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Língua Portuguesa | Sidney Martins

Apresentação

LÍNGUA PORTUGUESA
Campos de Conhecimento da Língua
Portuguesa
Videoaula | Prof. Sidney Martins

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Língua Portuguesa | Sidney Martins

Apresentação

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Veja o exemplo abaixo:

APRESENTAÇÃO
Fala galera!!

Bom dia, boa tarde, boa noite, boa madrugada!!

Sou o professor Sidney Martins, falando diretamente dos estúdios do Focus


Concursos, uma potência na preparação para concursos públicos em todo Brasil.

Falando um pouco da minha trajetória, sou graduado em Letras pela Universidade


Federal do Rio de Janeiro e especialista em Língua Portuguesa pelo Liceu Literário
português. Trabalho há mais de 14 anos na preparação de alunos para concursos
públicos.

Sou servidor da Prefeitura do Rio de janeiro - RJ

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Apresentação

CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
Apresentação .................................................................................................................... 2
Gramática ......................................................................................................................... 4
Fonologia .......................................................................................................................... 5
Morfologia........................................................................................................................ 8
Semântica ....................................................................................................................... 10
Interpretação de textos ................................................................................................... 11
Compreensão e interpretação ......................................................................................... 14

É com imenso prazer que hoje nós começamos a nossa disciplina de língua
portuguesa. Nesta aula vamos bater um papo inicial sobre como funciona a
construção da língua portuguesa e qual é a matéria que você deve estudar primeiro.
Para começar, eu vou puxar a brasa para a minha sardinha: num concurso público, a
matéria mais importante é a língua portuguesa, sem sombra de dúvidas. Não
adianta você estudar tudo das outras disciplinas e não focar na língua
portuguesa.

Quer ver?! Vou lhe dar um dado importante. Em 2018, teve um concurso do Rio de
Janeiro, que bombou, bombou mesmo. Vários professores, na época, fizeram “lives”,
com resumos, revisões, questões corrigidas. Teve um professor mega famoso do
Direito do Trabalho que errou uma questão durante a live. Claro que não foi por falta
de conhecimento jurídico, pois ele sabe muito. Mas na hora de falar sobre a questão,
ele ficou nervoso, assim como um aluno fica em um dia de prova, e aí ele errou por
falta de conhecimento linguístico. Apareceu uma conjunção concessiva na questão,
um “embora”, e ele confundiu com uma conjunção adversativa, um “porém”, e isso foi
o suficiente para ele alterar completamente o enunciado da questão.

Imagina só, se aquele cara, que só faz aquilo da vida, errou uma questão de Direito
Penal, que é a matéria que mais domina, imagina então como fica um leigo nessa
situação. Então, meu caro, preste atenção: eu não posso dar mole, não mesmo.

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Gramática

Porque, se existe uma disciplina que é importante na tua prova, é a de língua


portuguesa. Até porque ela cai em todas as provas. Você vai fazer esse concurso hoje,
mas, no futuro, se quiser fazer um outro, vai ter que estudar a língua portuguesa do
mesmo jeito.

Agora, reflita comigo. Quando a pensamos num panorama geral, um curso completo
de língua portuguesa, o que devemos estudar são os Cinco Campos de Conhecimento,
estudados por cinco modalidades da língua portuguesa. Acompanha aqui comigo que
vou lhe falar sobre cada um desses campos mais detalhadamente.

GRAMÁTICA
O primeiro campo de conhecimento, estudado na língua portuguesa é a
GRAMÁTICA. Tem bancas que priorizam a parte gramatical, tem bancas que
priorizam a parte de análise textual. Tem bancas que fazem uma divisão bem
ordenada, meio a meio. Mas na verdade, não importa muito a forma que abordam a
língua, porque para você para fazer uma análise textual, antes, vai ter que fazer uma
análise gramatical. Tudo na língua portuguesa está interligado, absolutamente tudo.

