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Parte Geral

Princípios

a) Princípio da Legalidade: (art. 5º, XXXIX, CF e art. 1º CP): “não há crime


infração penal), nem pena ou medida de segurança (sanção penal) sem
prévia lei que o defina (stricto sensu), não há pena sem prévia cominação
legal”;
Reserva legal: Apenas a lei em sentido estrito pode criar direito penal (Lei
ordinária ou lei complementar) são restrições ao intérprete e ao legislador
da lei penal.

ATENÇÃO

- Medida provisória não pode versar sobre matéria penal, mesmo depois
de convertida em lei (art. 62 § 1°).
- O STF já admitiu medida provisória em matéria penal desde que
favorável ao réu.
- Matéria penal não teria a urgência exigida para edição de medida
provisória.
- É competência privativa da União legislar sobre direito penal.
- Lei complementar pode autorizar aos Estados legislar sobre temas
específicos em matéria penal (art. 22 parágrafo único CF).

b) Princípio da Exclusiva Proteção a Bens Jurídicos: abrange a ideia de


ofensividade e lesividade (art. 5º, XXXIX, CF e art. 13, CP), visto que a
última é relacionada à perigo ou lesão a determinado bem jurídico. “É
melhor prevenir os crimes, que puni-los”, Beccaria. O Direito Penal
somente tutela os bens essenciais para a vida em sociedade;

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c) Princípio da Intervenção Mínima: o Direito Penal somente deve intervir
na medida do que for estritamente necessário (como ultima ratio legis),
ficando reduzida a um mínino imprescindível. É comum a doutrina dividir
tal princípio em dois subprincípios, a saber: Fragmentariedade – O Direito
Penal só protege os bens jurídicos mais relevantes de ataques violentos;e
Subsidiariedade – Somente deve ser tutelado um bem pela intervenção
penal quando os demais ramos do direito se revelarem insuficientes. O
direito penal só deve atuar na defesa dos bens jurídicos imprescindíveis à
coexistência pacífica dos homens pacífica dos homens e que não podem
ser eficazmente protegidos de forma menos gravosa. Pois a sanção penal
reveste-se de especial gravidade, acabando por impor as mais sérias
restrições aos direitos fundamentais.

d) Princípio da Responsabilidade Pessoal do Agente: cada agente deve


responder pela conduta que efetivamente praticou.

e) Princípio da Culpabilidade: Postulador basilar de que não há pena sem


culpabilidade (nulla poena sine culpa) e de que a pena não pode
ultrapassar a medida da culpabilidade - proporcionalidade na
culpabilidade. Para ser penalmente responsabilizado, o autor da conduta
deve ter atuado com dolo ou culpa. O referido Princípio inibe a
responsabilidade penal objetiva.

f) Princípio da Adequação Social: Para este princípio, apesar da conduta se


subsumir ao modelo legal, ela não será considerada típica se tiver de
acordo com a ordem social da vida historicamente condicionada. O Direito
Penal só tutela condutas socialmente inadequadas.

g) Princípio da Insignificância ou Bagatela – Esse princípio postula que


devem ser tidas como atípicas as ações ou omissões que afetem
infimamente um bem jurídico-penal. O Direito Penal não tutela atitudes
insignificantes. O STF determinou vetores de aplicação desse princípio:
reduzidas lesividade da conduta, periculosidade do agente e
reprovabilidade social da ação e inexpressividade da lesão provocada;

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h) Princípio da Humanidade das Penas (art. 5º, XLVII, CF) – Em um Estado
democrático de Direito vedam-se a criação, a aplicação ou a execução de
pena, bem como de qualquer outra medida que atentar contra a dignidade
humana. Não se admite no Brasil, penas de morte, prisão perpétua, de
banimento, trabalhos forçados, ou penas cruéis.
* Exceção: pena de morte em caso de guerra declarada.

i) Princípio da Anterioridade (art. 5º, LX, CF) – a lei penal não retroagirá,
salvo para beneficiar o réu.

Eficácia da Lei Penal no Tempo

A norma que deve ser aplicada é em regra a norma vigente, salvo se lei
posterior for mais benéfica, no entanto, essa regra cede diante de alguns
fatos, como na hipótese de supressão de figura criminosa - abolitio
criminis - ou de lei posterior que favoreça o acusado - lex mitior - art. 2º,
CP.

Tempo do crime
LUTA (Lugar-Ubiquidade; Tempo-Atividade):

Considera-se praticado o crime no momento da ação ou da omissão, ainda


que outro seja o momento do resultado (art. 4º, CP) O prazo prescricional,
no entanto, começa a correr na data em que o crime se consumou, salvo
para a prescrição ou decadência (art. 111, CP)

Conflito de leis no tempo

- Irretroatividade da lei mais severa: consubstancia a garantia e a


estabilidade do ordenamento jurídico, sem o qual não haveria condição
preliminar de ordem e firmeza nas relações sociais e de segurança dos
direitos individuais. A Lei Penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu
(vedação da retroatividade em prejuízo do réu).

- Retroatividade da lei benéfica (art. 5°, XL CF; e art. 2° CP): A lei mais
benéfica (deixa de considerar infração penal fato incriminado pela lei
anterior) retroage aplicando-se inclusive aos fatos já decididos por
sentença transitada em julgado.

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Fique sabendo!

- Compete ao juízo da execução a aplicação da lei mais benéfica após o


transito em julgado;
- Súmula 611 STF e art. 66, I da LEP;
- A lei nova que descriminaliza a conduta chama-se abolitio criminis. Ela
extingue a pena, bem como os efeitos penais da sentença condenatória.
Os efeitos civis não são abolidos. Apaga-se apenas a natureza criminosa.
- Aplica-se a lei mais grave ao crime permanente e ao crime continuado
desde que sua vigência seja anterior à cessação da continuidade ou
da permanência. (Súmula 711 do STF);
- A lex mitior aplica-se mesmo durante a vacacio legis, posto que o
Estado já reconheceu a suficiência da nova situação (doutrina
majoritária).
- Exceção: (art. 3° do CP), a lei excepcional e temporária, mesmo que
prejudicial ao réu, continua se aplicando aos fatos praticados na sua
vigência, ainda que depois de revogada.

Eficácia da Lei Penal no Espaço

Em relação à aplicação da Lei Penal no espaço, o Direito brasileiro


adotou como regra geral o Princípio da Territorialidade, pelo qual se aplica
a lei brasileira ao crime cometido no território nacional, independente da
nacionalidade do agente, do ofendido ou do bem jurídico lesado, nos
termos do art. 5º caput, do Código Penal.
Os demais princípios versam sobre infrações realizadas fora da área
territorial do Estado e têm natureza complementar e subsidiária.
Ademais, importante mencionar que o Direito brasileiro não adota a
territorialidade absoluta, mas sim a territorialidade temperada, vez que faz
expressa ressalva a convenções, tratados e regras de Direito Internacional.

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Questões Comentadas
dos Últimos Exames

XV Exame da Ordem
QUESTÃO 1
José cometeu, em 10/11/2008, delito de roubo. Foi denunciado,
processado e condenado, com sentença condenatória publicada em
18/10/2009. A referida sentença transitou definitivamente em julgado no
dia 29/08/2010. No dia 15/05/2010, José cometeu novo delito, de furto,
tendo sido condenado, por tal conduta, no dia 07/04/2012. Nesse sentido,
levando em conta a situação narrada e a disciplina acerca da reincidência,
assinale a afirmativa correta.

A) Na sentença relativa ao delito de roubo, José deveria ser considerado


reincidente.
B) Na sentença relativa ao delito de furto, José deveria ser considerado
reincidente.
C) Na sentença relativa ao delito de furto, José deveria ser considerado
primário.
D) Considera-se reincidente aquele que pratica crime após publicação de
sentença que, no Brasil ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime
anterior.

Comentário: Artigo 63. Verifica-se a reincidência quando o agente comete


novo crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no
estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Alternativa correta: D

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Conflito de Leis no Tempo

- Irretroatividade da lei mais severa: a Lei Penal não retroagirá, salvo para
beneficiar o réu.

- Retroatividade da lei benéfica (art. 5°, XL CF; e art. 2° CP): A lei mais
benéfica retroage aplicando-se inclusive aos fatos já decididos por
sentença transitada em julgado.

Fique sabendo!

- Compete ao juízo da execução a aplicação da lei mais benéfica após o


transito em julgado;
- Súmula 611 STF e art. 66, I da LEP;
- A lei nova que descriminaliza a conduta chama-se abolitio criminis. Ela
extingue a pena, bem como os efeitos penais da sentença condenatória.
Os efeitos civis não são abolidos. Apaga-se apenas a natureza criminosa.
- Aplica-se a lei mais grave ao crime permanente e ao crime continuado
desde que sua vigência seja anterior à cessação da continuidade ou
da permanência. (Súmula 711 do STF);
- A lex mitior aplica-se mesmo durante a vacacio legis, posto que o
Estado já reconheceu a suficiência da nova situação (doutrina
majoritária).
- Exceção: (art. 3° do CP), a lei excepcional e temporária, mesmo que
prejudicial ao réu, continua se aplicando aos fatos praticados na sua
vigência, ainda que depois de revogada.

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Eficácia da Lei Penal no Espaço

Em relação à aplicação da Lei Penal no espaço, o Direito


brasileiro adotou como regra o Princípio da Territorialidade, pelo qual se
aplica a lei brasileira ao crime cometido no território nacional. Ademais,
importante mencionar que o Direito brasileiro não adota a territorialidade
absoluta, mas sim a territorialidade temperada, vez que faz expressa
ressalva a convenções, tratados e regras de Direito Internacional.

ATENÇÃO

O Território Nacional não engloba apenas o espaço terrestre, de acordo


com o § 1° do art. 5° do CP, embarcações ou aeronaves públicas ou a
serviço do governo são consideradas extensão do território brasileiro,
independente de onde se encontrarem. Já as embarcações ou aeronaves
privadas somente são consideradas extensão do território brasileiro se
em alto-mar ou no espaço aéreo correspondente ao alto-mar brasileiro.
Ainda, de acordo com o § 2° do art. 5° do CP, é aplicável a lei brasileira
aos crimes praticados a bordo de aeronaves ou embarcações
estrangeiras de propriedade privada, que estejam em pouso no
território nacional ou em voo no espaço aéreo correspondente, e
embarcações privadas em porto ou mar territorial do Brasil.

Conflito aparente de Normas

Fala-se em conflito aparente de normas quando a um só fato,


aparentemente, duas ou mais normas em vigor parecem aplicáveis.

Contagem de Prazos. De acordo com o art. 10 do Código Penal, o prazo


deve ser computado o dia de início da contagem, independente da hora
em que esta começou. Ademais, o prazo não se prorroga quando termina
em sábado, domingo ou feriado, não se estende, pois, até o dia útil
seguinte.

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Teoria do Crime

Delito é o fato humano proibido pela lei penal, lesão ou perigo de


lesão a um bem jurídico-penal, ou ainda, ação ou omissão típica, ilícita e
culpável. No sistema brasileiro, há duas espécies de infrações penais, a
saber: Crimes ou Delitos e Contravenções. Ocorre que, o nos interessa
para o exame da OAB é a análise do conceito analítico da infração penal.

- Conceito formal de crime: crime é a infração punível;


- Conceito material de crime: está relacionado com a essência do crime, é
a ação humana positiva ou negativa que intencional ou descuidadamente
lesa ou expõe a risco de grave lesão, bem jurídico vital para a vida em
sociedade.
- Conceito analítico de crime: divide a estrutura do crime em partes. Crime
é fato típico, antijurídico, alguns acrescentam a culpabilidade, outros
ainda acrescentam a punibilidade. Teorias: bipartide, tripartide e a
quadripartide. A teoria adotada pela doutrina majoritária é a tripartide.

I – Fato típico

É iniciado por uma conduta humana, que é produtora de um resultado final,


onde há um elo que liga a conduta do resultado. O fato típico tem duas
estruturas essenciais e duas acidentais. As essenciais são: conduta e
tipicidade (estão em todos os fatos típicos); e as eventuais (acidentais):
nexo de causalidade e resultado (apenas nos crime materiais).

Teoria da conduta: no Brasil prevalece o conceito finalista de conduta:


será típico o fato praticado pelo agente, se este atuou com dolo ou culpa
na sua conduta. Movimento corpóreo humano positivo ou negativo,
consciente e voluntário, dirigido a uma finalidade.
Classificação: de acordo com a conduta o crime pode ser classificado como
comissivo (exige uma atividade concreta do agente, uma ação, ou seja, o
agente faz o que a norma proíbe) ou omissivo.
Os omissivos podem ser classificados como omissivos próprios ou puros
(é simples omissão de quem tinha o dever de agir, o agente não faz o que
a norma manda) ou, impróprios ou impuros (exige do sujeito uma concreta
atuação para impedir o resultado que ele devia, e podia, evitar).

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Omissivos impróprios
Omissivos próprios (comissivo por omissão)
- A lei prevê uma omissão. - A lei prevê ação. Resultado naturalístico
- Dever jurídico de agir. relevante.
- Resultado naturalístico - Dever jurídico de agir para impedir o
irrelevante (ausente no resultado, específico, ligado a algumas
tipo) - Crime de mera pessoas.
conduta. - Responde pelo resultado, por dolo ou culpa.
- Previsão típica direta - Dever de garante (expressão usada em crimes
(inação está omissivos impróprios) art. 13, § 2° CP:
expressamente prevista no § 2º - A omissão é penalmente
tipo, ex. omitir, deixar de relevante quando o
fazer) omitente devia e podia agir para evitar o
- Dever genérico de agir resultado. O dever de agir incumbe a
(dever imposto a uma quem:
coletividade) a) tenha por lei obrigação de
- Não admite tentativa. cuidado, proteção ou
(Ex.: Omissão de socorro.) vigilância; (ascendente, descendente,
cônjuge e irmão; tutores e curadores;
funcionários públicos com estes deveres:
bombeiro, policial e médico)
b) de outra forma, assumiu a
responsabilidade de impedir o resultado;
(dever garante por dever contratual, ou
acordo de vontades: salva vidas,
vigilantes, professora)
c) com seu comportamento anterior,
criou o risco da
ocorrência do resultado. (dever garante
por ingerência –
quem cria o risco, dolosa ou
culposamente)
São tipos normalmente comissivos,
excepcionalmente punidos por omissão.
(comissivos por omissão).
Admite tentativa. Quando quem se omite
deseja o resultado, mas a pessoa se esquiva
do risco.

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* A omissão exige que você esteja presente para se omitir.

- Teoria do resultado: Pode ser classificado como jurídico e naturalístico. O


resultado jurídico é a afronta á norma jurídica, todo crime tem resultado
jurídico.
O resultado naturalístico é a alteração do mundo exterior diversa da
conduta e gerada por ela.
Classificação dos crimes quanto ao resultado naturalístico:

a) materiais: aquele em que se verifica a modificação no mundo exterior


(resultado naturalístico, ou seja, mudança visível); sinônimo de concreto.
Resultado previsto no tipo, necessário para a consumação;
b) formais: também chamando de crime de consumação antecipada; o
resultado se dá no momento exato da conduta. Causa resultado imaterial
tem um resultado previsto no tipo, mas é desnecessário pra a consumação
(ex. extorsão mediante sequestro, crimes contra a honra, ameaça, artigo
157.);
c) crimes de consumação antecipada: pois se consumam antes do
resultado; e
d) crimes de mera conduta: se o crime exige produção de resultado, é
material. se não exige, mas tem consumação, é formal. se não exige nem
resultado nem consumação imediata, é crime de mera conduta. não há
resultado previsto no tipo.

II - Nexo de causalidade

Nos crimes materiais, além do resultado, é preciso que o autor da


conduta tenha causado o resultado. É imprescindível que exista nexo
causal entre da conduta e o resultado, ou seja, a conduta tem que ser
causa do resultado. É a ligação lógica, física, entre a conduta e o resultado.
O Brasil adota a teoria da equivalência dos antecedentes, segundo a
qual se considera causa tudo o que concorre para a produção do
resultado.
Causa (art. 13, CP) é toda condição sem a qual o resultado não teria
ocorrido nas mesmas circunstâncias. A primeira parte do caput do art. 13
deixa claro que a questão de nexo causal só tem relevância para os crimes
materiais, pois esses são os cuja existência depende do resultado.

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Na segunda parte, há a definição de causa: “a ação ou omissão sem a qual
o resultado não teria ocorrido.”
A doutrina criou um critério para distinguir dentre varias condutas, quais
poderiam ser consideradas causa. Critério da eliminação hipotética de
Thirén. Elimina hipoteticamente da cadeia causal, se o resultado se altera a
conduta é causa, se o resultado permanece nas mesmas circunstâncias a
conduta não é causa. O defeito dessa teoria é que permite o regresso ao
infinito, que se resolve no dolo e na culpa (afastando os excessos).
Continua adotada majoritariamente no Brasil. Ou seja, uma conduta só
será causa se for imprescindível à produção daquele resultado (conditio
sine qua non). Para essa teoria, não existe causa mais ou menos
importante, se for uma conduta sem a qual não teria ocorrido o resultado,
é causa. As causas são equivalentes.

ATENÇÃO

Há uma exceção capaz de romper o nexo de causalidade estabelecido


pelo critério da eliminação hipotética: causa superveniente
relativamente independente.

Há duas espécies de Causas:


a) Dependentes: é aquela que, originando-se da conduta, insere-se na
linha normal de desdobramento causal da conduta (ex.: atirar contra a
vítima – são desdobramentos normais de causa e efeito: a perfuração do
corpo humano, a lesão de órgão vital, a hemorragia interna aguda
traumática, a parada cardiorrespiratória, a morte). Há uma relação de
interdependência entre os fenômenos, de modo que sem o anterior não
haveria o posterior, e assim por diante. Logo, a causa dependente não
exclui o nexo causal, ao contrário, integra-o como parte fundamental. É
uma causa que decorre logicamente da conduta, como algo previsível e
esperado, as causas dependentes não rompem com o nexo causal;

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b) Independentes: é aquela que refoge ao desdobramento causal da
conduta, produzindo por si só o resultado. Seu surgimento não é uma
decorrência esperada, lógica, natural do fato anterior, mas sim um
fenômeno totalmente inusitado, imprevisível (ex.: não é conseqüência
normal de um simples susto a morte por parada cardíaca. São aquelas que
se encontram fora da linha normal de desdobramento causal da conduta.
As causas independentes podem ser absolutamente ou relativamente
independentes, a causa absolutamente independente é aquela que é
capaz de produzir o resultado sozinha.

Inter Criminis

Essa expressão significa “caminho do crime”, e se refere ao processo de


evolução do delito, descreve as etapas que se sucederam, desde a ideia
até sua consumação. E pode se dividir em fase interna e externa:

● Fase Interna
a) Cogitação: é a fase inicial do iter criminis. Desenvolve-se no foro íntimo
do agente. Aqui se visualiza a consumação, o resultado almejado. É
chamada de interna pois está no interior do indivíduo, em sua cabeça, esta
fase não é punível.

Fase Externa
b) Atos preparatórios: atos externos ao agente que passam da cogitação à
ação, como por exemplo, a aquisição da arma para a prática de homicídio.
Igualmente à que a cogitação também não são puníveis. Contudo, há uma
exceção no código penal, que é a formação de associação criminosa (Art.
288), cuja reunião (em tese um ato preparatório) é punido como crime
consumado.
c) Execução: são atos dirigidos diretamente à prática do crime. No Código
Penal em seu art. 14, inc. II, o crime se diz tentado quando iniciada a
execução, esta não se consuma por circunstâncias alheias à vontade do
agente. Exige-se que o autor tenha realizado de maneira efetiva uma parte
da própria conduta típica, adentrando no núcleo do tipo. É punÍvel como
tentativa.
d) Consumação: É o ato no qual estão presentes os elementos essenciais
que constituem o tipo penal.

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e) Exaurimento: O exaurimento ocorre quando o agente alcança, de
maneira efetiva, o objetivo que motivou a sua conduta delituosa. É a etapa
final, o esgotamento do iter criminis.

- Tentativa: artigo 14, II, e parágrafo único, CP. É o início de execução de


um crime que somente não se consuma por circunstâncias alheias à
vontade do agente. O sujeito não alcança a consumação. A punição da
tentativa (art. 14 parágrafo único, CP) é a mesma pena do crime
consumado, diminuída de 1/3 a 2/3. A redução será tanto maior quanto
distante da consumação.
A tentativa é composta de três elementos:
1) início da execução;
2) ausência de consumação por circunstâncias alheias à vontade do
agente; e
3) dolo de consumação.

