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Comissão Nacional de Internos de Radiologia

Fevereiro 2020 Volume 1, No. 2

Ecos da Radiologia
Newsletter da CNIR

Nesta edição Nota de boas vindas aos novos internos


• Nota de boas vindas aos novos
internos...................................................1
Mais um ano se inicia. E com ele dos actos médicos que definem o nosso
• Guia de Internos de Radiologia......2
chega mais um grupo de novos colegas dia-a-dia de trabalho.
• Conversas - Entrevista ao Dr. Tiago
radiologistas. O primeiro passo que podemos
Bilhim.......................................................3
Depois de apresentada a dar no sentido de contrariar estas
• Artigo do mês: PI-RADS v2.1 -
recém[novamente]-formada comissão tendências nefastas, acessível a
Actualização de 2019 da versão 2
de internos, cumpre-nos agora saudar, qualquer um de nós, é mostrar que não
do PI-RADS.............................................6
de forma particular, os novos colegas, só somos bons, como somos melhores.
• Formação...............................................8
que serão, tal como todos nós internos, Que somos imprescindíveis. E esse é um
a pedra basilar da radiologia de caminho que passa inexoravelmente
amanhã. por uma boa formação, o que, dado
Editorial Cabe-me também informar-vos,
internos do primeiro ano, que acabam
o panorama actual do nosso país e os
problemas, conhecidos por todos, da
de escolher a [talvez] mais desafiante Radiologia portuguesa dos últimos

N esta segunda edição,


começamos por dar as boas vindas
aos recém-chegados internos do primeiro
especialidade médica, tão vasta
quanto a própria Medicina, e cuja
evolução se reflecte num crescimento
anos, nem sempre nos está facilmente
acessível. Para muitos, a solução passa
por frequentar um sem-número de
ano de Radiologia. exponencial especialmente marcado cursos e estágios no estrangeiro, para
nas últimas três décadas. Se até outros, até essa hipótese lhes é limitada
Dedicamos ainda uma página à partilha
então a nossa função estava assente e/ou condicionada.
de um dos nossos projectos: a elaboração
na execução e interpretação de Sabendo que as instituições
de um Guia de Internos de Radiologia,
exames auxiliares de diagnóstico, portuguesas, na sua globalidade,
elaborado na forma de uma apresentação
pode-se dizer que o nosso papel é tendem em tardar na identificação
powerpoint, e enviado a todos os internos
actualmente de uma importância e resolução de problemas mais que
do primeiro ano no início do mês de
fulcral no diagnóstico, avaliação do evidentes, cabe-nos a nós, internos
Janeiro.
prognóstico e até tratamento, com uma de hoje, tornarmo-nos um exemplo e
Dando continuidade à secção “Conversas” presença crescente de radiologistas no uma fonte de aprendizagem para as
desta newsletter, entrevistámos o Dr. ambiente “clínico”, não só através da gerações futuras. Neste sentido, fez-se
Tiago Bilhim, entidade reconhecida participação em reuniões e consultas ressurgir esta comissão, que, entre
nacional e internacionalmente pela multidisciplinares, mas também através outros projectos, elaborou o primeiro
sua contribuição para a evolução da do contacto tendencialmente mais Guia de Internos de Radiologia, onde
Radiologia de Intervenção no nosso país. directo com o doente. podem encontrar informação relativa
Infelizmente, e como não poderia ao plano de formação, grelha de
No âmbito da formação, apresentamos
deixar de ser, nem mesmo a Radiologia avaliação, sugestões de bibliografia,
mais uma vez uma revisão de um artigo
é uma especialidade perfeita. entre outros.
seleccionado pela sua relevância na
Vivemos tempos curiosos, em que Para terminar, lembro que os internos
prática radiológica actual (“PI-RADS v2.1
associadamente ao reconhecimento e são o elemento fundamental deste
- Actualização de 2019 da versão 2 do PI-
importância crescentes da Radiologia trabalho, pelo que contamos com a
RADS”) , e actualizamos a timeline com os
na comunidade médica e não-médica, vossa participação, e convidamo-vos a
cursos e congressos futuros, nacionais e
nos deparamos com a cada vez mais enviar as vossas opiniões e sugestões
internacionais, considerados pertinentes.
real “ameaça” da inteligência artificial sempre que assim vos aprouver.
e com a desvalorização e tentativa de
Patrícia M. Costa
apreensão por outras especialidades Patrícia M. Costa

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Ecos da Radiologia, Volume 1, Número 2

Guia de Internos de Radiologia

De forma a melhor receber os novos internos de Radiologia, a CNIR preparou um documento em que reúne
as informações mais importantes para aqueles que iniciam agora o seu percurso nesta especialidade.
Procuramos explanar, de forma simplificada, o programa de internato, assim como focar formas e critérios
de avaliação, bibliografia recomendada para os diferentes estágios, sociedades de relevo e congressos de
interesse.
Esperamos contribuir, agora e ao longo do resto do internato, para a formação dos internos dos diferentes
anos, procurando sempre alcançar a máxima qualidade na formação em Radiologia.

