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 Plaquetas são fragmentos celulares anucleados que “brotam” dos megacariócitos na medula óssea.

 Endomitose: processo de maturação sofrido pelos megacariócitos, no qual o DNA genômico é replicado várias
vezes sem que haja divisão celular. Em seguida inicia-se uma fase de intensa síntese proteica, deixando o citoplasma  O Fator de Von Willebrand possui grande importante na hemostasia primária.
 Conjunto de mecanismos que, atuando repleto de grânulos destinados às plaquetas. A célula então emite prolongamentos digitiformes onde os grânulos  Produzido pelas células endoteliais e se encontra em 2 formas: armazenado dentro de grânulos
sinergicamente, fazem com que o sangue permaneça serão “empacotados”, seguindo-se o desprendimento de pequenos discos plaquetários para a circulação sanguínea. nas plaquetas e livre no plasma.
líquido no interior dos vasos, e, quando ocorre uma  Vida média de uma plaqueta livre: 7 a 10 dias.  A ligação entre matriz extracelular, fvW e o seu receptor (glicoproteína Ib - GP Ib) estabiliza o
lesão vascular, forme um tampão hemostático que será  As plaquetas têm duas morfologias – Repouso e Ativada. tampão plaquetário.
removido após a reparação tecidual, ou seja, é o  As plaquetas possuem 3 tipos de grânulos no citoplasma plaquetário, armazenando uma série de moléculas que, após  A ausência ou disfunção do fator de von Willebrand ou seu receptor (a GP Ib) resulta em 2
processo fisiológico encarregado de parar o a ativação, são liberados: clássicos distúrbios da hemostasia primária: a Doença de von Willebrand e a Síndrome de
sangramento, ao mesmo tempo em que inicia o reparo  Grânulos-alfa: contêm proteínas. Há desde proteínas que aumentam a adesividade plaquetária (fator de von Bernard-Soulier.
dos tecidos. Willebrand, fibronectina, vitronectina e fibrinogênio), até participantes da cascata de coagulação (fator V), além de  A importância do Fator de von Willebrand: Plaquetas circulantes têm que se “agarrar com
 A hemostasia envolve o equilíbrio entre estímulos secretam fatores de crescimento, como o PDGF. Outras proteínas, como o fator 4 plaquetário (neutralizador da força” ao colágeno subendotelial exposto na parede do vaso lesado. Sua superfície tem receptores
pró-coagulantes (plaquetas), anticoagulantes (células heparina), favorecem indiretamente o processo de coagulação. de colágeno (GP Ia/IIa e GP VI), mas eles sozinhos não geram tensão suficiente para resistir ao
endoteliais) e fibrinolíticos.  Grânulos densos: armazenam agonistas da ativação plaquetária/vasoconstrictores (ADP/serotinina) e do sistema fluxo de sangue. A ligação entre o colágeno, o fator de von Willebrand e seu receptor (GP Ib) faz
de coagulação (cálcio). com que a plaqueta pare de rolar e fique firmemente presa, pelo fato de a GP Ib estar diretamente
 Lisossomos: contêm hidrolases, contribuintes da remodelação vascular, após a secreção granular. conectada ao citoesqueleto, sua ligação com o fator de von Willebrand alinha as fibras de actina na
direção da força exercida pelo sangue.

 Ação das plaquetas na formação do trombo ou tampão plaquetário


Hemostasia
&
(´´coágulo branco``- plaquetas + poucas fibrinas).  Estímulo à fibrinólise: diversas formas de “estresse” (exercício, hipóxia,
 A formação do tampão plaquetário no sítio de injúria vascular: adesão, acidose, aumento da pressão venosa e a própria trombina) promovem a liberação

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,
ativação e agregação. de tPA (Ativador Tecidual do Plasminogênio) pelas células endoteliais saudáveis.