- Classificação:
a) Branca ou incruenta: é a modalidade onde o objeto material não é
atingido pela conduta criminosa.
b) Perfeita ou imperfeita: neste espécie, o objeto material é atingido pela
atuação do agente, porém, a consumação não ocorre
c) Tentativa perfeita, acabada (crime falho): nesta tentativa, o agente
esgota todos os meios executórios que estavam à sua disposição, e mesmo
assim não sobrevém a produção do resultado naturalístico, por
circunstancias alheias à sua vontade. Pode ser cruenta ou incruenta.
d) Tentativa imperfeita, inacabada (tentativa propriamente dita): o agente
inicia a execução sem, contudo, utilizar todos os meios que tinha ao seu
alcance. O crime também não se consuma por circunstancias alheias ao
seu intento.

- Infrações penais que não admitem tentativa:


Crimes uni subsistentes – não aceitam intervalo temporal entre o início
da execução e a consumação, a conduta não pode ser fracionada;
Crimes culposos – não se pode tentar aquilo que não se quer;
Crimes preterdolosos – que vão além do dolo. Dolo no antecedente, culpa
no consequente.

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Crime habitual – a conduta pressupõe reiteração de atos da mesma
espécie para se consumar, e a prática isolada não configura crime. Ex.
exercício irregular da medicina.
Crimes de atentado – quando se fala em tentativa, "salvo disposição em
contrário" a pena é diminuída. Em alguns casos a tentativa já configura
crime, e nesses não haverá diminuição da pena.
(Ex.: tentativa de fuga de preso.)
Contravenções penais - (crime anão). Art. 4º LCT.

- Tipos de tentativas qualificadas:

Desistência voluntária – iniciada a execução, o sujeito por ato voluntário


desiste de nela prosseguir, impedindo a consumação. Consequência: fica
afastada a tentativa e o sujeito só responde pelos atos já praticados.
Arrependimento eficaz – fica afastada a tentativa e sujeito só responde
pelos atos já praticados.

- Tentativas inidôneas:

Impropriedade absoluta do objeto – objeto material não reveste bem


jurídico tutelado;
Inidoneidade absoluta do meio - Obra do agente provocador.

Ilicitude ou discriminantes
Culpabilidade ou exculpantes
justificantes
Legítima defesa Menoridade
Estado de necessidade Embriaguez
Exercício regular de direito Doença mental
Estrito cumprimento do dever lagal Erro de proibição
Coação
Obediência

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● Conceito analítico de crime:

A tipicidade, a antijuridicidade e a culpabilidade são os três elementos que


convertem uma ação em um delito, as quais estão relacionadas
logicamente de tal modo que cada elemento posterior pressupõe o
anterior. Ela é chamada de Tripartite, devido à estes fatos.

Conduta Típica – dolo/culpa: é a ação que coincide com uma das


descrições de delito
Ilícito – Proibido: é a conduta típica não amparada por causa de
justificação
Culpável – agente responsável: é a ação típica e antijurídica praticada de
modo reprovável por um sujeito imputável.

● Excludentes:

Legítima defesa

"Age em legítima defesa quem age para repelir injusta agressão atual ou
iminente, direito próprio ou alheio, usando moderadamente os meios
necessários"

- Agressão é conduta humana, portanto não há legitima defesa contra


ataque espontâneo de animal e sim estado de necessidade.
- Não se admite legítima defesa recíproca. Cabe no entanto legítima defesa
contra o excesso de outra legítima defesa (legítima defesa sucessiva).
- Cabe legítima defesa tanto contra agressão atual quanto contra agressão
iminente. Não cabe no entanto contra agressão passada nem agressão
futura.
- Qualquer direito pode ser defendido de agressões injustas, não apenas a
vida e a integridade física.
- Segundo a doutrina majoritária os ofendículos (aparatos de defesa
predispostos) caracterizam legitima defesa preordenada. Posição
minoritária consideram os ofendículos como exercício regular de direito.
Desse modo quem coloca cerca elétrica não será punido pelo dano
causado a outrem. O ofendículos deve ser ostensivo, caso contrário vira
armadilha, podendo caracterizar crime culposo.
- É possível tanto a defesa própria como a de terceiros.

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- Deve haver proporcionalidade entre o ataque e a defesa. Meio
necessário é o menos lesivo dentre os disponíveis para repelir a agressão.
Uso moderado é o uso suficiente
para repelir a agressão.
- O excesso pode ser punível (doloso ou culposo); ou impunível (inevitável,
exculpante) – causa supralegal de exclusão da ilicitude.

Estado de necessidade

O estado de necessidade se configura quando a prática de determinado


ato, descrito como crime, é voltado à defesa de direito do autor ou de
outrem, motivado por situação de fato que ele não provocou e que
também era inevitável. Assim, mesmo sendo delituosa, a ofensa a outro
bem jurídico serve para salvar direito próprio ou de terceiro, cujo sacrifício
não era razoável, diante das circunstâncias.
"Age em estado de necessidade quem pratica um fato típico para salvar
de perigo atual que não provocou voluntariamente e nem podia de outra
forma evitar direito próprio ou alheio cujo sacrifício não seria razoável
exigir-se" (art. 24 CP).
- O perigo pode ser proveniente de força da natureza, ataque de animal ou
mesmo outra conduta humana.
- O estado de necessidade pode ser recíproco.
- Não pode alegar estado de necessidade quem provocou por sua vontade
o perigo.
- Não pode alegar se alegar estado de necessidade quando o perigo podia
ser evitado de forma menos lesiva.
- Não há previsão de estado de necessidade contra perigo apenas
iminente.
- Cabe estado de necessidade próprio ou de terceiro.
- Só pode ser salvo um bem superior ou no mínimo igual ao bem
sacrificado.
- Se o bem salvo for menor que o bem sacrificado haverá somente uma
causa de redução de pena.
- A Alemanha adota a teoria diferenciadora do estado de necessidade
(quando o bem salvo é maior que o bem sacrificado a conduta é
justificante; quando os bens são equivalentes a conduta é exculpante).

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- A teoria brasileira é unitária se o bem é menor ou igual, é sempre
justificante.

Exercício regular do direito

Qualquer cidadão poderá se garantir de tal dispositivo se agir dentro da lei,


sem que haja excesso. Prado menciona que deve ser de modo “regular e
não abusivo, podendo ele ser de norma penal ou extrapenal”.

"Age em exercício regular de direito quem pratica um fato típico


autorizado normalmente pelo estado" (art. 23, inc. III, CP)

Ex.1. violência inerente ao esporte


Ex.2. intervenção médica (se for autorizada trata-se de exercício regular da
profissão, caso não seja autorizada poderá ser excludente de ilicitude
quando houver estado de necessidade).

Estrito cumprimento do dever legal

É a prática de um fato típico sem antijuridicidade, por um agente público,


exatamente para assegurar o cumprimento da lei.
"Age em Estrito Cumprimento do Dever Legal quem pratica o fato típico
obrigado por dever de ofício".

Exemplos:
1)soldado que mata o inimigo no campo de batalha;
2)prisão em flagrante realizada pelo polícia etc.

O nosso Código Penal estabelece: “Não há crime quando o agente


pratica o fato no "estrito cumprimento de dever legal" (art. 23, inc. III,
primeira parte).
Nas palavras do Professor Rogério Sanches: "Os agentes públicos, no
desempenho de suas atividades, não raras vezes, devem agir interferindo
na esfera privada dos cidadãos, exatamente para assegurar o
cumprimento da lei. Essa intervenção redunda em agressão a bens
jurídicos como a liberdade, a integridade física ou a própria vida. Dentro
de limites aceitáveis, tal intervenção é justificada pelo estrito
cumprimento de um dever legal".

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Culpabilidade

Culpabilidade integra o conceito analítico de crime, trata-se do juízo de


reprovação que incide sobre a conduta penalmente relevante. A
culpabilidade é composta por três elementos: imputabilidade, potencial
consciência da ilicitude e exigibilidade de conduta diversa.

a) Imputabilidade: é a possibilidade de ser atribuído, imputando um fato


típico e ilícito ao agente, a fim de que seja responsabilizado por seus atos.
Será constituída pela capacidade de discernimento e compreensão.

b) Potencial consciência da ilicitude: é a possibilidade de o agente


conhecer a ilicitude do seu comportamento. A exclusão da culpabilidade,
por ausência de potencial consciência da ilicitude do fato, se caracteriza no
erro de proibição.

c) Exigibilidade de conduta diversa: Para que o agente seja culpável, é


necessário que tenha atuado em situações normais que lhe seria possível
agir de maneira diversa.

Concurso de Pessoas

Fala-se em concurso de pessoas (ou de agentes) quando duas


ou mais pessoas concorrem para prática da infração penal.
A doutrina apresenta a seguinte classificação dos delitos quanto
ao concurso de agentes:

- Teoria monista: tratamento igualitário para autores, coautores e


partícipes. Todos os colaboradores respondem pelo mesmo crime, é a
adotada no Brasil nos termos dos arts. 29 e 30 do CP;

- Teoria pluralista: cada colaborador responde por seu próprio crime.


Situações: previsão expressa da conduta de cada colaborador em um tipo
autônomo; cooperação dolosamente distinta (art. 29, § 2°: se um dos
colaboradores só aceitou participar de um crime menos grave responderá
nos limites do seu dolo. Se era previsível o resultado mais grave a pena
poderá ser aumentada ate a metade).

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Requisitos:

a) Pluralidade de pessoas;
b) Liame subjetivo: é a aderência de uma vontade à outra (consciência
deve ser idêntica ou juridicamente uma unidade para todos a contribuir
para uma obra comum);
c) Relevância causal da colaboração: se a pretensa colaboração não influi
na prática criminosa, não há concurso de pessoas;
d) Unidade de crime: o delito deve ser idêntico ou juridicamente uma
unidade para todos (consequência da teoria monista).
OBS. Nos termos do art. 29, §1° se a participação é de menor importância
a pena deverá ser reduzida de 1/6 a 1/3.

Fique sabendo!

Instituto semelhante ao concurso de pessoas:


Autoria colateral: prática coincidente da mesma infração penal por dois
ou mais sujeitos sem o liame subjetivo. Consequência: cada sujeito
responde apenas pelo que efetivamente fez.

Teoria da Pena

A Pena é a resposta estatal a uma infração penal. A doutrina entende que


a pena tem três finalidades: retributiva, preventiva e ressocializadora.
As penas aplicadas no Brasil são as seguintes:

Penas Privativas de Liberdade:

As penas privativas de liberdade são aquelas que têm como objetivo privar
o condenado do seu direito de locomoção (ir e vir) recolhendo-o à prisão.
Doutrinariamente a prisão pode ser dividida perpétua ou por tempo
determinado. O ordenamento jurídico brasileiro adota apenas a prisão por
tempo determinado, de acordo com o art. 5, inc. XLLII, b da CF/88. As
penas privativas de liberdade constituem, modernamente, a base de todos
os sistemas penitenciários do mundo civilizado.

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a) Reclusão

É aplicada a condenações mais severas, o regime de cumprimento pode


ser fechado, semi-aberto ou aberto, e normalmente é cumprida em
estabelecimentos de segurança máxima ou media.
1) Só as penas mais graves recebem a pena de reclusão;
2) Pode ser iniciada no regime fechado;
3) Os apenas em reclusão tem maior dificuldade em relação a receber
benefícios penitenciários.

Consequências:
-Não é permitido o pagamento de fiança
-Em relação Medida de segurança, será detentiva, se a infração for
equivalente a uma reclusão.

b) Detenção

É aplicada para condenações mais leves e não admite que o início do


cumprimento seja no regime fechado. Em regra a detenção é cumprida no
regime semi-aberto, em estabelecimentos menos rigorosos como colônias
agrícolas, industriais ou similares, ou no regime aberto, nas casas de
albergado ou estabelecimento adequados.
1) O preso inicia o regime no semiaberto e nunca no fechado (com
exceção de regressão de regime);
2) Somente se aplica a crimes mais leves.

Consequências:
-Permitirá, como na prisão simples, o pagamento de fiança.
- Em relação Medida de segurança se for equivalente a detenção, poderá
ser feita o tratamento ambulatorial.

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c) Prisão Simples.

É prevista na lei de contravenções penais como pena para condutas


descritas como contravenções, que são infrações penais de menor
lesividade. O cumprimento ocorre sem rigor penitenciário em
estabelecimento especial ou seção especial de prisão comum, em regime
aberto ou semi-aberto. Somente são admitidos os regimes aberto e semi-
aberto, para a prisão simples.

Fixação do Regime inicial


- Compete ao juiz da condenação, determinar o tipo de regime do preso, e
essa fixação terá sempre caráter provisório, uma vez que está sujeito a
progressão e regressão de regime, de acordo com o mérito do condenado.
Cumpre sempre, portanto ao juiz de execução estabelecer a progressão ou
a regressão de regime. Em relação aos crimes hediondos, onde se inicia o
regime em reclusão, poderá o juiz escolher se haverá progressão de
regime ou não, sendo o primeiro baseado num principio Constitucional, e
o segundo baseado no principio da individualização da pena.

Principais fatores que determinam a aplicação do regime inicial


1. Natureza da pena aplicada;
2. Quantidade da pena aplicada;
3. Reincidência.

Progressão de Regime
- O sistema progressivo de pena, possibilita o apenado a conquistar
paulatinamente a sua liberdade. Sempre será cumprida portanto a pena
mais rigorosa, até a pena mais leve. Na progressão além do mérito do
condenado, é exigido o cumprimento de 1/6 da pena no regime anterior.
No caso do regime aberto, além dos requisitos anteriores, deverá cumprir
os termos do Art. 114 da LEP, que diz que se o apenado estiver
trabalhando, e estiver explicito que ele possui disciplina e
responsabilidade, ele poderá progredir para o próximo regime.

Requisitos
1/6 da pena cumprida no regime anterior.

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Mérito do condenado que deverá ser demonstrado durante a execução da
pena, ou seja, um bom comportamento carcerário.

Reparação do dano Há apenas a exceção de no caso de crime contra a


administração pública, que a reparação ou a devolução do produto do
ilícito, para haver regressão.

Obs.¹: Se o apenado estiver em regime aberto e não se adequar, ele irá


regredir para o regime fechado, sem necessariamente passar pelo
semiaberto.

Obs.²: De acordo com o entendimento sumulado do STJ, a progressão nos


crimes hediondos ocorrerá após o cumprimento de 2/5 da pena sendo o
apenado primário, e 3/5 se reincidente. Após a sentença condenatória, o
juiz poderá decidir se o réu poderá apelar em liberdade.

Obs.³: Progressão de regime antes do trânsito em julgado de decisão


condenatória súmula 716 – Admite-se a progressão de regime ou
aplicação de pena menos severa, antes do transito em julgado de sentença
condenatória. Exemplo do caso de Bruno e Eliza.

- Regressão de Regime
É a transferência do condenado de um regime prisional menos severo
para um mais gravoso, em caso de sua não adaptação ao regime semi-
aberto ou aberto, demonstrando a inexistência de sua reintegração social.
A regressão do regime dá-se pela prática de fato definido como crime
doloso ou falta grave; ou quando o réu sofrer condenação, por crime
anterior, cuja pena, somada ao restante da pena em execução, torne
incabível o regime. Além disso, a regressão ainda pode acontecer quando
o condenado frustrar os fins da execução ou não pagar, podendo, a multa
cumulativamente imposta, caso em que será previamente ouvido.
Arts. 66, III, "b", 68, II, "e" e 118 da LEP

- Exame criminológico

Conceito: É a pesquisa dos antecedentes pessoais, psíquicos, psicológicos


do condenado, para obtenção de dados que possam revelar a sua
responsabilidade. É realizado após o transito em julgado da sentença.

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- Detração Penal

É por meio da detração desconta-se a pena ou medida de segurança, o


tempo de prisão ou internação que cumpriu antes da condenação. O Art.
42 do CP estabelece que pode ser descontado na pena privativa de
liberdade e medida de segurança.

Hipóteses que ocorrem detração:


-Prisão Administrativa;
-Prisão provisória (na fase processual) no Brasil ou no estrangeiro;
-Internação em casa de saúde.

Remição pelo trabalho e pelo estudo


A cada três dias de estudo, com no mínimo de 12 horas, será descontada
um dia de pena. O estudo fora da prisão deve ser comprovado
mensalmente pela declaração da respectiva unidade de ensino bem como
a frequência e o aproveitamento escolar.
Observação sobre Falta grave: poderá revogar até um terço da pena
remida, estando nas mãos do juiz a analise de cada caso.

- Penas Restritivas de Direitos:

→ As penas restritivas de direitos são sanções penais impostas em


substituição à pena privativa de liberdade e consistem na supressão ou
diminuição de um ou mais direitos do condenado. Se estiverem
preenchidos os requisitos legais (expressos no art. 44, I,II,III e §3º),
substituirá essa pena por uma das penas alternativas restritivas de direito.
a) Prestação de serviço à comunidade;
b) Limitação de fim de semana;
c) Interdição temporária de direitos;
d) Perda de bens e valores;
e) Prestação pecuniária (multa).

Subdivisão das penas privativas de direito:

Pessoais: essas incluem a prestação de serviços à comunidade ou


entidades públicas, interdição de direitos e limitação dos fins de semana.
Reais: prestação pecuniária e perda de bens e valores.

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a) Não podem ser cumuladas com as penas privativas de liberdade;
b) O juiz primeiramente irá fixar a pena privativa de liberdade, para
posteriormente substitui-a pela restritiva de direitos, na mesma sentença.

Existem requisitos para a aplicação desse tipo de pena:

Requisitos objetivos:
1) a pena não superior a 4 anos;
2) crime cometido sem violência ou grave ameaça à pessoa.
DICA!É importante ressaltar que nos crimes culposos, é exigido o
preenchimento desses requisitos.

Requisitos subjetivos:
1) Não ser condenado reincidente em crime doloso (com exceção do
parágrafo 3º);
2) A substituição indicada e suficiente. (principio da insuficiência).

Satisfeitos os requisitos acima citados, o parágrafo 2º dispõe duas regras para


orientar substituição:
- Se a pena for igual ou inferior a 1 ano, poderá ser substituída por multa,
ou uma pena restritiva de direito. Porem se a pena for superior a 1 ano,
(até 4 anos) poderá ser substituída por 1 pena restritiva de direito mais
multa, ou 2 penas restritivas de direito.

Observação: Roubo em que a vítima é reduzida à impossibilidade de


resistência:

Há duas interpretações. A primeira, no sentido de ser incabível a pena


substitutiva, sob o fundamento de que, no crime de roubo, as três formas de
execução equivalem-se, não havendo motivação plausível para vedar o
benefício apenas nas duas primeiras. Tanto é assim que DAMÁSIO
EVANGELISTA DE JESUS chama a terceira forma de execução de violência
imprópria. Teria, em verdade, havido mera omissão involuntária do
legislador, uma vez que, em regra, os delitos mencionam apenas a violência
ou grave ameaça. Ademais, a gravidade do roubo seria incompatível com o
requisito subjetivo que aponta ser cabível o benefício tão-somente quando a
medida se apresenta como suficiente para a repressão e prevenção do crime.

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A segunda admite a aplicação das penas restritivas, pois seria incabível o
uso de analogia in malan partem para vedá-las em hipótese não abrangida
pela lei.”(Victor E. Rios Gonçalves)

“Violência imprópria. Ocorre nas hipóteses em que o sujeito emprega outro


meio de conteúdo idêntico à grave ameaça ou violência a pessoa, como
embriaguez, narcótico, hipnotismo, lançamento de substância tóxica ou areia
nos olhos da vítima etc.(...)Crime de roubo com violência imprópria (CP, art.
157). Admite, em tese, pena alternativa.”(Damásio Evangelista de Jesus).

Pena de Multa:

Pagamento ao fundo da quantia fixada na sentença e calculada em dias-


multa (art.49, caput, CP). É a sanção penal, submetida irrestritamente aos
princípios la legalidade, da culpabilidade, da individualização, da
pessoalidade e do devido processo judicial.

