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Resumo de direito penal

Capitulo I – Introdução ao estudo da parte especial do direito penal


 Parte especial do direito penal
Por força da vinculação ao principio da legalidade estrita, crime é todo o que o legislador
legitimamente considerar como tal. Os crimes incorporam os comportamentos que, pode lesarem
ou ameaçarem o bem jurídico fundamental, são considerados ilícitos e sujeitos a uma sanção penal.

- Sentido formal: uma ação típica, ilícita e culposa, ou seja, ao comportamento humano que
o ordenamento comina com uma pena, considerando esta como uma desaprovação publica de uma
infração que consiste na imposição de um mal merecido, em suma, crime é o ilícito merecedor de
uma pena.
- Sentido material: considera-se crime todo o comportamento que lese, ou ponha em
perigo, bens jurídicos fundamentais. Neste sentido, o direito penal especial apresenta uma
dinâmica evolutiva, variáveis consoantes os valores que em cada momento são identificados como
fundamentais num determinado ordenamento jurídico.

 A politica criminal e o estudo do direito penal especial

 Teoria do bem jurídico


O direito penal esta vocacionado para funções de controlo social tendo como principal, mesmo
única função a proteção de bens jurídicos. O bem jurídico condiciona e limita a ação do direito penal,
que deve ser abstrair-se de intervir em áreas que não conflituam com bens fundamentais. O direito
direciona para uma tutela subsidiaria de bens jurídicos fundamentais., segundo o qual o direito penal
apenas deve intervir para proteger bens jurídicos fundamentais e para punir as lesões mais graves
provocadas pelo comportamento do agente.
Para Claus Roxin os bens jurídicos correspondem como circunstancias ou finalidades que são uteis
para o individuo r para o seu livre desenvolvimento no âmbito de um sistema social global
estruturado sobre a base dessa conceção dos fins ou para o funcionamento do próprio sistema.

 Seleção de bens jurídicos


A primeira fonte é a Constituição. O direito penal está submetido aos limites constitucionais
impostos ao poder de punir. Em nossa opinião, o direito penal não esta vinculado exclusivamente à
tutela dos bens consagrados na Constituição. A questão da seleção de bens jurídico e a definição das
situações merecedoras ou não de intervenção penal, situa-se predominantemente no âmbito da politica
criminal, orientando o legislador através da fixação de limites de punibilidade. Mas centrando-se sempre
numa missão de controlo social direcionada para fins de proteção de valores essenciais. Para Faria Costa,
a valência de um bem jurídico não se afere necessariamente pela consagração na Constituição,
entendendo que se é assumida a existência do direito penal, este, por uma questão de coerência e de
unidade interna, não podendo deixar de abranger a tutela de certos bens jurídicos. So fazendo sentido a
ordem jurídica penal para na devida proporção proteger determinados bens.

 Definição das situações (lesão e perigo) que justificam a tutela penal


Identificamos os bens jurídicos a proteger pelo direito penal, o legislador deve proceder à escolha
dos comportamentos que, pela sua gravidade e grau de ameaça, se consideram intoleráveis e, por isso,
merecedores de incriminação, bem como à seleção da técnica de tipificação adequada.
A tipificação das condutas estabelece-se em função das características do bem jurídico. O legislador
fixa uma estratégia de proteção do bem jurídico, atendendo a sua natureza, ao modo como as lesões ou
as situações de perigo normalmente ocorrem, procurando obter a maior eficácia no combate a essa
condutas.

Capitulo II – Os crimes contra a vida


 Bem jurídico
O bem jurídico tutelado no âmbito dos crimes contra a vida é a vida humana formada, ou seja, se
pessoa nascida. A vida humana esta determinada como o principal valor no âmbito da Declaração
Universal dos Direitos do Homem, também como o primeiro direito fundamental em sede da CRP.
 O inicio da vida
Existem duas hipóteses:
- Critério fixado no CC art. 66º, para aquisição de personalidade jurídica, e se considera que a vida
humana inicia com o nascimento completo e com vida, ou seja, a vida começa no momento final
do ato de nascimento.
- Antecipação do momento da proteção jurídico penal da vida para o inicio do parto,
considerando que, a partir do momento que inicia o ato de nascimento passa a haver vida
humana. Deve prevalecer a segunda posição.
Deve prevalecer a segunda posição, pois o que esta em causa é a proteção de um bem jurídico,
razão pela qual não é relevante a capacidade de vida com autonomia, a proteção da vida justifica-
se mesmo que o recém-nascido não tenha hipóteses de sobrevivência autónoma.
Definido o momento em que se inicia a vida, para efeitos de tutela penal, importa agora
concretizar esse momento, entendo quando se inicia o parto.

∙ Parto natural: o inicio do parto, corresponde ao primeiro momento que da origem ao


despoletar do nascimento da criança, ou seja, quando se verificam as contrações do útero
com a sua dilação, de forma frequente e irreversível com vista a expulsão do feto,
corresponde ao impulso corporal visando a provocação da saída do feto do útero
materno.

∙ Parto provocado: sempre que a dilatação não ocorra naturalmente e haja recurso da
utilização de meios artificiais para a provocar, nomeadamente a utilização de
medicamentos ou técnicas medias destinadas a provocar a expulsão do feto. A partir
desse momento provoca-se o inicio do processo do parto, ou seja, a determinação do ato
do nascimento, o que significa que a pratica de atos materiais conducentes à provocação
do parto, determina o inicio do parto.

∙ Parto cirúrgico “cesariana”: o processo do nascimento decorre no âmbito de uma


intervenção cirúrgica desenvolvida com essa função exclusiva. O inicio do parto
corresponde ao momento em que é praticado o primeiro ato com vista à realização da
intervenção, ou seja, como o ministrar da anestesia.
 Consequências da determinação do momento do inicio da vida, as manobras abortivas e a
relação entre o crime de homicídio e o crime de aborto

- São empreendidas manobras abortivas e o feto é expulso sem vida, a solução passa por
responsabilizar o agente por crime de aborto doloso consumado.

- As manobras abortivas provocam a expulsão do feto, mas este nasce com vida, e com vida
viável, supondo que, no momento os processos foram ministrados o feto já tinha
desenvolvimento físico suficiente para suportar a sobrevivência de forma autónoma. Se o feto
morrer, mas de forma natural, ou seja, se a sua morte não estiver associada as manobras da
pratica do aborto, então o agente será responsabilizado por crime de aborto tentado.

- Caso o agente, apos a pratica das manobras abortivas da sua autoria, volte a atuar
posteriormente e mate a criança, então, porque atuou em momentos distintos, sobre a vida em
estado de desenvolvimento, deve autonomizar-se cada momento da sua atuação e
responsabiliza-lo em concurso efetivo, por crime de aborto em forma tentada e por crime de
homicídio doloso consumado.
- Se das manobras abortivas resultar a expulsão do prematura do feto sendo inviável, vindo
a morrer posteriormente. Neste caso, os efeitos da atuação do agente começaram a verificar-se
quando o parto ainda não havia iniciado, embora a morte tenha dado mesmos apos o
nascimento completo, a verdade é que foi fruto da manobra abortiva, devendo considera-se
crime de aborto consumado.

