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SERVIÇO PÚBLICO FEDERAL


UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARÁ
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS DO PATRIMÔNIO
CULTURAL – PPGPatri

NÚMERO DE INSCRIÇÃO: _______________


LINHA DE PESQUISA: Patrimônio e Sociedade

1. TÍTULO

PATRIMÔNIO CERÂMICO DA COMUNIDADE OLEIRA DE ICOARACI


(PA): Gênero e Identidade Local

2. INTRODUÇÃO

A presente pesquisa, intitulada “Patrimônio Cerâmico da Comunidade Oleira de


Icoaraci (PA): Gênero e Identidade Local”, é uma proposta de trabalho desenvolvida no chão
da escola, com o propósito de instigar nos alunos a consciência da necessidade de conceituar,
apropriar, valorizar e conservar os bens patrimoniais (patrimônio cerâmico) da comunidade
local. A temática foi inspirada a partir da minha experiência ao longo de 14 anos como
professora de História na rede pública de ensino no Distrito de Icoaraci, em Belém (PA) e
amadurecido durante as aulas de Ensino de História e Patrimônio Histórico, disciplina ofertada
pelo Curso de Especialização em Ensino de História da Universidade Federal do Pará no ano
de 2017. Discutir esta temática com alunos da rede básica de ensino visa, pedagogicamente,
conduzir com base no conceito de Patrimônio Cultural desenvolvido por Funari1, e reforçado
pelo entendimento do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN):

O Patrimônio Cultural não se restringe apenas a imóveis oficiais isolados, igrejas ou


palácios, mas na sua concepção contemporânea se estende a imóveis particulares,

1
Funari (2008, p. 11), a educação patrimonial “constitui um campo de ação, por definição, inter e transdisciplinar.
Insere-se nas preocupações pedagógicas e não pode ser dissociada das discussões sobre o sentido mesmo do
ensino”.
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trechos urbanos e até ambiente naturais de importância paisagística, passando por


imagens, mobiliário, utensílios e outros bens móveis (IPHAN, 2009).

O conceito de Patrimônio e de preservação das manifestações culturais, neste caso, parte


da preservação da produção de artefatos ao estilo Marajoara pelas ceramistas de Icoaraci, por
meio de um projeto de educação patrimonial desenvolvido nas escolas públicas do distrito, com
o objetivo principal de fazer com que a comunidade do local seja a maior responsável pela
conservação de seu legado cultural.
Essa necessidade em elaborar essa discussão, remonta uma observação feita por mim
acerca do trato que os alunos das escolas públicas estaduais de Icoaraci, moradores desta
comunidade têm com a cerâmica produzida naquele lugar. Foi observada a presença de uma
consciência histórica2 entre esses moradores de que a produção da cerâmica “arqueológica” no
distrito é uma prática naturalizada nos moldes que sempre atuou e restrita à responsabilidade
dos oleiros da localidade. É como se estivessem isentos do processo de apropriação,
reconhecimento e valorização dessa atividade, demonstrando com isso, real desconhecimento
acerca do conceito de Patrimônio. Nossa intenção nesta proposta é fazer com que por meio de
uma pesquisa bibliográfica e etnográfica, com visitas à comunidade oleira de Icoaraci,
entrevistas com moradores e registros fotográficos, nossos alunos da rede pública estadual do
distrito de Icoaraci da Escola Estadual Avertano Rocha, Escola Estadual Jorge Lopes Raposo,
Escola Estadual Poranga Jucá e Escola Estadual Coronel Sarmento, compreendam e sejam
multiplicadores do entendimento de que a cerâmica “arqueológica” produzida nas olarias de
Icoaraci é sim um bem patrimonial, e que esses alunos precisam despertar o sentimento de
pertencimento dessa atividade como principais atores sociais que são, além de os fazer
reconhecer que as mulheres ceramistas desta comunidade oleira têm fundamental importância
como guardiã da memória e da história desse lugar.
Essa proposta permeia as discussões referenciadas à Educação Patrimonial, como uma
nova abordagem, um novo olhar no que diz respeito ao bem patrimonial. A partir desta ideia,