- Sistema de dias multa


Segundo esse sistema, o valor de dias multa corresponde ao valor recebido
pelo autor do crime em um dia. Será levada em conta seu patrimônio e sua
condição financeira. O valor mínimo de uma pena de multa é de 3 avos do
salário mínimo vigente a época do cometimento do crime e o máximo é 5
vezes esse salário. O número de dias mínimo é 10 e o dia máximo é 360!

- Dosimetria da pena de multa


a) 1º fase: Estabelece os dias-multa dentro do limite de 10 a 360 dias.
Devem se levar me conta a gravidade do delito de acordo com o Art. 59 do
CP.
b) 2º Fase: Com base nos dias-multa, fixa-se o valor de cada dia multa, de
acordo com o Ar. 49 do CP. Leva-se em conta nessa fase, unicamente a
situação financeira do réu. O juiz investigará.
c) 3º Fase: Pode-se constatar que a multa será ineficaz por conta da
situação financeira do réu, pois o valor da multa não afetará em nada a
situação do réu. A pena então será aumentada o triplo da pena.

Obs.: O CP prevê que preenchidos os requisitos, a pena privativa de


liberdade pode ser substituída por multa. No entanto a multa substitutiva
é analisada como pena restritiva de direitos.

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- Pagamento de Multa

Assim o procedimento da cobrança da pena de multa se dá da seguinte


forma:
a) após o transito em julgado, emite-se uma certidão de sentença
condenatória, para formação de autos apartados, os quais serão utilizados
para realização da execução;
b) O Ministério Público requer a citação do condenado para, dentro de 10
dias, pagar a pena de multa ou indicar bens à penhora;
c) Em seguida, decorrido este prazo, sem pagamento ou manifestação do
executado, emite-se uma nova certidão, informando detalhadamente o
ocorrido, remetendo-a à Procuradoria Fiscal (Federal ou Estadual,
conforme crime comum ou federal), a qual se encarregará de promover a
execução da multa perante a Vara da Fazenda Pública, nos termos do
procedimento previsto na legislação tributária.
A multa deve ser paga após 10 dias depois de transitado em julgado a
sentença. A previsão do código penal é para pagamento voluntário e a
previsão da LEP, é para pagamento compulsório.

- Aplicação da Pena

O critério adotado pelo Código Penal é o Trifásico (art. 68 CP):

a) Primeira fase – Nesta fase o Juiz fixa a pena-base, observando as


seguintes circunstâncias: Culpabilidade; Antecedentes; Conduta Social do
Agente; Personalidade; Motivos do crime; Circunstâncias do crime;
Consequências do crime e Comportamento da vítima.

Obs: A fixação da pena-base não pode ficar abaixo do mínimo, nem acima
do máximo previsto pelo crime.

b) Segunda fase – Tem o objetivo de encontrar a pena intermediária. Para


tanto, o Juiz se vale das circunstâncias agravantes, previstas nos artigos 61
e 62, do CP, e das atenuantes, previstas nos artigos 65 e 66 do já
mencionado Código.

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ATENÇÃO

As atenuantes incidem em qualquer espécie de crime, seja doloso,


culposo ou preterdoloso. As agravantes, de regra, somente se aplicam
aos crimes dolosos, com exceção da reincidência, que se aplica a
qualquer delito.

c) Terceira fase – O Juiz, nessa última fase, busca a pena definitiva,


utilizando as causas de aumento ou diminuição de pena. Apesar dos
critérios de aplicação da pena se apresentar em três fases, teremos, ainda,
um quarto momento, no qual o Juiz deverá definir o regime para início do
cumprimento da pena.

Crime punido com Reclusão Crime punido com


detenção
Fechado Pena superior a 8 anos O agente não pode iniciar
a pena em regime
fechado, somente
podendo por regressão.
Semiaberto Pena superior a 4 anos e que Pena superior a quatro
não exceda 8 anos (desde que anos.
não reincidente).
Aberto Pena igual ou inferior a 4 anos, Pena não superior a
desde que o agente não seja quatro anos, desde que
reincidente. Se for reincidente, não reincidente.
o regime inicial será o fechado.

Circunstâncias judiciais (art. 59):


1. Culpabilidade: a aferição da culpabilidade parte da verificação da
capacidade do autor de perceber os fatos e se determinar de acordo com
eles, devendo então se verificar na situação de fato a implementação dos
pressupostos de imputabilidade, de potencial consciência da ilicitude e de
exigibilidade de conduta diversa.
2. Personalidade: A consideração da personalidade do agente, como
circunstância a ser apreciada pelo Juízo, deveria demandar, como regra, a
elaboração de laudo criminológico, firmado por profissional com
habilitação suficiente para diagnosticar a efetiva tendência do autor do
fato à prática de crimes.

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Com efeito, sem um exame qualificado da personalidade do criminoso, tal
critério não pode ser considerado para fins de mensuração da pena-base
3. Conduta social: A conduta social era, antes da reforma de 1984,
incluída como antecedente, após, conferiu-se ao Juízo a possibilidade de
valoração, em separado, dos aspectos cotidianos da vida do condenado, a
relevância de sua atuação dentro da sociedade
4. Antecedentes: Sobre os antecedentes do autor, os eventos ocorridos
em sua vida pregressa, neles podem ser considerados tanto que forem os
bons como os maus, para aumentar a pena ou diminuí-la, conforme o
caso.
5. Motivos: A consideração das razões que levaram o delinquente a
cometer o crime também é elemento para a aferição da pena-base, para
tornar a pena mais severa ou abrandá-la, conforme o caso. Nessas
hipóteses, contudo, não podem ser considerados aqueles motivos já
descritos como qualificadores ou privilegiadores do tipo penal, novamente
para se evitar o bis in idem.

6. Circunstâncias (stricto senso): A consideração das circunstâncias


previstas no artigo 59 requer também a realização de um raciocínio de
exclusão, só se podendo utilizar, nesta etapa, aquela não aplicada nas
etapas subsequentes da dosimetria da pena.

O local, o modo de praticar o crime, o tempo de sua duração etc., quando


não previstos como circunstâncias relevantes às etapas subsequentes da
fixação da pena, podem ser consideradas para fins de aumento ou redução
da sanção, no momento de fixação da pena-base.

Fique sabendo!

Maus antecedentes: só podem ser consideradas sentenças


condenatórias (desde que não gerem reincidência). Súmula 444 STJ – "é
vedada a utilização de inquéritos policiais e ações penais em curso para
agravar a pena base".

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7. Consequências do crime: São os resultados da ação criminosa, quanto
maior for o dano causado à vítima, a terceiros ou à sociedade, maior deve
ser a pena.
8. Comportamento da vítima: Como regra geral, o comportamento da
vítima não justifica o crime, podendo, contudo, diminuir a censura sobre a
conduta, atuando, assim, como circunstância judicial favorável ao
condenado.

- Pena Provisória (agravantes e atenuantes)

Deve ficar dentro dos limites da pena (analisadas circunstancias agravante


e atenuantes: circunstâncias sempre previstas na parte geral do Código,
aplicadas à todos os crimes, e sem uma quantia fixa).

Atenuantes genéricas (arts. 65 e 66 CP):


Art. 65 - São circunstâncias que sempre atenuam a pena:
I - ser o agente menor de 21 (vinte e um), na data do fato, ou maior de 70
(setenta)
anos, na data da sentença;
II - o desconhecimento da lei; III - ter o agente:
a) cometido o crime por motivo de relevante valor social ou moral;
b) procurado, por sua espontânea vontade e com eficiência, logo após o
crime, evitar -
lhe ou minorar-lhe as consequências, ou ter, antes do julgamento,
reparado o dano;
c) cometido o crime sob coação a que podia resistir, ou em cumprimento
de ordem de autoridade superior, ou sob a influência de violenta emoção,
provocada por ato injusto da vítima;
d) confessado espontaneamente, perante a autoridade, a autoria do
crime;
e) cometido o crime sob a influência de multidão em tumulto, se não o
provocou.
Art. 66 - A pena poderá ser ainda atenuada em razão de circunstância
relevante, anterior ou posterior ao crime, embora não prevista
expressamente em lei.
*Art. 66 = atenuante inominada.
* Sumula 231 STJ - "a incidência da circunstância atenuante não pode
conduzir a redução da pena abaixo do mínio legal".

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ATENÇÃO

Se a pena base já é o mínimo não há como diminuir aquém do mínimo. A


atenuante é desconsiderada.

Agravantes genéricas: São circunstâncias que agravam a pena quando não


constituem ou qualificam o crime.

Art. 61 - São circunstâncias que sempre agravam a pena, quando não


constituem ou
qualificam o crime: I - a reincidência;
II - ter o agente cometido o crime:
a) por motivo fútil ou torpe;
b) para facilitar ou assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou
vantagem de
outro crime;
c) à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação, ou outro recurso
que dificultou ou tornou impossível a defesa do ofendido;
d) com emprego de veneno, fogo, explosivo, tortura ou outro meio
insidioso ou cruel,
ou de que podia resultar perigo comum;
e) contra ascendente, descendente, irmão ou cônjuge;
f) com abuso de autoridade ou prevalecendo-se de relações domésticas,
de coabitação ou de hospitalidade, ou com violência contra a mulher na
forma da lei específica;
g) com abuso de poder ou violação de dever inerente a cargo, ofício,
ministério ou profissão;
h) contra criança, maior de 60 (sessenta) anos, enfermo ou mulher
grávida;
i) quando o ofendido estava sob a imediata proteção da autoridade;
j) em ocasião de incêndio, naufrágio, inundação ou qualquer calamidade
pública, ou de desgraça particular do ofendido;
l) em estado de embriaguez preordenada.

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- Agravantes no caso de concurso de pessoas

Art. 62 - A pena será ainda agravada em relação ao agente que:


I - promove, ou organiza a cooperação no crime ou dirige a atividade dos
demais agentes;
II - coage ou induz outrem à execução material do crime;
III - instiga ou determina a cometer o crime alguém sujeito à sua
autoridade ou não- punível em virtude de condição ou qualidade pessoal;
IV - executa o crime, ou nele participa, mediante paga ou promessa de
recompensa.

REINCIDÊNCIA: reincidente é quem comete novo crime após transitar em


julgado sentença que o condenou no Brasil ou no exterior por crime
anterior. Não é necessário homologar sentença estrangeira para gerar
reincidência.
A sentença condenatória deixa de gerar reincidência após passados 05
anos a partir do término ou extinção da pena. O tempo do livramento
condicional e do sursis é computado, se não revogados. Ademais, não
geram reincidência os crimes políticos e os crimes militares próprios,
ainda, segundo a Jurisprudência, pena de multa anterior não gera
reincidência.

- Pena Definitiva (causas de aumento e diminuição):

Toma por fim, as causas de aumento e diminuição de pena. Elas localizam-


se tanto na parte geral como na parte especial do Código

a) Pode ficar fora dos limites (mesmo que só se possa cumprir 30 anos, os
benefícios são calculados com base na pena toda);
b) Causas de aumento (majorantes) e de diminuição (minorantes): são
circunstâncias previstas tanto na parte geral quanto na parte especial,
sempre em quantia determinada.

- Conflitos entre Circunstâncias:

a) Entre circunstâncias judiciais: prevalece as subjetivas, entre essas


prevalecem os motivos, a personalidade e os antecedentes criminais;

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b) Entre agravantes e atenuantes: prevalecem as subjetivas, dentre elas
motivo, personalidade e reincidência, mas acima de todas a menoridade
relativa (21 anos);
c) Entre causa de aumento/diminuição da parte geral e da parte especial:
aplica-se ambas, mas primeiro a da parte especial;
d) Entre causas de aumento/diminuição da parte especial: utiliza-se apenas
uma, a que mais aumente ou mais diminua;
e) Entre qualificadoras: uma delas será usada para aumentar os limites
mínimo e máximo e as demais (2 posições): 1.funcionam como
circunstancias judiciais desfavoráveis (1ª fase); 2. Atuam como agravantes,
desde que correspondentes com estas (2ª fase);

SURSIS

É a suspensão da execução da pena privativa de liberdade imposta sob


determinadas condições. Visa reeducar criminosos, impedindo que os
condenados a penas reduzidas sejam privados de sua liberdade. Está disposto
nos arts. 77 a 82 do CP.

São requisitos para a concessão do sursis:


sentença condenatória a pena privativa de liberdade não superior a 02 (dois)
anos;
impossibilidade da substituição da pena privativa de liberdade por restritiva
de direitos;
não reincidência em crime doloso e
circunstâncias judiciais favoráveis.

Obs.: o fato de ser foragido ou revel não impede o sursis.

- O Sursis pode se dividir em simples, especial, etário e humanitário.

1) Sursis simples: serviços à comunidade ou limitação dos finais de semana no


1º ano;
2) Sursis especial: proibição de frequentar determinados lugares, sair da
comarca sem autorização do juiz e comparecimento mensal obrigatório
(cumulativas). Exige mais dois requisitos além do simples: reparação do dano e
que as condições do art. 59 sejam inteiramente favoráveis.

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3) Sursis etário: aplicado ao condenado maior de 70 anos, quando a pena
não for superior a 4 anos. O período de prova será de 4 a 6 anos.
4) Sursis humanitário: aplicado ao condenado com problemas de saúde,
quando a pena não for superior a 4 anos. O período de prova será de 4 a 6
anos.

- Revogação obrigatória

Uma primeira causa para que ocorra a revogação obrigatória é, quando o


beneficiário, no curso do prazo, “é condenado, em sentença irrecorrível,
por crime doloso” (art. 81, I do CP).
E uma segunda causa de revogação obrigatória do sursis ocorre quando o
beneficiário frustrar, embora solvente a execução da pena de multa
(art.81, II, CP). Comprovada a impossibilidade de revogação, por
dificuldades econômicas ou outra causa não se pode revogar o benefício.
Por fim, é revogado obrigatoriamente o sursis, quando o condenado
descumpre a condição do art. 78 §1º do CP: "No primeiro ano do prazo,
deverá o condenado prestar serviços à comunidade (Art. 46) ou submeter-
se à limitação de fim de semana (Art. 48)".
a) Condenação transitada em julgado por pratica de crime doloso;
b) Descumprimento das condições legais do sursis simples;
c) Frustrar a execução de multa tendo condições para o adimplemento.

- Revogação facultativa

As causas para que aconteça revogação facultativa do sursis estão


previstas no art. 81 §1º do CP. Pode a suspensão ser revogada, em
primeiro lugar se o condenado deixar de cumprir qualquer das condições
impostas .
Refere-se a lei às condições jurídicas previstas no art. 79 do CP, bem como
aquelas escolhidas pelo magistrado entre as do art.78 § 2º do CP quando,
de concessão do sursis especial.

A condenação irrecorrível por crime culposo ou contravenção penal e do


descumprimento da prestação de serviços, a comunidade ou limitação de
fim de semana, acarretam a revogação facultativa do beneficio.

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a) Condenação transitada em julgado por crime culposo ou contravenção;
b) Descumprimento de condições que não as do sursis simples (sursis
especial e condições judiciais)

A condenação irrecorrível por crime culposo ou contravenção penal e do


descumprimento da prestação de serviços, a comunidade ou limitação de
fim de semana, acarretam a revogação facultativa do beneficio.

a) Condenação transitada em julgado por crime culposo ou contravenção;


b) Descumprimento de condições que não as do sursis simples (sursis
especial e condições judiciais)

Se após audiência admonitória o acusado estiver respondendo a processo


pela pratica de crime ou contravenção, o período de prova será
prorrogado automaticamente ate o transito em julgado desse processo.

- Livramento Condicional

É a liberação do condenado após o cumprimento de parte da sanção


penal aplicada, se observados os pressupostos que regem a sua concessão
e sob condições previamente estipuladas.

Requisitos objetivos:
a) Condenação a pena privativa de liberdade igual ou superior a 2 anos;
b) Reparação do dano, salvo a efetiva impossibilidade de fazê-la;
c) Cumprimento de parte da pena: ⅓ se não for reincidente em crime
doloso e tiver bons antecedentes ou ½ da pena quando reincidente em
crime doloso. No caso de condenação por crime hediondo, prática de
tortura, tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, e terrorismo,
impõe-se o cumprimento de mais de ⅔ da pena; não sendo o condenado
reincidente específico em crimes dessa natureza;
d) Se reincidente em crime hediondo não terá direito à liberdade
condicional.

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Requisitos subjetivos:
a) Comportamento carcerário satisfatório, durante a execução da pena;
b) Bom desempenho nas funções atribuídas e aptidão para obter ocupação
lícita e própria subsistência;
c) Crimes dolosos, cometidos com violência ou grave ameaça a pessoa:
constatação de condições pessoais que permitam presumir que não voltará a
delinquir.

Condições

a) Obrigatórias:
1. obter uma ocupação lícita dentro de prazo razoável;
2. comparecer periodicamente em juízo para esclarecer suas atividades;
3. não mudar do território da comarca sem autorização judicial.

b) Facultativas:
1. proibido mudar de endereço sem autorização judicial;
2. se recolher em casa a partir de determinado horário;
3. não freqüentar determinados lugares.

Revogação obrigatória: condenação à pena privativa de liberdade, em


sentença irrecorrível, durante crime cometido durante a vigência do
benefício, e, condenação a pena privativa de liberdade, em sentença
irrecorrível, por crime anterior;
Revogação facultativa: condenação à pena não privativa de liberdade
transitada em julgado ou descumprimento das condições impostas.

Obs.: em caso de crime cometido antes do benefício conta o tempo de prova


no cumprimento da pena; para crime cometido durante o período de prova
será desconsiderado o tempo que gozou do benefício.
Obs.2: no caso de revogação por descumprimento de condição não será
computado o tempo de prova.

- Concurso de Crimes
Concurso de crimes quer dizer que o agente ou um grupo de agentes
cometeu dois ou mais crimes mediante a prática de uma ou várias ações.

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Portanto, dentro de uma mesma dinâmica há a pratica vários crimes. Está
previsto nos arts. 69, 70 e 71 do Código Penal. Ele é subdividido em
concurso material, concurso formal e crime continuado

- Material ou real: Mediante uma ou mais condutas, se consegue dois ou


mais resultados, idênticos ou não. Cumulação de penas. Cumpre-se
primeiro a pena mais branda.
- Formal ou ideal: Mediante uma única conduta, produz dois ou mais
crimes, idênticos ou não.

* Concurso formal perfeito – apenas um desígnio; sistema de


exasperação da pena: aplica-se a mais grave ou qualquer uma delas,
aumentando-se de 1/6 a ½ de acordo com a quantidade de resultados;
* Concurso formal imperfeito – desígnios diferentes; somam-se as penas

- Crime continuado – o agente mediante duas ou maus condutas produz


dois ou mais resultados da mesma espécie; exasperação da pena
aumentada de 1/6 a 2/3. No caso de crime continuado específico
(qualificado por violência ou grave ameaça) aplica-se a maior pena,
aumentando-se até o triplo.

* Obs.: Se a pena exasperada for maior que a cumulação de penas aplica-


se este último
sistema em benefício do réu.

No concurso de crime as penas de multa são aplicadas distinta e


integralmente.

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Questões Comentadas
dos Últimos Exames

XV Exame da Ordem
QUESTÃO 1

Francisco foi condenado por homicídio simples, previsto no Art. 121 do


Código Penal, devendo cumprir pena de seis anos de reclusão. A sentença
penal condenatória transitou em julgado no dia 10 de agosto de 1984. Dias
depois, Francisco foge para o interior do Estado, onde residia, ficando
isolado num sítio. Após a fuga, as autoridades públicas nunca conseguiram
capturá-lo. Francisco procura você como advogado(a) em 10 de janeiro de
2014. Com relação ao caso narrado, assinale a afirmativa correta.

A) Ainda não ocorreu prescrição do crime, tendo em vista que ainda não
foi ultrapassado o prazo de trinta anos requerido pelo Código Penal.
B) Houve prescrição da pretensão executória.
C) Não houve prescrição, pois o crime de homicídio simples é
imprescritível.
D) Houve prescrição da pretensão punitiva pela pena em abstrato, pois
Francisco nunca foi capturado.

Comentário: Depois de transitar em julgado a sentença condenatória, a


prescrição é regulada pela pena aplicada de acordo com o art. 109, III, do
CP. Alternativa correta: B

QUESTÃO 2

José cometeu, em 10/11/2008, delito de roubo. Foi denunciado,


processado e condenado, com sentença condenatória publicada em
18/10/2009. A referida sentença transitou definitivamente em julgado no
dia 29/08/2010.

