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Cl)mQ stnco literárias l cml)Os!ram ser cruciai~ também para os ci,cursos
t prflticas não-litcráric s, Por exemplo, (lS (nSCUssõe~ :;!lbre a natu:eza da
compreensão históriCil tomtiram como modelo o que esta envobirlo nil
comprccns;io de unia 'lislóri:t. C<lrtlctcristicillllt'l\te, os historiadort:S 1'1:10
liroc!uum rxplica("õ/'s 'lllI' ~~o como ns txplica\õc~ profeticas d;) ,:iência:
n50 podem mOSl/<lr que qU;J,nuo X e Y ocorrem, Z necessariamente acon-
tecerá, O que fazem, ao cq'"trârio, c mostrilr COOlO uma coi~:J levou a
outra, como a Primeir;, Guc(r<l Mundial veio <I eclodir, não por 4l'C linho
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'. de aconlece(. O modcl,) p;]r;!' a explicação hislóric<l C, desse mouo. a lógi-
ca das histórias: a ma leira 'como uma história mostr<l como <lIgo \lcio (I
:lco'ntecer, ligando él s!tu;1çã.o inicial, o uesenvolvimcnto e o resultado de
um nlodo que bz senliúo.
:j J.
O modelo para a Jnteli9ibilidadt: ilistórica, em resumo, é a llarrativ<I
:! , litúária, Nós que ouvjmoCj ~ lemos hi~tôria~ somos bons em di7.er se '1m
I; enredo fôi: sentido, é c~erc~,tc, ou se {hislória fica inne~bada, Se os mes-
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mos modelos do que fó1. serl:ido e do (\UC ~d'nt(l como uma histór;<I rõlr<lC-
tcrizam tanto as n:lrrativ:1s literárias qilanto as históric<ls, então distinguir
. O que' e literil tu",? Voce ~POd~ pensar que eS5~ seria'uma quesdo ce;:'::
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entrc elas não parece ser uma qucs~,o le~)ricn urgente. Ig\Jaln)!:lltc, O~
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,:. , trai para <I teoría literária, 'mas ~,a realidade ela n50' parccl'! ter rri ui\ n teóricos passaram a insistir na ;mpoiÚnéiil, nos tex[O~ nilo-litcr:irios -
quer sejam os rel<ltos de Freud de se;;s éilSOS psicannlíticos ou cura$ (IC
I~ '. ,
impàrtãncía, Por que. isso seria as';im?
. "Parece h<lver duàs razõ~s priilcipais. Primêiramente, 'como a ~róP~(l ilrgumento filosófico -, de recursos rftóric0s tais corno a metciíma, ql!~
I.
:. tcor!il mescln idcias \iindas <)a fil60fia, lingillstic:-l, história, t'!oria:polii'- (orílm considerados crul:Í;jis p;1rí) ~ Ijti~r:1l~JI-:lIllJS, (rclliiénlcmrlllo!, puríl~
n ca c psicanálise, por. que os teórkos se preocupariam' se 'os textos q('c
estão lendo s50 literários ou hà'l{ ?:Ira os estudantes e professores àe liti'-
niente ornamentais e01 outros tipos d~ disc~lrsos. Ao mostrar CÚII u :lS fi-
9,H(l5 rdÓricas.conforr'l:11'\\ o prnS:lmci.llotambCm em outros dis("l.fsos, os
rilwra hoje, há uma 'gama inteirêl. ue projetos criticas, tópi.eos para ler c tc:óricos demonHram um;! literaric:dhdê. poderos:l em nção ('11\ lt'x:~,:;
1· supostamente niio-literjrio~, complic~ndô :!essa forma a di~tÍllÇ;~O entre
sobre os quais escrever - t~is como "imagens de mulheres no inicio (,n
I' século XX· - c:m quê' você pode li~<lr tanto com as obr:'lS litc-rariils quarl~ o lilcdrio c o niio-)ilc(~rio, .
i~ lo com as não-literarias. Você podê estudar os romOlOCC!!: de "~rgíni<i Wod~f Mas o. fato de cu descrever e55i1 :sitúaç50 fal:lndo da descoberta ua
F
I: ou ilS histórias de caso de ·FrC!ud ou ambos, e a distinção não pnre~c literariedade dos (cnômenos náo-litei:'lrj~s indica que;) noção (~!: litcril-
mclodologicnmcnle cruci<ll. Isso n,io significa <lue todos os textos. s50 Cl! lU r.1 cunli n lIil a drse OI pl'llhil r um Jl;Jpi':1 l' -,ú'rels;J ~cr .,lJor(l:JrJ;1,