- Se das manobras abortivas nascer um feto inviável e o agente apos o seu nascimento voltar
a atuar provocando a sua morte, teremos uma situação de resolução mais complexa, não
havendo consenso na solução.
a) responsabiliza o agente de forma idêntica aos casos em que a vida é viável. Baseando-se
no argumento de não haver diferença na qualidade de vida e no fato de uma vida, apesar
de não ter hipóteses de sobrevivência, justificar o mesmo âmbito de proteção
b) esta solução pressupõe uma dupla condenação, passando por considerar haver uma
consumação do homicídio em relação ao aborto tentado, e o agente ser responsabilizado
apenas por homicídio. Argumentando que não se insere no espirito de crime de aborto
punir casos como este, em que a morte provem de um comportamento de homicídio
doloso.
c) A posição mais correta deve envolver a responsabilidade do agente apenas a titulo de
aborto consumado. Uma vez que punir o agente em concurso efetivo implica punir de
forma mais grave o insucesso do fato do que o seu sucesso, o que é de todo rejeitável. O
autor baseia se no fato de a vida nascer ser inviável, sendo impossível impedir a sua
ocorrência, pois a vida é irrecuperável. (Costa Pinto). a melhor solução passa a punir o
agente por crime de aborto consumado, considerando o segundo ato do agente como
agravante, com relevância em sede de determinação concreta da pena.

- Se ocorrer um parto precoce, mas não for provocado por manobras abortivas e o feto
nascer inviável, e se por exemplo o medico não atuar, sendo certo que lhe seria possível
prolongar a vida da criança ainda, que por um período curto, a solução passa por não
responsabilizar o medico, pois, o seu dever de garante cessa pelo fato de ser objetivamente
impossível evitar a produção do resultado morte.
- Se na mesma situação de parto prematuro com feto inviável, alguém matar o feto, com
uma conduta por ação, apesar de a criança não ter hipóteses de sobrevivência, o agente que a
matou será responsabilizado por homicídio, pois, já se justifica a tutela penal.

- Se durante o parto, no uso de técnicas pelo medico, este, inadvertidamente, seja por
descuido ou qualquer outra forma de falta de cuidado causar lesão cerebral e a morte da criança.
Considerar-se-á uma situação de homicídio por negligencia, pois, a única atuação que ocorreu foi
apos o inicio do parto, quando já havia vida formada.

 O fim da vida: a morte cerebral


Exigindo-se a fixação de um critério que determine qual o momento da morte, para se apurar a
consumação do crime. A estipulação de um critério rigoroso e único é inevitável. Apresenta-se
vários critérios:
a) O da cessação das funções vitais, defendida por consubstanciar um momento inequívoco
da morte do agente, embora seja criticado por corresponder a um momento em que se
torna impossível a recolha útil dos órgãos.

b) O critério utilitarista, baseado no fato de que se considera o mais adequado e útil para
fazer operar a recolha de órgãos, criticada por não determinar precisamente esse
momento e acabar por fazer impor a vida que se pretende salvar com o órgão recolhido,
em detrimento da vida própria da vitima, sendo certo que não há certeza que o processo
morte seja irreversível.

c) E o critério da morte cerebral, quando cessam irreversivelmente as funções do tronco


cerebral, devendo, de cordo com os critérios médicos, apurar-se em cada situação
concreta, ate que ponto o dano se consubstancia numa mera lesão cerebral, ainda que
grave e irreversível, ou consiste numa destruição anatómica estrutural do cérebro na sai
totalidade, apenas neste se considera morte da vitima.

Em Portugal desde 1993, com alei nº 1/93 de 22 de abril fixou a morte cerebral como o
momento determinante da morte para todos os efeitos.

 Os homicídios (arts.131º e ss CP)


Configura-se um ato de lesão da vida, o homicídio é definido como hétero-lesão da vida de
uma pessoa, estabelecendo a conduta de matar. O resultado correspondente a esta conduta é a
morte de alguém. As motivações e as circunstancias da pratica do fato são relevantes em sede de
qualificação da conduta, na medida em que estão tipificadas diferentes circunstancias esse
configuram vários tipos de homicídio, cuja diferença se estabelece a partir de fatores diversos, que
ora agravante, ora atenuam, a responsabilidade do agente.
A conduta de matar implicar a cessação da vida provocada nos termos definidos por lei,
enquanto não cessarem as funções do tronco cerebral a pessoa esta viva, e a pratica de um ato
conducente à sua morte considerar-se-á um homicídio.
A conduta típica no âmbito do crime de homicídio consiste em matar outra pessoa, que,
desde logo, pressupõe uma pessoa já existente e que ainda esteja viva, sendo diferente do próprio
agente. O objeto do fato é a pessoa.
 Suicídio
O crime de homicídio pressupõe que o agente mate a outra pessoa, não funcionando para
as a situações de auto-lesão da vida. As auto -lesões não estão sujeitas a responsabilidade criminal,
a não ser em situações em que, através da lesão de um bem próprio, o agente afete interesses de
terceiros.
O suicídio consiste no ato voluntario de auto-lesão da vida, ou seja, no fato dominado pelo
próprio vitima com vista à sua morte. O agente mata-se pelos seus próprios meios e fá-lo
intencionalmente para alcáçar esse desiderato.
O fato de o suicídio não ser punível não significa que constitua um fato absolutamente
irrelevante para o direito penal, na medida em que esta prevista a responsabilidade de quem
intervenha no suicídio de outra pessoa, nomeadamente incitando-a à pratica desse fato, ou
prestando-lhe ajuda (art. 135º) ou simplesmente fizer propaganda ao suicídio (art. 139).
A distinção de homicídio e suicídio torna-se relevante, pois no homicídio é o agente que
mata outra pessoa e no suicídio é a vitima que “por suas mãos” poe fim á própria vida. No entanto,
em determinadas situações, particularmente quando ambos, agente e vitima, intervém no processo
causal, pode ser difícil aferir se se trata de uma situação de homicídio ou suicídio.
Tudo depende sempre do processo causal empreendido e da forma como cada um atuou e o
que em concreto fez. O critério apontado é relevante quando os agentes atuem, ambos, com
consciência do alcance dos seus atos, por isso, referimo-nos a um domínio consciente do processo
de lesão da vida.

Secção II – Os crimes de homicídios


∙ Artigo 131º - crime doloso, geral ou comum, a conduta é matar e é livre, o objeto é
qualquer pessoa (mesmo que queira matar uma pessoa e mata a outrem).
Quem matar outra pessoa qualificado (132º)
privilegiado (133º, 134º e 136º)

O tipo de crime previsto do 1313º classifica-se como crime de lesão, correspondendo a um crime de
resultado que admite a forma tentada, podendo ser cometido por ação ou omissão. O tipo objetivo
pressupõe a conduta de matar e a produção do resultado morte de uma pessoa. O tipo subjetivo exige o
dolo admitindo-se qualquer forma de dolo.
A analise do dolo com que o agente tenha atuado, representa o momento decisivo para a
conclusão sobre se o crime cometido foi de homicídio ou de ofensa à integridade física.

