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Educaç

Patrimonial e Arqueolog
alguns aspectos de
interf
ção Educação
gia: Patrimonial e Arqueologia:
alguns aspectos desta
esta interface

face
CARL A GIBERTONI CARNEIR O
Universidade de São Paulo, São Paulo/SP, Brasil
Carneiro, C. G.

EDUCAÇÃO PATRIMONIAL E ARQUEOLOGIA: ALGUNS AS-


PECTOS DESTA INTERFACE
Resumo
O objetivo deste artigo é apresentar reflexões sobre aspectos relacio-
nados à socialização do patrimônio arqueológico. Dentre os vários
caminhos possíveis para o desenvolvimento de ações que buscam a
aproximação da sociedade com seus bens patrimoniais, há uma prepon-
derância das consideradas do âmbito da educação patrimonial. As refle-
xões aqui propostas, apoiadas em diferentes experiências realizadas no
contexto amazônico, visam problematizar essa relação, evidenciando a
necessidade de interfaces com outras esferas do conhecimento, especial-
mente com as discussões acerca da categoria de pensamento patrimônio.
Palavras-chave: Educação patrimonial, patrimônio, socialização

HERITAGE EDUCATION AND ARCHAEOLOGY: SOME AS-


PECTS OF THAT INTERFACE
Abstract
The main purpose of this article is to reflect the aspects related to the
socialization of the archaeological heritage. Among the several possible
ways for the development of actions that seek the approximation of
the society with its own patrimonial belongings, there is a prevalence of
those that belong to the scope of heritage education. The reflections
here proposed, supported in different experiences made in the amazon
context, seek to discuss this relationship, evidencing the necessity of
interfaces with other spheres of knowledge, especially with the discus-
sions around the category of patrimonial thinking.
Keywords: Heritage education, heritage, socialization

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Educação Patrimonial e Arqueologia

EDUCACIÓN SOBRE EL PATRIMONIO Y ARQUEOLOGÍA: AL-


GUNOS ASPECTOS DE ESTA INTERFAZ
Resumen
El objetivo de este artículo es reflexionar acerca de los aspectos relati-
vos a la socialización del patrimonio arqueológico. Entre los muchos
caminos posibles para el desarrollo de las acciones que intentan acercar
la sociedad de sus bienes patrimoniales hay una preponderancia de las
consideradas en el ámbito de la educación patrimonial. Las reflexiones
aquí propuestas, apoyadas en las diferentes experiencias realizadas en el
contexto amazónico, intentan exponer amazónico, intentan exponerla
problemática de esta relación y evidenciar la necesidad del dialogo con
otras esferas del conocimiento, en especial con las discusiones acerca de
la categoría del pensamiento patrimonio.
Palabras-clave: Educación patrimonial, patrimonio, socialización

Endereço da autora para correspondência: Av. Prof. Almeida Prado


1466 - Cidade Universitária - São Paulo/SP, CEP: 05508-070, Brasil. E-
-mail: cgiber@gmail.com

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Carneiro, C. G.

INTRODUÇÃO ção dos bens culturais. Embora esta


relação exista, seu viés não é restritivo,
O foco deste artigo consiste em provo-
uma vez que é importante entender de
car uma reflexão em torno de questões
qual esfera de preservação estamos tra-
relativas ao patrimônio arqueológico e
tando.
sua preservação, perpassando por as-
pectos de divulgação ou, preferencial-
mente, de socialização do conhecimen- ARQUEOLOGIA E EDUCAÇÃO PA-
to produzido a partir deste patrimônio. TRIMONIAL: HISTÓRICO DE APRO-
Os problemas quanto à profusão de XIMAÇÃO
empreendimentos implantados e a ne-
cessidade de articulação rápida, para No contexto da Arqueologia, o histó-
que o patrimônio arqueológico não rico de aproximação com a Educação
desapareça sem as devidas ações de Patrimonial indica a legislação brasilei-
pesquisa e salvaguarda, estão presentes ra de proteção ao patrimônio arqueo-
nas diversas regiões do país, resultado lógico como principal fator para que
do atual contexto político de acelera- uma profusão de ações educacionais
ção do crescimento. começassem a fazer parte dos projetos
Nosso desafio enquanto profissionais de arqueologia, especialmente os de ar-
da arqueologia e envolvidos na gestão queologia preventiva.
do patrimônio arqueológico é, pois, É preciso salientar, no entanto, que
refletir em quais bases cabe-nos atuar esta relação não se concretizou somen-
para garantir com qualidade a produ- te a partir deste contexto específico,
ção do conhecimento de nossa história ou seja, pela vinculação dos estudos
de longa duração, constituída em gran- arqueológicos à Política Nacional do
de parte por meio dos vestígios deixa- Meio Ambiente, na década de 1980,
dos pelas populações pretéritas, bem especialmente a partir da publicação
como compreender as diferentes arti- da Portaria IPHAN nº 230, de 17 de
culações que a sociedade contemporâ- dezembro de 2002, que indica o desen-
nea estabelece com este patrimônio. volvimento de ações educacionais com
Uma das esferas mais difundidas com vistas à socialização do conhecimento
relação à interface Arqueologia – So- arqueológico. Assim, o entendimento
ciedade refere-se à chamada Educação da Educação Patrimonial tem vincu-
Patrimonial. Termo cunhado em outro lação clara à proposta metodológica
contexto e trazido para o âmbito da adaptada, na década de 1980, por Ma-
arqueologia em um cenário bem es- ria de Lourdes Parreiras Horta (1984ª,
pecífico. Esta relação muitas vezes é 1984b), da heritage educacion desenvol-
compreendida como tendo um papel vida na Inglaterra, cuja definição tam-
fundamental no cenário da preserva- bém já foi bastante difundida.
ção patrimonial, pois se acredita que Existem críticas que ressaltam que,
ações de divulgação podem ser direta- embora seja reconhecida a importân-
mente responsáveis pela não destrui- cia de uma sistematização das ações

