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Comunicação e

Linguagem
Prof.ª Cláudia Suéli Weiss
Prof.ª Elisabeth Penzlien Tafner
Prof.ª Estela Maris Bogo Lorenzi
Prof.ª Luana Ewald

2018
Copyright © UNIASSELVI 2018

Elaboração:
Prof.ª Cláudia Suéli Weiss
Prof.ª Elisabeth Penzlien Tafner
Prof.ª Estela Maris Bogo Lorenzi
Prof.ª Luana Ewald

Revisão, Diagramação e Produção:


Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI

Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri


UNIASSELVI – Indaial.

W429c

Weiss, Cláudia Suéli

Comunicação e linguagem. / Cláudia Suéli Weiss; Elisabeth Penzlien


Tafner; Estela Maris Bogo Lorenzi; Luana Ewald. – Indaial: UNIASSELVI, 2018.

225 p.; il.

ISBN 978-85-515-0222-8

1.Linguagem e línguas. – Brasil. 2.Psicolinguística. – Brasil. I. Weiss,


Cláudia Suéli. II. Tafner, Elisabeth Penzlien. III. Lorenzi, Estela Maris Bogo. IV.
Ewald, Luana. V. Centro Universitário Leonardo Da Vinci.

CDD 401

Impresso por:
Apresentação
Linguagem e comunicação são partes integrantes de nossas vidas,
indispensáveis não somente para a aquisição de conhecimentos, nas mais
diversas áreas do saber, como para a participação nos diferentes contextos
sociais.

O ritmo em que desenvolvemos nossas atividades é cada vez mais


acelerado, daí a necessidade de uma comunicação eficaz tanto nas relações
pessoais como nas interpessoais. E não somos apenas nós que vivemos
nesta rotina, a sociedade também é caracterizada pelo ritmo frenético
das mudanças, especialmente no mundo dos negócios, com a integração
apressada das diversas mídias, o perfil das organizações tanto empresariais
como sociais vem se alterando significativamente.

É preciso reconstruir o cenário em que tais modificações ocorrem,


porque na verdade a comunicação e a linguagem funcionam como um ícone,
que liga diferentes culturas e, inclusive, tendências. Tentar situá-las à revelia
deste contexto – amplo e complexo – implica esgotar o seu conteúdo e o seu
poder de persuasão.

Na Unidade 1, analisaremos a origem, a importância, as funções


e as formas que a linguagem e a comunicação apresentam. Saber a real
funcionalidade do processo de comunicação, utilizando recursos que
enfatizam a intenção do que o emissor quer compartilhar, reforça tanto a boa
comunicação das empresas e/ou instituições para com seus clientes, como
também gera um diferencial no profissional que partilha dessas informações.

Na Unidade 2, trataremos dos textos que compõem os documentos


(em especial os que você utiliza no seu dia a dia profissional), descreveremos
sua função, definiremos sua estruturação, apresentaremos modelos e
características. A compreensão de coesão e coerência textual também é parte
integrante dessa unidade, pois escrever é uma habilidade que pode ser
aperfeiçoada diariamente, por meio de atividades rotineiras simples, como
variadas leituras. Nesse sentido, quanto maior o contato com diferentes
gêneros, maior será a intimidade do leitor com eles e, por conseguinte,
menores seriam suas dificuldades em produzi-los.

Na Unidade 3, abordaremos os tópicos de gramática, no que se


refere ao uso da pontuação, classes gramaticais e expressões. O emprego da
norma padrão é importante para que você possa adotá-la em situações mais
formais de uso da linguagem, como em entrevistas de emprego, concursos,
produção de textos acadêmicos ou de sua área profissional. Para que a escrita

III
e a comunicação sejam mais eficazes, devemos conhecer o vocabulário e as
regras que são aceitas pela nossa comunidade linguística, o que implica, em
determinados momentos, o uso da norma padrão da língua portuguesa.

Esperamos que, caro acadêmico, ao final deste livro, a partir dos


conhecimentos adquiridos, você possa interagir com maior segurança em
relação ao uso da Língua Portuguesa, nas modalidades falada e/ou escrita, em
situações formais ou informais, tanto corriqueiras como profissionais. Para
tanto, este livro de estudos contém textos, reflexões, ideias, imagens, dicas
funcionais e questões pertinentes ao uso adequado da Língua Portuguesa.

Bons estudos!

Prof.ª Cláudia Suéli Weiss


Prof.ª Elisabeth Penzlien Tafner
Prof.ª Estela Maris Bogo Lorenzi
Prof.ª Luana Ewald

NOTA

Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto para
você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há
novidades em nosso material.

Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é


o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um
formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.

O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova
diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também
contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.

Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,


apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade
de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.
 
Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para
apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto
em questão.

Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas
institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa
continuar seus estudos com um material de qualidade.

Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de


Desempenho de Estudantes – ENADE.
 
Bons estudos!

IV
V
VI
Sumário
UNIDADE 1 – LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES
COGNITIVAS................................................................................................................ 1

TÓPICO 1 – LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL..................................... 3


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 3
2 PARTICULARIDADES DA LINGUAGEM: LINGUAGEM VERBAL E NÃO VERBAL........ 5
2.1 A LINGUAGEM NÃO VERBAL.................................................................................................... 9
2.2 A LINGUAGEM VERBAL............................................................................................................... 11
3 PARTICULARIDADES DA LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA..................................... 13
LEITURA COMPLEMENTAR................................................................................................................ 16
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 17
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 18

TÓPICO 2 – COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS..................................................... 19


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 19
2 O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS...................................... 19
2.1 TIPOS DE COMUNICAÇÃO.......................................................................................................... 22
3 ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO.................................................................. 24
3.1 EMISSOR............................................................................................................................................ 24
3.2 RECEPTOR........................................................................................................................................ 25
3.3 MENSAGEM..................................................................................................................................... 25
3.4 CANAL DE COMUNICAÇÃO ..................................................................................................... 25
3.5 CÓDIGO............................................................................................................................................. 25
3.6 REFERENTE...................................................................................................................................... 26
4 BARREIRAS A UMA COMUNICAÇÃO EFICAZ.......................................................................... 27
4.1 REDUNDÂNCIA ............................................................................................................................. 28
4.2 RUÍDO................................................................................................................................................ 29
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 31
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 32

TÓPICO 3 – A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES..................................................... 33


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 33
2 NÍVEIS DE LINGUAGEM .................................................................................................................. 33
2.1 NÍVEL CULTO OU FORMAL......................................................................................................... 34
2.2 NÍVEL INFORMAL.......................................................................................................................... 34
2.3 USO ADEQUADO DA LÍNGUA ÀS SITUÇÕES DE COMUNICAÇÃO................................ 38
2.4 GÍRIAS................................................................................................................................................ 38
3 A LINGUAGEM PARTICULAR DE UMA PROFISSÃO.............................................................. 39
4 A LINGUAGEM E SUAS FUNÇÕES................................................................................................. 41
4.1 FUNÇÃO EMOTIVA . ..................................................................................................................... 42
4.2 FUNÇÃO REFERENCIAL............................................................................................................... 44
4.3 FUNÇÃO APELATIVA.................................................................................................................... 44

VII
4.4 FUNÇÃO FÁTICA............................................................................................................................ 46
4.5 FUNÇÃO METALINGUÍSTICA..................................................................................................... 47
4.6 FUNÇÃO POÉTICA......................................................................................................................... 48
RESUMO DO TÓPICO 3........................................................................................................................ 49
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 51

UNIDADE 2 – A ESTRUTURA TEXTUAL.......................................................................................... 55

TÓPICO 1 – O TEXTO E SUA INTENÇÃO........................................................................................ 57


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 57
2 A CONSTRUÇÃO DO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA.......................................................... 58
2.1 COESÃO............................................................................................................................................. 58
2.1.1 Mecanismos de coesão............................................................................................................ 58
2.2 COERÊNCIA..................................................................................................................................... 61
3 PARÁGRAFO......................................................................................................................................... 66
3.1 A ESTRUTURAÇÃO DO PARÁGRAFO....................................................................................... 67
RESUMO DO TÓPICO 1........................................................................................................................ 69
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 70

TÓPICO 2 – OS DIVERSOS TEXTOS.................................................................................................. 73


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 73
2 CARACTERÍSTICAS DOS TEXTOS................................................................................................. 73
3 A NARRAÇÃO....................................................................................................................................... 74
4 A DESCRIÇÃO....................................................................................................................................... 79
5 A ARGUMENTAÇÃO........................................................................................................................... 81
6 COESÃO E ARGUMENTAÇÃO......................................................................................................... 82
RESUMO DO TÓPICO 2........................................................................................................................ 86
AUTOATIVIDADE.................................................................................................................................. 87

TÓPICO 3 – O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS................. 91


1 INTRODUÇÃO...................................................................................................................................... 91
2 A LEITURA E A INTERPRETAÇÃO TEXTUAL.............................................................................. 92
2.1 O MAIOR DESAFIO DAS INSTITUIÇÕES: A COMUNICAÇÃO INTERNA........................ 92
3 OS MODELOS TEXTUAIS.................................................................................................................. 93
3.1 RELATÓRIOS.................................................................................................................................... 95
3.1.1 Partes do relatório.................................................................................................................... 95
3.1.2 Aplicação................................................................................................................................... 96
3.2 ATA..................................................................................................................................................... 97
3.2.1 Escritura e modelo................................................................................................................... 98
3.3 OFÍCIO............................................................................................................................................... 99
3.3.1 Elaboração e modelo............................................................................................................. 100
3.4 REQUERIMENTO.......................................................................................................................... 102
3.4.1 Escritura e modelo................................................................................................................. 102
3.5 E-MAIL............................................................................................................................................. 103
3.5.1 Linguagem e dicas na elaboração de um e-mail formal.................................................. 104
RESUMO DO TÓPICO 3...................................................................................................................... 106
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 107

VIII
UNIDADE 3 – A GRAMÁTICA E SUAS PARTES........................................................................... 109

TÓPICO 1– AS CLASSES DE PALAVRAS........................................................................................ 111


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 111
2 AS CARACTERÍSTICAS DE CADA CLASSE.............................................................................. 111
2.1 SUBSTANTIVO............................................................................................................................... 113
2.2 ADJETIVO....................................................................................................................................... 118
2.3 ADVÉRBIO...................................................................................................................................... 123
2.4 NUMERAL....................................................................................................................................... 125
2.5 ARTIGO............................................................................................................................................ 126
2.6 PREPOSIÇÃO.................................................................................................................................. 129
2.7 CONJUNÇÃO................................................................................................................................. 131
2.8 INTERJEIÇÃO................................................................................................................................ 134
2.9 VERBO.............................................................................................................................................. 135
2.10 PRONOMES.................................................................................................................................. 147
2.10.1 Os pronomes de tratamento................................................................................................ 154
3 COLOCAÇÃO PRONOMINAL....................................................................................................... 156
3.1 PRÓCLISE........................................................................................................................................ 156
3.2 MESÓCLISE..................................................................................................................................... 157
3.3 ÊNCLISE.......................................................................................................................................... 157
RESUMO DO TÓPICO 1...................................................................................................................... 159
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 161

TÓPICO 2 – PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN........................................... 163


1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 163
2 O EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO............................................................................ 164
2.1 O PONTO..................................................................................................................................................... 164
2.2 DOIS-PONTOS................................................................................................................................ 166
2.3 O PONTO E VÍRGULA................................................................................................................. 166
2.4 A VÍRGULA..................................................................................................................................... 167
2.5 O PONTO DE INTERROGAÇÃO................................................................................................ 174
2.6 O PONTO DE EXCLAMAÇÃO.................................................................................................... 174
2.7 AS RETICÊNCIAS.......................................................................................................................... 175
2.8 AS ASPAS......................................................................................................................................... 176
2.9 O TRAVESSÃO............................................................................................................................................176
2.10 OS PARÊNTESES.......................................................................................................................... 177
3 A ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS.......................................................................................................178
3.1 A CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A TONICIDADE DAS SÍLABAS........................... 179
4 CRASE.................................................................................................................................................... 183
5 HÍFEN..................................................................................................................................................... 185
RESUMO DO TÓPICO 2...................................................................................................................... 191
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................ 193

TÓPICO 3 – LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA


DE UM TEXTO................................................................................................................. 195
1 INTRODUÇÃO.................................................................................................................................... 195
2 AMBIGUIDADE.................................................................................................................................. 196

IX
3 ESTRANGEIRISMOS.........................................................................................................................198
4 PLEONASMO.......................................................................................................................................200
5 EXPRESSÕES........................................................................................................................................201
5.1 USO DOS PORQUÊS.....................................................................................................................201
5.2 USO DE MAU E MAL...................................................................................................................203
5.3 USO DE SENÃO E SE NÃO.........................................................................................................205
5.4 USO DE MAIS E MAS...................................................................................................................206
5.5 USO DO HÁ E A............................................................................................................................207
5.6 USO DE AONDE E ONDE...........................................................................................................208
5.7 USO DE A FIM E AFIM................................................................................................................210
5.8 USO DE DEMAIS E DE MAIS......................................................................................................211
5.9 USO DE AO ENCONTRO DE E DE ENCONTRO A.................................................................212
5.10 USO DE ACERCA, A CERCA E HÁ CERCA...........................................................................213
5.11 USO DE A PRINCÍPIO E EM PRINCÍPIO................................................................................214
RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................216
AUTOATIVIDADE................................................................................................................................218
REFERÊNCIAS........................................................................................................................................219

X
UNIDADE 1

LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO:
REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES
COGNITIVAS

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• identificar as particularidades e a importância da língua escrita e falada;

• entender os processos e elementos da comunicação;

• refletir e adequar o uso da linguagem em diferentes situações;

• conhecer e diferenciar as funções da linguagem, bem como compreender


a importância de cada uma no processo comunicativo;

• refletir sobre os tipos de comunicação e verificar sua real e eficaz utilização


no contexto comunicativo;

• identificar e apresentar soluções para os problemas relacionados às falhas


comunicativas no cotidiano profissional.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade
você encontrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo
apresentado.

TÓPICO 1 – LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

TÓPICO 2 – COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS

TÓPICO 3 – A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES

1
2
UNIDADE 1
TÓPICO 1

LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

1 INTRODUÇÃO
Expressar-se de maneira competente na língua materna é uma necessidade
inegável para o bom desempenho de atividades que envolvam a palavra. Portanto,
uma primeira reflexão merece atenção: qual é a distinção de linguagem e língua?

De maneira geral, a linguagem está atrelada ao ato de comunicar-se com


as pessoas. De acordo com Terra (1997), damos o nome de linguagem a todo
sistema de sinais convencionais que nos permite realizar atos de comunicação.
Existem várias linguagens: a dos surdos, a que você fala, a dos sinais de trânsito,
a das bandeiras em corridas de automóveis, entre outras.

Língua, por sua vez, refere-se ao conjunto de expressões e palavras que


são usadas por um determinado povo, sendo esta munida de regras para o uso
adequado. A língua é um dos atributos da linguagem.

Para interagir, articular a linguagem, o ser humano faz uso de uma língua,
constituída de uma gramática própria. É importante ressaltar que a língua é um
organismo vivo e, por esse motivo, é natural que exista um distanciamento, por
vezes, entre o que é prescrito pelas normas de uma gramática tradicional e o que
é efetivamente utilizado por seus falantes.

De acordo com Terra (1997, p. 13), a definição de língua é: “[...] a linguagem


que utiliza a palavra como sinal de comunicação”. Entendemos, então, que a
língua é um aspecto da linguagem e pertence a um grupo de indivíduos, estes,
por sua vez, concretizam a língua através da fala.

Podemos dizer que no ato da comunicação não utilizamos somente um
conjunto de palavras faladas e/ou escritas, mas também imagens, gestos, cores e
sinais. Observe:

3
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

FIGURA 1 – COMUNICAÇÃO

FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/_R98DBfPQdxw/S8dsVEpZvGI/AAAAAAAAAFk/gAJ9vRnexR4/
s400/libras-708316.png>. Acesso em: 6 ago. 2018.

Temos, como exemplo de gestos e sinais, o alfabeto de libras. A seguir,


você pode visualizar a importância das cores na comunicação.

FIGURA 2 – A COR NA COMUNICAÇÃO

FONTE: <https://vilamulher.uol.com.br/imagens/thumbs/2010/10/08/o-significado-das-cores-
32-807-thumb-570.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

4
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

A cor é muito explorada pelos publicitários, pois é um elemento que causa


distintas sensações. Elas são fundamentais na representação de logomarcas e
produtos de empresas.

NOTA

Para compartilhar a essência da empresa e/ou corporação e provocar a percepção


da marca nos consumidores, é necessário fazer um estudo das cores mais adequadas para
o seu negócio. A logomarca precisa causar impacto, ser lembrada e reconhecida perante os
diversos públicos das empresas. Este é o grande desafio dos designers, criar marcas que se
destaquem entre tantos concorrentes.

Além disso, é preciso adequar a linguagem para as diferentes situações,


ou seja, dependendo do lugar, do momento e das pessoas com quem nos
comunicamos, faz-se necessária a adequação da linguagem. É com base nessas
questões que convidamos você, acadêmico, a aprofundar seus estudos nos tópicos
seguintes.

2 PARTICULARIDADES DA LINGUAGEM: LINGUAGEM VERBAL


E NÃO VERBAL
Como vimos, a linguagem não é somente um conjunto de palavras –
faladas ou escritas –, mas de gestos e imagens. Assim, não nos comunicamos
apenas pela fala ou escrita, não é verdade? A linguagem pode ser verbalizada,
daí é que vem a analogia com o verbo. Alguma vez você já tentou comunicar-se
sem utilizar um verbo? Faça o teste e você vai perceber o quão difícil é obter algo
coerente.

UNI

As pessoas podem comunicar-se pelo Código Morse, pela escrita, por gestos,
pelo telefone, e-mail, internet etc.

5
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

A comunicação é essencial nas relações, sejam elas pessoais, empresariais


e/ou educacionais. Apesar de poder ser realizada de várias maneiras, só existe
comunicação quando a mensagem é recebida com o mesmo valor com que ela
foi transmitida. A linguagem possui, então, particularidades que vão além de
somente substantivo, adjetivo, verbo, pronomes e/ou preposições. Por isso,
veremos a distinção entre linguagem verbal e linguagem não verbal.

Tanto a linguagem verbal quanto a não verbal têm um papel muito


importante na comunicação. Para tanto, torna-se imprescindível que as duas
estejam em concordância, para que a comunicação seja coerente.

A linguagem humana é um processo altamente complexo. Podemos
afirmar que ela está presente nas diversas situações de comunicação. Por exemplo:

FIGURA 3 – NA CONVERSA DAS PESSOAS

BLABLABLA

BLABLABLA

FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/_mtUsGlokEt4/TOvPfReYhwI/AAAAAAAAAKY/
hN8UdcwgWpc/s320/desenho%2Bde%2Bpessoas%2Bconversando%2B2.jpg>.
Acesso em: 6 ago. 2018.

FIGURA 4 – EM PLACAS DE SINALIZAÇÃO

FONTE: <https://www.portaldecarapicuiba.com/wp-content/uploads/placa-de-sinalizacao-
120x120.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

6
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

FIGURA 5 – EM LIVROS, JORNAIS E REVISTAS

FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/-CGRsjBidsJo/Tx9ZRzB6yAI/AAAAAAAAALo/rqyFs14GpSQ/
s400/imagesCAMA8X5Z.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

FIGURA 6 – NAS MENSAGENS PUBLICITÁRIAS

FONTE: As autoras

FIGURA 7 – NA DANÇA

FONTE: <http://the-contact.org/wp-content/uploads/2018/03/380x380-M1-Open-Stage.jpg>.
Acesso em: 6 ago. 2018.

7
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

FIGURA 8 – NOS GESTOS

FONTE: <http://1.bp.blogspot.com/-L0V8GSkudOg/TY8usvQOxDI/AAAAAAAAABc/
CJa3Hyq3w-0/s320/allgestures.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

FIGURA 9 – NA EXPRESSÃO FISIONÔMICA

FONTE: <http://lh5.ggpht.com/I5_d4Qbmx3KoM5cz0SrBfqEemxgNTM67H_
MP22cmJZ7ySfdGoXUzq1gTZZOnjlbFhQ=h310>. Acesso em: 6 ago. 2018.

FIGURA 10 – NOS CÓDIGOS CIENTÍFICOS

FONTE: <https://www.grupoescolar.com/thumbnail.php?imagem=painel/files/8C0ED.
jpg&l=330&a=170>. Acesso em: 6 ago. 2018.

8
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Todas as situações mencionadas demonstram a capacidade humana de


se comunicar utilizando as linguagens não verbais e verbais. Vamos conhecê-las?

2.1 A LINGUAGEM NÃO VERBAL


A linguagem não verbal é aquela que não utiliza palavras para comunicar.
Como ela ocorre? Ela é estabelecida por meio de gestos, sons, cores, imagens,
entre outras. Os sinais de trânsito, por exemplo, demonstram que a mensagem
é repassada através das cores. A Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) efetiva-se
através dos gestos.

Muitas vezes a linguagem não verbal serve como reforço para aquilo
que dizemos: em determinados momentos, junto com a fala, utilizamos outros
recursos para reforçar nossa mensagem. Podemos citar como exemplo as histórias
em quadrinhos, pois o conteúdo da fala da personagem é reafirmado através da
imagem. Nas propagandas publicitárias também fica evidente a importância e
função da linguagem não verbal.

Segundo Terra (1997, p. 12), “[...] a linguagem não verbal é aquela que
utiliza para atos de comunicação outros sinais que não as palavras”.

Vamos conhecer mais sobre a linguagem não verbal através das figuras
que seguem:

FIGURA 11 – PROIBIDO FUMAR

FONTE: <https://i1.wp.com/piniglarism.com/wp-content/uploads/2008/05/nosmoking.jpg>.
Acesso em: 6 ago. 2018.

9
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

FIGURA 12 – ADEUS À CIDADE

FONTE: <http://4.bp.blogspot.com/_Y95C4ipvBCA/TIfU9caW2mI/AAAAAAAAAEs/5r8cYpXiwds/
s320/charge3.JPG>. Acesso em: 6 ago. 2018.

Entendemos facilmente a mensagem que cada figura quer transmitir, não


é mesmo? A linguagem não verbal, então, apesar de não utilizar as palavras, é
capaz de efetivar um ato comunicativo. Além disso, é importante destacarmos
que a linguagem não verbal também se faz presente em situações de avaliações
acadêmicas, como o ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes).

Gráficos, tabelas, infográficos e figuras compõem a linguagem não verbal e


comumente são usados com finalidades comunicativas em avaliações e, inclusive,
no ambiente empresarial. Por isso, convidamos você a analisar e praticar as
orientações a seguir, que tratam dos recursos visuais de áudio em apresentações
empresariais.

DICAS

• O público consegue ler projeções visuais muito mais rápido do que você
consegue falá-las. Portanto, não tente ler.

• Recursos visuais que funcionam com uma plateia pequena não funcionam bem com uma
grande.

• Não se mova quando desejar que a plateia se concentre no material visual.

• Ideias abstratas são mais fáceis de serem compreendidas quando são representadas
visualmente, através de desenhos, gráficos etc. Estes devem ser simples, porém impactantes.

10
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

O mais importante sobre a utilização de recursos tecnológicos (informática,


telecomunicações etc.) é saber acompanhar as novidades e tendências que surgem
a cada dia, e manter-se atualizado – up to date – para renovar e incorporar novas
práticas ao seu repertório.

2.2 A LINGUAGEM VERBAL


Podemos definir como linguagem verbal aquela em que as palavras são
os sinais utilizados para os atos comunicativos. O termo “verbal” vem do latim
verbale e significa palavra. Assim, é por meio de palavras – linguagem verbal – que
expressamos desejos, sentimentos, ordens, opiniões, revelando nossas opiniões e
expondo nosso raciocínio.

Segundo Nicola (2009, p. 126), “[...] a linguagem verbal é aquela que


utiliza a língua (falada ou escrita)”. A linguagem verbal pode ser abordada sob
duas modalidades: a língua escrita e a oral. Veremos a seguir algumas charges
que exemplificam a linguagem verbal.

FIGURA 13 – LINGUAGEM VERBAL ESCRITA

Às vezes eu acho que o indício


mais óbvio de que existem formas
de vida inteligente fora da terra
é que nenhuma delas tentou
entrar em contato conosco.

FONTE: <http://4.bp.blogspot.com/_zf0VLAWc7Vs/TIAeYGtNrCI/AAAAAAAAACM/
fw3M6Db8xPo/s320/charge_calvin_haroldo-480x304.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

11
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

FIGURA 14 – LINGUAGEM VERBAL FALADA

Quando eu crescer
quero ter Se você sair na rua
muitos sem cultura, a polícia
vestidos! E eu muita te prende?
cultura!
Não

É triste ter
Experimenta que bater em alguém
sair sem vestido que tem razão!

FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/_UM5gUHvwWrA/S5Am8El0vvI/AAAAAAAAAB4/
G7C3XjX17no/s400/mafa1.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

Você já encontrou dificuldades em colocar no papel algo que na linguagem


oral consegue transmitir sem dificuldades? Acreditamos que sua resposta seja
sim. Então, vamos aprofundar nossos estudos?

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TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

3 PARTICULARIDADES DA LÍNGUA FALADA E LÍNGUA ESCRITA


Vimos que língua é um sistema de representação constituído por palavras
e por regras que se combinam, permitindo que expressemos uma ideia, uma
ordem, emoção, enfim, um enunciado de sentido completo que estabelece
comunicação. Tais regras e palavras são comuns aos membros de uma sociedade,
assim, a língua pertence a toda comunidade.

A fala, por sua vez, se concretizará a partir do uso que o falante faz da
língua. No momento em que efetivamos o processo de comunicação o fazemos
através da fala ou da escrita. Ao analisarmos a história da humanidade ou a nossa,
podemos perceber que primeiro falamos e depois escrevemos. Adquirimos a fala
naturalmente, porém a escrita nos é ensinada. Na fala, o significante é sonoro; e na
escrita, é gráfico. Caro acadêmico, ao transmitirmos uma mensagem percebemos
que a fala e a escrita adquirem algumas particularidades, não é mesmo?

Quando falamos da importância da língua escrita, esta reside nas suas


próprias características se comparada à língua falada. A língua oral possui
diversos recursos, como entonação da voz, expressão fisionômica, gestos, além
de ser mais espontânea. A escrita requer mais atenção, pois não é uma simples
representação do que se fala. Em todas as línguas as pessoas escrevem e falam de
maneira distinta, porém podemos efetivar a comunicação tanto num enunciado
falado quanto em um escrito.

Perceba que não escrevemos conforme falamos, nem falamos conforme


escrevemos. O humorista Jô Soares, em uma entrevista à revista VEJA (1990), fez
o seguinte comentário, "Português é fácil de aprender porque é uma língua que
se escreve exatamente como se fala”. Ele brinca com a diferença entre a fala e a
escrita, observe:

Pois é. U purtuguêis é muinto fáciu di aprender, purqui é uma língua


qui a genti iscrevi ixatamenti cumu si fala. Num é cumu inglêis qui dá até
vontadi di ri quandu a genti discobri cumu é qui si iscrevi algumas palavras.
Im purtuguêis não. É só prestátenção. U alemão pur exemplu. Qué coisa mais
doida? Num bate nada cum nada. Até nu espanhol qui é parecidu, si iscrevi
muinto diferenti. Qui bom qui a minha língua é u purtuguêis. Quem soubé falá
sabi iscrevê.

FONTE: <http://educacao.uol.com.br/portugues/lingua-escrita-e-oral-nao-se-fala-como-se-
escreve.jhtm>. Acesso em: 6 ago. 2018.

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UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

Na linguagem falada, especialmente em situações mais informais, temos


menos planejamento que na escrita, pois podemos detectar se estamos sendo
entendidos ou não. Então, a linguagem é mais espontânea, a coesão se dá por meio
de gestos, entonação da voz, expressão fisionômica, entre outros. Há também a
presença de elementos que mantêm a conversação aberta, como, por exemplo,
“você entendeu?”, “está claro?”, “você concorda?”. Contudo, se pensarmos em
um discurso mais formal, como o próprio pronunciamento de um presidente, ou
a apresentação de um telejornal, ou a apresentação de um trabalho acadêmico, a
linguagem apresentará um grau de planejamento bastante significativo.

A modalidade escrita formal, como a produção dos seus textos acadêmicos,


avaliações, textos empresariais, requer ainda mais planejamento. Marcuschi
(2004), ao tratar da fala e da escrita, explica que, embora normalmente sejam
vistas de forma dicotômica, polarizadas, estão fortemente entrelaçadas. Nos
gêneros mais planejados, como a apresentação e produção escrita de trabalhos
acadêmicos, vemos que o planejamento linguístico é alto em ambas as situações,
especialmente porque a escrita envolve, neste caso, também a oralidade. Em
gêneros menos planejados, como os bilhetes, mensagem de Whatsapp e conversas
orais, percebemos que a oralidade está influenciando não somente a fala, mas
também a escrita. Por isso, a dicotomização da fala e escrita não tem sido aceita
entre estúdios da linguagem.

Apesar de a linguagem falada ser mais utilizada, na comunicação


é a escrita que adquire maior importância para as teorias gramaticais, pois se
considera que a última possui aspecto de maior permanência. Há um dizer dos
antigos romanos: “verba volant; scripta manent”, que se traduz: “as palavras voam,
aquilo que está escrito permanece”.

Não há como negar que a língua escrita é mais bem elaborada que a
língua falada, porque é a modalidade que mantém a unidade linguística
de um povo e é a que faz o pensamento atravessar o espaço e o tempo.
Nenhuma reflexão, nenhuma análise mais detida será possível sem
a língua escrita, cujas transformações se processam lentamente e
em número consideravelmente menor, quando comparada com a
modalidade falada (CASAGRANDE, 2016, p. 729).

É importante compreendermos que a escrita NÃO é superior à fala,


mas que ambas são modalidades distintas para a realização da língua, tanto em
situações formais quanto informais. O contexto da escrita, contudo, é claramente
diferente do contexto da fala, já que o autor precisa considerar o distanciamento
físico do leitor no planejamento linguístico, a fim de buscar sua compreensão.

14
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

Assim, a sintaxe da língua falada e da escrita se diferencia. Enquanto


esta tem a possibilidade de planejar, corrigir e apresentar o resultado
pronto fazendo com que o leitor não tenha acesso nem controle sobre
o mecanismo de preparação do texto; aquela sucede orações sem a
preocupação de estruturar as frases, o interlocutor se preocupa
sempre em preencher vazios, o que resulta na presença de parênteses,
correções, paráfrases, truncamentos, repetições, elipses, pausas,
anacolutos, marcadores conversacionais, digressões (CASAGRANDE,
2016, p. 726).

Depois de apresentadas algumas distinções entre as modalidades da


língua, você, acadêmico, já está apto para diferenciá-las. Dispomos, na sequência,
um texto sobre esse assunto.

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UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

LEITURA COMPLEMENTAR

NO BOCHINCHO

Manuel do Nascimento Vargas Neto


Ao Rubens de Barcellos

Huai-huin, huai-huin, huai-huin, hua-huaia-huin...


O gaiteiro abre a gaita no bochincho...
Por gostar de fandango foi que eu vim,
Mas ‘stá apertado como queijo em cincho...

Gaiteiro, toca um “chote” só pra mim,


Pois ninguém “junta” no rincão que eu rincho!
Quero ver se aqui tem algum micuim
Que queira se meter como capincho...

Veio o dono com parte de teteia,


Já le traquei meu mango bem na ideia,
Pois pra esparramar foi mesmo um upa!

Dei um talho de adaga no gaiteiro


Atravanquei um coice no candiero
E levei uma china na garupa...

FONTE: VARGAS NETO, Manuel do Nascimento. In: BERTUSSI, Lisana. De Simões Lopes Neto
aos poetas da Califórnia. Porto Alegre: Tchê! Comunicações, 1985, p. 63.

Na leitura acima, você deve ter identificado que, embora o texto esteja
representado na modalidade escrita, possui traços da oralidade, como na própria
escolha lexical: talho; china; capincho, só para citar alguns exemplos. Além
disso, as escolhas morfológicas e sintáticas (como em “Atravanquei um coice no
candiero” e “Já le traquei meu mango bem na ideia”) reforçam a intenção do autor
em aproximar a oralidade da escrita com finalidades poéticas. Outros gêneros,
em contrapartida, dificilmente aceitariam essa aproximação da oralidade com a
escrita, como é o caso da produção de relatórios, avaliações, artigos, entre outros.

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RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Linguagem é o uso da língua para comunicar-se com os pares.

• A linguagem humana é um processo complexo e está presente em diversas


situações.

• Língua refere-se ao conjunto de expressões e palavras que são usadas por um


determinado povo.

• A língua não é uniforme.

• Não utilizamos somente um conjunto de palavras – faladas e escritas – para nos


comunicar, mas também gestos, expressão fisionômica, entre outros elementos.

• Faz-se necessário adequar a linguagem de acordo com os momentos de uso.

• A comunicação é vital nas relações interpessoais.

• A fala concretiza-se a partir do uso que o falante faz dela.

• A linguagem verbal é aquela que utiliza palavras para efetivar o ato


comunicativo.

• A linguagem não verbal é aquela que não utiliza palavras, efetiva-se através de
gestos, cores, sinais e imagens.

• A linguagem não verbal não é menos importante que a verbal e, portanto,


complementam-se.

• A linguagem escrita tende a apresentar maior preocupação com as regras


gramaticais e a coerência da mensagem por não dispor da negociação de
sentidos simultânea que costuma ocorrer na fala durante conversas face a face,
por exemplo.

• Na linguagem oral menos planejada, a comunicação ocorre de forma mais


espontânea e está acompanhada da entonação de voz, expressão fisionômica
e gestos. Além disso, o uso de repetições é mais frequente, enquanto na
linguagem escrita deve ser evitado.

• Não falamos conforme escrevemos. Não escrevemos conforme falamos.

• A fala antecede a escrita.


17
AUTOATIVIDADE

1 Leia o excerto de texto apresentado a seguir, produzido pela Equipe IBC


Coaching,  em 15 de abril de 2013, intitulado A importância da comunicação
interpessoal nas empresas.

“A efetiva comunicação interpessoal nas empresas é um dos itens


fundamentais para o sucesso de líderes, liderados e o alcance dos resultados
planejados pela organização. Imagine um “chefe” que não consegue ser
entendido, pois não sabe dar ordens ou explicar, de forma clara, a finalidade
de uma ação, projeto, compartilhar seus conhecimentos ou dar um feedback.
Com certeza, os colaboradores sob sua tutela terão dificuldades de entender as
tarefas e executá-las com exatidão”.

FONTE: <http://www.administradores.com.br/noticias/negocios/a-importancia-da-
comunicacao-interpessoal-nas-empresas/74968/>. Acesso em: 12 jun. 2018.

Elabore, com suas palavras, um comentário sobre a temática: A


importância da comunicação nas relações interpessoais. Procure relacionar
seu comentário com a compreensão de linguagem construída ao longo de seus
estudos até o momento.

2 Sobre a presença de linguagem verbal e não verbal em seu cotidiano, indique


uma situação de ocorrência para cada.

3 Sobre a linguagem escrita e a linguagem oral, aponte três particularidades


de cada.

LINGUAGEM ESCRITA LINGUAGEM ORAL

18
UNIDADE 1
TÓPICO 2

COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS

1 INTRODUÇÃO
Vive-se num mundo globalizado, recheado de situações incertas. A
sociedade é caracterizada pelo ritmo frenético das mudanças, seja por uma
nova geografia (ou nova geopolítica) ou pela acelerada integração das mídias. E,
neste contexto, a comunicação tem seu valor. E só poderão fazer o diferencial as
empresas e/ou instituições que aprenderem a se comunicar, a trabalhar de forma
interligada, somando forças e gerando o “saber fazer” na sua equipe. Condição
essencial para que os resultados se aperfeiçoem e se transformem num diferencial,
visto que se vive numa época em que a competitividade é demasiadamente
acirrada em qualquer organização.

É preciso reconstruir o cenário em que estas modificações ocorrem
porque, na verdade, a comunicação funciona como um ícone que liga diferentes
culturas e tendências. Tentar situá-la à revelia deste contexto – amplo e complexo
– implica esvaziar o seu conteúdo e o seu poder de persuasão.

Convidamos você, acadêmico, a explorar o vastíssimo campo da


comunicação em seus variados aspectos. Temos ainda por objetivo estudar a
questão da comunicação e os diversos conceitos que a envolvem, além de refletir
sobre os elementos que a completam. Faremos, também, algumas reflexões sobre
a sua importância nas relações interpessoais como num todo.

2 O PAPEL DA COMUNICAÇÃO NAS RELAÇÕES


INTERPESSOAIS
A capacidade comunicativa não é privilégio dos seres humanos; ela é
bastante complexa e pode ser encontrada em outros momentos da vida animal,
nas aves, nos peixes, nos mamíferos e outros. Em sua etimologia, Marques de
Melo (1975, p. 14) lembra que “[...] comunicação vem do latim ‘communis’, comum.
O que introduz a ideia de comunhão, comunidade”. Se falamos em “processo de
comunicação”, cabe também uma rápida verificação no termo “processo”. Berlo
(1991, p. 33) o descreve como “[...] qualquer fenômeno que apresente contínua
mudança no tempo”, ou “qualquer operação ou tratamento contínuo”.

19
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

Entendê-lo implica relacioná-lo com a linguagem, a cultura e a tecnologia.

Quanto à linguagem, Tattersall (2006, p. 73) afirma que “[...] se estamos


procurando um único fator de liberação cultural que abriu caminho para a
cognição simbólica, a invenção da linguagem é a candidata mais óbvia”.

Quanto à cultura e tecnologia, nos parece essencial concordar com Mayr


(2006, p. 95) ao sugerir que “Uma pessoa do século XXI vê o mundo de maneira
bem diferente daquela de um cidadão da era vitoriana” e que “Essa mudança
teve fontes múltiplas, em particular os incríveis avanços da tecnologia”.

Souza Brasil (1973, p 76), mais ousado, enxerga a cultura como subordinada
à comunicação. E sabe-se que um subordinado, geralmente, identifica-se com o
seu superior.

Logo, caro acadêmico, podemos dizer que comunicação é uma ação pela
qual os indivíduos trocam entre si informações, sentimentos ou experiências.
É através dela, por exemplo, que podemos alcançar sinergia dentro de uma
organização, visto que ela nos permite unir forças e atuar de maneira a cooperar
e colaborar obtendo resultados positivos por meio do trabalho em equipe.

Quando nos comunicamos partilhamos algo e, por este ato de compartilhar


ou comunicar, conhecemos e somos conhecidos. E, se somos conhecidos e
conhecemos, estamos vivendo em relação, por isso a qualidade da nossa existência
humana depende, e muito, de nossos relacionamentos.

A comunicação não pode ser confundida com a simples transmissão


unilateral de informações. A comunicação humana exige a participação, no
mínimo, de duas pessoas. Assim, ela só existe quando se estabelece entre mais de
uma pessoa. Quando há um bloqueio, a mensagem não é captada e a comunicação
é interrompida, pois, “[...] se um indivíduo fala e ninguém ouve, o processo da
comunicação humana não se completou” (PENTEADO, 1977, p. 5). Existindo esse
problema, a diferença de significado do que foi captado de uma mensagem e o
que o transmissor queria exatamente dizer é o ícone que pode atrapalhar o elo
comunicativo.

Acredita-se, acadêmico, que praticamente todas as relações humanas e


interpessoais abrangem a comunicação, pois ela é um veículo de significados que
pode influenciar, inclusive, nossos comportamentos. Vamos entender melhor?
Cada pessoa produz significados próprios diante dos acontecimentos ou das mais
variadas situações e, ao expressá-los, acrescenta algo de sua personalidade, por
isso os significados que damos às experiências são desfigurados, enriquecidos ou
empobrecidos através da comunicação.

A comunicação nas relações interpessoais pode ser entendida de uma forma


mais simplificada, como sendo uma atividade caracterizada pela transmissão
e recepção de informações entre indivíduos ou, ainda, como o modo pelo qual

20
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS

se constroem e se interpretam significados a partir das trocas de experiências.


Enfim, o processo de comunicação é marcado por um procedimento resultante
de uma interação social.

Então, caro acadêmico, só há comunicação quando, de alguma forma,


o conteúdo da mensagem é interpretado e internalizado pelo receptor, ou seja,
quando é notada uma resposta em decorrência da mensagem. Enviar um e-mail
ou deixar uma mensagem gravada no celular, por exemplo, não representa
exatamente o comunicar, mas, sim, transmitir uma informação. Só haverá uma
comunicação completa se, de alguma forma, o receptor indicar ao emissor que
recebeu a informação que lhe foi emitida. E isso só acontecerá quando uma nova
ação desencadeie significação, ou seja, um sinal de retorno for identificado.

A linguagem é um elemento essencial para que o processo de interação


aconteça, pois é a partir do significado dos sinais que as pessoas atribuem sentido
às atividades. Desse modo, o processo de comunicação implica retorno ou
feedback para as interações sociais. O resultado da comunicação pode ser aquele
que o emissor pretendia (ou não). Se for o que pretendia, houve comunicação
eficaz. E, como processo interativo de troca de mensagens, o emissor atua sempre
simultaneamente com o receptor e vice-versa.

ATENCAO

Afinal, você sabe o que é feedback? É uma palavra de origem inglesa, que já
pertence ao nosso idioma, isto é, ela foi aportuguesada e, segundo o Dicionário Houaiss
2009, significa a informação que o emissor (o que envia a mensagem) obtém da reação do
receptor, e que serve para avaliar os resultados da transmissão.

No entanto, os significados atribuídos a uma mensagem dependem das


características pessoais de quem a envia, de quem a recebe e do contexto da
interação social. A cada mensagem o receptor agrega determinado significado, o
qual poderá ou não corresponder à intenção do emissor. Assim, constata-se que a
comunicação tem um procedimento imperfeito, dependendo do grau de eficácia
com as variáveis que intervêm na interpretação de significados.

Nas relações interpessoais, a comunicação está, também, atrelada aos


movimentos corporais que podem exprimir o positivo ou o negativo do que se
sente em relação ao outro. Os gestos que desenvolvemos podem transmitir muitas
informações, principalmente relativas ao nível social, à competência, à segurança
e à franqueza. Entretanto, acredita-se que a maior barreira para a comunicação
interpessoal é a nossa tendência automática de julgar, avaliar, aprovar ou não o
comportamento ou a opinião de outra pessoa ou de um grupo.

21
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

Então, acadêmico, você acredita que existe alguma maneira de solucionar


ou amenizar essa barreira? Certamente há! Quando ouvimos com atenção, essa
tendência é minimizada. Isto significa que devemos analisar e avaliar a ideia
expressa e a atitude de interpretação da outra pessoa, devemos perceber como
ela se posiciona diante do assunto do qual se está falando.

Você precisa ser capaz de ver o ponto de vista do outro, assim os seus
próprios conceitos serão reavaliados. Agindo desta maneira, a emoção não
será mais o ápice da discussão, as diferenças serão diminuídas e aquelas
que permanecerem serão racionalmente compreensíveis, e a comunicação se
estabelecerá.

Assim, a clara e efetiva comunicação é, absolutamente, essencial para os


relacionamentos de qualquer ordem como muitas outras realizações humanas.
Comunicar-se bem e de forma favorável é uma questão de prática diária. A falta
ou deficiência de comunicação nos relacionamentos, sejam pessoais, profissionais
ou sociais pode afetar em níveis variados todas as áreas da vida ou ocasionar
muito desgaste e até angústia. Praticar a arte da boa comunicação é muito valioso:
é, acima de tudo, agregar maturidade pessoal que trará bons resultados para
muitos segmentos de sua vida.

2.1 TIPOS DE COMUNICAÇÃO


Caro acadêmico, vimos a importância da comunicação para a
sobrevivência de uma organização e/ou instituição, mas, para que esta tenha
sucesso, é necessário que os tipos de comunicação sejam entendidos com atenção,
pois, como você já estudou até aqui, a comunicação é um processo de interação
no qual compartilhamos mensagens, ideias, sentimentos e emoções, podendo
influenciar o comportamento das pessoas que, por sua vez, reagirão a partir de
suas vivências, crenças, valores, história de vida e cultura. Por isso, a eficácia da
interpretação não pode ser garantida, embora possa haver planejamento para
auxiliar esse processo.

No cotidiano profissional utilizamos a comunicação para o desempenho de


nossas atividades, o que nos traz muitos benefícios se seu uso for consciente, pois
a boa comunicação tende a facilitar o alcance dos nossos objetivos, independente
da área em que atuamos.

Assim, você pode notar que existem vários tipos de comunicação. Ela
pode ser direta, indireta, formal ou não, unilateral ou bilateral. Vamos observar
alguns conceitos:

A comunicação formal é uma transmissão oficial feita através das vias de


diálogo que existem no organograma de uma empresa e/ou instituição. Geralmente
é feita por escrito e devidamente documentada através de correspondências ou
formulários (GOMES; CARDOSO; DIAS, 2010).

22
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS

Já a comunicação informal é a desenvolvida espontaneamente através


da estrutura sem formalidades e fora dos canais de comunicação estabelecidos
pelo organograma de uma empresa e/ou instituição. Segundo Gomes, Cardoso e
Dias (2010), esta conduz mensagens que podem ou não ser relativas às atividades
profissionais. Através dela, pode-se conseguir mais rapidamente mensurar
opiniões e insatisfações dos colaboradores, ao ter uma ideia mais ampla do clima
organizacional e da reação das pessoas aos processos de mudança.

Quando pensamos na comunicação unilateral, temos que ter em mente


que é estabelecida de um emissor para um receptor, e este último é passivo.
Pertencem a este grupo os locutores de uma rádio, da televisão, o cartaz de
parede com mensagens publicitárias e de propaganda ou aquele que pronuncia
uma palestra ou um discurso (GOMES; CARDOSO; DIAS, 2010).

A comunicação bilateral exige reciprocidade entre o emissor e o receptor.


