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UMA ANÁLISE HISTÓRICA DO PRINCÍPIO DE FERMAT E SUAS

IMPLICAÇÕES NO ENSINO DA REFLEXÃO E REFRAÇÃO DA LUZ.

Prof. Marcos Antonio Barros1

RESUMO:

Este trabalho teve início durante as aulas da disciplina de História da Física, no curso de
Licenciatura em Física da UEPB, quando discutíamos a respeito dos fenômenos
descritos pela luz, em especial a reflexão e refração analisadas por Snell e
posteriormente por Descartes. Associado a esses fenômenos aparecia o princípio de
Pierre Fermat, que fundamentalmente divergia com Descartes na dedução das leis da
reflexão e refração. Paralelamente à análise de artigos, buscávamos em livros textos
adotados como referências para o curso de Licenciatura em Física, se algum deles
apresentava essa discussão histórica ou se pelo menos descrevia o princípio de Fermat.
Constatamos que alguns livros chegam a mencionar o princípio, às vezes de forma
incompleta teoricamente e historicamente, às vezes postulado em forma de exercícios,
que enfatizam apenas o aspecto matemático através do “tempo mínimo”, levando os
estudantes a terem uma visão distorcida dos fenômenos analisados.
A partir daí, nosso trabalho tomou outro rumo que nos levou a verificar o relato
histórico sobre o Princípio de Fermat, através de suas cartas a de la Chambre e a outros
cartesianos , buscando entender se o seu Princípio estava bem fundamentado dentro do
contexto científico da época. Para isso foi fundamental a leitura dos originais ou e de
fontes secundárias confiáveis, evitando assim a perpetuação de erros conceituais e
históricos. Além disso, procuramos verificar o princípio de Fermat, para a reflexão
(espelhos plano e esférico) e refração, através do cálculo diferencial, geométrico e
experimentos concretos e virtuais. Nossa conclusão nos faz acreditar que leitura de
cartas ou livros originais associado a experimentos simples, seja boas oportunidades
para que se perceba o processo de criação e de descoberta científica, além de
didaticamente, contribuir para um melhor entendimento dos conceitos e teorias.

1. INTRODUÇÃO

Este trabalho teve início durante as aulas da disciplina de História da Física, no


curso de Licenciatura em Física da UEPB, quando discutíamos a respeito dos
fenômenos descritos pela luz, em especial a reflexão e refração descritas e analisadas
por Descartes, em sua famosa obra literária a Dióptrica (El tratado de la luz).
Mostramos e analisamos também, a famosa divergência surgida na metade do século
XVII entre Descartes e Pierre Fermat, além da importância dessa divergência em favor
de Fermat. Um artigo foi essencial para a nossa pesquisa, escrito por Ildeu C. Moreira
em 1999, na Revista Brasileira de Ensino de Física. Nesse artigo sentíamos a
necessidade de ler e analisar as cartas escritas por Fermat para alguns amigos
cartesianos, para que a partir delas, fossemos capazes de tirar algumas conclusões, além
de ser a nossa primeira incursão por um texto original, incentivando-os a pesquisa.
1
Professor do Departamento de Licenciatura em Física da UEPB; Doutorando no programa de pós-
graduação em HFEC UFBA/UEPB.
O nosso segundo passo foi pesquisar os livros de física mais utilizados no curso
de licenciatura em física da UEPB, com o objetivo de verificar quais deles explicitavam
o princípio de Fermat e se estavam coerentes com os aspectos históricos, pois
entendemos que as informações a respeito desse episódio (Descartes x Fermat) reúne
muitas informações importantes de caráter histórico, além de dar aos futuros professores
uma noção adequada e aprofundada sobre a história da ciência, uma vez que os livros
utilizados, em sua maioria, não descrevem a teoria original e quando os fazem são
simplificadas e distorcidas em função de aspectos matemáticos e modelos defendidos no
período. Os livros pesquisados pelos estudantes foram os seguintes:

• Halliday e Resnick, 1978, vol. IV;


• Sears, Zemansky, 1985, vol. IV;
• Tipler, 1984, vol II ;
• Eisberg e Lerner, 1982, Vol. IV;
• Alonso e Finn, 1972, vol II;
• Moisés N ussenveig, vol IV .