!! :'llgunl modo igunís: ;)I~uns texlos S;lO considerados nlili s ricos. mais vi!J('"
rO$os, mais CxcnlfllMes, mais cO!1test<ldorc~. mais ccntr.1is, por um,l r(lZ~;)
Encontr:lmo-nos ú(" volt:J à quest~0-2h~ve, ·0 que ê litcróltur,lt', qUl'
,::10 ira Cmuor:J. Mas t!ue tipo de questão <: essa? Se quem est;i I>cru"n-
as
ou outríl, Mas tanto obrOls Ii(cr;jrlas qucrnto 3S niio-li~cr,1ria; podem s'" 1i1:'ldo l' uma criança de cinco anos llc idil.de, c (;icil. "üt<:ról tur,I", vncl'
estudadas juntas c de modos semclhJntcs. . respondI:. ·são históri:l5, poemas e peç<ls". Mas se o indag<ldor e um teóri-
co lilerário, e mais difícil saber como .en(ren tar a indagação, Poderia ser
i Em segundo lugar, a distinção não parece central porGU~ as obras cc
teoria descobriram o que ê' mais simplesmen te chamado de a "!iterá- uma questão solJre <! na~urcza geral desse objeto, literatura, 'fUC voci:s
(. riedade" dos fcnõmcnos não~liter<irios. Qualida(lcs muitJs "'e/.':s pensild;;~ dois j<l conhecem bem. Que tipo de objeto ou iltividilde é? O 1)('1: (:lZ? /I.
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que propchitos serve? Assim :olllprCt.:f1tliua, "O qtl~ (·lit:.:ratUl.r?'· pL'dt 11..0 yuri" mais ampla de [";'llicas exemplares ele <scrita e pensamento, que
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uma definição mas uma anaiise, .ite mesmo um;) rliscu)sâo ~.(JlJre por q:'e incluia discursos, sermê.s, história e filosofia, Aos estudantes não se pedia
alguém poderia, ofinal, se preocupar com a literatur;!. para interpreta-Ias, cor~o agora interpretamos oS obras literárioS, procu- I:
M;"I~ "O que c' liter;'ltura?" pOderi;) t;'lll1lJCIll ser UI11:! prrU'IIl!;1 ~ob:(· .iS rando explic;)r sobre o que elas "realmente" são, Ao contrario, OI estu-
c;H;]rlrri"liL';l'" di')til1liv;1~ ria; ullt;l\ conhrrid:1\ rOIHlllilt-r;rlru;r: () qlW :... cf;!!I!!· . . :1". tll1'rnDri/aval~I, t\tU<!;1V;Jm SUíl fJrílm,Hicê'l, ídcntiricav;'illl ';uas ri-
(liqiIl9 UL' d,IS olJr;l~ n;io-litcr;irii'lS? O que difere/lei;);1 I tl'l;)lur:r de Ou Ir i') guras retericas c Sua~ estrutu,"s ou procedimentos de <lrgument'), Urml
;'Jlivid;ldt.::-. ou pa~S;)IL'rnpos hum;Ul0:\ ! "uora. :l:~ pessua-, jlot!t:,.iarll fUrOr 'r Obrê} rorno ~ EIlt:ir/o cl(- VirCJilio, que hoje é tSluclad;J como litcr;Jtttr;J, cr;}
esso questõo porque estariam perguntando a si mes",?s c~mo decic':r tratada de modo muito diferente nas escolas antes de 1850.
qU;lis livros s:io litcr:ltura e (:u(li~ não 550. m.,s. e nl:lis. pro",;l·I·~1 que j;i t·:- O sentido ocidcntvl moderno de litcr~tu(a como escrita imaçínativa
nh;'lIn um:) itlc:ii'l do que conta como literatura e flu:!il;JOl saber oul ~ (l pode ser rastreado ate: 0\ teóricos romànticos alemiles do final do século
cois;"!: h~ ;,!gUrll trMç'O cssencii1l, distintivo, que as OlH:lS lit~(árias (J:lrl _ XVIII e, se quisermos u'n;) fonte especifica, a um livro publicado por uma
lh;lIn? u;uonl:S;J rrallCtSa, M:ld:lflH: dL' Stacl'\ Sobre o Literatura Consideraria em
[-;";:1 ( ' UIll;l pnqur:::J di~i r i1. Os tl:úrit:o.;, 1;11;1(;]111 'I)t" "::1, 111:1<" ... r li ~1J(/5 Rr/oç(W5 com OI; J,, ~ litui('iJcs Soc:ois, Mas mesmo se nos r{'stringir-
... UC.:I' ..... CI 11,·I ;·,vd . i" ril/ÔI.:S '1':: 0 l' ~,I ;illloll~.Jl' dl' ~l' t:IlCll/l'r:u: :1', IJ~r;l';' dt: ', .. IIlO'" au.., últimu:. dui . . "'\·Tlllo~. :I call:g~·lriil d~ litr.:ríllurêl se lorna l· ~.cor(c:­
teratuf:l vem tm lodos os (brmalos c tílmllnhos c í1 m.liori<1 delas parc·.·c g.dia: obras que hoje contam como 'iitcrafura - digamos, po"" as que
! Cf lIl:ib l'm comum com OlÚ.l$ 'ltlC n;io s:io ~cr;]Irr:{'ntc ch ,1 I11:ld:15 dc lil·;·. p;lrccem (r;}9mcntos ck ('onvcrSrlS corr..uns, s'em rima ou metro dis.':C'rnivel
r:llllr:l do que com .1Igu:TIa',; outl:lS OUr;)5 (econhecidas romo lilcrÜluiJ. - se qualifk:lriam corro literatura para M~dame de Stacl? E as.s.im que
)1111(.' Errt'. de Ch;1flotlc B!'O~'t·. p:lr exemplo, sc p;JfCCC:: m;!is C'stritamr.n.e começamos a pensar n!t~ culturas não'-eurofléi;]s, a questno do qu~ conta
com umil autobiografia do que com um soneto, e um pC'CI11J de Robo:t como literatura se toma cada vez mais dificil. Ê tentador desistir c eon-
Burns' - "Meu omor é como um" rosa vermelh" vermell,;]" - se pare'~c eluir que a literatura é o que quer que .uma iiada sociedade trata como li-
mais com uma cançno lolclática do que com o Humlct ~e Sha'.espeart. f!;i teratura - um conjunto rle textos qur. os ;irbitros culturais reconheeem
quaj;dad~s partilhadas i'lor lioemas, peças e roma"ces qUI' os distingue '" como perteneentes illiteratura,
de, di9"01os, c;lnções, tr'anscriçàc< de conversas e autobioorafias' Essa conelus~o C comnletamente Insati~fatória, e claro, Ela s.mples-
~Msl11o um pouco de perspe':tiva histórica torna ':SS:1 cluestão 'll;l.\ ml:nte deslOCa <la ill"~~ rle 'elolver a qilestãi'l; em VC7. de pcrguntar "o que
complexa. Durante vinte e cinco séculos as pessoas esereveram obras q.,e e literatura?", precisan,os perguntar "t\ que faz com que nós (ou 31guma
hoje chamamos de literàtura, mas o sentido moderno de literatura mal te!n outra sociedade) traternos algo eomo literatura?" Há, no entanto, outras
nois sêeulos de idade, Ahtes de 1800, literatura e termol an;il('gos em oi;- cotegorias que funeionJ01 dessa manc1ra, referindo-se não a propr,edades
t"ll linguas eUrOllêi;)s \ignifll'~varil "textos eseritos" ou "conh"eimc:nt'o ci': C\llC:cifieóls Il\as apen"~ a critl'ri05 mu(~veis ire grupos sociais. Tomemos a
livros': Mesmo hoje, urrí cientista que diz "a literaturo sobre evoluç~o e questão "O que'; uma erva daninha?" ilá unia essência de "d<lninh~za das
imensa" quer dizer não que muito, poemas e romances tea,am do assúntc ervas· - um algo espelial, um je ne srj'is qU(T'i,: que as ervas daninhas par-
mólS Que se escreveu muito soore (·Ie. E obras que hoje si,o estuel:lclas eomo tilham c que aI distin!,ue das ervas n~o-danlnhas? Qualquer pes'.oa que
lilrr;ltura nas ólulólS ele in91ês ou lotim nas elcol:11 c u"iVt'r\it~aele\ fti r<l 111 j~ tenha se oferecido pua :liudor a limpar :l~ ervólS daninhas de um iordim
uma vez tr:lt;lelas n;lo corno um tipo especial. dt escrit.l "1;1\ como belo, "Iue qu;io ;lrelU!) .: dif. rendar uma ervo d;rniillla de uma erva n;II)·dani-
exemplos cio uso da lincJuagcm e ela retórica, Eram exemplos eI,: uma catr-
I, C;':I,;ui, ...· :~. sl~·i ~ ·'7(~ •. 'SI.;1. .\lul1,,·~:k l~l:r:;"':':;:l;;;:;I~ I:': i',~,-; ;::I1:I~,;;:;;::j;":,-;L;~:;ililll., :",'"1 ...·i:l:.k
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nha e pode se perguntar se t·a um segredo. Qual seria? Como se reconh< ::c Entretanto. há um '1Uebra-c::abeças aqui: o fato de essa sentença não
uma erva daninha? Bem. o sl'gr.!do é que não há un: 501·9Ifdo. As ef\a~. ter importância prática óbvia é que cria, principalmente, a possibilidade
daninhas são siml)/c~m\!f1te 1S phntas que os.jardineiros '1ib querem ql(' de que poderia se tratélr de literatura. mas não poderíamos conseguir o
cresçam em seus jardins. Se você tivesse curiosidade sJbre a~; ervas daI i· mesmo efeito tirando outras sentenças dos contextos que deixam claro o
nhas, sobre a procurá da n.!tureza da "daninheza da:,. ervas", seria Ul!la que fazem? Suponha que tiremos uma sentença de um libreto de instru-
perda de tempo tentar inve:..tigar sua natureza botânica, prc·curar qua·j- ções, de uma receita. um anuncio. um jornal, e a coloquemos num:! pági-
dades formais ou fisicas distintivllS que tornam as planl,ls ervas daninh;,\. na isoladamente:
Em lugar disso, você teria de reali1õlr invc\tiqações li r€Sllc·jw dos tipos :l'
plnntas que !>ão julgadas indesejáveis por dilerentes gr;JI>CIS I! n diferent:5 Stir vigorous/y and 1110w to sit five minutes. u
lugares,
Talvez a literatura seja como a erva dallinha. Isso ê literatura? Trllnsformei-a em literatura ao extraI-Ia do contex-
Mas essa resposta nllo elimÍlI:l li pergunta. Muda-:l pur.l "o qUl' ('\'á lo prálico de uma recei a? Talvez. mas ~ificilÀ1cnte fica daro que o tenha
envolvido em tratar as coisas como literatutíl em nossa cu:tur.lr Supon.a feito. Algo parece estaI faltando: a seiitençá parece não ter os recursos
que você encontrt" a seguint'! ser. tença: com os quais trabalhar. Para transforrhá-Iaem literatura. você precisa.
talvez, imaginar um titulo cuja relação ;com Óverso colocaria um ,.roble-
W(" dom.'e roflnd in a rin!! ond:.mppos~. 11m r. ('xl'rritaria a imag;nação: por ex(·rÍlplo. "0 Segredo" ou NA OUlIlidade
8f/t lIlc Sccrct sits in tlu' mídlilc mui kllows.' da Misericórdia': , •
Algo assim ajudaria. maS um frag~tnto ~e sentença como "Um con-
o que é isso e como vote sabe? feito sobre o travesseirc:· de manhã· parece t~r mais chances de tornar-se
Bem, importa muito ollife voéé a encontra, Se essa senh~n\,a c!.tiv,·r literatura porque seu malogro em ser qtillquer coisa que não uma irnagem
impressa numa tira de papel num biscoito da sorte chinês, você pO(le convida um certo tipo de atenção, exige reflexão. O mesmo ocorre com
muito bem considerá-li:! canil) urna predição extraordinariamente eni!l· sentenças em que a relação entre a forma e ,'o conteúdo fornece matéria
mática, mas quando ela:é oferecida (como é o caso aqui) comi) um exerr:- potencial para reflexão, Desse modo. a iSente!,ça de abertura de um livro
pio, você olha em torrio buscando possibilidades entre os liSOS de: lin- de filosofia, From a Log/(:ol Po;nt ofView, de W. O, Oulne 'o, poderia r.once-
guagem familiares a vo~ê, É um enigma, pedindo-nos que adivinhe d 5(i. bivelmente ser um poer1a:
gredo? Poderia ser um inunc:iÓ de algo chamado "Segr·!do"? Os anúritiós
muitas vezes rimam - "t\linsldn tástes good, like a cigarette should"é - e A curious thing
ficam cada vez mais en1gmáticosna tentativa de estimular um púlliico about the ontological problem
cansado. Mas essa sentehça parece destacada de qualquer contexto práti- is its simplidty."
co Ilfontamente imaginável. intlu~ive o da venda de um Ilroduto. Issof c o
fato de que ela rima e. dçpois das primeiras duas palavl(4s. segue um ritmo , Registrada dessa m::lneira numa pâ~ina, ~ercada por margens intimi-
regular de sílabas forte~ e fracas alternadas ("rõund in a ring and ~ÍJr>­ dadoras de silêncio. essa sentença pod~ atrair um certo tipo de atenção
póse") cria a possibilidaiie de ~ue isso poderia ser poesia, um !xemplô d~ que poderiamos chamar de literária: ~m interesse pelas palavra~, suas
literatura,
..... .. _-,- _ _-- .. -"' .. -
,j·f\ri~.."ri,~ ..~-";'~":~-dri~;;~·~·i.-;-\:;:::~~:K!utT-,I-------._.- . . -
t-"."
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7 ··nal,~:m..", ctnt dh;ut" ~ '\ur"un'l\ 1\1.n ti S~r.n", 'WU1.. "I' " .. in ... )011,·- ... "....... lI. fi..'.-.I f ...",.Iiro f I lU \\'.1 ......9 V. Uun.m CJuUw (I·)'H~ .....L~"., t "if,:kn Ut .. IC"·..mtt",~. .t .. "dt'llvw 4b W'IK \'tlMtnri\'\.1.. "h'
''''0',' fhlltt',.ank"k""'"''P''''' ..",.VtI..... ~ .... ui" ....." '.amdi..""" ê ...........l ..h,... 41.. S.·,·...J.rf..'..... A.• S', ,
,.u" kmili.:. ob r...... ~ ... , t S,T.I '
S "\\·JU\oht;t': ~t""'hn. ~.••.,.. um "'ir~"" de'.: it't,- (S.I~) Ii "lfnU:'·I'll,"~"'tt."", ~"cnp.-"'J"1lI!I.-nIt~ktli)tL1 ~in;..,rJ.C'Nb:ko.·(NT~'

