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CARTAS PAULINAS E CATÓLICAS

A PESSOA E A VIDA DO APÓSTOLO

ajuda a compreender a passagem do judaísmo ao cristianismo;

irrepreensível no cumprimento da lei = justo (= santo) = judeu perfeito (fervoroso) que se


converteu à JESUS;

zelo pelo judaísmo = destruir a Igreja que a ameaçava;

sua conversão foi um encontro com JESUS, o FILHO de DEUS;

na sua conversão recebe a sua missão;

entendeu que perseguir a Igreja era perseguir JESUS;

compreendeu a novidade da graça = CRISTO habita em nós;

de Damasco (onde foi batizado) foi para Arábia, onde permaneceu em retiro e recebeu, do
próprio JESUS, o Evangelho;

vai à Jerusalém, ao encontro de Pedro (= Magistério) para receber aprovação para o seu
ministério = retorna à Tarso;

vai ajudar Barnabé em Antioquia, onde os fiéis pela 1ª vez são chamados de “cristãos” =
mostra que Paulo compreendeu a realidade da Igreja = Corpo Místico de Cristo;

AS CARTAS:

quanto ao aspecto formal das cartas, há uma variedade de gêneros literários:


fórmulas epistolares / ação de graças / trechos retóricos / fórmulas kerigmáticas /
trechos autobiográficos / demonstrações com recurso à Escritura / a forma apocalíptica /
bênçãos e doxologias / prosa ritmada e hinos / parênese.

ordem canônica = as cartas segundo se dirigem a comunidades ou a pessoas


particulares = dentro destes dois grupos a ordem se estabelece segundo o
critério do volume das cartas;

elaboração sistemática de uma doutrina desde logo plenamente desenvolvida;

escritos ocasionais = não é um tratado teológico, mas fala sobre certas ocasiões,
circunstâncias de uma comunidade = resposta a situações concretas;
exposições que o Apóstolo destina a leitores concretos e, além deles, a todos os fiéis
em CRISTO = documentos oficiais dentro da Igreja;

tema fundamental = CRISTO crucificado e ressuscitado;

recorria a escribas peritos, a quem o Apóstolo ditava; no fim da carta, no


entanto, ele acrescentava normalmente de próprio punho, alguma saudação ou
recomendação final;

impressionava não tanto pela forma literária, mas pela profundidade do conteúdo;

quer persuadir e convencer;

não recorria a eloquência humana, mas transmitia o Evangelho;

finalidade prática = o escrito prolonga a presença e a ação do Apóstolo entre as


comunidades, as quais fundou e sente-se responsável;

escreve como era costume escrever no seu tempo, o mesmo formulário epistolar,
“cristianizando” as cartas, inserindo particularidades;

influência da sua formação cultural: judaica, grega e romana;

modernizou a sua linguagem, adaptando-a a nova realidade;

afirma que podemos conhecer DEUS por meio da natureza;

a lei natural e o desejo de DEUS, já estão inscritos no coração do homem;

parte da filosofia, aprofunda-a e cristianizando-a, revelando a verdade contida nela;

sofrimento compartilhado entre o mundo e o homem = pecado;

A FORMAÇÃO JUDAICA DE SÃO PAULO:

é formado, pensa e fala como um judeu;

o contraste das antíteses = revela, portanto, a estrutura fundamental do seu


pensar; revela seu espírito judaico e pode definir-se "a alma da dialética paulina" =
mostrar os 2 lados de uma realidade; fraqueza – força; escravidão – liberdade;

motivação psicológica = manifesta o desejo de tratar seus temas ao fundo, na sua


totalidade, a realidade das coisas;

motivação literária = ponto de vista literário, à influência da literatura semítica;


motivação teológica = CRISTO é o centro e tudo se relaciona à ELE; há antíteses em
relação á ELE;

pode distinguir-se com exatidão o que está no centro da reflexão, do que se


encontra na margem, aquilo que diretamente é intencionado, daquilo que só
indiretamente ou de passagem é apresentado;

os dois termos da antítese não têm sempre o mesmo valor, mas geralmente um está
em função do outro para manifestá-lo melhor;

os termos da antítese adquirem seu pleno significado somente quando contrapostos


ao termo oposto, seja este apresentado explicitamente ou não, pois eles são correlativos =
Rm: justiça de DEUS e ira de DEUS;

assume as realidades que pensa, na sua globalidade;

procedimento lógico por quiasmo = manifesta Paulo como mestre em raciocinar,


revela sua lógica vigorosa que se baseia em fundamentos sólidos; evidencia a unidade
literária dos escritos de São Paulo = adquire o seu valor teológico exato;

unidade doutrinal do pensamento do Apóstolo;

dados do conteúdo = pode-se reconhecer a sua grande familiaridade com os livros


da Bíblia, sobretudo com os Salmos e os livros proféticos;

Paulo é um judeu espiritual;

INFLUÊNCIA HELENÍSTICA SOBRE SÃO PAULO:

Paulo evita completamente aqueles termos que poderiam fazer surgir equívocos
doutrinais:

o binômio "mestre – discípulo" para indicar a relação entre CRISTO e os


fiéis,

o vocabulário do misticismo e dos oráculos gregos ("entusiasmo",


"inspirar", "inspiração"), junto com o termo i`ero,j (sacro),

terminologia técnica da filosofia religiosa ("sorte", "destino",


"felicidade", "inclinação") e aquela dos cultos mistéricos ("salvação",
"escondido", "revelado", "perfeito");
terminologia, os gêneros literários e os temas da filosofia popular
contemporânea = metáforas tiradas da vida esportiva e militar; "Catálogos dos
deveres";

consciência = onde fala o DEUS pessoal;

ética paulina e ética pagã = a diferença fundamental consiste no


conceito diverso de Divindade = DEUS pessoal e impessoal; erro e pecado;

PAULO COMO CRISTÃO:

o zelo por DEUS, torna-se zelo por CRISTO, o FILHO de DEUS, que torna-se seu
centro;

DEUS se manifesta na história = CRISTO;

paternidade de DEUS;

aspecto litúrgico = uma idéia básica da teologia paulina é o sentido cultual e


litúrgico da existência do batizado;

permanece consciente de pertencer ao povo judeu que foi e permanece ainda o


povo eleito, porém sob a influência da graça;

a novidade cristã na piedade Paulina = CRISTO é o centro da sua vida / posse


consciente do ESPÍRITO SANTO;

A TEOLOGIA DE SÃO PAULO:

Trinitária:

PAI = tinha uma relação pessoal com o ELE que, é consolação; em Quem podemos confiar;
temos acesso a ELE; nos ama; devemos conhecê-lO e temê- lO; sermos-Lhe
dependentes e gratos;

FILHO = preexistente à encarnação e distinto do PAI; enviado pelo PAI; assumiu a


condição de escravo (natureza humana);

ESPÍRITO SANTO = Espírito do Filho, enviado por DEUS, distinto de DEUS;


pessoa e não somente uma força,

O “desígnio” de DEUS:
o termo «desígnio» vem do grego e significa «pôr primeiro»;

DEUS tem um desígnio e que DEUS destina;

Paulo sabe que o homem é criado por DEUS e que DEUS tem um plano para o
homem e para toda a criação = este desígnio nasce em DEUS, no interior de
DEUS, e concentra-se para o homem;

CRISTO é o início e o fim do desígnio divino = quando DEUS elabora o seu plano, Ele
olha para CRISTO como início e como cumprimento do Seu desígnio;

Evangelhos:

síntese de tudo o que tem observado acerca do anúncio apostólico:

o anúncio de CRISTO que morreu e ressuscitou = fato que liberta, que


salva dos pecados = comunicam aos homens a vida divina,

o Evangelho interpela o homem (cada homem pessoalmente),


alcançando-o onde ele está,

o homem deve decidir-se, deve escolher: sim ou não = de tal resposta


ao evangelho depende todo o desenvolvimento futuro da pessoa,

disto depende a situação escatológica: a "salvação" ou a "perdição";

o evangelho de DEUS é personalizado, encarnado em Paulo = é transcendente,


porque é de DEUS; é imanente, porque é Paulo quem o anuncia e o traduz na sua própria
vida;

Fé:

resposta ao anúncio do evangelho, a plena abertura ao plano divino, que nos vem
apresentado e concretizado através do anúncio do evangelho;

adesão inicial e batismo:

a fé é para São Paulo uma abertura para o conteúdo do evangelho,

a pessoa é interpelada através do anúncio do evangelho,

este conteúdo tende a tornar-se vida,

se alguém o acolhe, então nele começa a fé, que é o acolhimento pleno


e total do evangelho,
este primeiro acolhimento do conteúdo do evangelho é aquele que,
segundo São Paulo, precede ao batismo e conduz para o batismo;

assimilação progressiva de toda vida:

deve realizar aquela plenitude, escolhida na primeira abertura da fé,

este acolhimento que deve ser mantido sempre,

a aplicação da morte e da ressurreição de CRISTO que tende a interpelar


todas as partes da vida;

expressão comunitária:

a fé da comunidade ajuda, estimula, mas não pode substituir a decisão


de fé que é plenamente uma decisão pessoal = a fé da comunidade
pressupõe a fé já do segundo nível de cada membro = a fé de uma
pessoa ajuda também a fé de outra pessoa;

zelo missionário:

intercâmbio interior na comunidade mesma, mas uma comunicação


para todos aqueles, que ainda não têm ouvido nada destes valores = leva-
se aos outros aquele conteúdo da fé que a pessoa mesma já possui;

