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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SÃO JOÃO DEL-REI

ESPECIALIZAÇÃO EM MUNDOS NATIVOS: SABERES, CULTURAS E HISTÓRIA


DOS POVOS INDÍGENAS

BEATRIZ ALVES MACHADO SANTOS

ANÁLISE DA CARTA MANIFESTADA PELO PRESIDENTE JAIR


BOLSONARO QUE CITA OS POVOS INDÍGENAS DO BRASIL
APRESENTADA NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU

IDEIAS:

A PERCEPÇÃO DO INDÍGENA NO DISCURSO DE JAIR


BOLSONARO NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU: IDENTIDADE,
ALTERIDADE, RELAÇÕES DE PODER E DESTERRITORIALIZAÇÃO
OU
A ALTERIDADE INDÍGENA NO DISCURSO APRESENTADO POR
JAIR BOLSONARO NA ASSEMBLEIA GERAL DA ONU: RELAÇÕES
DE PODER E DESTERRITORIALIZAÇÃO
?
Se bem q ‘desterritorialização’ já conta muito da analise/conclusao
‘Soltar mais a criatividade’ dá pra melhorar muito esse título ainda
até o final da escrita
A PERCEPÇÃO DE BOLSORARO ACERCA DO INDÍGENA NA
ASSEMBLEIA GERAL DA ONU: ALTERIDADE E RELAÇÕES DE
PODER
??
O DISCURSO DE BOLSONARO SOBRE O INDÍGENA NA
ASSEMBLEIA GERAL DA ONU: ALTERIDADE E RELAÇÕES DE
PODER
??

SÃO JOÃO DEL-REI


2019

INTRODUÇÃO

Representar o país é uma responsabilidade de grande relevância midiática


atribuída ao Presidente da República, e, portanto, monitorada a todo tempo por
diversas instâncias, fazendo com que cada declaração ecoe com uma significativa
força sobre as relações da nação, e sobre a sociedade e o seu imaginário, tamanha
é a sua capacidade de alcance.
Além disso, devido ao fato de haver interesses econômicos, políticos e sociais
envolvidos nos pronunciamentos do Governo, estes estão atrelados a um processo
discursivo complexo, no qual atuam relações de poder de ordem nacional e, até
mesmo, global. Orlandi
Dessa maneira, a fala do Presidente da República evidencia a articulação de
crenças, valores, emoções e associações de saberes diversos, elementos tais que
transitam entre os sujeitos e a esfera política.

linguagem deve ser entendida nessas relações como a mediação entre o homem e a
realidade e social.

No dia 24 de setembro de 2019, o atual presidente do Brasil, Jair Bolsonaro,


apresentou na 74ª Assembleia Geral da ONU uma carta na qual fez diversas
considerações sobre os povos nativos do Brasil e sobre as áreas de preservação
indígena. O referido discurso, constrói uma imagem carregada de significados dos
povos indígenas perante a sociedade.
Analisar os discursos que são transmitidos sobre os povos indígenas se faz
essencial, principalmente nesses tempos de violência, ataque aos direitos dos
nativos, invasões e exploração de terras demarcadas, o que afeta a vivência e
sobrevivência desses grupos. A comunidade indígena têm sofrido, por mais de 500
anos, com o desrespeito a sua cultura e crenças, mas continua lutando para a
aceitação de sua identidade étnica. Portanto, é preciso que se desenvolva trabalhos
que exercitem o pensamento crítico-reflexivo da sociedade para os ataques
existentes e também para o respeito pelos povos nativos. Analisar o discurso
presidencial é um modo de analisar a construção ideológica dessa instância, e como
isso poder marcar determinados grupos sociais, como reflete Cabral (2005):

A análise do discurso pode demonstrar que aquilo que é lido não é a


realidade, mas apenas um relato da realidade propositadamente construído
de um determinado modo, por um determinado sujeito. Através do
destrinchamento do funcionamento dos textos e da conseqüente
observação de sua articulação com as formações ideológicas, ela permite
desvendar no contexto da sociedade, o confronto de forças, as relações de
poder, os domínios do saber. (CABRAL, 2005, p. 61).

Por meio da análise do discurso é possível refletir sobre a história, o respeito,


a pluralidade social, as políticas públicas e a imagem que é construída em relação
aos grupos que são citados pelo presidente, o que é de extrema importância para
refletirmos sobre as reais intenções, objetivos e impactos de declarações públicas,
como a que se pretende analisar.
A partir dos pressupostos apresentados, será investigado as seleções
lexicais, o conteúdo e o contexto do pronunciamento do presidente da República Jair
Bolsonaro, durante discurso na 74ª Assembleia Geral das Nações Unidas (ONU), em
Nova York (EUA), de modo a examinar as estratégias utilizadas para a manutenção
de uma imagem descredibilizada de determinadas ações que envolvem os povos
indígenas do Brasil.
A discussão teórica constituiu-se por estudos sobre: analise discursiva
(ORLANDI, 2003), moral política (LAKOFF, 2002), discurso político e, em específico,
presidencial (CHILTON, 2004; MONTERO, 2009), interface discursivo- cognitiva e
relação entre discurso e poder (VAN DIJK, 2010, entre outros).
OBJETIVO GERAL

Analisar quais significados estão presentes na carta do presidente Jair


Bolsonaro que trata sobre os povos indígenas do Brasil, apresentada na 74ª
Assembleia Geral da ONU.