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relações umas com as outras, f suas implicações. e partkularmente !In nome proibitivo de ·principio cooperativo hiper-protegido" mas é real-
interesse em corno o que ê dito se relaciona com a maneiro: corno i:: cite mente bastante simple~~ A comunicação depende da convenção básica de
Isto é. registrada dessa ma1eira. essa sentença parel:e ':on:;eguir cones· que os participantes estão cooperando uns com os outros e que. portan-
ponder a uma certa idéia moderna de poema e respon,Jer a um tipc d ~ lO, o que uma pessoa diz :l outra é provavelmente relevante. Se cu per-
atenção que, hoje. é associada ú literatura. Se alguélli dissesse essa S"'I" gunto a você se Jorge é bom aluno e você responde. "geralmente ele é
tença a você. você pergunlNia. "o que você quer dizer?". ma'. se você C:-li' pontual", entendo SU.l resl>osta dando por assente que você está
siderar essa sentença comu um poema. a pergunta I\;io ê -!xatamenlC I cooperando e dizendo é./gCl relevante à minha pergunta. Ao invés dt: recla-
mesma: não o que o falante 00 autor quer dizer mas o 'IUI: o poema .i~· mar. "Você não rcspondt'u li minha pergunta", posso concluir que você a
nifica? Como funciona essa linguagem? O que essa !o"lItença faz? re!>pondeu implicit3me 11(· e indicou que há pouco de positivo a ~er dito
Isoladas na primeira linha, as palavras "Uma cllisd curiosa" po< .:n sobre Jorge enquanto aluno. Isto ê. presumo que você está cooperando, a
levantar a questão de o que ê uma coisa e o que é urna coj~a ser curi·IS'. menos que haja evidên::ia convincente do contrário.
"O que é uma coisa?" é um do~ problemas da olltolo~ia. a déncia do ser Agora. as narrativas literárias pOliem str vistas como membros de
ou o estudo do que existe. Ma~. "coisa" na expressão "urn.l :oisa curic s,," um:'! classe mais ampla de histórias. "t~xtos de demonstração narrativa",
mio ê um objete físico ma:i nl~I·.'l como uma rclaç.l0 ou aspeclo que lã} clocuções cuja relevância para os otivintd não reside na informação
parece existir da mesma mrlOei!.1 que uma pedra ou uma ca! a. Asente IÇ') que comunicam mas em sua "narratividadé>: Quer esteja contar.do um
prega a simplicidade mas parece não praticar o que prega. ilustrando. ~ai caso a um amigo ou escrevendo um lomant:e para a posteridad·~. você
ambigüidades da coim. algo das complexidades proibitivas da ontolo ·jié . está fazendo algo dife"ente, digamos.,de testemunhar no tribunlll: está
Mas talv('z :I simplidd~de niêsma do poema - o fato (.t· j'lr se interrtlrr I)('r tentando produlir um:\ hi..tÓria que rfarecern "valer a pena" para seus
dCIJois de "~implicidatÍc·. coino 'iC nada mais Inecisa~"'1! 'il!r dito - cbn!ir I ouvintes, que teni algum tipo de rinalídade ou Imporlância, divtl tirá ou
alguma credibilidade â afirmação implausivel de simplicidílde. Enl t,)d) dará prazer. O que diferencia as obrás litérárias dos outros textos de
caso, isolada dessa fotma. fi sentença pode dar origl!m ao tipo de. ativí· demonstração narrativa é que eles p~ssarám por um processo de se-
dadc de: interpretaçàc{assoi':iada com a literatura - o !ÍIJO de atividalie ;w; leção: foram publicadc!., resenhados é reimpressos. para que os leitores
venho realizando aqui: . . :- . se al>(oximassem dele!- com a certez4 de !IUe outros os haviam consi-
O que esses experimentos de pensamento podem IIOS dizer sqblc 1 deraria bem construidcs e "de valor': Assim, no caso das obras litl:rárias,
literatura? Eles sugerem,. primeiramente. que, quando a lingua~el!l ~ o principio cooperativo é "hiper-prot~gido~ Podemos agUentar muitas
removida de outros cbntextos. dcstacad3 de outros 'lIopósitos. elá "'lel: ob~l'urid3(h:'i c irrelcv:mcias aparente~. sem presumir que isso r-ão f~lz
ser interpretada com ti IileriJ"(ura (embora deva pos!>uir alqurnas quallda<k, nenhum sentido. Os It-itores presum(\m quê. na literatura, as compli-
que a tornnm sensivJI a t~1 interpretação). Se a lih'ralur:1 é ling{la!WI11 (:a~iit·'" da IingUaflcm h:lll. ('m últim:l àni'llis~, um InoJlósito comunicati-
desconlextualizada. ~o(tadà de outras funções e pmpósilliS, é tainb;:rr, vo e, ao invés de imaginar que o falante ou es(:ritor não está sendo
ela própria. um contexto. que promove ou suscita tipos especiais d! cooperativo. como pod~riam ser em outros e,ontextos de fala. eles lutam
atenção. Por exemplo; os leitores atentam para poter.ciais complexidade; para interl)retar cleme"ltos que zombam dos principios de comunicação
e procuram sentidos implicitos. sem supor. digamos, quc~ a elocuçã.o rsl i eficiente no interesse de alguma outra meta comunicativa. A "lite-,
ordenando que façam algo. Destrever a -literatura" seria anéilisar um c"n· ratura" ê uma etiqueta institucional que nos dá motivo para esperar que i
junto de suposições .~ operações interpretátivas qUI! os leitores jíoferl
colocar em ação em tais textoS.
os resultados de noss(·s esforços de leitura "valham a pena". E muitos
dos traços da literatu~a advêm da disposição dos leitores de prestar I
Uma convenção bu disposição relevante que surgiu da análise da, atenção, de explorar incertezas e não perguntar de imediato "o qt:c você
histórias (que vão de casos pessoais a romances inleiros) atend~ ~ e!) quer dizer com isso?"
j
produzir uma síntese. Pudl!mos pensar as obras literárias como lingutlgem
com propriedades ou traços especificas c podemos pensar a lih'ratura
como o produto de cOn'lcnções e um certo tij)o de atenção. Nenhuma das
"Ele leu duramo dU,1$ 1'(lf.'S j':'eiras duas perspectivas incolpora com sucesso a outra e devemos nos movi-
sem qllalqucr lfe;lIa/n 1!.tl'- • mentar para lá e para c l entre uma e outra. Examino cinco pontos que os
teôricos levantaram a 'c!>pcito da natureza da literatura: com cada um,
você parte de uma pers )cctiva mas deve. no final, levar em conta G outra.

