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CADERNO

TEMÁTICO
CBFPM
CICLO I
PREFÁCIO

Prezado Instrutor, a inovação do Caderno temático como base de


nivelamento para o processo de aprendizagem no curso de formação, auxilia-nos
na dinâmica das aulas, trazendo em seu escopo a padronização das informações
trocadas, na relação instrutor-instruendo, objetivando de forma clara os
conteúdos a serem ministrados, em suas unidades didáticas.
Com o intuito de aprimorar e atualizar as disciplinas, conforme a matriz
curricular nacional, onde nas estratégias de ensino, buscamos a articulação
didático pedagógica a fim de que esta seja alcançada em todos os níveis em uma
única linguagem.
Esta interatividade beneficia a todos na busca do conhecimento através
do aprimoramento, norteando com referências o alcance fora de sala de aula,
tendo este como ab origini.
1 – SOCIOLOGIA DA VIOLÊNCIA E DA
CRIMINALIDADE E ABORDAGEM
SOCIOPSICOLÓGICA DA VIOLÊNCIA
PROMA

I. CONTEXTUALIZAÇÃO

Já há algum tempo, esforços de pesquisa, tanto na área da Psiquiatria,


Psicologia, Sociologia, História e Neurociências, vêm se voltando para o estudo da
criminalidade e da violência, de forma a elucidar o fenômeno em termos de suas
variações no tempo em relação às estruturas e processos mais amplos e de longa
duração. De um modo geral, as mudanças históricas acentuadas nos padrões de
violência estariam relacionadas a duas alterações de longo curso: as profundas
mudanças culturais que modelam a sociedade moderna e a expansão do Estado
moderno e seus aparatos de vigilância e controle social, realizadas
concomitantemente.

Poucos problemas sociais mobilizam tanto a opinião pública como a


criminalidade e a violência nos dias atuais, pois afetam toda a população,
independentemente de classe, raça, credo religioso, sexo ou estado civil. São
conseqüências que se repercutem tanto no imaginário cotidiano das pessoas,
como nas cifras extraordinárias a respeito dos custos diretos da criminalidade
violenta.

Indispensável conhecer os modelos teóricos que abordam os eventos de


crimes nos seus três níveis de análise: individual, micro e macroestrutural. O
nível individual engloba o estudo dos estados de saúde mental, da estrutura
psíquica, bem como dos aspectos neurobiológicos, que levam a escolha
psicoemocional e racional, do individuo, em que ele pondera, ou não, sobre
custos e benefícios de ações criminosas. O nível micro enfoca os processos de
socialização, aprendizado e de introjeção de autocontrole produzidos pelos grupos
de referência. O nível macroestrutural enfatiza os conflitos econômicos, os
conflitos morais e culturais, a pressão pela aquisição de bens e a desigualdade de
oportunidades.
Atualmente, as teorias científicas sobre a violência e a criminalidade são
utilizadas para a compreensão e investigação do fenômeno criminoso, indagando
porque determinadas pessoas são tratadas como criminosas; vislumbrando o
predomínio dos elementos sociais e situacionais sobre a personalidade e
orientando na formulação de políticas públicas.

II. OBJETIVOS:

 Criar condições para que o profissional da área de Segurança Pública possa


ampliar seus conhecimentos;

 Compreender o fenômeno da violência e do crime a partir de uma prévia


visão do homem e da sociedade, vislumbrando a influência dos elementos
sociais e situacionais sobre a personalidade.

 Desenvolver e exercitar habilidades para discutir as variáveis e os


pressupostos dos diferentes modelos teóricos que abordam a violência e os
eventos do crime, bem como as formas de intervenção nas ações de
Segurança Pública.

 Fortalecer atitudes para refletir sobre os fatores e situações inerentes à


violência e à criminalidade, de acordo com o espaço público de sua
atuação.

III. UNIDADES DIDÁTICAS

UNIDADE DIDÁTICA I:(3 h/a)

Introdução

- Abordagem conceitual;

- Conceitos básicos;

- Paradigmas clássicos da sociologia.


UNIDADE DIDÁTICA II: (2 h/a)

Estudos contemporâneos

- Abordagem sobre o crime;

- Abordagem sobre a violência.

UNIDADE DIDÁTICA III: (3h/a)

Principais abordagens sobre as causas da violência e da criminalidade

- Teorias focadas nas patologias individuais;

- Teoria da desorganização social;

- Teoria da associação diferencial ou Teoria do aprendizado social;

- Teoria do controle social;

- Teoria do autocontrole;

- Anomia;

- Teoria Interacional;

- Teoria econômica ou da escolha racional.

UNIDADE DIDÁTICA IV: (4 h/a)

Análise social da violência

- Causas estruturais;

- Causas Políticas;

- Causas Institucionais;
- Causas culturais;

- Instituições prisionais.

UNIDADE DIDÁTICA V: (6 h/a)

Comportamento Psicopatológico

- Personalidade;

- Teoria Psicanalítica;

- Aparelho Psíquico;

- Teorias do funcionamento do aparelho psíquico;

- Pulsões;

- Mecanismos de defesa;

- Fases do desenvolvimento sexual.

IV. ESTRATÉGIAS DE ENSINO

Aulas expositivas dialogadas com apoio de audiovisuais.


Projeção de vídeos e outras mídias.
Estudo de textos de normas internacionais e nacionais, artigos de jornais,
Internet, reportagens da imprensa em geral.
Estudo de casos e convidados especiais do campo da sociologia do crime.

V. AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

- Debates em grupo;
- Redação de textos referentes a tópicos da temática;
- Avaliação escrita que necessariamente deverá constar de:
- 01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor;
- 01 TC (Trabalho Corrente) – Prova escrita abordando todo o conteúdo da
disciplina.

VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALBRECHT, Karl. O gerente e o estress. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1988.

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Acesso em: 21 jun. 2009.

SOARES, Glauco A. D. Um data base integrado sobre a violência no Brasil: idéias


para um pré-projeto interinstitucional de pesquisa. Fórum de debates
criminalidade, violência e segurança pública no Brasil: uma discussão sobre as
bases de dados e questões metodológicas, Cesec/Universidade Cândido Mendes,
Rio de Janeiro, 2000. Disponível em:
<http://www.cesec.ucam.edu.br/publicacoes/textos.asp> Acesso em: 21 jun.
2009.
Anexo I – Ementa

Disciplina ABORDAGEM SOCIOPSICOLOGICA DA VIOLÊNCIA E DO CRIME

 Criar condições para que o profissional da área de Segurança


Pública possa ampliar seus conhecimentos;

 Compreender o fenômeno da violência e do crime a partir de


uma prévia visão do homem e da sociedade, vislumbrando a
influência dos elementos sociais e situacionais sobre a
personalidade;

 Desenvolver e exercitar habilidades para discutir as variáveis


Objetivo
e os pressupostos dos diferentes modelos teóricos que
abordam a violência e os eventos do crime, bem como as
formas de intervenção nas ações de Segurança Pública;

 Fortalecer atitudes para refletir sobre os fatores e situações


inerentes à violência e à criminalidade, de acordo com o
espaço público de sua atuação.

Múltiplas abordagens sobre o fenômeno violência. Crime e


criminalidade. Criminalidade como problema social. Modelos
teóricos-explicativos da criminalidade: escolas clássicas de
criminologia; teoria do controle social: a normalidade do crime;

Ementa controle social; anomia, delinquência e subcultura. Teorias


contemporâneas: Criminologia cultural; Arqueologia da violência.
Aspectos da violência policial. A modernização das Policias. Padrões
de policiamento e aspectos do trabalho policial. A política da
polícia. Dilemas do controle democrático da violência. A violência
contra os profissionais de segurança pública. Violência e grupos
vulneráveis.

Carga
Horária 20 h/a

Quantidade 01
de Docentes

Aulas expositivas dialogadas com apoio de audiovisuais.


Projeção de vídeos e outras mídias.
Estudo de textos de normas internacionais e nacionais, artigos de
Metodologia jornais, Internet, reportagens da imprensa em geral.
Estudo de casos e convidados especiais do campo da sociologia do
crime.

ALBRECHT, Karl. O gerente e o estress. Rio de Janeiro: Jorge


Zahar, 1988.

ALMEIDA FILHO, Naomar. Epideologia social das desordens


mentais. Revisão da literatura latino-americana. In TUNDIS,
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<http://www.cesec.ucam.edu.br/publicacoes/textos.asp> Acesso
em: 21 jun. 2009.

Área de
Articulação
com a
Violência, Crime e controle Social
Matriz
Curricular
Nacional

Modalidade Presencial

- 01 TC (Trabalho Corrente).

- 01 TE (Tarefa de Estudo).
Avaliação:
Debates em grupos e redação de textos referente a tópicos da
temática.
PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ESPECÍFICO
Predominantemente serão realizadas aulas na Escola de Formação da
Brigada Militar.

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PLANO DE ESCRITA DO MANUAL DE ABORDAGEM
SOCIOPSICOLOGICA DA VIOLÊNCIA E DO CRIME – 20 H/A

Prefácio

Apresentação

Considerações sobre a importância da disciplina de abordagem sociopsicologica


da violência e do crime.

Capítulo 1 – Generalidades.
- Os paradigmas sociológicos clássicos;
- Características das críticas pós-modernas;
- As nuanças do Terceiro Mundo;
Importância do estudo sobre violência para o desenvolvimento da Segurança
pública.

Capítulo 2 – Estudos contemporâneos


- Características da crise e reestruturação do Capitalismo Contemporâneo;
- Características do crime, criminalidade, violência e política criminal.

Capítulo 3 - Fatores da violência e criminalidade

- Os diferentes tipos de violência de acordo com as várias teorias, no contexto


social e histórico;
- Relação entre a violência com crime, criminalidade e criminologia;
- O perfil da violência do Estado do Rio Grande do Sul;
- O perfil da violência nos principais Estados da Federação.

Capítulo 4 – Análise social da violência

- Questões sociais, políticas e econômicas brasileira e a formação da violência;


- Os valores sócio-morais da comunidade;
- Perspectiva sociológica da violência;
- A sociedade, violência e cidadania.

Capítulo 5 – Comportamento Psicopatológico

- Estrutura da personalidade;

- Transtornos de personalidade violentos;

- Visão da violência a partir da neurociência.


CADERNO TEMÁTICO

Apresentação

Buscamos através dos conteúdos selecionados, criar condições para que o


profissional da área de Segurança Pública possa ampliar seus conhecimentos
para compreender o fenômeno da violência e do crime a partir da visão do homem
em sociedade, e a influência dos elementos sociais e situacionais sobre a
personalidade desse indivíduo. Desenvolver e exercitar habilidades para análise e
reflexão dos diferentes modelos teóricos que abordam a violência e os diferentes
tipos de crimes, bem como as formas de intervenção psicossocial nas ações de
Segurança Pública. E por fim, capacitar o ME para que desenvolva atitudes
resolutivas frente aos fatores e situações inerentes à violência e à criminalidade,
de acordo com o espaço público de sua atuação.

Capitulo 1- Abordagem conceitual

Sumário:

1.1 Introdução, 1.2 Conceitos básicos, 1.3 Paradigmas clássicos da


sociologia

1.1 Introdução
A violência é um tema que há muito tempo preocupa a comunidade
científica, que tenta entender e descrever este fenômeno. No entanto as
abordagens sobre o tema foram mudando. No Brasil, por exemplo, os estudos
sobre violência começam pelo viés histórico, dando conta das revoluções, guerras,
etc. Mais tarde começou-se a discutir a violência no campo, no sentido de
abranger os fenômenos referentes às complicadas relações de exploração das
atividades econômicas (agricultura, pecuária, etc.), vinculadas principalmente aos
conflitos em torno da propriedade da terra. Contemporaneamente (década de
1980 em diante) passou-se a estudar as questões relativas à violência urbana, já
que houve um intenso movimento das pessoas do campo para as cidades (êxodo
rural).

Neste capítulo veremos a importância do estudo sobre a violência e


criminalidade para a compreensão do fenômeno como produto de processo social
com características próprias e regulares, objeto da Segurança pública e também
os conceitos básicos: sociedade, sociologia, estrutura social, ordem social, senso
comum, teoria, cultura, alteridade, etnocentrismo, relatividade. Bem como a
violência e a criminalidade dentro dos paradigmas clássicos da Sociologia:
marxista, weberiano e durkheimniano.

1.2 Conceitos básicos

Sociedade é um tipo especial de sistema social que, como todos os sistemas


sociais, distingue-se por duas características culturais, estruturais e
demográficas/ecológicas. Especificamente, é um sistema definido por um
território geográfico (que poderá ou não coincidir com as fronteiras de NAÇÕES-
ESTADO), dentro do qual uma população compartilha de uma cultura e estilo de
vidas comuns, em condições de autonomia, independência e auto-suficiência
relativas.

A sociologia é o estudo da vida e do comportamento social, sobretudo em relação


a sistemas sociais, como eles funcionam, como mudam, as conseqüências que
produzem e sua relação complexa com a vida de indivíduos.”

É uma Ciência de observação que estuda o conjunto de fenômenos, instituições,


grupos sociais, poderes, relações de força, que se manifestam pelo fato de os
homens viverem em sociedade. Constitui-se num conjunto de conhecimentos
sistemáticos, baseados na observação, análise e na pesquisa objetiva dos fatos
sociais.
Sociologia é o estudo científico das relações sociais, das formas de associação,
destacando-se os caracteres gerais comuns a todas as classes de fenômenos
sociais, fenômenos que se produzem nas relações de grupos entre seres
humanos. Estuda o homem e o meio ambiente em suas interações recíprocas. Ela
se baseia em estudos objetivos que melhor podem revelar a verdadeira natureza
dos fenômenos sociais. Ela é, desta forma, o estudo e o conhecimento objetivo da
realidade social. Como exemplos, podemos citar a formação e desintegração de
grupos, a divisão da sociedade em camadas, a mobilidade de indivíduos e grupos
nas camadas sociais, processos de competição e cooperação.

Estrutura social é a trama, a rede de relações de interdependência relativamente


estáveis que existem entre um determinado conjunto de posições sociais, papéis,
instituições, grupos, classes ou outros componentes da realidade social, de nível
igual (como membros de uma família) ou de nível diferente (como acontece numa
formação econômico-social), independentemente da identidade dos componentes
que se revezam como sujeitos das relações.

Ordem social tem vários significados, embora relacionados. No primeiro sentido,


é a coesão social, através da qual sistemas são mantidos integrados, o que
constitui um dos interesses básicos da perspectiva funcionalista. No segundo
sentido, é às vezes sinônimo de controle social, de meios institucionais e de
outros métodos usados para assegurar que indivíduos obedeçam as normas e
sustentem valores. No terceiro sentido, refere-se aos padrões relativamente
previsíveis de comportamento e experiência que caracterizam a vida nos próprios
sistemas (referidos também como organização social). Se combinássemos todos
esses significados, poderíamos dizer que todo sistema social é uma ordem social
que inclui em algum grau de ordem social que é mantida através da ordem social.

Controle social é o conjunto das sanções positivas e negativas a que uma


sociedade recorre para assegurar a conformidade das condutas aos modelos
estabelecidos (Rocher). O controle social pode ser informal (natural, espontâneo,
baseado nas relações pessoais e íntimas que ligam os componentes do grupo) e
formal (artificial, organizado, exercido principalmente pelos grupos secundários)

Senso comum é o conjunto diversamente sistemático e coerente de


representações da realidade do homem, da sociedade, da natureza e do
sobrenatural, de juízos morais e afetivos sobre suas ações e condições, de
crenças sobre a relação das causas e efeitos entre os eventos humanos, naturais
e sobrenaturais, de esquemas interpretativos úteis para orientar e conferir ordem
e significado à vida quotidiana, que cada ser humano forma naturalmente e
inconscientemente no curso da socialização primária e secundária e que constitui
o pressuposto basilar das suas ações sociais, isto é, de todas as ações
intencionalmente dirigidas a outros sujeitos.”

Senso comum é um saber que nasce da experiência quotidiana, da vida que os


homens levam em sociedade. É, assim, um saber acerca dos elementos da
realidade em que vivemos; um saber sobre os hábitos, os costumes, as práticas,
as tradições, as regras de conduta, enfim, sobre tudo o que necessitamos para
podermos orientar-nos no nosso dia-a-dia: como comer à mesa, acender a luz de
uma sala, acender a televisão, como fazer uma chamada telefônica, apanhar o
autocarro, o nome das ruas da localidade onde vivemos.

Teoria, do grego, é o conhecimento descritivo puramente racional. O substantivo


theoría significa ação de contemplar, olhar, examinar, especular. Também pode
ser entendido como forma de pensar e entender algum fenômeno a partir da
observação. Na Grécia antiga teoria significava "festa solene, procissão ou
embaixada que as cidades helênicas enviavam para representá-las nos jogos
olímpicos ou para consultar os oráculos”.

Em ciência, a definição de teoria científica difere bastante da acepção de teoria


em senso comum, o de simples especulação; o conceito moderno de teoria
científica estabelece-se, entre outros, como uma resposta ao problema da
demarcação entre o que é efetivamente científico e o que não o é.
Cultura é o conjunto acumulado de símbolos, idéias e produtos materiais
associados a um sistema social, seja ele uma sociedade inteira ou uma família.

Edward Tylor /1871 – Define: “este todo complexo que inclui os conhecimentos,
as crenças religiosas, a arte, a moral, o direito, os costumes e todas as outras
aptidões e hábitos que o homem adquire como membro das sociedades.”

Alteridade: O conceito de alteridade nos fala sobre ser capaz de notar a diferença
entre as pessoas, do respeito que se deve haver as diferenças e de como seria
bom se ao invés de se repudiar algo diferente, promover, possibilitando assim a
propagação de culturas diversas.

Etnocentrismo: é a superestimação do grupo a que se pertence, examinando


todo e qualquer assunto com os preconceitos desse grupo.” (Verbete do
Vocabulário Prático de Tecnologia Jurídica e de Brocados Latinos. Iêdo Batista
Neves, 5ª Edição, Edições FASE, 1992)

O relativismo é uma doutrina que prega que algo é relativo, contrário de uma
idéia
absoluta, categórica. Atitude ou doutrina que afirma que as verdades (morais,
religiosas, políticas, científicas, etc.) variam conforme a época, o lugar, o grupo
social e os indivíduos de cada lugar. Na filosofia, e na antropologia, Ian Jarvie diz
que o relativismo é a "Postura segundo qual toda avaliação é relativa a algum
padrão, seja qual for, e os padrões derivam de culturas."
O relativismo, dessa forma, leva em consideração diversos tipos de análise,
mesmo sendo análises aparentemente contraditórias. As diversas culturas
humanas geram diferentes padrões segundo os quais as avaliações são geradas.
O relativismo é um ponto de vista extremo oposto ao etnocentrismo, que leva em
consideração apenas um ponto de vista em detrimento aos demais.
Assim podemos concluir que o Relativismo é um termo filosófico que se baseia na
relatividade do conhecimento e repudia qualquer verdade ou valor absoluto. Todo
ponto de vista é válido. (Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre. - ADAPTADO)
1.3 Paradigmas clássicos da sociologia
KARL MARX. Alemão. (1818-1883) Contribuiu para o desenvolvimento da
Sociologia, salientando que as relações sociais decorrem dos modos de produção
(fator transformador da sociedade), numa tentativa de elaborar uma teoria
sistemática da estrutura e das transformações sociais. O postulado básico do
marxismo é o determinismo econômico, segundo o qual o fator econômico é
determinante da estrutura do desenvolvimento da sociedade. Principais Obras:
Manuscritos econômico-filosóficos, 1844; A Ideologia Alemã, 1845; A Miséria da
Filosofia, 1847, Manifesto Comunista, 1848; As lutas de classe na França em
1848 e 1850; O 18 Brumário de Luís Bonaparte, 1852; Contribuição à Crítica da
Economia Política, 1857, O Capital, 1867.

MAX WEBER. Alemão.(1864-1920) Para este autor a Sociologia é o estudo das


interações significativas de indivíduos que formam um teia de relações sociais,
sendo seu objetivo a compreensão da conduta social. Esta ênfase dada à
compreensão subjetiva levou Weber a definir ação social como a conduta
humana, pública ou não, o que o agente atribui significado subjetivo. Obras
Principais: A ética protestante e o espírito do capitalismo (1905) e Economia e
Sociedade, publicação póstuma (1922).

ÉMILE DURKHEIM. Francês. (1858-1917) Considerado por muitos estudiosos o


fundador da Sociologia como Ciência independente das demais Ciências Sociais.
Ao preconizar o estudo dos fatos sociais como "coisas", através de regras de rigor
científico, determinou seu objeto próprio dos estudos sociológicos, e sua
metodologia. Obras Principais: A Divisão do trabalho social, 1893; As Regras do
Método Sociológico, 1895; O Suicídio, 1897; As formas elementares da vida
religiosa, 1912; Lições de Sociologia; Educação e Sociologia e Educação Moral.
Capitulo 2 - Estudos contemporâneos

Sumário: 2.1 Introdução, 2.2 Abordagem sobre o crime, 2.3 Abordagem sobre a
violência.

2.1 Introdução

A violência é um tema que há muito tempo preocupa a comunidade


científica, que tenta entender e descrever este fenômeno. No entanto as
abordagens sobre o tema foram mudando. No Brasil, por exemplo, os estudos
sobre violência começam pelo viés histórico, dando conta das revoluções, guerras,
etc. Mais tarde começou-se a discutir a violência no campo, no sentido de
abranger os fenômenos referentes às complicadas relações de exploração das
atividades econômicas (agricultura, pecuária, etc.), vinculadas principalmente aos
conflitos em torno da propriedade da terra. Contemporaneamente (década de
1980 em diante) passou-se a estudar as questões relativas à violência urbana, já
que houve um intenso movimento das pessoas do campo para as cidades (êxodo
rural).

2.2 Abordagem sobre o crime:


Mapa da violência 2012- O estudo analisa os últimos 30 anos de violência
homicida no país e verifica profunda mudança nos padrões históricos. Aponta as
principais características da evolução dos homicídios em todo o país: nas 27
Unidades Federadas, 27 Capitais, 33 Regiões Metropolitanas e nos 200
municípios com elevados níveis de violência. Constam os dados da violência dos
5565 municípios brasileiros.

2.3 Abordagem sobre a violência:

A filósofa brasileira Chauí (1999) conceitua violência da seguinte maneira:

“[...] violência é um ato de brutalidade, sevícia e abuso físico


e/ou psíquico contra alguém e caracteriza relações
intersubjetivas e sociais definidas pela opressão e intimidação,
pelo medo e o terror. A violência se opõe à ética porque trata
seres racionais e sensíveis, dotados de linguagem e de
liberdade, como se fossem coisas, isto é, irracionais,
insensíveis, mudos e inertes ou passivos”.

Visto da perspectiva da saúde pública, a violência é definida pela


ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE, como:

“O uso deliberado da força física ou do poder, seja em grau de


ameaça ou efetivo, contra si mesmo, outra pessoa ou um grupo
ou comunidade, que cause ou tenha muitas probabilidades de
causar lesões, morte, danos psicológicos, transtornos de
desenvolvimento ou privações”.

Conforme o Dicionário de Ciências Sociais, de Alain Birou, a violência ocorre:

“De modo geral, diz-se que há violência na sociedade e no


exercício da vida social sempre que uma pessoa ou grupo,
constituindo uma força, emprega meios de coação para obrigar
materialmente os outros a adotarem atitudes contra a vontade
ou a realizarem atos que não realizariam se a isso não fossem
coagidos. Constitui um atentado direto e consciente à liberdade,
com emprego da força ou da ameaça. Nem toda a coação é
violenta, mas toda a forma de violência implica em coação”.

Segundo Costa (1987, p. 238) estudos de Sociologia da violência


demonstram que:

“Não existe na sociedade humana uma violência instintiva como


entre os animais. Também não existe uma noção absoluta de
violência. Existem violências, sob formas diversas, em
diferentes circunstâncias. Há a violência institucionalizada
oficial, praticada pela policia, pelo Estado; a violência
internacional entre dois mundos em conflito; a violência não
oficial, mas também organizada, entre bandos armados que se
defrontam pelo domínio de atividades ilegais (drogas, jogos
etc.), ou pelo domínio de terras como os bandos de jagunços dos
proprietários rurais; a violência como explosão de movimentos
de massa, como os linchamentos; a violência resultante do
preconceito contra mulheres, negros, homossexuais, sob a
forma individual ou organizada, a exemplo da Ku Kux Klan,
organização direitista e racista norte-americana”.

Capítulo 3 - Principais abordagens sobre as causas da violência e da


criminalidade

Sumário: 3.1 Introdução, 3.2 Teorias focadas nas patologias individuais, 3.3
Teoria da desorganização social, 3.4 Teoria da associação diferencial ou Teoria do
aprendizado social, 3.5 Teoria do controle social, 3.6 Teoria do autocontrole, 3.7
Anomia, 3.8 Teoria Interacional, 3.9 Teoria econômica ou da escolha racional.

3.1 Introdução
O que leva as pessoas a cometerem crimes e comportamentos desviantes dos
socialmente aceitos? Seriam tais comportamentos frutos de traços pessoais e
idiossincráticos, ou resultado de um processo deformado de aculturação na fase
préadulta? Ou, ainda, seria o resultado de um ambiente de desagregação e
injustiças sociais? É possível aventar, por outro lado, a hipótese de tal fenômeno
ser meramente um resultado do processo de racionalização, onde a cultura
moderna da individualização seria uma base ética para contrapor à Lei de Ouro.
Então, como explicar a ocorrência de tais fenômenos ao longo da história?

3.2 Teorias Focadas Nas Patologias Individuais

Dentre as teorias que explicam o comportamento criminoso a partir de patologias


individuais, se poderia dividi-las em três grupos: de natureza biológica;
psicológica; e psiquiátrica. Tais desenvolvimentos encontram-se no limiar da
criminologia, sendo uma das abordagens mais conhecidas, conforme já
salientado anteriormente, aquela devida a Lombroso [1893; 1910 (editada em
1968)], em que a formação óssea do crânio e o formato de orelhas, entre outras
características, constituiriam indicadores da patologia criminosa. Tal perspectiva
lombrosiana inspirou ainda trabalhos no campo da psiquiatria, cuja hipótese era
de que criminosos constituíam um tipo de indivíduo inferior, caracterizado por
desordens mentais, alcoolismo, neuroses, entre outras características. Muitos
trabalhos foram desenvolvidos logo após a 1ª Guerra, em que se tentava medir
objetivamente o grau em que criminosos eram psicologicamente diferentes de
não-criminosos.

3.3 Teoria Da Desorganização Social

Trata-se de uma abordagem sistêmica cujo enfoque gira em torno das


comunidades locais, sendo essas entendidas como um complexo sistema de redes
de associações formais e informais, de relações de amizades, parentescos e de
todas as outras que de alguma forma contribuam para o processo de socialização
e aculturação do indivíduo. Tais relações seriam condicionadas por fatores
estruturais, como status econômico, heterogeneidade étnica e mobilidade
residencial. Além desses a teoria tem sido estendida para comportar outras
variáveis, como fatores de desagregação familiar e urbanização. Sob esse ponto de
vista, a organização social e a desorganização social constituiriam laços
inextricáveis de redes sistêmicas para facilitar ou inibir o controle social
[Sampson (1997)]. Desse modo, a criminalidade emergiria como conseqüência de
efeitos indesejáveis na organização dessas relações sociais em nível comunitário e
das vizinhanças [Entorf e Spengler (2002)] como, por exemplo, redes de amizades
esparsas, grupos de adolescentes sem supervisão ou orientação, ou baixa
participação social.

3.4 Teoria da Associação Diferencial (Teoria do Aprendizado Social)

Essa abordagem, inaugurada por Sutherland (1942), centra seu foco de análise
no processo pelo qual as pessoas, principalmente os jovens, determinavam seus
comportamentos a partir de suas experiências pessoais com relação a situações
de conflito. Essas determinações de comportamentos favoráveis ou desfavoráveis
ao crime seriam apreendidas a partir das interações pessoais, com base no
processo de comunicação. Nesse sentido, a família, o grupo de amizades e a
comunidade ocupam papel central. Contudo, os efeitos decorrentes da interação
desses atores são indiretos, cujas influências seriam captadas pela variável
latente “determinação favorável ao crime (DEF)”, uma vez que essa variável não
pode ser mensurada diretamente e, sim, resulta da conjunção de uma série de
variáveis. Dentre as variáveis mensuradas normalmente utilizadas para captar
essa variável latente DEF estão: grau de supervisão familiar; intensidade de
coesão nos grupos de amizades; existência de amigos que foram, em algum
momento, pegos pela polícia; percepção dos jovens acerca de outros jovens na
vizinhança que se envolvem em problemas; e se o jovem mora com os dois pais.

3.5 Teoria do Controle Social

Ao contrário das demais teorias que procuram explicar o que leva as pessoas a
cometerem crimes, a presente abordagem procura entender por que alguns se
abstêm de cometer crimes. Nesse sentido, a questão aqui é explicar os elementos
que levam o cidadão a ser dissuadido do caminho criminoso. O enfoque utilizado
— ao contrário da teoria do homem econômico, por exemplo, de que tais
elementos dissuasórios seriam consubstanciados pela probabilidade de o
criminoso ser descoberto cometendo o delito e o custo associado à respectiva
punição — baseia-se inteiramente na idéia do controle social a partir do sentido
de ligação que a pessoa tem com a sociedade ou, dito de outra forma, a partir da
crença (e concordância) dessa pessoa no trato ou acordo social. Desse modo,
quanto maior o envolvimento do cidadão no sistema social, quanto maiores forem
os seus elos com a sociedade e maiores os graus de concordância com os valores
e normas vigentes, menores seriam as chances de esse ator tornar-se um
criminoso.

3.6 Teoria do Autocontrole

Segundo Gottfredson e Hirschi (1990), que desenvolveram a teoria do


autocontrole, o que diferenciaria os indivíduos que têm comportamentos
desviantes ou desenvolvem vícios (jogos de azar, promiscuidade sexual, fumo,
droga-adicção, alcoolismo etc.) de outros indivíduos é o fato de os primeiros não
terem desenvolvido mecanismos psicológicos de autocontrole na fase entre os
dois ou três anos até a fase pré-adolescente. Tal “anormalidade” decorreria de
deformações no processo de socialização da criança, motivadas pela ineficácia na
conduta educacional ministrada pelos pais, que falharam em não impor e
estabelecer limites à criança, seja por conseqüência da falta de uma supervisão
mais próxima, ou seja por negligenciar eventuais faltas de comportamento da
criança, não impondo relativas punições à mesma, endossando assim o seu
comportamento egoísta. Como resultante da má formação desse mecanismo de
autocontrole, o indivíduo, a partir da adolescência, passa a exibir uma
persistente tendência de agir baseado exclusivamente em seus próprios
interesses, com vistas à obtenção do prazer no curto prazo, sem considerar,
contudo, eventuais conseqüências de longo prazo e os impactos de suas ações
sobre terceiros.

3.7 Anomia

Uma das mais tradicionais explicações de cunho sociológico acerca da


criminalidade é a teoria da anomia, de Merton (1938). Segundo essa abordagem,
a motivação para a delinqüência decorreria da impossibilidade de o indivíduo
atingir metas desejadas por ele, como sucesso econômico. Cohen (1955) estendeu
a abordagem para compreender a questão do status social. Um ponto importante
de como operacionalizar essa teoria, ou de como elaborar variáveis ou questões
que traduzam o sentido da mesma, fez com que surgissem três perspectivas
distintas quanto à sua aferição, que vêem a questão a partir de: a) diferenças das
aspirações individuais e os meios econômicos disponíveis, ou expectativa de
realização; b) oportunidades bloqueadas [Agnew (1987) e Burton e Cullen (1992)];
e c) privação relativa [Burton et alii (1994)]. Apesar de as diferenças entre as três
perspectivas serem bastante sutis, a escolha da alternativa implica diretamente
as questões específicas relacionadas para o questionário de entrevista. Sob a
primeira perspectiva, o processo de anomia ou tensão decorreria da diferença
entre as aspirações individuais e as suas reais expectativas. Nesse caso, um
exemplo de questão que poderia flagrar a existência desse fenômeno seria: “eu
gostaria de possuir um carro, uma casa, um tênis da moda etc. Mas eu acho que
não conseguirei dinheiro ou condições para satisfazer tais aspirações”. Sob a
segunda ótica, o foco de divergências com as normas instituídas passa a existir a
partir do momento em que o indivíduo percebe que o seu insucesso decorre de
condições externas à sua vontade, o que suportaria afirmações do tipo: “toda vez
que tento ir pra frente, algo me segura” ou “eu não tenho sucesso, pois não
participo de uma rede de conexões”. Já a privação relativa coloca ênfase na
distância entre o ideal de sucesso da sociedade (vivido por alguns) e aquela
situação específica em que o indivíduo se encontra. Sob esse raciocínio, um
exemplo seria: “sinto-me irritado com o fato de alguns terem muito, ao passo que
não possuo o suficiente para viver adequadamente”.

3.8 Teoria Interacional

Segundo Thornberry (1996), a proposição do modelo interacional é a de que o


comportamento desviante ocorre em um processo interacional dinâmico. Desse
modo, mais do que perceber a delinqüência como uma conseqüência de um
conjunto de fatores e processos sociais, a perspectiva interacional procura
entendê-la simultaneamente como causa e conseqüência de uma variedade de
relações recíprocas desenvolvidas ao longo do tempo. Entorf e Spengler (2002)
destacam que há dois elementos importantes suportando essa abordagem: a
perspectiva evolucionária e os efeitos recíprocos. A perspectiva evolucionária
consubstancia-se pela presunção de que o crime não é uma constante na vida do
indivíduo, mas é um processo em que a pessoa inicia sua atividade criminosa em
torno dos 12 ou 13 anos (iniciação), aumenta o seu envolvimento em tais
atividades por volta dos 16 ou 17 anos (desenvolvimento), finalizando esse
processo até os 30 anos. Os efeitos recíprocos dizem respeito às virtuais
endogeneidades das variáveis explicativas entre si e delas com relação ao que se
deseja explicar. Os modelos interacionais normalmente são inspirados a partir
das teorias da associação diferencial e do controle social, que sugerem as
variáveis a serem utilizadas. Normalmente algumas delas são: ligação com os
pais, notas, envolvimento escolar, grupos de amizades, punição paternal para
desvios, ligação com grupos delinqüentes etc.

3.9 Teoria Econômica da Escolha Racional

Gary Becker (1968) com o artigo seminal Crime and Punishment: An Economic
Approach impôs um marco à abordagem acerca dos determinantes da
criminalidade, ao desenvolver um modelo formal em que o ato criminoso
decorreria de uma avaliação racional em torno dos benefícios e custos esperados
aí envolvidos, comparados aos resultados da alocação do seu tempo no mercado
de trabalho legal. Basicamente, a decisão de cometer ou não o crime resultaria de
um processo de maximização de utilidade esperada, em que o indivíduo
confrontaria, de um lado, os potenciais ganhos resultante da ação criminosa, o
valor da punição e as probabilidades de detenção e aprisionamento associadas e,
de outro, o custo de oportunidade de cometer crime, traduzido pelo salário
alternativo no mercado de trabalho. Vários artigos que se seguiram, dentro da
abordagem da escolha racional, basicamente, trabalharam com inovações em
torno da idéia já estabelecida por Becker em que dois vetores de variáveis
estariam condicionando o comportamento do potencial delinqüente. De um lado,
os fatores positivos (que levariam o indivíduo a escolher o mercado legal), como o
salário, a dotação de recursos do indivíduo etc. E de outro, os fatores negativos,
ou dissuasórios (deterrence), como o aparelho policial e a punição.

Capítulo 4 – Análise social da violência

Sumário: 4.1 Introdução, 4.2 Causas estruturais, 4.3 Causas Políticas, 4.4
Causas Institucionais, 4.5 Causas culturais, 4.6 Instituições prisionais

4.1 Introdução
Apresentamos neste capítulo, com o apoio de textos pesquisados nos sites de
buscas da internet, as principais explicações sociológicas para a violência e a
criminalidade na sociedade brasileira: causas estruturais (econômicas), causas
políticas (impossibilidade de constituição da cidadania plena), causas
institucionais (inexistência de agências mediadoras democráticas) e causas
culturais (quebra de redes de sociabilidade) e também as instituições prisionais.

4.2 Causas estruturais -


http://bibliotecadigital.fgv.br/dspace/handle/10438/2722
4.3 Causas Políticas http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-
98932003000300004&script=sci_arttext&tlng=es
4.4 Causas Institucionais -
http://lasa.international.pitt.edu/members/congress-
papers/lasa2009/files/NobregaJuniorPereiraJoseM.pdf
4.6 http://www.cedefes.org.br /Direitos Humanos e Cidadania Íntegra do
Relatório - Sistema Prisional Brasileiro.

Capítulo 5 – Comportamento Psicopatológico

Sumário: 5.1 Personalidade, 5.2 Teoria Psicanalítica, 5.3 Aparelho Psíquico, 5.4
Teorias do funcionamento do aparelho psíquico, 5.5 Pulsões, 5.6 Mecanismos de
defesa, 5.7 Fases do desenvolvimento sexual

5.1 Personalidade:

É o conjunto total de características próprias do indivíduo, que integrada,


estabelecem a forma pela qual ele reage costumeiramente ao meio. Define a
pessoa como entidade dotada de propriedades que a distinguem individualmente
e a configuram física, psíquica, social e culturalmente. A palavra personalidade
deriva do latim persona e a sua raiz pessoa, é usada ordinariamente no sentido
empírico de manifestação da pessoa. Significa a própria pessoa, tal como se
revela nas suas manifestações empíricas. Todavia, persona passou a significar
mais tarde, o ator colocado atrás da máscara, isto é, o seu verdadeiro conjunto de
qualidades íntimas e pessoais. Há diversas concepções e teorias da personalidade
às quais correspondem várias definições. Segundo Allport na década de 30,
tinham-se identificado mais de 50 definições de personalidade, definindo-a como
“a organização dinâmica no indivíduo, dos sistemas psicofísicos que
determinam o seu comportamento e o seu pensamento característico”.
Apesar da diversificação dos conceitos, a personalidade representa
essencialmente a noção de unidade integrativa da pessoa, com todas as
características diferenciais permanentes, (inteligência, caráter, temperamento,
constituição, entre outras) e as suas modalidades únicas de comportamento.
Assim, personalidade não é mais do que a organização dinâmica dos aspectos
cognitivos, afetivos, conativos, fisiológicos e morfológicos do indivíduo.Trata-se de
uma idéia dinâmica de personalidade em constante mutação, dinâmica essa que
depende da interação entre todos aqueles aspectos. Eysenck definiu
personalidade como “a organização mais ou menos estável e persistente do
caráter, temperamento, intelecto e físico do indivíduo, que permite o seu
ajustamento único ao meio”.

5.2 Teoria Psicanalítica:


“A Psicanálise é uma Teoria criada pelo Dr.
Sigmund Freud, no final do século XIX, que
traz a humanidade uma nova visão do
homem”.
Sigmund Freud (Viena,1856 – Londres, 1939), médico neurologista,
austríaco e fundador da psicanálise. Nascido em Freiberg, na Moravia (ou Pribor,
na República Tcheca), em 6 de maio de 1856.

Baseado na pesquisa e prática clínica, Freud alicerçou as bases dessa


Teoria em duas grandes Tópicas, das quais pela Primeira, a chamada Topográfica
– foram construídos os conceitos de Consciente, Pré-Consciente e Inconsciente, já
que pela Segunda Tópica, a chamada Estrutural – foi definido a Estrutura do
Aparelho psíquico – Id, Ego e Seperego, bem como identificados os Mecanismos
de Defesa.

5.3 Aparelho Psiquico

Freud propôs a teoria de que as neuroses surgiriam de um distúrbio na função e


na respectiva descarga dos instintos sexuais, resultante de conflitos internos
entre estes instintos e o restante da personalidade do indivíduo.Considerou os
instintos sexuais infantis, assim como as recordações, como integrantes de uma
área da função denominada Sistema Inconsciente, enquanto todas as outras
funções mentais integrariam os instintos do ego, ocorrendo nos sistemas Pré-
Consciente e Consciente.

5.4 Teorias do funcionamento do aparelho psíquico

Teoria topográfica - CONSCIENTE, PRÉ-CONSCIENTE E INCONSCIENTE


Consciente: É definido como aspectos da função mental que, no momento em
que são observados, estão dentro da consciência do indivíduo, o que inclui
grande variedade de pensamentos, sensações e sentimentos, mas o importante é
o indivíduo deles ter conhecimento e neles focalizar parte da sua atenção.
Constitui tudo a quilo que estamos cientes num determinado momento.

Pré-Consciente: está relacionada àqueles processos mentais que estão, num


determinado momento, dentro do conhecimento consciente do indivíduo, mas a
ele podem ser trazidos com o mínimo gasto de energia psíquica. Constituem-se
das memórias que podem se tornar acessíveis a qualquer momento.

Inconsciente: É definido por todas as funções mentais que não fazem parte da
percepção consciente do indivíduo, exigindo grande quantidade de energia
psíquica para serem trazidos à consciência.

Teoria Estrutural - ID, EGO E SUPEREGO

Concebeu uma mente mais dinâmica, e não estática como a topográfica anterior,
e considerou três instâncias psíquicas: Id, Ego e Superego.

O aparelho psíquico é dividido em três grandes grupos funcionais: id, ego e


superego.

O id é a porção do aparelho cuja função é dar à mente uma representação


psíquica para as enérgicas forças instintivas originadas da constituição biológica
do organismo. A palavra “instinto” tem sido fonte de muita confusão portanto na
teoria psicanalítica tem sido usada com significado diferente daquele da teoria
biológica em geral. Por meio de mecanismos ainda desconhecidos, algumas
dessas forças biológicas adquirem, eventualmente, uma representação psíquica,
motivo pelo qual são conhecidas, na teoria psicanalítica, como impulsos ou
pulsões).

O id é, na sua totalidade inconsciente e suas funções estão organizadas de acordo


com o princípio do prazer e do processo primário. O principio do prazer envolve o
conceito de que os impulsos procuram satisfação direta e imediata, não obstante
os outros fatores ou forças que influenciem a situação. O processo primário
caracteriza o modo de pensar peculiar dos primeiros processos de pensamento da
infância.

O ego, por sua vez, é definido como aquele grupo de processos mentais cuja
função é perceber e reconhecer as variadas forças que influenciam o organismo,
tanto do ambiente interno quanto do externo, sintetizando-as e integrando-as; e
executar as funções e atividades necessárias para manter um estado de
adaptação interna e externa. Esse grupo de funções implica percepção memória,
pensamento, inteligência, funções motoras, juízo e valoração da realidade.
Implica, também, os esforços que faz o organismo para alterar o meio ambiente,
interno ou externo ou para adaptar-se a qualquer deles. O ego opera de acordo
como princípio da realidade, em oposição ao princípio do prazer, do id. O
princípio de realidade implica a valoração da situação total, inclusive de todas as
forças que influenciam o indivíduo, com uma seleção final ou julgamento, para a
escolha da resposta fundamentada no benefício a longo prazo e no que for melhor
para o organismo todo.

O superego é aquela parte do aparelho, cuja função é julgar criticamente as


outras funções mentais, em termos de um padrão moral de certo e errado, bom e
mau, recompensa e castigo. O superego é, em parte consciente e pré-consciente,
correspondente ao que se costuma chamar de “consciência moral”. Mas é
também inconsciente, relacionando-se com considerações de punição e
recompensa, as mais primitivas e arcaicas.

A formação do superego envolve a interiorização em vários graus, das atitudes


dos modelos paternos sobre conceitos de certo e errado, punição e recompensa.
Esses conceitos são experimentados na criança desde a mais tenra idade e são
influenciados, principalmente pelas tentativas que a criança faz para identificar-
se com seus pais na resolução do Complexo de Édipo,. Essas primeiras imagens
paternas incorporadas, que vão formar o núcleo da função do superego
inconsciente não refletem, necessariamente, as atitudes e modelos dos pais como
realmente se apresentam. São, isto sim, interiorizações destas atitudes, porém,
da maneira como a criança as percebe, antecipa e interpreta. A criança tenderá,
também, a projetar em seus pais os próprios impulsos hostis e agressivo, e então,
antecipará na mesma forma, a reação destes. Dessa maneira, as ameaças e
exigências do superego implicam as distorções e projeções da criança em relação
aos pais e suas atitudes, no momento em que acontece tal identificação e
incorporação.

As funções do superego consciente e pré-consciente podem sofrer contínuas


modificações, já que são influenciadas por relacionamentos e identificações com
outros que não os pais, principalmente com a “turma” da adolescência. Contudo,
as imagens paternas infantis que foram incorporadas às funções do superego,
essas permanecem imutáveis, já que não têm acesso à informação
consciente.(Conceito extraído do Livro “Psicoterapia – uma Abordagem Dinâmica –
Paul Dewald)

5.5 Pulsões (ou impulsos)

Representam um ímpeto energético e motor que faz tender o organismo para um


fim. Podemos distinguir três momentos no desenvolvimento do processo
pulsional: (1) a fonte é um estado de excitação no interior do corpo; (2) o fim é
suprimir essa excitação; (3) o objeto é o instrumento por meio do qual se obtém
satisfação.

A pulsão é, portanto um conceito-limite entre o biológico e o mental.

Sigmund Freud observou que haviam pulsões de vida e pulsões de morte.

As pulsões de vida (eros) tendem a ligar, a manter a coesão entre as partes da


substância viva. Buscam a conservação de unidades vitais mais englobantes.

As pulsões de morte (thanatos) representam a tendência fundamental de todo ser


vivo para retornar ao estado anorgânico.

As duas fusionam-se no funcionamento do sujeito, sendo que todas as condutas


são oposições ou combinações dos dois grupos.(Lagache, A Psicanálise; Laplanche
e Pontalis, Vocabulário de Psicanálise).
5.6 Mecanismos de defesa

A verdadeira essência da vida é a adaptação. Ao curso da evolução, as


espécies desenvolveram determinados mecanismos, no sentido de uma adaptação
às condições vitais; o homem desenvolveu mecanismos de adaptação somáticos e
psíquicos, que procuram protegê-lo de experiências e situações que seriam
perturbadoras e angustiantes.

Assim, no decorrer do longo período de desenvolvimento, a personalidade


adquire várias técnicas psicológicas através das quais tenta defender-se,
estabelece compromissos entre impulsos conflitantes e alivia tensões
internas.(Kolb, Psiquiatria Clínica)

Os mecanismos mentais de defesa do ego podem classificar-se em: (1)


defesa bem sucedida - aquelas que, proporcionando certa forma de gratificação,
eliminam os impulsos indesejáveis do id, e (2) defesa fracassada, por
necessitarem repetição ou perpetuação a fim de manter repelido o impulso
proibido, desgastando, assim, as energias do ego voltado quase que
exclusivamente contra tais impulsos – constituindo-se nas defesas patológicas.

Todos os mecanismos de defesa são encontrados em atividade na pessoa,


sem que isso signifique perturbação mental, pois em grau moderado, aparecem
nos indivíduos normais e adaptados.

Dentre as finalidades dos mecanismos de defesa destacam-se: (1) proteger a


personalidade do sujeito; (2) satisfazer suas necessidades emocionais; (3)
estabelecer e manter harmonia entre suas tendências opostas; (4) reduzir a
tensão e angústia que surgem dos impulsos inaceitáveis que devem ser
reprimidos; (5) modificar a realidade para fazê-la mais tolerante.

A seguir, descrevemos sucintamente, os principais mecanismos de defesa


do ego utilizados pelo sujeito:

Negação
É a tendência de negar as sensações dolorosas. Nas crianças pequenas é
muito comum a negação de realidades desagradáveis. Esta negação realiza
desejos, bem como exprime a efetividade do princípio do prazer.

Melanie Klein refere-se à negação dando um exemplo bem típico de seu uso
num adulto: a morte de uma pessoa amada. Neste caso podem existir dois
aspectos da negação. Um deles é a negação da perda em si e o outro é a negação
de que o objeto (pessoa) era amado.

Regressão

É um movimento retroativo no qual o desenvolvimento reflui a estágios


onde as frustrações foram superadas com maior êxito, ou seja, sempre que
alguém depara-se com uma frustração, há tendência a ter saudades de épocas
anteriores da vida em que as experiências eram mais prazerosas.

Melanie Klein refere-se à regressão como defesa, afirmando que para que
isto ocorra, é importante a fixação existente. Ela cita o exemplo de um garoto que
regredia a um estágio oral como defesa contra as novas ansiedades que surgiam
na posição genital.

Dissociação

É um mecanismo que leva o ego a dividir-se em uma parte consciente que


sabe da realidade e uma parte inconsciente que a nega.

Projeção

Consiste em projetar seus próprios impulsos, seus conflitos internos ou


seja, em considerá-los como provenientes de outrem e, mais generalizadamente,
do mundo externo.(Dicionário Aurélio)

Constitui, sob muitos aspectos, uma forma de deslocamento e um meio de


defesa que, em grau limitado, pode ser observado diariamente e que é visto, em
grau psicótico, na paranóia e em outros tipos de psicose. Atuando como uma
defesa contra a angústia, a projeção se dirige para fora e atribui a outras pessoas
aqueles traços de caráter, atitudes, objeções a que se quer negar.
Identificação

É a moldagem inconsciente que o sujeito faz de si mesmo seguindo o


modelo de outro ou obedecendo a sua sensação de uma espécie de unidade com
uma segunda pessoa.

Somatização

Mecanismo que provoca sensação de dores e sintomas físicos provenientes


de distúrbios psíquicos.(Kaplan)

Intelectualização

Processo pelo qual o sujeito procura dar uma formulação discursiva aos
seus conflitos e às suas emoções, de modo a dominá-los.

Há uma tentativa para manter o controle dos processos pulsionais


mediante a sua vinculação a idéias que podem ser manejadas na consciência.

Racionalização

Processo no qual o indivíduo procura apresentar uma explicação coerente


do ponto de vista moral, para uma atitude, uma ação, uma idéia, um sentimento,
etc., de cujos motivos verdadeiros não se apercebe; fala-se especialmente, da
racionalização de um sintoma, de uma compulsão defensiva, de uma formação
reativa.

Não implica um evitar sistemático dos afetos, mas atribui a estas


motivações mais plausíveis do que verdadeiras, dando-lhe uma justificação de
ordem racional e ideal.

Idealização

Defesa na qual o próprio self ou objeto são revestidos de características


grandiosas. As qualidades e o valor do objeto são levados à perfeição.

Para Klein, a idealização do objeto seria essencialmente uma defesa contra


as pulsões destrutivas.
Exemplo: No luto, o objeto morto é revestido de características todas boas,
como se não tivesse nenhum defeito.

Sublimação

É um processo que foi postulado por Freud para explicar atividades do


homem sem qualquer relação aparente com a sexualidade, e todavia,
encontrariam o seu elemento propulsor na força da pulsão sexual. Freud definiu
como atividades de sublimação principalmente a atividade artística e a
investigação intelectual.(Laplanche e Pontalis).

Para a sublimação ser possível, se deve inibir a expressão direta das


pulsões, não só as de vida como as de morte.(Grimberg).

Como exemplo, pode-se citar qualquer trabalho, só que em atividades


alimentadas por um desejo que não visa, de maneira manifesta, um alvo sexual.

5.7 Fases do desenvolvimento sexual

Freud descreveu as fases do desenvolvimento libidinal em sua obra,


dividindo-a em uma seqüência de acordo com as manifestações sexuais. É
importante salientar que esta seqüência é bastante flexível, o que significa que
não é necessário transpor totalmente uma etapa para iniciar a outra, bem como a
idade também não é exata. Na realidade, cada fase se confunde com a seguinte e
as duas se sobrepõem, de modo que a transição de uma para outra é muito
gradual.

Fase Oral – 0 a 18 meses

Primeiro período onde a fonte corporal das excitações pulsionais se dá


predominantemente na zona bucal. O objeto desta etapa é o seio, ou seja, tudo
aquilo que se refere ao seio materno ou o substitui.

Representa uma tentativa de descarga por um lado pela incorporação do


sustento biológico, cujo representante máximo é o leite. Isso significa auto
conservação. Por outro lado, esse mesmo leite que a alimenta, lhe dá um “plus”
de satisfação, ou seja, um excesso de energia que acompanha a pulsão oral de
auto conservação.

Fase Anal – 18 a 36 meses

Neste período o ânus se constitui o lugar mais importante de gratificação.


Essas sensações de prazer-desprazer se associam, tanto com a expulsão quanto
com a retenção de fezes, e esses processos corporais, bem como as fezes em si,
são objetos do mais intenso interesse da criança.

Fase Fálica – a partir de 36 meses (3 anos)

O papel sexual passa a ser assumido pelos órgãos genitais sendo o pênis o
principal objeto de interesse para a criança (tanto menino quanto menina). É
importante ressaltar que não se trata, ainda da etapa genital madura e definitiva.

Nesta etapa, o conceito “sexo” é muito ambíguo, já que não existe, por
parte da criança, uma conscientização da diferença sexual anatômica. Muito pelo
contrário, o que conta, como o próprio nome indica, é o órgão anatômico
masculino, que adquire o monopólio de ser o único valor de existência, tanto para
o menino que realmente o possui, como para a menina, que dele carece.

Nesta etapa ocorre o Complexo de Édipo, o qual consiste no desejo pelo


genitor do sexo oposto, e concomitante rivalidade com o de mesmo sexo. Trata-se
de uma manifestação universal e vivida com grande intensidade (claro que
inconscientemente).

Latência – 5 anos até a puberdade

Constitui a etapa onde há uma estabilização emocional, com desvio da


energia para atividades produtivas, de interesse intelectual e aquisição de
habilidades.

O sujeito que entra no período de latência, fá-lo com um superego


totalmente constituído, na medida que transpôs o conflito edípico. Há uma
dessexualização dos relacionamentos de objeto, trocados por uma predominância
do sentimento de ternura, que vai substituir os sentimentos eróticos.

Puberdade e Adolescência - entre a latência e adultez

Etapa de transição, com amadurecimento físico e sexual com revivência da


sexualidade pré-genital. Trata-se de um período bastante crítico, devido à grande
intensidade vivida nos conflitos que surgem.

Nesta fase, a atividade auto-erótica é predominante. Na realidade, embora a


atividade masturbatória possa parecer típica desta etapa, são análogas ou
similares as experiências infantis.

Etapa genital – idade adulta

Constitui a etapa definitiva da sexualidade, característica dos adultos


maduros.
2 – CRIMINALÍSTICA E MEDICINA LEGAL
PROMA

I. CONTEXTUALIZAÇÃO
A ação investigatória se faz por abordagem técnico-científica das
evidências subjetivas e objetivas do crime. Voltada para este último campo, a
Criminalística vem incrementando o seu desenvolvimento pela crescente
incorporação de conhecimentos e tecnologias sobre a repercussão físico-químico-
biológica do fato investigado. O impressionante avanço das ciências materiais no
correr do século XX alargou as possibilidades de êxito das pesquisas de
laboratório, ampliando a capacidade de formulação de hipóteses e construção de
teorias explicativas para o fenômeno da realidade objetiva. Neste sentido, os
benefícios para os sistemas de investigação da prática criminosa são muitos, em
termos de qualidade e quantidade.
Historicamente, desde a profissionalização do trabalho investigatório
como forma organizada de iniciar o enfrentamento ao delito consumado e
submeter os responsáveis ao devido processo legal, a Criminalística tornou-se
atividade indispensável à tarefa de qualificar as informações sobre a trama
subjetiva de cada evento, mediante comprovação das respectivas evidências
materiais. Assim, definida a sua condição essencial de disciplina interposta na
tarefa investigatória, a Criminalística deve se oferecer ao intercâmbio metódico e
sincronizado com a técnica de apuração da trama subjetiva, consolidando–se o
processo de demonstração científica da autoria e da materialidade do crime.

Os avanços mais notáveis estão nas áreas da genética molecular, da


informática, da balística e da autenticidade de documentos.

Ainda é importante destacar a Medicina Legal como marco de referência


científica dentro da do processo de investigação policial. Na medida em que os
crimes mais perturbadores da sensibilidade histórica e social são os que atentam
contra a pessoa, afetando diretamente o corpo humano - homicídios em especial –
têm-se a partir daí a afirmação e o desenvolvimento da disciplina, que sintetizou
uma gama de conhecimentos médicos e paramédicos destinados a dar suporte às
instituições operadoras do Direito, sobretudo as do Sistema de Justiça Criminal.
No Brasil, concorrem esforços de estudiosos de ambas as áreas, Direito e
Medicina, sobretudo pelo trabalho de Oscar Freire de Carvalho e Flaminio Fávero.

II. OBJETIVOS
 Conhecer a Criminalística em âmbito geral e especifico, sensibilizando para
a importância do isolamento e prevenção de locais de crime ou corpos-de-
delito, posteriormente levantados, a fim de que a investigação pericial possa
reconstruir a dinâmica física do evento criminal ou confirmar, na dinâmica do
procedimento investigatório, teses ali propostas.
 Identificar os princípios básicos das perícias em geral, técnicas, métodos e
procedimentos aplicáveis às perícias externas, relacionando com as ciências
em geral, com as inovações tecnológicas e identificando a importância de tudo
em todas as fases da ação policial.
 Propiciar ao profissional de segurança do cidadão uma visão de
posicionamento da ciência médico legal no curso do ciclo completo da ação
policial, habilitando a proceder corretamente na complexa gama de
ocorrências em que se impõem o encaminhamento da prova, segundo
conveniência de tempo, espaço e tipo de evidência com que se depara.

III. UNIDADES DIDÁTICAS

UNIDADE DIDÁTICA I: (01 h/a)

Noções de Criminalística

- Conceito de Criminalística;
- Organograma, funcionamento, competências do Instituto-Geral de Perícias;
- Locais de Crime.
UNIDADE DIDÁTICA II: (01 h/a)

Definição do Local de Crime

- Isolamento e preservação;
- Vestígios, Indícios e Presunção;
- Meios e formas de solicitações periciais;
- A prova técnica no Código de Processo Penal.

UNIDADE DIDÁTICA III: (01 h/a)

Noções gerais sobre áreas específicas da Criminalística

- Engenharia Legal;
- As áreas de atuação da engenharia legal;
- As perícias de engenharia nas casas prisionais;
- Os exames periciais em veículos automotores.

UNIDADE DIDÁTICA IV: (01 h/a)

Papiloscopia

- Conceito;
- Sistema datiloscópico de identificação;
- Divisão de identificação civil e criminal;
- Preservação dos vestígios e do local;
- Modo de envio de objetos para perícia em laboratório.

UNIDADE DIDÁTICA V: (01 h/a)

Documentoscopia Forense

- Conceito;
- Divisão;
- Metodologias Periciais;
- Alteração de documentos.

UNIDADE DIDÁTICA VI: (01 h/a)

Balística Forense

- Conceito de arma;

- Noções de Balística Forense;

- Divisão e tipos de Munições;

- Efeitos Primários e Secundários do Tiro;

- Exames Residuográficos.

UNIDADE DIDÁTICA VII: (01 h/a)

Perícia Ambiental

-Conceito;

-Áreas de atuação;

- Legislação pertinente aos Crimes Ambientais e a Questão Ambiental Global.

UNIDADE DIDÁTICA VIII: (01 h/a)

Perícia de Informática

- como preservar o objeto; elaboração de quesitos para a perícia;

- objetos e drives que podem ser periciados.

UNIDADE DIDÁTICA IX: (02 h/a)


Noções Toxicologia Forense

- Noções sobre o funcionamento do Laboratório de Perícias, seus recursos e tipos


de exames realizados;
- Noções sobre a correta preservação de materiais a ser periciados, cadeia de
custódia;
- Tipos de drogas mais comuns de interesse forense;
- Exposição prática de alguns tipos de drogas mais comuns (cocaína, maconha,
lança perfume, etc.);
- Testes cromatográficos de reconhecimento de algumas drogas;
- Genética Forense, exame de DNA, seu princípio básico e utilização;
- Cuidados básicos para evitar a contaminação de amostra para fins de exames
de DNA;
- Química forense, exames, cromatografia gasosa com espectrometria de massa,
metalográficos, residuográficos de tiro, toxicológicos e outros.

UNIDADE DIDÁTICA X: (08 h/a) + (01 h/a- TC)

Medicina Legal

- Fundamentos da Medicina Legal - Conceituação básica e objetivos: tipos de


perícias, documentos médicos, atuação integrada nos procedimentos
investigatórios (solicitação de perícias, fluxograma de laudos e informações
correlatas);
- Sistematização dos conhecimentos de Medicina Legal;
- Antropologia Forense;
- Traumatologia Forense: energias de ordem mecânica, energias de ordem
mecânica, energias de ordem física, energias de ordem química, energias de
ordem físico-química, demais energias;
- Sexologia Forense: perícia de conjunção carnal, estupro, atentado violento ao
pudor, posse sexual mediante fraude, distúrbios da sexualidade, aborto legal e
criminoso, infanticídio;
- Toxicologia Forense: embriaguez alcoólica, estudo das drogas que causam
dependências;
- Psicopatologia Forense: modificadores da impunidade penal e capacidade civil;
- Tanatologia Forense: Conceito de morte, comoriência e primoriência, interesse
jurídico da morte, diagnóstico da realidade de fenômenos transformativos,
estimativa do tempo de morte, necropsia médico – legal, exumação.

IV. ESTRATÉGIAS DE ENSINO E APRENDIZAGEM


Aulas expositivas, teóricas e praticas, com emprego de técnicas e recursos
audiovisuais e de computação. Visitas a centros de práticas criminalísticas,
estudo de casos e exercícios simulados.

V. AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM
Ficarão disponibilizadas, a critério de cada instrutor, as seguintes técnicas de
avaliação: provas, estudos dirigidos, seminários e pesquisas extraclasses.

- Avaliação escrita que necessariamente deverá constar de:

01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.


01 TC (Trabalho Corrente) – Prova escrita abordando todo o conteúdo da
disciplina.

VI. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

ALCÂNTARA, H. R. Perícia médica. Rio de Janeiro: Guanabara Dois, 1982.

ALMEIDA JUNIOR, COSTA JUNIOR, J.B. Lições de Medicina Legal. 19ª ed. São
Paulo: Nacional. 1987.

BRASIL. Lei 9.503,23 set. 1997: Código de Trânsito Brasileiro. Belo Horizonte:
Nova Alvorada, 1998. 320p.

BRASIL. Lei nº 9.605 de 12.02.1998. Diário Oficial, Brasília, 17. fev. 1998.

CARVALHO, C.G. Legislação Ambiental Brasileira. São Paulo: Editora Leme de


Direito, 1999. V. 1 e 2.

CARVALHO. H.V. Compêndio de medicina legal. São Paulo: Saraiva,1978 .


COELHO, Walter. Teoria Geral do Crime. Porto Alegre: Sete Mares, 1991.

____________. CONSELHO ESTADUAL DE POLICIA AMBIENTAL – COPAM.


Deliberação Normativa nº 010/89 de 10.01.87. [s.n.t].

CROCE, D. & CROCE JR. D. Manual de Medicina Legal. São Paulo: Saraiva, 1994
.

DEL PICCHIA FILHO, José & Del PICCHIA, Celso Mauro Ribeiro. Tratado de
Documentos copia. São Paulo: LEUD, 1976.

FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 2ª ed. Rio de Janeiro: Freitas Bastos, 1985 .

______________. Lei Federal nº 9.503, de 23 de setembro de 1997.

_______________. Lei Federal nº 9.602, de 21 de janeiro de 1998.

MACHADO, P. A. L. Direito Ambiental Brasileiro. 7ª ed. São Paulo: Malheiros


Editores, 1998.

MARANHÃO, R. Curso básico de medicina legal. 4ª ed. São Paulo: Reservista dos
Tribunais , 1989.

MENDES, Lamartine et al. Tratado de Perícias Criminalísticas. Rio de Janeiro:


Ática [s.d.].

PASSO, L. R. Crimes contra o ambiente. São Paulo: Editora Revista dos


Tribunais,1998.

PAULINO, Wilson R. Biologia Atual . São Paulo: Ática, 1997. v. 3.

RABELLO, Heraldo. Curso de Criminalística. Rio de Janeiro: Ciência e Técnica


[s.d.].

____________. Revista O Laudo – Associação de Criminalística do Rio Grande do


Sul [s.n.t.].

ROITMAN, Issac, TRAVASSOS, Luiz R. AZEREDO e João L (Ed) Tratado de


Microbiologia . São Paulo: Manole, 1988. v.1.
SANTOS, Juarez Cirino. Teoria do Crime. São Paulo: Acadêmica, 1993.

Tratado de Pericias Criminalísticas, D. Tochetto. Ed Sagra-Luzzato.

XAVIER FILHO, E.F. Manual de perícias médico-legais. Porto Alegre: Síntese,


1980.
Anexo I – Ementa

Disciplina: Criminalística e Medicina Legal

- Conhecer a Criminalística em âmbitos gerais e específicos,


sensibilizando para a importância do isolamento e prevenção
de locais de crime ou corpos-de-delito posteriormente
levantados, a fim de que a investigação pericial possa
reconstruir a dinâmica física do evento criminal ou confirmar,
na dinâmica do procedimento investigatório, teses ali
propostas.

- Identificar os princípios básicos das perícias em geral,


técnicas, métodos e procedimentos aplicáveis às perícias

Objetivo: externas, relacionando com as ciências em geral, com as


inovações tecnológicas e identificando a importância de tudo
em todas as fases da ação policial.

- Propiciar ao profissional de segurança do cidadão uma visão


de posicionamento da ciência médico legal no curso do ciclo
completo da ação policial, habilitando a proceder corretamente
na complexa gama de ocorrências em que se impõem o
encaminhamento da prova, segundo conveniência de tempo,
espaço e tipo de evidência com que se depara.

A disciplina discorrera sobre os seguintes tópicos:

Ementa: 1) Noções de Criminalística

- Conceito de Criminalística;
- Organograma, funcionamento, competências do Instituto-
Geral de Perícias;
- Locais de Crime;
2) Definição do Local de Crime

- Isolamento e preservação;
- Vestígios, Indícios e Presunção;
- Meios e formas de solicitações periciais;
- A prova técnica no Código de Processo Penal;
3) Noções gerais sobre áreas específicas da Criminalística

- Engenharia Legal;
- As áreas de atuação da engenharia legal;
- As perícias de engenharia nas casas prisionais;
- Os exames periciais em veículos automotores;
4) Papiloscopia

- Conceito;
- Sistema datiloscópico de identificação;
- Divisão de identificação civil e criminal;
- Preservação dos vestígios e do local;
- Modo de envio de objetos para perícia em laboratório;
5) Documentoscopia Forense

- Conceito;
- Divisão;
- Metodologias Periciais;
- Alteração de documentos;
6) Balística Forense

- Conceito de arma;

- Noções de Balística Forense;

- Divisão e tipos de Munições;


- Efeitos Primários e Secundários do Tiro;

- Exames Residuográficos.

7) Perícia Ambiental

-Conceito;

-Áreas de atuação;

- Legislação pertinente aos Crimes Ambientais e a Questão


Ambiental Global;

8) Perícia de Informática

- como preservar o objeto; elaboração de quesitos para a


perícia;

- Objetos e drives que podem ser periciados.

9) Noções Toxicologia Forense

- Noções sobre o funcionamento do Laboratório de Perícias,


seus recursos e tipos de exames realizados;
- Noções sobre a correta preservação de materiais a ser
periciados, cadeia de custódia;
- Tipos de drogas mais comuns de interesse forense;
- Exposição prática de alguns tipos de drogas mais comuns
(cocaína, maconha, lança perfume, etc.);
- Testes cromatográficos de reconhecimento de algumas
drogas;
- Genética Forense, exame de DNA, seu princípio básico e
utilização;
- Cuidados básicos para evitar a contaminação de amostra
para fins de exames de DNA;
- Química forense, exames, cromatografia gasosa com
espectrometria de massa, metalográficos, residuográficos de
tiro, toxicológicos e outros.
10) Medicina Legal

- Fundamentos da Medicina Legal - Conceituação básica e


objetivos: tipos de perícias, documentos médicos, atuação
integrada nos procedimentos investigatórios (solicitação de
perícias, fluxograma de laudos e informações correlatas);
- Sistematização dos conhecimentos de Medicina Legal;
- Antropologia Forense;
- Traumatologia Forense: energias de ordem mecânica,
energias de ordem mecânica, energias de ordem física,
energias de ordem química, energias de ordem físico-
química, demais energias;
- Sexologia Forense: perícia de conjunção carnal, estupro,
atentado violento ao pudor, posse sexual mediante fraude,
distúrbios da sexualidade, aborto legal e criminoso,
infanticídio;
- Toxicologia Forense: embriaguez alcoólica, estudo das
drogas que causam dependências;
- Psicopatologia Forense: modificadores da impunidade
penal e capacidade civil;
- Tanatologia Forense: Conceito de morte, comoriência e
primoriência, interesse jurídico da morte, diagnóstico da
realidade de fenômenos transformativos, estimativa do
tempo de morte, necropsia médico – legal, exumação.
Carga Horária: 20 h/a

Quantidade de 01- Criminalística – 10 h/a;


Docentes 02- Medicina Legal – 8 h/a.

Os métodos de ensino empregados serão:


Metodologia:
 Palestra;
 Trabalho em Grupo;
 Estudo de Caso.
Bibliografia básica a ser utilizada pelos docentes que
ministrarão as aulas e que deram subsídio à Ementa:

 ALCÂNTARA, H. R. Perícia médica. Rio de Janeiro:


Guanabara Dois, 1982.
 ALMEIDA JUNIOR, COSTA JUNIOR, J. B. Lições de Medicina
Legal. 19ª ed. São Paulo: Nacional. 1987.
 BRASIL. Lei 9.503,23 set. 1997: Código de Trânsito
Brasileiro. Belo Horizonte: Nova Alvorada, 1998. 320p.
 BRASIL. Lei nº 9.605 de 12.02.1998. Diário Oficial, Brasília,
17. fev. 1998.
 CARVALHO, C. G. Legislação Ambiental Brasileira. São
Paulo: Editora Leme de Direito, 1999. V. 1 e 2.
 COELHO, Walter. Teoria Geral do Crime. Porto Alegre:Sete
Mares, 1991.
Bibliografia
 CARVALHO. H. V. Compêndio de medicina legal. São Paulo:
Básica:
Saraiva,1978 .
 CONSELHO ESTADUAL DE POLICIA AMBIENTAL – COPAM.
Deliberação Normativa nº 010/89 de 10.01.87. [s.n.t].
 CROCE, D. & CROCE JR. D. Manual de Medicina Legal. São
Paulo: Saraiva, 1994.
 DEL PICCHIA FILHO, José & Del PICCHIA, Celso Mauro
Ribeiro. Tratado de Documentos copia. São Paulo: LEUD,
1976.
 FRANÇA, G. V. Medicina Legal. 2ª ed. Rio de Janeiro: Freitas
Bastos, 1985.
 Lei Federal nº 9.503, de 23 de setembro de 1997.
 Lei Federal nº 9.602, de 21 de janeiro de 1998.
 MACHADO, P. A. L. Direito Ambiental Brasileiro. 7ª ed. São
Paulo: Malheiros Editores, 1998.
 MARANHÃO, R. Curso básico de medicina legal. 4ª ed. São
Paulo: Reservista dos Tribunais, 1989.
 MENDES, Lamartine et al. Tratado de Perícias
Criminalísticas. Rio de Janeiro: Ática [s.d.].
 PASSO, L. R. Crimes contra o ambiente. São Paulo: Editora
Revista dos Tribunais, 1998.
 PAULINO, Wilson R. Biologia Atual . São Paulo: Ática, 1997.
v. 3.
 RABELLO, Heraldo. Curso de Criminalística. Rio de Janeiro:
Ciência e Técnica [s.d.].
 Revista O Laudo – Associação de Criminalística do Rio
Grande do Sul [s.n.t.].
 ROITMAN, ISSAC, TRAVASSOS, Luiz R. AZEREDO, JOÃO L
(Ed) Tratado de Microbiologia . São Paulo: Manole, 1988. v.1.
 SANTOS, Juarez Cirino. Teoria do Crime. São Paulo:
Acadêmica, 1993.
Tratado de Pericias Criminalísticas, D. Tochetto. Ed Sagra-
Luzzato.

 XAVIER FILHO, E.F. Manual de perícias médico-legais. Porto


Alegre: Síntese, 1980.
Área de
Articulação com
Sistemas, Instituições e Gestão Integrada em Segurança
a Matriz
Pública
Curricular
Nacional:

Modalidade: Presencial

A avaliação será escrita:

Avaliação:  01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do Instrutor;


 01 TC (Trabalho Corrente) - Prova escrita abordando
todo o conteúdo da disciplina.
PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ESPECÍFICO
Os conteúdos serão ministrados em sala de aula nas Escolas de Formação
e Especialização de Soldados, ou locais específicos designados pelo Departamento
de Ensino.

DESCRIÇÃO DOS MEIOS AUXILIARES QTD


Quadro branco 01
Canetas para quadro branco 04
Apagador para quadro branco 01
Microcomputador, Notebook, ou Tablet 01
Projetor de multimídia 01
Tela de projeção 01
Televisão LED, 42 polegadas ou mais 01
Equipamento de som, com CD e entrada USB 01
PLANO DE ESCRITA DO MANUAL DE CRIMINALÍSTICA E
MEDICINA LEGAL

Prefácio

Apresentação
Considerações sobre a importância dos conteúdos de Criminalística e Medicina
Legal, que sofrem constantes alterações, para o regular andamento da carreira
do ME.

Capítulo 1 - Noções de Criminalística

- Conceito de Criminalística;
- Organograma, funcionamento, competências do Instituto-Geral de Perícias;
- Locais de Crime.

Capítulo 2 - Definição do Local de Crime

- Isolamento e preservação;
- Vestígios, Indícios e Presunção;
- Meios e formas de solicitações periciais;
- A prova técnica no Código de Processo Penal.

Capítulo 3 - Noções gerais sobre áreas específicas da Criminalística

- Engenharia Legal;
- As áreas de atuação da engenharia legal;
- As perícias de engenharia nas casas prisionais;
- Os exames periciais em veículos automotores.

Capítulo 4 - Papiloscopia

- Conceito;
- Sistema datiloscópico de identificação;
- Divisão de identificação civil e criminal;
- Preservação dos vestígios e do local;
- Modo de envio de objetos para perícia em laboratório.

Capítulo 5 - Documentoscopia Forense

- Conceito;
- Divisão;
- Metodologias Periciais;
- Alteração de documentos.

Capítulo 6 - Balística Forense

- Conceito de arma;

- Noções de Balística Forense;

- Divisão e tipos de Munições;

- Efeitos Primários e Secundários do Tiro;

- Exames Residuográficos.

Capítulo 7 - Perícia Ambiental

-Conceito;

-Áreas de atuação;

- Legislação pertinente aos Crimes Ambientais e a Questão Ambiental Global.

Capítulo 8 - Perícia de Informática

- como preservar o objeto; elaboração de quesitos para a perícia;


- Objetos e drives que podem ser periciados.

Capítulo 9 - Noções Toxicologia Forense

- Noções sobre o funcionamento do Laboratório de Perícias, seus recursos e tipos


de exames realizados;
- Noções sobre a correta preservação de materiais a ser periciados, cadeia de
custódia;
- Tipos de drogas mais comuns de interesse forense;
- Exposição prática de alguns tipos de drogas mais comuns (cocaína, maconha,
lança perfume, etc.);
- Testes cromatográficos de reconhecimento de algumas drogas;
- Genética Forense, exame de DNA, seu princípio básico e utilização;
- Cuidados básicos para evitar a contaminação de amostra para fins de exames
de DNA;
- Química forense, exames, cromatografia gasosa com espectrometria de massa,
metalográficos, residuográficos de tiro, toxicológicos e outros.

Capítulo 10 - Medicina Legal

- Fundamentos da Medicina Legal - Conceituação básica e objetivos: tipos de


perícias, documentos médicos, atuação integrada nos procedimentos
investigatórios (solicitação de perícias, fluxograma de laudos e informações
correlatas);
- Sistematização dos conhecimentos de Medicina Legal;
- Antropologia Forense;
- Traumatologia Forense: energias de ordem mecânica, energias de ordem
mecânica, energias de ordem física, energias de ordem química, energias de
ordem físico-química, demais energias;
- Sexologia Forense: perícia de conjunção carnal, estupro, atentado violento ao
pudor, posse sexual mediante fraude, distúrbios da sexualidade, aborto legal e
criminoso, infanticídio;
- Toxicologia Forense: embriaguez alcoólica, estudo das drogas que causam
dependências;
- Psicopatologia Forense: modificadores da impunidade penal e capacidade civil;
- Tanatologia Forense: Conceito de morte, comoriência e primoriência, interesse
jurídico da morte, diagnóstico da realidade de fenômenos transformativos,
estimativa do tempo de morte, necropsia médico – legal, exumação.
CADERNO TEMÁTICO

UNIDADE DIDÁTICA I: (10h/a)


FUNDAMENTOS E GENERALIDADES

1) NOÇÕES GERAIS DE CRIMINALÍSTICA

I - CRIMINALÍSTICA E A CRIMINOLOGIA (CONCEITUAÇÃO)

a. CRIMINALÍSTICA

a) criminalística não é uma ciência, é uma disciplina que busca e embasa


seus conhecimentos em todas as ciências e nas artes.

b) seu fundamento é a pesquisa.

c) a criminalística é a disciplina que tem como objetivo o reconhecimento e a


interpretação dos indícios materiais extrínsecos ao homem, relativos ao crime
ou a identidade do criminoso.

b. CRIMONOLOGIA

Criminologia é uma ciência que estuda:

A) O homem criminoso, a natureza de sua personalidade e os fatores


criminógenos;
B) A criminalidade, suas geratrizes, o grau de sua nocividade social, a
insegurança e a intranquilidade que ela é capaz de causar a sociedade e
aos seus membros;
C) Os meios capazes de prevenir a incidência e a reicidencia do crime através
de uma política de erradicação do marginalismo, da profilaxia e da
recuperação do deliquente para a sociedade.
c. INVESTIGAÇÃO CRIMINAL

Sinônimos de investigação: averiguação, devassa, indagação,


perquirição,perquisição e pesquisa.

Cabe, inicialmente, esclarecer o que seria este tão polêmico “poder


investigatório”. O termo investigação, segundo o dicionário eletrônico houaiss,
significa o “conjunto de atividades e diligências tomadas com o objetivo de
esclarecer fatos ou situações de direito”. No âmbito do direito criminal,
investigar significa colher provas que elucidem o fato criminoso,
demonstrando a sua existência ou não (materialidade) e quem para ele
concorreu (autoria e participação), bem como as demais circunstâncias
relevantes.

A investigação criminal pode se dar através da oitiva de testemunhas,


requisição de documentos, realização de perícias técnicas, interceptação de
conversas telefônicas, entre outros meios. A forma como ocorre a colheita
destas provas, para que sejam elas admissíveis, precisa obedecer a regras
específicas e respeitar os direitos fundamentais. Uma das correntes
doutrinárias sobre o tema proposto entende que apenas a polícia pode
investigar crimes, sendo ilícitos os procedimentos realizados diretamente pelo
ministério público, bem como, consequentemente, as provas por este obtidas.
Algumas correntes advogam que a investigação criminal é livre, podendo ser
efetuada por vários órgãos, entre eles, o ministério público.

II - INSTITUTO-GERAL DE PERICIAS

O Instituto-Geral de Perícias (IGP) é um órgão componente do atual sistema


estadual de segurança, vinculado à Secretaria de Estado da Segurança pública,
ao lado dos demais integrantes: Brigada Militar, Polícia Civil e a Superintendência
dos Serviços Penitenciários.
Ao IGP incumbem as perícias médico-legais e criminalísticas, os serviços de
identificação e o desenvolvimento de estudos e pesquisas em sua área de
atuação.

a. ORGANOGRAMA DO INSTITUTO GERAL DE PERÍCIAS DO RS-


IGP/RS.

DIREÇÃO

GERAL

CORREGEDORIA SUPERVISÃO DEPARTAMENTO

GERAL TÉCNICA ADMINISTRATIVO

Departamento Departamento Departamento Laboratório

De De Médico De

Criminalística Identificação Legal Perícias

NOTA: É interessante notar que a investigação policial é

formalizada através de peça preliminar e informativa

denominada inquérito policial ,realizado pela Polícia


Judiciária ( Policia Civil) , o qual subsidia o

processo criminal. Após a conclusão do inquérito

policial, este é remetido ao Poder Judiciário, que

poderá valer-se das provas amealhadas na fase policial

durante o processo criminal e na prolatação da


I-
sentença. LOCAL DE CRIME
Conceito

LOCAL DE CRIME é a porção do espaço que tem origem o ponto no qual é


constatado o fato e se estende de modo a abranger todos os lugares em que,
aparentemente ou presumidamente, hajam sido praticados os atos
materiais preliminares ou posteriores à consumação do delito e com estes
diretamente relacionados.

 Quando deverá ser realizada a perícia em local de crime? Sempre que a


infração deixar vestígios (CPP).
 O que se examina no local de crime? O Corpo de delito.
CORPO DE DELITO

¨É o delito em sua corporação física , é o conjunto de todas as provas


materiais de um crime, passível de exame¨ Ex: O cadáver, pessoa vítima
de lesões corporais, objetos, armas, documentos, equipamentos eletrônicos,
munições, etc...........

II- ISOLAMENTO E PRESERVAÇÃO


A realização de um isolamento adequado é um dos elementos mais
importantes a serem observados pelos agentes da lei que primeiro chegam
ao local de crime.