Filipa de Sousa Costeira

2 Newsletter da CNIR
Ecos da Radiologia, Volume 1, Número 2

Conversas - Entrevista ao
Dr. Tiago Bilhim
1- Como é ser Radiologista de de Intervenção era igual a três
Intervenção em Portugal? ou cinco nomes espalhados por
Portugal e conhecidos apenas por
O panorama da Radiologia de alguns colegas. Hoje em dia, as
Intervenção (RI) em Portugal, à necessidades hospitalares superaram
semelhança do resto do Mundo, a ignorância, e as potencialidades
está em constante mudança. Até há da Radiologia de Intervenção já não
20 anos atrás existiam apenas 4 a passam despercebidas para as outras

Dados biográficos 5 individualidades a nível nacional


com competências nas diversas
especialidades médicas.

áreas vasculares e não vasculares 2- Em Portugal, de que forma as


Tiago Bilhim é um médico português da Radiologia de Intervenção. A restantes especialidades olham
de 41 anos, reconhecido actualmente capacidade formativa era escassa e para estas novas terapêuticas
como um dos grandes nomes da as saídas profissionais pouco certas. minimamente invasivas? Considera
Radiologia de Intervenção a nível Para termos uma ideia, quando eu que já são oferecidas como
mundial. Licenciou-se em 2004 em era interno, tive de estagiar 8 meses alternativas terapêuticas ou, pelo
Medicina pela Faculdade de Ciências em Espanha para aprender diversas contrário, continuam desconhecidas
Médicas da Universidade Nova de técnicas. À minha semelhança, muitos à maioria dos clínicos?
Lisboa e terminou o seu internato dos meus colegas da minha geração
de Radiologia em 2011, ano em que tiveram, também, de estagiar no Dependendo da especialidade médica
obtém a certificação europeia em estrangeiro para aprofundarem os em questão existem várias formas de
Radiologia de Intervenção (EBIR conhecimentos técnicos nesta área. olhar para o trabalho realizado pela
– European Board of Interventional Hoje em dia já existem diversos Radiologia de Intervenção:
Radiology) e recebe o grau de Doutor centros em Portugal com capacidade 1- Somos fundamentais e
em Medicina das Radiações, com a tese: formativa na área, com recursos parte integrante em equipes
“Embolização das artérias prostáticas humanos suficientes para garantir a multidisciplinares, oferecendo
no tratamento da hiperplasia benigna formação dos internos de Radiologia alternativas terapêuticas minimamente
da próstata – estudo anatomo-clínico”. interessados em Radiologia invasivas, que podem complementar
Demonstrou ainda, desde cedo, de Intervenção. Os internos de ou substituir a cirurgia convencional;
interesse pela docência, tendo sido Radiologia podem ir estagiar fora de 2 - Os tratamentos que realizamos não
monitor e assistente convidado de Portugal, mas já vão com muito mais são seguros ou eficazes e não estão
Anatomia, de 2000 a 2012, e, desde competências e conhecimentos de justificados – apenas experimentais;
então, assistente convidado e professor Radiologia de Intervenção obtidos 3 - Os tratamentos que realizamos são
auxiliar convidado de “Imagiologia e em estágios em Portugal. Muitos excelentes, mas devem ser feitos por
Anatomia Clínicas” e “Bases Avançadas internos, inclusive, diferenciam- outras especialidades médicas.
da Imagiologia Médica”, na Faculdade se actualmente em Radiologia de
de Ciências Médicas da Universidade Intervenção sem ter de ir estagiar Existe um ditado em Radiologia
Nova de Lisboa. no estrangeiro. Este aumento de de Intervenção: “há 40 anos a
capacidade formativa traduz-se inventar tratamentos para as outras
Actualmente é Radiologista de naturalmente num contínuo aumento especialidades”. Ou seja, numa fase
Intervenção no Centro Hospitalar e de Radiologistas diferenciados em inicial tenta-se negar a mais-valia de
Universitário de Lisboa Central e no Radiologia de Intervenção. Este um tratamento inovador. Mais tarde,
Hospital de Saint Louis, em Lisboa. aumento de recursos humanos é quando esse valor é óbvio, as outras
À sua actividade profissional, junta-se essencial pois vem dar resposta a um especialidades passam a considerar
uma participação importante no meio contínuo aumento das necessidades que é um tratamento que deve ser
académico, sendo Editor-Adjunto da hospitalares em Radiologia de realizado por eles. Seja como for, é
Acta Radiológica Portuguesa, Editor- Intervenção. As potencialidades uma especialidade que está sempre na
associado do Journal of Vascular e mais-valias da Radiologia de vanguarda da Medicina e naturalmente
and Interventional Radiology (JVIR) Intervenção têm vindo a ser cada predisposta à investigação médica;
e membro do Conselho Editorial da vez mais conhecidas pelos colegas em constante mudança e adaptação.
revista Cardiovascular and Interventional das outras especialidades. Quando Esta é uma das características mais
Radiology (CVIR). eu entrei para Radiologia, Radiologia interessantes! Infelizmente ainda

