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INTRODUÇÃO

O Que é Tipologia Bíblica?

Muitos pregadores tem se utilizado da tipologia bíblica nos cultos, para falar de Jesus
Cristo, da Igreja e outras questões. O problema é que as pregações acabam sendo
incompreendidas por grande parte dos ouvintes, pois os “tipos” e os “antítipos” bíblicos são
normalmente, ensinados em curso de teologia, e não na igreja. Também desses
pregadores, são poucos que se utilizam corretamente da tipologia, por causa de um
conhecimento errôneo.
O Dr. Richard M. Davidson, em seu artigo “The Nature[and Identity] of Biblical
Tipology – Crucial Issues”, afirma que muitos autores que lidam com a tipologia acabam
propondo sua própria lista de tipos bíblicos e suas próprias conclusões a respeito
dos símbolos e tipos. Conclusões que saíram meramente de fundamentos especulativos
e de suas imaginações. Esse conhecimento errôneo, dos pregadores, os levam a
considerar a tipologia como uma mera analogia. Entram nos fundamentos especulativos
que, como os autores falados pelo Dr. Richard, acabam os afastando assim da base
bíblica, apresentada na “Visão Tradicional”, e entram em uma “Visão da Neo-Tipologia”.
Para entender o assunto temos que pegar a base bíblica da mesma, e para isso
duas palavras se destaca a palavra “tipo” (gr. Tupoi  e a “antítipo” (gr. Antitupa
. A primeira, que da a base desse estudo e é muito falada nas pregações, de
um modo simples é a representação de algo ou alguma coisa, sendo que o “objeto”
representado é o antítipo, e o que o representa, o tipo. Paulo, em Colossenses 2.17,
fala que os princípios do antigo testamento, como o comer, o beber, as festas e o
sábado, “são sombras das coisas futuras”, ou seja, representações de coisas que ainda
virão, mostrando com isso que a sobra é o “tipo” e as coisas futuras o “antítipo”. É
importante se destacar que nem toda representação é um “tipo”, mas todo “tipo” bíblico
vem de uma representação.

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I- DEFINIÇÕES

A. A Tipologia é o estudo de figuras e símbolos bíblicos, especialmente de cerimônias


e ordenanças do Velho Testamento, que prefiguram a Dispensação da graça e “as coisas
celestes”.

B. Um Tipo é uma semelhança divinamente ordenada, pelo qual pessoas, objetos e


eventos celestiais são demonstrados pelo terrestre. Porém, para que uma coisa constitua
tipo de outra, a primeira não só deve ter semelhança à segunda, mas, na sua instituição
original, deve ter sido determinado que tivesse esta semelhança. (Marsh).

C. Um Antitipo é aquela coisa celestial ou realidade prefigurada pelo tipo.


I Pd. 3.21 – Dilúvio comparado ao batismo.
Hb. 9.24 – Tabernáculo terrestre e comparado ao celeste.

II – TIPOS

A. Três coisas envolvidas num tipo:

1 – Uma coisa ou objeto material que representa uma coisa de ordem elevada.
2 – Esta coisa de ordem elevada representa a que passamos chamar de antítipo ou
(realidade).
3 – A obra do tipo expressa-se pelo “representar” ou “prefigurar”.

B. Declarações bíblicas quanto à natureza dum tipo:

1 – Sombra – Cl 2.16.17
2 – Modelo – Hb 8.4,5
3 – Sinal – Mt 12.39
4 – Parábola, alegoria – Hb 9.9
5 – Tipo – Rm 5.14
6 – Letra – II Co 3.6

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C . Provas bíblicas de um tipo:

1 – Por declaração explicita – Rm 5.14


2 – Por trocar os nomes do tipo e antítipo; comp. Adão (primeiro e segundo). I Co
15.45.
Páscoa (Cordeiro-Cristo) Ex 12.3; I Co 5.7

D . Espécie de Tipo:

1 – Pessoais:
a – Antes da Lei - Adão Enoque, Melquisedeque – Rm 5.14-19
b – Sob a Lei – Davi, Moisés (profeta, mediador)

2 – Coisas ou objetos materiais:


a – Coluna de nuvem e fogo
b – Maná – Ex 16.15; I Co 10.3
c – A serpente de metal – Nm 21.9; Jo 3.14; II Co 5.21

3 – Atos e Acontecimentos
a – A libertação do Egito
b – a marcha pelo deserto

4 – Tipos perpétuos
a – Circuncisão – Tipo da verdadeira circuncisão do coração. Cl 2.11
b – Sacrifícios – Tipos de Cristo o perfeito e eterno sacrifício. Hb 9.26
c – Purificações, Ablusões
Tipos da Purificação – Hb 10.22

III – ANTITIPOS

A . Declarações bíblicas quanto a natureza dos Antítipos:

1- Corpo – Cl 2.17
2 - Mesma imagem – Hb 10.1

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3 - Coisas Celestiais - Hb 9.23
4 - O verdadeiro - Hb 9.24
5 - O Espírito – II Co 3.6

IV – VALOR DOS TIPOS

Agostinho disse: “O novo Testamento acha-se no Velho Testamento";


O Velho Testamento pelo Novo Testamento é explicado”.

A . Toda Escritura tem valor – II Tm 3.16


B . Serve para ensinar – I Co 10.11
C . A Igreja prefigurada – Gn 2.24 (Eva), Ef 5.22-32
D . Fortalece convicção na Inspiração das Escrituras.
E . Fortalece convicção nas profecias.
F . Barreira contra heresias.
G . Faz parte em “todo o conselho de Deus” – At 20.27
H . Faz parte naquela “boa parte” que Maria escolheu – Lc 10.42
I . Fortalece a santidade – I Co 1.6-13

V – RAZÕES PARA ESTUDAR OS TIPOS

A . Deus deu valor


O Espírito Santo desenhou os tipos. Compare: o Tabernáculo, o véu tipo de Cristo. “o
Espírito Santo significando com isto que o caminho do Santo lugar não se tem manifestado,
enquanto subsiste o primeiro Tabernáculo” – Hb 9.8: Compare 6.19-20.
A Transfiguração de Cristo. O assunto foi Calvário.
A crucificação. As pernas não foram quebradas, assim cumprindo o tipo da Páscoa.
Ex 12.5

B . Jesus falou dos tipos


Aos dois discípulos – Lc 24.13-34
No Apocalipse Jesus é visto como Antítipo. O cordeiro e o Leão. Cap 5
C . Falam de Jesus
O Tabernáculo, as Festas, o Templo, as Ofertas, Vestimentas dos Sacerdotes, etc.

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D . Os escritores do Novo Testamento referem-se a eles
São “Escrituras”. I Co 15.4. Compare Lv 23 ( a oferta movida), Cristo as “primícias”.

E . Só pelos tipos se entendem certos trechos do Novo Testamento


Hebreus – Sombras, sangue, o tabernáculo, sacrifícios, festas.
Atos 3 – Discurso de Pedro. “Restauração de todas as coisas” Vs. 21.23 com Lev 25
(o jubileu) Lv 27.24.
João – 1.29 – cordeiro
1.14 – “Tabernáculo” (literalmente traduzindo a palavra grega “esquênesen”).

