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NÚCLEO DE PÓS-GRADUAÇÃO

TÉCNICAS EM PESQUISA
E CONSTRUÇÃO DE
TEXTOS CIENTÍFICOS
Sumário

MÓDULO 1 - Introdução à Metodologia Científica

1.1 Conhecimento: o desejo do universo


1.2 Os tipos de Conhecimento
1.2.1 Conhecimento Popular/Empírico
1.2.2 Conhecimento Religioso/Teológico
1.2.3 Conhecimento Filosófico
1.2.4 Conhecimento Científico
1.2.5 Conhecimento Estético/Artístico

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1.2.6 Conhecimento Técnico.
1.3 O Conhecimento Científico e sua correlação com o conhecimento
popular
1.4 Considerações finais

MÓDULO 2 - Metodologias de pesquisa científica

2.1 Conceito de Método


2.2 Principais Métodos
2.2.1 Método Indutivo
2.2.2 Método Dedutivo
2.2.3 Método Hipotético-Dedutivo
2.2.4 Método Dialético
2.2.5 Métodos específicos das Ciências Sociais

Módulo 3 - A organização dos Estudos na Universidade

3.1 A Universidade e seus instrumentos de trabalho


3.2 A documentação como método de estudo pessoal

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3.2.1 A documentação temática: o encontro com o pano de fundo
3.2.2 A documentação bibliográfica: o encontro com o arquivo
3.2.3 A documentação geral: o encontro com a história
3.3 Diretrizes para leitura, estudo, análise e interpretação de textos
3.3.1 Análise textual
3.3.2 Análise temática
3.3.3 Análise interpretativa
3.3.4 Problematização
3.3.5 Síntese Pessoal
3.4 Considerações finais

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MÓDULO 4 - A Pesquisa Científica
4.1 Indicações relevantes sobre a produção do texto

4.1.1Elaboração de monografia: recomendações


4.1.2 Elaboração de artigos científicos: recomendações
4.1.3 Tipos e exemplos de citação
4.1.4 Recomendações essenciais para evitar o plágio
4.2.3 Quadro-síntese: formas de citação dos autores no texto de
pesquisa
4.2.4 Notas de rodapé

MÓDULO 5 – Redação e apresentação do trabalho científico


6.1 Monografia
6.1.2 Elementos pré-textuais
a. Capa
b. Lombada
c. Folha de rosto

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d. Ficha catalográfica
e. Errata
f. Dedicatória
g. Agradecimentos
h. Epígrafe
i. Resumo em língua estrangeira
k. Lista de ilustrações
l. Lista de tabelas
m. Sumário
6.1.3 Elementos textuais
a. Introdução
b. Revisão da Literatura

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c. Metodologia
d. Resultados
e. Conclusão
6.1.4 Elementos pós-textuais
a. Referências
b. Glossário
c. Apêndices
d. Anexos
6.2 Artigo Científico
6.2.1 A linguagem do artigo científico
6.2.2 Estrutura:
a. Introdução
b. Resumo
c. Resumo em língua estrangeira
d. Palavras-chave
e. Desenvolvimento
f. Conclusão
g. Referências Bibliográficas

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MÓDULO 6 - Estrutura do artigo científico

6.1 Linguagem do artigo


6.1.1 Introdução
6.1.2 Resumo
6.1.2 Resumo em língua estrangeira
6.1.3 Palavras-chave
6.2 ARTIGO: corpo
6.2.1 Introdução
6.2.3 Desenvolvimento

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6.2.4 Considerações Finais

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MÓDULO 1 – Introdução à Metodologia Científica

Patrícia Helena Ferreira

Disciplina: Técnicas em Pesquisa e Construção de Textos

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Científicos.
Módulo 1 – Introdução à Metodologia Científica - Faculdade
Campos Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 1 – Introdução à Metodologia
Científica.
1. Conhecimento 2. Ciência 3. Metodologia

Faculdade Campos Elíseos

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Conversa Inicial

Caro(a) aluno(a),

Bem-vindo à disciplina Técnicas em Pesquisa e Construção de Textos


Científicos. No primeiro módulo, Introdução à Metodologia Científica,
discutiremos sobre o significado de conhecimento e suas diversas vertentes.
Para tanto, no primeiro momento estudaremos as compreensões sobre o termo
conhecimento e a necessidade de sistematização de uma disciplina que estuda

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as relações do homem com o conhecimento: a epistemologia. Na segunda parte
do módulo destacaremos os principais tipos de conhecimento, a saber:
conhecimento popular/empírico, conhecimento religioso/teológico, conhecimento
filosófico; conhecimento científico, conhecimento estético/artístico e
conhecimento técnico. Por fim, faremos uma breve correlação entre
conhecimento empírico e conhecimento científico e terminaremos com algumas
considerações sobre o “uso” da ciência.
Agora com a descrição de toda a trajetória, podemos iniciar a nossa jornada de estudos.

Ótimo aprendizado!

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1.1 Conhecimento: o desejo do universo

Desde a aurora da civilização as pessoas não se dão por satisfeitas com a

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noção de que os eventos são desconectados e inexplicáveis. Sempre
ansiamos por compreender a ordem subjacente do mundo. Hoje, ainda
almejamos saber por que estamos aqui e de onde viemos. O desejo
profundo da humanidade pelo conhecimento é justificativa suficiente para
nossa busca contínua.
Stephen Hawking

Vivemos em um mundo onde “conhecimento” parece ser uma das


palavras mais utilizadas e valorizadas atualmente. No excerto acima, o físico
Stephen Hawkingi assevera que, desde o início do que se pode chamar de
espécie humana, os homens têm o desejo de conhecer a ordem do mundo e
também sobre si mesmos.

Podemos então ir mais além e fazermo-nos mais algumas perguntas:

- O que significa conhecer?

- A capacidade de conhecer é inerente à espécie humana?

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- O que nos diferencia dos diversos seres vivos que habitam nosso
planeta?

- Como conhecemos?

- De que forma o conhecimento faz parte de nossas vidas?

Para aprofundarmos um pouco mais essa discussão, necessitamos buscar


mais elementos que possam contribuir sobre o entendimento que temos
atualmente sobre a própria ideia de conhecimento.

A palavra “conhecimento” tem sua origem no latim. Ela provém do vocábulo


COGNOSCERE, traduzido como “conhecer” ou “saber”. Este termo latino é

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composto por:

COM - “junto” + GNOSCERE - “obter conhecimento”

Conhecer implica uma relação entre aquele que será o sujeito que
conhece e o objeto a ser conhecido. Segundo Aranha e Martins (2002, p. 21), “a
apropriação intelectual do objeto supõe que haja regularidade nos
acontecimentos do mundo; caso contrário, a consciência cognoscível nunca
poderia superar o caos”.

Todos os dias “conhecemos”, isto é, entramos em contato/relação com os


acontecimentos e coisas. Dessa forma, nos apropriamos desse conhecimento
em prol de novos conhecimentos, mesmo quando não temos consciência de tal
fato. Por exemplo, ao conhecermos uma nova “palavra” mobilizaremos nossas
funções cognitivas para que essa seja aplicada em diversas situações da nossa
vida cotidiana, desde as mais pessoais até as que estão relacionadas à atuação
na sociedade, como profissionalmente ou em um contexto acadêmico. Podemos
concluir então que conhecer é construir significados sobre algo que nos é
apresentado.

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De forma geral, entende-se que o conhecimento pode tanto designar o ato
de conhecer, como abordado acima (relação entre sujeito cognoscente e objeto),
quanto referir-se ao produto, a sistematização, o conhecimento acumulado pelo
homem historicamente. O conhecimento, nesta última acepção, deixa de ser
uma questão do ponto de vista individual para ser tratado como um patrimônio
da humanidade. Em nossa disciplina abordaremos mais a concepção de
conhecimento a partir da segunda compreensão, ou seja, conhecimento como
construção histórica.

Embora tratemos do conhecimento como tal conjunto de saberes


acumulados, não podemos deixar de considerar que a apreensão que fazemos

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mundo não é sempre tematizada, sendo inicialmente pré-reflexiva, mais no nível
da intuição e da experiência (ARANHA; MARTINS, 2002).

Pelo esforço constante do questionamento podemos sair desse grau de


apreensão do mundo para nos aproximarmos de um pensamento cada vez mais
complexo, que questiona as suas próprias bases.

Desta forma, conforme as autoras supracitadas, podemos sintetizar que


nossa relação de apreensão com o real (conhecimento) pode se dar de duas
formas:

 Pela intuição – forma de conhecimento imediato, feito sem intermediários. A


intuição é uma visão súbita, o ponto de partida do conhecimento e está ligada à
questão da inventividade. Pode ser classificada em:
 Intuição sensível – ligada ao conhecimento imediato dos órgãos do sentido. Por
exemplo, as sensações de frio e de calor.
 Intuição inventiva – é da ordem do súbito. Está ligada aos sábios, cientistas e
artistas, além de também transitar na vida cotidiana.
 Intuição intelectual – representa o esforço para captar a essência do objeto.
Como exemplo temos o cogito, de Descartes.

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 Pelo Conhecimento Discursivo – O conhecimento discursivo se dá por meio
de conceitos, operando por etapas. Nesse modo de apreensão do real a razão
(faculdade de julgar) necessita fazer abstrações (a abstração é o processo de
pensamento em que as ideias são distanciadas dos objetos, usando a estratégia
de simplificação). Podemos exemplificar: quando abstraímos a ideia de “casa”,
conseguimos isolar e simplificá-la a tal ponto que a representação intelectual da
casa independe dos diversos tipos de habitação.

Aranha e Martins (2002), por fim, discorrem que que tanto a intuição
quanto o conhecimento discursivo são importantes, pois o conhecimento
necessita transitar entre essas duas formas de apreensão do real, entre o vivido

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e o teorizado, entre o concreto e o abstrato.

Epistemologia: a teoria do conhecimento

Chamamos de epistemologia ou gnosiologia o ramo da filosofia que se


ocupa do conhecimento humano, especialmente nas relações que se
estabelecem entre o sujeito e o objeto do conhecimento, pelo que também é
designada de “teoria do conhecimento”. Em sentido mais restrito, a
epistemologia refere-se às condições sob as quais se pode produzir o
conhecimento científico e dos modos para alcançá-lo, avaliando a
consistência lógica de teorias. Nesse caso, identifica-se com a filosofia da
ciência.

A epistemologia surge como disciplina autônoma na Idade Moderna,


quando os filósofos começam a se preocupar sistematicamente com as
questões de origem, essência e certeza do conhecimento humano e até hoje
continua a estudar os fundamentos e as implicações ético-políticas do mesmo.

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Sintese

A palavra conhecimento provém do vocábulo COGNOSCERE, traduzido como


“conhecer” ou “saber”. O termo conhecimento possui várias acepções, podendo
ser destacadas:

- ato de conhecer - relação entre o sujeito cognoscente e objeto);

- o conjunto de saberes acumulados pelo homem historicamente.

A epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e a validade do


conhecimento. Também é conhecida como teoria do conhecimento e relaciona-

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se com a metafísica, a lógica e a filosofia da ciência

1.2 Os tipos de conhecimento

Embora a disciplina de metodologia científica esteja preocupada com o


conhecimento científico, não podemos deixar de considerar que este não é o
único existente. Ao longo de toda sua existência o homem vem acumulando
conhecimentos desde o seu nascimento, conhecimentos vitais e
necessários para a sua sobrevivência.

Podemos distinguir, a partir dos principais livros e compêndios sobre


metodologia científica, quatro tipos principais de conhecimento: o conhecimento
popular ou senso comum, o conhecimento teológico/religioso, o conhecimento
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filosófico e o conhecimento científico. Acrescentaríamos a esta lista o
conhecimento técnico e o conhecimento estético/artístico. Cada um deles
presenta características próprias e específicas, mas não podemos referenciar
uma ordem de importância entre eles. Não existe um conhecimento que seja
melhor do que outro; cada um deles, dentro de seu escopo, possui o mesmo
objetivo: responder às nossas dúvidas atuais e criar novas dúvidas. Apesar do
conhecimento científico ser o mais sistematizado, podemos afirmar que a ciência
não é o único caminho que leva à verdade.

A seguir, analisaremos cada um deles.

1.2.1 Conhecimento Popular/Empírico

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Leia o texto a seguir com atenção.

O excerto abaixo demonstra que a dona de casa que necessita fazer


compras para a família realizou várias operações mentais para saber adequar a
quantia de dinheiro que possuía com o preço das mercadorias, os gostos de
cada membro e até os benefícios de cada alimento.

Nesse trecho temos um exemplo concreto de conhecimentos que são


ativados/mobilizados no dia-a-dia por todos nós, sem que muitas vezes o
percebamos.

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Ela é uma dona de casa. Pega o dinheiro e vai à feira. Não se formou em coisa
alguma. Uma pessoa comum, como milhares de outras. Vamos pensar como ela
funciona, lá na feira, de barraca em barraca. Seu senso comum trabalha com
problemas econômicos: como adequar os recursos que dispõe, em dinheiro, às
necessidades de sua família, em comida. E para isso ela tem de processar uma série
de informações. Os alimentos oferecidos são classificados em indispensáveis,
desejáveis e supérfluos. Os preços são comparados. A estação dos produtos é
verificada: produtos fora de estação são mais caros. Seu senso econômico, por sua
vez, está acoplado às outras ciências. Ciências humanas, por exemplo. Ela sabe que
os alimentos não são apenas alimentos. Sem nunca ter lido Veblen ou Lévi-Strauss,
ela sabe do valor simbólico dos alimentos. Uma refeição é uma dádiva da dona de
casa, um presente. Com a refeição ela diz algo. Oferecer chouriço para um marido de

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religião adventista, ou feijoada para uma sogra que tem úlceras, é romper claramente
com uma política de coexistência pacífica. A escolha dos alimentos, aqui, não está
regulada apenas por fatores econômicos, mas por fatores simbólicos, sociais e
políticos. Além disso, a economia e a política devem dar lugar ao estético: o gostoso,
o cheiroso, o bonito. E para o dietético. Assim, ela ajunta o bom para comprar, o bom
para dar, com o bom para ver, cheirar e comer, com o bom para viver.

ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras.


19. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2015.

Embora saibamos que a Sra. “X”, como escolhemos denominá-la,


recorreu a saberes advindos dos mais variados campos, que tipo de
conhecimento ela mais mobilizou em suas escolhas?
O conhecimento popular, empírico ou do senso comum, é aquele que se
se adquire no trato direto com as coisas e os seres humanos. As informações
são assimiladas pela tradição e por meio de experiências causais e
assistemáticas. Tem como objetivo primeiro a resolução dos problemas

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cotidianos. Nossas crenças, tradições e saberes populares são exemplos nítidos
dessa forma de conhecer.
Segundo Trujillo (1974, Apud MARCONI; LAKATOS, 2004), o
conhecimento popular possui as seguintes características:
 É valorativo – fundamenta-se numa seleção com base em estados de
ânimo e sensações. Os valores do sujeito contribuem para a construção do
objeto de conhecimento;
 É reflexivo – faz análise de um determinado objeto, mas a mesma está
limitada à familiaridade com o elemento, não podendo ser reduzido a uma
formulação geral;
 É assistemático – casual, baseia-se na organização particular própria do

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sujeito e não na sistematização de ideias.
 É verificável – confirmado dentro da sua especificidade, que é a vida
cotidiana.
 É falível e inexato – pelas suas características de assistematicidade e
informalidade. Tal tipo de conhecimento não permite a formulação de hipóteses.

1.2.2 Conhecimento Religioso/Teológico


O conhecimento religioso é aquele adquirido a partir da aceitação de
axiomasii da fé teológica, é fruto da revelação da divindade, por meio de
indivíduos inspirados que apresentam respostas aos mistérios que permeiam a
mente humana. O conhecimento teológico ou religioso preocupa-se com
verdades absolutas, verdades correlacionadas à fé. O sagrado é explicado por si
só. Há, nesse tipo de conhecimento, uma tentativa mítica ou mágica de
explicação do mundo.
Embora considerado como religioso, não está ligado diretamente a uma fé
específica, mas sim a uma relação com o sagrado e com explicações
ritualísticas e mágicas do mundo.

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Vejamos o exemplo abaixo:

Morená: a praia sagrada

O largo e comprido rio Xingu não tem nascente própria. O encontro de três rios, dois
largos, Kuluene e Ronuru, e um estreito, Batovi, é que forma o grande rio. Nessa
confluência, esses três rios formam também uma praia extensa e muito bonita que os
índios chamam de Morená.

Essa praia é muito importante na vida de muitas aldeias da região. Foi ali que o
criador Mavutsinin criou os índios. No cerimonial do Kuarup, os índios fazem uma
verdadeira representação do ato de criação.

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- Pai, como é que a gente apareceu no mundo? – perguntou Acanai.
- Mavutsinin criou todos nós – respondeu o pai, Cuiparé.
- Quem é esse? Não é aquele que na festa do Kuarup canta a noite inteira e de
madrugada chora? – indagou o menino.
- Os nossos Aramoên contavam que Mavutsinin cortou alguns toros de madeira e
transformou, lá no Morená, todos em gente.
(...)
- Quando o dia estava clareando Mavutsinin começou a cantar e chorar. Daí o sol
apareceu e, com o seu calor, os toros tomaram vida. Foi assim que Mavutsinin criou
todo o pessoal – explicou Cuiaparé.
In: VILLAS BOAS, Cláudio e Orlando. Histórias do Xingu. São Paulo: Companhia das
Letrinhas, 2013.

Tal como em outras narrativas religiosas, a narrativa indígena acerca da


criação do mundo, segundo o ritual do Kuarup, tem como objetivo oferecer uma
verdade acerca da ordem terrena, a partir de lógicas que não podem ser
explicadas sistematicamente, somente podem ser aceitas e interiorizadas. O fiel
não está à procura da evidência lógica dos fatos, mas sim da causa primeira, ou
seja, a revelação divina.
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Sintetizando, podemos dizer que o conhecimento teológico possui as
seguintes características (TRUJILLO, 1974, Apud MARCONI; LAKATOS, 2004):

 É valorativo – suas doutrinas são inspiradas em proposições sagradas;


 É inspiracional – sua verdade provém da revelação da palavra;
 É Infalível e exato – indiscutível e preciso. Não há do quê duvidar;
 É sistemático – apresenta uma explicação causal e organizada do mundo;
 Não é verificável – Sendo obra do criador divino, suas evidências não podem
ser verificáveis. Tais evidências provêm de uma relação com o sobrenatural;

1.2.3 Conhecimento Filosófico

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A Filosofia e Ciência podiam ser consideradas como um só corpo de
conhecimento até o final do século XIX, quando houve uma cisão mais definitiva
entre as duas devido ao Positivismoiii. Ambas têm como objetivo a busca da
verdade. Ambas buscam uma sistematização do conhecimento.
Mas o que diferencia a Filosofia da Ciência e dos demais tipos de
conhecimento?
Vejamos como Bertrand Russel, conhecido filósofo do século XX, discorre
a respeito de algumas das proposições da Filosofia

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Em si, a filosofia não pretende resolver as nossas dificuldades nem salvar as
nossas almas. Como dizem os gregos, é uma espécie de aventura turística
que se empreende por gosto. Portanto, em princípio, não há nenhuma questão
de dogma, nem de ritos, nem de entidades sagradas de qualquer tipo, ainda
que os filósofos, individualmente, possam ser obstinadamente dogmáticos.

RUSSELL, Bertrand. História do pensamento ocidental: a aventura dos pré-


socráticos à Wittgenstein. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

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O conhecimento filosófico, segundo Marconi e Lakatos (2004),
caracteriza-se pelo esforço da razão em questionar os problemas humanos,
recorrendo à razão. O objeto de análise da filosofia são as ideias, as relações
conceituais, a existência enfim. Dessa forma, não há como reduzir tais
questionamentos à verificação e à comprovação por meio da experiência.

Para Aranha e Martins (2002), enquanto que a ciência tende a


especificidade, a filosofia considera seu objeto de estudo do ponto de vista da
totalidade. Sua visão é de conjunto, tentando superar a fragmentação do real.
Ainda, a filosofia não elabora juízos de realidade, como a ciência, mas juízos de
valor, procurando dar sentido à experiência. Por fim, continuam as autoras, por
meio da reflexão filosófica que o homem sai da dimensão puramente prática e
toma o distanciamento necessário para a avaliação dos fundamentos dos atos
humanos.

Sintetizando, de acordo com Trujillo (1974, Apud MARCONI; LAKATOS,


2004), o conhecimento filosófico pode ser considerado como:

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 Valorativo – suas hipóteses não podem ser submetidas à observação.
 Não verificável – os resultados dessas hipóteses não podem ser
confirmados, nem refutados;
 Racional – pois está configurado a partir de um conjunto de enunciados
logicamente correlacionados;
 Sistemático – pois visa a uma compreensão coerente da realidade, com
objetivo de apreendê-la;
 Infalível e exato – seus postulados não são submetidos à observação.

Por fim, adentraremos na discussão do conhecimento científico, o qual, para fins

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da elaboração de trabalhos de conclusão de curso e monografias, é o que se
apresenta como referência por apresentar características que objetivam a
sistematização, a racionalização e a generalização do saber.

Na primeira metade do século XX, Einstein descreveu a trama do espaço e do


tempo coma teoria da relatividade, enquanto Bohr e seus jovens amigos
capturaram em equações a estranha natureza quântica da matéria. Na
segunda metade do século XX, os físicos trabalharam a partir desses
fundamentos, aplicando as duas novas teorias aos mais variados domínios da
natureza: do macrocosmo da estrutura do universo ao microcosmo das
partículas elementares.

......

A ciência, antes de ser um conjunto de experimentos, medições, matemáticas


e deduções rigorosas, constitui-se principalmente de visões. O pensamento
científico se nutre da capacidade de “ver” as coisas de modo diferente de
como elas eram vistas antes.

ROVELLI, Carlo. Sete breves lições de física. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.

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Conhecimento Científico

Há diversas tentativas de definição de Ciência. Etimologicamente, o vocábulo


procede do latim SCIENTIA, “conhecimento”, de SCIRE, “conhecer, saber”, que
provavelmente no seu início significava “distinguir, separar coisas” e também de
uma raiz Indoeuropeia SKEI, “cortar, separar”.
Nos dicionários, dentre outros significados mais gerais, o vocábulo ciência
costuma ser designado por um “conjunto organizado de conhecimentos
relacionados a uma determinada área do saber, obtidos por meio da observação
e método experimental para formulr leis gerais e que expliquem os fenômenos
ou fatos estudados” (BECHARA, 2011, p. 414).

Para Marconi e Lakatos (2004), a ciência está relacionada a uma

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sistematização dos conhecimentos, por meio de um conjunto de proposições
logicamente relacionadas sobre um fenômeno que se quer estudar. Essas
proposições são passíveis de verificação. Pode-se dizer também que existem
critérios comuns que compõem a ciência: a confiabilidade do seu corpo de
conhecimentos, sua organização e seu método. Embora saibamos que o
conceito de ciência ultrapassou a área das chamadas ciências físicas e
biológica, incorporando nesse entendimento também as ciências humanas,
ainda há grande divergência acerca dos pressupostos apontados acima,
principalmente no que diz respeito à área das humanidades.

O que não se pode discordar é que o conhecimento científico traz


consigo, desde o seu nascimento, nas raízes da modernidade, um novo modo
de apreender as coisas, não de maneira ocasional, mas a partir da correlação
causa-efeito, buscando a organização de leis explicativas a partir desta
correlação.

Segundo Ander-Egg (1978, Apud MARCONI; LAKATOS, 2004), a ciência


é um tipo de conhecimento racional, certo ou provável, obtido
metodicamente, sistemático e verificável, que está relacionado a objetos da
mesma natureza.
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Complementando, Trujillo (1974, Apud MARCONI; LAKATOS, 2004), sisntetiza
as principais características do conhecimento científico:

 É contingente – suas proposições são submetidas à verificação por meio da


experimentação;
 É sistemático – é uma saber logicamente ordenado, formado por um sistema de
ideias;
 É verificável – suas hipóteses são testadas e comprovadas;
 É falível – em virtude de não ser definitivo, absoluto ou final;
 É aproximadamente exato – pois está sempre em reformulação.

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Síntese

Após tomarmos contato com os principais tipos de conhecimento


apontados por diversos autores, façamos um quadro comparativo das principais
características dos principais tipos de conhecimento:

CONHECIMENTO CONHECIMENTO CONHECIMENTO CONHECIMENTO


POPULAR/EMPÍRICO CIENTÍFICO FILOSÓFICO TEOLÓGICO

Valorativo Real (factual) Valorativo Valorativo


Reflexivo Contingente Racional Inspiracional
Assistemático Sistemático Sistemático Sistemático
Verificável Verificável Não verificável Não verificável
Falível Falível Infalível Infalível
Inexato Aproximadamente Exato Exato
exato

* MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica.


São Paulo: Atlas, 2004.
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1.2.5 Conhecimento Estético/Artístico

René Magritte – Les Deux Mystères, 1966.

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- O que esse quadro de René Magritte representa?
- Por que podemos caracterizá-lo como uma obra de arte?
- Quais sensações essa obra causa nos que entram em contato com a
mesma?
- Que relações podemos estabelecer entre tal obra e nossas formas de
conhecer o mundo?
Para Martins, Picosque e Guerra (1998), a relação que o homem
estabelece com a realidade é mediada por diferentes linguagens e sistemas
simbólicos. O mundo tem o significado que construímos para ele. A arte é uma
forma privilegiada de conhecimento porque prescinde das certezas da ciência.
Segundo Aranha e Martins (2002), assim como a ciência e o mito são um
tipo de organização da experiência humana, a arte é um caso de entendimento
intuitivo do mundo, uma forma de expressão.
O conhecimento estético/artístico não tem como objetivo recriar a
natureza ou descrevê-la, mas criar símbolos que são as obras de arte, objetos
sensíveis, individuais que expressam a vitalidade da relação do homem com o
mundo. A arte tem por uma de suas funções o alargamento da experiência
humana com o sensível.
22
Em suas diversas manifestações, na pintura, desenho, música, dança,
teatro e outras formas de expressão, o conhecimento artístico é uma das formas
privilegiadas de contato do homem com o mundo, daí sua entrada na
classificação dos tipos de conhecimentos aqui apresentada.

1.2.6 Conhecimento Técnico

O termo grego tecné corresponde ao nosso saber fazer, o know how.


Este tipo de conhecimento requer a intervenção da razão, a qual que
estabelece regras de procedimentos para a execução de diferentes atividades
ou tarefas. A técnica é o conhecimento do “como” fazer algo e dos meios que

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podem ser utilizados para a realização de tarefas.

Utiliza-se o conhecimento técnico como aplicação de formas e métodos


para resolução de problemas, tendo como objetivo o domínio do mundo e da
natureza. Por fim, trata-se de um saber que auxilia o homem na sua relação com
o mundo, pelo modo como orienta, sistematiza e procedimentaliza os saberes.
Frequentemente, o conhecimento técnico está na base da profissionalização.

Agora que tomamos contato com os diferentes tipos de conhecimento e


concluímos que a coexistência entre os mesmos não se dá de uma forma
hierarquizada, embora o pareça, faremos uma breve análise de uma relação por
muitas vezes debatida, principalmente no meio educativo: a do conhecimento
popular versus conhecimento científico.

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1.3 O Conhecimento Científico e sua correlação com o conhecimento
popular

A admiração é filha da ignorância, porque ninguém se admira senão das


coisas que ignora, principalmente se são grandes; e mãe da ciência,
porque admirados os homens das coisas que ignoram, inquirem e
investigam as causas delas até as alcançarem, e isto é o que se chama

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ciência.