2
Para Rüsen (2001), a consciência histórica é algo amplo e elementar do pensamento histórico, está relacionada
com a vida humana prática, pois as interpretações que os homens fazem da evolução temporal orientam, de maneira
intencional, suas práticas no tempo. Ao configurar a consciência histórica, o homem articula em sua vida prática
a experiência e as intenções no tempo, orientando o agir e o sofrer no tempo. A consciência histórica é, assim, o
modo pelo qual a relação dinâmica entre experiência do tempo e intenção do tempo se realiza no processo da vida
humana. [...] A consciência histórica é o trabalho intelectual realizado pelo homem para tornar suas intenções de
agir conformes com a experiência do tempo. Esse trabalho é efetuado na forma de interpretações das experiências
do tempo. Estas são interpretadas em função do que se tenciona para além das condições e circunstâncias dadas
da vida. (RÜSEN, 2001, p. 58-59)
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especula-se aqui, a seguinte proposição: como se discutir a questão do Patrimônio do passado


para ser valorizado nos dias de hoje? Questionei-me, variadas vezes, como eu poderia usar esse
passado, as formas de representação desse passado e a simbologia desse passado para discutir
as questões do presente. Este seria o caminho a percorrer para o entendimento acerca do
conceito de Patrimônio cultural. O sentimento de pertencimento em relação a esse Patrimônio
Cultural, seria o princípio norteador desta empreitada.
Como filha de Icoaraci, distrito de Belém e mais importante polo produtor e
divulgador de cerâmica ao estilo Marajoara, cresci ouvindo falar daqueles artesãos que foram
responsáveis pela produção de ícones, tracejados, estilos e réplicas da cultura material das
civilizações que existiram na Amazônia há milhares de anos. Em meio a comunidade
icoaraciense, é uma prática muito corriqueira ecoar, em alto e bom som, os nomes dos Mestre
Raimundo Cardoso, Mestre Cabeludo, Mestre Rosemiro, com os quais tive o prazer em ser
colega de trabalho no Liceu Escola de Artes e Ofícios Mestre Raimundo Cardoso, no Bairro do
Paracuri em Icoaraci, escola que desenvolve práticas pedagógicas envolvendo a cerâmica, entre
tantos outros mestres artesãos e as suas significativas contribuições para o desenvolvimento da
produção da cerâmica nesse distrito.
O fato é: os objetos cerâmicos de Icoaraci, verdadeiros Patrimônios vivos,
transformaram-se em fortes vetores simbólicos e tradicionais da região, reforçando uma
identidade paraense inspirada pela cultura material indígena da Ilha do Marajó.
Dada tamanha relevância à dita tradição artesanal, intrigou-me saber que nas mais de
200 olarias3 presentes em Icoaraci, em quase todas, há a preponderância do trabalho das
mulheres na produção dos artefatos e apesar de deterem os saberes e os modos de confecção
dessa arte, nem como mestras são chamadas. As conhecemos em meio aos oleiros do distrito,
como Dona Inês, Dona Zuíla, Dona Fausta, Dona Lucinha, entre tantas outras “Donas”.
Quando indagadas se a ausência deste título (mestras) as incomodavam, disfarçavam
em um tímido sorriso justificando esse fato à presença dos oleiros estarem sempre à frente das
principais decisões tomadas em reuniões que envolvesse questões de interesse coletivo. De
forma muito sutil, apontavam as diversas vezes em que não foram convidadas para serem
ouvidas em entrevistas de jornais ou revistas locais. Como bem lembra a artesã Célia:

São somente “eles” (artesãos), que são chamados para falar em nome de todos. Tem
gente aqui que só comercializa o produto final e fala como se soubesse ao menos
queimar as peças”.

3
Infomação fornecida pela SOAMI – Sociedade de Artesãos e Amigos de Icoaraci
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A naturalização da importância do trabalho da produção da cerâmica ao design


