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EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA VARA

CÍVEL DA COMARCA DE IBOTIRAMA/BA

EMENTA: PREVIDENCIÁRIO. CONCESSÃO DE


BENEFÍCIO. APOSENTADORIA POR IDADE RURAL.

ADEMAR ROSENO DE ARAUJO, brasileiro, casado,


pescador, portador do documento de identidade sob o n.º
510084 SSP/DF, CPF sob o n.º 360.630.965-15,
residente e domiciliado no Povoado Saco Grande, Aldeia
Tuxá, zona rural, Ibotirama/BA, CEP 47.520-000, vem a
presença de Vossa Excelência propor a presente

AÇÃO JUDICIAL PARA CONCESSÃO DE BENEFÍCIO


PREVIDENCIÁRIO

contra o INSTITUTO NACIONAL DO SEGURO SOCIAL


(INSS), pessoa jurídica de direito público, na pessoa do
seu representante legal, com endereço de citação na R.

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Floriano Peixoto, Ibotirama - BA, 47520-000, pelos fatos e
fundamentos que a seguir aduz.

1. FATOS

A Parte Autora, na qualidade de trabalhador rural, requereu em


25/07/2016 a concessão do benefício de aposentadoria por idade rural na
agência da Previdência Social da sua cidade.

Entretanto, o benefício restou indeferido pelo INSS, sob a alegação


de que não foi alcançada a carência mínima exigida em lei.

Todavia, a Parte Autora preenche todos os requisitos necessários a


concessão do benefício.

Desta forma, a limitação apresentada pelo INSS não se justifica,


razão pela qual busca o Poder Judiciário para ver seu direito reconhecido.

2. FUNDAMENTAÇÃO DE MÉRITO

A Parte Autora desenvolveu atividade rural, em regime de economia


familiar, na localidade da Fazenda Cruz de Malta, zona rural, Ibotirama/BA,
permanecendo na lavoura no período compreendido entre os ano de 1995
até os dias atuais, cultivando feijão, milho, abóbora, mandioca, batata,
melancia, e demais lavouras de subsistência.

O conceito de regime de economia familiar esta disciplinado pelo §


1º do art. 11 da Lei n.º 8.213/91, que dispõe:

Entende-se como regime de economia faxemiliar a atividade em que o


trabalho dos membros da família é indispensável à própria
subsistência e é exercido em condições de mútua dependência e
colaboração, sem a utilização de empregados.

Como prova do exercício de atividade rural, foram juntados ao


requerimento administrativo os documentos abaixo relacionados, os quais
não deixam dúvida de que efetivamente trabalhou na lavoura.

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 Declaração de exercício de atividade rural referente ao período
29/05/02 a 29/07/2016 como pescador artesanal em exercício
individual da atividade

 Certidão de casamento entre o requerente e Osmarina da Cruz


Soares em 09/01/76, tendo a profissão do interessado como
lavrador

 RG, título de eleitor, CTPS, carteira de pescador profissional do


requerente e certidão de nascimento dos filhos nascidos em
zona rural

 Requerimento do Seguro-desemprego pescador artesanal de


01/11/13 a 28/02/14

 Realizado entrevista rural, onde concluiu que tudo leva a crer


que se trata de segurado especial, entretanto é necessário
comprovar a carência através de documentos contemporâneos

 Declaração de Exercício de atividade rural, emitida pelo


Sindicato dos Trabalhadores na Agricultura Familiar de
Ibotirama/BA, referente ao período de 30/01/97 a 30/04/02,
comodatário em regime de economia familiar na Fazenda Cruz
de Malta

 Declaração do Sr. Roberto Antônio de Rezende informando que


o requerente e sua esposa trabalham em sua propriedade
Fazenda Cruz Malta através de contrato de comodato desde
31/12/95.

 Certidão de casamento - Constando a profissão lavrador na data


09/03/1999

 Contrato de Comodato

 ITR da Fazenda Cruz de Malta exercícios 1997 e 1998

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Deste modo, os documentos apresentados, tanto na ceara administrativa,
quanto os agora anexados, revelam de maneira satisfatória que a Parte
Autora trabalhou, juntamente com outros membros de sua família, em
regime de economia familiar para sustento próprio e de seus entes mais
próximos.

Vale salientar que, antes de ingressar com a ação em epígrafe, o autor,


requereu administrativamente o benefício, o qual fora negado (cópia
anexa), pelo motivo de que 1996 trabalhou pelo período de 03 (três)
meses de carteira assinada, de 10/09/1996 a 02/12/1996.