Além de erros conceituais, do tipo citando apenas o tempo mínimo para o


percurso da luz, temos os erros históricos que alguns livros cometem quando fazem
referência a lei da refração, citando Snell/Descartes e mostrando uma equação que não
foi a mesma proposta por Descartes. Outros livros (Sears, Halliday) pesquisados não
dão importância merecida ao princípio, colocando-o como exercício demonstrativo e/ou
no final dos capítulos como exercícios e problemas solicitados. Outros (Tippler,
Nussenveig, Eisberg) , porém, fazem referência a tempo mínimo, máximo e constante,
para o caminho óptico, em sua parte teórica, além de demonstrar a lei dos senos usando
cálculo diferencial. Define o princípio muito próximo do histórico, mas sem tecer
maiores detalhes em sua análise. O livro de física do Moisés Nussenzveig é o único dos
livros pesquisados que explicita de forma detalhada a parte teórica e o cálculo do
princípio, mas não faz referência aos aspectos históricos. Todos os livros citados
analisam o princípio de Fermat, na dedução da lei dos senos, usando o cálculo
diferencial. Usar o cálculo diferencial na dedução da minimização do tempo de
percurso, na refração ou reflexão, é negar todo o legado da geometria euclidiana usada
por ele na demonstração do seu princípio, até porque o cálculo diferencial só apareceu
depois com Isaac Newton. Entendemos que o princípio da minimização do tempo
proposto por Fermat se torna mais elegante e verdadeiro, quando se utiliza a geometria
euclidiana.
A maioria dos livros pesquisados fala apenas no tempo mínimo de percurso da
luz entre dois pontos, tal enunciado merece uma analise mais profunda, pois:

• Do ponto de vista histórico não é exatamente o que dizia Fermat;


• Do ponto de vista atual ele é incompleto.

Essa situação já foi objeto de críticas como as que aparecem nos trabalhos de
Mak (1986), Kaushik e Sukeeja (1984), além do livro do Moisés Nussenzveig. Tais
pesquisadores, preocupados com o problema da aprendizagem dos fenômenos da
reflexã o e refração, do ponto de vista histórico e teórico, mostram em seus artigos como
um raio de luz pode percorrer um caminho no qual o tempo gasto é um máximo, um
mínimo ou assume um valor estacionário, comparado com o tempo ao longo de
trajetórias próximas. Esses pesquisadores acrescentam ainda, que uma completa e
correta declaração do princípio de Fermat é raramente fundamentado em livros
didáticos, que abusam da falta de rigorosidade. Em outro artigo, Tan (1985) demonstra
de forma elegante o princípio de Fermat usando apenas aspecto geométrico em
superfícies esféricas, sem recurso do cálculo diferencial, como os outros fazem.
Dessa forma nasceu a necessidade de pesquisar e verificar o relato histórico
sobre o Princípio de Fermat, através de suas cartas (1648, 1657 e 1662) enviadas a De
La Chambre (Marin Cureau), em suas famosas divergências com a lei da refração
descrita por Descartes. Posteriormente em outras cartas a outros cartesianos, como
Jacques Rohault em 1658, onde Fermat confirma suas objeções e ref lexões a dioptrique
de Descartes. Por isso, entendemos que só a partir dos originais ou de fontes seguras e
confiáveis, é que evitamos a perpetuação de erros conceit uais e históricos. Segundo
Whitaker (1979), as seções históricas de muitos livros texto de física são extremamente
de má qualidade, com a inclusão de erro em simples assuntos de fatos históricos.
Através da análise cuidadosa dessas cartas buscamos entender se o seu princípio
estava bem fundamentado e dentro do contexto científico da época. Através do seu
princípio, Fermat foi capaz de explicar as leis da reflexão e da refração, além de propor
e justificar o uso da minimização do tempo gasto para a luz se propagar de um ponto a
outro, acreditando na idéia de que “a natureza faz seus movimentos pelas vias mais
simples ou sempre atua pelo caminho mais curto”. Entretanto, esse enunciado feito por
Fermat não é novo, pois no ano de 75, segundo Ildeu (1999), Heron de Alexandria
propôs que a luz segue sempre o caminho mais curto ao se propagar em um meio
homogêneo, fornecendo assim uma explicação para a igualdade entre o ângulo de
incidência e o ângulo de reflexão.
A análise de textos históricos permite-nos constatar, com exatidão, a origem de
certas afirmações quando delas nos quisermos valer como veículo de aprendizagem. É
ilustrativo, aqui, lembrar as palavras de Martins:

“Esse tipo de estudo pode contribuir para a formação de uma visão


mais adequada acerca da construção do pensamento científico, das
contribuições dos cientistas e da própria prática científica; permite que
se conheça o processo de formação de conceitos, teorias, modelos, etc.
Além disso, pode auxiliar o ensino da própria ciências, tornando-a não
apenas mais atraente mas principalmente mais acessível para o aluno,
possibilitando uma melh or compreensão de conceitos, modelos e
teorias atuais” (Martins, 1998, p.18).