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No dia 15/05/2010, José cometeu novo delito, de furto, tendo sido condenado,
por tal conduta, no dia 07/04/2012. Nesse sentido, levando em conta a situação
narrada e a disciplina acerca da reincidência, assinale a afirmativa correta.

A) Na sentença relativa ao delito de roubo, José deveria ser considerado


reincidente.
B) Na sentença relativa ao delito de furto, José deveria ser considerado
reincidente.
C) Na sentença relativa ao delito de furto, José deveria ser considerado
primário.
D) Considera-se reincidente aquele que pratica crime após publicação de
sentença que, no Brasil ou no estrangeiro, o tenha condenado por crime
anterior.

Comentário: Artigo 63. Verifica-se a reincidência quando o agente comete novo


crime, depois de transitar em julgado a sentença que, no País ou no
estrangeiro, o tenha condenado por crime anterior. Alternativa correta: C

QUESTÃO 3

Pedro Paulo, primário e de bons antecedentes, foi denunciado pelo crime de


descaminho (Art. 334, caput, do Código Penal), pelo transporte de mercadorias
procedentes do Paraguai e desacompanhadas de documentação comprobatória
de sua importação regular, no valor de R$ 3.500,00, conforme atestam o Auto
de Infração e o Termo de Apreensão e Guarda Fiscal, bem como o Laudo de
Exame Merceológico, elaborado pelo Instituo Nacional de Criminalística. Em
defesa de Pedro Paulo, segundo entendimento dos Tribunais Superiores, é
possível alegar a aplicação do

A) princípio da proporcionalidade.
B) princípio da culpabilidade.
C) princípio da adequação social.
D) princípio da insignificância ou da bagatela.

Comentário: A prescrição depois de transitar em julgado a sentença


condenatória regula-se pela pena aplicada e verifica-se nos prazos fixados no
artigo anterior, os quais se aumentam de um terço, se o condenado é
reincidente. Alternativa correta: D

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XVI Exame da Ordem
QUESTÃO 4
Maria Joaquina, empregada doméstica de uma residência, profundamente
apaixonada pelo vizinho Fernando, sem que este soubesse, escuta sua conversa
com uma terceira pessoa acordando o furto da casa em que ela trabalha
durante os dias de semana à tarde. Para facilitar o sucesso da operação de seu
amado, ela deixa a porta aberta ao sair do trabalho. Durante a empreitada
criminosa, sem saber que a porta da frente se encontrava destrancada,
Fernando e seu comparsa arrombam a porta dos fundos, ingressam na
residência e subtraem diversos objetos. Diante desse quadro fático, assinale a
opção que apresenta a correta responsabilidade penal de Maria Joaquina.

A) Deverá responder pelo mesmo crime de Fernando, na qualidade de


partícipe, eis que contribuiu de alguma forma para o sucesso da empreitada
criminosa ao não denunciar o plano.
B) Deverá responder pelo crime de furto qualificado pelo concurso de agentes,
afastada a qualificadora do rompimento de obstáculo, por esta não se
encontrar na linha de seu conhecimento.
C) Não deverá responder por qualquer infração penal, sendo a sua participação
irrelevante para o sucesso da empreitada criminosa.
D) Deverá responder pelo crime de omissão de socorro.

Comentário: No direito penal, corresponde ao liame das vontades de cada


agente. Na existência de vínculo subjetivo a orientação psicológica, ou seja, a
intenção dos agentes está voltada para o mesmo sentido. É requisito
fundamental para o concurso de pessoas. Alternativa correta: C

QUESTÃO 5
Patrício e Luiz estavam em um bar, quando o primeiro, mediante ameaça de
arma de fogo, obriga o último a beber dois copos de tequila. Luiz ficou
inteiramente embriagado. A dupla, então, deixou o local, sendo que Patrício
conduzia Luiz, que caminhava com muitas dificuldades. Ao encontrarem Juliana,
que caminhava sozinha pela calçada, Patrício e Luiz, se utilizando da arma que
era portada pelo primeiro, constrangeram-na a com eles praticar sexo oral,
sendo flagrados por populares que passavam ocasionalmente pelo local,
ocorrendo a prisão em flagrante.

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Denunciados pelo crime de estupro, no curso da instrução, mediante
perícia, restou constatado que Patrício era possuidor de doença mental grave e
que, quando da prática do fato, era inteiramente incapaz de entender o caráter
ilícito do seu comportamento, situação, aliás, que permanece até o momento
do julgamento. Também ficou demonstrado que, no momento do crime, Luiz
estava completamente embriagado. O Ministério Público requereu a
condenação dos acusados. Não havendo dúvida com relação ao injusto,
tecnicamente, a defesa técnica dos acusados deverá requerer, nas alegações
finais,

A) a absolvição dos acusados por força da inimputabilidade, aplicando, porém,


medida de segurança para ambos.
B) a absolvição de Luiz por ausência de culpabilidade em razão da embriaguez
culposa e a absolvição imprópria de Patrício, com aplicação, para este, de
medida de segurança.
C) a absolvição de Luiz por ausência de culpabilidade em razão da embriaguez
completa decorrente de força maior e a absolvição imprópria de Patrício, com
aplicação, para este, de medida de segurança.
D) a absolvição imprópria de Patrício, com a aplicação de medida de segurança,
e a condenação de Luiz na pena mínima, porque a embriaguez nunca exclui a
culpabilidade.

Comentário: Inimputabilidade penal é a incapacidade que tem o agente em


responder por sua conduta delituosa, ou seja, o sujeito não é capaz de entender
que o fato é ilícito e de agir conforme esse entendimento. São causas da
inimputabilidade: a) doença mental ou desenvolvimento mental incompleto ou
retardado; b) menoridade; c) embriaguez completa, decorrente de caso fortuito
ou força maior; e d) dependência de substância entorpecente.
Alternativa correta: C

QUESTÃO 6
Felipe, menor de 21 anos de idade e reincidente, no dia 10 de abril de 2009, foi
preso em flagrante pela prática do crime de roubo. Foi solto no curso da
instrução e acabou condenado em 08 de julho de 2010, nos termos do pedido
inicial, ficando a pena acomodada em 04 anos de reclusão em regime fechado e
multa de 10 dias, certo que houve a compensação da agravante da reincidência
com a atenuante da menoridade.

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A decisão transitou em julgado para ambas as partes em 20 de julho de 2010.
Foi expedido mandado de prisão e Felipe nunca veio a ser preso. Considerando
a questão fática, assinale a afirmativa correta.

A) A extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão executória ocorrerá


em 20 de julho de 2016.
B) A extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão executória ocorreu
em 20 de julho de 2014.
C) A extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão executória ocorrerá
em 20 de julho de 2022.
D) A extinção da punibilidade pela prescrição da pretensão executória ocorrerá
em 20 de novembro de 2015.

Comentário: O Art. 107 enumera 13 causas de extinção: morte do agente,


anistia, graça, indulto, abolitio criminis, prescrição, decadência, perempção,
renúncia, perdão do ofendido, retratação, casamento com a vítima ou terceiros
nos casos definidos neste artigo, perdão judicial.
Alternativa correta: (D)

QUESTÃO 7
Carlos e seu filho de dez anos caminhavam por uma rua com pouco movimento
e bastante escura, já de madrugada, quando são surpreendidos com a vinda de
um cão pitbull na direção deles. Quando o animal iniciou o ataque contra a
criança, Carlos, que estava armado e tinha autorização para assim se encontrar,
efetuou um disparo na direção do cão, que não foi atingido, ricocheteando a
bala em uma pedra e acabando por atingir o dono do animal, Leandro, que
chegava correndo em sua busca, pois notou que ele fugira clandestinamente da
casa. A vítima atingida veio a falecer, ficando constatado que Carlos não teria
outro modo de agir para evitar o ataque do cão contra o seu filho, não sendo
sua conduta tachada de descuidada. Diante desse quadro, assinale a opção que
apresenta a situação jurídica de Carlos.

A) Carlos atuou em legítima defesa de seu filho, devendo responder, porém,


pela morte de Leandro.
B) Carlos atuou em estado de necessidade defensivo, devendo responder,
porém, pela morte de Leandro.
C) Carlos atuou em estado de necessidade e não deve responder pela morte de
Leandro.

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D) Carlos atuou em estado de necessidade putativo, razão pela qual não deve
responder pela morte de Leandro.

Comentário: Art. 24 - Considera-se em estado de necessidade quem pratica o


fato para salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia
de outro modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas
circunstâncias, não era razoável exigir-se.
Alternativa correta: C

QUESTÃO 8
Moura, maior de 70 anos, primário e de bons antecedentes, mediante grave
ameaça, subtraiu o relógio da vítima Lúcia, avaliado em R$ 550,00 (quinhentos
e cinquenta reais). Cerca de 45 minutos após a subtração, Moura foi procurado
e localizado pelos policiais que foram avisados do ocorrido, sendo a coisa
subtraída recuperada, não sofrendo a vítima qualquer prejuízo patrimonial. O
fato foi confessado e Moura foi condenado pela prática do crime de roubo
simples, ficando a pena acomodada em 04 anos de reclusão em regime aberto e
multa de 10 dias. Procurado pela família do acusado, você, como advogado
poderá apelar, buscando

A) o reconhecimento da forma tentada do roubo.


B) a aplicação do sursis da pena.
C) o reconhecimento da atipicidade comportamental por força da
insignificância.
D) a redução da pena abaixo do mínimo legal, em razão das atenuantes da
confissão espontânea e da senilidade.

Comentário: Art. 77 - A execução da pena privativa de liberdade, não superior a


2 (dois) anos, poderá ser suspensa, por 2 (dois) a 4 (quatro) anos, desde que:
(Redação dada pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
§ 2º A execução da pena privativa de liberdade, não superior a quatro anos,
poderá ser suspensa, por quatro a seis anos, desde que o condenado seja maior
de setenta anos de idade, ou razões de saúde justifiquem a suspensão.
Alternativa correta: B

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XVII Exame da Ordem

QUESTÃO 9
Reconhecida a prática de um injusto culpável, o juiz realiza o processo de
individualização da pena, de acordo com o Art. 68 do Código Penal. Segundo a
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, assinale a afirmativa correta.

A) A condenação com trânsito em julgado por crime praticado em data


posterior ao delito pelo qual o agente está sendo julgado pode funcionar como
maus antecedentes.
B) Não se mostra possível a compensação da agravante da reincidência com a
atenuante da confissão espontânea.
C) Nada impede que a pena intermediária, na segunda fase do critério trifásico,
fique acomodada abaixo do mínimo legal.
D) O aumento da pena na terceira fase no roubo circunstanciado exige
fundamentação concreta, sendo insuficiente a simples menção ao número de
majorantes.

Comentário: SUM.443: O aumento na terceira fase de aplicação da pena no


crime de roubo circunstanciado exige fundamentação concreta, não sendo
suficiente para a sua exasperação a mera indicação do número de majorantes.
Alternativa correta: D

QUESTÃO 10
Marcus foi definitivamente condenado pela prática de um crime de roubo
simples à pena privativa de liberdade de quatro anos de reclusão e multa de dez
dias. Apesar de reincidente, em razão de condenação definitiva pretérita pelo
delito de furto, Marcus confessou a prática do delito, razão pela qual sua pena
foi fixada no mínimo legal. Após cumprimento de determinado período de
sanção penal, pretende o apenado obter o benefício do livramento condicional.
Considerando o crime praticado e a hipótese narrada, é correto afirmar que

A) Marcus não faz jus ao livramento condicional, pois condenado por crime
doloso praticado com violência ou grave ameaça à pessoa.
B) O livramento condicional pode ser concedido pelo juiz da condenação logo
quando proferida sentença condenatória.

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C) Não é cabível livramento condicional para Marcus, tendo em vista que é
condenado reincidente em crime doloso.
D) Ainda que praticada falta grave, Marcus não terá o seu prazo de contagem
para concessão do livramento condicional interrompido.

Comentário: Para concessão de livramento condicional o Código Penal prevê a


necessidade de cumprimento de determinado período de pena, a depender das
circunstâncias, de acordo com o art. 83 do CP. Alternativa correta: D

QUESTÃO 11

Durante um assalto a uma instituição bancária, Antônio e Francisco, gerentes


do estabelecimento, são feitos reféns. Tendo ciência da condição deles de
gerentes e da necessidade de que suas digitais fossem inseridas em
determinado sistema para abertura do cofre, os criminosos colocam, à força, o
dedo de Antônio no local necessário, abrindo, com isso, o cofre e subtraindo
determinada quantia em dinheiro. Além disso, sob a ameaça de morte da
esposa de Francisco, exigem que este saia do banco, levando a sacola de
dinheiro juntamente com eles, enquanto apontam uma arma de fogo para os
policiais que tentavam efetuar a prisão dos agentes. Analisando as condutas de
Antônio e Francisco, com base no conceito tripartido de crime, é correto
afirmar que

A) Antônio não responderá pelo crime por ausência de tipicidade, enquanto


Francisco não responderá por ausência de ilicitude em sua conduta.
B) Antônio não responderá pelo crime por ausência de ilicitude, enquanto
Francisco não responderá por ausência de culpabilidade em sua conduta.
C) Antônio não responderá pelo crime por ausência de tipicidade, enquanto
Francisco não responderá por ausência de culpabilidade em sua conduta.
D) Ambos não responderão pelo crime por ausência de culpabilidade em suas
condutas.

Comentário: Tipicidade é quando as ações do agente se adequam a forma


proibida descrita na lei, enquanto que culpabilidade significa nexo de
causalidade se o agente quis ou não o resultado.
Alternativa correta: C

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QUESTÃO 12
Cristiane, revoltada com a traição de seu marido, Pedro, decide matá-lo. Para
tanto, resolve esperar que ele adormeça para, durante a madrugada, acabar
com sua vida. Por volta das 22h, Pedro deita para ver futebol na sala da
residência do casal. Quando chega à sala, Cristiane percebe que Pedro estava
deitado sem se mexer no sofá. Acreditando estar dormindo, desfere 10 facadas
em seu peito. Nervosa e arrependida, liga para o hospital e, com a chegada dos
médicos, é informada que o marido faleceu. O laudo de exame cadavérico,
porém, constatou que Pedro havia falecido momentos antes das facadas em
razão de um infarto fulminante. Cristiane, então, foi denunciada por tentativa
de homicídio. Você, advogado(a) de Cristiane, deverá alegar em seu favor a
ocorrência de

A) crime impossível por absoluta impropriedade do objeto.


B) desistência voluntária.
C) arrependimento eficaz.
D) crime impossível por ineficácia do meio.

Comentário: Art. 17 - Não se pune a tentativa quando, por ineficácia absoluta


do meio ou por absoluta impropriedade do objeto, é impossível consumar-se o
crime. Alternativa correta: A

XIX EXAME

Em razão do aumento do número de crimes de dano qualificado contra o


patrimônio da União (pena: detenção de 6 meses a 3 anos e multa), foi editada
uma lei que passou a prever que, entre 20 de agosto de 2015 e 31 de dezembro
de 2015, tal delito (Art. 163, parágrafo único, inciso III, do Código Penal)
passaria a ter pena de 2 a 5 anos de detenção. João, em 20 de dezembro de
2015, destrói dolosamente um bem de propriedade da União, razão pela qual
foi denunciado, em 8 de janeiro de 2016, como incurso nas sanções do Art. 163,
parágrafo único, inciso III, do Código Penal.

Considerando a hipótese narrada, no momento do julgamento, em março de


2016, deverá ser considerada, em caso de condenação, a pena de

A) 6 meses a 3 anos de detenção, pois a Constituição prevê o princípio da


retroatividade da lei penal mais benéfica ao réu.
B) 2 a 5 anos de detenção, pois a lei temporária tem ultratividade gravosa.

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C) 6 meses a 3 anos de detenção, pois aplica-se o princípio do tempus regit
actum (tempo rege o ato).
D) 2 a 5 anos de detenção, pois a lei excepcional tem ultratividade gravosa.

COMENTÁRIOS: Considerando que esta Lei já entrou em vigor com PRAZO


CERTO para vigorar, temos o que se chama de lei temporária. Em relação às leis
temporárias aplica-se a ultratividade gravosa, ou seja, elas continuam a reger os
fatos praticados durante sua vigência, mesmo após expirado o prazo de sua
validade (não é necessário que o agente seja processado, condenado e punido
dentro do prazo de validade da Lei).

Patrício, ao chegar em sua residência, constatou o desaparecimento de um


relógio que havia herdado de seu falecido pai. Suspeitando de um empregado
que acabara de contratar para trabalhar em sua casa e que ficara sozinho por
todo o dia no local, Patrício registrou o fato na Delegacia própria, apontando,
de maneira precipitada, o empregado como autor da subtração, sendo
instaurado o respectivo inquérito em desfavor daquele “suspeito”. Ao final da
investigação, o inquérito foi arquivado a requerimento do Ministério Público,
ficando demonstrado que o indiciado não fora o autor da infração.

Considerando que Patrício deu causa à instauração de inquérito policial em


desfavor de empregado cuja inocência restou demonstrada, é correto afirmar
que o seu comportamento configura

A) fato atípico.
B) crime de denunciação caluniosa dolosa.
C) crime de denunciação caluniosa culposa.
D) calúnia.

COMENTÁRIOS: Temos aqui um fato atípico. O agente, apesar de ter dado causa
à instauração de inquérito policial em desfavor de alguém cuja inocência restou
demonstrada, não praticou o crime de denunciação caluniosa, previsto no art.
339 do CP. Isto porque o delito de denunciação caluniosa exige que o agente
impute falsamente o crime à alguém, SABENDO que a pessoa é inocente, ou
seja, pratique a conduta para prejudicar a pessoa, sabendo que ela não praticou
o delito. No caso, o patrão apenas se equivocou, de maneira que não teve a
intenção de prejudicar o empregado. Não há que se falar, ainda, em
denunciação caluniosa culposa, por ausência de previsão legal.

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XX EXAME

Guilherme, funcionário público de determinada repartição pública do Estado do


Paraná, enquanto organizava os arquivos de sua repartição, acabou, por
desatenção, jogando ao lixo, juntamente com materiais inúteis, um importante
livro oficial, que veio a se perder.

Considerando apenas as informações narradas, é correto afirmar que a conduta


de Guilherme

A) configura crime de prevaricação.


B) configura situação atípica.
C) configura crime de condescendência criminosa.
D) configura crime de extravio, sonegação ou inutilização de livro ou
documento.

COMENTÁRIOS: Temos, aqui, uma conduta atípica, eis que o crime de “Extravio,
sonegação ou inutilização de livro ou documento”, previsto no art. 314 do CP,
só é punível na forma dolosa, nunca na forma culposa.

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Parte Especial

Daremos inicio a Parte Especial do Código Penal, onde serão analisados os


crimes em espécie.

Crimes Contra a Vida

1) Homicídio (art. 121, CPB)


Conceito: É a supressão da vida de um ser humano causado por outro.
Constituindo a vida o bem mais precioso que o homem possui, trata-se de
um dos mais graves crimes que se pode cometer, refletindo-se tal
circunstância na pena, que pode variar de 6 a 30 anos (mínimo da forma
simples ao máximo da forma qualificada).

Subdivisão

Homicídio privilegiado - ocorre quando o agente comete o crime impelido


por motivo de relevante valor social ou moral, ou sob o domínio de
violenta emoção, logo em seguida a injusta provocação da vítima (art. 121,
§1º, CP).

Homicídio Simples – não é crime hediondo salvo quando praticado em


ação típica de grupo de extermínio (conceito fático, sociológico), mesmo
que por um só agente. Dificilmente acontecerá sem qualificadora.

Homicídio qualificado – (art. 121,§2º, CP) pena de 12 a 30 anos.