É o que acontece nas conversas, nos diálogos, nas entrevistas, enfim, onde há uma
troca de mensagens. Este tipo de comunicação permite que se estabeleça, entre
emissor e receptor, uma troca de papéis (GOMES; CARDOSO; DIAS, 2010).

E
IMPORTANT

Existe ainda a comunicação direta, na qual duas ou mais pessoas estão cientes
do que se quer fazer em comum; está muito claro o que se pretende.
A comunicação indireta pode ser definida como a que o emissor está consciente do que
pretende, embora o receptor não o esteja. Neste tipo de comunicação há a persuasão, que
influi no pensamento do outro sem que este perceba.

Há de se considerar que a utilização dos diversos tipos de comunicação


em uma empresa e/ou instituição não garante a sua eficácia. Portanto, antes de
iniciar um comunicado, é sensato perguntar-se:

• O que e a quem quero comunicar?


• Que causas e finalidades tenho ao transmitir este conteúdo?
• Este conteúdo é justo para que eu consiga persuadir o receptor?

Partindo destas questões, observe o esquema a seguir, elaborado por


Harold Lasswell (1902-1978), que representa o ato comunicativo.

23
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

FIGURA 15 – ESQUEMA LINEAR DE COMUNICAÇÃO DE LASSWELL

• Emissor • Mensagem • Meio • Receptor • Efeitos


• Estudo da • Análise de • Análise da • Análise da • Estudo dos
produção conteúdo mídia audiência Efeitos

FONTE: <http://raquelcamargo.com/blog/wp-content/uploads/2010/08/midia.jpg>.
Acesso em: 6 ago. 2018.

NOTA

A diretora-geral de informação da Agência Angola Press (ANGOP), Luísa


Damião, afirmou em entrevista à Rádio Luanda em 30 de março de 2010 que “o uso correto
da comunicação, através da transmissão de mensagens adequadas e eficazes, é capaz de
promover mudanças de atitudes na sociedade”.

Caro acadêmico, existem alguns elementos que são fundamentais


para que haja comunicação. Assim, podemos afirmar que estes elementos, na
maioria das vezes, são utilizados sem que nós percebamos, alguns, porém, são
identificados, pois sem eles não haveria como comunicar-se. Quer saber como?
É o que veremos a seguir.

3 ELEMENTOS DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO


Nas diversas situações de comunicação, seja falada, escrita ou até mesmo
nos sinais de trânsito, você está interagindo com o mundo e com os demais a sua
volta. Assim, o ato comunicativo, às vezes, é muito sutil, mas sempre engloba
alguns elementos básicos, tais como: emissor, receptor, mensagem, canal de
comunicação, código e referente.

3.1 EMISSOR
É o remetente, ou seja, o que envia uma mensagem, e pode ser uma pessoa
ou um grupo, um órgão, uma empresa, um canal de televisão, um site na internet
e assim por diante. Em conformidade com Penteado (1977, p. 4):

Ninguém se comunica consigo mesmo. O clássico exemplo do


faroleiro ilustra esse princípio: – Na solidão em que vive, o processo
da comunicação humana somente se completa quando o facho de luz

24
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS

– transmissor – atinge o navio que passa – receptor. Enquanto o facho


de luz não é percebido de bordo, não existe comunicação humana.

Cabe, ainda, lembrar que geralmente o emissor analisa o nível de


conhecimento de seu público-alvo antes de emitir uma mensagem.

3.2 RECEPTOR
É o destinatário da mensagem, isto é, para quem a mensagem foi ou será
enviada. Pode ser para uma pessoa ou para um público-alvo, ou ainda um animal
ou uma máquina, como o computador.

3.3 MENSAGEM
“É o objeto de comunicação, ela é estabelecida pelo conteúdo das
informações transmitidas. A mensagem é o elo dos dois pontos do circuito; é o objeto
da comunicação humana e sua finalidade” (PENTEADO, 1977, p. 5). Chamamos
ainda de mensagem o que o emissor transmite e o que o receptor recebe.

3.4 CANAL DE COMUNICAÇÃO


Meio pelo qual a mensagem pode circular: jornal, revista, televisão, rádio,
folheto, folder, outdoor e o próprio ar.

Concordamos com Penteado (1977, p. 5) quando menciona o exemplo:


“Suponhamos que alguém – o receptor – encontre uma garrafa numa praia
deserta e que dentro dessa garrafa exista uma mensagem [...]”. Nesta situação,
percebemos um canal de comunicação, pois o mesmo cumpriu seu papel, que é o
de transportar uma mensagem.

3.5 CÓDIGO
O código é o meio através do qual a mensagem é transmitida, isto é, através
da fala, da escrita, dos gestos ou das imagens. De acordo com Penteado (1977, p.
5), “[...] um pedaço de papel coberto de garatujas não é uma mensagem, porque é
ininteligível, não pode ser percebido pela inteligência”. Em suma, pode-se dizer
que é o conjunto de elementos com significado aceitos pelo emissor e receptor.

25
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

NOTA

Garatujas correspondem a um desenho rudimentar, sem forma e ilegível.

3.6 REFERENTE
O referente é o contexto ou a situação a que a mensagem remete ou ainda
é a situação na qual emissor e receptor estão inseridos. Assim, a linguagem irá
adquirir diversas funções, como a de emocionar, informar, persuadir, fazer
refletir, entre outras.

Existem dois tipos de referente: o situacional, formado pelos elementos


que situam o emissor e o receptor e pelas circunstâncias da transmissão da
mensagem; e o textual, formado pelos elementos de todo o contexto linguístico.

Agora que você conhece os elementos da comunicação, veja como eles


podem ser representados observando o esquema a seguir:

FIGURA 16 – ESQUEMA DA COMUNICAÇÃO

Referente

Canal de Comunicação
Emissor Receptor
Mensagem

Código

FONTE: <https://www.coladaweb.com/wp-content/uploads/linguagem_2.JPG>.
Acesso em: 6 ago. 2018.

É importante ressaltar, portanto, que a comunicação deve ser simples,


direta, lógica e adaptada ao público-alvo, pois só se sabe verdadeiramente o que se
disse depois de ouvir a resposta ao que se disse. Para que isto aconteça, o emissor
deve ser um bom observador e ouvinte; a mensagem deve ser clara, precisa e
com uma informação de retorno, já que a comunicação serve para informar,
persuadir, motivar, educar, integrar os indivíduos na sociedade, distrair, divertir
e muito mais.
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TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS

4 BARREIRAS A UMA COMUNICAÇÃO EFICAZ


Conforme vimos, se analisarmos o ato da comunicação, vale ressaltar que
ela é um tanto dificultada já entre pessoas próximas, com laços afetivos, pois há
uma tendência de dispensar tolerância, paciência e cuidado com o que vai ser
falado ou ouvido.

Em uma instituição ou empresa, onde a afetividade é praticamente


imperceptível ou, por muitas vezes, inexistente, conclui-se que a comunicação
tende a ser ainda mais complexa. Entretanto, Pimenta (2004), com um ponto
de vista adverso, diz que a neutralidade e a racionalidade, características do
ambiente empresarial, tendem a facilitar a comunicação, uma vez que as emoções
e a passionalidade, às vezes exageradas das relações familiares, podem servir
como empecilhos.

Em muitas situações, os deslizes que suscitam esses problemas são


involuntários, os indivíduos os cometem sem perceber, seja por uma questão
de hábitos adquiridos ou por referências culturais e familiares. É imprescindível
pensar bem antes de falar, agir e ter sempre em mente que, em uma empresa
ou instituição, as opiniões e percepções serão sempre suscetíveis a discussões e
confusão, principalmente quando se trabalha com grupos heterogêneos. Vamos
conhecer alguns tipos de barreiras que podem gerar falhas à boa comunicação?
Vejamos:

• A distração é um elemento de alta capacidade de embaralhar a recepção correta


de uma informação, é uma ligação inesperada.
• A presunção não enunciada acontece quando o emissor pressupõe que o
receptor já saiba o significado, porém não o sabe, assim as informações são
perdidas.
• A apresentação confusa é a falta de ordem e coerência que dificultam o
entendimento das informações.
• A representação mental pode causar confusão, pois o receptor obtém os
dados e constrói uma imagem do que está sendo dito. Uma voz carinhosa, por
exemplo, chama a atenção do receptor, o que pode distorcer a mensagem.
• A credibilidade, que é a autoridade das pessoas, tem um peso muito grande
na hora do recebimento de uma informação.
• A distância física é a probabilidade decrescente de as pessoas se comunicarem
quando a distância é significativa entre elas.
• A defensidade acontece quando temos um conceito sobre o emissor e a
defensiva impede a comunicação.
• A limitação do receptor, que é o grau cultural ou a forma de encarar situações
e os interesses que temos, limita a capacidade de entender o que é proposto.

Diante do exposto, ainda pode-se acrescentar um último tipo de barreira que


efetivamente dificulta a condição de uma boa comunicação, a autossuficiência. E
podemos concordar com Penteado (1977, p. 71) quando diz: “Para a comunicação

27
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

humana, a autossuficiência, com todas as suas consequências, significa obstáculo


por vezes intransponível: é impossível para qualquer pessoa começar a aprender
o que ela julga que já sabe. O sucesso do aprendizado depende da disposição em
se admitir que não se sabe”.

NOTA

Quem tem autossuficiência é autossuficiente. Afinal, caro acadêmico, você


sabe o que é ser uma pessoa autossuficiente?
Autossuficiente é aquele que tem a capacidade de viver sem depender de outrem;
independente, ou capaz de atender às próprias necessidades de consumo, sem necessitar
de recorrer à importação de produtos.
FONTE: <https://www.dicio.com.br/autossuficiente/>. Acesso em: 6 ago. 2018.

Nos próximos subtópicos veremos com mais detalhamento alguns tipos


de barreiras que podem gerar falhas à boa comunicação.

4.1 REDUNDÂNCIA
A redundância na comunicação acontece quando o emissor transmite
uma informação repetindo-a, quando poderia utilizar uma linguagem mais
clara e objetiva. Utilizar positivamente este artifício é um dos maiores desafios
de quem almeja ser um bom comunicador. Se você prestar atenção, muitas
informações retratam redundâncias sintáticas, quando falamos “subir para
cima”, por exemplo; redundâncias gestuais, quando apontamos o polegar para
cima para dizer positivo, ou redundâncias tonais, quando exclamamos: “Estou
morto de fome!”, entre outras. Por vezes, a redundância se faz necessária para
que uma mensagem mostre perceptibilidade, como também para nos livrarmos
de possíveis ruídos. Bem, estes você estudará logo mais.

Pode-se dizer, então, que redundância é toda a parte da mensagem que não
traz nenhuma informação nova, isto é, refere-se a um excesso ou a um pleonasmo.
A redundância se associa à contenção da informação. Na comunicação cotidiana
a encontramos na união dos gestos com a fala. Então, quando dizemos “nós
estamos aqui”, poderíamos apenas falar “estamos aqui”.

28
TÓPICO 2 | COMUNICAÇÃO: PROCESSOS E ELEMENTOS

NOTA

Ei, você lembra o que é pleonasmo?


O pleonasmo pode ser tanto uma figura quanto um vício de linguagem. Ele é uma
redundância, proposital ou não, numa expressão, enfatizando-a. Não se preocupe, adiante
você encontrará uma explicação completa, ok?

4.2 RUÍDO
De modo mais informal, o ruído ou a interferência é tudo o que afeta a
transmissão da mensagem. São fatores que surgem ou que se colocam entre o
emissor e o receptor no processo de comunicação.

“A interferência ou ruído é criado por todos os fatores que, embora


não pretendidos pela fonte, acrescentam-se ao sinal durante o processo de
transmissão” (RÜDIGER, 1998, p. 21).

Se você falar em voz muito baixa, se efetuar erros de codificação, se você


estiver nervoso, se faltar com a atenção, se faltar energia elétrica, se manchar o
papel que contém a informação, certamente ocorrerão ruídos num contexto de
comunicação. Para que todas essas informações fiquem claras, observe o esquema
a seguir:

FIGURA 17 – ESQUEMA DE RUÍDO NA COMUNICAÇÃO


Ruído

Emissor Receptor

Mensagem

FONTE: As autoras

29
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

O bom senso é palavra de ordem dentro das relações comunicativas


profissionais. Para tanto, cabe a cada um a constante autoanálise em relação ao
comportamento e à postura diante do grupo e das situações comunicativas que
exercemos.

Caro acadêmico, após esta etapa de estudos, quando você se comunicar,


tente minimizar as barreiras para uma comunicação eficaz. E para tanto, observe
algumas dicas:

• utilize uma linguagem apropriada e direta;


• forneça informações claras e completas;
• use canais múltiplos para estimular os vários sentidos do receptor;
• comunique-se face a face;
• ouça ativamente; e
• tenha empatia.

Para você visualizar como a comunicação funciona, observe o esquema de


Shannon e Weaver:

FIGURA 18 – O MODELO DE SHANNON-WEAVER DO PROCESSO DE COMUNICAÇÃO

Fonte de Transmissor Canal Receptor Destino


Informação

Mensagem Sinal Sinal Mensagem

Fonte de
Ruído

Feedback

FONTE: Adaptado de <http://www.ceismael.com.br/oratoria/shannon.gif>.


Acesso em: 6 ago. 2018.

DICAS

Para você aprofundar seus conhecimentos em relação à comunicação e sentir-


se mais autoconfiante nesse processo, leia: RIBEIRO, Lair. Comunicação global: a mágica da
influência. Rio de Janeiro: Objetiva, 1993. Você vai aprender muito numa leitura divertida e
de fácil acesso!

30
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• A comunicação não pode ser confundida com a simples transmissão unilateral


de informações, ela só existe quando se estabelece entre duas ou mais pessoas.

• Todas as relações humanas e interpessoais abrangem a comunicação, pois


ela é um veículo de significados que pode, inclusive, influenciar nossos
comportamentos.

• A comunicação nas relações interpessoais pode ser entendida, de uma forma


mais simplificada, como uma atividade caracterizada pela transmissão e
recepção de informações entre indivíduos.

• A comunicação formal é a comunicação oficial endereçada através dos canais


de diálogo existentes no organograma de uma empresa ou de uma instituição.

• A comunicação informal é aquela desenvolvida espontaneamente através da


estrutura sem formalidades e fora dos canais de comunicação.

• Há seis elementos no processo de comunicação, que são: o emissor (remete a


informação); o receptor (o destinatário da mensagem); a mensagem (o objeto
de comunicação); o canal de comunicação (o meio pelo qual a mensagem pode
circular); o código (o meio através do qual a mensagem é transmitida) e o
referente (o contexto, a situação e os objetos reais a que a mensagem remete).

• A comunicação precisa ser simples, direta, lógica e adaptada ao público-alvo,


pois só se sabe verdadeiramente o que se disse depois de ouvir a resposta ao
que se disse, o chamado feedback.

• A redundância acontece quando o emissor transmite uma informação


repetindo-a, em vez de transmiti-la com clareza.

• O ruído ou a interferência é tudo o que afeta a transmissão de uma mensagem.

31
AUTOATIVIDADE

1 Duas pessoas conversam ao telefone celular. A pessoa que está ouvindo,


porém, não consegue entender o que a outra está dizendo, pois o seu aparelho
apresenta um pequeno defeito. O ruído, neste processo de comunicação,
está no:

a) ( ) Código.
b) ( ) Canal.
c) ( ) Emissor.
d) ( ) Receptor.
e) ( ) Mensagem.

2 Observe e responda:
FIGURA 19 – CALVIN CONVERSA POR TELEFONE
Como vai ? Ouça, eu suponho
Oi, .UH HUH... que você deve estar
Eu, Calvin! Belo dia lá fora, pensando por que
Não? ... YEP... eu liguei...

FONTE: <https://escolakids.uol.com.br/public/upload/image/calvin-e-haroldo(1).jpg>.
Acesso em: 31 out. 18.

A tirinha ilustra elementos do processo de comunicação que você já


estudou. Com base no que foi visto, e com relação à tirinha, julgue os itens a
seguir:

I- A voz da personagem Calvin é um canal de comunicação.


II- A personagem Calvin desempenha o papel de emissor da mensagem.
III- A forma como o diálogo por telefone se desenvolveu indica que houve um
ruído no processo de comunicação.
IV- Os elementos fonte, código, canal, estão presentes na tirinha.

Estão corretos apenas os itens:


a) ( ) I e III.
b) ( ) I e IV.
c) ( ) II e III.
d) ( ) II e IV.
e) ( ) III e IV.

3 Diga quais são as barreiras para uma comunicação eficaz e explique-as.

32
UNIDADE 1
TÓPICO 3

A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES

1 INTRODUÇÃO
Abordamos no Tópico 1 que a linguagem possui peculiaridades. A língua
é de domínio público, pertence a todos os membros de uma comunidade, e
concretiza-se por meio do uso individual da fala, ou seja, cada falante a utiliza
conforme as suas necessidades de comunicação, seu grau de escolaridade,
sua faixa etária, ou sua região na qual reside, daí a dizer que a língua possui
variedades.

Você, ao imitar alguém, já acabou por reproduzir algumas palavras que


são características da pessoa imitada? Podemos dizer que a diversidade dessa
utilização ocorre devido a inúmeros fatores ou níveis, assunto a ser abordado
neste tópico.

2 NÍVEIS DE LINGUAGEM
Uma das variantes a ser estudada diz respeito aos níveis de linguagem. No
processo de comunicação torna-se imprescindível que o falante (emissor) faça a
seleção das variantes da língua, ou seja, as formas adequadas para cada situação,
considerando alguns aspectos, tais como: o que dizer, para quem dizer, em que
lugar e como dizer.

DICAS

Ao considerar os aspectos “o que dizer, para quem dizer, em que lugar e como
dizer”, você já está realizando seu planejamento textual. Acesse o portal UOL para conferir
mais dicas de planejamento textual para suas produções escritas: <https://alunosonline.uol.
com.br/portugues/dicas-para-planejar-sua-redacao.html>.

A partir disso, analisaremos distintos níveis de linguagem. Vamos


conhecer quais são e em que momento utilizar cada um?

33
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

2.1 NÍVEL CULTO OU FORMAL


Em situações formais, como o próprio nome sugere, esse nível de fala é
utilizado pelas pessoas escolarizadas. A linguagem culta deve ser utilizada pelos
meios de comunicação escrita, como jornais, revistas, livros etc. O nível culto
se caracteriza pelo uso mais apurado do vocabulário e o cuidado com as regras
gramaticais. Em situações de cerimônia, deve ser usada a linguagem formal.

O fragmento a seguir apresenta linguagem em nível formal.

A memória paulista está em risco. Um levantamento inédito produzido


pelo Sistema Estadual de Museus (SISEM), órgão ligado à Secretaria de Estado
da Cultura de São Paulo, mostra que 86% dos 415 museus paulistas têm, ao
menos, um problema grave.

Faltam políticas de conservação do acervo, cuidados de climatização,


reservas técnicas, funcionários e, em alguns casos, visitantes – porque há
instituições fechadas ao público. O diagnóstico mostra a situação em que se
encontram documentos e peças importantes para a história de São Paulo. Se
bem utilizado [o levantamento], pode indicar quais medidas urgentes devem
ser tomadas pelos responsáveis pelos museus.

FONTE: <http://noticias.r7.com/sao-paulo/noticias/86-dos-museus-paulistas-tem-
problemas-20110918.html>. Acesso em: 6 ago. 2018.

2.2 NÍVEL INFORMAL


A espontaneidade é característica presente neste nível de linguagem. No
dia a dia, em situações informais, as pessoas não estão atentas ao que é certo ou
errado, segundo a linguagem padrão. Elas se comunicam com maior liberdade e
necessitam, muitas vezes, de agilidade na transmissão da mensagem.

Geralmente, nos diálogos encontramos exemplos da linguagem coloquial.


O texto que segue O Poeta na Roça, de Patativa do Assaré, reproduz o nível
informal. Observe:

O poeta da roça

Sou fio das mata, cantô da mão grossa,


Trabaio na roça, de inverno e de estio.
A minha chupana é tapada de barro,
Só fumo cigarro de paia de mio.

Sou poeta das brenha, não faço o papé


De argum menestré, ou errante cantô
Que veve vagando, com sua viola,

34
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES

Cantando, pachola, à percura de amô.

Não tenho sabença, pois nunca estudei,


Apenas eu sei o meu nome assiná.
Meu pai, coitadinho! Vivia sem cobre,
E o fio do pobre não pode estudá.

Meu verso rastero, singelo e sem graça,


Não entra na praça, no rico salão,
Meu verso só entra no campo e na roça
Nas pobre paioça, da serra ao sertão.

Só canto o buliço da vida apertada,


Da lida pesada, das roça e dos eito.
E às vez, recordando a feliz mocidade,
Canto uma sodade que mora em meu peito.

Eu canto o caboco com suas caçada,


Nas noite assombrada que tudo apavora,
Por dentro da mata, com tanta corage
Topando as visage chamada caipora.

Eu canto o vaquero vestido de coro,


Brigando com o toro no mato fechado,
Que pega na ponta do brabo novio,
Ganhando lugio do dono do gado.

Eu canto o mendigo de sujo farrapo,


Coberto de trapo e mochila na mão,
Que chora pedindo o socorro dos home,
E tomba de fome, sem casa e sem pão.

E assim, sem cobiça dos cofre luzente,


Eu vivo contente e feliz com a sorte,
Morando no campo, sem vê a cidade.
Cantando as verdade das coisa do Norte.

FONTE: ASSARÉ, Patativa do. Cante lá que eu canto cá. 5. ed. Petrópolis: Vozes, 1984, p. 20-21.

De acordo com Travaglia (1996), a língua escrita e a oral apresentam cada


uma um conjunto próprio de variedades de grau de formalismo. As variedades
de grau de formalismo da língua escrita apresentam uma tendência para maior
regularidade e geralmente maior formalidade que as da língua falada, todavia,
importa lembrar que em cada caso existe uma mesma relação entre os níveis de
grau de formalismos propostos para a língua falada e para a escrita. É necessário
lembrar que não é válida a distinção que frequentemente encontramos enunciada

35
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

por professores de que a língua falada seria informal e a escrita formal. Isso
não é verdadeiro. Podemos ter textos altamente formais na língua falada e
textos totalmente informais na língua escrita. Isso fica claro no paralelismo dos
níveis de formalidade registrados no quadro a seguir. Convém anotar que a
língua escrita também pode apresentar variantes dialetais, embora essas sejam
usualmente pouco numerosas e menos marcantes que na língua falada, porque
no escrito desaparecem as diferenças fonéticas, prosódicas e outras. Assim,
entre o português escrito do Brasil e o de Portugal as diferenças de convenção
ortográfica, bem como as diferenças sintáticas, podem ser consideradas mínimas.
A maior diferença parece ficar no léxico.

Considerando cinco graus de formalismo distintos, tanto na língua oral


quanto na escrita, Bowen (1972) propõe o seguinte quadro das variedades de
modo e de grau de formalismo:

QUADRO 3 – VARIANTES DE MODO

Língua Falada Língua Escrita


Oratório Hiperformal
Formal (Deliberativo) Formal
Coloquial Semiformal
Coloquial distenso Informal
Familiar Pessoal

Vejamos, a seguir, com algumas pequenas modificações, acréscimos ou


reduções, a caracterização sumária que se apresenta de cada grau de formalismo
em Bowen (1972).

1) Oratório: elaborado, intrincado, enfeitado, inteiramente composto


de períodos equilibrados e construções paralelas. É usado quase
exclusivamente por especialistas, tais como: advogados, sacerdotes, e
outros oradores religiosos, políticos etc. e é sempre reconhecido como
apropriado para uma situação muito formal. Poder-se-ia citar exemplos
tirados de nossa literatura, tais como os sermões do Padre Antônio Vieira e
as orações.
1a) Hiperformal: o equivalente escrito do oratório. Uma composição escrita
para efeitos grandiosos ou sublimes. Uma poesia que segue estritamente
os padrões formais, como o soneto, seria um exemplo. Um poema épico,
romances de autores como Machado de Assis e José de Alencar.
2) Deliberativo: usado quando se fala a grupos grandes ou médios, em que
se excluem as respostas informais. É preparado previamente e mantém de
proprósito uma distância entre falantes e ouvintes. Diferenciando-se do
grau de formalismo coloquial, o deliberativo se caracteriza por sentenças
que são mais rigorosamente definidas, por um número mais reduzido de
sentenças curtas, por um vocabulário mais rico, com muitos sinônimos

36
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

ou quase sinônimos, usados par evitar repetições léxicas desnecessárias,


mostrando assim uma preocupação do falante com o estilo de expressão.
Frequentemente é muito difícil para os falantes a aquisição de uma
performance nesse nível, embora entendam o que ouvem e apreciem as
habilidades reveladas pelos outros. Conferências científicas normalmente
são realizadas com esse nível de formalidade.
2a) Formal: apresenta características semelhantes ao do deliberativa, numa
forma de linguagem cuidada na variedade culta e padrão, mas dentro
do estilo escrito. É o caso da escrita dos bons jornais e revistas, por
exemplo, cuidadosamente editada e elaborada. Correspondências oficiais
normalmente se enquadram nesse nível.
3) Coloquial: comumente aparece no diálogo entre duas pessoas, ambas
participantes ativas, alternando-se no papel de falante e emitindo sinais
de realimentação, quando na posição de ouvinte. Sem planejamento
prévio, mas continuamente controlado, é caracterizado por construções
gramaticais soltas, repetições frequentes, frases bem curtas e conectivos
simples, léxico constituído de palavras de uso mais frequente.
3a) Semiformal: corresponde na escrita ao coloquial, mas tem um pouco mais
de formalidade que este. É a forma de língua que encontramos, por exemplo,
em cartas comerciais e de recomendação, declarações, reportagens escritas
para posterior leitura pelos locutores nas rádios e televisões, relatórios e
projetos.
4) Casual (coloquial distenso): nesse nível percebe-se uma completa
integração entre falante e ouvinte, com o uso frequente de gíria, que é um
indicador do relacionamento próprio de um grupo fechado (linguagem
particular ou semiparticular). É caracterizado pela omissão de palavras
e pouco cuidado em sua pronúncia, que pode ocorrer com mudanças de
sons, sem seus finais etc. Seriam exemplos desse nível as conversações
descontraídas entre amigos, colegas de trabalho.
4a) Informal: é o caso de correspondência entre membros de uma família ou
amigos íntimos e caracteriza-se pelo uso de formas abreviadas, abreviações
padronizadas, ortografia simplificada, construções simples, sentenças
fragmentadas.
5) Íntimo (familiar): inteiramente particular, pessoal, usado na vida familiar
privada. Este grau de formalismo é a língua em que há a intimidade da
afeição. Aparecem, portanto, muitos elementos da linguagem afetiva com
função emotiva.
5a) Pessoal: Quase sempre notas para uso próprio. Como exemplos podemos
citar um recado anotado ao telefone, um bilhete que deixamos para avisar
alguém da casa de algo ou mesmo uma lista de compras de uma dona de
casa.

FONTE: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/gestar/tpportugues/tp1.pdf>.
Acesso em: 6 ago. 2018

37
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

2.3 USO ADEQUADO DA LÍNGUA ÀS SITUÇÕES DE


COMUNICAÇÃO
Quando pensamos em que roupa colocar para ir ao escritório, por
exemplo, certamente bermuda e camiseta não estão em nossa lista, não é? Com a
linguagem não é diferente, devemos adequá-la conforme o uso que faremos dela,
ou seja, conforme a situação, o lugar e as pessoas com que vamos nos comunicar.

Um diálogo entre amigos sugere uma situação de informalidade, sendo


possível utilizar a língua de forma espontânea, sem preocupação com as regras de
gramática normativa. Caso diferente é um discurso de formatura. Assim como há
a preocupação com a vestimenta, deve haver com a linguagem utilizada. Nessa
situação, não seria adequada a linguagem coloquial e, sim, a formal.

2.4 GÍRIAS
Apesar de muitas pessoas pensarem que a gíria é um desvio da linguagem,
a maioria já pronunciou palavras como: bacana, cara, cuca, entre outras, não é
mesmo? O que não podemos esquecer é que a gíria não pertence à linguagem
padrão, não é aceita em situações de formalidade, como, por exemplo, redações
de vestibular, ofícios, preenchimento de relatórios, e-mails, textos acadêmicos,
artigos científicos etc.

Assim, podemos afirmar que a língua formal não aprova o uso de gírias,
salvo em reprodução de falas de personagens. Quando usada em momento
oportuno, ela cumpre o papel de denotar expressividade, podendo revelar grande
criatividade do emissor, à medida que esteja adequada à situação: adaptada ao
meio, à mensagem e a quem a receber.

A gíria, portanto, é característica da linguagem informal. Para Terra (1997,


p. 66) “[...] a gíria é uma variante da língua padrão utilizada por indivíduos de um
grupo social ou profissional em circunstâncias especiais”. Muitas vezes utilizamos
algumas delas sem perceber que não estamos fazendo uso da linguagem formal,
pois encontramos gírias diferenciadas, como, por exemplo: a dos jovens, a dos
surfistas, a dos jogadores de futebol, entre outras.

Constantemente surgem novas gírias e outras caem em desuso, isso


porque a gíria, como já mencionado, é uma variante da língua, e esta, por sua
vez, está em constante evolução e/ou reformulação.

Leia agora um pequeno texto sobre o assunto.

38
TÓPICO 1 | LINGUAGEM: UM MEIO DE COMUNICAÇÃO SOCIAL

GÍRIA: O LADO JOVEM E TRANSITÓRIO DA LINGUAGEM

Da festa do balacobaco à reúna onde se descolava aquela mina até o


“ficar” de hoje, os jovens de todas as épocas reinventam a língua portuguesa.
A juventude principalmente, mas todos os grupos de interesse e vivências
particulares criam seu próprio modo de expressão e identidade, enriquecendo
e dando gosto e graça ao vocabulário.

Perseguida pelos puristas, sempre provocadora de polêmicas entre os


gramáticos, escolas e redações de jornais, a gíria, na verdade, inova e renova a
linguagem. Chamar alguém de bacana anos atrás era um elogio e linguagem
de quem estava “por dentro”. Agora, a mesma palavra pode ser classificada
como uma expressão típica de um “mauricinho”. Com humor e criatividade,
as gírias são fugazes e estão sempre se renovando.

Recentemente, foi lançado em Brasília, pelo jornalista e professor


universitário, João Bosco Serra e Gurgel, o Dicionário de Gíria; modismo linguístico
e equipamento falado do brasileiro. Serra e Gurgel defende que a disseminação
da gíria pode estar levando o português a se tornar uma língua ágrafa, sem
representação gráfica para sua manifestação sonora.

O uso da gíria pela juventude e pelos meios de comunicação sempre


gerou polêmica. Serra e Gurgel dizem que 90% dos jovens adotam a gíria e
desprezam a estruturação de sujeito, verbo e complemento. “Suas frases são
vagas, carregadas de sons que nada significam”. Celso Luft afirma que a gíria
é própria da juventude e da linguagem coloquial, informal.

Descontraída, debochada ou crítica, a gíria tem contribuído para dar um


colorido próprio à linguagem. Sem ela, sem o recurso de regionalismo, acredita
Luft, a linguagem corre o risco de empobrecer pela padronização, ficando
sem vida. “Por trás do preconceito contra a gíria há sempre um conflito entre
conservadores e juventude, grupo social contra grupo social. Se a linguagem
da juventude se restringir só à gíria, então haverá perigo”.

FONTE: BRAGANÇA, Maria Alice. Revista ZH. Porto Alegre, 1991, p. 6-7.

3 A LINGUAGEM PARTICULAR DE UMA PROFISSÃO


A escolha de uma profissão não é algo que se decide de uma hora para
outra, não é? Vários fatores são levados em conta, como as habilidades que se
têm, a afinidade com alguma área em especial ou até mesmo a admiração por
profissionais que já exercem tal trabalho. Pode-se afirmar que cada vez mais a
pressão em torno da responsabilidade pela escolha certa, na era da informação,
do avanço tecnológico e comunicacional proporcionado pela globalização está
exigindo profissionais muito qualificados.

39
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

Você sabe, provavelmente, que não é possível haver indivíduos


qualificados sem levar em conta um item muito importante no currículo de
qualquer profissional das mais variadas áreas: o uso do nível culto da língua
portuguesa.

Vimos, anteriormente, que nós temos a linguagem falada e escrita, porém
não escrevemos como falamos nem vice-versa. Você deve concordar conosco que,
em situações de oralidade, a negociação de sentido entre os interlocutores é mais
imediata, o que pode implicar, muitas vezes, na facilidade de compreensão do
conteúdo da mensagem. Além disso, a oralidade dispõe de elementos como a
entonação e variação de voz, que contribuem para o entendimento. Em outras
palavras, dependendo da situação, você emprega a linguagem que mais se adequa:
se informal, usa-se uma linguagem sem formalidades; se formal, emprega-se
a norma culta. Você já estudou, também, que a modalidade escrita vem sendo
muito exigida em concursos e entrevistas para emprego. Assim, preste atenção,
acadêmico, pois a era digital parece informal, mas, no trabalho, requer o uso de
regras coerentes. Assim, o profissional que quer permanecer num mercado de
trabalho tão competitivo no mundo globalizado precisa ter domínio da norma
culta, bem como das regras, e ainda saber falar e escrever muito bem.

Queiramos ou não, a linguagem particular utilizada nas diversas


profissões, seja na elaboração de um ofício, relatório, ata, memorando, e-mail,
mala direta, num aviso a colegas de trabalho, numa conversa, entre outros, exige
o uso da norma culta da língua.

Reconhecemos, então, que a norma culta constitui como um aspecto da


linguagem importante para a comunicação empresarial. Acerca da linguagem
profissional, também é importante discutirmos a linguagem técnica ou jargão, que
corresponde a um palavreado particular de uma categoria ou de uma profissão.
Segundo o dicionário Michaelis (2008), jargão é uma gíria profissional. Perceba
que linguagem técnica ou jargão é um código da língua, pertencente a um grupo
profissional ou sociocultural com vocabulário especial.

Apesar de em muitos casos o jargão ser apenas um modo de impressionar


o receptor, há também os casos em que sua colocação é quase que obrigatória. Seja
qual for a causa de sua existência, o jargão tem um sentido muito importante para
quem o utiliza. Quando um advogado peticiona, por exemplo, ele expressa o que
os leigos conhecem por “pedir para o juiz”. Assim, podemos dizer que a linguagem
técnica ou o jargão é a “gíria” usada específica e limitadamente por grupos de
profissionais de um mesmo meio: professores, advogados, médicos etc.

O uso de jargões, como pudemos ver, corresponde a um recurso, a uma


função da linguagem, que contribui para a produção de textos (orais ou escritos)
na área profissional. Na seção a seguir, vamos refletir sobre a linguagem e suas
funções.

40
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES

4 A LINGUAGEM E SUAS FUNÇÕES


As funções da linguagem são recursos que enfatizam a intenção do emissor
para que se estabeleça uma comunicação eficiente. Um texto pode apresentar
mais de uma função enfatizadora.

As funções da linguagem têm a finalidade de levar o leitor ou o receptor a


compreender determinado efeito ou conceito para determinado objetivo. Diante
disso, comungamos da ideia de Chalhub (1990, p. 9):

Numa mesma mensagem [...] várias funções podem ocorrer, uma


vez que, atualizando corretamente possibilidades de uso do código,
entrecruzam-se diferentes níveis de linguagem. A emissão, que
organiza os sinais físicos em forma de mensagem, colocará ênfase em
uma das funções – e as demais dialogarão em subsídio, [...].

Obviamente, as funções da linguagem requerem, antes de serem


individualmente estudadas e antes de observarmos suas influências no dia a dia,
indicar que todo processo comunicativo é centrado em elementos. Chalhub (1990,
p. 1) reflete a respeito disso dizendo:

Diferentes mensagens veiculam significações as mais diversificadas,


mostrando na sua marca e traço [...]. O funcionamento da mensagem
ocorre tendo em vista a finalidade de transmitir – uma vez que
participam do processo comunicacional: um emissor que envia a
mensagem a um receptor, usando do código para efetuá-la; esta,
por sua vez, refere-se a um contexto. A passagem da emissão para
a recepção faz-se através do suporte físico que é o canal. Aí estão,
portanto, os fatores que sustentam o modelo de comunicação: emissor;
receptor; canal; código; referente; mensagem.

Os elementos da comunicação instituem funções, assim conhecidas:

• função referencial;
• função emotiva;
• função conativa;
• função fática;
• função metalinguística e
• função poética.

Vamos visualizar o esquema a seguir para poder entendê-las melhor?

41
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

FIGURA 20 – FUNÇÕES DA LINGUAGEM

Contexto (referencial)

Emissor (emotiva) Mensagem (poética) Receptor (conativa)

Canal (fática)

Código (metalinguística)

FONTE: As autoras

4.1 FUNÇÃO EMOTIVA


A função emotiva ou expressiva é focada nas opiniões, ideias e nas emoções
de quem emite a mensagem. As interjeições e as exclamações são geralmente
utilizadas. O texto faz uso da primeira pessoa do singular.

Esta função aparece especialmente nas biografias, poesias líricas,
memórias e nas cartas de amor.

ATENCAO

Consulte seus conhecimentos e responda: o que é interjeição? Hum,


esqueceu?! Bem, saiba que as interjeições são palavras invariáveis, isto é, não sofrem variação
em gênero, número e grau. No entanto, em uso específico, algumas interjeições sofrem
variação em grau. Deve-se entender que, neste caso, não se trata de um processo natural
dessa classe, mas tão somente uma variação que a linguagem permite.
Exemplos de frases contendo interjeições.
«Ah! não, minha filha, traga-me de volta os retratos.»
«Arre! Até que enfim chegamos.»
«Avante! O dia está raiando.»
«Bis! Excelente apresentação.»
«Bravo! Execução maravilhosa.»
«Calma, gente! O Brasil parece ser nosso.»
«Calma, governador! No fim do túnel sempre tem um pedágio.»
«Caramba! Tudo aqui parece abandonado.»
«Cruz-credo! Que medo daquele escuro.»
«Cuidado! Maria está chegando.»
«Ei, amigos, venham!»
«Epa! Tem alguém por aqui.»
«Fora, bicho!»
«Fora! Estou farta de você.» 

42
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES

«Graças a Deus! Saí sã e salva dessa fria.»


«Hum, que chiqueza!»
«Macacos me mordam! Que dia de cão.»
«Meu Deus! Quanta chuva.»
«Não diga! Ela parecia tão boa.»
«Ô, venha!»
«Ôba! Feriado na terça!»
«Ôba! Férias de julho novamente.»
«Oh! Bendito aquele que cria e não copia.»
«Oi! Tudo bem por aí?»
«Olá! Tem alguém em casa?»
«Parabéns! Eu sabia que você ia conseguir a vaga.»
«Psiu! Preciso de uma ajudinha.»
«Puxa! Que calor.»
«Puxa vida! Isso não acaba nunca.»
«Que horror! Esse desrespeito passou dos limites.»
«Que pouca vergonha! Essas meninas perderam a noção.»
«Quem me dera! Um sorteiozinho na Mega e estaria feita.»
«Silêncio! Tem gente dormindo.»
«Tomara! Um dia ela se vinga!»
«Ué! Cadê sua ajuda?»
«Ui! Dói só de pensar!»
«Valha-me Deus! Não quero morrer agora.»
«Xi! Azedou o leite.»
«Xô, bicho!»

FONTE: <http://www.lpeu.com.br/q/tlua6>. Acesso em: 7 ago. 2018.

Leia o exemplo a seguir:

UMA MORENA

Não ofereço perigo algum: sou quieta como folha de outono esquecida
entre as páginas de um livro, sou definida e clara como o jarro com a bacia de
ágata no canto do quarto – se tomada com cuidado, verto água limpa sobre as
mãos para que se possa refrescar o rosto, mas, se tocada por dedos bruscos, num
segundo me estilhaço em cacos, me esfarelo em poeira dourada. Tenho pensado
se não guardarei indisfarçáveis remendos das muitas quedas, dos muitos toques,
embora sempre os tenha evitado aprendi que minhas delicadezas nem sempre
são suficientes para despertar a suavidade alheia, mesmo assim insisto: meus
gestos, minhas palavras são magrinhos como eu, e tão morenos, que esboçados
à sombra, mal se destacam do escuro, quase imperceptível me movo, meus
passos são inaudíveis feito pisasse sempre sobre tapetes, impressentida, mãos
tão leves que uma carícia minha, se porventura a fizesse, seria mais branda que
a brisa da tardezinha. Para beber, além do chá, raramente admito um cálice de
vinho branco, mas que seja seco para não esbrasear em excesso minha garganta
em ardores...

FONTE: ABREU, Caio Fernando. Fotografias. In: Morangos mofados. 2. ed. São Paulo:
Brasiliense, 1982, p. 93.

43
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

No texto, você pode observar que são descritas as sensações da mulher.


Esta descrição é pessoal e subjetiva. O emissor exterioriza seu estado psíquico,
predominando a função emotiva da linguagem. Observe que o texto se caracteriza,
também, pelo uso da 1ª pessoa do singular, o eu.

4.2 FUNÇÃO REFERENCIAL


Esta função centra-se no referente. O texto apresenta informações sobre a
realidade, traduzindo objetivamente o fato acontecido, uma linguagem direta e
objetiva. Prevalece a terceira pessoa do singular. Sem emitir uma opinião pessoal,
é utilizada na ciência, na arte realista, no jornal e em livros científicos.

Leia o texto a seguir:

A índia Everon, da tribo Caiabi, que deu à luz três meninas, através de
uma operação cesariana, vai ter alta depois de amanhã, após ter permanecido
no Hospital Base de Brasília desde o dia 16 de março. No início, os índios da
tribo foram contrários à ideia de Everon ir para o hospital, mas hoje já aceitam
o fato, e muitos já foram visitá-la. Everon não falava uma palavra de português
até ser internada e as meninas serão chamadas de Luana, Uiara e Potiara.

FONTE: <https://docgo.net/philosophy-of-money.html?utm_source=dinamica-dVozf7Z>.
Acesso em: 7 ago. 2018.

Observe que o texto apresenta, como objetivo único, informar ou confirmar


ao receptor um fato ocorrido. A linguagem é objetiva, não admite mais que uma
interpretação. Assim, evidencia-se a clara função de linguagem empregada, a
referencial, que traduz objetivamente a realidade.

4.3 FUNÇÃO APELATIVA


Esta função indica que a mensagem está centrada no receptor. O emissor,
por sua vez, busca influenciar a conduta do receptor com o intuito de convencê-lo
ou de lhe dar ordens. É comum o uso do tu e do você (2ª e 3ª pessoas do singular)
ou o próprio nome a quem se dirige a fala, além de usar vocativos e imperativos.
Nos discursos, nos sermões e nas propagandas, que são dirigidos diretamente ao
consumidor, é muito comum o uso desta função.

44
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES

NOTA

Você lembra o que é um vocativo? Bem, é muito fácil! Vocativo é um termo


que serve para chamar, invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético. Exemplo: “Não
fale tão alto, Juliana!” O nome “Juliana” é um vocativo.
E o modo imperativo dos tempos verbais, você sabe sua função? Ele é usado quando
queremos ordenar ou aconselhar. Exemplos: “Traga-me um chá!” “Tome cuidado, menino!”

Observe a imagem:

FIGURA 21 – PROPAGANDA

FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/-dLxAGiuQEnA/TaG2KWI7ZtI/AAAAAAAAABM/0eF-rRozbjw/
s320/greenpeace2.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

45
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

Ela propaga uma mensagem que, geralmente, chama muito a atenção


pelo impacto. As propagandas classificadas como apelativas têm a incumbência
de proporcionar, muitas vezes, uma mensagem de cunho social. Veja, a seguir,
mais um exemplo de textos publicitários que explicitamente utilizam o apelo
ao receptor.

FIGURA 22 – PROPAGANDA

FONTE: <https://empiricusimagens.s3.amazonaws.com/imagens/copys/fn01/13.png>.
Acesso em: 12 jun. 2018.

4.4 FUNÇÃO FÁTICA


A função fática objetiva verificar se o canal de comunicação está em pleno
funcionamento. Tem a finalidade de prolongar ou não a relação comunicativa com
o receptor. No linguajar das falas telefônicas, as saudações são características da
função fática, bem como as interjeições, comentários sobre o clima, entre outros
aspectos.

Veja o exemplo que segue:

FIGURA 23 – FUNÇÃO FÁTICA

FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/_8gWyZQJ8R0E/Svm0h1GIVzI/AAAAAAAAAQ8/
J1i7Akoomlw/s400/blog1.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

A letra da música da figura, que serve como exemplo da função fática,


mostra que o emissor utiliza claramente expressões que tentam prolongar o
contato com o receptor.

46
TÓPICO 3 | A LINGUAGEM E SUAS PARTICULARIDADES

4.5 FUNÇÃO METALINGUÍSTICA


Na função metalinguística o código linguístico é posto em destaque, usando
a linguagem para falar dela mesma, ou seja, ela faz menção ao próprio código. A
poesia que fala da poesia, um texto que explana outro texto e os dicionários são
exemplos de metalinguagem. Então, dicionários, gramáticas, textos que analisam
textos, poemas que abordam o assunto da poesia são exemplos desta função.
Observe os exemplos a seguir:

FIGURA 24 – FUNÇÃO METALINGUÍSTICA

Mãe, você acha que eu Educado não é aquele que Viu, seu �*!!!ξ? Você não
sou Mal-Educado? sabe as regras de etiqueta. Eu sou educado! tá pensando
Educado é aquele que na minha mãe
pensa nos outros! quando diz isso!

FONTE: <http://1.bp.blogspot.com/_8gWyZQJ8R0E/SvBIbCGCozI/AAAAAAAAAQk/uk2njO4Ail8/
s1600-h/blog1.jpg>. Acesso em: 6 ago. 2018.

Mulher. [Do lat. muliere.] S. f. 1. Pessoa do sexo feminino após a


puberdade. [Aum.: mulherão, mulheraça, mulherona.] 2. Esposa.