Tomamos por hábito separar o ensino da língua. Você tem o professor de gramática,
o professor de interpretação, o curso de redação. Quando na verdade, não precisaria
ser assim, porque tudo está interligado. Só se faz a análise textual após fazer a análise
gramatical. Uma redação, por exemplo, nada mais é do que interpretação. Quando
você quer escrever qualquer tipo de texto, um texto narrativo, por exemplo, você faz
a seguinte pergunta,

O que eu vou fazer para construir um texto narrativo?

A resposta é: você vai fazer perguntas, porque você quer se contextualizar. Então você
vai perguntar as quatro perguntas do texto narrativo, que são:

• Quando aquilo aconteceu?


• Onde aquilo aconteceu?
• Como aquilo aconteceu?
• Quem participou?

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Fonologia

Ora, se você tiver que produzir um texto narrativo, então você vai ter que responder
estas quatro perguntas: quando? Onde? Como? e quem? Daí você vai me dizer: Mas
hoje em dia, Sidney, nas provas de concursos públicos, eles não pedem mais a
composição do texto dissertação.

Beleza, concordo com você. Mas quando você lê um texto dissertativo, o que você
procura? Você procura nele o “porquê”, e o “para quê” das coisas. E quando você
produz um texto dissertativo, você tem que respondeu “o porquê” e o “para quê” das
coisas. Percebe?! É por esse motivo que nós vamos, de cara, acompanhar os cinco
campos de conhecimento da língua portuguesa, começando pelo campo do SOM.

FONOLOGIA
Quando eu falo em som, na língua portuguesa, qual é a primeira palavrinha que vem
a sua mente? Não vai me dizer que é música. Porque quando eu penso em som, na
língua portuguesa, eu penso em FONEMA.

Qualquer palavra é formada por duas estruturas bem palpáveis para o homem, a letra
e o som. A letra é a representação gráfica da palavra, e o som é a representação fônica,
isto é, sonora da palavra. Então quando falo em som, na língua portuguesa, penso em
fonema. E a modalidade que da língua portuguesa que estuda o fonema é a fonética.

A fonética na língua portuguesa, que é a modalidade responsável por estudar o campo


do som, ela é cobrada na prova de duas formas, quais sejam: pela a identificação de
letras e fonemas, propriamente ditos, ou pela acentuação gráfica. Vamos falar então
da primeira forma, ou seja, da identificação das letras e fonemas.

Dígrafo e Dífono

Quando à acentuação gráfica, temos que ter uma aula especial para isso. Tem várias
coisas para dominar, as proparoxítonas, paroxítonas, oxítonas. Seria necessário ter
uma aula só para isso. Agora, quando a gente pensa a identificação de letras e

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Fonologia

fonemas, é muito fácil. Um exemplo rápido, para que você possa ter uma noção: eu
tenho a palavra “árvore” na prova. Daí o avaliador vai perguntar quantas letras e
quantos fonemas, respectivamente, há na palavra “árvore”. Detalhe, a banca usou a
palavra “respectivamente” no enunciado do texto, então ela quer que você siga a
ordem. Número de letras é muito fácil, basta contá-las para saber que na palavra
“árvore” temos seis letras.

Á-R–V–O–R–E
1 2 3 4 5 6

Agora, será que eu tenho seis fonemas? Para eu saber, vou ter que pronunciar a
palavra. Então, vou ter que falar “árvore”. Note que você vai sentir os sons das letras a
e r, “ar”, depois vai sentir os sons das letras v e o, “vo”, e por fim, das letras r e e, “re”.

ÁR–VO–RE
1 2 3 4 5 6

Desse modo eu sei que tenho seis letras e também tenho seis fonemas, mas no
concurso público o avaliador não quer te dar mole não, por isso, ele coloca palavras
com processos distintos. Por exemplo, se ele colocar na prova a palavra “carro”. Será
que a palavra carro tem o mesmo número de letras e de fonemas? Vamos contar com
calma. Para saber o número de letras, basta contarmos uma por uma.

C-A–R–R–O
1 2 3 4 5

Temos cinco letras. Mas será que temos cinco fonemas? Não. Não temos cinco
fonemas, porque aparece na palavra “rr”, que é o som de “r” forte, afinal de contas, eu
não falo “caruru”, mas sim, “carro”.