- Qualificadoras Subjetivas: relacionadas aos motivos
a) Paga/promessa de recompensa;
b) Motivo torpe (ex. herança);

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- Crime continuado – o agente mediante duas ou maus condutas produz c)
Motivo fútil, banal (ex. pequena dívida);
d) Motivo de conexão, para assegurar execução, ocultação, impunidade
ou vantagem de outro crime.
* A vingança e o ciúme não são necessariamente motivo torpe ou fútil

Classificação:

- Trata-se de crime comum: Aquele que não demanda sujeito ativo


qualificado ou especial.
- Material: Delito que exige resultado naturalístico, consistente na morte
da vítima.
- De forma livre: Podendo ser cometido por qualquer meio eleito pelo
agente.
- Comissivo: Matar implica em ação.
- Excepcionalmente comissivo por omissão: omissivo impróprio, aplicação
do Art 13, § 2º.
“ A omissão é penalmente relevante quando o omitente devia e podia agir
para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a quem: (Incluído pela Lei
nº 7.209, de 11.7.1984)
a) tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância; (Incluído pela
Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
b) de outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado;
(Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)
c) com seu comportamento anterior, criou o risco da ocorrência do
resultado. (Incluído pela Lei nº 7.209, de 11.7.1984)”

- Instantâneo: Cujo resultado “morte” se dá de maneira instantânea, não


se prolongando no tempo.
- De dano: Consuma-se apenas com a efetiva lesão do bem jurídico
tutelado.
- Unissubjetivo: Que pode ser praticado por um só agente.
- Progressivo: Trata-se de um tipo penal que contém, implicitamente,
outro no caso de lesão corporal.
- Plurisubsistente: Via de regra, vários atos integram a conduta de matar.
- Admite tentativa.

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- Qualificadoras objetivas de meio (forma de execução)
a) Fogo;
b) Explosão;
c) Asfixia (afogamento é forma de asfixia);
d) Tortura;
e) Veneno (meio insidioso);
f) Cláusula aberta: qualquer meio insidioso, cruel, que traga perigo
comum.

- Qualificadores objetivas de modo (como se "pega" a vítima)


a) Traição;
b) Emboscada;
c) Dissimulação (disfarce);
d) Qualquer modo que dificulte ou impossibilite a defesa da vítima.

O crime pode ser no máximo triplamente qualificado, só pode ser


escolhida uma qualificadora de cada tipo. O homicídio qualificado é
hediondo

Observação sobre Vida extrauterina: A vida é igualmente protegida pelo


ordenamento jurídico desde o momento da concepção. Enquanto está em
fase intrauterina, trata-se de aborto matar o ser humano em gestação.
Quando a vida fora do útero, materno principia, é natural tratar-se de
homicídio ▬ ou infanticídio conforme a situação. Entretanto, há polemica
acerca do início da vida extrauterina para efeito de diferenciar o homicídio
( ou infanticídio) do aborto.
Em tese, o correto seria considerar a vida extrauterina a partir do instante
em que se instala o processo respiratório autônomo do organismo do ser
que está nascendo, não mais dependente da mãe para viver. Esse
fenômeno é passível de prova pericial: são as chamadas docimasias
respiratórias.
Euclides Custódio da Silveira relata que é possível haver recém-nascido
vivo embora sem respiração (neonato apnéico) cuja comprovação se dá
pelos batimentos cardíacos ou movimento circulatório. Portanto, o sujeito
passivo do homicídio (ou infanticídio) seria o ser humano que já respira
por conta própria, como regra. Mas vale ressaltar que já é muito tarde
para considerar o ser que foi expulso do útero como feto, tanto que já não
se fala de aborto quando o filho é morto pela mãe durante o parto.

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Então seria o início do parto, segundo Costa Júnior e Almeida Júnior , pois
“desde então o feto se torna acessível as ações violentas, quer praticadas
com a mão, quer com instrumentos”.

▪ Objeto Material e Objeto Jurídico: o objeto material é a pessoa que


sofre a conduta criminosa, enquanto que o objeto jurídico é o interesse
protegido pela norma, ou seja, a vida humana.

▪ Elemento Subjetivo: É o dolo, não se exigindo elemento subjetivo


específico. A forma culposa está prevista no §3°.

▪ Dolo Eventual e qualificadoras subjetivas: Não há incompatibilidade. O


elemento subjetivo do homicídio é o dolo, em qualquer das espécies.
Portanto é possível que o agente assumo o risco de produzir o resultado
morte (dolo eventual), motivado pela ânsia de assegurar a execução,
torpeza, futilidade, ocultação, impunidade ou vantagem de outro delito. O
dolo eventual pode coexistir com a qualificadora do motivo torpe do
homicídio.

▪ Meios de matar: Podem ser diretos, os possuidores de força e eficácia


para, por si sós, causarem a morte. E indiretos , os dependentes de outra
causa para que o resultado seja atingido. Podem ainda, ser materiais
aqueles que atingem a integridade física do efendido, de forma mecânica,
química ou patológica, bem como morais ou psíquicos os que atuam por
meio da produção de um trauma psíquico na vítma, agravando a doença já
existente, que a leva à morte, que a conduza a enfermidade, e desta à
morte.

▪ Homicídio Privilegiado: O verdadeiro crime privilegiado é aquele cujos


limites mínimo e máximo de pena, abstratamente previstos se alteram,
para montantes menores. Utiliza-se a pena do homicídio simples com uma
redução de 1/6 a 1/3. É uma causa de diminuição de pena. O verdadeiro
homicídio privilegiado é o infanticídio, que tem as penas mínimas e
máximas alteradas, embora o lesgislador tenha preferido optar para o por
em um crime autônomo, que no caso é o crime de infanticídio.

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▪ Relevante valor social ou moral: relevante valor, é um valor impostante
para a sociedade, tais como: patriotismo, lealdade, fidelidade,
inviolabilidade da intimidade e de domicílio, entre outros. Quando se
tratar de relevante valor social levam-se em consideração interesses não
exclusivamente individuais, mas de ordem geral, coletiva.
Ex¹: Quem aprisiona um bandido em propriedade rural por alguns dias até
que a polícia seja avisada; Quem invade o domicílio do traidor da pátria
para destruir objetos empregados na traição.
No caso do relevante vamor moral leva em conta o interesse de ordem
pessoal.
Ex ²: Agressão (ou morte) do amante do cônjuge.

- Causa de diminuição de pena (§1°)

* homicídio "privilegiado", diminui a pena de 1/6 a 1/3 (privilegiado)


* todas as causas de diminuição de pena são subjetivas, relacionadas aos
motivos:
a) Relevante valor moral (o contrario do motivo torpe)
b) Relevante valor social
c) Domínio de violenta emoção logo após provocação da vítima.

* É possível um crime ser qualificado e privilegiado ao mesmo tempo,


desde que a qualificadora seja objetiva.

- Causas de aumento de pena do homicídio doloso (§4, 2ª parte)

* aumenta-se a pena em 1/3,


a) Quando a vítima era menor de 14 ou maior de 60 (teoria da
atividade, momento da ação);

- Causas de aumento de peno do homicídio culposo

*aumenta a pena em 1/3


a) Não prestar socorro, quando era possível fazê-lo;
b) Não tentar diminuir as consequências de seus atos;
c) Fugir para evitar o flagrante;
d) Ter cometido crime com inobservância de regra técnica.

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Perdão Judicial

Na hipótese de homicídio culposo, o juiz pode deixar de aplicar a pena, e


as consequências da infração atingem o próprio agente de forma tão grave
que a sanção penal se torne desnecessária (art. 121, §5º, CP)

- Causa de isenção de pena;


- Só serve para crime culposo;
- Quando as consequências do crime atingirem o próprio agente de forma
tão grave que a punição seja desnecessária.
- Sentença declaratória de extinção da punibilidade.

2) Induzimento, Instigação ou Auxílio ao Suicídio (art. 122, CP)

Conceito de suicídio: É a morte voluntária, que segundo Durkheim “resulta


direta, ou indiretamente, de um ato positivo ou negativo, realizado pela
própria vítima, a qual sabia dever produzir esse resultado”, chamando-se
ainda autocídio e autoquiria. No Brasil não se pune o autor da tentativa de
suicídio, por motivos humanitários. Pune-se entretanto, aquele que levou
outra pessoa ao suicídio, ainda que nada tenha feito para que o resultado
se desse, tendo em vista ser a vida um bem indisponível, que o Estado
precisa garantir, ainda que contra a vontade do seu titular.

▪ Induzimento: Significa dar a ideia a quem não possui, inspirar, incutir, a


ideia de alguém a suicidar-se ou prestar-lhe auxílio material ou moral para
que o faça. A prática de mais de uma dessas condutas pelo agente não
conduz à pluralidade delitiva.

▪ Sujeitos Ativo e Passivo: Qualquer pessoa. No caso do sujeito passivo, é


preciso ter o mínimo de discernimento ou resistência, pois do contrário
trata-se de homicídio. O agente que valendo-se da insanidade da vítima,
convence-a a se matar, incide no art 121.

▪ Elemento subjetivo: Dolo (direito ou eventual), não se admitindo forma


culposa. Por outro lado, o agente que, brincando sugere a vítima que se
mate não pode ser punido.

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▪ Instigação: Instigar é fomentar uma ideia já existente. Trata-se do agente
que estimula a ideia suicida que alguém anda manifestando.

▪ Auxílio: Trata-se da forma mais concreta e ativa de agir, pois significa dar
apoio material ao ato suicida.
Ex: O agente fornece a arma utilizada pela pessoa que se mata.

▪ Auxílio por omissão: Trata-se de uma questão controversa na doutrina e


na jurisprudência, havendo duas correntes.

a)Não se admite: Pois a expressão contida no tipo penal menciona “prestar


auxílio”, implicando em ação.
b)Admite-se: Desde que o agente tem o dever jurídico de impedir o
resultado.

▪ Objetos Jurídico e Material: O Objeto jurídico é a vida humana, e o


material é a pessoa contra a qual se volta à conduta do agente.

- Classificação do crime:

-Delito comum: Praticável por qualquer pessoa.


-Material: Exige resultado naturalístico.
-Instantâneo: A consumação não se arrasta no tempo.
-Comissivo: De ação.
-De dano: Que se consuma com a efetiva lesão ao bem jurídico tutelado.
-Unissubjetivo: Que pode ser cometido por uma só pessoa.
-De forma livre: A lei não exige forma especial para o cometimento.
-Plurissubsistente: Em regra, praticado por mais de um ato.

- É crime condicionado que não admite tentativa: Para a perfeita


configuração do tipo, é necessário que ocorra a morte da vítima ou
configure-se grave lesão corporal. Ainda assim, caso o agente induza o
ofendido ao suicídio, resultando em lesão leve, não há delito.

- A pena é duplicada se o crime é praticado por motivo egoístico ou se a


vítima é menor ou tem diminuída, por qualquer causa, a capacidade de
resistência (art. 122, parágrafo único, CP).

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▪ Pacto de morte: É possível que duas ou mais pessoas promovam um
pacto de morte, deliberando morrer ao mesmo tempo. Várias hipóteses
podem se dar:
a)Se cada uma delas ingerir veneno, de per si, por exemplo, aquela que
sobreviver responderá por participação em suicídio, tendo por sujeito
passivo a outra ( ou outras que morreram).
b) Caso ministre veneno para os demais, caso sobreviver, responderá por
homicídio consumado de todos os que morreram (e tentativa de homicídio
com que relação aos que sobreviverem), tendo em vista que o art 122 não
admite qualquer tipo de ato executório, com relação a terceiros.
c) Na hipótese de cada pessoa ministrar veneno a outra, todas
sobrevivendo, responderá cada uma por tentativa de homicídio, tendo
como sujeito passivo a pessoa a quem deu o tóxico.
d) Se cada pessoa ingerir sozinha o veneno, e todas sobrevivendo com
lesões leves ou nenhuma lesão, o fato se torna atípico.
e) Na hipótese de uma pessoa ministrar veneno à outra, ao mesmo tempo
em que receba a peçonha desta, aquele que sobreviver responderá por
homicídio consumado; se ambos sobreviverem configurará tentativa de
homicídio para duas, como alternativa na “c”.
f) Caso quatro pessoas contratem um médico para lhes ministrar o
veneno, tendo por resultado a morte de duas pessoas e a sobrevivência de
outras duas, as que ficaram vivas sem lesões graves responderão por
participação em suicídio, tendo por sujeitos passivos as que morreram. O
médico por sua vez, responderá por dois homicídio consumados e duas
tentativas de homicídio.

▪ Motivo Egoístico: Trata-se do excessivo apega a si mesmo, o que


evidencia o desprezo pela vida alheia, desde que algum benefício concreto
advenha ao agente. Logicamente merece maior punição.
Ex: Induzir alguém a se matar para ficar com a herança.

▪ Vítima menor ou com resistência diminuída: Resistência diminuída


configura-se por fases críticas de doenças graves (físicas ou mentais),
abalos psicológicos, senilidade, infantilidade ou ainda pela ingestão de
álcool ou substância de efeitos análogos. Tem essa pessoa menor condição
de resistir ao suicídio que lhe foi passada, diante da particular condição
que experimenta ou da situação que está passando.

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No tocante ao menor, deve-se entender a pessoa entre 14 e 18 anos,
porque o menor de 14 anos, se não tem capacidade nem mesmo para
consentir em um ato sexual, certamente não terá discernimento para
consentir com a eliminação da própria vida.
Por fim, há de se ressaltar que o suicida com resistência nula – pelos
abalos ou situações supramencionadas, incluindo a idade inferior a 14
anos – é vítima de homicídio, e não de induzimento, instigação ou auxílio a
suicídio.

3) Infanticídio (art. 123, CP)

Conceito de Infanticídio: Trata-se do homicídio cometido pela mãe contra


seu filho, nascente ou recém-nascido, sob a influência do estado
puerperal. É uma hipótese de homicídio privilegiado em que por
circunstâncias particulares e especiais, houve por bem o legislador conferir
tratamento mais brando à autora do delito, diminuindo a faixa de fixação
da pena.

▪ Distinção entre Infanticídio e Aborto: Menciona a lei penal que o


infanticídio pode ter lugar durante o parto ou logo após. Nesta última
hipótese não há dúvida, inexiste aborto. O início do parto dá-se com a
ruptura da bolsa, pois a partir daí o feto se torna acessível às ações
violentas (por instrumentos ou pela própria mão do agente). Assim,
iniciado o parto, torna-se o ser vivo sujeito ao crime e infanticídio. Antes, é
hipótese de aborto.

▪ Análise do núcleo do tipo: A única diferença entre o crime de homicídio


e o de infanticídio é a especial situação em que se encontra o agente.

▪ Sujeitos Ativo e Passivo: A autora do delito só pode ser a mãe, enquanto


a vítima é o nascente ou recém-nascido. Irrelevante a ausência de
vitalidade

▪ Elemento Subjetivo: É o dolo (direto ou eventual). Não se exige


elemento subjetivo específico, nem se pune a forma culposa.

▪ Objetos Jurídico e Material: O objeto jurídico protegido é a vida humana,


enquanto o material é a criança que sofre a agressão.

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▪ Estado Puerperal: É o estado em que envolve a parturiente durante a
expulsão da criança do ventre materno. Puerpério vem de puer (criança) e
parere (parir). Há profundas alterações psíquicas e físicas, que chegam a
transtornar a mãe, deixando-a sem plenas condições de entender o que
está fazendo. O puerpério é o período que se estende do início do parto
até a volta da mulher às condições pré gravidez. Como toda a mãe passa
pelo estado puerperal, algumas com graves perturbações e outras com
menos, é desnecessário a perícia.

▪ Circunstância de tempo: O infanticídio exige que a agressão seja


cometida durante o parto ou logo após, embora sem fixar um período
preciso para tal ocorrer. Deve-se pois interpretar a expressão logo após
com o caráter de imediatidade, pois do contrário poderão existir abusos. O
correto é presumir o estado puerperal quando o delito é cometido
imediatamente após o parto, em que se pode haver prova em contrário
pela acusação. Após o parto ter-se consumado, no entanto, a presunção
vai desaparecendo e o correr dos dias inverte a situação, obrigando a
defesa a demonstrar por meio de prova admitidos (perícia ou
testemunhas), que o puerpério, excepcionalmente naquela mãe persistiu,
levando-a a matar o próprio filho.
É imprescindível detectar se não se trata de uma psicose puerperal, dando
margem à aplicação do art. 26 do Código Penal.

- Classificação do crime:

- Delito próprio: Podendo só ser causado pela própria mãe;


- Instantâneo: A consumação não se prolonga no tempo;
- Comissivo: Exige ação;
- Material: Que se configura com o resultado previsto no tipo, que é matar
o filho;
- De dano: O bem jurídico precisa ser efetivamente lesado;
- Unissubjetivo: Pode ser cometido por uma só pessoa;
- Progressivo: Passa necessariamente por uma lesão corporal;
- Plurissubsistente: Vários atos integram a conduta;
- De forma livre: Não se encontra no tipo a descrição da conduta que
determina o resultado;
- Admite tentativa.

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▪ Concurso de pessoas no infanticídio: Como o Código Penal adota a teoria
monista, todos que colaborarem para o cometimento de um crime
incidem nas penas a eles destinadas, no caso presentes coautores e
participes respondem igualmente por infanticídio.

4) Aborto provocado pela mãe ou com o seu consentimento (art.124, CP)

Art 124- Provocar aborto em si mesma, ou consentir que outrem lhe


provoque.
Pena – Detenção de 1 (um) a 3 (três) anos.

▪ Conceito de aborto: É a cessação da gravidez, cujo início se dá com a


nidação, antes do termo normal, causando a morte do feto ou embrião. O
aborto é a interrupção do desenvolvimento do feto durante a gravidez,
desde que a gestação ainda não tenha chegado às vinte semanas.

▪ Formas de aborto:
a)Aborto natural: É a interrupção da gravidez oriunda de causas
patológicas, que ocorre de maneira espontânea. Não há crime.

b)Aborto acidental: É a cessação da gravidez por conta de causas


exteriores e traumáticas, como quedas e choques. Não há crime.

c)Aborto criminoso: É a interrupção forçada e voluntária da gravidez,


provocando a morte do feto.

d)Aborto permitido ou legal: Cessação da gestação, com a morte do feto


admitida por lei.
d.1)Aborto terapêutico ou necessário: Interrupção da gravidez realizada
por aconselhamento médico, a fim de salvar a vida da gestante.
d.2)Aborto sentimental ou humanitário: Autorização para interromper a
gravidez quando a mulher foi vítima de estupro.
d.3) Aborto de anencéfalo: nos casos de feto com má formação, não
havendo neste caso violação à vida. O aborto em casos de anencefalia é
descrito como "parto antecipado" para fim terapêutico, não violando
nenhum princípio constitucional e estando dentro das exceções previstas
pelo Código Penal.

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e)Aborto eugênico ou eugenésico: Interrupção da gravidez causando a
morte do feto, para evitar que a criança nasça com graves efeitos
genéticos. Há controvérsias se há ou não crime nessas hipóteses.

f)Aborto econômico social: É a cessação da gestação, causando a morte do


feto, por questões econômicas ou sociais, quando a mãe não tem
condições de cuidar do seu filho, seja porque não recebe assistência do
Estado, seja porque possui família numerosa, ou até por política estatal.
No Brasil, é crime.

▪ Sujeitos Ativo e Passivo: Sujeito ativo é a gestante, enquanto o passivo é


o feto ou embrião. Secundariamente é a sociedade, que tem interesse em
proteger a vida do ser em formação no útero materno.

▪ Objetos Jurídico e Material: O objeto jurídico protegido é a vida do feto,


ou embrião. O material é o feto ou embrião, que sofre a conduta
criminosa, mas também pode ser a gestante, pois seu corpo pode ser
agredido para provocar o aborto.

▪ Elemento Subjetivo: É o dolo. Não exige elemento subjetivo específico,


nem se pune a forma culposa.

▪ Exigência da gravidez comprovada: É preciso que a gestação seja de


algum modo comprovada.

▪ Participação de terceiro: O delito admite participação, desde que na


forma secundária, consistente em induzimento, instigação ou auxílio.
Ex: Aconselhar a gestante a cometer sozinha o aborto.

● Se a pessoa atua diretamente para causar a interrupção da gravidez,


não é partícipe, mas sim autora do delito, conforme art 126.

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Classificação do crime:

- Crime próprio: Só a gestante pode cometer;


- Instantâneo: Consumação não se prolonga no tempo;
- Comissivo ou Omissivo: Provocar = ação, Consentir = omissão;
- Material: Exige resultado naturalístico para a sua configuração;
- De dano: Deve haver efetiva lesão ao bem jurídico;
- Unissubjetivo: Admite a existência de um só agente, embora em ultima
modalidade possa se torna plurissubjetivo;
- De forma livre: A lei não exige conduta específica para o consentimento
do aborto;
- Pune-se somente a forma dolosa.