Whitaker (1979) comenta as relações existentes entre a física e a história das


ciências. Para ele, o estudo da física tem como objetivos propiciar aos estudantes:
• Um entendime nto dos princípios físicos, técnicas aplicações;
• Uma avaliação do significado do método cientifico, das várias revoluções do
entendimento humano da natureza, da maneira pela qual a ciência é tratada hoje
em dia e de seu lugar na vida moderna.
Whitaker cha ma esse material de quase -história. Segundo ele, a história das ciências
serve para atingir várias partes desse segundo objetivo, e propõe:

“Quero discutir um outro tipo de material que parece História, mas


não tem muito a ver com a História realmente: o objetivo é mostrar
fatos científicos e a História esta presente para fornecer um referencial
dentro do qual os fatos científicos se encaixem, parecem fazer sentido
e possam ser lembrados facilmente” (Whitaker, 1979, p. 108)

Assuntos sobre a quase-história ou pseudo-história em sala de aula de ciências


são situações vivenciadas por todos nós que foram e que continuam sendo professores
do ensino fundamental e médio, nas escolas públicas e particulares. O nosso
conhecimento em história das ciências advém, na maioria das vezes, dos livros textos
que utilizamos em sala de aula, para que os alunos acompanhem os conteúdos a serem
ministrados. Se dermos uma olha da no livro do Ramalho, Nicolau e Toledo (2002) , ele
continua nos mostrando o Arquimedes na banheira descobrindo o princípio da flutuação
dos corpos; a maçã caindo na cabeça do Newton ao tempo que ele descobre, como num
passe de mágica, a lei da gravitação universal, etc. Várias outras situações de uma
quase-história podem ser encontradas em outros livros didáticos utilizados nas escolas
de ensino médio e também em nível universitário. Essas quase-histórias, como nos
alerta Martins, R. (2006), transmitem não somente informações históricas erradas, mas
também deturpam totalmente a própria natureza da ciência, gerando mitos.
Nosso trabalho de pesquisa seguiu uma linha próxima daquela preconizada por
Whitaker (1979), isto é, propomos atividades com o objetivo de analisar o fenômeno da
reflexão e da refração sob um ponto de vista didático, baseado na teoria de Fermat, e
tendo como pano de fundo o aspecto histórico da questão. Propomo-nos a fazer uma
interligação entre a história das ciências, através da análise dos textos históricos e
originais e a instrumentação para o ensino, usando experimentos virtuais e concretos, de
fácil manuseio. Acreditamos que a leitura de artigos originais da ciência associado à
experimentos simples, sejam boas oportunidade para que se perceba o processo de
criação e de descoberta científica, além de didaticamente, contribuir para um melh or
entendimento dos conceitos e teorias.

2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

2.1 A DIOPTRIQUE DE DESCARTES

A exata lei da refração da luz foi descoberta em 1621 por Willebrod Snell
(snellius), professor de matemática em Leiden. Segundo os historiadores Mason (1964)
e Ronan (2001), Snell descobriu que os senos dos ângulos de incidência e refração
sempre mantinham entre si a mesma razão numa dada superfície de contato entre dois
meios, sendo a razão denominada o índice refrativo dessa superfície. A lei tornou-se
conhecida pela primeira vez em 1637 graças a Descartes quando publicou o seu
Discours de La Méthode, com três apêndices, La Dioptrique, Les Météores e La
Géometrie. Moreira (p. 148, 1998) descreve as concepções de Descartes de forma
sintetizadas:

• O universo é pleno e não existe vácuo; a luz é uma pressão transmitida


através de um meio: “uma certa ação em uma matéria muito sutil que
enche os poros dos outros corpos”.
• A velocidade da luz é infinita: a pressão é propagada em um instante;
• A luz atravessa mais facilmente os corpos mais densos.

