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1ª edição

SUMÁRIO

Agradecimentos ............................................................................. 7

Prefácio .........................................................................................11

Introdução ....................................................................................17

1. Despertando Para a Nossa Identidade .......................................21

2. Com Quem Você Está Falando? .................................................35

3. Deus, o que Tu Queres? ...............................................................49

4. A Revelação da Intercessão .........................................................67

5. Intercessores do Antigo Testamento, Parte 1 ............................81

6. Intercessores do Antigo Testamento, Parte 2 ............................95

7. Jesus: Sua Intercessão e Nossa União Com Ele ......................119

8. Ensina-nos a Orar ......................................................................139

9. A Fornalha da Oração ...............................................................167

10. Fazendo Nascer o Avivamento .................................................185

11. Para Onde Isso Está Indo? ........................................................207

12. O Que Isso Aparenta Ser Hoje? ................................................225


PREFÁCIO
POR LOU ENGLE

H oje, quando olho pelo espelho retrovisor da minha vida e, a


partir daí, olho para a visão panorâmica da cultura de oração
que surge na terra, fico admirado com a grande fidelidade de Deus
em pegar uma semente a partir da qual uma grande árvore nasce
e enche a terra. Enquanto me pego lembrando os meus primeiros
dias na casa de oração — a falta de clareza da minha visão profética,
a fraqueza absoluta do meu coração e a pequena comunidade que
sonhou comigo — percebo que tenho o privilégio de testemunhar a
explosão da oração no modelo 24/7 (incessante, noite e dia) em todo
o mundo. Estou impressionado com uma nova geração de líderes
de oração que vão muito além do que poderíamos ter sonhado ou
imaginado naqueles primeiros dias.
Corey Russell, querido amigo e companheiro de oração e de
avivamento, é o exemplo vivo de um daqueles generais de oração
que, enchendo-se da Palavra de Deus até transbordar e passando in-
contáveis horas em oração pessoal e corporativa, agora está alimen-
tando o movimento de oração em todo o mundo. Este livro surge
do transbordar dos encontros espirituais de Corey ao longo de uma
vida cheia da Palavra de Deus.
12 Oração

Lembro com grande carinho da época em que convivi com


Mike Bickle, fundador e diretor da IHOP (International House of
Prayer), na década de 1990. Nós éramos sonhadores e ativistas de
uma revolução de oração vindoura. Ambos falamos sobre a oração
no modelo 24/7. Embora eu tenha mais idade do que Mike, secreta-
mente queria ser como ele quando era mais jovem. Assisti de perto e
fui aluno de seus ensinamentos de oração, mas Deus também estava
acendendo um fogo em mim. Lembro-me de ansiar por ver a oração
no modelo 24/7 acontecer em um lugar chamado Auditório Mott,
em Pasadena, Califórnia. Eu queria fazer o que o rei Davi fez: orar e
adorar incessantemente, dia e noite (1 Crônicas 9:33), porque é isso
que está acontecendo no céu e porque Jesus é digno dessa oração e
adoração. Fiquei cativado pela reunião de oração dos moravianos,
iniciada em 1727 e que já durava cem anos, responsável por ajudar
a lançar o movimento das missões modernas e que tem sido uma
inspiração para muitos ministérios de oração na terra hoje.
Um dia no meu escritório no Auditório Mott, li um artigo de
um homem chamado James Goll. Ele havia retornado recentemente
de uma viagem ao povoado moraviano em Herrnhut, na Alemanha.
Enquanto estava sentado em um dos túmulos dos santos da Morá-
via, ele ouviu o Senhor dizer: “Filho do homem, estes ossos podem
viver?” (Ezequiel 37:3). No artigo, James profetizou que Deus queria
estabelecer casas de oração em muitas cidades e cobrir a terra com
Sua glória.1 Essas casas de oração carregariam o mesmo coração
pela oração e por missões que os moravianos tinham. Quando li
isso, fui tomado por um peso da parte do Senhor. Corri para o audi-
tório clamando: “Aqui, Senhor! Auditório Mott! Casa de oração vin-
te e quatro horas!” Enquanto eu estava clamando, o telefone tocou.
Era um amigo. Eu disse a ele que naquele momento estava lendo o
artigo de James Goll e clamando: “Auditório Mott! Casa de oração de
Prefácio 13