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Educação Patrimonial e Arqueologia

educacionais desenvolvidas no âmbito O objetivo deste artigo não é defender


principalmente das instituições muse- a Educação Patrimonial, pois com-
ológicas, a metodologia estabelecida partilhamos da opinião em relação ao
não deu conta de abarcar nem a mul- desgaste deste termo, assim como de
tiplicidade de ações anteriores que já sua restrição conceitual e metodológi-
vinham sendo realizadas no contexto ca, dada sua trajetória histórica; no en-
brasileiro, nem tampouco os desdobra- tanto, consideramos que é o momento
mentos que se sucederam a partir des- de problematizarmos a inserção das
se período. Dessa forma, não podemos ações educacionais como possibilidade
perder como referência as experiências de difusão, divulgação, socialização do
educacionais anteriores relacionadas à conhecimento arqueológico junto aos
arqueologia em nosso país. mais diversos setores sociais.
Nessa trajetória, é inegável a importan- O número crescente de eventos cuja
te atuação dos museus. Profissionais tônica envolve aspectos de socializa-
inspirados por Paulo Duarte, Castro ção e apresentação de trabalhos nos
de Faria e Loureiro Fernandes, nomes encontros de arqueologia relativos a
referência para o desenvolvimento da esta temática é sensível. O que antes
legislação vigente e que já promoviam se centrava quase que exclusivamente
ações de divulgação científica, começa- em relatos de experiências sobre ações
ram a desenvolver ações educacionais desenvolvidas, hoje se coloca como re-
voltadas à divulgação do conhecimen- flexões críticas sobre o alcance efetivo
to arqueológico. No final da década de destas ações e uma problematização
1970 e início dos anos de 1980, inicia- em torno do que se considera preser-
ram-se as primeiras ações educativas vação patrimonial.
nos antigos Instituto de Pré-História e Gostaríamos ainda de esclarecer que
Museu de Arqueologia e Etnologia da a base para as colocações que aqui in-
Universidade de São Paulo, no Museu dicamos está principalmente na nossa
Arqueológico de Sambaqui de Joinvil- atuação profissional como educadora
le, Santa Catarina e no Museu Paraense do Museu de Arqueologia e Etnologia
Emílio Goeldi, Pará. da Universidade de São Paulo e partici-
pação em projetos de pesquisa arqueo-
Ressaltamos, com frequência, aspectos
lógica acadêmica e preventiva na região
deste histórico, pois estas ações educa-
amazônica, especialmente no estado
tivas iniciais desdobraram-se e hoje, re-
do Amazonas.
novadas e ampliadas, continuam a ser
desenvolvidas no âmbito destas e de Diante das possibilidades de crítica ao
outras instituições museológicas, per- viés metodológico do campo da Edu-
manecendo na base dos programas de cação Patrimonial1, gostaríamos de res-
educação patrimonial desenvolvidos saltar dois aspectos.
também por outras instituições de pes- Definida na perspectiva de “alfabetiza-
quisas arqueológicas como as universi- ção cultural”, esta estratégia metodoló-
dades e empresas. gica limita o objetivo educacional, ao