Cap 2 – ao templo
Cap 3 – a serpente de metal
Cap 4 – o poço de Jacó
Cap 6 – o maná
Cap 7 – a rocha
Cap 8,9 – a luz do mundo
Cap 10 – o bom pastor
Cap 12 – o grão de trigo (primícias)
Cap 13 – o lavatório
Cap 15 – a verdadeira videira. Compare a videira que saiu do Egito.

O EVANGELHO DE JOÃO comparado ao TABERNÁCULO

Caps. 1-12 – o pátio do Tabernáculo. Últimas palavras aos de fora, no fim do cap. 12.
Primeiras coisas encontradas são o altar e o cordeiro (1.29)
Cap. 13 – preparando os discípulos para serviço no Tabernáculo. Uso do lavatório.

Caps. 14-16 – Com eles no Tabernáculo. O espírito Santo. Oração, o incenso sobre o
altar de ouro.

Cap. 17 – Jesus, sumo Sacerdote, a sós, no Santo do Santos.


F . Tipos revelados no Novo Testamento e Velho Testamento revelado pelo Novo
Testamento.

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G . O Antítipo contra o “modernismo”
Ver o que Deus revelou.

O TABERNÁCULO

I – TÍTULOS DESCRITIVOS

A . Santuário
Ex 25.8. Chama a atenção ao caráter deste como lugar santo. O palácio do Grande
Rei.

B . Tabernáculo
Ex 25.9. Latim “tenda”. Heb. “um lugar de habitação ou morada” Com. Jo 1.14 e 1.1

C . Tenda
Ex 40.20; 39.33-43.

D . Tenda da Revelação
Nm 18.4. Centro de culto.

E . Tenda do Testemunho
Nm 9.15. Refere-se à arca onde estava a lei, o testemunho.
Ex 25.15. Santidade, culpa do homem e eficiência da expiração.

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F . Casa de Deus
Jz 18.31. Foi chamado assim na terra de Canaã.

G . Templo do Senhor ou Jeová


I Sm 3.3. O tabernáculo nessa ocasião talvez já fosse maior.

H . Santuário Terrestre ou Material


Hb 9.1 Pertencia a Dispensação das cerimônias. Um tipo de Jesus:

1 – Lugar de encontro. II Co 5.18. Em Cristo, Deus e o homem se encontram.


2 – Uma morada. Cl 2.9. A humanidade de Jesus é a residência da divindade.
3 – Lugar de revelação. Jô 1.18. Deus revelou seu caráter em Jesus.

II. A MORADA DE DEUS COM O HOMEM

Que Deus deseja morar com o seu povo se vê pelo fato de que no Jardim do e
Éden, depois de interrompida a comunhão com o homem por causa do pecado. Ele
imediatamente começou a revelar um plano que visasse a sua restauração. Esta revelação
aumenta em beleza, glória e intimidade desde Gênesis ao Apocalipse. Comp. Is 57.15 e
66.1,2. Deus habita com um povo santo, redimindo da escravidão – Satanás, o mundo,
com um povo protegido pelo sangue.

Na palavra temos diversas manifestações da presença divina:

1 – 3 anjos a Abraão (Gn 18,1-8)


2 – No tabernáculo
3 – No templo de Salomão, tipo daquela presença permanente, embora que ele
mesmo desaparecesse.
4 – Em Jesus Cristo , Filho de Deus, Emanuel.
5 – No Espírito Santo.
6 – No Templo Milenal
7 – No céu, a morada eterna (Eis o tabernáculo de Deus está com os homens, Ap
21.3 – Assim ficaremos sempre com o Senhor. I Ts 4.17)

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A . TIPO DE JESUS

“Far-me-ão um santuário para que e habite no meio deles. Seguindo em tudo o que
eu te mostrar, o modelo do tabernáculo, e o modelo de todos os seus móveis, assim
mesmo o farás”.

Ex 25.8,9. Nesta passagem vemos:

1 – A graça – Deus consentir em que se faça um tabernáculo


2 – A ordem – Tudo deveria ser feito segundo o plano por Deus estabelecido.

Adão fora a primeira morada de Deus na terra. Veio a falha. O descanso de Deus
ficou interrompido. O plano de Deus é imutável, por conseguinte mandou Seu filho, o
segundo Adão.
A graça e a ordem aqui reveladas mostram Jesus. O Tabernáculo e tipo de Jesus.
Aquele que era Deus (Jo 1.1) se fez carne (Jo 1.14) por sua própria vontade. Ele “habitou”
entre os… compare: Hb 2.14. “Ele ... participou (do grego, “epilambano”, literalmente,
“lançar mão de”.
Reflexivo, indicando ação da sua vontade. Assumiu, destas coisas”. Compare vers.
16, a semente e Abraão. Tomou sobre si a natureza humana, mas permanecia o Filho de
Deus, igual a Deus em substância. Testemunhos deste fato:

1- Apóstolo João – Jo 1.14


2- João Batista - Jo 1.34
3- Natanael – Jo 1.49
4- Paulo – Cl 1.19

A plenitude de Deus morava em Jesus. (majestade, poder, personalidade)


Compare Jo 14.9; 3.34; 1.18; I Tm 3.16; Hb 1.3; I T 2.13; Rm 9.5; I Jo 5.20. Assim, em
Cristo, o descanso de Deus é restaurado. Hb 8.1. Descanso da redenção. Cristo o
verdadeiro Tabernáculo.

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III . A NUVEM – Ex 40.33,34,38

A nuvem cobria o Tabernáculo e quando se mudou, Israel mudou-se com ela.

A . O guia do povo – Ex 13.20-22

Qual pastor de Israel. Israel primeiramente recebeu a REDENÇÃO na noite da


Páscoa. Depois recebeu a DIREÇÃO, Ex 12.12,13,41,42. Compare I Pe 1.18,19; Gl
1.4; I Pe 3.18; Cl 1.12,13.
Tal qual Israel depois de sua libertação do Egito, a Igreja também é um povo
peregrino que precisa da direção do Espírito Santo.

Deus dirige o crente:

1 – Pela palavra – Sl 119.105


2 – Pelo Espírito – Jo 16.13-15
3 – Por seus olhos – Sl 32.8 – Compare Sl 139

B . O símbolo do Espírito Santo

Prometido por Jesus. Jo 14.16-18; Mt 28.20. Veio no dia de Pentecoste. At 2.3.


Línguas de fogo!
Como na criação o Pai manifestou o filho (Hb 1.2), e como na terra o Filho manifestou
o Pai, assim durante esta Dispensação, o Espírito Santo manifesta o Filho. Jo 16:13-15.
Depois de receber a salvação pelo sangue de Cristo, é o privilégio do crente receber a
plenitude do Espírito Santo. At 2:38. E o Espírito Santo separa o crente do descrente (I Co
6:19); Comp. Ex 14:19,20; I Co 2:14), como fez a nuvem entre Israel e os egípcios. I Co
10:1.