Fisiologia da Coagulacao
 Adesão plaquetária: na lesão tecidual o endotélio dos vasos O tPA transforma o plasminogênio em plasmina, o principal agente fibrinolítico
sanguíneos é rompido, expondo a “matriz subendotelial”, principalmente o endógeno. Apenas o plasminogênio ligado à rede de fibrina é transformado em
colágeno, principal substrato para a adesão plaquetária (graças ao papel plasmina.
de “receptor” da GP VI). A glicoproteína VI, além de participar do  O sistema de coagulação deve ser sempre balanceado. Para isso existem os
fenômeno de adesão, garantindo que a plaqueta “role” sobre a área lesada agentes anticoagulantes e os fibrinolíticos.
(ligação colágeno-GP VI), também transmite os primeiros sinais de  Agentes anticoagulantes: são separados de acordo com o ponto da
ativação plaquetária. Mas quem faz o tampão plaquetário permanecer hemostasia que afetam em inibidores da hemostase primária (aqueles que
“agarrado” ao colágeno é o fator de von Willebrand Ele forma inibem as plaquetas - óxido nítrico e a prostaciclina) e inibidores da hemostase
uma ponte que liga o colágeno ao receptor do fator de Von secundária (inibem ou destroem fatores envolvidos na cascata de coagulação -
Willebrand nas plaquetas, a chamada GP Ib.  Evita o ressangramento, pela formação de uma rede adesiva de fibrina em volta do plug plaquetário (trombo vermelho - proteína C, proteína S, inibidor do fator tecidual e o heparan sulfato).
 Ativação plaquetária: as plaquetas são estimuladas pelos agonistas hemácias + leucócitos), geralmente formado na circulação venosa, que consolida o trombo, a partir da ação dos fatores da  Trombomodulina: forma um complexo com a trombina, ativando a Proteína C,
plaquetários (colágeno, epinefrina e trombina), “regurgitando” cascata de coagulação. que passa a degradar os fatores VIIIa (via intrínseca) e Va (via final comum).
membranas do sistema canalicular aberto ao mesmo tempo em que o  Proteína S: cofator da proteína C, capaz de inativar, de maneira
conteúdo de seus grânulos é secretado. O consequente aumento na Obs.: todos os fatores de coagulação são sintetizados no fígado, exceto o FATOR VIII, sintetizado no endotélio. independente, os fatores Va, VIIIa, e a protrombinase (fator Xa).
superfície de contato expõe receptores de adesão e agregação. A  Moléculas de Heparan-sulfato (proteoglicano): revestem a superfície do
estimulação pelos agonistas também induz a síntese de Tromboxane A2 Obs.: é interessante destacar que alguns fatores de coagulação necessitam de modificações pós-sintéticas para funcionar endotélio e ativam a antitrombina III circulante (o mesmo cofator da
(TxA2) pela COX-1, que amplifica a ativação plaquetária, fechando uma adequadamente. Estamos nos referindo aos fatores “dependentes de vitamina K” (Complexo Protrombínico) - fatores II, heparina), acelerando a hidrólise, pela AT III, dos fatores dependentes da
alça de retroalimentação positiva, recrutando plaquetas ainda “em VII, IX, X, além das proteínas C e S (que na verdade são anticoagulantes), pois a vitamina K é necessária para a vitamina K (II, VII, IX, X), interrompendo tanto a via extrínseca quanto a via
repouso” que estejam passando próximo à área lesada e sua agregação no carboxilação dos resíduos de ácido glutâmico dessas moléculas. intrínseca e a via final comum.
tampão plaquetário em formação.  Inibidor da Via do Fator Tecidual (TFPI): inibe o complexo Fator Tecidual-
 A ativação plaquetária, culmina na degranulação com liberação  Existem duas maneiras de fazer o sangue coagular no laboratório: via intrínseca (ou sistema de contato) e via VIIa-Xa, e corta a via extrínseca “pela raiz”.
de proteínas de adesão plaquetária, de serotonina (que provoca extrínseca (sistema que simula uma lesão tecidual). Essas vias são apenas para o começo da cascata, pois em certo ponto  Em relação ao sistema de fibrinólise temos o ativador tecidual do
vasoconstricção) e do fosfolipídeo plaquetário, além de fatores de elas se encontram formando a via comum. plasminogênio (transforma o plasminogênio em plasmina, que é a responsável
