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OS ESTAGIOS DE DESENVOLVIMENTO

1 - SENSÓRIO-MOTOR; (0 a 2 anos)

No estágio sensório-motor, que dura do nascimento até aproximadamente o


segundo ano de vida, a criança busca adquirir controle motor e aprender sobre
os objetos que a rodeiam. Esse estágio é chamado sensório-motor, pois o bebê
adquire o conhecimento por meio de suas próprias ações que são controladas
por informações sensoriais imediatas.

O estágio subdivide-se em até 6 subestágios nos quais o bebê apresenta


desde reflexos até uma capacidade representacional do uso de símbolos.

SUB-ESTAGIO I – exercício dos reflexos - ( 0 – 1 mês )


Pratica de esquemas ou reflexos inatos como sugar ou olhar.;Nenhuma
imitação
Apesar da rigidez e da previsibilidade, o reflexo também apresenta
variabilidade e sofre o processo de adaptação (assimilação e acomodação
).Reflexo de sucção esta presente desde a primeira mamada, mas melhora
consideravelmente com o decorrer das semanas.
A interação com o meio é importante desde o início da vida, pois as
potencialidades inatas vão se desenvolver no contato organismo/meio.
Os reflexos que levam à aprendizagem apresentam circularidade intrínseca
(repete-se várias vezes).
Não podemos ainda falar dos processos de assimilação e acomodação
separados,
Falamos em assimilação, porque o que predomina e apesar da possibilidade
de mudança é a repetição, o enfrentar situações com os mecanismos que o
bebê tem sem criar novos.
O processo de adaptação se dá através de três formas de ASSIMILAÇÃO:
Assimilação funcional – ou repetição cumulativa – repetição do reflexo
possibilita sua maior eficiência; melhora que ocorre no mecanismo reflexo.
Assimilação generalizadora – incorporação de situações ou objetos cada vez
mais variados ao mesmo reflexo de sugar(dedo, fralda)
Assimilação recognitiva – inicio do reconhecimento pratico e motor dos
estímulos, que ocorre quando é acionado um mecanismo reflexo. Inverso da
generalizadora. Ex. dar chupeta no lugar do leite, quando a criança esta com
fome.

SUB-ESTAGIO II – as primeiras adaptações adquiridas – reação circular


primaria ( 1- 4 meses)
Acomodação de esquemas básicos, conforme o bebê os pratica
interminavelmente - agarrar, olhar sugar.
Início de coordenação de esquemas de diferentes sentidos, como olhar na
direção de um som, o bebê ainda não vincula as ações do seu corpo a algum
resultado fora dele.
Podemos falar em adaptações adquiridas – a partir do primeiro mês
observamos o início da transformação dos comportamentos em função da
experiência (retenção de dados que não pertenciam ao reflexo. Ex. Não existe
o instinto de chupar o dedo.
A adaptação adquirida supõe uma aprendizagem relativa aos dados novos do
meio.
Assimilaçao e acomodação começam a se dissociar.
Reação circular primaria – refere-se as muitas ações repetitivas simples ,
organizadas em torno do corpo do bebê .
Ex: a coordenação mão/boca da sucção é repetida inúmeras vezes através da
aquisição de uma coordenação nova mão/boca que descobre através da
exploração do meio novos resultados(prazer) e é primaria porque esta
relacionada os mecanismos hereditário a o corpo do bebe .
Conceito de objeto- noção da existência do objeto independente de ser
acessível
Durante os dois primeiros sub-estágios não observamos reação ativa da
criança frente ao desaparecimento dos objetos.
Entretanto as coordenações entre vários esquemas , preensão /visão ,
preensão /audição , são passos fundamentais para a noção de único mundo
externo. Ex. olhar para o que ouve, primeiro passo para a constituição do
objeto permanente.
Neste estagio o objeto desaparecido deixa de existir.