A literatura, poderiamos concluir, é um ato de fala ou eV('nto tcxtu 11 I. 1\ LJ'rt~JlA1'UlI.r\ COMO A "COJ.OCAÇ;\O EM I'RIMF:IRO
que suscita certos tipos de atenção. Contrasta com Ol tIOS tipos de atr,o; 1'1 ...\NO" DA 1.1 Nc.:UAGJ.:M
de fala. tais como dar informação, fazer perguntas 011 fê ler promessas. r.. 'I
maior porte do tempo, o que leva os leitores o tratar algo CClrno literatl . Muitas vezes se di,. que a "literariedade"; reside, sobretudo, na orga-
ra é que eles a encontram n'Jm c6ntexto que a identifica cc·rno literaftl- nização da linguagem que torna a litfratu~i distinguível da linguagem
ra: num livro de poemas ou nUI113 seção de uma rev:std, biblioteca cfl usada para outros fins. Literatura é linguagtm que "coloca em primeiro!
livraria. plano· 3 própria lingu<.gcm: torna-a e~tranHa. atira-a em você - "Veja!!
Mas temos um outro quebra· cabeças aqui. Não há maneiras espec . Sou a linguagem!" - assim você não póde se eSI!uecer de que está lidan-
ais de organizar a linguagem que nos digam que algo é literatura? Ou I) do com a linguagem configurada de rflodos estranhos. Em particular, a
fato de sabermos que algo é literatura nos leva a d:lr-Ihe um tipo (·e poesia organiza o plano sonoro da lingúagem. para torná-lo algo cllm que
atenção que não damos aos jornais e, conseqüentemente. a entonu.ir temos de ajustar contas. Aqui está Ó inicio de um poema de Gerard
nela tipos especiais de organização e sentidos implicitos? A resposta de've Monley Hopkins u chaméldo "/nversnaid':
certamente estar no fatÕ de «(ue ambos os casos ocorrem: ;)s vezes o obj{'.
to lem Imçn .. que o lofn:lIn litcr:irio mo .. às YeZC'i é o ('ont('>(Io litcr:irio Tllis darksome bUfn. IlOrsrbad brown.
que nos faz tratá-lo coioo littratura. Mas linguagem altamente organizif- IIi5 rollrock IIi91110CIII roaring down, •
da não necessariamentr transforma algo em literatura: nada é mais ~It:,­ In C'oop and in coomb the neece of llis foiím
mente padronizado que a lista telerónica. E não podemos transformar ell'l Flutes and low to tllC lake folls honre."
literatura simplesmentç qualquer fragmento de linguogem c:-hamanHo-o
de literatura: não posso pegar meu velho livro de (Iuimica c Ic-Io tomo A colocação em primeiro plano dó deseriho lingülstico - a repetição
romance. .. rítmica de sons em "bJrn ... brown ... rollrcck ... road roaring" - assim
Por um lado, a "litêraturâ" "fiO é apenas uma moltJura na qual tolo- como as combinações "crbais incomun~ tais bom o "rollrockn deixam claro
camos a linguagem: nem toda sentença se tornará litrrária se registrada qu.c estamos lidando com linguagem; organ1zada para atrair a atenção
na página como um po~ma. Mas, por outro lado, a litemtura não é SI} um para as próprias estruturas lingú/sUtas.
tipo especial de linguagem. pois rnuitas obms literárias não o,afntao·; sua Mas também é verrlade que, em muitos casos, os leitores não perce-
dirercnça em relação a outros tipos de linguogem: func,onam de man~ir.Js
(·o;I>rciai<, devido fi alenç;lo r"perial que recebem. .! c;.·...... \l..n!.-' u••.&..,." c'~ 1'·I~"'·I' .14"'.... ~~~ ..h, Ith.lf .... ",'ltla. XIX, t'dudiU\4' ,I.. ;k~-U' d" "~ttl
Trlnoo; uma estrutura ('tlmlllicada ;lqui. Estamos lidand·) rum Ihl.l'> ,.. ,,'.1. .......... Iftt .... l~ f.tI ......lUl.S ... ""'"., .",la .....n..;l,.. \VI .:aa .......t\' ".n '·,.x.
!') 01"''' &-ia.." d...· IU.J tnnlh". IN. r )
I' ~. ,~. 'ltk~U",,,"1 ,"_n' .... ' m.uhlU "'IUII... /lo('tI (';un.,nb..f",,'ul.lIltt' tlf.........., ...... '·......... n .. ~ (1" 'a' In ... , .........
perSI)(~rtivas diferentes que <;t sobrepõem. se Cri/Iam, mas não pan;('{'/n ..ti...-".-.:nu..,' ,,,,,...,,..... I~ , ... , ................ 1..:-.... 4X T t

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bem o desenho lingüístico i1 menos que algo SCjél identificado como IHel I- Ike.'! Aqui. através de ;,Im iogo de palavras. o objl!lo dI! que se (Io;ta {,te}
tura. Você não escuta quando esU lendo prosa padroniltll!a. (I rilmo de~<;a e o sujeito que gosta (~ estão ambos envolvidos no ato (like): como pode-
sentença, você descobrirã, dificilr1ente é UIII rilmo que surpreende o ou"i- ria eu não gostar de Ue, quando' e Ike estamos ambos contidos ,!m fike?
do cio Icitor; mas, se uma rimil aJli'lrf.~cl' dt' 1l'I)ellte. da tml1!1f'lfll1:l o rill·lo Através dessa propaganda. a necessidade de gostar de Ike parece inscrita
em algo que você ouve. A rima, marca convencional ('3 liter.~ricdade. faz na estrutura mesma da linguagem. Assim. não é que as relaçõ.!s entre
com que voei: repare no ritlT.O que estava ali desde o c')me~1) Quando I rr. diferentes níveis de lir guagem sejam relevantes apenas na literatura mas
tcxto é cnqulldrado como laeralum, fic,uno,> dispo~t<'s .. al;:nlar ,mr} o que, na literatura, ê mais provável que procuremos e explolt~rnos as
dcscnho sonoro ou para outros tipos de organilaç.io fim/üistica que, \'0' relações entre rorma (, ~entido ou tema e gramática e, tentando <-ntender
geral, ignoramos. a contribuição que cac a elemento traz para o efeito do todo. encontremos
integração. harmonia. tensão ou dissonância.
As explicações sobre a literariedade que enfocam a colocrção em
2. Ll'n:nA'I'URA COMO lN1'r.CRAÇ/\O IM 1.1 NGUAC F.M primeiro plano ou a integração da lingrmgem não fornecem testes. atraves
dos quais, digamos. os ·narcianos pudes~em s~parar as obras de literatura de
Literatura c Iingua1em ;1'3 Qual os diversos elementos e (omponcn 1 i-.. outros tipos de escrita. Essas explicaçltes fU(lcionam, como a maioria das
do texto entram numa relàção complexa. Quando recebo um;) f'a, ia asserções sobre a naturt'za da literatu';'. pa~ dirigir a atenção pma certos
pedindo uma contribuição para .1ma causa nobre, e ímllrflvãvel q~e 'U aspectos da literatura que elas afirmam:ser cêntrais. Estudar algo como a li-
ache que o som ecoa o ~enti,do, ml1S em literatura há relações - de rcior,~o teratura, essa explicaç&o nos diz, é olhai sobretudo a organização de sua lini
ou contraste e dissonànci~;- erltre as estruturas dp. diferentes tÍiv(·js guagem. não lê-Ia COIT,O a expressão d~ pSiq,ie de seu autor ou corno o re~
lingüísticos: entre som e seritido. entre organização gramatical e padrões. flexo da sociedade que a produziu.
temáticos. Uma rima, .ao juntar duas palavras (suppos(' (supôellkilo';'s
(sahe)). rclariana os Sl;~'~ 5e;llidll\ ('\aber" é o OpOSl(l (k """por"?l.,M'I<
fica claro que nem (1) riem (~J nerÍl ambos juntos fornecem urna detilliç \0 :1. Ll1'P.lv\'l'UUA COMO FICÇÃO
de literatura. Nem tod~ liteiátura coloca a linguagem em pr:meiro flI3;'0
como sugere (1) (muit6s ronianccs não o fazem), e a linguagem colóearla Uma razão por q JC os leitores afentaj~ para a literatura de modo
em primeiro plano não·.é ner:~ssaliamente literatura. Par:lmente se I~er::.a diferente ê que suas elocuções têm unIa rel~ção especial com o mundo -
que os trava-línguas (I'eter I)iper picked a IJeck o( picklctl p.:pper5"} S lO uma relação que chamamos de "ficci7)Oal~ Aobra literària ê UI! evento
literatura, embora charncm atencão 'para si próprios enquanto Ijngu~9('m lingüistico que projela um mundo fii:cion~1 que inclui falante atores.
e enganem você. Nas ~opa9~nda!>. os expedientes lingüísticos são m,uilas acontecimentos e um público implitito (lJm público que tom3 forma
vezes colocados em primeiio plano de modo até mesmo mais espalh'l- através das decisões da obra sobre o -que áeve ser explil!ado e " que se
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fal050 que nas letras iias c~nções e diferentes nlveis estruturais p~ldem supõe que o público saiba). As obra~ lítt'rl!rias se referem a individuos
ser integrados mais imperiosamente. Um eminente teô,ico. Rom:1Il imaginários e não hislõricos (Emma B~vary. Huckleberry Finn), mas a fic-
Jakobson. dtn como s~~u prlhciflril eXCml)lo dn "rlln~;1O po~\li<:a" da li'l- cion:lIidmlc não s(~ limita a personagi'ns e ;aconlecimentos. Os di~itico~,
guagem não um verso de um poema lírico mas um slogan político da como são chamados. traços de orie.1taçàií da linguagem que SI! rela-
campanha presidencial americana de Owight O. ("Ike") Eisenhower: Ilik~ cionam com a situaç:lo de elocução. tais romo pronomes (eu, você) ou