Padre Antônio Vieira

Nos últimos tempos, o conhecimento científico e a ciência começaram a


ocupar um patamar na vida da sociedade que nos leva, muitas vezes, à
compreensão de que só este tipo de relação com o mundo e com o saber é tido
como válido. As imagens sobre a ciência e os cientistas os transformaram em
objetos quase divinos e por vezes sacralizados. Alves (2015, p. 10) adverte-nos
sobre esse perigo: “o cientista virou um mito. E todo o mito é perigoso, porque
induz o comportamento e inibe o pensamento. Esse é um dos resultados
engraçados (e trágicos) da ciência”. O propósito dessa seção é, de certa forma,
dar a importância devida ao conhecimento científico, mas, ao mesmo tempo
dessacralizá-lo.
Desde a Antiguidade o homem, em sua relação com o mundo, constrói
uma série de conhecimentos que permitem sua sobrevivência e adaptação aos
diferentes meios em que vive. Desde um simples processo de plantio e colheita
de hortaliças, legumes e tubérculos até um sofisticado procedimento de
confecção de alimentos industrializados e sintetizados. Os dois processos
convivem até hoje e não são excludentes entre si.
24
Conforme Marconi e Lakatos (2004) o que difere o conhecimento popular
do científico não é nem a veracidade, nem a natureza do objeto conhecido. A
diferença reside na forma, modo ou método e os instrumentos de conhecer.
Isso faz com que cheguemos à seguinte conclusão:
 A ciência não é a única forma de conhecimento;
 Pode-se analisar um mesmo fenômeno ou objeto sob o ponto de vista do
homem “comum” ou da ciência.

Tanto o senso comum quanto a ciência buscam a coerência e a


objetividade, buscam a ordem. Para Alves (2015), a ciência não é uma forma de
conhecimento diferente do senso comum. Fazendo uma analogia com os órgãos
do corpo humano, o autor argumenta que a ciência é uma hipertrofia e

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especialização de um desses órgãos, de uma forma mais sistemática. Ambos
(senso comum e ciência) partem de um problema e vão, a partir de sua
observação e análise, tentar resolvê-lo. O que difere é a forma, o controle e a
sistematização dos modos de resolução.

O conhecimento popular ou do senso comum talvez seja a primeira forma


de conhecimento a ter surgido sobre a face da Terra. Tal forma de conhecimento
da realidade é extremamente importante. Sem ele não poderíamos resolver os
problemas mais simples do nosso dia-a-dia, pois nos defrontamos diretamente e
a todo momento com fenômenos os quais exigem respostas rápidas. Não há,
entretanto, nesse tipo de relação com o mundo uma preocupação com o
método, com a organização e sistematização do conhecimento, nem com uma
formulação teórica generalizante do que ali se apreendeu.

Já a ciência se distingue por ser um tipo de conhecimento que se


caracteriza como racional, analítico, sistemático, cumulativo, explicativo,
preditivo e generalizante. Essa configuração o diferencia do conhecimento
popular/empírico e dos demais estudados no presente módulo, mas não lhe
assegura o status de “sagrado”, até porque, como já visto anteriormente, ele é
falível e está em constante renovação.

25
Um último ponto necessita aqui ser destacado. O “poder” da ciência deve
ser objeto de constante vigília do pensamento, pois a mesma pode estar a
serviço do homem ou contra o mesmo. Não há, embora muitos o digam, a
neutralidade da ciência. Ela está sempre imersa no debate ético e político das
sociedades. Todos nós, com lugar especial dado aos cientistas e aos governos,
temos responsabilidade pelos rumos que são dados a partir das inúmeras
descobertas que nos assolam diuturnamente. Temos que constantemente nos
perguntar: o que estamos fazendo de nós e dos outros, como já diria Michel
Foucault, importante pensador do século XX.

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1.4 Considerações finais

Chegamos ao fim do Módulo 1, “Introdução à metodologia científica”.


Neste segmento iniciamos nossa conversa com questões que perpassarão sua
vida enquanto estudante de pós-graduação, das quais destacamos a definição
do que é conhecimento, os diferentes tipos de conhecimento e a correlação
entre conhecimento popular ou empírico e o conhecimento científico.

Esperamos que esse início sirva como plataforma para os módulos


posteriores, os quais afunilarão as questões abordadas aqui e desembocarão
em orientações para escrita dos trabalhos acadêmicos.

Não se esqueçam de aprofundarem seus estudos consultando as


referências bibliográficas e a indicação de leitura suplementar.

Por fim, lançaremos modos de conversa com todos alunos a partir do


nosso fórum e também por meio de algumas questões sobre o tema abordado
neste módulo.

Até o próximo encontro!!

26
NOTAS EXPLICATIVAS

Stephen William Hawking é um físico teórico e cosmólogo britânico e um dos mais


consagrados cientistas da atualidade. Atualmente, é diretor de pesquisa do
Departamento de Matemática Aplicada e Física Teórica (DAMTP) e fundador do Centro
de Cosmologia Teórica (CTC) da Universidade de Cambridge. Publicou diversos livros,
dentre eles “Uma breve história do tempo”, best seller internacional que sintetiza suas
pesquisas no campo da cosmologia.
1
Proposição que se admite como verdadeira e que serve de fundamento a uma teoria;
postulado; princípio ou afirmação sancionada pela experiência e tida pela generalidade
das pessoas como clara e evidente.

1
O positivismo é uma corrente filosófica que surgiu na França no começo do século

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XIX, tendo como principais defensores Augusto Comte e John Stuart Mill. O positivismo
defende a ideia de que o conhecimento científico é a única forma de conhecimento
verdadeiro e que somente podemos afirmar que uma teoria é válida se for passível de
comprovação por meio de métodos científicos válidos. Fonte:
http://www.suapesquisa.com/o_que_e/positivismo.htm

27
MÓDULO 2 - Metodologias de pesquisa científica

Cláudia Ribeiro Calixto

Técnicas em Pesquisa e Construção de Textos Científicos.


Módulo 2 – Métodos Científicos – Faculdade Campos
Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.

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Guia de Estudos – Módulo 2 – Métodos Científicos.
1. Metodologia 2. Métodos Científicos 3.

Faculdade Campos Elíseos

28
Retomando a conversa

Caro (a) aluno (a),

No primeiro módulo, percorremos as bases epistemológicas do conhecimento –


origem, estrutura, métodos e processos de validação do conhecimento. No
trajeto, destacamos os diferentes tipos de conhecimentos (popular, teológico,
filosófico, científico, estético, técnico). Retomamos nossa jornada de estudos
nesse segundo módulo, tematizando uma questão de relevância no trajeto de

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uma pesquisa: a metodologia de investigação. Aportaremos no tema métodos
científicos e nos ateremos ao modo como, sob o paradigma científico, o homem
produziu, e vem produzindo, uma forma específica de acesso ao conhecimento,
e que prevê procedimentos próprios de acesso à realidade e estabelecimento de
conhecimentos – científicos. Disporemos os principais métodos constantes de
literatura acadêmica, suas características e o contexto histórico de sua
produção.

Retomemos, então, nossa jornada de estudos!

29
Uma prática de pesquisa é um modo de pensar, sentir, desejar, amar,
odiar, uma forma de interrogar, de suscitar acontecimentos, de exercitar a
capacidade de resistência e de submissão ao controle (CORAZZA, 2002,
p.124).

A atividade de investigação no campo de qualquer saber que se intitule


científico pressupõe o emprego de um caminho que permita ao pesquisador uma

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afirmação assertiva acerca de um fenômeno físico, biológico, matemático,
químico ou social. Ao final de uma pesquisa afirma-se ou se nega uma resposta
a um problema. Essa resposta, sempre provisória, comporá um corpus1 de
conhecimento de determinada área de saber.

Historicamente constituído, o método científico pressupõe um modo de


aproximação e tratamento do objeto de pesquisa que se pretende interrogar. É o
que veremos a seguir.

11
Do latim cörpus (CUNHA, 2010, p.182), o termo remete à coletânea ou conjunto de documentos, de
pesquisas científicas, acerca de determinado tema.
30
2.1 Conceito de Método

Etimologicamente, a palavra método deriva do vocábulo méthodos do


latim tardio (meta) e da palavra grega hodós (vida, caminho). Como conceitua
Antônio Geraldo da Cunha (2010, p.424) a palavra refere-se à “ordem que se
segue na investigação da verdade, no estudo de uma ciência ou para alcançar
um fim determinado”.

O método científico é, por sua vez, “um conjunto de procedimentos por


intermédio dos quais (a) se propõe os problemas científicos e (b) colocam-se à

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prova as hipóteses científicas” (BUNGE apud LAKATOS e MARCONI, 2004,
p.45). Assim, conforme asseveram Eva Maria Lakatos e Marina de Andrade
Marconi (ibidem), o método constitui-se das atividades sistemáticas e racionais
que, com maior segurança e economia, permite alcançar o objetivo, qual seja, o
conhecimento considerado válido e verdadeiro. O método permite traçar um
caminho a ser seguido e, por um emprego sistemático de procedimentos,
possibilita a detecção de erros e orienta as decisões do pesquisador.

Sob a égide desse paradigma epistemológico, o conhecimento científico,


para ser validado como tal, deveria ser passado por dados procedimentos
(LAKATOS e MARCONI, 2004):

 a experimentação, a qual pressupõe a observação, o registro


sistemático e experimentos acerca de dado problema de pesquisa;
 a formulação de hipóteses, as quais procuraram estabelecer
relações de causa e efeito implicados e determinantes no
fenômeno estudado;

31
 a repetição, ou seja, uma experimento deve obter os mesmos
resultados sob condições diferentes de ambiente e sob realização
de outros cientistas;
 a testagem das hipóteses, por meio da qual busca-se novos
dados, elementos, variáveis e evidências que a confirmem;
 a formulação de generalizações e leis, fundamentadas nas
evidências constadas, generalizando suas explicações para os
fenômenos da mesma natureza.

A título de localização teórica, façamos um brevíssimo recuo histórico do


método científico.

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Suas disposições originam-se em investigações acerca dos fenômenos
físicos e da natureza efetivadas no alvorecer da Modernidade, no século XVII,
com destaque às pesquisas e formulações de Galileu Galilei (1564-1642), cuja
teoria heliocêntrica, dentre outras, veio a abalar as crenças, a alterar
radicalmente percepção do homem sobre o mundo e sobre si mesmo, bem
como ensejou o desenvolvimento de procedimentos inaugurais de indagação e
investigação dos fenômenos e estabelecimento de conhecimentos validados
como verdadeiros. A partir desse período da história da humanidade, a ciência
ganhou proeminência nas narrativas sobre o mundo e sobre o homem: surge o
indivíduo moderno.

A partir do século XIX, os métodos de investigação científica são


reivindicados às ciências sociais, que almejam o estatuto de saber científico.
Assentados em procedimentos originários das chamadas ciências “duras” (física,
matemática, astronomia etc.) são migrados para o estudo em diferenciados
campos de saber, como a educação e a psicologia, por exemplo.

32
2.2 Principais Métodos

Convém destacarmos, a essa altura de nosso estudo, que a emergência


de uma pesquisa provém de uma inquietação com alguma pergunta, com um
problema a ser investigado e o trabalho de investigação está crivado de
decisões importantes, dentre as quais: O que, por que e para que investigar?
Que passos seguir? Em quais fontes pesquisar?

Tais perguntas estão impregnadas de implicações ético-políticas e

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metodológicas, dentre as quais a escolha do método. Hora, pois, de o
pesquisador, uma vez definido o objeto, a finalidade e a abordagem teórica que
orientará o estudo, debruçar-se sobre o caminho que permitirá a melhor
abordagem ao seu problema de pesquisa. Nesse momento, então, nos

deparamos com uma questão crucial e importante, a saber: Qual o melhor


método para o objeto que se pretende investigar?

Todo método está inserido em dada tradição epistemológica, ou seja, ele


pressupõe um conjunto de crenças e apostas acerca do conhecimento e das
formas de conhecer.

Seguiremos, agora, com uma disposição dos principais métodos de


pesquisa científica constantes da literatura acadêmica e que historicamente
foram inseridos como procedimentos de investigação dos fenômenos na
empreitada do homem na busca pelo conhecimento.

33
2.2.1 Método Indutivo

A melhor prova é a experiência.

Francis Bacon

No início do século XVII, período da chamada Revolução Científica, sob


impacto das pesquisas e formulações acerca do mundo, então desenvolvidas,

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em especial as teorias de Galileu e Newton, Francis Bacon (1561-1626),
cientista e filósofo britânico, estabeleceu um novo sistema de investigação,
definindo o método indutivo para conduzir as experiências científicas
(BUCKNGHAM, 2011). Lembremos que, até esse momento da história, a visão
de mundo vigente na Europa Ocidental era teocêntrica e o conhecimento era
efeito de uma revelação externa, a palavra de Deus, não passando pelo crivo
das percepções ou da razão humanas.

Para Bacon, a boa ciência, o bom conhecimento, deveria gerar uma


produção. De orientação utilitária e pragmática, emerge uma percepção de que
os frutos da prática científica deveriam produzir efeitos positivos para maioria
das pessoas. Tem-se aqui o nascimento da metodologia científica moderna e da
tradição da pesquisa científica voltada à intervenção na natureza.

O método indutivo firmou-se como procedimento do Empirismo2, sendo


que a fonte e a base do conhecimento dar-se-iam pela experiência empírica, ou
seja, passariam necessariamente pela experiência sensível, em que os sentidos

2
Trata-se de uma teoria do conhecimento segundo a qual a fonte do conhecimento provém da
experiência empírica, ou seja, só é passível de conhecimento aquilo que for passível pela experiência e
pela sensação (JAPIASSÚ; MARCONDES, 2006).São alinhados a essa doutrina além de Francis Bacon, Locke
e Hume.
34
seriam fatores decisivos na apreensão do verdadeiro. Por essa lógica, um fato
ou fenômeno só existe e é explicável se percebido pelos sentidos. Aqui, os
dados apreendidos da experimentação, da observação, pelos sentidos, seriam
sistematizados pela razão, a qual permitiria, então, chegar-se a uma lei geral e
ao estabelecimento de relações de causa e efeito.

Vejamos alguns exemplos (LAKATOS e MARCONI, 2004, p.53-54):

O corvo 1 é negro.
O corvo 2 é negro.
O corvo 3 é negro.
O corvo n é negro.
Conclusão: (todo) corvo é negro.

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Cobre conduz energia.
Zinco conduz energia.
Cobalto conduz energia.
Ora, Cobre, zinco e cobalto são metais.
Logo (todo) metal conduz energia

O homem Pedro é mortal.


O homem José é mortal.
O homem João é mortal.
Conclusão: (todo) homem é mortal.

Como podemos observar no exemplo supracitado, a indução parte de


fatos, fenômenos particulares, dados singulares, os quais passam pelo
tratamento do método científico, deles infere-se uma verdade geral ou universal.
A parte analisada isoladamente não dá conta da explicação de um fenômeno ou
categoria, o que não permitiria extrair-lhe, isoladamente, uma lei geral. É a
análise de um conjunto de elementos ou partes que se poderá chegar a uma
generalização e extrair relações causais aos fenômenos analisados.

35
No emprego desse método de pesquisa, uma premissa acertada
conduzirá a um resultado válido: se uma premissa é verdadeira, a conclusão que
se chegará será verdadeira.

Na indução, o caminho de raciocínio e de definição do conhecimento vai,


pois, do específico ao geral, do particular ao universal, dos indivíduos às
espécies, das espécies ao gênero, dos fatos às leis. Ela se realiza em três
etapas:

 observação dos fenômenos,


 estabelecimento da relação entre eles (hipótese) e
 generalização dessa relação.

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Conforme destacam Lakatos e Marconi (2004), a utilização da indução
como procedimento implica ao pesquisador, no momento de sua decisão
metodológica, o levantamento de pelo menos duas perguntas fundamentais:

Qual a justificativa para as inferências indutivas?

Qual a justificativa para a crença de que o futuro será como o


passado?

Síntese

O método indutivo vai da análise dos elementos e das


partes para alcançar uma lei geral ou universal. Seu
procedimento se apoia na experiência e os sentidos
desempenham um papel essencial: um fenômeno ou objeto
só são apreensíveis à medida que passam pela experiência
sensorial. Trata-se da síntese como método.

36
2.2.2 Método Dedutivo

É necessário que ao menos uma vez na vida você duvide, tanto


quanto possível, de todas as coisas.
René Descartes

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O método dedutivo foi investido pelos pensadores alinhados ao
Racionalismo3, dentre os quais seu mais proeminente representante: René
Descartes (1596-1650). Em meio à Revolução Científica do século XVII, o
filósofo francês deslocou o paradigma do entendimento humano sobre o homem
e os objetos, fundando o pensamento moderno, o qual alicerça uma forma de
compreender o mundo e a forma de conhecimento por meio da lógica racional.

Descartes com sua obra Discurso sobre o método questiona a lógica da


indução. Para o filósofo, os sentidos são falhos e podem nos induzir ao erro.
Quem garante que o que vejo ou percebo são de fato reais ou são fruto de uma
ilusão, de um sonho? – pergunta-se.

Nessa linha de raciocínio, Descartes defende a dúvida como método.


Uma vez que os sentidos podem induzir ao erro, é necessário pautar-se na
razão. Para ele, a radicalidade da dúvida geraria a radicalidade da primeira
certeza. Por meio da célebre frase: “Penso, logo existo” (DESCARTES, 2016,
p.24). defendeu que a razão é o único meio seguro e infalível de se chegar ao

3
Trata-se de uma escola de pensamento que apregoa a supremacia da razão sobre todas as faculdades
humanas, bastando o juízo racional para a elaboração de preceitos considerados verdadeiros. A razão
constitui o fundamento de todo o conhecimento possível (JAPIASSÚ; MARCONDES, 2006). São filiados a
essa doutrina, além de Descartes, Espinoza, Leibniz e Kant.
37
conhecimento verdadeiro. Podemos duvidar de tudo o que existe, mas ao
duvidar estamos fazendo uso da razão. No próprio ato de duvidar temos o
entendimento que estamos duvidando – e disso não podemos duvidar.

Assim, para o filósofo, existem verdades universais que somente podem


ser acessadas pelo uso eficiente da razão. Ele desenvolve uma teoria inatista do
conhecimento, defendendo que os conhecimentos já existiriam dentro de cada
um de nós, e pela razão, e apenas por meio dela, seria possível acessá-lo e
produzir, a partir dele, outros conhecimentos.

A dedução constitui o cerne do método cartesiano. Trata-se de uma forma


de raciocínio por meio da qual se chega a conclusões a partir de uma suposição
geral, de um princípio ou de uma proposição; parte-se de verdades

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estabelecidas para a análise dos fatos e fenômenos particulares, verificando sua
adequação à teoria, usando-os para comprová-la. Opera, pois, uma lógica
inversa ao indutivo: vai da lei geral para a particular, do todo para a parte, por
meio de análise.

Vejamos um exemplo (LAKATOS e MARCONI, 2004, p.63):

Todo mamífero tem um coração.

Ora, todos os cães são mamíferos.

Logo, todos os cães têm um coração.

Nos argumentos dedutivos pode-se perceber que as informações


constantes da conclusão já estavam, ainda que implicitamente, nas premissas
(SALMON apud LAKATOS e MARCONI, 2004, p.53-54). Para que a conclusão
fosse falsa, bastaria que uma das duas premissas fosse falsa: se nem todos os
cães fossem mamíferos, nem todos teriam um coração; se nem todos os
mamíferos tivessem um coração, não necessariamente todos os cães teriam um
coração.
38
O modelo cartesiano acabou por postar uma percepção dicotômica da
realidade, separando corpo e alma, sujeito de objeto de conhecimento,
instaurando no pensamento moderno a primazia da razão.

Síntese

O método dedutivo, na lógica inversa do indutivo, vai da lei


geral ou universal às partes. Seu procedimento se apoia na
razão refutando-se a importância das experiências

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sensoriais no acesso ao conhecimento. Trata-se de um
método analítico.

2.2.3 Método Hipotético-Dedutivo

Toda solução para um problema cria novos problemas não


solucionados.
Karl Popper

39
Do século XVII ao XIX, operou-se com uma ideia de que competiria à
ciência provar as verdades sobre o mundo, fosse pela vida da indução, fosse
pela via da dedução. Uma boa teoria científica seria capaz de provar
conclusivamente ser verdadeira. No século XX, Karl Raimund Pooper (1902-
1994) posta uma nova questão ao fazer científico: “o que constitui uma teoria
científica é que ela seja capaz de ser falsificada ou demonstrada como errônea
pela experiência” (BUCKINGHAM, 2011).

O filósofo austríaco defende a ideia de que toda intervenção experimental


altera a realidade que havia antes, trazendo novas questões e alterando as
condições ou realidade de um fenômeno. Caberia à ciência, e, portanto, ao
pesquisador, “descobrir problemas novos, mais profundos e mais gerais e

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sujeitar suas respostas sempre a testes provisórios, sempre renovados e sempre
mais rigorosos (POPPER apud LAKATOS; MARCONI, p. 73)

Para Popper, o único método de fato científico seria o hipotético-dedutivo,


pois permitiria, por meio de tentativas e erros, demonstrar seu grau de
falibilidade e falseamento. Segundo o filósofo, o conhecimento científico opera
por indução, ou seja, parte de observações particulares em direção a princípios
gerais. Observemos um exemplo:

Todo cisne que vejo é branco.


Todos os cisnes são brancos.

Diferentemente dos racionalistas, para o filósofo, esses princípios não


poderiam ser comprovados, mas refutados, pela observação, por exemplo, de
um cisne negro (BUCKINGHAM, 2011).

Analisa, Popper, que toda pesquisa principia com um “problema para o


qual se procura uma solução, por meio de tentativas (conjecturas, hipóteses,
teorias) e eliminação de erros” (LAKATOS; MARCONI, 2004, p.73). O papel da
metodologia de investigação, nesse sentido, seria de um instrumento de busca

40
aos problemas e detecção e eliminação de erros. Assim, toda teoria deve passar
pelo crivo da falseabilidade de modo a cercear as conclusões de possíveis
contradições ou lacunas que induzam ao erro nas conclusivas.

Popper destaca a importância da escolha de problemas: “eu tenho


tentado desenvolver a tese de que o método científico consiste na escolha de
problemas interessantes e na crítica de nossas permanentes tentativas
experimentais e provisórias de solucioná-los” (POPPER apud LAKATOS;
MARCONI, 2004, p.74).

O método hipotético-dedutivo prevê as seguintes etapas:

 expectativas ou conhecimento prévio

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 lacuna, contradição ou problema
 conjecturas, soluções ou hipóteses
 consequências falseáveis, enunciados deduzidos
 técnicas de falseabilidade
 testagem
 análise dos resultados
 avaliação das conjecturas, soluções ou hipóteses
 rejeição com retorno às hipóteses/ validação das hipóteses – nova teoria
 nova lacuna, contradição ou problema desdobrando-se novas pesquisas

41
Síntese

O método hipotético-dedutivo prevê um movimento de


análise e síntese, que visa, por meio de um procedimento
de tentativa e erro, passar o objeto de estudo e o próprio
método ao teste de falseamento, como atitude crítica de
investigação, refutando o caráter de objetividade
geralmente atribuído aos métodos científicos.

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2.2.4 Método Dialético

As ideias dominantes de cada época sempre foram as ideias


de sua classe dominante.
Karl Marx

A dialética moderna tem em Hegel, Marx e Engels seus nomes mais


proeminentes e entende a realidade não como um estado de coisas, mas como
um processo contínuo de mudança. Essa perspectiva contrapõe a ideia
instaurada pelo pensamento cartesiano de separação entre o sujeito e o objeto
do conhecimento. Aqui, é o sistema no seu conjunto que importa, mais do que o
individual (RUSSEL, 2015).

É atribuído a Karl Marx (1818-1883) o termo materialismo histórico o qual


prevê a dialética como método. Como afirma Pedro Demo (2005, p.12), “a

42
dialética considera a realidade intrinsecamente contraditória porque sua
dinâmica é tipicamente contrária”. Mais do que desvendar o mundo e seu
funcionamento, o materialismo dialético propõe uma transformação da realidade:

“Os filósofos não fizeram mais do que interpretar o mundo de diversas


maneiras; a verdadeira tarefa é transformá-lo” (MARX apud RUSSEL, 2015,
p.353).

A perspectiva dialética considera que todos os aspectos da realidade,


seja da natureza ou da sociedade, prendem-se por laços necessários e
recíprocos (ibidem), não podendo ser, portanto, analisados e investigados como
se determinado evento, fenômeno estivesse apartado do contexto e do ambiente
circundante, isoladamente.

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Vejamos um exemplo (POLITZER et alii apud LAKATOS; MARCONI,
2004):

Uma simples mola de metal não pode ser considerada à parte do universo que a
rodeia: ela foi produzida pelo homem com material extraído da natureza. Ainda
que em repouso, a mola não está independente do ambiente: sobre ela atuam o
calor, a oxidação, a gravidade etc. Tais condições podem alterar tanto a posição
quanto a natureza da mola (ferrugem). Imaginemos que um pedaço de chumbo
seja suspenso na mola: sobre ela será exercida uma força, distendendo-a até
seu ponto de resistência. Assim, o peso age sobre a mola que age sobre o peso.
Mola e peso formam um todo em que há interação e conexão recíproca.

A dialética, como procedimento de investigação científica, propõe como


etapas:

 Análise objetiva e crítica da realidade, para aprofundar o seu


conhecimento com vistas à transformação.

 Reflexão a respeito da relação sujeito e objeto, confrotando as variáveis e


sua contradições para chegar a uma síntese, uma vez que nada está
isolado, tudo é movimento e mudança, tudo depende de tudo.

43
Assim, constituem seus passos:

 Elaboração da tese – afirmação inicial

 Elaboração da antítese – oposição à tese

 Elaboração da síntese – do conflito resultante da análise da tese e da


antítese surge a síntese que, por sua vez, transforma-se em tese pra um
novo ciclo, com interposição de nova antítese, resultando em nova
síntese e assim por diante.

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Síntese

O método dialético considera que a realidade deve ser


analisada como um todo de partes interdependentes e
interpenetráveis. Traz como etapas a elaboração da tese,
da antítese e síntese.

2.2.5 Métodos Específicos das Ciências Sociais

São muitas as possibilidades metodológicas e vários são os tipos de


pesquisas investidos no campo das ciências sociais. Considerando os métodos
mais veiculados na literatura pedagógica, tomaremos por base aqui a
compilação feita por Lakatos e Marconi (2004), o que nos possibilitará vislumbrar
e inspirar algumas dessas possibilidades a partir do que se tem investido
metodologicamente:

44
Método histórico – esse método se ramifica em algumas abordagens,
dentre as quais destacaremos duas de maior relevância.

a. abordagem histórica clássica – Parte da noção de que as atuais


formas organização social, as instituições, os fenômenos sociais do
presente, encontram origem no passado. Tal investigação busca o
estabelecimento de relações causais ao longo de um período
histórico de modo a justificar e explicar a ocorrência do objeto
investigado.

b. abordagem genealógica. Refuta a ideia de origem, para pensar os


fenômenos do presente como produções contingenciais. Essa

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perspectiva investiga as condições de possibilidade em que, em
determinada contingência histórica, certo fenômeno, certa forma de
pensar, certa prática ou organização social se instituiu. Tal proposta
almeja evidenciar o caráter arbitrário, não natural das produções
sociais humanas, desnaturalizando sua ocorrência.