OBJETIVOS ESPECÍFICOS

Como delimitação deste objetivo central, este projeto busca realizar os


seguintes objetivos específicos:
- Analisar criticamente os elementos do discurso, a linguagem utilizada e as
temáticas abordadas;
- Identificar por intermédio da análise discursiva, temática e interpretativa como foi
feita a construção da imagem do grupo social mencionado;
- Descrever e analisar a caracterização dos sujeitos presentes no discurso;
- Caracterizar e analisar a constituição do interlocutor, a perspectiva adotada e sua
influência no discurso;
- Interpretar os imaginários sociais e identitários criados a partir da caracterização
feita através do discurso;
- Descrever e analisar através da análise do discurso a relação entre os povos
indígenas mencionados e os espaços por elas ocupados, levando em consideração
aspectos sociais e culturais;
- Identificar e analisar a constituição de imagens através das impressões subjetivas
das personagens e seus efeitos de sentido à interpretação das narrativas;
- Traçar o perfil social do interlocutor.
REFERENCIAL TEÓRICO

Diante do objeto que se propõe analisar, é necessário fazer um breve


percurso crítico da história e do espaço dos povos indígenas no Brasil. Isso porque
essa temática possui várias abordagens que perpassam diversas teorias,
pensadores e áreas de conhecimento, como a antropologia, a história, a sociologia,
a literatura, a linguística, dentre outras, o que evidencia seu caráter transdisciplinar.

Historicamente, foram criadas muitas identidades sobre os nativos do território


brasileiro, baseadas principalmente na percepção colonialista e eurocêntrica, que
julgava os indígenas como inferiores, como destaca o antropólogo Gersem Luciano
(2006):

Desde a chegada dos portugueses e outros europeus que por aqui se


instalaram, os habitantes nativos foram alvo de diferentes percepções e
julgamentos quanto às características, aos comportamentos, às
capacidades e à natureza biológica e espiritual que lhes são próprias.
Alguns religiosos europeus, por exemplo, duvidavam que os índios tivessem
alma. Outros não acreditavam que os nativos pertencessem à natureza
humana pois, segundo eles, os indígenas mais pareciam animais selvagens.
Estas são algumas maneiras diferentes de como “os brancos” concebem a
totalidade dos povos indígenas a partir da visão etnocêntrica predominante
no mundo ocidental europeu (Luciano, 2006: 34)

O discurso de superioridade cultural dos europeus, era uma forma de


manutenção de poder e imposição de costumes ocidentais aos indígenas. Sendo
assim, para desconstruir a imagem negativa que os colonizadores projetaram sobre
esses povos é preciso adotar uma perspectiva que se contraponha e denuncie a
opressão e dominação dos nativos, que tenha um olhar crítico sobre a história, como
faz as teorias decoloniais de acordo com Colaço (2012):

O pensamento decolonial reflete sobre a colonização como um grande


evento prolongado e de muitas rupturas e não como uma etapa histórica já
superada. [...] Deste modo quer salientar que a intenção não é desfazer o
colonial ou revertê-lo, ou seja, superar o momento colonial pelo momento
pós-colonial. A intenção é provocar um posicionamento contínuo de
transgredir e insurgir. O decolonial implica, portanto, uma luta contínua
(Colaço, 2012: 08).

A teoria decolonial busca resgatar a autenticidade e legitimidade cultural dos


povos colonizados, desconstruindo a imagem de sociedade vazia e selvagem
imposta pelos colonizadores. Além disso, busca problematizar a situação pós-
colonial dos colonizados, visando promover uma emancipação dos mesmos em
todos os âmbitos.

A intenção não é negar ou apagar o passado dos povos indígenas no período


de colonização, mas refletir sobre a história dando voz aos colonizados e incluir os
povos nativos como protagonistas da história do Brasil, como aponta Pompa sobre
as novas tendências de pesquisa sobre essa temática:

Um novo interesse historiográfico pelo papel dos povos indígenas na


história do Brasil revela o “índio colonial” não apenas como categoria
genérica construída pelos agentes da colônia, mas também como
instrumento indígena de afirmação política. O que emerge desses estudos,
que enterram definitivamente a imagem do índio vítima apenas de
extermínio ou figurante mudo de uma história alheia, são as múltiplas
experiências de elaboração e reformulação de identidades que se
apresentaram como respostas criativas às pesadas situações
historicamente novas de contato, contágio e subordinação (Pompa,
2012:64)

Para relacionar o discurso histórico sobre os povos indígenas e a fala do


presidente vamos nos debruçar sobre a teoria de análise do discurso de Orlandi
(2003). Segundo Orlandi, o discurso não surge do nada, mas sim do modo como as
relações sociais se inscrevem e são regidas na história por relações de poder. A
análise do discurso então encontra sua função ao atravessar esse imaginário que
condiciona os sujeitos em suas discursividades, para então tentar explicar o modo
como os sentidos estão sendo produzidos e para, enfim, ajudar os falantes a
compreender melhor o que está sendo dito. Também fará parte do corpo teórico:
moral política (LAKOFF, 2002), discurso político e, em específico, presidencial
(CHILTON, 2004; MONTERO, 2009), interface discursivo- cognitiva e relação entre
discurso e poder (VAN DIJK, 2010, entre outros).