Newsletter da CNIR 3
Ecos da Radiologia, Volume 1, Número 2

existem muitos colegas que não têm


opinião formada relativamente aos
tratamentos que realizamos uma vez
que desconhecem por completo a
Radiologia de Intervenção. É nossa
obrigação continuar a implementar
novos tratamentos, mantê-los
debaixo da alçada da Radiologia
de Intervenção e dar a conhecer as
potencialidades da Radiologia de
Intervenção a todas as diferentes
especialidades médicas.

3- Nos EUA a RI é uma especialidade


autónoma, e inclusive é das
especialidades mais procuradas
pelos internos. Outros países P r im e iro a n iv e r s á r io d a U n id a d e d e R a d io lo g ia d e In t e r v e n ç ã o .
D a e s q u e rd a p a r a d ire it a : D r. N u n o V a s c o C o s t a , D r. T ia g o B ilh im , D r. A m é r ic o M a r t in s ,
parecem estar a querer acompanhar D r a . É lia C o im b r a , D r. J o s é H u g o L u z , D r. F ilip e V e lo s o G o m e s .
esta tendência. Acha que em
Portugal seria uma mais valia a
criação desta nova especialidade?
Em Portugal, as administrações hospitalares
e o resto da comunidade médica ainda
Sim, nos EUA a Radiologia de
Intervenção é uma especialidade desconhecem ou não querem reconhecer a
autónoma desde 2012, com internato
próprio, mas também com a
mais-valia da Radiologia de intervenção.
hipótese de se poder diferenciar em
reconhecer a mais-valia da Radiologia Intervenção dentro da Radiologia
Radiologia de Intervenção durante
de Intervenção. É nossa função enviada pela Sociedade Portuguesa
a especialidade de Radiologia. No
divulgar todas as potencialidades de Radiologia e Medicina Nuclear
Reino Unido, no ano passado foi
da Radiologia de Intervenção (SPRMN) ao Colégio da Radiologia
feita uma votação e também foi
dentro da comunidade médica e da Ordem dos Médicos desde
decidido avançar para o estatuto
administrações hospitalares, de forma Fevereiro de 2018 e que ainda não
de especialidade autónoma. Não
a aumentar a necessidade de serviços obteve qualquer reconhecimento ou
é difícil perceber porque é que a
que justifiquem a contratação de resposta.
Radiologia de Intervenção é uma das
mais especialistas em Radiologia
especialidades mais pretendidas nos
4- O que reserva o futuro à
EUA: o trabalho realizado é aliciante, No nosso País, Radiologia de Intervenção?
inovador, divertido, bem pago e
com boas perspectivas de emprego. infelizmente, ainda
Para compreender o futuro temos
O mesmo se passa no Reino Unido. estamos uma de olhar para o nosso passado,
No nosso País, infelizmente, ainda década ou duas raízes e percurso feito. A Radiologia
estamos uma década ou duas atrás
na divulgação e implementação da
atrás na divulgação de Intervenção começou nos anos
60/70, ou seja, tem aproximadamente
Radiologia de Intervenção dentro e implementação 50 anos. Tem estado em constante
da comunidade médica. Nos EUA da Radiologia de mutação e adaptação à Medicina
ou Reino Unido é impensável abrir
um Hospital sem ter um serviço
Intervenção dentro da Moderna e tem ajudado a inovar
de Radiologia de Intervenção comunidade médica. dentro das Ciências Médicas. Se
tivermos em conta que há 40 anos
com três a cinco radiologistas de
de Intervenção. Só terá lógica criar atrás a Radiologia de Intervenção era
Intervenção diferenciados. Isto
a especialidade de Radiologia de sinónimo de 5 a 10 individualidades
independentemente de estar
Intervenção em Portugal quando mundiais com uma apetência para
localizado numa grande cidade
estiver bem estabelecida essa a inovação e vistos como “malucos”
ou à periferia. Em Portugal, as
necessidade institucional de recursos pelo resto da comunidade médica
administrações hospitalares e o
humanos diferenciados. Para já, – onde está hoje? Cresceu ao ponto
resto da comunidade médica ainda
temos uma proposta de criação da de ser uma especialidade autónoma
desconhecem ou não querem
subespecialidade de Radiologia de em 2 dos mais importantes países

