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UNIVERSIDADE ESTADUAL DO SUDOESTE DA BAHIA

ESPECIALIZAÇÃO DE GESTÃO EM SAÚDE

JOSANA MOTA BISPO AMARAL

MODELO DE GESTÃO IMPLANTADO PARA CONTROLE DAS


AQUISIÇÕES DE MATERIAIS E SERVIÇOS EM UM HOSPITAL DE
GRANDE PORTE EM VITÓRIA DA CONQUISTA-BA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA

VITÓRIA DA CONQUISTA – BA
2019
JOSANA MOTA BISPO AMARAL

MODELO DE GESTÃO IMPLANTADO PARA CONTROLE DAS


AQUISIÇÕES DE MATERIAIS E SERVIÇOS EM UM HOSPITAL DE
GRANDE PORTE EM VITÓRIA DA CONQUISTA-BAHIA: RELATO DE
EXPERIÊNCIA

Trabalho de Conclusão de Curso


apresentado ao Curso de Pós-graduação
Latu Sensu, da Universidade Estadual do
Sudoeste da Bahia, como requisito parcial
para a obtenção do título de Especialista em
Gestão em Saúde.
Orientador: Dr. Gildomar Lima Valasques
Júnior

VITÓRIA DA CONQUISTA- BA
2019
MODELO DE GESTÃO IMPLANTADO PARA CONTROLE DAS AQUISIÇÕES DE
MATERIAIS E SERVIÇOS EM UM HOSPITAL DE GRANDE PORTE EM VITÓRIA DA
CONQUISTA-BAHIA: RELATO DE EXPERIÊNCIA

MANAGEMENT MODEL IMPLEMENTED FOR CONTROL OF MATERIAL AND


SERVICES ACQUISITIONS IN A LARGE HOSPITAL IN CONQUEST-BAHIA:
EXPERIENCE REPORT

Josana Mota Bispo Amaral 1

Gildomar Lima Valasques Júnior2

RESUMO
Relato de experiência da Diretoria Financeira do hospital público de grande porte, em Vitória
da Conquista, no período de 2011 ao primeiro semestre de 2019, objetivando demostrar o
modelo de Gestão Financeira Coparticipativa implantado no intuito de organizar e controlar
as compras e os custos hospitalares em busca da economia na saúde pública. A metodologia
utilizada para o desenvolvimento dessa pesquisa, se classifica em exploratória e descritiva
com a utilização da técnica documentação direta. Os resultados foram obtidos a partir do
trabalho coparticipativo envolvendo as coordenações no processo de aquisições de materiais
e serviços da Unidade Hospitalar. A continuidade da equipe técnica, viabilizou um modelo de
Gestão, reconhecido pela SESAB pela eficiência e eficácia no cumprimento das normas e
legislação regulamentadas, bem como empenho de todas as direções, coordenações e
servidores em geral, tornando-se Hospital modelo para outras unidades.

Palavras-chave: Gestão Financeira; Planejamento estratégico; Gestão de Custos Hospitalar.

ABSTRACT
Experience report of the Financial Board of the large public hospital, in Vitória da Conquista,
from 2011 to the first semester of 2019, aiming to demonstrate the Participatory Financial

1
Discente do curso de Especialização em Gestão em Saúde da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB)
2
Farmacêutico. Doutor em Biotecnologia Professor da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia. E-mail:
gildomar.valasques@uesb.edu.br.
Management model implemented in order to organize and control hospital purchases and
costs. pursuit of the economy in public health. The methodology used for the development of
this research is classified as exploratory and descriptive using the direct documentation
technique. The results were obtained from the co-participative work involving the
coordinations in the process of procurement of materials and services of the Hospital Unit.
The continuity of the technical team enabled a Management model, recognized by SESAB for
its efficiency and effectiveness in complying with the rules and regulated legislation, as well
as the commitment of all directions, coordinations and employees in general, becoming a
model hospital for other units.

