema Inglês de Unidades...................................................................................................25
2.1.4 Múltiplos e submúltiplos das unidades do SI..................................................................25
2.2 Medidas lineares e de áreas.....................................................................................................................27
2.2.1 Previsão da potência dos pontos de luz dos ambientes.............................................28
2.2.2 Previsão de instalação de tomadas nos ambientes.......................................................30
2.3 Conversão de unidades entre o SI e o Sistema Inglês....................................................................31
2.3.1 Razão e Proporção.....................................................................................................................32
2.3.2 Regra de três................................................................................................................................33
2.4 Ferramentas e instrumentos de medidas...........................................................................................34
2.5 Escala................................................................................................................................................................40
2.5.1 Definição e aplicação de escala............................................................................................40
2.5.2 Tipos de escalas..........................................................................................................................44
2.5.3 Escalímetro...................................................................................................................................44

3 Leitura e interpretação das instalações elétricas................................................................................................49


3.1 Símbolos e recursos gráficos...................................................................................................................50
3.1.1 Tomadas........................................................................................................................................51
3.1.2 Interruptores e iluminação.....................................................................................................52
3.2 Diagrama unifilar e multifilar...................................................................................................................54
3.3 Componentes de instalações elétricas................................................................................................56
3.3.1 Condutores...................................................................................................................................56
3.3.2 Carga..............................................................................................................................................57
3.3.3 Interruptores................................................................................................................................58
3.3.4 Tomadas........................................................................................................................................59
3.3.5 Eletrodutos...................................................................................................................................59
3.3.6 Condulete e caixa de passagem ..........................................................................................61
3.3.7 Dispositivos de proteção ........................................................................................................62
3.3.8 Quadro de medição e quadro de distribuição de luz e força (QDLF)......................63
3.4 Instalações elétricas em planta baixa residencial............................................................................63
Desenho técnico.................................................................................................................................................................75
4.1 Perspectivas...................................................................................................................................................76
4.2 Vistas.................................................................................................................................................................77
4.3 Cortes...............................................................................................................................................................80

Referências............................................................................................................................................................................87

Anexo A - Quadros de padronização conforme norma técnica da NBR 5444..............................................89


Anexo A1 - Dutos e distribuição....................................................................................................................89
Anexo A2 - Quadros de distribuição............................................................................................................90
Anexo A3 - Interruptores - plantas................................................................................................................91
Anexo A4 - Interruptores - diagramas.........................................................................................................91
Anexo A5 - Luminárias, refletores e lâmpadas.........................................................................................92
Anexo A6 - Tomadas..........................................................................................................................................93
Anexo A7 - Motores e transformadores......................................................................................................94
Anexo A8 - Acumuladores...............................................................................................................................94

Minicurrículos dos autores..............................................................................................................................................95

Índice......................................................................................................................................................................................97
Introdução

A leitura e a interpretação de ambientes para representação gráfica na área da Eletroeletrô-


nica evoluíram muito nos últimos tempos. Porém, desde os períodos mais remotos, o homem
primitivo precisou fazer a leitura do ambiente e do contexto. O registro de pinturas rupestres
encontradas indica sua intenção de entender os fenômenos da natureza e saber como lidar
com seus efeitos. O legado que as antigas civilizações nos deixaram é a forma gráfica de regis-
trar suas ideias, facilitando a documentação e estabelecendo a comunicação através do tempo,
que vem sendo aperfeiçoada ao longo dos séculos.
Hoje, o uso da representação gráfica se consolidou e a documentação e os símbolos do
desenho técnico foram padronizados de forma a facilitar o entendimento em qualquer área
tecnológica. Mais especificamente na área Eletroeletrônica, ela possibilita o planejamento e a
execução eficazes de ações de técnicos e de usuários.
Os recursos e as ferramentas utilizadas na elaboração do desenho técnico vêm acompa-
nhando o desenvolvimento tecnológico. Além disso, os softwares específicos permitem uma
documentação mais detalhada e precisa em todos os segmentos da Eletroeletrônica, integran-
do-a no processo de produção industrial: na supervisão, na simulação, nos cronogramas, na
lista de materiais etc.
Veja na figura a seguir que esta unidade curricular de Leitura e Interpretação de Desenho
compõe o Módulo Básico do curso Técnico de Eletroeletrônica, o que confirma sua importân-
cia como fundamento para os estudos que se seguem nos Módulos Específicos I, II e III, e con-
tribui para que seu desempenho profissional seja o melhor possível, de modo que você possa
atingir seu objetivo final nessa caminhada, ou seja, tornar-se um técnico competente.
Leitura e interpretação de desenho técnico
12

Entrada

Módulo Básico (300 h)


• Comunicação Oral e Escrita (60 h)
• Eletricidade (180 h)
• Leitura e Interpretação de Desenho (30 h)
• Qualidade, Saúde, Meio Ambiente e Segurança no Trabalho (30 h)

Módulo Específico I (300 h)


Instalação de Sistemas Eletroeletrônicos
Instalador de
Sistemas
• Instalação de Sistemas Elétricos Prediais (90 h) Eletroeletrônicos
• Instalação de Sistemas Eletroeletrônicos Industriais (90 h) (600 h)
• Instalação de Sistemas Eletrônicos (90 h)
• Gestão da Instalação de Sistemas Eletroeletrônicos (30 h)

Módulo Específico II (300 h)


Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos
Mantenedor de
• Manutenção de Sistemas Elétricos Prediais (60 h) Sistemas
Eletroeletrônicos
• Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos Industriais (120 h)
(900 h)
• Manutenção de Sistemas Eletrônicos (60 h)
• Gestão da Manutenção de Sistemas Eletroeletrônicos (60 h)

Módulo Específico III (300 h)


Desenvolvimento de Sistemas Eletroeletrônicos

• Projeto de Sistemas Elétricos Prediais (60 h)


• Projeto de Sistemas Eletroeletrônicos Industriais (120 h)
• Projeto de Sistemas Eletrônicos (60 h)
• Projeto de Melhorias de Sistemas Eletroeletrônicos (60 h)

Técnico em Eletroeletrônica (1200 h)

Figura 1 -  Estrutura curricular do curso Técnico de Eletroeletrônica


Fonte: SENAI-SP (2012)
1 introdução
13

Esperamos que ao final desta unidade curricular você tenha subsídios para:
a) interpretar planta baixa, desenhos, fluxogramas e os pontos de recursos de
utilidade (por exemplo, pontos de alimentação elétrica);
b) identificar dimensões dos ambientes;
c) utilizar escalas de desenhos;
d) utilizar instrumentos de medidas dimensionais;
e) utilizar simbologias e legendas, de acordo com as normas técnicas.

Além disso, vamos ajudá-lo, ao longo desta e de todas as unidades curriculares


que compõem este curso, a desenvolver uma série de capacidades importantes
para um bom desempenho profissional, tais como:
a) ter raciocínio lógico;
b) ter visão sistêmica;
c) ser proativo;
d) ter capacidade de análise;
e) tomar decisões;
f ) ter senso investigativo;
g) estabelecer prioridades;
h) ter organização;
i) manter-se atualizado tecnicamente;
j) cumprir normas e procedimentos;
k) trabalhar em equipe;
l) comunicar-se de forma clara e precisa;
m) ter responsabilidade;
n) ter senso crítico;
o) ter consciência prevencionista em relação à saúde, à segurança no trabalho
e ao meio ambiente.

Para tanto, este livro está dividido em mais três capítulos, que contém as sim-
bologias e representações técnicas mais utilizadas em Eletroeletrônica.
Leitura e interpretação de desenho técnico
14

No capítulo 2, utilizamos uma planta baixa residencial para apresentar as princi-


pais representações e simbologias. Em seguida, fizemos um estudo detalhado so-
bre as unidades de medidas mais importantes, o Sistema Internacional e o Sistema
Inglês, e as conversões entre as unidades destes dois sistemas. Além disso, apresen-
tamos os principais instrumentos e ferramentas de medidas e destacamos a impor-
tância de conhecer e interpretar os diferentes tipos de escalas e suas aplicações.
No capítulo 3, a partir do mesmo projeto residencial que utilizamos como
exemplo no capítulo 2, fizemos um estudo mais específico de algumas das prin-
cipais representações e simbologias dos componentes das instalações elétricas e
dos circuitos unifilar e multifilar.
No capítulo 4, abordamos a leitura e interpretação dos desenhos técnicos de
perspectivas, vistas e cortes.
Agora que você já conhece o caminho que irá percorrer, seja bem-vindo(a) à
residência que preparamos especialmente para você aprender os fundamentos
de leitura e interpretação do desenho técnico.
Bom estudo!
1 introdução
15

Anotações:
Leitura e interpretação de
medidas da planta baixa

Durante nossos estudos sobre a Leitura e Interpretação do Desenho Técnico na área da Ele-
troeletrônica, utilizaremos várias abordagens. Pode ser que tudo seja muito novo para você,
mas fique tranquilo, pois faremos um acompanhamento passo a passo, com a finalidade de
capacitá-lo de maneira clara e eficiente.
Nossa caminhada começa com a análise de planta baixa1 de uma edificação que normal-
mente é projetada por arquitetos.
As plantas baixas contêm detalhes dimensionais da construção e das finalidades de cada
ambiente, além de informar a inserção da edificação no terreno. Elas funcionam como uma
documentação básica, da qual originam os outros projetos para a construção: hidráulico, ele-
troeletrônico, de climatização, de segurança, de telefonia etc.
Todos esses projetos são direcionados para profissionais especialistas em cada uma das áre-
as de atuação a que se destinam, e utilizam uma simbologia gráfica própria e normalizada.
Neste capítulo, vamos aprender a ler e interpretar uma planta baixa. Uma leitura correta
proporciona maior êxito no projeto de instalação elétrica, seja residencial, comercial ou indus-
trial. Por exemplo, facilita o cálculo da quantidade de iluminação necessária em um ambiente
ou da quantidade adequada de tomadas.
Leitura e interpretação de desenho técnico
18

1 Planta baixa 2.1 Leitura inicial de uma planta baixa


É a representação gráfica Para facilitar sua visualização e compreensão das simbologias mais utilizadas,
de uma construção a partir
de um corte horizontal vamos utilizar um projeto arquitetônico residencial como exemplo. Durante esta
(normalmente feito a
aproximadamente 1,5 m unidade curricular, utilizaremos a mesma planta-exemplo em seus diferentes ti-
do piso), que apresenta pos de representação e simbologias específicos de cada etapa do processo de
as principais medidas e a
relação entre os ambientes execução do projeto, apresentando os itens necessários para uma boa compre-
(e seus elementos, como ensão e interpretação.
paredes, portas, janelas) do
projeto.
Começaremos pelo desenho arquitetônico da figura a seguir, que apresenta
os ambientes de uma casa térrea: com dois dormitórios, sala, cozinha, banheiro e
hall. Na frente, uma garagem e nos fundos, uma construção anexa com lavanderia
e depósito.
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
19

DEPÓSITO
LAVANDERIA

JARDIM

CIRCULAÇÃO

WC
COZINHA

DORMT. 2 HALL

DORMT. 1

SALA

GARAGEM

CALÇADA

PROJETO RESIDENCIAL
ESCALA 1:100
Desenho Arquitetônico:
Apresentação
Figura 1 -  Planta baixa de projeto residencial
Fonte: SENAI-SP (2012)
Leitura e interpretação de desenho técnico
20

Nesse tipo de representação, também são apresentadas as disposições dos


objetos funcionais (vaso sanitário, lavatório, tanque, pia, chuveiro, portas, janelas
etc.) e sugestões para disposição dos móveis (camas, sofás etc.):

TANQUE

PORTA
LAVANDERIA DEPÓSITO

JANELA
CIRCULAÇÃO
VASO SANITÁRIO E PIA

CAMA
WC

DORMT.2 COZINHA
HALL

Figura 2 -  Detalhe da planta baixa


Fonte: SENAI-SP (2012)

Destacamos ainda alguns aspectos importantes que você precisa reconhecer


em uma planta:
a) as paredes altas são representadas por um traço grosso contínuo e as pare-
des baixas, por um traço médio;
b) as principais medidas são representadas por simbologias específicas, evi-
tando possíveis interpretações incorretas;
c) as medidas são usualmente apresentadas em metros.
Observe alguns desses exemplos no detalhe da nossa planta:
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
21

sala

parede baixa parede alta

Figura 3 -  Parede baixa e parede alta


Fonte: SENAI-SP (2012)

2.1.1 Unidades de medidas

Durante todo o processo de execução dos projetos arquitetônicos, a mesma


residência necessita ser representada em diferentes tipos de plantas, com escalas
e simbologias adequadas e específicas para cada tipo de projeto.
Alguns conceitos importantes sobre as medições e as unidades mais utilizadas
são fundamentais para uma boa leitura e interpretação de qualquer tipo de de-
senho técnico.
Observe na figura a seguir outra planta baixa, do mesmo projeto residencial da
figura 2, que apresenta as medidas das dimensões do terreno e dos ambientes.
Neste tipo de planta, não há necessidade de apresentar os objetos funcionais e
os móveis:
Leitura e interpretação de desenho técnico
22

2 Cota 7,25 5,00

É o valor que limita uma


determinada distância 3,88 2,93
entre dois pontos, trazendo

1,26
LAVANDERIA DEPÓSITO
essa medida usualmente

2,10
em metros; a linha da cota é
4,50
paralela à face cuja medida
está indicando.
+,35 CIRCULAÇÃO
JARDIM

2,03 WC 1,89

3,44
1,20
3 Medir
HALL N.M
Significa comparar DORMT. 2 COZINHA
1,40
quantitativamente uma
3,30 3,25
7,00

grandeza com uma unidade

4,24
+,45
de medida.
3,09

1,48
DORMT. 1
SALA
2,47
2,32

4 Unidade de medida 2,88 3,93

+,40
É uma medida ou
quantidade determinada
para cada grandeza como GARAGEM
5,50

padrão de comparação para


outras medidas.