Método comparativo – considera-se aqui que o estudo das semelhanças


e diferenças entre diversos tipos de grupos, sociedades ou povos contribui para
uma melhor compreensão do comportamento humano, desdobrando-se uma
explicação dos fenômenos, pela dedução dos elementos constantes, abstratos,
gerais.

Método monográfico – consiste no estudo de determinados indivíduos,


instituições, grupos, com objetivo de extrair generalizações.

45
Método estatístico – consiste na redução de fenômenos sociológicos,
políticos, econômicos, educacionais etc. a termos quantitativos. Pelo manejo dos
dados estatísticos estabelece-se e busca-se a comprovação de relações dos
fenômenos entre si e a obtenção de generalizações sobre sua natureza,
ocorrência ou significado.

Método tipológico – esse procedimento metodológico foi o empregado


pelo sociólogo Max Weber (1864-1920). Por meio da classificação e comparação
de fenômenos, organizações etc. extrai-se uma tipologia qualitativa, criando-se

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tipos ou modelos ideais a partir dos aspectos do fenômeno considerados
essenciais pela análise do pesquisador.

Método funcionalista – trata-se mais de um método de interpretação.


Toma-se o objeto de estudo a partir da função de suas unidades, considerando-
se o fenômeno como parte de um sistema organizado de atividades.

Método estruturalista – Inaugurado por Lévi-Strauss, parte de um


fenômeno concreto para alcançar um nível abstrato, por meio da produção de
um modelo que represente o objeto do estudo, retornando, ao final, ao concreto,
tomando-se então como uma realidade estruturada e relacionada com a
experiência do sujeito social.

Para finalizar o módulo, cabe-nos citar uma importante reflexão de


Gaston Bachelard (1884- 1962) acerca do método:

46
A aplicação de um bom método de pesquisa é, no início, sempre
fecunda. (...) Cada método é destinado a cair em desuso e a
caducar. a metodologia científica é obrigada a seguir a ciência em
sua evolução e seus progressos. Cristalizar a metodologia numa
forma fixa equivale a comprometer o futuro e a paralisar o espírito
de iniciativa (2004, p.65).

Acompanhando essa reflexão do filósofo e poeta francês, destacamos que a


metodologia constitui um caminho. O que definirá esse caminho é uma
inquietação daquele que pesquisa, o objeto e a abordagem teórica que irá
eleger. Aqui, advertências são cabíveis quanto aos cuidados e a
responsabilidade daquele que pesquisa: é preciso ter em mente que, como

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mencionado no módulo 1, a ciência não é neutra – seus resultados produzem
efeitos.

Síntese

Conforme anunciamos no início do módulo, a questão do


método num processo investigativo é fundamental e sua
escolha não deve ser aleatória. Um método se coloca a
serviço de uma pergunta, de um objeto de investigação –
nem todos os caminhos levam a Roma!

47
Considerações Finais

No módulo 2, “Métodos Científicos”, percorremos os principais métodos de


pesquisa científica e destacamos suas características e caminhos, situando, ainda e
brevemente, a contextualização histórica de seus surgimentos.

Vimos que duas formas de raciocínio originaram dois métodos de investigação


científica já no início da Modernidade: o indutivo (que vai do particular ao geral –
síntese) e o dedutivo (que parte da lei geral para a parte – análise). Ambos
preconizavam, ainda que por via inversa, o estabelecimento de leis gerais, de verdades
universais. Vimos, ainda, o método hipotético-dedutivo e o dialético, e, ao final, alguns

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métodos específicos das ciências sociais, dentre os quais o método histórico, o
tipológico, funcionalista e o estruturalista.

Esperamos que esse breve percurso lhe tenha ajudado a identificar os


pressupostos de uma metodologia científica e a vislumbrar possibilidades
metodológicas em seu caminho de pesquisa.

Advertimos que nenhum método está isento de críticas ou de ser posto à prova a
qualquer momento, bem como o resultado de uma pesquisa qualquer. A pesquisa é
uma aventura do pensamento e seus caminhos são traçados tendo em vista um
problema que se mira enfrentar com as ferramentas metodológicas e teóricas e que
possam colocar em xeque primados anteriormente estabelecidos ou lançar novas
perguntas para o próprio objeto de pesquisa.

Na sequência adentraremos a normatização e aspectos formais da escrita


acadêmica – o jogo da pesquisa e suas regras. Por ora, dê prosseguimento a seus
estudos no tema do módulo pela indicação de leitura suplementar e consulte a
indicação bibliográfica.

Não se esqueça de participar do fórum de debate e responder as questões ao


final. Até o próximo!!

48
Módulo 3 – A ORGANIZAÇÃO DOS ESTUDOS NA UNIVERSIDADE

Patrícia Helena Ferreira

Técnicas em Pesquisa e Construção de Textos Científicos.


Módulo 3 – A organização dos estudos na Universidade -
Faculdade Campos Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 3 – A organização dos estudos

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


na Universidade.
1. Universidade 2. Documentação 3. Metodologia da
Pesquisa

Faculdade Campos Elíseos

49
Conversa Inicial

Caro(a) aluno(a),

Chegamos ao terceiro módulo da Disciplina Técnicas em Pesquisa e


Construção de Textos Científicos. Neste módulo, “A organização dos estudos
na Universidade”, discutiremos sobre o papel das universidades na formação do

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


indivíduo, fazendo um breve recuo na história das universidades. Após essa
breve introdução adentraremos na discussão dos principais instrumentos de
estudo que o aluno deve se valer na sua passagem acadêmica. Destacaremos
a importância da documentação como método de estudo pessoal, enfatizando a
documentação temática, a documentação bibliográfica e a documentação geral.
Por fim, conheceremos algumas diretrizes para leitura, análise e estudo de
textos na universidade, a partir da contribuição de pesquisadores como Severino
e Marconi e Lakatos, dando ênfase às análises textual, temática e interpretativa,
para podermos chegar à problematização dos textos estudados.

Desejamos ótimos encontros nesse percurso!

50
3.1 A Universidade e seus instrumentos de trabalho

Para início de conversa....

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


A universidade existe para produzir conhecimento, gerar pensamento crítico,
organizar e articular os saberes, formar cidadãos, profissionais e lideranças
intelectuais. O desempenho dessas nobres e decisivas funções, porém, não é
algo que se resolva no plano abstrato. Do mesmo modo que as demais
instituições, a universidade está sempre historicamente determinada. Pode
funcionar bem ou mal, cumprir com maior ou menor efetividade suas atribuições,
ser mais ou menos admirada e respeitada. Ela não é perfeita nem inquestionável.
Não está acima da sociedade nem desconectada dela. As próprias circunstâncias
internas da instituição - seu corpo docente, sua estrutura administrativa, seus
dirigentes, estatutos e tradições - incidem sobre sua imagem e seu desempenho.
Em certa medida, cada época, cada sociedade e cada Estado têm a universidade
que podem ter, por mais que a instituição universitária, por sua própria natureza,
tenha luz própria e possa, justamente por isso, operar com alguma liberdade em
relação às circunstâncias histórico-sociais que lhe estão na base. Não se trata de
dependência ou limitação, mas de determinação.

Marco Aurélio Nogueira

51
No Brasil do século XXI assistimos à expansão do ensino superior. Essa
expansão, em dados numéricos, superou em muito qualquer outro índice já
atingido anteriormente. Se tal expansão, em termos quantitativos, pode
representar um aumento do nível de escolaridade da população, em termos
qualitativos, traz em seu bojo a discussão da função da universidade e o papel
do estudante do ensino superior.

Nossa intenção, no presente módulo, não é fazermos uma discussão das


atuais condições da universidade na sociedade atual, mas sim, ao nos
depararmos com a especificidade de tal instituição, oferecermos alguns
instrumentos importantes para o prosseguimento na vida acadêmica. Para tal,

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


iniciaremos com uma rápida abordagem histórica do ensino Universitário.

A palavra universidade origina-se do latim Universitas. Ela está


relacionada à própria noção de universalidade, companhia, corporação, colégio,
associação. Historicamente, o vocábulo advém do século XIV, porém a ideia de
Universidade aparece desde o século IV A.C., na Grécia, por meio da
Academia de Platão, a qual buscava o conhecimento e a especulação
desinteressada e indagadora (SILVA; DAVEL, 2005).

Na Idade Média a universidade desenvolveu muitas de suas


características que prevalecem até hoje: um nome e uma localização central,
mestres com nível de autonomia, estudantes, sistema baseado em aulas,
procedimentos avaliativos e até uma estrutura administrativa com suas
faculdades. Não podemos nos esquecer, porém, que em tal momento esses
espaços tinham natureza confessional e voltavam-se a atender as necessidades
do feudalismo (BARROS; LEHFELD, 2000).

Mais tarde, com o Renascimento científico e cultural, as universidades


desviam do seu foco o ensino confessional e começam a ser guiadas pela
pesquisa empírica.

52
Com a implementação da pesquisa ou da investigação científica
na França, Inglaterra, Alemanha, as universidades vão se
reestruturando através de respostas substanciais às reformas
solicitadas para o desenvolvimento, ora mais utilitário, através do
paradigma epistemológico da racionalidade e do
experimentalismo, ora voltado para o conhecimento das
questões socioeconômicas da sociedade, como forma de
superação de seus problemas (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 8).

No Brasil, as primeiras instituições de ensino superior foram criadas a


partir da vinda da família real portuguesa e sua corte, no início do século XIX. A
expansão das Universidades deu-se, porém, a partir da segunda metade do

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


século XX, culminando com a publicação da Lei 5.540, de 28 de novembro de
1968, a qual fixava normas de organização e funcionamento do ensino superior
e sua articulação com a escola média. Tal lei conferiu ao ensino superior no
Brasil uma organicidade nunca vista anteriormente. A lei da reforma
universitária, como tal dispositivo foi chamado, foi modificada quando da
promulgação da atual Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.

A Lei Federal número 9.394, de 20 de dezembro de 1996, destaca, dentre


as principais finalidades do ensino superior, as que seguem abaixo:

I - estimular a criação cultural e o desenvolvimento do espírito


científico e do pensamento reflexivo;

II - formar diplomados nas diferentes áreas de conhecimento,


aptos para a inserção em setores profissionais e para a
participação no desenvolvimento da sociedade brasileira, e
colaborar na sua formação contínua;

III - incentivar o trabalho de pesquisa e investigação científica,


visando o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e da
criação e difusão da cultura, e, desse modo, desenvolver o
entendimento do homem e do meio em que vive;

53
IV - promover a divulgação de conhecimentos culturais,
científicos e técnicos que constituem patrimônio da humanidade
e comunicar o saber através do ensino, de publicações ou de
outras formas de comunicação;

V - suscitar o desejo permanente de aperfeiçoamento cultural e


profissional e possibilitar a correspondente concretização,
integrando os conhecimentos que vão sendo adquiridos numa
estrutura intelectual sistematizadora do conhecimento de cada
geração;

VI - estimular o conhecimento dos problemas do mundo


presente, em particular os nacionais e regionais, prestar serviços
especializados à comunidade e estabelecer com esta uma
relação de reciprocidade;

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


VII - promover a extensão, aberta à participação da população,
visando à difusão das conquistas e benefícios resultantes da
criação cultural e da pesquisa científica e tecnológica geradas na
instituição.

VIII - atuar em favor da universalização e do aprimoramento da


educação básica, mediante a formação e a capacitação de
profissionais, a realização de pesquisas pedagógicas e o
desenvolvimento de atividades de extensão que aproximem os
dois níveis escolares (BRASIL, 1996).

Se nos voltarmos à ideia de ensino superior como um espaço de estudo,


criação expansão do ensino científico, tal fórum deve estar alicerçado no
exercício de pensamento crítico e endereçado à pesquisa como um todo. Para
tal, exige do aluno mudança na sua postura de estudante, baseada
principalmente numa “maior autonomia para efetivação da aprendizagem, maior
independência em relação aos subsídios da estrutura do ensino e dos recursos
institucionais” (SEVERINO, 2002, p.23). O aluno deverá, então, tomado de tal
espírito, utilizar-se de diversos instrumentos de trabalho com o fim de organizar
sua vida de estudos.

54
Antes de adentrar às atividades práticas, de laboratório ou de campo, é
necessário que o aluno obtenha embasamento teórico da área de estudo que
escolheu para sua formação. Tal embasamento não poderá ser feito somente
nas aulas presenciais, nem também com a simples leitura das apostilas da
Educação à Distância – EAD. Segundo Antônio Joaquim Severino (2002) os
instrumentos de trabalho na universidade são principalmente bibliográficos,
podendo ser destacados:

 Obras de referência geral – textos básicos para estudo de sua área


específica: um dicionário da área, um texto introdutório à área, algum
texto de história da área, um tratado mais amplo, revistas especializadas
e até mesmo algumas monografias. Tais textos têm a função de iniciar o

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


aluno no estudo de sua área, fornecer um vocabulário básico e os
principais conceitos da área, além de complementar as aulas presenciais;
 Textos especializados – à medida que o aluno adquire o conhecimento
básico da sua área, buscará textos mais específicos, estudos
monográficos e continuará buscando informações nas revistas
especializadas. As revistas publicam as pesquisas recentes da área e
tornam públicos os repertórios bibliográficos da sua ciência e das
ciências afins;
 Participação em simpósios, congressos, seminários – tais eventos
são espaços de socialização das pesquisas da área e são fonte de
material para publicação das revistas e periódicos especializados. O
aluno pode inicialmente participar como ouvinte e posteriormente já iniciar
a publicização de sua pesquisa.
 Recursos tecnológicos gerados pela tecnologia educacional – as
próprias revistas e periódicos estão, em sua grande maioria,
disponibilizados em meio digital, o que facilita a consulta do aluno.
Existem alguns sites que reúnem publicações importantes decorrentes
das pesquisas acadêmicas, dentre os quais podemos citar:

55
i. Scielo – Scientific Eletronic Library Online: Coleção de revistas e
artigos científicos. Possui uma grande variedade de temas
relacionados à filosofia, com artigos completos disponíveis para
download. www.scielo.org/
ii. Portal de Periódicos da CAPES: oferece acesso aos textos
completos de artigos selecionados de mais de 21.500 revistas
internacionais, nacionais e estrangeiras.
www.periodicos.capes.gov.br/

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Síntese

O vocábulo universidade provém do latim universitas e, atualmente, podemos


relacioná-lo a uma associação de docentes e alunos que objetiva fomentar o ensino, a
pesquisa e a formação profissional.

No ensino superior o aluno deve munir-se de vários instrumentos para se apropriar da


metodologia de trabalho própria dessa etapa da educação, dentre eles: obras de
referência geral, revistas especializadas, periódicos, participação em congressos e
outros eventos e sites especializados da internet.

56
3.2 A documentação como método de estudo pessoal

Sou um visual. O que na memória trago, trago-o visualmente, se susceptível é de

assim ser trazido. Mesmo ao querer evocar em mim uma qualquer voz, um perfume

qualquer, não evito que antes que ela ou ele me vislumbre no horizonte do espírito,

me apareça à visão rememorativa a pessoa que fala, a coisa donde o perfume

partiu. Não dou isto por absolutamente certo; pode ser que, radicada em mim de

vez a persuasão de que sou um visual, no lugar final do sofisma que é a escuridão

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


íntima do ser me fosse desde então impossível evitar que a ideia de que sou um

visual não levantasse imediatamente uma imagem falsamente inspiradora. Seja

como for, o menos que sou, é um visual predominantemente. Vejo, e vendo, vivo.

Fernando Pessoa

Após qualquer atividade de aula ou de leitura de material bibliográfico é


necessário que o aluno do ensino superior passe a uma fase muito importante
da vida acadêmica: a documentação. Muitos se perguntam sobre a necessidade
de documentar o processo de estudos, que vai desde a simples documentação
das aulas até a sistematização de livros, artigos e outros textos referentes às
disciplinas que fazem parte do currículo da área.

O processo de documentar reúne fontes de informação diversas,


anotações pessoais e registros impressos e digitais que podem contribuir para o
aprimoramento da vida acadêmica. O processo de produzir fichas, anotações,
resumos, em diversos meios (fichas de cartolina, folhas organizadas em pastas,
arquivos virtuais etc) contribui para aprimorar a disciplina de estudos e formar
um arquivo intelectual precioso para vida estudantil.
57
Não se trata de decorar, memorizar e sim de proceder a um processo de
estudos que leve o aluno ao exercício da reflexão e pesquisa, por meio da
análise, comparação e exercício da escrita sistemática de anotações. A memória
visual, tal como descrita por Fernando Pessoa, ajuda o estudante/pesquisador

Vale lembrarmos que estudar, na universidade é um ato “consciente e


volitivo determinado” (BARROS; LEHFELD, 2000, p. 16). Há, nesse processo,
uma passagem gradativa de conceitos frouxos para um quadro de elaboração e
de formulação de juízos sistematizados, que auxilia o aluno na construção da
sua vida acadêmica e nos seus encaminhamentos profissionais posteriores.

Antônio Joaquim Severino nos lembra que o ato de sistematizar nossos


estudos envolve alguns passos importantes, como a própria participação em

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


aula e o estudo em casa (o qual envolve a reorganização da matéria estudada e
a elaboração de fichamentos, relatórios e exercícios). Abaixo o fluxograma da
vida de estudos indicado pelo autor:

(SEVERINO, 2002, p. 31)

58
Diante do fluxograma descrito acima, o qual envolve várias fases do
processo de estudo e da nossa vida enquanto estudantes de graduação/pós-
graduação, podemos nos fazer algumas perguntas:

- Quais foram as suas decisões, tomadas em prol de um ato de estudar voltado


para a efetiva aprendizagem?

- Quais elementos contribuíram para uma melhor organização de estudos?

- Como sua rotina de estudos está organizada? Tal rotina inclui momentos para
a documentação das aulas e das fontes bibliográficas?

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Se a resposta à terceira questão não inclui momentos para documentação
do material de aula e do acervo bibliográfico, a primeira recomendação é que se
dê, de imiediato, o início de tal procedimento.

O fichamento, técnica que se iniciou com a prática de registros em fichas


de cartolina e evoluiu até os mais sofisticados meios digitais, é uma ferramenta
muito importante para todo aluno e pesquisador. Tal documento condensa
informações do autor, indicações bibliográficas, citações diretas e indiretas, além
de comentários pessoais que facilitam a organização pessoal e o encadeamento
de ideias. Há várias formas de documentar, de acordo com regras estabelecidas
por cada autor. Escolhemos apresentar neste material os tipos de documentação
apresentados por Antônio Joaquim Severino, em seu livro Metodologia do
Trabalho Científico (SEVERINO, 2002):

59
3.2.1 A documentação temática: o encontro com o pano de fundo

Tal como próprio nome já designa, a documentação temática tem como


objetivo reunir elementos importantes para o estudo em geral ou para a
realização de um trabalho sob um tema específico da área de trabalho escolhida
pelo estudante.

Os temas podem ainda ser divididos em subtemas, conforme a


complexificação ou extensão do mesmo. Toda reunião de material deve ser feita

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


a partir desse tema e as fontes podem ser diversas: informações das aulas,
artigos científicos, livros, periódicos, dicionários, participação em congressos etc.

60
Exemplo de ficha de documentação temática

SOCIOLOGIA
Conceituação

Segundo o dicionário eletrônico Aurélio, a sociologia é o “estudo científico


das sociedades humanas e dos fatos sociais”.
https://dicionariodoaurelio.com/sociologia

Para Durkheim, “ela [a Sociologia] tem um objeto claramente definido e um


método para estudá-lo. O objeto são os fatos sociais; o método e a observação e

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


a experimentação indireta, em outros termos, o método comparativo. O que falta
atualmente é traçar os quadros gerais da ciência e assinalar suas divisões
essenciais. (...) Uma ciência não se constitui verdadeiramente senão quando é
dividida e subdividida, quando compreende um certo número de problemas
diferentes e solidários entre si” “
DURKHEIM, 1953, p. 100

“Weber compreendeu a possibilidade de uma sociologia que, mediante


rigorosos estudos históricos e comparativos, lograsse separar as fronteiras entre
as situações históricas e fenômenos específicos, e por meio da identificação das
forças causais relevantes extraísse conclusões sobre as circunstâncias em que
ocorre a mudança social, o desenvolvimento da ação orientada a valores e a
formação do sentido subjetivo”
KALBERG, 2010, p. 27

Dentre os vários ramos da sociologia podemos destacar a sociologia da


religião, a sociologia da educação, a sociologia do trabalho e a sociologia do
direito (anotações em classe).

61
3.2.2 A documentação bibliográfica: o encontro com o arquivo

De posse das informações sobre o tema a ser estudado, há a


necessidade de complementação do estudo da questão, explorando referências
bibliográficas que aprofundem o tratamento do tema. É o momento de recorrer
aos livros, aos artigos e às monografias que discorrem sobre o tema.

Para Severino (2002) a documentação bibliográfica deve ser feita


paulatinamente e iniciar com uma leitura um pouco mais superficial do texto
(sumário, orelhas, introdução, prefácio, considerações finais). Cabe também

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


procurar em revistas especializadas as resenhas e resumos sobre o livro. Após
esse primeiro contato, caberá uma leitura mais aprofundada do texto.

Cabe ainda lembrar que não é necessário complementar as informações


da ficha bibliográfica de uma só vez, podendo ser acrescentados elementos à
medida que novas leituras forem feitas e novas informações forem apreendidas.

Para facilitar a visualização é necessário que sigamos alguns


procedimentos de organização, como, por exemplo, definir no alto, à esquerda, a
citação bibliográfica completa do texto e à direita o tema e eventuais subtítulos.

Com intuito de exemplificar tal tipo de documentação apresentaremos um


tipo possível de ficha bibliográfica.

62
Exemplo de Ficha de Documentação Bibliográfica

SOCIOLOGIA

DURKHEIM, Emile.
As regras do Método Sociológico
São Paulo, Martins Fontes, 3. Ed., 2007, 165 p.

O livro, publicado inicialmente em 1895, teve duas novas edições com algumas
alterações. A estrutura do livro está assim delineada:
Prefácio
Introdução

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


I. O que é um fato social?
II. Regras relativas à observação dos fatos sociais
III. Regras relativas à distinção entre normal e patológico
IV. Regras relativas à constituição dos tipos sociais
V. Regras relativas à explicação dos fatos sociais
VI. Regras relativas à administração da prova
Conclusão
Notas

“O objetivo de Durkheim é demonstrar que pode e deve existir uma sociologia


objetiva e científica, tendo por objeto o fato social. Para que haja tal sociologia, duas
coisas são necessárias: que seu objeto seja específico, distinguindo-se do objeto
das outras ciências, e que possa ser observado e explicado de modo semelhante ao
que acontece com os fatos observados pelas outras ciências. Esta dupla exigência
leva às duas fórmulas que servem de fundamento para a metodologia de
Durkheim: é preciso considerar os fatos sociais como coisas; a característica
do fato social é que ele exerce uma coerção sobre os indivíduos”
http://resumodaobra.com/raymond-aron-emile-durkheim-geracao-passagem-seculo-
regras-metodo-sociologico/

63
3.2.3 A documentação geral: o encontro com a memória

A documentação geral, segundo Severino (2002) é aquela que provém de


fontes perecíveis (recortes de jornais, cópias de revistas, apostilas, documentos
pessoais etc) cuja fonte não foi meio de digitalização à época.
Os documentos acima descritos podem ser arquivados em pastas e até
mesmos digitalizados, formando um material que poderá ser utilizado pelo
estudante à medida que as questões de sua pesquisa forem surgindo, sendo
importante fonte de dados para a mesma.

Exemplos de Documentação geral

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Jornal Correio de São Paulo, 16 de junho de 1932.
http://www.redebrasilatual.com.br/cidadania/2012/09/jornais-e-revistas-antigos-sao-digitalizados-
pela-biblioteca-nacional

Carta do Beatle, Paul McCartner, escrita em 1962.


http://www.thebeatles.com.br/new/carta-de-paul-mccartney-foi-vendida-por-97-mil/
64
Síntese

O processo de documentar reúne fontes de informação diversas, anotações


pessoais e registros impressos e digitais que podem contribuir para o
aprimoramento da vida acadêmica, para a disciplina de estudos e para
formar um arquivo intelectual precioso para vida estudantil.

Dentre os vários tipos de documentação podemos citar a classificação de


Antônio Joaquim Severino, a saber: a documentação temática, a
documentação bibliográfica e a documentação geral.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


3.3 Diretrizes para leitura, estudo, análise e interpretação de
textos

Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o


escreveu. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do
conhecimento. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras
dimensões do conhecimento. Estudar é uma forma de uma forma de
reinventar, de recriar, de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. Desta
maneira, não é possível a quem estuda, numa tal perspectiva, alienar-se ao
texto, renunciando assim à sua atitude crítica em face dele.

Paulo Freire

65
Paulo Freire, importante educador brasileiro, em seus vários escritos,
denunciava a importância dos atos de ler e de estudar como correlatos de um
processo de formação de um indivíduo crítico e reflexivo. Não podemos deixar
de considerar, então, na especificidade da disciplina Metodologia Científica,
algumas questões acerca do ler e do estudar, coadunadas com o objetivo de
inserir o aluno no domínio da pesquisa e da ciência.

De acordo com Barros e Lehfeld (2000) o estudo pós-aula é benéfico


porque pode levar o aluno a compreender detalhes da mesma, memorizar
conceitos imprescindíveis à disciplina, complementar o conteúdo das aulas com
leituras afins, conhecer novas terminologias e o vocabulário afeito à disciplina e
proceder a análises gerais e temáticas a partir dos estudos feitos.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


O estudo está intimamente relacionado à leitura. A leitura é a porta de
entrada para o estudo. O ato de ler envolve conhecimento, interpretação e
escolhas e constitui-se como “um dos fatores decisivos do estudo e
imprescindível em qualquer tipo de investigação científica. Favorece a obtenção
de informações já existentes, poupando o trabalho da pesquisa de campo ou
experimental” (MARCONI; LAKATOS, 2001, p. 15).

Para as referidas autoras há três espécies de leitura, segundo suas


finalidades:

a. A leitura de Entretenimento ou Distração – sem nenhuma destinação


de sistematização, a não ser o próprio prazer do ato de ler;
b. A leitura de Cultura Geral ou Informativa – tem como objetivo fazer
uma apreensão mais panorâmica do mundo, mas sem grandes
aprofundamentos;
c. A leitura de Aproveitamento ou Formativa – é aquela que se destina a
aprofundar determinada questão e vai exigir do leitor concentração e
atenção. Este tipo de leitura é o que será base para construção de
análises dos textos dos cursos de graduação e pós-graduação.

66
Antes de procedermos à leitura e estudo de qualquer obra é necessário
que façamos a identificação da mesma, a qual consiste na leitura básica do
título, da data de publicação (incluindo suas edições e reimpressões), da ficha
catalográfica (a qual reúne as informações básicas do livro e do autor), da orelha
e da contracapa (para que possamos ter uma primeira apreciação da obra), do
índice ou sumário, da introdução ou prefácio e da bibliografia. Este contato inicial
nos apresenta a obra e seu contexto geral.

Faz-se necessário, posteriormente, no caso de uma leitura formativa,


procedermos a uma delimitação da unidade de leitura, ou setor de determinado
texto escolhido para leitura que configure uma totalidade de sentido
(SEVERINO, 2002). Ao término de cada unidade o leitor terá a possibilidade de

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


retomá-la e fazer as considerações gerais e específicas. Não é recomendável a
leitura de um livro inteiro sem delimitar os tópicos principais, pois a leitura por
etapas é muito mais proveitosa.