Keywords: Financial Management; Strategic planning; Hospital Cost Management.

Introdução

A administração financeira coparticipativa, foi desenvolvida e aplicada em um Hospital


Público de Grande Porte em Vitória da Conquista-Bahia, com a proposta de gerir as finanças
da Unidade Hospitalar com a participação das coordenações, proporcionando o
abastecimento e o controle das reais necessidades das aquisições dos materiais e serviços,
necessários à assistência plena dos pacientes/usuários.

Este relato advém da observação do funcionamento cotidiano no Hospital Público de


Grande porte em Vitória da Conquista-Bahia na Diretoria Financeira, durante oito anos, e seis
anos acumulando a função na Gestão de Custos. Esta vivência motivou-nos a buscar a
associação entre a Ciência e a Técnica contábil no exercício da Gestão Pública, voltada para as
finanças e a contabilidade de Custos, que remete ao controle e, consequentemente, a uma
economia na Saúde.
Pesa sob as responsabilidades da Diretoria Financeira, o planejamento, organização,
direção e controle das atividades financeiras da Unidade Hospitalar, implantando políticas que
permitem acompanhar o seu desenvolvimento, garantindo a execução dos objetivos e metas
estabelecidas, também contemplando as atividades de planejamento financeiro, bem como
as normas internas para um bom gerenciamento financeiro.
No início da jornada laboral, em novembro de 2011, foi possível em menos de quinze
dias diagnosticar que recursos retornavam ao nível central, devido às dificuldades do Setor de
Compras em estabelecer o preço referencial, impactando o abastecimento da Unidade
Hospitalar. Como desdobramento das falhas nos processos de aquisição e contratações,
faltavam muitos insumos para garantir a assistência plena dos pacientes.
Nesta conjuntura veio a necessidade de implantar um controle interno gradativo,
agregando o pensar cientifico e a técnica contábil, somado à disposição e o conhecimento dos
servidores do setor Financeiro, de Compras, Contratos e Copel, com pré-requisitos essenciais
para que, com os coordenadores, promovesse o abastecimento dos suprimentos necessários
no almoxarifado e farmácia do Hospital de Grande porte em Vitória da Conquista- Bahia, com
materiais das curvas A,B e C .
Na visão de Castro1, o termo controle está diretamente ligado às finanças e remete a
apontamento, inspeção e exame. O controle interno, portanto, vem a ser um tipo de controle
que pode ser exercido nas organizações públicas e privadas. Sá 2 conceitua como a “função
que tem por finalidade observar se os fatos se passaram de acordo com o que a administração
determinou”. Com o trabalho em equipe, foi possível executar o Planejamento estratégico de
abastecimento da Unidade Hospitalar em trinta e cinco dias. Era mês de novembro e a
execução orçamentária só era possível até dia vinte de dezembro para empenho. O diretor
Geral deste período, não mediu esforços para requerer do nível central o retorno do recurso
devolvido. Na época esse valor, equivalia a três dotações e as descentralizações de novembro
e dezembro para gerir e abastecer a Unidade Hospitalar.
Devido as dificuldades encontradas, foi necessário a priori buscar na Secretaria de
Saúde do Estado a possibilidade do retorno da dotação que havia sido retirada por falta de
processos prontos para empenho. A equipe abraçou a ideia do Projeto de uma Gestão
Financeira Coparticipativa, o que possibilitou abastecer a unidade. Com várias reuniões
nasceu o planejamento estratégico que trazia várias metas para o exercício seguinte.
Conforme entendimento de Garcia 3, planejar é arriscar em uma situação objetivada futura
para o entendimento e estudo no presente, a fim de, com base em dados passados, presentes
e previstos, desenvolver um plano coeso que norteará a organização. Esses processos de
trabalho continuaram fortalecidos pela união e compromisso de todos os envolvidos. Este
trabalho relata experiências vivenciadas do período de novembro de 2011 até o primeiro
semestre de 2019.
Este trabalho, tem como objetivo geral demostrar o modelo implantado e utilizado no
Hospital Público de Grande Porte em Vitória da Conquista, na Gestão Financeira, para
organizar e controlar os custos hospitalares em busca da economia na saúde pública.
Especificamente objetiva; descrever o processo de trabalho dos profissionais que laboram
diretamente com o abastecimento de materiais necessários para a assistência ao paciente;
propor a criação de uma comissão de custos para análise dos resultados apurados no sistema
de Apropriação dos Custos – APURASUS, para a demonstração trimestral dos resultados em
lugar acessível aos Centros de Custos no intuito de despertar a análise reflexiva naquilo que
poderá ser melhorado.
A metodologia Indutiva, por considerar um conhecimento fundamentado na
experiência, observando casos da realidade concreta. Uma pesquisa descritiva e exploratória.

