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Princípios da Neurociência da educação

Diana Miranda Mascarenhas


Prof. Jônatas Bessa

Há tempos que diversos campos da educação vêm se apropriando dos


estudos da Neurociências para compreender melhor os processos de
aprendizagens. Essas ciências têm se aplicado a estudar o funcionamento do
cérebro humano, ajudando aos pesquisadores compreenderem como o cérebro
processa novas informações, quais são os mecanismos até a consolidação
destas.
A seguir seguem cinco princípios da Neurociências da Educação que
afetam diretamente a prática profissional do educador em sala de aula.

Princípio 1 - O cérebro apresenta um alto grau de plasticidade e se


desenvolve ao longo da vida, embora existam limites nessa plasticidade
que aumentam com a idade.

A plasticidade é a capacidade do cérebro de mudar em decorrência da


maturação dos organismos, da aprendizagem ou de ajustes biológicos para
compensar danos causados em alguma área do cérebro.
Ela está presente desde a geração embrionária do bebê e permanecerá
até a fase do envelhecimento adulto, embora a medida que o ser humano vai
envelhecendo essa capacidade vai diminuindo. Por esse motivo, por exemplo, é
mais fácil adquirir a habilidade de falar uma nova língua quando criança do que
quando na fase adulta. No entanto, isso não elimina a possibilidade de quando
mais velhos adquirir um novo saber.
As mudanças causadas pela plasticidade neural podem ocorrer na
estrutura ou na reorganização funcional do cérebro. Quando acontece
estruturalmente, pode resultar na formação de novas sinapses, no fortalecimento
de conexões já existentes, ou ainda, no surgimento de novos neurônios.
Cabem aos educadores, sabendo deste princípio, organizar sua didática para que
os alunos possam cada vez mais realizar ligações neurais fortes. Os conteúdos não
devem ser trabalhados soltos, mas fazendo um encontro com os saberes prévios da
criança.
Princípio 2 – Cada cérebro é único e organizado de forma singular,
apesar de seus padrões;

Apesar de toda espécie humana nascer com estruturas semelhantes, não


podemos dizer que são iguais pois os estímulos recebidos externamente, do
ambiente cultural e social que vivem influência no processo biológicos das
sinapses neurais.
O aprendizado é em parte determinado pela habilidade cerebral de
autocorreção, a de aprender com as experiências já vividas, através das análises
dos dados e da autorreflexão;
Ao nascer, a criança possui milhões de neurônios. Uma quantidade muito
maior do que realmente precisam. Com o passar do tempo, aqueles neurônios
que não conseguiram estabelecer conexões corretas durante a fase inicial do
desenvolvimento cerebral são eliminados.
A medida que o individuo vão crescendo sua massa encefálica também
aumenta. Paradoxalmente há uma grande perda de neurônios, contudo, o
cérebro trabalha em rede, e a medida que vamos nos apropriando de
conhecimentos e experiências fazemos diversas conexos aumentando a massa
encefálica.
Por exemplo, crianças que nascem sem nenhuma anomalia e que são
bem estimuladas na primeira infância conseguiram desenvolver com mais
sucessos suas áreas cerebrais do que aqueles que nascem em mesmas
condições biológicas, mas que não receberam os estímulos adequados. Nesse
sentido, a cultura do meio ambiente influencia no desenvolvimento neural dos
seres humanos, tornando-os únicos. Semelhantes em suas estruturas, mas
únicas no seu desenvolvimento.

Princípio 3 – Aprender depende de memória e atenção.