Por fim, não podemos deixar de considerar que toda leitura envolve três
elementos: o emissor (aquele que escreve, emite a mensagem), a mensagem
(o texto em si) e o receptor (o leitor, o qual terá a tarefa de ler, decodificar e
compreender a mensagem). Complementando, podemos falar ainda do código,
ou linguagem e dos canais de comunicação. Neste processo há a
interferência de vários fatores que poderão contribuir para facilitação ou
dificultação do entendimento da mensagem, fatores esses que podem estar
localizados no próprio emissor e no seu processo de construção da mensagem,
quanto no receptor e seu contexto sociocultural. Tal advertência reafirma a
necessidade de organização de procedimentos básicos de análise com objetivo
de evitar distorções e garantir maior objetividade à leitura e à análise.

67
O Processo de Comunicação:

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Fonte: https://sites.google.com/site/revolucaodosmeiosdecomunicacao/o-processo-de-
comunicacao

3.3.1 Análise textual

A análise textual é, segundo Severino (2002), a primeira abordagem do


texto com vistas à preparação da leitura. No início, faz-se uma leitura “seguida e
completa da unidade do texto em estudo” (SEVERINO, 2002, p.51). Essa leitura
não tem como objetivo esgotar toda análise do texto, mas sim ter uma visão
panorâmica do mesmo.

Neste momento deverão ser feitos alguns esclarecimentos em relação:

a. Ao autor – resumo de sua vida, obra e pensamento, detendo-se mais ao


último;
b. Ao vocabulário – iniciar um levantamento dos conceitos fundamentais do
texto e fazer uma sistematização dos mesmos;
c. Aos fatos históricos, doutrinas e outros autores – realizar pesquisa
sobre todos esses itens, de modo a clarificar a compreensão do texto.
68
A análise textual tem vital importância para se ter um conhecimento amplo
e prévio do texto e pode ser encerrada com a elaboração de um esquema do
mesmo.

O esquema permite uma visualização global do texto e ainda é uma


tentativa de sistematização mais simplificada do mesmo. Ele pode ser dividido
em três momentos: introdução, desenvolvimento e conclusão. Segundo Barros
e Lehfeld, o esquema pode “ser expresso através de ideias centrais do texto; é a
representação gráfica do que se leu” (2000, p. 22). Ainda, possui como
características a fidelidade ao texto original, a estrutura lógica e a flexibilidade e
funcionalidade.

Exemplo de esquema:

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


A ciberdependência

I – Introdução:

1. Tema: a ciberdependência;
2. Uma realidade social que pode tornar-se preocupante.

II – Desenvolvimento:

1. Comparação do uso da web a uma doença ou vício;


2. Público mais influenciável;
3. Aspectos positivos e negativos do uso da web.

III – Conclusão:

1. Retomada do Tema;
2. Considerações acerca da importância da leitura.

Adaptado de http://slideplayer.com.br/slide/2900259/

69
3.3.2 Análise temática

Nesta fase o leitor passará à compreensão da mensagem do autor, sem


intervir no conteúdo da sua mensagem. Para isso, o estudante ficará atento aos
seguintes tópicos:

a. O tema – o qual não está expresso necessariamente no título da obra. É


preciso ir mais além para inferir sobre o tema do texto, tentando captar as
diversas relações que o autor faz entre os diferentes elementos;
b. A problematização do tema – qual foi a questão que provocou o autor?
Como o assunto foi problematizado?;

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


c. A tese – qual é a ideia central que o autor quis defender com a escrita do
texto? Essa tese pode ser apresentada logo no início do texto ou pode
estar diluída nos capítulos/incisos. É importante notar, neste momento, o
raciocínio do autor no desenvolvimento do problema;
d. As ideias secundárias – que podem ser consideradas subtemas ou
subteses do texto. Isso ocorre em textos mais longos.

A análise temática dá condições para que o aluno realize o resumo ou a


síntese do texto. Este resumo deverá demonstrar como foi a construção do
raciocínio do autor na elaboração do texto. Para Barros e Lehfeld (2000), o
resumo é a condensação das ideias principais do texto, com coerência à
mensagem do autor. O resumo compõe-se das seguintes fases:

 Leitura atenta do texto;


 Levantamento da ideia-chave de cada parágrafo;
 Ordenação das ideias dos parágrafos em geral, num encadeamento
lógico;
 Escrita da síntese em que conte as ideias principais do texto;
 Retomada da escrita, para confronto com as ideias do autor;

70
 Escrita final, respeitando as ideias do autor, mas utilizando de linguagem
própria.
Por fim, a análise temática permite a elaboração de roteiros de leitura e de
organogramas (descrição geometrizada do raciocínio).

Exemplo de uma possível formatação para um


organograma

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Fonte: http://www.miniwebcursos.com.br/curso_aprender/modulos/aula_3/sintetizar.html

3.3.3 Análise interpretativa

A interpretação é a fase que decorre das duas primeiras análises, pois,


neste momento, após a compreensão das ideias do autor, o estudante toma uma
posição pessoal a respeito do texto e inicia um diálogo com o mesmo. Neste
momento devem ser observadas algumas etapas (SEVERINO, 2002):

a. Delimitação do pensamento desenvolvido pelo autor;


b. Delimitação do pensamento do autor no contexto mais amplo da cultura
epistêmica geral – quais são suas posições diante das várias orientações
existentes;
c. Delimitação dos pressupostos do texto – princípios que justificam a
posição assumida pelo autor;
d. Aproximação e associação das ideias expostas no texto com outras ideias
semelhantes;
e. Crítica – formulação de um juízo crítico, ou seja, de uma tomada de
posição. Dessa forma, o texto pode ser analisado:
71
i. Do ponto de vista da sua coerência interna;
ii. Do ponto de vista da sua originalidade, alcance, validade e
contribuição.

3.3.4 Problematização

A problematização tem por objetivo o levantamento de problemas para


discussão, a qual pode ser feita individualmente ou em grupo. A mesma pode
ser feita nos mesmos níveis citados anteriormente:

 A problematização textual;
 A problematização temática;

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


 A problematização interpretativa;

É importante distinguirmos essa fase de problematização do texto, a qual


será feita pelo leitor, a partir da análise sistemática do mesmo, da análise do
problema do texto (estabelecido pelo autor), feita na análise temática. A
problematização aqui aludida diz respeito às questões gerais que o texto gerou
nos leitores, isto é, é a crítica fundamentada do leitor para com os argumentos
do autor.

3.3.5 Síntese pessoal

A síntese pessoal é a finalização de todo processo de análise textual. É o


momento em que o aluno elabora uma redação final que dê conta de todas as
análises feitas até então. Segundo Marconi e Lakatos (2001, p. 29), a síntese é
uma operação mental que “permite conhecer as relações determinantes da
unidade do objeto em estudo, dando-lhe um sentido global”.

72
Síntese

Analisar significa estudar, decompor, dissecar, interpretar e criticar. Consiste no


estudo extenso de uma obra ou de parte dela, para tentar captar o todo e suas partes
constitutivas. O seu fim conduz a uma visão crítica e coerente das ideias do autor e
num exercício de síntese e disciplina intelectual do leitor.

Para Severino (2000) existe a possibilidade de fazermos uma análise de uma obra
sob os pontos de vista: textual, temático e interpretativo. Ainda, é necessário proceder

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


à problematização e à síntese pessoal.

3.4 Considerações finais

Chegamos ao fim do Módulo 3, “A organização dos estudos na


Universidade”. Neste segmento aprofundamos nossa conversa dos módulos
anteriores, trazendo à baila a questão do papel da universidade e da importância
do estudo como balizador da vida acadêmica. Neste módulo também
conhecemos algumas formas de documentar e de proceder à análise de textos
acadêmicos.

Lembramos que a consulta às referências bibliográficas e as indicações


de leitura complementam toda discussão aqui apresentadas.

Por fim, para socializarmos algumas ideias e partilharmos dúvidas e


inquietações conversaremos por meio do nosso fórum e lançaremos algumas
questões para verificação da sua aprendizagem.

Fique ligado!!!
73
MÓDULO 4 - Redação e apresentação do trabalho científico

Cláudia Ribeiro Calixto

Técnicas em Pesquisa e Construção de Textos Científicos.


Módulo 4 – A Pesquisa Científica – Faculdade Campos
Elíseos (FCE) – São Paulo – 2016.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Guia de Estudos – Módulo 4 – A Pesquisa Científica.
1. Metodologia. 2. Métodos Científicos. 3. Pesquisa.

Faculdade Campos Elíseos

74
Retomando a conversa

Caro (a) aluno (a),

Nos módulos anteriores vimos os tipos de conhecimentos, métodos científicos


de investigação, técnicas de pesquisa e construção de textos científicos. A essa
altura do nosso estudo, nos deparamos com questões que remetem ao nosso
exercício direto de pesquisa, tais como: Que tema será investigado? Qual o

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


objeto e o problema da pesquisa? Como e onde serão coletados os dados? Que
tipo de dados? Que tipos de fontes serão explorados? Quais autores e teorias
servirão de arcabouço teórico? Que métodos serão escolhidos? Chegou o
momento, então, de adentrarmos a estruturação de um projeto de pesquisa. Pois
bem, neste módulo, A pesquisa científica, trataremos do desenvolvimento do
projeto. Inicialmente, disporemos os conceitos e tipologia que são apontados na
literatura sobre projetos de pesquisa. Destacaremos as dimensões éticas que
implicam a escolha e o caminho da pesquisa, a questão da “neutralidade”, a
relevância e função social de um estudo. Veremos os tópicos relevantes, a forma
de estruturação de um projeto, algumas possibilidades de caminhos de
investigação. Destacaremos os itens que devem conter um projeto,
procedimentos possíveis e algumas precauções. Percorreremos as etapas de
uma pesquisa: definição do tema e objeto/problema, justificativa, objetivos,
levantamento bibliográfico, metodologia, coleta e apresentação de dados,
análise e conclusão. Esperamos que ao final você possa visualizar um passo a
passo possível para pensar começar a estruturar seu projeto.

Bom estudo!

75
4.1 A pesquisa

4.1.1 Conceitos

A pesquisa constitui uma procura, fruto de uma inquietação, de um


incômodo, de uma dúvida; é uma vontade e um trabalho laborioso, tão
apreensível por outrem quanto passível de ser questionável a qualquer tempo.
Assim, podemos dizer que é aventura e risco.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Questionar é desejar saber uma coisa.

Roland Barthes

Para viabilizar uma pesquisa é preciso cadenciar o pensamento, garantir


um caminho lógico e sistematizado. É preciso, então, escolher uma metodologia.

A palavra método vem do grego e significa caminho; o verbete lógica


também de origem grega, estudo. Ainda no campo da etimologia, o termo
pesquisa é empregado já no século XVI e se refere à “busca com investigação”
(CUNHA, 2010, p.493) e o verbo investigar significa “seguir os vestígios de,
indagar, pesquisar” (p.364). Eis, então, uma tarefa fundamental que nos
colocamos na pós-graduação: aventurarmo-nos em um trabalho de investigação.
76
Uma pesquisa não é uma reposição de conhecimentos já disponíveis ou
presumidos de antemão. Como conceitua Pedro Demo (2005), constitui um
procedimento de fabricação do conhecimento, havendo nele um processo
reconstrutivo e produtivo de conhecimentos, sempre provisórios, parciais e
prontos a serem questionados.

Para que as conclusões de um estudo sejam incorporadas ao conjunto de


saberes acadêmicos, para que lhe seja conferida credibilidade, confiabilidade e
validade, é necessário que os dados e a análise passem por uma metodologia
científica, qual pudemos estudar no segundo módulo.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Segundo Umberto Eco (2016), para um trabalho merecer ser denominado
científico, deverá atender aos seguintes requisitos: debruçar-se sobre um objeto
reconhecível e definido de tal forma que seja reconhecível por outros, dizer algo
que ainda não foi dito sobre o objeto e ser útil aos demais. Em complementação
às afirmações de Eco, Pedro Demo (2005) destaca que uma pesquisa científica
deve atender aos critérios de coerência, sistematicidade, consistência,
originalidade, objetivação e discutibilidade e Gilberto de A. Martins e Carlos
R. Theóphilo (2016) apontam que o estudo deverá ser, ao mesmo tempo,
importante, original e viável.

Ao final, a pesquisa se materializará numa escritura: o texto! No ensino


superior tomará a forma de um trabalho acadêmico: uma monografia, uma
dissertação de mestrado ou uma tese de doutorado. Nesse texto, o estudante
contará a história da própria pesquisa; a história de sua escrita. Ou seja, ali se
disporá além do objeto da investigação, o próprio caminho levado a cabo, pelo
pesquisador, mediante um problema definido, os dados levantados, seu
tratamento teórico-metodológico efetivado num percurso de raciocínio e suas
conclusões. Exporá, pois, tanto os procedimentos de investigação, como os
conceitos e a fundamentação teórica que informou a análise dos dados

77
levantados no decorrer do estudo. Esse registro permitirá a reconstituição de um
caminho e suas escolhas, remontar, desmontar e refazer a análise que foi
produzida quando de possíveis questionamentos acerca das assertivas
concluídas pelo pesquisador e do modo da pesquisa que foi por ele procedido.

4.1.2 Tipos de pesquisa

Na atualidade, muitas são as abordagens teórico-metodológicas e tipos


de pesquisa em produção no meio acadêmico.

As pesquisas podem ser classificadas de variadas formas, de acordo com


diferentes critérios, dentre os quais, conforme dispõe Elisa Pereira Gonçalves

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


(2003): em função dos objetivos a que se propõe (explorar, descrever, explicar
um fenômeno, bibliográfica, participativa, documental), segundo os
procedimentos de investigação que emprega (experimental, levantamento,
estudo de caso etc.), em função das fontes de informação que lançará mão
(laboratório, campo, bibliografia, documentos), segundo a natureza dos dados
(quantitativos ou qualitativos).

Para que você possa visualizar alguns caminhos possíveis, destacamos,


a seguir, tipos de acordo com algumas classificações.

Em relação à forma de abordagem do problema (SEVERINO, 2002):

a) Quantitativa: esse tipo de pesquisa intenta medir em quantidade os


dados coletados acerca de um fenômeno. Aqui, busca-se dispor sua
constância, a variação ou mesmo a raridade de sua ocorrência. Por
exemplo, quando se pretende levantar o perfil econômico e/ou cultural
e/ou de consumo e/ou de ideias e suposições sobre um assunto e/ou
critérios de avaliações e decisões de determinada comunidade. Os dados
são expressos em números e lança-se mão de instrumental estatístico

78
para tratamento do material empírico4: dados, cálculos numéricos,
emprego de gráficos e tabelas. Nesse tipo, é frequente o emprego de
entrevistas com questões fechadas e de questionários com perguntas de
múltipla escolha.

b) Qualitativa – nesse tipo, objetiva-se atribuir um significado aos


fatos/fenômenos. Caracteriza-se, pois, pelo tratamento qualitativo dos dados
empíricos. A defesa desse tipo de método advoga que a qualidade é menos
questão de extensão do que de intensidade (DEMO, 2005, p.34). Poderão se
constituir material de análise fotos, filmagens, observação direta, dentre outros.
Também questionários e entrevistas com questões abertas são, mormente,

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


utilizados.

Em relação aos objetivos (SEVERINO, 2002), ao que intenta a


pesquisa, podemos classificar:

a) Exploratória – esse tipo de pesquisa visa estudar em profundidade um


assunto. Não é estatística e sua análise explora com vagar os dados coletados.
Por exemplo, levantamento e análise das impressões e narrativas de
determinados grupo de alunos e/ou professores acerca de seu processo
avaliativo e resultados aprendizagem. Podem envolver levantamento
bibliográfico, entrevistas, experimentos práticos, estudos de caso, análise de
exemplos;

b) Descritiva – esse tipo busca descrever as características o fenômeno


ou da população investigada, estabelecendo relações entre variáveis: estas se
pautam em dados coletados por meio de métodos padronizados de coleta.

4
Material empírico remete ao conjunto de informações acerca do objeto que se pretende investigar que
serão retirados
79
Do ponto de vista dos procedimentos técnicos, as pesquisas podem ser
categorizadas em, de acordo com Gil (1994):

a) Bibliográfica ou “pesquisa de ideias” – esse tipo de pesquisa é


eminentemente teórico: os “dados” são as próprias teorias e autores
(DEMO, 2005). Assim poderia ser uma pesquisa sobre o conceito de
biopolítica em Michel Foucault e sua atualidade para os estudos sociais.
b) Documental – esse tipo de pesquisa toma por fontes, documentos ainda
não analisados por outras pesquisas. Esses documentos podem ser de
outro(s) período(s) histórico(s) ou da atualidade.

c) Experimentais

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


 levantamento – este tipo envolve o questionamento direto das
pessoas cujo comportamento se deseja conhecer;
 experimental – este tipo de pesquisa, majoritariamente utilizado
nas pesquisa sobre fenômenos físicos e biológicos, pressupõe a
seleção de variáveis que influenciam o fenômeno, define formas de
controle e observação dos efeitos que as mesmas exercem sobre o
mesmo.
 ex-post-facto – aqui a análise recai sobre fatos já acontecidos, nos
quais não há como fazer qualquer intervenção. A análise de muitos
fenômenos naturais enquadram-se neste tipo, como por exemplo, a
ocorrência de um furacão.
 estudos de caso – esse tipo de pesquisa destaca uma
determinada experiência que tenha se dado para analisar seu
contexto e as variáveis. Nesse tipo, busca-se um estudo minucioso
e focado;
 Etnografia – constitui, segundo Lakatos e Marconi (2004), uma
forma específica de investigação qualitativa e refere-se ao estudo
da cultura. Pressupõe a hipótese da existência de um mundo
80
cultural desconhecido, a necessidade de descrever o modo de vida
dos povos tendo em vista a compreender seu significado e
entender o funcionamento da sociedade de grupos, e ainda, prevê
a participação ativa na vida da comunidade, com o fito de conhecê-
la melhor (LAKATOS;MARCONI, 2004).

Destacamos, aqui, outra possibilidade de agrupar tipos de pesquisa, esta


apontada por Pedro Demo (2005), a qual, podemos dizer, está relacionada à
natureza do objeto do estudo.

a) Teórica – busca “reconstruir teorias, conceitos, ideias, ideologias,


polêmicas (...) – suas polêmicas, seus acordos, os conteúdos implícitos e

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


explícitos” (DEMO, 2005, p.22), para depois, com condições mais
adequadas poder até se contrapor, se assim lhe convier a análise. Trata-
se de, ao final, desconstruir teorias para reconstruí-las em outro patamar
e momento;
b) Metodológica – visa “inquirir métodos e procedimentos a serviço da
cientificidade, polêmicas e paradigmas metodológicos; seu uso e abuso,
tanto em âmbito epistemológico quanto no do controle empírico” (DEMO,
2005, p.22). Podemos dizer que ao se posicionar com essa
intencionalidade esse tipo de pesquisa parte da problematização que põe
em xeque os modos de fazer;
c) Empírica – empenha-se em “tratar a face empírica e fatual de uma
realidade preferencialmente mensurável; produz e analisa dados,
procedendo sempre pela vida do controle empírico e fatual” (DEMO,
2005, p.23);
d) Prática – liga-se “à práxis, ou seja, à prática histórica em termos de usar
conhecimento científico para fins explícitos de intervenção” (DEMO, 2005,
23). Aqui se posicionam alguns métodos identificados como qualitativos
como a pesquisa participante e a pesquisa-ação.

81
 pesquisa participante – neste tipo de pesquisa, há uma interação
entre pesquisadores e pessoas envolvidas nas situações
investigadas (GIL, 1994).
 pesquisa ação – aqui pesquisador e participantes da situação ou
problema estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.
Neste tipo de pesquisa, após um diagnóstico inicial do problema,
propõe-se uma forma de intervenção, a qual é vivenciada,
registrada e os resultados serão analisados pelo pesquisador.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Disposto esse panorama com alguns tipos de pesquisa possíveis,
destacamos que, conforme alerta Pedro Demo (2005), para que você avalie seu
procedimento, é importante que você considere as seguintes questões:

 “quais são, dentro dos conhecimentos que possuo, os que me


ajudam a escolher meu problema e de que ordem são estes
conhecimentos?
 são apenas fatuais ou possuem bases conceituais e teóricas?
 meus valores e minha visão de mundo orientaram minha escolha
do problemas?” (DEMO, 2005, 126).

82
Síntese

Como acabamos de ver, as pesquisas podem ser


classificadas de acordo com seu objetivo, com os
procedimentos de investigação que foram adotados,
com a natureza de seu objeto, com a forma de

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


abordagem etc. Assim, uma mesma pesquisa pode ser
classificada como qualitativa, como prática, como
experimental, dependendo do critério que se tome como
referência. O importante é ter em mente que ao se
propor uma pesquisa, deve-se ter clareza do que se
quer, do objeto que se pretende investigar, para melhor
pensar o modo de fazê-la.

4.2. O projeto de Pesquisa

Antes de ser efetivada, a pesquisa precisa ser planejada. Aqui, veremos


um caminho possível, seguindo alguns passos que poderão nortear sua
trajetória, percurso esse apontado pela maioria dos textos que tematizam a
construção de um projeto de pesquisa científica.

83
Antes de adentrarmos na disposição formal do projeto, enfatizamos que a
escritura da pesquisa também deverá explicitar o percurso de investigação e de
pensamento do pesquisador.

Alguém cujos trabalhos são, grosso modo, e apesar de tudo, trabalhos de


história, alguém que pretende enunciar discursos relativamente objetivos, que
pensa que seus discursos têm certa relação com a verdade, esse alguém tem
realmente o direito de contar assim a história de sua escrita, de comprometer

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


assim a verdade a que pretende com uma série de impressões, de lembranças,
de experiências que são profundamente subjetivas?

Michel Foucault

No questionamento acima, Michel Foucault, importante pesquisador


francês, versa sobre a importância de desfiar, percorrer a desordem primeira do
pensamento que se estrutura em trabalho de pesquisa e se organiza
racionalmente em forma de comunicação escrita.

No momento da idealização do projeto, o pensamento pode apresentar


certa desorganização e um emaranhado, por vezes, confuso e caótico de ideias.
Para planificar e organizar essas ideias é importante que elaboremos o esboço
de um roteiro que possa orientar e organizar tanto o pensamento quanto as
ações que serão necessárias para a investigação.

84
4.2.1 Desenvolvimento do projeto

Como apontamos no segundo módulo, para que a conclusões de uma


pesquisa entrem no jogo dos conhecimentos validados, é necessário que se
observem algumas exigências. É preciso que a pesquisa se justifique no campo,
apresente rigor e apuro metodológico e teórico. O pesquisador necessita, para
tanto, ter muito claras as questões que seguem:

O que, por que, para que e como pesquisar? Que passos seguir?

E agora, por onde ir?

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


O projeto de pesquisa constitui um rascunho inicial, um esboço em que o
estudante apresentará o interesse temático, o problema que o inquieta, o
caminho que incialmente visualiza, as ideias/autores teóricos com os quais
conversará e que hipóteses iniciais formula sobre o fenômeno.

A seguir, veremos alguns tópicos fundamentais que lhe poderão ajudar


nesse momento de planificação de seu projeto.

a. Tópicos relevantes na estrutura de um projeto de pesquisa

Um projeto, em linhas gerais, se compõe de algumas partes principais


(DEMO, 2005): definição do tema, objeto e hipóteses de trabalho, avanço do
referencial teórico, possível base empírica ou fatual, alicerces metodológicos,
resultados esperados ou realização da hipótese e conclusão.

É necessário que se elaborem hipóteses acerca do fenômeno que se


pretende investigar. Mas também é fato que, se pensamos ter as respostas e
explicações sobre o problema, não estaremos propondo uma pesquisa e não
haverá vigor analítico, pois não haverá, de fato, uma pergunta. Assim, cabe a
advertência que uma pesquisa não deve ter por objetivo panfletar uma ideia,
85
advogar um ponto de vista ou um modo de investigação. É preciso um não-saber
do próprio pesquisador para se definir um projeto.

b. Projeto de estudo e plano de pesquisa

Um projeto de pesquisa constitui, antes de qualquer coisa, um exercício


de análise. Trata-se de um trabalho que demanda a aplicação de uma
metodologia de investigação e de uma forma de abordagem teórica que permita
a discussão do problema. O projeto é provisório, delineia um roteiro, um caminho
e é disparado pelas informações primeiras do pesquisador e por sua afetação
intelectual por determinado tema. Ele trará as linhas mestras do trabalho de
investigação, uma construção lógica e a coordenação de ideias e etapas do

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


percurso.

Muitas são as decisões e ações que envolvem um estudo, bem como


amplas são as possibilidades de problematização e recorte de um tema, afinal,
como observa Alfredo Veiga-Neto (2002), infinitos recortes e combinações
compõem o mundo. É preciso que o pesquisador estabeleça uma rotina
organizativa. Assim, para que o processo aconteça com certa economia de

tempo e de esforços, cadência, concentração e objetivação na pesquisa, é


importante que o estudante elabore um plano de trabalho e de estudo. Neste
plano, deverão ser previstas as etapas da investigação, consideradas as fases
que devem ser contempladas, no período cronológico em que se deverá dar
conta de todo o processo, ou seja, até a data-fim prevista no seu programa de
pós-graduação. A elaboração do plano possibilitará que você evite repetições
desnecessárias de tarefas.

Sua elaboração envolve um trabalho prévio que, conforme apontam


Lakatos e Marconi (2004, p.264), três aspectos: a orientação geral sobre a
matéria; o conhecimento de uma bibliografia pertinente; a reunião, seleção e
ordenação do material levantado.

86
Ainda, é preciso planificar as atividades de leitura e de constituição do
arquivo para a pesquisa (fichamentos, resenhas) e pensar os passos que serão
dados até o final do estudo, perspectivando-as no tempo – quando cada ação
deverá estar concluída. Evidente que se trata de um plano que será
redimensionado no processo e que os resultados de cada ação vão se
entremeando, mas tê-lo elaborado o ajudará a percorrer o trajeto com mais
tranquilidade e de forma organizada.

c. A “neutralidade” do pesquisador

Já nos módulos anteriores, destacamos que o conhecimento científico


não é neutro. Ainda que se persiga um grau de objetividade, há um consenso na

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


literatura acerca da metodologia de pesquisa que tanto pela forma de
aproximação e tratamento do objeto, pela metodologia, quanto por sua entrada
no campo das produções de qualquer área, não há neutralidade na disposição e
produção de conhecimentos. Como afirma Eagleton (apud DEMO, 2005, p.27),

“Não vemos a realidade de modo neutro, mas postados em algum lugar da


sociedade. Tendo, por trás de nós, história que já passou e à frente de nós,
história que está por vir”.

Nem mesmo a metodologia pode ser descrita como neutra: tanto os


métodos de investigação quanto a linguagem já constituem a rede de
conhecimentos no quais nos vemos, ou seja, já conduzem o nosso olhar e
dispõe aquilo que conseguimos ver e pensar. Alfredo Veiga-Neto (2002, p.36)
aponta haver

“total impossibilidade do distanciamento e da assepsia


metodológica ao lançar nossos olhares sobre o mundo. Isso não
significa falta de rigor mas significa que devermos ter sempre
presente que somos irremediavelmente parte daquilo que
analisamos e que, tantas vezes, queremos modificar”.