 Homicídio qualificado – art. 132º


Começa por fazer referência ao resultado morte. O grau de culpa traduz num nível de
desaprovação e de exigibilidade que no caso concreto é formulado para a atuação do agente.
Tratando-se de um comportamento revelador de especial censurabilidade constitui uma
conduta que revela uma profunda distância em relação a determinado quadro valorativo,
afastando-se dum padrão normal, havendo maior exigência na não motivação por aqueles
fundamentos.
O grau de censura aumenta por haver na decisão do agente o vencer de fatores, que, em
principio, deveriam orienta-lo ainda mais para se abster de atuar, as motivações para que o agente
não tivesse agido aquele modo.
O grau de perversidade representa um comportamento que traduz uma acentuada rejeição,
por força dos sentimentos manifestados pelo agente que revela egoísmo abominável. A decisão de
matar assenta em pressupostos absolutamente inaceitáveis. O agente toma a decisão sob grande
reprovação atendendo a personalidade manifestada no seu comportamento.

11º
momento
momentoqualitativo:
qualitativo: olhar paraaarealidade
olhar para realidadee verificar
e se aproximar a situação
se aproxima com
Exemplo-padrão alguma alínea que se aproxima a situação em concreto.

2º momento quantitativo: verificar através do exemplo padrão para definir o


grau de culpa.

Em principio será homicídio qualificado. Verifica-se o momento


Sim
quantitativo para ver se o agente revela especial censurabilidade ou
Existe exemplo padrão perversidade. Se houver estamos diante de um homicídio qualificado.
Se pode haver culpa agravada é um homicídio simples atípico

Não Em principio não será homicídio qualificado

Não será um homicídio Pode ser um homicídio


qualificado qualificado

pode se perfilhar no exemplo padrão


realizando uma analogia orientada do homicídio qualificado atípico

O legislador acrescenta no número 2 que, em regra geral, pode apresentar especial


censurabilidade ou perversidade. Mas não são de funcionamento automático (é suscetível). Não é um
elenco fechado.

Circunstâncias do número 2 art 132º


∙ Alínea a): são situações de direito e ano de fato, estão presentes figuras jurídicas, há um
vinculo entre quem praticou o crime e a vitima. É necessária maior energia criminosa para
ultrapassar as barreiras sociais que impedem o homicídio. Não se verifica relações de
fraternidade.
∙ Alínea b): trata-se dos casos de “crime passional” no qual o legislador entende que as relações
de fato também possuem um vinculo com figuras jurídicas. Tem de hacer uma relação
horizontal entre os dois (igualdade entre ambos). A coabitação é necessária para mostrar
uma relação estável, porem o legislador prescindiu da mesma, porque quis mostrar a
obrigação.

∙ Alínea c): exige que seja praticado a alguém indefeso, estando nos exemplos do mesmo artigo
ou se estão particularmente indefesos.

∙ Alínea d): há um prazer do agente em ver o sofrimento do outro, a tónica aqui esta não é p
prazer e sim a perversidade, uma deficiência de carater da pessoa. Há um aumento na
censurabilidade, tornando a perversa. (ver art. 243º nº 3).

∙ Alínea e):as motivações da gente são as que estão explicitas nesta alínea (“ser determinado”).
O que levou o agente a realizar o ato. O que esta em causa é parafilia no prazer de causar
sofrimento. É o motivo torpe é quando há repugnância. Aqui existe o egoísmo do agente, no
qual a vida não vale nada para o mesmo, aqui o agente quer o sofrimento, prefere a sua
satisfação do que a vida do agente.

∙ Alínea f): trata sobretudo dos direitos de igualdade, no qual a pessoa não vê no outro a sua
mesma religião por exemplo.

∙ Alínea g): aqui o agente realiza uma ação que não queria em primeira linha para facilitar a
prática do crime, aqui nesta alínea trata de homicídios funcionais.

∙ Alínea h): não há qualquer tipo de comparticipação, inevitavelmente são necessários três
pessoas para a realização do crime, que utiliza um meio particularmente perigoso no qual
deixam a vitima completamente desprotegida e com maior indefesa, ratando de um crime
de perigo comum (coloca em perigo vários bens jurídicos).

∙ Alínea i): o legislador acredita que o meio insidioso é a parte atónica desta alínea, a arma com
que se utiliza não é tao mal e sim o modo como é concluída a ação sim é uma forma
insidiosa.

∙ Alínea j): o legislador consagrou a premeditação, onde há uma ponderação do crime e os


meios ponderáveis. As 24 horas é indicativa, o juiz não verifica ao pé da letra.

∙ Alínea l): em PT a vida vale por igual, nenhuma vida vale menos que outra. Aqui não esta em
causa a vida enquanto pessoa, e sim quando as profissões em questão estiverem no
exercício das suas funções ou por causa delas.

∙ Alínea m): (remete para o 386º) não basta que o funcionário abuse, tem que praticar um abuso
grave.

O dolo do agente é sempre homicídio, o que significa que o agente há de pretender


obter a morte da vitima, independentemente da forma como revele a vontade de a
concretizar. O dolo terá de se estender à circunstância padrão da causa.
O erro podemos configurar dois tipos de situações
- Quando o agente desconhece a verificação das circunstancias qualificadora.
Neste caso não conseguimos concluir uma especial censurabilidade ou perversidade,
afastando-se o dolo do homicídio qualificado, e por conseguinte, a aplicação desse tipo.
- A suposição errónea da circunstancia qualificadora, em que o agente julga
estar em presença de uma causa determinante a qualificação do homicídio e não esta.
Ex: julga que esta matando o pai, quando comete o homicídio em pessoa diferente.
Nestas situações e como a especial censurabilidade é direcionada à atitude do agente, em
querer matar o pai por exemplo, basta para concluir pela presença da especial
censurabilidade do agente.

∙ Formas de crime aplicada ao art. 132º


- Tentativa: em principio tratando-se do mesmo fato do homicídio simples, porque so apos
a verificação da pratica de atos de execução de um homicídio se pode colocar a questão da
sua qualificação, e admitir a sua punibilidade, pois a qualificação do crime não é exclusivo
do fato consumado. Para solucionar as questões da tentativa de homicídio qualificado
afigura-se várias hipóteses.
a) Se estiverem em causa circunstancias das alíneas e, f, e l o agente é
responsabilizado em sede de tentativa de homicídio qualificado, pois a
motivação foi a que esta prevista como fator de qualificação, devendo
configurar uma tentativa de homicídio qualificado.
b) Sempre que estejam em causa relações entre agente e vitima, como os da
alínea a, b e m. a tentativa é suficiente para revelar a presença da culpa
agravada que fundamenta o tipo.
c) Quando o fundamento assenta no modo da execução das alíneas c, d,g,e i
analisaremos a solução de acordo com a pratica do ato de execução e como
tenham sido ou não suficientes para a verificação plenas das circunstancias
qualificadoras.
- Se a morte foi consumada, mas as circunstâncias qualificadoras
foram apenas tentadas, verificando-se a consumação de um homicídio
simples e a tentativa das circunstancias dos exemplo-padrão. Porque o
homicídio não se chegou a verificar daquele modo, o agente deve incorrer no
crime de homicídio simples consumado do art. 131º