Justificação:

dando então o evangelho, pedindo a abertura da fé, DEUS dá ao homem a


possibilidade da justificação: através do batismo; desta maneira o homem
recebe a capacidade de realizar a compensação plena entre o plano que DEUS tem
para com o homem, e a realidade concreta da sua vida: o homem pode viver segundo a
vontade de DEUS,

Igreja:

templo = nele se manifesta e se realiza um contato em tudo particular entre


DEUS, que sai da sua transcendência, e do homem, que sai do seu profano = DEUS
adere ao seu povo e o povo adere a DEUS;
uma comunidade de pessoas, comunidade estruturada (hierarquia, magistério);

a sua consistência e o seu ponto de referimento é CRISTO, o Senhor, que


transfunde a sua vida na comunidade,

comunidade = um grupo vivo, penetrado da força de CRISTO Senhor,

CRISTO faz viver a sua comunidade pela Ssma. Eucaristia = unindo-a a DEUS e
mutuamente = nós muitos somos um só corpo porque participamos de um só pão =
faz existir a Igreja, é o que nos torna Igreja;

a Igreja funciona como um corpo;

a nova vida, comunicada à Igreja, transmite-lhe muitas novas capacidades: os


carismas, dados para edificação da comunidade;

para Paulo corpo significa a pessoa toda, que está em relação com outros, em
primeiro lugar com DEUS, depois também com o próximo;

a Igreja é o instrumento, pelo qual CRISTO se comunica, entra em relação com as


pessoas;

existe também um CRISTO a formar-se;

CRISTO quer esta relação íntima com os homens, comunicando-lhes a própria vida;

através dos cristãos CRISTO se torna concreto no tempo e no espaço;

a Igreja como corpo de CRISTO = a Igreja permite a CRISTO a expansão até


chegar à plenitude;

os fieis tornam-se os seus membros, os seus instrumentos, pelos quais CRISTO age no
mundo, no tempo e na história;

Escatologia:

São Paulo acentua a história, i.é o desenvolvimento dos acontecimentos;

a história para Paulo são os acontecimentos que se sucedem no tempo;

fala de um tempo particular com a sua especificidade = kairós;

história da salvação = “agora”;

dá uma atenção particular ao momento em que está vivendo = ilumina este


momento presente com um raio do passado: a história da salvação, sobretudo
aquela que está presente no AT;
o futuro individual para Paulo é aquele que começa com a morte e depois da
morte com o juízo, que é uma valorização da pessoa e daquilo que tem feito;
depois deste juízo segue o estado intermédio entre a vida presente e o estado final
da ressurreição universal;

conclusão de toda a história da salvação = este desenvolvimento é apresentado como


o crescimento até atingirmos o estado de homem perfeito, a estatura da maturidade
de Cristo = quando esta estatura completa será realizada, temos a consumação;

parusia significa para Paulo uma presença, que inclui um movimento anterior = Ele
está presente, como temos visto no primeiro nível da Igreja: ELE está presente na Ssma.
Eucaristia; é ELE que une a Igreja e lhe confere a Sua vida;

parusia é uma explicação, uma revelação, uma manifestação plena e total,


porque CRISTO volta à terra visivelmente;

AS CARTAS AOS TESSALONICENSES (50-51 d.C.)

Tessalônica:

centro importante de encontro entre o Oriente e o Ocidente;

era a cidade mais rica e de mais numerosa população da Macedônia;

a população era, na sua maioria, grega; havia também colonos romanos e


judeus, os quais, no tempo de S. Paulo, possuíam já uma sinagoga;

a presença de numerosos judeus e de uma sinagoga teria propiciado o primeiro berço


à palavra evangélica;

a posição geográfica e a importância comercial e social da metrópole teria


facilitado a irradiação da pregação a toda a Macedônia e à Acaia;

havia um templo dedicado ao Imperador e, portanto, lá residia um sacerdote


dedicado a esse culto e com amplos poderes sobre a população; pelo resto
encontramos na cidade o costumeiro sincretismo religioso das cidades helenístico-
orientais;

cidade mais florescente da Grécia e a rainha do mar Egeu, que dominava com seu
grande porto;

A Igreja em Tessalônica:
Paulo chegou a Tessalônica pela primeira vez durante sua segunda viagem
missionária = estavam com ele Silvano e Timóteo;

comunidade era formada sobretudo de cristãos de origem pagã;

fuga do Apóstolo por causa da perseguição dos judeus; por este motivo não pode
completar sua pregação sobre a vinda iminente de CRISTO, causando confusão;

perseguição e morte dos novos cristãos em Tessalônica;

Ocasião das cartas aos Tessalonicenses:

a ocasião é dada pelas informações que Timóteo traz a Paulo, encontrando-se este em
Corinto, a respeito da situação da comunidade dos fiéis em Tessalônica;

a morte de alguns membros da comunidade havia suscitado neles a incerteza sobre


a sorte daqueles que morreram antes da prometida chegada (parusia) do Senhor;

a questão de morto ou vivo não tem tanta importância = que importa é a


perseverança dos fiéis como filhos do "dia" e da "luz", e a firme esperança de
estarem eternamente com o Senhor;

1ª carta:

oferece uma visão sobre o estado de alma de Paulo e sobre a comunidade que tão
cedo teve que abandonar;

carta marcadamente pastoral, em que o coração do pastor e pai se dirige aos filhos
bem-amados para reconfortá-los = daí a índole simples e familiar da carta;

o Apóstolo escreveu esta carta sob o efeito das boas notícias recebidas de
Timóteo; estava cheio de alegria diante da fidelidade exemplar dos novos
cristãos, por isso, o tom da carta é sereno e caloroso;

as boas notícias recebidas são a razão de uma das duas finalidades da carta:

a primeira finalidade: ação de graças, de felicitações e de


encorajamento,

a segunda finalidade: corrigir os desvios que despontam na


comunidade;

temas importantes:
fé, esperança e caridade:

Paulo apresenta a vida cristã como sendo essencialmente existência


vivida na fé, no amor e principalmente na esperança;

a espera da parusia = segundo tema importante da carta:

a termo grego aparece 4 vezes na carta;

trata-se sempre da vinda do "Senhor" ou do "Senhor JESUS";

vem precisar o primeiro tema: a esperança cristã insiste na espera da


vinda do Senhor;

a vida conforme a vocação recebida:

tema de fundo comum às duas cartas do Apóstolo;

a primeira parte apresenta, portanto, os princípios que orientarão a


solução dos problemas da comunidade; a segunda parte da carta, que trata
das exigências da vida cristã em conformidade com o novo ser.

ação de graças:

introduz e encerra a primeira parte = a técnica literária da inclusão: o


texto todo deve ser lido na ótica do enunciado que, de certa forma, o
engloba;

exortação e seus temas:

a primeira parte da carta se encerra com uma oração de Paulo = o que


falta à fé deles, o amor fraterno e a santidade;

na segunda parte, mas em ordem inversa, que Paulo completa ou


corrige – a respeito da vinda do Senhor;

2ª carta:
tem em comum com a primeira sobretudo os remetentes (Paulo, Silas e Timóteo), os
destinatários ("a Igreja dos Tessalonicenses") = é muito semelhante a 1ª carta quanto ao
vocabulário, aos temas tratados e a estrutura;

a 2ª carta pode ter sido escrita poucos meses depois da primeira, isto é, pelo
ano 51-52, encontrando-se Paulo ainda em Corinto;

argumentos contra a autenticidade da 2ª carta:

as semelhanças literárias, numerosas e freqüentes, da segunda carta e


da primeira fazem suspeitar uma falsificação:

a semelhança de vocábulos e de estilo liga solidamente a


carta ao corpus paulinum; um falsificador, além disso,
teria evitado as divergências que aliás se notam diversas
vezes e que são indício de espontaneidade;

a diversidade de tom e de sentimentos não deixa ver na segunda carta o


mesmo autor da primeira:

pode depender da diferença do assunto e da variação das


circunstâncias dos remetentes e dos destinatários;

o argumento decisivo contra a autenticidade da carta viria do


ensinamento escatológico de 2,1-12 = em Paulo, assim como em JESUS,
existiria apenas "a consciência da iminência dos últimos acontecimentos e da
impossibilidade de fixar-lhes o momento", e não a indicação de sinais precursores;

mais impessoal e menos calorosa;

a ação de graças e os encorajamentos estão presentes, mas sem as efusões


afetivas que caracterizam a 1ª carta;

as exortações dão lugar às diretrizes, devido as circunstâncias que ocasionaram esta


carta: os problemas tinham-se tornado mais sérios;

a questão do dia e da hora da vinda de CRISTO (ou "dia do Senhor") continuou a


perturbar;

procurava tranquilizá-los e exortá-los a trabalhar, pois a parusia do Senhor não


estava já próxima;
aponta nesta segunda carta algo de novo: os sinais precursores da vinda de
CRISTO = é a indicação destes sinais que caracteriza a 2ª carta;

distinguem-se nela duas partes: ação de graças, determinações;