SUB-ESTAGIO III – reações circulares secundarias (4-8 meses)


Torna-se muito mais consciente dos eventos fora do corpo e tenta fazer
que ocorra novamente numa aprendizagem por tentativa e erro.
Pode haver imitação mas só dos esquemas que fazem parte do repertorio do
bebê.
Vai repetir alguma ação a fim de provocar uma reação fora do próprio corpo.
Certo dia o bebê bate no móbile ,acidentalmente, o móbile se movimenta, ele
bate novamente; ele balbucia e a mãe sorri; então balbucia, novamente.
Estas conexões iniciais entre a ação corporal e uma seqüência externa são
automáticas.
O numero de resultados novos possíveis é infinito, e cada vez a adaptação da
cça a situação requer uma necessidade maior de mudança de esquemas para
enfrentar uma situação nova(acomodação).
Mas não estamos ainda frente ao ato de inteligência completo.pq. obteve-se o
resultado por acaso e se tornara repetitivo sem inovações
Inicio do entendimento do Conceito de permanência do objeto -A
permanência do objeto no mundo é mais longa ,mas ainda não existe a busca
ativa do objeto que desapareceu. Segue com os olhos, mas não procura.

SUB-ESTAGIO IV – coordenação de esquemas secundários ( 8-12 meses)


Condutas propriamente inteligentes – dissociação entre meios e fins para
alcançar um objetivo. Ex. se quer alcançar um brinquedo colocado atrás de um
anteparo , poderá, empurrar, balançar para ter acesso a ele.
Comportamento intencional de coordenar meios e fins claramente evidente
Mobilidade de esquemas; intencionalidade do comportamento
Os fins aos quais a criança se propõe não são pensados ou planejados
anteriormente , há sempre a sugestão do meio exterior. Ex.viu seu brinquedo
sendo colocado atrás do anteparo vai empreender a tentativa de chegar até
ele, não existe um planejamento anterior.
CONCEITO DE PERMANÊNCIA DE OBJETO – a criança passa a buscar
ativamente os objetos que são tirados de seu campo perceptivo. Se você
esconder o brinquedo embaixo da almofada na presença dela, irÁ procurar
onde vc colocou mas se colocar embaixo de outra almofada ira procurar
embaixo da primeira mesmo tendo presenciado a troca
-Coordenação tátil/visual – o objeto perdido é o mesmo que o encontrado e que
o bebê sente com as mãos .

SUB-ESTAGIO V – Reações circulares terciárias ( 12 -18 meses)


Há exploração por tentativa e erro, a qual esta muito ativa e muito intencional.
O bebê não se satisfaz com a repetição do comportamento original, mas
experimenta variações . Experimentar e buscar novidades marca este estágio
A cça inventa novas formas de ação para atingir um objetivo almejado
Ex. a criança deixa cair inúmeras vezes o carrinho no chão cada vez que o faz
experimenta novas formas de joga-lo para descobrir flutuações nos resultados.
A reação circular terciária é inovadora por dois motivos: há repetição dos
movimentos com variação e graduação,sendo que a repetição visa mais a
compreensão do resultado do que apenas chegar ao mesmo fim;busca a
novidade.
RCT equivale à estratégia de tentativa e erro- a criança faz, erra, tenta
novamente, modifica esquemas (acomodação ) até adquirir resultado desejado.
Ex. conduta do suporte – deslocar a almofada (suporte) perto de si para pegar
o carrinho que esta sobre ela.; conduta do barbante ; conduta do bastão.

CONCEITO DE PERMANÊNCIA DE OBJETO - A criança já leva em


consideração os deslocamentos sucessivos do objeto. Procura-o ativamente
num primeiro ou segundo lugar escondido. Já tem noção da permanência deste
objeto. (ele está em algum lugar, e não desapareceu).
Mas, ainda não leva em conta movimentos invisíveis, como por exemplo,
quando você esconde um objeto na mão e depois o esconde embaixo de uma
almofada sem que a criança veja. Ela irá procurar o objeto na sua mão, ou
seja, procurará o objeto no ponto em que ele foi visto da última vez.