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propor o início do processo de apren- parte do processo de formação de


dizado sem apresentar a indicação de diversas modalidades de autoconsci-
continuidade e/ou aprofundamento da ência, não desempenhando apenas a
ação; em contrapartida, apresenta-se função de sinais diacríticos a demarcar
como processo “sistemático” e “per- identidades, mas, na verdade, contri-
manente” de trabalho educacional. Sua buindo decisivamente para a sua cons-
vinculação explícita aos princípios te- tituição e percepção subjetivas .
óricos da psicologia do aprendizado e Exemplo do caráter restritivo de boa
da percepção, fundamentados por Jean parte das ações de educação patrimo-
Piaget, corroboram seu caráter restriti- nial vinculadas estritamente à meto-
vo, uma vez que as etapas que compõe dologia proposta é que, em muitos
a metodologia referem-se aos estágios casos, prevalece como principal forma
do desenvolvimento infantil. de ação educacional a elaboração das
É inegável que desde o momento de famosas cartilhas e/ou a realização de
sua formulação, no início da década de palestras – meios pelos quais o con-
1980, até os dias atuais, a Educação Pa- teúdo arqueológico pode ser divulga-
trimonial renovou-se estendendo sua do. Aliás, é no caminho da divulgação
aplicação a diferentes faixas etárias e científica que muitas ações “ditas”
indicando um conceito de patrimônio educacionais caminham. Esses méto-
cultural mais abrangente, porém sem dos, apesar de em alguns casos se con-
evidenciar a incorporação de novos re- figurar em estratégias iniciais e o que é
ferenciais teóricos. possível ser realizado em determinado
Outro aspecto passível de observação contexto, não podem ser confundidos
é a forma como se dá este aprendiza- com processo educacional, nem mes-
do, ao indicá-lo como “possibilidade mo o ganho metodológico de consi-
de leitura do mundo que nos rodeia”, derar as referências patrimoniais como
dando-nos a sensação que o indiví- fonte primária faz parte destas ações.
duo não o faz se não for estimulado. Hoje, no contexto amplo de desen-
Contudo, quando trabalhamos com as volvimento de ações educacionais no
referências patrimoniais, sabemos que âmbito da arqueologia, vem sendo
a relação de aprendizado se estabele- revelado, por vários profissionais, os
ce em uma base dialógica e dialética, problemas inerentes a esta vinculação
já que o indivíduo, ou seja, todos nós, estrita à metodologia acima referencia-
faz de uma forma ou outra, a leitura do da e o caminho aponta para uma nova
mundo que os rodeia. acepção do termo, indicando uma
Cabe então refletir sobre as bases nas busca por ações e reflexões de caráter
quais as diferentes leituras podem ser transdisciplinar.
realizadas, sem hierarquização de va- Assim, mais do que uma estratégia
lores, visto que os bens patrimoniais, metodológica, consideramos oportu-
como argumenta o antropólogo José no pensar a Educação Patrimonial ou
Reginaldo Gonçalves (2007:10), são outro termo que consigamos cunhar,

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Educação Patrimonial e Arqueologia

como um campo de conhecimento de balhos voltados ao estudo social sobre


forma a abarcar o desenvolvimento de o conhecimento científico.
pesquisas e o planejamento e execução Assim, no caminho de transpor barrei-
de ações educacionais que contem- ras disciplinares e criar uma base co-
plem a complexidade das questões re- mum de discussões acerca da sociali-
lacionadas às referências patrimoniais. zação do conhecimento arqueológico,
Nesse aspecto, conceituar o termo consideramos importante a aproxi-
Educação Patrimonial está longe de ter mação com as reflexões sobre a con-
somente relevância acadêmica ou teó- cepção contemporânea da categoria
rica. O entendimento amplo ou restri- de pensamento patrimônio. Estas se
to do conceito determina o perfil das tornam importantes referências para
ações planejadas, a agência dos sujeitos alargar o rol de fatores que estão en-
envolvidos no processo e a garantia do volvidos no planejamento e execução
desenvolvimento de políticas públicas destas ações educacionais.
que integrem interesses de diferentes Nas últimas décadas, assistimos ao
sujeitos sociais. deslocamento da noção moderna de
Como bem apontou o historiador patrimônio para uma incorporação de
Ulpiano Bezerra de Meneses (1987), discussões provenientes do desdobra-
a problemática em torno da preser- mento do conceito antropológico de
vação do patrimônio arqueológico cultura, da legislação e de convenções
como contribuição à formulação ou que estão na base de orientações de
reforço de uma identidade cultural cunho preservacionista e de valoriza-
não tem autonomia ou natureza pró- ção do patrimônio cultural. Neste ce-
pria. Sua especificidade conflui para nário, a UNESCO tem papel de des-
questões gerais, indicando o compar- taque, e o Brasil é signatário de todas
tilhamento de reflexões com outras as recomendações internacionais. Não
esferas do saber. podemos nos esquecer, no entanto,
que boa parte da origem dessas reco-
No âmbito da disciplina arqueológica,
mendações, ainda que apoiadas em um
já há bastante tempo vêm configu-
longo processo de discussão que cul-
rando-se ramificações voltadas à dis-
minou no reconhecimento e valoriza-
cussão sobre o papel social e político
ção da diversidade cultural, apresentam
da arqueologia: Arqueologia Pública,
traços de uma visão ocidentalizada de
Etnoarqueologia, Arqueologia Simétri- preservação.
ca, Musealização da Arqueologia, para
citar alguns exemplos. Não temos o Diante das novas acepções que gravi-
objetivo aqui de apresentar essas ver- tam sobre a categoria patrimônio gos-
tentes, uma vez isso se daria de forma taríamos de destacar alguns aspectos.
muito superficial, no entanto é impor- Durante muito tempo as discussões,
tante sublinhar que essas discussões no Brasil, foram direcionadas aos bens
fazem parte de um contexto amplo de patrimoniais materiais, principalmente
reflexões desenvolvido a partir de tra- os arquitetônicos, porém, essa tendên-