Qualquer alteração, por mínima que seja, deve ser evitada, porque ¨a
priori¨ não se pode saber qual delas pode prejudicar (ou impedir) que os
peritos cheguem a uma conclusão sobre o que ocorreu no local.

Com relação à sua abrangência, deve-se tentar isolar a maior área possível
em torno do evento. Por exemplo: em um local de homicídio, com uma
vítima caída no chão de um dormitório, não basta isolar apenas o quarto.
O Local do Crime deve ser considerado a casa inteira, já que não se sabe
em que locais serão encontrados vestígios relativos ao homicídio. Desse
modo, ainda que seja difícil na prática impedir totalmente o acesso de
familiares ao interior da casa ou retirá-los para algum ponto mais afastado
do centro da cena do crime, não deve ser poupado esforços nesse sentido.
Entre alguns procedimentos que ocorrem com certa freqüência alguns
devem ser abolidos: jamais mexer em armas em local de crime, em
nenhuma circunstância para nenhuma finalidade como abrir tambor para
verificar o municiamento, desmuniciá-la, guardá-la em local ¨local seguro¨,
etc.
Porque isolar o local de crime?

 Analisar os vestígios que qualificam uma infração penal;


 Preservar os vestígios que auxiliem na identificação do criminoso;
 Perpetuação e legalização das provas materiais;
 Descartar uma falsa comunicação de ocorrência.
Quando ? Tão logo haja o conhecimento policial.

Como? Toda a porção de espaço onde exista algum indicio ou vestígio do


fato.

Vestígios e Indícios

VESTÍGIO – É o sinal que o homem ou animal deixa no lugar onde passa,

rastro, pegada, pista, no sentido figurado, sinal......(Dic. da Língua


Portuguesa).

Ex: levantamento pericial em um determinado local de crime.

a . Várias pegadas de um determinado tipo de calçado moldada em sangue,


em meio às manchas de sangue e nas imediações do cadáver;

b. A ausência de um videocassete e de várias fitas de vídeo pertencente à


vitima;

c. Sujidades presentes na face interna do muro que cerca a casa da vítima,


na parte dos fundos do terreno;

d. Pegada similar à anterior moldada em poeira, diante dessa sujidade;

e. A presença de objetos nas imediações com relação ao local de crime.

INDÍCIO – É a circunstância conhecida e provada que tendo relação


com o fato, autorize por indução, concluir-se a existência de outra ou outras
circunstâncias (Art 239 CPP).

a. A análise preliminar da existência de vestígios ou indícios que


justifiquem a necessidade da solicitação de levantamento pericial em local de
crime deve ser feita de forma criteriosa e baseada no conhecimento de
criminalística, pois, o levantamento pericial é um trabalho técnico cuja finalidade
é a caracterização destes vestígios e indícios no intuito de fornecer subsídios para
a elaboração de provas materiais.

b. O Vestígio encaminha; o Indício aponta. Após realizado o exame que


demonstre que ambas as pegadas foram produzidas pelo mesmo calçado ( igual
tamanho e detalhes do solado) e na hipótese de que os objetos encontrados
pertencessem a vítima, com boa margem de certeza, pode-se chegar a conclusão
de que uma mesma pessoa esteve naquele local , durante ou após a morte da
vítima , apossou-se de pertences da vítima e fugiu pelo pátio, pulando o muro.

IV - LOCAL DE MORTE

Quando ocorre um crime há uma vitima fatal no local, deve-se trabalhar com a
máxima cautela e eficiência, a fim de evitar ou minimizar a aglomeração de
populares, descaracterização do local e outros desdobramentos prejudiciais à
realização da perícia. Sendo assim, é útil esclarecer alguns aspectos referentes a
este tipo de local.

MORTE: é um processo de desequilíbrio biológico e físico-quimico, culminando


com o desaparecimento total e definitivo da atividade do organismo.

Ela pode ser classificada como:

- Morte Natural: é aquela atribuída à velhice ou à decorrência de doenças.

Do ponto de vista legal e policial, sempre que a morte ocorre em circunstâncias


em que não houver um médico que não ateste o óbito da vitima, o cadáver será
submetido à necropsia no Departamento Médico-Legal. Tal situação é definida
como morte sem assistência médica. A presença do policial civil e militar neste
local é determinante para verificar a ausência de vestígios materiais associados à
uma morte violenta, e nesses casos, deverá ser solicitada apenas a remoção do
cadáver ao DML, não sendo necessária a realização de levantamentos pericial
pela equipe do DC.
- Morte Violenta: é aquela decorrente de fator externo claramente tipificado
(ocorrência de trânsito, suicídio, homicídio, acidente de trabalho,...)

Nestas situações, o local deverá ser imediatamente isolado e preservado e deverão


ser acionadas as equipes as equipes do DC, deverá estar presente a Autoridade
Policial (Delegado de Policia).

OBS: O termo “morte súbita”, embora ainda empregado no jargão policial para
designar os casos de morte sem assistência médica, é obsoleto e confuso,
devendo ser evitado.

V - AUTORIDADE POLICIAL NO LOCAL DO CRIME

CPP, Art. 6° - Logo que tiver conhecido da prática da infração penal, a autoridade
policial deverá:

I – dirigir-se ao local, providenciando para que não se altere o estado e


conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;

II – apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos
peritos criminais;

III – colher todas as provas que servirem para o esclarecimento do fato e suas
circunstâncias;

VII – determinar, se for o caso, que se proceda ao exame de corpo de delito e a


quaisquer outras perícias;

VIII – ordenar a identificação dos indiciado pelo processo datiloscópico, se


possível, e fazer juntar aos autos sua folha de antecedentes.

VI - MEIOS E FORMAS DE SOLICITAÇÃO DE PERÍCIA

O Departamento de Criminalística atende a solicitação da Policia Civil, do Poder


Judiciário, do Ministério Público e da Brigada Militar. Em relação a esta última
(Brigada Militar), as perícias que ela solicita são apenas aquelas referentes ao
IPMs (Inquérito Policiais Militares) a que procedem, quando, por exemplo, são
feitas perícias em armas, em veículos para verificar a origem de danos produzidos
por ocorrência de trânsito ou por tiros de arma de fogo. A grande maioria das
perícias realizadas no Departamento são feitas por solicitação da Policia Civil.

Após constatada a real necessidade de levantamento pericial em um local de


crime, deverá ser feita a respectiva solicitação ao Departamento de Criminalística.
Tal solicitação deverá ser oficializada e comunicada segundo um procedimento
adequado. Atualmente, há o Centro Integrado de Operações de Segurança Pública
( CIOSP) necessárias e pertinentes aos diversos órgãos que atuam na SSP (IGP,
BM, PC e SUSEPE ).

É de suma importância que o órgão solicitante informe com exatidão o que a


Autoridade Policial busca com o exame pericial. Devem ser banidas práticas
como, por exemplo, solicitar inadequadamente “perícia de veículo” ao invés de
“perícia mecânica em veículo”. A falta de informação adequada dificulta a
definição de qual seção do DC que responde pela execução da tarefa, e, mais
adiante, ao perito designado saber o que deve buscar no automóvel (Quesitos).
Faz-se necessário informar o fato ocorrido e quais as respostas que a Autoridade
Policial busca, como por exemplo, se há vestígios de tiro no veículo, se há
presença de pêlos, esperma (casos de estupro), se há vestígios de droga, se existe
determinado problema mecânico com o veículo, etc.

Além disso algumas vezes é oportuno uma conversa telefônica prévia entre os
peritos e a Autoridade Policial (ou seus agentes), a fim de que os peritos
obtenham informações relevantes que possam orientá-los na execução do seu
trabalho (ponto de referência, rota de deslocamento até o local, necessidade de
“escolta” por viatura policial, etc.

Cabe salientar que a solicitação da perícia é competência da Autoridade Policial.


Cabendo a ela o julgamento da real necessidade da realização de levantamento
pericial no local do crime.

VII- O CRIME E A PROVA TÉCNICA

A ação penal contra os autores de delitos tem, via de regra, como ponto de
partida, um trabalho preliminar de investigação através do qual se possa apurar,
quando ao fato e suas circunstâncias, elementos de convicção suficientes para
justificar a instauração do processo. Este trabalho preliminar de investigação é
realizado pela polícia judiciária, (no nosso caso, Polícia Civil). Para tal fim, há
uma necessidade cada vez maior de provas, que permitam esclarecer os fatos e as
circunstâncias em que tais delitos foram praticados.

Neste ponto cabe destacar a prevalência da prova técnica (material) sobre a prova
testemunhal na apuração do fato; pois, como é de domínio comum, sobre a
última recaem questionamentos de toda ordem e, quanto à primeira, a sua
aceitação e comprovação podem ser avaliadas por metodologia técnico-científica
precisa.

A utilização de recursos da ciência e da técnica para a realização da perícia, bem


como a sistematização destes conhecimentos, recursos e procedimentos, e a
efetiva aplicação dos mesmos na execução de levantamentos periciais, constitui,
em síntese, a atividade do perito criminalístico.

CRIME, em termos jurídicos, é toda conduta típica, antijuridíca - ou ilícita - e


culpável, praticada por um ser humano.

Em um sentido vulgar, crime é um ato que viola uma norma moral.

Num sentido formal, crime é uma violação da lei penal incriminadora.

No conceito material, crime é uma ação ou omissão que se proíbe e se procura


evitar, ameaçando-a com pena, porque constitui ofensa (dano ou perigo) a um
bem jurídico individual ou coletivo.

PROVA ( Art 420 CPC)

No campo processualístico, fundamental importância possuem as provas em


espécie, das quais destacamos a prova pericial e a inspeção judicial. Vezes há
em que um processo necessita de informações adstritas ao campo jurídico,
exigindo a produção de laudo médico, químico, contábil, genético, de engenharia,
etc. A perícia judicial, portanto, tem gênese quando diante de fatos complexos,
onde o juiz não possui conhecimentos técnicos e científicos suficientes ao
esclarecimento do fato.
Nos casos supra, realiza-se perícia através de exames, vistorias e avaliações,
sejam estas judiciais, extrajudiciais ou informais, por intermédio de um
especialista no ramo do saber técnico ou científico em questão. Assim, é de cabal
importância a produção probatória por meio pericial para a solução das mais
diversas lides que tramitam nos foros estaduais e federais.

PERÍCIA: CONCEITO.
Perícia, do latim peritia significa habilidade, saber. Na linguagem jurídica
significa a pesquisa, o exame, a verificação acerca da verdade ou da realidade de
certos fatos.
A perícia tem como espécies: os exames, as vistorias e as avaliações. Todas se
dizem, genericamente, Exames Periciais. É pois meio de prova, conforme o
disposto no caput do art. 420 do Estatuto Processual:
Art. 420. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.

PERITO.
O perito é a pessoa capacitada, em decorrência de conhecimentos especiais
(técnicos ou científicos) que possui, nomeada pelo juiz (de ofício ou a pedido das
partes), para a realização de uma perícia.

NO QUE CONSISTE UM LEVANTAMENTO PERICIAL:

Trata-se em síntese do trabalho do perito, sua missão, de uma descrição do local


do crime e dos vestígios e indícios ali constatados, ilustrada com fotografias e, se
necessários, desenhos e esquemas que facilitem a compreensão do trabalho,
chamado LAUDO. A partir do levantamento pericial o Perito poderá, quando os
vestígios e indícios verificados no local assim o permitirem, inferir e discorrer
sobre a dinâmica do evento e determinar ou excluir alguma circunstância,
hipótese ou particularidade associadas ao local examinado ou à ação que ali teria
ocorrido.

Finalidade da Perícia.

1. Analisar todos os vestígios existentes para constatar a materialidade do fato,


ou seja, a efetiva ocorrência do fato que foi informado à Autoridade Policial, como
por exemplo, de um homicídio, de um furto, de um tiro de arma de fogo, de furto
de energia elétrica, etc. ou ao contrario, apontar para a ocorrência de uma falsa
comunicação de crime;

2. Possibilitar, com a analise dos vestígios encontrados, a qualificação da infração


penal;

3. Buscar, nos vestígios e os indícios presentes, a identificação da autoria;

4. A Perpetuação da cena do crime (Relatório) e de todos os elementos nela


constantes.

LAUDO PERICIAL.
Designação da peça escrita pelo perito, na qual faz relatório de sua perícia.
Compõe-se de duas partes:
a) parte expositiva: descreve o objeto da perícia e os procedimentos que adotou;
b) parte conclusiva: onde responde aos quesitos formulados pelas partes.
O perito deve apresentar suas conclusões sobre os quesitos apresentados através
de laudo fundamentado e conclusivo, dentro do prazo determinado pelo juiz, que
coincidirá com a previsão de que seja pelo menos vinte dias antes da audiência de
instrução e julgamento, em cartório; prazo este, entretanto, que poderá ser
prorrogado, a pedido do mesmo, pelo juiz, caso o auxiliar do juízo demonstre que
o lapso de tempo original não foi suficiente para finalizar suas diligências a
contento.

ISOLAMENTO E PRESERVAÇÃO DOS LOCAIS DE CRIME

a) Considerações iniciais

Um dos grandes e graves problemas das perícias em locais onde ocorrem crimes,
é a quase inexistente preocupação das autoridades em isolar e preservar
adequadamente um local de infração penal, de maneira a garantir as condições
de se realizar um exame pericial da melhor forma possível.
No Brasil, não possuímos uma cultura e nem mesmo preocupação sistemática
com esse importante fator, que é um correto isolamento do local do crime e
respectiva preservação dos vestígios naquele ambiente.

Essa problemática abrange três fases distintas.

A primeira compreende o período entre a ocorrência do crime até a chegada


do primeiro policial. Esse período é o mais grave de todos, pois ocorrem diversos
problemas em função da curiosidade natural das pessoas em verificar de perto o
ocorrido, além do total desconhecimento (por parte das pessoas) do dano que
estão causando pelo fato de estarem se deslocando na cena do crime.

A segunda fase compreende o período desde a chegada do primeiro policial


até o comparecimento do delegado de polícia. Esta fase, apesar de menos
grave que a anterior, também apresenta muitos problemas em razão da falta de
conhecimento técnico dos policiais para a importância que representa um local
de crime bem isolado e adequadamente preservado. Em razão disso, em muitas
situações, deixam de observar regras primárias que poderiam colaborar
decisivamente para o sucesso de uma perícia bem feita.

E, a terceira fase, é aquela desde o momento que a autoridade policial já


está no local, até a chegada dos peritos criminais. Também nessa fase
ocorrem diversas falhas, em função da pouca atenção e da falta de percepção -
em muitos casos - daquela autoridade quanto a importância que representa para
ele um local bem preservado, o que irá contribuir para o conjunto final das
investigações, da qual ele é o responsável geral como presidente do inquérito.

Para falarmos em isolamento e preservação de local, em primeiro lugar vamos


discutir genericamente sobre o local de crime.

Local de Crime
Os exames periciais realizados nos locais onde ocorreram as infrações penais, são
tão variados e complexos que exigem dos peritos criminais uma série de cuidados
e precauções, no sentido de bem desempenharem essa importante função.

Neste trabalho estaremos abordando os aspectos relacionados genericamente a


todos os tipos de delitos ocorridos e que a perícia se faça necessária no próprio
local onde ocorrera, a fim de subsidiar as autoridades policiais e demais
segmentos da polícia com informações técnicas que evidencie a importância do
exame pericial no local do crime, advindo, por conseqüência, a atenção maior
para o isolamento e a preservação.

Crimes contra a pessoa

Nesta classificação de crimes, procura-se colocar todos os tipos de delitos


perpetrados contra as pessoas. Assim, poderemos ter aqui ocorrências que vão
desde uma tentativa contra a pessoa até a morte da vítima.

Podemos colocar vários exemplos de crimes contra a pessoa, no entanto, os mais


comuns, ou aqueles que ocorrem com mais freqüência, são os homicídios e os
suicídios, envolvendo a morte da vítima; e, as tentativas de consumação de
homicídios e os disparos de arma de fogo em geral, dentre aqueles em que a
vítima não veio a falecer.

O estudo e metodologia dos exames periciais nos locais onde ocorreram esses
tipos de crimes, fazem parte de estudo autônomo em face da sua complexidade e
cuidados que devem ser observados pelos peritos criminais. Como aqui nos
interessa, nesta fase, somente apresentar os aspectos gerais sem aprofundarmos
esse assunto, uma vez que voltaremos ao tema mais adiante.

Acidente de tráfego

Os locais onde ocorreram os acidentes de tráfego trazem uma série de


informações materiais, que propiciam a realização - na sua grande maioria - de
uma perícia capaz de oferecer toda a dinâmica e a causa determinante do
acidente.
A quantidade de ocorrências nessa área é muito grande, em função de uma série
de interferentes no sistema de trânsito, desde a má conservação das nossas vias
até - e principalmente - a imprudência e descumprimento das leis por parte dos
motoristas.

Gostaríamos de chamar a atenção de todos para um cuidado que devemos ter


nas ocorrências de trânsito. Tradicionalmente dentro da Polícia e da própria
Perícia, costuma-se generalizar essas ocorrências, nominando-as com a
expressão "acidente de trânsito".

Já aconteceram diversos casos em todo o Brasil, e certamente outros vão ocorrer,


da perícia ser requisitada para atender um "acidente de trânsito" que, na
realidade, após os peritos examinarem o local, constataram que se tratava de um
homicídio e as vezes de um suicídio. Assim, os peritos já adotam o procedimento
de chegar num local de ocorrência de trânsito sem qualquer pré-julgamento dos
fatos.

Crimes contra o patrimônio

Os crimes contra o patrimônio, o próprio nome sugere, são todos os delitos


praticados cuja intenção do autor era a de obter vantagem (ilícita) pecuniária ou
patrimonial, por intermédio da apropriação de objetos, bens ou valores.

Além dos crimes tradicionais e mais comuns ocorridos contra o patrimônio, nesta
classificação estarão todos os demais exames periciais externos, excetuando-se os
de acidente de tráfego e os de crimes contra a pessoa.

Nesta classificação podemos incluir os casos de arrombamentos; furto ou roubo


de veículos; danos materiais; local de lenocínio (prostituição); exercício ilegal da
profissão; jogos de azar; exercício arbitrário das próprias razões; maus tratos
contra animais; alteração de limites; parcelamento irregular de solo; furto de
energia, telefone, água e TV a cabo; furto de combustíveis; incêndio, meio-
ambiente, etc.

O isolamento e a preservação
Um dos requisitos essenciais para que os peritos possam realizar um exame
pericial de maneira satisfatória, é que o local esteja adequadamente isolado e
preservado, a fim de não se perder qualquer vestígio que tenha sido produzido
pelos atores da cena do crime.

Este é um problema que os peritos encontram quase sempre nos locais de crime,
pois não há no Brasil uma tradição de isolarmos e preservarmos o local de
infração penal. Esta falta de tradição é da própria população que, ao passar por
um local, acaba se aproximando de tal maneira que se desloca por entre os
vestígios. Da população, em princípio, é até compreensível a curiosidade natural
em olhar tais fatos, no entanto, as dificuldades são maiores quando a própria
polícia, que é a responsável por esse mister, na grande maioria das situações não
cumpre a sua obrigação prevista em lei.

Com a vigência da Lei 8862/94, a questão do isolamento e preservação de local


de crime mudou de patamar, passando a fazer parte da preocupação daqueles
que são elencados como os responsáveis por essa tarefa, ou seja, por intermédio
da autoridade policial.

Tais determinações legais que garantem esse novo status para o local de crime,
estão previstos nos dispositivos a seguir transcritos, do Código de Processo Penal.

Art. 6º. Logo que tiver conhecimento da prática da infração penal, a autoridade
policial deverá:
I - dirigir-se ao local, providenciando para que não se alterem o estado e
conservação das coisas, até a chegada dos peritos criminais;
II - apreender os objetos que tiverem relação com o fato, após liberados pelos
peritos criminais;
Art. 169. Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a
autoridade providenciará imediatamente para que não se altere o estado das
coisas até a chegada dos peritos, que poderão instruir seus laudos com
fotografias, desenhos ou esquemas elucidativos.
Parágrafo Único. Os peritos registrarão, no laudo, as alterações do estado das
coisas e discutirão, no relatório, as conseqüências dessas alterações na dinâmica
dos fatos.

Como podemos observar, a questão do isolamento e preservação de local de crime


está, a partir da edição da Lei 8862/94, tratada devidamente e a altura da
importância que representa no contexto das investigações periciais e policiais.

O isolamento e a conseqüente preservação do local de infração penal é uma


garantia que o perito terá de encontrar a cena do crime conforme fora deixada
pelo(s) infrator(es) e pela vítima(s) e, com isso, ter condições técnicas de analisar
todos os vestígios. É também uma garantia para a investigação como um todo,
pois teremos muito mais elementos a analisar e carrear para o inquérito e,
posteriormente, para o processo criminal.

No entanto, mesmo com a previsão legal, a preservação do local de crime é


primeiramente uma questão de formação profissional dos próprios policiais que,
por sua vez, quando passarem - todos - a proceder corretamente, estaremos
iniciando uma cultura de isolamento e preservação capaz de se fazer respeitar
pela própria comunidade. Só depois de todo esse trabalho é que poderemos dizer
que haverá um perfeito isolamento e preservação dos locais de crime.

É preciso ficar muito claro para todos nós o quanto é importante se preservar
adequadamente os vestígios produzidos pelos atores (vítima e agressor) da cena
do crime, como única forma de reunirmos condições para chegar ao
esclarecimento total dos delitos.

Qualquer investigação começará com muito mais probabilidade de sucesso se for


observado dois fatores básicos, conforme discutiremos a seguir.
· Iniciar imediatamente as investigações a partir do local onde ocorreu aquele
delito, pois será ali que teremos mais chance de encontrar alguma informação,
tanto sob os aspectos da prova pericial, quanto das demais investigações
subjetivas, tais como testemunhas, relatos diversos de observadores ocasionais,
visualização da área para avaliar possíveis outras informações de suspeitos, etc.
· O tempo é fator que trabalha contra os investigadores e peritos para esclarecer
qualquer delito. Quanto mais tempo gastarmos ou demorarmos para iniciar
determinada investigação, fatalmente estaremos perdendo informações valiosas,
que em muitos casos, poderão ser essenciais para o resultado final da
investigação. A perícia, nesse mesmo diapasão, fundamenta o seu trabalho
principal nos exames periciais efetuados diretamente no local onde ocorreu a
infração penal. É, a partir do exame geral do local do crime, que poderemos ter
uma visão técnica global de todo o ocorrido.

Técnicas a serem adotadas

Neste tópico queremos abordar, principalmente, as áreas que devem ser


delimitadas e isoladas, para os casos distintos de crimes de morte violenta..

Evidentemente que a preservação dos vestígios será uma conseqüência inicial do


correto isolamento (delimitação) da área, além da conduta firme e vigilante do
policial em não permitir nenhum acesso ao interior da área isolada.

Para que as autoridades policiais e quaisquer outros policiais tenham condições


de fazer um correto isolamento e conseqüente preservação dos vestígios nos
locais de crime, é preciso que detenham conhecimentos gerais de criminalística
para, no mínimo, saberem distinguir tudo o que possa ser vestígio e, portando, de
grande importância ao exame dos peritos. Dada a precariedade de grande parte
dos cursos de formação policial nas Academias, é compreensível até observarmos
erros de avaliação por parte dos policiais nesse campo pericial.

Assim, quando os peritos estiverem orientando os policiais sobre esses


importantes procedimentos de apoio ao trabalho pericial, devem primeiramente
fazer uma apresentação do trabalho pericial realizado em um local de crime, no
sentido de fundamentar a necessidade deles executarem corretamente o
isolamento da área dos exames e respectiva preservação dos vestígios.

A área a ser isolada nos casos de crimes contra a pessoa compreenderá, a partir
do ponto onde esteja o cadáver ou de maior concentração dos vestígios até além
do limite onde se encontre o último vestígio que seja visualizado numa primeira
observação. Essa área terá formato irregular, pois dependerá da disposição dos
vestígios e também não se poderá estabelecer tamanhos ou espaços prévios.

Dependerá sempre da visualização que o policial fará na área, com o objetivo de


observar até onde possam existir vestígios. Como prudência, é de bom termo
proceder ao isolamento tomando-se um pequeno espaço além do limite dos
últimos vestígios visualizados, pois nesses tipos de ocorrências poderão haver
elementos técnicos a serem buscados em áreas adjacentes, os chamados locais
mediatos.

Nesses locais de morte violenta a visualização de alguns vestígios, em


determinados casos, não é tarefa fácil, dadas as variedades e sutilezas desses
elementos presentes numa cena de crime.

Nas situações em que haja vítima no local, a única providência é quanto à


verificação se realmente a vítima está morta. A partir dessa constatação, não se
deve tocar mais no cadáver, evitando-se uma prática muito comum de mexer na
vítima e em seus pertences para estabelecer a sua identificação.

Procedimentos policiais

Quando ocorre um delito, fatalmente chegará ao conhecimento da polícia, tanto a


militar quanto a civil. Normalmente numa seqüência rotineira, quem primeiro é
chamada a atender locais de crime é a Polícia Militar, tendo em vista o próprio
telefone 190 que é muito conhecido.

Porém, isso não é regra sempre, pois qualquer policial que for comunicado de um
possível fato delituoso, deverá de imediato tomar as providências para averiguar a
ocorrência.

Responsabilidade do primeiro policial


Quando o primeiro policial chega num local de infração penal, ele terá que
observar uma rotina de procedimentos, a fim de não prejudicar as investigações
futuras.

Os procedimentos levam em conta se existem vítimas no local ou se trata apenas


de um delito sem vítimas a serem socorridas.

Num local onde existam vítimas vivas no local, a primeira preocupação do policial
deverá ser em providenciar o respectivo socorro, a fim de encaminhar para o
hospital de atendimento de emergência. Tomadas as providências de socorro, o
policial deve isolar o local e garantir a sua preservação, não permitindo nenhum
acesso ao interior daquela área. Deve ainda, sempre que possível, rememorar a
sua movimentação na área do delito, a fim de informar aos peritos quando do
exame pericial, no sentido de colaborar com eles para que não percam tempo
analisando possíveis vestígios (ilusórios) deixados pelo policial e que nada terá a
ver com os vestígios do crime, mas que demandará tempo de análise por parte
dos peritos até chegarem a essa conclusão.

Uma outra situação de local é quando há vítima aparentemente morta. Nesses


casos, deve o policial dirimir qualquer dúvida (mesmo por excesso de zelo),
verificando se a vítima realmente já está morta. A verificação do óbito pode até
parecer fato simples, todavia, quando estamos tratando da vida das pessoas, todo
o cuidado será pouco e, portanto, toda ação deverá ser excessiva nesse sentido.
Por menor que seja a dúvida, o primeiro policial deverá adentrar no local do crime
e verificar se a vítima realmente está morta.

Falamos isso porque existem casos reais em que os policiais não fizeram tal
averiguação e, somente quando os peritos chegaram ao local é que, ao checarem,
verificaram que a vítima ainda estava viva.

Porém, para adentrar no local onde está a vítima deve fazê-lo mediante
deslocamento em linha reta. Chegando junto à vítima, fará as verificações para
constatar o óbito. Caso esteja viva, deverá providenciar o socorro o mais urgente
possível, deixando de se preocupar – naquele momento - com possíveis
preservações dos vestígios, pois o mais importante é aquela vida que deve ser
salva. No entanto, constatado que a vítima está morta, deve então se preocupar
exclusivamente com a preservação dos vestígios.

Neste caso, não deverá movimentar o cadáver e nem tocá-lo por qualquer motivo,
pois, a partir daquele momento, somente os peritos é que devem trabalhar
naquele local, até a sua liberação à autoridade policial. Assim, deve voltar de
maneira mais lenta pelo mesmo trajeto feito quando da entrada e, ao mesmo
tempo, observar o seu percurso para verificar o acréscimo ou adulteração de
qualquer vestígio que ele tenha produzido naquela sua movimentação. Guardará
essas informações para repassar aos peritos quando chegarem ao local.

Atingindo a área externa da cena do crime, observará visualmente todo o espaço


que possa ter algum vestígio e providenciará o isolamento de toda a área,
utilizando fitas amarelas, cordas ou quaisquer instrumentos que possam
propiciar a delimitação da área, no sentido de demarcar os limites de acesso de
quaisquer outras pessoas, inclusive os próprios policiais. Este policial será o
responsável por qualquer irregularidade que venha a ocorrer nesse espaço de
tempo, até a chegada da autoridade policial ou seu representante.

Se esse policial tiver que sair do local por motivos quaisquer, deve passar para a
autoridade policial as informações relativas ao seu deslocamento no interior da
cena do crime, a fim de que esta repasse aos peritos. Caso ele permaneça no
local, ele mesmo dará as informações aos peritos.

A seguir vamos dar um exemplo, em gráfico, de uma área delimitada pelo


primeiro policial que chega ao local do crime, com a sua respectiva entrada até a
vítima para verificação e confirmação do óbito.
Responsabilidade da autoridade policial

Conforme determina o artigo 6º do Código de Processo Penal, cabe à autoridade


policial a obrigatoriedade de dirigir-se, logo que tomar conhecimento,
imediatamente para o local do crime, a fim de tomar várias providências, dentre
as quais a de isolar e preservar os vestígios produzidos naquele evento.

Com o advento da Lei 8862/94, passou a ser obrigatória a presença do delegado


de polícia no local do crime, a fim de tomar as providências que determina o
mencionado artigo 6º. No entanto, é importante analisarmos essa obrigatoriedade
à luz da nossa realidade brasileira, onde não há efetivo suficiente em nenhum
segmento policial para atender toda a demanda.

Assim, em muitos casos a autoridade policial não poderá se deslocar até a área
onde ocorreu o delito, porém, nessas situações, deve tomar providências e
determinar que um agente seu compareça e realize aquelas tarefas em seu nome.
Portanto, o fato de - mesmo justificadamente - não puder comparecer ao local do
crime, não o exime da responsabilidade legal.
Nesse sentido o artigo 169 quando fala em “... a autoridade providenciará...”,
deixa-nos esse entendimento de que é possível atender o disposto no inciso I do
artigo 6º se mandar o seu agente até o local do crime. Evidentemente que essa é
uma interpretação bastante limitada e só se justificaria em situações que a
autoridade policial, comprovadamente, esteja envolvida em outras atribuições
naquele período.

Na realidade, o delegado de polícia tem dupla responsabilidade na questão da


preservação e isolamento de locais de crime, dificultando operacionalmente em
determinados casos a sua atuação.

Lhe é cobrada a obrigatoriedade de comparecer ao local da infração penal e


providenciar o respectivo isolamento e preservação dos vestígios ali produzidos.
Esta, podemos dizer, é a responsabilidade que está diretamente prevista no
Código de Processo Penal.

Porém, a partir dessa obrigação decorre uma outra, qual seja, a de que é ele o
responsável por todo esse processo operacional. E, em sendo, deverá ter o
controle dos fatos ocorridos antes da sua (ou de seu agente) chegada ao local do
crime.

Como sabemos, a partir da ocorrência de um delito qualquer, temos alguns


interferentes que devem ser considerados. Em primeiro lugar, em quase todas as
situações de crimes em local público ou de fácil acesso, devemos saber que
pessoas - por mera curiosidade - estarão se aproximando do local e, por
conseqüência, alterando os vestígios deixados pelos atores da cena do crime. Este
é um dos interferentes mais difícil de administrar, haja vista que eles chegam
primeiro que a polícia e não existe nenhum conhecimento ou tradição cultural de
se preocuparem com esse tipo de coisa. São movidos pela curiosidade e, para
satisfazê-la, acabam prejudicando o trabalho da polícia e da perícia.

Essa falta de preocupação por parte de populares nós ainda vamos conviver por
muito tempo, uma vez que não temos no Brasil nenhum trabalho de campanha
educativa nesse sentido. Este fator é também agravado porque a grande maioria
dos policiais (civis ou militares) não tiveram uma formação adequada nas
Academias, ressaltando a importância do isolamento e preservação de local,
acarretando erros primários provocados por aqueles que deveriam ser o exemplo
para a população.

Um outro interferente são os próprios policiais em geral, que chegam antes da


autoridade policial ao local do crime e que - como dissemos - não possuem
conhecimentos técnicos necessários para executarem com regularidade essa
atribuição. Acabam também cometendo erros de procedimento, contribuindo
também para alterar vestígios no local de crime. É comum observarmos nos
locais onde tenham vários policiais presentes, as suas despreocupações com esse
atributo, ao ficarem transitando inadvertidamente por toda a área.

EXAMES PERICIAIS

PAPILOSCOPIA

A Impressão Digital

A pele humana na última falange dos dedos das mãos apresenta sulcos e cristas
papilares que formam curiosos arabescos, aos quais denominamos desenho
digital. A reprodução destes desenhos em um suporte qualquer constituem as
impressões digitais, enquanto que o estudo sistemático deles é denominado
Datiloscopia.

Atualmente, no Rio Grande do Sul, prefere-se o termo Papiloscopia, que abrange


qualquer desenho formado por papilas, sejam elas digitais, palmares ou plantares
(dos pés).

Tem-se noticia de que estudos referentes aos desenhos digitais datam de 1665,
porém somente Juan Vucetich, austríaco, naturalizado argentino, obteve êxito na
criação de um sistema de classificação para desenhos papilares.

O sistema datiloscópico ordenado pó Vucetich é uma obra inigualável de


perfeição e simplicidade; um momento destinado à eternidade.
Postulados Básicos da Datiloscopia:

As razões da infalibilidade do sistema é a base sólida sobre a qual foi erigido,


denominada Postulados Básicos da Datiloscopia, sendo eles a perenidade, a
invariabilidade, a diversidade e classificabilidade.

 Perenidade: Sabe-se que as linhas papilares formam-se no sexto mês de vida


intra-uterina e permanecem após a morte, até a putrefação cadavérica.
 Invariabilidade: Depois de formados, os desenhos papilares, em sua
configuração básica, permanecem imutáveis. Não se modificam, podem apenas
ser destruídos, jamais modificados.
 Diversidade: Inexistem dois indivíduos com o mesmo desenho digital nem é
possível dois desenhos no mesmo individuo, tal é a característica morfológica
da poupa digital. Um desenho digital só é idêntico a si mesmo.
 Classificabilidade: A forma genérica dos datilogramas possibilitam uma
classificação simples, mas eficiente.
Elementos da Impressão Digital

Uma impressão digital é composta , em ultima analise, por diversas linhas pretas
e brancas, sendo que as primeiras correspondem as cristas papilares a as
últimas aos sulcos interpapilares. Nas linhas pretas, observamos a existência de
poros e de alguns acidentes conhecidos como Pontos Característicos. Há vários
tipos de pontos característicos. No Rio Grande do Sul, utilizamos nove destes
pontos, quais sejam: inicio de linha, fim de linha, bifurcação, confluência,
empalme, encerro, cortada, ilhota e ponto. As linhas podem ser agrupados em
três conjuntos distintos: o sistema de linhas basilar, o sistema de linhas marginal
e o sistema de linhas nuclear. O encontro destes três sistemas de linhas produz
o que se denomina de delta. A existência e a disposição relativa destes sistemas
formam as mais variadas configurações possíveis que entretanto, reduzem-se a
um número pequeno de padrões, ditos Tipos Fundamentais.

Os Tipos Fundamentais

Existem conforme o sistema de Vucetich , quatro tipos fundamentais de


impressões digitais: O Arco, A Presília Interna, a Presilha Externa e o Verticilo.
Arco: O datilograma assim classificado é completamente desprovido de delta. O
arco, quando surge em um dos polegares é simbolizado pela letra ¨A¨. Nos
demais dedos, este tipo de impressão e referenciado pelo número ¨1¨;

Presilia Interna: Possui apenas um delta, situado à direita da estampa papilar.


As presilhas internas quando representam o desenho digital existentes nos
polegares, são simbolizadas pela letra ¨I¨. Se este tipo de estampa digital surge
nos demais dedos, sua representação será o algarismo ¨2¨.

Presilia Externa: Possui apenas um delta, situado à esquerda da estampa


papilar. Sua representação se nos polegares, será a letra ¨E¨. Caso este tipo de
estampa digital apareça nos demais dedos , seu símbolo passará a ser o número
¨3¨.

Verticilo: São estampas digitas que possuem dois ou mais deltas. Os verticilos
são representados pela letra ¨V¨ , se espelham o desenho digital dos polegares, e
pelo número ¨4¨, se representativos dos demais dedos.

A classificação de todos os dedos das mãos de um individuo, segundo estes tipos,


origina a Fórmula Datiloscópica , que constitui-se de duas seqüências
alfanuméricas sobrepostas, sendo que a superior, denominada de Série, que
representa os dedos da mão direita, enquanto que a inferior, chamada de Seção,
espelha os desenhos digitais da mão esquerda.

Exemplo: V – 4333 Série ( Mão direita: polegar, indicador, médios, anular,


auricular)
A -4222 Seção (Mão esquerda, polegar, indicador, médio, anular,
auricular)

A Afirmativa de Identidade

Embora os subtipos possam ser desdobrados em diversos outros, este sistema de


classificação apresenta limitado, de modo que a classificação de uma impressão
digital em tipo, subtipo e outras diferenciações existentes, não basta para a
afirmativa de identidade de uma pessoa. Isto ocorre simplesmente porque, sendo
o corpo humano simétrico, os desenhos digitais também o são, o que justifica a
preferência de ocorrência de determinados tipos e subtipos de impressão digital,
bem como a sua desobediência a métodos estatísticos. Para a afirmativa de
identidade de uma pessoa recorre-se, então aos pontos característicos que por
serem acidentais nas impressões digitas, não obedecem a qualquer simetria.
Além disto, os pontos característicos são imutáveis e se distribuem
aleatoriamente em uma impressão digital, sendo passiveis, portento, de análise
estatística.

A aplicação simultânea da chave de classificação, e da análise dos pontos


característicos, tornaram a impressão digital o instrumento mais seguro, simples,
barato e confiável de identificação humana atualmente um uso.

As Impressões Papilares e os Métodos de Revelação

Existem três tipos de impressões papilares: Visíveis, Plásticas (Moldadas) e


Latentes.

As Impressões papilares Visíveis são aquelas deixadas por alguma substância


que impregna o desenho papilar e que, quando em contato com a uma superfície
de coloração contrastante à substância, deixa neste suporte a reprodução do
referido desenho, facilmente perceptível a olho nu. As substâncias mais comuns
são: graxa, tintas, talco, farinhas, poeira e sujidades.
As Impressões Plásticas ou Moldadas são aquelas deixadas em superfícies
deformáveis e que conservam as impressões dos desenhos papilares em alto
relevo. Ex: massa de vidraceiro, manteiga, ceras, tintas e outras.

As Impressões Latentes são aquelas deixadas pelo suor em um substrato


qualquer, imprimindo-lhe indelevelmente o desenho papilar. Tais impressões
papilares são as mais comuns em um local de delito e a sua revelação só poderá
ser efetuada mediante o emprego de técnicas adequadas, as quais se dividem em
técnicas físicas e técnicas químicas. A primeira está atrelada a aderência de
materiais inertes à parte aquosa das impressões papilares (o suor é composto de
99% de água), enquanto a segunda está alicerçada na interação química de um
reagente com componentes específicos do suor presente nos desenhos papilares.
Estas técnicas utilizam os reveladores sólidos (pós: carbonato de chumbo, negro
de fumo, sudan III, flor de enxofre e pós magnéticos) , os reveladores líquidos (
drogas e substâncias químicas: solução alcoólica de sudan III, solução de ácido
picrico e outros) e os reveladores gasosos ( vapores de substâncias químicas:
vapor de iodo, ácido clorídrico, nitrato de prata, etc). Também não podemos
deixar de citar as técnicas modernas baseadas em LASER.

Os Suportes para a Coleta de Impressões Papilares e os Métodos de Embalar


o Material para Perícia Papiloscópica.

Todo e qualquer superfície mantém ¨registros¨ papilares latentes deixados pelos


indivíduos que por ventura a tocarem. Todavia a coleta destes fragmentos de
impressões papilares só será possível se o método de os revelar for adequado. As
técnicas a base de pós, amplamente utilizadas no Departamento de
Criminalística, para a correta revelação dos vestígios papilares, necessitam de
superfícies lisas, polidas e isentas de sujidades, tais como, entre outras: vidros
(copos e garrafas, etc.), metais (lâminas de facas, superfície de armas de fogo, aço
inoxidável, etc.) e móveis de fórmica e laqueados. Os outros tipos de superfícies,
entretanto, não podem ser desprezados, visto que as demais técnicas, apesar de
não difundidas, também são muito eficazes. As formas de manusear e embalar o
material para a perícia papiloscópica, quando não for possível a presença de um
técnico para realizar a coleta dos fragmentos papilares no local do delito, poderá
ser realizada conforme as figuras a seguir.

Ilustração de suportes..

Recentemente foi implantado no Departamento de Identificação o Sistema de


Digitalização das Fichas Individuais datiloscópicas. Esse sistema permite que a
consulta aos indivíduos seja feito por meio eletrônico, sem a necessidade de
manuseio físico, o que garante agilidade e maior segurança uma vez que elimina
o trânsito das fichas entre diferentes instituições, evitando perdas e extravios.
Foi implantado no Departamento de Criminalística o Sistema AFIS (Automático
de Identificação da Impressão dos dedos). Esse sistema possibilitará que as
impressões digitais coletadas do local de crime sejam confrontadas
eletronicamente com a base de dados criminais cadastrados.

PERÍCIA AMBIENTAL

1 – Introdução

a. Problemas ambientais Globais: Os problemas Ambientais Globais


oriundos do impacto das atividades humanas sobre os ecossistemas naturais,
magnificados a partir da segunda metade do séc. XX, desencadearam uma
preocupação maior com as questões relacionadas ao meio ambiente, fazendo com
que a idéia de proteção ao meio ambiente fosse integrada à legislação e,
conseqüentemente, às ações governamentais e não governamentais. Encontram-
se listados a seguir alguns dos problemas ambientais globais de maior
importância atualmente pela sua interferência nas atividades econômicas e de
subsistência humanas.

> aquecimento da terra (efeito estufa) ;

> destruição da camada de ozônio ( CFC );

> ocupação inadequada dos solos e degradação dos solos agriculturáveis;

> escassez, mau uso e poluição das águas continentais;

> contaminação dos oceanos e exploração excessiva dos recursos marinhos;

> redução do número de espécies de seres vivos ( perda da biodiversidade);

> geração excessiva de resíduos (lixo).

b. Crimes contra o meio ambiente: A Lei Federal nº 9.605/98 é a que


disciplina com maior eficiência o princípio assegurado no Capítulo do Meio
Ambiente da Constituição Federal, punindo condutas e atividades consideradas
lesivas ao meio ambiente civil, administrativa e criminalmente. Encontra-se
transcrito no Capítulo V desta Lei e suas seções I ( contra a Fauna) , seção II (
contra a Flora) , seção III ( Da Poluição e outros Crimes), seção IV( crimes contra
o ordenamento Urbano e Patrimônio Cultural) e seção V ( Dos Crimes contra a
Administração Ambiental) e nestas os tipos penais relacionados aos crimes
contra o meio ambiente.

c. Decreto Federal nº 3.179/99 e Exemplos de Crimes contra o Meio Ambiente.

> Desmatamentos;

> Queimadas;

> Lançamento irregular de efluentes líquidos (doméstico, comercial e


industrial);

> Emissão de gases (veiculares e Industriais);


> Mineração;

> Erosão do Solo;

> Drenagem e Assoreamentos;

> Atividades ilegais em unidades de conservação;

> Condomínios irregulares (encostas , favelas , balneários);

> Estocagem de produtos perigosos (Agrotóxicos, lixo químico, curtumes,


etc..)

ENGENHARIA LEGAL

Conceito

Ramo especial da criminalística, que utiliza os recursos e conhecimentos próprios


da Engenharia em suas diversas modalidades para elucidação das demandas
criminais, em locais de incêndios, explosões, desabamentos, eletroplessão, danos,
acidentes do trabalho, etc.

Divisão

ÁREA MECÂNICO-METALÚRGICA :

Perícias Mecânicas – objetivo: exames periciais para verificar se veículos


automotores ou equipamentos mecânicos apresentavam defeitos, panes ou
desgastes que pudessem ocasionar o fato em estudo;

Danos em Veículos – objetivo: apurar se houve realmente coisa destruída


ou danificada, quais os meios empregados e extensão dos danos causados;

Acidentes de trânsito – Cálculos de velocidade em ocorrências de trânsito


para os quais são consideradas as marcas de frenagem deixadas pelos
pneumáticos e estimativas feitas a partir dos danos sofridos por veículos
envolvidos em ocorrência de transito e suas falhas de equipamentos.

Incêndios em veículos – apurar a espécie e finalidade do veículo


incendiado, qual a causa que deu inicio ao sinistro, se foi acidental, proposital,
ou resultou de imperícia, imprudência ou negligência, se expôs à perigo a vida ou
a integridade física de outrem e se expôs a perigo o patrimônio alheio;

Veículos movidos a GLP (gás de cozinha) – verificação da adequação do


equipamento e da instalação de acordo com os padrões legalmente aceitos;

Vazamentos em botijões (explosões) – verificação em sua vedação, válvula


de segurança e rosca cônica;

Acidentes de trabalho – determinação de causa que o originou para


apuração de responsabilidades. Ex: acidentes com operadores de máquinas fixas
ou móveis;

Acidentes com equipamentos Industriais – partes de equipamentos que


quebram por falta de manutenção ou desgaste;

Explosões em caldeiras e autoclaves – em geral decorrentes de falha


humana na utilização do equipamento.

ÁREA CIVIL-ELÉTRICA :

Danos patrimoniais em prédios públicos – objeto: apurar se houve realmente


coisa destruída ou danificada , quais os meios empregados e a extensão dos
danos;

Desabamentos e desmoronamentos – objetivo: determinação da causa,


apuração de responsabilidade e extensão dos danos, trabalho este executado por
engenheiros civis e arquitetos na analise de plantas;

Levantamento planimétricos e topográficos em locais de crime, locais de


ocorrência de transito, local de incêndio, etc. São realizados croquis e fotografias
objetivando a materialização de testemunhos e mostrando a viabilidade de
ocorrências a partir do estudo de possibilidades arquitetônicas, topográficas,
planimétricas e geográficas. Ex: Caso Isabella Nardoni- SP;

Incêndios em prédios – Objetivo: apurar a espécie e finalidade de coisa


incendiada, qual a causa que deu início, só foi acidental, proposital, ou resulta de
imperícia, imprudência ou negligência ou se expôs a perigo a pessoa ou ao
patrimônio alheio. Se havia a presença de substancias inflamáveis ou explosivas
ou anormalidades nas instalações elétricas no imóvel avaliado. Problemas:
dimensão dos prédios e o trabalho realizado pelo Corpo de Bombeiros na extinção
do incêndio que acaba por apagar vestígios importantes.

Explosões – Objetivo: a apuração da causa, qual a espécie de explosão, qual a


espécie e finalidade da coisa visada, qual a extensão dos danos. Pode ser
relacionada com o trabalho da área mecânico-metalúrgico;

Levantamento de poluição sonora;

Acidentes de Trabalho – Objetivo: principal é determinação de causas que


originou o mesmo e apuração de responsabilidade, trata-se de eventos que
envolvem operários da construção civil e de empresas que trabalham com
instalações elétricas de alta e baixa tensão;

Perícias Elétricas – perícias em equipamentos elétricos; que ocasionaram morte


ou lesões;

Eletroplessão – exame pericial em local de morte por ação lesiva de eletricidade


(descarga elétrica). Executa-se a verificação de falhas em equipamentos ou o mau
uso dos mesmos;

Ligações clandestinas – furtos de água, energia elétrica, tevê a cabo e linha


telefônica;

ÁREA DE IDENTIFICAÇÃO DE VEÍCULOS

Setor de Exame Pericial em Numeração Identificadora de Veículos Automotores


(EPNIVA):

Realiza exames periciais de revelação de numeração identificadora de


veículos automotores.

Fatores concorrentes para o furto e adulteração de veículos:


Em relação ao proprietário: negligência (estacionamento em local impróprio,
vidros abertos, portas não chaveadas,...) e a ausência de esquemas de segurança
(alarme, tranca,...);

Em relação às montadoras: a ausências de gravações repetitivas no


veículos do número do chassi e de gravações do número de série de outros
elementos agregados tais como motor, locais impróprios para gravação, falta de
uniformidade nas matrizes de gravações, mudança de critérios de gravação tais
como locais e códigos e matrizes, dificuldade no fornecimento de informações aos
órgãos de perícia e alimentação incompleta de dados nos sistemas públicos;

Em relação à legislação: resoluções não definidas quanto alocais e critérios


de gravações, descentralização de normas, controle ineficiente nos locais de
comércio de sucatas e baixo interesse em legislar para evitar furtos.

A identificação de numeração de veículos automotores nos chassis é efetuada por


gravação em baixo relevo em chapa metálica, sendo utilizados dezessete dígitos
nos veículos de fabricação nacional, com significados para caracterização do
veiculo.

Ex: 9BWZZZ30ZDP0804001 = 9 (América do Sul); B (Brasil); W


(Volkswagen); ZZZ (dígitos complementares); 30 (VW Sedan – “fusca”); ZDP
(código do ano de fabricação); 0804001 (número de série próprio do veiculo).

Na engenharia legal, a identificação de veículos trata-se das perícias feitas nas


adulterações das numerações gravadas nos veículos furtados ou roubados.
Existem vários métodos, mas os mais empregados são:

- Regravação simples, que pode ser total ou parcial;

- Adição e subtração de caracteres;

- Recobrimento da numeração original e gravação de outra numeração em local


diverso;

- Superposição da chapa metálica do chassi original;


- Recobrimento da peça suporte da numeração com metal de baixa fusão em
forma de solda e sobre esta a gravação de uma nova numeração;

- Troca de chassi, motor e carroceria entre dois ou mais veículos.

PERÍCIA DE INFORMÁTICA:

Os crimes na área de informática

1.1 – Através da Internet:

Invasão com dano a sites públicos e privados;

Transferências bancárias ilícitas ou roubo de informações em redes privadas;

Disponibilizar fotos eróticas de crianças ou adolescentes;

Ameaça ou calúnia por e-mail.

1.2 – Através do equipamento doméstico:

Elaboração de documentos públicos ou particulares fraudulentos;

Utilização de programas para gerenciamento de atividades financeiras de


AGIOTAGEM, contabilidade de jogos de azar, etc.;

Pirataria de software.

Os Equipamentos Periciados:

Computadores (CPU, monitor e acessórios), Impressoras Matriciais, Impressoras


tipo jato de tinta, Discos rígidos, PenDrives , MP3/MP4, CD, DVD, Disquetes e
Scanners.

Os Objetivos mais Comuns:Nas impressoras:

Identificar a máquina que elaborou um documento especifico.

Nos Scanners:
Caracterizar a capacidade de uso para reprodução e alteração de documentos
públicos (eles costumam vir acompanhados da CPU e das impressoras).

Nas CPUs, nos discos rígidos, CD, DVD, MPs e disquetes:

Localizar um arquivo com texto ou imagem de um documento questionado;

Identificar os programas disponíveis e seus objetivos;

Identificar os programas e os seus números de licença (pirataria);

O conteúdo e assunto de arquivos;

A existência de arquivos que comprovem os acessos feitos pela Internet ou a troca


de e-mails.

O disco rígido como prova principal:

Em geral a principal prova do crime está no disco rígido:

- a prova de acesso a Internet;

- a troca de e-mails;

- as imagens de documentos fraudulentos;

- os programas de gerenciamento de aplicações financeiras (Trojan, Ripadores,


etc).

PERÍCIAS REALIZADAS NO DEPARTAMENTO DE CRIMINALÍSTICA

– Elaboração de documentos públicos,como CI,CNH,CRV,Certidões , etc;

– Elaboração de Documentos Privados como Diplomas, contas de luz, etc;

– Crimes relacionados à Internet, como Pedofilia, transferência de valores,


extorsões;

– Crimes relacionados à Agiotagem e Jogo do Bixo, como transação financeira;


– A identificação do equipamento ou drive que produziu o documento ou o crime.

A apreensão de equipamentos e documentos para elucidar autores

– Documentos Fraudulentos, deverão ser apreendidos para perícia;

– Crimes através da Internet, deverá ser apreendida a CPU para perícia;

– Crimes de Agiotagem e Jogos, deverão ser apreendidos listas e documentos;

– A identificação pericial de Impressoras, Scanner e equipamentos origem.

DOCUMENTOSCOPIA FORENSE

Conceito

Documentoscopia Forense é a parte da Criminalística que estuda os


documentos para verificar se são autênticos e, em caso contrário, determinar a
sua autoria.

Documento é todo e qualquer suporte que ostenta o registro de uma idéia ou


pensamento. Consideram-se documentos quaisquer escritos, instrumentos ou
papeis, públicos ou particulares. (CPP, Art 232). Método de Exame: Analítico-
Comparativo. Os documentos (padrões e questionados) devem ser ORIGINAIS.

Divisão

De acordo com as perícias realizadas na Seção de Documentoscopia Forense do


Deptº. de Criminalística do RS.

-Grafoscopia ( Perícias Gráficas): tem por objetivo a verificação da autenticidade


e autoria dos grafismos, isto é das escritas produzidas pelo gesto gráfico;

- Mecanografia e impressos: exames em máquinas de escrever, textos e outras;

- Alteração de documentos: falsificações ou alterações em CI, CNH. Alvarás, etc.

-Exame de tintas: exame qualitativo para verificação do texto com o


equipamento;
-Cruzamento de traços: exame comparativo da ordem de lançamento, se por
exemplo uma assinatura foi lançada antes ou depois do texto datilografado;

- Diversos : CDs, DVDs, Pendrives, Fitas, Selos, etc.

Conservação e acondicionamento das peças

a) evitar manipulação desnecessária, não grampear, marcar, perfurar ou


dobrar;

b) acondicionar em envelopes, sacos plásticos e devidamente etiquetados;

c) identificar as peças com o documento Policial . Ex. BA, BO- COP/TC;

d) Não usar os equipamentos e peças a serem periciadas.

Alteração de Documentos

Basicamente, pode-se dizer que há dois tipos de fraudes documentais:

Falsificação: quando o documento é falso no todo, isto é o espelho é falso.


Geralmente, a falsificação e realizada por meio de fotocópias, com o uso de
impressoras ou qualquer outro meio eletrônico.

Alteração: quando um documento autêntico é alterado, geralmente por:

1- Adição (emenda, acréscimo);


2- Subtração (rasura. Lavagem química) .
Elementos de Segurança Documentais

A preocupação em se obter um documento eficaz contra adulterações e


falsificações, fez com que se desenvolvesse uma série de dispositivos anti-
falsificações, que podem ser introduzidos na fabricação do documento ou na
impressão gráfica complementar.

São elementos de Segurança próprios do papel:


- Marca d’água (filigrana) é uma imagem perceptível por transparência,
produzida na fabricação do papel por maior ou menor deposição de fibras em
locais pré-determinados;

- Fibras de Segurança, são fibras de vários tamanhos e cores, adicionadas à


massa do papel quando na confecção. As fibras podem ser luminescentes que
reagem sob efeito da radiação ultravioleta;

- Confetes, são pequenos discos de papel incorporados à massa de papel ainda


úmida;

- Calcografia (talho-doce) é uma técnica de impressão realizada em condições de


pressão e temperatura não comuns (140ºC), cuja deposição de tinta resulta em
grande nitidez e relevo;

- Imagem Fantasma é uma impressão a talho-doce que possui imagem que pode
ser visualizada mediante uma leve inclinação do plano visual, na altura da vista;

- Microtexto é o fundo produzido por letras de tamanho extremamente reduzido;

- Registro perfeito é uma impressão feita no anverso e no reverso do documento,


que na observação por transparência resulte em uma perfeita superposição;

- Fluorescência Latente, consiste na impressão com tinta invisível a luz comum,


mas que só a incidência da radiação ultravioleta, pode ser observada;

- Fundo Numismático é uma impressão de fundo que consiste em linhas


paralelas e continuas, contendo alteração de angulações para a formação de
desenhos;

- Fundo Anticopiativo é a impressão realizada para impedir a reprodução do


documento através de fotocopiadoras e scanners. Na copia aparece destacada a
palavra ¨FALSA¨.

BALÍSITICA FORENSE
Conceito

Disciplina da Criminalística que estuda as armas de fogo, munições e os


efeitos do tiro produzidos por elas.

Setor de Exame Pericial em Numeração Identificadora de Armas de Fogo


(EPNIAF):

Realiza exames periciais de revelação de numeração identificadora de


armas de fogo.

Armas de Fogo

Armas de fogo são exclusivamente aquelas armas de arremesso complexas


(compostas por um dispositivo arremessador, produzindo seus efeitos à distância)
que utilizam para expelir seus projéteis a força expansiva resultante dos gases da
combustão da pólvora.

Arma de Fogo são revolveres, pistolas, espingardas. Armas Brancas são facas,
facões.

Armas de fogo possuem a superfície interna do cano chamada de alma, lisa ou


raiada.

Arma de alma lisa são as espingardas, geralmente de caça ou alto poder de


fogo.

Arma de alma raiada são os revolveres, pistolas e fuzis, e cuja a finalidade


destes sulcos (raias) é fazer com que o projétil gire em torno de seu eixo
longitudinal, garantindo a orientação da sua trajetória.

As Raias que podem apresentar-se em números pares ou impares e podem


possuir orientação para esquerda ou para a direita, e imprimem nos projeteis
através de seus ressaltos e cheios os chamados cavados que identificam de que
arma saiu o projétil.
Interferem na trajetória do projétil os fatores extrínsecos, em especial a densidade
do ar, a ação da gravidade, a velocidade inicial do projétil, e sua estabilidade em
relação ao eixo da trajetória, e os fatores intrínsecos do próprio projétil, tais
como: forma, massa e densidade.

Munições

O Cartucho é a unidade de munição das armas de fogo , tanto os de alma lisa


quanto os de alma raiada e são constituídos de quatro partes fundamentais:
Estojo com culote, espoleta, pólvora ou carga de projeção e o projétil.

Componentes da Munição:

Na maioria das munições, o principal componente da carga de espoletamento é


um composto contendo estifanato de chumbo.

As Cápsulas geralmente são metálicas, plásticas ou de papel;


A pólvora atualmente usada é a chamada pólvora sem fumaça, à base de
nitrocelulose ou nitrocelulose e nitroglicerina.

Os projéteis mais comuns são os de liga de chumbo e antimônio, ou o mesmo


revestido de cobre (enjaquetados).

As espécies químicas que são pesquisadas em resíduos de tiro pelo Laboratório


de Perícias são: Chumbo (oriundo da espoleta ou projétil) e Cobre (oriundo de
projéteis).

OS EFEITOS DO TIRO

PRIMÁRIOS: resultam da ação do projétil ou dos projeteis nos pontos de


impacto.

a) na pele: zona de enxugo e de contusão (orifício de entrada) formando


uma mancha vermelha ou amarelada (auréola equimótica);

b) em metal e vidro: afundamento e estriamento para dentro e perfuração.

SECUNDÁRIOS: característicos da ação dos gases e seus efeitos explosivos,


resíduos da combustão da pólvora e de microprojeteis.

a) Zona de chama (chamuscamento ou queimadura): acontece nos tiros


encostados ou quase (ex: suicida), provocando queimadura da pele, pêlos, vestes,
circunda o orifício de entrada, resíduos sólidos são expelidos ainda
incandescentes. O tamanho da chama depende do comprimento do cano e tipo
de munição usada.

b) Zona de esfumaçamento: está presente nos tiros a curta distância,


consiste no deposito de fuligem oriunda da combustão da pólvora ao redor do
orifício de entrada e de resíduos finos facilmente removíveis com lavagem.

c) Zona de Tatuagem: formada pelos grãos de pólvora combusta e


incombusta que se incrustam no orifício de entrada, podem ser observados até
1m de distância do tiro.
Resíduos do Tiro

– Exames residuográficos de tiro:

Consistem na revelação química de resíduos provenientes de tiro de armas de


fogo.

– Objetivos Principais:

1. Comprovar que um dano foi causado por projétil de arma de fogo;

2. Estimar a distância do disparo ( a curta distância ou não);

3. Pesquisar a presença de resíduos de tiro nas mãos de um possível


atirador.

Estes resíduos do tiro podem ser oriundos:

- Da Pólvora - Da carga de espoletamento - Do Projétil.

Os vestígios de tiro são pesquisados também em peças de vestimenta e


substratos.

– Estimativa da distância do tiro:


Comparando-se a dispersão dos resíduos obtida nos residuogramas com padrões
obtidos para tiros a diversas distâncias é possível estimar-se a distância do tiro e
também através dos orifícios de entrada e saída do projétil.

– Resíduos de tiro na mão do atirador:

Ao ser produzido um tiro com revolver os resíduos projetados para fora da arma
saem pela boca do cano juntamente com o projétil e também pela parte anterior
das câmaras, entre o tambor e o cano e estes podem atingir a mão do atirador,
em especial a região dorsal dos dedos polegar e indicador, podendo ser
pesquisados através da revelação química.

Ilustração Residuograma nas mãos

– Os Exames Periciais de Balística

a) Na Arma de Fogo:

- Identificação direta (tipo, marca, calibre, número de série);

- alterações e adulterações;

- Condições de uso e de funcionamento;

- Testes de segurança;
- Precisão e pontaria;

- Distância de Tiro;

- Força de tração do gatilho.

b) Na Munição:

- Nos cartuchos, tipo, marca, características, alterações, recarga.

- Nos estojos, tipo, marca, característica, marca do ferrolho, etc..

c) No Projétil:

- Tipo, calibre, número,orientação dos ressaltos , cavados,


microcomparação.

d) Nos Chumbos:

- Diâmetro, tipo, classificação e processo de produção.

e) Nas buchas e discos divisórios:

- Material (plástico, papel) e calibre através das buchas.

f) Na carga de Projeção:

- Tipo de pólvora usada e composição química.

g) Na espoleta:

- Tipo e data de fabricação.

– Identificação das Armas de Fogo

1 – Identificação Direta (imediata): tipo, marca, calibre nominal, número de


série, nacionalidade, brasões de corporações, características.

a) Identificação genérica: de um grande numero de armas;

b) Identificação específica: de um pequeno grupo de armas de mesmo


gênero;
c) Identificação Individual: de forma particular (numeração)

2- Identificação Indireta (mediatas):

Através de exames comparativos entre as deformações impressas na munição e


as características peculiares da arma, tais como irregularidades da superfície
interna do cano, microdeformações que produzem micro-estriamento,
irregularidades que se formam na superfície da culatra.

Exames das deformações nos projeteis: permitem identificar o cano da arma que
o expeliu. Podem ser diferenciadas, como segue:

- Normais: formam-se no cano (ressaltos e cavados, micro-estriamentos)

- Periódicas: formam-se pela má apresentação de câmeras ao cano.

-Acidentais: formam-se com o impacto do projétil no alvo (alongamentos, torções,


dilacerações, alisamentos, amolgaduras, achatamentos, fragmentações, rupturas,
deformações indumentárias). Geralmente mascaram, danificam ou até destroem
os campos pesquisáveis.

- Propositais: produzidas com a intenção de dificultar a perícia.

Exames nas deformações nos estojos e espoletas: permitem provar que foram
percutidos e deflagrados pela arma questionada. São produzidas na base do
estojo ou na cápsula de espoletamento pelo percutor e irregularidades na
superfície da culatra.

– Os Exames Comparativos (Confronto Balístico)

-Meios mais usados para colher padrões: disparo em cilindro com água ou caixa
com algodão.

- Equipamentos:

a)Balança eletrônica;

b)Paquímetro;
c)Microcomparador balístico com sistema de filtragem e micro-impressão, ,
software para armazenagem de dados, leitura a laser.

- Métodos:

Comparativos: macroscópicos (raiamento, calibre, forma das marcas na espoleta)


e microscópicos (micro-estriamentos)

- Conclusões:

a) categóricas (positivas ou negativas).

b) de probabilidade (não categórico, mas de expressivo número de semelhanças).

c) de insuficiência: pobreza qualitativa e quantitativa de elementos, por


deformações acidentais ou características da arma.

O LABORATÓRIO DE PERÍCIAS:

O laboratório de perícias é o órgão centralizador das Perícias Criminais


laboratoriais do Estado do Rio Grande do Sul, nas áreas de Química, Toxicologia,
Bioquímica,Genética, etc.

Os órgãos que solicitam perícias ao Laboratório de Perícias são:

- Departamento Médico-Legal;

- Departamento de Criminalística;

- Policia Civil;

- Poder Judiciário;

- Ministério Público;

- Policia Militar;

- Outros;
Serviços do Laboratório de Perícias:

- Toxicologia;

- Imunoematologia;

- Química Legal;

- Genética Forense;

ESTUDO DAS DROGAS:

A Portaria n°344/98 da SVS/MS (atual Anvisa), estabelece o Regulamento


Técnico sobre substancias e medicamentos sujeitos a controle especial.

Algumas definições dadas pela Portaria n°344/98:

Droga: Substancia ou matéria-prima que tenha finalidade medicamente ou


sanitária.

Medicamentos: Produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com


finalidade profilática, curativa, paliativa ou para fins diagnóstico.

Entorpecente: Substância que pode determinar dependência física ou psíquica


relacionada, como tal, nas listas aprovadas pela Convenção única sobre
Entorpecentes, reproduzidas nos anexos deste regulamento técnico.

Psicotrópico: Substância que pode determinar dependência física ou psíquica e


relacionada, como tal, nas listas aprovadas pela Convenção sobre Substâncias
Psicotrópicas, reproduzidas nos anexos deste Regulamento Técnico.

Substância Proscrita: Substância cujo uso está proibido no Brasil.

A portaria 344/98 é periodicamente atualizada coma lista das substâncias


controladas. A última atualização foi dada pela resolução n°147, de 28 de maio
de 1999, da Agência Nacional da Vigilância Sanitária, disponível em
www.anvisa.gov.br
Outras definições (técnicas, não jurídicas):

"A Toxicologia é a ciência que estuda os efeitos nocivos decorrentes das


interações de substâncias químicas com o organismo."

"Droga é toda substância capaz de modificar ou explorar o sistema fisiológico ou


estado patológico, utilizada com ou sem intenção de benefício do organismo
receptor."

"Agente tóxico é uma entidade química capaz de causar dano a um sistema


biológico, alterando seriamente uma função ou levando-o à morte, sob certas
condições de exposição."

"Veneno é um agente tóxico que altera ou destrói as funções vitais."

"Droga Psicotrópica é aquela que influencia de modo seletivo determinadas


funções cerebrais."

Principais classes de drogas psicotrópicas: (classificação didática)

• Narcóticos: morfina, heroína, metadona, codeína, etc.

•Depressores do Sistema Nervoso Central : Barbitúricos, álcool,


benzodiazepínicos, etc.

• Estimulantes do SNC: anfetaminas, cocaína, cafeína, nicotina, etc.

• Alucinógenos: maconha (Cannabís sativa), lSO, ecstasy, PCP, etc.

• Antidepressivos: fluoxetina (Prozac), sertralina (Zoloft), etc.

• Antipsicóticos: c1orpromazina, haloperidol, etc.

• Inalantes: cloreto de etila (lança perfume), solventes, cola, tolueno, etc.;

- Algumas das outras drogas estão sujeitas a controle especial (receita médica
retida, etc.), outras não estão sujeitas a controle pela Portaria 344/98 (ex. álcool).

- Os solventes normalmente utilizados como drogas de abuso e conhecidos como


"Ioló" não são substâncias proscritas.
- O principio ativo principal da maconha é o THe (tetra-hidrocanabinol).

Dependências física e psíquica:

DEPENDÊNCIA PSÍQUICA: compulsão de consumir determinada droga, com a


finalidade de sentir os efeitos psicológicos que ela confere, como: bem estar,
felicidade, perda da ansiedade, etc.

DEPENDÊNCIA FÍSICA: compulsão de consumir determinada droga, com a


finalidade de evitar os efeitos que a sua ausência causa no organismo, como:
náusea, tontura, queda de pressão, etc. Estes efeitos são denominados de
Síndrome de Abstinência. Tal fato deve-se à adaptação do organismo à presença
continuada da droga.

DEPENDÊNCIA QUÍMICA: sua definição engloba a Dependência Psíquica e


Dependência Física.

Metabolismo das drogas:

Ao ser absorvida, a maioria das drogas pode sofrer transformações químicas no


organismo humano antes de ser excretada, transformando-se em outras
substâncias que podem ser chamadas de metabólitos.

O tempo em que cada droga (ou seus metabólitos) pode ser detectada no
organismo humano depende do tipo de droga, quantidade ingerida, etc.

QUÍMICA FORENSE

Química Analítica - área da Química que procura identificar a presença de


substâncias em uma amostra, qualitativamente ou quantitativamente.

Química Analítica Clássica - utiliza-se de reações químicas que produzem cor,


precipitados, etc., visíveis a olho nu.

Química Analítica Instrumental - utiliza-se de instrumentos eletrônicos,


podendo alcançar grandes sensibilidades.
TOXICOLOGIA ANALÍTICA

Drogas e venenos podem ser pesquisados em materiais tais como pó, vegetal,
comprimidos, etc., assim como em material biológico, como urina, sangue,
vísceras.

Objetivos:

Comprovar a posse de substâncias proscritas;

Comprovar o uso de substâncias psicotrópicas;

Determinar a causa da morte.

De acordo com o tipo de material, se utilizam diferentes técnicas para a análise, e


exigem-se diferentes condições de acondicionamento, armazenamento, etc.

Testes químicos qualitativos preliminares para drogas:

• Teste de Wasicky (maconha);

• Teste do Tiocianato de Cobalto (Cocaína) - disponibilizado para Delegacias, etc.,


pelo Laboratório de Perícias.

São testes preliminares, não indicam certeza (não são totalmente específicos). É
necessária uma confirmação.

Substâncias (ou materiais) que podem ser identificadas por testes


cromatográficos:

• Cocaína

• Maconha

• Anfetaminas

• Benzodiazepínicos

• Outras Drogas

• Venenos
VENENOS

Classificação de acordo com a ação:

Inseticidas;

Herbicidas;

Raticidas;

Outros: ex.: estricnina, cianeto, monóxido de carbono (gás oriundo da combustão


incompleta de substâncias orgânicas, pode ser detectado no sangue por teste
químico), etc.

TESTES QUÍMICOS PARA DETECÇÃO DE SANGUE

Questionamentos importantes:

• É sangue?

• Se for sangue, é humano?

• Se for sangue humano, é possível relacioná-Io a um indivíduo?

Existem diversos testes químicos para detecção de sangue em geral, entre eles:

• Teste da benzidina (desenvolvimento de cor)

• Teste da fenolftalefna (desenvolvimento de cor)

• TESTE DO LUMINOL (desenvolvimento de luz) Ex; Caso ISABELLA, revelou


sangue na sala.

. Teste de DNA.

Observação: não são testes totalmente específicos.

Imunoematologia:

- Pesquisa de Sangue Humano:


Objetivo: Detecção da presença ou não de vestígios de sangue humano aderidos a
diversos objetos

Metodologia: Método de Vacher-Sutton, através da utilização do soro anti-


humano (soro de Coombs).

- Pesquisa de Grupos Sanguíneos (ABO e Rh):

Objetivo: Verificação da tipagem sangüínea de amostras de sangue com o


propósito de auxiliar na identificação humana.

Metodologia Utilizada: Baseia-se no contato entre antígenos (aglutinogênios) e


anticorpos (aglutininas), provocando, ou não, aglutinação das hemáceas.

OBS: O IGP não realiza estes exames em manchas de sangue (somente sangue
fresco), devido a possibilidade de ocorrência de falsos resultados.

Genética Forense

Há alguns anos (1985), a prática forense foi enriquecida com uma poderosa
ferramenta: os exames de DNA (ADN). O DNA (ácido desoxirribonucleico) é uma
macromolécula que carrega o código genético dos seres vivos.

Seu interesse para a ciência forense está em que é possível identificar "partes" do
DNA e caracteriza-las, e diferentes indivíduos podem ter diferentes seqüências de
DNA, o que torna possível diferenciar o material genético vindo destes indivíduos
diferentes.

Como o DNA é herdado pelos indivíduos dos seus genitores, é possível também
identificar uma relação de parentesco entre indivíduos (ex.: exames de patern
idade).

Replicação do DNA:

Quando as células se dividem, as duas fitas de DNA parental são copiadas,


originando moléculas filhas com somente uma das fitas novas sintetizadas.
Assim, de uma molécula de DNA surgem duas, iguais a original.

Esta amplificação das moléculas de DNA pode ser feita in vitro (fora da célula),
mediante a técnica chamada PCR (polymerase chain reaction).

Assim, partindo-se de uma quantidade mínima de DNA, pode-se replicá-Ia até


uma quantidade considerável, suficiente para ser analisada, mantendo as
mesmas características da amostra inicial.

Análise do DNA:

Os segmentos de DNA, após o processo de replicação, podem ser separados,


analisados e comparados por eletroforese. É necessário o exame de várias regiões
de DNA e um estudo estatístico (certeza superior a 99,99 %).

• Tipos de Amostras Utilizadas para exames de DNA:

 SANGUE (LÍQUIDO, MANCHAS SECAS);


 SALIVA;
 PÊLOS (COM BULBO);
 OSSOS;
 MANCHAS DE ESPERMA;
 LÍQUIDOS VAGINAIS, ANAIS E BUCAL;
Diferentes tipos de amostras podem ser comparadas entre si, uma vez que o
código genético é igual em todas as células do mesmo organismo.

Conceitos de amostras

Amostras questionadas: são aquelas cujas origens se quer determinar (exemplo:


mancha de sangue encontrada em um local de crime).

Amostras de referência: são amostras de identidade conhecida, que podem ser


oriundas da vítima, suspeito, acusado, réu, etc.
Objetivos da análise de DNA em casos forenses:

identificação de evidências em casos de crimes em geral;

identificação de suspeitos em casos de crimes sexuais;

identificação de cadáveres carbonizados e em decomposição;

identificação de cadáveres mutilados;

identificação de partes e órgãos de cadáveres;

identificação de cadáveres abandonados nos caso de aborto provocado, em


caso de infanticídio e de falta de assistência ao parto.

outros (exames de paternidade).

Devido ao alto custo e complexidade das análises de DNA, estas só devem ser
solicitadas depois de esgotadas as possibilidades de se obter os mesmos
resultados por outros exames.

Conceito de caso fechado:

Caso fechado é aquele no qual são disponibilizadas ao laboratório todas as


amostras necessárias para estabelecermos a relação biológica entre a amostra
questionada e a amostra referência.

Sem haver a condição de caso fechado, não se justifica a realização de exames de


DNA.

Exemplos:

- Estupro com morte:

Amostras necessárias:

Questionada (sêmen obtido do colo do útero da vítima junto com células epiteliais
da mesma).

Referência:

a) Da vítima- Sangue coletado em vacuteiner.


b) Do suspeito - Sangue coletado em vacuteiner.

- Mancha de Sangue encontrada em local de crime:

Amostras necessárias:

Questionada (mancha de sangue encontrada no local de crime).

Referência:

a) Da vítima- Sangue coletado em vacuteiner.

b) Do suspeito - Sangue coletado em vacuteiner.

Contaminação das amostras:

Devido à sensibilidade dos exames de DNA, é precIso muita cautela para não
contaminar as amostras questionadas.

Este cuidado dever ser tomado por quaisquer pessoas que possam vir a
manipular as amostras, tanto policiais, como peritos ou outros.

Um simples toque, espirro, respiração, sobre uma amostra biológica pode ser o
suficiente para contaminá-Ia com DNA humano estranho.

OUTROS TIPOS DE EXAMES

• Adulteração em bebidas;

• Exames em artefatos explosivos e resíduos de explosões;

• Comparação entre materiais diversos;

• Comparação entre tintas (automotivas, de canetas);

• Exames em metais preciosos;

• Exames em combustíveis;
• Exames em medicamentos adulterados;

• Exames realizados por instituições conveniadas.

EXAMES GUÍMICO-METALOGRÁFICOS:

Consistem na revelação de gravações em metais, que foram eliminadas por


processos abrasivos (numerações de série "raspadas" em armas e automóveis).

São possíveis porque, no momento da cunhagem da numeração, a grande


pressão exercida sobre o metal modifica sua estrutura microcristalina
(encruamento), fazendo com que a região encruada reaja com maior velocidade
frente a substâncias corrosivas.

No processo de revelação, o metal é exposto a uma solução corrosiva (ácidos e


oxidantes), e a região encruada reage mais rapidamente, aparecendo em baixo
relevo após o processo.

Limitações dos exames químico-metalográficos:

Nem sempre se consegue recuperar as gravações apagadas. Os exames


químicoometalográficos não são efetivos nos seguintes casos:

• Abrasão muito profunda;

• Gravações feitas a laser.

QUÍMICA E DOCUMENTOSCOPIA:

Revelação De Escritas Ocultas:

O Serviço de Química Legal desenvolveu um método de revelação de escritas


ocultas, feitas com canetas "Penol Doubleender", cuja tinta pode ser descolorida
quimicamente e é utilizada na realização de fraudes.

QUÍMICA E ENGENHARIA LEGAL:

Pesquisa de resíduos de líquidos inflamáveis (acelerantes de chama) em vestígios


de incêndio.
Com a utilização do cromatógrafo gasoso capilar, é possível detectar-se vestígios
de líquidos inflamáveis (gasolina, etc.) em resíduos de incêndio.

No método utilizado pelo laboratório, os resíduos de incêndio são analisados pela


técnica de headspace (injeção de vapores): os resíduos são colocados em um
frasco fechado e aquecidos a 90° C durante alguns minutos, após o que se extrai
os vapores de dentro do frasco e os mesmos são injetados no cromatógrafo para
análise.

É importante que os resíduos a ser analisados sejam enviados o mais breve


possível ao Laboratório, se possível em frasco hermeticamente fechado, para
minimizar as perdas por evaporação.

10) MEDICINA LEGAL

10.1- - FUNDAMENTOS DA MEDICINA LEGAL

A Medicina Legal é a especialidade que, utilizando os conhecimentos técnico-


científicos de todas as ciências que subsidiam a Medicina, tais como a Biologia, a
Física, a Química e outras, presta esclarecimentos para a atuação da Justiça. A
sua prática se dá através da Perícia Médica. No Brasil, a atuação dos peritos
médicos legistas, que são os peritos oficiais, está prevista no Código de Processo
Penal.

10.2 - PERÍCIAS MÉDICO-LEGAIS

Como vimos, o corpo de delito é feito pelo somatório de perícias, executadas por
pessoas competentes na área em questão.

Nas capitais dos estados existem os institutos Médicos Legais (peritos oficiais).

10.3 - DOCUMENTOS MÉDICO-LEGAIS

Há, fundamentalmente, quatro documentos médico-legais:


a) O atestado médico é um documento comum, sem uma apresentação
rígida e que pode ser lavrado no próprio receituário do médico ou em papel com
timbre.
b) O Laudo médico e Auto de exame são peças periciais formas, redigidas
em função de nomeação de peritos pela autoridade, Se é feito ditado para um
escrivão , durante o próprio exame do paciente, o exame chama-se de auto; se é
redigido posteriormente pelos peritos, denomina-se laudo.
c) Parecer médico-legal é um documento que contém resposta escrita a
perguntas formuladas, sobre qualquer fato do processo. Costuma ser solicitado
pela defesa ou pela acusação, a uma autoridade de renome em certa
especialidade. Em tais pareceres o médico age como profissional liberal, podendo
combinar honorários com a parte interessada, aceitar o encargo ou nega-lo.

10.4 - TRAUMATOLOGIA FORENSE


Abarca os traumas, os contágios e as perturbações psíquicas advindas de um
evento lesivo.
10.5 - LESÕES CORPORAIS-TEORIA.
O Código penal caracteriza como crime a “ofensa à integridade física ou à saúde
de outrem”; são crimes também a exposição ao contágio venéreo ou a outros
contágios; exposição a perigo para a vida ou a saúde de outrem, abandono de
incapaz;recém-nascido; maus tratos e autolesionismo para haver ilicitamente
indenizações de seguro.

Para que o inquérito funcione, será imprescindível uma perícia na pessoa lesada,
e ao médico perito caberá;
a) Responder se há lesões ou ofensa à saúde;
b) Descreve-las, se existirem;
c) Resumir seus achados nas respostas aos quesitos;
d) Relatar as complicações que venham a ocorrer.

10.6 - AGENTES CAUSAIS DE OFENSA À INTEGRIDADE FÍSICA OU À SAÚDE.


10.6.1-AGENTES MECÂNICOS (INSTRUMENTOS)
a) Perfurantes (alfinete)
Ferimentos punctórios
b) Cortantes (navalha)
Feridas incisas
c) Contundentes (tijolo)
Mais comum
Ferimentos contusos, contusões, escoriações, lesões profundas.
d) Pérfuro-cortantes (punhal)
Ferimentos perfuro-incisos.
e) Corto-contundentes (machado)
Feridas corto-contusas,associado a fraturas
f) Pérfuro-contundentes (projétil de arma de fogo, chairas,chave de fenda)
Feridas perfuro-contusas.