vinte e quatro horas!”. Meu amigo respondeu com entusiasmo: “Lou,


é por isso que eu estou ligando para você! Eu estava ouvindo James
Goll pregar, e ele apenas parou e começou a profetizar: ‘Lou Engle,
Auditório Mott, casa de oração de vinte e quatro horas’”. Eu soube
imediatamente que esse redemoinho profético era um sinal de que
os ossos iriam se juntar por toda a terra (Ezequiel 37:7) e o dia viria
quando Isaías 56:7 seria literalmente cumprido: “A minha casa será
chamada de casa de oração para todas as nações”.
Em janeiro de 1996, estabelecemos uma casa de oração no mo-
delo 24/7 no Auditório Mott. No primeiro dia, de repente fui acor-
dado às 5:15 da manhã. Eu sabia que o tempo apontava para um
versículo da Bíblia, mas não sabia qual deles. Clamei a Deus: “Levan-
te um candelabro Morávio!” Mais tarde naquela manhã, o Senhor
chamou minha atenção para Mateus 5:15.

Nem se acende a candeia e se coloca debaixo do alqueire,


mas no velador, e dá luz a todos que estão na casa.
— Mateus 5:15

Então, entendi o que aconteceria: Deus iria tomar a oração no


modelo 24/7 e colocá-la em um candelabro, assim o mundo inteiro
veria a luz. Essa pequena sala de oração 24/7 no Auditório de Mott
foi humilde em seu início, mas Deus amou o que fazíamos ali, então
nasceu o TheCall — um ministério através do qual centenas de mi-
lhares se reuniram nas arenas da cidade para jejuar e orar.
Mike Bickle começou a IHOP (International House of Prayer)
em 1999, e este ministério, juntamente com muitos outros, faz
parte de uma cultura de oração inspirada pelo Espírito em todo
o mundo. O céu está invadindo a atmosfera sufocante da terra e
Jesus está mudando a expressão do cristianismo em uma geração.
14 Oração

Os santos unidos em oração estão desafiando a injustiça do aborto


e do tráfico sexual, e o fogo da oração está queimando em todas as
partes do globo. As orações dos santos são uma verdadeira festa de
boas-vindas para o Reino de Deus e, finalmente, o retorno de Cristo.
Arthur Wallis, o grande pai do movimento carismático na Inglater-
ra, disse certa vez: “Descubra o que Deus está fazendo na sua gera-
ção e se entregue completamente a isso”.2 Ao ler o livro de Corey,
você descobrirá o que Deus está fazendo em sua geração. Entregue-
se à oração pessoal e corporativa, assim você fará o melhor por sua
vida, porque é isso que Deus está fazendo agora.
Hoje, os intercessores estão se juntando a Deus ao escrever o
roteiro da História, pois a oração precede as manifestações da glória
do Filho de Deus na terra. Equipes de oração estão indo aos lugares
mais difíceis e sombrios do planeta para desafiar o inferno e abrir
os céus, inclusive para os sete mil grupos de povos não alcançados
que precisam ouvir o testemunho do Evangelho antes que Jesus vol-
te. Muitos hoje estão sendo alcançados pela grande convocação de
Jesus a Seus discípulos: “Então, disse aos seus discípulos: A seara é
realmente grande, mas poucos os ceifeiros. Rogai, pois, ao Senhor
da seara, que mande [gg. ekballo] ceifeiros para a sua seara”. Andrew
Murray, com a força desses versículos de Mateus 9:37-38, afirmou
com convicção: “O número de missionários no campo depende in-
teiramente da medida em que alguém obedece a essa ordem e ora
por trabalhadores”.3 Estamos chamando um milhão de cristãos em
todo o mundo para orar esse versículo diariamente, a fim de que os
trabalhadores sejam levados para os demais grupos de povos não
alcançados. Oh, que privilégio é entrar em parceria com Deus na
narrativa dos últimos dias e fazer parte da História!
Sinto que fui conquistado pela grande visão da Sua colheita,
mas a visão sem ação não pode manter uma geração em curso, nem
pode sustentar ou perpetuar uma vida de fidelidade.
Prefácio 15

Agradeço a Deus por jovens como Corey, que entenderam a vi-


são e podem escrevê-la de tal maneira que aqueles que a leem possam
correr atrás dela. Este livro é um pão do qual o coração faminto pode
se alimentar. Ele revela a glória do intercessor na vida de persona-
gens bíblicos e guerreiros de oração da História. Ele nos chama a algo
maior do que experiências de oração que nos deixam inalterados.
Ele conclama uma geração a caminhar à sombra do próprio Grande
Intercessor que, pela alegria que estava diante dele, suportou a cruz.
Amigos, hoje estamos no início de um cumprimento histórico
do Salmo 110: a mobilização do exército de intercessão e adoração
dos últimos dias que se une ao Rei-Sacerdote Jesus e verá os inimigos
do rei esmagados no Seu dia da batalha. Agora é hora de nos entre-
garmos sem reservas e em amor voluntário ao nosso Cristo e ao Seu
romper de oração global. Leia este livro e deixe-o fortalecer você, en-
chê-lo com motivação e convocá-lo para um encontro celestial.