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Carneiro, C. G.

cia vem se transformando, incorporan- sem a devida avaliação, os modos de


do novas categorias. vida tradicionais.
O surgimento de um conceito de pa- Outra reflexão fundamental relaciona-
trimônio imaterial, muito recente, deve -se ao chamado patrimônio genético,
ser entendido como parte de um longo conceito constituído no mesmo bojo
processo de preocupações de diversos de discussões do patrimônio intangí-
países e instituições com a diversidade vel. Este campo, que inicia sua inser-
cultural. Sua natureza, mais relacionada ção nos debates das ciências sociais,
a processos que a produtos, imprime- revela-se como “um lugar de tensões
-lhe especificidades, sobretudo, à ques- e disputas de interesses diversificados,
tão da preservação. Suas formas não especialmente entre o Estado, a socie-
podem ser consideradas definitivas, dade civil e as instituições de pesqui-
já que variam conforme os processos sa”, como ressaltam Abreu & Chagas
de atualização, recriação presentes nas (2003:30).
dinâmicas de transmissão de valores
Considerado como bem de interesse
e conhecimentos entre gerações. Suas
difuso ou público, o patrimônio ge-
condições de reprodução também
nético tangencia a ameaça: o interesse
dependem, entre outros aspectos, do
comercial que constantemente se faz
acesso ao território e aos recursos na-
presente. A biotecnologia atrai investi-
turais necessários na constituição des-
dores da indústria química, farmacêu-
ses patrimônios (Carneiro da Cunha
tica, medicina botânica que exploram
2005:15).
a biodiversidade brasileira. Não só os
No caminho das dinâmicas sociais, um recursos genéticos quanto também os
aspecto fundamental foi problematiza- conhecimentos tradicionais a eles re-
do pela antropóloga Manuela Carneiro lacionados (Azevedo & Moreira 2005:
da Cunha, que estudou as consequ- 45).
ências da patrimonialização da cultu-
No entanto, a Convenção da Diver-
ra. O incentivo do registro, de repro-
sidade Biológica indicou, como prin-
dução, ou seja, de coletivização, fere,
cípio, a propriedade do patrimônio
muitas vezes, prerrogativas culturais
genético pelos países de origem e sua
de determinados grupos. O incentivo
ao ensinamento e a socialização de al- conservação on farm sob a responsabili-
guns processos que são exclusivos de dade das populações locais (Emperaire
algumas categoriais sociais no grupo, 2005:33), todavia, há vários problemas
além disso, o incentivo à produção éticos que gravitam em torno das pro-
artesanal desencadeia remuneração e priedades e patentes.
incide valor na exclusividade, aspectos A questão do patrimônio genético,
que alteram sistemas de troca, vistos que não tem ainda azeitada uma le-
como elos essenciais em determinadas gislação específica, lida com um cam-
relações intergrupais podem ser alguns po de forças complexas e em muitos
exemplos desses efeitos desencade- casos antagônicas, há, de um lado as
ados que interferem sobremaneira e, comunidades, detentoras dos recursos