.~ -, ~_.!".~.~ ...... 11.••• - Rum••• , ..... ..! ..... ~·Ij;.-~li~-',U\~ ~ ,,'U." ;1.,.
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adverbios de tempo e lugar (dqui, ali, agora, então. onh m. amanhã), fun- principalmente as atitudes de um falante ficcional, esboça um rnodo de
cionam de modos espcciais na literatura. Agora, num p'lC:lIa ("no\'l .. vida passado, ou sugere que a amizade e os prazeres simples são o que há
gathering swallows twitter in lhe skies""l. se refere n:tolo in ..tant~ e"l de mais importante p.1f<1 a felicidade humana.
que o IlOeta escreveu a palavra pl.'la primeira vez. ou .1(. mOIll','nlo de \U<I Interpretar Homlc f é. entre outras coisas. uma questão de d.:cidir se
publicação, mas a um tempo no poema, no mundo ficcional de sua açã ll• a peça deveria ser Iid.) como uma discussão. digamos, dos probl<!mas de
E o "cu" que aparece num poem<l lirico. tal como o "I wandc'l:d lonely , :; principes dinamarqueses. ou dos dilemas de homens da Renascença que
a cloud ..... ". de Wordsworth". também é fiedon<ll; refe'c .. ~e :11) falante c:!i) estão vivendo a expel iênda das mudanças na concepção do eu, ou das
poema. que pode Ser bem diferente do individuo (~ml,ir·r.o. William relações entre os horr.ens e suas mães em geral, ou da questão de como
Wordsworth, que escreveu o poema. (Pode ser qlie h•• ja fO!'es Iigaçõl's as representações (inclusive as literárias) afetam o problema da com-
entre o que acontece com o falante ou narrador do potmn e () que ator.- preensão de nossa ex lcriência. O fato de haver referências à Dinamarca
teceu com Wordsworth em algum momento de sua vida. Mã~ um poerr,a ao longo da peça não ,ignifica que você necessariamente a lê como sendo
escrito por um homem velho pode ter um falante jovem e vice-versa. ':, sobre a Dinamarca; es;a ê uma decisão interllretativa. Podemos relacionar
notoriamente. os narradores -le romances. os personagf'ns qut' dizem "ep',' Hamlet ao mundo de diferentes maneiras. en) diversos níveis diferentes. A;
quando flarram a hi:;tória, podem tl:r experii!ncias e crr.itir juizos que s~ 11 ficcionalidade da litclalura separa a linguaºem de outros conte:<tos nos'
bastante dift'rcnh's daqueles de scüs autores.) quais ela poderia ser l' .. ada e deixa a ri'lação da obra com o mundo aber;.
Na litção. a relação entre o qúe os ralantes dizem e o I!ue I>en~fl ,~ ta à interpretação,
autor é sempre uma questãÓ de il\terprctaçào. O me~·m(. C( orre cem ;o
rcla,fio cnlrr os acontecimentos narrados e as situaçõc:". nn IU'Jndo, O di' .
CUI)O niío·ficcíonalgcralmente eslit inserido num contt'xto (llIe diz a VOI,' 4. LIn:nATUltA COMO 08jt;'1'0 I~S"lhICO
como consitl(~rá-Io: um ,mantl31 de instrução, uma noUcin de: jornal. un ,i
carta de uma instituição de caridáde. O contexto da fic~ào, entrelant..\ As características da literatura dis(:utida~ atê agora - os níveis suple-
explicitamente deixa aoerta ;f qu~stão do que trata realm~nu: fi ficção.•\ mentares de ofganizadio lingüística, a ~eparnção de contextos práticos de
r{'«('ri'n('i:1 :11) mundo n:lo i~ l:mt? lima pfollricd:1d(' da .. ohm.. Ii'('r:iri " ('Iocu~ào, " rela,fto fi :cional com o mundo - podem ser junt:ldas sob 11
quanto uma função qur. lhes i:! conferida pela interpre1aç.io. 5e eu tll,s!>:r rubrica geral de funç;o estetica da Iin'fJuagem. Estética é historicamente
n um amigo, "Encontre-me para jantarmos no Hard Rod< Café às oi i) o nome dado à teoria d:i arte e enVdlve 0$ debates a respeito de se a
am;mh5", ele (ou ela) cónsiMrarci liso um convite cOnt'relo .~ identifica :l beleza ~ ou não um,' Ilropriedllde olijetivl1 das obras de arte ou uma
indic::adores espaciais .~ tenlporais a partir do contexto (la e'oc~lçi.o resposta subjetiva dos espectadores, a resíieito da relaçilo do belo com e
("amanhã" significa 14 de jar1eiro de 1998, "oito" signific:it oi~o da noitl·!. a verdade e o bem, " ','
Mas, quando o poeta ~en Jq'nson'" escreve um poema "Convidandó Uni Para Immanuel Kalll"', o principal ti!6rico ~a estética ocidental moderna,
amigo para a ceia", a flccion.,:idade dessa obra torna sua relação c~m i'l a estética é o nome c.a tentativa de transpôr a distãncia entre (. mundo
mundo uma questão de inteqiretaçáo: o contexto da m.:n!>agt'm ~ literár.l ) material e espiritual, e'ltre um mundo de forç3s e magnitudes e uni mundo
t~ lemos de d(~cidir se ('onsid~'ralllos o l,oema como alijO 'IUI' rar;u'h'n:.1 de com:cilu:., OiJjctlr.> l'stéticos. 13is ro010 a.. pinturas ou IIS ('Ibm.. lit('rnria:..
com sua combinação Ile forma sensorial Icor~s, sons) c conteúdo espiritual
ii.·;.~,.; :~;,,,I;.j·.dt;~-;;;iu d~iI,,:i.11l1 ;,;,.-;;..;: is.T i· _. ---'-.--_...... .
11 "Eu \.;;a~..\ .. ~ohL.1i., t.'llll~) mil:' n';l\*'('ln - (~.T.J
(idéias), ilustram a pos!ibilidade de juntar o máterial e o espiritual. Uma obra I
IX Will .... ;. \\~tJad~\H~'h 11770, Us,s.;, ."""b inj!k""l. um ,11'" tWkbh'ici. .L, 'b~lt.:Imt,m•• Io',·tll ~, In,," I,\1i "I :! I
/1.,11,,". ,t-,. 17"K .~t·r,l . !ti hnm.•m.·' I(;un.' ~ .. ,' ISUh 1.'\ ......... \.. n"""t~I~·d ... ""fl. . ,·U,... t.~~ . . .ft1t"J'I:b· ... w\tntúl"·d '"ti .. : .. ""..... t.i
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..., 1""u JI.\II~m (J :\7~.I(t '7'. rue....: 3tui .. m.atlUtu';,,'" tl11'''~'' \·'tnh!'tnp"iI'k·d ,.... Sh..:,~",,·.'h· to' .lUt.4 .e... um... t ,. iCt;·.~il''''"flitf ,"Ik.t <' t'...e.......:.......,.,,·,.·u"" l""" .. n~tt .... líto\l"'U ,_"t,,"'hll.
f'*lt .... uJ,JUt~... ~.. \ ••IU. t",,,d;a ..
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literária é um objeto estético (Iorque. com outras funções cQmupicativas in.- she walks. treads on the ground";'. O poema tem significado em ro!lação à
da/mente posla~ em paréntcscs Ol: suspensas, exorta os Icilon!; a considc·- tradição que o torna ~·ossivel.
rar a inter-relação entre forrn:l e cllnteúdo. Agora, como ler um poema como literatura t'! reladoná-Io li outros
Os objetos ,'sh'licos. 11;11(1 Kêlllt c outrus lt:ôrico!>, tem "uma finalida!;,! pocm:ls. com/larar I~ contrastar o modo como ele f<lz sentido com os
sem fim~ Hi. urna finalidade em wa construção: são fl:itos d,~ modo que modos como os outms fazem sentido, ê possivel ler os poemas como
.. ua'illarlt·., 0Pt'rt'/ll COlljlll1l:III\1~lIh' pam :IIIJum rim. Ma'; (I rim i' :1 pról>r:a ~it·ndo. em algum nive , $obre a própria flocsin. Eles se relacionam com as
obra de arte, o prazer na aura IJU o prazer ocasional lo pela obra. não operações da imaginadio poética e da interpretação poética. Aqui encon-
algum propósito externo. Em lermos práticos. isso signifka flue considl'- tramos uma outra noção que é importante na teoria recente: a da "auto-
rar um texto como literalura é indagar sobre a contribuição de suas parti s reflexividade· da liter ltura. Os romances são. em algum nível, sobre os
para o efeito do todo mas n;)o wnsiderar a obra com'J sl:n.!) principa:- romances, sobre os prublemas e possibilidades de representar c d:lr forma
mente destinada a atingir algum rim. tal como nos informar ou persuad,r. e sentido à experiência. Assim, Madamc Borary pode ser lido como uma
Quando digo que as histórias são elocuções cuja relcvânci.l r(,iide em !>I::} sondagem das relações entre a "vida real" de Emma Bovary e a maneira
"narratividadc", estou obscr'/and;) que há lima finalidade nas histórií S como tanto os romane es românticos qÓe ela:rê quanto o próprio romance
(qualidades 'Iue podem lorn;,-Ias boas histórias) mas 'lue isso não po,.: de Flaubert" consegu( m que a experiêitcia fáça sentido. Podemos sempre
ser facilmente vinculado a .iIlJum IlropClsito externo c, !tes·.a mancir '. indagar. a respeito de um romance (ou'poem'a), como o que ele diz impli-
estou registrando a qualidaC:t! estl:!Íca, afetiva das hi .. tÓrias mesmo ",> citamente sobre fazer sentido se relaci~na c')m o modo como clt' próprio
não-literárias. Uma boa histeria ~ narrávcl. atinge os lcilore~ ou ouvintl > empreende a tarefa dt fazer sentido. ,
como algo que "vale a rena~ ,tia Jlode divertir ou instr",ir ou incitar, poc ,: A literatura é uma prática na qual 6s aut6res tentam fazer ilVélOçar ou
ter uma gama de efeitos, ma~ você não pode definir as boas histórias c'li renovar a literatura e, desse modo, é sempre implicitamente uma reflexão
geral como sendo aquelas {lU~ fazem qualquer uma de~.sa·. coisas. sobre a própria literatura. Mas. mais unia vez; descobrimos que i!:>!>o é algo
que poderíamos dizer a respeito de outras (ormas: os adesivos de pâra-
choques, como os poemas, podem depe~der. quanto a seu sentido, de ade-
5. LlTEIlA'I'lIHA ChMO Cc)NS'I'IW~:Ã() INTEU'I J-:XTtlAI. 0:1 sivos an~eriores: "Nuk ~ a Whale for Je~us!" ,ííão faz nenhum sentido sem
AUTO-IU:FJ.J~XIVA "No Nukes". "Save UI( Whales·, e "Jes~s Silves", e certamente puder-se-
ia dizer que "Nuke a Whale for Jesu!il"/J ê realmente sobre ade;ivos de
Teóricos recentes af9um~nta,atn que as obras são fMas a parti~ (.I! pára-choques. A intercextualidade e ~~ito-réflexividade da literatura não
outras obras: tornadas possiv~~is pelas obras anteriores 'luC eI:'s retonlar", são, finalmente. um traço definidor mas um~:colocação em primei'o plano
repetem. contestam, W{nsforinam. Essa noção tiS veze~ é ::o.,hecida j)C I) de aspectos do uso da Iinguagem e dç quest:ões sobre represen tação que:
nome imaginoso de "intértextlJalidadc': Uma obra existt I:m m~io a outre ; podem também ser observados em ou.lros lugares,
textos. através de suas felaçõb com eles. ler algo com.} Ii.eratura é cor·· Em cada um desso!s cinco casos, encontramos a estrutura que men·
siderá-Io como um evetlto IillgOI<;tico que tem significado f~rn relaç~o iI
oulros discursos: por exêmplo. como um poema que jog .• cc)m 1S possiÍJn - 2...«h ,-Im'" .tt mlnh:l :nn.a.La. ••.M~ ~..., , ....u.) u sul! Moi, ntê,lttn"" tk.....:n ",,",i .drj.. ('lU )WI f~d 4JftUfI .. , t'b CtlUk