Metodologia

A metodologia é o caminho para responder aos questionamentos abordados. E neste


trabalho foi utilizada a Metodologia Indutiva, Gil (1996) 4 que tem como objetivo primordial à
descrição das características de determinada população ou fenômeno ou então, o
estabelecimento de relação entre variáveis, a pesquisa descritiva salienta-se aqueles que têm
objetivo de estudar as características de um grupo, idade, sexo, procedência, nível de
escolaridade, estado de saúde física e mental, dentre outras.
Percebe-se então, que a pesquisa descritiva para Lakatos e Marconi (2001) 5, é a
técnica da documentação direta como um conjunto de preceitos ou processos de que se serve
uma ciência; é, também, a habilidade para usar esses preceitos ou normas, na obtenção de
seus propósitos. Correspondem, portanto, à parte prática de coleta de dados.
Ao relatar casos da realidade concreta da vivência no labor diário do Hospital Público
de Grande Porte em Vitória da Conquista – Bahia, com dados e observações na equipe de
profissionais coordenadores ligados à assistência, manutenção predial e manutenção de
equipamentos, para demostrar o modelo implantado e utilizado na Gestão Financeira da
unidade hospitalar, inserida como processo de trabalho para organizar e controlar os custos
hospitalares em busca da economia na saúde pública.
Esta pesquisa partiu do método específico para o método geral. Para Gil6 a pesquisa
é defendida como o procedimento racional e sistemático que tem como objetivo proporcionar
respostas aos problemas que são propostos. A metodologia utilizada para o desenvolvimento
dessa pesquisa, quanto aos objetivos desse estudo se classifica em exploratória e descritiva
com a utilização da técnica documentação direta. Neste caso específico serão os relatórios de
Gestão, bem como dados dos sistemas FIPLAN (Sistema de Planejamento Financeiro e
Orçamentário), SIMPAS (Sistema Integrado de Material, Patrimônio e Serviço) e APURASUS
(Sistema de Apuração e Gestão de Custos do SUS). Moresi7 afirma que a Investigação
documental é aquela realizada em documentos arquivados no interior de órgãos públicos e
privados de qualquer natureza.

Resultados e Discussão

No Hospital Público de Grande Porte em Vitória da Conquista-Bahia, foram construídos