“arqueológico” desses ceramistas aparece com muita clareza nas pesquisas acadêmicas acerca
dessa temática, mas como não evidenciar o papel daquelas que estão silenciadas e que, no
entanto, estão diretamente envolvidas à continuidade desta tradição? Ao que se percebe em seus
relatos, é que essas ceramistas possuem uma relação afetiva diretamente ligada ao ofício que
exercem. Muitas aprenderam o ofício que, em muitos casos, é a única fonte de renda familiar,
com suas mães e hoje repassam esse conhecimento para filhos e netos. No entanto, é necessário
registrar as muitas dificuldades que essas ceramistas sofrem para garantir a confecção e
comercialização desses artefatos cerâmicos, da escassez da matéria-prima e até da falta de
incentivos governamentais. Tamanha são as precariedades vivenciadas por essas mestras e
compartilhadas com seus familiares, que sinaliza para um não interesse dos jovens desta
comunidade em dar continuidade a essa atividade artesanal. Tal análise, é feita através dos
relatos das ceramistas que expõem seus sentimentos de tristeza e angústia ao afirmarem que
com muita luta tentam repassar esse conhecimento, no entanto defrontam-se à resistência dos
filhos e netos que dizem almejar um futuro diferente ao da mãe/avó. Foi justamente o
encorajamento dessas mulheres que construíram suas experiências, produziram seu trabalho,
dando visibilidade aos seus feitos, que conduziu o desejo em investigar para se chegar a um
entendimento do quanto contribuem para dá continuidade à uma prática muito antiga de valor
utilitário e simbólico que nasceu de um conhecimento técnico apurado e que continua a ser
transmitidos muitas vezes graças às mulheres e pelos processos produtivos tradicionais.
Saber quem foram elas, como viviam ou vivem e também sobrevivem, nos direciona a
pensar o trabalho e a obra das mulheres ceramistas do Distrito de Icoaraci pelo viés de um olhar
mais feminino. Nesta perspectiva, recorreremos à Michele Pollak (1898 e 1992), acerca do
conceito sobre a importância da memória individual e coletiva e a construção de identidade
social, além de utilizar os conceitos de Jacques Le Goff (1990), sobre os vínculos de memória
entre as gerações humanas, na medida que entendemos que é através da memória que nos
orientamos para compreender o passado e o comportamento de um determinado grupo social.
São as mãos queimadas, pela proximidade do forno quente, são os dias em que
amanhecem doentes sem condições para o trabalho, é a desvalorização do preço a pagar pelo
consumidor que agregam ou não valor às peças produzidas e, ao mesmo tempo, contribuem
para que as pessoas que dependem dessa atividade possam repensar no fazer cerâmico. Afinal
quais são seus benefícios? Quais são as perspectivas para que tenham melhor qualidade de vida?
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São muitos os questionamento e um único direcionamento: por meio das memórias das
mulheres ceramistas, seus modos de socialização e representações de vida cotidiana é possível
conceber a construção de suas identidades.

FONTE: Elaborada pela autora, 2019.


Diante ao exposto, trazemos mais uma reflexão que permeia pelos conceitos de
sustentabilidade e desenvolvimento local. Ao identificar um processo de baixa autoestima
desses jovens, elemento de fundamental importância para escolher os caminhos de
desenvolvimento dessa cultura local, fica comprometido o processo de valorização do
patrimônio e da memória dessa arte, haja vista, que só valoriza ao que se sente pertencente.
Na busca de sensibilizar alunos do terceiro ano do Ensino Médio da rede pública de
ensino das escolas já mencionadas para uma consciência de preservação do Patrimônio, foi
dimensionado a elaboração de uma Feira Itinerante de artefatos cerâmicos, elaborados “por
elas” (ceramistas de Icoaraci), desenhados pelas mãos da Mestra Zuíla, queimados pela ação da
Mestra Lucinha, comercializados pela Mestra Fausta e apresentados por tantas outras mestras.
A feira foi realizada nos espaços das Escolas Públicas de Icoaraci, antecedidas sempre por
palestras educativas, que relatam as experiências dessas oleiras, ministradas pelas próprias
ceramistas que usaram a oportunidade para apresentarem suas experiências cotidianas
relacionadas às práticas ceramistas que desenvolvem, além de oportunizar as gerações
vindouras conhecer a sua história e também reconhecer a importância da apropriação e da
valorização da Produção Cerâmica na construção de uma identidade local.
A escolha desta temática que envolve de educação patrimonial coloca em evidência o
que registra a professora Anna Maria Linhares (2015), quando afirma:
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O espaço de exibição para espetacularização por si só se


encarrega de promover a memória de certos bens culturais e as histórias que os
envolve a fim de estabelecer, nesse caso, a construção de identidade, haja vista que
todos aqueles bens que ali se encontram são frutos de escolhas conscientes.
(LINHARES, 2015, p. ???)

E também as reflexões do professor Néstor Garcia Canclini (1994) ao salientar que

[o] patrimônio existe como força política na medida em que é teatralizado: em


comemorações, monumentos e museus (...). A teatralização do patrimônio é um
esforço para simular que há uma origem, uma substância fundadora (...). Essa é a base
das políticas culturais autoritárias. O mundo é um palco, mas o que deve ser
apresentado já está prescrito. (CANCLINI, 1994, p. 162).

Não queremos aqui desmerecer ou menosprezar o trabalho árduo e as conquistas dos


oleiros desse distrito. Desejamos conscientizar os alunos da rede pública estadual de ensino de
Icoaraci acerca da importância da criação, valorização e preservação do patrimônio cerâmico
local os fazendo compreender o referido processo a partir da perspectiva e percepção das
ceramistas da Comunidade Oleira de Icoaraci, possibilitando assim, o reconhecimento e
visibilidade à capacidade de expressão criativa das mulheres que reconhecem as técnicas usadas
no passado e desenvolvem técnicas para sua produção ceramista no presente, acabando por
construir uma memória que há muito tempo foi extinta.

