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IMUNOLOGIA 10

HIPERSENSIBILIDADE E ALERGIA

Alergia: resposta biológica “alterada” após o contato do organismo com uma substância
estranha.

Usado para descrever as doenças mediadas por anticorpos da classe IgE.

Atópicos apresentam predisposição genética para a produção de IgE específica dirigida contra
alérgenos ambientais comuns e podem manifestar uma ou mais das doenças denominadas
atópicas: rinite e sinusite alérgica, asma e dermatite atópica.

Antígeno inócuo, para o qual não seria necessária resposta de defesa.

O termo “alergia” só pode ser usado se a hipersensibilidade é específica para alérgeno, ou seja,
além de exacerbada e causadora de lesões teciduais, a alergia é indesejável.

Sensibilidade: Indivíduo exposto a um antígeno exibe reação detectável ou sensível aos


contatos subsequentes com aquele antígeno.

Reações de hipersensibilidade: São desordens originadas de uma resposta imune que se torna
exagerada ou inapropriada e que ocasiona lesões sobre células ou tecidos normais do
organismo.

Podem resultar de uma resposta excessiva e/ou descontrolada contra um determinado


patógeno (reação hiperimune) ou decorrer de uma falha na tolerância do organismo aos
antígenos próprios (doença autoimune)

Fatores determinantes: Tipo de mecanismos efetores envolvidos na resposta imune. Natureza


e local do antígeno envolvido

 Hipersensibilidade Tipo I:
o Imediata ou Anafilática
o Início em minutos após contato com o alérgeno
o Anafilaxia sistêmica, urticária, asma, febre do feno, rinite alérgica, conjuntivite
alérgica, alergias alimentares (p. ex., nozes, mariscos, ovos), alergias a
fármacos, sobretudo penicilina, eczema (dermatite atópica), veneno de
abelha, luvas de látex, angiedema
 Hipersensibilidade Tipo II:
o Citotoxicidade mediada por anticorpos
o Início em minutos ou horas após contato com Antígeno;
o Anemia hemoli ́tica, trombocitopenia, reações transfusionais ABO,
incompatibilidade de Rh (eritroblastose fetal, doença hemoli ́tica do
recémnascido), febre reumática, si ́ndrome de Goodpasture.
 Hipersensibilidade Tipo III:
o Citotoxicidade mediada por Imunocomplexos
o Início em 2-6 hs.
o Lúpus eritematoso sistêmico, artrite reumatoide, glomerulonefrite pós-
estreptocócica, nefropatia por IgA, doença do soro, pneumonite de
hipersensibilidade (p. ex., pulmão do fazendeiro)
 Hipersensibilidade Tipo IV:
o Tardia, Celular ou mediada por linfócitos T
o Inflamação entre 2-6 h; Pico em 24-48 h
o Dermatite de contato, veneno de carvalho/urtiga, reação ao teste cutâneo da
tuberculina, erupção cutânea medicamentosa;
Hipersensibilidade Tipo I: Imediata ou Anafilática

Ocorrem a poucos minutos do contato com o antígeno e são consequência de anticorpos IgE
específicos para esse antigénio.
As consequências: dependem do tipo de antigénio, da via de entrada e da intensidade da
resposta imune
Testes Diagnósticos na Alergia Respiratória

 Teste cutâneo
 IgE total
 IgE específica (imunocap)
 Hemograma

Paciente com dermografismo tem todos os testes positivos. Não realizar testes em
áreas da pele afetada. Descontinuar antihistamínicos por 7 dias. Reações severas
aos testes podem ocorrer em pacientes com alergia ao látex, peixe e castanhas.
Preferir prick aos intradérmicos.

Alérgenos mais frequentes: Ácaros; Pólens de gramíneas; Epitélio de animais;


Fungos do ar; Barata
Hipersensibilidade Tipo II: Citotoxicidade mediada por anticorpos

A lesão tecidual ocorre pela ligação de anticorpos de classe IgG, IgM e algumas vezes IgA sobre
células do organismo (presentes nos tecidos ou no sangue)
Na maioria dos casos, estes são autoanticorpos, mas podem excepcionalmente ser produzidos
contra antígeno estranho e reagir de forma cruzada com componentes teciduais.
 Reações tipo II entre membros da mesma espécie (reações aloimunes)
o Reações transfusionais incompatibilidade (ABO)
o Anticorpos maternos (Rh)
o Aloenxertos de órgãos sólidos

 Reações transfusionais incompatibilidade (ABO): Transfusões entre indivíduos


incompatíveis no sistema ABO → destruição das hemácias do doador pelos AC
naturais presentes no receptor → reação citotóxica. Anticorpos IgM aglutinam
hemácias e fixam complemento → hemólise intravascular.

