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CURSO BÁSICO DE

OLERICULTURA ECOLÓGICA

Autores:
Eng.º Agr.º Paulo Renato Poerschke
Eng.º Agr.º Jandir Vicentini Esteves
Eng.º Agr.º Ivan Guarienti
Eng.º Agr.º José Ivan da Rosa
Eng.º Agr.º Jose Ernani Schwengber
ii
iii

SUMÁRIO

LISTA DE FIGURAS.................................................................................................V
LISTA DE QUADROS..............................................................................................VI
I. IMPORTÂNCIA ALIMENTAR DAS HORTALIÇAS.....................................7
1. INTRODUÇÃO....................................................................................................................7
2. A HORTA DOMÉSTICA E COMERCIAL..........................................................................7
3. QUALIDADE NUTRICIONAL DAS HORTALIÇAS.........................................................8
4. AS HORTALIÇAS E A SAÚDE HUMANA........................................................................9
5. PROPRIEDADES DE ALGUMAS ESPÉCIES DE HORTALIÇA....................................10
II. A IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DAS HORTALIÇAS..........................14
1. GENERALIDADES...........................................................................................................14
2. CLASSIFICAÇÃO DAS HORTALIÇAS PELAS PARTES COMERCIÁVEIS:...............15
3. AS HORTALIÇAS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA.......................................................16
4. CONCLUSÃO:...................................................................................................................19
III. INSTALAÇÃO DA HORTA.............................................................................20
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................20
2. TIPOS DE HORTA.............................................................................................................20
3. INSTALAÇÃO DA HORTA..............................................................................................21
IV. PRINCIPAIS ESPÉCIES E CULTIVARES DE HORTALIÇAS..................26
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................26
2. CALENDÁRIO DE SAFRA..............................................................................................27
3. ADAPTAÇÃO TERMOCLIMÁTICA DAS HORTALIÇAS.............................................29
4. CALENDÁRIO DE SAFRA DAS HORTALIÇAS PRODUZIDAS NO RIO GRANDE
DO SUL.....................................................................................................................................30
5. INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE PLANTIO E CONSUMO DE SEMENTES DE
HORTALIÇAS...........................................................................................................................35
6. RECOMENDAÇÃO DE CULTIVARES POR ESPÉCIE...................................................39
7. INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE PLANTIO E CONSUMO DE SEMENTES E
HORTALIÇAS...........................................................................................................................47
V. PRODUÇÃO DE MUDAS DE HORTALIÇAS..............................................48
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................48
2. SEMENTEIRA...................................................................................................................48
3. SUBSTRATO.....................................................................................................................50
4. BANDEJAS........................................................................................................................51
5. PLANTIO E MANEJO DA SEMENTEIRA......................................................................51
6. IRRIGAÇÃO DA SEMENTEIRA......................................................................................52
7. TRANSPLANTE................................................................................................................53
VI. ADUBAÇÃO DE HORTALIÇAS....................................................................55
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................55
2. ESTRUTURA DO SOLO...................................................................................................56
3. ANÁLISE DO SOLO.........................................................................................................57
4. ADUBAÇÃO ORGÂNICA................................................................................................57
5. CONFECÇÃO DE COMPOSTOS ORGÂNICOS.............................................................59
iv
6. ADUBAÇÃO QUÍMICA...................................................................................................62
VII. PLANTIO E TRATOS CULTURAIS NAS HORTALIÇAS..........................65
1. INTRODUÇÃO:.................................................................................................................65
2. PRINCIPAIS TRATOS CULTURAIS:...............................................................................65
VIII.SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO.........................................................................75
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................75
2. NECESSIDADE DE ÁGUA PELAS PLANTAS...............................................................76
3. ARMAZENAMENTO DE ÁGUA.....................................................................................77
4. QUALIDADE DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO.....................................................................78
5. TIPOS DE IRRIGAÇÃO....................................................................................................79
IX. MANEJO ECOLÓGICO DE PRAGAS..........................................................82
1. DESCRIÇÃO DOS PRINCIPAIS INSETOS-PRAGA.......................................................82
2. MEDIDAS PREVENTIVAS E DE CONTROLE ECOLÓGICO DE PRAGAS.................85
X. MANEJO ECOLÓGICO DE DOENÇAS.......................................................91
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................91
2. CONTROLE PREVENTIVO DE DOENÇAS DAS PLANTAS........................................92
3. ROTAÇÃO DE CULTURAS.............................................................................................92
4. TRATAMENTO HIDROTÉRMICO DE SEMENTES DE HORTALIÇAS.......................94
5. SOLARIZAÇÃO................................................................................................................96
6. DEFENSIVOS ALTERNATIVOS......................................................................................97
XI. PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS EM AMBIENTE PROTEGIDO.............98
1. INTRODUÇÃO..................................................................................................................98
2. EFEITO ESTUFA...............................................................................................................98
3. VANTAGENS DO CULTIVO PROTEGIDO.....................................................................99
4. TIPOS DE ESTRUTURAS................................................................................................99
5. PRINCIPAIS ESPÉCIES CULTIVADAS.........................................................................100
6. MANEJO DOS TÚNEIS E ESTUFAS.............................................................................101
7. AMBIENTE PROTEGIDO PARA CULTIVO DE VERÃO.............................................102
XII. COMERCIALIZAÇÃO, ABASTECIMENTO E SEGURANÇA
ALIMENTAR...........................................................................................................103
1. INTRODUÇÃO................................................................................................................103
2. COMERCIALIZAÇÃO....................................................................................................104
3. ABASTECIMENTO ALIMENTAR.................................................................................105
4. SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL SUSTENTÁVEL...............................106
5. INTRODUÇÃO À HORTICULTURA.............................................................................107
6. PADRONIZAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E EMBALAGEM DE PRODUTOS
HORTIGRANJEIROS..............................................................................................................112
7. INDIVIDUALISMO X ASSOCIATIVISMO...................................................................114
8. ABASTECIMENTO.........................................................................................................115
ANEXOS................................................................................................................... 119
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS...................................................................122
v

LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Disposição da horta voltada para o norte e dos canteiros no sentido norte-sul
................................................................................................................................22
Figura 2 - Sistema de drenagem em solos muito encharcados (orgânicos) onde existe
uma vala principal para a qual convergem valas secundárias........................22
Figura 3 - Efeito de um quebra-vento semi-permeável protegendo uma área de cerca de
15 a 20 vezes sua altura.......................................................................................23
Figura 4 - Características climáticas de um vale, onde o ar frio tende a se acumular nas
partes mais baixas originando uma inversão térmica e, consequentemente, a
formação de geadas..............................................................................................23
Figura 5 - Esquema do movimento da água no sistema solo -planta-atmosfera..............76
Figura 6 - Composição volumétrica de um solo, que apresenta boas condições para o
desenvolvimento vegetal......................................................................................76
vi

LISTA DE QUADROS

Quadro 1 - Classificação das espécies oleráceas pela exigência termoclimática...............29


Quadro 2 - Calendário de safra das hortaliças produzidas no RS, 2002...........................30
Quadro 3 - Informações básicas sobre o plantio e consumo de sementes de hortaliças...35
Quadro 4 - Relação das cultivares das hortaliças mais produzidas noRS com suas
respectivas épocas de plantio..............................................................................39
Quadro 5 - Divisão das hortaliças por famílias...................................................................93
Quadro 6 -Hidrotermoterapia para diversas espécies de hortaliças..................................95
Quadro 7 - Número de dias de solarização para inativar (90 – 100%) esclerócidos de
Verticullium dahliae a várias profundidades do solo........................................97
I. IMPORTÂNCIA ALIMENTAR DAS HORTALIÇAS

Eng. Agr. Ivan Guarienti

1. INTRODUÇÃO

A importância das hortaliças na alimentação humana é um assunto muito amplo,


e pode ser visto de diversas maneiras.
Se observarmos pelo aspecto econômico, temos hortas domésticas e hortas
comerciais.
Se olharmos pelo aspecto de alimentação, temos a nutrição humana e a saúde já
que muitos alimentos são também considerados alimentos preventivos para
determinadas doenças.

2. A HORTA DOMÉSTICA E COMERCIAL

A horta doméstica tem importância para a economia da família pois as


hortaliças produzidas não necessitam serem compradas. Considerando-se o valor de
um quilo de frutas ou hortaliças em torno de R$1,00 e que o consumo ideal de
olerícolas e frutas seja em torno de 330 quilos/pessoa/ano, a economia seria em torno
de R$330,00/pessoa/ano. Este valor parece a primeira vista pequeno, mas se uma
família for composta por quatro pessoas, a economia será de R$1.320,00 por ano, o
que é um valor substancial tanto para uma família rural como urbana.
Um levantamento feito pelo Escritório Regional da EMATER/RS de Passo
Fundo, no ano de 2002, em 35 municípios da região em 29.446 famílias rurais,
constatou-se que 30,01% ou 9.720 famílias rurais não possuem hortas domésticas e
39,72% ou 11.695 famílias não possuem pomar doméstico e 25,76% ou 7.585 famílias
não criam animais para consumo da família.
Observou-se também que nas famílias rurais aonde haviam horta e pomar
doméstico estas tinham geralmente uma melhor situação econômica pois gastavam
menos na aquisição de alimentos e consequentemente sobravam mais recursos para
outras finalidades.
Observações empíricas nos dão conta que são necessários em torno de 10 m 2 de
cultivo de olerícolas por pessoa e mais 2 m 2 de sementeira. Não entram neste cálculo
as plantas que ocupam muito espaço como abóbora, melancia, batata-doce, etc.
A horta comercial tem muita importância por diversos fatores: alto rendimento
por área; emprega a mão-de-obra familiar; produção constante; alta qualidade dos
produtos; viabiliza propriedades com pequenas áreas de terra; abastece os centros
urbanos.

3. QUALIDADE NUTRICIONAL DAS HORTALIÇAS

As hortaliças tem uma quantidade de vitaminas e sais minerais muito variáveis,


de acordo com a espécie. Elas são ricas em vitaminas A, C, B 1, B5, e os minerais:
cálcio, fósforo, ferro, enxofre, potássio, flúor, iodo, sódio, cloro, silício, zinco,
magnésio entre outros elementos.
Com relação aos teores de hidrato de carbono, as olerícolas com até 5% de
hidratos de carbono são: todas as verduras (folhas), cogumelos, pepino, rabanete,
aspargo, palmito, abóbora, gerimum, tomate, nabo, brócolis, couve-flor, repolho,
beringela, pimentão e cebola.
As olerícolas com 5% a 10% de hidrato de carbono são a ervilha verde (na
vagem), feijão verde, quiabo, maxixe, abobrinha italiana, beterraba, chuchu, cenoura, e
vagem.
As olerícolas com cerca de 20% de hidrato de carbono são o inhame, cará,
batata inglesa, batata doce, aipim e mandioca.
As frutas com até 10% de hidrato de carbono são o açaí, carambola, jambo,
abacaxi, lima-da-Pérsia, melão, pitanga, melancia, caju, cajá-manga, morango, goiaba,
araçá, pêssego, maracujá, laranja, tangerina (bergamota)

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As frutas de 10% a 20% de hidrato de carbono são a amora, framboesa, sapoti,
abricó, ameixa, pêra, maçã, mamão, manga, fruta-do-conde, ata (pinha), cereja,
marmelo, uva, figo, banana, genipapo, caqui e fruta-pão.

4. AS HORTALIÇAS E A SAÚDE HUMANA

As frutas e hortaliças fornecem uma quantidade de substâncias que previnem a


ocorrência de diversas doenças. Sabe-se que muitas doenças estão relacionadas com o
mau hábito alimentar e, hoje sabe-se que muitas hortaliças e frutas são fontes
importantes de alimentos considerados remédios.
O médico americano David Heber, do Centro para Nutrição Humana da
Universidade da Califórnia, em Los Angeles, desenvolveu um sistema de código de
cores para aumentar a eficácia na combinação dos alimentos. Basta uma porção
(equivalente a meia xícara) diária de cada um dos seguintes grupos de alimentos para
diminuir os riscos de ocorrência dos problemas de saúde apontados.
Grupos Alimentos Propriedades
Contém: licopeno, uma substância
Tomate, melancia e
Vermelho associada à prevenção do câncer e
molho de tomate
próstata
Compostos químicos tido como
Morango, maçã, vinho
Vermelho Roxo capazes de impedir a formação de
tinto e suco de uva
coágulos sangüíneos
Fornecem betacaroteno, uma
Manga, cenoura,
Laranja substância que se transforma em
abóbora e damasco
vitamina A e previne o câncer
Mamão, pêssego,
Laranja Tornam a dieta mais variada e
laranja e suco de
Amarelo fortalecem as defesas do organismo
laranja
Contribuem para afastar males na
Espinafre, milho,
Verde Amarelo visão, como catarata e degeneração
ervilha verde e abacate
que leva à cegueira
Ativam a produção de enzimas no
Brócolis, couve-de-
Verde fígado responsável por destruir
bruxelas e repolho
substâncias cancerígenas
Plantas da família de cebola, por
Alho, cebola, pêra,
Verde Branco exemplo contém alicina, que
endivia e vinho branco
apresenta efeitos contra infecções

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5. PROPRIEDADES DE ALGUMAS ESPÉCIES DE HORTALIÇA

Abóbora

Tem grande quantidade de vitaminas A, C, B1, B2, B5, e os minerais cálcio,


fósforo e ferro. Alimento de fácil digestão, além de dar especial proteção ao fígado.

Agrião

É um excelente alimento para limpar as toxinas do corpo. Rico em vitaminas A


e C e do complexo B e em minerais como ferro, enxofre e potássio.
Alcachofra: Contém uma substância amarga, chamada cinarina, que estimula as
secreções do fígado e da visícula e regulariza as funções desses dois importantes
órgãos do aparelho digestivo.

Alface

Tem quantidades razoáveis de vitaminas A e C, cálcio, ferro e fósforo. Contém


um princípio calmante muito eficaz, indicado para as pessoas que tem insônia ou são
muito tensas e agitadas.

Alho

A melhor forma de aproveitar ao máximo as propriedades nutritivas e curativas


do alho é comê-lo cru. Contém vitaminas A, B, C, minerais de flúor, iodo, cálcio, ferro
e fósforo. Comer alho em excesso, pode causar dor de cabeça, no estômago, nos rins,
provocar vômitos e até diarréia. Como curativo, o alho regula a gordura no sangue;
equilibra a flora intestinal, impedindo o crescimento de bactérias indesejáveis; regula a
glicose do sangue. Previne gripes e resfriados e é indicado para doenças catarrais como
bronquite, asma, pneumonia e tuberculose. Poderoso desinfetante do organismo,
combate toxinas intestinais e expulsa vermes. É um tônico superestimulante para
revitalizar pessoas esgotadas e enfraquecidas. Reduz a pressão alta e previne tumores
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malignos e arteriosclerose. Há apenas uma restrição com relação à utilização do alho:
ele agrava o quadro clínico das pessoas com baixa pressão arterial.

Almeirão

É uma boa fonte de vitaminas A, B, C, e de cálcio, fósforo e ferro. É muito


estimulante do fígado e da visícula.

Batata

Contém vitaminas B e C entre outros sais minerais, destacando-se o potássio.

Berinjela

É considerada com o poder de diminuir o colesterol no sangue e reduzir a ação


da gordura no fígado.

Beterraba

É rica em vitaminas A, B e C. Quando cozida perde a vitamina C. É fonte de


flúor, manganês, cálcio, fósforo, ferro, sódio e potássio, cloro, silício, zinco, magnésio,
sódio e potássio.

Brócolis

Possui cinco vezes mais cálcio e 100 vezes mais vitamina A do que a couve-
flor. Além de ser poderosa em vitamina A, tem vitaminas B e C, sais minerais de
cálcio, ferro, fósforo, potássio e enxofre. Combate a anemia e mantém o bom
funcionamento dos rins, vesícula e intestino e reforça as defesas do organismo contra
infecções.

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Cebola

É uma ótima fonte de vitaminas A e B, e muito rica em vitamina C, que se perde


quando a cebola é cozida. Também é rica em flúor, fósforo, iodo, zinco, potássio,
fósforo, cálcio, sódio, silício, magnésio, cloro e ferro. É muito importante como
estimulante das secreções digestivas e do funcionamento de todo o aparelho digestivo.

Cenoura

É um alimento da primeira infância à velhice, importante para alimentação de


gestantes, ajuda na formação do sistema nervoso na formação dos ossos e dentes e
torna o organismo mais resistente às infecções. Rica em caroteno, vitaminas B, C, D,
K, cloro, flúor, magnésio, ferro, cálcio, fósforo, potássio, arsênico, cobalto, iodo,
manganês e silício. É altamente estimulante do sistema nervoso e da visão. Facilita o
trabalho do intestino, e combate a prisão de ventre. Revigora as células do cérebro,
combatendo o cansaço mental.

Tomate

É muito rico em vitamina C e potássio. Contém ainda vitaminas A, B, K, cálcio,


ferro, sódio, e cloro.

Repolho

Já foi chamado, com justiça, de “médico dos pobres”. É rico em vitaminas B e


C e, nos minerais potássio, enxofre, cálcio, fósforo e ferro. É um alimento depurativo
do sangue e, indicado para anêmicos, desnutridos e debilitados. Estimula a digestão e o
funcionamento de todo os órgãos do aparelho digestivo.

Melancia

Fruta muito refrescante e de grande valor nutritivo, mas um tanto indigesta.


Possui boas quantidades de vitaminas A, B e principalmente C e também cálcio,
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fósforo e ferro. É uma fruta levemente diurética e laxante, sendo recomendada para
quem tem pressão alta, reumatismo e gota. Provoca grande eliminação de ácido úrico.

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II. A IMPORTÂNCIA ECONÔMICA DAS HORTALIÇAS

Engº Agr.º José Ivan da Rosa

1. GENERALIDADES

As hortaliças ou Plantas Oleráceas pertencem ao sub-ramo da Horticultura, que


por sua vez se constitui em um dos ramos da Fitotecnia ou Agricultura Geral.
Assim, o termo olericultura engloba o cultivo de mais de 70 plantas de
consistência herbácea, geralmente de ciclo curto e tratos culturais intensivos, cujas
partes comestíveis são usadas diretamente na alimentação humana, não exigindo
industrialização prévia.
As hortaliças exigem tecnologia avançada, qualquer que seja o seu sistema de
cultivo: convencional, orgânico ou agroecológico.
Exigem, também, grande volume de mão-de-obra e de profissionalismo para
produzir e comercializar. Dependendo do cultivo são necessários pelo menos 2
agricultores por hectare.
Ademais, são produtos frágeis e altamente perecíveis, que exigem cuidados
especiais desde a colheita até a mesa do consumidor, quais sejam o ponto de colheita,
o manuseio, a comercialização/classificação, as embalagens, o transporte, a exposição,
etc.
O ciclo cultural das hortaliças é bem mais curto do que as das demais culturas.
Este fato permite, em alguns casos, a produção de diversas safras por hectare/ano,
como no caso da alface, cenoura, rabanete, etc. A exploração de hortaliças também se
caracteriza pela menor área ocupada, relativamente a outras lavouras.
Pela sua alta rentabilidade física e econômica a olericultura permite o
aproveitamento de terrenos de baixa fertilidade natural, mas passíveis de serem
recuperadas pela adoção de altos volumes de adubos orgânicos, fato que seria
considerado antieconômico para outras culturas.
2. CLASSIFICAÇÃO DAS HORTALIÇAS PELAS PARTES
COMERCIÁVEIS:

Uma classificação de HORTALIÇAS muito antiga, adotada por numerosos


estudiosos brasileiros e estrangeiros, considera, como critério para o agrupamento, as
partes utilizadas na alimentação, e que têm valor comercial.
Tomando essa classificação como base, teríamos:

Hortaliças Tuberosas

São aquelas cujas partes utilizáveis desenvolvem-se dentro do solo,


compreendendo:
Tubérculos – batatinha, cará;
Rizomas – inhame;
Bulbos – cebola, alho;
Raízes tuberculosas – cenoura, batata-doce, beterraba, rabanete;

Hortaliças Herbáceas

Aquelas cujas partes aproveitáveis situam-se acima do solo, sendo tenras e


suculentas:
Folhas – alface, repolho, espinafre;
Talos e hastes – aspargo, aipo, funcho;
Flores e Inflorescências – couve-flor, couve-brócolo, alcachofra;

Hortaliças – Frutos

Utiliza-se fruto verde ou maduro, todo ou em parte: melancia, pimentão,


quiabo, ervilha, tomate.

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3. AS HORTALIÇAS NA ALIMENTAÇÃO HUMANA

As hortaliças são culturas reconhecidamente capazes de produzir maior


quantidade de alimentos, de alto valor nutricional, por unidade de área trabalhada e por
ano. Assim é que, enquanto a produtividade do milho, em culturas comerciais, alcança
ao redor de 7 t/ha de grãos, os bataticultores das zonas de maior produção no RS
obtêm-se 20 –30 t/há de tubérculos, para cultura, em duas safras anuais.
Vale registrar, entretanto, que as hortaliças não são alimentos volumosos ou
básicos, ricos em carbohidratos e proteínas, produtores de energia, mas, tão somente,
um complemento vitamínico-mineral indispensável ao equilíbrio alimentar do ser
humano.
As hortaliças são ricas em sais minerais e vitaminas, elementos essenciais à
saúde das pessoas. Os minerais, nos alimentos e no corpo, estão combinados na forma
de sais, como o cloreto de sódio, ou com compostos orgânicos como o ferro na
hemoglobina do sangue e o enxofre nas proteínas. A ausência ou o excesso de sais
minerais causa problemas ao organismo humano. Os macrominerais essenciais são:
cálcio, fósforo, potássio, enxofre e magnésio. Os micronutrientes essenciais são: boro,
zinco, molibdênio, cobre, manganês, ferro e cloro.
As hortaliças são importantes, também em teores de vitaminas: A., B (tiamina,
reboflavina, niacina), C e D.
O percentual de sais minerais e de vitaminas nas hortaliças é notavelmente mais
alto do que nos demais alimentos consumidos pelos humanos, daí a importância da
agregação das hortaliças na dieta alimentar.

Expansão da olericultura no mundo, no Brasil e o Rio Grande do Sul

Alguns produtos olerícolas, como a cebola e o alho, são conhecidos e foram


usados como alimento desde a época dos faraós, no Egito, há mais de 4.000 anos. A
Bíblia também faz referência a algumas hortaliças. A cebola era um alimento
importante das tropas romanas, há 2.000 anos passados.
Com altos e baixos as plantas olerícolas chegaram aos dias correntes, quando
ocupam lugar de destaque na alimentação humana.