5 Grandeza -,30

É tudo que pode ser


associado a um valor CALÇADA
numérico e a uma unidade,
ou seja, estabelecer uma
relação de medida com
algum objeto. Exemplos de
grandezas: comprimento,
área, volume, temperatura,
potência, massa. PROJETO RESIDENCIAL
ESCALA 1:100
Desenho Arquitetônico:
Dimensões Gerais
Figura 4 -  Projeto residencial – dimensões gerais
Fonte: SENAI-SP (2012)

Note, às margens da planta, que algumas medidas aparecem acompanhadas


por setas (em azul) que são chamadas de cotas2. Elas representam as principais
medidas3 da construção na planta baixa.
Na figura a seguir, destacamos as cotas das dimensões da parte externa da-
quela construção. Nesse caso, as cotas estão indicadas com setas. Note que os
valores são as medidas reais (em metros):
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
23

7,25 5,00

3,88 2,93

1,26
LAVANDERIA DEPÓSITO

2,10
4,50

+,35 CIRCULAÇÃO
JARDIM

2,03 1,89
4

Figura 5 -  Detalhe do projeto residencial – dimensões gerais


Fonte: SENAI-SP (2012)

Provavelmente você já utilizou o metro como unidade de medida. Vamos in-


terromper por um instante nossa análise das simbologias para estudar um pouco
sobre as unidades de medidas mais importantes e mais utilizadas em nossas ati-
vidades cotidianas e profissionais.

2.1.2 Sistema Internacional de Unidades (SI)

O metro é a unidade de comprimento padrão que pertence ao Sistema Inter-


nacional de Unidades (SI), que é oficialmente adotado por muitos países, inclusive
Brasil. O SI é, na verdade, um conjunto de unidades de medidas4 estabelecidas
como padrão de uso, com a finalidade de evitar confusões e facilitar as compara-
ções e conversões das medidas das diversas grandezas5.

O SI constitui uma versão ampliada e mais complexa do an-


tigo Sistema Métrico Decimal, inicialmente criado na França,
em 1789, que era constituído por três unidades básicas: o
metro, o litro e o quilograma. O SI foi sancionado pela Con-
ferência Geral de Pesos e Medidas (1960) e foi adotado pelo
SAIBA Brasil, tornando-se mais tarde (1988) obrigatório em todo
MAIS território nacional. Esses sistemas foram criados a partir da
antiga necessidade de muitos países de padronizar unidades
e conversões de medidas e de moedas, facilitando, princi-
palmente as transações comerciais. Para saber mais sobre
o SI, acesse: <http://www.ipem.sp.gov.br/5mt/unidade.
asp?vpro=historia>.
Leitura e interpretação de desenho técnico
24

São sete as grandezas definidas como fundamentais e, consequentemente,


são sete as unidades básicas do SI, conforme você pode observar no quadro a
seguir:

Quadro 1 - Grandezas e unidades básicas


Grandezas básicas Unidades Símbolos
comprimento metro m
massa quilograma kg
tempo segundo s
corrente elétrica ampère A
temperatura kelvin K
quant. de matéria mol mol
intensidade luminosa candela cd

Todas as outras grandezas podem ser derivadas daquelas consideradas bási-


cas e suas unidades são expressas por multiplicações ou divisões das unidades
básicas. Assim, no SI define-se apenas uma unidade para cada grandeza, mas al-
gumas unidades podem ser utilizadas em várias grandezas diferentes.
Observe no quadro a seguir alguns exemplos de grandezas e unidades
derivadas:

Quadro 2 - Grandezas derivadas


Grandezas derivadas Unidades Símbolos Dimensionais

área metro quadrado m2 m2


volume metro cúbico m3 m3
velocidade metro por segundo m/s m/s
aceleração metro por segundo ao quadrado m / s2 m / s2
carga elétrica coulomb C s.A
energia Joule J kg ⋅ m2 / s2

força newton N kg ⋅ m / s2

frequência hertz Hz 1/ s

potência watt W kg ⋅ m2 / s3

resistência elétrica ohm Ω kg ⋅ m2 / (s3 ⋅ A 2 )

tensão elétrica volt V kg ⋅ m2 / (s3 ⋅ A)


2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
25

2.1.3 Sistema Inglês de Unidades

Outro sistema de unidades de medida importante é o chamado Sistema In-


glês. Apesar de não ser o sistema adotado oficialmente no Brasil, muitas vezes, em
situações específicas, estas unidades são utilizadas.
O Sistema Inglês utiliza a polegada, o pé, a jarda e a milha como unidades de
comprimento.
Talvez você conheça algumas das unidades de medidas inglesas, veja como
são as conversões para o SI:
1 Polegada (in) = 2,54 cm
1 Pé (ft) = 12 in = 30,48 cm
1 Jarda (yd) = 3 ft = 36 in = 91,44 cm
1 Milha (mi) = 1.760 yd = 1.609,34 m = 1,60934 km

2.1.4 Múltiplos e submúltiplos das unidades do SI

Imagine que você pretende comprar um computador. Ao entrar na loja, o ven-


dedor imediatamente lhe oferece um modelo novo e diz que ele tem um HD de
1500000000000 byte de memória.
É fácil perceber que essa representação é inadequada! Não é usual alguém
expressar um número tão grande dessa maneira, com tantos zeros, não acha? Isso
dificulta muito, além da leitura, operar com esses números.
Agora veja essa outra notação para aquele número: o computador que o ven-
dedor ofereceu tem 1,5 Tb (terabyte) de memória.
Para expressar medidas extremamente grandes ou extremamente pequenas,
o SI adotou alguns prefixos, facilitando sua representação, leitura e cálculos. Veja
alguns exemplos na tabela a seguir.
Leitura e interpretação de desenho técnico
26

6 Notação Tabela 1 - Prefixos do SI

Notação de uma potência: Nome Fator Símbolo Multiplicar por


an, onde a é a base
(número a ser multiplicado
tera 1012 T 1000000000000
sucessivamente) e n é o
expoente (número de giga 10 9 G 1000000000
vezes que a base será
multiplicada). mega 10 6 M 1000000

quilo 103 k 1000

hecto 102 h 100


7 Potência
deca 101 da 10
Potência matemática é um
valor representado por - 10 0 - 1
sucessivas multiplicações
de um mesmo número
várias vezes. deci 10 −1 d 0,1

Exemplo: 34 = 3.3.3.3. centi 10 −2 c 0,01

mili 10 −3 m 0,001

micro 10 −6 µ 0,000001

nano 10 −9 n 0,000000001

pico 10 −12 p 0,000000000001

Então, voltando ao nosso exemplo, veja como utilizar esses prefixos:

1500000000000
15000000000 , 00 × 102
150000000 , 0000 × 10 4
1500000 , 000000 × 10 6
150 , 0000000000 × 1010 = 150 × 1010
1, 500000000000 × 1012 = 1,5 × 1012 =1,5 tera

Notação6 é uma representação através de símbolos. A


notação científica é uma forma de representar núme-
ros demasiadamente grandes (ou pequenos) de forma
conveniente, a fim de facilitar os cálculos com eles.
Escrever um número em notação científica consiste em
representá-lo em um número entre um e nove multipli-
VOCÊ cado por uma potência7 de base 10.
SABIA?
Exemplo: 50000000000 em notação científica é igual a
5 ×1010 .
Na engenharia, é comum a utilização de expoentes múl-
tiplos de três (utilizando o mesmo exemplo, o número
50000000000 seria escrito como: 50 × 10 9 ).
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
27

2.2 Medidas lineares e de áreas

Voltando à nossa planta baixa, veja que uma das utilidades da notação das
cotas, por exemplo, é determinar as dimensões do terreno:

Largura do terreno: 7,25 + 5 = 12,25 metros

7,25 5,00

3,88 2,93
1,26
Comprimento do terreno: 5,5 + 7 + 4,5 = 17 metros

LAVANDERIA DEPÓSITO
2,10
4,50

+,35 CIRCULAÇÃO
JARDIM

2,03 WC 1,89
3,44
1,20

HALL N.M
DORMT. 2 COZINHA
1,40
3,30 3,25
7,00

4,24

+,45
3,09
1,48

DORMT. 1
SALA
2,47
2,32

2,88 3,93

+,40

GARAGEM
5,50

-,30

CALÇADA

Figura 6 -  Projeto residencial – dimensões do terreno


Fonte: SENAI-SP (2012)

Portanto, a partir das cotas fica fácil determinar as dimensões desse terreno:
12,25 m de largura e 17,00 m de comprimento.
Agora, veja outro exemplo: vamos utilizar um dos cômodos da mesma planta
baixa e identificar suas dimensões:
Leitura e interpretação de desenho técnico
28

8 VA (Volts Ampère)

3,30 3,25
Unidade de medida
da potência elétrica
necessária para produzir Os valores 3,30 m e 2,88 m
trabalho e, portanto, correspondem às medidas
para que o equipamento DORMT. 1 internas do dormitório:
funcione. comprimento e largura,
respectivamente.

2,47
2,32
9 Área 2,88
É a medida de uma
determinada superfície Figura 7 -  Detalhe projeto residencial – dimensões dormitório 1
plana. Fonte: SENAI-SP (2012)

Veremos a seguir como esses valores são importantes em aplicações práticas,


10 Raio como para realizar algumas previsões na instalação elétrica.
Raio de uma circunferência
é a distância de um
ponto qualquer dessa
circunferência ao centro da 2.2.1 Previsão da potência dos pontos de luz dos ambientes
mesma.

Segundo a norma brasileira, devem ser previstos pontos de luz com potência
mínima de 100 VA8 para as áreas9 iguais ou inferiores a 6 m2 ; para áreas superi-
ores a 6 m2 , na previsão, deve-se atribuir 100 VA para os primeiros 6 m2 e 60 VA
para cada 4 m2 inteiros a mais no ambiente.

O trabalho elétrico é a transformação da energia


elétrica em outra forma de energia. Por exemplo,
VOCÊ uma lâmpada transforma energia elétrica em energia
luminosa. Já, a potência elétrica é a capacidade de pro-
SABIA? duzir trabalho elétrico. Por exemplo, a indicação 100 VA
ao lado do símbolo de uma lâmpada, significa que essa
tem capacidade de produzir 100 VA de trabalho.

Mas como se calcula a área de uma superfície?