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Fonologia

CA–RR–O
1 2 3 4

DÍGRAFO = duas letras e um fonema.

Veja, apesar de termos cinco letras, nós temos apenas quatro fonemas, pois o som
dos dois “rr” têm o sonho de um “r” só. Esse procedimento se chama DÍGRAFO.
Etimologicamente, a palavra “dígrafo” é formada por “DI”, que significa “dois”, e por
“GRAFO”, que significa “letra”. Isto é, temos duas letras e apenas um som.

O dígrafo é quando eu tenho duas letras e um único som. Agora, existe um outro
processo, que é um pouquinho diferente. Vamos usar como exemplo para esse
processo a palavra “táxi”. Conforme vemos no quadro, a palavra “táxi” tem quatro
letras. Mas será que ela tem, também, quatro fonemas?

T-Á–X–I
1 2 3 4

Eu não falo “táshi”, e sim, “táksi”. Então esse “x” aqui tem um sonho “ks”. Desse modo,
apesar de termos aqui quatro letras, nós temos cinco fonemas, e esse processo
também tem nome, que é DÍFONO. Etimologicamente, a palavra dífono é formada
por “DI”, que significa “dois”, e por “FONO”, que significa “som”, ou seja, temos dois
sons em uma única letra. Observe como ocorre o processo:

T-Á–K–S–I
1 2 3 4 5

DÍFONO = dois fonemas e uma letra

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Morfologia

Sejamos sinceros. É fácil, não é mesmo? Na hora da prova é só contabilizar as letras,


pronunciar a palavra, e ver se aquele som vai ser pronunciado ou não. Agora, quando
a banca falar em acentuação, aí o “bicho pega” de fato. Mas vamos lá, vamos continuar
a nossa brincadeira. Tendo falado de som, vamos agora falar de FORMA.

Se ao pensar em som, eu penso em fonema, ao pensar em forma, eu penso em


MORFEMA. Lembra que agora há pouco eu disse que a análise textual começa na
análise gramatical. Pois bem, tudo começa aqui, com o morfema. Mas o que é um
morfema? O morfema é a menor unidade significativa de uma palavra. Então,
qualquer palavra, ela pode ser dividida em partes menores. Você vai logo perceber
quais são esses morfemas que a gente conhece por outros nomes mais tradicionais,
como radical, vogal temática, desinência, esse tipo de coisa. E quem estuda o morfema
é a morfologia.

MORFOLOGIA
Quando você vai estudar para concurso e vai encarar a língua portuguesa pela
primeira vez, o seu maior pensamento deve ser, “muito provavelmente vão cobrar mais
a interpretação, afinal, é assim no Enem, só cai interpretação. Gramática cai muito
pouco”. Mas na verdade, em concurso público, a gramática é muito forte na parte de
língua portuguesa. E dentro dela, a matéria que mais derruba candidatos e que
normalmente mais cai é a análise sintática.

E sabe por que? Porque a análise nunca foi só sintática, a análise, ela é morfossintática.
Isso significa que não tem como olhar para um termo isoladamente na frase e, de cara,
classificá-lo sintaticamente. Primeiro eu tenho, na verdade, que ver a quem o termo
está ligado morfologicamente, ou seja, a qual classe gramatical ele está ligado, para
então classificá-lo sintaticamente.

Observe que para termos preposicionados, a prova apresenta sempre as seguintes


opções: objeto indireto e complemento nominal. O motivo é muito simples, o objeto

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Morfologia

indireto sempre tem preposição, assim como o complemento nominal, também


sempre tem preposição. Só que a maioria dos candidatos, quando olha o termo
preposicionado, já acha que se trata de um objeto indireto. Mas, eu preciso, na
verdade, ver a quem ele está ligado.

Presta atenção, o objeto indireto, ele não existe do nada, ele sempre está ligado a um
verbo. Detalhe, não é qualquer verbo, mas sim a um verbo transitivo indireto. E o
complemento nominal, também não existe do nada. Ele sempre está ligado a um
nome. Olha só o pulo do gato!! Se um termo preposicionado está ligado a um
nome, ele jamais será um objeto. Ele, com certeza, será um complemento
nominal. Olha como o conhecimento facilita a nossa vida.