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Foi, contudo, a partir de 1950, no pós-guerra, que a olericultura arremeteu,
primeiramente na Europa e depois em todo o mundo, como um alimento de singular
importância. Naquele momento, em virtude dos horrores da guerra, a fome era o maior
problema da população dos países em conflito. E as hortaliças, pelo seu rápido ciclo,
foram, intensamente estimuladas.
No Brasil, na década de 1960 e a partir do Estado de São Paulo as plantas
oleráceas tiveram rápido e importante incremento, ao ponto de que, naquela década,
São Paulo era o responsável por 80% da produção brasileira de hortaliças. Partindo das
hortas caseiras do início do século passado, até às grandes culturas atuais, verificou-se
não só uma enorme expansão da área cultiva, como um aprimoramento técnico
notável.
Estima-se que a área ocupada no Brasil com hortaliças abarque ao redor de 800
mil hectares, com uma produção de 12 milhões de toneladas e um valor bruto de R$ 6
bilhões e 720 milhões de reais, ou US$ 1 bilhão e 920 milhões de dólares.
No Rio Grande do Sul o cultivo de hortaliças deslanchou a partir da
inauguração da CEASA/RS, no exercício de 1972.
Antes disso o costume de consumir hortaliças esteve prejudicado pela baixa
oferta, pela qualidade do produto e sobretudo pelos hábitos alimentares dos gaúchos,
direcionados para o consumo de carboidratos (grãos, farinhas, etc.) e de proteínas
(carnes, leite, queijo, ovos).
A comercialização das hortaliças também era feita em moldes rudimentares, não
estimulando o consumo.
O início das operações da CEASA/RS se constituiu em verdadeiro divisor de
águas, o antes e o depois, invertendo, gradativamente, a situação.
Ao longo das décadas de 70, 80 e 90, vem crescendo, o cultivo de hortaliças e a
sua diversificação alcançaram praticamente todo o Estado, com resultados altamente
positivos quanto a sua demanda.
No RS ainda subsistem uns poucos bolsões, onde a produção e o consumo
continuam pouco expressivos, qual seja a Depressão Central e a Fronteira.

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Importância econômica

A área ocupada com produtos olerícolas no estado está em torno de 127.000


hectares, e envolve diretamente cerca de 220.000 produtores rurais. Indiretamente, nas
lides de beneficiamento, transporte, comercialização, etc., são ocupados outros 90.000
trabalhadores.
Proporcionalmente à área ocupada a olericultura é o sub-ramo da agricultura
geral mais produtivo, quer se trate de produção, produtividade por unidade de área
(há), quer se compare com a retribuição de ganhos ao produtor.
De outra parte, o consumo total de hortaliças no Rio Grande do Sul, ao longo de
um ano, bate em 1,1 milhão de toneladas.
O valor total das hortaliças consumidas no Estado, calculado com base no preço
médio mais comum ocorrente na CEASA/RS em nível de atacado, no exercício de
2001, bateu no expressivo montante de 616 milhões de reais, ou em 176 milhões de
dólares.
A CEASA/RS calcula que 64% do total das hortaliças consumidas sejam
produzidas no Estado, enquanto 36% (hortaliças - frutos) ainda vêm de outros Estados
(SP, SC, PR, MG) em virtude da sazonalidade da oferta no RS, particularmente nos
períodos de estiagens e/ou de frio intenso.
As principais hortaliças e o respectivo consumo per capita/ano no estado, são:
Batata 25,0 Kg
Tomate 12,0 Kg
Aipim 8,0 Kg
Cebola 7,0 Kg
Repolho 7,0 Kg
Batata-doce 6,0 Kg
Cenoura 3,5 Kg
Moranga 3,0 Kg
Couve-flor 2,7 Kg
Chuchu 2,0 Kg
Milho verde 2,0 Kg
Beterraba 1,7 Kg
Alface 1,5 Kg
Etc. - -
No que toca às hortaliças mais valorizadas tanto para o produtor quanto para o
consumidor, a ordem de importância é a seguinte: tomate, batata, cebola,

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abóbora/moranga, batata-doce, aipim, repolho, beterraba, couve-flor, chuchu, alface,
pimentão, milho verde, vagem, etc.

4. CONCLUSÃO:

A vocação das pequenas e médias propriedades rurais, com áreas limite de até
50 hectares, é para as atividades intensivas, dentre as quais sobressai a olericultura, e
não as atividades extensivas, vocacionadas para extensão maiores.
Devemos lembrar que a agricultura familiar, com maior capacidade de mão-de-
obra e organização, e que já responde pela produção diversificada de muitos produtos
básicos da alimentação humana, está incorporando também a olericultura, com pleno
sucesso.
A demanda por hortaliças vem crescendo na proporção de 4% ao ano, no Brasil
e no RS, fato que assegura garantia de mercado.
Há que considerar-se, contudo, o fato da alta perecibilidade das hortaliças, o que
leva a dizer que o mercado tem de ser ágil e organizado, e para isso deve concorrer o
poder público constituído ( Prefeitura Municipais, por exemplo), com legislações
adequadas (Leis Orgânicas) e os próprios produtores, organizando-se e primando pela
qualidade dos produtos ofertados e regularidade.
Entendemos que a médio prazo poderemos depender minimamente de
importações de produtos olerícolas, e em alguns produtos, que possamos chegar a
exportá-los.
Assim é possível afirmar, com convicção, que o cultivo de hortaliças é um bom
negócio para o produtor familiar e que o Estado deve estimular ao máximo essa
alternativa.

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III. INSTALAÇÃO DA HORTA

Eng. Agr. José Ernani Schwengber

1. INTRODUÇÃO

Antes de pensarmos em iniciar a instalação de uma horta é necessário que


algumas perguntas sejam respondidas:
O que plantar?
Como plantar?
Quando plantar?
Onde plantar?
Estas parecem ser perguntas fáceis de serem respondidas. Porém, quanto mais
se pensa nas respostas mais questionamentos se agregam, ainda mais se considerarmos
as mesmas perguntas para a comercialização dos produtos:
O que vender?
Como vender?
Quando vender?
Onde vender?
O produtor que desejar ingressar no ramo da olericultura deve considerar todas
as questões técnicas, econômicas e ambientais inerentes à atividade antes da decisão
de plantar, calculando todos os possíveis riscos. Esperamos poder responder no
decorrer deste trabalho, se não na sua totalidade, pelo menos parte destes
questionamentos necessários a quem deseja iniciar-se na arte da olericultura.

2. TIPOS DE HORTA

De acordo com Makishima (1983) podemos classificar as hortas segundo sua


finalidade e tamanho como:
- horta doméstica (produção diversificada e consumo da família);
- horta comunitária (produção diversificada e consumo de uma associação de
produtores);
- horta escolar ou institucional (produção diversificada com finalidade
didática ou de abastecimento de diferentes instituições);
- pequena horta comercial (produção diversificada e comercialização visando
a complementação da renda);
- grande horta comercial (produção diversificada e/ou especializada sendo a
principal fonte de renda do produtor);
- horta industrial (produção especializada visando o processamento do
produto).

3. INSTALAÇÃO DA HORTA

As hortaliças, em geral, são extremamente exigentes quanto a condições de


clima e solo para uma produção satisfatória. Sendo assim, é de fundamental
importância a escolha adequada do local para a instalação da horta, bem como a
seleção adequada das espécies e das variedades a serem cultivadas. Outro fator
importante a ser considerado na produção de hortaliças é a sua característica intensiva
no que se refere à utilização da área, mão-de-obra, tratos culturais, instalações e
insumos.

Local

Na escolha do local a ser instalada a futura horta devem ser considerados


alguns aspectos de relevante importância: a exposição solar; as características do solo;
a disponibilidade de água; a direção dos ventos; a ocorrência de geadas; e o histórico
da área.
A exposição solar está diretamente relacionada à quantidade de luz
incidente durante o dia e, consequentemente, com a modificação da temperatura
ambiente. A melhor exposição solar para uma horta é aquela que fica voltada para o
Norte ou Leste. Dessa forma, evita-se a incidência direta sobre as plantas dos ventos

21
frios vindos do Sul durante o inverno, bem como se permite que os primeiros raios de
sol da manhã incidam sobre as mesmas diminuindo a umidade e aquecendo o
ambiente.
Figura 1 - Disposição da horta voltada para o norte e dos canteiros no sentido norte-sul

Com relação ao solo, nem sempre temos a nossa disposição o tipo mais
adequado. Porém, sempre que possível devemos optar por solos de consistência média
(areno-argilosos), arejados, com baixa acidez, com bom teor de matéria orgânica, bem
drenados e com topografia levemente ondulada. Os solos argilosos, além de serem
difíceis de trabalhar, retém muita umidade e apresentam baixa aeração. Por outro lado,
os solos arenosos apesar de possuírem boa aeração e serem de fácil manejo, retém
muito pouca água exigindo irrigações muito freqüentes. Quando a área disponível não
possui boa drenagem, como é normalmente o caso de solos turfosos, é necessária uma
rede de drenos para evitar o encharcamento dos mesmos, além da construção de
canteiros altos.
Figura 2 - Sistema de drenagem em solos muito encharcados (orgânicos) onde existe uma vala principal
para a qual convergem valas secundárias

Vala secundária

Distância conforme o
grau de encharcamento
do solo

Vala principal

Considerando-se que as hortaliças, em média, são compostas de 90% de água, é


de fundamental importância que a horta seja construída em local com boa
disponibilidade de água tanto em quantidade como em qualidade. De maneira geral,

22
pode-se dizer que são necessários cerca de 60m 3/ha/dia de água. Porém, este valor
varia com as condições climáticas bem como com a cultura. Grande parte das
hortaliças são consumidas cruas, portanto a qualidade da água utilizada na irrigação
deve ser tal que permita a produção de hortaliças saudáveis, sem riscos de
contaminação por coliformes e/ou resíduos de todos os tipos. A água é importante
também na condução e absorção de nutrientes, assim como na regulação da
temperatura das plantas.
A horta deve ser protegida da incidência de ventos fortes e frios através da
utilização de quebra-ventos. Estes podem ser obtidos através do plantio de espécies
como o capim-elefante e outras, ou através da construção de quebra-ventos com o
auxílio de redes de polipropileno. Quando da instalação dos quebra-ventos, deve-se
tomar o cuidado para que os mesmos não sombreiem as plantas cultivadas e, ao
mesmo tempo, permitam a passagem de uma leve brisa como forma de evitar a
ocorrência de altas temperaturas durante o verão. Deve-se também ter o cuidado de se
evitar o turbilhonamento do ar por cima das plantas.
Figura 3 - Efeito de um quebra-vento semi-permeável protegendo uma área de cerca de 15 a 20 vezes sua
altura

A ocorrência de geadas é prejudicial para a maioria das hortaliças. Assim, é


importante que a horta não esteja localizada em áreas de risco como em baixadas.
Porém, o tipo de solo, a condução das plantas, a cobertura do solo, a incidência de
ventos, entre outros fatores, influenciam na formação das geadas.
Figura 4 - Características climáticas de um vale, onde o ar frio tende a se acumular nas partes mais baixas
originando uma inversão térmica e, consequentemente, a formação de geadas

O ar quente por ser menos denso é deslocado pelo ar frio mais


denso

O ar frio mais denso


desce

Camada de Inversão
Térmica
Frio

23
A área a ser escolhida deve ainda ser livre de pragas, doenças e ervas de difícil
controle. É importante que se conheça o histórico da área através das culturas
precedentes e, da mesma forma, o uso de insumos. A ocorrência de problemas de solo
como bactérias, fungos e plantas daninhas como a tiririca (Ciperus spp.), impede o
cultivo de determinadas espécies inviabilizando a construção da horta.

Preparo do solo

O preparo do solo consiste nas práticas de limpeza do terreno, coleta de


amostras e análise, aração e gradagem, correções química, física e biológica. Consiste
também na formação dos canteiros e no uso de técnicas de conservação como o
terraceamento, se necessário.
A limpeza do terreno é feita a partir da retirada de pedras e arbustos que
possam prejudicar o andamento dos trabalhos. Este procedimento visa evitar também o
sombreamento nos cultivos.
A correção das características do solo deve ser feita através de uma análise do
mesmo. Esta pode ser feita com a utilização de diferentes produtos: calcário para a
correção da acidez; matéria orgânica como corretivo químico, físico e biológico do
solo; restos vegetais; cinzas; rochas moídas; ou mesmo adubos químicos.
O teor de umidade para iniciar o preparo do solo é muito importante, podendo
definir a sorte de uma lavoura. Jamais revolver o solo úmido pois este procedimento
destrói completamente a estrutura do solo, afetando sua porosidade e dificultando o
enraizamento das plantas, bem como a sua oxigenação.
O preparo dos canteiros para plantio pode ser feito manualmente em pequenas
hortas com o auxílio de enxadas e pás ou mecanicamente com o auxílio de
encanteiradeiras. Deve-se tomar o cuidado para que os mesmos não sejam construídos
de maneira a causar escorrimento da água e consequentemente erosão do solo. Os
canteiros devem ser construídos com uma largura de 1m a 1,2m e altura de 0,2 a 0,3m,
dependendo da umidade do terreno. Os caminhos entre os canteiros devem ter
aproximadamente 0,4m.
É de suma importância que no planejamento da horta seja considerada a rotação
de culturas, não somente entre as diferentes hortaliças, mas também com o uso de

24
plantas recicladoras e recuperadoras das características químicas, físicas e biológicas
dos solos. Também o uso do consórcio entre plantas, utilizando-se gramíneas e
leguminosas forrageiras, é recomendado.
Um conselho aos olericultores: Antes de fazer a semeadura devemos ter a
lavoura já preparada para receber a muda a fim de que não tenhamos surpresas:
choveu, não deu para preparar o solo e a muda está passando do ponto.

25
IV. PRINCIPAIS ESPÉCIES E CULTIVARES DE
HORTALIÇAS

Eng.º Agr.º Jandir Vicentini Esteves

1. INTRODUÇÃO

Variedade ou cultivar?
O termo variedade, utilizado no sentido agronômico, tem sido substituído pelo
termo técnico cultivar. Trata-se de um grupo de plantas cultivadas, semelhantes entre
si, que se distinguem de outros grupos por características de relevância agronômica e
comercial (Filgueira, 2000).
Um cultivar, em se tratando de olericultura, pode ser constituída por plantas
pertencentes a um dos quatro seguintes tipos de agrupamento (Filgueira, 2000):

Clone

Conjunto de plantas geneticamente idênticas e originárias de uma única planta-


matriz, propagada assexuadamente, ou seja, sem a utilização de sementes botânicas;
exemplo: alho, batata, couve de folha.

Linhagem

Conjunto de plantas com aparência muito uniforme, propagadas por via sexual,
cujas características são mantidas por seleção, tendo um padrão em vista; exemplo:
cultivar de tomate Santa Clara.
Cultivar de polinização aberta

Grupo de plantas que apresenta diferenças genéticas (genótipo distinto), porém


mantendo características agronômicas comuns (fenótipo semelhante), pelas quais o
grupo possa ser identificado; exemplo: melão caipira selecionado por produtores.

Híbrido ou Cultivar Híbrida

Conjunto de plantas altamente uniforme de modo geral obtido pelo cruzamento


controlado entre duas linhagens escolhidas, mantidas por autofecundação induzida.
Exemplo: híbridos de tomate e couve-flor, etc.

Tem se verificado, ao longo dos tempos, que o uso de diferentes cultivares de


hortaliças vem sofrendo mudanças, basicamente pela introdução de novos híbridos.
Isto torna relevante o conceito de tipo ou grupo de cultivares dentro de uma cultura,
englobando aquelas cultivares com características agronômicas e comerciais comuns.
Exemplo: o pepino do grupo Caipira (coloração verde claro) tem mais aceitação pelo
consumidor do que o pepino do grupo Aodai ( verde escuro).

2. CALENDÁRIO DE SAFRA

É possível organizar um calendário de plantio obtendo-se produção


diversificada de hortaliças ao longo do ano. Para tanto, é necessário considerar a
adaptação termoclimática das espécies, a disponibilidade de cultivares adaptadas a
condições diferenciadas, a altitude da localidade, a latitude e as épocas de plantio
favoráveis. Também são importantes as preferências do consumidor, as épocas de safra
(preços baixos) e entressafra (preços mais altos), dentre outras considerações
mercadológicas.
Ao olericultor diversificado, em particular, interessa produzir hortaliças
variadas, de janeiro a dezembro, especialmente quando ele também assume o papel de

27
varejista, devendo manter abastecida sua banca em feira livre ou num mercado
municipal.
As peculiaridades de cada cultura devem ser consideradas, porém é a
temperatura o fator determinante mais ponderável na organização do calendário de
plantio. Considerando-se as estações do ano, hortaliças de clima quente são plantadas,
geralmente, na primavera-verão; as demais de clima ameno no outono, exceto as
cultivares “de verão”, e aquelas de clima frio, no outono – inverno, com ressalva às
cultivares “ de verão”. Seguramente, a condição de temperatura e clima da localidade,
nos meses em que a planta estará no campo, é que determina a época mais adequada
de plantio de cada hortaliça.
Objetivando uma produção constante e diversificada de hortaliças ao longo do
ano, deve-se considerar o intervalo mais adequado para as datas de plantio. Para isso,
levam-se em conta o ciclo cultural até o início da colheita e a duração desta. Um
intervalo de 7 a 15 dias na semeadura pode assegurar suprimento constante de alface,
couve-brócolo, mostarda, couve-flor e rabanete; já o intervalo de 45 – 60 dias é
apropriado para beterraba, cenoura, batata-doce (esta última cultura na depressão
Central em plantios de setembro a fevereiro, conjugada com o armazenamento em solo
enxuto).
Algumas espécies, como alho, ervilha e morango, apenas permitem o plantio
dentro de uma faixa estreita, em determinados meses, por causa de sua exigência em
frio. Outras, devido ao ciclo mais longo, além de exigências climáticas peculiares,
possibilitam o plantio tão-somente em certos meses, como aspargo, cará, inhame,
mandioquinha-salsa e aipim.
Espécies como: tomate, pimentão, berinjela e quiabo podem ser semeadas de
julho a 10 de janeiro na Depressão Central e de setembro a dezembro nas regiões mais
frias do Estado do RS, por serem plantas de clima tropical.
A classificação das espécies pela exigência termoclimática apresentada
certamente é imperfeita e sujeita a alterações. Os fitomelhoristas têm ampliado a faixa
térmica favorável ao cultivo de certas espécies pela criação de cultivares “de verão” –
apropriadas para cultivo sob temperaturas mais elevadas. Esse termo deve ser
compreendido no sentido de que dentro de uma espécie típica de clima frio ou ameno
foram criadas novas cultivares adaptadas a clima mais quente. Bons exemplos ocorrem

28
em certas brássicas (couve-brócolos, couve-chinesa, couve-flor e repolho); e também
em alface e cenoura.

3. ADAPTAÇÃO TERMOCLIMÁTICA DAS HORTALIÇAS

É possível enquadrar as numerosas espécies botânicas cultivadas como


hortaliças em três grandes grupos, inclusive considerando-se as particularidades das
modernas cultivares. Para tanto, levam-se em consideração as peculiares exigências
termoclimáticas de cada cultura durante a maior parte do ciclo cultural. Com base
nesse critério, têm-se:
- Hortaliças de Clima Quente: aquelas tipicamente intolerantes ao frio, o qual
prejudica ou inibe a produção. Estas exigem temperaturas elevadas diurnas e
noturnas, são todas intolerantes às geadas, porém algumas toleram
temperaturas amenas. Exemplos: a maioria das cucurbitáceas, batata-doce e
quiabo.
- Hortaliças de Clima Ameno: produzem melhor sob temperaturas amenas –
aquelas mais favoráveis ao bem-estar humano; toleram temperaturas mais
baixas, próximas e acima de 0°C; e podem, inclusive, tolerar geadas leves.
Exemplos: tomate, batata e alface.
- Hortaliças de Clima Frio: exigem ou produzem melhor sob baixas
temperaturas, tolerando, inclusive, aquelas situadas ligeiramente abaixo de
0°C; suportam geadas mais pesadas. Exemplos: repolho de inverno, alho e
alcachofra.

Quadro 1 - Classificação das espécies oleráceas pela exigência termoclimática


CLIMA FRIO CLIMA AMENO CLIMA QUENTE
Acelga Abobrinha-italiana Abóbora rasteira
Aipo (salsão) Agrião-d’água Batata-doce
Alcachofra Alface * Berinjela
Alho Almeirão Cará
Alho-porró Batata Chuchu
Aspargo Cenoura * Coentro
Beterraba Chicória Espinafre-da-nova-zelândia
Cebola Moranga híbrida Feijão-de-corda (caupi)
Cebolinha Rúcula Feijão-de-lima
Couve-brócolos * Salsa Feijão-vagem

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CLIMA FRIO CLIMA AMENO CLIMA QUENTE
Couve-chinesa* Tomate Inhame
Couve-de-bruxelas Jiló
Couve-flor* Maxixe
Couve-manteiga Melancia
Couve-rábano Melão
Couve-tronchuda Milho-doce
Ervilha Milho-verde
Espinafre Moranga
Fava-italiana Pepino
Funcho Pimenta
Mandioquinha-salsa Pimentão
Morango Quiabo
Mostarda-de-folha Taioba
Nabo
Rabanete
Rábano “daikon”
Repolho *
* Espécies que apresentam culivares de verão

4. CALENDÁRIO DE SAFRA DAS HORTALIÇAS PRODUZIDAS


NO RIO GRANDE DO SUL

Quadro 2 - Calendário de safra das hortaliças produzidas no RS, 2002


Nº ESPÉCIES (*) Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
01 Abóbora X X X X X X X X
02 Abobrinha Italiana X X X X X X X X
03 Abobrinha Tronco X X X X X X X X
04 Acelga X X X X X X X X X X X X
05 Agrião X X X X X X X X X X X X
06 Aipo/Salsão X X X X X X X X X X X X
07 Alcachofra X X X X
08 Alecrim X X X X X X X X X X X X
09 Alface X X X X X X X X X X X X
10 Alho Macho X X X
11 Alho Nacional X X X
12 Alho Poró X X X
13 Almeirão/Radiche X X X X X X X X X X X X
14 Amendoim c/casca X X X X X X
15 Aspargo X X X
16 Batata Branca X X X X X X X X X
17 Batata Branca Lisa X X X X X X X X X
18 Batata Doce X X X X X X X X X X X X

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Nº ESPÉCIES (*) Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
19 Batata Rosa X X X X X X X X X
20 Berinjela X X X X X X
21 Beterraba Caixa X X X X X X X X X X X X
22 Beterraba Molho X X X X X X X X X X X X
23 Brócolis X X X X X X X X X X X X
24 Cebola Nacional X X
25 Cenoura Caixa X X X X X X X X X X X X
26 Cenoura Molho X X X X X X X X X X X X
27 Cheiro Verde X X X X X X X X X X X X
28 Chicória X X X X X X X X X X X X
29 Chuchú X X X X X X X
30 Cogumelo X X X X X X X X X X X X
31 Couve X X X X X X X X X X X X
32 Couve Chinesa X X X X X X X X X X X X
33 Couve Flor X X X X X X X X X X X X
34 Cravo X X X X X
35 Crisantemo X X X X X X X X X X X X
36 Erva Doce X X X X X X X X X X X X
37 Ervilha X X X X X X X X X
38 Escarola X X X X X X X X X X X X
39 Espinafre X X X X X X X X X X X X
40 Fava X X X X
41 Feijão X X X X X X
42 Louro X X X X X X X X X X X X
43 Mandioca (Aipim) X X X X X X X X X X X X
44 Manjerona X X X X X X X X X X X X
45 Melancia X X X X X
46 Melão Comum X X X X X X
47 Melão Espanhol X X X X X X
48 Melão Prince X X X X X X
49 Milho Pipoca X X X X X
50 Milho Verde X X X X X X X X
51 Mogango X X X X X X
52 Moranga Cabotiá X X X X X X X
53 Moranga Comum X X X X X X X
54 Moranga Pataca X X X X X X X
55 Morango X X X X X X X X X
56 Mostarda X X X X X X X X X X X X
57 Nabo Comprido X X X X X X X X X X X X
58 Nabo Redondo X X X X X X X X X X X X
59 Pepino Conserva X X X X X X X X
60 Pepino Salada X X X X X X X X
61 Pimenta Vermelha X X X
62 Pimentão X X X X X X X
63 Pimentão Amarelo X X X X X X
64 Pimentão Capeleti X X X X X X X
65 Pimentão Verm. X X X X X
66 Quiabo X X X X X X
67 Rabanete X X X X X X X X X X X X
68 Repolho Roxo X X X X X X X X X X X X
69 Repolho Verde X X X X X X X X X X X X
70 Rosa X X X X X X X X X X X X
71 Rúcula X X X X X X X X X X X X

31
Nº ESPÉCIES (*) Jan Fev Mar Abr Maio Jun Jul Ago Set Out Nov Dez
72 Salvia X X X X X X X X X X X X
73 Tomate Cereja X X X X X X
74 Toamte S. Caqui X X X X X X X
75 Tomate S.L.V. X X X X X X X
76 Tomate Paulista X X X X X X X
77 Tomate Sta Cruz X X X X X X X
78 Vagem X X X X X X X X
Fonte: CEASA RS 2002.

