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índice

06 Entrevista
Kokei Uehara: “Vivi 71% da história
Publicação Oficial do Instituto de Engenharia
Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 - Vila Mariana
São Paulo - SP - 04012-180
dos cem anos da imigração japonesa”
40 Nikkei
Os caminhos dos
www.iengenharia.org.br engenheiros nikkeis
Presidente
Edemar de Souza Amorim

Vice-presidente de Administração e Finanças


Camil Eid

Vice-presidente de Atividades Técnicas


Paulo Ferreira

Vice-presidente de Relações Externas


Ozires Silva

Vice-presidente de Assuntos
Internos e Associativos
Dario Rais Lopes

Vice-presidente de Administração
da Sede de Campo
Permínio Alves Maia de Amorim Neto

Conselho Editorial
Edemar de Souza Amorim
Mário Izumi Saito
Paulo Ferreira
Paulo Soichi Nogami 43 Especial
Jornalista Responsável
Fernanda Nagatomi - MTb 43.797

Redação
Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 - Vila Mariana
São Paulo - SP - 04012-180
Tel.: (11) 3466-9200
E-mail: imprensa@iengenharia.org.br

Publicidade
(11) 3466-9200

Diagramação / Projeto
Alexandre Mazega (Just Layout)
João Vitor Reis / Rodrigo Araujo (Just Layout)
Flávio Pavan (Just Layout) Reminiscências de nikkeis pioneiros na Engenharia
Colaboração
Aldo Takahashi / Isabel Dianin
Mário Izumi Saito / Paulo Soichi Nogami
Viviane Nunes

É permitido o uso de reportagens do Jornal do


COMISSÃO 04 16 HOMENAGEADOS
Instituto de Engenharia, desde que citada a fonte EDITORIAL 05 38 MAÇAHICO TISAKA
e comunicado à redação. Os artigos publicados
com assinatura não traduzem necessariamente DISCURSO 08 50 MOSAICO
a opinião do jornal. Sua publicação obedece ao
propósito de estimular o debate dos problemas ESCOLAS 12 52 ARTIGOS
brasileiros e de refletir as diversas tendências
do pensamento contemporâneo.

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comissão

Pelos bastidores

O
Instituto de Engenharia associações da comunidade nikkei. biográfico. Essa tarefa envolveu um
decidiu, neste ano do Foi altamente significativo o apoio esforço incomum de novas e repe-
centenário da imigração recebido da Sociedade Brasileira de tidas consultas e contatos com as
japonesa no Brasil, ho- Cultura Japonesa e Assistência So- famílias até a obtenção de materiais
menagear os engenheiros nikkeis, cial - o Bunkyo – e da Associação aproveitáveis para o fim. Implicou
em reconhecimento à contribuição para a Comemoração do Centená- ainda numa incansável tarefa de
por eles prestada ao desenvolvimen- rio da Imigração Japonesa no Bra- redação de textos e adequação fo-
to deste Estado e do País. Para isso, sil que, além de proporcionarem tográfica, por parte de membros da
foi constituída uma comissão com a apoio à iniciativa, participaram da comissão e da equipe especializada
incumbência de estabelecer a forma busca e permitiram que fosse dis- do próprio Instituto.
de efetivação desse objetivo. Foi de- ponibilizado um efetivo sistema de A comissão contou em seus tra-
signado para a coordenação geral do intercâmbio operacional de infor- balhos com a colaboração de enge-
projeto o Eng. Paulo Ferreira, vice- mações, via internet, com o Institu- nheiros de todas as escolas repre-
presidente de Atividades Técnicas to de Engenharia. sentadas, inclusive de alguns que se
do Instituto de Engenharia. Após alguns meses de inten- enquadram na categoria de home-
Logo de início, a comissão deci- so trabalho, com a participação de nageados, por terem eles conheci-
diu homenagear os 100 primeiros membros da comissão e de volun- mento próximo de muitos dos seus
engenheiros nikkeis formados no tários, foram localizados todos os contemporâneos, podendo facilitar
Estado de São Paulo, simbolizando homenageados ou as suas famílias, o contato com os mesmos. Recebeu
a hoje imensa classe de profissio- residentes no Estado de São Paulo e também a colaboração de um gru-
nais nessas condições. Estabeleceu- ainda nos Estados do Paraná, Mato po de estudantes nikkeis da Esco-
se ainda a realização, no dia 18 de Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas la Politécnica que se prontificou a
outubro de 2008, de uma sessão Gerais e Rio de Janeiro. preparar todo material destinado
especial na sede do Instituto para Os contatos permitiram verificar às projeções, como ainda prestar
consolidar a homenagem. que pouco mais que a metade dos apoio operacional no dia do evento,
Numa primeira etapa, foi reali- componentes do grupo era falecida, juntamente com os jovens univer-
zado um minucioso levantamento cabendo a algum representante da sitários da Escola de Engenharia
de todos os formados de ascen- família comparecesse à cerimônia. Mackenzie.
dência japonesa, ano por ano, até Na etapa seguinte, a comissão À diretoria do Instituto de En-
formar o grupo dos chamados 100 passou a cuidar dos detalhes da ce- genharia e suas equipes especiali-
nikkeis pioneiros. As escolas exis- lebração, quando se decidiu, entre zadas, aos membros da comissão e
tentes, na época, eram: a Escola outras providências, pela publica- a todos que direta ou indiretamente
Politécnica da USP, a Escola de En- ção de um número especial do Jor- contribuíram para a realização do
genharia da Universidade Presbite- nal do Instituto de Engenharia a ser evento consigno aqui os melhores
riana Mackenzie, a Escola Superior distribuído na ocasião. Nele seriam agradecimentos. IE

de Agricultura Luiz de Queiroz da apresentados todos os homenagea-


USP, a Faculdade de Engenharia dos com sua fotografia e um resumo Mário Izumi Saito
Industrial da Pontifícia Universida-
de Católica e o Instituto Tecnológi-
co de Aeronáutica.
Identificado os nomes dos pio- Membros da Comissão: Mário Izumi Saito
neiros, teve início o demorado e de- Paulo Ferreira Paulo Soichi Nogami
safiante trabalho de localização de (coordenador geral) Renato Tsukamoto
cada um deles. Todos os recursos Tsuyoshi Kataoka
de comunicação foram utilizados Aldo Takahashi
para esse fim: ligações telefônicas, Dione Mari Morita Homenageados colaboradores:
apelos a eventuais colegas de tur- Gentil Nishioka Kazuo Nakashima (Mackenzie)
ma, comunicados por meio de sites, Guenji Yamazoe Makoto Nomura (Poli)
notícias em jornais e solicitações Hiroaki Kokudai Shigeo Hirama (Esalq)
de colaboração a diversos clubes e Maçahico Tisaka Tamaaki Sasaoka (FEI)

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editorial

O alvorecer
de uma nação

N
um dia de inverno há 100 ciedade plural e civilizada.
Foto: Petrônio Cinque

anos, vencendo a resistên- A Engenharia brasileira nestes


cia de lideranças retrógra- 100 anos de história pode contar com
das racistas, terminava no inúmeros exemplos de sucesso oriun-
Porto de Santos a primeira viagem do dos da colônia japonesa que merecem
navio que se tornaria símbolo de um ser destacados. Exemplos como o do
dos mais importantes momentos da arquiteto e urbanista Ruy Ohtake
criação do Brasil moderno. grande nome da arquitetura moder-
As 165 famílias, num total de 781 na, dos engenheiros Maçahico Tisaka
pessoas, que desceram do Kasato e Tunehiro Uono, presidente e vice
Maru naquela tarde, esperançosas do Instituto de Engenharia, do Prof.
para reconstruir suas vidas naquela Kokei Uehara, cuja participação ativa
terra estranha, não sabiam da dimen- na construção das mais importantes
são histórica de sua viagem nem da obras de infra-estrutura no Brasil.
importância e relevância de seus des- Hoje, infelizmente, o fluxo foi
cendentes na construção da nação. invertido, o Japão superou seus pro-
Nos anos seguintes, ainda desa- blemas estruturais de 100 anos atrás,
fiando as duras condições de trabalho, tornando-se uma das maiores econo-
as diferenças culturais, comporta- mias mundiais e, após décadas em que
Eng. Edemar de Souza Amorim mentais e de idioma, milhares de fa- famílias inteiras desembarcavam nos
Presidente do Instituto de Engenharia mílias seguiram o caminho do Kasato portos brasileiros, seus descendentes
Maru e espalharam-se pelo Brasil. tomam o caminho de volta fugindo
A comemoração do centenário da das constantes crises brasileiras em
viagem que marcou o início da imi- busca de um futuro melhor levando
gração japonesa no Brasil não é só em sua bagagem um pouco do Brasil
um momento de festa e alegria para para o Japão, contribuindo para apro-
aqueles que depositaram sua con- ximar ainda mais os dois países.
fiança, seu trabalho e suas esperan- A imigração japonesa é um marco
ças num País distante, mas também na história brasileira pelo desenvolvi-
um momento de reconhecimento e mento econômico e social, pelas con-
agradecimento de um País pela con- tribuições à sociedade e ao País, pela
tribuição inestimável daquelas pes- beleza de sua arquitetura, cultura e
soas e seus descendentes. gastronomia, pelos valores familiares
O reconhecimento, nesta ocasião, e pessoais disseminados e adotados
dos 100 primeiros engenheiros e en- pelos brasileiros.
genheira nikkeis, formados nas esco- Para a sorte dos brasileiros, os ha-
las de Engenharia de São Paulo, não bitantes da Terra do Sol Nascente fo-
é somente uma justa homenagem a ram um dos principais responsáveis
esses profissionais, mas também um pelo alvorecer de uma nova nação, di-
agradecimento aos seus familiares ferenciada, aberta, tolerante, acolhe-
por acreditarem no Brasil e por in- dora, batalhadora e com um grande
vestirem na construção de uma so- futuro pela frente. IE

Instituto de Engenharia • Especial • Outubro 2008 5

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entrevista

Kokei Uehara:
“Vivi 71% da história
dos cem anos da
imigração japonesa”
O engenheiro civil Kokei Uehara foi um dos primeiros japoneses a se formar no
Brasil, pela Politécnica, em 1953. Doutor em Engenharia, foi professor titular da
Politécnica e recebeu o título de Professor Emérito após sua aposentadoria. Com
55 anos de atuação, já foi representante da Unesco por 11 anos. Recebeu diversas
homenagens, entre elas a condecoração concedida pelo Imperador do Japão. É
presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social

Instituto de Engenharia –
? Com quantos anos o senhor
Foto: Arquivo da família Carlos Augusto Pesce

saiu do Japão?
Kokei Uehara – Eu saí do Japão
com oito anos. Fiz nove no Oceano Ín-
dico. E eu estou com 80 aninhos, quer
dizer que estou há 71 anos aqui no
Brasil, isto é, eu vivi 71% da história
dos cem anos da imigração japonesa.
Isso me deixa muito comovido.

? Instituto de Engenharia –
Como era São Paulo naquela
época?
Kokei Uehara – O Estado de
São Paulo tinha fazenda de café. Des-
de maio de 1888, houve libertação
dos escravos, graças a Deus. Então,
começou a faltar mão-de-obra. Junto
com os outros imigrantes, formamos
o que é o Estado de São Paulo, traba-
Turma de Kokei Uehara - Politécnica 1953 lhando nessas fazendas.

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entrevista

Instituto de Engenharia –
? Como estava o Japão naque-

Foto: Instituto de Engenharia


la época?
Kokei Uehara – O Japão pas-
sava por dificuldades. A maioria das
pessoas estava saindo de lá por ques-
tões de sobrevivência. Quando minha
irmã e eu viemos para o Brasil, meu
pai, minha mãe e as duas irmãzinhas
foram correndo até terminar o cais.
Foi muito triste esta parte e a última
vez que vi meu pai porque infeliz-
mente ele morreu durante a guerra.

? Instituto de Engenharia – De
onde o senhor veio?
Kokei Uehara – Eu vim de Oki-
nawa. E lá caiu bomba a cada metro
quadrado.

Instituto de Engenharia – Quan-


to tempo era a viagem?
Kokei Uehara – Ah! Era mais Kokei Uehara
de 50 dias. Eu vim no Santos Maru.
Para mim, é o navio mais importante que todos os imigrantes passaram Instituto de Engenharia – E o
depois do Kasato Maru. Cheguei ao por isso. As camisas eram feitas com ? senhor entrou em qual curso?
Porto de Santos no dia 28 de dezem- saco de farinha. E o sapato era uma Kokei Uehara – Eu entrei na
bro de 1916. botina que machucava os pés. Sabe Poli porque era a única Escola de En-
quantos dias de folga, oficialmente, genharia gratuita. Eu tive a honra de
Instituto de Engenharia – O
? que mais impressionou o se- nós tínhamos por ano? Três dias. Sá-
bado, domingo e Natal, esquece, mas
ser representante do Brasil na Unesco,
mais de 11 anos. O pessoal dizia assim:
nhor, ao chegar ao Brasil? as folgas eram no dia 1° de janeiro, ‘Nós precisamos aprender com o Bra-
Kokei Uehara – Para mim, o ano novo; dia 29 de abril, aniversário sil. O Brasil, tirando o problema de rico
mais impressionante foi a subida da do Imperador, e dia 2 de novembro, e pobre, é um país em que tem todas
Serra do Mar. Eu ficava olhando pela no dia de Finados. as famílias, branco preto, amarelo, vi-
janela e via que no meio da mata ha- vendo em paz. É budista, candomblé,
via bananeiras. Eu pensei: ‘este país é
rico mesmo!’. ? Instituto de Engenharia –
Como o senhor se sentiu no
é católico vivendo em paz. Vai ser um
país símbolo da paz para o mundo.
Brasil?

?
Instituto de Engenharia –
Qual a contribuição japonesa
Kokei Uehara – Eu encontrei
aqui um carinho tão grande, que, na ? Instituto de Engenharia – O
que o senhor achou da home-
para a agricultura do Brasil? verdade, eu estava passando de um nagem aos cem anos da imigra-
Kokei Uehara – A imigração pequenino japonês imigrante para ção japonesa?
japonesa contribuiu muito para a um pequeno brasileiro nascido no Ja- Kokei Uehara – Eu fico emocio-
agricultura brasileira: verduras, legu- pão. O Brasil é o país mais japonês do nado, pois é um reconhecimento do go-
mes. Muitas eram importadas. Quem mundo, com 1,5 milhão e os Estados verno brasileiro, do governo japonês,
trouxe a soja para o Brasil foram os Unidos com 1 milhão. Desses 1,5 mi, da sociedade brasileira e da sociedade
japoneses. Hoje, o Brasil tornou- 40% são mesticinhos. Então, este é o japonesa sobre o valor, o trabalho e o
se um dos maiores exportadores de Brasil. Das cinco criancinhas que vie- sacrifício dos velhos imigrantes. Que
soja do mundo. Nós trabalhávamos ram para cá, no Santos Maru, cinco esse sacrifício não foi em vão. Nosso
muito, com chapéu grande e lenci- entraram na USP. Três na Poli, um na centenário é para comemorar tudo
nho para enxugar o suor. Acredito Medicina e outro na Biologia. isso e mostrar o que é a integração. IE

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discurso

Discurso do Prof. Dr. Marcel Mendes, diretor da Escola de Engenharia


Mackenzie, no evento em comemoração ao Centenário da Imigração Japonesa
homenageando os 100 primeiros engenheiros nikkeis formados no Estado
de São Paulo, realizado no dia 18 de outubro de 2008

Introdução o sentimento da honra e cumpri-

Foto: Viviane Nunes


N
mento da palavra empenhada; al-
este ato de celebração ternativas de orgulho e humildade,
destinado a homenagear de autodomínio e explosão; grande
os primeiros engenheiros afabilidade de trato e notável pro-
nikkeis formados em São pensão ao exercício do respeito, da
Paulo, coube-me o privilégio de ser disciplina e da higiene.
o porta-voz das cinco escolas de Longe de serem apenas estere-
Engenharia mais antigas de São ótipos de um povo exótico, essas
Paulo, as mesmas que incorpora- virtudes já haviam sido reconheci-
ram à galeria dos seus egressos as das pelo jesuíta espanhol Francis-
figuras relevantes dessa centúria co Xavier, em 1549, por ocasião do
de pioneiros. primeiro contato de ocidentais com
Evidentemente, alguns já se o Japão. Em seus registros mis-
retiraram do cenário da vida. En- sionários, consignou o mais alto
tretanto, a presença dos seus fami- apreço pela coragem, simplicidade,
liares e amigos tem por finalidade orgulho e cortesia do povo japonês,
preencher essas lacunas, de manei- bem como pelas suas qualidades de
ra que nenhum nome desse seleto Marcel Mendes inteligência e cultura, afirmando
rol fique sem os aplausos e reve- literalmente: “Gente de muito juízo
rências que lhes reservamos neste significativo evento e curiosa de saber, asi nas cousas de Deus, como nas
do Instituto de Engenharia, que ainda se insere no ca- outras cousas da ciência.”
lendário de comemorações do Centenário da Imigração Essa referência traz a lembrança um elemento histó-
Japonesa. rico poucas vezes mencionado, o de que os portugueses
O que têm a dizer as escolas de Engenharia de São – tanto missionários, como navegadores – tiveram par-
Paulo a respeito dos seus ex-alunos nikkeis? Seria pos- ticipação significativa no desenvolvimento do Japão,
sível identificar traços de identidade comuns a esses ci- nos séculos XVI e XVII, com influências que resultaram
dadãos procedentes da “terra do sol nascente”, que um na introdução de mais de 350 palavras portuguesas na
dia quiseram se tornar engenheiros no Brasil? Quantos língua japonesa.
fragmentos do passado devem ser resgatados neste mo- Segundo informação da historiadora e antropóloga
mento de celebração? Arrisquemos algumas respostas Célia Sakurai, chegou a ser editado um dicionário bi-
para essas questões. língüe português-japonês, nos idos de 1602, quando o
Japão saía da era feudal e ingressava no processo de
Resgatando os primórdios unificação política e territorial. Pode ser que alguns
Segundo o jornalista Waldir Martins, ao desembar- exemplares dessa preciosidade editorial tenham parti-
carem no porto de Santos, com sua bagagem de espe- do do porto de Kobe, em 28 de abril de 1908, a bordo
rança e otimismo, os 781 pioneiros vinculados ao acordo do navio “Kasato Maru”, e tenham sido transportados
migratório firmado entre o Brasil e o Japão não pode- para as fazendas de café do Oeste paulista, onde esses
riam imaginar como o impacto do seu trabalho, da sua imigrantes tiveram que fixar as suas primeiras raízes.
luta e do seu esforço iria contribuir para a construção Se lembrarmos que mais de dois terços desse pri-
de um mundo inteiramente novo. Ao longo do processo meiro contingente humano era alfabetizado e alguns
migratório, que se estendeu mais intensamente de 1908 tinham escolaridade superior, faz sentido imaginar que
a 1970, aproximadamente 210 mil imigrantes japoneses na sua bagagem não havia apenas roupas e utensílios
vieram para o Brasil e se integraram na formação de domésticos, mas também uma carga de cultura e uma
uma nova identidade cultural, a nipo-brasileira. porção de expectativas auspiciosas. É verdade que al-
Não se pode negar, contudo, que a construção des- guns sonharam em ficar ricos rapidamente e depois
se universo inovador deu-se de forma tímida, tensa e tiveram que alongar o cronograma dos seus projetos
progressiva, colocando em confronto valores e modos pessoais e familiares. É o caso de lembrar as palavras
de ser inteiramente diversos. Do ethos do povo japonês de Gaston de Bachelard: “Nada é fixo para quem, alter-
ressaltavam alguns traços característicos, tais como nadamente, pensa e sonha.”