Lou Engle
Pasadena, Califórnia, 2013

NOTAS

1. James Goll, A Arte Perdida da Intercessão (São Paulo: Editora Vida,


2009).
2. Simon Cooper and Mike Farrant, Fire in Our Hearts: The Story of
the Jesus Fellowship/Jesus Army (Northampton, UK: Multiply Pu-
blications, 1997), 127.
3. Norman Grubb, Rees Howells, Intercessor (Fort Washington, PA:
Lutterworth Press, 1952), 210.
INTRODUÇÃO

E m 1998, minha vida foi virada de cabeça para baixo quando


chegou às minhas mãos uma cópia de Por que Tarda o Pleno
Avivamento? de Leonard Ravenhill. Enquanto lia, fui profundamen-
te marcado ao perceber o quanto orava pouco, deixando-me face
a face com a minha própria vida estéril de oração. Sua declaração
de que “nenhum homem é maior do que sua vida de oração” me
derrubou, então comecei a avaliar minha vida de uma maneira
nova. Também comecei a olhar para a Igreja de maneira diferente.
Ravenhill não foi duro demais na sua avaliação do Corpo de Cristo, e
a acusação que lançou na década de 1960 ainda soa verdadeira hoje.
Na verdade, essa crise se agravou em nossa geração. Os prédios
que nossas igrejas ocupam estão crescendo, mas nosso impacto na
cultura está cada vez menor. Nossas crianças e adolescentes estão
crescendo no que muitos começam a chamar de uma sociedade pós-
cristã, e estamos perdendo a guerra por suas almas. Por quê? Nós
negligenciamos o lugar da oração em nossas vidas pessoais e nossos
ministérios. O poder do Espírito Santo foi substituído por estratégias
de marketing e conferências — em um crescimento falso que mascara
nossa verdadeira esterilidade. Diante da crescente onda de impiedade,
tentamos tudo, exceto a única coisa necessária: a oração.
A oração foi o único ministério que os discípulos pediram a
Jesus: “Ensina-nos a orar” (Lucas 11:1). Charles Spurgeon, o homem
18 Oração

conhecido como o príncipe dos pregadores, disse que preferia en-


sinar um homem a orar a ensinar dez homens a pregar. A oração
é o segredo para abrir as portas do Reino dos céus. É nosso mais
alto chamado, nossa maior arma e nossa alegria mais profunda —
e, ainda assim, não oramos.
Estou convencido de que o motivo para isso é não entendermos
a oração. Sentir a repreensão pungente ao nosso cristianismo impo-
tente pode nos despertar por algumas semanas ou meses, mas em
minha própria vida descobri que a dor não era suficiente para sus-
tentar décadas de oração. Eu precisava de um fundamento — algo
sobre o qual me colocar quando o fogo da acusação começasse a
queimar. Comecei a lutar com perguntas básicas na minha tentativa
de entender por que oramos — perguntas como: “O que Deus real-
mente está buscando?” “O que a oração realiza?” “Como identificar
o avivamento?” Nessa busca por respostas, descobri que Jesus não é
apenas o profeta que nos fere ao avaliar nossa vida de oração, mas
também é o Pastor que nos ensina a orar.
Meu desejo ao escrever este livro é explorar a resposta ao cla-
mor que surgiu dos discípulos há dois mil anos e está voltando a
surgir nos corações dos cristãos hoje: “Pegue-nos pela mão e nos
guie à fonte de todo poder, bênção e intimidade. Conduza-nos ao
lugar de oração”. Nós veremos o que Deus está fazendo na terra hoje,
receberemos uma nova revelação de nossa identidade, redescobri-
remos Seu coração e nos conectaremos com Seus desejos mais pro-
fundos para descobrir a fonte do governo divino. Ao percorrer o
texto bíblico de Gênesis a Apocalipse, perceberemos os planos de
Deus para derramar a revelação da intercessão sobre a Igreja do fim
dos tempos e fazer convergir o céu e a terra através do poder e da
simplicidade da oração.
Usarei os termos oração, intercessão e ministério sacerdotal como
sinônimos ao longo deste livro. Todos os três se referem ao simples
Introdução 19