crescimento, iniciando o reparo tecidual.  Via intrínseca: desencadeada pelo contato do sangue com uma superfície que tenha cargas elétricas negativas (vidro, pela degradação dos coágulos formados).
 O processo de ativação plaquetária participa diretamente da caolin, colágeno). O exame utilizado para avaliá-la é o Tempo de Tromboplastina Parcial Ativada (“TTPA”). Nestas
cascata de coagulação (hemostasia secundária). Estamos nos referindo superfícies, o Cininogênio de Alto Peso Molecular (CAPM) ativa o fator XII (fator de Hageman), que por sua vez converte a Obs.: o endotélio é uma monocamada de células na interface entre o sangue e os
à exposição do fosfolipídio plaquetário, ou fator III, na membrana do pré-calicreína (PK) em calicreína (K). A calicreína aumenta a formação do fator XII numa alça de retroalimentação positiva. tecidos, a qual é dotada de diversas propriedades, incluindo a regulação da
trombócito ativado. A fosfatidilserina funciona como um “gancho” no qual O fator XIIa também converte o fator XI em fator XIa. Este último, a partir do fator IX (fator anti-hemofílico B ou trombogênese a partir do seu grau de integridade.
vão se prender as principais enzimas da cascata de coagulação. fator de Christmas), forma o fator IXa. Na superfície das plaquetas, utilizando seu componente fosfolipídico, e na
 Desse modo são formadas enzimas multimoleculares imprescindíveis presença de cálcio ionizado e do fator VIIIa (ativado pela trombina), o fator IXa ativa o fator X (fator de Stuart). Esse
para a cascata de coagulação: a tenase (X-ase, ou ativador do fator X) e complexo multimolecular é chamado de Tenase da via intrínseca! O produto dessa reação é o fator Xa.
a protrombinase (ativador da protrombina).  Via extrínseca: é iniciada com a liberação do Fator Tecidual (TF), que está localizado nas células subendoteliais (músculo liso, fibroblastos) e entra em contato com o sangue em caso de lesão do endotélio. O
 Agregação plaquetária: fenômeno mediado pela glicoproteína exame que mede a eficiência desta via é o Tempo e Atividade da Protrombina (“TAP”). Na membrana celular, o fator VII (pró-convertina) se liga ao TF na presença de cálcio ionizado, convertendo-se em fator
IIb/IIIa (GP IIb/IIIa ou integrina alfaIIb-beta3) utilizando o VIIa. O complexo TF-fator VIIa ativa o fator X (fator de Stuart), produzindo o fator Xa. Essa é a Tenase da via extrínseca! O fosfolipídio plaquetário e o cálcio ionizado também participam na formação deste
fibrinogênio como “ponte” para ligar uma plaqueta à outra. complexo enzimático multimolecular.
 “Via final comum”: iniciada a partir da formação do fator Xa, que se liga ao fosfolipídio plaquetário para converter o fator II (protrombina) em fator IIa (trombina), na presença de cálcio ionizado e de um
Obs.: O AAS (ácido acetilsalicílico) “acetila” a molécula de COX-1, cofator – o fator Va. Esse complexo multimolecular é chamado de protrombinase. A trombina transforma o fibrinogênio plasmático (fator I) em monômeros de fibrina, que se combinam para formar um polímero
causando um bloqueio irreversível pelo resto da vida da plaqueta. Assim, (rede de fibrina). A trombina também ativa os fatores V (pró-acelerina), VIII e XIII, além de ser um potente ativador plaquetário. As ligações fibrina-fibrina são estabilizadas (tornam-se covalentes) pela ação
após uma dose adequada, o AAS pode reduzir a formação de trombos do fator XIIIa (fator estabilizador de fibrina). A rede de fibrina reveste e estabiliza o plug plaquetário, finalizando o processo hemostático, com a formação do coágulo.
pelos próximos 7-10 dias. Os demais AINEs induzem bloqueios
reversíveis da COX-1, permitindo a secreção de TxA2 pela mesma Obs.: Antagonistas da vitamina K: Os cumarínicos (Warfarin) inibem a reação de carboxilação dependente de vitamina K. O resultado final é o bloqueio na formação das Tenases (intrínseca e extrínseca) e da
plaqueta após a suspensão da droga. Protrombinase.