10.6.2-AGENTES FÍSICOS
a) Calor
Queimaduras 1º grau: eritema
“ 2º grau: flictema
“ 3º grau: escara
“ 4º grau: carbonização
b) Eletricidade
Raio: fulguração ou fulminação
Doméstica Ou industrial: eletroplessão
Execução judicial: eletrocussão (cadeira elétrica)
c) Frio
Contato direto: necrose periférica imediata ou tardia
Ambiental: baixa da resistência Choque circulatório
d) Pressão ambiental
Descompressão brusca: mal dos mergulhadores com embolia gasosa
10.6.3 -AGENTES QUÍMICOS
Por destruição (cáusticos)
Por trocas metabólicas (venenos)
10.6.4 - FÍSICO-QUÍMICOS (RADIAÇÕES IONIZANTES)
Eletromagnética, por ondas raios-X.
Radiação de partículas (fissão do núcleo atômico)
10.6.5 - AGENTES BIOLÓGICOS (CONTÁGIOS)
Infecção ou infestação (vírus bactérias, fungos, parasitas).
10.6.6 - AGENTES MISTOS
a)inanição
É a falta da ingestão de alimentos para o consumo metabólico
b) sede
Locais desérticos, naufrágios.
c)fadiga
Na vigência de esforços desproporcionais
d)emoção
Infligida em tempo desproporcional
Medicina psicossomática
e)inibição
É como se designa a série de estímulos periféricos violentos
Golpe no abdômen, laringe, pescoço.
d)asfixia
É o déficit da ventilação pulmonar, por hipóxia ou hipercapnia.
10.6.7. ORIFÍCIOS DE ENTRADA E SAÍDA DA BALA
a- CONE DE DISPERSÃO DO DISPARO
> Gases quentes
>Pólvora queimada (fuligem)
> Pólvora incombusta
>Projétil
b- VISTA DA PELE (TIRO À QUEIMA ROUPA)
>Orifício de entrada
>Orla equimótica
>Zona de tatuagem (pólvora incrustada)
>Zona de esfumaçamento
>Zona de chumascamento
c-TIRO À DISTÂNCIA
Orifício de entrada
Orla de contusão
Orla equimótica
d- TIRO ENCOSTADO
Forma estrelada
Sem orlas
e- ORIFÍCIOS DE SAÍDA
Forma estrelada e irregular
Diâmetro maior que orifício de entrada
Bordas evertidas

11- SEXOLOGIA FORENSE

Há vários delitos de natureza sexual previsto no código penal: sedução, atentada


violenta ao pudor, estupro, corrupção de menores. Etc.

Pode atuar ainda em queixas motivadas por problemas de impotência sexual


(desquites, anulações de casamento), de duvida de paternidade
(adultério,heranças,etc.), e,mesmo maternidade.

Conjunção carnal.

È a denominação da cópula vagínica, completa ou incompleta.Pênis na vulva ou


introduzido na vagina. Com ou sem ejaculação

Quesitos

1-se a paciente é virgem

2-se há vestígios de desvirginamento recente

3-se há outro vestígio de conjunção carnal recente

4- se há vestígio de violência e,no caso afirmativo, qual o meio empregado


Atentado violento ao pudor

Quando a cópula fisiológica não acontece e temos satisfação do instinto sexual


com atos diferentes e sobre emprego da violência, caracterizando o atentado
violento ao pudor, tais como: anal, bucal ou felação, buco-vulvar.

1-se há vestígios de ato libidinoso

2-se há vestígios de violência, e qual o meio empregado.

3- se da violência resultou para a vítima incapacidade por mais de trinta dias, ou


perigo de vida, ou debilidade permanente ou perda ou inutilização de membro,
sentido ou função, ou incapacidade permanente para o trabalho, ou enfermidade
incurável, ou deformidade permanente.

4- se a vítima é alienada ou débil mental

5- se houve outra causa, diversa de idade não maior de quatorze anos, alienação
mental, que impossibilitasse de oferecer resistência

6-se resultou de aceleração de parto ou aborto.

Aborto

O Código penal tipifica como crime à provocação de aborto.

Quesitos oficiais da justiça

1- se houve aborto
2- se há vestígios da provocação de aborto
3- qual o meio empregado
4- se, em conseqüência do aborto ou do meio empregado para provoca-lo,
sofreu a gestante incapacidade para as ocupações habituais por mais de 30
dias . ou perigo de vida
5- se não havia outro meio de salvar a gestante
6- se a gestante é alienada ou débil mental
12 - TOXICOLOGIA FORENSE

VERIFICAÇÃO DE EMBRIAGUEZ

A embriaguez pode ser definida como “o conjunto de fenômenos tóxicos


transitórios ocasionados pelo ingresso, no organismo, de substâncias capazes de
modificar as funções mentais e de provocar alterações neurológicas”.

Embriaguez > É provocada pela ingestão de álcool etílico e por uma série de
outras substâncias, também ingeridas, aspiradas ou injetadas, tais como:
cocaína, barbitúricos, opiáceos.Etc.

Os objetivos do exame são:

-determinar se a pessoa está ou não embriagada no momento do exame;

-em caso afirmativo com que substancia;

-em que grau de embriaguez se encontra;

-se não esta embriagada teria feito uso de substância inebriante?

-verificada a hipótese anterior, a pessoa estaria embriagada no momento da


ocorrência, considerando o tempo transcorrido até a hora em que foi realizado o
exame?

Há várias situações em que a autoridade necessita tais informações, como


nos seguintes casos:

-Pessoas envolvidas em acidentes de trânsito, quem dirigia o veículo e a


vítima.

-Quando há suspeita de que a pessoa estivesse dirigindo um veículo


embriagado, o que já constitui delito previsto no Código Nacional de trânsito.

-Quando alguém se apresenta em público em estado de embriaguez, pondo


em risco a segurança própria e alheia.

O álcool é um depressor do SNC, mesmo em pequenas doses. A excitação


verificada no início da intoxicação etílica é devida, na verdade, a uma depressão
dos centros nervosos corticais que controlam os instintos, em tais circunstâncias,
há um rebaixamento da autocrítica e uma excitação aparente.
Etilômetro, exame de sangue:

Ambas são técnicas de avaliar a dosagem de álcool no sangue. No


etilômetro, esta dosagem é calculada a partir da concentração de álccol no ar dos
pulmões. Sabendo-se a taxa de difusão, calcula-se a concentração no sangue (o
aparelho faz na hora). No exame de sangue, coleta-se o próprio sangue, que tem
sua dosagem de álcool quantificada por uma técnica experimental padronizada.

Períodos da Intoxicação Alcoólica

-Primeiro: assintomático até 05 (dg/l)

-segundo subclínico de 05 a 10(dg/l)

-terceira embriaguez 1ª fase de 10 a 15(excitação)

2ªfase de 15 a 30(confusão)

3ªfase de 30 a 40(estupor)

-Quarto coma de 40 a 50

-Quinta morte 50 ou mais


13 - PSIQUIATRIA FORENSE
A avaliação dos danos mentais acasionados por violência dolosa ou por
ações culpáveis (imprudência, negligência, imperícia) é mais um encargo do
legista ou do médico nomeado.
Há outra especialidade definida- a psiquiatria forense- cujos médicos trabalham
junto aos INSTITUTOS PSIQUIÁTRICOS FORENSES, com funções de auxiliar do
poder judiciário, devendo responder se um criminoso é mentalmente hígido, a
ponto de ser imputável, ou, se não tinha condições de entender o caráter
criminoso de seus atos.
Na perícia médico-legal, o impacto de lesões orgânicas sobre o psiquismo do
examinado deverá ser avaliado.
Os quesitos dos autos de corpo de delito, dirigidos ao examinador e que indagam
sobre a saúde mental do paciente.
14- TANATOLOGIA FORENSE

Tanatologia é o ramo da medicina legal que se ocupa do estudo da morte


quanto a sua conceituação, seu diagnostico, suas causas e seus fenômenos
subseqüentes.

Quando os mecanismos de auto-regulação fracassam, todas as células do


organismo entram em sofrimento, num último esforço de sobrevivência os órgãos
mais importantes para o conjunto são os mais favorecidos; na morte é o inverso
os que morrem primeiro são os mais diferenciados, como os tecidos do sistema
nervoso e do coração, depois os músculos depois as glândulas, depois os tecidos
de sustentação (oito horas sem aporte de oxigênio) córtex cerebral (cinco
minutos).

Classificação dos fenômenos cadavéricos

Denominação fenômenos

Imediata perda da consciência

Perda da sensibilidade

Imobilidade

Perda do tônus muscular

Arreflexia

Ausência de respiração

Ausência de circulação

Consecutivos desseecção tegumentar

Lavores de hipóstase
Resfriamento corporal

Rigidez muscular

Tardios destruidores autólise

Maceração

Putrefação

Tardios conservadores saponificação

Mumificação

Diagnóstico

À inspeção poderemos observar: ausência de tônus,pupilas dilatadas


(midríase), perda de sêmem pela uretra, perda de fezes, ausência de movimentos
respiratórios , ausência de pulsos periféricos (carótidas e femorais); flacidez da
musculatura, ausência de movimentos respiratórios e dos batimentos cardíacos.
3 – USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO I
PROMA

I - CONTEXTUALIZAÇÃO

O Estado tem, entre outras, a função exclusiva de proteção e o socorro da


sociedade, utilizando-se das suas estruturas burocráticas, destacando-se aí os
servidores encarregados da aplicação da lei, com o objetivo de equilibrar as
relações sociais, monopolizando o uso da força e da arma para a resolução de
conflitos.
As instituições do campo da Segurança Pública, muitas vezes necessitam
usar da força e da arma. Conseqüentemente, precisam estar preparadas para
uma ação dentro dos princípios legais.
O recurso ao uso da força e da arma deve ser envidado como último meio,
atendendo aos princípios da racionalidade e da proporcionalidade, quando outros
procedimentos técnicos e não-violentos, mas igualmente eficazes, forem tentados
e falharem, ou quando, em razão de circunstâncias, o recurso aos referidos meios
não deixar entrever qualquer possibilidade de êxito, garantindo assim justificativa
legal para seu emprego. O Estado, ao recorrer ao uso da força e da arma, deverá
ter como objetivo colocar o(s) suspeito(s) em tal situação, que qualquer tentativa
de resistência se faça inútil, e assim, efetuar a prisão com o resultado menos
danoso aos envolvidos e à sociedade.
Portanto, faz-se necessário que o profissional da Segurança Pública tenha
conhecimentos técnicos atualizados, segundo as normas básicas sobre o uso da
força e da arma de fogo, para bem atender aos anseios da sociedade, protegendo
seus direitos fundamentais, em especial aqueles vinculados à dignidade da
pessoa, com o equilíbrio psicológico necessário para sua atuação.
Neste ciclo serão apresentadas as armas em utilização na Corporação e
propiciadas as competências necessárias para a habilitação do Revólver cal.38.

II - OBJETIVO
 Capacitar os discentes a recorrer ao uso adequado da arma de fogo dentro dos
princípios da legalidade, da proporcionalidade e da racionalidade, primando
pela segurança própria e de terceiros.
 Apresentar aos discentes as armas e munições em uso na Corporação.
 Dar conhecimento aos discentes sobre segurança com armas de fogo,
histórico, conceitos e aspectos técnicos em geral.
 Capacitar os discentes quanto ao manejo correto do revólver cal.38 e de seus
fundamentos.
 Habilitar os discentes quanto a utilização do revólver cal. 38, respeitando os
conceitos do uso diferenciado da força, dentro dos princípios de direitos
humanos.

III – UNIDADES DIDÁTICAS

UNIDADE DIDÁTICA I: (05 h/a)

Apresentação das armas e munições em uso na Corporação

 Histórico, conceitos e apresentação das armas de fogo;


 Apresentação e características das munições potencialmente letais;

UNIDADE DIDÁTICA II: (20 h/a)

Revólver cal.38

 Histórico, conceitos e apresentação do revólver;


 Regras de segurança;
 Manejo da arma;
 Fundamentos do tiro;
 Decisão de tiro;
 Tiro real com o revólver cal.38

IV - ESTRATÉGIAS DE ENSINO

Aulas expositivas, aulas práticas, estudo de casos, utilização de meios


eletrônicos e audiovisuais, demonstrações e simulações.
V - AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Ficarão disponibilizadas, a critério de cada instrutor, as seguintes técnicas de


avaliação: provas teóricas e práticas.

- Avaliação que necessariamente deverá constar de:


01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.
01 TC (Trabalho Corrente) – Prova prática abordando todo o conteúdo da
disciplina (05 h/a).

VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do


Brasil. Brasília: Centro de Documentação e Informação Coordenação de
Publicações, 2008.
CAPEZ, Fernando. Comentários à Lei 9.437/97. São Paulo: Saraiva, 1997.

DAMÁSIO, Evangelista de Jesus. Comentários à Lei 9.437/97. São Paulo: Saraiva,


1997.

Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Manual para servir e proteger. Brasília.

GOMES, Luís O & OLIVEIRA, William T. Lei de armas. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1997.

Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Curso do Uso


Diferenciado da Força (EAD). Brasília, DF: 2008.

OLIVEIRA, Gomes e Flores. Tiro de Combate Policial – Uma abordagem Técnica, 3º


edição, São Cristóvão, 2000;

ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Princípios básicos para o uso da


Força e da Arma de Fogo, Cuba, 1990;

ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Código de Conduta ods


Encarregados pela Aplicação da Lei (CCEAL), Cuba, 1990;

RABELO, Heraldo. Balística Forense. (2 Vol.). 2ª Edição. 1982.


Anexo I – Ementa

Disciplina: USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO I

Capacitar os discentes a recorrer ao uso adequado da


arma de fogo dentro dos princípios da legalidade, da
proporcionalidade e da racionalidade, primando pela
segurança própria e de terceiros. Apresentar aos discentes as
armas e munições em uso na Corporação, dando
conhecimento aos discentes sobre segurança com armas de

Objetivo: fogo, histórico, conceitos e aspectos técnicos em geral e


capacitando os discentes quanto ao manejo correto do revólver
cal. .38 e de seus fundamentos, e, por fim, habilitar os
discentes quanto a utilização do revólver cal. .38, respeitando
os conceitos do uso diferenciado da força, dentro dos
princípios de direitos humanos.

A disciplina discorrera sobre os seguintes tópicos:

 Histórico, conceitos e apresentação das armas de fogo;


 Apresentação e características das munições
potencialmente letais;
 Histórico, conceitos e apresentação do revólver;
Ementa:
 Regras de segurança;
 Manejo da arma;
 Fundamentos do tiro;
 Decisão de tiro;
 Tiro real com o revólver cal.38
Carga Horária: 30 H/A

Quantidade de 02
Docentes

Aulas expositivas, aulas práticas, estudo de casos, utilização


Metodologia: de meios eletrônicos e audiovisuais, demonstrações e
simulações.

 Bibliografia básica a ser utilizada pelos docentes que


ministrarão as aulas e que deram subsídio para a
Ementa
 BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República
Federativa do Brasil. Brasília: Centro de Documentação
e Informação Coordenação de Publicações, 2008.
 CAPEZ, Fernando. Comentários à Lei 9.437/97. São
Paulo: Saraiva, 1997.
 DAMÁSIO, Evangelista de Jesus. Comentários à Lei
Bibliografia
9.437/97. São Paulo: Saraiva. 1997.
Básica:
 Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Manual para
servir e proteger. Brasília.
 GOMES, Luís O & OLIVEIRA, William T. Lei de armas.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.
 Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Segurança
Pública. Curso do Uso Diferenciado da Força (EAD).
Brasília, DF: 2008.
 OLIVEIRA, Gomes e Flores. Tiro de Combate Policial –
Uma abordagem Técnica, 3 º edição, São Cristóvão,
2000;
 ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU,
Princípios básicos para o uso da Força e da Arma de
Fogo, Cuba, 1990;
 ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Código
de Conduta ods Encarregados pela Aplicação da Lei
(CCEAL), Cuba, 1990;
 RABELO, Heraldo. Balística Forense. (2 Vol.). 2ª Edição.
1982.
Área de
Articulação com
a Matriz Funções, técnicas e procedimentos em Segurança Pública.
Curricular
Nacional:

Modalidade: Presencial

- Avaliação que necessariamente deverá constar de:


01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.
Avaliação:
01 TC (Trabalho Corrente) – Prova prática abordando todo o
conteúdo da disciplina (05 h/a).
PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ESPECÍFICO
Predominantemente serão realizadas aulas em linha de Tiro homologadas
pelo DLP/Centro de Material Bélico da BM, e, em salas de aula, visto as
especificidades e características necessárias de meios auxiliares de instrução.

DESCRIÇÃO MATERIAL / EQUIPAMENTOS QTD

Revolver calibre .38 30


Munição (por aluno) 200
Obréia (por aluno) 200
Alvo de papel em forma de silueta humana 300
Suporte para os alvos de papel 10
Óculos de proteção 32
Abafadores pára proteção auditiva 32
Coletes de proteção balística 15
Rocama 02
Grampos para Rocama (unidades) 1200
Kit de limpeza para armamento cal.38 06
Kit de primeiros socorros 01
Viatura com motorista para deslocamento em caso de emergência 01
Transporte para o efetivo até a linha de tiro 01
Notebook 01
Projetor 01
Tela para projeção 01
Cones para demarcação 10
Fita para isolamento de local (rolos de 50 metros cada) 05
UNIDADE DIDÁTICA I - MANUAL

HISTÓRICO DAS ARMAS DE FOGO E SEUS


CONCEITOS BÁSICOS.

Começando por volta de 700 D.C., cientistas e


os inventores na China antiga desenvolveram
diferentes graduações de pólvora e inovaram
diferentes tipos de armas de fogo incluindo
lanças de fogo de alma lisa de um único tiro,
armas de canos múltiplos, foguetes de
artilharia de lançamento múltiplo e o primeiro
canhão no mundo feito de bronze modelado.
Uma falange de carregamento de
A mais antiga representação de uma arma de cabaça-de-fogo, um dos diversos tipos
de lança de fogo descarrega bolinhas
fogo é uma escultura de uma caverna em
de chumbo em uma explosão de
Sichuan, na China. A escultura data do século pólvora, uma ilustração do tratado
XII e é de uma figura carregando um vaso em Huolongjing do século XIV

forma de uma bombarda com chamas e um


bala de canhão saindo dela. Imagem retirada de : ARMA DE FOGO. In:
WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida:
Wikimedia Foundation, 2012. Disponível em:
A arma mais antiga, feita de bronze, foi datada de 1288, porque foi descoberta em
<http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Ar
ma_de_fogo&oldid=30214373>. Acesso em: 23
um sítio do atual distrito de Acheng, Heilongjiang, China, onde os Yuan Shi
jun. 2012.
registraram que batalhas foram travadas naquela época.

Os europeus, árabes e coreanos, todos obtiveram armas de fogo no século XIV.


Os turcos, iranianos e os indianos, todos tinham armas de fogo o mais tardar no
século XV, em cada caso, direta ou indiretamente dos europeus. Os japoneses
não as adquiriram até o ano de 1500, quando as adquiriram dos portugueses.

No período da renascença foram introduzidas as primeiras armas de fogo para


combatentes individuais. Surgem armas como o arcabuz, o bacamarte e o canhão
de mão. No período pré-Napoleónico e na época das guerras Napoleónicas surgem
o mosquete e a espingarda de pederneira.

O desenvolvimento concernente as armas de fogo foi acelerado durante os anos


1800 e 1900. O carregamento pela culatra tornou-se mais ou menos um padrão
universal para o recarregamento da maioria das armas de fogo de mão e continua
a sê-lo com algumas notáveis exceções (como os morteiros). Em vez de recarregar
os cartuchos individuais nas armas, cartuchos com várias munições foram
adotados - esses proporcionavam um rápido recarregamento. Mecanismos de
disparo automáticos e semi-automáticos significavam que um único soldado
podia disparar muitas balas por minuto do que podia uma arma de fogo antiga
no decorrer de uma batalha.

Na Guerra Mexicano-Americana (1846-1848), ambos os exércitos, americano e


mexicano usavam mosquetes de alma lisa. Na Guerra da Secessão (1861-1865),
foram usados concomitantemente o mosquete, de carregamento pela boca, o rifle
e a carabina, de carregamento pela culatra. O Exército da União dispunha de
mais rifles e carabinas, ao passo que o Exército Confederado dispunha de mais
mosquetes durante o conflito, o que dava uma vantagem ao primeiro nas
batalhas campais. No mesmo período, na Guerra do Paraguai (1864-1870), uma
espingarda muito usada pelo Exército Brasileiro foi o Rifle Minié[7] mas muitas
tropas ainda usavam a espingarda de pederneira.

Na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), todos os países incorporaram o


mecanismo de ação de ferrolho aos seus rifles. O rifle modelo 98 alemão é um
exemplo deste tipo de arma. Os canhões dispunham de munição especializada,
com cápsulas de alta explosão, tipo shrapnel, de gás e incendiárias. Mas a grande
vedete deste conflito foi a metralhadora. As pistolas de mão, como a Luger, se
destacaram no conflito, principalmente na guerra de trincheiras.

Na Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve um grande desenvolvimento das


armas de fogo. A submetralhadora, que já estava presente nos arsenais do
mundo desde a década de 1930, tornou-se um equipamento muito utilizado.
Entre os modelos mais populares citam-se as MP40 Schmeisser, Sten, Thompson,
a finlandesa Suomi KP/-31 e a russa PPSh-41.

Ao partir do fim da segunda guerra, o fuzil de assalto transformou radicalmente o


poder de fogo dos soldados de infantaria, Polímeros e ligas na construção de
armas de fogo tornaram, progressivamente, os armamentos mais leves e portanto
mais fáceis de ser transportados. A munição mudou ao longo dos séculos a partir
de projéteis em forma de uma simples bola de metal que sacudia o cano da arma
a cartuchos fabricados com altos padrões de tolerância. Especialmente no século
passado, uma atenção especial foi dedicada a precisão e a mira para fazer das
armas de fogo no geral muito mais precisas do que nunca. A precisão dos
canhões foi melhorada significantemente com o advento da revolução digital e
eletrônica. Mais do que qualquer fator, porém, as armas de fogo têm proliferado
devido ao advento da produção em massa - permitindo que os fabricantes de
armas possam produzir grandes quantidades de armamento com um padrão
consistente.

Dito isto, o princípio básico por trás operação das armas de fogo permanece
inalterado até hoje. A espingarda de vários séculos atrás, ainda é semelhante em
princípio a um rifle de assalto moderno - usando a expansão dos gases para
propelir projéteis a longas distâncias - embora de forma menos precisa e rápida.

Fonte utilizada para o histórico: ARMA DE FOGO. In: WIKIPÉDIA, a enciclopédia livre. Flórida: Wikimedia
Foundation, 2012. Disponível em:
<http://pt.wikipedia.org/w/index.php?title=Arma_de_fogo&oldid=30214373>. Acesso em: 23 jun. 2012.
Uniformização de Conceitos e de abordagens didáticas dos conteúdos
apresentados:

A obra didático-tecnica “TIRO DE COMBATE UMA ABORDAGEM TECNICA”,


Editora São Cristóvão, de autoria de JOÃO ALEXANDRE VOSS DE OLIVEIRA,
GERSON DIAS GOMES e de ÉRICO MARCELO FLORES, os quais são Oficiais da
Brigada Militar com especialização cmo Instrutores de Tiro da Corporação e que
fora definida no BG nr 244, de 27 de dezembro de 1999 como de referencia para
consulta e treinamento na Corporação.

Conceito de Arma

“ É todo o objeto criado pelo homen, com a finalidade específica de ser utilizado
para ataque e/ ou defesa”

Conceito de Arma de Fogo

“São as armas construídas pelo homem, capazes de expelir projeteis, utilizando,


para tal da força expansiva dos gases resultantes da queima controlada de
determinado tipo de propelente.”

Classificação Primária das Armas

Em que pesem existir diferentes sistemas e formas de classificação entre varios


autores, utilizaremos a ensinada por Eraldo Rabello:

a. Manuais – aptas para o combate corpo a corpo. São assim as facas,


espadas, etc...
b. De arremesso – que se prestam para o combate à distancia, podendo ser:
- Simples – quando elas próprias funcionam como projetíl, como as
granadas e a lança;
- Complexas – quando arremessam projéteis , a exemplo das armas
de fogo.

Classificação das Armas de Fogo


 Quanto à alma do cano:
 Lisas – que possuem a superfície interna do cano desprovida de
raimento;
 Raiadas – canos providos de raias ou estrias, disparando
projéteis singulares e causando efeitos com maior precisão.
Podem ser:

1. De numero de raias par;


2. De numero de raias impar;
3. Com rotação das raias para direita (destrógiras)
4. Com rotação das raias para esquerda ( sinestrógiras).
b. Quanto ao sistema de carregamento:

 De antecarga;
 De retrocarga;

c. Quanto ao sistema de ignição ou deflagração, ou ainda de detonação:

 Por mecha ou pavio;


 Por atrito (fechos de rodoa e miquelete);
 Por percussão;
 Elétrica.

d. Quanto ao funcionamento:

 De tiro unitário (simples ou multipla);


 De repetição (não automática ou automática);

e. Quanto a mobilidade do uso:

 Fixas – montadas sobre bases fixas ou suportes;


 Móveis – em base móvel;
 Semi-portáteis – possíveis de serem carregadas por dois ou
mauis homens;
 Portáteis , que podem ser:
1. Longas – com cano longo, para tiro a longas ;
2. Curtas – aamas compactas, geralmente manejáveis com
uma só das mãos, facilmente transportáveis em coldres
próprios, servindo para o tiro a médias distancias;
f. Quanto ao sistema de refrigeração:

 A água;
 A ar;
 Outros.

g. Quanto ao calibre podem ser:

 Armas leves – até o alibre .50 BMG;


 Armas pesadas – acima deste calibre.

Partes componentes das armas de fogo em geral:

As armas de fogo possuem partes que podem ser consideradas como essenciaisd,
sem as quais não funcionariam. Estas podem ser divididas em partes
componentes e partes funcionais.

a. São partes componentes das armas de fogo:

 O aparelho arremessador;
 A carga de projeção;
 O projetil.

b. São partes funcionais:

 Cano – recebe a munição, o cartucho, resistes à pressão dos


gases e direciona e orienta o projetil;
 Depósito – recebe os cartuchos, podendo ser simplesmente uma
câmara, ou um depósito para vários cartuchos de munição.
Resiste à pressão dos gases como no revólveres;
 Mecanimos – possibilita o funcionamento da arma;
 Armação – chassi da arma, que lhe dá sua forma característica;
 Guarnições e Acessórios – servem de auxiliares ao transporte,
ao apoio, à visada, etc..

NOMES E PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS DAS ARMAS DE FOGO EM USO DA


BRIGADA MILITAR

Segundo o Centro de Material Bélico do Departamento de Logística e Patrimônio


da Brigada Militar a Corporação adquiriu e possui os seguintes armamentos:

Imagem Fabrican
Modelo Calibre
te

PISTOLA PT
TAURUS .40 SW
940

PISTOLA PT
TAURUS .40 SW
24 / 7
PISTOLA
TAURUS .40 SW
PT640

CARABINA
TAURUS .40 SW
CT40

CARABINA
TAURUS .40 SW
CT 30

TAURUS MT 40

IMBEL SAR 7,62


CARABINA 5,56m
IMBEL
MD97 m

ESPINGAR
CBC DA PUMP 12
586

ESPINGAR
BOITO DA PUMP 12
5T-84

CONDOR PROJETOR 38mm

Dardos
PISTOLA
TASER Elétric
TASER M26
os
REVÓLVER
TAURUS .38
MOD 80

Obs: Os Batalhões de Operações Especiais possuem outros armamentos para as


missões e atividades específicas de tais OPMs.

MUNIÇÕES E SUAS PRINCIPAIS CARACTERÍSTICAS E EFEITOS

COMPONENTES DO CARTUCHO
TIPOS DE MUNIÇÃO

Quanto a forma da ponta:

Ogival / Canto vivo / Semi canto vivo / Ogival plana / cone truncado / Semi ogival /
Ponta oca

Alguns cartuchos de munição:

.32 Magnum, .38 SPL shotshell, .38 SPL+P, .357 Magnum, .357 Maximum, .41 AE, .44
Magnum e .50 AE

Winchester Silvertip – 9mm Federal Hydra-Shok – 40 SW


CALIBRES

Devemos considerar a existência de duas denominações de calibre: o calibre


real, que é aquela medida tomada diretamente na boca do cano da arma,
expresso numericamente segundo diferentes sistemas, e o calibre nominal,
grandeza designativa de um tipo específico de munição.

Em armas de cano de alma raiada (nº par), o calibre real será aquele medido
entre os cheios das raias, quando o nº de raias for ímpar, entre um cheio e um
fundo.

Os calibres nominais são expressos numericamente em centésimos ou milésimos


de polegada, ou, ainda, em frações de milímetros. O sistema americano expressa
calibres em centésimos de polegada; o inglês, em milésimos de polegada, e o
francês, em sistema decimal, utilizando-se de frações de milímetros para
expressar os valores.

Os cartuchos de espingardas de caça (de alma lisa) são representados por um


número. Este número é determinado pelo número de esferas de chumbo de
mesmo diâmetro, necessário para perfazer uma libra (453,64 g). O diâmetro do
cano da arma é igual ao diâmetro de uma destas esferas. Assim, uma espingarda
de calibre 12, tem seu calibre assim determinado porque foram necessárias 12
esferas de chumbo para perfazerem uma libra, logo o diâmetro do cano desta
arma é igual ao diâmetro de uma destas esferas. Se medirmos o diâmetro deste
cano, verificaremos que ele mede 18,5 mm. Outros: 32 (12,2mm), 20 (15,9mm).
Tabela de relação entre os calibres mais utilizados:

AMERICANO INGLÊS Françês

Centésimo de Milésimo de polegada Sistema Decimal


Polegada

.22 .220 5,56 mm

.25 .250 6,35 mm

- - 7 mm

.30 .300 7,62 mm

.32 .320 8,13 mm

- - 9 mm

.38 .380 9,65 mm

.44 .440 11,18 mm

.45 .450 11,43 mm

12 12 12 (18,5) mm
PODER DE PARADA DOS PROJETIS OU “STOPING POWER”

O stopping power expressa a relação entre o calibre e a munição ideais para


incapacitar um oponente com um só disparo, antes que o mesmo continue sua
ação. A obtenção do poder de parada é essencial no serviço policial, onde se
busca, não matar, mas incapacitar o agressor, cessar o risco de vida que oferece
ao policial ou a terceiros.

São os seguintes fatores que determinam a eficiência dos projéteis de arma de


fogo:

 efeitos da ação direta, impacto do projétil sobre os tecidos, onde este empurra
e abre os tecidos (inércia do projétil, a configuração da ponta, fendilhamento da
camisa, nível de dureza do projétil, sua massa e velocidade);

 efeitos da ação indireta, que dependerá dos fatores biológicos ou psicológicos


do alvo atingido (cavidade temporária, choque hidrostático sobre tecidos e órgãos
e traumatismos decorrentes);

Segundo diversos estudos, projéteis mais leves, expansivos (ponta oca) e de maior
velocidade, incapacitam os agressores em uma percentagem maior.

Calibre e Munição Porcentagem de Parada

.357 Mag 125 grains JHP 96%

.40 S&W 155 grains STHP 93%

45ACP 230 grains Hidra Shock 88%

9 mm Para 115 grains STHP+P 79%


.38 SPL 158 grains LHP+P 72%

.45 ACP 230 grains FMJ 60%

.380 ACP 85 grains STHP 54%

.38 SPL 158 grains RNL 52%

Obs: No fato de nenhuma munição obter 100 % de Poder de Parada de uma


ação agressiva com RISCO DE VIDA PARA O POLICIAL OU PARA TERCEIROS
que seja REAL, ATUAL E IMINENTE é que se baseia a rotina de dois disparos
como regra técnica de procedimento para emprego da força potencialmente letal.
TIPOS, CARACTERÍSTICAS E UTILIZAÇÃO DE PONTAS DE PROJETIS – (CBC)

Para pistolas .40 SW:


Projétil Balística

Munição Utilização / Características


Peso V E Provete
grains m/s Joules cm

.40 S&W

CHPP Treinamento e adaptação de atiradores. Reduz o


1 160 355 653 10,2
Treinamento desgaste do cano das armas.

3 CSCV 160 355 653 10,2 Competições de tiro prático.

5 ETPP 180 300 524 10,2 Projétil de grande penetração.

Projétil destinado a romper-se facilmente ao impacto


8 Frangível 125 360 525 10,2 com uma superfície dura, reduzindo o máximo a
possibilidade de ricochete.

Fonte: http://www.cbc.com.br/municoes/muni_pistola/index.php acessado em


24/06/12 as 11h 50 min

Para revólveres Cal.38


.38 SPL

CHOG 10,2-
4 125 229 213 Destinada a treinamento.
Treinamento V

EXPO +P+ 10,2-


5 125 305 377 Projétil com excelente expansão.
Silver Point V

Pode ser utilizada como opção em revólveres .38 SPL. Apresenta


10,2-
4 CHOG Curto 125 207 174 menor energia, recuo e estampido em relação à munição .38 SPL
V
CHOG convencional.

10,2-
3 CHCV 148 244 285 Competições de tiro ao alvo.
V

10,2- Tradicional para uso policial. Atualmente, existem munições com


4 CHOG 158 229 268
V projéteis de maior energia.

Projétil com poder de parada superior ao CHOG tradicional, mas


10,2-
5 EXPO 158 245 307 desenvolvendo pressão que permite sua utilização em qualquer arma
V
desse calibre.

Projétil de boa penetração. Embora encamisado, possui ponta plana,


ETPP +P Silver 10,2-
7 125 287 334 o que permite a sua utilização segura em armas longas com
Point V
carregadores tubulares. (NEW)

10,2- Projétil com expansão e energia superiores ao EXPO de 158 grains


5 EXPO +P 158 268 368
V convencional.

Utilizada para dar "partida" em competições de atletismo,


- Festim - - - -
espetáculos teatrais, cênicos ou similares.
V (Velocidade) e E (Energia) medidas na boca. Provete (comprimento do cano), Provete V (provete ventilado).

Fonte: http://www.cbc.com.br/municoes/muni_revolver/index.php acessado em


24/06/12 as 11h 56 min.

Linha Gold da CBC

As munições Gold têm desempenho Premium e projéteis de ponta oca (EXPO),


que atingem o máximo em poder de parada (stopping power). Isso se dá em
função de sua extraordinária expansão e precisão.

A configuração de projétil expansivo das munições Gold possui uma geometria


ideal de ponta, aliada a altíssima velocidade. Por isso, as munições Gold são as
melhores opções quando o objetivo é a defesa pessoal. Essas características
garantem uma grande, perfeita e controlada expansão, capaz de incapacitar
instantaneamente o oponente. Isso se deve à expansão de seu diâmetro no
momento do impacto. Ao atingirem o alvo, os projéteis formam um “cogumelo” e
causam um choque traumático muito superior ao dos projéteis convencionais.

Os projéteis Gold são caracterizados por apresentarem ponta oca e camisa de


tomback (liga de cobre e latão), o que garante perfeita expansão e ideal
penetração sem a transfixação do alvo, proporcionando que toda energia balística
gerada seja transmitida para o alvo, tirar o máximo proveito da altíssima
performance das munições Gold, deve-se utilizá-las em armas que sejam
compatíveis com esse tipo de munição e que estejam em boas condições de uso.
Recomenda-se uma consulta prévia aos fabricantes para verificar se o modelo de
arma está apto a disparar as munições Gold.

Cavidade permanente, resultante do teste


realizado com munição .45 EXPO +P Gold.
Disparo realizado à distância de 5 metros em
gelatina balística, de 36 cm de comprimento.

O teste com gelatina balística foi desenvolvido


pelo FBI para a realização de ensaios balísticos,
sendo o mais utilizado por renomados institutos
de pesquisa balística em todo o mundo. Por
espelhar os resultados de expansão mais
próximos à realidade, é o principal método de
comparação do poder de parada (stopping power).

Projétil Balística
Munição
Peso grains V m/s E Joules Provete cm

.380 Auto

1 EXPO +P Gold 85 330 300 9,5


.38 SPL

2 EXPO +P+ Gold 125 310 389 10,2-V (NEW)

.40 S&W

3 EXPO Gold 155 364 665 10,2 (NEW)

.45 Auto

4 EXPO +P Gold 185 345 712 12,7 (NEW)

9mm Luger

5 EXPO +P+ Gold 115 405 610 10,2 (NEW)

V (Velocidade) e E (Energia) medidas na boca. Provete (comprimento do cano), Provete V (provete ventilado).

Fonte: http://www.cbc.com.br/municoes/muni_gold/index.php acessado em


24/06/12 as 12h.

UNIDADE DIDÁTICA II – Revólver Cal. 38

MÓDULO “II” (TIB)

CARGA HORÁRIA: 20 h/a

EMENTA

1. OBJETIVOS PARTICULARES DA MATÉRIA

 Capacitar o aluno a conhecer, realizar e aplicar;

 Conceitos e apresentação do revólver;

 Regras de segurança;

 Manejo da arma;

 Fundamentos do tiro;
 Decisão de tiro;

 Tiro real com o revólver cal. .38

2. UNIDADES DIDÁTICAS – OBJETIVOS ESPECÍFICOS – CARGAS HORÁRIAS

Obj. Específicos da UD Carga


UD
AO FINAL DA UD O PM SERÁ CAPAZ DE: Horária

Conceitos Conhecer os conceitos específicos, e os itens que


específicos compõem o Revólver Cal. 38.
e Conhecer, entender a importância e observar na
apresenta prática diária e na instrução as regras de segurança
ção do com armas de fogo e durante a instrução.
05 ha
Revolver
cal.38 e as
Regras de
Segurança
.

Manejo Conhecer e corretamente manejar o revolver


com a cal.38 05 ha
arma

Fundamen Conhecer e realizar com desempenho satisfatório


05 ha
tos de Tiro os fundamentos de Tiro.

Conhecer a legislação e normas aplicáveis à


Decisão de
Decisão de Tiro com simulação de situações
Tiro e Tiro 05 ha
práticas.
Real
Prática de Tiro Real com revólver cal.38

Execução prática do Tiro Policial e Tarefa de


Avaliação 05 ha
Estudo (a Critério do Instrutor)
TOTAL da CARGA HORÁRIA 25 ha

UNIDADE DIDÁTICA II - MANUAL

O REVÓLVER TAURUS CAL 38

Remonta sua origem aos EUA, tendo sido criado pelo Cel Samuel Colt, por volta
de 1836.
É uma arma de repetição simples, sendo seu princípio de funcionamento a ação
muscular do atirador.

Partes Básicas:

 Armação: é a peça que serve de suporte às demais, dando a forma da arma e


permitindo sua empunhadura.

 Tambor: recebe a munição, e nele se dá a alimentação da arma.


 Cano: destina-se a conter e conduzir o projétil durante o disparo, conferindo-lhe
rotação e precisão.

 Mecanismo: composto por um conjunto de peças pelas quais o esforço muscular


do atirador faz a arma funcionar

PARTES BÁSICAS DO REVÓLVER CAL.38


VISTA EXPLODIDA DO REVÓLVER CAL .38
Item Denominação

01 Vareta do extrator

02 Haste Central (mergulhador)

03 Mola da haste central

04 Extrator

05 Tambor

06 Mola do extrator com mola (anel)

07 Suporte do tambor

08 Placa da coronha

09 Percussor (percutor) com mola

10 Dedal serrilhado

11 Armação

12 Cano

13 Presilha – retém com mola

14 Parafuso do retém do tambor com pino e mola

15 Retém do tambor

16 Mola real com haste e bucha

17 Ferrolho com pino e mola

18 Calço de segurança

19 Roda dentada

20 Impulsor do gatilho com mola


21 Impulsor do tambor

22 Placa lateral

23 Cão

24 Alavanca de armar

25 Gatilho

26 Ponteiro

MECANICA DO DISPARO

As armas utilizam a pressão dos gases resultantes da queima da pólvora


para projetar um corpo no espaço.
A mecânica do disparo pode ser assim dividida:

- Percussão: momento em que o percutor atinge a carga de espoleteamento

- Iniciação da Espoleta;
- Queima da Carga de Projeção;
- Vôo livre e tomada do raiamento pelo projetil;
- Aceleração do projetil no interior do cano.
- Saída do projetil do interior do cano da arma;
- Percepção do recuo pelo atirador.

FUNDAMENTOS DO TIRO

INTRODUÇÃO

Os fundamentos do tiro são detalhados procedimentos com a arma que irão


permitir ao Policial a segurança necessária para o manejo, execução correta e
precisa do tiro e ainda solucionar ou identificar problemas de funcionamento ou
estado geral da mesma.

Diferentemente, do que historicamente acontecia, esta abordagem ao


contrário de estar voltada para a manutenção da arma e somente a precisão do
tiro, pretendemos valorizar e desenvolver detalhes dos fundamentos que
permitirão ao Policial a correta e rápida Decisão de Tiro.

SEGURANÇA

A segurança não é doutrinariamente vinculada a fundamentos do tiro, mas é


oportunamente neste momento da aprendizagem que deverá ser abordada..

Podemos simplificar os cuidados com a segurança a partir de dois


pensamentos:

“Toda arma está sempre carregada.”

“Uma arma nunca dispara sozinha.”


Se considerarmos toda arma como estando carregada é mais do que evidente
que em todo o contato com as armas iremos examiná-las e descarregá-las ou não
dependendo da situação em que as empregamos.

NA INSTRUÇÃO

a. Todas as armas deverão ser examinadas e descarregadas antes de


qualquer outro procedimento;

b. O manejo da arma somente poderá ocorrer por determinação do Instrutor;

c. As armas somente serão carregadas com o controle do Instrutor;

d. A execução do tiro, sempre que possível será individual e acompanhada


diretamente pelo Instrutor;

e. Em nenhum momento a não ser em simulação dirigida e com figuração


delinqüente em trajes civis, será permitido apontar a arma para outro;

f. O carregar e descarregar a arma antes e depois da instrução deverá ser


comandado pelo Instrutor e em local seguro;

g. Enquanto estiver sendo executado tiro e manejo de arma em pista de tiro,


as demais deverão estar descarregadas e; abertas ou no coldre.

Como já referimos “Uma arma nunca dispara sozinha” portanto o


acidente ou incidente decorre sempre de ATO INSEGURO e ou CONDIÇÃO
INSEGURA.

Quanto aos ATOS INSEGUROS, além dos específicos para a instrução temos
como determinação para a segurança no S.v.:

a. O dedo sempre fora do gatilho;

b. Controle de cano - Nunca apontar, se não para atirar;

c. Manejar somente as armas as quais está habilitado a portar;

d. Carregar e descarregar em local seguro;

e. Nunca brincar com a arma;

f. Certificar-se sempre se a arma está carregada ou descarregada;

g. Nunca utilizar em serviço munição recarregada;

h. O revólver nunca deverá ser engatilhado.


Quanto a CONDIÇÃO INSEGURA é necessário examinar:

a. Se o tambor está girando e parando em sincronia com acionamento do


gatilho;

b. Se ao parar de girar o tambor, uma câmara ficou precisamente alinhada


com o cano;

c. Se está havendo a percussão;

d. Se a vareta está apertada;

e. Se não está faltando ou frouxo parafuso ou outra peça;

f. Se o cano não está obstruído.

FUNDAMENTOS PROPRIAMENTE DITOS

São considerados doutrinariamente fundamentos do tiro:

- EMPUNHADURA

- POSIÇÃO

- ENQUADRAMENTO

- ACIONAMENTO DO GATILHO

- RESPIRAÇÃO

EMPUNHADURA

É a pegada da arma e ocorre desde antes de a arma ser retirada do coldre.

É determinante para a execução do tiro em situação de confronto e


procedimentos em abordagem.

A correta empunhadura permitirá ao Policial estar sempre em condições de


atirar e portanto mais seguro.

São detalhes importantes da empunhadura:

a. Forquilha da Mão ou “Mão de Macaco”;


A arma deve ser empunhada no “vértice” formado entre os dedos polegar e
indicador,

no prolongamento do braço

É necessário que a coronha esteja sendo segura em sua parte mais elevada, mais
próximo ao CÃO e que não haja folga entre a coronha e a mão.

Este apoio alto na coronha reduz o recuo da arma e melhora a recuperação


para o segundo tiro.
Detalhe da colocação da coronha da arma junto à “forquilha” da mão, na
altura correta

Colocação da arma na mão - detalhe

b. Alinhamento Antebraço e Arma;

Para que todos os procedimentos em uma abordagem ocorram sem a


preocupação com a possível necessidade de enquadrar, é determinante que a
arma esteja alinhada com o antebraço em todos os ângulos.
Onde o Policial apontar o antebraço, lá estará o enquadramento da arma.

A arma deve ser empunhada no perfeito alinhamento com o braço do


policial

c. Segurar a arma com firmeza nas mãos mas com os braços e o restante do
corpo o mais descontraído possível;

d. Fazer a empunhadura sempre com as duas mãos, uma segurando a arma e


outra apoiando;

A mão de apoio deve contrapor a firmeza da


mão que segura a arma bloqueando os
movimentos e fazendo a recuperação do
enquadramento naturalmente entre um tiro e
outro.
Dupla empunhadura da arma. Observar a
posição da mão de apoio, e o dedo fora do
gatilho, que assim permanece até o
momento do disparo

Preferencialmente na posição ISÓSCELES, este apoio será pela frente e lado e


não por baixo ou no guarda-mato do revólver.

e. Dedo fora do gatilho

O dedo deverá estar fora do gatilho e apoiado na lateral da armação até o


momento do tiro, como na ilustração acima.

A empunhadura deverá contribuir para um rápido enquadramento e para a


imobilidade da arma na execução do tiro.

POSIÇÃO

A partir da dupla empunhadura da arma, será adotada a posição ISÓSCELES


basicamente, sendo as demais posições apenas variantes destas em função do
risco e da proteção presentes na abordagem.
A EMPUNHADURA DUPLA é mais determinante de êxito que a posição de
tiro.

A posição sendo simplificada quanto aos detalhes dará maior possibilidade


de ajuste individual e maior liberdade de movimento no ambiente da ocorrência e
na pista de tiro.

Determinarão a posição a dupla empunhadura e a proteção disponível.

COMPARATIVO ENTRE POSIÇÕES BÁSICAS

a. WEAVER

- Braço que empunha a arma reto;

- Arma alinhada com antebraço;

- Arma a frente da cabeça;

- Mão de apoio atravessada na frente da mão


que segura a arma;

- Braço de apoio flexionado e cotovelo baixo;

- Braço direito empurra a arma;

- Braço esquerdo puxa a arma;

- O corpo fica levemente oblíquo a direção do tiro e voltado para o lado do


braço que segura a arma;

- Corpo levemente inclinado para a frente;

- Pernas livres.

b. ISÓSCELES

- Ambos os braços retos a frente do corpo;

- Corpo de frente para a direção do tiro;

- Leve ângulo entre antebraços e a


arma;
- Arma a frente da cabeça;

- Corpo levemente inclinado a frente;

- Pernas livres.

WEAVER ISÓSCELES

- Pequena redução Silhueta; - Facilidade de

- Manutenção Alinhamento aprendizagem;


antebraço-arma; - Duplo apoio na arma.

- Mesma posição que para - “Oferece” para a fonte de


armas longas; risco a parte coberta pelo
VANTAGENS
- Duplo apoio na arma. colete;

- Mantém ampla visão


periférica do local da
atuação;

- Mais “estável para o


atirador”;

- Posição natural para


locomoção rápida para
qualquer direção;

- Mais difícil aprender; - Apresenta sempre toda a

- Limita um pouco o silhueta do Policial;

DESVANTAGENS movimento das pernas; - Com a presença de

- Diminui a visão periférica proteção do ambiente não


do atirador; abrigam todo o atirador.

- “Oferece” para a fonte de


risco uma área do tórax sem
cobertura pelo colete de
proteção balística

PREFERENCIAL X
POSIÇÃO DE SEGURANÇA

Durante todo o procedimento de abordagem ou


inspeção de local o Policial deverá estar
empunhando completamente a arma e
apontando sem fazer visada para a linha dos
pés do abordado ou do local onde este possa
surgir.

Esta posição de segurança facilitará o completamento do enquadramento e


permitirá ao Policial observar maior área.

A arma apontando na linha dos pés do abordado ou na linha dos pés no local
de onde o abordado poderá surgir.

O SAQUE

Apesar de não ser culturalmente compreendido como procedimento técnico,


na verdade o saque é, talvez, o mais importante.

Saque é a retirada da arma do coldre, o que hoje acontece muito


precocemente.

O verdadeiro saque-rápido, que permite ao Policial mais tempo com as duas


mãos livres e a utilização prévia do corpo e ou do bastão depende de equipamento
e treinamento adequados. Poder fazer um saque-rápido, é poder adiar a presença
da arma de fogo do Policial na ocorrência.

O Saque poderá ser procedimento técnico quando equipamento e


treinamento o permitirem e principalmente quando o domínio do uso do corpo e
do bastão determinarem recurso claro e seguro ao Policial.

Da mesma forma o domínio da arma permitirá ao Policial sacá-la e empregá-


la somente quando for técnica e legalmente necessário.

O coldre adequado é fixo diretamente na


cintura, levemente inclinado para a frente e
com a presilha em condições de ser aberta
pelo dedo polegar em direção ao próprio corpo
do Policial enquanto a mão tem a coronha ao
seu alcance.

Saque da arma – 1o Tempo – A mão forte


busca a arma no coldre. Neste momento, o
polegar abre a presilha e a mão forte já
empunha a coronha de forma correta

Saque da arma – 2o Tempo – a mão


forte empunha a coronha de forma
correta, enquanto a mão de apoio já
começa a se posicionar. O olhar
permanece NA FONTE DE RISCO
Saque da arma – 3o Tempo – Com o
olhar atento à fontes de risco, a
mão de apoio encontra a mão forte,
envolvendo a arma em dupla
empunhadura. A arma começa a ser
elevada à altura dos olhos
ENQUADRAMENTO

É o alinhamento Olho do Atirador aparelho de pontaria e alvo.

Deve fazer parte do treinamento de saque e tomada de posição final para


execução do tiro e do treinamento da tomada de posição final para o tiro a partir
da posição de segurança.

E equilíbrio de luzes no aparelho de pontaria: a = a

Tal enquadramento com alinhamento perfeito, OLHO, ALÇA DE MIRA,


MASSA MIRA e ALVO deverá por muito treinamento, ser substituído pela visada
somente de MASSA DE MIRA visto que naturalmente o alvo será enquadrado com
rapidez em situação de confronto real, e certamente sem os cuidados
convencionais com a visada completa, mas permitindo mesmo assim o acerto
rápido.

Elementos da pontaria (visada): olho, alça, massa e alvo

OLHO DIRETOR

Deve ser definido em exercício qual é o olho com que o atirador faz a visada
para observar-se a correta tomada de posição e enquadramento.

A visada finalmente deverá ser substituída pelo enquadramento com os dois


olhos abertos.
O correto e rápido enquadramento depende portanto muito mais do domínio
da empunhadura e posição de segurança do que percepção completa de
alinhamento olho, arma e alvo.

Finalmente durante a abordagem, onde os olhos estiverem, logo abaixo, na


linha dos pés do alvo, deverá estar a arma.

ACIONAMENTO DO GATILHO

Toda a última falange poderá tocar


o gatilho.

Tal toque ocorrerá de forma obliqua


e não transversal em relação ao gatilho.

Quanto maior a superfície de


contato com o gatilho maior nossa
sensibilidade e controle sobre o mesmo.

O acionamento do gatilho deverá ser contínuo


e não deve
mudar a
imobilidade e
enquadramento do alvo.

ACIONAMENTO CONTÍNUO e ARMA IMÓVEL

Deve ser treinado o acionamento do gatilho e manutenção simultânea de


enquadramento.
O ACIONAMENTO DO GATILHO DO REVÓLVER SEMPRE EM AÇÃO DUPLA
(Desengatilhado)

RESPIRAÇÃO

O Policial não força o controle de respiração e sim descontrai, para que este
não interfira em enquadramento e posição.

Após compreender e exercitar cada um dos fundamentos o Policial deverá


concentrar-se e identificar o conjunto resultante da aplicação de todos e a
interferência de cada um no acerto ou erro.

Exercitar os fundamentos em seqüência lenta do saque ao tiro é uma ótima


forma de observá-los e dominá-los, fazendo a sempre necessária correção.

Caso o policial esteja ofegante, deve realizar a visada e suspender a


respiração SOMENTE DURANTE O MOMENTO EM QUE ESMAGA O GATILHO,
retomando a respiração logo a seguir.

DESCARGA E RECARGA

Tão necessárias de serem treinadas quanto os fundamentos, não se admite


que se execute este procedimento sem a utilização de aparelho de recarga rápida.

A descarga e a recarga deverá ocorrer sempre que possível com o Policial


protegido e ou agachado para reduzir sua silhueta.

Independentemente de com que mão o Policial atira para o revólver (que abre
sempre para a esquerda) os aparelhos de recarga rápida deverão estar do lado
direito do corpo da cintura para baixo ou do lado esquerdo se na altura do peito.

O revólver deverá ser aberto e passado para a


mão esquerda para descarga, o cano voltado
para cima e a vareta do extrator pressionada
para baixo pelo dedo polegar da mesma mão
esquerda.

Simultaneamente a mão direita busca o aparelho de recarga rápida com a


munição sobressalente.
1o Tempo – a arma é
aberta pelo polegar da mão
forte e o tambor é rebatido.

2o Tempo – A arma passa da


mão forte para a mão fraca. A
mão forte busca a munição (
no “jet loader” ou no “speed
loader”)
3o Tempo – A mão forte
encontra a munição no
cinto, ao mesmo tempo em
que, com a mão fraca, o
policial ejeta os estojos
vazios para fora da arma

Detalhe da ejeção dos


estojos: o polegar da mão
fraca aciona a vareta do
extrator. A arma deve ser
mantida na vertical, para
auxílio na ejeção
4o Tempo – O remuniciador
rápido é colocado na arma,
sem tirar os olhos da fonte de
risco

5o Tempo – O remuniciador
rápido é descartado
6o Tempo – O policial
reassume a posição de tiro

Forma alternativa de
recarga – os cartuchos
podem ser introduzidos
manualmente, um a um, ou,
como na ilustração, dois a
dois.
UNIDADE DIDÁTICA I - PISTA - COMO AVALIAR

PISTA TIB I

7 metros
Um atirador

Um alvo

ÚNICO ALVO

Policial

Pode haver mais de um alvo e atirador, porém a execução e a avaliação


Descarga
será individual.
Recarga
Podendo ser executada subsequente por atiradores um ao lado do
De Pé
outro.
MÓDULOS DE TREINAMENTO

a) Módulo II – Tiro de Instrução Básica

(1) Objetivos:

Aplicar os fundamentos do tiro.

(2) Pista de Tiro

Executar em alvo tipo “Colt”, silhueta reduzida, doze tiros intercalados


entre o 6º e o 7º por uma descarga e recarga da arma, em posição de pé, a
partir do saque, em dupla empunhadura, a uma distância de 07 (sete)
metros.

(3) Como Avaliar:

Cada tiro que atingir o garrafão do alvo vale 10 (dez) pontos.

Cada fundamento aplicado corretamente vale 10 (dez) pontos.

Cada fundamento aplicado erradamente vale 0 (zero) ponto.

Cada acerto de procedimento de segurança vale 10 (dez) pontos.

Cada erro de procedimento de segurança vale 0 (zero) ponto.

Cada acerto de procedimento de carga e descarga vale 10 (dez) pontos.

Cada erro de procedimento de carga e descarga vale 0 (zero) pontos

Cronometragem com comando para saque e tiro, para fins de coleta de


dados com vistas as próximas avaliações.
MÓDULO I - GRADE DE AVALIAÇÃO - TABELA DE PONTOS

Sugestão de Grade de Avaliação MÓDULO I

Fundamentos
Pontos
Tempo Segurança Descarga Recarga Empunhadura Posição Visada Ação Soma Nota
Nome Alvo
Gatilho
APLICAR A TABELA DE PONTOS / NOTAS ABAIXO
DISCRIMINADA

TABELA DE PONTUAÇÃO

Pontos Notas

190 10

180 9,5

170 9,0

160 8,5

150 8,0

140 7,5

130 7,0

120 6,5

110 6,0

100 5,5

90 5,0

80 4,5

70 4,0

60 3,5

50 3,0

40 2,5

30 2,0
20 1,5

10 1,0

00 0

Para esta avaliação cada atirador será observado e acompanhado pelo


instrutor individualmente, podendo ser colocados lado a lado instruendos e seus
respectivos alvos para fins de agilizar a avaliação da instrução.

Após o primeiro instruendo atirar, o instrutor anota o tempo e os procedimentos,


partindo para o próximo instruendo até que tantos quantos o número de alvos
disponíveis atire antes de se conferir a pontuação de cada um no alvo, e se feche
os alvos. Repetindo com novos instruendos, sucessivamente.

DECISÃO DE TIRO

(EMPREGO DA ARMA DE FOGO E DA FORÇA POTENCIALMENTE LETAL)

INTRODUÇÃO
O presente material está sendo apresentado
na intenção de propor um raciocínio
simplificado sobre a DECISÃO DE EMPREGAR
A FORÇA POTENCIALMENTE LETAL,
respondendo-se a pergunta QUANDO ATIRAR?

Tal abordagem fará análise do excludente de criminalidade de legítima


defesa, pretendendo referir uma medida entre o risco presente na ação policial e o
meio necessário para resolver as situações de confronto, até que o tiro seja
caracterizado necessário.

Aqui devem ser considerados também os Principios Básicos do Uso da Força


e da Arma de Fogo pelos Responsáveis pela Aplicação da Lei e os demais acordos
e tratados internacionais dos quais o Brasil é signatário, e que estão sendo
tratados pelos demais instrutores do curso, enfatizando que o emprego da força
potencialmente letal DEVE SER O ÚLTIMO RECURSO na escala de
proporcionalidade do policial para resolver situações de risco que venha a intervir
representando a sociedade.

DADOS SOBRE CONFRONTO ARMADO

Dados estatísticos americanos nos mostram que 85% das situações de


confronto com armas de fogo, ocorrem a uma distância máxima de 10m, num
tempo de dois a três segundos e com a troca entre os envolvidos de dois a três
tiros. Nestas condições a situação se refaz com um ferido, um fugindo, recuando,
se entregando ou partindo para nova situação de confronto, como mais
comumente ocorre com a Polícia Militar, em que durante uma única ocorrência,
várias situações de confronto se somam.

85% tempo 2 a 3 segundos

Distância até 10 m.

Tiros 2 a 3.

Conforme ainda dados pesquisados pelo então Capitão Alberto e


apresentados ao público através da Revista Unidade na Edição N.º 17 de Julho de
93 concluímos que das Ocorrências atendidas pela Brigada Militar que envolvem
a presença de arma de fogo 69.63% destas Ocorrências manifestam-se entre as
1800 e as 0600 horas. Portanto, à noite e em condições de visibilidade
prejudicada .

Temos ainda segundo pesquisa editada pelo


então Major Martin, através do Instituto de
Pesquisa da Brigada Militar , que 82% dos PM
feridos em serviço. por disparo de arma de
fogo, o disparo atingiu o tórax.

Além dos dados já apresentados, relativos a como são as situações de


confronto armado, causa-nos grande preocupação e nos motiva ao estudo, o fato
de no período de Janeiro de 97 a Julho de 97 na área do Comando de
Policiamento da Capital terem ocorrido disparos de arma de fogo em serviço, sem
o registro de danos materiais ou pessoais.

Ora, é básico sabermos que o revólver tem o


alcance máximo de 1500m e que mesmo o
disparo para cima. conforme editou a revista
MAGNUM pode produzir vítimas fatais.
Cientes de que 85% das situações ocorrem à
distância máxima de 10m, toma-se evidente o
risco envolvido nesta incidência de tiros que
não atingiram o alvo desejado.

O número de ocorrências envolvendo o


confronto armado está aumentando
violentamente e o Policial precisa decidir,
diante destas condições, propomo-nos a
estabelecer um critério para a decisão do tiro,
bem como padrões de comportamento que nos
permitam superar com êxito as situações de
confronto, apesar das dificuldades referidas
nos dados iniciais.

A DECISÃO DE TIRO

(EMPREGO DA ARMA DE FOGO E DA FORÇA POTENCIALMENTE LETAL)

Vista a complexidade e adversidade de condições que o Policial enfrentará ao


se deparar com uma situação de confronto armado. vamos apresentar as
questões mais importantes quanto a decisão no que se refere aos parâmetros
legais, mas principalmente propondo agilidade no raciocínio e aplicação de
técnica que permita a solução eficaz e eficiente na ação policial, dando ao Policial
a segurança da decisão justa.
CONFORME CURSOS DA SENASP - NOS ACORDOS E NORMAS
INTERNACIONAIS ONDE O BRASIL É SIGNATÁRIO:
ENTÃO QUANDO ATIRAR?

a. LEGALMENTE

Estaremos empregando a força potencialmente letal (disparo de arma de fogo)


quando os depararmos com uma SITUAÇÃO DE RISCO REAL, ATUAL E
IMINENTE CONTRA SI OU CONTRA TERCEIROS e assim estaremos agindo ao
abrigo da excludente de criminalidade de legítima defesa própria ou de terceiros.

Tal excludente é exaustivamente estudada a partir do Código Penal Art. 21


em que vemos o conceito de Legítima Defesa “Art. 21 - Entende-se em legítima
defesa quem usando moderadamente dos meios necessários, repele injusta
agressão, atual ou iminente a direito seu ou de outrem.”

Este conceito, e tipificação da legitima defesa já é demasiadamente


conhecido. Não está na compreensão teórica a dificuldade, mas na aplicação
deste conhecimento, quando temos de decidir sobre o uso da arma e a execução
do tiro, ai sim, vem nos faltando a Ponte entre a teoria e a prática: A agilidade de
raciocínio e o comportamento tecnicamente condicionado.

O conceito de legítima defesa propõe a defesa de qualquer direito agredido.

Qual será a medida para reação? Quando


será o momento do Tiro? Ao tentarmos
estabelecer um CRITÉRIO para decidir,
inúmeras respostas e casos específicos vão
surgir mas está no RISCO envolvido na
agressão a chave para o raciocínio.

Toda a defesa ou reação está vinculada e é medida em relação ao risco


presente na agressão ou sua iminência.

A ação policial visa permanentemente a defesa de direitos, inicialmente os


direitos da coletividade e finalmente os direitos individuais.

Defendemos a comunidade da agressão de um conflito de circulação ao


coibirmos uma infração de trânsito, garantindo à coletividade o direito da livre
circulação. A atitude está vinculada ao risco.
A imobilização, mesmo que sem algema, de uma pessoa agressiva, pode
defender-nos e defender outra s pessoas de uma agressão desarmada e livre, se
este for o risco envolvido na ação policial.

Nos cursos da Secretaria Nacional de Segurança Pública:


b. TECNICAMENTE

O Tiro somente ocorrerá se houver risco de vida. RISCO DE VIDA é o critério


para pensarmos no tiro.

Raciocínio parcial, bem mais simples que o conceito de legitima defesa e


mesmo no Risco de Vida só será dado tiro se for o meio necessário e suficiente
para cessar a agressão. Quando o excludente de criminalidade de legítima defesa
propõe "repele injusta agressão, atual ou iminente, a direito seu ou de outrem",
deixa-nos com uma gama incalculável de situações de agressão para pensarmos
tal reação de defesa. Pela abordagem teórica apresenta a possibilidade de defesa
de qualquer direito.

Na decisão de tiro, o Risco de Vida é que nos leva a pensar no uso da arma
ficando assim muito melhor definido o momento para uso da arma.

Num segundo momento o conceito de legítima defesa propõe "usando


moderadamente dos meios necessários".

Enquanto isso na decisão do tiro, em havendo o Risco de Vida, avaliamos


apenas se o tiro é necessário e suficiente.
O RISCO E O MEIO MODERADO NECESSÁRIO

Quando o Art. 21 CP refere-se ao uso moderado dos meios constatamos que os


meios disponíveis ao PM no serviço são:

 Voz Policial;

 Contato físico- Controle de Contato;

 Bastão, Algema, Gás;

 Revólver (arma curta individual);

 Outros Recursos - Material - Pessoal;

VOZ POLICIAL

É todo comando oral do policial em torno do exercício de sua autoridade


legal.

É o meio disponível ao serviço presente em todas as ações policiais. Não


existe ação policial sem o emprego da voz policial.

Se faz presente em ordem à condutores de veículos, a manifestantes em ato


público, abrange desde o cumprimento a uma pessoa; a própria identificação do
PM; a informação do PM no momento de "orientação de Partes" envolvidas em
uma ocorrência. A voz de prisão é uma manifestação da Voz Policial.

O emprego da Voz Policial passa por medidas variáveis de intensidade e


energia, de acordo com a firmeza necessária para cessar a ação ilegal ou risco
existente.

Devemos ser claros, precisos e concisos no uso da voz policial.

Quem nos ouve deve nos entender.

Quem nos ouve deve sentir firmeza no que dizemos.

Quem nos ouve deve ouvir somente o necessário.

A voz policial está presente indispensavelmente na ação policial; desde a


abordagem a um infrator de trânsito até abordagem de um delinqüente que
acabou de cometer o latrocínio e é encontrado armado.
Fica fácil perceber que a energia na voz
policial terá, medidas diferentes entretanto
deverá permitir a todos que seja compreendido
o desejo do policial ou da guarnição.

Deve ficar claro ao abordado cada determinação do policial, e com maior


especificação quanto maior o risco na abordagem. Ao homicida que está com sua
mão no bolso, o policial deve deixar claro que está percebendo, controlando e
pronto para agir se não for obedecido. Ainda quando o risco é maior e diz respeito
diretamente à vida é necessário ser mais claro e firme a fim de que cada
movimento e determinação sejam executados claramente e em velocidade segura.

Muitas situações poderão ser resolvidas com o uso controlado da voz Policial
e um padrão de resposta passará ser conhecido a medida em que a Voz Policial
fizer parte da cultura policial.

A identificação "Policia" e a ordem legal "Parado" - quando forem


reconhecidamente padrão de ação policial, serão respeitadas e determinarão uma
resposta mais obediente das pessoas abordadas em situação de risco.

Através da voz policial deverão, ser controlados e dirigidos cada movimento


do abordado até cessar o risco existente.

O CONTROLE DE CONTATO

O Policiamento Ostensivo prevê a identificação de relance do Policial Fardado


e equipado. A simples presença do Policial Fardado pode inibir a ocorrência de
delito onde a vista, alcança. Entretanto é na ação policial em situações de conflito
e contato do policail com as pessoas envolvidas, que o corpo tem papel
Determinante na solução do risco e agressão presentes ou iminentes.

O uso do corpo não se manifesta somente na aplicação de técnica de arte


marcial ou luta corporal propriamente.

O corpo manifesta a expectativa do Policial e a sua possibilidade de reação,


seja eficiente ou displicente. para o delinqüente. tanto quanto nos valemos desta
observação na prática desportiva, na tentativa do drible.
Faremos uso do corpo na solução de conflitos desarmados, desde a simples
manutenção de distância do agressor durante uma abordagem fazendo uso da
Voz Policial até o colocarmos em posição adequada e segura para uma revista ou
imobilização.

Estaremos usando o corpo em posição de expectativa para reação ao


pegarmos uma pessoa em conflito pelo braço, dominando-lhe o equilíbrio,
mantendo-lhe em distância segura e afastando-lhe de outra possível vítima.
Segurando-se-lhe um braço diminuímos em muito o risco existente de agressão.

Devemos Ter consciência de que não pretendemos uma vitória por pontos ou
nocaute. Necessitamos sim a imobilização do agressor seja para solucionar a
situação de risco em andamento.

Para tanto não é necessário que o Policial seja graduado em uma arte marcial
em particular, mas que conheça suas próprias capacidades e limitações, domine
basicamente seu próprio equilíbrio. conheça e domine alguma forma de
imobilização no chão.

Como já referimos, mesmo diante de um agressor desarmado o Policial


poderá fazer o saque do bastão e usá-lo preventivamente se for para ele o
necessário e o mais seguro.

Ainda com relação ao corpo, a esquiva e manutenção de distância poderão


em muitos casos dispensar um conflito corpo a corpo e possibilitar outra forma
de solução da situação.

Nem sempre é necessário e suficiente que o policial se exponha ao confronto


desarmado para parar um agressor também desarmado.

O dever de prender em flagrante não prevê criar-se risco desnecessários para


posteriormente reagir-se em medida que por outra decisão poderia ser evitada.

Tanto quanto durante um roubo a banco não entraremos no estabelecimento


para prender os delinqüentes, para não gerarmos riscos desnecessários assim
também é coerente que se evite gerar riscos durante um conflito desarmado.

Além dos aspectos já referidos é SEMPRE, necessário informar sobre a


necessidade do uso de equipamento individualmente de proteção e a
disponibilidade de outros recursos para a solução das situações de confronto.
O uso de óculos pode prevenir que simplesmente areia tire o policial de
combate.

Quanto ao colete de proteção balística, sua necessidade já se justificou na


apresentação de dados estatísticos sobre policiais feridos em serviço., sendo 82%
no tórax. É necessário relembrar entretanto que seu uso deve visar mais a
proteção do tórax do que do abdômen.

Para operações especiais existem outra formas de proteção individualmente


que se justificam pela complexidades risco que envolvem as referidas operações.

Após imobilizarmos um agressor no chão será necessário manter-se este


nível de domínio e segurança. Usando-se para isso algemas. poderemos fazê-lo
com maior facilidade do que fazendo força física ou utilizando materiais
impróprios.

É necessário também que; presente numa abordagem e durante uma revista,


o policial mantenha a melhor base de equilíbrio que puder, e expectativa para
reagir.

Sua postura pode dar-lhe estas condições de reação e deixá-las claras ao


abordado, garantindo-lhe segurança ou antecipando-lhe a reação.

O USO DO BASTÃO

Nossa abordagem não pretende ensinar-lhes a técnica de uso do bastão, nem


aumentar-lhes o domínio sobre este meio. Pretendemos apenas referir algumas
situações de risco em que o bastão é o meio necessário e suficiente para cessar o
risco.

A simples composição da figura do policial equipada, com a presença do


Bastão Policial mostra uma possibilidade de defesa própria ou reação a uma
agressão a terceiros. O saque e porte do bastão pode inibir a ação delinqüente e o
risco.

A disponibilidade deste recurso e o domínio de alguns movimentos permitem


ao policial, retardar o saque da arma por um lado e por outro decidir recuar ao
confronto desarmado e fazer o saque e uso do bastão, mesmo que num primeiro
momento o seja somente de forma preventiva.
Este momento de decisão muito individual depende da avaliação de que pode
não ser suficiente o uso do corpo simplesmente. Pode ocorrer no momento em
que uma arma imprópria seja apanhada ou está sendo usada pelo agressor. O
bastão pode, como já foi referido sabre o uso do corpo, ser usado em golpes “X”
para a simples manutenção de distância do agressor. Pode ser usado junto com o
toque direto do corpo do abordado para mostrar-se ou fazer-se sentir a presença
e possibilidade de uso. O toque, a estocada outros movimentos de reação e defesa
com o bastão serão usados para cessar as agressões e o risco presente de acordo
com o risco e com a capacidade de domínio do policial.

Ainda para a imobilização e condução de um preso, o bastão poderá poupar


esforço e risco.

Tanto quanto qualquer outro meio, o policial deverá conhecer e dominar


alguns movimentos básicos e conhecer, também sua limitações decidindo,
sempre que julgar que o bastão não será suficiente pelo uso da arma de defesa
individual.

O USO DA ARMA DE FOGO

Citamos quanto ao uso do bastão, a presença de armas impróprias, que


podem ser paus, pedras, lâminas, ferros e outros, objetos quando usados para
agredir. Neste momento avaliado individualmente, se estabelece o Risco de Vida.

Somente a medida em que percebe o risco de vida o policial deverá fazer uso
de arma de fogo e "se", ainda, seu uso for necessário e suficiente.

Enquanto necessário o policial poderá fazer o


saque da arma e empunhá-la prevenindo e se
necessário ainda, efetuar o disparo.

Chegamos então na situação em que o Risco de Vida cessa somente com o


tiro. O TIRO deverá ser NECESSÁRIO e SUFICIENTE.

O tiro será legal se estiver defendendo a vida e se for NECESSÁRIO e


SUFICIENTE.
Em muitos casos o policial enfrenta a situação, se expondo ou até gerando
nova situação de risco. sem que o tiro seja suficiente para cessar o problema em
andamento.

Para o policial isolado diante de uma situação de Risco de Vida em que o


TIRO é NECESSÁRIO, seu raciocínio deve gerar uma resposta condicionada
precisa na técnica e rápida.

Da mesma forma que já no referenciado assalto a banco, para prender ou


parar o delinqüente o policial, apesar de os requisitos de Legitima Defesa não o
exigirem, deverá evitar o confronto e evitar gerar nova situação de risco decidindo
por outra forma de ação policial que permita fazê-lo com a mesma eficiência e
maior segurança, do que abordar e ou atirar

OUTROS MEIOS

Além dos já referidos armamentos e equipamento individual o policial poderá


contar com apoio em pessoal, ou seja um ou mais patrulheiros para solução da
ocorrência.

Cada recurso, em cada situação determinará um diferente grau de segurança


perante o risco apresentado.

Mesmo assim o que determina a medida de necessidade e suficiência dos


meios é o risco existente.

Desde a ação policial individual até a execução de uma grande operação deve
ser considerado o risco existente em cada passo tanto a nível técnico como tático.

Se na ação ou operação constatou-se a existência de risco para o qual não


tenho os meios necessários para enfrentar, devo manter o controle de forma a
conquistar os recursos ou que o risco de alguma forma diminua para nível
compatível com o recurso material e pessoal disponível.

Dependendo da ação policial na solução da situação de confronto surgirão no


decorrer de cada situação, FONTES DE RISCO que deverão ser removidas ou
superadas a cada passo.
Por exemplo: cada ocorrência apresenta um risco informado na descrição do
fato a ser resolvido e outro potencial que pode ser avaliado e resolvido a medida
em que o policial adota procedimentos específicos.

Durante uma mesma ação policial, cada decisão pode resolver ou gerar uma
nova situação de risco.

Inúmeras fontes de risco estão presentes em uma mesma ocorrência e


exigirão medidas em ordem de prioridade, em função do momento em que se
apresentam ou do grau de risco que geram. Ex. Armas impróprias no local da
ocorrência e a presença de um maior poder de fogo que outra.

Um facão sobre um muro 6 uma fonte de risco iminente, se continuar a


disposição do delinqüente, entretanto deixará de ser prioridade se o delinqüente
neste momento aparece portanto arma de fogo. Deverão ser resolvidas ambas as
situações, em prioridades.

A maior fonte de risco e principal alvo da observação Policial deverá ser


sempre as mãos do abordado.

ESCALA DE PROPORCIONALIDADE DO USO DA FORÇA NA VISÃO DA


SENASP
SUGESTÃO DE PISTA DECISÃO DE TIRO

Fonte de risco (arma)

5m

7m

3
1
2
DECISÃO DE TIRO – SUGESTÃO DE AVALIAÇÃO

c) Tiro de Combate Básico

(1) Objetivos:

Aplicar os fundamentos do tiro;

Aplicar a técnica de proteção, observação e condições de tiro;

Analisar a situação em abordagem e decidir quando atirar, aplicando a


técnica e de acordo com os limites legais.

(2) Pista de Tiro

(a) Pista conforme croqui anexo;

(b) Seqüência de Tiro

1ª Base 6 tiros de pé, dupla empunhadura, a 7 metros do Alvo Colt


Silhueta Reduzida, Descarga e Recarga;

2ª Base 2 tiros pelo lado esquerdo da proteção Alvo Colt 7 metros;

3ª Base Alvo surpresa, será desencoberto no momento que o instruendo


chegar na base 3 com figura desarmada e com as mãos para
cima. O Instruendo deverá decidir por não atirar. Usar a VOZ
POLICIAL e recolher a arma que estará no chão como tendo sido
a arma usada pelo Alvo abordado e por ser uma fonte de risco.

COMO AVALIAR:

Cada tiro que atingir o garrafão do alvo vale 10 (dez) pontos.

Cada fundamento aplicado corretamente vale 10 (dez) pontos.

Cada fundamento aplicado erradamente vale 0 (zero) ponto.

Cada acerto de procedimento de segurança vale 10 (dez) pontos.

Cada erro de procedimento de segurança vale 0 (zero) ponto.

Cada acerto de procedimento de carga e descarga vale 10 (dez) pontos.

Cada erro de procedimento de carga e descarga vale 0 (zero) pontos

Cada 02 tiros protegidos valem 10 pontos.


Cada 02 tiros desprotegido valem zero pontos.

O uso da proteção, sem o tiro na base 03 , vale 10 pontos

Não usar a proteção, valem zero pontos

Sugestão de tabela de Avaliação

Fundamentos Proteção

Decisão
2ª Base

3ª Base
Segurança

Empunhadura
Tempo
Nome

Pts

Descarga

Recarga

Posição

Gatilho
Visada

Ação

Voz Policial
Não atirar

Arma no
Soma
Chão
1

3
APLICAR A TABELA DE PONTOS / NOTAS ABAIXO DISCRIMINADAS

TABELA DE PONTUAÇÃO

Pontos Notas

230 10

220 9,56

210 9,13

200 8,69

190 8,26

180 7,82

170 7,39

160 6,95

150 6,52

140 6,08

130 5,65

120 5,21

110 4,78

100 4,34

90 3,91

80 3,47

70 3,04

60 2,60

50 2,17
40 1,73

30 1,30

20 0,86

10 0,43

0 0

SUGESTÃO DE TAREFA DE ESTUDO PRÁTICA

Aplicação de verificação imediata de conhecimento após a apresentação do


armamento e das munições como forma de reforço do conhecimento do
instruendos.

Como exemplo apresentamos duas avaliações sobre os conteúdos ministrados na


parte teórica da disciplina:

AVALIAÇÃO TEÓRICA I – Verificação Imediata

a. Modelo de Verificação Imediata sobre a parte teórica inicial


b. Respostas da Verificação Imediata sobre a parte teórica inicial.
a. Modelo de Verificação Imediata sobre a parte teórica inicial
Aluno:.................................................................................

Curso:........................................................................Matéria:

Instrutor:..........................................................................Data:

Principais Regras de Segurança:

1ª.....................................................................................................................
.....................;

2ª.....................................................................................................................
.....................;

3ª.....................................................................................................................
......................
Componentes do Cartucho
1............ : .....................................................................................

.............................................................................................................................
...........

2............ :
....................................................................................................................

.............................................................................................................................
............

3....................................... :
.........................................................................................

.............................................................................................................................
............

4................. :
...............................................................................................................
.............................................................................................................................
...........

REVÓLVER: ...............................................................................

....................................................................................................
Mecânica do ....................................................................................................

Disparo: Partes Básicas:

 1) ............................................................................................
................................................ ....................................................................................................

 2) ................  ..........................................................................
...............................................
....................................................................................................
 3) ................  ..........................................................................

................................................ ....................................................................................................
FUNDAMENTOS DO TIRO
 4) .................. .........................................................................
 .........................................................
................................................ ....................................................................................................
 ........................................................

................................................
 ........................................................


................................................
........................................................


 ........................................................
................................................

Stopping Power (Poder de Parada )


....................................................................................

………………………………………………………………………………………………………..

………………………………………………………………………………………………………..

b. Respostas da Verificação Imediata sobre a parte teórica inicial


Aluno:.....................................................................................................
Curso: .................................................................

Matéria: ...............................................

Instrutor: ..................................................................................

Data: ......................................

Principais Regras de Segurança:

1ªConhecer a arma e a munição empregadas;


2ªControlar a direção do cano;
3ªManter o dedo fora do gatilho, até o momento do disparo.
Componentes do Cartucho
1Projétil : é o artefato que é expelido pela arma de fogo. É o principal e mais crítico

elemento da munição. Seu tipo, forma e massa, determinam os efeitos balísticos.

2Estojo: reunir os elementos do cartucho, protejer da umidade, dilatar-se por

ocasião do disparo, evitando o escapamento de gases pela culatra.

3Carga de Projeção (pólvora): composto químico que ao queimar, gera uma quan-

tidade de gases muito grande, e em velocidade muito rápida. (propelente)

4Espoleta: pequeno corpo metálico que contém determinada quantidade de mistura


iniciadora destinada a inflamar a carga de pólvora contida no estojo.

REVÓLVER: É uma arma curta de repetição simples, cuja ca-


Mecânica do racterística principal é ter, um só cano e várias câmaras de

combustão. Seu princípio de funcionamento é a ação muscu-


Disparo:
lar do atirador.
 Percussão;
Partes Básicas:
 Iniciação da Espoleta;
1) Armação é a peça que serve de suporte às demais, dando
a forma da arma e permitindo sua empunhadura.
 Queima da Pólvora;
2) Tambor  recebe a munição, e nele se dá a alimentação
 Projétil / raiamento; da arma.
3) Cano  destina-se a conter e conduzir o projétil durante o
disparo, conferindo-lhe rotação e precisão.
 Aceleração / projétil
4) Mecanismo  composto por um conjunto de peças pelas
 Saída do projétil; quais o esforço muscular do atirador faz a arma funcionar .
...............................................................................................
 Recuo da arma. .....
FUNDAMENTOS DO TIRO
 EMPUNHADURA

 POSIÇÃO

 VISADA

RESPIRAÇÃO

 ACIONAMENTO GATILHO

Stopping Power (Poder de Parada ) Expressa a relação entre o calibre e a


munição ideais para incapacitar um oponente com um só disparo, antes que o
mesmo continue a sua ação.

É essencial no serviço policial, onde se busca, não matar, mas incapacitar o


agressor, cessar o risco de vida que oferece ao policial ou a terceiros.
3- USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO II
PROMA

I - CONTEXTUALIZAÇÃO

O recurso ao uso da arma de fogo deve ser envidado como último meio a ser
usado pelo Policial-Militar. O emprego da arma deve estar alicerçado nos
princípios da legalidade, racionalidade e proporcionalidade. Para tanto, o
integrante da Corporação deve ter consciência de como e quando empregar uma
arma de fogo, empregando-a com eficiência e segurança.
Para ter eficiência no momento da utilização da arma de fogo, o policial
deve estar bem preparado. Torna-se imprescindível o treinamento de tiro policial
para o enfrentamento das situações adversas que se fazem presentes no
momento de um enfrentamento real.

