Você está na página 1de 1

O ABORTO LITÚRGICO

Na Islândia, praticamente não existem crianças


com Síndrome de Down. Não é porque
conseguiram reverter os efeitos da mutação
genética, mas simplesmente porque mataram
os bebês que a possuíam. Existem várias igrejas
que conseguiram erradicar o barulho das
crianças do culto. E geralmente, não é porque
conseguiram "domar" ou educar os pequenos
desde o berço, mas simplesmente porque preferiram eliminar as crianças do culto, isolando-as
em salas especiais ou afugentando as mães da igreja. Mas, espera aí, lugar de bebê pequeno
choroso é no culto, SIM. Lugar de criança hiperativa é no culto, SIM. Lugar de criança birrenta é
no culto, SIM. Lugar de criança tagarela é no culto, SIM. Lugar de criança desobediente é no
culto, SIM. Sabe por quê? Porque elas precisam da Igreja. Elas precisam da comunhão. Elas
precisam da palavra. Elas precisam da graça e do amor dos outros membros. A única diferença
entre o adulto que desaprova criança no culto e a criança birrenta ao seu lado é que o adulto já
aprendeu a esconder os pecados, enquanto a criança as escancara sem medo. Talvez, deveria
haver uma sala especial durante o culto para pessoas que olham feio para as mamães que estão
com bebês chorando. Esta texto não é uma defesa de sala para ninguém. Mas um chamado a
exercer amor para com mamães e papais que estão ansiosos por participar do culto, mesmo com
seus filhos herdeiros do reino dos céus chorões. Num tom mais light, talvez ao invés de dispor de
uma sala para as crianças barulhentas durante o culto, poderíamos ter uma salinha de disciplina
para ser utilizada brevemente pelos pais e seus filhos “baderneiros”. E pra acompanhar, poderiam
oferecer uma aula sobre disciplina de filhos e culto doméstico. Será que daria certo? O culto não
é um serviço pelo qual pagamos com nossos dízimos e esperamos receber o produto impecável
com o direito de não sermos atrapalhados pelos outros. O culto não se resume apenas à
pregação da Palavra. Caso fosse isso, você poderia bem "cultuar" em casa, sozinho, assistindo
pela internet. Mas Deus usa a Igreja e as situações desconfortáveis para trabalhar no nosso
coração também. A adoração em comunhão nos ensina a adorar e cultuar como CORPO e não
como indivíduos. Isso significa que adoramos a Deus como CORPO, cantando desafinados e
afinados juntos. Isso significa que adoramos a Deus como CORPO, lendo a Palavra e ensinando os
pequenos a amarem a ler também. Isso significa que oramos a Deus como CORPO, sabendo que o
Espírito intervém nas orações tanto dos mais cultos e dos mais humildes. Somos CORPO e as
crianças fazem parte dessa aliança também. Você não tem mais direito de estar no culto do que
elas. Se você ama a Cristo, você ama seu Corpo. E você tem o dever de incentivar as crianças a
amarem estar lá. Amemos as crianças, seus papais e suas mamães no culto. Não façamos aborto
litúrgico.
Hendrika Vasconcelos

Você também pode gostar