dades criadas por pocmãs anteriores ou como um rom'IlC! (:uc encena I!


....
n1o;o.l"'"' ..." ...... - \\'0I1 ...1n Slo>l~.· .... M.I~I·I{>I". AL"m .l.t.It.,...~ c••.....r"" .. ,,~., hju.1n.:",. ~b.l<>\"",,,
'114- ... ct.dtjSi/'lll 1"''' um.. u~4tt.k I <. I '-wxt... em que tl nl ,."Iotk". Íl",,-.til.;l " .... ~ () k1npt, :. ftrlt,.I <' .~ .. f'

critica a retórica politita de seu tempo. O sóneto de Shakc~peare, "t-/ y , .....""~ lO ....... r" .mi/...... pmçi""I'lIrn~.IN.T.1
l~ (itl ....\~ t~..n tIS!'·,~ll. !t"HWh.;tf.l'-I~" uan ~.~ m..., ítnl""1mU'4 ~...,S('(lb ft,J'isU ,·11 ,"Uflhn·j· à"
mistress' eyes are nothihg Iike the sun u , retoma as metáfora:; usadas ra do. ",...u....... ·'.i....
in"~ ..,CtI.kko .• N'.T••
M.d~11'i< ""\'aI)' um f~lr:oI<l mlÍ\lJ .to , .........,"".... 'lU(' Iht \''''''' um jul."uno:tlln ",or
tradição da poesia amorosa e as nega ("But no such toses :;ce I in: hf'r !.l "U."I1'...I.k,.· urua ktL.......... n lu m~t ,h: J~"oIK!": "N'~, fi, ,dt..a" fl:h.'kar,.~"'· "'Sah-.: ato ha:l~i~\" I' • ""ui ,",1\''''''
t ...
cheeks") - nega-as romô uma maneira de elogiar uma mulhN que "whcn .:-0'.1

""

o
,
donei acima: estamos lidando c:om o que poderia ser d·:scritll como pIO . deza nacional, criar um sl'ntimento de camaradagem entre as classes e.
priedodes das obras literárias, traços que as marcam corno litc'atura. mai em última análise, fun:::ionar como um substituto da religião, que parecia
também com o (Iue poderia sl:r vi·.lo como os rc!>ultad()~. cle um titIO Ilar· n50 mais ser capaz de m;mtcr a sociedade unida.
ticular de atenção, uma função qUI: atribuímos à lingua~iem ao considerá· Qualquer conjunto de textos que pudesse reali7ar tudo isso seria real-
la como literatura. Parece que nenhuma das duas perspectivas conscgu': mente muito especial. Q (Iue é a literatura que se pensava que iludesse
englobar a outra de modo a tornar-se uma perspectiva :lbréngente. A: realizar tudo isso? Urra coisa que e crucial é uma estrutura esp\!cial de
clualidadcs da literaturn mio podclll ser reduzida,> a IUhpr:l'dõ.(Ic:'> objf>li· (·Xf>llllllólridaclt· em :'11;;.0 na literatura, Uma obra literária - Hamlrt, por
vas ou a conseqüências de maneiras de enquadrar a Iin!luagem. Hli um I exemplo - é carilclcri~licamcnle li história de um personagem liccional:
razão-chave para isso que já surgiu dos pequenos experimentos de l,ensa· da se apresenta como, de alguma maneira, exemplar (por que outra razão
mento do início deste eapitull). A !inguagem resiste 30~ t'!llqulIdramentc '. a leriamos?), mas simultaneamente se recusa a definir o arco ou escopo
que impomos. Ê difícil transf,)rmar o dístico ·Wc dane! roun j a ring ., ' daquela exemplaridadl~ • dai a facilidade com que leitores e critkos pas-
numa previsão de um biscoito da !:otte ou "Stir vigouro'lsl:,u. num floem: sam a falar sobre a "I.nivc~rsalidade· d,l Iiter:Jtura. A estrutura d:IS obras
in!>lig'lI1t<.', Quando tratamo!:. al91' como Iiteratur;" qu,ln.)o I,roturam!:, litcnirias é lal que é mais fádl considerar q~e el;ls nos contam sobre a
padrão e coerência, hií resistêllda na linguagem; temos que trabalhar C'/l "condição humana" em geral do que especifitar que categorias Irais res-
cima dis!>o, trabalhar com isso', Finalmente, a Nliterarieflad.~H da literatur • trilas elas descrevem )U iluminam. Hamlet é apl!nas sobre príncipes. ou
pode residir na tensão da illier:lç;'io entre o materia: li'lgiHstico e fi homens da Renasccn\J. ou jovens intr~spec~ivos, ou pessoas cuias pais
expectativas convencionais dõ lei'or a respeito do que I: litc~ratura. Mg morreram em circunst incias obscuras? :Com~ todas essas respostas pare-
digo isso com cautela. p')is a ,)ulr.) coisa que aprendelT os con os nasse.;
cinco casos é que cada qualid~de identificada como um tr.'çCl importanl'
.
cem insatisfatórias. é mais fácil para os leitores .
não responder. a(l!itando
implicitamente, dessa Forma, uma possibilidade de universalidade. Em sua
da literatura mostra nãó ser úm traço definidor, j:i qUI' p.)clt: ser cnc·ón· particularidade, os rOIl.ances, OS Jloema~ c as peças se recusam a I!xplorar
trada em ação em outros usos' da linguagem. aquilo de que são exemplares, ao mes',ho le~npo que convidam todos os
Com~c(·i este capitúio ob';'ervando que a teoria literaria f,a<; dí·r;tlk. IcHOfce; :l se envolvcrCfn nas "ituações c; pensamentos de seus n:uradorcs·
c1e 80 c !.lO deste séculh nã,; teve como foco a difelcn.;a "ntre: ohn: ,. e personagens. ,.
.Iiter.irias (' não-literària~. O qJe o,> teóricos fizemm foi r~l,etir sobre à I . Mas oferecer uniw!:;alidade (' se diJigir a todos aqueles que fJ(.dem ler
. h~r:llura como uma cat~90ri:l h, .. tôrica e ideológÍ<'ll, '>obr(' as run~õ( , a linguagem. combin;l(lamcnte. teve .umaJunção nacional pc.derosa,
I sociais e políticas que se pcn":ou que algo chamado "li tt': atura" desj:n~ Bcnedict Andelson ar!;umenta. em Im(J/linecl Commllnities: ReflcclÍons on
penha. Na Inglaterra do sécuio XIX. a literatura surgil' cllme uma j;íéi I Olf Origin utld Spreod ,)( Nutionalism, lJina o~ra de história polilir..l que se
cxtremamente importarlte, U~l tipo especial de escrita c'ncarrcgadil d ' tornou inCluente como teoria. que as obras de. literatura - particul:nmente
diversas funções. Transformalf3 em matéria de instruç~o lias !:olônias d.' os romances - ajudaram a criar com~nidad~s nacionais através de sua
Império Britânico, ela e~cam;90u ·se de dar aos nativos "ma apreciaç<i.1 postulação de, c apelo a, uma comunidade ampla de leitores, limitada mas
da grandeza da Inglaterfa e de envolvê-los como partidp:·ntts agra<lt:e .. em prinrillio aberta a todos que pOdiiun ler. a IIngu3. "A ficçilo", escreve '.
dos num empreendimento civilizador histórico. No plano dcméstico;·eI:.1 Anderson, "filtra-se silenciosa e coritinuainente na realidade. criando \\
podia se contrapor ao égois/'Ílo I~ materialismo fOmc'H<'ldo5 pela nOV:l aquela confiança notnvel da comunidáde ,ih anonimato que é .1 marca
economia capitalista, oferece!ldo ilS classes médias e alls 'Iri~tocratasvê­ regishadil das naçõe~ modernas", Apresentàr os personagens, lalantes,
lores alternativos e dando aos tmbalhadores uma bali;'a :m rultum ííU", enredos c temas da Ih'mtura inglesa c:omQ pottncialmente uni\'crsais é
materialmente, os releg~va a tima posição subordinada. EI,l iri.! ao mesmo I)romover uma comunidade imaginada aberta mas limitada, à qu;.1 os sú-
tempo ensinar apreciaçáQ desinteressada, proporcionar um senso de 9,3n .. ditos /las colônias britânicas, por exemplo, são convidados a aspirar. Na