Durante uma situação de perigo ou em tiroteio, fatores físicos e psicológicos


influenciam e dificultam a ação policial. Somente com treinamento o Policial-
Militar poderá enfrentar com sucesso estas situações: efetuando um tiro seletivo,
onde existem terceiros ou populares no local; observando a legalidade e a
segurança do tiro; ou atuando com rapidez e eficácia, no chamado tiro de defesa
ou condicionado.

Neste ciclo será apresentada a pistola cal.40 e as competências iniciais


para o seu emprego e habilitação.

II – OBJETIVO
 Dar conhecimento aos discentes sobre segurança com a pistola, histórico,
conceitos e aspectos técnicos em geral;
 Capacitar os discentes quanto ao manejo correto da pistola cal.40 e de seus
fundamentos;
 Executar disparos reais com os discentes habilitando-os a utilizarem a pistola
cal.40, respeitando os conceitos do uso diferenciado da força, dentro dos
princípios de direitos humanos.
III – UNIDADES DIDÁTICAS

UNIDADE DIDÁTICA I: (05 h/a)

Instrução Preparatória para o Tiro

 Capacitar o aluno a conhecer o histórico, características, dados numéricos,


as diversas munições. 40 S&W, seus componentes e noções de balística da
arma e da munição;
 Identificar e conhecer a nomenclatura de peças, partes principais e
funcionamento;
 Realizar a montagem e desmontagem de primeiro escalão e manutenção;
 Identificar acidente e incidentes de tiro e sanar panes;
 Conhecer as regras de segurança de tiro, manejo e emprego da pistola.

UNIDADE DIDÁTICA II: (13 h/a)

Tiro Policial Básico (TPB)

 Relembrar e aplicar as Regras de Segurança;


 Conhecer e aplicar os fundamentos do tiro (posições, empunhaduras,
visada, pressão na tecla do gatilho, respiração e decisão de tiro, parado e
em movimento;
 Aplicar as operações de sacar e coldrear, alimentar, municiar, carregar,
descarregar, recarregar, engatilhar, desengatilhar, desarmar, travar,
destravar e disparar a pistola;
 Executar disparos com a pistola .40 S&W parado em variadas distâncias,
alternando posições de tiro e empunhadura, em alvos atiráveis.
UNIDADE DIDÁTICA III: (15 h/a)

Tiro Policial Avançado (TPA)

 Relembrar e aplicar as Regras de Segurança;


 Executar disparos com a pistola .40 S&W em e após movimento em
variadas distâncias, alternando posições de tiro e empunhadura, em alvos
atiráveis, utilizando a proteção.

UNIDADE DIDÁTICA IV: (10 h/a)

Tiro Policial de Combate Básico (TPCB)

 Relembrar e aplicar as Regras de Segurança;


 Executar disparos com a pistola .40 S&W em pista policial simples, com
posições alternadas e pré-definidas em alvos atiráveis, utilizando a
proteção.

IV - ESTRATÉGIAS DE ENSINO

Aulas expositivas, aulas práticas, estudo de casos, utilização de meios


eletrônicos e audiovisuais, demonstrações e simulações.

V - AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Ficarão disponibilizadas, a critério de cada instrutor, as seguintes técnicas


de avaliação: provas teóricas e práticas.

- Avaliação que necessariamente deverá constar de:


01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.
02 TC (Trabalho Corrente) – Provas práticas abordando todo o conteúdo das
Unidades Didáticas, sendo 02h/a para o 1° TC (conteúdos UD I e II) e 05h/a para
o 2° TC (conteúdos UD III e IV) (Total: 07 h/a).
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.


Brasília: Centro de Documentação e Informação Coordenação de Publicações,
2008.
CAPEZ, Fernando. Comentários à Lei 9.437/97. São Paulo: Saraiva, 1997.
DAMÁSIO, Evangelista de Jesus. Comentários à Lei 9.437/97. São Paulo: Saraiva,
1997.
Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Manual para servir e proteger. Brasília.
GOMES, Luís O & OLIVEIRA, William T. Lei de armas. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1997.
Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Curso do Uso
Diferenciado da Força (EAD). Brasília, DF: 2008.
OLIVEIRA, Gomes e Flores. Tiro de Combate Policial – Uma abordagem Técnica, 3º
edição, São Cristóvão, 2000;
ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Princípios básicos para o uso da
Força e da Arma de Fogo, Cuba, 1990;
ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Código de Conduta ods
Encarregados pela Aplicação da Lei (CCEAL), Cuba, 1990;
RABELO, Heraldo. Balística Forense. (2 Vol.). 2ª Edição. 1982.
Anexo I – Ementa

Disciplina: USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO II

Dar conhecimento aos discentes sobre segurança com a


pistola, histórico, conceitos e aspectos técnicos em geral,
Capacitando-os ao manejo correto da pistola cal.40 e de seus
fundamentos, possibilitando a Execução de disparos reais e
Objetivo: habilitando-os a utilizarem a pistola cal.40, de forma a
respeitar os conceitos do uso diferenciado da força, dentro dos
princípios de direitos humanos.

A disciplina discorrera sobre os seguintes tópicos:

 Histórico, características, dados numéricos, as diversas


munições .40 S&W, seus componentes e noções de
balística da arma e da munição;
 Nomenclatura de peças, partes principais e
funcionamento;
 Montagem e desmontagem de primeiro escalão e
manutenção;
Ementa:  Acidente e incidentes de tiro e sanar panes;
 Regras de segurança de tiro, manejo e emprego da
pistola.
 fundamentos do tiro (posições, empunhaduras, visada,
pressão na tecla do gatilho, respiração e decisão de tiro,
parado e em movimento;
 Execução de disparos com a pistola .40 S&W parado em
variadas distâncias, alternando posições de tiro e
empunhadura, em alvos atiráveis e utilizando a
proteção;
Carga Horária: 50 H/A

Quantidade de 02
Docentes

Aulas expositivas, aulas práticas, estudo de casos, utilização


Metodologia: de meios eletrônicos e audiovisuais, demonstrações e
simulações.

 Bibliografia básica a ser utilizada pelos docentes que


ministrarão as aulas e que deram subsídio para a
Ementa
 BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República
Federativa do Brasil. Brasília: Centro de Documentação
e Informação Coordenação de Publicações, 2008.
 CAPEZ, Fernando. Comentários à Lei 9.437/97. São
Paulo: Saraiva, 1997.
 DAMÁSIO, Evangelista de Jesus. Comentários à Lei
9.437/97. São Paulo: Saraiva, 1997.

Bibliografia  Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Manual para

Básica: servir e proteger. Brasília.


 GOMES, Luís O & OLIVEIRA, William T. Lei de armas.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.
 Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Segurança
Pública. Curso do Uso Diferenciado da Força (EAD).
Brasília, DF: 2008.
 OLIVEIRA, Gomes e Flores. Tiro de Combate Policial –
Uma abordagem Técnica, 3 º edição, São Cristóvão,
2000;
 ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU,
Princípios básicos para o uso da Força e da Arma de
Fogo, Cuba, 1990;
 ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Código
de Conduta ods Encarregados pela Aplicação da Lei
(CCEAL), Cuba, 1990;
 RABELO, Heraldo. Balística Forense. (2 Vol.). 2ª Edição.
1982.

Área de
Articulação com
a Matriz Funções, técnicas e procedimentos em Segurança Pública.
Curricular
Nacional:

Modalidade: Presencial

- Avaliação que necessariamente deverá constar de:


 01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.
 02 TC (Trabalho Corrente) – Provas práticas abordando todo
Avaliação: o conteúdo das Unidades Didáticas, sendo:

 02h/a para o 1° TC (conteúdos UD I e II) e;


 05h/a para o 2° TC (conteúdos UD III e IV) (Total: 07
h/a).
PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ESPECÍFICO
Predominantemente serão realizadas aulas em linha de Tiro homologadas
pelo DLP/Centro de Material Bélico da BM, e, em salas de aula, visto as
especificidades e características necessárias de meios auxiliares de instrução.

DESCRIÇÃO MATERIAL / EQUIPAMENTOS QTD

Pistola calibre .40 30


Munição (por aluno) 500
Obréia (por aluno) 500
Alvo de papel em forma de silueta humana 600
Suporte para os alvos de papel 10
Óculos de proteção 32
Abafadores pára proteção auditiva 32
Coletes de proteção balística 15
Rocama 02
Grampos para Rocama (unidades) 1200
Kit de limpeza para armamento cal.38 06
Kit de primeiros socorros 01
Viatura com motorista para deslocamento em caso de emergência 01
Transporte para o efetivo até a linha de tiro 01
Notebook 01
Projetor 01
Tela para projeção 01
Cones para demarcação 10
Fita para isolamento de local (rolos de 50 metros cada) 05
Placas de madeira com apoio para barricadas 20
Tonéis de plástico 20
CADERNO TEMÁTICO

Capítulo 1 – Apresentação da Pistola TAURUS PT 940

 Sumário:

1.1 Apresentação da Pistola TAURUS PT 940: Apresentação, funcionamento


e manejo, desmontagem e montagem da Pistola TAURUS PT 940;

1.2 Apresentação da munições: Apresentação e características da munição


calibre .40;

UNIDADE DIDÁTICA I: (10h/a)


1.1 Apresentação Pistola TAURUS PT 940
A pistola Pt 940, é uma arma leve, de fácil manejo e de cômoda utilização.
Com carregador de 10 cartuchos. Possuindo trava de segurança, e desarmador do
cão. O ferrolho fica aberto no último tiro, permitindo ao atirador perceber o
término da munição. Ao colocar um novo carregador e acionando o retém do
ferrolho ou preparador, a arma estará em condições de prosseguir atirando.

É uma arma de fogo semi-automática de fabricação brasileira, produzida


pelas Forjas Taurus S.A, com sede no estado do Rio Grande do Sul – Porto Alegre.
Foi adotada inicialmente antes da fabricação da Pistola 24/7, por diversas
Policiais do Brasil, inícialmente pela Polícia de São Paulo, para porte pessoal e
operacional dos seus policiais civis.
Trata-se de pistola de ação dupla (no primeiro disparo) e ação simples (nos
disparos subseqüentes).

Denominação Localização dos principais componentes:


Funcionamento da Pistola TAURUS PT 940
Municiamento:

Trave a arma.
Colocar os cartuchos no carregador,
segurando-o com uma mão e com a outra
introduzir os cartuchos pressionando-os
para baixo, até no máximo 10 cartuchos
ou 12 cartuchos (carregador com
prolongador);

Alimentação

Colocar o carregador no seu alojamento na caixa de mecanismo, assegurando-


o que fique preso pelo retém.
Atenção: Carregadores mal colocados podem cair no momento de atirar.
Carregamento

 Apontar o cano para uma direção segura,


destravar puxar o ferrolho totalmente para
trás, até o final do curso, soltando-o
bruscamente. Esse procedimento colocará
um cartucho na câmara e a arma estará
pronta para atirar, bastando apenas liberar
a trava a trava de segurança.

 A pistola está agora municiada e engatilhada, pronta para disparar


através do acionamento do gatilho. Após o disparo, o ferrolho recuará
pela ação dos gases e ejetará o estojo vazio, alimentando um outro
cartucho na câmara. A pistola está novamente engatilhada e pronta
para atirar. Após o último disparo, o ferrolho permanecerá na
posição aberta mantido pelo retém do
ferrolho. Para retorná-lo à posição de
descanso (a frente), pressione o retém do
ferrolho para baixo.
 Caso você queira parar de atirar antes de
disparar o último cartucho do carregador,
desarme o cão imediatamente, pressionando
o desarmador do cão para baixo e, em
seguida, trave a pistola acionando o registro de segurança para cima.

Obs: Estas pistolas Taurus não possuem desconector do


carregador (mecanismo de segurança por carregador). Elas dispararão
mesmo com o carregador removido.
Troca de carregador

 Travar a arma;
 Retirar o carregador, pressionando o
retém, e introduzir o outro carregador;
 Apontar o cano para uma direção
segura, alimentar a arma puxando o
ferrolho totalmente para trás e soltando-
o bruscamente.
O ferrolho posicionará novamente um cartucho na câmara deixando a
arma em condições de prosseguir atirando.

Dispositivos de Segurança

Trava do percussor

A trava do percussor fica permanentemente


bloqueando o deslocamento do percussor para a frente,
impedindo disparos caso ocorra uma queda da arma. A
trava do percussor somente é liberada no estágio final
do acionamento do gatilho, permitindo então q
deslocamento do percussor.

Indicador de cartucho na câmara

Quando um cartucho está alojado na câmara, a


extremidade do alerta de segurança (indicador de
cartucho na câmara) fica saliente, revelando uma marca
vermelha. Este dispositivo lhe alertará sobre os
cuidados indispensáveis durante o manuseio de sua
arma.
Trava manual externa (registro de segurança)

Ao ser acionado para cima, o registro de segurança


trava ao mesmo tempo o cão, a armadilha e o ferrolho,
bloqueando totalmente o mecanismo de disparo.
Conserve sua pistola nessa condição, quando não em
uso.

Desarmador do cão

Este mecanismo permite desarmar o cão com toda


segurança, desengatilhando sua pistola. Para executá-lo,
pressione o desarmador do cão para baixo. A arma
continua pronta para atirar, porém em Ação Dupla.

Desmontagem e Montagem
Desmontagem Primária (1º Escalão)

Retirar o carregador;

1. Retire o carregador pressionando o botão do


retém do carregador. Certifique-se de que não há
munição na câmara.
2. Pressione o retém da alavanca de desmontagem e
mantendo-o pressionado, gire a alavanca de
desmontagem no sentido horário, até que pare.
3. Deslize o conjunto ferrolho-cano para frente até
soltá-lo da armação.
4. Comprima a guia da mola recuperadora
levantando o conjunto guia-mola e retirando-o cuidadosamente.
5. Comprimir o mergulhador do bloco de
trancamento
6. Retire o conjunto cano do ferrolho.
 Obs: Não se recomenda desmontagem além dos
níveis anteriores, a menos que feita por um armeiro
habilitado pelo CMB.

Montagem

A montagem é feita na ordem inversa da desmontagem, observando o seguinte


detalhe:

O impulsor da trava do percussor deve estar abaixado no momento da montagem


do conjunto ferrolho na armação

1.2 Apresentação das munições


Atualmente a Brigada Militar utiliza a munição Cooper Bullet calibre .40,
com projétil fabricado em cobre puro, com ponta oca, visando o efeito stopping
power que visa incapacitar um oponente com um só disparo, antes que o mesmo
continue sua ação. A obtenção do poder de parada é essencial no serviço policial,
onde se busca não matar, mas incapacitar o agressor, cessar o risco de vida que
oferece ao policial ou a terceiros.

Capítulo 2 – Aspectos Legais, Decisão de Tiro, Fundamentos do Tiro e Tiro


de Instrução Básica
 Sumário:

2.1 Aspectos Legais do Uso da arma de fogo: decisão de tiro

2.2 Fundamentos do Tiro: Empunhadura, Posição, Visada, Respiração e Ação


do Gatilho

2.3 Pista de Tiro: tiro com dupla empunhadura, nas posições de pé, joelhos e
deitado, com ênfase nos fundamentos do tiro, manejo, identificação e
solução de panes no armamento, precisão e grupamento;

UNIDADE DIDÁTICA II: (15h/a)


 Aspectos legais do Uso da Arma de Fogo, NI 17/2006, decisão de tiro
 Fundamentos do Tiro: Empunhadura, Posição, Visada, Respiração e Ação do
Gatilho
 Pista de tiro com dupla empunhadura, nas posições de pé, joelhos e deitado,
com ênfase nos fundamentos do tiro, manejo, identificação e solução de
panes no armamento, precisão e grupamento.

Capítulo 3 – Tiro de Instrução Avançado

 Sumário:

3.1 Proteção e fatiamento: utilização de proteção e fatiamento para realização


do tiro.

3.2 Pista de Tiro: tiro com dupla empunhadura, nas posições de pé, joelhos e
deitado, com utilização de proteção e fatiamento, pista em progressão no
terreno, identificação de alvos atiráveis e não atiráveis, operação de recarga;

UNIDADE DIDÁTICA III: (20h/a)


 Aspectos legais do uso da arma de fogo; NI 17/2006, Decisão de Tiro
 Utilização de proteção e fatiamento para realização do tiro
 Pista em progressão com identificação de alvos atiráveis e não atiráveis,
operação de recarga.

AVALIAÇÃO: (05 h/a)


Pista de tiro com aplicação dos conteúdos ministrados.
3- USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO III
PROMA

I – CONTEXTUALIZAÇÃO

O recurso ao uso da arma de fogo deve ser envidado como último meio a ser
usado pelo Policial-Militar. O emprego da arma deve estar alicerçado nos
princípios da legalidade, racionalidade e proporcionalidade. Para tanto, o
integrante da Corporação deve ter consciência de como e quando empregar uma
arma de fogo, empregando-a com eficiência e segurança.
Para ter eficiência no momento da utilização da arma de fogo, o policial
deve estar bem preparado. Torna-se imprescindível o treinamento de tiro policial
para o enfrentamento das situações adversas que se fazem presentes no
momento de um enfrentamento real.

Durante uma situação de perigo ou em tiroteio, fatores físicos e psicológicos


influenciam e dificultam a ação policial. Somente com treinamento o Policial-
Militar poderá enfrentar com sucesso estas situações: efetuando um tiro seletivo,
onde existem terceiros ou populares no local; observando a legalidade e a
segurança do tiro; ou atuando com rapidez e eficácia, no chamado tiro de defesa
ou condicionado.

Neste ciclo será finalizada a instrução da pistola cal.40 com a sua


conseqüente habilitação e emprego. Por fim, será apresentada a espingarda cal.
12 em todos os seus aspectos, avaliando-se a aptidão ou não com a arma para
que o discente seja considerado habilitado ao uso deste armamento.

II – OBJETIVO
 Relembrar aos discentes sobre segurança com a pistola;
 Desenvolver as competências finais para o emprego do discente quanto a
pistola cal.40, simulando situações do dia-a-dia policial;
 Dar conhecimento aos discentes sobre a espingarda cal. 12 quanto ao seu
histórico, principais partes, funcionamento e manejo;
 Executar disparos com a espingarda cal. 12, avaliando-se a aptidão ou não
com a arma para que o discente seja considerado habilitado ao uso deste
armamento.

III – UNIDADES DIDÁTICAS

UNIDADE DIDÁTICA I: (20 h/a)

Tiro Policial de Combate Avançado (TPCA)

 Capacitar o discente para avaliar as questões de decisão de tiro em pista


policial simulada com a pistola cal.40, com alvos atiráveis e não atiráveis,
em movimento ou não, em diversas posições, utilizando a proteção, em
situações diversas de luminosidade e tempo, embarcado ou não, e com
transição de armas.

UNIDADE DIDÁTICA II: (5 h/a)

Instrução Preparatória para o Tiro (IPT)

 Apresentar as regras de segurança no manuseio e emprego da


espingarda cal. 12;
 Conhecer o histórico da arma, as diversas munições Cal. 12, seus
componentes e noções de balística da arma e da munição;
 Conhecer características, dados numéricos e as partes principais;
 Identificar e dar a nomenclatura de peças;
 Conhecer o funcionamento e como se faz sua inspeção;
 Conhecer e Aplicar a desmontagem e montagem de primeiro escalão;
 Conhecer a manutenção da espingarda;
 Manejo sem tiro com a Espingarda e posterior execução do tiro, parado e
de pé.
UNIDADE DIDÁTICA III: (15 h/a)

Tiro Policial

 Relembrar e aplicar as Regras de Segurança no manuseio e emprego da


espingarda;
 Aplicar as operações de empunhar, alimentar, municiar, carregar,
descarregar, recarregar, travar, destravar e disparar a espingarda;
 Executar disparos com a espingarda cal. 12 desde a instrução básica até a
avançada em pistas simuladas.

IV - ESTRATÉGIAS DE ENSINO

Aulas expositivas, aulas práticas, estudo de casos, utilização de meios


eletrônicos e audiovisuais, demonstrações e simulações.

V - AVALIAÇÃO DA APRENDIZAGEM

Ficarão disponibilizadas, a critério de cada instrutor, as seguintes técnicas de


avaliação: provas teóricas e práticas.

- Avaliação que necessariamente deverá constar de:


01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.
02 TC (Trabalho Corrente) – Provas práticas abordando todo o conteúdo das
Unidades Didáticas, sendo 05h/a para o 1° TC (conteúdos UD I) e 05h/a para o
2° TC (conteúdos UD II e III) (Total: 10 h/a).
VI - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República Federativa do Brasil.


Brasília: Centro de Documentação e Informação Coordenação de Publicações,
2008.
CAPEZ, Fernando. Comentários à Lei 9.437/97. São Paulo: Saraiva, 1997.

DAMÁSIO, Evangelista de Jesus. Comentários à Lei 9.437/97. São Paulo:


Saraiva, 1997.

Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Manual para servir e proteger. Brasília.

GOMES, Luís O & OLIVEIRA, William T. Lei de armas. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1997.

Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Segurança Pública. Curso do Uso


Diferenciado da Força (EAD). Brasília, DF: 2008.

OLIVEIRA, Gomes e Flores. Tiro de Combate Policial – Uma abordagem Técnica, 3


º edição, São Cristóvão, 2000;

ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Princípios básicos para o uso da


Força e da Arma de Fogo, Cuba, 1990;

ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Código de Conduta dos


Encarregados pela Aplicação da Lei (CCEAL), Cuba, 1990;

RABELO, Heraldo. Balística Forense. (2 Vol.). 2ª Edição. 1982.


Anexo I – Ementa

Disciplina: USO DA FORÇA E ARMAS DE FOGO III

Relembrar aos discentes sobre segurança com a pistola,


desenvolvendo as competências finais para o emprego do
discente quanto a pistola cal.40, simulando situações do dia-
a-dia policia, além de dar conhecimento aos discentes sobre a
Objetivo: espingarda cal. 12 seu histórico, principais partes,
funcionamento e manejo, bem como executar disparos com a
espingarda cal. 12, avaliando-se a aptidão ou não com a arma
para que o discente seja considerado habilitado ao uso deste
armamento.

A disciplina discorrera sobre os seguintes tópicos:

 decisão de tiro em pista policial simulada com a pistola


cal. .40, com alvos atiráveis e não atiráveis, em
movimento ou não, em diversas posições, utilizando a
proteção, em situações diversas de luminosidade e
Ementa: tempo, embarcado ou não, e com transição de armas;
 regras de segurança no manuseio e emprego da
espingarda cal. 12;
 histórico da arma, as diversas munições Cal. 12, seus
componentes e noções de balística da arma e da
munição, características, dados numéricos e as partes
principais, desmontagem e montagem de primeiro
escalão; execução de disparos com a espingarda cal. 12
Carga Horária: 50 H/A
Quantidade de 02
Docentes

Aulas expositivas, aulas práticas, estudo de casos, utilização


Metodologia: de meios eletrônicos e audiovisuais, demonstrações e
simulações.

 Bibliografia básica a ser utilizada pelos docentes que


ministrarão as aulas e que deram subsídio para a
Ementa
 BRASIL, Constituição (1988). Constituição da República
Federativa do Brasil. Brasília: Centro de Documentação
e Informação Coordenação de Publicações, 2008.
 CAPEZ, Fernando. Comentários à Lei 9.437/97. São
Paulo: Saraiva, 1997.
 DAMÁSIO, Evangelista de Jesus. Comentários à Lei
9.437/97. São Paulo: Saraiva, 1997.
 Comitê Internacional da Cruz Vermelha. Manual para
Bibliografia servir e proteger. Brasília.
Básica:
 GOMES, Luís O & OLIVEIRA, William T. Lei de armas.
São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.
 Ministério da Justiça. Secretaria Nacional de Segurança
Pública. Curso do Uso Diferenciado da Força (EAD).
Brasília, DF: 2008.
 OLIVEIRA, Gomes e Flores. Tiro de Combate Policial –
Uma abordagem Técnica, 3 º edição, São Cristóvão,
2000;
 ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU,
Princípios básicos para o uso da Força e da Arma de
Fogo, Cuba, 1990;
 ORGANIZAÇÕES DAS NAÇÕES UNIDAS – ONU, Código
de Conduta ods Encarregados pela Aplicação da Lei
(CCEAL), Cuba, 1990;
 RABELO, Heraldo. Balística Forense. (2 Vol.). 2ª Edição.
1982.
Área de
Articulação com
a Matriz Funções, técnicas e procedimentos em Segurança Pública.
Curricular
Nacional:

Modalidade: Presencial

- Avaliação que necessariamente deverá constar de:


01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.
02 TC (Trabalho Corrente) – Provas práticas abordando todo
Avaliação: o conteúdo das Unidades Didáticas, sendo:
 05h/a para o 1° TC (conteúdos UD I) e,
 05h/a para o 2° TC (conteúdos UD II e III)
 (Total: 10 h/a)
PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ESPECÍFICO
Predominantemente serão realizadas aulas em linha de Tiro homologadas
pelo DLP/Centro de Material Bélico da BM, e, em salas de aula, visto as
especificidades e características necessárias de meios auxiliares de instrução.

DESCRIÇÃO MATERIAL / EQUIPAMENTOS QTD

Pistola calibre .40 30


Espingarda calibre 12 30
Munição (por aluno) cal. .40 200
Munição (por aluno) cal. 12 50
Obréia (por aluno) 200
Alvo de papel em forma de silueta humana 300
Suporte para os alvos de papel 10
Óculos de proteção 32
Abafadores pára proteção auditiva 32
Coletes de proteção balística 15
Rocama 02
Grampos para Rocama (unidades) 1200
Kit de limpeza para armamento cal.38 06
Kit de primeiros socorros 01
Viatura com motorista para deslocamento em caso de emergência 01
Transporte para o efetivo até a linha de tiro 01
Notebook 01
Projetor 01
Tela para projeção 01
Cones para demarcação 10
Fita para isolamento de local (rolos de 50 metros cada) 05
Placas de madeira com apoio para barricadas 20
Tonéis de plástico 20
Alvos metálicos para espingarda 12
UNIDADE DIDÁTICA II – ESPINGARDA CALIBRE 12

MÓDULO “I” (IPT)

CARGA HORÁRIA: 05 h/a

ESPINGARDAS PARA USO POLICIAL

Por João Alexandre Voss de Oliveira, Tenente-Coronel QOEM PMRS.

joaoalex@via-rs.net

O artigo aborda a história, a evolução, o uso militar e policial da espingarda como


arma de combate. Compreende, também, as armas em uso pela polícia militar
gaúcha, e a utilização tática desta arma na atividade policial.

Introdução

Se você perguntasse a um policial com qual arma ele se sentiria mais seguro em
serviço - dentre aquelas disponíveis no arsenal normal da polícia - quase
certamente a resposta apontaria para
a espingarda de combate. Por razões
diversas que vão desde o apelo
psicológico deste tipo de arma até
seu grande poder de incapacitação, a espingarda de combate é a arma longa que
mais se aproxima do conceito de ferramenta multiuso para a atividade policial.

Em especial a espingarda de combate de repetição manual e ação de bomba (as


conhecidas “pump-action”), cujo emprego militar e policial vem sendo feito ao
redor do mundo há bastante tempo, apresentam-se como armas policiais por
excelência. Nas atividades rotineiras, e mais recentemente nas operações
especiais (há uma década seria considerado heresia afirmar que este tipo de arma
deve constar obrigatoriamente do arsenal de grupos de armas e táticas especiais),
a espingarda vem sendo intensamente utilizada com resultados bastante
proveitosos.
As espingardas são armas longas, de cano não raiado (ou de canos mistos,
raiados e não raiados), que utilizam, em geral, munições carregadas com
múltiplos bagos (ou “balins”) esféricos de chumbo (ou outro material), e
dependendo da finalidade, podem empregar também projétil singular (balote).
Podem funcionar por tiro unitário, simples ou múltiplos, ou por repetição -
manual ou semi-automática. Atualmente, algumas espingardas, como as
italianas Benelli M3 em alguns de seus modelos, apresentam cano raiado, mas
por definição este tipo de arma apresenta o cano, em seu interior (alma),
desprovido de raiamento.

A espingarda, pelas características que veremos ao longo deste trabalho, está


entre as armas de fogo mais versáteis para a atividade policial, pois permite ao
executor da lei uma extensa gama de aplicações práticas - para fazer frente a
também extensa gama de situações encontradas na rotina do policiamento.

Este artigo pretende dar uma visão geral das características desta arma, para
depois abordar seu uso na atividade policial, bem como algumas técnicas de
utilização prática da espingarda de combate.

Noções e conceitos básicos sobre espingardas

As espingardas em geral possuem elementos em comum, presentes em todos os


tipos. Para uso policial, algumas características a mais são desejadas, mas
podemos dizer que o correto entendimento de como funciona uma espingarda
genérica basta para entender o funcionamento de uma espingarda de combate,
uma vez que estas surgiram como adaptações das primeiras. Neste ponto,
portanto, abordaremos as características e aplicações gerais da espingarda, como
esporte e caça; porém as informações aqui contidas também serão de grande
valia para o uso policial deste tipo de arma.

Conceito de espingarda

Espingardas são armas de fogo portáteis, de cano longo e sem raiamento (alma
lisa), com ampla gama de utilização na caça, no tiro ao vôo, na defesa, no
combate, etc. As “espingardas de combate” são adaptações feitas às espingardas
de caça para tornar possível sua utilização na atividade militar ou policial.

Calibres das espingardas

O calibre (diâmetro interno do cano) das armas à bala é usualmente expresso em


milímetros ou polegadas. Por exemplo, o calibre .45 na denominação americana
significa que o diâmetro do projétil é de 45 centésimos de polegada, o que
corresponde a 11,43 mm.

Nos calibres das espingardas de chumbo, entretanto, o sistema de expressão de


calibre foi estabelecido há muitos anos, e não foi baseado em qualquer sistema
convencional de medida. Tomou-se, como base, o número de esferas de chumbo
de diâmetro igual ao da boca do cano da arma, que perfazem o peso de uma libra
(453,6 g). Converteu-se uma libra de chumbo puro em 12 esferas de iguais peso e
diâmetro: se uma dessas esferas se encaixava perfeitamente num determinado
cano, o calibre deste era “12”. Estas esferas tinham 0,730 polegada de diâmetro,
ou seja, 18,5 mm. De igual peso de chumbo (1 libra), foram feitas 16 esferas e
chegou-se ao calibre 16, assim procedendo-se com os demais calibres, com
exceção do 36, pois, segundo esse critério, seria o calibre 67. O calibre 36
corresponde, na realidade, a 0,410 polegada, ou seja, 10,414 mm.

A medida do diâmetro da alma do cano pode variar em 0,40 mm (dependendo da


broca usada na perfuração do cano durante sua fabricação, se nova ou usada)
conforme ficou estabelecido na Convenção de Stutgart, em 1913:

Calibre Diâmetro em mm

10 19,3 - 19,7

12 18,2 - 18,6

16 16,8 - 17,2
20 15,6 - 16,0

24 14,7 - 15,1

28 14,0 - 14,4

32 12,75 - 13,15

36 (410) 10,414

Tipos de espingardas

Existem alguns tipos básicos de espingardas, a saber:

Tipo Número de canos Sistema de percussão/funcionamento


De tiro simples 1 Interno ou externo (cão exposto ou “mocha”). Cano
geralmente basculante. Um gatilho.
De culatra aferrolhada 1 Ação de ferrolho. Cano fixo, funcionam por ação
manual do atirador. Um gatilho apenas.
De mecanismo de corrediça 1 Percussão intrínseca, ação de bomba (“pump-
action”). Cano fixo, funcionam por ação manual do
atirador. Um gatilho.
Semi-automática 1 Percussão intrínseca. Funcionam por recuo ou por
ferrolho operado a gás. Um gatilho.
Canos duplos, paralelos 2 Percussão intrínseca ou extrínseca (cão exposto ou
(“side by side’) “mocha”). Canos geralmente basculantes. Um ou
dois gatilhos.
Canos duplos, sobrepostos 2 Percussão intrínseca ou extrínseca (cão exposto ou
(“under & over”) “mocha”). Canos geralmente basculantes. Um ou
dois gatilhos.
Mistas 2 ou mais Combinam canos de alma lisa e canos de ala raiada
para tiro com cartuchos à bala convencionais.
Percussão intrínseca ou extrínseca. Um ou mais
gatilhos.
Para uso militar e policial, a preferência recai sobre as de repetição manual por
ação de bomba e grande capacidade de tiros. Algumas aplicações são possíveis
também para as chamadas “slug guns”, espingardas projetadas apenas para o
tiro com balotes (“slugs”).

As espingardas do tipo misto podem ser vistas ainda hoje, mas são geralmente de
fabricação bastante antiga. Um exemplo são as “drillings” alemãs do início do
século XX, com um ou dois canos de espingarda e um cano de carabina (sob ou
sobre os canos de espingarda). Por definição não são espingardas, mas armas
compostas.

O tipo de espingarda mais usado atualmente na caça é a de dois canos


sobrepostos, monogatilho, extratores automáticos e seletor de cano, podendo,
ainda, ter um par de canos extras.

O cartucho de munição para a espingarda

Existe uma grande variedade de cartuchos de munição para as espingardas, e


talvez esta seja a grande vantagem deste tipo de arma.

A ilustração seguinte mostra os componentes de um cartucho padrão de


espingarda, utilizado na caça. Diferentes fabricantes lançam no mercado
internacional uma série de diferentes munições, específicas para a caça com
espingardas. Como estudamos anteriormente, as espingardas em geral disparam
cargas compostas, e não projéteis singulares, sendo projetadas para atingirem o
alvo pela dispersão dos balins que compõem esta carga, quando este alvo entra
na zona do cone de dispersão.
Tipos de munição para espingardas

No Brasil, a CBC (Companhia Brasileira de Cartuchos) é o único fabricante a


produzir cartuchos de munição também para espingardas. As dimensões dos
chumbos empregados na confecção destes cartuchos de munição podem ser
vistas na ilustração abaixo:

Diâmetros e proporções comparativas entre os diversos chumbos que compõe os


cartuchos de munição para espingardas da CBC
Munição nacional (CBC) no calibre 12: Magnum, SG e balote

Alcance útil das espingardas

Já vimos que nas espingardas o alcance útil é determinado pela dispersão dos
balins que compõe a carga do cartucho e pelas possibilidades práticas de sua
utilização. A dispersão, por sua vez, é determinada pelo tipo de “choke”
(estrangulamento) da boca do cano. Vimos também que este estreitamento da
alma do cano, junto à boca do mesmo, tem o objetivo de produzir melhor
agrupamento dos chumbos, visando a obtenção de maior alcance e precisão do
tiro.

Nas espingardas de uso policial, o “choke” deve ser, obrigatoriamente, cilíndrico


(sem estrangulamento), o que diminui o alcance útil da arma, mas permite a
utilização de projéteis singulares (balotes).

Nas fotografias a seguir, é possível observar a dispersão da munição CBC calibre


12 carregada com balins do tipo “SG”, munição letal padrão de uso policial.
Observe que a saturação dos balins diminui à medida que se torna maior a
distância entre o operador e o alvo.
Classificação das espingardas de combate

As espingardas de combate são classificadas em armas de 1ª, 2ª, 3ª e 4ª geração,


para facilitar sua distribuição dentro de determinados padrões pertinentes às
características, materiais, cuidados de fabricação e melhoramentos incorporados.

Espingardas de combate de 1ª geração - são modelos mais antigos, fabricados


com um ou dois canos (paralelos ou sobrepostos), com cães externos ou “mochas”
(percussão intrínseca ou extrínseca), ou aferrolhadas. São armas de pouca
capacidade de tiro, utilizadas muitas vezes com o cano serrado para permitir seu
manejo em locais confinados, como no interior de veículos.

BOITO (BRA)

Espingardas de combate de 2ª geração – são espingardas de ação de bomba


(“pump action”): seus cartuchos ficam alojados em um carregador tubular sob o
cano, e para serem colocados na câmara o atirador deve manejar a telha de arma
para trás e para frente. São exemplos desse tipo a Mossberg 590, a Winchester
Defender e a CBC 586-P.

CBC (BRA)

Espingardas de combate de 3ª geração – neste grupo enquadram-se todas as


espingadas semi-automáticas das mais diversas procedências, entre elas, a
Remington 1100 e a Browning A-5.

Benelli (ITA)

Espingardas de combate de 4ª geração – estas armas fazem uso dos dois


sistemas diferentes, disparando tanto em ação de bomba quanto de forma semi-
automática. As Franchi SPAS-12 e 15, e a Benelli Super 90 M-3 são classificadas
como espingardas deste grupo.
Franchi SPAS 15 (ITA)

Espingardas de Combate em uso na Brigada Militar gaúcha

Na Corporação, até o final dos anos 80, o padrão de espingarda de combate era a
espingarda “mocha” de dois canos serrados, geralmente a espingarda ROSSI
modelo “Bonanza”. Também era possível encontrar a espingarda “Hi Standard
Riot Gun”, arma de fabricação norte americana concebida para utilização de
cartuchos especiais e uso em ações de controle de distúrbios civis, mas que podia
perfeitamente utilizar os demais tipos de cartucho calibre 12. Ainda hoje é
possível encontrar algumas espingardas deste modelo em serviço, perfeitamente
funcionais.

A partir do início dos anos 90, entraram em serviço a espingarda CBC modelo
586 P (e 586.2), também em calibre 12, e, mais recentemente, a espingarda
BOITO modelo BSA-5T-84. Ambas funcionam pelo consagrado sistema de ação
por bomba. Estas armas apresentam as seguintes características comuns:

- calibre 12, com multiplicidade de cartuchos que podem ser utilizados (balins,
balotes de borracha ou de gás lacrimogêneo);

- grande capacidade de tiro (oito cartuchos);

- sistema de repetição extremamente confiável;

- cano que permite grande maneabilidade da arma;

- duplo sistema de segurança.

Espingarda de combate CBC Modelo 586 P

A espingarda de combate 586 P (e 586.2) funciona no sistema de ação por bomba


ou trombone (“pump action”), e é fabricada pela Companhia Brasileira de
Cartuchos, CBC.
Características
Nomenclatura ................................................ Esp Comb Cal 12 CBC Mod 586 P
Classificação
Quanto ao tipo.............................................. ..........................................de porte
Quanto ao emprego..................................... .........................................individual
Quanto ao funcionamento...................................de repetição, por ação de bomba
Quanto ao princípio de funcionamento.........................ação muscular do atirador
Quanto ao sistema de refrigeração...................................................................a ar
Alimentação
Capacidade de tiro .................................................................. 8 cartuchos (7 + 1)
Carregador ................................... .... ........................................... tubular, sob o
cano
Raiamento ................................... .............. ........................................................
inexistente
Massa de mira ................... ........ ................. massa esférica em todas as versões
Alça de mira................................. ........................................com regulagem (586
AP)
Dados numéricos
Calibre .......................................... . ...................................................................
12
Peso .......................................................................................................... 2, 7 kg
Comprimento total ..................................................................................... 1, 0 m
Comprimento do cano ................................................................................ 47 cm

Divisão Básica

a. cano;
b. telha;
c. depósito (carregador tubular);
d. receptáculo;
e. coronha;
f. mecanismo.
CBC Modelos 586-P (acima) e 586.2 – P/7 PG (abaixo)

Principais componentes da CBC 586

Acionador da trava da corrediça

Esta peça está localizada no lado esquerdo da arma, na região do guarda mato e
à frente do gatilho. Seu acionamento permite a abertura da arma, mesmo
engatilhada; caso esteja com um cartucho na câmara, este será expelido pela
janela de ejeção.

Principais comandos da 586, localizados na face esquerda do receptáculo da


arma
Tecla da

trava de

segurança

A trava de segurança deve bloquear a ação do gatilho, impedindo o acionamento


da barra de percussão, o que acionaria o percussor. Na CBC 586 P, a trava de
segurança localiza-se atrás do guarda mato. Empunhada a arma normalmente, o
dedo indicador da mão direita encontra facilmente a trava. Para a esquerda, a
arma está destravada. Estando saliente o botão da trava, a arma está travada. A
posição destravada possui indicativo, no botão, na cor vermelha.

Operações de manejo

a. Municiamento do carregador e alimentação da arma – colocar os cartuchos de


munição no interior do carregador (depósito), pela janela de alimentação
localizada na parte inferior do receptáculo.

b. Carregamento da arma – Acionar a telha para trás, abrindo a arma, e para


frente, colhendo um cartucho do depósito e introduzindo-o na câmara da arma.

c. Travar/Destravar a arma – Empunhando a arma para o tiro, acionar a tecla da


trava para a esquerda (destravar) ou para a direita (travar). A tecla de segurança
possui a cor vermelha para a posição de fogo (para a esquerda).

e. Atirar – Pressionar a tecla do gatilho.

f. Remuniciar/recarregar a arma – Repetir os passos “a” e “b”.

d. Descarregar e desmuniciar a arma – Travar a arma. Com a arma virada (face


inferior do receptáculo para cima), acionar o botão do liberador do ferrolho,
abrindo a arma. O cartucho que estava na câmara é extraído e ejetado. Retirá-lo.
Abaixar a mesa transportadora e acionar o localizador esquerdo longo, que irá
liberar a munição contida no carregador tubular.

Para carregar com um só cartucho de munição:

a. Trave a arma;
b. Recue a telha até abrir completamente o mecanismo. Caso a arma esteja
engatilhada, será necessário acionar a trava da corrediça;

c. Coloque um cartucho pela janela de ejeção, não sendo necessário colocá-lo


na câmara;

d. Empurre a telha para a frente, para introduzir o cartucho na câmara e feche o


mecanismo;

e. Para disparar a arma, será necessário destravá-la; a faixa vermelha no botão


de trava estará visível;

f. Pressione o gatilho e dispare a arma;

g. Recue a telha para ejetar o cartucho vazio.

Para carregar a câmara e alimentar o depósito (carregador) :

a. Repetir as operações de “a” a “d” do item anterior;

b. A arma estará carregada;

c. Para alimentar o carregador, posicione a arma de maneira a tornar fácil o


acesso à janela de alimentação; com a ponta do cartucho, empurre o
transportador e introduza a munição completamente para dentro do tubo,
assegurando-se de que a borda do cartucho tenha entrado além do localizador
direito, evitando seu retorno;

d. Introduza os cartuchos um a um até a capacidade do tubo de depósito;


Atenção: se o cartucho não for corretamente introduzido, ele poderá deslizar para
dentro do mecanismo, e por cima do transportador, bloqueando o funcionamento
da arma. Se isto ocorrer, o policial deve:

* Manter a arma apontada para direção segura;

* Não acionar o gatilho;

* Tentar abrir a arma; caso não seja possível, com o auxílio de chave de fenda ou
similar, através do rasgo existente no transportador, reintroduzir o cartucho no
carregador, tendo o cuidado de não pressionar a espoleta;

e. O carregador e a câmara estarão devidamente carregados;

f. Para disparar a arma é necessário destravá-la;

g. Após o primeiro disparo, basta acionar a telha e repetir o processo de disparo


até esgotar-se a capacidade do carregador;

h. O carregador só poderá ser municiado com o ferrolho fechado e trancado. O


remuniciamento independe do número de cartuchos remanescentes.

Para descarregar a arma:

a. Direcionar o cano para direção segura;

b. Travar a arma; o botão da trava não deve apresentar a cor vermelha;

c. Retire o cartucho da câmara (se houver), abrindo a arma pelo acionamento da


trava da corrediça e, em seguida, da telha; o primeiro cartucho do carregador
também sairá. Retire-o;

d. Com a telha totalmente recuada, pressione o transportador até que ele fique
retido na posição mais próxima da câmara;

e. Em seguida, pressione o botão do localizador esquerdo longo, e dois cartuchos


serão liberados do carregador. Repita a operação até que todos os cartuchos
tenham sido extraídos. Certifique-se que nenhum cartucho fique no carregador
ou na câmara da arma.

Funcionamento

Espingardas de ação por bomba são armas de grande resistência e confiabilidade,


cujo funcionamento ocorre pela ação muscular do policial sobre a telha da arma;
este acionamento carrega a câmara, utilizando os cartuchos armazenados no
carregador tubular, sob e paralelamente ao cano.

Deve ser observado que, ao pressionar-se o gatilho, este libera o cão, que golpeia
o percussor que, por sua vez, percute a espoleta do cartucho. Após o primeiro
disparo, não é mais necessário o acionamento da trava da corrediça (ou retém do
ferrolho), podendo-se mover a telha para trás, extraindo o estojo vazio da câmara
e o ejetando para fora da arma; em seguida, movendo-a para frente, recoloca-se
um cartucho intacto na câmara, e apronta-se a arma para novo disparo.

Manutenção

A espingarda de combate 586 P vem de fábrica embalada com o conjunto do cano


separado do receptáculo:
Montagem:

Observação - Não se deve acionar a corrediça repetidamente enquanto o cano não


estiver montado. Da mesma forma, não acionaremos o gatilho repetidamente “em
seco”, pois estes danificam componentes da arma.

1. Antes da montagem, deve-se verificar o cano em busca de possíveis obstruções;

2. Desparafusa-se o bujão do depósito, removendo-o;

3. Empurra-se, então, o acionador da trava da corrediça, recuando a telha até a


metade de seu curso;

4. Segura-se o cano paralelamente ao carregador;

5. Desliza-se a travessa no carregador, cuidando para que a extremidade traseira


do cano seja, ao mesmo tempo, introduzida no receptáculo;

6. Alinha-se o alojamento do ejetor, na traseira do cano, no receptáculo, e


empurra-se o cano até que este seja totalmente introduzido no receptáculo;

7. Coloca-se o bujão do depósito, apertando-o sem excesso.

Desmontagem:

1. Abra a arma, trave-a e certifique-se de que não há cartucho na câmara ou no


depósito;

2. Com a arma aberta, desparafuse e remova o bujão do depósito;

3. Retire o cano, puxando-o paralelamente ao tubo do carregador;

4. Vire a arma, colocando a janela de alimentação para cima. Com o dedo


indicador, abaixe ligeiramente o transportador e pressione o localizador direito.
Desvire a arma, colocando a janela de alimentação para baixo; com a outra mão,
afaste a telha do receptáculo, até que o conjunto do ferrolho seja naturalmente
extraído das hastes da corrediça. Remova a telha e a corrediça;

5. Para remontar a arma, coloque-a em posição normal, com a janela de


alimentação para baixo. Coloque o conjunto da telha e da corrediça sobre o
carregador; em seguida posicione o conjunto do ferrolho nos entalhes das hastes
da corrediça, mantendo o extrator voltado para a telha. Introduza as hastes
dentro do receptáculo, até que o mesmo seja retido pelo localizador direito.
Colocando a arma em posição vertical, pressione, com o indicador, o localizador
direito; o ferrolho entrará no receptáculo até ser retido pelo localizador esquerdo
longo. Pressione o botão do localizador esquerdo longo e o ferrolho será
totalmente introduzido no receptáculo. Com o ferrolho parcialmente recuado,
recoloque o cano da arma e o bujão, fechando-a em seguida.

Espingarda de combate BOITO Modelo BSA-5T-84

A Corporação também utiliza as espingardas BOITO modelo BSA-5T-84, armas


extremamente bem construídas e que se revelam excelente escolha para uso
policial. Seu mecanismo difere, com algumas vantagens e desvantagens, do
modelo anteriormente estudado, mas, na essência, seu funcionamento é o mesmo
- bem como sua aplicação prática.

Características
Nomenclatura .......................... .................... Esp Cal 12 BOITO Mod BSA-5T-84

Classificação
Quanto ao tipo......................... .... ...................................................................de
porte
Quanto ao emprego........................
............................................. .........................................................individual
Quanto ao funcionamento...................................de repetição, por ação de bomba
Quanto ao princípio de funcionamento.........................ação muscular do atirador
Quanto ao sistema de refrigeração...................................................................a ar
Alimentação
Capacidade de tiro .................................................................. 8 cartuchos (7 + 1)
Carregador ............................................... .... ............................... tubular, sob o
cano
Raiamento ................................................ .............. ...........................................
inexistente
Aparelho de pontaria .................................... massa esférica em todas as versões
Dados numéricos
Calibre ................................................... ............................................................
12
Peso ....................................................... ..................................................... 1, 9
kg
Comprimento total ..................................................................................... 1, 0 m
Comprimento do cano ................................ ................................................... 47
cm

Outros dados

A Espingarda BOITO BSA-5T-84 possui algumas características vantajosas


para emprego na atividade policial: o receptáculo da arma, aos moldes de outras
espingardas de combate importadas, é construído em duralumínio, o que
possibilita uma redução significativa no peso total da arma; possui capacidade de
oito cartuchos (7+1), e trava de segurança na parte superior do receptáculo,
facilitando a operação de travar e destravar a arma, especialmente sob condições
de stress elevado. O cano da arma possui excelente polimento interno, o que
colabora para que esta seja uma arma de grande precisão e qualidade.

Divisão Básica

a. cano;

b. telha;

c. depósito (carregador tubular);

d. receptáculo;

e. coronha;

f. mecanismo.
Principais componentes da BOITO BSA-5T-84

trava de

segurança

liberador
do
ferrolho
Operações de manejo

a. Municiamento do carregador e alimentação da arma – colocar os cartuchos de


munição no interior do carregador (depósito), pela janela de alimentação
localizada na parte inferior do receptáculo.

b. Carregamento da arma – Acionar a telha para trás, abrindo a arma, e para


frente, colhendo um cartucho do depósito e introduzindo-o na câmara da arma.

c. Travar/Destravar a arma – Empunhando a arma para o tiro, acionar a tecla da


trava para cima (destravar) ou para a baixo (travar). A tecla de segurança possui
a cor vermelha para a posição de fogo (para cima).

e. Atirar – Pressionar a tecla do gatilho.

f. Remuniciar/recarregar a arma – Repetir os passos “a” e “b”.

d. Descarregar e desmuniciar a arma – Travar a arma. Com a arma virada (face


inferior do receptáculo para cima), acionar o liberador do ferrolho, abrindo a
arma. O cartucho que estava na câmara é extraído e ejetado. Retirá-lo. Acionar a
telha, o que abaixará a mesa transportadora e acionará o retém da munição no
carregador, liberando a munição contida no carregador tubular.
Para carregar com um só cartucho:

a. Travar a arma;

b. Recuar a telha, até abrir completamente a janela de ejeção; caso a arma esteja
engatilhada, é necessário pressionar previamente o liberador do ferrolho;

c. Colocar o cartucho pela janela de ejeção, não sendo necessário colocá-lo na


câmara;

d. Empurre a telha para a frente, para


introduzir o cartucho na câmara e feche o
mecanismo;

e. Para disparar a arma, será necessário destravá-la; acionar o botão da trava


para frente, de maneira que o ponto vermelho fique visível

f. Pressione o gatilho e dispare a arma;

g. Recue a telha para extrair e ejetar o cartucho vazio.

Para carregar a câmara e alimentar o depósito


(carregador) :

a. Repetir as operações de “a” a “d” do item anterior;

b. A arma estará carregada;

c. Para alimentar o carregador, posicione a arma de maneira a tornar fácil o


acesso à janela de alimentação; com a ponta do cartucho, empurre o
transportador e introduza a munição completamente para dentro do tubo,
assegurando-se de que a borda do cartucho tenha entrado além do braço
limitador dos cartuchos, evitando seu retorno;

d. Introduza os cartuchos um a um até a capacidade do tubo de depósito;


Para disparar a arma em seqüência:

a. destrave a arma, pressione o gatilho e dispare;

b. recue a telha, para extrair e ejetar o estojo vazio;

c. acione a telha à frente, introduzindo novo cartucho;

d. dispare, e repita a operação até se esgotar a capacidade do carregador.

Para descarregar e desmuniciar a arma sem efetuar disparos:

Para desmuniciar a arma basta travá-la e pressionar o braço limitador dos


cartuchos, junto ao tubo do depósito e retirar os cartuchos um a um, o que
apresenta a vantagem de não deformar os estojos. Após isto pode ser retirado o
cartucho da câmara movimentando-se a telha à retaguarda.

a. aponte a arma para uma direção segura, horizontal, e certifique-se que esteja
travada;

b. mantenha pressionado o braço limitador dos cartuchos;

c. retire, um a um, os cartuchos intactos. Certifique-se de que nenhum cartucho


tenha ficado na câmara ou na arma.

Funcionamento

Espingardas de ação por bomba são armas de grande resistência e confiabilidade,


cujo funcionamento ocorre pela ação muscular do policial sobre a telha da arma;
este acionamento carrega a câmara, utilizando os cartuchos armazenados no
carregador tubular, sob e paralelamente ao cano.

Deve ser observado que, ao pressionar-se o gatilho, este libera o cão, que golpeia
o percussor que, por sua vez, percute a espoleta do cartucho. Após o primeiro
disparo, não é mais necessário o acionamento do liberador do ferrolho, podendo-
se mover a telha para trás, extraindo o estojo vazio da câmara e o ejetando para
fora da arma; em seguida, movendo-a para frente, recoloca-se um cartucho
intacto na câmara, e apronta-se a arma para novo disparo.

Montagem:

A espingarda em questão vem de fábrica embalada com o conjunto do cano


separado do bloco. Para montar, remover o parafuso que está fixado na
extremidade do depósito e, após introduzir o cano no bloco, recolocar o parafuso,
apertando-o firmemente com a mão, de maneira a unir o cano com o depósito.

1. Antes da montagem, deve-se verificar o cano em busca de possíveis obstruções;

2. Desparafusa-se o parafuso do depósito, removendo-o;

3. Empurra-se, então, o liberador do ferrolho, recuando a telha até a metade de


seu curso;

4. Segura-se o cano paralelamente ao carregador;

5. Desliza-se a travessa no carregador, cuidando para que a extremidade traseira


do cano seja, ao mesmo tempo, introduzida no receptáculo;

6. Alinha-se o alojamento do ejetor, na traseira do cano, no receptáculo, e


empurra-se o cano até que este seja totalmente introduzido no receptáculo;

7. Coloca-se o parafuso do depósito, apertando-o sem excesso.

Desmontagem:

1. Abra a arma, trave-a e certifique-se de que não há cartucho na câmara ou no


depósito;

2. Com a arma aberta, desparafuse e remova o parafuso do depósito;

3. Retire o cano, puxando-o paralelamente ao depósito;

4. Retire o conjunto do ferrolho e remova a telha e a corrediça;

5. Para remontar a arma, coloque-a em


posição normal, com a janela de alimentação
para baixo. Coloque o conjunto da telha e da
corrediça sobre o carregador; em seguida
posicione o conjunto do ferrolho nos entalhes
das hastes da corrediça, mantendo o extrator
voltado para a telha. Introduza as hastes
dentro do receptáculo. Colocando a arma em
posição vertical, o ferrolho entrará no
receptáculo. Pressione o botão do liberador do
ferrolho, e este será totalmente introduzido no
receptáculo. Com o ferrolho parcialmente
recuado, recoloque o cano da arma e o
parafuso do depósito, fechando-a em seguida.

Uso tático das espingardas de combate

A espingarda de combate desempenha um grande papel na atividade policial.


Dotada de um grande poder de intimidação (nenhum oponente ira sentir-se à
vontade sob a mira de uma “pump” calibre 12), e operada corretamente pode
fazer a diferença entre a vida e a morte do operador, ou mesmo de terceiros.

Da mesma forma, um disparo acidental deste tipo de arma, por suas


características, terá conseqüências, na maioria das vezes, bastante graves.

Como toda a arma de fogo, seu uso deve ser feito somente por policiais treinados,
em condições de operar a arma de maneira segura e eficiente.

Posições para o tiro com espingarda

O tiro com a espingarda de combate será, na maior parte das vezes, executado
nas posições “de pé”, e “de joelhos”. Para o tiro, a coronha da arma deve estar
sempre bem encostada no ombro do policial, que terá seu corpo levemente
inclinado para frente, a fim de melhor administrar o recuo da arma.

Uso da Bandoleira
O uso da arma com a bandoleira tática deve ser feito com o cano desta voltado
para baixo, observando que a arma nunca deverá ser conduzida no mesmo lado
da arma curta: ela deve estar colocada com a bandoleira no ombro do braço da
mão fraca. Esta é a melhor posição para se conduzir a espingarda quando não se
está em situação de combate iminente, pois a mão fraca estará sempre em
contato com a telha da arma e, em caso de necessidade, esta mão irá segurar a
arma na telha. Em seguida, o braço da mão fraca levará a arma à frente, e com
um pequeno giro, a mão forte empunhará a coronha da arma - e estará feita a
empunhadura. Daí a importância no treinamento com o uso da bandoleira tática
nas espingardas de repetição utilizadas pela Corporação.

Seqüência para a tomada da “posição de segurança” com o uso da bandoleira


tática

Posições de segurança com a espingarda de combate

Existem duas maneiras de portar a espingarda de combate em segurança. Na


primeira, a arma é cruzada com o cano na altura da orelha do operador,
baixando-se a arma somente em caso de tiro ou na aproximação de alguma fonte
de risco. Estando nesta posição de segurança, sempre que o policial precisar
empurrar ou afastar alguém, este deverá fazê-lo com a mão fraca. As
desvantagens desta posição são a redução da visão periférica do policial (o cano
estará de um dos lados do seu rosto) e a possibilidade de a arma ser arrancada
das mãos do operador caso este tenha que entrar em luta corporal.
Primeira posição de segurança: cano para cima

Se esta for a posição adotada pelo policial, quando necessitar afastar alguém ou
gesticular com um dos braço, deverá usar a mão fraca, ficando a mão forte
sempre em contato com a coronha da arma, próxima do gatilho.

A segunda posição recomendada para o uso da espingarda em serviço, é com o


cano da arma voltado para baixo, a coronha já encostada no ombro.

Segunda posição de segurança: cano para baixo


Seguramente esta é a melhor posição, pois o policial tem plena visão do que esta
acontecendo a sua frente. Se outra pessoa tentar tomar a arma, vai pegá-la
certamente pelo cano (caso em que o policial poderá disparar nas pernas do
agressor ou abaixar-se, forçando o cano para cima, podendo então efetuar o
disparo contra o oponente).

Detalhes da posição de segurança com o cano voltado para baixo

As vantagens desta segunda posição são a facilidade de o policial deslocar e, se


preciso, entrar em recinto fechado para averiguações. O cano da arma, nestas
situações, deve estar voltado para baixo e bem próximo ao corpo, para que os
dois - policial e arma - entrem ao mesmo tempo. Caso o policial tenha certeza
absoluta que um oponente armado se encontre neste local, entrará com arma
com o cano na altura dos olhos, em condições de tiro.

Na posição de segurança com o cano voltado para baixo, caso o policial necessite
afastar alguém, ou mesmo gesticular com um dos braços, deverá usar a mão
fraca, ficando a mão forte sempre em contato com a coronha (próxima do gatilho).

Utilização da espingarda em serviço

No policiamento ordinário, os policias devem ser treinados a utilizar a espingarda


de combate sempre sem cartucho na câmara. Além da segurança que esta técnica
oferece, nas abordagens, além do impacto visual causado pela espingarda, o
simples fato de se colocar uma munição na câmara através do acionamento da
telha para trás e para frente poderá intimidar qualquer tipo de reação por parte
dos abordados.

Em situações de iminente confronto, deve ser colocado um cartucho de munição


na câmara, e a arma deve ser travada, o dedo indicador da mão forte sobre a
trava e o cano voltado para baixo, facilitando o deslocamento e a visão periférica.

No transporte em viatura, em não havendo suporte de fixação próprio para a


espingarda, o patrulheiro da viatura deve levar a espingarda sempre no banco da
frente, ao seu lado, entre ele e o motorista - com a coronha encostando no
assoalho do veículo.

Sempre que descer da viatura a espingarda deve ser levada junto (a não ser em
casos que tenha que prestar socorros de urgência como em emergências de
trânsito, por exemplo), utilizando a bandoleira para carregar a arma conforme já
foi visto.

Quando um policial leva consigo uma espingarda, não deve esquecer que as
principais limitações dessa arma são o curto alcance de seus disparos e a pouca
penetração de seus projéteis. Mesmo municiada com balotes, é bom lembrar que
esses projéteis, devido ao seu grande tamanho e peso e ao fato de serem
disparados em um cano de alma lisa (sem raias), não possuem alcance com
precisão muito além de 50 metros.

Para o serviço policial, a espingarda estará no melhor de sua capacidade quando


carregada com chumbo grosso, do tipo “OO Buck” com 9 balins (o “SG” nacional).

Mesmo com chumbo grosso, do tipo “O Buck” ou “OO Buck”, o alcance ideal de
uma espingarda não passa de 35 metros, pois o chumbo grosso se dispersa
rapidamente.

É bom ter em conta que o alcance efetivo da espingarda está diretamente


relacionado com a quantidade de balins que o seu disparo coloca no alvo. A carga
deve atingir o oponente o mais embolada possível para produzir o efeito
traumático desejado. Cada balim individualmente não pode ser visto como
equivalente a um projétil de pistola ou submetralhadora, devido a seu pobre
formato balístico e à falta de força e consistência, o que limita sua eficácia.
Balotes por sua vez podem apresentar, à curta distância, grande penetração.

Em barreiras policiais a espingarda também desempenha papel decisivo na


segurança das guarnições de serviço. Em área urbana, o tiro com a espingarda
diminui o risco de uma bala perdida. Também é uma arma excelente para alvos
humanos em movimento, pois é mais fácil, com esta arma, atingir o oponente
durante o confronto armado.

Interrupções no funcionamento

Como no emprego de qualquer arma de fogo, eventualmente o operador poderá


deparar-se com uma falha na alimentação dos cartuchos ou mesmo uma “nega”
da munição no momento do disparo (ou qualquer outro incidente que impeça a
arma de disparar). Nestes casos, o policial irá adotar os seguintes procedimentos:

a. caso não esteja utilizando a proteção balística (colete), com a mão fraca (a que
estiver segurando a telha) cruzará a arma no peito, sacando a arma de coldre com
a mão forte, e desta forma a espingarda estará protegendo, mesmo que
precariamente, o tórax do policial;

b. quando estiver utilizando colete, a mão forte atira a coronha por baixo da axila
do braço da mão fraca e a mão forte saca a arma de coldre;

c. caso o oponente esteja a certa distância, o policial colocará a espingarda à


tiracolo nas suas costas e sacará normalmente a arma curta, que poderá ser
empunhada com as duas mãos melhorando o aproveitamento dos disparos.

Recarga

Em combate, a espingarda deve ser remuniciada e recarregada com o policial


abrigado, utilizando sempre a mão fraca para colocar os cartuchos no depósito.

A munição suplementar deverá ser acondicionada em cartucheira junto ao cinto


de guarnição, no colete à prova de balas, em cartucheira lateral acoplada no
receptáculo da arma e, em último caso, levada no bolso do fardamento.
Lembretes úteis no uso da espingarda de combate

- A visada deve ser feita sempre com os dois olhos abertos;

- O policial deve levar a arma de encontro à face (bochecha) e, depois, coloca-la


no ombro, sempre do mesmo modo e no mesmo local;

- A visada é feita “pegando” toda a parte superior da espingarda;

- O policial não deve olhar por cima da arma para ver se está visando
corretamente. Lembrar que os olhos estão funcionando como alça de mira:
quando a arma é pressionada contra a bochecha, deve permanecer ali.
5- INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO
PROMA

I - CONTEXTUALIZAÇÃO

A relevância do estudo da disciplina está no inter-relacionamento e na


preparação para as demais matérias afetas ao Direito que seguirão em ciclos
posteriores, uma vez que objetiva familiarizar o aluno com os temas jurídicos e
seus conceitos e definições básicas.

A cadeira visa a auxiliar nas atividades de controle social a serem


exercidas pelos integrantes das forças de segurança pública, no sentido de
fornecer elementos para a tomada de decisões durante a atuação policial,
garantindo que a mesma esteja dentro dos parâmetros de legalidade e dentro de
um vocabulário técnico adequado.

A disciplina almeja, ainda, introduzir conteúdos elementares sobre Direito


Civil, já que este está presente nas relações cotidianas. Dentro desse assunto,
serão abordados conceitos básicos do Direito Civil, tais como capacidade e
domicílio civil, ato e fato jurídico, além das relações envolvendo bens, direito de
família e obrigações.

II - OBJETIVOS

 Situar o aluno sobre aspectos legais que envolvam o seu trabalho junto à
sociedade. Isso no que diz respeito ao atendimento de ocorrências policiais
e, conseqüentemente, na solução de conflitos sociais.
 Apresentar os conhecimentos básicos do Direito, com a finalidade de
oferecer subsídios para a resolução de ocorrências policiais e de questões
administrativas;
 Conhecer, interpretar e discutir os aspectos mais relevantes da Ciência do
Direito.
III – UNIDADES DIDÁTICAS

UNIDADE DIDÁTICA I: (13h/a)


Aspectos Gerais do Direito

 Conceitos e Fundamentos do Direito. Direito Subjetivo e Direito Objetivo.


Direito Natural e Direito Positivo. Direito Público e Direito Privado.
 Direito e Justiça. Direito e Moral. Direito e Ética.
 Norma Jurídica. Sanção. Classificação. Destinatários.

UNIDADE DIDÁTICA II: (05h/a)


Noções de Direito Civil

 Capacidade Civil e Domicílio Civil.


 Noções sobre bens e relações patrimoniais (bens móveis, imóveis, públicos e
particulares).
 Noções de Direito das Obrigações. Modalidades e efeitos.

IV - ESTRATÉGIAS DE ENSINO

 As bases teóricas serão ministradas através de técnicas e processos de


ensino, para que o aluno busque o conhecimento da disciplina de forma
individual e coletiva.
 As instruções serão ministradas através de aulas expositivas, contendo
matéria teórica e resolução de situações práticas destinadas à futura área
de atuação dos alunos.
 Serão destinados também momentos da aula para debates em grupo acerca
do tema abordado.

V - AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM

A avaliação será feita através de dois instrumentos.

 TE (Tarefa de Estudo) – a ser realizado de forma escrita, através de


pesquisa extraclasse.
 TC (Trabalho Corrente) – prova escrita abordando todo o conteúdo da
disciplina (2h/a).

VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro. Editora Saraiva.

FIUZA, César. Direito Civil. Curso Completo. Editora Del Rey.

________. Código Civil Brasileiro e Legislação Complementar.

GOMES, Orlando. Curso de Direito Civil. Editora Forense

GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao Estudo do Direito. Editora Forense


Jurídica.

NADER, Paulo. Introdução Ao Estudo do Direito. Editora Forense

REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. Editora Saraiva.

RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Parte Geral. Editora Saraiva.


Anexo I – Ementa

Disciplina: INTRODUÇÃO AO ESTUDO DO DIREITO

 Situar o aluno sobre aspectos legais que envolvam o seu


trabalho junto à sociedade. Isso no que diz respeito ao
atendimento de ocorrências policiais e,
conseqüentemente, na solução de conflitos sociais.
 Apresentar os conhecimentos básicos do Direito, com a
Objetivos:
finalidade de oferecer subsídios para a resolução de
ocorrências policiais e de questões administrativas;
 Conhecer, interpretar e discutir os aspectos mais
relevantes da Ciência do Direito.
A disciplina discorrera sobre os seguintes tópicos:

 Conceitos e Fundamentos do Direito. Direito Subjetivo e


Direito Objetivo. Direito Natural e Direito Positivo. Direito
Público e Direito Privado.
 Direito e Justiça. Direito e Moral. Direito e Ética.
 Norma Jurídica. Sanção. Classificação. Destinatários.
 Capacidade Civil e Domicílio Civil.
Ementa:  Noções de ato e fato jurídico.
 Noções sobre bens e relações patrimoniais (bens móveis,
imóveis, públicos e particulares).
 Noções sobre Direito de Família (casamento, regime de
bens, dissolução da sociedade conjugal, filhos, tutela, curatela
e alimentos).
 Noções de Direito das Obrigações. Modalidades efeitos.
Carga Horária: 20 H/A

Quantidade de 01
Docentes

Os métodos de ensino empregados serão:

Metodologia:  Exposição e Explicação;


 Discussões e debates;
Bibliografia básica a ser utilizada pelos docentes que
ministrarão as aulas e que deram subsídio para a Ementa

 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro.


Editora Saraiva.
 Código Civil Brasileiro e Legislação Complementar.
 FIUZA, César. Direito Civil. Curso Completo. Editora
Del Rey.
 GOMES, Orlando. Curso de Direito Civil. Editora
Bibliografia Forense
Básica:  GUSMÃO, Paulo Dourado de. Introdução ao Estudo do
Direito. Editora Forense Jurídica.
 NADER, Paulo. Introdução Ao Estudo do Direito.
Editora Forense
 REALE, Miguel. Lições Preliminares de Direito. Editora
Saraiva.
 RODRIGUES, Silvio. Direito Civil. Parte Geral. Editora
Saraiva.
Área de
Articulação com
a Matriz Cultura e Conhecimentos Jurídicos
Curricular
Nacional:

Modalidade: Presencial

A avaliação será feita através de dois instrumentos.


Avaliação:
 TE (Tarefa de Estudo) – a ser realizado de forma escrita,
através de pesquisa extra-classe.
 TC (Trabalho Corrente) – prova escrita abordando todo o
conteúdo da disciplina (2h/a).
PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ESPECÍFICO
As aulas serão realizadas nas Escolas de Formação do Departamento de
Ensino, onde possuem uma estrutura voltada para o ensino-aprendizagem, além
de biblioteca específica.

DESCRIÇÃO MATERIAL QTD

Sala de aula climatizada e equipada para 35 alunos 01


Notebook 01
Projetor 01
Tela para projeção 01
PLANO DE ESCRITA DO MANUAL DE INTRODUÇÃO AO ESTUDO
DO DIREITO

Prefácio

Apresentação

Capítulo 1 - Aspectos Gerais do Direito


 Conceitos e Fundamentos do Direito. Direito Subjetivo e Direito Objetivo.
Direito Natural e Direito Positivo. Direito Público e Direito Privado.
 Direito e Justiça. Direito e Moral. Direito e Ética.
 Norma Jurídica. Sanção. Classificação. Destinatários.

Capítulo 2 - Noções de Direito Civil


 Capacidade Civil e Domicílio Civil.
 Noções de ato e fato jurídico.
 Noções sobre bens e relações patrimoniais (bens móveis, imóveis,
públicos e particulares).
 Noções sobre Direito de Família (casamento, regime de bens, dissolução
da sociedade conjugal, filhos, tutela, curatela e alimentos).
 Noções de Direito das Obrigações. Modalidades e efeitos.
CADERNO TEMÁTICO

Apresentação

A relevância do estudo da disciplina está no inter-relacionamento e na


preparação para as demais matérias afetas ao Direito que seguirão em ciclos
posteriores, uma vez que objetiva familiarizar o aluno com temas jurídicos e seus
conceitos e definições básicas.

A cadeira visa a auxiliar nas atividades de controle social a serem exercidas


pelos integrantes das forças de segurança pública, no sentido de fornecer
elementos par a tomada de decisões durante a atuação policial, garantindo que a
mesma esteja dentro dos parâmetros de legalidade e dentro de um vocabulário
técnico adequado.

A disciplina almeja, ainda, introduzir conteúdos elementares sobre Direito


Civil, já que este está presente nas relações cotidianas. Dentro desse assunto,
serão abordados conceitos básicos do Direito Civil, tais como capacidade e
domicílio civil, ato e fato jurídico, além das relações envolvendo bens, direito de
família e obrigações.

Capítulo 1 – Aspectos Gerais do Direito

Sumário: 1.1 Introdução – 1.2 Conceitos e Fundamentos do Direito –


1.3 Direito e Justiça – 1.4 Direito e Moral – 1.5 Direito e Ética – 1.6 Norma
Jurídica – 1.7 Sanção.

1.1 Introdução

A disciplina Introdução ao Estudo do Direito é daquelas de iniciação que


fornece ao estudante as noções fundamentais para a compreensão dos fenômenos
jurídicos.
A disciplina Introdução ao Estudo do Direito não é a Ciência do Direito ou
sinônimo do próprio Direito, é um sistema de ideias gerais estruturadas para
atender as finalidades pedagógicas do Curso de Direito e dar compreensão às
demais disciplinas.
Como disciplina jurídica, deve ser entendida como disciplina autônoma, pois
desempenha função exclusiva que não se confunde com qualquer outra
disciplina, uma vez que, possui regras gerais que a todo direito é pertinente "o
que possui de específico é a sistematização dos conhecimentos gerais”, como bem
ensina PAULO NADER.
A disciplina Introdução ao Estudo do Direito, busca fornecer ao estudante
uma visão global do Direito, que não pode ser obtida através do estudo isolado
dos diferentes ramos da árvore jurídica, uma vez que analisa aqui os conceitos
gerais do Direito: fato jurídico, relação jurídica, a idéia de justiça, segurança
jurídica, por serem aplicáveis a todos os ramos do direito, pois todos os pontos
indicados fazem parte do objeto de estudo da Introdução. Todavia os conceitos
específicos como o que é crime, processo, desapropriação, aviso prévio e outros
temas próprios de disciplinas específicas, não são estudados, pois conforme já
dito, são especificidades ou particularidades próprias de determinado(s) ramo(s)
do Direito.
Ao examinar o objeto de estudo, conceitos específicos relativos às demais
disciplinas do Direito, tem-se que a disciplina Introdução ao Estudo do Direito
leva os alunos a se familiarizarem com a linguagem jurídica. Sendo assim,
importante destacar que também há o objetivo de explicar e conceituar os
princípios basilares de um todo, bem como expressar uma teoria da ciência
jurídica, enfim possui conteúdo Tríplice, abarcando: a) os conceitos gerais do
Direito; b) A visão de conjunto do Direito; c) os lineamentos da técnica jurídica.
Diante disso, temos que a disciplina é destinada a fornecer ao iniciante na
Ciência Jurídica as noções e princípios jurídicos fundamentais, indispensáveis ao
raciocínio jurídico, bem como noções outras necessárias à compreensão do direito
na totalidade de seus aspectos. Fornece uma visão de conjunto do Direito como
ciência e como sistema de normas.
1.2 Conceitos e Fundamentos do Direito

1.2.1 Direito

Divergem juristas, filósofos e sociólogos quanto ao modo de conceituar o


direito. As diversas causas são a existência de várias escolas, cada qual com
teoria própria sobre a origem do direito e o papel que ele representa no meio
social.

Pertence a questão ao âmbito da filosofia jurídica, desta constituindo um


dos problemas fundamentais.

A plurivalência semântica do vocábulo direito comporta numerosas


manifestações conceituais. Quando o indivíduo sustenta as suas faculdades e
repele a agressão aos seus poderes, diz que afirma ou defende o seu direito;
quando o juiz dirime a controvérsia invocando a norma ditada pelo poder público,
diz que aplica o direito; quando o professor se refere ao organismo jurídico
nacional, denomina-o o direito de seu país; quando alguém alude aos princípios
que compõem uma província institucional menciona o direito civil, ou o direito
penal, ou o direito administrativo; quando o homem de pensamento analisa uma
fase de crise da ordem jurídica e critica os mandamentos legislados em nome do
ideal de justiça, fala que eles se afastam do direito.

Em razão talvez desta generalização do vocábulo, ou porque falte à mente


capacidade maior de abstração para formular um conceito abrangente de todo o
fenômeno jurídico nas suas causas remotas, na sua expressão pura, na
coercibilidade da norma e na sujeição, tanto do indivíduo, quanto do Estado, ao
seu imperativo, é difícil encontrar uma fórmula sucinta que dê a noção do direito,
independentemente de qualquer restrição. As manifestações jurídicas ordinárias
(Del Vecchio) são facilmente perceptíveis. Qualquer indivíduo as identifica, mas a
determinação da idéia abstrata do direito como conceito cultural, sua
extremação, com os conceitos afins, a fixação dos elementos essenciais, não
encontram uma formulação imediata.
O fenômeno jurídico é perceptível, e mais patentemente ainda a idéia de
direito em contraposição à sua negação: diante da ofensa, da contrariedade ou da
distorção, aparece viva a idéia de direito. Não seria, porém, de todo razoável que o
jurista se julgasse habilitado a conceituar o direito apenas em face da idéia
contrária, como se dissesse que a idéia de ser fosse tão-somente a antinomia do
não ser.

Existe uma realidade jurídica, que o Prof. Haesaert acentua ser


reconhecível entre os fenômenos do comportamento humano, realidade tão
perceptível que é quase visível, palpável e mensurável. Mas a formulação do
direito como conceito na ordem do conhecimento tem sido deduzida com
imperfeição pelos maiores espíritos, ninguém conseguindo oferecer uma definição
satisfatória. Demasiadamente influenciados pelo espírito de escola, os positivistas
o confundem com a lei. Mas pecam pelo excesso, podendo-se objetar-lhes o que
Cícero há dois milênios já vislumbrava, quando tachava de mais que estulto
admitir que o furto ou assassínio se tornassem justos em razão de o legislador,
num gesto tresloucado, o permitir como norma de comportamento. Mais felizes
não foram os historicistas, os normativistas, os finalistas, os sociólogos do direito,
eivando as suas concepções dos prejuízos decorrentes da visão unilateral em que
se colocaram.

Diante de todas as tentativas dos grandes pensadores, Kant, ou Von Hering,


Regelsberger ou Levy-Ullman, Kelsen ou Del Vecchio, Savigny ou Radbruch,
impotentes para darem noção que se consagrasse por uma receptividade pacífica,
limitemo-nos a dizer que o direito é o princípio de adequação do homem à vida
social. Está na lei, como exteriorização do comando do estado; integra-se na
consciência do indivíduo que pauta sua conduta pelo espiritualismo do seu
elevado grau de moralidade; está no anseio de justiça, como ideal eterno do
homem; está imanente na necessidade de contenção para a coexistência.
Princípio de inspiração divina para uns, princípio de submissão à regra moral
para outros, princípio que o poder público reveste de sanção e possibilita a
convivência grupal, para outros ainda. sem ele, não seria possível estabelecer o
comportamento na sociedade; sem esta, não haveria nem a necessidade nem a
possibilidade do jurídico, já que para a vivência individual ninguém teria o poder
de exigir uma limitação da atividade alheia, nem teria a necessidade de suportar
uma restrição à própria conduta. Na afirmativa de um princípio, aceitamos o dado
técnico que não é incompatível com aspiração do dever ser; com a adequação à
vida social situamos a realidade jurídica dentro do único meio em que pode viger,
já que ubi societas, ibi ius, o que permite a dedução contrária, nisi societas, nec
ius, somente no meio social haverá direito. Dizendo que o direito é o princípio de
adequação à vida social, não nos anima a pretensão de formular uma definição,
tarefa em que tantos falharam, mas tão-somente sintetizar uma noção comum
que envolve a concepção do jurídico, sem idéia sectarista de escola ou corrente.

1.2.2 Conceitos

O conjunto das normas gerais e positivas, que regulam a vida social.


(RADBRUCH);

Sistema de normas imperativo-atributivas, que regulam a vida social do


homem, orientando-a para a justiça (GILVANDRO COELHO).

Indispensável é, portanto, determinada ordem. Pressupõe estas certas


restrições ou limitações à atividade de cada um de nós, a fim de que possamos
realizar nosso destino. O fim do direito é precisamente determinar regras que
permitam aos homens a vida em sociedade. A ordem jurídica não é outra coisa
senão o estabelecimento dessas restrições, a determinação desses limites, a cuja
observância todos os indivíduos se acham indistintamente submetidos, para que
se torne possível a coexistência social. O direito domina e absorve a vida da
humanidade.

a. DIREITO OBJETIVO E DIREITO SUBJETIVO

A palavra direito encerra duas significações diversas traduzidas pelas


expressões direito objetivo e direito subjetivo.

1) DIREITO OBJETIVO - É a regra de direito, a regra imposta ao proceder


humano, a norma de comportamento a que o indivíduo deve se submeter, o
preceito que, deve inspirar sua atuação. O direito objetivo designa o direito
enquanto regra (jus est norma agendi).

2) DIREITO SUBJETIVO - É o poder, são, as prerrogativas de que uma pessoa é


titular, no sentido de obter certo efeito jurídico, em virtude da regra de direito. A
expressão designa apenas uma faculdade reconhecida à pessoa pela lei, e que lhe
permite realizar determinados atos. É a faculdade que, para o particular, deriva
da norma. ( jus est facultas agendi).

b. DIREITO POSITIVO E DIREITO NATURAL - O direito pode ser concebido sob


uma forma abstrata, um ideal de perfeição. Os homens estão perenamente
insatisfeitos com a situação em que se encontram e sua aspiração é melhorá-la
cada vez mais.

O direito positivo é o ordenamento jurídico em vigor num determinado país


e numa determinada época.

O direito natural é o ordenamento ideal, corresponde a uma justiça


superior e suprema.

Há, no entanto, quem considere tal idéia contrária ao progresso da ciência.


Para as escolas Histórica e Positiva, só o direito positivo merece atenção dos
estudiosos.

Não podemos, todavia, deixar de reconhecer a existência de uma lei


anterior e superior ao direito positivo. Leis existem, realmente, que, apesar de não
escritas, são indeléveis, jamais se apagarão. Cada um de nós as traz gravadas no
próprio coração.

Sobre elas descansa a vida das comunidades. Elas ordenam o respeito a


Deus, o respeito à liberdade e aos bens, a defesa da pátria, e constituem as bases
permanentes e sólidas de toda legislação.

O direito natural representa assim "a duplicata ideal do direito positivo".