C . O Escudo do Povo

Operava contra o poder de faraó. Ex 14:19,20; Comp. A promessa a Abraão nesse


sentido. Gn 15:1, Paulo exortou a igreja a revestir-se do ESCUDO da fé. Ef 6:16; Prov
18:10. O nosso Senhor é uma torre segura. Graças a Deus.

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D . Sombra para o povo.

É um tipo de Jesus que nos protege dos fortes raios do sol de perseguições e
tentações.

E . O vingador

Ex 14:24-28; 15:1; como Romanos 16:20

F . A luz do povo

Ex 13:20,21; Sl 119:105.

Tipo de Cristo a luz da igreja. O mundo está nas trevas. Rm 13:12. Apesar da “luz da
natureza ou razão humana”, de que tanto se orgulha o homem. II Co 4:6; I Jô 1:6,7.

G . O Oráculo Divino

Israel não se mudava enquanto a nuvem não mudasse. Nm 9:17-23. Comp. Ex 29:43-
46. Assim a Igreja precisa reconhecer a absoluta autoridade do Espírito Santo. Zc 4:6.
Conforme a ordem de Jesus que “esperassem a promessa feita pelo Pai”. Atos 1:4.

H . Aparências da nuvem

1 – Ao Mar Vermelho
2 – No Tabernáculo
3 – No Templo de Salomão. II Cr 7:1-3; Sl 99:7
4 – Em Jesus, no monte da Transfiguração. Ic 9:34
5 – Na ascensão de Jesus – pela última vez. At 1:9
6 – Futuramente. Is 4:5,6 No milênio, Is 40:5; 60:1.

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IV – AS CORTINAS DO ÁTRIO

A descrição do Tabernáculo no livro de Êxodo inicia-se com a arca no Santo dos


Santos, terminando com o altar de sacrifícios. A fim de esclarecer o assunto, começaremos
o nosso estudo pelo lado exterior e terminando com a arca.
O átrio era um espaço retangular ao redor do Tabernáculo, mais ou menos de 50
metros por 25m. Era fechado por cortinas feitas de linho retorcido, suspensas sobre 60
colunas,
20 em cada lado e 10 nas extremidades. As 4 colunas ao lado oriental formavam a
estrela.
Estas 4 colunas falam da universalidade (quatro direções) do Evangelho e a entrada
plena para o povo de Deus.

A . As Cortinas. Tipos da Justiça Prática

1 – No homem. Tipo da justiça que Deus exigiu do homem e que o homem não
conseguiu alcançar e que o exclui da presença de Deus Apocalipse 19:7-9.

2 – De Deus. Tipo da justiça que fez Deus excluir o homem de sua presença.

A . Cristo é o Mediador entre Deus e os homens. I Tm 2:5; Hb 8:6; 12:24; II Co 5:20.


As cortinas eram feitas de linho, uma fibra vegetal de origem terrena. Isto representa Jesus
na sua humanidade.

B . Por meio de Jesus Cristo o homem pode receber esta justiça exigida, pois Ele “se
tornou da parte de Deus sabedoria, JUSTIÇA, e santificação e redenção”. I Co 1:30.

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E, aquele que não conheceu o pecado, o fez pecado por nós, para que nós nos
tornássemos justiça de Deus nele. II coríntios 5:21.

C. A justiça de Deus exigiu sacrifício de sangue. Jesus pagou este preço por dar a
sua vida! “fostes resgatados.... pelo precioso sangue de Cristo, como de um cordeiro sem
defeito e imaculado”. I Pd 1:18,19. “Mas agora em Cristo Jesus vós que antes estáveis
longe vos aproximastes pelo sangue de Cristo”. Ef 2:13.

B. As vergas e ganchos das colunas. Ex 27:17

1. Feitas de prata – símbolo de redenção. Ex 30:11-16. O preço de resgate foi o ½


siclo de prata.

2. Estes ganchos seguravam e deram estabilidade as cortinas. Sem estes teriam


caído.
Assim, sem a expiação e a redenção de Cristo o cristianismo não poderia existir.

C. Os capiteis das colunas.

Eram ornamentos feitos de prata. Pela redenção em Cristo Jesus as nossas vidas
recebem os ornamentos do espírito, a graça, e as virtudes de Cristo. Como é bom ter o
ornamento dum espírito manso e tranqüilo, que é de grande estima diante de Deus! I Pedro
3:4.

D . As bases e as colunas de metal

Estas sustentaram as cortinas. O metal representa o juízo. Num 21:9; Ap 1:15. É


substância que resiste o fogo, símbolo do juízo divino. Is 29:6; 30:30; 66:15. O que suporta
este juízo não é a auto-justiça do homem, mas sim a justiça de Cristo. Rm 3:22.
O número de colunas era em tudo, 20 nos lados e 10 nas extremidades. Dessas 10,
no lado oriental 4 serviram de entrada para o Átrio.

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E . A Entrada do Átrio (Reposteiro)

1 – Havia somente uma entrada. “Não há salvação em nenhum outro; porque abaixo
do céu não há outro nome dado entre os homem, em que devamos ser salvos” Atos 4:12

2 – A largura Vinte cúbitos (mais ou menos 10 metros) suficiente para todos.


Representa Cristo, a porta. Jo 10:7-9. Os 4 Evangelhos assim apresentam Jesus (Mateus,
Marcos, Lucas e João). A porta era larga, quase a metade a largura do átrio. Como se
explica então Mt 7.13-14? Há contradição? Não, porque, se é larga é por se tratar de uma
porta universal (“vinde a mim todos”), e, se é estreita e única é porque só é possível
penetrar individualmente, um por um.
Jesus não veio salvar grupos, nem multidões, mas salvar indivíduos que, formam ou
passam a a formar grupos, a Igreja-corpo.
Como entrar – só podia entrar levando um sacrifício: um animal perfeito e vivo;
Condição de entrada – convicção de pecado.

3 – As cortinas. Feitas de linho fino, retorcido, de estofo azul púrpura e escarlata.


Tipos da justiça, pureza, e natureza celestial de Jesus Cristo.
A entrada era uma barreira para impedir a entrada aos impuros, mas ao mesmo
tempo foi um caminho aparte para quem procurasse a reconciliação com Deus, “Entrai
pelas suas portas com ação de graças (com oferta de ação de graças) e nos seus átrios
com hinos de louvou. Dai-lo graças e bendizei o eu nome” Sl 100:4. Desta entrada ao
Tabernáculo originou-se a frase: “os muros da salvação e as portas de louvor”. No templo,
a entrada era de bronze; na Nova Jerusalém será de pérola! Aleluia! – 12 portas – Ap 21:9-
27.