O cálculo da área de uma superfície plana depende do seu formato. Nas plan-
tas baixas de residências, por exemplo, os cômodos normalmente são retangula-
res ou quadrados e, portanto, o cálculo da área (A) nesses casos é a multiplicação
do comprimento pela largura:
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
29

A=x.x
A=x.y y x
ou x²

x x
Figura 8 -  Cálculo da área do retângulo e da área do quadrado
Fonte: SENAI-SP (2012)

No nosso exemplo, o dormitório 1 tem um formato retangular, portanto, sua


área (comprimento x largura) é determinada pela multiplicação 3,30 m x 2,88 m.
Então, a área do dormitório 1 é de 9,5 m2 .
Atenção: observe que, como as dimensões do dormitório foram fornecidas na
unidade metro – m –, então a unidade de medida de área a ser utilizada deverá
ser o metro quadrado – m2.
Sabemos que para uma área de até 6 m2 devem ser previstos pontos de luz com
potência mínima de 100 VA, acrescentando 60 VA para cada 4 m2 inteiros a mais.
Então, como temos 9,5 m2 − 6 m2 = 3,5 m2 de área excedente, não é ne-
cessário fazer nenhum acréscimo aos 100 VA que devem ser previstos para o
dormitório 1.
Mas e se você precisar calcular a área de uma superfície circular como, por
exemplo, de uma sala com formato de um semicírculo?
Nesse caso, devemos utilizar uma fórmula que depende do raio10 dessa cir-
cunferência.
Observe a figura abaixo e considere a circunferência de centro O e raio r, então
a área do círculo (ou da superfície circular) é determinada pela multiplicação do
número π (pi) pelo quadrado do seu raio:

A = π . r²
O
r

Figura 9 -  Cálculo da área do círculo


Fonte: SENAI-SP (2012)
Leitura e interpretação de desenho técnico
30

11 Razão
O π (PI) é uma letra grega que é utilizada para simbolizar a
Razão entre dois números a razão11 entre o comprimento da circunferência e seu diâ-
e b (b deve ser diferente de metro12. Essa razão determina um valor infinito, mas costu-
zero) é o quociente a/b ou mamos utilizar valor aproximado de 3,14.
a:b, isto é, é o resultado da
divisão entre eles. SAIBA Pesquise o valor de π com maior aproximação, isto é, com
MAIS mais casas decimais.
Para saber mais sobre o π (PI), acesse:
<http://www.topografia.ufsc.br/galeria-numeropi.html>;
12 Diâmetro
<http://www.mat.ufrgs.br/~portosil/aplcom1a.html>.
Diâmetro de uma
circunferência é a distância
entre dois pontos de uma
circunferência que formam
um segmento que passa
pelo seu centro. O diâmetro
de uma circunferência 2.2.2 Previsão de instalação de tomadas nos ambientes
mede o dobro do seu raio.

Para instalação de tomadas, a norma brasileira recomenda que cômodos ou


dependências com área igual ou inferior a 6 m² devem ter, no mínimo, um ponto
13 PONTO DE TOMADA
de tomada. Já cômodos ou dependências com área acima de 6 m², devem ter, no
Ponto de uma linha elétrica mínimo, um ponto de tomada13 para cada 5 m ou fração, espaçadas tão unifor-
destinado à conexão de
equipamentos de utilização
memente quanto possível. Em cozinhas e áreas de serviço deve ser previsto, no
que usa uma ou mais mínimo, um ponto de tomada a cada 3,5 m ou fração do perímetro.
tomadas de corrente.
No nosso exemplo, já sabemos que a área do dormitório 1 é maior que 6 m2
( 9,5 m2 ), então precisamos calcular o seu perímetro14 para determinar a quanti-
14 Perímetro dade de tomadas que devem ser instaladas no ambiente:

Perímetro de uma figura é


a medida do comprimento 2,88 m
do contorno dessa figura,
ou seja, é a soma das
3,30

medidas lineares de todos


os seus lados. O perímetro
de uma circunferência = π x
d (onde d é o diâmetro).
DORMT. 1
3,30 m 3,30 m
2,47

2,88
2,88 m

Perímetro = 2 x 2,88 + 2 x 3,30


= 5,76 + 6,60 = 12,36 m
Figura 10 -  Cálculo do perímetro do dormitório 1
Fonte: SENAI-SP (2012)

Atenção: considere sempre o perímetro total, como se não tivesse as “inter-


rupções” das paredes nos locais das portas!
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
31

Portanto, se a cada 5 m devemos prever uma tomada, o dormitório 1 deve ter,


no mínimo, 2 tomadas.

2.3 Conversão de unidades entre o SI e o Sistema Inglês

Em determinadas situações, é comum precisarmos fazer as conversões de um


sistema de unidade para outro. Para efetuar os cálculos precisamos saber algumas
conversões fundamentais, utilizando uma tabela de conversão. Veja algumas
das conversões mais utilizadas, na tabela a seguir:

Tabela 2 - Conversões: SI e Sistema inglês


Sistema Internacional
Grandeza Sistema Inglês Conversão
(SI)
centímetro (cm) polegada (in) 1 in = 2,54 cm
centímetro (cm) pé (ft) 1ft = 30,48 cm
Comprimento
metro (m) jarda (yd) 1 yd = 0,91 m
quilômetro (km) milha (mi) 1 milha = 1,61 km
polegada quadrada
centímetro quadrado (cm2) 1 sq in = 6,45 cm2
(sq in ou in2)
Área jarda quadrada
metro quadrado (m2) 1 yd in = 0,84 m2
(sq yd ou yd2)
metro quadrado (m2) acre (ac) 1 ac = 4,05 m2

Exemplo:
Nas lojas, as tubulações de aço galvanizado são diferenciadas pelas medidas
de seus diâmetros, em polegadas.
Suponha que precisamos comprar um tubo de meia polegada e queremos de-
terminar seu diâmetro em centímetros.
Conforme a tabela de conversão apresentada, sabemos que 1 polegada equi-
vale a 2,54 cm.

Existem alguns sites que efetuam qualquer tipo de conver-


são de unidades, de diversas grandezas (comprimento, área,
SAIBA potência, volume etc.).
MAIS Você pode consultar, por exemplo, o conversor de medidas
no site do IPEM-SP (Instituto de Pesos e Medidas do Estado
de São Paulo): <www.ipem.sp.gov.br/cv2/index.htm>.
Leitura e interpretação de desenho técnico
32

Para efetuarmos os cálculos necessários para a conversão de unidades como


esta, em nosso exemplo, precisamos estudar um pouco sobre razões e propor-
ções. Acompanhe!

2.3.1 Razão e Proporção

Como já vimos, a razão é uma divisão entre dois números, e geralmente é


representada na forma fracionária. Uma igualdade entre duas razões é chamada
de proporção.
Por exemplo:
1 3
= é uma proporção
4 12
Além disso, se efetuarmos as duas divisões 1:4 e 3:12, obtemos o mesmo resul-
tado (0,25), ou seja, essas duas razões são proporcionais.
Observe que para encontrar uma razão que seja proporcional a outra, basta
multiplicar (ou dividir) os dois números de uma razão por um mesmo valor:

1× 3 3
=
4 × 3 12

Esse cálculo é bastante útil nos casos em que precisamos encontrar uma razão
1 5
que seja proporcional à outra. Por exemplo, na proporção = , como determi-
4 N
nar o valor de N?
Sabemos que o número a ser multiplicado (ou dividido) pelos dois números da
1
razão deve ser o mesmo. Assim, como 1× 5 = 5 , basta multiplicar 4 também por
4
5, mantendo proporção:

1× 5 5
=
4 × 5 20

Portanto, N = 20.
Observe que podemos encontrar infinitas razões proporcionais a essas apenas
multiplicando (ou dividindo) um valor escolhido aos números de uma das razões:

1 ×3 3 5 ×2 10
→ 
→  →
�4 ����������������
12 20 40
×5
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
33

A partir desse exemplo, podemos verificar a propriedade fundamental das


proporções:

3 10 3 5
= =
12 40 12 20
3 × 40 =12 ×10 3 × 20 =12 × 5

Essa propriedade é utilizada na regra de três, uma regra prática para encon-
trar um valor de uma proporção:

2.3.2 Regra de três


1 5
Voltemos no exemplo = .
4 N
Para encontrar N aplicando a regra de três, colocamos os valores das razões,
dispostos da seguinte maneira:

Assim, efetuamos o cálculo conforme a propriedade fundamental das


proporções:

1× N = 4 × 5

E resolvendo essa equação, obtemos N = 20.


Voltando à situação do tubo de meia polegada, para determinar seu diâmetro
em centímetros, vamos utilizar a conversão: 1 polegada = 2,54 cm, e aplicar a re-
gra de três:

1⋅ x= 0,5 ⋅ 2,54 ⇒ x= 1,27 cm

Portanto, um tubo de meia polegada tem um diâmetro de 1,27 cm.


Importante: para aplicar a regra de três corretamente, é necessário manter
a mesma unidade de medida em cada coluna (observe que no exemplo colo-
camos polegada na primeira coluna e centímetro na segunda coluna, por ser a
unidade do valor que devemos calcular).
Leitura e interpretação de desenho técnico
34

2.4 Ferramentas e instrumentos de medidas

Falamos bastante em medidas de comprimento, as unidades mais utilizadas e


as conversões entre elas. Mas ainda fica uma questão importante: como medir?
Quais os instrumentos e ferramentas mais adequados para cada medição?
Existem muitos tipos de ferramentas e instrumentos de medidas específicos
para cada situação ou objeto que se quer medir.
Vamos apresentar alguns deles: a régua graduada, o paquímetro, a trena e o
metro articulado.

Régua graduada

É o mais simples entre os instrumentos de medida linear. Apresenta-se, em


geral, em forma de lâmina de aço carbono ou de aço inoxidável. Nessa lâmina
estão gravadas as medidas em centímetros (cm) e milímetros (mm), conforme o
sistema métrico, além de polegadas e suas frações (sistema inglês).
Na figura abaixo, você pode observar esses dois tipos de réguas:

dez milímetros trinta milímetros sistema métrico

uma polegada duas polegadas sistema inglês


Figura 11 -  Réguas graduadas
Fonte: <http://www.starrett.com.br/produtos/produtodetalhe.asp?prodnome=Escala-de-Aco-
com-Graduacao-em-Milimetros-e-Polegadas&cat=1&linha=28&codprod=788>
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
35

Trena

A trena é feita de uma lâmina de aço inoxidável, graduada em metros, centí-


metros e milímetros só de um lado.
O comprimento das trenas utilizadas em levantamentos topográficos é de 30 a
150 metros e o comprimento das de bolso varia de 1 a 7,50 metros (as de 5 metros
são as mais utilizadas).
Normalmente apresentam-se enroladas em um tambor e, por serem leves e
praticamente indeformáveis, os levantamentos realizados com esse tipo de dis-
positivo nos fornecem uma maior precisão nas medidas, ou seja, fornecem medi-
das mais confiáveis.
Veja na figura abaixo um exemplo de trena:

Figura 12 -  Trena
Fonte: SENAI-SP (2012)
Leitura e interpretação de desenho técnico
36

15 CURSOR Metro articulado


É a parte do paquímetro
que desloca sobre a régua É um instrumento de medição linear, fabricado em madeira, alumínio ou fibra.
principal. No comércio, o metro articulado é encontrado nas versões de 1 m e 2 m.

16 RESSALTo

Refere-se aos objetos com


saliência ou relevos.

Figura 13 -  Metro articulado


Fonte: SENAI-SP (2012)

A leitura das escalas de um metro articulado, régua e trena é bastante simples:


faz-se coincidir o zero da escala, isso é, o topo do instrumento, com uma das ex-
tremidades do comprimento a medir. O traço da escala que coincidir com a outra
extremidade indicará a medida.

Paquímetro

Paquímetro é um instrumento de medição formado basicamente por uma es-


cala e um cursor15. No cursor está gravada uma segunda escala chamada nônio,
também conhecida como vernier. Sua função principal é executar medições ex-
ternas por meio dos bicos (por exemplo, diâmetro externo de eixos), podendo
ainda executar medições internas, tendo como referência as orelhas ou de pro-
fundidades – por meio da haste de profundidade (por exemplo, profundidade de
furo não passante) – e de ressaltos16.
São muitas as funções do paquímetro. Entre elas, temos:
a) medição interna;
b) medição externa;
c) medição externa com ressalto;
d) medição externa e de profundidade.