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Educação Patrimonial e Arqueologia

e do domínio sobre o que fazer com Estes solos, quimicamente modifica-


estes recursos, que em alguns casos dos, diferenciando-se dos solos origi-
pleiteiam autonomia para gerenciá-los, nais da Amazônia, extremamente áci-
e, de outro lado, esses recursos sendo dos, são considerados antropogênicos,
considerados como pistas-chave para visto que os resultados de pesquisas
problemas que afetam a humanidade recentes indicam que foram constitu-
como um todo, o que Abreu & Chagas ídos a partir de ações cotidianas dos
(2003:40) colocam como relacionado à povos do passado, cujo modo de vida
sobrevivência do planeta. envolvia atividades que favoreciam
Como estas questões se deslocam para o acúmulo de restos orgânicos, tais
se pensar ações educacionais com base como fogueiras domésticas, deposição
nas referências patrimoniais arqueoló- de restos de comida, folhas, palhas etc.
gicas? No presente, esses solos são uma im-
portante fonte econômica, na medida
em que dada sua fertilidade, são procu-
SOCIALIZAÇÃO DO PATRIMÔNIO rados para áreas de plantio. Isso coloca
ARQUEOLÓGICO: EXPERIÊNCIAS uma questão: se estes solos são evi-
NA AMAZÔNIA dências da ocupação humana pretérita
e a eles estão associados, geralmente,
Neste item, deteremo-nos ao contexto
outros vestígios arqueológicos – restos
específico da Amazônia Central, área
humanos, faunísticos e fragmentos ce-
na qual temos atuado e, consequente-
râmicos, para citar alguns exemplos – a
mente, lidado mais diretamente com
ocupação recente e sucessiva interfere
estas questões.
sobremaneira em sua preservação?
Muitos indícios desses conhecimen- Durante o desenvolvimento das ações
tos tradicionais impressos na diver- educacionais em alguns municípios do
sidade ambiental da região revelam a estado do Amazonas, foram muitas as
interferência milenar das populações discussões junto às comunidades com
humanas na configuração territorial relação a esta referência patrimonial.
que hoje se apresenta. A região ama- Nos nossos diálogos, tanto durante as
zônica caracteriza-se pela diversidade e atividades programadas nas escolas e
complexidade em vários níveis, tendo visitas aos sítios arqueológicos, quan-
como pilar para o entendimento deste to em conversas informais com os
território o manejo da natureza desde moradores, as interpretações surgiram
épocas muito remotas. de formas variadas desde a leitura de
Dentre os muitos conhecimentos pro- ser um solo natural até a percepção de
duzidos por estas populações e que que a terra preta “cresce”. As reações
adentram a contemporaneidade, cha- também quando colocávamos a inter-
mamos a atenção para um vestígio pa- pretação científica apareceram de ma-
trimonial: a Terra Preta de Índio, como neira muito diferenciada, variando de
são denominados determinados solos surpresa e encantamento por saber da
pelas comunidades locais. interferência humana até desconforto

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Carneiro, C. G.

por ousarmos pensar que não é um junto a alguns grupos sociais específi-
produto de “Deus”. cos.
De toda forma, neste cenário revela- Desde 2005, uma equipe2 começou a
-se um elo importante de ligação entre formar-se para atuar especificamente
comunidades e patrimônio arqueoló- com as ações de educação patrimonial
gico. É um caminho para envolver as vinculados aos projetos de pesquisa
comunidades nas discussões que bus- arqueológica (acadêmica e preventiva),
cam compreender a história da ocupa- coordenados pelo arqueólogo Eduar-
ção humana regional e que possibilita do Góes Neves3 na Amazônia Central.
o reconhecimento dos conhecimentos A constituição de uma equipe possi-
desenvolvidos por estas populações bilitou, além da busca por aperfeiço-
pretéritas no manejo e transformação amento em uma formação específica
da paisagem local, muitos destes con- para atuar e pesquisar sobre questões
tinuados /renovados /transformados inerentes ao patrimônio arqueológico,
pelas populações contemporâneas. caminhos de atuação em uma perspec-
Pensar, então, em um modelo único de tiva de médio e longo prazo e na busca
educação patrimonial para a Amazônia por articulação entre distintos projetos.
é um desafio inviável. Não há, no meu Assim, o trabalho iniciado em 2005, a
ponto de vista, problemas comuns re- partir da implementação do Programa
velados pela convivência direta das po- de Educação Patrimonial vinculado ao
pulações locais com o patrimônio ar- Projeto de Levantamento Arqueológi-
queológico, nem tampouco receita de co do Gasoduto Coari -Manaus (AM)4,
como lidar com contextos culturais tão provocou um movimento de aproxi-
diversos. O que pretendemos, então, é mação sistemático entre a equipe de
apontar alguns questionamentos que arqueologia e diferentes contextos so-
vem surgindo a partir da experiência ciais na região da Amazônia Central.