3. JUSTIFICATIVA

Uma das preocupações de pesquisadores e historiadores remete-se às questões acerca


do trato da conservação de certas informações para que o passado não seja completamente
esquecido. Nesse sentido, não há como negligenciar a importância da memória e do patrimônio,
já que entendemos na condição de professora pesquisadora, que a verdadeira riqueza do
patrimônio de um povo não está em seus monumentos, em suas obras de arte ou em seu saber
coletivo, mas na capacidade desse povo em valorizá-los. Daí acreditarmos na importância deste
projeto, que visa a conscientização dos alunos da rede pública de ensino do distrito de Icoaraci-
PA, sobre a importância de se preservar seus patrimônios e a história do lugar em que vivem.
A elaboração desta proposta de pesquisa parte do princípio de que o patrimônio cultural
se forma a partir de referências culturais que estão muito presentes na história de um grupo e
que foram transmitidas entre várias gerações. São elementos tão importantes para o grupo que
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adquirem o valor de um bem - um bem cultural - e é por meio deles que o grupo se vê e quer
ser reconhecido pelos outros.
Naturalizado como Patrimônio Cerâmico da Comunidade Oleira de Icoaraci, essa
condição possibilita que a produção e comercialização da cerâmica “arqueológica”, hoje
conhecida nacional e internacionalmente, torne possível hoje o sustento de centenas de pessoas.
Mais que uma questão econômica, depreende-se aqui a relação afetiva estabelecida entre os
envolvidos com a produção desta arte. Em especial às ceramistas que desde muito cedo
aprenderam o ofício e internalizaram serem as responsáveis pela perpetuação desta atividade.
Uma vez escolhida a cerâmica marajoara como símbolo da identidade cultural brasileira,
desde o século XIX, momento em que o Estado Imperial Nacional precisava escolher uma
identidade, não se sabia ao certo a proporção que essa escolha iria tomar para a sociedade
icoaraciense, quando através do “Mestre Cabeludo” foi realizada a primeira inserção de
grafismo indígena na cerâmica produzida no local.
O que se sabe ao certo é que, atualmente, à cultura Marajoara foi atribuída um novo
significado pela comunidade oleira do Distrito de Icoaraci no que se refere à produção da
cerâmica “arqueológica”. Essa ressignificação, apresenta-se na forma de representações
simbólicas que acabam por denotar um novo sentido à sua existência. A essa discussão
recorremos aqui a Eric Hobsbawm (1995) quando define as “tradições inventadas” como um
conjunto de práticas, normalmente governadas por regras aceitas aberta ou tacitamente, de
natureza simbólica ou ritual, que buscam inculcar certos valores e normas de comportamento
pela repetição, que automaticamente implica continuidade com o passado. As tradições
inventadas, ainda segundo Hobsbawm (op. cit. 12), usam as referências ao passado não apenas
para trabalhar coesão social, mas também para legitimar suas ações. Dadas as muitas
ressignificações que esse passado pode se apresentar, destaca-se aqui o uso dessas
reconstruções no uso político, como bem registra a professora Anna Maria Linhares:

Projetos políticos imperiais objetivavam a construção de determinada imagem do ín


dio para figurar nos projetos de identidade nacional, tais regras foram estabelecidas
mediante o diálogo entre ciência e política, inculcando a ideia de um suposto passado
marajoara, quiçá civilizado, no pensamento social brasileiro. (LINHARES, 2015, p.
7)

Entre as apropriações públicas propriamente ditas, a apropriação das heranças culturais


das sociedades arqueológicas dentro da comunidade oleira de Icoaraci já se apresentam
naturalizadas e com uma dinâmica própria, fato constatado pela literatura científica e por mim
em meio às várias idas às olarias do Paracuri, Icoaraci, Belém (PA). Quando realizava alguma
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ação educativa das escolas onde ministro as aulas de História, percebi a realização do processo
de criação dos artefatos pelas ceramistas que com muito cuidado manuseiavam aquela
atividade. Observava sua afeição com aquela peça, que mais parecia um carinho de mãe que
uma simples ação rotineira. Sempre quis conhecer os mecanismos utilizados pelos artesãos para
transformarem argila em obras de arte. Afinal, o conhecimento que se tem a respeito da
confecção desses artefatos tem início e fim na Feira do Artesanato localizada na Orla de
Icoaraci, onde se contempla e adquirem as peças.
Em meio às muitas conversas informais, feitas com ceramistas que desenvolvem a arte
desde a infância, uma fala me chamou atenção. Fiz uma colocação indevida, quando identifiquei
um artesão como oleiro, imediatamente, fui retificada “ele não é oleiro, oleiro é aquele que sabe
trabalhar com o torno”. Essa correção me despertou para buscar embasamento sobre as etapas
e tarefas que estes artesãos realizam, desde a extração da argila, passando pelo design, pela
queima das peças, pela pintura até comercialização da arte.