Observação:
A fim de que tenhamos um bom desenvolvimento das variadas espécies de hortaliças, devemos levar em conta as
exigências climáticas.
Ao definirmos a melhor época para o plantio ou semeadura, devemos considerar aspectos ligados aos
microclimas regionais e também características específicas das cultivares.

32
5. INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE PLANTIO E CONSUMO DE SEMENTES DE HORTALIÇAS

Quadro 3 - Informações básicas sobre o plantio e consumo de sementes de hortaliças


HORTALIÇAS/ N.º DE ESPAÇAMENTO SEMENTES LOCAL INICAL DE SISTEMA DE RENDIMENTO
CULTIVADAS SEMENTES/g EM m GASTAS EM g/ha SEMEADURA PLANTIO t/ha
1 – Abóbora Tetsukasuto 7 a 10 3 x 2,5 600 a 700 Definitivo Em cova canteirões 10 a 15
2 – Menina Brasileira 7 a 10 3x3 600 Definitivo Em cova canteirões 25 a 30
3 – Abóbora/Moranga 7 a 10 3 x 2,5 600 a 700 Definitivo Em cova canteirões 25 a 30
exposição e Pataca
4 – Abóbora tipo seca 5a7 5x5 300 Definitivo Em cova canteirões 25 a 30
5 – Abobrinha Italiana 7 a 10 1,5 x 0,50 4500 a 5500 Definitivo Em cova canteirões 20 a 25
6 – Acelga 40 a 60 0,6 x 0,30 10.000 a 12.000 Definitivo ou Canteiro 9 t x 6 colheitas
sementeira
7 – Agrião 4.000 a 5.000 0,1 a 0,1 500 Definitivo ou Sanga/vala 15,6 t x 8 colheitas
sementeira
8 – Aipo/Salsão 2.500 0,30 x 0,30 80 Sementeira ou Canteiro 40 t
bandeja
9 – Alcachofra ? 1,5 x 1,00 6.000 a 6.500 Bandeja Canteiro 19
10 – Alface Americana 900 a 1000 0,35 x 0,35 250 a 300 Sementeira ou Canteiro 20 t
bandeja
11 – Alface crespa e lisa 900 a 1000 0,30 x 0,30 250 a 300 Sementeira ou Canteiro 17,5
bandeja
12 – Alho Poró 400 0,50 x 0,15 800 Sementeira Canteiro 15
13 – Alho 1 semente x 3 g 0,25 x 0,08 1.000.000 Definitivo Canteiro 8 a 12
14 – Almeirão de folha 700 a 800 0,20 x 0,15 1.600 Definitivo Canteiro 7,2 t x 6 colheitas
15 – Almeirão de cabeça 700 a 800 0,30 x 0,20 800 Definitivo Canteiro 30
16 – Bardana ou Gobo 6a7 0,8 a 0,15 32.000 Definitivo Canteiros 36
17 – Batata 1 semente x 150 g 0,8 x 0,25 7.500.000 Definitivo Canteiros 20
18 – Batata Doce 1 raiz x 150 g 0,8 x 0,30 300.000 Sementeira Canteiros 15 a 20
19 – Berinjela 200 a 230 1,50 x 0,80 100 Bandeja Canteiros 60
HORTALIÇAS/ N.º DE ESPAÇAMENTO SEMENTES LOCAL INICAL DE SISTEMA DE RENDIMENTO
CULTIVADAS SEMENTES/g EM m GASTAS EM g/ha SEMEADURA PLANTIO t/ha
20 – Beterraba 50 a 60 0,25 x 0,1 10 Definitivo Canteiros 90
21 – Cebola 300 0,3 x 0,1 1.500 Sementeira Canteiro 20 a 25
22 – Cebolinha 470 a 480 0,3 x 0,08 1.500 Sementeira Canteiro 55
23 – Cenoura 700 a 900 0,20 x 0,07 4.000 Definitivo À lanço 20 a 25
24 – Chicória 800 a 900 0,35 x 0,30 500 Bandeja À lanço 22
25 – Coentro 80 a 120 0,30 x 0,05 5.000 a 8.000 Definitivo À lanço 20 x 3 cortes= 60
26 – Couve Brócolis 260 a 280 1,0 x 0,5 160 Bandeja À lanço 25
27 – Couve de Bruchelas 400 a 500 0,8 a 0,5 200 Bandeja À lanço
28 – Couve Chinesa 250 a 350 0,7 x 0,30 300 a 350 Bandeja À lanço 22
29 – Couve-Flor 250 a 320 0,9 x 0,50 160 a 200 Bandeja À lanço 30
30 – Couve-Manteiga 270 a 300 1,0 x 0,5 160 a 200 Bandeja À lanço 30
31 – Couve-Rabano 250 a 280 0,40 x 0,20 1.000 Bandeja À lanço 40
32 – Erva Doce 3000 a 3200 0,4 x 0,20 120 a 150 Bandeja Canteiro 25
33 – Ervilha Grão 3a5 0,50 x 0,25 80.000 a 100.000 Definitivo Sulco 1,8
34 – Ervilha Torta 3a5 1,0 x 0,5 12.000 a 15.000 Definitivo Canteiro 7
35 – Espinafre 25 0,3 x 0,20 11.000 a 18.000 Definitivo Em linha ou a lanço 16 x 2 cortes
36 – Fava 2 0,6 x 0,30 68.000 Definitivo Sulco
37 – Feijão vagem 3a4 1,0 x 0,6 20.000 a 30.000 Definitivo Canteiro 20
38 – Jiló 400 a 500 1,20 x 0,8 80 a 100 Bandeja Canteiro 18
39 – Gengibre 12
40 – Melancia 15 a 25 2,5 x 1,0 500 a 700 Definitivo Covas 20 a 25
41 – Melão 25 a 30 2,0 x 0,30 1.000 Definitivo Covas 20
42 – Milho verde 4a7 1,0 x 0,25 10.000 a 15.000 Definitivo Pingado 10
43 – Mostardas 600 0,2 x 0,1 1.000 Definitivo Canteiro e a lanço 24
44 – Nabo/Kabm 450 a 600 0,3 x 0,1 1.000 Definitivo Canteiro a lanço ou 60
em linha
45 – Mogango 5a7 2,5 a 1,0 2.400 Definitivo Covas 15 a 20
4 6– Moranguinho Mudas 0,35 x 0,30 70.000 mudas Sementeira Canteiro 30
47– Pepino 30 a 40 1,0 x 0,6 1.500 Definitivo Canteiro 46
Aodai8tutorado
48 – Pepino caipira 30 a 40 1,0 x 0,6 1.500 Definitivo Canteiro 44
Tutorado
49 – Pepino rasteiro 30 a 40 1,5 x 0,30 1.500 Definitivo Canteiro 25
HORTALIÇAS/ N.º DE ESPAÇAMENTO SEMENTES LOCAL INICAL DE SISTEMA DE RENDIMENTO
CULTIVADAS SEMENTES/g EM m GASTAS EM g/ha SEMEADURA PLANTIO t/ha
indústria
50 – Pepino indústria 30 a 40 1,2 x 0,30 1.500 Bandeja Canteiro 30
Tutorado
51 – Pepino Japonês ou 30 a 40 1,2 x 0,30 600 Bandeja Canteiro 60
Holandês
52 – Pimenta 150 a 170 1,2 x 0,8 130 a 180 Bandeja Canteiro 20
53 – Pimentões 120 a 170 1,0 x 0,6 80 a 170 Bandeja Canteiro 36
54 – Quiabo 18 a 20 1,2 a 0,30 3.000 Definitivo Canteiro 15
55 – Rabanete 80 a 90 0,15 x 0,08 17.000 a 25.000 Definitivo Canteiro e à lanço 10
58 – Rabano 50 a 60 0,6 x 0,08 9.000 a 12.000 Definitivo Canteiro 20
59 – Repolho 250 a 300 0,6 x 0,4 250 a 300 Bandeja Linha 45
60 – Rúcula 550 a 580 0,25 x 0,05 10.000 Definitivo Canteiro 7,2 x 6 colheitas
61 – Salsa 600 a 650 0,25 x 0,03 2.000 a 3.000 Definitivo Canteiro 15,6 x 4 colheitas
62 – Tomate Caqui 300 a 350 1,2 x 0,7 40 a 50 Bandeja Canteiro 60
crescimento Deter.
63 – TomateSta Cruz 300 a 350 1,2 x 0,7 80 Bandeja Canteiro 55
indeter.
64 – Tomate Cereja 400 a 500 1,2 x 0,5 30 Bandeja Canteiro 32,5
65 – Tomate Duplo- 300 a 350 2,0 x 0,20 100 Bandeja Canteiro 50
Propósito
66 – Aspargo 23 a 25 1,5 x 0,50 1.200 Sementeira Camalhão 8
67 – Mandioquinha Salsa Mudas 1,0 x 0,50 1,5 m3 Definitivo ou Camalhão 1,2
sementeira
Fonte: ISLA (2000), Agroflora (1997), Hortec (1995 ), ABCSEM - Associação Brasileira do Comércio de Sementes e Mudas (2000 ),
Filgueira (2000).

35
6. RECOMENDAÇÃO DE CULTIVARES POR ESPÉCIE

Quadro 4 - Relação das cultivares das hortaliças mais produzidas noRS com suas respectivas épocas de plantio
CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
ESPÉCIES
Abóbora híbrida tipo Tetsukalinto 1- Takayama,3- Tokita, Kanda e
Kiowa,2- Sakata, 4-Takii, 5-Fortuna
Abóbora Menina Brasileira Menina Brasileira
Abóbora Moranga Exposição, Coroa e Pataca
Abóbora tipo seca 1-Rajada Seca Melhorada, 2-Seca CAC
Melhorada, Menina Rajada, Squash
Spaguetti, 3-Tronco Redonda, híbrida:
Bárbara
Abobrinha Híbridas: 1-Caserta CAC Melhorada e
Redonda de Tronco, 2- Novita, Novita
Plus (resistente ao oídio)
Acelga Verde de Talos Brancos e Branca de
Lyon
Agrião 1-Folha larga melhorada, D’água Folha Obs.: evitar semeaduras:(agosto a
larga, Gigante Redondo, Agrião da outubro)
Terra (Picante) e Agrião do seco
Aipo Salsão 1-Florida-683, Topseller, Green King,
Cornel 619
Alcachofra Roxa Romana
ESPÉCIES CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
Alface tipo Americana Kaiser, Raider (meia Estação) Lorca ,Legacy, Empire Lucy Brown, Tainá

36
CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
ESPÉCIES
Alface tipo crespa Brisa, Hortencia Verônica, Salad Bowl Vera
Cultivares Roxas Rubra, Banchu Red Fire, Veneza Roxa
Alface tipo lisa Carolina, Elisa,1- Regina, Maravilha Carolina Regina e Elisa
Alface ripo lisa roxa das 4 Estações
Alho Porró 1-Titan Osena e Atal
Obs.: melhor semeadura outubro
ESPÉCIES CULTIVARES

TODO ANO INVERNO VERÃO


Alho Nobre Roxo Caxiense, Quitéria, Chonan e
Seleção 30
Alho Comum Cateto e Portela

Almeirão de folha 1-Amarelo (Radiche), Catalonha e


Folha Larga Branco, Almeirão Pão de
Almeirão de cabeça Açúcar e o Vermelho
Bardana ou Gobo Takinogawa
Batata Boronesa, Elvira, Asterix, Macaca,
Catucha, Cristal, Atlantic, Monalisa,
Achat, Bintje, Plantio, na safra: (julho a
outubro e safrinha: fevereiro e março).
Batata Doce Catarina, Americana, Abóbora e
Morada Inta.
Berinjela Cultivar: Embu
Híbridas: 1-Napoli,2-Solara, Ciça,
Super F-100
ESPÉCIES CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
Beterraba Early Wonder (Ferre Morse) , 1-Tall
Top Early Wonder,
Early Wonder (Agroflora) Wonder 2000
Chata do Egito
Híbrida: Scarlet Supreme e Scarlet
Wonder

37
CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
ESPÉCIES
Cebola Dias curtos: Aurora, Primavera,
Madrugada, Baia Precoce e Híb.
Mercedes (semeadura em abril/maio)
Dias intermediários: Petroline e Crioula
e Crioula Mercosul (semeadura junho)
Dias longos: Crioula Alto Vale e
Jubileu (semeadura em maio).
Cebola de verão: Alfa Tropical
(semeadura em Novembro/ Dezembro).
CULTIVARES

ESPÉCIES
TODO ANO INVERNO VERÃO
Cebolinha 1- Ano Todo
2- Nebuka
3- Futonegui
4- Hosonegui
Cenoura 1-Nates, Forto, Flakesse, Falkker, Brasília RL,1- Brazilandia, Kuronan,
Aline, Nantes Topseed, Shinkuroda, Carandaí HT (semeadura:
Híb. Tiger (Beta) de dezembro a abri)
Chicória Escarola Marina Gigante, Amazonas Gigante e
Marina
ESPÉCIES CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
Chicória Crespa Pancalieri
Chicória Radichio Carmem – cultivada no verão e outono
Coentro Português
Couve Brócolo tipo Ramoso Híbrido Flórida Ramoso Santana Ramoso Piracicaba
Couve Brócolo Tipo Cabeça Única 1-Legacy, 2-Marathon, Haitsu Magestic
Couve de Bruxelas Long Island e Híb. Jade
Couve Chinesa (Hakussai) Pe-Tisai Yuuki
Híbridas: Komachi, Kukai 65, 1-Kukai
70 e Taibyo-60

38
CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
ESPÉCIES
Couve-Flor Cultivadas na meia estação . Híb. 1-Teresópolis Gigante, Teresópolis Piracicaba Precoce.
Barcelona, Silver Streak e Yuki Precoce e Bola de Neve. 1-Híb. Verona 184, Híb. Luna,
Híb. Shiromaru III e Silver Streak Híb. Sharon, Híb. Shiromaru I,
Híb. Ramy
Couve Manteiga Georgia, Portuguesa, De Galho.
Híb. : Hi-Crop, Top Bunch e Revi-Crop
Couve-Rábano Branco de Viena e Roxo
Híbrida: Grand Duke
Chuchu Verde Liso e Verde Escuro
Erva Doce ou Funcho Romanesco e Hib. Carmo
Ervilha Grão Utrillo
Agroflora nº 40 e Itapuã-600
Ervilha Torta Torta da Flor Roxa e Torta HT
Espinafre Viroflay, Híb. Marutsubu e Megaton

ESPÉCIES CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
Espinafre da Nova Zelândia Espinafre da Nova Zelândia , Nova
Zelândia RS
Fava Água Doce e Luz de Outono
Feijão Vagem tipo Macarrão Trepador 1-Favorito,2- Preferido,3-Estrela,4-
Brasília,5- Atibaia
Feijão Vagem tipo Macarrão Rasteiro Macarrão Baixo, Conquista , Amarelo,
Mimoso e Nerina
Feijão vagem tipo manteiga trepador Talharim, Teresópolis

Feijão vagem tipo manteiga rasteiro Mantegia Baixo

Jiló Não há cultivo comercial do RS ComprIdo Grande Rio,


Teresópolis Gigante
Gengibre Não existe lavoura com expressão
comercial no RS
Maxixe Não existe lavoura com expressão Comum do Norte, Maxixe do Norte
comercial no RS

39
CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
ESPÉCIES
Melancias Redondas 1-Crimson Sweet Petoseed
Híb. Eureka, Híb. Jetstream, Híb.
Crimson , Select e Georgia
Melancias Compridas 1-Congo, 2-Jubilee II, 3-Charlerston
Gray, 4-Fairfax
Melão Gaúcho Caipira Redondo, Comprido, Gaúcho HT
Melão tipo amarelo Eldorado 300, Redondo amarelo. Híb.
AF – 642 e 682, Canariam Kobayashi,
Gold Mine, Joia Dourada, Rochedo
Melão tipo Cataloupe Imperial, Hales Best. Híb. Hy-Mark,
Magelan, Torreon
Melão Tipo Charentais Híb. Biora, Luxo, Nice e M 865
Melão tipo Galia Híb. Galia, Aravá, Galeão
Melão Honey Dew Híb Orange Flesh Sorbet 6232, Honey
Dew Orange Flesh
Melão tipo Net Melon Híb. Bonus II, Nero, Sunrise
Melão Pele de Sapo Tendency, Verde Nacional
Milho Doce Cristal, DO-04, Super Doce, Super
Doce Arruda
ESPÉCIES CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
Milho verde AG-519, Itapuã 700
Mostarda Crespa Giant Curled, Crespa Topseed,
Da Florida
Mostarda lisa Florida Broad Leaf
Nabo/Kabu Tokinashi Wase Kokabu, Híb. Taibyo
Hikari, Redondo Gota Branca e
Redondo Branco
Mogango Enrugado, Sul Mineiro
Morango Oso Grande, Camarosa, Campinas,
Sweet Charlie, Verão ou Serrano,
Dover, Vila Nova
Pepino tipo Aodai Aodai Melhorado,
Salada Aodai. Híb. Runner, Centurion,
Exocet, Sprint II
Pepino tipo Holandês Híb. Hana, Híb. Haten
40
CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
ESPÉCIES
Pepino tipo Caipira Caipira Verde, Rubi, 1-Híb. Safira,
Super Colonião, Magnum, Bugre e
Caipira
Pepino tipo Indústria Pickles para conserva, Wisconsin SMR
58, Híb. 1-Eureka, 4-Vlaspik, 3-
Primepak, Premier, Prêmio, Supremo,
2-Marinda (Partenocápico), Bianca
(Partenocárpico)
Pepino Tipo Japonês Nikkey, Natsusuzumi, Tsubasa
Pimenta Doce Agronomico 11, Cabuci, Doce
Comprida. Híbridas: Canal e Lipari
Pimenta Ardida Cayene (Dedo de Moça), Malaqueta.
Híbridas: Firenza, Jalepeño Grande
Pimentão Retangular Verde/Amarelo Amarelo SF 134 e Nacional.
Híbridos:1-Amanda, 2-Zarco, Matador,
Ori
Pimentão Retangular Verde/Vermelho Elisa, Magnum, Melody, Tango Vidi
Pimentão Cônico Verde/ Vermelho Magda, Casca Dura Ikeda. Híbridos –
2-Magali e 1-MagaliR, 3-Nathalie,
Acuário, Fresco e Luis
CULTIVARES
ESPÉCIES

TODO ANO INVERNO VERÃO


Pimentão Quadrado Verde/Vermelho 1-All Big, 2-Califórnia Wonder 300,
Yolo Wonder. Híbridos: Colombo, Nice
e Olímpico
Pimentão Quadrado Verde Amarelo Híbrido: 1-Marengo e Luana
Pimentões coloridos Diferenciados Ivory (creme), Lilac (Roxo) Mandarim
(laranja), Valência (laranja)
Quiabo ou Gombo Colhe Bem, Amarelinha, Americano,
Sta Cruz-47. Híbrido: Early Five
(quinado)
Rabanete 1-Vip Crimson Giant, Akamaru,
Crinson Vip Feltrin, Comet, Champion,
Saxa. Híbridos: 2-Juliette, 3- nº 19

41
CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
ESPÉCIES
Rábano ou Daikon Redondo
Híbrido: Hayabutori, Shogoin
Rábano – comprido Minowase, Tokinachi Híb. Shigatsu Wase
Híbrido: Minowase nº 3, Omny
Repolho verde Chato de Quintal, Coração de Boi, Fuyutoyo Louco de Verão
Híbridos: Kenzam, Fuyutoyo, Midori, Sinshei
Aoba, Astrus, Shinsey, Satohikari,
Ombrius, Aconcagua
Repolho roxo Marnuth gigante, Precoce, Híbridos: Shuto Ku 500 Rh (KK Cross)
Ruby Perfection, Red Ball, Rubro
Repolho Crespo Vertus
Híbrido: Crespo Savoy Ace
Rúcula Folha larga, Cultivada , Americana,
Selvática, Silvestre
Salsa Lisa Comum, Graúda Portuguesa, Preferida
Tomate Caqui – crescimento Floradade, Gaúcho Determinado –
determinado Híbrido: Rodas, Leila, Eros, Florida,
Athenas, EF-50

Tomate Caqui - Crescimento Marglobe Melhorado, Marmande,


indeterminado Tropic. Híbridos: Carmen, Raísa N,
Olympo, Fortaleza, Grandeur, Fanny,
Sofya (estufa)
CULTIVARES
ESPÉCIES

TODO ANO INVERNO VERÃO


Tomate tipo Santa Cruz – crescimento Sta Clara VF 5600, Kada, Sta Clara
indeterminado Miss Brasil, Jumbo, Barão Vermelho.
Híbridos: Debora Plus, Debora Max,
Bônus, Ataque, Sta Clara III, Andrea,
Kindyo
Salsa Crespa Decora, Frison

42
CULTIVARES
TODO ANO INVERNO VERÃO
ESPÉCIES
Tomate Caqui – crescimento Floradade, Gaúcho Determinado –
determinado Híbrido: Rodas, Leila, Eros, Florida,
Athenas, EF-50

Tomate Caqui - Crescimento Marglobe Melhorado, Marmande,


indeterminado Tropic. Híbridos: Carmen, Raísa N,
Olympo, Fortaleza, Grandeur, Fanny,
Sofya (estufa)
Tomate tipo Santa Cruz – crescimento Sta Clara VF 5600, Kada, Sta Clara
indeterminado Miss Brasil, Jumbo, Barão Vermelho.
Híbridos: Debora Plus, Debora Max,
Bônus, Ataque, Sta Clara III, Andrea,
Kindyo
Tomate Cereja – crescimento DRC-110 , 10l e 107
indeterminado Híbridos: Bambino, Brinco. Pepe,
Sweet Million, Coco
Tomate Duplo propósito Petomech, Calroma, Rio Grande Super,
Ipa-6.
Híbridos: AP-529, AP-533, SM-16,
Rio Brasil, Hypeel-108, H-9498, H-
9492 e H-9665
Fonte: Semeagro Engº Agrº Vitório Poletto Ferreira
Compagro Tec. Agrícola Gerth Becwaldt
Catálogos: ISLA Sementes; AGROFLORA; HORTEC Sementes; ASGROW; TOPSEED;PETOSSED;EAGLE Sementes;
FELTRIN Sementes; Sementes SAKAMA.