Comissão Bíblica acerca da escatologia paulina:

não é legítimo distinguir entre ensinamento infalível e opiniões pessoais dos


Apóstolos, sujeitas, estas últimas, a erro;

o ensinamento de Paulo a respeito do tempo da Parusia concorda


perfeitamente com a afirmação de CRISTO sobre a ignorância da mesma por parte
dos homens;

a expressão 1 Tes 4,15 não comporta a afirmação de que Paulo teria assistido
pessoalmente à Parusia;

Os acontecimentos precursores da vinda do Senhor:

ocasião = a comunidade ainda aparece agora bastante agitada e perturbada;


pensava que a vinda do Senhor estava iminente;

os acontecimentos precursores:

2 sinais (acontecimentos) que deverão preceder a vinda do Senhor


JESUS = a “apostasia” e a revelação do “homem da iniquidade”,

os Padres não eram unânimes ao explicar esta apostasia = acepção


política: significaria a divisão do Império romano; surgimento de
hereges ou do abandono por causa da corrupção moral,

a apostasia de que S. Paulo fala = traição de DEUS, um abandono de


DEUS em nível universal, como oposição a DEUS (a Sua lei) e aos Seus
representantes da parte dos homens,

se realizará de modo particular e particularmente doloroso nas


fileiras dos fiéis = será a tentativa final de Satanás de destruir o Reino de DEUS
através da defecção dos que compõem – como súbditos – este Reino da terra,

o filho da iniquidade, S. Paulo o chama de homem sem lei, o homem do


"sem lei", que despreza a lei, "o sem lei", o iníquo, o "filho da perdição", quer
dizer, votado, destinado a perecer, como também a fazer perecer; se volta
contra DEUS buscando tomar o Seu lugar = vai usurpar o lugar, os títulos, os
direitos de DEUS,

foi identificado ao Anticristo de que fala S. João = é o adversário de


CRISTO e como ELE tem uma revelação, uma parusia,

não é o próprio Satanás = sua parusia se realizará graças ao poder de


Satanás, portanto, com o poder recebido por Satanás,

como S. Paulo apresenta esse homem da iniquidade nos faz pensar com
razão num indivíduo humano concreto = a iniquidade já atuando na
humanidade e concentrará num determinado indivíduo;

A 1ª CARTA AOS CORÍNTIOS:

Corinto:

centro comercial de primeira ordem = florescente riqueza, a opulenta majestade


de suas construções, e também a sua proverbial corrupção;

população = gregos, itálicos, negociantes, traficantes, marinheiros,


principalmente escravos e judeus;

2 portos = Cencres: no mar Egeu e Lequeu: no mar Jônico

florescia também a vida cultural e religiosa;

a vida religiosa, dado o diversificado cosmopolitismo da cidade, Corinto hospedava


em seus muros os cultos mais disparatados = Afrodite era o culto principal = luxúria;

Chegada de Paulo a Corinto;

última etapa da caminhada da segunda viagem missionária de Paulo; chegou aí


depois da dolorosa experiência efetuada em Atenas;

sob a impressão desse fracasso, sozinho, sem a companhia de Timóteo e Silas,


totalmente desprovido de meios de subsistência;

as preocupações econômicas foram bem cedo superadas, pois a Providência fê- lo


encontrar dois esposos judeus, naquela época já cristãos: Áquila e Priscila; exerciam a
mesma profissão, permaneceu na casa deles trabalhando: com efeito, sua profissão era a
de fabricantes de tendas;
Evangelização:

iniciou, como de costume, na sinagoga;

Silas e Timóteo traziam também abundantes subsídios das comunidades da


Macedônia: isto reanimou a Paulo;

dirigiu-se aos gentios, no meio dos quais teve a consolação de agregar muitos seguidores;

ministrava as instruções na casa de um certo Tício Justo (gentio filiado ao


judaísmo), contígua à sinagoga: nesse ínterim se havia convertido também
Crispo, arqui-sinagogo, com toda a família;

este intenso trabalho se prolongou por um ano e seis meses;

os obstáculos, sem dúvida, procediam dos judeus e de outros inimigos declarados


de Paulo; também dos próprios convertidos que, embora tendo boa vontade, não conseguiam
caminhar conforme as regras e os ensinamentos do Evangelho;

além do ambiente, havia seus costumes anteriores, a mentalidade adquirida, as


práticas gentílicas em que se havia alimentado a vida deles;

levantou contra ele uma violenta tempestade provocada pelos judeus, mas sem
dúvida favorecida igualmente por outras pessoas, a quem a reforma moral
pregada e posta em execução por Paulo devia aborrecer não pouco;

fortalecido com o apoio do procônsul Galião, depois de ter sido levado pelos
judeus à sua presença e não ter sido condenado pelo mesmo Paulo permaneceu
ainda muitos dias (At 18,18) em Corinto, até que, depois de ter pago um voto, zarpou com
Áquila e Priscila para as costas da Síria;

iniciou nos primeiros meses de 51 e partiu nos últimos de 52 ou talvez no início de


53;

Ocasião e data da carta:

em Éfeso (1 Cor 16,8), durante a terceira viagem missionária;

havia alguma coisa em Corinto que não ia bem: devia tratar-se de abusos
morais e de graves desregramentos nos costumes = tentou remediar, escrevendo
uma primeira carta que, infelizmente, se perdeu;

o Apóstolo continuou a receber notícias muito alarmantes: ao invés de melhorar, a


situação se estava deteriorando;
a igreja dos coríntios corria, pois, o risco de dividir-se em muitas seitas rivais =
Céfas, Apolo, Paulo;

abusos ainda maiores se deviam lamentar no campo moral;

Paulo pensou em logo mandar a Corinto Timóteo, para cuidar ao menos das mais
urgentes necessidades, porém, suspeitando talvez que, dada sua pouca idade, os coríntios
não levassem a sério o seu querido discípulo, decidiu-se a escrever uma carta
bastante enérgica e magoada;

iniciada já a carta, deve ter chegado de Corinto uma missão oficial, composta de
Estéfanas, Fortunato e Acaio (1 Cor 16,17), que apresentava ao Apóstolo alguns casos
de consciência e diversos questões: relação entre matrimônio e virgindade, uso das carnes
imoladas aos ídolos, ordem a seguir nas reuniões litúrgicas, reto uso dos carismas, dúvidas
quanto à ressurreição dos mortos;

escrita em 55 ou entre 56-57: na iminência da Páscoa;

Importância histórica e doutrinal:

nos apresenta o quadro vivo e realístico da situação interna de uma das primitivas
comunidades cristãs;

carta paulina mais rica em temas, em motivos doutrinários e disciplinares:

instituição da Sagrada Eucaristia, como sacrifício e sacramento, por parte do Senhor,

ressurreição de CRISTO, como tipo e modelo da dos justos com seus corpos glorificados,

superioridade do estado virginal sobre o matrimônio,

santidade e indissolubilidade do matrimônio, juntamente com a promulgação do privilégio


paulino,

descrição dos carismas e suas relações com as virtudes teologais, especialmente com
a caridade,

poder coercitivo da Igreja, exercido na excomunhão (primeiro exemplo) do


incestuoso,

divindade do Espírito Santo e a sua inabitação na alma do justo,

Igreja, Corpo místico de CRISTO, hierarquicamente organizada;

possui uma particular e admirável estrutura unitária:


em primeiro lugar, do fácil e evidente sistema de ligação literária dos
argumentos;

em segundo lugar, do espírito animador que orientou o Apóstolo na


compilação de seu escrito: JESUS CRISTO é a luz que ilumina os diversos
desenvolvimentos, o centro ao qual é necessário referir todos eles;

A estrutura da 1ª carta:

a primeira carta aos Coríntios não tenha um caráter sistemático, por ter sido
composta para atalhar situações muito concretas e flutuantes, podemos nela
todavia perceber duas grandes partes, bem distintas entre si:

a primeira, relativa à correção das desordens que se verificavam em Corinto,

a segunda, relativa à solução de certas perguntas apresentados pelos coríntios a


Paulo,

Exegese 1Cor 12, 31-14, 1:

os primeiros três versículos repetem, em formas diversas, o mesmo motivo


temático: a presença do amor e sua ausência determinam o ser e o não ser
cristão, e não apenas uma modalidade de sua (do cristão) existência;

cada fiel, tomado em sua individualidade – note-se o discurso na primeira


pessoa do singular -, não tem como fugir do juízo decisivo sobre sua pessoa: sem
amor, é insignificante, por grande que seja o que ele possui ou faz = desígnio salvífico de
DEUS.

segue-se a descrição das linhas de atuação do amor = uma rápida sucessão de


quinze verbos, que indicam seu vastíssimo campo de atuação;

no plano formal, nota-se a personificação literária do amor, apresentado como


sujeito ativo dos verbos: o amor age assim e não de outro modo, o amor faz isto e
não aquilo;

a terceira parte (vv. 8-13) evidencia o caráter de absoluta perfeição do amor, e sua
conseqüente permanência no mundo futuro da ressurreição, diferentemente da
parcialidade e limitação das experiências carismáticas, destinadas a desaparecer com o
fim deste mundo = dominada por uma série de antíteses;