4 Newsletter da CNIR
Ecos da Radiologia, Volume 1, Número 2

com programa de formação


próprio em quase todos os países
https://www.sprmn.pt/) e teremos
mais duas sessões no Curry Cabral (29
Muitas pessoas
Europeus, Americanos, Asiáticos e de Maio) e Vila Nova de Gaia (13 de embarcam no sonho
na Oceania. Basta olhar para esta
curva ascendente para perceber que
Novembro). O NURIP irá igualmente
assegurar um módulo da escola da
de Radiologia de
se trata de uma área da Medicina SPRMN em Radiologia de Intervenção Intervenção, com
em expansão e com perspectivas
risonhas. Para terem uma ideia
nos últimos meses de 2020 (data
ainda a aguardar confirmação).
uma visão utópica
mais física e concreta, a CIRSE de ir realizar
5- Por último, que conselhos daria
(Sociedade Europeia de Radiologia
de Intervenção - https://www.cirse. a um interno que se pretenda
procedimentos
org/), pertence à ESR (Sociedade diferenciar em RI? diferenciados,
Europeia de Radiologia) e ocupava um
modesto escritório num dos pisos da Como diria a Élia Coimbra – alistem- espectaculares e que
sede da ESR em Viena. Actualmente se! Ou seja, falem com as pessoas, podem salvar muitas
ocupa 2 pisos inteiros e mais que inscrevam-se e participem nestas
quadriplicou os recursos humanos atividades realizadas pelo NURIP, vidas... tudo isso é
a trabalhar em exclusividade para a SPRMN e CIRSE! Para os especialistas, verdade, mas tem
CIRSE. O Congresso anual da CIRSE, recomendamos a inscrição na APRI –
tem mais de 7000 inscritos e adquiriu Associação Portuguesa de Radiologia custos!
proporções gigantescas. Ocorre em de Intervenção (http://apri.org.
Portugal a cada 3 anos, sendo uma pt/) que lutará pelos interesses da inverter nos próximos 30 anos. Espero
excelente oportunidade educativa/ Radiologia de Intervenção. Todos na altura estar na minha reforma, mas
formativa para os internos de nós estamos acessíveis em diferentes ainda vivo (cheio de netos) para poder
Radiologia e estudantes de Medicina. hospitais esp(a/e)lhados por todo o deliciar-me com essa “nova“ realidade
país: desde Vila Real, Porto, Coimbra, (nada virtual ou artificial...).
Lisboa, entre outros. Vejam a
(...) a CIRSE, pertence realidade, o dia-a-dia da Radiologia de
à ESR, ocupava um Intervenção e depois tentem perceber
se é isso que querem. Muitas pessoas
Paulo Santos Correia

modesto escritório embarcam no sonho de Radiologia


num dos pisos da de Intervenção, com uma visão
utópica de ir realizar procedimentos
sede da ESR em diferenciados, espectaculares e que
Viena. Actualmente podem salvar muitas vidas... tudo
isso é verdade, mas tem custos!
ocupa 2 pisos Sobrecarga emocional e física; trata-se
de um trabalho muito desgastante,
inteiros e mais que sob elevada pressão, e que requer
quadriplicou os uma disponibilidade constante,
comum à maioria das especialidades
recursos humanos médicas, mas menos apetecível
a trabalhar em dentro da comunidade da Radiologia.
Ou seja, tem de haver muito “amor
exclusividade para a à camisola”, pois trata-se de uma
CIRSE. vida muito mais “dura” que a da
Radiologia de Diagnóstico. A meu
ver, se houver, de facto, uma paixão
Em Portugal, o Núcleo de Radiologia pelo trabalho que se faz, as questões
de Intervenção da SPRMN (NURIP) tem remuneratórias virão depois. Não
vindo a desenvolver várias sessões de nego que, actualmente, as saídas
formação e divulgação em Radiologia profissionais são incomparavelmente
de Intervenção pelos diferentes mais favoráveis à Radiologia
Hospitais. Estivemos recentemente Diagnóstica do que à Radiologia de
em Vila Real, iremos a Coimbra a 31 Intervenção. Mas quem sabe; pode ser
de Janeiro (ver website da SPRMN - que os pratos da balança se venham a