diversos modelos de gestão financeira melhorados e adequados às exigências peculiares dos
setores públicos. O Hospital, hoje um Complexo Hospitalar, localizado no Município de Vitória
da Conquista – Bahia, inaugurado em 1994, presta serviços não só à comunidade
conquistense, como também a toda região sudoeste e estados próximos. Considerado de
grande porte e alta complexidade, possui referência regional para aproximadamente cem
municípios, com ambulatório especializado em urgências/emergências e internações.
A Gestão Financeira Coparticipativa, da experiência aqui descrita, iniciou-se em
novembro de 2011. No primeiro momento foi apresentado um Organograma que descrevia
os setores que competiam à Diretoria Financeira; Financeiro, Compras, Copel, Almoxarifado,
Farmácia e Contratos. A equipe da execução orçamentária/setor Financeiro operacionaliza
com cinco servidores estatutários, dois cargos comissionados, e dois terceirizados. Nos
primeiros dois meses com a cooperação de todas as coordenações, foi possível estabelecer a
gerência, executar a descentralização referente as três dotações que haviam sido apropriadas
pela SESAB (Secretaria da Saúde do Estado da Bahia), por não utilização do recurso em tempo
hábil e mais as dotações de novembro e dezembro do ano de 2011, totalizando recursos
financeiro referente a cinco meses.
Através de uma força tarefa, foi possível abastecer o Hospital com materiais essenciais,
armazenando um estoque para melhor assistir aos pacientes, permitindo um controle da
situação/estoque mínimo, possibilitando a elaboração de um planejamento de licitações com
a participação das coordenações da assistência da Unidade Hospitalar.
Dentre os problemas encontrados, havia ainda a falta de contratos para a manutenção
preventiva e corretiva de equipamentos Hospitalares, bem como da manutenção predial.
Gradativamente ocorreram licitações, contratos assinados proporcionando a Unidade
Hospitalar, contratos para todos os equipamentos da manutenção preventiva e corretiva.
A manutenção predial, era outro problema crítico, não havia contratos e todas as
despesas dependiam de dispensas tradicionais. O Hospital Público de grande porte de Vitória
da Conquista, foi a primeira Unidade Hospitalar da SESAB a licitar postos de trabalhos das
funções necessárias para a manutenção predial da Unidade. A coordenação de Manutenção
predial e equipe descreveu o material necessário para a efetiva licitação de materiais elétricos,
hidráulicos e demais materiais de Construção necessários para a utilização da manutenção
predial de acordo com a demanda da Unidade Hospitalar e previsão do crescimento da
Unidade. Estas ações reduziram consideravelmente o número de Dispensas de Licitação,
proporcionando mais celeridade, transparência e economia aos cofres públicos.
As aquisições são realizadas por meio de processos licitatórios, Registro de Preços e
Dispensas de licitações quando necessárias. Em todo o processo de compras existe uma
análise previa da real necessidade, confrontando o estoque com o planejamento para um
determinado período, haja vista que os recursos financeiros são descentralizados
mensalmente. No orçamento público limitado, o gestor ou administrador público deve atentar
para a necessidade de planejar para melhor gerir. Marinho8 afirma ser necessário aos gestores
públicos obediência a determinados procedimentos, garantindo que seja escolhida a melhor
proposta para a administração pública em relação aos seus gastos. Um dos mecanismos
utilizados pela administração pública para atingir tal objetivo é a licitação, que precisa ser
elaborada em consonância com um bom planejamento estratégico8,2. Existem circunstâncias
em que são necessários a utilização de Dispensas em caráter emergencial, mas que
previamente já é disparado um processo licitatório.
A circulação processual é realizada através do SEI - Sistema Eletrônico de Informações
(sistema que monitora todos os processos do Estado). Iniciando no setor de logística,
perpassando para o setor de compras para buscar o valor referencial dos itens de compras
nas normas regulamentadas. Coordenação de Compras encaminha para o financeiro liberar
dotação orçamentária, realizada através do Sistema de Gestão Orçamentária-SGO,
encaminhado a COPEL para os trâmites legais do certame. Após homologação da licitação e
publicação no Diário Oficial, volta ao Setor de Compras, no caso de aquisição única para
emissão da Autorização de Fornecimento de Material-AFM ou Autorização de Prestação de
Serviços –APS, que retorna para o financeiro. A Nota de Empenho é enviada via SEI ao setor
de compras para envio aos fornecedores juntamente com a Autorização do Fornecimento de
Materiais - AFM ou Autorização da Prestação de Serviços - APS para assinatura. O setor de
compras diligência a autorização no SIMPAS e conduz à coordenação competente para o
devido lançamento da nota fiscal. Após o atesto de recebimento de material ou serviço, o
setor financeiro liquida, confirma e autoriza o pagamento. A Secretaria do Estado da Bahia-
SEFAZ é responsável pelo efetivo pagamento através de Nota de Ordem Bancária - NOB. Nas
compras parceladas o setor de compras recebe da Coordenação de Contratos os contratos