- Hipóteses que afastam a ocorrência do aborto:

a)Gravidez molar: Desenvolvimento completamente anormal do avo. Não


há aborto, pois é preciso se tratar do “embrião de vida humana”.
b)Gravidez extrauterina: Trata-se de um estado patológico, onde o
embrião não tem condições de se desenvolver, atingindo vida própria de
modo normal. Nesse caso, para haver o aborto lícito e necessário que não
haja possibilidade médica de intervir para sanar o problema.

- Art 125 - Aborto provocado por Terceiro

Art 125- Provocar aborto sem o consentimento da gestante


Pena- Reclusão, de 3 (três) a 10 (dez) anos.

▪ Sujeitos Ativo e Passivo: Neste caso, o sujeito ativo pode ser qualquer
pessoa, embora o sujeito passivo não seja somente o feto ou embrião,
mas também a gestante pois a agressão foi dirigida contra a sua pessoa,
sem o seu consentimento. Secundariamente é a sociedade, que tem
interesse em proteger a vida do ser em formação no útero materno.

▪ Objetos Jurídico e Material: Os objetos jurídicos são a vida do feto ou


embrião, e a integridade física da gestante. Os objetos materiais são
igualmente o feto ou embrião e a gestante, que sofreram a conduta
criminosa.

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- Classificação do crime:

- Crime comum: Pode ser praticado por qualquer pessoa;


- Instantâneo: Cuja consumação não se prolonga no tempo;
- Comissivo: Provocar = ação;
- Omissivo: Quando houver o dever jurídico de impedir o resultado;
- Material: Exige resultado naturalístico para a sua configuração;
- De dano: Deve haver efetiva lesão ao bem jurídico protegido;
- Unissubjetivo: Admite a existência de um só agente;
- Plurissubsistente: Configura-se por vários atos;
- De forma livre: A lei não exige conduta específica para o cometimento do
aborto;
- Admite tentativa.

Art 126 – Provocar aborto com o consentimento da gestante

Art 126- Provocar aborto com o consentimento da gestante.


Pena – Reclusão de 1 (um) a 4 (quatro) anos.
Parágrafo único: Aplica-se a pena do artigo anterior, se a gestante não é
maior de 14 (quatorze) anos, ou é alienada ou débil mental, ou se o
consentimento é obtido mediante fraude, grave ameaça ou violência.

▪ Elemento Subjetivo: É o dolo.

▪ Sujeitos Ativo e Passivo: Ativo é qualquer pessoa. Passivo é o feto ou


embrião. Secundariamente é a sociedade que tem interesse em proteger a
vida do ser em formação no útero materno.

▪ Objetos Jurídico e Material: O Objeto jurídico é a vida do feto ou


embrião, O objeto material é o feto ou embrião, que sofre a conduta
criminosa.

▪ Análise do tipo: Trata-se de uma exceção a teoria monista (todos os


coautores e partícipes respondem pelo mesmo crime quando contribuem
para o mesmo resultado típico).

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Se existisse somente a figura do art 124, o terceiro que colaborasse com a
gestante para a prática do aborto incidiria naquele tipo penal. Entretanto o
legislador para punir mais severamente o terceiro que provoca o aborto,
criou o art 126 aplicando a teoria dualista de concurso de pessoas.

- Classificação do crime:

- Crime comum: Pode ser praticado por qualquer pessoa;


- Instantâneo: Cuja consumação não se prolonga no tempo;
- Comissivo: Provocar = ação;
- Material: Exige resultado naturalístico para a sua configuração;
- De dano: Deve haver efetiva lesão ao bem jurídico protegido;
- Plurissubsistente: Configura-se por vários atos;
- De forma livre: A lei não exige conduta específica para o cometimento do
aborto;
- Plurisubjetivo: Necessita de pelo menos a participação de duas pessoas,
embora nesse caso, existam dois tipos autônomos;
- Admite tentativa;
- Pune-se somente a forma dolosa.

▪ Dissentimento presumido: Quando a vítima não é maior de 14 anos ou é


alienada ou débil mental, não possui consentimento válido, levando à
consideração de que o aborto deu-se contra a sua vontade. Esse
dispositivo e decorrência natural do enfoque que a lei penal concede ao
menor de 14 anos, incapaz de consentir validamente para certos atos.

▪ Dissentimento real: Quando o agente emprega violência, grave ameaça,


ou mesmo fraude, é natural supor que extraiu o consentimento da vitima à
força, de modo que o aborto precisa encaixar-se na figura do art 125.

● Art 127 – Forma qualificada

Art 127 – As penas cominadas nos dois artigos anteriores são aumentadas
de 1/3, se em consequência do aborto ou dos meios empregados para
provocá-lo, a gestante sofre lesão corporal de natureza grave, e são
duplicadas, se, por qualquer dessas causas, lhe sobrevém a morte.

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▪ Aplicação restrita: Somente se aplica a figura qualificada nas hipóteses dos
arts 125 e 126, pois não se pune autolesão no Direito Brasileiro.

Hipóteses da Figura Qualificada:


a)Lesões graves ou morte da gestante e feto expulso vivo: Tentativa de aborto
qualificado.
b)Aborto feito pela gestante, com lesões graves ou morte, havendo
participação de outra pessoa: esta pode responder por homicídio ou lesão
culposa (se previsível resultado para a gestante), em concurso com
autoaborto, já que não se aplica a figura qualificada a hipótese prevista no art
124.

▪ Crimes qualificados pelo resultado: O aborto com morte ou lesão grave para
a gestante e considerado um crime qualificado pelo resultado, que pode dar-se
com dolo na conduta antecedente (aborto) e dolo eventual ou culpa na
consequente (morte ou lesão grave para a gestante. Não se trata de crime
preter doloso.

5) Lesões Corporais:

▪ Conceito de lesão corporal: Trata-se de uma ofensa física voltada à


integridade ou à saúde do corpo. Não se enquadra neste tipo penal qualquer
ofensa moral. Para a configuração do tipo é necessário que a vítima sofra
algum dano a seu corpo, alterando-se externa ou internamente, podendo,
ainda, abranger qualquer modificação prejudicial a sua saúde, transfigurando-
se qualquer função orgânica ou causando abalos psíquicos comprometedores.

▪ Autolesão: Não é punida no direito brasileiro embora seja considerada ilícita,


salvo se estiver vinculada à violação de outro bem ou interesse juridicamente
protegido, como ocorre quando o agente, pretendendo obter indenização ou
valor de seguro, fere o próprio corpo, mutilando-se.

▪ Análise do núcleo do tipo: Ofender significa lesar ou fazer mal a alguém ou


alguma coisa. O objeto da conduta é a integridade corporal ou a saúde.

▪ Sujeitos ativo e passivo: Qualquer pessoa, salvo em algumas figuras


qualificadas.

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▪ Elemento subjetivo: Na figura do Caput, que é a lesão corporal simples,
somente o dolo, sem exigir-se elemento subjetivo específico ou dolo
específico.
▪ Objetos material e jurídico: Ofender a integridade corporal ou a saúde
de outrem. Lesão corporal é a alteração prejudicial - anatômica ou
funcional, física ou psíquica, local ou generalizada - produzida, por
qualquer meio, no organismo alheio. O primeiro é a pessoa que sofre a
lesão, o segundo é o bem jurídico protegido que é a incolumidade física.

- Classificação do crime:

- Crime comum;
- Material;
- De forma livre;
- Comissivo;
- E excepcionalmente Comissivo por omissão;
- Instantâneo;
- De dano;
- Unissubjetivo;
- Plurissubsistente;
- Admite tentativa.

▪ Aplicação do princípio da insignificância: É viável não considerar fato


típico a lesão íntima causada à vítima, pois o Direito Penal não deve
ocupar-se de banalidades, dependendo, naturalmente, do caso concreto.
Assim, exemplificando, pequenas lesões causadas culposamente em
acidentes de trânsito podem ser consideradas atípicas.

▪ Consentimento do ofendido: No contexto das lesões corporais, o


consentimento da vítima como causa supralegal de exclusão da ilicitude é
perfeitamente aplicável.

▪ Conceito de lesão corporal grave: A lesão corporal grave (lato sensu), ou


mesmo a gravíssima, é uma ofensa à integridade física ou a saúde da
pessoa humana, considerada muito mais séria e importante do que a lesão
simples ou leve. Para efeitos de punição, considera-se o dano causado a
vítima. São tipos penais derivados (qualificados), no qual é conferido maior
relevo ao desvalor do resultado.

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▪ Ocupação habitual:Toda e qualquer atividade regularmente
desempenhada pela vítima, e não apenas sua ocupação laborativa. Deve-
se destacar que o termo “habitual”, tem a conotação de atividade
frequente, não se podendo reconhecer a lesão corporal grave quando a
vítima ficar incapacitada para ocupações que exercia raramente.

▪ Comprovação por perícia: É indispensável, tendo que ser comprovado o


comprometimento da vítima por mais 30 dias, devendo ser elaborado tão
logo ocorra o trintídio – embora possa subsistir a tolerância de alguns dias.
Pode ser suprido por prova testemunhal como expressamente prevê o art
168, §3° do Código de Processo Penal.

▪ Perigo de vida: É a concreta possibilidade de a vítima morrer em face das


lesões sofridas. Não bastam conjecturas ou hipóteses vagas ou imprecisas,
mas um fator real de risco inerente ao ferimento causado.

▪ Debilidade permanente: Trata-se de uma frouxidão duradoura no corpo


ou na saúde, que se instala na vítima após a lesão corporal provocada pelo
agente. Não se exige que seja uma debilidade perpétua, basta ter longa
duração.

▪ Perícia: É indispensável, mas basta um laudo não sendo necessário o


exame complementar.

▪ Membro: Os membros do corpo humano são os braços, as mãos, as


pernas e os pés. Os dedos são apenas parte dos membros, de modo que a
perda de um dos dedos constitui-se em debilidade permanente da mão ou
do pé.

▪ Função: Trata-se da ação própria de um órgão do ser humano. Por


exemplo, a perda de um rim, é debilidade permanente e não perda da
função, pois se trata de órgão duplo.

▪ Aceleração do parto: É indispensável o conhecimento da gravidez pelo


agente. Se em virtude, da lesão corporal praticada contra a mãe, a criança
nascer morta, terá havido lesão corporal gravíssima. Há a possibilidade de
haver o nascimento com vida, mas em razão da lesão corporal sofrida pela
mãe, a criança venha a morrer.

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Crê-se que as seguintes hipóteses podem ocorrer:
a)Se houver aceleração do parto, o feto nasceu com vida, morrendo em
vista das lesões sofridas, dias, semanas, ou meses depois, não há como se
falar em lesão corporal gravíssima, cujo o resultado mais grave é o aborto,
pois este significa a morte do feto antes do nascimento. Trata-se pois de
lesão corporal grave.
b) Se a lesão corporal atingiu a mãe e também o feto, mas não provocou
nem a aceleração de parto nem aborto, vindo a criança a morrer algum
tempo depois do nascimento com vida, em virtude da lesão sofrida, não há
como imputar-se ao agente lesão grave ou gravíssima, pois sua conduta
nesse prisma não se amolda aos tipos penais. Neste ultimo caso, cabe a
lesão corporal ser tipificada como simples. Entretanto, se dentro do
mesmo quadro houver tenha o agente visado o feto, quando agrediu a
mãe, poderá responder concomitantemente por lesão corporal leve e
tentativa de aborto, sem o consentimento da gestante.

▪ Incapacidade permanente para o trabalho: Trata-se de inaptidão


duradoura para exercer qualquer atividade laborativa lícita. Essa é voltada
para a atividade que traz remuneração a vítima. E se refere a qualquer
atividade que possa trazer remuneração, e não somente a que a vítima
estava acostumada a fazer. É necessário de serem estabelecidas certas
restrições, pois não se pode exigir de um intelectual ou de um artista que
se inicie na atividade de pedreiro. Fixa-se no campo factualmente possível
e não no teoricamente imaginável.

▪ Enfermidade incurável: É a doença irremediável, de acordo com os


recursos da medicina na época do resultado, causada na vítima. Não
configura a qualificadora a simples debilidade enfrentada pelo organismo
da pessoa ofendida, necessitando existir uma séria alteração na saúde.
Embora a vítima não seja obrigada a submeter-se a qualquer tipo de
tratamento ou cirurgia de risco para curar-se, também não se deve admitir
a recusa imotivada do ofendido. Se há recursos para controlar a
enfermidade gerada, impedindo dela se tornar incurável, é preciso que o
ofendido os utilize.

▪ Perda ou inutilização: Implica destruição ou privação de algum membro,


sentido ou função. Inutilização quer dizer falta de utilidade , ainda que
fisicamente esteja presente o membro ou órgão humano.

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▪ Deformidade permanente: deformar significa alterar a forma original.
Configura-se a lesão gravíssima quando ocorre a modificação duradoura
de uma parte do corpo humano da vítima. A doutrina saliente que esta
qualificadora está ligada a estética, por isso se exige que a lesão seja visível
e a ponto de causar constrangimento ou vexame à vítima, irreparável.
Chega-se a levantar, para critério de avaliação desta qualificadora, o sexo
da vítima, sua condição social, sua profissão, seu modo de vida, entre
outros fatores extremamente subjetivos , por vezes nitidamente
discriminatórios e sem adequação típica.

▪ Aborto: O resultado qualificador do aborto neste artigo, tem de ocorrer


na forma culposa.

▪ Crime Preterdoloso: Trata-se da única forma autenticamente


preterdolosa prevista no Código Penal. A conduta deve ser dolosa no
antecedente (lesão corporal) e culposa no subsequente (morte da vítima).
A morte não pode ter sido desejada pelo agente, nem tampouco pode ele
ter assumido o risco de produzi-la.

▪ Tentativa: É inadmissível uma vez que o crime preterdoloso envolve a


forma culposa e esta é incompatível com a forma de tentativa

▪ Lesão Corporal Privilegiada: Acarreta a substituição da pena privativa de


liberdade pela pecuniária. Aplica-se somente a hipótese de lesão corporal
leve e desde que haja relevante valor social ou moral, ou domínio de
violenta emoção, logo após injusta provocação.

▪ Lesões Recíprocas: O privilégio também pode ser aplicado quando o


agressor também for agredido pela vítima. É preciso ressaltar no entanto,
que não se trata de uma situação de legítima defesa. Ao referir-se a lesões
recíprocas, dá a norma a entender que as duas partes entraram em luta
injustamente.

▪ Lesão Culposa: Trata-se da figura típica do caput, com o elemento


subjetivo da culpa. É um tipo aberto, que depende da interpretação d juiz
para ser aplicado. A culpa se dá por negligência, imperícia e imprudência.

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▪ Lesão Culposa no Trânsito: Não se aplica mais ao tipo penal do art 129,
§6°.

▪ Perdão Judicial: Trata-se do mesmo caso comentado no §5° do art 121.

▪ Ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou companheiro: Para os


quatro primeiros vale as mesmas considerações da agravante do art 61, II.
A modificação deveu-se a introdução do termo companheiro, que é o
reconhecimento da união estável para o efeito de equiparação ao cônjuge
no contexto da proteção penal.

▪ Alterações de pena: O limite máximo elevou-se de um para três anos, o


que lhe retira o caráter de infração de menor potencial ofensivo.
Inexplicavelmente, o mínimo, que havia subido para seis meses, tornou a
diminuir, atingindo três meses de detenção.

▪ Acréscimo de causa de aumento: Buscando a maior proteção à pessoa


deficiente (física ou mental), cuidou-se de criar outra causa de aumento
(um terço), quando o ascendente, descendente, irmão, cônjuge ou
companheiro, for vítima de violência doméstica. Essa causa de aumento,
entretanto, é aplicada somente as causas de violência doméstica que gere
lesão simples, pois se refere somente ao §9°. Se as lesões forem graves ou
gravíssimas, existem faixas específicas de aplicação da pena.

6) Omissão de Socorro

- Sujeitos do Delito:
a) Sujeito Ativo: É um crime comum, podendo ser praticado por qualquer
pessoa, desde que não tenha provocado, dolosa ou culposamente, a
situação de perigo.
b) Sujeito Passivo: Criança abandonada ou extraviada, ou pessoa inválida,
ferida, ou qualquer pessoa em grave e iminente perigo.

Elemento subjetivo do tipo: É um crime doloso.

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Elementos objetivos do tipo: deixar de prestar assistência, quando possível
fazê-lo sem risco pessoal, a criança abandonada ou extraviada, ou a pessoa
inválida ou ferida, ao desamparo ou em grave e iminente perigo.
Inadmissível o concurso de pessoas. A assistência prestada por qualquer
uma das pessoas presentes, salvo se insuficiente ou inadequada, exime as
demais.

Crimes contra a Honra

- Calúnia (mentira) - art. 138, CP.


Análise do núcleo do tipo: Caluniar é fazer uma acusação falsa, tirando a
credibilidade de uma pessoa no seio social. Atinge a honra objetiva da
pessoa, atribuindo-lhe ao agente um fato desairoso, no caso particular, um
fato falso definido como crime.

▪ Sujeitos ativo e passivo: Qualquer pessoa. No polo ativo, somente a


pessoa humana. No polo passivo, diante da lei 9.605/98, que prevê a
possibilidade de a pessoa jurídica delinquir, pode-se considerar também
essa pessoa, embora também em casos relativos a crimes contra o meio
ambiente.

▪ Pessoa humana ou jurídica como sujeito passivo: A doutrina sustenta


que somente a pessoa humana pode estar no polo passivo. O argumento
principal consiste no fato de que esses delitos estão inscritos no contexto
dos crimes contra a pessoa, traduzindo o termo alguém exclusivamente a
pessoa humana. Em segundo lugar, não é porque os tipos penais dos
crimes contra a honra estão inseridos no título de delitos contra a pessoa
que, deve voltar-se a proteção de pessoas físicas.

▪ Inimputáveis e pessoas mortas: Os primeiros podem ser sujeitos


passivos, quanto aos mortos admite-se que sejam incluídos no polo
passivo porque há expressa determinação legal. Levam-se em conta a
memória e o respeito aos mortos.

▪ Elemento normativo do tipo: É necessário que para que se tipifique, a


acusação a qual a vítima foi submetida seja falsa.

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▪ Elemento subjetivo do tipo: Pune-se o crime quando o agente agir
dolosamente. Não há forma culposa. No entanto, exige-se a intenção de
ofender, machucar, macular a honra alheia, pois este elemento intencional
está previsto no tipo. É possível que uma pessoa fale a outra de um fato
falsamente atribuído a terceiro como crime, embora assim esteja agindo
com animus jocandi, ou seja, fazendo uma brincadeira. Embora atitude
de mau gosto, não se pode dizer que houve o crime de calúnia.

▪ Atribuição de fato: O tipo penal deste artigo exige a imputação de um


fato criminoso, sendo falso esse fato configura-se calúnia.

▪ Atribuição de fato e não de tipo penal incriminador: Não basta para a


configuração do crime de calúnia, imputar alguém a prática de um
homicídio ou roubo, por exemplo, sendo necessário que o agente narre
um fato, ou seja, uma situação específica, contendo autor, situação e
objeto.

▪ Objetos Material e Jurídico: Materialmente, o objeto do crime é a honra


e a imagem da pessoa, que sofrem com a conduta criminosa.
Juridicamente dá-se o mesmo.

▪ Contravenção penal: Não pode haver calúnia ao se atribuir a terceiro,


falsamente, a prática da contravenção, pois o tipo penal menciona
unicamente crime. Nesse caso pode-se falar de difamação.

▪ Consumação: Considera-se o delito consumação quando a imputação


falsa chega ao conhecimento de terceiro, que não a vítima. Se a imputação
falsa dirigir-se direta e exclusivamente sobre a somente a vítima, estará se
tratando de injúria.

- Classificação:

-Crime Comum;
-Formal;
-De forma livre;
-Comissivo;
-Excepcionalmente comissivo por omissão;

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-Instantâneo;
-Unissubjetivo;
-Unissubsistente ou Plurissubsistente;
-Admite tentativa se for plurissubsistente.

▪ Exceção da verdade: Demonstração pelo acusado da verdade da


imputação, propalação ou divulgação - é admitida como regra geral, salvo
o que está descrito no art. 138, par. 3º, CP. É uma forma de defesa
indireta, através da qual o acusado ter praticado a calúnia pretendendo
provar a veracidade do fato qual alegou, demonstrando ser realmente
autor de fato definido como crime o pretenso ofendido.