- Se o fato for iniciado e as circunstancias estiverem presentes mais


não chegam a verificar-se a execução das mesmas, e a morte não se chega a
verificar por algum motivo o resultado não se consumou. As circunstâncias
qualificadoras já estão presentes, porque houve ato de execução da situação
que conduzem a qualificação na forma tentada. (ex: o agente chegou a
envenenar a vitima, ou iniciou a tortura)

- Se o fato for iniciado, as circunstâncias presentes, mas não chegam a


verificar, o agente não inicio os atos de execução que preencheriam o
exemplo-padrão. Apenas o plano do agente seria revelador de maior
censurabilidade, a execução do fato ate o momento não contem indicio, o
agente deve ser responsabilizado por homicídio simples tentado, pois não se
verificam as circunstancia que justificam a qualificação. (Ex. preparou tudo
para tortura a vitima ate a morte porem foi descoberto e não chegou o
fazer.)
- Comparticipação criminosa: o fato de um dos agentes independentemente do seu titulo, revelar
especial censurabilidade, e a qualificação se consumar em relação a ele, esse fato não é transmissível
aos outros participantes. O que significa que, por força das regras da comparticipação criminosa,
mormente a acessoriedade limitada, a culpa é analisada individualmente e o fato de um deles revelar
uma culpa mais agravada so influencia na sua responsabilidade. Por força do artigo 29º CP, cada
comparticipante é punido pela sua culpa.

1º momento – verificar se há comparticipação.


2º momento – Determinar os títulos comparticipativos (teoria do domínio do fato):

Co autoria: acordo entre as partes.


- Autores autor material (art. 26º) quem executa o fato.
autor mediato: executa o fato por intermedio de outrem (domina a
vontade do executante de forma irresistível).

- Participantes cúmplice: presta auxilio material ou moral.


instigador: dolosamente cria no outro a vontade de praticar o ato

3º momento – Determinar a responsabilidade dos autores e dos participantes (Teoria da


acessoriedade limitada: é necessário que o autor tenha praticado fato típico e ilícito, a culpa não se
transmite).

- Concurso: entendemos que se verifica uma relação de especialidade, porque em primeiro lugar, o
agente, com a sua conduta, preenche o crime do art. 131º, como incriminação base que é, depois
se verificado o indicio e se o agente revelar censurabilidade, pode ver a sua conduta qualificada.
Mas, se por ex., a sua conduta se enquadrar numa circunstancia do nº 2 e não revelar a especial
censurabilidade, não estamos perante um vazio, porque a conduta mante-se integrada o homicídio
simples.
Quanto ao eventual concurso com os crimes de homicídios privilegiado nunca pode haver uma
relação de concurso, pois, se o agente se enquadra numa circunstancia de privilegiamento não
pode revelar especial censurabilidade ou perversidade.
 Homicídio privilegiado – art. 133º
Exige que o agente atue sobre o domínio de determinadas circunstâncias para existir uma
diminuição da sensível culpa. Ou seja, o motivo para uma culpa diminuída é determinado por circunstância
que tornam o fato menos exigível ao agente, fundamentando por um estado de perturbação psicológico
do autor, mas todos eles influenciam a decisão do agente, que apenas decide cometer aquele fato por se
encontrar sob um estado psicológico afetado.
Domínio + 4 circunstâncias (requisitos) + diminuição da culpa

1. Compreensível emoção violenta


2. Compaixão
3. Desespero
4. Motivo de relevância valor social ou moral

∙ Na compreensível emoção violenta É uma questão de fato subjetivo em relação ao


agente concreto

Utilizamos o critério do homem médio, não tem haver com a previsibilidade e sim se o homem
medio seria sensível a emoção violenta. Porém com o tempo esta emoção violenta diminui, ou seja,
esta emoção tem que ser contemporânea (durante aquele tempo), de pois de passar o tempo já não
podemos ser compreensíveis.

∙ Na compaixão: o sentimento traduz numa atitude de piedade para com a vitima, o agente atua como
que por ato de misericórdia, mostrando-se solidário pela situação da vitima. O agente interioriza o
sofrimento daquele, e se deixa motivar pela pena dela, ao matar esta a faze-lo num instinto de
aliviar a vitima da pressão do sofrimento em que se encontre.

∙ No desespero: (estado de espirito) o agente se encontra no seu ponto de vista de uma convicção de
limite, no desespero ano pode atuar ao abrigo da legitima defesa. Aqui o tempo potencializa a ação
do agente, ou seja, com o passar do tempo, o agente fica com desespero e não tem força para parar.

∙ O valor social ou moral: (aceitação no nosso meio mais reduzido) aqueles que sai impostos e regula o
convívio entre as pessoas de determinada sociedade (quase leis), normas impostas pela própria
sociedade. Os valores sociais são valores nossos que devem ser inseridos no meio que regula o meio.
E atuamos da maneira que acreditamos ser corretas aos olhos da sociedade.

∙ Formas de crime no tipo do art. 133º

- Tentativa: uma vez que a pena prevista para a tentativa em sede do art. 133º é de ate 5 anos, se
enquadra dentro dos parâmetros que justificam a punibilidade da tentativa.

- Comparticipação: cada participante devera ser punido segundo sua culpa (art. 29º)

- Concurso: em relação ao art. 131º encontra-se numa relação de especialidade, em qeu os


elementos especializadores são traduzidos pelas circunstancias previstas como causa da diminuição
da culpa, prevalecendo o art. 133º. E em relação ao art. 132º à insusceptibilidade de recurso entre
ambos, essa concorrência apenas se pode verificar em sede dos elementos objetivos que integram o
tipo, e nunca no âmbito da culpa.

 Homicídio a pedido da vitima – art. 134º


Tem por base o art. 131º. A vontade de matar do agente surge de uma vontade externa, neste
caso a pedido da vítima, havendo consentimento e que o agente o faça em função dessa
determinação.
Requisitos expressos e implícitos:
- Serio: vontade livre e que é consciente do pedido e este pedido tem que ser persuasivo.
- Expresso: não é necessário que seja por escrito, o código da comunicação tem que ser o
mesmo, ou seja, o agente e a vitima tem que ter a mesma comunicação, havendo
entendimento. Ex: através de desenhos, gestos ou mesmo idioma.
- Direto: tem que ser feito a pessoa que o realiza e a vitima é que escolhe como, onde e
quando vai morrer não pode o agente ficar com esta decisão.
- Atual: tem que se certificar que o pedido ainda exista.