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A entrada para cada um dos compartimentos do Tabernáculo era feita dos mesmos
materiais, “azul, púrpura, carmesim e linho fino torcido” (Ex 26.31, 36, 27.16). A sua
interpretação é simples: Cristo é a única porta de entrada aos vários campos de glória que
hão de ser revelados ainda, quer na terra, no céu ou nos céus dos céus –Jo 14.6; At 4.12;
Jo 10.9.

V- O ALTAR DOS HOLOCAUSTOS

Significa um “lugar elevado”. A primeira coisa que se via depois de entrar no Átrio era
o Altar de Holocaustos. Sem trazer um sacrifício pelo pecado para oferecer sobre este altar
não se alcançava nenhuma aceitação com Deus.
Este altar é um tipo de Cristo na cruz, levantado da mesma maneira e com o mesmo
propósito em que Moisés levantou a serpente no deserto.

1 – Israel foi levantado em comunhão com Deus pelo sacrifício neste altar. Assim nós
fomos elevados a comunhão com Deus pelo sacrifício de Jesus Cristo.
2 – O sacrifício subiu na fumaça – um suave cheiro que agrada Deus. Lv 1:9. Jesus
ofereceu-lhe como sacrifício de suave cheiro. Ef 5:2.

A . O Propósito do Altar

1 – Aqui o inocente levou sobre si a punição do culpado. Da mesma maneira Cristo


levou em Seu corpo no madeiro os nossos pecados.

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2 – Aqui Jeová se encontrou com Israel; na cruz de Cristo encontramo-nos com Deus.
Atos 2:23, “sendo Este entregue pelo determinado conselho e presciência de Deus, vós O
matastes, crucificando-o por mãos de iníquos”. Comp. Hb 9:26-28.
Nenhum israelita poderia receber absolvição cerimonial sem oferecer a sua oferta,
impondo a sua mão sobre a cabeça dela, é assim recebendo a si o valor da sua morte. Foi
o seu substituto. Da mesma forma o homem tem o privilégio de demonstrar fé na vitimada
cruz, Cristo, recebendo a Ele como o seu substituto perante a Deus. Assim, pela fé em
Jesus somos salvos, e regenerados. Jo 1:12,13, 29; Hb9:22.
Jesus continua a ser o Cordeiro de Deus, mas o Cordeiro que foi morto e tornou a
viver, pela ressurreição. Ap 5:6-10. A única entrada para o Tabernáculo no céu é pela
morte de
Jesus. Boas obras, palavras bonitas, bons pensamentos, religião, filosofias, etc, não
servem. Deus aceita o homem sim, através dos méritos do sofrimento e da morte de Jesus.

B . O Material

Madeira de acácia, cetim coberto de cobre. Esta madeira achava-se crescendo no


deserto, um tipo de Jesus, na Sua humanidade, de origem humilde, qual raiz que sai duma
terra seca. Is 53:2. O bronze é tipo do juízo de Deus, que Jesus sofreu no calvário.

C . Os Chifres

Eram quatro, um em cada canto. Lv 9:9 – aspergidos com sangue. Os chifres, na


palavra, representam poder. “Mas exaltarás o meu poder como o do unicórnio”. O poder de
Deus foi manifestado em ressuscitar Jesus da Morte. “Pois também Ele foi crucificado por
fraqueza, mas vive pelo poder de Deus” II Co 13.3,4; Hb 7.25
Aspergidos com sangue, apontados em direção aos quatro cantos do mundo,
significam que o sangue de Jesus fez expiação para todas as nações, e que há poder
suficiente para toda necessidade de todas as pessoas do Universo. Glória a Deus!!!

D . O sangue

Foi derramado a base do altar. Cristo derramou a sua alma até a morte no calvário. Is
53.12.

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E . As cinzas

Foram levadas para um lugar limpo. Lv 6.10;11. O corpo de Cristo foi sepultado num
túmulo novo que nunca fora ocupado, as cinzas também falam da aceitação divina do
holocausto; (Compare: oferta de Abel – Aceita – de Caim não) Davi orou: “aceita os teus
holocaustos”.

F . Os Utensílios

Cinzeiros, pás, bacias, garfos e braseiros. Cinco peças, todas de cobre. Ex 27.3. Para
cuidar do fogo e remover as cinzas. Paulo a Timóteo: “despertes o dom”. II Tm 1.6

G . O fogo

1 – Símbolo ou manifestação da santidade de Deus. Compare: Moisés e a sarça que


ardia. “O lugar em que estás é santo”. Ex 3.5.

2 – Símbolo do juízo divino sobre o pecado. “Nosso Deus é um fogo consumidor”. Hb


12.29. Compare Sodoma e Gomorra – fogo e enxofre. Cristo levou nosso juízo.

3 – Símbolo de purificação. Zc 13.9; Ml 3.3 “ Se me provasse, sairia eu como ouro. Jô


23.10. A purificação vem pela cruz de Cristo. Tt 2.14

4 – Veio do céu. Lv 9.23,24. Compare I Rs 18.38; II Cr 7.1 (inauguração do templo de


Salomão). I Cr 21.26 (o holocausto de Davi na eira de Ornam). Lv 9 – Consagração do
tabernáculo (os sacrifícios); Gideão – Juizes 6.19-22; O Pentecostes. Assim precisamos do
fogo do céu, no calvário, fogo sobrenatural.

5 – Perpétuo. Lv 6.12. Os utensílios serviam para cuidar deste fogo e para leva-lo de
lugar em lugar. O fogo do Calvário não se deve apagar, mas sim devemos levar este fogo
aos quatro cantos do mundo. O fogo ardia continuamente sobre o altar. Ali era sacrificado o
animal. A pessoa que o levava, colocava a mão sobre a cabeça do animal e confessava os
seus pecados.

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6 – O fogo levado ao altar de incenso. Fogo entranho – Nadabe e Abiu. Lv 10.1,11; Ex
30.9.

H . Os Varaes

O altar tinha dois varaes, feitos de madeira, cobertos de cobre. A função destes era a
de carregar o altar de em lugar.
Representavam as duas partes do Evangelho, pelo qual a mensagem do Calvário é
levada todo o mundo: 1) que Cristo morreu pelos pecadores, que Cristo foi ressuscitado.

VI – O LAVATÓRIO DE COBRE

Era o lugar de purificação, onde os sacerdotes se lavariam


antes de entrarem no tabernáculo próprio. Ex 30.17-21. A água é
um tipo da Palavra de Deus pela qual fosses purificados pelo
poder do Espírito Santo. Jo 15.3; Ef 5.26; Jo 35,7.

A . Na ocasião de sua consagração – Ao ministério sacerdotal os sacerdotes tomaram


banho, sendo lavado o corpo todo. Isto representa a regeneração. “Não por obras de
justiça que nós fizemos, mas segundo a sua misericórdia no salvou, pelo lavatório da
REGENERAÇÃO e RENOVAÇÃO do Espírito Santo”.”cheguemo-nos com coração sincero
em plena certeza da fé; tendo os nossos corações purificados de uma consciência má e
LAVADOS OS NOSSOS CORPOS COM ÁGUA PURA”. Hb 10.22. Gerando pela palavra
da verdade. I Pd 1.23; Tg 1.8.