▪ Vedação à exceção da verdade referente à ação privada: Não pode o


querelado réu ingressar com a exceção da verdade, pretendendo
demonstrar veracidade do que falou, quando o fato imputado a vítima
constitua crime de ação privada e não houve condenação definitiva sobre
o assunto.

▪ Vedação à exceção da verdade em razão da pessoa envolvida: Não se


admite a exceção da verdade quando a calúnia envolver o Presidente da
República ou chefe de governo estrangeiro.

▪ Retratação: O querelado que, antes da sentença, se retrata cabalmente


da calúnia fica isento de pena (art. 143, CP). A retratação (completa e
incondicional) pode ser feita pelo próprio ofensor ou por seu procurador
com poderes especiais até a publicação da sentença, extinguindo a
punibilidade - art. 107, VI, CP.

- Difamação (fofoca) - art. 139, CP.

▪ Análise do núcleo do tipo: Difamar significa desacreditar publicamente


uma pessoa, maculando-lhe a reputação. Difamar significa imputar algo
desonroso a outrem, fato ofensivo à sua reputação: Com isso excluem-se
os fatos definidos como crime – que ficaram para o tipo penal da calúnia –
bem como afastou qualquer vinculação à falsidade ou veracidade dos
mesmos. Assim, difamar uma pessoa, significar imputar a ela fatos infames
à sua honra objetiva, sejam eles verdadeiros ou falsos.

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▪ Sujeitos Ativo e Passivo: O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa
humana. No polo passivo pode-se considerar a possibilidade de o sujeito
passivo, além da pessoa humana, a pessoa jurídica, que goza de reputação
no seio social. Esse entendimento da pessoa jurídica no polo passivo é um
entendimento do STJ, não aderido pela doutrina.

▪ Consumação: Justifica-se a aplicação integral da pena, portanto,


considera-se o delito consumado quando a imputação infamante chegar
ao conhecimento de terceiro, que não a vítima. Basta uma pessoa
estranha aos sujeito ativo e passivo para se consumar a difamação.

▪ Imputação de fato: É preciso que um agente faça referência a um


acontecimento, que possua dados descritivos como ocasião, pessoas
envolvidas, lugar, horário, entre outros, e não um simples insulto. Ex: Dizer
que uma pessoa é caloteira configura uma injúria, ao passo que espalhar o
fato de que ela não pagou aos credores “A”, “B” e “C”, quando as dívidas
“X”, “Y” e “Z”, venceram no dia tal, do mês tal, configura difamação.

▪ Elemento subjetivo do tipo: Pune-se o crime quando o agente agir


dolosamente. Não há forma culposa, entretanto, exige-se
majoritariamente (doutrina e jurisprudência), o elemento subjetivo do tipo
específico, que é a essencial intenção de ofender, magoar, macular a
honra alheia. Este elemento intencional está implícito no tipo. A tentativa
é inadmissível, salvo quando a difamação for feita por escrito.

▪ Narrativa da testemunha: Não configura crime de difamação se a


testemunha se limita a expor, na sua ótica, sob o animus narrandi, o que
lhe foi indagado pelo juiz, ainda que impliquem em considerações
desairosas sobre alguém.

▪ Objetos Material e Jurídico: Materialmente o objeto do crime é a honra


e a imagem da pessoa, que sofre com a conduta criminosa, juridicamente
dá-se o mesmo.

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- Classificação:

- Crime Comum;
-Formal;
-De forma livre;
-Comissivo;
-Excepcionalmente Comissivo por omissão;
-Instantâneo;
-Unissubjetivo;
-Unissubsistente ou Plurissubsistente;
-Admite Tentativa se for Plurissubsistente.

▪ Difamação ou Injúria divulgada em boletim de associação profissional:


Trata-se de crime comum e não de imprensa.

▪ Consumação: Justifica-se a aplicação integral da pena, portanto,


considera-se o delito consumado quando a imputação infamante chegar
ao conhecimento de terceiro, que não a vítima. Basta uma pessoa
estranha aos sujeito ativo e passivo para se consumar a difamação.

▪ Exceção da verdade: Não é admitido a exceção da verdade pois pouco


importa se o fato infamante é verdadeiro ou falso. No caso do Funcionário
Público é de interesse do Estado apurar a veracidade do que está sendo
alegado.

- Injúria (xingamento)
Análise do núcleo do tipo: Injuriar significa ofender ou insultar. É preciso
que a ofensa atinja a dignidade ou o decoro de alguém. Macula a honra
subjetiva, arranhando o conceito que a vítima faz de si mesma.

▪ Sujeitos Ativo e Passivo: O sujeito ativo pode ser qualquer pessoa


humana. No polo passivo pode-se considerar a possibilidade de haver
somente a pessoa humana. A pessoa jurídica não tem “amor próprio” para
ser atingido.

▪ Inimputáveis e mortos: No tocante aos inimputáveis é preciso distinguir


a possibilidade de serem sujeitos passivos apenas no caso concreto.
Mortos por sua vez, não podem ser injuriados.

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▪ Elemento subjetivo do tipo: Pune-se o crime quando o agente agir
dolosamente.

▪ Elemento objetivo do tipo: injuriar alguém, ofendendo-lhe a dignidade


ou o decoro. Admite vários meios de execução. Desnecessária a presença
do sujeito passivo.

▪ Injúria proferida no calor da discussão: Não é crime, pois ausente estará


o elemento subjetivo específico que é a intenção de magoar, ofender.

▪ Objetos Material e Jurídico: Materialmente o objeto do crime é a honra


e a imagem da pessoa, e juridicamente dá-se o mesmo.

- Classificação:

-Crime Comum;
-Formal;
-De forma livre;
-Comissivo;
-Excepcionalmente Comissivo por Omissão;
-Instantâneo;
-Unissubjetivo;
-Unissubsistente ou Plurissubsistente;
-Admite Tentativa se for Plurissubsistente.

▪ Consumação: Justifica-se a aplicação integral da pena, portanto,


considera-se o delito consumado quando a ofensa chega ao conhecimento
da vítima. Não é necessário que terceiro dela tome conhecimento.

▪ Exceção da verdade: É inadmissível.

▪ Perdão Judicial: Pode ocorrer.

▪ Provocação reprovável: Configura-se uma hipótese semelhante à


violenta emoção, seguida de injusta provocação da vítima. É causa de
extinção de punibilidade.

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▪ Retorsão imediata: É uma modalidade anômala de “legítima defesa”.
Quem foi ofendido, devolve a ofensa. Trata-se de uma maneira comum
dos seres humanos sentirem-se recompensados por insultos recebidos. A
devolução do ultraje acaba internamente compensando quem a produz.
Por isso o Estado acaba por perdoar o agressor.

▪ Forma Qualificada: A violência implica na ofensa a integridade corporal


de outrem, enquanto a via de fato representa uma violência que não
chega a lesionar a integridade física ou a saúde de uma pessoa. No caso de
haver violência, é concurso da injúria com o delito d lesões corporais.
Circunscrevendo-se, unicamente às vias de fato, fica a contravenção
sorvida pela injúria chamada real.

▪ Elementos normativos do tipo: Não é qualquer lesão corporal ou


agressão física que se configura na “Injúria Real”. É indispensável que tal
agressão seja considerada aviltante – humilhante, desprezível – através do
meio utilizado ou pela sua própria natureza.

▪ Injúria Qualificada contra idoso ou deficiente: Gracejos inoportunos,


humilhantes e degradantes contra idosos e deficientes devem ser mais
severamente punidos.

Crimes contra o Patrimônio

1- Furto

Furto é a subtração de coisa alheia móvel com fim de apoderar-se dela ,


de modo definitivo. O estatuto penal protege dois objetos jurídicos: a
posse ( detenção ) e a propriedade. A primeira é a objetividade imediata, o
segundo é tutelado mediatamente. é uma figura de crime prevista nos
artigo 155 do CP.

Bem jurídico tutelado: Patrimônio

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Sujeitos do Delito:

a) Sujeito Ativo: qualquer pessoa (quem furta), uma vez que é crime
comum - o crime que pode ser praticado por qualquer pessoa.
b) Sujeito Passivo: qualquer pessoa (quem é furtado). Este pode ser tanto
a pessoa física, como a pessoa jurídica, pois esta também tem patrimônio.

Elemento subjetivo do tipo: É um crime doloso.

Elementos objetivos do tipo: A conduta incriminada é a de subtrair coisa


alheia móvel.

Tipo Objetivo: a ação incriminada é subtrair coisa alheia móvel.


Equiparam-se a coisa móvel, a energia elétrica ou qualquer outra coisa que
tenha valor econômico.

Tipo Subjetivo: O dolo e o elemento subjetivo do injusto (especial fim de


agir consistente no apossamento da coisa subtraída, para si ou para
outrem).

Consumação e tentativa: a primeira acontece quando há manutenção da


posse tranquila da coisa furtada, e a segunda é admissível (delito de
resultado).

Furto noturno: se o crime é praticado durante o repouso noturno, majora-


se a pena de um terço (art. 155, §2º, CP)

Furto qualificado: (art 155, §4º CP)

2- Roubo

É o ato de subtrair coisa móvel alheia, para si ou para outro, mediante


grave ameaça ou violência a pessoa (ou não), ou depois de havê-la, por
qualquer meio, reduzido à impossibilidade de resistência. A pena prevista
para este crime é de reclusão, de quatro a dez anos, e multa (art. 157,
caput, do Código Penal)

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Sujeitos do Delito:

a) Sujeito Ativo: É um crime comum, podendo ser praticado por qualquer


pessoa, salvo o proprietário do bem.
b) Sujeito Passivo: É o proprietário, possuidor, detentor ou qualquer
pessoa contra quem se empregou a violência ou grave ameaça na
subtração.

Elemento subjetivo do tipo: É um crime doloso.

Elementos objetivos do tipo: A conduta incriminada é a de subtrair coisa


alheia móvel, mediante violência ou grave ameaça à pessoa.

Consumação e Tentativa: a consumação se dá com a posse tranquila da


coisa subtraída mediante violência ou grave ameaça. A tentativa é
admitida.

Roubo impróprio: o agente emprega a violência ou grave ameaça a fim de


assegurar a impunidade do crime, garantindo a posse do objeto e a
impunidade do crime. Previsão no §1° do art.157 CP. As causas de
aumento da pena estão dispostas no art. 157, §2º, CP.

3- Apropriação Indébita (art. 168, CP)

O pressuposto da apropriação indébita é que inicialmente o agente recebe


a posse ou detenção lícita da coisa, mesmo sem ter ainda o propósito de
cometer um crime. No momento subseqüente, quando ele teria que
restituir (devolver) a coisa, ele se nega a fazê-lo, ou passa a agir em relação
à coisa como se fosse dono (vendendo, doando, etc.).
– O momento do crime é na hora de devolver e não devolve.

Sujeitos do Delito:

a) Sujeito Ativo: É um crime comum, podendo ser praticado por qualquer


pessoa, salvo o proprietário do bem.
b) Sujeito Passivo: É o proprietário do bem.

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Tipo objetivo: a ação incriminada é apropriar-se de coisa alheia móvel, de
que tem a posse ou detenção;

Tipo subjetivo: o dolo e o elemento subjetivo do injusto - especial fim de


obter proveito em benefício próprio ou de outrem.

Consumação e tentativa: a primeira ocorre no momento em que o sujeito


ativo inverte o título da posse ou detenção, com animus rem sibi habendi.
Já a tentativa é inadmissível.

4- Estelionato

Significa uma prática criminosa, que ocorre quando alguém vende,


hipoteca ou cede alguma coisa para mais de uma pessoa, enganando as
duas. Um estelionatário obtém vantagens para ele próprio através da
utilização de uma fraude.
O estelionato está disposto no Código Penal artigo 171, como crime
econômico, que é descrito como o ato de "obter, para si ou para outro,
vantagem ilícita, em prejuízo alheio, induzindo ou mantendo alguém em
erro, mediante artifício, ardil ou qualquer outro meio fraudulento." A pena
para a prática de estelionato pode ir de 1 a 5 anos, e multa.

Sujeitos do Delito:

a) Sujeito Ativo: É um crime comum, podendo ser praticado por qualquer


pessoa, salvo o proprietário do bem.
b) Sujeito Passivo: Também poderá ser qualquer pessoa, mas a vítima
deverá ser capaz.

Elemento subjetivo do tipo: É um crime doloso, com a intenção de obter


lucro ou proveito indevido.
Elementos objetivos do tipo: A conduta incriminada é a de induzir ou
manter alguém em erro, mediante emprego de fraude, visando vantagem
econômica indevida

Consumação e tentativa: a primeira ocorre na obtenção da vantagem


ilícita e produção de prejuízo alheio, e a segunda é inadmissível, por ser
delito plurissubsistente.

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Crimes contra a Dignidade Sexual

1- Estupro

É a prática sem consenso do ato sexual, imposto por meio de violência ou


grave ameaça de qualquer natureza por ambos os sexos. Ele consiste em
qualquer forma de prática sexual sem consentimento de uma das partes,
envolvendo ou não penetração. Ainda que o estupro vitime ambos os
sexos, as mulheres são as vítimas historicamente mais atingidas.

Art. 213 (estupro): Constranger mediante violência ou ameaça a


conjunção carnal ou outro ato libidinoso.
Formas qualificadas: maior de 14 e menor de 18; resulta morte ou lesão
grave.
Art. 217-A (estupro de vulneráveis): praticar conjunção carnal ou outro
ato libidinoso com vulnerável (menor de 14 ou doente/deficiente mental,
ou quem não possa resistir).
Forma qualificada: se resulta morte ou lesão grave.

- Conduta típica:

- Praticar conjunção carnal ou outro ato libidinoso: em situações diversas


é possível admitir a continuação delitiva entre atos libidinosos e
conjunção carnal (novatio legis in mellius).
Ademais, na mesma situação e mesma vítima teremos crime único (tipo
misto alternativo).

- Forma de realização:

art. 213: violência grave ameaça: não na mais presunção de violência b2)
art. 217-A: qualquer forma

Sujeito ativo/passivo
a) 213: ativo: qualquer pessoa; passivo: qualquer pessoa não vulnerável.
b) 217-A: ativo: qualquer pessoa; passivo: qualquer pessoa desde que
vulnerável.

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CIRCUNSTÂNCIAS:

Circunstâncias objetivas comunicam-se, interferem na pena de todos os


participantes (co-autores e partícipes).

Circunstancias pessoais (subjetivas) não se comunicam aos participantes


(reincidência, art. 51, CP; idade do agente). Circunstâncias pessoais,
quando elementares (elementos necessários integrantes do tipo)
comunicam-se a todos, permitindo que mesmo quem não possua a
característica exigida pelo crime próprio possa responder por ele em
concurso de pessoas. É necessário o conhecimento da circunstancia pelo
agente para haver a comunicabilidade.

2-Atentado violento ao pudor (art.214)

Completa o artigo anterior, punindo imposição forçada de atos


libidinosos diversos da conjunção carnal, como coito oral ou anal,
toques lacivos, etc. A ação é praticada junto à vítima, ou sobre seu
corpo, sendo necessário que haja clara discordância da vítima, e
resistência.

* O objeto jurídico é a liberdade sexual.


* Sujeito ativo e passivo: Homens e mulheres (a esposa ou a
companheira podem ser vítimas, em relação ao seu marido ou
companheiro).
* Cabe Tentativa: pois a conduta criminosa pode ser fracionada (ex:
emprega a violência, mas não consegue praticar o ato libidinoso)
* É um crime hediondo (tanto na forma simples, como na qualificada),
se resultar lesão corporal grave ou morte da vítima.
* Há Concurso Material (com a soma das penas) se na ocasião, o agente
praticar estupro e atentado violento ao pudor, por se tratar de crimes
de mesmo gênero, mas não da mesma espécie.

3-Assédio Sexual (art. 216-A)

Consiste em pressionar uma pessoa, para fins sexuais, valendo-se da


posição de ascendência sobre a vítima ou da superioridade hierárquica
em emprego, cargo, função.

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* O objeto jurídico é a liberdade sexual. A ação é dolosa, com elemento
subjetivo do injusto (dolo específico) de obter vantagem sexual.
* Superior hierárquico: é quem detém algum poder funcional sobre a vítima,
dentro de organização pública ou privada.
* Ascendência: abrange a relação de respeito ou influência não decorrente
da hierarquia (ex.: professor com relação ao aluno, enfermeiro em relação
ao paciente).
* A consumação exige que a vítima se sinta realmente embaraçada ou em
dificuldade (crime material), havendo o entendimento de que é crime formal
, bastando a conduta.
* Admite-se tentativa
* Pena: detenção de 1 a 2 anos.

4-Corrupção de menores (art.218)

A corrupção de menores tem três modalidades:


I - praticar ato de libidinagem com pessoa de 14 a 18 anos (ambos os sexos);
II - induzir a vítima a praticar o ato;
III- induzir a vítima a presenciar o ato.

*Inclui-se entre os atos de libidinagem também a conjunção carnal ou cópula


normal. Se praticadas duas ou mais modalidades o crime será um só, por se
tratar de crime de ação múltipla ou de conteúdo variado.
* Se a vítima já era corrompida dar-se-á crime impossível.
* Objeto jurídico: é a moral sexual.
* Sujeito ativo pode ser homem ou mulher, sujeito passivo também, mas
com idade de 14 a 18 anos.
* A Tentativa é admitida, pois o inter criminis é fracionável.
* OBS: se a vítima não for maior de 14 anos presume-se violência (art. 224
“a”), podendo caracterizar-se estupro ou atentado violento ao pudor.
* Pnea: reclisão de 1 a 4 anos.

5-Tráfico internacional de pessoas (art. 231)

Tem por fim, cercear o favorecimento internacional da prostituição. A


conduta consiste em promover, intermediar ou facilitar a entrada no País, ou
a saída, de pessoa (homem ou mulher) para exercer a prostituição.

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* Consuma-se com a entrada ou saída da pessoa do país para os fins
previstos no tipo.
* Cabe Tentativa, podendo o agente ser impedido de favorecer
efetivamente a entrada ou saída da pessoa.
* É crime doloso, com elemento subjetivo do injusto (dolo específico) de
propiciar a prostituição.
* O erro sobre a ocupação do sujeito passivo, ou sobre sua real intenção,
constitui erro de tipo.
* Não há forma culposa.
* Pena: reclusão de 3 a 8 anos e multa.

Crimes contra o casamento

1-Bigamia (art. 235)

*Bigamia própria acontece quando uma pessoa casa novamente, embora


já sendo casada. Na Bigamia imprópria, uma pessoa desimpedida casa
deliberadamente com pessoa já casada. O crime torna-se inexistente (ou
extinto) se o casamento anterior for anulado, ou o posterior, por motivo
diverso da bigamia.

* O objeto jurídico é o matrimônio monogâmico.


* Sujeito ativo pode ser o homem ou mulher.
* Não cabe co-autoria (crime próprio), mas cabe participação (auxílio,
investigação, etc.)
* Sujeito passivo: é o Estado, o primeiro cônjuge e também o segundo, se
de boa-fé.
* É crime doloso (dolo genérico).
* Consuma-se o crime com a “celebração, concluída pela declaração do
presidente do ato”.
* Cabe Tentativa.
* A prescrição começa a correr a partir da data em que o fato se tornou
conhecido.

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* Não exclui crime: agente desquitado ou separado judicialmente; agente
de pouca instrução; agente cujo cônjuge foi declarado civilmente ausente,
entre outros.
* Exclui Crime: casamento religioso anterior, sem efeitos civis; divórcio
anterior; união estável anterior, etc..
* Testemunha: comete falsidade ideológica, comete bigamia como
partícipe.
* Partícipe: a pena do partícipe deve ser metade, em igualdade com o réu
de bigamia imprópria.

2-Induzimento a erro essencial e ocultação de impedimento (art. 236)

* Na hipótese o dispositivo pune o induzimento do outro contraente em


erro essencial referente à pessoa, com a ocultação de crime anterior ao
casamento e outros definidos na lei civil (norma penal em branco).
* Na segunda hipótese pune a ocultação dolosa (fraudulenta) de
impedimento (não referente a casamento anterior), que cause a nulidade
absoluta do casamento, nos termos da lei civil (art. 1521 do CC/2002).
* A ação penal é privada.
* Só pode ser proposta após a anulação do casamento.
* Consuma-se com o casamento.
* A tentativa é impossível.
* Pena: detenção, de 3 meses a 1 ano.

