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EAH- APRESENTAÇÃO

1- O que é ética?

-A busca por uma ética racionalmente defensável

Como justificar nossas ações? O que é o certo e errado? Teorias éticas...

-A ética como um paradigma filosófico

Há verdadeiramente um certo e errado? A conduta humana é passível do crivo racional? O ser


humano como problema ético

-Como e porque surgem os conflitos

A vida como um conjunto de dilemas éticos, praxeologia...

-Por que e para que falarmos sobre

Questão utilitária, como a solução racional de conflitos importa, necessitamos de leis...

2- Ética segundo Kant, IC, distinção ética e moral, erros de Kant

-Distinção ética x moral

A palavra ética, até Kant, foi usada no sentido Aristotélico do termo, como um modo de vida
equilibrado, como sinônimo de viver bem, viver feliz. Porém, tal definição não nos dizia muito
sobre o mundo, dado que não derivava nenhum normativo para as ações humanas, quais
ações deviam ser proibidas? E se não quisermos viver de forma equilibrada? Nesse ponto, a
ética aristotélica nos parece mais um manual de vida do que um tratado normativo.

Só em Kant a formulação do que seria uma ética volta a ser tentada. Kant olha para o mundo e
se pergunta qual critério toda ética deve abarcar? Como uma derivação feita através da razão
e que prescreve fins a todos os indivíduos, Kant enxerga a UNIVERSALIDADE como critério
fundamental para toda ética. Por ser universal, ela deve se aplicar em todo lugar, em todos os
tempos e a todos os indivíduos, com pena de desautorizar-se enquanto ética. Com esse
critério objetivo fundamenta-se a ética kantiana, definida então como uma lei normativa
universal.

Aqui vemos claramente a distinção de ética e moral, enquanto uma deve ser universalizante a
outra é particular, enquanto uma é objetiva a outra é subjetiva, enquanto uma é normativa a
outra é valorativa, enquanto uma enuncia um “dever-ser” a outra enuncia um “seria melhor
que assim o fosse”. Fica-se demonstrado, portanto, que a moral, por estar condicionada aos
valores subjetivos e pessoais dos agentes, não tem caráter universalizante e, dessa forma, é
irrelevante para toda discussão de caráter ético/normativo.
Derivação metafísica kantiana

A ética kantiana é essencialmente deontológica, porque tenta extrair um certo e errado


objetivo para toda ação humana, não se preocupando, portanto, com suas consequências, mas
somente com a ação per si.

O imperativo categórico

Usando o critério de universalização, Kant chega então ao seu famoso imperativo categórico.
Imperativo por enunciar uma obrigação, uma ordem, um dever-ser. Categórico por ser tais
imperativos absolutos e não condicionados nem as consequências, nem as vontades pessoais,
sendo deveres em si mesmos corretos e irrefutáveis. Kant acrescenta então mais um critério
para delimitarmos quais ações são ou não éticas, o princípio da humanidade. Kant enxerga
então cada pessoa, cada indivíduo como ontologicamente igual em racionalidade, e, portanto,
um ente de direito a ser considerado no plano de nossas ações. Sendo assim cada ser humano
é visto, então, como um fim em si mesmo, não como mero meio para satisfazermos nossas
vontades. Dada essas 2 condições, toda ação que instrumentaliza outras pessoas e/ou que não
é universalizável, é, para Kant, antiética. Porém, para Kant não basta seguirmos os imperativos
categóricos, é preciso querer, ter a intenção de os fazer de forma autônoma e desinteressada,
só assim a ação será verdadeiramente ética. Há, portanto, uma correspondência entre ação e
intenção, e somente quando o propósito do agente é fazer o dever pelo dever, sem outro
propósito adicional, é que a ação é ética.

Ex: não roubar porque esse ato é errado e não porque posso ser castigado.

É nesse ponto que Kant distingue dois tipos de ações: ações conforme à ética e ações feitas
pela ética.

Ações conforme à ética, mas motivadas por outros motivos:

Ex: não roubar para não ser castigado

Ações motivadas pela ética:

Ex: não roubar porque esse ato é errado em si mesmo, sem motivo adicional

Mostra-se, dessa forma, que a ética kantiana não descreve apenas quais deveres devem ser
cumpridos, mas como cumpri-los.