A aquisição de conhecimento exige do ser humana a capacidade de


selecionar uma informação, manter a atenção sobre ela e resgatar memórias
para associar o novo conhecimento ao já existente, consolidando o aprendizado
como uma memória de longa duração.
Nosso celebro estrategicamente não possui a capacidade de processar
tudo ao mesmo tempo. Ele é dotado de mecanismos que permitem a seleção
das informações que são verdadeiramente relevantes. Ao focar no objeto de
aprendizagem, pode-se ignorar as informações desnecessárias potencializando
o aprendizado.
Nesse sentido é importante que o educador compreenda que a
organização e arquitetura do local de estudo pode influenciar significativamente
no processo de aprendizagem do educando. Quanto mais distratares mais difícil
fica para o aluno manter seu foco. Crianças que sofrem com TDHA ou TED não
costumam reagir positivamente a ambientes com muitas informações. Elas
possuem dificuldades em manter o foco nas suas atividades necessitando de
ambientes mais propicio as suas necessidades.
Segundo Guerra e Consenza (2011), existem pelo menos 3 circuitos
nervosos importantes para o fenômeno da atenção. O primeiro Circuito mantém
os níveis de vigilância ou alerta. Fica claro, por exemplo, na ausência de horas
adequada para o sono o aprendiz pode se sentir fadigado, sonolento, pois o seu
nível de vigilância se tornou baixo a ponto de afetar sua capacidade de atenção.
O segundo circuito é responsável pelo foco da atenção. Ele dirige o
sentido da atenção para um objeto descriminando outros itens ao redor do
observador. O terceiro e último circuito é o executivo que é responsável por
manter a atenção inibindo os destruidores até o objetivo ser alcançado.
A Atenção executiva é importante no processo de aprendizagem
consciente. Indivíduos com Transtorno de Déficit de Atenção Hiperatividade
(TDAH), por exemplo, costumam ter dificuldades neste circuito.
Uma boa estratégia para facilitar o bom funcionamento deste circuito é
interessante promover um ambiente escolar motivacional, que capture a atenção
para o conteúdo a ser abordado de forma que o estudante reconheça as
atividades como significantes para manter a sua atenção.
Usar recursos interativos, entornar adequadamente a voz, usar humor e
a música são exemplos de recursos que os pesquisadores indicam para integrar
na didática da sala de aula fazendo com que o conteúdo seja mais atrativo para
o estudante.
Além da atenção outro fenômeno aprendizagem a memória também
exerce um papel importante. A memória não é um fenômeno unitário ela
compreende diversas subdivisões do sistema neural. Há diversos tipos de
memórias.
Em linhas gerais, ao se deparar com um conteúdo pela primeira vez o
educando utiliza sua memória de trabalho ou memória operacional para
armazenar e processar as informações. Quando o registro é feito na memoria ou
revisitado, essa memória pode se tornar uma memória de longa duração. Desta
forma, os processos de repetição elaboração e consolidação da informação
estudada são importantes para que a aprendizagem se torne consciente e
duradoura.
Ao revisitar um conceito estudado fazendo associação com registro já
existentes em nossa memória aprendizagem torna-se ainda mais durável. As
sinapses elaboradas sofrem alterações biológicas tornando a memória mais
consolidada.
Estudos comprovam que as estratégias de aprendizagem que tem mais
chance de obter sucesso são aquelas que levam em conta a forma do cérebro
de aprender. É importante respeitar os processos individuais de repetição
elaboração e consolidação da informação. Importante também utilizar diferentes
recursos educacionais para que o estudante possa fazer o maior número de
sinapses referentes a nova aprendizagem.

Princípio 4 - As emoções são críticas na detecção dos padrões, tomada de


decisões e aprendizagem. O estresse, a ansiedade e os estados
depressivos prejudicam o aprendizado.

As emoções afetam biologicamente os indivíduos em processo de


aprendizagem. Do ponto de vista da Neurociências as emoções estão
intimamente ligadas com o desenvolvimento cognitivo do estudante.
É possível observar através da emoção respostas periféricas externas
como também respostas corporais internas. Esse sistema das emoções,
comunica-se diretamente com regiões vísceras do corpo promovendo secreções
hormonais
Uma pessoa que está estressada pode apresentar sudorese excessiva e dores
intestinas. Além disso, podemos através da expressão facial identificar o
sentimento que a pessoa esta passando em um determinado momento.
O desenvolvimento de uma consciência emocional do que estamos
sentindo em um determinado momento pode ajudar os indivíduos a identificar e
controlar seus processos emocionais. Muitos estudos têm se debruçado na
análise das regiões corticais envolvidas nas emoções. Uma das principais
regiões do cérebro é a amígdala celebrar. Ela está incluída no sistema límbico
cujo um dos atributos é o controle das emoções e dos processos motivacionais.
Esse circuito também está ligado com o fenômeno chamado de
motivação. Indivíduos motivados se sentem mais capaz de superar os desafios
e alcanças os objetivos propostos.
Pode-se concluir que as emoções podem facilitar a aprendizagem
positivamente ou negativamente. Se o indivíduo se sente motivado ele irá
adquirir melhor os conhecimentos. Pelo contrário, caso ele se sinta em um
ambiente estressado o resultado pode não ser o mesmo. Geralmente o
estudante sofre um bloqueio, achando-se incapaz de superar os desafios
propostos.
Situações de estresse devem ser evitadas em sala de aula. Ao encontrar
uma dificuldade quando não motivados a superar lá ou quando o educando a se
sentir em capaz a superar lá o cérebro emite mensagens negativas e ativam
neurotransmissores que dificultam processo de aprendizagem.
É aconselhável criar condições que levem a um maior autoconhecimento
das emoções. Reservar um momento da aula para trabalhar a respiração, os
sentimentos e emoções e a concentração pode ser um fator diferencial para o
sucesso do aluno.

Princípio 5 - Devolutivas (feedbacks) e avaliações significativas são


fundamentais para o aprendizado humano.

Seguindo a mesma linha do princípio anterior, os feedbacks são


importantes estratégias motivacionais. Eles servem como uma devolutiva para
que o educando possa se localizar frente aos seus avanços na aquisição de um
saber.
As devolutivas podem assumir um papel positivo ou negativo. Tudo
depende da forma que são empregadas. O tom de voz por exemplo, pode
influenciar bastante neste processo. O interlocutor que recebe esse feedback
interpretará como positivo ou negativo a carga emocional recebida. Se positivo
ele se sentira motivado a prosseguir, ainda que tenha ocorrido equívocos na
execução de uma tarefa. No entanto, se a carga emocional for negativa, o aluno
pode se sentir incapaz e desmotivado a superar o obstáculo.