FONTE: <http://www.coladaweb.com/portugues/a-linguagem-e-os-processos-de-
comunicacao>. Acesso em: 7 ago. 2018.

Os exemplos apresentam a função metalinguística, o primeiro tem como


objetivo explicar, de uma maneira bem-humorada, o significado de mal-educado
a um falante da nossa língua. O segundo é um verbete de um dicionário que
esclarece um elemento do código – a palavra mulher – empregando o próprio
código na explicação.

47
UNIDADE 1 | LINGUAGEM E COMUNICAÇÃO: REFLEXÕES ACERCA DAS FUNÇÕES COGNITIVAS

4.6 FUNÇÃO POÉTICA


É a função que se centraliza na mensagem e que utiliza recursos
imaginativos. Esta função tem uma linguagem figurada, geralmente apresentada
em obras literárias, letras de música ou em algumas propagandas. Além disso, a
métrica, o ritmo e a rima são alguns dos recursos inerentes à linguagem poética.
Veja o exemplo:

A mulher que passa


Meu Deus, eu quero a mulher que passa.
Seu dorso frio é um campo de lírios
Tem sete cores nos seus cabelos
Sete esperanças na boca fresca!
Oh! Como és linda, mulher que passas
Que me sacias e suplicias
Dentro das noites, dentro dos dias!
Teus sentimentos são poesia.
Teus sofrimentos, melancolia.
Teus pelos leves são relva boa
Fresca e macia.
Teus belos braços são cisnes mansos
Longe das vozes da ventania.
Meu Deus, eu quero a mulher que passa!
[...]

FONTE: MORAIS, Vinícius de. A mulher que passa. In:______. Antologia poética. 4. ed. Rio de
Janeiro: Ed. do autor, 1960, p. 90.

O exemplo apresentado é desenvolvido com criatividade. O som, o ritmo,


o jogo de ideias são explorados no texto e a linguagem poética desperta interesse
e desejo no leitor.

48
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• As funções da linguagem são recursos que destacam a intenção do emissor


para que uma comunicação eficiente aconteça. Um texto pode apresentar
várias funções enfatizadoras.

• As funções de linguagem são seis: função referencial ou denotativa; função


emotiva ou expressiva; função fática; função conativa ou apelativa; função
metalinguística e função poética.

• A função emotiva ou expressiva é centrada nas opiniões e emoções do emissor.

• A referencial ou denotativa centra-se no referente.

• Na função apelativa a mensagem é voltada para o receptor, e o emissor


procura persuadir o outro a determinado comportamento, com a intenção de
convencimento ou de, inclusive, dar ordens.

• A função fática tem foco no canal, que tem por finalidade prolongar ou não o
contato com o receptor.

• Na função metalinguística, o código linguístico é posto em destaque, utilizando


a linguagem para falar dela.

• A função poética é a que se centraliza na mensagem. É aquela que utiliza


recursos imaginativos inventados pelo emissor.

• A linguagem culta deve ser utilizada pelos meios de comunicação escrita, como
jornais, revistas, livros etc.

• O nível culto se caracteriza pelo uso mais apurado do vocabulário e o cuidado


com as regras gramaticais.

• No nível coloquial a espontaneidade é característica presente.

• No dia a dia, em situações informais, as pessoas não estão atentas ao que é


certo ou errado, segundo a linguagem padrão.

• Devemos adequar a linguagem conforme o uso que faremos dela, ou seja,


conforme a situação, o lugar e as pessoas com quem vamos nos comunicar.

49
• Os desvios da norma culta não são aceitos pela gramática normativa.

• A gíria não pertence à linguagem padrão. Não é aceita em situações de


formalidade como, por exemplo, redações de vestibular, ofícios, preenchimento
de relatórios, e-mails, textos acadêmicos, artigos científicos etc.

• Quando usada em momento oportuno, a gíria cumpre o papel de denotar


expressividade, podendo revelar grande criatividade do emissor.

• Constantemente surgem novas gírias e outras caem em desuso, isso porque a


gíria é uma variante da língua, e esta, por sua vez, está em constante evolução
e/ou reformulação.

• Indivíduos qualificados precisam de um item muito importante no currículo


de qualquer profissional de qualquer área: o uso do nível culto da língua
portuguesa.

• A linguagem técnica ou o jargão é um conjunto de palavras particular de uma


categoria ou de uma profissão.

• Apesar de o jargão ser apenas um modo de impressionar o receptor, há também


os casos em que sua colocação é quase que obrigatória.

50
AUTOATIVIDADE

1 Caro acadêmico, para você entender melhor as funções da linguagem,


elabore um esquema que as represente e exemplifique cada uma delas.

2 Leia a tirinha que segue e identifique a alternativa que apresenta a linguagem


informal.

FIGURA 25 – HAGAR

Tá legal, espertinho! E lembre-se: se você disser


onde é que você esteve?! uma mentira, os seus
chifres cairão!

Tudo bem, eu vou contar... estou


atrasado porque ajudei uma ...E ela me deu um anel mágico
velhinha a atravessar a rua... que me levou a um tesouro,
mas bandidos o roubaram
e os persegui
até a etiópia,
onde um
DRAGÃO...

FONTE: <https://1.bp.blogspot.com/-blzeTqcRaVk/Ud74tHKjiOI/AAAAAAAADWs/-5cl6r3xcxw/
s1600/enem+b76aa228250685c7eb97d63662ec8f14.jpg>. Acesso em: 7 ago. 2018.

a) ( ) "Tá legal, espertinho!"


b) ( ) "[...] e ela me deu um anel mágico [...]"
c) ( ) "[...] mas bandidos o roubaram [...]"
d) ( ) " Onde é que você esteve?!"

3 Relacione os textos a seguir com suas correspondentes funções textuais:

51
I- Pra você guardei o amor
Que aprendi, vem dos meus pais
O amor que tive e recebi
E hoje posso dar livre e feliz ( ) Função
Céu cheiro e ar na cor que o arco-íris metalinguística
Risca ao levitar

FONTE: <https://www.letras.mus.br/nando-reis/1491960/>.
Acesso em: 12 jun. 2018.
II-
pa·lan·fró·ri·o 
(alteração de palavrório)

substantivo masculino
1. Conversa para enganar ou convencer = LÁBIA ( ) Função apelativa
2. Discurso inútil ou aborrecido = ARANZEL

Sinônimo Geral: PALAVRÓRIO

FONTE: <http://dicionario.priberam.pt/sobre.aspx>.
Acesso em: 12 jun. 2018.

III-

( ) Função poética.

FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=sX8H4ToC-
OQ>. Acesso em: 12 jun. 2018.

IV- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump,


e o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-un, se reunirão
a sós durante um tempo – ainda indeterminado – ao
começo da sua cúpula desta terça-feira (segunda, 11,
no Brasil) em Singapura, informou a Casa Branca. ( ) Função emotiva

FONTE: <https://g1.globo.com/mundo/noticia/trump-
e-kim-se-reunirao-a-sos-no-comeco-da-cupula.ghtml>.
Acesso em: 12 jun. 2018.

52
V- 17h30min
Ai, Deus. Tinha acabado de mandar: Eu ia amar,
mas tenho que trabalhar hoje à noite, então melhor
não, a Mabel de repente deu um pulo e começou a
cantar a música que o Billy mais odeia perto dele.
“Forgeddaboudermoneymoneymoney, wedon’
needyermoneymoney, money!” Então o telefone
tocou. Agarrei o aparelho. O Billy deu um salto,
gritando “Mabel, pare de cantar Jessie J!” quando a ( ) Função fática
voz da recepcionista ronronou: “Brian Katzenberg vai
falar com você”. “Hum… Será que eu poderia retornar
a ligação para o Brian em…” “Berbling berbling!”,
cantou a Mabel, correndo em volta da mesa atrás do
Billy.

FONTE: FIELDING, Helen. Bridget Jones: Mad About the Boy.


São Paulo: Companhia das Letras, 2009, s.p.

VI-
– Alô! Como você está?
– Tudo bem, e você? ( ) Função
– Vamos ao shopping hoje? referencial
– Sim, adoraria. Ligo daqui a pouco para confirmar o
horário.

53
54
UNIDADE 2

A ESTRUTURA TEXTUAL

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• compreender os conceitos de coesão e coerência;

• identificar os mecanismos de coesão no texto;

• conhecer a estruturação de um parágrafo e diferenciar as partes que o


compõem;

• refletir sobre a estrutura textual;

• caracterizar a narração, a descrição e a dissertação;

• aprimorar a interpretação textual;

• identificar as características dos textos, aperfeiçoar sua escrita no que se


refere às regras gramaticais, à clareza, à impessoalidade e à objetividade;

• adequar a linguagem de acordo com a situação escrita;

• identificar e destacar alguns documentos oficiais utilizados no dia a dia


das empresas e/ou instituições;

• aprimorar as habilidades necessárias à redação do texto/documento oficial,


que vai além do simples uso de modelos prontos.

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você en-
contrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – O TEXTO E SUA INTENÇÃO

TÓPICO 2 – OS DIVERSOS TEXTOS

TÓPICO 3 – O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E


GÊNEROS

55
56
UNIDADE 2
TÓPICO 1

O TEXTO E SUA INTENÇÃO

1 INTRODUÇÃO
Quando nos comunicamos, seja por escrito ou oralmente, temos em mente
repassar uma mensagem. Então, podemos dizer que todo texto tem uma intenção.
Para isso, existem componentes básicos que devem ser levados em consideração:
quem fala, para quem, como e com que intenção.

Assim, sempre que escrevemos ou nos comunicamos oralmente


organizamos toda uma estrutura para sermos entendidos pelo nosso ouvinte e/ou
leitor. Que estrutura é essa? É a organização dos parágrafos, a seleção das palavras,
a extensão do texto ou da fala. Em outras palavras, a linguagem difere quando
você se comunica com a família, com o superior, com uma pessoa desconhecida
ou muito conhecida, ou ainda em uma entrevista de emprego. Diante disso,
responda: sua linguagem se diferencia, dependendo da situação? Provavelmente
sua resposta foi positiva.

Então veja: é correto dizer que para cada situação adequamos nossa
linguagem, seja ela oral ou escrita, porque temos uma intenção e queremos ser
compreendidos. Sobre a adequação da linguagem, Infante (1998, p. 66) diz que:
O nível do vocabulário utilizado decorre dos fatores que condicionam
a elaboração do texto: o tema tratado, a finalidade a que se propõe,
o receptor a que se dirige, o meio de divulgação utilizado. Um
comunicado oficial a ser lido na ONU ou uma carta aberta à população
de uma pequena vila ameaçada pela devastação da natureza podem
tratar do mesmo assunto, mas a seleção vocabular deve ser apropriada
a cada caso... Dessa forma, as melhores palavras são as mais eficazes e
não as mais pomposas...

Muitas vezes, na oralidade, fazemos a seleção das palavras de maneira


natural, pois podemos nos certificar se estamos sendo entendidos pela reação do
receptor. E na escrita? Durante a redação de relatórios, e-mails e outros documentos,
o texto tem que estar claro para que a mensagem não seja prejudicada.

Convido você, acadêmico, a conhecer mais sobre a estrutura do texto, de


modo a tornar sua comunicação profissional e pessoal cada vez mais coerente e
coesa.

57
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

2 A CONSTRUÇÃO DO TEXTO: COESÃO E COERÊNCIA


Um texto deve apresentar textualidade, ou seja, um conjunto de
características que fazem com que seja um texto e não uma sequência de
frases. São sete os aspectos responsáveis pela textualidade: coesão, coerência,
intertextualidade, intencionalidade, aceitabilidade, informatividade,
situacionalidade. Veremos a seguir a coerência e a coesão textual.

2.1 COESÃO
Segundo Infante (1998, p. 66), “Dominar um bom vocabulário é requisito
para a elaboração eficiente de textos escritos”. Contudo, não são apenas palavras
rebuscadas que permitem coesão ao texto. Um texto coeso precisa de mais
elementos que possam garantir a sua eficácia.

A coesão, de acordo com o Dicionário Michaelis, é a união entre as


partes formando um todo. Coeso, por sua vez, segundo Koch e Travaglia (2002),
significa quando a interpretação de algum elemento no discurso é dependente da
interpretação de outro.

Desta forma, podemos concluir que, para um texto ser coeso, ele precisa de
elementos que liguem suas partes de modo a transmitir claramente a mensagem
que deseja. Sobre o texto escrito, Infante (1998, p. 66) acrescenta que:

[...] dentre as características específicas da modalidade escrita
da língua, destaca-se a necessidade de um vocabulário preciso e
criterioso, capaz de suprir a ausência dos recursos mímicos e dos
matizes da entonação da língua falada. Manejar um bom vocabulário
não significa impressionar os outros com um punhado de palavras
difíceis e desconhecidas. O que importa é conhecer e utilizar as
palavras necessárias para a produção de textos claros e enxutos.

Perceba que, segundo Infante (1998), o mais importante para tornar um
texto coeso é usar as palavras apropriadas para cada situação. Agora que você já
conhece o conceito e a importância da coesão, vamos estudar como ela acontece
na prática? Vejamos a seguir.

2.1.1 Mecanismos de coesão


Como uma das marcas essenciais da textualidade, a coesão pode ocorrer
por meio de diferentes mecanismos. Entre eles citamos: a coesão sequencial, a
coesão referencial e a coesão recorrencial. Vejamos cada uma delas:

Coesão sequencial: refere-se ao desenvolvimento textual, seja por


procedimentos de manutenção do assunto, empregando os termos pertencentes
ao mesmo campo semântico, seja por meio de processos de progressão temática.

58
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO

Dito de outra maneira, é o que empregamos para relacionar o já dito ao que será
dito, à medida que progredimos com o texto.

De acordo com Carneiro (2001), a progressão temática pode se efetivar
por intermédio da satisfação de compromissos textuais anteriores ou, ainda,
utilizando-se de novos acréscimos ao texto. Para exemplificar a afirmativa, vamos
apresentar alguns exemplos. Observe a seguir exemplos da primeira situação que
apresentamos:

a) condicionalidade: Se chover, eu não apresentarei o teatro.


b) causalidade: Todos foram de roupa quente, pois estava fazendo muito frio.
c) implicação lógica: Somente há um meio de resolver a situação: contando a
verdade.

Agora, acompanhe exemplos de progressão temática com acréscimos ao


texto:

a) explicação ou justificativa: Os alunos fizeram o pagamento, pois o sistema estava


funcionando.
b) conjunção: Entreguei os trabalhos no dia agendado. E pude fazer as avaliações.

Podemos inferir, então, que a coesão sequencial, como o próprio nome


sugere, realiza-se conforme o texto vai se efetivando. Dito de outra maneira, ela é o
elemento responsável por apontar a evolução da narrativa e permite caracterizar
a passagem do tempo.

Coesão referencial: esta ocorre quando um elemento da sequência do


texto se remete a outro do mesmo texto, substituindo-o. Sendo assim, tal referência
estabelecida pelos elementos do texto podem acontecer com um elemento externo
ou interno do texto.

Dessa maneira, podemos classificar a coesão referencial em dois tipos:


Exofórica e Endofórica. Coesão referencial exofórica, como o próprio nome
sugere, ocorre quando a relação se estabelece com um elemento fora do texto.
Veja:

“A gente era pequena  naquele  tempo. E  aquele  era um tempo em


que ainda se apregoava nas ruas. Não em todas as ruas, mas  naquela  onde
vivíamos. Naquela rua, que tinha por nome a data de um santo, o tempo passava
mais lentamente do que no resto da cidade de Porto Alegre”.
FONTE:  <http://revistagloborural.globo.com/EditoraGlobo/componentes/article/edg_article_
print/0,3916,597278-2868-1,00.html>. Acesso em: 7 ago. 2018.

59
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

Acadêmico, você percebeu que as informações destacadas (naquele,


aquele e naquela) referem-se a elementos que não estão presentes no texto? Nesse
exemplo ocorre a coesão referencial exofórica. Busque mais exemplos e treine
essa identificação em diversos textos.

Coesão referencial endofórica remete-nos à palavra dentro, não é mesmo?


Esse tipo de coesão referencial ocorre quando fazemos referência a algum elemento
que se encontra dentro do texto. Muito bem. Porém, com a coesão endofórica, a
referência pode acontecer a algo mencionado anteriormente no texto – anáfora –
ou a algo mencionado posteriormente – catáfora.

Vamos explicar melhor:


Anáfora: algo mencionado antes
Catáfora: algo mencionado depois

Vejamos exemplos para compreender na prática:

Ex. 1: Não consegui pegar o avião, pois quando cheguei ao aeroporto, ele
já havia decolado.

Ex. 2: Lá foi ele, pelos ares, meu avião.

No exemplo 1 temos a ocorrência de anáfora, não é mesmo? Veja que o


termo anafórico é ele, que se refere ao avião (elemento mencionado anteriormente).

No exemplo 2 temos a ocorrência de catáfora, pois o termo ele exerce a


função catafórica, ou seja, refere-se a um termo expresso posteriormente na frase,
ou seja: meu avião.

Veja mais exemplos:

a) Encontrei o atleta na concentração, porém não conversei com ele.

Note que, neste caso, ocorre a anáfora, pois o elemento ele relaciona-se
com o elemento anterior: o atleta.

b) Ele estava lá, na concentração, o atleta.

Neste exemplo, temos um caso de catáfora, sendo que o primeiro elemento


relaciona-se com o segundo.

Coesão recorrencial: caracteriza-se pela repetição de algum tipo de


elemento anterior que não funciona como alusão ao mesmo referente, e sim como
uma recordação de um mesmo padrão. Observe o exemplo:

A criança chorava, chorava, chorava, enquanto os colegas a olhavam


tristes.

60
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO

Note que ocorre a repetição do termo chorava.

Para complementar, podemos dizer que neste tipo de coesão pode ocorrer
a elipse. Veja:

O maior objetivo da vida não é o conhecimento, mas [...] a ação.

Percebe-se aqui que se omite a estrutura “maior objetivo da vida é”.

NOTA

Vamos entender melhor o que é ELIPSE? Veja: Elipse é uma figura de


linguagem da língua portuguesa que consiste na omissão de um ou mais termos de uma
oração, sendo que estes são facilmente identificados a partir do contexto do texto.
Na classificação das figuras de linguagem, a elipse é categorizada como uma figura de
construção, com o principal objetivo de atribuir maior expressividade ao significado de
determinado texto.
O termo omitido na sentença está subentendido, sendo identificável unicamente por
causa do contexto do texto. Etimologicamente, a palavra “elipse” se originou a partir do
grego élleipsis, que pode ser traduzido como “falta” ou “defeito”.

FONTE: <https://www.significados.com.br/elipse/>. Acesso em: 7 ago. 2018.

2.2 COERÊNCIA
A coerência textual é a organização lógica das ideias, havendo assim
continuidade entre as frases e/ou sequências, produzindo um sentido único para
o todo. Segundo o Dicionário Michaelis (2008), é a ligação, harmonia, conexão
ou nexo entre os fatos, ou as ideias. Na construção do texto, portanto, ela é
fundamental para que se entenda a mensagem. Para explicitar na prática, leiamos
o texto que segue, Vidas Secas, de Graciliano Ramos. Nele, o autor narra a viagem
de Fabiano e sua mulher com a cadelinha Baleia, que fogem da seca no Nordeste.

Na sequência, apresentamos algumas considerações.

BALEIA

A cachorra Baleia estava para morrer. Tinha emagrecido, o pelo caíra-


lhe em vários pontos, as costelas avultavam num fundo róseo, onde as manchas
escuras supuravam e sangravam, cobertas de moscas. As chagas da boca e a
inchação dos beiços dificultavam- lhe a comida e a bebida.

61
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

Por isso Fabiano imaginara que ela estivesse com um princípio


de hidrofobia e amarrara-lhe no pescoço um rosário de sabugos de milho
queimados. Mas Baleia, sempre de mal a pior, roçava-se nas estacas do curral
ou metia-se no mato, impaciente, enxotava os mosquitos sacudindo as orelhas
murchas, agitando a cauda pelada e curta, grossa na base, cheia de moscas,
semelhante a uma cauda de cascavel.

Então Fabiano resolveu matá-la. Foi buscar a espingarda de pederneira,


lixou-a, limpou-a com o saca-trapo e fez tenção de carregá-la bem para a
cachorra não sofrer muito.

Sinhá Vitória fechou-se na camarinha, rebocando os meninos assustados,


que adivinhavam desgraça e não se cansavam de repetir a mesma pergunta:

- Vão bulir com a Baleia?

Tinham visto o chumbeiro e o polvarinho, os modos de Fabiano


afligiam-nos, davam-lhes a suspeita de que Baleia corria perigo.

[...]

FONTE: RAMOS, Graciliano. Vidas secas. Rio de Janeiro: Record, 2002, p. 85 [Fragmento].

Podemos perceber que o texto possui coerência, não é mesmo? Ou seja, o


texto possui um sentido único, do início ao fim ele trata da mesma temática, mas
para que um texto tenha coerência ele será permeado por elementos coesivos.
Vejamos, então, alguns elementos coesivos que auxiliaram neste texto, para a sua
coerência:

Por isso: este conectivo estabelece uma relação de causa e consequência: a


aparência da boca da Baleia era tal que, consequentemente, Fabiano pensou que
ela estivesse com hidrofobia.

Mas: esta conjunção introduz uma situação contrária à tentativa de


Fabiano salvar a Baleia.

Então: esta palavra expressa a ideia de causa e consequência, sendo que


Baleia não melhora, continua muito mal.

La: este pronome (a na forma la), substitui a palavra Baleia.

Podemos perceber, então, a importância que tais elementos adquirem na


construção do texto: sem eles a mensagem ficaria prejudicada. Assim, podemos
afirmar que um texto, para ser coerente, precisa de coesão.

62
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO

Acadêmico, leia o texto a seguir e reflita se o trecho possui coerência:

“Os problemas de um povo têm de ser resolvidos pelo presidente. Este


deve ter ideais muito elevados, Esses ideais se concretizarão durante a vigência
do seu mandato. O seu mandato deve ser respeitado por todos” (VIANA et al.,
1998, p. 28).

Reflita sobre o texto! Falta coesão a ele? Você deve ter pensado que não,
pois o texto possui elementos coesivos que ligam perfeitamente as frases umas às
outras, não é mesmo? Será que ele possui coerência? Vamos retomar o conceito de
coerência que elencamos anteriormente: sentido único/trata da mesma temática
do início ao fim do texto.

Então, podemos dizer que o trecho apresentado não é coerente, pois


não conseguimos elencar um assunto ou tema únicos, não é mesmo? Trata do
presidente? Dos problemas do povo? Do mandato? Podemos afirmar então que
a coesão não consegue atribuir coerência ao texto sozinha. Um texto coeso pode
não ser um texto coerente.

UNI

Sabemos que o assunto não se esgota por aqui. Por isso, acesse a sua trilha de
aprendizagem, assista aos vídeos que disponibilizamos e amplie seu estudo. Destacamos,
ainda, que o uso correto dos conectores facilita a interpretação do texto e a construção da
coerência pelo leitor.

DICAS

Caro acadêmico! Você deve habituar-se, sempre que estiver em uma situação
de escritura de qualquer modelo textual, a consultar um dicionário. Seja durante uma leitura
ou redação, como afirma Infante (1998, p. 67), “[...] consultá-lo contribui de forma decisiva para
a perfeita compreensão e expressão de ideias, opiniões e sentimentos”.

Para aprofundar os estudos, sugerimos a leitura do seguinte texto:

63
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

A REFERENCIAÇÃO/OS REFERENTES, COERÊNCIA E COESÃO

A fala e o texto escrito constituem-se não apenas numa sequência


de palavras ou de frases. A sucessão de coisas ditas ou escritas forma uma
cadeia que vai muito além da simples sequencialidade: há um entrelaçamento
significativo que aproxima as partes formadoras do texto falado ou escrito.
Os mecanismos linguísticos que estabelecem a conectividade e a retomada
e garantem a coesão são os referentes textuais. Cada uma das coisas ditas
estabelece relações de sentido e significado tanto com os elementos que a
antecedem como com os que a sucedem, construindo uma cadeia textual
significativa. Essa coesão, que dá unidade ao texto, vai sendo construída e
se evidencia pelo emprego de diferentes procedimentos, tanto no campo do
léxico, como no da gramática. (Não esqueçamos que, num texto, não existem
ou não deveriam existir elementos dispensáveis. Os elementos constitutivos
vão construindo o texto, e são as articulações entre vocábulos, entre as partes
de uma oração, entre as orações e entre os parágrafos que determinam a
referenciação, os contatos e conexões e estabelecem sentido ao todo).

Atenção especial concentram os procedimentos que garantem ao texto
coesão e coerência. São esses procedimentos que desenvolvem a dinâmica
articuladora e garantem a progressão textual.

A coesão é a manifestação linguística da coerência e se realiza nas
relações entre elementos sucessivos (artigos, pronomes adjetivos, adjetivos
em relação aos substantivos; formas verbais em relação aos sujeitos; tempos
verbais nas relações espaço-temporais constitutivas do texto etc.), na
organização de períodos, de parágrafos, das partes do todo, como formadoras
de uma cadeia de sentido capaz de apresentar e desenvolver um tema ou as
unidades de um texto. Construída com os mecanismos gramaticais e lexicais,
confere unidade formal ao texto.

1. Considere-se, inicialmente, a coesão apoiada no léxico. Ela pode dar-se pela
reiteração, pela substituição e pela associação. É garantida com o emprego
de:

• enlaces semânticos de frases por meio da repetição. A mensagem tema do
texto apoiada na conexão de elementos léxicos sucessivos pode dar-se por
simples iteração (repetição). Cabe, nesse caso, fazer-se a diferenciação entre
a simples redundância resultada da pobreza de vocabulário e o emprego
de repetições como recurso estilístico, com intenção articulatória. Ex.: “As
contas do patrão eram diferentes, arranjadas a tinta e contra o vaqueiro,
mas Fabiano sabia que elas estavam erradas e o patrão queria enganá-lo.
Enganava” (Vidas Secas, p. 143);
• substituição léxica, que se dá tanto pelo emprego de sinônimos como de
palavras quase sinônimas. Considerem-se aqui, além das palavras sinônimas,

64
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO

aquelas resultantes de famílias ideológicas e do campo associativo, como,


por exemplo, esvoaçar, revoar, voar;
• hipônimos (relações de um termo específico com um termo de sentido geral,
ex.: gato, felino) e hiperônimos (relações de um termo de sentido mais amplo
com outros de sentido mais específico, ex.: felino, gato);
• nominalizações (quando um fato, uma ocorrência, aparece em forma de verbo
e, mais adiante, reaparece como substantivo, ex.: consertar, o conserto; viajar,
a viagem). É preciso distinguir-se entre nominalização estrita e generalizações
(ex.: o cão < o animal) e especificações (ex.: planta > árvore > palmeira);
• substitutos universais (ex.: João trabalha muito. Também o faço. O verbo fazer
em substituição ao verbo trabalhar);
• enunciados que estabelecem a recapitulação da ideia global. Ex.: O curral
deserto,o chiqueiro das cabras arruinado e também deserto, a casa do vaqueiro
fechada, tudo anunciava abandono (Vidas Secas, p. 11). Esse enunciado é
chamado de anáfora conceptual. Todo um enunciado anterior e a ideia global
a que ele se refere são retomados por outro enunciado que os resume e/
ou interpreta. Com esse recurso, evitam-se as repetições e faz-se o discurso
avançar, mantendo-se sua unidade.

2. À coesão apoiada na gramática dá-se no uso de:

• certos pronomes (pessoais, adjetivos ou substantivos). Destacam-se aqui


os pronomes pessoais de terceira pessoa, empregados como substitutos de
elementos anteriormente presentes no texto, diferentemente dos pronomes
de 1ª e 2ª pessoa, que se referem à pessoa que fala e com quem esta fala;
• certos advérbios e expressões adverbiais;
• artigos;
• conjunções;
• numerais;
• elipses: a elipse se justifica quando, ao remeter a um enunciado anterior, a
palavra elidida é facilmente identificável (Ex.: O jovem recolheu-se cedo. ... Sabia
que ia necessitar de todas as suas forças. O termo o jovem deixa de ser repetido
e, assim, estabelece a relação entre as duas orações.). É a própria ausência do
termo que marca a inter-relação. A identificação pode dar-se com o próprio
enunciado, como no exemplo anterior, ou com elementos extraverbais,
exteriores ao enunciado. Vejam-se os avisos em lugares públicos (ex.: Perigo!)
e as frases exclamativas, que remetem a uma situação não verbal. Nesse caso,
a articulação se dá entre texto e contexto (extratextual);
• as concordâncias;
• a correlação entre os tempos verbais.

Os dêiticos exercem, por excelência, essa função de progressão textual,


dada sua característica: são elementos que não significam, apenas indicam,
remetem aos componentes da situação comunicativa. Já os componentes
concentram em si a significação. Referem os participantes do ato de comunicação,
o momento e o lugar da enunciação.
65
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

Elisa Guimarães ensina a respeito dos dêiticos: os pronomes pessoais


e as desinências verbais indicam os participantes do ato do discurso. Os
pronomes demonstrativos, certas locuções prepositivas e adverbiais, bem
como os advérbios de tempo, referenciam o momento da enunciação, podendo
indicar simultaneidade, anterioridade ou posterioridade. Assim: este, agora,
hoje, neste momento (presente); ultimamente, recentemente, ontem, há alguns
dias, antes de (pretérito); de agora em diante, no próximo ano, depois de
(futuro).

Maria da Graça Costa Val lembra que “esses recursos expressam
relações não só entre os elementos no interior de uma frase, mas também entre
frases e sequências de frases dentro de um texto”.

Não só a coesão explícita possibilita a compreensão de um texto. Muitas
vezes a comunicação se faz por meio de uma coesão implícita, apoiada no
conhecimento mútuo anterior que os participantes do processo comunicativo
têm da língua.

FONTE: <http://professornogueira.blogspot.com/p/coesao-e-coerencia.html>.Acesso em:
7 ago. 2018.

3 PARÁGRAFO
Costumamos chamar de parágrafo o espaço em branco num trecho
escrito, que geralmente corresponde a seis ou sete caracteres de afastamento da
margem esquerda, ou seja, um recuo no início da frase. Entretanto, nosso foco é
destacar que o parágrafo é uma unidade do discurso formada por um ou mais
períodos, ou seja, é parte de uma redação. Segundo Medeiros (2004), utilizamos
o parágrafo para dividir o texto em partes menores, já que um texto possui
diferentes enfoques. As partes menores ou parágrafos de um texto auxiliam na
interpretação que faremos sobre o escrito, pois a divisão possui algumas funções,
as quais veremos adiante.

Quando se muda o parágrafo, não se muda o assunto. Este deve ser o


mesmo do princípio ao fim da redação. A abordagem, porém, pode mudar. E
é aqui que o parágrafo entra em ação. A cada novo ponto de vista, a cada nova
abordagem, haverá um novo parágrafo.

O entendimento da estrutura do parágrafo é o melhor caminho à segura


compreensão do texto. No caso de diálogos, percebemos o uso de parágrafos,
quando a abertura deste indica a mudança de interlocutor.

Agora que já sabemos quando utilizamos um parágrafo, vamos estudar


como ele está estruturado.

66
TÓPICO 1 | O TEXTO E SUA INTENÇÃO

NOTA

O símbolo para parágrafo, representado por §, equivale a dois esses (ss)


entrelaçados, iniciais das palavras latinas “signum sectionis”, que significam sinal de secção,
de corte. Num ditado, quando queremos dizer que o período seguinte deve começar em
outra linha, falamos parágrafo ou alínea. A palavra alínea (vem do latim a + lines) significa
distanciado da linha, isto é, fora da margem em que começam as linhas do texto.

3.1 A ESTRUTURAÇÃO DO PARÁGRAFO


Ao escrever não devemos iniciar sem abrir parágrafo. Uma vez aberto,
a leitura deve merecer pausa maior que a sinalizada pelo ponto final. Durante a
escrita, devemos observar com atenção o momento oportuno de abrir parágrafos,
a troca de abordagem ou ponto de vista, assim o escrito não se tornará cansativo
e desinteressante.

Você deve estar se perguntando: quando devo, efetivamente, iniciar novo


parágrafo? A resposta é que não existe uma regra que o escritor deva seguir.
A prática da escrita nos proporciona o equilíbrio nesse momento, fazendo com
que não escrevamos parágrafos compostos de frases muito curtas nem parágrafos
muito densos de informações.

Dito de outra maneira, quando concluímos a enunciação de diversos


conceitos para dar continuidade a outros relacionados ao mesmo discurso,
porém sob aspecto diverso, é que sentimos a necessidade de abertura de um novo
parágrafo.

Na escritura de um texto faz-se necessário estruturá-lo bem a partir dos
parágrafos, que podem variar de extensão de acordo com o tema que se escreve.
O parágrafo pode ser estruturado em partes bem distintas. Vamos estudá-las?
São elas:

a) Tópico frasal

O tópico frasal é a ideia núcleo que se encontra no interior do parágrafo,


pode ser denominado também como período tópico ou frase síntese. É através
deste que o escritor desenvolve o pensamento.

b) Desenvolvimento

O desenvolvimento é onde se agregam ideias secundárias ao tópico frasal.

67
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

c) Conclusão

A conclusão nem sempre está presente; serve para resumir o conteúdo do


parágrafo e localiza-se ao final do mesmo.

d) Elemento relacionador

Este item poderia estar presente a partir do segundo parágrafo,
estabelecendo um encadeamento lógico entre as ideias, ou seja, serve de elo
entre o parágrafo em si e o tópico que o antecede.

Quando refletimos sobre parágrafo, estamos direta ou indiretamente
aprimorando a organização das ideias e o seu encadeamento lógico. Ao redigir um
texto, esta habilidade está sempre em prática, fazendo com que esta capacidade
seja cada vez mais aperfeiçoada.

UNI

O uso de parágrafos é muito comum nos códigos de leis por indicar


os parágrafos únicos.
Exemplo: § 7º Lei federal disporá sobre as normas gerais a serem obedecidas na efetivação
do disposto no § 4º (Incluído pela Emenda Constitucional nº 19, de 1998).

68
RESUMO DO TÓPICO 1
Neste tópico, você aprendeu que:

• Todo texto tem uma intenção.

• Devemos organizar a linguagem, seja ela escrita ou oral, de acordo com a


situação comunicativa.

• Um texto tem coesão quando há concatenação entre seus vários elementos.

• Coerência é a organização lógica das ideias, sentido único.

• A coerência é fundamental para o entendimento do texto.

• O parágrafo é parte de uma redação.

• Na escrita, o parágrafo é um espaço em branco no início da linha.

• Quando iniciamos um novo parágrafo mudamos o enfoque do texto.

• A prática da escrita nos proporciona a compreensão sobre quando iniciar novo


parágrafo.

• O símbolo do parágrafo é representado por “§”, que equivale a dois esses (SS)
entrelaçados.

69
AUTOATIVIDADE

1 Todo texto escrito ou falado, como vimos, possui uma intenção. Escreva
qual a intenção ou intenções do texto abaixo.

QUEM TEM MEDO DO ABSINTO

Em outras eras, o absinto era considerado um demônio verde das


artes, capaz de levar ao delírio escritores e artistas em geral, mas sabe qual
é a base do absinto? Pois é losna, aquela mesma das nossas melhores hortas.
Claro que, para chegar ao absinto de antigamente, a nossa boa e velha losna,
na espécie chamada Artemísia absinthum, tinha que passar por misturas e
formulações com outras ervas. O resultado era uma bebida de altíssimo
teor alcoólico, chegando a uns incendiários 75 graus. Tudo isso para dizer
que a Dubar elaborou e está lançando no Brasil um aperitivo de absinto, o
Lautrec, igualmente expressivo, mas bem mais maneiro (53,5 graus) que o seu
controvertido avô. Na nova composição, os vegetais aromáticos que se unem à
nossa losna passam por uma destilação cuidadosa e, posteriormente, por uma
retificação dos elementos indesejáveis. No mais, é o lendário, carregado de
história e de um verde sonhador.

FONTE: ÍCARO, abril de 2011. Disponível em: <https://www.algosobre.com.br/redacao/o-


texto-e-sua-intencao.html>. Acesso em: 30 maio 2017.

2 Sobre os mecanismos de coesão estudados, aprendemos que eles servem
para apresentar uma leitura mais clara e eficiente. Sendo assim, encontre
sinônimos para substituir a expressão “O papa João Paulo II”.

TEXTO

O papa João Paulo II disse ontem, dia de seu 77º aniversário, que seu
desejo é “ser melhor”. ______ reuniu-se na igreja romana de Ant’Attanasio com
um grupo de crianças, sendo que uma delas disse: “No dia do meu aniversário
minha mãe sempre pergunta o que eu quero. E você, o que quer?” __________
respondeu: “Ser melhor”. Outro menino perguntou a __________ que presente
gostaria de ganhar neste dia especial. “A presença das crianças me basta”,
respondeu __________. Em seus aniversários, __________ costuma compartilhar
um grande bolo, preparado por irmã Germana, sua cozinheira polonesa, com
seus maiores amigos, mas não sopra as velinhas, pois este gesto não faz parte das
tradições de seu país, a Polônia. Os convidados mais frequentes a compartilhar
nesse dia a mesa com __________ no Vaticano são o cardeal polonês André
Marie Deskur e o engenheiro Jerzy Kluger, um amigo judeu polonês de colégio.
Com a chegada da primavera, __________ parece mais disposto. __________
deve visitar o Brasil na primeira quinzena de outubro.
FONTE: <http://hmg.pucrs.br/gpt/coesao.php>. Acesso em: 30 maio 2017.

70
3 Com base nos conhecimentos sobre coerência e coesão, que você estudou
nesta unidade de ensino, leia o texto a seguir e em seguida assinale V para
verdadeiro e F para falso, sobre as proposições elencadas para o texto lido:

Ulysses era impressionante sob vários aspectos, o primeiro e mais


óbvio dos quais era a própria figura. Contemplado de perto, cara a cara, ele
tinha a oferecer o contraste entre as longas pálpebras, que subiam e desciam
como pesadas cortinas de ferro, e os olhos claríssimos, de um azul leve como
o ar. As pálpebras anunciavam profundezas insondáveis. Quando ele as abria,
parecia estar chegando de regiões inacessíveis, a região dentro de si onde
guardava sua força.

FONTE: <http://professor-joseantonio.blogspot.com/2012/05/coesao-e-coerencia.html>.
Acesso em: 7 ago. 2018.

( ) O texto possui coerência, mas não possui coesão.


( ) Trata-se de um trecho de reportagem, o qual gira em torno de Ulysses
Guimarães.
( ) Faz descrição precisa desse político brasileiro com frases bem amarradas.
( ) Retomada direta ou indireta do nome de Ulysses, que dá estabilidade ao
texto.

Agora, assinale a alternativa correta:


a) ( ) F – V – V – V.
b) ( ) F – V – F – V.
c) ( ) F – F – V – V.
d) ( ) V – V – V – F.

4 Ainda baseando-se no texto da questão anterior, recorde os conhecimentos


adquiridos que versam sobre coesão. Sabemos que a coesão é um processo
de união das frases de modo a estabelecer uma estrutura sólida do texto.

Com base nesses apontamentos e no texto anterior, analise as


afirmativas a seguir:

I- Na primeira frase, vários aspectos projetam o texto para adiante.


II- Na segunda frase, o pronome relativo que retoma o termo as longas
pálpebras.
III- Na última frase, o sujeito ele (quando ele as abria) refere-se às pálpebras.
IV- Na última frase, o pronome relativo onde mantém o elo coesivo com a
região dentro de si.

Agora, assinale a alternativa correta:


a) ( ) Os itens I e II estão corretos.
b) ( ) Os itens II e IV estão corretos.
c) ( ) Apenas o item IV está incorreto.
d) ( ) Os itens I, II e IV estão corretos.

71
72
UNIDADE 2 TÓPICO 2

OS DIVERSOS TEXTOS

1 INTRODUÇÃO
Antes de partirmos para a caracterização dos textos, é importante saber o
que significa a palavra texto, não é mesmo? Você, acadêmico, consegue conceituá-
la? Uma análise etimológica é bastante esclarecedora. A palavra texto provém do
latim textum, que significa “tecido, entrelaçamento”.

Dito em outras palavras, um texto se desenvolve linearmente, pois a cada


parte agrega-se outra relacionando o que já foi dito com o que ainda se pretende
dizer. Segundo Koch (2008, p. 201-213):
O processamento de um texto, portanto, depende não só de
características textuais, como também de características sociocognitivas
dos usuários da língua. Ele pressupõe um conjunto de atividades do
ouvinte/leitor, de modo que se caracteriza como um processo ativo
e contínuo de construção de sentidos, que se realiza na interação
entre os interlocutores. Dentro dessa concepção, considera-se o texto
o próprio lugar da interação e os interlocutores como sujeitos ativos
que – dialogicamente – nele se constroem e por ele são construídos.
A produção de linguagem constitui atividade cognitivo-interativa
altamente complexa de produção de sentidos, que se realiza,
evidentemente, com base nos elementos linguísticos presentes na
superfície textual e na sua forma de organização, mas que requer não
apenas a mobilização de um vasto conjunto de saberes, como também,
sobretudo, a sua reconstrução no momento da interação verbal.

Para nós, no momento, basta termos em mente que a palavra texto deriva
da ação de tecer ou de entrelaçar algumas partes com a finalidade de tornar um
todo coeso e coerente. Partimos, então, para as características textuais.

2 CARACTERÍSTICAS DOS TEXTOS


Vimos que, ao escrevermos um texto, este sempre possui uma intenção.
Para conseguirmos transmitir a mensagem de maneira correta, faz-se necessário
que sigamos alguns passos de modo a caracterizar os textos.

A seguir, apresentamos um quadro no qual é possível perceber diferenças


marcantes entre os textos – modo descritivo, narrativo e dissertativo –.

73
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

QUADRO 1 – SEQUÊNCIAS TEXTUAIS

MODO DESCRITIVO NARRATIVO DISSERTATIVO


Agente Observador Narrador Argumentador
Seres, objetos, Ações ou Opiniões,
Conteúdo
cenas, processos sentimentos argumentos
Tempo Momento único Sucessão Ausência
Discutir, informar
Objetivo Identificar Relatar
ou expor
Verbos, advérbios
Classes de Substantivos e
e conjunções Conectores
palavras adjetivos
temporais
Presente ou imperfeito Presente ou perfeito Presente do
Tempos verbais
do indicativo do indicativo indicativo
FONTE: CARNEIRO, Agostinho Dias. Redação em construção. 2. ed. São Paulo: Moderna, 2001, p. 29.

UNI

Marcuschi (2007) adota a terminologia tipologia textual, isto é, segundo


esse autor, narração, descrição, argumentação, injunção e exposição são tipologias textuais.

Vale lembrar que dificilmente um texto pertencerá exclusivamente a


um modo de organização, ou seja, um texto raramente será somente descritivo,
dissertativo ou narrativo. Geralmente sua classificação ocorre levando em conta
a predominância de sequências de um tipo sobre as demais.

A seguir, veremos como se desenvolvem os textos narrativos. Este
momento de seu estudo é muito importante, pois o conhecimento das sequências
textuais o auxiliará na interpretação dos diversos modelos textuais.

3 A NARRAÇÃO
Diariamente ouvimos, contamos, lemos ou redigimos histórias, não é
mesmo? Algumas pessoas com mais frequência, outras com menos, porém,
podemos dizer que todos saberiam contar, recontar ou inventar uma história.

74
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS

O contato com histórias auxilia no desenvolvimento da nossa imaginação.


Por meio delas podemos inventar, criar e nessa produção acabamos por buscar
palavras para exprimir o que pretendemos, resultando em aprimoramento da
fala e da escrita, do vocabulário e da comunicação.

Reveja o quadro que ilustramos na página anterior e vamos retomar


algumas informações importantes sobre a narração. Como já mencionamos, um
texto dificilmente pertence a apenas um modo de organização; para reconhecer
os elementos de uma narração, devemos atentar, por exemplo, para o uso das
classes de palavras. Nos textos narrativos prevalecerão os verbos, advérbios
e as conjunções temporais, bem como o objetivo central é narrar, relatar um
acontecimento. Antes de entrarmos mais detidamente nas particularidades das
narrativas, leia o texto que segue de Samira Nahid de Mesquita (1986. p. 7-8). Leia
com atenção e estabeleça uma tentativa de reconhecer as características narrativas
do texto.

CONTAR E OUVIR HISTÓRIAS

Contar e ouvir histórias são atividades das mais antigas do homem.


Pessoas de todas as condições socioculturais têm o prazer de ouvir e de contar
histórias. Um romancista e ensaísta inglês, E. M. Forster, chama esta atividade
de atávica, isto é, transmitida desde a idade mais remota da humanidade,
ligada aos rituais pré-históricos do Homem de Neanderthal, força de vida e
de morte, conforme sua capacidade de manter acordados ou de adormecer os
membros de um grupo, nas noites dos primeiros dias... O mesmo autor cita
ainda a protagonista de As Mil e Uma Noites, Xerazade, que se salvou da morte
contando histórias que, a cada noite, eram interrompidas em momentos de
calculado suspense, a fim de motivar a curiosidade do sultão. Interessamo-
nos intensamente pelo desenrolar de uma história bem contada. (Estão aí as
novelas de TV, impondo a milhares de pessoas em todo o país, e até no exterior,
um tipo massificante de lazer, num horário igualmente imposto).

Todas as atividades que o inventar/narrar, ouvir/ler histórias envolvem


podem ser associadas também à natureza lúdica do homem. O jogo é uma
atividade muito presente em todas as situações do homem em sociedade. Sob
as mais diversas formas, o fenômeno lúdico mantém um significado essencial.
É um recorte na vida cotidiana, tem função compensatória, substitui os objetos
de conflito por objetos de prazer, obedece a regras, tem sentido simbólico,
de representação. Como a realização, supõe agenciamentos, manipulações,
mecanismos, movimentos, estratégias. Construir um enredo é começar um
jogo. O narrador é um jogador, e forma, com o leitor e o próprio texto, o que
pode chamar uma comunidade lúdica. No ritual de se pegar um livro para ler
ou de sentar à volta ou diante de um narrador, uma tela de cinema ou de TV,
para ler/ver/ouvir, contar-se uma história, desenrolar-se um enredo, tal como
no exercício do jogo, há a busca do prazer, há tensão, competição, há a máscara,
a simulação, pode haver até a vertigem.

