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Sophia de Mello Breyner Andresen, “Saga”

Adenda ao guião de leitura

a) Lê todo o conto “Saga” e escreve no caderno as palavras cujo significado desconheces.


b) Escreve a lápis um significado possível, tendo em conta a frase em que surgem.
1. a) Assinala as personagens que vão surgindo, registando o seu nome, a forma
como são designadas ou uma abreviatura que as distinga.
b) Escreve no caderno uma lista das personagens do conto, acrescentando uma
breve informação sobre cada uma.
2. Regista no caderno duas questões que a leitura do conto te suscite. (Ex.: Como se
explica o papel da mãe no percurso de vida de Hans?)
3. Transcreve do conto para o teu caderno a frase de que mais gostaste e faz um
breve comentário sobre a mesma.
4. Confirma no dicionário o significado das palavras que registaste no teu caderno (cf.
1.b)

GUIÃO DE LEITURA DO CONTO INTEGRAL“SAGA”,


de Sophia de Mello Breyner Andresen

Tópicos de correção
PÁGINA DE DICIONÁRIO

1. O que há de diferente entre saga 1 e saga 2, além do significado, é o étimo latino, isto é, a palavra
latina que deu origem a cada uma delas.
2. Interessa-nos mais a aceção n.º 3 porque se trata de uma história com uma personagem oriunda
da Escandinávia e que se inicia também num país dessa região.

OS ESPAÇOS DE ELEIÇÃO

1. A ilha de Vig situa-se no mar do Norte, perto da Dinamarca.


2. O país que acolheu Hans durante quase toda a sua vida foi Portugal.
2.1 Descrição de Vig:
Vig era uma pequena ilha situada no mar do Norte perto da Dinamarca.
A parte litoral da ilha era naturalmente mais fustigada pelo mar e pelas tempestades e os
que aí habitavam dedicavam-se à pesca; no interior, trabalhava-se na agricultura e só em dias de
temporal se ouvia o mar.
A ilha tinha um promontório, a seguir a uma vila costeira, onde, ao longo do cais , havia
botes e veleiros. Nos dias de tempestade, o mar do Norte ficava verde e cinzento, a espuma das
ondas cobria os rochedos escuros, as gaivotas voavam agitadas até ficarem em terra, e o vento
era tão forte que até se ouvia, através da floresta, no interior da ilha onde morava a família de
Hans, após a morte, num naufrágio, dos seus tios Gustav e Niels.
A imagem da ilha era muito condicionada pelas condições atmosféricas: em dias de
calmaria, os sons do mar ouviam-se apenas na zona costeira; com temporal, toda a ilha ficava
debaixo de um céu cinzento, o vento fazia bater as madeiras das janelas e os sons que vinham do
mar atravessavam a floresta de bétulas e pinheiros até ao interior.
3. As referências ao local onde Hans foi acolhido, viveu e morreu iniciam-se em “ Contornaram a
terra, navegaram para Sul (…) (p. 2) e continuam na página 3 até à referência ao inglês Hoyle, que
se dedicava ao negócio de vinho para os países do Norte.
3.1 A cidade que Hans acabou por adotar como sua é o Porto.

PERSONAGENS

SÖREN

1. Fisicamente, Sören era um homem alto, magro , de olhos azuis e belas mãos que sugeriam
sensibilidade.
2. Uma frase que mostra como Sören era reservado é a frase que inicia o diálogo com Sören:
“ – Fica.
2.1 Sim, o carácter reservado de Sören influencia todo o ambiente familiar. A lei do silêncio que ele
impunha à casa e à família, tornando cada um mais seguro das suas opções, não favorecia o
diálogo nem a tolerância, antes predispunha ao desafio, à contestação.
3. Apesar de ser muito rígido consigo e com os outros e de preservar valores como a disciplina, a
responsabilidade e o cumprimento do dever, Sören sabia a importância do destino e pensava que
seguir os valores em que acreditava não era nenhuma garantia de sucesso ou de felicidade na vida.
4. Certamente, essa forma de Sören encarar a vida foi em grande parte provocada pela morte
prematura dos seus irmãos. Embora tivesse havido muito cuidado na construção e manutenção do
barco e embora os seus irmãos fossem hábeis marinheiros, eles naufragaram por não terem
conseguido calcular a força e a proximidade do temporal.
5. Entrevista a Sören
Vamos hoje conversar com Sören, respeitável pai de família que abandonou o litoral e a vida
dedicada ao mar para se instalar no interior e viver da exploração de terras.