SUBESTAGIO VI – Inicio do pensamento representacional (18 -24 meses)


Desenvolvimento dos símbolos para representar objetos e eventos
Compreende que o símbolo esta separado do objeto
Inicio da representação mental – começa a abrir mão de tentativa e erro
explicitas e utilizar deduções , que se baseia numa representação mental
anterior, numa antecipação dos acontecimentos
Ex, Colocar um barbante dentro da caixa de fósforo – Tentou por tentativa e
erro mas parou (interrupção) enrolou o barbante e colocou na caixa –solução
mental
Aparecimento da linguagem , confirmando a existência da capacidade da
representação mental.
CONCEITO DE PERMANÊNCIA DE OBJETO – A criança entende a
existência do objeto (adquire a noção do objeto – ele existe mesmo que não
faça parte de sua percepção visual).
O objeto continua a existir e é adequadamente procurado. Leva em conta os
movimentos invisíveis (há a procura mesmo que haja desaparecimentos
invisíveis longe de seu campo visual.

Brinquedo

Período sensório motor – interação social bastante limitada, predomina o


brincar isolado de caráter exploratório.
Esquema não tem finalidade adaptativa – podem ser repetidos pelo prazer
que provocam.
2º estágio (1-4 meses)- executam as reações circulares primárias – inclui
um elemento adaptativo – pois explora a si mesmo e o ambiente num
processo lúdico.
3º estágio (4-8 meses) repete o ato agora com caráter de jogo .Ex.
Chocalho pendurado no berço, nas primeiras vezes em que fizer o
chocalho balançar, denotará atenção e interesse, a partir de certas
repetições o ato será acompanhado de expressões de prazer .
4º estágio -8-12meses – após conseguir realizar a tarefa o bebê vai repeti-
la pra obter prazer.Ex. gestos habituais no início do sono – deitar de lado,
chupar o polegar, agarrar uma fralda etc.. como um ritual lúdico.
5º estágio – 12-18 meses – reações circulares terciárias.Repete várias
vezes a mesma brincadeira para compreender e explorar os resultados.
6º estágio - faz de conta que come algo 18-24 meses.
O jogo simbólico oferece a criança não só a oportunidade de aprender
normas culturais mas também a oportunidade de elaborar conflitos
cotidianos e realizar seus desejos insatisfeitos. Ex. Nasce irmãozinho x
sentimentos e atos agressivos nas brincadeiras.

O brincar

Jogo sensório-motor – a criança passa a maior parte do tempo explorando


e manipulando objetos. Ex. coloca na boca, sacode, movimenta

SOCIALIZAÇÃO

Evolução caminha no sentido de sair do egocentrismo total inconsciente.


Percepção muito lenta porém gradual e continua da existência de outras
pessoas e a colocação de si entre os outros.
Período sensório-motor – mãe como primeira figura a ser diferenciada do
caos de sensações.
Através do tato, do calor do contato físico, dos sons emitidos por ela, da
visão continua de sua fisionomia que a criança irá formar a noção desta
figura humana.
A mãe além de oferecer toda a estimulação sensorial, irá discriminar, a
partir dos sinais emitidos pela criança, quais são suas necessidades
básicas.
Ajudará a discriminar suas sensações internas e desenvolver maneiras
novas e mais amadurecidas de comunicá-las e satisfazê-las.
Para Piaget – O ESQUEMA MÃE estará bem formado em torno de nove
meses.
Nesta época o bebê chorará na frente de estranhos.
Objetivo do desenvolvimento da inteligência é a socialização do
pensamento, sair do pensamento autista para o pensamento social.
Neste sentido a estimulação social é básica para o desenvolvimento
intelectual e constitui força motivadora.

Podemos citar que no Período Sensório-motor a criança conquista, através da


percepção e dos movimentos, todo o universo que a cerca. Ela assimila que: se
puxar a toalha da mesa, o pote de bolacha ficará mais próximo dela (conduta do
suporte), ou que para ter noção do que seja um lápis, é preciso tocá-lo, segurá-lo,
levá-lo a boca e dentro de seu desenvolvimento, rabiscar com ele.

2 - PRÉ-OPERACIONAL (2-6ANOS)

Inserção mais ampla na sociedade.

Uso dos símbolos- (representação de uma coisa por outra) a criança de 2, 3 e 4


anos, usa uma vassoura como cavalo.

Aquisição da linguagem

Egocentrismo – pensamento rígido, capturado pelas aparências, preso a


ações(expressa o sentimento através da brincadeira).Caracterizado por um certo
isolamento (ausência de socialização de idéias).Apresenta uma confusão entre
eu-outro, eu-objeto do qual é basicamente inconsciente.