Observe essas funções na figura a seguir.


2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
37

1 medida
interna

4 medida de
profundidade

2 medida
externa

3 medida
com ressalto

Figura 14 -  Exemplos de utilização do paquímetro


Fonte: SENAI-SP (2012)

O paquímetro é mais utilizado na área da Eletroeletrônica para medir diâme-


tros de furos e de brocas, quando da instalação de sistemas.
Na medição com o paquímetro, o cursor desliza sobre a régua carregando con-
sigo a orelha móvel, o bico móvel, a haste de profundidade, o parafuso de fixação
e o nônio. Para entender melhor, veja figura a seguir.

faces de
medição
interna

faces de haste de
orelhas parafuso de fixação
medição de profundidade
ressalto cursor

impulsor régua principal


nônio faces para
ou vernier medição de
bico profundidade
fixo
bico móvel

faces para
medição externa

Figura 15 -  Paquímetro
Fonte: SENAI-SP (2012)

O posicionamento da peça em relação ao instrumento deve ser feito com bom


alinhamento e apoio na superfície de referência (faces de medição).
Leitura e interpretação de desenho técnico
38

O paquímetro, como já comentamos, é formado basicamente de uma escala


principal e um cursor em que existe a segunda escala (nônio). O nônio tem a fun-
ção de subdividir a menor divisão da escala principal (1 mm) em valores menores
ainda. A escala do nônio tem divisões de 10, 20 e 50. Veja o exemplo de nônio com
20 divisões na figura a seguir.

escala principal
0 10 20 30 40
1mm

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
0,05mm
escala do nônio (20 divisões)

Figura 16 -  Cálculo de resolução


Fonte: SENAI-SP (2012)

Os paquímetros são fabricados com escalas do nônio de 10, 20 e 50 divisões,


tendo a resolução de 0,1 mm; 0,05 mm e 0,02 mm, respectivamente.
Simplificando a forma de obter a resolução de um paquímetro, temos que se o
valor da escala principal for 1 mm e o nônio tiver 20 divisões, a resolução poderá
ser obtida pela divisão 1mm/20 divisões = 0,05 mm.
Acompanhe a leitura no exemplo a seguir.
a) Na escala principal, o zero da escala do nônio equivale a 10 mm.
b) Seguindo até o traço coincidente nas duas escalas, temos 35 centésimos de
mm na leitura da escala do nônio.
c) Somando os valores, então, temos: 10 mm + 0,35 mm, logo 10 + 0,35 =
10,35 mm.

leitura na escala
escala principal
principal
10 20 30

sentido de leitura

0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10

escala do nônio (20 divisões)


leitura na escala
do nônio

Figura 17 -  Leitura de escala


Fonte: SENAI-SP (2012)
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
39

Agora, observe a figura a seguir e acompanhe a leitura no exemplo.


a) Na escala principal, até o zero (0) da escala do nônio, temos 86 mm.
b) Seguindo até o traço coincidente nas duas escalas, temos 75 centésimos de
mm (leitura na escala do nônio).
c) Somando os valores, temos: 86 mm + 0,75 mm, logo 86 + 0,75 = 86,75 mm.

leitura na
escala escala principal
80
principal 90 100 110

sentido de leitura
0 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10
leitura na
escala do nônio escala
do nônio

Figura 18 -  Leitura de escala


Fonte: SENAI-SP (2012)

Conservação

Os paquímetros normalmente são construídos em aço inoxidável. Antes e


após a sua utilização, devem ser limpos com um pano limpo e adequado, isto é,
que não solte partículas. Também devem ser acondicionados e transportados em
estojo ou caixa apropriada para evitar que sejam danificados com riscos, panca-
das ou desgaste por atrito. Além disso, não devem ser expostos ao calor ou raios
solares.

No site <http://www.stefanelli.eng.br/webpage/noindex/i-
SAIBA -paquimetro.html> há vários exercícios com uso de paquí-
MAIS metro que você pode fazer para complementar o seu apren-
dizado.
Leitura e interpretação de desenho técnico
40

17 Projeto executivo 2.5 Escala


Projeto executivo é o Após nosso estudo com unidades de medida e proporções, podemos voltar à
conjunto de informações
necessárias à execução planta baixa residencial apresentada no início deste capítulo para estudar mais
completa de uma obra,
de acordo com as normas uma notação muito importante e essencial em qualquer desenho ou projeto: a
estabelecidas pela escala.
Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT). Observe a indicação da escala apresentada abaixo do desenho. Você já deve
ter visto essa indicação em outras plantas, que aparecem em folhetos de empre-
endimentos imobiliários, em jornais ou revistas, por exemplo.

CALÇADA

PROJETO RESIDENCIAL
ESCALA 1:100
Desenho Arquitetônico:
Apresentação

Figura 19 -  Representação da escala


Fonte: SENAI-SP (2012)

Você sabe o significado dessa notação?


Para podermos representar uma edificação, que é muitas vezes maior que o
tamanho da folha do desenho, utiliza-se a escala, um código que estabelece a
razão entre as medidas do desenho e as medidas reais.

2.5.1 Definição e aplicação de escala

Escala é uma forma de representação que mantém as proporções das medi-


das lineares do objeto representado. A escala permite a representação no papel
das dimensões de qualquer tamanho real, informando qual deve ser a conversão
das medidas do desenho para as medidas reais.
A escolha de uma escala é fundamental, pois deve ser adequada ao tipo de
informação que se pretende destacar e às dimensões do papel.
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
41

Vale destacar que apenas as medidas lineares são mantidas na proporcionali-


dade definida pela escala. As medidas dos ângulos não se alteram, o que signi-
fica que os formatos reais dos objetos são mantidos na representação em escala.
Voltando ao nosso exemplo (veja a figura 16), você percebeu que a notação
1:100 é a mesma utilizada para designar uma razão entre dois números?
Mas você pode estar se perguntando: posso, então, utilizar a escala para apli-
car as propriedades das proporções? A resposta é: sim.
1
Podemos escrever a notação 1:100 na forma fracionária , que significa a
100
razão entre cada medida linear no desenho e sua medida correspondente no real.
Veja:

Assim, qualquer medida no desenho pode ser facilmente convertida para sua
medida correspondente no tamanho real.
As escalas podem ser classificadas em:
a) escalas de redução;
b) escalas naturais; e
c) escalas de ampliação.

A escala 1:100 é um exemplo de escala de redução, já que o tamanho do


objeto representado (uma edificação) é cem vezes maior que uma folha de papel.
As escalas de redução podem variar de acordo com o nível de detalhamento
que se quer representar.
Por exemplo, as escalas mais usadas para desenhos arquitetônicos são 1:100
para plantas, fachadas e cortes em perspectivas. Para os projetos executivos17 de
fundações, estruturas ou instalações, a escala mais adequada é 1:50.
Leitura e interpretação de desenho técnico
42

Observe que, nesse caso, cada 2 cm representa 1 m no real, ou seja, o desenho


fica mais ampliado que na escala 1:100.
Assim, plantas que necessitam representar mais detalhes, ou seja, menor re-
dução, utilizam escalas 1:25, 1:20 ou ainda 1:10, pois necessitam desenhos mais
ampliados.
Veja na figura a seguir um exemplo de uma escala de redução, no qual o ta-
manho do desenho técnico de um painel de partida de um motor é menor que o
tamanho real do painel:

230,00 mm

+
+ R/1L1 S/3L2 T/5L3 +
+
265,50 mm

310,00 mm
281,50 mm

U/2T1 V/4T2 W/6T3


+ +

200,50 mm

ESCALA 1:4
Figura 20 -  Painel de partida de motor
Fonte: SENAI-SP (2012)

Por outro lado, no atlas geográfico, geralmente nos mapas que representam
territórios muito extensos, as escalas utilizadas são bastante reduzidas: 1:50.000
ou 1:100.000.
A escala natural é aquela em que o tamanho do desenho técnico é igual ao
tamanho real da peça.
Na figura a seguir, você vê um exemplo de um botão de comando (liga/desli-
ga) com chave em escala natural:
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
43

26,5 mm
47,0 mm

39,7 mm

ESCALA 1:1
Figura 21 -  Botão de comando
Fonte: SENAI-SP (2012)

A escala de ampliação é aquela em que o tamanho do desenho técnico é


maior que o tamanho real da peça. Veja no exemplo a seguir um borne fusível
ampliado:

63,80 mm

40,00 mm

60,00 mm

ESCALA 1,5:1
Figura 22 -  Borne fusível
Fonte: SENAI-SP (2012)
Leitura e interpretação de desenho técnico
44

2.5.2 Tipos de escalas

Vimos até agora um tipo de escala chamado de escala numérica, pois expres-
sa a correspondência entre o desenho e o real de forma numérica, ou seja, utiliza
uma razão.
Existe outro tipo de escala que expressa essa relação entre o desenho e o real:
a chamada escala gráfica. Nesse tipo de escala, não há necessidade de cálculos.
Ela é muito utilizada em mapas. Veja alguns exemplos:

0 20 40 60 80 100 km

0 50 100 150 km

Figura 23 -  Escalas gráficas


Fonte: SENAI-SP (2012)

2.5.3 Escalímetro

O escalímetro é um instrumento bastante utilizado para desenhar objetos em


escala e facilitar a leitura das medidas de desenhos representados em escala, am-
pliadas ou reduzidas.
Esse instrumento tem o formato de um prisma triangular, portanto possui três
faces, cada uma com duas escalas distintas. Portanto, por meio da utilização de
múltiplos ou submúltiplos dessas seis escalas, é possível utilizá-lo para uma gran-
de variedade de outras escalas.
Cada unidade marcada nas escalas do escalímetro corresponde a um metro na
escala adotada.

Figura 24 -  Escalímetro
Fonte: SENAI-SP (2012)
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
45

CASOS E RELATOS

Um engano desastroso
Ernesto, engenheiro civil, foi contratado por uma empresa de engenharia
para acompanhar a construção de uma escola que já estava com mais de
80% de sua obra concluída.
Ele começou seu trabalho pelo estudo da planta do projeto. Após duas
semanas de estudo, quando estava conferindo se as instalações estavam
de acordo com o projeto, percebeu que havia erro na tubulação de esgo-
to: a caixa de drenagem estava dentro de uma sala de aula, cujo piso já
estava montado.
Ernesto chamou o engenheiro projetista para averiguar o que havia acon-
tecido, pois, conforme a planta, a caixa de esgoto deveria estar fora da-
quela sala.
Ao analisar as anotações, o engenheiro percebeu que tinha usado uma
escala diferente na construção do esgoto e, por esse motivo, a tubulação
foi instalada com deslocamento de 1 metro do local projetado.
O resultado foi desastroso! Ernesto teve de quebrar o piso da sala de aula
que já tinha sido montada, além de quebrar o piso da parte externa para
interligar os novos tubos aos tubos principais. Isso significou, na prática,
além do prejuízo financeiro, um atraso de quatro dias na obra.
Leitura e interpretação de desenho técnico
46

Recapitulando

Neste capítulo, iniciamos nosso estudo das simbologias analisando uma


planta baixa residencial: as representações dos elementos principais
(portas, janelas, paredes, objetos funcionais, móveis) e as indicações das
medidas através das cotas.
Aproveitamos o tema para apresentar os principais sistemas de unidades
de medidas, o Sistema Internacional (SI) – adotado oficialmente no Brasil
– e o Sistema Inglês, com as conversões mais utilizadas entre as unidades
desses dois sistemas.
Vimos também a importância de reconhecer e utilizar as medidas infor-
madas nas plantas baixas para a realização de cálculos fundamentais,
como áreas e perímetros, aplicados em alguns casos práticos.
Em seguida, apresentamos os principais instrumentos e ferramentas de
medidas, e estudamos os conceitos básicos de razões e proporções para
o entendimento e utilização das escalas, que são obrigatórias em qual-
quer tipo de desenho técnico. As escalas definem todas as medidas e
proporções do desenho em relação ao tamanho real do que está sendo
representado.
Na escala natural a relação sempre será 1:1 e o desenho é igual ao real.
Na escala de redução, a relação sempre será 1:x, onde x indica quantas
vezes a representação gráfica é menor que a dimensão real do objeto.
Na escala de ampliação, a relação sempre será x:1, onde x indica quantas
vezes a representação gráfica é maior que a dimensão real do objeto.
2 leitura e interpretação de medidas da planta baixa
47