75
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

A partir da leitura do texto de Mesquita (1986), evidencia-se a importância


de ler, ouvir ou contar uma história. Veja, acadêmico, que demarcamos alguns
verbos do texto em negrito, para que você possa refletir sobre as características
desse modo de organização textual. Para que o narrador relate as ações e/ou
sentimentos, ele se vale da classe de palavras VERBO, que vamos aprofundar na
próxima unidade, bem como percebemos que há uma sucessão de acontecimentos,
de acordo com a progressão da história. Vamos nos deter agora na redação desses
textos. O fato de escrever uma narração nos obriga a assumir uma determinada
sequência a fim de que o texto adquira essa estrutura.

Assim, podemos afirmar que o texto narrativo é composto por:
apresentação, complicação, clímax e desfecho. Vamos conceituar cada parte para
que você compreenda melhor:

Apresentação: nesse momento identificam-se os personagens, lugares e
momentos da história. Complicação: momento em que se iniciam as ações, dando
origem às transformações dos fatos iniciais, podendo acontecer em um ou mais
episódios ou parágrafos.

Clímax: este é o momento em que a narrativa exige um desfecho, pois


a história atinge um momento de tensão onde é inevitável a resolução dos
fatos.

Desfecho: nesta parte, apresenta-se a solução dos conflitos gerados pelos
personagens, reestabelecendo assim o equilíbrio.

Além dessa estrutura, a narrativa elucida alguns acontecimentos, tais


como:

O QUÊ? - fato(s) que determina(m) a história;


QUEM? - a personagem ou personagens;
COMO? - o enredo, o modo como se tecem os fatos;
ONDE? - o lugar da ocorrência;
QUANDO? - o momento em que se passam os fatos;
POR QUÊ? - a causa do acontecimento.

Vamos exemplificar como essa estrutura e informações se organizam na


prática, com o texto narrativo “Tragédia brasileira”, de Manoel Bandeira:

Tragédia brasileira

Misael, funcionário da Fazenda, com 63 anos de idade.


Conheceu Maria Elvira na Lapa, – prostituída com sífilis, dermite nos
dedos, uma aliança empenhada e os dentes em petição de miséria.
Misael tirou Maria Elvira da vida, instalou-a num sobrado no Estácio,
pagou médico, dentista, manicura... Dava tudo quanto ela queria.

76
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS

Quando Maria Elvira se apanhou de boca bonita, arranjou logo um


namorado.
Misael não queria escândalo. Podia dar uma surra, um tiro, uma facada.
Não fez nada disso: mudou de casa.
Viveram três anos assim.
Toda vez que Maria Elvira arranjava namorado, Misael mudava de
casa.
Os amantes moraram no Estácio, Rocha, Catete, Rua General Pedra,
Olaria, Ramos, Bom Sucesso, Vila Isabel, Rua Marquês de Sapucaí, Niterói,
Encantado, Rua Clapp, outra vez no Estácio, Todos os Santos, Catumbi,
Lavradio, Boca do Mato, Inválidos...
Por fim, na Rua da Constituição, onde Misael, privado de sentidos e
inteligência, matou-a com seis tiros, e a polícia foi encontrá-la caída em decúbito
dorsal, vestida de organdi azul.

FONTE: <http://www.escritas.org/pt/t/11095/tragedia-brasileira>. Acesso em: 10 ago. 2018.

Quanto à estruturação da narrativa, podemos destacar:

Apresentação: a união de Misael, 63 anos, funcionário público, a Maria


Elvira, prostituta.

Complicação: a infidelidade de Maria Elvira obriga Misael a buscar nova


moradia para o casal.

Clímax: as sucessivas mudanças de residência, provocadas pelo


comportamento desregrado de Maria Elvira, acarretam o descontrole emocional
de Misael.

Desfecho: a polícia encontra Maria Elvira assassinada com seis tiros.

Observe os acontecimentos da narrativa:

O quê? Romance conturbado, que resulta em crime passional.


Quem? Misael e Maria Elvira.
Como? O envolvimento inconsequente de um homem de 63 anos com
uma prostituta.
Onde? Lapa, Estácio, Rocha, Catete e vários outros lugares.
Quando? Duração do relacionamento: três anos.
Por quê? Promiscuidade de Maria Elvira.

Da próxima vez em que você se deparar com um texto, observe quais desses
recursos estão presentes. Este exercício fará com que você perceba que a narrativa se
estrutura dentro de uma gama de possibilidades e estas são escolhidas pelo escritor.

Ainda sobre as narrativas, vale ressaltar que existem diferenciadas formas
de apresentar as falas dos personagens (INFANTE, 1998). Vamos conhecê-las?
77
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

Discurso direto: este tipo de discurso nos permite reproduzir diretamente


a fala dos personagens, imprimindo assim maior agilidade ao texto. Vamos
conhecer um exemplo:

FIGURA 1 – MAFALDA

Porque tem uma


Você não disse que a
coisa que eu não entendo.
gente vai para o céu
Por exemplo, como é
quando morre?
que os gordos fazem
para tomar o impulso?
Disse
por que?

Não é assim,
Miguelito! É a alma Como assim?...
que vai para o céu, Quer dizer que
o corpo fica tem que devolver
aqui. o vasilhame?

FONTE: <https://i.pinimg.com/236x/04/4e/d7/044ed7da98c850c4b852522f21d6d4a9--comic-
book-cartoons.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2018.

Perceba, acadêmico, que nesta tirinha não há a presença de um narrador,


ou seja, as falas das personagens são reproduzidas diretamente.

Discurso indireto: é onde as falas dos personagens são incorporadas pelo


narrador. Observe um pequeno exemplo do romance “Vidas Secas”, de Graciliano
Ramos:

"Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais


velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.”

Note que as falas das personagens não estão reproduzidas diretamente,


e sim através do narrador. Em outras palavras, podemos dizer que o narrador
conta o que a personagem diz.

78
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS

Discurso indireto livre: é uma maneira de unir os dois tipos já


mencionados, com a intenção de mostrar e contar os fatos ao mesmo tempo. Veja,
através de um trecho de “Vidas Secas”:

"Seu Tomé da bolandeira falava bem, estragava os olhos em cima de jornais


e livros, mas não sabia mandar: pedia. Esquisitice de um homem remediado ser
cortês. Até o povo censurava aquelas maneiras. Mas todos obedeciam a ele. Ah!
Quem disse que não obedeciam?".

Neste exemplo, notamos a mescla entre a fala do narrador e da personagem.

4 A DESCRIÇÃO
Pode-se dizer que o ato de descrever é empregar os sentidos a fim de
captar uma realidade e exemplificá-la no texto.

Então, para elaborar um texto descritivo, faz-se necessário utilizar os


conhecimentos linguísticos na construção de imagens. Segundo Infante (1998, p.
136), “Elaborar um texto descritivo é apresentar um ser, um objeto, um recorte da
realidade a partir de um determinado ponto de vista, ou seja, o objeto da descrição
deve ser observado a partir de uma determinada posição física”. Se retomarmos
o quadro em que apresentamos as características do modo descritivo, vamos
perceber claramente o que Infante nos diz, pois no texto descritivo o momento é
único e o objetivo e identificar, a partir de um ponto de vista, um ser, um objeto,
uma cena e/ou um processo, sendo que as classes de palavras que predominarão
no texto são: substantivos e adjetivos.

Leia o texto que segue de Cecília Meireles, ele servirá de exemplo sobre as
sequências descritivas.

SE EU FOSSE PINTOR...

Se eu fosse pintor começaria a delinear este primeiro plano de
trepadeiras entrelaçadas, com pequenos jasmins e grandes campânulas roxas,
por onde flutua uma borboleta de cor marfim, com um pouco de ouro nas
pontas das asas.

Mas logo depois, entre o primeiro plano e a casa fechada, há pombos
de cintilante alvura, e pássaros azuis tão rápidos e certeiros que seria
impossível deixar de fixá-los, para dar alegria aos olhos dos que jamais os
viram ou verão.

Mas o quintal da casa abandonada ostenta uma delicada mangueira,
ainda com moles folhas cor de bronze sobre a cerrada fronde sombria, uma
delicada mangueira repleta de pequenos frutos, de um verde tenro, que se

79
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

destacam do verde-escuro como se estivessem ali apenas para tornar a árvore


um ornamento vivo, entre os muros brancos, os pisos vermelhos, o jogo das
escadas e dos telhados em redor.

E que faria eu, pintor, dos inúmeros pardais que pousam nesses muros
e nesses telhados, e aí conversam, namoram-se, amam-se, e dizem adeus, cada
um com seu destino, entre a floresta e os jardins, o vento e a névoa?

Mas por detrás estão as velhas casas, pequenas e tortas, pintadas de cores
vivas, como desenhos infantis, com seus varais carregados de toalhas de mesa,
saias floridas, panos vermelhos e amarelos, combinados harmoniosamente
pela lavadeira que ali os colocou.

Se eu fosse pintor, como poderia perder esse arranjo, tão simples e


natural, e ao mesmo tempo de tão admirável efeito?

Mas, depois disso, aparecem várias fachadas, que se vão sobrepondo


umas às outras, dispostas entre palmeiras e arbustos vários, pela encosta do
morro. Aparecem mesmo dois ou três castelos, azuis e brancos, e um deles tem
até, na ponta da torre, um galo de metal verde. Eu, pintor, como deixaria de
pintar tão graciosos motivos?

Sinto, porém, que tudo isso por onde vão meus olhos, ao subirem do
vale à montanha, possui uma riqueza invisível, que a distância abafa e desfaz:
por detrás dessas paredes, desses muros, dentro dessas casas pobres e desses
castelinhos de brinquedo, há criaturas que falam, discutem, entendem-se e
não se entendem, amam, odeiam, desejam, acordam todos os dias com mil
perguntas e não sei se chegam à noite com alguma resposta.

Se eu fosse pintor, gostaria de pintar esse último plano, esse último


recesso da paisagem. Mas houve jamais algum pintor que pudesse fixar esse
móvel oceano, inquieto, incerto, constantemente variável que é o pensamento
humano?

FONTE: MEIRELES, Cecília. Ilusões do mundo. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 1976, p. 17-18.

Percebem-se, ao final da leitura, várias sequências descritivas, não é? O


modo como foram escolhidas as palavras, estabelecida a ordem, revela que a
autora elaborou um plano para desenvolver a descrição.

No primeiro parágrafo descreve o que acontece na casa, primeiro plano.


No segundo, apresenta-nos o que acontece entre o primeiro plano e a casa fechada,
existem aves... No terceiro parágrafo nos revela, por meio da descrição, as aves e
a vegetação existente.

80
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS

Perceba que o esquema segue uma dimensão que nos desvenda um olhar
do perto para o longe. Resquícios dessa descrição podem ser retirados do trecho
“as asas das borboletas”, no qual diz: “uma borboleta de cor marfim, com um
pouco de ouro nas pontas das asas”.

Você poderá continuar fazendo este exercício de observação, que ajudará


a estabelecer a sequência adotada, ou melhor, escolhida por Cecília. Além disso,
reforçará o seu entendimento sobre parágrafo estudado anteriormente. Lembre-se
de que cada parágrafo representa não a mudança de assunto, mas outro enfoque.
Pensamos que esse texto exemplifica bem a questão.

Muito raramente um texto pertencerá somente a uma sequência. No


entanto, analisamos a predominância delas durante a leitura.

5 A ARGUMENTAÇÃO
Em nosso dia a dia é muito comum termos que expor nossas opiniões ou
até mesmo convencer as pessoas sobre as diversas temáticas. Pense em várias
situações nas quais utilizamos uma linguagem argumentativa e/ou persuasiva,
seja em um relacionamento amoroso, na vida profissional, na venda de um
produto, em uma reunião de negócios e, também, ao nos relacionarmos com os
professores, vizinhos ou amigos.

Ao analisarmos por outro viés, percebemos que muitas mensagens nos


chegam através de jornais, televisão, e-mail, celular, cujo fim é conquistar a nossa
adesão, seja a uma ideia ou produto, seja para escolha de um candidato, um carro
ou mudança na maneira de conduzir nossa vida.

O texto argumentativo, no entanto, nos permite utilizar a linguagem de


modo a expressar nossas ideias, articular argumentos e conclusões. Outro aspecto
importante é conhecer o assunto a ser comunicado, pois na dissertação nosso
posicionamento crítico é fator decisivo.

Vamos conhecer mais sobre essa temática? Leia o texto que segue.

UNI

Você já refletiu sobre o poder de persuasão das pessoas? É inevitável que


tenhamos domínio do funcionamento da língua escrita para aprimorar essa habilidade.

81
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

6 COESÃO E ARGUMENTAÇÃO

O fato de o ato de escrever ser um momento em que aquele que escreve


se vê sozinho frente ao papel, tendo em mente apenas uma imagem de um
possível interlocutor, faz com que haja necessidade de uma maior preocupação
em relação à coesão. Em geral, o aluno não sabe até que ponto deve explicitar o
que tenta dizer para que se faça compreender.

Entretanto, o “fazer-se compreender” é um ponto central em qualquer
texto escrito; a coesão deve colaborar nesse sentido, facilitando o estabelecimento
de uma relação entre os interlocutores do texto. O que se busca não é um texto
fechado em si mesmo, impenetrável a qualquer leitura, e sim algo que possa
servir como veículo de interação entre os interlocutores.

Há ainda mais uma questão em que se deve pensar na consideração das
especificidades da modalidade escrita – a argumentação. É através dela que o
locutor defende seu ponto de vista. A argumentação contribui na criação de
um jogo entre quem escreve o texto e um possível leitor, já que aquele discute
com este, procurando mostrar-lhe que tipo de ideias o levou a determinado
posicionamento. Dito de outra maneira, ao escrever um texto, o locutor
estabelece relações a partir do tema a que se propôs discutir e tira conclusões,
procurando convencer o receptor ou conseguir adesão ao texto.

Não se pode traçar uma distinção absoluta entre coesão e argumentação:


a coesão garante a existência de uma relação entre as partes do texto que
tomadas como um todo devem constituir um ato de argumentação. As duas
noções contribuem para a constituição de um conjunto significativo capaz de
estabelecer uma relação entre o sujeito que escreve e seu virtual interlocutor.

É próprio da linguagem seu caráter de interlocução. A escrita não foge


a esse princípio, ela também busca estabelecer uma relação entre sujeitos. O
texto deve ser suficiente para caracterizar seu produtor enquanto um agente,
um sujeito daquela produção, ao mesmo tempo em que confere identidade ao
seu interlocutor. O texto, enquanto uma totalidade revestida de significados,
acaba sendo um jogo entre sujeitos, entre locutor e interlocutor.

FONTE: DURIGAN, Regina H. de Almeida et al. A dissertação no vestibular. In: A magia da mudança
-vestibular Unicamp: língua e literatura. Campinas: Unicamp, 1987, p. 14-15.

Agora, vamos conhecer a estrutura de um texto argumentativo? Como


já foi dito, a argumentação requer do escritor o seu posicionamento crítico.
Além disso, é preciso conhecimento sobre o assunto. Adequar a linguagem aos
interlocutores também é muito importante, pois queremos ser compreendidos.

Sobre a estrutura, podemos afirmar que existe uma maneira muito usada
para a organização desses textos. Basicamente, precisamos dispor as informações
que obtemos em três momentos: introdução, desenvolvimento e conclusão.

82
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS

Introdução: é o momento de apresentar de maneira clara o assunto que


se pretende abordar. Ela deve atuar como um roteiro, que norteará o leitor para
o desenvolvimento da temática. Uma introdução bem construída ajuda quem
escreve a controlar a coesão e a coerência do texto.

Desenvolvimento: como o nome diz, nessa parte do texto é que se


desenvolve o assunto apresentado na introdução. Faz-se necessário ampliar a
explicação retomando o que foi explicitado de forma sucinta na introdução.

Conclusão: é a parte que finaliza o texto. Dessa forma, deve conter um


resumo de tudo que foi dito, de modo a reafirmar seu posicionamento. Poderá
também trazer propostas de ações sobre o tema discutido.

Com base nessas informações, vamos verificar na prática, por meio de um


exemplo, como essa estrutura se organiza. Leia o texto que segue:

Considerações sobre justiça e equidade

Luís Alberto Thompson Flores Lenz

1. Hoje, floresce cada vez mais, no mundo jurídico a acadêmico nacional, a


ideia de que o julgador, ao apreciar os caos concretos que são apresentados
perante os tribunais, deve nortear o seu proceder mais por critérios de justiça
e equidade e menos por razões de estrita legalidade, no intuito de alcançar,
sempre, o escopo da real pacificação dos conflitos submetidos a sua apreciação.
2. Semelhante entendimento tem sido sistematicamente reiterado, na
atualidade, ao ponto de inúmeros magistrados simplesmente desprezarem
ou desconsiderarem determinados preceitos de lei, fulminando ditos dilemas
legais sob a pecha de injustiça ou inadequação à realidade nacional.
3. Abstraída qualquer pretensão de crítica ou censura pessoal aos insignes juízes
que se filiam a esta corrente, alguns dos quais reconhecidos como dos mais
brilhantes do país, não nos furtamos, todavia, de tecer breves considerações
sobre os perigos da generalização desse entendimento.
4. Primeiro, porque o mesmo, além de violar os preceitos dos arts. 126 e 127
do CPC, atenta de forma direta e frontal contra os princípios da legalidade e
da separação de poderes, esteio no qual se assenta toda e qualquer ideia de
democracia ou limitação de atribuições dos órgãos do Estado.
5. Isso é o que salientou, e com a costumeira maestria, o insuperável José Alberto
dos Reis, o maior processualista português, ao afirmar que: "O magistrado
não pode sobrepor os seus próprios juízos de valor aos que estão encarnados
na lei. Não o pode fazer quando o caso se acha previsto legalmente, não o
pode fazer mesmo quando o caso é omisso".
6. Aceitar tal aberração seria o mesmo que ferir de morte qualquer espécie de
legalidade ou garantia de soberania popular proveniente dos parlamentos,
até porque, na lúcida visão desse mesmo processualista, o juiz estaria, nessa
situação, se arvorando, de forma absolutamente espúria, na condição de
legislador.

83
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

7. A esta altura, adotando tal entendimento, estaria institucionalizada a


insegurança social, sendo que não haveria mais qualquer garantia, na medida
em que tudo estaria ao sabor dos humores e amores do juiz de plantão.
8. De nada adiantariam as eleições, eis que os representantes indicados pelo
povo não poderiam se valer de sua maior atribuição, ou seja, a prerrogativa
de editar as leis.
9. Desapareceriam também os juízes de conveniência e oportunidade política
típicos dessas casas legislativas, na medida em que sempre poderiam ser
afastados por uma esfera revisora excepcional.
10. A própria independência do parlamento sucumbiria integralmente frente
à possibilidade de inobservância e desconsideração de suas deliberações.
11. Ou seja, nada restaria, de cunho democrático, em nossa civilização.
12. Já o Poder Judiciário, a quem legitimamente compete fiscalizar a
constitucionalidade e legalidade dos atos dos demais poderes do Estado,
praticamente aniquilaria as atribuições destes, ditando a eles, a todo
momento, como proceder.
13. Nada mais é preciso dizer para demonstrar o desacerto dessa concepção.
14. Entretanto, a defesa desse entendimento demonstra, sem sombra de
dúvidas, o desconhecimento do próprio conceito de justiça, incorrendo
inclusive numa contradictio in adjecto.
15. Isto porque, e como magistralmente o salientou o insuperável Calamandrei,
"a justiça que o juiz administra é, no sistema da legalidade, a justiça em
sentido jurídico, isto é, no sentido mais apertado, mas menos incerto,
da conformidade com o direito constituído, independentemente da
correspondente com a justiça social".
16. Para encerrar, basta salientar que a eleição dos meios concretos de
efetivação da Justiça social compete, fundamentalmente, ao Legislativo e
ao Executivo, eis que seus membros são indicados diretamente pelo povo.
17. Ao Judiciário cabe administrar a justiça da legalidade, adequando o
proceder daqueles aos ditames da Constituição e da Legislação.

FONTE: <https://brainly.com.br/tarefa/9736761>. Acesso em: 10 ago. 2018.

Ao ler o texto, percebemos que no primeiro parágrafo é apresentada a


ideia, ou seja, o assunto que será desenvolvido no decorrer dos parágrafos. Na
continuação do texto há a explicitação da temática com base em argumentos e
dados que o autor utiliza no intuito de expor a sua opinião e convencer o leitor.
No decorrer da leitura, acadêmico, você notou que nos dois últimos parágrafos o
autor retoma as afirmações já realizadas e conclui a sua argumentação.

Além disso, você observou que cada parte de um texto relaciona-se com
as demais, ou retomando ou preparando para o que é ou foi dito? Tecemos um
texto à medida que acrescentamos ao que foi dito o que ainda temos por dizer. No
momento de redigir um texto, há que se considerar aquele para quem escrevemos
e quais são nossos objetivos com o texto. Dessa maneira, adequamos a linguagem
à situação e nos fazemos entender, atingindo assim nosso propósito.

84
TÓPICO 2 | OS DIVERSOS TEXTOS

UNI

A persuasão é utilizada pela propaganda, que visa convencer o consumidor


sobre o que pretende vender. Busca-se empregar a linguagem de maneira inteligente com a
finalidade de chamar a atenção do interlocutor. Nos textos publicitários, outra ferramenta está
presente: é a ambiguidade. Você sabe o que ela significa?
Estudaremos na próxima unidade!

85
RESUMO DO TÓPICO 2
Neste tópico, você aprendeu que:

• A palavra texto provém do latim textum, que significa “tecido, entrelaçamento”.

• O texto desenvolve-se de maneira linear.

• A classificação de um texto se faz através da predominância de uma das


características com relação às demais.

• Na narrativa o tempo é marcado pela sucessão dos fatos. O agente é o narrador.

• Na descrição o tempo é um momento único. O agente é observador.

• Na argumentação não há marcação do tempo. O agente é argumentador.

• Apresentação, complicação, clímax e desfecho são partes estruturantes da


narrativa.

• Nos textos argumentativos a ideia central é a argumentação/persuasão.

• Adequar a linguagem aos interlocutores é muito importante, pois esse cuidado


auxilia a compreensão.

• A argumentação é que nos permite utilizar a linguagem de modo a expressar


nossas ideias, articular argumentos e conclusões.

• Descrever é empregar os sentidos a fim de captar uma realidade e exemplificá-


la no texto.

• Discurso direto: é reproduzir diretamente a fala dos personagens.

• Discurso indireto: é quando o narrador adapta as falas das personagens.

• Discurso indireto livre: é a intenção de mostrar e contar os fatos ao mesmo


tempo.

• A persuasão é muito utilizada nos textos publicitários.

86
AUTOATIVIDADE

1 Classifique as sequências textuais predominantes nos textos abaixo em


sequência descritiva (SD), sequência narrativa (SN) ou sequência dissertativa
(SDI):

a) ( ) Uma vez, dois homens saíram na Semana Santa para caçar tatu.
Quando eles estavam cavando o buraco, o tatu saiu para fora e falou para
eles: - Isso tudo é vontade de comer carne? (Antonio Henrique Weitzel)

b) ( ) A aventura pode ser louca, mas o aventureiro tem que ser lúcido!
(Chesterton)

c) ( ) De repente entrou aquele bruto crioulo. Tinha quase dois metros de


altura, era forte como um touro, e caminhava no mais autêntico estilo da
malandragem carioca. Ladeado por duas mulheres imobilizadas por uma
chave de braço cada uma, caminhou calmamente até o centro da sala,
enquanto as duas faziam o maior banzé, sem que
ele tomasse o menor conhecimento.

d) ( ) Um homem estava contando que tinha ido pescar no Rio Paraibuna e


matou uma traíra tão grande que quase não coube dentro do barco. Aí o
outro falou:
- Na minha fazenda tem um tacho tão grande que quando alguém, que está
mexendo o tacho, fala, do outro lado nem dá para escutar.
Aí o pescador perguntou:
- Mas, para que serve um tacho tão grande assim?
O homem respondeu:
- É para fritar a traíra que você pescou!

e) ( ) Só há dois minutos importantes no destino de um homem: o minuto em
que nasce e aquele em que morre. O resto são horas perdidas na vida.

f) ( ) É necessário que se ensine às crianças o que seja moral; contudo, é
dispensável que lhes ensine o que seja imoral.

2 Ainda sobre os textos narrativos, descritivos e argumentativos, leia o texto
de Rubem Braga, no intuito de reconhecer qual tipologia prevalece:

87
A outra noite

Outro dia fui a São Paulo e resolvi voltar à noite, uma noite de vento
sul e chuva, tanto lá como aqui. Quando vinha para casa de táxi, encontrei
um amigo e o trouxe até Copacabana; e contei a ele que lá em cima, além das
nuvens, estava um luar lindo, de lua cheia; e que as nuvens feias que cobriam
a cidade eram, vistas de cima, enluaradas, colchões de sonho, alvas, uma
paisagem irreal.
Depois que o meu amigo desceu do carro, o chofer aproveitou o sinal
fechado para voltar-se para mim:
- O senhor vai desculpar, eu estava aqui a ouvir sua conversa. Mas, tem
mesmo luar lá em cima?
Confirmei: sim, acima da nossa noite preta e enlamaçada e torpe havia
uma outra – pura, perfeita e linda.
- Mas, que coisa...
Ele chegou a pôr a cabeça fora do carro para olhar o céu fechado de
chuva. Depois continuou guiando mais lentamente. Não sei se sonhava em ser
aviador ou pensava em outra coisa.
- Ora, sim senhor...
E, quando saltei e paguei a corrida, ele me disse um “boa noite” e um
“muito obrigado ao senhor” tão sinceros, tão veementes, como se eu lhe tivesse
feito um presente de rei.
Rubem Braga

FONTE: <http://biscoitocafeenovela.blogspot.com.br/2014/09/sessao-leitura-outra-noite-
rubem-braga.html>. Acesso em: 10 ago. 2018.

Com base nas principais características do texto lido, podemos dizer


que predomina(m) a(s):

a) ( ) Narração.
b) ( ) Narração e Descrição.
c) ( ) Argumentação.
d) ( ) Descrição.
e) ( ) Argumentação e Narração.

3 Leia o texto a seguir, ele é predominantemente descritivo, mas apresenta


algumas sequências narrativas.

De súbito, surgiu no pátio, dum corredor escuro, um cão. Um cão


trivial e sorna, que arrastava atrás de si uma velha lata vazia, de marmelada,
amarrada por mão gaiata a sua cauda. E sobre a lata vinha a metade de um
tijolo. [...] Por toda a área vagueou o cachorro, arrastando a carga barulhenta.
Pelas lajes a folha entrebatida, monótona, arrastava-se, levando o tijolo. [...]

88
Passeava pelos cantos; tornava ao Sol; estirava-se; em três patas, coçava o ventre;
prosseguia; farejava; volvia aos mesmos pontos, a cauda estirada, o tijolo atrás,
sobre a lata, chiando. Por fim, encontrou um velho osso, voltou ao Sol, estirou-
se sobre o ventre, a roer a presa, com pachorra.

FONTE: VAZ, Leo. In: CARNEIRO, Agostinho Dias. Redação em construção. São Paulo:
Moderna, 2001, p. 31.

Assinale a alternativa que contém todas as sequências narrativas do


texto:

a) ( ) Passeava pelos cantos; tornava ao Sol; estirava-se; em três patas, coçava


o ventre; prosseguia; farejava; volvia aos mesmos pontos, a cauda estirada, o
tijolo atrás, sobre a lata, chiando.
b) ( ) Por toda a área vagueou o cachorro, arrastando a carga barulhenta./
Pelas lajes a folha entrebatida, monótona, arrastava-se, levando o tijolo.
c) ( ) Por fim, encontrou um velho osso, voltou ao Sol, estirou-se sobre o
ventre, a roer a presa, com pachorra.
d) ( ) De súbito, surgiu no pátio, dum corredor escuro, um cão./Por toda a
área vagueou o cachorro, arrastando a carga barulhenta./Por fim, encontrou
um velho osso, voltou ao Sol, estirou-se sobre o ventre, a roer a presa, com
pachorra.
e) ( ) E sobre a lata vinha a metade de um tijolo. [...]/Por toda a área vagueou
o cachorro, arrastando a carga barulhenta.

89
90
UNIDADE 2 TÓPICO 3

O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E


GÊNEROS

1 INTRODUÇÃO
As habilidades de leitura e escrita são muito mais que uma necessidade.
Saber ler e interpretar diferentes textos em diferentes linguagens, avaliar
e comentar informações ou ideias, além de estabelecer relações e formular
perguntas, são competências primordiais básicas para que uma organização
empresarial ou para que qualquer instituição possa oferecer ao seu público o
retorno e/ou atendimento que merecem.

Neste sentido, caro acadêmico, queremos dizer que conseguir dominar a


leitura e a escrita num determinado campo não significa saber ler e escrever em
outro. A compreensão dos textos nas diversas áreas depende necessariamente
do conhecimento anterior que o receptor tem sobre o assunto e da familiaridade
que tiver construído com a leitura de textos de diferentes gêneros. Para ilustrar a
importância dos gêneros textuais, Bakhtin (1988, p. 71) explica:

Gêneros são tipos de enunciados relativamente estáveis e normativos,


que se constituem historicamente, elaborados pelas esferas de utilização
da língua. Esses enunciados se relacionam diretamente a diferentes
situações sociais, que geram, por sua vez, um determinado gênero com
características temáticas, composicionais e estilísticas próprias.

Nesta linha de raciocínio, aliadas à leitura, estão a compreensão e a


interpretação dos gêneros textuais. À medida que eles focalizam discussões
para determinadas estratégias de escrita, ampliam o conhecimento linguístico e
também o textual.

Diante disso, conforme Geraldi (2001), produzir esquemas, sínteses que


norteiem o processo de compreensão dos textos, bem como criar roteiros que
indiquem os objetivos e expectativas que cercam o texto que se espera produzir
não pode mais ser uma tarefa alheia ao seu dia a dia no trabalho.

Caro acadêmico, diante dessa reflexão, a partir de hoje, preste atenção na


hora da leitura e da escritura de um texto. Ter uma boa escrita e ainda conseguir
ler e entender textos ou documentos é um diferencial positivo na sua área de
atuação. Convido você a ler e aprender mais sobre este interessante assunto.
Continue atento!
91
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

UNI

Se você quiser saber mais sobre gêneros textuais, visite o site: <http://www.
portaldeperiodicos.unisul.br/index.php/Linguagem_ Discurso/article/view/347/368> e leia na
íntegra O ENSINO DE PRODUÇÃO TEXTUAL COM BASE EM ATIVIDADES SOCIAIS E GÊNEROS
TEXTUAIS, da professora Désirée Motta-Roth.

2 A LEITURA E A INTERPRETAÇÃO TEXTUAL


A leitura é uma atividade que requer, além do prazer, concentração. A
importância do ato de ler é incontestável, pois, além de abrir caminhos para
o conhecimento, exige uma visão perceptível do leitor para com os textos e
linguagens.

Cabe lembrar que a tecnologia facilitou, e muito, a comunicação entre as
empresas e/ou instituições. Todavia, ao mesmo tempo, incutiu nos usuários uma
habilidade que limita o ato da leitura ou até no escrever um texto ou documento
na sua íntegra. A rapidez e a agilidade que esta ferramenta nos trouxe deixam-
nos tão seguros que esquecemos a produção com qualidade, apenas priorizamos
a quantidade. E amenizar esta crise da leitura e da interpretação textual correta
merece interação e compromisso, pois estes são pontos decisivos para a mudança
desse quadro. As pessoas que têm o hábito de ler têm mais facilidade para
interpretar textos e, obviamente, os que não possuem esse hábito encontram mais
dificuldade.

Fique atento, acadêmico, por intermédio da leitura você se familiariza
com as normas gramaticais e pode expandir seu vocabulário. Dessa forma, a
leitura é uma construção que leva você, gradativamente, a interagir com o autor
em um determinado momento no texto e, consequentemente, você também
interage com o mundo, ampliando sua competência discursiva tanto na língua
escrita como na oral.

2.1 O MAIOR DESAFIO DAS INSTITUIÇÕES: A


COMUNICAÇÃO INTERNA
Diante do cenário exposto, vamos encaminhar nosso estudo para um
ponto relevante, pois, nas dificuldades que existem em qualquer empresa ou
instituição, pode-se dizer que uma causa muitas outras. Então, já tem em mente
do que estamos falando?

92
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS

Como você já deve ter percebido, toda empresa e/ou instituição é única,
como todo ser humano também o é. Cada um tem sua história, sua cultura, seus
valores, sua missão ou metas, perfil de funcionários, de clientela, entre outros. A
comparação com o ser humano fez-se necessária, pois as empresas/instituições
são compostas, fundamentalmente, de pessoas. E, pasme! sofrem do mesmo mal.
Afinal, que mal é esse? Hum, o mal da ausência ou da má comunicação.

A comunicação, em especial a interna, envolve procedimentos


comunicacionais que reúnem papéis, cartas internas, memorandos, entre
outros. E este tipo de comunicação se desenvolve paralelamente à comunicação
administrativa, que visa proporcionar meios para promover maior integração
dentro da organização mediante o diálogo, a troca de informações, experiências e
a participação de todos os níveis (TORQUATO, 2003).

Para Kunsch (1999), a comunicação interna é planejada em torno de


propósitos claramente definidos que viabilizam toda a interação possível entre a
organização e seus colaboradores, lançando mão de metodologias e técnicas de
comunicação institucional e até da comunicação mercadológica.

Bem, como você pode perceber, apesar de Torquato e Kunsh utilizarem


terminologia e até conceitos distintos sobre o que é e qual o papel da comunicação,
ambos enfatizam a necessidade de a comunicação ser pensada de forma integrada
e como uma ferramenta estratégica.

Para tanto, podemos pautar ações comunicacionais utilizando-se da


transferência de informações de modo claro, curto e rápido. O gestor pode ainda
tornar habitual a frequência de encontros, tornando assim as informações mais
objetivas.

Lembre-se, devemos começar levando em consideração os aspectos


humanos e gerenciais: avalie a cultura participativa do seu grupo, faça uma
autoavaliação e identifique como a comunicação na instituição ou empresa em
que você trabalha acontece nos diversos setores e, a partir desta imagem, crie
estratégias simples, porém eficazes.

3 OS MODELOS TEXTUAIS
A correspondência de uma empresa e/ou instituição é vista hoje como
um importante instrumento de boa organização e até de marketing. Assim, a
comunicação feita através da correspondência interna ou externa é a responsável
pela representação da instituição ou empresa perante os deus diferentes públicos.

A eficiência e a clareza são importantes itens exigidos quanto ao teor da


mensagem que se quer transmitir. Tal elegância e clareza devem estar explícitas
na forma e na língua utilizadas. Na forma quanto à disposição dos elementos na
correspondência, e na língua, quanto ao estilo de linguagem utilizada.

93
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

Neste sentido, a noção de gêneros textuais como sistemas discursivos


complexos, socialmente construídos pela linguagem, com padrões de organização
facilmente identificáveis e configurados pelo contexto sócio-histórico produtor
das atividades comunicativas, é bastante esclarecedora para os nossos propósitos
neste livro de estudos (MARCUSCHI, 2002).

O que toda empresa e/ou instituição, inclusive o público externo, deseja


é que, além da clareza e da eficiência, a correspondência ou a comunicação seja
rápida e objetiva, e isso não se consegue com um texto desorganizado e mal
escrito. Portanto, caro acadêmico, há alguns pontos que devemos levar em conta
quando o assunto é a produção textual. Comece prestando atenção no estilo, na
língua e na forma.

Quanto ao estilo, podemos dizer que é conversão da linguagem escrita
na imagem que queremos passar. É como se você soubesse dosar a formalidade
e a informalidade, já que ambas são exigidas num texto profissional para atingir
muitos objetivos, dentre eles o de conquistar clientela ou até mesmo motivar
colaboradores.

A língua é responsável pela comunicação com e entre seus diversos


públicos. Assim, devemos ter o cuidado para que nossa correspondência chegue
aos receptores sem falhas gramaticais, pois isso pode gerar uma incontornável
má impressão de qualquer natureza.

Já a forma é a embalagem do documento profissional. Assim, o que se
quer comunicar deve estar disposto de forma prática e atraente. As informações
que constam no texto, como a data, o assunto, o destinatário, os endereços, entre
outros aspectos, não podem estar obscuros.

Agora vamos conhecer algumas correspondências oficiais e perceber
como cada uma tem particularidades na sua forma, conteúdo e linguagem.

UNI

Os conceitos das correspondências aqui apresentados foram extraídos


de manuais de redação, tais como: Redação Científica, O texto oficial: aspectos gerais e
interpretações e Manual de modelos de cartas comerciais.

94
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS

3.1 RELATÓRIOS
O relatório é um documento no qual se apresenta uma descrição de um
acontecimento, ou a forma como um serviço foi executado. Ele pode ser também
um relato das ocorrências administrativas, de uma apresentação de resultado de
uma pesquisa ou até de uma investigação.

Preste atenção, acadêmico, pois um bom relatório apresenta os dados


necessários que abrangem sua finalidade, como: a quem ele se destina, qual
periodicidade e o que quer comunicar. E para que isso aconteça, gráficos,
ilustrações, mapas, entre outros, devem acompanhá-lo.

Cabe lembrar que um relatório pode ser desenvolvido em tópicos ou em


forma de texto discursivo.

Assim, antes de iniciar a elaboração de um relatório, pense:

• Para quem vou escrever?


• Com qual objetivo?
• Qual canal de comunicação vou utilizar?
• Qual a melhor forma de dizer o que realmente quero apresentar?

Agora mãos à obra, escreva seu texto, relate tudo o que for necessário e
lembre-se de reler e revisar o que escreveu.

3.1.1 Partes do relatório


Geralmente, nas empresas ou nas instituições, os relatórios já estão
preestabelecidos no formato de formulários e estes apenas necessitam do simples
preenchimento dos setores ou órgãos competentes. Assim, o que você, acadêmico,
deve fazer é preencher os espaços em branco, observando o tipo de relatório que
lhe é requerido, seja em tópicos ou em texto discursivo, como já foi mencionado.

No entanto, podemos citar seis principais partes integrantes de um


relatório, segundo as normas técnicas. Vamos conhecê-las?

a) TÍTULO: com ele você identificará claramente o tema do relatório.

b) VOCATIVO: você escreverá aqui a quem se dirige o relato.

c) TEXTO: quando você relatar, preste atenção na introdução, que deve indicar
o motivo ou, ainda, lembrar quem determinou a execução do relatório. No
desenvolvimento, você expõe o assunto cronologicamente, em parágrafos ou
em tópicos, e no encerramento deve haver as considerações finais, ou sugestões,
bem como os agradecimentos.

95
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

d) LOCAL e DATA.

e) ASSINATURA.

f) ANEXOS, quando necessários.

3.1.2 Aplicação
Antes de você visualizar e analisar o relatório a seguir, cabe salientar que
escrever serve para comunicar nossas ideias e, para dominar a habilidade da
escrita, ela deve ser exercitada.

Considere especialmente importante no ato da escritura de um relatório a
clareza, a coesão e a exatidão. Não esqueça que, quando não houver normas para
a escritura do relatório, você deve seguir o seu bom senso.

Leia o exemplo a seguir e reconheça as seis partes integrantes do relatório


que citamos acima. Enumeramos as partes do relatório com as mesmas letras.

a) RELATÓRIO DEMONSTRATIVO DAS DESPESAS E O LUCRO TOTAL DA
EMPRESA XXXX S/A

b) À Gerente Administrativa XXXX

c) Como solicitado por V.Sa., um levantamento da empresa XXXX S.A. fora feito.
Este levantamento realizou-se no período de 20/08/2003, com o objetivo de
demonstrar as despesas e o lucro total da empresa, no período de 01/01/2003
a 30/06/2003.

Os procedimentos que foram utilizados estão descritos abaixo:

1. levantamento contábil da empresa durante o período indicado;


2. levantamento das vendas;
3. outros métodos em que confio mais.

A empresa em questão demonstra que obtém uma grande margem de


lucro, apesar de ser uma empresa multinacional, e retém mais de 70% do lucro
no Brasil. Existe em seus registros que, durante o ano de 2002, obteve um alto
volume de vendas, em torno de US$ 50.000.000,00, e durante o período avaliado
o volume de vendas já era de 65% sobre o valor do ano passado.

Para o ano de 2003, a empresa espera que suas vendas aumentem e


os lucros também. Espera também que consiga uma maior participação no
mercado nacional para o ano de 2003 e 2004. Este ano há um planejamento

96
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS

de entrada em uma nova divisão do mercado, o ramo de Administração de


Empresas, e também aumentar o seu nível tecnológico com relação ao seu
maquinário e computadores.

A empresa está em crescimento, já podendo competir com as grandes


corporações.

Depois de feita a atualização de tecnologia, espera-se a possibilidade de


domínio do mercado e o crescimento em outras áreas; este foi o único problema
encontrado na empresa XXXX S.A.

d) XXXXX, 24 de agosto de 2003.

Atenciosamente

XXXX XXXX

e) MM Business

FONTE: Adaptado de: <http://www.coladaweb.com/administracao/relatorio-administrativo>.


Acesso em: 10 ago. 2018.

3.2 ATA
É o registro escrito, objetivo, claro e confiável, com valor administrativo
ou legal dos acontecimentos de uma reunião, assembleia ou convenção. Se for
um documento tão valorativo, ela deve ser redigida de forma a não permitir
qualquer modificação posterior.

Logo, caro acadêmico, é preciso tomar alguns cuidados ao escrever uma


ata, preste atenção nas orientações a seguir descritas:

a) Atas manuscritas: elas são registradas num livro específico para esse fim, o
qual deve ter um termo de abertura e as páginas devem estar numeradas. Se
a ata for digitada, precisa ser arquivada em uma pasta e deve ser organizada
levando em conta a data de sua escritura.

b) Escreva em linhas corridas: sem os parágrafos e evite espaços, pois estes


elementos podem ser utilizados no intuito de garantir que acréscimos ou
alterações aconteçam.

c) Rasuras: não podem aparecer, nem emendas ou uso de corretivos. Para retificar
um erro, utilize palavras como “digo”. Se o erro for notado após a redação
da ata, recorre-se à expressão “em tempo”, ou apresente uma errata, que será
colocada sempre após o texto.

97
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

d) Abreviaturas ou expressões: não podem ser utilizadas.

e) Os números devem ser escritos por extenso.

3.2.1 Escritura e modelo


Observe alguns elementos básicos na escritura de uma ata e, em seguida,
visualize um exemplo:

a) título: identifique a reunião;

b) data: escreva por extenso: dia, mês, ano e hora da reunião;

c) local: não se esqueça de indicar o local onde está sendo realizada a reunião;

d) finalidade ou ordem do dia: aqui você escreve o objetivo da reunião;

e) identificação da Presidência e do Secretário: indique quem está presidindo a


reunião;

f) discussão/votação e deliberações: neste tópico você escreve o que foi discutido,


votado e aprovado;
g) encerramento: neste momento finalize a ata;

h) assinatura: todos os presentes assinam.

Agora observe o exemplo e verifique os elementos apontados acima, eles


se apresentam na sequência em que explicitamos.

ATA DA ASSEMBLEIA GERAL DE CONSTITUIÇÃO DE


ASSOCIAÇÃO OU SOCIEDADE CIVIL

Ao(s)......... dia(s) do mês de........... do ano


de......... , às.......... horas, reuniram-se, em Assembleia Geral, no
endereço da.............. as pessoas a seguir relacionadas: (nominar as pessoas,
profissão, estado civil, endereço residencial e número do CPF). Os membros
presentes escolheram, por aclamação, para presidir os trabalhos (nome de
membro), e para secretariar (nome de membro). Em seguida, o Presidente
declarou abertos os trabalhos e apresentou a pauta de reunião, contendo os
seguintes assuntos: 1º) discussão e aprovação do Estatuto da associação;
2º) escolha dos associados ou sócios que integrarão os órgãos internos da
associação; e 3º) designação de sede provisória da associação. Em seguida,
começou-se a discussão do estatuto apresentado e, após ter sido colocado em

98
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS

votação, foi aprovado por unanimidade, com a seguinte redação: (transcrever


redação do estatuto aprovado). Passou-se, em seguida, ao item “2” da pauta,
em que foram escolhidos os seguintes membros para comporem os órgãos
internos: DIRETORIA EXECUTIVA: (nominar os membros, estado civil,
profissão, endereço residencial, número do CPF e cargo). Por fim, passou-
se à discussão do item “3” da pauta e foi deliberado que a sede provisória
da associação será no seguinte endereço: (discriminar o endereço completo).
Nada mais havendo, o Presidente fez um resumo dos trabalhos do dia, bem
como das deliberações, agradeceu a participação de todos os presentes e deu
por encerrada a reunião, da qual eu, (nome do secretário da reunião), secretário
ad hoc reunião, lavrei a presente ata, que foi lida, achada conforme e firmada
por todos os presentes abaixo relacionados.
FONTE: <http://www.pgj.ce.gov.br/orgaos/orgaosauxiliares/cao/caofunda_reg/modelos/
Modelo.Ata.pdf>. Acesso em: 11 ago. 2018.

3.3 OFÍCIO
O ofício, dentre os tipos de comunicação, é um dos mais utilizados tanto
no setor público como privado. Sua utilidade é das mais variadas, ora como
troca de informações administrativas, solicitações, agradecimentos, ora como
estabelecimento de uma ordem, entre outras.