São Paulo, para excitar a curiosidade dos Coríntios lhes diz de mostrar-lhes um
caminho mais excelente de todos = fala do amor em relação aos outros carismas,
concluindo que o amor tem a preferência = é o caminho mais excelente que leva à
perfeição = caminho melhor, superior a todos os outros;

o caminho do Senhor oferece uma novidade característica no NT: o agir do


cristão é o agir do Senhor, mas não somente porque se segue os seus
ensinamentos, mas sim porque o Senhor ressuscitado é o próprio princípio vital;

o amor não é somente um dom do Espírito Santo, mas é o Espírito Santo


mesmo que opera no coração do homem = é DEUS mesmo que caminha com
aquele que ama = DEUS mesmo ama no homem;

na segunda estrofe (4-7) expõe as características da caridade = antes de falar dela


como uma virtude São Paulo a trata como pessoa humana atribuindo-lhe a iniciativa da vida
dos fiéis nas circunstâncias mais diferentes;

na última estrofe (vv. 8-13), que esta caridade supera todos os outros carismas
também segundo o ponto de vista da duração = a caridade, de fato, não passará;

Paulo realiza a sua intenção de demonstrar a excelência do amor sobre todos


os carismas e virtudes (12,31) segundo um motivo tríplice:

a caridade é indispensável para o cristão (1ª estrofe),

a caridade é fonte de uma atividade multiforme (2ª estrofe),

a caridade nunca haverá fim, porque é a maior (3ª estrofe);

2ª CARTA AOS CORÍNTIOS:

Circunstâncias da composição:

alguns pontos seguros:

para dispor os espíritos à sua chegada iminente, para dissipar dúvidas e


equívocos, que haviam perturbado, de maneira dramática, as relações
cordiais entre o Apóstolo e a comunidade de Corinto, escreveu ele então
esta carta, que é toda lampejos, polémica vivíssima, ironia aguçada,
defesa compacta;

Macedônia = provavelmente em Filipos, por volta de 56 (ou outono de


57 ou no início de 58);

indícios:
somente algumas escassas notícias da própria carta nos informam o que
poderia ter sucedido de mais grave entre Paulo e a comunidade de
Corinto;

a ida a Corinto, para a qual se está Paulo preparando, não será a


segunda, como poderia parecer pelos Atos, mas a terceira.

deve-se notar uma dupla menção a uma ofensa, direta ou indiretamente


recebida por Paulo da parte de um ofensor de Corinto, que não fica bem
determinado;

o espaço de tempo entre a primeira e a segunda carta, breve ou longo,


foi preenchido por fatos bastante importantes e dolorosos, cuja
substância e concatenação lógico-cronológica nos escapam:

visita de Paulo a Corinto,

a carta com as muitas lágrimas,

misteriosa ofensa;

Importância da carta:

para a história e biografias paulinas:

nos fornece uma grande abundância de notícias a respeito de Paulo =


tribulações, ansiedades, viagens que tencionava fazer, peripécias,
visões, enfermidades;

da comunidade de Corinto = crise daquela Igreja, completamente calada


pelos Atos, agitações dos judaizantes, coleta pelos cristãos de
Jerusalém, carta das muitas lágrimas, etc.;

documento excepcional para a história do desenvolvimento do


cristianismo = mergulha o leitor hodierno no palco das situações
concretas: a necessidade de aceitar as tradições das diversas Igrejas e a
submissão à autoridade dos Apóstolos, a árdua missão de manter os
cristãos dóceis aos planos de DEUS e ao espírito de CRISTO, as muitas e
complexas dificuldades encontradas no ministério apostólico, a coragem ea
energia de que deve dar provas o Apóstolo;

retrato do Apóstolo:

fotografia da alma de Paulo;


sua personalidade aí aparece no esplendor de seus aspectos,
aparentemente contraditórios, de místico e de homem de ação, de
teólogo e missionário, fundador e organizador, lavrador e pastor, diretor de
almas, polemista, orador;

reflexo de uma alma em ebulição: a mais pessoal, mais reveladora e


mais patética de todas as epístolas de São Paulo;

Análise da epístola:

1ª parte = acentuadamente apologética = o Apóstolo procura desfazer os mal-


entendidos que haviam surgido entre ele e os cristãos de Corinto por causa
principalmente dos judaizantes (1,12-7,16);

2ª parte = parenética e dedicada à preparação da coleta em favor dos cristãos


hierosolimitanos (8,1-9,15);

3ª parte, finalmente, é vivamente polêmica (10,1-13,10) e dirigida contra seus


adversários, dos quais nos dá, em breves e eficacíssimos traços, a torpe figura
moral;

um prólogo (1,1-11) e um epílogo (13,11s);

Doutrina:

trinitária = ensinamentos acerca do mistério da SS. Trindade = uma das fórmulas


mais precisas, da qual se depreendem também as relações de cada pessoa divina com
os remidos: a graça do Senhor JESUS CRISTO e a caridade de DEUS e a comunhão do
Espírito Santo (estejam) com todos vós;

fala no Espírito Santo = sua missão de santificação, inabitação e iluminação


íntima das almas = é por ele que os cristãos são transformados de glória em
glória;

cristologia e soterologia = CRISTO, também aqui, se acha no centro do pensamento


paulino = o que se tornou Espírito vivificante que ele considera e ao qual se sente ligado = é
essencialmente Redentor e Reconciliador por missão divina;

os cristãos formam agora com ele uma unidade mística = com ele todos estão
mortos e todos por ele devem igualmente viver;
AT e NT:

CRISTO = harmonia e, ao mesmo tempo, o contraste entre os dois Testamentos =


“sim” de todas as promessas do Antigo Testamento;

o Antigo Testamento recebe toda a sua significação no Novo, que não é mais o Testamento
da letra, mas do Espírito;

a glória do Antigo Testamento nem mesmo pode chamar-se glória em comparação com a
do Novo;

funcionalidade preparatória e dispositiva do Antigo Testamento em relação ao


Novo;

Escatologia:

considera de preferência a sorte de cada alma individual diante do tribunal de CRISTO,


depois de sua morte, antes ainda da última Parusia do Senhor;

Teologia pastoral:

verdadeiro tratado sobre o ministério apostólico e sobre a prática da mais


absoluta confiança em DEUS malgrado e própria fraqueza;

a doutrina do paradoxo da Cruz, mistério de fraqueza e força arrasadora,


impregna toda a carta do princípio ao fim;

maiores referências à oração, tanto de ação de graças como de intercessão, como


indispensável instrumento de força e de consolidação no amor;

exprimi de forma mais incisiva e sintética a incapacidade da natureza humana para


realizar a salvação própria ou dos outros e a onipotência da Graça;

tratado completo sobre a esmola: descrevem-se as suas qualidades, objetivos, o


espírito que deve animá-la, e até a correta administração = tudo deve ser feito
conforme o exemplo de CRISTO, o qual por nós se fez pobre, embora fosse rico;

Exegese de 2Cor 5, 18-21: o ministério da reconciliação:


a Redenção é essencialmente reconciliação = transformação íntima de relações, pela
qual nós não somos mais inimigos de DEUS, pois os pecados não nos são mais
imputados (5,18s);

a iniciativa da reconciliação parte de DEUS = é essencialmente um ato de graça =o


homem, porém, deve livremente cooperar com ela, aceitando-a;

DEUS Pai serviu-se de CRISTO como instrumento para realizar a reconciliação =


CRISTO pôde executar isto enquanto assumiu a semelhança de nossa carne de
pecado, tornando-se desta forma solidário conosco = inseridos em CRISTO,
perfeito Mediador, também nós participamos da santidade divina (5,21),
recebendo o efeito de sua justiça salvífica;

a reconciliação, levada a termo por CRISTO, é hoje anunciada com a palavra e


administrada mediante os Sacramentos e os outros meios de santificação pelos
Apóstolos do Senhor, os quais o Senhor concedeu o ministério da reconciliação ea
palavra da reconciliação; quando falam, portanto, é como se falasse o próprio Deus, pois
eles são os seus embaixadores;

A CARTA AOS GÁLATAS:

Importância da epístola:

para a biografia da Paulo:

a carta fornece informações muito preciosas sobre a pessoa de Paulo:


educação no judaísmo, conversão, as relações com os outros Apóstolos, as
primeiras experiências apostólicas, as lutas travadas desde o início pelo triunfo
da liberdade cristã;

completa de maneira feliz os Atos, dos quais determina melhor muitos


pormenores colocados numa perspectiva diferente;

para a história das origens cristãs:

em Gálatas vemos a Igreja que vai conquistando a própria


personalidade, desapegando-se progressivamente do judaísmo, com o qual,
de início, se confundia. Isto aconteceu, não sem dificuldades, choques e
hesitações internos, superados, no entanto, sob a direção do Espírito;

as origens da Reforma:
justamente por causa de seu tema: a reivindicação da liberdade cristã –
e do tom polêmico, teve Gálatas um papel de primeiro plano nas origens da
Reforma protestante = as idéias sobre a liberdade cristã, sobre a justificação por
meio da fé somente e reivindicar para si mesmo uma missão que ele acreditava
ter recebido diretamente de DEUS, e mesmo defendê-la contra seus
adversários, ainda que fossem eles o próprio Pedro em pessoa;

Destinatários e data:

escreve à mais de uma comunidade cristã;

pagãos que se converteram ao cristianismo e estavam e “convertendo-se” ao judaísmo;

adoravam deuses da natureza = forma primitiva de religião;

Paulo conformara-se a seus usos e costumes, deixando de viver como judeu;

a conversão deles causou muitos sofrimentos a São Paulo;

ouviram com fé sua palavra proclamadora da verdade do evangelho;

comunidade caracterizada pela profundíssima união com CRISTO

entraram em relação pessoal com DEUS, abandonando os ídolos;

a fé dos gálatas, portanto, foi uma resposta ao chamado de DEUS = tornaram- se


filhos de DEUS;

o quadro do novo relacionamento estabelecido com CRISTO e com o Pai


completa-se com o dom do Espírito = os sinais carismáticos de sua presença eram
visíveis na vida dos fiéis;

passaram por um radical processo de libertação, e, na fé cristã, tomaram um


caminho responsável de liberdade;

por graça, tornaram-se pessoas capazes de amar, isto é, de se porem uns a


serviço dos outros;

para eles, a fé não é mais suficiente = acham necessário acrescentar a ela a


observância de prescrições e proibições da Torá do Antigo Testamento =
salvação;
abandonam a liberdade para curvar a cabeça sob o jugo da escravidão;

lugar e data:

durante a sua terceira viagem missionária = Éfeso (54 d.C.);

escrita antes da carta aos Romanos;

Conteúdo da carta:

pode-se distinguir uma parte onde predomina a exposição dogmática = subdivida em duas
secções, abrangendo uma apologia pessoal e uma argumentação doutrinária à qual se segue uma
outra onde predominam as aplicações morais e a exortação.