ato de falar com Deus. Em sua essência, a intercessão é declarar as


palavras de Deus ao falar com Ele. É viver com a consciência de que
estamos caminhando sob os ouvidos atentos do céu. Quando conta-
mos a Deus as coisas que Ele nos diz, confiantes no fato de que Ele
está ouvindo, então tudo muda. Somos atraídos à intimidade, prote-
gidos do orgulho, estimulados a uma maior santidade, abençoados
pela lei de semeadura e colheita, ungidos com poder, unidos com o
Corpo e treinados como governantes no Reino. E quanto mais avan-
çamos nessa jornada de oração, mais somos conformados à imagem
do Intercessor eterno (Hebreus 7:25). O poder de declarar as pala-
vras de Deus torna o nosso coração um só com o dele, unindo-nos
à Sua vida e ministério. Oração não se trata apenas do que dizemos
em uma reunião; tem a ver com quem nos tornamos.
É tempo de um novo tipo de líderes se levantar, aqueles que
se entregarão por inteiro à oração e ao discipulado dos cristãos em
intercessão. Neste momento, o Espírito está nos despertando e cha-
mando à realidade da comunhão com Deus em amor e derramando
o Seu poder e Seu Reino sobre a terra. Minha oração é que, através
deste livro, você receba poder para exercer seu ministério eterno
como intercessor e permanecer em uma vida de oração ardente nas
décadas que virão.
1

DESPERTANDO PARA
A NOSSA IDENTIDADE
MUDANDO O ENTENDIMENTO E
A EXPRESSÃO DO CRISTIANISMO

“M udarei o entendimento e a expressão do cristianismo em


toda terra em uma geração.” Essa é a frase exata que o
próprio Deus trovejou para Mike Bickle enquanto ele estava de joe-
lhos em um quarto de hotel no Cairo, no outono de 1982. O Cairo,
no Egito, era uma das muitas paradas em uma viagem ao redor do
mundo que ele planejara fazer com o intuito de conectar-se com o
coração de Deus pelos pobres. Durante seu tempo de oração naque-
le quarto de hotel, ele foi tomado pelo temor do Senhor à medida
que uma densa manifestação da Sua presença enchia o quarto. Mike
estava ciente do que acontecia ao seu redor, mas estava tão extasiado
que não conseguia se mover. Mal sabia ele que esse encontro defini-
ria sua vida e seu ministério.
“Mudarei o entendimento e a expressão do cristianismo em
toda a terra em uma geração.” Mike sentiu o peso dessa declaração
22 Oração

ao ouvir Deus, o Criador dos céus e da terra, declarar que Ele re-
alizaria essa obra. Mike entendeu em seu espírito que a mudança
de entendimento se referia à forma como os cristãos veem a Igreja.
Hoje ela é vista como irrelevante pela maior parte do mundo, mas
essa perspectiva irá mudar nos dias que estão por vir. A mudança da
expressão se refere a uma nova forma de ação para os cristãos dentro
da Igreja. Homens e mulheres naturalmente resistem e lutam contra
mudanças, mas Deus liberará um arrependimento em todo o mun-
do que irá marcar uma geração e os preparará para a transformação.
O Senhor começou a falar com Mike sobre os quatro princípios
que têm sido negligenciados pelo Corpo de Cristo e que precisam
ser restaurados. Não apenas princípios centrais, eles têm sido en-
fatizados pelo Espírito nesta hora: Intercessão, Santidade, Ofertas
aos pobres e Profecia. Enquanto ouvia essas coisas, Mike começou
a chorar e a clamar “Sim, Deus!”. O Senhor falou novamente e disse:
“Você apenas disse sim, mas ainda não fez nada. Muitos disseram
sim, mas não agiram. Estou convidando você a fazer parte dessa
obra que alcançará os confins da terra”. A declaração final do Senhor
foi uma advertência: “Cuidado para que os seus irmãos não roubem
isso do seu coração”.1 Mike entendeu, então, que esses quatro prin-
cípios centrais seriam provados e sofreriam resistência de todas as
formas imagináveis, especialmente por aqueles de dentro da Igreja.
Esse livro trata do primeiro princípio central: a intercessão.
O chamado à oração dia e noite é essencial para a mudança de en-
tendimento e expressão do cristianismo. Na primavera de 1983, me-
ses após aquele encontro no Cairo, Deus falou novamente com Mike
Bickle durante um jejum de vinte e um dias. Ele destacou o Salmo
27:4 e disse as seguintes palavras: “Vinte e quatro horas de oração no
espírito do tabernáculo de Davi”. Quando descreve esse encontro,
Mike diz que foi como se Deus tivesse tomado fôlego depois de falar
Despertando Para a Nossa Identidade 23