OBJETO INDIRETO – ligado a um verbo transitivo indireto.

COMPLEMENTO NOMINAL – ligado a um nome.

Agora eu ouso dizer que a parte mais importante da gramática é a morfologia. Não
que seja a mais sinistra, mas ela é a sapata, a base, o alicerce da língua portuguesa. Eu
ouso dizer que é o coração da língua portuguesa. Quando você identifica a classe
gramatical com calma, com exatidão, com certeza daquilo que está fazendo, você está
preparado para voar na língua portuguesa. Quando você sabe dizer o que é um
substantivo, um adjetivo, um pronome, um advérbio, tudo fica fácil. Agora, quando
você diz, “olha, eu não sei se isso adjetivo, se é um verbo, estou na dúvida... talvez seja
uma conjunção”, daí meu amigo, já era.

Isso é tão importante que é por isso que a nossa primeira aula gira em torno das
classes gramaticais. A gente bate um papo inicial para você entender como funciona
a língua como um todo, mas a classe gramatical é mega importante. Que fique de dica
para outros concursos: todo professor de língua portuguesa que se preze tem que
começar o curso de língua portuguesa com classes gramaticais. Você não pode querer
correr antes de sabe andar. Então você tem que olhar e saber o que é um adjetivo,
para poder dar a função sintática dele. Antes de descobrir que é um adjetivo, por

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Semântica

exemplo, é impossível dar função sintática. Não tem como, porque tem que ter o
contexto. E para criar esse contexto, tem que criar as análises morfológicas.

Então, retomando, quando eu penso em morfologia, penso na forma. Ou seja, penso


na estrutura e na formação das palavras e, principalmente, nas classes gramaticais. E
hoje a gente vai pegar firme nisso. Certo?! Então, à diante.

Agora vamos falar da modalidade da língua portuguesa responsável pelo estilo, a


estilística. O interessante é que nós ampliamos os outros campos de estudo, mas
quando o assunto é a estilística, fica por isso mesmo. A estilística é, sem sombra de
dúvidas, a modalidade mais complexa que existe na língua portuguesa, pois é o elo
entre a gramática e a literatura. Tudo o que tem de paralelismos, de figuras, ali está
imbuído. Só que, muito provavelmente você não estudou isso a fundo. Não estudou
isso a fundo na escola, e, muito menos, na faculdade. Só estudou isso a fundo quem
fez uma excelente Faculdade de Letras, e não é qualquer faculdade de Letras, é uma
excelente Faculdade de Letras, ou então, quem estudou em uma excelente Faculdade
de Direito e, principalmente, quando estudou para a magistratura, porque é preciso
estudar a oratória. Se não for o seu caso, com certeza, você não estudou estilística a
fundo. Mas como tem coisas importantes aqui, nós as jogamos para outro campo, que
é o campo do significado. Quando eu penso significado, eu penso em sema, e isso
me remete à ideia, porque sema é ideia. Consequentemente, eu penso em
SEMÂNTICA. Vou explicar isso melhor.

SEMÂNTICA
A palavra “semáforo” é perfeita para ilustrar isso ao pé da letra. Etimologicamente
falando, “SEMA” significa ideia, e “FORO” significa levar. Então, a palavra semáforo, ao
pé da letra, significa levar uma ideia. Você pode perguntar: Ora, que ideia é essa?

E eu responderei. A ideia é: se está verde, eu sigo; se está amarelo, eu presto atenção;


se está vermelho, eu paro. A semântica é essencial para nós, porque está diretamente
ligada a um tópico muito importante, que é o da compreensão e interpretação de
textos.

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Interpretação de textos

INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS
Vamos falar de intepretação de textos e, ao mesmo tempo, traçar algumas estratégias.
Olha só, quando você está estudando para concurso, você acha que é fácil, porque
está fazendo um bom curso e vai passar. Mas vida de concurseiro não é tão simples
assim. Aliás, nada na vida é tão simples assim. Você tem que adquirir experiência para
poder mandar bem em tudo aquilo que você vai fazer. O concurso público não é
diferente, então não adianta você saber toda a teoria e achar que no dia da prova tudo
vai funcionar às mil maravilhas. Não é assim que funciona.