87
Atente, contudo, que não é papel de um pesquisador posicionar-se a
favor, defender, panfletar acerca de qualquer objeto, ideia ou forma. É preciso
garantir na pesquisa o rigor e vigor investigativo e analítico. O posicionamento
ético-político do pesquisador deve assentar-se na atitude crítica que assume ao
questionar-se acerca do lugar público de sua pesquisa. Segundo Pedro Demo
(2005), as metodologias a serem utilizadas não devem produzir uma discurso
marcado pela justificação, como o é o discurso ideológico, não devendo se
constituir na postulação de meras especulações.

d. Função social da pesquisa

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Segundo Wayne C Booth, Gregory G. Colomb e Joseph M. Williams
(2005) a pesquisa é uma atividade inteiramente social e deve almejar o benefício
de todos os envolvidos por ela e da coletividade como um todo.

Uma pesquisa precisa dizer a que veio. Não é possível defini-la e pensá-
la apenas do ponto de vista formal. É necessário que um estudo explicite as
contribuições que podem advir de suas conclusões tanto para o campo quanto

para a sociedade e para o seu tempo. Suas contribuições poderão ser desde um
novo foco, uma nova perspectiva ou um novo caminho de investigação. Ela pode
pôr em xeque primados anteriormente estabelecidos ou, ainda, lançar novas
perguntas para um mesmo problema.

Lembremos que o conhecimento científico tem sua emergência no século


XVII e trazia como promessa a “descoberta de verdades universais”, pregava
uma suposta objetividade, certeza e neutralidade à ciência: seus métodos,
resultados e aplicações. Ao lado das inquestionáveis contribuições às formas de
produção, terapêuticas à saúde dentre outras, as trágicas experiências que
vimos a partir do século passado (tecnologias de guerra, genocídios, devastação
do meio natural etc.), envolvendo o uso dos saberes científicos, desmontaram
88
tais crenças e colocaram aos pesquisadores questões inquietantes, bem como
colocaram em xeque os paradigmas do conhecimento científico (KUHN, 2011).
Como alerta Pedro Demo (2005, p.39), “torna-se problema candente o abuso do
conhecimento científico par fins eticamente escusos, a começar por tipo de
crescimento econômico deletério ao meio ambiente, além de espoliativo das
maiorias”. Não raro, vimos emergir “teorias científicas” produzidas para afirmar,
justificar e naturalizar diferenças que foram historicamente construídas (raças,
etnias, gêneros, classes etc.) estabelecendo relações de superioridade-
inferioridade.

No plano metodológico podemos afirmar que existe certo relativismo


epistemológico, contudo, conforme assevera Veiga-Neto (2002), o mesmo não

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


deve ser confundido com relativismo ético. Isso significa que noções tais como
solidariedade, justiça social e igualdade de direitos devem balizar nosso
trabalho.

e. Levantamento bibliográfico

Tendo em vista garantir a coerência e consistência à pesquisa, é


necessário fazer um levantamento das produções teóricas e dos autores
considerados importantes no campo temático da pesquisa.

Podemos dividir o levantamento bibliográfico em dois campos: um


referente à metodologia e à abordagem teórica que informará a análise do
pesquisador; e outro referente à literatura existente sobre o objeto de estudo
– aquilo que se dispõe no campo e que possa interessar à pesquisa; aquilo que
já se sabe, que já se investigou e sob quais perspectivas teóricas e
metodológicas.

Uma teoria, ou um conjunto teórico-metodológico o ajudará a pensar o


problema e pesquisar o seu objeto e o auxiliará no seu exercício de
argumentação. Lembre-se, contudo, que uma pesquisa não deve repor o já dito.

89
Destaque-se que o pesquisador irá fazer a sua leitura e sua própria interpretação
do fenômeno. Há que se ter certa infidelidade aos autores que nos convocam a
pensar. Mais que suas conclusões e postulações acerca de um objeto/tempo
deve nos interessar seu modo de investigação. O modo de melhor reverenciá-lo
é, no mais das vezes, sendo-lhe infiel. Nossos referenciais teóricos não devem,
pois, nos aprisionar no pensamento. A forma de investigação, os caminhos
metodológicos já trilhados por outros podem nos interessar, inspirar, inquietar e
até nos orientar. O conteúdo deve nos desafiar.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Lemos autores para nos tornamos autores, não vassalos.

Pedro Demo

Sintetizando...

Uma pesquisa deve atender aos critérios de coerência,


sistematicidade, consistência, originalidade, objetivação e
discutibilidade. Traz para o campo de saber no qual se
insere não somente questões formais, mas também
políticas. Não há assepsia possível no campo da produção
do conhecimento. Uma pesquisa precisa dizer ao que veio
e seu projeto deve explicitar quais as contribuições que ela
pode trazer ao campo, bem como suas contribuições de
ordem social.

90
4.2.1 A pesquisa científica: Etapas

Veremos um passo-a-passo que poderá lhe orientar no desenvolvimento


do seu estudo, dispondo os aspectos formais, os quais seu projeto deverá
contemplar. Atentem, pois, aos itens que se seguem:

a. Definição do Tema

Segundo Martins e Theóphilo (2016, p.7), “o processo de escolha de um


tema assemelha-se à elaboração de um roteiro para iluminação de uma peça
teatral”. Com criatividade e engenhosidade, é preciso escolher onde se deve

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


jogar luz, dar o zoom”. Trata-se de buscar e engendrar uma perspectiva, um
ângulo que possibilite dizer algo que ainda não foi dito, ou rever, sob outra
perspectiva, o que já foi dito sobre o assunto.

O tema constitui, pois, o principal assunto que a pesquisa abordará. Ele


anuncia um horizonte vasto de possibilidades de recortes de fenômenos e
problemas, como, por exemplo: direito civil, avaliação da aprendizagem,
administração escolar, planejamento operacional, história da arte, políticas de
saúde pública, sucesso e fracasso escolar etc.

O tema deve ser um assunto de interesse do estudante, algo que de


alguma forma o intriga, o inquieta, o convoca a pensar e o desafia a investigar.
Tendo em vista tornar o trabalho mais interessante e eficiente, convém que o
tema tenha alguma relação com a área de atuação profissional do pesquisador,
ou que faça parte de sua experiência pessoal. Nessas condições, o pesquisador
já possui conhecimento prévios que poderão facilitar sua entrada no tema, a
interpretação dos textos, ideias e jargões da área, orientando na busca de
bibliografia e consulta a profissionais especializados (MARTINS; THEÓPHILO,
2016).

91
Nessa decisão, contudo, deve-se observar a relevância desse tema e
dessa investigação. Para tanto, é fundamental fazer um contato prévio com a
bibliografia que existe disponível sobre o tema – as controvérsias, a insuficiência
de informações ou abordagens. É necessário ler, fichar, planificar informações
de estudos já realizados. Aqui os instrumentos apontados no módulo 3 o
ajudarão. Convém iniciar por trabalhos mais gerais, para, após, abordar estudos
mais especializados (LAKATOS; MARCONI, 2004). Costuma-se desenvolver
temas da atualidade – eventos, fenômenos em ocorrência no tempo presente

(Currículo na Educação Infantil, na atualidade, por exemplo) ou temas históricos


(a escravidão no Brasil no século XVIII, por exemplo).

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


É importante, ainda nesse momento, definir o período de tempo que
será investigado (marco temporal), o espaço, a população e o tipo de
amostragem de onde se extrairão os dados (marco empírico). Assim, deverá o
pesquisador “fixar as circunstâncias, sobretudo de tempo, espaço e sob que
ponto de vista ou perspectiva o tema será focalizado” (MARTINS; THEÓPHILO,
2016, p.7).

Nas palavras de Antônio Joaquim Severino (2002, p.76), o


desdobramento de um trabalho de pesquisa pode se dar em três fases:

há o momento da invenção, da intuição, da descoberta, da


formulação de hipóteses, fase eminentemente lógica em que o
pensamento é provocador, o espírito é atuante; logo após, parte
para a pesquisa positiva, seja experimental, seja de campo ou
bibliográfica.

Para Severino, nesse momento, o pesquisador é posto diante dos fatos,


de outras analíticas já desenvolvidas acerca do objeto. É do confronto com essa
produção que ideias poderão ser abandonadas, outras poderão surgir e algumas
ainda poderão ser reformuladas.

92
b. Formulação do problema, hipóteses e proposições

Definido o tema, deverá o pesquisador fazer um corte e definir, então, o


objeto de estudo, ou seja, o centro da atenção e a pergunta que irá perseguir.
Como apontam Gilberto de Andrade Martins, um tema precisa ser
problematizado. Aqui, o estudante irá delimitar aquele assunto – o tema – e
especificar o problema que irá investigar: deverá formular com clareza e
precisão um problema concreto a ser estudado. Deve-se cuidar para que o
problema seja genérico demais ou restrito demais, cujo solução se aproxime de
resultados óbvios, com alertam Martins e Theóphilo (2016).

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


A formulação do problema é um momento crucial – constitui uma
delimitação fundamental a qual norteará o caminho da investigação. O tema, o
qual remete a um assunto geral, amplo, precisa ser problematizado pelo
pesquisador. Essa etapa constitui, pois, no exercício de delimitar o problema
dentro do espectro vasto que é o tema. Assim, define-se um objeto que será
convertido em pergunta orientadora.

Para Martins e Theóphilo, nessa primeira etapa do processo de pesquisa,


o investigador deverá responder com clareza e precisão às questões: O que
fazer? Por que fazer? Ao responder essas perguntas, o pesquisador estará
caracterizando o seu objeto de estudo.

O problema de pesquisa deve estabelecer relações entre duas ou mais


variáveis, ser formulado em forma de questão de forma clara, objetiva, concisa e
deve ser passível de comprovação.

93
Vejamos um exemplo:

TEMA: Sucesso e fracasso escolar


OBJETO: Relações entre aproveitamento escolar e identidade de gênero
e raça no ensino fundamental
PROBLEMA: É possível estabelecer entre sucesso/fracasso escolar no
ensino fundamental e identidade de gênero e raça? Como se distribui e
funciona o processo de produção do fracasso escolar entre meninos e
meninas/raça?

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Destacamos que a definição de um problema de pesquisa é determinado
pela abordagem teórica do pesquisador. No exemplo acima, o tema foi
problematizado por uma abordagem teórica pós-crítica, trazendo à baila
variáveis como gênero e raça, por uma perspectiva que problematiza as
relações de poder que (se) produzem socialmente. O mesmo tema definido no
exemplo acima poderia ser problematizado por várias outras perspectivas
teóricas, levantando questões diferentes. Numa outra perspectiva teórica, por
exemplo, poderia definir-se como problema: como surgiu a problematização da
relação entre fracasso/sucesso escolar e gênero? Como se deu a emergência e
a proveniência da noção de gênero?

Como analisa Sandra Mara Corazza (2002, p.115), “as questões feitas
àquilo que chamamos de realidade são constituídas pela(s) perspectiva(s)
teórica(s) de onde olhamos e pensamos esta mesma realidade”. Para a
pesquisadora, um problema não existe em si mesmo, mas é engendrado por
nós. Defende, ainda que

94
constituir um problema de pesquisa é começar a suspeitar de
todo e qualquer sentido consensual, de toda e qualquer
concepção partilhada, como os quais estamos habituadas/os;
indagar se aquele elemento do mundo – da realidade, das coisas,
das práticas, do real – é assim tão natural nas significações que
lhe são próprias; duvidar dos sentidos cristalizados, dos
significados que são transcendentais e que possuem estatuto de
verdade (...) é virar a própria mesa, rachando os conceitos e
fazendo ranger as articulações das teorias (CORAZZA, 2002,
p.118).

Muito possivelmente, no desenvolvimento da pesquisa um problema


inicial poderá remeter o pesquisador a outro problema e, até, a outro objeto.

Destacamos que a definição clara do problema permitirá o


desdobramento da(s) hipótese(s) que orientará(ão) o tratamento analítico e o

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


encaminhamento lógico do raciocínio. Detenha-se a essa tarefa com atenção.

c. Justificativa do estudo

Nesse momento, o pesquisador apresentará a proposta de sua pesquisa:


relatará a forma como se aproximou do tema e suas inquietações e
problematizações acerca do objeto, justificando a pertinência desse estudo,
expondo a relevância para o campo, para a área do tema a ser estudado. A
justificativa deverá informar ao leitor o porquê do projeto de pesquisa proposto,

ou seja, o seu foco de atenção, a pergunta central do estudo e a


problematização do tema.

Destacamos a importância de ser apontada a relevância social da


pesquisa. Sem assumir uma intenção utilitarista, uma pesquisa deve dispor um
exercício crítico das práticas. Implicam-se aqui algumas questões de relevância
ética: A que serve essa pesquisa? O bem comum, questão tanto destacada na
filosofia, não pode estar ausente nos momentos de propositura, escolha de
caminhos e análise do investigador.

95
d. Definição dos objetivos – geral e específico

O objetivo geral indicará a extensão do estudo, explicitará até onde se


deseja chegar e deve ser amplo e possível de ser desdobrado em objetivos
específicos. Assim, para o tema e objeto citados no exemplo, citamos os
objetivos proposto por Marília Pinto de Carvalho (2004, p.247): “conhecer os
processos através dos quais se produz, no ensino fundamental, o fracasso
escolar mais acentuado entre crianças negras do sexo masculino, conforme vêm
indicando as estatísticas educacionais brasileiras há algumas décadas”.

Os objetivos específicos expressam o que se pretende fazer tendo em


vista responder ao problema proposto pela pesquisa. Desdobrados do objetivo
geral, apresentam as ações que precisam ser efetivadas, tendo em vista a

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


consecução do objetivo geral. Devem ser alcançáveis. Do exemplo citado como
objetivo geral, poderíamos desdobrar, também a título de exemplo, alguns
inventariar as variáveis que são mobilizadas na literatura acadêmica quando se analisa
a questão do fracasso escolar;

 levantar o conceito de raça em circulação no meio acadêmico;


 identificar se e quando a identificação racial passou a compor o discurso
acadêmico e/ou as estatísticas estatais e/ou os discursos docente e discente;
 planificar os resultados do aproveitamento escolar nos quartos anos do ensino
fundamental de uma escola estadual de São Paulo;
 realizar entrevistas com alunos, professores e pais acerca das expectativas
escolares e representação racial dos alunos – pertencimento étnico-racial;
 observar e analisar o contexto cotidiano de uma turma de 4º ano na escola
estudada;
 realizar entrevistas com os professores dos alunos dessa turma – aula regular e
recuperação paralela – sobre a percepção das causas da diferença no
desempenho escolar entre meninos e meninas;
 investigar os critérios de avaliação dos professores e suas ideias sobre as
relações raciais (CARVALHO, 2004, P.268).

96
Note-se que os objetivos devem ser enunciados a partir de um verbo no
infinitivo: analisar, investigar, comparar, especificar, estabelecer etc.

e. Revisão da Literatura/ levantamento da bibliografia

Nesta etapa, mapeamos o terreno, ou seja, levantaremos o que já existe


pesquisado sobre o tema/objeto. É importante fazer uma compilação do conjunto
de produções já em circulação na área de modo a garantir a consistência e
pertinência da pesquisa. Esse é o trabalho de levantamento do “estado da arte”,
ou seja, o levantamento do que já existe de produção no campo: investiga-se o
que já foi pesquisado sobre o tema, que abordagens são circuladas na literatura
sobre o problema que se quer perseguir, que tratamentos teórico-metodológicos
e conexões e articulações temáticas e conceituais já foram produzidas, para,

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


então, rever o próprio problema: que perguntas e contribuições ele pode trazer à
área e a esse debate?

Aqui, deparamos com o excesso ou a escassez de pesquisas e


produções sobre o tema e, em especial, sobre o objeto que se pretende
investigar: o que se tem problematizado, que informações e dados se tem
(insuficientes, abundantes, excessivos, insatisfatórios, inexistentes). Isso para
evitar repetições, reiterações ou vícios analíticos. É importante que se proponha,
na pesquisa, um tratamento diferenciado do objeto ou uma nova
problematização sobre o mesmo.

Esse momento constitui-se, pois, de procedimentos para localização e


busca criteriosa de documentos que tangenciam e podem interessar ao tema do
projeto (SEVERINO, 2002). Do compêndio de documentos passíveis de consulta
e escrutínio destacam-se livros, artigos científicos, dissertações e teses.

Lembramos que esse levantamento e sua leitura deverão ser realizados


com uma atitude crítica – ou seja, localizando aquela produção no contexto em
que foi produzida, a escola de pensamento que assenta a análise daquela
produção, sob que motivações e justificativas o estudo foi realizado e, se for o
97
caso, quais efeitos ele produz sobre o fenômeno e o papel que desempenha no
meio acadêmico – as reverberações de determinadas teorias e abordagens
sobre um fenômeno.

f. Metodologia de pesquisa

Os métodos de pesquisa remetem às forma de raciocínio que orientarão a


análise do pesquisador. No segundo módulo desta disciplina, destacamos os
métodos de investigação mais referenciados, dentre os quais, o indutivo, o
dedutivo, o hipotético-dedutivo e o dialético. Indução, dedução dialética referem-
se modos de raciocínio aos quais lançamos mão para dar o devido tratamento
ao objeto.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Os métodos de pesquisa são muitos, assim como os tipos de pesquisa,
conforme citamos na primeira parte deste módulo. Como aponta Demo (2005,
p.24) “nenhum tipo de pesquisa é autossuficiente”. Na prática, mesclamos
diferentes métodos, “apenas dando ênfase a um tipo” (DEMO, 2005, p.24). Para
a escolha do método, ou da composição metodológica, deveremos investigar as
ferramentas da área e pensar qual o tipo será enfatizado, levando-se em
consideração os objetivos, a natureza de do objeto, o campo teórico em que se
movimentará. Como alerta Eco (2016), ao definir a metodologia, o caminho de
investigação, é necessário avaliar se o quadro metodológico está ao alcance da
experiência do pesquisador, tendo em vista garantir o percurso e a efetivação da
pesquisa.

Destaque-se que um estudo pode ser orientado por diferentes


procedimentos metodológicos ou por uma combinação de dois ou mais (DEMO,
2005).

98
g. Coleta de dados

Trata-se aqui da obtenção de informações. Nesse momento, o


pesquisador disporá a forma e os lugares (fontes) onde irá coletar dados para
informar a análise do problema a que se propõe e levantar informações acerca
do acontecimento, do fenômeno. Conforme aponta Eco (2016), para se elaborar
um projeto de pesquisa exequível necessário definir fontes de consulta que
sejam acessíveis e manejáveis.

Vários podem ser os lugares onde buscar os dados: arquivos públicos


(bibliotecas, banco de dados de órgãos governamentais e não governamentais),
arquivos particulares, coleções particulares etc.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Conforme destaca Eco (2016, p. 45), uma pesquisa científica “estuda uma
objeto por meio de determinados instrumentos. Muitas vezes o objeto é um livro
e os instrumentos, outros livros”. Quando a pesquisa utiliza os escritos de
determinado pensador, dizemos que estamos lidando com fontes primárias.
Quando se analisa os textos sobre esse pensador, estamos lidando com fontes
secundárias.

Os dados de um estudo podem ser coletados de documentos


historiográficos (textos, documentos oficiais, jurídicos, fotos, filmes, mapas etc.),
de entrevistas e de questionários, dentre outros.

No caso da entrevista e do questionário, o pesquisador deve estar atento


à formulação das perguntas e do roteiro. Os espectros de informações que
podem ser levantadas são incontáveis. Assim, mais uma vez, destacamos que o
objeto e o problema da pesquisa é que deverão orientar o planejamento e
elaboração desses instrumentos.

No caso do questionário, convém destacar que se trata de um


instrumento que pode ser aplicado a várias pessoas, em diferentes localidades
ao mesmo tempo ou não. Assim, convém que o mesmo seja acompanhado de

99
um texto introdutório em que sejam explicitados os objetivos e intenções da
pesquisa. As questões devem ser claras de modo a não deixarem dúvida em
relação às opções de respostas possíveis e devem seguir uma lógica de acordo
com o tema, das mais simples às mais complexas. Deve-se levar em conta o
público alvo da pesquisa, adequando-lhe a linguagem.

Idas a campo são outras formas de observação direta para obtenção de


dados cujo emprego depende das intenções da pesquisa e da natureza do
objeto. Para esse procedimento é importante que o pesquisador elabore um
cronograma com data, horário, atividade, objetivo e observações tendo em vista
a organização e orientação do trabalho, com a devida atenção aos prazos.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


h. Tabulação e apresentação dos dados

Nesta parte, será organizado e apresentado o compêndio dos dados


coletados na pesquisa. Aqui, o material empírico deverá ser apresentado de
forma objetiva e clara.

Os dados quantitativos podem ser dispostos em gráficos de diversos tipos


(em barras, em colunas, em pizza, em linhas, em áreas etc.) e/ou tabelas etc.
Nesse caso, então, é interessante que os dados sejam visualmente
apresentados.

Os dados levantados por pesquisas de foco mais qualitativo podem ser


categorizados, perfilados em tabelas e, normalmente, são descritos em textos
que vão dispondo as informações em acordo com o roteiro e com os itens
importantes para a construção da análise e do argumento – a próxima fase dos
procedimentos da pesquisa.

100
Análise e discussão dos resultados

Recolhidos e organizados os dados, chegou o momento de encará-los


com acuidade, atenção e criticidade. Na análise e discussão dos resultados
entrarão em jogo e, em certa medida, em confronto, o arcabouço teórico do
pesquisador e os dados coletados. Deve-se atentar ao critério da consistência e
coerência no tratamento dos dados coletados na pesquisa. É necessário “saber
orquestrar os componentes do caminho percorrido, de modo que realizem
convergência consistente nessa parte” (DEMO, 2005, p.150).

Será feita, nessa parte, a discussão e interpretação dos resultados. Serão

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


estabelecidas as relações lógicas, os dados serão comparados e analisados à
luz das teorias e abordagem circulantes acerca do objeto/fenômeno,
anteriormente levantadas. Desse exercício emergirá uma possível generalização
de princípios e da análise. Aqui serão refutadas ou confirmadas as hipóteses
iniciais, devendo haver uma amarração entre dados, teoria e metodologia.

Então, é hora de tecer os argumentos. Do confronto entre dados, teorias,


hipótese, confirmar ou rechaçar as hipóteses iniciais e construir uma analítica
sobre o objeto de pesquisa, já de posse dos dados coletados – isso é o que
podemos chamar de tratamento analítico dos dados.

Destacamos que, conforme dispõe Demo (2005, p150), uma das


qualidades centrais de uma tese é “saber orquestrar os componentes do
caminho percorrido, de modo que realizem convergência consistente” na
realização da hipótese. É importante que se faça uma amarração teórica e
metodológica.

101
i. Conclusões.

Aqui, efetiva-se um recolhimento sintético do que se produziu na


pesquisa. Trata-se da mensagem final. Dedica-se em média nessa parte uma
página ou pouco mais. Deve, pois, ser breve e conciso (DEMO, 2005).

Ao final, deverá o pesquisador apontar sugestões para pesquisas


posteriores ao estudo então apresentado. Lembramos que os resultados de
qualquer pesquisa são provisórios e que o conhecimento está sempre em
movimento. Afinal...

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


A ciência é edifício bastante frágil: o melhor que pode alcançar é a oferta de
apreciações continuamente cambiantes de como as coisas funcionam. Nosso
conhecimento científico é sempre atacável e provisório. Cada nova teoria
científica está condenada a ser objetada sempre pela seguinte.

HOROWITZ e JANIS, 1994, p.151 apud DEMO, 2005, p. 60.

102
Síntese
O processo de uma investigação científica passa por
algumas etapas. Cada parte do processo influencia as
outras. A escolha e delimitação do tema e objeto de
pesquisa são fundamentais para as decisões e ações
subsequentes. Um tema precisa ser problematizado. É
necessário levantar hipóteses iniciais, os objetivos gerais e
específicos, realizar um estudo bibliográfico acerca do que

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


já existe sobre o tema, definir tempo e espaço de
investigação, tipos de dados e fontes e escolher a
metodologia de investigação. Do confronto entre o que já
existe pesquisado sobre o tema, os dados coletados, pelo
tratamento analítico do pesquisador, chegar-se-á às
conclusões do estudo, com a confirmação ou negação das
hipóteses do estudo. Ao final, o investigador deverá indicar
possibilidades futuras de pesquisa a partir dos resultados
de seus estudos.

103
Considerações Finais

Roland Barthes em um de seus cursos no Collége de France, no ano de


1979, comparou a aula e o livro a um filme. Tomemos de empréstimo essa
analogia do filósofo francês: a pesquisa pode ser comparada a uma obra fílmica:
o pesquisador escolhe o assunto, compõe o enredo, define os ângulos das
tomadas, realiza os cortes, a edição, os focos de luz e define a trilha sonora. Ao
final dá-lhe um título. Podemos dizer que ao idealizar, planejar e efetivar uma
pesquisa que, ao final, resultará numa comunicação na forma de texto, estamos

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


realizando a roteirização e direção de um filme.

Esperamos que esse breve percurso lhe tenha ajudado a identificar os


principais tópicos de uma pesquisa e que, ao dispor as etapas de uma pesquisa,
lhe oriente em seu percurso e que, concluído o caminho, resulte um “filme”
analiticamente consistente, que apresente para o campo de estudo o ar da
atitude crítica trazendo boas perguntas.

Dê prosseguimento a seus estudos no tema do módulo pela indicação de


leitura suplementar e consulte a indicação bibliográfica. E não se esqueça de
participar do fórum. Por fim, verifique seus conhecimentos nas questões ao final.

104
MÓDULO 5 – Redação e apresentação do trabalho científico

Patrícia Helena Ferreira

Técnicas em Pesquisa e Construção de Textos Científicos.


Módulo 5 – Redação e apresentação do trabalho científico

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


(FCE) – São Paulo – 2016.
Guia de Estudos – Módulo 5 – Redação e apresentação do
trabalho científico.
1. Trabalho científico 2. Produção textual 3.
Metodologia da Pesquisa

Faculdade Campos Elíseos

105
Conversa Inicial

Caro (a) aluno(a),

Eis-nos caminhando rumo ao quinto módulo da disciplina Técnicas em Pesquisa e


Construção de Textos Científicos. Neste trajeto, intitulado “Redação e apresentação
do trabalho científico”, iniciaremos nossos trabalhos refletindo sobre o papel social da
pesquisa e o momento de apresentação de todo trabalho desenvolvido no decorrer dos
estudos na universidade. Posteriormente, adentraremos à algumas questões relevantes

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


na escritura do texto, tanto do ponto de vista do léxico, quanto das regras de
textualização. Destacaremos algumas características das monografias e dos artigos
científicos, dois dos principais gêneros utilizados na escrita acadêmica. A temática da
ética e o plágio também farão parte da presente discussão, por se tratarem de questões
cruciais quando pensamos na questão da finalidade da pesquisa e no seu devido
exercício autoral. Por fim, conheceremos algumas diretrizes básicas para a utilização
das citações, notas de rodapé e referências.

Bons estudos!