Quadro 1 – Tarefas e Etapas da produção


ETAPAS DA PRODUÇÃO TAREFAS/SERVIÇOS HABILIDADES/FUNÇÕES
Retirada
Barreirense
Matéria Prima Limpeza
Boleiro
Preparo da Argila
Fazer (levantar) a peça no
Oleiro
Modelagem torno, em placas, e no
Torneador
rolinho (acordelamento).
Desenho Desenhar, Nicar Desenhista
Pintura Brunir, Pintar, Encaliçar Brunidor (bornidor), Pintor
Queima Fazer forno, queimar Forneiro
Fonte: Tavares (2012)

Sem carteira assinada, sem políticas públicas voltadas para atender as demandas
emergentes, as questionava como concebiam o trabalho que realizavam. Percebi, em meio às
suas respostas a gratidão a seus familiares, geralmente às suas mães que repassavam o
conhecimento da arte e foram responsáveis por garantir um ofício a essas mulheres que na luta
pela sobrevivência, destinam suas forças para garantir a sustentabilidade de suas famílias. Como
bem afirma a mestra Zuíla:

Criei todos os meus filhos com este ofício. Pra mim essas peças valem mais do que
dinheiro, me fazem lembrar de minha mãe. É só o que eu sei fazer. Assim como minha
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mãe me ensinou, também ensinei meus filhos, que não seguiram o meu exemplo. Cada
um foi estudar e seguiu seu rumo.

FONTE: Elaborada pela autora, 2019.


As palavras da ceramista nos remetem ao ensinamento dos historiadores Pedro Paulo
Funari e Sandra C. A. Pelegrini:

Hoje, quando falamos em patrimônio, duas idéias vêm a nossa mente. Em primeiro
lugar pensamos nos bens que transmitimos aos nossos herdeiros - e que
podem ser materiais, como uma casa ou uma jóia, com valor monetário determinado
pelo mercado. Legamos, também, bens de pouco valor comercial, mas de grande
significado emocional, como uma foto, um livro autografado ou uma imagem
religiosa do nosso altar doméstico. Tudo isso pode ser mencionado em um testamento
e constitui o patrimônio do indivíduo. (FUNARI; PELEGRINE, 2006, p. 9).

Essa afirmação me deixou ainda mais angustiada, quando percebo que aquilo que eu
aprendi desde que nasci e que para mim é motivo de orgulho: a produção cerâmica de Icoaraci,
reconhecida pela beleza e singularidade local, encontra-se ameaçada. Já que não se trata
simplesmente em aprender o ofício, através de um curso programado, uma vez que não são
todos que conseguem administrar com perfeição cada etapa da produção. Afinal, fazer artefato
requer habilidade, conhecimento e precisão manual. A questão vai bem mais além: se os jovens
que estão diretamente ligados às famílias de ceramistas, optam por não desempenharem a arte
oleira, então essa atividade estará fadada ao esquecimento.
Essa reflexão traz à tona a magnitude da temática da preservação dos bens patrimoniais
ameaçados pelo aumento dos processos de globalização cultural, com a Globalização,
ampliação das facilidades de comunicação e, consequentemente, a transmissão dos valores
culturais. Fato mais do que constatado quando evidenciamos a cidade cada vez mais um espaço
dos negócios, das empresas, do capital, eis o temor que suscita da perda das identidades, das
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memórias locais. Nossos alunos vivem em meios às TICs (Tecnologias da Informação e