Obs.: Os números que antecipam as cultivares significam a ordem de importância das hortaliças mais cultivadas.

43
7. INFORMAÇÕES BÁSICAS SOBRE PLANTIO E
CONSUMO DE SEMENTES E HORTALIÇAS

Observações sobre o quadro 2:

Em algumas culturas considerou-se para efeito de cálculo área útil de


65%.
As cucurbitaceas poderão ser semeadas em bandejas de 128 células,
desde que o transplante seja efetuado com uma folha e meia no máximo e se
faça irrigação no local definitivo.
A produção da muda em bandeja condiciona o sistema radicular raso.
Dar preferência ao plantio definitivo das cucurbitaceas e neste caso
seria desejável fazer a subsolagem na linha para promover o aprofundamento
das raízes.
Agrião pode ser semeado, no local definitivo e à lanço.
Um (1 ) há com área útil de 6.500 m2, produz 78.000 molhos, em um
só corte. Esta cultura pode produzir, mais de 8 cortes por ano, no sistema de
limpeza de soca e transplante de mudas.
Seria conveniente fazer durante a colheita da batata-doce nos meses de
abril e maio a seleção de 300 kg de raízes, pesando cada raiz entre 150 e 200
g, quantia esta suficiente para o plantio de 1 ha, a sementeira deve ser feita em
canteiro coberto por túnel plástico transparente, com o devido manejo.
O tamanho do fruto no melão, esta diretamente relacionado com o
espaçamento. Esta hortaliça pode ser plantada no espaçamento de 2,0 x 0,25
m.
Tanto o Pepino Japonês quanto o Holandês não possuem semente,
devendo ser cultivados distantes dos pepinos comuns para não formarem
sementes, devido a esta característica, são menos indigestos. São excelentes
para plantio fora de época, em ambiente protegido, a flor não necessita
fecundação para formar o fruto.
V. PRODUÇÃO DE MUDAS DE HORTALIÇAS

Eng.º Agrº Paulo Renato Poerschke

1. INTRODUÇÃO

Uma da etapas mais críticas no cultivo de hortaliças tem sido a


produção de mudas , uma vez que o desempenho fitossanitário, nutricional e
produtivo da cultura no plantio definitivo está estritamente associado à
qualidade da muda.
Embora exista uma tendência da produção e fornecimento de mudas de
hortaliças se concentrar em produtores especializados, ainda hoje, no estado a
grande maioria dos olericultores produz a sua própria muda.
Este sistema acarreta uma série de incovenientes, que sempre se
traduzem em perda de eficiência. Entre elas podemos citar:
- Nem sempre o olericultor é um bom produtor de mudas;
- O local da sementeira é inadequado;
- O agricultor dispensa poucos cuidados fitossanitários;
- Composição inadequada do substrato.
Alguns fatores afetam a produção de mudas, como a qualidade das
sementes, as condições de umidade, as flutuações de temperatura e
disponibilidade de luz.

2. SEMENTEIRA

A sementeira é o local de início da vida produtiva e reprodutiva de uma


planta.
Deve-se ter alguns cuidados especiais quanto ao local, como evitar a
produção de mudas próximo a culturas, principalmente se forem da mesma
espécie; não usar água para irrigação de fontes que passam por outras
propriedades e evitar a produção, no mesmo local, de diferentes espécies e
idades.

Tipos de sementeiras

As sementeiras mais comuns são:


- Em canteiros
- Em caixas
- Em copos (jornal ou plástico)
- Em bandejas
- Em ripados
- Em estufas (estufim)
A produção de mudas em bandejas ou copos, seja de jornal ou plástico,
é cada vez maior, principalmente quando estas estão em um ambiente
protegido, através de estruturas que permitam, no mínimo, um controle parcial
do ambiente. Este sistema traz uma série de vantagens:
- Economia de sementes;
- Mudas uniformes;
- Maior número de plantas por unidade de área;
- Menos dano devido ao manuseio;
- Facilidade no manejo de produção e transplante;
- Ótimo sistema radicular.

Localização da sementeira

Em função do constante cuidado que deve ser dispensado à sementeira,


quanto mais próxima da casa ela estiver, melhor.
Alguns outros cuidados são importantes na definição do local:
- Exposição direta ao sol;

47
- Distante de matos, árvores e construções;
- Local seco e arejado;
- Protegido de ventos;
- Longe das plantações definitivas.

3. SUBSTRATO

O substrato é uma mistura de materiais inertes e orgânico, que tem uma


boa fertilidade, permitindo uma germinação e desenvolvimento da muda.
O substrato pode ser encontrado em agropecuárias, pronto para ser
usado, ou ser preparado na propriedade.
O substrato preparado deve atender a algumas características básicas
como: boa capacidade de retenção de água, ter corpo e firmeza, boa
capacidade de aeração, boa drenagem, fertilidade e econômico.
Os componentes mais comuns utilizados na elaboração de substratos
são: o próprio solo, areia, casca de arroz carbonizada, cinza, verrmiculita,
solos de origem mineral, esterco, húmus de minhoca, casca de arroz, serragem
e turfa de origem orgânica.
Exemplos de substratos preparados na propriedade:
- Partes iguais misturadas de terra arenosa, esterco de animais bem
curtido e húmus de minhoca;
- Metade de húmus de minhoca e metade de casca de arroz
carbonizada bem misturados;
- 80% de húmus de minhoca, 15% de cama de frango e 5% de cinza;
- 40% de húmus de minhoca, 30% de solo preto de barranco, 20% de
casca de arroz carbonizada e 10% de cama de frango;
- 50% de composto de bovinos estabilizado, 30% de solo preto e 20%
de casca de arroz carbonizada.
Obs.: Em qualquer uma destas formulações pode-se acrescentar
pequenos percentuais de cinza e fosfato natural.
Todos os componentes devem ser muito bem misturados.

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4. BANDEJAS

Existem no mercado vários tipos de bandejas para a produção de mudas


de hortaliças. A mais comum é de isopor de coloração branca, que medem 68
cm de comprimento, 35 cm de largura e tem altura variável, a partir de 5 cm.
As bandejas também são classificadas de acordo com o número de
células que possuem. As mais comuns, de 128 células, são usadas, por
exemplo, para produção de mudas de tomateiro, e as de 242 e 280, para
alface.

É importante ressaltar que, na sementeira, estas bandejas devem ser


suspensas, facilitando o trabalho de manejo, mas principalmente para que as
raízes que passam pelo orifício no fundo das células sejam podadas pela
circulação do ar. Isto estimula o desenvolvimento de um bom sistema radicular
no interior das células.
Recomenda-se que, após o uso, as bandejas passem por um processo
de desinfecção para eliminar possíveis focos de doenças que poderão trazer
perdas nas próximas semeaduras.
Uma solução prática, econômica e eficiente é preparar uma mistura
usando 1 kg de sulfato de cobre e 1 litro de água sanitária em um recipiente
com 150 litros de água. Deve-se misturar bem e mergulhar as bandejas por
alguns minutos e depois deixar secar à sombra. A nova semeadura só deve ser
realizada no mínimo uma semana após este tratamento. Aconselha-se, antes
da colocação do substrato na bandeja, umedecê-la. Isto permitirá uma maior
aderência do substrato, evitando perdas pelos orifícios.

5. PLANTIO E MANEJO DA SEMENTEIRA

Utilizar sempre sementes de boa qualidade se possível, deve-se tratar as


mesmas usando 0,5 kg de húmus de minhoca diluído em 1 litro de água. Esta
mistura deve ficar em repouso por 2 a 3 horas, sendo agitada de 3 a 4 vezes. É

49
preciso envolver as sementes num tecido poroso e colocar de molho nesta
mistura por duas horas, deixar secar à sombra e efetuar a semeadura.
Devido ao pequeno tamanho das sementes da maioria das espécies,
deve-se, antes de realizar a semeadura, fazer a marcação. Esta prática que
consiste em preparar uma pequena cova em cada uma das células das
bandejas, tendo o cuidado para que estas fiquem no centro da célula e com a
mesma profundidade, o que permitirá uma germinação adequada e uniforme
das sementes.
As sementes deverão ser cobertas com uma fina camada de substrato,
sendo após levemente compactadas para permitir uma boa aderência com o
substrato.
Após, as bandejas devem ser levemente irrigadas, com o auxílio de um
regador de ralo fino, e pode-se empilhar uma bandeja sobre a outra, e
cobrindo-as com tendo o cuidado para que no início da germinação estas
bandejas sejam colocadas nos estrados, onde ficarão até o ponto de
transplante.
Quando houver necessidade deve ser efetuado o desbaste das mudas,
deixando-se somente uma por célula da bandeja.

6. IRRIGAÇÃO DA SEMENTEIRA

O sistema de irrigação a ser usado, quer nas sementeiras em canteiros,


copos ou bandejas, é a aspersão.
Esta aspersão deve ser através de gotas, o mais finas possíveis,
formando uma verdadeira neblina, para evitar danos às sementes e mudas.
Deve-se ter uma atenção especial quanto a qualidade da água, para se
evitar qualquer tipo de contaminação. O ideal é que a fonte de água a ser usada
na irrigação seja na propriedade.
Para operacionalizar este sistema, têm-se duas alternativas: o uso de
microaspersores, que são facilmente encontrados no mercado, ou através de
"baquetis" ou "espaguetis", que são de feitio caseiro.

50
Deve-se ter o cuidado de não exagerar nas irrigações. Excesso de
umidade é sinônimo de doenças.

7. TRANSPLANTE

Quando as mudas estiverem prontas para o transplante, necessitam de


um preparo antes de serem mudadas.
Um aspecto importante, é o ponto de transplante e para a maioria das
espécies, o estágio adequado é quando as mudas estiverem com 3 a 5 folhas
definitivas. No caso de plantas de baraço como melão e pepino o ponto de
muda é quando a 1ª folha definitiva estiver com 2 cm de diâmetro.
Algumas horas antes da retirada das mudas, deve-se fazer uma boa
irrigação.
Na hora da retirada da muda, seja de bandeja ou dos copos, deve-se ter
o cuidado para que a muda não seja danificada e mantenha o torrão. Isto
permitirá índice bem melhor de pegamento.

51
52
VI. ADUBAÇÃO DE HORTALIÇAS

Eng. Agr. Ivan Guarienti

1. INTRODUÇÃO

O período de cultivo das hortaliças é muito variável, de acordo com a


espécie, sendo em torno de 30 dias, como na alface e rabanete, e
aproximadamente 180 dias para o tomate. Durante o seu ciclo, elas devem
produzir raízes, folhas e frutos em quantidade e qualidade para serem
consumidas ou comercializadas como culturas economicamente viáveis.
Os nutrientes devem ser fornecidos em quantidades equilibradas e de
forma assimilável pelas plantas.
É importante lembrar que as plantas necessitam certos elementos
constitutivos, como o carbono, oxigênio e hidrogênio. Outros elementos são
minerais: os macronutrientes como nitrogênio, fósforo, potássio, cálcio,
magnézio, e o enxofre; os micronutrientes como manganês, zinco, cobre,
ferro, molibdênio, boro e cloro.
O carbono, o oxigênio e o hidrogênio, a planta retira do ar e da água e
os macro e micronutrientes, são retirados do solo.
É muito importante dar às plantas todas as condições físicas do solo,
bem como químicas para que ela retire todo os elementos necessários em
quantidade suficiente ao seu máximo desenvolvimento.
As condições ambientais fora do solo, como época de plantio, ventos,
insolação, frio, entre outras são também importantes para que a planta mostre
todo o seu potencial produtivo.
2. ESTRUTURA DO SOLO

Para o cultivo de hortaliças, os solos profundos e com textura areno-


argilosa são os mais recomendados pela maior facilidade da exploração do
solo pelas raízes.
O teor de matéria orgânica ideal é em torno de 5%, porque melhoram a
estrutura do solo.
É importante salientar que a matéria orgânica decomposta, de origem
vegetal, ajuda na estruturação do solo, deixando-o mais fofo, fazendo o que
podemos chamar de efeito esponja, ou seja, ajuda o solo a armazenar mais
água e, facilita o arejamento do solo e a drenagem do excesso de água. A
matéria orgânica serve também como fertilizante, embora o seu teor de
nutrientes é baixo em relação aos adubos químicos.
A matéria orgânica de origem animal, os estercos bem curtidos, se
prestam mais como fertilizantes orgânicos do que estruturadores de solo
porque os teores de nutrientes é maior do que os vegetais. Quantidades
excessivas destes materiais fazem com que o solo fique duro ou empedrado.
Para uma boa estruturação e fertilização do solo, o ideal é aplicarmos a
compostagem ou seja a mistura de vegetais e estercos animais bem curtidos,
porque fertilizam e dão melhor estrutura ao solo.
Quando os solos são muito argilosos, somente a adição de
compostagem, não deixará o solo em boas condições para o cultivo de
hortaliças, então, recomendamos o uso de areia de rio ou casca de arroz para
deixar o solo mais leve. As quantidades variam muito dependendo da
quantidade de argila no solo, mas a prática tem nos recomendado a quantia de
1 a 3 litros de areia por metro quadrado e, para a casca de arroz, observamos
que quantias maiores do que 1 litro por metro quadrado deixa o solo sujeito a
perder água em excesso, ficando muito seco.

54
3. ANÁLISE DO SOLO

Embora seja um assunto muito debatido e do conhecimento de todos,


observamos que na prática há um desleixo e até desconhecimento no uso
correto desta importante ferramenta na determinação da fertilidade do solo e
da quantidade de fertilizante a ser colocada no solo.
Observamos que muitas vezes não é retirada a amostra de solo em
vários pontos da horta, o que certamente dará resultados falsos sobre a
necessidade de fertilizantes.
Outra prática comum é o uso de calcário e fertilizantes sem a análise do
solo e isto acarreta desequilíbrios pela falta ou excesso de calcário e outros
fertilizantes, tanto químicos, como orgânicos.
Nos cultivos comerciais de hortaliças, recomendamos fazer uma análise
do solo a cada 3 cultivos pois, a retirada de nutrientes é muito grande e a falta
de um nutriente pode ocasionar perdas não só em quantidade como também
em qualidade dos produtos a serem comercializados.
Quando utilizamos fertilizantes orgânicos, devemos analisá-los antes de
sua aplicação para sabermos as quantidades dos nutrientes existentes e
complementar com outros fertilizantes, se for necessário.

4. ADUBAÇÃO ORGÂNICA

Os adubos orgânicos mais utilizados são: estercos de galinha, peru,


suínos e bovinos, cama das criações de suínos, húmus de minhoca, palhas de
leguminosas como feijão, soja e de gramíneas. Muitos materiais vegetais não
estão sendo usados por falta de conhecimento e até por desatenção sobre sua
possibilidade de uso como: restos de silagem; bagaço de cana triturada;
resíduos de limpeza de grãos dos armazéns e outros vegetais que após a
fermentação servem como fertilizantes.
Todos estes materiais orgânicos, antes de serem usados, devem sofrer
fermentação ou serem curtidos, que é o termo mais conhecido.

55
A compostagem, que é a mistura de estercos com resíduos vegetais,
devidamente curtido ou fermentado é a prática que apresenta mais benefícios
ao desenvolvimento de hortaliças.
Entre os benefícios do uso de adubos orgânicos podemos citar: fonte de
macro e micro nutrientes; auxilia na solubilização dos minerais do solo,
deixando-os mais disponíveis para as plantas; promove a agregação das
partículas em solos arenosos, aumentando a capacidade de retenção de água no
solo e, diminui a pegajosidade em solos argilosos, tornando-os mais soltos e
arejados; favorece a proliferação de microorganismos úteis no solo; libera fito-
hormônios que estimulam o crescimento vegetal.
Os adubos orgânicos podem ser aplicados poucos dias antes do plantio
e, devem ser incorporados ao solo para que não se perca com a ação do sol.
A quantidade média de nutrientes em alguns adubos orgânicos é a
seguinte:
- 1 t. de cama de suínos: 21,4kg de N; 21,8 kg de P 2O5; 10,8 kg de
K2O;
- 1 t. de esterco de suínos: 5,2 kg de N; 7,0 kg de P 2O5; 7,2 kg de
K2O;
- 1 t. de esterco de aves, 3 lotes: 25,0 kg de N; 24,5 kg de P 2O5; 17,5
kg de K2O;
- 1 t. de esterco de aves, 6 lotes: 24,5 kg de N; 28,0 kg de P 2O5; 28,0
kg de K2O;
- 1 t. de esterco de aves, 1 lote: 21,0 kg de N; 21,0 kg de P 2O5; 14,0 kg
de K2O;
Quando adicionados ao solo, somente uma parcela dos fertilizantes
contidos nos adubos orgânicos estarão disponíveis para as plantas. Em média a
disponibilidades dos nutrientes é a seguinte:
Nitrogênio: 50% no 1o ano; 20% no 2o ano.
Fósforo (P2O5): 60% no 1o ano; 20% no 2o ano.
Potássio (K2O): 100% no 1o ano.
Na prática, não devemos exceder em 30 m2/ha de esterco de aves e 50
m2/ha de esterco de bovinos.

56
Recomenda-se cultivar hortaliças folhas e raízes somente após 6 meses
a aplicação de compostos orgânicos de origem animal, devido a possibilidade
de contaminação destas hortaliças com bactérias e ovos de vermes dos animais
de onde foram originários os estercos. Portanto a aplicação de compostos
orgânicos de origem animal deve ser bem planejada para não haver perigos
para a saúde humana.
Uma recomendação prática é fazer-se a aplicação do adubo orgânico,
incorporá-lo ao solo e, cultivar uma olerícola fruto, como tomate, e após
cultivar as olerícolas folhas ou raízes, pois passou 6 meses entre o tomate e as
folhosas ou raízes.

5. CONFECÇÃO DE COMPOSTOS ORGÂNICOS

Camas de Aviários e Camas de Suínos

Estes tipos de camas devem ser amontoados em um local coberto e de


preferência escuro, para evitar a proliferação de moscas e, para não haver a
lavagem dos nutrientes pela chuva e proteger as camas dos raios solares que
prejudicam a fermentação.
Deve-se molhar as camas para que as bactérias decomponham o esterco
e a serragem e controlar a temperatura interna destes compostos.
A temperatura interna das camas deve ser controlada senão poderá
subir à níveis muito alto, matando as bactérias e interrompendo a fermentação.
Este controle é feito enfiando-se um pedaço de ferro de construção dentro do
monte que está sendo curtido. Semanalmente retira-se o ferro e observa-se a
temperatura colocando-se a mão na barra de ferro. Se está muito quente, deve-
se molhar o monte para baixar a temperatura. As mãos devem ser protegidas
com um plástico ou luvas para evitar a contaminação com o esterco.
Uma prática correta mas que quase nunca é feita devido as dificuldade
de executá-la é revirar o monte que está sendo curtido, a cada 30 dias.

57
O composto estará pronto quando não houver mais aumento de
temperatura interna, não exalar mais o cheiro do esterco e ter consistência de
uma terra de mato.
O tempo de fermentação dura de 4 a 6 meses dependendo da
temperatura ambiente e dos cuidados acima mencionados no processo de
fermentação.
O processo de fermentação não mata todos os fungos, bactérias
patogênicas e ovos de vermes que causam doenças as plantas e ao homem.
Portanto o manejo destes compostos devem ser muito criteriosos para evitar-se
contaminações.

Compostos orgânicos de origem vegetal

A primeira vista, a utilização de compostos orgânicos de origem


vegetal, parece ser uma prática não recomendável, mas observamos que em
muitas propriedades há uma quantidade muito grande de resíduos de origem
vegetal que se perde por falta de aproveitamento e, também por falta de
esterco para fazer compostagem com palhas e esterco.
Estes compostos sofrem o mesmo processo de fermentação que as
camas de aviário ou suínos e, devem ser observados os mesmos
procedimentos, com algumas ressalvas.
Se as palhas forem de gramíneas, a fermentação é mais lenta do que de
palhas de leguminosas como palhas de feijão e soja.
A mistura de palhas de leguminosas com gramíneas acelera a
fermentação.
Outra prática é dissolver uréia em água e misturar com a palha para
acelerar o processo de fermentação.
Os compostos de origem vegetal não tem as contaminações oriundas
dos estercos mas, tem os fungos e bactérias dos vegetais da qual foram feitos.
Portanto em termos de contaminação ao homem, estes compostos não
oferecem riscos à saúde.

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Compostagem de Resíduos Vegetais e Esterco Animal

Este composto é feito misturando-se em camadas, estercos das mais


variadas espécies de animais, como suínos, bovinos, aves, ou outros e
resíduos vegetais principalmente folhas, palhas e colmos de milho ou bagaço
de cana-de-açúcar entre outros.
A compostagem deve ser feita em local coberto para evitar a lavagem
pela água da chuva, e protegido dos raios solares que prejudicam a
fermentação.
Não deve ser utilizado os resíduos vegetais da horta, se o composto for
posteriormente utilizado na horta.
As doenças contidas nos estercos e nas plantas permanecerão no
composto após o curtimento e portanto, todos os cuidados descritos para o
curtimento de camas de aviário e suínos devem ser seguidos para este
composto.

Húmus de Minhoca

É a transformação de resíduos vegetais e estercos animais em húmus


que é um produto estabilizado e pronto para o uso. Os resíduos são
decompostos pelo tubo digestivo das minhocas.
O esterco de bovinos é o mais utilizado na produção de húmus, porque
é de mais fácil digestão pela minhoca e não tem cheiro tão acentuado quanto
outros estercos.
O esterco de suínos e de aves podem ser tóxicos em função do excesso
de amônia que é formado na fase inicial de fermentação do composto.
Recomenda-se no máximo 30% do esterco de suínos misturado com outros
resíduos.
A cama de aviário pode ser utilizada desde que o composto não tenha
altura maior de que 30 cm e deve-se esperar pelo menos 15 dias para inocular
as minhocas.
Os resíduos vegetais mais utilizados são: palhas, restos de frutas,
hortaliças e camas de animais.
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É importante salientar que as doenças contidas nos resíduos de plantas e
esterco permanecem no húmus e, portanto devem ser tomadas as precauções
anteriormente descritas.