O consentimento pode ser passível, conforme art. 149º, em relação a ilicitude não se pode
excluir, em razão do desvalor da ação e a razão do desvalor do resultado (há uma variação da
ilicitude). Ação tem um grande desvalor, pois é autorizado.
Há uma menor ilicitude advém de um menor desvalor da ação, motivado pelo consentimento
prestado pela vitima.
Há uma menor culpa que se justifica pela iniciativa de cometer o crime partir da própria
vitima. O que significa que, ao contrario da maior parte das situações, a decisão do agente não se
funda em motivos egoístas e sim numa atitude altruísta, pois, mata a vitima porque ela assim o
quer, o seu pedido demostra essa vontade.

 Incitamento ou ajuda ao suicídio – art. 135º


Aqui a vitima quer morrer, tal como no art. 134º, tem que haver a manifestação de querer
morrer e o agente tem que auxiliar a morte ao pedido da vitima. Fato típico é o incitamento ao
suicídio. Existem dois tipos de condutas diferentes.
Há um critério (teoria do fato) para diferenciar os artigos 134º e 135º, analisando o domínio do
fato lesivo típico.
A tentativa não é punível, porem o número 2 trata dos menos de 16 anos ou dos agentes que
possuem ma diminuição da capacidade de valoração serão punidos com pena de prisão de 1 a 5 anos
de prisão.

Artigo 134º Artigo 135º


∙ Pedido tem que ser serio, instante ∙ Autor tem que ter o domínio de fato típico
e expresso instigando o suicídio ou na ajuda ao suicídio.
∙ Implícito: direito e atual ∙ Vitima tem que ter o domínio do fato material
que lesa a vida.
∙ Formas de crime:
- Tentativa: o nº 2 do 134º afasta quaisquer dúvidas que possam ser suscitadas em relação à
punibilidade da tentativa no âmbito do crime de homicídio porque expressamente consagra a sua
punibilidade.

- Comparticipação:
a) Sendo o pedido formulado a ambos, a autor e participante, para que matem a
vitima, e se ambos forem determinados por esse pedido, não se suscitam duvidas
quanto à responsabilidade pelo art. 134º, quer para o autor, quer para o
participante.
b) Sendo o pedido dirigido ao autor, apenas ele atuando com consentimento da vitima,
ele se integra no âmbito do 134º, mas por força da regra da acessoriedade limitada,
o participante será responsabilizado pelo fato típico e ilícito do autor. O grau de
ilicitude diminuída transmite-se ao participante, e desde que haja, da sua parte,
conhecimento da existência de um pedido formulado pela vitima, ser-lhe-á
estendida a responsabilidade do autor, pois o fato que o autor praticou é menos
grave.
c) Sendo o pedido dirigido ao participante, o autor, por si, não vê a sua conduta
integrada no 134º, pois embora possa ter sido serio e expresso, não foi direto. E
provavelmente nem foi determinante, pois a intervenção do participante que o
levou a fundar a vontade de matar.

- Concurso: Diante do 131º o agente determinado por um pedido que revista as características
previstas. Em relação ao 133º podem ser colocados duvidas, ao admitir que uma hipótese possa
cumular ambas aas causas de privilegiamento. Sempre que o pedido tenha sido determinante para
fundar o dolo do agente em matar a vitima, estamos perante uma situação em que se deve
prevalecer e aplicar o 134º.

 Infanticídio – art. 136º

Esta em causa a atuação da mãe que mata o seu filho. Estamos perante um crime especifico, no qual se
exigem qualidades para o autor: ser mãe da vitima e mãe biológica, fundamentando-se o tipo numa atuação
que é praticada sob a influencia perturbadora do parto, não bastando, para preenchimento do tipo do crime,
que a mãe mate o seu filho.
O tipo objetivo: o primeiro é o de ser mãe. Em relação à conduta típica a mesma consiste em matar,
independente do modo ou do processo, constituindo este um crime de homicídio, estamos perante a conduta
de matar outra pessoa. Em relação ao objeto, verifica-se uma atuação sobre o filho, que esta a nascer ou que
acabou de nascer.
O dolo do agente é de matar outra pessoa como em qualquer outro homicídio.
Em sede de situações de erro, apenas tem relevância referirmos no caso de a mãe matar a criança
diferente do seu filho.
Não há que se falar em depressão pós-parto, pois esta so aparece alguns dias apos o parto, e neste caso a
influencia perturbadora surge logo apos o parto, o legislador não determina quando, porque varia de mulher
para mulher (uma hora ou ate algumas horas depois).

∙ Formas de crime:
- Tentativa: a mesma afigura-se aceitável, no sentido de ser possível, e punível, basta que a mãe
atua de forma a pretender a morte da criança, ou pelo menos, conformando-se com ela e cabe por
não concretizar esse desiderato.
- Comparticipação: tratando- se de um crime especifico para o autor, apenas aquele que
preencha os requisitos do 136º (por ex. ser mãe). Havendo vários intervenientes no crime, a mãe ser
responsabilizada pelo 136º, o seu cúmplice será responsabilizado pelo 131º, podendo por força do
grau de culpa, ver a sua conduta integrada em qualquer outro crime de homicídio, seja qualificado ou
privilegiado.

- Concurso: não há.

 Homicídio por negligência – art. 137º


No direito penal português a regra é da responsabilização das condutas dolosas, apenas
excecionalmente se punem condutas praticadas a titulo de negligencia.
A conceção do fato negligente constitui um problema de tipicidade. A negligencia consiste no
incumprimento de um cuidado devido, e é a inobservância deste dever de cuidado que constitui um
elemento do tipo. Os fatos negligentes reduzem-se aos fatos que haja uma atuação imprudente em que se
viola um dever de cuidado que estava imposto ao agente naquelas circunstancias. Existem 3 elementos: a
existência de um cuidado objetivo, na lesão do dever de cuidado e a produção do resultado.
O art. 137 estabelece a responsabilidade criminal por homicídio negligente, o tipo de crime que
pressupõe a provocação da morte de outra pessoa através de uma conduta negligente.
- Negligencia grosseira
Nº 2: forma mais grave de culpa, com a correspondente gravação da moldura penal.
Corresponde a uma violação grave do dever de cuidado, revelando um desvalor do comportamento do
agente.
∙ Formas do crime
- Tentativa: não será punido porque a tentativa pressupõe a conduta que o agente decidiu
cometer, o que não acontece em relação ao fato negligente.

- Comparticipação: mesmo que se possa considerar haver situações que objetivamente


configuram a cumplicidade ou a instigação, nunca são suscetíveis de responsabilidade criminal.

- Concurso: há concursos em algumas situações.


a) Havendo concurso efetivo com outra infração dolosa. Por ex. conduzir sob o efeito
do álcool (crime), em consequência causa a morte de uma pessoa. Aqui existe um
concurso efetivo, pois cometeu um crime doloso e dessa ação gerou uma
negligencia.
b) Havendo concurso real existem duas condutas distintas: a primeira - praticada a
titulo negligente (conduta por ação ou omissão), e depois uma atuação omissiva a
titulo de dolo, quando o agente sabe que a vitima carece de auxilio e nega aquele
comportamento.
c) Havendo concurso aparente, vai se colocar em relação aos crimes agravados pelo
resultado. Corresponde a uma relação de consunção (vários crimes), pois o
resultado morte produzido por negligencia já esta previsto no crime praeter
intencional. Haverá lugar apenas para uma pena, a que corresponde a incriminação
mais grave. (jurisprudência dominante).