(…) se pensar um imperativo categórico, então sei imediatamente o que ele contém. Porque,
não contendo o imperativo, além da lei, senão a necessidade da máxima que manda
conformar-se com esta lei, e não contendo a lei nenhuma condição que a limite, nada mais
resta senão a universalidade de uma lei em geral à qual a máxima da acção deve ser
conforme, conformidade essa que só o imperativo nos representa propriamente como
necessária. O imperativo categórico é, portanto, só um único, que é este: Age apenas segundo
uma máxima tal que possas ao mesmo tempo querer que ela se torne lei universal.

Kant, Fundamentação da Metafísica dos Costumes, Edições 70, Lisboa


- Kant e o problema da metafisica

- Erros de Kant

2- O relativismo ético

- A morte da metafisica

-- Obstáculos à visão cognitivista

- A guilhotina de Hume e o trilema de Munchausen

4- Transformação da filosofia

- Linguistic turn, Austin e Searle

As orações enunciativas não constam somente de uma parte proposicional (que representa
estados de coisas), mas também de uma parte performativa (que determina a força
ilocucionária). Deve-se a Austin e Searle, como observa Apel, o desenvolvimento desta
concepção, cujas orações contém a dupla estrutura performativo-proposicional. Para Apel, isto
possibilita afirmar que “toda proposição implica, ao menos implicitamente, uma atitude
comunicativa, que nos relaciona com outros, e uma atitude semântico-referencial, que nos
relaciona com algo do mundo”. Assim, a linguagem uma auto-reflexividade cuja ação se
prescreve pela mediatização proposicional de todo sentido, “sendo performativamente sua
condição transcendental de possibilidade, e que o logos da linguagem natural só pode ser
adequadamente definido por ambos os significados: o performativo e o proposicional em
unidade”. Não obstante, para Apel, a parte performativa não pode referir-se somente às
condições de verdade, mas às condições de validade, enquanto tiver regida pela condição de
aceitabilidade. E não somente a parte performativa, mas as duas devem pressupor as
condições de validade e aceitabilidade. É nesse ponto, que Apel trava uma trava uma discussão
com a filosofia analítica, na tentativa de especular o significado das orações. Pois, para ele, a
filosofia analítica resumiu-se em explicar somente as condições de verdade das proposições e
esqueceu-se de explicar as condições de validade e aceitabilidade.

-Pierce e a linguagem como novo transcendental para a filosofia

-Teoria dos atos de fala

- O pragmatismo filosófico
- O Ser e Heidegger

5- K. O. Apel

- O insight de uma fundamentação ético-transcendental a partir da linguagem,

uma nova filosofia transcendental pragmática

o homem é um ser dialógico

O princípio da ética de Apel, portanto, consistirá na concretização dialógica do imperativo


categórico, embasado pelo caráter transcendental kantiano e de caráter intersubjetivo, em
busca de consenso. Com isso, Apel supera a filosofia da consciência e adentra-se no plano da
hermenêutica e da pragmática: da consciência para a unidade da interpretação; do eu da
percepção transcendental para o nós transcendental; do eu penso para o nós argumentamos.
Somente nesse aspecto se fundará a racionalidade, o principio moral e a reciprocidade entre
os interlocutores. Este esquema transcendental, que busca condições de sentido e que parte
de um “factum linguístico”, “aplica a tal fato a reflexão transcendental a fim de detectar as
condições de seu sentido, descobre um principio moral fundamental no conjunto de tais
condições, e chega a um ponto supremo - o ‘nós’ - sem o qual o resto carece de sentido”.

“a lógica transcendental da consciência se ver obrigada a converter-se em pragmática


transcendental da linguagem. Nesse jogo de transformações Apel confessa reiteradamente sua
divida com o ‘Kant da filosofia americana’, Ch. S. Peirce”.

“A compreensão está já sempre linguisticamente mediada, quer dizer, publicamente


interpretada” Apel

“A linguagem não é somente um dentre muitos dotes atribuídos ao homem que está no
mundo, mas serve de base absoluta para que os homens tenham mundo, nela se representa o
mundo” Gadamer

Apel procura reconstruir uma “filosofia do sujeito” (profundamente transformada) no interior


de uma filosofia da linguagem. Para isso, postula a superação: de um conceito de experiência,
reduzido num horizonte transcendental ou na indução da logic f Science, para um conceito de
experiência de caráter transcendental, capaz de revisão qualitativa das próprias premissas e
fundada na auto-reflexão; de uma filosofia neutra para a concepção de uma filosofia onde
homem e sociedade estão implicados como sujeitos na ciência e onde o horizonte valorativo
ganha sentido; de uma filosofia que distingue teoria e prática, sujeito e objeto (como em Kant)
para uma filosofia fundada na relação entre sujeito-sujeito (em contraposição a Descartes,
Locke e até Husserl, às filosofias neopositivista e analítica).