- Sr. Sören, com toda uma tradição familiar de trabalho no mar, com familiares que foram
marinheiros, porque decidiu abandonar o litoral e vir para esta zona interior da ilha?
(resposta exprimindo a dor pela morte dos irmãos ainda jovens num naufrágio, sentimento
de revolta, preservação da família longe do elemento que tanto sofrimento lhe causara)
- Tendo em conta essa relação com o mar que os seus antepassados já tiveram, estaria disposto a
aceitar que um dos seus filhos fosse marinheiro?
(veemente resposta negativa)
- Repare, Sr. Sören, os perigos existem em qualquer profissão, os acidentes acontecem em todos
os trabalhos, as pessoas podem morrer novas por doença… Não aceitaria mesmo que essa fosse a
escolha de um dos seus filhos? O mar é o sustento de muita gente…
(resposta negativa clara, acentuando que aos filhos seria dada oportunidade de seguir um
caminho menos perigoso; se o não fizessem, arcariam com as consequências)

Embora não concordemos totalmente com ele, as palavras deste habitante permitem-nos
concluir que é um homem marcado pelo destino, austero e rígido nas suas convicções.
HANS EM VIG

6. Em Vig, o núcleo familiar de Hans é constituído por Sören, o pai, Maria, a mãe, e Cristina, irmã de
Hans.
7. Sabemos que Hans tem paixão pelo mar porque ele não receava as tempestades, antes vinha
várias vezes do interior onde morava com a família até ao promontório para poder presenciar
melhor o temporal no mar. Além disso, no Inverno, mesmo no interior da ilha, ele procurava ouvir
o som da rebentação das ondas. Ele queria também seguir a tradição de marinheiros dos seus tios
e avós.
8. Hans sonha ser marinheiro e viajar para Sul, atravessar o largo oceano e chegar a praias tropicais,
com coqueiros, que façam adivinhar os desertos; sonha com ilhas de coral azul, com o calor, com
cheiros exóticos como laranja ou canela. Hans anseia ser um homem do mar, com todos os perigos
que esse trabalho acarretava, mas também com a correspondente imagem de aventureiro. Deseja
ser aquele que, chegado ao cais, provoca o fascínio de mulheres e crianças, deseja que a história
das suas aventuras seja contada de geração em geração.
8.1 Um dos aspetos que mais entusiasmam Hans é viver em contacto com elementos da natureza: o
sol, o mar, o sal. Também o entusiasmam a possibilidade de ser protagonista de descobertas e
aventuras e a admiração que isso pode despertar nos outros.
9. O Elseneur era o melhor navio de Vig e a sua tripulação era constituída por marinheiros
experimentados e por jovens naturais da ilha que a família de Hans bem conhecia. Numa tarde de
temporal, não chegaram na hora prevista e acabaram por naufragar durante a noite. O barco ficou
completamente desfeito. Nenhum marinheiro se salvou: nem os que conseguiram entrar em
botes, nem os que nadaram para terra, nem os que subiram aos mastros. Na manhã seguinte ao
naufrágio, o mar já atirara muitos corpos para a praia, mas eles estavam de tal modo desfigurados
que os familiares tiveram dificuldade em os reconhecer.
10. Foi depois deste naufrágio que Sören ficou ainda mais convicto de que Hans não devia ser
marinheiro, atendendo aos perigos que corria.

FUGAS DE HANS

11. No início da sua carreira de marinheiro, Hans revela ser rebelde, insubmisso e indomável.
12. 1.

1ª carta de Hans aos pais

Porto, 4 de novembro de 1850

Queridos pais:

Espero que se encontrem de boa saúde desde que, em agosto, saí de Vig.
Queria, em primeiro lugar, pedir-vos perdão, de forma sentida, pela minha fuga de casa,
contrariando os planos que tinham para mim. Espero que compreendam que tinha de tentar
realizar o meu sonho, por muitos obstáculos que tenha de ultrapassar para o conseguir.
Neste momento, estou numa cidade portuguesa chamada Porto. É uma bela cidade cheia de
cores, sons, luzes, cheiros e pessoas que no princípio me encantaram, depois estranhei e a que
agora estou a adaptar-me. Fascina-me o rio esverdeado e turvo , a vertente do casario em que o
branco, o amarelo e o vermelho se misturam com o granito. Há jardins verdejantes e misteriosos,
carros de bois transportam pipas, mulheres descalças carregam cestos de areia em ambiente
animado. As igrejas não são claras e despidas como as de Vig; estão cobertas interiormente com
azulejo e talha dourada tenuemente iluminadas por velas.
A minha viagem até aqui nem sempre correu bem. No princípio, realmente, o tempo estava bom
e, no Angus, realizava as tarefas de qualquer grumete, mas também pude sentir e apreciar o mar,
como eu queria. Quando chegámos ao golfo da Biscaia, apanhámos uma tempestade com ondas
de dez metros que cobriam o navio. O barco parecia que ia desmantelar-se a qualquer momento,
mas aguentou-se.
Parámos alguns dias na cidade. Na véspera da partida, tive um desentendimento com o capitão
e, de noite, acabei por abandonar o navio. Passei quatro dias a vaguear pela cidade que fui
descobrindo e houve, depois, um momento difícil em que me apercebi de que estava sozinho, num
país distante, sem perceber o que se dizia à minha volta, sem conhecer ninguém.
Então, o destino veio em meu socorro. Um homem encontrou-me a chorar encostado ao muro
da sua quinta e recolheu-me. Ele é inglês, mas vive no Porto há trinta anos e dedica-se aos
negócios ligados aos barcos e ao vinho que exporta para o Norte da Europa.
Prometo-vos que um dia voltarei a Vig e será como capitão de um navio.
Até lá peço-vos mais uma vez perdão pelo desgosto que certamente vos causei e despeço-me
com mil abraços e beijos.

O vosso filho Hans

13. Hoyle, que era um armador e homem de negócios inglês, radicado no Porto, foi importante para
Hans porque o acolheu quando ele, depois de vaguear alguns dias pela cidade do Porto, já se
sentia sozinho por não conhecer nem a língua, nem ninguém na cidade. Como o inglês não tinha
filhos, Hans não só ficou a trabalhar para ele, como se tornou seu filho adotivo. Assim, Hans
aprendeu tudo sobre barcos, quer navegando e conhecendo o mundo, quer estudando, quer
conversando com marinheiros experimentados, quer conhecendo os segredos da construção
naval. Deste modo, aos vinte e um anos, Hans já era capitão de navio e homem de confiança dos
negócios de Hoyle.
Por seu lado, Hans permitiu a Hoyle viver uma espécie de segunda vida. O inglês, que já não
podia viajar, fazia-o agora através de Hans. Além disso, quando Hoyle ficou incapaz de tomar conta
dos barcos e negócios, Hans ficou seu sócio , abandonando a vida do mar com que tanto sonhara.
Foi, portanto, Hans quem permitiu a Hoyle continuar com o seu negócio, embora para isso
tivesse deixado de viajar.
14. O deslumbramento de Hans resulta de todas as experiências que teve oportunidade de viver:
viajar da Europa até à América, da África até ao Oriente, conhecer praias exóticas, passear por
cidades desconhecidas, descobrir belos objetos e estranhos sabores.
Hans tinha a esperança de poder contar todas as suas aventuras quando um dia regressasse a
Vig; por isso, escrevia aos pais, dando conta do que descobria em cada viagem e esperando
sempre que lhe perdoassem a sua fuga.
14.2 O mar e o luar

Vogamos no mar

De noite de dia

Vogamos no mar sem fim

De dia,

Sentimos o sol, o sal

De noite,

Só no mar vemos o luar desta maneira,

Só no mar se espalha a lua inteira.

15. Hans escreveu ao pai quando deixou de ser marinheiro e passou a ser apenas negociante, por ter
ficado a dirigir os negócios de Hoyle. Ele escreveu ao pai nesse momento porque estava finalmente
afastado da vida no mar, como o pai desejava, e achou que essa seria a ocasião para um
reencontro entre os dois.
15.1 Não. Hans só teve a certeza de que nunca regressaria a Vig quando, após a morte da mãe,
escreveu ao pai e este não lhe respondeu.

16. CRONOLOGIA
(-Hans (tem catorze anos) vai do interior onde mora até ao litoral para ver uma tempestade no mar. [os seus tios
morreram num naufrágio; Sören, o pai, abandonou o seu negócio de barcos e o litoral, deslocando-se para o interior, onde
comprou terras]

- “Nessa noite” o Elseneur naufraga e morrem todos os seus tripulantes.