 Exposição ao abandono – art. 138º


É um crime de perigo concreto para a vida, é necessário que efetivamente a vida seja colocada
em perigo com a conduta que o agente empreendeu, não se auto conformando com o perigo. Nos crimes
de perigo, o bem jurídico que se tutela não chega a ser lesado, porem é ameaçado de lesão. (ex: uma mãe
que abandona o filho na porta da igreja, se o faz no momento em que sabe que outras pessoas vão chegar
no local, porem se o faz no meio da noite sabe que a criança esta toda a noite no frio, neste segundo caso
o dolo da mãe seria o de homicídio porque era previsível que da conduta pudesse resulta a morte do filho
e mesmo assim o fez).
- Exposição: o agente desloca para um cenário do qual a vitima se revela incapaz de se
defender, é uma situação que objetivamente configura um real perigo que nasce quando a vitima é
submetida a esta situação. A conduta tanto pode ser praticada por ação ou omissão.
- Abandono: o perigo para a vida da vitima já existe, o agente não o afasta. O autor podendo e
devendo remover o perigo que ameaça a vida da vitima, incumpre com esta obrigação e agrava a situação
de perigo em que o outro se encontrava.
Agravações
Nº2: circunstancias em que o agente seja ascendente, descendentes, adotante ou adotado
da vitima, prevê o aumento da moldura penal, porque tem por base, a relação que existe entre o agente e
a vitima que transforma o fato praticado num fato mais grave.
Nº3: situação de agravação pelo resultado, este crime corresponde a uma estrutura do
crime praeter intencional.

∙ Formas do crime
- Tentativa: admite tentativa de acordo o art. 23º (regra geral).

- Comparticipação: todos serão responsabilizados pelo crime previsto no art. 138º alínea b.

- Concurso: não existe a possibilidade de concurso.

 Propaganda ao suicídio – art. 139º


A conduta pode ser empreendida de qualquer modo, o que admite uma grande variedade de
comportamentos possíveis de preencher a respetiva conduta típica, assim toda e qualquer
propaganda ou publicidade que seja efetuada esta proibida e punida e terá de ser dirigida a um
publico genérico.
O dolo abrange o conhecimento e a vontade de divulgar os meios aptos a provocar a morte,
com consciência de que esta ser feita de modo a demostrar que o meio é adequado para o suicídio.
A principal distinção entre o art. 135º (tem que ser dirigida a uma pessoa individualizada) e o
139º (tem que ser dirigida a uma generalidade de pessoas).

∙ Formas do crime
- Tentativa: não há tentativa.

- Comparticipação: regras gerais art. 29º.

- Concurso: não há concurso.


Capitulo III- Os crimes contra a vida intrauterina
O bem jurídico que primordialmente se tutela nesta incriminação é precisamente a vida
intrauterina. Assim, protege-se a vida que se encontra dentro do útero materno. A proteção da vida não
tem inicio com a fecundação, mas com o fenómeno da nidação, que consiste na implantação intersticial do
ovo, ou seja, quando o ovo fecundado chega à cavidade uterina e nele se aloja definitivamente, o que
ocorre entre o 10] e o 13º dia apos a fecundação.
O bem jurídica vida intrauterina tem como objeto a vida que esta implantada no útero materno,
seja feto ou embrião.
O crime de aborto apenas pode ser cometido enquanto houver vida dentro do útero, ou seja, ate a vida ter
o inicio, o que se verifica quando começa o parto, corresponde ao ato de nascimento, a partir do qual
começa a proteger-se através do crime de homicídio. O que significa que, a vida intrauterina corresponde
aquela que se desenvolve desde o momento da nidação ate o inicio do parto.

 Aborto – art. 140º


O crime de aborto apresenta-se como um crime de lesão, cujo resultado assenta na interrupção
da gravidez, provocada de forma voluntaria. Consubstancia na morte do embrião, e pode ser
causada através da sua expulsão prematura, ou seja, de o feto esta integralmente constituído,
acabando por morrer, mesmo que seja expulso com bida. Ou então, através da destruição do feto
dentro do ventre materno.

Nº 1- aborto passivo: aborto praticado por terceiro sem consentimento.


Trata-se de um crime geral/comum, podendo ser feito por qualquer pessoa. A conduta típica é
fazer abortar. É um crime de resultado, pois so esta consumado se se verificar a morte do feto. É
um crime livre e admite agravação de resultado (art. 141º - morte da gravida ou lesão à integridade
física). É um crime doloso e de dano, tem que existir a ausência do consentimento da mulher
gravida (elemento de tipo objetivo). Trata-se de um crime pluriofensivo por isso a moldura penal
ser diferente, pois o legislador tenta proteger o feto e a vida da mulher gravida. A tentativa é
punível.

Nº 2- aborto consentido: aborto praticado por terceiro com o consentimento.


O consentimento tem que ser dado pela gravida, tem que ser um consentimento naturalístico.
Aqui o legislador so protege o feto. É um crime geral/ comum, crime de resultado, doloso e de
dano. A tentativa é punível.
Nº 3 – aborto ativo: praticado pela gravida ou pela gravida com consentimento.
É igualmente um crime uni ofensivo (so ofende a vida uterina). A mulher gravida é a autora e se
der consentimento a terceiro, ele é igualmente autor (se a mulher ajudar passa a ser coautora).

∙ Formas de crime

- Tentativa: admite, pois pode o agente ao praticar o ato de execução com vista a causar o aborto e
não conseguir atingir esse resultado. No entanto a tentativa de aborto, de acordo com as regras do
art. 23], apenas pune nas circunstancias do aborto passivo, sendo o único caso em que o aborto
esta cominado com a pena de prisão superior de 3 ano.
A tentativa impossível so acontece nas situações em que o agente empreende a sua conduta
pretendendo realizar o aborto na mulher gravida, desconhecendo que esta já abortou, ou não
havendo gravidez, verificando-se a inexistência essencial do objeto para à consumação crime.
Nestes casos aplica-se as regras gerais da tentativa impossível previstas no nº 3 do art. 23º.
- Comparticipação: recorre-se as regras gerais, sendo o agente que atua como participante
responsabilizado pelo fato típico e ilícito praticado pelo autor.
Se estivermos perante um caso de aborto consentido, em que a mulher gravida tenha dado o
consentimento ao autor para que este efetua o aborto o cúmplice não deixara de ser igualmente
responsabilizado pelo 140º, nº2, pois, este fato típico que o autor (a mulher) praticou, e, portanto,
o fato no qual ele participa. Já se o consentimento da mãe for dirigido aquele que vem a instigar o
autor, ou presta lhe auxilio para este fim, serão igualmente punidos pela pratica do aborto
consentido, pois, houve o consentimento da mulher gravida, e pode fazer-se operar a inversão da
acessoriedade determinada pelo art. 28 º.