METODOLOGIA

Trata-se de um trabalho eminentemente de pesquisa, análise e interpretação


de material bibliográfico, do discurso e do contexto de produção e divulgação da
carta em questão. Ou seja, o estudo da representação dos povos indígenas do
Brasil por meio da perspectiva do discurso presidencial com apoio de textos teóricos
e obras de referência nos estudos contemporâneos sobre análise discursiva.
O projeto é de natureza qualitativa e tem como base técnica a pesquisa
bibliográfica que, conforme o entendimento de Gil (1997, p. 48), “é desenvolvida a
partir de material já elaborado sobre o assunto, constituído principalmente de livros e
artigos científicos”. Para Fonseca (2002, p. 32), “a pesquisa bibliográfica é feita a
partir do levantamento de referências teóricas já analisadas, e publicadas por meios
escritos e eletrônicos, como livros, artigos científicos, páginas de web sites”.

A análise discursiva terá como base teórica o estudo do discurso proposto por
Orlandi (2003). A estudiosa entende a linguagem como mediação necessária entre o
homem e a realidade social. Esta mediação é feita pelo discurso, ou seja, pelas
práticas discursivas nas quais o homem se insere, sendo capaz de significar e
significar-se. O discurso torna possível tanto a permanência e a continuidade,
quanto o deslocamento e a transformação do homem e da realidade na qual vive.

Para a realização da pesquisa será necessário leituras sistemáticas da carta


apresentada pelo Presidente Jair Bolsonaro na 74ª Assembleia Geral da ONU. Em
seguida, será feito o levantamento bibliográfico de artigos, livros e outras produções
acadêmicas sobre análise discursiva, o contexto do discurso e sobre o interlocutor
selecionado para o estudo, bem como o levantamento do referencial teórico sobre
discurso político, controle social, moral política e historicidade que subsidiará todas
as etapas da pesquisa.

Logo após, serão produzidos fichamentos e resenhas críticas das obras


teóricas lidas buscando selecionar as discussões científicas mais pertinentes para a
pesquisa, em seguida será feita releituras críticas e analíticas da carta procurando
aliar as contribuições teóricas com os objetivos pretendidos para a pesquisa.

CRONOGRAMA

MÊS/ETAPAS Nov. 2019 Dez. Dez. Jan. 2020 Fev. Fev. Março Março Março Abril

Escolha do X
tema
Levantamento X X
bibliográfico
Elaboração e X
apresentação
do projeto
Análise da X X X
carta
Organização do X X
roteiro/partes
Redação do X X
trabalho
Revisão e X
redação final
Entrega da X
monografia
Defesa da X
monografia

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Primárias:
CHILTON, P. A. Analysing political discourse. United Kingdom: Routledge, 2004.
LAKOFF, G. Moral Politics. Chicago: University of Chicago Press, 2002. LAKOFF, G.;
MONTERO, M. Poder y palabra: mentira implícita y accidentes en discursos
presidenciales. Discurso e Sociedad, v. 3, p. 348-371, 2009.
ORLANDI, Eni P. Análise de discurso: princípios e procedimentos. 5 ed. Campinas:
Pontes, 2003.
VAN DIJK, T. A. Discurso e poder. São Paulo: Contexto, 2010.

Secundárias:
COLAÇO, Thais Luzia. Novas perspectivas para a antropologia jurídica na América
Latina: o direito e o pensamento decolonial. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2012.
FONSECA, João José Saraiva da. Metodologia da pesquisa científica. Ceará:
Universidade Estadual do Ceará, 2002.
GIL, A. C. Métodos e técnicas de pesquisa social. 5.ed. São Paulo: Atlas, 1997.
LUCIANO, Gersem dos Santos. O Índio Brasileiro: o que você precisa saber sobre
os povos indígenas no Brasil de hoje. Brasília: Ministério da Educação, Secretaria de
Educação Continuada, Alfabetização e Diversidade; LACED/Museu Nacional, 2006.
POMPA, Cristina. Os índios, entre a antropologia e história: a obra de John Manuel
Monteiro.

Consultadas:
CABRAL, A. C. de A. A análise do discurso como estratégia de pesquisa no campo
da Administração: uma visão global. Contex. Revista contemporânea de Economia e
Gestão, v3, nº1, 2005.

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