Segundo Campos Mello (1978, p. 122), o ofício serve para:

[...] informar, encaminhar documentos importantes, solicitar
providências ou informações, propor convênios, ajustes, acordos etc.,
convidar alguém com distinção para a participação em certos eventos,
enfim, tratar o destinatário com especial fineza e consideração.

É uma correspondência oficial, podendo ser usada também por clubes,
associações e, ainda, como correspondência protocolar. A linguagem utilizada
é formal e, sendo uma correspondência dirigida a autoridades, devemos prestar
atenção ao tratamento exigido para cada cargo.

UNI

Se quiser saber mais sobre as normas que regulamentam uma redação de


atos e comunicações oficiais, acesse o site: <http:// www.planalto.gov.br/ccivil_03/manual/
ManualRedPR2aEd.PDF> e visualize o Manual de Redação da Presidência da República, que
mostra as regras que a linguagem deve ter nas correspondências.

99
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

3.3.1 Elaboração e modelo


Um modelo moderno de estruturação de ofício contém:

• cabeçalho e/ou papel timbrado;

• o número de ordem fica na margem superior esquerda;

• local e data ficam na mesma linha do número de ordem, do lado direito, o mês
vem escrito por extenso;

• um resumo e/ou referência sobre o assunto é escrito abaixo do número;

• vocativo (observar o pronome de tratamento adequado);

• o texto pode ser dividido em parágrafos;

• deve ser concluído com cortesia;

• assinatura, com nome completo e cargo do emissor;

• endereçamento na parte inferior esquerda na primeira página, mesmo que haja


páginas seguintes (nome, cargo, local).

Conheça algumas observações pertinentes à elaboração de um ofício:

A epígrafe é uma palavra ou expressão que resume o assunto de que o


texto trata. Ela não é obrigatória, mas conveniente, pois torna a tramitação do
documento no ambiente de destino mais rápida. O recebedor, ao ver a epígrafe,
encaminha imediatamente o ofício ao setor competente. Ela costuma aparecer à
esquerda, entre a data e o vocativo.

Os parágrafos do corpo do texto podem ser numerados. Neste caso, o


primeiro parágrafo e o fecho não recebem número.

Se houver anexos, será indicado seu número (Anexo 1, Anexo 3) entre a


assinatura e o endereçamento. Às vezes, o anexo é volume composto de diversas
folhas, o que é indicado pelo número de volumes e o total de folhas de que se
compõem: Anexos: 1/10, 2/15.

Visualize um exemplo de ofício:

100
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE RADIOEXPEDICIONÁRIOS (ABRA)

Of. nº 15/02 Brasília (DF), 25 de março de 2002.

Ref.: Expedição à ilha da Coroa Vermelha

Excelentíssimo Senhor Comandante,

Tendo em vista que nossa associação pretende realizar expedição rádio


amadorística à ilha da Coroa Vermelha, da jurisdição desse distrito naval,
solicitamos-lhe a especial fineza de autorizar nosso desembarque e permanência
naquela ilha. Seguem os dados do empreendimento:

• Período: de 17 a 19 de maio de 2002.

• Número de operadores: três.

• Transporte: traineira "Teixeira de Freitas", baseada no porto de Caravelas


(BA).

• Estações a serem instaladas: duas.

• Abrigo:

- das estações - barraca militar cedida pelo Comando Militar do Planalto, do


Exército Brasileiro.

- dos operadores - três barracas do tipo canadense.

2. Informamos-lhe ainda que os indicativos de chamada das estações já foram


requeridos com a ANATEL. Estamos a seu dispor para mais informações, se
necessárias. Na expectativa de resposta favorável, subscrevemo-nos.

Atenciosamente,

PAULO ANTONIO OUTEIRO HERNANDES


Secretário

Ex.mo Sr. Vice-Almirante
JOSÉ DA SILVA PEREIRA

101
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

DD. Comandante do 2º Distrito Naval


Rua Conceição da Praia, 335
40015-250 - Salvador (BA)
FONTE: <http://www.paulohernandes.pro.br/dicas/001/dica082.html>. Acesso em: 30 maio 2017.

3.4 REQUERIMENTO
O requerimento é um documento utilizado para solicitar informações
ou para fazer pedidos a um organismo público, a uma instituição ou ainda a
uma autoridade. Ele possui características próprias e pode ser tanto manuscrito
como digitado. Ele deve ser entregue pessoalmente, em duas vias: uma das vias
protocoladas é sua, ou deve ser enviado pelos correios com Aviso de Recebimento
(AR).

3.4.1 Escritura e modelo


Um requerimento bem estruturado e escrito ajuda a autoridade competente
a melhor compreender aquilo que lhe é pedido. Geralmente, após o vocativo,
dez espaços são deixados destinados ao despacho da autoridade competente e
sempre se finaliza com o pedido.

Observe as partes de um requerimento:

• identificação (a quem o requerimento é dirigido);

• introdução (que contém os dados pessoais do requerente: nome, naturalidade,


idade, profissão etc.);

• mensagem e/ou exposição (que manifesta o pedido e as razões que justificam


o motivo do pedido enumerando, de forma ordenada, os argumentos e as
causas);

• petição: espaço onde se expressa o que se solicita à pessoa ou entidade a que é


dirigido o requerimento (pode-se utilizar: SOLICITO a V. Ex.ª que...);

• fecho: consta de três elementos (expressão da conclusão: Pede deferimento;


data: escrita por extenso, antecedida da indicação do lugar e assinatura do
requerente).

Quanto à apresentação, deve-se utilizar uma folha branca; separar os


diferentes pontos do requerimento; adequar as formas de tratamento à entidade
a que se destina.

102
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS

UNI

Se você não recorda os pronomes de tratamento que se utilizam para


determinada autoridade, não se preocupe! Na Unidade 3, você vai encontrar: PRONOMES e
OS PRONOMES DE TRATAMENTO.

SENHOR DIRETOR DO CENTRO UNIVERSITÁRIO LEONARDO


DA VINCI

(seu nome), (estado civil), (profissão), inscrito no CPF sob o nº (informar) e


no RG nº (informar), residente e domiciliado à rua (informar endereço), nesta
cidade, vem respeitosamente à presença de Vossa Senhoria informar que (expor
aqui as razões que o levam a formular o pedido).

Dessa forma, requer (colocar aqui o seu requerimento).

Nestes Termos,

Pede Deferimento.

Localidade, dia, mês e ano.

FONTE: Adaptado de: <http://www.tudobox.com/72/modelo_de_requerimento.html>.


Acesso em: 10 ago. 2018.

3.5 E-MAIL
O correio eletrônico (e-mail) transformou-se na principal forma de
comunicação para expedição de avisos e, inclusive, de documentos em empresas
e instituições. Isso tudo se deu com o advento da internet, e a comunicação por
e-mail tornou-se essencial nas relações comerciais, tanto interna como externa,
seja por seu baixo custo ou pela sua celeridade. O e-mail proporciona rapidez e,
também, oficializa, por se utilizar da modalidade escrita, a comunicação.

103
UNIDADE 2 | A ESTRUTURA TEXTUAL

3.5.1 Linguagem e dicas na elaboração de um e-mail


formal
Um dos encantos deste tipo de comunicação é sua flexibilidade, pois não
há preocupação quanto à forma para sua composição. No entanto, deve-se evitar
o uso de linguagem incompatível com uma comunicação oficial.

O campo assunto do formulário do e-mail, deve-se preencher com


uma informação que resume o objetivo da mensagem, de modo a facilitar o
entendimento tanto do destinatário quanto do remetente.

Os arquivos anexos à mensagem devem trazer informações mínimas


sobre seu conteúdo.

É muito interessante utilizar, sempre que possível, o recurso de


“confirmação de leitura” ou deve constar na própria mensagem o pedido de
confirmação de recebimento.

Lembre-se de que, quando redigir um e-mail, escreva textos de fácil e


rápida assimilação.

Portanto, textos curtos são os melhores e, na hora de responder, seja ágil.


O padrão dos textos para internet é de cerca de 60 caracteres por linha e, se a
quantidade de informações for muito grande, prefira anexar em arquivos. Não
utilize letras maiúsculas ou em negrito, nem abreviaturas e ícones de emoção.

Cuidado com as respostas, pois elas não devem ser pomposas e longas,
porém, preste atenção, as respostas curtas demais também não são bem vistas,
pois elas podem prejudicar o entendimento da mensagem.

Ao finalizar a redação do e-mail, leia sempre o que você escreveu, pois é


muito desagradável receber um texto cheio de erros ortográficos e/ou concordância,
não é mesmo? Com a leitura final da mensagem do e-mail, certifique-se de que
seu destinatário compreenderá as informações que você deseja repassar.

E
IMPORTANT

Quando uma informação é dirigida a um destinatário externo da empresa ou


instituição escolar, o correio é apenas um meio mais moderno e eficaz de fazer chegar a
mensagem com rapidez. Dessa maneira, deve-se manter a formalidade que se exige em
cada situação comunicativa.

104
TÓPICO 3 | O ESTUDO DO TEXTO: LEITURA, INTERPRETAÇÃO E GÊNEROS

Observe, a seguir, alguns exemplos de e-mail formal:

1 – E-mail para envio de currículo

Boa tarde (nome/cargo do destinatário)


Venho, por este meio, candidatar-me à vaga de auxiliar administrativo, de
acordo com o anúncio publicado no site da UNIASSELVI.

Anexo, segue o meu curriculum vitae, assim como a minha carta de


apresentação, explicando os motivos da minha candidatura.

Qualquer questão, não hesite em contatar-me.

Atenciosamente,
Monalisa

2 – E-mail para pedido de esclarecimentos

Boa tarde (nome/cargo do destinatário)

Solicito esclarecimentos relativos à proposta enviada na última quinta-feira,


relativa à compra dos equipamentos.

Agradeço a disponibilidade,

Atenciosamente
Monalisa

3 – E-mail para confirmação de reunião

Boa tarde (nome/cargo do destinatário)

Estou confirmando nossa reunião de quinta-feira, às 14h. Não se atrasem,


pois temos vários assuntos na pauta para discussão. A reunião ocorrerá na sala dos
professores, no prédio do NEAD.

Estamos à disposição,

Atenciosamente,
Monalisa

105
RESUMO DO TÓPICO 3
Neste tópico, você aprendeu que:

• A comunicação feita através da correspondência interna ou externa é


responsável pela representação da instituição ou empresa perante os seus
diferentes públicos.

• A comunicação é vista hoje também como um importante instrumento de boa


organização e de marketing.

• Numa produção textual, deve-se prestar atenção no estilo, na língua e na forma.

• Ao estilo cabe converter a linguagem escrita em uma imagem que se quer


passar; quanto à língua, ela é responsável pela comunicação com e entre seus
diversos públicos.

• A forma é a embalagem do documento profissional.

• Dentre as diversas correspondências que existem, estudamos em especial:


relatório, ata, ofício, requerimento e e-mail.

• Quando redigir um e-mail, escreva textos de fácil e rápida assimilação.

• Textos curtos são os melhores e, na hora de responder, seja ágil, porém


compreensível.

• O requerimento é um documento utilizado para solicitar informações ou para
fazer pedidos a um organismo público, a uma instituição ou a uma autoridade.

• O ofício, dentre os tipos de comunicação, é um dos mais utilizados, tanto no


setor público como privado.

• Ata é o registro escrito, objetivo, claro e confiável, com valor administrativo ou
legal dos acontecimentos de uma reunião, assembleia ou convenção.

• E-mail é o meio de comunicação mais utilizado nos dias atuais.

106
AUTOATIVIDADE

1 Releia os documentos oficiais que estudamos no tópico: relatório, ata,


ofício, requerimento e e-mail e elabore um esquema com as principais
características de cada um. O mapa conceitual elaborado auxiliará na
compreensão e assimilação das características de cada documento.

Documento Características
Ata

E-mail

Ofício

Relatório

Requerimento

2 Uma boa comunicação empresarial é condição primária para a constituição


de uma boa imagem institucional, pois ela transmite maior credibilidade
da empresa ou instituição escolar junto ao seu destinatário. Nesse sentido,
sobre a comunicação empresarial, junto aos diversos públicos, analise as
afirmativas a seguir:

I- Na correspondência empresarial, na qual o cliente é sempre o destinatário, é


para ele que é redigido o documento e é ele quem deve responder à mensagem.
Se o cliente der a resposta que se espera, o texto foi eficaz; se não, o texto tem
de ser obrigatoriamente repensado e reescrito.
II- Quando circulam documentos mal escritos na empresa as pessoas tornam-
se desmotivadas para prestar atenção ao que estão lendo.
III- Quando o texto da mensagem é muito longo, a empresa tem sua
credibilidade enfraquecida, pois a ideia que se transmite é a de que se deseja
“enrolar”.

Agora, assinale a opção CORRETA:


a) ( ) Apenas o item I está correto.
b) ( ) Apenas os itens II e III estão corretos.
c) ( ) Os itens I, II e III estão corretos.
d) ( ) Apenas o item III está correto.
e) ( ) Os itens estão incorretos.

107
3 (QUESTÃO 19, ENADE 2012, TECNOLOGIA EM GESTÃO DE RECURSOS
HUMANOS) Diante de um cenário de constantes mudanças e concorrência
altamente acirrada, conquistar, manter e satisfazer os clientes são desafios
para as empresas que desejam expandir-se no mercado. Nesse contexto, os
gestores devem compreender que o sucesso da empresa também depende
dos recursos humanos que nela trabalham e, para tanto, os profissionais
devem estar satisfeitos e motivados, de forma a responderem com alto nível
de envolvimento e comprometimento com os objetivos da organização.
Nesse sentido, a comunicação interna, baseada nas ações de endomarketing,
é fundamental para se criarem e manterem níveis elevados de satisfação
humana e clima organizacional saudável. Considerando que a comunicação
organizacional está diretamente relacionada à qualidade de vida das pessoas
que atuam em organizações, avalie as afirmações abaixo.

I- As ações de endomarketing desenvolvem os Programas de Qualidade de


Vida no Trabalho (QVT), que efetivamente garantem a melhoria do clima
organizacional.
II- O endomarketing reforça a noção de cliente interno e proporciona o
fortalecimento das relações entre empresa e colaboradores.
III- O alinhamento dos Programas de Qualidade de Vida no Trabalho (QVT) e
as ações do endomarketing convergem para resultados de uma gestão efetiva
e bem-sucedida.
FONTE: <http://download.inep.gov.br/educacao_superior/enade/provas/2012/13_CST_
RECURSOS_HUMANOS.pdf>. Acesso em: 10 ago. 2018.

É correto o que se afirma em:


a) ( ) I, apenas.
b) ( ) III, apenas.
c) ( ) I e II, apenas.
d) ( ) II e III, apenas.
e) ( ) I, II e III.

108
UNIDADE 3

A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
A partir do estudo desta unidade, você deverá ser capaz de:

• conhecer as regras que compõem as classes de palavras e sua aplicação;

• identificar as características de cada classe de palavras;

• utilizar, conforme a norma padrão da língua, a colocação pronominal;

• compreender a acentuação gráfica e, em especial, o acento indicativo de


crase;

• realizar a pontuação cabível de acordo com cada situação textual;

• empregar o hífen com eficiência;

• reconhecer as funções da ambiguidade;

• reconhecer e utilizar, quando necessário, os estrangeirismos;

• compreender o que é um pleonasmo;

• identificar o emprego adequado de expressões como: porque e por que;


mau e mal; senão e se não; entre outros;

• escrever de acordo com a norma padrão da língua portuguesa

PLANO DE ESTUDOS
Esta unidade está dividida em três tópicos. No decorrer da unidade você en-
contrará autoatividades com o objetivo de reforçar o conteúdo apresentado.

TÓPICO 1 – AS CLASSES DE PALAVRAS

TÓPICO 2 – PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

TÓPICO 3 – LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA


ESCRITURA DE UM TEXTO

109
110
UNIDADE 3
TÓPICO 1

AS CLASSES DE PALAVRAS

1 INTRODUÇÃO
O estudo de regularidades de uma língua por pessoas que já são falantes
dessa língua oportuniza a reflexão de usos linguísticos para diferentes práticas
de leitura e escrita, interpretação e oralidade. É a escola a responsável por dar
acesso à aprendizagem da norma padrão da língua, reconhecendo estruturas
que constituem regras da gramática normativa, da língua cotidiana, da língua
falada e da língua escrita. É preciso, então, incitar a reflexão e compreensão acerca
de recursos linguísticos e textuais (como o uso de intensificadores, conectivos,
pontuação, entre outros) para oportunizar diferentes práticas de leitura e escrita
para a vida social, que extrapola os muros da escola. Assim, cabe lembrar que ler
e escrever devem ser atividades primordiais no ensino de qualquer língua.

Dentre as atividades de reflexão de textos (orais e escritos), é fundamental


realizar-se a prática de análise linguística, isto é, a análise de regularidades
de recursos argumentativos, literários, ortográficos, discursivos, sintáticos
morfológicos, semânticos, dentre outros, para a leitura, escrita e interpretação
dos mais variados textos que constituem nossa vida social. Não são apenas erros
ortográficos ou de acentuação que precisam ser evitados para que um texto seja
considerado bem escrito, haja vista que em muitos textos há uma considerável
perda com relação à semântica, sendo, inclusive, impossível resgatar elementos
de coerência.

Neste tópico, vamos realizar um recorte desse quadro e estudar sobre a


formação das palavras. As classes relacionadas neste processo são o substantivo,
o adjetivo, o verbo, o advérbio, o numeral, o artigo, a preposição, a conjunção, a
interjeição e os pronomes. Vamos relembrar?

2 AS CARACTERÍSTICAS DE CADA CLASSE


Você sabe dizer o que são classes de palavras e por que o estudo de seus
usos é importante? Na Língua Portuguesa, as palavras são classificadas de acordo
com a função que exercem dentro de uma frase (seja a função de substantivo,

111
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

adjetivo, verbo, advérbio, numeral, artigo, preposição, conjunção, interjeição ou


pronome). Você deve ter percebido que são reconhecidas dez classes de palavras,
e cada uma delas tem um papel específico na frase. Logo, qualquer expressão ou
palavra na nossa língua, dependendo das suas características, está conectada a
uma dessas dez classes de palavras.

Para quê, então, estudamos os usos dessas classes de palavras/classes


gramaticais? Mais importante que reconhecer a classificação gramatical de uma
palavra, como substantivo, adjetivo, verbo, advérbio, por exemplo, é compreender
de que forma essas palavras são utilizadas nos textos, reconhecer de que forma
ocorre a concordância nominal ou verbal, como modalizar nossas afirmações, ou
ainda, quando e como podemos utilizar intensificados textuais (como advérbios
de intensidade). Toda essa discussão, importante para sua reflexão linguística,
isto é, reflexão de usos da linguagem, acerca da produção e leitura de variados
textos, será foco deste tópico.

A partir de agora, você estudará com maior detalhamento as classes


de palavras ou classes gramaticais, que podem ser variáveis (admitem flexão
(mudança) em sua forma) ou invariáveis (não admitem alteração em sua
estrutura). Procure pensar, agora, em palavras variáveis e palavras invariáveis.
Pensou? Vamos citar, por enquanto, apenas dois exemplos: “mal” e “mau”. Você
sabe dizer qual dessas duas palavras é a variável? Certamente, você já ouviu falar
na história da Chapeuzinho Vermelho, na qual narra-se sobre o Lobo Mau que
vive na floresta. Se, na história, não tivéssemos um lobo, mas uma loba, diríamos
que a loba é má. Portanto, a palavra variável entre “mau” e “mal” é “mau”, cuja
classe gramatical corresponde a um adjetivo, assim como “bom” (a função é de
atribuir uma característica ao substantivo, neste caso, o lobo). “Mal”, antônimo
(oposto) de “bem”, por sua vez, um advérbio de modo, e por isso é invariável:
Hoje, a criança não está bem, ela está mal. Percebeu como algumas palavras
podem variar (mau e má) e outras não (mal) conforme sua classe gramatical?

O Dicionário Michaelis (2008, p. 901) apresenta que um termo variável


está: “1 Sujeito a variações. 2 Que pode ser variado ou mudado; mutável”.
Segundo o mesmo dicionário (p. 489), invariável é o termo: “1 Que não é variável.
2 Constante. 3 Inalterável”. Então, algumas classes podem sofrer alterações em
sua forma, tendo uma escrita para o plural e singular, outra para o feminino
e masculino, como vimos com o exemplo do adjetivo mau. Entretanto, outras
classes possuem apenas uma forma escrita, conforme o exemplo de mal. Vamos
conhecer estas e outras palavras!

Variáveis: Substantivo – Artigo – Adjetivo – Numeral – Pronome – Verbo.


Invariáveis: Advérbio – Preposição – Conjunção – Interjeição.

112
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

NOTA

Se estudarmos um pouco da língua, observaremos que alterações aconteceram


ao longo do tempo quanto às classes de palavras. Isso se deu porque a nossa língua é viva, e
é alterada pelos falantes, ou seja, nós somos os principais responsáveis por mudanças que já
ocorreram e por aquelas que ainda virão.

É importante saber que a parte da gramática normativa que lida com as


classes de palavras é a MORFOLOGIA (morfo = forma, logia = estudo), ou seja, o
estudo da forma. Deste modo, na morfologia, não estudamos o contexto em que
as palavras são empregadas, mas somente a forma da palavra.

Convidamos você, agora, a conhecer e distinguir as principais


características de cada classe de palavras.

2.1 SUBSTANTIVO
Para tratarmos dessa classe de palavras, vamos fazer uma reflexão inicial.
Se alguém lhe perguntar onde você estuda, você certamente responderia: na
UNIASSELVI. Se lhe perguntassem o que é a UNIASSELVI, você provavelmente
responderia que é uma instituição de ensino superior. Os nomes que você daria
a essas respostas são substantivos: UNIASSELVI (um substantivo próprio, pois
corresponde a um nome específico) e instituição (substantivo comum, pois é um
nome mais genérico de determinada classe).

De maneira bem sucinta, podemos dizer que substantivo é a palavra que


nomeia os seres com vida ou sem vida, ou seja, tudo que recebe um nome é um
substantivo. Veja:

Seres materiais: João, criança, casa, fogo, carro, escritório, relatório...


Seres espirituais: Deus, anjo, alma...
Seres fictícios: Branca de Neve, curupira, cupido, fada... Observe a frase:
Assim que o relatório foi redigido, João foi para casa.

As palavras em destaque – relatório, João e casa – são substantivos, pois


nomeiam entidades (neste caso, coisas, como casa e relatório, e pessoas, como
João). Os substantivos se classificam em: comuns, próprios, concretos, abstratos e
coletivos. Vamos conhecê-los?

Comuns: são nomes ou designações a entidades, seres de qualquer


espécie, ou fatos. Ex.: criança, país, estado, cidade, gato, cachorro.

113
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Próprios: “não são nomes que se aplicam, em geral, a qualquer elemento


de uma classe” (NEVES, 2011, p. 69, grifo nosso), como ocorre com os substantivos
comuns. Os substantivos próprios são, na verdade, os que dão nome a seres
específicos de cada espécie ou entidade e, por isso, são escritos com a letra inicial
maiúscula. Ex.: João, Brasil, São Paulo, Campinas.

Concretos: são os substantivos comuns que nomeiam seres que existem


independentemente de outros, sejam eles reais ou fictícios. Ex.: duende, elfo,
computador, homem, bruxa, ar.

Abstratos: são os substantivos comuns que nomeiam seres que dependem


da existência de outros. Eles designam noções, ações, estados e qualidades dos
seres. Ex.: corrida (existe no ser que corre), beleza (existe no ser que é belo).

Coletivos: esse é um tipo de substantivo comum que, mesmo estando


na forma singular, nomeia vários seres de uma mesma espécie. Ex.: vocabulário
(palavras), frota (navios, ônibus, aviões), biblioteca (livros).

Agora, você já se sente capaz de identificar o substantivo em uma frase?

Vamos conferir um pouco mais este seu reconhecimento. Leia o parágrafo


de uma notícia, cujo conteúdo divulga um seminário que pretende discutir
educação, cultura e universidade:

Para participar do debate, foram convidados o cineasta Manoel Rangel,


ex-presidente da Agência Nacional do Cinema, o sociólogo Cesar Barreira,
professor da Universidade Federal do Ceará (UFCE), o cientista político Hélgio
Trindade, ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e da
Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), e a educadora
Jaqueline Moll, da Ufrgs.

FONTE: Jornal do Comércio. Disponível em: <http://jcrs.uol.com.br/_conteudo/2018/04/


politica/623410-seminario-discute-educacao-cultura-e-universidade.html>.
Acesso em: 10 ago. 2018.

Procure identificar os substantivos comuns e próprios. Para diferenciá-


los, abaixo, sublinhamos os substantivos próprios e negritamos os comuns:

Para participar do debate, foram convidados o cineasta Manoel Rangel,


ex-presidente da Agência Nacional do Cinema, o sociólogo Cesar Barreira,
professor da Universidade Federal do Ceará (UFCE), o cientista político Hélgio
Trindade, ex-reitor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Ufrgs) e da
Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), e a educadora
Jaqueline Moll, da Ufrgs.

Você percebeu como é importante diferenciar um substantivo próprio


de comum para nos atentarmos ao uso de letras iniciais maiúsculas na palavra?

114
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

Perceba, por exemplo, que quando identificamos uma pessoa por cineasta, ex-
presidente, sociólogo, professor, cientista, ex-reitor, educadora, utilizamos
letras minúsculas, pois temos substantivos comuns (que designam categorias
mais gerais). Contudo, quando passamos a utilizar os substantivos próprios, a
fim de atribuir um nome às pessoas ou às entidades, passamos a usar as letras
iniciais maiúsculas: Manoel Rangel, Agência Nacional do Cinema, Cesar Barreira,
Universidade Federal do Ceará (UFCE), Hélgio Trindade, Universidade Federal
do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Universidade Federal da Integração Latino-
Americana (Unila), Jaqueline Moll.

NOTA

No caso das universidades, você deve ter percebido que elas vêm acompanhadas
de suas siglas, que podem ser redigidas com todas as letras em caixa alta (maiúsculas), como
em UFCE, ou apenas a primeira letra maiúscula, como em Ufrgs, caracterizando nome
próprio. Conforme Nicola e Terra (2000), quando as siglas são formadas por até três letras,
obrigatoriamente são grafadas em maiúsculas (como é o caso de PT, ONU, STF). Contudo, se
as siglas possuírem mais de três letras, podem ser grafadas com inicial maiúscula e as demais
letras minúsculas (como é o caso de Unesco e Ufrgs), desde que possam ser pronunciadas
como uma palavra.

FONTE: NICOLA, José de; TERRA, Ernani. 1.001 Dúvidas de Português. 10. ed. São Paulo:
Saraiva, 2000, p. 118.

No parágrafo lido, não possuímos substantivos comuns que sejam


abstratos ou coletivos. Contudo, é importante reconhecermos sua importância
para, no caso dos coletivos, reconhecermos a possibilidade de agrupamentos de
seres ou coisas em uma só palavra sem a colocarmos no plural. O reconhecimento
de substantivos abstratos, por sua vez, nos permite refletir sobre os termos
que estamos utilizando em nossos textos para designar conceitos e realidades
imateriais. Nesse sentido, a escolha de substantivos utilizados nos textos não se
dá de forma aleatória, mas pensada com precisão e clareza para nomearmos os
seres (reais ou imaginários), concretos ou abstratos.

ATENCAO

Como vimos, o substantivo é responsável por nomear tudo o que vemos


e imaginamos. Na construção do texto, esta classe gramatical é essencial, pois oferece
referência que permite ao leitor a construção de imagens, proporcionando a interpretação
da leitura. O substantivo é uma das classes de palavras variáveis, ou seja, ele sofre flexões em
sua estrutura, para concordar com os termos de uma frase.

115
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Leia o texto do escritor Alan Lightman: ele recorre ao poder de nomeação


dos substantivos para criar imagens.

15 DE MAIO DE 1905

[...] Uma folha no chão no outono, vermelha, dourada e marrom, delicada.


[...] Poeira em um peitoril de janela. Uma pilha de pimentões na Marktgasse,
amarelos, verdes, vermelhos. [...] O buraco de uma agulha. Mofo nas folhas,
cristal, opalescente. Uma mãe em sua cama, chorando, cheiro de manjericão no
ar. [...] Uma torre para preces, alta e octogonal, sacada aberta, solene, rodeada
de brasões. Vapor subindo de um lago no início da manhã. Uma gaveta aberta.
Dois amigos em um café, o lustre iluminando o rosto de um dos amigos, o outro
na penumbra. Um gato olhando um inseto na janela. Uma jovem em um banco,
lendo uma carta, lágrimas de contentamento em seus olhos verdes. [...] Uma
imensa árvore caída, raízes esparramadas no ar, casca e ramos ainda verdes. O
branco de um veleiro, com o vento de popa, velas se agitando como asas de um
gigantesco pássaro branco. Um pai e um filho sozinhos em um restaurante, o
pai, triste, olhos fixos na toalha de mesa. Uma janela oval, de onde se avistam
campos de feno, uma carroça de madeira, vacas, verde e púrpura na luz da
tarde. Uma garrafa quebrada no chão, líquido marrom nas fissuras do piso,
uma mulher com os olhos vermelhos. Um velho na cozinha, preparando o café
da manhã para o neto, o menino à janela com os olhos fixos em um banco
pintado de branco. Um livro surrado sobre uma mesa ao lado de um abajur de
luz branda. O branco na água quando quebra uma onda, erguida pelo vento.
Uma mulher deitada no sofá, cabelos molhados, segurando a mão de um
homem que nunca voltará a ver. Um trem com vagões vermelhos, sobre uma
grande ponte de pedra, de arcos delicados, o rio que sob ela corre, minúsculos
pontos que são as casas a distância. Partículas de poeira flutuando nos raios
de sol que entram por uma janela. A pele fina que recobre um pescoço, fina o
suficiente para se sentir o pulsar do sangue que sob ela corre. Um homem e uma
mulher nus, envolvidos um no outro. As sombras azuis das árvores numa noite
de lua cheia. O topo de uma montanha com um vento forte constante, os vales
que se esparramam por todas as suas bordas, sanduíches de carne e queijo. [...]
Uma foto de família, os pais jovens e tranquilos, as crianças trajando gravatas
e vestidos e sorrindo. Uma pequeniníssima luz, visível por entre as árvores de
um bosque. O vermelho do pôr do sol. Uma casca de ovo, branca, frágil, intacta.
Um chapéu azul na praia, trazido pela maré. Rosas aparadas flutuando sob
uma ponte, próximas a um castelo que vai emergindo. O cabelo ruivo de uma
amante, selvagem, traiçoeiro, promissor. As pétalas púrpuras de uma íris na
mão de uma jovem mulher. Um quarto com quatro paredes, duas janelas, duas
camas, uma mesa, um lustre, duas pessoas de rostos vermelhos, lágrimas. [...]

FONTE: Lightman (1977, p. 72-76)

Note que nesse texto, acadêmico, o autor emprega a nomeação de


substantivos. Estes são sempre acompanhados de adjetivos que permitem
ao leitor a construção de imagens. Vamos, no próximo subtópico, conceituar
adjetivo. Assim, você perceberá que estas duas classes de palavras sempre
116
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

estarão muito próximas na construção de textos. Antes, faça a autoatividade a


seguir para se certificar de sua aprendizagem até o momento.

AUTOATIVIDADE

1 Leia o poema que segue:


Dona-de-casa
Carine Vargas

Sol.
Bom dia, dentes, filhos, uniforme,
merenda, café, carro, escola, carro, supermercado,
carne, pão, banana, refrigerante, alface, cebola, tomate. Carro,
casa, cama, lençol, travesseiro, colcha, roupa, lavanderia, máquina, sabão, sala,
almofada, pano, pó, cortina, tapete, feiticeira. Banheiro, descarga, balde, água,
desinfetante, toalha molhada, lavanderia, arame, prendedor. Cozinha, pia,
tábua, faca, panela, fogão, bife, arroz, molho, feijão, salada, mesa, toalha,
pratos, talheres, copos, guardanapos, carro, escola, filhos, carro, almoço, mesa,
pia, louça, armário, fogão, piso. Televisão, jornal, filhos, tema, lanche, leite,
Nescau, pão, margarina, banana, louça, pia, armário. Carro, filhos, natação,
futebol, mensalidade, espera, revista, filhos, carro, casa. Vizinha, conversa rápida,
lavanderia, arame, roupas, agulha, linha, camisa, calça, ferro de passar.
Janta, marido, filhos, sala, televisão, família reunida, dinheiro, discussão,
cozinha, mesa, louça, pia, armário. Filhos, sono, escova, creme dental, cama,
beijo, durmam com os anjos. Portas chaveadas, janelas fechadas,
banho, sabonete, água, toalha, creme no corpo, camisola,
renda, escova, cabelo, perfume, dentes limpos,
cama, marido, sexo, sono, boa noite,
Lua."
Até o presente momento, você estudou o que são classes de palavras e,
dentre elas, estudou os substantivos, reconhecendo os substantivos próprios e
comuns. Dentre os substantivos comuns, você passou a reconhecer os concretos,
abstratos e coletivos. Diante dessas considerações, assinale V para as sentenças
verdadeiras e F para as falsas.

( ) O poema é composto por vários substantivos que sinalizam o cotidiano de


uma dona-de-casa.
( ) Na quarta linha, o substantivo CARRO é um substantivo comum, embora
inicie com letra maiúscula.
( ) DONA-DE-CASA é um substantivo composto e concreto.
( ) Na sétima linha, MOLHADA, é um substantivo comum e abstrato.
( ) NATAÇÃO, na linha 11, é um substantivo comum e concreto.

2 A partir das sentenças assinaladas como falsas na atividade anterior, procure


explicar individualmente cada sentença, justificando o porquê você a(s)
considera falsa(s).
117
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

( ) Na sétima linha, MOLHADA, é um substantivo comum e abstrato. – A


alternativa é falsa porque MOLHADA exerce função de caracterizar
outro substantivo (toalha). Portanto, sua classe gramatical não é de um
substantivo, mas de adjetivo.
( ) NATAÇÃO, na linha 11, é um substantivo comum e concreto. Natação não
é substantivo concreto, mas abstrato, porque depende de outro ser para
existir (de quem nada). Este substantivo abstrato designa uma ação (é
derivado de um verbo): natação (de nadar).
FONTE: <https://www1.educacao.pe.gov.br/cpar/ProfessorAutor/L%C3%ADngua%20
Portuguesa/L%C3%ADngua%20Portuguesa%20%20I%20%207%C2%BA%20ano%20
%20I%20%20Fundamental/Fun%C3%A7%C3%A3o%20do%20substantivo%20na%20
nomea%C3%A7%C3%A3o%20de%20personagens%20e%20lugares.ppt>. Acesso em: 30 out. 18.

2.2 ADJETIVO
Estudamos que os substantivos são as palavras que nomeiam os seres,
não é mesmo? Os adjetivos, por sua vez, são as palavras que os caracterizam.
Para iniciarmos nossa conversa sobre os adjetivos, recomendamos que leia
atentamente o meme a seguir.

NOTA

Os memes “constituíram formas [...] de construção de significados de ver e


agir em sociedade”, proliferando-se em ambientes virtuais na forma de gêneros textuais
permeados de simbologias gráficas, imagéticas e textuais (PASSOS, 2012, p. 9).

FIGURA 1 - MEME PARA ENTENDER AS CLASSES DE PALAVRAS

FONTE: Adaptado de <https://i.pinimg.


com/564x/2c/6e/70/2c6e70ffa8eb8157db7ed1c47cbc6665.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2018.

118
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

Na figura acima, você se deparou com um meme bastante interessante


para reconhecermos a função do substantivo e adjetivo no texto. No meme, há um
efeito de humor causado justamente a partir das classes de palavras substantivo
e adjetivo, bem como a partir das características da personagem de um desenho
animado da MTV, Funérea, que está sempre mal-humorada. Ao mesmo tempo,
há uma crítica essencialmente levantada ao jornalismo e ao humor, que se revela
no conhecimento linguístico das classes de palavras adjetivo e substantivo, a fim
de confirmar que o humor da personagem é inteligente.

Em “Jornalismo criativo; humor inteligente; hotel limpo”, temos


combinados aos substantivos jornalismo, humor e hotel, os adjetivos criativo,
inteligente e limpo. Para a personagem, todo jornalismo tem que ser criativo; todo
humor tem que ser inteligente; e todo hotel tem que ser limpo. Por isso, ela afirma
haver problema com o substantivo. Esses adjetivos, isto é, essas características,
não deveriam ser necessárias, pois todos os substantivos elencados deveriam
atender tais características como obrigação.

A partir do que você viu até aqui, deve ter percebido que o adjetivo se
liga ao substantivo, como limpo (adjetivo) está ligado a hotel (substantivo);
inteligente (adjetivo) está ligado a humor (substantivo); criativo (adjetivo) está
ligado a jornalismo (substantivo). Observe mais um exemplo:

Os acadêmicos maranhenses visitaram o polo de Indaial.

Note que a palavra “acadêmicos” é um substantivo. A palavra em


destaque (maranhenses) acompanha este nome a fim de caracterizar, identificar
os acadêmicos. Os adjetivos podem ser: primitivos, derivados, simples ou
compostos.

Os primitivos são aqueles que não provêm de nenhuma outra palavra da


língua. Exemplo: Redigi a ata no livro de capa azul.

Observe que a palavra em destaque (azul) é um adjetivo primitivo, ou


seja, azul é uma palavra primitiva e, neste caso, caracteriza o substantivo capa.

Os derivados são aqueles que se formam a partir de uma palavra que já


existe. Exemplo: Seu trabalho está belíssimo.

A palavra em destaque (belíssimo) é um adjetivo derivado da palavra “belo”.

Os adjetivos simples se formam de apenas um radical. Exemplo: O povo


brasileiro quer qualidade em educação.

Neste exemplo, temos o substantivo “povo” acompanhado do adjetivo


simples “brasileiro”.

119
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Os compostos são aqueles que se formam a partir de dois ou mais radicais.


Exemplo: A literatura infanto-juvenil em nosso país é ampla.

Aqui temos o substantivo “literatura” seguido do adjetivo composto


“infanto-juvenil”, que se formou a partir de infantil + juvenil.

Então, podemos dizer que os adjetivos acompanham um substantivo,


formam-se a partir de um verbo, um substantivo e/ou outro adjetivo e podem
conter um, dois ou mais radicais. Ufa! Respire fundo, pois temos ainda o adjetivo
pátrio e a locução adjetiva.

A locução adjetiva nada mais é que uma expressão representada por mais
de uma palavra, ou seja, um conjunto de palavras que tenham valor de adjetivo.
São exemplos de locução adjetiva:

QUADRO 1 – LOCUÇÕES ADJETIVAS

LOCUÇÃO ADJETIVA ADJETIVO CORRESPONDENTE


da audição auditivo
de cidade urbano
de estômago gástrico
de inverno hibernal
de orelha auricular
de professor docente
do campo campestre
FONTE: As autoras

E
IMPORTANT

Até agora, você viu que os adjetivos, ou as locuções adjetivas, são usados
para modificar o significado de substantivos, atribuindo-lhes uma característica (como os
acadêmicos maranhenses), uma qualidade (como o hotel limpo) ou um julgamento (como
o homem imaturo). Tanto os adjetivos quanto as locuções adjetivas são recursos que devem
ser utilizados com cautela na produção textual, já que exprimem o juízo de valor do escritor
diante de um substantivo (quando se descreve um livro como importantíssimo, ou uma
pessoa como desprezível, por exemplo). Além disso, quando você procura escrever com maior
objetividade e de forma sucinta, pode ser prudente evitar o uso de locuções adjetivas e substitui-
las por adjetivos correspondentes (por exemplo: animais do campo/animais campestres).

O adjetivo pátrio é aquele que designa local de origem, como continentes,


países, estados e municípios, entre outros. Em sua maioria são adjetivosderivados
do nome do local e acrescidos de sufixo. Confira alguns adjetivos pátrios, seguidos
das localidades brasileiras, no quadro a seguir:

120
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

QUADRO 2 – ADJETIVOS PÁTRIOS

ADJETIVO PÁTRIO LOCALIDADES BRASILEIRAS


acriano Acre
baiano Bahia
cearense Ceará
maceioense Maceió
manauense, manauara Manaus
paraense Pará
catarinense, barriga-verde Santa Catarina
potiguar, rio-grandense-do-norte Rio Grande do Norte

FONTE: As autoras

Vamos relembrar também alguns adjetivos pátrios que se referem a


localidades estrangeiras:

QUADRO 3 – ADJETIVOS PÁTRIOS

ADJETIVO PÁTRIO LOCALIDADES ESTRANGEIRAS


alemão, germânico Alemanha
buenairense, portenho Buenos Aires
indiano, hindu Índia
lisboeta, lisbonense Lisboa
madrilense, madrileno Madri
patagão Patagônia
pequinês Pequim
FONTE: As autoras

Os adjetivos pátrios podem ser compostos, ou seja, formados de dois ou


mais radicais. Confira:

luso-brasileira – greco-romana – indo-europeia

Quando se forma um adjetivo pátrio composto, as palavras com menor


número de letras devem aparecer primeiro. Quando houver coincidência de
número de sílabas, deve ser seguida a ordem alfabética.

Vamos colocar em prática algumas de suas aprendizagens? Faça a


autoatividade a seguir.

121
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

AUTOATIVIDADE

1 Leia o fragmento do texto narrativo a seguir, recorte de O Sítio do Pica-Pau


Amarelo:

Numa casinha branca, lá no Sítio do Pica-Pau Amarelo, mora uma velha


de mais de sessenta anos. Chama-se Dona Benta. Quem passa pela estrada e
a vê na varanda, de cestinha de costura ao colo e óculos de ouro na ponta do
nariz, segue seu caminho pensando:
- Que tristeza viver assim tão sozinha neste deserto.
Mas engana-se. Dona Benta é a mais feliz das vovós, porque vive em
companhia da mais encantadora das netas — Lúcia, a menina do narizinho
arrebitado, ou Narizinho como todos dizem.
Narizinho tem sete anos, é morena como jambo, gosta muito de pipoca
e já sabe fazer uns bolinhos de polvilho bem gostosos. [...]

FONTE: <http://pausapraleitura.blogspot.com.br/2011/10/o-sitio-de-picapau-amarelo.html>.
Acesso em: 10 ago. 2018.

Assinale V para as alternativas verdadeiras e F para as falsas:


( ) Branca é um adjetivo primitivo utilizado para caracterizar casinha.
( ) O termo velha é utilizado no texto como um adjetivo primitivo.
( ) Morena é um adjetivo derivado utilizado para atribuir uma característica à
Narizinho.
( ) Arrebitado é um adjetivo, pois caracteriza o nariz da neta de Dona Benta.

2 Explique cada alternativa falsa assinalada na atividade anterior.

3 Leia a tirinha a seguir:

E o que Eu disse, "todo Nossa! Essa foi


Helga disse que eu sou mundo precisa ser
um bárbaro sem modos, você uma resposta
disse? alguma coisa"! devastadora!
rude e grosseiro!

FONTE: <https://scontent.cdninstagram.com/vp/
bdb42b008d5b3f91473acb89df928b33/5BFE9E1F/t51.2885-15/e35/32362813_18413
58149502282_4578854979179118592_n.jpg>. Acesso em: 10 ago. 2018.

a) Identifique, na tirinha, o uso de uma locução adjetiva e identifique a quem


se refere essa característica.

b) Caso fosse necessário substituir a locução adjetiva identificada na atividade


acima por um adjetivo equivalente, que adjetivo você escolheria?
122
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

Caro acadêmico, como vimos até o momento, os adjetivos, quando


bem selecionados, têm o poder de definir a atmosfera de um texto. Nos textos
narrativos, como você viu na primeira autoatividade, que esta classe gramatical
é a responsável por caracterizar as personagens e ajudar na criação de imagens da
narração. Agora, vamos conhecer outra classe, o advérbio!

2.3 ADVÉRBIO
Vamos iniciar o estudo desta classe de palavras lendo o texto que segue:

QUE TIPO DE CLASSE GRAMATICAL VOCÊ É? ADVÉRBIO,


MUITO PRAZER!

Se eu fosse uma classe gramatical, desejaria ser o advérbio. Não porque


sou invariável, pelo contrário. Vario muito. Por indicar circunstância, e esta
varia, como varia! Além disso, modifico... Ah! se modifico! Altero frases,
palavras (verbos, adjetivos e até "euzinho" mesmo, o advérbio). Assim são as
pessoas, precisam modificar suas ações, suas características, a si mesmas.

Além disso, posso transformar a frase mais proferida do mundo "Eu te


amo” em mensagens extraordinárias: Eu te amo muito, Eu te amo devagar, Eu
te amo silenciosamente, Eu te amo à noite, ao amanhecer, aqui, ali e sempre...
Tenho, ainda, o poder do desprezo: eu te amo pouco, talvez nem ame; não, na
verdade eu não te amo. Nunca te amei.

FONTE: Texto adaptado (autor desconhecido)

As palavras em destaque no texto são advérbios. Dito de outra maneira,


o advérbio é a palavra que modifica, principalmente, o verbo, indicando a
circunstância em que ocorre a ação que ele expressa.

Os advérbios, bem como as locuções adverbiais (conjunto de palavras


com valor de advérbio), podem representar sete tipos de circunstâncias. São
elas: tempo, lugar, modo, afirmação, negação, intensidade e dúvida. Conheça
alguns exemplos de advérbios e locuções adverbiais.