Exegese Gl 4, 1-7:

síntese da história da humanidade sob o ponto de vista da salvação outorgada por


DEUS em três etapas;

1ª etapa = antes da Encarnação = os homens estavam sob o julgo do pecado;

2ª etapa = na Encarnação = DEUS considerou que tinha chegado o momento para


acabar com aquela situação, que São Paulo chama aqui tutela; então, como cúmulo do
Seu amor para conosco, enviou o Seu Filho Unigênito, que Se fez homem para nos tirar
do estado de afastamento de DEUS em que estava submersa a humanidade;

3ª etapa = o tempo depois da encarnação = este período nos comunicam os


efeitos salutares da redenção: o dom do Espírito Santo que nos torna filhos de DEUS;

Doutrina:

a carta aos Gálatas trata o ponto central e essencial da doutrina de São Paulo = a
justificação por meio de fé em CRISTO e não nas nossas obras, mas pelo fato de CRISTO
viver em mim, minhas obras recebem seus méritos;
EPÍSTOLA AOS ROMANOS (Corinto – 58):

Temática teológica e posições protestantes:

um só é o protagonista do imenso drama histórico esboçado = DEUS Pai = pretende ele


absolutamente salvar a humanidade vendida sob o pecado;

CRISTO será o instrumento desta universal reconciliação = batismo (= efeitos da justificação);

o palpitar de vida sobrenatural é aprofundado e dilatado, feito mais consciente e operante,


pelo próprio Espírito de CRISTO;

resposta do homem = assentimento da fé = adesão intelectual = adesão total à CRISTO


(=salvação) = conformação da minha vida à de CRISTO = moral cristã;

Lutero = somente a adesão intelectual = ideia errada de justificação;

Primórdios do cristianismo em Roma:

comunidade romana = esta devia ser bastante florescente e estar perfeitamente organizada
= gozava de prestígio, a influência e autoridade;

as origens do cristianismo em Roma = obra de evangelização de alguns Hebreus convertidos


em Pentecostes = chegada de Pedro em Roma (42 d.C.)

A comunidade de Roma:

pagãos convertidos ao cristianismo (maioria) e judeus cristãos;

Ocasião e objetivo da epístola:

carta de apresentação de si mesmo = preparação de sua visita;

tem um motivo dogmático-teológico;

é o seu Evangelho = exposição do mistério da SS. TRINDADE na obra da salvação = esta


doutrina implica inimaginadas profundidades e fertilíssimas aplicações mesmo na vida cristã;

reflexão teológica sobre a obra de JESUS;


Exegese: Rm 3, 21-31:

todos: judeus e gentios, acham-se sob o pecado, privados da glória de DEUS e passíveis de
serem condenados por DEUS;

a Lei não pode justificar-nos diante de DEUS: ela propicia o conhecimento do pecado, sem
fornecer as energias interiores suficientes para vencer-lhe as atrações;

fé em CRISTO Redentor = condição essencial para obter a justiça de DEUS = retorno à


amizade com DEUS, vida da graça e glória da vida eterna;

“agora, porém” = oposição ao período da cólera ao período da salvação (plenitude dos


tempos) = marcado pela presença de CRISTO;

revelação = fato histórico, fixável no tempo = perdura em seus efeitos e nas suas dimensões;

plano misterioso de DEUS = abrange todos os tempos = ordenado a resgatar, em CRISTO,


todos aqueles que pecaram;

justificação = dom puramente gratuito que nos foi alcançado por CRISTO;

causa instrumental da justificação = Redenção = CRISTO JESUS = executada em sua


própria pessoa;

libertação da humanidade do pecado (= libertação do Povo Eleito no Egito) = morte de


CRISTO = mais completa = quando nosso corpo participar na glória de sua Ressurreição;

redenção escatológica = Parusia; Redenção substancial (penhor da escatológica) = Calvário;

perspectiva teológica e de tipologia vétero-testamentária, do sacrifício de CRISTO =


propiciatório;

CRISTO = trono da presença de DEUS = oráculo de DEUS que se fez carne;

CRISTO que se imola na cruz = os homens alcançam verdadeiramente (totalmente) o perdão


de seus pecados, reconciliando-se desta sorte com DEUS;

tempo da paciência de DEUS = fidelidade de DEUS em meio a infidelidade do seu povo =


justiça que salva;

tempo presente = Redenção de CRISTO = salvou os homens do tempo presente, mas


também pela remissão dos próprios pecados cometidos anteriormente, sob o império da Lei
mosaica;

DEUS = justo e justificador de quem tem fé em JESUS CRISTO = conferindo aos homens a
capacidade de fazer atos justos;
a fé = ver, não com os próprios olhos, mas com os de DEUS = renunciar a salvar-se por si
mesmo, para ser salvos por DEUS, acolhendo em si a CRISTO como único princípio de vida e
de amor;

ato de fé = afirma a dignidade e a responsabilidade pessoal do homem = sublinha toda a


vacuidade e ineficiência do mesmo homem;

lei da fé = princípio interior de ação e de vida inscrita no coração;

a justificação já se efetua no presente = o futuro justificará = refere-se a qualquer momento


em que uma pessoa, no decurso dos tempos, emitir o seu ato de fé;

AT = quer como revelação quer como ordenação = não só não é abolido, mas até
confirmado = contém o princípio da justificação mediante a fé = a observância da lei será
facilitada pela presença do Espírito Santo;

Lutero = o homem é justificado “somente” pela fé = o que nos salva é a graça de CRISTO;

a fé = integrada e como evidenciada pelo sacramento = misteriosa ação de DEUS dentro de


nós para produzir os efeitos de sua graça;

Paulo = fé que justifica = fé assim chamada formada ou viva = acompanhada por conseguinte
do amor e das boas obras;

não produzimos a graça, mas dispomo-nos a recebê-la, por meio da fé;

EPÍSTOLAS DO CATIVEIRO EM GERAL:

O problema do cativeiro:

Efésios, Filipenses, Colossenses e Filêmon = nelas o Apóstolo aparece como prisioneiro =


relacionam-se por notáveis semelhanças de conteúdo;

Efésios, Colossenses e Filêmon = escritas em Roma;

Jerusalém (fortaleza Antônia) / com Silas em Filipos / Corinto / Cesaréia / Roma (2X);

prisão em Éfeso:

carta aos Coríntios = “muitas prisões”;

prolongada permanência na capital da Ásia = hostilidades;

luta contra as “feras”;

designação companheiros de prisão;


Áquila e Priscila arriscam a própria vida por Paulo;

silêncio nos Atos (?);

Clemente de Roma = 7X (?);

Relações entre as epístolas:

portadores = Efésios e Colossenses = Tíquico / Filipenses = Epafrodito;

Colossenses e Efésios = o conteúdo doutrinal e o conteúdo prático estão bem equilibrados:


este é aplicação daquele;

Filipenses é quase exclusivamente parenética: uma livre efusão de espírito do Apóstolo para
com a comunidade amada;

tema cristológico de Flp 2,6-11 = apresenta um caráter todo próprio que o isola não só das
cartas do cativeiro, mas também do restante epistolário paulino = ponte entre a cristologia
das grandes epístolas e a dos escritos posteriores;

o estilo cheio de vida de Filipenses distingue-se do estilo intrincado e pesado, que


caracteriza sobretudo Efésios;

EPÍSTOLA AOS FILIPENSES (anterior 57/58):

Inícios da comunidade destinatária:

evangelizada durante a segunda viagem missionária de S. Paulo, com Silvano ou Silas e Lucas
(?) depois da visão em Tróia;

parece ter havido em Filipos uma sinagoga = os hebreus possuíam lá apenas um lugar de
oração;

Exegese do Hino Cristológico:

a parte parenética inicia esconjurando os fiéis pelo que há de mais excelente na vida em
CRISTO, a fim de completarem a alegria do Apóstolo por sua conduta pessoal;

recomenda depois a prática de um complexo de virtudes sobre as quais domina a


humildade, condição indispensável para todas as outras;
1 – Encarnação = condição divina (preexistência) / despojamento (nascimento em Belém) /
condição de escravo;

2 – CRISTO (sujeito do agir) encarnado até as últimas consequências = obediente até a morte
(Cruz);

3 – apresentação = DEUS (sujeito do agir) o sobrexaltou (ressureição e ascenção);