Figura 1 - Área de abrangência do Projeto de Levantamento Arqueológico do Gasoduto


Coari-Manaus (AM)

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Educação Patrimonial e Arqueologia

Figura 2 – Aspectos do curso voltado para professores Arqueologia Amazônica no Contexto


Educacional (2006).
Planejado em uma perspectiva sistêmi- na região e sobre a potencialidade de
ca, o referido programa buscou articu- projetos educacionais com base nas
lar ações no âmbito de outros projetos referências patrimoniais, estes progra-
de arqueologia em desenvolvimento na mas possibilitaram encontros, mes-
região, com vistas a aprofundar os as- mo que com grupos reduzidos, onde
pectos evidenciados nesses primeiros foi evidenciado, em grande medida, o
contatos. distanciamento existente entre arque-
ólogos e comunidades, assim como as
Em 2007, iniciou-se, dessa forma, o
potencialidades de uma aproximação
desenvolvimento de ações educacio-
entre conhecimento científico e sabe-
nais no âmbito do Projeto Amazônia
res tradicionais.
Central, projeto de pesquisa acadêmica
iniciado em 1995, realizado no municí- Diante da descoberta por ambos os la-
pio de Iranduba (AM). dos – educadores patrimoniais e comu-
nitários – de um universo de possibi-
Com o mesmo objetivo de articulação
lidade de interpretações com base nas
e continuidade foram desenvolvidas
referências patrimoniais arqueológicas,
ações educacionais também nos pro-
somou-se outro objetivo aos demais
jetos: PIATAM5 e junto a projetos de
apresentados: a necessidade de diag-
pesquisa acadêmica (mestrados e dou- nosticar a diversidade de relações que
torados) em outras regiões do estado se estabelecem entre os sujeitos sociais
do Amazonas e em Rondônia. e os vestígios arqueológicos, com os
Iniciados a partir de uma perspectiva quais convivem cotidianamente e as
informativa sobre aspectos do desen- diferentes visões sobre o trabalho ar-
volvimento dos estudos arqueológicos queológico.

Figura 3 – Aspectos de atividades com alunos durante etapa de pesquisa do Projeto Ama-
zônia Central (2007/2008).

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Carneiro, C. G.

A partir do contato com algumas co- sem “interferência” física nas peças;
munidades do Amazonas, diferentes o comércio ilegal de peças arqueoló-
contextos relativos à relação dos mo- gicas em diferentes escalas; a apro-
radores com os vestígios arqueológi- priação e ressignificações dos vestí-
cos vêm sendo identificados como: o gios arqueológicos atribuindo a eles
colecionamento espontâneo de peças diferentes usos e caracterizações; e,
arqueológicas pelas populações lo- por fim, aparente recusa ou descaso
cais sem intencionalidade de venda e diante dos vestígios.

Figura 4 - Peças arqueológicas recolhidas e reapropriadas pelas comunidades


No desenvolvimento dos projetos aci- Pessoas, então, que conviviam com es-
ma referenciados, destacamos dois epi- tes materiais sem lhes despertar o in-
sódios revelados tanto ao alcance das teresse, passaram a colecioná-los e, ao
ações educacionais em uma perspec- que parece, não porque estes vestígios
tiva preservacionista, como a outros rapidamente integraram seu regime
processos desencadeados pela realiza- cultural, mas porque se perceberam
ção das pesquisas arqueológicas. como “responsáveis”, “proprietários”
O primeiro exemplo refere-se a uma de objetos valorizados por outras pes-
experiência, no contexto do Projeto soas.
PIATAM, ocorrida junto a uma comu- De qualquer forma, certamente, foi
nidade ribeirinha que vive no médio alterada a relação anteriormente esta-
Solimões, no estado do Amazonas, e belecida, resta-nos saber quais os as-
que demonstra alterações na dinâmica pectos presentes nesta nova relação e
cultural a partir de uma interferência quais os desdobramentos futuros. É
relacionada à valorização patrimonial, um desafio que se coloca. Neste caso
neste caso específico, a partir dos vestí- específico, as ações dos arqueólogos e
gios arqueológicos. dos educadores parecem, em um pri-
Iniciou-se a formação de coleções de meiro momento, caminhar em um sen-
artefatos arqueológicos, pela comu- tido contrário à preservação. Porém,
nidade local, para arqueólogos. A ida este evento, não intencional, pode levar
constante desses profissionais com o a uma nova dinâmica quanto às pos-
objetivo de monitorar o estado de pre- sibilidades de relações estabelecidas a
servação dos sítios arqueológicos da partir do patrimônio arqueológico.
região levantou a questão da importân- Este exemplo ressalta, em outro aspec-
cia do material. to, a importância dos profissionais en-