assinados e tramita de acordo já mencionado acima. Quando os contratos de serviços são
aditivados, a Coordenação de Contratos solicita ao setor de compras para os cumprimentos
legais onde o setor realiza cotações atualizadas e consolidação do contrato aditivo , que segue
para o setor de compras realizar os processos já descritos anteriormente, e ao conduzir para
financeiro, segue toda a rotina já descrita inerente ao setor financeiro da Unidade Hospitalar.
Para evitar acúmulo de materiais sem uso em Almoxarifados e aproveitamento pelos
demais membros da rede foi criado pela SAEB – Secretaria da Administração do Estado da
Bahia, um módulo que inclui automaticamente materiais não movimentados durante três
meses (Bolsa de Material). Os materiais deste módulo, ficam disponíveis para qualquer
usuário do SIMPAS do Estado; que ao gerar a RM (Requisição de Material) – quando da
digitação do código do material – o sistema verifica se este item está em Bolsa e é direcionado
para aquisição via esta modalidade.
Em 2012, houve mudança da Direção Geral, assumindo a função, uma enfermeira
estatutária que na gestão anterior assumia a função da assessoria técnica da Direção Geral e
tinha ciência do sistema e sua complexidade. Com uma postura séria e técnica, fortalecendo
a utilização do SIMPAS, trouxe melhorias no que diz respeito ao apoio administrativo e
financeiro. Na época verificou-se a importância de uma enfermeira na coordenação do
almoxarifado para apoio na composição dos processos de compras junto a assistência e
participação nos Certames, no intuito de verificar as amostras dos produtos apresentados
para averiguação da qualidade do produto.
Foi um período de crise para o Hospital Público de Grande porte em Vitória da
Conquista - Ba, conforme Ofício 212/2012, da Direção Geral que retratou uma redução
expressiva na descentralização dos recursos nos meses de fevereiro e maio de 50% e no mês
de outubro e novembro uma redução de 75%. Planejamento Fracassado, pois a Unidade
Hospitalar estava com todas as compras planejadas, com contratos para aquisição e serviços,
mas não havia recursos financeiros suficientes para abastecimento. De acordo com os dados
do SIMPAS no ano de 2012 as aquisições somaram R$ 10.025.572,72 (dez milhões, vinte e
cinco mil, quinhentos e setenta e dois reais e setenta e dois centavos). Valor que será
parâmetro para análise comparativa até o exercício findo de 2018.
Em 2013, ocorreu a mudança de sistema para operacionalização da execução
orçamentaria do SIGAP (Sistema de Gestão de Gastos Públicos) para o FIPLAN. Bahia 9 afirma
que as funcionalidades do SIGAP absorvidas no FIPLAN, implementada a integração com o
sistema SIMPAS/SAEB permite controlar despesas e planejar gastos públicos. Ainda neste
corrente ano foi implantado o setor de Custos para maior controle dos custos da Unidade
Hospitalar, com monitoramento direto da SESAB através do Núcleo da Economia da Saúde e
do Ministério da Saúde por meio do sistema APURASUS.
No segundo semestre de 2013, houve mudança da Direção Geral, recebendo como
gestora uma experiente enfermeira em Gestão Pública. Entretanto, havia problemas de
abastecimento e a burocracia para a mudança de senhas no FIPLAN, durou em média noventa
dias, agravando a falta de suprimentos e liberação de processos licitatórios e contratos. Para
suprir a Unidade Hospitalar foi necessário realizar compras através de processos
indenizatórios, problemas que atingiam diretamente a assistência, e trouxe apontamentos do
Controle Interno da SESAB e do Tribunal de Contas do Estado -TCE. Ressaltando que as
justificativas foram aceitas, por não se tratar de um problema de Gestão, mas de Governo.
Foi criado a Diretoria de Enfermagem para um melhor controle e atenção aos
enfermeiros e técnicos, que muito tem contribuído para a eficiência no atendimento da
Unidade Hospitalar. A demanda crescente e a inserção de novos serviços exigiram mais
esforços da equipe da Unidade Hospitalar e as compras realizadas em equipe foram
acontecendo. A nova gestão criou várias comissões, em destaque a de compras que é
responsável pelo planejamento anual e alimentação do SIMPAS, o que contribuiu no controle
de aquisições necessária a assistência, reforçando a importância de uma enfermeira na
coordenação do Almoxarifado, orientando que no ato da licitação a Diretoria de enfermagem
direcionasse alguém com conhecimento técnico para participação nos certames. Aconteceu a
efetiva padronização dos medicamentos através da força tarefa com trabalho em equipe das
Diretorias Geral, administrativa, clínica, técnica, enfermagem e com muita dedicação e
empenho da coordenação da Farmácia.
Percebeu-se que existia a falta de produtos, não por ausência de Gestão Financeira,
mas sim por falta de um controle interno entre o estoque mínimo planejado e o tempo de
iniciar outro processo de aquisição, para que fosse efetivo esse controle dos suprimentos e
que obtivéssemos mais celeridade ao abastecimento, fazia-se necessário a criação de um
setor que estivesse ligado diretamente a análise do estoque e que gerisse essa necessidade
de maneira planejada. Analisou-se a situação em busca de solução, com estudo sobre o