Newsletter da CNIR 5
journal homepage: www.europeanurology.com

Ecos da Radiologia, Volume 1, Número 2

Review – Prostate Cancer

[2_TD$IF]Prostate Imaging Reporting and Data System Version 2.1:


2019 Update of Prostate Imaging Reporting and Data System
Version 2

Baris Turkbey a,y,[1_TD$IF] *, Andrew B. Rosenkrantz b,y,*, Masoom A. Haider c, Anwar R. Padhani d,
Geert Villeirs e, Katarzyna J. Macura f, Clare M. Tempany g, Peter L. Choyke a,
Francois Cornud h, Daniel J. Margolis i, Harriet C. Thoeny j, Sadhna Verma k,
Jelle Barentsz l,z, Jeffrey C. Weinreb m,z
a b
Molecular Imaging Program, National Cancer Institute, NIH, Bethesda, MD, USA; Department of Radiology, NYU Langone Medical Center, New York, NY,

Artigo do mês - Versão 2.1 do PI-RADS:


USA; c University of Toronto, Lunenfeld-Tanenbaum Research Institute, Sinai Health System, Toronto, Canada; d
Paul Strickland Scanner Centre, Mount Vernon
e
Cancer Centre, Northwood, UK; Department of Radiology, Ghent University Hospital, Gent, Belgium; f Department of Radiology and Radiological Science,
g
Johns Hopkins University School of Medicine, Baltimore, MD, USA; Department of Radiology, Brigham and Women's Hospital, Boston, MA, USA;
h i
Department of Radiology, Hôpital Cochin, Université Paris Descartes, Paris, France; Weill Cornell Imaging, Cornell University, New York, NY, USA;

Actualização de 2019 da Versão 2 do PI-RADS


j k
Department of Radiology, Hôpital Cantonal de Fribourg HFR, University of Fribourg, Fribourg, Switzerland; Department of Radiology, University of
l
Cincinnati, College of Medicine, Cincinnati, OH, USA; Department of Radiology and Nuclear Medicine Radboudumc, Nijmegen, The Netherlands;
m
Department of Radiology, Yale School of Medicine, New Haven, CT, USA

Article info Abstract


A RM multiparamétrica (RMmp) tem
Article history:
qualidade da imagem sejam garantidas. variável de nódulos hiperplásicos na TZ,
The Prostate Imaging Reporting and Data System version 2 (PI-RADS v2) was developed
sido crescentemente
Acceptedutilizada
February na
25, 2019 Além disso,
with a foi ainda demonstrada
consensus-based sendo muitas
process using a combination vezes data,
of published difíciland
determinar
expert as
observations and opinions. In the short time since its release, numerous studies have
deteção e estratificação de risco do
Associate Editor: preferência
validatedpelas sequências
the value lesõeshave
of PI-RADS v2 but, as expected, que also
devem ser classificadas,
identified a number of se
ambiguities and limitations, some of which have been documented in the literature
carcinoma da James Catto
próstata. A versão 2 do contrastadas 3D T1W
with potential GRE face
solutions às To
offered. 2D.address these
coexistência
issues, thedesta
PI-RADSpatologia.
Steering Com-
mittee, again using a consensus-based process, has recommended several modifica-
PI-RADS (PI-RADS v2) foi desenvolvida
Keywords: tions to PI-RADS v2, maintaining the framework O PI-RADS v2.1 defende
of assigning scores to que os achados
individual
sequences and using these scores to derive an overall assessment category. This
de forma a uniformizar a técnica
Prostate cancer 2. Avaliação de lesões na zona central devem ser analisados em
updated version, described in this article, is termed PI-RADS v2.1. It is anticipated pelo menos
Prostate Imaging Reporting and
e a interpretação
Datados achados
System na2
Version (CZ) evariability
no estroma fibromuscular dois planos e determina vários critérios
that the adoption of these PI-RADS v2.1 modifications will improve inter-reader
and simplify PI-RADS assessment of prostate magnetic resonance imaging
RM da próstata. Múltiplos estudos
Prostate Imaging Reporting and
anterior
even(AFMS). para aonsua
further. Research on the value and limitations
is strongly encouraged.
avaliação. of
all components A PI-RADS
classificação
v2.1 das
Data System Version 2.1
comprovaram a importância desta A maioria dos casos de carcinoma
Published by Elsevierda lesões
B.V. on behalf nas sequências
of European Associationponderadas
of Urology. em