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Educação Patrimonial e Arqueologia

volvidos no desenvolvimento das pes- 1) Tempo exíguo para o desenvolvi-


quisas arqueológicas estarem atentos mento dos trabalhos de campo.
quanto às interferências provocadas 2) Dificuldade de continuidade a
por meio de suas ações, além da neces- longo prazo das pesquisas arque-
sidade de se conhecer, diagnosticar e, ológicas.
principalmente, acompanhar o desen-
cadear destes processos provocados. 3) Ausência ou raro retorno dos re-
sultados das pesquisas realizadas.
O segundo episódio diz respeito a uma
situação aparentemente conflituosa re- 4) Pouco conhecimento sobre o
perfil da população que vive so-
centemente configurada em uma etapa
bre ou próxima aos sitos arqueo-
de pesquisa arqueológica junto ao rio
lógicos e sua relação com o patri-
Unini, no município de Novo Airão
mônio.
(AM). A população local questionou a
forma como os arqueólogos conduzi- 5) Separação da comunidade e seu
ram a pesquisa: desde a forma “isola- patrimônio (geralmente, este é
da” como se portaram na comunidade levado a locais onde nunca mais
até o incômodo gerado pela retirada do serão vistos por essas pessoas)
material arqueológico do local. Além Estes aspectos enumerados parecem
do conflito aparentemente gerado en- óbvios, pois afetam a todos nós de al-
tre arqueólogos e comunitários, essa guma maneira, mas são elementos que
situação também gerou diferentes pos- cada vez mais se constituem em variá-
turas entre os arqueólogos responsá- veis que interferem na continuidade e
veis pelo desenvolvimento da pesquisa, qualidade de nossos trabalhos.
que integrou desde o seu início ações
No entanto, o enfrentamento des-
de educação patrimonial.
sas questões pode ser visto de forma
Vemos esse caso como emblemático muito positiva, pois revela um posi-
no que concerne a um processo de cionamento crítico, que vai além da
mudança na maneira de se fazer ar- aplicação legal, impregnando nossa
queologia, hoje, em nosso país. Ora, concepção e atuação profissional e
porque de fato acreditamos em um que, em certa instância, direciona-se
processo compartilhado nas toma- ao estabelecimento de políticas pú-
das de decisões, ora porque somos blicas em arqueologia - aspecto tão
pressionados a fazê-lo. De qualquer necessário em nossa prática profis-
forma, são questões comuns que se sional.
apresentam no desenvolvimento de As cobranças são comuns durante o
nossas ações, seja qual for o foco es- desenvolvimento das ações de educa-
pecífico de atuação. ção em diferentes contextos, princi-
O cenário de conflito apresentado, palmente nos quais houve a realização
apesar de suas particularidades, revela anterior de pesquisa arqueológica de
uma situação vivenciada, também, em forma pontual, mas, apesar da tensão
outros contextos: do momento, é inegável sua importân-

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Carneiro, C. G.

cia como força motriz para provocar científicas, realizadas na região Amazô-
mudanças. nica desde há várias décadas.
A partir do nosso envolvimento nos Lembraremo-nos que já foram muitas
trabalhos de educação patrimonial, promessas e poucos retornos quanto
percebemos a necessidade da reali- a uma melhoria na qualidade de vida
zação de diagnósticos aprofundados, dessas pessoas. Embora em contextos
como já apontado, com o objetivo e escalas diferenciados, essa relação de
principal de entender as diferentes desconfiança foi construída entre pes-
relações estabelecidas entre as pesso- quisadores e comunidades, por isso,
as e o patrimônio arqueológico com torna-se importante entender essa situ-
vistas a propor ações que possam ir ação conflituosa a partir de uma pers-
além da indução e/ou doutrinação, pectiva histórica.
sob o argumento que estamos pro- Parcerias, continuidade em longo pra-
movendo a valorização da identidade zo das pesquisas, abertura para reco-
cultural dos grupos sociais com os nhecer interesses distintos, mas igual-
quais trabalhamos. Não é possível, mente legítimos, são elementos que
nem desejável, impor como deve ser certamente nos conduzirão a um mo-
essa relação. vimento de interação social de fato e
Consideramos que a educação patri- não a um discurso mascarado de valo-
monial, no âmbito da arqueologia, ain- rização da diversidade cultural.
da é vista de uma maneira muito restri-
ta, muitas vezes como divulgação dos
resultados produzidos pelos arqueólo- CONSIDERAÇÕES FINAIS
gos e até mesmo como estratégia para Com base nas reflexões propostas nes-
“acalmar os ânimos” – a expectativa te artigo, buscamos evidenciar as espe-
em alguns casos é a de que possamos cificidades das discussões e objetivos
“controlar” a comunidade para que os nos contextos das diferentes áreas e
arqueólogos possam trabalhar e o pa- subáreas interessadas em entender as
trimônio não ser destruído. Todavia, interfaces da sociedade com suas refe-
nosso objetivo vai além, embora in- rências patrimoniais, aqui em especial
felizmente, e por razões variadas, em as arqueológicas.
muitos casos essas ações venham ten-
A educação patrimonial tem como
do um resultado limitado.
perspectiva desenvolver-se a partir de
Gostaríamos também de reforçar, a seu viés específico, que é uma vocação
partir deste episódio, que a desconfian- clara de ensino. Ressaltamos que ela
ça sobre os trabalhos de arqueologia e não restritiva ao saber formal, escola-
o eterno retorno do mito da caça ao te- rizado, alinhado obviamente aos pres-
souro não são ideias tão irreais, se pen- supostos teóricos revelados na articu-
sarmos nas excursões exploratórias de lação das diferentes esferas do saber
séculos atrás e nas ações extrativistas, envolvidas nesse cenário, conforme
muitas delas travestidas de pesquisas tentamos brevemente aqui apresentar.