6. ADUBAÇÃO QUÍMICA

As hortaliças são consideradas altamente esgotante do solo pelo fato de


geralmente ser colhida a planta inteira, ficando poucos restos da cultura no
terreno.
A análise do solo é o ponto de partida no uso correto dos fertilizantes,
pela importância da calagem e adubação, pelos custos que representa e pelos
resultados positivos ou negativos advindos desta prática.
Os adubos minerais pela sua alta concentração de nutrientes, pela
facilidade de absorção pelas plantas são os fertilizantes mais utilizados na
produção de hortaliças.

Nitrogênio

As perdas por volatilização da amônia proveniente da uréia podem ser


drasticamente reduzidas se, o fertilizante for localizado abaixo da superfície
do solo ou se após a sua aplicação em cobertura sobre o solo, o mesmo for
irrigado, favorecendo a sua penetração no solo e evitando as perdas.
A adição de cloreto de potássio juntamente com a uréia poderá também
reduzir as perdas de amônia por volatilização.
Com a grande preocupação com o meio ambiente, as perdas por
lavagem dos nitratos para as camadas inferiores do solo e contaminação das
águas tem assumida grande importância. Desta maneira, para as hortaliças, o
parcelamento da adubação de acordo com as necessidades da cultura e em
função das características do solo é, sem duvida, uma das prática mais
recomendadas.
A utilização de adubação orgânica, principalmente compostagem, com
grande quantidade de materiais vegetais, libera o nitrogênio lentamente,

60
havendo menor contaminação ao ambiente e reduzindo ou até eliminando o
uso de fertilizantes nitrogenados como uréia, sulfato de amônia ou outros.

Fósforo

A quantidade do fósforo solúvel varia em função do pH do solo. A


adubação fosfatada é um componente de um sistema de manejo do solo, em
que sua eficiência é influenciada por outras práticas, entre as quais destaca-se
a calagem.
Outro fato conhecido é a de que o uso de fontes de fósforos pouco
solúveis como os fosfatos naturais, a sua solubilização é menor e
consequentemente utilização pelas plantas é menor quando se eleva o pH do
solo. Isto demonstra a pouca viabilidade de uso desse tipo de fosfato em
culturas de ciclo curto.
Em termos de eficiência agronômica, os termosfosfatos são os mais
eficientes e após superfosfatos, posteriormente os fosfatos parcialmente
solubilizados e por último os fosfatos naturais.

Potássio

Acredita-se que a adubação potássica tende a aumentar a resistência da


planta às pragas e doenças quando o potássio no solo encontra-se num nível de
disponibilidade adequado. O potássio tem relação com o aumento de teor de
açúcar nas hortaliças frutas como tomate, melão, etc.
Quando as quantidade de potássio a serem usadas são relativamente
altas, tem sido recomendado aplicar uma parte do adubo potássico no plantio,
juntamente com o fósforo e o nitrogênio e outra parcela juntamente com o
nitrogênio em cobertura na época de maior exigência pela planta e também
porque doses elevadas de potássio aplicadas na época de plantio podem haver
perdas por lavagem, com o excesso de chuvas. O excesso de potássio pode
prejudicar a germinação das plantas.

61
Outros Nutrientes

Os micronutrientes só devem ser aplicados com base numa análise do


solo porque os nossos solos tem apresentado quantidades suficientes destes
nutrientes. E, quando adicionamos compostagem ou matéria orgânica
adicionamos quantidades suficientes de micronutrientes.

Calcário

É conhecido de todos as vantagens do uso do calcário e os benefícios


que este elemento traz para as culturas. Somente devemos lembrar que o
calcário dolomítico é o mais recomendado para os nossos solos porque corrige
a acidez do solo e possui uma quantidade de 28% de CaO e 16% de MgO
nutrindo as plantas com estes dois elementos sem causar desequilíbrios.

62
VII. PLANTIO E TRATOS CULTURAIS NAS
HORTALIÇAS

Engº. Agrº Jandir Vicentini Esteves

1. INTRODUÇÃO:

Os tratos culturais são um conjunto de práticas que se realizam ao


longo do ciclo das hortaliças. Mas, para iniciar nossa conversa cabe uma
pergunta: Após a implantação da cultura, temos que abandoná-la a Deus dará?
A resposta é não. Temos que viver o dia-a-dia, desde sua implantação a
colheita. O êxito de qualquer empreendimento está no trabalho, dedicação e no
gosto com que se executam as tarefas. Assim é na olericultura ou em qualquer
outra atividade.
Alguém disse que as plantas falam, e falam mesmo. Elas são capazes de
nos mostrar toda sua satisfação ou insatisfação quanto aos cuidados que
dispensamos a elas através do seu vigor, da coloração, grossura do caule,
turgescência, floração, e tamanho dos frutos. Nos respondem em última
análise com boa ou má colheita.

2. PRINCIPAIS TRATOS CULTURAIS:

Entre os principais tratos culturais podemos citar: adubação de


manutenção; drenagens; irrigações; capinas e afofamento do solo; transplantio;
aterramento da planta ou não; podas; tutoramento; amarrio; cobertura morta
com diferentes tipos de palha, com plástico preto, transparente ou coloridos; e
a pulverização para controlar pragas e doenças.
Adubação de Manutenção

São indispensáveis durante o ciclo da cultura, podendo ser utilizados


biofertilizantes enriquecidos via foliar com macro e microelementos, bem
como adubos orgânicos compostados entre as linhas. Tudo em conformidade
com o desenvolvimento da cultura.

Drenagens Superficiais

Em determinadas épocas do ano quando chove muito seria conveniente


que mesmo contando com um bom sistema de drenagem, se fizesse o
escoamento das águas que por ventura empocem ao longo dos caminhos de
trânsito. Manter sempre limpos os valos de drenagem.

Monitoramento da Irrigação por Aspersão, Gotejamento e Sulco

Manter o solo com bom teor de umidade, compatível com a cultura


estabelecida é meio caminho andado, pois, entre outros fatores ela
disponibiliza equilibradamente os nutrientes. Um método expedito para saber
quanto irrigar é acompanhar o perfil molhado a medida que se irriga.
Exemplo: após irrigar por um período de 1 (uma) hora, parar a irrigação e
medir o perfil molhado. Este deve ser em torno de 20 a 30 cm em média.
Por outro lado, para saber-mos quando irrigar, podemos utilizar,
praticamente, plantas indicadoras tais como: confrei, margaridas, etc. Outra
forma pode ser a de raspar de 3 cm a 5 cm da superfície do solo e depois
retirar uma amostra e apertá-lo com a mão, se formar liga ainda tem umidade
suficiente para a planta absorver.

Outros benefícios da Irrigação por aspersão

- Irrigação utilizada para o controle climático, formando um


microclima no entorno da cultura irrigada;

64
- a prática da irrigação por aspersão pode ser utilizada no controle das
geadas. Para isto deve ser iniciada pela madrugada, quando a
temperatura chegar a 30C na relva e só encerrar pela manhã quando
abrir o sol.

Capinas, afofamento e amontoa do solo

A capina pode ser realizada com múltiplos propósitos: controlar os


insos, oxigenar o solo e estimular o enraizamento superficial de algumas
plantas. Não deve, porém, ser utilizada para eliminar por completo as
invasoras, as quais podem auxiliar na melhoria da bio-diversidade, ajudando a
controlar doenças e pragas. Capinas profundas não devem ser utilizadas pois
rompem o sistema radicular dando oportunidade para o apaarecimento de
doenças fúngicas.
O afofamento do solo com o rompimento da crosta que se forma pela
ação das chuvas é muito importante, este estimula as trocas gasosas,
melhorando a oxigenação do sistema radicular.
A prática da amontoa para algumas plantas não é correta. No caso do
pimentão e da berinjela, por exemplo, esta pode provocar o aparecimento de
doenças fúngicas de solo junto ao caule. Estas plantas são diferentes do
tomate, batata-doce, abóbora, etc... que formam raízes advertícias em seus
caules ou baraços permitindo a utilização desta prática.

Transplantio

Uma regra básica é faze-lo com o solo e a planta enxutos, diminuindo,


com isso, as chances de contágio por fungos e bactérias, pois a água é o
melhor veículo para disseminar doenças.

65
Podas

Esta é uma prática importante e obrigatória em algumas espécies de


hortaliças, disciplinando a planta e melhorando a qualidade dos frutos no que
se refere ao tamanho. Em alguns casos pode fortalecer a planta não permitindo
a entrada de doenças. Não deve-se, porém, jamais iniciar uma poda com
chuva, sereno ou com a folha molhada para evitar a ocorrência de doenças.

Tutoramento e Amarrio

Normalmente o tutoramento, a poda e o amarrio andam juntos. O


tutoramento pode se dar através de taquaras, redes ou fitas de ráfia. Plantas
tutoradas e corretamente espaçadas produzem frutos mais limpos, enxugam
melhor após uma chuva ou irrigação contribuindo para a sua sanidade, além de
facilitar os tratamentos fitossanitários e colheitas manuais.

Cobertura morta

A cobertura morta é uma prática muito usada no cultivo de hortaliças.


Esta tem dado bons resultados tanto em sementeiras quanto no local definitivo,
especialmente nos meses mais quentes do ano. Nestes meses é que se observa
melhor seus efeitos nas lavouras de beterraba, cenoura, alface, etc... A
cobertura morta funciona como um amortecedor das gotas de chuva evitando a
compactação do solo, baixando a temperatura, diminuindo a evaporação e
economizando, em conseqüência, a água, além de contribuir para o controle de
plantas invasoras.
Diferentes tipos de materiais de cobertura do solo podem ser utilizados,
dependendo da sua abundância nos diferentes locais de cultivo. Entre os quais
poderão ser utilizados a maravalha, a serragem de pinus, o bagaço da cana
triturado, a casca de arroz sem insos, etc., ou o que for encontrado nas
proximidades do plantio. Fator importante a ser considerado é a espessura da
camada morta que dependerá além da cultura implantada, de seu ciclo e da
característica do material. No caso específico de sementeira, dependendo do
66
diâmetro da semente, gira ao redor de 1 cm e, no caso de plantas já
estabelecidas 2 cm ou mais.
A cobertura morta utilizando-se plásticos, especialmente o preto, já é de
uso corrente no cultivo de morangos, melões nobres tipo Cantalupe ou Gália,
tomates, alface, etc. Também são utilizados os plásticos coloridos e
transparentes, servindo tanto para proteger o solo e a planta, quanto para
repelir e atrair insetos. O uso do plástico transparente pode ser utilizado para
antecipar colheitas citando-se, como exemplo, o melão plantado em
julho/agosto cuja colheita é prevista para meados novembro.

Pulverização para Controlar Pragas e Doenças de uma Cultura

Antes de pensar-mos em aplicar qualquer calda para controlar pragas ou


doenças cabe fazer uma reflexão: “foram tomadas as medidas preventivas tais
como a escolha do local, a análise de solo, a drenagem, o equilíbrio na
umidade, a rotação de culturas, as adubações nas quantidades requeridas pela
planta e o espaçamento, etc.?”. No controle de doenças, a prevenção é o
melhor remédio. No caso de necessitar-mos fazer pulverizações preventivas,
deve-se utilizar pulverizadores sem vazamentos, procurando atingir ambos os
lados da folha com uma névoa e evitando o escorrimento do produto.

Outros Fatores Climáticos que influenciam na produção de


hortaliças

- Ambiente;
- Características das plantas cultivadas que traduz em produtividade e
qualidade do produto;
- Temperatura:
- Temperaturas abaixo do nível ótimo podem prolongar o ciclo ou
provocar o florescimento prematuro de certas hortaliças,
prejudicando o desenvolvimento da parte comerciável acima do
nível ótimo, podem ocasionar perda de qualidade do produto.

67
- As variações termoclimáticas determinam a época adequada para o
plantio de certas espécies ou cultivares.
- No cultivo de algumas solanáceas, principalmente, a variação
térmica entre o dia e a noite tem influência predominante na planta e
na produção.
- Sabe-se que a germinação, a emergência e o desenvolvimento inicial
das plântulas são diretamente condicionados pela temperatura do
leito no qual se efetua a semeadura. As condições ótimas são
aquelas que possibilitam acelerar a germinação, porém sem
diminuição da percentagem de sementes germinadas. Assim, cada
espécie olerácea apresenta suas exigências térmicas.
- A temperatura do solo está diretamente relacionada com a
temperatura do ar, com a duração do período luminoso a que foi
exposto tal solo e com algumas características inerentes ao próprio
solo. Exemplos: solos escuros aquecem mais do que solos claros.
- Na Depressão Central do RS é quase impossível produzir cenoura
ou beterraba nos meses de janeiro e fevereiro devido as
temperaturas do solo.

A influência da Luz: Fotoperíodo

A duração do período luminoso – chamado fotoperíodo - dentro de um


dia de 24 horas, influencia numerosos processos fisiológicos nas plantas. É o
caso do crescimento vegetativo, da floração e frutificação, da produção de
sementes e da obtenção de produtos para a alimentação humana.
O número de horas diárias de luz solar varia conforme a latitude da
localidade e a estação do ano. Belém do Pará – cidade situada pouco abaixo da
linha do equador terrestre (latitude de 00C) -, por exemplo, apresenta 12 horas
diárias de luz, portanto a duração do dia é igual à da noite ao longo das quatro
estações. À medida que se afasta do equador em direção ao extremo sul,
constata-se que os dias vão se tornando, progressivamente, maiores durante o

68
verão e menores durante o inverno. Nas localidades do centro-sul, os dias são
mais longos durante o verão e mais curtos no inverno.
Essa variação no período luminoso denomina-se “fotoperiodismo”, ao
qual algumas hortaliças, especialmente aliáceas, são muito sensíveis. Em
cebola e alho, somente ocorre a formação de bulbos quando os dias
apresentam duração acima de um número mínimo de horas de luz –
fotoperíodo crítico, característico de cada cultivar. De acordo com a exigência
fotoperiódica, há cultivares precoces e tardias, conforme necessidade de dias
menores e maiores, respectivamente, para a bulbificação. Essa é a principal
razão pela qual certas cultivares sulinas de cebola e de alho não produzem
bulbos se plantadas durante o outono – época normal de plantio de tais
culturas – no centro sul. Sendo cultivares tardias a exigência fotoperiódica não
é satisfeita, motivo pelo qual as plantas se mantém vegetativas.
A formação de flores também depende do fotoperíodo, estritamente, em
certas espécies. Por isso, cultivares européias e norte americanas de alface
pendoam, precocemente, quando cultivadas nos dias longos do verão.
Contrariamente, as cucurbitáceas produzem maior número de flores femininas,
com conseqüente aumento na produtividade, n os dias curtos do inverno. Já o
morangueiro somente floresce e frutifica em dias curtos, tornando-se
vegetativos durante os dias longos do verão.
Do ponto de vista prático, o fotoperíodo torna-se fator limitante
somente na produção de poucas espécies oleráceas, destacando-se o caso
peculiar da cebola e do alho. Em outras espécies, o fotoperiodismo afeta
menos o desenvolvimento da planta, bem como a produção. No entanto a
maioria das espécies comporta-se como pouco sensível a variação
fotoperiódica, ou mesmo indiferente, no caso das culturas de feijão-vagem e
tomate, por exemplo.

Termoperiodicidade diária

A temperatura oscila ao longo de um dia de 24 horas, sendo as noites


mais frias, geralmente. Em algumas espécies as plantas se desenvolvem e

69
produzem melhor quandoa temperatura noturna é inferior a diurna – uma
diferença de 5 a 100C. Quando mantidas sob temperatura constante, tais
plantas são prejudicadas.
O efeito decisivo da termoperiodicidade diária tem sido mais bem
estudado em tomaticultura, em pesquisas conduzidas na Europa e nos Estados
Unidos, as quais demonstram que a temperatura noturna exerce maior efeito
no desenvolvimento da planta e na produção. Em altas temperaturas noturnas,
o crescimento vegetativo é acelerado, porém são prejudicadas ou até inibidas a
floração e a frutificação. Tem sido demonstrado que as temperaturas noturnas
de 13-180C e as diurnas de 20-250C são aquelas mais favoráveis à produção.
Como comprovação prática, é conhecido o caso de antigos tomaticultores
holandeses, muito cuidadosos, que se levantavam em meio à noite invernal
para aquecerem suas estufas. Entretanto, verificavam que seus tomateiros
apresentavam menor desenvolvimento e produção em relação às plantas de
vizinhos, mais comodistas, que deixavam cair a temperatura noturna,
propiciando termoperiodicidade diária adequada. Note-se que as temperaturas
indicadas foram aquelas obtidas nas condições do hemisfério norte, sob menor
luminosidade e com as cultivares lá utilizadas. A exigência de
termoperiodicidade também pode explicar a inadequação da tomaticultura a
regiões que apresentam temperaturas diurnas e noturnas igualmente elevadas,
como a Amazônia.
Outros estudos demonstram que as faixas térmicas diurna de 20-25 0C e
noturna de 10-160C são as mais favoráveis à bataticultura, nas condições
Européias e Norte Americanas. Isso explica o mau desempenho dessa cultura
em localidades de baixa altitude, as temperaturas constantemente elevadas, de
dia e de noite inversamente, tem sido demonstrado o sucesso da cultura em
altitudes acima de 800m, as temperaturas amenas e noturnas favoravelmente
menores, como ocorrem em planaltos e regiões serranas do centro-sul. Outras
culturas oleráceas menos estudadas, também apresentam exigências de
termoperiodicidade diária, devendo a temperatura noturna ser sempre mais
baixa que a diurna, a exemplo do pimentão, da beterraba, da ervilha e do
morango.

70
A influência da luz: intensidade

A luz solar é um fator climático relevante para o desenvolvimento


vegetal, pois promove o processo da fotossíntese – sem o qual a vida humana
e animal seria impossível sobre o planeta. Quando se estuda a influência da luz
na olericultura há de se considerar a intensidade luminosa e a variação
fotoperiódica separadamente.
Experimentalmente se comprova que um aumento na intensidade
luminosa corresponde a uma elevação na atividade fotossintética, dentro de
certos limites, resultando em maior produção de matéria seca nas plantas.
Contrariamente, a deficiência luminosa provoca maior alongamento celular,
resultando em estiolamento, isto é, aumento na altura e extensão da parte
aérea, porém sem correspondente elevação do teor de matéria seca. Desta
forma, em localidade em que prevalece alta intensidade luminosa é estimulada
a produtividade, nas culturas oleráceas. Sob baixa luminosidade ao contrário,
há a formação de mudas estioladas e de plantas adultas frágeis e de menor
produtividade.
A baixa intensidade luminosa tem sido fator limitante a olericultura no
norte da Europa. Já em países tropicais, como o Brasil, a alta luminosidade
favorece a produtividade. Vale enfatizar serem as hortaliças plantas altamente
exigentes, ao contrário do que ocorre com plantas ornamentais de interior, que
requerem baixa luminosidade.

71
72
VIII. SISTEMAS DE IRRIGAÇÃO

Eng. Agr. Ivan Guarienti

1. INTRODUÇÃO

A maioria das espécies de hortaliças são constituídas em 90% ou mais,


do seu peso fresco, da parte comerciável, de água. Por isso sua exigência em
água é fundamental para uma boa produção.
Irrigar não é apenas colocar água à disposição da planta, temos que
colocar na quantidade correta, isto quer dizer nem excesso e nem falta.
O excesso gera prejuízos de várias formas: desperdício de água que
hoje é um bem de elevado valor; desperdício de energia elétrica, óleo ou
gasolina do conjunto moto-bomba; desperdício do tempo do agricultor;
desgaste do equipamento sem necessidade; excesso de umidade do solo
acarretando diminuição na produção e facilitando a ocorrência de doenças;
entre outras.
A falta de água também acarreta prejuízos porque as plantas não se
desenvolvem bem diminuindo a produção, qualidade dos produtos e o trabalho
desperdiçado pelo agricultor.

Uma irrigação bem feita começa com um projeto de irrigação aonde


calcula-se a quantidade de água disponível para irrigar, a necessidade de água
para cada cultura e o dimensionamento do equipamento a ser utilizado. E, isto
deve ser feito por um técnico especializado na área.
2. NECESSIDADE DE ÁGUA PELAS PLANTAS

Existe uma relação entre o solo, a água, a planta e o ambiente como um


todo.
A compreensão desta relação e a sua aplicação correta determina o
sucesso da irrigação correta.
Esta relação é apresentada na figura 5
Figura 5 - Esquema do movimento da água no sistema solo -planta-atmosfera

É importante conhecer-mos a constituição do solo para sabermos suas


potencialidades e limitações, conforme é representado na figura 6:

Figura 6 - Composição volumétrica de um solo, que apresenta boas condições para o


desenvolvimento vegetal

Todos esses elementos juntos nos darão uma certa precisão de quanta
água é necessário para um hortaliça.

74
Tudo isto é calculado mas, não substitui a capacidade de observação do
agricultor que deseja fazer uma boa irrigação.
Na prática, podemos aliar os conhecimentos acima descritos e a
observação do solo, da planta e do ambiente de acordo com os seguintes
passos:
- Passo 1: Fazer um buraco no solo até a profundidade média das
raízes da hortaliça que será irrigada. Por exemplo: alface, em torno
de 15 cm;
- Passo 2: Pega-se o solo com a mão e faz-se uma pequena bola ou
um boneco de terra;
- Passo 3: Se não for possível fazer a bola ou boneco de terra, é
porque está muito seco, necessita-se irrigar;
- Passo 4: Se apertarmos a bola ou boneco de terra com a ponta dos
dedos e ela não destorroar ou desmanchar, é sinal de que o solo está
encharcado e não necessita de irrigação.
- Passo 5: Se apertarmos a bola ou boneco de terra e ela destorroar ou
desmanchar, o solo não está encharcado, mas não precisa irrigar.
- Para sabermos o quanto irrigar, ou o quanto de água a ser colocada
no solo, também existem cálculos para este fim, mas na prática
também podemos fazer um buraco durante ou após a irrigação e ver
se a água chegou até aonde estão a maior quantidade das raízes.

3. ARMAZENAMENTO DE ÁGUA

Quando fazemos uma horta, é necessário saber-se se temos água


suficiente para irrigar toda a horta em todos os meses do ano, principalmente
no meses mais quente e secos.
Pela prática que temos, observamos que no inverno a necessidade de
água pelas hortaliças situam-se ao redor de 1,5 a 2,0 litros/m 2/dia. Isto
significa 15.000 a 20.000 litros/ha/dia.
No verão, a necessidade de água está entre 5 a 7 litros/m 2/dia, isto
significa 50.000 a 70.000 litros/ha/dia.

75
Nos períodos de calor e secas intensas chega-se a necessidade 10 até 12
litros/m2/dia, ou seja 10.000 a 12.000 litros/ha/dia.