 Aborto agravado- art. 141º

Nº 1- corresponde a estrutura de um crime agravado pelo resultado, de acordo com a regra do


art. 18º, trata-se de um crime praeterintencional, em que o agente atua com dolo de aborto, sendo
a sua vontade praticar o aborto na mulher gravida, acabando por lhe causar a morte ou a ofensa a
integridade física grave, resultados que advém da mesma conduta, mas que lhe são imputados a
titulo de negligencia. O fato típico que o agente comete continua a ser o de aborto, e este fato tem
que ser consumado. Para que assim seja, o agente nem sequer pode ter atuando conformando-se
com a possibilidade de as mesmas ocorrerem.
Quando ambos os resultados imputarem a titulo de dolo no agente, e o resultado na mulher
gravida vau para alem das ofensas a integridade física simples, que são próprios da pratica do
aborto, o concurso não pode deixar de ser efetivo, entre o art. 140º e o respetivo tipo a que
corresponde o dolo do agente.
Nº 2 – A primeira refere-se à habitualidade que neste tipo esta relacionada com a ideia de
reincidência do delinquente, para com um sentido ético social da pratica repentina de atos ilícitos
desta natureza. Outra circunstância corresponde com a atuação com intenção lucrativa, ou seja,
aqueles que dedicam a pratica habitual do aborto, fazem-no com intuito de obtenção do lucro,
fazendo-se pagar pelo serviço prestado, não exige que esta atuação tenha sido desenvolvida de
forma reiterada para que funcione o agravamento.

 Interrupção da gravidez não punível – art. 142º


O aborto em qualquer uma das circunstancias do 142º deve ter o consentimento da mulher
gravida, pressupondo um ato de deliberação sua, o medico deve limitar-se a aconselhar a sua
pratica, mas não pode decidir cometer o ato sem a vontade declarada expressamente pela mulher
em pretender realizar o aborto.
O elemento subjetivo é essencial que esteja sempre presente na causa da exclusão da ilicitude
do aborto. Este caso, o mesmo consiste no conhecimento da existência das indicações e atuação
motivada por causa delas, ou seja, o medico tem que ter conhecimento das circunstancias
justificadores que motivaram a intervenção para a interrupção da gravidez.

Nº1- para a maior parte da doutrina a punibilidade é uma causa da exclusão da ilicitude conforme
mostra as alíneas c e d. Os tipos justificadores é que torna a interrupção não punível.
Alínea a) - Único meio para remover o perigo da gravida, independente do tempo de gestação.
Alínea b) – o aborto é apenas indicado para remover a situação em perigo, porem existe um
prazo de 12 semanas de gestação.
Alínea c) – indicação de doenças e malformação congénita, desde que sejam dentro das 24
semanas de gravidez.
Alínea d) – quando a gravidez terá resultado em crimes sexuais, inclusive fertilização in vitro
sem o consentimento da mulher. A interrupção devera ser feita nas primeiras 16 semanas.
Alínea e) – quando houver uma decisão por opção da mulher, mas primeiras 10 semanas de
gravidez.

Capitulo IV – Os crimes contra a integridade física


Bem jurídico que tem relevância constitucional no seu art. 25º, enaltecendo como direito
fundamental. As ofensas no corpo representam uma perturbação na integridade corporal da
pessoa e podem caracterizar-se como toda a alteração ou afetação no corpo de outra pessoa, seja
uma alteração anatómica, funcional ou local ou generalizada. Traduzindo em danos substanciais,
que sejam suficientemente expressivos para assumir relevância. Ou também pode consubstanciar
em uma perda substancial no corpo da pessoa ou na desfiguração. Podem ainda consistir em
perturbações das funções físicas.

 Ofensa à integridade física simples- art. 143º


Trata-se de um crime material, de resultado que se consuma com as ofensas provocadas no
corpo e na saúde da vitima.

Nº 1 – ação típica é ofender à integridade física simples ou a saúde de outra pessoa (viva e não
feto), tem eu estabelecer o nexo de casualidade e que consiga concluir a ação, trata de um crime
geral ou comum que necessita de apenas uma pessoa. É um crime material ou de resultado. Pode
ser agravado por dois motivos: ou pela morte; ou nos casos do art. 144º. é um crime instantâneo
pode ser por via da ação ou da omissão (conjunção com o art. 143º e art. 10º). Enquanto ao bem
jurídico, é uni ofensivo. A tentativa não é punível segundo o art. 23º, não porque não é ilícito,
culposo e sim por sentido estrito. Admite qualquer forma de comparticipação.

Nº2 – Natureza do crime: na regra geral trata de um crime publico no exercício da sua função ou
por causa delas.

Nº 3 – situações de dispensa da pena, os casos em que a lesão/ agressão é reciproca, porem não há
como se provar quem agrediu primeiro (o que sim sabe é que ambos agrediram). Também podem
dispensar de pena os casos em que o agente responde uma ofensa à integridade física com outra
ofensa à integridade física.

 Ofensa à integridade física grave – art. 144º


O que distingue é a gravidade da ofensa no corpo da outra pessoa. É um crime doloso e o
resultado rem que ser direcionado ao que esta estipulado nas alíneas deste artigo a, b, c e d.
O agente tem dolo na conclusão do resultado das alíneas.
É um crime geral ou comum, crime de resultado ou material o que se pressupõe a morte do
agente. Pode por via da ação ou omissão, é um crime instantâneo, embora possa ser duradouro.
Crime de lesão com exceção da alínea d porque há um duplo dolo.
Alínea a) - a importância do órgão ou membro tem que estar ligada as funções que a pessoa
exerce (a afetação da falta do membro com a capacidade de exercer a função que possui) Não pode
ser qualquer órgão que seja vital, porque aí estaríamos diante de um crime de homicídio.
Já a desfiguração tem que ser externa grave e em simultânea permanente. Para ser grave
devemos analisar se a desfiguração é visível e a parte do corpo em que estra situado (por ex. a
desfiguração no rosto esta sempre visível).
Em relação ao carater permanente é quanto a durabilidade da desfiguração e cujo dano não
exija grandes sacrifícios ao agente.
Alínea b) – afetar a capacidade de trabalho que exerce funções gerais e as capacidades
intelectuais quando forem diminuídas. Ou quando afeta a procriação ou fruição sexual (aqui o
órgão continua no corpo, porem fica invalido ou afetado). Ou quando houver uma afetação da
utilização do corpo, sentido ou linguagem.

 Intervenções e tratamentos médico-cirúrgicos –art. 150 º

O tipo esta no nº 2 deste artigo. So pode ser autor quem tiver a capacidade (não é geral ou
comum). O nº 1 trata de finalidades positivas, e através delas vicia as legis artis. É um crime de
perigo concreto. É um crime de resultado/material, ou seja, tem que se verificar o resultado que se
pretende. (não confundir com o art. 156º).
Estas intervenções empreendidas de determinada forma mediante certos requisitos, não se
consideram ofensa à integridade física, sendo este o elemento que permite concluir pela exclusão
do tipo.
Requisitos:
1. Ser efetuada com o fim curativo (exclui-se as intervenções realizadas com fins
experimentais). São apenas as que estiverem caracter de terapia.
2. Seja medico ou pessoa legalmente autorizada (ex: massagistas e terapeutas).
3. Se faça de acordo com a legis artis (intervenção medica esta sujeita a critérios que devem
ser respeitados para que esteja assegurada a qualidade da intervenção.