Anotações:
Leitura e interpretação das
instalações elétricas

No capítulo 2, estudamos uma planta baixa e suas dimensões. Aprendemos a interpretar as


simbologias que nos permitem efetuar cálculos como a área e o perímetro.
Neste capítulo, aprenderemos a interpretar simbologia padronizada, pois durante uma exe-
cução de projetos de uma planta baixa, desde o projetista até o executante, é necessário que
todos tenham uma mesma linguagem. A Norma Técnica NBR1 5444 estabelece essa linguagem
comum, evitando erros e confusões.
Vamos aprender a ler e interpretar os símbolos dos componentes e diagramas, além dos
detalhes de uma instalação elétrica e a distribuição dos seus componentes. Esses conceitos são
fundamentais para um bom desempenho nos módulos seguintes, em especial naqueles em
que você aprenderá a projetar essas instalações.
Leitura e interpretação de desenho técnico
50

1 NBR 3.1 Símbolos e recursos gráficos


Sigla de Norma Brasileira
aprovada pela ABNT2 Os mesmos símbolos gráficos dos diagramas elétricos3 são usados em plan-
de caráter voluntário e tas baixas, onde são indicadas as localizações dos circuitos de força, iluminação,
fundamentada no consenso
da sociedade. Torna-se tomadas, telefone e aparelhos afins.
obrigatória quando essa
condição é estabelecida Observe a planta baixa do mesmo projeto que utilizamos como exemplo no
pelo poder público.
capítulo 2, mas agora com os símbolos dos componentes (tomadas, interrupto-
res, luminárias etc.) alocados e identificados:

2 ABNT

Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT)
é o órgão responsável
pela normalização técnica
LAVANDERIA DEPÓSITO
no país, fornecendo
a base necessária ao
desenvolvimento
tecnológico brasileiro.
Fonte: <http://www.
abnt.org.br/m2.asp?cod_
CIRCULAÇÃO JARDIM
pagina=963#>.

DORMIT.2
3 Diagramas elétricos
WC
COZINHA
São representações
gráficas que utilizam HALL
simbologia normalizada
ou padronizada que
representam as ligações
elétricas entre os
componentes dos circuitos
eletroeletrônicos.

DORMIT.1

SALA

GARAGEM

PROJETO RESIDENCIAL
ESCALA 1:50
Diagrama Unifilar

Figura 1 -  Planta baixa com componentes


Fonte: SENAI-SP (2012)
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

Mas você deve estar pensando: “tenho de decorar o significado de todos esses
símbolos?”.
No início, você terá de consultar as tabelas em anexo, mas não se preocupe,
pois com a prática você vai adquirindo repertório dos símbolos que aparecem
com maior frequência e, quando menos esperar, você saberá a maioria deles sem
necessidade de consultar tabelas com tanta frequência!
Veja alguns símbolos dos componentes que destacamos do nosso projeto-
-exemplo:

3.1.1 Tomadas

Tomada alta - 2,2m do piso


Potência da tomada - 5500 W (chuveiro)
Circuito alimentação - 10

WC

HALL

Tomada meia altura - 1,3m do piso


- 1 de 3500 W (torneira elétrica)
- 2 de 600 VA
- 1 de 100 VA (quando não há identificação)
Circuito alimentação - 5 para a torneira
- 4 para as demais tomadas
Figura 2 -  Detalhe com tomadas de meia altura e alta
Fonte: SENAI-SP (2012)
Leitura e interpretação de desenho técnico
52

4 Circuito de
alimentação

É o circuito que fornece


energia de um determinado
setor. Ele tem origem em
um disjuntor instalado
no quadro de luz e
força e alimenta os seus
componentes.

5 Caixa de medidor

É a caixa que armazena o


instrumento de medição
de consumo de energia
elétrica da residência.
Tomada baixa - 0,3m do piso
Potência das tomadas - 4 de 100 VA (quando não há identificação)
Circuito alimentação - 7
Figura 3 -  Detalhe com tomada baixa
Fonte: SENAI-SP (2012)

3.1.2 Interruptores e iluminação

Ponto de luz incandescente - teto


Potência máxima - 100 VA
Circuito alimentação - 8
Ligado ao interruptor - i

DORMIT.2

Interruptor simples
ligado à luminária i

Figura 4 -  Detalhe com interruptor simples e ponto de luz


Fonte: SENAI-SP (2012)
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

Interruptor paralelo (three way)


Ligado à luminária h

DORMIT.2

Ponto de luz incadescente - teto


Potência máxima - 100 VA
Circuito alimentação - 8
Ligado ao interruptor - h
Figura 5 -  Detalhe com interruptores e ponto de luz
Fonte: SENAI-SP (2012)

Caixa para medidor5 e caixa para telefone e campainha:

Caixa para medidor - visão da rua.


A posição da escrita indica o lado
da visão (leitura) do medidor.

Caixa para TV, telefone e internet.

Figura 6 -  Detalhe com caixa de medidor e caixa de telefonia


Fonte: SENAI-SP (2012)
Leitura e interpretação de desenho técnico
54

3.2 Diagrama unifilar e multifilar

Os diagramas multifilar e unifilar são esquemas que sintetizam os circuitos elé-


tricos com a finalidade de facilitar a compreensão e a instalação dos componen-
tes necessários.
O diagrama multifilar é direcionado aos eletricistas, uma vez que apresentam
detalhes de posicionamento dos componentes, de ligações e de funcionamento,
incluindo todos os seus condutores.
Veja um exemplo de um diagrama multifilar:

L1 N1 N2 PE L2
CIRCUITO2 L1/L2 - Fase e N1/N2 - Neutro: Pontos
CIRCUITO1
de alimentação de energia elétrica.
NEUTRO

PROTEÇÃO
NEUTRO
FASE

FASE

PE- Condutor terra de proteção.


S1 - Interruptor: Liga e desliga a carga
Retorno - Liga o interruptor à carga.
H1 - Lâmpada: É a nossa carga.
FASE
FASE

X1 e X2 - Tomada. Para ligar outras


FASE

H1
cargas.
RETORNO

PROTEÇÃO

PROTEÇÃO
NEUTRO

NEUTRO

Circuito - Distribui as alimentações


de energia elétrica.
S1
Ponto de ligação é uma emenda,
onde efetuamos outras ligações.
X1 X2
Figura 7 -  Diagrama multifilar
Fonte: SENAI-SP (2012)

O diagrama unifilar apresenta as partes principais de um sistema elétrico,


identificando o número de condutores (cabos elétricos que conduzem a energia
elétrica). Nele, o trajeto dos condutores é representado por um único traço. Esse
tipo de diagrama geralmente representa a posição física dos componentes da ins-
talação na planta baixa, porém não representa com detalhes o funcionamento e
a sequência funcional dos circuitos. É o tipo de diagrama mais usado em instala-
ções elétricas prediais.
Veja o esquema unifilar que apresenta o mesmo circuito do exemplo multifilar
anterior. Note que o diagrama unifilar apresenta maior quantidade de símbolos
que o multifilar, mas a vantagem é a facilidade na visualização de número e tipo
de condutores envolvidos na interligação dos componentes:
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

Circuito 2 -2-

Circuito 1 -1-
-1 a- a -2-
a -2-
-1- 100 VA Tomada
Interruptor -2-
Luminária Potência da carga

-2-
Tomada
Figura 8 -  Diagrama unifilar
Fonte: SENAI-SP (2012)

a) O interruptor simples é representado pelo círculo branco e a letra a indica


a qual luminária ele está ligado.
b) O número 1 indica o circuito (ou disjuntor) ao qual esse circuito está ligado.
c) A luminária é representada pelo círculo maior e a indicação 100 VA indica
a máxima potência de energia prevista para esse ponto.
d) O triângulo branco indica uma tomada de altura 30 cm do solo.
Observe os símbolos que representam cada um dos condutores no diagrama
unifilar:

NEUTRO RETORNO

FASE TERRA
Figura 9 -  Condutores no diagrama unifilar
Fonte: SENAI-SP (2012)
Leitura e interpretação de desenho técnico
56

6 Eletrodutos 3.3 Componentes de instalações elétricas


São tubos que interligam os
componentes. No interior
Os componentes são os itens que compõem um circuito elétrico. Podem ser
deles são passados os cabos materiais condutores (conduzem corrente elétrica), responsáveis pelo funciona-
elétricos.
mento de um sistema elétrico (por exemplo, os cabos) e também materiais não
condutores (por exemplo, os eletrodutos6 de PVC).
Nesse item vamos estudar alguns componentes da instalação elétrica e sua
simbologia conforme a NBR 5444.

3.3.1 Condutores

A principal função dos condutores é transportar a energia elétrica no circuito.


Observe no quadro a seguir, as diferentes simbologias utilizadas em cada esque-
ma unifilar a multifilar:

Quadro 3 - Condutor elétrico


Condutores Unifilar Multifilar Descrição
Podem ser encontrados
de duas formas:
• fios: são condutores
normalmente isolados.
• cabos: são condutores
normalmente isolados
constituídos por vários
fios.

Fonte: SENAI-SP (2012)

O diâmetro do condutor define a capacidade de corrente elétrica indicada


para transporte seguro. Quanto maior o diâmetro, maior será essa capacidade.
Existem condutores de diâmetros variados, mas numa instalação residencial nor-
malmente são utilizados diâmetros de 1,0 mm2 até 10,0 mm2.
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

3.3.2 Carga

Chamamos de carga todo equipamento que transforma energia elétrica em


energia pronta para ser consumida. Podemos citar como exemplos de cargas as
lâmpadas, os chuveiros, as geladeiras, os televisores e qualquer aparelho que pos-
sua resistência elétrica.
Veja no quadro a seguir alguns exemplos de carga:

Quadro 4 - Tipos de cargas


Carga Unifilar Multifilar Descrição

Luminária para lâm-


a
-4- pada incandescente
2x100W no teto

Luminária para
a
lâmpada fluorescente
-4- 2x20W
no teto

Campainha

Fonte: SENAI-SP (2012)

O chuveiro elétrico é representado com o símbolo da


tomada, mas fisicamente elas não devem ser instaladas,
FIQUE pois como sua potência é muita alta, o risco de a toma-
ALERTA da derreter é grande, o que pode provocar incêndio. Por
isso, ao instalar chuveiros, as ligações devem ser feitas
por emendas ou por conectores apropriados.
Leitura e interpretação de desenho técnico
58

3.3.3 Interruptores

Os interruptores são dispositivos de manobra que permitem abrir, fechar ou


comutar um circuito elétrico.
Alguns tipos de interruptores:
• interruptor simples: é o mais usado em instalações elétricas e sua única fun-
ção é interromper ou restabelecer o circuito;
• interruptor paralelo: são aqueles que permitem o comando de uma lâmpada
em dois pontos diferentes;
• interruptor intermediário: quando é necessário comandar uma lâmpada a
partir de três ou mais pontos.
Veja, no quadro a seguir, alguns tipos de interruptores:

Quadro 5 - Tipos de interruptores


Interruptor Unifilar Multifilar Descrição

a
Interruptor simples

a
Interruptor paralelo

a
Interruptor intermediário

Interruptor de campainha
(ou)
ou pulsador

Fonte: SENAI-SP (2012)


3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

3.3.4 Tomadas

As tomadas são dispositivos que permitem ligações elétricas provisórias de


aparelhos portáteis e eletrodomésticos. Observe no quadro abaixo que são utili-
zados diferentes símbolos de acordo com a altura da tomada em relação ao solo:

Quadro 6 - Exemplo de tomada e suas simbologias


Tomada Unifilar Multifilar Descrição
Tomada de luz na
300 VA
parede, baixa (300 mm
-3-
do piso).
Tomada de luz a meia
300 VA
altura (1.300 mm do
-3-
piso).
300 VA Tomada de luz alta
-5- (2.000 mm do piso).
Fonte: SENAI-SP (2012)

3.3.5 Eletrodutos

Os eletrodutos são tubos de metal ou plástico, rígidos ou flexíveis. Por se-


rem conexões físicas entre os componentes do circuito, já que são a via de passa-
gem dos condutores, servem como proteção contra umidade, ácidos ou choques
mecânicos.
Eles podem ser classificados em:
a) eletroduto rígido de aço-carbono;
b) eletroduto rígido de PVC;
c) eletroduto flexível metálico; e
d) eletroduto flexível de PVC.
Leitura e interpretação de desenho técnico
60

Veja no quadro a seguir os tipos de eletrodutos:

Quadro 7 - Tipos de eletrodutos


Eletroduto Unifilar Descrição

Rígido de aço

Eletroduto embutido no teto


ou na parede Rígido de PVC

25

Eletroduto embutido no piso

Flexível metálico
25

Flexível de PVC

Fonte: SENAI-SP (2012)


3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

3.3.6 Condulete e caixa de passagem

O condulete é uma peça empregada na rede exposta de eletrodutos. Ele é


usado como caixa de passagem, de ligações, para permitir a instalação de com-
ponentes e para substituir curvas nos eletrodutos.
A caixa de passagem é uma caixa plástica (ou metálica) instalada nas constru-
ções de modo a facilitar sua alteração ou manutenção. Por ela, devem passar os
principais circuitos elétricos.