4. QUALIDADE DA ÁGUA DE IRRIGAÇÃO

Necessitamos saber a qualidade química, física e biológica da água de


irrigação.
A qualidade química é importante porque se uma água é muito ácida,
neutraliza a ação dos fungicidas, herbicidas e inseticidas, se for muito alcalina
ou “salobra” como costuma se dizer, ela neutraliza a ação de alguns adubos,
principalmente o fósforo.
A qualidade física da água nos diz se há excesso de areia ou matéria
orgânica, mais precisamente limo, que impedem, dificultam ou diminuem a
vida útil determinados sistemas de irrigação, como por exemplo o
gotejamento.
A qualidade biológica da água talvez seja mais importante porque está
muito relacionada com a saúde humana e das plantas.
A água é o veículo de muitas doenças para as plantas como fungos e
principalmente bactérias. É comum observar-se contaminações por bactérias
causadoras de murchadeiras em batata e tomate, vindas de rios e riachos
contaminados.
Muitos riachos, aonde é captada a água de irrigação, são locais de
despejos de dejetos de criação de animais e até humanos. Estas fontes de água
são um perigo à saúde humana porque estão contaminados por bactérias,
fungos, vírus e até ovos de vermes causadores de doenças graves nos seres
humanos.
Quando estas águas são pulverizadas sobre as plantas, ou mesmo
utilizadas em irrigação por gotejamento, os agentes causadores de doenças
ficam aderidos às folhas e raízes das plantas que quando consumidas pelos
humanos sem a devida descontaminação, causam doenças graves e até fatais.

76
Costumamos dizer que a água que bebemos deve ser a mesma água
que devemos utilizar na irrigação, devido a sua importância para a saúde
humana.

5. TIPOS DE IRRIGAÇÃO

Existem diferentes tipos de irrigação e, conforme a localização da fonte


de água, cultura a ser irrigada, recursos disponíveis, entre outros fatores, se
escolherá o sistema que mais se adapta a cada caso.
Para hortaliças são utilizadas, no Rio Grande do Sul basicamente os
seguintes sistemas de irrigação: sulcos, aspersão e gotejamento.

Irrigação por sulcos

Usa-se este tipo de irrigação, normalmente quando o depósito de água


localiza-se num ponto mais alto do que a horta.
Os sulcos são retos e acompanham as linhas de plantio, facilitando os
tratos culturais.
Os sulcos podem ser na forma de V ou na forma de U, sendo que os
sulcos na forma de U aumentam a infiltração da água no solo.
Este tipo de irrigação é utilizado em tomate, feijão-vagem e pepino.
Atualmente está caindo em desuso porque há um consumo muito grande de
água, chegando a ser até 80% maior do que na irrigação por aspersão, ocupa
muita mão-de-obra, a irrigação é muito desuniforme, pois há um excesso de
água no início da linha irrigada e falta no fim da linha.
Este tipo de irrigação aumenta a possibilidade da ocorrência de
doenças pelo encharcamento do solo no início da linha irrigada.

77
Irrigação por aspersão

É o método de irrigação em que a água é aspergida sobre as plantas e o


solo semelhante a uma chuva. A irrigação por aspersão adapta-se a quase todos
os tipos de cultivos.
O tamanho da gota de água deve ser tal que não prejudique a hortaliça
que está sendo irrigada.
O vento, a umidade relativa do ar, e a temperatura são fatores que
afetam o uso deste tipo de irrigação. O vento prejudica a uniformidade da
distribuição da água, já a temperatura e a umidade relativa do ar fazem com
que haja evaporação da água antes de cair ao solo.
As perdas de água neste tipo de irrigação em média são de 30%,
podendo chegar até 50% em dias muito quentes e quando a irrigação é feita ao
meio dia.
Este tipo de irrigação favorece o aparecimento de doenças pelo
molhamento das folhas e pela lavagem dos produtos químicos colocados para
controlá-las.
Como vantagens da irrigação por aspersão temos: diminui a
temperatura das plantas, principalmente hortaliças folhosas, a vida útil dos
equipamentos é maior e, ainda é o sistema mais conhecido.

Irrigação por gotejamento

Este tipo de irrigação também é chamada de localizada porque através


de tubos gotejadores, a água é colocada praticamente no pé da planta,
evitando-se desperdício de água.
Os tubos gotejadores são mangueiras perfuradas à várias distâncias de
acordo com a hortaliça que vamos trabalhar. Existem tubos com
distanciamento entre furos de 10 cm, 20 cm, 30 cm, 50 cm, ou outros.
Estes furos são feitos de maneira que haja uniformidade de
pressão e vazão entre eles e, que não haja grandes diferenças de vazão entre
início e o fim do tubo gotejador em um canteiro a ser irrigado.

78
A irrigação localizada ou por gotejamento favorece a economia de
água, pois a perda de água situa-se em torno entre 5 a 2%, podendo chegar
próximo a zero quando o solo é coberto com lonas pretas como é o caso do
moranguinho.
Como este sistema funciona com baixa pressão há uma maior economia
de combustível ou energia elétrica.
Há um grande economia de mão de obra no manuseio deste sistema
porque quando está instalado o único trabalho é ligar a bomba. Este sistema
também pode ser automatizado, ligando e desligando-se automaticamente
quando há falta de água no solo.
Este sistema pode ser usado em terrenos planos ou acidentados com a
mesma eficiência.
Há um diminuição na ocorrência de doenças e consequentemente na
utilização de produtos químicos, havendo economia e menos poluição e
contaminação às plantas, ao homem e ao ambiente.
Como desvantagem deste sistema temos o seu preço que ainda é
elevado em relação à aspersão, sua vida útil é menor e exige mais cuidado na
lavoura, pois pode ser furado ou cortado ou facilmente entupido se a água não
for bem filtrada.
Este sistema pela sua eficiência e economia deverá ser o mais utilizado
num futuro muito próximo.

79
IX. MANEJO ECOLÓGICO DE PRAGAS

Eng.º Agr.º Paulo Renato Poerschke

1. DESCRIÇÃO DOS PRINCIPAIS INSETOS-PRAGA

Neste capítulo serão abordados alguns aspectos referentes aos


principais insetos - praga que ocorrem nos cultivos de hortaliças.
Para melhor entendimento das pragas, estas foram agrupadas como:
- Pragas iniciais - sua incidência nas sementeiras até o período logo
após o transplante prejudica o desenvolvimento da planta;
- Insetos sugadores - o principal dano causado por eles é a
transmissão de viroses;
- Insetos desfolhadores e minadores das folhas;
- Broca de frutos ;
- Ácaros.

Pragas iniciais

Grilo e Paquinha
Tanto os grilos quanto as paquinhas vivem em galerias no solo,
de onde saem, à noite, para se alimentarem, As fêmeas destes insetos fazem a
postura no fundo da galeria.
Alimentam-se de raízes e da parte aérea das plantas, também
cortam as mudas o que determina o replantio de mudas.
Lagarta Rosca
As lagartas apresentam coloração cinza escura, podendo atingir
até 4,5 cm de comprimento. De hábito noturno, permanecem durante o dia
enterradas ou sob torrões nas proximidades das plantas atacadas.
Alimentam-se de folhas, sendo que normalmente cortam as
mudas recém transplantadas na altura da superfície do solo, causando redução
da população de plantas.

Insetos sugadores

As pragas sugadoras causam, basicamente, dois tipos de danos: o


direto, resultante da sucção da seiva, que resulta no definhamento da planta, e
o indireto, normalmente mais grave, que é a transmissão de viroses, doenças
de caráter irreversível, já que é impossível curá-las após sua instalação nas
plantas.
A infecção se dá pela picada e sucção da seiva quando os insetos
se alimentam das plantas contaminadas, disseminando a doença em plantas
sadias.
Os principais insetos deste grupo são:
Tripes
Pequenos insetos de corpo alongado, formam colônias e
alimentam-se exclusivamente de seiva das plantas.
São transmissores do vírus causador da virose chamada "VIRA
CABEÇA", comum durante o verão em alface e tomateiro.
As plantas atacadas , apresentam inicialmente as folhas
bronzeadas e o broto principal se curva, originando o nome de "vira cabeça".
Pulgões
São pequenos insetos, que apresentam-se em colônias e vivem de
15 a 30 dias, são de coloração verde claro a cinza e atacam a maioria das
espécies.
Se alimentam sugando a seiva das folhas e ramos novos. Em
conseqüência, produzem o enrolamento das folhas. São transmissores de
vários tipos de viroses como o mosaico e topo amarelo.
Mosca branca
Pequenas mosquinhas de cor branca (as formas jovens são de
coloração amarelada) ficam mais no verso das folhas. A fêmea põe até 110

81
ovos. O ciclo completo dura de 15 a 18 dias. Causadores do vírus de mosaico
dourado em feijoeiro e em plantas de baraço.

Insetos desfolhadores e minadores de folhas

Vaquinhas ou Patriotas
São pequenos besouros de 5 a 6 mm de comprimento e cabeça
castanha. É um dos insetos mais comuns nas hortas, principalmente a partir da
primavera até o verão. Se alimentam de folhas e ramos novos. Na fase de
larva, também atacam as raízes das plantas, causando a morte. São
especialmente prejudiaciais na fase inicial dos cultivos.
Traça do tomateiro e traça das crucíferas
Os adultos são pequenas mariposas de cor cinza-prateada, que
fazem a postura de seus ovos sobre as folhas , ponteiros e frutos, estes formam
pequenas lagartinhas que penetram na epiderme da folha, formando galerias
transparentes. É comum a presença de fezes escuras no local de ataque.
Quando o ataque é intenso podem causar perda total aos cultivos.
Mosca minadora
Os adultos são pequenas moscas de cor amarelo-brilhante, fazem
a fortuna nas folhas. As larvas penetram nas nervuras principais e até mesmo
no fecíolo das folhas, formando galerias em forma de pequenas estradas nas
folhas atacadas.

Broca-de-frutos

Broca pequena do tomate


Pequena mariposa de cor clara que faz a postura junto ao pedúnculo
dos frutos. A larva penetra no fruto, permanecendo em média 30 dias, se
alimentando da polpa dos frutos. Podem ser encontradas até 8 ou 9 larvas por
fruto.
Broca grande do tomate

82
O adulto é uma mariposa de cor cinza-esverdeada, que fazem a postura
nos frutos As larvas perfuram os frutos vivem no seu interior. Podem atingir 4
a 5 cm de comprimento.

Broca das curcubitáceas


O adulto é uma mariposa de 1,5 cm de comprimento, de cor branco-
amarelada. Após a postura, as lagartas eclodem e alimentam-se de qualquer
parte da planta, dando preferência aos frutos, onde abrem galerias,
inutilizando-os para o consumo.

Ácaros

São pequenos insetos, pareceidos com uma pequena aranha. Atacam as


folhas de várias espécies causando manchas descoradas, tornando-as
amareladas e secando as mais velhas com cor pardo- avermelhado. Quando o
ataque é intenso forma pequenas teias de aranha na parte inferior da folha. Se
alimentam do líquido celular da planta, definhando-as.
Feijão de vagem, morango e tomateiro são cultivos comumente
atacados pelos ácaros nos períodos de temperatura elevada e baixa umidade do
ar.

2. MEDIDAS PREVENTIVAS E DE CONTROLE


ECOLÓGICO DE PRAGAS

A agricultura ecológica recomenda adequados manejos do solo, da


nutrição e do cultivo como fatores fundamentais para a sanidade da planta. A
planta bem nutrida e equilibrada expressa uma ótima condição fisiológica.
Com isto, oferece o máximo de resistência ao ataque de pragas e doenças.
No controle ecológico não se combate a praga, se trabalha no sentido de
diminuir a sua população e,principalmente, no fortalecimento da planta,
buscando um equilíbrio natural do sistema produtivo.

83
Medidas Preventivas para o manejo de pragas

Mesmo com o cultivo ecológico podem ocorrer desiquilíbrios


temporários que aumentam a população dos insetos-praga a níveis que passam
a causa prejuízos aos cultivos Estes fatores podem ser chuvas ou secas
excessivas, mudas e sementes de baixa qualidade, solos, entre outros.
Por isso a adoção de medidas gerais de prevenção, como as
citadas abaixo, deve fazer parte da estratégia de cultivo a ser desenvolvida.
- Escolha adequada da áreas de cultivos;
- Plantio em épocas corretas;
- Uso de variedades resistentes e adequadas;
- Rotação de cultura e adubação verde;
- Consorciação com mais de uma espécie;
- Manejo seletivo das ervas nativas;
- Preparo adequado do solo;
- É fundamental o uso de abrigos naturais ou quebra-vento;
- Adubação equilibrada e de baixa solubilidade;
- Preservar e estimular os inimigos naturais;
- Eliminação dos restos naturais;
- Uso de plantas repelentes e atrativas nas bordaduras;
- Combinação de cultivos com plantas companheiras.
Todas estas medidas são fundamentais, pois na produção com enfoque
agroecológico deve ter a visão do "todo". É necessário "pensar globalmente
para agir localmente".

Controle alternativo das pragas

São considerados como alternativos todos os produtos químicos,


biológicos, orgânicos ou naturais que possuam as seguintes características:
praticamente não sejam tóxicos, tenham baixa ou nenhuma agressividade ao
homem e ao meio ambiente; eficiente no controle de pragas e doenças, custo
de aquisição reduzido; simplicidade quanto a manejo e aplicação e
disponibilidade para aquisição.
84
A seguir relacionamos alguns métodos alternativos empregados
no manejo ecológico de pragas.

Armadilha Luminosa
Através da atração pela luz é possível capturar algumas espécies de
insetos, principalmente mariposas, que têm hábito noturno. Recomenda-se
instalar, no meio da cultura a ser protegida, na altura de 1,5 m do solo,
armadilha com lâmpada fluorescente e embaixo desta uma bandeja com água e
óleo.
Brocas que atacam curcubitáceas, pimentão e tomate, e o adulto da
lagarta rosca podem ser capturados por este método.
Armadilhas Atrativas Coloridas
São armadilhas que podem ser fabricadas em forma de painéis,
placas ou faixas coloridas, contendo cola adesiva permanente. Os insetos são
atraídos pela cor e ficam presos na cola das armadilhas. A cor amarelo ouro
atrai a vaquinha, a mosca branca, a mosca minadora de folhas e as cigarrinhas.
A cor azul escuro atrai a mosca doméstica, a mosca do estábulo e
o tripes.
Também pode-se usar bacias destas cores com água e algumas
gotas de detergente de lavar louças. A vantagem destas é que podem ser feitas
em nível de propriedade.
Estas armadilhas são distribuídas nas bordaduras e no meio dos
cultivos, a uma altura pouco acima da cultura e em um número médio de 30 a
40 armadilhas por hectare.

Armadilhas com feromonios


São armadilhas, normalmente de papelão e cola adesiva, que tem
como fonte de atração feromonios sexuais, que atraem os machos.
Usadas comunmente no controle da traça do tomateiro e minador
de folhas.
Telado anti-inseto

85
É o uso de telas de malha fina, tornando-se uma barreira física à
entrada dos insetos. É bastante usado na produção de mudas de hortaliças
quando estas são produzidas em estufas sementeiras.

Plantas atrativas/repelentes
Muitas espécies possuem propriedades atrativas ou repelentes à
vários tipos de insetos. Conhecendo-se estas propriedades, pode-se utilizar
estas espécies na estratégia de manejo das pragas.
Algumas destas espécies são bastante usadas, como é o caso do
prorongo e Tajuja, que atraem a vaquinha; o girassol que atrai várias espécies
de insetos; o cravo de defunto (TAGETIS) e a crotalária que controlam o
nematóide; a abrobrinha caseiraé atrativa para vaquinha e brocas de frutos; o
milho, sorgo, berinjela atraem o tripes, estes são alguns exemplos.
Controle biológico
Consiste no emprego de microorganismos que combatem os
insetos-praga. Nos últimos anos este processo tem sido bastante estudado e os
resultados são animadores, pois muitas destas pragas já podem ser controladas
através do controle biológico.
Os principais microorganismos já em uso são os vírus e
niroides, onde o baculovirus anticárcia controla algumas espécies de lagartas
que se alimentam de folhas; os fungos como a BEÜVERIA BASSIANA e
METARHZUM ANISOPLIAE, combatem várias espécies de insetos como
tripes, cigarrinhas, cupins e coleobrocas; e as bactérias como as do gênero
BACILLUS controlam muitos tipos de lagartas e brocas.
Uso de inimigos naturais
Muitos insetos possuem na própria natureza inimigos naturais, ou seja
outros insetos que se alimentam dos insetos praga, mantendo no meio
ambiente um equilíbrio na população. Quando interferimos causando
desequilíbrio na população, às vezes as pragas predominam.
Hoje muitos destes inimigos naturais foram estudados e estão sendo
produzidos em laboratórios para dispersão nos cultivos.

86
A vespa parasitóide é um dos inimigos naturais mais comuns usados
neste controle, como é o caso do trichogramma que parasita os ovos da traça
do tomateiro; algumas espécies de vespas que parasitam percevejos e dos
ácaros FITOSEIDEOS que se alimentam de ácaros-praga.

Caldas de preparo caseiro


Um exemplo é a calda sulfocálcica que além da ação fungicida,
também tem ação inseticida, no controle de ácaros e cochonilhas em geral.

Extrato de plantas
Muitas plantas possuem substâncias que combatem insetos, sem
no entanto, serem tóxicas ao homem.
Estas plantas podem ser usadas de diversas formas. Uma das
mais usadas é no preparo caseiro de extratos, usando-se principalmente folhas
e ramos.
Abaixo, relacionamos algumas espécies, com propriedades
inseticidas, e os insetos-pragas controlados.

Planta inseticida Pragas controladas


Angico Formigas, pulgões e lagartas
Arruda Pulgões e cochonilhas sem carapaça
Cinamomo Pulgões, vaquinha e lagartas
Gergelim Formigas
Marcela Pulgões em geral
Nim Muitas espécies de insetos
Pimenta Pulgões e lagartas
Fumo Pulgões em geral
Urtiga Pulgões e fungos
Três Marias Tripes

Obs.: Em anexo estão algumas formulações, dosagens e formas de utilização


com as espécies citadas.

Produtos orgânicos comerciais

Com a tendência de crescimento do cultivo com enfoque


agroecológico muitas empresas estão pesquisando produtos de uso permitido

87
feitos com microorganismos e plantas e alguns já estão disponíveis no
mercado.
É o caso do óleo de Nim extraído através da prensagem do fruto
da planta do Nim que controla vários tipos de insetos e do composto A,
inseticida que também controla a maioria dos insetos, além de outros
disponíveis nas agropecuárias.

Diversos

Além das alternativas já mencionadas, existem outros como a urina de


vaca, com eficácia já comprovada como fortalecedor das plantas e repelente a
vários insetos; a cinza quando diluída em água, que além de efeito nutricional,
auxilia no combate a pulgões e lagartas e o leite cru ou soro de leite que é
usado no controle de ácaro em morango.

Todos estes produtos devem ser usados com critérios, abservando-se os


mesmos cuidados de quando se utiliza qualquer produto químico.

88
X. MANEJO ECOLÓGICO DE DOENÇAS

Eng.º Agr.º. Ivan Guarienti

1. INTRODUÇÃO

As hortaliças são atacadas por um grande número de doenças, que


causam prejuízos econômicos aos agricultores e aos consumidores. Estas
doenças são: fungos, bactérias e vírus.
Os fungos, que causam doenças nas plantas, são vegetais inferiores que
vivem as custas das plantas por eles atacados. Eles infectam todas as partes
das hortaliças e em todas as fases de desenvolvimento das plantas, desde a
semeadura até o consumo.
As bactérias, causadoras de doenças nas plantas, também atacam todas
as partes da planta e se caracterizam pela presença de pús bacteriano, por
podridões úmidas ou secas e por murchamento da parte aérea.
Os vírus são seres muito diminutos mas tem grande capacidade
infecciosa muito grande. Os vírus, que causam doenças nas plantas, não
sobrevivem livremente e, só podem serem transmitidos de uma parte viva da
planta à outra parte viva, ou de um hospedeiro, como um inseto, à planta. Os
vírus são transmitidos via semente, insetos, contato entre uma planta infectada
e outra, ou o homem, manuseando plantas sadias e doentes.
Até poucos anos passados, dava-se ênfase no controle curativo das
doenças através do uso de produtos químicos. Atualmente a atenção é dada
para o controle preventivo das doenças, passando-se a considerar-se o uso de
produtos químicos como uma exceção, quando as medidas preventivas
falharam.
Com os estudos da maneira como ocorre as doenças nas hortas, chegou-
se a conclusão de que a possibilidade do homem levar uma determinada
doença à uma hortaliça cultivada é muito grande. Somente as doenças em que
o vento é o veículo, não tem interferência do homem, mesmo assim o homem
pode impor barreiras, como quebra-ventos, que diminuem a possibilidade de
infecção.
É importante salientar que a maioria das hortaliças não são originárias
da região aonde estão sendo cultivadas e por isso, estão em condições
ambientais muitas vezes adversas portanto, suscetíveis à doenças que não
ocorrem nos seus locais de origem. Por exemplo: batata, tomate no RS.

2. CONTROLE PREVENTIVO DE DOENÇAS DAS PLANTAS

Se o ambiente aonde está sendo cultivada uma planta não está


contaminado; se a planta não está contaminada ou for resistente; se o homem
ou outro agente não levar a doença para aquele ambiente; a planta não ficará
doente. Este é o princípio do controle preventivo de doenças.
São práticas efetuadas pelo homem que visam a não entrada do
agente causador de uma doença, seja ele fungo, bactéria ou vírus.
O Eng. Agr. Erlei Melo Reis, professor de fitopatologia da Faculdade de
Agronomia e Veterinária da Universidade de Passo Fundo, elaborou um
roteiro, ou questionário, chamado de “Condições Predisponentes A Uma Boa
Produção” em que os agricultores ao responderem o referido questionário
tomam consciência de que estão fazendo uma prática correta no sentido de
impedir a entrada de uma doença.

3. ROTAÇÃO DE CULTURAS

Esta prática merece um capítulo à parte, pela importância que ela tem
no controle preventivo das doenças, em horticultura.
As plantas são classificadas em famílias, porque tem características
genéticas muito parecidas. Portanto, as plantas da mesma família tem uma
maior predisposição às mesmas doenças. Por exemplo: tomate, batata,

90
pimentão e beringela são da mesma família e portanto, tem predisposição às
mesmas doenças.
Rotação de culturas é a prática de não plantar no mesmo local, ou seja,
um cultivo após o outro, plantas da mesma família. Por exemplo: se for
cultivado repolho e depois tomate, e após beterraba, nenhuma destas três
espécies são da mesma família, logo não haverá transmissão de doenças de
uma para a outra.
Abaixo apresentamos um quadro com as principais famílias das
hortaliças:
Divisão das hortaliças por famílias:
Quadro 5 - Divisão das hortaliças por famílias

FAMÍLIAS ESPÉCIES
Apiaceas Cenoura, Coentro e salsa
Agrião, Brócolis, Couve Chinesa,Couve de Bruxelas,
Brassicaceas Couve de Folhas, Couve Flor, Mostarda, Nabo,
abanete, Rábano, Repolho
Chichoraceas Alface, Almeirão, chicória
Abóbora, Abobrinha, Melancia, Melão, Mogango,
Cucurbitaceas
Moranga, Pepino
Ervilha
Fabaceas
Feijão Vagem
Liliaceas Cebola, Cebolinha
Malvaceas Quiabo
Solanaceas Berinjela, Jiló, Pimenta, Pimentão, Tomate
Araceas Inhame
Convolvulaceas Batata Doce
Chenopodiaceas Beterraba

Tem-se observado que ainda não existem muitos estudos sobre o tempo
de permanência dos agentes causadores de doenças, como fungos, bactérias e
vírus no solo para determinar-se o tempo em que uma cultura pode voltar à
área em que foi cultivado pela primeira vez. Este seria um trabalho de grande
importância e que aliado ao tratamento de sementes reduziria muito a
incidência de doenças nas hortaliças.
Algumas pesquisas nos apontam para um período de três a quatro anos
para fungos e até doze anos para bactérias, o tempo necessário para que estes
agentes causadores de doenças desapareçam do solo.