assunto, foi sugerida pela Diretoria Financeira à Direção Geral e Administrativa a criação do
Setor de Logística. Souza 10 define que a logística de abastecimento exerce grande importância
para assegurar a disponibilidade de materiais no local, no momento e na quantidade
necessária para a prestação do serviço.
O Setor de Logística foi implantado no ano de 2016 com uma coordenação de um
servidor estatutário que já vivenciou experiências nas Coordenações de Almoxarifado e
Financeiro com conhecimento no sistema SIMPAS. A logística tem em sua equipe uma
colaboradora terceirizada e outra do Programa Primeiro Emprego e cada vez mais fortalecida
dentro do Hospital, melhorando cada vez mais suas ações e cumprindo seu objetivo de
fortalecer a Gestão Financeira Coparticipativa. Além de observar o SIMPAS diariamente o
setor atende os coordenadores e os treina para acesso ao Compras Net e utilização do SEI -
Sistema Eletrônico de Informações para agilidade na análise técnica dos produtos a serem
adquiridos e requisitados através de Comunicação Interna no SEI.
No início de 2018 o servidor estatutário, Diretor Técnico da Unidade Hospitalar, foi
nomeado para assumir a Direção Geral da Unidade Hospitalar, que posteriormente conforme
a portaria 709 de 20 de junho de 2018, passa a ser um Complexo Hospitalar envolvendo mais
dois Hospitais Públicos para serem geridos pela equipe gestora do Hospital Público de Grande
Porte em Vitória da Conquista – BA, o Diretor Geral, médico e Bacharel em Direito, tinha
ciência das dificuldades da assistência, desde a emergência e toda a complexidade de gerir
um Hospital de grande porte. No ano de 2018 em sua gestão o controle dos custos
Hospitalares, foi fortalecido com a coordenação de Estatísticas, que facilitou os lançamentos
no APURASUS.
Com o aumento dos serviços oferecidos pela Unidade Hospitalar; inauguração da nova
emergência, nova UTI com mais vinte leitos, houve um crescimento considerável nas
aquisições, de acordo com os dados do SIMPAS no ano de 2012 somaram R$ 10.025.572,72
(dez milhões, vinte e cinco mil, quinhentos e setenta e dois reais e setenta e dois centavos)
em 2018 os números mostram um aumento de mais de cem por cento, totalizando em
aquisição de materiais R$ 20.987.298,06 (vinte milhões, novecentos e oitenta e sete reais e
seis centavos). Os números demonstram um aumento de mais de cem por cento.
Para fortalecimento dos trabalhos e estudos na área financeira, contábil e de custos,
na área administrativa do setor financeiro e logística a unidade hospitalar conta com duas
técnicas em contabilidade, no setor de logística e financeiro do programa do Programa
Primeiro Emprego estabelecido pelo governo do estado em 2016 visando expandir a inserção
no mercado de trabalho egressos dos cursos técnico da Rede Estadual de Educação
Profissional.
No programa Partiu Estágio, a Unidade Hospitalar conta com três estudantes de
Ciências Contábeis, cinco de Administração, distribuídos em pontos estratégicos para
levantamento de diagnósticos e levantamento de dados necessários para alimentação do
sistema APURASUS. Esses estudantes se encontram nos setores; Almoxarifado, Farmácia,
Centro Cirúrgico, financeiro, logística, Unacon, Compras e Recursos Humanos . Permitindo a
execução do projeto interdisciplinar, “Contabilizando (+) assistência com (-) Custos: Economia
na Saúde uma responsabilidade de todos”. Com essa temática, o Hospital, através da
coordenação da Gestão de Custos desenvolve um trabalho com o objetivo de conscientização
à equipe em relação a responsabilidade de cada setor economizar. Nos processos de trabalho
em 2018 foi requerido a Coordenação de Manutenção Predial atualização dos dados referente
a medição da área hospitalar por setores, pontos de luz gases medicinais e potência instalada
em cada Centro de Custo e foi possível com o projeto da Gestão de Custos juntamente com
o NEP, oferecer orientações a Manutenção Predial e aos estudantes do Partiu estágio das
áreas de Arquitetura, Engenharia Elétrica Civil, monitorados pelo engenheiro civil, para
redesenhar a planta do Hospital e um novo levantamento da área em metros quadrados por
centros de custo, pontos de água de luz, de gases medicinais e da potência instalada para
melhor rateio destes, permitindo inserção dos novos espaços dos centros de custos e um
levantamento com melhor visibilidade na apuração destes dados, para elaboração de
relatórios demostrando quanto é utilizado em cada centro de custos.
Ações estão sendo desenvolvidas juntamente com o Núcleo de Estudos Permanente,
com projetos e a busca da viabilidade de projetos de pesquisa e extensão junto a UESB –
Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia, dos cursos de Ciências Contábeis, Administração
e Economia para o pensar cientifico na Gestão Financeira, administrativa e econômica, no
intuito de estudar e buscar melhorias para permitir a análise dos resultados apurados para
tomada de decisão dos diretores, coordenações e todos os colaboradores da referida Unidade
Hospitalar, alcancemos cada vez mais a eficiência e a eficácia no alcance do objetivo maior
que é a assistência ao paciente.