123
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

QUADRO 4 – EXEMPLOS DE ADVÉRBIOS

TEMPO LUGAR MODO AFIRMAÇÃO NEGAÇÃO INTENSIDADE DÚVIDA


ontem Aqui bem sim não bem Talvez
hoje Perto mal certamente tampouco bastante Acaso
amanhã Além melhor realmente absolutamente mais Quiçá
de jeito
cedo por perto depressa efetivamente menos provavelmente
nenhum
de forma
quando em cima devagar por certo muito possivelmente
alguma
de modo
às vezes por ali às pressas com certeza de pouco por certo
nenhum

FONTE: As autoras

E
IMPORTANT

No quadro de advérbios acima, você deve ter visto que, dentre os advérbios de
tempo, temos a palavra “quando”. Contudo, essa palavra nem sempre terá função de advérbio!
Vamos explicar melhor a condição do termo “quando” a partir do que o portal Ciber Dúvidas
(site sem fins lucrativos que esclarece, informa e debate questões sobre a língua portuguesa)
explica:

O advérbio quando pode ocorrer com valor circunstancial expressando uma circunstância


de tempo, indicando «em que ocasião» (ex.: «Ele decidiu levá-la para passear, mas não disse
quando»). Pode ainda ocorrer em frases interrogativas diretas ou indiretas (ex.: «Quando ela
chega?»). Neste exemplo, a palavra quando é um advérbio interrogativo.
Quando também pode ser, no entanto, uma conjunção. Como conjunção, a
palavra quando pode ser conjunção subordinativa:
— temporal (ex.: «Quando chove, fico em casa»);
— proporcional (ex.: «Quando a mãe refilava, ela gritava mais alto»);
— condicional (ex: «Quando queria sair, sempre dava um jeitinho»);
— concessiva (ex: «Costuma convidá-la para sair, quando sabe muito bem que ela tem de
estudar para os exames»).

FONTE: Disponível em: <https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/a-diferenca-


entre-quando-conjuncao-e-quando-adverbio/22786>. Acesso em: 10 ago. 2018.

Revisite este UNI quando chegar à classe das conjunções!

Depois de tantos exemplos ficou mais fácil compreender o que é um


advérbio, não é? Vamos continuar nossos estudos!

124
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

AUTOATIVIDADE

Analise as sentenças a seguir e identifique os advérbios:

a) Hoje, estudamos o material de Linguagem e Comunicação.


b) Não realizei toda a leitura do livro.
c) Talvez possamos fazer um grupo de estudos on-line.
d) Estamos muito preocupados com as atividades da graduação.
e) Alegremente o professor nos comunicou sobre nosso sucesso na disciplina.

2.4 NUMERAL
Esta classe indica a ideia numérica dos seres. De acordo com as ideias que
exprime, o numeral pode ser classificado da seguinte maneira:

Cardinais: por expressar a quantidade exata dos seres.

Ordinais: por expressar a ordem dos seres.

Multiplicativos: por expressar aumento de proporção de uma quantidade


ou multiplicação.

Fracionários: por expressar diminuição de proporção de uma quantidade


ou divisão.

Vamos conhecer alguns exemplos dispostos no quadro a seguir:

QUADRO 5 – EXEMPLOS DE NUMERAIS


ALGARISMOS
indo- CARDINAIS ORDINAIS MULTIPLICATIVOS FRACIONÁRIOS
Romanos
arábicos
I 1 Um Primeiro - -
II 2 Dois Segundo dobro, duplo meio, metade
III 3 Três Terceiro triplo, tríplice terço
IV 4 quatro Quarto Quádruplo quarto
V 5 cinco quinto quíntuplo quinto
VI 6 seis sexto sêxtuplo sexto
VII 7 sete sétimo séptuplo sétimo
VIII 8 oito oitavo óctuplo oitavo
IX 9 nove nono nônuplo nono
X 10 dez décimo décuplo décimo

FONTE: As autoras

125
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

NOTA

Incluem-se nos numerais cardinais o “zero” (0) e “ambos” (os dois).

AUTOATIVIDADE

Relacione as colunas a seguir:

(1) Numerais Cardinais ( ) Quarto


(2) Numerais Ordinais ( ) 10
(3) Numerais Multiplicativos ( ) Quatro
(4) Numerais Fracionários ( ) Dobro
(5) Algarismos romanos ( ) XXI
(6) Algarismos indo-arábicos ( ) Oitavo

2.5 ARTIGO
Você viu, ao longo deste tópico, os usos dos substantivos, adjetivos,
advérbios e numerais, relacionando algumas questões de regras normativas com
a textualidade. Tendo em vista o que aprendeu até agora, leia a fábula a seguir:

O cavalo e o asno

Um homem tinha um cavalo e um asno. Certo dia, quando ambos


caminhavam por uma estrada, o asno disse ao cavalo:
– Se minha vida importa-lhe, carregue um pouco de minha carga.
Mas o cavalo não deu ouvido ao sofrimento do asno. O asno acabou caindo
morto de tanto esforço. O dono então pôs toda a carga do asno sobre o lombo
do cavalo, inclusive os despojos do asno morto.
O cavalo pôs-se a lamentar seu destino aos brandos:
– Como sou infeliz! Que triste destino o meu! Não quis carregar parte
da carga do asno e agora estou carregando tudo em dobro, e, como prêmio, a
pele do outro.
Moral da história: Quem ajuda ao próximo ajuda a si mesmo.

FONTE: <https://www.epochtimes.com.br/fabulas-de-esopo-um-modo-inteligente-e-moral-de-
ensinar-criancas/#.WlAIh0qnGM8>. Acesso em: 10 ago. 2018.

126
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

NOTA

“[...] o clássico conceito de fábula que tem sua origem em Esopo (séc. VI a.C.)
e Fredo (séc. I d.C.) e foi retomada no Classicismo francês, por La Fontaine. Trata-se de uma
narrativa, quase sempre breve, em prosa ou, na maioria, em verso, de ação não muito tensa,
de grande simplicidade e cujos personagens (muitas vezes animais irracionais que agem
como seres humanos) não são de grande complexidade. Aponta sempre para uma conclusão
ético-moral. É um gênero de grande projeção pragmática por seu claro objetivo moralizador
e de grande efeito perlocutório, próprio dos textos narrativos, pois vai ao encontro dos
hábitos, das expectativas e das disponibilidades culturais do leitor” (COSTA, 2012, p. 124).

Você deve ter percebido, em sua leitura, o uso de animais como


personagens com características mais humanas. Reveja o texto e destaque as
palavras que aparecem antes dos animais e dos termos que referenciam o homem
(que são substantivos, quando analisamos sua classe de palavras). Dentre essas
palavras, você irá se deparar com o uso de “um” e “o”, dois artigos masculinos,
o primeiro indefinido, e, o segundo, definido. Agora, procure identificar em que
situação no texto foi utilizado o artigo indefinido diante do personagem (que
é um substantivo) e em que situação foi utilizado o artigo definido. Você deve
perceber que “um” introduz pela primeira vez homem, cavalo e asno, quando
ainda não conhecemos os personagens da história. A partir do momento que já
conhecemos os personagens, o texto passa a empregar o artigo definido “o” antes
dos personagens. Identificou como é importante empregar artigos definidos e
indefinidos em diferentes situações do texto?

Agora, propomos a você, acadêmico, mais uma reflexão: Como é possível


sabermos que o “um” utilizado no texto é um artigo indefinido e não um
numeral? A resposta a esta pergunta não é tão complexa. Sabemos que “um” é
artigo indefinido porque sua função dentro do texto é de apresentar, inicialmente,
personagens que ainda não conhecemos. Se “um” fosse numeral, teria a função
de contabilizar um homem dentre outros apresentados, um asno dentre outros
asnos, um cavalo dentre outros cavalos (apresentar como quantidade).

A partir do que vimos até aqui, podemos afirmar que artigos são utilizados
antes de substantivos; e podem ter duas classificações: os artigos definidos e os
indefinidos. Vejamos:

Definidos: indicam que se trata de um ser da mesma espécie. São artigos


definidos: o, a, os, as. Observe:

O administrador da empresa compareceu à reunião.

127
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Note que estamos tratando de um ser específico naquela situação.


Indefinidos: indicam que se trata de um ser de qualquer espécie. São eles: um,
uma, uns, umas. Observe:

Um administrador da empresa compareceu à reunião.

Neste caso, trata-se de um administrador qualquer entre outros naquela


situação.

Como você viu no início desta unidade, o artigo é uma classe de palavra
variável, isto é, possui diferentes formas para concordar com o substantivo a que se
refere. Ele varia em gênero (feminino e masculino) e em número (singular e plural).

o administrador – a administradora – os administradores – as


administradoras
um administrador – uma administradora – uns administradores – umas
administradoras

Vamos colocar em prática algumas de suas aprendizagens?

AUTOATIVIDADE

1 Leia as sentenças abaixo e identifique se a palavra destacada é um artigo ou


numeral. Explique sua escolha pela classe de palavra.

a) Fui à livraria e comprei só um livro.

b) Fui à livraria e comprei um livro.

2 Leia a tirinha a seguir e explique se a palavra UM no primeiro quadrinho se


refere a um artigo ou a um numeral:

FIGURA 3 – GARFIELD
Aquele rato Vá pega-lo Garfield!
roubou um Peguei!
biscoito!

FONTE: <http://1.bp.blogspot.com/_yEE_GL-q3ho/S8sVa2Eo5aI/
AAAAAAAAAnk/_9jPV1kG8k0/s400/garfield.png>. Acesso em: 10 ago. 2018.

128
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

2.6 PREPOSIÇÃO
Você já ouviu alguma vez a música Eduardo e Mônica? Caso conheça a
música, procure lembrar da letra e preencher as lacunas:

Eduardo e Mônica
Legião Urbana

Quem um dia irá dizer


Que existe razão
__________ coisas feitas _________coração?
E quem irá dizer
Que não existe razão?
 
Eduardo abriu os olhos, mas não quis se levantar
Ficou deitado e viu que horas eram
Enquanto Mônica tomava um conhaque
__________outro canto __________cidade, como eles disseram

FONTE: Disponível em: <https://www.vagalume.com.br/legiao-urbana/eduardo-e-monica.html>.


Acesso em: 10 ago. 2018.

Pelo título deste subtópico, certamente você já sabe classificar


gramaticalmente as palavras que estão faltando na música: são as preposições
“nas”, “pelo”, “no”, “da”. Veja como a preposição é importante para
compreendermos o texto, a fim de ligarmos diferentes termos. Além desse elo
que a preposição estabelece entre diferentes elementos textuais, ela estabelece
sentidos. Por exemplo: tente substituir a preposição “pelo”, no verso “Nas coisas
feitas pelo coração”, pela preposição “para” mais artigo definido “o”: “nas coisas
feitas para o coração”. Está percebendo a importância da preposição? Em “pelo
coração”, é o coração que faz a ação; em “para o coração”, as coisas são feitas em
razão do coração, para ele e não por ele. Podemos dizer, então, que a preposição
não é empregada aleatoriamente no texto, ela precisa ligar os termos de forma
que estabeleça o sentido pretendido pelo autor.

As relações que são estabelecidas entre as partes do discurso por meio


das preposições podem possuir noções de tempo, causa, assunto, finalidade etc.
Por isso, dizemos que, na língua portuguesa, as preposições são imprescindíveis
para a construção do sentido nos textos que produzimos, constituindo-se como
importante recurso para  estabelecermos a conexão entre palavras e orações.
Vejamos, agora, de que forma essa conexão ocorre:

Quem um dia irá dizer que existe razão nas coisas feitas pelo coração?
razão nas coisas: “razão” e “coisas” são elementos ligados pela preposição
“nas”.
nas: preposição “em” + artigo definido “as” = nas.

129
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

feitas pelo coração: “feitas” e “coração” são elementos ligados pela


preposição “pelo”.
pelo: preposição “por” (ou sua forma antiga per) + artigo definido “o” =
pelo.

As principais preposições essenciais que elencamos para seus estudos são:

a, ante, até, após, com, contra, dês / desde, em, entre, para, perante,
por, sem, sob, sobre.

Além dessas preposições, também temos as locuções prepositivas!


Como já vimos, locução é um conjunto. As locuções prepositivas são duas ou
mais palavras com valor de uma preposição, sendo que a última é sempre uma
preposição essencial.

Podemos elencar, como de uso mais frequente, as seguintes locuções


prepositivas:

QUADRO 6 – EXEMPLOS DE LOCUÇÕES PREPOSITIVAS

abaixo de a par de além de diante de em frente a junto a

acerca de a respeito de dentro de embaixo de em vez de por cima de

de trás de por detrás de por trás de ao lado de perto de graças a

FONTE: As autoras

ATENCAO

Você reparou na grafia “trás”, escrita com “s” e acento gráfico na letra “a”? É
comum as pessoas se confundirem com a grafia de “atrás”, “trás” e “traz”. Para que você não se
confunda com esse aspecto, basta reconhecer a função da palavra e sua classe gramatical.
“Atrás”, por exemplo, é grafado com acento agudo e “s” e sua classe gramatical é de advérbio
de lugar: “Estou atrás da biblioteca esperando por você”. Perceba que “atrás” está indicando o
lugar. “Traz”, por sua vez, é um verbo conjugado em terceira pessoa do singular: Ela traz todos
os livros sempre que necessário. “Trás” é empregado como preposição (especialmente dentro
de uma locução prepositiva): O meu vizinho estava por trás de toda essa confusão; Se você
não andar rápido, vai ficar para trás.

130
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

AUTOATIVIDADE

1 Observe neste anúncio o papel da preposição e assinale a alternativa


verdadeira:

FONTE: <https://byzezinho.files.wordpress.com/2009/06/03.jpg>.
Acesso em: 10 ago. 2018.

a) ( ) SEM  é uma preposição que liga a palavra queria  ao verbo sair,


especificando o modo de se obter lazer.
b) ( ) SAIR DE é uma locução prepositiva que tem o papel de ligar a palavra
sem da palavra casa.
c) ( ) DE é uma locução prepositiva que expressa a noção de lugar.
d) ( ) Na locução prepositiva SAIR DE, DE cumpre papel de preposição
essencial

2.7 CONJUNÇÃO
Assim como a preposição, a conjunção tem função de ligar, unir,
mas em uma perspectiva um pouco diferente da que vimos anteriormente,
já que, do ponto de vista sintático, estabelece a relação de subordinação ou
coordenação quando liga duas orações. Você recorda o que é oração em
língua portuguesa? Pois bem, oração é uma frase ou parte de uma frase
com verbo. Assim, para existir oração tem que haver um verbo. Se uma
frase contiver dois verbos, teremos duas orações, três verbos, três orações...
Vamos visualizar na prática? Então, segue um exemplo:

131
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Os jovens adormeceram e o silêncio espalhou-se pela casa.

Observe que as palavras “adormeceram” e “espalhou” são verbos.


Portanto, temos nessa frase duas orações. Agora, a palavra em destaque
“e” é a que liga as duas orações, sendo, portanto, uma conjunção.

Podemos dizer, então, que conjunções são palavras invariáveis que


conectam orações, estabelecendo entre elas uma relação de subordinação
ou de coordenação. Portanto, as conjunções são classificadas em
coordenativas e subordinativas. Estas, por sua vez, apresentam outra
divisão. Veja:

Conjunção coordenativa: são as que simplesmente coordenam as


orações.
Não estabelecem relação de dependência sintática (sentido).
Dividem-se em:

• Aditivas: são as que expressam relação de soma. Ex.: nem, e, não só, mas
também.

• Adversativas: são as que expressam relação de adversidade ou


oposição. Ex.: mas, porém, todavia, contudo, não obstante, entretanto.

• Alternativas: são as que expressam sentido de alternância ou exclusão.


Ex.: ou, ou... ou, ora... ora, seja... seja, quer... quer.

• Conclusivas: estas exprimem relação de conclusão. Ex.: logo, assim,


portanto, por isso, pois (posposto ao verbo).

• Explicativas: são as que exprimem sentido de explicação. Ex.: que,


porque, pois (anteposto ao verbo).

Conjunção subordinativa: são as que ligam duas orações e estas


são dependentes uma(s) da(s) outra(s).

• Causais: expressam relação de causa. Ex.: porque, pois, porquanto,


como (= porque), pois que, visto que, visto como, por isso que, já que,
uma vez que, entre outras.

• Concessivas: são as que iniciam orações adverbiais que exprimem


concessão. Ex.: embora, conquanto, ainda que, mesmo que, se bem que,
apesar de que, entre outras.

• Condicionais: são as que iniciam orações adverbiais que exprimem


condição. Ex.: se, caso, contanto que, salvo se, desde que.

132
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

• Conformativas: são as que iniciam orações adverbiais que indicam


conformidade. Ex.: conforme, segundo, como, consoante.

• Comparativas: estas iniciam orações adverbiais que exprimem


comparação. Ex.: como, mais... que, menos... que, maior... que, menor...
que, entre outras.

• Consecutivas: são as que iniciam orações adverbiais que indicam


consequência. Ex.: que (combinado com tal, tanto, tão, tamanho), de
sorte que, de forma que.

• Finais: são as que iniciam orações adverbiais para expressar finalidade.


Ex.: para que, a fim de que.

• Proporcionais: estas iniciam as orações adverbiais que indicam


proporção. Ex.: à proporção que, à medida que, ao passo que, quanto
mais, quanto menos.

• Temporais: iniciam orações adverbiais que exprimem tempo. Ex.:


quando, enquanto, logo que, depois que, antes que, desde que, sempre
que, até que, assim que, todas as vezes que.

• Integrantes: estas iniciam as orações subordinadas substantivas que


representam sujeito, objeto direto etc. Ex.: que, se.

NOTA

Vale lembrar que uma mesma conjunção ou locução conjuntiva pode iniciar
orações que indicam sentidos distintos. Então, caro acadêmico, o estudo não deve voltar-se
para a memorização classificatória, mas, sim, para o sentido das frases no texto.

AUTOATIVIDADE

1 Na tirinha a seguir você verá Armandinho interagindo com seu pai. A partir
de sua leitura, verifique as sentenças corretas:

133
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Uma história Há muitos ... Quando ainda


pra dormir? e muitos havia jornalismo
Tudo bem... anos... investigativo ...

FONTE: <https://retalhosinterativos.files.wordpress.com/2013/09/1045104_598360100209
300_1527914012_n.png>. Acesso em: 10 ago. 2018.

I- QUANDO é uma conjunção subordinativa que une duas orações: “Há


muitos e muitos anos” e “quando ainda havia jornalismo investigativo”.
II- No segundo quadrinho, a conjunção E une duas palavras da mesma classe
gramatical.
III- QUANDO é uma conjunção coordenativa temporal, cuja função é de unir
duas orações independentes.
IV- A intensidade atribuída ao tempo (muitos e muitos anos) a partir do
uso de advérbio e conjunção, ao ligar-se à oração subordinada iniciada pela
conjunção temporal QUANDO, dá ideia de que o jornalismo investigativo
pertence a uma época passada e não existe mais.

Assinale a alternativa correta:


a) ( ) Apenas a sentença IV está correta.
b) ( ) Apenas as sentenças II e IV estão corretas.
c) ( ) Apenas as sentenças I, II e IV estão corretas.
d) ( ) Apenas as sentenças III e IV estão corretas.

2.8 INTERJEIÇÃO
A interjeição é uma das classes de palavras invariáveis. Ela exprime
sensações e estados emocionais. Dito em outras palavras, com a interjeição
traduzimos de modo vivo nossas emoções. Podemos dizer que o uso dessa
classe é mais frequente em textos narrativos, nos quais há a apresentação
de falas coloquiais, pois contribuem para transmitir ao leitor as emoções e
reações das personagens.

O significado da interjeição dependerá do momento em que é


expressa e também da entonação de voz. Vamos conhecer algumas, então?!
Veja a classificação, conforme os sentimentos que indicam:

De alegria: Ah! Eh! Oh! Oba! Viva! De dor: Ai! Ui!


De animação: Vamos! Coragem!
De chamamento: Psiu! Olá! Alô!

134
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

De desejo: Quem me dera! Tomara! Oxalá! De silêncio: Psiu! Boca


fechada! Quieto!
De aplauso: Bis! Viva! Bravo!
De medo: Ui! Uh! Ai! Credo! Que horror!
De espanto, surpresa: Ah! Oh! Nossa! Xi! De alívio: Ufa! Ah! Uf! Arre!
Uai!
De afugentamento: Fora! Xô! Passa!

Você percebeu uma característica comum às interjeições? Se você


pensou no ponto de exclamação, acertou! Na escrita, as interjeições são
seguidas do ponto de exclamação. Observe a tirinha que segue:

FIGURA 4 – MAFALDA

FONTE: <https://guiroque.files.wordpress.com/2008/07/mafalda1.jpg>.
Acesso em: 10 ago. 2018.

Podemos destacar facilmente várias interjeições, não é mesmo? Muito bem,


completamos, assim, o estudo de mais uma classe. Vamos continuar?

2.9 VERBO
Dentre as classes de palavras, podemos dizer que o verbo é a palavra que
mais varia. Assim, ele indica: pessoa, número, tempo, modo, estados e fenômenos
naturais e voz. Ele exprime o que se passa, isto é, um acontecimento representado
no tempo.

Algumas dúvidas acerca do tema verbos podem ser um pouco frequentes,


como a própria ortografia. Você já se confundiu alguma vez com a escrita de
conseguiram e conseguirão? Com surge e surgi? O conhecimento acerca da sílaba
tônica e desinência do verbo pode contribuir para você escolher entre a grafia
“am” e “ão”, na conjugação dos verbos na terceira pessoa do plural (compraram
e comprarão); e a grafia “e” e “i”, na terceira e primeira pessoa do singular (surge
e surgi).

135
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Para não se confundir mais, pense na sílaba tônica da palavra. Em


conseguirão, a sílaba tônica é a última sílaba da palavra, logo, sua grafia é com
“ão” e seu tempo verbal é o futuro do presente. Em conseguiram, a sílaba tônica é
a penúltima da palavra, logo, a grafia do som nasal na última sílaba é com “am”, e
seu tempo verbal é o pretérito perfeito, que expressa uma ação passada. Em surge
(ele surge), temos como sílaba tônica a penúltima sílaba da palavra (sur), logo, a
grafia final é com “e”, embora em algumas regiões do nosso país a pronúncia seja
de “i” (algo como súrgi). Em surgi (eu surgi), a sílaba tônica é a última da palavra
(gi), logo, a grafia é com a letra “i” e sua desinência é para a primeira pessoa do
singular no pretérito perfeito do indicativo. Não se preocupe com todos esses
termos, pois nas discussões a seguir, você conhecerá um pouco melhor sobre a
flexão e função dos verbos.

O verbo constitui-se basicamente em duas partes: radical e terminação


(desinência). Veja o exemplo com os verbos amar, sofrer e partir, conjugados no
presente do indicativo:

QUADRO 7 – EXEMPLOS DE VERBOS

AMAR SOFRER PARTIR


EU Amo sofro parto
TU Amas sofres partes
ELE Ama sofre parte
NÓS Amamos sofremos partimos
VÓS Amais sofreis partis
ELES Amam sofrem partem
FONTE: As autoras

Podemos notar que, em cada conjugação, uma parte do verbo não sofreu
alteração (amar = AM; sofrer = SOFR; partir = PART), portanto, esta parte, que
contém a base do significado, é denominada radical.

A terminação ou desinência é a parte do verbo que contém as indicações de


pessoa, tempo, modo e voz. Conjugar um verbo significa apresentá-lo em todos os
seus modos, pessoas, tempos, vozes e números. Quando agrupamos todas essas
flexões, de acordo com uma ordem, temos uma conjugação.

Os verbos da Língua Portuguesa são classificados em três diferentes


grupos, caracterizados pela vogal temática. Conhecer a vogal temática do verbo
contribui para refletirmos sobre a regularidade da conjugação desse verbo.

136
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

NOTA

Vogal temática é a parte que indica a conjugação à qual os verbos pertencem.


É formada pela vogal que vem depois do radical. Ex.: cant - a - r (a - vogal temática); sofr - e
- r (e - vogal temática); part - i - r (i - vogal temática).

Conheça os três grupos de conjugação da Língua Portuguesa:

QUADRO 8 – AS TRÊS CONJUGAÇÕES

1ª conjugação - verbos terminados em AR, cuja vogal temática é A. Ex.:


cantar, sonhar, falar, amar, andar, nadar, limpar, anotar, flexionar, escapar,
rasgar, amarrar...

2ª conjugação - verbos terminados em ER, cuja vogal temática é E. Ex.: comer,


sofrer, mexer, roer, escrever, absorver, expor, compor, repor, compor...

3ª conjugação - verbos terminados em IR, cuja vogal temática é I. Ex.: partir,


sentir, emitir, sorrir, fingir, falir, mentir, iludir, cair, abrir...

FONTE: As autoras

E os verbos terminados em OR, como compor e expor? Por que foram


classificados na segunda conjugação, terminados em ER? Você já deve ter ouvido
que a língua passa por mudanças ao longo dos anos, não é mesmo!? Esses verbos
(compor e expor), por terem origem no antigo verbo “poer”, são encaixados na
segunda conjugação. Cada conjugação verbal possui terminações específicas que
são utilizadas para flexionar seus respectivos verbos

ATENCAO

Lembre-se! Dizemos que o verbo não é flexionado ou que está no infinitivo


quando termina em R. Veja: enviar, escrever, comprar, relatar, sorrir, latir, ser, caber, fazer...

137
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

AUTOATIVIDADE

Muito bem! Agora que já conhecemos as conjugações verbais,


vamos praticar? Classifique os verbos a seguir em 1ª, 2ª e 3ª conjugação:

a) Explicar:
b) Dividir:
c) Rever:
d) Supor:
e) Mentir:
f) Dispor:
g) Caprichar:
h) Absorver:

UNI

Na aula de português, a professora pergunta para Joãozinho:


Joãozinho, qual é o futuro do verbo roubar? Ele, sem pestanejar, responde:
Ir preso, professora.

A professora mandou Joãozinho recitar uma poesia. Ele, todo cheio de compostura, começou
a declamar:
Eu cavo, tu cavas, ele cava, nós cavamos, vós cavais, eles cavam. A professora, intrigada, pede
ao Joãozinho:
Joãozinho, mas o que há de poético nestes verbos? Joãozinho, com muita convicção,
responde:
Professora, isso pode não ser poético, mas é bastante profundo.

FONTE: Adaptado de: <https://www.trabalhosfeitos.com/ensaios/Curso-De-Nivelmanento-


Portugues/51209813.html>. Acesso em: 10 ago. 2018.

Sendo o verbo uma palavra variável, podemos afirmar que se


flexiona em:

138
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

QUADRO 9 – FLEXÃO DO VERBO

Número Singular e plural


Pessoa 1ª, 2ª e 3ª
Modo Indicativo, Subjuntivo e Imperativo
Tempo Presente, Passado e Futuro
Voz Ativa, Passiva e Reflexiva
FONTE: As autoras

Afinal, o que é flexionar um verbo? Flexionar quer dizer adaptar o verbo ao


número, ao modo, ao tempo, à voz e às formas nominais, fazendo com que ele
concorde com o pronome anterior a ele. Quanto a essas flexões, estudaremos uma
a uma detalhadamente para facilitar a sua compreensão. Vejamos:

Número e pessoa: quando a forma indica se o verbo está no singular ou no


plural. Singular quando se refere a apenas uma pessoa (eu ando, tu andas, ele anda).
Plural quando se refere a mais de uma pessoa (nós andamos, vós andais, eles andam).
O número, então, refere-se à primeira pessoa do singular (eu ando), primeira pessoa
do plural (nós andamos), segunda pessoa do singular (tu andas), segunda pessoa do
plural (vós andais), terceira pessoa do singular (ele(a) ou você anda), terceira pessoa
do plural (eles(as) ou vocês andam).

Modo verbal: é a flexão que nos mostra qual é a intenção do falante ao


expor suas ideias. Através dessa flexão, podemos perceber se o que é expresso por
ele indica uma dúvida ou possibilidade, uma certeza ou uma ordem. Os verbos
são classificados em três modos. Confira:

• Modo indicativo: indica um fato que ocorre, ocorreu ou ocorrerá com certeza.
Um fato real. Por exemplo: Pedro partiu ontem.

Nessa oração, temos certeza de que Pedro realmente partiu. O fato está
concretizado. Dito de outra maneira, o indicativo indica uma ação.

• Modo subjuntivo: indica um fato hipotético, ou seja, não é certo que acontecerá.
Pode exprimir dúvida, probabilidade ou suposição. Por exemplo: Quem sabe
eu vá à reunião, se não chover.

Nessa oração, não se sabe ao certo se a ação ocorrerá. O fato não está
concretizado.

• Modo imperativo: indica ordem, pedido, súplica, sugestão, convite. Observe o


exemplo:

139
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Estude para a avaliação.

Neste exemplo, percebemos que a oração exprime uma ordem ao seu


receptor. Reconhecer o modo do verbo é importante para que entendamos a
intenção do autor de algum texto (oral ou escrito) acerca da ação expressa pelo
verbo. Além disso, quando você ocupar a posição de autor, seja escrevendo um
e-mail, redigindo uma resposta dissertativa de avaliação, um relatório, entre
outros textos, você deve estar ciente se o verbo indica a ação de um sujeito, a
ordem/pedido a um sujeito ou, ainda, um fato hipotético, para flexionar o verbo
conforme o modo correspondente.

Tempo verbal: o estudo do tempo verbal é um pouco mais complexo do


que os demais, porém muito interessante, pois, a partir da observação deste,
podemos saber quando a ação ou o fato foram realizados. Desta forma, o tempo
verbal divide-se em três grandes grupos: presente, pretérito (que é o mesmo que
passado) e futuro. O passado, por sua vez, subdivide-se em pretérito perfeito,
pretérito imperfeito, pretérito mais-que-perfeito (quando no modo indicativo), e
o futuro subdivide-se em futuro do presente e futuro do pretérito (quando no
modo indicativo).

Voz verbal: em algumas ações verbais, o verbo admite estruturas com


diferentes atuações do sujeito. São os casos em que o verbo sofre a flexão de voz.
São três as vozes verbais, vamos conhecê-las?

Ativa: é quando o sujeito é o agente da ação verbal, ou seja, ele pratica a


ação. Ex.: Os alunos estudaram muito para a avaliação. Neste caso, o sujeito da
frase é “Os alunos”, e estes realizaram a ação do verbo estudar.

Passiva: é quando o sujeito é paciente da ação verbal, isto é, ele recebe


ou sofre a ação. Ex.: Carolina foi machucada por Aline. Neste caso, o sujeito é
“Carolina”, e este sofre ou recebe a ação expressa pelo verbo machucar.

Reflexiva: acontece quando o sujeito é agente e paciente da ação verbal.


Dito em outras palavras, ele pratica a ação em si mesmo e a recebe. Ex.: Cláudio
penteou-se assim que levantou. Note que o sujeito “Cláudio” pratica e recebe a
ação expressa pelo verbo.

Quanto às vozes verbais, vale destacar que, dentro de um texto, elas


possuem funções bastante específicas. Por exemplo, em textos acadêmicos,
como os papers, que são produzidos nas disciplinas de prática interdisciplinar,
predominantemente, recomendamos que você escreva na voz ativa, seja da forma
pessoal ou impessoal, por exemplo:

Este trabalho tem por objetivo analisar a produção acadêmica voltada à


morfologia da língua portuguesa publicada nos anais dos principais congressos
de linguística do país.

140
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

Objetivamos analisar a produção acadêmica voltada à morfologia da


língua portuguesa publicada nos anais dos principais congressos de linguística
do país.

Na linguagem impessoal, o sujeito é “Este trabalho” e é o sujeito agente


que explicitamente está ligado ao verbo “ter (tem)”. Nessas situações, outros
sujeitos ainda podem ser produzidos textualmente, como “o presente estudo”,
“esta pesquisa”, “a investigação”, “este paper”, entre outros. Na linguagem
pessoal, o sujeito é “Nós”, embora esteja oculto na frase. É o sujeito agente “nós”
que explicitamente está ligado ao verbo “objetivar (objetivamos)”. Tanto na
linguagem pessoal quanto impessoal, o uso da voz ativa torna o trabalho mais
claro, objetivo e argumentativo. Atente-se, nesses casos, sempre à concordância
verbal com o sujeito!

A voz passiva, por sua vez, também possui uma função importante na
escrita acadêmica, como na seção voltada à descrição metodológica do trabalho.
Por exemplo, é possível afirmar:

Realiza-se um estudo bibliográfico para atender ao objetivo da pesquisa.

Foi realizado um estudo bibliográfico para atender ao objetivo da pesquisa.

Quando descrevemos o passo a passo do nosso trabalho não buscamos


mais argumentar a validade, relevância da pesquisa, não estamos tentando
comprovar nossos argumentos. Por isso, a voz ativa não se faz tão necessária.
Contudo, quando o trabalho é escrito em uma linguagem mais pessoal, mesmo
na metodologia, devemos evitar o uso de voz passiva sintética (realiza-se), apesar
de a voz passiva analítica ainda poder ser aplicada (Foi realizado um estudo
bibliográfico).

E
IMPORTANT

Perceba que na construção da voz passiva, “Foi realizado um estudo bibliográfico


para atender ao objetivo da pesquisa”, o verbo “realizado”, em sua forma nominal, precisa
concordar com o sujeito paciente, neste caso, “um estudo”. Se substituirmos “um estudo”
para “uma pesquisa”, por exemplo, teríamos de dizer “realizada”: Foi realizada uma pesquisa.
Percebeu como ocorre a concordância? Veja, ainda, se colocarmos o sujeito paciente no
plural e feminino: Foram realizadas pesquisas.

141
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Formas nominais: os verbos, além de todas essas flexões que já foram


estudadas, podem ser ainda apresentados em três formas nominais: infinitivo,
gerúndio e particípio. Vamos aprender um pouco mais? Vejamos cada uma delas:

• Infinitivo: exprime a própria ação verbal, porém sem nenhuma localização de


tempo. É marcado pela terminação R, quando no singular.

Observe o exemplo: Estudar é preciso. Esta forma nominal indica a


ação: estudar. O infinitivo pode ser pessoal ou impessoal. Caso apresente
um sujeito, será pessoal, caso não apresente, ou seja, não se refira a
ninguém, será impessoal. Veja mais alguns exemplos:

É proibido fumar neste local.


Comer muita doçura faz mal à saúde.

No caso de infinitivo pessoal, termos as seguintes flexões:


para comer (eu)
para comeres (tu)
para comer (ele/a ou você)
para comermos (nós)
para comerdes (vós)
para comerem (eles/as ou vocês)

• Gerúndio: exprime um fato que está em desenvolvimento, ou seja, que ainda


não chegou ao fim. É marcado pela terminação NDO. O exemplo “Alex está
viajando” mostra que a ação ainda está em andamento. Veja alguns exemplos:

Ele está estudando.


Emília ficou na escola treinando para a apresentação.

• Particípio: ao contrário do gerúndio, o particípio indica um fato já terminado.

O verbo apresenta-se, em geral, com as terminações ADO e IDO. No


exemplo “José foi multado”, a ação já foi concluída. Exemplos:

O carro está estragado.


A casa foi vendida.

Vamos colocar em prática alguns de seus conhecimentos?

142
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

AUTOATIVIDADE

1 Relacione a coluna das formas nominais dos verbos com a coluna que
apresenta os verbos em uso:

( ) Procure estudar regularmente.


(1) Infinitivo ( ) A turma tinha acertado todas as autoatividades do livro.
(2) Gerúndio ( ) É para estudarmos em conjunto.
(3) Particípio ( ) Deise estava lendo o material de Comunicação e
Linguagem.

2 Leia o fragmento a seguir:

“Essa corrente precisa de você. DOE SANGUE!


Procure o hemocentro mais próximo de você. Torne isso um hábito, seja um
doador. Entregue-se a esta causa e compartilhe sua alegria de viver.

SEJA UM HERÓI, SALVE VIDAS!”

FONTE: <http://www.quempodedoarsangue.com.br/porque-doar-sangue/>. Acesso em:


25 abr. 2018.

Assinale a alternativa que apresenta o modo verbal dos verbos


destacados:

a) ( ) Imperativo.
b) ( ) Indicativo.
c) ( ) Subjuntivo.

3 Relacione cada frase com a numeração correspondente à voz do verbo:

( ) O livro de Comunicação e Linguagem já foi entregue aos


1.ativa
acadêmicos.
2. passiva
( ) Deise realizou a prova às pressas.
3. reflexiva
( ) Os animais viram-se no espelho pela primeira vez.
( ) Realiza-se, neste trabalho, uma pesquisa quantitativa.

Agora que terminamos uma fase importante dos nossos estudos sobre
verbos, que foram as flexões verbais, vamos entrar em uma nova etapa, que é o
estudo da CLASSIFICAÇÃO DOS VERBOS.

Por que classificar os verbos?

143
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

A conjugação dos verbos segue um determinado padrão, um paradigma.


No caso de um verbo regular, dependendo da sua terminação, ele terá uma forma
a ser conjugada. Também há casos em que este paradigma não é seguido, que é
o que chamamos de verbo irregular. Há verbos que são utilizados em apenas
algumas pessoas, tempos ou modos. O motivo pelo qual isto acontece é bastante
variável. Em muitos casos, a própria ideia que o verbo quer transmitir não se
aplica a todas as pessoas. E há também os verbos que possuem duas formas
equivalentes, que precisamos conhecer para saber onde aplicá-las. Então, agora
que já sabemos o porquê da classificação dos verbos, vamos conhecê-las?

Verbo regular: classificamos como regulares aqueles verbos que são


conjugados sem que sejam feitas alterações em seu radical. Utilizaremos, como
exemplo, o verbo sofrer. Este verbo é formado pelo radical sofr-, e, quando o
conjugamos, ele permanece. Observe:

Eu sofro com esta situação. Confira mais exemplos, de verbo regular, no


quadro a seguir:

QUADRO 10 – INDICATIVO PRESENTE

ANDAR VENDER PARTIR


And-o Vend-o Part-o
And-as Vend-es Part-es
And-a Vend-e Part-e
And-amos Vend-emos Part-imos
And-ais Vend-eis Part-is
And-am Vend-em Part-em
FONTE: As autoras

Verbo irregular: classificamos como irregulares aqueles verbos que, quando


conjugados, têm seu radical modificado. Para este exemplo, utilizaremos o verbo
pedir. Este verbo é formado pelo radical ped-, e, quando conjugamos, o radical é
modificado. Observe:

Eu peço um presente de Natal. Observe o quadro a seguir com mais


exemplos.

144
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

QUADRO 11 – VERBO FAZER (PRESENTE DO INDICATIVO)

FAZER
Eu Faço
Tu Fazes
Ele Faz
Nós Fazemos
Vós Fazeis
Eles Fazem
FONTE: As autoras

Verbo anômalo: classificamos como anômalos aqueles verbos que, quando


conjugados, apresentam no seu radical mudanças mais evidentes e profundas do
que os verbos irregulares. Podemos citar os verbos “ser” e “ir” como exemplos de
verbos anômalos. Observe o quadro com o exemplo do verbo ser.

QUADRO 12 – VERBO SER (INDICATIVO)

PRETÉRITO PRETÉRITO
PRESENTE
Perfeito imperfeito

Eu sou Fui era


Tu és foste eras
Ele é foi era
Nós somos fomos éramos
Vós sois fostes éreis
Eles são foram eram
FONTE: As autoras

Verbo defectivo: classificamos como defectivos aqueles verbos que não


possuem todas as suas formas. Por exemplo, o verbo abolir. Não podemos dizer
“eu abolo”, mas usamos a expressão “eu vou abolir” ou “eu estou abolindo”. Da
mesma forma “eu coloro”. Quando queremos nos expressar utilizando este verbo
(colorir), usamos a expressão “eu vou colorir” ou “eu estou colorindo”. Confira a
conjugação do verbo colorir nos seguintes tempos:

145
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

QUADRO 13 – VERBO COLORIR (INDICATIVO)

PRETÉRITO PRETÉRITO
PRESENTE
perfeito imperfeito

Eu - colori coloria
Tu colores coloriste colorias
Ele colore coloriu coloria
Nós colorimos colorimos coloríamos
Vós coloris coloristes coloríeis
Eles colorem coloriram coloriam

FONTE: As autoras

Verbo abundante: classificamos como abundantes aqueles verbos que


possuem duas formas aceitáveis de particípio, uma regular e uma irregular.
Observe:

QUADRO 14 – VERBOS ABUNDANTES

INFINITIVO PARTICÍPIO REGULAR PARTICÍPIO IRREGULAR


acender acendido aceso
benzer benzido bento
eleger elegido eleito
enxugar enxugado enxuto
expulsar expulsado expulso
frigir frigido frito
ganhar ganhado ganho
isentar isentado isento
imprimir imprimido impresso
matar matado morto
romper rompido roto
soltar soltado solto
suspender suspendido suspenso
tingir tingido tinto
FONTE: As autoras

146
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

ATENCAO

Acadêmico! Acesse a trilha de aprendizagem da disciplina. Lá você encontrará


vários modelos de verbos conjugados. Bom estudo!

AUTOATIVIDADE

1 Preencha as lacunas com as formas verbais indicadas entre parênteses:

a) Nós _______________________ sobre os estudos linguísticos antes de


termos lido o material. (saber – pretérito mais-que- perfeito do indicativo)
b) Os acadêmicos _______________________o material didático regularmente.
(ler – presente do indicativo)
c) Você _______________________pelo resultado da avaliação? (ansiar –
presente do indicativo)
d) Eles _______________________nas promessas políticas dessas últimas
eleições. (crer – pretérito imperfeito do indicativo)
e) Raquel _______________________o livro de Comunicação e Linguagem
para mim (trazer – futuro do presente)
f) Onde tu _______________________as chaves? (pôr – pretérito perfeito do
indicativo)
g) Se você _______________________, podemos estudar juntos. (querer –
futuro do subjuntivo)

2.10 PRONOMES
Pronomes são palavras empregadas na frase utilizadas para
substituir um substantivo ou para acompanhá-lo, determinando sua
extensão. Vejamos alguns exemplos:

Os acadêmicos estudaram muito para a prova, mas ela era difícil.

Perceba no exemplo acima como o pronome “ela” substitui o


substantivo “prova”, evitando que o termo seja repetido na frase. O
pronome, portanto, é um elemento de coesão textual. Vamos a outro
exemplo:

Estava conversando com aquela professora agora a pouco.

147
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Perceba que o pronome aquela acompanha o substantivo professora,


a fim de determinar quem é a professora com a qual estava conversando.

Os pronomes pertencem à classe de palavras variáveis e podem


ser classificados em pessoais, possessivos, demonstrativos, indefinidos,
interrogativos e relativos. Veremos cada um deles separadamente:

Pronome pessoal: é aquele que substitui o substantivo. Observe o


exemplo:

Cláudio saiu mais cedo do trabalho. Ele precisava ir ao médico.

Note, neste exemplo, que a palavra “Cláudio” é um substantivo.


A palavra empregada para substituí-la foi “ele”, ou seja, um pronome
pessoal.

Os pronomes pessoais indicam os seres que representam as pessoas


do discurso. Eles se dividem em três tipos: do caso reto, do caso oblíquo e os de
tratamento. Essa classificação se dá de acordo com a função que eles exercem
nas orações. Veremos separadamente os dois primeiros.

Observe:

QUADRO 15 – PRONOMES

PRONOMES PESSOAIS DO CASO RETO E DO CASO OBLÍQUO


Pessoas do Oblíquos
Caso reto
discurso Átonos Tônicos
1ª pessoa eu me mim, comigo
Singular 2ª pessoa tu te ti, contigo
3ª pessoa ele, ela o, a, lhe, se ele, ela, si, consigo
1ª pessoa nós nos nós, conosco
Plural 2ª pessoa vós vos vós, convosco
3ª pessoa eles, elas os, as, lhes, se eles, elas, si, consigo
FONTE: As autoras

Pronomes possessivos: são os que fazem referência às pessoas do


discurso, indicando a relação de posse existente. Assim, eles mantêm com
os pronomes pessoais uma estreita relação, pois designam o que pertence
aos seres referidos pelos pronomes pessoais. Observe a disposição deles
no quadro a seguir:

148
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

QUADRO 16 – PRONOMES POSSESSIVOS


Pessoas do discurso Pronomes possessivos
1ª pessoa do singular meu, minha, meus, minhas
2ª pessoa do singular teu, tua, teus, tuas
3ª pessoa do singular seu, sua, seus, suas
1ª pessoa do plural nosso, nossa, nossos, nossas
2ª pessoa do plural vosso, vossa, vossos, vossas
3ª pessoa do plural seu, sua, seus, suas
FONTE: As autoras

Por indicar uma relação de posse com relação à pessoa do discurso, o


pronome possessivo é facilmente identificado. Observe o uso na seguinte tira:

FIGURA 5 – CALVIN

Você sabe o Não, no Você não Por que ela iria


entanto, Eu adoraria
que há de se... não. O quê? acha que ela querer outra criança?
errado com ela foi ao Um
está esperando bebê?!? Ela já tem a mim!
sua mãe? médico um bebê, acha?
hoje.
Sim, ela deve
ter aprendido
a lição...

FONTE: <https://apatossauros.files.wordpress.com/2007/10/calvinharodotira354.gif>.
Acesso em: 13 ago. 2018.

No primeiro quadrinho, identificamos o uso de sua na expressão “sua


mãe”. Analisando o quadro, vemos que o pronome possessivo sua refere-se à
terceira pessoa do singular, no caso, ela.

Pronomes demonstrativos são aqueles que substituem ou acompanham o


substantivo, indicando relações de espaço entre os seres e as pessoas do discurso.

O pronome demonstrativo, assim como o possessivo, também mantém um


vínculo estreito com os pronomes pessoais, pois indica, com relação às pessoas
do discurso, o que delas está mais próximo ou distante, no espaço e no tempo.
Observe as formas dos pronomes demonstrativos no quadro:

149
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

QUADRO 17 – PRONOMES DEMONSTRATIVOS

VARIÁVEIS
Masculino Feminino INVARIÁVEIS

este estes esta estas isto


esse esses essa essas isso
aquele aqueles aquela aquelas aquilo
FONTE: As autoras

Você deve estar se perguntando: quando devo usar este ou esse?


Ou isso, isto e aquilo? Existe, sim, uma regrinha para o uso dos pronomes
demonstrativos. Vamos conhecer o emprego deles.

Este, esta, isto: referem-se à 1ª pessoa (eu), são usados para objetos
que estão próximos do falante. Com relação ao tempo, é usado no presente.
Exemplos:

Este é o livro de Comunicação e Linguagem de que lhe falei.