Quadro 8 - Tipos de conduletes e caixas de passagem


Descrição

Condulete externo

Caixa de passagem (caixa de luz)

Fonte: SENAI-SP (2012)


Leitura e interpretação de desenho técnico
62

3.3.7 Dispositivos de proteção

Esses dispositivos protegem os circuitos elétricos em caso de sobrecarga elé-


trica, curto-circuito ou choque elétrico.
Exemplos:
a) interruptor de corrente de fuga (proteção contra choque elétrico);
b) fusíveis (sobrecarga e curto-circuito);
c) disjuntores (sobrecarga e curto-circuito).

Quadro 9 - Tipos de dispositivo de proteção


Unifilar Multifilar Descrição

DR

Interruptor de fuga

I ΔN 30mA Id

Disjuntor

Fusível

Fonte: SENAI-SP (2012)


3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

3.3.8 QUADRO DE MEDIÇÃO E QUADRO DE DISTRIBUIÇÃO DE LUZ E FORÇA (QDLF)

Quadro de medição é o receptor de energia fornecida pela concessionária e


QDLF, popularmente conhecido por quadro de luz, é o local onde ficam acondi-
cionados os dispositivos de proteção dos circuitos que serão distribuídos pelos
ambientes.

Quadro 10 - Quadro de medição e QDLF


Unifilar Descrição

Quadro de medição
MED (Caixa para
medidor)

QDLF
(Quadro de luz)

Fonte: SENAI-SP (2012)

3.4 Instalações elétricas em planta baixa residencial

No capítulo 2, você aprendeu a determinar dimensões, perímetro e área de


um cômodo a partir das medidas fornecidas pela planta baixa residencial. Neste
capítulo, apresentamos as principais simbologias utilizadas conforme as normas
da ABNT.
Para determinar a quantidade de tomadas e de pontos de luz necessárias em
cada ambiente ou para saber a potência estimada da planta, por exemplo, um
projetista necessita saber calcular a área e o perímetro desses ambientes.
Nesta unidade curricular, nossa abordagem será somente para conhecer e
identificar as simbologias utilizadas nos diferentes tipos de desenhos técnicos.
Mas na unidade curricular Projetos de Sistemas Elétricos Prediais você aprenderá
a determinar as quantidades necessárias de cada um dos componentes.
Continuando nosso caminho pelas simbologias, veja na figura a seguir nossa
próxima etapa: a representação da parte física na nossa planta-exemplo, ou seja,
a representação das tubulações que interligam os componentes.
Leitura e interpretação de desenho técnico
64

LAVANDERIA DEPÓSITO

Linha tracejada - circuito JARDIM


CIRCULAÇÃO de força no piso

DORMIT.2

WC
COZINHA

DORMIT.1 Linha continua - circuito


de força na parede ou teto

SALA

GARAGEM Linha um traço e três pontos -


circuito de sinalização no piso
PROJETO RESIDENCIAL
ESCALA 1:100
Diagrama Unifilar

Figura 10 -  Eletrodutos interligando as instalações


Fonte: SENAI-SP (2012)
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas
65

Compare essa planta da figura 31 com a da figura 32, que representa a mesma
interligação das tubulações em 3D:

LAVANDERIA

CIRCULAÇÃO DEPÓSITO
DORMT.2 WC
DORMT.1 HALL

GARAGEM COZINHA JARDIM


SALA

PROJETO RESIDENCIAL
ESCALA 1:100
Vista 3D

Figura 11 -  Eletrodutos em 3D – vista de montagem


Fonte: SENAI-SP (2012)

Esse tipo de desenho é muito usado para ter visão geral do projeto, evitando
sobreposições e conexões fisicamente impossíveis entre as tubulações.
O passo seguinte, após ter os componentes e as tubulações montadas, é re-
presentar as instalações dos cabos elétricos no interior das tubulações. Veja que é
o mesmo desenho anterior, mas este contém informações detalhadas, marcadas
nas tubulações (tipos de cabos, quantidades e diâmetros):
Leitura e interpretação de desenho técnico
66

LAVANDERIA
DEPÓSITO

CIRCULAÇÃO
JARDIM

DORMIT.2

WC
COZINHA

HALL

DORMIT.1

SALA

GARAGEM

PROJETO RESIDENCIAL
ESCALA 1:100
Diagrama Unifilar

Figura 12 -  Planta baixa final com todos os componentes, eletrodutos e condutores


Fonte: SENAI-SP (2012)
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas
67

Ampliando uma parte dessa planta (hall e dormitório 2) podemos observar


com mais clareza os detalhes dos condutores. Observe alguns exemplos indica-
dos pelas setas:

DORMIT. 2

WC NEUTRO
E FASE

HALL
CONDUTOR
TERRA

Figura 13 -  Detalhe da planta com instalações do dormitório 2 e do hall


Fonte: SENAI-SP (2012)

Em instalação elétrica, o símbolo # significa bitola de


um condutor, ou seja, a secção (ou corte) transversal do
condutor.
VOCÊ
SABIA? Portanto, o número ao lado do símbolo # corresponde
à medida da área da secção transversal do condutor em
mm2. Por exemplo, #2.5 significa um condutor elétrico
cuja área de secção mede 2,5 mm2
Leitura e interpretação de desenho técnico
68

Para facilitar nossa análise, vamos utilizar a figura 35, que apresenta as mesmas
informações da figura 34, identificando com cores os tipos de condutores:

Do QDLF são quatro condutores:


Circuito 8 - neutro da luminária i
Circuito 7 - neutro, fase e terra da tomada

k
8
8 7

8 #2.5 #2.5
8 7
8

7 #2.5 #2.5
k Do QDLF são cinco condutores:
i
#2.5 #2.5 Circuito 8 - neutro e fase da luminária k
8 Circuito 7 - neutro, fase e terra da tomada

8
k
7 7 Da luminária k até o interruptor
7 paralelo k são três condutores:
#2.5 #2.5

7
#2.5 #2.5 Uma fase e dois retornos.
#2.5 #2.5
Da luminária k até o interruptor
8 7
7 7 simples i são sete condutores:
#2.5 #2.5 Circuito 8 - Fase para ligar a luminária
i e três retorno da luminárias k
Circuito 7 - Neutro, fase e terra da
tomada.

Figura 14 -  Apresentação linear dos eletrodutos


Fonte: SENAI-SP (2012)
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

Agora veja na figura 36 o mesmo circuito representado no diagrama multifilar.


Observe que esta representação detalha o percurso de cada um dos cabos dentro
dos eletrodutos:

i
8
7
N
PE

k
i

Figura 15 -  Diagrama multifilar do dormitório 2 e hall


Fonte: SENAI-SP (2012)

Atenção: toda planta baixa deve apresentar uma legenda para evitar qual-
quer dúvida na sua interpretação. Veja uma legenda adequada para nossa planta-
-exemplo:
Leitura e interpretação de desenho técnico
70

- Interruptor de duas seções

- Interruptor de uma seção

- Interruptor intermediário (Four-Way)

- Interruptor paralelo (Three-Way)

- Ponto de luz florescente no teto

- Ponto de luz incandescente na parede (arandela)

- Ponto de luz incandescente no teto

- Tomada a meia altura (1,30m)

- Tomada alta (2,2m)

- Tomada baixa (0,3m)

- Tomada para televisão

- Caixa para telefone e TV a cabo

- Quadro de distribuição de luz e força

- Caixa para medidor

- Interruptor pulsador

- Relé de impulso

- Caixa de passagem

- Campainha

- Tomada baixa para telefone (0,3m)

- Eletroduto no teto

- Eletroduto para campainha

- Eletroduto no piso

- Eletroduto para telefone no piso

- Eletroduto que sobe

- Condutores: Neutro, Fase, Retorno e Terra

- Condutores: Telefone, Campainha e TV

Figura 16 -  Legenda da planta baixa


Fonte: SENAI-SP (2012)
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas 51

CASOS E RELATOS

Projetar e dimensionar
Jonas trabalhava em uma empresa de serviços elétricos fazendo monta-
gens e manutenções de instalações elétricas.
Certa vez, ao fazer o lançamento dos cabos dentro dos eletrodutos em
uma residência, notou que havia algo errado, pois os cabos não entravam
corretamente nos eletrodutos.
Jonas chamou imediatamente seu superior e relatou o que estava acon-
tecendo.
A primeira providência sugerida por ele foi verificar se os diâmetros dos
cabos estavam de acordo com o projeto. Ambos ficaram surpresos ao
constatar que tudo estava correto!
Concluíram que, nesse caso, deveriam conversar com o projetista. E foi o
que fizeram.
Foi aí que descobriram a origem do problema: o cliente (o dono da
residência) havia pedido ao projetista que aumentasse a quantidade de
tomadas. Este prontamente atendeu ao pedido do cliente, mas se esque-
ceu de redimensionar o diâmetro do eletroduto.
A consequência dessa falha já era de se esperar: foi preciso quebrar a
parede e efetuar a troca do eletroduto por outro de maior diâmetro, para
que fosse possível passar a nova quantidade de cabos.
Leitura e interpretação de desenho técnico
72

Recapitulando

Neste capítulo, utilizamos a mesma planta baixa residencial do capítulo


2 para estudar as principais simbologias que compõem a linguagem co-
mum aos profissionais da área técnica, facilitando o entendimento e a co-
municação desde o projetista até o executante durante todo o processo
de execução de um projeto. É importante ressaltar que no Brasil a padro-
nização oficialmente adotada é regida pela Norma Técnica NBR 5444.
Estudamos também as simbologias dos principais componentes elétri-
cos: os condutores, responsáveis pelo funcionamento de um sistema
elétrico (componentes que conduzem corrente, como os cabos) e os
acessórios utilizados (por exemplo, os eletrodutos), ambos essenciais
para o funcionamento dos circuitos.
Para finalizar esta etapa, vimos quais são as principais simbologias utili-
zadas nos diagramas unifilar (que é mais usado em instalações elétricas
prediais) e multifilar (que representa todo sistema elétrico, todos os con-
dutores e seus detalhes).
Agora, prepare-se para estudar nosso último capítulo. Vamos lá?
3 Leitura e interpretação das instalações elétricas
73

Anotações:
Desenho técnico

Chamamos de desenho técnico toda representação gráfica utilizada por profissionais de


áreas como: mecânica, elétrica, arquitetura. Ele tem diversas finalidades, entre elas destacamos,
por exemplo, a representação de ferramentas de trabalho, máquinas ou peças, com suas carac-
terísticas e medidas precisas.
Os desenhos técnicos, elaborados pelos desenhistas ou projetistas, devem seguir as regras
estabelecidas pelas normas técnicas específicas de acordo com a área de atuação.
Na elaboração de um desenho técnico, vários profissionais podem estar envolvidos, de
acordo com as necessidades de cada etapa.
No caso de uma planta de um projeto arquitetônico, por exemplo, o profissional faz um
esboço imaginado como ficaria a edificação. Depois, faz um desenho preliminar, que é uma
etapa intermediária, permitindo modificações e alterações. Uma vez aprovado o projeto, é feito
o desenho definitivo que é destinado à execução do projeto.
O desenho definitivo deve conter todos os elementos necessários para a compreensão dos
executores, sempre seguindo rigorosamente todas as normas técnicas vigentes. Esses elemen-
tos são as perspectivas (visão isométrica), as vistas e os cortes.
Veremos a seguir cada um deles.
Leitura e interpretação de desenho técnico
76