Conclusão
Este trabalho, demostrou o modelo de Gestão Financeira Coparticipativa, implantado
e utilizado no Hospital Público de Grande Porte em Vitória da Conquista, reconhecido por
promover abertura do setor financeiro e frequência das coordenações, com transparência nos
valores descentralizados, e envolvimento de todos coordenadores, no intuito de promover o
planejamento dos empenhos e consequentemente a distribuição dos recursos para abastecer
a Unidade Hospitalar para assistência ao paciente.
Na descrição dos processos de trabalho dos profissionais que laboram diretamente
com o abastecimento de materiais necessários para a assistência ao paciente foi apresentado
as modalidades de compra, bem como o fluxo de todo o trâmite da execução orçamentária
para o abastecimento da Unidade Hospitalar.
Este curso oportunizou, um estudo direcionado especificamente para melhoria da
reflexão e ação, frente ao contínuo desafio diário do exercício da minha nobre função de servir
ao Estado. Com o crescimento da unidade o espaço físico da Diretoria Financeira foi cedido
para técnicos e estudantes e atualmente, falta sala, cadeira e mesa, mas isso não impede que
diariamente seja a busca pelo desempenho de um trabalho dinâmico e eficaz. Importante
ressaltar a orientação que o nível central, crie Diretorias Financeiras e as reconheça como
fundamentais nas unidades Hospitalares, oportunizando profissionais que insiram a ciência
contábil e tragam resultados positivos, como aconteceu no Hospital em estudo.
Necessário a criação de uma comissão de custos, com profissionais médico,
farmacêutico, nutricionista, enfermeiro, administrador, economista e contador, para análise
dos resultados apurados no sistema de Apropriação dos Custos – APURASUS, para a
demonstração trimestral dos resultados às Diretorias e centros de custos específicos com
exposição dos resultados em lugar acessível ao conhecimento de todos, no intuito de
despertar a análise reflexiva naquilo que poderá ser melhorado e conscientizado para que
contabilize mais assistência com menos custos, proporcionando melhores resultados na
assistência e na gestão financeira.
Ressaltando que a qualidade adquirida nos processos de trabalho e na gestão em geral
do Hospital em estudo, está atribuída a uma continuidade da mesma equipe técnica que
perdura há anos, proporcionando uma unidade da equipe que desenvolveu um modelo de
Gestão, reconhecido na SESAB pela eficiência e eficácia no cumprimento das normas e
legislação regulamentadas, bem como empenho de todas as direções, coordenações e
servidores em geral, tornando-se como Hospital modelo para outras unidades. Percebe-se
uma equipe motivada, humilde e que busca diariamente continuar cumprindo a missão e
objetivo maior que é assistir o paciente do Sistema Único de Saúde com humanização,
respeito e qualidade.