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discurso

A caminho da ascensão social Foi na década de 1930 que entraram em cena os pri-
As agruras da fase pioneira foram progressivamente meiros atores – eram apenas quatro (yon, não shi). No
superadas pelo esforço indômito dos que se fizeram agri- decênio seguinte, esse número saltou para 27. Uma dé-
cultores para poder ingressar no País e ser admitidos nas cada depois (1950), o total disparou para quase 150. Ain-
fazendas, mas que, depois de algum tempo, revelaram-se da assim, os números absolutos eram pequenos, vindo a
mais empreendedores que simples operários, passando a crescer significativamente somente após 1960, quando
comprar terras e a desenvolver os seus próprios negócios. filhos e netos de imigrantes já constituíam uma comuni-
Nessas novas condições, não demorou a que a produção dade numerosa no Estado de São Paulo, e essas famílias
agrícola se diversificasse e incorporasse elementos de tec- tinham sido atraídas para os grandes centros urbanos e
nologia e inovação, contribuindo, também, para a con- seus cinturões verdes. Aliás, foi nessa década que os ni-
solidação desse segmento econômico a organização de kkeis começaram a ganhar trânsito social, projeção pro-
associações e cooperativas. fissional e visibilidade acadêmica. É o caso, por exemplo,
Na década de 1930, enquanto o Japão mobilizava de Yokishigue Tamura, que em 1951 tornou-se o primeiro
as forças armadas para estabele- deputado estadual de ascendência
cer a sua hegemonia regional, as japonesa em São Paulo e de Kazuo
comunidades de imigrantes e seus Watanabe que, aos 26 anos de idade,
descendentes no Brasil não só ga-
“Ao longo do tornou-se o primeiro juiz nissei da
nharam configuração mais urbana, história da imigração japonesa no
como lançaram as bases da ascen- processo migratório, Brasil. Isso foi em 1962.
são social que estava prestes a ser A título de ilustração, menciona-
construída. São desse tempo as pri- que se estendeu mos o Mackenzie College, depois Es-
meiras presenças de nikkeis nas uni- cola de Engenharia Mackenzie, que
versidades brasileiras, começando mais intensamente de 1900 a 1960, formou 3.462 enge-
pelos cursos tradicionais, como os nheiros, dos quais apenas 88 nikkeis
de Medicina, Engenharia e Agro- de 1908 a 1970, (2,54%). Essa proporção cresceu, e
nomia. Depois surgiram os alunos já em 1971 o contingente de nikkeis
de Farmácia Odontologia e Direito; aproximadamente no Mackenzie subiu para mais de 6%
mais tarde vieram os Bacharelados do total de engenheiros. É uma coin-
e Licenciaturas; por último, as car- 210 mil imigrantes cidência que na Escola Politécnica te-
reiras de Administrador, Economis- nha se formado o mesmo número de
ta e Psicólogo. japoneses vieram nikkeis, no período que vai dos seus
Essa escalada não foi totalmen- primórdios, até 1960: foram exata-
te linear, uma vez que no teatro da para o Brasil e mente 88. Isso representa menos de
2ª Guerra Mundial, o alinhamento 2% do número total de engenheiros
do Japão aos países do Eixo teve o se integraram na politécnicos. Mas em 1971, a propor-
efeito de gerar focos de tensão que ção de nikkeis na Escola Politécnica
inibiram a desenvoltura sócio-eco- já subia para mais de 13%, refor-
nômica da comunidade nipônica no
formação de uma nova çando uma tendência dessa época.
Brasil. Essa situação só foi revertida Dizia-se, então, como brincadeira:
a partir das tragédias de Hiroshima
identidade cultural, “Se Você quer entrar na Poli, mate
e Nagazaki, em agosto de 1945, que um japonês!”
levaram ao encerramento definitivo
a nipo-brasileira” Ainda no tocante à presença de
do conflito mundial e ao desapare- nikkeis nas listas de formandos, pro-
cimento, no território nacional, dos movemos o levantamento dos núme-
preconceitos e hostilidades que, recorrentemente, invo- ros da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz –
cavam o fantasma do “perigo amarelo”. Em 1952, Brasil Esalq, em Piracicaba (SP), compreendendo agrônomos e
e Japão reataram suas relações diplomáticas e em 1954 engenheiros florestais. Desde a primeira turma, em 1903,
começou a primeira fase de investimentos japoneses na e até a mais recente, em 2007, a Esalq formou 10.497 pro-
indústria brasileira. fissionais, dos quais 999 são nikkeis, isto é, 9,5% desse
Nesse cenário de luzes e sombras é que surgiram os universo total de esalquianos. O primeiro de todos eles
personagens primitivos de uma história fascinante, a dos foi Shisuto José Murayama, graduado em Agronomia em
nikkeis nas escolas de Engenharia de São Paulo. Aliás, 1942, ano em que o Brasil declarou guerra aos países do
nas comunidades de imigrantes japoneses e seus descen- Eixo. A propósito dos agrônomos e engenheiros florestais
dentes pensava-se e agia-se assim: melhor que guardar formados na Esalq, cabe referir as palavras do historia-
dinheiro é ter um filho “doutor”. Os exemplos que confir- dor Oracy Nogueira: “Ainda está por se fazer um estudo
mam essa visão são inúmeros e eloqüentes. sistemático da influência japonesa na transformação da

Instituto de Engenharia • Especial • Outubro 2008 9

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discurso

agricultura em São Paulo, do preparo e trato do solo à Presbiteriana Mackenzie. Este nosso distinto homenage-
experimentação agrícola; da criação de variedades mais ado fez, ainda, parte do corpo docente da Faculdade de
econômicas à indústria de mudas e sementes; da organi- Arquitetura e Urbanismo do Mackenzie, a mais antiga
zação de pequenos estabelecimentos agrícolas e granjas de São Paulo.
ao cooperativismo e comercialização dos produtos”. Quanto ao engenheiro eletricista Schigueru Ono, ade-
quadamente arrolado como terceiro nome mais antigo
Pioneirismo na dentre os “nikkeis” e primeiro engenheiro formado na Es-
década de 1930 cola Politécnica, em 1935, há, no mínimo, uma curiosidade
O destaque inicial cabe ao issei Takeo Kawai, que in- a ser revelada. Nascido em Kumamoto, Japão, há exata-
gressou na Escola de Engenharia do Mackenzie College mente 94 anos, isto é, em 18 de outubro de 1912, Schigue-
em 1927, ano em que foi fundada nos arredores de São ru Ono ingressou na Escola de Engenharia do Mackenzie
Paulo a Cooperativa dos Plantadores de Batata, futura College no ano de 1931, cursando os dois primeiros anos
Cooperativa Agrícola de Cotia. Takeo Kawai formou-se de engenharia. Com a edição do Decreto nº 21.519, de 13
em 1931, ao lado de outros 25 en- de junho de 1932, que cassou a vali-
genheiros civis, cinco engenheiros- dade nacional dos diplomas do Ma-
arquitetos, quatro engenheiros me- “Nas comunidades ckenzie, criou-se uma crise sem pre-
cânicos-eletricistas e um engenheiro cedentes na instituição protestante,
químico – todos brasileiros. Como de imigrantes de origem norte-americana. Em de-
requisito para a graduação em En- corrência desse desfecho, 70 alunos
genharia Civil, apresentou “pro- do Mackenzie transferiram-se, no
jecto-these” com o seguinte título:
japoneses e seus mês de maio de 1933, para a Esco-
“Projecto de uma ponte pênsil sobre la Politécnica, encontrando-se entre
o Rio Tietê”. Fez jus a dois diplomas,
descendentes eles Shigueru Ono, que iniciava o seu
um nacional, de número 421, expe- 3º ano de Engenharia. Desse grupo
dido em 4 de março de 1932, outro pensava-se e agia-se de mackenzistas que se tornaram
norte-americano, de número 396, politécnicos, fizeram parte algumas
com o timbre da University of the assim: melhor figuras que se projetariam no cená-
State of New York. Por razões hoje rio profissional e empresarial, tais
desconhecidas, Takeo Kawai retirou que guardar como: Salvador Arena, empresário
apenas o diploma brasileiro, em 14 empreendedor, que fundou a Termo-
de junho de 1933, deixando de rece- dinheiro é ter mecânica; Nilo Andrade do Amaral,
ber o título acadêmico emitido em que se tornou o único Catedrático de
inglês e chancelado em Nova York. um filho “doutor”. Concreto Armado da Escola Politéc-
Definitivamente, ele foi o primeiro nica em sua história, além de Profes-
imigrante japonês a se formar enge- Os exemplos que sor Emérito; e Ícaro de Castro Mello,
nheiro no Brasil. notável esportista olímpico e um dos
Na seqüência dos profissionais confirmam essa visão arquitetos de maior projeção nacio-
oriundos das escolas de Engenharia, nal no segmento das instalações es-
segue-se Takeshi Suzuki, graduado são inúmeros portivas de grande porte, tais como
engenheiro-arquiteto pelo Macken- ginásios e estádios.
zie, em 1933, depois de ter defendi- e eloqüentes” Resta-nos, neste tópico, regis-
do tese com o título: Projeto para a trar ainda o nome do engenheiro
construção de um Teatro Moderno, eletricista Atsushi Suzuki, formado
situado entre a Av. S. João, Rua Ipi- no Mackenzie em 1936, o quarto na
ranga, Praça da República e Rua dos Timbiras. Nascido sequência dos nikkeis e o último da década de 1930. Nas-
em Tókio, em 25 de setembro de 1908, Takeshi Suzuki cido em Tókio, no Japão, em 29 de maio de 1912, Atsushi
cultivou vínculos profissionais com o Mackenzie. Nesse Suzuki era irmão mais novo de Takeshi Suzuki. Enquan-
contexto de cooperação, foi vencedor do concurso para to que Takeshi foi o primeiro engenheiro-arquiteto japo-
o projeto arquitetônico do novo Edifício Chamberlain, nês formado no Brasil, Atsushi tornou-se o primeiro en-
que abrigaria no seu interior o tradicional Auditório Ruy genheiro eletricista formado no Mackenzie, pois o curso
Barbosa, inaugurado em 1959, além de dezenas de salas vinha de uma configuração anterior, que formava enge-
de aula e amplas instalações de apoio. Nesse empreendi- nheiros mecânicos-eletricistas. No bojo das adaptações
mento, Takeshi Suzuki não só atuou como arquiteto-pro- estruturais do Mackenzie College à legislação brasileira,
jetista, mas também como engenheiro-construtor desse em 1934, foi criada a habilitação exclusiva de engenhei-
monumental prédio escolar, que durante meio século foi ro eletricista.
a edificação de maior porte do campus da Universidade Encerremos, por ora, as referências biográficas indi-

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discurso

viduais dos nossos ilustres nikkeis engenheiros, para ten- integram a lista da primeira centena de engenheiros de
tar uma síntese desse universo de personalidades, em que origem japonesa, destacamos, por último, o nome de
cada um reúne credenciais marcantes, compatíveis com a Harumi Ohno, formada na Escola Politécnica no ano de
menção honrosa. Por excesso de luminosidade, é impossí- 1957 – primeira mulher a conquistar o título de engenhei-
vel distinguir, nessa constelação, quais são as figuras que ra, dentre a comunidade dos nikkeis em São Paulo. Isso
projetam mais luz. Tentemos alguns destaques. aconteceu dez anos depois de Vera Maria Junqueira de
Mendonça ter sido a primeira engenheira civil da Escola
Destaques de um Politécnica (1947).
universo ilustre A todos os arrolados e a cada um dos nominados, as
Por ordem de antiguidade, não podemos deixar de nossas mais vivas e sinceras homenagens.
mencionar o nome do engenheiro de minas e metalurgia
Tomio Kitice, graduado pela Escola Politécnica em 1946, Palavras finais
pesquisador conceituado e professor das escolas de En- Para encerrar a nossa mensagem, que já vai se alon-
genharia Mackenzie e Mauá. Nessa gando demais, permitimo-nos acres-
sequência, comparece o Prof. Dr. centar algumas menções nominais:
Eduardo Riomey Yassuda, forma- o Prof. Dr. Célio Taniguchi, ex-dire-
do na Escola Politécnica em 1947,
“Não poderíamos tor da Escola Politécnica, por meio
que fez carreira na Faculdade de de quem cumprimentamos todos os
Saúde Pública da USP e em órgãos
esperar menos dessa docentes da Escola Politécnica e da
públicos e autarquias estaduais, Esalq; o Prof. Dr. Fujiô Yamada, ve-
sendo responsável, como secretá-
plêiade extraordinária terano docente da Escola de Enge-
rio de Estado dos Serviços e Obras nharia Mackenzie, por meio de quem
Públicas, pela criação do Cetesb, de profissionais, cujos cumprimentamos o quadro de pro-
em 1968. De 1948, ressalta o nome fessores dessa centenária Escola e da
do engenheiro Civil Jihei Noda, do traços étnicos remetem Faculdade de Engenharia Industrial
Mackenzie, que se elegeu deputado – FEI; o professor engenheiro Hazi-
estadual em 1971, sendo reeleito por ao povo e à nação que me Sato, Diretor da Escola de Admi-
mais duas vezes. Do ano seguinte, nistração Mauá, por meio de quem
1949, destacamos o Prof. Dr. Job soube reconstruir o seu cumprimentos os docentes do Centro
Shuji Nogami, docente da Escola Universitário Mauá; o engenheiro
Politécnica nas áreas de Tecnologia país – o Japão – depois Civil Maçahico Tisaka, ex-presidente
de Materiais de Pavimentação e do Instituto de Engenharia, por meio
Mecânica dos Solos. Ainda de 1949 de ter sido devastado de quem cumprimentamos todos os
e da mesma Escola Politécnica, não engenheiros nikkeis de São Paulo.
podemos escapar da menção do pela guerra” Saudando essas simpáticas persona-
engenheiro civil Yojiro Takaoka, o lidades, que se destacaram em dife-
“construtor de sonhos”, que ao lado rentes contextos, queremos reiterar
do seu colega engenheiro-arquiteto os nossos aplausos e reverências aos
Renato Albuquerque, foi o pioneiro dos condomínios ho- engenheiros nikkeis que, mesmo não tendo sido contados
rizontais no Brasil, criando os empreendimentos referen- como integrantes da primeira centena, vem contribuindo
ciais de Alphaville e Aldeia da Serra, em 1973. relevantemente com seu talento, habilidade e disciplina
Obedecendo a ordem cronológica, destacamos ainda o para o crescimento do nosso País.
Prof. Dr. Paulo Soichi Nogami, formado na Escola Politéc- Não poderíamos esperar menos dessa plêiade extra-
nica em 1950 e docente veterano nas áreas de Engenharia ordinária de profissionais, cujos traços étnicos remetem
Hidráulica e Sanitária. Da geração de 1951, ressaltamos ao povo e à nação que soube reconstruir o seu país – o
a figura do engenheiro civil Yasuo Yamamoto, formado Japão – depois de ter sido devastado pela guerra; que
pela Escola de Engenharia Mackenzie, que se consagrou soube investir em tecnologia de ponta e desenvolveu os
como profissional de estruturas de concreto armado, conceitos de qualidade total; que se tornou referência
coadjuvado pelo seu filho, engenheiro civil Athayde Rio- mundial nos campos mais diversos da ciência aplicada,
ji Yamamoto. Da turma de 1953, da Escola Politécnica, das telecomunicações, da nanotecnologia, da robótica, da
não poderíamos omitir o nome do respeitável e ilustre indústria siderúrgica, automobilística e naval, bem como
engenheiro civil Kokei Uehara, Professor Emérito da Es- da construção civil pesada.
cola Politécnica e da Fatec, Doctor Honoris Causae pela Parabéns a todos! As escolas de Engenharia de São
Osaka City University e presidente da Sociedade Brasilei- Paulo sentem-se orgulhosas de Vocês! IE

ro de Cultura Japonesa e de Assistência Social – Bunkyo.


Sem ignorar a relevância de outras personalidades que DOMO ARIGATÔ GOSAI MASHITA!

Instituto de Engenharia • Especial • Outubro 2008 11

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escolas

Entre as cerejeiras e os cafezais:


100 anos de cooperação

G
lobalização parece coisa Diversas aproximações acontece-

Foto: Acervo Esalq


de nosso tempo! Não é. ram, seja como intercâmbios, como
Há cem anos, ligaram-se bolsistas patrocinados pelo Brasil ou
pontos opostos extremos pelo Japão. Além dos intercâmbios
do globo, somando experiências e pessoais, ainda aconteceram inter-
culturas, mesclando etnias – amarela câmbios inter-faculdades.
com morena, mulata, negra e branca Em 1988, a FCA/Unesp-Botucatu
(a “flor amorosa de três raças tristes”, estabeleceu intercâmbios com a TUA -
como identificou o poeta), diversifi- Tokyo Agriculture University. Além d os
cando mais ainda a miscigenação en- intercâmbios entre faculdades, também
tre as espécies humanas. aconteceram os inter-universidades, co-
Ao lado desta amplificação bioétni- mo o que firmou nossa Esalq-USP com a
ca agregou-se a aculturação de usos e Hokkaido University, em 1974.
costumes, na vida social e nas práticas Em 1982, a Unesp firmou intercâm-
técnicas e científicas. A soma do co- bio com as TARC - Tropical Agriculture
nhecimento milenar oriental se fundiu Research Center - e JIRCAS - Japan In-
com a cultura jovem de pouco mais de ternational Research Center for Agricul-
quinhentos anos e transformou o perfil tural Science -, órgão do Ministério da
do País. Nesta breve síntese, podemos Agricultura, Florestas e Pesca do Japão.
vislumbrar o que foi o caldeamento Em 1999, Esalq-USP com a Ya-
Julio Nakagawa e Antonio R. Dechen
agronômico, zoológico e industrial en- maguchi University. Em 2001, Esalq-
tre as culturas nipônica e brasileira. ou com a unidade deles, buscando in- USP com a TUA - Tokyo University
As informações mostram como foi formações no Consulado Japonês. of Agriculture. Em 2001, Unesp com
grande a contribuição técnica do Ja- Não foi possível precisar o núme- a TUAT - Tokyo University of Agri-
pão também para o desenvolvimento ro total de pessoas que desfrutaram culture and Technology. Esses inter-
das universidades paulistas e para a dos diferentes meios de intercâmbios câmbios desenvolveram inúmeros
evolução dos agronegócios brasileiros. como docentes/pesquisadores que re- processos técnicos, científicos, ad-
Apesar de a chegada dos imigran- alizaram estágios ou participaram de ministrativos e comerciais, em vários
tes japoneses ao Brasil estar comple- cursos de diferentes níveis: graduação, setores da agroindústria. Cinqüenta e
tando um século e eles tenham sido pós-graduação, doutorado ou pós- seis professores, pesquisadores e ad-
encaminhados diretamente para a doutorado dentro das diversas moda- ministradores foram ao Japão em vi-
lida na agricultura, paralelamente lidades de Bolsas de Estudo oferecidas sitas técnicas ou como palestrantes.
houve um intercâmbio técnico-agro- pelos governos japonês e brasileiro. Com foco na Gestão e Tecnologia
nômico, em seu sentido mais restri- Agroindustrial, já neste século, temos
to, que se acentuou no último meio oito participantes como pesquisadores,
século. Muitas novas espécies, prin- “A soma do professores e alunos intercambiários.
cipalmente de variedades frutíferas, Todos esses seletos e ilustres
vieram do Japão, até mesmo antes conhecimento milenar acadêmicos foram os verdadeiros
dos registros pelos meios técnicos e embaixadores da globalização que
científicos brasileiros. teve início há um século e se multi-
Outros pesquisadores e empreen-
oriental se fundiu com a plicam continuamente, favorecendo
dedores, por iniciativa própria, reali- a pesquisa no ensino e na própria
zaram importantes trabalhos cientí-
cultura jovem de pouco estruturação administrativa das uni-
ficos em contato com instituições de versidades brasileiras, com os mais
pesquisa e de ensino japoneses que mais de quinhentos importantes reflexos à agricultura. IE
redundaram em efetiva e fecunda
contribuição, principalmente à hor- anos e transformou o Julio Nakagawa
ticultura brasileira. Vários pesqui- Professor Emérito da Unesp / FCA – Botucatu
sadores promoveram intercâmbios perfil do País” Prof. Dr. Antonio Roque Dechen
formais com outros pesquisadores, Diretor da Esc. de Agricultura “Luiz de Queiroz”

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escolas

Nossa Engenharia
sob o sol nascente

É
quase impossível falar das cios, a primeira na América Latina na

Foto: Acervo FEI


contribuições da comunidade área. Em atendimento ao forte de-
oriental na Engenharia brasi- senvolvimento da indústria no País,
leira sem voltar na história criou também a FEI - Faculdade de
de quando chegaram aqui os seus pri- Engenharia Industrial. Essas escolas
meiros imigrantes que tanto ajudaram iniciaram suas atividades no bairro
e que, até hoje, ajudam o desenvolvi- da Liberdade, em São Paulo, o famo-
mento do País. É difícil olhar para essa so bairro oriental da capital.
comunidade especial sem mergulhar, Nessa época, a integração dos
também, no crescimento industrial do nikkeis à sociedade brasileira ganha-
Brasil. A contribuição do povo nikkei va mais força. Além da participação
está em todas as áreas. ativa na vida política, os nikkeis co-
Penso que, quando os 781 primei- meçaram a despontar em outras
ros imigrantes japoneses desembarca- áreas. É o caso do engenheiro Sakae
ram em 18 de junho de 1908, do navio Ishikawa Kobayashi, descendente de
Kasato Maru, em Santos, a importân- japoneses, que fez parte da primeira
cia daquele grupo, cheio de esperança turma do nosso curso de Engenharia
e sonhos de prosperidade, era mais Química, formada em 1950. Não de-
importante que seus integrantes ima- morou e mais japoneses e descenden-
ginavam. O Brasil, carente de pessoas tes concluíam outros cursos. Vários
Marcio Rillo
para trabalhar na lavoura, precisava passaram a fazer parte de nosso cor-
muito da sua dedicação e sabedoria po docente. Esses fatos se repetiam
em outras áreas. Isto logo se confir- em todas as grandes escolas de Enge-
mou. Distribuídos, inicialmente, em “Penso que, quando nharia, o que levou a uma fantástica
lavouras, principalmente em São Pau- contribuição dessa comunidade à En-
lo, os imigrantes aos poucos conquis- os 781 primeiros genharia nacional.
taram seu espaço, apesar da enorme Então, só nos resta agradecer
dificuldade para se adaptar ao idioma, imigrantes japoneses aos engenheiros Sakae Ishikawa
costumes, clima e tradição. Kobayashi, Yukihiko Horita, Hirose
Na década de 1940, a comunida- Yamamoto, Luiz Gonzaga Nakaya,
de da capital elegia o primeiro vere-
desembarcaram em 18 Tamaaki Sasaoka, Ignácio Taira,
ador. O País entrava, então, em uma Issao Yoshida, Tanamati Ioshissa,
grande fase de desenvolvimento. Um
de junho de 1908, do Sadayoshi Ichi e muitos outros ja-
episódio marcante, entre outros, foi a poneses e seus descendentes por te-
construção da Usina Siderúrgica de
navio Kasato Maru, em rem escolhido, e ainda escolherem,
Volta Redonda. A obra foi um marco o Centro Universitário da FEI para
importante das engenharias civil e Santos, a importância sua formação ou exercerem o ensino
metalurgista nacional, seguidas pelas da Engenharia.
obras da Cosipa e da Usiminas. Na daquele grupo, cheio No entanto, cabe, sobretudo, re-
época, a via Anchieta era um canteiro conhecer que esta maravilhosa co-
de obras e representava a ousadia e o de esperança e sonhos munidade muito contribuiu e conti-
arrojo da Engenharia paulista. nua contribuindo, não apenas para
Todo esse movimento era o pre- de prosperidade, a Engenharia nacional, mas também
núncio do boom industrial que acon- para o bem-estar da nossa sociedade
teceu nos anos seguintes. Na época, o era mais importante e o desenvolvimento do Brasil. IE

padre jesuíta Roberto Sabóia de Me-


deiros notou a necessidade do mer- que seus integrantes
cado por profissionais especializados
Prof. Dr. Marcio Rillo
e fundou, em 1941, a Esan - Escola imaginavam” Reitor do Centro Universitário da FEI
Superior de Administração de Negó- (Fundação Educacional Inaciana)

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escolas

Mais de 10% dos engenheiros


formados pelo ITA são nikkeis

M
uito me honra participar ções que apresentem um ensino de

Foto: Acervo ITA


desta ocasião em que, qualidade.
aproveitando as come- A procura pelo ITA, ainda em
morações aos cem anos seus primeiros passos, foi inevitável.
de imigração japonesa no Brasil em O primeiro nikkei — Antonio Hideto
2008, o Instituto de Engenharia ho- Kobayashi — chegou a São José dos
menageia os primeiros 100 engenhei- Campos em 1951 e graduou-se em En-
ros de origem japonesa formados no genharia de Aeronaves em 1955.
Estado de São Paulo. Posteriormente muitos outros des-
O Instituto Tecnológico de Aero- cendentes de japoneses se formaram
náutica (ITA) nasceu como realização no ITA. Em 1967, o contingente da
do sonho de um brilhante brasileiro, turma chegou a 18%. Na minha turma
o Marechal do Ar Casimiro Monte- (1970) foi de 15%. Convém ressaltar
negro Filho, que vislumbrava, desde que, até 2007, o ITA formou um pou-
a década de 1940, o Brasil como um co mais de 5 mil engenheiros e, deste
dos países fabricantes de aviões, mas total, cerca 650 foram nikkeis. Muitos
que, antes, era necessário formar en- deles, como o próprio Hideto, desem-
genheiros com competência técnica penharam funções de relevância no
para tal desafio. Este sonho tornou- nosso País e, também, no exterior. O
se realidade com a criação do ITA, em engenheiro Hideto trabalhou na Real
Reginaldo dos Santos
1950, e da Embraer, em 1968. Aerovias, na Vasp e na Embraer.
Desde então, é cultuado no Ins- tradição cultural dos imigrantes ja- Parabéns ao Instituto de Enge-
tituto o legado deixado por Casimiro poneses que aqui chegaram e se es- nharia e à comunidade japonesa no
Montenegro, ou seja: “formar técnicos tabeleceram a partir de 1908, tendo Brasil! IE
competentes e cidadãos conscientes”, sempre a preocupação de garantir a
perseguindo nada menos que a exce- seus descendentes uma boa formação Reginaldo dos Santos
lência. Esse lema vai de encontro à profissional, o que advém de institui- Reitor do ITA