106
Para início de conversa....

Então, é como se o nosso próprio fazer de pesquisadoras/es colocasse um ponto


de basta, onde é necessário parar e pensar: Afinal, como é mesmo que venho
fazendo meu movimento de pesquisa? Até para que se possa estabelecer suas

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


principais coordenadas; desenhar suas curvas de visibilidade e de enunciação;
reconhecer suas linhas de sedimentação e também de fraturas; reordenar os
percursos e manter os cursos; direcionar as luzes em outra direção e conservar
alguns focos lá onde já estavam; em poucas palavras, mapear o terreno e a
cartografar as linhas do trabalho nele realizado. Assim é que vimos emergir
condições atuais de nosso percurso intelectual, das quais é chegada a hora de
prestar contas às/aos outras/os, que também investigam e pensam territórios
teóricos, para que a interlocução se estabeleça com os materiais aproveitáveis, e
também se processe sobre os resíduos a serem dejetados.

CORAZZA, 2002, p. 106.

Como diria Sandra Corazza (2002), em seu texto Labirintos da pesquisa,


diante dos ferrolhos, é chegada a hora dos estudantes comunicarem sua
pesquisa, decorrente de anos de estudo, sistematização de saberes e
investigações teóricas e empíricas.

107
Esse momento é a finalização de todo um processo, que pode continuar
em novas perguntas e, por consequência, novas pesquisas. Todavia, a
comunicação desse percurso utiliza-se de uma linguagem específica para tal e
está formatada dentro de uma ordem do discursoiv, como nos diria o pensador
francês Michel Foucault.

Caberia a todo estudante a formulação de algumas questões:

- Por que pesquisar?

- Qual a necessidade de comunicar a pesquisa realizada de uma maneira


formal?

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


- De que maneira é feita essa comunicação?

- Quais os procedimentos básicos a serem seguidos?

- Como demonstrar autoria intelectual?

Essas e outras perguntas assolam os estudantes-pesquisadores quando


da aproximação do final dos seus respectivos cursos. A escrita e apresentação
do trabalho científico representa a etapa crucial de toda caminhada acadêmica,
em que o aluno vai, finalmente, demonstrar a que veio e qual foi o seu
amadurecimento intelectual no percurso que se propôs a trilhar.

Este módulo adentrará em algumas questões importantes acerca da


redação e apresentação dos trabalhos científicos, procurando ajudá-lo em suas
principais dúvidas e procedendo a orientações de cunho metodológico.

108
5.1 Indicações relevantes sobre a produção do texto

A linguagem
na ponta da língua,
tão fácil de falar
e de entender

A linguagem
na superfície estrelada de letras,
sabe lá o que ela quer dizer?

Professor Carlos Góis, ele é quem sabe,

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


e vai desmatando
o Amazonas da minha ignorância.
Figuras de gramática, esquipáticas,
atropelam-me, aturdem-me, sequestram-me.

Já esqueci a língua em que comia,


em que pedia para ir lá fora,
em que levava e dava pontapé,
a língua, breve língua entrecortada
do namoro com a prima.

O português são dois; o outro, mistério.

Andrade, Carlos Drummond.

Na leitura do poema de Carlos Drummond de Andrade, vemos como a


sociedade utiliza a linguagem como meio de comunicação social (SARMENTO,
2012, 2013). Desde a linguagem não verbal, a linguagem oral e a linguagem
escrita, o homem usa de símbolos para expressar suas ideias e se comunicar
com os outros. Cada tipo de linguagem possui seus códigos, seus ditos e
interditos. Segundo Sarmento (2012) existem três concepções de linguagem:

109
 A linguagem como expressão do pensamento – seguem-se regras
gramaticais, mas não existe a preocupação com a interatividade verbal;

 A linguagem como instrumento de comunicação – a língua é considerada


como um código que é necessário dominar para que exista comunicação
com outros indivíduos, mas não há preocupação com o processo
histórico-social de construção da língua;

 A linguagem como forma de interação – o falante/escritor usa a língua


para interagir comunicativamente com o ouvinte/leitor, criando efeitos de
sentido entre os interlocutores.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Se pensarmos na escrita de um trabalho científico como uma forma de
interação com um determinado grupo de leitores, precisaremos observar
regras/requisitos mínimos para que esse tipo de comunicação se dê de uma
forma mais próxima da precisão em termos da enunciação de uma mensagem
que se quer transmitir, possibilitando diversas conversas.

É necessário, primeiramente, o conhecimento do léxico (vocabulário) e da


gramática (conjunto de regras e normas acerca do funcionamento de uma
língua). Ainda, para melhor compreensão/escrita de um texto, é imperativo que
se conheçam as regras de textualização (relativas à organização do texto) e as
regras de interação verbal (fusão do léxico e da gramática). Todos esses
elementos contribuem para que a redação de um trabalho acadêmico seja feita
de uma forma que possa, de fato, produzir uma interlocução com seus possíveis
leitores.

110
De forma diversa da linguagem informal, feita principalmente por meio da
oralidade, a comunicação escrita é mais precisa e extensa, pois necessita
prestar as devidas informações ao leitor, utilizando-se de recursos de expressão,
como a pontuação, e de outros recursos linguísticos.

Para transformarmos uma sequência linguística em um texto precisamos


fazer com que ele adquira elementos de textualização, dos quais fazem parte a
coesão, a coerência e informatividade e a intertextualidade. Ainda, não podemos
esquecer que esse texto pertence a um determinado contexto e faz parte de um
discurso, a saber, “o uso da língua em uma determinada situação de
comunicação entre interlocutores” (SARMENTO, 2012, p. 66).

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Resumindo:

 A coesão textual diz respeito à conexão estabelecida entre as partes de


um texto por meio de conectivos (conjunções, preposições, advérbios
etc.) e outros recursos linguísticos, com objetivo de dar ao mesmo um
sentido lógico, coerente;
 Para que um escrito seja eficaz também é necessário que ele tenha
coerência textual, que representa a estruturação lógica das ideias,
conferindo-lhe sentido unitário;
 A informatividade diz respeito à relevância do que o texto apresenta;
 A intertextualidade é o diálogo entre dois ou mais textos. De certa forma,
ela demonstra o domínio e o arquivo bibliográfico que o escritor tem.

De posse destes conhecimentos, os quais devem fazer parte do


arcabouço de qualquer escrita que se pretenda interativa, destacaremos alguns
critérios que devem ser observados na escrita de um texto científico, objeto de
nosso estudo do módulo.

111
1. Quanto aos aspectos sintáticos:

 Deve-se utilizar a 1ª pessoa do plural ou a 3ª pessoa do singular para


elaboração do texto: “O presente estudo tem por objetivos....”, “realizamos
a pesquisa a partir de...”;

 A voz verbal indicada é a voz passiva sintéticav: “Comprovou-se que os


dados foram....”, “Elaborar-se-á, ao final, a tabela de......”;

 Estruturas frasais – como já descrito anteriormente, o texto deve ser


escrito em língua culta, observando os critérios de coesão, coerência,

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


clareza e concisão. Para tal, a construção dos períodos deve se dar de
forma que os mesmos não sejam muito longos e que se utilizem de
linguagem clara. Quanto à utilização da norma culta, deve-se evitar a
escrita coloquial. A mesóclise é uma das formas indicadas para a
construção do texto quando o autor demonstrar algo no futuro do presente
e no futuro do pretérito. “Definir-se-iam novos vetores, caso os resultados
aludissem para tal”, “No presente estudo, elencar-se-ão elementos que
contribuam para...”.

2. Quanto aos aspectos morfológicos e semânticos - devem ser


observados os seguintes critérios:

 Sobriedade – utilização de linguagem clara, sintética e precisa. O texto


não deve possuir exagero em adjetivos qualitativos, de modo que se torne
o mais objetivo possível;

112
 Propriedade - relaciona-se à apropriação de linguagem técnico-científica
da área (utilização de termos e conceitos adequados), bem como à
utilização de verbos mais formais, evitando-se o coloquialismo. Exemplos

de alguns verbos que podem ser utilizados: “resultar”, “constituir”,


“compreender”, “realizar”, “conter”, “referir-se”, “constatar”, “observar” etc.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Síntese

Na escrita de um trabalho científico faz-se necessário observarmos


regras/requisitos mínimos para que esse tipo de comunicação se dê de uma
forma mais próxima da precisão em termos da enunciação de uma mensagem
que se quer transmitir.

É necessário, para tal feito, o conhecimento do léxico, da gramática, das regras


de textualização e das regras de interação verbal.

Para considerarmos qualquer escrita como um texto é necessário que ele


observe os elementos de textualização, dos quais fazem parte a coesão, a
coerência e informatividade e a intertextualidade

113
5.1.1 Recomendações na elaboração de monografias e de artigos
científicos

a. A monografia: características e recomendações

Etimologicamente, a palavra monografia vem do grego monos, que


significa "única", e graphein, que quer dizer "escrita".

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


A monografia, segundo Marconi e Lakatos (2001, p. 151),

é um estudo sobre um tema específico ou particular, com


suficiente valor representativo e que obedece a rigorosa
metodologia. Investiga determinado assunto não só em
profundidade, mas em todos seus ângulos e aspectos,
dependendo dos fins a que se destina.

Uma monografia apresenta algumas características que a diferenciam de


outro tipo de produção, como a escrita de um trabalho sistemático e completo,
de um tema específico, que revela um estudo pormenorizado sobre o mesmo.
Apesar de sua profundidade, é um estudo limitado que se utiliza da metodologia
científica para contribuir para algum aspecto relevante da ciência estudada.

A monografia, de acordo com Prodanov e Freitas (2013) possui sentido


estrito e sentido lato.

 Em sentido estrito, identifica-se com a tesevi: “relatório escrito sobre um


tema específico que decorre de uma pesquisa realizada com o objetivo de
fornecer uma contribuição original” (PRODANOV; FREITAS, 2013, p.
170);

114
 em sentido lato, é todo trabalho científico resultante de uma pesquisa,
realizado pela primeira vez, como é o caso das dissertaçõesvii em geral e
os Trabalho de Conclusão de Cursoviii (TCC) de graduação ou de pós-
graduação lato sensu.

Pensando como um exercício de pesquisa, a monografia tem vital


importância na formação do aluno pesquisador, porque independentemente do
nível, lato ou estrito, é um trabalho que envolve observação, coleta de
informações, organização de elementos, sistematização de ideias e
comunicação de resultados.

Lembramos que a monografia, tal qual outros tipos de trabalho científico,

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


necessita ser escrita de acordo com as normas da ABNT - Associação
Brasileira de Normas Técnicas. No caso das monografias, vige a norma
14724:2002, a qual trata de informação e documentação de trabalhos
acadêmicos. Essa é a fonte principal de normatização ao elaborarmos uma
monografia, além dos manuais de orientação das diversas instituições de ensino
superior e dos livros de metodologia científica.
Antônio Joaquim Severino (2002) enfatiza algumas etapas para a
preparação e execução de uma monografia científica:
 a determinação do tema e do problema do trabalho;
 o levantamento da bibliografia acerca desse tema;
 a leitura e a documentação dessa bibliografia;
 a construção lógica do trabalho;
 a redação do texto.

A escolha do tema é o primeiro passo da tarefa, tendo que ser esse muito bem
delimitado para que possa facilitar o processo de pesquisa do aluno, como por
exemplo, falar sobre a liberdade em geral e falar sobre a liberdade de imprensa
(a delimitação do segundo tema permite ao pesquisador maior foco na

115
pesquisa). É do tema que serão estabelecidas as estruturas de relações com
outras variáveis: históricas, sociais, geográficas etc. A escolha do tema também
definirá o tipo de pesquisa a ser feita: bibliográfica, de campo, etnográfica etc.

A visão clara do trabalho levará o pesquisador à formulação do


problema, isto é, uma questão que será desenvolvida a partir do tema. “A
gênese dessa problemática dar-se-á pela reflexão surgida por ocasião das
leituras, dos debates, das experiências, da aprendizagem, enfim da vivência
intelectual no meio de estudo universitário e no ambiente científico e cultural”
(SEVERINO, 2002, p. 75).

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Da formulação do problema, que representa uma questão que guiará o
pesquisador no desenrolar de seu trabalho, desencadear-se-á a hipótese
central, que poderá ser comprovada ou refutada no desenvolvimento do
raciocínio. A partir dessa tomada de posição sobre o tema e seu problema,
firma-se a tese, ou ideia central, “proposição portadora da mensagem principal
do trabalho que deverá ser demonstrada logicamente através do raciocínio
(SEVERINO, 2002, p. 75).

O levantamento da bibliografia e sua documentação caracteriza-se pelo


trabalho de “garimpagem” de fontes bibliográficas de diversos tipos (livros,
artigos, repertórios, catálogos bibliográficos, boletins, dicionários especializados,
monografias, revistas e periódicos acadêmicos). Parte-se para documentação
de tal repertório, por meio de fichas bibliográficas, como já visto no módulo 3.

O aluno deverá, para tal, elaborar um roteiro primeiro de seu trabalho,


ainda provisório. De posse desse roteiro, partirá para análise dos documentos,
os quais já foram selecionados em uma primeira triagem, feita a partir da
116
elaboração das fichas de síntese das obras. Combina-se, na leitura, o critério da
atualidade (das mais atuais às mais antigas) e da generalidade (obras gerais,
enciclopédias, dicionários especializados, monografias e revistas
especializadas). Essa leitura deve ser feita em função do tema e do problema
eleitos como foco de trabalho da monografia e não deve ter caráter generalista
pois, nessa fase, são escolhidos os aspectos das obras que interessarão à
pesquisa.

A construção lógica do trabalho “é a coordenação inteligente das ideias


conforme as exigências racionais de sistematização própria do trabalho”
(SEVERINO, 2002, p. 81-82). Essa construção é expressa por meio do
encadeamento dos raciocínios utilizados para demonstração da hipótese

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formulada no início do trabalho. Neste momento, vale voltarmos às regras de
coesão, coerência, concisão e intertextualidade, apresentadas anteriormente, as
quais fornecem ao trabalho clareza e objetividade.

Do ponto de vista formal, o trabalho apresenta três fases:

1. Introdução – demonstra a questão, articulando-a a outros trabalhos já


escritos e justificando a pertinência e a relevância do trabalho. Nesse
momento também são delimitados os objetivos, anunciados o tema e
problema, a tese e os procedimentos de pesquisa. Tal texto deve ser
sintético e objetivo.

Atenção! A introdução é a última parte do


trabalho que deve ser escrita.

2. Desenvolvimento – corresponde ao corpo do trabalho, em toda sua


estrutura de seções, capítulos e itens, formando uma estrutura lógica e de
sentido. Cada capítulo deve ter títulos expressivos, que anunciam a ideia
117
do conteúdo do mesmo. Nesta fase também é feita a fundamentação
lógica do encadeamento de raciocínio apresentado, com a discussão,
análise e demonstração do percurso;

3. Conclusão – é a síntese final do trabalho, momento em que será feito um


balanço geral do mesmo, resgatando brevemente seu percurso e
apresentando os resultados obtidos.

Na fase de redação do texto, serão observados os critérios já elencados


anteriormente, transformados num texto que se dirige a um possível leitor
interessado pelas questões apresentadas pelo trabalho. Essa redação não será,
de início, definitiva e será composta por vários rascunhos (nesse ponto, a
importância e a facilidade que o meio eletrônico trouxe é fundamental, dando a

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liberdade do autor produzir tantos rascunhos necessitar e salvá-los).

A linguagem deve ser sóbria, precisa e clara, sem dar lugar a


hermetismos, esoterismos, sentimentalismos ou pomposidades. Cabe,
finalmente, alertarmos para a construção do parágrafo, cabendo a justa
medida entre o excesso de parágrafos e a quase inexistência dos mesmos. Os
parágrafos representam a articulação do raciocínio do autor e devem colaborar
para tal função.

b. O artigo científico: características e recomendações

Os artigos científicos são “pequenos estudos, porém completos, que


tratam de uma questão verdadeiramente científica, mas que não se constituem
em matéria de um livro” (MARCONI; LAKATOS, 2001, p. 84). Os mesmos,
geralmente, demonstram o resultado de uma pesquisa ou estudo e são
apresentados em evento (congressos, encontros, seminários) ou publicado num
periódico especializado. Por meio destes discutem-se ideias, métodos, técnicas,
processos e resultados encontrados nas diversas áreas do conhecimento. O

118
artigo pode resumir, analisar e discutir informações já publicadas, bem como
apresentar temas ou abordagens originais.

Segundo a NBR 6022 (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE


NORMAS TÉCNICAS, 2003), que estabelece as regras para
artigo em publicação periódica impressa, artigo científico é a
parte de uma publicação com autoria declarada, que apresenta e
discute ideias, métodos, técnicas, processos e resultados nas
diversas áreas do conhecimento. A norma reconhece dois tipos
de artigos: artigo original, também chamado de científico, é
aquele que apresenta temas ou abordagens próprias,
geralmente relatando resultados de pesquisa; e artigo de
revisão, em geral, resultado de pesquisa bibliográfica,
caracteriza-se por analisar e discutir informações já publicadas
(PRODANOV; FREITAS, 2013, p. 159).

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Por seu caráter sintético e objetivo, os artigos científicos são de grande
circulação no meio acadêmico e facilitam a inserção dos estudantes no universo
das pesquisas científicas, demonstrando uma trajetória de pesquisa ou
argumentativa.

Os artigos científicos são muito utilizados como exercício de pensamento


e ensaio de pesquisas que ainda estão em andamento, podendo ser
classificados, segundo Marconi e Lakatos (2001), em três tipos:

 Artigo de Argumento Teórico – é um artigo que apresenta argumentos


favoráveis ou contrários a uma opinião. Só é recomendável quando o
pesquisador se encontrar em um nível de experiência diferenciado, pois
requer aprofundamento de pesquisa;
 Artigo de análise – o autor realiza uma análise dos elementos
constitutivos de um assunto, englobando a descrição, a definição, a
classificação do assunto. Tem como objetivo estabelecer uma relação das
partes com o todo.

119
 Artigo classificatório – o pesquisador classifica os aspectos de
determinado assunto e explica suas partes. Costuma ser o tipo mais
utilizado e divide-se em: definição, descrição objetiva e análise.

Em suma, a redação de um artigo científico dá a oportunidade do


pesquisador introduzir aspectos de um assunto ainda não estudado, dar uma
nova interpretação a assuntos já estudados ou até mesmo apresentar questões
secundárias que não caberiam em uma obra que está sendo escrita. Sua forma
estilística deve ser clara, concisa e simples, de modo que exerça a sua função
comunicativa.

A estrutura formal do artigo científico será apresentada no módulo 6. No


presente módulo destacaremos algumas recomendações para a escrita do

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mesmo.

Segundo Campana (2000), antes da redação de um artigo ou


comunicação científica, algumas questões devem ocupar a atenção do
pesquisador;

a. O que se pretende dizer com o trabalho? Essa pergunta tem a ver com a
relevância e o objetivo do mesmo, relacionado ao público a que se
destina;
b. Como a pesquisa foi delineada? Qual a metodologia utilizada? A mesma
atendeu aos propósitos da pesquisa?
c. O artigo é merecedor de ser publicado? Uma vez que o mesmo destinar-
se-á à publicação no meio científico ele deve trazer alguma contribuição
para discussão de determinada questão.
d. Qual é a melhor forma para apresentação da pesquisa? Além do artigo
científico, há outras formas de publicação, como o paper, carta ao editor,
revisão etc.
e. Para qual meio de publicação deve ser enviado? Essa pergunta
dependerá da própria natureza do trabalho e da temática que as revistas
científicas abordam.
120
Acrescentaríamos a essas questões formuladas por Campana, a
necessidade da abordagem ética sobre a pertinência e originalidade da
publicação, para que possa, de fato, analisar a viabilidade da sua execução.
Deve ser feita uma avaliação de sua adequação, exatidão, unidade, honestidade
em termos acadêmicos e contribuição para posteriores estudos.

Síntese

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


A monografia e o artigo científico são duas modalidades de escrita
acadêmica que, embora distintas, seguem as recomendações técnicas da
Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, e apresentam rigor
teórico-metodológico na sua elaboração e redação.

Além da técnica, a questão ética deve permear toda formulação e escrita


de um trabalho científico, seja qual for a sua natureza.

5.1.2 Recomendações para evitar o plágio

Segundo o Dicionário On-line de Português, o plágio é a “ação de


apresentar alguma coisa (trabalho, livro, teoria etc.) como se esta fosse de sua

121
própria autoria, embora tenha sido criada e/ou desenvolvida por outrem”
(https://www.dicio.com.br/).

Tal ação não se restringe somente às obras oriundas da Academia, mas


também da literatura, música, jornalismo, direito e outras áreas onde se
configure a noção de autoria. Nos últimos anos, com a difusão da rede
internacional de computadores, essa ação vem sendo constantemente discutida
por diversas áreas da sociedade civil, incluindo as comissões de ética das áreas
relativas. Foram elaboradas, então, orientações e normatizações a respeito da
utilização do plágio, as quais implicam em sanções da ordem dos próprios

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comitês de ética até sanções jurídicas, ligadas ao direito.

Na área acadêmica, as comissões de ética têm elaborado documentos a


respeito do direcionamento ético das pesquisas, explicitando nessas
recomendações, a questão do plágio.

Prodanov e Freitas (2013), destacam alguns princípios éticos que devem


ser observados na produção de trabalhos acadêmicos, sejam eles de diversos
tipos:

i. A responsabilidade do pesquisador no que diz respeito à sua investigação


científica;

ii. O caráter antiético da apropriação indevida de obras intelectuais,


considerada como crime de violação de direitos autorais;

iii. A autoria como esteio balizador da pesquisa;

iv. A observação às normatizações da ABNT na execução e formatação dos


referidos trabalhos.

Especificamente falando em pesquisas acadêmicas e plágio, existem


recomendações da CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de

122
Ensino Superior – em nível federal e da FAPESP – Fundação de Amparo à
Pesquisa do Estado de São Paulo, para que as instituições de ensino superior
adotem políticas de conscientização e informação sobre a chamada propriedade
intelectual, como forma de evitar o plágio acadêmico. Além disso, existem
comitês específicos para discussão da ética nas pesquisas acadêmicas nas
diversas áreas do conhecimento. Os comitês de ética em pesquisa são
responsáveis pela avaliação ética dos projetos de pesquisa e devem informar e
educar seus membros e a comunidade quanto a sua função no controle social.

No âmbito jurídico, como bem destacam Pithan e Vidal (2013), a questão


do plágio insere-se na problemática dos direitos autorais, direitos esses que são

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assegurados pela Constituição Federal de 1988 e pela Lei Federal 9.610, de 19
de fevereiro de 1998, a qual altera, atualiza e consolida a legislação sobre
direitos autorais. Segunda tal legislação, o autor é definido como “a pessoa física
criadora de obra literária, artística ou científica” (BRASIL, 1998), cabendo-lhe
proteção quando da violação de sua autoria e responsabilizando quem se utilizar
de sua obra, sem referenciá-lo, por danos morais.

Cabe aqui destacarmos que é função das universidades e faculdades a


orientação e o acompanhamento dos trabalhos de seus alunos, dando-lhes
suporte teórico e metodológico para evitar a apropriação de ideias de outrem
sem a devida referenciação.

Acrescido ao acompanhamento institucional, o estudante de


graduação/pós-graduação deve ter em mente as principais recomendações:

a. A consulta às fontes bibliográficas é um exercício saudável e necessário


para que o mesmo adquira amadurecimento intelectual;

123
b. Tal consulta deve, primeiramente, ser fonte de estudo aprofundado,
documentação minuciosa, para verificação da sua contribuição no
trabalho a ser desenvolvido pelo aluno-pesquisador;

c. Os documentos apurados de tal consulta poderão fazer parte do corpus


teórico do trabalho do aluno, desde que sempre referenciados em sua
autoria e que tenham servido como inspiração, premissa ou mesmo fonte
de contestação;

d. Quando da necessidade de citação de algum trecho de artigo, livro ou


outra documentação, o aluno deverá seguir as regras da ABNT, tanto no
caso de citação direta quanto no de paráfraseix;

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


e. A elaboração de um arquivo virtual contendo todos textos e fontes citados
é recomendável, em caso de necessidade de nova consulta ou de sanar
alguma dúvida.

f. A revisão do texto é um ótimo meio do autor verificar se foram utilizadas


muitas citações e referências e quanto de pensamento autoral foi ali
despendido.

g. A escrita do texto sempre deverá ser acompanhada pelo professor


orientador do trabalho. Tal acompanhamento deverá ser sistemático e
não somente ao final do trabalho.

124
h. Existem hoje softwares que fazem o trabalho de revisão de possíveis
escritos sem referenciação. O aluno e a instituição de ensino podem
utilizar-se dos mesmos.

Por fim, o trabalho de autoria, um dos objetivos principais do ensino superior,


demanda do aluno um exercício de rigor intelectual e esse exercício só será bem
feito se o mesmo tiver seriedade nos estudos e acompanhamento devido.

Síntese

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


O tema do plágio na elaboração de trabalhos acadêmicos está relacionado a
questões de cunho institucional, legal e ético.

Cabe ao aluno-pesquisador além do estudo rigoroso do campo teórico e da realização


da pesquisa empírica, a observância das regras de referenciação aos autores,
conforme o que preveem as normatizações existentes.

Cabe às Instituições de ensino superior a orientação e o acompanhamento aos seus


alunos.

Após analisarmos as questões estilísticas e de ética na pesquisa


acadêmica, adentraremos a tópicos mais técnicos na elaboração de trabalhos,
os quais demonstram a seriedade na elaboração do trabalho e a necessidade do
aluno-pesquisador em seguir as orientações dadas pelas normatizações
específicas.

125
Serão, pois, apresentadas algumas orientações gerais sobre citações,
notas de rodapé e referências bibliográficas, ancoradas pela normatização da
ABNT e dos manuais de metodologia científica.

É importante destacarmos que, para uma consulta minuciosa e


pormenorizada, deverá sempre ser utilizada a normatização específica da ABNT.

5.1.3 Citações

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


As citações são “elementos retirados dos documentos pesquisados
durante a leitura da documentação e que se revelam úteis para corroborar as
ideias desenvolvidas pelo autor no decorrer do seu raciocínio” (SEVERINO,
2002, p. 106).

De acordo com a NBR 10520:2002b, podemos definir:

 citação: menção de uma informação extraída de outra fonte.


 citação de citação: citação direta ou indireta de um texto em que não se
teve acesso ao original. É o chamado apud.
 citação direta: transcrição textual de parte da obra do autor consultado.
 citação indireta: texto baseado na obra do autor consultado, com
pequenas alterações.

Algumas orientações devem ser seguidas quando utilizamos citações.

a. Quando o texto citado possuir até três linhas:

126
 A citação deve ser feita no próprio texto, entre aspas duplas (“), no
mesmo tamanho e fonte utilizada no texto;
 Caso o texto já tenha palavras com aspas duplas, o autor deve
substituí-las por aspas simples (‘);
 Os autores podem ser enunciados antes da citação ou somente ao
final dela (nesse caso, o sobrenome é escrito em caixa alta,
ficando entre parênteses).

Exemplos:

De acordo com Veiga-Neto (2002, p. 25), “para compreender como as Ciências


Humanas estabeleceram suas representações acerca da realidade, é preciso

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rastrear as origens da sua racionalidade”.

ou

“Para compreender como as Ciências Humanas estabeleceram suas


representações acerca da realidade, é preciso rastrear as origens da sua
racionalidade”. (VEIGA-NETO, 2002, p. 25)

b. Quando o texto a ser citado possuir mais de três linhas:

 As citações longas devem ter um recuo de 4 cm da margem esquerda,


com texto, justificado, com fonte menor (geralmente 11).