Esta semana a turma está com sorte.
Isto na minha mão é o seu lápis?

Esse, essa, isso: referem-se à 2ª pessoa (tu, você), portanto são


usados para objetos que estão próximos da pessoa com quem se fala. Com
relação ao tempo é usado no passado ou futuro. Exemplo:

Esse mês vai haver muitas provas.


Quando você comprou essa coletânea?
Isso que você está segurando são seus materiais?

Aquele, aquela, aquilo: referem-se à 3ª pessoa (ele, ela) e são


usados para indicar distanciamento espacial com relação à 1ª e 2ª pessoas
do discurso. Exemplos:

Aquelas disciplinas foram muito interessantes.


Pensei muito sobre aquilo que você me disse.

DICAS

Nos momentos de escrita, quando aparecerem dúvidas a respeito do uso de


“esse” ou “este”, lembre-se:
• este = próximo a mim, presente;
• esse = distante de mim, passado e futuro.

150
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

AUTOATIVIDADE

Leia a tirinha que segue, identifique e explique o uso do pronome


que nela aparece. Discuta com seu professor e demais colegas sobre a
resposta.
FIGURA 6 – MAFALDA

É incrível a
importância do Um patrão faz assim
dedo indicador! com o indicador... E
três mil operários
vão para a rua!

Esse deve ser o


tal indicador de
AAAAAAH!... desemprego de
que tanto se fala!

FONTE: <http://s3.static.brasilescola.com/img/2015/06/tirinha-da-mafalda.jpg>. Acesso em:


13 ago. 2018

Pronomes indefinidos: esses pronomes referem-se à 3ª pessoa do discurso


e, como o nome indica, de maneira imprecisa, indefinida. Faz-se uma divisão entre
os pronomes indefinidos. São eles: variáveis e invariáveis. Acompanhe o quadro a
seguir e conheça alguns exemplos.

151
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

QUADRO 18 – PRONOMES INDEFINIDOS

VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
algum, alguma, alguns, algumas Alguém
nenhum, nenhuma, nenhuns, nenhumas Algo
todo, toda, todos, todas Ninguém
muito, muita, muitos, muitas Nada
pouco, pouca, poucos, poucas Tudo
vário, vária, vários, várias Cada
tanto, tanta, tantos, tantas Outrem
quanto, quanta, quantos, quantas Mais
outro, outra, outros, outras Menos
bastante, bastantes Demais
FONTE: As autoras

Pronomes interrogativos: como o nome sugere, os interrogativos são


usados para formular perguntas diretas ou indiretas. Ex.: Que assunto é esse?
(pergunta direta). Diga-me que assunto é esse. (pergunta indireta)

São pronomes interrogativos:

QUADRO 19 – PRONOMES INTERROGATIVOS

VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
qual, quais Que

quanto, quanta, quantos, quantas Quem

FONTE: As autoras

Pronomes relativos: são os que substituem um substantivo citado


anteriormente e dão início a uma nova oração. Ex.:

Comprei uma casa. A casa é perfeita.

SUBSTANTIVO
A casa que comprei é perfeita.

PRONOME RELATIVO

152
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

Note que o pronome relativo que (= a qual) se refere ao substantivo “casa”.


Com a junção das frases o pronome substitui o termo expresso anteriormente
(casa) e inicia uma nova oração.

NOTA

Lembre-se! Oração é uma frase ou parte de uma frase que contenha verbo.

E
IMPORTANT

Existe uma confusão recorrente na aplicação dos pronomes relativos precedidos


de preposição, “em que”, “no qual”, e o advérbio “onde”, relativo de lugar. O Portal Ciber Dúvidas,
do Instituto Universitário de Lisboa, traz algumas importantes explicações que podemos
explorar:
O termo onde deve empregar-se quando se está perante a referência a lugares. Exemplo: «A
universidade onde estudei é muito boa.» No entanto, pode ser substituído por em que ou na
qual: «A universidade em que estudei é muito boa»; «A universidade na qual estudei é
muito boa.» Nestes casos, a escolha deve recair sobre a melhor sonoridade, ou seja, utiliza-
se sempre onde para se referir a lugares, mas pode substituir-se por em que ou no qual,
permanecendo a frase correta do ponto de vista gramatical e semântico.
O mesmo não acontece com em que e no qual, que devem ser aplicados em situações
que não se referem a lugares. Passa-se a exemplificar: «O processo em que tal foi referido
foi arquivado»; «O contexto no qual isso foi dito era justificável.» Nestes casos não se deve
utilizar o advérbio de lugar onde, mas utiliza-se o pronome relativo precedido de preposição.

FONTE: Disponível em: <https://ciberduvidas.iscte-iul.pt/consultorio/perguntas/onde-em-


que-no-qual/34035>. Acesso em: 1º maio 2018.

Conheça alguns pronomes relativos visualizando o quadro a seguir:

QUADRO 20 – PRONOMES RELATIVOS

VARIÁVEIS INVARIÁVEIS
o qual, a qual, os quais, as quais Que
cujo, cuja, cujos, cujas Quem
quanto, quantos, quantas Onde

FONTE: As autoras

153
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

ATENCAO

Caro acadêmico! Vimos que “quem” pode tanto ser um pronome interrogativo
quanto relativo, não é mesmo? Para saber a qual pronome estamos nos referindo em
determinada situação, basta que você recorde a função de cada um na frase!

2.10.1 Os pronomes de tratamento


Para indicar o grau de formalidade que existe entre as pessoas do
discurso, devemos empregar os pronomes de tratamento. Ao redigir relatórios,
enviar e-mails, escrever atas e demais documentos, sempre nos perguntamos:
qual pronome devemos usar?

Nestas e demais situações certas autoridades exigem tratamentos


específicos. Consulte os quadros a seguir e relembre alguns tipos de pronome de
tratamento.

QUADRO 21 – EMPREGO DOS PRONOMES DE TRATAMENTO - PODER JUDICIÁRIO

Destinatário Tratamento Abreviação Vocativo


Excelentíssimo
Presidente do Supremo Vossa  Senhor Presidente
Não se usa
Tribunal Federal Excelência do Supremo
Tribunal Federal
Membros do Supremo Vossa  Senhor + cargo
V.Exa.
Tribunal Federal Excelência respectivo
Presidente e Membros
Vossa Senhor + cargo
do Superior Tribunal V.Exa.
Excelência respectivo
de Justiça
Presidente e Membros
Vossa Senhor + cargo
do Tribunal Superior V.Exa.
Excelência respectivo
Militar
Presidente e Membros
Vossa Senhor + Cargo
do Tribunal Superior V.Exa.
Excelência respectivo
Eleitoral
Presidente e Membros
Vossa Senhor + Cargo
do Tribunal Superior V.Exa.
Excelência respectivo
do Trabalho
Presidente e Membros
Vossa Senhor + Cargo
dos Tribunais de V.Exa.
Excelência respectivo
Justiça

154
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

Presidente e Membros
Vossa Senhor + Cargo
do Tribunais Regionais V.Exa.
Excelência respectivo
Federais
Presidente e Membros
Vossa Senhor + Cargo
dos Tribunais V.Exa.
Excelência respectivo,
Regionais Eleitorais
Presidentes e Membros
Vossa Senhor + Cargo
dos Tribunais V.Exa.
Excelência respectivo
Regionais do Trabalho
Vossa
Juízes V.Exa. Senhor Juiz
Excelência
Vossa Senhor
Desembargadores V.Exa.
Excelência Desembargador
Auditores da Justiça Vossa Senhor + cargo
V.Exa.
Militar Excelência respectivo
FONTE: <http://www.casacivil.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=9>.
Acesso em: 13 ago. 2018.

QUADRO 22 – EMPREGO DOS PRONOMES DE TRATAMENTO - PODER LEGISLATIVO

Destinatário Tratamento Abrev. Vocativo


Excelentíssimo
Senhor
Presidente do Vossa Não se
Presidente
Congresso Nacional Excelência usa
do Congresso
Nacional
Vossa Senhor
Presidente da Câmara V.Exa.
Excelência Presidente
Vice-Presidente da Vossa Senhor Vice-
V.Exa.
Câmara Excelência Presidente
Membros da Câmara Vossa Senhor
V.Exa.
dos Deputados Excelência Deputado
Membros do Senado Vossa
V.Exa. Senhor Senador
Federal Excelência
Presidente e Membros
do Tribunal de
Vossa Senhor + cargo
Contas da União e V.Exa.
Excelência respectivo
dos Tribunais de
Contas Estaduais
Presidente e
Membros das Vossa Senhor + cargo
V.Exa.
Assembleias Excelência respectivo
Legislativas Estaduais
Presidentes das Vossa Senhor + cargo
V.Exa.
Câmaras Municipais Excelência respectivo
FONTE: <http://www.casacivil.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.php?conteudo=9>.
Acesso em: 13 ag. 2018.
155
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

DICAS

Para acessar outros pronomes de tratamento que podem lhe ser importantes,
consulte o site da Casa Civil: <http://www.casacivil.pr.gov.br/modules/conteudo/conteudo.
php?conteudo=9>.

3 COLOCAÇÃO PRONOMINAL
Antes de estudarmos na prática a colocação pronominal, é interessante
saber que o emprego dos pronomes oblíquos se deve, especialmente, à eufonia, ou
seja, à sonoridade da frase. Portanto, em determinados casos ocorrem diferenças
entre o que a norma gramatical recomenda e o que é realmente utilizado.

Vamos observar, a seguir, as orientações para a colocação dos pronomes
oblíquos nas formas mais prestigiadas da língua escrita. Os pronomes oblíquos
átonos são: me, te, se, nos, vos, lhe, lhes. Nas frases, estes pronomes podem
aparecer em três diferentes posições com relação ao verbo: antes, no meio ou
depois do verbo. Vamos conhecê-las, então.

UNI

Para relembrar os pronomes oblíquos, átonos e tônicos, consulte o quadro


estudado anteriormente.

3.1 PRÓCLISE
Chamamos de próclise quando o pronome se posiciona antes do verbo.
Vamos conhecer algumas situações que determinam a próclise!

Usa-se a próclise depois de:

• advérbios (Ex.: Não me deixe esperando!);


• pronomes demonstrativos (Ex.: Para Silva, isso se deve devido a misturas
homogêneas.);
• pronomes indefinidos (Ex.: Poucos me disseram bom dia quando entrei.);

156
TÓPICO 1 | AS CLASSES DE PALAVRAS

• pronomes relativos (Ex.: Dentre os resíduos de plástico que se encontravam no


mar, havia uma grande quantidade de canudos de bebidas.);
• conjunções subordinativas (Ex.: Os resultados do estudo contribuíram com a
realidade ambiental, visto que se realizou uma intervenção no contexto a partir
de uma pesquisa-ação);
• preposição seguida de gerúndio e infinitivo pessoal (Ex.: Em se tratando de
aspectos metodológicos, o autor destaca cinco características de estudos
qualitativos);
• frases optativas/que exprimem desejo (Esperamos que se contribua com o
contexto educacional a partir do estudo realizado).

3.2 MESÓCLISE
Denomina-se mesóclise o fato de o pronome posicionar-se no meio do
verbo. Em duas situações é admitido o emprego da mesóclise. Vejamos:

• Verbo no futuro do presente. Ex.: Comprar-te-ei um presente. (comprarei +


te)
• Verbo no futuro do pretérito. Ex.: Comprar-te-ia um presente, se tivesse dinheiro.
(compraria + te)

DICAS

Caso você não recorde a conjugação desses tempos, consulte o item VERBOS,
estudado anteriormente neste livro.

3.3 ÊNCLISE
A ênclise ocorre quando o pronome se encontra depois do verbo. São
justificativas para a ênclise:

• Frase iniciada com verbo. Ex.: Entregaram-me os relatórios no momento da


reunião.
• Depois de pausa. Ex.: Crianças, comportem-se!
• Verbo no infinitivo impessoal. Ex.: Irei contar-lhe tudo sobre a reunião.

Vamos praticar o que você estudou sobre os pronomes?

157
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

AUTOATIVIDADE

1 O livro é para _________ estudar ________ agora, mas não __________


encontrei na aula de hoje.
a) ( ) eu – com ele – o
b) ( ) eu – com ele – lhe
c) ( ) mim – consigo – lhe
d) ( ) mim – contigo – te

2 Complete as lacunas com o pronome adequado:

1) _____ livro que você recebeu, é o livro de Comunicação e Linguagem?


2) _______ é meu paper da disciplina Seminário da Prática VI.

a) ( ) Esse – este
b) ( ) Este – este
c) ( ) Este – esse
d) ( ) Esse – esse

3 Complete as lacunas com os pronomes oblíquos que substituam os pronomes


retos de dentro dos parênteses, fazendo as modificações necessárias:

a) Envio ________ os livros pelo correio. (a eles)


b) Encontraram _______ escondido nos fundos da escola. (ele)
c) Quanto aos trabalhos de aula, fiz _________ dentro do prazo. (eles)
d) Ao iniciar uma disciplina nova, você precisará do livro. Por isso, é preciso
buscar _________ no polo. (ele)

158
RESUMO DO TÓPICO 1

Neste tópico, você aprendeu que:

• As classes de palavras são dez: substantivo, adjetivo, advérbio, numeral, artigo,


preposição, conjunção, verbo, interjeição e pronome.

• O substantivo é a classe de palavras que dá nome aos seres.

• O substantivo pode se classificar em: comum, próprio, concreto e abstrato.

• O adjetivo caracteriza o substantivo.

• O adjetivo pátrio indica a localidade de origem.

• O advérbio tem a função de acompanhar e/ou modificar um verbo, um adjetivo


ou um advérbio.

• O numeral é a classe de palavra que indica a quantidade.

• O numeral divide-se em quatro tipos: cardinal, ordinal, multiplicativo e


fracionário.

• O artigo tem a função de determinar ou indeterminar o substantivo.

• Definidos e indefinidos são os tipos de artigo.

• As preposições são palavras que ligam dois termos. Elas podem ser essenciais
e acidentais.

• A conjunção é a palavra que liga duas orações.

• A conjunção divide-se em coordenativa e subordinativa.

• A interjeição caracteriza-se por expressar alegria, espanto, tristeza, admiração.

• O ponto de exclamação acompanha a interjeição.

• O verbo é a classe gramatical mais variável, pois flexiona em pessoa, número,


tempo, modo e voz.

• Existem três modos verbais: indicativo, imperativo e subjuntivo.

159
• O modo indicativo divide-se entre os tempos: presente, pretérito imperfeito,
perfeito e mais-que-perfeito e futuro do presente e do pretérito.

• O modo imperativo apresenta duas divisões. São elas: imperativo negativo e


afirmativo.

• O modo subjuntivo apresenta três tempos. São eles: presente, pretérito imperfeito
e futuro.

• As vozes verbais são divididas em: passiva, ativa e reflexiva.

• Pronome é a palavra que acompanha ou substitui um nome.

• São tipos de pronomes: pessoal, tratamento, possessivo, demonstrativo,


interrogativo e relativo.

• O pronome pessoal subdivide-se em: caso reto, caso oblíquo e de tratamento.

• Empregamos os pronomes de tratamento para indicar o grau de formalidade


existente entre as pessoas do discurso.

• O pronome pode aparecer em três posições na frase.

o Próclise: pronome antes do verbo.

o Mesóclise: pronome no meio do verbo.

o Ênclise: pronome depois do verbo.

160
AUTOATIVIDADE

1 Leia a tirinha que segue:

FIGURA 7 – MAFALDA

Tem razão, Mafalda. Nossa geração é Portanto, Quando eu crescer,


Não posso ser uma mulher diferente, é a geração da não vou cair na vou comprar uma
como nossas mães, que se tecnologia, da era mediocridade do corte e máquina de tricô.
conformavam em aprender espacial, da eletrônica, etc. costura! Nunca! A ciência A cibernética me atrai!
corte e costura. me chama! Adoro a cibernética!

FONTE: <https://d2q576s0wzfxtl.cloudfront.net/2018/01/10162528/921.png>. Acesso em:


13 ago. 2018.

Agora, destaque do primeiro quadrinho do texto:

a) Os verbos. _____________________________________________________

b) Os substantivos. _______________________________________________

2 Os pronomes de tratamento indicam o grau de formalidade existente


entre as pessoas do discurso. Com base no exposto, indique o pronome de
tratamento adequado para as seguintes situações:

a) Funcionários públicos graduados. ________________________________


b) Altas autoridades do governo. ____________________________________
c) Reis. __________________________________________________________
d) Cardeais. ______________________________________________________
e) Reitores de universidades. _______________________________________

3 A colocação pronominal pode ocorrer de três maneiras distintas. São elas:


próclise (pronome antes do verbo), mesóclise (pronome no meio do verbo),
ênclise (pronome depois do verbo). Baseando-se nisso, escreva:

• Uma regra para cada caso.


• Elabore uma frase para exemplificar cada regra que você escreveu.
• Socialize sua resposta com a turma e seu tutor externo.

161
162
UNIDADE 3
TÓPICO 2

PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

1 INTRODUÇÃO
Todos nós sabemos o valor do uso da pontuação e da acentuação adequada
e precisa, seja oral ou escrita.

Os sinais de pontuação são marcações gráficas que servem para compor a


coesão e a coerência textual. Servem, também, para representar pausas, entonação
e ritmo da língua falada. Seu uso é fundamental, dado que, se utilizados
inadequadamente, podem levar a interpretações errôneas.

O mesmo acontece com a acentuação. Na Língua Portuguesa, a pronúncia


é que permite ao leitor identificar o real significado das palavras. Observe a tirinha
e tire suas conclusões quanto ao emprego do termo cágados com ou sem acento!

FIGURA 8 – CÁGADOS

Só os cágados, tem noção exata de como é


importante acentuar as palavras
corretamente.

FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/_KLpOBs9YT5E/S8d4e8jEb7I/AAAAAAAAAfE/_fNGy-aa4o4/
s640/c%C3%A1gados.PNG>. Acesso em: 13 ago. 2018.

163
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

2 O EMPREGO DOS SINAIS DE PONTUAÇÃO


Na linguagem escrita, utilizamos sinais para marcar pausas, ritmo,
divisões das ideias, relacionamento das palavras e grupos de palavras entre si,
como também os sinais que indicam a entonação na voz e melodia do texto.
Esses são chamados de sinais de pontuação e permitem à escrita maior clareza e
simplicidade. Além de pausa na fala e entonação da voz, os sinais de pontuação
reproduzem, na escrita, nossas emoções, intenções e anseios.

Nesta unidade, apresentaremos algumas das regras básicas para o uso


adequado da pontuação. Este livro servirá de guia durante sua caminhada
intelectual, aprimorando sua escrita e auxiliando-o na elaboração de papers,
trabalho de conclusão de curso, provas dissertativas, relatórios de estágio,
interpretação de textos e melhor desempenho em sua vida profissional durante a
escritura e leitura de textos escritos. Vamos começar?

2.1 O PONTO
O ponto final representa a pausa máxima da voz. É empregado ao final de
frases imperativas e declarativas (afirmativas). Exemplos:

Estude para a avaliação. (frase imperativa)


Vamos redigir o relatório ainda hoje. (frase declarativa/afirmativa)
Observe o texto a seguir, que traz mais informações sobre o uso do ponto final.

Ponto Final:

O ponto tem uso ortográfico em dois casos: para indicar o fim de período
declarativo e no final de abreviaturas (ex.: Sr., a.C., V.Sa.). No primeiro caso, a
função é sintática e equivale à pausa do discurso oral. No segundo caso, trata-se
de uma convenção ortográfica para orientar a leitura e sem correspondência no
discurso oral.

O uso do ponto como indicador de fim de período se dá no corpo de texto.


Praticamente não se usa ponto com essa função em final de títulos, manchetes e
em comunicação visual, mesmo que tenhamos, nesses casos, período completo.

Se o redator desejar, o ponto pode ser substituído pelo ponto de


exclamação. Com isso, está sugerindo uma leitura mais intensa para o período.
Nas frases interrogativas, a indicação de fim de período é feita pelo ponto de
interrogação.

Se o período terminar com uma abreviatura, não se deve colocar dois


pontos seguidos, um indicando final de período; e outro, abreviatura. Um ponto é
considerado suficiente para representar as duas funções. Exemplo:

164
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

Vários estados participarão do torneio: Paraná, Minas Gerais, São Paulo


etc.

Algumas abreviaturas não são finalizadas com ponto, como as de


unidades métricas. São exemplos: metro (m), grama (g), Kelvin (K).

FONTE: <http://radames.manosso.nom.br/linguagem/gramatica/grafologia/ponto/>. Acesso


em: 13 ago. 2018.

Em abreviaturas também utilizamos o ponto final (exceto em unidades de


medida: m (metros), h (horas), kg (quilogramas). Veja: Sr. (senhor), Sra. (senhora),
Srta. (senhorita), p. (página), etc. (et cetera), Cia. (companhia).

Caro acadêmico, que tal exercitar um pouco os seus conhecimentos?


Comente a utilização de pontos no texto seguinte.

Chegaram a Lisboa ao cair da tarde, na hora em que a suavidade do


céu infunde nas almas um doce pungimento, agora se vê como tinha razão
aquele admirável entendedor de sensações e impressões que afirmou ser a
paisagem um estado de alma, o que ele não soube foi dizer-nos como seriam
as vistas nos tempos em que não havia no mundo mais que pitecantropos,
com pouca alma ainda, e além de pouca, confusa. Passados tantos milênios,
e graças ao aperfeiçoamento, já pode Pedro Orce reconhecer na melancolia
aparente da cidade a imagem fiel de sua própria tristeza íntima. Habituara-
se à companhia destes portugueses que o tinham ido procurar às inóspitas
paragens onde nascera e vivia, agora não tarda que devam separar-se, cada
um para seu lado nem as famílias resistem à erosão da necessidade, que
fariam simples conhecidos, amigos de fresca data e tenras raízes.

FONTE: SARAMAGO, José. A jangada de pedra. Porto Alegre: Companhia de Bolso, 2006, p.93.

UNI

Acesse o material de apoio para encontrar a resolução desta atividade.

165
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

2.2 DOIS-PONTOS
Os dois-pontos são empregados, na escrita, para marcar uma sensível
suspensão da voz na melodia de uma frase não concluída. São empregados nos
seguintes casos:

• Para iniciar uma enumeração. Exemplo:

O computador tem a seguinte configuração:


- memória RAM 500 MB;
- HD 120 GB;
- fax-modem;
- placa de rede;
- som.

• Antes de uma citação. Exemplos:

“Eu lhe responderia: a vida é uma ilusão”... (A. PEIXOTO)


Como já diz a música: o poeta não morreu.

• Para iniciar a fala de uma pessoa, personagem. Exemplo:

O repórter disse: – Nossa reportagem volta à cena do crime.

• Para indicar esclarecimento, um resultado ou resumo do que já foi dito. Exemplos:


O Ministério da Saúde adverte: fumar é prejudicial à saúde.

Nota de esclarecimento: nossa empresa não envia e-mail a seus clientes.


Quaisquer informações devem ser tratadas em nosso escritório.

2.3 O PONTO E VÍRGULA


Como o próprio nome indica, este sinal serve de intermediário entre
o ponto e a vírgula, podendo aproximar-se ora mais daquele, ora mais desta,
segundo os valores pausais e melódicos que representa no texto. Emprega-se
o ponto e vírgula nos seguintes casos:

166
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

• Para itens de uma enumeração. Exemplo: As vozes verbais são:

a) voz ativa;
b) voz passiva;
c) voz reflexiva.

• Para aumentar a pausa antes das conjunções adversativas – mas, porém,


contudo, todavia – e substituir a vírgula. Exemplo:

Deveria entregar o documento hoje; porém só o entregarei amanhã à noite.

• Para separar orações coordenadas que já tenham vírgula em seu interior.


Exemplo:

“Não gostem, e abrandem-se; não gostem, quebrem-se; não gostem, e


frutifiquem”. (Pe. Antônio Vieira)

Chegamos ao final da explicação de mais um sinal de pontuação. O


próximo que estudaremos é a vírgula. Esta requer muita atenção.

2.4 A VÍRGULA
A vírgula é um recurso textual que pode modificar o sentido do texto. Por
isso, é sempre importante que você revise bem seus escritos para verificar se suas
intenções estão claras. Para entender melhor sobre o que estamos falando, veja a
figura a seguir:

167
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

FIGURA 9– VALOR SEMÂNTICO DA VÍRGULA

FONTE: <https://i.pinimg.com/564x/df/55/58/df5558ddab2789f46da6eebf0884649c.
jpg>. Acesso em: 13 ago. 2018.

168
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

A vírgula também marca uma pequena pausa e deve indicar uma


mudança na entonação. Ela ainda é usada nos seguintes casos:

• Para separar o nome de localidades das datas. Exemplo:

Indaial, 14 de janeiro de 2012.

Salvador, 24 de dezembro de 2011.

Capivari de Baixo, 25 de março de 2011.

• Para separar o vocativo. Exemplo:

“Oremos, Maria, porque eu quero agradecer ao Divino Criador sua


proteção
sobre esta casa”. (Cornélio Penna)

Senhor, eu preciso que você envie a ata da reunião com antecedência.

ATENCAO

Caro acadêmico, você recorda o que é VOCATIVO? Então, vamos conceituar.


Vocativo é um termo que não possui relação sintática com outro termo da oração. Não
pertence, portanto, nem ao sujeito nem ao predicado. É o termo que serve para chamar,
invocar ou interpelar um ouvinte real ou hipotético. Por seu caráter, geralmente se relaciona
à segunda pessoa do discurso.

• Para separar o aposto. Exemplo:

Pelé, o rei do futebol, é um grande ídolo para muitos jogadores.

Brasília, capital da república, fundou-se em 1960.

Brasil, um dos maiores países do mundo, tem parte da população que


vive em baixas condições.

169
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

ATENCAO

APOSTO é um termo que se junta a outro de valor substantivo ou pronominal


para explicá-lo ou especificá-lo melhor.

• Para separar expressões explicativas ou retificativas, tais como: isto é, aliás,


além, por exemplo, além disso, então. Exemplos:

O sistema precisa de proteção, isto é, de um bom antivírus.

[...] além disso, precisamos de alunos conscientes.

Os visitantes viajaram ontem, aliás, anteontem.

• Para separar orações coordenadas assindéticas. Exemplos:

“Os anos vieram,/ o menino crescia,/ as esperanças maternas de D. Carmo


iam morrendo”. (Machado de Assis)

Abriu a janela vagarosamente,/ sentiu o vento,/ foi até a sala,/ adormeceu


em paz.

ATENCAO

Oração coordenada assindética é aquela colocada justaposta, ou seja, uma ao


lado da outra, sem qualquer conectivo que as enlace.

• Para separar orações coordenadas sindéticas, desde que não sejam iniciadas
por e, ou, nem. Exemplo:

“Nas horas nobres deitava no chão, cruzava as mãos debaixo da cabeça e


ficava olhando as nuvens...” (Lygia Fagundes Telles)

170
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

ATENCAO

Oração coordenada sindética é aquela ligada por uma conjunção coordenativa.


No exemplo a conjunção coordenativa é a vogal “e”.

• Para separar orações adjetivas explicativas. Exemplos:

O motorista, que fumava nervosamente, ficou quieto. As crianças, que


gostam de pular, divertiram-se muito.

ATENCAO

Oração adjetiva explicativa é aquela que acrescenta ao antecedente uma


qualidade acessória, isto é, esclarece a qualidade ou a sua significação. No exemplo anterior,
a oração adjetiva explicativa é introduzida pelo pronome relativo “que”.

• Para separar o adjunto adverbial. Exemplo:

Com a pá, retirou a sujeira.

ATENCAO

Adjunto adverbial é o termo da oração que indica uma circunstância (dando


ideia de tempo, lugar, modo, causa, finalidade etc.). O adjunto adverbial é o termo que
modifica o sentido de um verbo, de um adjetivo ou de um advérbio. No exemplo anterior, o
adjunto adverbial indica modo.

• Para separar termos da mesma função sintática. Exemplos:

Gostava dos amigos, da cidade, das coisas.

171
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Crianças, jovens e idosos participaram do manifesto contra a violência.

• Para separar elementos paralelos de um provérbio. Exemplos:

Tal pai, tal filho.

Casa de ferreiro, espeto de pau.

Quanto maior a nau, maior a tormenta.

NOTA

Segundo o Dicionário Michaelis (2008, p. 709), um provérbio é: “Frase curta de


caráter prático e popular [...] aforismo, anexim, ditado, máxima, rifão”.

Vale ressaltar que, em alguns casos, é proibido o uso da vírgula. São eles:

• Entre o sujeito e o verbo de uma oração. Exemplo:

Alguns administradores estiveram no Congresso.

Note que o emprego de uma vírgula entre o sujeito (Alguns


administradores) e o verbo (estiveram) não seria admissível, pois comprometeria
a lógica estabelecida na relação sujeito-verbo.

• Entre o verbo de uma oração e seus complementos. Exemplo:

Alguns jovens ganharam um prêmio.

Perceba, acadêmico, que o emprego de uma vírgula entre o verbo


(ganharam) e o objeto direto (um prêmio) não seria cabível, pois comprometeria
a lógica estabelecida nesta relação - verbo e objeto direto.

Leia o trecho do texto que segue, o qual faz referência sobre a importância
da vírgula nos textos escritos. Você perceberá que a falta dela ou o uso inadequado
podem gerar informações distintas.

172
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

A vírgula pode ser uma pausa ou não. Não, espere. Não espere. Ela pode
sumir com o seu dinheiro. 23,4. 2,34. Pode ser autoritária. Aceito, obrigado.
Aceito obrigado. Pode criar heróis. Isso só, ele resolve. Isso só ele resolve. A
vírgula muda uma opinião. Não queremos saber. Não, queremos saber...

FONTE: <https://brainly.com.br/tarefa/14700527>. Acesso em: 13 ago. 2018.

DICAS

No Youtube, você encontrará a Campanha dos 100 anos da ABI, que aborda a
importância da vírgula. Veja o vídeo <https://www.youtube.com/watch?v=NDn1tukRE_E> e
reflita sobre algumas frases que nele se fazem presentes:
• Não, espere! / Não espere!
• Aceito, obrigado. / Aceito obrigado.
• Isso só, ele resolve. / Isso, só ele resolve.
• Esse, juiz, é corrupto. / Esse juiz é corrupto.
• Vamos perder, nada foi resolvido. / Vamos perder nada, foi resolvido.
• “Não queremos saber!” / “Não, queremos saber!”

Agora que já entendemos o importante papel que este sinal de pontuação


assume em textos escritos, vamos adiante?

AUTOATIVIDADE

1 No trecho a seguir, de uma notícia do portal G1, a pontuação foi removida,


dificultando nossa leitura. Leia atentamente o parágrafo e procure pontuar
com vírgula, ponto final, e dois-pontos onde for necessário (ao total, serão
três vírgulas; dois dois-pontos; dois pontos finais):

Em 1982 o humorista teve seu próprio programa "Estúdio A... Gildo"


uma das últimas aparições do ator na televisão foi em um episódio especial
de "Tá no Ar a TV na TV" da Rede Globo que homenageou grandes nomes do
humor

FONTE: <https://g1.globo.com/pop-arte/noticia/agildo-ribeiro-morre-aos-86-anos.ghtml>.
Acesso em: 28 abr. 2018.

173
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

2 Assinale a alternativa cuja vírgula está mal empregada:

a) ( ) As pesquisas sobre células-troncos, que foram empreendidas ao longo


dos últimos cinco anos, revelaram resultados surpreendentes.
b) ( ) Este trabalho, tem o objetivo de realizar um levantamento bibliográfico
das pesquisas de gênero no campo da educação no período de dez anos.
c) ( ) Com as entrevistas semiestruturadas, geram-se os dados qualitativos
do estudo.
d) ( ) Utilizaram-se como principais instrumentos de pesquisa as entrevistas
narrativas, diário de campo e questionários com perguntas abertas e
fechadas.

3 Leia a frase a seguir:

“Se o homem soubesse o valor que tem a mulher andaria de quatro aos
seus pés”.

Procure pontuar a frase com o uso da vírgula onde achar mais


apropriado. Em seguida, reflita sobre a possibilidade de essa vírgula poder
ser usada em outro espaço da frase, alterando seu sentido.

2.5 O PONTO DE INTERROGAÇÃO


É utilizado ao fim de uma palavra, oração ou frase, indicando uma pergunta
direta. Exemplos:

Quem é você?

Por que não me disseram nada sobre o caso?

O ponto de interrogação não deve ser usado nas perguntas indiretas.


Exemplo:

Perguntei a você quem estava no quarto.

Atenção! Compare: - Quem chegou? [= interrogação direta]

- Diga-me quem chegou. [= interrogação indireta]

2.6 O PONTO DE EXCLAMAÇÃO


É usado no fim de frases exclamativas, depois de interjeições ou do
imperativo. Exemplos:

174
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

Ah! Não se esqueça de trazer o material amanhã! (FRASE EXCLAMATIVA)

Nossa! Que lindo seu trabalho! (INTERJEIÇÃO)

Coração, para! Ou refreia, ou morre! (A. de Oliveira) (IMPERATIVO)

Leia a tirinha que segue. Nela, encontramos mais exemplos do emprego


do ponto de exclamação.

FIGURA 10 – TIRINHA
Adoro a Os Vou
Natureza! passarinhos bater nessa
moram dentro garota!
do meu coração!

FONTE: <http://mariabobrinha.blogspot.com/2008/04/melhor-tirinha-dos-ltimos-tempos.
html>. Acesso em: 08 nov. 2018.

2.7 AS RETICÊNCIAS
Este sinal de pontuação marca uma suspensão na frase, devido, muitas
vezes, a elementos de natureza emocional. Dito em outras palavras, as reticências
indicam uma interrupção ou suspensão na sequência normal da frase. São usadas
nos seguintes casos:

• Para indicar suspensão ou interrupção do pensamento. Exemplos:

Estava digitando quando...

Guiava tranquilamente quando passei pela cidade e...

• Para marcar suspensões provocadas por hesitações, surpresa, dúvida e timidez,


comuns na língua falada. Exemplos:

Fiador... para o senhor?! Ora!... (G. AMADO) Falaram todos. Quis falar...
Não pude...

Baixei os olhos... e empalideci... (A.TAVARES)

175
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

• Para indicar movimento ou continuação de um fato. Exemplo:

E as pessoas foram entrando...

2.8 AS ASPAS
São empregadas nos seguintes casos:

• Citações diretas. Exemplo:

Segundo Silva (2012, p. 91), a representação é “uma forma de atribuição de


sentido. Como tal, a representação é um sistema linguístico e cultural: arbitrário,
indeterminado e estreitamente ligado a relações de poder”.

Na disciplina de metodologia científica, você deve ter se deparado com


a explicação de aspas nas citações, mas é sempre bom lembrar! Usamos aspas
quando a citação é direta, isto é, quando trazemos um trecho literal da produção
intelectual de outra pessoa. Além disso, para o uso de aspas, a citação direta
precisa ser igual ou menor que três linhas. Se a citação direta for maior que isto,
não utilizamos aspas para marcar o trecho citado, mas realizamos o recuo de 4
cm do trecho, com espaçamento simples entre linhas e tamanho da fonte em 10.
Para relembrar esse conteúdo, não deixe de revisitar seu material de metodologia
científica.

• Também usamos aspas na representação de nomes de livros e legendas.


Exemplos:

Já li “O Ateneu”, de Raul Pompéia.

“Os Lusíadas”, de Camões, têm grande importância literária.

2.9 O TRAVESSÃO
Este sinal de pontuação é utilizado:

• Para indicar a mudança de interlocutor nos diálogos.

– Por que você não toca? – perguntei.


– Eu queria, mas tenho medo.
– Medo de quê?... (José J. Veiga. Os cavalinhos de Platiplanto)

176
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

Neste exemplo, você pode perceber que a mudança de interlocutor é


indicada através do uso do travessão, certo? Em outro gênero literário (histórias
em quadrinhos), a mudança de interlocutor é marcada através da mudança de
balões. Veja:

FIGURA 11 – Calvin e Hobbes


Como vamos Tem tantos
brincar de guerra? modelos.

Eu serei o des- ...E você vai ser o Nós começamos a guerra, ai


temido americano, repugnante e dis- se você for acertado por um
defensor da dardo, você esta morto e o Certo.
liberdade e da crente comunista outro lado ganha, ok?
democracia. opressor.

Tipo de brinca-
deira estúpida
não acha?

FONTE: <http://i.imgur.com/SjzYc85.gif>. Acesso em: 05 nov. 2018.

• Para isolar a fala da personagem da fala do narrador. Exemplo:

– Que deseja agora? – gritou-lhe afinal, a voz transtornada.


– Já não lhe disse que não tenho nada a ver com suas histórias? (Fernando Sabino)

• Para destacar ou isolar palavras ou expressões no interior das frases (como


se fossem parênteses). Exemplo: Grande futuro? Talvez naturalista, literato,
arqueólogo, banqueiro, político, ou até bispo – bispo que fosse –, uma vez
que fosse um cargo... (Machado de Assis).

2.10 OS PARÊNTESES
Este sinal de pontuação tem a função de intercalar, no texto, qualquer
indicação acessória. É geralmente utilizado nos seguintes casos:

• Na separação de indicação de ordem explicativa. Exemplo:

177
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Predicado verbo-nominal é aquele que tem dois núcleos: o verbo (núcleo


verbal) e o predicativo (núcleo nominal).

• Na separação de um comentário ou reflexão. Exemplo:

Os escândalos estão se proliferando (a imagem política do Brasil está


manchada) por todo o país.

• Para separar indicações bibliográficas. Leia o poema que segue, ele será nosso
exemplo:

Pra que partiu?


Estou sentado sobre a minha mala
No velho bergantim desmantelado...
Quanto tempo, meu Deus, malbaratado Em tanta inútil, misteriosa escala!
(Mario Quintana, A Rua dos Cata-Ventos, Porto Alegre, 1972).

Depois de conhecermos detalhadamente os sinais de pontuação e suas


funções, observe o texto que segue. Os sinais de pontuação foram omitidos
propositalmente. Para você, qual a pontuação correta? De que forma você
pontuaria o fragmento que segue? Reescreva-o e depois socialize o resultado com
a turma. Você perceberá que o sinal de pontuação pode mudar todo o sentido
conforme for empregado.

Um homem rico estava muito mal. Pediu papel e pena, escreveu assim:

“deixo meus bens à minha irmã não a meu sobrinho jamais será paga a
conta do alfaiate nada dou aos pobres” (autor desconhecido)

Morreu antes de fazer a pontuação. A quem ele deixou a fortuna?

3 A ACENTUAÇÃO DAS PALAVRAS


Você já parou para pensar como seria complexo para um leitor
compreender um texto sem uso da acentuação? Pense, por exemplo, como o
acento é responsável para evitar ambiguidades ou trocas em palavras que teriam
a mesma grafia, se não fosse o acento (é/e; está/esta/ substância/substancia).
Na língua escrita, existem sinais que acompanham as letras. Tais sinais estão
relacionados à pronúncia das palavras. O acento gráfico é um desses sinais e
possui três nomenclaturas. São elas:

178
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

• agudo (´);
• circunflexo (^);
• grave (`).

Antes de iniciarmos o estudo da acentuação gráfica, devemos conhecer a


sílaba tônica das palavras. Todas as palavras da língua portuguesa apresentam
uma sílaba mais forte. Sílaba tônica é aquela pronunciada com mais intensidade,
mais força. As demais sílabas de uma palavra são chamadas átonas.

Só existe uma sílaba tônica em cada palavra. Por exemplo: na palavra


cadeira, a sílaba tônica é a penúltima (dei); as outras, (ca) e (ra) são átonas. Na
língua portuguesa, a sílaba tônica só pode ocorrer nas três últimas sílabas (sempre
contadas de trás para frente): quando ocorre na última é chamada de oxítona; na
penúltima, de paroxítona; e na antepenúltima, de proparoxítona. Vamos conhecer
as particularidades de cada classificação.

3.1 A CLASSIFICAÇÃO DE ACORDO COM A TONICIDADE


DAS SÍLABAS
Como vimos, de acordo com a classificação da sílaba tônica, as palavras
podem ser: oxítona, paroxítona e proparoxítona. Vejamos exemplos:

Pa-le-tó (última) - oxítona

Pa-li-to (penúltima) - paroxítona

Pá-li-do (antepenúltima) - proparoxítona

Em todos os exemplos mencionados, temos palavras com mais de uma


sílaba. Existem, todavia, em nossa língua, palavras com uma única sílaba. São os
chamados monossílabos, que podem ser tônicos ou átonos. Confira:

Monossílabos tônicos: são independentes e possuem a mesma força das


sílabas tônicas. Ex.: há, pá, pó, lês.

Monossílabos átonos: precisam de outras palavras que lhes deem suporte,


pois não são independentes e se parecem com sílabas átonas. Além disso, não têm
sentido quando usadas de forma isolada. Fazem parte desse grupo os artigos,
pronomes oblíquos, preposições, junções de preposições e artigos, conjunções,
pronome relativo que. Ex.: o, a, os, as, lhe, com etc.

Agora que já sabemos o que é tonicidade e que, conforme a posição da


sílaba tônica, as palavras podem ter classificações diferentes, veremos em quais
situações devemos acentuar as palavras. Preparado? Então, vamos em frente!

179
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

ATENCAO

Nem todas as palavras da nossa língua são acentuadas graficamente. Apesar


de existirem palavras que não levam acento, elas possuem sílaba tônica. Veremos adiante
em que ocasiões devemos acentuar as palavras, conforme algumas regras. Lembre-se de
que quando uma palavra recebe acento, este deve ser colocado necessariamente na sílaba
tônica.

As regras de acentuação gráfica relacionam-se ao emprego dos acentos


agudo e circunflexo. Veja a seguir as regras de acentuação gráfica das palavras
proparoxítonas, paroxítonas e oxítonas.

DICAS

Para compreender as explicações a seguir, você precisa ter um conhecimento


prévio acerca de sílabas e separação de sílabas. Caso precise revisitar esse conteúdo,
recomendamos que acesse o site a seguir: <https://www.gramaticaparaconcursos.
com/2014/06/regras-de-separacao-de-silabas.html>. Você também pode acessar vídeos
disponíveis no Youtube para complementar seus estudos, como o vídeo: <https://www.
youtube.com/watch?v=J9n6mT0wnUA>. Não deixe de tirar suas dúvidas com a equipe da
UNIASSELVI!

Proparoxítonas: todas as palavras levam acento. Ex.: sábado, elétrico,


música, matemática, límpido, lúcido, lâmpada, fôlego, excêntrico, gênio, crânio,
sílaba etc.

Paroxítonas: acentuam-se todas as palavras paroxítonas com a seguinte


terminação:

• L – amável, louvável, túnel...


• N – elétron, próton, hífen...
• R – açúcar, câncer...
• X – ônix, tórax...
• Ps – bíceps, tríceps, fórceps...
• us – vírus, bônus, ânus...
• ã(s) – órfã, ímã...
• ão(s) – bênção, órfãos, órgãos...
• ei(s) – pônei, jóquei...

180
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

• i(s) – táxi, júris, tênis...


• um, uns – bônus, álbum, álbuns...
• Ditongo crescente – sério, ânsia, mágoa, substância...

Oxítonas: acentuam-se todas as palavras oxítonas terminadas em:

• a(s) – Pará, sofás, babá, está...


• e(s) – café, chulé, boné, pontapé...
• o(s) – jiló, avó, avôs...
• em, ens – também, parabéns, alguém...

ATENCAO

Muitas pessoas costumam acentuar palavras oxítonas terminadas em “U”.


Lembre- se: oxítonas terminadas em “U” não são acentuadas. Portanto, as palavras: angu,
anu, Aracaju, babaçu, belzebu, bambu, iglu, Iguaçu, inhambu, Itaipu, Itu, jaburu, jacu, peru,
pirarucu, surucucu, tatu e tantas outras não recebem acento.

NOTA

O Acordo Ortográfico de 1991 (uso oficial no início de 2012) permitiu o uso


tanto do acento agudo quanto do circunflexo nos casos de vogais finais tônicas “e” e “o” em
posição final de sílaba, seguidas de “m” ou “n”, das palavras paroxítonas e proparoxítonas. No
Brasil, usa-se o circunflexo e, em Portugal, agudo. Ex.: ônix/ónix, acadêmico/académico.

Além dessas regras, existem outras muito importantes, e devem ser


estudadas. Vejamos:

• Regra do U e do I: quando a vogal I ou U estiver sozinha na sílaba ou


acompanhadas de S, em uma sílaba tônica, e formar um hiato com a vogal
anterior, deve ser acentuada. Ex.: sa-ú-de, ca-ís-te, ra-í-zes, Cam-bo-ri-ú.

181
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

NOTA

Hiato é o encontro de dois sons vocálicos pronunciados em sílabas separadas.


Ex.: escoar (es-co-ar), traído (tra-í-do).

• Regra do U e do I: não há acento no I e U tônico dos hiatos quando vierem


precedidos de ditongo. Ex.:

ANTES do Acordo AGORA


Bocaiúva Bocaiuva
feiúra feiura

NOTA

Ditongo é o encontro de dois sons vocálicos na mesma sílaba

• Regra do U e do I: não devem ser acentuadas as palavras em que o I e U forem


tônicos, porém sucedidos de NH. Ex.: ba-i-nha, ta-i-nha, ra-i-nha.

• Regra dos hiatos: quando a palavra paroxítona terminar em hiato OO e EE, o


acento não deve mais existir. Ex.: voo, enjoo, leem, creem.