Foto: Acervo ITA

Vista aérea do Campus

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escolas

Inauguração do Jardim Japonês

E
m 26 de junho passado, para transformaram o trabalho em pro-

Foto: Acervo Escola Politécnica


lembrar os cem anos de imi- priedades, sem jamais deixar de lado
gração japonesa, a Escola a educação dos descendentes. Esses
Politécnica da Universidade passaram pelo processo da urbaniza-
de São Paulo inaugurou um jardim ção e também nas cidades se desta-
japonês. O jardim está no pátio cen- caram pela integridade e pela crença
tral do edifício Eng. Mário Covas Jú- incondicional no valor do trabalho,
nior, onde funciona a administração do estudo e do conhecimento.
da Poli. A área reservada fica junto Menos que um por cento da popu-
ao obelisco, que já continha a placa lação no Brasil é de descendentes de
comemorativa de 100 anos da Escola japoneses. Se todos morassem no Es-
(1993); esse obelisco tem agora tam- tado de São Paulo, seriam cerca de 5%
bém a placa alusiva ao centenário da da população do Estado. No entanto,
imigração japonesa. a porcentagem de japoneses natos e
Na ocasião, na presença do Sr. descendentes que passou e passa por
Masuo Nishibayashi, Cônsul Geral essa Escola Politécnica da Universi-
do Japão em São Paulo, eu como di- dade de São Paulo é muito maior, en-
retor da Escola Politécnica fiz o se- tre 20% e 25%, nos últimos anos, com
guinte discurso: miscigenação cada vez mais presente.
“Em meados do século XIX, um A história dos descendentes de japo-
Ivan Gilberto Sandoval Falleiros
grande povo milenar decidiu se abrir neses na Escola Politécnica já tem um
para o resto do mundo. Fez a abertu- zações de planos. número riquíssimo de personagens
ra sem corromper seus valores nacio- Um povo de tradição agrícola, ao destacados, entre nossos professores,
nais, culturais, familiares e individuais emigrar e conhecer um novo solo nes- alunos e funcionários.
construídos e mantidos por séculos. sa América do Sul, cem anos atrás, Por ocasião dos cem anos da Es-
Aprendeu sobre a construção de aprendeu a tirar o melhor da terra, cola Politécnica, em 1993, foi feito o
estradas de ferro com os ingleses e ensinando aos locais. obelisco onde se encontra uma placa
fez trens mais rápidos e mais pontu- Esses novos brasileiros não fi- comemorativa. Hoje, para marcar os
ais. Aprendeu sobre fabricação de aço caram na situação de colonos. Logo cem anos da chegada dos primeiros
com os europeus e fez as usinas mais imigrantes japoneses e agradecer
produtivas do mundo. o que eles têm feito pelo País e pela
Aprendeu sobre produção indus- “Esses novos Escola em particular coloca-se no
trial com os norte-americanos e fez mesmo obelisco uma placa. Em torno
da gestão da qualidade uma ciência brasileiros não ficaram do obelisco construiu-se um jardim
aplicada. No país de Henry Ford, en- japonês, uma pequena homenagem,
sinou o Sistema Toyota de produção na situação de colonos. de uma escola de Engenharia que
e cuidados extremos com o desejo do deve um pouco de sua grandeza aos
cliente; chegaram até ao pormenor Logo transformaram japoneses e seus descendentes. Que
do barulho de motor que mais agrada essa cerimônia pequena celebre os
aos ouvidos dos consumidores norte- o trabalho em primeiros cem anos de convívio de
americanos. um País geograficamente grande com
os descendentes de um povo huma-
Em todas as atividades, o povo
japonês consegue tirar o melhor do
propriedades, sem namente grande.
potencial de cada indivíduo, mas Muito obrigado pelos próximos
valorizando de preferência o grupo,
jamais deixar de cem anos.” IE

sem deixar ninguém excluído. Cons-


truindo decisões, ao invés de tomar
lado a educação dos
decisões, como nós ocidentais gos-
tamos de dizer e fazer, levam sempre descendentes” Prof. Dr. Ivan Gilberto Sandoval Falleiros
Diretor da Escola Politécnica da USP
grande vantagem nos prazos de reali- (Universidade de São Paulo)

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homenageados

Homenagem aos 100 primeiros engenheiros


nikkeis formados no Estado de São Paulo
TURMA NOME MODALIDADE ESCOLA
1931 TAKEO KAWAI CIVIL MACK
1933 TAKESHI SUZUKI ENGENHEIRO ARQUITETO MACK
1935 SCHIGUERU ONO ELÉTRICA POLI
1936 ATSUSHI SUZUKI ELÉTRICA MACK
1940 MASAO SUGAYA CIVIL POLI
1942 JORGE TAQUEDA CIVIL ELÉTRICA MACK
SHISUTO JOSÉ MURAYAMA AGRONOMIA ESALQ
1943 HAJIMU OHNO CIVIL POLI
MASSAMI HIROTA MECÂNICA – ELÉTRICA POLI
1944 KIRA YSSAO CIVIL POLI
SHINICHI KUBO MECÂNICA – ELÉTRICA POLI
1945 KAOL SUGIMOTO INDUSTRIAL MACK
1946 JORGE WATANABE CIVIL POLI
TOMIO KITICE MINAS E METALURGIA POLI
1947 EDUARDO RIOMEY YASSUDA CIVIL POLI
KAZUO SAKAMOTO CIVIL MACK
MASSAKAZU OUTA QUÍMICA POLI
QUINCAS KAJIMOTO CIVIL POLI
SIUCO IBA AGRONOMIA ESALQ
1948 JIHEI NODA CIVIL MACK
MINEO ISHIKAWA CIVIL MACK
SHIGUEHARO DEYAMA MECÂNICA – ELÉTRICA POLI
1949 EDMUNDO TAKAHASHI CIVIL POLI
GOITI SUZUKI CIVIL POLI
GOO SUGAYA CIVIL POLI
ITSURO MYAZAKI AGRONOMIA ESALQ
IZUMI YUASA CIVIL MACK
JOB SHUJI NOGAMI MINAS E METALURGIA POLI
LUIZ SATTO JUNIOR AGRONOMIA ESALQ
MASAYUKI FURUYA QUÍMICA POLI
RENATO TERUO TANAKA CIVIL POLI
YOJIRO TAKAOKA CIVIL POLI
1950 GEN TSUNASHIMA CIVIL POLI
PAULO SOICHI NOGAMI CIVIL POLI
ROMEU BATISTA SUGUIYAMA CIVIL POLI
SAKAE ISHIKAWA KOBAYASHI QUÍMICA FEI
SIGUER MITSUTANI CIVIL POLI
TUYOSHI YOSHIMURA CIVIL MACK
YOSHIHIKO MIO CIVIL POLI
1951 AYRSON IABUTTI CIVIL POLI
HIROSE YAMAMOTO MECÂNICA FEI
IWAO INADA AGRONOMIA ESALQ
KIYOSHI KATO CIVIL MACK
NODA HIROSHI AGRONOMIA ESALQ
SANCHO MORITA MECÂNICA – ELÉTRICA POLI
SHIRO MIYASAKA AGRONOMIA ESALQ
TAKEKI TUBOI AGRONOMIA ESALQ
TETSUAKI MISAWA CIVIL POLI
TSUGIO HATANAKA ENGENHEIRO ARQUITETO MACK
YASUO YAMAMOTO CIVIL MACK

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


YUKIHIKO HORITA QUÍMICA FEI
1952 CHINYA ASSAHINA QUÍMICA POLI
CIÃO ENDO AGRONOMIA ESALQ
HIDEO HAIBARA CIVIL POLI
HISSAO MOMOI CIVIL POLI
KANEMITSU IDEMORI CIVIL POLI
KAZUNORI NISHIMURA CIVIL ELÉTRICA MACK
KAZUO NAKASHIMA CIVIL MACK
MINORO ITTO AGRONOMIA ESALQ
MITOMU SIMAMURA CIVIL POLI
NATALINO BABA AGRONOMIA ESALQ
SATYRO SAKAMOTO CIVIL ELÉTRICA MACK
SHIGUEO UENO CIVIL POLI
YOSHIKAZU MORITA ENGENHEIRO ARQUITETO MACK
1953 ARIOSTO TANOUE CIVIL POLI
EIZO WAKABARA MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
IWAO HIRATA CIVIL POLI
KOKEI UEHARA CIVIL POLI
LUIZ GONZAGA NAKAYA MECÂNICA FEI
MAKOTO NOMURA CIVIL POLI
NELSON NACAO MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
NILO BATISTA SUGUIYAMA CIVIL POLI
SHOZO NOGAMI AGRONOMIA ESALQ
TAMAAKI SASAOKA MECÂNICA FEI
YSUMY NISHIKAVA CIVIL POLI
YUKINOBU YAMADA CIVIL ELÉTRICA MACK
1954 AKIO TAKAHASHI MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
EDUARDO TOSHIO FUJIWARA AGRONOMIA ESALQ
HIROSHI IKUTA AGRONOMIA ESALQ
HISACHIYO TAKAHASHI MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
HITOSHI NAGAHASHI MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
JORGE ATSUSHI KAYANO MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
MITSUO OHNO CIVIL POLI
REOZO II AGRONOMIA ESALQ
ROBERTO MURAKAMI CIVIL POLI
SEIKI UETA QUIMICA POLI
SEITI SACAY MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
SHIGEO HIRAMA AGRONOMIA ESALQ
SHIGEO MIZOGUCHI AGRONOMIA ESALQ
TAKAO SUGAHARA AGRONOMIA ESALQ
TAKEO AIBE CIVIL POLI
TAMOTSU SAWAKI ELÉTRICA MACK
YOSIZO KUBOTA MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
1955 AKIRA KAGANO CIVIL MACK
ALBERTO KAWANO MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
ANTONIO HIDETO KOBAYASHI AERONÁUTICA ITA
KATUYUKI TAKITA CIVIL POLI
KAZUYUKI IKAWA CIVIL MACK
MAMORU SAMOMIYA CIVIL POLI
MINOLO MORITA MECÂNICA - ELÉTRICA POLI
NOZOMU MAKISHIMA AGRONOMIA ESALQ
PEDRO ISSAO ITO CIVIL POLI
SADAME ITINOSE QUÍMICA POLI
HARUMI OHNO DAL PORTO
1957 CIVIL POLI
Primeira mulher nikkei na Engenharia

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Fotos: Arquivo Pessoal
homenageados

1931
Takeo Kawai
Nasceu em Mie-ken (Japão), em 1906. Chegou ao Brasil com 19 anos. Em 1931, tornou-se
o 1º engenheiro nikkei formado no Brasil, ao concluir no Mackenzie o curso de Civil. Re-
tornou ao Japão para se aperfeiçoar. De volta ao Brasil, trabalhou na Bratac em projetos
de colonização, em São Paulo e no Paraná. Ingressando na Cooperativa Agrícola de Cotia,
executou grandes e variadas obras, atuando ainda como assessor técnico da presidência.
Ao se aposentar, exerceu consultoria para várias firmas. Foi um dos fundadores do Centro
de Estudos Nipo-Brasileiros. Faleceu em 2005, aos 99 anos.

1933
Takeshi Suzuki
Nascido em Tóquio (Japão), em 1908, veio ao Brasil para dedicar-se à lavoura. Não se
adaptando, foi para São Paulo e estudou no Mackenzie o curso de engenheiro - arquiteto.
Formou-se em 1933. Entre as obras que executou, destacam-se o Hospital Santa Cruz, o
prédio do Bunkyo e o auditório do Mackenzie. Foi o 1º professor universitário nikkei. Na
mocidade, foi praticante de beisebol, kendô, remo e exímio atleta. Foi ainda o 1º nikkei
aqui brevetado. Foi laureado pelo governo japonês com a Ordem do Tesouro Sagrado de
4º grau. Faleceu em 1987, aos 79 anos.

1935
Schigueru Ono
Nasceu em Kumamoto (Japão), em 1912. Em 1935, tornou-se o primeiro nikkei a concluir
a Politécnica, diplomando-se inicialmente em Engenharia Elétrica e depois em Civil. Após
ter trabalhado com o engenhario Plínio de Queiroz, em São Paulo, transferiu-se para Po-
ços de Caldas, MG. Na prefeitura local, executou diversas obras sanitárias e, como inde-
pendente, construiu variadas obras de vulto. Retornando a São Paulo em 1955, atuou em
grandes empresas e instituições, como na CBA e no Hospital da Beneficência Portuguesa.
Faleceu em 1982.

1936
Atsushi Suzuki
Natural de Tóquio (Japão), nasceu em 1912. Veio para o Brasil, após ter concluído o curso
secundário. Formou-se em Engenharia no Mackenzie, em 1936. Após, retornou ao Japão e
foi convocado pelo Exército para participar da guerra. Ao voltar, não conseguiu trabalhar
como engenheiro. Casou-se, em 1952, e veio mais uma vez ao Brasil. Trabalhou no Rio de
Janeiro na Yamagata Engenharia e depois na Usiminas. Em 1992, retornou de novo ao
Japão, onde faleceu. Não teve filhos.

1940
Masao Sugaya
Nasceu em Tóquio (Japão), em 1913. Veio ao Brasil com os pais aos 7 anos. Foi o 2º nikkei
formado pela Politécnica, em 1940. Trabalhou inicialmente na empresa Bianc Cia. Ltda.
Transferiu-se para a recém-constituída Confab – Companhia Nacional de Forjagem de
Aço Brasileiro, sediada em São Caetano do Sul (SP). Atuou na empresa durante 53 anos,
tendo sido membro engenheiro de sua diretoria. Após a aposentadoria em 1983, conti-
nuou a ela prestando serviços, como autônomo. Faleceu em 1996. Foi casado com Toyoko
Ohno Sugaya.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1942
Jorge Taqueda
Natural de Nova Paulicéia (SP), nasceu em 1916. Na formatura pela Escola de Engenharia
Mackenzie, recebeu o prêmio Pandiá Calogeras como melhor aluno durante todo o curso.
No CPOR, recebeu a espada-prêmio de melhor aspirante. Trabalhou como engenheiro em
várias empresas de porte, como a Mario Barros Amaral S.A., tendo sido ainda professor no
Mackenzie durante 12 anos. Após a aposentadoria, dedicou-se ao comércio. Casado com
Nazira Tebexereni Taqueda, teve quatro filhos. Faleceu em 2002 com 86 anos.

1942
Shisuto José Murayama
Natural de Rincão (SP), nasceu em 1914. Seu pai foi um dos imigrantes vindos no Kasato
Maru. Foi o primeiro nikkei formado na Esalq. Trabalhou a vida toda para a Secretaria da
Agricultura do Estado de São Paulo, no Instituto Agronômico de Campinas e na Casa da
Agricultura de Campos do Jordão, da qual foi chefe. É autor de 26 livros sobre Agronomia.
Foi duas vezes deputado estadual e membro da Academia de Letras de Campos do Jor-
dão. Foi casado com Cecília de Almeida Murayama, com quem teve dois filhos. Faleceu em
1994, aos 80 anos.

1943
Hajimu Ohno
Nasceu em Registro (SP), em 1917. É o primogênito de um imigrante engenheiro vindo
do Japão para trabalhar na abertura da 1ª colônia japonesa no Brasil, na região de Iguape
(SP). Formando-se na Politécnica em 1943, trabalhou no DER - Departamento de Estradas
de Rodagem - durante 15 anos. Transferiu-se depois para o Departamento Ferroviário e,
mais tarde, para o Departamento de Obras Públicas. Durante a permanência no serviço
público, exerceu também trabalhos para empresas privadas. Foi casado com Atsu Tanaka
Ohno e teve quatro filhos. Faleceu em 1987.

1943
Massami Hirota
Nascido, em 1916, em Koochi (Japão), veio ao Brasil aos quatro anos. Após iniciar seus
estudos em Cotia e São Paulo, formou-se em Engenharia Elétrica e Mecânica na Politéc-
nica, em 1943. Após breve passagem pelas Indústrias Matarazzo, constituiu firma própria
de projetos e execução de instalações elétricas e hidráulicas. Ingressando, após, na firma
Construtécnica S.A., tornou-se diretor e foi o engenheiro responsável de obras de vulto
por todo o País. Foi ainda sócio e vice-presidente da CBC – Cia. Brasileira de Construções.
Faleceu em 1996.

1944
Kira Yssao
Nascido em Santa Barbara do Rio Pardo (SP), em 1918. Formou-se em Engenharia Civil
na Politécnica e durante a sua trajetória profissional trabalhou na Companhia Siderúrgi-
ca Paulista – Cosipa, na Construções e Comércio Camargo Corrêa e na Themag Engenha-
ria e Gerenciamento Ltda. Foi casado com Sati Kira e teve três filhos. Faleceu em 1978,
em São Paulo.

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homenageados

1944
Shinichi Kubo
Nasceu em Kumamoto (Japão), em 1913. Chegou ao Brasil com 15 anos. Devido à crise
cafeeira, deixou a fazenda. Em São Paulo, estudou e ingressou na Politécnica, formou-se
em 1944. Após ter trabalhado na Usina Lunardelli, no Paraná, retornou a São Paulo e com
Ayami Tsukamoto, montou o Escritório Técnico Central, que se transformou em TetraEng.
Participou de grandes obras como as do Bunkyo, Toyota, Usina da Camargo Corrêa em
Apiaí e Academia da Força Aérea em Pirassununga. Foi casado com Masako Kubo e teve
quatro filhos. Faleceu em 1984.

1945
Kaol Sugimoto
Nasceu em São Paulo (SP), em 1917. Formou-se em Engenharia Industrial pelo Mackenzie
em 1945, passando a trabalhar na indústria de móveis da família. A seguir, foi engenheiro
da Sociedade Anônima Martinelli, nos setores de navegação e indústria salineira. Perten-
ceu ao quadro de funcionários da Cooperativa Agrícola de Cotia. Dedicou-se muito ao esco-
tismo, tendo sido fundador do Grupo Escoteiro Falcão Peregrino. A Câmara Municipal de
São Paulo conferiu-lhe a Medalha Anchieta e o diploma de gratidão. Faleceu em 1998.

1946
Jorge Watanabe
Nascido em Registro (SP), em 1920. Formou-se em Engenharia Civil na Politécnica. Tra-
balhou no DER como engenheiro encarregado de obras, em Pirassununga, até 1952, pe-
ríodo em que foi responsável pela construção de várias pontes, destacando-se a ponte
em arco com 54 m de vão livre, em São João da Boa Vista. No DER-SP trabalhou como
engenheiro - chefe do Serviço de Avaliações e Cadastro, no qual se deparou com os proble-
mas de desapropriação de faixas de rodovias. Aposentou-se em 1979. É casado com Yasco
Watanabe e tem uma filha.

1946
Tomio Kitice
Nasceu em Igarapava (SP), em 1918. É o 1º nikkei que se dedicou à metalurgia. Ainda
como estudante, teve contato com as grandes questões do País nessa área. Formado na Po-
litécnica, em 1946, trabalhou no IPT - Instituto de Pesquisas Tecnológicas -, inclusive nos
trabalhos para a criação das suas novas instalações na Cidade Universitária. A seguir, atuou
na empresa Conexões de Ferro Foz, dedicando-se ao avanço do processo de maleabilização
do aço. Foi consultor de muitas empresas e professor no Mackenzie e na Faap. Na Escola de
Engenharia Mauá, foi seu diretor. Foi casado com Helena Kitice e faleceu em 1998.

1947
Eduardo RiomeyYassuda
Nasceu em Pindamonhangaba (SP), em 1924. Formou-se na Politécnica em 1º lugar. Foi o
melhor aluno em Engenharia Sanitária na Faculdade de Saúde Pública, em que passou a le-
cionar tornando-se o 1º professor catedrático nikkei, em São Paulo. Foi secretário de Serviços
e Obras Públicas do Estado de São Paulo, quando introduziu um novo modelo administrativo
na área do saneamento. Exerceu a Presidência da Companhia Paulista de Força e Luz e a Dire-
toria de Planejamento da Sabesp. Cidadão Honorário de vários municípios, foi ainda agracia-
do com inúmeras distinções, entre as quais com a Ordem do Rio Branco. Faleceu em 1996.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1947
Kazuo Sakamoto
Nasceu em Ribeirão Preto (SP), em 1923. Fez os dois primeiros anos do curso primário em Tóquio (Japão). Trabalhou
como aprendiz com Takeo Kawai no garimpo de diamantes e de chumbo explorada pela KKKK - Kaigai Koogyo Kabushi-
ki Kaisha -, em Apiaí (SP). Formou-se engenheiro civil pelo Mackenzie e foi servidor público na Secretaria do Trabalho
e diretor de Obras da Prefeitura Municipal de Birigüi e de Araçatuba. Prestou inúmeros serviços de assessoria na área
de segurança no trabalho para a maioria dos municípios da Alta Noroeste do Estado. Realizou vários levantamentos de
terras devolutas nos Estados de MT, RO, AM e Norte do Paraná. Está com 85 anos.

1947
Massakazu Outa
Nasceu em 1922, em São Paulo (SP). Formado pela Politécnica em Engenharia Química,
trabalhou durante 37 anos seguidos no IPT. Atuou essencialmente no setor de materiais
poliméricos (elastômeros, plásticos, resinas têxteis e tintas), ocupando vários cargos de
chefia, assistência e direção. Dedicou-se ainda ao treinamento de profissionais, ministran-
do e coordenando cursos de especialização, inclusive no exterior, sob os auspícios de gover-
no federal. Exerceu atividades de consultoria após a aposentadoria. Tem 86 anos.

1947
Quincas Kajimoto
Nasceu em 1923, em Lins (SP). Formado em Engenharia Civil pela Politécnica, trabalhou
nas construtoras Coccaro e Mofarrej. Dentre as inúmeras obras realizadas, destacam-se
vários edifícios construídos na Cidade Universitária, como: Instituto de Geociências, Fa-
culdade de Economia e Administração, Anfiteatro e outros. Além disso, inclui-se o Conti-
nental Shopping Center, Cetesb e o edifício na av. Paulista esquina com a Carlos Sampaio.
Foi nadador master com vários títulos. Casou-se com Taeko Kajimoto e teve seis filhos.
Faleceu em 2001.