127
Exemplo:

Quanto à questão da moral:


Expor as condições de criação dos valores vigentes, sua
arbitrariedade, sua historicidade, não significa sumariamente
invalidá-los. Significa, em vez disso, tão somente situá-los,
colocá-los em sua devida e respeitável posição de criaturas, de
invenções, de artefatos. Um valor deve saber o seu lugar. (SILVA,
2002, p.8).

ou

Quanto à questão da moral, Tomaz Tadeu da Silva (2002, p.8), alerta:

Expor as condições de criação dos valores vigentes, sua

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


arbitrariedade, sua historicidade, não significa sumariamente
invalidá-los. Significa, em vez disso, tão somente situá-los,
colocá-los em sua devida e respeitável posição de criaturas, de
invenções, de artefatos. Um valor deve saber o seu lugar.

c. Quando a citação for indireta: a citação indireta é um texto baseado na obra


consultada, podendo ser uma paráfrase ou comentário da obra. Nesse caso,
deve ser acrescentado, entre parênteses, o nome do autor em caixa alta, e o
ano. Por ser um comentário ou paráfrase não é necessário inserir aspas, nem
indicar a página, até porque a ideia descrita pode estar distribuída em várias
páginas.

Exemplo:

A escola é um ambiente de comunicação em que determinados atos têm


efeitos tanto para que a frequenta, quanto para a sociedade como um todo
(CORREA, 2004). Na escola o principal exercício é o da imobilidade,
promovido em pelo menos quatro horas diárias de rituais particulares.

128
d. Citação de citação: é a menção de um documento ao qual não se teve
acesso, mas que foi citado em outro trabalho. Tal recurso somente é
recomendado quando da impossibilidade de ter acesso ao texto original ou
quando o mesmo for um documento histórico muito antigo, ou em língua diversa.

 Usa-se a expressão apud, que em latim significa “citado por”, após as


informações do texto citado e em seguida cita-se a fonte pesquisada
(onde a citação estava inserida).

Exemplo:

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


“Ele quer falar de alguma coisa para além da lenda, de algo que não
conhecemos e que ele mesmo não saberia, em consequência, designar
com mais precisão.” (KAKFA, 1980, p. 727 apud LINS, 2004, p. 109).

ou

Segundo o que nos diria Kafka (1980, p. 727 apud LINS, 2004, p. 109), “ele
quer falar de alguma coisa para além da lenda, de algo que não
conhecemos e que ele mesmo não saberia, em consequência, designar
com mais precisão”.

Algumas outras observações podem ser feitas ainda em relação às citações:

 Caso haja no texto citado algo que se julgue estranho, que deva ser
corrigido, coloca-se a expressão (sic!), entre parênteses, indicando que
era dessa forma que o texto estava escrito;

129
 Caso queira se dar ênfase a uma palavra, a mesma pode ser escrita em
negrito. Essa alteração deve ser assinalada com a expressão “grifo
nosso”, colocada entre parênteses no texto ou em nota de rodapé;
Exemplo: “A arte de desenvolver uma estratégia bem-sucedida e
sustentável [...]” (KAPLAN; NORTON, 2OOO, P. 103, grifo nosso). O
mesmo ocorre quando o autor citado grifa uma palavra e trecho do seu
texto. Neste caso usa-se “grifo do autor”;

 Os textos em outras línguas são traduzidos no corpo do trabalho.


Somente em trabalhos de estudos linguísticos devem ser mantidos em
sua língua original;

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


 Supressões de texto, comentários e acréscimos devem ser indicados
dentro de colchetes. Exemplo: “Há um vaivém permanente entre um
raciocínio ordenado [...] e o sentimento.” (LINS, 2004. P. 108).

5.1.4 Notas de Rodapé

Segundo Severino (2002), as notas de rodapé têm três finalidades:

 Indicar a fonte de onde é retirada a citação, quando a mesma não for feita
no corpo do próprio texto;
 Inserir considerações complementares que podem ser úteis aos leitores;
 Trazer a versão original de um texto que foi traduzido no corpo do
trabalho, a fim de compará-los.

A NBR 10520:2002b conceitua as notas como:


130
a. Notas de referência – aquelas que indicam as fontes consultadas
ou remetem a outras partes da obra onde o assunto foi consultado;
b. Notas de rodapé – são as indicações, observações ou acréscimos
feitos pelo autor;
c. Notas explicativas – utilizadas para comentários, esclarecimentos
ou explanações.

De toda forma, todas essas notas costumam aparecer no rodapé da


página e são digitadas em espaço simples, com fonte 10.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Exemplos:

Quanto às notas de referência há algumas considerações a fazer:

Notas de referência:
________________________________

1. FARIA, José Eduardo (Org.). Direitos Humanos, direitos sociais e justiça. São Paulo: Malheiros,
1994.

Notas explicativas ou de rodapé:


_______________________________

2. Veja-se, como exemplo, o estudo feito por Corazza (2002).

a. A numeração das mesmas deve ser única e consecutiva para cada


capítulo ou parte;
b. A primeira citação de uma obra deve ter a sua referência completa (autor,
título, cidade da publicação, editora e ano);

131
c. As citações subsequentes da mesma obra podem ser referenciadas de
forma abreviada, utilizando-se as seguintes expressões, conforme o caso.

EXPRESSÃO LATINA UTILIZAÇÃO EXEMPLO

ABREVIATURA

Apud Pode ser usada tanto no Segundo Kafka (1980, p. 727


texto quanto na nota de apud LINS, 2004, p. 109).
(citado por) rodapé.

Idem ou Id. * Usada em substituição ao 1. FOUCAULT, 1978.


nome do autor, quando se
(do mesmo autor) tratar de citação de 2. Id., 1994.
diferentes obras de um
3. Id. 2000.
mesmo autor.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Ibidem ou Ibid. * Usada em substituição aos 1.DELEUZE, Giles. A ilha
dados da citação anterior, deserta. São Paulo:
(na mesma obra) pois o que difere apenas é o Iluminuras, 2006, p. 177.
número da página.
2. Ibid., p. 180.

Opus citatum ou op. cit. * Usada no caso de obra 1. FOUCAULT, 1978, p. 123.
citada anteriormente, na
(obra citada) mesma página, quando 2. DELEUZE, 2006, p. 177.
houver outras notas.
3. FOUCAULT, op. cit., p. 40.

4. DELEUZE, op. cit., p.196.

Passim Usada quando a informação 1. LINS, 2004, passim.


é retirada de diversas
(em diversas passagens) páginas do documento
citado.

Loco citado ou loc. cit. Usada para designar a 1. FOUCAULT, 1978, p. 123.
mesma página de uma obra
(no lugar citado) já citada anteriormente, mas 2. LINS, 2006, p. 177.
com intercalação de notas.
3. FOUCAULT, 1978, loc. cit.

Confira ou Cf. * Usada como abreviatura 1. Cf. DELEUZE, 2006, p.


para recomendar a consulta 177.
(confronte) a um trabalho ou nota.

132
2. Cf. nota 2 desta seção.

Sequentia ou et. seq. Usada quando não quer se 1. DELEUZE, 2006, p. 177
citar todas as páginas da et. seq.
(seguinte) obra referenciada.

* Só podem ser utilizadas na mesma página da citação a que se referem.


** Todas essas expressões, à exceção do apud, só podem ser utilizadas em
notas de rodapé e não no corpo do texto.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


5.1.5 Referências

A NBR 6023:2002 conceitua referência como “conjunto padronizado de


elementos descritivos, retirados de um documento, que permite sua identificação

Individual” (ABNT, 2002a). As referências, tanto utilizadas nas notas de


referência, quanto ao final do texto, são de fundamental importância para que o
autor forneça a informação completa de todas as obras consultadas, em
diversos meios (livros, periódicos, internet etc.).

Há uma pormenorização de toda a normatização das referências na NBR


6023:2002, a qual não pretendemos abarcar, dada a amplitude de nosso
trabalho. Apenas faremos alguns pequenos destaques que podem ser úteis
quando da elaboração das referências bibliográficas:

133
a. As referências sempre dão atenção ao autor da obra, título da obra,
cidade de publicação, editora e ano de publicação. Essa é a formatação
mais simples que é apresentada. Exemplo:
DELEUZE, Giles. A ilha deserta. São Paulo: Iluminuras, 2006.

b. Devem ser observadas questões relativas à apresentação desses itens,


como:
i. Sobrenome do autor em caixa alta;
ii. Título da obra em negrito ou itálico;
iii. Após a informação da cidade utiliza-se dois pontos ( : );
iv. Após a informação da editora utiliza-se a vírgula.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


c. Para cada caso de obra há um acréscimo de informações ou modos de
separação das informações específicos. Como o estudante se utiliza de
diversas fontes, é necessário que o mesmo proceda à pesquisa da
referenciação das mesmas na própria NBR 6023:2002 ou nos manuais
para elaboração de trabalhos de conclusão de curso de sua respectiva
instituição de ensino superior;

d. Os artigos científicos costumam utilizar-se da mesma referenciação das


monografias e trabalhos de conclusão de curso – TCC;

e. O importante é proceder à correta referenciação para que o leitor do


trabalho possa, caso queira, ter acesso à mesma com facilidade.

134
Síntese

As citações, notas de rodapé e as referências bibliográficas são elementos


importantes na elaboração dos trabalhos acadêmicos. Os mesmos conferem
rigor e organicidade ao trabalho e contribuem para torná-lo autoral,
obedecendo aos critérios de ética e transparência na pesquisa. Todos esses
elementos obedecem às normatizações elaboradas pela Associação

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Brasileira de Normas Técnicas – ABNT.

5.2 Considerações finais

Chegamos ao fim do Módulo 5, “Redação e apresentação do trabalho


científico”. Estamos nos aproximando do final da nossa disciplina e, finalmente,
no módulo 6, serão apresentadas a estruturação formal do artigo científico e da
monografia. Para chegarmos até lá vivenciamos 5 módulos que apresentaram
orientações e questões diversas sobre tipos de conhecimento, métodos
científicos, a organização dos estudos na universidade, a pesquisa científica e a
redação do trabalho científico.

Lembramos que a consulta às referências bibliográficas e as indicações


de leitura complementam toda discussão aqui apresentadas.

135
Por fim, para socializarmos algumas ideias e partilharmos dúvidas e
inquietações conversaremos por meio do nosso fórum e lançaremos algumas
questões para verificação da sua aprendizagem.

Até a próxima!

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Notas explicativas:

1A Ordem do Discurso - livro que reproduz a aula inaugural ministrada por Michel Foucault ao
assumir a cátedra no Collège de France pela morte de Jean Hyppolite em 2 de Dezembro de
1970.

1 A voz passiva sintética ou pronominal constrói-se com o verbo na 3ª pessoa, seguido do


pronome apassivador “se”. O agente da passiva não costuma vir expresso na voz passiva
sintética.

1
Tese: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou exposição de um
estudo científico de tema único e bem delimitado. Deve ser elaborado com base em investigação
original, constituindo-se em real contribuição para a especialidade em questão. É feito sob a
coordenação de um orientador (doutor) e visa a obtenção do título de doutor, ou similar” (NBR
14724:2002c, p. 3).

1 Dissertação: “Documento que representa o resultado de um trabalho experimental ou


exposição de um estudo científico retrospectivo, de tema único e bem delimitado em sua
extensão, com o objetivo de reunir, analisar e interpretar informações. Deve evidenciar o
conhecimento de literatura existente sobre o assunto e a capacidade de sistematização do
136
candidato. É feito sob a coordenação de um orientador (doutor), visando a obtenção do título de
mestre” (NBR 14724:2002c, p. 2).

1 O TCC é um trabalho que o estudante universitário deve desenvolver para demonstrar o


conhecimento cientifico adquirido ao longo de sua graduação ou pós-graduação. Ele pode ser
apresentado de várias formas: monografia, artigo cientifico, relatório de estágio, tese de
doutorado e dissertação de mestrado.

1
A paráfrase é um recurso de linguística que pretende explicar e ampliar uma informação. Para
tal, faz uma espécie de imitação do discurso original, ainda que recorrendo a uma linguagem
diferente.
Fonte: http://conceito.de/parafrase

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


MÓDULO 6 - Estrutura da monografia:
orientações

Cláudia Ribeiro Calixto

Técnicas em Pesquisa e Construção de Textos Científicos.


Módulo 6 – Estrutura do trabalho científico (FCE) – São
Paulo – 2016.
137
Guia de Estudos – Módulo 6 – Estrutura do trabalho
científico
3. Trabalho científico. 2. Monografia. 3. Artigo Científico.

Faculdade Campos Elíseos

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Conversa Inicial

Caro(a) aluno(a),

No trajeto até aqui percorrido, vimos uma tipologia de conhecimentos,


enfocamos as características do conhecimento científico, dispusemos os
métodos científicos mais circulados, situando sua construção histórica e
destacamos o papel e a história das universidades. Enfatizamos a importância
da documentação como método de estudo pessoal, em especial a
documentação temática, a bibliográfica e a documentação geral. A partir desse
ponto, centramos nossa atenção na pesquisa científica, quando destacamos os
tópicos relevantes na estrutura de um projeto de pesquisa, os elementos e
etapas de um projeto. No módulo anterior, permeamos o conceito de autoria,
tematizamos a questão da ética e problemática do plágio, conceituamos

138
monografia e artigo científico. Chegamos, enfim, ao último módulo da disciplina
Técnicas em Pesquisa e Construção de Textos Científicos, intitulado
Estrutura do trabalho científico. Neste módulo, serão abordadas, de forma
geral, a estrutura formal e as regras de apresentação do trabalho, de acordo
com as normas dispostas pela Associação Brasileira de Notas Técnicas, tanto
para a escrita de uma monografia quanto para o texto de um artigo científico.

Bons estudos e boa escrita!

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Para início de conversa....

As exigências formais do produto não só orientam o pesquisador ao longo do


processo de criação, como também contribuem para desenvolver sua criatividade.

Wayne C. Booth, Gregory G. Colomb, Joseph M. Williams

Por que a escrita de um trabalho científico deve seguir certas normas


técnicas e padronização? Qual é a forma que devemos conferir ao texto? O que
devermos observar quanto à formalização da escrita de um estudo? Quais são
e onde estão disponíveis as normas de escrita do trabalho científico? É o que
veremos neste módulo.
139
As normas definem a forma e estrutura do trabalho e são estabelecidas
por pesquisadores envolvidos nos debates acerca dos estudos acadêmicos e
das áreas de conhecimento.

A normatização, conforme defendem Martins e Theóphilo (2016),


possibilita, por um lado, a efetivação de uma circulação orgânica aos textos e,
por outro, nos libera para concentrarmos nosso exercício criativo e analítico
àquilo que realmente confere relevância ao trabalho: o tratamento analítico. As
normas nos liberam de responder questões de ordem de forma, tais como:

- Que elementos devem ser observados nessa escrita?

- Como o texto deve ser estruturado?

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


- Que itens registrar? Em que sequência? Com que formatação?

- Quais os procedimentos básicos a serem seguidos?

Assim, a normatização e utilização de padrões técnicos possibilitam


organização e fluxo ao acesso e circulação das comunicações dos trabalhos
científicos, a comparação entre diferentes pesquisas e catalogação para fins de
diferentes tipos de consultas e para diferentes tipos de leitores (pesquisadores e
interessados).

Fundada no ano de 1940, a Associação Brasileira de Normas Técnicas


(ABNT) regula e define a normatização técnica no Brasil. As normas, por ela
publicadas, via de regra, orientam a formatação e a edição dos trabalhos
científicos das instituições de ensino superior no país. As deliberações da ABNT
são editadas por meio de normas técnicas sob a sigla NBR (Norma Brasileira
Editada).

6.1 Monografia

140
O trabalho científico, segundo Antônio Joaquim Severino (2002), tem por
fim comunicar os resultados de uma pesquisa. Essa comunicação assumirá a
forma escrita de uma monografia que, como já vimos, poderá ser resultado de
um trabalho de conclusão de curso ou especialização, de uma dissertação de
mestrado ou de uma tese de doutoramento. Sua estrutura formal prevê três
partes constitutivas (ABNT, 2003): elementos pré-textuais, textuais e pós-
textuais. Vejamos a seguir tais elementos.

6.1.2 Elementos pré-textuais

Os elementos pré-textuais (ABNT, 2002c) referem-se àquelas

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


informações que auxiliam na identificação, consulta e utilização do trabalho por
outras pessoas. Note que alguns são obrigatórios, outros opcionais. Veja na
ilustração abaixo os elementos pré-textuais no conjunto e, abaixo, a
discriminação de cada um desses tópicos.

LISTAS (se necessário)


ABSTRACT
RESUMO
EPÍGRAFE (opcional)
AGRADECIMENTOS (opcional
DEDICATÓRIA (opcional)

FOLHA DE APROVAÇÃO

FOLHA DE ROSTO

FACULDADE CAMPOS ELÍSIOS


PEDAGOGIA
PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO ESCOLAR

ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E RELAÇÕES DE PODER: um


estudo sobre as racionalidades políticas nas práticas de
gestão escolar na atualidade

Clarice Pallazzi Ribeiro


Orientadora: Profa. Dra. Sônia da Silva

SÃO PAULO
2016

São Paulo
a. Capa (item obrigatório)
201

141
Refere-se à proteção externa do trabalho, sobre a qual são impressas as
informações indispensáveis de identificação. Nela, todo o texto deverá ser

redigido em fonte Times New Roman ou Arial, tamanho 12, em negrito, com
espaçamento entre linhas de 1,5. Deverá conter as seguintes informações:

 Nome da instituição (todo em letra maiúscula – centralizado)


 Nome da faculdade (todo em letra maiúscula – centralizado)
 Nome do departamento (todo em letra maiúscula – centralizado)
 Nome do programa de pós-graduação – (todo em letra maiúscula –
centralizado)
 Título e subtítulo do trabalho (10 espaços abaixo da linha do programa)
 Nome completo do autor (dois espaços, após o anterior – primeira letra

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


em maiúscula)
 Nome do orientador (na linha seguinte ao anterior – primeira letra em
maiúscula)
 Local – penúltima linha da folha – todas as letras maiúsculas
 Ano de defesa – última linha da folha

b. Lombada (opcional)

As informações devem ser impressas, conforme NBR 12.225, do alto para


o pé da lombada, constando o nome do autor impresso longitudinalmente, de
forma legível, o título do trabalho e elementos alfanuméricos de identificação
(por exemplo, v.2). Veja um exemplo:

FCE
CLARICE
PALLAZZ FACULDADE CAMPOS ELÍSIOS
I PEDAGOGIA
RIBEIRO

ADMINIS Clarice Pallazzi Ribeiro


TRAÇÃO
ESCOLAR
E ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E RELAÇÕES DE PODER:
RELAÇÕE
um estudo sobre as racionalidades políticas nas
S DE
PODER: práticas de gestão escolar na atualidade
um
estudo
sobre as
racionali
dades 142
políticas
nas
práticas
de
gestão
São Paulo
escolar
na 2016
atualida
de
2016

c. Folha de rosto (obrigatório)

Nela, devem ser registradas as informações essenciais do trabalho, na


ordem:

 nome do autor (responsável intelectual do trabalho);


 título principal do trabalho;
 subtítulo, se houver, subordinado ao título principal, precedido de

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


dois pontos;
 número de volumes (se houver mais de um);
 natureza (tese, dissertação, trabalho de conclusão de curso,
outros), objetivo (aprovação em disciplina, grau pretendido e
outros), nome da instituição a que é submetido e área de
concentração;
 nome do orientador e coorientador (se houver);
 local onde deve ser apresentado;
 ano de depósito (entrega).

3 cm

NOME DO AUTOR

Fonte tamanho 12
Fonte tamanho 12

TÍTULO DO TRABALHO:
(SUBTÍTULO, SE HOUVER)

3 cm
2cm

Trabalho de conclusão de
curso apresentado à banca
examinadora da
Faculdade Campos Elísios
como requisito para
143
aprovação no curso (nome).

Orientador: (nome do professor)

CIDADE
ANO
Fonte tamanho 12
Fonte tamanho 10

d. Ficha catalográfica (obrigatório)

Trata-se de um quadro que contem as informações básicas do trabalho


para fins de catálogo bibliográfico. Observe no exemplo os elementos e
disposições das informações:

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Sobrenome, Nome.

Título da monografia: subtítulo/ Autor (nome e


sobrenome), ano. Total de folhas.

Orientador: Nome e sobrenome.

Monografia (Especialização) – Faculdade Campos


Elíseos, cidade, ano.
Sobrenome, Nome.
1. Assunto. 2. Assunto. 3. Assunto. I. Faculdade Título da monografia: subtítulo/ Autor (na ordem
direta – nome e sobrenome), ano. Total de folhas.
Campos Elíseos. Nome da faculdade (Ex: Pedagogia). Orientador: Nome e sobrenome.

Monografia (Especialização) – Faculdade Campos


II. Sobrenome, nome do autor. III. Título. Elíseos, cidade, ano.

1. Assunto. 2. Assunto. 3. Assunto. I. Faculdade


Campos Elíseos. Nome da faculdade (Ex: Pedagogia).
II. Sobrenome, nome do autor. III. Título.

A ficha catalográfica deve ser registrada no verso da folha de rosto.

e. Errata (opcional)

É possível que, concluído e impresso o trabalho, alguma informação


equivocada ou erros de digitação sejam identificados. Nesse caso, elabora-se
144
uma lista de correções na qual se relacionam as folhas e linhas que contém
erros, seguidas das devidas correções. Essa folha pode ser encartada no
trabalho ou apresentada à parte.

f. Dedicatórias (opcional):

Alinhamento à
direita, com
espaçamento
de 1,5, ao final
da página.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


A meus pais,
pelo apoio de sempre.

g. Agradecimentos (opcional): após a dedicatória.

Nesse item, o autor poderá manifestar seu agradecimento àqueles que


tiveram papel relevante no desenvolvimento de seu processo.

Agradeço ao professor e orientador (nome) por


... e aos demais professores desta Faculdade
por...

Alinhamento
justificado, com
espaçamento de 1,5
e em negrito.

145
h. Epígrafe (opcional)

Uma citação relacionada com a matéria do trabalho que pode funcionar


como uma espécie de aguilhão do texto – evidencia uma ideia que perpassa o
trabalho.

Alinhamento à direita, com


espaçamento de 1,5. O texto
não deve ultrapassar a
metade da folha e o nome do
autor deve ser registrado em
itálico. Texto ao final da
página, entre aspas.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


“Anseios de felicidade
anseios de verdade
anseios de eternidade,
olhem só!”
Wislawa Szymborska

i. Resumo na língua do texto

O resumo deve apresentar, numa sequência de frases sucintas, como


define a NBR 6022 (ABNT, 2003). Nessa parte, os objetivos, a metodologia e os
resultados devem ser apresentados de forma enxuta. O texto deve alcançar um
total de até quinhentas palavras. Na linha abaixo, devem ser registradas as
palavras-chave (palavras que remetam ao conteúdo do texto). Não se deve fazer
uso de citações e parágrafos. Emprega-se a terceira pessoa e o verbo deve
estar na voz ativa. Veja o modelo e formatação a ser observada:

Título: letras RESUMO


maiúsculas,
Jojojo jojoj ojojo jojojj ojojojoj ojojo jojo
centralizado. ojojo joojojoj oooo ojojojojoj oojo
Espaço de 1,5 entre jojojoo joj ojoj ojojo jojo ojojo jojoo jojoj
título e texto. oojoj ojojo joojjo joojo joj ojoj ojojojo
jojoojo joj ojojoj ojojo ojojo jojoj oojoj
ojo jojojojojo jojojojojo joojoj ojojojo
jojojoj ojoj oojoj ojoj ojojoo joj ojoj ojjo.
Alinhamento justificado.
Texto iniciado junto à
margem, esquerda, em um
só parágrafo, espaçamento
simples, sem negrito e em
itálico.
146
j. Resumo em língua estrangeira (obrigatório)

É o resumo tal qual apresentado no item anterior, em língua estrangeira


(Abstract – em inglês, Resumem – em espanhol, Résumé – em francês)

Título: fonte Times New


ABSTRACT
Roman, tamanho 12,
letras maiúsculas, Jojojo jojoj ojojo jojojj ojojojoj ojojo jojo
centralizado, em itálico. ojojo joojojoj oooo ojojojojoj oojo Fonte: Times New
jojojoo joj ojoj ojojo jojo ojojo jojoo jojoj
Espaço de 1,5 entre Roman, tamanho 12,
oojoj ojojo joojjo joojo joj ojoj ojojojo
título e texto. jojoojo joj ojojoj ojojo ojojo jojoj oojoj alinhamento

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


ojo jojojojojo jojojojojo joojoj ojojojo justificado. Texto
jojojoj ojoj oojoj ojoj ojojoo joj ojoj ojjo.
iniciado junto à
margem, esquerda, em
um só parágrafo em
espaçamento simples,
sem negrito e em
itálico.

k. Lista de ilustrações (opcional)

Trata-se da relação de desenhos, gravuras, imagens que acompanharam


o texto.

l. Lista de tabelas (opcional)

Apenas para os trabalhos em que o pesquisador fez uso de tabelas para


demonstrar de forma sintética e organizada os dados que serviram de elementos
para alguma análise.

m. Sumário (obrigatório)

Trata-se da enumeração das principais divisões e subdivisões do


trabalho, de acordo com a ordem e grafia que aparecem no texto, com indicação
do número da página em que se inicia. Veja o modelo abaixo:
147
SUMÁRIO

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS..........................4


LISTA DE QUADROS......................................................5
1. CAPÍTULO I: .....................................................9
1.1 SUBTÍTULO ..................................................13
1.2 SUBTÍTULO ..................................................21
2. CAPÍTULO II: ...................................................32
2.1 SUBTÍTULO .................................................41
2.2 SUBTÍTULO .................................................50
3. CAPÍTULO III: ...................................................54
3.1 SUBTÍTULO ..................................................62
3.2 SUBTÍTULO ..................................................71
4. CONCLUSÃO ......................................................83
5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................86
6. GLÓSSÁRIO .......................................................99
7. APÊNDICE 1 .....................................................100
8. ANEXO A ..........................................................104

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


6.1.3 Elementos textuais

Nessa parte, a mais substancial, a matéria do trabalho será desenvolvida.


Ela é composta de um encadeamento que permite ao leitor acompanhar o
caminho da pesquisa, da sua intenção, do problema proposto, do levantamento
do que existe já estudado sobre o tema, dos procedimentos metodológicos e da
conclusão a que o pesquisador chegou.

Texto - conclusão

Texto -
desenvolvimento

Texto - introdução

148
a. Introdução

Nessa parte, o pesquisador apresenta a justificativa do trabalho: as


razões da escolha do tema, sua problematização e apresenta os objetivos,
destacando a relevância de seu objeto, anunciando a abordagem teórica e
metodológica que escolheu.

b. Desenvolvimento

Essa é a parte principal e mais substantiva a qual deverá expor o assunto:


da revisão bibliográfica à conclusão de suas análises.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Aqui, o texto deverá mostrar a revisão da literatura: o pesquisador
apresentará todo o trabalho realizado na pesquisa bibliográfica, dispondo os
autores mais reconhecidos, as abordagens e ideias já existentes acerca do
problema da pesquisa.

Também deverá ser apresentada a sua problematização do tema: que


novas perguntas e/ou abordagens propôs como diferencial em relação ao que já
se sabe e já de diz sobre o objeto de estudo.

O estudante-pesquisador deverá, então, dar a saber o embasamento


teórico, sua filiação de pensamento, bem como explicitar e explicar a
metodologia que escolheu para a coleta e tratamento analítico dos dados.
Apresentará, então, as fontes e os dados recolhidos.