Para tanto se faz necessário esclarecer que, nesse período citado, o


requerente, trabalhava junto a sua família na Fazenda Cruz Malta, onde
fixaram moradia nessa propriedade no ano de 1995 e começaram o
trabalho com lavoura.

Ocorre que no ano de 1996, por conta da grande dificuldade financeira


que a família vinha enfrentando com a lavoura, o requerente,
incentivado por alguns parentes que moravam na cidade de Brasília,
resolveu ir em busca de emprego na área da construção civil, onde já
tinha tido algumas experiencias profissionais.

Sendo assim, deixou sua esposa e filhos na fazenda onde residiam,


cuidando da plantação e foi trabalhar na cidade de Brasília, mas ficou
trabalhando neste local por apenas 03 meses ( conforme consta o
registro na sua carteira de trabalho) e retornou logo em seguida para
continuar na sua labuta familiar com plantação e criação de animais.

2.1 INÍCIO DE PROVA MATERIAL

Considerando a dificuldade de se obter documentos para provar a


atividade rural, situação inerente à condição simplória da vida no campo, a
jurisprudência dominante tem mitigado a exigência probatória e aceitado

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diversos documentos como início de prova material, desde que
contemporâneos aos fatos alegados:

Neste sentido:

2. Em conformidade com a Súmula nº 149 desta Corte, exige-se


início razoável de prova material para a comprovação de tempo de
serviço rural. 3. Certidão de Casamento, Título do INCRA ou
Escritura Pública, contemporâneos aos fatos alegados, em que
conste a profissão de agricultor do mesmo ou do seu cônjuge, é
aceito nesta Corte, como início de prova material, suficiente, para
comprovar o labor agrícola em determinada época. 3. A simbiose do
início de prova material com a segurança das provas testemunhais,
suprem a carência exigida pela legislação previdenciária. 4. Recurso
Especial que se nega provimento.
(STJ, REsp 586923, 6ª Turma, Min. Paulo Medina).

Também acerca do tema, a Lei n.º 8.213/91 define quais


documentos que servem para a comprovação da atividade rural:

Art. 106.
(...)
Parágrafo único. A comprovação do exercício de atividade rural
referente a período anterior a 16 de abril de 1994, observado o
disposto no § 3º do artigo 55 desta Lei, far-se-á alternativamente
através de:
II - contrato de arrendamento, parceria ou comodato rural;
III - declaração do sindicato de trabalhadores rurais, desde que
homologada pelo INSS;
IV - comprovante de cadastro do INCRA, no caso de produtores em
regime de economia familiar;
V - bloco de notas do produtor rural.

A jurisprudência do Tribunal Regional Federal da Quarta Região


reconhece que qualquer dos documentos arrolados no art. 106 da Lei n.º
8.213/91 serve, por si só, como prova da atividade rural.

Aduz, ainda, que a relação não é taxativa, mas exemplificativa,


podendo ser aceitos outros documentos.

Os documentos arrolados no art. 106 da L. 8.213/91 bastam, por si


só, para comprovar a atividade rural. A relação, entretanto, não é
taxativa de modo que outros documentos ali não relacionados
poderão também servir para a comprovação do labor rurícola.
Para que fique caracterizado o início de prova material, não é
necessário que os documentos apresentados comprovem, ano a ano,
o exercício da atividade rural, seja porque se deve presumir a

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continuidade nos períodos imediatamente próximos, seja porque é
inerente à informalidade do trabalho campesino a escassez
documental. É firme o entendimento jurisprudencial de que os
documentos apresentados em nome de terceiros (pai, filho, marido,
esposa) são hábeis à comprovação do trabalho rural desenvolvido
pelos outros membros do grupo que labora em regime de economia
familiar.
(TRF4, AC 2001.04.01.033315-5, 5ª Turma, Des. Néfi Cordeiro, sem
grifo no original).

Dessa forma, resta demonstrado que a Parte Autora cuidou de juntar o início de prova
material para o período postulado, que poderá ser complementada pela prova testemunhal, em
atenção ao princípio da livre valoração da prova.

2.2 DESNECESSIDADE DE APRESENTAR UM DOCUMENTO PARA CADA


ANO DE ATIVIDADE RURAL LABORADO

A posição dos Tribunais é pacífica no sentido da desnecessidade de


se apresentar um documento para cada ano que se deseja provar, até porque
a dificuldade de encontrar tais provas seria imensa, e impossível para
grande maioria daqueles que trabalharam na área rural.