1947
Siuco Iba
Nascido em Jaboticabal (SP), em 1921, formou-se na Esalq em 1947. Logo após, fez o Curso
de Entomologia no Instituto Biológico e produziu três trabalhos científicos de interesse à
agricultura. Foi engenheiro agrônomo das Casas da Lavoura em vários municípios. Em Itu-
verava, recebeu o título de Cidadão Ituveravense. Trabalhou na Divisão Regional Agrícola
de Ribeirão Preto, como Assistente Agropecuário de Direção. Ao se aposentar, transferiu-
se para Araraquara. Casou-se com Brígida Tsuha e tem cinco filhos.

1948
Jihei Noda
Nasceu em 1918, em Saga (Japão). Chegou ao Brasil aos sete anos. A família se instalou
na região de Mirandópolis, vindo depois para São Paulo. Formou-se engenheiro civil pelo
Mackenzie, em 1948. Naturalizou-se em 1949. Como autônomo, construiu o Cine Itapura,
o Templo Budista do Jabaquara e a Catedral Budista de Brasília, entre outras obras. Por 10
anos, foi engenheiro da Prefeitura de São Paulo. Foi vereador na Câmara Municipal de São
Paulo e deputado estadual por três legislaturas. Foi casado com Elvira Sansone Noda e teve
três filhos. Faleceu em 1993.

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homenageados

1948
Mineo Ishikawa
Nasceu em 1929, em Campo Grande (MS). Seu pai veio ao Brasil no Kasato Maru. Estu-
dou no Mackenzie auxiliado pelos irmãos. Retornando à sua terra, trabalhou na Prefeitura
Municipal e na Comissão de Estradas de Rodagem, na qual foi chefe de distrito rodoviário.
Instalando sua própria firma, executou obras públicas. Recebeu em 1998 a medalha do Mé-
rito Legislativo da Assembléia Legislativa de Mato Grosso do Sul. Casado com Geny Nacao
Ishikawa, teve quatro filhos. Faleceu em junho de 2008, aos 87 anos.

1948
Shigueharo Deyama
É natural de Presidente Prudente (SP), nasceu em 1924. Formado na Politécnica em 1948,
fez vários cursos de especialização pós-graduação e estágios no exterior. Dedicou-se longa-
mente ao ensino de várias disciplinas na própria Politécnica, chegando a regente da cadeira
de Instalações Elétricas. Ao mesmo tempo, foi engenheiro e chefe da Seção de Máquinas do
Instituto de Eletrotécnica, da USP. Foi consultor da Cesp e atuou como engenheiro respon-
sável na Eletro Mecânica Suíça S.A. Aposentou-se em 1985. Está com 84 anos.

1949
Edmundo Takahashi
Nasceu em Santa Veridiana (SP), em 1922. Formou-se em civil na Politécnica, em 1949.
Trabalhou de início no IPT com o Prof. Milton Vargas. Em concurso público para enge-
nheiro do Estado, obteve o 1º lugar. Foi diretor do DOP. No Plano de Ação do Governo Car-
valho Pinto, foi o responsável pelas obras de terraplenagem do Aeroporto de Congonhas.
Em 1960, constituiu empresa própria de fundações e sondagens. Foi casado com Luiza da
Silveira Moraes Takahashi e teve três filhos. Faleceu em 1994.

1949
Goiti Suzuki
Natural da província de Hyogo (Japão), em 1919. Veio ao Brasil com 11 anos, dirigindo-
se com a família à Fazenda Aliança. Engenheiro civil formado na Politécnica em 1949,
especializou-se em estruturas para telhados. Nessa função, trabalhou em empresas de São
Paulo, Porto Alegre e Rio de Janeiro, como Sopatel, Lanifício Kurashiki, Ishikawajima e
Metaltécnica, nesta última como diretor. Tornando-se autônomo, continuou como consul-
tor e projetista na área de sua especialidade até se aposentar. Tem 89 anos e é casado com
Guaraciaba de Abreu Suzuki.

1949
Goo Sugaya
Nasceu em Tóquio (Japão), em 1918. Chegou ao Brasil com os pais em 1920. Formou-
se engenheiro civil pela Escola Politécnica, em 1949. Ao longo de sua vida profissional,
projetou e construiu casas residenciais e estabelecimentos comerciais. Foi funcionário
durante alguns anos da Prefeitura Municipal de Poá, SP. Trabalhou igualmente como
engenheiro em indústrias. Foi casado com Vitória Ocimoto Sugaya. Faleceu em 1976,
aos 57 anos.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1949
Itsuro Myazaki
Natural de Birigui (SP), nasceu em 1923. Estudou na Esalq e se formou em 1949. Perma-
neceu um tempo na empresa Anderson Clayton de Presidente Prudente, ingressando, em
seguida, na Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo. Foi o primeiro agrônomo da
Casa da Lavoura de Bilac. Inclinado a pesquisas, passou a trabalhar no Instituto Biológico,
em que chegou à chefia do Setor de Entomologia. Cursou pós-graduação na Esalq nessa
especialidade, tornando-se Mestre em 1983. Faleceu em 1985, aos 62 anos.

1949
Izumi Yuasa
Nasceu em Tóquio (Japão), em 1922. Formou-se pelo Mackenzie em 1949. De início, traba-
lhou na Construtora Soutello, em São Paulo. Nesse tempo, foi instrutor no curso noturno
de Mestre de Obras do Senai. Passou por outras empresas e foi também autônomo. Em
1956, ingressou na Usiminas para trabalhar na construção da usina, chegando a Superin-
tendente de Engenharia de Projetos. Esteve várias vezes no Japão a serviço da empresa. Ao
se aposentar, tornou-se consultor na implantação das siderúrgicas Tubarão e Açominas.
Tem 86 anos.

1949
Job Shuji Nogami
É natural de Ribeirão Pires (SP), nasceu em 1925. Formado em Engenharia de Minas e
Metalurgia na Politécnica em 1949, dedicou-se a estudos geológicos e geotécnicos apli-
cados a rodovias, no DER. Como docente da própria Politécnica, realizou pesquisas e
desenvolveu métodos construtivos de pavimentos de baixo custo aplicáveis às condições
tropicais. É autor de mais de uma centena de trabalhos técnicos. O Laboratório de Tec-
nologia de Pavimentos da Escola Politécnica é identificado pelo seu nome. É solteiro e
tem 83 anos.

1949
Luiz Satto Júnior
Nasceu em Pindamonhangaba (SP), em 1922. Por orientação do pai, recusou o convite de
jogar futebol no Corinthians, depois de ser o primeiro nissei profissional no XV de Pira-
cicaba. Formou-se na Esalq aos 27 anos. Como agrônomo, lutou para que os pequenos e
médios agricultores pudessem aumentar a safra e ter acesso a créditos oficiais. Trabalhou
na Secretaria da Agricultura do Estado de São Paulo de Registro, Tatuí e Sorocaba, em que
foi diretor da Divisão Regional Agrícola. É viúvo e tem seis filhos.

1949
Masayuki Furuya
Nasceu na província de Nagano (Japão), em 1924. Concluiu o curso de Engenharia Quími-
ca na Escola Politécnica. Trabalhou no Instituto Oceanográfico quando fez estágio de es-
pecialização no Japão. Posteriormente, foi trabalhar na Usiminas, na unidade de Ipatinga
(MG). Foi casado com Miya Furuya com quem teve uma filha. Faleceu em 1997.

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homenageados

1949
Renato Teruo Tanaka
Nascido em Cafelândia (SP), em 1924. Formou-se engenheiro civil na Politécnica e cursou
extensão universitária na Faculdade de Saúde Pública da USP. Foi admitido na Repartição
de Saneamento de Santos em 1950, desde então atuou por 35 anos nos órgãos públicos
de saneamento básico e controle ambiental de Santos, Cubatão e Guarujá. Foi diretor e
presidente da Companhia de Saneamento da Baixada Santista – SBS. Casado com Paulina
Tanaka, teve três filhas. Faleceu em 1985.

1949
Yojiro Takaoka
Nascido em São Paulo (SP), em 1923, formou-se na Politécnica em 1949. Dois anos depois,
fundou a Construtora Albuquerque e Takaoka S.A., empresa da qual era o co-responsável
técnico. Os empreendimentos da firma marcaram época em São Paulo pelo seu vulto e
qualidade e pela adoção de concepções novas em projetos habitacionais. Além disso, a em-
presa foi a responsável pela abertura de gigantescos e bem-sucedidos planos urbanísticos,
dotados de todos os equipamentos, como os de Alphaville e Aldeia da Serra junto à capital.
Faleceu em 1994.

1950
Gen Tsunashima
É natural de Hokkaido (Japão), nasceu em 1919. Formou-se engenheiro civil pela Poli-
técnica em 1950. Trabalhou cinco anos na Sobraf – Sociedade Brasileira de Fundações.
Tornou-se engenheiro responsável da Cooperativa Agrícola Sul-Brasil, em que permane-
ceu por 20 anos. Em seguida, foi o engenheiro-chefe das construtoras Takiplan e Huma.
Foi um grande colaborador da Sociedade Beneficente Casa da Esperança (Kibô-no-ie), na
qual exerceu o cargo de diretor por onze anos e de diretor-presidente durante quatro anos.
Faleceu em 1998.

1950
Paulo Soichi Nogami
Nasceu em São Paulo (SP), em 1923. Sua mãe e seus avós chegaram ao Brasil dois anos
antes do Kasato Maru. Após se formar em Engenharia Civil na Politécnica, cursou a Fa-
culdade de Saúde Pública da USP, na qual se especializou em Engenharia Sanitária. Foi
professor de ambas as faculdades. Além de assessor técnico de gabinete da Secretaria de
Serviços e Obras do Estado de São Paulo, na gestão do secretário Eduardo Riomey Yassu-
da, foi diretor da Cetesb e superintendente da Sabesp, quando se aposentou. Aos 85 anos,
viúvo de Kazue Iamane Nogami, tem três filhos.

1950
Romeu Batista Suguiyama
Nasceu em São Paulo (SP), em 1925. É formado pela Politécnica em 1950. Sua atividade se
concentrou na esfera da Prefeitura Municipal de São Paulo, na área normativa de obras.
Atuou como delegado executivo na Comissão Permanente do Código de Obras e partici-
pou de estudos do Código de Edificações e do novo Código de Obras do município. Foi
membro do Conselho Técnico da Cohab-SP e diretor do Contru. Em 1963, diplomou-se em
Direito pela USP. Ministrou aulas e publicou trabalhos de sua especialidade. É consultor
do Banco Itaú.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1950
Sakae Ishikawa Kobayashi
Nasceu na Manchúria (China), em 1922, mas foi registrado em Ibaraki (Japão). Ao che-
gar ao Brasil, seus pais se fixaram em Rochedo (MT), onde tinham um garimpo de dia-
mantes, além de uma casa comercial. Após se formar na FEI, na 1ª turma, retornou a
Campo Grande. Foi capataz de fazenda de pecuária e de café até adquirir sua própria
fazenda em Dourados, MS, onde foi o pioneiro na cultura do arroz irrigado. Dedicou-se
ainda ao comércio e aos negócios imobiliários. Foi casado com Annita Nacao, com quem
teve seis filhos.

1950
Siguer Mitsutani
Nascido em Cotia (SP), em 1923. Cursou Engenharia Civil na Politécnica, tendo sido aluno
do ex-governador Lucas Nogueira Garcez. Foi colega de trabalho do Eng. Takeo Kawai
na Cooperativa Agrícola de Cotia. Fez parte da equipe técnica que construiu a primeira
escada rolante de São Paulo, na galeria Prestes Maia, que liga o Vale do Anhangabaú e a
praça do Patriarca. Foi responsável pela construção da Ponte da Casa Verde sobre o rio
Tietê. Teve firma própria, a Engenharia Mitsutani S/C, especializada em concreto arma-
do. Faleceu em 1994.

1950
Tuyoshi Yoshimura
Nasceu em Promissão (SP), em 1923. É da turma de civis de 1950, do Mackenzie. Ocupou
na Prefeitura de Bauru o cargo de diretor de Obras e Viação e de Plantas Particulares. Foi
igualmente avaliador da Caixa Econômica Federal e da Nossa Caixa. Exerceu o magistério
superior na Fundação Educacional de Bauru, na Escola de Pontes e Estradas e no Instituto
Toledo de Ensino. Seu nome identifica uma das ruas do bairro nobre de Bauru. Foi casado
com Aiko Matsumoto Yoshimura e teve dois filhos. Faleceu em 1984, aos 61 anos.

1950
Yoshihiko Mio
Nasceu em Lins (SP), em 1920. Quando criança, auxiliava o trabalho de seus pais. Com sa-
crifício, dedicou-se aos estudos, visando alcançar dias melhores. Convocado pelo Exército,
tornou-se expedicionário. Ao retornar, cursou Engenharia Civil na Politécnica, formando-
se em 1950. Ingressou como engenheiro no Departamento de Estradas de Rodagem, che-
gando ao cargo de diretor. Colaborou com o projeto estrutural na construção da sede de
entidade nikkei, como também da igreja Tenri, ambas em Bauru. Casado com Miya Mio,
teve seis filhos. Faleceu em 1998.

1951
Ayrson Iabutti
Nasceu no Rio de Janeiro (RJ), em 1923. Cursou a Escola Politécnica, na qual se formou
engenheiro civil em 1951. No decorrer de sua atividade profissional, fez vários cursos de
extensão universitária nas áreas de Engenharia, Avaliações e Administração Pública. Foi
diretor de Divisão do Departamento de Transportes Internos da Secretaria da Fazenda
do Estado e diretor-técnico do Departamento de Obras Públicas do Estado de São Paulo,
em que se aposentou. Atua como perito judicial e como assistente-técnico em avaliações e
perícias de Engenharia. Tem 85 anos.

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1951
Hirose Yamamoto
É natural de Promissão (SP), nasceu em 1924. Chegou a São Paulo com a família em 1937.
Formou-se na FEI em 1951, no curso de Engenharia Mecânica. Especializou-se mais tarde
em hidráulica. Esteve no Japão por dois anos para estudos de implantação de usinas hidre-
létricas. Foi engenheiro do Departamento de Águas e Energia Elétrica, especializando-se
em transporte fluvial, em especial no Rio Tietê. Ministrou aulas de hidráulica na própria
FEI. Faleceu em 1990, já como aposentado. Foi casado com Masumi Yamamoto.

1951
Iwao Inada
Nasceu em Conquista (MG), em 1927. É formado pela Esalq, em 1951. Em 1958, ingres-
sou na Cati – Coordenadoria de Assistência Integral da Secretaria da Agricultura, atuando
nas Casas da Agricultura de Nuporanga, Guará, Sertãozinho e Ribeirão Preto. Lutou para
aumentar a produtividade de várias culturas. Foi o responsável pela instalação de mais
de 500 hortas domésticas em instituições de Ribeirão Preto, merecendo homenagem da
prefeitura local. Aposentou-se em 1994. Casado com Mituko Tanaka Inada, tem três filhos.
Está com 81 anos.

1951
Kiyoshi Kato
Nasceu em Tóquio (Japão), em 1922. Chegou ao Brasil em 1934. Seu pai foi o fundador da
Bratac – Sociedade Colonizadora do Brasil. Formou-se em Engenharia Civil no Mackenzie
em 1951. Em 1955, estabeleceu a Construtora Engin, empresa que construiu obras para
grandes empresas nacionais e multinacionais como o Banco América do Sul, Banco Mitsu-
bishi, Toyota do Brasil, McCann Erickson e Oxiteno. Foi um incentivador do intercâmbio
entre o Brasil e o Japão e defensor de maior integração entre idosos e jovens da comunida-
de nikkei. Faleceu em 1977.

1951
Noda Hiroshi
Nasceu em Lins (SP), em 1925. Após se formar na Esalq em 1951, ingressou como enge-
nheiro agrônomo na Companhia Brasileira de Produtos Químicos Shell. Trabalhou nessa
empresa durante 21 anos, proporcionando assistência técnica aos produtores, visando au-
mento de produtividade e maior rendimento financeiro. Promovido a gerente Regional,
teve destacada atuação na região cafeeira do Norte do Paraná. Possuidor de facilidades em
línguas, fez vários contatos e cursos de aperfeiçoamento no exterior. É falecido.

1951
Sancho Morita
Nascido em 1927, é natural de Campinas (SP). Formou-se na Politécnica em 1951. Traba-
lhou em várias indústrias em cargos de responsabilidade, entre os quais o de vice-presidente
técnico da Equipamentos Clark S.A. Atuou como autônomo e consultor de várias empresas
e foi inventor de equipamentos de logística. Obteve o título de Engenheiro do Ano, pelo
Iman, em 1988. Foi ainda professor da Politécnica, da FEI e da Unicamp. Viúvo de Toshiko
Fujita, com quem teve quatro filhos, casou-se com Maria Faion Saito. Tem 81 anos.

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Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1951
Shiro Miyasaka
Nasceu em Hokkaido (Japão), em 1924. No Brasil, acompanhou os pais a uma fazenda em
Cafelândia (SP). Depois, em Arujá, iniciou os estudos até se formar na Esalq, em 1951. No
Instituto Agronômico de Campinas, tornou-se especialista na cultura da soja. É o 1º ni-
kkei Doutor em Agronomia. É autor do livro “A soja no Brasil”. Lecionou na Universidade
Tsukuba, no Japão. Profissional atuante, recebeu muitas homenagens, inclusive a recente
“Ordem do Mérito Kasato Maru”. É casado com Kazuco Sakiara Miyasaka. Tem 84 anos.

1951
Takeki Tuboi
Nasceu em Quatá (SP), em 1930. Fez o curso secundário em São Paulo, quando foi interno
do Instituto Nipo-Brasileiro do Prof. Midori Kobayashi. Formou-se em Engenharia Agro-
nômica na Esalq. Era versado em línguas, tendo o domínio do japonês, inglês, italiano,
espanhol, francês e alemão. Trabalhou nas Indústrias Reunidas Francisco Matarazzo como
engenheiro-correspondente em Línguas Estrangeiras. Foi casado com Haruko Tuboi, com
quem teve duas filhas. Vítima de surto de meningite, faleceu em 1974, aos 54 anos.

1951
Tetsuaki Misawa
Nasceu em 1919, em Hokkaido (Japão). Veio ao Brasil, com 12 anos. Formou-se na Poli-
técnica em 1951 e na Faculdade de Saúde Pública em 1969. Atuou no DAE de São Paulo, no
qual chefiou a expansão de redes de água da capital. Como bolsista nos Estados Unidos e
no Japão, trouxe inovações para a sua área de trabalho. Foi o líder na criação da Associação
Cultural e Esportiva Piratininga. A Sociedade Brasileira de Heráldica conferiu-lhe a meda-
lha José Bonifácio. Faleceu em 1971. Foi casado com a médica Yoshiko Asanuma Misawa
e teve dois filhos.

1951
Tsugio Hatanaka
Nasceu em Osaka (Japão), em 1923. Chegou ao Brasil tendo 5 anos. Impulsionado com o
desejo de aprender sempre, ingressou no Mackenzie formando-se engenheiro-arquiteto.
Quando estudante, colaborou no projeto da Casa de Estudantes Harmonia. Como profis-
sional, trabalhou nas empresas Taiyo, Brasil Atlantic e Pesca Nova. Foi o responsável pela
construção da sede da Kibô-no-ie, em que foi também seu diretor. Após a aposentadoria,
dedicou-se à orquideocultura profissional. Casado com Tsuyako Okubo Hatanaka, teve
quatro filhos. Faleceu em 2003.

1951
Yasuo Yamamoto
Nascido em Tóquio (Japão), em 1924, chegou ao Brasil com nove anos. Fez o primário em
Araçatuba. Formou-se em Engenharia Civil, com mérito, pelo Mackenzie, em 1951. Calcu-
lista de renome, projetou por meio de sua empresa Escritório Técnico Estacal Ltda. inú-
meros projetos estruturais, inclusive de grandes obras públicas. Atuou intensamente na
comunidade nikkei, ocupando cargos de responsabilidade de várias instituições culturais,
assistenciais e religiosas. Faleceu em 1996. Foi casado com a dentista Felicia Watanabe
Yamamoto e teve três filhos.

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homenageados

1951
Yukihiko Horita
Nasceu na província de Fukui (Japão), em 1917. Filho de lavradores de Moinho Velho, no
município de Cotia. Dentre os irmãos, foi o único que não quis continuar na agricultura
e, para custear seus estudos, em São Paulo, montou uma pequena oficina de consertos de
rádios. Fez Engenharia Química na FEI. Trabalhou na Indústria Nadir Figueiredo e pos-
teriormente na NGK para ficar mais próximo de seus familiares em Mogi das Cruzes. Foi
professor de Química Tecnológica na FEI. Casado com Maria Cruz Horita, teve três filhos.
Faleceu em 1971.

1952
Chinya Assahina
Nascido na província de Ibaraki (Japão), em 1919. Veio ao Brasil com um ano e meio. Es-
tudou em São Paulo e formou-se engenheiro químico na Escola Politécnica. Trabalhou no
IPT por dois anos. Trabalhou na montagem de fábricas entre as quais de óleo nos estados
de São Paulo, Paraná, Mato Grosso e Maranhão. Adquiriu uma fábrica de óleos comestíveis
para exportação, reformou e presidiu por 15 anos. Foi casado com a professora de música
Sachiko Assahina e teve uma filha. Faleceu em 1994.

1952
Cião Endo
Natural de São Paulo (SP), em 1928. Formou-se engenheiro agrônomo pela Esalq e tam-
bém em Direito. Durante a sua trajetória profissional foi funcionário da Secretaria de Agri-
cultura do Estado de São Paulo. Foi casado com Dinorah Pupo Endo, com quem teve cinco
filhos. Faleceu em 2000.

1952
Hideo Haibara
Nasceu em Okayama (Japão), em 1925. Formado em Engenharia Civil pela Escola Politéc-
nica em 1952, trabalhou inicialmente na Diretoria de Aeroportos do Estado de São Paulo.
Em 1958, ingressou na Usiminas, empresa que fez carreira ocupando diversos cargos em
Ipatinga e depois em Belo Horizonte. Em 1961 e 1962, fez estágio em laminação a frio, na
Nippon Steel do Japão. Foi casado com Mery Haibara. Faleceu em 2006, aos 81 anos.