no Cairo e então tivesse terminado Sua declaração naquele momen-


to. “Eu mudarei o entendimento e a expressão do cristianismo em
uma geração através da oração de vinte e quatro horas no espírito
do tabernáculo de Davi”.2
Hoje, mais de trinta anos depois que Deus falou essas palavras,
a oração e a adoração estão explodindo ao redor da terra. A cada ano
milhões de cristãos em mais de 220 nações se reúnem em estádios
no Dia Global de Oração. Ministérios de oração no modelo 24/7
estão surgindo em todo lugar.
O monte de oração em Seul, na Coréia do Sul, tem sido um
lugar de oração constante por mais de cinquenta anos. Igrejas gran-
des e pequenas têm priorizado o ministério de intercessão em suas
agendas, orçamentos e equipes mais do que em qualquer outro mo-
mento na História.
Até mesmo grandes organizações missionárias têm reconhecido
a necessidade da oração ininterrupta no modelo 24/7 a fim de levar o
Evangelho a toda tribo, língua, povo e nação. Um amigo recentemen-
te participou de um concílio sobre o cumprimento da Grande Comis-
são na Indonésia. Durante o concílio, Graham Power, fundador do
Dia Global de Oração, se colocou em pé diante de milhares de líderes
e os convocou a orar dia e noite. Se ele fizesse esse chamado cerca de
vinte anos atrás, uma meia-dúzia teria respondido. Mas hoje, quando
o chamado foi feito, um brado de concordância se levantou naquela
reunião. A Igreja está despertando para a verdade de que Jesus não
é apenas o grande Evangelista, Ele é também o Intercessor eterno.
O Intercessor está liderando os movimentos de missões e o Evangelis-
ta está liderando o movimento de oração e adoração.
Esse crescente movimento está alcançando as nações mais difí-
ceis e fechadas do mundo. Alguns anos atrás, meu amigo Allen Hood
estava visitando uma nação muito fechada em uma missão de auxí-
24 Oração

lio. Enquanto ele estava no saguão do hotel, ouviu um homem gritar


“IHOP-KC! IHOP-KC!”. Esse homem correu até ele e disse: “Nós te-
mos assistido vocês na transmissão on-line”. Vocês o quê?! Ele conti-
nuou dizendo que todas as sextas, cristãos iam para o interior, fora
da cidade, levando lanternas movidas à luz solar no chão (não havia
eletricidade) e adoravam e oravam ao longo da noite, levantando-se
contra a influência budista na região.
“Estamos em ação!”. Como Allen gosta de dizer, “o vírus da ora-
ção dia e noite está se espalhando”. A intercessão tem enchido a Ásia,
África, Europa, América do Norte e do Sul, incluindo as ilhas. E esse
é só o começo. Malaquias profetizou que do nascer ao pôr do sol, in-
censo subiria (Malaquias 1:11). A grandeza de Deus e a preciosidade
do Seu Filho estão enchendo a terra e a única resposta cabível é a
adoração e a oração incessantes. Esse é apenas o começo.

UMA CASA DE ORAÇÃO

Também os levarei ao meu santo monte, e os alegrarei na mi-


nha casa de oração... Porque a minha casa será chamada casa de
oração para todos os povos.
— Isaías 56:7

Isaías profetizou um dia em que Deus traria o Seu povo à re-


alidade da intimidade e da parceria com Ele através da oração, en-
chendo-nos de alegria. Quando a maioria de nós pensa em oração, a
alegria não é uma das palavras que vem à mente. No entanto, Deus
fará nosso tédio ser substituído por prazer. Essa alegria estará co-
nectada a novas formas de ver a Deus e a nós mesmos, ao poder da
música e de canções, pois nossos corações são abertos para o amor,
ao movimento do Espírito Santo, ao testemunho da oração respon-
dida e muito mais!
Despertando Para a Nossa Identidade 25