4.1 Perspectivas

Esse tipo de desenho é utilizado nos casos em que é necessário representar o


objeto transmitindo a sensação de profundidade e de relevo em um único plano.
As perspectivas são representações tridimensionais, ou seja, as três dimensões
do objeto (comprimento, largura e altura). Essas dimensões são representadas em
um único desenho. A fotografia, por exemplo, é um registro muito próximo da
imagem vista pelo olho humano, e indica claramente a noção tridimensional.
Ao observar um objeto, o olho humano é capaz de identificar as três dimensões
e transmitir ao nosso cérebro essa noção de profundidade e relevo. Essa percep-
ção gera também uma distorção quando observamos dois objetos de mesmas
dimensões situados em distâncias diferentes: o objeto que está mais afastado pa-
rece menor do que aquele que está mais perto.
Veja na figura a seguir exemplos de algumas técnicas de perspectivas:

perspectiva cônica perspectiva cavaleira perspectiva isométrica

Figura 1 -  Tipos de perspectivas


Fonte: SENAI-SP (2012)

a) A perspectiva cônica é a que mais se assemelha à interpretação do olho


humano.
b) A perspectiva cavaleira é a que representa os objetos com suas medidas
reais.
c) A perspectiva isométrica é semelhante à perspectiva cavaleira, pois tam-
bém utiliza linhas paralelas. Mas ela é baseada em um sistema de três eixos
que partem de um mesmo ponto formando ângulos iguais (120o) entre as
três dimensões, característica que provoca menor deformação do objeto
representado.
Volte ao capítulo 3, no item 3.4, e observe a figura 32 (eletrodutos em 3D – vis-
ta de montagem), que é um exemplo de perspectiva isométrica, a mais utilizada
nos desenhos técnicos de engenharia.
4 Desenho técnico
77

VOCÊ O prefixo iso significa “mesma” e métrica significa “me-


dida”. A perspectiva isométrica significa “mesma pro-
SABIA? porção de medidas”.

As perspectivas têm origem na Grécia, mas foram mais di-


fundidas durante o Renascimento.
Para aprender um pouco mais sobre os tipos de perspectivas
SAIBA mencionadas, acesse:
MAIS <http://www.ufmt.br/cuiabano/3_Disciplinas/Desenho_
Tecnico/Perspectivas/Perspectivas.pdf> e <http://www.
sobrearte.com.br/desenho/perspectiva/elementos_da_
perspectiva.php>.

4.2 Vistas

Como vimos, os desenhos em perspectivas, por serem representações tridi-


mensionais, permitem uma visão do objeto inserido no espaço, ou seja, as pers-
pectivas funcionam como uma representação mais próxima das características
reais do objeto.
Por meio das projeções do desenho em perspectiva, podemos fazer variadas
representações bidimensionais do mesmo objeto, apenas variando o ponto de
vista. Em outras palavras, as vistas são representações em duas dimensões, obti-
das a partir da posição de quem observa aquele objeto no espaço: vista frontal,
vista lateral ou vista superior.

A projeção surgiu na época em que o matemático Gaspard


Monge, militar francês do século VIII, planejou um método
gráfico de representação de objetos tridimensionais em um
plano bidimensional, conhecida hoje como Geometria Des-
SAIBA critiva. O desenho técnico, que utiliza vistas, cortes, proje-
MAIS ções, tem como base teórica a Geometria Descritiva.
Para saber mais sobre esse matemático e a Geometria
Descritiva acesse: <http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/
GaspardM.html> e <http://pt.wikipedia.org/wiki/Geometria_
descritiva>.
Leitura e interpretação de desenho técnico
76

Veja como são as vistas do cubo representado em perspectiva:

VISTA SUPERIOR VISTA LATERAL

VISTA FRONTAL

VISTA SUPERIOR

VISTA LATERAL

VISTA FRONTAL
Figura 2 -  Vistas de um cubo
Fonte: SENAI-SP (2012)
4 Desenho técnico
79

A figura a seguir nos dá uma ideia das projeções nos três planos:

LATERAL

FRENTE

SUPERIOR

Figura 3 -  Exemplo dos planos de projeção


Fonte: SENAI-SP (2012)

Com a prática e conhecendo esse método de elaboração de desenhos bidi-


mensionais, é possível entender e conceber mentalmente a forma espacial do ob-
jeto representado utilizando apenas os desenhos de suas vistas.
Leitura e interpretação de desenho técnico
76

1 Datasheet 4.3 Cortes


É um termo utilizado para
os documentos relativos a
O corte é um recurso que facilita o estudo do interior de uma peça, objeto
um determinado produto. ou edificação. No desenho técnico, é muito utilizado para mostrar com clareza a
Esses documentos são
apresentados pelo estrutura interna das peças complexas. Como o próprio nome designa: cortar sig-
fabricante, juntamente com nifica dividir, seccionar, separar partes de um todo; e no caso do desenho técnico,
o produto.
não é diferente!
Na figura a seguir temos um exemplo de corte:

x
Perspectiva
Posição de corte Corte X-X
da perspectiva peça dividida
Figura 4 -  Corte total vertical paralelo à vista frontal
Corte total vertical paralelo
Fonte: SENAI-SP (2012) à vista frontal

Podemos fazer diferentes cortes em uma peça de acordo com a posição da


parte interna que necessitamos visualizar. Na figura 41, foi feito um corte vertical
que permite a visualização do interior da peça cortada no eixo XX. Observe a seta
que indica o sentido do corte. A terceira imagem da figura 41 apresenta os deta-
lhes internos da peça cortada naquele eixo.
Veja um exemplo prático desse tipo de representação:
Os fabricantes de componentes eletrônicos costumam informar em datasheet1 a
vista da peça e, muitas vezes, também apresentam cortes das peças, com informa-
ções mais detalhadas para auxiliar na aplicação e utilização desses componentes.
4 Desenho técnico
81

As figuras 42 e 43 mostram exemplos de datasheet referentes ao componente


eletrônico transistor de sinal NPN (que será estudado na unidade Manutenção de
sistemas eletrônicos):

SEMICONDUCTOR TECHNICAL DATA

NPN Silicon

1
2
3

CASE 29–04, STYLE 17


TO–92 (TO–226AA) COLLECTOR
1

2
BASE

3
EMITTER

MAXIMUM RATINGS
BC BC BC
Rating Symbol 546 547 548 Unit
Collector – Emitter Voltage VCEO 65 45 30 Vdc
Collector – Base Voltage VCBO 80 50 30 Vdc
Emitter – Base Voltage VEBO 6.0 Vdc
Collector Current — Continuous IC 100 mAdc
Total Device Dissipation @ TA = 25°C PD 625 mW
Derate above 25°C 5.0 mW/°C
Total Device Dissipation @ TC = 25°C PD 1.5 Watt
Derate above 25°C 12 mW/°C
Operating and Storage Junction TJ, Tstg – 55 to +150 °C
Temperature Range

THERMAL CHARACTERISTICS
Characteristic Symbol Max Unit
Thermal Resistance, Junction to Ambient R JA 200 °C/W
Thermal Resistance, Junction to Case R JC 83.3 °C/W

Figura 5 -  Datasheet de um componente eletrônico


Fonte: Motorola Semiconductor Technical Data
Leitura e interpretação de desenho técnico
76

2 Placa de circuito
impresso

É a uma placa isolante PACKAGE DIMENSIONS


que possui sua superfície
coberta por uma fina A B
película de cobre em uma
ou nas duas faces. Nela,
são desenhadas pistas R
condutoras e feitas as P
perfurações onde serão L
fixados os componentes SEATING F
D
eletrônicos. PLANE K

X X
G SECTION X–X
H
V C

1 N
N

NOTES: INCHES MILLIMETERS


1. DIMENSIONING AND TOLERANCING PER ANSI
DIM MIN MAX MIN MAX
Y14.5M, 1982.
2. CONTROLLING DIMENSION: INCH. A 0.175 0.205 4.45 5.20
3. CONTOUR OF PACKAGE BEYOND DIMENSION R B 0.170 0.210 4.32 5.33
IS UNCONTROLLED. C 0.125 0.165 3.18 4.19
4. DIMENSION F APPLIES BETWEEN P AND L. D 0.016 0.022 0.41 0.55
DIMENSION D AND J APPLY BETWEEN L AND K F 0.016 0.019 0.41 0.48
MINIMUM. LEAD DIMENSION IS UNCONTROLLED G 0.045 0.055 1.15 1.39
IN P AND BEYOND DIMENSION K MINIMUM. H 0.095 0.105 2.42 2.66
J 0.015 0.020 0.39 0.50
K 0.500 ––– 12.70 –––
L 0.250 ––– 6.35 –––
N 0.080 0.105 2.04 2.66
P ––– 0.100 ––– 2.54
R 0.115 ––– 2.93 –––
V 0.135 ––– 3.43 –––

STYLE 17:
PIN 1. COLLECTOR
2. BASE
3. EMITTER

CASE 029–04
(TO–226AA)
ISSUE AD
Figura 6 -  Datasheet que informa dimensões e corte do componente
Fonte: Motorola Semiconductor Technical Data

Observe que essas informações nos permitem identificar as dimensões do


componente e visualizar com mais clareza seu tamanho real. Nesse exemplo, o
fabricante apresenta as vistas frontal e inferior do componente.
Observe também o desenho identificado como “Section X-X”, que é um corte
horizontal de uma parte do componente. Esse corte representa as dimensões do
terminal ao qual ele deve ser encaixado na placa de circuito impresso2.
4 Desenho técnico
83

CASOS E RELATOS

A cozinha dos sonhos


Adriana acabou de comprar um apartamento e, como ela adora cozinhar,
chamou uma empresa de decoração para colocar em prática aquilo que
estava imaginando para sua cozinha.
Ela foi descrevendo a cozinha dos seus sonhos para o decorador. Na
primeira etapa do projeto, ele desenhou a planta da cozinha em seu
notebook, tendo como base as medidas da área, e sugeriu elementos que
deixariam o local mais agradável.
Em seguida, Adriana indicou os armários que gostaria de ter e ele os
desenhou em vistas. Acrescentaram a geladeira, o fogão e o forno de
micro-ondas.
Adriana ficou satisfeita com a apresentação, mas manifestou o desejo de
ter um modo de acesso fácil para levar a comida à sala. Além disso, queria
uma forma de comunicação entre a cozinha e a sala, para ficar próxima às
visitas enquanto preparasse a comida, pois, além de cozinhar, ela gosta
muito de conversar.
O decorador então desenhou uma abertura na parede e mostrou em cor-
te como ficaria a cozinha com vista para a sala e vice-versa.
Aprovada a planta, a cozinha foi executada e Adriana ficou muito satis-
feita com o resultado, pois viu seu sonho realizado.
Leitura e interpretação de desenho técnico
76

Recapitulando

Finalizando nossa caminhada pelos desenhos e simbologias, neste capí-


tulo vimos que, além das representações gráficas bidimensionais (vistas e
plantas baixas), são utilizadas também as representações tridimensionais
(perspectivas), que visam comunicar, detalhar e tornar viável o trabalho
dos profissionais cuja função principal é transformar em realidade os pro-
jetos criados e idealizados pela capacidade humana.
Compreender e interpretar os recursos gráficos vistos nesta unidade cur-
ricular é fundamental para que você tenha um bom desempenho em to-
das as etapas do seu processo de formação de Técnico em Eletroeletrônica.
4 Desenho técnico
85

Anotações:
REFERÊNCIAS

ABNT. NBR 5444. Símbolos gráficos para instalações elétricas prediais. Rio de Janeiro,1989.
CAVALIN, Geraldo. Instalações elétricas prediais: conforme NBR 5410:2004. 20. ed. rev. atual. São
Paulo: Érica, 2009.
CRUZ, Michele David da. Desenho técnico para mecânica: conceitos, leitura interpretação. 1. ed.
São Paulo: Érica, 2010.
DOBROVOLNY, Jerry; SHOELSCHER, Randolph P. Expressão gráfica: desenho técnico. Rio de
Janeiro: Livros técnicos e científicos, 1978.
SENAI-SP. Leitura e interpretação de desenho técnico mecânico – TELECURSO 2000. Rio de
Janeiro: Globo, 1995. (Apostila)
______. Controle de medidas: 1ª fase. São Paulo: 1994. (Apostila).
______. Controle de medidas. São Paulo: 1992. (Apostila).
anexo A - QUADROS DE PADRONIZAÇÃO CONFORME NORMA TÉCNICA DA NBR 5444

Anexo A1 - Dutos e distribuição


Símbolo Significado Observação

Eletroduto embutido no
0 25 teto ou na parede.
Indicar diâmetro do tubo (dimensões) em
milímetros Não é necessário se for de 15
mm.
0 25 Eletroduto embutido no piso

No caso do símbolo apresentado, o


Telefone no teto diâmetro é de 25 mm.