Simboliza a perfeita justiça (justo por lei e justo por natureza).

c. DIREITO PÚBLICO E DIREITO PRIVADO


Direito público é a parte do Direito Positivo que regula o exercício do poder
político do Estado, os interesses e necessidades coletivos para conservar e fazer
progredir a sociedade.

Direito Privado é a parte do Direito Positivo que regula os interesses dos


indivíduos entre si, para permitir a realização da pessoa humana na sociedade.

1) DIVISÃO DO DIREITO PÚBLICO:

Direito Constitucional — Ramo do Direito, Público Interno que disciplina a


estrutura básica do Estado e garante os direitos fundamentais do indivíduo;

Direito Administrativo — Ramo do Direito Público Interno que regula a


organização e o funcionamento da administração pública;

Direito Penal — Ramo do Direito Público Interno que regula os fatos


considerados como ilícitos penais, tendo em vista a defesa da sociedade;

Direito Financeiro e Tributário — Ramo do Direito Público Interno que


disciplina a atividade financeira do Estado e disciplina as receitas públicas de
caráter compulsório;

Direito Eleitoral — Ramo do Direito Público Interno que disciplina os


partidos políticos, as eleições e a organização da justiça eleitoral;

Direito Processual — Ramo do Direito Público Interno que regula a


prestação jurisdicional pelo Estado, através do processo;

Direito Internacional Público — Ramo do Direito Público Externo que


disciplina os direitos e deveres internacionais do Estado e dos organismos inter-
estatais.

2) DIVISÃO DO DIREITO PRIVADO:

Direito Civil - Ramo do Direito privado que disciplina as pessoas, os


fNegócios Jurídicos, a família, as obrigações e contratos, a propriedade e demais
direitos reais, bem como a sucessão "mortis causa";
Direito Comercial - Ramo do Direito privado que regula as relações dos
comerciantes entre si e destes com as pessoas que com eles negociam;

Direito do Trabalho - Ramo do Direito privado que disciplina a prestação


remunerada do trabalho, com subordinação;

Direito Industrial, Direito Marítimo, Direito Aeroespacial e Direito


Aeronáutico.

1.3 Direito e Justiça

Não se pode confundir Direito e Justiça, já que o primeiro deve ser o veículo
para a realização do segundo. A justiça é a virtude suprema, que harmoniza as
demais. É a igualdade de tratamento jurídico, bem como a proporcionalidade da
pena ao delito, da indenização ao dano, do preço à coisa vendida, ou da prestação
à contraprestação.

Enquanto o Direito é norma executável coercitivamente, a justiça é


finalidade a ser alcançada. Assim, a justiça não é coercível, enquanto o Direito o
é. A justiça é a meta a ser atingida pelo Direito, representado, então “meio” e
“finalidade”.

O direito e a justiça são categorias que, ao longo da história, têm-se colocado ora
em lados antagônicos, ora ao mesmo lado. Dá-se o antagonismo quando os ideais
de justiça não encontram respaldo na ordem posta. Ocorre a parceria no
momento em que a justiça respalda uma ordem positiva ou quando esta ordem a
persegue como um fim.
O antagonismo e a parceria revelam uma simbiose entre os dois conceitos,
sendo que distingui-los é um dos desafios da filosofia do direito. Inclusive tanto o
direito como a justiça possuem uma origem etimológica comum. A expressão é o
ius. E a origem comum, do ponto de vista etimológico, revela pontos de
intersecção no surgimento das duas categorias. É o que atesta Tércio Sampaio
Ferraz Júnior.
Os romanos, entretanto, perceberam que nem todo direito posto é justo. Tal
constatação tem acompanhado a humanidade em seu percurso histórico.
Com relação ao direito, há um certo consenso. Tem-se este como o conjunto de
regras que regulam a convivência social, positivada pelo Estado. Diz-se positivada
para separar o direito dos demais tipos normativos, como a moda, a etiqueta, a
religião, a moral, a economia etc. A relação entre o direto positivo e a justiça está
no vínculo fim-meio.

1.4 Direito e Moral

Direito e a Moral são dois parâmetros, duas determinantes de condutas


socialmente corretas, cada um com suas características e formas de imposição
diferentes, mas que estão sempre juntos, de alguma forma.

Mas a idéia de que tudo que é direito é moral nem sempre é verdadeira. O
Direito pode tutelar o que é amoral (o que não é moral nem imoral), como a
legislação de trânsito, cuja alteração não afetaria a moralidade, e até mesmo o
que é imoral (o que vai contra a moral), como por exemplo a divisão do lucro em
valores idênticos entre os sócios, por mais diligente que seja um e ocioso o outro.
Por maior que seja o desejo e o esforço para que o direito tutele só aquilo que é
"lícito moral", sempre haverá resíduos imorais no Direito.

A teoria do "mínimo ético" consiste em dizer que o Direito representa o


mínimo de moral imposto para que a sociedade possa sobreviver. Como nem
todas as pessoas levam em consideração a moralidade de um ato ao praticá-lo, ou
seja, sempre existe um violador da moral, surge então a figura do direito, como
instrumento de imposição das normas de forma mais rigorosa.

Há regras que são seguidas naturalmente, ou seja, moralmente.


Entretanto, há aquelas que só são cumpridas porque existe uma coação.

É possível dizer que a moral é o mundo da conduta espontânea, a adesão


do indivíduo ao que é determinado pela regra. Não existe moral forçada. Devolver
o objeto perdido ao dono sob pressão de outrem não é um ato de verdadeira
moralidade, pois não houve uma vontade espontânea da parte de quem o
encontrou.
Em relação ao Direito, pode-se dizer que suas regras só são seguidas, na
maioria das vezes, porque por trás delas existe uma pena pelo seu não
cumprimento, ou seja, só são cumpridas porque são cogentes. Esta é a principal
distinção entre o direito e a moral: a sua coercibilidade. É possível ou não
obedecer a uma norma de direito bem como à uma norma moral, mas o não
cumprimento da segunda resultará em uma condenação moral, conseqüência
abstrata, e não uma consequência objetiva, concreta. Isto significa que a moral é
incoercível e o direito é coercível, tendo a pessoa a faculdade de obedecê-los
segundo as conseqüências que sofrerá. Daí dizer que o direito e a moral são
diferentes, mas de alguma forma estão juntos.

1.5 Direito e Ética

É extremamente importante saber diferenciar a Ética da Moral e do Direito.


Estas três áreas de conhecimento se distinguem, embora tenham grandes
vínculos e até mesmo sobreposições.
Tanto a Moral como o Direito baseiam-se em regras que visam estabelecer
certa previsibilidade para as ações humanas. Ambas, porém, se diferenciam.
A Moral estabelece regras que são assumidas pela pessoa, como uma forma
de garantir o seu bem-viver. A Moral independe das fronteiras geográficas e
garante uma identidade entre pessoas que sequer se conhecem, mas utilizam este
mesmo referencial moral comum.
O Direito busca estabelecer o regramento de uma sociedade delimitada
pelas fronteiras do Estado. Alguns autores afirmam que o Direito é um sub-
conjunto da Moral. Esta perspectiva pode gerar a conclusão de que toda a lei é
moralmente aceitável. Inúmeras situações demonstram a existência de conflitos
entre a Moral e o Direito. A desobediência civil ocorre quando argumentos morais
impedem que uma pessoa acate uma determinada lei. Este é um exemplo de que
a Moral e o Direito, apesar de referirem-se a uma mesma sociedade, podem ter
perspectivas discordantes.

A Ética é o estudo geral do que é bom ou mau. Um dos objetivos da Ética é


a busca de justificativas para as regras propostas pela Moral e pelo Direito. Ela é
diferente de ambos - Moral e Direito - pois não estabelece regras. Esta reflexão
sobre a ação humana é que a caracteriza.
As leis devem seguir preceitos éticos, culminando na escolha de diretrizes
que terão caráter obrigatório para a coletividade com um todo. Nesse sentido,
observamos a imperatividade das normas jurídicas. As regras legais representam
não só um juízo de valor em relação aos comportamentos humanos, mas um
complexo processo de opções valorativas.

Toda norma enuncia a maneira como algo deve ser. Isso se dá em razão de,
previamente, ter sido reconhecido um valor como decisivo de um comportamento
a ser declarado obrigatório. Dessa forma, toda regra encerra em si um juízo de
valor realizado anteriormente e selecionado pelo legislador.

1.6 Norma Jurídica

Sobre a estrutura das normas, temos que toda norma ética expressa um
juízo de valor, que se liga a uma sanção, com a finalidade de assegurar que o fim
visado será alcançado.

Assim, uma conduta pode ser declarada permitida, determinada, ou


proibida.

É importante salientar que as normas enunciam algo que DEVE SER, e não
algo que TENHA DE SER.

Isso quer dizer que as regras são passíveis de não serem cumpridas: toda
norma é formulada dentro do pressuposto essencial da liberdade que possui o
destinatário de obedecer ou não aos ditames da mesma.

Uma norma ética caracteriza-se pela possibilidade da sua violação.

Assim, verifica-se que a norma tem por objeto decisões e atos humanos,
que podem representar o adimplemento ou a transgressão da regra. É a
alternativa de uma conduta positiva ou negativa, inerente à natureza humana.

Relevante lembrar que a norma, ainda que descumprida, continua válida.

No momento da sua transgressão, é fixada uma responsabilização ao


violador.
Como conclusão observamos que a imperatividade de uma norma ética
(dever ser) não exclui a liberdade de cumprimento/descumprimento dos seus
destinatários.

A norma ética estabelece uma direção a ser seguida e também a medida da


conduta considerada lícita ou ilícita.

Cabe ainda referir que a palavra norma lembra aquilo que é normal; é a
previsão de um comportamento que deve ser normalmente esperado de seus
membros, de acordo com os valores dominantes em determinada sociedade.

As normas são estruturadas em razão de comportamentos normalmente


previsíveis, ou seja, destinam-se ao denominado “homem médio”, que é aquele
destinatário razoável de um preceito de caráter genérico.

Finalmente, temos que cada regra nos indica até que ponto podemos ir; é
uma delimitação do agir. Assim, representa a medida daquilo que podemos ou
não podemos praticar; daquilo que se deve ou não se deve fazer.

1.7 Sanção

Sanção, do latim sancire, significa consagrar, santificar. Sanções são


medidas estabelecidas pelo direito, como consequência da desobediência a um
imperativo legal. Assim, pode ser tido como a consequência, favorável ou
desfavorável, proveniente do cumprimento ou do descumprimento de uma norma.

1.7.1 Classificação

As sanções classificam-se em penais, civis e administrativas, sendo sempre


observada a independência dessas esferas.

O Direito Penal volta-se para preservar interesse da sociedade, sendo a


sanção penal a punição ao infrator, uma mera resposta do ordenamento jurídico
(ou da sociedade) à prática de um ato ilícito. A sanção tem como objetivo a
reeducação, a ressocialização da pessoa ao mundo e o seu castigo.

Quanto à sanção civil, temos que, por se tratar de violação de regras de


direito privado, traz como consequência a obrigação de reparar o dano, já que o
objetivo é o interesse particular, que tem natureza compensatória, abrangendo
relações contratuais ou extracontratuais, licitas ou ilícitas.

Assim, a responsabilidade civil tem basicamente duas funções: garantir o


direito do lesado a segurança e servir como sanção civil de natureza
compensatória, mediante a reparação do dano causado a vítima, punindo o
lesante e desestimulando a pratica de atos lesivos.

Por fim, o Direito disciplinar visa à manutenção da ordem no serviço


público. Consiste no conjunto de normas jurídicas que policiam as relações de
subordinação hierárquica no serviço público. Em sentido amplo, situa-se no
campo do Direito Administrativo. Não se confundem, entretanto, as sanções
administrativas (lato sensu) e as sanções disciplinares. A sanção administrativa é
a consequência jurídica da prática de uma ação contrariamente ao preceito de
uma norma jurídico-administrativa. Não importa que o agente não seja
funcionário público. Como exemplo tem-se a multa cominada no Código Nacional
de Trânsito. A sanção disciplinar, por seu turno, é a consequência jurídica da
prática de uma ação contrariamente ao preceito de uma norma jurídico-
administrativa, desde que o agente esteja vinculado a uma relação de
subordinação hierárquica. Exemplo: advertência do superior ao inferior
hierárquico.

1.7.2 Destinatários

A norma, criada pelo órgão legislativo, não é direcionada ao indivíduo como


pessoa, mas as suas condutas em geral. Assim, não existem leis para seres
inanimados, plantas, animais irracionais ou qualquer outra coisa que não seja a
conduta humana. A norma é dirigida à conduta de um indivíduo, uma conduta
humana. Assim sendo, não é o ser humano como tal, na totalidade de sua
existência, mas sim uma certa conduta humana, à qual a norma se refere.

A norma não estabelece um fim desejado, ou seja, o dever ser da norma


nada se refere ao fim de uma conduta, quem determina um fim desejado é o
próprio ser humano, responsável pela sua conduta.
Cada vez que uma norma é elaborada, ela pressupõe duas pessoas e assim,
verifica-se novamente o sentido do dever ser. O órgão legislativo, o instituidor de
normas, ordena na primeira parte da norma o que ele deseja do outro e aquele
indivíduo a que algo foi imposto, deve algo.

Sendo assim, em princípio, são destinatárias da norma jurídica todas as


pessoas submetidas à ordem jurídica a que pertencer a norma que se quer
aplicar.

Capítulo 2 – Noções de Direito Civil

Sumário: 2.1 Introdução - 2.2 Capacidade Civil das Pessoas Naturais – 2.3
Domicílio Civil – 2.4 Noções sobre bens e relações patrimoniais – 2.5 Noções
de Direito das Obrigações. Modalidades e efeitos – 2.6 Obrigações de dar –
2.7 Outras modalidades de obrigações.

2.1 Introdução

O Direito Civil é o ramo do Direito Privado que disciplina as pessoas, os


Negócios Jurídicos, a família, as obrigações e contratos, a propriedade e demais
direitos reais, bem como a sucessão "mortis causa".

Embora o direito civil se tenha como um dos ramos do direito privado, a


rigor é bem mais do que isto. Enfeixa os princípios de aplicação corrente, de
aplicação generalizada e não restritiva à matéria cível.

É no direito civil que se aprende a técnica jurídica mais característica de


um dado sistema. É consultando o direito civil que um jurista estrangeiro toma
conhecimento da estrutura fundamental do ordenamento jurídico de um país, e é
dentro nele que o jurista nacional encontra aquelas regras de repercussão
obrigatória a outras províncias do seu direito. Nele se situam princípios que a
rigor não lhe são peculiares nem exclusivos, mas constituem normas gerais que
se projetam a todo o arcabouço jurídico: o direito civil enuncia as regras de
hermenêutica, os princípios relativos à prova dos negócios jurídicos, a noção dos
defeitos dos Negócios Jurídicos, a organização sistemática da prescrição etc.,
institutos comuns a todos os ramos do direito, tão bem manipulados pelo civilista
quanto pelo publicista.

2.2 Capacidade Civil das Pessoas Naturais

O Direito regula e ordena a sociedade. A sociedade é composta de pessoas,


são essas pessoas que a constituem. Os animais e as coisas podem ser objetos de
Direito, mas nunca serão sujeitos de Direito, atributo exclusivo da pessoa.

A personalidade jurídica é projeção da personalidade intima, psíquica de


cada um, com conseqüências jurídicas , é a própria capacidade jurídica como a
possibilidade de figurar nos pólos da relação jurídica.

Todo ser humano é pessoa na acepção jurídica. A capacidade jurídica,


aquela delineada no artigo 2º, e no artigo 1º do Código Civil, todos possuem, é a
chamada capacidade de direito.

No entanto, nem todos os homens são detentores da capacidade de fato.


Essa capacidade de fato ou de exercício é a aptidão para pessoalmente o
indivíduo adquirir direitos e contrair obrigações. Sob esse aspecto entram em
conta diversos fatores referentes à idade e ao estado de saúde da pessoa.

A capacidade é elemento desse conceito; ela confere o limite da


personalidade. Se a capacidade é plena, o indivíduo conjuga tanto a capacidade
de direito como a capacidade de fato; se é limitada, o indivíduo tem capacidade de
direito, como todo ser humano, mas sua capacidade de exercício está mitigada;
nesse caso, a lei lhe restringe alguns ou todos os atos da vida civil. Quem não é
plenamente capaz necessita de outra pessoa, isto é, de outra vontade que
substitua ou complete sua própria vontade no campo jurídico.

Segundo o artigo 1º do Código Civil Brasileiro, “Toda a pessoa é capaz de


direitos e deveres na ordem civil”. Segundo Maria Helena Diniz - “a pessoal
natural é o ser humano considerado como sujeito de direitos e obrigações.”
Neste sentido é conveniente destacar que o conceito de pessoa abrange todo
o ser humano, sem qualquer distinção de sexo, idade, raça e credo, em respeito
ao consagrado no artigo 5º da Constituição Federal.

Neste sentido, à capacidade da pessoa em adquirir direitos e contrair


obrigações na vida civil damos o nome de capacidade de gozo ou de direito.

A capacidade de direito é inerente à pessoa e a ela não pode ser recusada,


porque pode destituí-la dos atributos da personalidade. Desde seu nascimento
até sua morte, todo ser humano dispõe de capacidade de direito. Tal é o preceito
do art. 2o do atual Código Civil: "todo homem é capaz de direitos e obrigações na
ordem civil".

A capacidade de fato está contida na capacidade de direito, já que não se


pode exercer um direito sem tê-lo, sendo, portanto, impossível conceber a
primeira sem a segunda.

No entanto, não se pode afirmar o contrário. Assim, fica claro que as


limitações ao exercício da capacidade de fato estão ligadas ao estado da pessoa,
sejam de ordem física ou jurídica. Tais limitações levam à incapacidade, podendo
este termo ser melhor entendido quando se adquirir um direito mas não se pode
exercê-lo.”

2.2.1 Início e Fim da Pessoa Natural

Afirmar que o homem tem personalidade é o mesmo que dizer que ele tem
capacidade para ser titular de direitos. Tal personalidade se adquire com o
nascimento com vida, conforme determina o artigo 2º do Código Civil.
Em nosso Código, contudo, predominou a teoria do nascimento com vida para ter
inicio a personalidade, verificamos o nascimento com vida por meio da
respiração, se comprovarmos que a criança respirou, então houve nascimento
com vida, nesse campo, o Direito vale-se dos ensinamentos da Medicina.

Para a lei brasileira, hoje, basta que haja o nascimento com vida. Mas,
prossegue o artigo 2º do Código Civil, a lei põe a salvo desde a concepção os
direito do nascituro.
Nascituro é o ser já concebido, mas que ainda se encontra no ventre
materno, a lei lhe concede personalidade, a qual só lhe será conferida se nascer
com vida. Mas, como nascerá com vida, o ordenamento jurídico desde logo
preserva seus interesses futuros, tomando medidas para salvaguardar os direitos
que, com muita probabilidade, em breve serão seus.

A personalidade, que o indivíduo adquire ao nascer com vida, termina com


a morte ( artigo 6º Código Civil ) . No instante em que expira, cessa sua aptidão
para ser titular de direitos, e seus bens se transmitem a seus herdeiros.

2.2.2 Limitações à Capacidade

Em que pese o fato de que todo o indivíduo é provido da capacidade de


direito, há de ser observado que referida capacidade pode sofrer limitações,
dependendo de alguns fatores, como tais a idade do agente e/ou sua capacidade
mental, como tal a capacidade de discernimento, conceito este, no nosso
entendimento, mais abrangente.

a. Os absolutamente Incapazes

Neste aspecto cumpre analisar o contido no artigo 3º do Código Civil


Brasileiro:

Art. 3º São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos da vida


civil:
I – os menores de 16 (dezesseis) anos;

II – os que, por enfermidade ou deficiência mental, não tiverem o necessário


discernimento para a prática desses atos;

III – os que, mesmo por causa transitória, não puderem exprimir sua vontade.

b. A Incapacidade relativa
O artigo 4º do Novo Código Civil Brasileiro enumera os relativamente
incapazes.

Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos, ou à maneira de os exercer:

I – os maiores de 16 (dezesseis) e menores de 18 (dezoito) anos;

II – os ébrios habituais, os viciados em tóxicos, e os que, por deficiência mental,


tenham o discernimento reduzido;

III – os excepcionais, sem desenvolvimento mental completo;

IV – os pródigos.

Parágrafo único. A capacidade dos índios será regulada por legislação especial.

Como vimos, essa forma de incapacidade mitigada atinge determinadas


pessoas que podem praticar por si atos da vida civil, desde que assistidas por
outrem legalmente autorizado.

2.3 Domicílio Civil

2.3.1 Conceito

"É a sede jurídica da pessoa onde ela se presume presente para efeitos de
direito e onde exerce ou pratica, habitualmente, seus atos e negócios jurídicos"
(Washington de Barros Monteiro). Para Orlando Gomes, "domicílio é o lugar onde
a pessoa estabelece a sede principal de seus negócios (constitutio rerum et
fortunarum), o ponto central das ocupações habituais". Em nosso Código Civil
encontramos a indicação de qual seria, como regra geral, o domicílio da pessoa
natural (note-se que o Código não fornece um conceito de domicílio):

Art. 70. O domicílio da pessoa natural é o lugar onde ela estabelece a sua
residência com ânimo definitivo.
Cumpre ressaltar que domicílio e residência podem ou não coincidir. A
residência representa o lugar no qual alguém habita com intenção de ali
permanecer, mesmo que dele se ausente por algum tempo. A chamada moradia
ou habitação nada mais é do que o local onde o indivíduo permanece
acidentalmente, por determinado lapso de tempo, sem o intuito de ficar (p. ex.,
quando alguém aluga uma casa para passar as férias).

No conceito de domicílio estão presentes dois elementos: um subjetivo e


outro objetivo. O elemento objetivo é a caracterização externa do domicílio, isto é,
a residência. O elemento subjetivo é aquele de ordem interna, representado pelo
ânimo de ali permanecer. Logo, domicílio compreende a idéia de residência
somada com a vontade de se estabelecer permanentemente num local
determinado.

2.3.2 Importância do domicílio

É de interesse do próprio Estado que o indivíduo permaneça em


determinado local no qual possa ser encontrado, para que assim seja possível se
estabelecer uma fiscalização quanto as suas obrigações fiscais, políticas, militares
e policiais. No campo do Direito Internacional Privado, é o domicílio, na maioria
das legislações, que irá solucionar a questão sobre qual lei deve ser aplicada ao
caso concreto. O domicílio, como salientou Roberto Grassi Neto, "tem especial
importância para a determinação da lei aplicável a cada situação, para
determinação do lugar onde se devem celebrar negócios e atos da pessoa, e onde
deve ela exercer direitos, propor ação judicial e responder pelas obrigações".

2.3.3 Pluralidade de domicílios e domicílio incerto

É perfeitamente possível que uma pessoa possua mais de um domicílio,


residindo em um local e mantendo, por exemplo, escritório ou consultório em
outro endereço. A pluralidade de domicílios é disciplinada nos arts. 71 e 72, do
Código Civil:
Art. 71. Se, porém, a pessoa natural tiver diversas residências, onde,
alternadamente, viva, considerar-se-á domicílio seu qualquer delas.

Art. 72. É também domicílio da pessoa natural, quanto às relações concernentes


à profissão, o lugar onde esta é exercida.
Parágrafo único. Se a pessoa exercitar profissão em lugares diversos, cada um
deles constituirá domicílio para as relações que lhe corresponderem.

Há também casos de pessoas que vivem de passagem por vários locais,


como os circenses, sendo que o Código Civil estabelece, para tanto, a seguinte
solução:

Art. 73. Ter-se-á por domicílio da pessoa natural, que não tenha residência
habitual, o lugar onde for encontrada. (grifo nosso).
Tal regra aplica-se também em relação às pessoas que têm vida errante,
como ambulantes, vagabundos, pessoas desprovidas de moradia etc.

2.3.4 Mudança de domicílio

De acordo com Pablo Stolze Gagliano, opera-se a mudança de domicílio


com a transferência da residência aliada à intenção manifesta de o alterar. A
prova da intenção resulta do que declarar a pessoa às municipalidades do lugar
que deixa, e para onde vai, ou, se tais declarações não fizerem, da própria
mudança, com as circunstâncias que a determinaram (art. 74, CC).

2.3.5 Classificação do domicílio quanto à natureza

a) Voluntário: decorre do ato de livre vontade do sujeito, que fixa residência em


um determinado local, com ânimo definitivo.
b) Legal ou Necessário: decorre da lei, em atenção à condição especial de
determinadas pessoas. Assim, temos: (art. 76, CC)

 domicílio do incapaz: é o do seu representante ou assistente;


 domicílio do servidor público: é o lugar em que exerce permanentemente as
suas funções;
 domicílio do militar: é o lugar onde serve, e, sendo da Marinha ou da
Aeronáutica, a sede do comando a que se encontra imediatamente
subordinado;
 domicílio do marítimo: é o lugar onde o navio estiver matriculado;
 domicílio do preso: é o lugar em que cumpre a sentença.
Quanto ao militar, se em serviço ativo, consiste o domicílio no lugar onde
estiver servindo. Caso esteja prestando serviço à Marinha, terá por domicílio a
sede da estação naval ou do emprego em terra que estiver exercendo. Em se
tratando da marinha mercante (encarregada do transporte de mercadorias e
passageiros), seus oficiais e tripulantes terão por domicílio o lugar onde estiver
matriculado o navio.

O preso também está sujeito ao domicílio legal, no local onde cumpre a


sentença. Se o preso ainda não tiver sido condenado, seu domicílio será o
voluntário.

c) de Eleição: decorre do ajuste entre as partes de um contrato (art. 78, CC e art.


111, CPC). A eleição de foro só pode ser invocada nas relações jurídicas em que
prevaleça o princípio da igualdade dos contratantes e de sua correspondente
autonomia de vontade (arts. 51, IV, CDC e 9º, CLT).

2.4 Noções sobre bens e relações patrimoniais

Bens são valores materiais ou imateriais que podem ser objeto de uma
relação de direito. Enquanto o objeto do direito positivo é a conduta humana, o
objeto do direito subjetivo podem ser bens ou coisas não valoráveis
pecuniariamente.
São bens jurídicos os de natureza patrimonial, isto é, tudo aquilo que se
possa incorporar ao nosso patrimônio é um bem: uma casa, um carro, uma
roupa, um livro, ou um CD.

Além disso, há uma classe de bens jurídicos não-patrimoniais. Não são


economicamente estimáveis, como também insuscetíveis de valoração pecuniária:
a vida e a honra são exemplos fáceis de se compreender.

Os bens podem ser classificados em: móveis e imóveis, corpóreos e


incorpóreos, fungíveis e infungíveis, consumíveis e inconsumíveis, divisíveis e
indivisíveis, singulares e coletivos, comercializáveis ou fora do comércio,
principais e acessórios, e públicos ou particulares.

Trataremos de algumas dessas especificidades.

2.4.1 Bens Públicos e Particulares

a. Bens Públicos.

Segundo o art. 98, "são públicos os bens do domínio nacional pertencentes


às pessoas jurídicas de direito público interno; todos os outros são particulares,
seja qual for a pessoa a que pertencerem (antigo, art. 65). Acrescenta o art. 99:

"I - os de uso comum do povo, tais como rios, mares, estradas, ruas e praças;

II - os de uso especial, tais como edifícios ou terrenos destinados a serviço ou


estabelecimento da administração federal, estadual, territorial ou municipal,
inclusive os de suas autarquias;

III - os dominicais, que constituem o patrimônio das pessoas jurídicas de direito


público, como objeto de direito pessoal, ou real, de cada uma dessas entidades.
Parágrafo único. Não dispondo a lei em contrário, consideram-se dominicais os
bens pertencentes às pessoas jurídicas de direito público a que se tenha dado
estrutura de direito privado."

Aqui, os bens são considerados em relação a seus respectivos proprietários.


Na verdade, o art. 98 não é exaustivo, pois há bens que a ninguém pertencem.
Esses bens distinguem-se dos anteriores, porque o Poder Público não tem apenas
a titularidade, mas também sua utilização. Seu uso pelos particulares é
regulamentado, e a Administração tanto pode permitir que os interessados
ingressem em suas dependências, como proibir.

Os bens dominiais (ou dominicais) são os que formam o patrimônio dos


entes públicos. São aqueles objeto de propriedade do Estado como de qualquer
pessoa, como se particular fosse. Seu direito de propriedade é exercido seguindo
os princípios de direito constitucional, administrativo e civil, como as estradas de
ferro, títulos da dívida pública, telégrafos, oficinas do Estado etc. Também nada
impede a utilização desses bens pelos particulares, subordinada às normas
administrativas e às condições e limitações impostas pelo Poder Público. Os bens
públicos, de qualquer categoria, são inalienáveis e imprescritíveis.

A inalienabilidade dos bens públicos decorre de sua própria natureza. A


faculdade de aliená-los só pode ocorrer mediante desafetação, isto é, por meio de
lei ou ato administrativo que autorize essa alienação (art. 67 do Código anterior),
que poderá dar-se só em relação a bens que não se destinem ao uso comum do
povo, como mares, rios, estradas etc.

Os arts. 100 e 101 do atual Código absorvem justamente essa noção: os


bens públicos de uso comum do povo e os de uso especial são inalienáveis,
enquanto conservarem sua qualificação, na forma que a lei determinar; os bens
dominicais podem ser alienados, observadas as exigências legais.

Características
(I) INALIENABILIDADE (qualidade daquilo que não pode ser alienado, ou
cujo domínio é intransferível. Condição peculiar a todos os bens públicos, e, no
domínio privado, aos que, por lei, é clausulada como imunes á alienação);

(II) IMPRESCRITIBILIDADE (não prescrevem. Caráter do direito ou da


ação que não esta sujeita a prescrição) e,

(III) IMPENHORABILIDADE (qualidade dos bens que não podem ser


penhorados).

b. Bens Particulares

Por exclusão, são todos os outros bens não pertencentes a qualquer pessoa
jurídica de direito público interno, mas a pessoa natural ou jurídica de direito
privado (artigo 98 do Código Civil).

2.4.2 Bens imóveis e móveis

a. Bens imóveis

CLÓVIS BEVILÁQUIA – chamam-se imóveis os bens “que não se podem


transportar, sem destruição, de um para outro lugar”.

Esse conceito vale hoje para os imóveis propriamente ditos ou bens de raiz,
como o solo e suas partes integrantes, mas não abrange os imóveis por
determinação legal, nem as edificações que, separadas do solo, conservam sua
unidade, podendo ser removidas para outro local (CC, arts. 81, I, e 83).

“Art. 79. São bens imóveis o solo e tudo quanto se lhe incorporar natural ou
artificialmente”.
“Art. 80. Consideram-se imóveis para efeitos legais:

I – os direitos reais sobre imóveis e as ações que os asseguram;


II – o direito à sucessão aberta”.

Pertença – art. 93. “os bens que, não constituindo partes integrantes, se
destinam, de modo duradouro, ao uso, ao serviço ou ao aformoseamento de
outro”.

a) imóveis por natureza – A rigor, somente o solo, com sua superfície, subsolo e
espaço aéreo, é imóvel por natureza. Tudo o mais que a ele adere deve ser
classificado como imóvel por acessão.

b) imóveis por acessão natural – incluem-se nessa categoria as arvores e os


frutos pendentes, bem como todos os acessórios e adjacências naturais.
Compreende as pedras, as fontes e os cursos de água, superficiais ou
subterrâneos, que corram naturalmente. As árvores, quando destinadas ao corte,
são consideradas bens “móveis por antecipação”.

c) imóveis por acessão artificial ou industrial – Acessão significa justaposição


ou aderência de uma coisa a outra. O homem também pode incorporar bens
móveis, como materiais de construção e sementes, ao solo, dando origem às
acessões artificiais ou industriais. As construções e plantações são assim
denominadas porque derivam de um comportamento ativo do homem, isto é, do
trabalho ou da indústria do homem. Constituem, igualmente, modo originário de
aquisição da propriedade imóvel. Toda construção ou plantação existente em um
terreno presume-se feita pelo proprietário e à sua custa, até que se prove o
contrário.

“Art. 81. Não perdem o caráter de imóveis:


I – as edificações que, separadas do solo, mas conservando a sua unidade, forem
removidas para outro local;

II – os materiais provisoriamente separados de um prédio, para nele se


reempregarem”.

d) Imóveis por determinação legal – art. 80. Do CC considera: “I – os direitos reais


sobre imóveis e as ações que se asseguram; II – o direito à sucessão aberta”.

Trata se de bens incorpóreos, imateriais (direitos), que não são, em si, moveis ou
imóveis. O legislador, no entanto, para maior segurança das relações jurídicas, os
considera imóveis.

Os direitos reais sobre imóveis, de gozo (servidão, usufruto etc.) ou de


garantia (penhor e hipoteca), são considerados imóveis pela lei, bem como as
ações que o asseguram.

O direito abstrato à sucessão aberta é considerado bem imóvel, ainda que


os bens deixados pelo de cujus sejam todos móveis.

b. Bens móveis

Art. 82 – “os bens suscetíveis de movimento próprio, ou de remoção por


força alheia, sem alteração da substância ou da destinação econômico-social”.

Trata-se dos móveis por natureza, que se dividem em semoventes e


propriamente ditos. Ambos são corpóreos.

a) Móveis por natureza – são os bens que, sem deterioração na substancia,


podem ser transportados de um lugar para outro, por força própria ou estranha.

a.1) Semoventes – são os suscetíveis de movimento próprio, como os animais.


Move-se de um local para outro por força própria. Recebem o mesmo tratamento
jurídico dispensado aos bens moveis propriamente ditos.

a.2) Móveis propriamente ditos – são os que admitem remoção por força alheia,
sem dano, como os objetos inanimados, não imobilizados por sua destinação
econômico-social.

Art. 84, CC. “materiais destinados a alguma construção, enquanto não forem
empregados, conservam sua qualidade de moveis; readquirem essa qualidade os
provenientes da demolição de algum prédio”.

CAIO MARIO DA SILVA PEREIRA – “no direito moderno qualquer energia natural,
elétrica inclusive, que tenha valor econômico, considera-se bem móvel”.

Os navios e as aeronaves são bens móveis propriamente ditos.

b) Móveis por determinação legal – Art. 83, CC, considera móveis para efeitos
legais: “I – as energias que tenham valor econômico; II – os direitos reais sobre
objetos móveis e as ações correspondentes; III – os direitos pessoais de caráter
patrimonial e respectivas ações”.

c) Móveis por antecipação – São bens incorporados ao solo, mas com a intenção
de separá-los oportunamente e converte-los em móveis, como as árvores
destinadas ao corte e os frutos ainda não colhidos.

2.5 Noções de Direito das Obrigações. Modalidades e efeitos.

2.5.1 Direito das Obrigações

O Direito Obrigacional consiste num complexo de normas que regem


relações jurídicas de ordem patrimonial, que têm por objeto prestações de um
sujeito em proveito de outro; trata dos vínculos entre credor e devedor, excluindo
de sua órbita relações de uma pessoa para com uma coisa; contemplas as
relações jurídicas de natureza pessoal.

O Direito das Obrigações trata de direitos de índole patrimonial e constitui


a matéria do Livro I da Parte Especial, a partir do Art. 233, do Código Civil. Há
uma tendência atual de uniformização e de internacionalização do direito
obrigacional.

a. Conceito de obrigação

O Código Civil brasileiro não apresenta uma definição de obrigação. São


características da obrigação:

(a) patrimonialidade: sempre envolve a patrimônio, seja em forma de bens,


seja em espécie (dinheiro);

(b) transitoriedade: a obrigação nasce com a finalidade de extinguir-se,


sempre, em algum momento toda a obrigação se extinguirá;

(c) pessoalidade: trata-se de uma relação jurídica, um vínculo que se


estabelece sempre entre duas ou mais pessoas: credor e devedor; e

(d) prestacionalidade: o objeto é sempre uma atividade, uma prestação que


pode ser de dar, fazer ou não fazer alguma coisa certa ou incerta.

b. Elementos constitutivos da obrigação

1) Elementos subjetivos

Refere-se aos sujeitos dos contratos. Toda relação jurídico-obrigacional


exige:

 Sujeito ativo – Credor


 Sujeito Passivo – Devedor
O sujeito pode ser tanto a pessoa física quanto a pessoa jurídica.
2) Elementos objetivos

O elemento objetivo é a prestação, ou seja, o objeto da obrigação é a


prestação. A doutrina divide o objeto da obrigação em dois:

o Objeto direto (imediato) – É a prestação a ser desenvolvida (dar,


fazer, não fazer). No objeto direto apenas olha-se a “atividade”.
o Objeto indireto (mediato) – É o bem jurídico tutelado, ou seja, é o
que a pessoa dará, fará ou não fará.

c. Elemento imaterial

(Espiritual; Virtual; Ideal)

O elemento imaterial é o vínculo jurídico estabelecido entre os


contratantes.

2.5.2 Fontes das obrigações

O direito civil brasileiro acolhe três tipos de fontes geradoras de obrigações


(deveres) jurídicas:

(a) Obrigações derivadas de vontade humana: oriundas de um ato jurídico


lato sensu (negócio jurídico, ato jurídico stricto sensu);

(b) Obrigações derivadas de ato ilícito: seja pelo inadimplemento (total ou


parcial), seja pelo cometimento de um delito; e

(c) Obrigações derivadas direta ou imediatamente da lei: obrigações


tributárias, administrativas, oriundas do poder familiar ou mesmo de um fato
jurídico stricto sensu, como também os casos de enriquecimento sem causa, que
implicam em um pagamento injusto e, em consequência, na obrigação de
restituir, assim como nos casos de abuso de direito.

2.5.3 Obrigações contratuais e extracontratuais


As obrigações contratuais são aquelas que se originam das cláusulas
contratuais. Já as obrigações extracontratuais, por exclusão, são aquelas que não
se originam dos contratos, embora devam ser respeitados na formulação e no
adimplemento das obrigações, como as obrigações decorrentes do direito positivo
em geral (lei, constituição, etc.), da moral, dos bons costumes, da justiça e da
equidade.

2.5.4 Obrigações civis e naturais

a. Obrigações civis

As obrigações, em geral, caracterizam-se pela presença do débito e da


responsabilidade, cuja consequência do inadimplemento é a possibilidade de sua
execução forçada via ação judicial; por isto são ditas obrigações perfeitas ou civis.

b. Obrigações naturais

Trata-se de obrigações incompletas, na medida em que apresentam como


características essenciais as particularidades de não serem judicialmente
exigíveis, porém, se forem adimplidas espontaneamente, será sempre tido por
válido o pagamento, que não poderá ser repetido, uma vez que há a retenção do
pagamento, soluti retentio, não importando se a prestação era lícita ou ilícita
(Exemplos: a prestação de alimentos provisionais [Arts. 1706 a 1710, do Código
Civil], o pagamento de dívidas de jogo [Arts. 814 a 817, do Código Civil], o
adimplemento de dívidas prescritas [Art. 882, do Código Civil], o pagamento de
juros indevidos [Art. 591, do Código Civil] e a vedação ao benefício da própria
torpeza [Art. 883 e parágrafo único, do Código Civil]).

2.5.5 Obrigações reais (Propter rem)

São as obrigações devidas que são originadas da mera titularidade de um


direito real. Extinguindo o direito real, extingue-se a obrigação. Transmitindo-se a
titularidade do direito real, transmite-se a titularidade da obrigação. Exemplos: a
obrigação do condômino em concorrer, na proporção da sua parte, para as
despesas de conservação ou divisão da coisa (Art. 1315, Código Civil); a obrigação
de o proprietário confinante proceder, com o proprietário limítrofe, à demarcação
entre os dois prédios, aviventar rumos apagados e renovar marcos destruídos ou
arruinados, repartindo-se proporcionalmente entre os interessados as respectivas
despesas (Art. 1297, caput, do Código Civil); a obrigação de cunho negativo de
proibição, na servidão, do dono do prédio serviente em embaraçar o uso legítimo
da servidão (Art. 1383, do Código Civil).

2.6 Obrigações de dar (Arts. 233 a 246, do Código Civil)

Ocorre quando o sujeito passivo compromete-se a entregar ao sujeito ativo


uma coisa que pode ser certa ou incerta.

a. Obrigação de dar coisa certa (Arts. 233 a 242, do Código Civil)

Coisa certa é tudo que pode ser individualizada, identificado quanto a


número, modelo, marca, etc. O credor de coisa certa não está obrigado a receber
outra coisa no lugar, ainda que seja mais valiosa, tendo em vista que a vontade
das partes voltam-se para um determinado objeto. A obrigação de dar coisa certa
abrange também os acessórios da coisa, exceto se não houver possibilidade, ou o
contrário tiverem ajustado as partes.

1) Perda da coisa certa

Caso ocorra a perda da coisa certa e ainda esteja pendente condição


suspensiva, ou ocorre antes da tradição, sem que haja culpa do devedor, a
obrigação fica resolvida para ambas as partes, sendo a perda considerada a
causa de extinção da obrigação sem o correspondente pagamento. Ao revés, se o
devedor concorreu com a culpa para a perda da coisa certa, este responderá pelo
equivalente, acrescido de perdas e danos.
2) Deterioração da coisa certa

Caso ocorra a deterioração da coisa certa, ou seja, a coisa certa continua a


existir, porém danificada, depreciada. Neste caso, a lei de igual forma, irá analisar
a culpa do devedor pela deterioração da coisa. Se o sujeito passivo não concorreu
com culpa no fato, o credor ficará com a faculdade de resolver a obrigação ou
aceitar a coisa no estado em que se encontrar, desde que abatido o preço
equivalente à deterioração. Se, contudo, a coisa certa se deteriorou por culpa do
devedor, o credor poderá, de forma facultativa, exigir o equivalente à coisa ou
aceitá-la no estado em que se encontra, podendo reclamar em ambos os casos
indenização por perdas e danos.

3) Melhorias

Os melhoramentos que se acrescentem à coisa certa antes da tradição


pertencem ao sujeito passivo que, ao entregar a coisa para o sujeito ativo, poderá
exigir aumento do preço em decorrência destes melhoramentos, podendo
resolver-se a obrigação se o credor não anuir com o acréscimo do preço. Da
mesma forma, os frutos percebidos pertencerão ao devedor, enquanto aos
pendentes terá direito o credor.

b. Obrigação de dar coisa incerta (Arts. 243 a 246, do Código Civil)

Coisa incerta é tudo aquilo que não pode ser individualizado, mas que deve
ser ao menos indicado quanto a seu gênero e quantidade. Na obrigação de dar
coisa incerta, como regra, o devedor é quem deve fazer a escolha da coisa que
será entregue ao credor e, neste caso, aplica-se o princípio da equivalência,
segundo o qual não se pode entregar a pior coisa quando se está obrigado a
entregar melhor. No entanto, as partes podem ajustar que a escolha seja efetuada
pelo credor e estabelecer esta deliberação no título. Quando a escolha couber ao
devedor, enquanto este não designar qual coisa entregará, não poderá ser alegada
a perda ou a deterioração da coisa, ainda que decorrentes de força maior ou caso
fortuito.
c. Obrigações de fazer (Arts. 247 a 249, do Código Civil)

Ocorre quando o devedor compromete-se para com o credor a fazer


determinada coisa ou a praticar determinado ato. A obrigação de fazer poder ser
personalíssima e não personalíssima.

1) Obrigação de fazer personalíssima

A obrigação de fazer personalíssima não admite que terceiro a cumpra no


lugar do devedor, porquanto é ele, o devedor, quem deverá cumpri-la
pessoalmente. Caso cumpri-la torne-se impossível, sem que o devedor tenha
concorrido com culpa, estará ela resolvida, extinguindo-se a obrigação sem o
pagamento. Todavia, caso o devedor tenha concorrido com culpa para
impossibilidade da prestação, este deverá arcar com as perdas e danos.

2) Obrigação de fazer não personalíssima

A obrigação de fazer não personalíssima permite que o terceiro cumpra a


obrigação no lugar do devedor. Neste caso, podendo a obrigação ser executada
por terceiro, o credor estará livre para mandar executar a obrigação à custa do
devedor e, caso este se recuse ou se constitua em mora, de ainda pleitear perdas
e danos. Em caso de urgência no cumprimento da obrigação de fazer não
personalíssima, o credor, independentemente de autorização judicial, poderá
executá-la ou mandar um terceiro fazê-lo, sendo ressarcido posteriormente.

3) Obrigações de não fazer (Arts. 250 a 251, do Código Civil)

Ocorre quando o devedor compromete-se perante o credor a não fazer


determinada coisa ou a não praticar determinando ato. Assim, se o devedor
descumprir a obrigação, praticando o ato que se comprometeu a não praticar, o
credor poderá exigir que o devedor desfaça-o, sob pena de mandar o credor
desfazê-lo à custa do devedor, sem prejuízo das perdas e danos.

Entretanto, em caso de comprovada urgência, o credor poderá desfazer ou


mandar que terceiro desfaça o ato independentemente de autorização judicial,
sendo ressarcido do devido. Mas a obrigação de não fazer ficará resolvida para
ambas as partes se tornar-se impossível, para o devedor, abster-se do ato. Isto,
da mesma forma, consistirá em causa de extinção da obrigação sem o
pagamento.

d. Obrigações alternativas (Arts. 252 a 256, do Código Civil)

São aquelas nas quais existe mais de um modo pelo qual a prestação pode
ser cumprida pelo devedor (Art. 252). Este se exonera ao prestar qualquer delas.
Exemplo da barraca de beijos: se paga por um beijo, neste caso a obrigação
resolve-se tanto se a garota der um selinho como se der um beijo de língua.

Nessa modalidade, a escolha caberá ao devedor se não se estipulou outra


forma, não podendo este, contudo, cumprir parcialmente uma ou outra. Se uma
das duas prestações não puder ser objeto de obrigação, ou se tornar inexequível,
subsistirá o débito em relação à outra (Art. 253).

Caso não seja possível cumprir uma ou outra das obrigações, e o fato se
der por culpa do devedor em que caiba escolha ao credor, ficará o devedor
obrigado a pagar ao credor o valor da última prestação mais perdas e danos (Art.
254).

Se, por outro lado, couber escolha ao credor e uma das prestações não
puder ser cumprida por culpa do devedor, o credor terá o direito de exigir a
prestação subsistente ou o valor da outra, mais perdas e danos (Art. 255).
Todavia, se nenhuma das prestações puder ser cumprida, sem que haja culpa do
devedor, obrigação restará resolvida para as partes (Art. 256).

e. Obrigações divisíveis e indivisíveis (Arts. 257 a 263, do Código Civil)

1) Obrigações divisíveis

São aquelas que podem ser executadas parceladamente, ou seja, em


prestações (Art. 257). Exemplo: dívida de R$ 10.000,00, paga em cinco parcelas
iguais.

2) Obrigações indivisíveis
São aquelas que não admitem tal parcelamento por sua natureza, por
motivos de ordem econômica, ou dada a razão determinante do negócio jurídico
(Art. 258). Exemplo: dívida de R$ 10.000,00, que deve ser paga no prazo de seis
meses. A obrigação indivisível perde tal característica se for resolvida em perdas e
danos.

* Mesmo que uma obrigação tenha por objeto uma prestação divisível, o
credor não está obrigado a receber de forma parcelada nem o devedor a dessa
forma pagá-la, se assim não tiver sido ajustado entre as partes.

** Sendo divisível a obrigação e existindo mais de um credor ou mais de


um devedor, a obrigação presume-se dividida em tantas obrigações, iguais e
distintas, quantos forem os credores ou os devedores (Art. 257). Exemplo: se A
deve 15 aos credores conjuntos B, C e D, e sendo divisível a obrigação, isto
pressupõe que B, C e D têm direito a receber de A 5 cada um.

*** Ao contrário, e forem vários devedores e a prestação for indivisível,


cada qual será obrigado pela dívida toda (Art. 259). Aquele que pagar, todavia,
sub-rogar-se-á do direito do credor (Art. 259, parágrafo único).

**** Havendo pluralidade de credores, poderá cada um deles exigir a


dívida toda. Aos demais credores assistirá o direito de exigir. Do credor que
receber a prestação por inteiro, a parte que lhes cabia no total em dinheiro (Art.
260).

f. Obrigações solidárias (Arts. 264 a 285, do Código Civil)

A solidariedade no direito das obrigações ocorre quando, em decorrência da


mesma relação jurídica, a obrigação estabelece-se entre dois ou mais credores
(solidariedade ativa) ou dois ou mais devedores (solidariedade passiva), tendo
cada um deles direito a exigir a dívida toda ou a ela ficando obrigado,
respectivamente (Art. 264). O instituto das obrigações in solidum admite também
a modalidade mista, situação em que existirão vários credores e vários devedores
na mesma obrigação. Todavia, a solidariedade não é instituto que se presuma,
isto é, deve ser resultante de lei ou da vontade das partes (Art. 265). Ressalta-se
também que a solidariedade pode ser pura e simples ou estar sujeita à condição,
ao prazo ou ao encargo (Art. 266).

1) Solidariedade ativa (Art. 267 a 274)

Ocorre quando cada um dos credores tem o direito de exigir do devedor o


cumprimento da obrigação por inteiro, denominado de direito individual de
persecução (Art. 267). O devedor de obrigação solidária, enquanto não for
demandado, poderá pagar a qualquer dos credores (Art. 268). Neste caso, o
pagamento efetuado pelo devedor a qualquer dos credores solidários extinguirá a
obrigação (Art. 269), o mesmo ocorrendo em caso de novação, de compensação ou
de remissão (Art. 272). Caso a prestação converta-se em perdas e danos,
subsistirá a solidariedade e em favor de todos os credores, correndo, inclusive,
juros de mora (Art. 271).

Entretanto, se um dos credores solidários falecer deixando herdeiros, cada


um destes só terá direito a exigir a receber a quota do crédito que corresponder
ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for indivisível (Art. 270). Por
outro lado, há que se ressaltar que a um dos credores solidários não pode o
devedor opor as exceções pessoais oponíveis aos outros (Art. 273). O julgamento
contrário a um dos credores solidários não atinge os demais; o julgamento
favorável aproveita-lhes, a menos que se funde exceção pessoal ao credor que o
obteve (Art. 274).

2) Solidariedade passiva (Art. 275 a 285)

Ocorre quando cada um dos devedores solidários poderá ser demandado


para cumprir a integralidade da obrigação assumida por todos. O credor tem
direito a exigir e receber de um ou de alguns dos devedores, parcial ou
totalmente, a dívida comum; se o pagamento tiver sido parcial, todos os demais
devedores continuam obrigados solidariamente pelo resto (Art. 275). Não
importará renúncia da solidariedade à propositura de ação pelo credor contra um
ou alguns dos devedores (Art. 275, parágrafo único). Se um dos devedores
solidários falecer deixando herdeiros, nenhum destes será obrigado a pagar senão
a quota que corresponder ao seu quinhão hereditário, salvo se a obrigação for
indivisível, mas todos reunidos serão considerados como um devedor solidário em
relação aos demais devedores (Art. 276). O pagamento parcial feito por um dos
devedores e a remissão por ele obtida não aproveitam aos outros devedores,
senão até à concorrência da quantia paga ou relevada (Art. 277). Qualquer
cláusula, condição ou obrigação adicional, estipulada entre um dos devedores
solidários o credor, não poderá agravar a posição dos outros sem consentimento
destes (Art. 278).

Assim, o credor tem o direito de exigir e receber de um ou alguns dos


devedores a dívida comum, e, ocorrendo impossibilidade do cumprimento da
prestação por culpa de um dos devedores, subsistirá aos demais o encargo de
pagar o equivalente, porém, por perdas e danos só responderá o culpado (Art.
279). Caso seja proposta uma ação contra um dos obrigados, todos responderão
pelos juros de mora, mas aquele que der causa à situação responderá aos demais
pela obrigação acrescida (Art. 280). O devedor demandado pode opor ao credor as
exceções que lhe forem pessoais e as comuns a todos; não lhe aproveitando às
exceções pessoais a outro co-devedor (Art. 281). Por outro lado, o credor pode
renunciar à solidariedade em favor de um, de alguns ou de todos os devedores
(Art. 282); todavia, se o credor renunciar da solidariedade em favor de um ou de
alguns, subsistirá a dos demais (Art. 282, parágrafo único).

O devedor que satisfez a dívida por inteiro tem o direito a exigir de cada um
dos co-devedores a sua quota, dividindo-se igualmente por todos a do insolvente,
se o houver, presumindo-se iguais, no débito, as parte de todos os co-devedores
(Art. 283). No caso de rateio entre os co-devedores, contribuirão também os
exonerados da solidariedade pelo credor, pela parte que na obrigação incumbia
ao insolvente (Art. 284). Se a dívida solidaria interessar exclusivamente a um dos
devedores, responderá este por toda ela para com aquele que pagar (Art. 285).

2.7 Outras modalidades de obrigações

a. Obrigações de meio, de resultado e de garantia


Tal distinção refere-se ao descumprimento das respectivas obrigações, onde
a idéia fundamental reside na noção de saber e de examinar o que o devedor
prometeu e o que o credor pode razoavelmente esperar.

b. Obrigações de meio

Nas obrigações de meio deve ser aferido se o devedor empregou boa


diligência no cumprimento da obrigação. Seu descumprimento deve ser
examinado na conduta do devedor, de modo que a culpa não pode ser presumida,
incumbindo ao credor prová-la cabalmente. Exemplos: contrato de prestação de
serviços advocatícios, contrato de prestação de serviços médicos.

c. Obrigações de resultado

Nas obrigações de resultado o que importa é a aferição se o resultado


colimado foi alcançado. Só assim a obrigação será tida como cumprida. Sua
inexecução implica falta contratual, dizendo-se que existe, em linhas gerais,
presunção de culpa, ou melhor, a culpa é irrelevante na presença do
descumprimento contratual. Exemplos: contrato de transporte, contrato de
reparação de um bem.

d. Obrigações de garantia

As obrigações de garantia viam a eliminar um risco que pesa sobre o


credor. A simples assunção do risco pelo devedor da garantia representa, por si
só, o adimplemento da prestação. A compreensão da obrigação de garantia deve
partir da noção de obrigação de meio, podendo ser considerada subespécie desta,
em muitas ocasiões. O inadimplemento deve ser verificado, quero efeito
indesejado tenha ocorrido, quer não, tomando-se por base um “padrão” de
serviços para a espécie. Exemplo: contrato de segurança.

Levando-se em conta tais situações, pode-se afirmar que há obrigações


tipicamente de garantia, como a dos contratos de seguro e de fiança, e outras
obrigações de garantia, como a situação enfocada, em que ela surge combinada
com uma obrigação de meio.

e. Obrigações de execução instantânea, diferida e continuada


1) Obrigação de execução instantânea

É o tipo de obrigação cuja contraprestação a ser feita pelo devedor é


simultânea à prestação efetuada pelo credor. Exemplo: contrato de compra e
venda, contrato de permuta.

2) Obrigação de execução diferida

É o tipo de obrigação cuja contraprestação a adimplida pelo devedor é


diferida no tempo (pro futuro) em relação à prestação efetuada pelo credor.
Exemplo: contrato de seguro, contrato de depósito.

3) Obrigação de execução continuada

É o tipo de obrigação cuja contraprestação a ser adimplida pelo devedor é


continuada no tempo em relação à prestação efetuada pelo credor. Exemplo:
contrato de segurança, contrato de prestação de serviços educacionais, contrato
de locação.

f. Obrigações puras, condicionais e a termo

1) Obrigação pura

Trata-se das obrigações que não estão sujeitas à condição, à termo ou à


encargo, na medida em que o credor possui o direito de exigibilidade
prontamente, com o vencimento da obrigação pelo devedor.

2) Obrigação condicional

A condição subordina a obrigação a evento futuro e incerto. Não havendo


futuridade, tendo já ocorrido o evento, não há condição e a obrigação é exequível
desde logo. Exemplo: se subordinamos um pagamento a um resultado de uma
competição esportiva que ocorreu ontem, da qual apenas não abemos o
resultado, não há futuridade, não há condição, não se trata de obrigação
condicional, embora sua aparência o seja. Há dois tipos de condições: condições
suspensivas e condições resolutivas.

a) Condições suspensivas
Não existe a obrigação, não podendo assim o credor exigir seu
cumprimento, enquanto não ocorrer o implemento da respectiva condição.
Portanto, o credor detém, neste caso, um direito eventual, que implica no fato de
seu titular poder exercer os meios asseguratórios para conservá-lo (Art. 130, do
Código Civil).

Vale dizer que sempre que o devedor impeça que a condição suspensiva se
realize, a condição tem-se por cumprida e torna-se exigível a obrigação (Art. 129,
do Código Civil). Ocorrendo o implemento da condição, imediatamente é exigível a
obrigação (Art. 332, do Código Civil), cabendo ao credor provar que o devedor teve
ciência do evento.

Assim, em não ocorrendo a condição suspensiva, a obrigação, assim, deixa


de existir. Destarte, não tendo ocorrido o evento e tendo o devedor cumprido a
obrigação, assiste-lhe o direito de repetição, porque se trata de pagamento
indevido (Art. 876, do Código Civil). Além disso, é proibida a disposição posterior
ao estabelecimento da condição suspensiva, se esta disposição é incompatível
com a condição suspensiva previamente estabelecida (Art. 126, do Código Civil).

b) Condições resolutivas

Ocorre a aquisição do direito por parte do credor de plano, não se


diferenciando assim das obrigações puras e simples. A condição resolutória não
proíbe a disposição da coisa para terceiro e, tendo isto ocorrido, e não sendo
possível ir buscar a coisa com quem se encontre, só resta a resolução em perdas
e danos. Em realidade, na condição resolutiva, o vínculo alcança terceiros, que
adquirem uma propriedade resolúvel. O implemento da condição resolutiva, na
realidade, invalida o vínculo. Se se tratar de imóveis, deve a resolução constar de
registro, para que os terceiros não possam alegar ignorância. Com o implemento
da condição resolutiva, deve o possuidor entregar a coisa com seus acréscimos
naturais. Por outro lado, quando se frustra o implemento da condição resolutiva,
a condição que já era tratada como pura e simples assim permanecerá.

c. Obrigação a termo
O termo, que sempre depende do tempo, é inexorável, razão pela qual o
direito do credor é futuro, mas deferido, já que não impede a aquisição do direito,
cuja eficácia fica apenas suspendida. As obrigações podem ser fruto de termo
convencional (obrigações negociais), de termo legal (obrigações legais, como o
pagamento de um tributo) e de termo judicial (obrigações oriundas de processo
judicial). O termo inicial indica o momento do início, e o termo final indica o
momento em que deve cessar o exercício do direito. Pelo termo, diferem-se
direitos (termo suspensivo) ou se limitam em um prazo (termo resolutivo).

O termo certo (ou determinado) constitui o devedor, de pleno direito, em


mora, enquanto no termo incerto (ou indeterminado) é necessária a interpelação
do devedor (Art. 397, do Código Civil). Depois do vencimento, a obrigação sujeita
a termo converte-se em pura e simples, tornando-se exigível judicialmente.
Ademais, convém ressaltar que a regra geral é a de que, antes da superveniência
do termo, uma obrigação não pode ser exigida. Entretanto, há algumas exceções
previstas no Art. 333, do Código Civil.

Efeitos:

Quanto aos efeitos decorrentes do vínculo obrigacional e das pessoas


sujeitas a ele, temos os seguintes pontos:

a) dos modos extintivos das obrigações, isto é, dos atos que exoneram o
devedor da relação creditória, libertando-o do poder jurídico do credor, de
maneira que desapareça o direito deste contra aquele;

b) das consequências do inadimplemento das obrigações, ou seja, dos


meios pelos quais o credor poderá obter o que lhe é devido, compelindo o devedor
a liberar-se da obrigação por ele contraída; são sujeitas a esses efeitos o sujeito
ativo e o passivo, se a obrigação for personalíssima; e ambos e seus sucessores,
por ato causa mortis ou inter vivos, se não se tratar de obrigação personalíssima.

Quanto aos modos de extinção das obrigações temos, basicamente:


a) o pagamento direto ou execução voluntária da obrigação pelo devedor;
b) pelo pagamento indireto;

c) pela prescrição, pela impossibilidade de execução sem culpa do devedor


e pelo implemento de condição ou termo extintivo;

d) pela execução forçada, em virtude de sentença.


6- DIREITO CONSTITUCIONAL
PROMA

I - CONTEXTUALIZAÇÃO

A realidade nacional tornou o Direito Constitucional uma ciência jurídica


positiva, palpável, visível, sendo uma necessidade o conhecimento de seu
conteúdo por aqueles que venham a integrar os quadros profissionais de
segurança do cidadão, especialmente para aplicá-lo em sua vida profissional.

II – OBJETIVOS

Adquirir conhecimentos sobre o Direito Constitucional sob uma abordagem


sistêmica e genérica para aplicá-los em sua vida profissional e pessoal.

III – UNIDADES DIDÁTICAS

UNIDADE DIDÁTICA I: (2h/a)


 Introdução,
 História
 Aspectos Fundamentais (Tratados Internacionais, Classificação das
Constituições, Poder Constituinte, Fundamentos, Objetivos Fundamentais,
Princípios e Relações Internacionais);

UNIDADE DIDÁTICA II: (06h/a)

 Direitos e Garantias Fundamentais. Introdução. Evolução dos Direitos


Fundamentais. Gerações de Direitos Fundamentais. Direitos Fundamentais
Constitucionais.

UNIDADE DIDÁTICA III: (03h/a)

 Poderes do Estado;
1. Poder Legislativo: Organização, Congresso Nacional; Câmara dos
Deputados e Senado Federal; atribuições; processo Legislativo;
procedimentos legislativos.
2. Poder Executivo: noção e formas; Chefia de Estado e Chefia de Governo;
eleição e mandato presidencial; substituição Presidencial; perda de mandato;
competências; responsabilidades;

3.Poder Judiciário: órgãos, composição, agentes e funções, Supremo Tribunal


Federal, Superior Tribunal de Justiça, justiça Federal, Justiça do Trabalho,
Justiça Militar, Juizados Especiais e de Paz, Justiça Estadual.

UNIDADE DIDÁTICA IV: (02h/a)

 A organização policial dentro do Estado democrático e Sistema de


Segurança Pública (Histórico, órgãos e atribuições) 2h/a;

UNIDADE DIDÁTICA V: (02h/a)

 Estado de Exceção (Estado de Defesa e Estado de Sítio) 2h/a;

IV - ESTRATÉGIAS DE ENSINO

Aulas expositivas e, sempre que possível, palestras com a utilização de


recursos audiovisuais.

V - AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM

Ficarão disponibilizadas, a critério de cada instrutor, as seguintes técnicas de


avaliação: provas, estudos dirigidos, seminários e pesquisas extra-classe.

- A avaliação escrita necessariamente deverá constar de:


01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.
01 TC (Trabalho Corrente) – Prova escrita abordando todo o conteúdo da
disciplina.

VI – BIBLIOGRAFIA

- BASTOS, Celso Seixas Ribeiro. Curso de direito constitucional. São Paulo:


Saraiva, (Edição atualizada).

- CARVALHO, Kildare. Direito constitucional didático, Belo Horizonte: Del Rey,


(Edição atualizada).

- FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de direito constitucional, São


Paulo: Saraiva, (Edição atualizada).

- PINTO FERREIRA, Luiz. Curso de direito constitucional. São Paulo: Saraiva,


(Edição atualizada).

- SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional positivo, São Paulo:
Malheiros, (Edição atualizada).

- MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas, (Edição


atualizada).

- TEMER, Michel. Elementos de direito constitucional, São Paulo: Revista dos


Tribunais, (Edição atualizada).

- CARNOY, Martin. Estado e Teoria Política. Campinas: Papirus, (Edição


atualizada).

- ELIAS, Norbert. Processo Civilizador: formação do Estado e Civilização. Rio de


Janeiro: Jorge Zahar V.2 (Edição atualizada).

- DICIONÁRIO DE POLÍTICA. BOBBIO, N. & MATTEUCCI, N.& PASQUINO, G.


Brasília, UNB, (Edição atualizada).

- MORAES, Bismael B. (Coord.) O Papel da Polícia no Regime Democrático. São


Paulo, MAGEART, (Edição atualizada).
- MUNIZ, Jaqueline, PROENÇA JR., Domício, DINIZ, Eugenio. USO de força e
ostensividade na ação policial. Belo Horizonte, Conjuntura Política, n.6, (Edição
atualizada).

- PANDOLFI, C. et alli. Cidadania, Justiça e Violência. Rio de Janeiro, FGV,


(Edição atualizada).

- TAVARES DOS SANTOS, José Vicente, TIRELLI, Cláudia. A ordem pública e o


ofício de polícia: a impunidade na sociedade brasileira. In: SOUSA, Edson (org.).
Psicanálise e colonização: leituras do sintoma social no Brasil. Porto Alegre:
Artes e Ofícios, 1999 pp.113-127.

- TAVARES DOS SANTOS, José Vicente. A arma e a flor: formação da organização


policial, consenso e violência. Tempo Social: Revista de Sociologia da USP. São
Paulo, Departamento de Sociologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências
Humanas, Universidade de São Paulo. V.9, nº 1 (maio de 1997).

- Tempo Social: Revista de Sociologia da USP. São Paulo, Departamento de


Sociologia, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de
São Paulo. V.9, nº 1 (maio de 1997).
Anexo I – Ementa

Disciplina: DIREITO CONSTITUCIONAL

Adquirir conhecimentos sobre o Direito Constitucional sob


uma abordagem sistêmica e genérica para aplicá-los em sua
Objetivo: vida profissional e pessoal.

A disciplina discorrera sobre os seguintes tópicos:

 Introdução e aspectos fundamentais


 Direitos e deveres individuais

Ementa:  Poderes do Estado


 Organização policial dentro do Estado
 Sistema de Segurança Pública
 Estado de Exceção
Carga Horária: 20 H/A

Quantidade de 01
Docentes

Os métodos de ensino empregados serão:

Metodologia:  Aula expositiva com utilização de recursos audiovisuais;

Bibliografia básica a ser utilizada pelos docentes que


ministrarão as aulas e que deram subsídio para a Ementa

 BASTOS, Celso Seixas Ribeiro. Curso de direito

Bibliografia constitucional. São Paulo: Saraiva, (Edição atualizada).

Básica:  - CARVALHO, Kildare. Direito constitucional didático,


Belo Horizonte: Del Rey, (Edição atualizada).
 - FERREIRA FILHO, Manoel Gonçalves. Curso de direito
constitucional, São Paulo: Saraiva, (Edição atualizada).
 - PINTO FERREIRA, Luiz. Curso de direito
constitucional. São Paulo: Saraiva, (Edição atualizada).
 - SILVA, José Afonso da. Curso de direito constitucional
positivo, São Paulo: Malheiros, (Edição atualizada).
 - MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São
Paulo: Atlas, (Edição atualizada).
 - TEMER, Michel. Elementos de direito constitucional,
São Paulo: Revista dos Tribunais, (Edição atualizada).
 - CARNOY, Martin. Estado e Teoria Política. Campinas:
Papirus, (Edição atualizada).
 - ELIAS, Norbert. Processo Civilizador: formação do
Estado e Civilização. Rio de Janeiro: Jorge Zahar V.2
(Edição atualizada).
 - DICIONÁRIO DE POLÍTICA. BOBBIO, N. &
MATTEUCCI, N.& PASQUINO, G. Brasília, UNB, (Edição
atualizada).
 - MORAES, Bismael B. (Coord.) O Papel da Polícia no
Regime Democrático. São Paulo, MAGEART, (Edição
atualizada).
 - MUNIZ, Jaqueline, PROENÇA JR., Domício, DINIZ,
Eugenio. USO de força e ostensividade na ação policial.
Belo Horizonte, Conjuntura Política, n.6, (Edição
atualizada).
 - PANDOLFI, C. et alli. Cidadania, Justiça e Violência.
Rio de Janeiro, FGV, (Edição atualizada).
 - TAVARES DOS SANTOS, José Vicente, TIRELLI,
Cláudia. A ordem pública e o ofício de polícia: a
impunidade na sociedade brasileira. In: SOUSA, Edson
(org.). Psicanálise e colonização: leituras do sintoma
social no Brasil. Porto Alegre: Artes e Ofícios, 1999
pp.113-127.
 - TAVARES DOS SANTOS, José Vicente. A arma e a flor:
formação da organização policial, consenso e violência.
Tempo Social: Revista de Sociologia da USP. São Paulo,
Departamento de Sociologia, Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.
V.9, nº 1 (maio de 1997).
 - Tempo Social: Revista de Sociologia da USP. São Paulo,
Departamento de Sociologia, Faculdade de Filosofia,
Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo.
V.9, nº 1 (maio de 1997).

Área de
Articulação com Cultura e Conhecimentos Jurídicos
a Matriz
Curricular
Nacional:

Modalidade: Presencial

Ficarão disponibilizadas, a critério de cada instrutor, as


seguintes técnicas de avaliação: provas, estudos dirigidos,
seminários e pesquisas extraclasse.

- A avaliação escrita necessariamente deverá constar de:


01 TE (Tarefa de Estudo) - A critério do instrutor.
01 TC (Trabalho Corrente) – Prova escrita abordando todo o
Avaliação:
conteúdo da disciplina.
PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ESPECÍFICO
As aulas serão realizadas nas Escolas de Formação do Departamento de
Ensino.

DESCRIÇÃO DO MATERIAL QTD


Sala de Aula para até 40 alunos 01
Retroprojetor ou, preferencialmente, Multimídia 01
Quadro negro ou similar 01
Giz ou canetas apropriadas 12
Biblioteca com literatura apropriada 01
Acesso a Internet para consulta digital/eletrônica 06
PLANO DE ESCRITA DO MANUAL DE DIREITO CONSTITUCIONAL

Prefácio

Apresentação

Considerações sobre a importância do Direito Constitucional no Ramo Jurídico -


Policial

Capítulo 1 – Aspectos Fundamentais do D. Constitucional


Introdução,
História
Aspectos Fundamentais (Tratados Internacionais, Classificação das
Constituições, Poder Constituinte, Fundamentos, Objetivos Fundamentais,
Princípios e Relações Internacionais);

Capítulo 2 – Direitos e Garantias Fundamentais


Introdução
Evolução dos Direitos Fundamentais;
Gerações de Direitos Fundamentais;
Direitos Fundamentais Constitucionais.

Capítulo 3 – Poderes do Estado

Poder Legislativo
Poder Legislativo
Poder Judiciário

Capítulo 4 – Organização Policial dentro do Estado Democrático e Sistema


de Segurança Pública

Histórico
Òrgãos
Atribuições
Capítulo 5– Estado de Exceção

Estado de Defesa e Estado de Sítio


PROMA

CONCEITO, OBJETO E TENDÊNCIAS DO DIREITO


CONSTITUCIONAL

Conceito: é um ramo do Direito Público apto a expor, interpretar e


sistematizar os princípios e normas fundamentais do Estado. É a ciência
positiva das constituições

Objeto: é a CONSTITUIÇÃO POLÍTICA DO ESTADO, cabendo a ele o estudo


sistemático das normas que integram a constituição

Corresponde à base, ao fundamento de todos os demais ramos do direito; deve


haver, portanto, obediência ao texto constitucional, sob pena de declaração de
inconstitucionalidade da espécie normativa, e conseqüente retirada do sistema
jurídico

CONSTITUIÇÃO FEDERAL

Conceito: considerada a lei fundamental de uma Nação, seria, então, a


organização dos seus elementos essenciais: um sistema de normas jurídicas,
escritas ou costumeiras, que regula a forma do Estado, a forma de seu governo, o
modo de aquisição e o exercício do poder, o estabelecimento de seus órgãos, os
limites de sua ação, os direitos fundamentais do homem e as respectivas
garantias; em síntese, É O CONJUNTO DE NORMAS QUE ORGANIZA OS
ELEMENTOS CONSTITUTIVOS DO ESTADO.
Forma: um complexo de normas.

Conteúdo: a conduta humana motivada das relações sociais.

Finalidade: a realização dos valores que apontam para o existir da comunidade.


Causa Criadora: o poder que emana do povo.

CONJUNTO DE VALORES: A Constituição não pode ser compreendida e


interpretada, se não tivermos em mente essa
estrutura, considerada como conexão de sentido,
como é tudo aquilo que a integra.

Origens: O Brasil já teve 7 constituições, incluindo a atual de 1988.

EVOLUÇÃO HISTÓRICA DAS CONSTITUIÇÕES NO BRASIL


Texto é o objeto de uma interpretação enquanto que a norma é o resultado
desta interpretação. Para se retirar do texto escrito a Norma constitucional deve-
se fazer uma análise do contexto histórico no qual a Constituição estava
envolvida. Como exemplo se dá a interpretação da palavra REPRESSÃO durante o
período de 1964 a 1985 como ofensa aos direitos Humanos e Fundamentais. Hoje
a palavra REPRESSÃO tem sentido diverso.

CONSTITUIÇÃO DE 1824

CARACTERÍSTICAS:

1) Foi uma constituição outorgada


2) Em 1823 é convocada uma Assembléia Nacional Constituinte com portugueses
e brasileiros (onde os brasileiros queriam dar um tombo nos portugueses e
criaram a CONSTITUIÇÃO DA MANDIOCA que dizia que só pode votar e ser
votado quem tiver uma determinada extensão de terras e que possa produzir um
número “X” de mandioca. Era mandioca por que ela era o principal alimento dos
escravos e os brasileiros eram donos de terras e os portugueses eram
comerciantes. Como os portugueses não poderiam votar porque não tinham
terras, D. PEDRO I dissolveu a Assembléia Nacional Constituinte, onde muitos
brasileiros foram presos, mortos e degredados para a áfrica na chamada noite das
agonias. Depois disso o imperador outorga uma nova constituição em 25 de
março de 1824)
3) Foi a única constituição no mundo que adotou o Poder Moderador (criado por
Benjamim Constant na França)
4) Todos os juízes eram escolhidos pelo imperador
5) Legislativo era bicameral onde Senadores eram escolhidos pelo imperador e
eram vitalícios e Deputados Federais eram votados.
6) Foi uma Constituição Semi-Rígida ou Semi-Flexível
7) Diferenciava as Normas Materialmente Constitucionais (tratam da organização
do Estado e dos temas mais importantes para a sociedade política como direitos
fundamentais) das Normas Formalmente Constitucionais (é aquela norma que
melhor estaria em sede subconstitucional)
8) Existência de Sufrágio Restritivo Censitário
9) Tinha a religião católica como oficial era um estado confessional.
10) Não tratou do Habeas Corpus (o que somente foi tratado com o Código de
Processo Criminal do império de 1832)
11) Não foi tratado nada sobre Controle de Constitucionalidade pela existência do
Poder Moderador e porque essa constituição pregava a supremacia do
parlamento.
12) A Forma de Estado era UNITÁRIO (as províncias não tinham parlamento
próprio)
13) A Forma de Governo era a MONARQUIA HEREDITÁRIA
14) Era uma Constituição que trazia contradições pois ao mesmo tempo em que
falava em liberdade e igualdade existia a escravidão
15) Em 1834 foi instituída uma Emenda que criou o ATO ADICIONAL onde as
províncias passaram a ter seu legislativo próprio (o que chegou a aproximar o
ESTADO UNITÁRIO de então a uma FEDERAÇÃO). Este ato foi alterado em 1840
onde as províncias perderam o direito ao ATO ADICIONAL e os parlamentos
estaduais não mais puderam legislar.
16) Em 1848 o Brasil foi parlamentarista no chamado PARLAMENTARISMO ÀS
AVESAS ou PARLAMENTARISMO À BRASILEIRA (era assim chamado para
separar do que ocorria na Inglaterra onde o Rei Reina mas não governa. Aqui o
Rei Reinava e Governava).
17) Em 1868, com o final da guerra do Paraguai, houve o fortalecimento das
forças armadas como instituição.
18) Em 1888 houve a libertação dos escravos
19) Em 1889 houve a proclamação da República que teve como causas: a) Idade
avançada do imperador sem deixar descendentes, b) Fortalecimento das forças
armadas após a guerra do Paraguai, c) com a libertação dos escravos o imperador
perde o apoio da elite rural
20) Com a República cria-se a bandeira nacional onde a ORDEM E PROGRESSO
foi criada pelo ideal positivista.

CONSTITUIÇÃO DE 1891

CARACTERÍSTICAS:

1) Foi uma constituição democrática (promulgada) com a existência de uma


Assembléia Nacional Constituinte
2) Se inspirou na Constituição americana de 1787. O exemplo dessa cópia é que
cada estado podia legislar sobre processo. Essa Constituição deu maior
autonomia aos estados membros
3) A forma de Estado era a Federação, a Forma de Governo era a República e a
Forma de Governo era o presidencialismo
4) Constitucionalizou-se o Habeas Corpus
5) O controle de Constitucionalidade era somente feito pelo SISTEMA DIFUSO
6) Foi instituído o Sufrágio Universal com algumas restrições (mulher e mendigo
não votavam – o mendigo era o ex-escravo que vagava na rua sem trabalho, daí
que o código penal falava no crime de vadiagem )
7) Existência de 3 poderes (divisão orgânica de Montesquieu)
8) O Ministério Público pertencia ao Poder Judiciário
9) Separação do Estado da Igreja (passou a ser Laico)
10) Fenômeno da grande naturalização de 1891 (Naturalização Tácita).

CONSTITUIÇÃO DE 1934

ANTECEDENTES HISTÓRICOS:

1) De 1891 a 1930 tivemos a REPÚBLICA VELHA (onde divide-se na república da


ESPADA porque os presidentes eram militares e na República dos
GOVERNADORES onde os presidentes eram governadores)
2) Em 1926 houve uma emenda a constituição de 1891 que acabou com a
doutrina do HABEAS CORPUS (pois até 1926 era possível impetrar Habeas
Corpus para todos os DIREITOS LÍQUIDOS E CERTOS – doutrina essa de rui
barbosa) tornando o instrumento viável somente para proteger a liberdade de
locomoção
3) Em 1930 inicia-se a REPÚBLICA NOVA, Getúlio Vargas assume como
presidente e afasta todos os Governadores e nomeia Interventores para os
Estados
4) Em 1932 inicia-se a revolução constitucionalista

CARACTERÍSTICAS:

1) Foi promulgada, democrática


2) Teve como fonte inspiradora a constituição de Weimar de 1919
3) A constituição de 1934 marca a passagem de um constitucionalismo jurídico
político para um constitucionalismo econômico social (a partir dessa constituição
passou-se a tratar sobre Educação, Saúde, Trabalho, Previdência etc)
4)Mulher passou a votar com previsão na constituição (já votava em 1932 com o
código eleitoral)
5) Cria-se a Justiça Eleitoral
6) Cria a Ação Popular e o Mandado de Segurança
7) Criação do Sistema Difuso de Constitucionalidade com as seguintes inovações:
a) Reserva do Tribunal por maioria absoluta (atual art. 97), b) Participação do
Senado suspendendo a execução da Lei (atual art. 52, X), c) Ação direta de
Inconstitucionalidade Interventiva
8) O Ministério Público estava dentro do Poder Executivo.