paradoxalidade: exigência e necessidade de uma ética universal e a aparente impossibilidade


de fundamentá-la racionalmente

“uma ética universal, isto é, uma intersubjetivamente válida, de responsabilidade solidária,


parece, de acordo com isso, ser ao mesmo tempo necessária e impossível’

3 premissas a ser combatidas e que inviabilizam uma derivação ética a partir da filosofia
analítica: 1 - a partir de fatos não é possível derivar nenhuma norma; 2 – normas objetivas
podem derivar de constatações empíricas ou de inferências lógicas; 3 – a validade precisa
equiparar-se à dedução lógica de proposições a partir de proposições.

O solipsismo metódico

Kant, na elaboração de sua filosofia prática, considera que o sujeito autônomo e de boa
vontade é capaz de postular um principio universal de validade da legislação moral e que as
máximas da ação podem ser válidas para todos como normas, nisso Apel o adverte. Nesta
advertência residiria, sempre segundo a interpretação apeliana, o que Kant sempre se tenha
visto obrigado a recorrer ao conceito metafisico de “reino dos fins” para pensar a autonomia
da vontade como “ratio essendi” da lei moral. A transformação “pós-metafisica” proposta por
Apel, tendo em conta a mudança para dimensão pragmática, consiste em advertir que a cada
vez que alguém argumenta já tem pressuposto também as condições normativas de
possibilidade da argumentação, e, entre elas, precisamente o princípio da ética discursiva.

Factum da razão x Factum da argumentação (linguístico)

Para Kant, segundo Apel, o “factum da razão” consiste na consciência do imperativo


categórico, capaz de manter consciência lógica nos ditames de uma filosofia da consciência. O
termo “factum da razão” significa “que a razão se converte em um fato para si mesma, que
através da consciência do imperativo se revela a si mesma sua natureza, sabe que existe e
como existe”. A razão tem a propriedade de ser legisladora e o homem pode afirmar tal
condição, o que o faz peculiar e diferente dos outros animais.

Não obstante, como observa Apel, quanto ao objeto ocupado pela razão, Kant distingue a
aplicação teórica da aplicação prática, de tal forma que uma das partes aponta para a filosofia
da natureza (por conter princípios empíricos) e outra para a moral (regida pelos princípios
puros a priori). Numa perspectiva crítica, esta separação imbricou no dualismo ser e dever-ser,
da exterioridade e interioridade, o que leva a entender que o homem kantiano é um “cidadão
de dois mundos”: empírico e inteligível. E como não é possível acessar a exterioridade dos
pressupostos do agir, não se sabe, com precisão, se o individuo está agindo moralmente ou de
maneira estratégica, ou seja, regido pela boa vontade ou motivado por algum propósito.
>superação do dualismo epistemológico kantiano

O homem kantiano (cidadão de dois mundos)

Para Apel, a tese de Searle em afirmar que a derivação das consequências normativas dos atos
de fala consiste na linguagem, que é a condição de possibilidade de toda a descrição de fatos e
normas lógicas, é positiva. Há, então, para Apel, a necessidade de uma interpretação filosófica
transcendental dos atos de fala, de possibilidade de normatização. Como propõe Searle, a
linguagem está em referência aos atos de fala.

E se a comunidade que forma o horizonte da ciência pressupusesse uma ética de alcance


universal? Com isso, como não enfocar a necessidade de uma fundamentação racional da
ética? É possível estabelecer um imperativo ético a partir de uma comunidade de
comunicação?
”A reflexão transcendental-hermenêutica sobre as condições de possibilidade do acordo
mútuo linguístico em uma comunidade ilimitada de comunicação parece fundamentar a
unidade da prima philosophia como unidade da razão prática e teórica”. K. O. Apel

Peirce, ao conferir fusão dos princípios da ciência à prática, aponta sua definitiva
transformação da filosofia kantiana, pois tal condição rejeita a distinção kantiana entre razão
teórica e prática, entre princípios regulativos e postulados morais. Esta acepção permite
entender que “o próprio processo cognitivo ilimitado, como processo social real, cuja saída
factual é incerta, constitui-se ao mesmo tempo como objeto da lógica e da ética”. Com isso,
Peirce chega ao cume de sua transformação da filosofia transcendental kantiana: aquele que
almeja se comportar de maneira lógica deve sacrificar todos os seus interesses particulares em
prol de uma comunidade ilimitada de comunicação, onde somente nela poder-se-á alcançar a
verdade das coisas.