I

realidade, quanto mais se enfatiza a universalidade da lit('ratlIl3. mais el;l cação que busca distnir os trabalhadores da desgraça de sua condição
pode ler uma função nacional: afirmar a uniVl!rsaHdarle d:'l vís,io clt: oferecendo-lhes acesso a (~ssa Drcgião mais alta" - atirando aos trabalha-
mundo Merecida por Jane Au;tt'n torna a Inglaterra um /t'gar rcalment·, dores alguns romance:; a fim de evitar que eles montem algumas barri-
muito rspccial. o espaço de padrões de gosto e comporlanwnto e. mai. cadas, como diz Terry Eagleton:'. Mas quando exploramos as asserções
importanh'. cios cenários morais e circunstâncias soc:ai<, m:s Iluais Il . "1)\)(1' o que faz a !ih'rillura, como ela funciona como uma prátk;, social.
1"111111'111:1-, i" Í!"u......;"\11 "·...nlviel,'.. " .1', 1IC" ... ll/I;lIid;Hh", ',;-Ul 101111",1:1'., ('III'/llIlIaIllO<; :lHlllIIlt'nl,,', (Iur ...io \'xln'lIIarnt'n!c' difi("('i .. dI' rt'(·')lwiliar.
1\ literatura ê vista como :Im lill0 !'S11Ccial de c..trita (IUI', ; I\lumen!:! À litC'ratura foram illribuidas funções diRmr.tralmente oposlas. A lite-
w, J101I('ri:1 dvili7:Jr "ã') :1111'1::10; ;I. da....r .. I1In;<; hal)(;l' ma\ :lInIH;m o, ralura I~ um ill'ltrunwnln if!c'olóclico: um conjunto de hlslóri:ls (IU(' ~!'Iltlll'm
,ui'.lm:l:lIa ... t~ <J!> d;I~~I'''' ml~di:I". t:. .. a vb:ío da lih'rallll,1 t:1·1I\ .. um obj«·t I I)'> leitores p<lra que ",citem os arranjos hieràrquicos da sociecladd Se n5

estético que poderia nos torn~r "pl'SSOélS melhores" se vi1ClIta ~I uma ccrt , histórias aceitam sem C:iscussão que as mulheres devem encontrar ~ua reli-
ich~ia do ';ujdto, I'} qual os teôt ico!. pa .... aram a chamar li.' .. ·.ujl·ito liheml' . cidadt·. se é que vão CI r:mlrà-Ia, no ca9mcOIo; se acritam no; cli'l'lões de
o individuo rldínido nào 11m lI:lIa', tU:I<::1O <;oci:1I (' illlt·rl ... 'l .. Ina·.I'tH 111111 da..w rumo naturais ,. (· .•·l'lmam a idéi~ dI' C(!1lI0 li serviçal virlun.5n pode
'SubíClivirf:ldc individual (rac.onnlit1ade e moralid:ldc) ("cncebidn com", ra ..ar com um lordc··. da') trnbalham l'mra Ir.gitimar arranjos hiltóricos
r<,scl'lcialrnentc !ivr~ de detcr:l~in't"ltés sociais. O objeto cs, éti::o. d('sliga contingentes. Ou a literatura ê O lugar ónde a. ideologia é cxpostr., revelll-
do de IUO!}(hitos práticos e illdulilldo ti,10S IJarticul<ltes d,> rdlexão : da como algo que Ilode ser (IUestionado?..A litc!atura representa, POI exem-
identificações, ajuda a nos torilõl,mós sujeitos liberais atrc~vés do exerci· ulo, de uma maneira Intendalmente intensa i! tocante, o arco estreito de
do livrc c desinteressado de uma faculdade imagina' i'l:1 qlC combin;} OIJÇÕCS historicamente oferecidas às muiheres' e, ao tornar isso vislvel, le-
saber e julgamento na rclaçãc corref:l. A literatura faz i<;so - "firma o a, . vanta ti possibilidade de não se aceit~r iss(1 sem discussão. Anbas as
gUlIlcnto -. encorajando ti co:-i<;idl ração de complcxida k$ seln uma 1":01' asserções são complet3:"11cnte plausiveH: que 11 literatura é o veiculo de
rida ao ju!g;;mcnto, cnv(,fvem!n a mC:ntc em qur~tõcs él it'a5, ihduzindo c' ideoloqia e que a IitCI:ltllra é um insl,ilmcnto para sua anulaç'to. Aqui
Icitores a examinar a cdndut,l (indusive a sua própria) como o faria un novamente encontram )'; utna complexa oscil~ção entre as ·propriedades N

Inr:J\kÍl,\ ou um Iritor Ih' ro'i,;.,.,·,,,;, PromoVI' 11 r:lf:ikr 11t·<.inh·f(·......lfh . (I/lh·/It'iais ria Iilrrill m;. t' a :lIrnç50 (11Ir ((';)1\,":1 r<;<':I'" prol,ried:ulc";
cnsina a ,>l·u.,ibilidade í· as ,1i<.l"l'lIIin:.çõl'\ ,>ulb, ,'fOliul idlnlilir:trllt· ... \,lIlIb':lII I.:l1conl"'lIIlI.. ;I,>wrçiles c:uil1r;'"ia\ \obrt· éI rdilção d;, litera-
rom hlJllwn'i c tnulhcrd d(' otÍWJ<: condições, f-Iromover,do rk~.sa mandr I lura com a élç;io, Os lróliClls sustentam que íI literatura encoraj:l :J Icitu·
o sentimento de camaradag('lIl. Em 18GO. um educador :,uslentava qu:, Ta e as reflexão solitã'ia!> como modo de !iC ocupar do mundo ':, dessa
forma, se opõe às atÍ'lidadcs sociais e pollticas que poderiam produzir
6s
ulravó (/0 diálogo com p('n~!lm('lItos {' r/()(,lIçó('~ (Impel.·s (flll' ,~rilJ lit/( ~ mudança. N:1 nwlhm tias hi,lôlt:ses, d.i t'nt:orajil o disl:lIlciamcnlo ou íl
r('5 intelectuois do raça, 'nosso cowç'lio passa a ()(Itef de mx'uh com o St:'/:" éllueciação da complelCidade c, na pior, li passividade c a ílceitaçiio do que
timef/to de IlUmanidade ullive,~al. Orscobrimos que nenllllma fliferell,;1 d!' existe. Mas. por outre lado, a literatura f~i vista historicamente como
classe, ou partido, ou dedo, f..;odl~ destruir o poder do 91;nio dI' {'ncontar (' perigosa: ela promove o questionamento da autoridade e dos :Irranjos
instruir e que. acima do fumarCl r cIo agitação, do alarido (' w,tlIllto do vida sociais. Platão baniu o~· Imetas de sua re!)ública ideal porque eles S:l pode-
inferior de cuidado e atlvidadr e debate do homem, Ilã .lnJO região sele"" riam fazer mal, e há muito tempo se cr~dita aos romances deixar as pes-
f' IlIlIIillll";(1 ti" vrrdarlc- (mIl!' to,I()~ JlOfil'm ~(' ('/Jr(JfII ml " livl/Cll/t I'''' "/líl' in<.:lli\fc'ila'i rnm at, vicia!' (Iue hrlllam j' ;tn"iosas por ahlli novo -

comum. llut:r ~t'ja " vida fI:l., 91 i 111 de:, cidades ou unin ;lVt~ntura amorosa IIU a re-
,i
Não surpreende que diséussões teóricas recentes tcnhllm criticado
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~, (~.. 'k,; na:.. \i,... inrl,~,. litlll ..-'\t f .... l'Ul\-.:of"liJ;.. L.* .k 0\(\'lf11 fS.T~)
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CSS:l concepção de literatura c tenham enfocado, sot'f'!ludc" a mislif. .. 1I\,:1u ...tl.: .. "'i."'Wo!I Ib.. b.n.I"''II1 ",'tn r: Ju 1\:" •