CONSTITUIÇÃO DE 1937

CARACTERÍSTICAS:

1) Foi uma constituição outorgada


2) A fonte inspiradora é a constituição Polonesa de 1935, por isso era chamada de
“a polaca”
3) Quem redigiu essa constituição foi Francisco Campos apelidado de “Chico
Ciência”
4) O Poder é centralizado no chefe executivo da União, o Congresso é fechado e
surge o DECRETO – LEI. Getúlio Vargas afasta os governadores e nomeia
Interventores, e fecha as assembléias legislativas
5) Cria a Polícia de Segurança e a Lei de Segurança Nacional
6) Cria o DIP – Departamento de Informação Política
7) O Presidente tinha a última palavra em controle de constitucionalidade (Se o
STF dissesse que a Lei era inconstitucional o Presidente Podia dizer que não era)
8) Foi restringida a utilização do Habeas Corpus
9) saíram da constituição o Mandado de Segurança e a Ação Popular
10) O último artigo da constituição dizia que a mesma deveria passar por uma
consulta popular para ser aprovada. Nunca houve essa consulta (Em tese se
trataria de uma constituição cesarista que é aquela que precisa após ser
outorgada, passar por uma consulta popular)
11) De 1937 a 1945 houve o Estado Novo, também chamado de HIATO
AUTORITÁRIO (não confundir com HIATO CONSTITUCIONAL onde este é a
separação da Constituição Escrita dos fatores reais de Poder pregada por LA
SALLE)

CONSTITUIÇÃO DE 1946

CARACTERÍSTICAS:

1) Foi promulgada, democrática


2) Foi a Constituição mais democrática que já tivemos
3) Foi inspirada na Constituição de 1934
4) Não colocou restrições ao Habeas Corpus
5) Mandado de Segurança e Ação Popular permaneceram no texto constitucional
6) Foi uma constituição econômica e social
8) Eleições diretas para presidentes e governadores
9) O Presidente não tinha qualquer participação no controle de
constitucionalidade
10) Termina o Hiato Autoritário
11) Ministério Público passa a ser independente
12) o Vice Presidente automaticamente era presidente do Senado (é assim que
ocorre nos EUA)

CONSTITUIÇÃO DE 1967

ANTECEDENTES HISTÓRICOS:

1) De 1946 até 1950 o Presidente foi Dutra. Em 1950 Getúlio Vargas é eleito
Presidente até 26 de agosto de 1954.
2) De 1955 a 1960 o Presidente foi JK
3) De Fevereiro de 1961 a 08 de agosto de 1961assumiu como presidente Jânio
Quadros tendo como vice João Goulart – Jango, os militares não permitem que
Jango assuma o cargo de Presidente, ao que Jango vem para o RS onde o
Governador era Brizola (onde é montada a cadeia da Legalidade). Os militares
acabam concordando que Jango assuma a presidência, mas não iria governar, eis
que é instaurado o Parlamentarismo por meio de uma consulta popular em
setembro de 1961 onde o chefe de Estado é o Jango e o 1° ministro é Tancredo
Neves
4) O Brasil foi Parlamentarista de Setembro de 1961 a Fevereiro de 1963. Após foi
feita nova consulta popular que decidiu por voltar o Presidencialismo.
5) No período de fevereiro de 1963 a 31 de março de 1964 quando o Presidente
era João Goulart ele propôs as chamadas REFORMAS DE BASE que eram 5, que
são:
a) Reforma Escolar onde são proibidas a existência de escolas particulares, onde
15% dos lucros do país deveriam ser aplicados na Educação Pública.
b) Reforma Urbana que quer dizer que quem possuísse dois imóveis, um seria
desapropriado para ser distribuído
c) Reforma Rural onde todo o imóvel com mais de 600 hectares seria
desapropriado
d) Reforma Tributária com alíquotas progressivas, quem ganha mais paga mais
e) Reforma Eleitoral onde analfabeto passa a ter o direito de votar
f) Também é feita uma Lei que diz que os lucros de empresas multinacionais
deveria ser reinvestido no território nacional e não levado embora
6) Após essas reformas de base os militares tomam o poder e em 01 de abril de
1964 editam o ATO INSTITUCIONAL N°1(Este Ato afasta Jango e dá aos militares
o prazo de 1 ano para resolver os problemas nacionais)
7) Em 1965 é editado o AI – 2 criando o BIPARTIDARISMO no país, ARENA
(Aliança Renovadora Nacional) X MDB
8) Criação da Emenda Constitucional n° 16 de 1965 que cria o CONTROLE DE
CONSTITUCIONALIDADE CONCENTRADO
9) Em dezembro de 1966 os militares apresentam um projeto de uma nova
constituição para ser aprovado em 42 dias e sem emendas

CARACTERÍSTICAS:

1) Essa Constituição foi atípica quanto a sua origem porque FORMALMENTE ela
foi promulgada pelo congresso, mas MATERIALMENTE ela não era Democrática
2) O Poder é centralizado no Chefe do Executivo da União
3) As eleições são INDIRETAS para Presidente, Governador e Prefeito
4) O Presidente tinha o poder de fechar o Congresso
5) O Ministério Público pertencia ao Poder Judiciário
6) Retira as competências dos Estados Membros e as repassa para a união
7) Em 1968 é editado o AI – 5 que é quase como uma nova constituição (foi o ato
mais autoritário de todos na história constitucional do país) e tem como
características:
a) Estado de Sítio permanente
b) Suspensão de Direitos Civis (não era permitido o direito de reuniões,
associações)
c) É fechado o congresso Nacional
d) São cassados Direitos Políticos e Mandatos
f) Restrição a utilização de Habeas Corpus
g) Prisão sem Mandado Judicial
h) Censura em todos os meios de comunicação

CONSTITUIÇÃO DE 1969

CARACTERÍSTICAS:

1) Foi uma Emenda à Constituição de 1967


2) O Poder é centralizado no Chefe do Executivo da União
3) Constitucionaliza a maioria das previsões do AI – 5
4) Em 1977 é criado o PACOTE DE ABRIL que altera muitas das disposições do
AI – 5, dentre elas a existência dos SENADORES BIÔNICOS (cada assembléia
legislativa escolhia 1 Senador), analfabeto passa a votar facultativamente e os
Estados do Norte passam a ter um maior número de Deputados Federais.
5) Em 1979 é criada a LEI DE ANISTIA que permitiu aos exilados políticos
voltarem ao país e são REVOGADOS o AI – 2 e o AI – 5
6) A ARENA virou o PDS, PFL e DEM, ao passo que o MDB virou PT (Lula), PMDB
(Ulisses Guimarães), PDT (Brizola), PP (Tancredo Neves) e PTB (Ivete Vargas)
7) Em 1984 é apresentado o Projeto de Emenda das DIRETAS JÁ o qual não foi
aceito
> De 1964 a 1985 tinha-se uma Constituição classificada como ESCRITA e
LEGAL porque tínhamos vários documentos como EMENDAS, ATOS
INSTITUCIONAIS e a própria CONSTITUIÇÃO.

TRATADOS INTERNACIONAIS

“Uma norma de Direito Internacional não produz efeitos imediatos dentro do


território nacional”. Ao afirmar isso é o mesmo que dizer que a CF não adota o
PRINCÍPIO DA RECEPÇÃO AUTOMÁTICA. Na Alemanha, e em Portugal adota-
se o PRINCÍPIO DA RECEPÇÃO AUTOMÁTICA.

O Art. 4°, I da CF fala sobre a “Independência nacional em suas relações


internacionais”. Existência da adoção da corrente do DUALISMO JURÍDICO o
que quer dizer que para uma norma valer no nosso ordenamento ela precisa ser
recepcionada de acordo com o que diz a CF.
FASES PARA INCORPORAÇÃO DO TRATADO NO BRASIL:
1. O presidente, com base no art. 84, VII (Como chefe de governo) assina o
Tratado
2. O Congresso Nacional deve referendar o Tratado, Art. 49, I (o congresso aprova
o tratado através de um DECRETO LEGISLATIVO). Como a CF determina que o
referendo do congresso deve ser dado por meio de um Decreto e não de uma Lei
fica clara a adoção da corrente do DUALISMO MITIGADO (abrandado).
3. Promulgação do Tratado por um DECRETO pelo Chefe do Executivo
Importante: após percorrer estas fases o Tratado Internacional passa a ter status
de LEI ORDINÁRIA (desde que seja um Tratado que não seja de Direitos
Humanos como a pesca do bacalhau entre Brasil e Paraguai). Se o Tratado versar
sobre Direitos Humanos (a doutrina nacional e internacional não é pacífica) ele
terá STATUS DE EMENDA A CF
NATUREZA JURÍDICA DO TRATADO INTERNACIONAL: Há na doutrina quem
defenda que os Tratados Internacionais que versarem sobre Direitos Humanos
tem STATUS SUPRACONSTITUCIONAL (está acima da CF, posição defendida por
Bitaart Campos – Constitucionalista argentino e no Brasil por Celso Albuquerque
Mello – Autor de DIP). Existe quem defenda o STATUS DE NORMA
CONSTITUCIONAL (Flavia Piovesan, Luis Flávio Gomes). Existe, por último,
quem defenda o STATUS DE NORMA INFRA/SUB CONSTITUCIONAL dos
Tratados Internacionais (Até 2007 essa era a posição do STF).
O Art. 5°, § 3° da CF (inserido pela EC. 45/2004) diz que “os tratados e
convenções internacionais sobre direitos humanos serão EQUIVALENTES ÀS
EMENDAS CONSTITUCIONAIS”. Isso quer dizer que os mesmos não têm Status
Jurídico SUPRACONSTITUCIONAL, nem de NORMA CONSTITUCIONAL e nem de
NORMA INFRACONSTITUCIONAL. POSIÇÃO DO STF: Diz que aqueles Tratados
anteriores à EC. 45/2004 que tenham por objeto Direitos Humanos (Ex. Pacto de
San José da Costa Rica) teriam STATUS SUPRALEGAL (está acima da Lei e
abaixo da CF), esse é o caso do Depositário Infiel que NÃO PODE MAIS SER
PRESO eis que o Pacto de San José diz que não pode (um Tratado Internacional
não tem o Poder de revogar a Constituição, por isso permanece o inciso do
depositário Infiel mas não é mais aplicado)
APÓS TODO O ESTUDO SOBRE TRATADOS INTERNACIONAIS TEM-SE O
SEGUINTE RESUMO:
1. A Natureza Jurídica do Tratado Internacional que NÃO verse sobre Direitos
Humanos é de NORMA INFRA-CONSTITUCIONAL e portanto tem a
NATUREZA DE LEI ORDINÁRIA.
2. A Natureza Jurídica do Tratado Internacional que versar sobre Direitos
Humanos é EQUIVALENTE ÀS EMENDAS CONSTITUCIONAIS (dos tratados
que forem posteriores à EC. 45/2004)
3. A Natureza Jurídica do Tratado Internacional que versar sobre Direitos
Humanos anterior à EC. 45/2004 será SUPRALEGAL (está acima da Lei e
abaixo da CF)

CLASSIFICAÇÃO DAS NORMAS CONSTITUCIONAIS

 Todas as normas constitucionais são dotadas de eficácia;


 Aplicabilidade: é a qualidade daquilo que é aplicável;

 Logo, todas as normas constitucionais são aplicáveis, pois todas são


dotadas de eficácia jurídica. Porém, esta capacidade de incidir
imediatamente sobre os fatos regulados não é uma característica de
todas as normas constitucionais.

 As normas constitucionais são classificadas quanto à sua eficácia em:

Normas Constitucionais de Eficácia Jurídica Plena:

- são aquelas de aplicabilidade imediata, direta, integral,


independentemente de legislação posterior para sua inteira operatividade;
- produzem ou têm possibilidades de produzir todos os efeitos que o
constituinte quis regular;
- tem autonomia operativa e idoneidade suficiente para deflagrar todos
os efeitos a que se preordena;
- conformam de modo suficiente a matéria de que tratam, ou seja, seu
enunciado prescrito é completo e não necessita, para atuar concretamente,
da interposição de comandos complementares.

Normas Constitucionais de Eficácia Jurídica Contida:

- são aquelas que têm aplicabilidade imediata, integral, direta, mas que
podem ter o seu alcance reduzido pela atividade do legislador
infraconstitucional.
- São também chamadas de normas de eficácia redutível ou restringível.

Normas Constitucionais de Eficácia Limitada:


- são aquelas que dependem da emissão de uma normatividade futura;
- apresentam aplicabilidade indireta, mediata e reduzida, pois somente
incidem totalmente após normatividade ulterior que lhes dê aplicabilidade
- o legislador ordinário, integrando-lhes a eficácia, mediante lei ordinária, dá-
lhes a capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses
visados pelo constituinte;
- a utilização de certas expressões como “a lei regulará”, ou “a lei disporá”,
ou ainda “na forma da lei”, deixa claro que a vontade constitucional não está
integralmente composta.
Subdividem-se em:

Normas de Princípio Institutivo:


- são aquelas que dependem de lei para dar corpo às instituições, pessoas e
órgãos previstos na Constituição.

Normas de Princípio Programático:


- são as que estabelecem programas a serem desenvolvidos mediante legislação
integrativa da vontade constituinte.

PODER CONSTITUINTE

Conceito: é a manifestação soberana da suprema vontade política de um povo,


social e juridicamente organizado.

 O Poder constituinte é o poder que tudo pode.

Titularidade do Poder Constituinte: é predominante que a titularidade do


poder constituinte pertence ao povo. Logo, a vontade constituinte é a vontade do
povo expressa por meio de seus representantes.
Espécies:

a) Poder Constituinte Originário - Estabelece a Constituição de um novo


Estado, organizando-se e criando os poderes destinados a reger os interesses de
uma sociedade. Não deriva de nenhum outro, não sofre qualquer limite e não
se subordina a nenhuma condição.

 Ocorre Poder Constituinte no surgimento da 1ª Constituição e também na


elaboração de qualquer outra que venha depois.

Características:

inicial - não se fundamenta em nenhum outro; é a base jurídica de um Estado;

autônomo / ilimitado - não está limitado pelo direito anterior, não tendo que
respeitar os limites postos pelo direito positivo anterior; não há nenhum
condicionamento material;

incondicionado - não está sujeito a qualquer forma pré-fixada para manifestação


de sua vontade; não está submisso a nenhum procedimento de ordem formal

b) Poder Constituinte Derivado - também chamado Instituído ou de


segundo grau – é secundário, pois deriva do poder originário. Encontra-se na
própria Constituição, encontrando limitações por ela impostas: explícitas e
implícitas.

Características:

Derivado - deriva de outro poder que o instituiu, retirando sua força do poder
Constituinte originário;
Subordinado - está subordinado a regras materiais; encontra limitações no
texto constitucional. Ex. cláusula pétrea

Condicionado – seu exercício deve seguir as regras previamente estabelecidas no


texto da CF; é condicionado a regras formais do procedimento legislativo. Este
poder se subdivide em:

I) poder derivado de revisão ou de reforma: poder de editar emendas à


Constituição. O exercente deste poder é o Congresso Nacional que, quando vai
votar uma emenda ele não está no procedimento legislativo, mas no Poder
Reformador.

II) poder derivado decorrente: poder dos Estados, unidades da federação, de


elaborar as suas próprias constituições. O exercente deste poder são as
Assembléias Legislativas dos Estados. Possibilita que os Estados Membros se
auto-organizem.

A Constituição de 1988 deu aos Municípios um status diferenciado do que antes


era previsto, chegando a considerá-los como entes federativos, com a capacidade
de auto-organizar-se através de suas próprias Constituições Municipais que são
denominadas Leis Orgânicas.

EMENDA À CONSTITUIÇÃO

Emenda à Constituição  A Constituição poderá ser emendada mediante


proposta:

I- de um terço, no mínimo, dos membros da Câmara dos Deputados ou do


Senado Federal;
II - do Presidente da República;
III - de mais da metade das Assembléias Legislativas das unidades da
Federação, manifestando-se, cada uma delas, pela maioria relativa de seus
membros.
Limitações 

Vedações circunstanciais
 na vigência de intervenção federal, de estado de defesa ou de estado de
sítio.

o Vedações Materiais - Não será objeto de deliberação a proposta de


emenda tendente a abolir: (cláusulas pétreas)
I- a forma federativa de Estado;
II - o voto direto, secreto, universal e periódico;
III - a separação dos Poderes;
IV - os direitos e garantias individuais.

Procedimentos para a apresentação de uma Emenda à Constituição 

 A proposta será discutida e votada em cada Casa do Congresso


Nacional, em dois turnos, considerando-se aprovada se obtiver, em ambos,
três quintos dos votos dos respectivos membros.

 A emenda à Constituição será promulgada pelas Mesas da Câmara dos


Deputados e do Senado Federal, com o respectivo número de ordem.

 A matéria constante de proposta de emenda rejeitada ou havida por


prejudicada não pode ser objeto de nova proposta na mesma sessão
legislativa.

o Sessão Legislativa
 Ordinária  período de 15/02 a 30/06 e 01/08 a 15/12.
 Extraordinária  período de 01/07 a 31/07 e 16/12 a
14/02 (recesso)
 O Presidente da República NÃO SANCIONA NEM VETA Lei de Emenda à
Constituição;

HIERARQUIA DAS NORMAS JURÍDICAS


Estrutura hierarquizada: a pirâmide representa a hierarquia das normas
dentro do ordenamento jurídico - esta estrutura
exige que o ato inferior guarde hierarquia com o ato
hierarquicamente superior e, todos eles, com a
Constituição, sob pena de ser ilegal e
inconstitucional - chamada de relação de
compatibilidade vertical

CF

LEIS
ATOS
PRINCÍPIO DA SUPREMACIA DA CONSTITUIÇÃO

“Art. 1º - A República Federativa do Brasil, formada pela união


indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito Federal,
constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:”

As “COLUNAS” básicas da Constituição Federal são: a REPÚBLICA e a


FEDERAÇÃO

 Forma de Estado: FEDERAÇÃO


A forma de Estado objetiva a estruturação da sociedade estatal.
Etimologicamente, significa pacto, união, aliança.
Suas principais características são:

o Autonomia – financeira, administrativa e política;

o Repartição de Competências – competência para legislar e cobrar


impostos;

o Rigidez Constitucional – p/ alterações na CF, necessita quorum


qualificado;

o STF – órgão que controla a aplicação da CF;

o Intervenção Federal – mecanismo de proteção do Federalismo;

o Unidade de Nacionalidade – a CF vale para todos os cidadãos, em todo


País.

AUTONOMIA Estados DF Municípios

Constituição
Organizacional Lei Orgânica Lei Orgânica
Estadual

Governador
Governamental Governador Prefeito
Distrital

Administrativa Orçamento Orçamento Orçamento

Assembléia Câmara
Legislativa Câmara Legislativa
Legislativa Municipal

 Forma de Governo: REPÚBLICA


 A forma de governo tem como finalidade organizar politicamente um
Estado. Etimologicamente, significa  RES – coisa, PUBLICO – povo, ou seja
“coisa do povo, para o povo”. São características básicas:

“REPRESO”

Representatividade - o povo escolhe seus representantes;

Eletividade - a escolha é feita através do voto, de eleições;

Periodicidade - o representante exerce mandato temporário (4 anos);

Responsabilidade - dever de probidade administrativa;

Soberania popular - o poder emana do povo e por ele é exercido.

Fundamentos da República Federativa do Brasil 

 Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes


eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição.
 São Poderes da União, independentes e harmônicos entre si, o Legislativo, o
Executivo e o Judiciário.

Os “ALICERCES” da Constituição Federal são os FUNDAMENTOS

“SOCI DIVA PLU”

I- SOberania;
II - CIdadania;
III - DIgnidade da pessoa humana;
IV - VAlores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V- PLUralismo político.

Objetivos Fundamentais da República Federativa do Brasil 


Os “TIJOLOS” da Constituição Federal são os OBJETIVOS FUNDAMENTAIS

“COGAERPRO”
I- COnstruir uma sociedade livre, justa e solidária;
II - GArantir o desenvolvimento nacional;
III - ERradicar a pobreza e a marginalização; reduzir as desigualdades sociais e
regionais;
IV - PROmover o bem de todos, sem quaisquer preconceitos ou discriminação;

Princípios que regem as Relações Internacionais 

A República Federativa do Brasil buscará a integração econômica, política,


social e cultural dos povos da América Latina, visando à formação de uma
comunidade latino-americana de nações.
Os “VIZINHOS” da Constituição Federal são os PAÍSES AMIGOS

“AINDA NÃO CONPREI RECOOS”

I- A utodeterminação dos povos;


II - IN dependência nacional;
III - DE fesa da paz;
IV - NÃO -intervenção;
V- COM cessão de asilo político.
VI - PRE valência dos direitos humanos;
VII - I gualdade entre os Estados;
VIII - RE púdio ao terrorismo e ao racismo;
IX - COO peração entre os povos para o progresso da humanidade;
X- S olução pacífica dos conflitos;

DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

ANÁLISE DO ART. 1°
O Art. 1° revela a FORMA DE ESTADO que é a FEDERAÇÃO (sendo uma cláusula
pétrea, art. 60§4°) e a FORMA DE GOVERNO que é a REPÚBLICA (esta NÃO é
Cláusula pétrea).
Apesar da Forma de Governo (Republicano) não ser uma cláusula pétrea, o
PRINCÍPIO REPUBLICANO é uma CLÁUSULA PÉTREA. Como exemplo, não pode
o Presidente Propor uma Emenda visando o terceiro e quarto mandatos, eis que
apesar do texto da CF não vedar essa possibilidade, isso feriria o princípio
republicano que exige a ALTERNÂNCIA (periodicidade) NO PODER.

CONSEQUÊNCIAS DO REPUBLICANISMO:
1) Honestidade Cívica.
2) É inconstitucional qualquer obstáculo que impeça a responsabilização
daquele que cometa atos ilícitos.
3) Todos devem ser tratados com igualdade.

 O instituto da Intervenção protege a indissolubilidade dos Estados


Membros da União e dos municípios (quando diz no art. 1° “formada pela união
indissolúvel dos Estados e Municípios...”)
 O direito penal também protege a indissolubilidade do pacto federativo eis
que é crime pregar contra a dissolução do pacto federativo (Lei 7170/83 – Lei de
Segurança Nacional – a competência para investigar é da PF e para julgar é da
Justiça Federal Art. 109, VI, e só cabe Recurso Ordinário para o STF, não cabe
apelação nem RSE, art. 102, II, “b”.
 Os Territórios NÃO fazem parte da Federação
 Para José Afonso da Silva os MUNICÍPIOS NÃO fazem parte da Federação,
pois para ele o município é uma simples divisão dos Estados Membros (para o
mesmo autor o art. 1° que fala em “união” com “u” minúsculo refere-se ao ente
político União com “U” maiúsculo, mas só para ele)
Com a revolução francesa surge o ESTADO DE DIREITO que objetiva 1) a
divisão orgânica de Poder e 2) Ofertar ao cidadão os Direitos e Garantias
Fundamentais. A partir do Código Civil Napoleônico DE 1804 o Direito passou a
ser sinônimo de Lei, o que legitimou a Alemanha a matar judeus com base na
LEI. Após a 2° Guerra Mundial nós adentramos no caput do art. 1°, qual seja,
ESTADO DEMOCRÁTICO DE DIREITO (também chamado de Estado
Constitucional de Direito) o que quer dizer que a Lei tem que respeitar a
LIBERDADE, IGUALDADE e a DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (aqui a lei para
ser válida, separou-se a vigência da eficácia da lei o que quer dizer que para a Lei
ser válida ela deveria respeitar estes requisitos)

Art. 1°, I: Quer dizer poder político (violência legítima de todos os poderes, do juiz
do policial) Supremo (na ordem interna os Estados Membros são autônomos) e
Independente (na ordem internacional). Hoje, o conceito de soberania é
relativizado em razão do ESTADO CONSTITUCIONAL COOPERATIVO (é um
Estado que não se fecha, que não é voltado só para si, que se disponibiliza para
outros Estados – tem a chamada cooperação jurídica internacional, cooperação
jurídica internacional penal, assistência judiciária internacional). O Ministério da
Justiça criou em 2003 o DEPARTAMENTO DE RECUPERAÇÃO DE ATIVOS E
COOPERAÇÃO INTERNACIONAL– DRCI, este Departamento trata, em regra, de
matéria penal, a PF é filiada a INTERPOL (realiza troca de informações, auxílio
mútuo, cooperação nas investigações, extradição, assistência judiciária penal (se
dá na investigação e na ação penal), homologação de sentença estrangeira, troca
de presos)
Art. 1°, II: Quer dizer participação na organização do Estado (é o direito de ter
direitos)
Art. 1°, III: É o que diferencia a pessoa de coisa
Art. 1°, IV: É a humanização do capitalismo. Os direitos trabalhistas devem ser
respeitados (arts. 7° e 8°). Este inciso tem os mesmos primados do art. 170 da
CF.
Art.1°, V: Não se refere somente a diversidade de partidos políticos, mas, ao
direito à diferença, aceitar o diferente, ser tolerante.

ANÁLISE DO ART. 2°
É ver a divisão orgânica de Montesquieu de 1748 com os olhos de 2009.

ANÁLISE DO ART. 3°
Esse artigo é a prova de que a nossa constituição é COMPROMISSÁRIA,
DIRIGENTE.

ANÁLISE DO ART. 4°
São as relações do Brasil na ordem internacional.
Art. 4°, I: Esta Independência Nacional decorre da SOBERANIA do art. 1°, I. Este
inciso fundamenta o DUALISMO JURÍDICO (que é a existência de uma Ordem
Jurídica Nacional e outra Internacional)
Art. 4°, II: Os DIREITOS HUMANOS são a faceta dos Direitos Fundamentais na
ordem internacional. Os Direitos Fundamentais são os Direitos Humanos
positivados em uma constituição. Na ordem internacional são chamados de
Direitos Humanos, na ordem interna são chamados de Direitos Fundamentais.
Art. 4°, III: É um movimento que começa após a 2° guerra mundial que diz que
cada NAÇÃO deve ter um ESTADO. É um sentimento anticolonialista, o que quer
dizer que cada povo deve ser o senhor de seu destino. Por esse inciso que o Brasil
aprovou a criação do Estado de Israel, Palestina.
Art. 4°, IV: Quer dizer que o Brasil não faz guerras de conquistas, somente
guerras defensivas. Quando os EUA invadiram o Iraque, o Brasil não mandou
nenhum soldado porque não concorda com guerras de conquistas.
Art. 4°, V: É uma pregação de Ruy Barbosa na Convenção de Haia, devendo o
Brasil tratar o Haiti e os EUA na ordem internacional de forma igual (é claro que
na prática é difícil).
Art. 4°, VI: O Brasil é um país não – bélico.
Art. 4°, VII: O Brasil resolve seus conflitos através de mediação, arbitragem.
Art. 4°, VIII: Terrorismo é a defesa, proselitismo de idéias políticas religiosas
através da propalação do medo, terror. Não há, hoje, tipo penal para o terrorismo
(art. 5°, XLIII – Esse inciso quando fala que o terrorismo é inafiançável e
imprescritível refere o MANDADO EXPRESSO DE CRIMINALIZAÇÃO ou ORDEM
EXPRESSA DE CRIMINALIZAÇÃO onde entende-se que é uma ordem a Lei criar o
tipo penal do Terrorismo, por isso que se chama de Mandado). O Brasil repudia o
domínio de uma raça sobre a outra (o HC 84424 no STF discute se há ou não
raça, ele é bem interessante).
Art. 4°, IX: É a Interpol e a cooperação em todas as áreas (médica, científica).
4. DIREITOS E GARANTIAS FUNDAMENTAIS

As Constituições anteriores tratavam o Título dos Direitos e Garantias


Fundamentais a partir do artigo 100. A atual Constituição trata logo no início
sobre o tema. Por considerar o indivíduo como um fim e o Estado como um meio
para atingimento deste fim, a atual constituição resolveu elencar os Direitos e
Garantias Fundamentais logo no início, vindo a organização do Estado e Os
Poderes depois. O indivíduo é o mais importante.
O indivíduo é um fim em si mesmo, por isso que ele tem DIGNIDADE, diferente
da coisa que é um meio para atingimento do fim.
Os Direitos e Garantias Fundamentais se repartem em 5 capítulos:
1. Dos direitos e deveres individuais e coletivos (art. 5°)
2. Dos direitos Sociais (art. 6°)
3. Da Nacionalidade (art. 12)
4. Dos Direitos Políticos (art. 14)
5. Dos Partidos Políticos (art. 17)

ANÁLISE DO TÍTULO II – Dos Direitos e Garantias Fundamentais

Precisa-se diferenciar DIREITOS FUNDAMENTAIS de GARANTIAS


FUNDAMENTAIS.
DIREITOS FUNDAMENTAIS: São Normas que declaram a existência de interesses
(são posições jurídicas necessárias a satisfação de uma necessidade). Os direitos
são normas declaratórias. Os Direitos são FUDAMENTAIS, porque sem eles a
pessoa não se realiza, não convive e, as vezes, nem sobrevive (eles são
imprescindíveis). O núcleo dos direitos fundamentais recebe o nome de
DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA (A dignidade da pessoa humana NÃO é um
direito, é um SOBRE-PRINCÍPIO PRÉ-ESTATAL e PRÉ-CONSTITUCIONAL. A
Constituição reconhece algo que já existe). Os Direitos Fundamentais são
posições jurídicas essenciais, necessárias à concretização da Dignidade da Pessoa
Humana
GARANTIAS FUNDAMENTAIS: São normas que asseguram o exercício de direitos.
As garantias são instrumentais. São normas assecuratórias. Ex: o art. 5°, VI diz
que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre
exercício dos cultos religiosos e garantida na forma da Lei a proteção aos locais
de culto” (se trata de uma garantia fundamental que é dada PELA LEI, não se
tratando de remédio constitucional ou garantia processual) IMPORTANTE:
Garantias Fundamentais NÃO são remédios constitucionais (todo Remédio
Constitucional é uma Garantia Fundamental, mas nem toda a Garantia
Fundamental é um Remédio Constitucional). Ex: a liberdade de locomoção é uma
posição jurídica necessária a satisfação de uma necessidade, é um direito
constitucional que quando violado é garantido por uma garantia (e também um
remédio) chamado de Habeas corpus
REMÉDIOS CONSTITUCIONAIS: É um instrumento processual, é uma AÇÃO
CONSTITUCIONAL.

ANÁLISE DO CAPÍTULO I – Dos direitos e deveres individuais


e coletivos

EVOLUÇÃO DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS:

Até 476 d.c. (antiguidade clássica) NÃO se tinha noção de Direitos Fundamentais,
porque não se tinha noção de indivíduo. Após a queda do império romano a
sociedade se ruralizou com medo das invasões bárbaras (que eram todos os povos
que não eram romanos) e foram criados vários centros que emanavam poder (reis,
igreja, senhores feudais, corporações de ofício). Com o cristianismo começaram a
surgir as primeiras noções de direitos fundamentais (pois a bíblia dizia que o
homem foi criado a imagem de Deus, então, todos eram iguais).
Ao final da idade média todos os centros que emanavam poder sozinhos
passaram a se juntar na figura do Absolutismo (surgimento dos Estados
Absolutistas). Por volta de 1500 viu-se a necessidade de unificar as moedas,
exército, comércio. De 1500 a 1789 o indivíduo não tinha direitos frente aquele
que exercia o Poder. Surge o LIBERALISMO com a revolução francesa.
Com o liberalismo surge o ESTADO DE DIREITO (que surgiu com dois
ideais: 1. Divisão orgânica de Poder 2. Direitos e Garantias Fundamentais)

GERAÇÕES DE DIREITOS FUNDAMENTAIS

1. DIREITOS FUNDAMENTAIS DE 1° GERAÇÃO: Surgem a partir da revolução


francesa. São os denominados DIREITOS CIVIS E POLÍTICOS e as LIBERDADES
NEGATIVAS (são uma Inação que quer dizer uma falta de ação do Estado).
Liberdades do indivíduo frente ao Estado, nas quais nós nos contentávamos com
uma omissão do Estado (o Estado passou a ser liberal onde não se preocupava
com as relações econômicas e sociais, existia uma mão invisível que regularia o
mercado). A partir de 1948 surge o manifesto comunista pregando que o Estado
deveria participar de determinadas atividades (com a revolução francesa se
buscava a liberdade e com o manifesto comunista se buscava a Igualdade).
RESUMO: Com a revolução francesa surge o ESTADO LIBERAL (que é um Estado
Garantidor) que prega a liberdade (estes são os direitos fundamentais de 1°
Geração)

2. DIREITOS FUNDAMENTAIS DE 2° GERAÇÃO: Têm início com as


Constituições do México (1917) e da Alemanha - Waimer (1919) que foram
constituições baseadas no manifesto comunista inspiradas na IGUALDADE.
Essas duas constituições marcaram a passagem do ESTADO LIBERAL para o
ESTADO SOCIAL.
RESUMO: Com as Constituições mexicana e alemã surge o ESTADO SOCIAL
(Este Estado Social não é só um Estado PRESTADOR, mas sim um Estado
GARANTIDOR). Além deste Estado proteger a liberdade, ele protege também a
IGUALDADE.
IMPORTANTE: A primeira constituição brasileira que falou nos direitos de 2°
geração foi a Constituição de 1934 (a nossa atual constituição fala nos direitos
sociais no art. 6°)
3. DIREITOS FUNDAMENTAIS DE 3° GERAÇÃO: Com a declaração da ONU em
1948, surgiu o ESTADO CONSTITUCIONAL DEMOCRÁTICO DE DIREITO, que
são os direitos chamados de META INDIVIDUAIS OU DIREITOS COLETIVOS.
Alguns autores entendem que é melhor falarmos NÃO de GERAÇÕES DE
DIREITOS, mas sim de DIMENÇÕES DE DIREITOS (Isso porque a palavra
“geração” da idéia de superação por outra geração e a palavra “dimensão” dá a
idéia de acumulação).
 Nós temos no capítulo I da CF (Dos Direitos e Deveres Individuais e
Coletivos) direitos de 1° e 3° geração. Os direitos de 2° geração estão no
artigo 6° (direitos sociais).

CARACTERÍSTICAS DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS:


1. UNIVERSALIDADE: Se Aplicam às pessoas físicas, jurídicas e aos
estrangeiros
2. HISTORICIDADE: Os direitos Fundamentais decorrem de uma evolução
histórica (das gerações de Direitos Fundamentais)
3. NÃO-TAXATIVIDADE: Art. 5°§2° (este parágrafo é denominado como
NORMA DE REENVIO – É uma cláusula aberta de recepção a outros direitos), Os
direitos Fundamentais não estão somente no art. 5° ou 17°, mas em toda a CF.
Ex: o princípio da anterioridade tributária está no art. 145. Os Direitos
Fundamentais estão em PRINCÍPIOS, NO SISTEMA ou em TRATADOS
INTERNACIONAIS.
4. IMPRESCRITIBILIDADE: Os Direitos Fundamentais não se sujeitam a
prazos.
5. LIMITABILIDADE: Não existem Direitos Fundamentais absolutos, todos são
limitados, relativos. Esta característica decorre do PRINCÍPIO DA LIVRE
CONVIVÊNCIA DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS. (a vida e a liberdade são
limitados pois pode-se matar em legitima defesa e existem prisões). OBS: para
Bobbio existem alguns direitos fundamentais que são Absolutos, Ex: o direito de
não ser torturado e o direito de não ser escravizado
6. APLICABILIDADE IMEDIATA: Art. 5°§1°. Os Direitos Fundamentais
independem de normatização futura para que tenham imediata operacionalidade.
FUNÇÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS:

1. FUNÇÃO DE DEFESA OU DE LIBERDADE: Os Direitos Fundamentais


funcionam como um muro de defesa que nos protegem contra a arbitrariedade do
Estado.
2. FUNÇÃO DE PRESTAÇÃO: Os Direitos Fundamentais devem suprir as
necessidades dos indivíduos, superando as desigualdades materiais.
3. FUNÇÃO DE PROTEÇÃO PERANTE TERCEIROS: O Estado tem o dever de
proteger os titulares dos Direitos Fundamentais frente a ação de terceiros. O
Estado tem a obrigação de adotar medidas positivas necessárias à proteção dos
direitos fundamentais. Se chamam de DEVERES FUNDAMENTAIS DE
PROTEÇÃO. Seria Inconstitucional uma lei que descriminalizasse o homicídio
pois o Estado tem o dever de proteger os titulares dos direitos fundamentais
frente a ação de terceiros.
4. DIMENSÕES DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS: A doutrina aponta duas
dimensões de Direitos Fundamentais: 1) Dimensão Subjetiva dos Direitos
Fundamentais: Diz que os Direitos Fundamentais São Direitos Subjetivos de
defesa do indivíduo contra atos do Poder Público, 2) Dimensão objetiva dos
Direitos Fundamentais: Os direitos fundamentais significam pautas, norte para a
atuação do Estado, os referidos direitos devem não só ser respeitados mas
concretizados (aqui, como policial, delegado, juiz, promotor, sempre se deve
buscar como norte os Direitos Fundamentais no seu trabalho). A consequência
da aplicação da dimensão objetiva é a EFICÁCIA HORIZONTAL o respeito aos
direitos fundamentais entre particulares. O STF adota a EFICÁCIA
HORIZONTAL(é horizontal porque os particulares estão no mesmo nível).

Art. 5° “Caput”: Os destinatários deste artigo são toda pessoa física que se
encontrar dentro do território nacional. As Pessoas Jurídicas também podem se
valer dos direitos fundamentais (claro que pela natureza das mesmas elas não
podem utilizar todos os direitos fundamentais como direito a locomoção e direito
de crença). O legislador quando falou dos “estrangeiros residentes no país”, disse
menos do que queria.

DIREITOS FUNDAMENTAIS EM ESPÉCIE

Art. 5° “caput”: enumera 5 direitos que são: 1) Vida: é o direito a uma existência
digna (Se divide em uma vida digna moral que é o direito de ter direitos que é o
art. 5°. E uma vida digna material que quer dizer um piso mínimo de dignidade
que se traduz em um mínimo de condições ofertado pelo estado que são os
direitos do art. 6°, a sociedade é credora do art. 6°). A nossa Constituição é
classificada como GARANTIA, DIRIGENTE (OU COMPROMISSÁRIA – eis que no
art. 3° existem objetivos a se atingir). O direito à vida também abrange o direito
penal eis que existe o crime de Lesão Corporal para proteger o corpo porque é
onde a vida se materializa. 2) Liberdade: Escolha de destino, auto – determinação.
Ex: Liberdade de locomoção, de associação, de reunião, de manifestação de
pensamento, de consciência (pode-se expressar politicamente, filosoficamente,
religiosamente onde isto decorre do art. 1° que fala em pluralismo político. Eu
posso ser ateu, crente ou agnóstico – acreditar em um deus próprio), crença (pode
professar umbanda ou qualquer crença), culto (é a liturgia que quer dizer as
manifestações de uma crença) etc... (Espécies de relações entre o Estado e a
Igreja: 1) Fusão: o chefe de Estado ou é Deus ou representante de Deus na Terra,
são os estados Teocratas como Vaticano ou Arábia saudita. 2) União (ou Estado
Confecional): entre o Estado e a Igreja, são os Estados que possuem religiões
oficiais como Argentina e Espanha – o Brasil era católico de 1824 a 1891). 3)
Separação entre o Estado e a Igreja (Estados não confecionais, Leigos ou Laicos),
o Brasil diz que é Laico no art. 19, I. 3) Igualdade: É igualdade de condições e de
oportunidade (é tratar os desiguais de forma desigual, como o direito das
mulheres de se aposentarem antes dos homens) como o buscado nas AÇÕES
AFIRMATIVAS que procuram igualar aos demais utilizando o Estatuto do Idoso, o
ECA etc. 4) Segurança: Se refere à segurança jurídica, a Estabilidade (um cidadão
não pode ser investigado em um Inquérito por 20 anos, pois ele não teria
segurança, estabilidade em sua vida). Desta segurança jurídica decorrem os
prazos processuais, prescricionais e decorre também a TRILOGIA DA
IRRETROATIVIDADE (art. 5°, XXXVI – a Lei não prejudicará o direito adquirido, o
ato jurídico perfeito e a coisa julgada). Diferentemente do art. 6° “caput” que fala
em SEGURANÇA, referindo-se sim à SEGURANÇA PÚBLICA, já que o art. 6° se
refere aos direitos fundamentais de 2° geração (neste artigo é uma obrigação do
Estado). 5) Propriedade: A CF adota o capitalismo no art. 1° quando fala na
Iniciativa Privada. O direito de Propriedade se traduz em monopólio exclusivo
sobre um determinado bem. Não confundir a Propriedade aqui referida que faz
menção aos bens (carro, casa) com a PROPRIEDADE DOS MEIOS DE
PRODUÇÃO do art. 170 da CF (estes são bens inconsumíveis que são utilizados
para a produção de outros bens)

5. DIVISÃO ORGÂNICA DOS PODERES

A idade antiga perdurou até 476 D.C. onde caiu Roma do ocidente e adentrou-se
na idade média onde havia diversos centros de poder: Senhores Feudais, Igreja,
Corporações de Ofício, Nobres. Em 1513 (“o Príncipe” de Maquiavel) todos estes
centros de poder se transformaram em um só (pelas necessidades de comércio, de
um exército único), onde foi criado o ESTADO ABSOLUTO (Estado Moderno).
Seguindo foi escrita a obra de Jhon Lock em 1690 (“o segundo tratado do governo
civil”) que disse que Aristóteles está certo quando refere em seu livro “Política”
que o ser que desempenha poder 1) Cria uma norma geral 2) Aplica a norma geral
ao caso concreto 3) Resolve os conflitos de interesse. Em 1748 Montesquieu
escreveu o livro “O espírito da Lei” onde ele diz que as 3 funções não podem ser
exercidas por 1 único órgão, daí ele criou a DIVISÃO ORGÂNICA DOS PODERES.
Com a revolução francesa se sai do ESTADO ABSOLUTO e se adentra no
ESTADO DE DIREITO (o Estado de Direito ostenta as seguintes
características:1) Divisão orgânica do Poder 2) Direitos e Garantias do
Cidadão frente aquele que exerce o Poder – estes são os direitos
fundamentais de primeira geração)
Todas as constituições brasileiras, menos a de 1824, adotaram a divisão
orgânica de Montesquieu.
ATRIBUIÇÕES TÍPICAS E ATÍPICAS DOS ÓRGÃOS QUE
EXERCEM PARCELA DA SOBERANIA DO ESTADO

1. PODER LEGISLATIVO: ATIVIDADE TÍPICA: a) Inova a ordem jurídica criando


genericamente leis (art. 59) b) Fiscalização político-administrativa (art. 58 CPI’S) e
Fiscalização economico-financeira (art. 70 a 75). ATIVIDADE ATÍPICA: a) O
legislativo administra seus assuntos internos arts. 51 e 52 b) O Legislativo julga
(art. 52 § Ú)
2. PODER EXECUTIVO: ATIVIDADE TÍPICA: a) aplica a lei ao caso concreto
administrando a coisa pública. ATIVIDADE ATÍPICA: a) Executivo Legisla (medida
provisória) e inova o ordenamento jurídico (decretos) b) Executivo julga (Licitação,
Processo Administrativo Disciplinar e recurso administrativo em concurso
público)
3. PODER JUDICIÁRIO: ATIVIDADE TÍPICA: a) Aplica a Lei ao caso concreto
substitui a vontade das partes e resolve o conflito com força definitiva b) Defesa
de Direitos Fundamentais c) Resolve os conflitos entre os poderes d) Realiza o
Controle de Constitucionalidade. ATIVIDADE ATÍPICA: a) Administra seus
assuntos internos (autogoverno dos tribunais), o Poder judiciário elege seus
órgãos diretivos b) Regulamenta seus assuntos internos c) o Poder Judiciário
“legisla” (Regimentos internos, súmulas vinculantes)
Não é correto falar-se em divisão tripartite dos poderes porque, como visto, cada
poder exerce várias funções e não somente as suas funções PRECÍPUAS (Típicas)
As funções típicas e atípicas tem o objetivo de GARANTIR A INDEPENDÊNCIA DE
UM ÓRGÃO EM RELAÇÃO A OUTRO.
ESSAS DIVISÕES SÃO PARA VER O PODER COMO ÓRGÃO (art. 2°).

FUNÇÃO LEGISLATIVA (art. 44)

O Legislativo da União é exercido pelo Congresso Nacional. O Legislativo da


União é bicameral, enquanto o legislativo dos Estados E Municípios é unicameral.
O bicameralismo brasileiro é do tipo Federativo de Equilíbrio ou Equivalência que
quer dizer que ambas as casas têm a mesma importância, pois uma das
características da federação é a participação dos Estados Membros na formulação
da Lei (Senado Federal). Na Inglaterra existe o Bicameralismo Aristocrático (onde
existem duas casas porém uma dos nobres e outra do povo – lá não existe
equilíbrio entre as duas casas)

FORMAS DE MANIFESTAÇÃO DO LEGISLATIVO DA UNIÃO

1. SÓ A CÂMARA DOS DEPUTADOS (Art. 51): Resolução

2. SÓ O SENADO FEDERAL (Art. 52): Resolução

3. CONGRESSO NACIONAL (Art. 49): Decreto Legislativo (Sem a participação do


Chefe do Executivo)

4. CÂMARA DEPOIS SENADO (Art. 48): Lei Complementar ou Lei Ordinária (Com
a participação do Chefe do Executivo)

5. SENADO DEPOIS CÂMARA (Art. 48): Lei Complementar ou Lei Ordinária (Com
a participação do Chefe do Executivo)

6. PODER LEGISLATIVO INVESTIDO DO PODER CONSTITUINTE DERIVADO


REFORMADOR (Art. 60): Emenda Constitucional (Sem a participação do Chefe do
Executivo)

LEGISLATURA(Art 44 § Ú): É o mandato de um representante, dura 4 anos e se


divide em 4 sessões legislativas (1 por ano, art. 57) (De 02/02 a 17/07 (recesso) e
de 01/08 a 22/12) = 1 Sessão Legislativa que se divide em 2 períodos (art. 58§4°)

TEORIA DAS MAIORIAS: Temos 513 deputados federais e 81 senadores.


MAIORIA ABSOLUTA DE VOTOS: É fixa, não se altera. É o primeiro número
inteiro acima da metade dos membros da casa legislativa(se tiver 100
representantes ela é 51 – é errado dizer que é a metade mais um).
QUORUM: (art. 47 esse artigo nos dá a regra de que todas as Leis serão feitas por
maioria simples ressalvado os casos expressos na CF, como o art. 69 que diz que
as Leis Complementares serão aprovados por maioria absoluta) É preciso que
estejam presentes na sessão de votação a maioria absoluta de parlamentares
para que seja deliberada alguma matéria (a conferência é feita conforme cada
deputado chega em sua mesa e digita sua senha)
MAIORIA RELATIVA: É variável. É A REGRA LEGISLATIVA. Depende do
número de parlamentares presentes na referida sessão legislativa (Se estiverem
presentes 65 parlamentares, a maioria relativa será de 33 porque é o primeiro
número inteiro acima da metade que é 32,5).
MAIORIA QUALIFICADA: É expressa através de uma fração (dois terços 2/3 dos
votos no art. 52 § Ú ou 3/5 dos votos no art. 60)

DEPUTADOS FEDERAIS

São os representantes do povo (brasileiros natos e naturalizados


ressalvados os estrangeiros.)
O número de deputados federais de um Estado leva em conta a quantidade
da população do referido ente federado – Ver LC 78/93 (é importante ressalvar
que POPULAÇÃO é um conceito geográfico matemático, onde dentro dele estão
incluídos os nacionais, estrangeiros e apátridas e, mesmo não sendo os
deputados representantes destes últimos eles são contados para o critério
determinante de cada deputado por Estado Federado).
Cada Estado tem no mínimo 8 (Acre) e no máximo 70 (São Paulo)
deputados federais. Não existem mais territórios federais mas se eles forem
criados de novo cada um deles deveria ter 4 deputados federais.
Existe uma Lei Federal que diz a porcentagem de deputados federais que
devem existir em cada Estado conforme o número da referida população.
O número de Deputados Federais por Estado influi no número de
deputados Estaduais (para se saber o número dos Deputados Estaduais se
multiplica o número dos Deputados Federais por 3 em Estados Federados que
comportem de 8 a 12 Deputados Federais ART. 27 > Ex: o Estado que tiver 12
Federais terá 36 Estaduais, 13 Federais terá 37 Estaduais e 14 Federais terá 38
Estaduais. SÃO PAULO tem 70 federais então será 36 + 58 = 94 deputados
estaduais).

SENADORES

São representantes dos Estados Membros e do Distrito Federal. Cada


Estado e o Distrito Federal possuem 3 senadores (não interessa o tamanho do
Estado ou sua população, sempre serão 3, o que dá um total de 81 SENADORES)
Cada Senador exerce mandato de 8 anos, portanto são duas legislaturas. A
CÂMARA DOS DEPUTADOS se renova a cada 4 anos. A renovação do SENADO
FEDERAL se faz em uma legislatura com 1/3 (27 senadores) e em outra com 2/3
(54 senadores) > Ex: em 2006 cada Estado + DF elegeu 1 Senador e em 2010
cada Estado + DF elegeu 2 Senadores.
Se existirem TERRITÓRIOS FEDERAIS eles NÃO terão SENADORES,
somente DEPUTADOS FEDERAIS.
Cada Senador é eleito com dois suplentes (o instituto da suplência tem
várias críticas por que os suplentes somente registram a candidatura com o
Senador eleito e quando o Senador está impedido de participar das votações são
os suplentes que o fazem. Existe PEC para retirar o suplente alegando que eles
não foram eleitos – geralmente quem é o suplente é quem banca a campanha –
ocorre inclusive de ser suplente o marido, filho, pai, etc... do Senador).

SISTEMAS ELEITORAIS

São regras que definem quais são os eleitos e como eles são eleitos:
SISTEMA ELEITORAL MAJORITÁRIO: a)Valoriza-se o candidato registrado por
partido político. b) Cada partido político só pode lançar um candidato por cargo
em disputa. Este sistema é adotado nas seguintes eleições: PRESIDENTE,
GOVERNADOR, PREFEITO E SENADOR.
MAJORITÁRIO ABSOLUTO (ou com segundo turno de votação): eleição para
presidente, governador e prefeito com mais de 200.000 eleitores (não é
habitantes). A CF neste caso exige que quem ganhar alcance no mínimo a maioria
absoluta dos votos validos (são aqueles ofertados subtraindo-se os em branco e
os nulos – art. 77 § 2°) > o Sistema Majoritário absoluto existe para que não seja
eleito um chefe do executivo com somente 20% de legitimidade do eleitorado
nacional.
MAJORITÁRIO SIMPLES: eleição para senador e prefeito com menos de 200.000
eleitores

SISTEMA ELEITORAL PROPORCIONAL: a)Valoriza-se o Partido Político pelo


qual o candidato está disputando a eleição. b)Cada partido político pode lançar
mais de um candidato por cargo em disputa. Este sistema é adotado nas
seguintes eleições: DEPUTADOS FEDERAIS, DEPUTADOS ESTADUAIS E
VEREADORES. Neste Sistema NEM SEMPRE o candidato mais votado será eleito.
Neste Sistema existe o Voto de Legenda.
ETAPAS (fases) PARA DEFINIR OS ELEITOS NO SISTEMA ELEITORAL
PROPORCIONAL (Estão no Código Eleitoral):
a) Encontrar o número de votos válidos (art. 77§ 2°)
b) Quociente Eleitoral (divide-se o numero de votos validos pelo número das
cadeiras em disputa (vagas) na eleição que é o número de deputados
federais/estaduais de cada estado e vereadores)
c) Quociente Partidário (divide-se o numero de votos validos ofertados ao
partido político pelo quociente eleitoral)
d) Os eleitos dentro de cada partido
e) Técnica de divisão das sobras
EXEMPLO: 1 Milhão de votos válidos p/ deputado federal em um estado que
tenha 10 deputados (se divide 1 milhão por 10 que dá 100.000 – quociente
eleitoral)
MESAS: É o órgão de direção de um colegiado é encarregada da direção dos
trabalhos administrativos daquela casa. Qualquer órgão colegiado tem Mesas. As
Regras estão nos regimentos internos das casas. O Legislativo da União tem 3
mesas 1) MESA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS: composta somente por
Deputados Federais 2) MESA DO SENADO FEDERAL: composta só por senadores
3) MESA DO CONGRESSO NACIONAL: Composta por Senadores e Deputados
Federais. Cada mesa Possui os seguintes cargos: a) Presidente b) Primeiro vice –
presidente c) segundo vice – presidente d) 1°2°3°4° secretários. Todos que
exercem Cargo em mesas exercem mandato de 2 anos vedada a eleição para o
mandato seguinte (art. 57 §4°, a vedação deste artigo não se aplica ao Legislativo
Estadual e Municipal).
OBS: (Art. 57 § 5°) O Presidente do Senado Federal automaticamente é presidente
do Congresso Nacional. Os demais cargos da Mesa do Congresso são exercidos de
forma alternada por deputados e senadores que exercem os mesmos cargos nas
mesas da Câmara e do Senado. O Vice – presidente do Congresso é o Deputado
Federal que exerce a Vice – Presidência da Câmara dos Deputados e o segundo
vice presidente é um Senador que exerce esse cargo no Senado Federal e assim
sucessivamente. O Presidente da Câmara dos Deputados não ocupa nenhum
cargo no Congresso Nacional.
As Mesas da Câmara e do Senado tem Legitimidade para Propor ADIN – Art. 103
(A MESA DO CONGRESSO NÃO TEM). Art. 60 § 3° as mesas da Câmara e do
Senado que promulgam as Emendas.

ESPÉCIES NORMATIVAS

 O PROCESSO LEGISLATIVO compreende a elaboração de:

I- EC - Emendas à Constituição;
II - LC - Leis Complementares;
III - LO - Leis Ordinárias;
IV - LD - Leis delegadas;
V- MP - Medidas Provisórias;
VI - DL - Decretos Legislativos;
VII - Resoluções.
FUNÇÃO EXECUTIVA
Aplica a Lei ao caso concreto administrando a coisa pública (ex: quando
ocorre um homicídio, o poder executivo aplica a norma do art. 121 do CP por
meio da investigação e produção do inquérito policial).
No Brasil uma única autoridade exerce o Poder Executivo, é o chamado
EXECUTIVO MONOCRÁTICO (art. 76) e nos dá notícia do regime/sistema de
governo PRESIDENCIALISTA, já que no sistema PARLAMENTARISTA existe o
EXECUTIVO DUAL onde duas ou mais autoridades exercem o mesmo.
REQUISITOS PARA SER PRESIDENTE DA REPÚBLICA(são os mesmos para o
vice):
a) Ser brasileiro Nato.
b) Idade mínima de 35 anos (adquire a CAPACIDADE POLÍTICA
ABSOLUTA). Não existe idade MÁXIMA para cargo eletivo, pode ter
100 anos.
c) Filiação partidária, art. 14§3°.
d) Plenitude do exercício dos direitos políticos (não os ter perdido
nem suspenso)
e) Não incorrer em nenhuma das causas do art. 15
O presidente e o vice são eleitos conjuntamente, pelo SISTEMA ELEITORAL
MAJORITÁRIO. O presidente e o vice tomam posse em sessão conjunta do
Congresso. O presidente OU o vice devem tomar posse ATÉ o dia 11 de janeiro,
sob pena dos cargos serem declarados vagos pelo CONGRESSO NACIONAL. O
vice – presidente desempenha missões especiais amando do presidente (pois não
existe Lei Complementar sobre suas atribuições, art. 79§Ú).
SUCESSÃO X SUBSTITUIÇÃO

SUCESSÃO EM SENTIDO RESTRITO: Ocorre nos casos de vacância (é definitiva,


morte, renúncia), diferentemente de impedimentos (temporário, viagens, férias,
licença).
SUBSTITUIÇÃO: Se dão nos casos de IMPEDIMENTOS
Somente o Vice Presidente SUCEDE o presidente no exercício do cargo (é
definitivo). As demais autoridades na linha sucessória somente SUBSTITUEM o
Presidente.

VACÂNCIA DO CARGO DE PRESIDENTE


Art. 81§1°

Vacância do cargo nos primeiros 2 1. Eleições DIRETAS em 90


anos: dias
Vacância do cargo nos últimos 2 2. Eleições INDIRETAS em 30
anos: dias
ÚNICO caso de ELEIÇÃO INDIRETA na CF é nos 2 últimos 2 anos de mandato
(Art. 81§1° - não existe a Lei que regulamenta a ELEIÇÃO INDIRETA).
Serão eleitos na vacância dos cargos de Presidente e Vice também um presidente
e um vice que cobrirão o que restou do último mandato que vagou, art. 81§2°
(essa regra se justifica porque precisa-se que os cargos do executivo sejam
coincidentes).

FUNÇÃO JUDICIÁRIA

FUNÇÕES DO JUDICIÁRIO:

1) Em 1748, quando Montesquieu escreveu o livro do Espírito das Leis, ele


admitia que o Poder Judiciário tinha por função aplicar o direito ao caso
concreto, substituindo a vontade das partes e resolvendo o conflito com força
definitiva.
2) Hoje em dia as funções do Poder Judiciário são muito maiores do que estas,
como: O Poder Judiciário busca a defesa dos direitos fundamentais – além de
respeitá-los deve concretizá-los (após a 2° guerra mundial começou-se este
movimento).
3) O Poder Judiciário realiza o seu autogoverno, garantindo assim sua
Independência frente ao Legislativo e ao Executivo. Como decorrência deste
autogoverno tem-se: autonomia administrativa, autonomia financeira e
autonomia funcional (diferentemente das garantias dos juízes que são a
Vitaliciedade, inamovibilidade e irredutibilidade de subsídios).
4) O Poder Judiciário resolve os conflitos entre os demais poderes, para se
evitar a hipertrofia de um dos poderes em detrimento do outro e abuso de poder
(ex: se o executivo edita um Ato Administrativo arbitrário ele é anulado pelo
judiciário).
5) O Poder Judiciário defende a supremacia da constituição, por meio do
controle de constitucionalidade.

CARACTERÍSTICAS DA FUNÇÃO JURISDICIONAL

A prestação jurisdicional é exercício de parcela da soberania do Estado. O


Poder, que recebe o nome de SOBERANIA POPULAR se manifesta através da LEI
(P. legislativo), do ATO ADMINISTRATIVO (P. Executivo) e da DECISÃO (P.
Judiciário)

INÉRCIA

Não existe jurisdição sem autor. Não existe processo sem parte. Não existe
decisão de ofício. O juiz deve ser inerte para manutenção de sua capacidade
subjetiva (imparcialidade). O direito a um juiz imparcial é UM DIREITO
FUNDAMENTAL do cidadão, esta imparcialidade do Juiz decorre do art. 5°, LIII
(devido processo legal) que se refere até o ajuizamento da ação penal (eis que após
a ação ajuizada o juiz passa a ter poderes instrutórios, questionando-se se ele
ainda seria imparcial).
QUESTÕES POLÊMICAS:
1) O juiz é provocado pelo MP (art. 127) e OAB (art. 133) – levando-se em
conta a possibilidade de provocar o Juiz do MP e OAB pergunta-se: porque
o delegado pode Representar pela preventiva? e pela busca e apreensão?, já
que ele não tem capacidade postulatória.
2) Como pode o juiz decretar a Prisão Preventiva de ofício se ele é imparcial?
Existe uma corrente minoritária que diz que o delegado não pode representar
pela preventiva ou busca e apreensão porque ele não tem capacidade
postulatória, e o que ocorre na prática é o seguinte: o delegado representa pela
prisão preventiva do acusado o juiz ouve o MP que diz que não concorda com a
prisão (porque as circunstancias autorizadoras não estão presentes), os autos
voltam ao juiz que acaba por decretar a prisão preventiva, ao final dos 30 dias o
delegado relata ao juiz que o cidadão está preso, o juiz remete ao MP que requer o
arquivamento do inquerito policial porque a prova é ilícita, e o juiz não pode
denunciar daí ele manda para o art. 28 do CPP e enquanto isso o cidadão
continua preso. Vislumbra-se que ocorre uma distorção do sistema permitir que o
delegado represente pela prisão preventiva. Também existe quem defenda
MINORITARIAMENTE que não pode juiz instaurar inquérito policial (art. 5, II do
CPP) pois fere a imparcialidade do juiz que está psicologicamente comprometido
com a causa.

SUBSTITUTIVIDADE

Em um determinado momento histórico o Estado trouxe para si o


monopólio da jurisdição onde ele diz que: qualquer conflito de interesses EU
resolverei: Esse princípio se chama de PRINCÍPIO DA INAFASTABILIDADE OU
INDECLINABILIDADE que está no art. 5°, XXXV.

DEFINITIVIDADE
Só as decisões judiciais trazem a paz, a definitividade, a estabilidade, a
segurança jurídica, tem-se a COISA JULGADA (hoje em dia a Coisa Julgada pode
ser relativizada).

ESTRUTURA (organização) DO PODER JUDICIÁRIO


STF
CNJ

STJ TSE STM TST

TRF TJ TRE TM (Tribunais Militares) TRT

JF JE JE (Juíses Eleitorais) AM(Auditorias Militares) JT (Juíses do

t.)
(juíses federais e estaduais)

Juntas Eleitorais
O STF é SUPERIOR aos Tribunais Superiores e não é um Tribunal
Superior.
O CNJ está abaixo do STF e acima dos Tribunais Superiores e não possui
jurisdição (é um órgão administrativo) art. 92 §1° e 2°.
O STJ (+ TRF, TJ, Justiça Federal, Justiça Estadual ) são Justiça Comum.
O TSE, STM, TST são JUSTIÇAS ESPECIALIZADAS (especiais)
Os Tribunais Militares ainda não foram criados.
São 5 TRF’S, 27 TJ’S, 27 TRE’S
JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL: 1° Grau (Conselhos de Justiça) e 2°Grau
(Tribunal de Justiça ou Tribunal Militar no caso do RS, SP, MG). O Conselho de
Justiça é composto por Um Juiz de Direito ou um colegiado.

SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

Composto por 11 ministros, art. 101.


Requisitos para ser ministro do STF:
a) Ser brasileiro nato, art. 12§3° (por estar na linha sucessória do presidente).
b) Idade de 35 a 65 anos (aos 35 anos se atinge a capacidade política
absoluta).
c) Notável conhecimento jurídico (é aquele conhecimento que dispensa prova).
d) Apesar da CF não falar que precisa da faculdade de direito, a doutrina
entende que no mínimo se tenha esse requisito.
e) Reputação ilibada.
f) O presidente escolhe livremente um brasileiro que tenha essas
características onde o mesmo é SABATINADO pelo Congresso por MAIORIA
ABSOLUTA de votos.

SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA

Composto por, NO MÍNIMO, 33 ministros (São os únicos 2 tribunais no


Brasil que tem seu efetivo variável, o TSE também tem no mínimo 7 ministros).
A razão da criação do STJ com a CF de 1988 foi para se criar uma
UNIFORMIZAÇÃO da jurisprudência da JUSTIÇA COMUM ESTADUAL e da
JUSTIÇA COMUM FEDERAL, por isso o STJ é um TRIBUNAL NACIONAL.
Requisitos para ser ministro do STJ:
a) Ser brasileiro Nato ou Naturalizado
b) Idade de 35 a 65 anos (aos 35 anos se atinge a capacidade política
absoluta).
c) Notável conhecimento jurídico (é aquele conhecimento que dispensa prova).
d) Apesar da CF não falar que precisa da faculdade de direito, a doutrina
entende que no mínimo se tenha esse requisito.
e) Reputação ilibada.
O presidente NÃO escolhe LIVREMENTE um brasileiro que tenha essas
características onde o mesmo é SABATINADO pelo Congresso por MAIORIA
ABSOLUTA de votos. Deve-se respeitar determinadas categorias de escolha,
que são: Os ministros escolhidos segundo 1/3 (11) de desembargadores dos
Tribunais de Justiça, 1/3 (11) dos TRF’S e 1/3 entre advogados e membros do
MP (5 advogados e 5 do MP + 1 de forma alternada).
 O motivo do Ministro do STF e STJ ser escolhido pelo Presidente e
sabatinado pelo Senado é pelo Sistema de Freios e Contrapesos (ou de
freios e contra-freios)
TRIBUNAIS REGIONAIS FEDERAIS

Passaram a existir após a CF/88


 TRF 1° Região (Sede: Brasília – DF + 13 Estados – todos da Região Norte, da
Região centro oeste menos MT, do Sudeste Minas Gerais, do Nordeste BH,
MA, PI)
 TRF 2° Região (Sede: Rio de Janeiro – RJ + ES)
 TRF 3° Região (Sede: São Paulo – SP + MT)
 TRF 4° Região (Sede: POA/RS – SC + PR)
 TRF 5° Região (Sede: Pernambuco – abrange todos os Estados do nordeste
menos BH, MA e PI)
 È possível a criação de novos TRF’S (leva-se em conta o número de
processos e de habitantes da região)
a) Cada TRF tem que ter no mínimo 7 desembargadores (na prática todos
os TRF’S tem mais de 7)
b) Idade mínima de 30 anos

JUSTIÇA FEDERAL (1° GRAU)

a) A justiça federal de 1° grau foi criada pela Lei 5010/66.


b) Cada Estado é dividido em uma Seção Judiciária Federal. Cada Seção
Judiciária é dividida em uma Subseção Judiciária Federal (que geralmente
é um Município). Geralmente, em cada Subseção Judiciária existe uma
delegacia da Polícia Federal. NÃO EXISTE COMARCA NA JUSTIÇA
FEDERAL.

TRIBUNAIS DE JUSTIÇA
a) Cada TJ tem que ter no mínimo 7 desembargadores (O TJ de Roraima tem
7 desembargadores, o de MT tem 30 desembargadores, o de SP tem 360). Leva-se
em conta o número de processos e de habitantes da região
b) Idade mínima de 30 anos

JUSTIÇA ESTADUAL (1° GRAU)


a) Possui Comarcas

TRIBUNAL SUPERIOR ELEITORAL

a) No mínimo, 7 ministros, escolhidos dentre 3 do STF (um deles será o


presidente), 2 do STJ (um deles será o Corregedor Geral), 2 advogados (eles
podem continuar advogando menos em matéria eleitoral). O mandato é de 2 anos
havendo UMA recondução por mais 2 anos.
Estas regras se aplicam a toda a JUSTIÇA ELEITORAL:
b) A Justiça Eleitoral é uma JUSTIÇA FEDERAL ESPECIALIZADA. Então, a
competência para investigar crimes eleitorais é da Polícia Federal.
c) Não existe um quadro próprio de juízes eleitorais, a Justiça Eleitoral pega
emprestados Juízes Estaduais e Juízes Federais.
d) Todos os juízes da Justiça Eleitoral exercem mandato de 2 anos permitida
uma ÚNICA recondução por mais 2 anos (essa regra é para se evitar um
comprometimento do juiz com os partidos políticos).

TRIBUNAL REGIONAL ELEITORAL

a) Existem 27 TRE’S no Brasil


b) O mandato é de 2 anos havendo UMA recondução por mais 2 anos.
c) Cada TRE são 7 JUÍZES (2 desembargadores (um deles será o presidente) do
TJ, 2 Juízes de Direito da entrância mais elevada, 2 Advogados (podem advogar,
menos com eleitoral ), 1 REPRESENTANTE da Justiça Federal – pode ser um
desembargador federal ou um juiz federal). O mandato é de 2 anos havendo UMA
recondução por mais 2 anos.
JUIZ ELEITORAL
É um Juiz de Direito no exercício de uma função federal. É o Juiz de Direito
que exerce a Função de Juiz Eleitoral em virtude do PINCÍPIO DA DELEGAÇÃO.
JUNTA ELEITORAL
É o próprio Juiz Eleitoral e mais 2 ou 4 cidadãos (está no código eleitoral).
JUSTIÇA MILITAR DA UNIÃO
a) Julga os crimes militares previstos no Dec. Lei 1001/69
b) Somente julga os crimes militares
c) Julga os crimes militares praticados por membros das forças armadas e
por civis.

SUPERIOR TRIBUNAL MILITAR


a) É composto por 15 Ministros (10 militares – sendo 3 Oficiais Generais da
marinha e aeronáutica, 4 do exército de cada força armada , e 5 civis – sendo 3
advogados, 1 juiz auditor militar e 1 membro do MP militar).
b) Idade de 35 a 65 anos (aos 35 anos se atinge a capacidade política
absoluta).
c) São escolhidos pelo presidente e a escolha do nome é aprovada pelo
Senado.
d) NÃO existem Tribunais Militares da União (ainda não foram criados).

AUDITORIAS MILITARES

São 12 as auditorias militares em todo o território brasileiro.


Elas funcionam de duas maneiras: a) Conselho permanente (se compõe do
Juiz auditor militar + oficiais militares) onde julga não-oficiais(praças) e civis e
b) Conselho especial: julga oficiais das forças armadas (menos os oficiais generais
que são julgados pelo STM).
Quando o crime militar for praticado contra civil, será julgado por UM JUIZ
SINGULAR.
QUANDO a vítima também for militar, daí se julgará por um COLEGIADO.

JUSTIÇA MILITAR ESTADUAL

É a única JUSTIÇA ESPECIALIZADA que pode ser criada pelo Estado.


Somente pode ser criada por INICIATIVA PRIVATIVA do Tribunal de Justiça (o
mesmo tribunal de justiça que cria o TJM pode enviar proposta para extinguí-lo,
art. 125§3°).
Algumas regras:
 Nunca julga civis, só policial militar e bombeiro (súm. 53 STJ)
 NUNCA julga Crimes dolosos contra a vida quando a vítima for civil (quem
julga é a justiça comum, Lei 9299/96).
 Crime de tortura praticado pelo policial militar é julgado pela justiça
comum.
 Crime de ABUSO DE AUTORIDADE praticado pelo policial militar é julgado
pela justiça comum.
 A E.C. 45/2004 DEU A JUSTIÇA MILITAR DO ESTADO COMPETÊNCIA
CÍVEL. SOMENTE foi atribuída essa competência ao Estado, NÃO à União.
 POLICIAL MILITAR comete um crime doloso contra a vida, onde a vítima
também é policial militar, quem julga é o Conselho de justiça, Colegiado
(porque a vítima também é militar). Art. 125§4°
 Policial militar comete um crime doloso contra a vida onde a vítima é civil,
quem julga é a justiça comum. Art. 125§5°

TRIBUNAL SUPERIOR DO TRABALHO

a) Compõe-se de 27 ministros, todos togados e vitalícios. Não existem mais juízes


classistas.
b) Todos com mais de 35 anos, escolhidos pelo presidente e aprovados pelo
Senado.
c) 1/5 escolhidos dentre membros do MP e Advogados, o que dá 3 advogados e 3
membros do MP.

TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO

a) número mínimo 7
b) Existem estados que não possuem TRT. Ao todo são 25 no Brasil.

ÓRGÃO ESPECIAL

 Naqueles Tribunais com efetivo superior a 25 membros, poderá ser criado


órgão especial, o STF não tem isto pois são 11 ministros (art. 93, XI – esta norma
não precisa de complementação futura). Este órgão especial terá no mínimo 11 e
no máximo 25 membros. Até a EC 45 quem fazia parte do órgão especial eram os
membros mais antigos, após, passou a ser a metade mais antiga e a outra
metade por eleição.

CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA


a) Não exerce jurisdição, é um órgão administrativo (art. 92§2°)
b) É composto de 15 membros
c) O CNJ não é um órgão de Controle Externo do judiciário porque dos seus
15 membros, 9 são juízes.
d) O CNJ por não exercer jurisdição não pode se imiscuir ou reformar
decisões judiciais, por isso, também, não exerce o controle externo do judiciário.
SEGURANÇA PÚBLICA – ART. 144
O art. 144 da CF decorre do da “SEGURANÇA” insculpida no art. 6° “caput”
(decorre, também, em menor parte da SEGURANÇA do “caput” do art. 5°, para
que se tenha estabilidade, paz).
Ordem pública no caput do art. 144 refere-se a um Estado Anti-Delitual, é
resultado da observância das normas penais com ações preventivas e repressivas
típicas. Os incisos do artigo 144 da Constituição Federal possuem rol taxativo.
O capítulo da SEGURANÇA PÚBLICA não abrange somente a área policial,
abrange também outras ações do poder público como iluminação pública que
pode envolver as áreas de saúde e educação também. Segurança Pública , dever
do Estado, direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da
ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, sem contudo
reprimir-se abusiva e inconstitucionalmente a livre manifestação de pensamento,
por meio dos seguintes órgãos:

- Polícia Federal: deve ser instituída por lei como órgão permanente,
organizado e mantido pela União e estrutura em carreira. Destina-se a apurar
infrações contra a ordem política e social ou em detrimento de bens, serviços e
interesses da União ou de suas entidades autárquicas e empresas públicas,
assim como outras infrações cuja prática tenha repercussão interestadual ou
internacional e exija repressão uniforme, segundo a lei; prevenir e reprimir o
tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o contrabando e o descaminho, sem
prejuízo da ação fazendária e de outros órgãos públicos nas respectivas áreas de
competência; exercer as funções de polícia marítima, aeroportuária e de
fronteiras; exercer com exclusividade as funções de polícia judiciária da União;

- Polícia Rodoviária Federal: é órgão permanente, organizado e mantido pela


União e estruturado em carreira. Destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento
ostensivo das rodovias federais;

- Polícia Ferroviária Federal: órgão permanente, organizado e mantido pela


União e estruturado em carreira. Destina-se, na forma da lei, ao patrulhamento
ostensivo das ferrovias federais;

- Polícias Civis: deverão ser dirigidas por delegados de polícia de carreira.


São incumbidas, ressalvadas a competência da União, das funções de polícia
judiciária e a apuração de infrações penais, exceto das infrações militares;

- Polícias Militares: atribuições de polícia ostensiva , de preservação pública


e de polícia judiciária militar;
-Corpo de Bombeiros Militares: além das atribuições definidas em lei como
prevenção e combate à incêndio, busca e salvamento, são incumbidos da
execução de atividade de defesa civil.
Polícia é a atividade da administração pública dirigida a concretizar, na
esfera administrativa, independentemente de sanção penal, as limitações que são
impostas pela lei à liberdade dos particulares ao interesse da conservação da
ordem, da segurança geral, da paz social e de qualquer outro bem tutelado pelos
dispositivos penais.
A constituição histórica e tradicional das forças da segurança foram
concebidas para garantir proteção individual em geral para pessoas abastadas
economicamente. Essas faziam o uso das milícias privadas, as quais eram
constituídas de acordo com as posses, habilidades e capacidade da pessoa,
família ou instituição a ser protegida, portanto, baseada no patrimônio, sendo
legal o uso do saque e a cobrança pelos serviços prestados. No estado moderno,
as forças de segurança passaram da responsabilidade do privado para a
responsabilidade pública. Entendendo como público no sentido de que quem
paga os serviços são os impostos pagos pelos cidadãos e cidadãs.
O art. 144, parágrafo 6º, da Constituição Federal localiza as polícias
militares e os corpos de bombeiros militares como forças auxiliares e reserva do
Exército, subordinando-os juntamente com as polícias civis, aos governadores
dos Estados, do Distrito Federal e dos Territórios, aos quais compete a direção
administrativa, funcional e financeira da polícia.
Cabe ressaltar que a Constituição Federal concedeu aos municípios a
faculdade, por meio do exercício de suas competências legislativas, de
constituição de guardas municipais destinadas à proteção de seus bens, serviços
e instalações, conforme dispuser a lei, sem, contudo, reconhecer-lhes a
possibilidade de exercício de polícia ostensiva ou judiciária.

O art. 144, parágrafo 7º, determina que a lei disciplinará a organização e o


funcionamento dos órgãos responsáveis pela segurança pública, de maneira a
garantir a eficiência de suas atividades.
ESTADO DE DEFESA E ESTADO DE SÍTIO

A Constituição Federal prevê a aplicação de duas medidas excepcionais


para restauração da ordem em momentos de anormalidade: Estado de Defesa
(artigo 136, caput, CF/88) e Estado de Sítio (art. 137, I e II, CF/88),
possibilitando inclusive a suspensão de determinadas garantias constitucionais,
em lugar específico e por certo tempo, possibilitando ampliação do poder
repressivo do Estado, justificado pela gravidade da perturbação da ordem
pública.
É o chamado sistema constitucional das crises, consistente em um
conjunto de normas constitucionais, que informadas pelos princípios da
necessidade e da temporariedade, têm por objeto as situações de crises e por
finalidade a mantença ou restabelecimento da normalidade constitucional.
A gravidade de ambas as medidas, cuja finalidade será sempre a superação
da crise e retorno ao status quo ante, exige irrestrito cumprimento de todas as
hipóteses e requisitos constitucionais, sob pena de responsabilização política,
criminal e civil dos agentes políticos usurpadores.
Estado de Defesa é uma modalidade mais branda de estado de sítio e
corresponde às antigas medidas de emergência do direito constitucional anterior
e não exige para sua decretação, por parte do Presidente da República,
autorização do Congresso Nacional. O decreto presidencial deverá determinar o
prazo de sua duração; especificar as áreas abrangidas e indicar as medidas
coercitivas, nos termos e limites constitucionais e legais.
Estado de Sítio corresponde à suspensão temporária e localizada de
garantias constitucionais, apresentando maior gravidade do que o Estado de
Defesa e obrigatoriamente o Presidente da República deverá solicitar autorização
da maioria absoluta dos membros da Câmara dos Deputados e do Senado Federal
para decretá-lo.

Em ambas as hipóteses, serão ouvidos, sem caráter vinculativo, os


Conselhos da República e da Defesa Nacional, para que aconselhem e opinem ao
Presidente da República.
A possibilidade do controle judicial do Estado de Defesa e do Estado de
Sítio envolve diversos problemas, mas a doutrina e a jurisprudência
direcionaram-se para a possibilidade do controle da legalidade. Assim, será
possível ao Poder Judiciário reprimir eventuais abusos e ilegalidades cometidas
durante a execução das medidas do Estado de Defesa ou de Sítio.
7- DIREITO PENAL I
PROMA
I - CONTEXTUALIZAÇÃO

O Direito Penal, objetivamente considerado, é um ramo do direito


público interno representado pelo conjunto de normas jurídicas, através das
quais o Estado proíbe determinadas ações ou omissões, sob a previsão da
imposição de sanções penais (penas ou medidas de segurança), visando assim,
enunciar quais são os comportamentos mais danosos para a vida social e,
consequentemente, prevenir a ocorrência desses comportamentos, preservando o
bem comum.

Também compõem esse ramo do Direito as normas que estabelecem


os princípios gerais e as condições ou pressupostos de aplicação das sanções
penais. Sanções estas, que consistem sempre em uma diminuição ou perda de
bens jurídicos imposta àquele que infringiu as proibições contidas nas normas
incriminadoras.

É o Direito Penal, portanto, o ramo do Direito em torno do qual toda a


atividade policial, seja preventiva ou repressiva, é exercida, posto que, é ele que
determina, de forma abstrata, qual é o objeto da prevenção e da repressão do
estado.

Na base comum, os conteúdos estão centrados na parte geral do


Código Penal.

II – OBJETIVOS

 Identificar e discutir os princípios e conceitos gerais do Direito Penal,


possibilitando ao profissional da Brigada Militar a compreensão, o entendimento e
a orientação das atividades profissionais.
 Relacionar os princípios e conceitos de Direito Penal com a execução das
atribuições constitucionais.
III – UNIDADES DIDÁTICAS

UNIDADE DIDÁTICA I: (10h/a)


Parte Geral:

 Conceito e Fundamento do Direito Penal;


 Norma Penal;
 Interpretação da Lei Penal;
 Aplicação da Lei Penal;
 Tempo do Crime;
 Sucessão de Leis penais no tempo;
 Lugar do Crime;
 Territorialidade e Extraterritorialidade;
 Disposições finais relativas à aplicação da Lei Penal.

UNIDADE DIDÁTICA II: (10h/a)


Teoria do Crime:

 Introdução;
 Ação, omissão, resultado e nexo de causalidade;
 Tipo penal;
 Tipicidade;
 Dolo, Culpa e Preterdolo;
 Erro de tipo;
 Ilicitude ou antijuridicidade;
 Culpabilidade;
 Crime consumado;
 Tentativa;
 Desistência voluntária;
 Arrependimento;
 Crime impossível;
 Concurso de pessoas.
UNIDADE DIDÁTICA III: (08h/a)
Das penas

 Penas;
 Teorias;
 Espécies e regimes de penas;
 Circunstâncias;
 Concurso de crimes;
 Sistemas de aplicação da pena;
 Livramento Condicional;
 Efeitos da Condenação;
 Reabilitação;
 Medidas de segurança;
 Ação penal;
 Extinção da Punibilidade.

IV - ESTRATÉGIAS DE ENSINO

O respeito aos direitos fundamentais da pessoa humana e aos


princípios basilares de um Estado de Direito deverão ser os valores norteadores
de todo o processo de ensino-aprendizagem.

As estratégias de ensino deverão privilegiar métodos, técnicas e o uso


de tecnologias que levem em conta, tanto quanto possível, as experiências
individuais dos policiais em formação, a fim de motivá-los, facilitando, assim, o
processo de construção do conhecimento.

Além disso, o processo de ensino-aprendizagem deverá ser centrado


na análise jurídica de situações reais que se apresentem ou possam apresentar-
se no dia-a-dia do profissional da Brigada Militar, com vistas à realização de
atividade mental tendente à efetiva construção do conhecimento.
V - AVALIAÇÃO DE APRENDIZAGEM

Ficarão disponibilizadas as seguintes técnicas de avaliação: provas,


estudos dirigidos, seminários e pesquisas extraclasse.

 01 (um) TE (Tarefa de Estudo) – a critério do instrutor;


 01 (um) TC (Trabalho Corrente) – Prova escrita abordando o conteúdo da
disciplina. (02h/a).

VI – REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

BITENCOURT, Cezar Roberto. Manual de direito penal: parte geral. 4ª ed., São
Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.

____________. Teoria geral do delito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.

CERNICCHIARO, Luiz Vicente, COSTA JÚNIOR, Paulo José da. Direito penal na
constituição. 3ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995.

COSTA JÚNIOR, Heitor. Teoria dos delitos culposos. Rio de Janeiro: Lumen Juris,
1998.

DELMANTO, Celso. Código penal comentado. 3ª ed., Rio de Janeiro:


Renovar,1991.

FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de direito penal: parte geral. 8ª ed., Rio de
Janeiro: Forense, 1985.

____________. Lições de direito penal: parte especial. 8ª ed., Rio de Janeiro:


Forense, 1986.2 v.

FRANCO, Alberto Silva et alli. Código penal e sua interpretação jurisprudencial.


São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995.

GOMES, Luiz Flávio. Erro de tipo e erro de proibição. 2ª ed., São Paulo: Revista
dos Tribunais, 1994.

_____________. Penas e medidas alternativas à prisão. São Paulo: Revista dos


Tribunais, 1999.
HUNGRIA, Nelson et alli. Comentários ao código penal. Rio de Janeiro: Forense,
1958.9 v.

LEAL, João José. Direito penal geral. São Paulo: Atlas, 1998.

LOPES, Jair Leonardo. Curso de direito penal: parte geral. 2ª ed., São Paulo:
Revista dos Tribunais, 1996.

LUISI, Luiz. Os princípios constitucionais penais. Porto Alegre: Antônio Fabris,


1991.

______________.Tipo penal, a teoria finalista e a nova legislação penal. Porto Alegre:


Sérgio Antônio Fabris, 1987.

MESTIERI, João. Teoria elementar do direito criminal: parte geral. Rio de Janeiro:
J. Mestieri, 1990.

MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de direito penal: parte geral. 9ª ed., São Paulo:
Atlas, 1995.

_____________. Manual de direito penal: parte especial. 10ª ed., São Paulo: Atlas,
1996. 2v.

PIRES, Ariosvaldo de Campos. Compêndio de direito penal: parte especial. Rio de


Janeiro: Forense, 1992. 3 v.

PRADO, Luiz Régis. Curso de direito penal brasileiro: parte geral. São Paulo:
Revista dos Tribunais, 1999.

PRADO, Luiz Régis, BITENCOURT, Cezar Roberto. Elementos de direito penal:


parte geral. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995.