Veja-se:

A atividade rural, em regime de economia familiar, é


comprovada mediante início de prova material, que não precisa
abarcar todo o período (ano a ano) nem estar exclusivamente em
nome próprio, contanto que seja corroborado por prova testemunhal
idônea.
(TRF 4ª. – AC 2004.70.00.043221-7 – Rel. Des. Fed. Otávio Roberto
Pamplona – DJU 14.06.2006 – p. 525, sem grifo no original).

Ainda:

A qualidade de segurado especial, na condição de porcenteiro, é


comprovada, principalmente, pela prova testemunhal. Para a
caracterização do início de prova material, não se exige que os
documentos reflitam a situação de fato, objeto de prova, ano a
ano (precedente desta corte – AC 200070010004338, DJU de 3. 7-
2002).
(TRF 4ª. – AC 2002.70.02.001562-7– Rel. Des. Fed. Luís Alberto D
Azevedo Aurvalle – DJU 14.06.2006 – p. 564, sem grifo no original).

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Muito mais razoável é a interpretação apresentada pelo Magistrado
Federal, Doutor Hildo Nicolau Peron da Justiça Federal de Santa Catarina,
proferida nos autos n. 2002.72.00.059944-2:

Ora, é preciso ter presente que a profissão que o cidadão declara na


fase de produção de um desses documentos é a que estava
exercendo no presente e, provavelmente, num passado e num futuro
próximos. Pois, só em caso de rara coincidência acontece de a
profissão declarada coincidir com o primeiro dia da produção do
documento ou findar no último dia do ano civil. Afinal, uma
declaração de exercício da profissão de lavrador constante de um
documento sinaliza muito mais que aquela profissão já vinha sendo
exercida – portanto, seu valor não pode ser apenas daquele dia para
diante, mas também para o passado.
Assim, força é se admitir que ao documento de uma data se possa
admitir para alguns anos antes e para alguns anos depois, porque
profissões, como a do agricultor, gozam de certa estabilidade. Essa
qualificação profissional dificulta que migrem para outras atividades
porque seus conhecimentos são pouco aproveitados em outras áreas
de trabalho urbano.

Assim, muito embora a Parte Autora não tenha juntado documentos dando conta
da sua profissão para cada ano cuja averbação persegue, aqueles que acostou, por si, são
suficientes a demonstrar o período laborado em regime de economia familiar.

2.3 VALIDADE DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS EM NOME DE


TERCEIROS

Em razão do conceito de regime de economia familiar, o Colendo


Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento no sentido de que os
documentos em nome dos parentes podem ser aproveitados pelos demais
familiares como início de prova material para efeito de comprovação da
atividade rural.

Veja-se:

2. Os documentos em nome do pai do recorrido, que exercia


atividade rural em regime familiar, contemporâneos à época dos
fatos alegados, se inserem no conceito de início razoável de prova
material.
(STJ, REsp. 426571, 6ª Turma, Min. Hamilton Carvalhido).

Ainda sobre o assunto, o Egrégio Tribunal Regional Federal da


Quarta Região já sumulou a questão:

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Súmula nº 73: Admitem-se como início de prova material do efetivo
exercício de atividade rural, em regime de economia familiar,
documentos de terceiros, membros do grupo parental.

Destarte, tendo em vista os inúmeros documentos juntados com a


presente, os quais qualificam diversos parentes da Parte Autora como
lavradores, devem tais provas serem consideradas documentos hábeis a
demonstrar o período laborado na área rural.

Assim, por qualquer ângulo que se analise a questão, resta


demonstrado o direito da Parte Autora de obter o reconhecimento do
exercício de atividade rural e consequentemente a concessão do benefício de
aposentadoria por idade rural.

2.4 REQUISITOS NECESSÁRIOS PARA CONCESSÃO DA


APOSENTADORIA POR IDADE RURAL

Os requisitos para a concessão da aposentadoria por idade aos


trabalhadores rurais são: a) idade mínima de 60 anos para o homem e de 55
anos para a mulher (Lei n.º 8.213, art. 48, § 1º); b) exercício de atividade
rural, ainda que de forma descontínua, no período imediatamente anterior
ao requerimento do benefício, em número de meses idênticos à carência
deste (Lei n.º 8.213, art. 143), independentemente de recolhimento de
contribuições previdenciárias.

Para verificação do tempo (n.º de meses) a ser comprovado, deve-se


considerar a tabela constante do art. 142 da Lei n.º 8.213/91, levando-se em conta o ano
em que o segurado implementou as condições necessárias para inativação, ou seja, idade
mínima e tempo de trabalho rural.