...;
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volução. Promovenúo idcntifi<,açii.) através das divisões de c:lais<'. 9~nen .• assassinato de uma vllha cometido por Raskolnikov 110 Crime c Castigo de
raça, nação c idadt" os livros po()(-m promover um "~enliml.'nlJ de <:am,,", Dostoievski", Ela estirnula a resistência aos valores capitalistas, às prati-
rada91.'1I\~ (Iue dcst~ncoraja a iu'ta; Illa~ tambem I)odem 1Irn-JlJlI 11111 senS'l caridades dos 9anho$ c: gastos. A literatura é o ruido da cultu'a assim
agudo de injustiça que torna possíveis as lut lS progressista .. como :ua informação Êuma força entrópica assim como um capital cul-
Hi~torícíHncnte. crt.'dita-sc às obrt,s de literatura a pro(\·lç;.o .11 ll1udanç; : tural. E uma escrita que exige uma leitura e envolve os leitores nos pro-
A Cabemo (/0 Pui fumeis. UI! I-iarrict Beccht~r Slowc"'", un "t)l".I-:.dh:r" 1.'1'1 blemas de sentido.
sua época, ajudou a criar uml mudança rel,cntina de sl:ntim :ntos contll A literatura é um t Instituição paradoxal porque criar liter:!tllra é es-
a escravidão, que tornou pos. . ivel a Guerra Ci'!il norle-i,ln( ri(';lna. crcver de acordo com fôrmulas existentes - produzir algo que parece um
Volto. no Capitulo 7, ao prc:blc:ma da identificação (' S(,US :(c·lloS: q\.,:' soneto ou que segue as convenções do romance - mas é também zombar
/lap,,1 dc'sempc!lha a identifit ;1<;50 com os I'CrSOna!ll'n<; t! Illllr:u!ores litl, d('ssas convenções, ir além delas, A literatura é uma instituição que vive
rários? Por enquanto, deveríamos observar sobretudo :l rom'llexidade :~ de expor e criticar StuS próprios limites, de testar o que acontecerá se
divrrc,idadf' da !itcmtura COIl:O irHlituiçiio t' prática sO<'Í:1. n (lU!' tt.'lllC. ('!'>('rcvermos de modo difcrentt'. Assim, a literatura ê ao mcsmo Irmpo o
;J(IU i , afina! Ih- cUllt:t!>, t' uma i'lSO IIj~·.1O ua"l':Jcl:! na po~ ..,li.licl;ld.· d.' ~!i:1 I nonll: riu ;Ib"olutanwr tl' I'onvencional - moa" rima com ll/ne :10/1 SWOO",
o 'IUt· clUt'r Iltlt' VIld: imaclinc. I~!)ü é ecntr:tl para () (IU\!' iilt'f'l W:l: a obl t as virgens são bc:'las, (l'. cllvaleiros são ousados - e do absolutamente
literária pode ridicularizar. p:uodillr (IUal<luer ortodo":la, c(.:n\:I, vale:, dr.molidor, em que O~ "('II(I(CS têm de lutar I)ara captar o sentido, (omo em
irllllclinar alguma ficçiio (!iferl:l1te ( monstruosa. Dos rorr.ances :ia Manlu( " sentenças como esta, tjmda do Finm:gons Wake de lames Joyu''': "Eins
,k S:Hh·'-'. 'llIl' lJlUl'\lrarnlíl imaijin:lr i, 'Iut' arOfllt'\'!'ria n',1II 1l1oJ'Ic!O ('111 IIIW wilhin :l "Im('(' anil a w";uywidc Sll:lrr il was l'f wohnrfl :l tAoo""r':
a ;I~';j(l ·.I·'Iu;...... lima lIailllt·/.l ('om'I'hicl:l ('01110 <llwlik '.1"1) 1.111;11 .... ;t f • 1\ (IUI,.,I;io ·0 'IUl' I' lill'falurar "tÚII". t"J !>ugcrj ilntt'riU(lfw'lle. 0;"111
VC/~tl~ Sall;";",):: til' Salru:!n hWihr1ic " IIUl' C:tll~tlU 1.lIllt.. Ih.~';'I·!t!:llo th:vid I IlOrlllll' a<, I'c ...!ooa . . l'''' itll :)fcoeupadm. I"om o. lato de (Iue l)odl'II.lIn con-
a SI'U uso de nomes e mOljvo~~";J ..ados num contexto dI! ~àtjr i c llarôdi.l. fundir um romance CC'1ll i1 História ou (t mcn~agl.'m num biscoito da sorte
a literatura ê a IlossibiH<lade de exceder ficcíonalmente o quI.' roi pensado com um poema, mas ~orque os críticos e teóricos esperam, ao dizer o que
c escrito anteriormente, Para 'lualquer coisa que pareceHC faLN sentido. :1 é literatura, promover o q!le consideram ser ós métodos criticas IT'ais per-
literatura podia fazi~-lil Sem sl:nti~o, ir além dela. transformá-I:l de uwn tinentes e descartar o', métodos que negligénciam os aspectos mais bási-
maneira que levantasse a questiio de sua legitimidade e adequaçij(" cos e distintivos da lill:rillura. No contexto da teoria recenlr. a (IUestão "o
A literatura ~ a atividade de uma elite cultural e e u que ~(' chama ~,~ que é literatura?" tem importânCia porque a teori:'l ressalta a lit('~ariedade
vezes de "capital cultural": al}ieliôer sobre literatura dâ a VOI>! uma bal:- dos textos de todos os tipos, Refletir sollre a literariedade é manter diante
za na cultura que pode compensar de variadas maneira .., ajudando-o a ~t de nós, como recurscs de análise des'ócs discursos. prátic::s de leitt:ra
entrosar com pessoas de statu~ social mais alto. Mas a litcratwa não pod~ trazidas à luz pela literatura: li suspens:'io da exigência de intelioibilidade
ser reduzida a essa função social C'onservadora: dif:dlnwnH' ('Ia é l imediata. 11 reflexão ~;obrc as implicaçôesdos meios de expr;ssiio e .1
rornecedora de "valores famili:lres" mas torna sedutore!. todo' o:; li rios d(' atenção em como o .,c"ntido se faz e o prazer se produz,
crimes, da revolla (Ie Satã contra Deus no Paraíso Prf(lido d(' Milton" ,!li

'ff U.... k·' tUu.aL-.. h_ u~/" r", Sltl\\"· .ls11· t."f~.t 1:."lI,,"~'I,t .. t' 111."""1'" l:kqt.· ...Uk'U,·.UM .......... k \. ",1..."" ~ ......"It't 1"...at• .,~ •• I""~1 J'S.SI. 1<4.1~'''''' ~;~;n..rNAllh"' ...-u ... '\t'Ut~m~~4~,!"h,'.i'''4,\.uIf.~••n.,'h
\·t"',u . .
1·.,1 I."u." 'Itll" , .....'.,....... li1.. \'.ml~· 1-.dJ '.4.,,·"t,lI •. t"
~ ''1I.illk,u,.1 '-*ltu1.., ,.....h.' .. ,.~ I;" ..t I" I• ',.·r ..... _t., .......**\,M..luml.mt:. tmtl.dh'uk .·"n ","4,.......Sk·l1tu' ,L' .tUit~........... ",'t,,"lMIt ~"H.• I ... ..,u... h , .•tllt<tt. 1.1 .,..
t·~".Uh,.· .'.4·..·...... :\ X A&.dHI tI.' t .,m,'.· t ·,tdt,(t., It:ttldr .1t.~ tI, I"",,. .. I;.",#tt.f '.~ t ,!(;tt SII, ... u..· t h1t4~ tN t \
'f M,.ltlth'~'t.- '-,>1.- fI'IU .SI h " .. Ina .... I.....t .. lm,I.·.t~ ...t .,u'· .II'u ttUY"'" ,,"h'HIt...... h.lilH • \ 1 ,
':-. \ ••hil.(I, Ihl.b.r..... f "tU, k"nU'k hl., .m~·lu uhh"'I .•. , ulttL·t1.hI.l., U,'oIh' f""f '1f11"."I"C.I",t.·,.·. h·h~·tlt..,. U.JI~!. I'.
'11 ... "," 11'~''''IJ,;S~1 I',t',. N...ttjll\I~,.I,·\.rMhf... n,.. IIl1....,.,....d"·,tll.lf,,q: MUt·\I'·lmk·ltf.t\.... tlIW. fttJmu.t..,
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lIl" ."4 h'l >tk;'.hr.lllk·Itf.- M.hkin,ul"4,:,Ultl,\' f ..t.l \'tH ..."tl h .....11....~ t h \,""'_' S.:tl~.k+l., t I·~,'\. ','u, ,.,•• m;"" Ulll,~I'''lh·\ "''''''.4 t * .. tI., ."'" 1.1.. ~X ., ••11'••tlrlhJtl,.,,.., ..., II·tl.h ('Uh'" Ir••.!.! ..." liHH. ;:.1';\ , .,lf" ""l•• t.
I.,., .h· tuM ,'c'fJfI ••,,'hU tut,'1U ~·II'fI,.1 .\uhlt ~UI"t.•• t.· ~lkfltlr ...\ .1.. '·WI. "
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