 Anticorpos maternos: Incompatibilidade Rh → Mãe: Rh negativo; Primeiro


filho: Rh positivo → Os anticorpos formados durante gravidez de outro filho Rh
Positivo, atravessam a placenta. → destruição dos eritrócitos do feto por
fagocitose no baço e fígado: → “Doença Hemoli ́tica do Recém nascido”
Tratamento: As mães RhD-negativas são tratadas de modo profilático com IgG anti-D com 28 e
34 semanas de gestação e novamente dentro de 72 h após o parto se o recém-nascido for
RhD-positivo. Isso elimina o risco de sensibilização por meio da rápida remoção dos eritrócitos
RhD-positivos da circulação materna por fagocitose antes que os eritrócitos fetais sejam
capazes de induzir uma resposta materna e talvez também por meio de efeitos
infrarreguladores sobre as células B maternas por meio do receptor FcεRIIb inibitório.

 Aloenxertos de órgãos sólidos: Os aloenxertos podem provocar a produção de


anticorpos, particularmente contra antígenos MHC incompatíveis em
receptores de transplante. Os anticorpos podem ser diretamente citotóxicos
por meio da ativação do complemento, ou podem causar aderência das células
fagocitárias ou ataque por ADCC. Os anticorpos também podem levar à
aderência das plaquetas quando se ligam a antígenos na superfície do
endotélio vascular. A rejeição hiperaguda é causada por anticorpos pré-
formados no receptor do enxerto.
Hipersensibilidade Tipo III: Citotoxicidade mediada por Imunocomplexos
Formação e deposição localizada de grandes quantidades de imunocomplexos: inalações
repetidas de material antigênico.
Excesso de Ag → infecções persistentes ou autoimunidade → formação de complexos solúveis
que se depositam nos vasos sanguíneos, nos glomérulos, articulações.

Artrite Reumatóide

Diagnóstico:
• Poliartrite inflamatória
• Rx compatível
• Fator reumatóide + (IgM anti-IgG)
• VHS e Proteína C Reativa elevados
Hipersensibilidade Tipo IV: Tardia, Celular ou mediada por linfócitos T
Lesão tecidual ocorre pela intensa e prolongada ativação de fagócitos (macrófagos) no foco da
infecção.
Permanência prolongada do antígeno resulta em intensa ativação de linfócitos T e
consequente acúmulo de citocinas (IFN γ e TNF)

Ocorre liberação de citocinas, incluindo IFNγ, que ativam os macrófagos e são responsáveis
pelos eventos que ocorrem em uma resposta de hipersensibilidade tardia típica.
Reação de Mantoux à tuberculina, isto é, o aparecimento tardio de uma reação de induração e
eritema, que alcança um grau máximo em 24 a 48 h e se caracteriza, histologicamente, por
infiltração com fagócitos mononucleares e linfócitos.

 Lesão tecidual produzida por reações tipo IV:


o Infecções: lesão tecidual que ocorre em infecções bacterianas (tuberculose,
hanseníase), virais (sarampo, herpes), fúngicas (candidíase, histoplasmose) e
parasitárias (leishmaniose, esquistossomose)
o Doença intestinal inflamatória: A doença de Crohn e a colite ulcerativa
o Sarcoidose: doença de etiologia desconhecida, que acomete o tecido linfoide e
envolve a formação de granulomas crônicos. Acredita-se que a causa seja uma
resposta Th1 inflamatória crônica a um agente infeccioso, fator ambiental ou
autoantígeno.
o Psoríase: caracteriza-se por proliferação acentuada dos queratinócitos
epidérmicos e por diferenciação epidérmica incompleta acelerada.
o Dermatite de contato: Pode ocorrer hipersensibilidade de contato em
indivíduos que se tornam sensibilizados enquanto trabalham com substâncias
químicas, como cloreto de picrila e cromatos, ou que entram em contato
repetidamente com a substância urushiol da hera venenosa. A p-fenileno
diamina presente em algumas tinturas de cabelo, a neomicina em pomadas de
uso tópico e os sais de níquel formados em objetos como fechos de níquel de
bijuterias;
Reações Mistas de hipersensibilidade: Algumas reações contém elementos de mais de um
tipo de reação.

Exemplos:

 Asma aguda: Após exposição a um ag, ex.: pelo de gato (hipersensibilidade tipo I). Se a
exposição ao antígeno persistir os eosinófilos são atraídos para a via aérea,
provocando inflamação mais crônica. A reação desenvolve característica tipo IV, com
produção de citocinas Th1.
 Hipersensibilidade a penicilina:
o Hipersensibilidade I: Produz IgE contra a penicilina imediatamente após
exposição;
o Hipersensibilidade II: IgG contra o hapteno pode ativar complemento e
destruir as hemácias;
o Hipersensibilidade III: Pode causar doença por complexos imunes, quando são
produzidos anticorpos IgG.
o Hipersensibilidade IV, ou tardia: Usando pomada, pode desenvolver dermatite
de contato após vários dias.

Diagnóstico das doenças alérgicas → In vivo: Teste cutâneo de leitura imediata (punctura);
Teste intradérmico; Testes de provocação: oral (alimentos, medicamentos), nasal ou
brônquica;

Diagnóstico laboratorial → Eosinofilia sanguínea periférica; Dosagem de IgE total; Dosagem de


IgE específica (RAST)