Ano de implemento das Meses de atividade rural


condições exigido
1991 60 meses
1992 60 meses
1993 66 meses
1994 72 meses
1995 78 meses
1996 90 meses
1997 96 meses
1998 102 meses

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1999 108 meses
2000 114 meses
2001 120 meses
2002 126 meses
2003 132 meses
2004 138 meses
2005 144 meses
2006 150 meses
2007 156 meses
2008 162 meses
2009 168 meses
2010 174 meses
2011 180 meses

Na aplicação dos artigos 142 e 143 da Lei, deve-se atentar para os


seguintes pontos: a) ano-base para averiguação do tempo rural; b) termo
inicial do período de trabalho rural correspondente à carência; e c) termo
inicial do direito ao benefício.

Geralmente, o ano-base corresponderá àquele em que o segurado


completou a idade mínima, desde que, até então, já disponha de tempo rural
suficiente para o deferimento do benefício. Em tais casos, o termo inicial do
período a ser considerado como de exercício de labor rural, contado
retroativamente, é a data do implemento do requisito etário, mesmo que o
requerimento administrativo seja formalizado posteriormente, em
homenagem ao princípio do direito adquirido (Constituição Federal, art. 5.º,
XXXVI; Lei de Benefícios, art. 102, §1º).

Todavia, se o segurado, completando a idade necessária,


permanecer exercendo atividade agrícola até a ocasião em que preencher o
número de meses suficientes para concessão do benefício, tanto o ano-base
para a verificação do tempo rural quanto o início de tal período de trabalho,
contado retroativamente, será o da data da implementação do tempo
equivalente à carência.

A título de exemplo, se o segurado tiver completado a idade mínima


em 1997 e requerido o benefício na esfera administrativa em 2001, deverá
comprovar o exercício de trabalho rural em um dos seguintes períodos: a) 96

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meses antes de 1997; b) 120 meses antes de 2001, ou c) períodos
intermediários (102 meses antes de 1998, 108 meses antes de 1999, 114
meses antes de 2000) – vide tabela do art. 142 da lei 8.213/91.

A disposição contida no art. 143 da Lei n.º 8.213 - ou seja, a de


que o exercício da atividade rural deve ser comprovado no período
imediatamente anterior ao requerimento do benefício -, deve ser interpretada
em favor do segurado. Tal regra atende às situações em que ao segurado é
mais fácil ou conveniente a comprovação do exercício do labor rural no
período imediatamente anterior ao requerimento administrativo; entretanto,
a sua aplicação deve ser relativizada, em face do disposto no art. 102, § 1º,
da Lei, e, principalmente, por força da garantia constitucional do direito
adquirido.

Com efeito, e considerando que, no caso, a Parte Autora


nasceu em 22/07/1956, tendo completado 60 anos de idade em
22/07/2016, a carência exigida conforme o disposto no art. 142 da Lei
n.º 8.213/91 corresponde a 180 meses de contribuição.

Logo, preenchidos os requisitos necessários à concessão do


benefício de aposentadoria por idade rural, ou seja, idade mínima e carência,
faz jus à Parte Autora ao deferimento da benesse.

Neste sentido caminha a jurisprudência pátria:

PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE.


REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO DO LABOR RURAL
DURANTE O PERÍODO DE CARÊNCIA. CUSTAS PROCESSUAIS.
Para a comprovação do tempo de atividade rural, com vistas à
obtenção de aposentadoria por tempo de serviço/contribuição, faz-se
necessário início de prova material, não sendo admitida, via de regra,
prova exclusivamente testemunhal (art. 55, § 3º, da Lei n.º
8.213/91; Súmula 149 do STJ).
Se o conjunto probatório é suficiente à formação de um juízo de
certeza acerca do labor rural da parte autora durante o período
equivalente à carência, impõe-se a manutenção da sentença que
reconheceu a procedência do pedido de concessão do benefício
de aposentadoria rural por idade.
[...]
(TRF4, AC n. 0005625-22.2012.404.9999, 6ª Turma, Juíza Vivian
Josete Pantaleão Caminha, julgado em 06/06/2012).