Tinha Descartes, “en tratado de la luz”, uma segunda teoria sobre a luz: esta
seria uma ação ou pressão que se transmitia de um objeto para a vista humana através da
matéria estreitamente compacta do espaço interposto. Sugeria que a luz era como a
pressão transmitida de um objeto para a mão de um cego através de sua bengala. Para
Descartes, era a pressão da luz proveniente do sol que mantinha firme o vórtice do
sistema solar face às pressões das estrelas exteriores.
Para os fenômenos da reflexão e refração, Descartes parte da suposição de ser a
luz constituída de pequenas partículas em rápido movimento linear. Para a reflexão, por
analogia com uma bola de tênis que colide sobre uma superfície dura, sustentava que a
determinação 2 do movimento muda instantaneamente, mas não a força do movimento,
tornando o ângulo de incidência igual ao da reflexão. Analogamente, a refração da luz,
ao passar de um meio denso para outro rarefeito, assemelhava-se a uma bola rompendo
um tecido fino. De acordo com a figura abaixo, a componente da velocidade da bola
perpendicular ao pano era reduzido pela resistência deste, enquanto a componente da
velocidade paralela ao obstáculo permanecia imutável. A analogia mostrava ser a
velocidade da luz maior num meio mais espesso.

Descartes sobre a refração (discours second, p.


17, La Dioptrique).

Dessa forma percebe -se que o raio luminoso (BI) tende a mudar de direção em
função da diferença de grau de agitação das partes do meio em que se propaga. Nesse
ponto, Descartes faz claramente a distinção entre a velocidade de agitação das partes do
meio e a de propagação da luz, considerando a velocidade como infinita, pois “não se
pode duvidar que a ação pela qual as primeiras [partes] são empurradas passa em um
instante até as últimas, da mesma forma que, ao se tocar um extremo de um bastão, [a
ação] passa ao outro extremo no mesmo instante”.3
Segundo Moreira (1998), Descartes chegou corretamente a lei dos senos não por
experimentos, mas pelo uso da matemática em problemas físicos e embora tivesse sido
inspirado por observações qualitativas, ele não conseguiu fornecer, de forma
inteiramente convincente, uma interpretação física de suas suposições.

2.2 O PRINCÍPIO DE FERMAT

A dedução cartesiana de que a luz devia propagar-se mais depressa num meio
mais denso foi contestada por Pierre de Fermat. Esse conselheiro do parlement
provincial de Tolos foi capaz de explicar as leis da reflexão e da refração, além de
propor e justificar o uso da minimização do tempo gasto para a luz se propagar de um
ponto a outro, acreditando na idéia de que “a natureza faz seus movimentos pelas vias
mais simples ou sempre atua pelo caminho mais curto”. Vale acrescentar que esse

2
“Quantidade física resolvida e composta de acordo com a regra do paralelogramo geométrico.”
McLaughlin, p.16, 1998.
3
“Tampoco puede dudarse que la acción que impele a las primeras no pase em um instante a las últimas,
como la acción que impele uno de los extremos de um bastón pasa instantáneamente al otro”(El mundo.
Tratado de la luz, p. 217) .
enunciado feito por Fermat, já havia sido proposto no ano de 75, segundo Moreira
(1999), por Heron de Alexandria, afirmando que a luz segue sempre o caminho mais
curto ao se propagar em um meio homogêneo, fornecendo assim uma explicação para a
igualdade entre o ângulo de incidência e o ângulo de reflexão. Na carta de Fermat para
Mersenne, onde ele faz o primeiro julgamento sobre a dioptrique de Descartes em
setembro de 1637 (p.106), Fermat cita Alhasen (Ibn A l-Haythan) em 1039, que comenta
sobre a refração (a luz segue o caminho mais fácil) em seu livro “tesouros da óptica”,
mas não há um avanço sobre o tema.
Na carta escrita a Descartes (setembro de 1637), após a leitura do Dioptrique,
Fermat contesta suas suposições a respeito dos fenômenos da reflexão e refração,
apresentadas aqui de forma resumida:
• A decomposição da determinação em componentes normal e paralela;
para Fermat podem existir infinitas decomposições;
• Não há provas que a componente paralela a superfície se conserva;
• Existe certa confusão entre os termos “pressão” e “velocidade do
movimento”.
• Apesar de aceitar o aspecto matemático da relação entre os senos para a
refração, ele não acredita no aumento da velocidade.
Na última carta (três no total) enviada por Descartes a Fermat, por intermédio de
Mersenne, em julho de 1638, ele agradece as contestações feitas, não aceita as objeções,
reitera a legitimidade da decomposição do movimento, podendo as componentes ser
tratadas como reais. A partir daqui a comunicação entre eles passa a ser através de
outros cartesianos, como: Jacques Rohault, Clerselier, Mersenne e de la Chambre. Esse
último será o nosso referencial na discussão entre Fermat e Descartes, relativa a óptica
geométrica.
Para Fermat a refração se reduzia a um problema de geometria:

Dados dois pontos A e C e a reta DB, devemos encontrar um ponto na reta


DB a qual se conduz as retas CB e BA, sendo que para minimizar o tempo, a
luz busca percorrer uma trajetória maior no meio menos denso, no qual tem
velocidade maior (AB) e inversamente percorre uma trajetória menor no
meio mais denso, onde terá uma velocidade menor (BC). O ponto B
encontrado pela construção deste problema será o ponto onde se fará a
refração (Fermat a de la Chambre, p. 358).