- No dia seguinte; à noite, Sören conversa com o filho e diz-lhe que ele deve ir estudar para Copenhague e abandonar o
seu sonho de ser marinheiro; Hans recusa-se a aceder à vontade do pai.

- “Em Agosto, chegou a Vig, vindo da Noruega, um cargueiro inglês que se chamava Angus e seguia para o Sul. (…) Foi no
Angus que Hans fugiu de Vig, alistado como grumete.”

- “ ao cair de uma tarde”- chegam a um local cuja descrição remete para a cidade do Porto. [tempo de viagem não
especificado]

- “O navio” ficou “vários dias no cais”.

- Na véspera da partida, Hans e o capitão do navio tiveram uma grande discussão.

- “Nessa madrugada” Hans abandonou o navio.

- Hans vagueou pela cidade quatro dias.

- Ao quinto dia, Hoyle, um comerciante e armador, encontrou Hans desanimado junto ao portão da sua quinta e acolheu-o.

- “Dois dias depois “ de o ter recebido em sua casa, Hoyle levou Hans à cidade e comprou-lhe roupas, papel e caneta. Hans
escreveu à família.

- “Meses depois” a mãe respondeu-lhe que não regressasse a Vig, pois o pai não o receberia.

- “Os anos passaram e Hans aprendeu a arte de navegar e a arte de comerciar.”


- “Aos vinte e um anos, já Hans era capitão de um navio de Hoyle e homem de confiança nos seus

negócios.”

- Após cada nova experiência, escrevia para casa, esperançado no perdão, mas no regresso de cada uma das suas viagens,
as cartas da mãe traziam sempre uma resposta negativa.

- “Quando estava já passada a sua primeira mocidade, um dia, à volta de uma das suas viagens, Hans encontrou o inglês
doente. O mal atacara os seus olhos e a cegueira avançava rápida.

- Hans - disse ele -, estou velho e cansado, já não posso tratar dos meus bancos, dos meus armazéns, dos meus negócios.
Fica comigo.
Hans ficou. A vida de Hans mais uma vez tinha virado.”)

> p. 72:

- “ Algum tempo depois casou com a filha de um general liberal que desembarcara no Mindelo…”

- “ E foi no tempo das últimas camélias (…) que nasceu o seu primeiro filho.”

- Sören, o primeiro filho de Hans, adoeceu e teve de ser batizado à pressa, antes de ser enterrado; na
manhã seguinte, uma manhã de maio, Hans lançou ao mar um navio que também se chamava Sören.

- “…em novembro do seguinte ano” nasceu o segundo filho de Hans.

- “Os anos foram passando e a riqueza de Hans continuava a crescer. Nasceram-lhe mais cinco filhos
(…) e de novo se multiplicaram as suas viagens .”

- “E entre negócios e nostalgia, viagens e empreendimentos se foram os anos passando.”

- “Quando a mãe morreu, mais uma vez ele escreveu ao Pai. Mas do Pai nunca veio resposta e foi
então que Hans compreendeu que jamais regressaria a Vig.”

- “Passados alguns meses, comprou uma quinta “em cuja casa mandou fazer obras e que mandou
equipar com os mais caros e nobres materiais.

- “Agora os filhos cresciam, Hans gostava de longos jantares.”

- “Os filhos tinham crescido. As quatro estações giravam.”

- “De súbito, Hans não reconhecia o tempo.”

- “E ritmados pelas quatro estações, os anos passavam (…) a nova geração de crianças crescia.” (...)
Hans mandou construir uma torre…”

- “Daí em diante, de vez em quando à tarde, em vez de trabalhar no escritório, trabalhava no quarto
da torre. (…) Consigo às vezes levava a neta Joana.”

- “E os anos começaram a passar muito depressa. E uma certa irrealidade começou a crescer. Hans
agora já não viajava.”

- “Quando adormeceu para morrer ia novembro perto do fim.”

- “Durante seis dias pareceu resistir à doença, mas morreu ao sétimo dia, não sem antes pedir à
família que construísse em cima da sua sepultura um navio naufragado.

- O navio construído sobre a sepultura de Hans depressa se tornou um monumento famoso da


cidade.

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