______________. Código penal anotado e legislação complementar. 2ª ed., São


Paulo: Revista dos Tribunais, 1999.

REALE JÚNIOR, Miguel et alli. Penas e medidas de segurança no novo código. Rio
de Janeiro: Forense, 1985.

RIBEIRO, Bruno de Morais. Medidas de segurança. Porto Alegre: Sérgio Antônio


Fabris, 1998.
TOLEDO, Francisco de Assis. Princípios básicos de direito penal. 5ª ed., São
Paulo: Saraiva, 1994.

ZAFFARONI, Eugênio Raul, PIERANGELLI, José Henrique. Da tentativa: doutrina


e jurisprudência. 4ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1995.
Ementa

Disciplina: DIREITO PENAL I

Capacitar o aluno a identificar e discutir os princípios e


conceitos gerais do Direito Penal, possibilitando ao
Objetivo: profissional da Brigada Militar a compreensão, o
entendimento e a orientação das atividades profissionais.

A disciplina discorrera sobre os seguintes tópicos:

Ementa:  Parte Geral;


 Teoria do Crime;
 Das penas.
Carga Horária: 30 H/A

Quantidade de 01
Docentes

Os métodos de ensino empregados serão:

Metodologia:  Palestras;
 Estudo de caso;
 Exercícios práticos em grupo e individual.
Bibliografia básica a ser utilizada pelos docentes que
ministrarão as aulas e que deram subsídio para a Ementa.
Bibliografia
 BITENCOURT, Cezar Roberto. Manual de direito penal:
Básica:
parte geral. 4ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1997.
 ___________.Teoria geral do delito. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1997.
 CERNICCHIARO, Luiz Vicente, COSTA JÚNIOR, Paulo José
da. Direito penal na constituição. 3ª ed., São Paulo: Revista
dos Tribunais, 1995.
 COSTA JÚNIOR, Heitor. Teoria dos delitos culposos. Rio de
Janeiro: Lumen Juris, 1998.
 DELMANTO, Celso. Código penal comentado.3ª ed., Rio de
Janeiro: Renovar,1991.
 FRAGOSO, Heleno Cláudio. Lições de direito penal: parte
geral. 8ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1985.
 Lições de direito penal: parte especial. 8ª ed., Rio de
Janeiro: Forense, 1986.2 v.
 FRANCO, Alberto Silva et alli. Código penal e sua
interpretação jurisprudencial. São Paulo: Revista dos
Tribunais, 1995.
 GOMES, Luiz Flávio. Erro de tipo e erro de proibição. 2ª ed.,
São Paulo: Revista dos Tribunais, 1994.
 _____________.Penas e medidas alternativas à prisão. São
Paulo: Revista dos Tribunais, 1999.
 HUNGRIA, Nelson et alli. Comentários ao código penal. Rio
de Janeiro: Forense, 1958.9 v.
 LEAL, João José. Direito penal geral. São Paulo: Atlas,
1998.
 LOPES, Jair Leonardo. Curso de direito penal: parte geral.
2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais, 1996.
 LUISI, Luiz. Os princípios constitucionais penais. Porto
Alegre: Antônio Fabris, 1991.
 _____________.tipo penal, a teoria finalista e a nova
legislação penal. Porto Alegre: Sérgio Antônio Fabris, 1987.
 MESTIERI, João. Teoria elementar do direito criminal: parte
geral. Rio de Janeiro: J. Mestieri, 1990.
 MIRABETE, Julio Fabbrini. Manual de direito penal: parte
geral. 9ª ed., São Paulo: Atlas, 1995.
 _____________.Manual de direito penal: parte especial. 10ª
ed., São Paulo: Atlas, 1996. 2v.
 PIRES, Ariosvaldo de Campos. Compêndio de direito penal:
parte especial. Rio de Janeiro: Forense, 1992. 3 v.
 PRADO, Luiz Régis. Curso de direito penal brasileiro: parte
geral. São Paulo: Revista dos Tribunais, 1999.
 PRADO, Luiz Régis, BITENCOURT, Cezar Roberto.
Elementos de direito penal: parte geral. São Paulo: Revista
dos Tribunais, 1995.
 _____________.Código penal anotado e legislação
complementar. 2ª ed., São Paulo: Revista dos Tribunais,
1999.
 REALE JÚNIOR, Miguel et alli. Penas e medidas de
segurança no novo código. Rio de Janeiro: Forense, 1985.
 RIBEIRO, Bruno de Morais. Medidas de segurança. Porto
Alegre: Sérgio Antônio Fabris, 1998.
 TOLEDO, Francisco de Assis. Princípios básicos de direito
penal. 5ª ed., São Paulo: Saraiva, 1994.
 ZAFFARONI, Eugênio Raul, PIERANGELLI, José Henrique.
Da tentativa: doutrina e jurisprudência. 4ª ed., São Paulo:
Revista dos Tribunais, 1995.
Área de
Articulação com
a Matriz Cultura e Conhecimento Jurídico.
Curricular
Nacional:

Modalidade: Presencial

Avaliação: Ficarão disponibilizadas as seguintes técnicas de


avaliação: provas, estudos dirigidos, seminários e pesquisas
extraclasse.

 01 (um) TE (Tarefa de Estudo) – a critério do instrutor;


 01 (um) TC (Trabalho Corrente) – Prova escrita
abordando o conteúdo da disciplina. (02h/a).
PLANEJAMENTO LOGÍSTICO ESPECÍFICO
Predominantemente, as aulas serão ministradas em sala de aula, nas
Escolas de Formação.
DESCRIÇÃO MATERIAL QTD
Sala de aula climatizada e equipada para 35 alunos 01
Notebook 01
Projetor multimídia 01
Tela para projeção 01
Código Penal Comentado (consulta) 01
Wireless 01
Plano de Escrita do Manual de Direito Penal I

Prefácio

Apresentação

Considerações sobre a importância do Direito Penal (Parte Geral), no


decorrer do curso e na atividade fim da corporação.

Capítulo 1 – Parte Geral:

 Introdução ao Direito Penal;


 Conceito e Fundamento do Direito Penal;
- Noções Fundamentais;
- Conceito de Direito Penal;
 Norma Penal;
- Conceito e estrutura da norma penal;
- Fontes do Direito Penal
 Interpretação da Lei Penal;
 Aplicação da Lei Penal;
- Princípio da Legalidade ou da Reserva Legal;
- Consequências do princípio da legalidade;
- Retroatividade da lei penal mais benéfica;
 Tempo do Crime;
 Sucessão de Leis penais no tempo;
- Lei temporária ou excepcional;
- Crimes permanentes e continuados.
 Lugar do Crime;
 Territorialidade e Extraterritorialidade;
- Conceito;
- Princípio da territorialidade;
- Princípio da territorialidade absoluta;
- Princípio da territorialidade temperada;
- Princípio da Extraterritorialidade (norteadores)
 Disposições finais relativas à aplicação da Lei Penal.
- Sujeito ativo;
- Sujeito passivo;
- Objetividade jurídica;
- Objeto Material.

Capítulo 2 – Teoria do Crime:


 Introdução;
- A conduta na teoria clássica;
- A conduta na teoria finalista;
- A conduta na teoria social da ação.
 Ação, omissão, resultado e nexo de causalidade;
- Condutas e atos;
- Do resultado;
- Nexo causal;
 Tipo penal;
- Conceito;
- Classificação dos tipos penais.
 Tipicidade;
- Definição;
- Adequação típica.
 Dolo, Culpa e Preterdolo;
- Teorias;
- Teorias adotadas pelo CP;
- Espécies;
- Elementos da culpa;
 Erro de tipo;
- Erro culposo;
- Erro provocado por terceiro;
- Erro sobre a pessoa.
 Ilicitude ou antijuridicidade;
- Introdução;
- A estrutura criminal;
- Elementos do crime;
- Definição de ilicitude;
- Terminologia;
- Causas de exclusão.
 Culpabilidade;
- Imputabilidade;
- Consciência da ilicitude;
- Conduta adequada à lei penal;
- Culpabilidade como elemento do crime;
- Teorias acerca da culpabilidade;
- Elementos da culpabilidade

 Crime consumado;
- Conceito;
- Iter criminis.
 Tentativa;
- Conceito;
- Natureza jurídica;
- Consequências;
- Classificação;
- Tentativa abandonada ou qualificada;
- Crimes que não admitem tentativa.
 Desistência voluntária;
 Arrependimento;
- Conceito;
- Requisitos;
- Consequências;
- Confronto.
 Crime impossível;
- Conceito.
 Concurso de pessoas.
- Introdução;
- Autoria, co-autoria, participação;
- Teoria unitária ou monista;
- Requisitos para a existência do concurso de pessoas;
- Punibilidade no concurso de agentes;
- Circunstâncias comunicáveis e incomunicáveis;
- Concurso necessário.

Capítulo 3 – Das penas:

 Penas;
- Princípios penais da aplicação da pena.
 Teorias;
 Espécies e regimes de penas;
 Circunstâncias;
 Concurso de crimes;
 Sistemas de aplicação da pena;
- Antes da reforma;
- Após a reforma.
 Livramento Condicional;
- Requisitos;
- Soma das penas;
- Especificações das condições;
- Revogação obrigatória;
- Revogação facultativa.
 Efeitos da Condenação;
- Efeito principal;
- Efeito Secundário.
 Reabilitação;
- Requisitos;
- Reabilitação e reincidência.
 Medidas de segurança;
- Pressupostos;
- Sentença concessiva;
- Espécies de medidas de segurança;
- Prazo;
- Desinternação ou liberação condicional.
 Ação penal;
- Introdução;
- Ação penal nos crimes complexos.
 Extinção da Punibilidade.
- Morte do agente;
- Anistia, graça ou indulto;
- Abolitio Criminis;
- Decadência;
- Prescrição;
- Perempção;
- Renúncia;
- Perdão do ofendido;
- Retratação do agente;
- Perdão judicial.
Apresentação

O Direito Penal, objetivamente considerado, é um ramo do direito público


interno representado pelo conjunto de normas jurídicas, através das quais o
Estado proíbe determinadas ações ou omissões, sob a previsão da imposição de
sanções penais (penas ou medidas de segurança), visando assim, enunciar quais
são os comportamentos mais danosos para a vida social e, consequentemente,
prevenir a ocorrência desses comportamentos, preservando o bem comum.

Também compõem esse ramo do Direito as normas que estabelecem os


princípios gerais e as condições ou pressupostos de aplicação das sanções
penais. Sanções estas que consistem sempre em uma diminuição ou perda de
bens jurídicos imposta àquele que infringiu as proibições contidas nas normas
incriminadoras.

É o Direito Penal, portanto, o ramo do Direito em torno do qual toda a


atividade policial, seja preventiva ou repressiva, é exercida, posto que é ele que
determina, de forma abstrata, qual é o objeto da prevenção e da repressão do
estado .

Na base comum, os conteúdos estão centrados na parte geral do Código


Penal e serão abordados de forma minuciosa neste Manual, que foi elaborado em
conformidade com a doutrina pátria e com decisões jurisprudenciais,
proporcionando aos instrutores de forma detalhada a disciplina.

Capítulo 1 – Parte Geral

Sumário: 1.1 Introdução ao Direito Penal – 1.2 Conceito


e Fundamento do Direito Penal – 1.3 Norma Penal – 1.4 Interpretação da Lei
Penal – 1.5 Aplicação da Lei Penal – 1.6 Tempo do Crime – 1.7 Sucessão de
Leis Penais no Tempo – 1.8 Lugar do Crime – 1.9 Territorialidade – 1.10
Extraterritorialidade – 1.11 Disposições Finais Relativas à aplicação da Lei
Penal.
1.1 Introdução ao Direito Penal

O homem, desde seus primórdios, sempre viveu em um estado de


convivência, por sua própria natureza de ser social, interagindo com o seu
grupo, mantendo contatos e relações. Todavia, esse estado de convivência tende a
gerar perturbações entre os indivíduos do grupo, uma vez que estes têm desejos e
vontades infinitas, enquanto que os bens naturais são finitos, gerando conflitos
de interesse, e a consequente perda da harmonia.

No começo da história social do homem não havia um poder superior


para impor a ordem, um órgão de força para prevenir e corrigir os desvios.
Contudo, com o tempo, para evitar tais conflitos de interesses, ou pelo menos
para abrandá-los, foi necessária a criação de um meio de controle às atividades
humanas, o que se deu pelas normas. Nesse sentido, vê-se que as normas se
fundam, em parte, na natureza social do homem, e, noutra parte, na necessidade
de organização (controle) nos grupos sociais.

A própria comunidade tinha condições de resolver os casos de


indisciplina, sendo que as normas de conduta serviam, então, como base para a
sociedade, mantendo as condições necessárias de paz, justiça e segurança.
Assim, desde seu surgimento, a sociedade sempre foi regida por normas que
davam a organização dos grupos.

Nessa origem histórica, as normas não eram escritas, mas o chamado


direito costumeiro ou consuetudinário, com base nos usos e costumes. Eram
normas nascidas de baixo para cima, sem caráter punitivo, tinham mais a
natureza de conselhos. As normas então existentes eram de sobrevivência,
transmitidas pela tradição e relatos orais, envolvendo conhecimentos técnicos
sobre a pesca, a caça etc. Os anciãos tomavam suas decisões com base nos
costumes do grupo e davam conselhos aos litigantes. As normas formavam um
conjunto heterogêneo e indiferenciado, entre normas morais, religiosas, jurídicas
e, até mesmo, regras de magia. Tal diferenciação deu-se milênios depois, com a
separação das normas em ramos distintos.
Dessa forma, vê-se que a coexistência pacífica entre os homens da
sociedade é assegurada por um conjunto de regras, de caráter jurídico, que
chamamos de Direito.

Dentre tais leis, há um grupo que serve para definir crimes (normas
incriminadoras), além de cominar penas para estabelecer as condições de
aplicação das sanções. São essas regras que denominamos normas penais, que
protegem, em regra, aqueles bens mais valiosos ao corpo social.

1.2 Conceito e Fundamento do Direito Penal

a. Noções fundamentais

O fato social é sempre o ponto de partida na formação da noção do


Direito. O direito surge das necessidades fundamentais das sociedades humanas,
que são reguladas por ele como condição essencial à sua própria sobrevivência. É
no direito que encontramos a segurança das condições inerentes à vida humana,
determinada pelas normas que formam a ordem jurídica.

O fato social que se mostra contrário à norma de Direito forja o ilícito


jurídico, tanto civil como penal, sendo este que atenta contra os bens mais
importantes da vida social.

As normas civis, quando violadas, não impõem penas criminais, mas uma
outra espécie de sanção, outra espécie de pena, como indenizações, execução
forçada, nulidade do ato, até algumas espécies de prisão, as quais não devem
jamais ser confundidas com a de natureza penal, pois no campo civil elas apenas
têm caráter, digamos, providencial, reparatório, não punitivo.

Quando o ilícito atinge interesses de natureza mais individual que


propriamente social, de modo a não abalar o corpo social, bastam como remédio
as sanções civis.

Mas outras vezes o entrechoque de interesses abala a sociedade, sendo


necessárias as penas para reprimirem o ataque a bens juridicamente relevantes.
Tais bens relevantes são aqueles especificados no Código Penal: tais como a vida,
a integridade física, a propriedade, a honra, a moral familiar, a probidade
administrativa, etc. Logicamente nem todos os bens jurídicos têm proteção penal;
alguns têm só amparo civil.

Enquanto a sanção civil consiste, no mais das vezes, numa reparação em


dinheiro, dirigindo-se contra o patrimônio do infrator, a sanção penal por
excelência se dirige à liberdade do agente.

b. Conceito de Direito Penal


É o conjunto de normas jurídicas que o Estado estabelece para combater o
crime, através das penas e medidas de segurança. GARCIA, Basileu.

É o conjunto de normas jurídicas que regulam o poder punitivo do Estado,


tendo em vista os fatos de natureza criminal e as medidas aplicáveis a quem os
pratica. NORONHA, E Magalhães.

Podemos sintetizar o conceito de Direito Penal como sendo ramo do direito


público que define as infrações penais, estabelecendo as penas e as medidas de
segurança aplicáveis aos infratores.

Distingue-se o direito penal objetivo, que é o conjunto de normas penais


em vigor no país, do direito penal subjetivo, que é o direito de punir que surge
para o Estado com a prática de uma infração penal.

1.3 Norma Penal

a. Conceito e estrutura da norma penal

Norma é uma regra que dispõe como o homem deve portar-se em sociedade.
A norma penal descreve um comportamento humano ofensivo a interesses
relevantes do indivíduo e da sociedade, prevendo para o seu autor uma sanção
privativa da liberdade e/ou um desfalque patrimonial.
A Norma Penal tem uma estrutura própria, composta de duas partes:

1) Uma contém o comando principal, a voz de fazer ou não fazer, o


imperativo de proibição ou comando: é o preceito primário da norma.

2) A outra contém a sanção: o mal prometido àquele que violar o preceito


primário da norma: preceito secundário.

Algumas vezes a norma ordena que se faça algo tendo em vista a proteção do
bem jurídico, para evitar um resultado de dano ou de perigo de dano a este bem;
outras vezes, a norma proíbe que se faça algo ou que se tenha certa conduta;
proíbe, por exemplo, que se mate, que se furte, etc.

Essa ordem de fazer ou de não fazer está no preceito primário.

Também pode a norma permitir que se faça ou que não se faça algo: são as
normas permissivas.

A técnica legislativa que hoje se emprega constrói a norma penal segundo


uma fórmula que supõe a infração do preceito e comina a respectiva sanção; em
vez de enunciar o preceito, constrói a figura típica do crime que constitui sua
transgressão.

Quando a norma ordena que se faça algo e o agente não cumpre esta ordem,
o crime é omissivo. Ex.: a lei manda prestar socorro à pessoa ferida; se o agente
assim não proceder, teremos a omissão de socorro.

Se a norma penal, por outro lado, proíbe tal conduta e o agente a pratica, o
crime será comissivo ou "por ação". Ex.: roubo, furto, homicídio.

O preceito secundário da norma indica a sanção para a hipótese de


violação do preceito primário. A sanção do preceito secundário consiste sempre
numa pena privativa de liberdade (detenção ou reclusão), acompanhada ou não
de uma pena pecuniária, de multa.

As penas podem ser alternativas ou cumulativas: prisão ou multa, ou prisão


+ multa (estas geralmente previstas pelo CP para os crimes contra o patrimônio).
Se se tratar de contravenção, a privação da liberdade tem a forma de prisão
simples, que é a prisão penal mais elementar. Não há crimes punidos com
detenção simples, assim como não há pena de reclusão para as contravenções.

A norma será completa se possuir os 2 preceitos. Não se concebe norma


incompleta: se lhe faltar o preceito secundário, o juiz não poderá aplicar a
sanção, pois, pelo princípio da legalidade, nulla poena sine previa lege (garantia
constitucional).

Pode existir um preceito em que haja um "vazio", necessitando de outro


preceito para ser completado ("corpos à procura da alma", poetizou Binding).
Trata-se, este preceito lacunoso, de uma norma penal em branco, e a outra
norma tanto poderá ser penal quanto extra-penal, até mesmo administrativa
(como tabelas e portarias). As normas penais em branco também são chamadas
de leis abertas ou leis-molduras; ex: violar tabelas de preços - necessária à
tabela. Note-se que a norma penal em branco é perfeita do ponto de vista
estrutural: ela tem os dois preceitos, apenas precisa de outra norma para se
tornar aplicável. Outro ex.: Art. 269, CP: crime de omitir a notificação de doença:
deixar o médico de denunciar à autoridade doença contagiosa cuja notificação é
compulsória (trata-se de crime próprio: só o médico pode cometê-lo). Para aplicar
esta lei, necessária é a relação das doenças contagiosas pelo Ministério da Saúde.
Também todas as normas sobre tóxicos são normas em branco, pois se referem
àquilo que o MS define como "droga" (obs.: se a substância sai da lista, isto
retroage para beneficiar o réu).

b. Fontes do Direito Penal


Fonte é o lugar de onde provém a norma. As fontes do direito penal podem
ser materiais ou formais.

1) Fontes Materiais: São também chamadas de fontes de produção. Nos


termos do Art. 22, I, da Constituição Federal, a fonte material da norma penal é o
Estado, já que compete à União legislar sobre direito penal.

2) Fontes Formais: subdividem-se, por sua vez em:


a) Fonte formais diretas ou imediatas: são as leis penais.

As normas penais possuem uma técnica diferenciada, uma vez que o


legislador não declara que uma ou outra conduta constitui crime. Na verdade, a
norma penal descreve uma conduta (conduta típica) e estabelece uma pena para
aquele que a realiza. Há, entretanto, algumas normas penais com descrição e
finalidades diversas. Por isso, pode-se dizer que os dispositivos penais se
classificam da seguinte forma:

[1] Normas penais incriminadoras: São aquelas que definem as infrações e


fixam as respectivas penas. Ex.: Art. 121 – Matar alguém. (preceito primário da
norma penal incriminadora).
Pena – reclusão, de 6 (seis) a 20 (vinte) anos (Preceito secundário da norma)
. Obs.: As normas penais incriminadoras estão previstas na Parte Especial do
Código Penal e em Leis Especiais.

(2) Normas penais permissivas: São as que prevêem a licitude ou a


impunidade de determinados comportamentos, apesar de estes se enquadrarem
na descrição típica. Podem estar na Parte Geral, nos Art. 20 a 25, que tratam das
excludentes de ilicitude, ou na Parte Especial, Art. 128, 142 etc).

(3) Normas penais complementares ou explicativas: São as que esclarecem o


significado de outras normas ou limitam o âmbito de sua aplicação. Podem estar
na Parte Geral (Art. 4º, 5º, 7º, 10 a 12 est.) ou na Parte Especial (Art. 327, p. ex.,
que define funcionário público para fins penais como sendo aquele que, embora
transitoriamente ou sem remuneração, exerce cargo, emprego ou função pública).

b) Fontes formais indiretas ou mediatas: São os costumes e os princípios


gerais do direito.

(1) Costumes: Conjunto de normas de comportamento que as pessoas


obedecem de maneira uniforme e constante pela convicção de sua
obrigatoriedade. O costume não revoga a lei, mas serve para integrá-la, uma vez
que, em várias partes do Código Penal, o legislador se utiliza de expressões que
ensejam a invocação do costume para se chegar ao significado exato do texto.
Ex.: reputação (Art. 139), dignidade e decoro (Art. 140), etc.

Obs.: O costume também não cria delitos, em razão do princípio


constitucional da reserva legal, segundo o qual “não há crime sem lei anterior que
o defina, nem pena sem prévia cominação legal” (Art. 5º, XXXIX, da CF).

(1) Princípios gerais do Direito: São normas que se encontram na consciência


dos povos e são universalmente aceitas, mesmo que não escritas. Tais regras, de
caráter genérico, orientam a compreensão do sistema jurídico, em sua
elaboração, aplicação e integração, estejam ou não incluídas no direito positivo.

1.4 Interpretação da Lei Penal

Tem por finalidade buscar o exato significado da norma penal.

a. Quanto à Origem, ou seja, quanto ao sujeito que interpreta a lei, ela pode
ser: autêntica, doutrinária e jurisprudencial.

1) A interpretação autêntica é dada pela própria lei, a qual, em um de


seus dispositivos, esclarece determinado assunto. Ex.: o Art. 150, §§4º e 5º do
CP, diz o que se considera e o que não se considera como “casa”, no crime de
violação de domicílio.

2) Doutrinária é a interpretação feita pelos estudiosos, professores e


autores de obras de Direito, através de seus livros, artigos, conferências,
palestras, etc.

3) Interpretação Jurisprudencial é aquela feita pelos tribunais e juízes,


através da reiteração de seus julgamentos.

b. Quanto ao modo, a interpretação pode ser: gramatical, teleológica,


histórica e sistemática.

1) Gramatical, que leva em conta o sentido literal das palavras contidas na


lei.
2) Teleológica, que busca descobrir o seu significado através de uma
análise acerca dos fins a que a lei se destina.

3) Histórica, que avalia os debates que envolveram sua aprovação e os


motivos que levaram à apresentação do projeto de lei.

4) Sistemática, que busca o significado da norma através de sua integração


com os demais dispositivos de uma mesma lei e com o sistema jurídico como um
todo.

c. Quanto ao resultado, a interpretação pode ser: declarativa, restritiva,


extensiva.

1) Declarativa, na qual se conclui que a letra da lei corresponde exatamente


àquilo que o legislador quis dizer.

2) Restritiva, quando se conclui que o texto legal abrangeu mais do que


queria o legislador (por isso a interpretação irá restringir seu alcance).

3) Extensiva, quando se conclui que o texto da lei ficou aquém da intenção


do legislador (por isso a interpretação irá ampliar sua aplicação).

d. Interpretação analógica e analogia

A interpretação analógica é possível quando, dentro do próprio texto legal,


após uma sequência casuística, o legislador ou o aplicador da lei (juiz) se vale de
uma fórmula genérica, que deve ser interpretada de acordo com os casos
anteriores: Exs.: 1) o crime de estelionato (Art. 171 CP), de acordo com a
descrição legal, pode ser cometido mediante artifício, ardil ou qualquer outra
fraude; o Art. 28, II, estabelece que não exclui o crime a embriaguez por álcool
ou por substância de efeitos análogos.

A analogia somente é aplicável em casos de lacuna da lei, ou seja, quando


não há norma regulando o tema. Fazer uso dela significa aplicar uma norma
penal a um fato não abrangido por ela nem por qualquer outra lei, em razão de
tratar-se de fato semelhante àquele que a norma regulamenta. A analogia é
forma de integração da norma e não forma de interpretação.

Em matéria penal, ela só pode ser aplicada em favor do réu (analogia in


bonam partem) e, ainda assim, ficar constatado que houve mera omissão
involuntária (esquecimento do legislador). Dessa forma, é óbvio que não pode ser
utilizada quando o legislador intencionalmente deixou de tratar o tema,
justamente para excluir algum benefício ao acusado.

É vedado o uso da analogia para incriminar condutas não abrangidas pelo


texto legal, para se reconhecer qualificadoras ou quaisquer agravantes. A
vedação da analogia in malam partem visa a evitar que seja desrespeitado o
princípio da legalidade.

Por fim, se persistir alguma dúvida, após a utilização de todas as formas


interpretativas, a questão deverá ser resolvida da maneira mais favorável ao réu
(Princípio do in dubio pro reo).

1.5 Aplicação da Lei Penal

a. Princípio da legalidade ou da reserva legal (CF Art. 5º XXXIX e Art. 1º


CP).

A doutrina subdivide o princípio da legalidade em:

1) Princípio da Anterioridade: segundo o qual uma pessoa só pode ser


punida se, à época do fato por ela praticado, já estava em vigor a lei que descrevia
o delito, Assim consagra-se o princípio da irretroatividade da norma penal (salvo
a exceção do Art. 2º CP).

Consiste no enunciado pelo qual não há crime nem pena sem lei prévia que
os estipule. Trata-se de garantia fundamental do cidadão nos principais
documentos legislativos do mundo, tendo origem na Magna Carta (1.215), embora
não na mesma elaboração atual, e dela passando para outros documentos
importantes, dentre eles a Declaração Universal dos Direitos do Homem, a
Declaração Americana dos Direitos e Deveres do Homem (Art. 25), a Convenção
Européia para a Proteção dos Direitos Humanos e as Liberdades Fundamentais,
de 1950, Art. 7º.

Na doutrina, o princípio encontrou guarida nos escritos de Montesquieu e


Beccaria, mas o brocardo latino que traduz este princípio, e que se enuncia:
Nullum crimen, nulla poena sine lege, não é, como poderia se pensar, de origem
romana, e nem poderia ser, já que os romanos em matéria criminal foram
insipientes, mas foi antes criação de um penalista alemão, Anselmo Feuerbach.
Com a Revolução Francesa o princípio acabou cristalizado.

No Brasil, todas as Constituições Federais incluíram o princípio da


legalidade entre os direitos e garantias individuais, a começar pela Carta Imperial
de 1824, Art. 179, XI; pela de 1891, Art. 172; de 1934, Art. 113, nº16; de 1937,
Art.122, nº 13; 1946, Art. 141, § 27; 1967, Art. 150, § 16; emenda nº 1, de 1969,
Art. 153, § 16; 1988, Art. 5º, XXXIX.

O princípio foi também acolhido pelo Código Penal de 1940 e Lei nº


7209/84, que alterou a parte geral do aludido diploma legal.

Art. 1º: "Não há crime sem lei anterior que o defina. Não há pena sem prévia
cominação legal”.

2) Princípio da Reserva Legal: Apenas a lei em sentido formal-material


pode descrever condutas criminosas.

Abrangência do termo lei: entende-se por "lei", aqui, somente a norma


elaborada pelo Congresso Nacional, pois é à União que compete legislar sobre
Direito Penal. Os atos do executivo: Decreto-lei, Medida Provisória, Decreto,
regulamentos, etc. não são considerados lei para este fim, embora alguns dentre
os citados tenham força de lei.

A lei, então, a que se refere o princípio da reserva legal, é aquela dita


formal-material:
a) Formal porque ditada pelo órgão legislativo com competência
constitucional para elaborar as leis criminais;

b) Material porque dispõe no seu conteúdo sobre crime e pena; não pode,
portanto, se tratar de resolução ou de decreto legislativo, pois estes são de
natureza administrativa.

Agora, por uma ironia tipicamente brasileira, nossos principais documentos


legislativos não passaram pelo congresso, mas originaram-se do executivo: o
Código Penal, o Código de Processo penal e o Código de Processo Civil são todos
decretos-leis.

b. Conseqüências do princípio da legalidade:

1) Não se admite a retroatividade da lei penal; (salvo para beneficiar o réu,


Art. 2º CP);

2) Não se admite tampouco o emprego da analogia no tocante às normas


incriminadoras;

3) Não se admite ainda a incriminação indeterminada e vaga de certos


fatos, comprometendo a certeza do direito;

4) Não será possível admitir crimes e penas pelo mero costume: não há
crime sem lei escrita anterior.

OBS: As chamadas normas penais em branco não ferem o princípio da


reserva legal.

c. Retroatividade da Lei penal mais benéfica (Art.2º)

O Art. 2º, caput, do CP determina que: “ninguém pode ser punido por fato que
a lei posterior deixa de considerar crime, cessando em virtude dela (da lei posterior)
a execução e os efeitos penais da sentença condenatória”. Nessa mesma linha, a
CF/88, em seu Art. 5º, XL, estabelece que a lei penal só retroagirá para beneficiar
o acusado.

Já o parágrafo único do Art. 2º dispõe que a lei posterior, que de qualquer


modo favoreça o réu, aplica-se a fatos anteriores, ainda que decididos por
sentença condenatória transitada em julgado.

1.6 Tempo do Crime (Art. 4º CP)

O CP adotou a teoria da atividade, segundo a qual “considera praticado o


crime no momento da ação ou da omissão, ainda que outro seja o momento do
resultado” (Art. 4º). Não se confunde tempo do crime com momento de
consumação, que, nos termos do Art. 14, I, CP, ocorre quando se reúnem todos
os elementos de sua definição legal. A importância da definição do tempo do
crime tem a ver, por exemplo, com a definição da norma penal a ser aplicada, no
reconhecimento ou não da menoridade do réu, etc.

1.7 Sucessão de Leis Penais no Tempo

As leis nascem com a promulgação e morrem com a revogação. De acordo


com o Art. 1º da LICC, o começo da vigência da lei em todo o país se dá, salvo
disposição em contrário, aos 45 dias após a sua publicação oficial (a expressão
"oficialmente publicada" quer dizer publicada apenas no Diário Oficial da União,
não contando a publicação feita nos Diários Oficiais dos Estados ou nos jornais
de impressa não-oficial). Comum, no entanto, é a lei passar a vigorar a partir de
sua publicação, mas também não é raro que a própria lei se imponha uma
vacatio legis maior. Assim se deu com o CP, publicado em 31.12.40, mas
entrando em vigor em 1º.01.42.

O lapso de tempo entre a publicação e a entrada em vigor da lei chama-se


vacatio legis, prazo de prudência, instituído de um lado para que a lei se torne
conhecida e discutida antes de se fazer obrigatória, e de outro para permitir às
autoridades judiciárias e administrativas que se aparelhem para zelar por sua
aplicação.

A orientação predominante é no sentido de que a lei em vacatio legis existe


(está publicada), mas não incide (falta-lhe eficácia). Uma opinião moderna, e que
já se reflete nos tribunais, tem entendido que a lei em período de vacatio legis não
deixa de ser lei posterior, lei nova, devendo ser aplicada se for mais favorável ao
agente (5ª Câmara T. Alçada SP - Paulo José da Costa Jr.). Assim, há quem
entenda que o Código Penal de 1969, que ficou em vacatio por 5 anos e foi
revogado antes de entrar em vigor, deve ser aplicado naquilo em que for mais
benéfico.

Desencadeada sua vigência, a lei vai incidir até que outra a revogue, ou
então que ela mesma se auto-revogue, como acontece com as leis ditas
transitórias (temporárias ou excepcionais - ver CP, Art. 3º).

A revogação pode ser total: ab-rogação; ou parcial: derrogação.

A sucessão de leis no tempo propõe algumas vezes questões complexas,


especialmente em períodos de transformações legislativas, criação e revogação de
códigos, etc. Por vezes, gera-se, com isso, o dito conflito de leis no tempo; tal
conflito ocorre quando a lei do tempo da sentença ou da execução penal é
diferente da do tempo do cometimento do crime. Para tentar solucionar tais
conflitos, o Direito Penal criou a disciplina chamada Direito Penal Intertemporal.

A regra geral é de que prevalece a lei do tempo do crime: tempus regit


actum - o juiz deve aplicar a lei que vigorava no momento do cometimento da
infração penal. As leis, em regra, não são dotadas de retroatividade nem de
ultratividade; todavia, existem situações que não se enquadram perfeitamente no
princípio do tempus regit actum, devendo ser regidas por princípios próprios. São
estas situações:

1º - A lex posteriori vem considerar criminoso fato que a lei anterior não
considerava crime; é a chamada novatio criminis, criminalização, ou, ainda,
penalização;
2º - A lei nova posterior deixa de considerar criminoso fato ou conduta assim
prevista na legislação anterior; é a abolitio criminis, descriminalização,
despenalização ou desincriminação.

3º - A lei nova ou posterior agrava de qualquer modo a punibilidade do fato,


piorando a situação do agente em relação à lei anterior (lex gravior).

4º - A lei nova altera de qualquer modo a punibilidade do fato, melhorando a


situação do agente em relação á lei anterior (lex mitior).

Resolvem-se tais questões com os princípios da irretroatividade (ou


retroatividade) e ultratividade da lei. Tais princípios não existiam no Direito
Romano; somente mais tarde, no Direito Medieval, é que tomaram sua feição
atual, através de Farinácio, sendo acolhidos de bom grado pelos clássicos liberais
contra os abusos do Estado.

A rigor, estes dois princípios podem se resumir num só (procedimento


chamado reductio ad unum): a aplicação da lei mais benigna.

A irretroatividade da lei mais severa: Por este princípio, a lei penal nunca
incide no passado, só do presente para o futuro, quando define fato criminoso.
Trata-se de regra de fundo constitucional (CF, Art. 5º. XL), pela qual a lei só vai
retroagir para beneficiar o réu, ocorrência que, aliás, é uma das causas de
extinção de punibilidade (CP, Art. 107, III).

Este princípio tem duas faces: de um lado se apresenta como irretroatividade


da lei penal mais grave, e, de outro, como a retroatividade da lei penal mais
benéfica, que, conforme o caso, vai incidir sobre o fato já praticado pelo agente,
reduzindo-lhe a gravidade ou até mesmo descriminalizando-o.

A lei penal mais benéfica, entretanto, não extingue os efeitos civis, apenas
os penais da sentença - ver Art. 91 e 92: o inciso I do art. 91 é o efeito civil em
questão, no caso a reparação do dano, despesas médicas, farmacêuticas, gastos
com funeral e com luto, pensão alimentícia.

Cessa também a medida de segurança (ver Art. 96, § único, do CP), já que se
trata de um dos efeitos penais da sentença.
O benefício da extinção do crime alcança quaisquer réus, tanto os
processados quanto os já condenados, não se fazendo distinção alguma entre
primários, reincidentes, plurirreincidentes; perigosos ou não; imputáveis ou
inimputáveis; foragidos ou não.

Assim, com base nestes princípios, as quatro situações referidas


anteriormente serão resolvidas deste modo:

Situação 1: Lei que criminaliza fatos anteriormente não tidos por infração
(Novatio Criminis): esta lei não retroage aos fatos cometidos antes de sua
vigência. Isso se justifica pelo perigo que a retroatividade representaria para as
relações sociais e para as seguranças individuais. Em contrapartida, surge a
ultratividade da lei mais benéfica, já que continua ela sendo aplicada
relativamente aos fatos ocorridos em sua vigência, não obstante já tenha sido
revogada.

Situação 2: Lei que descriminaliza (Abolitio Criminis): retroage para


beneficiar o réu. Se o próprio Estado reconhece, pela nova lei, não necessária à
defesa social a incriminação do fato, nada justifica que, por haver anteriormente
praticado fato desta espécie, venha alguém ser punido ou continue a execução da
pena aplicada. Consta como causa de extinção de punibilidade no Art. 107, III, do
CP.

Situação 3: A lei nova é mais grave (Lex Gravior); não criminaliza fato,
mas, por exemplo, aumenta a pena; substitui detenção por reclusão; traz novas
agravantes ou suprime atenuantes; proíbe sursis; veda a fiança (estas duas
últimas hipóteses foram já julgadas pelo STF), etc. A Lei nº 7.209, que reformou a
parte geral do código, introduziu normas mais severas: Art. 49, 59, 59, I, 71, §
único, 78, § primeiro, 87, etc. A lei nova não retroage nestes casos.

Situação 4: A lei não descriminaliza, mas favorece o réu, abrandando a


punibilidade (Lex Mitior), por exemplo, substituindo as penas ou reduzindo a sua
duração; retirando o fato do rol dos crimes para pô-lo no das contravenções; a
nova lei passando a admitir a forma tentada de um delito a que anteriormente
não se permitia esta possibilidade; ou passando a condicionar a persecução do
fato à representação do ofendido, etc.
Se a lei mais branda é superveniente à da data do fato, há retroatividade;
se é da data do fato, mas advém lei mais severa, esta lei mais branda tem
ultratividade (vide CP, art. 2º e CF, Art. 5º, XL). A Lei nº 7.209 trouxe os
seguintes benefícios: Art. 14, § único, 16, 21, 23, § único, 29, § 1º e § 3º, segunda
parte, 49, 60, § 2º, 64, I, 65, III, "c", "d" e "e", 7, § 2º, 81, § 9º, 83, I e II, 93, §
único, 94, § único, 98, 110, § 1º e 2º, 107, VII, 115, etc.

a. Lei Temporária ou Excepcional:

Eis um caso explicitado pelo código de ultratividade da lei penal: trata-se


da lei temporária ou excepcional, geralmente promulgadas em situações de
gravidade social, tais como revoluções, calamidades, etc; pois nestes casos, nem a
lei mais benigna tem condições de alterá-la.

Diz-se excepcional a lei promulgada para uma situação anormal, estando


sua vigência vinculada a esta anormalidade transitória (terremotos, inundações,
epidemias, guerra, etc.). Já a norma temporária possui sua vigência previamente
determinada, quanto a sua duração, pelo legislador. Ambas são promulgadas
para reger situações contingentes e transitórias, e ambas são redutíveis a um
"genus" unitário: leis de tempo determinado ou de eficácia transitória.

No que diz respeito aos princípios vistos acima, mesmo sem poder ignorar a
conveniência de se negar a retroatividade de lei mais benigna, pois, mesmo diante
disso, em face do princípio constitucional de retroatividade da "lex mitior", que
não faz ressalvas de nenhuma natureza, não há como se afastar a aplicação da lei
mais benéfica nestes casos (opinião de Paulo José da Costa Júnior, etc.).

b. Crimes Permanentes e Continuados

Crimes Permanentes: Aquele que, uma vez consumado, sua consumação se


prolonga no tempo, havendo inclusive flagrante continuado: sequestro, tráfico,
curandeirismo, vadiagem (neste caso, uma contravenção).
Obs.: iter criminis: trajeto do crime, desde sua concepção, preparação,
prática dos atos até sua consumação.

Quanto ao crime permanente, a lei nova incide, ainda que mais severa
(corrente majoritária), pois quando da publicação da lei apanhou o agente em
plena consumação. Não se trata, pois, de retroatividade, mas de plena incidência
da lei sobre o fato que se praticava ainda quando ela surgiu.

O mesmo pode ser dito quanto ao crime continuado, que consiste numa
sequência de crimes da mesma espécie e separados por um lapso curto de tempo
(15, talvez 30 dias, este último prazo definido pelo STF), mas que a lei considera
unificados em um só delito. Furto e roubo (uns acham que neste caso não, pois
não se trata de crimes da mesma espécie). Aplica-se, então, a lei nova mais
severa, desde que, no entanto, os fatos anteriores à lei não fossem tidos por
lícitos e que agora estejam passando à condição de puníveis.

1.8 Lugar do Crime (Art. 6º CP)

Nos termos do Art. 6º do Código Penal “considera-se praticado o crime no


lugar em que ocorreu a ação ou omissão, no todo ou em parte, bem como onde se
produziu ou deveria produzir o resultado”. Foi, portanto, adotada a teoria da
ubiquidade, segunda a qual o lugar do crime é tanto o da conduta quanto a do
resultado.

O CPP, ao contrário, adotou como regra para a fixação da competência a


que estabelece ser competente o foro (comarca) no qual o crime se consumou (Art.
70, CPP), portanto, adotou a teoria do resultado.

1.9 Territorialidade (Art. 5º)

Há várias teorias para fixar o âmbito de aplicação da norma penal a fatos


cometidos no Brasil:
a. Princípio da territorialidade.

A lei penal só tem aplicação no território do Estado que a editou, pouco


importando a nacionalidade do sujeito ativo ou passivo.

b. Princípio da territorialidade absoluta.

Só a Lei nacional é aplicável a fatos cometidos em seu território.

c. Princípio da territorialidade temperada. A lei nacional se aplica aos


fatos praticados em seu território, mas, excepcionalmente, permite-se a aplicação
da lei estrangeira, quando assim estabelecer algum tratado ou convenção
internacional. Foi este o princípio adotado pelo Art. 5º do CP: Aplica-se a lei
brasileira, sem prejuízo de convenções, tratados e regras de direito internacional,
ao crime cometido no território nacional.

1.10. Extraterritorialidade (Art. 7º)

a. Conceito:
É a possibilidade de aplicação da lei penal brasileira a fatos criminosos
ocorridos no exterior.

b. Princípios norteadores

1) Princípio da nacionalidade ativa: Aplica-se a lei nacional do autor do


crime, qualquer que tenha sido o local da infração.
2) Princípio da nacionalidade passiva: A lei nacional do autor do crime
aplica-se quando for praticado contra bem jurídico de seu próprio Estado ou
contra pessoa de sua nacionalidade.
3) Princípio da defesa real: Prevalece a lei referente à nacionalidade do
bem jurídico lesado, qualquer que tenha sido o local da infração ou a
nacionalidade do autor do delito. É também chamado de princípio da proteção.
4) Princípio da justiça universal. Todo Estado tem o direito de punir
qualquer crime, seja qual for a nacionalidade do sujeito ativo e passivo, e o local
da infração, desde que o agente esteja dentro de seu território (que tenha voltado
a seu país, p.ex.).
5) Princípio da representação: a lei nacional é aplicável aos crimes
praticados no estrangeiro em aeronaves e embarcações privadas, desde que não
julgados no local do crime.

Já vimos que o princípio da territorialidade temperada é a regra em nosso


direito, cujas exceções se iniciam no próprio Art. 5º (decorrente de tratados e
convenções, nas quais a lei estrangeira pode ser aplicada a fato cometido no
Brasil). O Art. 7º do CP, por sua vez, traça as regras referentes à aplicação da lei
nacional a fatos ocorridos no exterior.

1.11 Disposições Finais Relativas à Aplicação da Lei Penal

a. Sujeito ativo: sujeito ativo ou agente é a pessoa que comete o crime.


Em regra, só o ser humano, maior de 18 anos, pode ser sujeito ativo de uma
infração penal. Excepcionalmente, as pessoas jurídicas poderão cometer crimes,
uma vez que a CF estabelece que as condutas e atividades consideradas lesivas
ao meio ambiente sujeitarão os infratores, pessoas físicas ou jurídicas, a sanções
penais e administrativas, independente da obrigação de reparar o dano (Art. 225,
§3º).
b. Sujeito passivo: É a pessoa ou entidade que sofre os efeitos do delito
(vítima do crime).
c. Objetividade jurídica (objeto jurídico): É o bem ou interesse que a lei
visa a proteger quando incrimina determinada conduta. Assim, no crime de furto,
o objeto jurídico é o patrimônio; no homicídio, é a vida, etc.
d. Objeto material: É a coisa sobre a qual recai a conduta delituosa. No
crime de furto, o objeto material é o bem que foi subtraído da vítima no caso
concreto (p. ex.: a carteira, a bolsa, o veículo).

Capítulo 2 - Teoria do Crime

Sumário: 2.1 Introdução - 2.2 Ação, omissão resultado e nexo de causalidade


– 2.3 Tipo Penal – 2.4 Tipicidade – 2.5 Dolo – 2.6 Culpa – 2.7 Preterdolo – 2.8
Erro de Tipo – 2.9 Ilicitude ou Antijuridicidade – 2.10 Culpabilidade – 2.11
Crime Consumado – 2.12 Crime Tentado – 2.13 Desistência Voluntária –
2.14 Arrependimento Eficaz – 2.15 Arrependimento Posterior – 2.16 Crime
Impossível – 2.17 Concurso de Pessoas.

2.1 Introdução

A estrutura do crime, bem como de seus requisitos, sofre profunda


diferenciação de acordo com a teoria que se adote em relação à conduta, que é o
primeiro elemento componente do fato típico. Assim, uma vez adotada a teoria
clássica ou a teoria finalista da ação, haverá grandes divergências acerca do
significado dos temas que envolvem conduta, dolo, culpa e culpabilidade. Não
obstante haja entendimento quase que pacífico no sentido de que a Parte Geral
do CP (reformada em 1984) adotou a teoria finalista da ação, torna-se
necessário o estudo de ambas.

a. A conduta na teoria Clássica:


Essa teoria origina-se no tratado de Franz Von Liszt. Segundo ela a ação é
considerada um puro fator de causalidade, uma simples produção do resultado,
mediante o emprego de forças físicas. É desprovida de qualquer finalidade.

Segundo Fernando Capez, para os seguidores dessa teoria é totalmente


desnecessário, para efeito de caracterização de um fato típico, saber se o
resultado foi produzido pela vontade do agente ou se decorreu de atuação
culposa, interessante apenas indagar quem foi o causador material. O único nexo
que importa estabelecer é o natural (causa e efeito), desprezando e elemento
volitivo (dolo) e normativo (culpa).

O dolo ou a culpa somente serão analisados posteriormente, quando da


análise da culpabilidade. Assim, na ausência destes, o fato não será culpável e o
agente não terá cometido crime (apesar de o fato ser considerado típico).
Dessa forma, pode-se concluir que para a teoria clássica o crime é um fato
típico, antijurídico e culpável. O dolo e a culpa integram a culpabilidade. O dolo,
por sua vez, é normativo, pois tem como requisito a consciência da ilicitude.

Para essa teoria o crime tem a seguinte estrutura:

1) FATO TÍPICO, que tem os seguintes elementos:

a) conduta ( na qual não interessa a finalidade do agente);


b) resultado;
c) nexo causal;
d) tipicidade.
1) ANTIJURIDICIDADE. Cometido um fato típico presume-se ser ele
antijurídico, salvo se ocorrer umas das causas excludentes de ilicitude
previstas na lei.
2) CULPABILIDADE. Composta pelos seguintes elementos:
a) imputabilidade;
b) exigibilidade de conduta diversa;
c) dolo e culpa.

O dolo, como já dissemos, é normativo, possuindo os seguintes


requisitos:

(a) consciência da conduta e do resultado;


(b) consciência do nexo de causalidade;
(c) consciência da antijuridicidade;
(d) vontade de realizar a conduta e produzir o resultado.

b. A conduta na teoria finalista:

Para a teoria finalista, atualmente adotada, não se pode dissociar a ação


da vontade do agente, já que a conduta é precedida de um raciocínio que leva a
realizá-la ou não. Em suma, a conduta é comportamento humano, voluntário e
consciente (doloso ou culposo) dirigido a uma finalidade. Assim, o dolo e a culpa
fazem parte da conduta (1º requisito do fato típico) e, dessa forma, quando
ausentes, o fato é atípico.

Percebe-se, portanto, que para a teoria finalista o dolo e a culpa se


deslocaram da culpabilidade (teoria clássica) para a conduta e, portanto, para
o fato típico.

O dolo, entretanto, passou a ser interpretado de outra forma, excluindo-se


dele a consciência da ilicitude. O dolo deixou de ser normativo e passou a ser
natural, ou seja, não mais contém a mencionada consciência da ilicitude.

O crime, para a teoria finalista, é um fato típico e antijurídico e, em suma,


tem a seguinte estrutura:

1) FATO TÍPICO : que possui os seguintes elementos:


a) Conduta (dolosa ou culposa). O dolo é natural, pois deixa de integrar
a culpabilidade, passando a integrar o fato típico, tendo apenas os
seguintes elementos:
(1) Consciência da conduta e do resultado;
(2) Consciência do nexo causal;
(3) Vontade de realizar a conduta e provocar o resultado.
O dolo deixou de comportar a real consciência da ilicitude (mas a
potencial consciência da ilicitude passou a fazer parte da
culpabilidade).

a) Resultado;
b) Nexo causal;
c) Tipicidade.

2) ANTIJURIDICIDADE: Não houve modificações em relação à teoria


clássica.

3) CULPABILIDADE: composta dos seguintes elementos:

a) imputabilidade;
b) exigibilidade de conduta diversa;
c) potencial consciência da ilicitude.

c. A conduta na teoria social da ação

Em relação ao tema “conduta” existe uma terceira teoria, chamada teoria


social da ação, que, entretanto, não foi e não é adotada pela legislação pátria,
motivo pelo qual a ela será dada uma menor atenção. É uma teoria pós-finalista,
que incorpora conceito de ambas as teorias anteriores. Para seus seguidores,
ação é conduta humana socialmente relevante, dominada e dominável pela
vontade. Conduta socialmente relevante é aquela socialmente danosa, porque
atinge o meio em que as pessoas vivem. Por esse motivo, se, embora objetivo e
subjetivamente típico, um comportamento não afronta o sentimento de justiça, o
senso de normalidade, ou de adequação social do povo, não se pode considerá-lo
relevante para o direito penal.

2.2 Ação, Omissão, Resultado e Nexo de Causalidade

a. Condutas e atos
Conduta é uma materialização da vontade humana, que pode ser
executada por um único ou por vários atos. O ato, portanto, é apenas uma parte
da conduta. Ex.: é possível matar a vítima (conduta) através de um único ato (um
disparo mortal) ou de vários atos (vários golpes no corpo da vítima).

Se a conduta se reveste de um único ato é chamada de unissubsistente e,


se composta de mais de um ato, de plurissubsistente.

1) Sujeito da conduta e voluntariedade.


Por definição, somente os seres humanos podem realizar conduta, pois apenas
estes têm vontade e consciência. Os animais irracionais não realizam conduta. Contudo,
quem atiça um cão bravio contra a vítima responde pelo crime por ser o autor da
conduta, sendo o animal mero instrumento do ataque.
2) Formas de conduta:

A conduta pode exteriorizar-se através de:

a) Ação – comportamento positivo: fazer, realizar algo. Nessa hipótese, a lei


determina um não-fazer e o agente comete o delito justamente por fazer o que a
lei proíbe. Crimes comissivos.
b) Omissão – comportamento negativo: abstenção, um não fazer. Crimes
omissivos. A omissão, por sua vez, pode dar origem a duas espécies de crimes:
(1) Os omissivos próprios ou puros, nos quais inexiste um dever jurídico
de agir, ou seja, não há norma impondo um dever de fazer. Assim, só existirá
essa espécie de delito omissivo quando o próprio tipo penal descrever uma
conduta omissiva. Ex.: Crime de omissão de socorro (Art. 135). Nesses delitos, a
simples omissão constitui crime, independente de qualquer resultado posterior.
(2) Os omissivos impróprios ou comissivos por omissão, que são aqueles
para os quais a lei impõe um dever de agir e, assim, o não-agir constitui crime,
na medida em que leva à produção de um resultado que o agir teria evitado.
Esses crimes não estão previstos na Parte Especial como tipos penais autônomos.
A verificação deles decorre da norma do Art. 13, § 2º,do CP, que trata da
relevância causal da omissão, que veremos no nexo de causalidade. Ex.: Mãe que
deixa de alimentar seu filho, provocando sua morte.

b. Do resultado

1) Conceito. É a modificação do mundo exterior provocado pela conduta


do agente.
2) Resultado e evento. São institutos diversos. Evento é qualquer
acontecimento. Resultado é a consequência da conduta humana, ou seja, aquilo
produzido por uma conduta dolosa ou culposa do homem.
Assim, estão excluídos do conceito de resultado os fenômenos da
natureza, as hipóteses de caso fortuito ou de força maior, o comportamento de
animais irracionais etc. Estes constituem eventos.

c. Nexo causal

É a relação natural de causa e efeito existente entre a conduta do agente e


o resultado dela decorrente.

Nos crimes materiais somente existe configuração do delito quando fica


evidenciado que a conduta do agente provocou resultado, ou seja, quando fica
demonstrado o nexo causal.

Nos crimes formais e nos crimes de mera conduta não se exige o nexo
causal, uma vez que esses crimes dispensam a ocorrência de qualquer
resultado naturalístico e, assim, não há que se pensar em nexo de causalidade
entre a conduta e resultado.

OBS: Os crimes materiais, portanto, possuem quatro requisitos: conduta,


resultado, nexo causal e tipicidade.

Os crimes formais e de mera conduta exigem apenas dois requisitos:


conduta e tipicidade.

Crime Característica do tipo Consumação

Crime Descrição da conduta e do Ocorre com o resultado


material resultado

Crime formal Descrição da conduta e do Ocorre já com a


resultado conduta (ou ao mesmo
tempo que a conduta)*
Crime de Descrição só da conduta Ocorre com a simples
mera conduta conduta

*Crime Formal: se ocorrer o resultado, tem-se o exaurimento.

1) Relação de causalidade
O Código adotou a teoria da equivalência dos antecedentes causais, ou da
conditio sine qua non, considerando como causa toda ação ou omissão sem a
qual o resultado não teria ocorrido ( Art. 13, Segunda parte, do CP).

Como ensina Nélson Hungria: “causa é toda condição do resultado e todas


as condições se equivalem”.

A amplitude dessa teoria é temperada pela tipicidade, especialmente pela


exigência do elemento subjetivo do dolo e da culpa, não bastando apenas a
causação de um resultado.

4) Superveniência causal

O Art. 13, §1º, do CP limita também a equivalência das condições, ao dispor


que se exclui a imputação na superveniência de outra causa, relativamente
independente, que por si só produziu o resultado (salvo os fatos anteriores,
imputáveis a quem os praticou).

Nessas hipóteses, pode se dizer que existe uma concausa, ou seja, a


conduta do agente e uma outra causa qualquer.

As concausas podem ser:

a) Dependentes. Aquelas que se encontram dentro da linha de


desdobramento normal da conduta. Essas jamais rompem o nexo causal. Ex.:
uma facada provoca uma perfuração em um órgão vital da vítima, que provoca
uma hemorragia aguda, que provoca a sua morte.
b) Independentes. São aquelas que, por si só, produzem o resultado, ou
seja, que não se incluem no desdobramento normal da conduta.
As causas Independentes podem ser:

(1) Absolutamente Independentes: são as que têm origem totalmente


diversa da conduta. A causa provocativa do resultado não se originou na conduta
do agente:
Podem ser:

- Preexistentes: quando anteriores à conduta. Ex.: A quer matar B e


o esfaqueia. Acontece que, anteriormente, C já tinha envenenado B, que morre
em razão do envenenamento. A responde por tentativa de homicídio e C por
homicídio consumado.
- Concomitantes: quando se verificam ao mesmo tempo que a
conduta. Ex.: uma pessoa está envenenando a vítima, quando entram bandidos
no local e matam a vítima com disparos de arma de fogo.
- Supervenientes: quando posteriores à conduta. Ex.: após o
envenenamento, cai um lustre na cabeça da vítima, que morre por traumatismo
craniano.

Obs.: Em todas as hipóteses em que há causa absolutamente


independente, rompe-se o nexo causal, já que o resultado decorre dessa causa
independente e não da conduta do agente. Nas duas últimas hipóteses, o agente
(autor do envenenamento) responde apenas por tentativa de homicídio, pois, o
fato que provocou efetivamente a morte foi a causa absolutamente independente
e não a sua conduta.

(2) Relativamente Independentes: são aquelas que, por si só, produzem o


resultado, mas que se originam na conduta do agente.

Também podem ser:

- Preexistentes : quando anteriores à conduta. Nessa hipótese, o


agente responde pelo crime, pois não se rompe o nexo causal. É a hipótese
clássica de alguém que, querendo matar a vítima, lhe desfere um golpe de faca.
Golpe este que, por si só, seria suficiente para provocar a morte de uma pessoa
comum. Acontece que, por ser hemofílica (causa preexistente), a vítima acaba
falecendo pela grande perda de sangue.
- Concomitante: quando se verificam ao mesmo tempo que a
conduta do agente. Não rompe o nexo causal e o agente responde pelo crime. É o
que ocorre no conhecido em que, no exato momento em que o agente efetua o
disparo contra a vítima, vem esta a sofrer um infarto (decorrência do susto e, por
isso, ligada a conduta do sujeito).
- Supervenientes: quando posteriores a conduta. Neste caso,
conforme dispõe o Art. 13, § 1º, rompe-se o nexo causal e o réu não responde pelo
resultado, mas somente pelos atos até então praticados. Nessa hipótese, após a
conduta do agente, ocorre uma causa relativamente independente que, por si só,
produz o resultado. A vítima, por ex., toma um tiro na barriga (conduta do
agente) e é colocada em uma ambulância. Durante o trajeto, a ambulância se
envolve em uma colisão e a pessoa morre em razão dos novos ferimentos. Assim,
como a causa da morte foi o acidente, a pessoa que efetuou o disparo não
responde por homicídio consumado, mas apenas por tentativa.

5) Relevância causal da omissão

O Art. 13, §2º, do CP, trata da questão do nexo de causalidade nos


denominados crimes omissivos impróprios, também chamados de comissivos por
omissão. Nessa espécie de delito, a simples omissão seria atípica, mas, como o
agente tinha um dever de evitar o resultado e não o fez, responde pelo resultado
delituoso que deveria ter evitado.

Estabelece o dispositivo que a missão é penalmente relevante quando o


omitente devia e podia agir para evitar o resultado. O dever de agir incumbe a
quem:

a) Tenha por lei obrigação de cuidado, proteção ou vigilância (Dever legal):


Ex.: dever de proteção e assistência para com os filhos. Assim, o pai que
intencionalmente deixa de alimentar filho, causando sua morte, responde por
homicídio doloso.
b) De outra forma, assumiu a responsabilidade de impedir o resultado:
pode resultar de relação contratual, profissão ou quando, por qualquer outra
forma, assumiu a pessoa a posição de garantidora de o resultado não ocorreria.
O dever jurídico não decorre de lei, mas de uma situação fática.
c) Com seu comportamento anterior criou o risco da ocorrência do
resultado. Ex.: aquele que, por brincadeira, joga uma pessoa na piscina e,
posteriormente, percebe que esta não sabe nadar, tem o dever de salvá-la. Se não
o fizer, responde pelo crime.

2.3 Tipo Penal

a. Conceito

O tipo penal é uma norma que descreve uma conduta criminosa em


abstrato. Quando alguém, na vida real, comete uma conduta descrita em um
tipo penal, ocorre a chamada tipicidade.

Os tipos penais estatuem proibições de condutas na vida em sociedade,


estabelecendo penas àqueles que venham a desrespeitá-las. Assim, quando o
legislador estabelece uma pena de reclusão, de 6 a 20 anos, para quem mata
alguém, está, em verdade, proibindo a conduta de matar.

Pelo princípio da legalidade, entretanto, deve a lei definir a conduta


criminosa e não apenas proibi-la.

Dentro dessa sistemática, os tipos penais são modelos criados pela lei, por
meio dos quais as condutas consideradas indesejáveis pelo senso comum (de
acordo com o entendimento do legislador) são descritas taxativamente como
crimes, com a finalidade de se dar aos indivíduos a garantia maior do princípio da
reserva legal.

O tipo penal, para que consiga descrever a conduta incriminadora, serve-se


de elementares e circunstâncias.
1) Elementares: São componentes fundamentais da figura típica sem os
quais o crime não existe. As elementares estão sempre no caput do tipo
incriminador, por essa razão, é chamado de tipo fundamental.

a) Espécies de elementares ou elementos:


(1) Elementos objetivos ou descritivos. São aqueles cujo significado se
extrai da mera observação. São elementos que existem concretamente no mundo
e cujo significado não demanda nenhum juízo de valor. Exs.: matar (Art. 121),
coisa móvel (Art. 155), conjunção carnal (Art. 213), etc.
(2) Elementares normativos. São aqueles cujo significado não se extrai da
mera observação, dependendo de uma interpretação, isto é, de um juízo de valor.
Quando o significado do elemento depende de um juízo de valor moral,
religioso, social, consuetudinário etc., é chamado de elemento normativo
moral ou extrajurídico. Quando o juízo de valor depende de uma interpretação
jurídica, o elemento é chamado de elemento normativo jurídico. Exs.:
dignidade ou decoro (Art. 140) são elementos normativos morais (extrajurídico);
documento público (Art. 297), é um elemento normativo jurídico.

(3) Elementos subjetivos do tipo. Existem quando o tipo penal exige


alguma finalidade específica por parte do agente ao cometer o crime. É,
portanto, a finalidade especial descrita no tipo. Exs.: seqüestrar pessoa com o fim
de obter qualquer vantagem como condição de preço ou resgate (Art. 159).

2) Circunstâncias

São todos os dados acessórios da figura típica, cuja ausência não a


elimina. Sua função não é constituir o crime, mas tão-somente de influir no
montante da pena. Exs.: a pena do furto é aumentada de 1/3 se a subtração é
praticada durante o repouso noturno (Art. 155, §1º). São, portanto, dados
acessórios que influenciam na aplicação da pena.

b. Classificação dos tipos penais


1) Tipo anormal: é aquele que contém elementos normativos ou
subjetivos, além dos elementos objetivos. O enquadramento pressupõe uma
interpretação do juiz em cada caso concreto.
2) Tipo normal: é aquele que só contém elementos objetivos.
3) Tipo fechado: não exige nenhum juízo de valoração por parte do juiz.
4) Tipo aberto: é o que exige um juízo de valoração do juiz, como ocorre,
por exemplo, nos crimes culposos, em que o juiz, para decidir se houve ou não
crime, deve comparar a conduta do réu com a conduta que teria, nas mesmas
condições, o chamado homem prudente e de discernimento.

2.4 Tipicidade

a. Definição
É o nome que se dá ao enquadramento da conduta concretizada pelo
agente na norma penal descrita em abstrato. Em suma, para que haja crime é
necessário que o sujeito realize, no caso concreto, todos os elementos
componentes da descrição típica. Quando ocorre esse enquadramento, existe a
TIPICIDADE.

b. Adequação típica

Conforme já mencionado, é a possibilidade de se enquadrar a conduta ao


tipo legal.

A adequação típica pode se dar de duas maneiras:

1) Imediata ou direta: quando houver uma correspondência total da


conduta ao tipo. Ela decorre da autoria (realização da conduta descrita no tipo) e
da consumação do ilícito penal.
2) Mediata ou indireta: quando a materialização da tipicidade exige a
utilização de uma norma de extensão, sem a qual será absolutamente
impossível enquadrar a conduta no tipo. É o que ocorre nas hipóteses de
participação (Art. 29) e tentativa (Art. 14, II).
Com efeito, o Art. 121 do CP, ao tratar do crime de homicídio, descreve a
conduta de matar alguém. Assim, quem efetua o disparo e provoca a morte da
vítima tem uma adequação típica direta ou imediata, pois ele matou.
Suponha, entretanto, que alguém tenha apenas emprestado a arma para que o
sujeito matasse a vítima. Ora, quem emprestou a arma não matou ninguém e, em
princípio, não poderia ser punido. A tipicidade de sua conduta, entretanto,
decorre da norma de extensão do Art. 29 do CP: quem, de qualquer modo
concorre para o crime, incide nas penas a este cominadas. Da mesma maneira, a
tentativa seria atípica não fosse a norma de extensão do Art. 14, II do CP, uma
vez que o Art. 121, em tese, só pune quem mata e não quem tenta matar mas não
consegue.

2.5 Dolo

a. Teorias
1) Teoria da vontade: Dolo é a vontade de realizar a conduta e produzir o
resultado.
2) Teoria da representação: Dolo é a vontade de realizar a conduta,
prevendo a possibilidade de produção do resultado.
3) Teoria do assentimento: Dolo é a vontade de realizar a conduta,
assumindo o risco da produção do resultado.

b. Teorias adotadas pelo Código Penal.

O Art. 18, I, do CP, diz que há crime doloso quando o agente quer o
resultado (dolo direto) ou quando assume o risco de produzi-lo (dolo eventual).

Na hipótese do dolo direto o legislador adotou a teoria da vontade e no


dolo eventual consagrou a teoria do assentimento.

c. Espécies de dolo

1) Dolo natural: é a espécie de dolo adotada pela teoria finalista da ação


(atualmente consagrada no CP). Segundo essa teoria, o dolo pressupõe:
a) Consciência: da conduta, do resultado e do nexo causal;
b) Vontade: de realizar a conduta e provocar o resultado (intenção de
concretizar os elementos que compõem a descrição típica do delito).
Para essa teoria, o dolo passa a constituir parte integrante da conduta
(ação), deixando de lado a consciência da ilicitude.

2) Dolo normativo: é o dolo segundo a teoria clássica. Para os seguidores


dessa teoria, o dolo contém a consciência da ilicitude e é elemento integrante da
culpabilidade.

3) Dolo direto ou determinado: quando o agente visa a certo e


determinado resultado.

4) Dolo indireto ou indeterminado: quando o sujeito não se dirige a


certo e determinado resultado. Possui duas formas:

a) Dolo alternativo: quando a vontade do agente se dirige a um ou a


outro resultado. Ex.: quando agente efetua golpes de faca na vítima
com intenção de feri-la ou matá-la.
b) Dolo eventual: quando a agente assume o risco de produzir o
resultado.
5) Dolo de dano: intenção de causar efetiva lesão ao bem jurídico
tutelado. Exs. Homicídio, furto etc.

6) Dolo de perigo: intenção de expor a risco o bem jurídico tutelado.


Exs.: crime de periclitação a vida e da saúde (Art. 132), crime rixa (Art. 137).

7) Dolo genérico: vontade de realizar a conduta descrita na lei, sem um


fim especial.

8) Dolo específico: vontade de realizar a conduta, visando a um fim


especial. Ocorre quando o tipo exige determinada finalidade.

9) Dolo geral: ocorre quando o agente, supondo já ter alcançado o


resultado por ele visado, pratica nova ação que efetivamente o provoca. Ex.:
alguém efetua disparo contra a vítima e, supondo que já esteja morta, atira-a ao
mar, provocando sua morte. Nesse caso, ao tentar ocultar o cadáver, o agente
acabou matando a vítima e, em razão do dolo geral, responde por homicídio
doloso consumado (e não por tentativa de homicídio em concurso com homicídio
culposo).

2.6 Culpa

a. Conceito
No crime culposo, o agente não quer nem assume o risco de produzir o
resultado, mas a ele dá causa, nos termos do Art. 18, II do CP, por imprudência,
negligencia ou imperícia.

Para a teoria do crime, entretanto, o conceito de crime culposo envolve


vários outros elementos:

CRIME CULPOSO é aquele resultante da inobservância de um cuidado


necessário, manifestada na conduta produtora de um resultado
objetivamente previsível, através de imprudência, negligência ou imperícia.

b. Elementos

1) Conduta: o que importa em um crime culposo não é a finalidade da


conduta do agente, mas o resultado que ela provocou e o desvalor da ação ou
omissão que a ele deu causa. Assim, o que importa não é o fim do agente, mas
o modo e a forma imprópria como ele atua no caso concreto.

Conduta culposa, portanto, é aquela na qual o agente não observa um


dever de cuidado, imposto a todos no convívio social, e, por esse motivo, causa
um resultado típico (morte, lesões etc.)

2) Dever de cuidado objetivo: para se saber se houve ou não


inobservância desse cuidado objetivo, devemos confrontar a conduta do agente
com a conduta que teria, nas mesmas condições, um homem prudente e de
discernimento. Se o agente não agiu como agiria o homem prudente, cometeu o
crime culposo, ou seja, se não cumpriu com o dever de cuidado, sua conduta será
típica. Assim, pode-se dizer que os crimes culposos têm o tipo aberto, uma vez
que, diversamente dos crimes dolosos, sua conduta não é descrita na lei. Nos
crimes culposos a lei descreve apenas o resultado e o juiz é quem deve, no caso
concreto, avaliar se houve culpa em sentido lato ou, em outras palavras,
determinar a tipicidade pela comparação entre a conduta do acusado e o
comportamento provável que, na mesma situação, teria uma pessoa prudente,
como já mencionamos.

A inobservância do cuidado objetivo necessário pode manifestar-se de


várias formas:

a) Imprudência: é uma conduta positiva, uma ação. Ocorre por exemplo,


quando o agente toma uma atitude com falta de cuidado, com afoiteza, sem as
cautelas necessárias. Ex.: dirigir em excesso de velocidade, brincar com um
revólver municiado, etc.
b) Negligência: é uma conduta negativa, uma omissão (quando o caso
impunha uma ação preventiva). Na negligência há uma inércia psíquica, uma
indiferença do agente, que, podendo tomar as cautelas exigíveis, não o faz por
preguiça. Em suma, a negligência é a ausência de uma precaução que dá causa
ao resultado. Exs.: não providenciar a manutenção dos freios do veículo; não
providenciar equipamentos de segurança para seus empregados.
Comparando essas duas formas, a imprudência é uma ação que provoca
o resultado e a negligência uma omissão que a ele dá causa.

c) Imperícia : incapacidade ou falta de conhecimento técnicos no


exercício de arte ou ofício. A imperícia pressupõe sempre a qualidade ou
habilitação legal para a arte ou ofício. Não havendo tal habilitação para o
desempenho da atividade, a culpa é imputada ao agente por imprudência ou
negligência.

Não se confunde a culpa com erro profissional, que ocorre quando são
empregados os conhecimentos normais da arte ou ofício e o agente chega a uma
conclusão errada. Nesse caso, o fato é atípico, salvo se o equívoco for grosseiro.

3) Resultado

A mera inobservância do dever de cuidado não basta para caracterizar o


crime culposo. É necessária a ocorrência do RESULTADO descrito na lei (e não
desejado pelo agente). Assim, se alguém desrespeita um semáforo desfavorável,
mas não atinge qualquer pessoa, não há crime.

Por conclusão, só haverá ilícito culposo se, da ação ou omissão contrária ao


dever de cuidado, resultar lesão a um bem jurídico. É possível, excepcionalmente,
que a inobservância do cuidado, por si só, configure crime autônomo
(normalmente crime de perigo) quando houver previsão legal nesse sentido. Ex.:
crime de embriaguez ao volante.

4) Previsibilidade

É a possibilidade de conhecimento do perigo que sua conduta gera para os


bens jurídicos alheios e também a possibilidade de prever o resultado, conforme
as condições pessoais do agente. Assim, para a punição do autor de um crime
culposo é necessário que se demonstre a existência da previsibilidade objetiva e
subjetiva.

Previsibilidade objetiva: Trata-se de uma perspicácia comum, normal dos


homens, de prever o resultado.

Previsibilidade subjetiva: Capacidade de o agente, no caso concreto,


prever o resultado, em razão de condições a ele inerentes, que variam de acordo
com vários fatores, como educação, inteligência, capacidade, sagacidade etc.

Verificado que o fato típico, diante da previsibilidade objetiva (do homem


razoável), só haverá reprovabilidade da conduta (culpabilidade) se o sujeito puder
prevê-la (previsibilidade subjetiva).

a. Espécies de culpa
1) Culpa consciente: o agente prevê o resultado, mas espera que ele não
ocorra. Há a previsão do resultado, mas ele supõe que poderá evitá-lo com sua
habilidade. Difere do dolo eventual, porque neste o agente prevê o resultado, mas
não se importa que ele ocorra.
2) Culpa inconsciente: o agente não prevê o resultado, que, entretanto,
era objetiva e subjetivamente previsível.
3) Culpa própria: é aquela em que o sujeito não quer e não assume o risco
de produzir o resultado.
4) Culpa imprópria: também chamada de culpa por extensão, por
assimilação, por equiparação. É aquela em que o agente supõe estar agindo
acobertado por uma excludente de ilicitude (descriminante putativa) e, em razão
disso, provoca intencionalmente um resultado ilícito. Apesar de a ação ser dolosa,
o agente responde por crime culposo na medida em que sua avaliação acerca da
situação fática foi equivocada.
Obs.: Não há compensação de culpas.

2.7. Preterdolo

O crime preterdoloso é apenas uma das espécies dos chamados crimes


qualificados pelo resultado. Estes últimos ocorrem quando o legislador, após
descrever uma figura típica fundamental, acrescenta-lhe um resultado, que tem
por finalidade atribuir uma pena maior.

Os crimes qualificados pelo resultado podem ser observados nas seguintes


formas:

a. Conduta dolosa e resultado agravador doloso. Ex.: durante roubo, o


assaltante mata intencionalmente a vítima. Há crime de roubo qualificado pela
morte, também chamado de latrocínio (Art. 157, § 3º); qualificadora.
b. Conduta culposa e resultado agravador doloso. Ex.: crime de lesões
corporais culposas, cuja pena é aumentada de 1/3 (majorante) se o a agente,
dolosamente, deixa de prestar imediato socorro à vítima (art. 129, § 7º).
c. Conduta dolosa e resultado agravador culposo: Ex.: crime de lesão
corporal seguida de morte, no qual o legislador descreve que a pena será maior
quando o agente, ao agredir a vítima, provoca sua morte, e as circunstâncias
indicam que o agente não quis e não assumiu o risco de produzi-la. Apenas
nessa hipótese ocorre o crime preterdoloso: dolo no antecedente (conduta) e
culpa no consequente (resultado).
d. Conduta culposa e resultado culposo: Crime de incêndio culposo,
qualificado pela morte culposa (art. 250, §2º, c/c art. 258, 2ª Parte).
OBS: Os crimes preterdolosos não admitem a tentativa, pois, neles, o
agente não quer o resultado final agravador, sendo certo que pressuposto da
tentativa é que o agente queria o resultado e não o atinja por circunstâncias
alheias à sua vontade.

2.8 Erro de Tipo (Art. 20 do CP)

É aquele que faz com que o agente, no caso concreto, imagina não estar
presente uma elementar ou uma circunstância da figura típica. Como já
estudado, para que haja dolo é necessário que o agente queira realizar todos os
elementos constitutivos do tipo. Assim, como consequência do erro de tipo,
temos a exclusão do dolo. Excluído este, estará também excluída a conduta e,
consequentemente, o fato típico. Ex: alguém recebe um veículo idêntico ao seu
das mãos do manobrista e o leva embora. Não comete crime de furto, pois
imaginou que o veículo era o seu.

a. Erro culposo
O erro em que incorre o agente pode ser inevitável (invencível) ou evitável
(vencível). Se o agente atuou com erro, apesar dos cuidados objetivos, o erro é
invencível e exclui o dolo e a culpa. Entretanto, se poderia tê-lo evitado com as
cautelas exigíveis nas condições em que se encontrava, ocorrerá o erro
culposo. Neste caso, o erro elimina a tipicidade dolosa (não queria a realização
do tipo), mas, havendo culpa, responderá por crime culposo se a lei prevê este.

Dispõe o Art. 20, caput, que o erro sobre o elemento constitutivo do tipo
legal de crime “permite a punição por crime culposo, se previsto em lei”.

b. Erro provocado por terceiro

Prevê o Art. 20, § 2º: “Responde pelo crime o terceiro que determina o erro”.
Regula a lei a hipótese de o agente ter atuado por erro em virtude de
provocação (ou determinação) de terceiro. Suponha-se que o médico, desejando
matar o paciente, entrega à enfermeira uma injeção que contém veneno, afirma
que se trata de um anestésico e faz com que ela aplique. A enfermeira agiu por
erro determinado por terceiro, e não dolosamente, responde apenas o médico.

É possível, porém, que o provocador do erro tenha agido por erro culposo, o
mesmo ocorrendo com o executor do fato. O médico receita 10 cm³ de uma
substância, quando deveria receitar 1 cm³ e a enfermeira, por falta de cuidado,
não observa o engano, injetando a substância e causando a morte do paciente.
Ambos respondem por homicídio culposo. Se o autor do fato, aproveitando-se do
erro culposo do provocador, causa o resultado, responde por crime doloso por
não ter agido com erro.

c. Erro sobre a pessoa

O Art. 20, § 3º, prevê o erro sobre a pessoa da vítima: “O erro quanto à
pessoa contra a qual o crime é praticado não isenta de pena. Não se consideram,
neste caso, as condições ou qualidades da vítima, senão as das pessoas contra
quem o agente queria praticar o crime”.

Suponha-se que A queira matar B, confundindo este na escuridão com C,


que tem o mesmo porte físico, e alveja este. Trata-se de mero erro acidental e o
agente responde pelo homicídio por que pretendia praticar a conduta típica de
matar alguém. Dispõe a lei, todavia, que na hipótese se consideram não as
condições ou qualidades da vítima real, mas as da pessoa contra quem o sujeito
pretendia agir.

9. Ilicitude ou Antijuridicidade

a. CP, parte geral e parte especial:

A parte especial do CP possui várias normas incriminadoras, estatuídas a


partir de bens jurídicos que o legislador quis tutelar. Entre os crimes existem
elementos comuns e o objetivo da Teoria Geral do Crime é identificar esses
elementos.

b. A estrutura criminal tem em comum:


- segundo o conceito analítico, o crime é fato típico, ilícito e culpável;

- segundo um conceito mais restrito, é fato típico e ilícito, apenas; a


culpabilidade seria mero pressuposto de aplicação da pena.

c. Elementos do crime:

Dentro dos elementos do crime, a ilicitude possui predominância. Por


intermédio deste conceito, o legislador examina a lesividade da conduta; não se
trata apenas de ser contra o Direito, mas também de ser lesiva ao interesse
protegido. As normas são um indicativo daquilo que é valioso ou não à ordem
social.

É a ilicitude elemento prévio ao tipo e que conduz à sua elaboração. Ela


é, ademais, objetiva: o menor e o louco podem produzir fatos típicos e ilícitos.
A noção de ilicitude é intelectiva e se vincula à valoração do fato, a sua
apreciação.

d. Definição de ilicitude - Concepções

Dois enfoques:

- oposição da conduta à norma: a conduta desrespeita o comando da


norma penal; se a afronta se dá por ação, ela se dirige a uma norma
proibitiva; se por omissão, a uma norma preceptiva. Essa concepção é dita
formal e a crítica que se pode fazer a ela é a de que tal noção já está subsumida
na idéia de tipicidade;

- lesividade ao bem jurídico tutelado: trata-se de ofensa da conduta ao


bem jurídico e é uma noção valorativa, também dita material. Além de
contrariar a norma, a conduta deve lesar o bem jurídico tutelado (pode haver
situações em que se ofendeu a norma, sem que, no entanto, surja a ilicitude da
conduta). Esta concepção, por si só, ajuda a afastar da criminalização
comportamentos que não estão abrigo de nenhuma excludente legal, como a
hipótese do médico que, a pedido do paciente, o esteriliza; a prática do jogo do
bicho também pode ser lembrada aqui.
Obs.1: Crime de bagatela: para alguns, se resolve ao nível da tipicidade,
mediante a restrição do alcance da norma, restrição esta fundada na falta de
lesividade da conduta; falta-lhe tanto este aspecto que a ação nem chega a ser típica.

Obs.2: conduta humana: ação x omissão; dolo x culpa.

e. Terminologia:

Ilicitude ou antijuridicidade? Aquele termo é melhor do que este:

- pela rubrica legal;

- porque o crime é fato jurídico e não antijurídico. Na verdade, é ato ilícito


(classificação do Pontes de Miranda).

f. Causas de Exclusão

1) Legais:

a) Gerais: Previstas na parte geral do CP e aplicáveis à generalidade dos


tipos penais.

b) Especiais: constam na parte especial ou em legislação extravagante e


referem-se especificamente a certos tipos. Ex: Art. 142 (obs.: a calúnia e a
difamação erigem-se sobre a honra objetiva e a injúria sobre a honra subjetiva.
Os três incisos do Art. 142, referentes à injúria e à difamação, são na verdade
associáveis às descriminantes legais: o inciso I diz respeito a exercício regular de
direito; o inciso III, ao estrito cumprimento do dever legal).