Explicações e crenças baseiam-se numa mistura de impressões reais e


fantásticas que resultam num entendimento distorcido da realidade e na
existência de um mundo próprio pessoal e intransferível.

Fada e super - homem convivem com pessoas comuns sem entrar em choque.
Pensam que seus pensamentos são comuns a todas as outras pessoas.

Período pré-operacional caracteriza-se por uma certa organização e


coerência a nível da ação(estabilizando a vida da criança no cotidiano).
Porém no nível do pensamento apresentará um equilíbrio instável, dadas
as inadequações do pensamento egocêntrico em termos de compreensão
da realidade.
Lógica a nível de ação mas não a nível de pensamento.

EGOCENTRISMO INTELECTUAL

Conservação - aparência dos objetos Ex. copos diferentes com a mesma


quantidade de suco é diferente; cachorro com mascara de gato é gato.
Justaposição- Adquire uma série de informações mas não consegue
discriminar e generalizar. Os julgamentos são colocados lado a lado, não
se relacionam.
Ex. ramalhete de cravos e rosas / há mais crianças ou meninos,
responderá meninos (raciocínio de particular para particular)
Não acontece “relação de inclusão”- vários elementos da mesma classe
possui propriedades definidoras e possuem particularidades que o
colocam em outra subclasse com conceito de elemento individual e
identidade própria.
Sincretismo- Generalização indevida - laranja verde e abacate como
fruta verde.
Irreversibilidade – O pensamento não é reversível (fazer o caminho de
volta).
Centralização - raciocínio rígido e inflexível. Não faz ainda grandes
operações mentais. Ex. corintiana ou brasileira
Realismo intelectual - toma como verdade uma percepção momentânea,
fase da transparência. Ex. desenho de alguém que acabou de almoçar,
fará em transparência a comida no estômago.
Animismo - atribui alma humana a todas as coisas. Pensamento
egocêntrico das vivências pessoais, a criança as estende a outros seres
vivos e a objetos inanimados. Ex. mesa esta chorando, árvore esta triste,
o sol foi dormir.
Artificialismo - atribuirá as origens dos fenômenos naturais a Deus ou ao
homem (magicamente) . Ex.De onde vêm os rios? Respondera que o
homem fez/ esta chovendo porque Deus está chorando

SOCIALIZAÇÃO

O bebê sai do período sensório-motor e passa para o pré-operacional


imitando sem-números de gestos e situações presenciadas no contato,
mesmo com o modelo ausente.
Imitação é o elemento básico que permite a criança assimilar a realidade
externa ao seu próprio eu em formação. Ex. Fala ao telefone como viu
mãe fazer.
O relacionamento social começa a incluir, além da família, outros adultos
e outras crianças.
Padrão de relacionamento egocêntrico – auto-centralizado – não se
coloca como indivíduo entre os demais – não percebe cada um com uma
realidade diferente.
Será pela percepção do choque entre suas explicações fantasiosas e
aquelas oferecidas pelo adulto (lógicas) que a criança procurará novos
modos de entender a realidade.
Existe um certo interesse pelos companheiros da mesma idade(3 a 6
anos), mas o contato social limita-se a estar junto não a brincar junto.
À medida que a criança cresce diminui o egocentrismo intelectual e social
e aumenta a cooperação .

Brinquedo

Período pré – operatório - o brinquedo se aproxima da representação


imitativa da realidade.Ex. arrumar carrinhos numa garagem, índios em
uma aldeia etc..
Pré-operatório – 4-5 anos – jogo paralelo – fazem coisas juntas mas não
brincam juntas (Egocentrismo Social)