Como podemos notar nessa afirmação, Fermat baseava seu argumento no


princípio de economia (ABC) ou de um caminho mais fácil (menor resistência) segundo
o qual os fenômenos naturais ocorriam sempre no menor tempo possível. Mostrou a
seguir que as leis da reflexão e da refração surgiam como conseqüências necessárias
desse princípio, uma vez que se tivesse como pressuposto a mais rápida propagação da
luz nos meios rarefeitos. Como nos alerta Moreira (1998), embora a lei obtida por
Fermat dê a mesma proporção de Descartes, ela leva a uma razão entre os senos que
depende diretamente das velocidades e não inversamente como pensava Descartes.
2.3 FERMAT X DESCARTES

Após a morte de Descartes, na metade do século XVII (1650), as discussões


sobre a natureza dos fenômenos luminosos continuam opondo Fermat aos cartesianos.
Pierre de Fermat adaptou a estratégia de Héron para o caso da refração da luz, só que
agora considerando que a luz toma o caminho que leva menos tempo . Na demonstração
do seu princípio ele utiliza como ferramenta matemática, o princípio de máximo e
mínimo. Com isso, ele queria mostrar que a fórmula da refração (lei de Snell) derivada
por Descartes era falsa. Em agosto de 1657, Fermat tenta obter o apoio de De La
Chambre:

O que me confirma é que, por meio disso, eu entro em diálogo


convosco e até mesmo ouso assegurar-vos antecipadamente que, se
vós suportais que eu alie um pouco da minha geometria à vossa física,
nós faremos um trabalho em comum que nos colocará primeiramente
em oposição contra o senhor Descartes e todos os seus amigos
(Fermat, 1657, p. 354).

Por outro lado, mesmo entre os dois existiam algumas divergências. Enquanto
que para Fermat a luz tinha uma velocidade finita, para de la Chambre um raio luminoso
deslocava-se de um ponto à outro instantaneamente, confirmando o que Descartes dizia
sobre transmissão da luz a qualquer distância. Uma das discordâncias entre Fermat e os
cartesianos era quanto à velocidade de propagação da luz nos meios “mais ou menos
densos ou rarefeitos”. Como mostramos anteriormente, Fermat supôs que a luz se
propaga com uma velocidade menor em meios mais densos (o que é verdade, mas ia
contra ao que achavam Descartes e posteriormente Newton). Ao fazer suas contas,
descobriu que o caminho de menor tempo era justamente aquele que satisfazia a lei de
Snell-Descartes! Obteve assim uma “lei de mínimo” para a propagação da luz, mas seu
resultado só seria aceito após a metade do séc. XIX, quando da comprovação da
velocidade da luz.
Numa outra carta a de la Chambre, janeiro de 1662, ele se glorifica por ter
chegado aos mesmos resultados de Descartes, usando o seu princípio do tempo mínimo.

Mas o prêmio do meu trabalho foi extraordinário, o mais imprevisto e o mais


feliz que já me aconteceu. Porque, depois de ter passado por todas as
equações, multiplicações, antíteses e outras operações de meu método, e de
haver por fim concluído o problema – que o senhor pode ver em folha
separada -, encontrei que meu princípio fornecia justa e precisamente a
mesma proporção das refrações que Descartes havia estabelecido. Fiquei tão
surpreso com um evento tão inesperado que a custo sai de meu espanto.
Repeti minhas operações algébricas diversas vezes e sempre o sucesso foi o
mesmo, ainda que minha demonstração suponha que a passagem da luz pelos
corpos densos seja mais difícil que nos corpos menos densos, o que eu creio
ser muito verdadeiro e indisputável, embora Descartes suponha o contrario.
(Moreira, p.155, 1998).