2) Supralegais:

Não estão previstas em lei, mas no pensamento jurídico. São casos em que
não se verifica a lesividade da conduta. Essas causas têm origem no direito
alemão; é que, na Alemanha, não há previsão legal de exclusão da ilicitude para
os casos de exercício regular de direito e de cumprimento do dever legal, como
nós temos, de forma que teve de recorrer-se à jurisprudência para elencar
algumas causas que, sendo supralegais, tinha o efeito de afastar a ilicitude da
conduta. Dessas causas todas, a única que aproveitamos (e que não estava já ao
abrigo da previsão do Art. 23) foi a do consentimento da vítima (em casos
restritos, “direitos patrimoniais”).

Efetivamente, há outras causas de exclusão da ilicitude, além daquelas


elencadas pela lei penal. Ao prescrever-se que não haverá crime nem pena sem lei
prévia, não vedou o legislador que possam haver formas de exclusão da
tipicidade, da antijuridicidade ou da punibilidade sem lei que as defina; a
analogia só é vedada em relação aos tipos criminais incriminadores ou
sancionadores, sendo permitida quando for in bonam partem. É através dessa
analogia favorável ao réu que se permitiu a adoção de outras excludentes de
ilicitude, afora aquelas expressamente consignadas na lei.

Além da analogia, entende-se que o juiz pode buscar também em outras


fontes maneiras de excluir da antijuridicidade: nos Princípios Gerais de Direito,
nos costumes, nas normas culturais, etc. Ex: crime de bagatela.

No terreno da culpabilidade, por exemplo, resultou dessa liberdade criativa


do julgador o requisito "inexigibilidade de conduta diversa" (causa dirimente
essa que não encontraremos na lei, tal como ocorre com a coação, obediência
hierárquica, erro de proibição, etc).

Das causas legais:

a) Legítima Defesa:

A legítima defesa é indiscutível; podem-se questionar seus limites e


requisitos, mas jamais sobre sua validade e existência.

Art. 25: "Entende-se em legítima defesa quem, usando moderadamente dos


meios necessários, repele injusta agressão atual ou iminente, a direito seu ou de
outrem."
A legítima defesa compreende uma relação entre uma agressão e uma
reação a ela, mas não se esgota nisso; daí o termo "legítima", que se refere aos
requisitos situados ora na ação, ora na agressão.

(1) Requisitos Objetivos (PONTO DE VISTA DA AÇÃO)

(a) Agressão. Trata-se de uma ameaça de lesão a um bem jurídico; é


um elemento puramente objetivo, devendo ser:

- ação ou omissão humana. Na omissão, verifica-se quando há o dever de


agir e o agressor o desrespeita (ex: carcereiro que não solta preso, existindo
mandado de soltura; médico que não age).

- pode ser dolosa, culposa ou até mesmo sem culpa (agressão por ato
reflexo; agressão de sonâmbulo).

Obs.: Francisco Muñoz Conde e Nelson Hungria sustentam que não se pode
agir em LD contra um louco ou um menor, mas sim em estado de necessidade;
há, na verdade, uma questão ideológica por trás disso: no EN, os requisitos para
a sua configuração são mais restritos, exigindo-se do agente justamente a
necessidade de agir daquele modo, bem como o equilíbrio entre a agressão e a
reação.

(b) agressão atual e iminente. Atual: agressão em curso; iminente: em


vias de se concretizar; não se confunde com a mera ameaça. A LD é uma
medida preventiva, de natureza excepcional (a via normal é o judiciário); se a
agressão for passada, só restará o judiciário.

Obs. 1: se a agressão já se consumou, mas alguém, sem saber disso, agiu


em legítima defesa (de terceiro, por exemplo), ter-se-á essa descriminante na
modalidade putativa.

Obs. 2: esse problema da atualidade da agressão criou dificuldades no caso


dos crimes formais, sobretudo no que se refere à permissão do revide nos crimes
contra a honra de natureza meramente verbal (desde que o revide seja na "mesma
moeda"). Onde está a temporariedade da agressão? Bem, na verdade, quando se
permite aqui a legítima defesa, não se está direcionando a reação à agressão já
consumada, mas sim àquela que está por vir.

(c) Injusta: deve ser contrária ao Direito, mas não necessariamente


um fato típico (furto de uso, dano culposo, contra sonâmbulo). Se agressão é
justa, não cabe LD; esta análise é objetiva.

(d) A direito: a LD aplica-se a todo e qualquer direito, exceto àqueles


difusos. Mesmo que da reação resulte lesão maior do que ocorreria se a agressão
se concretizasse (o requisito do equilíbrio dos bens jurídicos está presente
somente no estado de necessidade).

Obs: e a legítima defesa da honra nos casos de adultério? O STF já decidiu


que não vale, porque:

- a honra lesada é a da mulher, não do marido, e honra não se transfere.

- o direito dá uma solução própria para o caso, que é o divórcio e injúria


grave.

(2) Requisitos Objetivos (PONTO DE VISTA DA REAÇÃO)

(a) Meios necessários - critérios:

- critério da disponibilidade: responde-se à pergunta: quais os meios de


que dispunha o indivíduo na ocasião? Se fosse o único suficiente para repelir a
agressão, este será havido por necessário, mesmo que do seu emprego resulte
lesão maior ainda do que provocaria a agressão por si.

- critério da eficácia: uma vez dispondo de vários meios, deve-se avaliar se


aquele empregado era o mais eficaz, ou se todos o eram. Se todos eram, deve o
sujeito escolher o menos lesivo. Todavia, não se deve levar à risca tal critério e
sim verificá-lo caso a caso; não nos esqueçamos de que a reação, assim como a
agressão, é também humana.
(b) Moderação no seu uso: o uso dos meios deve ser aquele o quanto
baste para repelir a agressão. No caso de excesso, inverte-se a situação, com o
agressor tornando-se o agredido, cabendo-lhe, por conseguinte e por sua vez,
direito à LD (então chamada sucessiva).

Em havendo excesso, seja por desnecessidade do meio empregado ou pela


imoderação de seu uso, este poderá ser: doloso e culposo.

O excesso não afasta de todo a LD, mantendo-se os atos que não


resultaram do excesso sob sua égide; o agente responderá pelo excesso
exclusivamente por aquele resultado que ele causou, seja a título de dolo, seja
a título de culpa.

Obs. 1: Quando há desproporção enorme entre a reação e a


agressão, não se configura a LD; ex: matar garoto que roubava laranjas.

Obs. 2: A certeza da agressão não inviabiliza a LD. (exemplo de um


filme em que a moça recebeu telefonema do assassino, com este anunciando que
iria até sua casa).

Obs. 3: A questão dos ofendículos resolve-se no estudo do exercício


regular de direito.

Obs. 4: Ladrão em fuga não permite a LD; poder-se-ia, quem sabe,


falar de exercício regular de direito (de dar voz de prisão), mas mesmo assim
parece forçado admiti-lo.

Obs. 5: Os quesitos referentes ao excesso na LD são de cunho


obrigatório no júri e a sua falta acarreta a nulidade da decisão (isto é: quando
forem necessários logicamente, óbvio; se se descarta desde pronto a configuração
da LD, não há que se falar em excesso).

(3) Requisito Subjetivo:

Importa que o agente, do ponto de vista subjetivo, saiba que está


atuando contra uma agressão injusta. Assim, inexistirá legítima defesa daquele
que atira contra ladrão que invadira sua casa achando que na verdade se tratava
de policial munido de um mandado de prisão contra ele (Mirabete); ou, então, a
hipótese do agressor que, sem o saber, antecipa-se à agressão iminente da vítima
(Damásio).

A falta desse elemento subjetivo descarateriza a legítima defesa - em


que pese a opinião do Prof. Ladislau, de que a lei penal não pode ir tão longe na
averiguação do elemento anímico e volitivo do agente -, mas pode subsistir, em
relação ao ato, uma dirimente ou exculpante, em razão da inexigibilidade de
conduta diversa.

b) Estado de Necessidade:

Art. 24: "Considera-se em estado de necessidade quem pratica o fato para


salvar de perigo atual, que não provocou por sua vontade, nem podia de outro
modo evitar, direito próprio ou alheio, cujo sacrifício, nas circunstâncias, não era
razoável exigir-se”.

§ 1º: Não pode alegar estado de necessidade quem tinha o dever legal de
enfrentar o perigo.

§ 2º: Embora seja razoável exigir-se o sacrifício do direito ameaçado, a pena


poderá ser reduzida de um a dois terços."

O EN refere-se a um estado de perigo atual ou iminente, no qual um bem


jurídico é protegido mediante a prática de um ato que, considerado em si mesmo,
é criminoso, mas que está acobertado pela excludente.

Assim, premido pelas circunstâncias, o indivíduo somente consegue salvar


interesse seu violando um outro.

EN consiste numa situação de perigo que envolve dois bens


juridicamente protegidos (probabilidade de dano, real e efetivo), perigo esse que
não pode ser evitado senão por uma violência e um sacrifício de um desses bens.
A noção de EN está muito vinculada ao Direito Natural; Kant dizia ser um
tema ajurídico, em razão de ser manifestação instintiva da pessoa.

(1) Estado de Necessidade e Legítima Defesa:

(a) Ambos derivam de uma situação de necessidade, mas cada um


desses institutos tem requisitos próprios.

(b) Enquanto que na LD há uma reação a uma agressão injusta,


partida de outrem, no EN há não uma reação, mas uma ação, mediante a qual o
agente procura salvar direito seu ou de outrem.

(c) No EN, o conflito se dá entre interesses legítimos, um dos quais


devendo ser sacrificado para que o outro subsista; na LD, pelo contrário, o bem
do agressor é ilegítimo e o do agredido legítimo, uma vez que a agressão, por
ser em si contrária ao direito, desprotege o direito de quem a promove (a reação
deve ser moderada, no entanto, sob pena de excesso).

(d) Na LD, o perigo é criado pela ação do homem; no EN, ele pode
provir tanto do homem quanto de animais ou até da própria natureza.
Dúvida: há LD ou EN em relação a quem se defende de um louco ou de um
menor? Entende-se em legítima defesa.

(e) O EN é subsidiário, no sentido de que só se pode sacrificar interesse


alheio se outra forma de evitar o perigo não existia. Quem, no EN, enfrenta o
risco, ao invés de pedir socorro, sai do abrigo dessa excludente. Quanto à LD,
pelo código anterior a 1940, também se exigia a mesma coisa; todavia, a
jurisprudência e a doutrina têm cultivado a idéia de "machão", pela qual o
homem, o verdadeiro homem, não tem o dever de fugir ao perigo (o Direito não
socorre os fracos, diz-se por aí).

Obs: Problema: A e B naufragam, sendo que A causou o sinistro,


afundando o navio em que estavam. Ambos, nadando, encontram uma tábua;
brigaram e B afogou A. Nesse caso, qual a excludente que beneficia B? É a
legítima defesa, pois o EN só se aceita entre bens juridicamente tutelados, o que
não era o caso, pois A deu causa ao naufrágio dolosamente, de forma houve
agressão a B - ambos brigaram, reação se tornou justa.

(1) Teorias

Imaginemos três conflitos de bens jurídicos (o primeiro termo designa


aquele que foi protegido e o segundo o que foi sacrificado):

- vida x vida;

- vida x propriedade;

- propriedade x vida.

Diante desses casos, a doutrina é unânime em sustentar que o estado de


necessidade somente se limita aos dois primeiros conflitos; o terceiro caso, em
que prevaleceu a propriedade contra a vida de outrem, no máximo haverá a
caracterização, conforme o caso, de um estado de necessidade exculpante, com o
que se eliminará não a ilicitude do fato, mas a culpabilidade do agente, se não
lhe fora exigido conduta diversa.

No que tange às duas primeiras hipóteses, existem duas teorias:

(a) Teoria Unitária: dá tratamento único às duas hipótese: ambas


configuram EN. É a teoria do nosso código - Art. 24.

(b) Teoria Diferenciadora: é a do código de 1969 (se houvesse vigido) e a do


Código Penal Militar: somente há estado de necessidade na segunda
hipótese; se os bens forem de igual valor, não se justificaria destruir um
em proveito do outro, pois ambos os seus titulares são inocentes; no
máximo, haverá uma causa exculpante. Essa teoria adveio do
julgamento dos crimes de guerra.

(1) Requisitos EN:


(a) Um elemento subjetivo, inserto na expressão "para salvar"; um
médico que realiza abortamento não para salvar a gestante, mas por
interesse econômico (mesmo que no final das contas acabe salvando),
não age em EN. Não se discute esse requisito - ao contrário da legítima
defesa - porque ele está explícito na lei.

(b) Perigo certo, atual ou iminente, a direito próprio ou de outrem.

Perigo é a situação de fato em que, dada as circunstâncias, se torna


provável a ocorrência de um dano. Vem a ser, pois, uma situação concreta na
qual, segundo a experiência da vida e aquilo que costuma ocorrer (quod
plerumque accidet?), se espera a ocorrência da perda ou da diminuição de um
bem jurídico. Ex: operários numa construção, cujo andaime suporte apenas o
peso de um deles.

Dano: perda ou diminuição de um bem jurídico.

Se o perigo é simplesmente possível, sem caráter de premência ou


urgência capaz de justificar a ação, ou já estiver superado, não se caracteriza o
EN; entretanto, pode acontecer que o agente seja enganado pelas
circunstâncias, as quais o levam a supor que o perigo existe, quando na verdade
ele não se configura; é o caso de alguém no cinema que houve a palavra "fogo",
ferindo pessoas para salvar-se, sem que no entanto haja de fato um incêndio.
Nesse caso, a ação é antijurídica; ela só não será culpável (tem-se um EN
putativo).

(c) Perigo não provocado voluntariamente pelo agente; aquele pode


provir de qualquer causa: natural (calamidades), fatos de animais, de outras
pessoas, fatos econômicos; só não poderá resultar da vontade do agente. Ex: se
alguém causa uma explosão e fere pessoas para dela fugir, não pode invocar EN.

Há nesse ponto uma discussão: se a palavra "vontade" encerra em si o dolo


e a culpa, ou se só aquele. Para uns, trata-se apenas de dolo (vontade consciente
de produzir o perigo); outros, porém, acham que a atitude culposa também exclui
o EN (fulano que joga cigarro aceso num cesto com papéis). A melhor posição é
a de que só o dolo exclui a justificativa em questão.

Obs. 1: para aqueles que entendem que a culpa também exclui o EN, tal
aspecto não impede que o agente acabe isento de pena, por falta de
culpabilidade (inexigibilidade de comportamento diverso).

Obs. 2: crimes de esquecimento: caminhoneiro que adormece; guarda que


dorme com cigarro e causa incêndio; etc. Há quem diga que não existe sequer
vontade nesses casos, mas a maioria entende que eles configuram delitos
culposos.

Obs. 3: crimes de impaciência ou de curto-circuito: pai que mata sem


querer, mas por irritação, filha que incomodava. Geralmente se entende serem
crimes culposos (nesse caso específico do exemplo, o pai teria o perdão judicial;
se, porém, a atitude dele fosse enquadrada num dolo eventual, bem, daí não
haveria perdão algum).

Obs.4: Quanto à omissão, se ela for acidental, pode o EN;

(d) O perigo não poder ser contornado pelo agente, ou seja, não ser
evitável. E o que é o perigo evitável? É aquele do qual o sujeito pode se esquivar,
seja fugindo, seja utilizando dos meios menos danosos ao direito alheio. Podendo
o agente afastar o perigo sem violência, mas este se verificando, responde ele pelo
excesso (os atos praticados dentro do EN, porém, não são ilícitos).

Se o agente poderia recorrer às autoridades ou se socorrer da ajuda de


outrem, o perigo é evitável.

Não podendo contornar a situação perigosa, deve o agente escolher o meio


menos danoso ao direito alheio. Deve também haver equivalência dos bens em
jogo.

Obs: os loucos e menores podem agir em LD e EN, já que mesmo eles têm
direito natural de proteção a sua vida; são pessoas também, afinal de contas (a
tese contrária seria no mínimo inconstitucional).
O EN serve igualmente para proteger interesses não jurídicos, como aqueles
contra a fome, a dor, etc. Assim, é EN arrombar farmácia para conseguir remédio
urgente, bem como casos de furto famélico; também há a situação de alguém que
estraga carro à beira de estrada, à noite e sob chuva, invadindo casa alheia para
buscar comida. Agora, se encontrando carne e camarão, vier a comer esse último,
desaparece o elemento necessidade. O requisito da inevitabilidade deve ser
avaliado levando-se em conta o caso concreto e um coeficiente de subjetividade, e
mediante algum rigor, porque o titular do bem ofendido é inocente, lembremos.

(e) Não ser exigível o sacrifício do direito do agente. Há situações que


envolvem uma colisão de direitos, sendo razoável, conforme o caso, o sacrifício do
interesse do agente em face do de outrem. O critério é o da importância dos bens;
"não se pode sacrificar a vida de alguém para proteger uma moeda de prata".
Trata-se do princípio da proporcionalidade. Todos os bens são protegidos pelo EN,
mas isso não aduz a que sempre o bem do necessitado deva prevalecer sobre o
interesse alheio. Quem avaliará isso será o juiz.

Obs.: o código polonês já dispunha, em exemplar preceito, que o bem


sacrificado não pode representar um valor maior do que o bem protegido.

Pode ocorrer, por outro lado, que o juiz entenda, diante do caso concreto, que
mesmo um bem de menor valor devesse prevalecer, em razão da utilidade específica que
ele representava para o agente; mas, nesse caso, a conduta deste indivíduo é
antijurídica, com a pena podendo ser reduzida de 1 a 2 terços (Art. 24, § 2º).

Obs. 1: Para Pontes de Miranda, é possível falar-se de LD e EN a respeito de


bens coletivos.

(f) Não haver o dever de enfrentar o perigo (Art. 24, § 1º):

Refere-se às pessoas que têm, em virtude de profissão, ofídio ou função, o


dever de correr o risco e de verem sacrificados os seus interesses pessoais. Ex:
bombeiro, policial, soldado, comandante de navio (que deve ser o último a sair do
mesmo em caso de naufrágio; assim, se para fugir ao afogamento ele mata alguns
dos tripulantes para pegar-lhe o bote salva-vidas, estará cometendo homicídio).
A discussão que há é quanto à expressão "dever legal", pois alguns a
ampliam para "dever jurídico", abrangendo aquele que advém de contratos, por
exemplo. Assim, o enfermeiro, o alpinista, o médico, o guarda de fábrica, todos
esses também não poderiam alegar EN em caso de perigo a interesses seus, desde
que no exercício de seus deveres contratuais.

Tal posição, no entanto, é inconveniente, pois amplia a agravação do § 1º,


numa analogia in malam partem, não aceita pelo direito penal, colidindo com o
princípio que a proíbe.

Todavia, com o parágrafo segundo do Art. 13, situações que antes seriam
deveres apenas jurídicos ganharam feição legal, daí porque o guarda ou o
enfermeiro contratado não podem invocar o EN quando diante de um perigo
inerente a suas funções.

Excesso: ocorre o excesso quando o agente, na utilização dos meios


necessários, vai além da justa proteção de seu direito.

No CP anterior, só se cogitava de excesso na LD; com a reforma, veio o §


único do Art. 23, que diz:

"§ único: O agente, em qualquer das hipóteses deste artigo, responderá pelo
excesso doloso ou culposo."

O excesso será culposo quando o agente usa dos meios de maneira


leviana, negligente, imprudente, etc.

Será doloso o excesso quando o agente, por vontade própria, quis exceder
os limites da justificativa penal.

O excesso descaracteriza as descriminantes, as quais, porém, subsistem


para os atos praticados sob sua égide.

c) Exercício Regular de Direito:


São inconciliáveis as idéias de que alguém cometa um crime no exercício de
um direito ou o cumprimento de um dever legal, pois o Direito é um todo lógico
que não se coaduna à possibilidade de que em algum de seus ramos se determine
algo que seja vedado em outro. Daí, porque em muitos países - Alemanha, por
exemplo - tais causas excludentes de ilicitude são ditas supra-legais, pois
decorrem da própria lógica interna do sistema jurídico.

Se quem exerce um dever legal não comete um crime quando viola a lei
penal, muito menos ocorre quando o agente exercita um direito que a ordem
jurídica lhe reconhece (direito subjetivo). Com efeito, a ordem jurídica é dotada de
uma unidade múltipla, formada por uma multidão de normas das mais variadas
fontes, sendo inaceitável que uma dessas normas estejam em conflito com outras.
Não se concebe que uma conduta seja permitida por uma norma e mais adiante
proibida por outra. Assim, o que é lícito para um ramo do direito é também lícito
para outro, e vice-versa.

O vocábulo "direito" abrange todo e qualquer direito, sem importar se ele


provém do Direito Público ou do Direito Privado, se de norma legal ou
administrativa (importa ser jurídica); abarca inclusive aqueles ditos subjetivos,
pelos quais o sujeito pode exigir, mediante manifestação de vontade, que outrem
cumpra o seu dever, sendo-lhe possível recorrer ao Estado para que este aplique
determinada sanção à outra parte. Abrange também a conduta que advenha do
costume: preferência em fila; lesões esportivas; trotes universitários; atividade
médica.

Obs.: direito objetivo - norma posta genericamente; direito subjetivo -


faculdade, poder, liberdade que a pessoa tem de invocar aquela regra em seu
favor.

Se o direito for exercido de modo regular (sem abuso e condizente com o


seu cunho social e econômico), impede que a conduta tenha natureza
antijurídica; é necessário, porém, que se trate de um direito ou da possibilidade
que a lei reconhece a alguém de agir, não de um mero interesse, pois nesse caso
a norma não faculta ao indivíduo exigir de outrem o cumprimento de um dever.
Destarte, quem ofender seu vizinho porque seus filhos são mal-educados, comete
delito de difamação, pois embora haja interesse em que todas as crianças sejam
educadas, não se pode exigir isso dos pais.

O direito individual pode originar-se de qualquer fonte, seja penal ou extra-


penal. Falando-se de normas penais, tem-se o Art. 142, I, que permite ao
advogado, no exercício de sua profissão, injuriar seu colega ou a outra parte.

Os ofendículos ou ofendícula - meios de proteção preordenados, geralmente


da propriedade particular, tais como arames farpados, cacos de vidro em muros,
cães ferozes, armas, etc. - enquadram-se no conceito de exercício regular de
direito, principalmente se forem ostensivos; se forem ocultos - como armas
preordenadas -, há quem diga haver legítima defesa.

Requisitos da licitude dos ofendículos:

(1) Local razoável para a sua instalação; ex: eletrificar cerca acima do
muro, devidamente sinalizada. Não se enquadra, porém, eletrificar maçaneta.

(2) Equilíbrio entre o bem protegido e a natureza do dano; ex: instalar


cerca elétrica em casa para proteger a vida de seus moradores; não é, porém,
instalar em apartamento quase vazio, sem moradores.

Outros exemplos de exercício regular de direitos:

- proprietário de hotel que apreende bagagem de hóspede que não pagou a


conta;

- médico que realiza aborto para salvar vida de gestante (previsão legal).
Pode ser EN, quando age em local não apropriado.

- gestante que aborta feto resultante de estupro.

d) Estrito Cumprimento do Dever Legal

Aplica-se na maioria dos casos a agentes públicos; ex:


- oficial de justiça que invade domicílio para penhorar bens do devedor;

- agente policial que adentra na casa de alguém munido de mandado de


prisão;

- atuação geral da polícia (os abusos e danos individuais devem ser


avaliados conforme o caso).

- militares, etc.

Somente o dever legal exclui a ilicitude; nunca o dever moral,


reverencial, religioso, costumeiro (costume é fonte de direitos, não de deveres).
Assim, se um padre invade domicílio para promover uma extrema-unção de um
de seus moradores, à qual outros se oponham, há crime.

e) Descriminantes Putativas (Art. 20, § 3º):

Ex: A vê B, de quem é inimigo e por quem fora ameaçado de morte na


primeira ocasião em que se encontrarem. A, vendo B levar a mão à cintura, não
hesita: atira, matando-o; constata-se, no entanto, que B não estava armado e que
fora apanhar apenas um lenço. Tem-se, neste exemplo, um erro que incidiu sobre
um dos elementos do tipo permissivo das descriminantes legais, no caso, o da
legítima defesa. Trata-se aqui de legítima defesa putativa.

Alguns autores, dentre eles Heleno Fragoso, que vêem nas descriminantes
putativas a hipótese de erro de proibição, pois se estaria diante de uma suposição
de licitude, pelo agente, de um fato que não é lícito.

Existem, com efeito, duas teorias atinentes a este tema:

Teoria extrema da culpabilidade, que é a de Heleno Fragoso, exposta


acima, e que resolve o erro incidente sobre as descriminantes legais como sendo
erro de proibição, resolvendo-se pelo Art. 21, caso em que teremos a exclusão
não da tipicidade, mas da culpabilidade.
Teoria limitada da culpabilidade: pode haver erro de tipo, excluindo-se
então a tipicidade. É a teoria do código. Nesta linha, permitem-se duas soluções:

(1) Quando houver erro de fato pelo agente, supondo uma situação que
na verdade não existia, ter-se-á erro de tipo (que recaiu sobre um dos
elementos do tipo permissivo descriminante), regendo-se o caso pelo art.
20, § 3º.

(2) Quando o fato existe e o agente tem dele a compreensão correta,


mas sente-se autorizado a agir de maneira que a lei não permite,
tem-se o erro de proibição (problema quanto ao limite da
descriminante). Ex: sujeito que resiste violentamente à penhora
procedida por oficial de justiça. Vê-se, portanto, que o erro de proibição
se dirige não à situação de fato ou a algum elemento do tipo penal, mas,
sim, à licitude ou ilicitude da conduta.

Assim, enunciando de maneira mais clara a diferença entre as duas


posturas, tem-se:

Pela teoria limitada da culpabilidade, tem-se que, quando a conduta do


agente decorre de uma equivocada percepção do fato, supondo tratar-se de
uma situação quando na verdade é outra que ocorre, há erro de tipo (Art. 20, §
3º) - exclui a tipicidade; agora, se o erro resulta de uma falsa compreensão de
um elemento normativo de natureza jurídica constante da justificativa penal
(descriminantes legais), como, por exemplo, no que tange à injustiça da agressão,
o erro passa a ser de proibição (Art. 21) - exclui a culpabilidade.

2.10 Culpabilidade

Elementos:

a. Imputabilidade;
Excluída por:
1) doença mental;

2) desenvolvimento mental incompleto ou retardado;

3) embriaguez completa e fortuita.

b. Consciência da ilicitude;

Excluída por:

- erro de proibição.

c. Conduta adequada à lei penal;

Excluída por:

1) coação moral irresistível;

2) obediência hierárquica;

3) certa situação ou necessidade (inexigibilidade de conduta adversa);

4) excesso intensivo na legítima defesa.

d. A Culpabilidade como elemento do crime

Para que a conduta seja punida, precisa esta revestir-se de características


jurídico-penais, precisa apresentar:

- tipicidade, antijuridicidade e culpabilidade.

Outros acrescentam também a punibilidade, mas esta é mera


consequência; há também, em sentido oposto, quem exclua do conceito de crime
a culpabilidade (Damásio de Jesus), dizendo ser esta mero pressuposto de
aplicação da pena (vide Art. 180, § 1º). Todavia, a maioria orienta-se pela
constituição tridimensional do crime.

e. Teorias acerca da culpabilidade


1) Teoria Psicológica - a culpabilidade reside no liame psíquico do autor
com seu fato; inclui o estudo do dolo e da culpa (vinculada à teoria
naturalística).

Crítica: o equívoco desta teoria está em reunir num só conceito - o de


culpabilidade - elementos antagônicos - o dolo (que reside num querer) e a culpa
(que reside, por sua vez, num não-querer);

2) Teoria Psicológico-Normativa - Frank, em 1907, agregou aos


elementos identificados acima, na culpabilidade, a reprovabilidade da
conduta; há um juízo valorativo que se faz a respeito da atitude do
sujeito. Assim, o dolo e a culpa não são espécies de culpabilidade, mas
seus elementos. Teoria psicológico-normativa: o dolo como elemento
psicológico e a exigibilidade como elemento normativo.

Crítica: se a culpabilidade é um juízo de reprovabilidade, o dolo não pode


integrá-la, mas antes deve situar-se fora de seu conceito, justamente para receber
o reproche - a culpabilidade não está na cabeça do réu, mas na do juiz; o dolo
está na cabeça do réu.

3) Teoria Normativa Pura ou Estrita (ou Extrema) - retira o dolo e a culpa


da culpabilidade e os põe no tipo penal subjetivo. É a teoria mais
adotada.

f. Elementos da Culpabilidade

A culpabilidade em si apresenta, pela teoria adotada entre nós, os seguintes


elementos:

- imputabilidade;

- possibilidade de conhecimento do injusto (potencial consciência da


ilicitude; e

- exigibilidade de conduta diversa.


No juízo de culpabilidade, a valoração é feita considerando-se que o sujeito
devia agir de acordo com a norma porque podia atuar de acordo com ela. Tal juízo
assenta-se em duas pilastras: o Sollen (dever) e o Können (poder). É um juízo
puramente normativo, desprovido de qualquer elemento psicológico.

A culpabilidade consiste na emissão de um juízo de reprovação ou censura


endereçado ao autor da prática de um ilícito penal, em razão de se reconhecer
que nas circunstâncias de sua atuação poderia e deveria ter agido de acordo com
o preceito contido na norma penal.

No que tange à tipicidade, esta exige uma adequação objetiva e uma


adequação subjetiva; integram-na:

- consciência do ato (da conduta, do resultado e do nexo causal);

- voluntariedade (vontade de realizar a conduta e de produzir o resultado).

Estes dois elementos formam o dolo. A ausência da consciência da


ilicitude não desnatura a tipicidade. O dolo, para nós, não tem nada a ver com
culpabilidade; esta, por sua vez, tem a ver com a possibilidade (e exigência) de
agir-se diferentemente; é um juízo de reprovação, não de mero desacordo por
ter o autor feito algo que deveria não ter feito ou não ter feito algo que lhe era
cobrado, pois deve avaliar-se a sua possibilidade de agir diferentemente. Este
juízo é eminentemente pessoal; vide CF, Art. 5º, XLV:

"Nenhuma pena passará da pessoa do condenado,


podendo a obrigação de reparar o dano e a
decretação do perdimento de bens ser, nos termos
da lei, estendida aos sucessores e contra eles
executadas, até o limite do valor do patrimônio
transferido."

Uma coisa é culpa - elemento subjetivo do tipo e da ação culposa (melhor


dizer negligente) - e outra é culpabilidade; mesmo as condutas culposas poderão
ser avaliadas à luz da culpabilidade.
A noção de culpabilidade assenta-se na idéia de que o homem é
autodeterminável.

A culpabilidade tem uma função delimitadora, pois:

- pode descriminar o fato; ex: Art. 26.

- pode reduzir a pena aplicável; ex: Art. 59.

Obs.: Não se deve submeter à análise da culpabilidade um ato que já não


seja típico e ilícito.

1) Imputabilidade:

a) Conceito:

No sentido comum, é atribuição de um fato a alguém; no sentido penal, é


a capacidade de alguém suportar as conseqüências de seus atos.

O Art. 26 fornece, contrario sensu, o conceito de imputabilidade:


imputável é o agente mentalmente desenvolvido, capaz de entender o caráter
ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com esse entendimento
(possibilidade de entender e de querer o resultado). Inimputável é o agente que
por doença mental ou por desenvolvimento mental incompleto ou retardado não
possui, ao tempo da prática do fato, capacidade de entender o seu caráter ilícito
ou de determinar-se de acordo com esse entendimento; é a incapacidade para
apreciar o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com essa
apreciação.

Trata-se de um juízo sobre a capacidade geral do autor; distingue-se da


consciência da ilicitude, por emitir apenas um juízo de valor acerca da
capacidade volitiva e intelectiva do agente, contornando uma apreciação concreta
e psicológica de seu estado.

A imputabilidade é um conjunto de atributos pessoais formado pela


inteligência e pela vontade, os quais permitem ao agente compreender a sua
conduta e determinar-se a realizá-la.
Obs.: a responsabilidade penal depende da noção de imputabilidade, pois
não pode sofrer as consequências do fato criminoso senão aquele que tem
consciência de sua antijuridicidade e que quis executá-lo (Magalhães Noronha).

b) Requisitos (culpabilidade):

(1) tenha o indivíduo dezoito anos completos - critério biológico;

(2) tenha capacidade de se autodeterminar; esta, por sua vez, assenta-


se:

- na inteligência;

- e na vontade.

Haveria outros fatores, como o afeto, mas estes não são relevados pela lei.

O indivíduo sadio presume-se imputável aos 18 anos; presume-se, assim,


que tenha consciência da ilicitude e a capacidade de preordenar seus atos; trata-
se, porém, de uma presunção juris tantum (mas atenção: abaixo de 18 anos a
presunção, no sentido inverso, é juris et de jure, ao contrário do sistema inglês).

A imputabilidade tem um conceito doutrinário, extraído da interpretação,


contrario sensu das normas que regem o assunto.

A base do estudo da imputabilidade é o livre-arbítrio.

c) Critérios de aferição da inimputabilidade:

(1) Sistema biológico: leva-se em conta a causa e não o efeito; condiciona-


se a imputabilidade à inexistência de doença mental, de desenvolvimento mental
deficiente e de transtornos psíquicos momentâneos. Só por essas circunstâncias
o agente já se torna inimputável, não importando se elas diminuíram ou não a
capacidade de compreensão e de autodeterminação do agente - o nosso CP
adotou-a para a menoridade penal (exceção à regra);
(2) Sistema psicológico: o que importa é o efeito, não a causa; leva-se em
conta se o sujeito, ao momento da ação, tinha ou não tal capacidade de entender
e de querer. Se não a tinha, desnecessário averiguar qual a causa;

(3) Sistema biopsicológico: misto dos dois primeiros; leva-se em conta a


causa e o efeito. A doença mental, por si só, não tem o condão de determinar ipso
facto a inimputabilidade; deve concorrer para isso a exclusão da capacidade do
agente de compreender o ilícito e de se autodeterminar segundo esse
entendimento - critério geral do nosso CP para as outras dirimentes que não a
menoridade.

d) Causas Excludentes da Imputabilidade

O que afasta a imputabilidade? (A menoridade encontra-se subsumida no


conceito de desenvolvimento mental incompleto - presuntio juris et de jure)

- doença mental;

- desenvolvimento mental incompleto; + Art. 26, caput.

- desenvolvimento mental retardado;

- embriaguez completa e acidental - Art. 28, § 1º

Tais fatores afastam a imputabilidade e a presunção de que a partir de 18


anos tem-se a capacidade de compreender os próprios atos e de determiná-los
pela vontade.

(1) Doença mental:

Abrange as psicoses: orgânicas, tóxicas, funcionais (sífilis, paralisias,


traumatismos, demência senil, arteriosclerose, etc.)

Esquizofrenia, paranóia, psicoses maníaco-depressivas.


Se o doente mental praticou a conduta independentemente de seu estado,
podendo compreendê-la, torna-se perfeitamente imputável.

Obs.: A emoção e a paixão, porém, não afastam a imputabilidade.

(2) Desenvolvimento Mental Incompleto:

Os menores de 18 anos e os silvícolas, conforme o caso (se estão ou não


integrados à civilização) enquadra-se no conceito de desenvolvimento mental
incompleto.

O menor de 18 anos é sempre inimputável, mesmo que, por exemplo, tenha


casado (ou seja: tornando-se maior civilmente), ou mesmo que se prove que ele
era capaz de entender e de se autodeterminar em face desse entendimento.

A menoridade cessa no dia do aniversário, independentemente do horário


do aniversário.

Mesmo que o sujeito venha a responder processo dez anos após ter
cometido o fato, sendo ele a esta época inimputável, não será apenado.

(3) Desenvolvimento Retardado

- oligofrênicos em geral (idiotas, imbecis e débeis-mentais);

se não tinham capacidade - inimputáveis;

- surdos-mudos: se a tinham parcialmente a capacidade - semi-imputáveis

se a tinham integral - imputáveis.

(4) Embriaguez Involuntária:

A embriaguez tem as seguintes fases:

- excitação; depressão; fase de sono - coma.

Pode ser:
- completa: corresponde ao segundo e terceiro períodos, sendo que no
terceiro, o agente responderá apenas por crime omissivo ou comissivos por
omissão;

- incompleta: primeira fase. (excitação)

Pode ser a embriaguez também:

- voluntária ou culposa - não acidental; na voluntária, o indivíduo quer


embriagar-se; na culposa, não quer embriagar-se, mas, pelo excesso imprudente,
vem a fazê-lo. Em ambos os casos, aplica-se o Art. 28, II (são perfeitamente
imputáveis, sendo irrelevante que a embriaguez tenha sido completa ou
incompleta).

- acidental: resultante de caso fortuito: o sujeito ou desconhece o efeito


inebriante da bebida, ou possui condição fisiológica anormal que potencializa seu
efeito; ou de força maior: o sujeito é obrigado a ingerir. Se for a embriaguez
completa, não há imputabilidade - Art. 28, § 1º; se incompleta, Art. 28, § 2º
(redução de pena, de 1 a 2 terços).

- patológica (embriaguez habitual) - conforme o caso, Art. 26, caput (exclui


a imputabilidade) ou § único (semi-imputabilidade);

- preordenada - circunstância agravante - Art. 61, II, l.

Veja-se o Art. 28:

Art. 28: "Não excluem a imputabilidade penal:

...

II- a embriaguez, voluntária ou culposa, pelo álcool ou substância de efeitos


análogos."

§ 1º. É isento de pena o agente que, por embriaguez completa, proveniente


de caso fortuito ou força maior, era, ao tempo de ação ou omissão inteiramente
incapaz de entender o caráter ilícito do fato ou de determinar-se de acordo com
esse entendimento;
§ 2º. A pena pode ser reduzida de um a dois terços, se o agente, por
embriaguez proveniente de caso fortuito ou força maior, não possuía ao tempo da
ação ou da omissão a plena capacidade de entender o caráter ilícito do fato ou de
determinar-se de acordo com esse entendimento;

Obs.: não só o álcool, mas qualquer substância de efeito análogo deve ser
levada em conta nessas considerações.

e) Inimputabilidade e Medida de Segurança:

Na inimputabilidade, há falta da capacidade de querer e de entender por


parte do agente; nenhuma pena, por conseguinte, lhe pode ser imposta, mas sua
conduta gera consequências jurídico-penais: as medidas de segurança, aplicáveis
na suposição de que o agente, nesta condição, é perigoso.

As medidas de segurança podem ser punitivas (não mais aceitas) ou


recuperativas; estas geralmente consistem em internação em hospitais ou casas
destinadas ao tratamento psiquiátrico, mas é possível haver também
tratamento ambulatorial.

A medida de segurança não é pena; é uma providência que visa à cura do


agente, não a castigá-lo: é um dever ético do Estado. Sua imposição é de no
mínimo por um ou dois anos, ao final dos quais novo exame se faz no agente, já
que o seu máximo é indeterminado. Todavia, estando curado o agente, levanta-se
a medida de segurança, sendo ele libertado.

Necessário frisar que, mesmo sendo um louco notório, a medida de


segurança somente lhe poderá ser imposta após o cometimento, por ele, de algum
delito; sem isso, somente existe a possibilidade, agora no terreno cível, de
requerer a sua interdição.

No caso de tóxicos, aplica-se igualmente a medida de segurança (de


desintoxicação) e declara-se extinta a punibilidade.

f) Semi-imputáveis:
Há casos em que a doença mental não é severa, apenas acarretando uma
perturbação na capacidade do agente, mas não a sua supressão. São indivíduos
que estão no terreno neutral (Fernando Díaz Palos); são os demi-fous ou demi-
responsables. Nesses casos, o agente responde penalmente, embora
reduzidamente: ele é semi-imputável.

Responde penalmente (a sentença é condenatória), mas:

- com a pena reduzida de 1 a 2 terços. Discute-se se tal redução é


obrigatória ou facultativa; quem diz que é obrigatória alega que a quantidade da
pena se relaciona com a reprovabilidade do agente e, como essa reprovabilidade
dirige-se aos plenamente imputáveis, nada mais justo do que, em se tratando de
semi-imputáveis, reduzir-se a pena (o termo "pode" da lei refere-se apenas ao
quantum da pena). Os que defendem a posição contrária alegam que a semi-
imputabilidade abriga indivíduos perigosíssimos, mais violentos e mais
inteligentes do que a maioria dos inimputáveis.

- e com a possibilidade de a pena ser substituída por uma medida de


segurança. O sistema do código de 1984 é o vicariante, em oposição ao do
anterior, que era o duplo binário, pelo qual aplicava-se cumulativamente a pena e
a medida de segurança. Agora não; o juiz vai calcular a pena, com a redução (se
for um dos que entendem essa redução obrigatória), e depois a vai substituir, se
constatar no agente a periculosidade, por uma medida de segurança. O sistema
vicariante aplica-se a qualquer delito, inclusive aos de tóxicos.

Obs. 1: o agente, mesmo inimputável, pode sofrer prisão preventiva.

2) Potencial Consciência da Ilicitude:

a) Conceito e Caracterização:

Nosso sistema se satisfaz com a consciência potencial da ilicitude, que é


aquela que o agente, embora não possuindo por ocasião da prática delituosa,
poderia haver tido. A exigência aqui não é a de que o sujeito se auto-censure;
importa, sim, que ele saiba que seu ato é reprovável pela comunidade em que se
encontra.
O Art. 3º da LICC diz: ninguém se escusa de cumprir a lei, alegando que
não a conhece; no mesmo sentido, o Art. 21, caput, do CP: o desconhecimento da
lei é inescusável. Tais preceitos não se confundem com a falta de consciência da
ilicitude, pois tratam do conhecimento formal da norma penal (princípio
ignorantia legis neminen excusat). Esse desconhecimento - ou ignorância - da lei
não funciona como dirimente, mas apenas como atenuante - Art. 65, II.

A diferença entre erro e ignorância remonta a Aristóteles; este estremou o


desconhecimento de uma situação - a ignorância - e o seu conhecimento
equivocado - o erro. Assim, a ignorância da lei não afasta a culpabilidade, embora
o erro quanto a sua interpretação e alcance, sim, afasta-a, desde que inevitável.

O que conduz ao erro de proibição é a suposição, pelo agente, de que o


fato que comete é lícito. Francisco de Assis Toledo diz que o erro de proibição
recai sobre o injusto, que é o que não nos é permitido fazer; tal compreensão foge
ao âmbito do conhecimento formal da lei, para centrar-se na incompatibilidade
intrínseca entre o fato e o ordenamento jurídico.

Há situações em que falta aos indivíduos essa consciência, sobretudo


quando se trata de crimes próprios (ex: delitos tributários); há, certo, uma
reprovabilidade genérica, muitas vezes, mas não carregada das cores penais, ao
contrário do que acontece, por exemplo, com o furto. Outro exemplo: compra de
dólares no câmbio negro. Foi para abranger essas hipóteses que se ampliou a
consciência da ilicitude para aquela potencial, em que o agente, embora não a
possua presentemente quando da conduta, tinha a obrigação social de sabê-la
ilícita.

Há, porém, outras situações em que o indivíduo incorre na ilicitude por


erro; o agente supõe que a conduta era lícita. Trata-se do erro de proibição (Art.
21). Este poderá ser:

(1) Inevitável: afasta a consciência da ilicitude e a consequente


censurabilidade e culpabilidade do agente.

(2) Evitável: vem no § 1º do Art. 21: era possível ao agente ter a


consciência da ilicitude (avaliar tal aspecto de acordo com as circunstâncias). Não
afasta a culpabilidade nem o dolo (que está no tipo, nem poderia ser afastado
mesmo); acarreta apenas a redução da pena. Discussão quanto a se esta redução
é obrigatória ou facultativa.

- quem acha que é obrigatória (Damásio de Jesus), diz que a quantificação


da pena está vinculada à culpabilidade e, uma vez faltando um de seus
elementos, ela deve ser reduzida;

- quem defende o contrário (Heleno Fragoso), entende que muitas vezes se


estaria reduzindo a pena de agentes que absolutamente não merecem este
benefício.

b) Erro de Tipo x Erro de Proibição:

O erro pode ser:

(1) De tipo;

(2) De proibição:

Se o erro recai sobre os elementos descritivos ou normativos do tipo


penal, temos o erro de tipo, evitável ou não; se inevitável, afasta a tipicidade; se
evitável, o agente responde pelo delito na forma culposa, se a lei o previr nessa
modalidade.

Já o erro de proibição atinge a consciência da ilicitude. Pela teoria


finalista, sabemos que este elemento saiu da estrutura do dolo para ir se situar
no âmbito da culpabilidade.

Erro direto: o agente não tem consciência da ilicitude da conduta que


realiza e supõe que o que faz é lícito, ou o sujeito acredita estar agindo de modo a
não contrariá-la. São hipóteses difíceis de ocorrer. Welzel dá o seguinte exemplo:
alemã oriental que vai fazer aborto na Alemanha ocidental (exemplo já
anacrônico), por achar que neste país, assim como no seu, tal prática é
permitida. Damásio dá o exemplo do japonês que não sabe que a guerra findou e
mata o primeiro americano que encontra. O recentemente cunhou-se mais estes:
manter casa de prostituição; comprar dólares no câmbio negro.
Erro Indireto: o agente supõe equivocadamente que está autorizado a agir
por acreditar-se diante de uma causa excludente da ilicitude; ele sabe que
normalmente seu procedimento é incorreto, mas erroneamente entende estar ao
abrigo de uma descriminante (descriminantes putativas). Aqui o erro recai
justamente sobre a existência ou sobre os limites de uma justificativa legal, e não
sobre o fato que a embasa. Tecnicamente chama-se "erro de permissão". Ex:
eutanásia, em que o agente imaginava ter saído recentemente lei permitindo-a.

Mas cuidado: há os erros de tipo permissivo, os quais incidem sobre os


pressupostos fáticos de uma causa de justificação. O agente acredita estar diante
de um fato, este irreal, que lhe autoriza a agir mediante uma descriminante legal
(que será putativa).

Segundo a teoria limitada da culpabilidade, nesses casos se exclui a


tipicidade (segundo uns, se inevitável o erro, afasta-se a culpabilidade, por causa
da expressão isento de pena, do § 1º do Art. 21, expressão esta tradicionalmente
vinculada à culpabilidade); mas se for evitável o erro (2º parte do parágrafo em
questão), daí ninguém discute: afasta o tipo doloso e mantém o tipo culposo. O
exemplo clássico é o do sujeito que, encontrando um desafeto seu, pensa que ela
vai sacar de uma arma, quando vai na verdade apanhar um lenço.

Pela teoria extrema da culpabilidade, todo e qualquer erro acerca das


descriminantes putativas é erro de proibição.

Obs.: No caso das normas penais em branco, que fazem alusão a uma
norma extrapenal, pode ocorrer, quanto a esta última:

- um erro de fato sobre a matéria extrapenal;

- erro sobre a interpretação da norma extrapenal: erro de proibição.

3) Exigibilidade de Conduta Diversa:

Duas situações básicas, extraídas do Art. 22 do CP:


Art. 22: "Se o fato é cometido sob coação irresistível ou em estrita obediência
a ordem, não manifestamente ilegal, de superior hierárquico, só é punível o autor
da coação ou da ordem."

a) coação moral irresistível: a coação pode ser física - vis absoluta -,


podendo ainda ser inevitável (caso em que teremos o afastamento da tipicidade
pela exclusão da ação em si mesma e do nexo causal); e pode ser moral - vis
compulsiva. Nesse caso, se for inevitável, afasta-se a culpabilidade (que alcança
só o coator); mas, se evitável, só há atenuação da pena - Art. 65, III, c.

O Art. 22 certamente trata do segundo caso de coação, pois o primeiro, por


afastar a própria conduta do sujeito, resolve-se pelo Art. 13, caput.

Não há necessidade de que o mal prometido na coação seja direto contra a


vítima, podendo dirigir-se contra seus parentes próximos.

Obs.: o coator responde, se o coato for inculpável, por dois crimes:


constrangimento ilegal e por aquele que o coato realizou, agravado, em concurso
formal.

b) obediência hierárquica: voltada aos agentes públicos, sobretudo à


Administração Pública. Todavia, não haverá a dirimente se a ordem for
manifestamente ilegal, caso em que ambos os sujeitos - superior e comandado -
responderão, mas este com uma atenuante - Art. 65, III, c.

O subordinado deve ter uma relativa faculdade de indagação das ordens


que recebe.

Obs.: nos caso de militares, por não lhes ser permitido qualquer discussão
de ordens, o subordinado não responderá por estar ao abrigo, antes de uma
dirimente, de uma causa excludente de ilicitude - Art. 23, III.

Se o subordinado crê que a ordem é legal, sem sê-lo realmente, incide em


erro de proibição indireto, praticando um estrito cumprimento de dever legal
putativo.
Se a ordem, não sendo manifestamente ilegal, simplesmente não puder ser
contestada pelo subordinado, teremos a inexigibilidade de conduta diversa.

Requisitos da obediência hierárquica:

- relação de direito público entre superior e subordinado. Não há tal


obediência entre pais e filhos, entre bispos e sacerdotes, empregador e
empregado, etc.;

- que a ordem não seja manifestamente ilegal;

- que a ordem preencha os requisitos formais e de competência;

- que a ordem seja cumprida estritamente; se houver excesso, o


subordinado responderá por ele.

c) Situações de necessidade e excesso intensivo na Legítima Defesa:

São situações derivadas das excludentes de ilicitude, mas que não


funcionam como tais. Como exemplo de uma situação de necessidade, temos o
estado de necessidade exculpável, que é aquele no qual os bens jurídicos em
conflito são de valor desigual, prevalecendo o de menor importância - ex: proteção
do patrimônio em prejuízo da vida de outrem. Nesse caso, não se tem o estado
necessidade em si - caso contrário, haver-se-ia excluído a ilicitude do fato -, mas,
segundo as circunstâncias, uma causa dirimente, em razão da inexigibilidade de
conduta diversa.

2.11 Crime Consumado (Art. 14, I, CP)

a. Conceito
Nos termos do Art. 14, I, do CP, diz-se: “consumado, quando nele se
reúnem todos os elementos de sua definição legal”, ou seja quando nele se
reúnem todos os elementos do tipo incriminador. Ex.: no homicídio, o tipo
penal é matar alguém e, assim, o crime se consuma no momento em que a
vítima morre.
a. “Iter criminis”
São as fases que o agente percorre até chegar à consumação do delito:

1ª Fase – Cogitação. Nessa fase o agente está apenas pensando em


cometer o crime. O pensamento é impunível. No pensamento não há conduta.

2ª Fase – Preparação. Esta fase compreende a prática de todos os atos


necessários ao início da execução. Exs.: alugar uma casa, onde será mantido em
cativeiro o empresário a ser sequestrado; conseguir um carro emprestado para
ser usado em um roubo a banco etc. São atos que antecedem a execução e,
portanto, não puníveis.

Há casos excepcionais, entretanto, em que o ato preparatório por si só já


constitui crime, como, por exemplo, no crime de quadrilha ou bando (Art. 288),
em que seus integrantes são punidos pela simples associação, ainda que não
tenham começado a cometer os crimes para os quais se reuniram.

3ª Fase – Execução. Começa aqui a agressão ao bem jurídico. Inicia-se a


efetiva lesão ao bem tutelado pela lei. O agente começa a realizar a conduta
descrita no tipo (o verbo descrito na lei). Exs.: os assaltantes entram em um
banco e, apontando as armas para os funcionários, anunciam o assalto; o agente,
armado com uma faca, aborda a vítima e a leva para um matagal, com o intuito
de estuprá-la etc.

Há grande importância em se descobrir o momento em que é iniciada a


execução, pois é a partir daí que o fato passa a ser punível.

Como saber, então, quando cessou a preparação e iniciou a execução? A


preparação termina e a execução começa com a prática do primeiro ato idôneo
e inequívoco que pode levar à consumação. Ato idôneo é aquele apto a produzir
o resultado consumativo. Ato inequívoco é aquele indubitavelmente ligado à
consumação. Ex.: efetuar disparo de arma de fogo contra a vítima é ato idôneo e
inequívoco, pois pode levar a vítima à morte. O simples fato de apontar a arma
para a vítima, entretanto, é mero ato preparatório, pois, apenas apontando a
arma, sem que o gatilho seja puxado, o agente nunca levará a vítima à morte.
Assim, iniciada a execução:

1) o agente pode não conseguir consumá-lo por circunstâncias alheias à


sua vontade, hipótese em que o crime será tentado;
2) o agente pode desistir voluntariamente de prosseguir no ato de
execução, hipótese em só responderá pelos atos já praticados (desistência
voluntária);
3) o agente pode chegar à consumação.

4ª Fase - Consumação. Quando todos os elementos (objetivos, subjetivos e


normativos) do tipo são realizados.

A consumação não se confunde com o exaurimento. Com efeito,


determinados crimes, chamados de formais, possuem em seu tipo penal a
descrição de uma ação e de um resultado, mas a redação da lei dispensa a
efetivação do resultado para fim de consumação, de tal forma que o delito se
consuma no exato momento da ação. O exaurimento, portanto, ocorre quando,
após a ação (e, portanto, após a consumação), sobrevém o resultado descrito na
norma. Diz-se, nesse caso, que o crime está exaurido.

Quanto ao momento consumativo, os crime dividem-se em:

1) Materiais – em que a lei descreve uma ação e um resultado e a


consumação pressupõe o resultado;
2) Formais – a lei descreve uma ação e um resultado, mas dispensa o
resultado para fim de consumação;
3) De mera conduta – a lei descreve apenas uma conduta e, quando ela é
realizada, o crime se consuma.
Nos crimes permanentes, a consumação se prolonga no tempo, desde o
instante em que se reúnem os elementos integrantes do tipo até que cesse o
comportamento do agente. Ex.: no crime de extorsão mediante sequestro, a
consumação ocorre no momento em que a vítima é capturada, mas a
consumação se prolonga no tempo, enquanto a vítima não for libertada. Desse
modo, a prisão em flagrante será possível durante todo o tempo em que a vítima
estiver no cativeiro.
Nos crimes qualificados pelo resultado, a consumação ocorre no instante
em que se verifica o resultado qualificador.

Nos crimes omissivos próprios, verifica-se a consumação com a omissão,


já que essa forma de delito dispensa a ocorrência de qualquer resultado. Já nos
crimes omissivos impróprios (comissivos por omissão), a simples omissão não é
suficiente, pois a sua existência pressupõe um resultado posterior e, assim, só
quando este ocorre é que o crime está consumado.

2.12 Tentativa (Art. 14, II, CP)

a. Conceito
Nos termos do Art. 14, II, do CP, considera-se tentado o crime quando o
agente inicia a execução, mas não consegue consumá-lo por circunstâncias
alheias a sua vontade.

A tentativa, portanto, possui dois requisitos:

1) Que a execução do crime tenha iniciado;


2) Que a consumação não tenha ocorrido por circunstâncias alheias à
vontade do agente.

b. Natureza Jurídica

Trata-se de norma de extensão cuja finalidade é propiciar a punição do


autor da tentativa através de uma adequação típica mediata.

c. Consequência

Salvo disposição em contrário, pune-se a tentativa com a mesma pena do


crime consumado, reduzida de 1/3 a 1/6. O critério que o juiz deve utilizar em
relação ao quantum da diminuição da pena é a maior ou a menor proximidade da
consumação. Quanto mais próxima a consumação do crime, menor será a
redução da pena.
Há crimes, entretanto, em que o legislador equipara o crime tentado ao
consumado, punindo-os com a mesma pena. É o que ocorre, por exemplo, no
crime do Art. 352 do CCP, que pune com 3 meses a 1 ano o preso que se evade
ou tenta evadir-se usando de violência contra a pessoa. Quando o legislador pune
igualmente o crime tentado e o consumado, a doutrina chama o delito de crime
de atentado.

Percebe-se, assim, que foi adotada a teoria objetiva, na qual a punição do


autor do crime tentado é menor que a do autor de delito consumado, já que na
tentativa ocorre menor ofensa ao bem jurídico tutelado. Pela teoria subjetiva,
que foi adotada apenas excepcionalmente (na hipótese mencionada no parágrafo
anterior), a pena do crime tentado e do consumado deve ser a mesma, porque em
ambos a intenção do agente também é a mesma.

d. Classificação

1) Quanto ao percurso do iter criminis

a) Tentativa imperfeita (ou inacabada): quando o agente não pratica


todos os atos executórios. Há interrupção do próprio processo de execução. Ex.:
uma pessoa, querendo matar a vítima, atira contra esta, mas é impedido, por
terceiros, de efetuar novos disparos.
b) Tentativa perfeita (ou acabada ou crime falho): quando o agente
pratica todos os atos executórios e, mesmo assim, não consegue consumar o
crime. Ex.: o sujeito descarrega sua arma contra a vítima, mas esta não é
atingida de forma fatal.

2) Quanto ao resultado produzido na vítima

a) Tentativa branca: quando o golpe desferido não atinge o corpo da


vítima que, portanto, não sofre qualquer dano em sua integridade
corporal.
b) Tentativa cruenta: quando a vítima é atingida.

3) Quanto à possibilidade de alcançar a consumação


a) Tentativa idônea: é aquela em que o sujeito pode alcançar a
consumação, mas não consegue fazê-lo por circunstâncias alheias à sua vontade.
É a tentativa propriamente dita, definida no Art. 14, II, do CP;
b) Tentativa inidônea: sinônimo de crime impossível (Art. 17 do CP),
ocorre quando o agente inicia a execução, mas a consumação do delito era
impossível por absoluta ineficácia do meio empregado ou por absoluta
impropriedade do objeto material. Nesse caso, não se pune a tentativa, pois a lei
considera fato atípico.

e. Tentativa abandonada ou qualificada

Essas expressões são utilizadas como sinônimas da desistência voluntária


e do arrependimento eficaz (Art 15), casos esses nos quais, em verdade, afasta-se
a aplicação da tentativa, respondendo o agente apenas pelos atos anteriores, uma
vez que, por ato voluntário, desistiu ele de prosseguir na execução do crime ou
impediu a produção do resultado. Nesses casos, não se pode cogitar de tentativa,
porque a consumação foi evitada pelo próprio agente e não por circunstancias
alheias à sua vontade.

f. Crimes que não admitem tentativa

1) Crimes culposos. No crime tentado o agente quer o resultado, mas não


consegue atingi-lo. Nos crimes culposos, o agente não quer o resultado. Por esse
motivo os institutos são incompatíveis.
Parte considerável da doutrina concorda com a possibilidade de
reconhecimento da tentativa na chamada culpa imprópria. Esta ocorre quando o
agente, de forma culposa, equivocadamente supõe estar agindo acobertado por
uma excludente de ilicitude e, por esse motivo, ataca alguém. O Art. 20, § 1º,
estabelece que, nesse caso, apesar de o agente ter praticado a conduta de forma
intencional, responderá por crime culposo e, assim, a tentativa é possível. Ex.:
uma pessoa imagina que assaltantes estão entrando em sua casa e efetua
disparos contra eles que, entretanto, não morrem. Em seguida, descobre-se que
as pessoas que estavam entrando na casa eram seus filhos. O agente responde
por tentativa de homicídio culposo, apesar de ter agido com a intenção de matar
os pretensos assaltantes. Há, entretanto, quem entenda que, sendo a vítima
atingida, o agente responderia por lesões corporais culposas, não se podendo
falar em tentativa.

1) Crimes preterdolosos. Porque o agente também não quer dar causa ao


resultado agravador, que é imputado a ele a título de culpa.
2) Crimes omissívos próprios. Se o sujeito se omite, o crime está
consumado; se age o fato é atípico.
3) Contravenções penais. O Art. 4º da Lei das Contravenções Penais
estabelece que não se pune a tentativa de contravenções.
4) Crimes de atentado. Nestes, por opção do legislador, o tipo penal
pune igualmente a forma consumada e a tentada, não se podendo cogitar da
tentativa da tentativa.
5) Crimes habituais. Porque, se houver a reiteração de condutas, o crime
estará consumado e se não houver, o fato será atípico. Para a configuração do
crime habitual, a prática de um ato isolado é irrelevante.
6) Crimes unissubsistentes. Que se consumam com um único ato. Ex.:
injúria verbal.
7) Crimes nos quais o tipo penal só prevê aplicação de pena quando
ocorre o resultado. Ex.: participação em suicídio (Art. 122). Neste delito, se uma
pessoa empresta um revólver para a outra se matar e esta não se mata, o fato é
atípico.

2.12 Desistência Voluntária

Nos termos do Art. 15, 1ª parte, do CP, aquele que voluntariamente desiste
de prosseguir na execução só responde pelos atos já praticados.

Na desistência voluntária, o agente inicia a execução do crime e,


podendo prosseguir até a consumação, resolve, por ato voluntário,
interromper o iter criminis. Em suma, ela só é possível na tentativa imperfeita,
na qual o agente realizou apenas parcialmente os atos de execução e, na
sequência, podendo praticar novos atos, se omite. Ex.: visando furtar o toca-fitas
de um automóvel, o agente quebra o vidro deste, mas, antes de se apossar do
bem, desiste de cometer o crime e vai embora sem levar nada. Nesse caso, não se
pode falar em tentativa de furto porque, para que haja a tentativa, é necessário
que o agente não tenha conseguido por circunstâncias alheias a sua vontade e,
na hipótese, o agente não consumou o furto por vontade própria. Em razão disso
é que a lei determina que a punição deve ser apenas em relação aos atos já
praticados, não havendo punição pela tentativa. No exemplo acima, o responde
apenas pelo crime de dano (no vidro do veículo).

A doutrina entende que também há desistência voluntária quando o agente


resolve não repetir ato de execução já cometido (mas que não havia levado o
crime à consumação). Ex.: A quer matar B e efetua um disparo de arma de fogo
contra este que, entretanto, não atinge mortalmente. A percebe que B não irá
morrer e, podendo efetuar novos disparos, deixa de fazê-lo de forma voluntária. A
responderá apenas pelas lesões já provocadas em B, tendo havido desistência
voluntária quanto ao homicídio.

A desistência deve ter sido voluntária, ainda que não espontânea, ou seja, o
não-prosseguimento nos atos executórios há de ser consequência da própria
vontade do agente, mesmo que a idéia de desistir tenha partido de terceiros.
Assim, para o reconhecimento da desistência voluntária pouco importa que tenha
havido mera decepção com a vantagem que seria auferida, simples receio de ser
preso etc. É evidente, entretanto, que não se aplica a desistência quando o agente
foge em razão da chegada da polícia ou da vítima no local.

2.14 Arrependimento Eficaz (Art. 15, 2ª parte)

Conforme dispõe o Art. 15, 2ª parte, do Código Penal, aquele que, tendo
iniciado a execução, impede a produção do resultado, só responde pelos atos já
praticados. Este é o arrependimento eficaz, no qual o agente, já tendo
realizado todos os atos de execução, mas antes da consumação, pratica uma
nova ação, que evita a produção do resultado. Assim, enquanto na
desistência voluntária o agente se omite e não prossegue no iter criminis, no
arrependimento eficaz o agente, após ter encerrado o iter (tentativa perfeita),
resolve realizar uma nova ação para evitar a consumação do delito. Nesse
caso, em razão do texto legal, o sujeito não responde pela tentativa, mas apenas
pelos atos já realizados. Ex.: o agente quebra o vidro de um carro para furtar o
toca-fitas. Após retirá-lo do painel, ele imediatamente resolve colocá-lo de volta no
local. Responde apenas pelo crime de dano (do vidro). Se o crime, entretanto, já
se tinha consumado e, algum tempo depois, o sujeito resolve devolver o bem à
vítima, poderá haver, dependendo das circunstâncias, o arrependimento
posterior (Art. 16), cuja consequência é a simples redução da pena.

A desistência voluntária e o arrependimento eficaz têm natureza


jurídica de excludentes de tipicidade em relação ao crime que o agente
inicialmente pretendia cometer, já que, não havendo consumação, não há a
concretização do tipo penal originário, sendo também vedada a aplicação da
norma de extensão referente à tentativa desse crime.

No arrependimento eficaz também é necessária a voluntariedade, ainda


que não haja espontaneidade.

Os crimes formais e os de mera conduta consumam-se no momento da ação


(independentemente do resultado) e, por esse motivo, são incompatíveis com o
arrependimento eficaz.

2.15 Arrependimento Posterior (Art. 16)

a. Conceito.
É uma causa obrigatória de redução da pena, aplicável (nos termos do Art.
16 do CP) aos crimes cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa, em que
o agente, por ato voluntário, repara o dano ou restitui a coisa antes do
recebimento da denúncia ou queixa.

b. Requisitos
1) O instituto só cabe nos crimes cometidos sem violência ou grave
ameaça. A sua criação pela reforma penal de 1984 teve como principal finalidade
atingir os crimes contra o patrimônio, no sentido de estimular o ressarcimento à
vítima.

A doutrina vem entendendo que o arrependimento posterior é cabível no


crime de homicídio culposo, uma vez que a proibição da sua aplicação aos
crimes cometidos com violência refere-se apenas aos crimes dolosos, pois
apenas nestes o agente quer empregá-la. Assim, apesar de existir violência no
crime de homicídio culposo, o fato de não ter sido ela intencional permite a
aplicação do instituto. Em suma, o arrependimento posterior é cabível nos crimes
dolosos cometidos sem violência ou grave ameaça à pessoa e nos crimes culposos
ainda que praticados com violência.

2) A reparação do dano (ressarcimento) ou a restituição do objeto


material do crime devem ser integrais, de forma a excluir todo o prejuízo da
vítima. Por isso, a reparação parcial não dá direito ao benefício.

3) É necessário que o ato seja voluntário, ainda que não tenha sido
espontâneo. Assim, a pena será reduzida mesmo que o agente tenha reparado o
dano com receio de condenação, em virtude de conselho de amigos etc. Será,
entretanto, incabível quando decorrer de apreensão policial. Também não se
aplica o instituto quando o ressarcimento for feito por terceiro (salvo se o terceiro
age em nome do autor do crime, na qualidade de procurador, advogado etc.).

A reparação integral do dano feita por um dos acusados a todos aproveita


por se tratar de circunstância de caráter objetivo (Art. 30 do CP).

4) O ressarcimento deve ser feito até o recebimento da denúncia ou


queixa. Assim, ainda que ocorra após o oferecimento da peça inicial, mas antes
do seu respectivo recebimento, a pena será diminuída. Se a reparação, todavia,
ocorre após o recebimento da denúncia e antes da sentença, será aplicada apenas
a atenuante genérica descrita no Art. 65, III, b, do Código Penal.

c. Consequência.
Por se tratar de causa de diminuição de pena cuja redução varia de 1/3 a
2/3, perquirir-se-á qual critério deve o juiz utilizar para decidir o quantum da
redução. A doutrina, analisando o tema, concluiu que o critério a ser utilizado é o
da celeridade da reparação. Quanto mais célere a reparação do dano, maior será
a diminuição da pena.

d. Confronto

1) No crime de emissão de cheque sem fundos (Art. 171, §2º, VI), existe a
Súmula 554 do STF consagrando que o pagamento do valor do cheque, antes do
recebimento da denúncia, retira a justa causa para o início da ação. Haveria,
portanto, extinção da punibilidade do agente. Essa súmula foi editada antes da
reforma penal de 1984, sendo certo que, com a criação do instituto do
arrependimento posterior por tal reforma, não mais poderia ela ser aplicada. Na
prática, entretanto, por razões de política criminal, continua a sua aplicação
pacificamente.

2) No crime de peculato culposo, a reparação do dano antes do trânsito em


julgado da sentença condenatória extingue a punibilidade do agente (Art. 312,
§3º).

2.16 Crime Impossível (Art. 17)

Conceito

Ocorre crime impossível quando a conduta do agente jamais poderia


levar o crime à consumação, quer pela ineficácia absoluta do meio, quer
pela impropriedade absoluta do objeto. Nesses casos, o Art. 17 do Código
penal estabelece que o fato é atípico, ou seja, o agente não pode ser
responsabilizado nem mesmo por tentativa. Em relação à periculosidade do
agente essa solução é injusta. Com efeito, suponha-se que A venha a desferir
vários golpes de faca em B (que parece estar dormindo) com a intenção de matá-
lo. A perícia, entretanto, verifica que B já estava morto anteriormente por ter
cometido suicídio. Nesse caso, há crime impossível e o agente não responde nem
pela tentativa, mesmo tendo ele achado que a vítima estava viva por ocasião da
conduta.

O crime impossível é também denominado quase-crime, tentativa inidônea


ou tentativa inadequada.

1) Ineficácia absoluta do meio. É a escolha de um meio de execução que


jamais levará o crime à consumação. Exs.: falsificação grosseira de documento
(que nunca enganará o destinatário); uso de arma de brinquedo para matar
alguém etc.

2) Impropriedade absoluta do objeto. A palavra objeto está empregada no


sentido de objeto material do crime. Assim, haverá crime impossível quando o
objeto sobre o qual o agente faz recair sua conduta não é protegido pela norma
penal incriminadora ou quando ele (objeto) sequer existe. Por isso, há crime
impossível quando o agente desfere golpes para matar pessoa já morta ou quando
uma mulher ingere medicamento abortivo não estando grávida etc. Nesses casos,
há delito putativo (imaginário) por erro de tipo, ou seja, o agente, por equívoco,
supõe estar cometendo um crime, quando, na verdade, não está.

3) Teoria Objetiva temperada. O CP brasileiro adotou a teoria objetiva


temperada pela qual só há crime impossível se a ineficácia do meio e a
impropriedade do objeto forem absolutas. Por isso, se forem relativas haverá
crime tentado. Ex.: tentar matar alguém com revólver de projéteis verdadeiros
que, entretanto, não detonam por estarem velhos. Aqui a ineficácia do meio é
acidental e existe a tentativa de homicídio.

Na teoria do Direito Penal existem outras teses em relação ao crime


impossível que, apesar de parecerem mais justas, não foram adotadas por nossa
lei. São as teorias sintomática, pela qual o agente deve ser responsabilizado
por ter demonstrado periculosidade, e subjetiva, na qual o agente deve ser
punido por ter demonstrado vontade de cometer o crime.
2.17 Concurso de Pessoas

a. Introdução:
Um só fato criminoso pode ser praticado por uma ou por uma pluralidade
de pessoas. Pode ocorrer que a ação delituosa seja realizada através de terceiro
que desconhece o plano criminoso, atuando como instrumento ou longa manus
do agente. Pode, ainda, a ação delituosa ser praticada com a participação
secundária de outras pessoas que incitam, aconselham, ou mediante auxílio.

Quanto ao concurso de pessoas, os crimes podem ser:

1) Monossubjetivo. Que podem ser cometidos por uma só pessoa. Ex.:


homicídio. Nesse caso, não há concurso de agentes. É possível, entretanto, que
várias pessoas matem a vítima, hipótese em que haverá o concurso. O homicídio
é, portanto, um crime de concurso eventual
2) Plurissubjetivos. Que só podem ser praticados por duas ou mais
pessoas. São, portanto, crimes de concurso necessário. Exs.: crime de quadrilha
(Art. 288), que pressupõe a união de pelo menos quatro pessoas; crime de rixa
(Art. 137), que exige pelo menos três pessoas.

Os crimes plurissubjetivos subdividem-se em:

a) De condutas paralelas: os agentes auxiliam-se mutuamente, visando um


resultado comum. Ex.: crime de quadrilha;
b) Condutas convergentes: as condutas dos agentes se encontram,
gerando o resultado.
c) De condutas contrapostas: as pessoas agem umas contra as outras. Ex.:
crime de rixa.

a. Autoria, co-autoria e participação.


O CP adotou a teoria restritiva, segundo a qual:

1) Autor é apenas aquele que executa a conduta típica descrita na lei, ou


seja, quem realiza o verbo contido no tipo penal. Ex.: no homicídio a conduta é
“matar alguém” e, assim, autor do crime é aquele que, por exemplo, efetua
disparos contra a vítima.

2) Co-autoria existe quando duas ou mais pessoas, conjuntamente,


praticam a conduta descrita no tipo.

3) Participação o agente não comete qualquer das condutas típicas (verbos


descritos na lei), mas de alguma outra forma concorre para o crime. O Art. 29 do
CP estabelece que o agente que, de qualquer modo, concorre para o um crime,
incide nas penas a este cominadas, na medida da sua culpabilidade. Assim, o
partícipe responde pelo mesmo crime que o autor e co-autores. Ex.: D empresta
duas armas para A e B matarem C; A e B são co-autores e D partícipe.

Autoria e participação definem-se a partir da conduta típica. Trata-se de


saber quem praticou a ação que constitui o crime e quem nela tomou parte, sem
a executar.

CO-AUTORIA: Co-autor é quem executa, juntamente com outros, a ação ou


omissão que configura o delito. Não se exige ajuste prévio. Basta a consciência
de cooperar na ação comum. Se falta a consciência, haverá autoria colateral,
mais freqüentes nos crimes culposos.

Ex.: A e B, ignorando cada um deles a atuação do outro, alvejam


simultaneamente C, que vem a falecer. Se a vítima morreu em conseqüência dos
disparos efetuados por ambos, respondem os dois por homicídio consumado. Se a
vítima morreu em conseqüência dos disparos de A, só este responderá por
homicídio consumado, tendo B praticado tentativa de homicídio. Se houver
dúvida intransponível sobre a autoria, a única possível solução é a de
responderem ambos os autores dos disparos por tentativa de homicídio, excluída
a responsabilidade pelo resultado morte, de autoria incerta.

AUTORIA MEDIATA OU INDIRETA: Autor não é apenas o que realiza


diretamente a ação ou omissão que configura o delito, mas também quem a
realiza através de terceiro que atua sem culpabilidade. É o caso da enfermeira
que, de boa-fé, cumprindo a ordem do médico, ministra o remédio mortífero. Há
autoria mediata não só quando o executor atua sem dolo, em virtude de erro
(como no exemplo da enfermeira), mas também quando atua sob coação
irresistível ou é inimputável. Na obediência hierárquica há, também, autoria
mediata.

Nesses casos não há concurso de agentes, pertencendo a ação delituosa


integralmente a quem se serve do executor não culpável.

Há crimes que não podem ser cometidos em autoria mediata. São os


chamados crimes de mão própria.

Nos crimes de mão própria, no entanto, a participação é admissível.

PARTICIPAÇÃO: É necessariamente acessória, pois está em função da


conduta típica realizada por outrem. Adquire relevância quando, pelo menos, o
autor inicia a execução. Não há tentativa de participação. Participação é, pois,
contribuição ao crime realizado por outrem, apresentando-se sob forma de
instigação ou cumplicidade.

Não há participação inócua. Igualmente inexiste participação depois que o


crime já se consumou. Se o agente ajuda a assegurar o proveito do crime,
intervindo somente após a consumação, praticará o crime de favorecimento real.
Pode cometer, também, o crime de favorecimento pessoal. No entanto, o auxílio
prometido com antecedência, constitui participação. O crime permanente admite
participação enquanto durar a ação.

A participação requer vontade livre e consciente de cooperar na ação


delituosa de outrem. Não se exige o prévio concerto, bastando que o partícipe
tenha consciência de contribuir para o crime.

A Participação pode ser:

a) Moral: feita através de induzimento ou instigação. No induzimento, o


agente faz nascer a idéia do crime na mente do sujeito. Na instigação, o agente
reforça a idéia do crime já existente no sujeito.
b) Material. O agente auxilia na pratica do crime, de forma acessória,
secundária. Ex. emprestar uma arma para o homicida.
INSTIGAÇÃO: instigar é determinar a prática do delito, atuando sob a
vontade do agente. Distingue-se a instigação da autoria mediata, pois nesta o
agente se serve de terceiro não-culpável, que funciona como mero instrumento.

A instigação à instigação é perfeitamente concebível.

A instigação deve dirigir-se à prática de crime determinado. Não há


instigação genérica para delinqüir como forma de participação punível. Nenhuma
pena será aplicada ao instigador e ao instigado se este não chegou a iniciar, pelo
menos, a execução.

A instigação por omissão é inconcebível. Requer necessariamente


comportamento ativo.

CUMPLICIDADE: Cúmplice é o que contribui prestando auxílio à ação


delituosa, com pleno conhecimento de causa. O auxílio em geral exterioriza-se
através de um comportamento ativo, mas não se exclui cumplicidade por
omissão, se o sujeito tinha o dever jurídico de evitar o resultado que podia
impedir. Se inexiste o dever jurídico de atuar, não há cumplicidade, mas simples
conivência, impunível. A participação por omissão não se esgota na mera
abstenção da atividade devida. Exige-se a vontade de aderir à prática do crime,
anuindo à sua realização.

A contribuição deve ser causal, relativamente ao resultado. Se falta


contribuição causal inexiste participação. Do ponto de vista subjetivo, deve haver
dolo em relação ao crime cometido, tendo o cúmplice, como já vimos, consciência
de cooperar na ação comum.

Teoria unitária ou monista.

Quanto ao concurso de pessoas, esta foi a teoria adotada pelo CP. Segundo
ela, todos os que contribuem para um resultado delituoso devem responder
pelo mesmo crime. O CP, portanto, não adotou a teoria dualista, na qual há um
crime para os autores e outro para os partícipes, nem a teoria pluralista, na qual
cada um dos envolvidos responde por delito autônomo.

a. Requisitos para a existência do concurso de pessoas.


1) Pluralidade de condutas. Sem a qual não se pode pensar em concurso;
2) Relevância causal das condutas. Sem que haja essa relevância causal,
não se pode cogitar que todos tenham contribuído para o crime;
3) Liame subjetivo. Significa que o partícipe deve ter ciência de estar
colaborando para o resultado criminoso visado pelo outro. Segundo a melhor
doutrina é desnecessário o prévio ajuste, entre as partes, bastando a unidade de
desígnios, ou seja, que uma vontade adira à outra.
4) Identidade de crime para todos os envolvidos. Havendo o liame
subjetivo, todos os envolvidos devem responder pelo mesmo crime. Assim, se
duas pessoas entram armadas em uma casa para roubar os moradores e uma
delas consegue fugir levando objetos, enquanto a outra é presa dentro da
residência, ambas respondem por roubo consumado.

a. Punibilidade no concurso de agentes


Quem, de qualquer modo, concorre para o crime, incide nas penas a ele
cominadas. Essa equiparação de todas as formas de participação e autoria, não
deve induzir em erro. A pena deve ser aplicada concretamente para cada um dos
agentes, dependendo da culpabilidade. (Art. 29, § 1º, do CP).

Art. 29, § 2º, do CP: A disposição se aplica ao caso em que o partícipe


(instigador ou cúmplice) pretendia concorrer para um crime menos grave do que
aquele que foi efetivamente realizado pelo autor. Se o resultado mais grave era
previsível, a pena deve ser aumentada “até a metade”. A previsibilidade de que
aqui se cogita é a que se refere ao agente, nas circunstâncias em que atuou, pois
se trata de manter o princípio da responsabilidade subjetiva. É perfeitamente
possível imaginar a existência de dolo eventual em relação ao resultado mais
grave, hipótese na qual por ele responde integralmente o partícipe.

e. Circunstâncias comunicáveis e incomunicáveis

Em princípio, comunica-se a todos quantos concorrem na ação comum as


circunstâncias objetivas do fato, que todos queriam fosse realizado, embora a
contribuição de cada um seja distinta. As circunstâncias e as condições de
caráter pessoal de cada agente somente serão consideradas em relação
àquele a quem se refiram, não aos demais, salvo se forem elementares do crime.

As circunstâncias podem ser subjetivas ou objetivas. As subjetivas são as


que se referem aos motivos determinantes, à qualidade ou condição pessoal do
agente, às suas relações com a vítima ou com os demais partícipes ou co-autores.
As objetivas são as que se referem aos meios e modos de execução, à condição ou
qualidade da vítima, ao tempo, lugar e ocasião do crime, bem como à natureza do
objeto material.

No crime de peculato, por exemplo, a condição de funcionário público deixa


de ser circunstância, para tornar-se elemento constitutivo do crime. Portanto, o
estranho que participa do delito praticará também peculato, porque a condição
pessoal elementar se comunica.

f. Concurso necessário

Também chamado crime plurissubjetivo ou coletivo é aquele que só pode ser


cometido por uma pluralidade de agentes. Em regra, o concurso de agentes é
eventual.

Os crimes de concurso necessário podem ser de conduta unilateral ou


bilateral. São unilaterais quando a ação de todos os autores converge para
um único fim, como no crime de bando ou quadrilha. São de conduta bilateral
quando os agentes se apresentam em oposição uns aos outros, ou em
recíproca agressão, como na rixa.

Os crime plurissubjetivos admitem a participação.

A participação do agente na ação do co-autor é indiferente e não implica em


pluralidade de crime.
O concurso necessário dos demais agentes deve estar abrangido pelo dolo
de quem pratica crime plurissubjetivo. Isso significa que, do ponto de vista
subjetivo, tais crimes exigem a consciência da participação alheia.

Consuma-se o crime plurissubjetivo quando se realiza a conduta típica de


todos os agentes necessários, ainda que a ação de cada um se desenvolva em
diversas circunstâncias de tempo ou lugar. Não há possibilidade de que o crime
seja consumado para alguns e tentado, apenas, para outros. O crime
plurissubjetivo constitui um todo unitário.

Capítulo 3 – Das Penas

Sumário: 3.1 Introdução – 3.2 Penas – 3.3 Teorias – 3.4 Espécie e Regimes
de Penas – 3.5 Espécies e Regimes de Penas – 3.6 Circunstâncias – 3.7
Concurso de Crimes - 3.8 Sistemas de Aplicação da Pena – 3.9 Livramento
Condicional – 3.10 Efeitos da Condenação – 3.11 Reabilitação – 3.12
Medidas de Segurança – 3.13 Ação Penal – 3.14 Extinção da Punibilidade.

3.1 Introdução

Pena é a retribuição imposta pelo Estado em razão da prática de um ilícito


penal e consiste na privação de bens jurídicos determinados pela lei, que vi