AUTOATIVIDADE

1 Acentue, quando for possível, as palavras a seguir e explique a regra que lhe
norteou para a acentuação:

a) Coco (fruta): _______________________________________________________


b) Estuda-lo: _________________________________________________________
c) Viuva: ____________________________________________________________
d) Estatico: __________________________________________________________
e) Urubu: ____________________________________________________________
f) Pantano: ___________________________________________________________

182
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

4 CRASE
A crase é um fenômeno fonético que corresponde à união do a preposição
com o a artigo, ou ainda os pronomes demonstrativos aquele, aquela. Quando
ocorre essa união, devemos indicá-la com o acento grave. Existem regras para
o uso correto do acento grave. Para melhor explicação e visualização, dispomo-
las em um quadro, que segue:

QUADRO 22 - CRASE

CASOS OBRIGATÓRIOS USO IMPRÓPRIO DA CRASE


Diante de nome feminino acompanhado
Diante de nomes masculinos.
de artigo.
Diante de nomes de cidade e países
Antes de verbo.
particularizados.
Diante de demonstrativos começados
Antes de palavras de sentido indefinido.
por a.
Nas locuções formadas por nomes Antes da palavra casa, quando significar
femininos. lugar onde o falante mora.

Diante de pronomes possessivos que se Antes da palavra terra, no sentido de chão


referem a substantivo oculto. firme.

Antes de palavras tomadas em sentido


geral.

Nas expressões de palavras repetidas.

Antes de pronomes pessoais de


tratamento.

FONTE: As autoras

Estas são as regrinhas para o uso da crase, no entanto, nem sempre é simples
identificar se a palavra admite ou não o artigo. No caso de nomes de lugares, uma
maneira prática de identificar a crase (fusão de a + a) é construindo uma frase com
o verbo voltar. Ficou complicado? Vamos ver um exemplo:

Fui a São Paulo.


Voltei de São Paulo. Note que a preposição de não admite artigo.

Fui à Bahia.
Voltei da Bahia. Neste caso, a preposição da é formada pela preposição
de + a, logo, ocorre a fusão de a + a quando dizemos “Fui à Bahia”. Portanto, há o
emprego do acento grave.

183
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Existem, ainda, casos em que o emprego da crase é facultativo. São eles:

• Antes de nomes femininos referentes a pessoas. Ex.:

Quando questiono problemas sobre a empresa, refiro-me a Ariane.

Quando questiono problemas sobre a empresa, refiro-me à Ariane.

• Antes de pronomes possessivos femininos. Ex.:

A felicidade está relacionada a nossa capacidade de colocar-se no lugar


do outro.

A felicidade está relacionada à nossa capacidade de colocar-se no lugar


do outro.

Para usar corretamente o sinal grave (indicativo de crase), é necessário


atenção.

AUTOATIVIDADE
1 Em uma das frases abaixo a crase foi empregada incorretamente. Localize o
erro e explique porque é incorreto utilizar crase nessa situação.
a) ( ) Iremos à fazenda amanhã.
b) ( ) A professora fez críticas à algumas alunas.
c) ( ) Ela está à espera de vocês.
d) ( ) Vou à biblioteca depois da aula.

2 Verifique, novamente, a alternativa que apresenta o emprego incorreto da


crase.
a) ( ) O suspeito não estava disposto à colaborar com as investigações.
b) ( ) Os dois times estavam frente à frente novamente para disputar o prêmio.
c) ( ) Os estudantes foram à São Paulo para assistir ao show.
d) ( ) Nenhuma frase aplica corretamente a crase.

3 Complete as lacunas com a ou à:

“Ontem fui _______ aula para realizar _______ avaliação de Comunicação


e Linguagem. O livro, apresentou tópicos desde classes de palavras _______
estudos da acentuação. Por isso, comecei _______ estudar bastante desde o
início da disciplina”.

Agora, convidamos você a iniciar o estudo sobre a hifenização!

184
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

5 HÍFEN
Iniciamos, agora, mais uma etapa de estudos. Apresentamos a seguir as
regras da hifenização. Veremos uma a uma, seguidas de exemplos para facilitar
e aprimorar sua escrita. Este livro será, durante sua caminhada intelectual, uma
ferramenta indispensável e de constante consulta, deixando-o mais seguro na
sua escrita, durante a produção de trabalhos, elaboração de e-mails, relatórios,
atas, ofícios e demais documentos presentes em sua vida acadêmica, pessoal e
profissional. Vamos iniciar?

a) Em locuções: em geral, não recebem hífen, sejam substantivas, adjetivas


pronominais, adverbiais, prepositivas ou conjuncionais. Exemplos:

• Locuções substantivas: ponto e vírgula, fim de semana, sala de jantar, comum


de dois.

• Locuções adjetivas: à toa, cor de café com leite.

• Locuções pronominais: ele próprio, quem quer que seja, nós mesmos.

• Locuções adverbiais: à vontade, a olhos vistos, tão somente.

• Locuções prepositivas: por cima de, abaixo de, a cerca de, apesar de.

• Locuções conjuncionais: ao passo que, logo que, por conseguinte.

Caro acadêmico! Vimos que as locuções, em geral, não recebem hífen. Em


algumas delas, porém, o uso do hífen tornou-se consagrado e permaneceu, mesmo
depois da última reforma ortográfica. São elas: cor-de-rosa, mais-que-perfeito,
água-de-colônia, arco-da-velha, pé-de-meia, à queima-roupa, ao deus-dará.

Agora, vamos em frente! Falaremos das palavras compostas.

b) Em compostos:

• Palavras compostas por aglutinação, aquelas que têm mais de um radical, mas
se unem e se integram, formando uma só palavra, não recebem hífen. Veja alguns
exemplos:

Girassol Paraquedas
Pontapé Mandachuva

185
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

• Usa-se o hífen em compostos com elementos repetidos, alternadamente ou não.


Exemplos:

blá-blá-blá zigue-zague
lenga-lenga zás-trás

Bom, até aqui tudo certo, não é mesmo? Agora, vamos conhecer as regras da
hifenização nas formações com prefixos. Nessas formações, as regras apresentam-
se mais detalhadas. São vários os casos, precisamos conhecê-los separadamente.

c) Em formações com prefixos:

• Devemos hifenizar quando a palavra é formada por um prefixo ou (falso prefixo)


terminado por vogal igual à vogal que inicia o segundo elemento. Exemplos:

anti-ibérico contra-assalto
anti-iluminismo micro-ondas
auto-ônibus sobre-estimar
semi-improviso sobre-exposição

NOTA

FALSOS PREFIXOS são elementos de composição que ora funcionam como


radicais, ora como prefixos. Como exemplos, podemos citar: mal, proto, auto, contra, semi,
pseudo, infra, neo, entre outros.

Leia a tirinha em destaque, da Turma do Português.

186
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

FIGURA 12 – TURMA DO PORTUGUÊS

em... um hífen entre nós


Ana, Ana,
Shirley, fofa. depois dessa
to tentando O Bomba ta com Assim
entender o vou colocar
uma dúvida. Já um hífen na como os
que é um falso falo com você. anti-ignorantes
prefixo. Você já nossa relação.
fazem!
viu algum?

Sei sim.
É quando não
acerto o prefixo
do telefone da
vó que mora em
outro estado.

• Não devemos hifenizar quando o primeiro elemento termina por vogal


diferente daquela que inicia o segundo elemento. Exemplos:

aeroespacial Antialcoólico
autoescola Extraescolar
infraestrutura Infraumbilical
plurianual Pluriocular

• Nos casos em que o segundo elemento iniciar pela mesma consoante dos prefixos,
hiper, inter, sub e super, devemos escrever com hífen. Exemplos:

hiper-realista inter-relação

sub-base super-regeneração

• Usa-se o hífen nos casos de “sub” e “sob”, também diante de palavra iniciada
por “r”. Exemplos:

sub-região sub-reitor
sub-regional sob-roda

Seguindo, temos as palavras iniciadas com H. Estas devem seguir as


regras:

• Usa-se o hífen diante de palavra iniciada por h. Exemplos:

187
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

anti-higiênico anti-histórico
auto-hemoterapia contra-habitual
macro-história super-homem

• Com prefixos acentuados graficamente, como: pós, pré e pró, e seguidos de


palavras independentes, usa-se o hífen. Exemplos:

pós-classicismo pré-contratação
pós-data pré-medicação
pró-forma pró-homem

• Não se usa o hífen quando o prefixo terminar por vogal e a outra palavra começar
por r ou s. Neste caso, dobram-se essas letras. Exemplos:

minissaia antirracismo
ultrassom semirreta

• Usa-se o hífen com os prefixos circum e pan diante de palavra iniciada por
“m”, “n”, “h” e “vogal”. Exemplos:

circum-murado circum-navegação

pan-americano pan-hidrômetro

• Os prefixos co, pro, pre e re unem-se ao segundo elemento, mesmo quando


este inicia com “o” e “e”. Exemplos:

Coacusado cocontratado
Preexistente prodivisão
Reeleição reescrever

UNI

Note que, neste caso, os prefixos pro e pre não estão acentuados graficamente,
portanto são escritos aglutinadamente (junto).

188
TÓPICO 2 | PONTUAÇÃO, ACENTUAÇÃO E O USO DO HÍFEN

• Quando o primeiro elemento é um dos prefixos ex, sota, soto, vice, usa-se o hífen.
Exemplos:

ex-voto sota-embaixador
soto-general vice-tutor

• Não devemos usar o hífen em palavras em que o primeiro elemento termina


com consoante e o segundo inicia com vogal. Exemplos:

hiperárido interacadêmico Superácido

Outra dica importante em se tratando de hifenização é de que não devemos


hifenizar vocábulos que tragam o NÃO com função prefixal. Observe alguns
exemplos:

não agressão não violência não participação

AUTOATIVIDADE

1 Você estudou que locuções (sejam substantivas, adjetivas pronominais,


adverbiais, prepositivas ou conjuncionais) e palavras compostas por
aglutinação, em geral, não recebem hífen.

Assinale a alternativa que apresenta o uso de hífen incorretamente:


a) ( ) fim-de-semana, semi-estruturada.
b) ( ) lenga-lenga, micro-ônibus.
c) ( ) semi-improviso, inter-relação.
d) ( ) sub-regional, anti-higiênico.

2 Escolha a alternativa que apresenta o uso correto do hífen:


a) ( ) pós-guerra.
b) ( ) pós guerra.

3 Escolha a alternativa que apresenta o uso correto do hífen:


a) ( ) ultra-sonografia.
b) ( ) ultrassonografia.

189
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

4 Escolha a alternativa que apresenta o uso correto do hífen:


a) ( ) pan-americano.
b) ( ) panamericano.

5 Escolha a alternativa que apresenta o uso correto do hífen:


a) ( ) co-oficial.
b) ( ) cooficial.

6 Escolha a alternativa que apresenta o uso correto do hífen:


a) ( ) vice reitor.
b) ( ) vice-reitor.

190
RESUMO DO TÓPICO 2

Neste tópico, você aprendeu que:

• Os sinais de pontuação são recursos próprios da língua escrita.

• Não possuem critérios rígidos a serem seguidos.

• O ponto final representa a pausa máxima da voz.

• O ponto de interrogação é usado ao final das interrogações diretas.

• O ponto de exclamação é empregado ao final de frases exclamativas e/ou


imperativas.

• A vírgula pode ser um recurso importante para definir sentidos diferentes para
o texto, por isso seu uso deve ser analisado com cautela.

• A vírgula também é usada para separar datas, vocativo, aposto e elementos de


um provérbio.

• O ponto e vírgula não tem função nem de vírgula nem de ponto final (mas
funciona como um intermediário entre os dois) e é especialmente usado para
separar itens em uma enumeração.

• Os dois-pontos marcam uma sensível suspensão da voz numa frase não


concluída.

• As reticências são empregadas para realçar uma palavra ou expressão.

• Nas citações empregamos as aspas.

• Os parênteses intercalam, no texto, informação acessória.

• Usa-se o travessão para evidenciar palavras.

• A classificação das palavras se dá por meio da sílaba tônica.

• As oxítonas são palavras que possuem a última sílaba tônica.

• As paroxítonas são palavras que possuem a penúltima sílaba tônica.

191
• As proparoxítonas são palavras que possuem a antepenúltima sílaba tônica.

• Todas as palavras proparoxítonas da língua portuguesa recebem acento gráfico.

• Não existe, na língua portuguesa, palavra acentuada além da antepenúltima


sílaba.

• Ditongo é o encontro de duas vogais na mesma sílaba.

• Hiato é o encontro de duas vogais em sílabas diferentes.

• Tritongo é o encontro de três vogais na mesma sílaba.

• A crase é a fusão de a + a.

• Grave é o nome do acento indicativo de crase.

• Não se utiliza crase diante de nomes masculinos ou verbos no infinitivo.

• Antes das palavras: distância, terra e casa, em geral, não se deve utilizar
acento grave.

• Deve-se empregar a crase diante de palavras femininas acompanhadas de


artigo.

• O hífen é utilizado na separação das sílabas.

• Utiliza-se a hifenização para separar os verbos dos pronomes oblíquos


átonos.

• Falso prefixo é um elemento de composição que funciona como radical ou


prefixo.

• As locuções, em geral, não devem ser hifenizadas.

192
AUTOATIVIDADE

1 Sobre a acentuação das palavras e de acordo com as regras estudadas, acentue,


se necessário, as palavras abaixo e, em seguida, explique e justifique por que
tal vocábulo deve ou não receber acento gráfico.

a) social: ____________________________________________________________
b) historia: __________________________________________________________
c) geleia: ____________________________________________________________
d) enjoo: ____________________________________________________________
e) juizes:_____________________________________________________________
f) carater:____________________________________________________________

2 Sobre o uso do acento grave (indicativo de crase), indique em qual(is)


alternativa(s) pode ocorrer a crase (fusão de a + a).

a) Começaram a chorar assim que souberam.


b) Usava chapéu a Santos Dumont.
c) Comprava a prazo e vendia a vista.
d) Dirigi-me a Vossa Excelência.
e) Vou a terra de meus pais.

3 Vamos colocar em prática o que você aprendeu sobre a hifenização. Nas


formações com prefixos e com falsos prefixos, usaremos o hífen somente em
alguns casos. Assinale a forma correta e explique o uso ou não uso do hífen.

a) ( ) autorretrato: ___________________________________________________
b) ( ) automedicação: ________________________________________________
c) ( ) contraindicação: ________________________________________________
d) ( ) contrassenso: __________________________________________________
e) ( ) extraoficial: ____________________________________________________
f) ( ) infraassinado: __________________________________________________
g) ( ) infrarrenal: ____________________________________________________
h) ( ) intrauterino: ___________________________________________________
i) ( ) neoamburguês: ________________________________________________

193
194
UNIDADE 3
TÓPICO 3

LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES


NA ESCRITURA DE UM TEXTO

1 INTRODUÇÃO
O processo de escrita é uma experiência única, individual e dialógica. É
individual e única porque a escritura de um texto provoca escolhas individuais
quanto ao que e como se quer dizer. É dialógica porque se escreve relacionando a
nova ideia a ideias já escritas ou lidas.

Além do contexto exposto, escrever implica o domínio de determinados


procedimentos, como o de planejar o que vai ser escrito, redigir o que foi planejado,
revisar o que foi redigido e reescrever o que foi produzido e revisado. Ainda se
deve prestar atenção a expressões ambíguas ou ao uso de palavras estrangeiras,
entre outras ocorrências.

ATENCAO

A revisão do texto corresponde à conferência de alguns elementos da escrita,


como: coesão e coerência, ortografia, acentuação, concordância e pontuação. Devemos
sempre revisar o que escrevemos mais de uma vez, pois revisar faz toda a diferença para
a compreensão do leitor, já que evita frases muito longas no seu texto, problemas de
concordância (que levam o leitor a se perder nas informações), problemas com ambiguidade,
dentre outros. Por isso, ao longo de suas atividades acadêmicas e profissionais, destine
sempre bastante tempo para revisão e reescrita de seus trabalhos. Quando possível, peça
para que algum colega leia para que você perceba se seu texto está compreensível para
diferentes leitores.

Assim, vamos estudar a partir de agora alguns importantes itens na


elaboração da escritura de um bom texto. Vale a pena continuar e verificar!

195
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

2 AMBIGUIDADE
A ambiguidade consiste na duplicidade de sentido e, acredite, nem
sempre ela é um problema. Muitas vezes, a ambiguidade é fruto de uma
intenção determinada e clara, encontrada especialmente em textos publicitários e
humorísticos. Em outras ocasiões, porém, ela surge sem que seja desejada e pode
até causar algum tipo de constrangimento.

Observe os textos:

Texto 1

FIGURA 13 - PROPAGANDA

FONTE: <https://bit.ly/2CR3oJp>. Acesso em: 17 out. 2018.

Texto 2

O garçom pergunta a um sujeito que entra no bar:


- O senhor, o que toma? Ele responde:
- Eu tomo uma boa vitamina pela manhã, remédio para combater
minhador nas costas e, aos sábados, uma cervejinha com os amigos.
- Acho que o senhor não me entendeu – diz o garçom. O que eu perguntei é
o que o senhor gostaria!
- Ah, bom! Eu gostaria de ser rico, de ter uma casa na praia, de viajar
bastante...
- O que eu quero saber é o que o senhor quer para beber! – diz o garçom,
já irritado.

196
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

- Ah, bom! Vamos ver... que é que você tem?


- Eu? Nada, não, só um pouco chateado porque o meu time perdeu, o
salário daqui é muito baixo, eu estou me sentindo sozinho...

FONTE: <http://www.sobobagem.com.br/shtml/345.shtml#.W8e1W2hKjIU>.
Acesso em: 18 out. 2018.

No Texto 1, você pode notar que a ambiguidade foi intencional, ou seja,


no texto publicitário foi explorado o duplo sentido com a intenção de despertar,
no interlocutor, a devida atenção.

No Texto 2 a ambiguidade surgiu sem ser desejada, ou seja, não era


intencional num primeiro momento. Podemos dizer, então, que a ambiguidade é
um vício de linguagem muito encontrado em textos publicitários e humorísticos.

NOTA

Ambiguidade, como vimos, significa duplo sentido. Você sabia que ela tem
outro nome? Isso mesmo, anfibologia é um sinônimo da palavra ambiguidade.

Leia as frases que seguem:

A caixa caiu perto do supermercado.

Comprou balas perto da praia.

Suas ações lhe trouxeram muitos bens.

Note que as palavras em negrito podem deixar o enunciado dúbio.


Na primeira frase, quem caiu? A caixa (embalagem) ou a mulher que trabalha
na caixa registradora? É essa dupla interpretação que se chama ambiguidade.
Normalmente os contextos linguístico e situacional indicam qual a interpretação
correta. Agora descubra a ambiguidade presente nas demais frases acima.

197
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

AUTOATIVIDADE

1 A imagem a seguir é um recorte das informações de um software disponível


para download. Na imagem, você vê o seguinte destaque: “Está em dúvida
quanto à configuração de sua máquina? Então acabe com ela agora mesmo!”.

FONTE: <https://seumadruga72.files.wordpress.com/2009/10/ambiguidade.jpg>. Acesso em:


30 abr. 2018.

a) Localize no texto a ambiguidade e explique quais são as possíveis


significações que podemos criar a partir dessa ambiguidade.
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________
____________________________________________________________________

b) Procure reescrever o excerto destacado a fim de eliminar a ambiguidade que


você encontrou na questão anterior:
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________
_____________________________________________________________

3 ESTRANGEIRISMOS
Entende-se por estrangeirismos palavras e expressões de línguas
estrangeiras utilizadas cotidianamente em um país onde a língua oficial é outra,
como no caso do Brasil: o uso do inglês “misturado” com a Língua Portuguesa.

198
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

É importante notar que a língua está em constante modificação. A própria


evolução dos costumes, das ideias, enfim, da vida social de modo geral, estabelece a
criação de novas palavras e formas de dizer certos vocábulos.

Os estrangeirismos são vocábulos, expressões e estruturas que se


incorporam ao repertório e à estrutura da língua portuguesa, ou seja,
integram-se ao código linguístico do português do Brasil. Da mesma
maneira que transformam a língua portuguesa, os empréstimos
de outras línguas, especialmente a língua inglesa, também sofrem
adaptações ao incorporarem-se ao seu léxico. O português do Brasil
conhece bem a influência de outras culturas e línguas, o que, ao
contrário do que muitos denunciam, não empobrece a língua, mas a
enriquece (FARELLI, 2001, p. 13).

Novas palavras são instituídas como produto da dinâmica social e


incorporadas ao idioma inúmeras expressões de origem estrangeira – os
estrangeirismos, que vêm para indicar ou explicar realidades não contempladas
no repertório da língua portuguesa.

Vamos conhecer o uso de estrangeirismo em nosso cotidiano, através da


figura que segue:

FIGURA 14 – ESTRANGEIRISMO

FONTE: <http://www.unesp.br/aci/jornal/151/estrangeirismos.JPG>.
Acesso em: 13 ago. 2018.

Percebeu como estamos cercados de estrangeirismos na nossa vida


cotidiana? Palavras como food delivery, sale, off, welcome, estão na nossa vida
globalizada. Além delas, ainda temos muitas outras, como delete, enter, notebook,
entre outras. O problema do abuso de estrangeirismos, se desnecessários ou
deslocados do seu contexto, é normalmente causado ou pelo desconhecimento
da riqueza vocabular de nossa própria língua, ou pela incorporação acrítica do
estrangeirismo.

199
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

UNI

Lembre-se, acadêmico, ao utilizar palavras estrangeiras elas devem ser grafadas


em itálico

4 PLEONASMO
Você já ouviu alguém falando: entrar para dentro, subir pra cima,
hemorragia de sangue, goteira no teto, certeza absoluta ou ainda prefeitura
municipal? Pois bem, essas expressões são vícios de linguagem e não são aceitas
nas normas mais prestigiadas da língua portuguesa.

Observe:

FIGURA 15 – PLEONASMO

Você está
é com pleonasmo! OHH!!!!
HÃ!? E isso é grave
enfermeira?

Enfermeira,
eu estou com uma dor
que dói muito.

FONTE: <http://1.bp.blogspot.com/_qyuOh9JmfR0/S6_0uThqVFI/AAAAAAAAAFU/
lJwwIk6HRWQ/w1200-h630-p-k-no-nu/pleonasmo.jpg>.
Acesso em: 13 ago. 2018.

Perceba, acadêmico, que pleonasmo é a repetição desnecessária de uma


informação. Na tirinha em questão, o paciente relata que está com uma dor que
dói. A repetição da palavra “dói” é desnecessária, visto que “dor” dá conta de
transmitir a mensagem.

200
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

5 EXPRESSÕES
Você certamente já teve dúvidas ao utilizar algumas expressões, não é
mesmo? Pois bem, neste momento, pretendemos dirimi-las de uma maneira
simples e prática a fim de contribuir em sua vida acadêmica e profissional,
quando em momentos de escrita.

Salientamos novamente a importância de grafar as palavras de acordocom


a norma padrão da língua portuguesa, pois dessa forma diminuímos as chances
de equívoco e efetivamos positivamente o ato da comunicação. Convidamos você
a conhecer as regras para o uso de cada expressão, que virá acompanhada de
exemplos para melhor compreensão.

5.1 USO DOS PORQUÊS


Existem quatro diferentes maneiras de grafar o porquê. Observe:

FIGURA 16 – EMPREGO DOS “PORQUÊS”

FONTE: <https://image.slidesharecdn.com/usodosporqus-160701235450/95/uso-dos-
porqus-2-638.jpg?cb=1467417701>. Acesso em: 13 ago. 2018.

• Por que: com essa grafia é utilizado em duas situações. Confira:

• Em frases interrogativas diretas, quando as inicia, e nas interrogativas indiretas.

Exemplos:

Por que você não estudou para a avaliação?

201
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Ela perguntou por que você não estudou para a avaliação.

• Quando equivale a: pelo qual, pelos quais, pela qual, pelas quais.
Exemplo:

São muitos os motivos por que estou aqui hoje. (pelos quais)

• Porque: a palavra adquire esta grafia quando é empregada como conjunção


explicativa ou causal. Veja:

Não chores, porque é pior. (porque = pois, conjunção explicativa)

Faltou ao trabalho porque estava em reunião. (porque = conjunção causal)

• Por quê: escreve-se com acento quando aparece no fim das frasesinterrogativas.
Assim, o “que” passa a ser um monossílabo tônico. Observe um exemplo na
tirinha que segue.

FIGURA 17 – MÁRCIA NEURÓTICA

FONTE: <http://1.bp.blogspot.com/_I-dYUG1GKo0/TPWsPV1bgxI/
AAAAAAAAAM8/2AF0bM0G1oA/s1600/tirinha-marcia-47.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2018.

Perceba, acadêmico, que no segundo quadro, ao final de frase interrogativa,


utilizou-se o porquê escrito separado e com acento (Mas por quê?).

• Porquê: é escrito dessa maneira quando empregado como substantivo. Significa


motivo, razão ou causa, e geralmente aparece acompanhado de determinantes,
ou seja, artigos e pronomes, entre outros. Exemplos:

Não compreendi o porquê de sua reclamação.

Seus porquês não mudaram a situação.

202
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

AUTOATIVIDADE

Complete o parágrafo a seguir:

Diferentes pesquisadores perguntam-se ___________________


(pergunta indireta) o desenvolvimento científico brasileiro passou a receber
menos verbas no último ano. Não sabem ___________________ (por qual
motivo) a redução de investimentos para pesquisas nacionais. Contudo,
reivindicam por equipamentos e bolsas de estudos ___________________
(explicação) precisam de materiais novos para avançarem em seus trabalhos.
O governo parece ignorar o ___________________ (o motivo = substantivo) do
pedido dos pesquisadores.

5.2 USO DE MAU E MAL


Estas duas palavras causam muitas dúvidas no momento da escrita, apesar
de existir uma regrinha fácil de usar que o ajudará a diferenciar a grafia com
“L” ou “U”. Em primeiro lugar, lembre-se sempre de que mal (que será um
substantivo ou advérbio ou conjunção) é antônimo de bem; e mau (que será um
adjetivo) é antônimo de bom.

Quando mal for empregado como substantivo, variará em número


(singular: mal; plural: males). Quando advérbio e conjunção, a palavra mal será
invariável.

Você lembra, por exemplo, da música “Vida Real”, cantada pelo Paulo
Ricardo? Veja, no refrão da música o emprego do termo mal:

“Se pudesse escolher


Entre o bem e o mal
Ser ou não ser...
Se querer é poder
Tem que ir até o final
se quiser vencer...”

FONTE: Vida Real, Compositores: Paulo Ricardo, Raphael Pinheiro. Disponível em: <https://
www.vagalume.com.br/bbb/vida-real-paulo-ricardo.html>. Acesso em: 30 abr. 2018.

Nessa situação, mal é um substantivo (o mal). Imagine se a letra se referisse


aos males da vida. Seria perfeitamente possível, ainda, utilizar o substantivo no
plural. Além disso, na música, podemos perceber nitidamente o termo mal sendo
empregado em oposição a bem. Sempre que mal for oposto de bem, será grafado
com “L”.

203
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

Vejamos mais um exemplo do emprego de mal:

Tirei uma nota baixa porque meu trabalho está mal feito.

Neste caso, mal é um advérbio que altera o sentido de um verbo (fazer/


feito) e indica o modo (como foi feito o trabalho). Perceba como também
poderíamos substituir o termo pela palavra bem: “meu trabalho está bem feito”.

Agora, vamos analisar o emprego de mal enquanto conjunção:

Mal entreguei minha avaliação, bateu o sinal indicando término da aula.

Temos, no exemplo acima, a palavra mal exercendo função de conjunção


subordinativa temporal, pois indica um tempo aproximado entre as informações
da primeira e da segunda oração.

A palavra mau, grafada com “U”, é um adjetivo, como na história da


“Chapeuzinho Vermelho” que fugia do “Lobo Mau” na floresta. Nesse caso,
perceba que mau tem a função de atribuir uma característica ao lobo, assim como
o adjetivo bom faria. Veja mais um exemplo:

Não era mau (ou bom) cliente, apenas atrasava os pagamentos.

Caro acadêmico, na dúvida, procure usar os termos “bem” ou “bom” para


testar se precisa escrever “mal” ou “mau”. Simples, não é?

AUTOATIVIDADE

1 Escolha a alternativa correta para preencher a lacuna:


Acabo de tirar a carteira, por isso ainda dirijo _____________.
a) ( ) mal.
b) ( ) mau.

2 Escolha a alternativa correta para preencher a lacuna:


Seu ____________ comportamento tem lhe prejudicado.
a) ( ) mal.
b) ( ) mau.

3 Escolha a alternativa correta para preencher a lacuna:


__________________ terminamos esta avaliação e já estamos estudando para a
próxima.
a) ( ) mal.
b) ( ) mau.

204
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

4 Escolha a alternativa correta para preencher a lacuna:


O excesso de medicamento também faz _______________.
a) ( ) mal.
b) ( ) mau.

5.3 USO DE SENÃO E SE NÃO


Você lembra a música “Pais e Filhos” da banda “Legião Urbana”? Repare
no excerto da música o uso do termo “se não” no segundo verso:

“É preciso amar as pessoas


Como se não houvesse amanhã
Porque se você parar pra pensar
Na verdade não há”

FONTE: <https://www.letras.mus.br/legiao-urbana/22488/>. Acesso em: 30 abr. 2018.

Nesse verso, “se não” é escrito separadamente porque tem sentido de


uma condição negativa. A palavra se não (separada) é utilizada quando equivale
a caso não, introduzindo orações subordinadas condicionais. Exemplo:

Se não quiser, não redija o relatório.

A palavra senão (junto), por sua vez, é empregada em duas situações. São
elas:

• Quando equivale a caso contrário.


Exemplo: Saia daí, senão vai se atrasar.

• Quando equivale a “a não ser”.


Exemplo: Não faz outra coisa senão choramingar.

AUTOATIVIDADE

Preencha as lacunas com se não ou senão:

a) Estude bastante, _____________________ reprovará na prova.


b) Evite confrontar desnecessariamente as pessoas _____________________em
situações realmente significativas.
c) A data de entregue do trabalho não será alterada  _____________________
houver consenso.
d) _____________________me levar a sério, pare de discutir comigo.

205
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

5.4 USO DE MAIS E MAS


É comum confundir o uso de mais e mas, porém tais palavras têm sentidos
completamente distintos. Por isso, é necessário o uso correto para que a mensagem
não seja prejudicada.

A palavra mas é uma conjunção adversativa, portanto, significa


“contrário”. Equivale a porém, contudo, todavia ou entretanto. Assim, sempre
que a substituição por estas palavras for possível, deve-se escrever MAS, sem o
“i”. Observe a tirinha que segue:

FIGURA 18 – MAFALDA

Hoje estou com um É que eu não quero Um dia vou


humor péssimo que ninguém perceba Então você não Ai eu estaria
sendo hipócrita. analisar o que me
que eu estou de devia dizer deixa mais doente:
Mas você mau humor Acho estranho você
defender a hipocrisia, a Susanita ou a
parece muito sopa
contente, Mafalda.
Susanita

FONTE: <http://3.bp.blogspot.com/-CjVipgXeqfc/TiYPg-JKN7I/AAAAAAAAAPU/OGGTjPZ9eVA/
s1600/mafalda-uso+de+mau.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2018.

Verificamos, no primeiro quadrinho, o emprego de mas. Note, acadêmico,


que é possível fazer a substituição por “porém” ou “entretanto”. Portanto, trata-
se de uma conjunção adversativa.

O uso de mais ocorre quando este funciona como pronome ou advérbio


de intensidade. Para saber se o uso está correto, basta trocar por menos, seu
antônimo. No último quadro da tirinha apareceu o uso da expressão mais. Note
que é possível realizar a substituição pela palavra menos. Agora, leia a tirinha a
seguir, com mais um exemplo.

FIGURA 19 – MÁRCIA NEURÓTICA

FONTE: <http://2.bp.blogspot.com/_I-dYUG1GKo0/TPBYhGIz4KI/AAAAAAAAAMs/
VTEcClnUdAM/s1600/tirinha-marcia-45.jpg>. Acesso em: 13 ago. 2018.
206
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

O uso de “mais”, no primeiro quadrinho, permite exemplificar, na prática,


as situações em que deve ocorrer o uso de tal expressão. Lembre-se: confundir
estas expressões, no momento de escritura, pode prejudicar a mensagem.

AUTOATIVIDADE

Assinale a alternativa que apresenta o uso da norma padrão da língua


portuguesa:

a) ( ) Os estudos foram teóricos, mais comprovaram fatos importantes para o


campo prático.
b) ( ) Fizemos de tudo, mais não conseguimos salvar a vítima.
c) ( ) Procuram por mas provas para poderem declarar o réu culpado.
d) ( ) Cinquenta e nove pessoas preencheram o questionário, mas apenas
vinte delas participaram das entrevistas.

5.5 USO DO HÁ E A
O uso de há deve ocorrer quando equivaler ao verbo fazer. Este, por sua
vez, indica tempo já transcorrido. Exemplo:

Saiu da sua casa há (faz) 1 hora.

Não o vejo há (faz) dois meses.

Além disso, há é usado no sentido de existir. Na linguagem coloquial,


podemos dizer que “tem cem livros na biblioteca”. Contudo, na norma padrão,
recomenda-se utilizar “há cem livros na biblioteca”.

A forma a deve ser empregada quando for uma preposição, um artigo ou


um pronome. Nesses casos, você não conseguirá substituir o termo nem por “faz”
nem por “existe”, como nos casos apresentados acima com há. Exemplo:

Daqui a pouco, os alunos chegarão para socializar o trabalho. (preposição)

A pesquisa tem caráter qualitativo. (artigo)

Apresentei-a aos meus irmãos. (pronome)

207
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

AUTOATIVIDADE

Preencha as lacunas com há, a ou à:

O estudo, desenvolvido ____________ dez anos, apresenta contribuições


importantes para entendermos aspectos da língua. Por isso, estão relacionados
____________ normas, variedades, e usos linguísticos. ____________ pesquisa
é base, nos dias de hoje, ____________ diversos estudiosos, preocupados com o
viés teórico dado ____________ língua. ____________, portanto, um campo de
estudos se fortalecendo sobre esse aspecto.

Acadêmico, você deve ter percebido que o uso correto das expressões
requer muita atenção. Vamos adiante?

5.6 USO DE AONDE E ONDE


O emprego do aonde deve acontecer quando este equivaler a: preposição
a + advérbio onde. Sendo assim, significa “a que lugar”, ou seja, é usado com
verbos que exprimem movimento e que regem a preposição a. Veja:

• Ir a:

Aonde você vai?

Você vai aonde?

• Chegar a:

Você quer chegar aonde com tantas perguntas?

• Dirigir-se a:

Não sei aonde dirigir-me para obter as fichas cadastrais.

O uso de onde está relacionado com verbos que não regem a preposição a.

Dito de outra maneira, equivale a “em que lugar” ou “no lugar que”.
Confira:

208
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

Onde você está?

Onde fica sua empresa?

O anel perdido estava onde não havia procurado ainda.

AUTOATIVIDADE

Para esta autoatividade, releia também as explicações acerca dos


advérbios trabalhados anteriormente.
Analise as sentenças a seguir quanto ao uso de onde, aonde e no(a) qual:

I- Fizemos a avaliação de Comunicação e Linguagem, onde nos saímos muito


bem.
II- O curso de LIBRAS, no qual há várias dicas de expressão facial interessantes,
ajudou minha comunicação com meus colegas surdos.
III- Aonde foram levados os livros?
IV- O livro de Comunicação e Linguagem apresenta dicas de escrita importantes,
aonde também há algumas atividades para colocarmos em prática nossa
aprendizagem.
V- Ontem, estive no polo, ontem fiz minha avaliação final.

Assinale a alternativa correta:


a) ( ) Estão corretas as sentenças I – III – IV – V.
b) ( ) Estão corretas as sentenças I – IV – V.
c) ( ) Estão corretas as sentenças II – III – V.
d) ( ) Todas as sentenças estão corretas.

209
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

5.7 USO DE A FIM E AFIM

FIGURA 20 – AFIM X A FIM

FONTE: As autoras

Uma maneira prática para diferenciar essas expressões é:

• A fim de: indica uma finalidade. Exemplo: Vive cantarolando a fim de me


incomodar.

• Afim: significa que existe uma afinidade, é semelhante. Exemplo: As matérias


que cursei são afins.

AUTOATIVIDADE

Preencha as lacunas com a fim ou afim:

a) Procuro estudar Comunicação e Linguagem para aprender algumas


regularidades da língua portuguesa padrão, ________________ de revisar
meus próprios textos acadêmicos.
b) Procuro por disciplinas ________________que cursei na minha primeira
graduação para convalidar na segunda.

Agora, vamos diferenciar o uso de demais e de mais.

210
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

5.8 USO DE DEMAIS E DE MAIS

FIGURA 21 - DEMAIS

FONTE: Adaptado de <http://capasanimacao.blogspot.com/2012/08/tres-espias-demais-o-


filme.html?m=0>; <http://capas-silver.com/wp-content/uploads/A-Hist%C3%B3ria-N%C3%A3o-
Autorizada-de-Tr%C3%AAs-%C3%A9-Demais.jpg>. Acesso em: 1º maio 2018.

Talvez você já tenha se deparado com o desenho “Três espiãs demais”


ou com a série de TV que foi sucesso nos anos 1980 “Três é demais”. Em ambas
as situações, “demais” se escreve da mesma maneira (junto) e possui o mesmo
significado. Você sabe qual é? Tanto no desenho quanto na série, demais exerce
papel de advérbio de intensidade (muito). Logo, quando dizemos três espiãs
demais ou três é demais, estamos intensificando, afirmando que as três espiãs são
muito qualificadas e que três crianças já são muitas crianças.

A palavra “demais” (junto) pode ser classificada como advérbio ou


pronome. Observe o exemplo:

• Advérbio de intensidade (= muito). Exemplo: Não se deve dormir demais.

• Pronome indefinido (= outros). Exemplo: Voltei antes que os demais alunos


finalizassem os trabalhos.

A expressão “de mais” (separado) significa o contrário de menos. Observe


o exemplo: Entraram alunos de mais no auditório de reuniões.

211
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

AUTOATIVIDADE

Assinale a alternativa correta quanto ao uso de “demais” ou “de


mais”:

a) ( ) Enquanto minha equipe já finalizava o trabalho, as de mais equipes


estavam apenas começando.
b) ( ) Minha irmã assistiu ao filme e o achou de mais!
c) ( ) Dificilmente alguém diria que tem dinheiro de mais, normalmente
ouvimos que tem de menos.
d) ( ) Há pessoas demais inscritas para esse curso de graduação em comparação
com o número de vagas ofertadas.

5.9 USO DE AO ENCONTRO DE E DE ENCONTRO A

FIGURA 22 – DE ENCONTRO E AO ENCONTRO

FONTE: <https://i.pinimg.com/originals/11/fa/93/11fa933b56685e0e562bb18b0ab90046.jpg>.
Acesso em: 1º maio 2018.

212
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

A expressão ao encontro de possui dois significados. São eles:

• Aproximar-se de. Exemplo: Assim que cheguei, fui ao encontro de meu pai.

• Ser favorável a. Exemplo: Suas ideias vêm sempre ao encontro das minhas.

A expressão de encontro a pode significar:

• Colisão, choque. Exemplo: Ao correr, o aluno foi de encontro à parede.

• Ser contrário a. Exemplo: Por sermos muitos diferentes, suas opiniões vêm
sempre de encontro às minhas.

Muito bem, depois de conhecermos mais estas importantes expressões,


convido você a continuar o estudo.

AUTOATIVIDADE
Relacione as colunas de acordo com o uso adequado das expressões
abaixo:
I- de encontro
II- ao encontro

a) ( ) É utilizada para dizer que algo é favorável.


b) ( ) É utilizada para expressar discordância.
c) ( ) É utilizada para afirmar a aproximação entre ideias, pessoas ou objetos.
d) ( ) É utilizada para expressar colisão.

5.10 USO DE ACERCA, A CERCA E HÁ CERCA


A CERCA ACERCA DE HÁ CERCA DE

Séc. X a.C. Séc. VII a.C.


Fenícios Gregos

2000 a.C. Séc. VI a.C. Séc. II a.C. Séc.VII


Reino dos Tartessos Celtas e Romanos Bárbaros

SOBRE / A
Iberos

FONTE: Disponível em:


RESPEITO DE
<https://thumbs.dreamstime.
com/z/cerca-de-madeira-e- FONTE: Disponível em: <http://
grama-isoladas-no-fundo- www.winesofportugal.info/
branco-58780409.jpg>. Acesso uploads/1_2000ac_pt.jpg>. Acesso
em: 1º maio 2018. em: 1º maio 2018.

O ESTUDO
TRATA ACERCA HÁ CERCA DE 2000 a.C.,
A CERCA É DE MADEIRA. DO USO DE INICIAVA-SE UMA NOVA ERA.
AGROTÓXICOS.

213
UNIDADE 3 | A GRAMÁTICA E SUAS PARTES

A cerca (separado) corresponde ao artigo definido “a” mais substantivo


“cerca”, cujo sentido está vinculado a uma construção feita ao redor de um
terreno.

A expressão acerca (junto) significa a respeito de. Veja um exemplo: Nada


comunicou acerca de suas dúvidas na disciplina.

A expressão há cerca de indica um tempo já transcorrido. Observe a frase


que segue: Estivemos na minha cidade natal há cerca de uns 15 anos.

AUTOATIVIDADE

A partir do que lhe foi apresentado acerca dos termos: acerca de, a
cerca, há cerca de, complete as lacunas:

a) ___________________________ de três anos ingressei na graduação.


b) Falamos ___________________________dos conteúdos de Comunicação e
Linguagem.
c) Este trabalho discute questões ___________________________da cidadania.
d) Mesmo quando ___________________________for de ferro, é preciso pintá-
la, a fim de evitar que enferruje.

5.11 USO DE A PRINCÍPIO E EM PRINCÍPIO

FIGURA 23 – EM PRINCÍPIO X A PRINCÍPIO

EM PRINCÍPIO
ou A PRINCÍPIO?
EM PRINCÍPIO = em tese, em teoria.

"EM PRINCÍPIO, ele é contra o aborto."


(= por princípios, talvez religiosos)

A PRINCÍPIO = no começo, inicialmente.

" A PRINCÍPIO sou contra as suas ideias."


(= num primeiro momento).

FONTE: <https://i.pinimg.com/564x/db/aa/3e/dbaa3e0118d5620a41fc902b8cabd333.jpg>.
Acesso em: 1º maio 2018.

214
TÓPICO 3 | LÍNGUA PORTUGUESA: DÚVIDAS PERTINENTES NA ESCRITURA DE UM TEXTO

Estamos chegando ao final do estudo das expressões. Vale ressaltar, ainda,


que o uso de a princípio significa no começo ou inicialmente. Observe:

A princípio, seu relatório parecia-me completo, mas depois percebi que


faltam itens importantes.

A expressão em princípio significa em tese ou teoricamente. Confira o


exemplo:

Em princípio, sua sugestão é muito boa, agora, vamos vê-la na prática.

AUTOATIVIDADE

Analise as sentenças a seguir quanto ao uso das expressões a princípio


ou em princípio:

I- Em princípio, acredito que a educação possa transformar realidades diversas.


II- A princípio, pretendemos aplicar questionários com agricultores locais
para, em seguida, realizarmos entrevistas com aqueles cujos perfis atenderão
aos objetivos expressos no projeto de pesquisa.
III- Em princípio, entende-se a importância de pesquisas voltadas à educação
agropecuária nacional devido à urgência em modificarmos a agressividade do
modelo de agronegócio brasileiro.

As expressões foram utilizadas adequadamente apenas nas sentenças:


a) ( ) I – II – III.
b) ( ) I – III.
c) ( ) II – III.
d) ( ) I – II.

215
RESUMO DO TÓPICO 3

Neste tópico, você aprendeu que:

• A ambiguidade consiste na duplicidade de sentido.

• Entende-se por estrangeirismos o uso de palavras e expressões de línguas


estrangeiras.

• Pleonasmo é a repetição desnecessária de uma informação.

• Pleonasmo é um vício de linguagem e não é aceito na norma culta da língua


portuguesa.

• Na escrita é importante grafar as palavras de acordo com a norma padrão da


língua portuguesa.

• Existem quatro diferentes maneiras de empregar o porquê.

• Mal é o antônimo de bem.

• Mau é o antônimo de bom.

• Mas é conjunção adversativa.

• Mais é o antônimo de menos.

• Emprega-se o aonde quando o verbo indicar movimento.

• Utiliza-se o onde quando este está relacionado com verbos que não regem a
preposição a.

• “Senão” é empregado quando equivale a caso contrário.

• “Se não” equivale a “caso não”.

• Usa-se há quando equivaler ao verbo fazer.

• A forma a deve ser empregada quando for uma preposição, artigo definido ou
pronome.

216
• A fim de (separado) indica uma finalidade.

• Afim (junto) significa semelhante.

• A expressão “acerca de” significa a respeito de.

• A expressão “há cerca de” indica um tempo já transcorrido.

217
AUTOATIVIDADE

1 Exercite o uso de ONDE ou AONDE, preenchendo as lacunas:

a)______ essas medidas do governo vão nos levar?


b) Não entendo______ele estava com a cabeça.
c) De______você está falando?
d) ______ querem chegar com essas atitudes?
e)______ se situa o Morumbi?
f)______pensas que vais?
g) ______ nos levará tamanha discussão?
h) Até______vai sua rebeldia?
i) Não sei______me apresentar, nem a quem me dirigir.
j)_______acaba o mar e começa o céu?

2 Exercite o uso de MAU ou MAL, preenchendo as lacunas:

a) A firma possuía um_____administrador.


b) Ficamos preocupados,______ouvimos a notícia.
c) O______está sempre à nossa volta.
d) Eu______compreendia o que estava acontecendo.
e)______ saímos de casa, quase fomos assaltados.

3 Utilize SE NÃO ou SENÃO para completar as lacunas a seguir:

a) Vá de uma vez,______você vai se atrasar.


b) Nada mais havia a fazer______conformar-se com a situação.
c) O presidente nada assinará______houver consenso.
d) Luta,______estás perdido.
e) Não era ouro nem prata,______ferro.

218
REFERÊNCIAS
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COSTA, Sérgio Roberto. Dicionário de gêneros textuais. 3. ed. rev. ampl. Belo
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DAD, Squarisi; SALVADOR, Arlete. A arte de escrever bem: um guia para


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