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PREVIDENCIÁRIO. APOSENTADORIA RURAL POR IDADE.
TRABALHADOR RURAL. REGIME DE ECONOMIA FAMILIAR.
REQUISITOS LEGAIS. COMPROVAÇÃO.
1. Procede o pedido de aposentadoria rural por idade quando
atendidos os requisitos previstos nos artigos 11, VII, 48, § 1º e
142, da Lei nº 8.213/1991.
2. Comprovado o implemento da idade mínima (sessenta anos
para o homem e de cinqüenta e cinco anos para a mulher), e o
exercício de atividade rural por tempo igual ao número de meses
correspondentes à carência exigida, ainda que a comprovação
seja feita de forma descontínua, é devido o benefício de
aposentadoria rural por idade à parte autora.
3. Considera-se comprovado o exercício de atividade rural havendo
início de prova material complementada por prova testemunhal
idônea, sendo dispensável o recolhimento de contribuições para fins
de concessão do benefício.
[...] (TRF4, AC n. 0019773-72.2011.404.9999, Juiz Rogerio Favreto,
5ª Turma, julgado em 12/07/2012, sem grifo no original).

Portanto, o indeferimento por parte do INSS não encontra amparo


na lei, sendo devida a concessão do benefício de aposentadoria por idade
rural.

3. DA NECESSIDADE DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA DE URGÊNCIA

Excelência, o Autor, respaldado pelo artigo 300 do Código de


Processo Civil, requer seja deferida a antecipação da tutela apara garantir-
lhe o direito de perceber imediatamente o benefício previdenciário, tendo em
vista não parar qualquer resquício duvidoso quando ao direito ora requerido,
pois a demora na solução da demanda, ocorrerá como já vem ocorrendo
dano irreparável ao Autor, por trata-se de crédito de natureza alimentícia.

Segundo provas anexadas aos autos, comprova a verossimilhança


de sua alegação, já que encontra-se acostado cópia materiais onde comprova
o trabalho rural exercido pelo autor, e a não concessão pode ocasionar um
dano de difícil reparação, já que precisa deste benefício previdenciário para
sobrevivência, além do que enfrentam dificuldades econômicas.

Assim, espera o Requerente que seja CONCEDIDA a Liminar


pleiteada afim de que seja implantado seu benefício previdenciário para
manutenção de sua própria subsistência e de sua família, uma vez que

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encontra-se desempregado e sem outras fontes de renda para adquirir
recursos para a sua sobrevivência.

Os fundamentos jurídicos acima expostos já demonstram, à


saciedade, mais do que a verossimilhança, a certeza do direito do Autor,
uma vez que é absolutamente pacífico o entendimento jurisprudencial acerca
do assunto em tela. Desse modo, pelos fatos e fundamentos apresentados
nesta exordial, que levam à incontroversa do fato constitutivo da presente
lide, demonstrada está a aplicabilidade do dispositivo contido no artigo 300
do Código de Processo Civil, pretende o Autor a antecipação dos efeitos da
tutela final, objeto da presente demanda, inaudita altera pars.

4. REQUERIMENTOS

Diante do exposto, requer:

1. Seja Julgada Inteiramente PROCEDENTE A PRESENTE AÇÃO,


com a conseqüente concessão da TUTELA ANTECIPADA DE URGÊNCIA,
inaudita alterpars ou após a contestação, para que o Réu pague a Autora
desde já a Aposentadoria Rural por Idade e doravante;

2. A citação do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, na


pessoa do seu representante legal, para que responda a presente demanda,
no prazo legal, sob pena de revelia;

3. A concessão do benefício da justiça gratuita em virtude da Parte


Autora não poder arcar com o pagamento das custas processuais e
honorários advocatícios sem prejuízo do seu sustento ou de sua família,
condição que expressamente declara, na forma do art. 4º da Lei n.º
1.060/50;

3. A condenação do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS


para conceder o benefício de aposentadoria por idade rural, bem como pagar
as parcelas vencidas desde a data do requerimento administrativo,
monetariamente corrigidas desde o respectivo vencimento e acrescidas de
juros legais moratórios, ambos incidentes até a data do efetivo pagamento;

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4. A condenação do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS
para arcar com as custas processuais e honorários advocatícios;

5. Requer, ainda, provar o alegado por todos os meios de prova


admitidos em direito, notadamente a documental e testemunhal, cujo rol
segue abaixo.

DO ROL DE TESTEMUNHAS

 ANTONIA SOUZA DA CRUZ, MARIA APARECIDA BARBOSA DE


SOOUSA E DAVID PEREIRA DA CONCEIÇÃO, todos residentes
e domiciliados no Povoado Saco Grande, Aldeia Tuxá, zona
rural, Ibotirama/BA.

Requer a intimação das testemunhas supracitadas, na forma da


Lei.

Dá-se à causa o valor de R$ 1.000,00 (hum mil reais)

Pede deferimento.

Ibotirama/BA, 19 de maio de 2017.

Mayane Kilza Barros de Carvalho

OAB/PE nº 39.090

Filipe Lima Batista dos Santos

OAB/PE nº 39.575

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