91
Este é um assunto que deve ser pensado com muita profundidade,
porque nos leva à um redirecionamento muito grande do sistema de cultivo de
hortaliças.

4. TRATAMENTO HIDROTÉRMICO DE SEMENTES DE


HORTALIÇAS

A Empresa de Pesquisa Agropecuária e de Extensão Rural de Santa


Catarina S.A, Estação Experimental de Itajaí desenvolveu este trabalho que
transcrevemos na sua integra, pela sua importância na diminuição da
ocorrência de doenças em hortaliças:
As sementes são um meio eficiente de disceminação de doenças e por
isso precisamos tratá-las.
O tratamento hidrotérmico é o uso de água quente para eliminar
microorganismos maléficos das sementes.
Para se fazer o tratamento hidrotérmico, as sementes devem ser: novas,
secas, vigorosas, intactas, não peletizadas e com bom poder germinativo.

Material necessário para se fazer o tratamento hidrotérmico:

- - Garrafa térmica - capacidade 1 litro


- - Pedrinha (peso)
- - Termômetro graduado até 100ºC
- - Pano tipo tule
- - Água quente
- - Sementes de hortaliças

92
Passos para fazer o tratamento hidrotérmico:

- Colocar as sementes, com uma pedrinha em um pano ralo, para


fazer uma boneca bem frouxa e que possa passar pela boca de uma
garrafa térmica comum.
- Aquecer a água em chaleira até 60ºC.
- Despejar a água quente em uma garrafa térmica de 1 litro,
preenchendo 3/4 do seu volume total.
- Deixar a garrafa térmica aberta. Acompanhar a diminuição da
temperatura da água até 1ºC acima da temperatura recomendada
para a semente a se tratada.
- Passar a boneca rapidamente em álcool.
- Mergulhar a boneca dentro da garrafa térmica e fechá-la.
- Aguardar o tempo recomendado para o tipo de semente que está
sendo tratada.
- Durante este tempo, movimentar de vez em quando a garrafa.
- Passando o tempo recomendado, abrir a garrafa, retirar a boneca e
esfriar as sementes em água em temperatura ambiente.
- Espalhar as sementes sobre jornal, à sombra, para enxugá-las.
- Semear após o enxugamento.
Hidrotermoterapia para diversas espécies de hortaliças:
Quadro 6 -Hidrotermoterapia para diversas espécies de hortaliças

Temperatura da água Tempo


Espécie
(ºC) (minutos)
Couve-de-bruxelas 50 25
Espinafre 50 25
Pimentão 50 25
Repolho 50 25
Tomate 50 25
Brócoli 50 20
Cenoura 50 20
Couve-flor 50 20
Couve-galega 50 20

93
Nabo 50 20
Pepino 50 20
Rábano 50 20
Repolho chinês 50 20
Mostarda 50 15
Rabanete 50 15
Alface 45 30
Salsão 45 30

5. SOLARIZAÇÃO

Conceito: É o processo de eliminação de patógenos presentes no solo


pelo aumento da temperatura através do uso da energia solar. Para isso é
utilizado plástico transparente (não preto) como cobertura do solo para reter os
raios solares na camada superficial. Por esse processo são inativos fungos,
bactérias e nematóides.

Usos

A solarização é recomendada para solos de canteiros em viveiros, em


hortas e para solo no interior de estufas plásticas.
A desinfestação eficiente do solo, pela solarização, pode ser alcançada
através do seguinte procedimento:
- Cobrir o solo, pré-umidade (saturado), no período do ano em que a
temperatura e a irradiação solar forem mais intensas, o que ocorre
no mês de janeiro. A cobertura plástica aumenta a temperatura do
solo em cerca de 9°C acima da temperatura do solo desprotegido.
- manter o solo úmido (irrigá-lo) para aumentar a sensibilidade
térmica das estruturas de resistência dos fitopatógenos, bem como
melhorar a condutividade do calor.
- Usar plástico (polietileno) transparente com espessura de 25 a 50
micra.

94
- Duração do tratamento: como a camada superficial do solo é mais
rápida e intensamente aquecida do que as mais profundas, o tempo
de cobertura dos solo deve ser de 4 semanas ou mais. Quanto maior
for o período de cobertura, maior será a profundidade do solo
desinfestada (ver Quadro).

Quadro 7 - Número de dias de solarização para inativar (90 – 100%) esclerócidos de


Verticullium dahliae a várias profundidades do solo

Profundidade do solo (cm) Dias


10 3 – 6
30 14 – 20
40 23 – 30
50 30 – 42
60 35 – 60
70 35 – 60
Fonte: KATAN, 1991

6. DEFENSIVOS ALTERNATIVOS

São produtos químicos, biológicos, orgânicos ou naturais com baixa


toxidade ao homem e ao ambiente, ou nenhuma agressividade à natureza,
eficientes no combate de microrganismos, não favoreçam a ocorrência de
formas de resistência, custo reduzido, facilidade de manuseio e aplicação e
disponíveis para aquisição.
Os produtos considerados alternativos são: calda bordalesa, calda
sulfocálcica, calda viçosa, cal virgem, cal hidratada, enxofre, leite, e muitos
outros.
Cada cultura tem suas doenças e deve ser recomendado o produto para
cada caso específico.

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XI. PRODUÇÃO DE HORTALIÇAS EM AMBIENTE
PROTEGIDO

Eng.º Agr.º Paulo Renato Poerschke

1. INTRODUÇÃO

O uso do plástico na agricultura surgiu, como outras técnicas, do anseio


dos produtores diante da necessidade de produzir mais e melhor.
No sul do Brasil o cultivo em ambiente protegido tem como objetivo
minimizar os efeitos adversos do clima como os ventos frios, as baixas
temperaturas e as constantes chuvas no período de outono/inverno.
Desde o começo dos anos 50, o uso do plástico tem contribuído na
produção de hortigranjeiros, porém, somente nos últimos 20 anos a
plasticultura foi implementada aqui no Rio Grande do Sul.
O cultivo em ambiente protegido permite a produção de espécies que
não toleram baixas temperaturas, no período de entressafra, proporcionando
aos produtores de hortaliças, uma regularidade de entrega e melhores preços,
além de um considerável ganho de qualidade dos produtos.

2. EFEITO ESTUFA

O plástico utilizado na construção de túneis e estufas, deve permitir a


passagem da radiação solar. Este plástico, também deve ser aditivado, ou seja,
conter substâncias que lhe confiram uma maior durabilidade diante dos raios
solares, que proporcionam uma rápida degradação.
O efeito estufa é o processo pelo qual a temperatura do interior da
estufa, por efeito da radiação solar, permanece com alguns graus acima da
verificada no ambiente externo. Isto pode ser descrito da seguinte forma: Os
raios de sol, ao passarem pelo plástico, são absorvidos pelas plantas, solo e
demais corpos do interior da estufa, mantendo a temperatura do interior mais
elevada.

3. VANTAGENS DO CULTIVO PROTEGIDO

- Produção na entressafra;
- Precocidade das colheitas (encurta o ciclo);
- Melhor qualidade dos produtos;
- Uso racional dos fertilizantes, com menor perda;
- Economia de água (uso de gotejamento);
- Melhor controle das pragas e doenças;
- Redução no uso de agroquímicos;
- Uso racional da mão-de-obra;
- Aumento de rendimento (3 a 4 vezes mais);
- Menor risco de perdas por condições climáticas adversas.

4. TIPOS DE ESTRUTURAS

A forma mais empregada de estruturas são as estufas, que podem ser


construídas das mais variadas formas e com diferentes materiais.
As estruturas de madeira, com cobertura plástica, cujas dimensões
permitam que as plantas cultivadas alcancem um bom desenvolvimento, têm
como referenciais, laterais com altura de 2 a 3 m, com altura de cumeeira de
3,0 a 3,5 m, sendo a largura e comprimento variáveis, conforme o seu
objetivo. As estufas são utilizadas para todo o tipo de culturas, em especial
para as de porte alto. Outra forma de estrutura são os túneis altos, que
consistem em construções em arco, com altura central entre 2,0 e 3,0 m e
largura média de 5 a 8 metros. Os arcos podem ser metálicos ou canos
especiais de PVC. São estruturas para o cultivo de plantas de porte médio a
baixo, como pimentão, alface e morango.

97
Outro sistema muito empregado, são os túneis baixos. Tem como
vantagens o menor custo, porém, exigem maior mão-de-obra no seu manejo.
São construídos com arcos metálicos, PVC ou bambú. Tem altura
central de 0,6m e largura média de 1,2 m, ou seja, permitem a proteção
individual de cada canteiro da horta,. Podem ser utilizados no cultivo de
espécies de porte baixo como morango e folhosas.

5. PRINCIPAIS ESPÉCIES CULTIVADAS

Para saber qual o tipo de cultivo é mais conveniente, deve-se antes


entender as necessidades básicas das plantas, especialmente as que podem ser
supridas pelas influências dos diferentes tipos de estruturas.
A melhor opção pode ser feita observando a descrição abaixo, onde são
apresentadas as principais finalidades, para cada tipo de cultivo.
- Amenizar efeitos das baixas temperaturas;
Alface
- Proteger contra granizo, geada, ventos e chuvas;
Rúcula
- Encurtar ciclo de produção;
Almeirão
- Maior produção e melhor qualidade.

- Antecipação da colheita;
- Melhorar ponto de colheita;
- Proteção contra condições climáticas;
Morango
- Evitar queima de sol;
- Melhorar a qualidade;
- Diminuir a incidência de doenças.

- Produção na entressafra;
- Maior produção e melhor qualidade;
Pepino - Diminuir a incidência de doenças;
Melão - Encurtar o ciclo de produção;
- Colheita de frutos uniformes;
- Proteção contra as condições climáticas.

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- Produção na entressafra;
- Maior produção e melhor qualidade;
Tomate
- Reduzir o uso de agroquímicos;
Pimentão
- Colheita de frutos uniformes;
Beringela
- Encurta o ciclo de produção;
- Manejo e condução mais adequada.
O uso de pequenas estufas sementeiras para produção de mudas,
também é uma alternativa muito empregada pelos olericultores da região.
Estas estruturas devem ser dotadas também de telas para proteção contra
insetos, e de sombrite, para uso nos meses de verão em que as temperaturas
são muito elevadas.

6. MANEJO DOS TÚNEIS E ESTUFAS

O sucesso dos cultivos em ambiente protegido está diretamente ligado à


eficiência com que o agricultor manuseia a estufa, a fim de obter as melhores
condições ambientais, para cada planta, nas suas diferente fases de
desenvolvimento vegetativo.
Dois fatores são importantes no manejo das estufas:
- Temperatura - todas as plantas têm limites bem definidos de
temperaturas máximas e mínimas para o seu melhor
desenvolvimento.
- A maioria das estufas não tem controle artificial de temperatura, ou
seja, são ambientes com controle parcial de temperatura. Isto exige
do produtor um manejo diário das áreas de ventilação da estufa, que
normalmente é feita pela abertura das portas e cortinas laterais.
- A maioria das espécies cultivadas têm entre 18 e 25 graus como
temperaturas ideais de desenvolvimento. Em busca disto, deve-se
evitar temperaturas muito baixas, principalmente à noite, e picos de
temperaturas elevadas (acima de 32°C) durante os dias mais
quentes.

99
- Umidade Relativa do ar - este fator é muito importante, porque
interfere de forma decisiva no desenvolvimento das plantas. A
maioria da plantas tem como umidade ideal do ar entre 60 e 80%.
- Um ar demasiado seco, aliado a temperaturas altas, aumenta a
transpiração das plantas. Porém na nossa região, o maior problema
é a alta umidade do ar, que proporciona incidência de doenças. Para
amenizar este problema, a estufa deve ser ventilada, abrindo-se as
portas laterais, o que proporciona um maior movimento do ar,
fazendo com que a folhagem das plantas sejam rapidamente secas.
- É importante, em dias nublados, com temperaturas amenas (15 a
20°C), que a estufa seja aberta no início da manhã e fechada no final
do dia, evitando elevação da temperatura no interior da estufa e
fazendo com que as plantas se desenvolvam sem luminosidade
suficiente, causando um estiolamento.

7. AMBIENTE PROTEGIDO PARA CULTIVO DE VERÃO

Os próprios túneis e estufas que são utilizados nos períodos mais frios
podem ser adaptados para cultivos de verão, para isso, precisamos diminuir as
temperaturas e elevar a umidade do ar, no interior destes ambientes.
Uma das adaptações recomendadas é a aplicação, sobre as estruturas, de
algum material que diminua a incidência de radiação solar no interior das
estufas. Isto pode ser feito pintando-se com cal o plástico da cobertura,
usando-se um sombrite sobre a estrutura ou mesmo algum tipo de palha sobre
o sistema de sustentação dos cultivos, esta quebra na incidência da radiação
solar deve ser em torno de 30%.

100
XII. COMERCIALIZAÇÃO, ABASTECIMENTO E
SEGURANÇA ALIMENTAR

Eng.º Agr.º José Ivan da Rosa

1. INTRODUÇÃO

A humanidade desenvolveu-se desde a revolução industrial sob uma


lógica econômica que considerou os recursos naturais inesgotáveis e a
degradação ambiental como o preço a ser pago pelo progresso tecnológico.
A partir da década de 70 e com mais ênfase no início dos anos 80, a
sociedade percebeu a fragilidade do modelo de desenvolvimento vigente.
A análise da base genética e ecoenergética da agricultura convencional,
e o caráter excludente e fortemente restritivo dos sistemas agrícolas propostos
para a agricultura familiar, evidenciaram um panorama cada vez mais
contrário a um crescimento econômico com justiça social e ecologicamente
sustentável.
Dentre o conjunto de novas direções apontadas para a sociedade,
surgiram no setor primário movimentos de agricultura alternativos ao
convencional, contrapondo-se ao uso abusivo de insumos agrícolas
industrializados e derivados de petróleo, da manipulação genética
irresponsável, da concentração da posse da terra, da dissipação do
conhecimento tradicional e da deterioração da base social de produção de
alimentos.
Intensifica-se, então, o reconhecimento da produção livre de
agroquímicos, identificando-se linhas de ação para a pesquisa e a difusão
massiva de técnicas agrícolas compatíveis com um modelo econômico e social
mais durável, em construção paralelo à valorização de variáveis ambientais.
No entanto, sob o prisma do setor agrícola, apesar de corretas e
importantes, as ações desencadeadas ainda são insuficientes no contexto do
Estado. Permitem, todavia, avaliar que a sociedade está madura para abrigar
um programa de agricultura que trate a questão ecológica como um todo e
altere definitivamente a concepção de que a agricultura é uma atividade
incompatível com a conservação dos recursos materiais.

O programa RIO GRANDE ECOLÓGICO, lançado pelo Governo do


Estado do Rio Grande do Sul, propõe caminhos que por certo levarão a bom
porto, no médio prazo, a produção agropastoril gaúcha, com benefícios para
produtores e consumidores.
O presente trabalho se propõe a comentar, em linhas gerais, o segmento
COMERCIALIZAÇÃO, com ênfase à COMERCIALIZAÇÃO DE
HORTIGRANJEIROS.
Considerando-se, entretanto, que o termo COMERCIALIZAÇÃO não é
conclusivo, eis que se insere entre os segmentos da produção e do consumo, e
que modernamente vem se somando a expressões mais fortes, quais sejam
ABASTECIMENTO ALIMENTAR e SEGURANÇA ALIMENTAR,
informamos que o “fio condutor” do trabalho em tela perseguirá mais de perto
a idéia de abastecimento. A imagem de comercialização se fará presente em
todo o trabalho, embora prevaleça como pano de fundo o sentido de
abastecimento, admitido como mais adequado e abrangente à proposta inicial.
A seguir, objetivando justificar esse propósito, serão apresentados os
conceitos que embasam as três situações, que se sugere sejam interpretadas
por igual.

2. COMERCIALIZAÇÃO

O conceito de comercialização engloba os de marketing e de


distribuição, agregando ainda o conjunto de técnicas e de procedimentos que
permitem fazer com que os produtos atinjam os mercados físicos e os
consumidores a tempo, e em quantidade e qualidade desejadas.

102
A estrutura de comercialização, que faz parte desse conjunto, tem sua
configuração completa na integração das estruturas de produção, de
distribuição e de consumo, envolvendo a análise dos bens, desde o momento
em que são produzidos até serem adquiridos pelo consumidor final.
Esta estrutura será mais eficiente quando minimizar custos e quando a
difusão exata de informações de preços for realizada de maneira rápida a todos
os agentes interessados e envolvidos no processo.

3. ABASTECIMENTO ALIMENTAR

O abastecimento alimentar é aqui entendido com base numa visão


sistêmica, que considera suas múltiplas dimensões – social, produtiva,
política-institucional e nutricional – e compreende a produção, a circulação, a
comercialização e o consumo de alimentos. Nesse sentido, o abastecimento
envolve também uma problemática urbana, não podendo ser encarado como
um mero desdobramento da questão da produção agrícola, embora esta tenha
um papel fundamental.
O abastecimento alimentar define-se, assim, como uma complexa
malha de agentes e fatores interligados para as atividades de produção e
comercialização de alimentos, cuja atuação deve ser regulada de modo a que
seus resultados possibilitem a satisfação das necessidades alimentares e
nutricionais de toda a população.
O Estado tem um papel fundamental a cumprir no abastecimento
alimentar, onde tem obrigações análogas às que lhes são inerentes, como nos
casos da educação e da saúde. No entanto é preciso superar a característica
tradicional da intervenção governamental no abastecimento, que sempre se
deu na forma prioritária de ações tópicas relacionadas às crises de produção ou
de consumo, voltadas sobretudo à redução do imposto inflacionário do
encarecimento dos alimentos ou à atenuação dos problemas de consumo de
alimentos dos grupos sociais mais vulneráveis.
O sentido global dessa ação é o de buscar atuar nas várias dimensões do
abastecimento, especialmente fomentando a produção, intervindo no

103
escoamento e na formação dos preços e orientando o consumo. Essa tarefa,
que nasce na esfera Federal, responsabiliza, por igual, Estados e Municípios.
Quanto à questão institucional do abastecimento, a situação no País, hoje,
conduz a uma reflexão sobre segurança alimentar e à necessidade de sua
implementação enquanto objetivo permanente de Governo; entendendo-se por
Segurança Alimentar a garantia da disponibilidade e acesso de toda a população
ao consumo adequado e suficiente de alimentos, resultante da articulação de
diferentes políticas públicas relativas à produção, circulação, comercialização e
consumo de alimentos.
O enfoque sistêmico sobre o abastecimento demanda uma ação
articulada dos diversos órgãos ligados à produção e à distribuição de alimentos
(Secretarias de Estado da Agricultura e Abastecimento, Saúde, Órgãos da
Administração Indireta, ONGs e outros), cujos resultados, na forma de uma
Política Estadual de Abastecimento, devem contemplar alguns aspectos
fundamentais, quais sejam:
- Fomento à Produção de Alimentos Básicos;
- Aperfeiçoamento da Comercialização Agrícola;
- Formulação de Política de Preços para cesta básica alimentar;
- Educação Alimentar e Orientação ao Consumidor;
- Programas Suplementares de Alimentação e Nutrição.

4. SEGURANÇA ALIMENTAR E NUTRICIONAL


SUSTENTÁVEL

O caso brasileiro é uma prova patente que a produção e a


disponibilidade de alimentos em quantidade suficiente, por si só, não garantem
a Segurança Alimentar de uma população. Desde 1950 o Brasil produz
alimentos em quantidade suficiente para alimentar toda sua população, mas,
por razões várias, a insegurança alimentar e nutricional de uma parte
significativa de sua população ainda é motivo de preocupação.
Com base em todo o debate desenvolvido neste período construiu-se o
conceito brasileiro, segundo o qual, Segurança Alimentar e Nutricional

104
Sustentável consiste em garantir a todos condições de acesso a alimentos
básicos seguros e de qualidade, em quantidade suficiente, de modo
permanente e sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais,
com base em práticas alimentares saudáveis, contribuindo assim para uma
existência digna em um contexto de desenvolvimento integral da pessoa
humana.

5. INTRODUÇÃO À HORTICULTURA

A FITOTECNIA é a ciência que estuda o cultivo das plantas


consideradas de interesse econômico e abrange quatro grandes ramos, a saber:

 Grandes Culturas: cereais, oleaginosas, etc.

Olericultura: hortaliças em geral


Fruticultura: fruteiras diversas
Floricultura: flores de corte
 Horticultura Jardinocultura: plantas ornamentais
Viveirocultura: produção de mudas
Cultura de plantas medicinais
Cultura de plantas condimentares

 Silvicultura: espécies florestais.

 Culturas forrageiras: pastagens, forrageiras para corte, etc.


A característica mais marcante da horticultura é o seu caráter intensivo
no que se refere à utilização do solo, aos tratos culturais, à mão-de-obra
familiar e aos insumos (sementes, mudas e adubação orgânica).
No seu conjunto são atividades vocacionadas para pequenas e médias
propriedades rurais.
Em contrapartida, as explorações hortícolas possibilitam a obtenção da
mais alta renda líquida, por hectare cultivado, dentre as diversas opções
agrícolas.
Em alguns casos, por exemplo nas hortaliças, o ciclo cultural é bem
mais curto do que para as demais culturas. Um mesmo terreno, no espaço de

105
um ano, pode ser utilizado em duas culturas de tomate transplantadas, em seis
culturas de alface transplantadas ou em doze culturas de rabanete semeadas
diretamente.
E, tal fato, representa maior renda para a família rural.

Comercialização – Uma Empreitada Difícil

Todo o produtor rural que já enfrentou o problema sabe que produzir é


bem mais fácil do que comercializar.
Para produzir, o produtor tem a sua experiência pessoal, sabe o que usar
e recebe assistência técnica com vistas a melhorar o rendimento da lavoura.
Para vender a produção, principalmente para aqueles que não conhecem
as artimanhas do mercado, a situação é bem mais difícil, pois faltam
informações e a competitividade é muito grande.
É preciso admitir, também, que o produtor sempre será melhor produtor
do que vendendo.
Para vender é necessário conhecer o mundo que existe fora da porteira
da propriedade.
É ali que as coisas acontecem. É ali que estão os atores que agem no
sistema de comercialização e é ali, também, que está o grande público
consumidor.
E esse mundo tem regras rígidas e exigências que devem ser atendidas
para que o produtor possa vender a sua produção.
A seguir, serão apresentadas e comentadas as principais situações que o
produtor, particularmente o produtor familiar, deve conhecer e se possível
incorporar à sua rotina.

Conceitos de Mercado e Comercialização

Entende-se por mercado uma esfera de influência onde os interessados


nas transações comerciais executam o intercâmbio.