B . Depois da consagração os sacerdotes lavavam somente as mãos e os pés, antes


de entrarem no santuário. Este ato é um tipo da purificação diária pela palavra de Deus
contra a contaminação por contato com o mundo. Antes de celebrar a Páscoa e a Ceia com
seus discípulos, Jesus lavou os pés daqueles se disse: “Aquele que já se banhou, não tem
necessidade de lavar senão os pés, porém está todo limpo, e vós estais limpos”. Havia
uma só bacia, mas a água era sempre tocada. O ato de se lavar representa também a
santidade necessária para o serviço de Deus, e também a preciosa lição: “uma vez
regenerado, muitas vezes purificado” (I Jo 1.9). O lavatório também era um retrato da
Palavra de Deus escrita, pois mostra a pessoa como ela é. Se os sacerdotes não se
lavassem, morreriam (Ex 30.21)
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A lavagem de regeneração realiza-se uma só vez, mais a purificação da
contaminação com o mundo é um processo contínuo, sem o qual é impossível ter
comunhão perfeita com Deus. Os pés representam o nosso andar, e as mãos o nosso
serviço. Sl 24.4; 26.6. “Cristo amou a Igreja e por ela se entregou a Si mesmo para que a
santificasse, tendo-a purificado pela lavagem de água com a palavra”. Ef 5.25,26.

C . Material – Bronze

Tipo de juízo, neste caso, de juízo de si próprio. A diária purificação pela palavra de
Deus envolve o juízo de Si próprio. Paulo disse aos coríntios que participavam da ceia: “Se,
porém bem, julgássemos a nós mesmos, não seríamos julgados I Co 11.31. “Porque vês o
arqueiro no olho do teu irmão, põem não reparas na trave que tens no teu?
O bronze veio dos espelhos das mulheres, dos estojos! Melhor é sacrificar a beleza
natural para receber a beleza espiritual! Este fato sugere que a palavra de Deus tanto
revela como também limpa. A palavra de Deus é o espelho em que vemos o nosso caráter
verdadeiro. Tiago diz que o homem que na palavra descobre o seu estado verdadeiro e
depois nada faz para obedecer e qual homem que mira seu rosto no espelho mas não o
lava. Tg 1.22- 27.
Outro aspecto da limpeza se vê nas palavras de João: “O sangue de Jesus Cristo,
seu Filho, nos purifica de todo pecado.” I Jo 1.7.

D . O Tamanho

O tamanho não é revelado. Este fato sugere a verdade que Cristo e sua Palavra são
imensuráveis e insondáveis. Jo 3.35 (Todas as coisas entregues nas Sua mãos); I Pd 1.2.
Confronte: O mar no Templo de Salomão. II Cr 4.2.

E . Nunca Coberto

O lavatório nunca foi coberto, nem durante a marcha e nem ao estarem acampados.
A palavra de deus é uma revelação e ao um mistério encoberto como alguns religiosos
ensinam.

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F . O lavatório no livro de Apocalipse

O mar de vidro. Ap 15. Os que foram vistos sobre este mar são vitoriosos para
sempre. Uma lembrança da sua vitória pela Palavra.

VII – O TABERNÁCULO PRÓPRIO

1 – da igreja, como habitação de Deus pelo Espírito Santo.


2 – do crente, individualmente, como Templo do E. Santo.
3 – das coisas Celestiais.

A . As quatro cortinas do Tabernáculo

1 – Peles de animais marinhos (1ª cobertura – Pele de texugos)


Era a cortina exterior sem forma ou medida específica. Faltava-lhe beleza. De cor
cinzenta um tipo de Jesus visto pelo mundo: sem forma, ou beleza e formosura, Is 53.2,3.
A beleza do tabernáculo ficou escondida. Só quem entrasse poderia vê-la, a glória do
Tabernáculo só se vê passando-se para o lado de dentro. Jesus também foi desprezado
pelo povo, sendo para eles o “carpinteiro” e “nazareno”! Texugos eram animais marinhos,
tipos de golfinhos. Parecia pelica no seu estado grosseiro. Não possuía atração pela
beleza, como tanto outros animais. No entanto, a pele dos texugos era grosseira e forte.
Muitas vezes foi usada para fazer sandálias para o povo de Israel. Por que, então uma
cobertura assim, logo na parte de cima da tenda? Porque nas partes de baixo, haviam
coberturas mais finas que precisariam ser protegidas do sol quente do deserto, bem como
das tempestades de areia. Esta cobertura não deixava que o intenso calor e os raios
diretos do sol penetrassem.
Esta cobertura faz-nos lembrar simplicidade e pobreza, levando-nos a pensar no
primeiro ministério do Senhor Jesus: Seu nascimento.

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Leiamos Lc 2.7 e II Co 8.9. Seu nascimento foi bem diferente daquilo que se
esperava. Não possuía berço, nem nasceu dentro de uma casa. Sua primeira caminha foi
palha, sua maternidade foi uma estrebaria, cercado pelo odor dos animais que ali viviam.
“Não havia lugar para eles na estalagem”. Envolvido em panos que, imagino, não tenha
sido delicadamente e finamente bordados, por causa da situação humilde de Maria e José,
chegou ao mundo, sem que nada o distinguisse das demais pobres criancinhas... exceto o
cântico dos anjos. No entanto, era o rei nascendo.

2 – Peles de carneiro tintos de vermelho. Ex 26.14 (2ª cobertura – Pele de carneiros)


Colocada por baixo da cortina de peles de animais marinhos. O carneiro simboliza
substituição, Gn 22.13 e 23. O carneiro substituiu Isaque no altar do monte Moriá. Tipo de
Jesus. I Pe 3.18: 2.21: I Co 15.3,4: Rm 5,8: Is 53.6: Jo 3.16. O substituto que morreu no
lugar do pecador. Não poderiam ser vista nem do lado de fora, nem do lado de dentro. Por
isso, lembra-nos o 2º ministério do Senhor Jesus: sua expiação e crucificação. O “cordeiro
de Deus” tingido com o Seu próprio sangue, o qual nos purifica de todo o pecado Hb 9.14 e
I Jo 1.7b.