Já vou deixar uma coisa clara. No dia da prova, quatro coisas vão te derrubar: sede,
fome, frio e sono. Mas você resolve isso muito facilmente. Para a sede, basta levar uma
garrafinha com água. Para a fome, basta levar alguma coisa para comer, um chocolate,
uma balinha. Para o frio, basta levar um casaco. E, para o sono, durante a semana que
antecede a prova, normalmente a galera não dorme direito, principalmente no dia
anterior, então basta tomar uma coisa para ficar acordada, tomar um energético,
qualquer coisa para ficar acordado, porque se não, na hora da prova você não vai
conseguir prestar atenção direito nas coisas, nem no texto, nas questões, nem na
língua portuguesa. Então você tem que se preparar para isso. Resolvido!! Não é só
estudar a teoria.

E outra coisa, não é só fazer um cursinho presencial, um cursinho online, e achar que
já está de bom tamanho. Você tem que se organizar para chegar em casa, fazer aquilo
que a gente chama de resumo, porque é na hora que você faz a revisão da matéria
que você de fato está aprendendo, porque estará massificando o conhecimento. O
segredo para a prova de concurso público não é ver com qualidade uma vez o assunto
e pronto. Mas sim, ver várias e várias vezes. Tem que estudar dez, vinte, quantas vezes
for possível. Temos que adquirir experiência, aquilo que chamamos de expertise.
Treino é treino, jogo é jogo, e pronto.

Então vamos lá, falando só da língua portuguesa. Digamos que eu chegue no local
para fazer a prova. Se por ventura na minha prova tem uma redação, a primeira coisa
que eu vou fazer é a redação, sem sombra de dúvidas. Porque se eu deixar a redação

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Interpretação de textos

para o final da prova, eu posso acabar me enrolado, pode ser que sobrem apenas
trinta, quarenta minutos. Vou conseguir fazer o texto, mas não vou conseguir fazer
uma folha de rascunho. Vai ter que se direto na folha definitiva, e essa de fazer na
folha definitiva não dá certo, porque sempre terá um erro, uma rasura.

Então você começa pelo rascunho, e depois que terminar o rascunho, você não vai
passar a limpo, porque ainda não deu tempo de se distanciar do texto ao ponto de
ver os próprios erros. Assim você vai partir para a prova. E vai começar pela matéria
que mais sabe. Jamais comece pela matéria que você menos sabe. Porque se não,
você vai errar a primeira questão, vai errar a segunda, a terceira, você vai começar a
se transportar, de forma negativa. Vai empregar o verbo “gastar”. Vai pensar que
gastou dinheiro à toa, que gastou tempo, porque não sabe nada, não está caindo na
prova o que você sabe, e isso vai abalar o seu psicológico. Agir assim é dar um tiro no
próprio pé.

Então você vai começar pela matéria que você sabe mais. Vai acertar a primeira
questão, a segunda, a terceira, e aí também vai se transportar, mas dessa vez, no
sentido positivo. Não vai mais empregar o verbo “gastar”. Do contrário, você vai
pensar que valeu a pena ter investido tempo e dinheiro. Vai perceber que sabe tudo
aquilo que está caindo, e pronto! Você sente a confiança! E aí, você vai deixar, de
forma gradativa, para o final, a matéria que você menos sabe.

Feito isso, você vai pedir para levantar para ir ao banheiro, beber uma água, porque
você está ali, sentado na mesma posição, e tudo dói. Após dar uma relaxada, vai voltar
para a sala e começar a passar os olhos pela redação. A técnica que a usamos para
a redação é a mesma que usamos na análise textual.

Para interpretação, você vai fazer uma leitura em voz alta, porque se você fizer uma
leitura mental do próprio texto, não vai enxergar os próprios erros, e não vai adiantar
de nada. Agora, se fizer uma leitura em voz alta, você começa a perceber os seus erros.
Claro que não vai ser alta o suficiente para atrapalhar o colega, não há necessidade
disso, ao contrário, será mais como um leve balbuciar.