Crimes contra a paz pública

1-Incitação ao crime (art.286)

* A conduta punível é “incitar” (estimular, excitar, instigar), publicamente,


a prática de crime determinado (seja de ação pública ou privada).
* Pouco importa que a instigação vise a pessoa específica; basta que seja
compreendida por número de pessoas.
* Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo (crime comum).
* O sujeito passivo é a coletividade.
* Consuma-se com o ato de incitação pública, mesmo sem resultado.
* É crime formal, mas admite tentativa
* Pena: detenção, de 3 a 6 meses, ou multa..

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2-Apologia de crime ou criminoso (art. 287)

* Este tipo trata da instigação indireta ao crime.


* Incrimina fazer apologia (defender ardentemente, elogiar),
publicamente (com conhecimento de número indeterminado de pessoas),
de crime (efetivamente ocorrido) ou criminoso (não se exige condenação
do elogiado).
* Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo (crime comum).
* Sujeito passivo é a coletividade.
* A consumação se dá já com o ato de louvação pública, independente de
qualquer resultado.
* Pena: detenção, de 3 a 6 meses.

3-Quadrilha ou bando (art. 288)

* Os dois termos são sinônimos.


* A conduta incriminada é associarem-se (aliarem-se) mais de três pessoas
(quatro ou mais), de forma estável (permanente), para o fim (dolo
específico) de cometer crimes indeterminados (plural), da mesma espécie
ou não.
* Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo (crime comum).
* É possível a simples participação.
* O sujeito passivo é a coletividade.
* Trata-se de delito plurissubjetivo (concurso necessário de pessoas),
permanente e formal, que se consuma no momento em que o agente se
associa, mesmo que nenhum crime seja praticado pelo bando.
* A tentativa é inadmissível (a lei já pune os atos preparatórios, por
exceção).
* Se o bando é armado, a pena é dobrada.
*Pena: reclusão, de 1 a 3 anos.

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Questões Comentadas
dos Últimos Exames

XV Exame da Ordem
QUESTÃO 1
Roberto estava dirigindo seu automóvel quando perdeu o controle da
direção e subiu a calçada, atropelando dois pedestres que estavam
parados num ponto de ônibus. Nesse contexto, levando-se em
consideração o concurso de crimes, assinale a opção correta, que
contempla a espécie em análise:

A) concurso material.
B) concurso formal próprio ou perfeito.
C) concurso formal impróprio ou imperfeito.
D) crime continuado.

Comentário: Art. 70 - Quando o agente, mediante uma só ação ou


omissão, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica-se-lhe a mais
grave das penas cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas
aumentada, em qualquer caso, de um sexto até metade. As penas aplicam-
se, entretanto, cumulativamente, se a ação ou omissão é dolosa e os
crimes concorrentes resultam de desígnios autônomos, consoante o
disposto no artigo anterior. Alternativa correta: B

QUESTÃO 2
Numerosos cidadãos, sem qualquer combinação prévia, revoltados com os
sucessivos escândalos e as notícias de corrupção envolvendo as
autoridades locais, vestiram-se totalmente de preto e foram para as
escadarias da Câmara Municipal, após terem escutado do prefeito,
durante uma entrevista ao vivo, que os professores municipais eram
marajás.

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Lá chegando, alguns manifestantes, também sem qualquer combinação ou
liame subjetivo, começaram a atirar pedras em direção ao referido prédio
público e, com isso, três vidraças foram quebradas. A polícia, com o auxílio
das imagens gravadas e transmitidas pela imprensa, conseguiu identificar
todas as pessoas que atiraram pedras e danificaram o patrimônio público.
Nesse sentido, tendo por base as informações apresentadas no fragmento
acima, assinale a afirmativa correta.

A) Os cidadãos devem responder pelos crimes de associação criminosa


(Art. 288, do CP) e dano qualificado (Art. 163, § único, inciso III, do CP).
B) Descabe falar-se em crime de associação criminosa (Art. 288, do CP),
pois, dentre outras circunstâncias, a reunião das pessoas, naquele
momento, foi apenas eventual.
C) Deve incidir, para o crime de dano qualificado (Art. 163, parágrafo
único, inciso III, do CP), a circunstância agravante do concurso de pessoas.
D) Não houve a prática de nenhum ato criminoso, pois as condutas
descritas não encontram adequação típica e, mais ainda, não havia dolo
específico de deteriorar patrimônio público.

Comentário: Art. 288. Associarem-se 3 (três) ou mais pessoas, para o fim


específico de cometer crimes. Alternativa correta: B

QUESTÃO 3
No dia 14 de setembro de 2014, por volta das 20h, José, primário e de
bons antecedentes, tentou subtrair para si, mediante escalada de um
muro de 1,70 metros de altura, vários pedaços de fios duplos de cobre da
rede elétrica avaliados em, aproximadamente, R$ 100,00 (cem reais) à
época dos fatos. Sobre o caso apresentado, segundo entendimento
sumulado do STJ, assinale a afirmativa correta.

A) É possível o reconhecimento do furto qualificado privilegiado


independentemente do preenchimento cumulativo dos requisitos
previstos no Art. 155, § 2º, do CP.
B) É possível o reconhecimento do privilégio previsto no Art. 155, § 2º, do
CP nos casos de crime de furto qualificado se estiverem presentes a
primariedade do agente e o pequeno valor da coisa, e se a qualificadora
for de ordem objetiva.

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C) Não é possível o reconhecimento do privilégio previsto no Art. 155, §
2º, do CP nos casos de crime de furto qualificado, mesmo que estejam
presentes a primariedade do agente e o pequeno valor da coisa, e se a
qualificadora for de ordem objetiva.
D) É possível o reconhecimento do privilégio previsto no Art. 155, § 2º, do
CP nos casos de crime de furto qualificado se estiverem presentes a
primariedade do agente, o pequeno
valor da coisa, e se a qualificadora for de ordem subjetiva.

Comentário: Subtrair, para si ou para outrem, coisa alheia móvel:


§ 2º - Se o criminoso é primário, e é de pequeno valor a coisa furtada, o
juiz pode substituir a pena de reclusão pela de detenção, diminuí-la de um
a dois terços, ou aplicar somente a pena de multa. Alternativa correta: B

QUESTÃO 4
Paloma, sob o efeito do estado puerperal, logo após o parto, durante a
madrugada, vai até o berçário onde acredita encontrar-se seu filho recém-
nascido e o sufoca até a morte, retornando ao local de origem sem ser
notada. No dia seguinte, foi descoberta a morte da criança e, pelo circuito
interno do hospital, é verificado que Paloma foi a autora do crime.
Todavia, constatou-se que a criança morta não era o seu filho, que se
encontrava no berçário ao lado, tendo ela se equivocado quanto à vítima
desejada. Diante desse quadro, Paloma deverá responder pelo crime de

A) homicídio culposo.
B) homicídio doloso simples.
C) infanticídio.
D) homicídio doloso qualificado.

Comentário: Artigo 123, CP: Art. 123 - Matar, sob a influência do estado
puerperal, o próprio filho, durante o parto ou logo após:
Pena - detenção, de dois a seis anos.
Aborto provocado pela gestante ou com seu consentimento. Alternativa
correta: C

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QUESTÃO 5
Paulo pretende adquirir um automóvel por meio de sistema de
financiamento junto a uma instituição bancária. Para tanto, dirige-se ao
estabelecimento comercial para verificar as condições de financiamento e é
informado que, quanto maior a renda bruta familiar, maior a dilação do
prazo para pagamento e menores os juros. Decide, então, fazer falsa
declaração de parentesco ao preencher a ficha cadastral, a fim de aumentar
a renda familiar informada, vindo, assim, a obter o financiamento nas
condições pretendidas. Considerando a situação narrada e os crimes contra a
fé pública, é correto afirmar que Paulo cometeu o delito de

A) falsificação material de documento público.


B) falsidade ideológica.
C) falsificação material de documento particular.
D) falsa identidade.

Comentário: Art. 299 - Omitir, em documento público ou particular,


declaração que dele devia constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração
falsa ou diversa da que devia ser escrita, com o fim de prejudicar direito,
criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato juridicamente relevante.
Alternativa correta: B

QUESTÃO 6
Marcondes, necessitando de dinheiro para comparecer a uma festa no bairro
em que residia, decide subtrair R$ 1.000,00 do caixa do açougue de
propriedade de seu pai. Para isso, aproveita-se da ausência de seu genitor,
que, naquele dia, comemorava seu aniversário de 63 anos, para arrombar a
porta do estabelecimento e subtrair a quantia em espécie necessária.
Analisando a situação fática, é correto afirmar que

A) Marcondes não será condenado pela prática de crime, pois é isento de


pena, em razão da escusa absolutória.
B) Marcondes deverá responder pelo crime de furto de coisa comum, por ser
herdeiro de seu pai.
C) Marcondes deverá responder pelo crime de furto qualificado.
D) Marcondes deverá responder pelos crimes de dano e furto simples em
concurso formal.

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Comentário: Art.155 § 4º - A pena é de reclusão de dois a oito anos, e multa,
se o crime é cometido:
I - com destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa;
II - com abuso de confiança, ou mediante fraude, escalada ou destreza;
III - com emprego de chave falsa;
IV - mediante concurso de duas ou mais pessoas. Alternativa correta: C

XIX EXAME

Durante uma discussão, Theodoro, inimigo declarado de Valentim, seu


cunhado, golpeou a barriga de seu rival com uma faca, com intenção de
matá-lo. Ocorre que, após o primeiro golpe, pensando em seus sobrinhos,
Theodoro percebeu a incorreção de seus atos e optou por não mais
continuar golpeando Valentim, apesar de saber que aquela única facada não
seria suficiente para matá-lo.

Neste caso, Theodoro

A) não responderá por crime algum, diante de seu arrependimento.


B) responderá pelo crime de lesão corporal, em virtude de sua desistência
voluntária.
C) responderá pelo crime de lesão corporal, em virtude de seu
arrependimento eficaz.
D) responderá por tentativa de homicídio.

COMENTÁRIOS: Neste caso ocorreu o que se chama de “desistência


voluntária”, pois o agente, mesmo podendo prosseguir na execução do
delito, voluntariamente desiste de dar continuidade. Neste caso, nos termos
do art. 15 do CP, o agente responde apenas pelos atos até então praticados,
ou seja, pelos resultados até então efetivamente obtidos, que são as lesões
corporais provocadas na vítima, desprezando-se o dolo inicial (que era de
matar).

Pedro e Paulo bebiam em um bar da cidade quando teve início uma


discussão sobre futebol. Pedro, objetivando atingir Paulo, desfere contra ele
um disparo que atingiu o alvo desejado e também terceira pessoa que se
encontrava no local, certo que ambas as vítimas faleceram, inclusive aquela
cuja morte não era querida pelo agente.

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Para resolver a questão no campo jurídico, deve ser aplicada a seguinte
modalidade de erro:

A) erro sobre a pessoa.


B) aberratio ictus.
C) aberratio criminis.
D) erro determinado por terceiro.

COMENTÁRIOS: Neste caso ocorreu aberratio ictus, ou erro na execução, pois


em virtude de acidente o agente atingiu pessoa diversa daquela que pretendia
atingir (embora também tenha atingido a vítima visada, motivo pelo qual
responderá pelos dois delitos em concurso formal, nos termos do art. 73 c/c art.
70 do CP).

Após realizarem o roubo de um caminhão de carga, os roubadores não sabem


como guardar as coisas subtraídas até o transporte para outro Estado no dia
seguinte. Diante dessa situação, procuram Paulo, amigo dos criminosos, e pedem
para que ele guarde a carga subtraída no seu galpão por 24 horas, admitindo a
origem ilícita do material. Paulo, para ajudá-los, permite que a carga fique no seu
galpão, que é utilizado como uma oficina mecânica, até o dia seguinte. A polícia
encontra na mesma madrugada todo o material no galpão de Paulo, que é preso
em flagrante.

Diante desse quadro fático, Paulo deverá responder pelo crime de

A) receptação.
B) receptação qualificada.
C) roubo majorado.
D) favorecimento real.

COMENTÁRIOS: Neste caso Paulo responderá pelo delito de favorecimento real,


previsto no art. 349 do CP. Isso porque Paulo prestou auxílio aos criminosos para
que pudessem tornar seguro o proveito do crime. Não se trata, aqui, de
coautoria ou participação no delito de roubo, eis que Paulo somente aceitou
prestar auxílio quando o crime já havia se consumado. Assim, Paulo não pode
mais ser coautor ou partícipe de um crime que já ocorreu. Contudo, caso Paulo já
tivesse, previamente, combinado com os infratores que prestaria o auxílio
necessário, responderia como partícipe do roubo praticado.

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Durante uma operação em favela do Rio de Janeiro, policiais militares
conseguem deter um jovem da comunidade portando um rádio transmissor.
Acreditando ser o mesmo integrante do tráfico da comunidade, mediante
violência física, os policiais exigem que ele indique o local onde as drogas e as
armas estavam guardadas.
Em razão das lesões sofridas, o jovem vem a falecer. O fato foi descoberto e os
policiais disseram que ocorreu um acidente, porquanto não queriam a morte do
rapaz por eles detido, apesar de confirmarem que davam choques elétricos em
seu corpo molhado com o fim de descobrir o esconderijo das drogas.

Diante desse quadro, que restou integralmente provado, os policiais deverão


responder pelo crime de

A) lesão corporal seguida de morte.


B) tortura qualificada pela morte com causa de aumento.
C) homicídio qualificado pela tortura.
D) abuso de autoridade.

COMENTÁRIOS: Neste caso os agentes devem responder pelo delito de tortura


qualificada pelo resultado morte, nos termos do art. 1º, I, “a”, e seu §3º da Lei
9.455/97. Além disso, deverá ser aplicada aos agentes a causa de aumento de
pena do art. 1º, §4º, I da Lei 9.455/97, pois o delito foi praticado por agentes
públicos.
O abuso de autoridade, aqui, fica absorvido pela tortura praticada. Não há que
se falar, ainda, em homicídio qualificado pela tortura, eis que a intenção não era
a de matar, mas de torturar, tendo o resultado morte decorrido dos excessos
empregados na tortura.

XX EXAME
Wellington pretendia matar Ronaldo, camisa 10 e melhor jogador de futebol do
time Bola Cheia, seu adversário no campeonato do bairro. No dia de um jogo do
Bola Cheia, Wellington vê, de costas, um jogador com a camisa 10 do time rival.
Acreditando ser Ronaldo, efetua diversos disparos de arma de fogo, mas, na
verdade, aquele que vestia a camisa 10 era Rodrigo, adolescente que
substituiria Ronaldo naquele jogo. Em virtude dos disparos, Rodrigo faleceu.
Considerando a situação narrada, assinale a opção que indica o crime cometido
por Wellington.

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A) Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois
houve erro na execução.
B) Homicídio consumado, considerando-se as características de Rodrigo.
C) Homicídio consumado, considerando-se as características de Ronaldo, pois
houve erro sobre a pessoa.
D) Tentativa de homicídio contra Ronaldo e homicídio culposo contra Rodrigo.

COMENTÁRIOS: No caso em tela, temos o fenômeno do erro sobre a pessoa,


previsto no art. 20, §3º do CP. Neste caso, o agente responde pelo crime de
acordo com as características da vítima pretendida, e não de acordo com as
características da vítima atingida. Assim, Wellington responderá por homicídio
doloso consumado, considerando-se as características pessoais de Ronaldo, a
vítima visada.

Aproveitando-se da ausência do morador, Francisco subtraiu de um sítio


diversas ferramentas de valor considerável, conduta não assistida por quem
quer que seja. No dia seguinte, o proprietário Antônio verifica a falta das coisas
subtraídas, resolvendo se dirigir à delegacia da cidade. Após efetuar o devido
registro, quando retornava para o sítio, Antônio avistou Francisco caminhando
com diversas ferramentas em um carrinho, constatando que se tratavam dos
bens dele subtraídos no dia anterior. Resolve fazer a abordagem, logo dizendo
ser o proprietário dos objetos, vindo Francisco, para garantir a impunidade do
crime anterior, a desferir um golpe de pá na cabeça de Antônio, causando-lhe
as lesões que foram a causa de sua morte. Apesar de tentar fugir em seguida,
Francisco foi preso por policiais que passavam pelo local, sendo as coisas
recuperadas, ficando constatado o falecimento do lesado. Revoltada, a família
de Antônio o procura, demonstrando interesse em sua atuação como assistente
de acusação e afirmando a existência de dúvidas sobre a capitulação da conduta
do agente.

Considerando o caso narrado, o advogado esclarece que a conduta de Francisco


configura o(s) crime(s) de

A) latrocínio consumado.
B) latrocínio tentado.
C) furto tentado e homicídio qualificado.
D) furto consumado e homicídio qualificado.

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COMENTÁRIOS: No caso em tela não podemos falar em latrocínio. Isto porque o
homicídio, a despeito de ter sido praticado para assegurar a posse sobre a coisa
furtada, foi praticado em contexto distinto (no dia seguinte), de forma que é
incabível falar em latrocínio, já que a morte se configurou como um crime
autônomo, uma nova empreitada criminosa, ainda que guarde relação com o
furto anteriormente realizado. Assim, temos furto consumado e homicídio
qualificado, nos termos dos arts. 155 c/c art. 121, §2, V do CP.

A Lei Maria da Penha objetiva proteger a mulher da violência doméstica e


familiar que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico, e
dano moral ou patrimonial, desde que o crime seja cometido no âmbito da
unidade doméstica, da família ou em qualquer relação íntima de afeto. Diante
deste quadro, após agredir sua antiga companheira, porque ela não quis
retomar o relacionamento encerrado, causando-lhe lesões leves, Jorge o (a)
procura para saber se sua conduta fará incidir as regras da Lei nº 11.340/06.
Considerando o que foi acima destacado, você, como advogado (a) irá
esclarecê-lo de que

A) o crime em tese praticado ostenta a natureza de infração de menor


potencial ofensivo.
B) a violência doméstica de que trata a Lei Maria da Penha abrange qualquer
relação íntima de afeto, sendo indispensável a coabitação.
C) a agressão do companheiro contra a companheira, mesmo cessado o
relacionamento, mas que ocorra em decorrência dele, caracteriza a violência
doméstica e autoriza a incidência da Lei nº 11.340/06.
D) ao contrário da transação penal, em tese se mostra possível a suspensão
condicional do processo na hipótese de delito sujeito ao rito da Lei Maria da
Penha.

COMENTÁRIOS: No caso em tela, a conduta de Jorge se amolda ao previsto na


Lei Maria da Penha, eis que a agressão do companheiro contra a companheira
(ou do marido contra a esposa), mesmo após o fim do relacionamento, mas em
decorrência dele, configura violência doméstica contra a mulher. Neste caso,
não se trata de infração de menor potencial ofensivo, nem é possível aplicar os
institutos despenalizadores da Lei 9.099/95 (transação penal e suspensão
condicional do processo), embora seja possível utilizar-se o rito sumaríssimo
dos Juizados Especiais Criminais, por ser mais célere, nos termos do
entendimento do STF e do STJ.

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Durante dois meses, Mário, 45 anos, e Joana, 14 anos, mantiveram relações
sexuais em razão de relacionamento amoroso. Apesar do consentimento de
ambas as partes, ao tomar conhecimento da situação, o pai de Joana, revoltado,
comparece à Delegacia e narra o ocorrido para a autoridade policial,
esclarecendo que o casal se conhecera no dia do aniversário de 14 anos de sua
filha.

Considerando apenas as informações narradas, é correto afirmar que a conduta


de Mário

A) é atípica, em razão do consentimento da ofendida.


B) configura crime de estupro de vulnerável.
C) é típica, mas não é antijurídica, funcionando o consentimento da ofendida
como causa supralegal de exclusão da ilicitude.
D) configura crime de corrupção de menores.

COMENTÁRIOS: Neste caso temos uma conduta atípica. Não há, aqui, estupro
de vulnerável, pois a vítima não tinha menos de 14 anos e nem era doente
mental, tendo se tratado de relação consentida, conforme prevê o art. 217-A do
CP.

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Referências Bibliográficas

● PRADO. Luiz Regis. Curso de Direito Penal Brasileiro. Editora Revista


dos Tribunais. 14ª edição. São Paulo, 2015.

● MIRABETE. Julio Fabbrini. Manual de Direito Penal. Editora Atlas. 20ª


edição. São Paulo, 2014.