Em recente artigo, Martins e Silva (2007), discutindo o princípio da mínima


ação proposto por Maupertuis em 1744, mostra o conflito entre a suposição de Fermat a
respeito da velocidade da luz com a óptica newtoniana daquele período, segundo a qual
a luz se move mais rapidamente em meios mais refringentes. Segundo esses autores, em
nota de rodapé, as hipóteses levantadas por Fermat e posteriormente por Newton,
levavam à lei da refração, mas não levava à relação entre a velocidade da luz e a
refringência do meio. Portanto, como a física newtoniana era bastante aceita, o principio
de Fermat tornou-se incompatível durante o século XVIII, em que Maupertuis lançou a
base teórica do princípio da mínima ação. Segundo, Moreira (1999), Maupertuis foi um
dos primeiros a defender e a divulgar a física newtoniana na França, além de apresentar
um interessante argumento de simetria, similar aos dos cartesianos, para criticar o
princípio do mínimo tempo proposto por Fermat.

Em seu livro publicado em 1662, La lumiére, dedicado ao Cardial Mazarin, de la


Chambre argumenta que a velocidade da luz é instantânea e não faz sentido dizer se ela
aumenta ou diminui com a mudança do meio (p. 345 a 346). Nesse sentido, De La
Chambre acrescenta ainda que a luz apresente uma antipatia com a matéria e que o
desvio causado na passagem da luz por uma matéria mais forte para outra menos forte é
ocasionado pela presença de anjos e, portanto os ângulos de incidência e refração não
são iguais.

A idéia do caminho mínimo foi lançada inicialme nte por de la Chambre e, na


mesma carta de 1657, Fermat escreve: “Primeiramente, reconheço, convosco, a verdade
desse princípio, que a natureza age sempre pelas vias mais curtas.” (Fermat, 1657, p.
354).
Nessa época, contudo, já era conhecido o fato de que, nos espelhos côncavos,
nem sempre a luz percorre um caminho mínimo. Fermat, então, tenta ajustar o
enunciado para poder contornar tal obstáculo, acrescentando:

O princípio de Física é que a natureza faz seus movimentos pelas vias as mais
simples. Ora, a linha direita sendo mais simples do que a circular e do que
qualquer outra curva , deve-se crer que o movimento do raio que cai sobre a
curva se relaciona de preferência com a direita que toca a cu rva do que com a
própria curva.

Primeiro, porque esta direita do toque é mais simples do que a curva;


segundo, (e é o que se empresta da Geometria), porque nenhuma direita pode
cair entre a curva e a tangente, por um princípio de Euclides. De maneira que
o movimento é justamente o mesmo sobre a direita que tange e a curva que é
tangida.

E isso supõe que nunca se possa dizer que as duas direitas que conduzem a
luz ou o raio sejam algumas vezes mais longas nos espelhos côncavos,
porque nesse caso mesmo elas se encontram mais curtas do que todas aquelas
que podem se refletir sobre a direita que toca a curva. E, conseqüentemente,
não se deve nem supor que a natureza aja nesse caso por constrangimento,
nem concluir que ela siga um outro modo de movimento que ela [se] pratica
nos espelhos planos e em qualquer outra espécie de espelhos.

Deste modo, eis aqui vosso princípio plenamente estabelecido para a reflexão
(Fermat, 1657, p. 555).

Fermat, na carta mencionada vai mais além. Ele tenta mostrar a de la Chambre
como o princípio, agora comum aos dois poderia ser utilizado para explicar a refração.
Todavia, ele introduz uma nova modificação. Ele não vai falar apenas em caminho
curto, mas também no caminho mais fácil. No caso da refração, a luz, para minimizar o
intervalo de tempo, percorre um trajeto maior no meio menos denso, no qual tem uma
velocidade maior, e percorre uma distâ ncia menor no meio mais denso. Mais ainda, ele
utiliza agora o termo nosso princípio ao se dirigir a de la Chambre: “Mas deve-se ir
ainda mais longe e encontrar a razão da refração em nosso princípio comum, que é
[este]: que a natureza age sempre pelas vias as mais curtas e as mais fáceis” (Fermat,
1657, p. 356).
Será mais tarde nos dois artigos “analyse pour les refractions” e “Synthese pour
les refractions”, que Fermat referir-se-á a um tempo mín imo.
Com efeito, do mesmo modo que, ao especular sobre os movimentos naturais
dos graves, Galileu mede as razões destes tanto pelos tempos que pelo
espaço; do mesmo modo, não consideraremos o espaço ou as linhas mais
curtas, mas aquelas que podem ser percorridas o mais comodamente e no
tempo o mais curto(Fermat, p. 149 – 156,1657).