Neste versículo Deus chama Sua casa de “casa de oração para


todas as nações”. Ele não a chama de casa de evangelismo, profecia,
cura ou ministério. É profundo considerar que o elemento definidor
da casa de Deus (e de Seu povo) é a oração. Acredito que estamos no
meio de uma reforma completa na Igreja. Deus está mudando nosso
paradigma de intercessão. Muitos de nós pensamos que apenas um
punhado de mulheres barulhentas no fundo da igreja tem chamado
para a oração (sou grato por essas mulheres barulhentas porque elas
me ensinaram a orar!). Mas o Senhor está movendo esse ministério
do fundo para a frente da igreja, tornando-o uma realidade diária
para cada cristão, independentemente de seu contexto ou dom. Ele
está despertando cada um de nós para o fato de que o simples abrir
de nossas bocas e o sussurrar frases para Ele é a principal forma de
derramar o Seu poder. Isaías disse “também os levarei...” hoje pode-
mos dizer “também a nós Ele levará ao Seu santo monte...”.
No coração desse movimento crescente de oração está a reve-
lação da proximidade. A proximidade tem sido o desejo mais pro-
fundo no coração de Deus desde o início. Ele quer ver nosso rosto
e ouvir a nossa voz (Cantares 2:14). Nós o percebemos no jardim,
no tabernáculo, no templo, na encarna-
ELE ESTÁ DESPERTANDO
ção, no Espírito que habita em nós e na
CADA UM DE NÓS PARA O
FATO DE QUE O SIMPLES segunda vinda: Deus quer estar perto de
ABRIR DE NOSSAS BOCAS nós. Agora, em Cristo e através de Cristo,
E O SUSSURRAR FRASES o véu da separação foi removido. Atra-
PARA ELE É A PRINCIPAL vés da morte, ressurreição e ascensão de
FORMA DE DERRAMAR O
Jesus, todos aqueles que creem foram
SEU PODER.
trazidos para a comunhão da Trindade.
Somos chamados a participar do glorioso ministério da interces-
são: aproximar-se de Deus, permanecer em Sua presença, conversar
com Ele, pedir-lhe coisas e ministrar aos outros a partir desse lugar.
26 Oração

À medida que nos conectarmos com essa revelação fundamental,


deixaremos de avaliar quem somos com base naquilo que fazemos e
começaremos a viver a partir do fluir da nossa proximidade de Deus
e Seu desejo por nós.

CRISE DE IDENTIDADE

Um amigo estava na sala de oração um dia, quando o Senhor de re-


pente abriu os seus olhos no espírito e ele viu as letras que representam
cada um dos cinco ministérios aparecerem sobre diferentes pessoas.
Alguns receberam a letra “A” para o apóstolo, outros “P” para o profe-
ta, “E” para o evangelista e assim por diante. Então ele viu uma grande
mão passar pela sala e as letras foram removidas. Aquela mão varreu
todas essas letras e em seu lugar a letra “I” apareceu sobre cada pes-
soa. O “I” era para o intercessor, então meu amigo entendeu que ele
estava testemunhando uma mudança que vem ocorrendo no Corpo
de Cristo. Nos dias que virão, o chamado e o ministério dos cristãos
serão derramados através da oração, e os cinco ministérios surgirão a
partir da nossa identidade fundamental como intercessores.
A mudança da expressão do cristianismo começa com os cristãos
adentrando individualmente nesse lugar da oração. A mudança pre-
cisa ser pessoal antes que ela possa ser coletiva. Deus deseja estabele-
cer nossa identidade como intercessores. As pessoas muitas vezes me
dizem que não veem o chamado específico de intercessão na Bíblia.
Minha resposta é: “Concordo, não é um chamado específico porque
é o chamado de todos os cristãos”. Ser cristão é ser um intercessor.
Estamos diante de Deus em nome dos homens e estamos diante dos
homens em nome de Deus. Qualquer outro chamado, independente-
mente de quão grande ou pequeno possa ser, está abaixo em compa-
ração ao chamado glorioso de falar com Deus. Quer estejamos des-
tinados a pregar a milhares ou a lutar apenas por um punhado de
Despertando Para a Nossa Identidade 27

gente, nada se compara ao nosso chamado primário de comunhão


com Deus.
Embora eu esteja empolgado com o crescimento do movimen-
to de oração nas nações, acredito que Deus deseja liberar uma re-
velação fundamental maior de identidade em nossas vidas — uma
mudança de paradigma em relação à visão que temos de nós mes-
mos. A Igreja como um todo está em meio de uma crise de identida-
de. Embora o chamado à intercessão ganhe impulso, muitos cristãos
ainda vivem uma vida sem oração.
Sabemos que precisamos orar, sabemos que é importante, mas
nunca o fazemos de fato. Por que não oramos? Nos meus anos de
luta com esta questão, encontrei algumas
SER CRISTÃO É SER
respostas que me ajudaram imensamente
UM INTERCESSOR.
na minha própria jornada em direção à
vitória. Existem quatro barreiras principais que impedem que nos
entreguemos à vida de oração. A primeira é o orgulho, embora você
também possa chamá-lo de independência ou autossuficiência.
Leonard Ravenhill, cujo livro Por que Tarda o Pleno Avivamento?
impactou significativamente minha vida, aborda essa questão quan-
do fala sobre a condição atual das nossas reuniões de oração:

A reunião de oração é a Cinderela da Igreja nos dias de hoje.