Telefone no piso

Tubulação para campainha, som,


Indicar na legenda qual sistema.
anunciador ou outro sistema.

Condutor de fase no interior


do eletroduto

Condutor neutro no interior do eletroduto Cada traço representa um condutor.


Indicar a seção, no de condutores, no do
circuito e a seção dos condutores, exceto se
Condutor de retorno no
forem de 1,5 mm2.
interior do eletroduto

Condutor terra no interior do eletroduto

Condutor seção 1,0 mm2,


fase para campainha

Condutor seção 1,0 mm2,


Se for de seção maior, indicá-la.
neutro para campainha

Condutor seção 1,0 mm2,


retorno para campainha

Condutor positivo no
interior do eletroduto

Condutor negativo no
interior do eletroduto

Cordoalha de terra Indicar a seção utilizada; em 50o significa


50 50 mm2.

Leito de cabos com um circuito


25 o significa 25 mm2.

. .
passante composto por três fases, cada
10 o significa 10 mm2.
um por dois cabos de 25 mm2 mais
3(2 x 25 ) + 2 x 10 cabos de neutro de seção 10 mm2
P Caixa de passagem no piso
Cx. pass.
(200 x 200 x 100)
Dimensões em mm.

P
Caixa de passagem no teto
Cx. pass.
(200 x 200 x 100)

P
Indicar a altura e se necessário fazer detalhe
Caixa de passagem na parede
Cx. pass. (dimensões em mm).
(200 x 200 x 100)

Eletroduto que sobe

Eletroduto que desce

Eletroduto que passa descendo

Eletroduto que passa subindo

I. II. III. IV
No desenho aparecem quatro sistemas, que
são habitualmente:
Sistema de calha de piso I – Luz e força;
II – Telefone (Telebras);
III – Telefone (P(A)BX, KS, ramais);
Tomadas Especiais (Comunicações).
Caixas de pass.

Anexo A2 - Quadros de distribuição


Símbolo Significado Observação

Indicar as cargas de luz em watts e de


Quadro parcial de luz e força aparente.
força em W ou kW.

Quadro parcial de luz e força embutido.

Quadro geral de luz e força aparente.

Quadro geral de luz e força embutido.

Caixa de telefones.

MED Caixa para medidor.


Anexo A3 - Interruptores - plantas
Símbolo Significado Observação

a A letra minúscula indica o ponto


Interruptor de uma seção.
comandado.

a b As letras minúsculas indicam os pon-


Interruptor de duas seções.
tos comandados.

a b As letras minúsculas indicam os pon-


Interruptor de três seções.
c tos comandados.

a Interruptor paralelo ou three-way.


A letra minúscula indica o ponto
comandado.

a Interruptor intermediário ou four-way.


A letra minúscula indica o ponto
comandado

M Botão de minuteria.

Botão de campainha na parede (ou comando à


distância) (ou botão pulsador).

Botão de campainha no piso (ou comando a


distância).

Anexo A4 - Interruptores - diagramas


Símbolo Significado Observação

Fusível. Indicar a tensão, correntes nominais.

Chave seccionadora com Indicar a tensão, correntes


fusíveis, abertura sem carga. nominais. Ex.: chave tripolar.

Chave seccionadora com Indicar a tensão, correntes


fusíveis, abertura em carga. nominais. Ex.: chave bipolar.

Indicar a tensão, correntes nominais.


Chave seccionadora abertura sem carga.
Ex.: chave monopolar.

Chave seccionadora abertura em carga. Indicar a tensão, correntes nominais.

Indicar a tensão, corrente,


Disjuntor a óleo. potência, capacidade nominal
de interrupção e polaridade.

Indicar a tensão, corrente potência,


Disjuntor a seco. capacidade nominal de interrupção
e polaridade através de traços.

Chave reversora.
Anexo A5 - Luminárias, refletores e lâmpadas
Símbolo Significado Observação

a Ponto de luz incandescente no A letra minúscula indica o ponto de


-4- teto. Indicar o no de lâmpadas comando, e o número entre dois
2 x100W e a potência em watts. traços, o circuito correspondente.

a Ponto de luz incandescente


Deve-se indicar a altura da arandela.
-4- 2 x 60W na parede (arandela).

a Ponto de luz incandescente


-4- no teto (embutido).
2 x100W
Ponto de luz fluorescente no teto A letra maiúscula indica o ponto de
a
(indicar o no de lâmpadas e o tipo comando, e o número entre dois
-4- 4 x20W
de partida e reator na legenda). traços, o circuito correspondente.

a Ponto de luz fluorescente


-4- 4 x20W Deve-se indicar a altura da luminária.
na parede.

a Ponto de luz fluorescente


-4- 4 x20W no teto (embutido).

Ponto de luz incandescente no teto


em circuito vigia (emergência).
-4-

Ponto de luz fluorescente no teto


-4- em circuito vigia (emergência).

Sinalização de tráfego
(rampas, entradas, etc.).

Lâmpada de sinalização.

Refletor. Indicar potência, tensão e tipo de lâmpadas.

Poste com duas luminárias


Indicar potências, tipo de lâmpadas.
para iluminação externa.

Lâmpada obstáculo.

M Minuteria. Diâmetro igual ao do interruptor.

Ponto de luz de emergência na parede


com alimentação independente.

Exaustor.

Motobomba para bombeamento


da reserva técnica de água
para combate a incêndio.
Anexo A6 - Tomadas
Símbolo Significado Observação

Tomada de luz na parede, baixo


300 VA (300 mm do piso acabado)
-3-
A potência deverá ser indicada ao
lado em VA (exceto se for de 100
300 VA Tomada de luz a meio a altura VA), como também o número do
-3- (1.300 mm do piso acabado) circuito correspondente e a altura
da tomada (se for diferente da
300 VA Tomada de luz alta (2.000 normalizada); se a tomada for de
-5- mm do piso acabado) força, indicar o número de W ou kW.

Tomada de luz no piso

Saída para telefone externo na


parede (rede Telebrás)

Saída para telefone externo na


Especificar “h”.
parede a uma altura “h”

Saída para telefone interno na parede

Saída para telefone externo no piso

Saída para telefone interno no piso

Tomada para rádio e televisão

Relógio elétrico no teto

Relógio elétrico na parede

Saída de som no teto

Saída de som na parede Indicar a altura “h”.

Cigarra

Campainha

Dentro do círculo, indicar o número de


IV Quadro anunciador
chamadas em algarismos romanos.
Anexo A7 - Motores e transformadores
Símbolo Significado Observação

G
G Gerador. Indicar as características nominais.

M
M Motor. Indicar as características nominais.

Indicar a relação de tensões


Transformador de potência.
e valores nominais.

Indicar a relação de espiras, classe de


Transformador de corrente (um núcleo). exatidão e nível de isolamento. A barra de
primário deve ter um traço mais grosso.

Transformador de potencial.

Transformador de corrente (dois núcleos).

Retificador.

Anexo A8 - Acumuladores
Símbolo Significado Observação

a) O traço longo representa o polo positivo


e o traço curto, o polo negativo.
b) Este símbolo poderá ser usado para
Acumulador ou elementos de pilha.
representar uma bateria se não houver risco
de dúvida. Nesse caso, a tensão ou o no e o
tipo dos elementos devem(m) ser indicado(s).

Bateria de acumuladores
ou pilhas. Forma 1.
Sem indicação do número de elementos.
Bateria de acumuladores
ou pilhas. Forma 2.
MINICURRÍCULOs Dos AUTORes

Antonio Moreno Neto


Pedagogo com formação técnica em Eletrotécnica, atuou na Companhia Paulista de Eletricidade,
como eletricista, e na Light Serviços de Eletricidade, como reparador de trafos superalta-tensão.
No SENAI-SP, atuou como instrutor eletricista e instrutor orientador de eletroeletrônica, ministran-
do aulas, coordenando equipes, ministrando treinamentos para docentes e elaborando material
didático. Atualmente realiza consultoria no desenvolvimento de projetos para cursos técnicos e
de qualificação profissional e participa na elaboração de materiais e kits didáticos para o curso
Técnico de Eletroeletrônica a distância do Programa Nacional de Oferta de Educação Profissional
do SENAI – PN/EAD.

Edson Kazuo Ino


Técnico em Eletrônica, atuou na Usiminas como supervisor de inspeção elétrica. Foi responsável
pela modernização e automação de equipamentos eletroeletrônicos, utilizando CLPs, converso-
res e inversores. Coautor da apresentação do processo de automação no seminário Associação
Brasileira de Metais (ABM), em 2007. Na área de ensino, foi autor e coautor no treinamento de
inversor de frequência na escola Antonio Souza Noschese (SENAI de Santos). Atualmente ministra
treinamentos de NR10, comandos elétricos, instalações elétricas, inversores de frequência e ela-
bora materiais e kits didáticos para o curso Técnico de Eletroeletrônica a distância do Programa
Nacional de Oferta de Educação Profissional do SENAI – PN/EAD.
Índice

A R

ABNT 50 Raio 28
Área 28 Razão 30
Ressalto 36
C
Caixa de medidor 52 U

Circuito de alimentação 52 Unidade de medida 22


Cota 22
V
Cursor 36
VA (Volts Ampère) 28
D
Datasheet 80
Diagramas elétricos 50
Diâmetro 30

E
Eletrodutos 56

G
Grandeza 22

M
Medir 22

N
NBR 50
Notação 26

P
Perímetro 30
Placa de circuito impresso 82
Planta baixa 18
Ponto de tomada 30
Potência 26
Projeto executivo 40
SENAI – Departamento Nacional
Unidade de Educação Profissional e Tecnológica – UNIEP

Rolando Vargas Vallejos


Gerente Executivo

Felipe Esteves Morgado


Gerente Executivo Adjunto

Diana Neri
Coordenação Geral do Desenvolvimento dos Livros

SENAI – Departamento Regional de São Paulo

Walter Vicioni Gonçalves


Diretor Regional

Ricardo Figueiredo Terra


Diretor Técnico

João Ricardo Santa Rosa


Gerente de Educação

Airton Almeida de Moraes


Supervisão de Educação a Distância

Cláudia Benages Alcântara


Henrique Tavares de Oliveira Filho
Márcia Sarraf Mercadante
Coordenação do Desenvolvimento dos Livros

Antônio Moreno Neto


Edson Kazuo Ino
Elaboração

Henrique Tavares de Oliveira Filho


Revisão Técnica

Adriana Soares Netto


Design Educacional

Alexandre Suga Benites


Edson Kazuo Ino
Juliana Rumi Fujishima
Osmair Paes Landin
Ilustrações

Fernanda Alves de Oliveira


Fotografia

Fernanda Alves de Oliveira


Juliana Rumi Fujishima
Tratamento de imagens
Delinea Tecnologia Educacional
Editoração

Elaine Monteiro Seidler


Érica Martins Valduga
Humberto Pires Junior
Revisão Ortográfica e Gramatical

Karina Silveira
Laura Martins Rodrigues
Diagramação

i-Comunicação
Projeto Gráfico

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