O brincar

Jogo construtivo- por volta dos dois anos , usam objetos para construir
algo. Ex. Cria uma torre de blocos, monta quebra cabeça, faz algo com
argila. Atividade principal entre 3 e 6 anos.
Primeiro jogo faz-de-conta – começa com usar uma colher de brinquedo
para comer (propósitos reais) – colher para comer, pente para pentear;
15-21 meses ocorre uma mudança – Ex. usa a xícara com a boneca e não
mais com ela mesma, alimenta imaginariamente uma boneca.
Jogo de faz de conta substituto – 2-3 anos – usa uma vassoura como
cavalo, faz caminhões com blocos.
Jogo sociodramático – faz –de –conta com outras crianças – casinha,
médico, idade do amigo imaginário (2 e 4 anos)
Início do simbolismo coletivo (4-7 anos) – várias crianças brincam juntas
com papéis definidos Ex. batizado de bonecas...
VISÕES MAIS RECENTES DO PENSAMENTO PRÉ-ESCOLAR:
Novas pesquisas apontam que os pré-escolares são bem menos
egocêntricos quanto imaginava Piaget.
Algumas crianças adaptam o modo de falar e brincar quando estão com
crianças mais novas ou deficientes.
Aparência e realidade: por volta dos cinco anos a criança é capaz de
separar a aparência da realidade (se vê um cachorro com máscara de
gato não achará que é um cachorro ou se vê uma esponja pintada para
parecer uma pedra, se tocar na esponja, saberá que é uma esponja e não
uma pedra, mas se um colega não tocou na esponja, pode ser que pense
que é uma pedra. – (FALSA CRENÇA)
Teorias da mente: A criança desenvolve teorias sobre as idéias e desejos
dos outros e sobre como isto afeta o comportamento deles. (Ex: A criança
vê um adulto com cara de feliz após comer algo e com cara de “nojo” após
comer outra coisa. Entende que o adulto prefere comer o que lhe deu
prazer).
Compreendendo e regulando emoções: Reconhecimento das expressões
faciais (por volta dos quatro anos). A criança entende que se alguém
conseguiu algo ficará feliz, e se estiver triste, talvez não tenha
conseguido. Com três anos aparece o sorriso social (diferente do sorriso
espontâneo - a criança sabe que existem momentos que ela precisa sorrir,
mesmo sem estar totalmente feliz).

CONCLUSÃO:

Estudos atuais - talvez Piaget estivesse certo sobre as seqüências


básicas, mas apontou a idade errada: a transição observada por ele aos
seis ou sete anos, realmente pode acontecer por volta dos quatro ou cinco
anos de idade.
Estudos atuais confirmam que desenvolvimento cognitivo é favorecido
pelas interações sociais.
Atualmente as crianças são mais estimuladas e interagem com muitos
adultos, aprendendo sobre sentimentos e reações dos outros.
A imitação também ocupa um lugar bastante importante neste caso.

Inteligência simbólica ou intuitiva:

Neste estágio os padrões de pensamento sensório-motor variam para


um incremento da capacidade de usar símbolos e imagens dos objetos do meio
ambiente surgindo a função semiótica que permite o aparecimento da
linguagem, do desenho, da imitação, da dramatização, etc.. Podendo criar
imagens mentais na ausência do objeto ou da ação é o período da fantasia, do
faz de conta, do jogo simbólico.

Com a capacidade de formar imagens mentais pode transformar o objeto


numa satisfação de seu prazer (uma caixa de fósforos em carrinho, por
exemplo). É também o período em que o indivíduo “dá alma” (animismo) aos
objetos ("o carro do papai foi 'dormir' na garagem"). A linguagem está em nível
de monólogo coletivo, ou seja, todos falam ao mesmo tempo sem que
respondam as argumentações dos outros. Duas crianças “conversando” dizem
frases que não têm relação com a frase que o outro está dizendo. Sua
socialização é vivida de forma isolada, mas dentro do coletivo. Não há
liderança e os pares são constantemente trocados.
3 –CONCRETO ( 7 – 12 anos )

Entrada da criança no ensino fundamental (mais estímulos).