Essa serva do Senhor não é amada nem cortejada, porque ela
não está coberta com as pérolas do intelectualismo nem enfei-
tada com as sedas da filosofia, nem está adornada com as joias
da psicologia. Ela se veste com tecidos muito modestos de sin-
ceridade e humildade e, por isso, não tem receio de se ajoelhar!4

A oração é um chamado ao reconhecimento da nossa necessi-


dade. É a afirmação da alma que diz: “Não tenho, eu tenho falta, te-
nho necessidade”. A pobreza do espírito é o paradigma fundamental
28 Oração

da oração. No entanto, a maioria de nós não quer estar em contato


com aquilo que nos falta e com nossas necessidades. Somos pessoas
muito autossuficientes! Nós nos orgulhamos da nossa independên-
cia, dos nossos recursos e da nossa capacidade de nos erguermos
por conta própria, o que nos impede de abraçar a nossa identidade
como sacerdotes.
A segunda barreira é a incredulidade. O autor de Hebreus afir-
ma: “Ora, sem fé é impossível agradar-lhe; porque é necessário que
aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardo-
ador dos que o buscam” (Hebreus 11:6). Muitos de nós simplesmen-
te ainda não percebemos a verdade de que, quando oramos, estamos
conversando com uma pessoa real com poder e recursos reais, e essa
pessoa gosta de nós. Visões erradas sobre Deus e sobre nós mesmos
estão nos destruindo, enquanto a Igreja é corroída pelo câncer da
incredulidade cuja ausência de oração é um dos principais sintomas.
A terceira barreira que nos impede de orar é a falta de revelação
em relação à nossa identidade como sacerdotes. Em Hebreus 3:1, o
escritor afirma que somos participantes do chamado celestial. No
dia em que nascemos de novo, fomos sobrenaturalmente enxerta-
dos no ministério sacerdotal de Jesus Cristo. Fomos colocados em
contato direto com o Pai ao estarmos diante dele e conversarmos
com Ele. Se você entregou sua vida a Jesus, essa é a sua vocação
principal. Todas as outras funções terrenas decorrem dessa identi-
dade. Quando nos conectamos com esse chamado, somos libertos
da mentalidade secreta que nos faz acreditar que o pastor ou o líder
de louvor têm mais acesso a Deus do que nós. Essa crença é, na
verdade, uma visão débil do que Deus realizou para nós em Cristo.
Jesus não morreu para que apenas uma pequena porcentagem de
líderes no Corpo se aproximasse e conversasse com Ele. Ele deseja
que todos nos aproximemos — os pregadores, os homens de negó-
cios e as mães que são donas de casa. Ele morreu para que cada um
Despertando Para a Nossa Identidade 29

de nós fosse levado à intimidade direta, à comunhão e à parceria


com Ele. Quando verdadeiramente entendemos nossa identidade
como sacerdotes, de repente nos damos conta de que todos temos a
mesma posição diante de Deus por meio do sangue de Jesus Cristo,
portanto todos somos chamados a entrar no Santo dos Santos e a
ministrar a Ele. Não podemos ir mais alto ou chegar mais perto do
que já estamos.
A barreira final é a falta de revelação quanto ao impacto da ora-
ção. Uma das maiores pedras de tropeço é a crença de que a oração
é um desperdício do nosso tempo e energia. Não sentimos que a
intercessão seja eficaz para nós, portanto
TODAS AS OUTRAS
concluímos que ela não exerce impacto FUNÇÕES TERRENAS
sobre Deus. Faz mais sentido para nossas DECORREM DESSA
mentes não renovadas confiar em nossos IDENTIDADE.
recursos, dons, finanças e conexões para
promover a expansão do Reino. No entanto, Deus deseja que lance-
mos nossa força aos Seus pés em oração e humildade e, em seguida,
observemos enquanto Ele derrama Seu Reino dentro e por meio de
nós a partir desse lugar de fraqueza. Paulo escreveu à igreja de Co-
rinto sobre essa questão:

Mas Deus escolheu as coisas loucas deste mundo para confun-


dir as sábias; e Deus escolheu as coisas fracas deste mundo para
confundir as fortes; e Deus escolheu as coisas vis deste mundo,
e as desprezíveis, e as que não são, para aniquilar as que são;
para que nenhuma carne se glorie perante ele.
— 1 Coríntios 1:27-29

Anteriormente, no versículo 19, Deus declara guerra contra a


sabedoria do homem: “Destruirei a sabedoria dos sábios, e aniqui-
30 Oração

larei a inteligência dos inteligentes”. Ele não tolerará a sabedoria do


homem que se vangloria em sua força, seu dinheiro, sua importân-
cia e seu poder. Ravenhill disse acerca da igreja nos Estados Uni-
dos: “Com nossa postura em relação à oração, dizemos a Deus que
aquilo que foi iniciado no Espírito, nós podemos terminar na carne”.5
Muitas pessoas tropeçam nesse fato, descobrindo que as coisas que
nasceram a partir da carne não produzirão nada além de uma colhei-
ta carnal. Orar é realmente a coisa mais impactante e poderosa que
podemos fazer. Embora pareça algo fraco, é assim que Deus determi-
nou que derramará Seu Reino.
Em minha opinião, essas barreiras estão criando uma grave crise
no Corpo de Cristo. É uma crise sobre quem é Deus, quem somos nós
e como o Reino opera. No entanto, quando começarmos a interceder
e a renovar nossas mentes, veremos uma correspondente explosão
de oração e um espírito de avivamento tocará nossas vidas e nossas
igrejas. Estou plenamente confiante de que Deus fará isso antes que
Seu Filho retorne à terra. No final dos tempos, iremos testemunhar
a Igreja se levantando de cada tribo, língua, povo e nação. Ela entrará
em plena concordância com a definição forjada pelo céu de sua iden-
tidade e de seu chamado para se tornar parceira de Jesus Cristo.

E cantavam um novo cântico, dizendo: “Digno és de tomar o


livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu
sangue nos compraste para Deus de toda a tribo, e língua, e
povo, e nação; e para o nosso Deus nos fizeste reis e sacerdotes;
e reinaremos sobre a terra”.
— Apocalipse 5:9-10

Em outras palavras, “Você nos fez um Reino de sacerdotes.


Nós somos sacerdotes”. Esta é a revelação do fim dos tempos para
Despertando Para a Nossa Identidade 31

a Igreja: “Nós somos sacerdotes! E reinaremos na terra”. É possí-


vel usar as palavras sacerdote e intercessor como sinônimas. Des-
de o princípio, Deus criou homens e mulheres para habitar com
Ele em comunhão e para dominar a terra do lugar da intimidade.
O sacerdócio é uma imagem do Seu desejo por essa comunhão e
do propósito pelo qual fomos criados. Em Apocalipse 5, vemos
cristãos de todas as tribos, línguas, povos e nações em concordân-
cia acerca dessa identidade. É uma profecia sobre como veremos
a nós mesmos. Chegará um dia em que a Igreja compreenderá
que o poder e a autoridade governamentais no Reino são, em pri-
meiro lugar, liberados por intermédio da oração. Antes do retor-
no de Cristo, acredito que veremos esse entendimento permear
nossas congregações locais e sacudir o modo como elas operam.
A reunião de oração se tornará a reunião mais popular da semana,
os intercessores serão as pessoas que receberão maior sustento den-
tro da equipe e as reuniões de rede e estratégia serão substituídas
por adoração e intercessão.

O ZELO PELA TUA CASA ME CONSOME

Se estivesse chegando a uma nova cidade para começar um ministé-


rio, como você planejaria sua entrada? Imagino que começaria por
criar vínculo com pastores na cidade tomando um café e por dis-
cutir maneiras de criar parcerias ministeriais. Jesus arruinou com-
pletamente essa abordagem quando apareceu pela primeira vez em
Jerusalém. Ele não apenas começou Seu ministério limpando o tem-
plo, mas também completou Seu ministério dessa maneira. Em João
2, Jesus entrou no templo em Jerusalém e, como um cara novo na
cidade, começou a virar tudo de cabeça para baixo e gritar que eles
haviam feito da casa do Pai uma casa de comércio. Ele foi ao coração
da ruína daquela terra: o lugar do ministério a Deus foi transforma-