3 – Pelos de cabras. Ex 26.7-13

Também não era vista por fora nem por dentro. Como no caso anterior, o 3º ministério
de Jesus – sua sepultura e ressurreição não é enxergado no seu valor real. Cristo se
aperfeiçoou pelas coisas que sofreu. Este tipo de santidade o mundo não aceita, nada sabe
e não quer saber. Eram feitas de 11 cortinas e colocadas das peles de carneiro. Cobriu o
tabernáculo, descendo pelos lados até o chão. Cinco formavam uma peça para cobrir o
lugar Santíssimo. Ligados por colchetes de cobre. Cinco formavam uma peça para cobrir o
lugar santo e uma cobria a entrada com as cinco colunas.
A cabra era animal usado para oferta pelo pecado, Lv 9.15 Nm 28.22. Portanto, esta
cortina representa Jesus, a oferta pelo pecado, Is 53.10: Hb 9.14: 26, 28: Hb 10.10,14: Ef
5.12, II Co 5.21. Cristo assumiu toda a dívida humana e toda a culpa de todo o ser humano
desde Adão. Por seu pai foi tratado como criminoso do universo, rejeitado na cruz. Deus
virou seu rosto contra o filho, o representante do homem. (Confronte Sl 40.12). Por isso
exclamou:
“Deus meu, Deus meu, porque me desamparaste?” Sl 22 (Confronte Lm 1.12-14). Ali,
na cruz, vemos o que Deus considera o pecado – traição contra a sua pessoa. Sl 51.4. A
oferta pelo pecado opera duas coisas:

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1 – Como oferta pelo pecado, satisfaz a exigência da lei divina. Seu governo e Sua
pessoa.

2 – Substituição - reconciliou o mundo com Deus, suspendeu a sentença


condenatória.
A graça reina! Aleluia! Os benefícios desta oferta pelo pecado reservam-se apenas
para o indivíduo que requer pessoalmente a libertação da sentença de morte,
reconhecendo Jesus como o seu substituto que tomou o seu lugar no castigo divino, Gl
2.20.
O tabernáculo, tipo não só de Jesus como também da Igreja, foi completamente
coberto por esta cortina de pelos de cabras. Assim, o sacrifício de Jesus cobre os que são
dele, Nm 23.21. Os pecados são completamente cobertos, Sl 32.1,2; Is 44.22; Sl 103.12; Is
38.17; Mq 7.19; Hb 10.17. O homem é perdoado! Os pecados esquecidos!

4 – As Cortinas de linho fino, retorcido (4ª cobertura)

Cortinas interiores, colocadas de baixo dos pêlos de cabras. A quarta cobertura era
vista só por dentro, só por aquele que entrasse no santuário. Quando o sacerdote olhava
para cima, via os querubins bordados na cobertura e lembrava tanto da santidade de Deus
como da sua condição de pecador. Por isso, antes mesmo de oficiar, o sacerdote precisava
lavar-se, e oferecer sacrifícios por si mesmo e pelo povo. Assim, aqui está representado o
4º ministério do Senhor Jesus – Sua ascensão e Glória.

A . Barbadas em azul, púrpura, escarlata, com figuras dos querubins. Ex 26.1-6.

B . Eram dez, ligadas com colchetes de ouro, de 50 cúbicos de largura, quando


unidas. Uma largura de 20 cúbitos cobriu o lugar Santo e formou o teto; a outra de 20
cúbitos, cobriu o lugar Santíssimo. O que sobrou cobriu a parede dos fundos. Só a parte do
teto apareceu à vista.

C. O linho é produto do reino vegetal e representa a humanidade de Jesus. Linho


branco representa a perfeição de Cristo como homem. Hb. 7.26.

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D. Significado das cores:

- Azul – Cristo o celestial, de natureza divina;


- Púrpura – Cristo o Rei;
- Escarlata – Cristo o sofredor. Sua morte. Esta cor foi obtida de um bichinho de cor
escarlata. Foi esmagado para fornecer o corante. Confronte: Cristo chamado “verme” em
Sl. 22.6, esmagado debaixo do peso dos nossos pecados, derramando o Seu sangue
escarlata que nos purifica.
- Branco – Cristo o Puro, imaculado.

E. Significado dos Querubins:

A palavra “querube” significa força ou poder. Os querubins são seres majestosos,


domadores das forças da natureza, engenheiros do universo, executores da vontade de

Deus. Ap. 7 a 19; Mt. 13. 41, 42. são anjos. 1 Pd. 3.22. Assim, representam a divindade de
Jesus, Filho do Homem.
Confronte: Sl. 17.8; 36. 7; 57. 1; 61. 4; 914. 4. Toda esta glória dos querubins com
suas asas estendidas, só podia ser vista quando se estava dentro do Tabernáculo.
Da mesma forma a beleza de Cristo é revelada ao crente. Na palavra, observamos os
querubins de a faces. Ez. 1. 5 a 10; 10. 15; Ap. 4. 7, 8.
- face de leão – tipo do poder e glória real.
- De boi – tipo de força para trabalhar e servir.
- De homem – simboliza a simpatia e inteligência.
- Da águia – Voando às alturas; tipo de poder, da suprema percepção nas coisas
celestiais.
Todas representavam Cristo como apresentado nos quatros Evangelhos:
- Mateus apresenta Jesus como o Leão da tribo de Judá, o Rei de Israel.
- Marcos apresenta-O paciente como o boi, servindo à humanidade.
- Lucas apresenta Jesus como o Filho do Homem, simpatizante, amoroso e exemplo
perfeito.
- João apresenta-O como o Filho de Deus, voltando a lugar de onde saiu, o seio do
Pai.

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VIII – O CANDIERO DE OURO – Ex 25.31-40

A finalidade do candeeiro era fornecer luz, que revela, purifica, sara e


serve para crescimento. Aqui vemos Jesus A LUZ DO MUNDO, nosso
instrutor e guia. “Eu sou a luz do mundo, quem me segue, de modo
nenhum andará nas trevas”. Jo 8.12.

A – Material

Ouro puro, maciço, foi feito de uma só peça, não fundido, mais sim batido. Nm 8.4.

B – Tipo de Jesus

Este processo de bater representa os sofrimentos de Jesus, o esmagamento e


tristeza dos pecados de todo o mundo que Ele levou. “Jeová fez cair sobre Ele a iniquidade
de todos nós”. Is 53 O candeeiro era ouro sempre, mas para ocupar seu lugar de porta-luz
teve que ser submetido às marteladas. Cristo era sempre o Filho de Deus, mas para tornar-
se o Salvador dos homens perdidos, foi necessário tornar-se o homem de dores, obediente
à cruz. Jo 1.9; Is 42.6; 49.6; 40.1-3; 2.5; Jo 9.5; I Jo 1.7,8; Cl 2.6; Ef 5.8; Ap 21.23; Mt 4.16;
Pv 4.18.

C – Tipo de Igreja

“Vós sois a luz do mundo”. Mt 5.14; Lc 12.35; Fl 2.15. Os sete candeeiros de Ap 1.12,
13,20; 2.5. (O candeeiro de Éfeso estava apagando-se).
Na parábola da moeda perdida, Lc 15, vemos a mulher acender a luz e varrer a sua
casa.
Ela representa a igreja buscando a alma perdida à luz da Palavra.

D – Tipo do Indivíduo

João Batista, um exemplo. Jo 5.35.


Paulo, também um exemplo. Fl 1.20.

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E – Os seis braços

O candeeiro tinha três braços saindo de cada um dos dois lados, formando ao todo
sete braços. O braço central, que era o apoio dos outros, representava Cristo. Os outros
representam a igreja.

F – Tipo de Israel

Na dispensação Milenal. Zacarias 4.