Referências
1- CASTRO, Domingos Poubel de. Auditoria e controle interno na administração pública. São
Paulo: Atlas, 2008.
2- SÁ, Antônio Lopes de. Curso de auditoria. 10. ed. São Paulo: Atlas, 2009.
3- GARCIA, Regis . Tópicos avançados em contabilidade São Paulo Perarson Education Brasil
2010.
4- GIL, .Antônio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 3.ed .São Paulo: Atlas, 1996.
5- MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Técnicas de pesquisa. 4. ed. São Paulo:
Atlas, 1999.

6- GIL, Antonio Carlos Métodos e técnicas de pesquisa social / Antonio Carlos Gil. - 6. ed. - São
Paulo : Atlas, 2008

7- MORESI, Eduardo Metodologia da Pesquisa , Brasilia 2003 ; Disponível em


http://inf.ufes.br/~pdcosta/ensino/2010-2-metodologia-de-pesquisa/MetodologiaPesquisa-
Moresi2003.pdf acessado em 23/06/2019

8- MARINHO, Larissa Monique Barros. A importância do planejamento nas licitações


publicas. Campina Grande,2012. 39F. Disponível em
< http://dspace.bc.uepb.edu.br:8080/xmlui/handle/123456789/6207?show=full > Acesso em
17/06/2019

9- BAHIA- Administração pública – Prestação de contas. Demonstrações Contábeis


Consolidadas do Estado – Exercício 2012. Salvador: Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia,
2013. 560 p. : il. color. SEFAZ/UCS
10- SOUSA Andrea Modesto – Logística Hospitalar : a eficiência do processo de suprimento de
medicamentos /materiais na rede pública Hospitalar do Distrito Federal, 2011 disponível em:
http://bdm.unb.br/bitstream/10483/2835/3/2011_Andr%C3%A9aModestodeSousa.pdf
acessado em 20 de Junho de 2019.