4 – proclamação = Nome (adoração universal);

5 – aclamação = Kyrios;

EPÍSTOLA AOS COLOSSESES:

Origem da carta:

a comunidade não foi fundada diretamente por Paulo, mas teve uma participação indireta:
organização e intervenção direta pela sua carta;

presença de discípulo de João Batista;

presença de habitantes da região em Pentecostes;

Epafras;

a comunidade é composta por pagãos convertidos;

Ocasição:

prende-se a uma visita de Epafras, que havia informado Paulo prisioneiro sobre a situação da
comunidade;

havia condições florescentes daqueles fiéis, mas devia haver problemas também;

Tíquico e Onésimo partiram para Colossos como portadores do escrito;

Autenticidade:

na carta aos Colossenses, Paulo desenvolve e aprofunda 1Cor;

há diferença com as outras cartas = prisão de Paulo = aprofundamento da sua


teologia;
Teologia:

a carta é sobretudo Cristológica = CRISTO = não só como cabeça da humanidade remida, mas
do universo, por conseguinte também dos seres espirituais superiores ao homem, por mais
elevada se possa conceber a dignidade deles;

Exegese do Hino Cristológico:

ponto culminante da CRISTOlogia paulina = longamente preparada pelas cartas anteriores,


notadamente pelas cartas aos Coríntios;

tema principal = o Primado de CRISTO = 1ª na criação / 2ª na redenção;

se trata da relação de CRISTO à criação inteira - em criar e redimir;

o sujeito de todas as afirmações no hino é uma e mesma pessoa: JESUS CRISTO = O


Redentor dos homens;

«Imagem do DEUS invisível» significa: JESUS CRISTO é única perfeita imagem do DEUS
invisível, quer dizer: Ele é o perfeito revelador de DEUS invisível;

aceitar, na fé, todo o «mistério de CRISTO» = conhecimento do DEUS invisível;

«primogênito de toda a criatura» = CRISTO exaltado;

indica uma relação de CRISTO a toda a criação = CRISTO ocupa, em relação a toda a criação a
posição de «primogênito» = posição de soberania, de estar acima dos outros;

DEUS quando criou o universo pensou em CRISTO = n’Ele que tudo tem sua subsistência;

«Cabeça do Corpo, da Igreja», «princípio, primogênito de entre os mortos» = estes títulos


Lhe são atribuídos devido à sua obra salvífica de «reconciliação», de estabelecimento da paz
pelo «sangue da Sua Cruz»;

essa atividade de CRISTO se refere também à criação inteira;

pelo fato de Ele Se tornar o princípio de uma nova criação Ele possui agora também na
ordem da salvação o primado;
«Cabeça do Corpo, da Igreja»:

uma razão de CRISTO ser a «Cabeça do Corpo, da Igreja» = n’Ele habita toda a plenitude =
nela está contida toda a novidade do «homem novo»;

CRISTO é a «Cabeça» = «princípio» = «primogênito de entre o mortos» = novo Adão;

CRISTO é a morada escolhida de «toda a plenitude»;

plenitude de todos os dons Salvíficos Divinos = plenitude de amor, de sabedoria = «no Qual
estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e ciência»;

tal plenitude tem que ver com a criação inteira, pois essa plenitude é base da
«reconciliação» de tudo para Ele (CRISTO);

«reconciliação» = se refere a «tudo»;

DEUS põe tudo (inclusive os Anjos) na relação certa para com CRISTO = DEUS ordena tudo
para Ele, coloca-o no novo estado da ordem de salvação erguida em CRISTO;

«primogênito» = mediador na criação = CRISTO, porém, não assumira esta posição - devida a
Ele a partir e em base ao ato criador - até a Sua morte na Cruz;

DEUS quis que a desordem na criação fosse removida e que CRISTO tenha o primado em
tudo = também naquele campo, no qual Ele não o ainda tinha;

pela Sua morte de Cruz, CRISTO = vence o pecado dos homens e assume a posição devida a
Ele desde o princípio;

«reconciliação» = de tudo, por CRISTO, e para Ele, =

FILÊMON:

origem desta carta = a fuga de um escravo chamado Onésimo da casa de Filêmon, um


abastado cristão de Colossos, convertido à fé por Paulo;

saída num só jato do coração de Paulo, como aplicação prática das suas exortações aos
escravos e aos patrões cristãos;
Onésimo encontra Paulo prisioneiro, que o converte ao cristianismo e o remete a Filêmon
com a carta de proteção; Filêmon, consentindo no delicado pedido do Apóstolo, manda o
escravo de volta ou durante a mesma prisão ou durante uma prisão subsequente;

não intenciona subverter a ordem social do seu tempo, mas lhe tira o fundamento da odiosa
discriminação entre livres e escravos, afirmando a igualdade de todos na ordem
sobrenatural = em Cristo já não há lugar para distinções;

cristianização as relações entre patrões e escravos;

tornar suportável uma situação que não se podia mudar de repente, conciliando-a, o mais
possível, com as novas relações estabelecidas entre os homens em Cristo;

exerceu uma influência de primeira importância na renovação social realizada por força do
fermento cristão;

sobretudo o coração de Paulo que se revela aqui; apenas o coração;

o atrativo da carta está mesmo na arte de impor-se sem fazê-lo notar, de conseguir fazer
obedecer conquistando pelo coração;

EFÉSIOS (Roma):

Destinatário:

os fiéis de Éfeso = não são os únicos destinatários;

Lugar e tempo de composição:

portador da carta = Tíquico;

características de linguagem e de estilo = Filipenses;

a serena e profunda meditação sobre o plano divino da salvação, sobre a união dos judeus e
gentios no mesmo Corpo etc. = relativa tranquilidade da prisão romana;

escreveu a carta em tempo pouco distante de Colossenses;


Teologia:

supremacia universal de JESUS CRISTO:

domínio que exerce sobre toda a Criação = tudo quanto existe ficou submetido sob
os Seus pés;

poder de DEUS = desenvolveu toda a sua força ao ressuscitar e exaltar CRISTO,


sentando-O à direita do Pai nos Céus;

JESUS = não torna-se um DEUS inferior pelo fato de ter encarnado;

plenitude da supremacia universal de CRISTO = Cabeça da Igreja;

judeus e gentios = um só povo de DEUS;

novo povo = um só corpo em CRISTO, que nutre e assiste, comunicando-lhe as graças


necessárias «para a sua edificação na caridade»;

Salvador = função salvadora relativamente à Igreja = capitalidade funcional = influxo


da vida da graça passa da Cabeça para o seu Corpo;

natureza da Igreja:

formada por todos os cristãos = um só Corpo com CRISTO

DEUS reparte entre os fiéis os Seus dons e carismas;

CRISTO ama a sua Igreja como algo próprio e muito querido = comunica-lhe a
graça em plenitude;

Igreja = Templo de DEUS = morada divina que está edificada sobre o fundamento dos
profetas e dos apóstolos, e cuja pedra angular é o próprio CRISTO;

Igreja = Esposa de CRISTO, a qual uniu consigo em pacto indissolúvel e enriqueceu


perpetuamente com bens eclesiais, para que compreendêssemos a caridade de DEUS
e de CRISTO para conosco, que supera toda a ciência;

cristãos = pedras vivas; concidadãos dos santos e familiares de DEUS;

o matrimônio cristão = união de CRISTO com a Sua Igreja;

«sacramento» = em sentido estrito = os sete Sacramentos instituídos por CRISTO para


a justificação e santificação dos homens; em sentido lato = a Igreja = função
salvadora que manifesta aos homens CRISTO salvador;
conhecer e viver o mistério:

revelação do plano divino em CRISTO (mistério) = conhecimento ou conhecimento


superior = participação na vida divina em CRISTO;

cristianismo = levar, pela iluminação da inteligência, o homem inteiro para um novo


plano de vida = a vida da graça

cristão = despojar-se-á de tudo o que pertence ao velho homem, para revestir-se do


novo, criado em justiça e santidade da verdade;

unidade:

base da vida moral cristã, do espírito de caridade que deve reinar entre os fiéis;

plano secreto de DEUS = formar uma só coisa da humanidade dividida em


judeus e gentio, transformados no único homem novo, pacificados no único corpo =
num mesmo Espírito, aproximar-se do Pai;

Exegese: a grande Bênção:

bênçãos dos fiéis a DEUS = bênçãos (= benefícios) de toda espécie com que Ele nos
abençoou = filiação adotiva (Pai), redenção (Filho) e iluminação (Espírito Santo) = espirituais
= derivam do Espírito Santo;

união vital com CRISTO = cumula-nos dos benefícios divinos;

motivos particulares que impõem o dever de louvar e render graças:

o desígnio pelo qual DEUS nos escolheu desde a eternidade em CRISTO, para a
condição de santos e sem mácula;

objetivo último do plano de DEUS = a sua glória;

somente no filho pudemos tornar-nos objeto do amor do Pai;

filiação adotiva = redenção = libertação da escravidão da culpa, à qual todos, judeus


e gentios, estávamos sujeitos;

em CRISTO = união com Ele = conseguimos a redenção pelo sangue que derramou;

graça superabundante = remissão dos pecados = enriquecimento de sabedoria e


prudência com a revelação do mistério;
mistério de sua vontade = revelado a nós por DEUS = dom anexo ao da redenção =
plano que DEUS, soberanamente livre, fixou desde toda a eternidade e que devia
realizar-se na plenitude dos tempos = a vinda do Messias = tempo que coincide com a
última fase do mundo;

objeto desse ato, intencionado pelo Pai no seu plano divino e efetuado mediante
CRISTO = o universo inteiro, material e espiritual: todas as coisas;

judeus e gentios = foram reconciliados em CRISTO, encontrando nele o princípio e o


centro unitário de vida sobrenatural;

herdeiros = predestinados = desígnio munificente da liberalidade divina = manifesta-


se, assim, a glória de DEUS naquela parte da humanidade que por primeira esperou
em CRISTO;