1952
Hissao Momoi
Nasceu em Agudos (SP), em 1925. Cursou a Escola Politécnica, formando-se em Enge-
nharia Civil. Trabalhou no Departamento de Obras Públicas, no qual foi diretor técnico.
Na Secretaria da Saúde, igualmente do Estado, foi assessor técnico no Gabinete do Se-
cretário. Participou muito de ações sociais do governo. Foi durante um tempo professor
na Academia do Barro Branco. Autodidata em japonês, pertenceu vários anos a uma or-
ganização filosófica-religiosa. Foi casado com Athanazia Emi Momoi e teve três filhos.
Faleceu em 2002.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1952
Kanemitsu Idemori
É natural de Kagoshima (Japão), onde nasceu em 1923. Com apenas cinco anos, chegou
com os pais ao Brasil, instalando-se primeiro em Promissão (SP) e depois em Penápolis
(SP). Formando-se na Politécnica, em 1952, ingressou na Estrada de Ferro Sorocabana,
em que exerceu um cargo de chefia no Departamento de Construção Civil. Participou da
execução de várias obras importantes, inclusive após a fusão das ferrovias estaduais na
Fepasa. Atualmente, aos 85 anos, desenvolve o empreendimento imobiliário de vulto em
Itapecerica da Serra (SP).

1952
Kazunori Nishimura
Nascido em Hiroshima (Japão), em 1926. Formou-se em Engenharia Elétrica e Civil no
Mackenzie. Inicialmente, atuou no ramo de construção civil em Presidente Prudente (SP).
Posteriormente, trabalhou no projeto, construção e instalação de frigorífico bovino para
exportação e destilarias de álcool nos Estados de São Paulo, Paraná, Mato Grosso do Sul e
Goiás. Aposentou-se em 1994. Tem 82 anos de idade.

1952
Kazuo Nakashima
Nasceu em 1923 na província de Shizuoka (Japão). Chegou ao Brasil em 1927, com os pais.
Formou-se em Engenharia Civil pelo Mackenzie em 1952. Abriu cedo uma firma destinada
à construção em geral, bem como ao cálculo e execução de estruturas de concreto armado e
de estruturas de madeira para coberturas. Dedicou-se, mais tarde, exclusivamente a proje-
tos estruturais de concreto armado. É um praticante avançado da arte caligráfica japonesa.
Casado com Flávia Toshie Nakashima, tem um filho. Está com 85 anos.

1952
Minoro Itto
Nasceu em 1926, em Tabatinga (SP). Cursou a Esalq e se formou em 1952. Foi bolsista
da Fundação Rockefeller para um estágio no México a fim de estudar o melhoramento
genético de plantas e também para estudos do melhoramento do feijoeiro nos Estados Uni-
dos. Trabalhou dois anos na Seção de Genética no Instituto Agronômico de Campinas,
ingressando depois no Banco do Brasil como visitador da Carteira Agrícola e Industrial.
Aposentou-se, após 30 anos de atividades, nessa função. Tem 82 anos.

1952
Mitomu Simamura
Nasceu em 1925, em Guaiçara (SP). Formou-se em Engenharia Civil pela Politécnica. Ini-
ciou sua carreira na Construtora Guarantã, de São Paulo. Transferindo-se para Londrina
(PR), foi Presidente da Construtora Simamura Daiwa House S.A. Trabalhou muito pela
comunidade nikkei, tendo sido presidente da Associação Cultural e Esportiva e tesoureiro
da Aliança Cultural Brasil-Japão do Paraná. Foi presidente do Rotary Club local e partici-
pou da Missão Econômica do Paraná ao Japão. Foi casado com Nair Tone Simamura, com
quem teve dois filhos. Faleceu em 1976.

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homenageados

1952
Natalino Baba
Nasceu em Rincão (SP), em 1925. Foi o melhor aluno da turma que se formou na Esalq, em
1952. Em sua atividade profissional, especializou-se na área de sementes e mudas. Foi ge-
rente regional da Embrapa – Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias –, em Cam-
pinas, e diretor da Cati – Coordenadoria de Assistência Técnica Integral –, em São Paulo,
onde se aposentou. Faleceu em agosto de 2008, aos 82 anos. Teve três filhas.

1952
Satyro Sakamoto
Nascido em Ribeirão Preto (SP), em 1924. Formou-se engenheiro civil e eletricista na Es-
cola de Engenharia Mackenzie. Trabalhou na São Paulo Light & Power; na Byington, uma
empresa de produtos elétricos brasileiros; no Canal 6 de Televisão de Curitiba (PR); na
Usiminas (MG); na Comasp e na Sabesp. Aposentou-se em 1986. Fez estágio no Japão, na
Fuji Denki e Mitsubishi Denki, na especialidade de bombas, motores e transformadores,
durante 18 meses, em 1958 e 1959. É casado com Keiko Mônica Sakamoto com quem tem
uma filha.

1952
Yoshikazu Morita
Nasceu em Hokkaido (Japão), em 1913. Veio ao Brasil com 18 anos, dirigindo-se ao inte-
rior. Uma vez em São Paulo, deu aulas para poder estudar. Trabalhou no Consulado da
Suécia, durante a guerra, quando cuidou do interesse dos japoneses e também no Consu-
lado do Japão. Nesse período, formou-se engenheiro-arquiteto no Mackenzie. Fundando
a firma Engenharia e Arquitetura Morita Ltda., construiu dezenas de prédios e edifícios
industriais de empresas japonesas. Foi um dos introdutores no Brasil da Escola Urasenke
de cerimônia do chá.

1953
Ariosto Tanoue
Nasceu em Araçatuba (SP), em 1930. Formou-se engenheiro civil pela Escola Politécnica.
Após a sua formatura, começou a trabalhar no Departamento de Águas e Esgotos – DAE,
em São Paulo, e, posteriormente, no Instituto de Previdência do Estado de São Paulo –
Ipesp - até aposentar-se. Dedicou-se também ao magistério, durante longo tempo, lecio-
nando Física no Colégio Estadual Caetano de Campos. Casou-se com Natividade Ferreira,
com quem teve um filho. Faleceu em 1998, aos 68 anos.

1953
Iwao Hirata
Natural de Promissão (SP), nasceu em 1927. Formado na Politécnica em 1953, tornou-se
Mestre em Recursos Hídricos, em 1979. Inicialmente, trabalhou na Cooperativa Agrícola
de Cotia e foi superintendente na Cia. de Melhoramentos de Paraibuna. Em 1958, ingres-
sou no Daee de São Paulo, exercendo vários cargos até chegar a superintendente do Serviço
do Vale do Paraíba. Foi ainda diretor de duas divisões técnicas e supervisionou a comissão
fiscalizadora dos estudos do aproveitamento múltiplo das bacias do rios Pardo e Mogi-
Guaçu. Faleceu em 1982.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1953
Kokei Uehara
Nasceu em 1927 em Okinawa (Japão). É engenheiro civil pela Politécnica, turma de 1953.
Foi bolsista do governo francês para cursos e estágios na França. Tornou-se professor da
Politécnica e chegou ao cargo de professor titular. Recebeu o título de professor emérito,
após a aposentadoria. Representou o Brasil na Unesco, no Decênio Hidrológico Internacio-
nal. É Doutor Honoris Causa pela Universidade de Osaka. Entre as inúmeras homenagens
recebidas, destaca-se a condecoração que lhe foi outorgada pelo Imperador do Japão. É
atualmente o presidente da Sociedade Brasileira de Cultura Japonesa e Assistência Social.

1953
Luiz Gonzaga Nakaya
Nasceu em São Paulo (SP), em 1928. Formou-se em Engenharia Mecânica pela Faculdade
de Engenharia Industrial - FEI. Após concluir o curso de graduação, ingressou na Indústria
Villares e depois na Bardella. Exerceu atividades profissionais também na Büssing e na Si-
mca. Foi professor da Escola Politécnica e da Faculdade de Engenharia Industrial. Casou-
se com Rúbia Konda Nakaya, com quem teve três filhos. Faleceu em 1967.

1953
Makoto Nomura
Nasceu em 1928, em São Paulo (SP). Com a perda do pai, assassinado pela Shindô-Renmei,
estudou na Politécnica com a ajuda de amigos da família, formando-se em 1953. Atuou na
montagem da fábrica da GM em São José dos Campos, transferindo-se, mais tarde, para a
Howa do Brasil. Na esfera estadual, colaborou na reorganização do setor de transportes do
Daee e na montagem de máquinas de grande porte no Laboratório de Hidráulica da USP.
É associado de várias entidades técnicas e funcionais. É adepto e graduado da Medicina
Nishi, do Japão. Tem 80 anos.

1953
Nelson Nacao
É natural de Campo Grande (MS), nasceu em 1927. Formou-se na Politécnica em 1953. Na
terra natal, foi vereador por duas legislaturas e ainda presidente da Câmara Municipal. Foi
dirigente de duas entidades da comunidade nikkei. Como profissional, atuou na Sanemat
– Companhia de Saneamento de Mato Grosso. Dedicou-se ainda ao ensino de Física e Ma-
temática, e não abandonou os estudos mesmo em idade avançada e sofrendo de glaucoma.
Faleceu em 2004. Foi casado com Kioko Margarida Aguena e teve seis filhos.

1953
Nilo Batista Suguiyama
Nasceu em São Paulo (SP), em 1928. Tendo se formado na Escola Politécnica em 1953,
dedicou sua carreira profissional à Prefeitura Municipal de São Paulo, que ingressou me-
diante concurso público. De engenheiro de obras, chegou ao cargo de administrador re-
gional da Mooca e, em seguida, do Ipiranga. Na gestão do prefeito Jânio Quadros, foi su-
perintendente de Obras. Entre as honrarias recebidas, destacam-se a Medalha Anchieta,
da Câmara Municipal de São Paulo, e a Medalha Santos Dumont, do Comando da IV Zona
Aérea. Tem 78 anos.

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homenageados

1953
Shozo Nogami
Nasceu em Ribeirão Pires (SP), em 1928. Formado na Esalq em 1953, permaneceu um ano
no Japão para se aperfeiçoar. Exerceu atividades numa empresa multinacional de defensi-
vos agrícolas. Trabalhou na Cooperativa Agrícola de Cotia, inicialmente em Guapiara (SP),
depois nos escritórios centrais da capital. Colaborou na implantação no Estado de São Pau-
lo dos Clubes 4-H, destinados a formar lideranças entre jovens na vida no campo. Faleceu
em sua terra natal em 2001, aos 73 anos. Era solteiro.

1953
Tamaaki Sasaoka
Nasceu em 1926, em Hokkaido (Japão). Formando-se na FEI em 1953, iniciou as ativida-
des profissionais na Real Transportes Aéreos, em manutenção de instalações e, em segui-
da, na manutenção de aeronaves, como dos recém-chegados aviões Convair. Transferindo-
se para a Alcan Alumínio do Brasil, foi engenheiro assistente na Gerência de Produção de
Laminados, passando a ser gerente de Manutenção Mecânica de vários setores. Mais tarde,
tornou-se engenheiro ambiental da empresa até alcançar a aposentadoria. Tem 82 anos.

1953
Ysumy Nishikava
Nasceu em 1926, em Birigüi (SP). Formando-se na Politécnica em 1953, instalou-se em
Maringá (PR). Executou grande número de obras na crescente cidade. Trabalhou também
no Departamento Nacional de Produção Mineral e, na Prefeitura Municipal de Maringá,
foi secretário de Obras e Viação e diretor do Serviço Autárquico de Pavimentação. Foi fun-
dador do Country Club de Maringá e da Acema, da comunidade nikkei. Faleceu em 1979.
Maringá homenageou-o dando o nome de Eng. Ysumy Nishikava a uma de suas ruas. Foi
casado com Kazuko Nishikava e teve dois filhos.

1953
Yukinobu Yamada
Nasceu em 1925, em Hokkaido (Japão). Chegando ao Brasil com nove anos, trabalhou com
os pais no cafezal. Em São Paulo, ingressou na empresa Nadir Figueiredo e iniciou os
estudos de Engenharia Elétrica e Civil no Mackenzie. Formando-se em 1953, trabalhou na
Usina Eng. Bernardes Figueiredo sobre o Rio Jaguari e na fábrica de louças da própria Na-
dir, em suas proximidades. Naturalizou-se brasileiro e fez o curso de Engenharia Cerâmica,
em Nagoya (Japão), além de inúmeras visitas técnicas a indústrias de cerâmica do exterior.
Aposentou-se em 1993. Está com 83 anos.

1954
Akio Takahashi
Nascido em 1929, é natural de Tóquio (Japão). Vindo ao Brasil com cinco anos, morou
numa fazenda de café e algodão em Bento Quirino, região de Ribeirão Preto. Vieram de-
pois para Guarulhos. Em sua trajetória de estudos, passou pela Escola Técnica Getulio
Vargas, antes de ingressar na Politécnica. Formou-se engenheiro mecânico-eletricista em
1954. Trabalhou na General Electric durante 25 anos e na Motores Elétricos Brasil por
mais 21 anos, empresa em que foi assessor, gerente de Engenharia Avançada até se apo-
sentar. Tem 79 anos.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1954
Eduardo Toshio Fujiwara
Nasceu em Cafelândia (SP), em 1930. Formado pela Esalq em 1954, adquiriu larga expe-
riência no Paraná na cultura de algodão, soja e café, que o notabilizou como profissional
competente. Conduzido a diretor técnico da empresa agrícola Fujiminas, atuou no cerrado
mineiro durante 30 anos na produção de cafés finos, na macrocultura de soja e na produ-
ção de sementes de várias culturas, quando introduziu avançadas tecnologias de irrigação,
em consonância com as variações climatológicas. Faleceu em 2003.

1954
Hiroshi Ikuta
Nascido em Mogi das Cruzes (SP), em 1929. Formado em agronomia pela Esalq, foi pro-
fessor contratado pela mesma faculdade para lecionar as disciplinas de Genética, Citologia
e Métodos de Melhoramentos de Plantas. Foi pioneiro na produção de híbridos nacionais
de couve-flor, repolho, berinjela, pimentão, pepino, tomate, abóboras e milho doce. Atual-
mente é professor convidado da Universidade de Mogi das Cruzes e desenvolve trabalhos
de melhoramento de Orquídeas em convênio com a Aflord e a Fapesp.

1954
Hisachiyo Takahashi
Nasceu em Osaka (Japão), em 1928. Veio para o Brasil em 1930. Formou-se em Enge-
nharia Mecânica e Elétrica na Politécnica. Depois de trabalhar por três anos como autô-
nomo, ingressou na São Paulo Light & Power e depois no Daee. Autor de vários artigos
e trabalhos técnicos, chegando a exercer o cargo de diretor de Divisão de Materiais do
Daee. Trabalhou na Eletropaulo como assessor de Diretoria e superintendente de Com-
pras. Aposentou-se em 1996. Casou-se com Aquico Takahashi e teve uma filha. Faleceu
em 2002, aos 73 anos.

1954
Hitoshi Nagahashi
Nascido na província de Ehime (Japão), em 1926. Veio ao Brasil com quatro anos de idade.
Formou-se engenheiro mecânico-eletecista na Escola Politécnica. Casou-se com Mizu Na-
gahashi, com quem teve dois filhos. Faleceu em 1959.

1954
Jorge Atsushi Kayano
Nasceu em 1928, em Cerqueira César (SP). Ao se formar na Politécnica em 1954, especiali-
zou-se em tecnologia de refrigeração, ar-condicionado e ventilação, por meio de cursos de
pós-graduação e estágios no exterior. Após ter trabalhado em empresas privadas, fundou a
Thermoplan Engenharia Térmica. Foi consultor técnico do Hospital das Clínicas. Lecionou
a disciplina de Termodinâmica e Máquinas Térmicas na Politécnica, na FEI e na Escola de
Engenharia Mauá. Aos 80 anos, é casado com Sumiko Emura Kayano e tem cinco filhos.

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homenageados

1954
Mitsuo Ohno
Nasceu em Sete Barras (SP), em 1930. Formou-se em Engenharia Civil na Politécnica, onde
lecionou por 30 anos. Foi supervisor da Seção de Levantamentos e Cadastros das Centrais
Elétricas de São Paulo - Cesp. Foi perito avaliador da antiga Comasp, da Cesp e do Daee.
Foi responsável pela avaliação e executou planos de desapropriação de imóveis inundados
por represas. Perito de confiança de juízes e dos tribunais de Justiça e de Alçada Civil. É
casado com a Tocico Ohno e tem quatro filhos.

1954
Reozo Ii
Nasceu em Uberaba (MG), em 1928. De início, trabalhou na Delegacia de Terras e Colo-
nização de Mato Grosso. Depois, tornou-se engenheiro agrônomo da Casa de Lavoura de
Presidente Venceslau (SP). Foi o organizador da 1ª Exposição Agrícola desse município.
Em sua homenagem, o Governo de São Paulo conferiu o nome de Reozo Ii à Casa da Agri-
cultura de Presidente Venceslau. Foi um dos fundadores do Lions Clube local. Casado com
a professora Irene Reiko Ii, teve quatro filhos. Faleceu em 1963.

1954
Seiki Ueta
Natural de Santa Bárbara do Rio Pardo (SP), nasceu em 1922. Formou-se engenheiro quí-
mico em 1954 pela Politécnica. Após breve passagem pela Sambra Alimentos, ingressou na
Petrobras em atividades ligadas à industrialização do xisto, nas usinas de Tremembé (SP)
e Curitiba (PR). Transferiu-se para a Refinaria de Paulínia, terminando suas atividades na
Refinaria do Vale do Paraíba, como organizador do seu sistema de segurança. Aposentou-
se em 1983. Foi dedicado colaborador na comunidade religiosa de Tremembé. É falecido.

1954
Seiti Sacay
Nasceu em Igarapava (SP), em 1928. Quando criança, trabalhou na lavoura. Fez o ginásio
em Birigüi, cidade que, 70 anos depois, concederia-lhe o título de Cidadão Birigüiense.
Formou-se em Engenharia Mecânica e Elétrica pela Politécnica, em 1954. Como estagiário,
percorreu todos os departamentos da então Light. Contratado pela Philips, trabalhou na
empresa por 48 anos. Após a aposentadoria, tem se dedicado a atividades culturais e as-
sistenciais, ocupando cargos de responsabilidade em várias instituições nikkeis. Tem seis
filhos. Está com 80 anos.

1954
Shigeo Hirama
Nasceu em Sendai (Japão), em 1931. Chegou ao Brasil com os pais, aos três anos, dirigindo-
se à região da atual Guaimbê (SP). Formado na Esalq em 1954, tornou-se desde cedo um
pesquisador de renome. Notabilizou-se na cafeicultura, revolucionando métodos de cultura.
Foi agraciado com vários prêmios, medalhas e diplomas, entre os quais a medalha Mal. Can-
dido M.S. Rondon, pela Sociedade Geográfica Brasileira. Foi o 1º diretor da Escola Agrícola
de Apucarana e o representante da cafeicultura do Paraná com o IBC. Tem 77 anos.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1954
Shigeo Mizoguchi
Nasceu em Yokohama (Japão), em 1924. É brasileiro naturalizado. Formado na Esalq em
1954, dedicou-se notadamente à formação e aperfeiçoamento de pessoal em atividades
agrícolas. É o criador de escolas-fazenda e de escolas agrícolas, tendo sido diretor da Esco-
la Fazenda de Presidente Prudente. Foi diretor geral do Ensino Agrícola no Estado de São
Paulo e vice-diretor do Centro Nacional de Aperfeiçoamento de Pessoal para Formação
Profissional. Foi consultor internacional do BID e da Jica. Faleceu em 2003, com 79 anos.

1954
Takao Sugahara
Nasceu na província de Hokkaido (Japão), em 1929. Cursou a Esalq e se formou em 1954.
Trabalhou na Fundação Rockefeller e, em seguida, em diversas empresas multinacionais,
como Dupont, Ciba e Pfizer, e também na estatal Agrobras. Tornou-se independente ao
montar a firma Dubibras Produtos e Implementos Agrícolas. Faleceu em 1982, aos 52 anos
de idade. Casado com Maria Aparecida M. Sugahara, teve quatro filhos.

1954
Takeo Aibe
Natural de São José do Rio Pardo (SP), em 1929. Formado em Engenharia Civil pela Poli-
técnica e, depois, em Administração de Empresas. Sempre trabalhou na área de Engenha-
ria, com cálculo de estrutura e fundações, prestando serviços de consultoria nas mesmas
áreas. Fez várias obras sociais, como principais, construções de escolas. Casou-se com Zil-
da Costa Aibe e teve um filho. Faleceu aos 62 anos.

1954
Tamotsu Sawaki
Nascido em Hokkaido (Japão), em 1921. Chegou ao Brasil aos nove anos de idade, acompa-
nhado dos seus pais. Morou em Bastos (SP) e depois em Londrina (PR). Mais tarde, mudou-
se para São Paulo, onde se graduou em Engenharia Elétrica e Civil no Mackenzie. Por mais
de cinco décadas, desenvolveu projetos na área de construção civil voltado às indústrias
têxteis em Suzano e Mogi das Cruzes e também nas indústrias de Portugal. Casou-se com
Kineko Sawaki com quem teve duas filhas. Faleceu em outubro de 2005, aos 84 anos.

1954
Yosizo Kubota
Nasceu em 1927, em Fukushima (Japão). É naturalizado brasileiro. Formou-se engenheiro
mecânico-eletricista na Politécnica em 1954. Fez vários cursos de pós-graduação e foi bol-
sista no Japão durante um ano, quando estagiou na indústria de equipamentos pesados da
Toshiba. Foi engenheiro da Light e da Belsa – Bandeirantes de Eletricidade S.A. –, ocupan-
do cargos de chefia. Atuou como consultor de várias empresas. Foi professor do Senai, da
Escola Técnica Bandeirante e da Escola de Engenharia Mauá. Tem 81 anos.

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homenageados

1955
Akira Kagano
É natural de Cerqueira César (SP), nasceu em 1923. Chegando a São Paulo para continuar
os estudos, foi interno do Instituto Nipo-Brasileiro, do Prof. Midori Kobayashi. Cursou no
Instituto Mackenzie a Escola Técnica e, em seguida, a Escola de Engenharia, onde se formou
em 1955 em Eletro-Mecânica. Como profissional, trabalhou em sociedade elaborando proje-
tos e executando instalações elétricas. Foi casado. Faleceu em 1987, aos 64 anos.

1955
Alberto Kawano
Nascido em São Paulo (SP), em 1931. Cursou Engenharia Mecânica e Elétrica na Politécni-
ca e, no primeiro ano de atividade, exerceu a função de engenheiro projetista de instalações
industriais na Sanbra – Sociedade Algodoeira do Nordeste Brasileiro. Trabalhou na Vemag
e, depois, na Ford Motors, ambas indústrias montadoras de veículos, em controle de quali-
dade. Foi diretor de uma indústria de autopeças de fabricação de bobinas e, posteriormen-
te, diretor de uma indústria eletroeletrônica, quando se aposentou. Está com 77 anos.