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Interpretação de textos

Você vai ler mais devagar, prestar atenção nas pausas, nas entonações.
Consequentemente, vai compreender e interpretar melhor o texto. Daí vai começar a
perceber que repetiu várias vezes a mesma palavra, e isso, além de causa estranheza,
pode ser visto como pobreza de vocabulário. Nesses casos, você vai cortar algumas
palavras, vai usar mais elementos coesivos, pronomes, sinônimos, elipses.

Ainda, haverá situações em que o seu texto vai ficar truncado. Às vezes por uma
bobeira, uma palavra mal colocada, uma expressão mal colocada, a inserção ou
retirada de uma vírgula, que pode alterar completamente o sentido do texto. Em suma,
você vai reescrever seu texto.

Imagina, se você tivesse feito a redação na folha definitiva, sem passar pelo rascunho
antes, você não teria essa oportunidade de corrigir. E tem que haver essa
oportunidade, ela é necessária. Agora é só entregar a prova e esperar o dia da posse.

Bom, você já leu e analisou a sua própria redação. Então, agora, vamos pensar em em
como funciona a interpretação do texto, propriamente dita, na prova de língua
portuguesa.

Você vai se identificar com isso se já fez algum concurso. A nossa leitura é sempre
equivocada, porque é sempre uma leitura mental. Fizemos isso na escola, pois o
professor sempre queria silêncio, então fazemos hoje, de igual modo, a leitura mental.
Só que a leitura mental é extremamente dispersiva, porque é muito rápida. Eu não sei
se você sabe, mas o gago só gagueja porque pensa muito rápido, e o aparelho
fonador não consegue acompanhar.

Na prova, você pega um texto com trinta linhas e começa a leitura. Parece mágica,
uma vez que na sétima linha você já não está mais prestando atenção no texto. A
dispersão chega a tal ponto que você começa a pensar no papagaio, no periquito, no
feijão que deixou no fogo, no namorado ou namorada, enfim, é uma loucura. Mas
você segue, na marra, até o final do texto, até a linha trinta. Mas fica com aquela
sensação horrorosa de não ter entendido nada. A tal ponto que você não entende

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Compreensão e interpretação

nem o tema central.

Você não sabe se o texto é sobre política, sobre religião, sobre economia. Nesse
momento você tem duas opções, ou você parte para a prova sem ter atingido o texto,
ou você volta e faz uma segunda leitura imediata. Se funcionar, maravilha. O problema
é quando não funciona. Se você leu duas vezes o texto e não entendeu, não tem como
manter a calma, e então você vai perder a sua prova porque terá abalado o seu
psicológico.

Para evitar isso, como eu já disse, faça uma leitura em voz alta, com pausa, com
entonação, e assim, consequentemente vai compreender e interpretar melhor. Eu
tenho certeza absoluta que, pelo menos, o tema central do texto você compreenderá.
Vai saber dizer se se trata de um texto sobre política, religião, economia e por aí vai.
Se não entender alguns fragmentos, não tem problema, porque, pelo menos,
entendeu a totalidade.

COMPREENSÃO E INTERPRETAÇÃO
Agora, você vai para o comando da questão, para saber se ela é uma questão de
compreensão ou de interpretação, e são coisas completamente diferentes.

Quando a questão é de compreensão, ela te joga para dentro do texto. E quando a


questões é de interpretação, ela te joga para além do texto. E isso influencia a ordem
dada no enunciado. Obrigatoriamente, ela vai te jogar para dentro do texto, vai dizer
algo como “segundo o texto”, “de acordo com o texto”, “na linha tal”, “no período tal”,
“no parágrafo tal” e por aí vai. Se a questão estiver fazendo isso, agradeça a Deus,
porque ela está te direcionando. Se a questão te mandar para a Linha cinco, você vai
até a ela e marcar o termo que está ali, porque a resposta à questão estará no entorno
daquele termo. Se eu rabiscar, eu faço da minha vida. Se não, eu fico perdido. Então
faça isso para facilitar. Não significa que se eu não fizer, não vou achar, mas vou
demorar um pouco mais. Então, para resolver uma questão de compreensão, basta
ter calma e atenção, porque a resposta está dentro do texto. É só procurar que você
vai achar.