Na afirmação acima se percebe a preocupação de Fermat com o movimento da


luz, dando-lhe uma característica de espaço-tempo, citando, por exemplo, Galileu com a
queda dos corpos. Essa é a divergência principal entre ele e Descartes, que não
considerava o tempo no percurso da luz entre dois pontos e acreditava numa velocidade
instantânea para a luz. Mas a principal crítica ao princípio proposto por Fermat se refere
a suposição de que a natureza obedece ao princípio das vias mais curtas e simples e
portanto Clerselier em maio de 1662 argumenta:

Tratar-se-ia de um princípio moral e não físico, de natureza teleológica e,


portanto, inaceitável na ótica cartesiana. O princípio colocaria também a
natureza em uma indecisão. Por que ela não seguiria a trajetória mais curta, a
reta, se segue as vias mais curtas e simples? Qual seria o caminho mais
simples: o mais rápido ou o mais curto? E como a natureza sabe o caminho a
escolher? E o raio de luz, estando já no ar, como poderá saber para onde se
inclinar se meios diferentes (água ou vidro) forem colocados na sua frente?
(Moreira, p.158, 1998).

Pouco depois, Fermat respondeu com ironia e com uma consciente antevisão de
que a história da polêmica ainda não estava terminada:

Não pretendo nem jamais pretendi ser o confidente secreto da natureza. Ela
tem vias obscuras e ocultas que não tentei jamais penetrar; eu apenas havia
lhe ofertado um pequeno auxílio de geometria acerca do assunto refração, se
ela tivesse necessidade disso. Mas, porque o senhor me assegura que ela pode
cumprir suas tarefas sem a geometria e que se contenta com o caminho que
Descartes lhe prescreveu, eu abandono de bom coração, em vossas mãos,
minha pretensa conquista de física. É suficiente para mim que o senhor me
deixe de posse de meu problema de geometria inteiramente puro e in
abstracto, por meio do qual se pode encontrar a rota de um móvel que passa
por dois meios diferentes e que busca concluir seu movimento da maneira
mais rápida possível. (Moreira, p.160, 1998).

Finalizando sua carta, Fermat citava irônico, numa cobrança pelo verdadeiro,
bonito: “Quando serà il vero/ Si bello, che si posa a ti preporre?”. Para decretar, em
seguida, o termino das hostilidades, cruzando as armas: “em voilà de reste, je croise les
armes” (Moreira, p.160, 1998).
Percebe-se nas respostas de Fermat a Clerselier e a de la Chambre, que havia
uma forte fundamentação no que ele defendia, ultrapassando dessa forma os limites de
compreensão de sua época.

3. METODOLOGIA
O intuito deste capítulo é apresentar como o trabalho de pesquisa foi estruturado
de modo que os objetivos definidos inicialmente fossem alcançados. Para tanto,
apresentaremos detalhadamente todas as etapas que foram realizadas, tanto pelo
pesquisador como pelos alunos que participaram da intervenção.
O universo de pesquisa foi composto por alunos da disciplina de história da
física do curso de Licenciatura em Física da Universidade Estadual da Paraíba – UEPB
em Campina Grande, Paraíba. Todos os alunos convidados (dez no total) participaram
integralmente de todas as etapas e atividades desenvolvidas em sala ou fora dela, dando
um caráter mais dinâmico ao trabalho, modificando assim a passividade dos alunos
diante dos novos obstáculos. A escolha desse universo de pesquisa , junto a disciplina de
História da Física, justifica-se pelo fato de que muitos desses alunos não tiveram a
oportunidade de estudar fatos históricos no ensino fundamental e médio, e quando isso
acontecia se deparavam com acontecimentos históricos distorcidos de sua forma
original ou relegados a um pequeno trecho de informação nos livros de física ou às
vezes reduzido a um problema de final de capítulo, o que termina por não dar a
importância merecida ao fenômeno em questão.
As atividades, no total de cinco, foram elaboradas com o objetivo de provocar
discussões a respeito dos fenômenos analisados, levando-nos a uma reflexão ativa.
Dividimos as atividades da seguinte maneira:
• Leitura (com tradução) e análise das já referidas cartas de Fermat e do
livro El mundo: Tratado de la Luz – Descartes, (fontes primárias) com
relação aos fenômenos da reflexão e refração;
• Leituras complementares em artigos (fontes secundários) a respeito da
oposição entre Fermat e Descartes;
• Verificação de informações conceituais e históricas sobre o princípio de
Fermat nos livros didáticos de Física utilizados no curso de licenciatura;
• Análise matemática e geométrica sobre o princípio de Fermat e a
minimização do tempo com o uso de derivadas;
• Uso de experimentos concretos (lápis e papel milimetrado) e virtuais
(princípio de Fermat 1 e 2) encontrados na web (www.ludoteca.if.usp.br),
além de outro que utilizamos pra traçar no papel milimetrado, o
fenôme no da reflexão para o caminho mínimo no espelho concavo:
http://serge.mehl.free.fr/anx/mir_concav.html