1955
Antonio Hideto Kobayashi
Nascido em São Paulo (SP), em 1931, foi o primeiro nikkei a se formar pelo ITA no curso
de Engenharia de Aeronaves. Foi engenheiro de vôo na Real Aerovias e, depois, gerente de
manutenção da Vasp. Em suas funções, permaneceu longo tempo nos Estados Unidos nas
empresas Lockeheed e Boeing. Ocupou o cargo de chefe de Qualidade da Embraer, empre-
sa em que se aposentou. Faleceu em 2003. Seu nome foi atribuído a uma das ruas de São
José dos Campos. Casado, teve dois filhos.

1955
Katuyuki Takita
Nasceu em Lins (SP), em 1931. Formou-se engenheiro civil pela Escola Politécnica. Após a
sua formatura, em 1956, em sociedade com seu colega de turma Mamoru Samomiya, fun-
dou a Takita & Samomiya Engenharia e Construções, atuando no ramo da construção civil,
trabalhou durante toda a sua vida profissional nessa empresa. Dentre as inúmeras obras
executadas, destacam-se as fábricas da Yakult, Komatsu Tratores e NEC. Foi casado com
Shigueko Takita e faleceu em 1997, aos 65 anos.

1955
Kazuyuki Ikawa
Nasceu em Hiroshima (Japão), em 1932. Chegou ao Brasil no dia 29 de abril de 1933, com
seus pais, Shunichi e Sueko Ikawa, para trabalhar na agricultura. Formado em Engenharia
Civil pelo Mackenzie, era amante da arte e cultura japonesa. Concluído o curso, abriu jun-
tamente com seu amigo e colega Hidetoci Kawata, a empresa Ikawa, Kawata Engenharia
e Construções Ltda. Com o falecimento de Kawata, trabalhou também com outro colega
Setsuo Kamada. Faleceu em janeiro de 2001.

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homenageados

Foto Transparência: Acervo do MHIJB/SP


1955
Mamoru Samomiya
Nasceu em Araçatuba (SP), em 1927. Formou-se na Politécnica em 1955. No ano seguin-
te à formatura, fundou com o engenheiro Katsuyuki Takita a firma Takita & Samomiya
Engenharia e Construções. A empresa foi a responsável pela construção de um conjunto
de importantes obras como as fábricas da Yakult, Komatsu Tratores e NEC. Foi um dos
fundadores do Arujá Golf Club, bem como diretor de outras associações e entidades da
comunidade nikkei. Deu elevada colaboração ao Hospital Santa Cruz, como seu diretor
técnico. Tem 81 anos.

1955
Minolo Morita
É natural de Presidente Bernardes (SP), nasceu em 1931. Fez o curso de Engenharia Elé-
trica e Mecânica na Escola Politécnica, formando-se em 1955. Foi colega de turma do ex-
governador Mário Covas. Em sua atividade profissional, atuou, sobretudo, na área de com-
pras e suprimentos, tendo trabalhado em cargos de chefia e direção em grandes empresas
como Sambra, Vemag, Walita, Engesa, Lucas, Brinquedos Estrela, Fiat e Honda. Há 20
anos dedica-se à consultoria imobiliária. Tem 78 anos.

1955
Nozomu Makishima
Nasceu em Pindorama (SP), em 1932. Formando-se na Esalq, em 1955, fez na Universidade
Federal de Viçosa (MG), mestrado em Olericultura. Trabalhou na Embrapa Hortaliças, na qual
foi chefe de Pesquisas e difusor de tecnologia. Coordenou cursos internacionais sobre produção
de hortaliças da Embrapa, em convênio com a Jica. Foi presidente da Sociedade de Olericultura
do Brasil. É autor de mais de uma centena de obras. Foi contemplado dentre várias honrarias,
com o Prêmio Marcilio Dias da Associação Brasileira de Horticultura. Tem 76 anos.

1955
Pedro Issao Ito
Filho do missionário pioneiro João Yasoji Ito, da Igreja Anglicana, nasceu em São Paulo
(SP), em 1931. É formado pela Politécnica em 1955. Trabalhou inicialmente como enge-
nheiro de indústria automobilística na General Motors e na Ford. Transferiu-se, depois,
para a Brown Boveri atuando como gerente de Programação. Retornou à Ford, então da
Autolatina. Após a aposentadoria, continuou em atividade como coordenador de vendas da
NSK Nakanishi Industrial. Casado com Gisela Maria Ito, tem dois filhos.

1955
Sadame Itinose
Nasceu em 1921, em Araçatuba (SP). Ao se formar pela Politécnica, retornou à terra natal,
onde teve uma farmácia. Adquiriu depois uma fazenda em Aparecida do Taboão (MS), foi
avaliador do Banco do Brasil. Transferindo-se, em seguida, para Cuiabá, dedicou-se à cria-
ção de gado. Reside atualmente em Sinop (MT). Por onde passou, dedicou-se ao magistério
secundário. Mais recentemente, foi professor da Universidade Estadual de Mato Grosso.
Está com 87 anos.

1957
Harumi Ohno Dal Porto
É natural de Sete Barras (SP), nasceu em 1932. Cursou a Escola Politécnica, na qual se
formou em 1957 como a 1ª mulher nikkei a concluir o curso de Engenharia no Estado de
São Paulo. Especializou-se em projetos de sistemas de abastecimento de água e de esgotos
sanitários. Trabalhou em diversas entidades do setor de saneamento do governo do Estado
e, por fim, no Departamento de Águas e Energia Elétrica, em assuntos relacionados ao
aproveitamento de água subterrânea. Aposentou-se em 1995.

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entrevista

Maçahico Tisaka:
em quase um século de
tradição, o único presidente
descendente de japoneses
Primeiro presidente nikkei do Instituto de Engenharia, Maçahico Tisaka dirigiu a
instituição em duas gestões (1989-1991 e 1991-1993). Nascido em São Paulo
(SP), formou se em Engenharia Civil pela Escola Politécnica, em 1964. Fez pós-
graduação em várias disciplinas de planejamento e transportes, especialização
em administração de empresas e em economia rodoviária, custos e orçamento de
obras de Engenharia

Teve intensa participação na exe- mas, por uma questão de classifica- e à minha empresa. Entretanto, pela
cução de grandes obras prediais, ro- ção, acabei me inscrevendo em En- minha recusa, surgiram vários candi-
doviárias, ferroviárias, obras de arte, genharia Civil. Durante dois anos, datos à presidência e havia um risco
túneis, metrô e usina hidrelétrica. freqüentei várias disciplinas de Enge- muito grande de se eleger um candi-
Ocupou importantes cargos de res- nharia Mecânica, tais como desenho dato da oposição, o que não era dese-
ponsabilidade em empresas privadas técnico, termodinâmica, oficina me- jado pela maioria. Houve um acordo e
e no Governo do Estado de São Paulo. cânica e outros. No entanto, depois acabei me tornando candidato único
É autor do livro “Orçamento na Cons- desse período, mesmo podendo me a disputar o cargo.
trução Civil.” transferir para o curso de mecânica,
Atualmente é empresário da cons- cheguei a conclusão de que a Enge- Instituto de Engenharia -
trução civil, consultor de empresas, nharia Civil era a minha vocação, ? Quais foram os desafios nas
conselheiro do Crea-SP, membro pois poderia executar grandes obras, suas gestões?
do Conselho Consultivo da Revista estar em vários lugares diferentes e, Maçahico Tisaka - Durante os
Construção Mercado. Além disso, no sobretudo, trabalhar ao ar livre. muitos anos que participei das inten-
Instituto de Engenharia, é membro sas atividades dentro e fora do Insti-
vitalício do Conselho Consultivo e ár-
bitro da CMA- Câmara de Mediação e ? Instituto de Engenharia - O
que o impulsionou a se can-
tuto, antes de ser presidente, sempre
defendi a tese de que a nossa entidade
Arbitragem. didatar a presidente do Instituto deveria, além de promover grandes
de Engenharia? debates sobre os problemas nacionais

? Instituto de Engenharia - O
que o motivou a escolher a
Maçahico Tisaka - Antes de me
candidatar à presidência, havia sido
e de lutar pela defesa da Engenharia
e dos engenheiros, sair do casulo,
Engenharia Civil? vice-presidente por quatro mandatos, apresentar-se à sociedade e ser pro-
Maçahico Tisaka - Quando in- em diferentes épocas e funções, e não tagonista de um grande movimento
gressei na Escola Politécnica pensava pretendia candidatar-me a cargo al- de recuperação econômica e social do
em cursar a Engenharia Mecânica, gum para dedicar-me mais à família País, em conjunto com as principais

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entrevista

entidades representativas da classe

Foto: Instituto de Engenharia


empresarial e trabalhadora.
Assim, na minha posse como
presidente, lancei o Movimento Na-
cional pela Melhoria da Qualidade e
Produtividade com o argumento de
que a nação brasileira só cresceria
economicamente se melhorasse a sua
produtividade, eliminando os desper-
dícios que há em todos os setores e
melhorando também a qualidade dos
seus produtos para competir no mun-
do globalizado.
Com grande entusiasmo e determi-
nação, consegui o apoio da Fiesp, das
federações empresariais da indústria
e o do comércio de vários Estados do
Brasil, das associações comerciais,
das confederações dos trabalhadores,
como CUT, CGT e Força Sindical, das
entidades de classe profissionais e uni-
versidades, da mídia escrita, falada e
televisada, tendo havido uma enorme Maçahico Tisaka
adesão e repercussão em todo o Brasil.
Percorri as principais cidades
brasileiras fazendo palestras e pro- No final da primeira gestão, a en- apenas como um mero defensor de
movendo debates com a presença de tidade realizou um importante con- interesses corporativistas ligadas aos
centenas de pessoas, realizadas pelas vênio com a JPC - Japan Produtivity engenheiros e à Engenharia, que, em
entidades engajadas na campanha, Center -, uma das mais conhecidas última análise, são eles os próprios
levando a mensagem do movimento e organizações internacionais que se beneficiários.
elevando bem alto o nome do Institu- dedica à matéria. Essa instituição
to de Engenharia.
Após o presidente Collor assumir
enviou um grande especialista que
trouxe enormes contribuições para o ? Instituto de Engenharia -
Qual é a mensagem para os
o governo, o Instituto de Engenharia fortalecimento dos conceitos sobre a futuros engenheiros?
teve uma participação relevante na qualidade e produtividade no Brasil. Maçahico Tisaka - Os futuros
formulação do PBPQ - Programa Bra- Assim, pode-se creditar ao Insti- engenheiros têm três caminhos para
sileiro de Qualidade e Produtividade tuto de Engenharia o início de uma escolher, dependendo da sua voca-
-, criado no início do seu governo, o grande e significativa mudança na ção. Seguir a carreira de professor,
que levou o presidente da República a mentalidade dos profissionais de to- arranjar um bom emprego ou ser um
ter o presidente do Instituto de Enge- das as categorias com relação aos empreendedor. Qualquer que seja o
nharia como seu convidado especial conceitos de qualidade e produtivida- caminho escolhido, para ter sucesso
no lançamento do Programa. de até então restrito a poucos especia- na profissão, tem de se preparar para
Foi realizado ainda com grande listas dedicados ao assunto. os pequenos e grandes desafios que
sucesso, o I Congresso Brasileiro Quanto aos outros desafios, foram surgirão pela frente, continuar estu-
para a Qualidade e Produtividade em vários, porém é importante salientar dando muito. Ousar, porém com os
São Paulo, no Anhembi, que contou que a maioria deles foi dentro do pés no chão, inovar para não cair no
com a presença de vários ministros enfoque de inserção da entidade na lugar comum, ser paciente perante às
e comparecimento de mais de 2.300 sociedade como catalisador do pro- incertezas e não esmorecer diante das
participantes vindos de várias partes cesso de desenvolvimento econômico vicissitudes que certamente surgirão
do País. e social da Nação Brasileira, e não no exercício da profissão. IE

Instituto de Engenharia • Especial • Outubro 2008 39

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nikkei Por Fernanda Nagatomi

Os caminhos dos
engenheiros nikkeis

Foto: Acervo do MHIJB/SP


Trem de Santos a São Paulo - década de 1920

A
pós 23 anos da chegada a sua formação profissional. rio, foi para Presidente Prudente (SP)
oficial dos primeiros imi- fazê-lo. “Na escola primária de Regis-
grantes japoneses no Brasil, Jorge Watanabe – Era 1917, o tro não existia ainda o 4º ano.”
diplomava-se, em Engenha- Wakasa Maru aportou em Santos e Mudou-se para São Paulo aos 14
ria Civil, o primeiro nikkei no Estado desceram Tsumetaro e Tsuji Watana- anos, com uma bolsa do governo ja-
de São Paulo. Era Takeo Kawai, na be. Foram diretamente para Registro ponês, que incluía um pensionato na
tradicional e centenária Universidade (SP), onde haviam adquirido uma Liberdade. Terminou o Ensino Funda-
Presbiteriana Mackenzie. Depois dele, pequena terra da companhia Kaigai mental, chamado de Ginásio na época,
muitos outros descendentes de japone- Koogyo Kabushiki Kaisha (KKKK). no colégio Ginásio do Estado de São
ses escolheram essa área de atuação. Lá cultivavam algodão e banana. Paulo e prestou o exame vestibular na
Famosos pela facilidade de lidar Devido à desenvoltura de seu pai Pré-Politécnica. Dois anos mais tarde,
com os números, milhares de nikkeis para assuntos administrativos da co- ingressou em Engenharia Química.
seguiram a Engenharia. Por isso, nes- lônia de Registro, ele ficou respon- “Como nessa época havia dificuldade
te ano, em comemoração ao centená- sável pelo registro de nascimento, de trabalho nessa área, após dois anos,
rio da imigração japonesa, o Instituto casamento e falecimento no cartório transferi-me para o curso de Engenha-
de Engenharia homenageia os 100 da Comarca de Iguape (SP) e no ar- ria Mecânica Elétrica.” No entanto, de-
primeiros engenheiros nikkeis for- quivo para o Consulado do Japão, em cidiu mais uma vez mudar de curso e
mados no Estado de São Paulo. Santos (SP). Em 1937, mudaram-se foi para Engenharia Civil pela facilida-
Como não seria possível entrevis- para Londrina (PR) e se dedicaram de de encontrar trabalho nesse ramo
tar todos os homenageados em virtude ao comércio. de atividade. “Desta maneira, formei-
da falta de tempo, a comissão organi- Em 1920, ainda em Registro (SP), me em Engenharia Civil pela Escola
zadora decidiu escolher um engenhei- nasceu o primeiro filho, chamado Politécnica da USP, em 1946.”
ro pra representar cada escola e nos Jorge Watanabe. Aos 8 anos, come- Pai de uma engenheira, sua única
mostrar os caminhos trilhados desde çou a estudar o primário na cidade, filha, é casado com Yasco Watanabe
a chegada de sua família no Brasil até mas, como não havia o 4º ano primá- há 56 anos.

40 Instituto de Engenharia • Especial • Outubro 2008

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nikkei

Kazuo Nakashima – No final de

Foto: Arquivo Jorge Watanabe


1926, embarcaram no Santos Maru a
família Nakashima. Eram os pais e qua-
tro filhos, dentre eles Kazuo Nakashi-
ma com apenas quatro anos de idade.
Chegaram ao Brasil em janeiro de 1927
e foram trabalhar na lavoura de café na
fazenda São Martinho, entre Barrinha
e Sertãozinho, no Estado de São Paulo.
Seus pais, em 1931, compraram terras
em Sete Barras (SP) e começaram a
plantar arroz. “Como não havia uma
maneira de transportar a mercadoria,
perderam toda a safra.” Em 1932, vol-
taram à fazenda São Martinho, onde
cultivaram algodão.
Turma de 1946 da Politécnica, em 1958
Nascido em Shizuoka (Japão),
em 1923, Nakashima começou seus o curso de Mecânica na FEI, mas se aos seis anos, chegou, com seus pais,
estudos aos 14 anos, em Jaboticabal, transferiu para Engenharia Civil no Ma- ao Porto de Santos no navio Rio de
onde sua família havia se mudado no ckenzie, formando-se em 1952. Ainda Janeiro Maru. Seguiram para Ca-
ano anterior. Em 1944, foi para São na faculdade, começou a trabalhar com felândia (SP), perto de Lins, com a
Paulo para fazer o último ano do En- cálculo numa empresa de Engenharia. finalidade de lidar com café. Após
sino Médio, denominado colegial, no Casou-se, em 1967, com Flavia três meses, a mãe de Sasaoka ficou
colégio Roosevelt. Enquanto estava Toshie Nakashima, com quem tem doente e a família decidiu se mudar
na capital, morou em uma pensão de um filho. para Santa Isabel (SP), onde come-
uma família amiga. çaram a plantar verduras. “Diziam
Por duas vezes, tentou a Poli, mas Tamaaki Sasaoka – Nascido que o clima de Santa Isabel seria bom
sem sucesso. Então, em 1947, iniciou na província de Hokkaido (Japão), para minha mãe”. Foi tão bom que a

Foto: Arquivo Kazuo Nakashima

Encontro da turma de 1952 do Mackenzie, em 2001

Instituto de Engenharia • Especial • Outubro 2008 41

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nikkei

mãe dele se curou e recebeu um con-

Foto: Arquivo Tamaaki Sasaoka


vite para fundar uma pequena escola
para as crianças da colônia japonesa
em Arujá, cidade vizinha.
Em Santa Isabel, seu pai planta-
va verduras e Sasaoka iniciava suas
atividades escolares. Segundo o en-
genheiro, aos 10 anos, seus estudos
foram interrompidos porque seu pai
foi convidado a trabalhar no comér-
cio em São Paulo, vendendo verdu-
ras no mercado municipal. “Muitas
verduras que o meu pai vendia não
eram conhecidas pela população”,
lembrou sorrindo.
A família mudou para São Paulo
e Sasaoka terminou o primário no
Taisho e cursou o ginásio e colegial
no colégio Paulistano, ambos na Li-
berdade. Começou a cursar Engenha-
ria Mecânica na FEI, quando ainda
era na Rua São Joaquim (Liberdade),
formando-se em 1953. Turma de 1953 da FEI
Em 1957, casou-se com Suzuka
Sasaoka e tem uma filha e um filho. dou desde o primário até o 2º colegial, nomos. Apesar de ter se aposentado
quando foi para São Paulo completar em 1994, ainda continua na ativa.
Hiroshi Ikuta – Nasceu em o colégio. Estudou no colégio Anglo Atualmente, além de professor convi-
Mogi das Cruzes (SP), em 1929. Filho Latino e morou em uma república. dado da UMC - Universidade de Mogi
de Torao e Tamie Ikuta. Seus pais che- Como sua família sempre se dedi- das Cruzes –, desenvolve trabalhos
garam ao Brasil em 1918 e trabalha- cou à agricultura, tomou a decisão de de Melhoramento de Orquídeas em
ram na lavoura de café na cidade de estudar Engenharia Agronômica. Em convênio com a Aflord – Associação
Guatapará (SP). “Após o término do 1950, entrou na Esalq, formando-se dos Floricultores da Via Dutra – e a
contrato, foram para Mogi das Cru- em 1954. Fapesp – Fundação de Amparo à Pes-
zes, onde começaram a trabalhar com Viúvo de Suga Neguishi Ikuta, quisa do Estado de São Paulo.
hortaliças e fruticultura”, lembrou. tem duas filhas e três filhos, sendo Mesmo diante das dificuldades
Em sua terra natal, Hiroshi estu- que dois deles são engenheiros agrô- com a língua e a cultura, esses profis-
sionais pioneiros mostraram perse-
verança, disciplina e firmeza e vence-
Foto: Acervo Esalq

ram as diferenças. Atualmente, como


parte da sociedade brasileira, cente-
nas de engenheiros nikkeis saem da
universidade todos os anos, ajudando
no desenvolvimento de sua Pátria. IE

Primeiros
O ITA também faz parte dessa
galeria com um único represen-
tante, formado em Engenharia
de Aeronaves, em 1955, Antonio
Hideto Kobayashi, que morreu aos
72 anos, em 2003.
A única mulher a estar na lista
dos pioneiros é a engenheira civil,
formada pela Politécnica em 1957,
Harumi Ohno Dal Porto.
Quadro da turma de 1954 da Esalq

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especial Por Paulo Soichi Nogami

Reminiscências de nikkeis
pioneiros na Engenharia
Uma explicação inicial a mais para assinalar a passagem de- gaya, formado três anos antes, tam-

A
les pelos caminhos por onde percorri bém na Poli, que trabalhava na Confab,
o observar a relação divul- também. Uma razão final para este uma grande indústria mecânica loca-
gada pelo Instituto de En- registro é o fato de não existir qua- lizada em Santo André. Ele e a esposa
genharia, contendo o nome se nada escrito, que faça referência D. Toyoko, irmã de Hajimu Ohno,
dos primeiros engenheiros à maioria dos engenheiros nikkeis gostavam de reunir jovens estudan-
nikkeis formados no Estado de São daquela época. Eles foram os precur- tes, moços e moças, na casa deles
Paulo, verifiquei que conhecia mui- sores da imensa corrente de profis- na Cidade Vargas, em animados en-
tos dos que fazem parte da lista. Eles sionais que iriam contribuir, com sua contros de confraternização. Tive o
eram cerca de metade do conjunto. competência, disciplina e garra, para privilégio de participar muitas vezes
Alguns deles, conheci há quase 70 a modernização deste País. dessas reuniões.
anos, quando ainda nem estudava En- Um outro que também conheci,
genharia. Outros tinham sido colegas Os primeiros que conheci mais, tarde foi Ayami Tsukamoto,
de internato ou de cursos secundá- japonês de nascimento, atarracado,
rios ou fiquei conhecendo em contato O primeiro nikkei de quem tive que foi o primeiro, se não um dos
com famílias de meu relacionamento. conhecimento como estudante de En- primeiros nikkeis que se formou em
E os demais foram contemporâneos genharia, foi Kaol Suguimoto, do Curitiba, na Faculdade de Engenha-
da Escola Politécnica e de outras es- Mackenzie. Quando eu estudava co- ria do Paraná. Ele trabalhou algum
colas de Engenharia, que conheci em mércio, no mesmo estabelecimento, tempo na empresa de um dos mem-
vários graus de aproximação. via-o andando esbelto e garboso pelos bros da família Matarazzo e, depois,
Detendo-me em cada nome, co- pátios arborizados daquela tradicional abriu uma firma de Engenharia, o
mecei a me lembrar da figura deles, escola. Por alguma razão, ele se formou Escritório Técnico Central, sediado
associada às particularidades físi- muito mais tarde do que imaginava. no Edifício Central, do mesmo Ma-
cas que me chamaram a atenção na Quando estudava no colégio, fi- tarazzo. Tornei-me muito amigo de
época. Foi um retorno agradável, que quei conhecendo alguns que já eram Tsukamoto. Foi ele quem construiu
achei que valeria a pena deixar re- formados como Hajimu Ohno, di- bem mais tarde a minha residência
gistrado, como memória dos tempos plomado na Politécnica, que traba- no Alto de Pinheiros, em São Paulo.
passados, embora de forma informal, lhava no Departamento de Estradas A minha carteira de motorista foi ti-
superficial e até irreverente. Lamen- de Rodagem – DER – de São Paulo, rada com o veículo que ele me em-
tavelmente, muitos não estão mais na construção da Via Anhangüera. prestou. O sócio de Tsukamoto, na
presentes entre nós. Seria um motivo E, também seu cunhado Masao Su- firma de Engenharia, era Shinichi
Kubo, que também fiquei conhecen-
Foto: Arquivo Paulo Soichi Nogami

do nessa época. Era engenheiro me-


cânico-eletricista, formado na Poli,
nascido no Japão, identificado pelo
seu bigode, pela fala pausada à pro-
cura da palavra certa em português
e pelo seu andar ligeiro. Além de
instalações elétricas, fazia também
muitos trabalhos de topografia. Foi
a firma desses dois engenheiros que
construiu o grande edifício da Casa
de Estudantes Harmonia, em São
Bernardo do Campo.
Convidado por Tsukamoto, fiz
com ele várias viagens de carro e,
numa excursão de grupo ao Pico de
Itatiaia, fiquei conhecendo Takeo
Kawai, da Cooperativa Agrícola de
Turma de Paulo Soichi Nogami - Politécnica 1950 Cotia. Ele era japonês também e foi o