Novas e grandes aquisições intelectuais
Criança desenvolve regras E ESTRATÉGIAS. Quer brincar de jogos que
envolvem raciocínio Pensamento lógico.Raciocínio somente com base no
real.
Dos sete aos nove aprende regras que segue rigidamente.
Dos 10 anos em diante muda as regras se todos os participantes
concordarem.
Jogos interativos - As brincadeiras começam a ser cooperativas, porém há
a preferência para brincadeiras com crianças do mesmo sexo. (brinquedo
coletivo)
Diminuição do egocentrismo (começa a levar em conta a realidade do
outro)
É capaz de fazer operação mental – internalização das ações. Porém a
operação mental é feita a partir de coisas concretas. Ex. a criança vê o
brinquedo e consegue ordená-lo crescentemente.
O pensamento é reversível - faz inversão de operações.
Já possui noção de invariância ou conservação. Entende que os objetos
permanecem iguais apesar da mudança na aparência.
A conservação de quantidade é entendida pela criança que já conta, a de
peso só será entendida aos oito anos e volume com 10 anos.
Há inclusão de classes.7/8 anos Ex.as bananas e maçãs são subclasses
das frutas.
Pensamento relacional – Os termos mudam de acordo com as relações.
Ex: Quem é mais alto? Ela saberá que João é mais alto do que Carlos,
pois vê João e Carlos lado a lado. É hábil com questões concretas.
Declínio da linguagem ecocêntrica – por volta dos 7 anos.
Desenvolve a capacidade de usar a LÓGICA INDUTIVA - consegue ir de
sua própria experiência para um princípio geral.
Ex. Acrescentar um brinquedo a uma pilha de brinquedos e contar depois.
A partir disto, a criança saberá que: ACRESCENTAR SEMPRE RESULTA
EM MAIS!
NOVOS TEMAS:

Desenvolvimento da memória e da estratégia- decorar, agrupar,


elaborar e busca sistemática.
Perícia - conhecer bem um assunto determinado.
“A Perícia faz qualquer um de nós parecer muito inteligente,
cognitivamente avançado; a falta de perícia nos faz parecer muito
burros” (Flavel, 1985).
Variabilidade no pensamento - várias formas de resolver o mesmo
problema.
3 - OPERATÓRIO FORMAL (12 anos até 16 anos mais ou menos)

Adolescência, a idade das grandes paixões (O adolescente ama tudo e


odeia tudo).
Desequilíbrio emocional (Sou criança ou adulto?).
A característica principal e nova habilidade mental é que este
adolescente é capaz de pensar em termos abstratos, não precisando
da percepção e da experiência imediata (não precisa ver nem vivenciar
as coisas para pensar).
Capacidade de realizar operações lógicas ao nível das idéias,
desvinculando-se do pensamento concreto.
Raciocina abstratamente sobre informações verdadeiras ou não – A
partir de uma situação é capaz de levantar hipóteses, testa-las e
deduzir conclusões lógicas.
Forma conceitos abstratos (amor, solidariedade, liberdade, justiça,
etc.).
Critica o sistema social e os valores morais dos pais.
Tem necessidade de um modelo (que não os pais, pois querem ser
livres – ex: O pai do meu amigo é super bacana, pois o deixa dirigir o
carro, queria que ele fosse o meu pai...).
Tem necessidade de ser original como um todo, mas igual a seu
grupo, pois andam tribos, gangues (modismo).
Tem necessidade de ser responsável (trabalho e dinheiro próprio,
cuidar de algo).
Descoberta do tempo e da morte (NÃO são reversíveis).
O EGOCENTRISMO reaparece, quando ele se considera o
instrumento de modificação do mundo sob o seu ponto de vista. Acha
que pode resolver os problemas do mundo (mas não os particulares,
pois tem dificuldades de falar sobre problemas pessoais).
Opera com possibilidades e não só com a realidade concreta
Manipula mentalmente idéias e possibilidades – Raciocínio
dedutivo.Ex.se tal teoria estiver certa poderemos observar tais e tais
coisas
Desenvolve a capacidade de usar a LÓGICA DEDUTIVA (parte de
algum princípio geral e em seguida supõe algum resultado). Ir da teoria
para hipótese. (É necessário imaginar). Chamado de RACIOCÍNIO
HIPOTÉTICO DEDUTIVO.Ex. se todas as pessoas são iguais então
eu e você somos iguais.