G – As sete Lâmpadas (Pavios)

Tratadas com espevitadeiras e apagadores. Ex 25:38. A sujeira que se criava nas


lâmpadas representa qualquer coisa em nossa vida que não glorifique ao Senhor. O sumo
sacerdote limpava-as toda manhã. Assim, Cristo, nosso Sumo-sacerdote, removerá das
nossas vidas o carvão ou sujeira e impureza. É necessário submeter-nos a Sua palavra e
poder do Espírito Santo. Assim nossa luz brilhará ainda mais.
Deus nos castiga (Hb 12:3-13) para nos aperfeiçoar. Submetendo-nos a obra dos
apagadores nossa luz brilhará bem, e os homens perceberão que estivemos com Jesus.
Confronte: Atos 4:13 – os discípulos. Estes apagadores (que representam os
instrumentos que Deus usa na correção) devem ser de “ouro puro”. Confronte: Gl. 6:1.

H – O Óleo do Candeeiro. Êxodo 27:20.

Era um óleo especial, usado para ungir. Cristo foi ungido com o óleo especial, Espírito
Santo. Lc 4:18; Is 61:1, At 4:27; 10:38. Óleo é símbolo do Espírito Santo que foi derramado
sem medida sobre Jesus. Jo 4:34. A igreja, como luz do mundo, também precisa deste óleo
especial.
O processo da produção do óleo: A azeitona era espremida e esmagada. Confronte:
Is 53:10. Vemos que da agonia da cruz saiu a unção do Espírito Santo para a igreja. As
promessas desta unção são para todo crente. Jo 14:17; 15:26; At. 1:5; 2:32, 33 e 38.

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I – Os Enfeites do Candeeiro.

Em cada um dos seis braços havia enfeites na forma de três fases, na formação de
amêndoa: 1 – a maçã ou gomo, 2- a flor e 3 – o copo ou amêndoa madura. Confronte: a
vara de Arão que brotou - Nm 17:8. havia assim, em cada braço, nove frutos e na haste
central havia doze. Significa fruição do Espírito Santo. Paulo em Gálatas 5:22,23, enumera
os 9 frutos do Espírito Santo. Realmente são estes os verdadeiros enfeites da igreja de
Cristo, a luz do mundo.

J – Esta luz em contraste com a luz natural.

O sacerdote no lugar santo via tudo a luz do candeeiro. A luz do sol (a natureza) ficou
excluída. As coisas de Deus são vistas a luz de Deus e da sua palavra. Muitos nos nossos
dias querem reduzir a religião ao plano material e científico. Mas as coisas de Deus são
interpretadas espiritualmente. I Cor. 2:14. A luz da natureza não serve para entender as
coisas do Senhor. Mt 6:23; II Cor. 4:6.

XII. O ALTAR DE INCENSO - Êxodo 30:1-10,34-36

O altar do incenso era lugar de adoração, de culto e louvor. Sacrifícios não eram
oferecidos neste lugar. Tipo de Cristo em cujo nome as nossas orações ao bom Deus.

Confronta: Lc 1:9,10: Zacarias.

A – Material
Madeira de acácia coberta com ouro. Tipos da humanidade e da divindade de Jesus.

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B – Posição.
No lugar santo, em frente ao véu e a arca. Isto representa Cristo, nosso caminho ao “Pois por

Ele temos ambos a nossa entrada ao Pai em um Espírito.” Efésios 2:18.

C – Os Chifres.
Um em cada santo, aspergido com o sangue uma vez por ano. Isto representa o
poder do sangue de Jesus, que nunca perde a sua eficiência. Ex 30:10. Hb 9:14. O poder
da oração.

D – O Incenso.
Tipo da oração. Sl 141:2; Ap´5:8. Queimado continuamente. Confronte: Ef 6:18. No
altar de cobre vemos Cristo suprindo a necessidade do pecador. No altar de ouro vemo-lo
suprindo a necessidade do crente.

“Portanto irmão tendo confiança de entrarmos no santo lugar pelo sangue de Jesus,
pelo caminho que nos inaugurou, caminho novo e de vida, pelo véu, isto é pela sua carne”.
Hb 10.19,20.
A arca dentro do lugar santíssimo era símbolo da majestosa presença divina, onde
permanecia a glória entre querubins. O véu também tinha bordado nele as figuras dos
querubins, representando o fato de que em Jesus a divindade estava com a humanidade.
Esta duplicidade da natureza em Jesus está declarada nas seguintes passagens: I Tm
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3.16; II Co 5.19; Cl 2.9
Essa glória divina residia em Jesus e foi manifestada no monte da transfiguração
quando resplandeceu através da sua carne. Mt 17.1-8. Era a glória que havia na nuvem e
entre os querubins da arca do tabernáculo.
Enquanto este véu não foi rasgado era a uma separação entre Deus e o homem,
testemunha concreta da grande distância entre os dois. A encanação podia revelar ao
homem a pureza absoluta, o exemplo infinito, e a vida perfeita de Jesus, mais por si só não
podia trazer Deus ao homem, nem levar o homem a Deus. Se Jesus tivesse subido ao Pai
na hora da transfiguração teria ficado apenas com uma lembrança de um homem que era
perfeito. A distância entre o homem teria permanecido a mesma e o homem teria parecido.
Havia só um meio de reconciliar o homem com Deus e efetuar uma entrada a ele no céu,
isto é pelo véu rasgado, a morte de Jesus. Esta verdade foi simbolizada anualmente na
cerimônia do Dia da Expiação”, quando o sumo-sacerdote matou um boi e um bode ao altar
de bronze e trouxe o seu sangue na bacia aspergindo-o sobre o propiciatório na arca
dentro do véu. Não podia sentar-se por medo de parecer. Era i sangue e não a beleza do
véu, nem sua composição, etc, que garantia a sua vida. Assim Cristo entrou no céu com o

seu sangue e efetuou a redenção eterna por nós. Hb 9.12; 10.19-22. Aqui então vemos o
verdadeiro véu, e entrada para o céu – JESUS O CAMINHO A VERDADE E A VIDA.

C – O véu Rasgado

O véu do templo de Herodes, dizem as autoridades nos assuntos judaicos, foi feito de
material forte, com grossura de quatro polegadas. Opinam que um par de bois não podiam
rasgar aquele véu. Nem que o homem pudesse ter rasgado o véu de baixo para cima,
somente Deus podia rasga-lo de cima para baixo. Isto significa que a morte de Jesus, que
é nossa entrada a Deus, foi de Deus e não do homem.
O véu foi rasgado a hora do sacrifício da tarde (três horas). O cordeiro estava no altar.
Jesus, certamente da cruz do calvário podia ver a fumaça subindo da corte do templo. I Co
5.7.
Quando ele exclamou: “Está consumado”, rasgado foi o véu. E entregou o seu espírito
a Deus.
Mt 27.50. Ele expediu o seu espírito. Jo 19.30; Lc 23.46. Tão triunfante foi a sua
exclamação que o centurião ficou impressionado. Mc 15.39. Assim, a barreira entre Deus e
os homens tornou-se em caminho. Glória a Deus! Agora Cristo é nossa vida.