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Compreensão e interpretação

Agora, se a questão for de interpretação, aí o bicho pega. Porque vai além do texto.
O comando muda completamente. Agora não é mais “segundo o texto”, “de acordo
com o texto”. Agora é “infere-se que”, “analisa-se que”, interpreta-se que” e por aí vai.
Agora a questão está falando que vai além do texto. Ela está falando de conhecimento
de mundo. Quanto maior o seu conhecimento de mundo, maior a sua capacidade
interpretativa.

Infelizmente, conhecimento de mundo não se aprende uma hora para outra. Não é
aqui no curso do Focus que você vai aprender. É a bagagem de uma vida inteira, e ter
lido bons livros, é ter visto bons filmes, ter ouvido boa música, é ter idade, o que conta
muito conta, pois, uma pessoa de quarenta anos é infinitamente mais experiente que
a pessoa de vinte. Tudo isso vai contar.

Para nossa sorte, a maioria das questões de concurso são de com compreensão. E
quando são de interpretação, ainda assim você tem um texto como base. O que eu
quero dizer com isso é que, em uma prova de concurso público, você jamais vai se
preocupar com o que o autor quis dizer. Você só vai se preocupar com o que ele disse
de fato. Dentro dessa perspectiva, só existem três erros interpretativos, três erros de
entendimento, por assim dizer:

• Erro de redução
• Erro de contradição
• Erro de extrapolação

Estes erros não vão estar dentro do texto, mas sim no comando das questões. Trata-
se do avaliador tentando te induzir ao erro. Vou fazer uma pequena antologia rápida.

Eu vou dizer que encontrei dois professores aqui da casa. Dois professores do Focus
lá no Rio de Janeiro onde eu moro. Eu encontrei o professor Guilherme Biazotto e o
professor Johni Zini. Os dois estavam na praia de Copacabana, sentados, tomando
uma cervejinha gelada, com menu peixinho frito. O Johnny Zini estava de sunguinha
branca, e o Biazotto, de sunguinha amarela. Agora eu te faço a seguinte pergunta:

O que você preta A partir disso?

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Compreensão e interpretação

Seria um erro de redução, por exemplo, dizer que o tema central desse pequeno texto
é a cerveja. Afinal de contas, a cerveja foi apenas um elemento do texto, isso seria
reduzir demais o texto. Um erro de contradição seria dizer que Guilherme e Johnny
são inimigos. Não pode ser verdade, já que eles estão juntos, batendo um papo na
beira da praia. Eles podem ser qualquer coisa, menos inimigos.

Agora, essa questão é perigosa. No futuro eu vou mostrar pra vocês com uma questão
de contradição é perigosa, quando formos analisar a parte textual. Aqui, no exemplo,
é simples, porque o texto é pequeno. Mas, quando o texto é grande, quando a questão
é grande, perceber que o enunciado diz o contrário é difícil. Se a leitura não for muito
atenta, é muito difícil. Por isso, vou ensinar algumas estratégias para você resolver
questões do tipo.

Agora, seria um erro de extrapolação dizer que o Johnny e o Guilherme são


namorados, que eles têm um caso. Não que eles não pudessem ser namorados, mas
não dentro desse texto, porque nesse texto eu não mencionei nada sobre a
sexualidade deles, em nenhum momento. Dentro desse texto eu mencionei que são
dois homens conversando, e o que eu posso compreender, inferir, deduzir dentro
desse pequeno texto é que cita dois homens conversando é que são dois amigos
conversando. Esse é o máximo que eu posso interpretar a partir da informação que o
texto apresenta.

Essa foi uma pincelada geral na questão de compreensão e interpretação. Não deixe
de checar as aulas voltadas especificamente para esse tema, na qual dou todas as
dicas necessárias para você mandar bem.

Beijão, e até a próxima!

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Compreensão e interpretação

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