A pesquisa, portanto, foi desenvolvida numa perspectiva predominantemente


qualitativa, uma vez que a mesma lida com aspec tos relacionados à aprendizagem
histórica e conceitual dos fenômenos da reflexão e refração, interpretados
diferentemente por dois cientistas, o que terminou por favorecer especificamente o nível
de percepção dos alunos em relação as suas dificuldades em abandonar formas errôneas
apreendidas ao longo de suas vidas escolares, possibilitando uma compreensão menos
fragmentada e mais significativa dos assuntos, já que isso é dificilmente obtido nos
cursos tradicionais.
Quando afirmamos que privilegiamos a abordagem qualitativa, fomos buscar
alguns fundamentos em Oliveira (2003), que afirma:

A abordagem qualitativa facilita descrever a complexidade de


problemas e hipóteses, bem como analisar a interação entre variáveis,
compreender e classificar determinados processos sociais, oferecer
contribuições no processo das mudanças, criação ou formação de
opiniões de determinados grupos e interpretação das particularidades
dos comportamentos ou atitudes dos indivíduos (p. 58).
Como podemos perceber na afirmação acima, não se trata de colher dados para
uma análise estatística e sim observações ou inferências sobre o tema abordado, que
pode se modificar em favor de uma nova concepção, levando em considerações fatores
sociais, históricos, etc. Devemos levar em consideração que mesmo tentando ser
totalmente imparcial ao longo da pesquisa e em sua análise, tivemos que interferir por
diversas vezes, no sentido de conduzir a pesquisa histórica, pois para os alunos aquela
estava sendo suas primeiras incursões pela pesquisas em textos e cartas originais, que
precisavam de uma tradução mais minuciosa das mesmas (as cartas de Fermat aos
cartesianos são do século XVII e escrito em Francês arcaico, o que nos trouxe uma série
de dificuldades).

4. ANÁLISE DOS RESULTADOS E CONCLUSÃO

Visando uma melhor análise e compreensão dos vários aspectos envolvidos nas
situações estudadas e na sua aprendizagem, lembrando que se tratava de alunos da
disciplina de História da Física e que precisavam ser avaliados, relatam os a baixo as
várias situações que os alunos apresentaram ao longo da pesquisa:

Ø Mostraram-se altamente interessados nas discussões históricas entre


Fermat e Descartes, Fermat e os cartesianos, objetivando a importância
de um relato histórico bem fundamentado em oposição a uma história
fantasiosa, como encontrada nos livros pesquisados citados na introdução
desse trabalho (nossa fundamentação teórica é um dos resultados da
pesquisa realizada);
Ø Foram capazes de traçar geometricamente, em papel milimetrado, o
percurso mínimo, máximo e constante de um raio luminoso, em um
espelho plano e esférico, para em seguida usando ferramentas do cálculo
diferencial comprovar essas medidas, além de provar as leis da reflexão e
da refração.
Ø Paralelamente ao uso do lápis e papel nos experimentos citados acima, os
alunos foram incentivados a descreverem a mesma situação nos
experimentos virtuais já citados.
Ø No último encontro (num total de cinco), durante o fórum de discussões
metodológicas sobre o papel da história da ciência nas aulas de física
como mais um dos recursos para a sua aprendizagem, ficou evidente a
aceitação dos alunos a esse recurso. Entretanto, a maioria acha que esse
tipo de pesquisa só é possível se houver uma boa tradução dos textos, o
que nem sempre ocorre. Conosco, as dificuldades foram superadas por
que contamos com uma tradutora4 que nos ajudou bastante, pois as cartas
foram escritas em Francês arcaico.

Nossa conclusão nos leva a acreditar que leitura de cartas ou livros originais
associado a experimentos simples, seja boas oportunidades para que se perceba o
processo de criação e de descoberta científica, além de didaticamente, contribuir para
um melhor entendimento dos conceitos e teorias.

Referências
4
Profª Drª Maria Aparecida Paty, que agradecemos pela tradução de trechos da carta de Fermat a de la
Chambre.
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