Apresentará, enfim, os resultados, procedendo a uma análise e


apresentando suas conclusões com a confirmação ou negação das hipóteses
iniciais da pesquisa.

Nessa segunda parte da estrutura da monografia, o texto pode ser divido


em seções e subseções, em função da abordagem e do método.

149
c. Conclusão

É a parte final do texto. Aqui, o autor fará suas considerações finais,


quando apresentará uma síntese das conclusões, focando na delimitação do
problema apresentado na primeira parte e indicando se os objetivos da pesquisa
foram alcançados ou não. Não deve haver citações de outras obras, bem como
ser acrescidas novas informações, de modo que são evocadas apenas
informações advindas do próprio trabalho, nesse momento.

Ainda, devem ser apontadas possiblidades de outros estudos a partir dos


resultados dessa que se encerrou, ou seja, que novas perguntas podem ser
formuladas a partir dos que se investigou e que novas pesquisas podem ser
suscitadas.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Veja bem, nessa última parte, a escrita é curta e deve ser redigida de
forma clara e concisa, ocupando-se, em média, uma folha e meia (SEVERINO,
2002).

6.1.4 Elementos pós-textuais

ÍNDICES (se necessários)

ANEXOS (se necessários)

APÊNDICES (se necessários)

GLOSSÁRIO (se necessário)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

150
a. Referências Bibliográficas

Conforme conceituado na NBR 6023:2002 (ABNT, 2002a), a referência


constitui o “conjunto padronizado de elementos descritivos, retirado de um
documento, que permite a sua identificação individual”. A referência, consoante
essa definição, constitui a listagem das obras citadas no texto, de onde foi
extraída a informação de um documento – impressos, manuscritos, registros
audiovisuais, sonoros, magnéticos eletrônicos etc.

O título (REFERÊNCIAS) é centralizado na folha. As referências têm


espaçamento simples entre as linhas e espaço duplo entre uma e outra.

Um equívoco comum apresentado em muitas monografias é a formatação


justificada das referências. Veja bem: esse registro deve ser alinhado apenas à

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


margem esquerda da página.

São elementos essenciais aqueles indispensáveis à identificação do


documento e, quando necessário, são acrescidos elementos complementares.

A seguir, apontaremos a forma de referência de tipo de fontes e


documentos mais comuns e em acordo com as normas publicadas pela ABNT.

Para a escrita de monografias, usa-se a referenciação das obras pelo


sistema autor-data. São consideradas monografias: livros e/ou folhetos (manual,
guia, catálogo, enciclopédia, dicionário etc.) e trabalho acadêmicos (teses,
dissertações, trabalhos de conclusão de curso etc.).

Quando a referência for de uma monografia com apenas um autor, seus


elementos essenciais para o registro da referência são: autor(es), título, edição,
local, editora e data de publicação. Assim, a indicação da fonte deve ser feita
pelo sobrenome autor em letra maiúscula, seguido dos nomes em letra
minúscula, após vírgula. Na sequência, são informados o título da obra e o
subtítulo, se houver, separados por dois pontos. Na sequência, o número da
edição, cidade de publicação, editora, ano e páginas, na conformidade que
segue no exemplo:

151
AQUINO, Julio Groppa. Da autoridade pedagógica à amizade intelectual: uma
plataforma para o éthos docente.1.ed. São Paulo: Cortez, 2014.

LARROSA, Jorge. Pedagogia Profana: danças, piruetas e mascaradas. 5.ed.


Belo Horizonte: Autêntica, 2010.

Note que o título, em caso de livros ou artigos é grafado em negrito


(pode-se fazer uso de outro recurso tipográfico para destaque – itálico ou grifo).

No caso de haver mais de uma obra de um mesmo autor no mesmo


ano de edição, deve ser acrescida uma letra à frente do ano da edição em
ordem alfabética:

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


LEVI, Primo. A assimetria e a vida: artigos e ensaios 1955-1987. Organização
Marco Belpoliti. Tradução Ivone Benedetti. 1.ed. São Paulo: Unesp, 2016a.

_________. O ofício alheio: com um ensaio de Ítalo Calvino. Tradução Silvia


Massimini Felix. 1.ed. São Paulo: Unesp, 2016b.

Observe, ainda, no exemplo acima, que quando o nome do autor se


repete, não é necessário escrevê-lo novamente, bastando estender uma
sublinha (underline) em dois centímetros.

Quando houver mais de um autor, os nomes devem ser separados por


ponto e vírgula:

BOOTH, Wayne C.; COLOMB, Gregory G.; WILLIAMS, Joseph M. A arte da


pesquisa. Tradução Henrique A. Rego Monteiro. 2.ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2005.

Quando se tratar de obras cujo suporte seja a internet, o endereço


eletrônico passa a constituir elemento essencial da referência, sendo registrado
152
entre os sinais < >, precedido da expressão Disponível em:, e a data de acesso
ao documento, precedida da expressão Acesso em: Vejamos um exemplo:

CARVALHO, Marília Pinto de. O fracasso escolar de meninos e meninas:


articulações entre gênero e cor/raça. Cadernos pagu (22) 2004: p.247-290.
Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/cpa/n22/n22a10.pdf>, Acesso em:
10/09/2016.

Quando o documento é parte de outra obra (como o capítulo de um livro,


por exemplo), os elementos essenciais são autor(es), título da parte, seguidos
da expressão In:, e da referência completa da monografia no todo. No final da
referência, deve ser informada a paginação ou outra forma de individualizar a

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


parte referenciada. Note-se que o título da obra em que o documento está
contido, deve ser grafado em negrito:

CORAZZA, Sandra Mara. Labirintos da pesquisa, diante dos ferrolhos. In:


COSTA, Marisa Vorraber (org.). Caminhos investigativos: novos olhares na
pesquisa em educação. 2.ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002, p.105-131.

Temos, com frequência, citações de periódicos (jornais, revistas, boletins


etc.). Conforme conceituam Gilberto de Andrade Martins e Carlos Renato
Theóphilo (2016, p.175) referem-se àquelas publicações que têm frequência
periódica e “que apresentam artigos científicos, editoriais, matérias jornalísticas
ou reportagens e seções”. A referência de periódicos tem uma diferenciação nos
elementos essenciais, sequência e no destaque tipográfico (negrito, itálico ou
grifo), que recai, nesse caso, no título do periódico.

Seus termos essenciais são: título do periódico, subtítulo, local de


publicação, editora, número, volume (e/ou fascículo), data de início e de
encerramento da publicação, se houver:

153
EDUCAÇÃO & REALIDADE. Porto Alegre: UFRS/FACED, 1975 -.
Quadrimestral.

Quando a referência for de partes ou matéria existente em um periódico


(coleções, fascículo, número de revista, de jornal, caderno etc.; artigos
científicos de revistas, editoriais, matérias jornalísticas, seções, reportagens
etc.), devem ser incluídas as seguintes informações: volume, número do
fascículo, números especiais e suplementos.

EDUCAÇÃO E PESQUISA. Quadrimestral. Faculdade de Educação.


Universidade de São Paulo. São Paulo, v.29, n.1, p. 185-193, jan./jun. 2003.

EDUCAÇÃO & REALIDADE. Porto Alegre: UFRS/FACED, 1975 - .


Quadrimestral. nº 41, vol. 3, 2016.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Vejamos alguns exemplos de citação de matérias ou capítulos retirados
de periódicos:

CIDADES e territórios. Folha de São Paulo, São Paulo, 18 jun, 2016, p.2,3,6,7.
Seminários Folha.

CORAZZA, Sandra Mara. Currículo e didática da tradução: vontade, criação e


crítica. Educação & Realidade. Faculdade de Educação. Universidade Federal
do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, v. 41, n. 4, p. 1313-1335, out./dez. 2016.

SAYÃO, Rosely. A questão do gênero na escola. Folha de São Paulo. São


Paulo, 31/05/2016. Disponível em:
<http://www1.folha.uol.com.br/colunas/roselysayao/2016/05/1776526-a-questao-
de-genero-na-escola.shtml#_=_>. Acesso em: 10/10/2016.

Para o registro das referências de documentos jurídicos – legislação –


tais como Constituição, leis, resoluções, portarias e normas emanadas por
instituições públicas e privadas (ato normativo, portaria, comunicado, circular,
decisão administrativa, entre outros) segue-se o modelo padrão como
apresentado a seguir:

JURISDIÇÃO. Título do documento (se houver), data (se houver), Título da


obra: subtítulo. Edição (se houver). Local: Editora, data.

154
Veja alguns exemplos:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NOTAS TÉCNICAS. NBR 6023: Elaboração de


referências. Rio de Janeiro, ago. 2002.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6022: informação e


documentação: artigo em publicação periódica científica impressa:
apresentação. Rio de Janeiro, 2003. 5p.

BRASIL. Código Civil. 46.ed. São Paulo: Saraiva, 1995.

Para referenciar obras de imagem em movimento (filmes, DVD,


videocassetes etc.), devem ser registrados os seguintes elementos: título,
diretor, produtor, local, produtora, data e especificação do suporte em unidades
físicas.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


LIXO extraordinário. Direção: João Jardim; Karen Harley; Lucy Walker. Reino
Unido/Brasil: Angus Aynshey; O2 Filmes, 2010. 1 DVD (99 min). DVD son.,
color.
Por fim, nas referências, as obras são apresentadas em ordem alfabética
do sobrenome dos autores, nome da Instituição ou obra: como vimos, um tipo de
documento (monografia, por exemplo) pode ter um elemento inicial, para registro
na referência, diferente de outro tipo (filme, por exemplo):

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NOTAS TÉCNICAS. NBR 6023: Elaboração de


referências. Rio de Janeiro, ago. 2002.

CIDADES e territórios. Seminários Folha. Folha de São Paulo, São Paulo, 18


jun, 2016, p.2,3,6,7.

FOUCAULT, Michel. O Governo de Si e dos Outros: curso dado no Collège de


France (1982-1983) São Paulo: Editora WMF Martins Fontes, 2010b.

LIXO extraordinário. Direção: João Jardim; Karen Harley; Lucy Walker. Reino
Unido/Brasil: Angus Aynshey; O2 Filmes, 2010. 1 DVD (99 min). DVD son.,
color.

São muito variados os tipos de documentos e fontes. Caso utilize algum tipo
que não estiver contemplado na lista de situações arroladas neste módulo,
consulte a NBR 6023 da ABNT.
155
b. Glossário

Nessa seção do trabalho, optativa, efetua-se uma relação alfabética em


que se explicam os significados das palavras, termos, conceitos e “expressões
técnicas de uso restrito ou de sentido não comum na linguagem trivial que foram
utilizadas no texto” (MARTINS; THEÓPHILO, 2016, p.182).

A listagem do glossário deve ser registrada em página própria. Seu título


deve estar centralizado, escrito com todas as letras maiúsculas. O espaçamento
entre as linhas deve ser simples e entre cada item do glossário, o espaçamento
de 1,5. Não deve haver espaço entre a margem e a palavra. Entre a palavra e a
explicação do conceito, devem ser interpostos dois pontos.

c. Apêndices

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Nessa parte, são incluídos materiais complementares, elaborados pelo
próprio autor do trabalho, caso o mesmo julgue necessário ou conveniente,
em função de sua pesquisa.

d. Anexos

Nessa parte, também opcional, são incluídos materiais complementares,


textos ou documentos (gráficos, tabelas, imagens etc.), elaborados por outros
autores e servem de fundamentação, comprovação ou ilustração do trabalho, os
quais o autor julgou por bem incluir. Tal como o apêndice, os anexos devem ser
empregados com parcimônia.

Para você ter uma visualização gráfica da sequência dos elementos


acima discriminados, conforme disposto pela ABNT, apresentamos uma
ilustração:

156
ÍNDICES
ANEXOS
APÊNDICE

GLOSSÁRIO

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CONCLUSÃO

DESENVOLVIMENTO
INTRODUÇÃO

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


LISTAS (se necessário)
ABSTRACT
RESUMO
EPÍGRAFE (opcional)
AGRADECIMENTOS (opcional
DEDICATÓRIA (opcional)

FOLHA DE APROVAÇÃO

FOLHA DE ROSTO

FACULDADE CAMPOS ELÍSIOS


PEDAGOGIA
PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO ESCOLAR

ADMINISTRAÇÃO ESCOLAR E RELAÇÕES DE PODER: um


estudo sobre as racionalidades políticas nas práticas de
gestão escolar na atualidade

Clarice Pallazzi Ribeiro


Orientadora: Profa. Dra. Sônia da Silva

SÃO PAULO
2016

Em todas as páginas do trabalho, as margens devem ser constantes:

3 cm

3 cm 2 cm

157

2 cm
Também a fonte deve ser a mesma – do início ao fim (escolher entre
Times New Roman ou Arial), tamanho 12, excetuando as referências recuadas.

ATENÇÃO: a ABNT define as linhas gerais de formatação dos textos.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Entretanto, o estudante deverá consultar a normatização publicada por sua
faculdade ou normas editoriais do periódico, em caso de artigo científico, para
certificar se há alguma complementação ou orientação a ser observada na
escrita e formatação de seu texto.

Síntese

A normatização dos trabalhos científicos (trabalho de conclusão de curso,


dissertações, teses, entre outros) é realizada pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas a qual edita normas técnicas que devem ser observados
quando da redação das monografias. As monografias devem ser estruturadas
em três elementos essenciais: elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais.
Cada elemento é constituído de seções cuja formatação (margem e
alinhamento, tamanho da fonte, tipografia etc.) e sequência são especificadas
em normas próprias. Há seções que são obrigatórias e outras opcionais,

158
dependendo, estas, do que o autor julgar pertinente ou necessário em função da
natureza e abordagem de seu trabalho.

6.2 Artigo Científico

Como abordamos no quinto módulo, o artigo é um trabalho técnico-


científico escrito por um ou mais autores e constitui “parte de uma publicação
com autoria declarada, que apresenta e discute ideias, métodos, técnicas,

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


processos e resultados nas diversas áreas do conhecimento” (ABNT, 2003). Ele
pode ser de revisão (resume, analisa e discute informações já publicadas) ou
original (apresenta temas ou abordagens originais).

O artigo científico apresenta estrutura similar à monografia, devendo ser


constituído por:

 elementos pré-textuais: título e subtítulo (se houver), nome do(s)


autor(es), resumo na língua do texto e palavras-chave na língua do
texto;
 textuais: introdução, desenvolvimento e conclusão;
 pós-textuais: título e subtítulo (se houver) em língua estrangeira,
resumo em língua estrangeira, palavras-chave em língua
estrangeira, nota(s)explicativa(s), referências, glossário,
apêndice(s), anexo(s).

O texto deverá ser escrito, conforme definido pela ABNT, em editor de


texto com fonte Times New Roman ou Arial, nº 12. Entre as linhas, deverá ser
formatado o espaçamento de 1,5 e entre os parágrafos, espaço duplo. As
citações, referências e notas de rodapé, ao longo do texto, devem ser
formatadas conforme informamos no quinto módulo.
159
6.2.1 A linguagem do artigo científico

A linguagem empregada no texto é fundamental para a sua leitura e


compreensão. Para o artigo ser capaz de comunicar os resultados de um
estudo, deve-se buscar a fluidez e a clareza. Devemos escrever o texto, como
se fôssemos seus leitores (BOOTH; COLOMB; WILLIAMS, 2005).

É preciso que o texto seja generoso com o leitor, que não deixe lacunas

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


conceituais ou omita informações importantes, ao mesmo tempo em que é
recomendável que seja econômico, evitando detalhamentos desnecessários,
“firulas” e hermetismos. Assim, deve-se utilizar de uma linguagem clara, objetiva
e concisa. As frases devem ser curtas e simples, comunicando-se uma ideia por
vez.

As ideias devem ser logicamente encadeadas, devendo-se observar a


coesão e coerência em sua redação. O texto deve ser impessoal, de modo que é
recomendável o emprego da terceira pessoa do singular e do verbo na voz ativa,
com emprego das normas gramaticais e ortográficas, evitando-se o emprego de
gírias, jargões e linguagem coloquial.

A estrutura do artigo deve observar a estrutura e normas previstas pela


ABNT. É o que veremos na sequência.

6.2.2 Estrutura

a. Introdução

160
Nessa parte, o tema deve ser apresentado de maneira clara, precisa e
sintética. Não se deve, portanto, fazer considerações históricas ou antecipar os
resultados do estudo. Podemos dizer que a introdução apresenta, mas com
certo suspense, o problema e o caminho que se evidenciará ao longo do
desenvolvimento do texto. Deve conter quatro ideias básicas: o que foi
tematizado, a razão da escolha do tema, as contribuições e resultados que se
pretende alcançar e qual a trajetória traçada para solução do problema proposto
(MARTINS, THEÓPHILO, 2016).

b. Resumo

O resumo consiste na apresentação sucinta de todos os pontos


relevantes do artigo. Tem por objetivo oferecer elementos capazes de permitir ao

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


leitor decidir sobre a necessidade e interesse de consulta e leitura integral do
artigo (MARTINS, THEÓPHILO, 2016). O resumo deve evidenciar o problema,
apresentar os objetivos, a abordagem metodológica, os resultados e as
conclusões, destacando os achados da pesquisa: surgimento de fatos novos,
diferenças com análise anteriores, relações e efeitos novos verificados. Deve se
constituir pelo encaminhamento lógico de frases sucintas.

Não se utilizam parágrafos, frases negativas, fórmulas e diagramas no


resumo. Na formatação deve-se fazer uso de espaço simples entre linhas. O
texto deve alcançar até duzentas e cinquenta palavras. Há periódicos que
pedem resumo e abstract. Mas há aqueles que admitem outra língua para o
resumo em língua estrangeira.

c. Abstract

O abstract é o resumo convertido em língua inglesa. Deve ser redigido


com a mesma formatação e conteúdo do resumo na língua do texto.

d. Palavras-chave

161
Também designadas como descritores, as palavras-chave aparecem logo
na linha abaixo do resumo e devem expressar as principais ideias ou conceitos
movimentados pelo artigo. Sua quantidade varia de três a cinco.

e. Desenvolvimento

Essa é a parte principal e mais extensa do artigo. Nela, devem ser


apresentados a fundamentação teórica, a metodologia de investigação
empregada, os resultados alcançados e a discussão.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Nos artigos de revisão, evidentemente, não serão registrados elementos
como material de análise, metodologia de investigação e resultados alcançados.

f. Considerações Finais

Essa é a parte da conclusão em que são respondidas as questões da


pesquisa, a consecução dos objetivos do estudo e as hipóteses que foram
confirmadas, informando se o problema proposto foi atingido. Seu conteúdo
compreende, basicamente, “afirmação sintética da ideia central do trabalho e
dos pontos relevantes apresentados no texto” (MARTINS; THEÓPHILO, 2016,
p.224). É interessante que sejam apontados sugestões de outra pesquisa e/ou
novos enfoques vislumbrados pelo autor para trabalhos futuros a partir dos
resultados da pesquisa comunicada.

g. Referências bibliográficas

162
Nessa parte, são relacionadas as referências bibliográficas consultadas
para elaboração do artigo, na mesma configuração apontada quando
desenvolvemos os elementos pós-textuais da monografia.

Síntese

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Os textos dos artigos científicos deverão contem três partes essenciais:
introdução, desenvolvimento e conclusão. Deve-se buscar uma linguagem clara,
concisa, simples e objetiva.

6.3 Considerações finais

Com o fim do Módulo 6, finalizamos a disciplina Técnicas. Neste,


apresentamos a estruturação formal do artigo científico e da monografia.

Lembramos que a consulta às referências bibliográficas e as indicações


de leitura complementam toda discussão aqui apresentada.

Por fim, para socializarmos algumas ideias e partilharmos dúvidas desse


último módulo e inquietações conversaremos por meio do nosso fórum e
lançaremos algumas questões para verificação da sua aprendizagem.
163
Esperamos que o caminho da disciplina, que até aqui percorremos, lhe
tenha sido útil no sentido de fornecer algumas coordenadas e noções para a
construção e registro de seu estudo, que tenha lhe dado uma ideia da
elaboração de um trabalho de pesquisa, desde sua concepção (a escolha do
tema, a problematização, a definição de um caminho metodológico etc.) e
permitido visualizar caminhos possíveis de investigação, informações úteis
quanto à normatização do registro de uma monografia e de um artigo.

Referências Bibliográficas

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Módulo 1

ALVES, Rubem. Filosofia da ciência: introdução ao jogo e suas regras. 19. ed.
São Paulo: Edições Loyola, 2015.

ARANHA, Maria Lúcia de Arruda. Filosofando: introdução à Filosofia. 2. Ed. São


Paulo: Editora Moderna, 2002.

BECHARA, Evanildo. Dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova


Fronteira, 2011.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica.


São Paulo: Atlas, 2004.

MARTINS, Mirian Celeste; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria Terezinha Telles.


Didática do ensino da arte: a língua do mundo. Poetizar, fruir e conhecer arte.
São Paulo: FTD, 1998.

ROVELLI, Carlo. Sete breves lições de física. Rio de Janeiro: Objetiva, 2015.

RUSSELL, Bertrand. História do pensamento ocidental: a aventura dos pré-


socráticos à Wittgenstein. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

164
VILLAS BOAS, Cláudio e Orlando. Histórias do Xingu. São Paulo: Companhia
das Letrinhas, 2013.

Módulo 2

ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. 5.ed. São Paulo: Martins Fontes,


2007.

BACHELAR, Gaston. Ensaio sobre o conhecimento aproximado. Tradução


Estela dos Santos Abreu. Rio de Janeiro: Contraponto, 2004.

BUNCKINGHAM, Will et alii. O livro da filosofia. Tradução Rosemarie

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Ziegelmaier. São Paulo: Globo, 2011.

CERVO, Amado L. ; BERVIAN, Pedro A. Metodologia Científica. 5.ed. São


Paulo: Prentice Hall, 2002.

COSTA, Marisa Vorraber (Org.). Caminhos Investigativos: novos olhares na


pesquisa em educação. 2. ed. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

CUNHA, Antônio Geraldo da. Dicionário etimológico da língua portuguesa. 4.ed.


Rio de Janeiro: Lexikon, 2010.

DEMO, Pedro. Metodologia da Investigação em Educação. Curitiba: Ibpex, 2005.

DESCARTES, René. Discurso del Método. Edición: Disponível em eBooket


www.eBooket.net. Disponível em http://www.dominiopublico.gov.br/download
/texto/bk000197.pdf. Acesso em 09/10/2016.

_________. Discurso do método; As paixões da alma; Meditações; Objeções e


respostas; Cartas. Introdução Gilles-Gaston Granger. Tradução J. Guinsburg e
Bento Prado Junior. 4ed. – Coleção Os Pensadores. São Paulo: Nova Cultural,
1988.

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JAPIASSÚ, Hilton; MARCONDES, Danilo. Dicionário básico de filosofia. 4ed. Rio
de Janeiro: Zahar, 2006.

LAKATOS, Eva Maria; MARCONI, Marina de Andrade. Metodologia Científica. 4.


ed. São Paulo: Atlas, 2004.

LALANDE, André. Vocabulário Técnico e Crítico da Filosofia. 3.ed. São Paulo:


Martins Fontes, 1999.

RUSSEL, Bertrand. História do pensamento ocidental: a aventura dos pré-


socráticos a Wittgenstein. Tradução Laura Alves, Aurélio Rebello. Rio de
Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

WEINBERG, Steven. Para explicar o mundo: a descoberta da ciência moderna.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Tradução Denise Bottmann. São Paulo: Companhia das Letras, 2015.

Módulo 3

BECHARA, Evanildo. Dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova


Fronteira, 2011.

BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza.


Fundamentos de metodologia científica: um guia para a iniciação científica. 2 ed.
São Paulo: Makron Books, 2000.

BRASIL. Lei Federal 9.394, de 20 de dezembro de 1996.

LARROSA, Jorge. Leitura, experiência e formação. In: COSTA, Marisa Vorraber


(org.). Caminhos Investigativos: novos olhares da pesquisa em educação. 2. Ed.
Rio de Janeiro. DP&A, 2002.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica.


São Paulo: Atlas, 2004.

___________. Metodologia do trabalho Científico. 6 ed. São Paulo: Atlas, 2001.

PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar. Metodologia do trabalho


científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2 ed. Novo
Hamburgo, Rio Grande do Sul: Universidade FEEVALE, 2013.
166
RUSSELL, Bertrand. História do pensamento ocidental: a aventura dos pré-
socráticos à Wittgenstein. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2015.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho Científico. 22 ed. São


Paulo: Cortez, 2002.

SOUZA-SILVA, Jader C.; DAVEL, Eduardo. Concepções, práticas e Desafios na


formação do Professor: examinando o caso do ensino superior de Administração
no Brasil. O&S - v.12 - n.35 - Outubro/Dezembro – 2005.

Técnicas em Pesquisa e Construção de Texto


Módulo 4

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: referências:


elaboração. Rio de Janeiro, ago. 2002a.

___________. NBR 10520: informação e documentação: apresentação de


citações em documentos. Rio de Janeiro, ago. 2002b.

___________. NBR 6022: Informação e documentação - Artigo em publicação


periódica científica impressa – Apresentação. Rio de Janeiro, maio 2003.

___________. NBR 14724: Informação e documentação - Trabalhos acadêmicos


– Apresentação. Rio de Janeiro, ago. 2002c.

BECHARA, Evanildo. Dicionário da língua portuguesa. Rio de Janeiro: Nova


Fronteira, 2011.

BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza.


Fundamentos de metodologia científica: um guia para a iniciação científica. 2 ed.
São Paulo: Makron Books, 2000.

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PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar. Metodologia do trabalho


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SARMENTO, Leila Lauar. Gramática em textos. 3 ed. São Paulo: Moderna,


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ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 6023: referências:


elaboração. Rio de Janeiro, ago. 2002a.

___________. NBR 10520: informação e documentação: apresentação de


citações em documentos. Rio de Janeiro, ago. 2002b.

___________. NBR 14724: Informação e documentação - Trabalhos acadêmicos


– Apresentação. Rio de Janeiro, ago. 2002c.

___________. NBR 6022: Informação e documentação - Artigo em publicação


periódica científica impressa – Apresentação. Rio de Janeiro, maio 2003.

BARROS, Aidil Jesus da Silveira; LEHFELD, Neide Aparecida de Souza.


Fundamentos de metodologia científica: um guia para a iniciação científica. 2 ed.
São Paulo: Makron Books, 2000.

BOOTH, Wayne C.; COLOMB, Gregory G.; WILLIAMS, Joseph M. A arte da


pesquisa. Tradução Henrique A. Rego Monteiro. 2.ed. São Paulo: Martins
Fontes, 2005.

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COSTA, Marisa Vorraber (org.). Caminhos investigativos: novos olhares da
pesquisa em educação. Rio de Janeiro: DP&A, 2002. p. 105-131.

MARCONI, Marina de Andrade; LAKATOS, Eva Maria. Metodologia Científica.


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MARTINS, Gilberto de Andrade; THEÓPHILO, Carlos Renato. Metodologia da


investigação científica para ciências sociais aplicadas. 3.ed. São Paulo: Atlas,
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PRODANOV, Cleber Cristiano; FREITAS, Ernani Cesar. Metodologia do trabalho
científico: métodos e técnicas da pesquisa e do trabalho acadêmico. 2 ed. Novo
Hamburgo, Rio Grande do Sul: Universidade FEEVALE, 2013.

SEVERINO, Antônio Joaquim. Metodologia do trabalho Científico. 22 ed. São


Paulo: Cortez, 20

171

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