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especial

O ingresso foi difícil, mas, para

Foto: Acervo Histórico do Mackenzie


mim, acompanhar o ritmo das au-
las foi mais difícil ainda. Não estava
acostumado com a intensidade e a
complexidade dos assuntos que eram
ministrados durante oito horas por
dia, de segunda a sexta-feira, além
das tardes de sábado. Não se podia
descuidar nem um pouco, senão era
dependência na certa.
Contudo, estava satisfeito e or-
gulhoso por ter conseguido alcançar
o objetivo a que me propusera. Ao
olhar para a fisionomia de meus co-
legas de turma, ficava imaginando a
inteligência deles e nas dificuldades
que também tiveram que enfrentar
para estarem onde estavam. E me
Primeiro prédio construído, em 1895, que abrigou a Escola de Engenharia e, agora,
é o Centro Histórico do Mackenzie
sentia feliz por me incluir num grupo
tão heterogêneo mas privilegiado de
primeiro engenheiro nikkei formado 1946. Passando os olhos sofregamen- colegas das mais variadas procedên-
no Brasil, pelo Mackenzie, em 1931. te, encontrei lá o meu nome, pouco cias, como nunca tinha visto ante-
Comentava-se que suas obras pri- antes do meio da lista. Dei um salto riormente. Eles eram paulistanos de
mavam pela sobriedade e robustez de alegria porque era o coroamen- vários bairros, ricos e pobres, e inte-
folgada. Ele era, além de engenheiro, to de um período de vários anos de rioranos de lugares diferentes como
um intelectual. profunda dedicação aos estudos. Eu Campinas, Franca, Cotia, Santos, Co-
Quando eu ainda me preparava tinha feito inicialmente um curso lônia Varpa, Getulina e Catanduva,
para a Engenharia, sabia que Massa- técnico de contabilidade, no Institu- e de outros Estados como do Ceará,
mi Hirota, que tinha visto algumas to Mackenzie. Quando meu pai me Alagoas, Sergipe e Santa Catarina. As
vezes em reuniões da Liga Estudanti- aconselhou a estudar mais, decidi mais variadas etnias estavam repre-
na Nipo-Brasileira, sempre elegante, fazer Engenharia. No entanto, para sentadas, inclusive nós, nikkeis, que,
lábios carnudos, fazia o curso na Po- isso, tive que começar tudo de novo inicialmente, éramos três apenas.
litécnica. Muito mais tarde, vim sa- porque o curso comercial daquela
ber que, na profissão, ele se dedicava época não dava equivalência com o Os colegas de turma nikkeis
a projetos e execuções de instalações ginásio para fins de prosseguimento.
elétricas, numa época em que se co- Tive que fazer dois anos de madure- Um dos que entraram comigo era
meçava a utilizar conduítes flexíveis za e mais o colégio inteiro. Com isso Siguer Mitsutani, que já era meu
de plástico, em lugar de tubos de aço e com outros atrasos, entrei na Poli colega de classe desde os tempos do
rígidos. E, conheci em outros encon- com 23 anos, que é uma idade para se Colégio Estadual Presidente Roose-
tros Kira Yssao, registrado com o formar e não para começar. velt. Ele estava lá vindo do famoso
sobrenome antecedendo o nome, à O exame vestibular tinha sido di- Ginásio do Estado, do Parque D. Pe-
maneira japonesa. Entretanto, meus fícil. Muitas das questões não eram dro II. Possuindo uma tez fortemente
contatos com ele foram tão ligeiros mais como as que foram nos anos bronzeada, era inteligente, metódico
que não fiquei sabendo de maiores anteriores, do estilo tradicional. Com nos estudos, de agradável trato e de
detalhes sobre suas atividades. o fim da 2ª Guerra Mundial, ocorrido sorriso franco e sonante. Foi um dos
no ano anterior, o intercâmbio acadê- três primeiros colocados no exame
Meu ingresso na Politécnica mico com os países aliados tinha au- de habilitação. E já trabalhava fa-
mentado e novos tipos de problemas zendo bico em traduções de japonês.
Freqüentemente me perguntam foram introduzidos nos exames, atra- Dedicou-se ao cálculo de estruturas,
qual foi o momento mais feliz de mi- palhando os candidatos. Dentre cerca um assunto que ele dominava muito
nha vida. Sempre tenho que refletir de 600 inscritos, para 160 vagas, só bem. O outro era Gen Tsunashima,
para poder responder, mas um dos foram aprovados 80. Ficamos sendo que só fui conhecer no primeiro dia
que mais me marcou e me alegrou conhecidos como os alunos da “Turma de aula. Estranhei-o quando ele veio
aconteceu quando vi no jornal a lista dos 80”. O exame de habilitação não falar comigo. De fisionomia bem ar-
de aprovações no exame de habilita- era apenas classificatório; exigia-se redondada, tinha certo embaraço em
ção da Escola Politécnica, no ano de uma nota mínima para ser aprovado. pronunciar as palavras em português

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especial

e aparentava ter mais idade que os mais tinha ouvido falar. Não era pa- faculdades, que acabou vingando.
demais. Logo fiquei sabendo que era rente de Hajimu Ohno, que conhe- No 4º ano, eram alunos nisseis:
japonês de origem e que tinha 27 cia, mas imaginava que ele era o mais Eduardo Riomey Yassuda, Ma-
anos, isto é, quatro anos a mais em antigo dos nikkeis que se formaram na sakazu Outa e Quincas Kajimo-
relação a mim, que já me considerava Politécnica. Nem depois, na sociedade to. Yassuda andava sempre bem
bastante idoso. Ele era órfão de pai e em que freqüentava, ouvi um comen- trajado e era tido como aluno bri-
havia trabalhado e lutado muito para tário qualquer sobre esse engenheiro. lhante. Em casa, contaram-me que
poder estudar. Cedo aprendi a dar va- Não era dos que circulava no pequeno ele devia ser filho de Ryoiti Yassuda,
lor a ele e nós nos tornamos grandes círculo de nikkeis da época. Os demais que veio ao Brasil com meu avô Sa-
amigos. Casou-se com Clara Kishi- diplomados não me eram estranhos, buro Kumabe, em 1906. Era assis-
moto, muito amiga de minha esposa, conforme já me referi. tente-aluno do Prof. Lucas Nogueira
no tempo de solteiras. Foi ele quem No 6º ano de Minas e Metalurgia Garcez, catedrático de Hidráulica e
cuidou da reforma de minha casa, 27 estava o Tomio Kitice, com o seu Saneamento. Após se formar, tor-
anos após a formatura. Trabalhou bigode característico. Trabalhou ini- nou-se assistente da cadeira e, ao
muito tempo como engenheiro da cialmente no IPT - Instituto de Pes- ser instalado o curso de Engenharia
Cooperativa Agrícola Sul-Brasil, mas quisa Tecnológicas -, foi professor e Sanitária, na Faculdade de Saúde Pú-
antes tinha permanecido um bom depois passou a dirigir uma indústria blica, tornou-se docente de uma das
período em Volta Redonda, na firma mecânica constituída por empresá- disciplinas. Nessa faculdade, pres-
Sobraf, de São Paulo, na supervisão rios japoneses aqui residentes. tou concurso público para professor
de obras de fundações na Companhia No 5º ano, estava o Jorge Wata- catedrático, tendo sido o primeiro
Siderúrgica Nacional. nabe que já havia visto anteriormen- nissei a alcançar esse título na Uni-
No meio do ano de 1946, foi aber- te andando em companhia de Ayami versidade de São Paulo. Foi ainda
to um exame especial de habilitação Tsukamoto. Jorge era calmo, pon- secretário de Estado de Obras e Ser-
destinado a expedicionários que ti- derado e de fala pausada. Participava viços Públicos no governo Abreu So-
nham retornado dos campos de bata- como o mais veterano dos politécni- dré. Tive a oportunidade de trabalhar
lha da Itália. Entre eles estavam dois cos nas reuniões que alguns nisseis com ele durante quase 20 anos, em
nisseis: Yoshihiko Mio e Paulo da Poli realizavam, com a idéia de vários cargos e devo a ele a consoli-
Fueta. Este último ficou certo tempo fundar uma associação de estudan- dação de minha carreira profissional.
como integrante da nossa turma, mas tes nikkeis. A iniciativa foi combati- Massakazu Outa, que via andando
depois deixou de ser visto. Pensava da pelos que pertenceram à extinta sempre só, no setor da Engenharia
que talvez tivesse se transferido para Liga Estudantina Nipo-Brasileira Química, passou a trabalhar no IPT.
alguma escola, em outro Estado, ou (posteriormente Liga Estudantina de Quincas Kajimoto, de quem ouvia
mesmo deixado de estudar, por algu- São Paulo) e a idéia terminou sendo falar em Ribeirão Pires e conhecia de
ma forte razão. Até hoje desconheço abortada. No entanto, deu ensejo, vista, teria se tornado engenheiro do
o motivo. Era muito simpático. Mio logo a seguir, a um movimento maior Instituto de Previdência do Estado
viera de Getulina, falava pausada- abrangendo universitários de outras de São Paulo.
mente e tinha um certo quê de cabo-
clo. Era um pouco reservado, de ar
Foto: Arquivo Paulo Soichi Nogami
assustado, entretanto era inteligente,
de bom gênio e amigo de todos. Tra-
balhou longos anos no DER - Depar-
tamento de Estradas de Rodagem -,
em Bauru.

Os anteriores da Politécnica

Ao chegar à Poli, observava com


curiosidade os quadros de formatura
que estavam afixados em paredes de
vários ambientes. Na grande sala de
aula do 3º piso do edifício Paula Sou-
za, cheia de mesas para desenho, havia
um quadro de formandos do distan-
te ano de 1935. Lá havia a fotografia
de um japonês de nome Schigueru
Ono, que não conheci e de quem ja- Prédio da Politécnica em 1947

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No 3º ano, faziam o curso Shi- nos de níveis diferentes. Os que esta- década de 1910. Yojiro tornou-se o
gueharo Deyama e Job Shuji vam na frente, pouca atenção davam maior empreendedor de construções
Nogami. Deyama andava sempre a nós e nós também não nos aproxi- imobiliárias e de urbanização em São
de avental e com um ligeiro sorriso mávamos muito deles e nem dos que Paulo. Renato Teruo Tanaka, fui
estampado num rosto de queixo arre- vinham depois. Todos eles pareciam conhecê-lo melhor mais tarde, com
dondado. Sempre denotava tranqüili- estar sempre sérios demais, talvez de- a sua energia e andar apressado e
dade e bem-estar. Depois de formado, vido à intensidade e dureza das aulas. oscilante, em razão de termos sido
tornou-se professor e pesquisador do De Airson Iabuti, apenas lembro- colegas de trabalho em órgãos esta-
Instituto de Eletrotécnica. Job, meu me bem de sua fisionomia alongada, duais de saneamento. Na gestão de
irmão logo abaixo, fazia o curso de Mi- austera, pouco nipônica. Edmundo Eduardo Riomey Yassuda como
nas e Metalurgia, que era de seis anos, Takahashi, ao contrário, tinha uma secretário de Obras do Estado, Ta-
razão pela qual só se formou com os feição meio quadrada e era de pou- naka foi conduzido à presidência da
alunos da turma seguinte. Ao se diplo- ca fala. Dedicou-se à Engenharia de Companhia de Saneamento da Baixa-
mar, foi trabalhar no DER. Quase ao Fundações. Goo Sugaya, de cabelos da Santista – SBS. Romeu Batista
mesmo tempo, passou a fazer parte do altos, andava meio curvado, pensati- Suguiyama, com um traço meio oci-
corpo docente da própria Escola Poli- vo, com sua bolsa debaixo do braço. dental e de bigode, era mais desem-
técnica. Reservado e simples em tudo, Era irmão de Masao Sugaya, sendo baraçado e comunicativo. Por alguma
era um estudioso e notabilizou-se em morador da Colônia, em Itaquera. razão, ele foi se diplomar na minha
estudos e pesquisas de materiais e Especializou-se em construções e em turma. Chinya Assahina, nascido
métodos construtivos de pavimentos levantamentos topográficos e geo- no Japão, aparentava ser um tanto
rodoviários de baixo custo. O Labora- désicos. Faleceu prematuramente. A idoso. Por ser do curso de química,
tório de Tecnologia de Pavimentos da primeira vez que vi Masayuki Fu- via-o menos, mas encontrava-o entu-
Escola Politécnica é identificado atu- ruya, que fazia o curso de Química, siasmado em reuniões de nikkeis fora
almente pelo seu nome. imaginei estar diante de um samurai, da escola. Goiti Suzuki conhecia-o
Na turma anterior à nossa, havia tal a semelhança com os espadachins bem de vista, mas não me recordo de
o maior contingente de nikkeis. Eram que via em ilustrações japonesas. Era ter tido algum contato maior.
Airson Iabuti, Chinya Assahina, filho do ex-embaixador do Japão na
Edmundo Takahashi, Goiti Su- Argentina (escapou milagrosamente Os posteriores da Politécnica
zuki, Goo Sugaya, Masayuki Fu- de um atentado da Shindo Renmei)
ruya, Renato Teruo Tanaka, Ro- e trabalhou no Instituto Oceanográ- Entre os que vieram depois, mas
meu Batista Suguiyama e Yojiro fico da USP. Formou-se mais tarde ainda na Poli, eram poucos com os
Takaoka. Não tive muito contato em Engenharia Civil também. Yoji- quais tinha alguma relação pessoal ou
com eles, apesar da proximidade em ro Takaoka, boa estatura, de feição um conhecimento maior. Um deles
termos de turma e nem soube direito triangular, com bigode e uma pinta era Sancho Morita, da turma ime-
da carreira de alguns depois de forma- no rosto que chamava atenção, era diatamente posterior, que já conhe-
dos. Lembro-me que, na Politécnica, filho de quem foi o primeiro médico cia por razões de família. Tornou-se
não havia muita integração entre alu- da comunidade nipo-brasileira, já na membro do corpo docente da Poli e
da recém-criada Faculdade de Enge-
Foto: Acervo FEI

nharia Industrial, tendo se dedicado


igualmente a várias atividades no
ramo da indústria mecânica. Casou-
se com a minha prima Toshiko Fu-
gita. Tetsuaki Misawa, nascido no
Japão, e por isso falava fluentemente
o japonês, era um dos que conhecia
bem pelos contatos anteriores e pelo
seu dinamismo e pela sua audácia.
Ele foi um dos fundadores do Cur-
so Cosmos, um preparatório para
o vestibular, e ainda da Associação
Cultural e Esportiva Piratininga, que
congregava estudantes e recém-for-
mados nikkeis no pós-guerra. Seus
associados promoviam anualmente a
chamada Caravana Estudantina para
Aréa de convivência ao ar livre da FEI em 1963 cidades do interior, no período de fé-

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rias. Contrariamente às expectativas

Foto: Acervo ITA


de que iria exercer a profissão como
autônomo, dedicou-se ao setor públi-
co, trabalhando no Departamento de
Águas e Esgotos da Capital. Casou-se
com Yoshiko Asanuma, que havia se
formado na medicina da USP vencen-
do os mais árduos obstáculos, confor-
me relatado no seu recente livro auto-
biográfico “Histórias de uma Vida”.
Hissao Momoi, de duas turmas
posteriores, foi meu colega de um in-
ternato na Rua Galvão Bueno, anos
atrás, e continuava sendo metódico,
formal e dono de um orgulho justifi-
cado. Lembro-me bem dele pela tez
clara e pela sua caligrafia impecável.
Muitos anos depois, encontrei-o no
ITA
bairro da Liberdade, quando me con-
tou que estava estudando shodô, a
arte tradicional da escrita japonesa, na Escola Politécnica. Na comunida- cola. Mitsuo teve a melhor classifica-
confirmando que continuava sendo de nipo-brasileira, é a personalidade ção no vestibular desse ano. Tornou-
adepto da caligrafia. Um colega de de maior destaque, uma vez que exer- se professor da cadeira de Topografia
turma dele era Mitomu Simamu- ce o cargo de presidente da Socieda- e Geodésia da própria Politécnica.
ra, de estilo reservado, bem vestido de Brasileira de Cultura Japonesa e Entre o grupo dos pioneiros, en-
de terno tipo jaquetão azul-marinho, de Assistência Social. Nessa mesma contram-se alguns que ainda estuda-
que já conhecia do tempo em que ele turma, estava Makoto Nomura. vam na Poli após a minha formatu-
morava com Tetsuaki Misawa na Quando apareceu como um novo alu- ra. Um deles, Pedro Issao Ito, já o
região do Mercado Central. Casou- no, as atenções se voltaram para ele conhecia por ser filho do respeitado
se com Nair Tone, de Ourinhos, que num misto de curiosidade e compai- Reverendo Yasuji Ito, conhecido da
também conheci em reuniões de estu- xão. Isso porque, pouco tempo antes, família, o primeiro pastor evangélico
dantes na residência de uma profes- o pai dele, conhecido empresário, que trabalhou com extrema dedica-
sora de japonês, em Pinheiros. Mito- jornalista esclarecido e redator-chefe ção com a comunidade japonesa no
mu tornou-se grande empresário de do jornal “Nippak Shimbun”, tinha Brasil. Sadame Itinose foi um dos
Engenharia em Londrina, onde há, sido uma das vítimas fatais da orga- meus colegas do internato da Rua
inclusive, uma rua com o seu nome. nização clandestina Shindô Renmei. Galvão Bueno, no início da década
Já estava além do meio do curso, No entanto, Makoto não externava de 40. Vinha de Araçatuba, cidade
quando conheci entre os “bichos”, a a dor e a tristeza internas que certa- de origem de muitos outros colegas,
figura de Kokei Uehara. Já nos pri- mente sentia e circulava com humor, nessa casa de estudantes. Itinose,
meiros contatos, fiquei sabendo que de avental branco, pelos pátios da Es- na época, gostava de argumentar
ele estava atrasado nos estudos por- cola. Três décadas após, quando tra- e era convicto em suas afirmativas.
que viera do Japão e ainda teve que balhava no Laboratório de Hidráuli- Expunha suas idéias sempre com o
trabalhar duro na lavoura com os de- ca da Escola Politécnica, ele e outros dedo indicador em riste. Foi tam-
mais membros da família. Graças à colegas de serviço almoçavam diaria- bém expedicionário. Houve alguma
ajuda e ao sacrifício de seus irmãos, mente num restaurante de comida outra razão, que não vim saber, que
viera à capital como o único que foi japonesa, no bairro de Pinheiros. Eu o fez atrasar na conclusão do curso
escolhido para prosseguir os estu- gostava de me juntar a eles, uma vez de Engenharia.
dos. Na Poli, foi um aluno maduro e por semana. Harumi Ohno é a primeira mu-
respeitado. Ao se formar, tornou-se Em 1950, quando já estava no úl- lher de origem japonesa a se formar
assistente do Prof. Lucas Nogueira timo ano, entrou mais uma turma. Lá no Estado de São Paulo e, certamente,
Garcez. Prosseguindo no magistério, estava, entre outros, Mitsuo Ohno, no Brasil. É irmã de dois outros en-
chegou ao ápice da carreira como pro- que era de uma família que conhecia genheiros Hajimu Ohno e Mitsuo
fessor titular. Mestre extremamente bem. O seu irmão Hajimu Ohno e Ohno e cunhada de Masao Sugaya.
dedicado e incentivador dos alunos, o seu cunhado Masao Sugaya, já ci- Numa certa época, a família contava,
recebeu o título de Professor Eméri- tados, incluíam-se entre os primeiros pois, com quatro engenheiros, todos
to, o primeiro atribuído a um nikkei nikkeis a se formarem na mesma es- formados na Politécnica. Conheci

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gênio que agradava a todos, cursava