Comunicação), seja checando seus e-mails, ouvindo música ou participando dos jogos virtuais.
Atividades que não envolvam interação não os mobilizam à participação. Este quadro desperta
para um novo momento que nossos jovens estão vivendo. Suas ações ganharam novas
conotações, no entanto, precisam ganhar novos olhares no que diz respeito a seus
posicionamentos. Seria então a escola o espaço aberto para realizar essa análise, discussão e
reflexão da realidade. Afinal, é nesse espaço que estão sendo formados “cidadãos conscientes”,
que contribuirão para o desenvolvimento da comunidade nos vários setores.
Neste sentido, evidenciamos ser de fundamental importância a inserção de projetos que
trabalhem as questões sociais, culturais e ambientais dentro da unidade escolar, para que o aluno
analise, discuta e reflita sobre o que deve ser melhorado, não só no ambiente escolar mas na
comunidade geral.
É com este propósito que apresentamos esta proposta de Educação Patrimonial, pensada
em nutrir conhecimento revelador da importância pela preservação do Patrimônio Cultural
como um fator extremamente relevante, para fazer com que a Educação Patrimonial seja
reconhecida como um processo participativo entre escola e comunidade em um
compartilhamento de conhecimentos. A ideia que aqui se encaminha de Educação Patrimonial
busca levar às crianças e adultos a um processo ativo de conhecimento, apropriação e
valorização de sua herança cultural, capacitando-os para um melhor usufruto destes bens.
Partiremos do princípio de que o passado é sempre construído a partir do presente e em
função do presente. Como disse Moore (1995, p. 51): “nossas representações criativas do
passado são moldadas não pelo que sabemos ser verdadeiro sobre o passado, mas o que
acreditamos ser verdadeiro sobre o presente”.
Esta proposta é entendida como uma nova abordagem da aula de História ao que se
refere a valorização e a preservação do bem patrimonial. Daí a necessidade de aqui demonstrar
a importância da aula de história, como afirma historiador britânico Eric Hobsbawn, no final
do século XX:

A destruição do passado – ou melhor, dos mecanismos sociais que vinculam nossa


experiência pessoal às das gerações passadas – é um dos fenômenos mais
característicos e lúgubres do final do século XX. Quase todos os jovens de hoje
crescem numa espécie de presente contínuo, sem qualquer relação orgânica com o
passado público da época em que vivem. Por isso, os historiadores cujo ofício é
lembrar o que os outros esquecem, tornam-se mais importantes do que nunca no fim
do segundo milênio”. (HOBSBAWM, 1995, p. 13).
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Como afirma Circe Bittencourt (2009), “Dar aula” é uma ação complexa que exige o
domínio de vários saberes característicos e heterogêneos. E mais, “os professores mobilizam
em seu ofício os saberes das disciplinas, os saberes curriculares, os saberes da formação
profissional e os saberes da experiência”. (BITTENCOURT, 2009, p. 51).

O papel do professor na constituição das disciplinas merece destaque. Sua ação nessa
direção tem sido muito analisada, sendo ele o sujeito principal dos estudos sobre
currículo real, ou seja, o que efetivamente acontece nas escolas e se pratica nas salas
de aula. O professor é quem transforma o saber a ser ensinado em saber apreendido,
ação fundamental no processo de construção do conhecimento. Conteúdos, métodos
e avaliações constroem-se nesse cotidiano e nas relações entre professores e alunos.
Efetivamente, no ofício do professor o saber é constituído, e a ação docente não se
identifica apenas com a de um técnico ou a de um “reprodutor” de um saber produzido
externamente. (BITTENCOURT, 2009, p. 50 - 51).

A responsabilidade em dominar conteúdos básicos como o conceito de Patrimônio


Cultural, que são objetos de ensino-aprendizagem no Ensino Fundamental e Médio para a
transmissão destes conteúdos em diferentes níveis de ensino, passa ser considerada etapa
primordial nesta empreitada, haja vista, que em um passado não tão distante contribui na
condição de educadora, de forma circunstancial para que o Patrimônio Consolidado fosse
entendido como único meio de entendimento acerca do conceito de bem patrimonial.
A questão é bem relevante. Discentes e os próprios docentes que apresentam uma
formação acadêmica deficiente, no que se refere à Educação Patrimonial, desconhecem total ou
parcialmente as Políticas Patrimoniais de preservação dos bens culturais, de leis referentes ao
Patrimônio Cultural. Cabe então aqui concentrar a preocupação neste trabalho, no sentido de
dar uma contribuição para o aprofundamento da Educação Patrimonial nas unidades escolares
da rede pública estadual do Distrito de Icoaraci.
Outro atributo também importante para ser mensurado nesta discussão são as
dificuldades por que passam essa importante parcela da sociedade paraense: a comunidade
oleira de Icoaraci. As falas de protestos desses artesãos, em relação à ausência do poder público,
implicam identificar as muitas dificuldades por que passa o processo produtor da Cerâmica
“arqueológica”. Fragilidades relacionadas desde a extração de argila até a segurança e
infraestrutura do local. Dificuldades de toda ordem também são responsáveis pelo temor que
nos move a problematizar tal discussão: a continuidade desta atividade no estado do Pará. Já
que:

O fazer cerâmica, inclui-se no objeto dos direitos culturais que na sua abrangência
contempla o processo de formação de indivíduos, o reconhecimento de formas de vida
em suas dimensões simbólicas e materiais, o direito à criação, à fruição, à difusão de
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bens culturais, além do direito à memória e a participação nas decisões de políticas


culturais (SILVA; ARAÚJO, 2010,p.122).