Espírito Santo = penhor da nossa herança (eterna;

cristãos = propriedade de DEUS = preparam-se, sob a ação do Espírito Santo, para a


salvação total, que se obterá na parusia;

CARTAS PASTORIAS (Roma – após 63):

grupo de 3 cartas (1 e 2 Timóteo, Tito) = se dirigem antes a pessoas com função de


governo na Igreja do que a uma comunidade inteira = ditam normas para o cumprimento
exato dessa função administrativa;

Data e objetivo:

aparecem escritas no espaço de um ano;

1Tim = escrita da Macedônia, após uma visita a Éfeso:

preocupa-se sobretudo em precaver o jovem pastor daquela Igreja contra os falsos


mestres;

sugestões para a luta em defesa da sã doutrina;

orientações sobre a disciplina interna da comunidade = as pessoas revestidas de


autoridade e os deveres de Timóteo na qualidade de chefe da Igreja;
Tito = escrita também ela da Macedônia:

que a jovem Igreja cretense receba uma sólida organização = indica os requisitos dos
bispos, presbíteros e das várias classes de fieis = relações que os cristãos devem ter
com a autoridade e com os concidadãos;

justifica as normas práticas, lembrando os supremos princípios da fé;

Igreja = primeiros passos com segurança = vigilância contra os propagadores de


falsas doutrinas;

2Tim = escrita no 2º cativeiro romano com a consciência lúcida da morte estar próxima:

verdadeiro testamento espiritual do Apóstolo;

recomenda a Timóteo = dedicar-se, sem poupar energias, ao serviço do evangelho,


à proteção da sã doutrina e à luta contra os falsos mestres;

HEBREUS:

Teologia:

Cristologia:

Filho = realça a superioridade da nova economia = compêndio da doutrina


cristológica da carta;

Filho = perfeitamente igual e consubstancial ao Pai = participante da sua atividade


criadora = adorado pelos Anjos;

descida externa e temporária abaixo dos Anjos (=condição humana) = plano de Deus
= «convinha», que o Salvador fosse em tudo e por tudo semelhante aos que deviam
ser salvos;

Sacerdócio de CRISTO:

sacerdócio levítico = termo de comparação para demonstrar a superioridade do


sacerdócio de Cristo;

em virtude da sua divindade = possui uma dignidade infinitamente superior = é


eterno = destinado à purificação dos outros, não de si mesmo = nada tem em comum
com os pecadores, exceto a natureza humana com as suas fraquezas;
«segundo a ordem de Melquisedec» = sacerdócio perene e não hereditário;

Sacrifício de CRISTO:

ato essencial do sacerdócio do Filho encarnado = o sacrifício de si mesmo na morte


aceita de livre vontade = absoluta eficácia e a não iterabilidade;

Cristo = uma só oblação na «plenitude dos séculos» = expiou os pecados de todos


os tempos = só deverá manifestar-se de novo para conduzir à salvação final aqueles
que o esperam;

sangue de Cristo = oferecido em virtude de «espírito eterno» = purifica interiormente


o homem (a sua consciência) e o capacita de servir a Deus;

eficácia redentora do sangue de Cristo atribui-se às suas disposições interiores = valor


meritório infinito = obediência à vontade do Pai;

NT:

aliança = sacerdócio e o sacrifício = correlação = ma nova aliança exige um novo


sacerdócio e um novo sacrifício;

2 sentidos = aliança ou pacto (ato bilateral por natureza) e testamento = doação


gratuita (ato unilateral);

Escatologia:

nova economia (já em andamento) = está toda voltada para a sua futura
fase gloriosa;

O povo de DEUS a caminho e os seus guias:

escatológico = DEUS nos chama, hoje, para o repouso Nele;

eclesial = o povo de Deus a caminho é confiado aos guias (= pastores);


Autor e destinatários:

principais dificuldades para considerar, São Paulo como autor da carta:

a ausência do nome do Apóstolo no cabeçalho;

a falta igualmente das habituais fórmulas de despedida e outras expressões


características de São Paulo;

a diferença de linguagem e de estilo;

a diversidade de temas doutrinais;

o modo peculiar de citar o Antigo Testamento;

o autor:

se trata de um cristão culto, bom conhecedor da Sagrada Escritura e das questões


teológicas levantadas no momento da redação;

tem de ser uma pessoa muito próxima de São Paulo em pensamento e atividade;

homem de cultura helenista, com um grande zelo pastoral, e um profundo


conhecimento da vida religiosa dos Hebreus e do culto do Templo de Jerusalém;

escrita em Roma ou nalgum outro lugar da península itálica ou em Atenas, antes da


destruição de Jerusalém em 70 = 67 d.C.;

escrita a cristãos de origem judaica = familiarizados com os livros sagrados,


especialmente com o livro do Êxodo e com os Salmos, e conhecem bem a
interpretação judaica usual; estão inteirados dos pormenores do Templo e do culto
mosaico, assistiram às cerimônias do grande «Dia da expiação» e dos sacrifícios
quotidianos; manejam, enfim, o vocabulário ritual;

não se trata de recém-convertidos;

propósito central da epístola = estimular estes irmãos na fé à fidelidade, num


momento de perseguição, no qual se manifestavam sintomas de desfalecimento, e
prevenir, em última análise, o perigo de apostasia;

tom e a linguagem do autor sagrado = equilibram prudentemente a exortação


animosa com a severidade;

possui uma característica original = apesar de ir dirigida a uma comunidade ou grupo


concreto, evita toda a individualização, ou seja, enuncia princípios de ordem
absolutamente universal;
escreve a um grupo concreto, no seio de uma comunidade cristã mais
ampla;

Exegese: CRISTO, Sumo Sacerdote:

funções de todo sumo sacerdote e sua vocação:

1º requisito = seja representante qualificado dos homens, antes de tudo pertencente


à família humana;

função principal em benefício dos homens = oferecer sacrifícios pacíficos (dons) e


expiatórios (vítimas pelos pecados);

2º requisito = capacidade de compadecer-se dos que pecam por ignorância ou se


transviaram;

é necessário uma vocação divina = o intermediário entre Deus e os homens deve ser
escolhido por Deus;

vocação de CRISTO ao sumo sacerdócio:

salmo 2 = a proclamação da filiação divina = fundamento transcendente do


sacerdócio de Cristo; ser homem e Deus = coloca-o na posição de mediador
qualificado entre Deus e a humanidade;

a experiência doloroso de CRISTO sobre a terra:

todo sumo sacerdote, pela própria natureza da sua missão, deve = ser membro da
humanidade = representar os homens nas suas relações com Deus = oferecer
sacrifícios, antes de tudo em expiação dos pecados = ser compassível para com os
que ele representa, e, último na ordem mas não na importância = ser chamado por
Deus;

na aplicação a Cristo = vocação por parte de Deus = a experiência dolorosa que o


colocou no mesmo plano dos seus irmãos e o tornou perfeito e causa de salvação
para todos os que o seguem com docilidade;
EPÍSTOLAS CATÓLICAS

Originalidade e variedade do conteúdo:

completam os escritos do NT;

nos mostram, nos seus autores, personalidades vigorosas e traços


inconfundíveis:

Tiago = eco do mais genuíno ensinamento sapiencial e profético em forma cristã e


mestre de uma moral austera;

Judas = flagelo implacável do erro, em perspectiva rica de fulgores apocalípticos;

Pedro = pastor de almas, que, seguindo o modelo do Pastor soberano, une


harmoniosamente ensinamento doutrinal e moral, exortações amarguradas e
ameaças;

SÃO TIAGO (62):

Autor:

provavelmente o irmão do Senhor, bispo de Jerusalém;

obra de um judeu;

as citações, as reminiscências, o modo de expor revelam um profundo conhecimento AT,


bem como um suficiente conhecimento dos principais apócrifos;

vários semitismos;

freqüentes expressões de sabor evangélico = atestam que o Autor assimilou com perfeição a
mensagem cristã mediante o contato vivo com o Mestre;

trata de um escrito judaico, reelaborado e aceito pela comunidade cristã;

Destinatários:

«às doze tribos da dispersão» = judeus-cristãos domiciliados fora da Palestina = insiste no


tom simultaneamente judaico e cristão do escrito;

dirige a totalidade da Igreja;


Circunstâncias:

destinatários eram provados de diversas maneiras = não só por causa da fé por parte de
judeus ou de gentios, mas também pelo comportamento dos ricos;

muitos talvez não dessem à fé um conteúdo prático com o exercício das virtude evangélicas;

Tiago pôde ter sido informado pelos peregrinos chegados a Jerusalém = com o seu escrito
quis ele amparar na provação os fiéis e reavivar-lhes o fervor primitivo;

Teologia:

Sabedoria:

sabedoria autêntica = dom de Deus, fonte de todo bem = concedida a quem pede
sem hesitação;

qualidade fundamental da verdadeira sabedoria = docilidade, isto é, a humilde e


sincera submissão a Deus;

em relação ao próximo = exprime-se na moderação e discrição;

Fé e obras:

distingue-se claramente do ensinamento dos escritos judaicos = tanto pelo realce


dado à fé, quanto pela natureza das obras = prática dos preceitos morais, mormente
da caridade;

exprimir em atos a fé recebida = fé sem obras é morta, como um corpo sem alma;

Tentação:

tentação nociva = impulso ao pecado e tentação = prova ou meio de progresso


espiritual;

deve produzir alegria = testa a firmeza na fé e a constância em praticar o bem;

tem breve duração;

produz frutos abundantes;

faz parte do amor misericordioso de DEUS;

oração para vencer a tentação e provação;


Unção dos enfermos:

constitui um rito, sob vários aspetos, singular e novo;

DEUS:

visão judaica do mesmo = único; Senhor; Pai; legislador e juiz; imutável; Criador;

manifesta a sua bondade compassiva regenerando-nos espiritualmente, atendendo


às nossas preces, derramando sobre nós preciosos bens, como a verdadeira
sabedoria;

santo = não pode ser tentado ao mal nem tentar;

seu domínio é universal;

sua providência regula todas as coisas e realiza desígnios de misericórdia também


através das provações;

CRISTO:

pelo título de servo que Tiago toma em relação a Cristo = exprime a transcendência
divina, a qual está implícita também na ação sacramental realizada no nome dele;

se manifestou Senhor da glória, sobretudo na sua Ressurreição;

juiz = é apresentado num contexto que se refere, sem dúvida, à Parusia;

o cristão:

base da vida do cristão = a regeneração, que faz dele primícias das criaturas;

foi libertado da escravidão do mundo, de Satanás, das más paixões, do pecado e da


morte;

é livre, por estar sujeito a uma lei de liberdade;

propriedade de Cristo (pelo batismo) = é chamado com o belo nome dele;

Igreja = comunidade local = verdadeira descendência de Abraão, o novo Israel;


na comunidade ocupam uma posição especial os presbíteros, aos quais talvez
pertença também o poder de ensinar;

toca também nos deveres religiosos e morais do cristão;

referências a atos de culto comunitário, como o rito da unção realizado pelos


presbíteros, a confissão mútua dos pecados;

lei = compendia-se no preceito da caridade;

pecados que Tiago condena = os da língua e as injustiças sociais;

fonte de todo pecado = a concupiscência;

culpabilidade = pressupõe o pleno conhecimento;

pecado = gera a morte em toda a sua extensão e exclui da salvação;

SÃO PEDRO:

1ª CARTA:

São Pedro = testemunha dos sofrimentos de CRISTO;

a carta é dirigida a uma série de comunidades cristãs que viviam em diversas


regiões da Ásia Menor;

Teologia:

a salvação sendo preparada = a ação do Pai:

fase que precedeu à vinda do Salvador caracterizada pelo desconhecimento de DEUS;

povo de Israel = missão de prefigurar e preparar o povo da nova Aliança;

água do dilúvio = preanuncio do Batismo;

profetas = predisseram as dores, as humilhações, a morte e o triunfo do Redentor;

DEUS é Pai (misericordioso, santo, fiel) de Nosso Senhor JESUS CRISTO por natureza;
dos homens é Pai por geração espiritual;

PAI = a ELE cabe a iniciativa da obra redentora, segundo um plano que ele havia
concebido desde toda a eternidade;

somos objeto do seu conhecimento e amor eterno;


o plano salvífico de DEUS tem o centro em CRISTO, o FILHO de DEUS, encarnado;

O FILHO: pessoa e obra:

Messias prometido, o servo de JAVÉ, pedra fundamental do novo reino de DEUS;

Pastor Supremo; Bispo das almas;

Nele o Pai nos fez participantes das suas riquezas;

por ELE oferecemos a DEUS vítimas espirituais e lhe damos glória;

redenção = realiza a união dos homens com a Divindade;

paixão e morte de CRISTO = constituem o preço da nossa redenção = nos livra da


escravidão da culpa e nos une de novo a DEUS = faz de nós uma raça escolhida, um
sacerdócio régio e um povo santo;

relaciona-se a nossa regeneração com a Ressurreição de CRISTO;

tornamo-nos participantes da vida divina;

ESPÍRITO SANTO:

participou na preparação e na realização do desígnio salvífico de DEUS;

a parusia = consumação do plano salvífico:

a fase atual do reino de DEUS, preparada pela Antiga Aliança, inaugurada pela
primeira vinda de CRISTO, completar-se-á na sua segunda vinda ou manifestação
gloriosa;

a fisionomia do cristão:

pelo renascimento espiritual, o cristão possui uma vida nova;

DEUS depositou no coração purificado dos fiéis uma semente incorruptível;

os fiéis passaram das trevas à luz = eleitos, renascidos, iluminados;

o progresso na vida cristã opera-se assimilando sempre mais a palavra da verdade;


fiéis = pedras vivas de um edifício espiritual, cuja pedra angular e fundamental é o
próprio CRISTO;

devem irradiar aos olhos do mundo a luz da nova lei, pela palavra e o exemplo da
própria vida;

virtudes cristãs:

fé (confirmada mediante as tribulações) = abre o acesso à vida cristã, assim deve


impregnar toda a atividade do homem regenerado para este conseguir a salvação
integral = dilata-se na esperança;

esperança = o cristão é regenerado por ela = já possui em si a garantia e como que as


primícias dos bens escatológicos;

caridade = considera sobretudo em relação ao próximo e deve manifesta-se nas


obras;

o sofrimento na vida cristã:

seguimento dos passos de CRISTO que deixou-nos o exemplo;

essencial à profissão cristã;

possui também função pedagógica;

2ª CARTA (Roma = 64 – 67):

Circunstâncias da composição:

se dirige aos cristãos dispersos nas regiões da Ásia Menor, mencionados em, os quais
provinham, ao menos em grande parte, do paganismo;

comunidades infestadas de hereges gnósticos; além dos erros denunciados na carta de


Judas, esses difundem idéias falsas sobre a Parusia = daí o caráter doutrinário-polêmico do
escrito;
Teologia:

parusia:

dá um realce singular à função do fogo na transformação do universo;

relação entre o dilúvio e o dia do Senhor = em ambos resplandece a longanimidade


divina para com os pecadores e o cataclismo é provocado pelo desencadear-se dos
elementos naturais;

o tempo da é desconhecido e imprevisível, porque o dia do Senhor virá como um


ladrão, pois o tempo de DEUS é diferente do nosso;

boas obras = podem, em certo sentido, apressar a revelação gloriosa do Senhor;

juízo final = marcará a sorte eterna das criaturas racionais: os pecadores, homens e
Anjos;

conhecimento do Senhor:

conhecimento que, além da inteligência, afeta a vontade do homem;

está como que condicionado pelo exercício intensivo das virtudes cristãs;

conhecer = reconhecer = aceitar, amar a CRISTO;

as Sagradas Escrituras:

explícita afirmação da origem divina dos escritos do AT = os homens colaboram como


instrumentos do ESPÍRITO SANTO;

insinua-se também o valor canônico de cartas de S. Paulo = Sagradas Escrituras;

livro divino pela origem, a Escritura poderá ser adequadamente compreendida só


através de interpretação divinamente garantida; faltando esta, falseia-se o sentido;

comunidade e vida cristã:

à comunidade cristã os apóstolos transmitiram os preceitos do Senhor, em virtude de


um poder de magistério;

cristão = por essência, um adquirido por CRISTO, e deve agir como tal, exigência do
próprio batismo;
meta imediata = atingir é o conhecimento de Nosso Senhor e Salvador JESUS CRISTO;

a luta perseverante contra o mal levará à verdadeira liberdade = ajudará a


perspectiva do reino, no qual vocação e escolha divina terão o seu coroamento;

SÃO JUDAS (antes de 67 ou 64 = Palestina):

Circunstâncias da composição:

ocasião = difundir-se de perniciosas doutrinas nas comunidades cristãs;

acusação contra falsos mestres que punham em dúvida a Parusia = difundem também, pela
palavra e pelo exemplo, erros de caráter moral;

Teologia:

doutrina trinitária:

DEUS Pai = é autor da salvação dos homens; é cheio de amor para com os fiéis;
comunica aos fiéis a força para triunfarem sobre o mal e disporem-se, mediante uma
vida irrepreensível, para comparecerem diante da sua Majestade de Juiz supremo;

CRISTO = colocado no mesmo plano do Pai, com quem é princípio de todos os bens;
Senhor; O Pai realiza a salvação dos homens mediante Ele; objeto do ensinamento
dos apóstolos;

ESPÍRITO SANTO = princípio de santificação; possuem-no os verdadeiros fiéis, não os


ímpios; nele rezamos;

o cristão:

são filhos de DEUS = vivificados pelo ESPÍRITO;

objeto, por parte do Pai celeste, de singular benevolência e de especial solicitude,


que visa conservá-los na união com CRISTO, mediante o qual podem receber a
herança eterna;

a vida cristã desenvolve-se sob o signo da caridade divina;

viver a vida cristã na íntegra = perspectiva da vida eterna;

juízo final = sorte definitivas dos homens = um dos temas principais da


carta;