Foto: Acervo Esalq


ainda a Escola Técnica Getúlio Var-
gas. Estudioso e lutador, venceu du-
ras etapas até chegar à Engenharia do
Mackenzie, quando perdi totalmente
o contato com ele. Kazuo Nakashi-
ma foi colega de turma de Kazunori
Nishimura. Nascido no Japão, tinha
uma postura rígida e um olhar firme,
e cumprimentava com forte aperto
de mão tendo o braço meio retraído.
Casou-se com Flávia Toshie Wada,
uma grande amiga de minhas irmãs,
desde o tempo em que eram colegas
da mesma faculdade, na USP. Uma
particularidade do Nakashima era a
de ser um vegetariano ortodoxo, que
não transigia de modo algum. A sua
Edifício central da Esalq
especialidade na profissão foi e ainda
é de calculista de grandes estruturas.
bem Harumi Ohno, desde antes de que também trabalhei. Conheci igual- Akira Kagano, de Cerqueira César,
ela iniciar o estudo da Engenharia. mente Izumi Yuasa, sério, de rosto silencioso e pacato, foi meu colega
Depois de formada e já trabalhando chupado e de óculos de aro metálico. numa casa de cômodos, no bairro da
na profissão no Departamento de Constava que, sendo ele filho de um Liberdade. Ao deixar essa casa, quan-
Obras Sanitárias, cedeu-me algumas pastor evangélico, o Mackenzie, que do me casei, perdi contato com ele.
horas disponíveis para preparar os é de origem religiosa, oferecia-lhe
desenhos técnicos de um livro sobre uma bolsa de estudos, como cortesia Da Escola Superior de Agricul-
poços profundos, do qual eu era um da instituição. Kioshi Kato, também tura Luiz de Queiroz - Esalq
dos autores, publicado pela Faculda- chamado de Pedro, fiquei conhecen-
de de Saúde Pública. do por meio de sua irmã Inez, muito O mais antigo dos diplomados
amiga de Kazue Iamane, que viria em Piracicaba, de meu conhecimento
Os conhecidos ser a minha esposa. O pai de Kioshi, pessoal, mas que só fiquei sabendo ao
de outras escolas Carlos Y. Kato, que tinha um nome ser organizada a lista dos pioneiros, é
cristão incorporado informalmente Takeki Tuboi. Ele foi também um
Da Escola de Engenharia ao seu nome, foi um empresário de vi- dos companheiros de internato, du-
Mackenzie - EEM vência internacional e de larga expe- rante um curto período. Tenho uma
riência, tendo sido o principal funda- vaga lembrança que ele era originá-
Já me referi a Takeo Kawai e dor do Banco América do Sul. Pedro rio de uma cidade da Sorocabana. Ti-
Kaol Suguimoto, dois dentre os Kioshi Kato tornou-se o presidente nha uma compleição mais ou menos
mais antigos do Mackenzie. Ainda no da Construtora Engin, de São Paulo. avantajada, tez clara, e era possuidor
Mackenzie, conhecia de vista, quan- Yasuo Yamamoto foi um contem- de um temperamento calmo e medi-
do estudava lá, o Kazuo Sakamo- porâneo do estudo de Engenharia. tativo. Lembro-me de ter empresta-
to, mais gordo, e o seu irmão Satiro Minhas relações com ele não eram do a ele um bandolim, que foi trazido
Sakamoto, mais magro, que, na épo- nem freqüentes e nem muito próxi- por um tio meu, dos Estados Unidos,
ca, faziam o ginásio e mais tarde se mas, mas encontrava-o vez ou outra, após uma longa permanência. Tuboi
formariam também engenheiros por ocasião em que trocávamos algumas queria aprender a tocar esse instru-
essa escola. Moravam na rua Major palavras. Tornou-se um conceituado mento. O outro é meu próprio irmão
Sertório, a dois passos do Mackenzie. calculista de estruturas. Em compa- Shozo Nogami, formado em 1953.
O pai deles foi personalidade proemi- nhia de Gen Tsunashima, meu co- Após a conclusão do curso, foi leva-
nente da comunidade japonesa de São lega de classe na Poli, e de outros, foi do pelo meu pai ao Japão, onde per-
Paulo e muito chegado a um tio meu, uma das pessoas que batalhou muito maneceu um ano todo. Ao retornar,
por terem pertencido ambos à com- para a consolidação da instituição começou a apresentar problemas
panhia colonizadora Kaikô – Kaigai de assistência aos deficientes Kibô- comportamentais que o dificulta-
Kogyô Kabushiki Kaisha (KKKK). no-ie. Kazunori Nishimura mo- vam para o trabalho. Colaborou na
Satiro Sakamoto trabalhou até re- rava na casa de uma família que eu implantação dos Clubes 4-H (Head,
centemente na Sabesp, empresa em freqüentava amiúde. Dotado de um Heart, Hand e Health) destinados

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especial

a formar jovens líderes em ativida- que executou, inclusive em São Paulo,


des do campo. Por meio dele, ouvi algumas obras de envergadura.
falar de alguns outros engenheiros “Detendo-me em cada Eles, como também Ayami
agrônomos da mesma época, que ele Tsukamoto, do Paraná, já citado,
respeitava pela competência e dedi- nome, comecei a me não se acham incluídos na relação
cação. Entretanto, eles não foram de dos engenheiros nikkeis pioneiros
meu conhecimento pessoal. lembrar da figura porque a lista do Instituto de Enge-
nharia contempla apenas os que se
Do Instituto Tecnológico formaram no Estado de São Paulo.
de Aeronáutica – ITA
deles, associada às No entanto, foram aqui citados, por
terem pertencido também, e com
Conheci o único que consta da
particularidades físicas grande mérito, ao pelotão de vanguar-
lista dos pioneiros: Antonio Hide- da da enorme classe de profissionais
to Kobayashi. Era filho de Midori
que me chamaram a nikkeis que se formaria ao longo dos
Kobayashi, o diretor do internato da anos na área da engenharia, seguindo
Rua Galvão Bueno, 407. Na ocasião atenção na época” o exemplo desses desbravadores.
em que eu era interno de lá, Hide-
to não passava de um menino de Palavras finais
menos de 10 anos. Tinha os cabelos bora abonado, era diferente de outros
bem negros, com o corte em forma- de igual condição, pois era estudioso Resta-me dizer que figuro como
to de cuia, e falava somente em ja- e muito sério. Trabalhou na Büssing o 34º elemento da relação. Conside-
ponês. Nem sabia que seu prenome e na Bardella e foi professor tanto da rando somente os diplomados na Es-
era Antonio. Na época da 2ª Guerra FEI como da Politécnica. Estive no cola Politécnica, ocupo a 21ª posição.
Mundial, o internato teve que ser fe- casamento dele com Rúbia Konda, fi- Sinto imenso orgulho em estar entre
chado e os Kobayashi retiraram-se lha do abnegado médico Dr. Motomu os pioneiros.
para a Zona Sul, na periferia da capi- Konda, de Lins. Ela era colega de mi- Formei-me em 1950, com 27 anos
tal. Perdi contato com eles. Foi uma nhas irmãs, quando juntas moravam de idade. E, estando já em atividade
surpresa ver o nome de Hideto como em São Paulo na residência de outro profissional, fui cursar a Faculdade
o único da lista dos pioneiros e, mais médico, o Dr. Yoshinobu Takeda. Para de Saúde Pública para me especia-
ainda, na condição de primeiro ni- ela, cheguei a dar aulas de revisão de lizar em Engenharia Sanitária. Fui
kkei formado pelo ITA. matemática. Luiz Nakaya faleceu sempre ligado ao serviço público.
cedo, em plena fase de atividades. Comecei na Prefeitura Municipal
Da Faculdade de Engenharia de Santo André, em que permaneci
Industrial – FEI De outros Estados por cinco anos, para depois prosse-
guir em diversos órgãos estaduais
A FEI começou a funcionar em Ao me formar na Escola de Comér- da área do saneamento básico, ocu-
1946, no mesmo ano em que entrei cio Mackenzie, em 1941, fui até o Rio pando cargos de chefia, assessoria e
na Politécnica. As notícias sobre as de Janeiro a fim de registrar o meu direção. Aposentei-me em 1996 na
primeiras turmas ainda eram mui- diploma no Ministério da Educação. Sabesp, empresa na qual havia tra-
to vagas, porém sabia que um colega Nessa ocasião, fui a pedido de minha balhado os últimos 20 anos. Durante
conhecido estava estudando na nova avó a Niterói, para levar uma pequena um período de 14 anos, dediquei-me
faculdade. Era Hirose Yamamoto encomenda destinada a Sra. Yamagata. também ao magistério, ministrando
que, numa certa época, também mo- Ela era a viúva do pioneiro e arrojado aulas em cursos de pós-graduação
rava no mesmo quarto de Tetsuaki empresário Yuzaburo Yamagata, que nas escolas da USP.
Misawa e Mitomu Simamura, nas foi o melhor amigo de meu avô Saburo Li e reli várias vezes este texto,
proximidades do Mercado Municipal. Kumabe, desde que se conheceram no quando sempre acrescentava, supri-
Ele foi o segundo nikkei a se formar Rio, por volta de 1913. A casa que pro- mia ou corrigia alguma frase. Toda
na FEI. Lembro-me que ele gostava de curei era de um dos filhos dela, Fumio vez que fazia isso, voltava-me à me-
jogar baseball. Casou-se com a filha de Yamagata. Não o encontrei pessoal- mória a figura de cada um dos que
Yasutaro Ishikawa, de Santo André, mente, mas sabia que ele e seu irmão foram citados, num agradável retros-
um amigo de meu pai, e foi trabalhar maior Takeo Yamagata já eram, pecto, como se o tempo tivesse pa-
no Departamento de Águas e Energia nessa época, engenheiros formados e rado em meados do século passado.
Elétrica. Luiz Gonzaga Nakaya estavam em franca atividade. Foram, Sobre alguns deles, poderia escrever
era descendente de proprietários da com certeza, os primeiros engenheiros páginas inteiras, tal a convivência
tradicional Casa Nakaya de artigos ja- nikkeis no Rio de Janeiro. Pertencia que tive com eles. Um dia talvez, vou
poneses no bairro da Liberdade. Em- a eles a firma Yamagata Engenharia, me dedicar a isso. IE

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mosaico

lq
Foto: Acervo Esa
Esalq
Pavilhão de Engenharia da

Placa comemorativa dos 100 anos da Poli


e da inauguraçã o do Jar dim Japonês

Politécnica
Foto: Acervo
Nogami
Paulo Soichi
Foto: Arquivo

Alunos no pátio em frente ao edifício


Paula Souza da Politécnica

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mosaico

Foto: Acervo do MHIJB/SP


Kawachi Maru na partida
do porto de Kobe em 1914
FEI
Foto: Acervo

Estacionamento e
dependência da FEI

Foto: Acervo ITA


Biblioteca do ITA em 1950
MHIJB/SP do
Foto: Acervo

kasato Maru em 1910

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artigos

Lições apreendidas
com Yojiro Takaoka

Y
ojiro Takaoka era um gran- Ele se preocupava com o entorno

Foto: Arquivo Pessoal


de homem, tinha sempre de seus projetos, pintava casas que
claros seus objetivos, não estavam na mesma rua para embele-
via problemas em seu cami- zar e dar vida ao local, e entendia que
nho e sim desafios. muros, por si só, não são suficientes
Tinha seus pensamentos no fu- para construir uma sociedade segura
turo e suas ações no presente, seguia e feliz.
sempre em frente, levando do passa- “Todo o esforço que fiz, o investi-
do apenas a experiência vivida. mento, essa minha luta não foi para
Tinha personalidade forte e não provocar uma segregação, quero que
se deixava levar pelos fracos e nem todos tenham direito a riqueza que
permitia que o medo tomasse conta será produzida.” (Yojiro Takaoka)
de seu destino. Estabelecer uma relação de con-
“Se você quiser construir uma fiança, lealdade e parceria com seus
ponte sobre um rio, estude bem os clientes era um de seus valores mais
níveis históricos de enchentes, veja importantes, no sentido de propor-
a topografia, seja cuidadoso com a cionar uma vida longa e próspera
técnica. Mas não se esqueça de falar para sua empresa.
com o caboclo que viveu ali toda sua “Pode ser que os outros tenham
vida. Ele provavelmente saberá di- se dado mal trabalhando desta for-
Marcelo Vespoli Takaoka
zer quando a água subiu mais alto, ma, mas comigo a relação de con-
muito melhor do que todos os bole- Ele sabia muito bem como traba- fiança e lealdade sempre deu certo.”
tins técnicos. Preste sempre a aten- lhar com expectativas e como gerar a (Yojiro Takaoka)
ção no que as pessoas têm a dizer.” imagem do que deveria ser seus pro- Ele gostava de ensinar, pois acre-
(Yojiro Takaoka) jetos no futuro para aqueles que se ditava que quem mais apreendia com
Não era inflexível, sabia ouvir as interessavam e acreditavam em seus isso era ele mesmo, na medida em que
pessoas, reconhecer seus erros com sonhos. seus ensinamentos geravam dúvidas,
humildade e ser perseverante na rea- O homem mais feliz é o que se jul- questionamentos e novas idéias.
lização de seus sonhos. ga feliz.”( Yojiro Takaoka) “Você não pode crescer sem que os
“O lugar onde se mora não pre- outros também cresçam à sua volta.
cisa ser rico nem mesmo estar to- Só dessa forma você se sentirá real-
talmente acabado, o que importa é “Ele conceituava de mente realizado.” (Yojiro Takaoka)
a sua história. A casa deve ser o seu Finalmente, dizia ele, o importan-
sonho, o lugar de referência que você forma sistêmica seus te é fazer o que gosta, há que se ter
criou e onde se sente bem. Daí eu va- prazer e amor com o trabalho que se
lorizo mais o sonho que a realidade.” faz para se alcançar seus objetivos.
(Yojiro Takaoka)
projetos, imaginando- “A melhor profissão é aquela cujo
Ele conceituava de forma sistê- exercício nos dá prazer. Trabalho
mica seus projetos, imaginando-os
os sempre com feito sem prazer, além de represen-
sempre com pessoas nele vivendo, tar grandes sacrifícios, não tem qua-
trabalhando e deles se utilizando e pessoas nele vivendo, lidade. Torna-se penoso e, provavel-
não como simples traços no papel. mente, não levará a obtenção dos
“A urbanização é a partida para trabalhando e deles se vossos objetivos.” (Yojiro Takaoka)
a habitação organizada, mas não é
o único elemento responsável pela utilizando e não como (Frases retiradas do Livro Yojiro
qualidade da vida urbana. Tanto as- Takaoka: o construtor de sonhos, de
sim, que não se consegue definir qual simples traços Even Sacchi) IE

a pessoa mais feliz: aquela que mora


num palacete, numa casa ou num no papel” Marcelo Vespoli Takaoka
Filho de Yojiro Takaoka,
barraco.” (Yojiro Takaoka) homenageado formado em 1949

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artigos

Lembranças de meu pai, Takeo Kawai

M
eu pai nasceu em 30 de Assim, as viagens eram para ele uma

Foto: Arquivo Pessoal


abril de 1906, em Gokat- ocasião para ampliar seus conheci-
sura, província de Mie- mentos, um pretexto para iniciar ou
ken, no Japão, onde sua aprofundar investigações sobre os
família era proprietária de uma fábri- mais diversos assuntos.
ca de saquê já há algumas gerações. Em 1940, já com 34 anos, casou-se
Desde muito jovem, dizia que viveria com minha mãe por apresentação, um
fora do país natal. Lia literatura rus- costume muito difundido entre os ja-
sa, muito em voga no meio estudantil poneses. Tiveram quatro filhos.
japonês da época, literatura essa que Nossa infância toda foi marca-
exaltava o socialismo e valorizava o da pelo novo emprego de meu pai na
trabalho com a terra como a mais no- Cooperativa Agrícola de Cotia. Esse
bre atividade do homem. Não via pers- trabalho resgatava o sonho que o im-
pectivas para seu futuro no Japão, em pulsionou a vir para o Brasil, o de ter
pleno regime militarizado. Escolheu o um trabalho ligado à terra. Ele pôde ali
Brasil como destino, pois lera e ouvira aplicar os seus conhecimentos técnicos
falar que era um país com potencial de para atingir os ideais a que a coopera-
desenvolvimento e que acolhia bem os tiva se propunha. Acompanhou com
estrangeiros. Pensou que aqui poderia grande dedicação o seu crescimento,
iniciar uma vida honesta de agricultor, desde a pequena associação de agri-
Celia Kawai
apesar de nunca ter tido experiência cultores até ela se transformar em uma
no trato com a terra. na Universidade Mackenzie em 1927. organização agroindustrial mais com-
Assim, encerrado o curso secun- Apesar das dificuldades com a língua, plexa. Até os anos 60, a cooperativa era
dário, deixou sua família e partiu, sua força de vontade garantiu-lhe um para meu pai como uma grande famí-
juntamente com imigrantes japone- bom desempenho na escola, tendo se lia, tanto que freqüentávamos as casas
ses, rumo ao Brasil, onde chegou em formado em Engenharia Civil em 1931. e as festas dos cooperados e dos fun-
6 de agosto de 1925, no porto de San- Voltou ao Japão, onde ficou quatro cionários. À medida que sua estrutura
tos. Logo se dirigiu a uma fazenda em anos para complementar os estudos se tornava mais complexa e impessoal,
Bauru, no Estado de São Paulo (Bauru em Engenharia. Retornando ao Brasil, meu pai foi se desencantando até se
fazia parte da frente de expansão ca- trabalhou em empresas japonesas, o desligar completamente.
feeira da época. Lembro de meu pai que lhe propiciou conhecer o interior Aposentado, pôde se envolver
comentando que o sol estava sempre do Brasil em viagens memoráveis, mais intensamente em atividades pe-
encoberto pela fumaça das queimadas como a que fez, a cavalo, pelo sertão las quais sempre se interessou, como
das matas). A primeira coisa solicitada de Goiás. Uma das suas principais ca- a participação em grupos de estudos
pelo fazendeiro aos imigrantes foi que racterísticas era a de aliar o espírito de e pesquisas sociológicas no Centro de
mostrassem suas mãos. As de meu pai, aventura com a aventura do espírito. Estudos Nipo-Brasileiros.
lisas e macias, eram as de quem, até Já bem idoso e com mobilidade res-
aquele momento, não tinha feito outra trita, manteve acesa sua vida intelectu-
coisa senão estudar. O fazendeiro des- “Uma das suas al por meio de leituras e estudos que
tinou-o, então, a trabalhar como aju- conduzia por conta própria. A par da
dante na sede da fazenda para cuidar principais atividade intelectual, nunca descuidou
das galinhas, varrer o terreiro, ajudar de sua saúde física, praticando natação
na copa etc., atividades muito distantes características era diariamente até quase o fim da vida.
do agricultor que pretendia ser. Ficou Recapitulando todos esses mo-
lá alguns meses; frustrado, percebeu a de aliar o espírito mentos da trajetória de meu pai, fico
que deveria tomar outro rumo. convencida de que ele teve, enfim, a
Como contava com o apoio da fa- de aventura com a vida que almejava. IE

mília, caso se decidisse continuar os


estudos, acabou vindo para São Paulo, aventura do espírito” Celia Kawai
Filha de Takeo Kawai, 1º engenheiro
ingressando no curso de Engenharia nikkei formado em São Paulo

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artigos

Tetsuaki Misawa

T
etsuaki Misawa, filho de Ni- seus anais alguns dados biográficos.

Foto: Arquivo Pessoal


taro e Shizue Misawa, nas- Tetsuaki era uma pessoa extre-
ceu em Kitami, província de mamente humana, cordial, atenciosa,
Hokkaido, no Japão, em 1.º não só com seus familiares, amigos,
de dezembro de 1919. Aos 12 anos, após clientes e colegas do Departamento de
cursar parte do primário, imigrou para Águas e Esgotos.
o Brasil, juntamente com seus pais e Quando fazia plantão noturno,
cinco irmãos. Estabeleceram-se na zona como engenheiro responsável pelo as-
rural, como todos os imigrantes japo- sentamento de rede de águas na capi-
neses, onde ele iniciou o seu périplo de tal, procurava sempre, de alguma for-
estudos, com todas as dificuldades ine- ma, minimizar as árduas condições de
rentes à época. Diariamente, caminhava trabalho noturno dos trabalhadores.
doze quilômetros, de ida e volta, sob sol Foi, por isso, muito bem quisto pelos
ou chuva, para ir à escola. Vencer tantos seus subordinados. O reconhecimen-
obstáculos, amalgamou a sua personali- to pelo seu brilhante trabalho técnico
dade de lutas e sacrifícios. rendeu-lhe uma linda homenagem
Fez o ginásio em São Paulo, no en- póstuma, com o seu nome dado a uma
tão afamado Colégio Paulistano, à Rua rua na Vila Mariana.
Taguá, trabalhando como office-boy Dra. Yoshiko Asanuma Misawa Ele prezava todas as amizades e a
e estudando até ingressar na Poli, for- convivência harmoniosa, sendo queri-
mando-se em 1951. Em 1969, formou- chamada Shindorenmei, como muitos do por todos na verdadeira acepção da
se engenheiro sanitarista, pela Faculda- ainda se lembram. palavra. Tanto que, nos congressos em
de de Higiene e Saúde Pública da USP. Para minimizar essa atmosfera e le- que participava, os colegas sempre lhe
Aprimorou seus conhecimentos em vantar o ânimo dos nossos pais e irmãos cantavam o “Parabéns a você”, fosse seu
viagens de estudos ao exterior, em 1959, em idade de ingressar no curso supe- aniversário ou não.
para os EUA e, em 1967, para o Japão, rior, um grupo de universitários de São Cumpridor da palavra, não titubea-
trazendo importantes contribuições ao Paulo levantou a bandeira da “Caravana va em contrariar o seu superior se assim
Departamento de Águas e Esgotos (atu- Cultural Estudantil”, que se concretizou fosse preciso. Certa feita, o governador
al Sabesp), em que trabalhou. Foi agra- em 1949. Dela participaram universitá- Jânio Quadros determinou que uma
ciado com a Medalha Cultural e Cívica rios da Poli, Medicina e Faculdade de linha de rede de águas fosse inaugura-
José Bonifácio, pela Sociedade Brasilei- Filosofia, Ciências e Letras. As três pri- da em um determinado dia, a qualquer
ra de Heráldica e Medalhística. meiras caravanas foram lideradas por custo. Tetsuaki, como engenheiro res-
Ainda estudante, juntamente com Tetsuaki e Kiyono, por falarem fluente- ponsável da obra, contrariou-o dizendo
alguns de seus colegas, fundou o Cursi- mente o japonês e o português. Graças a que o término da obra só se daria den-
nho Kosmos, o qual se tornaria famoso essa feliz iniciativa, muitos nikkeis vie- tro de mais uma semana. Dito e feito,
no cenário educacional de São Paulo, ram a São Paulo para prosseguirem os na data, Jânio Quadros, com todo o
quando um dos seus alunos foi aprovado seus estudos e ingressarem em diversas espalhafato próprio da sua personali-
em 1º lugar na Poli. Ele foi sempre um faculdades da capital. dade, abriu a torneira que fez jorrar a
bom didata, segundo seus alunos. Tinha Foi durante essas caravanas que o santificada água, para gáudio de toda
o dom da oratória, captando a simpatia destino uniu o meu coração ao de Te- a população da sua querida Vila Maria,
do público, falando tanto em português tsuaki, éramos então estudantes de me- seu eterno reduto eleitoral.
como em japonês, pois dominava muito dicina da Pinheiros e de engenharia da Tetsuaki Misawa foi pai aman-
bem ambas as línguas. Atingia o âmago Poli, respectivamente. Casamos em 1954, tíssimo, carinhoso, filho sempre pre-
da alma das pessoas, conquistando-as tendo dois filhos, Horácio (engenheiro) e sente, esposo irrepreensível. A sua
com seu carisma e otimismo. Henrique (médico), e cinco netos. perda precoce, em 1971, foi dolorosa
No final da década de 40 e início O Instituto de Engenharia houve e irreparável. IE

de 50, os isseis e nisseis viviam ainda por bem homenagear Tetsuaki Misawa
uma época de incertezas políticas e so- entre os “Engenheiros Nikkeis Pionei-
Dra. Yoshiko Asanuma Misawa
ciais, conseqüência da desastrosa 2ª ros” neste ano do centenário da imigra- Esposa de Tetsuaki Misawa,
Guerra Mundial, culminando com a ção japonesa no Brasil, inserindo em homenageado formado em 1951

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