A consolidação desses direitos deve ser efetivada pelo Estado conforme preceitua a
Constituição Federal de 1988 que foi profícua na garantia de direitos na área da cultura popular
e patrimônio:

Art. 215 - O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso
às fontes da cultura nacional, e incentivará a valorização e a difusão das manifestações
culturais.
123 § 1º - O Estado protegerá as manifestações das culturas populares, indígenas e
afro-brasileiras, e das de outros grupos participantes do processo civilizatório
nacional;
§ 2º - A lei disporá sobre a fixação de datas comemorativas de alta significação para
os diferentes segmentos étnicos nacionais;
§ 3º A lei estabelecerá o Plano Nacional de Cultura, de duração plurianual, visando
ao desenvolvimento cultural do País e à integração das ações do poder público que
conduzem à:
I - defesa e valorização do patrimônio cultural brasileiro;
II - produção, promoção e difusão de bens culturais;
III - formação de pessoal qualificado para a gestão da cultura em suas múltiplas
dimensões;
IV - democratização do acesso aos bens de cultura;
V - valorização da diversidade étnica e regional;
Art. 216 - Constituem patrimônio cultural brasileiro os bens de natureza material e
imaterial, tomados individualmente ou em conjunto, portadores de referência à
identidade, à ação, à memória dos diferentes grupos formadores da sociedade
brasileira, nos quais se incluem:
I - as formas de expressão;
II - os modos de criar, fazer e viver; conhecimento;
III - as criações científicas, artísticas e tecnológicas;
IV - as obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às
manifestações artístico-culturais;
V - os conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico,
arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.
Evidenciada a responsabilidade do Estado como agente na preservação compartilhada
destes bens, conforme apontado no parágrafo primeiro da Constituição:
§1º O poder público, com a colaboração da comunidade, promoverá e protegerá o
patrimônio cultural brasileiro, por meio de inventários, registros, vigilância,
tombamento e desapropriação, e de outras formas de acautelamento e preservação
(BRASIL, 1988).

Permite-nos pensar que o papel do Estado está em dirimir ações públicas visando sanar
as deficiências no modo de produção e comercialização desta atividade.
Sob esta ótica, no âmbito das políticas voltadas à preservação do patrimônio, a Educação
Patrimonial tem ganhado destaque nas últimas décadas por promover a interação entre os
campos da Educação e do Patrimônio Cultural. Pretendemos assim, por meio desta discussão,
levar à sala de aula as atividades educativas voltadas ao campo do patrimônio, concebidas
enquanto um processo transversal nas práticas preservacionistas institucionais, servindo
também como um instrumento de reconhecimento e valorização de referências culturais, de
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forma coletiva e democrática. Dito isto, é intenção nossa provocar no aluno esse olhar
questionador, crítico, contemplativo no sentido de estar junto a este trabalhador/trabalhadora
na luta pela garantia dos seus direitos. Defendemos criar situações de aprendizado sobre o
processo cultural, através da execução desta ação de Educação Patrimonial, de modo que
possamos conquistar um ensino e aprendizagem dinamizado e expandido, muito além do
ambiente escolar, inserindo a comunidade neste processo e permitindo aos alunos e a
comunidade conhecer suas histórias e tradições.

4. OBJETIVOS

4.1 GERAL

Conscientizar alunos da rede pública estadual de ensino de Icoaraci acerca da importância da


criação, valorização e preservação do patrimônio cerâmico local, os fazendo compreender o
referido processo a partir da perspectiva e percepção das ceramistas da Comunidade Oleira de
Icoaraci.

4.2 ESPECÍFICOS

● Sensibilizar nosso aluno sobre a relevância da preservação do patrimônio cerâmico


como parte da história e da vida dos cidadãos.
● Transmitir ao aluno a consciência do patrimônio cultural e essa consciência implica a
consciência de que ele é produtor, ou seja, fazê-los sentirem-se cidadãos ativos na
construção do conhecimento e da identidade histórico-cultural de sua comunidade.
● Envolver os alunos a esta problemática, de modo que se tornem agentes multiplicadores.
● Fomentar a reflexão de gênero no campo da cultura, reconhecendo a importância da
participação das mulheres no processo de preservação do Patrimônio Cultural.

5. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Não cabe a um educador ditar o que é patrimônio. Antes de qualquer coisa é preciso
possibilitar ao educando que perceba sua condição na sociedade, assim como escolha do que
deve ser eleito como patrimônio. Seguindo esta perspectiva, e com o intuito de atingir os
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objetivos desta proposta pedagógica, buscaremos desenvolver uma pesquisa na perspectiva


descritiva e qualitativa.
Inicialmente, recorremos à pesquisa bibliográfica, a fim de identificar e sistematizar
informações já realizadas sobre a temática, sobre o objeto de estudo escolhido. Para melhor
realizar a pesquisa, será necessário realizar inserções nas olarias de Icoaraci, onde por meio de
entrevistas com as ceramistas e moradores do entorno, colheremos informações importantes,
tendo em vista a carência de documentos relacionados à temática aqui discutida.
Como meio de referenciar a cerâmica produzida em Icoaraci como um bem cultural,
será necessário construir uma ficha técnica com o objetivo de obter informações, características
e os significados das referências históricas, o que possibilitará uma reflexão inicial acerca de
do conceito de Educação Patrimonial, que esses sujeitos desta comunidade possuem.
Elegemos para a execução dessa ação, parcelas geralmente excluídas dos processos
produtivos e alijadas do poder econômico: moradores de periferia e de baixa renda, por
considerarmos os reais cidadãos ativos na construção do conhecimento e da identidade
histórico-cultural de sua comunidade. Os elencamos, além de nossa responsabilidade social,
para atender ao que propõe o Guia Básico de Educação Patrimonial, o despertar no universo
educacional e nas questões de salvaguarda do patrimônio cultural, caminhos para desenvolver
na escola, na comunidade, através do estado, do município a sensibilidade para manter a
memória viva, ou seja, em movimento. A proposta aqui se constitui, como uma possibilidade
pedagógica de apropriação cidadã por parte de jovens em situação de desvantagem social do
espaço em que habitam, construindo relações de identidade entre o conhecido e o vivido,
reelaborando valores e atitudes relacionados aos princípios de valorização, preservação da vida
na sua complexidade e simplicidade, de forma crítica e criativa. Vida como patrimônio a ser
protegido no que há na natureza e no que há de produzido pelos homens em sua historicidade.
.
A pesquisa será aprofundada com a busca de dados nas Organizações Sociais da
categoria: Cooperativa dos Artesãos de Icoaraci - COARTI, implantada desde 1978 -, a
Sociedade dos Amigos de Icoaraci - SOAMI, desde 1995, ou o Conselho do Artesão do Pará -
COSAPA, desde 1997. Trata-se de fazer com que se construa um conhecimento sobre as
informações fornecidas, através da análise e do levantamento de hipóteses capazes de
fundamentar a importância da continuidade do trabalho ceramista em Icoaraci, inserida em um
processo de valorização e preservação dos bens patrimoniais.
Dentro dessa perspectiva veremos a importância da escola, do professor, da comunidade
e dos poderes públicos, na busca da mobilização em manter a memória histórica viva na
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sociedade. Essas memórias devem ser guardadas e registradas para as sociedades futuras. O
caminho traçado na ação educativa, na salvaguarda do patrimônio é um estímulo, um exercício
de sensibilidade que a educação pode proporcionar para além do conhecimento. Segundo Nora
(1993): Os lugares de memória nascem e vivem do sentimento que não há memória espontânea,
que é preciso criar arquivos, que é preciso manter aniversários, organizar celebrações,
pronunciar elogios fúnebres, notariar atas, porque essas operações não são naturais. É por isso
a defesa, pelas minorias, de uma memória refugiada sobre focos privilegiados e
enciumadamente guardados nada mais faz do que levar à incadescência a verdade de todos os
lugares de memória. (NORA, 1993; p. 13)

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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2009.

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Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, 2014.
16 / 14

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no âmbito do Iphan e das Casas do Patrimônio. Diário Oficial da União, Poder Executivo, 29
abr. 2016, sec. 1, n.81, p. 06.

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Altos Estudos Amazônicos, Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Sustentável do
Trópico Úmido, Belém, 2012.

7. CRONOGRAMA DE ATIVIDADES

2020 2020 2020 2020 2021


2021 2021 2021
Etapas 1ºBi 2ºBi 3ºBi 4ºBi 1ºBi
2ºBim 3ºBim 4ºBim
m m m m m
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Levantamento
X
Bibliográfico
Elaboração de
instrumentos de X X
pesquisa.
Visitação em campo X X
Organização de
X
Dados
Análise e
Interpretação de X
Dados
Elaboração de
X
conclusões e Escrita.
Elaboração do
X
Relatório e Escrita
Revisão do Relatório X
Defesa da Dissertação X