Desenvolvimento do julgamento moral

Moral- tendência a aceitar e seguir um sistema de regras que regulam o


comportamento interpessoal.
Jogo de bolinha de gude- as regras determinam a maneira que os jogadores
devem se portar; o comportamento esperado de cada jogador; controlam os
direitos individuais;regulam o direito de propriedade e nada mais são que uma
criação cultural, transmitida de geração a geração

Relação entre o código moral e o jogo de bolinhas de gude preenchem as


mesmas condições com a vantagem do jogo, pois foram elaborados por
crianças.

CLASSIFICAÇÃO DAS ESTRUTURAS COGNITIVAS

ESTÁGIO CARACTERÍSTICAS IDADE/MESES NOÇÕES


MATEMÁTICAS

SENSÓRIO 1. Atividades 0-1 mes


MOTOR
Reflexas.
2. Primeiros 1-4 meses
hábitos. - Maior/menor
3. Coordenação 4-8 meses
entre visão e -Noção de espaço e
formas
preensão.
4. Permanência 8-11 meses
do
objeto.
18-24 meses
5. Diferenciação
dos
esquemas de
ação.
6. Solução de
Problemas.
PRÉ 1. Função 2-4 anos - Desenhos
OPERATÓRIO - Contagem
Simbólica -Figuras geométricas
(linguagem). -Correspondência
2. Organizações 4-5 anos termo a termo
representativas, -Conservação do
pensamento numero
-Classificação simples
intuitivo
global.
3. Regulação 5-7 anos
representativa ,
pensamento
intuitivo
articulado.
OPERATÓRIO 1. Operações 7-9 anos - Reversibilidade
CONCRETO - Classificação
Simples, regras, - Seriação
pensamento - Transitividae
estruturado - Conservação
fundamentado na - Tamanho
manipulação de - Distancia
- Área
objetos. -Conservação de
2. Multiplicação quantidade
lógica. descontinua
- Conservação de
massa( 7 anos)
- Classe-inclusão,
cálculo, conservação
do peso e volume,
frações (9 anos).

OPERATÓRIO 1. Lógica 12-13 anos Proporção,


FORMAL combinações
hipotéticodedutiva, Demonstração,
raciocínio álgebra
abstrato.
2. Estruturas 13-15 anos
formais

Aplicações da teoria na sala de aula

Jean Piaget, as teorias estão inseridas no sistema escolar, no


sentido de que o currículo é baseado em seu palco teorico.
O currículo é projetado para ensinar os alunos na primeira fase
e, progressivamente, ensinar novas aprendizagens para alterar
os esquemas, a fim de movimentar os estudantes através de
cada estágio.
O professor começa com o básico e uma vez que o
conhecimento desse assunto é dominado, eles iriam criar um
esquema.

Para fazer a transição para a próxima fase, ou um novo


método de aprendizagem, o professor demonstra como o
aluno irá alterar, modificar ou adaptar o seu esquema para o
novo método para que novas aprendizagens ocorram.
Quando a criança entra na escola são geralmente na fase pré-
operacional. Os professores devem reconhecer que eles não
podem aprender, estratégias operacionais concretas até que
os alunos dominam os esquemas pré-operacionais
Em outras palavras, os alunos devem começar na primeira
etapa básica e dominá-lo antes que se possa desenvolver
bem em estágios mais elevados.

Estudantes com excepcionalidades

. Alunos com necessidades especiais não passam por essas


fases tão rápido quanto ou mais rápido que os outros
estudantes.

A divagação para isso é a alunos com necessidades especiais


que não desenvolvem o mesmo que os outros alunos, eles
não se adaptam ao seu ambiente, da mesma forma.

. Alguns alunos com necessidades especiais precisam ter os


mesmos processos e informações repetidas várias vezes e
algumas voar através dela e ficam entediados.

Estes métodos diferentes são perfeitamente de acordo com as


teorias de Piaget, uma vez que ainda estão se movendo
através dos mesmos estágios.
Os professores podem sugerir trabalhos em grupos com
assistentes educacionais, levá-los em viagens de campo e
outras atividades para ajudar na aprendizagem dos alunos.

Fontes consultadas: PIAGET, Jean. A epistemologia genética.


Petrópolis: Vozes, 1971.
PIAGET, Jean. Problemas de psicologia genética. In: Os pensadores.
São Paulo: Abril Cultural, 1983.

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