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Não somente foi rasgado o véu de alto a baixo, mas foi completamente rasgado até o
chão. Não ficou nem um fio. Isto significa que o caminho a Deus é completamente a obra
de Deus, e que não é possível o homem ser salvador de si mesmo. A redenção é
totalmente a obra de Deus. Ef 2.8
Hoje Cristo está assentado á destra Deu, proclamando um serviço completo que
nunca precisa ser repetido: Rm 6.9,10: Hb 10.10,12,14: Compare o falso da missa católica
que crucifica Jesus de novo. Jesus é o nosso representante no céu. Ef 2.4-6. Vamos
chegar a Ele com confiança! Hb 10.19-22; 4.15,16.
O véu rasgado foi também um protesto divino contra o formalismo dos Judeus.
Confronte: Is 1.11-15; Jô 4,24. Até os túmulos se abriram em testemunho do fato de
que Jesus é quem abriu a saída do túmulo, da morte e do pecado. Aleluia!

XIII – O lugar Santíssimo

A morada de Deus, tipo do céu onde Deus habita. Hb 9.24; 10.19. Também tipo de
Jesus em quem habita a plenitude da divindade. Cl 1.19; Jô 14.6; 1.14.

A – Lugar de Esplendor

O ouro das tábuas, as figuras dos querubins no véu e na cortina que formava o teto, a
glória “Shekinah” entre os querubins por cima da arca. Tudo isto falava de Jesus a glória de
Deus.

B – O Progresso

Notemos o progresso desde a entrada do pátio, comparando-se com o progresso da


vida cristã. Pv 4.18. Altar de cobre julgou-se o pecado; a pia efetuou-se a purificação; o
lugar santo proveu luz e alimentação a comunhão. O lugar santíssimo proveu a glória do
Rei! Confronte: Sl 43.3,4. A ordem é esta: Altar de madeira, pia de cobre, propiciatório de

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ouro puro. No mundo a ordem é o contrário: reino de ouro (Babilônia), reino de prata
(Medo-Persa), reino de cobre (Grécia), reino de ferro (Roma), reino de barro e ferro (Anti-
Cristo). Dn 2. “Ó profundidade das riquezas da sabedoria e da ciência de Deus! Quão
inescrutáveis são os seus juízos e quão impenetráveis os seus caminhos! Rm 1.33.

O CRENTE NO TABERNÁCULO

I – As três grandes festas – Ex 23.14

1) A páscoa
a) No átrio o crente celebra a primeira das três grande festas, a da páscoa, que
representa o início da caminhada com Deus – examine Ex 12.2

2) O Pentecostes
a) No lugar Santo o crente celebra a Segunda das três grande festas, a do
Pentecostes – Lv 23.15-21 – No Novo testamento o Pentecostes representa: Unção, Poder,
Capacitação Is 61.1, 2; Lc 24,49; At 1.8.

3) O tabernáculo
a) No lugar Santíssimo o crente celebra a terceira grande festa, a do Tabernáculo – Dt
16.16 – A festa da colheita em Canaã, representa as alegrias do crente pela libertação do
Egito (mundo) e a posse da Canaã celestial – O céu – Dt 6.12

II – As três grande virtudes do Cristianismo – I Co 13.13

1) A fé
a) Ao iniciar a caminhada com deus, o crente apossa da primeira das três grande
virtudes do cristão, a fé – I Co 13.13; Ef 2.8; Gl 3.11

2) A esperança
a) Ao transpor o segundo véu, o crente que iniciou na fé continua na esperança para
terminar no amor. Nossa esperança é Jesus – I Tm 1.

3) O amor
a) A fé vem pelo ouvir a Palavra – Rm 10.17, a esperança apoia-se na fé e nutre-se
do amor – O maior é o amor. No lugar santíssimo tipo do céu não há necessidade da fé e
nem da esperança porque no céu reina o Amor – No céu nada se espera porque tudo se
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possui.

III – As três faixas etárias do cristão – I Jo 2.14

1) Filhinhos (neófitos na fé)


a) No átrio o crente é considerado espiritualmente uma criança, tipo do novo
nascimento Jo 3.3; I Jo 2.12,14.

2) Jovens
a) No lugar santo o crente é considerado espiritualmente um jovem, o jovem é cheio
de esperança, o jovem é forte – Sl 27.14

3) O amor
a) No lugar santíssimo o crente é considerado espiritualmente um Pai, não mais
criança e nem jovem.

O Pai gera filhos – I Co 4.15


O Pai possui autoridade – At 3.6; At 5.1-11; 13.6-12
O pai sustenta – Mt 14.16; I Co 4.1

IV – Os três limites de frutificação do crente Mc 4.8

1) Trinta por um
a) No átrio o crente é considerado espiritualmente criança, portanto, limitado, assim
sendo, Deus espera dentro do seus limites os frutos à 30 por um.

2) Sessenta por um
a) No lugar santo o crente não é mais uma criança, é considerado espiritualmente
jovem e a frutificação deve aumentar na proporção das revelações e do conhecimento de
Deus Lc 12.48. Deus espera que o jovem frutifique à 60 por um.

3) Cem por um
a) No lugar santíssimo o crente não é mais criança e nem jovem, aqui o crente é
considerado espiritualmente Pai, então dá muito fruto Jo 15.5

b) Aqui significa que o crente morreu para o mundo, Jesus disse: “Em verdade, em
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verdade vos digo: Se o grão de trigo caindo na terra não morrer, fica ele só, mas se morrer
dá muito fruto – Jo 12.24.

V – Os três tipos de luz no Tabernáculo

1) Luz natural
a) No átrio, a luz era luz do sol, lua e estrelas, embora o crente tenha a luz da Palavra
de Deus, no início de sua caminhada com Deus, ele pode se deixar levar pela luz natural
da razão humana.

2) Luz da Palavra e do Espírito

a) No lugar santo o sacerdote ministrava à luz do castiçal.


b) A luz do sol (natureza) não tinha penetração.
c) As coisas de Deus são vista à luz de Deus I Co 2.14; II Co 4.6.

3) Luz da glória (Shekinah)


a) No lugar santíssimo o crente é iluminado pela luz da Glória (Shekinah) – Ex 40.34.
b) No lugar santíssimo o crente reflete a Glória de Deus, como Estêvão – At 6.15;
7.22, 55, 56; Ap 21.11, 22, 23.

IV – Conclusão

a) No átrio o crente vive ainda nos rudimentos da doutrina de Cristo Hb 6.1; 5.12; Fl
3.12, 13, 14.
b) No átrio o crente conhece ao Senhor o Pai que é sobre todos, no lugar santo ele
conhece ao Senhor como Pai que age por meios de todos e no lugar santíssimo ele passa
a conhecer ao Senhor como Pai que está em todos – Ef 4.6; Os 6.3.

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