106
O mercado é mais conceitual do que físico e constitui parte integrante
dos diferentes processos por meio dos quais se transfere a propriedade dos
bens e serviços.
O mercado executa uma função de alocação de recursos de capital,
trabalho e terra. O mercado também influencia algumas decisões de múltipla
natureza, entre as quais as políticas referentes às áreas da pesquisa,
industrialização, transporte, comunicações, consumo e outras.
Vê-se que o mercado não funciona nos moldes de uma competição livre
e perfeita, onde os preços atuam como árbitros. Existem impedimentos
institucionais e informativos, além de econômicos, que afetam a maioria das
situações. As ideologias político-econômicas, assim como os valores sócio-
econômicos influem nas operações públicas e privadas do mercado.
Isto leva a entender que as decisões tomadas pelo produtor rural, muitas
vezes por desinformação, podem ir de encontro aos interesses do mercado.
De outra parte é conveniente considerar o sistema de comercialização
como o mecanismo primário para coordenação das atividades de distribuição e
consumo. Sob este ponto de vista, a comercialização inclui as atividades de
intercâmbio associadas com transferência dos direitos de propriedade de um
produto, manipulação dos produtos e arranjos institucionais que facilitam estas
atividades.
Pelo visto, e considerando que muitas decisões comerciais importantes
incluem planejamento de produção em relação às oportunidades de mercado,
parece inútil tentar estabelecer uma divisão conceitual arbitrária entre
“produção” e “comercialização”. È por este motivo que se evita uma definição
de comercialização restrita às atividades que ocorrem depois que o produto
deixa a empresa rural.

O Sistema de Comercialização

Os produtores rurais médios e grandes, pela infra-estrutura que dispõem,


geralmente entregam as suas produções a cooperativas, engenhos, barracas,
frigoríficos e outros.

107
Os produtores familiares, entretanto, têm dificuldade de escoamento das
suas safras. As razões são muitas e de várias dimensões:
- a diversificação dos produtos é maior, conquanto o volume de oferta
seja menor;
- prevalece a comercialização individualizada;
- o produtor não possui meios de transporte dos seus produtos para o
mercado (feiras, CEASA, entrega direta, etc.);
- geralmente produz produtos da cesta básica ou perecíveis, cujo
mercado é mais dinâmico e exigente;
Há que entender, desde logo, que o produto, para percorrer o caminho
entre o produtor e o consumidor, necessita de diversos “serviços de
comercialização”, tais como: compra, venda, coleta, reunião, embalagem,
estocagem, transporte, beneficiamento, padronização, classificação,
financiamento, assunção de riscos, informações de mercado e outras.
Tais funções são executadas por diversos “agentes de comercialização”,
com experiência nesses tipos de operações e bom conhecimento de mercado. É
claro que o produtor, se tiver um membro da família com tal conhecimento, ou
vier a contratar um “expert” para essa função, também poderá fazê-lo. Isso,
porém, implica em custos.
A grande saída é o trabalho associativo, onde diversos produtores
juntam as suas produções, atendendo as exigências do mercado, e um deles,
com maior experiência no ramo, faz a comercialização pelo grupo. (vide
lâmina nos anexos)

O Preço dos Hortigranjeiros

O preço de comercialização dos produtos costuma ser o fator


preponderante na determinação do resultado econômico de qualquer
exploração agropecuária. Os hortigranjeiros não fogem à regra.
Em qualquer situação o preço final de venda deveria ser constituído
pelo preço de custo da unidade comercializada (kg, arroba, saco, caixa, dúzia,

108
molho, pé, etc.), mais o custo de comercialização (impostos, transporte,
embalagens, etc.) e mais uma margem de lucro não superior a 25%.
É verdade, principalmente para produtos com preço mínimo pré-fixado,
que, freqüentemente, o preço de venda é inferior aos custos. Isto costuma
acontecer por contigências do mercado, sobretudo quando a oferta de
determinado(s) produto(s) é superior à demanda. Também ocorre, vez por
outra, por incompetência oficial, que não leva em conta as situações
imponderáveis.
Há, contudo, uma tendência muito forte de parte dos produtores de
hortigranjeiros em queixar-se de que recebeu preços baixos e que é muito
pequena a sua parcela de participações no preço final pago pelo consumidor.
O fato, para ser analisado de modo imparcial, tem de admitir certo
despreparo ou ingenuidade de parte do produtor.
Isto acontece e continuará acontecendo se o produtor não se organizar e
não agregar valores ao seu produto, eliminando o intermediarismo e
assumindo, às suas custas ou na forma associativa, aquelas atividades
executadas por terceiros. Esta situação é mais visível quando das flutuações
estacionais (sazonalidade), momento em que o produtor sofre as maiores
penalizações.

Épocas de Melhores Preços

Aos horticultores interessa comercializar os seus produtos em períodos


de preços mais elevados. Isso é natural e por certo ocorre com todos os
produtores.
Esse desejo, todavia, pode trazer problemas graves, qual seja a oferta
excessiva de determinado produto num momento em que a oferta é superior à
procura. Nesse momento os preços caem e o produtor perde dinheiro e se
desestimula.
O produtor de hortigranjeiros, face às características desse tipo de
produção (alta tecnologia, perecibilidade, riscos de perdas, etc.) tem de se
profissionalizar no negócio. Não pode ser um amador e menos ainda ingênuo.

109
Há alguns “macetes”, dos quais o produtor pode se socorrer, que
ajudam a minimizar riscos de concorrência, como se verá a seguir, mas nada
substituirá o profissinonalismo e o conhecimento do mercado.
As condições climáticas no RS, com excesso de umidade e frio em
alguns meses do ano (inverno) e estiagens em outros
(outubro/novembro/janeiro) induz o produtor a ter cuidados dobrados que o
levam a escolher o melhor local para estabelecer a plantação; a usar boa
tecnologia (plasticultura, irrigação por gotejamento, boas sementes, boas
mudas); a antecipar ou atrasar o plantio para fugir da época de maior oferta; a
diversificar a produção e em algumas situações a diversificar os pontos de
venda.
De qualquer sorte, afora o domínio da tecnologia ou do recebimento de
assessoria técnica, o produtor deve estar suficientemente equipado para
produzir e para comercializar os seus produtos.

6. PADRONIZAÇÃO, CLASSIFICAÇÃO E EMBALAGEM DE


PRODUTOS HORTIGRANJEIROS

Os produtos hortigranjeiros, dado à sua fragilidade e pelo fato de serem


consumidos basicamente ao natural, exigem cuidados especiais que
resguardem a sua qualidade, apresentação e, tanto quanto possível, a sua
longevidade.
Esses cuidados começam pela colheita, que deve ser feita no momento
certo, quando o produto “está pronto”. Nem antes, nem depois. Fazendo antes
estará “verde” ou “pouco desenvolvido”. Fazendo depois estará “passado”.
Em ambas as situações estará desvalorizado comercialmente.
Deve-se ter em conta que as perdas médias na área dos hortigranjeiros
no Brasil chegam aos 30%, no percurso entre o produtor e o consumidor.
Nos Estados Unidos, no mesmo caminho, as perdas chegam a 3%.
Observa-se, também, que as perdas maiores ocorrem ao nível de
produtores e de consumidores.
Quem menos perde é quem mais ganha, ou seja, os intermediários.

110
Padronização

É o estabelecimento de um padrão ou modelo, a fixação dos limites de


cada atributo que caracteriza ou define um determinado produto.

Classificação

É a comparação do produto obtido com os padrões já estabelecidos.

Embalagem

É o acondicionamento do produto de forma a possibilitar o seu


transporte e manuseio, durante todas as etapas da comercialização, sem danos,
utilizando-se caixas, sacos ou outros tipos de embalagens.
A padronização, a classificação e as embalagens contribuem para
melhorar a apresentação e a qualidade do produto, facilitam as transações,
bem como a avaliação das diferenças de preços entre tipos do mesmo produto.
Afora isso, dão maior opção de compra, permitem o uso de uma terminologia
comum aos diversos agentes e aumentam a eficiência nas diferentes etapas do
processo de comercialização.
Quando se padronizam e classificam produtos hortigranjeiros, há que
distinguir, pelas normas oficiais:
- Grupo: define os atributos relacionados com cultivar ou formato;
- Classe: define os atributos relativos a peso ou tamanho;
- Tipo: define os atributos que se relacionam com a qualidade.
A diferenciação entre os “Grupos” é feita utilizando-se algarismos
romanos; entre “Classes”, por palavras que definem o peso ou o tamanho, tais
como: grande, pequeno, miúdo, longo, etc.; entre “Tipos” é feita por palavras
como: extra, especial, etc.
As embalagens para hortigranjeiros passaram a ser adotadas com certa
regularidade na década de 1960, por meio da então cooperativa de Cotia/SP. A

111
primeira e principal embalagem utilizada foi a chamada “Caixa K”, destinada
ao acondicionamento do tomate. A “Caixa K” já era conhecida desde a época
da Segunda guerra mundial (1939/1945), quando protegia latas de querosene
destinada à força aérea. Trata-se de uma caixa de madeira, com dimensões
internas de: 495 mm de comprimento, 355 mm de largura e 200 mm de altura.
É usada até os dias correntes para a comercialização de tomate, batata doce,
aipim, chuchu, pimentão, quiabo, vagem e pelo menos mais uma vintena de
produtos.
Apresenta, entretanto, muitos pontos negativos, dentre os quais:
- as asperezas e os cantos em ângulo reto, danificam os produtos;
- o período de uso contínuo da Caixa K é de 10 a 16 meses e pode,
nesse tempo, pelas características da madeira, ser difusora de
doenças de uma plantação para outra;
- as embalagens de madeira apresentam dificuldade de esterilização.

Outras embalagens de madeira bastante utilizadas são a “Caixa M de


Colheita”, para citros; a “Caixa Torito”, para bananas; “Engradados” ou
“Pregadinhos”, para alface, repolho e molhos de beterraba, cenoura, rabanete e
outros.
As embalagens de madeira começam a ceder terreno para as caixas de
papelão ondulado, descartáveis e recicláveis, que oferecem melhor proteção
aos produtos e evitam a disseminação de doenças.

As caixas de plástico também vêm sendo usadas num crescendo,


sobretudo por parte das redes de supermercados. Estas são facilmente
esterilizáveis e apresentam grande durabilidade (ao redor de 4 anos), fato que
as torna mais baratas do que as caixas de madeira.

7. INDIVIDUALISMO X ASSOCIATIVISMO

Os aspectos mercadológicos da horticultura devem receber maior


atenção e orientação de parte de quem de direito, dirigida aos produtores, ao

112
próprio segmento da comercialização e, de modo muito particular, aos
consumidores.
Afinal, são estes últimos que “mandam” no mercado e pagam a conta.
O horticultor brasileiro e, por extensão o gaúcho, é individualista, tendo
pouco ou nenhum espírito associativista.
Entretanto, é o associativismo a chave para numerosos problemas de
comercialização, sendo a solução mais completa e mais vantajosa, a médio e a
longo prazo.
A “associação de produtores” e principalmente a “cooperativa de
produção” são os melhores modelos associativistas, pois assumem toda a
responsabilidade pela colocação da produção dos seus associados, em
condições mais vantajosas.
Para o pequeno produtor familiar, que não tem escala de oferta nem
condições de comercializar aquilo que produz, somente a união produzirá a
força necessária e suficiente para o seu crescimento pessoal e coletivo.

8. ABASTECIMENTO

Sistema

É comum que Municípios pequenos e até mesmo médios não saibam


como resolver seus problemas de abastecimento alimentar.
Dentre os equipamentos urbanos mais importantes destacam-se os
MERCADOS (atacadistas e varejistas) e as FEIRAS. Para chegar lá,
entretanto, o Município deve possuir uma infra-estrutura pelo menos razoável.
Esta estrutura pode ser resumida em poucas palavras: conhecimento da
realidade de como se processa, no Município, a produção, a comercialização e
a distribuição de alimentos, ou seja o abastecimento propriamente dito;
legislações pertinentes ao assunto, constantes da Lei Orgânica do Município;

113
equipamentos para a operacionalização do abastecimento; e vontade política
para fazê-lo.

As sugestões que seguem não têm a pretensão de uma receita de bolo


ou de uma prescrição médica. São apenas sugestões para que você as melhore.
Em cada lugar há uma realidade.
É preciso, então, inventar maneiras simples e baratas de fazer as coisas.
As experiências passadas revelam o que não deu certo e ajudam a apontar as
melhores soluções.
Juntando experiências diversas e com parcerias solidárias é possível
encaminhar medidas, procedimentos e alguns padrões recomendáveis. O resto
passa a ser um trabalho de criatividade e adaptação da comunidade e da
autoridade municipal.
A terra está custando muito caro. A mão-de-obra rural está escasseando
em muitas regiões do Estado. O capital próprio, em particular do agricultor
familiar, inexiste, e obtê-lo junto aos agentes financeiros, sem uma orientação
segura, pode ser um fator de risco.
A produção de alimentos, aspirando uma melhor remuneração, cada vez
mais se volta para fora do município. Muitas vezes o que se planta ou se cria é
consumido em outra região ou até em outro país. Ao preço dos gêneros tem de
se adicionar o do transporte.
Antes eram comuns as transações diretas do produtor ao consumidor.
Para isso serviam as áreas abertas, as ruas, as praças ou os mercados
organizados.
Hoje, o abastecimento está subordinado a complicados mecanismos de
comercialização e industrialização. Formaram-se cadeias de operações e
equipamentos que, em geral, escapam aos limites de um Município, por maior
e mais poderoso que seja.
É ao nível de Município que os atos e fatos costumam se complicar e é
aí que as soluções devem ocorrer.
O abastecimento alimentar apresenta dimensões locais e regionais e
compreende as seguintes operações:

114
- Produção;
- Preparo;
- Transporte;
- Armazenamento;
- Conservação;
- Distribuição;
- Controle dos Preço;
- Qualidade.
A distribuição de alimentos pode ser feita no atacado e no varejo. Para
tanto usam-se equipamentos públicos e/ou privados.

Atacado

- Entrepostos regionais/ centrais de abastecimento;


- Cooperativas de abastecimento;
- Armazéns e depósitos;
- Matadouros.

Varejo

- Mercados;
- Feiras.
O Mercado é um equipamento típico de varejo. Porém, dependendo das
condições, pode abrigar operações de atacado. São aceitáveis instalações
simples como o galpão, o telheiro ou apenas a marcação no piso, chamado de
pedra. Também pode ser feita a dobradinha feira/mercado. Cria-se assim um
espaço onde acontecem atividades múltiplas, reservando-se as áreas cobertas e
melhor protegidas à comercialização de carnes.
A Feira é, por definição, de utilização transitória e momentânea.
Destina-se à venda de hortigranjeiros produzidos no Município ou em uma
microrregião. Pode, entretanto , permanecer instalada por períodos longos,
comercializar os mais diversos produtos e atingir regiões maiores.

115
Para organizar todas essas questões e saber o que deve ter importância e
o que pode ser deixado de lado, é bom lembrar sempre dos objetivos
desejáveis, quais sejam, entre outros:
- Elevar o nível de alimentação dos cidadãos;
- Diminuir as tensões econômicas e sociais;
- Melhorar os padrões gerais de saúde;
- Minimizar gastos na aquisição de alimentos;
- Prestigiar, ao nível de Município, os produtores e consumidores
locais.

116
ANEXOS

ANEXO 1

Formulação e uso de alguns produtos

1) Inseticida de Angico
Ingredientes:
- 1 kg de folhas e vagens de angico
- 10 litros de água
Modo de preparar: Deixar de molho as folhas e vagens na água durante 8 dias,
após coar o produto
Uso: Misturar 1 litro do produto em 5 a 10 litros de água
Controla: pulgões, lagartas e formigas

2) Inseticida de Arruda
Ingredientes:
- 100 g de folhas
- 10litro de água
Modo de preparar: Picar as folhas, colocar água, aguardar 24 horas e, após, coar o
produto.
Uso: Misturar 1 litro do produto em 20 litros de água
Controla: Repelente contra vários tipos de insetos e formigas

3) Inseticida de Cinamomo
Ingredientes:
- 500 gramas de semente madura ou em pó
- 1 litro de álcool
- 1 litro de água
Modo de preparar: Misturar a água e o álcool e colocar as sementes nesta mistura.
Deixar de molho 4 dias. Depois, pode ser coado e armazenado em vidros escuros.
Uso: Misturar 1 litro do produto em 10 litros de água
Controla: Gafanhotos, pulgões e cochonilhas.

4) Inseticida de Marcela
Ingredientes:
- 100 gramas de marcela
- 2 litros de água
Modo de preparar: Ferver a água, derramar sobre a marcela, deixar esfriar e coar
Uso: Dissolver esta quantidade preparada em 10 litros de água
Controla: Pulgões
5) Inseticida de Pimenta-do-Reino
Ingredientes:
- 100 gramas de pimenta-do-reino
- 1 litro de álcool
- 125 gramas de sabão de coco
- 10 litros de água
Modo de preparar: Misturar bem a pimenta e o álcool, deixar repousar por uma
semana e coar
Uso: 250 ml em 10 litros de água
Controla: Pulgões

6) Inseticida de Urtiga
Ingredientes:
- 500 gramas de folhas de urtiga
- 1 litro de água
Modo de preparar: Colocar as folhas de urtiga de molho na água, esmagar bem,
deixar em repouso por dois dias e coar.
Uso: Usar esta quantidade preparada em 10 litros de água
Controla: Pulgões e lagartas

7) Extrato de fumo
Ingredientes:
- 2 kg de pó de fumo ou folhas picadas
- 10 litros de água
Modo de preparar: Misturar o fumo com a água e deixar de molho por 12 a 24
horas e coar. Se precisar armazenar por até 30 dias, acrescente 1 litro de álcool.
Uso: Diluir um litro de produto para cada 5 litros de água
Controla: Pulgões em geral

8) Óleo de NIM
O óleo de Nim é adquirido nas agropecuárias e aplicado na concentração de 0,5 a
1,0 litro para cada 100 litros de água. Controla vários tipos de insetos, como
pulgões, traças, lagartas e ácaros.

9) Extrato de Três Marias


Ingredientes:
- 200 gramas de folhas de Três Marias
- 1 litro de água
Modo de preparar: Misturar as folhas e a água e bater em um liquidificador. Coar e
aplicar o mais rápido possível.
Uso: Diluir um litro de produto em 20 litros de água
Controla: Tripes, inseto vetor de Virose.

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ANEXO 2
PLANTAS COM PROPRIEDADES INSETICIDAS OU REPELENTES

NOME POPULAR NOME CIENTÍFICO UTILIZAÇÃO


Abricó do pará Mammes americana Inseticida contra Diaphania ssp. L. frugiperda
Agave, pitera , sisal Agave sisaina Combate saúvas (extrair suco das folhas)
Alamandra Allamanda nobilis Combate pulgões (cozer as folhas)
Alfavaca Medicago sativa Combate mosquito (flores)
Alfavaca, manjericão Ocimum basilicum Inseticida contra moscas e mosquitos
branco
Angico Piptadenia ssp Conbate saúvas (folhas de molho 8 dias)
Anis ou erva doce Pinpinella anisum Repelente de traças
Anona, guanabara Annona reticuleta e Inseticida em geral (óleo das sementes)
municarata
Arruda Ruta graveolens L. Inseticida: pulgões, cochonilha sem carapaça
Afanásia Tanacetum vulgare Repelente de formigas e diversos insetos, plantas
junto a roseiras e fruteiras
Barata (planta) Haplephyton cimicidum Inseticida contra lagarta do milho, moscas, etc
Cebola ou cebolinha Allium cepaL. E Allium Repele vaquinha e combate pulgões e lagartas
verde fistulosum (rizomas moídas e deixando macerar 1 dia)
Cálamo aromático Acorus Calamus Combate pulgões e largas de besouros (rizomas
moídos e deixando macerar 1 dia)
Calêndula Calendola officinalis Ação inseticida (flôres)
Camomila catimga, Anthenis spp. Ação inseticida
Macela galega
Chagas, capuchinho Tropaeolium majus Repelente de nematóides
Chuchu Sechium edule S. Atrativo de lesmas e caracóis (cozer as folhas)
Cinamomo ou paraíso Melia zedarach Inseticida contra gafanhotos e pulgões
Coentro Coriandrum sativul Combate ácaros e pulgões
Cravo de defunto, Tegetes patula, Tagetes Nematicida, repelente de pulgão e broca de
tegates minuta L. tomateiro
Crotalária Crotalária wighitiana Combate nematóides
Cróton Croton tglium Sementes com forte ação inseticida
Curcuma Curcumadoemestica Ácaros, besouros, lagartas (sementes)
Eucalipto Eucalyptus citriodora Folhas são inseticidas de grãos armazenados
Esporinha Delphinium ajacis Ação contra moscas e lagartas (sementes)
Estemona Stemona tuberosum Inseticida: grilos e gorgulhos (raízes)
Fruta do conde, poinha Anona squamosa Semente e raízes com ação inseticida
Gergelim Sesamus indicus Contra saúvas. Plantio ao redor das plantas
Gerânio Palergonium zonali Repelente de insetos na hora
Girassol Helianthus anuus Inseticida, repelente
Jacatupé bravo Pachynhizus erosus e Inseticida: pulgão, lagartas, moscas, etc. (sementes
tuberosus L. moídas)
Hortelã ou menta Mentha piperita Repelente de formigas e ratos
Mamey Mammea americana Combate lagartas e formigas (sementes)
Manjericão de moita Ocimum basilicum Contra moscas: Ceratistis spp (folhas)
Mamoeiro Carica papaya L. Ferrugem do cafeeiro e mildio (folhas)
Mandioca brava Manihot utilisssima Nematicida
Maria preta Cordia verbenaceae Armadilha da broca da laranja
Nim Azadrachta indica Inseticida em geral (folhas, frutos e sementes)
Olho de boi Heliopsis scabra Inseticida, como piretro
Papagaio Euphorbia spp. Ação inseticida
Passegueiro Prunnus persicaB. Contra pulgões, lagartas, etc (cozer as folhas)
Pimenta Capsicum annuum Repelente de insetos

Fonte: PENTEADO, S.R. Defensivos Alternativs e Naturais

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Convencionais”. Boletim técnico No 58 EPAGRI/SC. 1992.

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pragas e doenças. Francisco Beltrão, PR, 7 ed.1999.153p.

CATÁLOGO DE SEMENTES AGROFLORA SAKATA - 97/98.

CATÁLOGO DE SEMENTES HORTEC – 1989.

CATÁLOGO DE SEMENTES ISLA 2000 – 2001.

CLARO, S.A. Referenciais tecnológicos para Agricultura Familiar Ecológica.


Porto Alegre, EMATER-RS, 2001. 250f.

EMBRAPA, DF. “A Cultura do Tomateiro (para mesa)”. Brasília, 1993.

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KRAUSE, M.V. Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. 8. ed. São Paulo. Roca.
1994.

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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DO COMÉRCIO DE SEMENTES E MUDAS


( ABC SEM).Manual Técnico Cultivo de Hortaliças 2000 – 2001

MARCHETTI, D. A. B. TELLES, D. A. TEISSÈDRE, J. SIQUEIRA, N. P. A.


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