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Educação Patrimonial e Arqueologia

Assim, reforça-se o papel político da Estado, quanto de outros setores orga-


educação aliado à razão política dos nizados da sociedade.
estudos arqueológicos, utilizando
o termo de Meneses. A arqueologia
brasileira tem como importante con- NOTAS
tribuição a configuração da história 1
A metodologia da Educação Patrimo-
indígena, partindo da premissa de nial é definida como “um instrumento de
que as populações indígenas foram ‘alfabetização cultural’ que possibilita ao
as responsáveis, em grande medida, indivíduo fazer a leitura do mundo que o
pela complexidade territorial que rodeia, levando-o à compreensão do uni-
hoje se apresenta. Nesse sentido, a verso sociocultural e da trajetória históri-
arqueologia pode levar a uma discus- co-temporal em que está inserido.” (Horta,
são acerca da situação atual em que Grunberg & Monteiro 1999:6).
se encontram esses grupos culturais 2
Desde 2005, fizeram parte da equipe de
e sociais, que não têm reconhecidos Educação Patrimonial: Caroline Fernandes
os sistemas cognitivos, simbólicos Caromano, Fabio Guaraldo Almeida, Ma-
e políticos por eles estruturados ao ria Teresa Vieira Parente e Maurício André
longo da história remota e recente. Silva.

Da mesma forma, esse não reconhe-


3
Eduardo Góes Neves é arqueólogo e pro-
fessor do Museu de Arqueologia e Etnolo-
cimento justifica a maneira como o
gia da USP.
passado pré-colonial brasileiro foi con-
siderado, em certa mediada ainda o é,
4
Contrato estabelecido entre a Universida-
quanto a um total abandono e nega- de de São Paulo e a Petrobras.
ção da herança indígena (Bruno 1995). 5
O Projeto PIATAM – programa de pes-
Este aspecto justifica a forma explora- quisa que estuda os Potenciais Impactos e
tória como nosso território foi ocupa- Riscos Ambientais da Indústria do Petró-
do durante séculos a partir de uma ló- leo e Gás no Amazonas – teve início em
2000, como um projeto da Universidade
gica colonialista. Esta questão adentra
Federal do Amazonas (UFAM). A partir
a contemporaneidade e contribui para
de 2002, o projeto passou a ser financia-
que o mesmo modelo de exploração do pela Petrobras, mas envolveu a parti-
econômica predomine em muitos con- cipação de outras instituições de pesquisa
textos. como o Instituto Nacional de Pesquisas da
Partindo então desta constatação, os Amazônia (INPA), Centro de Pesquisa e
estudos arqueológicos podem, a partir Desenvolvimento da Petrobras (CENPES)
do conhecimento sobre o manejo hu- e a própria UFAM, sua criadora. São reali-
zadas quatro excursões científicas por ano,
mano milenar, em uma perspectiva de
pelo trecho do rio Solimões, entre Coari a
longa duração, desvelar o papel fulcral Manaus, respeitando o ciclo hidrológico
que os conhecimentos tradicionais dos do rio, ou seja, enchente, cheia, vazante e
povos, que ali viveram e vivem, têm seca. Estas viagens, bem como a análise
para a configuração do equilíbrio am- das amostras recolhidas, envolvem mais de
biental tão preconizado. Esse reconhe- 200 profissionais de diferentes áreas do co-
cimento é de responsabilidade tanto do nhecimento. Durante as excursões, são vi-

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Carneiro, C. G.

sitadas nove comunidades. No período de Meneses, U. B. 1987. Identidade Cultural e


2005 a 2010, a área de arqueologia passou a Arqueologia, in Cultura Brasileira – Temas e
fazer parte das dezesseis áreas de pesquisa Situações. Editado por A. Bosi. São Paulo:
que compõem o projeto. Ática.

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Recebido em 11/02/2014
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