Para Peirce, como afirma Apel, a cognição de algo só pode acontecer em uma relação
trivalente. A essencialidade da cognição consistirá na interpretação de algo como algo,
mediatizado pelos signos (terceiridade). “O essencial do conhecimento não é a relação fática
de um objeto intramundano frente a outro (secundidade), mas a interpretação de algo como
algo, a qual deve estar mediada por signos (terceiridade). Neste processo cognitivo não pode
faltar nenhum dos elementos da relação triádica caso se postule a cognição das coisas. Com
isso, Peirce rejeita toda e qualquer cognição baseada na relação bivalente sujeito-objeto,
teorias-fatos, como também advinda de meros dados sensoriais ou de conceitos puros, no
sentido da síntese transcendental da apercepção kantiana. Tal perspectiva alcança o ponto
mais radical da transformação semiótica da filosofia kantiana.

Os signos, como entende Apel a partir de Peirce, no processo de entendimento e


conhecimento entre os dialogantes, não somente determinam a linguagem falada ou escrita,
mas ditam os dados da experiência interior e exterior, pois os conteúdos individuais da
consciência como também os elementos do mundo exterior são veículos de signos. Como
afirma Peirce “O ser humano deve conceber-se como um pensamento-signo”.

Abdução, indução e dedução

Primeiridade, segundidade e terceiridade

A semiose, como afirma Peirce, pode ser explicada como “um signo, ou representâmen, é
aquilo que, sob certo aspecto ou modo, representa algo para alguém”. Eis as 3 categorias
postuladas por Peirce e interpretadas por Apel: na qualidade (primeiridade) algo como algo é
expresso em seu ser-assim, por meio de um signo. O “ícone” (signo que não tem conexão com
o objeto que representa. Suas qualidades somente só se assemelham a do objeto) é próprio
dessa categoria e deve estar explicito “em todo predicado de um juízo experiencial, a fim de
que se integre à síntese da representação o teor imagético de uma qualidade universal”; na
relação diádica (segundidade) há uma interação entre o signo e o objeto. Nesta categoria o
“índice” (signo que está fisicamente conectado com seu objeto, que independe de uma mente
interpretante) “deve estar representado em todo juízo experiencial, a fim de garantir a
identificação espaço-temporal dos objetos a serem determinados por predicados”; na relação
triádica (terceiridade) há uma mediação de algo para um interpretante. O “símbolo” (signo que
mantém uma relação com o objeto por força de um interpretante, sem a qual essa relação não
existiria) corresponde a esta categoria “e tem a principal função da síntese como
representação em conceitos de algo como algo”. Tais conceitos dependem da função do ícone
e do índice. E esses, sem a função da representação, tornam-se cegos. Pois somente a
interpretação pode atribuir sentido à função do índice e do ícone.

- A comunidade comunicativa

- Apel x Kant

- O discurso como atividade racional normativa

- O “a priori” da comunicação/argumentação

Condições regulativas do discurso

- A contradição pragmática

- Falhas da ética discursiva apeliana

6- Habermas

- O mundo da vida habermasiano “Lebenswelt”

- Agir comunicativo x agir estratégico

- Pretensões do discurso

- Facticidade e validade

- Verdade e justificação

- Legitimidade discursiva
- O princípio U e o princípio D

- A validade metaética e o “vácuo” normativo

7- Ética argumentativa hoppeana

- Os fundamentos praxeológicos da ética, Hoppe e a busca por uma lei universal que solucione
conflitos

- A argumentação com finalidade normativa

- A autopropriedade

- A contradição pragmática da preferência discursiva e a autopropriedade

- A apropriação original (homeasted lockeano)

- A Lei de propriedade privada

- O estado como ente agressor e parasitário

- Considerações da teoria social hoppeana

- Adendo: Sociedade sem estado, como funcionaria...

Consequências logicas da constatação que a pp é a única lei: Democracia é injustificável


(oposição irônica e contraria ao seu professor Habermas), o estado é injustificável, monopólios
são injustificáveis, corporativismo é injustificável, socialismo é injustificável, além de ser
impossível de prosperar dado o problema do cálculo econômico.

Se há uma ética, a ética de pp justificada pragmaticamente no discurso é a única


racionalmente defensável.