A violação da legis artis esta previsto no art. 150º nº 2 estabelece uma condenação autónoma
para os médicos que atuem erradamente, são os casos em que o agente viola as regras de
intervenção e tratamento médicos ou cirúrgicos, sem que a conduta não esteja inserida em outro
tipo de crime.

 Intervenções e tratamentos médicos- cirúrgicos arbitrarias – art. 156º

O que esta em causa é a liberdade. É feito em que o consentimento do paciente. É um crime


especifico, as finalidades também são positivas, mas nenhum medico pode fazer os procedimentos
sem o consentimento.
O n 2 deste artigo trata das exceções, ou seja, quando o fato não é punível quando o
consentimento so puder ser obtido com adiantamento que implique o perigo para a vida ou se tiver
feito outro procedimento para evitar um perigo para a vida.
 A participação em rixa – art. 151º
Trata-se de uma incriminação dolosa. Em relação ao bem jurídico tutelado a doutrina não é
unanime. O mesmo acontece com o tipo de crime. Para alguns autores acreditam que se trata de
um crime abstrato-concreto. A professora acredita que para alem de bens lesados, numa
participação em rixa, outros bens também podem ser lesados (bens patrimoniais). Acredita que é
um crime de perigo abstrato- concreto e é pluriofensivo. A prof. Acredita que para haver
incriminação tem que existir um terceiro que tome parte (para alem dos autores). Mas há autores
que não o acham.
Quando há uma participação em rixa com vários participantes, existem vários bens jurídicos
importantes em causa e seria difícil determinar quem foi o autor concreto, então, seriam todos
responsabilizados pelo art. 151º (havendo uma morte ou cegueira por exemplo e não identificando
o agente que praticou tal ato, será desconsiderado a morte e a cegueira sendo penalizados pelo
151º). Neste tipo legal, a morte e a ofensa a integridade física grave constituem condições objetivas
de punibilidade. Rejeita-se a interpretação de tais consequências constituírem o resultado do tipo,
pois a vida e a integridade física são bens jurídicos que valor diferente e então não seria de admitir
que fossem equiparados como resultado de tipo de crime. Moldura penal para o crime de
participação em rixa é a mesma, independentemente da verificação de uma morte ou de uma
ofensa.
O crime de participação em rixa visa evitar a impunibilidade daqueles que contribuíram para o
aumento do perigo mesmo não se sabendo quem causou a lesão.
A não punibilidade da rixa encontra-se no art. 151º nº 2.

 Violência domestica – art. 152º


Nº 1 – pune-se com pena de 1 a 5 anos o agente quem, de forma reiterada ou não, infligir maus
tratos físicos ou psíquicos incluindo castigos corporais, privações da liberdade e ofensas sexuais. É
um crime especifico, o agente tem que ter relação com a vitima (alíneas do nº 1). A conduta típica é
infringir maus tratos físicos ou psíquicos (são mais difíceis de provar).
Esta norma so se aplica se verificar-se que não se encaixa em outra moldura penal mais elevada.
Quanto ao tipo, é um crime doloso (permite qualquer tipo de dolo) e há tentativa.
Nº 2 - trata de um agravação de 2 a 5 anos, por ter sido praticado contra pessoa menor de idade
e mais vulnerável. Também constitui fator de agravação o fato praticado em presença de menor.
Nº 3 – os crimes praeter intencionais (art. 18º) / crime agravado pelo resultado conforme
alíneas a e b, sempre que da conduta de violência domestica advenha um resultado lesivo da vida
ou provoca ofensa a integridade física grave, resultados que são imputados a titulo de negligência.
No nº 4 trata de penas acessórias o bem jurídico é pluridimensional (tutela mais do que um bem
jurídico). Há quem acredite que mais do que qualquer outra coisa, procura proteger a dignidade da
pessoa humana. A prof. Acredita que exista complicações em relação a alargação dos sujeitos para
pessoas que podem não ter nenhuma relação com o agente (por ex. alíneas d). mas não se ter
incluído em nenhuma das alíneas finais que agridem os pais.

 Maus tratos – art. 152º A


Normas subsidiarias da norma do nº 2 al. a) do 152º. A conduta típica é idêntica os agentes é
que mudam. Assenta em relações que pressupõem um vinculo de subordinação ou dependência da
vitima em relação ao seu agressor. Prevê-se que o agressor tenha outra pessoa sobre o seu cuidado
porque assumiu contratualmente esta obrigação, o por força da vinculação familiar. Revela-se
como um crime especifico, de caracter misto, pois é, um crime de resultado e nas situações
registra-se em crime de perigo abstrato.
A agravação pelo resultado esta prevista no art. 152 A nº 2 e corresponde a estrutura do próprio
artigo 18º, ou seja, é um crime praeter intencional.

 Violação de regras de segurança – art. 152º B

Pressupõe uma subordinação do trabalhador a outrem, de forma que as condições de trabalho


e/ou a forma da sua prestação sejam determinadas por aquele que emprega outra pessoa. A
conduta típica assenta no incumprimento das normas que regulam a segurança no trabalho.
É um crime de perigo concreto e tem que ser real.
Nº 1 Trata-se de um crime especifico, postula que o agente seja um empregador que possa
colocar em perigo a vida, saúde ou o corpo do trabalhador. O crime é doloso em toda a sua
extensão, ou seja, o agente tem de atuar conhecendo e querendo desrespeitar as regras de
segurança.
Nº 2 - Se o perigo for criado por negligencia também há responsabilidade criminal (com moldura
penal de 3 anos). A conduta continua a ser pretendida pelo agente, no entanto, o resultado já lhe é
imputado a titulo de negligencia.
Nº 3 – estão as agravações do resultado. na alínea a) trata-se de um crime praeter intencional,
na alínea b) é apenas uma agravação do resultado, mas em relação a ofensa a integridade física.
Nº4 - na alínea a) trata-se de um crime praeter intencional, na alínea b) é apenas uma
agravação do resultado, mas em relação a morte.

∙ Formas de crime

- Concurso: em relação ao 143º nem sempre se pode falar em concurso, pois algumas
situações de maus tratos não revelam ofensa à integridade física. Nos casos em que se
traduzam em ofensas a relação existente é de especialidade. Em relação ao art. 144º, o
agente deve ser punido pelo crime mais grave, que acaba por se encontrar numa relação
de subsidiariedade em relação aos vários crimes de maus tratos.

- Comparticipação: é um crime especifico então terá de se verificar se os agentes detêm


as características do tipo legal. Em caso afirmativo, são todos punidos pelo o crime em
causa. Em caso negativo se apenas um dos coparticipantes preencher as características,
torna-se necessário recorrer as regras de comparticipação criminosa para encontrar a
solução.