classificação, contudo, também próstata envolve a zona periférica (PZ) T2 é o fator dominante que determina
mencionaram algumas limitações e e a zona de transição (TZ). Contudo, a categoria de avaliação PI-RADS na
Drs. Turkbey and Rosenkrantz contributed equally to this manuscript.
y

inconsistências. De forma a colmatá-las, ocasionalmente, sãoWeinreb


Drs. Barentsz and
z encontradas lesões
share the senior TZ. Lesões
authorship focais, nódulos ou regiões
of this manuscript.
* Corresponding authors. 10 Center Drive, Building 10, Room B3B85, Bethesda MD 20892, USA.
a comissão internacional responsável que parecem originar-se na CZ ou com características
Tel. +1 2407606112 (B. Turkbey). Department of Radiology, NYU Langone Health, suspeitas nestas
660 First Avenue,

pelo PI-RADS desenvolveu uma versão envolver o AFMS, pelo que o PI-RADS sequências
New York, NY 10016, USA. Tel. +1 212 263 0232 (A.B. Rosenkrantz).
ou que diferem
E-mail address: turkbeyi@mail.nih.gov (B. Turkbey), Andrew.Rosenkrantz@nyulangone.org do tecido
actualizada desta classificação, a versão v2.1 refere algumas considerações
(A.B. Rosenkrantz).
envolvente devem ser pontuadas.
2.1 (PI-RADS v2.1). sobre estas lesões. Lesões com características semelhantes
Na
https://doi.org/10.1016/j.eururo.2019.02.033 CZ, captações focais precoces
0302-2838/Published by Elsevier B.V. on behalf of European Association of Urology.
às do tecido envolvente não devem ser
1. Especificações técnicas na e/ou assimetrias nas sequências classificadas.
aquisição de imagens ponderadas ponderadas em T2, no mapa ADC ou Ao contrário do verificado no PI-RADS
em T2, no estudo de difusão e em difusão (com valores b altos) são v2 e, tendo em conta que é improvável
relativamente ao uso de contraste. considerados achados suspeitos. No a associação entre o carcinoma da
O PI-RADS v2.1 recomenda que entanto, assimetrias dimensionais por si próstata e os nódulos típicos de
a aquisição de imagens seja só podem ser apenas uma variante do HBP (redondos e completamente
preferencialmente realizada no plano normal, especialmente na presença de encapsulados), na versão PI-RADS
axial (axial ao reto ou axial oblíquo em hiperplasia benigna da próstata (HBP). v2.1, a presença isolada destes
relação ao eixo longo da próstata) e Alguns dos achados úteis na deteção nódulos é considerada um achado
complementada com, no mínimo, um de lesões com extensão ao AFMS são: benigno e deve ser pontuada com
plano ortogonal adicional (sagital e/ lesões com hipersinal nas sequências 1 nas sequências ponderadas em
ou coronal), de forma a evitar dúvidas ponderadas em T2 e na difusão com T2. Por outro lado, os nódulos quase
causadas por volume parcial. altos valores b; hiposinal no mapa ADC; completamente encapsulados ou
Relativamente ao estudo de difusão, é assimetrias ou massas focais; captações circunscritos e homogéneos não-
aconselhado para o cálculo do mapa precoces de contraste. Perante uma capsulados (nódulos atípicos) devem
ADC o uso de um valor b baixo entre lesão que não apresenta sede no AFMS, ser pontuados com 2, na avaliação das
0–100 s/mm2 e um valor b intermédio devem ser aplicados os critérios para as sequências T2.
entre 800–1000 s/mm2. Um valor b alto zonas adjacentes, dependendo da sua
(≥1.400 s/mm2) também é obrigatório. origem mais provável. No PI-RADS v2.1, o método de
A nova versão permite também o pontuação, que tem por base as
uso de uma resolução temporal ≤15 3. O que classificar e como classificar sequências ponderadas em T2 para
s, podendo ser utilizada uma mais as lesões na TZ. as lesões na TZ, sofreu as seguintes
rápida caso a resolução espacial e a A HBP caracteriza-se por um número modificações:

6 Newsletter da CNIR
Ecos da Radiologia, Volume 1, Número 2
b altos, mas não em apenas uma da zona periférica da próstata, o
das sequências referidas, levando à sector posteromedial direito e o sector
incerteza e à interpretação variável posteromedial esquerdo, perfazendo
destas categorias. actualmente um total de 41 sectores.
Posto isto, no PI-RADS v2.1, o método Além disso, foram feitas outras
de pontuação que tem por base o pequenas atualizações para melhor
estudo de difusão em todas as zonas, corresponder à anatomia relacionada
sofreu as seguintes modificações: com a idade e aos planos de aquisição
Embora a pontuação nas sequências T2 de imagem.
seja o fator dominante para a avaliação
PI-RADS na TZ, a restrição à difusão 8. O papel do contraste
também constitui uma característica de paramagnético na RM da próstata.
malignidade. No PI-RADS v2.1, apesar de ser
Lembrando o facto de que reconhecido o papel limitado do
ocasionalmente os nódulos atípicos contraste paramagnético na RM
podem abrigar tecido neoplásico e de da próstata, considera-se que mais
que o estudo de difusão pode ser útil estudos são importantes antes que
na sua identificação, o PI-RADS v2.1 a sua utilização seja considerada
incorporou as alterações detetáveis no desnecessária.
estudo de difusão na sua classificação. O termo “marcado” é igualmente As recomendações relativas às
Assim, nódulos atípicos (pontuação esclarecido e definido como uma indicações da RMmp são enumeradas:
2 nas sequências T2) sobem alteração de sinal mais pronunciada • Doentes com prioridade clínica na
para a categoria 3 do PI-RADS se do que qualquer outro foco na mesma deteção de neoplasia significativa
apresentarem uma pontuação ≥4 no zona. (biópsias negativas prévias e valores
estudo de difusão, isto é, demonstrarem inexplicados de PSA ou em vigilância
marcada restrição à difusão. 5. Definição de captação negativa na ativa);
Achados com uma pontuação em T2 RM com contraste paramagnético. • RM biparamétrica prévia sem
≤2 não devem ser classificados com um Na actualização 2.1 do PI-RADS, os resultados significativos, mas com
PI-RADS superior com base na presença critérios para uma pontuação negativa suspeita persistente;
de restrição ligeira/moderada à difusão nas sequências com contraste foram • Intervenções cirúrgicas e/ou terapias
(pontuação 3 no estudo de difusão). modificados. As alterações realizadas medicamentosas prévias que alteram a
incluem: ausência de captação precoce morfologia da próstata;
ou contemporânea; captação difusa • Doentes sem biópsia prévia e com
multifocal que não corresponde a forte histórico familiar, predisposição
um achado focal nas sequências genética e com scores de risco elevados
ponderadas em T2 e/ou difusão. para carcinoma da próstata;
Os critérios para uma pontuação • Implantes ou outras condições que
positiva permaneceram inalterados. podem condicionar artefactos que
resultem na degradação do estudo de
6. Clarificações relativas à medição difusão.
do volume da próstata.
4. Revisão dos critérios para a De forma a garantir o uso de uma Conclusão
classificação 2 e 3 com base no abordagem uniforme para o cálculo Desde a sua publicação, o PI-RADS
estudo de difusão. do volume da próstata com a fórmula v2 alcançou objetivos importantes,
O PI-RADS v2 apresentava definições elipsoide (Anteroposterior (AP) x nomeadamente na padronização
problemáticas para as categorias 2 e 3 Transversal (T) x Longitudinal (L) x da aquisição de imagens e na
com base no estudo de difusão. 0,52), o PI-RADS v2.1 recomenda que interpretação da RMmp. Várias
Na categoria 2, são incluídas lesões os diâmetros AP e L da próstata sejam limitações foram detetadas, pelo que se
hipointensas indistintas no mapa medidos no plano sagital e que o procedeu à sua atualização.
ADC. No entanto, essas lesões com diâmetro T seja calculado no plano Prevê-se que a adoção das
frequência têm hipersinal indistinto no axial. modificações da nova classificação
estudo de difusão com valores b altos permita uma maior simplificação
e, além disso, o significado do termo 7. Revisões relacionadas com o mapa na interpretação dos achados na
“indistinto” não é claro. sectorial. RM e contribua para uma menor
Os critérios envolvidos nas categorias O mapa sectorial da próstata tem sido variabilidade entre os leitores.
3 e 4 do PI-RADS v2 também sugerem utilizado com frequência desde o seu
que uma lesão pode ser positiva no lançamento. A versão 2.1 do PI-RADS Sofia Amante
mapa ADC e na difusão com valores introduz dois novos setores na base

Newsletter da CNIR 7
Ecos da Radiologia, Volume 1, Número 2

Formação - Cursos e Congressos 2020


8-9 Mai 3-6 Set
ESSR Sports Imaging Course ESUR 2020
(Zurique) (Lisboa)
14-17 Mai 10-12 Set
GEST 2020 ESHNR 2020
(Nova Iorque) (Salzburgo)
12-16 Set
9-10 Mar 19-22 Mai CIRSE 2020
EUSOBI Diagnostic ESGAR 2020 (Munique)
and Interventional (Amesterdão)
14-18 Set
Breast US Course
Musculoskeletal MRI
(Viena)
The Comprehensive
10-15 Mar 21-23 Mai 2-4 Jul Course (Porto)
ECR 2020 SERAM 2020 Breast MRI and
(Viena) (Saragoça) Female Imaging 21-25 Set
(Londres) Basic MRI Physics
(Dundee)
29-27 Mar 22-23 Mai
Jornadas SERVEI Advancing Science 13-17 Jul 24-25 Set
2020 - Actualización in Peritoneal Junior ESGAR Galen Course on 29 Nov- 4 Dez
en patología venosa Malignancies Summer School CEUS RSNA 2020
(San Sebastian) (Lisboa) (Atenas) (Berlim) (Chicago)

FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ

1 Fev 2-3 Abr 1-5 Jun 1-3 Out


Whole-Body MRI: Workshop in Liver ESPR annual EUSOBI 2020
Impact On Modern Oncology meeting and 42nd (Malmo)
Patient Care (Porto) Postgraduate course 1-3 Out
(Zurique) (Marselha) HRCT of the lung
(Lovaina)
6-8 Fev 23-25 Abr 3-5 Jun
Topics in Female CNR 2020 Advanced 7-9 Out
Pelvic Imaging (Tróia) Endovascular AIRP 2020
(Roma) Intervention Course (Porto)
(Lisboa)
10-14 Fev 24-25 Abr 4-6 Jun 13-15 Out
Head and Neck MRI 10th Prostate MRI ESTI 2020 IDEAS 2020
(Cracóvia) Teaching Course (Oxford) (Munique)
(Friburgo)
13-14 Fev 9-12 Jun 15-16 Out
Game of Thrones in 26-29 Abr Abdominal and ESGAR Pancreatic
Rectal Cancer ECIO 2020 Urogenital MRI Workshop
(Lisboa) (Nice) (Bruxelas) (Lisboa)
18-19 Jun
Asklepios Course on Cardiac 15-17 Out
MR learning (Tessalónica) ESCR 2020
25-26 Jun (Dubrovnik)
ESGAR Acute Abdomen
Workshop (Hamburgo)

Rad. Geral Cabeça e Pescoço Torácica Cardiovascular GI e Abdominal Genito-Urinária Mama Musculo-esquelética Intervenção Pediátrica

8 Newsletter da CNIR
Ecos da Radiologia, Volume 1, Número 2

Formação - Cursos e Congressos 2020

Outros Cursos, Congressos e Actividades


Formativas:
15th Congress of ECCO - Inflammatory Bowel Diseases
12-15 Fev
(Viena)

Segurança em RM
15 Fev (Lisboa)
28 Mar (Aveiro)
29 Mar (Coimbra)

Módulos da Escola da Sociedade Portuguesa de Radiologia


24º Módulo da ESPRMN – Módulo Radiologia Mamária
15 Fev
(Lisboa)

Módulos da Escola da Sociedade Portuguesa de Radiologia


25º Módulo da ESPRMN – Módulo Radiologia Pancreática e das Vias Biliares
29 Fev
(Lisboa)

XXXIV Curso Internacional SEUS - Ecografia Abdominal


26 Mar
(Valência)

Curso de actualización en estadificación ecográfica y manejo axilar en Cáncer de Mama


26-27 Mar
(Murcia)

Challenges in Interventional Radiology IV - Intervenção Biliar e Regeneração Hepática


29 Mai
(Lisboa)

Cadaveric Muskuloskeletal Interventional Course


5-6 Jun
(Oswestry)

The Wizardry of AI and Machine Learning in Cancer Imaging


18-20 Jun
(Lisboa)

Challenges in Interventional Radiology V - Intervenção Prostática e Uterina


13 Nov
(V. N. de Gaia)

Rad. Geral Cabeça e Pescoço Torácica Cardiovascular GI e Abdominal Genito-Urinária Mama Musculo-esquelética Intervenção Pediátrica

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